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Numero do processo: 16682.720737/2014-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009, 2010
EMBARGOS. OMISSÃO.
Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõe-se a análise da matéria com vistas a sanar a omissão.
CSLL. NORMAS APLICÁVEIS. LEI Nº 12.973/2014. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A Lei nº 12.973/2018, não inova quando estabelece expressamente a aplicação das normas (por ela alteradas), relativas ao DL. 1598/1977 (que tratam do reconhecimento e amortização do ágio à apuração da CSLL), deixando explícito, tão somente, que as alterações por ela introduzidas aplicam-se igualmente à dita contribuição.
Numero da decisão: 1302-002.936
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Embargante LOJAS AMERICANAS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 EMBARGOS. OMISSÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõese a análise da matéria com vistas a sanar a omissão. CSLL. NORMAS APLICÁVEIS. LEI Nº 12.973/2014. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A Lei nº 12.973/2018, não inova quando estabelece expressamente a aplicação das normas (por ela alteradas), relativas ao DL. 1598/1977 (que tratam do reconhecimento e amortização do ágio à apuração da CSLL), deixando explícito, tão somente, que as alterações por ela introduzidas aplicamse igualmente à dita contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 37 /2 01 4- 64 Fl. 998DF CARF MF Processo nº 16682.720737/201464 Acórdão n.º 1302002.936 S1C3T2 Fl. 998 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 1302002.626, de 13 de março de 2018, mediante o qual os membros do colegiado acordaram, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos sintetizados na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa de despesas ante à falta de comprovação. A escrituração contábil faz prova a favor do sujeito passivo quanto aos fatos nela registrados desde que suportados por documentos hábeis e idôneos. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. PRECLUSÃO. Se o contribuinte deixa de apresentar a comprovação das despesas contabilizadas à autoridade fiscal durante o procedimento e na impugnação, oportunidade em que se limitou a apresentar argumentos visando a desqualificar o procedimento fiscal e, não configurada nenhuma das hipóteses excusáveis, previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, resta precluso o seu direito a apresentálas em sede de recurso voluntário. PROVISÕES. NATUREZA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. PROCEDÊNCIA. O registro de provisões que afetam o resultado do exercício, quando não comprovada sua natureza e/ou efetividade, deve ser objeto de glosa. A alegação de simples equívoco no registro contábil não elide a glosa se os valores provisionados afetaram o resultado do exercício. A alegação subsidiária de que teria ocorrido mera inobservância do regime de competência, não se sustenta, se o sujeito passivo não traz qualquer comprovação da reversão da provisão, nem do oferecimento de tais valores à tributação em período de apuração posterior. CSLL. MULTAS INDEDUTÍVEIS. GLOSA. Aplicamse à CSLL as normas gerais de dedutibilidade das despesas definidas no art. 47 da Lei nº 4.502/1964, que estabelece os critérios de necessidade, usualidade e normalidade das despesas, para serem consideradas no resultado operacional da empresa, por expressa dicção do art. 13 da Lei nª 9.249/1995, sendo, portanto, indedutíveis as multas fiscais, quando não tenham natureza compensatória ou sejam impostas por descumprimento de obrigações tributárias meramente acessórias Fl. 999DF CARF MF Processo nº 16682.720737/201464 Acórdão n.º 1302002.936 S1C3T2 Fl. 999 3 de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo, e as multas administrativas impostas por transgressões de leis de natureza não tributária. CSLL. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO Á BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO. As disposições legais sobre a amortização do ágio remetem à apuração do lucro real, seja para determinar a neutralidade dos seus efeitos, seja para autorizar a sua consideração na base de cálculo do IRPJ nos casos que especifica, de sorte que, ou bem se aplicam todas as disposições (sobre o ágio) para a apuração para a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (seja para adicionar a amortização do ágio à base da CSLL, seja para sua consideração no resultado nas hipóteses legais cabíveis) ou se considera que, à míngua de qualquer menção da CSLL nos textos legais, a amortização do ágio não pode repercutir em nenhum momento em sua base de cálculo. Se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento, concluise que a amortização que reduz o ágio/deságio deve compor o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, e quer este seja positivo ou negativo não deve impactar a base da CSLL. IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105. INAPLICABILIDADE A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente e não restringe o momento para sua exigência. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF 105 aos fatos geradores ocorridos após o anocalendário 2007, por terem outro fundamento legal. O sujeito passivo foi cientificado dessa decisão em 09/04/2018 (fls. 962) e apresentou a petição de embargos de fls. 968, em 16/04/2018 (fls. 966), portanto, dentro do prazo previsto no artigo 65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Os embargos foram objeto de exame de admissibilidade, conforme despacho de fls. 990/997, mediante o qual o presidente do colegiado admitiu parcialmente o recurso com relação à omissão apontada no seu item 3, nos seguintes termos: [...] 3. Lei n° 12.973, de 2014 omissão Fl. 1000DF CARF MF Processo nº 16682.720737/201464 Acórdão n.º 1302002.936 S1C3T2 Fl. 1000 4 A terceira reclamação do embargante diz respeito a alegada omissão em relação ao argumento de que as limitações trazidas pela Lei nº 12.973, de 2014, para a dedução da amortização do ágio na base de cálculo da CSLL implica que antes do advento dessa lei não haviam as mesmas restrições, conforme o seguinte excerto (fls. 978): Se por um lado a Lei n.° 12.973/2014 reduziu o valor do ''ágio fiscal", impôs novas limitações à sua amortização, inclusive em relação à CSLL, e mudou a forma como será apurado o lucro líquido para fins de ajuste com adições, exclusões e compensações, por outro lado, tem implícito o reconhecimento que, antes da sua vigência, não existiam essas restrições. Isto porque, não se pode cogitar que a nova lei tenha disciplinado fatos, além de, novamente, disciplinado dispositivos legais que já se encontravam em vigor e com plena eficácia. Decididamente, não se acredita que a lei possa ter criado disciplina jurídica que já existia e estava vigente. Ocorre que este argumento referente à Lei 12.973/2014, não foi analisado pela Turma, ou seja, esta foi omissa, mais uma vez, na medida em que o acórdão embargado não enfrentou esta questão, que é de suma importância, pois evidente que se pretendeu acrescentar vedações a dedutibilidade que antes não existia com relação à CSLL. A decisão embargada assim abordou a dedutibilidade do ágio na base de cálculo da CSLL (fls. 953): A despesa de amortização do ágio é indedutível na apuração da base de cálculo da CSSL, por força dos itens 1 e 4 do dispositivo acima transcrito [alínea "c" do §1º do art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988], os quais deixam claro a finalidade da norma de tomar neutro o resultado da equivalência patrimonial na apuração da CSLL. A avaliação do investimento pelo Método da Equivalência PatrimonialMEP influencia o cálculo da CSLL em caso de alienação ou liquidação do investimento, já que esse seria o valor contábil do investimento a ser considerado. Assim, se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento, concluise que a amortização que reduz o ágio/deságio deve compor o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, e quer este seja positivo ou negativo não deve impactar a base da CSLL, como dispõem expressamente os itens 1 e 4 da alínea "c" do § 1o do art. 2o da Lei 7.689/88. Como se vê, a decisão embargada entendeu que a amortização do ágio não poderia ser deduzida da base de cálculo da CSLL por força de dispositivo legal vigente desde o ano 1988. Todavia, o contribuinte trouxe, no seu recurso voluntário, extensa alegação no sentido de demonstrar que a legislação em vigor na data do fato gerador não era aplicável ao caso, de forma que somente com o advento da Lei nº 12.973, de 2014, a glosa realizada teria amparo legal, conforme a seguinte transcrição de trechos do referido recurso (fls. 883): Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 16682.720737/201464 Acórdão n.º 1302002.936 S1C3T2 Fl. 1001 5 Como se pode inferir da leitura das razões expostas pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, pretendese justificar a exigência da CSLL, resumidamente, com base no disposto no Decretolei n.° 1.598/1977, e nas Leis n.°s 8.981/1995, 9.249/1995 e na Instrução Normativa SRF n.° 390/2004. Vamos iniciar desconstruindo esses argumentos da autoridade lançadora, pois a Lei n.° 12.973, de 13/05/2014 nos permitirá concluir de forma segura, ratificando os argumentos de defesa no sentido que, até 31/12/2014, não existia previsão legal para vedar a amortização do ágio em relação à CSLL. [...] A conclusão que nos ocorre nesse momento é que o lançamento ficou sem amparo legal. Todo o arcabouço jurídico transcrito pela autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal restou inaplicável ao caso concreto, corroborando os argumentos da Recorrente que não existia, nos anos de 2009 e 2010, amparo legal para vedar a amortização do ágio em participações societárias na CSLL. [...] Dando seguimento das razões de defesa, a questão a ser analisada para verificar a improcedência da exigência fiscal diz respeito a saber se os ajustes determinados pela Lei n.° 12.973/2014 constituem, de alguma forma, uma mudança no contexto legal e no arcabouço jurídico vigente até 31/12/2014, ou meramente decorrem meramente da aplicação do Decretolei n.° 1.598/1977, da Lei n.° 9.249/1995 e da Lei n.° 9.532/1997, que jamais deveriam ter sido considerados para fins de determinação somente do resultado tributável pela CSLL, mais precisamente, se a exigência de realização contábil dos investimentos seria aplicável tanto no que diz respeito à base de cálculo do imposto como da contribuição. [...] Por outro lado, com a publicação da Lei n.° 12.973/2014, a regra de apuração do lucro foi profundamente alterada, passando a partir de 01/01/2015, a acompanhar a escrituração contábil conforme o padrão do IFRS. com adições, exclusões e compensações aplicáveis tanto para o IRPT como para a CSLL. ou seja, a nova lei trouxe, inegavelmente, uma nova disciplina para a matéria, a qual implicará em mudança de procedimento por parte da Companhia do tratamento fiscal que era dado nos anos de 2009 e 2010. Até mesmo porque, vale a pena ressaltar que os artigos 105 e 106 do Código Tributário Nacional determinam que a legislação tributária, salvo hipóteses excepcionais, não terá eficácia retroativa, não podendo alcançar fatos ocorridos antes do início de sua vigência. Fl. 1002DF CARF MF Processo nº 16682.720737/201464 Acórdão n.º 1302002.936 S1C3T2 Fl. 1002 6 Se por um lado a Lei n.° 12.973/2014 reduziu o valor do "ágio fiscal", impôs novas limitações à sua amortização, inclusive em relação à CSLL, e mudou a forma como será apurado o lucro líquido para fins de ajuste com adições, exclusões e compensações, por outro lado, tem implícito o reconhecimento que, antes da sua vigência, não existiam essas restrições. Isto porque, não se pode cogitar que a nova lei tenha disciplinado fatos, além de, novamente, disciplinado dispositivos legais que já se encontravam em vigor e com plena eficácia. Decididamente não se acredita que a lei possa ter criado disciplina jurídica que já existia e estava vigente. [...] Havendo a prevalência do entendimento (corroborado pela Lei n.° 12.973/2014) que a amortização do ágio tinha tratamento fiscal diferenciado para a CSLL, não exigindo a realização do investimento, a dedutibilidade será definitiva. Isto porque, o novo contexto legal não poderia retroagir para alcançar fatos perfeitos e acabados, regulados por outra legislação hígida e vigente anteriormente para todos os fins de direito. Muito pelo contrário, no caso em exame o novo contexto legal reafirma que nos anos de 2009 e 2010 não existia previsão legal para vedar a dedutibilidade da parcela de amortização do ágio de participações societárias como existia em relação ao IRPJ. Verifico que a decisão embargada não abordou esses argumentos de forma direta. Entendo que estes são argumentos relevantes para a determinação da melhor solução da lide, de maneira que exigem uma manifestação expressa por parte da turma julgadora. Destarte, considerando que os referidos argumentos contidos no recurso voluntário não foram expressamente apreciados pela turma julgadora, entendo que os presentes embargos devem ser admitidos quanto a este tópico. Conclusão Pelo exposto, entendo que o autor não demonstrou a existência das contradições e omissão tratadas nos itens 1 e 2 desse despacho, mas demonstrou a existência de omissão quanto aos argumentos contidos no recurso voluntário relativos ao efeito do advento da Lei nº 12.973, de 2014 (item 5), razão pela qual admito em parte os embargos de declaração em tela, nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. É o relatório. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 16682.720737/201464 Acórdão n.º 1302002.936 S1C3T2 Fl. 1003 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos são tempestivos e foram regularmente admitidos. Assim, deles conheço. A questão suscitada, cuja apreciação não foi submetida ao colegiado, refere se ao questionamento feito no recurso voluntário pela recorrente, no sentido de que antes da Lei nº 12.973/2014 inexistia qualquer óbice à dedutibilidade da amortização de ágio da base de cálculo da CSLL, uma vez que a legislação então vigente estabelecia regras voltadas unicamente à apuração do lucro real, ou seja, para a apuração da base de cálculo do IRPJ. Sustenta que, se por um lado a Lei n.º 12.973/2014 reduziu o valor do “ágio fiscal”, impôs novas limitações à sua amortização, inclusive em relação à CSLL, e mudou a forma como será apurado o lucro líquido para fins de ajuste com adições, exclusões e compensações, por outro lado, tem implícito o reconhecimento que, antes da sua vigência, não existiam essas restrições. Aduz que para os fatos ocorridos antes do início da vigência da lei n.º 12.973/2014, a dedutibilidade admitida para fins de cálculo da CSLL constitui genuíno ato jurídico perfeito, realizado, acabado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou, tornandose completo ou aperfeiçoado no tempo e regido pelo direito próprio. Entendo que não assiste razão à recorrente. A Lei nº 12.973/2014, entre outras mudanças na legislação do IRPJ e da CSLL, introduziu nova disciplina a diversos aspectos relacionados à possibilidade de amortização do ágio, em especial mediante alteração de dispositivos do DecretoLei nº 1598/1977, dispondo especificamente sobre a CSLL, verbis: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Art. 50. Aplicamse à apuração da base de cálculo da CSLL as disposições contidas nos arts. 2o a 8o, 10 a 42 e 44 a 49. § 1o Aplicamse à CSLL as disposições contidas no art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, devendo ser informados no livro de apuração do lucro real: I os lançamentos de ajustes do lucro líquido do período, relativos a adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária; II a demonstração da base de cálculo e o valor da CSLL devida com a discriminação das deduções, quando aplicáveis; e III os registros de controle de base de cálculo negativa da CSLL a compensar em períodos subsequentes, e demais valores que devam influenciar a determinação da base de cálculo da Fl. 1004DF CARF MF Processo nº 16682.720737/201464 Acórdão n.º 1302002.936 S1C3T2 Fl. 1004 8 CSLL de período futuro e não constem de escrituração comercial. § 2o Aplicamse à CSLL as disposições contidas no inciso II do caput do art. 8oA do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, exceto nos casos de registros idênticos para fins de ajuste nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL que deverão ser considerados uma única vez. Art. 51. O art. 2o da Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 2o ......................................................................... § 1o ............................................................................... .............................................................................................. c) .................................................................................... .............................................................................................. 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de participações societárias em pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil que tenham sido computados como receita; ...................................................................................” (NR) Notese que referido decretolei estabelece, desde 1977, as principais normas relativas ao Imposto de Renda de Renda das Pessoas Jurídicas, em especial aquelas que disciplinam a apuração do lucro real. Evidentemente que a CSLL, ainda não instituída à época, não é referida naquelas normas de apuração. Não obstante, diversas normas estabelecidas no DL. 1598/1977 são empregadas na determinação do lucro das pessoas jurídicas, utilizadas tanto para a determinação do lucro real como para a apuração da base de cálculo da CSLL. Isto porque, ambas as apurações partem do lucro líquido contábil, para, após serem ajustados, determinado o lucro sujeito à tributação tanto do IRPJ quanto da CSLL. Conforme mencionei no acórdão embargado; "[...] a legislação societária (lei nº 6.404/1976) nada dispunha sobre o registro da amortização contábil do ágio pago na aquisição de investimentos e que esta possibilidade somente surgiu a partir da edição do Decretolei nº 1.598/77, que veio disciplinar a apuração do imposto de renda a partir do resultado apurado na escrituração comercial. Ou seja, toda a disposição legal sobre a matéria da amortização do ágio remete à apuração do lucro real, seja para determinar a neutralidade dos seus efeitos, seja para autorizar a sua consideração na base de cálculo do IRPJ nos casos que especifica, de sorte que, ou bem se aplicam todas as disposições (sobre o ágio) para a apuração para a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (seja para adicionar a amortização do ágio à base da CSLL, seja para sua consideração no resultado nas hipóteses legais cabíveis) ou se considera que, à míngua de qualquer menção da CSLL nos textos legais, a amortização do ágio não pode repercutir em nenhum momento em sua base de cálculo. Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 16682.720737/201464 Acórdão n.º 1302002.936 S1C3T2 Fl. 1005 9 Desta feita, entendo que a Lei nº 12.973/2018, não inova quando estabelece expressamente a aplicação das normas (por ela alteradas) relativas ao DL. 1.598/1977, (que tratam do reconhecimento e amortização do ágio) à apuração da CSLL, deixando explícito, tão somente, que as alterações por ela introduzidas aplicamse igualmente à dita contribuição. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF é no sentido de aplicar à CSLL as mesmas normas de amortização do ágio aplicáveis ao IRPJ, (inclusive aos fatos geradores ocorridos antes da edição da Lei nº 12.973/2014), verbis: Acórdão nº 9101003.371, de 19/01/2018 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. EFEITOS NA CSLL. Estendemse à apuração da CSLL os efeitos da glosa de despesas com amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura considerado indedutível. Acórdão nº 9101003.374, de 19/01/2018 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. REPERCUSSÃO DOS AJUSTES NO LUCRO REAL PARA A BASE DE CÁLCULO DA CSLL. MOMENTOS DA EXISTÊNCIA DO INVESTIMENTO. AQUISIÇÃO. DESENVOLVIMENTO. DESFAZIMENTO. I Construção empreendida pelo Decretolei nº 1.598, de 1977, encontrase em consonância com a edição no ano anterior (1976) da Lei nº 6.404 ("lei das S/A"), no qual se buscou modernizar os conceitos de contabilização de investimentos decorrentes de participações societárias, inclusive com a adoção do método de equivalência patrimonial (MEP). Foram delineados três momentos cruciais para o investidor: nascimento, desenvolvimento e fim do investimento, assim tratados: (1º) o da aquisição do investimento, normatizandose a figura do "ágio", que consiste no sobrepreço pago na aquisição, (2º) o momento em que o investimento gera frutos para o investidor, ou seja, a empresa adquirida gera lucros; e (3º) e desfazimento do investimento. Acórdão nº 9101003.398, de 05/02/2018 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. A neutralidade tributária da equivalência patrimonial se estende à CSLL, de forma que a amortização de ágio não pode ser deduzida na apuração dessa Contribuição. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos interposto, para sanar a omissão suscitada, e rejeitar a alegação contida no recurso voluntário, ratificandose as conclusões do acórdão embargado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 1006DF CARF MF Processo nº 16682.720737/201464 Acórdão n.º 1302002.936 S1C3T2 Fl. 1006 10 Fl. 1007DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.910093/2009-09
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.169
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente LOJAS DE DEPARTAMENTOS MILIUM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 00 93 /2 00 9- 09 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10920.910093/200909 Acórdão n.º 9303007.169 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.441, de 24 de setembro de 2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado A divergência suscitada no recurso especial referese à prevalência da verdade material e da instrumentalidade das formas sobre as regras processuais que estabelecem a preclusão do direito à comprovação dos fatos alegados. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.165, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10920.910094/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.165): "Conhecimento do Recurso Especial Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10920.910093/200909 Acórdão n.º 9303007.169 CSRFT3 Fl. 4 3 O recurso especial não deve ser conhecido. A decisão recorrida não recusou as provas apresentadas em sede de recurso voluntário por considerar o direito precluso. No vertente processo, as provas do direito alegado não foram apresentadas em momento algum. Nem na apresentação do pedido de restituição, nem na impugnação, nem em sede de recurso voluntário e tampouco agora. Observese excerto extraído do voto do aresto recorrido. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). O paradigma apresentado jamais admitiu a hipótese de que um processo, que não fora em momento algum instruído com as provas do direito alegado pudesse ser convertido em diligência para que a falta fosse suprida. Em lugar disso, aborda uma matéria bem mais suscetível de controvérsia, que diz respeito à possibilidade de apreciação das provas carreadas aos autos pelo contribuinte somente em segunda instância de julgamento. Observese como se manifesta o relator da decisão paradigma. Em primeira mão destaco que comungo do entendimento dos I. Colegas Julgadores que defendem a tese de que as provas materiais carreadas para os autos, seja fase recursória ou em qualquer outra, devem ser levadas em consideração, analisadas com o devido cuidado, investigadas inclusive por intermédio de diligências, se for o caso, para apuração da verdade material que, efetivamente, deve nortear os julgamentos nesta esfera administrativa. (grifos acrescidos) Ora, o relator referese à admissão das provas apresentadas em qualquer momento processual. Na sua opinião, considera até mesmo a possibilidade de que sejam realizadas diligências para apuração da verdade material, à luz dos elementos de prova carreados tardiamente aos autos. Não é o caso deste processo. Não foram recusadas provas apresentadas em segunda instância por preclusão temporal, foi rejeitado pedido de diligência para inclusão nos autos das provas que o contribuinte jamais se interessou em apresentar oportuna e espontaneamente. São questões rigorosamente distintas! Como disse antes, a mitigação do rigor processual expresso no art. 161 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores é matéria que comporta controvérsias. Contudo, decidir pela 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10920.910093/200909 Acórdão n.º 9303007.169 CSRFT3 Fl. 5 4 conversão do julgamento em diligência para instrução do processo porque o contribuinte não se desincumbiu em momento algum do dever fazêlo, parece a mim uma decisão de outro jaez, que, me arrisco a dizer, haveria de se notabilizar pelo ineditismo. Importante frisar que é incontroverso que o contribuinte não carreou aos autos os documentos contábeis e fiscais com os quais poderia demonstrar o direito alegado. Em sua próprias palavras: Por evidente, era e é absolutamente inviável à Recorrente juntar ao seu Recurso e a esses autos toda a documentação pertinente, como arguído na decisão recorrida para justificar a denegação de seu acolhimento, porquanto isso implica em milhares de papéis, considerado todo o período referenciado... (grifos no original) Embora não pretenda adentrar ao mérito, é inescapável uma reflexão acerca do pleito da recorrente, para que fique claro o quanto ele destoa da decisão paradigma e transborda os limites do que lá se debateu e do que, em regra, se apresenta para discutir em situações análogas. Por certo, a litigante não é de dimensões tais que se veja impedida de apresentar as provas do direito alegado, como, sabidamente, é exigido de qualquer contribuinte em quaisquer circunstâncias (em especial quando se trata de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação). Significa dizer, o reconhecimento do direito reclamado pela recorrente ultrapassaria em muito a discussão acerca do momento em que ocorre a preclusão temporal para comprovação dos fatos alegados. Admitiria uma regra de exceção exclusiva para um determinado caso específico, e sem qualquer razão aparente para tanto, já que não é possível vislumbrar elementos materiais e perceptíveis que justifiquem tal distinção. A despeito disso, do excerto antes transcrito resta inequívoca a circunstância fática versada nos autos. Ao contrário do que aconteceu no paradigma, neste processo nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador. Não há qualquer possibilidade de considerar que as decisões deram à lei tributária interpretações divergentes. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo "nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador". a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10920.910093/200909 Acórdão n.º 9303007.169 CSRFT3 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000947/2003-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999
Ementa:
MULTA ISOLADA. SUPRESSÃO DO SUPORTE LEGAL. LEI NOVA.
APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Tratando-se de norma que cuida de aplicação de penalidade e de ato não definitivamente julgado, por força do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, que efetiva o princípio da retroatividade benigna, a lei vigente aplicase
ao ato ou fato pretérito.
Numero da decisão: 1301-001.147
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Wilson Fernandes Guimarães
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 Ementa: MULTA ISOLADA. SUPRESSÃO DO SUPORTE LEGAL. LEI NOVA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de norma que cuida de aplicação de penalidade e de ato não definitivamente julgado, por força do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, que efetiva o princípio da retroatividade benigna, a lei vigente aplicase ao ato ou fato pretérito.
