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Numero do processo: 10768.005702/99-10
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 2007
OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL.
Constatado a inexistência de omissão, obscuridade, contradição ou erro material do Acórdão, impõe rejeitar os Embargos de Declaração.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Exercício: 2007 OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. Constatado a inexistência de omissão, obscuridade, contradição ou erro material do Acórdão, impõe rejeitar os Embargos de Declaração. Embargos Rejeitados.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2007 OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. Constatado a inexistência de omissão, obscuridade, contradição ou erro material do Acórdão, impõe rejeitar os Embargos de Declaração. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração. Ausente o Conselheiro Ivan Allegretti. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 57 02 /9 9- 10 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de Embargos Declaratórios interposto pela Fazenda Nacional ao Acórdão nº de dessa Turma, sustentando que o posicionamento estabelecido no RE 566.621/RS, no qual o STF reconheceu a aplicação do prazo prescricional de dez anos somente para os pedidos de restituição ajuizados antes do início de vigência da Lei Complementar nº 118/2005. Assim, entende que não houve força vinculante para os pedidos realizados no âmbito administrativo, haja vista, a questão de pedido em sede administrativa não tenha aparecido de modo determinante no Recurso Extraordinário, por esse motivo afirma que não há como concluir com segurança se o Supremo Tribunal Federal estendeu a equivalência entre demanda administrativa e judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Os Embargos Declaratórios servem para resolver as questões de obscuridade, contradição e ponto omissos sobre o qual devia pronunciar o julgador. No caso concreto o entendimento da Procuradoria da Fazenda Nacional, apoiado no parecer do Procurador Geral da Fazenda Nacional, é de que inexiste vinculação como restou decidido pela Suprema Corte que teria tratado especificamente de pedidos ajuizados e não solicitados pela via administrativa. Resta claro que não trata de obscuridade, omissão, contradição ou erro material do acórdão. A meu ver, tratase de esclarecimento de dúvida quanto ao fundamento da decisão, o que atualmente não se aceita pela doutrina e jurisprudência em sede de embargos declaratórios. Ainda, assim, tenho que a interpretação a ser dada a decisão contida no Recurso Extraordinário comentado, que reconheceu o prazo prescricional de dez anos somente para os pedidos de restituição ajuizados antes do início de vigência da Lei Complementar nº 118/2005, é plenamente aplicável em sede administrativa. A razão pela qual levaram o Legislador Constitucional editar a Emenda Constitucional nº 45, acrescentando o § 3º ao artigo102 da Carta da República, desafogar o excessivo afluxo de processos ao Supremo Tribunal Federal, autorizando desse modo a Corte guardiã da Constituição Federal se manifestar sobre o assunto uma única vez acerca da questão levada ao seu conhecimento. Transportando para o ambiente administrativo a intenção do Legislador Constitucional, independentemente da Corte deixar de mencionar expressamente que a regra estende aos processos administrativo, clarividente que assunto extrapola os limites judiciais e Fl. 450DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.005702/9910 Acórdão n.º 3403002.577 S3C4T3 Fl. 4 3 alcança a seara administrativa, pois é a solução para o excesso de recursos examinados com o mesmo tema. É como ensina o professor Arakem de Assis, in Comentários ao Código de Processo Civil, pg. 319: “... Fatores que determina e existência e a inexistência a repercussão geral e conceito do instituto. A repercussão geral é conceito jurídico indeterminado, que necessariamente envolve um elevado teor de subjetividade na aplicação in concreto. Porém, é possível prever, como fatores e circunstâncias que determinam a existência da repercussão geral, os seguintes... (g) o julgado recorrido abarca questão constitucional muito controversa na jurisprudência e na literatura especializada; h) o julgado recorrido decidiu questão que interessa a muitas pessoas. Com essas considerações, voto no sentido de conhecer do recurso e rejeitálo. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 451DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.724030/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS.
Considera-se não formulado o pedido de perícia que não contiver os requisitos estabelecidos pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 março de 1972.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS PAGOS POR PESSOAS JURÍDICAS. SÚMULA CARF Nº 12.
Caracterizam omissão de rendimentos, os valores dos depósitos efetuados por pessoas jurídicas na conta corrente de seu sócio e/ou administrador, sem justificativa para tais operações, conforme o art. 38 do RIR/99. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Numero da decisão: 2201-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$317.790,24, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considera-se não formulado o pedido de perícia que não contiver os requisitos estabelecidos pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 março de 1972. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS PAGOS POR PESSOAS JURÍDICAS. SÚMULA CARF Nº 12. Caracterizam omissão de rendimentos, os valores dos depósitos efetuados por pessoas jurídicas na conta corrente de seu sócio e/ou administrador, sem justificativa para tais operações, conforme o art. 38 do RIR/99. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$317.790,24, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
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DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE. ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 26. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS PAGOS POR PESSOAS JURÍDICAS. SÚMULA CARF Nº 12. Caracterizam omissão de rendimentos, os valores dos depósitos efetuados por pessoas jurídicas na conta corrente de seu sócio e/ou administrador, sem justificativa para tais operações, conforme o art. 38 do RIR/99. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que não contiver os requisitos estabelecidos pelo art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235, de 6 março de 1972. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 40 30 /2 01 1- 22 Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10469.724030/201122 Acórdão n.º 2201002.152 S2C2T1 Fl. 1.648 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$317.790,24, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (Assinado digitalmente) MARCIO DE LACERDA MARTINS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes, Eduardo Tadeu Farah, Nathália Mesquita Ceia e Marcio de Lacerda Martins. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Relatório Lavrado Auto de Infração para exigir do contribuinte acima identificado o crédito tributário de R$ 1.965.088,68, sendo R$ 674.222,43 de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício de 2007, R$1.011.333,64 de multa de ofício de 150% e R$279.532,61 de Juros de mora (calculados até 29/04/2011). Da DIRPF/2007 O contribuinte apresentou declaração de ajuste anual (fl. 29 a 31), para o exercício de 2007, em modelo simplificado, informando rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas no valor de R$16.500,00 sem identificálas , indicando somente “diversos clientes”. Na declaração de bens e direitos consta um único registro de “Capital social da firma Silvio Empreendimentos Imobiliários Ltda – Brasil” no valor de R$49.500,00; sem qualquer incremento de valor no anobase. Do lançamento Constatado, pela autoridade fiscal, a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta corrente bancária, mantida no Banco do Brasil, no ano calendário de 2006, que totalizaram R$1.320.790,24, (fls.25 e 26), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10469.724030/201122 Acórdão n.º 2201002.152 S2C2T1 Fl. 1.649 3 Assim, os créditos não comprovados foram distribuídos nos meses de fevereiro, abril, maio, julho agosto e dezembro de 2006 conforme Demonstrativo de fl. 16. A fiscalização constatou, ainda, a ocorrência de omissão de rendimentos recebidos das pessoas jurídicas: Sílvio Empreendimentos Imobiliários Ltda., JDG Investimentos Imobiliários Ltda., Jorla Investimentos Imobiliários Ltda. e Terra Latina Investimentos Imobiliários Ltda. Os depósitos originados dessas empresas totalizaram R$ 1.139.513,00 e estão listados na planilha de fls. 27 e 28. Constatada a ocorrência de fraude documental, a multa de ofício aplicada foi qualificada, conforme preceitua a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 44. A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada porque o contribuinte agiu dolosamente ao apresentar contratos em que não figurou como parte, substituindo o nome da pessoa jurídica Sílvio Empreendimentos Imobiliários Ltda pelo seu próprio nome. Da Representação Fiscal para Fins Penais e arrolamento de bens Foram formalizados os processos administrativos nº 10469.724203/201111 para a Representação Fiscal para Fins Penais e nº 10469.724200/201179 para o arrolamento de bens do contribuinte. Da Impugnação O contribuinte apresentou impugnação de fls. 1.443 a 1.454 com as alegações sintetizadas a seguir. Em preliminar, argüiu ilegalidade da quebra do seu sigilo bancário e acesso às suas contas correntes sem autorização judicial, tornando nula a autuação realizada. Requer perícia contábil em todas as contas dos depositantes para apurar a aplicação dos valores e as transferências entre contas. Para tanto designa perito. No mérito, informa que, como corretor de imóveis e administrador de empresas, recebe vultosas quantias para efetuar transações imobiliárias para atender seus clientes e que, portanto, esses valores não representam rendimentos próprios. Assim, informa que os depósitos realizados pelas pessoas jurídicas Sílvio Empreendimentos Imobiliários Ltda, JDG Investimentos Imobiliários Ltda, Jorla Investimentos Imobiliários Ltda e MJB Investimentos Imobiliários estão relacionados a pagamentos que realizou em transações imobiliárias e despesas correspondentes, tudo conforme Livros Diário das depositantes. Que os depósitos provenientes das contas de sua esposa e de seus pais João Ursulino da Silva e Marilete Ribeiro da Silva representam “meras transferências”, “sem que isto se constitua renda do impugnante”. Assume que recebeu comissões por trabalhos realizados para o Escritório de Advocacia Diógenes Cunha Lima de R$ 45.000,00 em 17/04 e R$15.990,24 em 12/04/2006. Da decisão de 1ª instância Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10469.724030/201122 Acórdão n.º 2201002.152 S2C2T1 Fl. 1.650 4 A 5ª Turma da DRJ de Recife, por meio do Acórdão 1137.406, de 27/06/2012, julgou a impugnação improcedente com base nos argumentos sintetizados a seguir. Rejeitada a preliminar de nulidade pelo uso de dados bancários no lançamento sem autorização judicial. As autoridades julgadoras consideraram legais os procedimentos relacionados ao lançamento e a utilização dos dados bancários autorizada pela Lei Complementar nº 105, de 2001. O lançamento foi realizado a partir dos depósitos bancários cuja origem não foi comprovada com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. As autoridades julgadoras consideraram a perícia desnecessária face aos elementos constantes dos autos que permitem a solução da lide e, também, em virtude da ausência dos requisitos exigidos pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Em relação à omissão de rendimentos com base em depósitos não comprovados cujos depositantes são o próprio contribuinte e seus familiares, as autoridades julgadoras não aceitaram a justificativa de “meras transferências” sem que se justificasse o motivo para essas operações e se esses valores já haviam sido tributados. Quanto aos valores oriundos das pessoas jurídicas, o impugnante alegou tratarse de valores brutos de transações imobiliárias que transitaram pela sua conta pessoal mas que são receitas das pessoas jurídicas e não representam rendimentos de sua pessoa física. Entretanto, as pessoas jurídicas identificadas, com exceção da Sílvio Empreendimentos Imobiliários Ltda, não tiveram receitas no ano de 2006, conforme informaram em suas DIPJ. A receita declarada pela Sílvio Empreendimentos Ltda não justifica os valores depositados. Do Recurso Voluntário Cientificado do Acórdão nº 1137.406 em 6/08/2012, AR fl. 1.629, após tentativa frustrada por erro conforme registro de fl.1.626, o contribuinte apresentou em 5/09/2012 o Recurso Voluntário de fls. 1.633 a 1640 com as razões de fato e de direito que são resumidas a seguir. Em preliminar, requer a anulação da decisão que indeferiu o pedido de perícia pelo duplo motivo de estar fundamentado em legislação revogada (Decreto nº 70.235/1972) e pela redação do novo diploma legal (Decreto nº 7.574/2011) não prever a situação já revogada. Pede que se julgue procedente o recurso apresentado para modificar a decisão de primeira instância para anular o Auto de Infração lavrado com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, pois as movimentações ocorridas nas contas do recorrente são meras “passagens” de recursos financeiros para realização de negócios imobiliários. Solicita, também, que seja anulado o Auto de Infração lavrado com fulcro no art. 38 do RIR/1999 uma vez que não se comprovam a renda e o benefício advindos dos rendimentos porventura omitidos pelo contribuinte. Na eventualidade de não serem acatadas suas legítimas razões, solicita que a exação seja calculada com base no lucro imobiliário ou por equiparação à pessoa jurídica. É o Relatório. Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10469.724030/201122 Acórdão n.º 2201002.152 S2C2T1 Fl. 1.651 5 Voto Conselheiro Marcio de Lacerda Martins O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para que seja admitido e conhecido. Análise das preliminares Sobre a preliminar de sobrestamento arguida pelo Conselheiro Odmir Fernandes, entendo que a mesma não deve ser acolhida, pois o caso em apreço não se subsume ao § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Com efeito, de acordo com a Portaria CARF nº 01/2012, o procedimento de sobrestamento somente será aplicado nas hipóteses em que houver sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o sobrestamento de Recursos Extraordinários que versem sobre matéria idêntica àquela debatida na Suprema Corte. Ademais, a tese de sobrestamento não foi acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. O contribuinte requer a nulidade da decisão prejudicada, segundo seu entendimento, pela negativa de realização da perícia contábil, peça que ele considera essencial para a elucidação da lide. As autoridades julgadoras consideraram dispensável a perícia frente aos elementos disponíveis nos autos e pela ausência dos quesitos que deveriam ser apresentados pelo recorrente além da indicação do perito. O requerente não aceita tal argumentação e reforça seu pedido que, uma vez atendido, promete indicar o perito e formular os quesitos. Não considera justificável a negativa do seu pedido pois entende que, no processo administrativo, as autoridades devem ser mais flexíveis em suas exigências quando comparados com o processo judicial que, inclusive, permite a indicação do perito e a formulação dos quesitos após o deferimento do pedido. Requer o deferimento do pedido de perícia para demonstrar que os recursos depositados em suas contas correntes não são todos receitas de sua pessoa física. Frente às disposições aplicáveis ao processo administrativo fiscal não tem como prosperar o pedido do recorrente. As regras impostas ao processo administrativo admitem a realização de perícia quando imprescindível para a elucidação de fatos que não podem ser esclarecidos nos autos. Não é o caso deste processo. Os fatos descritos nos autos são suficientes para propiciar a análise e a interpretação dos mesmos frente à legislação aplicável. A fiscalização descreveu em detalhes seus procedimentos, o recorrente apresentou os elementos que considerou relevantes para o esclarecimento da situação. Exerceu plenamente seu direito de defesa, tanto nas respostas às intimações fiscais quanto na impugnação apresentada e as autoridades julgadoras analisaram e justificaram a decisão que tomaram, indicando os dispositivos legais pertinentes. Dentre os dispositivos mencionados, o Decreto 70.235, de 1972, que regulamenta os procedimentos processuais aplicáveis ao processo administrativo fiscal tem força de lei e somente pode ser alterado por lei ordinária. Não foi revogado pelo Decreto 7.574, de 2011, e encontrase plenamente vigente. Assim, no que se refere ao pedido de perícia, deve ser observado o disposto nos arts. 16 e 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, a saber: Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10469.724030/201122 Acórdão n.º 2201002.152 S2C2T1 Fl. 1.652 6 Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...] Ratifico a decisão de primeira instância e nego o pedido de perícia assim como reconheço a validade do Auto de Infração e do Acórdão de primeira instância, isentos que estão de qualquer vício que lhes imponha nulidade. Rejeito, portanto, as preliminares argüidas pelo recorrente. Do Mérito Referindose ao lançamento realizado com base nos depósitos cuja origem não foi comprovada, o recorrente se insurge contra o entendimento de que houve omissão de rendimentos na pessoa física quando não restou provado, pelo Fisco, o acréscimo de seu patrimônio nem o consumo desses recursos. Nesse ponto é importante salientar que o lançamento realizado com base na presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, quando efetuado após oferecido ao contribuinte, beneficiário dos depósitos, a oportunidade de esclarecer a origem dos valores, dispensa o Fisco de comprovar o consumo dessa renda. Esse entendimento encontrase pacificado neste Colegiado sendo, inclusive, tema da Súmula CARF nº 26, a conferir: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Quanto à parte do lançamento que apontou a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, com base no art. 38 do RIR/99, o recorrente alega que não há, nos autos, nenhum elemento de prova que permita considerar tais valores como renda de sua Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10469.724030/201122 Acórdão n.º 2201002.152 S2C2T1 Fl. 1.653 7 pessoa. Os valores identificados em sua conta corrente não passam de depósitos transitórios destinados a transferências imediatas, relacionadas a transações imobiliárias. Assim, não poderiam ser tratadas como renda pessoal sem que se apurasse a existência de eventual lucro imobiliário. O recorrente alega que os depósitos originários das pessoas jurídicas não poderiam ser tributados como rendimentos de sua pessoa física, pois não contribuíram para formar seu patrimônio nem sustentaram seus gastos pessoais. Alega também a necessidade de se apurar o eventual lucro nas transações imobiliárias e, aí sim, tributar os resultados. Aqui resta esclarecer que, quando intimado para justificar a origem dos depósitos, o recorrente teve a oportunidade de demonstrar os resultados de sua atividade. Assim, no momento oportuno, o recorrente demonstraria, para cada transação, os valores envolvidos na alienação, o custo do imóvel, data e forma de alienação, etc desde que tais imóveis compusessem seu patrimônio declarado. Não foi o que ocorreu. A fiscalização apurou que tanto as pessoas jurídicas envolvidas como o recorrente não ofereceram ao Fisco, por meio de suas declarações, informações que comprovassem o alegado. É o que foi constatado em pesquisa às Declarações de Informação da Pessoa Jurídica – DIPJ das quatro empresas das quais o recorrente era sócio e/ou administrador no ano de 2006 (telas do CNPJ às fls. 756 a 764 e cópias das DIPJ às fls. 1.579 a 1.601), todas apontando a inexistência de rendimentos pagos ao recorrente. Ademais, com exceção da Sílvio Empreendimentos Imobiliários Ltda, as outras empresas não obtiveram receita naquele ano de 2006. Assim, os depósitos identificados como oriundos das pessoas jurídicas das quais o recorrente era sócio e/ou administrador no ano de 2006 foram devidamente lançados como omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na pessoa física do recorrente, independentemente da fonte pagadora não ter efetuada a retenção. É o entendimento pacificado neste Colegiado a teor da Súmula CARF nº 12, in verbis: Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, mantenho íntegro o lançamento efetuado por omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, art. 38 do RIR/99, no total de R$ 1.139.523,00. No lançamento efetuado a partir da não comprovação da origem dos depósitos, a fiscalização, após a conciliação efetuada para excluir os resgates de contas de investimento e de poupança, os cheques devolvidos e os estornos de depósitos, apurou o montante de R$1.320.790,24. Compõe esse valor os depósitos de R$15.990,24, em 12/04/2006, e R$ 45.000,00 em 17/04/2006. Esses valores foram pagos ao recorrente, a título de comissão por serviços prestados, pelo Escritório de advocacia Diógenes da Cunha Lima. O lançamento aqui foi equivocado porque efetuado com base na presunção legal quando deveria ser enquadrado como omissão de rendimentos recebidos por pessoa jurídica. Entendo que, como regra geral, os depósitos que possam ter a fonte pagadora Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10469.724030/201122 Acórdão n.º 2201002.152 S2C2T1 Fl. 1.654 8 identificada com informações, não contestadas, do motivo do pagamento, devem ser lançados com enquadramento mais específico. Evitase assim a utilização da presunção legal, prevista no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, de forma generalizada nos lançamentos quando há tipificação mais adequada. Também considero equivocado o lançamento, com base no artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dos depósitos que possuem a identificação dos depositantes sem que a fiscalização tivesse intimado as pessoas para esclarecerem a motivação para tais depósitos/pagamentos. Assim, os depósitos, mesmo aqueles realizados por parentes do recorrente, que estão identificados demandariam do Fisco procedimento para a busca de esclarecimentos junto aos depositantes. Na falta de justificativa consistente, aí sim, a presunção legal deve ser aplicada. Já no que se refere aos depósitos realizados pela empresa MJB Investimentos Imobiliários Ltda, totalizando R$813.000,00, a fiscalização não poupou esforços para buscar a verdade dos fatos. Há no processo evidências obtidas pela fiscalização que a justificativa apresentada pelo recorrente não condiz com a verdade dos fatos. Sob intimação, a Sra. Lindalva de Melo Rodrigues “rechaça totalmente as negociações realizadas de acordo com os contratos juntados pelo Sr. Sílvio Ursulino, posto que não condizem com a verdade, conforme documentação em anexo”. Assim, apesar da identificação da depositante, restou sem comprovação hábil e idônea a origem justificada dos valores creditados, uma vez insubsistente a justificativa apresentada pelo recorrente. O depósito de R$190.000,00 que, no quadro de fl. 25, consta como depositante somente a informação “depositante do Bradesco” deve ser mantido por falta de identificação do depositante e dos motivos da operação. O quadro abaixo resume, por mês, os valores mantidos e exonerados do lançamento como Omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada (art.42 da Lei nº 9.430, de 1996). Fato gerador Valor tributado Exonerado Mantido 28/02/2006 R$130.000,00 R$130.000,00 30/04/2006 R$60.990,24 R$60.990,24 31/05/2006 R$273.000,00 R$273.000,00 31/07/2006 R$648.800,00 R$83.800,00 R$565.000,00 31/08/2006 R$165.000,00 R$165.000,00 31/12/2006 R$43.000,00 R$43.00,00 Total R$1.320.790,24 R$317.790,24 R$1.003.000,00 Quanto ao pedido de equiparação à pessoa jurídica e a tributação dos valores relacionados com a atividade imobiliária, cabe esclarecer que o recorrente não demonstra os Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10469.724030/201122 Acórdão n.º 2201002.152 S2C2T1 Fl. 1.655 9 requisitos exigidos para tal procedimento. Ademais, restou provado que o recorrente é sócio e/ ou administrador de pessoas jurídicas sem que tenha contabilizados as operações nas referidas empresas e oferecido à tributação. Pelo contrário, apropriouse de receitas e utilizouse delas da forma como desejou. Diante de todo o exposto, rejeito as preliminares arguidas pelo recorrente e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento com base nos depósitos bancários o valor de R$317.790,24. (Assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins – Relator Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO Processo nº 10469.724030/201122 Acórdão n.º 2201002.152 S2C2T1 Fl. 1.656 10 INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201 002.152. Brasília, 18 de outubro de 2013 (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 1ª TO / 2ª Câmara / 2ª Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: ______/______/_______ _____________________________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10 /2013 por MARCIO DE LACERDA MARTINS, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por MARIA HELENA COTTA CARD OZO
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Numero do processo: 10675.002137/2006-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA. NÃO ENFRENTAMENTO NA DECISÃO PROFERIDA NO ÓRGÃO A QUO. INVIABILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se pode conhecer de recurso especial, no qual se inaugura discussão não travada perante o órgão a quo, por ausência de prequestionamento e, pois, de impossibilidade de configuração da divergência jurisprudencial.
IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. Com fulcro na legislação tributária de regência, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a comprovação da área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, independe de averbação tempestiva junto à inscrição do imóvel, bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação.
In casu, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material.
Recurso especial conhecido em parte e provido.
