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Numero do processo: 10320.002486/2005-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PLEITEAR. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL.
O direito de pleitear restituição ou compensação de indébito extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados a partir do pagamento tido por indevido, para os pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Para pedidos e declarações apresentados antes dessa data, o prazo é de dez anos, contados do fato gerador tributário.
Decisão definitiva de mérito do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.621, no regime do art. 543B do CPC. Aplicabilidade do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9202-005.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA PLEITEAR. APLICAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. TERMO INICIAL. O direito de pleitear restituição ou compensação de indébito extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados a partir do pagamento tido por indevido, para os pedidos de restituição e declarações de compensação apresentados a partir de 09/06/2005. Para pedidos e declarações apresentados antes dessa data, o prazo é de dez anos, contados do fato gerador tributário. Decisão definitiva de mérito do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 566.621, no regime do art. 543B do CPC. Aplicabilidade do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 24 86 /2 00 5- 74 Fl. 152DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Recurso Especial da Fazenda Nacional contra o Acórdão n. ° 380500.074 que restou assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anoscalendário: 2000, 2001 e 2002 DECADÊNCIA CONTAGEM Em se tratando de fatos geradores ocorridos no ano 2000, portanto anteriores à Lei Complementar 118/2005, deve ser aplicado ao corrente pedido de restituição a regra que predominava em nosso ordenamento jurídico, segundo a qual o contribuinte teria o prazo de 10 (dez) anos para requerer a repetição do indébito tributário nos casos em que se tratasse de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Recurso provido. O contribuinte, atualmente representado por eu espólio, solicitou restituição referente ao juros Selic incidente sobre o imposto de renda retido na fonte, relativo às parcelas intituladas "abono variável" nos anoscalendário de 2000 a 2002, a partir das datas das retenções, inclusive sobre os 13o salários. A Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort) da Delegacia da Receita Federal em São Luís, mediante o Despacho Decisório n° 170/2005, fls. 23/33, acolheu parcialmente o pedido, considerando que o período compreendido entre janeiro e agosto de 2000, quando da formalização do pedido, já se encontrava atingido pelo instituto da decadência. Inconformado com a Decisão, da qual tomou ciência em 05/01/2006, fls. 33, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 03/02/2006, fls. 47/54, a seguir parcialmente transcrita: "JOÃO MARQUES FARIAS FILHO, (...), vem (...) apresentar MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE contra o r. despacho de fls. que acolheu, parcialmente, o seu pedido de restituição do IMPOSTO DE RENDA sobre o 13° salário, (Resolução 245 do STF) e, bem assim, no tocante à alegada prescrição de parte do crédito Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10320.002486/200574 Acórdão n.º 9202005.118 CSRFT2 Fl. 8 3 requerido, pleiteando, dessarte, a reforma da r. decisão, aduzindo, para tanto, o seguinte: (...) 1.1 Inexigibilidade do direito de não tributação anteriormente à vigência da Lei 10.474, datada de 27.06.2003 Hipótese de Actio Nata de condição suspensiva (199,1 do Código Civil). E cediço na doutrina que para o fluxo do prazo prescricional é necessário que se apresente o transcurso de um prazo previsto em lei, com a inércia do titular do direito diante de uma lesão, ou seja, que a inércia se dê no momento em que haja a exigibilidade da reparação deste mesmo direito que fora lesado. No presente caso, embora o "abono variável", que foi reconhecido como parcela indenizatória, já estivesse previsto na Lei 9.655, de Io de janeiro de 1998, entendeuse então, que tal dispositivo não era aplicável imediatamente, pois estava condicionado à vigência de outra Lei, qual seja aquela que viria fixar teto salarial e, conseqüentemente, a nova remuneração do Ministro do STF. Por isto, durante longo período a Lei mencionada não teve efeitos práticos, estando com sua eficácia no aguardo desta nova legislação, portanto, não havia exigibilidade do direito à não tributação, pois o "abono variável" não existia como parcela paga ao magistrado. Os valores então pagos aos magistrados contribuintes e que posteriormente vieram a ser compensados não eram reconhecidos como abono e não tinham, conseqüentemente, à época, natureza indenizatória, eram parcelas de vencimentos eminentemente remuneratórios, como exempli gratia; o percentual da diferença de 11,98% (URV), ou seja, pela legislação então vigente eram tributáveis, não havendo no momento da tributação como se postular a sua não incidência, pois faltaria qualquer amparo legal. Concluise então é que naquele momento longínquo de 1" de janeiro de 1998, não havia sido implementado abono de natureza variável e não havia lei que assegurasse o direito subjetivo à não tributação, portanto, não se pode falar em prescrição por inércia do titular do direito lesado. Apenas com o advento da Lei 10.474, de 27.06.2003 e sua vigência é que de eficácia plena ao abono que estava previsto na Lei de 1998, superando a "clausula condicional" implícita naquela lei, que era a regulamentação do "teto salarial dos três Poderes ". Aplicandose aí o dispositivo legal contido no Código Civil, que diz não fluir o prazo prescricional quando para o exercício do direito estiver "pendendo condição suspensiva" (art. 199, Ido Código Civil). Apenas a Lei 10.474 assegurou o reajuste remuneratório para o Poder Judiciário Federal, fixando um patamar para o STF, com o devido escalonamento, determinou que tal remuneração vigorasse até que viesse a Lei que estabelecesse o teto remuneratório do serviço público e ainda revogou a "clausula suspensiva" da Lei 9.655, estabelecendo uma regulamentação diferente para o abono variável previsto na Lei 9.655, que até então não havia sido pago. Fl. 154DF CARF MF 4 Ocorre, que a própria Lei 10.474/03, que concedeu o direito ao abono, determinou que diversas parcelas, que teriam sido recebidas de modo indevido ou não, já seriam compensadas pelo "abono". Tais parcelas, observese, poderiam até mesmo ser objeto devolução, caso não viesse a compensação do abono variável. Por outro lado, o abono seria recebido integralmente, caso não houvesse tal compensação. Em cada órgão do Judiciário se operou a compensação com variações, devido mesmo a variação das parcelas recebidas, tidas como compensáveis, bem como, o momento em que isto ocorreu. E lógico que, para observância da igualdade de não incidência tributária, todo o "abono variável é não tributável", o que "contaminou" de isenção as parcelas recebidas indevidamente (segundo a idéia da própria lei) e que foram compensadas, passando a serem consideradas como "antecipação do abono variável". A conclusão a que se chega é de que a exigibilidade da devolução somente ocorre a partir de janeiro de 2004, quando se iniciou o pagamento do abono variável e efetivouse concretamente a compensação daqueles outros créditos que haviam sido tributados. Quando menos, poderíamos dizer, que somente com a vigência da Lei 10.474/03, de junho de 2003, é que haveria a exigibilidade e, conseqüentemente, poderseia falar em inércia do titular do direito, com fluxo de prazo prescrícional. Tratase, portanto, de hipótese do ACTIO NATA, a exigibilidade da isenção, inclusive sobre as parcelas já tributadas, nasceu com advento da Lei que criou o abono não tributável (conforme Resolução 245 do STF) e determinou a compensação das parcelas que haviam sido pagas com tributação, pois tais valores, a serem compensados do abono, foram considerados como indevidamente recebidos a título remuneratório, portanto passaram a ter natureza também de antecipação do abono variável e por isto mesmo não sujeitos à tributação. 1.2 Reconhecimento do Devedor. O art. 202, inciso VI do Código Civil, traz como causa interruptiva da prescrição "qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial que importe reconhecimento do direito pelo devedor". Ora, a UNIÃO, por intermédio da Secretaria da Receita Federal, efetuou o pagamento da devolução dos créditos Tributários no decorrer do ano de 2004, reconhecendo o direito dos contribuintes de receber os créditos decorrentes da incidência das parcelas do abono, apenas não a incidiu ex officio sobre o 13°salário, por questões operacionais e não efetuou os cálculos de modo correto, ou seja, a partir da data de incidência da tributação que se tornou indevida. O ATO DE RECONHECIMENTO DO DIREITO Ê INEQUÍVOCO, interrompendo o prazo prescricional, podendo mesmo se falar que a lesão ao direito que se discute aqui, objetivamente não é a incidência ou não, pois isto já foi reconhecido pela UNIÃO, mas sim a lesão ao direito que nasceu apenas no momento da devolução feita pela UNIÃO, ao não considerar a correção mês a mês. Portanto, mais este argumento afasta a tese da prescrição. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10320.002486/200574 Acórdão n.º 9202005.118 CSRFT2 Fl. 9 5 1.3. Teoria "dos cinco mais cinco". Apenas ad cautelam, considerandose que o Imposto de Renda é tributo de incidência complexa, aplicarseia, de qualquer modo a "Teoria dos cinco mais cinco", atualmente consolidada no Superior Tribunal de Justiça, como inúmeros recentes decisões, neste sentido, ou seja, de que o prazo prescricional, para postulas a restituição, nas hipóteses dos tributos sujeitos à homologação, ocorrerá após 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, acrescidos de mais 05 (cinco) anos da homologação. (...) Isto posto, requer que seja rejeitada a questionada prescrição e, em conseqüência disto, determinada a devolução dos valores indevidamente retido e, bem assim, do Imposto de Renda que incidiu sobre o 13°salário (Resolução 245 do STF e Lei 10.474) observando, em tudo, a aplicação da taxa SELIC". Às fls. 56/65 dos autos, acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza que, por unanimidade, negou provimento a impugnação, por entender que já teriam transcritos mais de 05 (cinco) anos entra a data de retenção do imposto e a data do pedido de repetição. Às fls. 68/70, recurso voluntário do contribuinte, nos mesmos termos da impugnação anteriormente apresentada. O acórdão recorrido decidiu que o prazo para pleitear a restituição dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação se encerraria transcorridos 05 (cinco) anos da homologação tácita a qual se verifica transcorridos 05 (cinco) anos do pagamento indevido nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com isso, teria o contribuinte o prazo de 10 (dez) anos (5+5) para requerer a repetição de seu indébito, contado do equivocado pagamento, desde que os fatos geradores sejam anteriores à Lei Complementar n° 118/2005. Como fundamento legal, citou o disposto no art. 168,1, c/c art. 150, § 4o , ambos do CTN. A recorrente alega que a decisão atacada diverge das jurisprudências da Terceira e Quarta Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, citando como paradigmas os Acórdãos n° 930300080 e CSRF/0400.81, que, segundo ela, determinaram que o referido prazo prescreve em cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, assim entendido como a data do pagamento indevido. Afirma, ainda, que o acórdão guerreado contrariou o disposto nos arts. 156, I, e 168, caput e inciso I, do CTN, e arts. 3 o e 4o da Lei Complementar n° 118/2005, ponto este, entretanto, não foi admitido o recurso por unânime. Contrarrazões do contribuinte pugna pela manutenção do recorrido, pelos seus próprios fundamentos. É o relatório Fl. 156DF CARF MF 6 Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e cumpre os demais pressupostos de admissibilidade. A questão a ser abordada, então, diz respeito ao prazo para pleitear o indébito. Entende a recorrente que esse prazo seria de dez anos a contar do fato gerador, tese consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça e que ficou conhecida como “cinco mais cinco”. prazo de cinco anos a contar da data do pagamento. Com isso, consideraram que parte do pedido de restituição (a maior parte, os pagamentos feitos em 1993) teria sido formulado a destempo. Ao ser trazida ao CARF, a questão ganha contornos diferentes, diante do § 2º do art. 62 do Anexo II da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF), verbis: Art. 62. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pois bem. A controvérsia acerca da contagem do prazo para repetição ou compensação de indébitos, especialmente diante das alterações legislativas introduzidas pelos arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005, foi levada à apreciação do Supremo Tribunal Federal, e cumpre destacar o quanto decidido no Recurso Extraordinário nº 566.621, assim Ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.002486/200574 Acórdão n.º 9202005.118 CSRFT2 Fl. 10 7 segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Essa decisão definitiva de mérito da Suprema Corte é, como se vê, de aplicação obrigatória pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF. Passo, pois, a fazêlo. Assim, considerando o pedido de ressarcimento datado de 20 de setembro de 2005, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003913/2007-09
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002
RECOLHIMENTO EM ATRASO. COMPROVAÇÃO.
São cabíveis os acréscimos legais sobre os recolhimentos efetuados após o vencimento.
MULTA DE MORA. DESCABIMENTO.
Comprovado que o recolhimento foi efetuado dentro do prazo de vencimento é incabível a multa de mora.
Numero da decisão: 1803-001.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$ 499,99.
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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COMPROVAÇÃO. São cabíveis os acréscimos legais sobre os recolhimentos efetuados após o vencimento. MULTA DE MORA. DESCABIMENTO. Comprovado que o recolhimento foi efetuado dentro do prazo de vencimento é incabível a multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$ 499,99. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.003913/200709 Acórdão n.º 180301.045 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase de impugnação a autuação eletrônica decorrente de auditoria interna em DCTF, de acordo com IN SRF n°s 45/98 e 77/98, que constatou pagamentos de IRPJ, código 2089, do ano calendário de 2002, após o vencimento (fls.24/25), sem o recolhimento da respectiva multa de mora e com juros de mora pagos a menor, consoante o demonstrativo consolidado no Anexo IV de fls.26. 0 presente lançamento de oficio exige o recolhimento de crédito tributário no valor total de R$557,02, com base na capitulação legal descrita no quadro 10 do auto de infração (fls.23), a saber: Demonstrativo da Crédito Tributário Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor (RS) Multa paga a menor Art.160 da Lei n° 5.172/66; art. 43 e 61, e §§1° e 2°, da Lei n° 9.430/96; art. 9° e parágrafo único da Lei n° 10.426/2002. 510,80 Juros pagos a menor Art.160 da Lei n° 5.172/66; art. 43 da Lei n° 9.430/96; art. 9° da Lei n°10.426/2002. 46,22 TOTAL 557,02 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada, a contribuinte apresentou em 03/05/2007 a impugnação de fls.01/05, acompanhada dos documentos de fls.06/28, alegando em síntese que: 1. 0 presente auto de infração foi lavrado eletronicamente e encontrase eivado de vício por não conter todos seus requisitos obrigatórios, conforme previstos nos incisos III e IV do art.10, do Decreto n° 70.235/72. 1.1. A descrição dos fatos, a disposição legal infringida e a capitulação da penalidade aplicável não foram dispostas de maneira clara e precisa, impedindo assim a reunido de elementos para a defesa da autuada. 2. 0 valor cobrado é indevido porque foi pago, conforme cópias dos comprovantes de pagamentos anexo. 2.1. Os débitos estão sendo analisados pela PGFN, por meio do pedido de revisão de débitos inscritos em Dívida Ativa da União (envelopamento – lote n° 2005.0525A), conforme os documentos de fls.18/19. 2.2. Tendo em vista que perduram dúvidas sobre a exigibilidade dos valores cobrados e que existe pedido de revisão ainda Fl. 81DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.003913/200709 Acórdão n.º 180301.045 S1TE03 Fl. 3 3 pendente de apreciação por parte da Receita Federal para analisar os pagamentos realizados, requer a suspensão deste auto de infração até ulterior verificação da existência ou não dos débitos cobrados. DAS PETIÇÕES APRESENTADAS PELA CONTRIBUINTE Em 23/03/2010, a contribuinte apresentou a petição de fls.32/33, acompanhada dos documentos de fls.34/37, alegando em resumo que: 1. 0 presente auto de infração lavrado eletronicamente é decorrente do processo administrativo autuado sob o n° 10880.523585/200540 (pedido de revisão —envelopamento — referente aos exercícios de 2000 a 2004) e que posteriormente gerou a execução fiscal n° 2005.61.82.0260859. 1.1. Ocorre que a Receita Federal por meio do Oficio 405/2007 EQDAU reconheceu que a autuada comprovou os recolhimentos dos tributos antes da inscrição na Divida Ativa da Unido, recomendando seu cancelamento (fls.34/35). 1.2. Tendo em vista a perda do objeto da ação o juiz decidiu pela extinção da execução fiscal, o que resultou no arquivamento do feito (fls.36/37). 1.3. A impugnante requer o cancelamento do presente auto de infração, tendo em vista a perda do objeto pelo reconhecimento dos recolhimentos efetuados conforme o Oficio 405/2007 — EQDAU. Ainda, em 27/05/2010, a contribuinte apresentou a petição de fls.40/41, acompanhada dos documentos de fls.42/55, alegando em resumo que: 1. Os débitos que deram origem as cobranças do presente processo estão vinculados à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670 (processo de revisão— envelopamento), ainda pendente de julgamento. 1.1. Os mesmos débitos estão sendo cobrados por meio da execução fiscal n° 2006.61.82.0325214, conforme demonstrativo da PFN (fls.42/55), atualmente com a exigibilidade suspensa face ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009. 1.2. A impugnante requer que seja extinta a exigência do presente processo.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada (fls. 57/62) “AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.003913/200709 Acórdão n.º 180301.045 S1TE03 Fl. 4 4 Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, é incabível cogitar a nulidade do Auto de Infração. PEDIDO DE REVISÃO DE DÉBITOS INSCRITOS EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 0 pedido de revisão não suspende a exigibilidade do crédito tributário, pois não é considerado recurso administrativo nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional. Em realidade, corresponde apenas a uma provocação de revisão de oficio pela Administração, que, com fundamento no poder de rever seus próprios atos, procederá à nova verificação de um crédito já devidamente constituído.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Preliminarmente, face a atenção que requer o assunto, informa que os PA 01/01/2002 e PA 01/07/2002 estão vinculados à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670 (processo de revisão — Envelopamento), ainda pendente de julgamento, onde a impugnante apresenta provas do único débito que possui no trimestre em questão, que é uma diferença de R$ 15,90 no 1° trimestre, sendo 1/3 em cada mês do trimestre, e não do valor que está sendo cobrado em tal processo. b) O referido débito de R$ 510,80 exigido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil através do processo n° 11610.003913/200709, não é devido, por se tratar de multas pagas a menor na 1ª parcela do 1° trimestre de 2002, no valor de R$ 499,99 e no 3° trimestre de 2002, no valor de R$ 10,81, e juros pagos a menor na 1ª parcela do 3° trimestre de 2002, no valor de R$ 46,22, o que de fato não ocorreu, conforme comprovação por documentos juntados. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 16/08/2010 (AR de fls. 72). O recurso foi protocolado em 20/08/2010, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente alega que o débito objeto da presente autuação está vinculado à análise do processo administrativo n° 10880.536028/200670. Conforme extrato da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 16/42), nele estão sendo cobrados os seguintes débitos, relativos ao 1° e 3° trimestres de 2002: Natureza: IMPOSTO IRPJ Fl. 83DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.003913/200709 Acórdão n.º 180301.045 S1TE03 Fl. 5 5 Data Vencimento: 30/04/2002 P. Apur Base/Ex: 01012002 Multa Mora: 20% Valor Originário: R$ 9.834,08 Valor Remanescente: R$ 9.834,08 Natureza: IMPOSTO IRPJ Data Vencimento: 31/10/2002 P. Apur Base/Ex: 01072002 Multa Mora: 20% Valor Originário: R$ 2.525,21 Valor Remanescente: R$ 2.525,21 Os débitos de multa e juros isolados cobrados no presente processo são decorrentes dos recolhimentos abaixo: Cód.receita Per. Apur. Vencimento Pagamento Valor principal (R$) Multa de mora Juros 2089 01012002 30/04/2002 03/06/2002 3.278,03* 10,81 46,22 2089 01072002 30/10/2002 31/12/2002 2.525,21** 499,99 TOTAL 510,80 46,22 * 2ª quota do IRPJ relativo ao 1° trimestre de 2002. **1ª quota do IRPJ relativo ao 3° trimestre de 2002. No presente processo estão sendo cobrados apenas os acréscimos legais, ao passo que no processo n° 10880.536028/200670, está sendo exigido o imposto nos valores de R$ 9.834,08 e R$ 2.525,21. Não há identidade absoluta entre as duas cobranças, sendo perfeitamente possível fazer a análise do presente processo, independentemente do desfecho ou da decisão a ser proferida no processo n° 10880.536028/200670. No tocante ao mérito, é mister relacionar os recolhimentos que constam dos autos (fls. 17, 28 e 68): Cód.receita Per. Apur. Vencimento Valor principal (R$) Pagamento 2089 1° trimestre 30/04/2002 3.278,03 30/04/2002 2089 1° trimestre 31/05/2002 3.278,03 03/06/2002 2089 1° trimestre 28/06/2002 3.278,03 28/06/2002 2089 3° trimestre 31/10/2002 2.525,22 31/10/2002 2089 3° trimestre 29/11/2002 2.525,22 29/11/2002 2089 3° trimestre 31/12/2002 2.525,21 30/12/2002 Ao analisarmos os recolhimentos acima, podemos fazer as seguintes constatações: Fl. 84DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.003913/200709 Acórdão n.º 180301.045 S1TE03 Fl. 6 6 • A 2° quota do 1° trimestre foi efetivamente recolhida após o vencimento, ou seja, em 03/06/2002, sendo cabíveis os acréscimos de multa de mora no valor de R$ 10,81, e de juros no montante de R$ 46,22. • A recorrente recolheu todas as quotas relativas ao 3° trimestre nas datas de vencimento, não sendo cabível a multa de mora no valor de R$ 499,99, uma vez que a 1ª quota foi paga em 30/04/2002, conforme Darf às fls. 68. • No demonstrativo do auto de infração (fls. 20) fica evidenciado que o valor relativo à 3ª quota, recolhido em 30/12/2002, foi imputado à 1ª quota. Tal imputação está equivocada, pois, a contribuinte fez o recolhimento da 1ª quota no prazo legal. A legislação permite o pagamento em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, in verbis: “Art. 856. O imposto devido, apurado na forma do art. 220, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º). § 1º À opção da pessoa jurídica, o imposto devido poderá ser pago em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, vencíveis no último dia útil dos três meses subseqüentes ao de encerramento do período de apuração a que corresponder (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, § 1º). (nosso grifo) § 2º Nenhuma quota poderá ter valor inferior a um mil reais e o imposto de valor inferior a dois mil reais será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, § 2º). § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 5º, § 3º).” A contribuinte efetuou o pagamento do débito de R$ 7.575,54, em três quotas, acrescidas de juros de mora, e sempre no último dia útil dos três meses subsequentes ao de encerramento do 3° trimestre de 2001. Por conseguinte, não há que se falar em atraso no recolhimento, em relação ao 3° trimestre, sendo incabível a exigência da multa de mora isolada no valor de R$ 499,99. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da tributação o valor de R$ 499,99. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 85DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 11610.003913/200709 Acórdão n.º 180301.045 S1TE03 Fl. 7 7 Fl. 86DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005365/2010-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008
VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. INCLUSÃO.
Os valores correspondentes ao chamado desconto-padrão de agência integram o valor do faturamento dos veículos de comunicação, pois são por eles devidos, como comissão, às agências de publicidade, por conta da intermediação entre anunciante e veiculo, possuindo natureza de comissão, consoante expressa disposição das Normas Padrão da Atividade Publicitária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008
VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. INCLUSÃO.
Os valores correspondentes ao chamado desconto-padrão de agência integram o valor do faturamento dos veículos de comunicação, pois são por eles devidos, como comissão, às agências de publicidade, por conta da intermediação entre anunciante e veículo, possuindo natureza de comissão, consoante expressa disposição das Normas Padrão da Atividade Publicitária.
Numero da decisão: 9303-004.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. INCLUSÃO. Os valores correspondentes ao chamado desconto-padrão de agência integram o valor do faturamento dos veículos de comunicação, pois são por eles devidos, como comissão, às agências de publicidade, por conta da intermediação entre anunciante e veiculo, possuindo natureza de comissão, consoante expressa disposição das Normas Padrão da Atividade Publicitária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. INCLUSÃO. Os valores correspondentes ao chamado desconto-padrão de agência integram o valor do faturamento dos veículos de comunicação, pois são por eles devidos, como comissão, às agências de publicidade, por conta da intermediação entre anunciante e veículo, possuindo natureza de comissão, consoante expressa disposição das Normas Padrão da Atividade Publicitária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2003; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.207 1 1.206 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.005365/201091 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.609 – 3ª Turma Sessão de 26 de janeiro de 2017 Matéria PIS E COFINS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente EMPRESA PAULISTA DE TELEVISÃO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. INCLUSÃO. Os valores correspondentes ao chamado descontopadrão de agência integram o valor do faturamento dos veículos de comunicação, pois são por eles devidos, como comissão, às agências de publicidade, por conta da intermediação entre anunciante e veiculo, possuindo natureza de comissão, consoante expressa disposição das Normas Padrão da Atividade Publicitária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. INCLUSÃO. Os valores correspondentes ao chamado descontopadrão de agência integram o valor do faturamento dos veículos de comunicação, pois são por eles devidos, como comissão, às agências de publicidade, por conta da intermediação entre anunciante e veículo, possuindo natureza de comissão, consoante expressa disposição das Normas Padrão da Atividade Publicitária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 53 65 /2 01 0- 91 Fl. 1207DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por EMPRESA PAULISTA DE TELEVISÃO S.A. (fls. 1.021 a 1.074) com fulcro no artigo 37, §2º, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 e do artigo 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 310201.464 (fls. 990 a 1.009) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 26 de abril de 2012, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal específica, o valor correspondente ao desconto padrão de agência, quando contabilizado como receita pelos veículos de comunicação não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 9303004.609 CSRFT3 Fl. 1.208 3 VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Na ausência de previsão legal específica, o valor correspondente ao desconto padrão de agência quando contabilizado como receita pelos veículos de comunicação não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. Recurso Voluntário Negado (grifouse) A discussão dos presentes autos tem origem em autos de infração lavrados, em face da Contribuinte, para exigência da Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 28 a 44) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 45 a 63), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Apurou a Fiscalização ter o Sujeito Passivo excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos ao "descontopadrão de agência". No Termo de Verificação Fiscal (fls. 02 a 24), após descrever os procedimentos adotados na ação fiscal e as respostas fornecidas pela Contribuinte, expõe razões que levaram ao lançamento de ofício, in verbis: [...] 8 Tendo em vista que a fiscalizada declarou a menor a COFINS e o PIS devidos nos anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008, procedemos à lavratura do presente Auto de Infração, concernente à legislação que disciplina a matéria, conforme a seguir será explanado. [...] 21 Também, nesta mesma data, [a Contribuinte] apresentou petição anexando cópias reprográficas de duas decisões proferidas pelo Segundo Conselho de Contribuintes que confirmariam o procedimento adotado pela fiscalizada no que tange à exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS do desconto de agência. [...] 23 Em petição protocolizada em 20/04/2010 (fls. 132), em resposta ao Termo de Intimação Fiscal N° 01100/09/005, [a Contribuinte] prestou os seguintes esclarecimentos: "... que o procedimento adotado pela empresa, relativo ao tratamento do desconto padrão de agência (regulamentado nas NormasPadrão da Atividade Publicitária pelo art.11 do Decreto 57.690 de 01/02/1966), como receitas de terceiros para fins de apuração da base de cálculo do PIS e COFINS, é confirmado pelos entendimentos da Lei 10.925 de 23/07/2004, que em seu art. 13 remete ao disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985 (anexo 1), bem como pelas Leis 10.637 de 30/12/2002 (PIS) e 10.833 de 29/12/2003 (COFINS). Fl. 1209DF CARF MF 4 Tal entendimento é ainda corroborado pelo tratamento dado pela própria Receita Federal ao preço para a determinação do valor do Ressarcimento Fiscal da Propaganda Partidária/Eleitoral previsto pelo Decreto n° 5.331 de 04/01/2005 em seu art. 1º e pelo Ato Declaratório lnterpretativo SRF n° 2 de 06/02/2006 em seu artigo único, que determinam a exclusão do lucro liquido, para efeito de determinação do lucro real, "Valor correspondente a oito décimos do resultado da multiplicação do preço do espaço comercializável", justamente com o objetivo de restringir o ressarcimento às receitas dos veículos de comunicação. Por fim, além dos precedentes da jurisprudência administrativa cujas ementas foram transcritas na resposta preliminar à Intimação em referência, a Empresa gostaria ainda de citar as seguintes decisões no sentido de que o Desconto Padrão não compõe a base de cálculo do PIS e COFINS dos veículos de comunicação: Acórdão n° 0202.428 (Segunda Turma da CSRF, Relatora Josefa Maria Coelho Marques. Sessão de 16.10.2006) e Acórdão n° 20177.272 (Primeira Camara do Segundo Conselho de Contribuintes, Relator. Jorge Freire. Publicado no DOU em 14.05.2004)." [...] 27 Neste caso concreto, não há comandos normativos impeditivos e a Administração possui o entendimento de que os descontos de agência não são passíveis de serem excluídos das bases de cálculo da COFINS e do PIS, conforme várias Jurisprudências Administrativas, assim como, várias Soluções de Consulta, nas quais, algumas ementas serão transcritas adiante. [...] IV DAS APURAÇÕES EFETUADAS — APURAÇÃO INCORRETA DAS BASES DE CALCULO DA COFINS E DO PIS — EXCLUSÃO INDEVIDA DO DESCONTO DE AGÊNCIA IV.1 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL AO DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA 30 Após análise das DACON dos anoscalendário 2005 a 2008, bem como os demais Livros e documentos encaminhados (arquivos magnéticos), constatouse que a fiscalizada excluiu indevidamente das bases de cálculo do PIS e da COFINS, os valores pagos a titulo de desconto padrão de agência (desconto de Agência Regional/Nacional/Agente Comissão). 31 À luz da legislação de regência, não há previsão legal para a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS, dos valores devidos às agências de publicidade, a titulo de desconto padrão de agência, pelos veículos de divulgação, como é o caso da fiscalizada. [...] 40 É mister esclarecer que todas são formas obrigatórias previstas na legislação que regulamenta a atividade publicitária. 41 Todavia, de acordo com o item 2.3.1 das NormasPadrão, é permitida aos contratantes a liberdade de determinar outra forma de remuneração da agência, desde que seja especificado no próprio contrato a quem competirá tal encargo. 42 De plano verificase que o legislador determinou, através dos artigos 11 e 12 da Lei n° 4.680/65, que a responsabilidade para a fixação da tabelas de preços, bem como da remuneração das agências é exclusivamente do veículo de comunicação. Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 9303004.609 CSRFT3 Fl. 1.209 5 43 Isto significa que o risco do negócio é do veículo de comunicação que não pode deixar de remunerar as agências em razão de inadimplemento do anunciante. 44 Se o negócio jurídico é de responsabilidade exclusiva do veículo de comunicação é de se inferir que o faturamento bruto, incluindo o desconto padrão, compõe toda a receita do veículo de comunicação. 45 Tanto é verdade que em caso de inadimplemento do anunciante quem deverá ajuizar uma ação judicial em face deste (anunciante) cobrando a totalidade da fatura (valor líquido mais o desconto padrão) é o veículo de comunicação pois, a agência já recebeu a sua comissão. 46 Este fato corrobora para demonstrar que o valor faturado bruto é receita própria do veículo. (...) 48 A apuração das bases de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS apurados mediante a sistemática da nãocumulatividade têm seu fato gerador disciplinado no art. 1º da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003. 49 Cumpre observar que, para os casos em que a agência recebe o valor bruto do anunciante e repassa o valor líquido para o veículo de divulgação, conforme a letra 'a' do item 39 anterior, a legislação tributária prevê expressamente que, em tal situação, a agência de propaganda e publicidade poderá deixar de computar nas bases de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS o valor repassado, conforme dispõe o art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, c/c o art. 53, parágrafo único, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985: (...) 50 Portanto, depreendese que os valores repassados somente podem ser excluídos na apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS quando houver expressa disposição legal nesse sentido, conforme preceitua o art. 150, § 6º, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993: (...) 51 Quando o legislador disciplinou especificamente essa exclusão no caso dos repasses efetuados pelas agências de publicidade, de acordo com o citado art. 13 da Lei n° 10.925, de 2004, o fez de acordo com a magna carta. 52 Entretanto, no caso dos veículos de divulgação, ocorre o oposto, pois o mesmo recebe o valor total (bruto) e repassa à agência o montante correspondente ao "desconto padrão". 53 Portanto, tal situação não configura hipótese de exclusão da base de cálculo, uma vez que não há expressa disposição legal. 54 O que se constata é que a obrigação relativa ao desconto padrão de agência configura uma situação jurídica própria, em paralelo ao faturamento realizado pelo veículo de divulgação contra o anunciante, constituindo, assim, uma segunda relação jurídica, desta vez erigida entre o veículo de divulgação e a agência de publicidade e propaganda. Fl. 1211DF CARF MF 6 55 Essa segunda relação jurídica, por conseqüência, não se altera, seja qual for a forma de pagamento adotada pelo veículo de divulgação, isto é, tratase sempre de obrigação do veículo de comunicação, seja o pagamento realizado de forma direta ou indireta. 56 Assim, a remuneração da agência tanto pode se dar mediante desconto no repasse do montante entregue pelo anunciante a título de quitação da fatura emitida pelo veículo de divulgação, como pelo recebimento do valor referente ao "desconto padrão" diretamente do anunciante (nesse último caso, o anunciante apenas divide o valor total da fatura emitida pelo veículo de divulgação em duas partes e direciona uma delas à agência). 57 Seja qual for a modalidade escolhida quem sempre irá remunerar as agências será o veículo de comunicação e não o anunciante, ou seja, a relação que se estabelece entre o veículo de divulgação e a agência de propaganda e publicidade não é alterada pela forma escolhida para quitação do "desconto padrão", sendo essa relação jurídica distinta da que se estabelece entre o anunciante e o veículo de divulgação. 58 Assim, tendo em vista que o anunciante deve efetuar o pagamento ao veículo de comunicação pelo valor bruto do serviço (incluindo o desconto padrão de agência) e que tal desconto não importa em nenhum tipo de desconto incondicional (do veículo de divulgação em favor do anunciante), é mister concluir que os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS o desconto padrão de agência. 59 Ademais, conforme já explanado anteriormente, se o negócio jurídico é de responsabilidade exclusiva do veículo de comunicação é de se inferir que o faturamento bruto (incluindo o desconto padrão) deve compor a receita do veículo de comunicação. 60 Com efeito, no caso de inadimplemento do anunciante, somente o veículo de comunicação poderá pleitear judicialmente os valores inadimplidos por este, devendo por conseguinte, requerer a totalidade da fatura (valor líquido mais o desconto padrão), pois já efetuou o pagamento do desconto padrão à agência. 61 Dessa forma, o "desconto padrão" devido às agências de publicidade, independentemente da modalidade pela qual se verifique o pagamento, não poderá ser excluído na apuração das bases de cálculo da COFINS e do PIS devidas pelo veículo de divulgação, por falta de previsão legal. ... 70 Portanto, da análise da escrituração (Razões contábeis/Balancetes) da fiscalizada nos anoscalendário 2005 a 2008, em contraposição com os valores de COFINS e PIS declarados em DCTF/DACON, verificouse que a fiscalizada DECLAROU/RECOLHEU A MENOR os valores devidos de COFINS e PIS de abril de 2005 a dezembro de 2008, tendo em vista a exclusão indevida dos valores pagos à título de desconto padrão de agência (desconto de Agência Regional/Nacional/Agente Comissão) às agências de publicidade. [...] (grifouse) Devidamente cientificada da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 139 a 161), julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 9303004.609 CSRFT3 Fl. 1.210 7 de Julgamento em Campinas (SP), nos termos do acórdão nº 0530.839, de 04 de outubro de 2010 (fls. 182 a 201), cujos fundamentos encontramse sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2005 a 30/12/2008 BASE DE CALCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. FATURAMENTO. DESCONTOS DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. O faturamento bruto dos veículos de comunicação decorre da venda dos seus espaços/tempos aos anunciantes. Os valores correspondentes aos chamados "descontos de agência" integram o valor do faturamento dos veículos de comunicação e são devidos as agências de publicidade por conta da intermediação entre anunciante e veiculo, possuindo natureza de comissão. Assim, os "descontos de agencia" vinculamse a momento posterior ao do auferimento da receita tributável pelos veículos de comunicação, dela não podendo ser excluídos por falta de previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (grifouse) Não resignado com a decisão que julgou improcedente a impugnação, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 212 a 243), postulando o reconhecimento da improcedência dos autos de infração e extintos os créditos tributários de PIS/Pasep e COFINS. Sobreveio, então, julgamento de negativa de provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 310201.464 (fls. 990 a 1.009), ora recorrido, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 26 de abril de 2012. O Colegiado a quo entendeu não ser cabível a exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS dos valores relativos ao descontopadrão de agência, quando contabilizados como receita pelos veículos de comunicação, por ausência de previsão legal específica. No ensejo, a EMPRESA PAULISTA DE TELEVISÃO S.A. interpôs recurso especial contra referido acórdão, alegando divergência jurisprudencial quanto à inclusão dos valores referentes ao descontopadrão de agência na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS devidas pelos veículos de comunicação. Para comprovação do dissenso, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs CSRF/0202.411 e CSRF/0202.428. Em suas razões recursais, aduz a Contribuinte, em síntese, que: (a) sua atividade preponderante consiste na instalação e exploração de estações rádiodifusoras, serviços auxiliares de radiodifusão e serviços de telecomunicação de qualquer natureza, caracterizandose, assim, como um veículo de comunicação ou divulgação. Acrescenta, ainda, Fl. 1213DF CARF MF 8 que "durante o regular desenvolvimento de suas atividades, a Recorrente vende, aos Anunciantes, espaço publicitário concebido, criado e produzido pelas Agências de Publicidade"; (b) os autos de infração relacionamse com as receitas ditas auferidas pela empresa no exercício das atividades antes descritas. Para o Auditor Fiscal, "a contratação das Agências seria de responsabilidade da Recorrente, de maneira que o valor correspondente à receita dos serviços prestados pelas Agências deveria ser acrescido à receita auferida pela Recorrente na comercialização de espaços publicitários, como se o pagamento realizado às Agências constituísse "custo" da Recorrente." Por essa razão, argumentou a Fiscalização não existir base legal para exclusão dos "custos" das atividades desenvolvidas pelos Veículos de Comunicação; (c) os valores relativos ao descontopadrão de agência, no período objeto do auto de infração, foram classificados como receitas na contabilidade da Recorrente por equívoco. Isso porque, embora constasse das faturas emitidas pela Contribuinte um "valor bruto" e um "valor líquido", foi demonstrado nos autos que a indicação do primeiro tinha por finalidade exclusivamente de servir como valor de referência aos anunciantes, pois o desconto padrão, devido pelos Anunciantes às Agências de Publicidade, por determinação legal, é calculado com base em percentual do preço de tabela praticado pelos Veículos de Comunicação. Esse o procedimento que teria dado ensejo à indevida contabilização como receita da Recorrente veículo de comunicação; (d) o direito de crédito da empresa Recorrente contra os Anunciantes sempre correspondeu apenas ao referido "valor líquido", sendo que o desconto padrão, por disposição legal, constitui forma de remuneração dos serviços prestados pelas Agências de Publicidade aos Anunciantes. A forma de contabilização dos desconto de agência não descaracteriza a sua natureza; (e) discorre sobre a relação existente entre Anunciantes, Agências de Publicidade e Veículos de Comunicação, concluindo ser obrigação do anunciante a remuneração da agência de publicidade, pois inexistente relação jurídica entre a agência de publicidade e o veículo de comunicação. Perante os veículos de comunicação, as agências de publicidade agem apenas em nome e por conta dos anunciantes, seus clientes; (f) o descontopadrão de agência é reservado exclusivamente à Agência de Publicidade "com a finalidade de remunerar seus serviços como criadora/produtora de conteúdo publicitário", conforme estabelecido no item 2.5 das NormasPadrão da Atividade Publicitária, não se constituindo em receita do veículo de comunicação ora Recorrente; (g) o art. 19 da Lei nº 12.232, de 29/04/2010, confirma não se constituir, o descontopadrão de agência, em espécie de remuneração devida à Agência pelo Veículo de Comunicação (e assim um custo da atividade do Veículo, o qual não poderia ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS). Tal norma, por ser de caráter Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 9303004.609 CSRFT3 Fl. 1.211 9 interpretativo, pode ser aplicada de forma retroativa a todos os valores objeto do auto de infração lavrado contra a Recorrente. (h) alega, ainda, alcançar, o art. 19 da Lei nº 12.232, de 29/04/2010, as contratações de serviços entre particulares, pois, embora tenha sido editada a lei com o intuito de regular o processo de licitação para contratação das Agências pelo Poder Público, o dispositivo legal deixa claro o conteúdo e a dinâmica das relações entre anunciantes, agências de publicidade e veículos de comunicação; (i) as agências de publicidade não se confundem com os representantes de veículos, agenciadores de propaganda, ou corretores, os quais prestam serviços de intermediação para os veículos de comunicação, sendo por estes remunerados. Neste sentido, vale destacar que o descontopadrão não é uma espécie de taxa de corretagem por supostos serviços de intermediação; (j) os valores pagos pelos anunciantes à Recorrente veículo de comunicação relativos à venda de espaço na mídia televisiva, não incluem o denominado descontopadrão, não sendo parte da sua receita e, portanto, incabível a sua inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS; (k) por fim, colaciona jurisprudência administrativa a amparar a sua pretensão e requer o provimento do recurso especial. O recurso especial da Contribuinte foi admitido, nos termos do despacho nº 3100524, de 05 de novembro de 2012 (fls. 1.175 a 1.176), prolatado pelo Ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em exercício à época, por entender como comprovada a divergência jurisprudencial quanto à inclusão dos valores relativos ao desconto padrão de agência na base de cálculo do PIS e da COFINS da Recorrente veículo de comunicação. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.178 a 1.184, replicadas Às fls. 1.187 a 1.193), requerendo a negativa de provimento ao apelo especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Fl. 1215DF CARF MF 10 Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela EMPRESA PAULISTA DE TELEVISÃO S.A. atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, devendo, portanto, ser conhecido. No mérito, centrase a controvérsia em se verificar a possibilidade de inclusão, nas bases de cálculo da contribuição ao PIS e à COFINS, dos valores relativos ao "desconto padrão de agência", remuneração das agências de publicidade repassada pelos veículos de comunicação. Pertinente à análise do tema, conceituamse as figuras envolvidas na relação jurídicotributária objeto da autuação: veículos de comunicação (ou de divulgação), anunciantes e agências de publicidade ou agência de propaganda. Nos termos do art. 10 do Decreto nº 57.690/66, que regulamenta a Lei nº 4.680/65, é veículo de comunicação qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. A Recorrente é um veículo de comunicação (ou de divulgação) cuja atividade principal é a de televisão aberta, disponibilizando em sua grade de programação espaços para a veiculação de publicidade. O anunciante (ou cliente) é, conforme art. 8º do Decreto nº 57.690/66, empresa, entidade ou indivíduo que utiliza a propaganda. Em outras palavras, são aqueles que contratam as agências de publicidade para promoção de sua imagem e/ou produtos nos veículos de comunicação. A agência de publicidade ou agência de propaganda é, conforme art. 6º do Decreto nº 57.690/66, a empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, que, por meio de profissionais a seu serviço, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos veículos de comunicação, por conta e ordem de clientes anunciantes, com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos e serviços, difundir ideias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. Necessário pontuar que as agências de publicidade não se confundem com a figura dos agenciadores de propaganda ou agenciadores autônomos. Os agenciadores de propaganda são pessoas físicas registradas e remuneradas diretamente pelo veículo de comunicação, sujeitas à sua disciplina e hierarquia, com a função de intermediar a venda de espaço/tempo publicitário. Os agenciadores autônomos, por sua vez, são profissionais independentes, sem vínculo empregatício com anunciante, agência ou veículo, que encaminham publicidade por ordem e conta do anunciante. 1 Nessa senda, com fundamento no art. 11 da Lei nº 4.680/65, no art. 11 do Decreto nº 57.690/66 e no art. 19 da Lei nº 12.232/20102, o descontopadrão de agência ou 1 NormasPadrão da Atividade Publicitária. CONSELHO EXECUTIVO DAS NORMASPADRÃO 2 Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965. Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda serão fixados pelos veículos de divulgação sôbre os preços estabelecidos em tabela. Decreto nº 57.690, de 01 de fevereiro de 1966. Art. 11. O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 9303004.609 CSRFT3 Fl. 1.212 11 desconto padrão encontrase assim definido no item 1.11 das NormasPadrão da Atividade Publicitária: "é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o "Valor Negociado". O valor negociado é o valor fixado na lista pública de preços dos veículos de comunicação, já deduzidos os descontos comerciais. A relação entre agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação (figura na qual se enquadra a ora Recorrente), é contextualizada nos itens 2.1 e seguintes das NormasPadrão da Atividade Publicitária, in verbis: 2. DAS RELAÇÕES ENTRE AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE, ANUNCIANTES E VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO 2.1 As relações entre Agências, Anunciantes e Veículos são, a um só tempo, de natureza profissional, comercial e têm como pressuposto a necessidade de alcance da excelência técnica por meio da qualificação profissional e da diminuição dos custos de transação entre si, observados os princípios deste instrumento, a ética e as boas práticas de mercado, incentivando a plena concorrência em cada um desses segmentos. 2.2 Os Veículos comercializarão seu espaço, seu tempo e seus serviços com base em preços de conhecimento público, válidos, indistintamente, tanto para negócios que os Anunciantes lhes encaminharem diretamente, quanto para aqueles encaminhados através de Agências. É lícito que, sobre esses preços, os Veículos ofereçam condições ou vantagens de sua conveniência, observado o disposto no item 2.3. destas NormasPadrão. 2.3 A relação entre Anunciante e sua Agência tem relevância para a relação entre o Anunciante e o Veículo. Na presença dessa relação, o Veículo deve comercializar seu espaço/tempo ou serviços através da Agência, nos termos do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 4.680/65, de tal modo que fique vedado: (a) ao Veículo oferecer ao Anunciante, diretamente, vantagem ou preço diverso o oferecido através de Agência; (b) à Agência, omitir ou deixar de apresentar ao Cliente proposta a este dirigida pelo Veículo. 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos e Anunciantes, diretamente ou por intermédio da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010. Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do descontopadrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. Fl. 1217DF CARF MF 12 2.3.2 Quando a contratação de que trata o item 2.3.1 envolver serviços de Agência de Publicidade, esta fará jus à remuneração, observadas as disposições estabelecidas em contrato. 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência e Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. [com fundamento no art. 19 da Lei nº 12.232, de 2010] 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 2.5 O “DescontoPadrão de Agência” de que trata o art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. 2.5.1 Toda Agência que alcançar as metas de qualidade estabelecidas pelo CENP, comprometendose com os custos e atividades a elas relacionadas, habilitarseá ao recebimento do “Certificado de Qualificação Técnica”, conforme o art. 17 inciso I alínea “f” do Decreto nº 57.690/66, e fará jus ao “desconto padrão de agência” não inferior a 20% (vinte por cento) sobre o valor dos negócios que encaminhar ao Veículo por ordem e conta de seus Clientes. 2.5.1.1 No caso de relações non compliance indicadas pelo organismo de ética da entidade, o percentual será fixado pelos veículos de acordo com o que dispõe o art. 11, da Lei nº 4.680/65, independentemente de qualquer recomendação do CENP, observado o disposto no art. 63 dos Estatutos Sociais. Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 9303004.609 CSRFT3 Fl. 1.213 13 [...] 2.6 Dadas as peculiaridades que afetam o relacionamento com os Anunciantes do setor público, estes têm a obrigação de fornecer suporte legal e formal (empenho e demais atos administrativos decorrentes) ao contratar espaço/tempo e serviços junto a Veículos e Fornecedores, diretamente ou através de Agências, ficando estas responsáveis pela verificação da regularidade da contratação. Emitida a autorização, o Veículo ou Fornecedor presumirá que a Agência atesta que a referida documentação é suficiente para amparar o pagamento devido. 2.7 É facultado à Agência negociar parcela do “desconto padrão de agência” com o respectivo Anunciante, observados os preceitos estabelecidos nos itens 3.5 e 6.4 destas NormasPadrão. [...] Com relação ao faturamento da prestação dos serviços de publicidade e divulgação, dispõe o art. do Decreto nº 57.690/66 que será realizado em nome do anunciante, devendo o veículo de divulgação remetêlo à agência responsável pela propaganda. Portanto, por expresso comando normativo, o veículo de comunicação emitirá a respectiva fatura em nome do anunciante e enviará à agência de publicidade contratada pelo cliente. Da análise dos documentos acostados aos autos, verificase constar uma fatura (fls. 248 a 249), do período fiscalizado, emitida pelo próprio veículo de divulgação a Recorrente, constando como sacado o Anunciante Condomínio Shopping Center Iguatemi Campinas, e remetida à agência de publicidade Saviezza Propaganda, Publicidade e Eventos Ltda. Como descrição dos serviços prestados, consta "publicidade veiculada, conforme autorização e pedidos constantes nesta nota". Ainda, no detalhamento da referida fatura, estão individualizadas as quantias referentes ao "valor bruto", "descontopadrão de agência" e "valor líquido". Além disso, há também: (i) o "Pedido de Inserção" (fl. 250) enviado pela agência de publicidade ("Saviezza Propaganda") para o veículo de comunicação ("EPTV Campinas", ora Recorrente), por ordem e conta do cliente/anunciante ("Shopping Iguatemi Campinas"); a observação aposta no documento "faturar pelo líquido contra o cliente A/C da agência" demonstra estarse diante da relação jurídica nos moldes traçados pela legislação de regência; e (ii) documento enviado pelo cliente/anunciante (Condomínio Shopping Center Iguatemi Campinas) ao veículo de divulgação (EPTV Campinas) autorizando a agência de publicidade (Saviezza Propaganda Publicidade e Eventos Ltda.) a reservar, negociar e autorizar espaços de mídia para a empresa anunciante (fls. 251). Na descrição das práticas e procedimentos operacionais da atividade publicitária, as NormasPadrão da Atividade Publicitária prevêem o repasse do desconto padrão à agência de publicidade, adimplido pelo anunciante, por meio do veículo de comunicação. A hipótese de o cliente efetuar o pagamento diretamente à agência de publicidade é excepcional. A redação dos itens 6.1 a 6.7 das NormasPadrão da Atividade Publicitária é elucidativa, in verbis: Fl. 1219DF CARF MF 14 [...] 6.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 6.1.1 a 6.1.3. 6.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 6.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 6.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade de a Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedida pelo CENP. 6.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 6.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 6.4 É facultado à Agência negociar parcela do “desconto padrão de agência” a que fizer jus com o respectivo Anunciante, observados os parâmetros contidos no ANEXO “B” – SISTEMA PROGRESSIVO DE SERVIÇOS/BENEFÍCIOS, os quais poderão ser revistos pelo Conselho Executivo do CENP. 6.5 O “desconto padrão de agência” não será concedido: a) a Anunciantes diretamente ou a “Departamentos de Propaganda” de Anunciantes ou Agências Próprias (“House Agencies’’) que não se conformarem ao disposto no item 2.5 e subitens; e item 8.5 destas Normas Padrão; b) às empresas que se dedicam exclusiva ou principalmente à prestação de serviços de mídia, descritas nos itens 4.4 e subitens destas NormasPadrão. c) à Agência que comprar, autorizar e pagar mídia em favor de Cliente(s) e/ou marca(s) cuja conta publicitária esteja confiada a outra Agência. d) quando o Veículo não reconhecer determinada Agência como responsável pelo pleno atendimento da conta publicitária de determinado Anunciante ou quando, mesmo reconhecida, não se tenha encarregado plenamente do atendimento da conta publicitária. Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 9303004.609 CSRFT3 Fl. 1.214 15 6.6 Tanto nas relações com anunciantes do setor público quanto privado, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar valores correspondentes ao “descontopadrão de agência” como receita própria, inclusive quando o repasse de tais valores à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. 6.7 Para efeito dos itens 2.5, 6.6 e demais itens com estes relacionados, fazse necessário inserir, no campo de informações adicionais das Notas Fiscais e Faturas Comerciais dos Veículos, a seguinte expressão: “Valor de Referência do ‘DescontoPadrão’ (remuneração da Agência – item 1.11 das NormasPadrão da Atividade Publicitária): R$ ......” (grifouse) No litígio em exame, embora as informações apostas pela Recorrente sejam no sentido de que o valor correspondente ao descontopadrão de agência seja liquidado diretamente pelo anunciante à agência de publicidade, sem transitar pelo veículo de comunicação, os esclarecimentos, por vezes contraditórios, prestados ao longo do processo e os documentos juntados aos autos, levam a crer terem os valores relativos ao descontopadrão de agência sido pagos ao veículo de comunicação e, posteriormente, repassados à agência de publicidade. De todo modo, o importante é a verificação da relação jurídica estabelecida entre as partes. Por isso, a inclusão dos valores relativos ao descontopadrão de agência pela Recorrente como receita em suas contas contábeis, ainda que indevidamente, não desnatura a referida verba da sua condição de se constituir em remuneração das agências de publicidade, e não do veículo de comunicação, no caso, a EPTV. Passando à análise da tributação dos veículos de comunicação, como é o caso da Recorrente, pelo PIS e pela COFINS, temse que, por força do artigo 8º, inciso XI, da Lei nº 10.637/2002 e do artigo 10, inciso IX, da Lei nº 10.833/2003, as receitas dos serviços de empresas jornalísticas e de radiodifusão de sons e imagens permaneceram sujeitas às normas da Lei nº 9.718/98, vigente anteriormente. Ao unificar a disciplina das contribuições do PIS e da COFINS, a Lei nº 9.718/98, em seus artigos 2º e 3º, equiparou o faturamento à receita bruta, considerando esta como a "totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica", contrariando o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, vigente à época de sua edição, que não permitia a incidência das contribuições sobre a totalidade das receitas das pessoas jurídicas. No julgamento do recurso extraordinário nº 390.840/MG, em 09 de novembro de 2005, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, o Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, à luz do art. 195, inciso I da Constituição Federal, assentando o entendimento de se constituírem em base de cálculo do PIS e da COFINS, exclusivamente, as receitas das pessoas jurídicas decorrentes da prestação de serviços, da venda de mercadorias, ou de ambos. A decisão foi assim ementada: Fl. 1221DF CARF MF 16 CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) (grifouse) Por conseguinte, sobrevindo a declaração da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, a base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS é a receita bruta e/ou faturamento decorrente única e exclusivamente da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e serviços. De outro lado, o art. 110 do Código Tributário Nacional CTN é imperativo no sentido de que os conceitos de Direito Privado, como é o caso do faturamento, devem ser aplicados de acordo com o seu próprio significado, não podendo sofrer alterações para, por exemplo, atribuirlhe receitas estranhas à prestação de serviços ou à venda de mercadorias da pessoa jurídica Contribuinte. Nessa senda, o descontopadrão de agência, ainda que incluído na nota fiscal emitida pelo veículo de comunicação, como é o caso da Recorrente, e devido a título de remuneração à agência de publicidade, não compõe o conceito de faturamento daquela pessoa jurídica. Isso porque ele não representa receita decorrente da venda de mercadorias ou prestação de serviços do veículo de comunicação, e não é revertido em seu favor, mas sim em favor das agências de publicidade, não devendo ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS. O veículo de comunicação tem seu faturamento, nos casos de propaganda, por disponibilizar espaço na sua grade de horários para inserção do anúncio do produto. Por sua vez, a agência de publicidade é quem desenvolve o conteúdo impresso e audiovisual, executando e distribuindo a propaganda aos veículos de comunicação, sendo remunerada por meio do "descontopadrão de agência". Corrobora a argumentação expendida, o art. 19 da Lei nº 12.232/2010, segundo o qual o descontopadrão de agência constitui receita da agência de publicidade e, por isso, não pode ser contabilizado como receita própria do veículo de comunicação. Entendese por aplicável a disposição à contenda, uma vez (a) tratarse de lei de caráter interpretativo, podendo ser aplicada retroativamente, nos termos do art. 106, inciso I, do CTN; e (b) ser Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 9303004.609 CSRFT3 Fl. 1.215 17 irrelevante para a apuração da natureza da verba "desconto padrão", o anunciante qualificarse como Administração Pública ou particular, raciocínio adotado inclusive nas NormasPadrão da Atividade Publicitária, conforme se denota do item 6.6. Portanto, na tributação da Recorrente veículo de comunicação pelas contribuições ao PIS e à COFINS incabível a inclusão dos valores relativos ao "desconto padrão de agência" nas respectivas bases de cálculo, devendo ser extinto o crédito tributário em exigência, com o consequente cancelamento dos autos de infração. Diante do exposto, há de ser conhecido o recurso especial da Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator designado Incumbiume o Presidente de redigir o acórdão, dado que o colegiado dissentiu do bem fundamentado voto da relatora com base nas considerações que expendi em sessão e que seguem. Em diversas ocasiões em que analisamos processos envolvendo essa matéria, reconheci a plausibilidade da alegação da defesa, afinal, sem nenhuma dúvida, quem contrata a agência de publicidade é o anunciante e, logicamente, é este último quem a tem de remunerar. Na maioria daqueles casos, no entanto, mantive os lançamentos por faltar às defesas o elemento essencial de prova: os contratos celebrados entre a agência e o anunciante. Assim o fiz porque plausibilidade não é suficiente. Com efeito, nada obsta, a meu ver, que a agência seja remunerada por ambos os demais envolvidos: tanto o anunciante, que a contrata para elaborar e distribuir uma campanha publicitária, quanto pelo veículo de divulgação como uma espécie de comissão decorrente de sua escolha por aquela. Todos os processos anteriormente julgados, com uma única exceção, limitavamse a bramir a legislação do setor (lei 4680/65), especialmente o seu art. 3º, e alguns trechos das chamadas Normas Padrão das Agências de Publicidade. De nenhum deles, no entanto, consegui eu, até hoje, extrair as consequências que as defesas pretendem: nenhum deles obsta que os serviços de criação etc sejam contratados pelos anunciantes às agências, que estas acionem os veículos também "por conta e ordem" dos anunciantes, mas sejam, adicionalmente, remunerados pelos veículos em razão da escolha feita. Fl. 1223DF CARF MF 18 Avulta ainda mais essa possibilidade quando se constata que o valor do desconto padrão é fixado pelo veículo de comunicação como um abatimento do preço a ser exigido do anunciante. Ora, como pode um terceiro, alegadamente estranho à relação jurídica mantida entre a agência e o anunciante, fixar a remuneração que a agência obterá do anunciante? E por que, nesse sentido, escolheria ela "em nome e por conta do anunciante" um veículo que cobrasse menos daquele se, por consequência, ela, agência, também receberia menos? Essas inconsistências é que me levavam a desconfiar que assim não era. Mas, como disse, a prova cabal de uma ou de outra hipótese quase nunca vinha nos autos. Tinhase, quase sempre, de um lado, acusações fiscais frágeis porquanto apenas suportadas pelo fato de a fatura emitida pelo veículo contemplar as duas parcelas, confrontadas, de outro lado, por defesas, extensas, mas destituídas da prova contrária. Nesse contexto, e dado que a legislação comercial exige que a fatura emitida contemple o serviço efetivamente prestado, nada havia, a princípio, que justificasse a emissão como feita, como mero erro. Por todas essas razões, este processo constitui divisor de águas, ao menos quando se trate da discussão sobre a natureza jurídica do descontopadrão. É que, diferentemente de todos os anteriormente por mim já examinados, tratase de excelente trabalho da fiscalização, que demonstra, cabalmente, na própria legislação do setor, em especial, nas sempre citadas Normas Padrão, que ele é, sim, devido pelos veículos de comunicação às agências. Tratase do item 1.10 daquele conjunto de normas: 1.10 Desconto Padrão de Agência: é o abatimento concedido, com exclusividade, pelo Veiculo de Comunicação à Aqência de Publicidade, a titulo de remuneracão, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre aquele e o Anunciante. E ele é reforçado pelo item 2.3.1: 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos de Comunicação e Anunciantes, diretamente ou mediante a participação da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. 0 respectivo contrato deverá, necessariamente, estabelecer a quem competirá remunerar a Agência, podendo este ônus recair sobre o Veiculo ou sobre o Anunciante, isoladamente, ou sobre ambos e em qual proporção. Quando o contrato for omisso a respeito, a Aqência titular dos direitos autorais sobre o material a ser veiculado fará jus ao "desconto padrão de aqência", na forma do item 2.5 combinado com o item 4.1 destas NormasPadrão. Notese que, em nenhum ponto da defesa é feita qualquer referência a esses taxativos comandos, assim como não são enfrentados os demais apontados pela fiscalização em seu extenso e muito bem elaborado Termo de Verificação Fiscal (fls. 02 a 24). Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 10830.005365/201091 Acórdão n.º 9303004.609 CSRFT3 Fl. 1.216 19 Muito pelo contrário, também aqui o que se tem é uma defesa que, embora extensa, se limita a repetir, à exaustão, sua tese sem porém apresentar um só comando legal ou normativo que efetivamente combata os dizeres dos itens acima transcritos. Repito: apenas insistir, redundantemente, que a contratação da agência é feita pelo anunciante e que a escolha do veículo é feita por ela "por conta e ordem" daquele não exclui, em absoluto, que seja ela remunerada pelo veículo na forma do desconto padrão, como expressamente indica o dispositivo. Como bem apontado em ambas as decisões já proferidas, há norma que espanca definitivamente qualquer dúvida sobre a natureza jurídica da verba em comento: é ela devida pelo veículo à agência e, portanto, integra ela, primeiro, sua receita obtida, sendo, em seguida, repassada como comissão à segunda. E sendo a tributação do setor submetida à sistemática cumulativa da contribuição, integra também a base de cálculo da contribuição devida pelo primeiro. Com essas considerações, é o meu voto pelo improvimento do recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 1225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900784/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO
O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc.
Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc.
Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96.
COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO
Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal.
IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE
As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário.
Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
Numero da decisão: 1302-002.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO - INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano-calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. RECONHECIMENTO COMO SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE As estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 07 84 /2 00 8- 17 Fl. 3482DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.483 2 Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte em indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Por bem sintetizar o processo, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP a seguir transcrito: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar Fl. 3483DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.484 3 débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ estimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 08/2001. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que seria nulo o despacho decisório recorrido por ausência de fundamentação e motivação do indeferimento do pedido, com afronta a dispositivos legais e constitucionais; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que os dados sobre o alegado crédito foram devidamente informados em PER/DCOMP, não havendo razão para o indeferimento do pedido sob alegação de que os valores são inexistentes; que caberia as autoridades fiscais diligenciar junto à empresa para averiguar os valores informados em PER/DCOMP, em observância ao princípio da verdade material e as disposições constitucionais que regem a administração pública; que “a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e/ou compensado com outros débitos administrados pela Receita Federal já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido do contribuinte, em especial a comprovação da existência de um crédito tributário”; Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.485 4 Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulando o despacho decisório recorrido e restabelecidas as compensações efetuadas. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, na conformidade da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento afirmou que as estimativas mensais não poderiam caracterizar pagamento a maior passível de compensação, dada a sua Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.486 5 natureza de mera antecipação. Contudo, entendeu que deveria examinar eventual apuração, pela Contribuinte, de saldo negativo de IRPJ no período em questão (2001), já que este poderia indicar a existência de crédito líquido e certo passível de compensação. Nesse contexto, fez uma série de considerações e enumerou requisitos para a caracterização de saldo negativo a ser restituído/compensado, firmando que a Contribuinte não havia apresentado qualquer documentação em sua peça impugnatória. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, da qual tomou ciência em 28/07/2010, a Contribuinte apresentou em 26/08/2010 o recurso voluntário de fls. 96 a 132, com os argumentos abaixo: DOS FATOS Em virtude das antecipações efetuadas a título de imposto de renda durante o anocalendário 2001, ao final do exercício a Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, razão pela qual decidiu solicitar a restituição/compensação dos valores pagos a maior, por meio da transmissão de diversas Declarações de Compensação utilizando o indigitado crédito (Doc. 03); DA PROVA Inicialmente, importante destacar a necessidade do conhecimento dos documentos acostados ao presente recurso voluntário que atestam a legitimidade do crédito proveniente da apuração de saldo negativo de IRPJ no exercício de 2001 (Doc. 04 – DARF´s; Doc. 05 DIPJ/2001; e Doc. 06 LALUR/2001), em obediência ao princípio da verdade material que norteia o procedimento administrativo fiscal federal; É imperioso o conhecimento do presente recurso voluntário e a análise dos argumentos expostos, que indubitavelmente acarretarão no reconhecimento integral dos créditos de IRPJ e, por consectário, na extinção dos débitos compensados; Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.487 6 Ainda que a existência do crédito não tenha sido comprovada quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, em razão da necessidade de se observar o princípio da verdade material, a Recorrente pode fazêlo neste momento sem prejuízos; DO DIREITO DO CRÉDITO PLEITEADO A Recorrente adotava a sistemática de apuração do IRPJ por estimativa mensal, tendo efetuado pagamentos estimados no decorrer do ano calendário de 2001 (vide doc. 04) e, com o fechamento de seu balanço contábil, verificou o pagamento a maior do referido tributo, gerando, desta forma, o denominado saldo negativo (vide doc. 05); Referida sistemática encontra respaldo no artigo 6°, § 1°, inciso II, da Lei n° 9.430/96; Da análise dos documentos fiscais acostados pela Recorrente é possível constatar a apuração do saldo negativo de IRPJ no importe de R$ 140.283,14 vide doc. 05 DIPJ/2001), sendo certo que esse crédito é suficiente para liquidar o débito debatido no presente procedimento administrativo, bem como todos os demais débitos extintos com a utilização do referido saldo negativo através da transmissão de PER/DCOMP's; A Recorrente possuía um crédito no valor de R$ 140.283,14, o qual foi corretamente utilizado para quitar débitos administrados pela Receita Federal do Brasil; Inclusive, remanesceu em favor do Recorrente saldo credor de R$ 40.887,18, mesmo após ter efetuado as compensações supra mencionadas; Em que pese a Recorrente tenha informado nas PER/DCOMP's o valor dos recolhimentos por estimativa, e não o saldo negativo, é certo que esse procedimento não fulmina a existência do seu crédito tributário; Da análise dos documentos fiscais acostados ao recurso, e principalmente da DIPJ/2001 e das guias DARF´s, é visível que todos os recolhimentos mensais Fl. 3487DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.488 7 por estimativa (vide docs. 04 e 05) geraram recolhimentos a maior, os quais são passíveis de compensação; O crédito utilizado pela Recorrente é líquido e certo, não havendo razão para a manutenção do indeferimento da presente compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional e artigo 74 da Lei n° 9.430/96; Diante da comprovação da existência do saldo negativo de IRPJ através da DIPJ anocalendário 2001, não obstante o preenchimento do PER/DCOMP tenha sido efetuado com o valor do IRPJ recolhido por estimativa, não há razão para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado; Um simples vício formal não tem o condão de extinguir o direito da Recorrente, mesmo porque a Receita Federal do Brasil, através de seu banco de dados, tem como verificar os valores efetivamente recolhidos a título de IRPJ; A D. Autoridade Julgadora, por ter todas as informações em seu sistema, poderia ter verificado a sua existência, ou ter intimado a Recorrente a apresentar documentos capazes de comprovar o crédito, não podendo simplesmente indeferir o pleito da Recorrente; A simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito apurado em decorrência dos recolhimentos a maior efetuados pela Recorrente no anocalendário de 2001 a título de IRPJ; Tendo em vista que no caso em tela o crédito pleiteado decorre de recolhimentos efetuados a maior, devidamente comprovados através do saldo negativo apurado no anocalendário 2001 (vide docs. 04 e 05), e compensados dentro do prazo legal, é de rigor o reconhecimento do direito creditório pleiteado pela Recorrente, com a consequente extinção do débito compensado; DA DECADÊNCIA Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.489 8 Cabe destacar, ainda, que no caso em tela o crédito de IRPJ apurado no anocalendário 2001 não pode ser objeto de questionamento por parte das autoridades fiscais, em razão da decadência; O saldo negativo apurado em 2001 foi homologado tacitamente em 2007, extinguindose o direito do Fisco de discutir o crédito compensado, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional; Sendo o IRPJ um tributo sujeito ao lançamento por homologação, o contribuinte apura o valor do tributo, o declara e efetua o pagamento do montante que considera devido, sendo certo que no caso em discussão, a Recorrente ao invés de apurar saldo devedor de IRPJ, no final do exercício de 2001, apurou crédito, o qual foi devidamente discriminado na DIPJ ano calendário 2001; Assim, caberia ao Fisco o dever de fiscalizar os procedimentos adotados pelo contribuinte, e realizar o lançamento das eventuais diferenças apuradas dentro do quinquídio legal; Uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente nunca foi alvo de contestação pela D. Autoridade Fiscal, é certo que as informações declaradas na DIPJ do anocalendário 2001 encontramse homologados, ainda que tacitamente; O saldo negativo apurado pela Recorrente no ano de 2001 foi tacitamente homologado em 2007, com a consequente ausência do direito da D. Autoridade Fiscal em discordar da compensação efetuada pela Recorrente; A decisão administrativa proferida em 24/04/2008 é manifestamente extemporânea, haja vista que o ano de 2007 o saldo negativo de IRPJ não era mais passível de glosa por parte da D Autoridade Fiscal. Exatamente nesse sentido é a jurisprudência firmada por este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (decisões transcritas); E nem que se diga que a DIPJ retificadora, transmitida em 08/03/2004, tenha alterado o marco inicial para o decurso do prazo decadencial, haja Fl. 3489DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.490 9 vista que, como consabido, o prazo decadencial não é interrompido ou suspenso. Além disso, a referida declaração não alterou a composição do saldo negativo apurado originalmente no anocalendário de 2001; Contandose o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, a apuração do saldo negativo referente ao ano de 2001, utilizado para a quitação de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, foi tacitamente homologado no ano de 2007, motivo pelo qual, mais uma vez, devem ser reconhecidas como legítimas as compensações efetuadas pela Recorrente; DO PEDIDO A Recorrente solicita seja o presente recurso conhecido e provido para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado, bem como para que sejam homologadas as compensações efetuadas. Vindo os autos para julgamento por este Egrégio Conselho, o mesmo foi convertido em diligência para esclarecer os seguintes pontos (360/370), litteris: É necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade: 1) junte aos autos cópia integral da DIPJ do anocalendário de 2001; 2) verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJ no anocalendário de 2001; o valor das estimativas recolhidas referentes a 2001; o valor das retenções sofridas a título deste imposto no mesmo período; as receitas relativas a estas retenções, averiguando se elas foram computadas pela Contribuinte na base de cálculo do imposto; 3) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se há saldo negativo de IRPJ a ser restituído/compensado, e qual o seu valor; Fl. 3490DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.491 10 4) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Baixado os autos em diligência, foi produzido relatório circunstanciado pela Delegacia da Receita Federal de Limeira/SP, aduzindo, resumidamente, o seguinte (fls. 3449/3453): 2 O valor do saldo negativo de IRPJ é de R$ 140.283,14, mas o crédito utilizado pelo contribuinte para compensação limitouse ao valor do pagamento, esclarecendo que não foi utilizado o pagamento de R$ 106,87, feito para o mês de maio de 2001: 3 Não há previsão legal para restituição de ofício. Portanto o crédito original a ser reconhecido na totalidade dos processos não pode ser superior a R$ 94.185,13. Intimada do relatório de diligência, a recorrente pleiteia que seja homologada a sua PERDCOMP tendo em visto o reconhecimento na integralidade do valor do seu saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 140.283,14. É o relatório. Fl. 3491DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.492 11 Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA O presente Recurso Voluntário foi apresentado em conformidade com o que dispõe o art. 33, do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Quanto ao argumento da decadência trazido pela recorrente, entendemos que não é aplicável ao caso vertente. É certo que após o transcurso do prazo decadencial, não pode o Fisco realizar procedimento fiscal visando modificar a base de cálculo do tributo, seja para exigir débitos, ou para reverter/reduzir prejuízo fiscal. O evento da decadência veda as atividades inerentes ao ato de lançamento, no que toca à verificação da ocorrência do fato gerador, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, etc. Deste modo, realmente não há que se pensar em adição de receitas omitidas, glosa de despesas, alteração em coeficientes de apuração ou alíquota, etc. Mas o que se discute especificamente neste processo é a legitimidade do indébito a ser restituído/compensado, e, para isso, considero perfeitamente possível averiguar a efetiva ocorrência dos pagamentos que o geraram, notadamente pelo fato do Fisco está dentro do quinquídio legal para análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, nos termos do §5º, do art.74 da Lei n.º 9.430/96. Por isso a alegação de decadência não tem o efeito pretendido pela recorrente, no sentido de justificar uma restituição automática do alegado direito creditório. Superada essa questão, passamos a análise do mérito propriamente dito. Compulsando a PERDCOMP (27425.66810.130504.1.7.048105) objeto da presente lide, observase que o contribuinte pleiteou a compensação de seu débito tributário com crédito decorrente de pagamento indevido ou maior de IRPJ referente a estimativa do mês de agosto de 2001, senão vejamos: Fl. 3492DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.493 12 Fl. 3493DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.494 13 O despacho decisório não reconheceu o direito creditório da recorrente pelo seguinte motivo (fls.12): Fl. 3494DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.495 14 Pela legislação relativa à apuração do imposto de renda (IRPJ), para as pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, temse que os pagamentos efetuados pela contribuinte no decorrer dos meses do ano civil são recolhimentos por estimativa, configurando antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, a interessada, porquanto fez a opção prevista no artigo 2° da Lei n° 9.430/96, fica obrigada aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do anocalendário, proceder a apuração do tributo devido, sendo autorizada a dedução dos valores anteriormente recolhidos por estimativa, para efeitos de determinação do tributo a pagar. Da leitura do texto legal podese inferir que o lucro real, deve ser apurado trimestralmente, como regra, e que a apuração anual é uma alternativa que, para seu exercício requer pagamentos mensais por estimativa nos termos dos artigos 222, 223, 228 a 230 do RIR/99. Assim, a pessoa jurídica, ao optar pela apuração do imposto de renda com base no lucro real anual, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete. O tributo calculado com base no lucro real daquele período (janeiro ao mês de levantamento do balanço) será comparado com todo o tributo recolhido sobre as operações de janeiro até mês anterior ao do levantamento do balanço ou balancete. Se a soma dos pagamentos efetuados for maior que o tributo devido apurado com base no balanço ou balancete, a empresa não terá que pagar o tributo relativo ao mês de levantamento do balanço. Se o tributo apurado no balanço ou balancete for maior, a empresa deverá pagar a diferença. Fl. 3495DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.496 15 Portanto, as estimativas mensais, quer calculadas sobre base estimada, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, não são extintivas do crédito tributário, vez que constituem mera antecipação do tributo a ser apurado ao final do ano calendário. Dessa forma, sendo mera antecipação, não há que se falar em pagamento indevido ou a maior passível de repetição. Assim, trataremos o presente caso como compensação de saldo negativo do IRPJ, pois o mero erro formal do Contribuinte indicar nos PER/DCOMP os recolhimentos individuais de estimativa em vez de indicar o saldo negativo formado pelo conjunto destas mesmas estimativas, não é fator impeditivo do reconhecimento do seu direito creditório como tal (saldo negativo), razão pela qual também há que se negar a incidência de juros de mora a partir do pagamento indevido, mas sim a partir de 1 de janeiro de 2002. Passando a análise do mérito do caso em apreço, o pedido formalizado em PER/DCOMP tem por objeto o crédito do tipo "pagamento indevido ou a maior" de IRPJ estimativa mensal de agosto de 2001, código de arrecadação 2362. O relatório de diligência ao analisar de forma pormenorizada o cálculo do Imposto de Renda por estimativa no anocalendário de 2001 afirmou o seguinte: 3 No anocalendário de 2001, o contribuinte apurou os seguintes valores de IRPJ devido por estimativa: Fl. 3496DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.497 16 Fl. 3497DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.498 17 O total de imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda devido por estimativa é de R$ 26.432,29 e para validar o saldo negativo apurado, o contribuinte teria que ter sofrido retenção no valor total de R$ 45.991,14 e ter oferecido a receita correspondente à tributação. A retenção feita pela fonte pagadora Bradesco já comprova a retenção deduzida bem como o valor oferecido à tributação. Assim, o valor do saldo negativo de IRPJ confirmado é de R$ 140.283,14. (...) Fl. 3498DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.499 18 Diante da análise pormenorizada efetuada pela unidade preparadora, não restam dúvidas quanto ao direito creditório do contribuinte. Contudo, andou bem a unidade preparadora ao chamar a atenção deste colegiado que o contribuinte não pleiteou a compensação do seu saldo negativo de IRPJ (R$ 140.283,14), mas sim do pagamento indevido ou a maior por ele pleiteado em suas DCOMP´s, totalizando a quantia de R$ 94.185,13, isto é, o seu direito creditório está limitado a tal montante. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência suscitada, e, no mérito em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendo a compensação efetivada como saldo negativo do IRPJ até o limite do seu direito creditório que totaliza a quantia original de R$ 94.185,13, conforme tabela abaixo enumerada, incidindo correção monetária a partir de 1 de janeiro de 2002. É como voto. Fl. 3499DF CARF MF Processo nº 10865.900784/200817 Acórdão n.º 1302002.031 S1C3T2 Fl. 3.500 19 MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator Fl. 3500DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.720107/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
AÇÃO RESCISÓRIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. NÃO CONHECIMENTO.
Ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, a decisão judicial transitada em julgado prevalecerá sobre a decisão administrativa.
A pendência de ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional para a desconstituição do acórdão com trânsito em julgado, cuja demanda inicial proposta pelo contribuinte possui o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto, relativamente à parte que esteja sendo discutida judicialmente.
COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. ADQUIRENTE.
É devida pelo produtor rural segurado especial a contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. À empresa adquirente, inclusive cooperativa, com base no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997, c/c § 5º do art. 11 do Decreto nº 566, de 1992, foi atribuída expressamente a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição, na condição de sub-rogada pelas obrigações do produtor rural.
MATÉRIA DEVOLVIDA A JULGAMENTO. DELIMITAÇÃO. PRECLUSÃO.
É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. MESMO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. NÃO CONHECIMENTO. Ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, a decisão judicial transitada em julgado prevalecerá sobre a decisão administrativa. A pendência de ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional para a desconstituição do acórdão com trânsito em julgado, cuja demanda inicial proposta pelo contribuinte possui o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto, relativamente à parte que esteja sendo discutida judicialmente. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONTRIBUIÇÃO PARA O SENAR. RESPONSABILIDADE PELO RECOLHIMENTO. ADQUIRENTE. É devida pelo produtor rural segurado especial a contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. À empresa adquirente, inclusive cooperativa, com base no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997, c/c § 5º do art. 11 do Decreto nº 566, de 1992, foi atribuída expressamente a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição, na condição de sub rogada pelas obrigações do produtor rural. MATÉRIA DEVOLVIDA A JULGAMENTO. DELIMITAÇÃO. PRECLUSÃO. É vedado inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas quando da impugnação do lançamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 01 07 /2 01 3- 93 Fl. 479DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 480 2 fiscal. À exceção de matérias de ordem pública, estão preclusas as questões arguidas somente na fase recursal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 480DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 481 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário manejado em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), cujo dispositivo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1043.582 (fls. 310/317): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 AI Debcad nº 51.014.4470 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. CONCOMITÂNCIA DAS ESFERAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. PROSSEGUIMENTO EM RELAÇÃO À MATÉRIA DIFERENCIADA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DECADÊNCIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 AI Debcad nº 51.014.4489 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SENAR. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. DECADÊNCIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. A existência de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas, prosseguindo o processo administrativo apenas em relação à matéria distinta da constante do processo judicial. Não tendo se esgotado o prazo decadencial, o lançamento pode ser efetuado. O Relatório de Vínculos tem como escopo listar todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 481DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 482 4 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 76/80, que o processo administrativo é composto por 2 (dois) Autos de Infração (AI), relativos às competências 01/1999 a 12/2011: (i) AI nº 51.014.4470, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a receita bruta oriunda da comercialização da produção rural, exigida da empresa adquirente na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural segurado especial, nos termos dos incisos III e IV do art. 30, c/c incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 (fls. 84/98); e (ii) AI nº 51.014.4489, relativo à contribuição devida ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, exigida da empresa adquirente na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural segurado especial, consoante o art. 6º da Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997 (fls. 99/112). 3. Segundo a fiscalização, a empresa ajuizou ação ordinária, autuada sob o nº 2001.71.05.0027940, com tramitação na Vara Federal de Santo Ângelo, Estado do Rio Grande do Sul, com fim de obter a declaração de inexigibilidade e a autorização para repetição de valores recolhidos, na condição de empresa adquirente subrogada nas obrigações do produtor rural segurado especial, a título de contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural. A demandante obteve êxito no resultado do julgamento da ação ordinária. 3.1 Nada obstante, a Procuradoria Federal Especializada junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ajuizou a Ação Rescisória nº 3.206/RS, perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), contra o acórdão proferido pela Corte que transitou em julgado e reconheceu o direito pleiteado pela recorrente. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a Ação Rescisória nº 3.206/RS foi julgada procedente pelo STJ na data de 8/8/2012. 3.2 A autoridade lançadora ainda declara que as contribuições exigidas nos autos de infração foram descontadas dos pagamentos aos produtores rurais, motivo pela qual elaborou representação criminal ao Ministério Público pela constatação, em tese, de crime de apropriação indébita. 4. Cientificado da autuação, em 5/2/2013, às fls. 84 e 99, o contribuinte impugnou a exigência fiscal (fls. 118/166). 5. Intimada por via postal, em 2/5/2013, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 318/325, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 3/6/2013 (fls. 326/334). 5.1 Em síntese, aduz as seguintes razões de fato e direito em face da decisão de piso que manteve intacta a pretensão fiscal: (i) o direito de não pagar as contribuições lançadas no auto de infração está autorizado pelo Poder Judiciário, por meio de decisão transitada em julgado, mais especificamente no Fl. 482DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 483 5 Recurso Especial (REsp) nº 518.135/RS, decorrente da Ação Ordinária nº 2001.71.05.0027940; (ii) a Ação Rescisória nº 3.206/RS encontrase pendente de análise de embargos declaratórios opostos pelas partes. Somente na hipótese da procedência do pedido de rescisão, demarcado pelo trânsito em julgado da ação rescisória, poderá o Fisco pretender reverter o direito ao não recolhimento de contribuições previdenciárias reconhecido pelo Poder Judiciário; (iii) diante da imutabilidade da decisão proferida no REsp nº 518.135/RS, a lavratura do auto de infração, sem aguardar o eventual trânsito em julgado da ação rescisória, violou os princípios constitucionais da segurança jurídica e da coisa julgada material. (iv) adicionalmente, o crédito tributário deveria ser objeto de lançamento de ofício, e não mediante cobrança com emissão de auto de infração, cujo procedimento administrativo pressupõe a constatação de infração à legislação tributária; (v) os meios empregados pelo Fisco ferem os princípios da razoabilidade e da legalidade, dada a extinção do crédito tributário, nos termos do inciso X do art. 156 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN); e (vi) é inexigível a multa aplicada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do débito, eis que o não pagamento das contribuições encontravase devidamente amparada por decisão judicial transitada em julgado. 6. O julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 2301 000.473, de 7/10/2014, proferida pela 1ª Turma da 3ª Câmara Ordinária da 2ª Seção (fls. 397/398). 6.1 A diligência teve por fim verificar a correlação entre processo originário e ação rescisória, sua extensão e efeitos, determinandose a intimação do sujeito passivo para trazer ao processo administrativo cópia da petição inicial da ação rescisória, decisões proferidas e certidão de inteiro teor judicial. 7. Cumprindo a intimação do Colegiado, a recorrente juntou aos autos os documentos de fls. 405/472. 8. Em virtude da renúncia do relator originário, Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, o processo foi novamente sorteado para relatoria. É o relatório. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 484 6 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Consta do Termo de Verificação Fiscal que o sujeito passivo, antes do início da ação fiscal, entrou com demanda judicial para não mais pagar as contribuições previdenciárias objeto do lançamento de ofício. Tal circunstância é corroborada pela leitura do recurso voluntário apresentado pela recorrente. 10. De fato, a discussão em processo judicial envolve a incidência de contribuições previdenciárias sobre a mesma natureza dos fatos geradores apurados no processo administrativo fiscal (fls. 231/260 e 263/292). 10.1 A recorrente, que à época denominavase de Cooperativa Regional Tritícola Serrana Ltda, propôs em 1º/6/2001 uma ação ordinária declaratória cumulada com pedido de repetição de indébito, a qual foi autuada sob o nº 2001.71.05.0027940. 10.2 A finalidade da demanda judicial era a obtenção do reconhecimento da inexigibilidade das contribuições previdenciárias por ela recolhidas a título do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). Além disso, pleiteouse na inicial também a declaração de inconstitucionalidade do art. 25, incisos I e II, e do art. 30, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 10.3 Em primeiro e segundo grau, os pedidos da parte autora foram julgados improcedentes. 10.4 Porém, em sede de recurso especial, por meio do REsp nº 518.135/RS, a 1ª Turma do STJ reformou a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF/4ªRegião) e decidiu que não era mais devido, em face da impossibilidade da superposição contributiva, o pagamento das contribuições relativas ao Funrural e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) das empresas vinculadas exclusivamente à Previdência Urbana. 10.5 Dado provimento ao recurso especial na sessão de 5/8/2003, ocorreu o trânsito em julgado do acórdão em 4/3/2004. 11. Acontece que logo depois da sentença transitada em julgado, o INSS protocolou, em 28/10/2004, ação rescisória com o objetivo da desconstituição do acórdão judicial, proferido no REsp nº 518.135/RS, com o consequente pedido de novo julgamento da causa proposta pelo sujeito passivo (fls. 454/471). 11.1 Em 8/8/2012, a 1ª Seção do STJ acolheu o pedido de rescisão, julgando procedente a ação rescisória ajuizada pelo INSS (Ação Rescisória nº 3.206/RS). No juízo rescisório, o Tribunal julgou improcedente os pedidos formulados pelo sujeito passivo na causa originária (Ação Ordinária nº 2001.71.05.0027940). Foi dado provimento ao recurso especial Fl. 484DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 485 7 do sujeito passivo, em sede de ação rescisória, tão somente para reduzir os honorários de sucumbência devidos pela parte autora (fls. 405/429). 12. Especificamente no que tange ao AI nº 51.014.4470, as contribuições previdenciárias exigidas pela autoridade lançadora incidentes sobre a comercialização rural estão fundamentadas nos incisos I e II do art. 25 e incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (...) Art. 30 (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (...) 13. Como se percebe, há identidade de objetos dos processos administrativo e judicial. Entre processo administrativo (AI nº 51.014.4470) e processo judicial (Ação Ordinária nº 2001.71.05.0027940) fica caracterizada a existência de julgamento de demanda idêntica, tendo em vista as mesmas partes, causa de pedir e pedido. 14. A proposição da Ação Rescisória nº 3.206/RS implica considerar a questão "sub judice", cujo efeito é obstar, na parte discutida judicialmente, o curso normal do processo administrativo. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 486 8 14.1 Com efeito, ainda que posterior ao término do contencioso administrativo, a decisão judicial transitada em julgado acabará prevalecendo sobre o mérito da decisão administrativa. 14.2 Se não acolhido o pedido formulado na ação rescisória, após esgotados os recursos, produzirá efeito o decidido no REsp nº 518.135/RS, favoravelmente ao sujeito passivo. 14.3 Porém, aceito o pedido de rescisão da sentença de mérito, ocorrerá o rejulgamento da causa originária, cujo resultado também prevalecerá sobre o processo administrativo, favorável ou não ao particular. 14.4 Nessa última hipótese, o acolhimento do pedido rescidente ostenta a natureza de ação constitutiva negativa com efeitos "ex tunc", isto é, retroage para atingir as situações decorrentes da relação jurídica discutida no processo original, salvo hipótese específica de modulação temporal pelo Poder Judiciário. 1 15. De maneira tal que a pendência de ação rescisória interposta pela Fazenda Nacional para a desconstituição do acórdão com trânsito em julgado, cuja demanda inicial proposta pelo contribuinte possui o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência do recurso interposto, relativamente à parte que esteja sendo discutida judicialmente. 16. Aplicase, por analogia, a linha de entendimento do enunciado da Súmula nº 1 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), assim redigida: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. 17. Por outro lado, o processo administrativo fiscal deve ter seguimento em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. 18. Nesse cenário, não tomo conhecimento das razões referentes à exigência fiscal contida no AI nº 51.014.4470, concernente à exigência de recolhimento das contribuições previdenciárias pela recorrente com fundamento nos incisos I e II do art. 25 e incisos III do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, na condição de subrogada nas obrigações do produtor rural segurado especial. 19. Quanto às matérias distintas do processo judicial, uma vez satisfeitos os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. 1 Ação Rescisória nº 3.788/PE, Relator Ministro Benedito Gonçalves, Revisora Ministra Eliana Calmon, 1ª Seção do STJ, julgado na sessão de 14/4/2010. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 487 9 Mérito 20. De início, deixo consignado que a constituição do crédito tributário neste processo administrativo não significa o desrespeito à coisa julgada e/ou segurança jurídica em decorrência da lavratura do auto de infração antes do trânsito em julgado da Ação Rescisória nº 3.206/RS. 21. Não existe óbice legal, nem tampouco há notícia do deferimento de medida judicial que impedia o lançamento de ofício de tributos objeto de contestação judicial, tendo em conta a interposição de ação rescisória. 21.1 Dados os efeitos "ex tunc" da ação rescisória, os quais possuem o condão de desconstituir a decisão transitada em julgado, com o restabelecimento do estado original, é inviável a incidência do inciso X do art. 156 do CTN, que estabelece a extinção do crédito tributário quando houve decisão judicial passada em julgado. Pensar o contrário, importaria a própria inutilidade da ação rescisória. 21.2 À vista disso, o lançamento de ofício cumpre, inclusive, a função de prevenir a decadência do crédito tributário. 21.3 O que se exige é aguardar o desfecho do processo em curso no âmbito do Judiciário para só então proceder às medidas de cobrança do crédito tributário, na hipótese de decisão favorável à Fazenda Pública, ou tornar insubsistente a exigência fiscal, caso benéfica ao sujeito passivo. 22. Por sinal, com relação à tramitação da Ação Rescisória nº 3.206/RS, os embargos de declaração opostos pelas partes foram rejeitados, em sessão de 14/8/2013 (fls. 438/453). 22.1 Na sequência, em 12/11/2014, o STF negou seguimento ao recurso extraordinário, cadastrado sob o nº 787.056/RS, interposto pelo sujeito passivo (fls. 430/431 e 436/437). 22.2. A partir da consulta pública ao sítio do STJ na Internet, é possível verificar que a Ação Rescisória nº 3.206/RS encontrase atualmente em fase de execução, cujo processamento operase no próprio tribunal que julgou a rescisória. A última movimentação processual indica a execução dos honorários advocatícios fixados à parte sucumbente (sujeito passivo). 2 23. Em consequência, os recursos na Ação Rescisória nº 3.206/RS estão esgotados. Vale dizer, o Poder Judiciário decidiu pela inexistência do direito pleiteado pelo sujeito passivo na Ação Ordinária nº 2001.71.05.0027940, o que acaba convalidando o acerto do lançamento fiscal relativamente ao crédito tributário de contribuições previdenciárias. 24. Por outro lado, no que toca ao AI 51.014.4489, o documento diz respeito à contribuição devida para ao Senar, no percentual de 0,2% (zero vírgula dois por cento), 2 <www.stj.jus.br>. Acesso em 20/12/2016. AR nº 3206/RS (2004/01553511) autuado em 28/10/2014 e ExeAR nº 3206 / RS (2016/00244543) autuado em 28/01/2016. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 488 10 incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural segurado especial. 25. A contribuição ao Senar, por se tratar de contribuição de interesse das categorias profissionais ou econômicas, possui natureza jurídica distinta das contribuições para a seguridade social. 26. A subrogação do adquirente, nas obrigações do produtor rural, encontra fundamento no art. 6º da Lei nº 9.528, de 1997, que modificou a alíquota da exação, c/c § 5º do art. 11 do Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, que trata do seu recolhimento. Abaixo, transcrevo os dispositivos mencionados (Fundamentos Legais do Débito, às fls. 107/108): Lei nº 9.528, de 1997 Art. 6º A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei nº 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. Decreto nº 566, de 1992 Art. 11. Constituem rendas do SENAR: (...) II contribuição compulsória, a ser recolhida à Previdência Social, de um décimo por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção da pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; (...) § 5° A contribuição de que trata este artigo será recolhida: a) pelo adquirente, consignatório ou cooperativa que ficam sub rogados, para esse fim, nas obrigações do produtor; b) pelo produtor, quando ele próprio vender os seus produtos no varejo, diretamente ao consumidor, ou a adquirente domiciliado no exterior. (...) (GRIFEI) 27. A ação ordinária manejada pelo sujeito passivo não questiona a obrigação de recolhimento da contribuição ao Senar, o que afasta a concomitância entre processos administrativo e judicial. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 489 11 28. Além disso, a petição recursal não contém nenhum elemento adicional de defesa que possa infirmar o lançamento fiscal realizado. Estando de acordo com a legislação que rege a matéria, não há reparos a fazer no AI 51.014.4489. 29. Quanto à multa de ofício, a empresa recorrente alega que é indevida a sua incidência sobre o crédito tributário, porque o não recolhimento das contribuições encontrava se devidamente amparado por decisão judicial transitada em julgado. Na defesa de seu ponto de vista, transcreve os enunciados da Súmula 17 e 50 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 30. A interposição do recurso voluntário transfere ao órgão "ad quem", conforme a extensão da petição, o reexame da matéria decidida pelo acórdão de primeira instância. Destarte, o recurso não remete à instância recursal o conhecimento de matéria não contestada quando da impugnação do lançamento. 31. Nessa linha de entendimento, dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 31.1 De tal forma que não é permitido inovar na postulação recursal para incluir matérias diversas daquelas anteriormente deduzidas. 31.2 Sob pena de afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição, o qual orienta o processo administrativo fiscal, é vedada a análise pelo órgão "ad quem" de matérias arguidas somente na fase recursal, não provocadas a debate na primeira instância por meio da peça vestibular, constituindose em matérias preclusas. 31.3 Escapam à preclusão as questões de ordem pública, via de regra, porque transcendem aos interesses das partes, sendo cognoscível de ofício pelo julgador. 32. Ao confrontar impugnação e recurso voluntário, verifico que a alegação de não incidência da multa de ofício sobre o crédito tributário, em face da existência da demanda judicial, é matéria ventilada exclusivamente na fase recursal e, portanto, atingida pela preclusão. 33. Por fim, cabe reforçar que o auto de infração é o instrumento de lançamento de ofício apropriado para a formalização de exigência do tributo devido e não declarado e, se for o caso, da aplicação de penalidade. Eis a redação do "caput" do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) Fl. 489DF CARF MF Processo nº 11070.720107/201393 Acórdão n.º 2401004.678 S2C4T1 Fl. 490 12 34. No âmbito federal, a efetivação do lançamento de ofício em procedimentos de auditorias externas, como ora se cuida, dáse por meio do auto de infração, que formaliza a exigência do crédito tributário e contém os requisitos necessários para assegurar o contraditório e a ampla defesa ao autuado. 35. À vista de todos os motivos expostos, a decisão de primeira instância não merece reforma. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900019/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.993
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 01 9/ 20 12 -0 6 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10480.900019/201206 Resolução nº 3401000.993 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.017. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10480.900019/201206 Resolução nº 3401000.993 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.900019/201206 Resolução nº 3401000.993 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.911976/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2007
APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, o que não logrou êxito demonstrar, mesmo após diligência efetuada.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado não foi comprovado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Esteve presente ao julgamento o Dr. Matheus Lyon, OAB/DF nº 52.552.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, o que não logrou êxito demonstrar, mesmo após diligência efetuada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado não foi comprovado. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, o que não logrou êxito demonstrar, mesmo após diligência efetuada. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado não foi comprovado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 19 76 /2 00 9- 43 Fl. 280DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Esteve presente ao julgamento o Dr. Matheus Lyon, OAB/DF nº 52.552. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação DCOMP, transmitida eletronicamente, de suposto crédito de CIDE Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a ser compensada com débitos de outros tributos federais. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, prolatada pela DRJ em Brasília (DF) no Acórdão nº 0345.478, de 20/10/2011, que transcrevo a seguir: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 06906.58601.270407.1.3.047325, transmitida eletronicamente em 27/4/2007, com base em créditos relativos à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: (...). A partir das características do DARF foi identificado pelos sistemas da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado integralmente para pagamento de outro débito, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: (...). Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 3), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 11.463,82. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 27), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10120.911976/200943 Acórdão n.º 3402004.099 S3C4T2 Fl. 278 3 sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que, o crédito original declarado no presente PER/Dcomp encontrase devidamente retificado na DCTF. Informa o mês de referência da DCTF, a data da entrega da declaração e o número do recibo. É o relatório A Delegacia de Julgamento em Brasília (DF) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2007 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 16/12/2011, a Recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ (fl. 67). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, em 13/01/2014, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde aduz em apertada síntese que (fls. 70/79): Fl. 282DF CARF MF 4 (i) houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual o débito não foi identificado pela SRFB. Em vista desse erro, a Recorrente procedeu à retificação da DCTF e informou à autoridade administrativa (quando da manifestação da inconformidade). Entende que com esta informação, à época, já era suficiente para a solução da questão, uma vez que foi em razão da não localização do crédito no sistema que a compensação foi indeferida (pelo despacho decisório eletrônico); (ii) a decisão recorrida reconheceu que a não homologação da compensação teve como fundamento o fato de a DCTF não indicar a existência do crédito, todavia, os julgadores de primeira instância entenderam que além da declaração retificadora, a Recorrente deveria comprovar, com base em sua escrituração contábil, a ocorrência dos fatos alegados na DCTF retificadora; (iii) embora entenda desnecessária a apresentação dessas novas provas, com a intenção de solucionar o litígio juntou aos autos os documentos fiscais contábeis que deram supedâneo à retificadora da DCTF e que justificam o crédito pleiteado. E, deste modo, requer a realização de diligência caso entendase necessário ao esclarecimento acerca do crédito compensado; (iv) não há nenhum impedimento para a apresentação de DCTF retificadora, ou prazo determinado na legislação para a apresentação da retificadora, desde que respeitado o limite temporal de 5 anos, aplicável a todas obrigações acessórias; (v) a retificação da DCTF esvazia o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação apresentada e justifica a sua modificação, uma vez que no seu entender não resta mais dúvida acerca da existência de valores passíveis de compensação; (vi) por fim, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado para reformar o acórdão recorrido. O processo digitalizado, então, foi encaminhado para ser analisado por este CARF na forma regimental. Em 24/07/2013, os membros da 2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/3ª Sejul, enntendem que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, resolvem converter o julgamento em DILIGÊNCIA, conforme Resolução nº 3202000.117, nos seguintes termos (fls. 205/209): "(...) Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF Goiânia proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem Delegacia da Receita Federal em Goiânia para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF – Goiânia deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestando Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10120.911976/200943 Acórdão n.º 3402004.099 S3C4T2 Fl. 279 5 se sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente na Declaração de Compensação apresentada. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Os autos, então, foram encaminhados à DRF em Goiânia (GO), para cumprimento da referida Resolução. Visando o atendimento da diligência solicitada, a fiscalização, após a Intimação da Recorrente e a conclusão dos trabalhos, prolatou a Informação Fiscal de fls. 264/267. Conforme consta no item 07 da Informação Fiscal (fl. 266), a Recorrente por meio do Termo de Intimação Fiscal SEORT nº 91/2015 (fls. 211), foi solicitado que a contribuinte demonstrasse a origem do crédito. Em resposta, apresentou cópia de seus Livros (fls. 216/242). Assim, após serem cumpridos todos os dispositivos da Resolução 3202 000.117, processo retornou a este CARF e foi sorteado para este Conselheiro para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, relator. Como já analisado na Resolução o recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomase conhecimento. 1. Do direito A recorrente utilizou em Declarações de Compensação (DCOMP) o pagamento do tributo CIDE, código de receita 8741, apurado em 16/02/2007, arrecadado em 05/03/2007, no valor originário de R$ 11.233,56. Compulsandose os autos, verificase que a questão posta em discussão, é que o pedido de compensação feito pela Recorrente foi indeferido por meio de Despacho Decisório eletrônico, em decorrência da “inexistência de crédito”. A Recorrente apresentou DCTF retificadora, informando este fato quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que a interessada não apresentou qualquer elemento contábil demonstrando que teria havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, a Recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação. Portanto, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante (escrituração contábil fiscal) que corroborase as informações apresentadas na DCTF retificadora. Fl. 284DF CARF MF 6 Em suas razões recursais, a Recorrente, quando da apresentação do Recurso Voluntário, afirma que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, sendo que este fato foi informado à autoridade administrativa e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio (uma vez que o fundamento do Despacho Decisório seria apenas a inexistência de débito). Como o acórdão recorrido proferido pela DRJ/Brasília indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, a Recorrente apresentou vários documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada e requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado. Como é cediço, é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, o presente julgamento foi convertido em diligência (Resolução nº 3202000.117), com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. A DRF de Goiânia, cumprindo os termos da Resolução, proferiu a Informação Fiscal, apresentado as seguintes informações: "(...) 07. Por meio do Termo de Intimação Fiscal SEORT nº 91/2015 (fls. 211), foi solicitado que a contribuinte demonstrasse a origem do crédito. 08. Em resposta, apresentou cópia de seus livros (fls. 216/242). 9. No Livro Razão, na conta 642 4.2.5.01.00011 CIDE Contribuição Domínio Econômico, são realizados os seguintes lançamentos (fls. 242):(...). 10. Na DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, confessa os seguintes valores: (...). 11. Os valores confessados em DCTF estão em discrepância com os valores escriturados no Livro Razão. 12. Em razão dessas divergências, por meio do Termo de Intimação Fiscal SEORT nº 338/2015 (fl. 243), a contribuinte foi intimada novamente a demonstrar a origem de seu direito creditório. 13. Transcorrido o prazo estabelecido na intimação, não houve qualquer manifestação da contribuinte. Conclusão Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10120.911976/200943 Acórdão n.º 3402004.099 S3C4T2 Fl. 280 7 14. Por inércia da contribuinte, não foi possível elaborar Relatório Conclusivo. 15. Encaminho à EAT6 para cientificar a contribuinte desta informação, bem como que conceda prazo de 30 (trinta) dias para manifestação da interessada e posterior encaminhamento ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais". Através da Comunicação nº 1.246/2015 (fls. 269/271) a Recorrente foi cientificado do teor da Informação Fiscal (Relatório de Diligência Fiscal) de fls. 264/267. Assim, transcorrido o prazo para apresentação de manifestação, o que não foi efetuado pela Recorrente, os autos retornaram a este CARF para prosseguimento do julgamento. Conforme já dito, é necessário, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos pleiteados neste processo, o que NÃO pode ser confirmados conforme restou demonstrado na análise da documentação contábil fiscal da Recorrente (inclusive pela sua inércia quando intimado a manifestarse), nos exatos termos como restou consignado na Informação Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco. Como é condição indispensável à compensação de tributos, a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170 da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN), e uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo da Recorrente contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Conclusão Pelos fundamentos acima expostos, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 286DF CARF MF 8 Fl. 287DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722648/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
DECADÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO.