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SUPRESSÃO DO SUPORTE LEGAL. LEI NOVA. APLICAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de norma que cuida de aplicação de penalidade e de ato não definitivamente julgado, por força do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, que efetiva o princípio da retroatividade benigna, a lei vigente aplicase ao ato ou fato pretérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 09 47 /2 00 3- 51 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11543.000947/200351 Acórdão n.º 1301001.147 S1C3T1 Fl. 274 2 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11543.000947/200351 Acórdão n.º 1301001.147 S1C3T1 Fl. 275 3 Relatório Trata o presente processo de exigência de MULTA ISOLADA, aplicada em virtude da constatação de recolhimento de estimativa de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, fora do prazo, sem o acréscimo da multa moratória devida. Por bem traduzir os fatos apurados, reproduzo a seguir o RELATÓRIO elaborado na instância a quo. Contra a empresa ADM Exportadora e Importadora Ltda., foi lavrado o Auto de Infração de fls. 69/73, que tem como parte integrante o Termo de Verificação Fiscal, exigindolhe multa isolada por falta de pagamento da multa de mora no recolhimento em atraso de débitos de IRPJ Estimativa. O enquadramento legal se encontra à fl. 72. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 69/70, a fiscalização observa que o contribuinte formalizou, com base no art. 138 do Código Tributário Nacional, denúncia espontânea, por meio do processo n° 11543.004647/9911, trazendo a conhecimento da DRF Vitória que efetuaria o recolhimento a destempo do IRPJ Estimativa referente aos períodos de apuração de maio, junho e julho de 1998, sem computar a multa de mora. Acrescenta que, em 31/05/1999, o contribuinte recolheu o referido imposto, na forma que pretendia, sem o acréscimo da multa de mora, conforme se verifica no sistema Sinal (fls. 23/25). Assinala que, conforme os autos do processo n° 11543.004647/9911 (fls. 2 a 67), o contribuinte foi devidamente esclarecido e cientificado de que os tributos e contribuições federais em atraso devem ser recolhidos com os devidos encargos legais previstos no art. 61, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430/1996. Em 22/03/2006 foi juntado por anexação ao presente, em cumprimento a disposição contida no art. 2° da Portaria SRF n° 6.129/2005, o processo n° 11543.000948/200303, que tratava do Auto de Infração de fls. 183/187, por meio do qual é exigido da empresa ADM Exportadora e Importadora Ltda. multa isolada por falta de pagamento da multa de mora no recolhimento em atraso de débitos de CSLL Estimativa referente ao mesmo período de apuração, maio, junho e julho de 1998. O enquadramento legal se encontra à fl. 186. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 183/184, a fiscalização observa que o contribuinte formalizou denúncia espontânea referente àqueles débitos por meio do processo n° 11543.004648/9984. Em 31/05/1999, o contribuinte recolheu a referida contribuição sem o acréscimo da multa de mora, conforme se verifica no sistema Sinal (fls. 180/182). Cientificado dos Autos de Infração em 26/03/2003, o Interessado apresentou, em 23/04/2003, as impugnações de fls. 76 a 93 e de fls. 192 a 209, nas quais alega, em síntese, que a autuação não pode subsistir, tendo em vista que a Impugnante, antecipandose a qualquer procedimento de natureza fiscal, voluntariamente dirigiu se à Secretaria da Receita Federal em Vitória e promoveu a denúncia espontânea das infrações, a qual foi devidamente instruída com os comprovantes de pagamento do Fl. 305DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11543.000947/200351 Acórdão n.º 1301001.147 S1C3T1 Fl. 276 4 tributo, acrescidos de juros de mora e correção monetária, como preceitua o art. 138 do Código Tributário Nacional. Sustenta que, ao contrário do que asseverado nos Termos de Verificação Fiscal que acompanham os Autos de Infração, a regra contida no art. 138 do CTN exclui qualquer exigência de multa, seja ela moratória ou punitiva, sobre o débito pago espontaneamente, antes de iniciado qualquer procedimento administrativo, sendo certo que, nos casos em exame, é indevida a exigência de valor relativo a multa de mora em razão do procedimento espontâneo adotado pelo Impugnante. Diz que o legislador criou uma causa excludente da responsabilidade tributária pela confissão e que foi exatamente essa a conduta da Impugnante, que demonstra, inequivocamente, manifestação de boa fé. Afirma que o próprio Parecer Normativo CST n° 57/79 qualifica o procedimento adotado pela Impugnante como sendo denúncia espontânea, devendo, portanto aplicarse as regras do art. 138 do CTN no que diz respeito à exclusão da multa moratória, já que o Impugnante preencheu todos os requisitos elencados no parecer, bem como toda legislação que rege o instituto da denúncia espontânea. Argumenta que o pagamento total dos débitos em atraso com os acréscimos devidos sinaliza o cumprimento da obrigação, não sendo lícita, portanto, a presunção de que a Impugnante ficou inadimplente. Defende que os Autos de Infração devem ser anulados, uma vez que totalmente equivocado, posto que para a caracterização da denúncia espontânea é irrelevante a natureza da multa que se pretende excluir, se moratória/compensatória ou punitiva, o que para o CTN e para o Supremo Tribunal Federal é irrelevante, bastando tãosomente a confissão procedida do pagamento do tributo e juros de mora, como ocorre no caso em exame. Diz que é equivocada a conclusão do autuante, no sentido de que o art. 138 do CTN somente abrange a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/1996, não alcançando a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/1996, pois se o CTN exclui totalmente a responsabilidade daqueles que denuncia espontaneamente a infração, não cabe ao Auditor Fiscal intérprete da referida norma distinguir onde a lei não distingue. Para corroborar sua posição, cita doutrina e jurisprudência judicial. A DRJ/RJ01, através do Acórdão 10.521/2006 (fls. 233/236), julgou nulos os lançamentos, conforme ementa abaixo reproduzida. Ementa: REQUISITOS FUNDAMENTAIS DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Extinguindose a incorporada, responde a incorporadora, na qualidade de sucessora, pelos tributos devidos pela sucedida, até a data do evento, devendo o lançamento ser efetuado na pessoa da incorporadora. Em face da interposição de recurso de oficio, foi proferido o Acórdão 105 16.452/2007 (fls. 241/244), com retificação de fl. 263 (em razão do embargo de fls. 249/250), que deu provimento ao recurso de oficio, conforme ementa abaixo. REQUISITOS FUNDAMENTAIS DO LANÇAMENTO ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — Não se caracteriza nulo o lançamento efetuado em contribuinte que, em continuidade a relacionamento de fiscalização, é incorporado e omite tal informação ao órgão fiscalizador. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11543.000947/200351 Acórdão n.º 1301001.147 S1C3T1 Fl. 277 5 Foi determinado o retorno dos Autos a esta DRJRJO 1, para apreciar as razões de defesa apresentadas na impugnação. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural em virtude do decidido em segunda instância, decidiu, por meio do acórdão nº 1232.653, de 12 de agosto de 2010, pela improcedência do crédito tributário constituído. O referido julgado restou assim ementado: MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DA MULTA DE MORA NO RECOLHIMENTO EM ATRASO DE DÉBITOS DE IRPJ E DE CSLL. Em face do principio da retroatividade benigna, deve ser cancelado o lançamento de multa isolada no caso de recolhimento integral do principal, desacompanhado do acréscimo da multa de mora. É o Relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11543.000947/200351 Acórdão n.º 1301001.147 S1C3T1 Fl. 278 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata o presente de RECURSO DE OFÍCIO, interposto em virtude de o sujeito passivo ter sido exonerado dos créditos tributários formalizados por meio dos Autos de Infração de fls. 71/74 e 185/188. As referidas autuações dizem respeito, exclusivamente, a lançamentos de MULTAS ISOLADAS, decorrentes do fato de a contribuinte ter efetuado recolhimento de estimativas (IRPJ e CSLL) fora do prazo sem o acréscimo de multa moratória. Os lançamentos tributários em questão, efetuados em 26 de março de 2003, tiveram por fundamento as disposições dos arts. 43, 44 (parágrafo 1º, inciso II) e 61 (parágrafos 1º e 2º) da Lei nº 9.430, de 1996. Os lançamentos foram cancelados pela autoridade julgadora de primeira instância, eis que o fundamento que lhes serviram de suporte (inciso II do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996), em virtude de legislação superveniente (Medida Provisória nº 351, convertida na Lei nº 11.488, de 2007), deixou de ter previsão legal. Penso que o decidido pela Turma Julgadora de primeiro grau não merece reparo. De fato, em razão das alterações promovidas pela Lei nº 11.488, de 2007 no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, no caso em que o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora, o referido encargo deve ser exigido, isoladamente, com amparo no art. 43 da Lei nº 9.430/96, eis que a penalidade prevista no inciso II, parágrafo 1º, art. 44, do citado diploma, foi suprimida. Tratandose de norma que cuida de aplicação de penalidade e de ato não definitivamente julgado, ex vi do disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional, que efetiva o princípio da retroatividade benigna, a lei vigente aplicase ao ato ou fato pretérito. Assim, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 11543.000947/200351 Acórdão n.º 1301001.147 S1C3T1 Fl. 279 7 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 11128.005534/2007-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 06/08/2007
ABSOLVIÇÃO CRIMINAL. FALTA DE PROVAS. INDEPENDÊNCIA DAS ESFERAS PENAL E ADMINISTRATIVA.
A esfera administrativa somente está vinculada à decisão no processo penal, quando o agente é absolvido por inexistência do fato típico ou pela comprovação de não tê-lo praticado. Quando a absolvição decorre da falta de provas, mantém-se a independência do processo administrativo.
ROMPIMENTO DE LACRE DE SEGURANÇA. MULTA.
É devida a multa prevista no inciso VI do art. 107 do Decreto-Lei nº 37/1966, quando do rompimento indevido de lacre de segurança.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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FALTA DE PROVAS. INDEPENDÊNCIA DAS ESFERAS PENAL E ADMINISTRATIVA. A esfera administrativa somente está vinculada à decisão no processo penal, quando o agente é absolvido por inexistência do fato típico ou pela comprovação de não têlo praticado. Quando a absolvição decorre da falta de provas, mantémse a independência do processo administrativo. ROMPIMENTO DE LACRE DE SEGURANÇA. MULTA. É devida a multa prevista no inciso VI do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, quando do rompimento indevido de lacre de segurança. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 55 34 /2 00 7- 97 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11128.005534/200797 Acórdão n.º 3002000.211 S3C0T2 Fl. 173 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "O interessado foi autuado em face de violação de lacre de contêiner e tentativa de furto de mercadoria. Houve prisão em flagrante, conforme fls. 4 e 1345 (números de folhas mencionados neste acórdão referemse aos atribuídos pelo “eprocesso”). Foi lançada a multa capitulada no artigo 107, inciso VI, do DecretoLei nº 37/1966, no valor de R$ 2.000,00. O interessado apresentou impugnação (fls. 52 e 53). Alega: 1. Foi injustamente acusado de furto. 2. Foi processado pela Justiça Federal, processo 2007.61.04.0070987, e absolvido (sentença em fls. 5574). 3. De forma arbitrária e ilegal, o impugnante foi impedido de entrar para trabalhar no cais por ordem do chefe da Equipe de Vigilância e Busca Aduaneira. 4. Requer o arquivamento do processo e a revogação da ordem do chefe da EQBUV. Recebida a impugnação pela repartição “a quo”, os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento (DRJ) e distribuídos ao relator." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), analisando as argumentações do contribuinte, julgou improcedente a Impugnação, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/08/2007 Violação de contêiner e tentativa de furto de mercadoria. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11128.005534/200797 Acórdão n.º 3002000.211 S3C0T2 Fl. 174 3 Corretamente aplicada a multa do artigo 107, VI, do DL 37/1966. Impugnação Improcedente Irresignado com a referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário alegando que a sua absolvição no processo penal teria deixado claro que não praticou o delito, sendo, portanto, indevida a cobrança da multa administrativa. Ademais, alega que a Justiça Federal anulou o presente processo através da sentença proferida no processo nº 0006401.36.2008.4.03.6104. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão cingese a autuação fiscal para exigência de multa pecuniária pela violação do lacre do container MSCU 2575778 em 06/08/2007, conforme inquérito da Polícia Federal 5511/2007 DPF/STS/SP. Desta forma, ficando o recorrente sujeito a penalidade prevista no inciso VI do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... VI de R$ 2.000,00 (dois mil reais), no caso de violação de volume ou unidade de carga que contenha mercadoria sob controle aduaneiro, ou de dispositivo de segurança. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ......................................................................................................... Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11128.005534/200797 Acórdão n.º 3002000.211 S3C0T2 Fl. 175 4 A primeira alegação do contribuinte, quanto à ilegitimidade do lançamento, devido a sua absolvição no processo penal relacionado ao caso, não merece prosperar, pois, como bem assinalou o voto condutor do Acórdão recorrido, as esferas penal e administrativa são independentes e, assim, a segunda somente estaria vinculada à decisão proferida pela primeira, caso o sujeito passivo tivesse sido absolvido por ter ficado comprovada a inexistência do crime ou por ter ficado comprovado que ele não o praticou. Dessa forma, mantémse a independência da esfera administrativa, quando o réu é absolvido apenas por falta de provas. Essa é a situação no caso ora analisado, conforme se constata no excerto da fundamentação da decisão judicial no processo 2007.61.04.070987: "Assim, não obstante indubitável haver ainda outros autores do delito e da ingente possibilidade de no mínimo alguns, senão todos os demais acusados, serem responsáveis pela conduta típica descrita na denúncia, o certo é que somente a ALESSANDRO ROBERTO ROCHA, vulgo "China", se pode imputar a autoria do crime. Por não haver, quanto aos demais, certeza irrefutável da conduta delituosa, circunstância que deve permear o decreto condenatório, impende absolvêlos. Na dúvida vale o brocardo "in dubio pro reo"." Quanto à segunda alegação, ter sido anulado o presente processo pela sentença proferida no processo nº 0006401.36.2008.4.03.6104, melhor sorte não assiste ao recorrente, tendo em vista a reforma daquela decisão pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região. O Acórdão que, por unanimidade, deu provimento à apelação da União e à remessa oficial e julgou prejudicado o apelo dos autores transitou em julgado em 03/05/2017 e possui a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. PRETENDIDA ANULAÇÃO DE AUTUAÇÕES ADMINISTRATIVAS IMPOSTAS AOS AUTORES, E SUAS CONSEQÜÊNCIAS, BEM COMO INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. ALEGAÇÃO: FORAM ABSOLVIDOS NA INSTÂNCIA PENAL (FALTA DE PROVAS DOS FATOS QUE ALÉM DE CONSTITUÍREM CRIME DE FURTO ENVOLVIAM TAMBÉM INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA: ROMPIMENTO DE LACRE DE CONTAINER). INDEPENDÊNCIA DAS ESFERAS CÍVEL, PENAL E ADMINISTRATIVA. AUTORES QUE NÃO SE DESINCUMBIRAM DO DESFAZIMENTO DA PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE E LEGITIMIDADE DOS ATOS DA ADMINISTRAÇÃO (ART. 333, I, CPC/73). MULTA ADMINISTRATIVA REGIDA PELA LEGISLAÇÃO ADUANEIRA QUE SE SUSTENTA. SENTENÇA REFORMADA. APELO DOS AUTORES PREJUDICADO. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11128.005534/200797 Acórdão n.º 3002000.211 S3C0T2 Fl. 176 5 1. Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, proposta em 1/7/2008 por JOSÉ VALTER DOS SANTOS, FRANCISCO CHAGAS DA CUNHA, ROGÉRIO DA SILVA e GEORGE BRITO GONÇALVES, em face da UNIÃO FEDERAL, a fim de que esta seja compelida: a) a arquivar os processos administrativos de números 11128.05532/200706 e 11128.007937/200771 (de JOSÉ VALTER), 11128.05527/2007 97 e 11128.0000794094 (de FRANCISCO), 11128.005534/200797 e 11128.007941/200739 (de ROGÉRIO), 1112807938/200715 e 11128.005533/2007 (de GEORGE), por ausência de base legal para a cobrança; b) a anular a notificação de compensação de ofício que reteve a restituição do imposto de renda dos autores, com a conseqüente liberação da restituição e a repetição do indébito; c) ao pagamento de danos morais no valor de 50 salários mínimos para cada autor. Afirmam que foram denunciados pela prática do delito previsto no artigo 155, § 4º, II e IV c.c artigo 14, II do Código Penal ação penal nº 2007.61.04.0070987, 3ª Vara Federal de Santos sendo que após o regular processamento da ação penal foram absolvidos, com fundamento no artigo 386, inciso IV do Código de Processo Penal, sendo que a sentença transitou em julgado em 2/10/2007. Discorrem que o delito do qual foram injustamente acusados ocorreu a bordo do navio MSC LAUSANNE, no qual trabalhavam na condição de estivadores e onde houve a tentativa de furto de mercadorias acondicionadas no interior de um container, com rompimento de lacre, sendo este, segundo a Receita Federal, o fato gerador da multa administrativa, cobrada indevidamente dos autores e inseridas na dívida ativa da UNIÃO. Aduzem que com a absolvição restou demonstrado que os autores não participaram do delito, portanto, eles não romperam o lacre do container, razão pela qual não existe base legal para a exação. Assim, pretendem a restituição de valores compensados de ofício entre o valor a ser restituído a título de imposto de renda com os valores impostos a título de multa administrativa pela conduta dos autores em razão da violação do lacre de unidade de carga. Asseveram que tiveram violadas a imagem idônea e a dignidade de seus nomes, o que lhes causou dor e humilhação, razão pela qual fazem jus à indenização por danos morais. 2. Na instância penal, não obstante demonstrada a materialidade delitiva, os autores foram absolvidos da prática do crime de furto qualificado na forma tentada, apenas com fundamento na "ausência de prova suficiente para a condenação", prevalecendo, portanto, a regra geral da independência e autonomia das esferas cível, penal e administrativa, sendo lícito à Administração decidir com vistas ao prevalecimento do interesse público. 3. O rompimento do lacre do container MSCU 257577 8 22G1 restou cabalmente demonstrado, tratandose do fato gerador da multa administrativa. Nesse cenário a autuação administrativa pelo rompimento do lacre do container ocorrido a bordo do navio MSC LAUSANNE, no qual os autores trabalhavam na condição de estivadores não foi atingida pela decisão Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11128.005534/200797 Acórdão n.º 3002000.211 S3C0T2 Fl. 177 6 absolutória do crime de furto, proferida na Justiça Criminal, e por isso cabia justamente aos autores demonstrar nestes autos que eram insubsistentes as imposições de penalidades feitas nos processos administrativos de números 11128.05532/200706, 11128.007937/200771, 11128.05527/200797, 11128.0000794094, 11128.005534/200797, 11128.007941/200739, 1112807938/200715 e 11128.005533/2007 por suposta ausência de base legal para a cobrança. Isso porque em favor da conduta da Administração vige o princípio de legitimidade e legalidade, presunção relativa que cabe ao administrado desfazer (inc. I do art. 333 do CPC/73, então vigente). 4. É claro que errou a sentença ao atribuir à União a prova de que o ato dos agentes dela não era ilegal, pois isso é um absurdo que ofende o sistema jurídico vigente, ainda mais porque como já salientado a absolvição dos autores, então réus de delito de furto do conteúdo do container na instância penal, deuse apenas por "falta de provas", o que não interfere na instância administrativa. 5. Em conseqüência disso, o apelo dos autores no que diz respeito a indenização em favor deles por dano moral aventado, resta prejudicado. 6. Sucumbência imposta em desfavor dos autores, observada a persistência ou não da miserabilidade jurídica. Dessa forma, restando comprovado, nos autos administrativos, o rompimento do lacre do conteiner, ocorrido a bordo do navio MSC LAUSANNE, no qual o recorrente trabalhava como estivador, embora tenha sido absolvido do crime de furto pela justiça criminal, é devida a aplicação da multa pecuniária lançada no presente processo. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.905701/2012-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO
Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
Numero da decisão: 1302-002.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "não-declarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondo-se, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 PROCESSUAL ADMINISTRATIVO NULIDADE RECONHECÍVEL DE OFÍCIO Falece, à DRJ, competência para considerar "nãodeclarada" compensação analisada e não homologada pela Delegacia da Receita Federal, impondose, neste passo, o reconhecimento de sua nulidade de ofício, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 57 01 /2 01 2- 41 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10840.905701/201241 Acórdão n.º 1302002.877 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação de crédito resultante de pretenso indébito concernente à CSLL trimestral recolhida no ano de 2012, para quitação do mesmo tributo devido no mesmo ano calendário. Este pedido não foi homologado pela Unidade de Origem, cujo despacho decisório consignou a seguinte motivação fática: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte opôs a sua manifestação de inconformidade para deduzir alegações de nulidade de praxe, comumente apresentadas em processos como o ora analisado, afirmando ser desmotivado o despacho decisório e, mais, ter ocorrido cerceamento de defesa por não ter sido franqueado, à empresa, a produção de provas concernentes ao crédito cuja compensação se postulava. No mérito, afirmou que o crédito teria origem numa genérica assertiva de que a empresa teria incluído na base de cálculo receitas que, a teor de "algumas teses tributárias já julgadas pelo Suprem Tribunal Federal de favorável aos contribuinte, a exemplo (!?) a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinas despesas, etc (?!?). Pediu, ao fim, a produção de prova pericial, sem, inclusive, declinar os quesitos necessários à análise de validade do pedido, a teor dos preceitos do art. 16, IV, do Decreto 70.235/72. Instada a analisar as razões de insurgência do contribuinte, a DRJ de Ribeirão Preto, inovando o despacho decisório, houve por bem considerar não declarada a compensação deixando, consequentemente, de conhecer da aludida manifestação. Cientificado do conteúdo do acórdão em 04/02/2014, a empresa interpôs seu recurso voluntário em 28/02/2014, por meio do qual, a par de uma "preliminar" de tempestividade totalmente estranha ao feito, basicamente reiterou os argumentos deduzidos em sua manifestação de inconformidade. Este é o relatório. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10840.905701/201241 Acórdão n.º 1302002.877 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.872, de 14/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.905696/2012 76, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.872): Aos meus pares, vale o destaque: este processo é, virtualmente, idêntico ao PA de nº 3851.903041/201222, cujo acórdão de nº 1302002.642 já foi, inclusive, objeto de publicação. Assim, peço vênia, antes mesmo de me pronunciar sobre a tempestividade e os requisitos de cabimento do RV, para reproduzir todas as razões que lá expus, já que integralmente aplicável ao caso em análise: I Da análise do cabimento do RV e de questão de ordem pública prejudicial. Antes mesmo de me pronunciar sobre o cabimento do recurso, é necessário dirimir questão de relevo surgida apenas com o advento da decisão de primeira instância. Tal como descrito no relatório, a DRJRPO não conheceu da manifestação de inconformidade por entender que o crédito, cuja compensação se postulava, decorreria, a seu ver, de discussão judicial, o que, em tese, atrairia, ao caso, a aplicação da regra encartada no artigo 74, § 12, II, “f”, da Lei n.º 9.430, de 1996. Como a decisão primerva considerou como "não declarada" a compensação, entendeu descabida a manifestação de inconformidade já que, nesta hipótese, caberia tão só o recurso hierárquico a que alude o art. 56 da Lei 9.784/96 (por força da determinação constante do art. 39, § 2º, da IN 900/08, vigente à época da transmissão da declaração de compensação). O grande problema, todavia, é que, a teor do art. 74, § 10, da citada Lei 9.430, só caberia recurso a este Conselho para o caso de improcedência da manifestação inconformidade: § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10840.905701/201241 Acórdão n.º 1302002.877 S1C3T2 Fl. 5 4 Demais disso, reprisese, que, uma vez considerada como "nãodeclarada" a compensação, como já dito, descabe manifestação de inconformidade e, por conseguinte, recurso voluntário; o rito que se segue, neste passo, é, e apenas, aquele descrito na anteriormente citada Lei 9.784. Ou seja, em tese, não nos seria cabível conhecer do recurso voluntário. Todavia, entendo, particularmente, que a DRJ incorreu, no caso, em dois erros, data venia... Primeiramente, o crédito postulado pelo contribuinte não advinha de decisão judicial ou de alegação de inconstitucionalidade, já que, da DECOMP de nº (...), que efetivamente descreve o crédito, a sua origem e natureza, informa, explicitamente, que a pretensão deduzida pelo recorrente não estava fundada em discussão judicial. Insistase, a alegação, por demais genérica, de que haveria ocorrido um indébito em decorrência de eventual discussão judicial ou alegação de inconstitucionalidade de norma adveio, apenas, na manifestação de inconformidade. Por isso, inclusive, que a Unidade de Origem apenas deixou de homologar o pedido da empresa. Como não o fez, à DRJ competia, tão só, se pronunciar sobre a existência ou não do crédito, pena de, inclusive, incorrer em reformatio in pejus (como de fato o fez, já que ao considerar como nãodeclarada a compensação, o órgão Colegiado a quo tornou muito mais gravosa a situação do contribuinte). Vejam bem, a DRF não reconheceu o direito creditório pleiteado porque o contribuinte não cuidou de informálo! Não há, nos autos, notícias de que o recorrente tenha retificado eventuais declarações (DCTF) a fim de permitir à Unidade de Origem inferir a existência de um indébito restituível; tivesse a parte tomado tal providência a DRF cuidaria de intimálo para explicar tal retificação e, apresentadas as considerações constantes da manifestação de inconformidade, aí sim, considerar a aplicação dos preceitos do art. 74, § 12, da Lei 9.430/96. Como tais procedimentos não foram adotados, a DRF, corretamente, deixou de homologar a compensação pela razão já apontada no relatório acima: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10840.905701/201241 Acórdão n.º 1302002.877 S1C3T2 Fl. 6 5 Este o limite da atuação da DRJ; este o limite do objeto da manifestação de inconformidade que deveria ter sido observado pela instância a quo. Uma vez que não homologado o pedido de compensação, o cabimento da citada manifestação de inconformidade é decorrência estrita e lógica da Lei 9.430 (art. 74, § 7º,) e cabia à DRJ dela conhecer para, se assim entendesse cabível, julgála improcedente. No entanto, vale o destaque, o recurso voluntário não atacou o fundamento específico da DRJ; o contribuinte, digase, não se insurgiu, por seu apelo, contra o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade nem tampouco questionou as razões que levaram ao colegiado de primeira instância a considerar não declarada a sua compensação. O recorrente, pois, não devolveu à este Conselho a matéria (que, na minha concepção, não encerra, neste ponto, o conhecimento de ofício), tendo, pois, se operado a preclusão neste particular (inteligência do art. 33 do Decreto 70.235/72). Resta a análise do segundo equívoco incorrido pela DRJ. E aqui, a discussão ganha um realce bastante diferente. Ainda que não disponha de artigo específico para determinar a competência para a análise das Declarações de Compensação transmitidas à DRF, a Lei 9.430 a todo momento deixa, quando menos, implícita tal competência (vejase, por exemplo, os preceitos do § 4º do art. 74). Nada obstante, a IN 1.300 (que revogou a IN 900, vigente à época da transmissão da DECOMP objeto deste feito), é suficientemente clara ao dispor, em seu art. 46, caput¸ "a autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 41". O § 8º, deste mesmo preceito, põe um pedra de toque sobre o assunto: O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. A competência, portanto, para considerar não declarada eventual compensação é exclusiva da DRF, cabendo ao Auditor Fiscal o mister de efetuar o lançamento da multa isolada preconizada pelos §§ 6º e 7º. Em linhas gerais, a DRJ não detém competência para considerar não declarada eventual compensação por ventura transmitida pelo contribuinte (até mesmo pelos motivos já suscitados anteriormente, já que as situações descritas no § 12 do art. 74 devem ser apuradas pela Auditoria Fiscal no curso da análise das DECOMP). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10840.905701/201241 Acórdão n.º 1302002.877 S1C3T2 Fl. 7 6 Atentem, agora, para os preceitos do art. 59, II, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A luz de tais premissas, temse no caso, hipótese clara e inegável de nulidade do acórdão da DRJ que, inadvertidamente, proferiu decisão sobre matéria que não lhe competia analisar. E a nulidade descrita no art. 59, supra, é, esta sim, matéria de ordem pública conhecível em qualquer grau ou instância, conforme art. 64, §1º, do CPC, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo por força dos preceitos do art. 15 do mesmo digesto processual civil. Dito isto, a anulação do acórdão ora recorrido é medida que se impõe. II Conclusão. Diante disto, voto por conhecer do recurso voluntário (porque tempestivo) e declarar a nulidade da decisão de primeiro grau pelas razões expostas anteriormente, determinandose o retorno dos autos à DRJRPO a fim de que proceda à análise do mérito do pedido de compensação objeto desta demanda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para acolher a preliminar de nulidade do acórdão recorrido, suscitada de ofício pelo Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.910086/2009-07
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-007.166
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1494; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10920.910086/200907 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.166 – 3ª Turma Sessão de 12 de julho de 2018 Matéria PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Recorrente LOJAS DE DEPARTAMENTOS MILIUM LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige a demonstração do dissenso jurisprudencial. É essencial que as decisões comparadas tenham identidade fática e jurídica entre si. O acórdão que decide pela mitigação de determinada regra processual com supedâneo em princípios do direito processual tributário não serve de paradigma apto a confrontar decisão que considerou intransponível outra norma processual, diferente da que foi relaxada pela decisão recorrida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 00 86 /2 00 9- 07 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10920.910086/200907 Acórdão n.º 9303007.166 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.438, de 24 de setembro de 2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PROVAS. É ônus processual do contribuinte fazer prova dos fatos alegados em contraposição à pretensão fiscal. Recurso Voluntário Negado A divergência suscitada no recurso especial referese à prevalência da verdade material e da instrumentalidade das formas sobre as regras processuais que estabelecem a preclusão do direito à comprovação dos fatos alegados. O recurso especial foi admitido mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.165, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10920.910094/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.165): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial não deve ser conhecido. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10920.910086/200907 Acórdão n.º 9303007.166 CSRFT3 Fl. 4 3 A decisão recorrida não recusou as provas apresentadas em sede de recurso voluntário por considerar o direito precluso. No vertente processo, as provas do direito alegado não foram apresentadas em momento algum. Nem na apresentação do pedido de restituição, nem na impugnação, nem em sede de recurso voluntário e tampouco agora. Observese excerto extraído do voto do aresto recorrido. Desse modo, não tendo a recorrente, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário, se desincumbido do ônus de trazer aos autos a documentação comprobatória do crédito alegado em compensação, não há como se aferir a certeza e a liquidez do indébito, requisitos essenciais à compensação tributária (art. 170 do CTN). O paradigma apresentado jamais admitiu a hipótese de que um processo, que não fora em momento algum instruído com as provas do direito alegado pudesse ser convertido em diligência para que a falta fosse suprida. Em lugar disso, aborda uma matéria bem mais suscetível de controvérsia, que diz respeito à possibilidade de apreciação das provas carreadas aos autos pelo contribuinte somente em segunda instância de julgamento. Observese como se manifesta o relator da decisão paradigma. Em primeira mão destaco que comungo do entendimento dos I. Colegas Julgadores que defendem a tese de que as provas materiais carreadas para os autos, seja fase recursória ou em qualquer outra, devem ser levadas em consideração, analisadas com o devido cuidado, investigadas inclusive por intermédio de diligências, se for o caso, para apuração da verdade material que, efetivamente, deve nortear os julgamentos nesta esfera administrativa. (grifos acrescidos) Ora, o relator referese à admissão das provas apresentadas em qualquer momento processual. Na sua opinião, considera até mesmo a possibilidade de que sejam realizadas diligências para apuração da verdade material, à luz dos elementos de prova carreados tardiamente aos autos. Não é o caso deste processo. Não foram recusadas provas apresentadas em segunda instância por preclusão temporal, foi rejeitado pedido de diligência para inclusão nos autos das provas que o contribuinte jamais se interessou em apresentar oportuna e espontaneamente. São questões rigorosamente distintas! Como disse antes, a mitigação do rigor processual expresso no art. 161 do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores é matéria que comporta controvérsias. Contudo, decidir pela 1 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10920.910086/200907 Acórdão n.º 9303007.166 CSRFT3 Fl. 5 4 conversão do julgamento em diligência para instrução do processo porque o contribuinte não se desincumbiu em momento algum do dever fazêlo, parece a mim uma decisão de outro jaez, que, me arrisco a dizer, haveria de se notabilizar pelo ineditismo. Importante frisar que é incontroverso que o contribuinte não carreou aos autos os documentos contábeis e fiscais com os quais poderia demonstrar o direito alegado. Em sua próprias palavras: Por evidente, era e é absolutamente inviável à Recorrente juntar ao seu Recurso e a esses autos toda a documentação pertinente, como arguído na decisão recorrida para justificar a denegação de seu acolhimento, porquanto isso implica em milhares de papéis, considerado todo o período referenciado... (grifos no original) Embora não pretenda adentrar ao mérito, é inescapável uma reflexão acerca do pleito da recorrente, para que fique claro o quanto ele destoa da decisão paradigma e transborda os limites do que lá se debateu e do que, em regra, se apresenta para discutir em situações análogas. Por certo, a litigante não é de dimensões tais que se veja impedida de apresentar as provas do direito alegado, como, sabidamente, é exigido de qualquer contribuinte em quaisquer circunstâncias (em especial quando se trata de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação). Significa dizer, o reconhecimento do direito reclamado pela recorrente ultrapassaria em muito a discussão acerca do momento em que ocorre a preclusão temporal para comprovação dos fatos alegados. Admitiria uma regra de exceção exclusiva para um determinado caso específico, e sem qualquer razão aparente para tanto, já que não é possível vislumbrar elementos materiais e perceptíveis que justifiquem tal distinção. A despeito disso, do excerto antes transcrito resta inequívoca a circunstância fática versada nos autos. Ao contrário do que aconteceu no paradigma, neste processo nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador. Não há qualquer possibilidade de considerar que as decisões deram à lei tributária interpretações divergentes. b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10920.910086/200907 Acórdão n.º 9303007.166 CSRFT3 Fl. 6 5 Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso especial." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo "nunca foram apresentadas as provas que dariam amparo à pretensão da parte, apenas uma planilha de cálculo assinada pelos administradores da empresa e pelo contador". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte não foi conhecido. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721769/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização se manifeste sobre os documentos juntados pela Recorrente juntamente com as explicações postas no Recurso Voluntário e verifique se realmente a empresa autuada ficou com 100% do saldo de base de cálculo negativa da CSLL após as operações de cisão e incorporação.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone.