Numero da decisão: 9202-002.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA. NÃO ENFRENTAMENTO NA DECISÃO PROFERIDA NO ÓRGÃO A QUO. INVIABILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se pode conhecer de recurso especial, no qual se inaugura discussão não travada perante o órgão a quo, por ausência de prequestionamento e, pois, de impossibilidade de configuração da divergência jurisprudencial. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL - ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. Com fulcro na legislação tributária de regência, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a comprovação da área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, independe de averbação tempestiva junto à inscrição do imóvel, bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. In casu, tratando-se de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, impõe-se o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial conhecido em parte e provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior - Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA. NÃO ENFRENTAMENTO NA DECISÃO PROFERIDA NO ÓRGÃO A QUO. INVIABILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se pode conhecer de recurso especial, no qual se inaugura discussão não travada perante o órgão a quo, por ausência de prequestionamento e, pois, de impossibilidade de configuração da divergência jurisprudencial. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. DECLARAÇÃO CONTRIBUINTE. Com fulcro na legislação tributária de regência, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, a comprovação da área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, independe de averbação tempestiva junto à inscrição do imóvel, bastando que o contribuinte a declare como tal na DITR, ficando sujeito ao pagamento do imposto devidamente corrigido na hipótese de falsidade na informação. In casu, tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente demonstrando a averbação junto à matrícula do imóvel, ainda que posteriormente ao fato gerador do tributo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Recurso especial conhecido em parte e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 21 37 /2 00 6- 13 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira e Maria Helena Cotta Cardozo. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório O Contribuinte inconformado com o decidido no Acórdão de n° 220200.817, proferido em 19/10/2010, interpõe Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 23/03/2011, conforme AR constante às fls. 194, o contribuinte protocolizou o seu Recurso Especial, em 05/04/2011, isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Suscita o recorrente que, nos termos do art. 67 do Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Em sessão plenária de 19/1012010, a 2ª Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o Recurso Voluntário n° 340.642, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 220200.817, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL 1TR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.002137/200613 Acórdão n.º 9202002.855 CSRFT2 Fl. 11 3 reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA (VTN), ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). LAUDO DE AVALIAÇÃO. O artigo 80 da Lei n° 9.393, de 1996, determina que o Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT) refletirá o valor de mercado no dia 1° de janeiro de cada exercício, O Valor da Terra Nua (VTN) poderá ser demonstrado através de laudo de avaliação. Os dados do Sistema de Preços de Terras (SIPT) só devem permanecer se o contribuinte não conseguir demonstrar o valor adequado de mercado. No caso em concreto a matéria não foi impugnada em sede de primeira instância. RECURSO NEGADO. Acórdão n° 2202.00.817 2° Câmara/2° Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2010. O recurso está manejado quanto à discussão sobre a necessidade de comprovação das áreas declaradas como de reserva legal, seja por averbação à margem de matrícula do imóvel, seja por apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, no prazo estabelecido, bem como quanto ao arbitramento com base no SIPT para cálculo do Valor da Terra Nua. Para fundamentar sua pretensão recursal, a Contribuinte apresenta os seguintes acórdãos paradigmas: 210100.492 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO CONDICIONADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL, OBRIGATORIEDADE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO ATÉ O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, • então, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.' 10.165100, que alterou o conteúdo do art. 170, §]', da Lei n. ° 6.938181. Contudo, referido dispositivo não fixa prazo determinado para a apresentação do ato declaratório, tampouco a necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. Diante dessa lacuna, na forma como estatuído pelo art. 97, inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Considerandose que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder de polícia do IBAMA, denota se que sua entrega até o início da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo, pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área. Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA),editado pelo IBAMA em 2010. Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mediante a apresentação de laudo técnico e de cópia da matrícula do imóvel com a respectiva averbação. Recurso provido. 220200.570 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art, 17 na Lei n° 6.9.38, de 1981, por força da Lei n° 10,165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo 1BAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matricula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. IMPOSTO TERRITORIAL, RURAL. VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO. REVISÃO, LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO — FORMA DE APRESENTAÇÃO — NORMAS DA ABNT Laudo técnico de avaliação, mesmo não atendendo aos requisitos estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), pela norma NBR n° 8399 ou qualquer outra, mas contendo elementos de prova suficientes o bastante para demonstrar características do imóvel em discussão que o Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.002137/200613 Acórdão n.º 9202002.855 CSRFT2 Fl. 12 5 diferenciam em relação a outros imóveis do mesmo município de localização, ensejando um valor tributável pelo valor da terra nua inferior ao VTNni fixado pela SRF tendo por base as DITR, deve ser acolhido para revisão dos cálculos e apuração do valor tributável correspondente. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção prolatou Despacho n. 220000.511 [fls. 268 e ss] que, em síntese, decidiu pelo seguimento do Especial interposto: Do simples confronto do voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é necessidade de comprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente, por meio da averbação tempestiva à margem da matricula do imóvel, bem como da protocolização tempestiva do requerimento do ADA, bem como ao arbitramento com base no SIPT para cálculo do Valor da Terra Nua. Assim, o mero cotejo do voto condutor do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas caracteriza as divergências, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, o acórdão recorrido entende ser necessário que as áreas de preservação permanente e de reserva legal sejam provadas por meio da protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental — ADA, bem como da averbação à margem da matrícula do imóvel, até a data do fato gerador do imposto, ao passo que o acórdão paradigma n° 210100,492 mostra entendimento diferente no que se refere à mesma questão: de que a apresentação intempestiva do ADA e mesmo a averbação à margem da matrícula do imóvel, em data posterior ao fato gerador do imposto não seriam motivos para descaracterizar as áreas declaradas como de reserva legal e de preservação permanente. Da mesma maneira, quanto ao arbitramento com base no Sistema de Preços de Terras — SIPT — para cálculo do VTN, o aresto recorrido entende que, caso o contribuinte não consiga demonstrar o valor adequado de mercado, deve prevalecer o arbitramento com base no SIPT, enquanto o julgado paradigma n° 220200.570 entende que deve ser aceito o laudo técnico de avaliação, mesmo que não atenda aos requisitos estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), para fins de mensuração do Valor da Terra Nua —VTN. Assim, estabelecese a requerida divergência jurisprudencial nas duas matérias apontadas pelo contribuinte. Intimado do Especial e Despacho, a PFN apresentou contrarrazões [fls. 277 e ss] que ratifica os termos do decisum recorrido. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 É o relatório Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator Cumpre informar, inicialmente, que o recurso especial de que trata o art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/09, com as alterações das Portarias MF nº 446, de 27/08/09, e 586, de 21/12/10, publicadas nos DOU de 31/08/09 e de 22/12/10, respectivamente, é cabível no caso de existência de divergência jurisprudencial no âmbito deste Conselho. Por conseguinte decisões judiciais contrárias ao entendimento proferido no acórdão recorrido não têm o condão de demonstrar o dissenso jurisprudencial, que constitui pressuposto de admissibilidade do citado recurso. O recurso está manejado quanto à discussão sobre (i) a necessidade de comprovação das áreas declaradas como de reserva legal, seja por averbação à margem de matrícula do imóvel, seja por apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, no prazo estabelecido; (ii) bem como quanto ao arbitramento com base no SIPT para cálculo do Valor da Terra Nua. Apesar do seguimento do Recurso Especial quanto à matéria (ii), constante do Despacho n. 220000.511 [fls. 268 e ss], entendo que os paradigmas utilizados não dão guarida à Contribuinte. Para o não provimento do recurso voluntário o Acórdão recorrido se utilizou dos seguintes fundamentos: VALOR DA TERRA NUA – VTN No que diz respeito ao arbitramento do valor da terra nua – VTN, efetuado pela autoridade lançadora. Podemos verificar que o Recorrente em sua impugnação, não fez menção alguma a essa matéria, portanto ela não foi impugnada. Desta forma, não há possibilidade de apreciarmos essa matéria novamente em sede de recurso. Nesse sentido nego provimento ao recurso do contribuinte quanto ao VTN. A matéria não foi apreciada pelo Órgão Julgador a quo por ausência de impugnação. Da análise dos paradigmas não vislumbro similitude fática e jurídica. Dessa forma, não conheço do Recurso Especial nesta parte. I ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.002137/200613 Acórdão n.º 9202002.855 CSRFT2 Fl. 13 7 Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 17/08/2006, o Auto de Infração/anexos de fls. 02 e 27/34, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 220.215,58, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2002, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 31/07/2006, incidentes sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Boa Vista" (NIRF 2.954.9175), localizado no município de Patrocínio MG. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2002, a fiscalização resolveu lavrar o auto de infração, glosando totalmente as áreas declaradas como sendo de utilização limitada, de 959,7 ha, além de alterar o VTN declarado de R$ 1.200.000,00 (R$ 461,11/11a) para R$ 2.992.960,00 (R$ 1.150,07/ha), com base nos valores apontados no SIPT. Desta forma, foi aumentada a área aproveitada do imóvel, juntamente com a sua área utilizável, com redução do Grau de Utilização dessa nova área utilizável. Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado — devido à glosa da área ambiental e ao novo valor atribuído ao VTN do imóvel , bem como a respectiva alíquota de cálculo, alterada de 0,30% para 3,40%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls. 29. O recurso está manejado quanto à discussão sobre a necessidade de apresentação do ADA para reconhecimento de isenção do ITR sobre as áreas de utilização limitada/reserva legal. O Recurso Especial interposto está lastreado no seguinte paradigma: 210100.492 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ISENÇÃO CONDICIONADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL, OBRIGATORIEDADE. POSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO ATÉ O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito indispensável para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, • então, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.' 10.165100, que alterou o conteúdo do art. 170, §]', da Lei n. ° 6.938181. Contudo, referido dispositivo não fixa prazo determinado para a apresentação do ato declaratório, tampouco a necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal, para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. Diante dessa lacuna, na forma como estatuído pelo art. 97, inciso VI, do CTN, não pode o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Considerandose que o ADA possui papel prático de apuração de área tributável, ato este sujeito ao poder de polícia do IBAMA, denota se que sua entrega até o início da fiscalização cumpre sua finalidade maior, transferindo, pois, para a Administração, o ônus de provar a inexistência da área. Nos casos em que o ADA não for apresentado, poderá o contribuinte comprovar a existência das áreas de interesse ambiental mediante a apresentação de documentos relacionados na pergunta 40 do "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA), editado pelo IBAMA em 2010. Hipótese em que o Recorrente comprovou documentalmente a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mediante a apresentação de laudo técnico e de cópia da matrícula do imóvel com a respectiva averbação. Recurso provido. 220200.570 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art, 17 na Lei n° 6.9.38, de 1981, por força da Lei n° 10,165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A área de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo 1BAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA), fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matricula do imóvel até a data do fato gerador do imposto. IMPOSTO TERRITORIAL, RURAL. VALOR DA TERRA NUA MÍNIMO. REVISÃO, LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO — FORMA DE APRESENTAÇÃO — NORMAS DA ABNT Laudo técnico de avaliação, mesmo não atendendo aos requisitos estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), pela norma NBR n° 8399 ou qualquer outra, mas contendo elementos de prova suficientes o bastante para demonstrar características do imóvel em discussão que o diferenciam em relação a outros imóveis do mesmo município de localização, ensejando um valor tributável pelo valor da terra Fl. 8DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10675.002137/200613 Acórdão n.º 9202002.855 CSRFT2 Fl. 14 9 nua inferior ao VTNni fixado pela SRF tendo por base as DITR, deve ser acolhido para revisão dos cálculos e apuração do valor tributável correspondente. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei nº 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região. É o que se conclui da combinação com a parte final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito. Temse que a, ao alterar o art. 16 da Lei nº 4.771/65, acrescentoulhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessanos o § 2º, com a seguinte redação, in verbis: “Art. 16. ...................... § 1º. ............................. § 2º. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área.” A necessidade ou não de averbação da referida área no cartório de registro de imóveis, para fins de apuração da base de cálculo do ITR, é matéria bastante controvertida, tanto nos Tribunais Judiciais quanto no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Após profundos debates, principalmente no âmbito da Segunda Turma desta CSRF, da qual faço parte, firmei meu posicionamento para entender que a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é, como regra geral, condição para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Acabei convencido de que a necessidade de averbação da área de reserva legal, embora com função declaratória e não constitutiva, decorre de imposição legal, mais precisamente da interpretação harmônica e conjunta do disposto nas Leis nos 9.393/96 e 4.771/65 (Código Florestal), conforme acima destacado. Ademais, nos termos do artigo 55 do Decreto n° 6.514/2008, cuja entrada em vigor restou prorrogada para 11/12/2011, por força do Decreto n° 7.497, de 09/06/2011, a ausência de averbação da reserva legal dá ensejo à aplicação de multa pecuniária. O ITR é tributo de natureza eminentemente extrafiscal, sendo que a obrigatoriedade da averbação da reserva legal está relacionada, muito além do direito tributário, à garantia de preservação de um meio ambiente ecologicamente equilibrado. Salvo melhor juízo, o benefício tributário consistente na exclusão da base de cálculo do ITR da área de reserva legal só pode ser reconhecido se estiverem cumpridas as exigências da legislação ambiental. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 No caso, penso que a decisão de segunda instância deve ser reformada com relação à área de reserva legal, pois a contribuinte realizou a averbação da área de reserva legal [fl. 27] – “Conforme documento do registro de imóveis a área de reserva legal foi averbada somente em 11122002, após a ocorrência do fato gerador (01012002) , que dá conta da averbação de uma área 959,7ha. como área de utilização limitada. Dessa forma, deve ser acolhida a pretensão da Contribuinte. II DISPOSITIVO Diante do exposto, CONHEÇO PARCIALMENTE DO RECURSO, E NA PARTE CONHECIDA, DOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL da contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 10DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 16062.000195/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
