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Numero do processo: 10830.909941/2011-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 11/11/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.295
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 11/11/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 99 41 /2 01 1- 52 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10830.909941/201152 Acórdão n.º 3201003.295 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.406, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.909941/201152 Acórdão n.º 3201003.295 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10830.909941/201152 Acórdão n.º 3201003.295 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.909941/201152 Acórdão n.º 3201003.295 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001792/00-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:1996
NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Reconhece-se a nulidade do lançamento em face da
imputação fiscal de glosa de custos, caracterizada por diferenças apuradas pela fiscalização e lastreadas em demonstrativos fiscais inconclusivos e/ou de difícil compreensão, impossibilitando o pleno exercício da defesa.
Preliminar Acolhido. Recurso Voluntario Provido.
Numero da decisão: 1402-000.589
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Carlos Pelá
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Reconhecese a nulidade do lançamento em face da imputação fiscal de glosa de custos, caracterizada por diferenças apuradas pela fiscalização e lastreadas em demonstrativos fiscais inconclusivos e/ou de difícil compreensão, impossibilitando o pleno exercício da defesa.. Preliminar Acolhido. Recurso Voluntario Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para acolher a preliminar de nulidade do lançamento, por vício material, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL, da qual tomou ciência o contribuinte em 22/01/2001, referente à glosa de custos no anocalendário de 1996. Consta dos autos que a autoridade fiscal autuante elaborou demonstrativos mensais de apuração do IRPJ através do Lucro Real, compreendendo o ano calendário de 1996 (fls. 257 a 268), e comparou com os valores do Lucro Real declarado pela contribuinte, encontrando diferenças de valores apuradas mediante este confronto (planilha à fls. 269). Tais valores, identificados nos períodos de 01/96 a 07/96, 09/96, 10/96 e 12/96, foram lançados, caracterizando a glosa de custos formalizada neste auto de infração. Em sua impugnação a contribuinte contesta as diferenças encontradas e glosadas entre os valores do Lucro Real apurados em procedimento fiscalizatório pela autoridade fiscal e os valores declarados por ela própria. Em suma, a contribuinte alega em sua peça impugnatória que a fiscalização não deduziu dos valores de receita bruta os valores do ICMS substituto, por não integrarem a base de cálculo do IRPJ. Para corroborar seu argumento, apresenta planilha com demonstrativo da diferença de valores a ser compensada (fls. 787), após ter refeito a base de cálculo do imposto com as devidas exclusões que constam dos Livros de Registro de Saída, nos citados períodos de apuração. A decisão da DRJ/REC (fls. 874/882) acata tais alegações do contribuinte e apresenta novos cálculos, dessa vez, considerando o impacto do ICMS substituição. Apresentados novos cálculos, no que se referia aos estabelecimentos F001 e F003, os valores encontrados foram coincidentes. Contudo, com relação aos valores do estabelecimento F002 os valores permaneceram divergentes. Segundo consta do acórdão recorrido, tais diferenças eram referentes ao fato de que a recorrente deduziu o valor total das receitas de vendas de cigarros, conforme se encontram escrituradas no Livro Registro de Saídas, ocasionando uma grande redução da base de cálculo. Nesse ponto, a contribuinte apresentou novos questionamentos, quanto à não dedução do PIS/COFINS pagos antecipadamente na aquisição de cigarros e quanto à dedução do valor total das receitas de vendas de cigarros, conforme se encontravam escrituradas no Livro Registro de Saídas. Assim, uma vez que a legislação determina para fins de apuração do lucro real que os contribuintes podem deduzir da receita bruta, para encontrar a receita líquida, os valores dos impostos e contribuições incidentes sobre vendas, tais como PIS e COFINS, tais afirmações acarretaram a necessidade de realização de diligência fiscal para que a fiscalização esclarecesse a metodologia adotada no procedimento de fiscalização. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 3 Lêse da decisão que os fatos narrados pelo diligenciante nas fls. 871 e 872, não surtiram o efeito desejado, qual seja, além do esclarecer alguns pontos, propiciar a contribuinte que alegou, através da apresentação de sua declaração e de um quadro demonstrativo junto com sua impugnação, de que a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (lucro real) estariam equivocadas. Diante da situação, passou o acórdão a quo, a analisar alguns pontos da diligência e determinar se em decorrência desta poderiam, ou não, serem modificados os valores considerados na fiscalização. Concluiu o acórdão recorrido por considerar procedentes em parte os autos de infração do presente processo para reduzir os valores do IRPJ e da CSLL lançados. Transcrevo, portanto, a fundamentação adotada pela autoridade julgadora de