Relatório
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização se manifeste sobre os documentos juntados pela Recorrente juntamente com as explicações postas no Recurso Voluntário e verifique se realmente a empresa autuada ficou com 100% do saldo de base de cálculo negativa da CSLL após as operações de cisão e incorporação. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Fiscalização se manifeste sobre os documentos juntados pela Recorrente juntamente com as explicações postas no Recurso Voluntário e verifique se realmente a empresa autuada ficou com 100% do saldo de base de cálculo negativa da CSLL após as operações de cisão e incorporação. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 21 76 9/ 20 12 -7 1 Fl. 6931DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.932 2 Relatório Trata o presente de Recurso de Ofício (fls.1049) e de Recurso Voluntário (fl.1447/1514) ambos interpostos face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Salvador (fls.1171/1279) que decidiu cancelar parcialmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal. Foi lavrado Auto de Infração imputando as seguintes infrações: 1 Juros sobre o capital próprio, devido a inobservância do regime de competência; (Infração posta no item 3.1 do TVF) 2 Glosa de despesa relativa aos pagamentos aos administradores não empregados, referentes a participação nos resultados a título de gratificação, décimo terceiro salário a titulo de gratificação e 1/3 de férias. (Item 3.2 do TVF) Tais pagamentos foram considerados pela fiscalização como despesas não necessárias e não dedutíveis da apuração do IRPJ e da CSLL, eis que os administradores não eram empregados da autuada e foram feitos por liberalidade da empresa. 3 Despesas indedutíveis: a) A Fiscalização glosou os juros de mora de CSLL relativos à débitos de imposto incluídos em parcelamento previsto na Lei 11.941/09. (item 3.3.1 do TVF) b) As diferenças entre as bases de cálculo do Lucro Real e da CSLL. (item 3.3.2 do TVF) b2) Multa por infrações fiscais e contratuais (infração 3.3.2.1 do TVF). b3) Outras despesas (item 3.3.2.2 do TVF) Em relação ao IRPJ, glosou as despesas relativas a multa por descumprimento de regra contratual, consideradas não dedutíveis pela legislação do IRPJ, mas dedutíveis nas regras da CSLL. Fl. 6932DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.933 3 E considerou como não dedutíveis para a apuração da base de calculo da CSLL as despesas/custo relativos as multas por infrações fiscais. c) Multas indedutíveis conta 42140008. (Infração 3.3.3 do TVF) Neste item foi glosado tanto na apuração do IRPJ, como da CSLL, devido a fiscalização ter considerado como não dedutíveis multas de transito e do inmetro. (repete a mesma fundamentação posta no item 3.3.2.1 do TVF). d) Devido a falta de comprovação dos requisitos legais (art. 365 do RIR/99) para a dedução do valor doado, a Fiscalização considerou como não dedutíveis o montante relativo as doações para a Fundação Hermann Hering. (infração 3.3.4 do TVF). e) Pagamento de Dívida Ativa, em desconformidade ao regime da competência. (fls. 14/15 infração 3.3.5 do TVF). 4 Compensação de prejuízo fiscal de IRPJ e de base de cálculo negativa de CSLL. (fl. 16 infração 3.4 do TVF). Segundo a fiscalização a infração foi a seguinte: 5 Aplicou multa isolada. (Infração 3.5 do TVF) Devidamente notificada, a Recorrente apresentou impugnação de fls.569/626 com documentos de fls. 627/788. Após analise dos documentos apresentados com a impugnação, foi proferido despacho de fls. 789 informando a parte que não foi defendida e que restou incontroversa nos autos, relativa as despesas incorridas pela doação feita para a Fundação Hermann Hering, bem com que o IRPJ e a CSL incidente sobre estes valores foram pagos conforme documentos de fls. 681/684. Em seguida os autos foram encaminhados para a DRJ analisar e julgar a impugnação, que por sua vez decidiu converter o julgamento em diligência (fls. 792/799) nos seguintes termos: Fl. 6933DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.934 4 Consoante despacho de fls. 792 a 799, esta Delegacia de Julgamento determinou a realização de diligência, em face da alegação da existência de saldos de base de cálculo negativa de CSLL, oriundos da incorporação do CNPJ n° 82.639.139/000144, ocorrida no ano de 1999, no valor de R$118.120.635,64, saldos estes, que a Receita Federal do Brasil, quando da incorporação do CNPJ nº 82.639.139/000144, entendera que a Recorrente não teria direito a apropriar, e considerando que: "– a impugnante afirma ter obtido êxito na demanda judicial impetrada, contra a RFB, por meio do Mandado de Segurança n° 2004.72.05.0008833, tendo sido reconhecido o seu direito de apropriação do saldo de Base Negativa da incorporada, conforme decisão final favorável transitada em julgado em 08/03/2010 (documentos anexos aos autos); – da leitura do Mandado de Segurança (fls. 730/752), verificase que este foi impetrado contra os despachos emitidos pela DRF de Blumenau, nos processos administrativos de números 13971.000560/0010, 13971.000563/0008, 13971.000657/0041 e 13971.000988/0017, envolvendo operações em que a impugnante transfere bases de cálculo negativa de CSLL para terceiros, optantes do Refis, instituído pela Lei nº 9.964, de 10 de abril de 2000, tendo em vista que referidos despachos reconheceram, parcialmente, os créditos cedidos pela impugnante, sob o fundamente de que o cedente não dispunha de saldo suficiente de base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário de 1998, para transferir o crédito informado, no valor de R$ 80.550.250,00, porque o montante de base de cálculo negativa de CSLL acumulado até o anocalendário de 1998 seria de R$ 34.406.966,11;– os documentos acostados aos autos não são suficientes para o perfeito esclarecimento da matéria impugnada. Deve ser efetuada diligência, objetivando verificar o seguinte: 1) caso se confirme ser definitiva a aludida sentença judicial, qual o valor do saldo de base de cálculo negativa de CSLL que a impugnante teria direito de se apropriar, oriundo da incorporação da Cia Hering, CNPJ n° 82.639.139/000144, ocorrida no ano de 1999, levandose em conta, inclusive, a repercussão dos efeitos da cisão parcial, da incorporada, ocorrida em 1997, no eventual saldo de base de cálculo negativa de CSLL que a impugnante poderia se apropriar; 2) se, porventura, houve utilização deste eventual saldo negativo de base de cálculo de CSLL, nos mencionados processos, referentes às operações de transferência de bases de cálculo negativa de CSLL da impugnante para terceiros, no âmbito do Refis. Caso as verificações anteriores resultem em alteração dos saldos de base de cálculo negativa de CSLL registrados no Sapli, considerados no Auto de Infração da CSLL, demonstrar o efetivo montante de base de cálculo negativa de CSLL existente no anocalendário de 2009;" A Delegacia da Receita Federal de Blumenau se manifestou nos autos fls. 802/803 e juntou documentos de fls. 804/805: Fl. 6934DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.935 5 – quanto ao primeiro quesito do despacho de diligência, responde que: · o saldo de base de cálculo negativa de CSLL que a impugnante poderia se apropriar, oriundo da incorporação ocorrida em 1999, é de R$18.896.816,64. Este valor foi deferido para transferência para terceiros no âmbito do Refis (processos 13971.000560/0010, 13971.000563/0008, 13971.000657/0041 e 13971.001004/0043); · no referido montante estão considerados 11,49% (patrimônio líquido remanescente na incorporada após a cisão parcial) de R$109.985.134,18 (saldo da base de cálculo negativa da CSLL existente em 1997 – ano da cisão parcial); · para justificar a permanência de 11,49% do saldo da base de cálculo negativa da CSLL, junta a Ata da Assembleia Geral Extraordinária de 11/09/1997 e a Ata da Assembleia Geral Extraordinária de 22/09/1997 (continuação da primeira), em que constam as condições da cisão; · como não existe qualquer determinação especial no sentido de mudar a proporção da base de cálculo negativa da CSLL nos documentos acostados, deve prevalecer a mesma proporção da cisão parcial do patrimônio líquido (R$44.993.588,13 X R$346.576.881,88) ou seja, 11,49%; – concernente ao segundo quesito, responde que: · o valor total deferido para transferência para terceiros no âmbito do Refis foi R$53.303.782,74 (processos 13971.000560/0010, 13971.000563/0008, 13971.000657/0041 e 13971.001004/0043), resultado da soma de R$34.406.966,11 (da incorporadora) e R$18.896.816,63 (da incorporada). Estes valores correspondiam aos Fl. 6935DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.936 6 saldos da base de cálculo negativa da CSLL respectivamente na incorporadora e na incorporada; · não há alteração a ser feita nos saldos de base de cálculo negativa de CSLL registrados no Sapli, considerados no Auto de Infração da CSLL. A autuada se manifesta e junta aos autos cópia dos despachos decisórios relativos aos processo de transferência de créditos a terceiros e cópia da Ata da Assembléia Geral Extraordinária relativa a incorporação. Em seguida a autuada se manifesta sobre a informação de diligência as fls. 838/848 e junta documentos de fls. 849/960. A DRJ de Salvador, ao analisar os documentos profere despacho de diligência (fls. 963/964) nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Autos de Infração que formalizam crédito tributário relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além da Multa exigida Isoladamente por Falta de Recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre Bases de Cálculo Estimadas, pertinentes ao anocalendário de 2009. A Contribuinte reconheceu o crédito tributário relativo às glosas das despesas referentes à “Doação à Fundação Herman Hering” (item 3.3.4), no valor de R$2.316.000,00 (tanto na apuração da base de cálculo do IRPJ quanto na base de cálculo da CSLL), e à multa indedutível contabilizada na conta 4214008, no valor de R$6.637,87 (item 3.3.3), esta última reconhecida apenas no que se refere ao IRPJ, e impugnou as demais infrações relatadas no Termo de Verificação Fiscal. Entretanto, verificouse que o valor de R$1.522.753,88, correspondente à infração descrita no item 3.3.1 do Termo de Verificação Fiscal – glosa de despesas com Juros de CSLL – não foi incluído na determinação da base de cálculo anual do IRPJ e da CSLL. Constatouse, ainda, que também não foram incluídos na determinação da base de cálculo anual da CSLL os valores de R$2.650.152,22 e R$23.306.789,31, referentes às infrações relatadas nos itens 3.2.1 (Gratificações pagas aos administradores) e 3.3.5 (Pagamento de dívida ativa – princípio da competência), do Termo de Verificação Fiscal, respectivamente. Dessa forma, esta 2ª Turma da DRJ/Salvador decidiu, por unanimidade, converter o julgamento do processo em diligência com base no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993, para que seja verificado se seriam aplicáveis ao presente caso as disposições do art. 41, § 1º, inciso I, alínea “b”, e § 4º, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011." Após a verificação do despacho de diligência, a Autoridade Fiscal procedeu lançamento complementar (fls. 966/986) ao presente Auto de Infração nos seguintes termos: Fl. 6936DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.937 7 A contribuinte apresenta outra impugnação ao lançamento complementar de fls. 999/1035 originando o Processo 13971.720.163/201481, já apensado a este processo conforme fl. 989, TVF e Auto de Infração fls. 966/986. Em seguida a DRJ de Salvador profere v. acórdão (fls. 1171/1279) analisando os dois processos em conjunto, cancelando parcialmente as exigências fiscais. A DRJ afastou a glosa dos créditos relativos aos pagamentos de honorários realizados aos administradores deduzidos da base de calculo da CSLL item 3.2, afastou a glosa de pagamentos realizados a titulo de direitos autorias deduzidos da base de calculo da CSLL por ausência de previsão legal na legislação da CSLL (item 3.3.2), reconheceu a dedução dos juros e encargos legais incorridos no anocalendário de 2009 com relação aos débitos da COFINS incluídos no REFIS IV (item 3.3.1), afastou a tributação referente à compensação de prejuízo fiscal em relação ao IRPJ, retificou a base de cálculo negativa da CSLL (Item 3.4 do TVF) e por consequencia realizou o recalculo da multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre as bases de cálculo das estimativas. Em relação ao não reconhecimento do saldo de base de cálculo negativa da CSLL que era da empresa incorporada, a DRJ entendeu que a Recorrente não teria comprovado nos autos que ficou com os 100% do saldo após as operações de cisão em 1997 e a incorporação em 1999 e, por tal motivo, manteve a porcentagem apontada na diligência de 11,49% que corresponde ao importe de R$ 18.896.816,64 Manteve o restante das exigências dispostas nos dois lançamentos. Por fim interpôs Recurso de Ofício. A atuada apresenta Contrarazões de Recurso de Ofício de fls. 1429/1444 requerendo a manutenção da parte cancelada e as fls. 1447/1514 interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegações feitas na impugnação e junta diversos documentos que foram anexados aos autos às fls. 1515/5319. No Recurso Voluntário, a contribuinte Recorrente reiterou as alegações da impugnação e trouxe aos autos documentos para comprovar suas alegações. Fl. 6937DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.938 8 Resumidamente a Recorrente alega: 1 que é indevida a glosa dos valores pagos à titulo de juros sobre capital próprio; 2 aduz que são dedutíveis os valores pagos aos diretores à titulo de PLR, 13 salário, 1/3 de férias como verbas componentes da remuneração mensal. 3 alega que são dedutíveis as despesas incorridas no anocalendário de 2009, sendo que as despesas com juros devidos pelo atraso do pagamento da CSLL devem ser deduzidas da base de calculo da CSLL ou na apuração do lucro real. 4 afirma que o CARF/MF tem competência para analisar a ilegalidade de atos normativos infralegais e que no presente caso a IN da SRF 390/2004 utilizada para regulamentar as despesas não dedutíveis na apuração da base de calculo da CSLL, afronta a Lei 7.689/88 e por isso as disposições da instrução normativa são ilegais. 5 aduz que as despesas com representação da empresa (almoços com clientes) são dedutíveis da base de calculo da CSLL e apresenta comprovantes dos gastos no documento 4 anexo ao recurso. 6 afirma que a glosa referente a "outras despesas" que foram deduzidas da base da CSLL não deve persistir, eis que são gastos com empresas pertencentes ao grupo e junta aos autos comprovantes de pagamentos das despesas (doc. 5 acostado junto ao recurso). 7 Alega não ter lançado despesas com débitos de COFINS no anocalendário de 2009 e que os únicos valores apropriados fiscalmente foram os encargos incidentes sobre os débitos, no valor de R$ 4.608.973,18 que são despesas dedutíveis e apuradas efetivamente em 2009 pelo regime de competência, que se referem aos juros de 2009 e encargos legais devidos pela adesão ao REFIS no mesmo ano de 2009. 8 Afirma que existia saldo de base negativa da CSLL em montante suficiente para suportar as operações realizadas no ano de 2009. Explica que as operações societárias ocorreram da seguinte forma: Em 1997 a Cia Hering S.A. (CNPJ 82.639.136/000144), controladora das companhias Hering Textil S.A. (CNPJ 78.876.950/000171) e Ceval Alimentos S. A. (CNPJ 84.046.101/000193), após as deliberações societárias cindiram parcialmente a Cia Hering S.A. (doc.9). Aduz em síntese que apenas o capital investido pela Cia Hering S.A. (empresa cindida) na empresa Ceval Alimentos S.A. seria vertido em favor da nova empresa criada Ceval Participações S.A., conforme se comprova pelo Protocolo de Justificação de Cisão e pela Ata de Assembléia Extraordinária realizada entre os acionistas da empresa (docs. 9 e 10). Com a operação de cisão parcial em comento (no qual só foi cindida parcela de seu investimento), a empresa Cia Hering S.A. permaneceu com o saldo de base negativa de CSLL no montante de R$ 120.538.516,13 (valor apurado em 31/12/1997). Fl. 6938DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.939 9 Em 1999, a Cia Hering S.A. passou por uma nova reestruturação societária, de modo que a Cia Hering S.A. (CNPJ 82.639.139/000144) foi incorporada à Hering Textil S.A. (CNPJ 78.876.950/000171). Após a operação de incorporação, alterouse a denominação da empresa Hering Textil S.A. para Cia Hering S.A. Com a referida operação de incorporação, a Hering Textil S.A. (atual Cia Hering S.A.) incorporou também o saldo de base negativa de CSLL, no montante de R$ 118.120.635,64. Junta documentos que, segunda a Recorrente, demonstram que ficou com o saldo negativo de CSLL no importe de R$ 120.538.516,13 apurado em 31/12/1997, descordando do v. acórdão recorrido que decidiu que a empresa após a cisão a Cia Hering (CNPJ 82.639.139/000144) tinha ficado com 11,49% do saldo da base negativa da CSLL, proporcional ao patrimônio liquido remanescente, saldo este que depois foi transferido para a autuada. Aduz que o saldo de base negativa de CSLL permaneceu integralmente com a Cia Hering S.A. CNPJ 82.639.136/000144 e posteriormente foi incorporado pela Hering Textil S.A. CNPJ 78.876.950/000171, atual Cia Hering S. A. Recorrente. Acostou junto ao Recurso Voluntário diversos documentos de fls. 1515/5319, dentre os quais temos Protocolo de Cisão Parcial (doc. 9), Ata de Assembléia Geral Extraordinária (doc. 10), Laudo de Avaliação da Trevisan Auditores Independentes relativo ao patrimônio que foi retirado da empresa cindida constante no Protocolo de Justificação (doc. 11), DIPJs de 1991 do anocalendário 1990 até o ano de 2002 dos CNPJs 78.876.950/00071 e 82.639.139/000144 da Cia Hering, cópia do LALUR B e Laudo da KPMG elaborado com base no LALUR parte B, DIPJs e telas do sistema SAPLI da RFB de forma que o salda da base negativa da CSLL foi recomposto desde o ano de 1996 até o ano de 2010 quando foi integralmente recompensado pela Recorrente (docs. 12 fls. 1677/2695, 13, 14 e 15). Apresenta informações societárias, contábeis e financeiras acompanhadas do Laudo da Auditoria Independente da KPMG que segundo a Recorrente comprova que ficou com o saldo de base negativa da CSLL mesmo após as operações de cisão ocorrida em 1997 e incorporação em 1999. Alega também que a decisão judicial transitada em julgado que afastou a aplicação dos artigos 32 e 33 do Decreto Lei 2.341/1987 antes da edição da Medida Provisória 1.8586 e garantiu a utilização de 100% do saldo da base negativa da CSLL para fins de aproveitamento pela empresa incorporada e retirou a limitação da utilização do saldo da base negativa da CSLL até o limite do patrimônio liquido remanescente pela empresa cindida, foi totalmente restringida e ignorada pela DRJ, que proferiu o v. acórdão "a quo" entendendo que há de prevalecer a mesma proporção da cisão parcial do patrimônio liquido, uma vez que a Recorrente não teria comprovado que permaneceu com a totalidade do saldo. Face os motivos acima apontados, requer a recomposição dos saldos de base negativa da CSLL, bem como a compensação do lucro apurado no ano de 2009, eis que permaneceu com a integralidade do saldo da base negativa da CSLL no importe de R$ 118.120.635,64, após a operação de cisão e posteriormente incorporação realizadas entre as empresas Hering Textil S.A. e a Cia Hering S.A. Fl. 6939DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.940 10 Apresenta planilhas em seu recurso que segunda a Recorrente demonstram ser suficientes o saldo de base negativa da CSLL para as compensações realizadas no ano de 2009. 9 Alega a impossibilidade de aplicação da multa isolada concomitante com a de ofício. 10 Alega a impossibilidade da exigência da multa isolada após o encerramento do anocalendário. 11 Alaga não ser legítimo a incidência de juros de mora atualizado pela Taxa Selic sobre a multa de ofício. Juntou também Planilha de Composição de Débitos da COFINS incluídos no REFIS (doc. 06), Documentos de adesão ao REFIS (doc. 07), Documentos contábeis (Razão) do Lançamento de despesas com juros e encargo legal de débitos da COFINS no ano calendário de 2009 (doc. 8), entre outros vários documentos constantes às fls.1515/5319. Requer seja o Recurso Voluntário conhecido e provido integralmente para reformar o v. acórdão parcialmente, cancelando totalmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração. Por fim, requer o julgamento conjunto do processo principal 13971.721.769/2012/71 com o do lançamento complementar PAF 13971.720.163/201481. Em seguida esta C. Turma Ordinária decidiu converter o julgamento dos recursos em diligência nos seguintes termos: Pagamento da dívida ativa – Princípio da Competência:RV A Recorrente contesta a glosa das despesas de Cofins, no valor de R$23.306.789,31, por ter a autoridade fiscal considerado que tal montante – referente a débitos de Cofins, dos meses de outubro de 1999 a abril de 2003, inscritos em dívida ativa e integralmente pagos em novembro de 2009 – teriam sido deduzidos pela pessoa jurídica na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano de 2009, indevidamente, tendo em vista que, por não se tratar de hipótese de suspensão de exigibilidade, à luz do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995, a dedução dessas despesas deve seguir a regra geral, ou seja, o regime de competência. Alega a Recorrente, ter escriturado como despesa o valor atualizado do débito pago de acordo com as regras do “REFIS IV”, no montante de R$23.306.789,31 (composto por R$18.697.816,13, relativo ao saldo em 31/12/2008, acrescido dos juros/encargos apurados no ano de 2009, que totalizaram R$ 4.608.973,18). Todavia, afirma que teria adicionado ao lucro líquido no LALUR o valor de R$18.697.816,13, de modo que apenas a quantia de R$4.608.973,18, referente aos encargos e atualização do débito é que teriam sido deduzidos do lucro líquido, na apuração do lucro real do anocalendário de 2009. Acrescenta que, caso se reconheça o suposto erro, apenas em relação à despesa, estaria oferecendo à tributação não somente o valor da despesa glosada (R$23.306.789,31), mas também da adição que aumentou o lucro fiscal do período (R$18.697.816,13), de modo que o valor tributado seria de R$42.004.605,44. Fl. 6940DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.941 11 A Recorrente alega incessantemente que o valor de R$ 18.697.816,13 foi escriturado no LALUR, mas não indica precisamente qual a rubrica, página ou linha que consta o montante. Todavia, de uma análise mais acurada dos documentos acostados aos autos, desde a impugnação, constatei que na rubrica 5.5 do LALUR (fls.237/274 fl. 38 do arquivo) consta o valor de R$ 19.237.681,04, com o título de "Redução conforme a Lei 11.941" onde, provavelmente, deve estar escriturado o montante de R$ 18.697.816,13, alegado pela Recorrente. Vejamos no quadro abaixo colacionado, o qual extraí da cópia do LALUR (fls. 237/274 fl. 38 do arquivo), onde aparece o valor de R$ 19.237.681,04 escriturado como " Redução conforme Lei 11.941": Ocorre que a rubrica 5.5 não foi aberta, dificultando a verificação da escrituração dos R$ 18.697.816,13 no respectivo LALUR. Assim, para que se possa verificar que o valor de R$ 18.697.816,13 foi realmente escriturado no LALUR, conforme exaustivamente alegado pela Recorrente, entendo ser necessária a demonstração detalhada da composição do montante apontado na rubrica 5.5 do livro, mediante indicação das contas contábeis que abrigam os lançamento. Entendo que esta informação é de extrema importância, eis que se constatado que a Recorrente adicionou os R$ 18.697.816,13 na rubrica 5.5 do LALUR, restaria comprovado que tal valor já tinha sido oferecido a tributação e, nesta hipótese, o AI estaria cobrando o respectivo valor duas vezes, o que não se pode admitir. Fl. 6941DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.942 12 Desta forma, face aos motivos acima apontados, voto em converter o julgamento em diligência, para que: 1 Seja a Recorrente notificada a apresentar, dentro do prazo de 30 dias, a composição detalhada dos valores escriturados na rubrica 5.5 do LALUR, mediante a indicação das contas contábeis que abrigam o lançamento, para que se possa identificar, dentre eles, se realmente consta a alegada quantia de R$ 18.697.816,13. 2 Ato contínuo, remetamse os autos ao Agente Fiscal da Unidade Local, para que analise a documentação fornecida pela Contribuinte e elabore Relatório Circunstânciado, indicando se realmente consta, ou não, o valor de R$ 18.697.816,13 na rubrica 5.5, conforme alegado na peça recursal. 3 Em seguida, intime a Contribuinte para se manifestar, no prazo de 30 dias, sobre o Relatório Circunstânciado elaborado pelo Agente Fiscal. Por fim, retornemse os autos à esta C. 2ª Turma Ordinária, para que se de continuidade ao julgamento dos recursos. Em seguida a Recorrente apresentou manifestação de fls. fls. 5357/5365 e junta documentos aos autos. Ato contínuo, foi acostado aos autos o Relatório de Diligência (fls.6716/6717), informando que o valor de R$ 18.697.816,13 não consta na rubrica 5.5 do LALUR. A Recorrente apresenta nova petição se manifestando sobre a diligência. É o relatório. Fl. 6942DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.943 13 Voto Leonardo Luis Pagano Gonçalves Conselheiro Relator Inicialmente, antes de adentrar ao mérito verifiquei a necessidade de aprofundar as alegações e provas constantes nos autos relativas ao pagamento da dívida ativa regime de competência (item 3.3.5 da acusação fiscal). Vejamos. A Fiscalização glosou despesas de Cofins no valor de R$ 23.306.789,31, por ter a autoridade fiscal considerado que tal montante referente aos débitos de Cofins dos meses de outubro de 1999 à abril de 2003, inscritos em dívida ativa e integralmente pagos em novembro de 2009, teriam sido deduzidos indevidamente pela pessoa jurídica na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL no ano de 2009, tendo em vista que não se trata de hipótese de suspensão de exigibilidade, à luz do art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995 e que a dedução dessas despesas deve seguir a regra geral, ou seja, o regime de competência. A Recorrente, por sua vez, alega ter escriturado como despesa o valor atualizado do débito pago de acordo com as regras do “REFIS IV”, no montante de R$ 23.306.789,31 (composto por R$18.697.816,13, relativo ao saldo em 31/12/2008, acrescido dos juros/encargos apurados no ano de 2009, que totalizaram R$ 4.608.973,18). Também, afirma que teria adicionado ao lucro líquido no LALUR o valor de R$18.697.816,13, de modo que apenas a quantia de R$ 4.608.973,18, referente aos encargos e atualização do débito é que teriam sido deduzidos do lucro líquido, na apuração do lucro real do anocalendário de 2009. A 2ª Turma da DRJ de Salvador/BA, ao julgar determinada infração, entendeu que não restou demonstrada a adição de R$ 18.697.816,13 na apuração do IRPJ e da CSLL do anocalendário 2009 e a composição da diferença de R$ 4.608.973,18 entre o valor glosado, somando a monta de R$ 23.306.789,31, e o valor adicionado de R$ 18.697.816,13 (fls.1171/1279 dos autos – pp. 90 e 91 do arquivo). Ao analisar a documentação constante nos autos em relação a esta infração, este Relator, seguido por esta C. Segunda Turma Ordinária, decidiu converter o julgamento dos recursos em diligência para averiguar se realmente ocorreu a aludida adição no valor de R$ 18.697.816,13 pela Recorrente na rubrica 5.5 do LALUR. (fls.5333/5345) Sendo assim, foi solicitado na Resolução para que a contribuinte apresentasse a composição detalhada dos valores escriturados na rubrica 5.5 do LALUR, mediante a indicação das contas contábeis que abrigam o lançamento, para que se pudesse identificar dentre eles se realmente consta a alegada quantia de R$ 18.697.816,13. Fl. 6943DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.944 14 A Autuada apresentou petição (fls.5353/5366) explicando detalhadamente como funciona a escrituração do LALUR da empresa, junta todos os documentos solicitados tanto na Resolução e como pelo Auditor Fiscal, bem como informa os motivos pela qual determinado valor não poderia estar escriturado na rubrica 5.5, indicando o procedimento de adição e exclusão que foi feito que entende correto para adicionar tal montante no LALUR no ano de 2009. Resumidamente, a contribuinte alega que em dezembro de 2008 a Receita Federal do Brasil inscreveu em dívida ativa os débitos de COFINS originários dos PAF’s nº 13971.003925/200751 e 13971.001144/200722 (período de 10/99 a 01/03, com exceção dos meses de 12/00, e 06/01 a 12/01). Afirma que neste mesmo ano de 2008 o valor de R$ 18.697.816,13 já estava reconhecido no passivo pela Recorrente na conta contábil “22440203 – Cofins a Recolher – 1%”, conforme indicado no Doc. 3 acostado a manifestação. Aduz, que naquela época por acreditar no êxito da discussão judicial acerca da inexigibilidade dos referidos débitos de COFINS, a Recorrente no mesmo ano (2008) “reverteu” o montante anteriormente reconhecido no seu passivo, contabilizando o valor de R$ 18.697.816,13 a crédito no resultado em contrapartida a débito na conta do passivo, especificamente, na conta denominada “22440299 – Cofins – Reversão” (Docs. 04, 05 e 06). Ou seja, segundo a contribuinte o efeito líquido no passivo das contas “22440203 – Cofins a Recolher – 1%” e “22440299 – Cofins – Reversão” ficou igual a zero. Assim, considerando o lançamento em contrapartida no passivo acima apontado, a contribuinte, por sua vez, excluiu em 2008 o valor R$ 18.697.816,13 da apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, passando a controlálo na Parte B do LALUR, de tal forma que a reversão contábil em questão não gerasse efeito fiscal (Doc.07 – pp. 3, 5 e 6 e Doc.08). Em seguida, em 2009, devido a sua adesão ao REFIS DA CRISE previsto na Lei nº 11.941/09, a Recorrente desistiu da discussão judicial dos débitos de COFINS, incluindoos em novembro de 2009 no referido parcelamento. (Os débitos incluídos no parcelamento, no importe de R$ 23.306.789,31 se refere ao valor de R$ 18.697.816,13 atualizado até a data da adesão, ou seja, até novembro de 2009). Assim, segundo a contribuinte, após a adesão ao REFIS, procedeu à anulação da reversão contábil efetuada em 2008, creditando o valor de R$ 18.697.816,13 na conta de passivo “22440299 – Cofins – Reversão” para zerar o seu saldo (Doc.10) e debitou o mesmo valor na conta de passivo “22440203 – Cofins a Recolher – 1%” (Doc.11 – 1º lançamento do dia 23/11/09), de tal forma que ambas as contas passaram a ter um saldo