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Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 62 .0 00 19 5/ 20 07 -8 8 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16062.000195/200788 Resolução nº 2302000.236 S2C3T2 Fl. 120 2 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito foi lavrada em 04/10/2004, e cientificada ao sujeito passivo somente em 05/01/2006, por conta de devolução pelos Correios por se tratar de endereço desconhecido, sendo por fim enviada para o endereço constante da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física de 2005. O lançamento trata de contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor da mão de obra empregada em obra de construção civil de propriedade do sujeito passivo acima identificado. O contribuinte foi cientificado de que a regularização da sua obra se deu de forma irregular através de CND – Certidão Negativa de Débito vinculada a processo relativo a inquérito administrativo n.º 35000006505/9811, instaurado pela Gerência Executiva de São José dos Campos, no período de 10/1998 a 05/2000, relativamente à expedição de CND’s de forma irregular sem o pagamento da devida contribuição, no Posto de Arrecadação de São Sebastião. As servidoras envolvidas foram demitidas e tiveram a aposentadoria suspensa, devido à comprovada fraude na emissão das CND’s. A CND n.º 717.355, de 01/1993, de posse do contribuinte teve sua validade suspensa, conforme ofício encaminhado aos Cartórios da circunscrição do Posto de Arrecadação envolvido, invalidando todas as CND’s assinadas pela servidora que operava a fraude, no período de 1986 a 1996. A fim de regularizar a obra foi emitida a Declaração e Informação Sobre a Obra — DISO — ExOfficio , em 03/10/2003 e o Aviso Para Regularização de Obra ARO em 07/10/2003, encaminhados ao contribuinte, por meio do ofício n° 21037051522/03, conforme determinava a Ordem de Serviço INSS/DAF n° 161 de 22.05.1997 e a INSS/DC N° 100 de 18.12.2003 Art. 444 e 489 (DISO ). Na falta de regularização foi emitida a presente NFLD. Após a apresentação da defesa, Acórdão de fls. 87/90, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde argúi em síntese: a) que possui CND comprovando situação regular; b) que não deu causa à situação de dolo, fraude ou simulação; c) que efetuou o pagamento ao INSS e obteve a Certidão; d) que possui habitese de 1994; e) que a fraude foi efetuada pela servidora do INSS, que compareceu à agência e efetuou o pagamento de forma que frente a sua boafé o prazo para a homologação é cinco anos. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16062.000195/200788 Resolução nº 2302000.236 S2C3T2 Fl. 121 3 Requer a extinção da cobrança e o arquivamento dos autos. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo, devendo ser conhecido e examinado. Do exame dos autos se vê que não há comprovação da quitação da mão de obra utilizada na obra de construção civil de responsabilidade do recorrente. Ainda que o notificado tenha sido cientificado de todo o processo relativo às irregularidades constatadas no fornecimento das Certidões Negativas de Débito, onde se incluiu a de sua posse, o contribuinte insiste em dizer que pagou as contribuições devidas e possui CND atestando o fato. Por tudo o que consta dos autos, temse que a referida CND teve sua eficácia cassada e o recorrente não logrou comprovar que efetivamente tenha recolhido as contribuições previdenciárias. Também, não trouxe aos autos qualquer comprovação de que a obra tenha sido concluída em período decadente. Não consta do processo o “Habitese “, apenas alegações de que teria sido emitido em 01/2004, e às fls. 63, apresenta um documento referente à taxa de licença – Habitese. Desta forma, não há elementos de convencimento da data de conclusão da obra, sendo tomado o início da mesma em 12/1992 e perdurando até a emissão da DISO exoffício em 10/2003 e posterior ARO com competência de 10/2003. As contribuições previdenciárias incidentes sobre mão de obra empregada na construção civil são devidas por expressa determinação legal. O crédito foi lançado de acordo com o que prescreve o parágrafo 4º, do artigo 33, da Lei n.º 8.212/91: §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo de mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa co responsável o ônus da prova em contrário. O lançamento foi realizado através da utilização do método de aferição indireta em virtude de o contribuinte não ter apresentado os comprovantes do recolhimento das contribuições previdenciárias, incidentes sobre o valor da mãodeobra utilizada na edificação da obra de construção civil. A apuração do montante dos salários pagos pela execução da obra em questão foi efetuada mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, em aplicação do § 4º da citada Lei nº 8.212. Cabe ao fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável, procedimentos que foram adotados corretamente pela autoridade fiscal, conforme comprova o relatório fiscal. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16062.000195/200788 Resolução nº 2302000.236 S2C3T2 Fl. 122 4 Entretanto, quanto à decadência é de se asseverar que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 16062.000195/200788 Resolução nº 2302000.236 S2C3T2 Fl. 123 5 ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, devendo ser aplicado o artigo 173, I do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Desta forma, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência, porque quando da elaboração do ARO, fls.14, foi considerada a decadência decenal, enquanto que o cálculo das contribuições previdenciárias sobre a mão de obra empregada na construção civil deve se subsumir à Súmula Vinculante 08, do Supremo Tribunal Federal e considerar a decadência qüinqüenal, exposta no artigo 173, I do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, Voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja considerada a decadência qüinqüenal, conforme artigo 173, I do CTN, na elaboração do cálculo das contribuições devidas. Liege Lacroix Thomasi, Relatora Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 12448.901253/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
Citação por Edital.
Optando por elaborar e afixar Edital para nova intimação, já que a primeira tentativa teria se mostrado infrutífera, pois não havia prova do recebimento da intimação por via postal, a DRF concedeu novo prazo à empresa para que apresentasse sua defesa contra despacho decisório de não homologação de compensações e, nessas condições, não pode se pode negar a validade desse ato, praticado pela mesma autoridade, em prejuízo ao legítimo direito de defesa da parte.
Numero da decisão: 1801-001.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, admitir tempestiva a manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 Citação por Edital. Optando por elaborar e afixar Edital para nova intimação, já que a primeira tentativa teria se mostrado infrutífera, pois não havia prova do recebimento da intimação por via postal, a DRF concedeu novo prazo à empresa para que apresentasse sua defesa contra despacho decisório de não homologação de compensações e, nessas condições, não pode se pode negar a validade desse ato, praticado pela mesma autoridade, em prejuízo ao legítimo direito de defesa da parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, admitir tempestiva a manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2005; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.901253/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.524 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de julho de 2013 Matéria Compensação Recorrente MARTE ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 CITAÇÃO POR EDITAL. Optando por elaborar e afixar Edital para nova intimação, já que a primeira tentativa teria se mostrado infrutífera, pois não havia prova do recebimento da intimação por via postal, a DRF concedeu novo prazo à empresa para que apresentasse sua defesa contra despacho decisório de não homologação de compensações e, nessas condições, não pode se pode negar a validade desse ato, praticado pela mesma autoridade, em prejuízo ao legítimo direito de defesa da parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, admitir tempestiva a manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Sandra Maria Dias Nunes, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 12 53 /2 01 0- 11 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 6a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela interessada, contra o despacho decisório que não homologou as compensações pleiteadas nos autos. Histórico Por meio de PERDCOMPs pretende, a interessada, compensar débitos próprios com direito creditório relativo a saldo negativo de CSLL do 3 º trimestre de 2004, no valor de R$ 119.426,37. As compensações foram formalizadas nas seguintes declarações ativas: . Dcomp 39727.48330.110507.1.7.03.1392; . Dcomp 31884.52273.150405.1.3.032201; Pelo Despacho Decisório Eletrônico – rastreamento n º 863962165, emitido em 07/06/2010 (fl. 06 ou 07 do processo digital), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações não foram homologadas, ao fundamento de que o valor do IRRF, de R$ 215.863,53, utilizado na composição do saldo negativo, não havia sido confirmado. Do despacho proferido a interessada teve ciência , por via postal, em 17/06/2010 (fls 90/91 do processo digital) e, ainda, por edital (fls 92/93 do processo digital), em 04/11/2010. A empresa interessada apresentou diversas manifestações de inconformidade, em dias diferentes do mês de dezembro de 2010, mas todas elas de mesmo teor e referindose ao mesmo Despacho Decisório rastreamento n º 863962165. Em suas razões de defesa, aduziu, em síntese, que: teria sido cientificada da autuação em 05/11/2010, sendo portanto tempestivas as manifestações de inconformidades apresentadas; já teria ocorrido a homologação tácita das declarações de compensação objeto dos autos; as retenções não confirmadas correspondem a : (a) fonte sobre serviços prestados entre 01/07/2004 e 30/09/2004, no valor de R$ 632.831,41 e que o razão da conta 1.1.5.01.0002 ( IRRF s/ recebimento de faturas) confirmaria as retenções glosadas. A 6a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro / RJI, não conheceu das irresignações, por considerálas intempestivas. No voto proferido a Turma Julgadora assim se justificou: ... 2. O Aviso de Recebimento (AR) de fl. 90/91 comprova que, em 17/06/2010, foi dada a ciência do despacho decisório de fl.07, nº de rastreamento 863962165, no domicílio tributário eleito pelo interessado. 3. Não havendo norma que negue a validade desta primeira ciência, deve a mesma ser considerada para fins de contagem dos prazos processuais Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12448.901253/201011 Acórdão n.º 1801001.524 S1TE01 Fl. 3 3 ... Notificada da decisão, em 19/04/2012, apresentou, a interessada, em 14/05/2012, recurso voluntário. Nas razões de defesa, em preliminares, invoca a tempestividade da manifestação de inconformidade, explicando, em suas palavras: ... Em 17/06/2010 tomamos conhecimento do Despacho Decisório n º de rastreamento 863962165, de 07/06/2010 e, conseqüentemente, demos entrada na nossa manifestação de inconformidade, em 15/07/2010, conforme documento anexo, por tanto, dentro do prazo legal. Posteriormente, não sabemos a causa, tomamos conhecimento do mesmo despacho decisório por edital em 05/11/2010 e novamente manifestamos nossa inconformidade em 02/12/2010, também dentro do prazo legal da publicação do edital. Tal fato prendese que nossa empresa depende muito de certidão negativa para participar em concorrências públicas. E, no mérito, assim se posicionou: Pelo voto notase que o interesse dos julgadores em não analisar, com detalhes, nossa primeira manifestação de inconformidade datada de 15/07/2010, uma vez que a segunda manifestação de inconformidade alegamos a homologação tácita como preliminar e é muito mais cômodo declarar a 2a. manifestação por intempestiva. Estamos juntando cópia da nossa primeira manifestação para provar que não há nenhuma intempestividade e muito menos o que consta no voto, por unanimidade, de que nossas segundas manifestações foram entregues em dias diversos de dezembro de 2020. Pugna, ao final, pelo cancelamento do acórdão da DRJ no Rio de Janeiro/RJI com conseqüente anulação do despacho decisório. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A situação trazida para análise nos presentes autos não é inédita. Aliás, tem se tornado tão comum, que esta mesma Relatora já se deparou com, ao menos, 3 casos idênticos oriundos da mesma unidade de jurisdição. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Na primeira vez que apreciei a situação proferi voto, vencido, registrese, validando os argumentos da Turma Julgadora da DRJ no Rio de Janeiro/RJI, no sentido de que seria intempestiva a inconformidade da parte contra despacho decisório que fora cientificado, inicialmente, por via postal e, posteriormente por Edital. Considerando válida a intimação por via postal, a manifestação de inconformidade apresentada somente após a ciência do Edital seria intempestiva e, assim, não poderia ser conhecida. Entretanto, diante da freqüência com que a mesma situação tem ocorrido, concluo que toda ela é fruto de desorganização, razão que me fez repensar o posicionamento antes adotado. No presente caso temse que a interessada foi intimada do Despacho Decisório rastreamento n º 863962165, primeiramente, por via postal, em 17/06/2010, conforme demonstra a pesquisa anexada à fl. 74 (90 do processo digital). Entretanto, o AR com a prova do recebimento da intimação não retornou ou não foi localizado na repartição, ao menos até o dia 01/10/2010, o que teria motivado a edição e afixação de Edital. Optando por elaborar e afixar Edital para nova intimação, já que a primeira tentativa de intimação por via postal teria se mostrado infrutífera pois não havia prova de que a interessada tivesse sido efetivamente intimada pela via postal a DRF concedeu novo prazo à empresa para que apresentasse sua defesa contra o despacho decisório de não homologação. Notese que a pesquisa SUCOP (tramitação da intimação por via postal) constante dos autos somente foi realizada pela DRJ no Rio de Janeiro/RJI e em 21/12/2010, ou seja, em data posterior à afixação do Edital e à apresentação das manifestações de inconformidade, em 02/12/2010. Portanto, até o dia 21/12/2010, ninguém havia se dado conta de que a interessada havia sido intimada regularmente por via postal. Entretanto, reforço o entendimento de que, ao providenciar nova intimação para ciência da recorrente, por Edital, a autoridade administrativa concedeu novo prazo de defesa e, nessas condições, não pode se pode negar a validade do ato, praticado pela mesma autoridade, em prejuízo ao legítimo direito de defesa da parte. Ademais, a recorrente trouxe aos autos cópia da manifestação de inconformidade apresentada em 15/07/2010, ou seja, dentro do prazo legal de 30 dias contados a partir da cientificação, em 17/06/2010, por via postal, do despacho decisório, comprovando, assim, a tempestividade da primeira peça de defesa apresentada, o que deita por terra toda a argumentação da Turma Julgadora de 1a. instância. A apresentação da cópia da manifestação de inconformidade apresentada em 15/07/2010 confirma a falta de controle, pois a unidade de jurisdição da recorrente, recepcionou a manifestação de inconformidade apresentada no prazo regular, mas deixou de anexála aos autos, muito provavelmente por se encontrar extraviada naquele órgão, similarmente ao que possivelmente tenha ocorrido com o AR da intimação postal. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para admitir tempestiva a manifestação de inconformidade e determinar o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeira Instância para proferir nova decisão, analisando o mérito do litígio. (assinado digitalmente) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 12448.901253/201011 Acórdão n.º 1801001.524 S1TE01 Fl. 4 5 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 02/08/ 2013 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10280.900175/2010-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.