primeira instância: a) Quanto ao valor do ICMS considerado pela fiscalização, como esclarecido na diligência tratase do ICMS escriturado no livro fiscal. Neste ponto, mesmo existindo diferença em relação ao valor declarado pela empresa, na apuração do lucro real deve ser considerado o valor realmente incidente do ICMS sobre vendas. Portanto, deve ser mantido o valor apurado pela fiscalização. b) Da mesma forma a receita bruta considerada pela fiscalização foi escriturada no livro de apuração do ICMS. Mesmo estando a menor do que a declarada pela empresa, vamos manter a receita considerada pela fiscalização. Neste ponto, é importante destacar que não cabe a esta instância julgadora a majoração de valores considerados pela fiscalização que possa acarretar na majoração dos créditos tributários lançados. c) Na pergunta seguinte a diligência requer a comprovação dos valores declarados pela impugnante a titulo de demais impostos e Contribuições incidentes sobre vendas (linha 12 da Ficha 03 da DIRPJ/1997). Ou seja, requer que a contribuinte demonstre o valor declarado, por exemplo, de R$ 6.928,47 linha 12 da Ficha 03 da DIRPJ/1997, à fl. 792, no mês de JANEIRO. Sabemos que a legislação determina para fins de apuração do lucro real que os contribuintes podem deduzir da receita bruta, para encontrar a receita liquida, os valores dos impostos e contribuições incidentes sobre vendas. Nestes poderiam estar declarados os valores de COFINS e Contribuição para o PIS. Por este motivo, é que esta instância julgadora, diante do forte indicio de que a fiscalização poderia ter prejudicado o autuado determinou a verificação, junto a impugnante, dos valores que compõem a linha 12 da ficha 03 da DIRPJ/1997. Porém, demonstrando desinteresse na causa, a contribuinte não apresentou ao diligenciante os documentos necessários a verificação dos valores declarados linha 12 da Ficha 03 da DIRPJ/1997. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 4 Assim, simplesmente não há como considerar os valores declarados sem saber sua composição e se os mesmos estão corretos. Sem dúvida sabemos que quando a receita bruta poderá haver cobrança de contribuições sobre estes valores e estas devem ser consideradas como dedutíveis na apuração do lucro real, porém não podemos simplesmente considerar valores que não condizem com um valor próximo de que seria a realidade. Ainda, sem dúvida é ônus da contribuinte comprovar os valores declarados e neste ponto, como já salientado, esta instância julgadora, diante de um forte indicio, procurou encontrar junto a empresa à comprovação dos valores, contudo esta não respondeu as intimações da diligência. Assim, voto no sentido de não considerar tais valores na apuração do lucro real. d) Quanto à alegação da contribuinte em relação a COFINS E PIS pagos antecipadamente, temos a destacar que tendo em vista o não atendimento da intimação por parte da contribuinte durante o procedimento de diligência, não há como verificar estes valores e portanto voto no sentido de desconsiderar tal alegação. O contribuinte tomou ciência da solicitação de documentos referida acima pelos AR's de fls. 861 e 864. Pela falta de esclarecimentos e omissão injustificada de apresentação dos documentos solicitados, foi lançado auto de infração de multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), a qual o contribuinte tomou ciência por via postal em 11/10/2006 (fl.876). Em sede de recurso voluntário a recorrente pede que seja apurada, no bojo do presente processo, se ele realmente foi intimado e, ainda que tenha sido, não pode ele ser penalizado, já que estava a todo momento diligente no processo, tendo apresentado defesa e documentos. Além disso, inconformado afirma que não se justifica que a diligência fiscal tenha sido frustrada pelo fato de que o agente público responsável por sua feitura não soube informar os motivos da autuação, já que os fiscais que a teriam realizado não estão mais lotados na repartição responsável pela diligência. Por fim, ressalta havendo dúvidas quanto a imputação atribuída, presente a boafé do contribuinte, deve prevalecer o princípio da interpretação mais favorável ao contribuinte (art. 112 do CTN) de modo a afastar qualquer presunção de legitimidade dos atos ora contestados e considerar eficaz a máxima de que o ora Recorrente enveredou todos os esforços para que todas as informações necessárias à fiscalização. É o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator. Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. O presente autuação não merece prosperar haja vista cerceamento do direito de defesa do contribuinte que viuse impossibilitado de contestar os cálculos apresentados pela fiscalização, já que ela própria, quando arguida em diligência, não soube justificar os valores utilizados e a forma de cálculo dos demonstrativos que formam o auto de infração. Decorre do art. 142 do CTN, a seguir transcrito, que o auto de infração deve demonstrar, além da infração cometida pelo contribuinte, determinar a matéria tributável e calcular o montante devido, descrevendo ainda, os demais elementos que concorreram à concretização da hipótese de incidência tributária: Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.