Deve ser mantida a decisão recorrida que reconheceu a decadência parcial do lançamento sobre os valores lançados correspondentes a períodos de apuração quando já ultrapassado o prazo previsto artigo 173, inciso I, do CTN.
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. EXIGÊNCIA CUMULADA COM IRPJ E CSSL APURADOS EM FACE DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO.
O art. 61 da Lei nº 8.981/1995, alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindo-se que assumiu o ônus pelo referido pagamento.
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. NATUREZA DE PENALIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRATICABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O IRRF cobrado em face da não identificação do beneficiário ou da não comprovação da operação ou sua causa decorre da presunção legal de que a fonte pagadora assumiu o ônus pelo pagamento do imposto que deixou de reter e recolher em face de pagamentos comprovadamente efetuados a terceiros, sendo erigido pela lei, nestes casos, à condição de responsável pelo seu pagamento. Esta previsão legal não tem a natureza de sanção por ato ilícito e se coaduna com o princípio da praticabilidade tributária.
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Não tendo o tributo exigido a natureza de sanção por ato ilícito, nos termos do art. 3ª do CTN é cabível a exigência de penalidade quando este vem a ser exigido de oficio, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996.
MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. CABIMENTO.
Cabível a qualificação da multa de ofício sobre o IRRF exigido em face de pagamentos dolosamente efetuados a terceiros, ocultados sob a roupagem de empresas formalmente constituídas, mas que não tinham, de fato, existência real, quando demonstrado e comprovado pelo Fisco que esta situação era pleno conhecimento do sujeito passivo.
IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM.
A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro.
Numero da decisão: 1302-002.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa; e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de oficio. O Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa solicitou a apresentação de declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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CARACTERIZAÇÃO. Deve ser mantida a decisão recorrida que reconheceu a decadência parcial do lançamento sobre os valores lançados correspondentes a períodos de apuração quando já ultrapassado o prazo previsto artigo 173, inciso I, do CTN. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. EXIGÊNCIA CUMULADA COM IRPJ E CSSL APURADOS EM FACE DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. O art. 61 da Lei nº 8.981/1995, alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado com responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindose que assumiu o ônus pelo referido pagamento. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. NATUREZA DE PENALIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. PRINCÍPIO DA PRATICABILIDADE TRIBUTÁRIA. O IRRF cobrado em face da não identificação do beneficiário ou da não comprovação da operação ou sua causa decorre da presunção legal de que a fonte pagadora assumiu o ônus pelo pagamento do imposto que deixou de reter e recolher em face de pagamentos comprovadamente efetuados a terceiros, sendo erigido pela lei, nestes casos, à condição de responsável pelo seu pagamento. Esta previsão legal não tem a natureza de sanção por ato ilícito e se coaduna com o princípio da praticabilidade tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 26 48 /2 01 4- 59 Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.184 2 IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Não tendo o tributo exigido a natureza de sanção por ato ilícito, nos termos do art. 3ª do CTN é cabível a exigência de penalidade quando este vem a ser exigido de oficio, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. CABIMENTO. Cabível a qualificação da multa de ofício sobre o IRRF exigido em face de pagamentos dolosamente efetuados a terceiros, ocultados sob a roupagem de empresas formalmente constituídas, mas que não tinham, de fato, existência real, quando demonstrado e comprovado pelo Fisco que esta situação era pleno conhecimento do sujeito passivo. IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa; e, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de oficio. O Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa solicitou a apresentação de declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.185 3 Relatório Tratase de recurso de ofício e voluntário interpostos em face do Acórdão nº 0956.926, de 27 de fevereiro de 2015, proferido pela 2ª Turma da DRJJuiz de fora/MG, que acordou, por maioria de votos em considerar procedente em parte a impugnação, apresentada por UTC ENGENHARIA S/A, aos autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF lavrados contra si; decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. Devem ser expurgados do lançamento, os valores lançados correspondentes a períodos de apuração abrangidos pelo prazo decadencial, na forma do artigo 173, inciso I, do CTN. INCONSTITUCIONALIDADE O colegiado de 1ª instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2009,2010 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTO SEM CAUSA. Por expressa determinação legal, sujeitamse ao IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA QUALIFICADA. ADMISSIBILIDADE DE IMPUTAÇÃO. CONFIGURAÇÃO DE PRÁTICA DE CONDUTA FRAUDULENTA. DOLO. Se o responsável pela retenção do imposto oculta o verdadeiro beneficiário da operação, incorrendo em conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal da ocorrência dos fatos geradores, aplicase a multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA A cobrança das multas lançadas de ofício deve receber o mesmo tratamento dispensado pelo CTN ao crédito tributário. Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.186 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. DECADÊNCIA. Constatado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento obrigatório do imposto sobre a base estimada, sem demonstrar que este não era devido, é cabível o lançamento da multa de ofício isolada. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. DECADÊNCIA. Constatado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento obrigatório da contribuição sobre a base estimada, sem demonstrar que este não era devido, é cabível o lançamento da multa de ofício isolada. Conforme consta da decisão recorrida, foram lavrados autos de infração de IRPJ, CSLL e IRRF, com o seguinte teor: Os lançamentos do IRPJ e da CSLL decorreram da apuração de infrações caracterizadas por: a) Contabilização de despesas com base em documentos inidôneos, conforme relatório fiscal em anexo; b) Contabilização de custos com base em documentos inidôneos, conforme relatório fiscal em anexo; c) Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica/Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. O lançamento do IRRF decorreu da apuração da infração caracterizada por: 0001 PAGAMENTO SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA Valor do Imposto de Renda na Fonte, incidente sobre pagamento(s) sem causa ou de operação(ões) não comprovada(s), contabilizadas ou não, no(s) valor(es) abaixo especificado(s): A contribuinte autuada impugnou apenas os lançamentos do IRRF e a multa isolada de IRPJ e CSLL. A exoneração dada pelo colegiado recorrido decorreu do reconhecimento da decadência dos lançamentos relativos ao anocalendário 2008. Foi interposto o competente recurso de ofício em face dos créditos tributários exonerados. Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.187 5 A recorrente interpôs recurso voluntário em 02/04/2015 (efls. 1107/1168). Não consta dos autos nenhum documento de ciência da decisão recorrida. Todavia, em despacho (efls. 1181) a unidade preparadora reconhece a tempestividade do recurso, verbis: Mediante apresentação de recurso voluntário tempestivo, protocolado em 02/04/2015. Encaminhese ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72. Cabe ressaltar que o contribuinte sendo optante pelo Domicílio Tributário Eletrônico – DTE visualiza o processo na íntegra antes mesmo da ciência formal do acórdão recorrido, aplicandose, no caso da apresentação espontânea de recurso voluntário, o disposto no art. 26, §5º, da Lei 9.784/99: “As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade”. Em seu recurso voluntário a contribuinte refuta as conclusões do acórdão recorrido, com exceção do reconhecimento da decadência do lançamento relativo ao ano calendário 2008, alegando, em síntese: a) que está correta a decisão que reconheceu a decadência parcial do lançamento do IRRF lançado relativo ao ano calendário 2008. b) A inaplicabilidade do art. 61 da Lei nº 8981/95, quando a mesma hipótese deu origem à tributação pelo IRPJ e CSLL, por redução indevida do lucro real, apontando: b.1) que o acórdão recorrido teria se limitado a afastar o argumento com base na Solução de Consulta Interna nº 11, de 08/05/2013 da COSIT, deixando de analisar os fundamento de defesa apresentados; b.2) que ficou demonstrada a inaplicabilidade do IRRF previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 ao presente caso pelo fato de que as mesmas operações deram origem ao lançamento de IRPJ e CSLL, fruto da glosa de despesas apropriadas pela Recorrente; b.3) que, essa dupla exigência sobre a mesma base não se sustenta diante da interpretação da legislação tributária em vigor, notadamente com relação ao contexto normativo à época da publicação do referido dispositivo que serviu de base legal ao lançamento; b.4) que o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 previa presunção de distribuição automática de lucro equivalente à receita omitida ou à diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, tributada pelo IRRF exclusivo à alíquota de 25%, majorada para 35% pelo art. 62 da Lei nº 8.98l/1995; b.5) que o artigo 61 da Lei n° 8.981/95, que prevê o IRRF invocado pela autoridade lançadora e o artigo 62, que majorou a alíquota do IRRF sobre a distribuição de lucros, previsto no art. 44 da Lei nº 8.541/1992, são tratados na mesma lei; b.6) que não é mera coincidência a circunstância de que o artigo 61 tenha previsto a incidência de IRRF para as hipóteses que especifica, à alíquota de 35%, Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.188 6 e o artigo 62, em seguida, tenha atribuído a mesma alíquota (35%) para as hipóteses previstas no artigo 44 da Lei n° 8.541/92; b.7) que, se de um lado, o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 (com a alteração feita pelo art. 62 da Lei nº 8.981/1995) estipulava a incidência de IRRF exclusivo, à alíquota de 35%, no caso de receitas omitidas ou diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, por outro, o artigo 61 da Lei n° 8.981/95 previa a incidência de IRRF exclusivo, também à alíquota de 35%, aos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, ressalvado o disposto em normas especiais; b.8) que ambas as normas conviviam, o que se revela pela majoração de alíquota prevista pelo artigo 62 da Lei n° 8.981/95 e que a previsão constante do artigo 61 da Lei n° 8.981/95 destaca a sua aplicação "ressalvado o disposto em normas especiais"; b.9) que nesse contexto o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 era norma especial que prevalecia sobre o seu conteúdo, tanto que, além de não revogála, a mesma lei (Lei n° 8.981/95) equiparou as alíquotas, colocandoas no patamar de 35%; b.10) que os campos de abrangência do artigo 44 da Lei n° 8.541/92 e do art. 61 da Lei nº 8.98l/1995 são bastante distintos, pois enquanto o primeiro tinha aplicação restrita aos casos de omissão de receita ou de diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, o segundo, mais amplo e genérico, abrange todas as demais situações de pagamento sem causa ou sem identificação do beneficiário, e desde que a mesma operação não tenha implicado redução indevida do lucro líquido; b.11) que o PN.CST nº 4/94 ao analisar a vigência do art. 8º do DecretoLei nº 2.065/1983, que estabelecia presunção legal similar à do art. 44 da Lei nº 8.541/1992, reconheceu que, "constatada "a escrituração de custos ou despesas que não correspondam à realidade", tinha aplicação o artigo 44 da Lei n° 8.541/92, e, não, portanto, o artigo 61 da Lei n° 8.981/95." b.12) que a legislação que antecedeu ou que sucedeu o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 não tratou da mesma hipótese prevista nesse artigo, de modo que não poderia ser invocado, como fez a fiscalização no presente caso, o artigo 61 da Lei n° 8.981/95; b.13) Que a partir de 1996, com a edição da Lei nº 9.249/1995, a legislação relativa a tributação dos lucros foi alterada: : (i) trouxe nova disciplina para o caso de omissão de receitas, nos termos de seu artigo 24, tributandoas exclusivamente na pessoa jurídica, eliminando a incidência de IRRF que até então existia; e (ii) revogou o artigo 44 da Lei n° 8.541/92, por meio de seu artigo 36, inciso IV; b.14) que a revogação citada não permite que o artigo 61 da Lei n° 8.981/95 alcance situação antes tratada pelo artigo 44 da Lei n° 8.541/92; b.15) que, em síntese, o campo de abrangência do art. 61 da Lei nº 8.981/1995 são "todos os pagamentos e entregas de recursos sem causa comprovada ou sem a identificação do respectivo beneficiário, desde que a mesma hipótese não implique redução Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.189 7 indevida do lucro líquido, representada pela glosa da despesa computada na apuração do IRPJ e da CSLL.", sendo nesse sentido a jurisprudência do CARF, da CSRF e dos extintos Conselhos de Contribuintes. b.16) que, além da "impossibilidade legal de exigência de IRRF cumulada com IRPJ e CSLL em virtude do entendimento da fiscalização no sentido de que houve redução indevida do lucro líquido, a necessidade de cancelamento do Auto de Infração, neste ponto, está diretamente associada à clara violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade". c) Subsidiariamente, aponta o caráter de penalidade do IRRF previsto no art. 61 da Lei nº 8.981/95 e a sua inaplicabilidade ao lançamento de IRPJ e CSLL, sustentando que: c.1) a decisão recorrida foi extremamente superficial e inconclusiva quanto a a esta alegação, limitandose a expor os dispositivos legais do CTN; c.2) na hipótese em que não seja reformado o acórdão recorrido pela a impossibilidade de aplicação do artigo 61 da Lei n° 8.981/95 ao caso concreto, deve ser reconhecido "o seu caráter de penalidade e, com isso, afastada a sua exigência diante do lançamento de multa de ofício de 150% sobre o valor devido a título de IRPJ e CSLL, porquanto representa cumulação de penalidades incidentes sobre a mesma infração apontada pela fiscalização"; c.3) que diante de suas características, o artigo 61 da Lei n° 8.981/95, "não veicula hipótese de incidência tributária, porquanto não se direciona à tributação de renda (acréscimo patrimonial, riqueza nova), especialmente porque o "responsável" não atua efetivamente nessa condição, ou seja, não retém e recolhe o imposto a título de antecipação potencialmente devido pelo beneficiário ao final do período de apuração"; c.4) que a assunção do ônus prevista na norma e a exclusividade da incidência na fonte reforçam a conclusão que tratase de verdadeira penalidade, bastando ver a carga tributária que recai sobre a renda paga; c.5) que "cabe, ainda, o afastamento da natureza tributária do IRRF previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 em vista do instituto da responsabilidade tributária prevista no artigo 121, Parágrafo Único, inciso II, do CTN, segundo o qual o sujeito passivo da obrigação principal dizse responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei". Cita doutrina nesse sentido; c.6) que não é possível atribuirlhe a "presunção de renda" que, pela sistemática da exigência, o ônus é assumido por ela, diante da identificação do beneficiário e que é este, e somente este, que potencialmente auferiu renda e apresenta capacidade contributiva apta a respaldar a incidência tributária; c.7) que o beneficiário do desembolso financeiro, que foi identificado pela fiscalização, é o único que, diante dos pagamentos identificados, potencialmente, pode ter acréscimo patrimonial tributável, de modo que seria impossível atribuir à recorrente eventual acréscimo patrimonial por evento (pagamento, saída de recursos) que, em última análise, pode, inclusive, representar decréscimo patrimonial; Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.190 8 c.8) que o STJ e os Conselhos de Contribuintes já reconheceram a natureza sancionatória do art. 44 da Lei nº 8.541/1992, o mesmo entendimento deve ser aplicado ao art, 61 da Lei nº 8.981/1995. c.9) que "uma vez demonstrada a natureza sancionatória do artigo 61 da Lei n° 8.981/95, a sua imposição não pode ser cumulada com a imposição da multa de ofício (de 150% sobre os valores lançados a título de IRPJ e CSLL), por resultar em dupla penalização do contribuinte pela mesma suposta infração", devendo ser cancelado o lançamento. d) Subsidiariamente sustenta a inaplicabilidade da multa de ofício no caso de aplicação do IRRF previsto no art. 61 da Lei nº 8.981/95, aduzindo: d.1) que, como decorrência lógica da argumentação anterior, na hipótese em que não seja afastado o IRRF previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 em virtude de seu nítido caráter de penalidade e da impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 150% (IRPJ e CSLL), sob pena de violação do princípio do "non bis in idem" em matéria de penalidade, é não merece prosperar qualquer multa de ofício lançada sobre o valor do IRRF previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95; d.2) que mesmo que seja considerada a natureza sancionatória do IRRF e, ainda assim, entendase pela convivência simultânea com a penalidade aplicada na exigência de IRPJ e CSLL, não deve prosperar a exigência de penalidade sobre o IRRF (penalidade), pois caracterizaria a "aplicação de multa sobre a própria multa"; d.3) que, "em verdade, estaríamos diante de tripla penalização sobre a mesma infração: multa de ofício de 150% (sobre IRPJ e CSLL considerados como devidos); multa travestida de IRRF (54% sobre valores dos pagamentos que deram origem ao lançamento do IRPJ e da CSLL); e multa de ofício sobre a multa de 54% (150% sobre os 54% sobre valores dos pagamentos que deram origem ao lançamento do IRPJ e da CSLL)"; e, d.4) que, assim, na hipótese em que este C. CARF não entenda pelo afastamento do IRRF exigido com base no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, revelase incabível a exigência de multa de ofício (150%, no presente caso) sobre o valor exigido a título de principal, pelo fato de que representa dupla penalização sobre a mesma infração. e) Ainda, em caráter subsidiário, alega a inaplicabilidade da multa de ofício aplicada, fundamentando que: e.1) Caso seja mantida a aplicação da multa de ofício pelo colegiado, "impõe se o cancelamento da multa de ofício qualificada, de 150%, recalculandoa para o patamar ordinário de 75%, tendo em vista que (i) o pagamento não reduziu, eliminou ou diferiu eventual tributo devido pela Recorrente e (ii) considerando o lançamento de IRPJ e CSLL, com aplicação de multa qualificada de 150%, as operações questionadas pela autoridade lançadora, e que implicaram nos pagamentos objeto do lançamento do IRRF, devem ser consideradas, em última análise, como mero ato preparatório, de modo que, pelo princípio da consunção, a condutameio deve ser absorvida pela condutafim"; e.2) que a fundamentação do TVF recai quase que exclusivamente sobre a demonstração da necessidade de glosa da despesa, que teria sido fruto de operação que reduziu indevidamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL, ou seja, a conduta dolosa encontrase limitada ao âmbito do IRPJ e CSLL; Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.191 9 e.3) que, de acordo com o TVF "a fiscalizada cometeu, em tese, crime contra a ordem tributária, incorrendo na prática de sonegação fiscal ao deduzir como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)", o que "não legitima a extensão reflexa da conduta ao pagamento sobre o qual se exige o IRRF, especialmente porque é a conduta apontada é incompatível com essa exigência"; e.4) que "o pagamento, além de não implicar redução, eliminação ou diferimento de tributos devidos, tem o efeito inverso daquele previsto para a sonegação: somente se exige o IRRF porque houve pagamentos" ; e.5) que é "inadmissível o raciocínio desenvolvido acórdão recorrido no sentido de que a Recorrente teria acatado a multa qualificada para o lançamento de IRPJ e CSLL, o qual não foi objeto de impugnação. Ora, a adesão ao parcelamento é uma opção do contribuinte, que resulta, inclusive, em redução do valor de multa. Apesar de o parcelamento representar confissão de dívida, isso não significa que a qualificação da multa se estende ao IRRF que está sendo aplicado, exatamente pelos sólidos argumentos de defesa que não foram sequer apreciados."; e.6) que, cotejando as bases legais indicadas pela autoridade fiscal fica evidente que a acusação recai sobre eventual "sonegação fiscal ao deduzir como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL)" e, assim, "também se torna evidente da inaplicabilidade da multa qualificada sobre o valor lançado a título de IRRF, uma vez que a qualificação já recaiu sobre o valor devido a título de IRPJ e de CSLL, tributos que, segundo a fiscalização, foram indevidamente recolhidos a menor por suposto emprego de sonegação fiscal."; e.7) que "se algum crime contra a ordem tributária houve, especialmente se se cogita de eventual prática de sonegação fiscal, a conduta dolosa de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos deve estar presente e, nessa linha de raciocínio, jamais poderia recair sobre o IRRF lançado por conta de pagamento considerado sem causa". e.8) que não pode prosperar a modificação empreendida pela decisão de primeira instância, que passou a classificou como conluio a conduta da recorrente, equiparando essa conduta com sonegação e fraude, por representar inovação na decisão; e.9) que "os pagamentos questionados pela fiscalização não poderiam nem potencialmente representar ato praticado com vistas à supressão ou redução do IRPJ e CSLL devidos, porquanto não interferem, absolutamente, na base de cálculo desses tributos"; e.10) que, "além de não afetar a base tributável do IRPJ e CSLL, os pagamentos efetuados decorrem da mesma operação que deu origem à glosa da despesa, de modo que significaria dupla penalização do mesmo evento, violandose o princípio do non bis in idem."; e.11) que, "admitindose tenha havido redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL por conta das operações cujas despesas foram glosadas e os respectivos pagamentos objeto de lançamento de IRRF, deve ser reconhecido que os pagamentos são mera condutameio para atingir a condutafim no que diz respeito à eventual configuração do crime de sonegação fiscal."; Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.192 10 f) a impossibilidade de cumulação da multa isolada com multa de ofício com relação ao IRPJ e a CSLL, por representar dupla penalidade pelo mesmo fato, impondose a observância do princípio da consunção, conforme reconhecido pela jurisprudência do CARF e da CSRF; g) a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício. Ao final, a contribuinte, ora recorrente, requer, verbis: Diante do exposto, requerse a esse E. CARF o recebimento, o conhecimento e o provimento integral do presente recurso voluntário com o conseqüente cancelamento dos autos de infração, originários do presente processo administrativo, reforçando, diante da superficialidade ou omissão do acórdão recorrido, os pedidos constantes da peça impugnatória, na qual se requereu o quanto segue: Com relação à exigência de IRRF baseada no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 No mérito: (ii) reconhecida a impossibilidade de exigência de IRRF com base no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 pelo fato de que a mesma operação deu enseje à tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real; Subsidiariamente: (iv) cancelada a exigência do IRRF por conta de sua indiscutível natureza sancionatória, de modo que não pode ser exigida cumulativamente com a multa de ofício aplicada sobre a falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, pois ambas tem a mesma operação como suporte fático e a manutenção do presente lançamento significaria verdadeiro bis in idem; (v) se não acatado o item subsidiário (i) acima, seja reconhecida a inaplicabilidade de multa de ofício (de 75% ou de 150%) sobre o valor lançado a título de IRRF com base no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, pois, diante de sua natureza de penalidade, significaria exigência de penalidade sobre penalidade, não permitido pelo nosso ordenamento e, mais uma vez, configurandose como nítido bis in idem; (vi) se não acatados os itens subsidiários (i) e (ii) acima, cancelada a multa de ofício qualificada (150%), recalculandoa para o patamar ordinário de 75%, tendo em vista que o pagamento não reduziu, eliminou ou diferiu o IRPJ e CSLL devidos pela Impugnante (o pagamento não se enquadra na conduta típica de suprimir ou reduzir tributos devidos e nem afetou o resultado do período e a respectiva base de cálculo do IRPJ e da CSLL), bem como, tendo em vista o lançamento de IRPJ e CSLL, com aplicação de multa qualificada de 150%, os pagamentos decorrentes das operações questionadas pela autoridade lançadora devem ser considerados, em última análise, como mero ato preparatório que implicou a redução de IRPJ e CSLL, de modo que, pelo princípio da consunção ou absorção, a condutameio deve ser absorvida pela condutafim; Com relação às multas isoladas aplicadas por conta dos créditos tributários de IRPJ e CSLL: Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.193 11 (iii) canceladas as multas isoladas exigidas cumulativamente com a multa de ofício, por incidirem sobre a mesma situação fática e sobre a mesma base, sancionando, ambas, a ausência de recolhimento do tributo, de modo que a multa de ofício absorve a multa isolada (mero ato preparatório, condutameio) em vista do princípio da consunção; Com relação aos juros de mora exigidos sobre as multas de ofício aplicadas: (iv) cancelados aos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, sobre a multa de ofício lançada no AIIM; Requer a Recorrente, ainda, seja negado provimento ao Recurso de Ofício, mantendose o reconhecimento da decadência com relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008, cancelandose, portanto, a exigência fiscal correspondente. É o relatório. Fl. 1193DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.194 12 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Tratase de apreciar recurso voluntário e de ofício, interpostos em face do Acórdão nº 0956.926, de 27 de fevereiro de 2015, proferido pela 2ª Turma da DRJJuiz de fora/MG. Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, assim, dele conheço. Conforme relatado, embora a autuação derive de glosa de custos e despesas em face de documentos inidôneos, remanesce a discussão nos autos apenas com relação ao IRRF sobre Pagamentos a Beneficiários não Identificados ou Sem Causa e de Multa Isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, uma vez que a interessada efetuou o parcelamento das demais exigência de IRPJ e CSLL. Exigência do IRRF sobre pagamentos cuja causa/operação não foi comprovada Examino inicialmente as alegações relativas ao IRRF. A recorrente alega a inexistência de amparo legal para o lançamento do IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa quando tais pagamentos foram objeto de glosa de custos e despesas que, no entendimento da fiscalização impliquem na redução indevida do lucro líquido. Defende a inaplicabilidade do art. 61 da Lei nº 8981/95, quando a mesma hipótese deu origem à tributação pelo IRPJ e CSLL, por redução indevida do lucro real, apontando que o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 previa presunção de distribuição automática de lucro equivalente à receita omitida ou à diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, tributada pelo IRRF exclusivo à alíquota de 25%, majorada para 35% pelo art. 62 da Lei nº 8.98l/1995. Observa a recorrente que o artigo 61 da Lei n° 8.981/95, que prevê o IRRF invocado pela autoridade lançadora e o artigo 62, que majorou a alíquota do IRRF sobre a distribuição de lucros, previsto no art. 44 da Lei nº 8.541/1992, são tratados na mesma lei , não sendo mera coincidência a circunstância de que o artigo 61 tenha previsto a incidência de IRRF para as hipóteses que especifica, à alíquota de 35%, e o artigo 62, em seguida, tenha atribuído a mesma alíquota (35%) para as hipóteses previstas no artigo 44 da Lei n° 8.541/92. Aponta que, se de um lado, o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 (com a alteração feita pelo art. 62 da Lei nº 8.981/1995) estipulava a incidência de IRRF exclusivo, à alíquota de 35%, no caso de receitas omitidas ou diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido, Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.195 13 por outro, o artigo 61 da Lei n° 8.981/95 previa a incidência de IRRF exclusivo, também à alíquota de 35%, aos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, ressalvado o disposto em normas especiais. Alega que, nesse contexto, o artigo 44 da Lei n° 8.541/92 era a norma especial que prevalecia sobre o seu conteúdo, tanto que, além de não revogála, a mesma lei (Lei n° 8.981/95) equiparou as alíquotas, colocandoas no patamar de 35%. Conclui afirmando que a revogação do art. 44, pela Lei nº 9.249/95, que trouxe nova sistemática à tributação dos lucros não permite que o artigo 61 da Lei n° 8.981/95 alcance situação antes era tratada pelo artigo 44 da Lei n° 8.541/92 (Presunção de distribuição automática de lucros aos sócios, tributada exclusivamente na fonte). Entendo, que o raciocínio empreendido pela recorrente, ainda que apoiado em decisões administrativas dos órgãos fazendários, exige um maior aprofundamento. Examinando as normas citadas pela recorrente, verificase que foram editadas num contexto em que os lucros apurados pelas pessoas jurídicas quando distribuídos aos sócios e acionistas eram tributados e em que determinadas situações eram consideradas como distribuição disfarçada de lucros, sujeitas à tributação exclusiva na fonte. É com este pano de fundo que o PN. CST nº 4/94 analisou a continuidade da vigência ou não do art. 8º do DL. nº 2065/1983, em face do art. 35 da Lei nº 7.713/1988, que instituiu o Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido. Este é o objeto do referido parecer que, an passant, aborda a incidência do IRRF, com base no art. 8º do DecretoLei nº 2.065/83 e no art. 44 da Lei nº 8.541/92, sobre a receita omitida ou diferença verificada na determinação do lucro líquido, em decorrência de procedimentos irregulares de distribuição de valores aos sócios. Também as decisões colacionadas referemse à legislação aplicada no contexto da tributação dos lucros distribuídos, sejam eles apurados contabilmente, sejam os considerados automaticamente distribuídos quando apurados em lançamento de ofício. Naquele contexto, me parece bastante razoável que não se cogitasse da tributação exclusiva na fonte dos lucros considerados automaticamente distribuídos aos sócios e ao mesmo tempo fosse aplicada, no caso de glosa de custos e despesas consideradas inidôneas, a cobrança do IRRF sobre pagamentos sem causa ou a beneficiários cuja origem não fosse identificada, pois configuraria, claramente, uma exigência em duplicidade. A recorrente alega que o disposto no art. 44 da Lei nº 8.541/92 seria a regra especial, prevista no artigo 61 da Lei n° 8.981/95, que atrairia a tributação na fonte dos rendimentos (lucros) apurados em face destas glosas e que, uma vez revogada pela Lei nº 8.981/1995, não poderia ser aplicada ou substituída pela tributação prevista no art. 61 da Lei nª 8.981/95. Entendo que se equivoca a recorrente, pois o a ressalva contida na parte final do art. 61 da Lei nº 8981/95 visava exatamente a não tributação em duplicidade dos mesmos rendimentos em face de duas legislações distintas que previam regras similares. Fl. 1195DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.196 14 De outra parte, o art. 44 da Lei nº 8.541/1992 alcançava as situações em que restasse configurado o benefício direto dos sócios ou acionistas, conforme se extrai do dispositivo, verbis: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. § 1º O fato gerador do Imposto de Renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995) § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) O art. 61 da Lei nº 8981/1995, por sua vez, é mais abrangente e alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado como responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindose que assumiu o ônus pelo referido pagamento. É o que se extrai do dispositivo em questão, verbis: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.197 15 No mesmo sentido da aplicabilidade do dispositivo, transcrevo o voto vencedor da i. Conselheira Edeli Pereira Bessa, no Acórdão nº 1101000.825, verbis: O presente voto expressa os fundamentos para manutenção das exigências de IRRF, uma vez que restou vencido o I. Relator em sua proposta de exoneração de tai s créditos tributários. Argumentou o I. Relator que os lançamentos de IRPJ e CSLL aqui veiculados não poderiam coexistir com o lançamento de IRRF em razão dos mesmos pagamentos glosados na apuração daqueles tributos, reportando se a julgados deste Conselho que somente admitem a exigência de IRRF desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro liquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real, em razão de disposição legal específica aplicável nesta segunda hipótese, veiculada no art. 44 da Lei nº 8.541/92. Isto porque, como demonstrado no voto do I. Relator, o art. 44 da Lei nº 8.541/92 determinava a exigência de IRRF à alíquota de 25% nos casos de redução indevida do lucro líquido, presumindo de forma absoluta que esta diferença fora automaticamente recebida pelos sócios. Todavia, a dúvida acerca da aplicabilidade do art. 61 da Lei nº 8.981/95 somente existiria, na forma exposta, enquanto vigente o art. 44 da Lei nº 8.541/92, revogado pela Lei nº 9.249/95. A partir daí (como é o caso destes autos), ausente a presunção legal de distribuição daqueles valores aos sócios, nenhum impedimento existiria para a caracterização da hipótese fixada no art. 61 da Lei nº 8.981/95, que na verdade parte do fato provado de entrega de recursos a um terceiro não identificado, ou por razões não demonstradas, e erige a presunção, apenas, de que tais rendimentos seriam passíveis de tributação na pessoa do beneficiário. No presente caso, portanto, há duas incidências distintas: 1) o IRRF exigido da autuada na condição de responsável (fonte pagadora de rendimentos) que não se desincumbiu de seu dever de identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento e, por conseqüência, permitir ao Fisco confirmar a regular tributação de eventual rendimento auferido por este beneficiário, e 2) o IRPJ exigido da autuada na condição de contribuinte que auferiu lucro, mas o declarou em montante menor que o devido, em razão da dedução de despesas que não foram regularmente provadas. Em outras palavras, a incidência do IRPJ decorrente de uma despesa que não reúne os requisitos legais para sua dedutibilidade não converte esta parcela em rendi mento da própria da pessoa jurídica, a dispensar a incidência que poderia existir em desfavor do beneficiário do pagamento. É certo que a base de cálculo do IRPJ resta majorada e, por consequência, há renda tributável no seu sentido próprio, qual seja, resultado líquido de acréscimos e decréscimos patrimoniais num mesmo período de apuração. Mas este resultado líquido não se confunde com o conceito de rendimento, acréscimo individualmente auferido, no caso, por outro sujeito passivo, em razão de uma operação específica, que poderia sujeitarse a tributação isolada, a qual é presumida pela lei em razão da omissão de informações por parte da fonte pagadora. Considerando que, nos termos do voto do I. Relator, os beneficiários e a causa do pagamentos subsistiram incomprovados, devese NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às exigências de IRRF. Fl. 1197DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.198 16 Diante do exposto, rejeito a primeira alegação da recorrente, por entender que o lançamento realizado encontra suporte legal no art. 61 da Lei nº 8.981/1995. Subsidiariamente, a recorrente alegou o caráter de penalidade do IRRF previsto no art. 61 da Lei nº 8.981/95 e a sua inaplicabilidade quando cumulada com o lançamento de IRPJ e CSLL. Sustenta que pelas características, o artigo 61 da Lei n° 8.981/95, "não veicula hipótese de incidência tributária, porquanto não se direciona à tributação de renda (acréscimo patrimonial, riqueza nova), especialmente porque o "responsável" não atua efetivamente nessa condição, ou seja, não retém e recolhe o imposto a título de antecipação potencialmente devido pelo beneficiário ao final do período de apuração"; Aponta que a assunção do ônus prevista na norma e a exclusividade da incidência na fonte reforçam a conclusão que tratase de verdadeira penalidade, bastando ver a carga tributária que recai sobre a renda paga; Defende que "cabe, ainda, o afastamento da natureza tributária do IRRF previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 em vista do instituto da responsabilidade tributária prevista no artigo 121, Parágrafo Único, inciso II, do CTN, segundo o qual o sujeito passivo da obrigação principal dizse responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei". Alega, também, que o beneficiário do desembolso financeiro, que foi identificado pela fiscalização, é o único que, diante dos pagamentos identificados, potencialmente, pode ter acréscimo patrimonial tributável, de modo que seria impossível atribuir à recorrente eventual acréscimo patrimonial por evento (pagamento, saída de recursos) que, em última análise, pode, inclusive, representar decréscimo patrimonial; Sobre tais alegações, cumpre observar inicialmente que a recorrente busca, por via transversa, que este colegiado deixe de aplicar a lei vigente, aplicada ao caso concreto pelo Fisco, o que é vedado pelas normas legais, pela Súmula Carf nº 2, 1 e pelo art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, ressalvadas as hipóteses nele previstas. verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar aaplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sobfundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional,lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; 1 Súmula CARF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.199 17 b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dadapela Portaria MF nº 152, de 2016) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) [,,,] Não obstante, como dito alhures, o IRRF cobrado nesta situação do sujeito passivo tem a natureza de uma presunção legal de que o mesmo deixou de reter e recolher o IRRF devido em face de pagamentos comprovadamente efetuados a terceiros, não identificados ou cuja causa ou operação não se comprova, assumindo o ônus pelo pagamento do imposto, sendo erigido pela lei à condição de responsável pelo seu pagamento. Esta previsão legal nada tem de extraordinária ou atípica e se coaduna com o princípio da praticabilidade tributária, conforme bem analisou o i. Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, ao proferir o voto condutor no Acórdão nº 2202003.475, verbis: [...] Convém citar, então, o princípio da praticabilidade tributária, na lição de Regina Helena Costa: “A praticabilidade, também conhecida como praticidade, pragmatismo ou factibilidade, pode ser traduzida, em sua acepção jurídica, no conjunto de técnicas que visam a viabilizar a adequada execução do ordenamento jurídico. (...) O princípio da praticabilidade tributária constitui limite objetivo destinado á realização de diversos valores, podendo ser apresentado com a seguinte formulação: as leis tributárias devem ser exeqüíveis, propiciando o atingimento dos fins de interesse público por elas objetivado – qual seja, o adequado cumprimento de seus comandos pelos administrados, de maneira simples e eficiente, e a devida arrecadação dos tributos. Em conseqüência, os atos estatais de aplicação de tais leis – administrativos e jurisdicionais – ficam jungidos aos ditames da praticabilidade, de modo a não frustrar a finalidade pública estampada na lei. (COSTA, Regina Helena. Praticabilidade e Justiça Tributária. Malheiros: 2007, p. 388/390) Fl. 1199DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.200 18 Ensina ainda a Autora que a praticabilidade manifestase como princípio difuso por meio de diversos instrumentos como as chamadas abstrações, presunções, indícios e cláusulas gerais. O artigo 674 do RIR/1999, utilizado pela fiscalização para embasar este lançamento, entendo, enseja dar praticabilidade ao devido recolhimento do imposto de renda, exatamente em casos como este, em que se faz um repasse a terceiro e, regularmente intimado, não se presta informação sobre os efetivos beneficiários dos pagamentos ou sua causa. Quando uma pessoa jurídica faz pagamentos a outra, está obrigada a efetuar a retenção do imposto correspondente, na fonte, e repassálo, depois, ao Erário. Mas se sua escrita contábil é inexistente ou inconsistente e não é possível determinar a quem pagou e por que pagou? Aplicamse os dispositivos da lei e do regulamento, aqui em caso. Obviamente que quando a lei diz que fica sujeito à incidência do imposto todo pagamento a beneficiário não identificado, o sujeito passivo desse imposto só pode ser quem efetuou o pagamento. Claramente é ele quem tem o dever de identificar o beneficiário e a causa do pagamento, não o Fisco, como alude o recurso. [...] Assim, afasto as alegações da recorrente no sentido de que a exigência do IRRF, nestes casos, teria o caráter de penalidade. Ainda, a recorrente alega que, como decorrência lógica da argumentação anterior, na hipótese em que não seja afastado o IRRF previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95 em virtude de seu nítido caráter de penalidade e da impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 150% (IRPJ e CSLL), sob pena de violação do princípio do "non bis in idem" em matéria de penalidade, é não merece prosperar qualquer multa de ofício lançada sobre o valor do IRRF previsto no artigo 61 da Lei n° 8.981/95. Tal alegação não merece prosperar pelos mesmos fundamentos acima expostos. Não tendo o tributo exigido a natureza de sanção por ato ilícito, nos termos do art. 3ª do CTN é cabível a exigência de penalidade quando este vem a ser exigido de oficio, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Assim, rejeito tal alegação. Na sequência do recurso quanto ao IRRF, a recorrente alega a inaplicabilidade da multa de ofício qualificada em relação ao lançamento do IRRF, tendo em vista que: (i) o pagamento não reduziu, eliminou ou diferiu eventual tributo devido pela Recorrente e (ii) considerando o lançamento de IRPJ e CSLL, com aplicação de multa qualificada de 150%, as operações questionadas pela autoridade lançadora, e que implicaram nos pagamentos objeto do lançamento do IRRF, devem ser consideradas, em última análise, como mero ato preparatório, de modo que, pelo princípio da consunção, a condutameio deve ser absorvida pela condutafim" Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.201 19 Alega, ainda, que a fundamentação do TVF recai quase que exclusivamente sobre a demonstração da necessidade de glosa da despesa, que teria sido fruto de operação que reduziu indevidamente o lucro real e a base de cálculo da CSLL, ou seja, a conduta dolosa encontrase limitada ao âmbito do IRPJ e CSLL, o que "não legitima a extensão reflexa da conduta ao pagamento sobre o qual se exige o IRRF, especialmente porque é a conduta apontada é incompatível com essa exigência"; Defende que "o pagamento, além de não implicar redução, eliminação ou diferimento de tributos devidos, tem o efeito inverso daquele previsto para a sonegação: somente se exige o IRRF porque houve pagamentos" ; A autoridade fiscal justificou a qualificação da multa nos subitens 8.5 e 8.6 do Termo de Verificação Fiscal, verbis: 8.5. Demonstrouse ao longo dos autos e pelos recortes legais, acima em destaque, que a fiscalizada cometeu, em tese, crime contra a ordem tributária, incorrendo na prática de sonegação fiscal ao deduzir como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), valores utilizando documentos inidôneos, emitidos por pessoa jurídica que não existe de fato, apesar de constituída formalmente, ou seja não possuiu existência de fato, e cuja inscrição no CNPJ foi considerada e declarada INAPTA e posteriormente baixada no órgão competente, não produzindo, esses documentos, quaisquer efeitos tributários em favor de terceiros por se caracterizarem como uma hipótese de inidoneidade, com a intenção dolosa de sonegar parte significativa das receitas auferidas, e com isto efetuar recolhimentos a menor. Isto também é caracterizado como um pagamento a um destinatário irreal, INAPTO, inexistente de fato, baseada em uma operação igualmente irreal, inexistente, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa a beneficiário não identificado, sujeito à incidência do IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte, à alíquota de 35%. 