zero no passivo. Posteriormente, a contribuinte fez transitar pelo resultado o pagamento do débito atualizado até novembro de 2009, no valor de R$ 23.306.789,31, como despesa (ou seja, a débito) no resultado de 2009. Considerando que no valor de R$ 23.306.789,31 está contido o montante de R$ 18.697.816,13 (vez que o primeiro referese à atualização do débito até o mês de novembro de 2009 e o segundo referese à atualização deste mesmo débito até dezembro de 2008) e que a dedutibilidade desse valor já foi realizada em períodos anteriores, a fim de evitar qualquer prejuízo ao Fisco, a Recorrente realizou à adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL do Fl. 6944DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.945 15 valor de R$ 18.697.816,13 (Doc.01 – págs. 1, 4 e 5), em contrapartida ao “zeramento” do saldo controlado na Parte B do LALUR (Doc.15), gerado em razão da exclusão efetuada deste mesmo valor em 2008. Deste modo, segundo a Recorrente, ela anulou, no ano de 2009, o efeito do valor da despesa de R$ 18.697.816,13, vez que adicionouo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contra a baixa do saldo da Parte B do LALUR. Ou seja, de forma sucinta, a principal alegação da contribuinte contida em sua manifestação vai no sentido de que em 2008 excluiu o valor de R$ 18.697.816,13 da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, passando a controlálo na parte B do LALUR, de tal forma que a reversão contábil não gerasse efeito fiscal e que, em 2009, ao aderir o REFIS DA CRISE, procedeu à anulação da reversão contábil efetuada em 2008, creditando o valor de R$ 18.697.816,13 na conta de passivo “22440299 – Cofins – Reversão” para zerar o seu saldo (Doc.10), e debitou o mesmo valor na conta de passivo “22440203 – Cofins a Recolher – 1%” (Doc.11 – 1º lançamento do dia 23/11/09), de tal forma que ambas as contas passaram a ter um saldo zero no passivo. Posteriormente, a Recorrente fez transitar pelo resultado o pagamento do débito atualizado até novembro de 2009, no valor de R$ 23.306.789,31. Deste modo, segundo a contribuinte ela anulou, no ano de 2009, o efeito do valor da despesa de R$ 18.697.816,13, vez que adicionou esse valor na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, contra a baixa do saldo da Parte B do LALUR. Alega que ao registrar como despesa no resultado o valor de R$ 23.306.789,31 e ao adicionar ao lucro real e à base de cálculo da CSLL o valor de R$ 18.697.816,13, a Recorrente gerou o efeito fiscal de dedutibilidade da base de cálculo do IRPJ e da CSLL efetivo, no ano de 2009, apenas referente à diferença no valor de R$ 4.608.973,18, que corresponde exatamente à diferença entre o mesmo débito tributário atualizado até novembro de 2009 (no valor de R$ 23.306.789,31) e até dezembro de 2008 (no valor de R$ 18.697.816,13), ou seja, correspondente aos juros e encargos legais incorridos em 2009, respeitando assim o regime de competência. Ato contínuo, na resposta da diligência contida no Relatório de Diligência de fls.6716/6717, o Auditor Fiscal aduz de forma extremamente sucinta que o valor de R$ 18.697.816,13 não consta na rubrica 5.5 da parte A do LALUR, sem analisar todas as outras explicações extremamente detalhadas postas na petição da Recorrente, bem como a enorme quantidade de documentos juntados aos autos (fls. 5367/5447). Após ter sido intimada do Relatório de Diligência, a Recorrente apresentou nova petição reiterando as alegações da manifestação anterior (fls.6723/6915), juntando o LALUR Parte A e B completo. Sendo assim, como agora consta nos autos o LALUR completo e o Auditor Fiscal deixou de analisar todos os argumentos e provas trazidos pela autuada na manifestação de fls. 5357/5365 onde explicam de forma detalhada o procedimento de como foi adicionado o valor de R$ 18.697.816,13 ao LALUR, voto por converte o julgamento dos recursos em diligência. Fl. 6945DF CARF MF Processo nº 13971.721769/201271 Resolução nº 1402000.629 S1C4T2 Fl. 6.946 16 Os documentos e a explicação detalhada contida na petição da contribuinte trazem fatos importantes e imprescindíveis para auxiliar na formação do convencimento deste julgador, devendo, em respeito ao principio da busca da verdade material, serem analisados de forma mais aprofundada. Desta forma, voto por converter o julgamento dos recursos em diligência nos seguintes termos: 1 para que o Auditor Fiscal analise os documentos e as explicações contidas na manifestação de fls.5353/5446 sobre o procedimento feito pela Recorrente para adição ao lucro liquido no LALUR do valor de R$ 18.697.816,13 no anocalendário de 2009, juntamente com as petições e documentos de fls. 5457/5619 de fls. 6522/6713 e os documentos acostados aos autos de fls.6723/6915) e; 2 verifique se a Recorrente realmente escriturou como despesa o valor atualizado do débito pago de acordo com as regras do “REFIS IV”, no montante de R$ 23.306.789,31 (composto por R$ 18.697.816,13, relativo ao saldo em 31/12/2008, acrescido dos juros/encargos apurados no ano de 2009, que totalizaram R$ 4.608.973,18) e; 3 verifique se além de ter adicionado ao lucro líquido no LALUR o valor de R$18.697.816,13, apenas a quantia de R$ 4.608.973,18, referente aos encargos e atualização do débito é que teriam sido deduzidos do lucro líquido na apuração do lucro real do ano calendário de 2009, conforme alegado pela contribuinte, às fls. 33/39 do Recurso Voluntário (fls. 1479/1485 dos autos) e as fls. 8/13 da petição acima referida (fls. 5360/5365 dos autos). 4 por fim, elabore Relatório Circunstânciado e em seguida intime a Recorrente para que no prazo de 30 dias se manifeste conclusivamente sobre a resposta da diligência. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, voto por converter o julgamento em diligência nos termos do meu voto. (Assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 6946DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.000531/2010-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
LUCROS OBTIDOS POR MEIO DE CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÕES DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.158-35/2001. NÃO OFENSA.
Não há incompatibilidade entre os Tratados Firmados pelo Brasil para evitar a dupla tributação da renda e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito.
Os Tratados firmados pelo Brasil nessas matérias não impedem a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por intermédio de suas controladas no exterior.
Numero da decisão: 9101-003.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, em negar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, em relac¸a~o a` aplicac¸a~o dos acordos de bitributac¸a~o celebrados pelo Brasil com Portugal e Equador, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Gerson Macedo Guerra e Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento e (ii) por maioria de votos, em relac¸a~o a` incide^ncia de juros de mora sobre multa de ofi´cio, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto, Gerson Macedo Guerra e Jose´ Eduardo Dornelas Souza, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em Exerci´cio
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Fla´vio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura, substitui´do pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente CENTAURUS PARTICIPAÇÕES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 LUCROS OBTIDOS POR MEIO DE CONTROLADA NO EXTERIOR. CONVENÇÕES DESTINADAS A EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO E PREVENIR A EVASÃO FISCAL EM MATÉRIA DE IMPOSTO SOBRE A RENDA. ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001. NÃO OFENSA. Não há incompatibilidade entre os Tratados Firmados pelo Brasil para evitar a dupla tributação da renda e a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, não sendo caso de aplicação do art. 98 do CTN, por inexistência de conflito. Os Tratados firmados pelo Brasil nessas matérias não impedem a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos por intermédio de suas controladas no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento (i) por voto de qualidade, em relaçaõ à aplicação dos acordos de bitributaçaõ celebrados pelo Brasil com Portugal e Equador, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento e (ii) por maioria de votos, em relaçaõ à incidência de juros de mora sobre multa de ofício, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 05 31 /2 01 0- 77 Fl. 2422DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.423 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de recurso especial interposto por CENTAURUS PARTICIPAÇÕES S/A em face do acórdão n. 1301002.439 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 1a Turma Ordinária, 3a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O caso trazido a esta e. CSRF diz respeito à suposta falta de adição à base de cálculo do IRPJ e da CSLL de lucros auferidas por empresas controladas pela recorrente residentes no exterior: Bento Pedrosa Construções S/A, residente em Portugal, e Construtora Norberto Odebrecht Del Equador, residente no Equador. Embora a autuação fiscal tenha como fundamento o art. 74 da MP 215835, alega o contribuinte, em especial, que os acordos de bitributação celebrados pelo Brasil com Portugal (Decreto n. 4.012/2001) e Equador (Decreto n. 95.717/88) impediriam a referida incidência tributária. Discutese, ainda, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A Turma a quo decidiu negar provimento ao recurso de ofício e, no que tange ao recurso voluntário, em negar provimento com relação à infração I (lucros no exterior) e à incidência de juros sobre multa, darlhe provimento para afastar as exigências correspondentes à infração II (variação do percentual de participação na investida), bem como darlhe provimento para afastar a responsabilidade tributária imputada à pessoa jurídica ODBINV e, por fim, em rejeitar os argumentos contrários à incidência de juros à taxa SELIC. O acórdão restou assim ementado: Fl. 2423DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.424 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 LUCROS OBTIDOS POR CONTROLADA NO EXTERIOR. TRATADO BRASILPORTUGAL. TRATADO BRASILEQUADOR. APLICAÇAÕ DO ART. 74 DA MP No 2.15835/2001. NÃO VIOLAÇÃO DOS TRATADOS. Os Tratados Brasil Portugal e Brasil Equador, destinados a evitar a dupla tributação e a prevenir a evasão fiscal, não impedem a aplicacã̧o do art. 74 da Medida Provisória no 2.15835/2001, que dispõe sobre a tributação na controladora no Brasil dos lucros auferidos pelas controladas no exterior. VARIAÇÃO DE PERCENTUAL DA PARTICIPAÇÃO NA INVESTIDA. TRIBUTAÇAÕ. A variacã̧o do percentual de participacã̧o societária em decorrência de subscrica̧õ de aumento de capital por terceiros não representa disponibilidade jurídica ou econômica de renda, sendo uma mera variação contábil do investimento avaliado pelo MEP, de forma a não influenciar na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigaca̧õ tributária principal compreende tributo e multas de oficio. Incidem juros de mora devidos à taxa SELIC sobre o crédito tributário constituído, incluindo as multas de ofício. JUROS SELIC SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INCIDEN̂CIA. PROCEDÊNCIA. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARFno 4) CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase à CSLL a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de ambos lanca̧mentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 Ementa RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 124 DO CTN. A responsabilização tributária preceituada pelo artigo 124, I, do CTN atribui a responsabilidade solidária para aqueles que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo ou aqueles expressamente designados por lei. Desse modo, para caracterizar o interesse comum ao fato gerador, deve ser evidenciada a vinculaçaõ econômica, e não apenas a vinculaca̧õ jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 135, III, CTN. A responsabilização tributária preceituada pelo artigo 135, inciso III, do CTN pressupõe que a pessoa indicada tenha tolerado a prática de ato abusivo ou ilegal ou praticado diretamente esta conduta. O sóciogerente ou diretor deve ter praticado verdadeira atuação dolosa contrária à legislaçaõ tributária O contribuinte interpôs recurso especial, no qual aponta divergência de interpretação que reclama uniformização por parte desta CSRF, especialmente quanto à aplicação dos acordos de bitributação celebrados pelo Brasil com Portugal (Decreto n. 4.012/2001) e Equador (Decreto n. 95.717/88) impediriam a aplicação do art. 74 da MP 2.158, bem como quanto à não incidência de juros sobre a multa de ofício (efls. 2028 e seg.). O referido recurso foi integralmente admitido por despacho (efls. 2366 e seg.). Fl. 2424DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.425 4 A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial, opondose exclusivamente quanto ao conhecimento da matéria atinente à incidência de juros sobre a multa de oficio, sob a alegação de que tal matéria já estaria atualmente pacificada. A PFN não se opôs quanto ao conhecimento da matéria atinente à aplicação dos acordos de bitributação. Quanto ao mérito, requer a PFN seja negado seguimento ao recurso. Vale observar que a PFN não manejou recurso especial em face do acórdão a quo. Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Conhecimento Em sede de contrarrazões, a PFN se opõe ao conhecimento do recurso especial especialmente quanto à matéria atinente à incidência de juros sobre a multa de oficio, sob a alegação de que tal matéria já estaria atualmente pacificada neste Tribunal Administrativo. Compreendo não assistir razão à PFN. O art. 67 do RICARF, anexo II, em sua redação atual, apresenta hipóteses restritas quanto às hipóteses de admissibilidade do recurso especial, com destaque aos seus §§12 e 15: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF, e IV decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal que declare inconstitucional tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Fl. 2425DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.426 5 (...) § 15. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da interposição do recurso, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. No caso, nenhuma das referidas hipóteses impeditivas de conhecimento do recurso especial estão presentes. Assim, até que seja editado alguma das normas em questão, como Súmula do CARF, não há impedimento para que a parte traga a discussão sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício à CSRF, com a indicação de acórdão paradigma de divergência de interpretação que cumpra os requisitos exigidos pelo RICARF. Nesses termos, compreendo que o despacho de admissibilidade bem verificou o cumprimento dos requisitos necessários ao conhecimento das matérias ventiladas no recurso especial interposto pelo contribuinte, acolhendose neste voto, como razão de decidir, os fundamentos esposados no referido despacho. Mérito 1. Aplicação dos acordos de bitributação celebrados pelo Brasil com Portugal e Equador. Para que bem se delimite a matéria em análise, é necessário observar que os tratados de dupla tributação são vocacionados a cobrir o sistema jurídico de dois diferentes Estados contratantes. As normas do acordo internacional se sobrepõem total ou parcialmente às normas brasileiras de incidência tributária, levandoas, nessa parcela de contato, à sombra (ou melhor, à não aplicação). As normas domésticas de incidência tributária que permanecerem iluminadas serão aplicadas normalmente, tal como acordado entre ambos os Estados contratantes por meio do tratado de bitributação. 1 A análise para a aplicação dos acordos de bitributação pode exigir, portanto, dois estágios: um atinente ao Direito doméstico dos Estados contratantes (hipóteses de incidência tributária estabelecidas pelas legislações nacionais) e, outro, atinente ao respectivo acordo internacional (norma que irá se sobrepor à norma brasileira e delimitar a sua eficácia desta). Esses dois estágios, nucleares para a solução do presente caso, estão bem delimitados nos autos: i) Norma brasileira de incidência tributária: nesse estágio, é preciso decidir se os rendimentos tributados pelo art. 25 da Lei n. 9.249/95 c/c a MP n. 2.15835/2001 devem ser qualificados como “lucros” ou como “dividendos pagos”. ii) Norma do acordo de dupla tributação: nesse estágio, é preciso reconhecer a norma dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, que deve se se sobrepor à norma brasileira e delimitar a sua eficácia (CTN, art. 98). Entre os dispositivos que devem ser 1 VOGEL, Klaus. Klaus Vogel on Double Taxation Conventions. Kluwer : London, 1999, p. 31‐32. “Illustratively expressed: the treaty acts like a stencil that is placed over the pattern of domestic law and covers over certain parts”. Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.427 6 analisados nesses acordos, destacamse o art. 7o (“lucros de pessoas jurídicas”), art. 10 (“dividendos pagos”) e o art. 23 (Métodos para evitar dupla tributação). Em geral, a doutrina do Direito tributário internacional há tempos admite ser infrutífera a antiga disputa quanto à “melhor” ordem de análise desses estágios, pois em nada prejudica o resultado interpretativo.2 Neste voto, em particular, primeiro será analisada a legislação brasileira de tributação dos lucros no exterior e, na sequência, os aludidos acordos internacionais celebrados pelo Brasil, a fim de verificar se restou (ou não) reservado ao Brasil competência para exercer a tributação levada a termo no AIIM sob julgamento. Contudo, antes de prosseguir com a análise, por força do que dispõe o art. 62 do RICARF, é preciso observar que ADI n. 2588, julgado pelo STF, não possui abrangência sobre todos os pontos discutidos no presente processo administrativo3, não vinculando ou mesmo orientando esta CSRF para a solução do litígio. Em 10.04.2013, o Plenário do STF prolatou decisão na ADI 2588, de forma a declarar: A inconstitucionalidade do art. 74 da MP n. 2.15835/01 às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; A inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP 2.15835/01, de modo que o texto impugnado não pode ser aplicado em relação aos lucros apurados até 31 de dezembro de 2001, por força do princípio da irretroatividade; A constitucionalidade do art. 74 da MP n. 2.15835/01 às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida ou não, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei). A referida decisão seria decisiva para o presente julgamento caso a MP 2.15835/01 houvesse sido declarada integralmente inconstitucional, o que obrigaria o cancelamento do lançamento tributário sob análise. Contudo, a declaração de constitucionalidade em questão em nada altera o julgamento do presente caso. Ocorre que, caso não houvesse nenhuma decisão do STF confirmando a validade da MP 2.15835/01, o julgamento conduzido no âmbito do CARF deveria adotar, de qualquer forma, a premissa de sua constitucionalidade (RICARF, art. 62). 2 Vide, nesse sentido: LANG, Michael. Introduction to the law of double taxation conventions. Vienna : Linde, 2013, p. 36 e seg (embora o professor apresente preferência por iniciar pela análise do Direito doméstico); SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no direito tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2013, p. 414. (“Da autonomia dos momentos de exame do direito interno e do acordo de bitributação decorre, de um lado, a possibilidade de se examinarem um acordo ou o outro, sem qualquer ordem de preferência e, como corolário, a independência na aplicação de conceitos e categorias de direito tributário.”). 3 Por essa ação judicial, questionouse, sobretudo, a incidência do IRPJ e da CSLL na data do balanço no qual tiverem sido apurados, com base no argumento central de que a incidência deveria ocorrer apenas no momento em que há a efetiva distribuição dos resultados, pois a antecipação do critério temporal da hipótese de incidência desses tributos constituía presunção absoluta da disponibilidade dos resultados auferidos pelas sociedades controladas no exterior, a ferir o conceito constitucional de renda. Fl. 2427DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.428 7 É de extrema importância observar que, na aludida ADIN, em momento algum o STF afirmou que aludida a tributação brasileira incidiria sobre dividendos fictamente considerados pagos pela controlada estrangeira. A propósito, a decisão proferida pelo STF não tratou da hipótese em que há a incidência de acordo de bitributação. 1.1. A legislação brasileira de tributação dos lucros de controladas e coligadas no exterior e os rendimentos tributados no auto de infração. Até janeiro de 1996, as empresas residentes no Brasil sofriam a incidência de IRPJ apenas sobre as rendas derivadas de fontes nacionais (princípio da territorialidade formal). Apenas com Lei n. 9.249, de 26.12.1995, foi introduzida no ordenamento pátrio a regra da tributação da renda em bases mundiais (princípio da universalidade ou territorialidade material)4: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; 4 Sobre tal concepção de territorialidade formal e material, vide: TIPKE, Klaus; LANG, Joachim. Direito tributário (Steuerrecht). Volume 1. Tradução da 18a edição alemã, totalmente refeita, de Luíz Dória Furquim. Porto Alegre : Sergio Antonio Fabris Editor, 2008, p. 103104; SCHOUERI, Luís Eduardo. Tratados e Convenções Internacionais sobre Tributação, in Revista de Direito Tributário Atual n. 17. São Paulo : IBDT/Dialética, 2003, p. 2050. Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.429 8 II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Em 27.06.1996, foi publicada a IN/SRF n. 38 que, entre outras coisas, tratou do critério temporal dessa tributação, ao dispor que os lucros de coligadas ou controladas no exterior seriam tributadas no momento de sua transferência via pagamento, crédito, remessa, entrega ou emprego. Em 10.12.1997, foi publicada a Lei n. 9.532/97 que, em seu art. 1o, § 1º, “b”, elegeu esse mesmo critério temporal para a incidência do tributo: Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: (…) b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. Em 29.06.1999, com o advento da MP n. 1.8586, os lucros auferidos pelas sociedades brasileiras por meio de suas controladas ou coligadas estrangeiras passaram a ser tributadas também pela CSLL: Art. 19. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 1o da Lei no 9.532, de 1997. Em 10.01.2001, a Lei Complementar n. 104 alterou o art. 43 do CTN, introduzindo os parágrafos 1º e 2º : Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Fl. 2429DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.430 9 § 1. A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2. Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. Em 24.08.2001, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835, cujo art. 74 alterou o critério temporal da hipótese de incidência do IRPJ e da CSL previsto no art. 25 da Lei n. 9.249/95: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei n. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Por meio da IN n. 213, de 07.10.2002, a Secretaria da Receita Federal dispôs sobre a aplicação da legislação CFC a partir desse novo marco jurídico estabelecido pela MP n. 2.15835/2001. Destacase o seu art. 1o: Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. § 1º Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias, inclusive em controladas e coligadas. § 2º Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 3º A pessoa jurídica domiciliada no Brasil que auferir lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, objeto das normas desta Instrução Normativa, está obrigada ao regime de tributação com base no lucro real. § 4º Os lucros de que trata este artigo serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica no Brasil, integralmente, quando se tratar de filial ou sucursal, ou proporcionalmente à sua participação no capital social, quando se tratar de controlada ou coligada. § 5º Para efeito de tributação no Brasil, os lucros serão computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores, ainda que todas as entidades estejam localizadas em um mesmo país, sendo admitida a compensação de lucros e prejuízos conforme disposto no § 5º do art. 4º desta Instrução Normativa. § 6º Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.431 10 § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. § 8º Os rendimentos e os ganhos de capital, decorrentes de aplicações ou operações efetuadas no exterior, integrarão os resultados da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, e as perdas reconhecidas nesses resultados são indedutíveis e devem ser adicionadas para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. No caso dos autos, o período de apuração se deu sob a égide do art. 25 da Lei n. 9.249/95 e do o art. 74 da MP n. 2.15835/2001 e, ainda, as disposições da IN n. 213/2002. Nesse ambiente normativo: haveria a incidência de IRPJ e CSL sobre os “lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior” (§ 2º, art. 25, Lei n. 9.249/95, art. 19 da MP n. 1858 6/99); o critério temporal da incidência desses tributos seria a “data do balanço no qual tiverem sido apurados” “os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior” (MP 2.15835/2001); a administração fazendária, por meio de norma que vinculou os seus agentes fiscais, dispôs, entre outras coisas, que o critério material da hipótese de incidência tributária seria o auferimento de “lucros” por “controladas e coligadas”, considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem (IN 213/02, art. 1o, §§ 1º e 7º). Notese que, embora não esteja mais em vigor a antiga sistemática da “tributação cedular”, ainda hoje o imposto de renda leva em consideração categorias de rendimentos, para as quais a legislação atribui tratamentos diversificado quanto ao IRPJ e à CSL. “Lucro” e “dividendo”, por exemplo, são categorias de rendimentos para as quais a legislação atribui consequências diversas. Com base nessa legislação adotada para a lavratura do auto de infração, a base de cálculo do tributo exigido no presente processo administrativo deve corresponder ao “lucro” obtido por sua empresa controlada no exterior. No art. 25, Lei n. 9.249/95, bem como no art. 19 da MP n. 18586/99, a categoria selecionada pelo legislador para o exercício de sua competência tributária foi o “lucro”, o que representou a escolha por uma base tributável substancialmente maior do que aquela que seria possível caso houvesse optado por outras categorias, como a dos “dividendos”. A representação gráfica abaixo ilustra como são díspares as bases de cálculo próprias dos “lucros das empresas” e dos “dividendos”: Fl. 2431DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.432 11 Lucro Lucro após o IR IR Dividendo após o IR IR Auferimento do lucro Tributação do lucro Distribuição tributada dos dividendos No caso, a base tributável própria à categoria lucros auferidos por controlada no exterior é necessariamente superior àquela que corresponderia à categoria dividendos pagos por controlada no exterior, o que representa significativa distinção entre elas. A legislação brasileira em questão torna relevante o fato “auferimento do lucro” pela controlada no exterior, na data do encerramento do balanço. O “lucro” em questão, antes de qualquer tributação no outro Estado, deverá ser adicionados na base de cálculo do IRPJ e da CSL (IN 213/02, art. 1o, §§ 1º e 7º). Conforme a sistemática de tributação brasileira, o imposto pago no outro Estado contratante (no caso, na Holanda), apenas terá relevância em momento posterior, podendo ser utilizado como crédito para o pagamento do tributo brasileiro. É preciso também observar que em momento algum a lei brasileira tributa dividendos fictos. Sequer consta o termo “dividendos” no texto legal ou, ainda, há sinais de uma clara decisão do legislador para estabelecer uma ficção desse jaez. Notese que MISABEL DERZI e SACHA CALMON NAVARRO COELHO5, alinhandose à doutrina tradicional, repudiam a possibilidade da adoção de ficção quanto à prática do fato gerador do tributo, in verbis: “Digase desde logo que os fatos geradores dos tributos são fatos reais que ocorrem ou não no mundo fenomênico, aos quais o Direito empresta efeitos jurígenos, geradores de obrigações tributárias. (...) A cinco, pretende tributar por ficção, retroativamente, parcela significativa dos contribuintes do imposto de renda. O suposto básico da disponibilização tributável (afastemse, por ora, disponibilidade jurídica e disponibilidade econômica) tem uma contrapartida assaz desprezada: a redução do patrimônio da pessoa jurídica que promove a disponibilização.” Caso o legislador houvesse prescrito uma expressamente uma ficção dessa natureza, certamente não poderíamos nós, julgadores administrativos, afastar a aludida norma, tendo em vista ser competência privativa do Poder Judiciário a decretação de inconstitucionalidades (Súmula n. 1 do CARF). 5 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro; DERZI, Misabel Abreu Machado. Tributação pelo IRPJ e pela CSLL de lucros auferidos por empresas controladas ou coligadas no exterior inconstitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.158 35/01. Revista Dialética de Direito Tributário, São Paulo: Dialética, n.130, p. 135149, 2006, p. 138142. Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.433 12 No entanto, na ausência de previsão expressa quanto à aludida ficção, também não deve o julgador administrativo presumir que o legislador tenha agido de tal maneira que culminaria justamente com a invalidade da norma, especialmente quando a lei utilizar expressões bastante claras para expressar que a tributação incidiria diretamente sobre a categoria de rendimentos “lucros de pessoas jurídicas” e não sobre supostos dividendos fictos. Diante de duas interpretações propostas, deve o aplicador do Direito optar por aquela que não culmine na invalidade da norma construída. 