(g.n.) É sabido também, que não são todos os erros ou omissões que acarretam a nulidade do processo, mas apenas quando dele não constarem elementos suficientes para determinar com segurança a natureza da infração e/ou a pessoa do infrator. Ora, da leitura do acórdão recorrido percebese que a própria fiscalização não conseguiu justificar os cálculos apresentados no auto de infração. Vejamos: Surgiu, então, a necessidade de realização de diligência fiscal para que a Autoridade Fiscal Autuante esclareça a metodologia adotada no procedimento de fiscalização. Na Resolução DRJ/RECIFE N° 447 de 17/02/2006, às fls. 851 a 857, foram efetuadas as questões abaixo transcritas, todas com o intuito de esclarecer itens da apuração do lucro real. Vamos também transcrever as respostas das questões constantes da Informação de Diligência das fls. 871 e 872. Diante das questões e de suas respostas poderemos formar a convicção e formular uma decisão: " por que não foram considerados os valores das receitas de revendas de mercadorias (linha 07) informados pela contribuinte na DIRPJ/1997? Observese que os valores declarados são mais elevados que os valores adotados pela Autoridade Fiscal Autuante; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 6 Resposta: Os valores os quais o autuante utilizou como base de cálculo para os lançamentos dos créditos tributários, correspondem às revendas de mercadorias registradas nos Livros de Apuração do ICMS dos estabelecimentos F001, F002 E F003, sob os CFPO 5,12 e 6,12. por que foram considerados valores de ICMS mais altos que os valores informados na DIRPJ/1997 (linha 11)? Resposta: Por insuficientes informações no relatório "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (IS)" às fls. 286, não será possível determinar o motivo exato pelo qual a fiscalização computou valor do ICMS diverso do declarado na DIRPJ/Q1997(linha 11), porém, apurouse que, o utilizado na ação fiscal corresponde ao somatório dos débitos de ICMS sobre vendas dos CFOP 5.12 e 6.12, da Matriz e filiais. por que a Autoridade Fiscal Autuante não considerou os valores de demais impostos e contribuições incidentes sobre vendas (linha 12) informados pela contribuinte na DIRPJ/1997? Quais os tributos abrangidos por esses valores declarados? Bem como, quais seriam os valores do PIS e COFINS substituição? Resposta: Prejudicada. Como não foi possível apurar os motivos pelos quais os valores da linha 12 não foram considerados pelos autuantes (não mais lotados na DRF em Caruaru), intimouse o contribuinte, conforme Termo de Diligência/Solicitação de Documentos n° 0002, para justificar o valor desta linha relativo ao mês de janeiro de 1996, não tendo este se manifestado. intimar a contribuinte para apresentar a escrituração contábil comprobatória dos valores declarados na DIRPJ/1997." Para que fique claro, a contribuinte apresentou provas em sua impugnação (DIPJ 1997 e planilha com quadro demonstrativo de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL lucro real) demonstrando que a apuração levada à cabo pelas autoridades fiscais estava equivocada. Foi então que o acórdão a quo corrigiu os valores referentes ao ICMS substituição. Contudo, no que tange ao abatimento na apuração do Lucro Real dos valores pagos à título de outros tributos, tais como PIS e COFINS, o acórdão a quo não os corrigiu, senão solicitou aos fiscais autuantes, em diligência, que esclarecessem sobre a base de cálculo utilizada no lançamento. Como visto, as autoridades autuantes não foram capazes de afirmar se na base de cálculo utilizada no lançamento foram considerados os valores dos demais impostos e contribuições incidentes sobre a vendas. Como não conseguiu comprovar a base de cálculo utilizada para lançamento dos créditos tributários, imputou ao contribuinte o ônus de comprovar os valores declarados na alínea 12 da DIPJ 1997 (impostos e contribuições incidentes sobre vendas que haviam sido deduzidos da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo contribuinte). Ora, o acórdão recorrido faz parecer que se o contribuinte tivesse confirmado os valores da alínea 12, os mesmos seriam considerados corretos e então deduzidos (como foi o ICMS substituição) da base de cálculo utilizada no lançamento. É quase como confessar que a base de cálculo utilizada no lançamento está errada! Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10435.001792/0066 Acórdão n.º 140200.589 S1C4T2 Fl. 0 7 Com isso, estou convencido que o contribuinte logrou comprovar que a base de cálculo utilizada para o lançamento dos créditos tributários falhou por não descontar os valores de impostos e contribuições incidentes sobre vendas. E, por assim ser, quando a fiscalização foi arguida sobre os valores utilizados não comprovou, nem demonstrou a forma de cálculo utilizada, tentando, apenas, inverter o ônus da prova, exigindo que o contribuinte demonstrasse que sua apuração estava correta. Destarte, muito antes da diligência exigida pelos julgadores de primeira instância, o lançamento já havia se concretizado. Dessa forma, o fato de o contribuinte não ter apresentado nova documentação à fiscalização não demonstra que os cálculos da fiscalização estão corretos, pelo contrário, mostra que há época do lançamento a fiscalização não considerou a dedução dos impostos e contribuições pagos pelo contribuinte e não buscou documentos que comprovassem os valores declarados como pagos pelo mesmo. Por tudo isso, a não apresentação dos documentos pelo contribuinte não elide o fato de que a fiscalização não sabe dizer se a apuração realizada há época do lançamento está correta. Com efeito, se o auto