8.6. A ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica a multa qualificada. Assim, como neste caso, há evidência nos autos deste processo de que a autuada utilizou um esquema de emissão de Notas Fiscais / Recibos inidôneos, em que a fiscalizada desde a contratação destas empresas inexistentes de fato, “fantasma”, até o momento do lançamento destes valores na sua contabilidade e nas Declarações entregue à Receita Federal do Brasil tinha conhecimento da falta de capacidade operacional da empresa prestar os serviços declarados nos documentos fiscais. Houve um conluio, que é “o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando produzir os efeitos referidos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 30/11/1964”, ou seja, a sonegação e a fraude. (grifei) Pelo que se extrai do TVF, a fiscalização além do fundamento utilizado para qualificar a multa de ofício relativa o lançamento do IRPJ e CSLL ressalta a evidência de que a contribuinte tinha consciência de que realizava tais pagamento a empresas inexistentes de fato (fantasmas) para qualificar a multa na exigência relativa ao IRRF. Fl. 1201DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.202 20 Tal distinção revelase importante, pois a consciência da ilicitude (dolo) por parte do agente é fundamental para a qualificação da multa. Desta feita, não se trata de cobrar o IRRF sobre pagamentos cuja causa ou operação não foi suficientemente comprovada pela contribuinte, mas sim sobre pagamentos dolosamente efetuados a terceiros, ocultados sob a roupagem de empresas formalmente constituídas, mas que não tinham, de fato, existência real, condição esta de pleno conhecimento da recorrente, conforme demonstrou a fiscalização na documentação acostada à ação fiscal. Assim, a cobrança do IRRF com a multa qualificada encontrase respaldada pelos elementos dos autos e pela conduta descrita no Termo de Verificação Fiscal. Ante ao exposto, voto por manter a exigência do IRRF com aplicação da multa qualificada. Da exigência da Multa isolada A recorrente alega a impossibilidade de cumulação da multa isolada com multa de ofício com relação ao IRPJ e a CSLL, por representar dupla penalidade pelo mesmo fato, impondose a observância do princípio da consunção, conforme reconhecido pela jurisprudência do CARF e da CSRF. Não assiste razão à recorrente. Inexiste qualquer conflito legal para aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo em conjunto com a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas. Desde logo afasto a aplicação da súmula CARF nº 1052, porquanto o lançamento da multa isolada foi fundamentado no Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007 (fls. 1365). Com efeito, o alcance da referida súmula é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. O enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art.44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007. Na mesma data, foi publicada no DOU (edição extra) e entrou em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/20073. Foram 2 Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 3 Lei nº 11488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.203 21 alterados o percentual aplicável (de 75% para 50%) e também a base de incidência da multa (antes, a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, após, o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado). Assim, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2007, os Conselheiros podem votar de acordo com seu livre convencimento sobre a matéria. Com efeito, a lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, mesmo se apurado prejuízo ao final do exercício. Entendeu o legislador que tal infração (falta de recolhimento da estimativa) não deve ser ignorada. Com vistas à proteção da arrecadação tributária e prestigiando os contribuintes que em situação equivalente efetuaram os recolhimentos devidos por antecipação, houve por bem o legislador estabelecer uma penalidade para aquela infração, que não se confunde de modo algum com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento do saldo de tributo apurado no final do exercício. Assim, se, além das estimativas mensais que deixaram de ser recolhidas, a fiscalização constata que também o saldo de imposto anual devido em face da apuração do resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõese a cobrança das diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o saldo de tributo devido. Ora, é princípio basilar de hermenêutica que "a lei não contém palavras inúteis". Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou muito claro que a penalidade isolada não se confunde e não pode se fundir com a multa de ofício eventualmente devida pelo saldo de tributo devido no ano. Interpretação nesse sentido implica em negar validade ao citado dispositivo. b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” (NR) Fl. 1203DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.204 22 A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com suas obrigações e observa um dos princípios essenciais da atividade econômica, previsto na Constituição Federal de 1988: o princípio da livre concorrência (vide Art. 170, inc IV, Art. 146A e Art. 173, § 4°). Ao impor ao infrator a penalidade isolada a lei visa desestimular comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram com suas obrigações sacrificam parte de seus fluxos de caixa para contribuir com a coisa pública, muitas vezes tendo que recorrer ao pagamento de juros a terceiros, o infrator (que deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu "Caixa" e se coloca em situação vantajosa economicamente perante os seus concorrentes. É cediço os efeitos que a sonegação tem sobre o equilíbrio concorrencial. Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento por estimativa ferirseia, além da legalidade, o princípio da isonomia. Rejeito, também, o argumento, que tem sido reiteradamente utilizado pelos que defendem a impossibilidade de coexistência das duas penalidades, quanto a possibilidade de estarmos diante da ocorrência de um "bis in idem": aplicação da multa isolada e da multa de ofício sobre um mesmo fato. Não vejo como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a aplicação das penalidades. A lei é cristalina ao estabelecer cada uma das hipóteses em que as penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização. Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na estimativa mensal ocorre durante o anocalendário de sua apuração, a infração pelo não recolhimento do tributo anual devido só pode ocorrer depois de encerrado o período de apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. O percentual da multa isolada que antes coincidia com o mesmo percentual da multa de ofício também era comumente utilizado para justificar o alegado "bis in idem!". Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei n° 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea "c" do CTN. Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos em cada caso. Por fim, a definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, inc.V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a penalidade aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que é vedado no âmbito deste colegiado. Se a lei não prevê a possibilidade de aplicação de uma penalidade em detrimento da outra não cabe ao intérprete afastála ou modular sua aplicação. Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.205 23 Ante ao exposto, rejeito a alegação da recorrente quanto à impossibilidade de aplicação da multa isolada do IRPJ e da CSLL. Da incidência de juros sobre a multa de ofício Por fim, impõese examinar, quanto ao recurso de ofício, o argumento da recorrente no que concerne à ilegalidade da incidência de juros de mora à taxa de juros Selic sobre a multa. Dispõe o art. 161 do CTN que o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que se a lei não dispuser de modo diverso os juros são calculado à taxa de 1% ao mês. Ocorre que o legislador estabeleceu no art. 61 da Lei n° 9.430/1996 que, a partir de janeiro de 1997, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa SELIC quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Não resta dúvida que os débitos a que se refere a Lei n° 9.430/1996 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Por sua vez, o art. 113, em seu parágrafo primeiro define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Ora, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Assim é que o art. 142 do CTN determina que a autoridade competente constitua o crédito tributário, calculando o montante do tributo e a penalidade aplicável. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida juntamente com o tributo devido. Assim, uma vez constituído o crédito pelo lançamento de ofício, ao tributo agregase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal e, sobre ele deve incidir integramente os juros à taxa SELIC. A jurisprudência das turmas desta câmara e da própria CSRF é majoritária a favor da incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício: Acórdão n° 1301000.111, de 04/12/2012: JUROS SOBRE MULTA. INAPLICABILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. A obrigação tributária principal dáse com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional, de sorte que o crédito tributário corresponde à obrigação tributária principal, incluindo a multa de ofício proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão n° 1302000.959, de 07/08/2012: Fl. 1205DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.206 24 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3°do art. 61 da Lei n°9.430/96. Acórdão n° 910100.539, de 11/03/2010 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Assim, voto no sentido de rejeitar esta alegação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Recurso de Ofício Em face da exoneração parcial do crédito pelo acórdão recorrido foi interposto recurso de ofício pelo colegiado a quo. O recurso de ofício deve ser conhecido, pois o valor exonerado extrapola o limite fixado pelo Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). A exoneração parcial do crédito decorreu do reconhecimento da decadência do lançamento relativa ao IRRF (referente aos pagamentos efetuados até dezembro/2008) e multa isolada (dos períodos de apuração até 30/11/2008), nestes termos: 1) DECADÊNCIA A contribuinte discute a decadência do direito de lançamento para o ano calendário 2008, relativamente ao auto de infração do IRRF. A legislação que deu suporte ao lançamento do IRRF se encontra abaixo transcrita: Decreto 3.000/99 – RIR/99 Art.674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). §1ºA incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §1º). §2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §2º). Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.207 25 §3ºO rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, §3º). Por ser uma ficção legal, a contagem do prazo decadencial do lançamento do Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada se enquadra no artigo 173, inciso I do CTN, igual situação para os casos de fraude, sonegação ou conluio: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como o vencimento do tributo se dá no dia do pagamento, o lançamento já pode ser realizado no dia seguinte. No anocalendário 2008, o último pagamento inserido no auto de infração foi realizado em 05/12/2008, como consta do Quadro 13 do TVF. Portanto, o primeiro dia de exercício seguinte se deu em 1º de janeiro de 2009, encerrando o prazo decadencial em 1º de janeiro de 2014. O lançamento foi constituído em 02/12/2014, despacho de fls. 960, quando o prazo decadencial, relativamente ao anocalendário 2008, já havia sido extrapolado. Embora não suscitado pela contribuinte, importa registrar que os lançamentos da multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativas mensais, relativamente aos meses de março, agosto, setembro, outubro e novembro de 2008, no tocante ao IRPJ, e ao mês de novembro de 2008, no tocante à CSLL, também foram alcançados pela decadência. O mês de dezembro, pelo seu vencimento em janeiro de 2009, teve o início do prazo decadencial em 01/01/2010, não sendo, assim, alcançado pela decadência. Nenhum reparo pode ser feito à decisão recorrida. Mesmo se considerando o prazo decadencial mais elástico, previsto no art. 173, inc. I do CTN, verificase que o lançamento do IRRF e da multa isolada dos períodos apontados na decisão recorrida como decaídos, de fato, não mais poderiam ser exigidos quando formalizado o lançamento por meio do auto de infração. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntário e de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.208 26 Declaração de Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Apesar do brilhante voto do Conselheiro Relator, peço permissão para discordar do seu entendimento em relação à exigência do IR/Fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa, quando já houve a glosa dos custos/despesas, devidamente tributadas pelo IRPJ e CSLL. No meu entendimento, quando existir Glosa de Custos e Despesas na apuração do IRPJ e CSLL por notas fiscais inidôneas, mostrase contraditória a tributação do Imposto de Renda em virtude de pagamentos sem causa, pois o registro contábil de despesa amparado em nota fiscal inidônea não autoriza, por si só, além da exigência do IRPJ e da CSLL (em face da glosa da despesa inexistente ou não comprovada), a cobrança do IRRF por pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. A aplicação do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1.995, está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por glosa de custos e despesas, como foi o caso concreto, onde houve a incidência do IRPJ e CSLL. Com a edição da Lei nº 9.249/96, surge clara a opção do legislador pela adoção da tributação segredada, ou seja, se o rendimento foi tributado na pessoa jurídica não será mais tributado, não só na pessoa física como em outra pessoa jurídica, eventual e presumidamente beneficiárias. Nesse novo quadro, temos o desaparecimento do art. 44, que tinha por fim tributar as situações em que, por presunção de que a receita omitida e/ou a redução do lucro líquido era distribuída a sócios que, repetindo, não comportavam a utilização do art. 61, da Lei nº 8.981/95. Em outras palavras, significa dizer que o art. 61, da Lei nº 8.981/95, evidentemente, não pode ser aplicado às situações que anteriormente eram acobertadas pelo art. 44, da Lei nº 8.541/95. Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que serve de base, não caracterize hipótese de redução do lucro líquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real ou presumido. Dispunha o art. 44 da Lei nº 8.541/92, na redação que lhe foi dada pelo art. 3º da Medida Provisória nº 492/94, convertida na Lei nº 9.064/95: Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.209 27 “Art. 44 A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios.” Por outro lado, temos o preceito legal trazido no enquadramento legal do Auto de Infração, em relação ao imposto de renda retido na fonte, mais precisamente o art. 61 da lei nº 8.981/95: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74, da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o imposto de renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.” Da leitura desses dispositivos, há de se concluir que o art. 61 da Lei nº 8.981/95 não convivia com o art. 44 da Lei nº. 8.541/92, significando dizer que, quando, ainda que por presunção, o rendimento era distribuído aos sócios tinha aplicação o art. 44, nunca o art. 61. Confirmando essa afirmação, temos a disposição expressa no art. 62 da mesma Lei nº 8.981/95, nos seguintes termos: Art. 62 A partir de 1º de janeiro de 1995, a alíquota do imposto de renda na fonte de que trata o art. 44, da Lei nº 8.541, de 1992, será de 35%. Houve, portanto, uma clara distinção, ou seja, o art. 61 também comportava uma presunção de distribuição de recursos a sócios, desde que não pela via da omissão de receitas, mas sempre pela subtração de resultados ainda não tributados, mesmo porque não faria sentido algum tributar a presunção da distribuição na omissão de receita a 25% e a presunção de distribuição por outros meios a 35%. Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.210 28 Ficava, então, o art. 61, reservado para aquelas situações em que o fisco provava a existência de um pagamento, cujo beneficiário ou causa não restasse comprovada. Vamos, agora, ao que ficou estabelecido após a edição do art. 24 da Lei nº 9.249/96, que revogou o art. 44 da Lei nº 8.541/92. Art. 24 Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere à receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (...) Art. 36 Ficam revogadas as disposições em contrário, especialmente”: (...). IV os art. 43 e 44 da Lei nº. 8.541, de 23 de dezembro de 1992; (...)”. Portanto, com a edição da Lei nº 9.249/96, surge clara a opção do legislador pela adoção da tributação segregada, ou seja, se o rendimento foi tributado na pessoa jurídica não será mais tributado, não só na pessoa física como em outra pessoa jurídica, eventual e presumidamente beneficiárias. Nesse novo quadro, temos o desaparecimento do art. 44 que tinha por fim tributar as situações em que, por presunção de que a receita omitida e/ou a redução do lucro líquido era distribuída a sócios que, repetindo, não comportavam a utilização do art. 61 da Lei nº 8.981/95. Em outras palavras, significa dizer que o art. 61 da Lei nº 8.981/95, evidentemente, não pode ser aplicado às situações que anteriormente eram acobertadas pelo art. 44 da Lei nº 8.541/95. Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro líquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real e ao lucro presumido. Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.211 29 Não é outra, ainda que por outro enfoque e por via de raciocínio diverso, a conclusão a que chegou o ilustre professor José Antonio Minatel em seu artigo publicado na Revista Dialética, o qual reproduzimos parte, litteris: “Só depois de esgotadas essas verificações elementares, será possível promover o adequado enquadramento da situação fática à hipótese normativa que lhe corresponda. Essa cautela é recomendada para que se evitem os excessos costumeiramente praticados pelos agentes do Fisco, mormente quando deparam com pagamentos registrados como custo ou despesa na escrituração contábil da empresa fiscalizada, em que os reais beneficiários não se encontram identificados a contento. Nessa específica hipótese, estando a empresa na sistemática do lucro real para tributação de seus resultados pelo Imposto de Renda, o procedimento fiscal culmina, via de regra, com a lavratura de autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL, acrescidos de juros moratórios e multa aplicada de ofício (75% ou 150%), sob o fundamento de glosa da dedutibilidade de despesas/custos não comprovados. Concomitantemente, lavrase outro auto de infração fundamentado no art. 61 da Lei nº 8.981/95, com exigência do malfadado IRFonte de 35%, acrescido, também, de juros e nova multa aplicada de ofício (75% ou 150%), agora sob o fundamento de que os mesmos gastos, contabilizados como custos/despesas, estão acobertando pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado. Evidente que há exageros e não se pode compactuar com a sobreposição e penalidades sancionando a mesma conduta. Com efeito, ante a nãocomprovação dos gastos contabilizados como custos/despesas, está legitimada a formalização de exigência do IRPJ e da CSLL indevidamente reduzidos, sendo pertinente que essa conduta que ocasionou indevida redução de tributos seja sancionada com a imposição de multa de ofício (75% ou 150%). No entanto, não cabe outra penalidade sobre a mesma constatação fática, sendo indevida a exigência de 35% a título de IRFonte sob o pressuposto de falta de identificação do beneficiário do pagamento da mesma operação que teve a dedutibilidade negada, pois essa exigência tem nítido caráter de penalidade, como já demonstrado. Mais grave ainda é ver essa penalidade pecuniária de 35% travestida de tributo ser gravada com nova penalidade, uma vez que sobre o valor do IRFonte exigido no auto de infração é calculada nova multa de ofício (75% ou 150%). Lamentavelmente, lançamentos contaminados com essa grave deformação têm sido confirmados, sem mais reflexão, pelos órgãos encarregados de solucionar os conflitos entre Fisco e contribuinte, como se vê do pronunciamento da 4.ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, aqui reproduzido na parte atinente à matéria em estudo, verbis: ‘PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO – PAGAMENTO EFETUADO A BENEFICIÁRIO SEM CAUSA PAGAMENTOS EFETUADO SEM COMPROVAÇÃO OU CAUSA NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS ARTIGO 61 DA LEI nº 8.981, DE 1995 CARACTERIZAÇÃO. A pessoa jurídica que efetuar pagamento a beneficiário não identificado ou não comprovar a operação ou a causa dos pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, bem como não comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços, referidos em documentos emitidos por pessoa jurídica Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.212 30 considerada ou declarada inapta, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento a beneficiário não identificado e/ou pagamento a beneficiário sem causa. O ato de realizar o pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, conforme o disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981, de 1995’. Agride a estrutura da regra jurídica do Imposto sobre a Renda a afirmação final contida na ementa de que “o ato de realizar pagamento é pressuposto material para a ocorrência da incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte”. A afirmação estará a salvo se vista a referida incidência com caráter de penalidade, para a qual o ato de realizar pagamento a beneficiário não identificado é que lhe dá tipicidade. Portanto, é imperioso admitir que há limites e condições para a aplicação da penalidade prevista no art. 61 da Lei nº 8.981/95, a qual, quando cabível, deve ser vista com a mesma natureza da chamada “multa isolada”, sendo certo que sua aplicação por meio de lançamento de ofício (auto de infração) não comporta novo cálculo de multa sobre multa, sendo totalmente inadequada à imposição de multa de ofício de 75% ou 150% sobre o valor da penalidade quantificada em 35% do valor do pagamento sem causa, ou a beneficiário não identificado. O grifo em quando cabível é para deixar registrado, pedindo vênia pela ênfase em discurso repetitivo, que essa penalidade de 35% do art. 61 da Lei nº 8.981/95 somente pode ser aplicada quando não houver exigência concomitante de tributo (IRPJ e CSLL) sobre a mesma operação, pois, nessa hipótese, a formalização de exigência de cunho tributário com a imposição da penalidade correspondente, que é o objetivo primeiro da administração tributária, absorve a multa isolada prevista para idêntica conduta. Em conclusão, a imposição da multa isolada de 35% só é adequada para sancionar condutas que impeçam a identificação da causa ou do beneficiário de pagamento, praticada por pessoas jurídicas não submetidas à tributação pelo lucro real ou presumido.” (Grifei) Desse ensaio, dentre outras lições, podemos extrair que é absolutamente vedada à possibilidade de escolha, ou seja, se cabível a tributação pelo IRPJ e CSLL por redução do lucro líquido, não pode a autoridade lançadora simplesmente abandonar essa tributação para eleger a mais gravosa contida no art. 61 em comento e, muito menos e pelos mesmos motivos, lançar as duas exações. Isto porque e, por óbvio, a Lei nº 8.981/95 não revogou as normas que regem a tributação pelo lucro real e lucro presumido. Com essa ordem de ideias, manifestase inarredável a conclusão de que o lançamento de ofício ora vergastado deve ser anulado quanto ao IRRF, em face da evidente impossibilidade jurídica de concomitância com a tributação decorrente da glosa de custos e despesas por parte da fiscalização. Noutra banda, entendo que no presente caso, houve erro no enquadramento legal do lançamento tributário, pois a fiscalização embasou a autuação como sendo pagamento a beneficiário não identificado, mesmo diante do registro contábil da operação e sua efetiva liquidação, ou seja, não era o caso de aplicação do caput do art. 61 da Lei n.8.981/95, mas sim Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 13896.722648/201459 Acórdão n.º 1302002.087 S1C3T2 Fl. 1.213 31 do parágrafo 1º do aludido artigo, que trata, especificamente, da ausência da causa (negócio jurídico) que gerou o pagamento a terceiro e a sua contabilização. São duas situações distintas, que merecem tratamentos legais distintos, fato inobservado pela fiscalização no momento da lavratura do auto de infração. Por todo o exposto, voto por dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte relativamente à "exigência do IR/Fonte sobre pagamentos sem causa quando já houve a glosa dos custos/despesas”. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 1213DF CARF MF
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Numero do processo: 10725.001825/2001-19
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:1996
DECADÊNCIA.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o contribuinte não efetua o pagamento antecipado.
Numero da decisão: 1803-001.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 1996.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, quando o contribuinte não efetua o pagamento antecipado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 1996. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 328DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.001825/200119 Acórdão n.º 180301.077 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Trata o presente processo do auto de infração de fls.67/85, lavrado no âmbito da Delegacia da Receita Federal em Campos dos Goitacazes/RJ, por meio do qual se exige da Interessada, acima identificada, o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ, no valor R$ 13.364,19, com multa de 75% e demais encargos moratórios. O presente lançamento decorre dos fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 91/92 e no auto de infração, fls. 68/69, em virtude de procedimento de auditoria interna realizado na empresa, inicialmente com o objetivo de apurar a COFINS, mas que sendo constatado, durante a sua realização, infrações referentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, foi lavrado o presente auto de infração. Em suma, foram apuradas as seguintes infrações: inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido, ajustado pelas exclusões e adições autorizadas pela legislação do Imposto de Renda; insuficiência de realização do lucro inflacionário acumulado e falta de adição ao lucro real do excesso de retiradas dos administradores. A Interessada apresentou, em 07/02/2002, a impugnação de fls. 179/194, instruindoa com os documentos de fls. 195/237. Na referida peça de defesa alega, em síntese, o que se segue. Inicialmente, que a legislação fiscal, ao impor limites para a compensação de prejuízos fiscais, em detrimento da própria sociedade empresarial, acaba por tributar o seu patrimônio, posto que a existência de prejuízos fiscais anteriores ao lucro gerado, evidencia claramente a inexistência de acréscimos patrimoniais, portanto, do fato gerador do imposto de renda. Prosseguindo, sustenta ser manifestamente inconstitucional a limitação imposta pelas Leis 8.981/95 e 9.065/95 à compensação do prejuízo fiscal acumulado pelas empresas, citando, As fls. 219, sete princípios constitucionais feridos em decorrência de tal limitação. Em seus argumentos finais referentes a este tópico o contribuinte, de acordo com suas próprias palavras, sustenta: "8 Do exposto, podemos concluir que a limitação à compensação de prejuízos fiscais em 30% do lucro tributável, perpetrada pela Lei 8.981/95, com suas alterações posteriores, é manifestamente inconstitucional, por afrontar o artigo 153, III, e Fl. 329DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.001825/200119 Acórdão n.º 180301.077 S1TE03 Fl. 3 3 o artigo 195, III, ambos da Constituição Federal, bem como os artigos 43 e 44 do CM, na medida em que: a) a hipótese de incidência e a base de cálculo dos tributos sobre a renda/lucro é o acréscimo patrimonial novo disponível, representado, a principio, na pessoa jurídica pelo lucro liquido apurado segundo a legislação comercial; b) o prejuízo fiscal decorre do mesmo fato e mandamento legal da hipótese de incidência dos tributos sobre a renda/lucro, sendo aquele o resultado negativo desta hipótese. Se o resultado positivo da hipótese de incidência é acréscimo patrimonial, o resultado negativo é decréscimo patrimonial; c) tributação do lucro apurado no período quando ainda há prejuízo fiscal/decréscimo patrimonial de período anterior a ser compensado/recomposto, não é tributação sobre o acréscimo patrimonial novo, mas sim tributação sobre o próprio patrimônio, ou sobre a recomposição patrimonial, o que é inadmissível diante da Constituição Federal e da lei complementar como assente na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; d) o denominado lucro real estabelecido pela legislação ordinária é a mera operação aritmética envolvendo o lucro fiscal (lucro liquido) e os ajustes extrafiscais (adições e exclusões), não sendo a compensação de prejuízo anterior instrumento de extrafiscalidade, mas sim imposição da Carta Magna e do C1N com vistas a recompor o patrimônio do pessoa jurídica afetado pelo decréscimo patrimonial anterior (prejuízo)." No que se refere ao excesso de retirada dos sócios, afirma, quanto à sua remuneração, que consiste mera liberalidade da administração, e que, desde que retido o imposto de renda retido na fonte, bem como recolhidos, além do mesmo, as contribuições para o INSS, que são dedutiveis estas despesas regularmente contabilizadas, alegando assim cumprir todos os requisitos legais para a sua dedução, segundo documentos que anexa. Quanto à multa de 75% imposta a inquina de confiscatória, apontando clara inconstitucionalidade na norma que a instituiu e requerendo, caso se mantenha a mesma, que seja limitada a 20%. No que diz respeito aos juros cobrados, aponta a sua ilegalidade e inconstitucionalidade, concluindo que "não é, pois, razoável nem legalmente permitido e, tendo em vista a inexistência de lei ordinária disciplinando acerca do percentual destes juros, bem como todo o exposto acerca da natureza remuneratória da Taxa Selic e da Taxa Média Mensal de Captação do Tesouro Nacional Relativa à Divida Mobiliária Federal Interna, resta concluir que só podem ser adotados os juros previstos no artigo 161, § 1°, do C. TN., el taxa de 1 % (um por cento) ao mês." Fl. 330DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.001825/200119 Acórdão n.º 180301.077 S1TE03 Fl. 4 4 No seu pedido final, reafirmando o seu direito de compensar integralmente os prejuízos acumulados com o lucro obtido nos períodos subseqüentes e apontando como confiscatórios os valores lançados a titulo de multa e juros de mora, requer o cancelamento integral do auto de infração. A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “MATÉRIA NÃO IMPUGNADA INSUFICIÊNCIA REALIZAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO. O lançamento consolidase administrativamente no que se refere a matéria não litigiosa, considerada como tal aquela não impugnada. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. Para determinação da base de calculo do Imposto de sobre a Renda de Pessoa Jurídica, o lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação poderá ser reduzido em até trinta por cento, em razão da compensação de prejuízos fiscais relativos a períodos anteriores. REMUNERAÇÃO A DIRIGENTES A dedução das despesas com remuneração, a qualquer titulo, dos dirigentes da empresa esta sujeita aos limites previstos no artigo 296 do RIR/94. Desatendidos estes limites impõese a adição do excesso ao lucro real para fins de tributação. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Embora os fundamentos colacionados na peça impugnatória do Auto de Infração não façam menção a decadência do direito do fisco em praticar o lançamento questionado, não restam dúvidas que a matéria pode ser argüida neste momento recursal, pois, trata se de matéria de ordem pública e que pode ser (e deve ser) reconhecida de oficio pelo órgão julgador. b) Segundo o § 4° do art 150, cabe ao Fisco, no prazo de 5 (cinco anos) a partir do fato gerador, exercer a homologação, sob pena de se considerar extinto o crédito casos de dolo, fraude ou simulação. Ora, percebese pelos autos que o período autuado referese ao exercício de 1996, tendo sido a recorrente notificada do lançamento em 08/01/2002. Fl. 331DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.001825/200119 Acórdão n.º 180301.077 S1TE03 Fl. 5 5 c) Resta clarividente que ocorreu a decadência ao direito do Fisco em promover o lançamento questionado como bem observou a julgadora da lª instância Marcia Hartt Pereira Da Silva. d) Requer apenas o reconhecimento da decadência na peça recursal. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 08/07/2005 (AR de fls. 259). O recurso foi protocolado em 08/08/2005, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. De fato, a decadência deve ser reconhecida de ofício pelo julgador. O Superior Tribunal de Justiça proferiu acórdão submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, fixando o seguinte entendimento: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 332DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.001825/200119 Acórdão n.º 180301.077 S1TE03 Fl. 6 6 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed.,Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Assim, restanos aplicar ao caso concreto o entendimento do Superior Tribunal de Justiça. Os fatos geradores ocorreram no ano calendário de 1996 e a tributação foi efetuada com base lucro real mensal (fls. 93). De acordo com a Ficha 08 – Cálculo do Imposto de Renda – PJ em geral, da declaração de rendimentos (fls. 148/153) não houve pagamento antecipado de IRPJ, uma vez que em todos os meses o imposto de renda a pagar foi nulo. Fl. 333DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.001825/200119 Acórdão n.º 180301.077 S1TE03 Fl. 7 7 Conforme Demonstrativo de Apuração de fls. 72/84, só houve imposto a pagar nos meses de maio e outubro de 1996, uma vez , que nos outros meses o valor tributável foi absorvido por prejuízos do próprio período. Nos meses de janeiro a abril, junho a setembro, e novembro e dezembro de 1996, só houve redução do prejuízo do período (fls. 87/90). Foram lançados os seguintes valores: Fato gerador Infração 1 – Glosa de prejuízos compensados indevidamente Infração 2 – Lucro inflacionário realizado Infração 3 Excesso de remuneração de dirigentes 31/01/1996 345,78 600,00 29/02/1996 342,90 2.100,00 31/03/1996 340,04 2.100,00 30/04/1996 337,20 2.100,00 31/05/1996 13.256,08 334,39 2.100,00 30/06/1996 331,61 2.100,00 31/07/1996 328,84 2.100,00 31/08/1996 326,10 2.100,00 30/09/1996 323,39 2.100,00 31/10/1996 52.981,84 320,69 2.100,00 30/11/1996 318,02 2.100,00 31/12/1996 315,31 2.100,00 A regra a ser aplicada ao presente caso é a do art. 173, I, do CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 08/01/2002, por via postal (AR de fls. 178). No tocante aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 1996, o lançamento poderia ter sido efetuado ainda no ano calendário de 1996. Isto porque, com o advento da Lei n° 8.383/1991, o IRPJ passou a ser um tributo sujeito ao lançamento por homologação, passando o contribuinte a ter a obrigação de pagar o imposto, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa. Assim, em tese, a fiscalização poderia, em dezembro, ter efetuado o lançamento relativo aos meses de janeiro a outubro de 1996. Notese que o vencimento do IRPJ a pagar, em outubro, ocorre em 29/11/1996, último dia útil do mês subsequente ao de apuração. Para estes fatos, o prazo iniciouse em 1 de janeiro de 1997 e encerrouse em 31/12/2001. No mês de novembro não seria possível a constituição do crédito tributário ainda no ano de 1996, uma vez que o vencimento do imposto a pagar foi no dia 29/12/1996. O termo inicial do prazo – exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado – ocorre em 1 de janeiro de 1998. O prazo encerrase em 31/12/2002. Fl. 334DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10725.001825/200119 Acórdão n.º 180301.077 S1TE03 Fl. 8 8 Por conseguinte, reconheço a decadência apenas em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 1996. Apesar de não haver valor tributável nos meses de novembro e dezembro de 1996 (fls. 82/83), devemos prosseguir na análise do mérito, uma vez que o lançamento reduziu o prejuízo dos períodos de apuração. No tocante ao mérito, deve ser integralmente mantida a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, e com base nas seguintes súmulas do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 3: Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a outubro de 1996. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 335DF CARF MF Emitido em 03/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007874/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
PROVAS ILÍCITAS. TEORIA DA FONTE INDEPENDENTE. Considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova (art. 157 da Lei 11.690/2008-CPP). Conforme tal teoria, se as provas ilícitas também puderem ser obtidas por outras fontes independentes, então podem ser utilizadas no processo. (art. 157 da Lei 11.690/2008-CPP)
PROVAS ILÍCITAS. TEORIA DA DESCOBERTA INEVITÁVEL. A característica ilícita das provas pode ser mitigada caso hajam indícios de que tais provas seriam reveladas no decorrer da investigação. No caso dos autos, considerando que a investigação fiscal já iniciada vinha encontrando indícios de ilegalidade, tanto na área aduaneira quanto na área de tributos internos, o descobrimento dos fatos cuja ciência pela autoridade fiscal deu-se pelo relatório da Operação da Polícia Federal apenas foi "apressada" por este, pois naturalmente tais fatos geradores iriam ser descobertos.
DIREITO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL. INDEPENDÊNCIA. Não existe vínculo de dependência entre os processos criminal e administrativo, a não ser que o resultado do processo criminal tenha decidido definitivamente por uma das seguintes situações: que o fato não ocorreu, ou que o sujeito não fora o autor dos ilícitos. No caso dos autos, nenhum desses ocorreu e, portanto, não há que se falar em invalidação das provas na esfera cível.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Para a distribuição de lucros isentos além do percentual permitido pela legislação, é indispensável que o excesso de lucro esteja comprovado através de escrituração contábil em conformidade como art. 258 do Decreto 3000/1999. No caso dos autos, tal comprovação não foi feita.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. COMPROVAÇÃO. Para serem considerados como rendimentos isentos, os lucros e dividendos distribuídos devem estar registrados na escrituração contábil da empresa e o pagamento ao sócio efetivamente comprovado. No caso dos autos, não foi comprovado o efetivo pagamento dos valores ao sócio.
NEGATIVA DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se considera cerceamento de defesa a negativa de perícia em que a prova não depende de conhecimento especial de técnico, conforme art. 420 do CPC.
DILIGÊNCIA. A determinação de diligência para esclarecer ponto obscuro no processo não vincula a decisão do julgador, que deve ter imparcialidade e independência na formação da convicção pessoal sobre os fatos do processo.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade real/material no direito tributário visa estabelecer a verdade dos fatos, independentemente da documentação fiscal/tributária utilizada. Desta forma, a tributação é sempre direcionada para o sujeito passivo que realmente praticou o fato gerador.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. DESLOCAMENTO DO FATO GERADOR. No caso de simulação, pelo princípio da verdade material, fica autorizado o deslocamento do fato gerador para o real sujeito passivo da obrigação tributária (arts. 135 a 137 e 142 do CTN). Tal fato, não se confunde com desconsideração da personalidade jurídica, procedimento que depende de autorização judicial.
PROVAS DIRETAS. SIMULAÇÃO. Na ocorrência de simulação, a prova do fato gerador pode ser feita por um conjunto coeso e independente de indícios, coerentes entre si e que, analisados conjuntamente, determinam a ocorrência do mesmo. No caso dos autos, o recorrente utilizou sócios sem qualquer capacidade financeira para constituir empresas, visando a blindagem patrimonial. Observou-se que em todas as situações o contribuinte ou um de seus colaboradores (parentes ou empregados) estavam envolvidos na direção das empresas mencionadas, seja como sócio, procurador com amplos poderes, testemunha em contratos, etc.
CONFISSÃO. A confissão é prova irrefutável. No caso dos autos, muitos dos fatos que nortearam o lançamento decorreram também de confissão dos envolvidos. Não é possível ignorar tais provas, uma vez que decorreram de vontade espontânea dos sujeitos envolvidos. Por exemplo, em depoimento á Polícia Federal, o recorrente admitiu que a empresa MAM-EPP fora concebida para gerenciar os ganhos advindo das atividades do recorrente, pessoa física.
DOCUMENTOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Não se pode considerar cerceamento de direito de defesa o fato de documentos em língua estrangeira não estarem traduzidos, se contiverem indícios de que o interessado já tivera contato com tais documentos em oportunidade anteriormente ao processo. No caso dos autos, trata-se de depósitos bancários em contas do recorrente, e alguns dos documentos em língua estrangeira contém inclusive a assinatura do envolvido (contribuinte).
DECADÊNCIA. No caso de lançamento de ofício, e na ocorrência de dolo comprovado nos autos, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado (no caso, para a entrega da declaração de ajuste anual), conforme art. 173, I do CTN.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A tributação relativa ao acréscimo patrimonial a descoberto está prevista no art. 55, inciso XIII do Decreto 3000/99 (RIR), com base em tabela de variação patrimonial. É tributada a variação patrimonial positiva não justificada pelos rendimentos do contribuinte (tributáveis, isentos ou não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA PESSOA FÍSICA, TRIBUTADOS COMO PESSOA JURÍDICA.
O fato dos rendimentos terem sido tributados por uma pessoa jurídica não exime a tributação na pessoa física se ficar comprovado que as receitas advinham de trabalho da pessoa física. No caso dos autos, o contribuinte confessou a utilização da empresa MAM-EPP como forma de gerenciar os recursos recebidos de suas atividades pessoais.
MULTA QUALIFICADA.
A qualificação da multa de ofício é o procedimento legal quando comprovada a existência de dolo. No caso dos autos, ficou comprovada a existência de sócios sem qualquer capacidade econômico-financeira e utilização de empresas inexistentes de fato.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
Conforme legislação de regência, os créditos tributários devidos e não quitados no prazo são acrescidos de juros pela taxa referencial SELIC. Súmula Carf n. 4.
PROVA. FRAGILIDADE. A comprovação efetiva da existência do fato gerador deve ser feita com documentação robusta que corrobore que o sujeito passivo auferiu o rendimento omitido. No caso dos autos, uma única planilha para partição de recursos, obtida via busca e apreensão de documentos, não é considerada suficiente para a existência do fato gerador.
LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Na definição do fato gerador, não se pode tributar mais de uma vez o mesmo recurso pertencente ao mesmo sujeito passivo. No caso dos autos, os valores decorrentes de ingresso para aumento de capital nas empresas, conforme a acusação fiscal, foram decorrentes das transferências internacionais de recursos do fiscalizado, que também foram lançados como omissão de rendimentos.
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. Tendo os valores lançados na pessoa física como omissão de receitas em decorrência do princípio da verdade material que afastou a tributação na pessoa jurídica, e, em tendo tais valores sido tributados na pessoa jurídica, há que se fazer a compensação dos valores já pagos para deduzir do lançamento na pessoa física(sócio da empresa).