A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância.
O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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A manifestação de inconformidade intempestiva não instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal nem tem o condão de restabelecer o litígio em segunda instância. O recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que não conheceu dela por intempestividade não deve ser objeto de decisão, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 01 75 /2 01 0- 53 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Belém que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deferiu, em parte, o pedido de ressarcimento (PER) de crédito presumido do IPI às fls. 02/17, apurado para o 1º trimestre de 2001, e, conseqüentemente, homologou, em parte, as compensações informadas nas Declarações de Compensação (Dcomp), objeto deste processo. O deferimento parcial do pedido de ressarcimento e, conseqüentemente, a homologação parcial decorreram de glosas de créditos aproveitados indevidamente pela recorrente sobre custos que não se enquadram no conceito de insumos utilizados no seu processo industrial e também por falta de apresentação de nota fiscal, conforme Relatório Fiscal às fls. 87/92 e Despacho Decisório às fls. 60. Inconformada com aquele despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 68/77), insistindo no ressarcimento integral do valor pleiteado e na homologação das compensações declaradas, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) Preliminarmente, quanto à tempestividade: ‘Em 23.03.2011 (quarta feira), a REQUERENTE foi intimada do despacho decisório (Doc. N° 03) que homologou parcialmente o seu pedido de compensação. Vêse, pois, que é tempestiva a presente manifestação de inconformidade, eis que protocolada em observância ao prazo de 30 dias previsto no art. 74, §§ 7º e 9º, da Lei n° 9.430/1996, c/c art. 66 da IN/RFB n° 900/2008, isto é, até o dia 22.04.2011 (sextafeira), inclusive.”; b) No mérito, alega que o entendimento da Unidade, baseado no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, não merece prosperar, uma vez que tal parecer extrapola o teor do art. 164 do RIPI, afrontando o princípio da legalidade, além de não se encontrar em consonância com os precedentes firmados nos Conselhos de Contribuintes e nos Tribunais do País, tendo sido todos os materiais adquiridos consumidos na produção; c) Requer prazo para entrega da nota não apresentada, solicita perícia, indicando questionamento e perito, e pede o provimento de sua manifestação.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ não conheceu dela, conforme Acórdão nº 0124.176, datado de 08/02/2012, às fls. 129/131, sob a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO INTEMPESTIVA. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório, apresentar manifestação contra a decisão da Unidade de origem. Expirado tal prazo, a reclamação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 137/149), requerendo a sua reforma a fim de que se defira seu pedido de ressarcimento e se homologuem as compensações declaradas, alegando, em síntese: (i) em preliminar, a possibilidade de analisar a manifestação de inconformidade interposta de forma intempestiva e, consequentemente, anular a decisão recorrida e determinar à autoridade julgadora de primeira instância que profira nova decisão enfrentando as questões de mérito Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10280.900175/201053 Acórdão n.º 3301002.023 S3C3T1 Fl. 182 3 expendidas na manifestação de inconformidade; e, (ii) no mérito: a) a nulidade de despacho decisório por ausência de descrição dos fatos e fundamentação legal; e, b) a documentação apresentada comprova o ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende, em parte, aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. No entanto questão preliminar prejudica o conhecimento das questões de mérito nele expendidas e, conseqüentemente, seu julgamento nesta fase recursal. A autoridade julgadora de primeira instância não conheceu das razões de mérito da impugnação, com fundamento no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 15, c/c o art. 23, pelo fato de aquela ter sido interposta a destempo, ou seja, depois de decorridos mais de 30 trinta dias, contados da data em que a recorrente foi intimada do despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as Dcomp em discussão. Em seu recurso voluntário, a recorrente reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade interposta por ela. Contudo, em face dos princípios da razoabilidade e da verdade material, suscitou a possibilidade de sua análise e julgamento pela autoridade julgadora de primeira instância, com a conseqüente anulação, por esta Turma Ordinária de Julgamento, da decisão de primeira instância e a determinação para que outra seja proferida por aquela autoridade com o enfretamento do mérito. Ao contrário do seu entendimento, inexiste amparo legal para se anular a decisão recorrida e para se determinar a prolação de uma nova pela autoridade julgadora de primeira instância. A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, art. 74, que instituiu a compensação de créditos contra a Fazenda Nacional, mediante a apresentação de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), assim dispõe: “Art. 74. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. [...]. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. [...].” Por sua vez o Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, estabelece: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” No presente caso, conforme demonstrado na decisão recorrida e reconhecido pela própria recorrente a manifestação de inconformidade foi apresentada intempestivamente. Assim sendo, a apreciação e julgamento das matérias de mérito, expendidas no recurso voluntário, ficaram prejudicadas. O recurso voluntário somente teria cabimento quanto à intempestividade da manifestação de inconformidade decidida em primeira instância, contudo esta não foi suscitada. Aquele decreto assim dispõe: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Conforme demonstrado anteriormente, a recorrente não contestou a perempção decidida em primeira instância. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 02 /10/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 14041.000811/2008-02
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/08/2008
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. CONSEQUENCIAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
Apesar de ter descrito os fatos geradores tais como foram lançados, o contribuinte, a exemplo do seu procedimento em relação à impugnação, cuidou de contestar somente a questão da alimentação fornecida pela empresa na forma in natura, deixando, desse modo, de impugnar os itens 2 e 3, ou seja, os levantamentos CDT e SPF.
No que diz respeito aos levantamentos CDT e SPF, não resta dúvida de que a omissão do contribuinte atraiu a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, onde está consignado que considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei n º 8.212.
Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.484
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. O lançamento relativo ao auxilio alimentação in natura deve ser excluído, observada as disposições do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Os levantamentos CDT e SPF devem ser mantidos. Contudo, a multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional - CTN.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. CONSEQUENCIAS. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. Apesar de ter descrito os fatos geradores tais como foram lançados, o contribuinte, a exemplo do seu procedimento em relação à impugnação, cuidou de contestar somente a questão da alimentação fornecida pela empresa na forma in natura, deixando, desse modo, de impugnar os itens 2 e 3, ou seja, os levantamentos CDT e SPF. 2. No que diz respeito aos levantamentos CDT e SPF, não resta dúvida de que a omissão do contribuinte atraiu a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, onde está consignado que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. 3. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 4. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 5. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 08 11 /2 00 8- 02 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14041.000811/200802 Acórdão n.º 2803002.484 S2TE03 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. O lançamento relativo ao auxilio alimentação in natura deve ser excluído, observada as disposições do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Os levantamentos CDT e SPF devem ser mantidos. Contudo, a multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea "c" do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14041.000811/200802 Acórdão n.º 2803002.484 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, em virtude de o sujeito passivo ter cometido infração ao art. 32, IV, e §§ 3º e 5º (acrescentados pela Lei nº 9.528/97), da Lei nº 8.212/91, c/c o art. 225, IV, e § 4º, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 29 de outubro de 2009 e ementada nos seguintes termos: Assunto: contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 25/08/2008 Ementa: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Em relação ao pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, nos termos do Artigo 151, III do CTN; enquanto o lançamento estiver sendo discutido na esfera administrativa sua exigibilidade já está suspensa. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de informar, por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, todos os valores disponibilizados aos segurados. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil só produzem efeitos entre as partes envolvidas nos litígios, não beneficiando nem prejudicando terceiros. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de autodeinfração decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória não definitivamente julgada, aplicase a lei superveniente na ocorrência do pagamento, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14041.000811/200802 Acórdão n.º 2803002.484 S2TE03 Fl. 5 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Na hipótese vertente, inclusive como já exposto na narrativa factual, o relatório fiscal de infração informa que o autuado por supostamente ter deixado de informa na GFIP os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Para descaracterizar todas as obrigações de per si, o recorrente pede vênia para traçar pontos essenciais da controvérsia. Prima facie, cumprenos analisar a questão da alimentação fornecida pela empresa na forma in natura. A modalidade de fornecimento de alimentação aos funcionários fora efetivada por intermédio de acordo coletivo de trabalho. Parece que os Ilustres representantes do Conselho de contribuintes competentes para julgar a primeira irresignação, apenas procura o modo de sufragar o direito que assiste o recorrente, para, com toda certeza, lançar o tributo, ainda que indevido. O recorrente não fornece aos seus empregados auxílio alimentação em pecúnia (que haveria a incidência tributária), mas, in natura, cuja incidência é afastada, inclusive com inúmeras decisões do STJ, bem como desse conselho de contribuintes. Ante ao exposto, requer esse Colendo Conselho o conhecimento e provimento do presente Recurso Administrativo, para determinar a anulação do TEAF – Termo de Encerramento de Ação Fiscal – e, por consequência o auto de infração nº 37.180.3896, com a concomitante reforma do v. acórdão preferido pela 7ª Turma do Conselho, ora hostilizado. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14041.000811/200802 Acórdão n.º 2803002.484 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso, ao descrever os fatos, o contribuinte afirma que foi autuado por supostamente ter deixado de informa na GFIP, os seguintes fatos geradores: 1. Auxílioalimentação fornecido aos empregados pela empresa e sem a devida inscrição no PAT (Levantamento – ALI, período de 08/2003 a 12/2006); 2. Remuneração paga ao segurado Paulo Henrique C. Barbosa (Levantamento CDT, competência 06/2005); e 3. Remuneração paga ou creditada a contribuinte individual (Levantamento SPF, competência 10/2006). Apesar de ter descrito os fatos geradores tais como foram lançados, o contribuinte, a exemplo do seu procedimento em relação à impugnação, cuidou de contestar somente a questão da alimentação fornecida pela empresa na forma in natura, deixando, desse modo, de impugnar os itens 2 e 3, ou seja, os levantamentos CDT e SPF. No que diz respeito aos levantamentos CDT e SPF, não resta dúvida de que a omissão do contribuinte atraiu a regra do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, onde está consignado que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Portanto, não tendo impugnado os levantamentos CDT e SPF, eles devem ser mantidos, observadas as novas regras sobre aplicação da multa, conforme será demonstrado. Nada obstante à discussão sobre qual dispositivo legal ampara o lançamento, há que se considerar, in casu, que a multa imposta ao contribuinte, baseada no art. 32 da lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na lei nº 11.941, de 2009. Destarte, em relação às multas de que tratava o artigo 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal estabeleceu que: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14041.000811/200802 Acórdão n.º 2803002.484 S2TE03 Fl. 7 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP, portanto, foram alteradas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, sendo mais benéfica para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32 A da Lei nº 8.212/91. Todavia, com o advento da medida Provisória nº 449 de 2009, convertida na Lei nº 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II, do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como Fl. 106DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14041.000811/200802 Acórdão n.º 2803002.484 S2TE03 Fl. 8 7 infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Superada a questão da aplicabilidade da multa mais benéfica, sobre o lançamento referente ao auxílio alimentação in natura, os membros do CARF (RICARF, art. 62, III) devem se ater às disposições contidas no Ato Declaratório PGFN nº 03/2011, in verbis: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). O valor referente ao fornecimento de auxílioalimentação aos empregados, sem a adesão ao programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho PAT, não integra o saláriodecontribuição, conforme dispõe o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Ora, se não há incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura de auxílioalimentação, não haverá por consequência, motivos para o contribuinte ser penalizado. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO. O lançamento relativo ao auxilio alimentação in natura deve ser excluído, observada as disposições do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Os levantamentos CDT e SPF devem ser mantidos. Contudo, a multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Fl. 107DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 14041.000811/200802 Acórdão n.º 2803002.484 S2TE03 Fl. 9 8 Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 22/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 4/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720697/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte
PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO.