de infração baseiase na suposta diferença encontrada, pelas fiscalização, no cálculo para apuração do Lucro Real, por tudo quanto exposto nos autos, não está comprovado que existam tais diferenças apuradas pela fiscalização. Logo, tornase inadmissível o lançamento de valores cuja própria fiscalização não sabe informar a precisão com que foram calculados e quais valores foram utilizados. Somente mediante a clara fundamentação do lançamento é que se faz possível ao contribuinte exercer os seus direitos à ampla defesa e ao contraditório. (Acórdão n° 310200.544 em 17/11/2009). Posto isso, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto, para afirmar a nulidade do presente auto de infração, POR VÍCIO MATERIAL, já que lastreado em demonstrativos fiscais inconclusivos e/ou de difícil compreensão, impossibilitando o pleno exercício da defesa do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 11065.722056/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2012
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
Numero da decisão: 1301-002.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária.
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O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária fica sujeito à multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2012 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Súmula nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da Lei Tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 20 56 /2 01 4- 94 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11065.722056/201494 Acórdão n.º 1301002.783 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório ZENGLEIN & CIA LTDA., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 15a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada para julgar procedente a multa aplicada. Em decorrência de atraso verificado na entrega da DCTF, foi expedida Notificação de Lançamento contra a Interessada, com vistas à cobrança da multa prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 2004). Cientificada da exigência, a Interessada apresentou impugnação em pleiteando o cancelamento da multa, sob o argumento de que sua aplicação, no montante acima discriminado, ofenderia os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Alternativamente, postulou a redução da penalidade para o valor mínimo de R$ 500,00. Em julgamento, a 15ª Turma da DRJ/RJ1, considerou improcedente a Impugnação e prolatou o acórdão, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O sujeito passivo que apresenta a DCTF fora do prazo fixado na legislação tributária, fica sujeito a multa de que trata o art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002 (com redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação, e atendose aos seguintes pontos principais: Da medida extrema aplicada, com violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade; Da desproporcionalidade da multa aplicada; Da redução da multa para R$500,00. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11065.722056/201494 Acórdão n.º 1301002.783 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301002.776, de 23.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 11065.721975/201441, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301002.776): A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/BDB e intimada ao recolhimento do débito em 12/06/2015, (ciência abertura de documento), e apresentou em 09/07/2015, recurso voluntário e demais documentos. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O presente caso trata de auto de infração e notificação de lançamento de multa por atraso na apresentação de DCTF. A base legal da aplicação desta multa consta do art. 7º da Lei 10.426/02, conforme segue: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Primeiramente, ressaltese que não se discute aqui a entrega em atraso, fato que efetivamente ocorreu. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11065.722056/201494 Acórdão n.º 1301002.783 S1C3T1 Fl. 5 4 A Recorrente argumenta, tãosomente, que a multa aplicada seria desproporcional e não razoável, o que violaria princípios constitucionais. Ora, verifico que a norma legal acima citada e em pleno vigor foi aplicada corretamente. Houve um atraso na entrega de uma declaração, o descumprimento de uma obrigação acessória, que ensejou a aplicação da multa. O cálculo foi realizado nos moldes legais, contandose os meses de atraso e aplicandose o percentual sobre a base de cálculo que é o montante de tributos e contribuições informados na DCTF. Com relação à aplicação da multa mínima, conforme o próprio nome diz é penalidade a ser dada nos casos em que o resultado da conta acima não alcança os R$500,00, ou seja, nesses casos, o contribuinte que entregar em atraso pagará pelo menos R$500,00, não é o caso do recorrente. O mesmo se aplica na outra ponta, ainda que o atraso se dê em mais de 10 meses, a multa máxima a ser aplicada será de 20%, não podendo ultrapassando este montante. No que tange aos argumentos trazidos relativos à ofensa aos princípios constitucionais de proporcionalidade, razoabilidade e outros, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Dessa forma, de se manter o lançamento efetuado. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.012598/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2002, 2003
DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA.