Recurso Voluntário Provido em Parte e Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 2401-004.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário. 1) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. 2) Quanto ao recurso voluntário: 2.1) pelo voto de qualidade, não conhecer da preliminar de nulidade das provas, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; votou a preliminar no recurso voluntário o conselheiro Denny Medeiros da Silveira - suplente - que substituiu na reunião anterior o conselheiro Cleberson Alex Friess; e 2.2) no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto; votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess; vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Solicitaram fazer declaração de voto os conselheiros Cleberson Alex Friess e Carlos Alexandre Tortato. O Patrono solicitou que constasse em ata o pedido para que o julgamento fosse retomado desde o início. Fez sustentação oral o Dr. Murilo Marco - OAB nº 138.689
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
Maria Cleci Coti Martins - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (preliminar de nulidade das provas julgada na Reunião anterior do colegiado em substituição ao Conselheiro Cleberson Alex Friess) Cleberson Alex Friess (julgamento do mérito), Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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No caso dos autos, considerando que a investigação fiscal já iniciada vinha encontrando indícios de ilegalidade, tanto na área aduaneira quanto na área de tributos internos, o descobrimento dos fatos cuja ciência pela autoridade fiscal deu-se pelo relatório da Operação da Polícia Federal apenas foi "apressada" por este, pois naturalmente tais fatos geradores iriam ser descobertos. DIREITO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL. INDEPENDÊNCIA. Não existe vínculo de dependência entre os processos criminal e administrativo, a não ser que o resultado do processo criminal tenha decidido definitivamente por uma das seguintes situações: que o fato não ocorreu, ou que o sujeito não fora o autor dos ilícitos. No caso dos autos, nenhum desses ocorreu e, portanto, não há que se falar em invalidação das provas na esfera cível. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Para a distribuição de lucros isentos além do percentual permitido pela legislação, é indispensável que o excesso de lucro esteja comprovado através de escrituração contábil em conformidade como art. 258 do Decreto 3000/1999. No caso dos autos, tal comprovação não foi feita. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. COMPROVAÇÃO. Para serem considerados como rendimentos isentos, os lucros e dividendos distribuídos devem estar registrados na escrituração contábil da empresa e o pagamento ao sócio efetivamente comprovado. No caso dos autos, não foi comprovado o efetivo pagamento dos valores ao sócio. NEGATIVA DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se considera cerceamento de defesa a negativa de perícia em que a prova não depende de conhecimento especial de técnico, conforme art. 420 do CPC. DILIGÊNCIA. A determinação de diligência para esclarecer ponto obscuro no processo não vincula a decisão do julgador, que deve ter imparcialidade e independência na formação da convicção pessoal sobre os fatos do processo. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade real/material no direito tributário visa estabelecer a verdade dos fatos, independentemente da documentação fiscal/tributária utilizada. Desta forma, a tributação é sempre direcionada para o sujeito passivo que realmente praticou o fato gerador. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. DESLOCAMENTO DO FATO GERADOR. No caso de simulação, pelo princípio da verdade material, fica autorizado o deslocamento do fato gerador para o real sujeito passivo da obrigação tributária (arts. 135 a 137 e 142 do CTN). Tal fato, não se confunde com desconsideração da personalidade jurídica, procedimento que depende de autorização judicial. PROVAS DIRETAS. SIMULAÇÃO. Na ocorrência de simulação, a prova do fato gerador pode ser feita por um conjunto coeso e independente de indícios, coerentes entre si e que, analisados conjuntamente, determinam a ocorrência do mesmo. No caso dos autos, o recorrente utilizou sócios sem qualquer capacidade financeira para constituir empresas, visando a blindagem patrimonial. Observou-se que em todas as situações o contribuinte ou um de seus colaboradores (parentes ou empregados) estavam envolvidos na direção das empresas mencionadas, seja como sócio, procurador com amplos poderes, testemunha em contratos, etc. CONFISSÃO. A confissão é prova irrefutável. No caso dos autos, muitos dos fatos que nortearam o lançamento decorreram também de confissão dos envolvidos. Não é possível ignorar tais provas, uma vez que decorreram de vontade espontânea dos sujeitos envolvidos. Por exemplo, em depoimento á Polícia Federal, o recorrente admitiu que a empresa MAM-EPP fora concebida para gerenciar os ganhos advindo das atividades do recorrente, pessoa física. DOCUMENTOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Não se pode considerar cerceamento de direito de defesa o fato de documentos em língua estrangeira não estarem traduzidos, se contiverem indícios de que o interessado já tivera contato com tais documentos em oportunidade anteriormente ao processo. No caso dos autos, trata-se de depósitos bancários em contas do recorrente, e alguns dos documentos em língua estrangeira contém inclusive a assinatura do envolvido (contribuinte). DECADÊNCIA. No caso de lançamento de ofício, e na ocorrência de dolo comprovado nos autos, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado (no caso, para a entrega da declaração de ajuste anual), conforme art. 173, I do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A tributação relativa ao acréscimo patrimonial a descoberto está prevista no art. 55, inciso XIII do Decreto 3000/99 (RIR), com base em tabela de variação patrimonial. É tributada a variação patrimonial positiva não justificada pelos rendimentos do contribuinte (tributáveis, isentos ou não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA PESSOA FÍSICA, TRIBUTADOS COMO PESSOA JURÍDICA. O fato dos rendimentos terem sido tributados por uma pessoa jurídica não exime a tributação na pessoa física se ficar comprovado que as receitas advinham de trabalho da pessoa física. No caso dos autos, o contribuinte confessou a utilização da empresa MAM-EPP como forma de gerenciar os recursos recebidos de suas atividades pessoais. MULTA QUALIFICADA. A qualificação da multa de ofício é o procedimento legal quando comprovada a existência de dolo. No caso dos autos, ficou comprovada a existência de sócios sem qualquer capacidade econômico-financeira e utilização de empresas inexistentes de fato. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Conforme legislação de regência, os créditos tributários devidos e não quitados no prazo são acrescidos de juros pela taxa referencial SELIC. Súmula Carf n. 4. PROVA. FRAGILIDADE. A comprovação efetiva da existência do fato gerador deve ser feita com documentação robusta que corrobore que o sujeito passivo auferiu o rendimento omitido. No caso dos autos, uma única planilha para partição de recursos, obtida via busca e apreensão de documentos, não é considerada suficiente para a existência do fato gerador. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Na definição do fato gerador, não se pode tributar mais de uma vez o mesmo recurso pertencente ao mesmo sujeito passivo. No caso dos autos, os valores decorrentes de ingresso para aumento de capital nas empresas, conforme a acusação fiscal, foram decorrentes das transferências internacionais de recursos do fiscalizado, que também foram lançados como omissão de rendimentos. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. Tendo os valores lançados na pessoa física como omissão de receitas em decorrência do princípio da verdade material que afastou a tributação na pessoa jurídica, e, em tendo tais valores sido tributados na pessoa jurídica, há que se fazer a compensação dos valores já pagos para deduzir do lançamento na pessoa física(sócio da empresa). Recurso Voluntário Provido em Parte e Recurso de Ofício Provido
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TEORIA DA FONTE INDEPENDENTE. Considera se fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova (art. 157 da Lei 11.690/2008CPP). Conforme tal teoria, se as provas ilícitas também puderem ser obtidas por outras fontes independentes, então podem ser utilizadas no processo. (art. 157 da Lei 11.690/2008CPP) PROVAS ILÍCITAS. TEORIA DA DESCOBERTA INEVITÁVEL. A característica ilícita das provas pode ser mitigada caso hajam indícios de que tais provas seriam reveladas no decorrer da investigação. No caso dos autos, considerando que a investigação fiscal já iniciada vinha encontrando indícios de ilegalidade, tanto na área aduaneira quanto na área de tributos internos, o descobrimento dos fatos cuja ciência pela autoridade fiscal deuse pelo relatório da Operação da Polícia Federal apenas foi "apressada" por este, pois naturalmente tais fatos geradores iriam ser descobertos. DIREITO ADMINISTRATIVO E CRIMINAL. INDEPENDÊNCIA. Não existe vínculo de dependência entre os processos criminal e administrativo, a não ser que o resultado do processo criminal tenha decidido definitivamente por uma das seguintes situações: que o fato não ocorreu, ou que o sujeito não fora o autor dos ilícitos. No caso dos autos, nenhum desses ocorreu e, portanto, não há que se falar em invalidação das provas na esfera cível. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. LUCRO PRESUMIDO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Para a distribuição de lucros isentos além do percentual permitido pela legislação, é indispensável que o excesso de lucro esteja comprovado através de escrituração contábil em conformidade como art. 258 do Decreto 3000/1999. No caso dos autos, tal comprovação não foi feita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 78 74 /2 00 8- 81 Fl. 7676DF CARF MF 2 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ISENTOS. COMPROVAÇÃO. Para serem considerados como rendimentos isentos, os lucros e dividendos distribuídos devem estar registrados na escrituração contábil da empresa e o pagamento ao sócio efetivamente comprovado. No caso dos autos, não foi comprovado o efetivo pagamento dos valores ao sócio. NEGATIVA DE PERÍCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não se considera cerceamento de defesa a negativa de perícia em que a prova não depende de conhecimento especial de técnico, conforme art. 420 do CPC. DILIGÊNCIA. A determinação de diligência para esclarecer ponto obscuro no processo não vincula a decisão do julgador, que deve ter imparcialidade e independência na formação da convicção pessoal sobre os fatos do processo. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. O princípio da verdade real/material no direito tributário visa estabelecer a verdade dos fatos, independentemente da documentação fiscal/tributária utilizada. Desta forma, a tributação é sempre direcionada para o sujeito passivo que realmente praticou o fato gerador. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. SIMULAÇÃO. DESLOCAMENTO DO FATO GERADOR. No caso de simulação, pelo princípio da verdade material, fica autorizado o deslocamento do fato gerador para o real sujeito passivo da obrigação tributária (arts. 135 a 137 e 142 do CTN). Tal fato, não se confunde com desconsideração da personalidade jurídica, procedimento que depende de autorização judicial. PROVAS DIRETAS. SIMULAÇÃO. Na ocorrência de simulação, a prova do fato gerador pode ser feita por um conjunto coeso e independente de indícios, coerentes entre si e que, analisados conjuntamente, determinam a ocorrência do mesmo. No caso dos autos, o recorrente utilizou sócios sem qualquer capacidade financeira para constituir empresas, visando a blindagem patrimonial. Observouse que em todas as situações o contribuinte ou um de seus colaboradores (parentes ou empregados) estavam envolvidos na direção das empresas mencionadas, seja como sócio, procurador com amplos poderes, testemunha em contratos, etc. CONFISSÃO. A confissão é prova irrefutável. No caso dos autos, muitos dos fatos que nortearam o lançamento decorreram também de confissão dos envolvidos. Não é possível ignorar tais provas, uma vez que decorreram de vontade espontânea dos sujeitos envolvidos. Por exemplo, em depoimento á Polícia Federal, o recorrente admitiu que a empresa MAMEPP fora concebida para gerenciar os ganhos advindo das atividades do recorrente, pessoa física. DOCUMENTOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. Não se pode considerar cerceamento de direito de defesa o fato de documentos em língua estrangeira não estarem traduzidos, se contiverem indícios de que o interessado já tivera contato com tais documentos em oportunidade anteriormente ao processo. No caso dos autos, tratase de depósitos bancários em contas do recorrente, e alguns dos documentos em língua estrangeira contém inclusive a assinatura do envolvido (contribuinte). DECADÊNCIA. No caso de lançamento de ofício, e na ocorrência de dolo comprovado nos autos, a contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado (no Fl. 7677DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 3 3 caso, para a entrega da declaração de ajuste anual), conforme art. 173, I do CTN. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A tributação relativa ao acréscimo patrimonial a descoberto está prevista no art. 55, inciso XIII do Decreto 3000/99 (RIR), com base em tabela de variação patrimonial. É tributada a variação patrimonial positiva não justificada pelos rendimentos do contribuinte (tributáveis, isentos ou nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA PESSOA FÍSICA, TRIBUTADOS COMO PESSOA JURÍDICA. O fato dos rendimentos terem sido tributados por uma pessoa jurídica não exime a tributação na pessoa física se ficar comprovado que as receitas advinham de trabalho da pessoa física. No caso dos autos, o contribuinte confessou a utilização da empresa MAMEPP como forma de gerenciar os recursos recebidos de suas atividades pessoais. MULTA QUALIFICADA. A qualificação da multa de ofício é o procedimento legal quando comprovada a existência de dolo. No caso dos autos, ficou comprovada a existência de sócios sem qualquer capacidade econômicofinanceira e utilização de empresas inexistentes de fato. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Conforme legislação de regência, os créditos tributários devidos e não quitados no prazo são acrescidos de juros pela taxa referencial SELIC. Súmula Carf n. 4. PROVA. FRAGILIDADE. A comprovação efetiva da existência do fato gerador deve ser feita com documentação robusta que corrobore que o sujeito passivo auferiu o rendimento omitido. No caso dos autos, uma única planilha para partição de recursos, obtida via busca e apreensão de documentos, não é considerada suficiente para a existência do fato gerador. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. Na definição do fato gerador, não se pode tributar mais de uma vez o mesmo recurso pertencente ao mesmo sujeito passivo. No caso dos autos, os valores decorrentes de ingresso para aumento de capital nas empresas, conforme a acusação fiscal, foram decorrentes das transferências internacionais de recursos do fiscalizado, que também foram lançados como omissão de rendimentos. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. Tendo os valores lançados na pessoa física como omissão de receitas em decorrência do princípio da verdade material que afastou a tributação na pessoa jurídica, e, em tendo tais valores sido tributados na pessoa jurídica, há que se fazer a compensação dos valores já pagos para deduzir do lançamento na pessoa física(sócio da empresa). Recurso Voluntário Provido em Parte e Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 7678DF CARF MF 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário. 1) Pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do voto, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. 2) Quanto ao recurso voluntário: 2.1) pelo voto de qualidade, não conhecer da preliminar de nulidade das provas, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; votou a preliminar no recurso voluntário o conselheiro Denny Medeiros da Silveira suplente que substituiu na reunião anterior o conselheiro Cleberson Alex Friess; e 2.2) no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto; votou pelas conclusões o conselheiro Cleberson Alex Friess; vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Solicitaram fazer declaração de voto os conselheiros Cleberson Alex Friess e Carlos Alexandre Tortato. O Patrono solicitou que constasse em ata o pedido para que o julgamento fosse retomado desde o início. Fez sustentação oral o Dr. Murilo Marco OAB nº 138.689 Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. Maria Cleci Coti Martins Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini (Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira (preliminar de nulidade das provas julgada na Reunião anterior do colegiado em substituição ao Conselheiro Cleberson Alex Friess) Cleberson Alex Friess (julgamento do mérito), Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Rayd Santana Ferreira. Relatório O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte visa reverter a decisão no Acórdão 1733.226 da 3a. Turma da DRJ/SPOII, de 08 de julho de 2009, que manteve a maior parte do lançamento tributário tratado neste processo. A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu em 10/08/09 e o Recurso Voluntário foi interposto em 09/09/2009. Posteriormente, em 14/05/2013, o contribuinte anexou RAZÕES FINAIS PARA O JULGAMENTO, tendo em vista a decretação da ilegalidade de parte das provas utilizadas na operação DILÚVIO, que também teriam sido utilizadas no lançamento fiscal. ÍNDICE PARA LOCALIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS NOS AUTOS Acórdão de Impugnação efl. 6970 Auto de Infração efls. 6574 e seguintes Fl. 7679DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 4 5 Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário efl. 77 Demonstrativos de Variações Patrimoniais: efl. 6496 Depoimento MAM à PF efl. 6920 Impugnação efl. 6702 Planilhas do contribuinte 3 e 4: efl. 7322 Recurso Voluntário efl. 7043 Relatório 01 da Operação Dilúvio: efl. 605 Relatório Fiscal de diligência efl. 7642 Termo de Verificação Fiscal efl. 6582 Ordem do processo transformação para eletrônico: efl. 7575 CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO Imposto R$ 15.607.432,07 Juros de Mora R$ 8.984.730,36 Multa R$ 23.411.310,52 Infrações por ano (R$): 2002 2003 2004 2005 2006 APD 15.193.972,18 12.745.714,18 11.809.328,53 2.102.478,53 1.093.766,76 OMISSÃO 0 607.907,54 5.760.564,49 7.468.147,15 0 fonte: Auto de Infração DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A decisão de primeira instância (efl. 6970) está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não restando comprovada a incompetência do autuante nem a ocorrência de preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA. Ê de se rejeitar a alegação de cerceamento de defesa, quando os fatos que ensejaram o lançamento se encontram corretamente descritos e tipificados no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, tendo sido oferecida ao litigante, seja durante o curso da ação fiscal, seja na fase de Fl. 7680DF CARF MF 6 impugnação, ampla oportunidade de se manifestar e de apresentar provas que elidissem a autuação. DOCUMENTOS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA. ADMISSIBILIDADE. Em se tratando de documento redigido em língua estrangeira cuja tradução não é indispensável para sua compreensão, a interpretação teleológica da legislação processual conduz para a conclusão que não é razoável negarlhe eficácia de prova. PRECARIEDADE DAS PROVAS. Admitese no julgamento administrativo a apreciação de prova produzida em interesse de processo da esfera judicial, desde que utilizada com observância das normas que regulam o processo administrativo fiscal. DECADÊNCIA. Tendo havido lançamento de oficio, o início da contagem do prazo decadencial terá efeito no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da declaração de ajuste anual, conforme previsto no art. 173, I do CTN. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, não podendo o contribuinte apresentála em outro momento a menos que demonstre motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese pedido de perícia, quando sua realização afigurar se prescindível para o adequado deslinde da questão a ser dirimida. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. ATOS SIMULADOS. Tendo sido constatada a existência de pessoas jurídicas meramente aparentes ou formais e a realização de atos simulados, com o intuito de ocultar o efetivo sujeito passivo da obrigação tributária, correto o procedimento fiscal de desconsiderar a mera aparência dessas pessoas jurídicas e identificar o contribuinte de fato. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores relativos ao acréscimo patrimonial, quando não justificados pelos rendimentos tributáveis, isentos ou nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DA PESSOA JURÍDICA. Fl. 7681DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 5 7 Uma vez comprovado que as receitas de prestação de serviços auferidas pela MAMEPP foram oferecidas tributação nas correspondentes declarações de imposto de renda da pessoa jurídica, tendo os tributos dela decorrentes sido recolhidos em nome da pessoa jurídica, não podem elas ser novamente objeto de tributação na pessoa física, sendo cabível a sua exclusão do lançamento. MULTA QUALIFICADA. A apuração em procedimento de oficio de credito tributário enseja o lançamento de oficio e a conseqüente imposição de multa de 75%. Entretanto, comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo a fim de se eximir do imposto devido, é cabível a incidência da multa qualificada de 150%. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. Os débitos, decorrentes de tributos , não pagos nos prazos previstos pela legislação especifica, são acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. O lançamento foi considerado procedente em parte, com o seguinte dispositivo: Acordam os membros da 3a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a fazer parte do presente julgado. Os julgadores Maria do Socorro Costa e Edison Jorge Takeshi Kaneko votam pela conclusão no que tange à decadência. Submetase à apreciação do Egrégio 1° Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 1997 e Portaria MF n° 375, de 2001, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito deste acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. O julgador a quo exonerou do crédito tributário os rendimentos relativos aos meses de novembro e dezembro de 2003, nos respectivos montantes de R$ 152.920,00 e R$ 270.000,00, e dezembro de 2004 (R$ 1.692.819,63) e 2005(R$6.133.043,38), conforme tabela a seguir. Tais valores referemse aos lançamentos decorrentes do fato de que a autoridade fiscal considerou que a empresa MAMEPP não existiria de fato, mas seria um artifício para receber os recursos do contribuinte que deveriam ter sido tributados na pessoa física. Reforçou o Fl. 7682DF CARF MF 8 julgador a quo que os valores exonerados como omissão de rendimentos foram também desconsiderados para fins de origens na planilha de Variação Patrimonial a Descoberto. Fonte: efl.7032DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (R$) HISTÓRICO DO PROCEDIMENTO FISCAL O procedimento fiscal iniciouse em 24/12/2005 quando o contribuinte recebeu o Termo de Início de Fiscalização para investigar rendimentos isentos por ele declarados em DIRPF, além de indícios de variação patrimonial a descoberto. O procedimento foi iniciado por determinação do Gabinete do sr. Secretário da Receita Federal, através da Portaria RFB 4.487/2005. O contribuinte atendeu as intimações feitas através do procedimento fiscal até 24/08/06, quando então informou à fiscalização que a Polícia Federal havia apreendido documentos pessoais e das empresas pelas quais responde, incluindo também as de familiares e da esposa. Em 16/08/2006, foi deflagrada de forma conjunta entre a Receita Federal e a Polícia Federal, a operação DILÚVIO. Com autorização judicial foram feitas interceptações telefônicas e telemáticas do contribuinte, incluindo funcionários, familiares, empresas relacionadas, e também foi viabilizada judicialmente a troca de informações entre os Órgãos Públicos envolvidos na força tarefa. Conforme documento de efolha 6789, em 05/10/2006 a equipe de fiscalização da Receita Federal começou a ter acesso aos documentos apreendidos na Operação Dilúvio. Assim, o relatório elaborado pela Polícia Federal contendo 291 folhas (incluído no processo) "serviu de subsídio à melhor compreensão dos fatos que envolveram a ação fiscal", conforme Termo de Verificação Fiscal de efolha 6790. Fl. 7683DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 6 9 Em 10/10/2006, a esposa do fiscalizado, também objeto da fiscalização, apresentou documentação. Em 16/11/2006, a equipe de fiscalização deu ciência de Termo de Continuidade da Ação Fiscal ao contribuinte. Durante o ano 2007, a equipe de fiscalização selecionou, juntamente com a Polícia Federal, documentos apreendidos na Operação Dilúvio e que teriam interesse para a continuidade da ação fiscal. Esses documentos foram juntados aos autos e passaram a fazer parte das provas e indícios do procedimento fiscal. Em 23/06/2008 foi ampliado o período de abrangência da ação fiscal, incluindo também os anos 2005 e 2006. Termo de Intimação Fiscal dando ciência desse procedimento foi recepcionado pelo fiscalizado em 25/07/2008. Em 18/08/2008, o fiscalizado apresentou documentos tais como extratos de contas no Unibanco e Banco do Brasil. Em 16/10/2008, novos documentos foram apresentados pelo fiscalizado e sua esposa, inclusive extratos bancários. Decisão do Superior Tribunal de Justiça, a seguir transcrita, por meio do Habeas Corpus 142.045/PR, julgado em 15/04/2010, tornou ilícitas todas as interceptações telefônicas da operação DILÚVIO que extrapolaram o prazo legal(conforme art. 5º, da Lei n. 9.296/96). HABEAS CORPUS Nº 142.045 PR (2009/01377931) RELATOR : MINISTRO CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP) R.P/ACÓRDÃO : MINISTRO NILSON NAVES IMPETRANTE : RENÉ ARIEL DOTTI E OUTROS IMPETRADO : TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4A REGIÃO PACIENTE : MARCO ANTONIO MANSUR PACIENTE : MARCO ANTONIO MANSUR FILHO EMENTA Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Princípio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindo se, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei nº 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Inexistindo, na Lei nº 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei nº 9.296/96 (art. 5º), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2º) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explícita ou implícita Fl. 7684DF CARF MF 10 violação do art. 5º da Lei nº 9.296/96, evidente violação do princípio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito. (HC 142045/PR, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP) Rel. p/ Acórdão Ministro NILSON NAVES, SEXTA TURMA, julgado em 15/04/2010, DJe 28/06/2010) RAZÕES DO RECORRENTE NO RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte interpôs, em 09/09/2009, (anteriormente à decisão do STJ) Recurso Voluntário (efl. 7043 e razões finais à efl. 7232) contestando o lançamento tributário e a decisão de primeira instância. A ciência à decisão recorrida deuse em 10/08/2009 (efl. 7042). Em suma, as razões do recorrente estão a seguir. I PRELIMINARMENTE I.A Direito de defesa I.A1. Alega deficiência de fundamentação no relatório fiscal que impossibilita a compreensão das acusações que lhe foram imputadas. As infrações não foram corroboradas com elementos de prova. Desta forma, a autuação seria nula. I.A2. Não teria havido efetiva fiscalização nos documentos contábeis do recorrente e não foram indicados os elementos de fato que dariam suporte ao lançamento sobretudo aqueles que ensejariam a consideração de empresas como pertencentes ao recorrente. Assim, estaria violado o direito de defesa previsto na Constituição Federal. I.A3.Utilização de documentos em língua estrangeira e não traduzidos por tradutor juramentado, violando o direito de defesa do recorrente. Cita folhas contendo documentos em língua estrangeira. I.B Prova emprestada I.B1. O lançamento deve ser feito com base nos princípios da tipicidade e estrita legalidade, e neste processo, foram utilizadas provas emprestadas do processo criminal, sem a cabal demonstração da ocorrência dos fatos geradores. Fl. 7685DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 7 11 I.B2. A omissão de receitas é presumida, baseada em provas indiretas, mensagens eletrônicas, petição inicial trabalhista do sr. Sandro Baji, etc., tratandose de indícios que não foram comprovados por outros documentos. I.B3. Não existe prova inequívoca da ilicitude, simulação ou fraude. O lançamento fora feito com base em provas coletadas em outro processo, o que não seria aceito sob pena de nulidade. I.B4. O recorrente não questionou o procedimento para a obtenção do documentos e sim a sua validade como meio de prova, já que tais elementos não foram validados por sentença. Questiona o fato do lançamento ter como base apenas os documentos da operação dilúvio, sem o devido procedimento de fiscalização necessário. I.B5. A autoridade fiscal não teria utilizado prova inequívoca ou de elementos do inquérito policial validados por sentença para desconsiderar a personalidade jurídica das empresas que pertenceriam ao recorrente, ou o não reconhecimento do rendimento declarado como distribuição de lucros e dividendos. I.B6. Alega que não existe previsão constitucional para a utilização de interceptações telefônicas como prova emprestada no processo, a exemplo da autorização para a investigação criminal e a instrução processual penal. I.B7. A interceptação telefônica deve ser realizada sob segredo de justiça, o que seria incompatível com o conceito de prova emprestada. I.C Desconsideração administrativa da personalidade jurídica 1.C1. Impossibilidade de desconsideração da personalidade da pessoa jurídica em sede administrativa e sem o devido processo legal. Afirma que a decisão a quo também teria entendido que houve desconsideração da personalidade jurídica, o que só poderia acontecer com a autorização do Poder Judiciário, o que não ocorreu. Assim, o ato é nulo. I.C2. Argumenta que a autoridade fiscal não aplicou as hipóteses previstas nos art. 134 e 135 do CTN, porque o recorrente sequer figura como sócio na maioria das sociedades envolvidas no processo administrativo. I.C3. Afirma que o recorrente não participou nas sociedades Delano, Mercotex, Opus, Cipel, Hefner & Staley, H&S, Opta, Emcla, Lansaret, Marcotec, Cemda, e Delphis e, portanto, o instituto da desconsideração é incompatível neste caso. I.C4. Presunção como elemento de conexão na desconsideração da personalidade jurídica. Não existe prova da ilicitude; o recorrente não faz parte das sociedades e não existe prova de conexão entre as mesmas e o recorrente. II MATÉRIA TRIBUTÁRIA LANÇAMENTO Fl. 7686DF CARF MF 12 1. Entende que o lançamento relativo ao ano 2002 estaria fulminado pela Decadência 2. Não existem elementos de conexão com provas da omissão de receitas, o que fere os princípios da tipicidade e da legalidade. Entende que a prova por indícios e presunções comuns tem função subsidiária e não importam na confirmação da ocorrência do fato gerador. O lançamento com base em presunções não tem a necessária vinculação da ocorrência do fato gerador, sendo, portanto, nulo. Além da presunção, devese ter a prova cabal da existência do fato gerador e também do elo de conexão entre o fato e o contribuinte. Assim, a falha na autuação dos autos não permite a conclusão pela procedência da autuação. 3. Não se pode utilizar de presunções para imputar burla ao fisco e considerar operações comerciais como manobras tributárias. Os atos devem ser comprovados. 4. Sobre "Trading" e importação por conta e ordem de terceiros, alega que muitas das empresas imputadas como pertencentes ao recorrente são apenas clientes de serviços de importação, por meio de sua trading. A trading nunca adquiriu a propriedade do bem importado e também não assume o risco da operação comercial. Apenas realiza o despacho aduaneiro de mercadoria importada em seu nome, mas da qual não detém a propriedade e também não se confunde com a pessoa jurídica adquirente. III. INEXISTÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA OU REALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS JURÍDICOS PELO CONTRIBUINTE. TASS SERVIÇOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Não existe documento a embasar a conclusão da fiscalização, pois a empresa possui lucros acumulados e a fiscalização deveria ter feito análise dos documentos contábeis da empresa, o que não fez. Argumenta que a distribuição de lucros acumulados consta do contrato social, o sócio (recorrente) é majoritário e receberia valor de lucros maior que o outro sócio. Alega que a autuação tem como base o relatório da Polícia Federal. Entende que não houve demonstração inequívoca do vício alegado. As planilhas juntadas pela fiscalização não se prestam a servir de prova do alegado. Solicita realização de perícia contábil nos documentos da empresa. MAK Participações S/C Ltda. Com base nos documentos que estavam na posse da secretária do recorrente, a fiscalização concluiu que o recorrente seria o efetivo proprietário da empresa (HEPBURN Investing Ltda. ). Desta forma, os aportes financeiros na empresa foram considerados como sendo do contribuinte. Afirma que não existem quaisquer documentos que comprovem que a propriedade da empresa Hepburn é do recorrente. A presunção decorre do fato de que 90,05% do patrimônio da MAK é da Hepburn, cujo responsável perante a RFB é a sra. Elisabete Dias, que não possuiria capacidade econômicofinanceira para tal. Entende que irregularidades no cadastro RFB da sra. Elisabete não implica irregularidades na empresa. Afirma também que o fato do contribuinte ter assumido responsabilidade por atos de sua secretária não significa que também o seja pela guarda dos documentos com ela Fl. 7687DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 8 13 apreendidos. Ademais, a guarda de documentos não demonstra que a propriedade de alguma empresa seja efetivamente do recorrente. A propriedade da empresa Hepburn foi apenas presumida. Argumenta ainda que os contratos de fechamento de câmbio de fls. 752/773, feitos regularmente, comprovam o aporte de capital da Mak vindo do exterior e pertencentes à Hepburn. Também não pode ser prova cabal do alegado, o contrato de câmbio no valor de R$ 341.040,00, da st. James para Giorgio Pignalosa, advogado de MAM, anteriormente a 02/01/2004 (fls. 1462) sob a argumentação de que havia uma procuração de Katia Mansur para esse advogado. Tratase de uma presunção direcionada, sem lastro em elementos de fato. Desta forma, entende que devem ser excluídos da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 5.886.977,50, valor apontado como aportes de capital social da empresa Mak Participações advindos da empresa Hepburn Investing Ltda. DELANO BR Empreendimentos e Participações Ltda. A decisão a quo teria concluído, incorretamente, e com base em presunções, que a empresa pertence ao recorrente. As planilhas juntadas aos autos (fls. 1942, 1955, 1957/1959 e 1961) nada provam da relação do recorrente com a empresa. A fiscalização teria utilizado provas indiretas para deduzir a relação do recorrente com a empresa, como por exemplo, planilhas já mencionadas, alegação de que a movimentação bancária de Horácio Niemz é feita pelo recorrente, e uma terceira alteração contratual que nunca fora efetivada e que teria o objetivo de burlar a fiscalização. Afirma que é temerário deduzir que o recorrente teria cometido infrações por meio de terceiros que sequer são partes neste processo. Mais ainda, não ficou comprovado nos autos do processo penal que haveria uma organização criminosa, como afirmado pela fiscalização. Desta forma, improcedente este item de condenação. COLDSTREAM do Brasil Empreendimentos e Participações Ltda. Os argumentos da fiscalização são esparsos e nada comprovam. No acórdão de impugnação foram pinçados acontecimentos envolvendo a empresa ao recorrente, sem qualquer parâmetro, já que os documentos citados fls. 2233/2235 nada comprovam. Observa que a fiscalização narrou as alterações contratuais para comprovar que a Coldstream tem origem na cisão da empresa MAK. Contudo os documentos juntados não comprovam a redução do capital da MAK para R$ 48.000,00. Ademais, o Balanço Especial de fls. 1586 menciona o ativo da MAK após cisão R$ 405.903,31. Assim, incorreto o fato de que o capital da Mak seria R$ 48.859,00. Esse seria o capital de domiciliados no exterior, conforme Fl. 7688DF CARF MF 14 o balanço mencionado. (Nota da relatora: A seguir está o balanço mencionado para efeitos de análise) SUATA Serviços e Logística Ltda. O julgador a quo imputou ao recorrente a aplicação de recursos concernente à empresa SUATA, após efetuar ligações entre empresas e pessoas que nada tem a ver com o recorrente. A empresa teria como sócios a Tass Serviços (R$ 441.000,00) e a Rilcomar (R$ 459.000,00), com recursos do fiscalizado. O recorrente teria demonstrado na impugnação que a Suata foi formada pela Tass Serviços e a Rilcomar S.A., empresa uruguaia, para prestar serviços portuários em SUAPE. Alega que a Rilcomar é uma empresa conhecida no ramo de comércio exterior, e não é de fachada. A participação societária do recorrente (via TASS) é anterior ao período fiscalizado) Justifica a existência de alterações contratuais em decorrência da dinâmica do comércio internacional, cujas negociações a autoridade fiscal denominou de contrato de gaveta. Os supostos contratos de gaveta não poderiam ser utilizados pela auditoria, pois não possuem quaisquer efeitos reais e legais. Desta forma, a fiscalização imputou a integralização de capital no valor de R$ 8.259.060,00 ao fiscalizado. Em 2005, a Suata virou Sociedade Anônima e o recorrente fora convidado para ser presidente da Diretoria. Informa que na DIRPF ac 2005 do contribuinte, já não constam as ações da Suata. Fl. 7689DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 9 15 MERCOTEX DO BRASIL LTDA. Alega que em nenhum momento fez parte do quadro societário da empresa. O único relacionamento com a empresa se dava através da MAM EPP. A troca de emails entre o recorrente e o sr. Wesley não podem servir como prova de que a empresa MERCOTEX era de fato do recorrente. Ademais, o acórdão guerreado não se manifestou sobre se a propriedade da empresa era do recorrente. Desta forma, reitera as alegações da impugnação. OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA. A decisão a quo corroborou a inclusão da integralização de capital no valor de R$ 2.577.000,00 como aplicação de recursos do impugnante no ano calendário 2005, supostamente realizada com recursos da Mercotex na empresa Opus (fl. 6604). Os argumentos seriam a utilização de "laranjas" e a falta de capacidade financeira da Mercotex para fazer frente à integralização. Afirma que não existem provas da relação entre o recorrente e a Opus Trading. O único documento (Instrumento particular de Venda e Compra de Estabelecimento Comercial, Cessão e Transferência de Quotas Sociais) que, em tese, se prestaria a demonstrar tal relação, é um documento enviado por meio de fac simile, e que não fora juntado aos autos. No referido documento não existe o reconhecimento de firma da assinatura do recorrente e não fora registrado na junta comercial. Outro documento utilizado pela fiscalização para comprovar o fato gerador é a reclamação trabalhista do sr. Sandro Baji, movida contra o recorrido e as empresas Opus, Mercotex e Suata, de fls. 6603. Afirma que tal documento nada prova, pois é apenas uma alegação unilateral, a petição inicial. O processo ainda está em fase de instrução na justiça do Trabalho (em 2009). Informa, contudo, que o recorrente, por intermédio de sua empresa MAMEPP, prestava serviços à empresa Opus, conforme art. 129 da Lei 11.196/2005. Como a empresa não pertence ao recorrente, não tem qualquer relevância se uma das sócias(no caso, a Mercotex) possui ou não capacidade financeira para o aumento de capital. Solicita a desconsideração do valor de R$ 2.577.000,00 apontado no item de aplicação de recursos do demonstrativo de variação patrimonial do recorrente. CIPEL DO BRASIL LTDA. O documento de fls. 3418v(Instrumento de Venda e Compra de Estabelecimento Comercial, Cessão e Transferência de Quotas Sociais) não se presta para comprovar que o recorrente foi sócio da referida empresa, pois não é uma cópia integral. Fl. 7690DF CARF MF 16 Já a 2a. suposta alteração contratual de fls. 3419/3421(vol. XVIII), tratase de uma minuta de alteração contratual que não possui a assinatura do recorrente e não fora registrada na JUCESP. Desta forma, não se pode responsabilizar o recorrente ou seu patrimônio pessoal pelas negociações efetuadas pela empresa CIPEL. Alega ainda que os argumentos do recorrente não foram analisados pela autoridade julgadora, caracterizando cerceamento do direito de defesa. Desta forma, pugna pela nulidade da decisão de 1a. instância por cerceamento do direito de defesa. HEFNER & STALEY PARTICIPAÇÕES Entende que a autoridade julgadora inovou na argumentação da responsabilidade do recorrente por esta empresa. No auto de infração apenas consta que o sócio estaria com a inscrição suspensa na base CPF (fls. 3544 e 3545 vol. 18). Os indícios relacionados pelo julgador a quo não são provas contundentes da relação do recorrente com a empresa. E as informações do relatório da Polícia Federal não podem servir como base para imputar a aplicação de recursos como sendo do recorrente. H&S TRADING IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA. A decisão vergastada teria sido omissa em relação a esta empresa. A autoridade fiscal não comprovou a relação entre o recorrente e a empresa. O recorrente teria comprado a empresa quando ainda operava com a razão social TASS Trading Importação e Exportação Ltda., juntamente com seu pai, em 14/03/1997, permanecendo na sociedade até 26/10/2001, quando vendeu a empresa, que teve a razão social alterada. Não há provas nos autos de que o recorrente era sócio das empresas referidas e as procurações de fls. 3487/3489 (vol. XVIII) não dizem sob qual condição o sr. José Roberto Menino outorgava os instrumentos em mandato público. Assim, não se pode afirmar que o recorrente seria o proprietário de fato da empresa, como alega a fiscalização. OPTA ARMAZÉNS GERAIS LTDA. Não se pode alegar a propriedade da empresa ao recorrente apenas porque alguns de seus parentes tiveram participação na mesma. Nem mesmo nos emails referidos há menção de algum pagamento efetuado. Ademais, os emails referemse a mensagens trocadas entre "Alessandra" e "Beti". As alterações contratuais da sociedade foram levadas a registro e ao conhecimento da RFB e está tudo documentado nas escrituras contábeis e fiscais da empresa. O fato da empresa apresentar sucessivos prejuízos e possuir capital integralizado de valor alto não representa comprovação de que o recorrente esteja envolvido com a mesma. Não se pode Fl. 7691DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 10 17 desconsiderar os documentos da empresa. Afirma que as conversas interceptadas e anexadas aos autos, não demonstram cabalmente serem relativas à empresa OPTA, e o nome do recorrente não é mencionado. EMCLA ADM. E PARTIC. LTDA. A conclusão dos julgadores de que o recorrente tem ligação com a empresa foi baseada em presunções e em documentos que nada provam. Cita partes da decisão em que o julgador justificou as aquisições dos imóveis da Padre João Manoel unidades 141 e 142, na Rua José Maria Lisboa, e também a minuta de Instrumento Particular de Cessão de Quotas e Outras Avenças, no qual Horácio Niems é o inteveneinte e cedem 100% da EMCLA a Marco Antônio (fls. 4002/4006volume 21). Observa que a minuta não tem assinatura e não é um documento válido a comprovar a relação do recorrente com a empresa. A empresa pertence a um dos filhos do recorrente (Emmanuel) e sua irmã, que integralizaram o capital sem a participação do recorrente. Apesar do recorrente ter doado imóveis ao filho, os bens oferecidos por Emmanuel para a integralização do capital eram realmente dele. Alega que Emmanuel tinha capacidade financeira para constituir uma empresa só que o patrimônio do mesmo estaria no Paraguai e passava por dificuldades burocráticas. Também o cheque administrativo de MAM, considerado como empréstimo simulado entre Horácio e MAMEPP, no valor de R$ 40.000,00, nada prova em relação a valor que teria sido integralizado por Claudia Mansur em 2005. MARCO ANTÔNIO MANSUR EPP A fiscalização teria desconsiderado os valores de R$ 40.000,00 (2003), R$ 570.000 (2004), R$ 918.543,23(2005) e R$ 883.668,98(2006), declarados como isentos pelo recorrente. Tais valores são lucros distribuídos pela pessoa jurídica MAMEPP. Observa que teria sido reconhecida a existência de lucros a distribuir, nos valores de R$ 86.228,42 (2003), R$ 435.142,34(2004), R$767.293,88 (2005). Contudo, não teria sido apresentada a prova da efetividade do recebimento dos recursos, por meio de extrato bancário, indicação de cheque ou depósito em conta corrente do beneficiário. A apuração de lucro excedente ao presumido não autoriza a desconsideração da distribuição com isenção. Entende que eventual diferença deveria ser apurada por meio de análise de levantamentos na contabilidade da empresa. Na pior das hipóteses, apenas a diferença passível de tributação pelo imposto de renda na modalidade retida na fonte, e não todo o valor declarado como distribuição de lucros. Para comprovar, requer a juntada dos informes de rendimentos fornecidos pela pessoa jurídica e pleiteia a desconsideração da autuação nessa parte. Fl. 7692DF CARF MF 18 LANSARET IMPORTAÇÃO LTDA. A turma julgadora a quo justifica a atribuição da integralização do capital da empresa ao recorrente tendo como base os documentos referentes à Lansaret encontrados com a sra. Alessandra e ainda no fato de que o sr. Liberalino não possui capacidade econômico financeira para ser procurador de uma empresa como a Lansaret. Entende que tais justificativas não são plausíveis para comprovar o vínculo do recorrente com a empresa. Teria juntado documentos que comprovam que a empresa é constituída por duas sociedades estrangeiras que nada tem em comum com o recorrente. Mais ainda, o sr. Liberalino, em depoimento à Polícia Federal afirmou que não conhece o recorrente. MERCOTEC IMP EXP LTDA. No relatório fiscal consta que a Mercotec fora constituída pela Mercotex do Brasil Ltda. e pela HiTech do Brasil S.A., ambas com capital a integralizar e que em razão de um contrato de mútuo entre a Mercotec e a HiTech podese afirmar que a Hi Tech não teria investido na empresa, ou seja, 100% da integralização pertenceria ao fiscalizado. Contesta tal prova e também o documento de fls. 4798/4799 por se tratar de um documento enviado via fac simile que sequer contém assinaturas com firmas reconhecidas. Na autuação consta dispêndios de integralização de capital no valor de R$ 749.000,00 em 17/08/2004. CEMDA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. A imputação da propriedade da empresa ao recorrente adviria do perfil sócio econômico de um dos sócios, que seria pessoa destituída de capacidade financeira para ser sócio da empresa e também do email de fls. 5010(vol. XXVI) em que conclui que MAM é o único dono da SUPERTRADE, como chamam a CEMDA (fls. 6362 vol XXXII). Em nenhum momento o recorrente faz parte do quadro societário da empresa e o vínculo fora presumido. Fl. 7693DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 11 19 DELPHIS COMERCIAL LTDA. A fiscalização teria incorretamente entendido que o fiscalizado exercia o controle da DELPHIS de maneira indireta, através de outras empresas do grupo e de pessoas ligadas à organização, tais como a OPUS, Isides Valéria Taddei (casada com primo de MAM), Sandro Baji, etc. Mais ainda, que no ac 2005, faziam parte do quadro societário da empresa a CEMDA, que também pertencia ao autuado e seu representante, Mauro Lima. A fiscalização não teria comprovado qualquer ligação do contribuinte com a CEMDA, de modo que também resta prejudicado quaisquer imputações relacionadas à DELPHIS. GRUPO G8 As autoridades julgadoras entenderam que o suposto grupo G8 seria formado por MAM, TONY, MARQUITO e Alessandra Salewski e que funcionava como caixa único, no qual eram concentrados os resultados das diversas operações efetuadas pelas principais empresas do grupo MAM (Delphis, Opus, Mercotex, Mercotec e outras), e os valores relativos a MAM foram somados e consolidados mensalmente, totalizando R$ 4.459.460,47, no período de janeiro 2004 a abril 2005. Essa importância foi considerada como rendimento omitido pelo fiscalizado e objeto de lançamento. Da mesma forma, as remessas feitas por MAM no período de 22/07/2005 a 01/11/2006, no total de R$ 943.388,16 (fls. 5342 e 5367 volume 27). Alega que o recorrente não possui meios para se defender plenamente desta acusação, pois desconhece todas as empresas que supostamente comporiam o Grupo G8 mencionado pela fiscalização. Entende violados o direito de ampla defesa e do contraditório. Ademais, as empresas citadas não pertencem ao recorrente. A fiscalização referese a documentos que nada comprovam, e concluem os fatos baseandose em presunção de planilhas sem autoria e informações constantes em correspondência eletrônica. Não houve comprovação de que as receitas foram auferidas pelo fiscalizado. AQUISIÇÕES DE IMÓVEIS A fiscalização imputou a aquisição de imóveis pela MAK ao recorrente, nos anos 2002 e 2003, considerando que foram utilizados recursos provindos da HEPBURN Investing, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Da mesma forma, as aquisições de imóveis efetuadas por outras empresas do contribuinte como a DELANO, COLSDTREAM, EMCLA e MAMEPP nos anos 2004 a 2006. Tais imóveis foram considerados como aplicações de recursos do interessado(fls. 6614). A imputação das propriedades é feita com base em presunções, como por exemplo, as ações ao portador da empresa Hepburn encontradas na posse da sra. Alessandra. Fl. 7694DF CARF MF 20 Alega que restou prejudicada qualquer alegação de insuficiência de receita da empresa para adquirir os imóveis enumerados às fls. 6270/6276(vol. XXXII). A imputação da propriedade dos imóveis estaria também baseada em presunções de que as empresas seriam do recorrente, sem comprovação. CONTAS BANCÁRIAS NO EXTERIOR Os valores remetidos para contas no exterior, convertidos em reais, foram incluídos como aplicações de recursos do contribuinte. Contudo os documentos que supostamente comprovariam a realização das transações e movimentações nas contas bancárias no exterior estão em língua estrangeiras e não traduzidos. Cita as páginas do processo com documentos em língua estrangeira e pede a desconsideração de tais documentos e, por consequência, o reconhecimento de que as alegações não foram comprovadas. Vários documentos não fazem qualquer menção ao recorrente ou não têm a assinatura do mesmo e devem ser desconsiderados. Observou que os documentos de folhas 739, 1402 a 1418, 1477 a 1501, 2423 a 2428, 2435 a 2436, 2440 a 2480, 3031 a 3035, 3057 a 3063, 3542, 4531 a 4533, 4544 a 4558, 5758 a 5748, 5752 , 5753, 5755 a 5768, 5770 a 5780 estão em língua estrangeira. Afirma que possui contas no exterior, decorrentes do período que residiu fora do país. Junta cópia do passaporte para comprovar ter morado no exterior. Não teria realizado quaisquer movimentações bancárias e não possuía valores depositados que lhe pertenciam. MULTA Entende descabida a multa de 150% porque inexistiu a fraude. A autoridade julgadora teria mantido a multa majorada porque teria entendido que o recorrente teria criado empresas fantasmas, existentes no mundo jurídico, mas não no plano físico, localizadas em terrenos baldios ou construções modestas, incompatíveis com o porte das transações comerciais realizadas, apresentavam sócios pessoas ligadas tais como empregados da organização, parentes, ou mesmo empresas sediadas em paraísos fiscais e no Uruguai. Afirma que não houve a comprovação do envolvimento direto do recorrente com a maioria das empresas e as empresas que pertenciam ao contribuinte (TASS e MAM EPP) não eram fantasmas. A aplicação da multa majorada é equivocada, pois o tributo é uma prestação pecuniária que não constitui sanção por ato ilícito. Assim, as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação disfarçado. O Recorrente não teria cometido qualquer infração que justificasse a aplicação da multa de 150%, cujo valor supera o imposto supostamente devido. Não teria feito qualquer empecilho à fiscalização e disponibilizou todos os documentos que possuía para o bom andamento dos trabalhos. A aplicação fere o princípio constitucional do não confisco e só pode ser aplicada quando houver indícios de fraude, o que jamais ocorreu neste caso. Flagrante a Fl. 7695DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 12 21 desproporcionalidade e a falta de razoabilidade da multa imposta ao recorrente, há que se cancelála. INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO INDEXADOR. A cobrança de juros de mora tributários não pode ficar sujeita às variantes do mercado financeiro, tal qual se dá com a SELIC. A taxa viola os princípios da anterioridade e da segurança jurídica. A lei que institui a taxa não continha os percentuais da mesma, delegando ao BACEN, o que não seria permitido pelo art. 48, I e 150, I da Constituição. Cita jurisprudência. APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Requer lhe seja deferido o prazo de 30 dias para juntada de documentos adicionais. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA ADMINISTRATIVA Requer a conversão do julgamento em diligência para que se faça as perícias documental e contábil necessárias, visando atestar autenticidade de documentos e informações contidas nos diversos CD´s que embasaram o lançamento. RENDIMENTOS DA EMPRESA MAMEPP TRIBUTADOS NA PESSOA FÍSICA Entende que os rendimentos relativos aos meses de novembro e dezembro de 2003, nos respectivos montantes de R$ 152.920,00 e R$ 270.000,00 e a dezembro de 2004 (R$ 1.692.819,63) e 2005 (R$ 6.133.043,38) não podem ser tributados novamente na pessoa física, devendo ser excluídos do lançamento. Tais quantias também deveriam ser excluídas como origem, para fins de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto dos anoscalendários de 2003 (meses de novembro e dezembro), 2004(meses de janeiro a dezembro) e 2005 (meses de janeiro a dezembro). Tal apuração depende da análise contábil dos documentos e da sua autenticidade. Ao final, requer seja conhecido o recurso e sejam acolhidas as preliminares levantadas para o fim de se determinar o cancelamento da exigência fiscal; ou, caso tais alegações não sejam aceitas, seja dado provimento ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, afastando o lançamento tributário para os anos calendários 2002 a 2006. Fl. 7696DF CARF MF 22 RAZÕES FINAIS DO RECORRENTE Em 14/05/2014, o recorrente junta documento com razões finais à efl. 7231, no qual repisa as argumentações já constantes do Recurso Voluntário e ainda o que segue. Afirma que, muito embora a decisão de primeira instância tenha interposto Recurso de Ofício, em vista da alteração do limite de alçada definido pela Portaria MF 03/2008 para R$ 1.000.000,00 e, considerando que aquela exoneração não ultrapassaria tal valor, o recurso de ofício não deveria ser conhecido. Junta aos autos decisão do STJ que considerou as provas interceptações telefônicas ilícitas e, entende que tal nulidade deve se aplicar a este processo pois todo o lançamento estaria contaminado pelas provas ilícitas ou dela derivadas (teoria dos frutos da árvore envenenada). Apresenta duas planilhas em que faz a análise da atuação em função das provas utilizadas pela autoridade fiscal, com a justificativa da anulabilidade do lançamento. Cita doutrina e jurisprudência. Aduz ainda o que segue. Preliminarmente II.1 A Nulidade do auto de infração pela utilização de prova declarada ilícita pelo poder judiciário, no processo penal n. 2006.70.00.0224356 (Inquérito Policial da denominada Operação Dilúvio) 3a. Vara Criminal de Curitiba, tomadas de empréstimo no presente processo. O Acórdão que tornou as provas ilícitas Habeas Corpus n. 142.045/PR já teria transitado em julgado. Entende que todo o lançamento estaria fulcrado nas provas consideradas ilícitas, conforme o Termo de Verificação Fiscal e, portanto, o lançamento deve ser considerado nulo. Esclarece que o Habeas Corpus fora impetrado em favor do ora recorrente, em face de atos ilegais cometidos pelo juízo federal da 3a. Vara Criminal de Curitiba consubstanciados em autorizações e prorrogações de interceptações telefônicas que deram origem ao processo penal. Informa ainda que o Ministério Público opôs embargos, que foram rejeitados, Recurso Extraordinário que não fora admitido, e Agravo perante o Supremo Tribunal Federal o qual foi também negado. Segundo o autuado, todos os processos penais originados a partir do inquérito policial 2006.70.00.0224356(Operação Dilúvio), do qual também foram extraídas provas para o presente processo administrativo fiscal, foram encerrados com o trânsito em julgado de decisão absolutória do ora recorrente. Afirma que todo o procedimento de fiscalização e, consequentemente, o Auto de Infração, está lastreado nas informações obtidas do processo judicial cujas provas são ilícitas. Cita o art. 5, LVI da CF/88, e argumenta que da norma constitucional decorre que, uma vez declaradas ilícitas em um determinado processo, as mesmas provas são inadmissíveis em qualquer outro processo, inclusive por derivação. Cita jurisprudência do STF. Afirma que, a partir das fls. 229/236 (efls. 597), memorando de 05/10/2006, depreendese que os documentos representam provas ilícitas originadas no inquérito policial da Operação Dilúvio, decorrentes de: i) apreensões feitas pela Polícia Federal; ii) no Laudo de Fl. 7697DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 13 23 Criminalística da Polícia Federal; iii) no dossiê da Polícia Federal; iv) em relatórios da Polícia Federal. Provas estas que tiveram a validade afastada, segundo o recorrente, para quaisquer fins, pelo Poder Judiciário. Excepciona alguns extratos e declarações entregues à Receita Federal após o conhecimento da Operação Dilúvio, conforme fl. 6192 (numeração manual). Apresentou planilhas comparativas para dirimir dúvidas sobre a contaminação do lançamento pelas provas ilícitas (docs. 3 e 4 do recurso). Tais documentos visam esclarecer a vinculação direta de cada valor considerado como dispêndio/aplicação e o contido no Demonstrativo de Variação Patrimonial (fls. 6103/6174) e no Auto de Infração. O doc. 4 relaciona as provas ilícitas que teriam sido utilizadas no lançamento. O recorrente entende que, pela doutrina dos frutos da árvore envenenada, ninguém pode ser investigado, denunciado ou condenado com base, unicamente, em provas ilícitas, quer se trate de ilicitude originária, quer se cuide de ilicitude por derivação. Qualquer novo dado probatório, ainda que produzido, de modo válido, em momento subsequente, não pode ter fundamento causal nem derivar de prova comprometida pela mácula da ilicitude originária. Argumenta, ainda, que o próprio Ministério Público não deixa dúvidas sobre o fato de que todas as provas são ilícitas e que a separação entre provas lícitas e ilícitas, neste caso, seria impossível. Transcreve trecho à efl. 7244 sobre a decisão cuja cópia anexa ao recurso. Cita jurisprudência judicial e deste Conselho sobre o assunto. Entende ainda que o manejo deste processo administrativo não enseja sequer a avaliação da ilicitude da prova, nem sequer a avaliação da contaminação por decorrência (tese dos "frutos podres"), porquanto essa avaliação já fora feita pelo Poder Judiciário definitivamente. Resta apenas cancelar o lançamento em sede de preliminar. Cita os processos tributários relativos à importação (II, IPI, PIS COFINS e multas) nos quais lhe teria sido exonerada a responsabilidade solidária. São processos de importação de bens e cujos tributos foram mantidos. O contribuinte transcreve uma das decisões que lhe favoreceram processo 19647.003588/201066. Entende que está cabalmente comprovado que o lançamento está integralmente fulcrado nas provas obtidas no inquérito da Operação Dilúvio : a) planilha que relaciona trechos do acórdão recorrido e do TVF com as provas que respaldaram o lançamento, extraídas do Inquérito Policial 2006.70.00.0224356. b) planilha 04, que, ao tratar do acréscimo patrimonial, vincula cada item da base de cálculo ao evento descrito no TVF e que, em cotejo com a planilha 03 juntada ao recurso, enumera as provas, indica folhas do TVF e do acórdão com as provas declaradas ilícitas pelo Poder Judiciário. Mesmo que outras provas pudessem ter sido colhidas pelas autoridades fiscais, todas as que lastrearam o auto foram obtidas no inquérito da Operação Dilúvio. Alega que a fundamentação é falha quando da imputação de operações efetuadas por pessoas jurídicas à pessoa física do ora recorrente. Entende que não há prova hábil do vínculo da natureza desses valores ao recorrente. Os equívocos da autoridade fiscal configuram afronta ao direito de defesa do recorrente. Cita legislação. Questiona que a prova derivada de interceptação telefônica emprestada não poderia ser utilizada porque não há previsão constitucional para tanto. A interceptação Fl. 7698DF CARF MF 24 telefônica, regulada pela lei 9296/96, deve ser feita sob segredo de justiça, o que é incompatível com o conceito de prova emprestada. Afirma que as provas mais importantes utilizadas são meros emails obtidos a partir das interceptações telefônicas e telemáticas que, quando muito comprovam a prestação de serviço e jamais a ingerência ou titularidade das empresas. Ainda, não há qualquer prova de que as empresas não existiam de fato. Ademais, as próprias autuações lavrada contra tais empresas atesta a existência das mesmas. Cita as decisões nos processos 15165.001616/2009 39, 15165.000553/201037, e 19647.005870/201088, e 15165.003460/200840 (contra a OpusTrading América do Sul Ltda. ) e 15165.001844/200917, 19647.003715/201027 e 15165.003462/200839 (contra a Mercotex do Brasil Ltda), conforme extratos anexos no documento 7 do recurso). Reitera sobre a ilicitude das provas. O acórdão recorrido, fl. 6617(vol. XXXIII), reconhece a existência de diversas pessoas jurídicas, ao concluir que as receitas atribuídas ao recorrente já teriam sido por elas tributadas. A afirmação do acórdão recorrido contradiz a acusação fiscal de que as empresas seriam inexistentes/"fantasmas", tornando inviável a tributação dos rendimentos na pessoa física. Conforme excerto da decisão, a seguir: "...a fiscalização apurou que as receitas obtidas pela empresa MAMEPP, nos anos calendários 2003, 2004 e 2005 originaram se de prestação de serviços a outras empresas do grupo (MERCOTEX DO BRASIL, OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL, SUATA E DELPHIS)(...) Ocorre que as mencionadas receitas [consideradas rendimentos admitidos pelo contribuinte] foram oferecidas à tributação nas correspondentes declarações de imposto de renda da pessoa jurídica, tendo os tributos dela decorrentes, como IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, sido recolhidos em nome da pessoa jurídica." Entende o recorrente que o que se tem no auto de infração combatido é uma verdadeira imputação da qualidade de contribuinte à pessoa física, relativamente aos rendimentos da pessoa jurídica, supostamente desconsiderada, sem previsão legal. Mais ainda, os rendimentos da pessoa jurídica teriam sido tributados na pessoa física como omissão, e com a tributação desta. Em resumo, o contribuinte afirma que a fiscalização não comprovou/demonstrou a participação efetiva do recorrente nas sociedades empresárias: 1. DELANO BR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., 2. MERCOTEX DO BRASIL LTDA., 3. OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA. 4. CIPEL DO BRASIL LTDA., 5. HEFNER & STALEY PARTICIPAÇÕES, 6. H&S TRADING IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., 7. OPTA ARMAZÉNS GERAIS LTDA., 8. EMCLA ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA., 9. LANSARET IMPORTAÇÃO LTDA., 10. MARCOTEC IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S.A., 11. CEMDA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA., e 12. DELPHIS COMERCIAL LTDA. Fl. 7699DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 14 25 Conforme a fiscalização, o Grupo G8 funcionava como caixa único, no qual eram concentrados os resultados das diversas operações efetuadas pelas principais empresas do grupo MAM: Delphis, Opus Trading, Mercotex, Mercotec e outras. Os valores recebidos pelo grupo, consolidados mensalmente no período de janeiro/2004 a abril/2005 totalizaram R$ 4.459.460,47. Essa importância foi considerada como rendimento omitido pelo fiscalizado e objeto de lançamento. No período 22/07/2005 a 01/11/2005 em semelhante situação foi lançado o valor de R$ 943.288,16 (fls. 5342 a 5367). O contribuinte entende que ao mencionar "outras" fls. 6616, sem enumerar quais empresas supostamente comporiam o G8, a fiscalização teria violado o princípio da ampla defesa e do contraditório. Afirma que não houve comprovação de quais receitas foram auferidas pelo fiscalizado. A fiscalização imputou ao recorrente a aquisição de imóveis pela MAK participações nos anos calendários 2002 e 2003. Tais aquisições foram efetivadas com recursos provindos da Hepburn Investing, empresa situada nas Ilhas Virgens Britânicas, que era de propriedade do recorrente. Da mesma forma, teriam sido feitas aquisições de imóveis envolvendo outras empresas do contribuinte, como a DELANO, COLDSTREAM, EMCLA e MAMEPP, nos anos calendários de 2004 a 2006. Afirma que a MAK participações e a empresa HEPBURN são imputadas ao recorrente sem quaisquer provas. A presunção relativa à Hepburn decorre de se ter encontrado ações ao portador em poder do recorrente. A imputação de propriedade dos imóveis ao recorrente foi concluída com base em presunções e não em comprovantes legais. Entende que os rendimentos relativos aos meses de novembro e dezembro de 2003(R$ 152.920,00 e R$ 270.000,00) e dezembro de 2004 (R$ 1.692.819,63) e 2005 (R$ 6.133.043,38) não podem ser tributados novamente na pessoa física, devendo, portanto, ser excluídos do lançamento. Também deveriam esses valores ser excluídos para fins de acréscimo patrimonial a descoberto dos anos calendários 2003, 2004 e 2005. O recorrente afirma que seria necessário perícia contábil para analisar os documentos dos autos. (Observação da relatora: Esses valores também foram informados na planilha APD como origem de recursos). Apresenta uma compilação dos pedidos à efl. 7262. CONTRARAZÕES DA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Ficou plenamente demonstrado, no Termo de Verificação Fiscal e no Acórdão da DRJ, o vínculo existente entre as empresas DELPHIS, OPUS TRADING, Fl. 7700DF CARF MF 26 MERCOTEX e MERCOTEC, e o recorrente, e principalmente o poder de direção exercido por ele sobre aquelas, corroborado por vários emails trocados entre integrantes do grupo. Os referidos emails foram objeto de análise e perícia pelo Instituto de Criminalística do Departamento da Policia Federal, resultando no laudo no 2203/06SR/PR (fls. 534/597), tendo força probatória no presente contencioso fiscal. A operação Dilúvio esclareceu os negócios de várias empresas que direta ou indiretamente seriam geridas pelo recorrente. São elas: 1. MARCO ANTONIO MANSUR EPP , 2. HEPBURN , 3. DELANO, 4. MERCOTEX, 5. CIPEL DO BRASIL, 6. MAK, 7. SUATA, 8. TASS, 9. RILCOMAR, 10. OPUS TRADING, 11. H&S TRADING, 12. HEFNER & STANLEY PARTICIPAÇÕES, 13. HEFNER FEDERAL, 14. STANLEY FEDERAL, 15. LANSARET, 16. COLDSTREAM, 17. MERCOTECH, 18. HIGH TECH, 19. CEMDA. Ficou ainda identificado que existiria uma holding denominada G8 que controlava as operações do grupo econômico. Eram participantes da Holding: MARCO ANTONIO MANSUR, TONY, MARQUITO e ALESSANDRA. A holding funcionava como um caixa único para gerenciar os resultados e operações das empresas do grupo. Muitos dos fatos jurídicos ficaram provados por presunção, conforme art. 112 do Código Civil. A incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física sobre o acréscimo patrimonial a descoberto tem fundamento no art. 43 do Código Tributário Nacional e na Lei 7.713/88, par. 1o. do art. 3o. O acréscimo patrimonial a descoberto está regulamentado no art. 55, inciso XIII do Decreto 3000/99 (RIR): São também tributáveis: XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Fl. 7701DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 15 27 O recorrente não demonstrou que as operações relativas aos fatos geradores tributários não ocorreram e nem que não seria o responsável por eles. Tampouco provou que possuía origens de recursos legal e declarada que justificassem as aplicações feitas. Os demonstrativos das variações patrimoniais do recorrente constam no processo, conforme a seguir: ano calendário 2002 fls. 6103 a 6125 ano calendário 2003 fls. 6126 a 6143 ano calendário 2004 fls. 6144 a 6158 ano calendário 2005 fls. 6159 a 6169 ano calendário 2006 fls. 6170 a 6174 Verificase que a sonegação, do artigo 71, referese à conduta (comissiva ou omissiva) para impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou das condições pessoais da contribuinte. Fraude, do artigo 72, que não se trata de fraude à lei, mas ao Fisco, atua na formação do fato gerador da obrigação tributária principal, impedindo ou retardando sua ocorrência, como, também, depois de formado, modificandoo para reduzir imposto ou diferir seu pagamento. Conforme verificado, os documentos apreendidos e as investigações da Policia Federal dão conta de que o recorrente comandava uma organização criminosa, especializada na prestação de serviços de importação a diversos clientes, assessorandoos na prática de inúmeras irregularidades, como falsificação de documentos e subfaturamento de produtos, com o intuito de ocultar o real vendedor, o adquirente, e o valor dos bens adquiridos no exterior. Foram criadas empresas fictícias, localizadas em terrenos baldios ou construções modestas, locais incompatíveis com o volume de transações comerciais realizadas, tendo como sócios, pessoas ligadas tais como empregados da organização, parentes dos dirigentes, ou mesmo empresas sediadas em paraísos fiscais e no Uruguai. Os contratos sociais, as alterações contratuais, as escrituras de compra e venda de imóveis, os contratos de mútuo entre as empresas do grupo e demais documentos analisados retratavam situação irreal. Por todos os motivos expostos, deve ainda ser mantida a qualificação da multa, posto que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos. As taxas de juros empregados estão em acordo com a legislação vigente. Diligência Através da Resolução 2101000.177 1a.Turma Ordinária 1a.Câmara 2a. Seção de Julgamento, a Turma julgadora solicitou à autoridade lançadora sobre a possibilidade de particionar o lançamentos conforme a legalidade(ou não) dos documentos de suporte. Parte da Resolução está transcrita a seguir: Fl. 7702DF CARF MF 28 [...]há que se separar o lançamento em função dos tipos de provas e presunções legais utilizadas no procedimento administrativo tributário. Devese discriminar todas as situações de lançamento que podem ser corroboradas sem que os fundamentos tenham sido baseados exclusivamente nas provas consideradas ilegais. Entendo que a utilização dos dados da operação Dilúvio pode ter tornado mais fácil a compreensão da verdade dos fatos, a verdade real. Contudo, não significa, necessariamente, que TODAS as provas que conduziram ao lançamento tributário tenham sido obtidas em decorrência das interceptações telefônicas consideradas ilegais. As provas que se encontram disponíveis dentro dos sistemas informatizados da Receita Federal ou outros órgãos públicos e serventias, também àquelas produzidas ou confessadas pelo contribuinte, poderiam igualmente ter dado causa ao lançamento tributário, sem que se mudasse o argumento ou a fundamentação legal. Por exemplo, informações sobre movimentação financeira, contas bancárias e referidos extratos, contratos sociais e alterações contratuais registrados nas Juntas Comerciais, notas fiscais, contratos de câmbio, etc. são todos documentos públicos que foram utilizados para comprovar os fatos levantados no lançamento fiscal. A importância da participação das gravações das interceptações telefônicas nesse contexto não está clara. É necessário que a autoridade fiscal reveja o lançamento à luz de provas que teria obtido independentemente das provas consideradas ilícitas pelo STJ e também das inconsistências das informações tributárias, fiscais e bancárias do contribuinte, empresas com as quais tem vínculo (por exemplo, em função de atividades profissionais, relações de parentesco), e etc. Além disso, dado que o Direito Tributário tem por princípio a busca da verdade real, a descoberta de provas e indícios, durante a investigação criminal, que levaram ao descobrimento de outros delitos, agora na esfera tributária, com possibilidade de obtenção de outras provas idôneas e legais, não estariam maculadas pela ilegalidade, em consonância com o fenômeno da serendipidade, que consiste na descoberta fortuita de delitos que não são objeto da investigação. Observase que o procedimento fiscal foi iniciado antes do início da Operação Dilúvio, que foi deflagrada para verificar vários crimes, e não somente os tributários. .. Voto por transformar o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal, dentro desse novo cenário, faça a separação dos valores lançados em função dos tipos de provas utilizadas. Devem ser discriminadas todas as situações de lançamento que podem ser corroboradas sem que os fundamentos tenham sido baseados nas provas consideradas ilegais, e também as situações cujos valores tributários lançados deveriam ser anulados por terem dependido exclusivamente das interceptações telefônicas consideradas ilegais. Nos casos de manutenção do lançamento, devem ser juntadas aos autos as provas que poderiam ter sido utilizadas para o lançamento e Fl. 7703DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 16 29 aonde estariam disponibilizadas. Por exemplo, telas de sistemas, informações de cartórios, justiça, etc. As transcrições das conversas telefônicas declaradas ilegais deverão ser analisadas pormenorizadamente para que fique clara a influência de tais conversas nas conclusões sobre os trabalhos da auditoria fiscal, sobretudo, sobre as infrações apuradas. As transcrições das conversas telefônicas legais (primeiros 60 dias) deverão ser anexadas ao processo e também outras provas delas advindas (apreensão de documentos, computadores, etc.). É necessário também juntar ao processo administrativo fiscal a relação individualizada de todas as provas consideradas ilegais no processo criminal (interceptações telefônicas ou que delas tenham se derivado). Considerando que o autuado, em documento apresentado posteriormente ao Recurso Voluntário compilou em duas planilhas as ligações entre as provas ilícitas e as autuações, é imprescindível que a autoridade lançadora utilize tais planilhas para produzir os resultados da diligência, contraargumentando, se necessário, as informações do contribuinte. As planilhas (3 e 4) estão anexadas ao documento RAZÕES FINAIS PARA JULGAMENTO, apresentado em 14/05/2013 pelo recorrente. O recorrente deve ser cientificado do resultado da diligência e de que dispõe de prazo de 30 dias para apresentar manifestação. Questionamento do contribuinte sobre a explicação da diligência No primeiro retorno da diligência, a autoridade fiscal pediu para que a diligência fosse esclarecida, o que foi feito por esta relatora. O contribuinte contestou parte do esclarecimento feito pela relatora à autoridade fiscal sem a aprovação do colegiado. O trecho da explicação dada pela relatora à autoridade fiscal e posteriormente contestada pelo recorrente está a seguir. Fl. 7704DF CARF MF 30 O contribuinte alega que a explicação adicional sobre a diligência teria "alargado o seu escopo" especialmente a frase "se a descoberta do fato gerador pudesse ter ocorrido por outros meios, disponíveis..., então a prova ilegal não geraria impedimento ao lançamento tributário." Na contestação da explicação da diligência, o recorrente ainda repisa os argumentos relativos à nulidade das provas pelo STJ, pois entende que todas as provas produzidas no âmbito da operação dilúvio seriam ilegais, sendo impossível a segregação entre provas lícitas em ilícitas, visto que todas estariam contaminadas pela ilicitude. Afirma que a própria Polícia Federal não faz distinção das provas, além de outros argumentos já incluídos no recurso voluntário. Cita decisões judiciais sobre a operação. Resultado da Diligência Após o esclarecimento, a autoridade diligenciada se pronunciou conforme efls. 7642 e seguintes. Em suma, aquela autoridade, analisando as provas à luz do lançamento concluiu que: a) nenhum lançamento fora efetuado com base exclusivamente em transcrições de conversas telefônicas consideradas ilícitas no processo criminal e, b)que todos os valores lançados estão lastreados por documentos que estavam em poder dos envolvidos ou que poderiam ser encontrados em procedimento fiscalizatório. A autoridade diligenciada informou que não foram utilizadas escutas telefônicas como provas de lançamento de quaisquer valores no "DEMONSTRATIVO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL". A única vez que o termo "conversa telefônica" aparece no Termo de Verificação Fiscal está à efolha 6653, que remete a uma conversa telefônica transcrita pela Polícia Federal, que estaria nas efls. 741/742, conversa essa que não teria qualquer impacto no lançamento tributário. Relativamente às planilhas dos documentos 3 e 4 apresentados pelo contribuinte, a autoridade diligenciada assim respondeu: Planilha 3: Os itens3.5, 3.6, 3.7,3.9, 3.11, 3.12, 3.14, 3.15, 3.16, 3.17, 4 e 6, todos da planilha 3, foram reputados como provas ilícitas pelo recorrente, deturpando o voto do Processo Criminal do STJ que entende ser ilícita apenas a interceptação telefônica excedente a 60 dias, ou provas dela decorrentes. Planilha doc. 4 do recurso(efl. 7329 a 7336): nesta planilha o recorrente discrimina diversos pontos do TVF e os vincula aos itens da planilha doc.3 (efls.7321 a 7328). Nenhum item fora acolhido pelo motivo de ilicitude da prova, contrariando a decisão do STJ. Desta forma, nenhum item pode ser excluído do lançamento tributário por esse motivo (prova ilícita). Ademais, a autoridade diligenciada enfatizou que para o lançamento foi utilizado todo tipo de prova, das quais cita: a) instrumento particular de compra e venda, b) recibo de leilão, c) Contrato Social e alterações, d) Declarações de Imposto de Renda, e) Contratos de Câmbio, Emails, Contratos, Certificado de Ações ao Portador, etc. No TVF, a autoridade fiscal relata os fatos e informa a prova que baseou o lançamento, citando a folha em que se encontra. Fl. 7705DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 17 31 Informa ainda a autoridade fiscal que as provas relativas ao Demonstrativo de Variação Patrimonial estão anexadas na sequência da tabela do demonstrativo. É o relatório. Voto Conselheira Maria Cleci Coti Martins O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e deve ser conhecido. Primeiramente, convém salientar que se deve atentar para o fato de que os documentos no processo contém até três numerações distintas: a manual da RFB, a eletrônica da RFB(após conversão do processo para eletrônico), e a manual da Polícia Federal. Os documentos referenciados no Relatório Fiscal consideram apenas a numeração manual da RFB. A ordem dos documentos no processo (numeração manual x eletrônica) conforme a digitalização está à efl. 7575. Tendo em vista a preliminar de nulidade das provas tendo como suporte a decisão do Superior Tribunal de Justiça para o processo criminal conexo a este o julgamento deste processo será dividido em duas partes: PARTE 1. Análise do questionamento do contribuinte a) sobre a decisão monocrática, que entende modificou o objetivo da diligência, e b) análise da possibilidade de nulidade do lançamento tendo em vista a decisão do STJ sobre a ilegalidade das escutas telefônicas excedentes ao 60o. dia. Fl. 7706DF CARF MF 32 PARTE 2. Análise dos questionamentos opostos no Recurso Voluntário preliminares e mérito. PARTE 1 ANÁLISE DO QUESTIONAMENTO DO CONTRIBUINTE SOBRE A DECISÃO MONOCRÁTICA, QUE ENTENDE MODIFICOU O OBJETIVO DA DILIGÊNCIA, E ANÁLISE DA POSSIBILIDADE DE NULIDADE LANÇAMENTO TENDO EM VISTA A DECISÃO DO STJ SOBRE A ILEGALIDADE DAS ESCUTAS TELEFÔNICAS EXCEDENTES AO 60O. DIA. A SOBRE A IMPUGNAÇÃO DA DILIGÊNCIA O pedido de diligência visava esclarecer pontos que poderiam influenciar no convencimento dos julgadores, tendo em vista a realidade posta nos autos, sobretudo a anulação de provas pelo STJ no processo crime. A diligência também permite à autoridade fiscal reavaliar e se pronunciar sobre documento anexado aos autos após encerrado o lançamento tributário, sobretudo a decisão sobre a nulidade das provas no processo criminal. O juízo de convencimento dos Conselheiros depende do entendimento do processo à luz da legislação de regência e das provas acostadas aos autos. Assim, além de considerar infundada a alegação do contribuinte sobre o "alargamento" da diligência, entendo também que não são pertinentes os questionamentos sobretudo porque o colegiado é soberano e independente, ou seja, os esclarecimentos provindos de uma diligência não necessariamente determinam o resultado do julgamento do processo. Desta forma, o resultado da diligência, qualquer que seja, não tem o condão de vincular o voto de qualquer conselheiro deste Colegiado. B SOBRE A PRELIMINAR DE NULIDADE PELA ILICITUDE DAS PROVAS i. Introdução Após o julgamento do Acórdão de Impugnação, o STJ invalidou as provas da operação DILÚVIO obtidas através de escuta telefônica. Entretanto, não ficaram invalidadas expressamente as interceptações telemáticas, nem as provas que, de outra sorte, seriam obtidas, tanto pela colaboração do contribuinte ao atender os termos de intimação fiscal, quanto aquelas Fl. 7707DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 18 33 informações constantes nos sistemas de dados da Receita Federal e que são normalmente utilizadas para seleção interna tendo em vista a abertura de procedimentos fiscais, e outras disponíveis em órgãos públicos, bancos, serventias judiciais, etc. e que, numa eventual investigação interna de inteligência sobre as atividades do contribuinte, teriam sido descobertas e utilizadas no procedimento fiscal. Tampouco podem ser ignorados os depoimentos feitos à Polícia Federal tanto pelo contribuinte quanto por outros envolvidos na operação policial. Entendo que a autuação utilizando tais provas não deve ser refutada, uma vez que decorreu da análise de informações usualmente disponíveis à fiscalização no curso do procedimento fiscal. Por exemplo, cito o caso da TASS SERVIÇOS, em que o contribuinte reconhece a propriedade da empresa e declarou ter recebido no ano base 2002, R$ 634.459,81 de dividendos e lucros (fl. 1061 numeração manual). Nesse caso, a empresa, que faz a tributação do Imposto de Renda pelo lucro presumido, declarou uma receita bruta de apenas R$ 47.955,80 (ver efl.84numeração eletrônica). Tais fatos foram investigados antes mesmo dos autos do processo da Polícia Federal terem sido enviados à Receita Federal. Esse é um dos exemplos em que o resultado da fiscalização independe das provas declaradas ilegais pelo STJ. Os dados estão armazenados nos sistemas informatizados da Receita Federal e a análise ocorreu sem a utilização de informações provenientes de interceptações telefônicas. Observo que o contribuinte já estava sendo fiscalizado antes do início da Operação Dilúvio, desde dezembro 2005, conforme antes informado, e teria entregue vários documentos em decorrência de intimações fiscais anteriores ao início da citada operação (16/08/2006). Evidentemente que o procedimento fiscalizatório havia sido deflagrado devido a indícios internos de ilícitos tributários pelo contribuinte, da mesma forma que se iniciam os procedimentos fiscais na Receita Federal. Conforme o item 2 do termo de verificação fiscal DO RELATÓRIO DA POLÍCIA FEDERAL (a seguir transcrito) ficou claro que informações do material apreendido foram utilizadas como provas e indícios de fatos na ação fiscal. "Esse material apreendido foi analisado e periciado, resultando no Laudo N° 2203/06SR/PR, do Instituto de Criminalistica do Departamento de Policia Federal, Setor TécnicoCientifico do' Paraná, cuja parte dele estamos juntando As fls.534/597, do volume 03 e do qual nos utilizaremos muitas vezes e oportunamente como provas e indícios de fatos nesta ação fiscal." Para a fundamentação do lançamento, a autoridade fiscal não fez a discriminação entre os tipos de informação utilizada, se legal ou ilegal. Não se vislumbrava, à época, que interceptações telefônicas até então obtidas dentro do que determina a legislação, com autorização judicial, seriam consideradas ilegais. Conforme informação da autoridade fiscal diligenciada, todos os fatos geradores lançados têm como base probatória documentos que poderiam ter sido encontrados internamente (base de dados da Receita Federal), externamente (no caso de cartórios, órgãos públicos, etc.), ou em um procedimento de fiscalização com apreensão de documentos. Entretanto, como ficou demonstrado anteriormente, o lançamento tributário, ou pelo menos parte dele, poderia ter sido efetuado mesmo sem as interceptações telefônicas declaradas ilegais. Conforme o art. 66 do Decreto Lei 3689/41 (Código de Processo Penal), a seguir transcrito, a configuração de penalidade administrativa (e a correspondente condenação) Fl. 7708DF CARF MF 34 não depende necessariamente da condenação no juízo criminal. É imperioso que se investigue a verdade real dos fatos, na esfera tributária, tendo em vista a manutenção (ou não) do lançamento tributário. Conforme o art. 66 do Código de Processo Penal Brasileiro só existe vinculação obrigatória entre processo criminal e qualquer ação civil quando a sentença, no processo penal, é absolutória pelo reconhecimento da inexistência material do fato. CPP Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato.(grifei) Desta forma, tendo em vista esse novo cenário decorrente da decisão no processo criminal de que todas as provas obtidas através de escuta telefônica, excedente ao permitido legalmente, devem ser consideradas ilegais para efeitos daquele processo, há que se analisar as implicações dessa decisão judicial para os efeitos neste processo administrativo fiscal. Observo que, nem o processo criminal e nem a argumentação do contribuinte neste processo negam a existência dos fatos. Mais ainda, de que os documentos utilizados como base para o lançamento tributário não existiriam. A alegação do contribuinte é no sentido da ilicitude na obtenção de tais documentos e da falta de provas cabais da ligação entre o fiscalizado e os fatos que configuraram ilícitos tributários e também com as empresas envolvidas. Não obstante o art. 66 do CPP, o recorrente alega que todas as provas do processo estariam contaminadas e então todo o processo deveria ser nulo. Primeiramente é necessário verificar o pedido feito pelo contribuinte ao juízo criminal com relação às provas daquele processo, e que transcrevo a seguir. "b) Seja deferida a ordem para a declaração das nulidades do Inquérito Policial n° 2006.70.00.0224356, em trâmite perante a 3a Vara Federal Criminal da Subseção de Curitiba/PR e, por conseqüência, de toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas, bem como a nulidade por derivação de todas as Ações Penais e expedientes criminais que dali se originaram;" Claro está que o pedido naquele processo criminal não menciona qualquer processo administrativo e tampouco cível. Desta forma, por esse aspecto, entendo que aquela decisão (ilicitude das interceptações telefônicas excedentes ao 60o. dia) não se aplica a este processo administrativo fiscal. Relembrando que as interceptações telefônicas do processo criminal ocorreram de 25/5/2005 a 12/09/2006. O início do procedimento fiscal deuse em 24/12/2005. A equipe de fiscalização da Receita Federal começou a ter acesso aos documentos apreendidos na Operação Dilúvio em 05/10/2006. Ou seja, o procedimento fiscal iniciouse antes da equipe de fiscalização ter acesso aos documentos da operação Dilúvio. ii. Obrigatoriedade de vinculação (ou não) do resultado do processo criminal ao processo administrativo. O art. 66 do Decretolei 3689/41 (Código de Processo Penal) estabelece que a única possibilidade obrigatoriedade de vinculação entre o processo criminal e o processo civil é quando aquele reconhece a inexistência material do fato. Ou seja, em não ocorrendo o fato, Fl. 7709DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 19 35 não há que se falar em processo civil. No caso da Operação Dilúvio, o processo criminal fora anulado porque as provas teriam sido obtidas por meios ilícitos (escutas telefônicas em tempo superior ao legalmente permitido). Ou seja, não há pronunciamento daquela corte de que os fatos não ocorreram e ainda mais, de que o recorrente não seria o responsável pelos fatos lá contidos. A decisão apenas alega que as provas ilegais contaminaram o processo criminal. Nesse sentido, a jurisprudência do STJ a seguir. DIREITO PROCESSUAL E TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL REDIRECIONAMENTO RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS ART. 135 DO CTN SENTENÇA PENAL ABSOLUTÓRIA REPERCUSSÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA DESCABIMENTO. 1. Esta Corte possui entendimento acerca da absoluta independência das esferas administrativa, cível e penal, de modo que a sentença proferida no âmbito criminal somente repercutiria na esfera administrativa/cível em duas hipóteses: quando reconhecida a inexistência material do fato ou quando negada a autoria. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1386018/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/09/2013, DJe 01/10/2013)(grifei) Transcrevo a seguir, a manifestação do Tribunal Regional Federal da 4a. Região sobre a análise de Mandado de Segurança 000284395.2014.404.0000/PR, impetrado contra o Juízo da 14a Vara Federal de Curitiba, por meio do qual se pretendia obter manifestação acerca dos efeitos da anulação das provas obtidas no âmbito da mesma "Operação Dilúvio" sobre os procedimentos administrativos disciplinares instaurados com base no compartilhamento dessas mesmas provas: MANDADO DE SEGURANÇA. TERCEIRO INTERESSADO. PROVA EMPRESTADA. NULIDADE PARCIAL DECLARADA PELO STJ. EFEITOS NA ESFERA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA ESTRANHA AO JUÍZO CRIMINAL. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. 1. Não se presta o mandado de segurança para determinar ao juízo a quo que, acerca de pedido formulado por terceiro interessado, decida em ou outro sentido. 2. Desborda da competência do juízo criminal e até mesmo da esfera penal decidir a respeito de nulidades pela utilização da prova emprestada em procedimentos administrativos disciplinares. 3. Descabido exigirse que o juízo penal, diante de julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça que anula apenas Fl. 7710DF CARF MF 36 parcialmente as interceptações telemáticas profira decisão complementar que esclareça os efeitos da anulação. 4. Compete à autoridade administrativa responsável pela utilização da prova emprestada, certificarse acerca dos efeitos de eventual anulação sobre os procedimentos disciplinares, cabendo ao interessado a interposição de recurso administrativo e impugnação na via judicial apropriada. Sentença denegada. (grifei) iii. Jurisprudência e legislação A teoria sobre a admissibilidade das provas ilícitas está baseada na idéia de que prevalece o interesse da verdade, ou seja, a ilicitude na obtenção da prova, por si só, não a excluirá do processo, tendo em vista que seu conteúdo é útil. O art. 157 da Lei 11.690/2008 legitima a utilização de provas ilícitas e suas derivadas em algumas situações. Por exemplo, quando as provas derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras, que, em processo próprio de investigação, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. Lei 11.690/2008 “Art.157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. §1o São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras. §2o Considerase fonte independente aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. (grifei) O que se questiona no caso das provas utilizadas para o lançamento tributário, é: O fato das provas terem sido obtidas levantandose de forma "ilegal" o véu que as encobria faz os fatos derivados dessas provas, i.e., os fatos geradores tributários, não passíveis de conhecimento pela autoridade tributária? Entendo que as provas ilegais teriam desvendado fatos geradores tributários que, pelo princípio da verdade material, não podem ser ignorados. Os documentos comprobatórios existem, contudo estavam encobertos pelo "véu" de artimanhas legais que impediam o conhecimento dos mesmos pela autoridade fiscal. Assim, ao se levantar o "véu" protetivo da simulação, os fatos ficaram claros e então as provas encobertas pelas artimanhas legais foram evidenciadas, assim como os verdadeiros sujeitos passivos. Fatos foram Fl. 7711DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 20 37 esclarecidos e então os documentos passaram a ter significado, como num complicado quebra cabeças. Conforme a parte final do par. 1 do art. 157 do CPP, o legislador brasileiro preocupouse em ressalvar a condição de admissibilidade das provas lícitas derivadas das ilícitas, condicionandoas à obtenção por meio de uma fonte independente. Assim, na verificação da existência da fonte independente, a nova legislação retira o entendimento de que a prova derivada tem duas nascentes – ilícita ou lícita – de maneira que, se suprimida a ilegalidade da prova, a fonte probatória persistisse (i.e. o documento estaria disponível em outro lugar), poderseia considerar a prova como válida no processo. Deduzse então que a fonte independente é aquela que por si só, seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. Nos próximos dois parágrafos, são citados dois casos da justiça americana em que provas ilegais foram admitidas sob o manto da descoberta inevitável ou de fontes independentes. No caso Bynum v Unitd States, 19601, a Suprema Corte Americana condenou o réu cujas digitais haviam sido obtidas numa prisão ilegal e que, entretanto, possuía digitais não contaminadas pela ilegalidade nos arquivos do Federal Bureaux of Investigation (FBI). Estas digitais, não contaminadas, puderam ser utilizadas como comparação para validar aquelas obtidas ilegalmente. É a teoria das fontes independentes aplicada no direito americano sobre as provas ilegais. Assim, naquele processo, o documento legal existente nos arquivos do FBI pode ser utilizado e comparado com a prova obtida de forma ilegal. No caso destes autos, os fatos existiram, existem provas, como por exemplo, transferência internacional de valores, compra de imóveis com escrituras e contratos registrados ou com firmas reconhecidas em cartório, contratos de câmbio, contratos sociais registrados em cartório, títulos ao portador, etc. Entendo que as provas ilegais, neste caso, e sobretudo os emails, serviram para fazer a ligação entre os fatos e os documentos existentes, desvendando o verdadeiro fato gerador da obrigação tributária. Mais ainda, serviram, no mais das vezes, para revelar o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária. Neste sentido, a autoridade diligenciada informou de forma contundente que os fatos geradores ocorreram, e que as provas estão nos autos e não se derivam apenas das interceptações telefônicas. Outro exemplo de consideração de provas ilegais é a denominada descoberta inevitável. No caso Nix v. Willians – Willians II2, o réu foi condenado a despeito de utilização de um questionamento forçado, ilegal, da testemunha, informando a localização do corpo da vítima. Naquele processo, a justiça americana entendeu que, mesmo que não se tivesse utilizado a informação obtida de forma ilegal, o corpo da vítima seria eventualmente descoberto pelas buscas que estavam sendo realizadas. No caso deste processo tributário, já haviam sérios indícios de irregularidades em empresas do recorrente (áreas aduaneira e de tributos internos) e que eventualmente seriam descobertos pela SRF. As informações obtidas do processo criminal apenas facilitaram e agilizaram a descoberta das irregularidades e dos seus envolvidos. A desconsideração da prova ilícita largamente defendida no processo penal visa proteger o cidadão em vista das garantias e direitos fundamentais constitucionais. A pena para a obtenção de provas por meio ilícito, como a escuta telefônica irregular, é o desentranhamento e a total desconsideração dessas provas para efeitos de punição penal, além da possibilidade de responsabilização criminal dos envolvidos na ilicitude. Contudo, a lei e a 1 http://www.leagle.com/decision/19601041274F2d767_1853/BYNUM%20v.%20UNITED%20STATES 2 https://supreme.justia.com/cases/federal/us/467/431/case.html Fl. 7712DF CARF MF 38 jurisprudência são pacíficas no sentido da independência entre o direito administrativo e o direito penal. Assim, apenas no caso de negativa de autoria ou de inexistência do crime é que há interferência do processo criminal no processo administrativo, o que não é o caso deste processo. Aqui, o processo criminal foi encerrado tendo em vista a contaminação das provas. Nada foi decidido sobre a existência ou não dos delitos nele tratados. Desta forma, sob esse aspecto, também entendo que os processos são independentes e o processo administrativo fiscal deve ser analisado à luz dos documentos e provas constantes dos autos. iv. Princípio da Verdade Material x Desconsideração da Personalidade Jurídica Observase ainda que um dos princípios mais importantes do direito tributário é o predomínio da verdade real/material, ou seja, o predomínio dos fatos que realmente ocorreram e que geraram o crédito tributário, a despeito da documentação em sentido contrário. É nesse princípio que se fundamenta a autoridade fiscal quando considera como sujeito passivo aquele que realmente praticou o fato gerador tributário, e não o informado na documentação tributária e fiscal. Na maior parte das vezes, o sujeito passivo constante na documentação fiscal/contábil é realmente quem praticou o fato gerador. Contudo, em casos de dolo, o real fato gerador e/ou o seu sujeito passivo são mascarados. Nessas situações, a autoridade fiscal, então, afasta a informação documental por não representar a realidade, e efetua o lançamento tributário no verdadeiro sujeito passivo. Tal deslocamento da obrigação tributária não ocorre em função da despersonalização da pessoa jurídica, como erroneamente entendido por alguns. Tratase da utilização do princípio da verdade real/material aplicada ao direito tributário, sobretudo nos casos de dolo (simulação, fraude e/ou conluio), com amparo no Código Tributário Nacional, Lei 5172/196 artigos 121, parágrafo único, incisos I e II, 135, 142 e 149 inc. VII do CTN. Entendo que esse é exatamente o caso dos autos. v. Provas Não cuidou o contribuinte de apresentar provas de que os fatos não ocorreram. A defesa do contribuinte é no sentido da ilegalidade das provas obtidas e da falta de provas cabais para o lançamento. Ora, se se está analisando uma situação em que o contribuinte se utilizou de subterfúgios escusos para evitar a tributação, é normal que o mesmo tenha sido extremamente cuidadoso, não registrando tais fatos geradores da forma convencional. Por exemplo, a aquisição de um imóvel com registro em cartório obriga o adquirente a comprovar a origem dos recursos utilizados para o aumento do patrimônio. Em não possuindo justificativa de origem dos recursos, poderia ser autuado por omissão de receitas. Contudo, o contribuinte que age irregularmente para sonegar o tributo, não registraria tal imóvel, optando por ações menos visíveis aos olhos do fisco, como por exemplo, um contrato de gaveta. No caso dos autos, o recorrente utilizou a "blindagem patrimonial" como mencionado nos relatos contidos nas informações da Polícia Federal, colocando os imóveis em nome de empresas das quais detinha controle (ou por procuração com plenos poderes, através de sócios "controláveis" por serem "laranjas" ou parentes, como explicitado nos depoimentos da PF e também no Relatório Fiscal. Assim, nem sempre o crime de sonegação pode ser comprovado com provas cabais, diretas. Aliás, na maioria das vezes, o que se tem são apenas provas indiretas, que formam um conjunto de indícios capazes de se presumir a ocorrência do fato gerador de forma inequívoca. Fl. 7713DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 21 39 Parte das provas utilizadas neste processo decorrem de depoimentos dos envolvidos à Polícia Federal, desvendando relações entre eles e entre as empresas. Entendo que tais depoimentos não podem ser ignorados, até porque, no meu entender, não seriam ilícitos. Tratamse de confissões dos depoentes sobre os fatos investigados e sobre os documentos apreendidos. Não se pode pretender que tais esclarecimentos/depoimentos/confissões não existiram! Assim, entendo que o lançamento tributário não pode ser considerado nulo em decorrência da decretação de ilegalidade de parte das provas pelo Superior Tribunal de Justiça em Processo Criminal sem analisar o mérito do processo. A decisão naquele processo criminal, não vincula este processo administrativo. Tal afirmação foi inclusive motivo de decisão naquele processo crime, mencionado anteriormente. Contudo, há que se verificar se a análise dos fatos condiz com a verdade real que culminou com o lançamento tributário, o que será verificado na parte 2 deste voto. PARTE 2. SOBRE OS QUESTIONAMENTOS OPOSTOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO ANÁLISE DAS PRELIMINARES E DO MÉRITO 1. CONTRATOS DE GAVETA O recorrente alega que partes do lançamento teriam se baseado em contratos de gaveta, muitas vezes sem assinatura ou apenas com a assinatura de uma das partes. Ora, elementar que, se não se pretende dar conhecimento a um fato, não se faça registro formal desse fato. Mais ainda, a falta de assinatura no contrato pelo interessado não impossibilita a contestação do seu cumprimento em juízo em face da parte contrária, cuja assinatura consta no contrato. Desta forma, entendo que as alegações do recorrente não se sustentam. Ademais, tais contratos que o recorrente alega serem "de gaveta" poderiam inclusive ter sido apreendidos em procedimento fiscalizatório com busca e apreensão de documentos, assim como outros documentos apreendidos durante a operação Dilúvio e que envolvem sonegação tributária. 