1.2. Os acordos de bitributação celebados pelo Brasil com Portugal e Equador. Em termos gerais, o compromisso assumido por Estados que celebram acordos conforme a “Convenção modelo de acordos de bitributação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico” (doravante “CMOCDE”) pode ser reduzido a três aspectos fundamentais: i) cada Estado permanece legitimado à tributação da renda derivada de atividades desenvolvidas em seu território; ii) cada Estado permanece legitimado à tributação da renda de seus residentes; iii) diante da possibilidade de cumulação dos dois itens antecedentes, cabe ao Estado da fonte restringir a tributação em algumas hipóteses, bem como deverá o Estado da residência isentar rendimentos ou conceder crédito em relação ao imposto pago àquele primeiro, nas hipóteses em que também lhe couber a tributação. Tal como concebida, a estrutura da CMOCDE privilegia o Estado da residência, importador de capitais: (i) a renda do trabalho ou de serviços pode ser tributado no Estado em que estes são executados; (ii) a renda passiva, como juros e dividendos, podem ser tributados pelo Estado da fonte até um determinado limite; (iii) o lucro das atividades empresariais serão tributadas no Estado da residência, salvo no que se refere aos lucros atribuíveis a um estabelecimento permanente no Estado da fonte.6 No coração dos acordos de bitributação celebrados pelo Brasil, nos moldes da CMOCDE, consta a regra de que os lucros de empresas são tributáveis exclusivamente no Estado de residência da pessoa jurídica que os aufere. É o que se dá com a regra de distribuição de competência para a tributação dos “lucros das empresas”, prevista no tratado Brasil Portugal, em seu art. 7o: 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só podem ser tributados nesse Estado, a não ser que a empresa exerça a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado. Se a empresa exercer a sua atividade deste modo, os seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem imputáveis a esse estabelecimento estável. 2. Com ressalva do disposto no nº 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer a sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento estável aí situado, serão imputados, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento estável os lucros que este obteria se fosse uma empresa distinta e separada que exercesse as mesmas atividades ou atividades similares, nas mesmas condições ou em condições similares, e tratasse com absoluta independência com a empresa de que é estabelecimento estável. 3. Na determinação do lucro de um estabelecimento estável é permitido deduzir as despesas devidamente comprovadas que tiverem sido feitas para realização dos fins prosseguidos por esse estabelecimento estável, incluindo as despesas 6 VASCONCELLOS, Roberto França. Aspectos Econômicos dos Tratados Internacionais em Matéria Tributária, in Revista de Direito Tributário Internacional n. 1. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 155156. Fl. 2433DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.434 13 de direção e as despesas gerais de administração igualmente comprovadas e efetuadas com o fim referido. 4. Nenhum lucro será imputado a um estabelecimento estável pelo fato da simples compra de mercadorias, por esse estabelecimento estável, para a empresa. 5. Para efeitos dos números precedentes, os lucros a imputar ao estabelecimento estável serão calculados, em cada ano, segundo o mesmo método, a não ser que existam motivos válidos e suficientes para proceder de forma diferente. 6. Quando os lucros compreendam elementos do rendimento especialmente tratados noutros Artigos desta Convenção, as respectivas disposições não serão afetadas pelas deste Artigo. O mesmo se verifica em relação ao art. 7 do acordo BrasilEquador: 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros são tributáveis no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Com ressalva do disposto no parágrafo 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante através de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos em cada Estado Contratante a esse estabelecimento permanente os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada exercendo atividades idênticas ou similares em condições idênticas ou similares e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo fato de este comprar simplesmente bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente em outros Artigos da presente Convenção, o disposto nesses Artigos não será afetado pelo disposto no presente Artigo. Tendo em vista a excepcionalidade da tributação dos rendimentos atribuíveis a estabelecimento localizado no Estado da fonte, tornase relevante também observar o disposto no art. 5 (7) do acordo BrasilPortugal, que assim dispõe: ARTIGO 5O – Estabelecimento Estável ou Estabelecimento Permanente (...) 7. O fato de uma sociedade residente de um Estado Contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro Estado Contratante ou que exerce a sua atividade nesse outro Estado (quer seja através de um estabelecimento estável, quer de outro modo) não é, por si só, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento estável da outra. O mesmo se verifica em relação ao art. 5(6) do acordo BrasilEquador: ARTIGO 5O – Estabelecimento Permanente (...) 6. O fato de uma sociedade residente de um Estado Contratante controlar ou ser controlada por uma sociedade residente do outro Estado Contratante ou que exerça sua atividade nesse outro Estado (quer seja por intermédio de Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.435 14 estabelecimento permanente, quer de outro modo) não será, por si só, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento permanente da outra. Por sua vez, os acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil geralmente preveem que rendimentos como dividendos possam ser tributados pelo Estado da fonte até um determinado limite, restando ao Estado de residência exigir apenas o percentual previsto em sua legislação doméstica que exceder tal montante. É o que se dá no art. 10O da Convenção BrasilPortugal, nos seguintes termos: ARTIGO 10 – DIVIDENDOS 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2. Esses dividendos podem, no entanto, ser igualmente tributados no Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos e de acordo com a legislação desse Estado, mas se o beneficiário efetivo dos dividendos for um residente do outro Estado Contratante, o imposto assim estabelecido não excederá: a) 10% (dez por cento) do montante bruto dos dividendos, se o seu beneficiário efetivo for uma sociedade que detenha, diretamente, pelo menos 25% do capital da sociedade que paga os dividendos, durante um período ininterrupto de 2 (dois) anos antes do pagamento dos dividendos; b) 15% (quinze por cento) do montante bruto dos dividendos, nos restantes casos. As autoridades competentes dos Estados Contratantes estabelecerão, de comum acordo, a forma de aplicar estes limites. 3. O termo "dividendos", usado neste Artigo, significa os rendimentos provenientes de ações, ações ou bônus de fruição, partes de minas, partes de fundadores ou outros direitos, com exceção dos créditos, que permitam participar nos lucros, assim como os rendimentos derivados de outras partes sociais sujeitos ao mesmo regime fiscal que os rendimentos de ações pela legislação do Estado de que é residente a sociedade que os distribui. Considera se ainda que o termo "dividendos" inclui os rendimentos derivados de conta ou de associação em participação. 4. O disposto nos nºs. 1 e 2 não é aplicável se o beneficiário efetivo dos dividendos, residente de um Estado Contratante, exercer atividade no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos, por meio de um estabelecimento estável aí situado, e a participação relativamente à qual os dividendos são pagos estiver efetivamente ligada a esse estabelecimento estável. Neste caso, são aplicáveis as disposições do Artigo 7º. 5. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante obtiver lucros ou rendimentos provenientes do outro Estado Contratante, este outro Estado não poderá exigir nenhum imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto na medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado ou na medida em que a participação relativamente à qual os dividendos são pagos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento estável situado nesse outro Estado, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre os lucros não distribuídos, mesmo que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, total ou parcialmente, em lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. 6. Serão também considerados dividendos os lucros remetidos ou pagos ou creditados por um estabelecimento estável situado num Estado Contratante à Fl. 2435DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.436 15 empresa do outro Estado Contratante a que este pertence, sendo aplicável o disposto no nº 2, alínea a). 7. O disposto nos nºs 2 e 6 não afetará a tributação da sociedade ou do estabelecimento estável no tocante aos lucros que deram origem aos rendimentos aí mencionados. O acordo BrasilPortugal estabelece, então, que os dividendos pagos por empresa holandesa (Estado da fonte) a residente no Brasil podem ser tributados, Portugal, à alíquota máxima de 10% ou 15%, restando ao Brasil (Estado de residência) exigir apenas o percentual previsto em sua legislação doméstica que exceder tal montante, pela concessão de crédito do imposto pago no exterior. O acordo BrasilEquador, no entanto, apresenta norma distinta, afastando a possibilidade do Estado de residência (no caso, o Brasil) exercer qualquer tributação sobre os dividendos pagos por empresa residente no Equador (Estado da fonte) caso o recipiente dos dividendos possuir mais de 10% de participação acionária na empresa que os distribui. Caso essa a referida particição acionária for inferior a 10%, então o Estado de residência (no caso, o Brasil) poderia exercer a tributação excedente aos 15% de imposto cobrado pelo Estado da fonte (no caso, Equador). É o que se verifica dos art. 10 e 23(2) do acordo BrasilEquador: ARTIGO X Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. 2. Todavia, esses dividendos podem ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, e de acordo com a legislação desse Estado, mas se a pessoa que os receber for o beneficiário efetivo dos dividendos, o imposto assim estabelecido não poderá exceder 15% do montante bruto dos dividendos. O presente parágrafo não afetará a tributação da sociedade com relação aos lucros que derem origem aos dividendos pagos. 3. O disposto nos parágrafos 1 e 2 não se aplica se o beneficiário efetivo dos dividendos, residente de um Estado Contratante, tiver no outro Estado Contratante de que é residente a sociedade que paga os dividendos um estabelecimento permanente e a participação em relação a qual os dividendos são pagos esteja efetivamente ligada a esse estabelecimento permanente. Neste caso, aplicase o disposto no Artigo VII. 4. O termo dividendo, usando neste Artigo, designa os rendimentos provenientes de ações, ações ou direitos de fruição, ações de empresas mineradoras, partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado Contratante em que a sociedade que os distribuir seja residente. 5. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante tiver um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante, esse estabelecimento poderá estar sujeito a um imposto retido na fonte de acordo com a legislação desse outro Estado Contratante. Todavia, esse imposto não poderá exceder 15% do montante bruto dos lucros desse estabelecimento permanente, calculado após a dedução do imposto de renda de sociedades referente a esses lucros. 6. Quando uma sociedade residente de um Estado Contratante receber lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante não poderá cobrar qualquer imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto à medida em que esses dividendos forem pagos a um residente desse outro Estado ou à medida em que a participação geradora dos dividendos estiver efetivamente ligada a um estabelecimento permanente ou a uma Fl. 2436DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.437 16 instalação fixa situados nesse outro Estado, nem sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a um imposto sobre lucros não distribuídos, mesmo se os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistirem total ou parcialmente de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. ARTIGO XXIII Métodos para evitar dupla tributação 1. Quando um residente de um Estado Contratante receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção,são tributáveis no outro Estado Contratante, o primeiro Estado Contratante, ressalvado o disposto nos parágrafos 2 e 3, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos desse residente um montante igual ao imposto sobre a renda pago no outro Estado Contratante. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis no outro Estado Contratante. 2. Os dividendos pagos por sociedade residente de um Estado Contratante a uma sociedade residente do outro Estado Contratante detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que são tributáveis no primeiro Estado Contratante de acordo com as disposições da presente Convenção, serão isentos de imposto no outro Estado Contratante. 3. Para a dedução indicada no parágrafo 1, o imposto sobre os dividendos não compreendidos no parágrafo 2 deste Artigo, sobre os juros mencionados no parágrafo 2 do Artigo XI, e sobre os "royalties" mencionados no parágrafo 2b do Artigo XII será sempre considerado como tendo sido pago à alíquota de 25%. 1.3. A aplicação dos acordos de bitributação e a incompetência do Brasil para exercer a tributação levada a termo no AIIM sob julgamento. A interpretação e aplicação dos acordos de dupla tributação demanda atenção para algumas peculiaridades, em especial: Primeiro, quando um acordo de dupla tributação consignar expressamente a definição de um termo nele utilizado, esse sentido acordado por ambos os Estados contratantes deverá – para fins de aplicação da referida convenção – ser adotado independentemente dos conceitos e categorias do Direito interno de seus respectivos sistemas jurídicos domésticos. Essa é a norma prescrita pelo art. 3 (1) da generalidade dos acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil, à semelhança da CMOCDE. Referida norma consta expressamente no art. 3 (1) dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador; Segundo, quando o acordo de bitributação não definir expressamente um termo utilizado em seu texto, deverá ser verificado se há evidências em seu “contexto” (intrínseco e extrínseco) quanto aos sentidos consentidos pelos Estados e, subsidiariamente, também será possível o recurso ao Direito doméstico dos Estados contratantes. Essa é a norma prescrita pelo art. 3 (2) da generalidade dos acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil, à semelhança da CMOCDE, a qual consta também nos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador; Terceiro, na interpretação dos acordos de bitributação, inclusive na seleção de evidências sobre o sentido de um termo não definido pelo acordo internacional, devem ser respeitadas as normas prescritas pela Convenção de Viena sobre o Direito dos Fl. 2437DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.438 17 Tratados (Decreto n. 7.030, de 14.12.2009, doravante “CVDT”). Não se trata se trata a CVDT de mera recomendação, mas de norma cuja observância é mandatória. Quarto, inclusive diante das normas da CVDT, os sentidos mutuamente atribuídos pelos Estados contratantes aos termos de um acordo de bitributação não podem ser desvirtuados ou alterados unilateralmente pelas partes. No presente caso, em que são relevantes especialmente as normas de distribuição de competências dos arts. 7o (“lucros de empresas”) e 10o (“dividendos pagos”) dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, fazse necessário verificar quais de seus termos foram definidos no respectivo texto do tratado e, ainda, quais não o foram. O art. 10 (3), dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, define o termo “dividendos” como “rendimentos provenientes de ações ou direitos de fruição; ações de empresas mineradoras; partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado em que reside a sociedade que realiza a distribuição”. O dispositivo segue a tradição dos acordos de bitributação celebrados pelo Brasil. O sentido de dividendos estabelecido nesses tratados internacionais geralmente é mais amplo que no Direito doméstico brasileiro, de forma a abranger aquilo que em nossa legislação interna possui sentidos diversos, como rendimentos de “partes beneficiárias” (Lei 6.404/76, arts. 46 a 51) e distribuição lucros em razão de debêntures (Lei 6.404/76, arts. 52 a 74).7 Para fins de aplicação do acordo internacional, devem ser adotados esses conceitos mais amplos, expressos em seu texto. Embora o termo “dividendos” esteja definido expressamente no art. 10 (3) dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, o seu complemento “pagos” está entre os termos não definidos em seu texto, de forma que deve ser interpretado conforme o seu “contexto” e, caso este não forneça um sentido plausível, uma definição razoável deverá ser investigada no Direito doméstico dos Estados contratantes. O art. 3 (2) do tratado internacional em questão assim estabelece: 2. Para a aplicação desta Convenção por um Estado Contratante, qualquer expressão que nela não esteja definida terá o significado que lhe é atribuído pela legislação desse Estado, relativamente aos impostos aos quais se aplica a Convenção, a não ser que o contexto imponha interpretação diversa. Prevê os acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, então, nosso dever de investigar um sentido ao termo “pagos” (ou, em última análise, à expressão “dividendos pagos”), no contexto do próprio acordo internacional. Apenas se esse “contexto” não prover um sentido plausível ao termo do acordo, este deverá ser investigado no Direito doméstico. 7 Vide, nesse sentido: CASELLA, Paulo Borba. Direito internacional tributário brasileiro. São Paulo : LTR, 1995, p. 3640; XAVIER, Alberto. Direito Tributário Internacional do Brasil. Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 588 e seg. Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.439 18 Repitase que o julgador administrativo – assim como qualquer aplicador do Direito tributário internacional – tem o dever de se valer de evidências presentes no “contexto” dos tratados de bitributação para a interpretação de seus termos. Não se trata de atitude discricionária, mas de medida essencial para que o acordo bilateral seja coerentemente aplicado por ambos os Estados contratantes, em conformidade com a CVDT e as demais normas do Direito internacional. Para levar a termo essa interpretação conforme o “contexto” dos acordos de bitributação, ao menos três fontes provedoras de evidências quanto aos sentido de seus termos devem ser consultadas. contexto intrínseco: deve ser investigado o texto do acordo de bitributação, seu preâmbulo e anexos, documentos elaborados em conexão com o tratado, protocolos e acordos posteriores celebrados pelos Estados contratantes. Para tanto, podem ser adotadas expedientes tais como métodos de análise sintática e semântica, a interpretação do texto do acordo como um todo, testes comparativos da função e do sentido dos termos no acordo de dupla tributação como um todo, a identificação dos objetivos e propósitos do acordo a partir de detalhes de cada uma de suas partes; contexto extrínseco primário: deve ser investigada a existência de procedimentos amigáveis, dos chamados parallel treaties e, ainda, de práticas adotas pelos Estados por meio de suas autoridades administrativas, judiciárias e legislativas; contexto extrínseco secundário: deve ser investigada a existência de decisões de Cortes nacionais de terceiros Estados, doutrina dos publicistas mais qualificados das diferentes Nações, Convenção Modelo da OCDE e os seus respectivos Comentários, trabalhos preparatórios, atos unilaterais quanto à intenção dos Estados contratantes e circunstâncias relacionadas à conclusão da convenção fiscal. No presente caso, há evidências presentes tanto no contexto intrínseco quanto no contexto extrínseco dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, as quais fornecem um claro e plausível sentido ao termo “pagos” (ou mesmo à expressão “dividendos pagos”) 1.3.1. O contexto intrínseco e o sentido do termo “pagos” (ou mesmo da expressão “dividendos pagos”) O contexto intrínseco compreende o próprio signo linguístico sob interpretação ou outros presentes no texto do tratado, no preâmbulo, nos anexos, bem como em qualquer acordo ou instrumento celebrado pelas partes relativos ao tratado ou em conexão com a sua conclusão. A sua investigação, além de instintiva, decorre de prescrição expressa no art. 31 (1) e (2) da CVDT. Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.440 19 A análise gramatical do trecho do art. 10 (1) dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, na oração “Os dividendos pagos por uma sociedade (...)”, evidencia o emprego do sujeito paciente (da passiva) “dividendos” acompanhado do particípio “pago”. Importante ressaltar que o particípio consiste em uma forma nominal do verbo que expressa o resultado do “fato verbal”, isto é, indica uma ação já realizada, já finalizada, sobre o objeto da oração que ele qualifica, in casu, “os dividendos”. O termo “pago”, assim, atua como um reforço incisivo para delimitar a aplicação do dispositivo àquelas situações em que o rendimento por ele tutelado (“dividendos”) tenham sido efetivamente “pagos”. Sob a perspectiva sintática, o termo “dividendo”, empregado na cláusula sob exame, encontrase qualificado como “pago”, o que impõe, necessariamente, que esta ação (pagar) já tenha sido concretizada (pela “sociedade”, agente da passiva na oração). A CVDT também determina que se investigue se e como o termo “pago” é empregado em outras passagens dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador. Assim, por exemplo, é importante observar o seu emprego nas seguintes passagens: Art. 10 (2). (...) O disposto neste parágrafo não prejudica a tributação da sociedade, no que diz respeito aos lucros dos quais se originaram os dividendos pagos.”; Art. 10 (4) “(...) e se a participação, em virtude da qual os dividendos são pagos, se relaciona efetivamente ao estabelecimento permanente.” Art. 10 (6): “Quando uma sociedade residente em um Estado Contratante recebe lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante não poderá cobrar qualquer imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto se tais dividendos forem pagos a residente desse outro Estado, ou se a participação em virtude da qual os dividendos são pagos, relacionarse efetivamente a um estabelecimento permanente situado nesse outro Estado; nem poderá sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a imposto sobre lucros não distribuídos, ainda que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, no total ou parcialmente, de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado.” Art. 10 (7): “(...)As limitações de alíquota do imposto previstas nos parágrafos 2 e 5 não se aplicam aos dividendos ou lucros pagos antes do final do primeiro ano calendário seguinte ao ano de assinatura desta Convenção.” Art. 11 (1): “Os juros provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente do outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado.” Art. 11 (3): “Não obstante o que dispõem os parágrafos 1 e 2, os juros provenientes de um Estado Contratante e pagos ao Governo do outro Estado Contratante (...)” Art. 11 (5): "(...) e se a dívida, em virtude da qual os juros são pagos, se relacionar efetivamente ao estabelecimento permanente. Nesse caso, aplicase o disposto no Artigo 7.” Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.441 20 Art. 11 (6): “A limitação de alíquota do imposto prevista no parágrafo 2 não se aplica aos juros provenientes de um Estado Contratante, pagos a estabelecimento permanente de empresa do outro Estado Contratante, situado em terceiro Estado.” Art. 11 (7): Consideramse provenientes de um Estado Contratante os juros pagos por esse próprio Estado, uma sua subdivisão política, uma autoridade local ou um residente desse Estado. Todavia, se o devedor dos juros, residente em um Estado Contratante ou não, tiver num Estado Contratante estabelecimento permanente pelo qual tenha sido contraída a obrigação que dá origem aos juros, e estes são pagos por esse estabelecimento permanente, tais juros consideramse provenientes do Estado em que o estabelecimento permanente estiver situado.” Art. 11 (8): “Se, em conseqüência de relações especiais existentes entre o devedor e o beneficiário efetivo, ou entre ambos e terceiros, o montante dos juros, tendo em conta o crédito pelo qual são pagos (...)” Art. 12 (1): “Os "royalties" provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente no outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado.” Art. 12 (4): “(...) a cujo respeito os "royalties" são pagos, se relacionar efetivamente ao estabelecimento permanente.” Art. 12 (5): “Consideramse provenientes de um Estado Contratante os "royalties" pagos por esse próprio Estado, (...)” Art. 12 (6): “(...) ou entre ambos e terceiros, o montante dos "royalties", relativo ao uso, direito ou informação em razão dos quais são pagos, (...)” Art. 12 (7): “A limitação de alíquotas do imposto prevista no subparágrafo b do parágrafo 2, deste Artigo, não se aplica aos ‘royalties’ pagos antes do final do primeiro ano calendário, seguinte ao ano da assinatura desta Convenção, quando pagos a um residente de um Estado Contratante que detenha, direta ou indiretamente, no mínimo cinqüenta por cento do capital votante da sociedade que efetua o pagamento dos ‘royalties’.” Como se pode observar, o termo “pago” é reiteradamente empregado no acordo, assumindo a função a função de delimitar um marco de transferência efetiva de recursos, seja em relação a juros, royalties ou dividendos. De forma consistente, portanto, apenas se pode qualificar como dividendos pagos valores efetivamente transferidos de uma parte a outra. 1.3.2. O contexto extrínseco secundário e o sentido do termo “pagos” (ou mesmo da expressão “dividendos pagos”) Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.442 21 Sob o escopo do art. 31 (3) “c” da CVDT, cumulado com o art. 38 (1) “c” do ECIJ ou, ainda, do art. 32 da CVDT, há uma série de evidências que podem ser utilizadas para confirmar ou mesmo infirmar o sentido construído a partir de evidências intrínsecas ou de evidências extrínsecas primárias. Para LUC DE BROE8, o intérprete poderia sempre recorrer às evidências do art. 32 da CVDT, seja para confirmar o sentido provido por outros meios ou, quando esses conduzissem à ambiguidade, obscuridade, manifesto absurdo ou ausência de razoabilidade, para lhe determinar tal sentido. Observa o professor belga que tais situações não seriam excepcionais, mas corriqueiras, já que as questões encaminhadas aos tribunais têm como causa justamente a existência de obscuridades ou ambiguidades no texto do acordo. Pondera o autor, contudo, que sentidos providos por evidências do art. 32 da CVDT apenas prevaleceriam em casos de ambiguidade, obscuridade, manifesto absurdo ou ausência de razoabilidade. Entre as evidências desse contexto extrínseco secundário, é necessário analisar os Comentários à CMOCDE. 1.3.2.1. Os Comentários à CMOCDE e a confirmação das conclusões expostas. Os Comentários à CMOCDE, editados pelo Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE, podem ser equiparados à doutrina dos publicistas mais qualificados das diferentes nações, a qual, conforme albergada pelo art. 31 (3) “c” da CVDT cumulado com o art. 38 (1) “c” do Corte Internacional de Justiça. A obrigatoriedade de sua observância se dá nesses termos. É geralmente aceito9 que os Comentários à CMOCDE são menos importantes no caso de convenções fiscais envolvendo um Estado não membro da OCDE. Para KLAUS VOGEL10, a intenção de tais Estados em adotar os sentidos contidos nos Comentários não poderia ser afirmada de forma genérica e apenas poderia ser presumida se o texto do dispositivo coincidir com o adotado na CMOCDE e não houver outra interpretação fornecida pelo “contexto”. Essa observação é necessária por não ser o Brasil um Estado membro da OCDE, o que coloca em dúvida a importância dos referidos Comentários para o julgamento do caso em análise. De todo modo, desde a sua versão de 1977, os Comentários à CMOCDE apresentam as seguintes disposições quanto à interpretação do art. 10 (dividendos), especialmente quanto aos termos “dividendos pagos”, in verbis: “7. Por este motivo, o parágrafo 1 simplesmente estabelece que dividendos poderão ser tributados no Estado de residência do beneficiário. O termo “pago” apresenta significado bastante amplo, já que o conceito de pagamento significa o cumprimento da obrigação de colocar recursos à disposição do acionista da maneira exigida por contrato ou pelo costume.” 8 BROE, Luc De. International tax planning and prevention of abuse (doctoral series n. 14). Amsterdã : IBFD, 2007, 252259. 9 Nesse sentido, vide: BROE, Luc De. International tax planning and prevention of abuse (doctoral series n. 14). Amsterdã : IBFD, 2007, p. 294; HOFBAUER, Ines. Tax treaty interpretation in Austria, in Tax treaty interpretation. LANG, Michael (ed). LINDE : Vienna, 2001, p. 25. 10 VOGEL, Klaus. Klaus Vogel on Double Taxation Conventions. Kluwer : London, 1999, p. 44. Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.443 22 O termo “pago”, conforme essa evidência do contexto extrínseco secundário dos acordos de bitributação, abrange apenas situações em que há efetivo “cumprimento da obrigação de colocar recursos à disposição do acionista da maneira exigida por contrato ou pelo costume”. Desse modo, ainda que se possa atribuir maior ou menor importância aos Comentários à CMOCDE existentes à época em que dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador foram celebrados, é contundente constatar que o parágrafo 7o dos Comentários ao art. 10o da CMOCDE, acima transcrito, converge com as demais evidências analisadas neste voto: para que os “dividendos” sejam considerados “pagos”, exigese a efetiva transferência de titularidade dos recursos da sociedade ao acionista. 