O termo inicial do prazo decadencial somente surge com o primeiro dia do exercício seguinte ao término do prazo de validade do Ato Concessório, acrescido de 30 dias, se a exportação estiver dentro de uma das condições de fruição do Regime.
DRAWBACK SUSPENSÃO. ANULAÇÃO DE ATO CONCESSÓRIO.
A competência para deliberar sobre a declaração de nulidade de ato concessório de drawback suspensão é do mesmo órgão encarregado de analisar o pedido para sua expedição: a Secretaria de Comércio Exterior. Não cabe à RFB manifestar-se em sentido contrário, pois estaria invadindo competência atribuída a outro órgão público, mas sim, efetuar o lançamento dos tributos e demais acréscimos correspondentes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2002, 2003 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial somente surge com o primeiro dia do exercício seguinte ao término do prazo de validade do Ato Concessório, acrescido de 30 dias, se a exportação estiver dentro de uma das condições de fruição do Regime. DRAWBACK SUSPENSÃO. ANULAÇÃO DE ATO CONCESSÓRIO. A competência para deliberar sobre a declaração de nulidade de ato concessório de drawback suspensão é do mesmo órgão encarregado de analisar o pedido para sua expedição: a Secretaria de Comércio Exterior. Não cabe à RFB manifestarse em sentido contrário, pois estaria invadindo competência atribuída a outro órgão público, mas sim, efetuar o lançamento dos tributos e demais acréscimos correspondentes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 25 98 /2 00 8- 65 Fl. 1370DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.371 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls.1 1286/ 1290), o qual passo a transcrever: “Tratase de auto de infração (fls.02 a 40), com Relatório Fiscal à fls. 41 a 49, notificado pessoalmente ao contribuinte em 11/11/2008 (fls.05, 23 e 40), lavrado em face de declaração de nulidade, pelo órgão expedidor, de Ato Concessório de Drawback Suspensão para Fornecimento no Mercado Interno (Lei nº 8.032/90, art. 5º), no valor total igual a R$ 2.856.737,18, assim distribuído: a) Imposto de Importação, juros de mora e multa de ofício: R$ 1.585.483,58. b) IPI – vinculado, juros de mora e multa de ofício: R$ 1.271.253,60. A ação fiscal teve início a partir de expediente lavrado pela DIANA, da 08ª Região Fiscal, comunicando a declaração de nulidade do Ato Concessório de Drawback nº 20020126557, efetuado pela Decex, nos autos do processo administrativo nº 52500.000431/200632 (fls. 93 a 649), com efeito retroativo à data de sua expedição. Observase que mencionado AC foi expedido em 05/11/2002, com data de validade igual a 03/06/2003. Da decisão pela nulidade do mencionado AC, o interessado recorreu (fls. 579 a 587), mas não obteve êxito, no que tange a eventual reconsideração da autoridade julgadora a quo, num primeiro momento, segundo se constata a partir da Decisão nº 334/DECEX2007, de 24/05/2007 (fls. 588). Com base nas conclusões da NOTA/MDIC/CONJUR/DLP/N° 0198 1.5/2007 (fls.593 a 595), foi proferida a Decisão nº 414/DECEX2007, de 19/06/2007 (fls.598 a 599), ratificando a decisão que não reconsiderou a decisão pela nulidade do AC versado no p.p., reexpedindo os autos ao setor encarregado da consultoria jurídica daquele órgão. Em vista disso, o recurso administrativo outrora interposto foi analisado em sede de segunda instância que, no caso, foi a Secex, que não deu provimento ao seu recurso (Decisão n° 20/SECEX de 06/07/2007) (fls. 611), mantendo a decisão que declarou a nulidade do AC, com efeito ex tunc, considerando o PARECER/MDIC/CONJUR/DLP/ 05491.5/2007, de 29/06/2007 (fls. 602 a 610). Em 20/07/2007, o interessado interpôs novo recurso administrativo (fls.619 a 627), tendo sido analisado pela Decisão n° 25/SECEX de 26/07/2007 (fls.628), que manteve o mesmo entendimento – pela nulidade do AC. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 1371DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.372 3 À fls.634 a 642, encontrase o PARECER/MDIC/CONJUR/DLP/ 0664 1.5/2007, de 03/08/2007, que opinou pelo encaminhamento dos autos ao Gabinete do MDIC, com entendimento de que o AC em tela não atendia aos requisitos legais para sua concessão, uma vez que a licitação internacional não tinha sido realizada por entidade sujeita aos termos da Lei nº 8.666/93, muito menos houve previsão no edital de licitação de que haveria fruição do Regime de Drawback. Sendo assim, em 09/08/2007, por decisão acostada à fls. 643, da lavra do então Ministro de Estado, Interino, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, foi mantida a decisão pela nulidade do Ato Concessório supracitado. A fiscalização apontou que, durante o procedimento apuratório, houve alteração na legislação de regência, a partir da Medida Provisória nº 418/2008, convertida na Lei nº 11.732/2008, cujo art. 3º dispunha: Art. 3º Para efeito de interpretação do art. 5º da Lei nº 8.032, de 12 de abril de 1990, licitação internacional é aquela promovida tanto por pessoas