2. PRESUNÇÕES O recorrente alega que o auto de infração está baseado em presunções, e em presunções de presunções. Ora, as presunções, se não confirmadas, devem ser derrubadas. No caso, as presunções são confirmadas por documentos apreendidos com os envolvidos, aonde muitos possuem chancelas oficiais (cartórios de registro de imóveis, contratos assinados, contratos registrados, cheques bancários, etc. ). Fl. 7714DF CARF MF 40 O art 239 do Código de Processo Penal Brasileiro (Lei 3689/1941), a seguir transcrito, estabelece, de forma clara, a possibilidade da utilização de indícios para corroborar a existência de uma situação, dado uma circunstância conexa conhecida e provada. Art.239.Considerase indício a circunstância conhecida e provada, que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluirse a existência de outra ou outras circunstâncias. No caso dos autos, os ilícitos aduaneiros de subfaturamento de até 70% dos produtos importados, um dos principais objetos negociais da atividade do grupo, estão comprovados com documentação hábil e idônea em vários processos conexos com a Operação Dilúvio e cujo subfaturamento fora reconhecido nas decisões administrativas. No caso de IRPF, outras circunstâncias conhecidas e provadas se referem a contratos sociais e suas alterações (muitos inclusive registrados em cartório), contratos de compra e venda de imóveis, contratos de câmbio, transferência de valores internacional (Uruguai, etc.), negócios com empresas em paraísos fiscais ou com tributação favorecida (Panamá, Ilhas Virgens Britânicas, etc.,) além das informações constantes dos cadastros e sistemas da Receita Federal que apresentavam situações, no mínimo passíveis de investigação. Como exemplo, a empresa que teria pago dividendos dez vezes maior do que o valor registrado na contabilidade para o ano sob análise, e sem a comprovação da transferência dos recursos para o sócio (no caso, o recorrente). Somase a esse conjunto probatório o fato de que invariavelmente as empresas envolvidas eram de propriedade de pessoas físicas ligadas ao recorrente, que as administrava com procurações de plenos poderes. As decisões de primeira instância relativa aos processos conexos de importação já julgados, reconhecem a existência de subfaturamento das importações da ordem de 70% dos valores dos produtos, apesar da exoneração da qualificadora e da responsabilização solidária do recorrente. Ora, tal discrepância nos valores constantes das notas fiscais não se trata de um erro na emissão ou de desajustes de mercado por causa de variações cambiais, etc. Entendo que havia sim a vontade deliberada de reduzir os tributos referentes às mercadorias importadas. E não existem provas nos autos de que não seria o recorrente o beneficiário com o lucro ilícito dessas operações. 3. PROVAS O processo é rico em detalhes de informação contidas as mensagens eletrônicas (emails) apreendidos que são corroborados por documentos que seriam eventualmente descobertos pela autoridade fiscal em procedimento de fiscalização, como por exemplo, a falta de capacidade econômicofinanceira de sócios que conforme o relatório fiscal são denominados de "laranjas". Ora, as declarações de renda dessas pessoas existem, foram incluídas no processo e confirmam as informações do relatório fiscal. Pelos registros das empresas nos sistemas da Receita Federal, percebese a conexão entre sócios das empresas envolvidas, se consideradas as modificações das informações numa linha temporal. Tanto pelas relações de cumplicidade(procurações com plenos poderes), empregatícia (caso da Sra. Alessandra e outros), quanto pelos de laços de família entre os mesmos (cunhado, filho, irmão, esposa..). A análise dos processos relativos às infrações aduaneiras é importante, uma vez que deles dependem a autuação do contribuinte neste processo, como o principal beneficiário e então o sujeito passivo dos recursos provenientes daquelas operações. Observa Fl. 7715DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 22 41 se que o lançamento tributário neste processo referese a variação patrimonial a descoberto (decorrentes de aquisição de imóveis, transferências internacionais, etc.) e omissão de receitas. Na resposta à diligência relativa ao processo aduaneiro, conexo a este, de número 10480.721430/201128, solicitada por este Conselho, a autoridade fiscal diligenciada naquele processo desenvolveu um extenso trabalho de análise das provas relativas aos procedimentos de importação que culminaram com a autuação. Foram relacionados documentos existentes nos diversos sistemas federais e que corroboram os ilícitos praticados desvendados pelas provas ilícitas. Reforço que as informações do processo administrativo fiscal aduaneiro são importantes para este processo apenas para evitar julgamentos viesados, sem considerar a verdade material dos fatos. A referência a este processo aduaneiro visa, repito, apenas buscar a verdade real dos fatos tributários descobertos pela operação Dilúvio. Ou seja, reforçar que houveram sim importações subfaturadas em que o contribuinte fora arrolado como responsável. Como exemplo, cito alguns dos documentos analisados em relação à DI (Declaração de Importação) 06/04250368: § Extrato da DI: fls. 190 a 195; § Comprovante de Importação da operação: fl. 196; § Invoice nº 421459, de 31/03/2006, emitida pela INTCOMEX em favor da CIL: fls.197 a 199 § Ordem de Compra feita pela INTCOMEX à CIL em 15/03/2006: fl. 200; § Pedido de Compra (“Purchase Order”) nº “CILSP 07116/06”, da CIL para a INTCOMEX, emitido em 29/03/2006: fl. 201; § Folha de rascunho apreendida em estabelecimento da CIL, relacionada com esta operação: fl. 202; § Invoice nº 061057A e Proforma Invoice correspondente, emitidas pela System Trade em 04/04/2006, em favor da Support: fls. 203 e 204; § Air Waybill – AWB nº 00127846276, datado de 04/04/2006, que faz referência à Invoice nº M12266, emitida pela INTIME: fl. 205; § Notas Fiscais de Saída nos 233 a 237, datadas de 24/04/2006, emitidas pela Support em favor da CIL: fls. 208 a 212; § Ordem de Compra de Produtos – Pedido a Fornecedor no 07175, feito pela CIL à Support em 18/04/2006, um dia apenas após o desembaraço das mercadorias: fl. 213; § Documento emitido pelo Bank of America que atesta o crédito de montante em favor da System Trade: fl. 215; § Documento da Interlogistic intitulado “Demonstrativo de Custos e Despesas”, relativo a esta operação: fl. 216; § Documento intitulado “Fechamento”, referente a esta operação: fl. 217; § Documento intitulado “Fechamento de Câmbio”, referente a esta operação: fl. 218 Também não se pode ignorar o depoimento do contribuinte à efls. 631 também mencionado à efls 6585(TVF), no qual o mesmo assume a responsabilidade pelos atos praticados por sua secretária Alessandra Salewski, dizendo que a mesma atuava sob sua orientação. Mais ainda, de que a empresa MAMEPP tinha como receitas os rendimentos das Fl. 7716DF CARF MF 42 atividades do recorrente. Observase ainda que muitos dos documentos apreendidos com a sra. Alessandra se constituem em farto conjunto de documentos probatórios das atividades econômicas e financeiras do contribuinte. Outro exemplo de documentação importante sobre transferências de recursos e que não pode ser ignorado são os documentos das efl. 6141 até 6157 que tratam de transações bancárias do contribuinte e sua esposa, no qual enviam vultosas somas de recursos para o exterior. São documentos que poderiam ser obtidos junto aos bancos internacionais através de quebra de sigilo bancário. Esses documentos tratam de transferência de valores para o exterior e que depois voltariam sob a proteção de investimentos empresariais envolvendo a empresa HEPBURN. 4. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O Contribuinte alega cerceamento de direito de defesa tendo em vista que não fora especificado quais empresas/pessoas estavam compreendidas no G8. Pois bem, em email enviado pela sra. Alessandra para o email do recorrente à efl. 631, a sra. Alessandra(secretária do contribuinte e por quem o mesmo se responsabilizou, perante depoimento à Polícia Federal, pelos documentos com ela encontrados, como as planilhas do G 8) menciona acertos contábeis do G8, conforme a seguir: O email mmansur@uol.com.br pertence e é utilizado pelo recorrente com esclusividade, conforme declarado pelo mesmo em depoimento na Justiça Federal (efl.6935 linhas 21 e 22). Ora, o email comprova que o G8 é uma instituição com o qual a secretária e o recorrente estão bastante familiarizados. Conforme mencionado alhures, e no Relatório Fiscal, eram participantes da holding denominada G8: MARCO ANTONIO MANSUR, TONY, MARQUITO E ALESSANDRA. A holding funcionava como um caixa único para gerenciar os resultados e operações das empresas do grupo. O recorrente argue que a fiscalização não especificou todas as empresas cujos lucros estariam sendo considerados. Pois bem, considerando que a planilha é do próprio recorrente, e foi apreendida com a sua secretária, entendo que a argumentação do contribuinte é vazia. Assim, não assiste razão ao recorrente. Poderia o recorrente ter questionado valores, ou participantes do G8, mas não o fez. Fl. 7717DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 23 43 Os documentos apreendidos com a secretária do recorrente tratamse de emails e planilhas contendo as divisões dos lucros das empresas do grupo e também a destinação dos valores. Ao recorrente caberiam 45% dos valores, que foram consolidados mensalmente pela autoridade fiscal, totalizando o valor de R$ 4.459.460,47 para o período janeiro 2004 a abril de 2005 e R$ 934.388,16 para o período 22/07/2005 a 01/11/2005. Os valores foram considerados como omissão de rendimentos e foram incluídos na planilha de APD como origem de recursos. Por outro lado, observei que nenhuma evidência real da existência desses valores foi encontrada, como por exemplo, depósito em conta bancária, aquisição de patrimônio, etc. Desta forma, entendo que a base probatória é fraca no sentido de que não investigou se tais valores realmente existiram ou se já não teriam sido lançados neste procedimento fiscal, seja como depósitos no exterior, integralizações de capital, aquisição de imóveis, etc. Assim, considerando a omissão de rendimentos como uma infração à lei tributária, entendo que, com base no art. 112 do CTN (Lei 5172/66), tais valores sobre os quais paira dúvida quanto à ocorrência do fato gerador, devem ser exonerados do lançamento e, necessariamente também excluídos da planilha de APD como origem de recursos. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. 5. DOLO/FRAUDE/SIMULAÇÃO Os seguintes trechos do Relatório da Polícia Federal comprovam a existência do dolo, que é corroborada por: utilização de pessoas sem qualquer capacidade econômico financeira como sócio de empresas que operam com vultosas somas de recursos, várias empresas operando em um único endereço, existência de contratos de gaveta, alguns assinados apenas por uma das partes, declarações do recorrente à Polícia Federal, importação subfaturada em até 70% do valor das mercadorias, etc. Fl. 7718DF CARF MF 44 efl. 625 Relatório da Polícia Federal sobre o esquema criminoso: Fl. 7719DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 24 45 O seguinte trecho do relatório da Polícia Federal, efls. 627, destaca a liderança do fiscalizado na organização criminosa denominada GRUPO MAM. Importante ressaltar documento da Prefeitura da Instância Turística de ITU/SP sobre isenção de ITBI solicitado pela Coldstream BR efl. 1262 e seguintes do processo administrativo 6354/2004, cujos principais trechos estão copiados no Relatório Fiscal à efl. 6820. No trecho copiado no relatório, a seguir transcrito, aquele ente assinala as irregularidades encontradas no processo, informando que "tratase, indubitavelmente, da utilização de expedientes técnicos inidôneos, já que capazes de conferir ao negócio fisionomia diversa daquela que, em concreto, ele denota", ou seja, simulação. Assim está no documento daquela Prefeitura: Fl. 7720DF CARF MF 46 item IV: A Operação de Cisão da MAK — PARTICIPAÇÕES LTDA., onde se le: "A operacão de cisão parcial pela qual passou a empresa Mak Participações Ltda., com transferência de bens para a requerente, Coldstream do Brasil Empreendimentos e Participações Ltda., denota em face dos documentos acostados aos autos: 1°) que o ato constitutivo da empresa Mak Participações foi arquivado na Junta Comercial — JUCESP em 15 de janeiro de 2004. 2°) que a assinatura do ato de cisão parcial desta mesma empresa, transferindo bens para a requerente, data de 29 de dezembro de 2003, operandose o registro na JUCESP em abril de 2004. Conclusão: a constituição formal da empresa cindida, mediante registro do contrato social na JUCESP, é posterior ao ato de cisão societária. Uma incongruência lógica! Aplicação do artigo 167, ,¢ 1°, III do CC/02. 3°) A empresa Coldstream do Brasil não possui sequer registro no Cadastro Mobiliário de Contribuintes do Município da Estancia Turística de Embu, cidade onde se encontra a sua sede social. 4°) Outrossim, não foi constatado, pela equipe de fiscalização de Embu, qualquer indicio de atividade da empresa no local. Conclusão: a constituição da empresa não se operou, de fato, mas apenas formalmente. A cláusula de seu contrato social referente ao domicilio legal apresenta flagrante irregularidade (Capitulo I, do artigo 2° do Contrato Social). Aplicação do artigo 167, parágrafo1°, II, CC/02. 5°) 0 acervo de bens imóveis que compõem o patrimônio transferido pela empresa cindida indica o montante de R$ 1.221.482,00, investido em terrenos e casas espalhadas por diversas cidades do Estado de São Paulo, cuja destinação não fora devidamente explicada no requerimento de desoneração do ITBL Acrescentese que muitos desses bens encontramse em área eminentemente residencial. Conclusão: tal fato denota a intenção da requerente em intensificar a atuação no mercado imobiliário. 6°) E, por derradeiro, impõe trazer aos autos o sintoma de maior sopeso na simulação detectada, qual seja, o fato de que a cisão não acarretou, como deveria, qualquer transferência patrimonial das mãos daqueles que, de fato, a detinham, na empresa cindida." [...] " Conclusão: as datas indicam a simultaneidade das operações e a rapidez da pretendida transferência patrimonial, que, nada obstante, é apenas aparente.Na prática, tínhamos os bens da cindida concentrados nas mãos de duas empresas internacionais com procuradores brasileiros, bens que, após a cisão, Fl. 7721DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 25 47 permaneceram em propriedade das mesmas empresas, geridos pelos mesmos procuradores. 0 próprio Laudo de Avaliação elaborado pela Consultoria Diagnóstico, aponta esse dado ao mencionar que o Protocolo de Intenções e Justificativas da Mak — Participações Ltda., materializa uma Cisão Societária parcial que teria "resultado no aumento do Capital Social das sociedades DELANO INTERNACIONAL L.L.C."(...) e COLDSTREAM FINANCE L.L.C." Houve, portanto, violação flagrante ao artigo 167, par. 1°, do CC/02". A procuradoria do município Instância Turística de ITU/SP desenvolveu um fluxograma da mobilidade dos sócios nas empresas envolvidas na cisão sumulada que está na efl. 1265. O seguinte trecho extraído do relatório fiscal efl. 6605 (5o. parágrafo) relata a utilização de endereços fictícios por empresas do recorrente. Extratos de Declarações do Imposto de Renda da MAK, referentes ao período de 2002 a 2006, resultantes de consultas aos nossos Sistemas Informatizados, juntados às fls. 1656 a 1690, demonstram que a empresa obtinha uma pequena receita bruta em suas atividades, em vista do grande montante de capital injetado na mesma. Essas transações funcionaram como "lavagem" de dinheiro para o fiscalizado, que sendo ELE MESMO o próprio dono da Hepburn, remeteu dinheiro para o Brasil, como aumento de capital para a Mak, empresa de sua propriedade e "fantasma", pois com sede em endereço residencial em uma praia de Bertioga. Da mesma forma que esta, uma outra empresa sua, a Marco Antonio Mansur EPP, em cujo endereço cadastral: Rua São Pedro, 125, hiSP, a operação da Policia Federal fez a seguinte observação (fls. 613/614, do volume 04): "Tratase de endereço apenas para correspondência de Marco Antonio Mansur — EPP, cedida pela proprietária do imóvel, informando que tal fato se deve à lei de zoneamento da cidade de ltu, que impede empresas de se estabelecerem em áreas residenciais". Vejamos, às fls. 984, do volume 05, foto do local, tirada pela equipe SPI 10 e o relato de que a moradora é uma senhora idosa, nascida em 1938. (grifei) Presentes nos autos elementos suficientes comprobatórios do dolo, conforme antes analisado, nada há que se revisar no lançamento em relação à aplicação da multa qualificada, que está em acordo com o art. 44 da Lei 9.430/1996, já transcrita na decisão a quo. Fl. 7722DF CARF MF 48 6. DECADÊNCIA Além de todo o exposto no item anterior (várias empresas em um mesmo endereço, empresas com endereços duvidososterrenos baldios, utilização de interpostos pessoas e empresas, sócios sem capacidade econômica com procuração de poderes totais, simulação constatada pela prefeitura antes mencionada, etc. ), não se pode deixar de conhecer das confissões de vários envolvidos à Polícia Federal, sobre procedimentos de "blindagem patrimonial", etc. Assim, entendo que existem provas suficientes e bastantes nos autos a corroborar a simulação, tendo em vista a sonegação fiscal. Como se não bastasse as informações de processos conexos aonde ficou evidente o subfaturamento de importações pelas empresas mencionadas, de até 70%, origem dos recursos sendo agora tributados. Considero que as provas dos fatos geradores e dos indícios do dolo, constantes nos autos poderiam ter sido obtidas ou de forma independente (pela existência das mesmas em cartórios de registro público, sistemas informatizados da Receita Federal, etc.) ou por descoberta inevitável (em processo de fiscalização com busca e apreensão de documentos, discos rígidos, etc.). Desta forma, entendo que ser aplicável o inc.I do art. 173 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; No presente caso, aplicase também o entendimento do STJ, o qual, através de sua Primeira Seção, no julgamento do REsp 973.733/SC de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é necessária a consideração sobre (i) constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e (ii) a existência ou não de pagamento antecipado para se decidir sobre a aplicação do inciso I do art. 173 ou do § 4º do art. 150, ambos do CTN: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 7723DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 26 49 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) A ciência do lançamento ocorreu em 20/12/2008, dentro do prazo de 5 anos contados a partir do "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", conforme art. 173, I do Código Tributário Nacional (Lei 5172/1966). O lançamento dos créditos tributários relativos ao ano 2002 poderiam ter sido efetuados a partir do no ano 2003. Portanto, o início da contagem do prazo decadencial é 01/01/2004. Fl. 7724DF CARF MF 50 7. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Como já mencionado alhures, apesar do contribuinte alegar que teria havido desconsideração da personalidade jurídica, tal não ocorreu. A autoridade fiscal apenas identificou o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, que estava encoberto pelos procedimentos simulados. O Relatório Fiscal (efl. 6808) explica a identificação do recorrente como sendo o sujeito passivo das obrigações tributárias neste processo: Fica aí identificado o sujeito passivo, ou seja, o contribuinte, aquele que possui relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador, segundo o artigo 121, parágrafo único, inciso I do CTN. Se o efetivo contribuinte estava protegido por uma pessoa jurídica, com existência meramente formal, ela será afastada e identificado o contribuinte " stricto sensu ", segundo nos autoriza o artigo 142 do CTN. Ficando comprovada a simulação pelo sujeito passivo, ou por terceiro em beneficio dele, como efetivamente e exaustivamente ficou comprovada, o lançamento será efetivado de oficio, segundo o artigo 149, inciso VII do CTN. 8. PROCESSOS DECORRENTES O inquérito criminal arrolou irregularidades em várias empresas conectadas de alguma forma ao recorrente e que geraram vários processos administrativos, sobretudo na área aduaneira, aonde ficou provado o subfaturamento de produtos importados (de até 70% do verdadeiro valor), com real prejuízo aos cofres públicos. Os processos administrativos relativos aqueles lançamentos já foram julgados na primeira instância, como por exemplo o processo 10480.721430/201128. Os julgadores corroboraram a existência do subfaturamento, contudo, entenderam que a decisão sobre a ilegalidade das provas pelo STJ prejudicou o lançamento. Ademais, entenderam também que a autoridade fiscal não seria competente para atribuir o instituto da solidariedade ao recorrente, pois essa competência seria da Procuradoria da Fazenda Nacional. Ressalto, que subsistiu o lançamento na parcela relativa ao subfaturamento. 9. LOCALIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES RELEVANTES NO PROCESSO A seguir identifico informações e documentos no processo que comprovam as alegações fiscais de ligação do recorrente com as empresas mencionadas no relatório fiscal, em relação à existência de uma organização informal cujo objetivo era evitar a tributação. As efolhas do processo de números 460, 467, 490, 508, 575, 598, 608, 611, 613, 617, 618, 688, Fl. 7725DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 27 51 6134, 5771, 6935, 1669, 1640, 1412, são importantes para análise dos fatos, pois relatam informações e contêm documentos que corroboram os fatos constantes no Relatório Fiscal. Na efl. 6801 está os documentos relativos aos contratos de câmbio referentes ao ano de 2003, todos citados nos quadros de fls. 1278 e 1279, conforme tabela a seguir data valor (R$) fls. 19/02/2003 403.523,00 fls.1278 a 1283 01/04/2003 166.650,00 fls. 1284 a 1286 03/04/2003 648.400,00 fls. 1287 a 1289 03/07/2003 807.378,00 fls. 1290 a 1293 12/09/2003 424.117,50 fls. 1278, 1279 e 1294 03/11/2003 415.370,00 fls. 1297 a 1300 Na efl 6804, está o relatório fiscal relativo aos aportes financeiros na MAK, a seguir transcrito. Portanto, os aportes financeiros na MAK_efetuados pela HEPBURN serão considerados aportes financeiros efetuados pelo fiscalizado, visto ser essa empresa uma aquisição de MAM para simular entrada de recursos na MAK, "lavando", assim, seu dinheiro para adquirir patrimônio em nome da MAK, com a finalidade de "blindá los" de sua responsabilidade civil e tributária. E pelos motivos acima expostos, estamos incluindo entre as aplicações da Variação Patrimonial do fiscalizado os referidos valores constantes dos Contratos de Câmbio remetidos pela Hepburn à MAK, ou seja, ao fiscalizado. EFL. 6810 " Encontramos, ainda (fls. 1884 a 1889), rascunhos de pauta de reunião sobre a obra de Piracicaba realizada com o advogado Pignalosa, além de email citando a pauta dessa reunião e suas soluções, onde se vê que a mãodeobra foi contratada por R$ 700.000,00 e que parte dos gastos é pago com dinheiro, sendo algumas notas nominais à fiscalizada Katia Mansur (fls. 1891 a 1896) e outras à Delano (fls.1897 a 1907, do volume 10). Vemos, também (fls.1908), uma folha datilografada: "KATIA SOLICITA PAGAMENTO DO PEDREIRO DA OBRA TODO DIA 05 R$ 30.000,00 (sendo 15.000,00 depósito e R$ 15.000,00 dinheiro)". A carta de Pignalosa Advogados a MAM, de 19/08/2004 (fls. 1909, do volume 10), onde chama a atenção para o informalismo com que vêm se revestindo as iniciativas relativas ao inicio dos trabalhos no terreno, referente ao Imóvel de Piracicaba (imóvel constante do imobilizado da Fl. 7726DF CARF MF 52 Delano BR), demonstra que tal atividade iniciouse naquele ano, como pudemos observar nas planilhas acima citadas, demorando cerca de um ano para ser concluída. O próprio escritório segue solicitando ao órgão municipal a desoneração do ITBI do imóvel. Vemos em email de 13/07/04, de Alessandra para Bete Dias, solicitação de MAM para providenciar papel timbrado da Delano, conforme fls.1910 a 1913, do volume 10. Na efl. 6809, o relatório fiscal informa sobre o depoimento pessoal de Edivaldo de Oliveira Santos (contabilista da empresa Diagnóstico e sócio temporário da Delano) à Polícia Federal, a seguir transcrito, no qual declarou que no grupo MAM figuram as empresas DELANO INTERNATIONAL e HEPBURN INVESTING, e que o objetivo dessa sequência de operações tinha o intuito de fazer uma proteção denominada " blindagem patrimonial". (conforme fls. 1723/1728 do volume 9 destes autos efl. 3601) ... 19. 0 que é o Grupo MAM (Marco Antônio Mansur)? R: 0 Interrogado informa que teve conhecimento apenas da empresa MAK PARTICIPAÇÕES, para quem prestou serviços consistentes de consultoria tributária e societária, objetivando a transferência de patrimônio imobiliário de uma pessoa jurídica sediada no Brasil com sócios brasileiros, para uma empresa "OFF SHORE" sediada no Uruguai, cujo proprietário o Interrogado acredita ser o próprio MARCO ANTONIO MANSUR. Em reuniões havidas no escritório do Advogado de MARCO ANTONIO MANSUR, de nome GIORGIO PIGNALOSA, bem como no próprio escritório de MARCO ANTONIO, onde estava presente o Interrogada, ficou claro que o objetivo desta seqüência de operações tinha o intuito de fazer uma proteção denominada "BLINDAGEM PATRIMONIAL". O Interrogado deseja enfatizar que teve contato com MARCO ANTONIO MANSUR exclusivamente através da pessoa de GIORGIO PIGNALOSA. 20. Quais as empresas que integram o Grupo MAM? R: Que seja do conhecimento do Interrogado, as empresas são: MAK PARTICIPAÇÕES, DELANO INTERNACIONAL, COLDSTREAM, segundo se recorda no momento. 21. Descreva o ramo de atividade/atuação de cada empresa do grupo? R: Com relação a MAK PARTICIPAÇÕES, o seu ramo de atividade consiste em participação em outras sociedades e empreendimentos. 23. Alguma dessas empresas compõe o quadro social de alguma das empresas do Grupo MAM ou são fornecedoras do Grupo? Fl. 7727DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 28 53 R: Sim, figuram no grupo MAM as empresas DELANO INTERNATIONAL e HEPBURN INVESTING. 24. Que vinculo mantém com as empresas TASS SERVIÇOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/C LTDA, MARCO ANTÔNIO MANSUR EPP INTERLOGISTIC, OPTA, ARMAZENS SUATA, 1VIERCOTEC, BORGTEC, HITECH, H&STRADING, MEGA COMERCIAL, LANSARET, MM13, CONTROL, GHATS, MAK, EMCLA, DELANO e COLDSTREAM? R: O Interrogado não mantém vínculos com estas empresas, porém, sabe que as empresas TASS SERVIÇOS DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO S/C LTDA e ARMAZÉNS SUATA integram o grupo MAM. ... Importante salientar que a as informações acima, constantes dos autos, trata se de transcrição de depoimento em processo criminal. Não se trata de ligação telefônica interceptada. O processo é rico em provas sobre a organização chefiada pelo recorrente. 10. ANÁLISE DAS CONTESTAÇÕES PONTUAIS DO CONTRIBUINTE O recorrente elaborou uma planilha (documento 3 da impugnação), aonde relata as provas utilizadas pela fiscalização para o lançamento tributário e argumenta (coluna CONCLUSÃO) que as provas que serviram de base ao lançamento são ilícitas. Observase que na coluna localização da prova ilícita e nas referências ao termo de verificação fiscal na coluna de mesmo nome, constam os documentos apreendidos e que teriam servido de base do lançamento. Grande parte desses documentos poderiam ter sido obtidos por outros meios, como por exemplo, cartório de registro de imóveis, junta comercial, etc. Desta forma, entendo que as contestações do contribuinte são importantes para se deduzir os documentos existentes em vários lugares de acesso público ou pela autoridade fiscal. Considero que tais documentos poderiam ser descobertos em procedimento de fiscalização e seriam obtidos nas fontes independentes citadas (cartórios, juntas comerciais, sistemas da RFB, fontes no exterior, bancos, etc.) i. Nulidade do auto de infração por falha de fundamentação Como já tratado na impugnação, as possibilidades de nulidade do auto de infração estão previstas no Decreto 70.235/72, conforme a seguir, e nenhuma delas é o caso dos autos. O auto de infração fora lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB e não houve preterição ao direito de defesa. O Relatório Fiscal contém todas as Fl. 7728DF CARF MF 54 informações relativas aos fatos que motivaram o lançamento e o Auto de Infração possui a fundamentação legal, que está sendo analisada agora em sede de recurso voluntário. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Relatório Fiscal explica os fatos e os valores lançados, e está em consonância com o documento do lançamento, i.e., o Auto de Infração. Com relação à documentação de suporte, observei que muitos dos documentos estrangeiros possuem tradução juramentada. Por exemplo, o documento de efl. 6136, certificado de depósito do Banco Uruguaio Surinvest, em 26/02/2002, referese ao valor de US$ 400.000,00 (quatrocentos mil dólares americanos) depositados pelos titulares das contas, o recorrente e sua esposa. Entendo que o documento além de auto explicativo, fora resultado de uma operação do contribuinte que estava ciente do conteúdo do mesmo. O documento de efl. 6137 referese a uma "transferência de bonos", com a assinatura do próprio recorrente. Não se cogita a possibilidade do contribuinte assinar um documento bancário envolvendo somas vultosas em dólares, sem que tivesse a mínima noção do que nele continha. Muitos dos documentos referenciados pelo contribuinte como estando em língua estrangeira e que a não tradução juramentada estaria prejudicando o seu direito de defesa referemse a extratos bancários de contas do mesmo no exterior, contratos de câmbio em seu nome, contratos sociais, procurações, etc. No que se refere à procurações e contratos sociais, s.m.j., existem inclusive vários com traduções juramentadas nos autos, sobretudo daqueles documentos em que fora necessário o aval dos consulados/embaixadas para terem validade no Brasil. O documento à efl. 6178, referese à certificado de registro de veículo no valor de R$ 340.000,00 que também poderia ser obtido junto ao DETRAN do Paraná, com a assinatura do contribuinte. Desta forma, confirmase mais uma vez que as fontes dos documentos utilizados na autuação existem independentemente do relatório da Polícia Federal. Por tudo quanto foi exposto, entendo que não assiste razão ao contribuinte alegar cerceamento do direito de defesa pela existência de documentos em língua estrangeira não traduzidos, pois ou são de autoria do próprio contribuinte, ou se referem a negócios que o mesmo desenvolve (contas bancárias, transferências, contratos de câmbio, etc. ), e muitos estão inclusive devidamente traduzidos. O contribuinte alega ainda que a falha na fundamentação também referese ao fato de que as operações efetuadas por pessoas jurídicas lhe são imputadas sem que exista prova hábil da ocorrência do vínculo dessas operações ao recorrente. Verifico que a análise dos fatos está ligada a três situações: a) da documentação apreendida pelo inquérito policial, b) dos depoimentos dos interessados (ressaltandose auto responsabilização do contribuinte, em depoimento, pelos documentos e ações da sra. Alessandra), e, c) da documentação passível de ser descoberta em operações de fiscalização e que não podem ser ignoradas. Assim, os vínculos existiam (entre empresas, e entre elas e o contribuinte) e os emails, depoimentos, etc. serviram apenas para desvendar esses vínculos. Fl. 7729DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 29 55 ii. Uso de prova emprestada decorrente de procedimento criminal prévio (Operação Dilúvio). O recorrente alega que o lançamento fora feito com base em presunções, sem a prova efetiva da omissão de rendimentos e dos acréscimos patrimoniais a descoberto. Os documentos utilizados para o lançamento, bem como as planilhas de cálculo relativas ao acréscimo patrimonial a descoberto constam do processo e os valores e suas origens puderam ser contestados pelo contribuinte. O fato de se ter utilizado apenas a petição inicial da causa trabalhista do sr. Sandro Baji (efls. 3340) uma presunção apontada pelo recorrente não impede o recorrente de contestar com a decisão final do processo caso o recorrente tenha sido vencedor da lide. Contudo, além da simples argumentação, nenhum documento adicional sobre o resultado daquela lide fora juntado ao processo. O sr. Sandro Baji era sócio do recorrente na OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA., conforme pode ser observado no documento de efl. 3322 e seguintes (Documento com assinaturas reconhecidas em cartório, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo). Os documentos a partir da efl. 3375 até 3477 tratam de contratos sociais e informações nos sistemas da RFB a respeito da Mercotex do Brasil, Opus Trading América do Sul Ltda. Constatase a evolução da empresa, e que o sr. Silvio Paradiso, com capital ínfimo na sociedade, é o responsável pela administração da mesma, com amplos poderes (efl. 3377). Mais ainda, o sr. Silvio assina pelos dois sócios proprietários da Opus Trading: Mercotex do Brasil e Silvio Paradiso. Ademais, a utilização das informações do processo criminal neste processo administrativo pela RFB está expressa em autorização judicial juntada aos autos. Conforme já mencionado alhures, a busca e apreensão em processo de fiscalização implica coleta de documentos, discos rígidos do computador, além de documentos fiscais e contábeis. Assim, considerando as evidências encontradas em material impresso, não há que se questionar o efeito probante dos mesmos, sobretudo porque mencionam em detalhes operações corroboradas por documentos existentes em fontes independentes de dados, como cartórios de registro de imóveis, juntas comerciais, estabelecimentos bancários, etc. Portanto, entendo infundadas as argumentações do contribuinte, novamente no sentido da ilegalidade das provas e não no sentido de provar que os fatos que culminaram no lançamento teriam sido desfigurados no procedimento fiscalizatório. Conforme informação da autoridade fiscal, em procedimento de diligência, nenhum lançamento fora feito com base apenas nas transcrições das interceptações telefônicas do processo criminal. iii. Interceptação telefônica. Prova emprestada. O recorrente alega que transcrições de interceptações telefônicas não se coadunam com o conceito de prova emprestada, tendo em vista serem obtidas sob segredo de justiça. Conforme explicitado na diligência, nenhum lançamento deste processo de imposto sobre a renda da pessoa física derivou diretamente de interceptações telefônicas. Aliás, elas podem até ser suprimidas do processo que, mesmo assim, persistiria a existência da vasta documentação sobre o envolvimento do contribuinte na administração das empresas que controla. Muito do conteúdo probatório advém de depoimentos pessoais dos envolvidos e de Fl. 7730DF CARF MF 56 documentos e indícios de irregularidades existentes nos sistemas de informações da Receita Federal. Assim, não assiste razão ao contribuinte. iv. Acréscimo Patrimonial A Descoberto A tributação de imposto de renda com base em acréscimo patrimonial a descoberto está prevista no inc. XIII, art. 55 do Decreto 3000/99, conforme a seguir. Assim, entendo que o objeto do lançamento está dentro do contexto legal vigente. Art. 55. São também tributáveis XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; v. Taxa Selic Os débitos tributários, compreendendo os principal, juros, multas e juros sobre multas são atualizados pela taxa referencial SELIC, conforme Súmula Carf n.4, a seguir transcrita. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. vi. Análise das contestações do contribuinte em relação às empresas Muito embora o recorrente alegue que não participou nas sociedades Delano, Mercotex, Opus, Cipel, Hefner&Staley, H&S, Opta, Emcla, Lansaret, Mercotec, Cemda, e Delphis, observo que o processo possui um vasto conteúdo probatório de que invariavelmente, o contribuinte ou uma pessoa relacionada com o mesmo teria participação nessas empresas, seja através de participação societária, ou através de procuração com plenos poderes, conforme será verificado a seguir. Como já mencionado, a simulação é uma artimanha que se prova apenas com um conjunto de indícios coerentes e indicativos de forma inequívoca da existência do fato gerador tributário. Assim, a presunção é uma das formas de se comprovar a existência do fato gerador e/ou desvelar o verdadeiro sujeito passivo. A análise do envolvimento do recorrente nas empresas citadas a seguir é feita com base nos documentos do processo de forma exemplificativa. O conteúdo probatório dos autos é bastante farto para corroborar de forma robusta que o recorrente detinha o comando da organização composta pelas empresas citadas. Fl. 7731DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 30 57 a. TASS SERVIÇOS DE IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO S/C LTDA. O relatório da Polícia Federal à efl. 620, com base no sistema SRF/CNPJ, consta a participação do recorrente nas empresas TASS e Marco Antônio MansurEPP. O recorrente alegou ter recebido rendimentos isentos relativos a dividendos da empresa TASS. Contudo, tais rendimentos provenientes de recebimentos de dividendos não foram comprovados pela declaração da empresa à Receita Federal (DIPJ). Mais ainda, não foi feita prova de que tais rendimentos seriam realmente isentos, pois não foi apresentada a contabilidade da empresa conforme disposto na legislação a seguir transcrita. Decreto 3000/1999. Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). § 1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 3º). § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, no transporte dos totais mensais dos livros auxiliares, para o Diário, deve ser feita referência às páginas em que as operações se encontram lançadas nos livros auxiliares devidamente registrados. § 3º A pessoa jurídica que empregar escrituração mecanizada poderá substituir o Diário e os livros facultativos ou auxiliares por fichas seguidamente numeradas, mecânica ou tipograficamente (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 1º). § 4º Os livros ou fichas do Diário, bem como os livros auxiliares referidos no § 1º, deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio, e, quando se tratar de sociedade civil, no Registro Civil de Pessoas Jurídicas ou no Cartório de Registro de Títulos e Documentos (Lei nº 3.470, de 1958, art. 71, e DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º, § 2º). § 5º Os livros auxiliares, tais como Caixa e ContasCorrentes, que também poderão ser escriturados em fichas, terão dispensada sua autenticação quando as operações a que se reportarem tiverem sido lançadas, pormenorizadamente, em livros devidamente registrados. Fl. 7732DF CARF MF 58 § 6º No caso de substituição do Livro Diário por fichas, a pessoa jurídica adotará livro próprio para inscrição do balanço e demais demonstrações financeiras, o qual será autenticado no órgão de registro competente.(grifei) O art. 141 da IN/SRF 1515/2014, que substituiu a IN/SRF 93/1997 delinea as condições para a distribuição de lucros e dividendos isentos pelas empresas. Art. 141. Não estão sujeitos ao imposto sobre a renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual, observado o disposto no Capítulo III da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 16 de setembro de 2013. § 1º O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. § 2º No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, poderá ser distribuído, sem incidência de imposto: I o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica; II a parcela de lucros ou dividendos excedentes ao valor determinado no item I, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. (obs. dispositivo vigente à época dos fatos) § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto sobre a renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. § 4º Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos dos incisos I a IV do parágrafo único do art. 28 da Instrução Normativa RFB nº 1.397, de 2013. § 5º A isenção de que trata o caput não abrange os valores pagos a outro título, tais como "pro labore", aluguéis e serviços prestados. § 6º A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de períodobase ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. § 7º O disposto no § 3º não abrange a distribuição do lucro presumido ou arbitrado conforme o inciso I do § 2º, após o encerramento do trimestre correspondente. Fl. 7733DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 31 59 § 8º Ressalvado o disposto no inciso I do § 2º, a distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos que não tenham sido apurados em balanço sujeitase à incidência do imposto sobre a renda na forma prevista no § 4º. § 9º A isenção de que trata este artigo inclui os lucros ou dividendos pagos ou creditados a beneficiários de todas as espécies de ações previstas no art. 15 da Lei nº 6.404, de 1976, ainda que a ação seja classificada em conta de passivo ou que a remuneração seja classificada como despesa financeira na escrituração comercial. § 10. Não são dedutíveis na apuração do lucro real os lucros ou dividendos pagos ou creditados a beneficiários de qualquer espécie de ação prevista no art. 15 da Lei nº 6.404, de 1976, ainda que classificados como despesa financeira na escrituração comercial. Apesar da possibilidade de existência de receita que comporte a distribuição dos lucros ao contribuinte, estas não podem ser considerados como rendimentos isentos e não tributáveis se não cumpridas as exigências formais legais, e se não demonstrado que tal lucro existiu conforme a escrituração da época dos fatos e fora efetivamente pago ao sócio. Os rendimentos só são considerados isentos se cumpridas as exigências legais, o que, no caso, não ocorreu. Conforme o art. 111 da lei 5.172/66 (CTN), interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Desta forma, considerando que não foram cumpridas as obrigações acessórias relativas à escrituração fiscal, e também quanto à legitimidade da comprovação do lucro a ser distribuído, e em observância ao disposto no art. 111 da Lei 5172/66, entendo que tais valores não podem ser distribuídos isentos de tributação de imposto de renda, conforme pleiteado pelo recorrente. O contribuinte pugna ainda por perícia e por apresentação de documentos adicionais. Contudo, conforme art. 16, par. 4o. do Decreto 70235/72, o prazo para a apresentação de documentos comprobatórios encerrase na impugnação. Mais ainda, não pode o contribuinte inverter o ônus da prova solicitando perícia para suprir documentação que deveria ter apresentado à fiscalização para salvaguardar direitos que julga ter. Ademais, os documentos dos autos são passíveis de entendimento pelos julgadores e, portanto, entendo que não há necessidade de perícia. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 7734DF CARF MF 60 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) O histórico da empresa nos registros da Receita Federal e também nas alterações de contratos sociais, a seguir transcritos, corroboram a participação do recorrente nos negócios. i. Efls. 3838/3857 observase que a H & S Trading, Importadora e Exportadora Ltda., CNPJ 39.963.029/000146 foi aberta com a razão social de TASS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., sendo alterada, em 1997 para TASS DISTRIBUIDORA, IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., em 1999 para TASS TRADING, DISTRIBUIDORA, IMPORTADORA E EXPORTADORA, em 2000, para TASS — TRADING IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA e em 29/10/2001 para H & S — TRADING, IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA., tendo sido suspensa, em 12/06/2000, motivo: inexistente de fato (fls.3560). ii. Efl. 3858/3860 Instrumento Particular de Venda e Compra de Estabelecimento Comercial e Cessão de Quotas , no qual MARCO ANTONIO MANSUR e seu pai ANTONIO MANSUR compram 85% da empresa, em 14/03/1997 e, nessa mesma data, uma Alteração Contratual (efls. 3861 a 3872), registrada na JUNTA COMERCIAL DO ESTADO DE ESPÍRITO SANTO, e, em 22/04/1997, ocorre a incorporação, aumentando o capital que era de R$ 10.000,00 para R$ 400.000,00 e procedese a primeira alteração da razão social da empresa. iii. Efl. 1581 Contrato REGISTRADO da MAK em que Katia vende as cotas para a HEPBURN por R$ 400.900,00 (o comprador assumiu a dívida da Katia junto à Tass Serviços e MAM). KATIA continua com 0,00025% do capital social (R$ 1,00) e com amplos poderes para administrar a empresa. Contrato assinado, com firmas reconhecidas (KATIA MANSUR e ELIZABETE DIAS) iv. Efl. 6196 Relatório Fiscal cópias de talonários de cheques comprovam que os numerários da empresa são utilizados para gastos particulares do fiscalizado. b. MAK Participações S/C. Conforme o Relatório Fiscal, a MAK Participações Ltda. foi aberta por MAM, em 31/05/2000, tendo como sócios Tass Serviços e Katia Mansur. Inicialmente o Fl. 7735DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 32 61 capital seria integralizado através de mútuos de MAM e de seu pai à MAK (fls. 1210/1224), para aquisição de bens. A TASS fora mutuante de Katia Mansur na transferência da sua participação no capital da MAK, em 2001. No relatório há menção a mutuantes que se transformam em mutuários e viceversa, de formas a criar numerários para justificar aquisições e integralizações de capitais. Ainda, que as despesas com procurações feitas para MAM gerir os negócios foram quitadas com cheques de outra empresa de MAM, a Opus Trading. Observo também que, no depoimento à Polícia Federal, efl. 6929 linhas 21 a 27, o recorrente afirma que a MAK foi criada com o objetivo de migrar o patrimônio que estava na pessoa física para a empresa, em sociedade com a esposa sra. Katia. Já nas linhas 1 a 10 da efl. 6930, o recorrente expõe que é o responsável por 100% dos atos da MAK. A autoridade fiscal considerou que todos os imóveis mencionados na efl. 6798/6799 como sendo de propriedade de Marco Antônio Mansur, adquiridos com os valores resultantes de contrato de câmbio entre a Hepburn Investing Ltd, portanto dinheiro do próprio fiscalizado que o mesmo simulou aplicar na MAK participações S/C Ltda. Ao considerar que a Hepburn é empresa do fiscalizado e cujos recursos daquela empresa seriam os depósitos bancários no exterior, não se pode tributar o retorno desses valores para o Brasil. Os aportes financeiros efetuados pela Hepburn na Mak (efl.6804), no valor de R$ 2.321.645,00 e R$ 2.865.438,50, em 2002 e 2003, respectivamente, foram considerados como aportes financeiros efetuados pelo fiscalizado. Estão incluídos entre as aplicações da Variação Patrimonial do fiscalizado. Relativamente à 5a. alteração contratual da MAK ocorrida após 2003, envolvendo a ST. JAMES,a DELANO INT. e a COLDTREAM INT. a fiscalização teria considerado como valores oriundos do exterior pelo fiscalizado, um total de R$ 6.228.017,50 (efl. 6805). A ligação entre o recorrente e a empresa é evidente e pode ser corroborada por inúmeros documentos contidos no processo, como por exemplo: efl. 460 documentos em formato papel, com assinaturas e que, portanto, poderiam ter sido apreendidos pela fiscalização em procedimento fiscal. efl. 467. ch. 229 depósito na conta de Mauricio Mingone, banco 237 efl. 476 carta sobre imóvel em Piracicaba, destinada a Marco Antônio Mansur 19/08/2004 trata da informalidade dos procedimentos de construção na contratação de mãodeobra para o imóvel. c. HEPBURN O contribuinte alega que não existem documentos hábeis a comprovar que o recorrente seria proprietário da Hepburn. Ora, os documentos encontrados com a assistente do contribuinte e pelos quais ele, contribuinte, assumiu toda responsabilidade em declaração na Polícia Federal, são provas do alegado pela fiscalização. A Polícia Federal apreendeu ações ao portador da empresa Hepburn, em poder da sra. Alessandra Salewski, no valor total de US$ Fl. 7736DF CARF MF 62 1.000.000,00, bem como documentos de constituição da sociedade. Documentos esses com tradução juramentada. A seguir cito alguns desses documentos. i. Efl. 6804 Relatório Fiscal, os contratos de câmbio remetidos pela Hepburn à MAK foram incluídos entre as Variações Patrimoniais do fiscalizado. ii. Efl. 1414 MAM, em depoimento na Polícia Federal esclarece que é um dos sócios da MAK. Na folha seguinte esclarece que a DELANO pertence aos dois filhos, Said e Samara, e a sra. Alessandra atuava a pedido de MAM. Assume também que a responsabilidade pela administração da Delano era de MAM. iii. Efl. 588 registro de alteração contratual da MAK PARTICIPAÇÕES LTDA. iv. Efl.1523 Contrato da HEPBURN NAS ILHAS VIRGENS BRITÃNICAS certificados ao portador 1milhão de ações (1US$ cada), em 2002 v. Efl. 1534 Poderes amplos para Katia(esposa do fiscalizado) sobre a Hepburn procuração registrada na embaixada do Brasil no PANAMÁ dez/2001 vi. Efl. 1560 e seguintes: contratos de fechamento de câmbio HEPBURN PARA MAK(MAM) na sequência, docs do Banco Central sobre os referidos contratos 25/04/2002 Cito a seguir trecho do relatório fiscal que comprova a ligação do recorrente com a HEPBURN: (penúltima folha do vol. 31) Analisando outros documentos apreendidos pela Equipe SPC 03, item 5 (fls.658, do volume 04) encontramos, em poder de Marco Antonio Mansur, MAM, através da apreensão em pastas sob a guarda da secretária do mesmo, Alessandra Salewski, o Memorando de Constituição e Contrato Social da empresa Hepburn Investing Ltd (fls.663/679, do volume 04) com Registro n° 467630, no International Business Companies, nas Ilhas Virgens Britânicas, em 26/10/2001, com Tradução de N°32.391, conforme fls. 680/724, bem como um Consentimento de Emissão de Ações ao portador, em original e traduzido, num total de US$ 1.000.000,00, conforme fls. 725/727. Encontramos, ainda, de posse da secretária do MAM, o fiscalizado, as referidas ações ao portador, conforme cópia das mesmas em fls. 728/733. Esses valores foram incluídos na Variação Patrimonial do contribuinte, referente ao ano calendário 2001, constante do Processo n° 19515.001843/2006 55, visto que houve Procuração Geral desta empresa para Kátia Cristiane Peroni Sinchetti Mansur, esposa de MAM, em 2001, conforme fls.734/738, do volume 04. Há, ainda, em 2002, conforme fls. 739/745, Procuração Geral da empresa para Elisabete Dias, funcionária do grupo MAM. Fl. 7737DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 33 63 Conforme efl.6798, a autoridade fiscal explicou a tributação dos contratos de fechamento de câmbio no valor de R$ 2.321.645,00, a título de aumento de capital da empresa: Encontramos, também, nos documentos apreendidos pela Equipe SPC 17, item 10, quatro Contratos de Fechamento de Câmbio, conforme fls.752/773, do volume 04, totalizando R$ 2.321.645,00, a titulo de aumento de capital. 