Considera-se não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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DILAÇÃO DE PRAZOS LEGAIS. É cediço que à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza. Assim, não lhe compete alargar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo. Inteligência do artigo 5°, II, da CF; e artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Nesse sentido, sua realização não constitui direito subjetivo do contribuinte PERÍCIA. INDICAÇÃO DE QUESITOS. DADOS DO PERITO. Considerase não formulado o pedido de perícia, quando não indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito. Art. 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 06 97 /2 01 2- 89 Fl. 988DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de Turma), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10480.720697/201289 Acórdão n.º 2302002.651 S2C3T2 Fl. 989 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 811/818). Adotase o relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 812/814), que bem resume o quanto consta dos autos: Temse crédito tributário envolvendo, exclusivamente, contribuições sociais patronais, relativas ao anocalendário de 2009, não declaradas nas correspondentes Guias do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, incidentes sobre: I – remunerações de segurados contribuintes individuais, obtidas de: a) conta contábil 3.2.2.2.02.0002 – Serviços Prestados – Pessoa Física, conforme anexo I (fls. 80/84), compondo o levantamento SP; b) contas contábeis 1.2.1.01.0001 – Geraldo Lobo de Vasconcelos e 1.2.1.01.0002 – Mauro Antônio da Silva, sócios da empresa em comento, cujos valores encontramse no anexo II e III, respectivamente, às fls. 85/86, formando o levantamento PL; c) conta contábil 3.1.3.05.0004 – Carta Frete, consoante anexo IV (fls. 87/334), consolidado no levantamento CF, correspondente a transportadores pessoas físicas. II – remunerações de segurados empregados, relativas a diferenças elencadas no anexo V (fls. 335/344), entre GFIP e as contas contábeis 3.1.3.01.0001 – Ordenados e Salários; 3.1.3.01.0002 – Férias; 3.1.3.01.0003 – 13º Salário; 3.2.2.01.0002 – Salários; 3.2.2.01.0003 – Gratificações; 3.2.2.01.0006 – Férias e 3.2.2.01.0012 – 13º salário, compondo o levantamento CG. O fisco assinala, em seu relatório (fls. 61/73), que a empresa em tela apesar de intimada: não apresentou contratos de prestação de serviços, notas fiscais, faturas e recibos dos serviços prestados por pessoas físicas; não comprovou os valores escriturados na conta 3.1.3.05.0004 – Carta Frete, se relativos a pessoa física e/ou jurídica, confeccionando tão somente planilhas sem identificação do lançamento contábil a que cada valor pago se referia; Fl. 990DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 não demonstrou, por meio de documentos, os valores lançados em favor dos sócios nas contas 1.2.1.01.0001 e 1.2.1.01.0002; não discriminou as rubricas de folhas de pagamento correspondentes às diferenças apuradas na contabilidade (contas 3.1.3.01.0001; 3.1.3.01.0002; 3.1.3.01.0003; 3.2.2.01.0002; 3.2.2.01.0003; ; 3.2.2.01.0006 e 3.2.2.01.0012). Diante da omissão do sujeito passivo, constitui o presente crédito, por arbitramento, com fulcro no art. 33, §§ 2º, 3º e 6º, da Lei n.º 8.212/91, tomando os valores escriturados na contabilidade, acima elencados, como bases de cálculo de contribuições sociais, constituído o crédito por meio do AI 51.011.6256 (contribuições previdenciárias patronais) e AI 51.011.6264 (contribuições sociais destinadas ao FNDE; INCRA, SEBRAE; SEST e SENAT), nos montantes de R$ 1.795.342,06 e R$ 130.107,05, respectivamente. Registra, ainda, agravamento da multa de ofício, nos moldes do art. 44, §, 2º, I, da Lei n.º 9.430/96, por não atendimento da empresa às intimações fiscais, além de Representação Fiscal para Fins Penais pelos crimes, em tese, de sonegação de contribuições sociais e ilícito contra a ordem tributária. Cientificada do lançamento em 01/02/2012 (aviso de recebimento à fl. 369), a empresa interpôs, em 02/03/2012, impugnação (fls. 375/384 e 668/672), ocasião em que argúi, em síntese: I – tempestividade; II – no mérito: A – Frete – os documentos comprobatórios de pagamento não estavam mais disponíveis na sede da empresa, somente no arquivo geral, tornando impraticável o atendimento à solicitação do fisco, crendo que as planilhas entregues seriam suficientes para esclarecer a matéria. Acresce que não houve ilícito na adoção de carta frete como forma de pagamento aos prepostos de terceiros e reconhece que os escriturou, em sua contabilidade, de forma imprecisa, dificultando a identificação das liquidações contratuais com pessoas jurídicas e físicas. Requer, neste sentido, a execução de perícia para análise documental. B – Divergências contabilidade e folha de pagamento – diz que os valores escriturados nas contas 3.1.3.01.0002 e 3.2.2.01.0006, referemse a provisões de férias e os das contas 3.1.3.01.0003 e 3.2.2.01.0012, a provisões de 13º, que não poderiam constar em GFIP. Faz juntar, às fls. 449/520 e 737/808, fichas financeiras relativas às citadas provisões e requer dilação de 30 (trinta) dias para carrear mais provas aos autos. C – Pro Labore – diz que os valores lançados nas contas 1.2.1.01.0001 e 1.2.1.01.0002 foram, em dezembro de 2009, zerados e apropriados na conta 2.4.5.01.0003 – lucros Fl. 991DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10480.720697/201289 Acórdão n.º 2302002.651 S2C3T2 Fl. 990 5 distribuídos, consoante declarações IRPF dos sócios e DIPJ, que faz juntar às fls. 392/448 e 680/736. D – No tocante ao frete, não deter responsabilidade sobre obrigações de terceiros pessoas jurídicas, em relação a seus prepostos e que a legislação federal, que regula o transporte rodoviário de cargas, somente sofreu alterações em 2010, para impor às empresas de transporte os ônus na matéria, destacando, ainda, a ausência de visita fiscal com fins pedagógicos para tratar de carta frete. E – Tratase de empresa em processo de recuperação judicial e não em liquidação, não lhe sendo aplicável o § 2º, do art. 33, da Lei n.º 8.212/91. F – os valores lançados a título de juros, acréscimos e multa são contestados, diante dos argumentos supracitados. G – o indício de sonegação é um erro diante dos esclarecimentos ora prestados. Fez, ainda, anexar às impugnações: documento de identificação do sócio e alterações de contrato social (fls. 385/391 e 673/679). Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. O recorrente foi cientificado do julgamento em 23/11/2012 (fls. 821), tendo apresentado recurso, tempestivamente, em 26/12/2012 (fls. 824/833), no qual alega, em apertada síntese, que: * A decisão de primeiro grau teria incorrido em erro ao indeferir a concessão de dilação de prazo defensório para a juntada de novos documentos; * Deveria ter sido deferida a realização de prova pericial, pois seria o único meio probante capaz de liquidar qualquer dúvida operacional de arrecadação ou omissão que tenha gerado lançamentos de ofício tão custosos à recorrente. Antes do ato decisório, deveria ter sido comunicada do indeferimento do pedido de perícia. Esta foi a causa da não juntada de outros documentos que poderiam ter sido oportunamente apresentados; * Aduz que, durante o procedimento fiscal, ao invés de entregar os documentos solicitados, apresentou planilha, “na crença que os dados ali contidos satisfariam as necessidade de análise do Nobre Servidor”. Assim, entende que deveria ter havido um registro formal ou informal da ineficácia do encaminhamento da planilha e discorda da decisão de primeiro grau que afirma que “mera planilha, disponibilizada à fiscalização, sem lastro documental não serve de elemento probatório”; * Assevera que, quando efetivava a contratação de locação de veículo com motorista, o valor que custeava essa contratação de pessoa jurídica era liquidado por alguns procedimentos que eram possíveis no ano em questão, como i) o credenciamento de postos de gasolina, hipótese em que os prepostos de terceiros conduziam a própria carta frete a um posto e o pagamento era feito ao próprio posto; ou ii) emissão de cheque, situação em que o motorista (pessoa física e preposto do contratado) recebia o documento e já utilizava os valores Fl. 992DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 como insumos. Tais procedimentos eram utilizados para que a recorrente pudesse atender clientes de qualquer lugar, sendo de se consignar que ostenta filiais em quatorze estados da Federação. Assim, discorda da afirmação da decisão de primeiro grau de que: “A própria empresa reconhece, em sua defesa, a imprecisão dos citados registros contábeis que não diferenciam as remunerações pagas a transportadores pessoas físicas e/ou jurídicas, que, inclusive motivou o lançamento integral dos referidos valores como bases de cálculo de contribuições sociais, presumindose tratarse integralmente de remunerações a pessoas físicas, transferindose o ônus de prova em contrário ao sujeito passivo”; * Aduz que os valores das contas contábeis relativas às férias e décimos terceiros tratavamse de meras provisões, de sorte que não poderiam constar em GFIP, não consubstanciando pagamentos; * Quanto ao pro labore, afirma a recorrente que os valores constantes das contas contábeis apontadas, que comporiam o grupo do ativo “realizado a longo prazo”, teriam sido zeradas e enquadradas na conta lucros distribuídos, o que estaria registrado nas declarações de IRPF dos sócios proprietários e na DIPJ da recorrente; * Contesta, genericamente, os “juros, atualizações e multas (...) de forma complementar tendo em vista os argumentos técnicos e informes reiterados neste Recurso”; * Discorda da decisão de primeiro grau quanto às matérias consideradas como não impugnadas (divergências entre folha de pagamento e contabilidade – levantamento CG; serviços prestados por segurados contribuintes individuais em geral – levantamento SP). A recorrente, após a apresentação da peça recursal, às fls. 852/986, junta documentação que, segundo afirmações suas, numa análise individualizada, possibilitaria identificar os valores que teriam sido pagos às pessoas físicas e às pessoas jurídicas. Traz anexo exemplos de fração dos pagamentos que teriam sido efetivados apenas às pessoas jurídicas, o que validaria as afirmações trazidas na impugnação e no recurso administrativo. É o relatório. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10480.720697/201289 Acórdão n.º 2302002.651 S2C3T2 Fl. 991 7 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Dilação de prazo defensório. Entrega de documentos. Assevera a recorrente que decisão de primeiro grau teria incorrido em erro ao indeferir a concessão de dilação de prazo defensório para a juntada de novos documentos. Ocorre que, como bem apontado na decisão de primeiro grau à Administração Pública só é lícito fazer o que a lei autoriza (artigo 5°, II, da CF). Sendo assim, não compete ao Auditor Fiscal que preside o procedimento fiscal ou à autoridade julgadora dilatar prazo legal se o contribuinte não demonstra a incidência de qualquer exceção normativa que autorize a prática a destempo, como as situações previstas nos §§ 4° a 6° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 (força maior, fato ou direito superveniente e contraposição de fatos ou razões posteriores). Nesse sentido, a mera invocação de que os documentos encontravamse arquivados em local distinto não é suficiente para ensejar a dilação probatória. Ademais, é preciso ressaltar que a recorrente não só deixou de cumprir com seu ônus probatório durante o procedimento fiscal, mas também quedouse inerte quanto à apresentação de provas robustas até o presente momento, passados quase dois anos do início do procedimento fiscal. Nesse sentido, o inconformismo da recorrente parece fundamentarse em intuito meramente protelatório, não havendo qualquer vício procedimental a ser reconhecido. Tampouco lhe assiste razão quando aduz que, durante o procedimento fiscal, deveria ter havido um registro formal ou informal da ineficácia do encaminhamento da planilha que entendia como suficiente para substituir toda a documentação solicitada pela autoridade fiscal. Depreendese do que consta nos autos, em especial do Termo de Início de Procedimento Fiscal de fls. 46/47; dos diversos Termos de Intimação Fiscal, acostados às fls. 49/50, 52/53, 55/56 e 58; bem como do Relatório Fiscal de fls. 61/73, que a recorrente mostrouse renitente descumpridora das solicitações fiscais, fingindose de desentendida quanto às suas obrigações legais e quanto ao ônus probatório. Portanto, lídima as condutas adotadas pela autoridade fiscal, inclusive o agravamento da multa previsto no § 2° do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 Diferenças Apuradas. Contabilidade. Carta Frete. Provisões. Distribuição de Lucro. A recorrente também discorda conclusões extraídas pela autoridade fiscal da contabilidade apresentada. Quanto ao lançamento a título de transportadores autônomos (contribuintes individuais), busca convencer que, dentro dos valores lançados, estariam pagamentos a pessoas jurídicas que realizariam o transporte ou subcontratavam transportadores autônomos. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Em seu recurso, a recorrente centra seu esforço argumentativo na forma de pagamento dos transportadores que poderiam receber pelo credenciamento de postos de gasolina, hipótese em que os prepostos de terceiros conduziam a própria carta frete a um posto e o pagamento era feito ao próprio posto; ou com emissão de cheque, situação em que o motorista (pessoa física e preposto do contratado) recebia o documento e já utilizava os valores como insumos. Todavia, pouco importa a forma de pagamento dos transportadores, se pelo posto (carta frete) ou com emissão de cheque. Como afirmado na decisão a quo, “o fato gerador da contribuição social independe da forma eleita pela empresa para satisfazer a referida obrigação”. O que enseja o lançamento da contribuição previdenciária é prestação de serviço e conseqüente remuneração, sob qualquer forma, a contribuinte individual transportador autônomo. Destarte, concluise ser inexpressivo o argumento da recorrente. Ainda quanto a esta rubrica, cumpre destacar excerto da decisão de primeiro grau que, de forma muito precisa, aponta que: A própria empresa reconhece, em sua defesa, a imprecisão dos citados registros contábeis que não diferenciam as remunerações pagas a transportadores pessoas físicas e/ou jurídicas, que, inclusive motivou o lançamento integral dos referidos valores como bases de cálculo de contribuições sociais, presumindose tratarse integralmente de remunerações a pessoas físicas, transferindose o ônus de prova em contrário ao sujeito passivo. Mencionada presunção e inversão de ônus têm lastro legal no art. 33, § 3º, da Lei n.