jurídicas de direito público como por pessoas jurídicas de direito privado do setor público e do setor privado. §1º Na licitação internacional de que trata o caput deste artigo, as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado do setor público deverão observar as normas e procedimentos previstos na legislação específica, e as pessoas jurídicas de direito privado do setor privado, as normas e procedimentos das entidades financiadoras. §2º (VETADO) §3º Na ausência de normas e procedimentos específicos das entidades financiadoras, as pessoas jurídicas de direito privado do setor privado observarão aqueles previstos na legislação brasileira, no que couber. §4º (VETADO) §5º O Poder Executivo regulamentará, por Decreto, no prazo de 60 (sessenta) dias contados da entrada em vigor da Medida Provisória no 418, de 14 de fevereiro de 2008, as normas e procedimentos específicos a serem observados nas licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas de direito privado do setor privado a partir de 1o de maio de 2008, nos termos do caput e parágrafos deste artigo, sem prejuízo da validade das licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas de direito privado até esta data. Vale observar, desde já, que o art.10, da Lei nº 11.732/2008, c/c art.106 – I, do CTN, conferia sentido expressamente interpretativo ao seu art.3º: Lei nº 11.732/2008. Art. 10. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, observado, quanto ao caput do art. 3o desta Lei, o disposto no inciso I do caput do art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 1372DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.373 4 A Secex foi oficiada pela fiscalização, para aferir se houve alguma alteração nas decisões proferidas nos autos do processo 52500.000431/200632, em face das novas disposições legais. Como não obteve resposta, deuse seguimento ao processo de apuração do quantum debeatur vinculado ao Ato Concessório anulado, lavrandose o auto de infração ora combatido. Quanto ao período decadencial, a autoridade autuante citou que a deflagração desse prazo somente tem início, em sede do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, após o término de validade do Ato Concessório respectivo e, como não houve pagamento de qualquer parcela de tributos, deveria ser contado esse prazo nos termos do art.173 – I, do CTN, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício seguinte à data final de validade do AC (fls.46, último parágrafo). No que tange às Declarações de Importação vinculadas ao Ato Concessório então anulado, temos a seguinte tabela (extraída dos dados constantes na tabela de fls.48, bem como a partir dos dados presentes no auto de infração): Em 10/12/2008, o contribuinte apresentou sua impugnação (fls.653 a 677), tendo alegado, em síntese: I. Em sede preliminar: a) que o uso do instrumento “auto de infração” somente tem lugar quando há efetiva prática de infração prevista na legislação, sendo que no caso em questão houve mudança de interpretação dos critérios jurídicos relativos ao Regime de Drawback para fornecimento no mercado interno, que ensejaram a “cassação” do Ato Concessório, o que levaria ao entendimento de que o auto de infração combatido seria nulo; b) que estariam atingidos pela decadência os fatos geradores ocorridos durante o ano de 2002; II. Quanto ao mérito: c) que houve mudança de critério jurídico que embasou a expedição do Ato Concessório de Drawback nº 20020126557, sendo inconstitucional o novo entendimento, aplicado pelas autoridades vinculadas ao MDIC e, por isso, seria impossível um lançamento decorrente do novo critério jurídico; d) que o art. 3º, da Lei nº 11.732/2008, deveria ser utilizado no presente caso, contra a “revogação” do mencionado Ato Concessório; e) que, por força do art. 100, do CTN, a multa de ofício (75%) e os juros de mora seriam inexigíveis, haja vista que, à época de expedição do AC, com fundamento no art. 5º, da Lei nº 8.032/90, era prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas que o sentido de “licitação Fl. 1373DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.374 5 internacional” poderia ser promovida por qualquer entidade mercantil, inclusive sociedades da iniciativa privada concessionárias de serviço público, independentemente de estarem sujeitas aos ditames da Lei nº 8.666/93, bem como era irrelevante a previsão no Edital de Licitação da fruição do benefício fiscal em questão; f) que não seria cabível a aplicação da Taxa Selic. Nos pedidos formulados, demandou pelo cancelamento do débito lançado, pela juntada posterior de documentos e/ou conversão do julgamento em diligência, se for necessário para elucidação da verdade real. É o relatório.” (grifei) A decisão de primeira instância, proferida em 01/06/2016 (fls. 1285/1306), foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração é instrumento adequado para veicular a cobrança de tributos e demais acréscimos legais, nos termos do art.10, do Decreto nº 70.235/72. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Somente pode ser reconhecido que o lançamento está eivado de nulidade nos termos do art.59 caput, do Decreto nº 70235/72, observado, ainda, o conteúdo do art.60, do mesmo diploma. VEDAÇÃO DE APRECIAÇÃO DE OFENSA À CONSTITUIÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal federal, o órgão de julgamento não pode afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses aventadas pelo §6º, do art.26A, do Decreto nº 70.235/72. DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. O termo inicial do prazo decadencial somente surge com o primeiro dia do exercício seguinte ao término do prazo de validade do Ato Concessório, acrescido de 30 dias, se a exportação estiver dentro de uma das condições de fruição do Regime. ANULAÇÃO DE ATO CONCESSÓRIO. DRAWBACK SUSPENSÃO. A competência para deliberar sobre a declaração de nulidade de ato concessório de drawback suspensão é do mesmo órgão encarregado de analisar o pedido para sua expedição: a Secretaria de Comércio Exterior. Não cabe à RFB manifestarse em sentido contrário, pois estaria invadindo competência atribuída a outro órgão público, mas sim, efetuar o lançamento dos tributos e demais acréscimos correspondentes. PRÁTICA REITERADA. A alegação, em sede de julgamento, de prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas não pode abranger atos praticados por outro órgão, competente para deliberar sobre Ato Concessório de Drawback Suspensão, pois seria expedida manifestação sobre matéria desprovida de competência legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Desde de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PRECLUSÃO NA PRODUÇÃO DE PROVAS. Ressalvados os estreitos Fl. 1374DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.375 6 limites das alíneas do §4º, do art.16, do Decreto nº 70.235/72, a prova documental deve, necessariamente, ser apresentada com a impugnação, não sendo possível a produção posterior de provas admitidas em Direito. PRECLUSÃO PARA REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Se o impugnante pretende que diligências ou perícias sejam providenciadas, essa solicitação deve vir acompanhada dos motivos que as justifiquem, acompanhada dos quesitos relativos aos exames desejados, bem como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito, a teor do art.16 IV, do Decreto nº 70.235/72, regulamentado pelos arts.36 e 57 IV c/c §1º, do Decreto nº 7.574/2011 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (Termo à fl. 1312), em 09/06/2016, apresentou o recurso voluntário de fls. 1340/1363, em 11/07/2016, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação; aduzindo, nulidade da decisão recorrida, em razão da ausência de exame dos argumentos de mérito trazidos na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Alega a recorrente que a decisão recorrida seria nula, em razão de cerceamento do direito de defesa, por não ter apreciado, no mérito, todos argumentos expostos na sua impugnação, deixando de examinar e se manifestar a respeito de questões, sob justificativa de ser de competência de outro órgão (DECEX), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento; e tampouco analisando a Lei nº 11.732/08, conversão da MP nº 418/08, que teria convalidado o critério jurídico que fundamentou o ato concessório de drawback fornecimento no mercado interno, a despeito de ter intimado a SECEX para se manifestar a esse respeito. Aponta, ainda, o ADI RFB nº 12/07, que respaldaria seu entendimento sobre ser possível a manifestação da Receita Federal a respeito do que chama de 'mérito' do regime aduaneiro de drawback para fornecimento do mercado interno e das condições e requisitos a serem atendidos, conforme estabelecido pelo art. 3º, da Portaria MEFP nº 594/92. Notar que a alegação diz respeito ao próprio mérito do ato concessório e possíveis implicações da Lei nº 11.732/08, conversão da MP nº 418/08, no ato concessório, expedido e anulado pelo competente órgão (DECEX), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento. Fl. 1375DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.376 7 Destaca a recorrente que não pretende ver declarada a validade do ato concessório anulado, mas apenas que seja examinado que as condições e requisitos foram atendidos, não existindo nenhuma violação à legislação do drawback. Aduz que, diante da convalidação dos critérios jurídicos que teriam motivado a anulação do ato concessório nº 20020126557, não existe razão para aprovação prévia da SECEX (Ministério do Desenvolvimento), devendo a alteração legislativa ser aplicada diretamente pela RFB (Ministério da Fazenda), já que a Lei nº 11.732/08, conversão da MP nº 418/08, não traz qualquer condição, apontando o acórdão nº 3201001.816, de 12/11/04, que respaldaria seu entendimento. Quanto a decisão recorrida ser nula por ter realizado análise parcial da impugnação, entendo que, ainda que não tenha abordado todas argüições realizados, teve suficiente fundamentação