0 primeiro contrato, de N° 02/019278, de 25/04/2002, no valor de R$ 201.110,00 (fls. 759), o segundo de 15/08/2002, no valor de R$ 1.726.740,00, o terceiro, de 03/10/02, no valor de R$ 368.000,00 e o quarto de 08/10/02, no valor de R$ 25.795,00, tendo como pagadora no exterior a empresa Hepburn Investing Ltd, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e receptora, a empresa MAK. Ocorre que os contratos foram assinados pelofiscalizado, como vendedor ao banco e, portanto como representante da empresa MAK Participações S/C Ltda, que tinha sua esposa como sócia, embora a Hepburn, naquela data, ainda não fizesse parte do quadro societário, conforme 2a Alteração Contratual, de fls. 774/782, do volume 4, datada de 26/04/2002 e somente registrada em Cartório, em 02/08/2002, conforme fls. 783, do volume 04. Observase, portanto, que não havia preocupação, nem necessidade de legalização dos documentos para que o dinheiro viesse do exterior. (sublinhei) Conforme relatório da PF á efl. 723, a sra. Elisabete Dias, secretária do recorrente, consta como responsável pela MAK perante o CNPJ, na função de administradora, e como procuradora da HEPBURN Investing Ltda. (situada nas Ilhas Virgens Britânicas). A propriedade da empresa MAK pelo recorrente está configurada nas trocas de emails entre o recorrente e as secretárias Elisabete Dias e Alessandra Zalewski. A sra. Elizabete recebeu rendimentos provenientes do trabalho assalariado de H&S Trading, Importadora e Exportadora Ltda., empresa do grupo. O sócio majoritário dessa empresa é a sra. Kátia, esposa do recorrente, com 99% de participação. O outro sócio da MAK Participações, é o sr. Jurandir Sinchetti, pai da esposa do recorrente, com 1% do capital. O sr. Jurandir substituiu o recorrente no quadro social da empresa em 22/11/2001, entretanto, não possui capacidade econômico financeira para tanto, conforme o relatório da PF feito com base nas informações constantes dos sistemas da RFB. Na efl. 739/740, está relatado pela PF que a sra. Kátia Mansur (apesar de ter vendido suas quotas na MAK em 02/12/2003 para a empresa panamenha ST JAMES CONSULTING INC), ainda era sócia da empresa, que é controlada de fato pela secretária do recorrente, sra. Alessandra Salewsky (conforme emails de junho/2005). Fl. 7738DF CARF MF 64 d. DELANO BR Empreendimento S E Participações Ltda. O recorrente afirma que não existem documentos que comprovam sua ligação com a empresa e que não teria havido comprovação da participação societária do recorrente na referida empresa. Contudo, os documentos dos autos (emails apreendidos, relatos à Polícia Federal, etc.) corroboram o entendimento da autoridade fiscal de que é o contribuinte o real dono da empresa, conforme a seguir. i. Na efl. 477 email impresso contém informação de próprio punho, aonde se faz referencia a uma ordem do MAM para que a Delano possua papel timbrado. ii. Conforme o relatório da Polícia Federal à efl. 721, o sr. Edivaldo de Oliveira Santos era contador e sócio da Delano BR Empreendimentos e Participações Ltda. até 06/04/2004, quando transferiu suas quotas para a Delano International L.C. sediada nos Estados Unidos, mas teria permanecido no controle da mesma. O sr. Edivaldo não possui capacidade econômicofinanceira para ser sócio da empresa, conforme os registros da RFB usados no relatório da Polícia Federal. iii. Conforme efls. 6809/6810 do Relatório Fiscal, a verdadeira propriedade da Delano International é explicitada: Em 14/10/05, houve uma série de emails entre Alessandra, o escritório do Uruguai e o escritório de advocacia LTB, nos quais é solicitada uma carta CONFIDENCIAL, a qual é remetida; essa carta deve ser assinada por MAM declarando ao escritório que a DELANO INTERNATIONAL não tem, nem terá operação nos EUA, conforme fIs.1802 a 1805, do volume 10. Assim, fica ainda mais provado que a empresa DELANO INTERNATIONAL LLC pertence ao fiscalizado. e. COLDSTREAM do Brasil Empreendimentos S E Participações Ltda. O recorrente novamente alega a inexistência de provas lícitas da sua ligação com a empresa e muito menos participação societária, tampouco na Mak Participações ou na DELANO BR. A fiscalização estaria se baseando em documentos que não foram firmados pelo recorrente e que entende não teriam valor de prova. Ora, existem documentos importantes envolvendo essa empresa e também o contribuinte, sobretudo da prefeitura de ITU/SP. Em Fl. 7739DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 34 65 resposta a pedido de informações da RFB, a prefeitura daquele município informou que a empresa é desconhecida no endereço informado. Mais ainda, o fato da via do contrato em poder do contribuinte não conter assinatura do mesmo é irrelevante, conforme já explicado anteriormente. Mesmo que não houvessem assinaturas no contrato social, ou seja, contrato social de gaveta e sem assinaturas, a própria existência e guarda de tais contratos de gaveta são indicativos de que tinham alguma finalidade. Conforme o relatório da Polícia Federal, à efl. 713, o sr. Benedito dos Santos (funcionário da TASS trading/H&S trading), de 2001 a 2003, passou a sócio da Coldstream desde a sua constituição, em 23/12/2003, com 1% de participação. Conforme o relatório, o sr. Benedito trabalha como motorista no escritório de MAM em são Paulo. Através de email apreendido, a sra. Alessandra questionava sobre a necessidade de se justificar, nos rendimentos do sr. Benedito, a participação do mesmo na empresa cujo capital registrado era de R$ 1.221.582,00. Assim, ficou configurado que o sr. Benedito seria um "laranja" do recorrente. O outro sócio da Coldstream é o sr. Carlos Henrique Haddad, com 99% de participação, e que também não possui capacidade financeira para tanto, conforme os registros da SRF. O procurador da COLDSTREAM é o sr. Ronaldo Farias, motoboy no escritório de MAM em São Paulo, mas com histórico de ser empregado de empresas do grupo (H&S Trading, etc. ) desde longa data. Esta ligação foi verificada por análise de emails (efl. 747). Ronaldo não possui capacidade econômicofinanceira para ser procurador ou sócio de empresas citadas no relatório. Conforme observado na decisão a quo, o apartamento n. 51 da Torre Monet Ed. Contemporâneo consta na relação de bens transferidos á Coldstream pela Mak Participações. Seria o recorrente o real proprietário do imóvel, inclusive, recebendo as chaves do referido imóvel, utilizando procuração do sr. Benedito dos Santos. O conjunto de evidências robustas são convergentes no sentido de que era o recorrente o proprietário da Coldstream. f. SUATA Serviços e Logística Ltda. Conforme efl. 1316, a empresa SUATA fora criada pelo recorrente, tendo também como sócia a empresa TASS Serviços de Importação e Exportação S/C Ltda. Posteriormente foram admitidos na empresa sócios uruguaios (ex. empresa Rilcomar). Muito embora, após alterações contratuais, o recorrente não mais figurasse nos contratos sociais como sócio, por vezes era designado administrador com amplos e plenos poderes. Observase que o recorrente assina alterações contratuais por todos os envolvidos (MAM, TASS, RILCOMAR), em contrato registrado conforme efls. 1328, 1338. Mesmo depois de alterações contratuais, o recorrente é procurador (procuração oficial) da RILCOMAR, sócia da SUATA, com amplos poderes (efl. 1341). Fl. 7740DF CARF MF 66 A autoridade fiscal relatou as modificações contratuais e fatos importantes da empresa e concluiu que a mesma pertence ao recorrente, que se utiliza de empresas estrangeiras para simular sócios do exterior, os quais lhe conferem poder especial para gerenciar as empresas. g. Opus Trading América do Sul Ltda. Alega o recorrente que a fiscalização teria baseado a propriedade desta empresa com base em uma reclamação trabalhista em que o autor afirma que o recorrente é o controlador da empresa. O recorrente entende que a relação não ficou comprovada e que teria ficado demonstrado que a relação entre a Mercotex e a MAMEPP era meramente comercial e legal, e que não há demonstração de que o recorrente fez parte do quadro societário da Mercotex ou da Opus. Além dos fatos já tratados no acórdão de impugnação, trago à análise outros que indubitavelmente corroboram a participação do recorrente na Opus Trading. No Relatório da Polícia Federal (com base em informações da RFB), à efl. 704/705, a sra. Isides Valeria Stanke Taddei (cunhada de MAM) integrou o quadro societário das empresas Delphis Comercial Ltda., OpusTrading América do Sul Ltda. e Opta Armazéns Gerais, tendo deixado as sociedades em 27/12/2001, 07/06/2002 e 14/07/2005, respectivamente. Conforme as informações dos sistemas da RFB, a sra. Isides não possuía capacidade econômico financeira para ser sócia da empresa. Mais ainda, fora remunerada por trabalho assalariado pelas empresas do grupo de 2000 a 2005. Na efl. 708, o sr. Roberto Dus, detentor de 10% da empresa a partir de 04/02/2005, era até então, empregado do grupo, conforme Relatório da Polícia Federal, baseado nas informações da SRF (CNPJ ) e INSS (CNIS). Ainda, conforme os sistemas da RFB, o sr. Roberto Dus se declarava isento de IRPF até 2003. Em 2004 e 2005, não apresentara DIRPF e possuía movimentação financeira insignificante, sobretudo em 2004 e 2005, se comparado com os valores das importações da empresa da qual era sócio. Conforme já tratado no acórdão de impugnação, o controle das empresas do grupo era invariavelmente exercido pelo fiscalizado, através de "laranjas", funcionários, cunhado, contador, esposa, irmão, etc. No bojo do conteúdo probatório dos autos, temse as informações contidas na reclamação trabalhista do sr. Sérgio Bagi, em que o reclamante alega ter figurado como sócio gerente da Opus Trading América do Sul e que o recorrente era quem detinha poder de mando. h. Hefner & Stanley Participações Muito embora a alegação do recorrente seja de que não ficara comprovada a relação entre o mesmo e a empresa, em depoimento á Polícia Federal, o recorrente assume que a empresa era de propriedade do seu pai e que ele, recorrente, a administrava. Mais ainda, de acordo com o relatório fiscal, a empresa não possuía resultados suficientes para a integralização de capital que fora feita em 2004. À efl. 1413, o fiscalizado esclarece que era diretor da H&S, que pertencia ao seu pai. O julgador a quo considerou como indícios de que a empresa era do fiscalizado, além de outros que podem ser verificados naquela decisão de primeira instância, sobretudo o fato de que o procurador das empresas Hefner Federal e Stanley Federal e Hefner Fl. 7741DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 35 67 & Stanley Participações era o sr. Marcelo Taddei, primo do recorrente, além de ter sido ex funcionário da Tass Trading, outra empresa do grupo. i. Opta Armazéns Gerais Conforme o recorrente, a acusação fiscal seria de que o recorrente integralizou capital na empresa, que lhe pertencia e a administrava. Alega que a presunção é fundada na existência de familiares ou pessoas relacionadas ao recorrente. Contudo, entende que tal fato, sozinho não poderia comprovar a alegação fiscal. O sócio majoritário dessa empresa (99% de participação) é de Horácio Alberto Johannes Niemz Titta, CPF 739.794.301 20, de nacionalidade paraguaia, conforme registros da RFB (efl. 699/700), casado com Claudia Mansur de Niemz, irmã do recorrente, em regime de comunhão universal de bens. Conforme o relatório da Polícia Federal à efl. 702/703, emails confirmariam que o verdadeiro dono da OPTA seria Marco Antônio Mansur. Como foi observado neste relatório, as informações das interceptações telemáticas e telefônicas apenas levantaram o véu que encobria o verdadeiro sujeito passivo dos fatos geradores de imposto de renda que realmente ocorreram. Observase ainda que os sócios da empresa são sempre pessoas físicas ligadas ao grupo, tanto por vínculo de parentesco, quanto por vínculo empregatício. Mais ainda, conforme a autoridade fiscal, as integralizações de capital realizadas em 2003 e 2005 só teriam sido possíveis com os recursos do contribuinte, pois o desempenho da empresa era sofrível, com lucros irrisórios. j. EMCLA Admistração e Participações O recorrente alega que a presunção da autoridade fiscal de que o recorrente é quem fez a integralização do capital da empresa é baseada no fato de que os outros sócios não possuíam recursos para tanto. A empresa pertence ao filho e à irmã do recorrente. Entende que o fato de ter emprestado valores e doado imóveis ao filho não comprovariam a relação. Teria ficado demonstrado que os sócios da empresa possuíam patrimônio próprio. A minuta de cessão de cotas utilizada como prova pela fiscalização seria apenas uma minuta, que nunca fora levada a registro e não possui a assinatura do recorrente. Conforme o relatório da Polícia Federal, baseado em dados da RFB, a sra. Claudia Mansur de Niemz detém 10% de participação na EMCLA, e é casada em regime de comunhão universal de bens com o paraguaio Horacio Alberto Johannes Niemz Titta, que também desempenha papel no grupo. Observa o relatório que Claudia teria "comprado" imóvel (terreno Portal de Itu) do recorrente, entretanto, suspeitase que não tenha havido transação, pois os honorários de transferência foram pagos pelo vendedor, ou seja, o recorrente. Conforme o relatório, com base nos registros da RFB, a movimentação financeira naquele mês de novembro 2005, não dá lastro à referida compra, no valor de R$ 116.486,00. Confirmase através de email que o imóvel deveria ter sido transferido para a esposa de MAM, o que não teria ocorrido por questões burocráticas, confirmando que teria havido a simulação do fato tributário. O relatório à efl. 719/720 detalha a análise das alterações contratuais da empresa, com a participação da sra. Claudia Mansur, inclusive com a integralização de capital Fl. 7742DF CARF MF 68 com o terreno antes mencionado (Portal de Itu). O outro sócio da EMCLA, com 90% de participação, é o sr. Emmanuel Emilio Mansur Stroessner, paraguaio, estudante universitário e filho do recorrente. A integralização do capital do sr. Emmanuel na EMCLA fora feita com imóveis e veículo, que foram supostamente adquiridos de MAMEPP. A integralização se completaria com um empréstimo de mútuo no valor de R$ 700.000,00. Contudo, o relatório conclui pela incompatibilidade de movimentação financeira verificada, de R$ 47.817,27 frente a uma aplicação de recursos de R$ 1.786.880,00. Emails entre Alessandra e o contador Fábio comprovam a preocupação do recorrente, com a legalização dos recursos transferidos por empréstimos de MAM para Emmanuel. Complementa o relatório, o fato de que veículo utilizado por Emmanuel e incorporado à EMCLA para integralização de capital, continuava em uso pela MAMEPP. Mais ainda, os serviços de pedágio junto ao Centro de Gestão de Meios de Pagamento S/A de vários veículos da empresa EMCLA são faturados para a pessoa do recorrente, mas com indicação do endereço da EMCLA. O julgador a quo relaciona situações importantes que lançam luz e corroboram o entendimento de que o recorrente era o dono de fato da empresa. Também bastante sugestivo o talonário de cheques em branco, endossados e assinados por Claudia Mansur Niemz, em poder da sra. Alessandra Salewski, indicando ser MAM, quem controlava e movimentava a conta bancária da empresa. São inúmeros os indícios convergentes contidos nos documentos dos autos, no sentido de que o recorrente era o verdadeiro dono da empresa. k. MAMEPP A fiscalização desconsiderou valores declarados como lucros isentos, por inexistir comprovante da entrega dos recursos ao fiscalizado mediante transferência ou cheque. O recorrente alega que a apuração de lucro excedente ao presumido não autoriza a desconsideração da distribuição com isenção e que mesmo que assim entendesse, apenas a diferença deveria ser tributada e não todo o valor declarado como distribuição de lucros. Não assiste razão o recorrente, pois para comprovar a distribuição do lucro sem tributação, além do presumido, teria que apresentar contabilidade em acordo com a legislação na qual estivesse registrado tal lucro adicional. Contudo, a autoridade fiscal afirma (efl. 6855) que, conforme explanação no Relatório Fiscal, a MAMEPP inexiste de fato. É um artifício utilizado pelo fiscalizado para manipular recursos das suas outras empresas, como forma de não pagar impostos. O próprio recorrente afirma isso no depoimento à Polícia Federal, às efl. 6928. O fiscalizado apresenta rendimentos isentos provenientes de dirigente de empresa, em 2003: R$ 40.000,00; em 2004: R$ 570.000,00; em 2005: R$ 918.543,23 e em 2006: R$ 883.668,98, os quais serão desconsiderados, tendo em vista a simulação das receitas ocorridas nessa empresa de fachada, com o intuito de se aproveitar da legislação tributária que favorece as .pessoas jurídicas de fato e de direito o que não caber no que ser refere à MAMEPP. No entanto, as entradas de recursos na empresa serão consideradas como rendimentos omitidos pelo fiscalizado, que os recebeu provenientes de suas próprias empresas, ocultandose atrás de uma pessoa jurídica. Desses rendimentos, os referentes Fl. 7743DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 36 69 aos anoscalendário de 2005 e 2006, serão rateados mês a mês, entre os doze meses dos respectivos meses. ... No depoimento à Justiça Federal (efl. 6928, linha 21), o recorrente afirma que " a MAMEPP, ela prestava serviço, era para mim receber as minhas comissões..." Mais ainda, o sr. Liberalino Alves teria se negado a responder perguntas, mas se denominou "laranja" da empresa (fl. 4686). Diante da afirmação confissão do contribuinte à Polícia Federal, de que a empresa MAMEPP era apenas para ele, pessoa física, receber as comissões, entendo que este se utilizou de um artifício para burlar a tributação. Desta forma, entendo que deve ser restaurado o lançamento nesta parte, relativa à omissão de rendimentos, e também a inserção dessas origens na planilha do Acréscimo Patrimonial a Descoberto. l. Lansaret Importadora e Exportadora Ltda. O recorrente alega que a fiscalização presumiu a ligação do mesmo com a empresa através da integralização de capital constatada em documentos encontrados em poder da sua assistente. Observo que os documentos se referem à ações ao portador, contratos, procurações, etc. Contudo, repito, fora o próprio recorrente que se responsabilizou pelos documentos da empresa, encontrados com sua assistente, em depoimento à Polícia Federal. Vários são os elementos de prova relativamente ao poder de mando do recorrente na empresa, conforme já bem relatado na decisão a quo (efl. 7020), referenciado nas fls. 4528/4599volume 23 e 4602/4681volume 24. A autoridade fiscal informa (efl. 6857) que a empresa foi aberta em 06/03/2003, tendo o sr. Liberalino Ivan Alves de Souza como representante legal. São sócios dessa empresa as empresas uruguaias Landico S/A e Generaset S/A, com sede em Montevideu, e têm como procurador o sr. Liberalino Ivan Alves de Souza. Dadas as evidências dos autos e já relatadas na decisão a quo, a autoridade fiscal entendeu que o sr. Liberalino é outro "laranja" de MAM e que a empresa é de propriedade do fiscalizado. Desta forma, entendo que é inquestionável a ligação de poder entre o fiscalizado e a empresa Lansaret e, portanto, correta a autuação. m. MERCOTEC Imp. e Exp. Fl. 7744DF CARF MF 70 O recorrente alega que a autoridade fiscal lhe atribuiu a integralização do capital, com base em presunções. Entende que emails, fax, documentos sem assinatura, não servem como prova de sua participação na sociedade. Conforme o Relatório Fiscal, a Mercotex, de propriedade de MAM, é também acionista de 50% do capital social da MERCOTEC. (efl. 3024). Contudo, a autoridade fiscal analisando as alterações contratuais à vista de documentos apreendidos com a sra. Alessandra, conclui que a empresa é de propriedade do fiscalizado, que se utiliza de "laranjas". A integralização de capital ocorrida na Mercotec fora adicionada ao Demonstrativo de Variação Patrimonial do fiscalizado, como único sócio da empresa. n. MERCOTEX DO BRASIL LTDA. O recorrente alega que prestava serviços para a Mercotex, de maneira lícita, através da empresa MAMEPP. As suposições da autoridade fiscal foram em função de emails, sem comprovação de que havia irregularidade nas relações. Menciona que a empresa fora autuada no processo 19647.003715/201027 e que não foi reconhecida a responsabilidade solidária do recorrente, razão pela qual fora excluída do polo passivo. Repito que a responsabilidade solidária não fora reconhecida tendo em vista que a autoridade julgadora entendeu que o auditor fiscal não teria competência legal para determinar a responsabilidade solidária. Tal competência seria da Procuradoria da Fazenda Nacional quando da execução do julgado. Contudo, há farto material nos autos daquele processo comprovando a participação do recorrente com a empresa Mercotex do Brasil Ltda., como exemplificado a seguir. No Relatório da Polícia federal (fl. 623) Sandro Baji presta depoimento sobre interpostas pessoas na empresa CIPEL/OPUS TRADING e MERCOTEX. Conforme o relatório, a Mercotex foi acionista da OPUS TRADING no período 07/2002 a 02/2005. No relatório à efl. 705, ficou constatado que o sr. Joachim Otto Johannes Niemz, paraguaio, é o sócio estrangeiro da Mercotex do Brasil, detendo 99,99% do capital social da empresa. Através de email, o sr. Johannes cobra de MAM um valor mensal pelo empréstimo do nome para a Mercotex. Novamente, o email apenas esclarece a situação existente de fato e nos registros da RFB. Como mencionado na decisão a quo, também o email de fl. 423volume 4 demonstraria o grau de subordinação da sra. Alessandra para com o recorrente em relação à empresa. A MERCOTEX também participa, conforme o cadastro da SRF (efl. 2023) das seguintes empresas (coligadas/controladas): OPTA TR. A SUL, SUATA S. LOG, OPTA A. GERAIS, MERCOTEC I.E. Os sócios da Mercotex seriam Silvio Paradiso(0,01%) e Armori S/A (99,99%). Coincidentemente, o representante legal da Armori S/A (efl. 3021) é o CPF 457.633.30897, i.e. o sr. Silvio Paradiso, ligado ao recorrente. Transcrevo a seguir os fatos levantados pelo julgador a quo e que corroboram a participação do recorrente como dono da empresa: Os seguintes fatos reforçam a conclusão acima expendida: i) a MERCOTEC tinha como uma das sócias a MERCOTEX DO BRASIL LTDA, empresa que, como visto anteriormente, também Fl. 7745DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 37 71 era de propriedade de MAM (fls. 4790/4797volume 24); ii) de acordo com o Relatório da Policia Federal (fls. 389/390volume 2), o Sr. Haroldo Azevedo de Magalhães Castro não possuía capacidade econômica para ser Presidente da HITECH DO BRASIL S/A, a outra sócia da MERCOTEC, recebendo rendimentos do trabalho assalariado da HITECH em 2003 e 2004; iii) em Instrumento Particular de Compra e Venda de Ações (fls. 4841/4847volume 25), a MERCOTEX e a HITECH vendem suas ações a MAMF, filho do contribuinte; iv) emails de fls. 4850/4859 e 4863/4877volume 25, trocados entre a Alessandra e outros membros da organização e do escritório de advocacia LTB, muitos deles com cópia para MAM, tratando a respeito da venda das ações da MERCOTEC, da elaboração do contrato de compra e venda das ditas ações e de outros assuntos relativos a citada empresa e as sócias MERCOTEX e HITECH. Desta forma, entendo que o material probatório dos autos é suficiente para corroborar a decisão da autoridade fiscal quanto à propriedade da empresa. o. CEMDA Consultoria Empresarial Alega o contribuinte que a presunção de que seria o responsável pelo aporte de recursos para integralização de capital na empresa estaria baseada em meros indícios vagos, esparsos, sem comprovação da relação da empresa com o recorrente. Contudo, tal alegação não merece guarida em vista dos documentos e provas acostados aos autos e que foram examinados detalhadamente na decisão a quo, cujo trecho transcrevo a seguir. A exemplo das outras empresas analisadas previamente, vários indícios convergem no sentido de que era o impugnante o efetivo proprietário da empresa CEMDA, sendo ele o responsável pelos aportes de recursos para a empresa a titulo de integralização de capital. Senão vejamos: i) a CEMDA CONSULTORIA, inicialmente denominada D & M CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, possuía como sócios à data da constituição, a pessoa jurídica CONSULTORIA FENISTAR S/A, sediada no Uruguai e representada pelo Sr. Reinaldo Antônio Abbate Mansur (sobrinho de MAM). O sr Reinaldo Antônio Abbate Mansur é pessoa destituída de capacidade financeira para ser sócio de tais empresas, conforme Relatório da Policia Federal (fls. 376/377 volume 2); ii) documentação original em espanhol com tradução juramentada concernente à empresa CONSULTORIA FENISTAR, incluindo estatutos, atas, procuração especial e revogação de poderes a Reinaldo Antonio Abbate Mansur e procuração especial a Mauro Lima, sócio que substituiu Reinaldo Abbate Mansur na empresa CEMDA (fls. 4900/4956volume 25) e, que, segundo Relatório da Policia Federal (fls. 326/329volume 2), também não era dotado de capacidade financeira para tanto; iii) ações ao portador da CONSULTORIA FENISTAR (fls. 4958/4997volume 25) foram enviadas a MAM pelo escritório J. P. Damiani do Uruguai, consoante revela a correspondência datada de 14/03/2003 (fls. 4957volume 25); iv) no Relatório da Policia Federal, as fls. 307volume 2, consta a transcrição de uma conversa entre Alessandra e Pitwo, outro colaborador do grupo, a respeito da guarda das mencionadas ações; v) email enviado por MAMF a Francisco da Mercoskill confirma que a empresa pertence a MAM (fls. 5010volume 26). Fl. 7746DF CARF MF 72 p. DELPHIS COMERCIAL LTDA. A fiscalização teria presumido que a aplicação de recursos na empresa teria sido efetuada pelo contribuinte. Entende o recorrente que, desconstituída a relação do recorrente com a Cemda e com as demais pessoas jurídicas, resta prejudicada qualquer relação com a Delphis. O acórdão recorrido menciona a reclamação trabalhista como prova, que o recorrente alega não ser suficiente. Ora, o recorrente adota o mesmo modo de operação empregado nas outras empresas do grupo: utilização de parentes ou funcionários como procuradores com amplos poderes, ou sócios com percentual ínfimo de capital, mas com amplos poderes de administração, e tudo controlado pela sra. Alessandra. Destacamse os "laranjas" Marcelo Taddei (primo do recorrente), Sandro Baji, Silvio Paradiso, Isides Stanke Taddei. Neste caso (sra. Isides), além de suposta sócia, seria também registrada no cadastro de funcionários da empresa (fls. 5078/5084 vol 26). Entendo correta a atuação da autoridade fiscal. q. CIPEL DO BRASIL TRADING IMPORTADORA E EXPORTADORA Como nas demais empresas, o recorrente alega a inexistência de provas cabais de que seria o proprietário da empresa. Entretanto, como pode ser verificado na efl. 6436 do Relatório Fiscal os documentos apreendidos comprovam a ligação do mesmo com a empresa. A forma de operação é a mesma das outras empresas, utilização de sócios parentes ou laranjas, sem qualquer capacidade econômicofiinanceira, como por exemplo o sr. Silvio Paradiso. O julgador a quo se absteve de analisar os fatos envolvendo esta empresa, tendo em vista que não afetaram o lançamento fiscal. r. AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS Alega que a autoridade fiscal teria imputado as aquisições de imóveis das empresas Emcla, MAM, Delano e Coldstream ao recorrente sem comprovar a existência da ligação do mesmo com aquelas empresas. Assim, a imputação dos imóveis também seria indevida. Entendo que as provas nos autos são suficientes para corroborar a relação do recorrente com as empresas mencionadas, conforme anteriormente analisado. Os fatos aquisição de imóveis são inegáveis. Os indícios de que esses imóveis pertencem ao contribuinte decorrem do fato de que as empresas às quais pertenceriam os imóveis auferiram receitas insignificantes em relação ao valor dos imóveis. Mais ainda, depoimentos na Polícia Federal, inclusive do próprio contribuinte, corroboram o entendimento de que teria havido uma "blindagem patrimonial" dos bens do contribuinte através das empresas do grupo. O recorrente afirma que precisava proteger o patrimônio, em função dos relacionamentos que já teve. Conforme a efl. 6798 (final) e seguintes do Relatório Fiscal, o contribuinte teria utilizado o capital provindo do exterior e que fora incluído na alteração de aumento de Fl. 7747DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 38 73 capital da MAK, para a aquisição de uma grande quantidade de imóveis, em diferentes exercícios fiscais. Segundo as planilhas de movimentação financeira da MAK junto ao Banco ABNAMRO apreendida e juntada ás fls. 807/808, do volume 05, o contribuinte adquiriu, com esse capital provindo do exterior, uma grande quantidade de imóveis, além de tantos outros em exercícios fiscais seguintes. Outras planilhas juntadas as fls. 865/872, do mesmo volume, complementam a compreensão do fluxo financeiro constante da planilha anteriormente referida. Na planilha de fls. 807/808, encontramos as seguintes aquisições com os valores obtidos através da Hepburn: 1) da Rua Peixoto Gomide, pelo valor de R$ 85.000,00; 2) da Alameda Santos, pelo valor de R$ 100.000,00, com cheque administrativo; 3) compra imóvel Unibanco, pelo valor de R$ 1.057.500,00, com o cheque de n° 504922; 4) pagamento imóvel ltu, de seu pai Dr. Antonio, com o cheque n° 504928, no valor de R$ 66.000,00; 5) terreno em Itu, Rua 05 — lote 13, no valor de R$ 50.000,00, com o cheque n° 504940; 6) além de despesas de cartório, comissões e impostos, bem como pagamentos para Katia Mansur, por "ordem" da Hepburn. Esses dados parecem estar soltos, porem, ao analisarmos a outra planilha intitulada "PROPRIEDADES DA MAK PARTICIPAÇÕES — TODAS COM ESCRITURA" (fls. 865/866) percebemos que complementam os acima expostos, ou seja: item 1 Edifício Blue Tree Towers Paulista, Rua Peixoto Gomide, 1606, Cerqueira Cesar Apt. 2006 Sao Paulo/SP, Escritura (26/04/2b02) Registro 78478 13° Oficial de Registro de Imóveis — Compra e Venda — R$ 85.000,00 — Cessão: R$ 120.718,59; item 2: falaremos abaixo; item 3 Imóvel Prédio — ltu — Agencia Praça Padre Manuel n° 163 — Aquisição 07/08/02 — R$ 1.057.500,00 matricula 9383 — Registro de Imóveis da Comarca Itu — Locação Unibanco— Mensal R$ 10.987,66; item 4 parte esta na mesma planilha, fls. 866: ESCRITURA TERRENO RUA 09— LOTE 05 — QUADRA 11 — FAZENDA VL REAL DE ITU — (CASA MAITACAS — DR ANTONIO fls. 1258 a 1277, do volume 07) e do restante falaremos abaixo; item 5 Escritura 21/10/2002, matricula 2961 R$ 50.000,00 Cartório Registro de Imóveis Comarca ltu — Rua 05 — Loteamento Fazenda Real de ltu — SP — Aquisição: 17/10/2002. Os itens faltantes encontram se em outras planilhas: item 2 planilha de fls. 870, item F, Flat Apto. 2.805 — Edif. Internacional Plaza, Al. Santos, data escritura em 08/05/2002, a vista, no valor de R$ 164.200,00 — e fls. 811 cita o imóvel residencial no Edifício Internacional Plaza Flat da Alameda Santos, 981, apto 2805, Jd. Paulista; R$ 100.000,00; item 4— a parte restante encontrase na planilha "MAK PARTICIPAÇÕES S/C LTDA —RELAÇÃO DE IMÓVEIS — IMOVEIS COM ESCRITURA DEFINITIVA", "item K: Lote Fazenda Vila Real de ltu, Rua 9, Lote 05, Qd. 11, Invest: P, Data Escritura: 03/09/02 — Comprador: MAK Partic. Ltda — Condições de Pagto: A vista — Valor da Compra: R$ 66.000,00 — Impostos/Taxas/emol.: R$ 4.365,60 — Custo Total: R$ Fl. 7748DF CARF MF 74 70.365,60". Todos esses dados comprovam que os imóveis acima referidos são de fato de propriedade de MARCO ARTONIO MANSUR; o fiscalizado, adquiridos com valores resultantes de contrato de cambio entra a Hepburn Investing Ltd, portanto dinheiro do próprio fiscalizado (detentor das ações ao portador dessa empresa) que o mesmo simulou aplicar na MAK Participações S/C Ltda. (grifei) A fiscalização afirma que o documento à efls. 922/927, apreendido na operação, Relatório Confidencial da empresa Diagnóstico, que analisa as irregularidades na situação dos imóveis da MAK corrobora as conclusões sobre o investimentos em imóveis da forma como descrita no relatório. Tal relatório faz um levantamento da situação de legalização dos imóveis, tanto nas escrituras e contratos de compra e venda quanto nas disponibilidades de seus "adquirentes" em relação ao patrimônio na DIRPF. Também sugere formas de corrigir as discrepâncias existentes, como por exemplo, mudar o preço de custo do imóvel, retificar o ato societário, dentre outros (imóvel 12 da efl.1926). A seguir relaciono documentos juntados aos autos relativamente aos imóveis: efl. 476 carta sobre imóvel em Piracicaba, destinada a Marco Antônio Mansur 19/08/2004 trata da informalidade dos procedimentos de construção como a contratação de mão de obra. efl. 1994 guia de pagamento de ITBI para transferência de bem de MAM e Katia para a MAK, em agosto/2000. Na sequência, a escritura pública. efl.5752 Escritura de promessa de compra e venda, por MAM e Katia registrada em cartório Ap. 2002 Long Stay Bela Cintra efl. 6802 relato sobre acontecimentos envolvendo o imóvel Mirante dos Sambaquis, a seguir transcrito. a) unidade de apartamento 34 do Edifício Mirante dos Sambaquis, no valor de R$ 390.926,00 "a preço histórico de custo". Porém, o valor real de aquisição desse imóvel foi R$ 331.548,77, pelo terreno (sendo pago de entrada R$ 58.890,17, com cheque do Banco do Brasil, da OPUS) e R$ 310.018,33, pela construção, conforme se observa em dados discutidos na reunião do dia 12/04/02, juntado as fls. 809/817, do volume 05. Foram desembolsados no ano de 2002: R$ 392.607,24, através de "cheques nominais ao boy da empresa que os sacava na boca do caixa e quitava os boletos" (fls. 810), oriundos das várias empresas do Grupo MAM (OPUS, TASS, FLRS). Esse imóvel foi adquirido em nome do fiscalizado, conforme 41/ Instrumento Particular de Contrato de Promessa de Venda e Compra, juntado as fls. 818/843, do volume 05, assinado pelo fiscalizado em 08/01/2002, sendo que cópias de cheques e boletos de pagamentos estão juntadas as fls. 844/864. Essa Fl. 7749DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 39 75 operação caracteriza aquisição de imóvel, conforme artigo 154 e parágrafos, do RIR/99 (fls. 880 e 905, do volume 05); vii. CONTAS MANTIDAS NO EXTERIOR O recorrente alega que a fiscalização lhe atribui a propriedade dos valores remetidos ao exterior. Argumenta que os documentos estariam em língua estrangeira e seriam ilícitos, não podendo serem utilizados como prova. As contas no exterior seriam legais e se justificam pelo período em que o recorrente residiu fora do país. Como exemplo, estão as remessas de valores para o Uruguai, no ano 2002. Caso os valores já fossem legalmente do recorrente, não precisariam ser enviados ao exterior, como comprovam os documentos dos autos. Exemplifico com os seguintes documentos dos autos relativamente ao envio de recursos para o exterior pelo recorrente: Efl.6134 certificado de depósito em euro em nome do recorrente e sua esposa 100 mil euros 04/05/2002 venc. 04/05/2002 taxa 7.25% Relatório às fls. 912/972 remessa de dinheiro para o exterior, elaborado pela Polícia Federal Estou convicta de que não há dúvidas quanto aos depósitos no exterior. As provas que foram apreendidas são consistentes e poderiam ter sido obtidas através de quebra de sigilo bancário. Apesar dos documentos estarem em língua estrangeira, considerando que contém inclusive a assinatura do contribuinte em alguns, não há que se alegar cerceamento de defesa. Tratamse de documentos bancários que não foram contestados pelo recorrente como sendo inverídicos. Assim, não há que se refutar tais provas com tamanho poder probatório, encontradas com pessoas ligadas à organização comandada pelo recorrente (a sra. Alessandra, a mãe do recorrente, etc.). O recorrente afirma que possui contas no exterior de quando lá morou. Contudo, não comprovou a existência legal dos recursos mencionados nos documentos apreendidos e que foram transferidos para aquelas contas no período fiscalizado. Conforme efl. 6.405 do relatório Fiscal, os valores dos contratos de câmbio representando aportes financeiros efetuados pelo fiscalizado na MAK, foram considerados tanto na planilha de variação patrimonial tanto pela operação de câmbio quanto pela incorporação de capital. Entendo que tais valores não podem ser tributados duas vezes. Desta forma, devem ser exonerados do lançamento, os valores decorrentes dos contratos de câmbio cujos recursos foram vertidos em integralização de capital nas empresas do recorrente. Os contratos Fl. 7750DF CARF MF 76 de câmbio tributados em 2004 e 2005 são nos valores de R$ 341.040,00(efl. 6541) e R$ 2.288.842,97 (efl. 6556), respectivamente. Tais valores relativos aos contratos de câmbio não foram relacionados como origens na planilha de variação patrimonial, pois, por exemplo, no mês de janeiro 2004, quando houve a tributação do contrato de câmbio no valor de R$ 341.040,00, apenas o valor de R$ 271.068,30 fora relacionado como origem. Explico, se tais valores tivessem sido relacionados como origens na planilha de variação patrimonial, então não haveria necessidade de se exonerar os valores dos contratos de câmbio do lançamento. Observo também que a autoridade fiscal foi enfática ao relacionar o valor recebido para integralização do capital da MAK pela Hepburn, com os imóveis adquiridos pela MAK. Desta forma, como os dois valores ( relativos à aquisição de imóveis e à integralização de capital) estão sendo tributados como aplicações, entendo que os valores utilizados para a integralização do capital da MAK, provenientes da HEPBURN que, conforme a autoridade fiscal foram vertidos em imóveis, devem ser exonerados do lançamento. Referese a R$ 2.865.438,50 em 2003 (efl. 6521 e 6534) e R$ 2.321.539,00 em 2002 (efl. 6496 e 6497 e 6500). Da mesma forma que os valores dos contratos de câmbio, estes valores de integralização de capital também não foram incluídos como origens na planilha de variação patrimonial (efls. 6496 e 6497). Assim, devem ser exonerados do lançamento. CONCLUSÃO Entendo que ficou claro nos autos do processo que o recorrente era o verdadeiro sujeito passivo dos fatos geradores lançados. Entretanto, com base nas informações contidas no relatório fiscal e nos autos do processo, afasto as preliminares e, quanto ao recurso voluntário reconheço a exoneração do lançamento relativamente à: a) aplicações de recursos representados pelos contratos de câmbio especificados no lançamento como aplicações (valores de R$ 341.040,00 e R$ 2.288.842,97); b) aplicações de recursos para integralização do capital da empresa MAK nos anos 2002 e 2003 (R$ 2.865.438,50 e R$ 2.321.539,00, respectivamente), conforme lançados no Auto de Infração; e c) omissão de receitas do G8, no valor de R$ 4.459.460,47 para o período janeiro 2004 a abril de 2005 e R$ 934.388,16 para o período 22/07/2005 a 01/11/2005, tendo em vista a fragilidade das provas e da não comprovação, pela autoridade fiscal, de que tais valores já não teriam sido incluídos no lançamento (como transferência de valores, aquisição de participação societária, etc.). Tais valores devem ser também necessariamente excluídos da planilha de APD como origem de recursos. Relativamente ao recurso de ofício, voto pelo provimento, pois o próprio recorrente confessou à Polícia Federal que as receitas da empresa MAMEPP decorriam das atividades de outras empresas do grupo. Ainda, entendo que devem ser aproveitados os recolhimentos de IR relativo aos valores restabelecidos já pagos pela pessoa jurídica MAM EPP. Como consequência, também devem ser tais valores restaurados como origens na planilha do Acréscimo Patrimonial a Descoberto. É como voto. Maria Cleci Coti Martins Relatora Fl. 7751DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 40 77 Declaração de Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Apresento declaração de voto com o fim de registrar a razão pela qual acompanhei a Ilustre Conselheira Relatora no que diz respeito às suas conclusões sobre o mérito do recurso voluntário. Conforme registro consignado em Ata, o julgamento do processo iniciouse em sessão de jan/2017, foi interrompido e retomado nesta sessão de fev/2017. Na sessão passada, começou a apreciação da preliminar de nulidade das provas, quando votou o conselheiro suplente Denny Medeiros da Silveira, que me substituiu, na forma regimental, naquela oportunidade. Por conseguinte, não participei da deliberação no que tange à questão preliminar ao exame de mérito, conforme previsto no art. 59, § 3º, c/c art. 58, §§ 3º a 5º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e alterações. Em tese, caso tivesse proferido voto na questão preliminar, minha avaliação sobre o tema debatido poderia ter sido diferente daquela realizado pelo conselheiro Denny Medeiros da Silveira. Dessa maneira, o Colegiado, pelo voto de qualidade, admitiu no processo administrativo as provas carreadas aos autos pela autoridade lançadora, o que lhes deu legitimidade para dar suporte ao lançamento tributário e corroborar os extensos termos da acusação fiscal. Quero dizer, portanto, que, a meu ver, a discussão sobre a nulidade das provas colhidas pela fiscalização e produção de efeitos no processo administrativo restou superada com a votação da questão preliminar, autorizandose a utilização do conjunto probatório e sua valoração pelo julgador administrativo no exame de mérito. Fixada tal premissa, que entendo fundamental, a Relatora discorreu detalhadamente em seu voto a respeito das questões controvertidas de mérito, confrontando acusação fiscal e defesa, e concluiu que a autoridade lançadora apoiou o lançamento de ofício em um conjunto de indícios robustos, sérios e convergentes, ganhando, assim, força probante para a manutenção parcial do crédito tributário. Fl. 7752DF CARF MF 78 Convencido, acompanhei a Relatora, acolhendo as suas conclusões sobre as matérias de mérito, nos termos do voto que proferiu. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cleberson Alex Friess Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Divirjo da i. Relatora quanta a possibilidade de utilização das provas anuladas pelo poder judiciário no presente processo administrativo de lançamento de crédito tributário. Primeiramente, destaco a conclusão do voto vencedor no Habeas Corpus nº. 142.045PR, onde foi concedida a ordem ao Sr. Marco Antonio Mansur, ora recorrente, para se declarar a nulidade das provas colhidas na operação dilúvio após o vencimento do período legal de interceptações telefônicas: Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC76.686 (6ª Turma, sessão de 9.9.08), reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que "toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas" seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito. Ora, o comando é nítido: reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, para o fim de que "toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas seja, também, considerada ilícita". De absoluta clareza a decisão transitada em julgado no órgão máximo do Poder Judiciário para apreciar a matéria lá em julgamento. Reproduzase, também, a ementa: Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Princípio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindo se, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". Fl. 7753DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 41 79 2. A Lei nº. 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Inexistindo, na Lei nº. 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei nº. 9.296/96 (art. 5º), que seja, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2º) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explícita ou implícita violação do art. 5º da Lei nº. 9.296/96, evidente violação do princípio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito. Assim, a mim, não restam dúvidas de que o Poder Judiciário, em decisão de mérito definitiva e transitada em julgado, declarou a nulidade das provas. Importante mencionar, dentre centenas e centenas, quais seriam essas provas: a) relatórios; b) planilhas; c) depoimentos; d) documentos; Todo, todo o material obtido pela Polícia Federal após o prazo mencionado pelo Superior Tribunal de Justiça (60 dias das interceptações telefônicas) foi ANULADO. Ora, e se anulado, não produz efeitos, não existe, foi extirpado do mundo jurídico e assim não tem o condão de produzir qualquer efeito. Destacase que o voto condutor da i. Relatora baseiase, inúmeras vezes, nos documentos que foram anulados pelo STJ: depoimentos, planilhas, relatórios, documentos, todos, absolutamente todos produzidos ou obtidos pela Polícia Federal e que, como se sabe, foram anulados. Assim, ante este simples e único fato, entendo que não há nos autos provas válidas que atestem o auferimento de renda pelo recorrente e assim ensejem a manutenção do presente lançamento. Todas as provas, indícios, documentos, acusações, relatórios, tudo, absolutamente tudo constante no presente processo administrativo é decorrente da operação dilúvio e fora anulado pelo Poder Judiciário. Por essa razão, entendo haver nítido desrespeito à decisão judicial, que anulou aquelas provas e as extirpou do mundo jurídico, porém, aqui estão reverberando e produzindo efeitos. Pergunto: qual a validade da planilha mencionada no voto condutor do Fl. 7754DF CARF MF 80 presente acórdão? Qual a veracidade dos depoimentos que consubstanciam as razões do mesmo voto, sendo que estes não existem, pois, se foram anulados, não tem o condão de produzir efeitos? Os documentos que indicariam o repasse de valores, ilegalmente obtidos, foram ou não fundamentais para a conclusão do presente acórdão? Evidentemente, razão pela qual me posicionei pela total improcedência do presente lançamento, bem como da própria nulidade do processo administrativo fiscal, o presente lançamento é vazio, oco, pois desprovido de documentos válidos e legais que corroborem eventuais receitas omitidas e acréscimo patrimonial a descoberto do ora recorrente. Nesse sentido, entendo como fundamental a aplicação do art. 5º, LVI, da Constituição Federa: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LVI são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; A Constituição Federal estabelece, claramente, a inadmissibilidade, NO PROCESSO (sem qualquer distinção se no judicial ou administrativo, ou seja, em ambos) das provas obtidas por meios ilícitos. Ora, as provas do presente processo foram obtidas por meios ilícitos? Sim. São provas obtidas por meios ilícitos não pela opinião pessoal deste conselheiros, mas sim por determinação judicial transitada em julgado do Superior Tribunal de Justiça. E, se foram as provas obtidas por meios ilícitos e consequentemente anuladas, absolutamente inadmissível o seu aproveitamento no presente processo administrativo fiscal para a manutenção do presente lançamento. Ademais, destacase que poderia o presente lançamento subsistir, ainda que tenha se utilizado de provas anuladas/ilícitas, acaso fosse possível separálas de provas obtidas licitamente e/ou que não tivessem sido anulados pelo Poder Judiciário. Em vista disso, neste exato sentido esta turma julgadora, conforme mencionado no voto condutor acima, determinou a realização de diligência para que a autoridade fiscal fizesse a separação das provas que ancoravam o presente lançamento entre aquelas obtidas através da operação dilúvio (e consequentemente anuladas pelo STJ) e aquelas obtidas licitamente ou de modo autônomo pela Receita Federal do Brasil. E, apresentada a manifestação da autoridade fiscal, qual foi a conclusão? Que não seria possível fazer essa separação, apresentando ainda argumentos absolutamente evasivos e genéricos, como se o que fora anulado pelo STJ fosse somente a prova obtida "através da interceptação telefônica" e não todas aquelas decorrentes da interceptação telefônica. Lamentável. Destacase, também, que este é o entendimento corriqueiro neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao ponto de este mesmo contribuinte, ora recorrente, em Fl. 7755DF CARF MF Processo nº 19515.007874/200881 Acórdão n.º 2401004.578 S2C4T1 Fl. 42 81 julgamento absolutamente idêntico (referente ao anocalendário de 2001) se manifestou, por unanimidade, pela total improcedência do lançamento calcado em provas ilícitas: NULIDADE DE PROVAS. DECISÃO JUDICIAL. A decisão judicial que declara a nulidade da prova, em decorrência da forma como foi produzida, faz com que elas sejam extirpadas do mundo jurídico, não podendo gerar efeitos para o processo administrativo. (CARF, 2ª T.O., 4ª Câm., 2ª Seção. Acórdão nº. 2202003.481. Sessão de 13/07/2016). Por essas razões, bem como pelos argumentos trazidos no voto condutor, estou absolutamente convencido de que o presente lançamento é totalmente dependente das provas obtidas ilicitamente na Operação Dilúvio (assim decidido pelo Superior Tribunal de Justiça), razão pela qual deve ser considerado improcedente. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 7756DF CARF MF
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