º 8.212/91, dada a deficiência da empresa em discriminar, documentalmente, a origem dos valores contabilizados. Ora, se a contabilidade não faz a diferença entre transportadores pessoas físicas e pessoas jurídicas e a recorrente negase a apresentar documentação comprobatória, não poderia a autoridade fiscal adotar outra conduta senão a de consideração de todos os valores como pagamentos a transportadores autônomos pessoas físicas. Portanto, não há qualquer excesso no procedimento adotado. No que tange aos valores das contas contábeis relativas às férias e décimos terceiros, a recorrente afirma que se tratavam de meras provisões, de sorte que não poderiam constar em GFIP, não consubstanciando pagamentos. Ora, se se tratavam de meras provisões, deveria ter explicado e comprovado porque estas provisões não se confirmaram, pois a autoridade fiscal, em fino labor, apurou as diferenças entre o que foi efetivamente pago e aquilo que constava na contabilidade. Destarte, mais uma vez, a conduta da autoridade fiscal justificase pelo fato de a recorrente não ter cumprido com seu ônus probatório. Outrossim, relativamente ao pro labore, afirma a recorrente que os valores constantes das contas contábeis apontadas, que comporiam o grupo do ativo “realizado a longo Fl. 995DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10480.720697/201289 Acórdão n.º 2302002.651 S2C3T2 Fl. 992 9 prazo”, teriam sido zeradas e enquadradas na conta lucros distribuídos, o que estaria registrado nas declarações de IRPF dos sócios proprietários e na DIPJ da recorrente. A autoridade fiscal apontou que, nas referidas contas há, inclusive, históricos como “Vlr. ref. pagto. pro labore Sr. Mauro Silva cfe. deb/conta”. Portanto, havia base suficiente para considerar tais valores como remuneração a sócios e não distribuição de lucros. A recorrente também não demonstrou que as informações constantes nas declarações de IRPF dos sócios e da própria empresa correspondem àquelas registradas nas contas contábeis assinaladas pela fiscalização e utilizadas no levantamento PL em questão, de sorte que não há como acatar o seu pedido de aceitação dos valores como sendo legítima distribuição de lucros. Ademais, não se vislumbra qualquer conteúdo lógico ou jurídico nas afirmações vazias de que teria adotado “procedimentos possíveis em 2009” e de que “em 2009 nenhuma empresa do setor” teria agido da forma exigida pela fiscalização (diferenciação entre as remunerações pagas a transportadores pessoas físicas e a pessoas jurídicas). Até cita a Lei n° 11.442/07, sem especificar qual dispositivo lhe beneficiaria, sendo de se observar que a referida lei entrou em vigor em janeiro de 2007 e não em 11 de junho de 2010, como aponta em sua peça recursal. Sendo assim, nenhum reparo há que ser feito quanto à interpretação dada pela autoridade fiscal aos fatos contábeis. Prova pericial. Documentos apresentados. A recorrente ainda demonstra seu inconformismo alegando que deveria ter sido deferida a realização de prova pericial, pois seria o único meio probante capaz de liquidar qualquer dúvida operacional de arrecadação ou omissão que tenha gerado lançamentos de ofício tão custosos à recorrente. Ademais, antes do ato decisório, deveria ter sido comunicada do indeferimento do pedido de perícia. Esta, então, teria sido a causa da não juntada de outros documentos que poderiam ter sido oportunamente apresentados. Não é verdade que deixou de apresentar documentos porque não sabia do indeferimento da perícia. Fosse assim, teria apresentado tais provas por ocasião do recurso e não o fez. É bom que se frise: a recorrente não só deixou de cumprir com seu ônus probatório durante o procedimento fiscal, mas também quedouse inerte quanto à apresentação de provas robustas até o presente momento, passados quase dois anos do início do procedimento fiscal. Ou seja, mesmo após o indeferimento da perícia, nenhuma prova contundente foi apresentada. Ocorre que a recorrente foi intimada a comprovar as suas alegações por meio de prova documental e não o fez. Assim, não é verdade que a perícia seria o único meio probante capaz de liquidar qualquer dúvida. Portanto, devese destacar, mais uma vez, que foi facultado à recorrente comprovar as suas alegações e ela não cumpriu com seu ônus. Acrescentese que, quanto à prova pericial, a recorrente descumpriu o artigo 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, que ora regulamenta todo o Processo Administrativo Fiscal no âmbito federal, inclusive o julgamento do recurso em comento. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Com efeito, as disposições retro citadas exigem que, no caso de solicitação de perícias, no corpo da própria impugnação, devem ser indicados os “quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito”, sob pena de ser considerado não formulado (artigo 16, § 1°, do Decreto n° 70.235/72; e artigo 11, § 1°, da Portaria RFB n° 10.875/2007) Assim, sendo a prova pericial forma inadequada de comprovação da questão controvertida e considerandose que a recorrente descumpriu dos requisitos necessários ao seu pleito, concluise que nenhum reparo há que ser feito na fundamentação, pelo órgão a quo, do indeferimento do pedido de perícia. É verdade que o artigo 18 do Decreto n° 70.235/72 faculta a determinação de ofício da diligência ou perícia, quando entendêlas necessárias. No entanto, como visto anteriormente, não há que se cogitar de maiores investigações sobre o fato em debate se a própria recorrente não apresenta a documentação necessária. Outrossim, consignese que, diferentemente do que pretende a recorrente, a realização da prova pericial não constitui direito subjetivo do contribuinte, pois, em razão do livre convencimento motivado, compete ao julgador deferila, se entendêla necessária. A recorrente, após a apresentação da peça recursal, às fls. 852/986, junta documentação que, segundo afirmações suas, numa análise individualizada, possibilitaria identificar os valores que teriam sido pagos às pessoas físicas e às pessoas jurídicas. Traz anexo exemplos de fração dos pagamentos efetivados apenas às pessoas jurídicas, que validariam as afirmações trazidas na impugnação e no recurso administrativo. Todavia, da documentação anexada, que nada mais é senão um conjunto de autorizações de pagamento, nada se extrai a favor da recorrente. Muito pelo contrário, nos referidos documentos, sempre consta do histórico observações do tipo “pgto do saldo de rete do motorista”, seguido do nome do profissional que teria realizado o serviço em nome da recorrente, o que reforça a tese de que se tratam de pagamentos efetuados diretamente à pessoas físicas. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 997DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 29/ 10/2013 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/11/2013 por LIEGE LACROIX THOMA SI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.923578/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/08/2001
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PREVISTA NO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº. 9.718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 2.346/1997.
Deve ser anulada a decisão administrativa de primeira instância que deixa de se manifestar sobre o afastamento da aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, por meio de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, em sede de repercussão geral reconhecida por aquele Tribunal.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-000.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Recorrente MULTIPETRO COMÉRCIO DE DERIVADOS DE PETRÓLEO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2001 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PREVISTA NO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº. 9.718/98. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE, PELO STF, EM SEDE DE REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO DECRETO Nº 2.346/1997. Deve ser anulada a decisão administrativa de primeira instância que deixa de se manifestar sobre o afastamento da aplicação de norma declarada inconstitucional pelo STF, por meio de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, em sede de repercussão geral reconhecida por aquele Tribunal. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular a decisão da DRJ. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 78 /2 00 9- 40 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata o processo de manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da compensação declarada por meio da Dcomp nº 03851.56845.150506.1.3.046259. Na aludida Dcomp a contribuinte indicou um suposto direito creditório que adviria de um pagamento efetuado em 14/09/2001, sob o código 2172, no valor de R$ 2.273,83, para quitar um débito indicado nessa declaração. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, assim fundamentado: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados noPER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada.” Cientificada em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 21/07/2009, manifestação de inconformidade, na qual diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito e diz estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, que entende pertinente ao caso, e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Consta dos autos despacho do Seort/DRF/Curitiba atestando a tempestividade da manifestação de inconformidade.” A DRJCuritiba/PR decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade e não homologou o direito creditório pleiteado (efls 31/34), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/05/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado, alegando, em síntese: Fl. 46DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.923578/200940 Acórdão n.º 3202000.908 S3C2T2 Fl. 46 3 que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade o alargamento da base de cálculo da Cofins, estbelecida no §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, tendo sido reconhecida a repercussão geral da matéria, na sistemática prevista pelo art. 543B do CPC. Com isso, deve ser assegurado à contribuinte recolher a Cofins nos moldes da Lei Complementar nº. 70/91, razão pela qual os valores recolhidos indevidamente devem ser restituídos/compensados; que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, a decisão proferida pelo STF, na sistema da repercussão geral, deve ser reproduzida pelo CARF; e que a Lei nº. 11.941/2009, em seu art. 7º, inciso XII, revogou o §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98. Ao final, requer seja homologada a compensação pleiteada. É o Relatório Voto Conselheira Relator Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Tratase de PER/DCOMP eletrônica apresentada pela contribuinte, à alegação de que possui créditos relativos ao recolhimento indevido da Cofins, referente ao período de apuração de 31/08/2001, no valor de R$ 2.273,83. Alega a recorrente que, tendo em vista a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, proferida pelo STF em sede de repercussão geral, referente ao chamado alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, teria direito ao recolhimento daquela contribuição na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 70/1991, dispositivo anteriormente vigente à edição da referida lei. A DRJCuritiba/PR indeferiu o pedido da requerente ao argumento de que à autoridade julgadora administrativa seria defeso pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, utilizandose, para tanto, da Súmula CARF nº 02. Equivocase, entretanto, a autoridade julgadora. A questão dos autos não diz respeito a qualquer apreciação de inconstitucionalidade de lei tributária por parte da autoridade julgadora administrativa. A inconstitucionalidade da lei já foi declarada pelo Poder competente para tanto, ou seja, pelo Poder Judiciário, por meio de seu órgão máximo, o STF. Não pretende, pois, a recorrente, o afastamento de lei tributária em razão de declaração de inconstitucionalidade por parte da autoridade administrativa. A declaração de inconstitucionalidade já existe e foi proferida pelo autoridade competente. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 O que pretende a recorrente é que seja delimitado, pela autoridade julgadora administrativa, o exato alcance da declaração de inconstitucionalidade já proferida pelo STF, em sede de repercussão geral, o que é algo bem diverso do entendimento esposado no voto condutor do acórdão proferido pela DRJ. A própria autoridade de piso cita o dispositivo legal que lhe autoriza para tanto e perfeitamente aplicável ao caso em questão. Vejase: “É verdade que, sob certas condições, o julgador administrativo deve afastar a aplicação de norma inconstitucional. Estas condições, no entanto, são as que se encontram expressas no Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, que dispõe: Art. 1.º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto. (...) Art. 4.º Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (grifouse). (negrito não constante do original) Equivocase a autoridade julgadora de base quando afirma que as decisões sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins foram proferidas pelo STF apenas em relação a casos específicos envolvendo partes específicas que não a contribuinte. A declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98 foi proferida em sede de repercussão geral reconhecida pelo STF, em sessão realizada em 10/09/2008, nos autos do RE 855235 QORG/MG, abaixo transcrita, tratandose de decisão proferida de forma inequívoca e definitiva, tendo sido, inclusive, estabelecida futura edição de súmula vinculante. Vejase: Fl. 48DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.923578/200940 Acórdão n.º 3202000.908 S3C2T2 Fl. 47 5 EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. (negrito não constante do original) Assim, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para anular a decisão proferida pela DRJ, a fim de que seja apreciado o pedido formulado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade, à luz da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº. 9.718/98, proferida pelo STF. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 49DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.725540/2011-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DECADÊNCIA.