1.3.2.2. Os Comentários à CMOCDE editados após a celebração dos acordos pelo Brasil com Portugal e com o Equador. Há uma cautela que deve ser adotada em relação aos Comentários: alguns deles podem ter sido editados após a celebração do tratado de bitributação sob análise, o que torna muito contestável a sua utilidade. Ocorre que, se ao celebrar o tratado os Estados não conheciam uma determinada posição do Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE que sequer havia sido publicada ao tempo da assinatura do acordo, não há como sustentar a existência de consentimento em relação aos Comentários supervenientes. No caso dos autos, o Brasil celebrou acordos com Portugal e com o Equador em 2000 e 1986, respectivamente, de forma que os Comentários à CMOCDE introduzidos após essa data apresentam reduzida ou mesmo nenhuma relevância. Afinal, aceitar a consideração dinâmica dos Comentários à CMOCDE seria atribuir Poder Legislativo ao Comitê de Assuntos Fiscais da OCDE, órgão do qual o Brasil sequer é membro. É o que ocorre com a posição hoje presente nos parágrafos 37 e 38 dos Comentários à CMOCDE, editados após a celebração dos acordos com Portugal e Equador, in verbis: “37. Podese argumentar que, caso o país de residência do contribuinte, de acordo com sua legislação de controladas estrangeiras ou outras normas com efeito similar, busque tributar lucros que não foram distribuídos, estará agindo de forma contrária às disposições do parágrafo 5. Contudo, devese observar que o parágrafo é limitado à tributação na fonte e, assim, não lhe cabe tributar na residência nos termos dessa legislação ou normas. Além disso, o parágrafo diz respeito apenas à tributação da sociedade e não do acionista.” “38. A aplicação dessa legislação ou normas poderá, contudo, complicar a aplicação do Artigo 23. Caso rendimento tenha sido atribuído ao contribuinte, cada item do rendimento teria de ser tratado nos termos das disposições pertinentes da Convenção (lucros de empresa, juros, royalties). Se o montante for tratado como dividendo presumido, então será claramente proveniente da sociedadebase, constituindo, assim, rendimento do país da sociedade. Mesmo assim, não está claro se o montante tributável será considerado dividendo, no âmbito do significado do Artigo 10, ou “outro rendimento”, no âmbito do significado do Artigo 21. Nos termos de algumas dessas legislações ou normas, o montante tributável é tratado como dividendo, sendo a isenção prevista por convenção fiscal, por exemplo, isenção de afiliação, também estendida a ele. Há dúvidas acerca de se a Convenção exige ou não que isso seja feito. Se o país de residência julgar que não é este o caso, poderá enfrentar a alegação de estar Fl. 2443DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.444 23 obstruindo a operação normal da isenção de afiliação ao tributar com antecedência o dividendo (sob a forma de dividendo presumido).” Os referidos parágrafos “37” e “38” foram acrescidos aos Comentários à CM OCDE 1992, não encontrando paralelo na versão mantida quando os acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador foram celebrados. Notese que, em tese, a consideração dinâmica de revisões meramente amplificadoras encontra alguma aceitação doutrinária11. As chamadas revisões amplificadoras seriam alterações nos Comentários à CMOCDE que apenas tornariam mais claras interpretações que desde sempre seriam possíveis em face da CMOCDE. A enorme dificuldade desse argumento consiste em saber quando uma revisão seria puramente esclarecedora, amplificadora. Nesse seguir, MAARTEN J. ELLIS12 adverte que uma alteração no texto dos Comentários nunca seria realmente neutra: qualquer alteração, ainda que na ordem das palavras ou nas vírgulas utilizadas, pode, mais cedo ou mais tarde, ter consequências práticas. Seria artificial a distinção de alterações meramente estilísticas, explicativas do que já existiria. Contudo, os parágrafos “37” e “38”, acrescidos aos Comentários do art. 10 da CMOCDE, sem dúvida modificaram a posição então adotada por seu Comitê de Assuntos Fiscais, o que apenas pode surtir efeitos aos acordos já celebrados pelo Brasil mediante expressa aquiescência do Poder Legislativo. 1.3.2.3. A aplicação das novas posições assumidas pelos Comentários à CMOCDE exclusivamente em casos de abuso. Especialmente com as alterações introduzidas nos Comentários à CMOCDE em 2003, o Comitê de Assuntos Fiscais daquela organização passou a expressar a possibilidade de normas nacionais dos Estados contratantes afastarem os benefícios dos tratados na hipótese de abuso. Nesse sentido, em 2003, foram adicionados, por exemplo, os parágrafos 9.2 e 22.1 aos Comentários quanto ao art. 1o da CMOCDE, in verbis: “9.1. Esse fato suscita duas questões fundamentais discutidas nos parágrafos seguintes: se os benefícios de convenções tributárias devem ou não ser conferidos a transações que constituem um abuso das disposições dessas convenções (vide parágrafos 9.2 e seguintes abaixo); e se as disposições e normas jurisprudenciais específicas da legislação interna de Estado Contratante destinadas a prevenir o abuso fiscal entram ou não em conflito com convenções tributárias (vide parágrafos 22 e seguintes abaixo). 9.2. Para muitos Estados, a resposta à primeira questão se baseia na sua resposta à segunda questão. Esses Estados levam em consideração o fato de que os tributos incidem, em última análise, segundo o disposto na legislação interna, assim como não restritos (e em alguns raros casos, ampliados) pelas disposições de convenções tributárias. Dessa forma, qualquer abuso do disposto em convenção tributária também poderia ser caracterizado como um abuso do disposto em legislação interna nos termos da qual o imposto será exigido. Com 11 Nesse sentido, vide: VOGEL, Klaus. Klaus Vogel on Double Taxation Conventions. Kluwer : London, 1999, p. 4347. 12 MAARTEN J. Ellis. The influence of the OECD Commentaries on Treaty Interpretation – Response to Prof. Dr. Klaus Vogel, in Bulletin – Tax Treaty Monitor – December 2000. IBFD : Amsterdã, 2000, p. 617618. Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.445 24 relação a esses Estados, a questão passa a ser, então, se o disposto em convenções tributárias pode impedir ou não a aplicação de disposições anti elisivas previstas na legislação interna, que é a segunda questão acima. Como estabelece o parágrafo 22.1 abaixo, a resposta a essa segunda questão é que, na medida em que essas normas antielisivas são parte das normas básicas que dão origem a obrigação tributária, não serão abrangidas pelos tratados tributários, o sendo, assim, atingidas por eles. Portanto, como regra geral, não haverá nenhum conflito entre essas normas e as disposições de convenções tributárias.” “22. Outras formas de abuso de tratados tributários (por exemplo, o uso de sociedadebase – “base company”) e possíveis maneiras possíveis de lidar com elas, inclusive normas de “substancia sobre a forma”, “substância econômica” e normas gerais antiabusivas também têm sido analisadas, em particular, no que tange à questão de tais normas estarem ou não em conflito com tratados tributários, conforme dispõe a segunda questão mencionada no parágrafo 9.1 acima. 22.1 Essas normas fazem parte das normas internas básicas estabelecidas no direito tributário interno para determinação de quais fatos que dão origem a obrigação tributária; essas normas não são discutidas em tratados tributários e, dessa forma, não são abrangidas por eles. Assim, como regra geral e levando em consideração o parágrafo 9.5, não haverá conflitos. Por exemplo, na medida em que a aplicação das normas mencionadas no parágrafo 22 resulte em recaracterização de rendimento ou nova determinação do contribuinte havido por auferir o rendimento, serão aplicadas as disposições da Convenção levando em conta essas alterações. 22.2 Embora essas normas não estejam em conflito com convenções tributárias, o consenso é que os países membros deverão observar cuidadosamente as obrigações específicas consagradas em tratados tributários contra a dupla tributação, desde que não exista indicação clara de abuso dos tratados.” Assim, ainda que se atribua alguma relevância aos Comentários à CMOCDE editados após a celebração dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, é preciso ter claro que muitos deles se voltam a situações em que se averigue a existência de “abuso” praticado pelo contribuinte. Tal constatação é relevante pois, no caso dos autos, não há imputação de práticas abusivas praticadas pelo contribuinte. Nem sequer a legislação utilizada como suporte para a autuação se volta contra situações abusivas, tendo a MP 2.158 vocação para alcançar situações independentemente da prática de atos abusivos. Dada a distinção entre as regras brasileiras discutidas neste recurso especial e as normas de reação ao abuso, típicas das legislações CFC adotadas por uma enorme variedade de sistemas jurídicos estrangeiros consideradas nos Comentários da CMOCDE, é razoável compreender que estes sequer podem ser aplicadas ao caso dos autos. Assim concluíram PAULO AYRES BARRETO e CAIO TAKANO13 em trabalho acadêmico sobre o tema, in verbis: “Não há, na nova dicção legal, uma clara e precisa distinção entre situações normais, em que há genuíno exercício da atividade empresarial, e aquelas 13 BARRETO, Paulo Ayres; TAKANO, Caio Augusto. Regime tributário dos resultados de coligadas e controladas no exterior. In: Instituto Brasileiro de Estudos Tributários, et al. (Org.). PRODIREITO: Direito Tributário: Programa de Atualização em Direito: Ciclo 1. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2015. p. 3638. Grifos do original. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.446 25 excepcionais que, mundo afora, ensejam a aplicação de normas CFC, por conterem o elemento abusivo. Pelo contrário, mantevese como regra a tributação automática das controladoras brasileiras no dia 31 de dezembro do ano em que houver a mera apuração do lucro pelas empresas controladas direta ou indiretamente pela empresa brasileira, independentemente de sua efetiva disponibilização, que, por vezes, poderá nunca vir a acontecer. (...) a nova sistemática da tributação dos lucros auferidos no exterior não deve ser confundida com aquela própria das normas CFC, tão conhecidas pelos estudiosos do Direito tributário internacional, não havendo razão para que a interpretação de suas regras não obedeça rigorosamente aos limites constitucionais e postos em Lei Complementar.” 1.3.3. O reenvio ao direito doméstico como alterativa ao art. 3 (2) dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador. Caso se compreenda necessário o reenvio ao Direito doméstico brasileiro para a construção de sentido do termo “pago”, que acompanha “dividendos” no art. 10 dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador, igualmente se concluirá que este designa situação de efetiva transferência de titularidade dos recursos da sociedade aos acionistas. Assim, a título de exemplo, o art. 150, §1º, do CTN, por utilizar o termo “pagamento”, é interpretado pelo STJ como exigência de efetiva de transferência de titularidade do contribuinte ao fisco, de quitação concreta, não bastando simples retenção: “III. De acordo com o entendimento firmado no STJ, a retenção do Imposto de Renda, pela fonte pagadora, não se assimila ao pagamento antecipado, aludido no § 1º do art. 150 do CTN. Assim, a quantia retida, pela fonte pagadora, não tem o efeito de pagamento, até porque toda ou parte dela poderá ser objeto de restituição, dependendo da declaração de ajuste anual. Assim, a prescrição da Ação de Repetição de Indébito Tributário flui a partir do pagamento realizado após a declaração anual de ajuste do Imposto de Renda”. (STJ, AgRg no AREsp 193.400/MA, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/03/2016, DJe 17/03/2016) Outro exemplo pode ser colhido do art. 138 do CTN. A denúncia espontânea exige o pagamento, que deve efetivamente concretizarse com a transferência de recursos, de quitação concreta, antes mesmo do lançamento tributário. Nesse sentido, é a jurisprudência do STJ: “A jurisprudência da egrégia Primeira Seção, por meio de inúmeras decisões proferidas, dentre as quais o REsp nº 284189/SP (Rel. Min. Franciulli Netto, DJ de 26/05/2003), uniformizou entendimento no sentido de que, nos casos em que há parcelamento do débito tributário, ou a sua quitação total, mas com atraso, não deve ser aplicado o benefício da denúncia espontânea da infração, visto que o cumprimento da obrigação foi desmembrado, e esta só será quitada quando satisfeito integralmente o crédito.” (STJ, AgRg no REsp 727.181/RJ, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/06/2005, DJ 01/08/2005) Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.447 26 Nesse cenário, não há no sistema jurídico brasileiro sentido diverso ao termo “pago” (ou melhor, dividendos pagos) daquele construído a partir do contexto em que dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador estão inseridos, qual seja: efetiva transferência de titularidade dos recursos da sociedade ao acionista. 1.4. A jurisprudência judicial e administrativa a respeito da matéria É importante consignar que o STJ, em julgamento sobre a matéria, alcançou a mesma conclusão, como se observa da ementa a seguir: RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO NA ORIGEM. APELAÇÃO. EFEITO APENAS DEVOLUTIVO. PRECEDENTE. NULIDADE DOS ACÓRDÃOS RECORRIDOS POR IRREGULARIDADE NA CONVOCAÇÃO DE JUIZ FEDERAL. NÃO PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. IRPJ E CSLL. LUCROS OBTIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NACIONAIS SEDIADAS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO REGULADA. PREVALÊNCIA DOS TRATADOS SOBRE BITRIBUTAÇÃO ASSINADOS PELO BRASIL COM A BÉLGICA (DECRETO 72.542/73), A DINAMARCA (DECRETO 75.106/74) E O PRINCIPADO DE LUXEMBURGO (DECRETO 85.051/80). EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NAS BERMUDAS. ART. 74, CAPUT DA MP 2.15735/2001. DISPONIBILIZAÇÃO DOS LUCROS PARA A EMPRESA CONTROLADORA NA DATA DO BALANÇO NO QUAL TIVEREM SIDO APURADOS, EXCLUÍDO O RESULTADO DA CONTRAPARTIDA DO AJUSTE DO VALOR DO INVESTIMENTO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO, PARA CONCEDER A SEGURANÇA, EM PARTE. 1. Afastase a alegação de nulidade dos acórdãos regionais ora recorridos, por suposta irregularidade na convocação de Juiz Federal que funcionou naqueles julgamentos, ou na composição da Turma Julgadora; inocorrência de ofensa ao Juiz Natural, além de ausência de prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. Precedentes desta Corte. 2. Salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade ou abusividade, ou de dano irreparável ou de difícil reparação, o Recurso de Apelação contra sentença denegatória de Mandado de Segurança possui apenas o efeito devolutivo. Precedente: AgRg no AREsp. 113.207/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 03/08/2012. 3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos, por mais avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou por outro elemento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica por ele regulada, mas sobretudo da singularidade dos seus princípios, sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se confundiria com as atividades administrativas fiscais. 4. O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva o sistema tributário, que abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão competente, mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento, inclusive os ideológicos, os sociais, os históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua efetividade dependerá de harmonizarse com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa, os princípios jurídicos gerais e constitucionais, as Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.448 27 ilustrações doutrinárias e as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras. 5. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno, em razão da sua especificidade. Inteligência do art. 98 do CTN. Precedente: (RESP 1.161.467RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 01.06.2012). 6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais, inclusive pelo Brasil, conforme Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto 72.542/73), a Dinamarca (Decreto 75.106/74) e o Principado de Luxemburgo (Decreto 85.051/80), disciplina que os lucros de uma empresa de um Estado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado (dependência, sucursal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio basilar da boafé. 7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim tributados somente no País do seu domicílio; a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicionálos ao lucro da empresa controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o princípio da boafé na relações exteriores, a que o Direito Internacional não confere abono. 8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do art. 74 da MP 2.15835/2001, aderese a esse entendimento, para considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Bermudas, País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos moldes da OCDE, devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados. 9. O art. 7o, § 1o. da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP 2.15835/01) a qual objetivou regular; com efeito, analisandose a legislação complementar ao art. 74 da MP 2.15835/01, constatase que o regime fiscal vigorante é o do art. 23 do DL 1.598/77, que em nada foi alterado quanto à não inclusão, na determinação do lucro real, dos métodos resultantes de avaliação dos investimentos no Exterior, pelo método da equivalência patrimonial, isto é, das contrapartidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras controladas. 10. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, concedendo em parte a ordem de segurança postulada, para afirmar que os lucros auferidos nos Países em que instaladas as empresas controladas sediadas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo, sejam tributados apenas nos seus territórios, em respeito ao art. 98 do CTN e aos Tratados Internacionais em causa; os lucros apurados por Brasamerican Limited, domiciliada nas Bermudas, estão sujeitos ao art. 74, caput da MP 2.15835/2001, deles não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial. (STJ, REsp 1.325.709/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/04/2014, DJe 20/05/2014) Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.449 28 Igual entendimento foi adotado pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região, ao julgar o recurso de Apelação da União Federal e a Remessa Necessária nos autos do processo n. 2003.72.01.0000144/SC14: TRIBUTÁRIO. IRPJ. CSLL. LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. CONFLITO DE NORMAS. ART. 74, CAPUT, DA MP Nº 2.15835/2001. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. PREVALÊNCIA DA NORMA VEICULADA NOS TRATADOS. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA DOS LUCROS NO PAÍS DE DOMICÍLIO. REAVALIAÇÃO POSITIVA DOS INVESTIMENTOS EM CONTROLADAS SITUADAS NO EXTERIOR. NEUTRALIDADE DO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL PARA FINS FISCAIS. ART. 23, PARÁGRAFO ÚNICO, DO DL Nº 1.598/1977. 1. Em matéria tributária, dispõe o art. 98 do CTN que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. A doutrina adverte quanto à imprecisão técnica do dispositivo, porquanto não se trata, a rigor, de revogação da legislação interna, mas de suspensão da eficácia da norma tributária nacional, que readquirirá a sua aptidão para produzir efeitos se e quando o tratado for denunciado (Ricardo Lobo Torres). 2. A despeito da controvérsia no STF sobre a hierarquia normativa entre tratados em matéria tributária e lei interna, a questão se resolve no plano infraconstitucional. As disposições veiculadas nos tratados e convenções internacionais em matéria tributária, após se submeterem ao procedimento previsto no art. 49, inciso I, da CF, passam a integrar o ordenamento jurídico nacional. Eventual antinomia, assim, resolvese pelo princípio da especialidade, prevalecendo o regramento internacional naquilo que conflitar com a norma interna de tributação. A norma interna deixa de ser aplicada na hipótese específica regulada pelo tratado, mas continua válida e aplicável a todas as situações que não envolvem os sujeitos e os elementos de estraneidade definidos no tratado. Ocorre, dessa forma, a suspensão da eficácia da norma interna e não propriamente revogação ou modificação. 3. Entender que a superveniência de norma interna conflitante com o tratado internacional modificaria o regramento a ser aplicado implica denúncia implícita do acordo, sem a adoção dos procedimentos constitucionais e legais para tanto, desprezando, ademais, os princípios da boafé, da segurança e da cooperação que norteiam as relações internacionais. Em favor da prevalência dos tratados, cabe invocar não somente o art. 98 do CTN, mas também o art. 5º, § 2º, da Constituição Federal e o art. 27 do Decreto nº 7.030/2009, que promulga a Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados. 4. O Brasil firmou acordos visando a evitar a dupla tributação e a prevenir a evasão fiscal, em matéria de imposto de renda, com a China (Decreto nº 762/1993) e a Itália (Decreto nº 85.985/1981). Ambos oferecem tratamento uniforme à matéria, seguindo o Modelo de Acordo Tributário sobre Renda e Capital da OCDE. O art. 7º dos Tratados adota o princípio da residência no tocante à tributação dos lucros das empresas, estabelecendo a competência exclusiva do país de domicílio da empresa para a tributação de seus lucros. 5. O ponto nodal da controvérsia decorre do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que considera disponibilizados os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior para a controladora ou coligada no 14 Vide: http://www.netinternacional.org/web/TabId/64/NoticiaId/229/pdf.aspx. Fl. 2449DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.450 29 Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, independente de sua efetiva distribuição. 6. Equivocase a Fazenda Nacional ao sustentar que a tributação incide sobre os lucros obtidos por empresa sediada no Brasil, provenientes de fonte situada no exterior, na medida em que refletem positivamente no patrimônio da controladora, valorizando suas ações e demais ativos, pois a reavaliação positiva dos investimentos realizados em empresas controladas situadas no exterior não constitui renda tributável, conforme o disposto no parágrafo único do art. 23 do DL nº 1.598/1977 (na redação vigente até a Lei nº 12.973/2014). A norma do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 em nada alterou o regime fiscal vigorante desde o art. 23 do DL nº 1.598/1977, que estabelece a neutralidade do método da equivalência patrimonial para efeitos fiscais, porque seu resultado positivo, relevante para a contabilidade, não é tributado. 7. Diante do evidente conflito do disposto no art. 74 da MP nº 2.15835, que determina a adição dos lucros obtidos pela empresa controlada no exterior, para o cômputo do lucro real da empresa controladora, na data do balanço no qual tiverem sido apurados, deve prevalecer a norma do art. 7º dos Decretos nº 762/1993 e nº 85.985/1981, a fim de evitar a tributação dos lucros das empresas controladas pela impetrante na China e na Itália”. Esse mesmo entendimento tem sido adotado em outros julgados do CARF, por exemplo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 IRPJ LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA DIVIDENDOS FICTOS LUCROS TRATADO ART. 10 OU ART. 7º 1 A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 não recai sobre dividendos fictos. Não se pode empregar ficção legal para alcançar materialidade ou se antecipar seu aspecto temporal quando a Constituição Federal usa essa materialidade na definição de competência tributária dos entes políticos. Ademais, o art. 10 do Tratado BrasilHolanda trata dos dividendos pagos, não permitindo que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado BrasilHolanda. Inaplicabilidade do art. 10 do tratado. 2 O regime de CFC do Brasil do art. 74 da MP 2.158/01 considera transparente as controladas no exterior (entidade transparente ou passthrough entity): considera como auferidos pela investidora no País os lucros da investida no exterior; são os lucros em dissídio. Isso é considerar auferidos os lucros no exterior pela investidora no País, por intermédio de suas controladas no exterior. Não é o mesmo que ficção legal: é parecença com a consideração do lucro de grupo societário (tax group regime). O art. 7º do Tratado Brasil Holanda é norma de bloqueio: define competência exclusiva para tributação dos lucros da sociedade residente num Estado contratante a este Estado. Regra específica em face de regra geral. A não aplicação da norma de bloqueio do art. 7º aos lucros em dissídio seria simplesmente desconsiderar, no âmbito de tratado, a personalidade jurídica da sociedade residente na Holanda. No mesmo sentido, bastaria um dos Estados contratantes proceder a uma qualificação a seu talante do que (não) sejam lucros de controlada residente noutro Estado contratante, para frustrar norma de tratado que as partes Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.451 30 honraram respeitar. Intributabilidade com o IRPJ dos lucros em discussão, pela aplicação do art. 7º do Tratado BrasilHolanda. IRPJ, CSLL LUCROS DE COLIGADA NA ARGENTINA ADI 2.588. DF. No julgamento da ADI 2.588DF, com trânsito em julgado em 17/2/14, Reconheceuse a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 em relação a lucros de coligadas não situadas em “paraíso fiscal”. Efeitos do julgamento da ADI 2.588DF sobre os lucros da coligada residente na Argentina. Intributabilidade, no País, desses lucros. CSLL LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA TRATADO. Sofrem incidência da CSLL os lucros das pessoas jurídicas controladas sediadas na Holanda. MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA PROPORCIONAL Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre a CSLL exigida exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anoscalendário. (Acórdão 1103001.122 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária , sessão de 21/10/2014). 1.5. O escopo dos acordos celebrados pelo Brasil com Portugal e com o Equador e a abrangência da CSLL. A Lei n. 13.202, de 8.12.2015, prescreve: Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Parágrafo único. O disposto no caput alcança igualmente os acordos em forma simplificada firmados com base no disposto no art. 30 do DecretoLei no 5.844, de 23 de setembro de 1943. Aplicase ao referido enunciado legal o art. 106 do CTN, que assim dispõe: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Desse modo, é necessário reconhecer que a CSLL encontrase indubitavelmente incluída no escopo dos acordos de dupla tributação celebrados pelo Brasil, independentemente do período em que houver sido celebrado o acordo, tendo em vista a eficácia retroativa do art. 11 da Lei n. 13.202/2015. 2. Incidência de juros de mora sobre multa de ofício Na hipótese de restar vencido quanto à matéria principal analisada neste recurso especial, passo à análise da divergência atinente à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. No presente caso, a controvérsia interpretativa não se refere necessariamente à norma dos arts. 113 ou 139 do CTN. No âmbito do CTN, a questão reside mais precisamente na norma que se constrói a partir de seu art. 161. Fl. 2451DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.452 31 O art. 161 do CTN, cumprindo o papel previsto no art. 146 da Constituição Federal, estabelece norma geral, aplicável a todos os entes da federação, quanto à incidência de juros de mora, no percentual de 1%, sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Expressamente, contudo, o seu § 1° resguarda a cada um dos entes federados a competência para estabelecer regramento próprio. Cada ente federado, por meio de seu respectivo Poder Legislativo, poderá prescrever regramento próprio, com taxa de juros diferente daquela prevista na norma geral (1%) ou, por exemplo, prever a incidência de juros de mora tanto sobre o débito principal quanto sobre as multas ou, ainda, estabelecer que os juros incidam apenas sobre o valor do débito principal, mas não sobre o das multas. A União, no caso, é exemplo de unidade federativa que, de longa data, produz regramentos próprios quanto à incidência de juros de mora sobre o crédito não integralmente pago no vencimento. Assim o fazendo, a União encontra resguardo jurídico no art. 161 do CTN, mas afasta a eficácia da norma geral veiculada neste dispositivo. Portanto, para a solução do caso concreto, a questão não se esgota com a compreensão da norma geral veiculada pelo CTN. É necessário saber qual o tratamento foi atribuído pelo legislador ordinário à matéria, o que obriga que se considere o teor da Lei nº 9.430/1996, que dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se pode observar, valendose de sua competência, o legislador ordinário decidiu: prever a incidência de juros de mora sobre multas isoladas pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 43); prever a incidência de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições pagos em atraso (Lei n. 9.430/96, art. 61); não prever nada quanto à incidência de juros de mora sobre multas de ofício. Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.453 32 A evolução legislativa demonstra que não se trata de um silêncio insignificante, mas expressão de decisão consciente do legislador. As leis que se sucederam, em especial, o Decretolei n. 2.232/87, a Lei n. 7.691/88, a Lei n. 7.738/89, a Lei n. 7.799/89, a Lei n. 8.218/91, a Lei n. 8.383/91, a Lei n. 8.981/95, a Lei n. 9.430/96, a Lei n. 10.522/02, demonstram que a decisão do legislador variou no tempo, por vezes determinando a incidência de juros sobre a multa de ofício, por vezes a excluindo. Há uma diferenciação relevante: o dispositivo não estabelece, por si, a incidência de alguma taxa de juros sobre a multa, mas possibilita que leis específicas a estabeleça. Essa retrospectiva é relevante para constatar que o legislador competente não agiu ao acaso: tratase de silêncio eloquente do legislador que, ao tutelar a matéria, deixou conscientemente de prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Embora o entendimento ora exposta tenha restado vencido no julgamento do presente caso, este já foi o entendimento adotado por este Tribunal administrativo, inclusive no âmbito da 1ª Turma da CSRF, como se observa dos seguintes exemplos: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. (Processo nº 10680.002472/200723. Acórdão n. 9101000.722. CSRF, 15.12.2010.) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Processo nº 16327.004079/200275. Acórdão n. 10196.008. TO, 01.03.2007) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. (Processo nº 10980.013431/200605. Acórdão nº 10196.607, TO, 06.03.2008) JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Processo nº 16327.004252/200235. Acórdão nº 20216.397, TO, data da publicação 14.06.2005). Voto, portanto, por CONHECER o recurso especial interposto pelo contribuinte e, no mérito, para DARLHE provimento. Fl. 2453DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.454 33 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.455 34 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Em que pesem os brilhantes argumentos do i. Conselheiro Relator, ouso discordar de seu brilhante voto. Para a Recorrente, a Fiscalização não poderia ter incluído na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL os resultados auferidos por intermédio dessas controladas em relação às quais o Brasil possui acordos a fim de evitar a dupla tributação dos lucros. Segundo seu entendimento, o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, violaria o art. 7º dos tratados em questão. Desse modo, ao aplicar o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a Fiscalização estaria tributando os lucros das empresas situadas naqueles países residentes no exterior , e não os lucros da Recorrente – residente no Brasil. Entende, a Recorrente, portanto, que seria competência exclusiva daqueles países tributar os lucros auferidos pelas pessoas jurídicas lá residentes, nos termos previstos no art. 7º dos tratados, todos nos moldes do texto modelo aprovado e sugerido pela OCDE. Pois bem, passo a analisar o tema. O tema não é novo nesta Corte Administrativa. Em diversas ocasiões tive a oportunidade de me manifestar em situações praticamente idênticas. A tributação em bases universais das pessoas jurídicas residentes no Brasil possui seu fundamento legal no artigo 25 da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. Depois de inúmeras controvérsias legislativas15, pacificouse o entendimento de que esse dispositivo somente permitiria a tributação após os mencionados lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serem disponibilizados à pessoa jurídica situada no Brasil. Com o advento da Medida Provisória nº 2.15835/01 duas significativas mudanças foram introduzidas: (i) no artigo 21 introduziuse tal tributação à CSLL16; (ii) no 15 Tais controvérsias surgiram com a transformação do conteúdo que constava na própria Lei nº 9.249/95, na IN/SRF nº 38/96 e na Lei nº 9.532/97, e já tinha como pano de fundo a tentativa de se tributar os lucros auferidos no exterior pelas Controlled Foreign Corporations – CFC – mediante o princípio da ransparência fiscal. Cf. Luís Eduardo Schoueri, “Imposto de Renda e os Lucros Auferidos no Exterior”. In: Grandes Questões Atuais do Direito Tributário. Vol 7. São Paulo: Dialética, 2003, pp. 303 a 313. 16 Na verdade, esse dispositivo foi originalmente editado no artigo 19 da MP nº 1.8566/99 e, depois, sendo reeditado, até que ficou definitivamente positivado no artigo 21 da MP nº 2.15835/01. Fl. 2455DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.456 35 artigo 74, determinouse que a disponibilização se dará antes e independentemente de qualquer distribuição no caso de lucros auferidos por empresas controladas e coligadas da pessoa jurídica brasileira. Vejase: Art. 21. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior sujeitamse à incidência da CSLL, observadas as normas de tributação universal de que tratam os arts. 25 a 27 da Lei no 9.249, de 1995, os arts. 15 a 17 da Lei no 9.430, de 1996, e o art. 1oda Lei no 9.532, de 1997. [...] Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. A despeito das críticas sobre sua amplitude, atingindo também as empresas coligadas em descompasso com o padrão internacional, além de lucros auferidos em países sem tributação favorecida e rendas ativas, é importante ressaltar que esse artigo 74 vai ao encontro das regras instituídas em inúmeros países em sintonia com o fenômeno da transparência fiscal internacional17. A rigor, tratase de normas antielisivas específicas que tem como escopo evitar o diferimento da tributação dos lucros de empresas qualificadas como controlled foreign corporations CFC. Fazse necessário, portanto, analisar a sistemática adotada em tais dispositivos legais. Nesse sentido, é de se observar que a lei não teria eficácia se quisesse tributar diretamente os lucros de uma empresa não residente. Isso porque não há conexão (residência ou fonte) capaz de dar efetividade à jurisdição tributária brasileira. O que a lei faz é tributar uma renda ficta da própria pessoa jurídica brasileira (a empresa residente). Em outras palavras, ela olha para a empresa residente e, sopesando o fato de que esta possui participação societária em outra empresa que apurou lucro no exterior, assume que há disponibilidade da renda e determina que se tribute como lucro da empresa brasileira um determinado valor estimado com base no lucro apurado pela empresa no exterior. A adequação dessa determinação ao conceito constitucional de renda é uma decisão que deve ser levada a efeito por quem tem competência para isso, no caso, o Supremo Tribunal Federal STF, à luz dos princípios constitucionais envolvidos (igualdade, capacidade contributiva, etc.). E, como é de amplo conhecimento, o artigo 74 foi apreciado pelo STF, na ADI nº 2.588, restando decidida sua inconstitucionalidade apenas nos casos que tratam de lucros auferidos por coligadas não situadas em países com tributação favorecida. Não nos cabe aqui questionar a exatidão dessa decisão, mas, apenas, reconhecer sua aplicabilidade. Nem se pode estranhar essa forma de tributação. Afinal, em várias situações a legislação do imposto de renda tributa algo que não é necessariamente renda. Basta ver as margens predeterminadas do controle dos preços de transferência. Aliás, as próprias adições e exclusões ao lucro líquido, que o legislador arbitrariamente elege para se chegar ao lucro real, não deixam de ser uma prova de que o lucro real é muito mais uma ficção do que uma renda ideal. Há de se ressaltar que o conceito de renda adotado no Brasil segue a teoria do acréscimo 17 Cf. João Francisco Bianco. Transparência Fiscal Internacional. São Paulo: Dialética, 2007, pp. 15 a 39. Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.457 36 patrimonial definido numa amplitude global. Isso significa que se considera renda quaisquer fluxos monetários e demais benefícios (que possam também ser avaliados em termos monetários) que ingressem na esfera patrimonial da pessoa durante o período considerado. O que ocorre é que a lei, em situações nas quais o legislador sopesa a confluência de diversos princípios e interesses coletivos, deixa de tributar algumas categorias de renda. A bem da verdade, nem mesmo o lucro líquido contábil pode se enquadrar exatamente no conceito financeiro de renda da teoria do acréscimo patrimonial que inspirou os elaboradores do Código Tributário Nacional CTN na positivação do seu artigo 4318. E não há nenhuma ofensa aos artigos 7 dos acordos destinados a evitar a dupla tributação quando se adota essa forma de incidência tributária. Vejase o típico conteúdo desses dispositivos, conforme as ConvençõesModelo adotadas pela OCDE e pela ONU, nos termos reproduzidos para o vernáculo pelo acordo celebrado entre o Brasil e a Países Baixos19: Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado; a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado. Se a empresa exerce suas atividades na forma indicada, seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis àquele estabelecimento permanente. Ora, a parte desses dispositivos que diz que “os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado” não pode ser entendida de maneira desvinculada da parte seguinte: “a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado”. Tratase da forma que as ConvençõesModelo escolheram para dizer que o país da fonte só pode tributar o lucro do seu não residente se este exercer atividade neste país por intermédio de um estabelecimento permanente. Isso porque é possível que uma atividade seja exercida sem um grau de conexão tal com o país da fonte que seja capaz de qualificálo no escopo do conceito de estabelecimento permanente contido nos artigos 5º daquelas mesmas ConvençõesModelo. Ainda assim, existe a conexão e o país da fonte poderia querer exercer sua jurisdição no sentido de tributar os correspondentes lucros. A regra daqueles dispositivos impede, então, que o país da fonte exerça essa jurisdição. Por outro lado, como bem frisado pela PGFN em contrarrazões e sustentações orais sobre o tema, os tratados firmados para evitar bitributação se tratam de regras de competência negativa, ou seja, os tratados servem para não tributar um não residente, e jamais não tributar um residente! Por essas mesmas razões, não há porque se procurar nos tratados dispositivo que autorize determinado país a tributar seu residente, já que os mesmos somente se prestam a impossibilitar a tributação de um não residente, e nas hipóteses em que forem firmados pelos Estados Contratantes. Há de se salientar, novamente, que a tributação da empresa brasileira, nos termos do art. 74 Medida Provisória nº 2.15835/01, não diminui o resultado da empresa situada no exterior, uma vez que jamais se refletirá nas demonstrações contábeis e financeiras do não residente no Brasil. 18 Cf. Ricardo Marozzi Gregorio. Preços de Transferência: Arm's Length e Praticabilidade. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 245. 19 Parágrafo 1 do Artigo 7 do Decreto nº 355, de 2 dezembro de 1991. Fl. 2457DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.458 37 Nesse mesmo sentido, em relação ao art. 7º das ConvençõesModelo, a OCDE é taxativa ao afirmar que normas CFC como a prevista no art. 74 Medida Provisória nº 2.15835/01 não ofendem os tratados firmados, pois a tributação incidiria sobre o residente, e não sobre não residente. Segundo a PGFN, os mais recentes posicionamentos da OCDE orientam, inclusive, que normas CFC não se apliquem somente a casos de abuso de tratado, mas que possuam hipóteses de incidência objetivas. Corroborando o entendimento firmado até aqui, o i. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, no acórdão 9101002.330, assevera que o “entendimento pela não aplicação do art. 7º às normas CFC, embora objeto de alguma controvérsia, é corrente e aceito na doutrina internacional20 e nacional e pela jurisprudência de diversos países. A doutrina nacional, referindose à norma CFC brasileira, também tem posições no sentido da não afetação dos tratados, e.g., Marco Aurélio Greco, conforme se transcreve abaixo: Para Marco Aurélio Greco, uma vez que o referido artigo 74 estabelece a tributação de uma variação positiva de patrimônio da empresa brasileira, não haveria base para se falar em bloqueio da tributação prevista neste dispositivo em função da aplicação do art. 7º das convenções internacionais assinadas pelo Brasil, já que, em nenhum momento, se estaria tributando lucros da empresa residente no outro país. Em sua visão, mesmo nos casos em que determinada convenção prevê a isenção dos dividendos pagos para residentes e domiciliados no Brasil, não estaria afastada a tributação do art. 74, uma vez que, como dito acima, seu entendimento é no sentido de que esta regra prevê a tributação de um acréscimo patrimonial ocorrido no Brasil e não do resultado ainda não distribuído pela empresa brasileira”.21 Em relação à tese de que a redação utilizada no art. 7 das Convenções sobre Dupla Tributação existiria justamente para impedir sistemática de tributação como a do art. 74 da MP 2.15835/2001, por outros fundamentos também discordo de tal exegese. Basta analisar a cronologia das normas em questão para se verificar a impossibilidade de tal raciocínio. A redação do artigo 7 das convenções destinadas a evitar a dupla tributação foi elaborado para se impedir que sejam tributados na fonte receitas (“lucros” – profits) remetidas ao país de residência, sem que haja uma presença efetiva da empresa no outro país, a não ser que o rendimento seja abrangido nos outros itens específicos do tratado. Logo, se houver um estabelecimento permanente (no que se remete ao art. 5º dessas convenções, que define os critérios para este fim), ou houver uma subsidiária ou controlada, os lucros também podem ser tributados pelo país em que eles são gerados. Nesse sentido, novamente valhome dos valorosos argumentos do i. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão traçados no bojo do acórdão 9101002.330: importa ressaltar que à época da proposta de redação do art. 7 (no início do século passado e depois na década de 1940 modelos do México e Londres), não existiam normas CFC, tendo 20 Ver e.g., LANG, Michael. “CFC Regulations and Double Taxation Treaties”. Bulletin for International Fiscal Documentation. Vol 57:2, pp. 5158 (2003). 21 GRECO, Marco Aurélio; ROCHA, Sergio Andre. Tributação Direta: Imposto sobre a Renda. In: UCKMAR, Victor et al. Manual de Direito Tributário Internacional. São Paulo: Dialética:2012, p. 407 408. Fl. 2458DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.459 38 essas surgido somente na década de 1960, originalmente nos EUA. Portanto, cai por terra o argumento de que a redação do art. 7 dos acordos destinados a evitar a dupla tributação teria como objetivo impedir a aplicação das normas CFC. Também não se pode, portanto, querer atribuir à expressão “os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado” o sentido restritivo de impedir que um determinado país adote normas de transparência fiscal internacional. Esse, inclusive, é o entendimento esposado pela OCDE nos comentários de sua ConvençãoModelo. Nesse sentido, vide os seguintes excertos, conforme edição atualizada em 2010, com tradução livre: Parágrafo 23 dos comentários ao artigo 1º: 23. A utilização de “companhias de base” [“base companies”, em inglês] também pode ser tratada através de normas sobre sociedades controladas no exterior [“Controlled Foreign Corporations/CFC”, em inglês]. Um número significativo de países membros e não membros tem adotado tal legislação. Conquanto o desenho desse tipo de legislação varie consideravelmente de país para país, um traço comum dessas regras, agora internacionalmente reconhecidas como um instrumento legítimo para proteger a base tributária local, é que elas resultam na tributação, por um Estado Contratante, de seus residentes relativamente à renda proveniente de sua participação em certas entidades estrangeiras. Argumentouse algumas vezes, com base em certa interpretação de dispositivos da Convenção tais como o artigo 7º, parágrafo 1º, e o artigo 10, parágrafo 5º, que esse traço comum da legislação sobre sociedades controladas no exterior estaria em conflito com tais dispositivos. Pelos motivos expostos nos parágrafos 14 dos comentários ao artigo 7º e 37 dos comentários ao artigo 10, esta interpretação não está de acordo com o texto dos dispositivos. A interpretação também não se sustenta quando os dispositivos são lidos em seu contexto. Portanto, muito embora alguns países tenham considerado útil esclarecer expressamente, em suas convenções, que a legislação das sociedades controladas no exterior não está em conflito com a Convenção, tal esclarecimento não se faz necessário. Reconhecese que a legislação das sociedades controladas no exterior estruturada dessa forma não é contrária aos dispositivos da Convenção. Parágrafo 14 dos comentários ao artigo 7º: 14. O propósito do parágrafo 1º é traçar limites ao direito de um Estado Contratante tributar os lucros de empresas situadas em outro Estado Contratante. O parágrafo não limita o direito de um Estado Contratante tributar seus próprios residentes com base nos dispositivos relativos a sociedades controladas no exterior encontrados em sua legislação interna, ainda que tal tributo, imposto a esses residentes, possa ser computado em relação à parte dos lucros de uma empresa residente em outro Estado Contratante atribuída à participação desses residentes nessa empresa. O tributo assim imposto por um Estado sobre seus próprios residentes não reduz os lucros da empresa do outro Estado e não se pode dizer, portanto, que teve por objeto tais lucros (ver também o parágrafo 23 dos comentários ao artigo 1º e parágrafos 37 a 39 dos comentários ao artigo 10). Outrossim, o recente relatório final divulgado no âmbito da Ação 3 do projeto Base Erosion and Profit Shifting BEPS, conduzido pela OCDE sob determinação de todos os países pertencentes ao chamado G20, tratou como renda "atribuída aos acionistas" (attributed Fl. 2459DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.460 39 to shareholders) a parcela tributada no país que impõe a norma CFC. Nesse sentido, embora alguns países já o façam, tendo em vista que algumas normas CFC só se aplicam a certos tipos de renda, recomenda que as regras de CFC incluam uma definição de rendimento de Companhias Controladas no Exterior e estabeleça uma lista não exaustiva de abordagens ou combinação de abordagens que as regras de CFC poderiam utilizar para tal definição22. Portanto, não se trata de tributar a renda da CFC, mas, sim, uma parcela atribuída na renda do acionista. Por outro lado, também não se pode compreender a sistemática adotada pela lei brasileira como se estivesse tributando uma espécie de "dividendos presumidos". Primeiro, porque o dividendo é um conceito bem delineado no âmbito da legislação societária. Assim, não basta a mera deliberação dos sócios para que todo o lucro auferido num determinado período se converta em dividendos. Como se sabe, há diversas situações em que os lucros devem ser destinados, por determinação legal ou estatutária, a pessoas distintas dos sócios. Então, não se pode garantir que todo o lucro deve ser dividido segundo as participações societárias. Segundo, porque quando o dividendo é, de fato, distribuído, seguindo o método de alívio da bitributação jurídica utilizado pela maioria dos países, deve se dar o crédito do imposto retido pelo país da fonte. Porém, a legislação brasileira não faz exatamente isso. Como não houve, de fato, a distribuição do dividendo, não há imposto retido na fonte. Então, o que se possibilita é a compensação do imposto pago sobre o lucro pela empresa não residente. Vejam bem, não se trata de alívio da bitributação jurídica, mas, sim, da bitributação econômica através da compensação de parcelas do imposto apurado pela empresa residente (a brasileira), segundo os complicados critérios estabelecidos no artigo 14 da IN/SRF nº 213/0223. E percebam que existe até a possibilidade de compensar aquele imposto do exterior com a CSLL devida pela empresa brasileira (artigo 15 da mesma IN)24. Vejase: COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO PAGO NO EXTERIOR COM O IMPOSTO DE RENDA DEVIDO NO BRASIL Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. § 1º Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser este de competência de unidade da federação do país de origem. 22 Conforme OECD/G20 Base Erosion and Profit Shifting Project 2015 Final Reports, pp 13 e 14. Disponível em: < https://www.oecd.org/ctp/bepsreports2015executivesummaries.pdf>. Acesso em 10 de maio de 2017. Eis o texto em sua originalidade: “Definition of income – Although some countries’ existing CFC rules treat all the income of a CFC as “CFC income” that is attributed to shareholders in the parent jurisdiction, many CFC rules only apply to certain types of income. The report recommends that CFC rules include a definition of CFC income, and it sets out a nonexhaustive list of approaches or combination of approaches that CFC rules could use for such a definition”. 23 Interpretação administrativa para os artigos 26 da Lei nº 9.249/95, 16, § 2º, da Lei nº 9.430/96, e 1º, § 4º, da Lei nº 9.532/97. 24 Cuja base legal é o artigo 21, § único, da MP nº 2.15835. Fl. 2460DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.461 40 § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. § 3º Caso a moeda do país de origem do tributo não tenha cotação no Brasil, o seu valor será convertido em Dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em Reais. § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. § 5º Tratandose de filiais e sucursais, domiciliadas num mesmo país, poderá haver consolidação dos tributos pagos, observado o disposto no § 2º do art. 3º e § 5º do art. 4º. § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. § 8º Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer benefício fiscal. § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: I do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada e aos rendimentos e ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real; II do imposto de renda e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do § 10, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto em seu inciso I, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos em seu inciso II. § 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que tiver os lucros de filial, sucursal e controlada, no exterior, apurados por arbitramento, segundo o disposto nas normas específicas constantes desta Instrução Fl. 2461DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.462 41 Normativa, poderá compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da referida filial, sucursal ou controlada, cujos comprovantes de pagamento estejam em nome desta. § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o anocalendário correspondente. § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1º de janeiro do ano subsequente ao da compensação. § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subsequentes. § 16. Para efeito do disposto no § 15, a pessoa jurídica deverá calcular o montante do imposto a compensar em anoscalendário subsequentes e controlar o seu valor na Parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). § 17. O cálculo referido no § 16 será efetuado mediante a multiplicação dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital computados no lucro real, considerados individualizadamente por filial, sucursal, coligada ou controlada, pela alíquota de quinze por cento, se o valor computado não exceder o limite de isenção do adicional, ou pela alíquota de vinte e cinco por cento, se exceder. § 18. Na hipótese de lucro real positivo, mas, em valor inferior ao total dos lucros, rendimentos e ganhos de capital nele computados, o tributo passível de compensação será determinado de conformidade com o disposto no § 17, tendo por base a diferença entre aquele total e o lucro real correspondente. § 19. Caso o tributo pago no exterior seja inferior ao valor determinado na forma dos §§ 17 e 18, somente o valor pago poderá ser compensado. § 20. Em cada anocalendário, a parcela do tributo que for compensada com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, ou com a CSLL, na hipótese do art. 15, deverá ser baixada da respectiva folha de controle no Lalur. COMPENSAÇÃO COM A CSLL DEVIDA NO BRASIL Art. 15. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. Terceiro, porque não há na legislação nada que garanta que se houver uma efetiva distribuição de dividendos a posteriori, estes deixarão de ser tributados, tanto pelo país Fl. 2462DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.463 42 da fonte, quanto pelo Brasil. Ademais, inexiste qualquer previsão acerca dos efeitos daquela tributação sobre os “dividendos presumidos” em face da eventual tributação dos dividendos efetivamente distribuídos. É verdade que os parágrafos 38 e 39 dos comentários ao artigo 10 deixam aberta a possibilidade de uma determinada legislação CFC tratar ou não os rendimentos tributados na categoria dos dividendos. Apesar disso, o conteúdo desses parágrafos é claro quanto à chance de haver problemas na efetivação de benefícios concedidos no âmbito do acordo no caso de a legislação CFC tratar os rendimentos tributados na categoria dos dividendos. Vejase tais comentários, conforme edição atualizada em 2010, com tradução livre: Parágrafos 38 e 39 dos comentários ao artigo 10: 38. A aplicação de tal legislação ou regras [de acordo com o parágrafo precedente, tratase da legislação CFC ou de regras com efeitos similares] pode, porém, complicar a aplicação do artigo 23. Se a renda [da CFC] fosse atribuída ao contribuinte, cada item dessa renda teria que ser tratada na conformidade das provisões relevantes da Convenção (lucros de empresas, juros, royalties). Se é tratada como um dividendo presumido, então, ele é claramente derivado da companhia de base [a CFC], constituindo renda do país daquela companhia. Mesmo assim, não está claro se a renda deve ser tratada como um dividendo (artigo 10) ou como rendimentos não expressamente mencionados (artigo 21). Sob algumas dessas legislações ou regras, a renda tributável é tratada como um dividendo, com o resultado de que uma isenção concedida por uma convenção, por exemplo, uma isenção de uma filial, seja também estendida ao contribuinte. É questionável se a Convenção requer que isso seja feito. Se o país de residência considera que esse não é o caso, pode se alegado que ele está obstruindo a normal operação da isenção de uma filial mediante tributação do dividendo (na forma de "dividendo presumido") antecipadamente. 39. Aonde os dividendos são realmente distribuídos pela companhia de base [a CFC], as provisões da convenção bilateral têm que ser normalmente aplicadas porque há renda de dividendos dentro do escopo da convenção. Assim, o país da companhia de base pode submeter o dividendo a uma tributação na fonte. O país da residência do controlador aplicará os métodos normais de eliminação da bitributação (isto é, o método do crédito ou da isenção). Isso implica que o tributo retido deve ser creditado no país de residência do controlador, mesmo que o lucro distribuído (o dividendo) tenha sido tributado anos antes no âmbito da legislação CFC ou outras regras com efeitos similares. No entanto, a obrigação de dar o crédito nesse caso permanece questionável. Geralmente tal dividendo é isento da tributação (uma vez que ele já foi tributado no âmbito daquela legislação ou regras) e poderia ser arguido que não há base para o crédito do tributo retido. Por outro lado, o propósito do tratado seria frustrado se esse crédito pudesse ser evitado via simples antecipação da tributação pela oposição da citada legislação. O princípio geral estabelecido acima sugere que o crédito deveria ser concedido mesmo que os detalhes possam depender de tecnicalidades da citada legislação ou regras e do sistema de crédito dos tributos no exterior contra os tributos domésticos (por exemplo, tempo decorrido desde a tributação dos "dividendos presumidos"). Porém, os contribuintes que tenham recorrido a arranjos artificiais estão assumindo riscos que não estão completamente sob a salvaguarda das autoridades tributárias. Fl. 2463DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.464 43 Nada obstante a existência dessa possibilidade, como já se disse, não parece que a lei brasileira tenha seguido esse difícil caminho. Registrese, contudo, que a matéria sofrerá profundas alterações para os fatos geradores futuros por obra do conteúdo introduzido pela Lei nº 12.973/14. No caso presente, a jurisdição brasileira não tem conexão com o lucro produzido pelas empresas portuguesa e equatoriana. A nossa lei não pode alcançar estas empresas estrangeiras sem que algum critério de conexão se estabeleça. Portanto, o que a nossa lei faz é tributar a nossa empresa, residente, pelo natural critério da residência. Apenas o cálculo da renda tributada nesta empresa, conforme determinado pela lei interna, é que é baseado nos lucros apurados pela empresa no exterior. A compensação do imposto pago sobre o lucro pela empresa não residente, para alívio da bitributação econômica, é mera liberalidade da lei interna. Assim como, se existisse (ou vier a existir) determinação para a não tributação dos dividendos efetivamente distribuídos a posteriori, esta seria (ou será) também outra liberalidade (uma vez que já havia sido concedido o alívio anterior). Tal entendimento, sublinhese, é o mesmo adotado pela RFB oficialmente em por meio da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 08 de agosto de 2013, cuja ementa recebeu a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ LUCROS AUFERIDOS POR EMPRESAS COLIGADAS OU CONTROLADAS DOMICILIADAS NO EXTERIOR A aplicação do disposto no art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação. Dispositivos Legais: art. 98 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, arts 25 e 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 21 e 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e Artigo 7 da Convenção Modelo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Convém transcrever as conclusões de tal ato: 34. Em face do exposto, concluise que a aplicação do disposto no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, não viola os tratados internacionais para evitar a dupla tributação pelas seguintes razões: 34.1. a norma interna incide sobre o contribuinte brasileiro, inexistindo qualquer conflito com os dispositivos do tratado que versam sobre a tributação de lucros; 34.2. o Brasil não está tributando os lucros da sociedade domiciliada no exterior, mas sim os lucros auferidos pelos próprios sócios brasileiros; e 34.3. a legislação brasileira permite à empresa investidora no Brasil o direito de compensar o imposto pago no exterior, ficando, assim, eliminada a dupla tributação, independentemente da existência de tratado. De igual forma, recentemente o próprio CARF vem adotando tal entendimento, chamando atenção a decisão prolatada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 04 de maio de 2016 (Acórdão 9101002.330), em brilhante voto vencedor Fl. 2464DF CARF MF Processo nº 10872.000531/201077 Acórdão n.º 9101003.616 CSRFT1 Fl. 2.465 44 do i. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão em que são rebatidos todos os argumentos usualmente utilizados pelos que defendem tese contrária à exposta no presente voto. Portanto, não assiste razão à Recorrente. Inexiste ofensa aos acordos firmados, seja pelo artigo 7, seja pelo artigo 23, parágrafo 4 (o qual isenta os dividendos tributáveis nos outros Estados contratantes recebidos por residentes brasileiros). Desse modo, entendo não haver qualquer óbice em relação à aplicação do disposto no art. 74 da MP 2.15835/01 e não aplicação dos tratados para evitar bitributação. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 2465DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001791/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO QUE REPRODUZ LITERALMENTE A IMPUGNAÇÃO. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF.