Súmula Carf nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do CTN. Súmula Carf nº 38 (Vinculante): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A presunção legal da omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto sempre que o titular e/ou o co-titular das contas bancárias, intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos.
PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA.
Decadência é perda do direto de lançar (autuar), enquanto prescrição é perda do direito de ação (execução), e não se aplica ao processo administrativo, conforme dispõe a Súmula Carf. nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
MULTA QUALIFICADA (150%). INTERPOSTA PESSOA.
É lícita a imposição da multa qualificada de 150% quando constatada a omissão de rendimentos apurados mediante depósitos bancários de origem não comprovada feita por intermédio de interposta pessoa, diante da caracterização da fraude, na forma da Súmula Carf nº 34. Na movimentação bancária das contas do próprio autuado não há se falar na imposição da multa qualificada, conforme Súmula Carf nº 25.
Numero da decisão: 2201-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, relativamente às contas de titularidade do autuado.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DECADÊNCIA. Súmula Carf nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do CTN. Súmula Carf nº 38 (Vinculante): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal da omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto sempre que o titular e/ou o co-titular das contas bancárias, intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. Decadência é perda do direto de lançar (autuar), enquanto prescrição é perda do direito de ação (execução), e não se aplica ao processo administrativo, conforme dispõe a Súmula Carf. nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA QUALIFICADA (150%). INTERPOSTA PESSOA. É lícita a imposição da multa qualificada de 150% quando constatada a omissão de rendimentos apurados mediante depósitos bancários de origem não comprovada feita por intermédio de interposta pessoa, diante da caracterização da fraude, na forma da Súmula Carf nº 34. Na movimentação bancária das contas do próprio autuado não há se falar na imposição da multa qualificada, conforme Súmula Carf nº 25.
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Súmula Carf nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do CTN. Súmula Carf nº 38 (Vinculante): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal da omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias, intimado, não comprove a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. Decadência é perda do direto de lançar (autuar), enquanto prescrição é perda do direito de ação (execução), e não se aplica ao processo administrativo, conforme dispõe a Súmula Carf. nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA QUALIFICADA (150%). INTERPOSTA PESSOA. É lícita a imposição da multa qualificada de 150% quando constatada a omissão de rendimentos apurados mediante depósitos bancários de origem não comprovada feita por intermédio de interposta pessoa, diante da caracterização da fraude, na forma da Súmula Carf nº 34. Na movimentação bancária das contas do próprio autuado não há se falar na imposição da multa qualificada, conforme Súmula Carf nº 25. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 55 40 /2 01 1- 41 Fl. 593DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, relativamente às contas de titularidade do autuado. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Nathalia Mesquita Ceia e Odmir Fernandes. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10830.725540/201141 Acórdão n.º 2201002.201 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 17ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, que manteve a autuação (fls. 268 a 275) do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF, do anocalendário de 2006, no valor de R$ 550.985,16 sobre omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Auto de Infração (fls. 268 a 275) cientificado em 07.12.2011 (fls. 275). Consta no Termo de Verificação Fiscal (276 a 285) que o contribuinte foi intimado e não apresentou os extratos bancários, com isso foi expedida RMF Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 59, 108, 109, 222, 223). Impugnação (fls. 292 a 307) A decisão recorrida (fls.538 a 552) cientificada em 12.04.2012 (AR fls. 555 a 556), cancelou parte da autuação no valor de R$ 189.606,00 pela comprovação da origem dos depósitos bancários e esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DO LANÇAMENTO. Uma vez caracterizado o evidente intuito de fraude aplicase a regra contida no art. 173, inciso I, iniciandose a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Preliminar rejeitada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular e/ou o cotitular das contas bancárias, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. Diante da constatação de que o interessado valeuse de interposta pessoa para a movimentação de contas bancárias e que a base de cálculo para a apuração do imposto devido resultou da soma da movimentação financeira contida nas contas de titularidade do impugnante e nas contas de titularidade de sua esposa (interposta pessoa), as transferências Fl. 595DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES 4 ocorridas entre essas contas devem ser consideradas de mesma titularidade e excluídas do lançamento. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA (150%). Nos procedimentos em que houve a constatação de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada é lícita a aplicação de multa de ofício qualificada quando caracterizada a movimentação dos recursos por interposta pessoa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Recurso Voluntário (fls. 559 a 572) protocolado em 11.05.2012 sustenta em síntese: a) Alega prescrição, na data da intimação, 17 de agosto de 2006 ocorreu a extinção do direito de constituir o crédito tributário relativo aos meses anteriores a 17 de agosto de 2006; b) No mérito, a planilha do Demonstrativo de Valores – Extrato Bancário/Extrato da Movimentação Financeira não possui confiabilidade, pois integram importâncias inexistentes e lançadas aleatoriamente; c) A decisão deixou de observar que no Termo de Verificação Fiscal foi utilizado parâmetro incongruente ao pautar Resgate de Conta Poupança; d) O auditor fiscal lançou valores que não representam receitas, os depósitos bancários não podem fundamentar omissão de rendimentos; e) A multa qualificada de 150% não procede, por não haver qualquer motivo para justificala. É o breve relatório. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10830.725540/201141 Acórdão n.º 2201002.201 S2C2T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deves ser conhecido Cuidase de autuação, parcialmente mantida, com exigência do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, recebidos, parte, por intermédio de interposta pessoa. Houve quebra do sigilo bancário do autuado e de sua esposa, sem ordem judicial, para obtenção dos extratos bancários e assim permitir a apuração da omissão dos rendimentos e a autuação, conforme vemos no Termo de Verificação Fiscal (276 a 285), em razão de o contribuinte, intimado e não apresentar os extratos bancários. Com a negativa foi expedida RMF Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 59, 108, 109, 222 e 223). Em face da quebra do sigilo bancário, os autos, no entender deste relator, deveriam ser sobrestados na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, diante da Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF no RE nº 601.314SP. Mas este não é o entendimento majoritário da douta 1ª Turma Julgadora, desta Câmara. Com isso, preservado minha convicção pessoal sobre o tema, afasto a prejudicial e passo ao exame do recurso. Sustenta inicialmente prescrição da autuação dos meses anteriores a 17 de agosto de 2006. Não há se falar em prescrição no processo administrativo, cujo prazo prescricional sequer começou a contar, seu inicio se dá apenas com a constituição definitiva do crédito tributário, ou seja, com o término do processo administrativo, a teor do art. 174, do CTN. A propósito confirase a Súmula Carf. nº 11, estabelecendo: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Mesmo a decadência, dos arts. 173 e 150, do CTN, também não há. Tratase de tributo – IRPF de fato gerador anual que se completou em 31.12.2006 e não mensal, conforme pensa o autuado. A propósito confirase a Súmula Carf nº 38 (Vinculante): Súmula Carf nº 38 (Vinculante: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES 6 A notificação do lançamento ocorreu em 07.12.2011 (fls. 275). Mesmo que se admita o prazo o mais favorável ao autuado, do art. 150, do CTN, se houvesse comprovação de pagamento e ausência da qualificadora da multa, entre 01.01.2007 e 07.12.2007, não transcorreu lapso temporal superior a cinco anos. Aqui sequer há prova de pagamento e temos acusação de dolo e fraude, pela interposta pessoa. Na forma da Súmula Carf nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do CTN. No mérito, sustenta, a planilha de valores dos extratos e a movimentação bancaria não é confiável, integram valores inexistentes, não houve desconsideração de resgates da conta poupança, mantém valores que não representam receitas e os depósitos bancários não comprovam a omissão de rendimentos. Nas razões de recurso faz um demonstrativo com valores que seriam resgate de poupança e valores submetidos à tributação na declaração de rendimentos e no ganho de capital, mas aponta ou faz comprovação do fato. Não basta apontar os valores, precisa demonstrar e comprovar, confrontar os valores, observandose que a decisão recorrida cancelou parte da atuação e não podem ser objeto de nova exclusão se foram excluído. Sem a comprovação, firme e segura da origem dos depósitos, prevalece a presunção legal do art. 42, da Lei 9.430 de 1996, pela inversão do ônus da prova no sentido de os depósitos bancários serem rendimentos tributáveis. Tocante a multa qualificada de 150% tanto a autuação e a decisão recorrida merecem inteira reforma. Consta que os depósitos bancários decorrem da omissão de rendimento das contas bancarias do autuado e das contas bancarias da sua esposa, Sonia Alice Terezinha de Jesus Cardoso Mesquita (fls. 278). Ouvida em depoimento Sonia declarou, sem contrariedade, que as receitas para movimentação bancária da sua conta provinham dos recursos financeiros de seu marido, o Recorrente. Contou Sonia, sem contrariedade, que o autuado movimentava as suas contas possuía a senhas de mais de um Banco, e que somente o acompanhava ao Banco para abertura da conta. Perfeitamente comprovada a interposta pessoa do autuado, com o uso da conta bancaria em nome de sua mulher Sonia para esconder, ocultar e assim buscar omitir rendimentos tributáveis mediante os depósitos bancários. Com relação aos depósitos bancários na conta dela prevalece a multa qualificada, a teor da Súmula 34, deste Conselho: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10830.725540/201141 Acórdão n.º 2201002.201 S2C2T1 Fl. 5 7 Incabível, contudo, a mesma multa qualificada em relação aos depósitos bancários na conta do próprio autuado, onde não há se falar em interposta pessoa, conforme pacificado neste Conselho na Súmula 25: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Ante o exposto, pelo meu voto, dou parcial provimento para excluir a multa qualificada dos depósitos bancários das contas do autuado, dos Bancos Santander: Ag. 1637 – Conta: 1002135 (fls. 179); e Itaú: Ag. 7058 – Conta: 94.053502 (fls. 80 e 108), mantendoa em relação aos depósitos da interposta pessoa, dos Bancos Itaú: Ag.523 – Conta: 20.40872 (fls. 222); Itaú: ag. 7058 – Conta: 94.373205 (fls. 24); e Bradesco: Ag. 03166 – Conta: 110.9324 (fls. 60). (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 599DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES 8 Fl. 600DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por ODMIR FERNANDES
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