INFRAÇÃO. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração ao art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212/91.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, comprovada através de impugnação em que demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado)
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. AUSÊNCIA DE DIALETICIDADE. REGIMENTO INTERNO DO CARF. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou traga qualquer motivo pelos quais deva ser modificada autoriza a adoção, como razões de decidir, dos fundamentos da decisão recorrida, por expressa previsão do regimento interno do CARF. INFRAÇÃO. NÃO ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Deixar a empresa de arrecadar contribuição previdenciária de segurado contribuinte individual, mediante desconto de sua remuneração, constitui infração ao art. 30, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212/91. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, comprovada através de impugnação em que demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 91 /2 00 9- 60 Fl. 78DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Presidente. (assinado digitalmente) DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente) e Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) Relatório O presente processo trata de Recursos Voluntário em face do Acórdão nº 16 26.140 13ª Turma da DRJ/SP1, fl. 57 a 64, que assim relatou a lide administrativa: 1. Trata o presente processo de Auto de Infração (AI DEBCAD n° 37.225.5035), consolidado em 26/05/2009, lavrado contra a empresa em virtude do descumprimento da obrigação prevista no artigo 30, inciso I, alínea "a", da Lei n° 8.212/91, e no Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em seu art. 216, inciso I, alínea "a", por ter a empresa deixado de arrecadar nas competências 01/2004 a 12/2004, mediante desconto/retenção, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço incidentes sobre os valores fornecidos a título de refeições in natura (sem que a empresa possuísse inscrição no PAT), conforme exposto no Relatório Fiscal da Infração (fls. 7). 1.1. O crédito tributário consubstanciado no AI em apreço foi lavrado e cientificado, por meio postal, em 01/06/2009, conforme Aviso de Recebimento (fls. 23). 2. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 8) informa como foi calculada a multa autuada, nos termos do art. 92 e 102 da Lei 8.212/91, combinado com o art. 283, inciso I, alínea "g", e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e alterado pelo Decreto n° 4.862/03. 2.1. O valor base da multa foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n°48, de 11/02/2009, e correspondia a R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos). 2.2. Não foram observadas circunstâncias agravantes ou atenuantes, bem como o contribuinte não registra antecedentes, conforme Termo de Antecedentes (fls. 9). Pelo exposto, a multa Fl. 79DF CARF MF Processo nº 19515.001791/200960 Acórdão n.º 2201004.514 S2C2T1 Fl. 79 3 do presente Auto de Infração foi aplicada em seu valor base, totalizando R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos).. 2.3. O relatório fiscal da aplicação da multa informa, ainda, que o valor autuado será atualizado pela Taxa SELIC a partir da lavratura até seu pagamento, de acordo com o que dispõe a Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 10/2008. 3. Como resultado da ação fiscal realizada no Contribuinte, foram lavrados os seguintes documentos: (a) Auto de Infração de Obrigação Principal AI n° 37.217.2261, referente ao não recolhimento de contribuição devida pela empresa (cota patronal e GIILRAT), AI n°37.168.3181, referente ao não recolhimento de contribuição devida pelos segurados empregados e AI n° 37.168.3190, referente ao não recolhimento de contribuição destinada aos Terceiros; (b) Auto de Infração de Obrigação Acessória AI n° 37.225.5019 (CFL68), AI n°37.225.5027 (CFL 30), AI n° 37.225.5037 (CFL 59), AI n° 37.225.5043 (CFL 38) e AI n°37.225.505l (CFL 35). 4. Além dos relatórios e planilhas supracitados, integram o AI DEBCAD n° 37.225.5035 os seguintes documentos: MPF Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 1); IPC Instruções para o Contribuinte (fls. 3/4); REPLEG Relatório de Representantes Legais (fls. 5); VÍNCULOS Relação de Vínculos (fls. 6); Termo de Início de Procedimento Fiscal e Aviso de Recebimento (fls. 10/12); TIF Termos de Intimação Fiscal n° 1, 2, 3 e 4 e respectivos Avisos de Recebimento (fls 13/20); solicitação de dilação de prazo para atendimento do TIF n° 004 e respectiva concessão (fls. 21/22) e TEPF Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 24/25). Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou impugnação, alegando em apertada síntese: 5. Dentro do prazo regulamentar (conforme fls. 53), o contribuinte impugnou a autuação por meio do instrumento de fls. 28/31, acompanhado dos documentos de fls. 32/50 (Procuração ad judicia et extra; cópia de Alteração de Contrato Social e Consolidação; cópias de identidades OAB dos patronos), alegando, em síntese, o que segue: 5.1. Preliminarmente, requer a Impugnante o reconhecimento da nulidade do lançamento, haja vista que não menciona em seu corpo elementos básicos e fundamentais de sua constituição formal relativo à inexistência do dispositivo legal inerente à suposta infração cometida pela empresa defendente. Essa irregularidade formal limita e distorce a possibilidade de apresentação de defesa técnica hábil. 5.2. No mérito alega, primeiramente, a improcedência da exigência, haja vista que se trata de equivoco administrativo praticado pelos agentes responsáveis ou, salvo melhor juízo, pretensão ao recebimento em duplicidade dos valores descritos, Fl. 80DF CARF MF 4 que é vedado pela legislação em vigor, sendo que autorizado estaria à defendente reclamar o pagamento em dobro do que indevidamente esta sendo exigido. 5.3. Afirma que, ainda que fosse a empresa defendente devedora, o Senhor Fiscal não agiu com a imprescindível e necessária diligência eis que deveria proceder a efetiva conversão dos valores ditos originários para a moeda corrente, buscando, dessa forma, manter o equilíbrio entre as partes, credor e devedora. Outrossim, não indica quais os índices utilizados para correção do pretenso crédito tributário, bem como seu marco inicial para o cálculo. 5.4. Alega não ter a Autoridade Fiscal aguardado o lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicítação empreendida. 5.5. Ainda que possa existir alguma falha da empresa defendente, concernente a equívocos no efetuar o cálculo das contribuições devidas, certo é que o montante pretendido pela Autarquia não condiz com a realidade vez que tal valor é efetivamente indevido. Ressalta ainda que não há de se admitir o chamado "cálculo por dentro, utilizado pelo agente fiscalizador, que nada mais é do que de fazer com que a liquida da contribuição recaia em duplicidade, caracterizando bitributação atípica, ademais a forma de calcular os juros de mora, bem como não especifica quais os outros encargos previstos na lei que estão sendo exigidos". 5.6. Alega que os referidos cálculos não acompanharam a exigência fiscal e que nos mencionados cálculos "o agente do Fiscalizador não estar seguro dos dados por ele manipulados". Foi proferido acórdão com os seguintes fundamentos: PRELIMINARES 6. Configuramse os requisitos de admissibilidade da defesa do sujeito passivo, tendo sido a Impugnação apresentada com a observância do prazo e requisitos estipulados nos art. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO COMETIDA 7. O presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no "caput" do artigo 33 da Lei n.° 8.212/91, e os artigos 2 o e 3° da Lei n° 11.457/07, c/c o disposto no art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Ressaltese, ainda, que foi integralmente obedecido o art. 10 do Decreto 70.235/72. Portanto, não há que se falar em improcedência do mesmo. 7.1. Importante ressaltar que a multa punitiva é aplicada sempre que verificado o descumprimento de obrigação acessória, conforme definido pela legislação. A lavratura do Auto de Infração representa procedimento de natureza indeclinável, dado o caráter vinculado e obrigatório da atividade Fl. 81DF CARF MF Processo nº 19515.001791/200960 Acórdão n.º 2201004.514 S2C2T1 Fl. 80 5 administrativa do lançamento, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional e, também, nos termos dos artigos 2o e 3 o da Lei n° 11.457/07, que dispõem sobre a competência de fiscalizar as contribuições sociais previdenciárias e as devidas a terceiros, não cabendo qualquer discricionariedade à autoridade administrativa. 8. Conforme relatado (itens 1 e 2 acima), o Contribuinte deixou de arrecadar, mediante desconto/retenção nas competências 01/2004 a 12/2004, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço incidentes sobre os valores fornecidos a título de refeições in natura (sem que a empresa possuísse inscrição no PAT). 8.1. Tal conduta caracterizou infração ao disposto no art. 33, § 2º , da Lei n° 8.212/91, observandose o previsto no §3º do mesmo artigo (na redação da MP 449/08, convertida na lei 11.941/09) e igualmente prevista no art. 232, com observância do art, 233 e parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A multa aplicada no caso de infração aos dispositivos legais supracitados está prevista nos arts. 92 e 102 da mesma lei, combinados com os arts. 283, inciso II, alínea "j", e 373 do RPS, considerando as alterações na redação aprovadas pelo Decreto n° 4.862/03. O valor mínimo da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 48, de 12/02/2009. 8.2. Do exposto, constatase que o Auto de Infração está devidamente fundamentado, estando presentes a correta descrição das infrações verificadas pela Autoridade Fiscal, tendo sido a multa aplicada no valor total de R$ 1.329,18 (um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos) em estrita obediência à legislação de regência. 8.3. Ressaltese que, sendo a presente autuação decorrente de falta averiguada nos documentos apresentados pelo próprio Contribuinte, não há que se falar em desrespeito a "lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicitação empreendida", como alegado na Impugnação. 9. Ainda, em sede de preliminar, cumpre ressaltar que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, declinando à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. Nesses termos, as matérias não expressamente questionadas pela Impugnante presumemse legitimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532/97, aplicável às contribuições previdenciárias a partir do dia 01 de abril de 2008, nos termos do artigo 25 da Lei n° 11.457/07. Fl. 82DF CARF MF 6 9.1. Destaquese, ademais, que, nos termos do artigo 48 da Lei n° 11.457/07, fica mantida, enquanto não modificados, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos atos normativos e administrativos editados pela Secretaria da Receita Previdenciária, pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS, relativos à administração das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 2° e 3 o da citada Lei. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA 10. Como visto, a Autoridade Notificante, por meio do Relatório Fiscal da Infração (fls. 7), narrou com clareza e coerência os fatos verificados durante a ação fiscal e sua subsunção às normas legais de regência. 10.1. Foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes da autuação à Impugnante, tendolhe sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificada da autuação, para apresentar seus questionamentos, consubstanciados na Impugnação apresentada em 24/06/2009 (fls. 28/31). 10.2. Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. 10.3. Verificado que o contribuinte conhecia a origem das contribuições previdenciária lançadas, que tomou plena ciência dos relatórios integrantes da autuação, e que foi concedido o tempo hábil para apresentar sua impugnação, não há que se cogitar em cerceamento de seu direito de defesa. MÉRITO EXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE COM AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL 11. Cabe considerar a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 (contribuição devida pela empresa) e 37.168.3181 (contribuição devida pelos segurados empregados), decorrentes da mesma ação fiscal, vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados, incidente sobre a remuneração não declarada em GFIP, incluídas nos citados AIOP. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 19515.001791/200960 Acórdão n.º 2201004.514 S2C2T1 Fl. 81 7 11.1. Com efeito, a 13a Turma de Julgamento da DRJ/SP I, em sessão realizada nesta data, julgou integralmente procedentes os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 e n° 37.168.3181 por meio dos Acórdãos n° 16 26.135 e 1626.136, respectivamente. 11.2. Outrossim, as discussões de mérito suscitadas na Impugnação às fls. 35/39, especificamente referentes às supostas deficiências apontadas' no procedimento fiscal, foram analisadas e julgadas nas decisões proferidas nas citadas autuações pelo que deixarão de ser, novamente, apreciadas. 11.3. Por fim, reafirmase que, uma vez comprovada a necessidade de declaração nas GFIP mensais dos fatos geradores incluídos nos supracitados Autos de Infração de Obrigação Principal, bem como das correspondentes contribuições previdenciárias, resta, em consequência, confirmada a procedência da presente autuação. LEGALIDADE DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (JUROS SELIC) 11. O Auto de Infração é, atualmente, o documento através do qual a Autoridade Fiscal lança o crédito decorrente da aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de obrigação acessória verificada no decorrer de ação fiscalizadora realizada no Sujeito Passivo. 11.1. Nestes termos, ressaltase que a multa incluída na presente autuação não sofre incidência de correção monetária, ao contrário do que alega o Contribuinte: desde a publicação das Leis n° 8.981/94 e 9.069/95, as autuações efetivadas pelo INSS (atualmente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil) referentes a fatos geradores ocorridos a partir da competência 01/1995 são apuradas em Real e não são acrescidas de correção monetária. | 12. Sobre o tema especifico relacionado à taxa SELIC, temse que, a sua utilização como índice de juros (e não de atualização monetária) surgiu com o advento da Lei n° 9.065/95 (art. 13) pela qual os juros de mora, a partir de abril de 1995, passaram a ser calculados de acordo com a taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia (SELIC), que embora diária, é acumulada dentro do mês, para a obtenção de uma taxa mensal utilizada nos recolhimentos efetuados com atraso. 12.1. Atualmente, a aplicação de juros SELIC à autuações referentes ao descumprimento de obrigações acessórias está fundamentada no art. 84, inciso I e § 8o , da Lei 8.981/95: Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 84DF CARF MF 8 I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei n° 9.065, de 1995) (....) § 8° O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei n° 10.522, de 2002) (destaques não constam do original) 12.2. Com o advento da Lei 11.457/07, os débitos e seus acréscimos, legais relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas aos Terceiros (outras entidades e fundos) passaram a constituir dívida ativa da União, de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o que tornou aplicável os dispositivos legais transcritos aos Autos de Infração de Obrigações Acessórias referentes ao descumprimento da legislação previdenciária. 12.3. Este é o entendimento adotado, conjuntamente, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional por meio da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 10, de 14/11/2008, in verbis: 1º Os créditos constituídos a partir da publicação desta Portaria em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias estão sujeitos aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), a que se refere o art. 13 da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o seu valor. 13.4. Pelo exposto, não a assiste razão à Impugnante quanto ao pretendido neste ponto. Cientificado do acórdão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 84 a 87, praticamente repetindo os argumentos trazidos em sede de impugnação: No mérito alega, primeiramente, a improcedência da exigência, haja vista que se trata de equivoco administrativo praticado pelos agentes responsáveis ou, salvo melhor juízo, pretensão ao recebimento em duplicidade dos valores descritos, o que é vedado pela legislação em vigor, sendo que autorizado estaria à defendente reclamar o pagamento em dobro do que indevidamente esta sendo exigido. Afirma que, ainda que fosse a empresa defendente devedora, o Senhor Fiscal Fiscal não agiu com a imprescindível e necessária diligência eis que deveria proceder a efetiva conversão dos valores ditos originários para a moeda corrente, buscando, dessa forma, manter o equilíbrio entre as partes, credor e devedora. Outrossim, não indica quais os índices utilizados para correção do pretenso crédito tributário, bem como seu marco inicial para o cálculo. Alega não ter a Autoridade Fiscal aguardado o lapso temporal regularmente previsto a fim de que pudesse a defendente atender prontamente a solicitação empreendida. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 19515.001791/200960 Acórdão n.º 2201004.514 S2C2T1 Fl. 82 9 Ainda que possa existir alguma falha da empresa defendente, concernente a equívocos no efetuar o cálculo das contribuições devidas, certo é que o montante pretendido pela Autarquia não condiz com a realidade vez que tal valor é efetivamente indevido. Ressalta ainda que não há de se admitir o chamado "cálculo por dentro, utilizado pelo agente fiscalizador, que nada mais é do que de fazer com que a liquida da contribuição recaia em duplicidade, caracterizando bitributação atípica, ademais a forma de calcular os juros de mora, bem como não especifica quais os outros encargos previstos na lei que estão sendo exigidos". Alega que os referidos cálculos não acompanharam a exigência fiscal e que nos mencionados cálculos "o agente do Fiscalizador não estar seguro dos dados por ele manipulados". É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama No caso em questão, o recurso voluntário repete os argumentos da defesa, de modo que, adoto os fundamentos da decisão proferida em sede de primeira instância, com os quais, concordo, com fundamento no artigo 57, § 3º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF): Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: (...) § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. (...) § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Sendo assim, adoto os fundamentos do voto proferido pela DRJ, com os quais concordo: PRELIMINARES Fl. 86DF CARF MF 10 Configuramse os requisitos de admissibilidade da defesa do sujeito passivo, tendo sido a Impugnação apresentada com a observância do prazo e requisitos estipulados nos art. 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72. TIPIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO COMETIDA O presente Auto de Infração encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no "caput" do artigo 33 da Lei n.° 8.212/91, e os artigos 2 o e 3° da Lei n° 11.457/07, c/c o disposto no art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Ressaltese, ainda, que foi integralmente obedecido o art. 10 do Decreto 70.235/72. Portanto, não há que se falar em improcedência do mesmo. Importante ressaltar que a multa punitiva é aplicada sempre que verificado o descumprimento de obrigação acessória, conforme definido pela legislação. A lavratura do Auto de Infração representa procedimento de natureza indeclinável, dado o caráter vinculado e obrigatório da atividade administrativa do lançamento, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional e, também, nos termos dos artigos 2o e 3 o da Lei n° 11.457/07, que dispõem sobre a competência de fiscalizar as contribuições sociais previdenciárias e as devidas a terceiros, não cabendo qualquer discricionariedade à autoridade administrativa. Conforme relatado (itens 1 e 2 acima), o Contribuinte de apresentar à Fiscalização os Livros Diário referentes ao ano de 2004, devidamente encadernados e registrados na Junta Comercial, conforme solicitado no Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fls. 10/12). Tal conduta caracterizou infração ao disposto no art. 33, § 2º , da Lei n° 8.212/91, observandose o previsto no §3º do mesmo artigo (na redação da MP 449/08, convertida na lei 11.941/09) e igualmente prevista no art. 232, com observância do art, 233 e parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A multa aplicada no caso de infração aos dispositivos legais supracitados está prevista nos arts. 92 e 102 da mesma lei, combinados com os arts. 283, inciso II, alínea "j", e 373 do RPS, considerando as alterações na redação aprovadas pelo Decreto n° 4.862/03. O valor mínimo da multa foi atualizado pela Portaria MPS/MF n° 48, de 12/02/2009. Ressaltese, neste ponto, que o pedido para apresentação dos Livros Diários devidamente encadernados e registrados, referentes às competências 01/2004 a 12/2004, foi formalizado por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal — TIPF (fls. 10/12), datado de 24/10/2008 e recebido pelo Contribuinte em 29/10/2008. No entanto, o procedimento fiscal foi encerrado em 26/05/2009, conforme Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal — TEPF (fls. 24/25) e Aviso de Recebimento (fls. 23), sem que o Contribuinte tenha apresentado os Livros solicitados. Nesses termos, inexiste Fl. 87DF CARF MF Processo nº 19515.001791/200960 Acórdão n.º 2201004.514 S2C2T1 Fl. 83 11 razão à alegação de que a Autoridade Fiscal não teria concedido tempo hábil para a apresentação dos documentos. Do exposto, constatase que o Auto de Infração está devidamente fundamentado, estando presentes a correta descrição das infrações verificadas pela Autoridade Fiscal, tendo sido a multa aplicada no valor total de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos) em estrita obediência à legislação de regência.. Ainda, em sede de preliminar, cumpre ressaltar que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, declinando à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. Nesses termos, as matérias não expressamente questionadas pela Impugnante presumemse legitimas e não deverão ser objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pela Lei n° 9.532/97, aplicável às contribuições previdenciárias a partir do dia 01 de abril de 2008, nos termos do artigo 25 da Lei n° 11.457/07. Destaquese, ademais, que, nos termos do artigo 48 da Lei n° 11.457/07, fica mantida, enquanto não modificados, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos atos normativos e administrativos editados pela Secretaria da Receita Previdenciária, pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS, relativos à administração das contribuições previdenciárias previstas nos artigos 2° e 3 o da citada Lei. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Como visto, a Autoridade Notificante, por meio do Relatório Fiscal da Infração (fls. 7), narrou com clareza e coerência os fatos verificados durante a ação fiscal e sua subsunção às normas legais de regência. Foram disponibilizadas cópias dos documentos integrantes da autuação à Impugnante, tendolhe sido conferido tempo hábil, após regularmente cientificada da autuação, para apresentar seus questionamentos, consubstanciados na Impugnação apresentada em 24/06/2009 (fls. 28/31). Ademais, o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição de 1988, tem por escopo oferecer aos litigantes, seja em processo judicial ou administrativo, o direito à reação contra atos desfavoráveis, momento esse em que a parte interessada exerce o direito à ampla defesa, cujo conceito abrange o princípio do contraditório. A observância da ampla defesa ocorre quando é dada ou facultada a oportunidade à parte interessada em ser ouvida e a produzir provas, no seu sentido mais amplo, com vista Fl. 88DF CARF MF 12 a demonstrar a sua razão no litígio. Dessa forma, quando a Administração, antes de decidir sobre o mérito de uma questão administrativa, dá à parte contrária a oportunidade de impugnar da forma mais ampla que entender, não está infringindo, nem de longe, os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Verificado que o contribuinte conhecia a origem das contribuições previdenciária lançadas, que tomou plena ciência dos relatórios integrantes da autuação, e que foi concedido o tempo hábil para apresentar sua impugnação, não há que se cogitar em cerceamento de seu direito de defesa. MÉRITO EXISTÊNCIA DE PREJUDICIALIDADE COM AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Cabe considerar a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 (contribuição devida pela empresa) e 37.168.3181 (contribuição devida pelos segurados empregados), decorrentes da mesma ação fiscal, vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa e pelos segurados, incidente sobre a remuneração não declarada em GFIP, incluídas nos citados AIOP. Com efeito, a 13a Turma de Julgamento da DRJ/SP I, em sessão realizada nesta data, julgou integralmente procedentes os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.217.2261 e n° 37.168.3181 por meio dos Acórdãos n° 16 26.135 e 1626.136, respectivamente. Outrossim, as discussões de mérito suscitadas na Impugnação às fls. 35/39, especificamente referentes às supostas deficiências apontadas' no procedimento fiscal, foram analisadas e julgadas nas decisões proferidas nas citadas autuações pelo que deixarão de ser, novamente, apreciadas. Por fim, reafirmase que, uma vez comprovada a necessidade de declaração nas GFIP mensais dos fatos geradores incluídos nos supracitados Autos de Infração de Obrigação Principal, bem como das correspondentes contribuições previdenciárias, resta, em consequência, confirmada a procedência da presente autuação. LEGALIDADE DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (JUROS SELIC) Alega o contribuinte que a Jurisprudência vem reconhecendo a inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos tributários, razão pela qual pugna pela correção do seu indébito não excedem a 1§, nos termos do art. 161, §1º do CTN. Vejamos o que diz a legislação sobre o tema o citado: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 19515.001791/200960 Acórdão n.º 2201004.514 S2C2T1 Fl. 84 13 Lei 5.172/66 (CTN) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Assim, temos que a taxa 1% ao mês é cabível quando a lei não dispuser de modo diverso. Contudo, assim dispõe a Lei 9.430/96: Lei nº 9.430/96: Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (...) “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Em relação à incidência dos juros de mora com base na Selic, a despeito do que já foi acima expresso, é tema que já foi objeto de reiteradas e uniformes manifestações deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido emitida Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujos conteúdos transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Desta forma, não merecem acolhida os pleitos recursais. Fl. 90DF CARF MF 14 Sendo assim, não há como acolher as razões do Recorrente. Conclusão Por todo o exposto, rejeito as preliminares arguídas e no mérito, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 91DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001432/2007-87
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 10/02/2004
SIMPLES FEDERA. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM EQUIPAMENTOS ODONTOLÓGICOS. ATIVIDADE NÃO VEDADA. SÚMULA Nº 57 DO CARF.
Ausente evidências de que a atividade em referência somente poderia ser exercida por engenheiro, assim prevalece o entendimento de que a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula nº 57 do CARF).
Numero da decisão: 1003-000.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 10/02/2004 SIMPLES FEDERA. ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM EQUIPAMENTOS ODONTOLÓGICOS. ATIVIDADE NÃO VEDADA. SÚMULA Nº 57 DO CARF. Ausente evidências de que a atividade em referência somente poderia ser exercida por engenheiro, assim prevalece o entendimento de que a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula nº 57 do CARF).
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ATIVIDADE DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM EQUIPAMENTOS ODONTOLÓGICOS. ATIVIDADE NÃO VEDADA. SÚMULA Nº 57 DO CARF. Ausente evidências de que a atividade em referência somente poderia ser exercida por engenheiro, assim prevalece o entendimento de que a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula nº 57 do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 32 /2 00 7- 87 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13971.001432/200787 Acórdão n.º 1003000.047 S1C0T3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1530.387 da 4ª Turma da DRJ/SDR, o qual negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. O contribuinte, aos 01º/06/2007, peticionou na Receita Federal requerimento solicitando sua reintegração ao Sistema Simplificado de Arrecadação, com data retroativa a 10/02/2004, de acordo com a razões apresentadas na solicitação de revisão da exclusão do Simples, protocolada em 14/09//2004 (fl. 01). Na solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (fls. 02), a contribuinte aduz que desde a constituição da empresa até 10/02/2004 a atividade principal da empresa era reparação de aparelhos eletrônicos. A partir da alteração do contrato social (10/02/2004), a contribuinte incluiu, dentro outras atividades, a de manutenção em equipamentos odontológicos, a qual seria realizada sem mão de obra especializada. Por fim, esclareceu que a atividade principal é comércio varejista de peças eletroeletrônico e de reposição em equipamentos odontológicos e solicita a revisão da exclusão do Simples, retroagindo à 10/02/2004, visto já ter providenciado a alteração do código de atividade no CNPJ. O Despacho Decisório (fls. 29 a 32) indeferiu o pedido de reinclusão retroativa no Simples Federal por entender estar a contribuinte exercendo atividade impeditiva de que trata o art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. Contra essa decisão, a contribuinte apresentou impugnação defendendo que a atividade da empresa de "exploração do ramo de assistência técnica em equipamentos odontológicos e comércio varejista de equipamentos odontológicos" não é uma atividade privativa a engenheiros e que, portanto, não exerce nenhuma atividade impeditiva de reinclusão no Simples, devendo ser reincluída com efeitos desde 10/02/2004. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela primeira instância administrativa, que não acolheu os argumentos da contribuinte, considerando a atividade como privativa de engenheiros, em razão de posicionamento do CONFEA. Inconformada com o julgamento, a contribuinte apresentou recurso voluntário, defendendo que ocorreu erro no julgamento da defesa da empresa, visto que a Recorrente não exerce qualquer atividade impeditiva de inclusão no Simples. Por fim, defende a aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006. É o Relatório. Voto Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13971.001432/200787 Acórdão n.º 1003000.047 S1C0T3 Fl. 4 3 Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. Inicialmente, destacase que em 26/01/2005 a contribuinte foi excluída do Simples Federal com efeitos a partir de 01/02/2004, devido à atividade impeditiva que trata o inciso XIII, art. 9º da Lei nº 9.317/96. Contudo, segundo se depreende do documento colacionado aos autos pela contribuinte (fls. 02), a mesma apresentou defesa tempestiva contra a exclusão. Assim, por determinação da autoridade fiscal o requerimento da contribuinte que deu origem a este processo administrativo servirá não apenas para análise do pedido de reinclusão, como também a análise da exclusão efetuada do Simples Federal (fls. 29). Desde o início do processo, o cerne da questão gira em torno da atividade da empresa, que consiste na exploração do ramo de assistência técnica em equipamentos odontológicos e comércio varejista de equipamentos odontológicos, (conforme indica o contrato social fls. 6 a 9), configura ou não atividade vedada ao Simples Federal, na condição de prestação de serviços profissionais de engenheiro. Tal questão já foi bastante discutida no âmbito do CARF, porque as normas editadas pelo CONFEA, consideram que as atividades de "Operação e manutenção de equipamento e instalação" é de competência de engenheiro legalmente habilitado, a matéria, contudo, está atualmente pacificada, inclusive com edição de Súmula pelo CARF, conforme abaixo: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal Um dos acórdãos paradigmas, que levaram à Súmula acima, destaca em seu texto: Processo n° 10855.004363/200378 Recurso n° 136.938 Voluntário Matéria SIMPLES EXCLUSÃO (...) A administração exerce atividade infra legal,, consoante os ditames do princípio da legalidade, a que se subordina. Outro princípio de extrema importância é o da finalidade, segundo o qual a administração deve observar a finalidade do ato, que não pode ser outra que não a insculpida na norma legal. O fim visado será sempre o interesse público_ Sob a ótica da legalidade e da finalidade do ato administrativo extraise que o mesmo tem tipo cidade fechada, pois só pode ser expedido visando o fim legalmente previ sto _ Nesses estritos termos é que se pode admitir a existência de atos discricionários, que permitem à administração certa margem de discricionariedade. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13971.001432/200787 Acórdão n.º 1003000.047 S1C0T3 Fl. 5 4 Há casos em que o legislador não permite liberdade de decisão à administração, delimitando estritamente o campo de atuação. Os pressupostos fáticos e jurídicos vêm objetivamente estipulados, e a lei só admite uma decisão quando materializados esses pressupostos. Nessas hipóteses, não se admite que se leve em consideração as particularidades de cada caso, entendendo o legislador que o interesse público será alcançado quando a única decisão possível for concretizada em face da materialização da hipótese prevista.. Ocorre, por conseguinte, uma maior vinculação da administração ao Princípio da Legalidade. Outros há em que é conferida certa margem de discricionariedade, sem a qual pode ser que a norma legal não logre atingir os seus objetivos, sempre inscritos no campo do interesse público. Todavia, não pode a administração fazer uso indevido da discrição concedida, devendo subsumir os seus atos ao interesse público. Concluindo, a doutrina denomina conceitos vagos, indeterminados, os conceitos que permitem à administração a valoração do fato concreto, exercendo assim um juízo subjetivo e discricionário para fins de aplicação da norma legal. A única razão para existirem, em face do império da lei, é que a finalidade maior da norma não seria alcançada caso a administração estivesse restrita a tipos exclusivamente fechados. Quando se quer determinar como atividades vedadas aquelas exercidas por engenheiro ou assemelhados, estáse diante desses conceitos indeterminados. Registrese, porém, que não pode a administração deixar de se pautar pelos • princípios que a norteiam, principalmente os princípios da legalidade, finalidade e moralidade administrativa. O fim a ser exaustivamente buscado será o interesse público. Sob essa ótica, cabendo à administração exercer juízo de valor, não deve de forma indiscriminada entender que todo e qualquer tipo de manutenção em equipamentos subsumese à hipótese legal de serviços assemelhados ao de engenheiro. A nota fundamental há de ser a complexidade do serviço a ser executado, a necessidade de conhecimentos e técnicas próprios ou assemelhados à função graduada exercida pelos engenheiros. Nesse diapasão, entendo que reforma ou manutenção de máquinas e equipamentos não são tarefas de complexidade semelhante às normalmente executadas por técnicos de nível superior. As notas fiscais de serviço juntadas às fls. 08 e seguintes, pelos valores e tipo do serviço executado, corroboram a afirmação acima. Evidente que pode haver manutenção e reparos em máquinas cuja complexidade resulte na necessidade de intervenção de engenheiros ou assemelhados, mas não é o caso.(...) Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13971.001432/200787 Acórdão n.º 1003000.047 S1C0T3 Fl. 6 5 É indevida, pois, a exclusão da empresa do Simples Federal, com base na alegação de que exercia atividade vedada pela legislação, portanto assiste razão a contribuinte devendo ser reincluída na sistemática com efeitos a partir de 10/02/2004. Com relação ao pedido de declaração de nulidade dos autos de infração lavrados em razão da exclusão do Simples Federal, esse não é objeto deste processo. O requerimento inicial da contribuinte foi para a reinclusão no Simples em razão de ter sido excluída por atividade não vedada. A existência do auto de infração foi apenas mencionado em grau de recurso pela Recorrente, que sequer a numeração do mesmo indicou. Os processos não correm em apenso e, por conseguinte, não é objeto desta ação. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para considerar indevida a exclusão do Simples Federal da empresa contribuinte e acolher o pedido de reinclusão com efeitos a partir de 10/02/2004. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 131DF CARF MF
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