e apontou de forma clara o motivo do não provimento à impugnação. Concluiu a decisão recorrida pela procedência do lançamento de ofício, entendendo: "Assim, uma vez declarada, pela Secex/Decex, a nulidade de um determinado Ato Concessório, não pode a RFB deixar de efetuar o lançamento dos tributos e demais acréscimos pertinentes, observando, somente, o período decadencial, devendo ser negado provimento a qualquer pretensão do impugnante para rediscutir nesta esfera de julgamento (tributário/aduaneiro) o que já restou assentado em processo administrativo regular do qual, certamente, teve oportunidade para exercer o contraditório e a ampla defesa." (fls. 1296). Notar que não houve omissão na decisão recorrida quanto às questões envolvendo o mérito do ato concessório, seja sob o prisma do exame de condições e requisitos, seja sob a nova ótica da Lei nº 11.732/08, manifestouse expressamente o juízo administrativo recorrido, negando provimento a qualquer pretensão do impugnante para rediscutir nesta esfera de julgamento (tributário/aduaneiro) o que já restou assentado em processo administrativo regular de declaração de nulidade do Ato Concessório de Drawback nº 20020126557, efetuado pela Decex, nos autos de nº 52500.000431/200632 (fls. 93/649); Portanto, houve mesmo negativa expressa de rediscussão do que foi chamado de 'mérito' do regime aduaneiro de drawback para fornecimento do mercado interno e questões conexas, não havendo porque o julgador contrapor os argumentos postos sobre matéria que entendeu já existir manifestação administrativa definitiva, por autoridade competente. O que não poderia existir é a lacuna na conclusão da lide, vale dizer, quando o julgador deveria ter decidido determinada questão e não o fez; e não quanto à análise dos argumentos fáticos e jurídicos das partes, para contraditálos ou acolhêlos, ainda mais, quando o julgador administrativo já apontou expressamente as razões que entende impeditivas à rediscussão da matéria, na esfera de julgamento tributário/aduaneiro, indicando a fundamentação adequada ao deslinde da controvérsia. Além de tudo isso, como aponta a recorrente, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1376DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.377 8 No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivou de forma concreta a razão do não provimento à impugnação, não ficando caracterizado qualquer prejuízo à defesa do recorrente, na manifestação do órgão julgador tributário/aduaneiro, no sentido de entender definitiva a palavra do órgão administrativo competente para concessão do benefício de drawback suspensão, o qual passase a analisar junto com o mérito da tributação, não configurada qualquer causa preliminar de nulidade. DECADÊNCIA Quanto à controvérsia inicialmente estabelecida, sobre o termo inicial de contagem do prazo decadencial, entendo, há de se promover o cotejo da legislação de regência de cada tributo, sujeito ao lançamento por homologação, com as regras hermenêuticas do Código Tributário Nacional CTN, dependente da existência (150, § 4º) ou inexistência (173, I) de pagamento antecipado, consolidada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, do art. 543C, do CPC/73, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do §2º, do art. 62, do RICARF/2015. RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos Fl. 1377DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.378 9 nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, relativamente ao Imposto de Importação II, foi objeto de disposição especifica do Decreto lei n° 37, de 18/11/1966, na redação que lhe deu o art. 1°, do Decretolei n° 2.472, de 01/09/1988, tratando, no caput, da situação de não lançamento do tributo e da inexistência de pagamento antecipado; e, em seu parágrafo único, da existência de pagamento antecipado, relacionados com os arts. 173, inc. I, e 150, § 4°, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (CTN), respectivamente. Da mesma forma ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, em relação às disposições expressas no art. 129, do Decreto n° 4.544, de 26/12/2002 (RIPI/2002), cujas bases legais são os mesmos arts. 173, inc. I, e 150, § 4°, do CTN. Entendo que, como a hipótese em exame — drawbacksuspensão — não diz respeito à simples diferença de tributo à exigirse, ou seja, não havendo pagamento antecipado algum dos impostos suspensos, originalmente lançados por homologação, resta deslocarse os fatos apuráveis ao comando do caput, do art. 138, do DL nº 37/66, ao contrário do seu parágrafo único, dirigido às situações de ausência total de pagamento, em sintonia com o art. 173, inc. I, do CTN e com a jurisprudência do STJ (REsp nº 973.733/SC), de reprodução obrigatória pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62, §2º, do RICARF. Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Portanto, especificamente quanto ao drawbacksuspensão, embora o fato gerador do imposto de importação ocorra na data do registro da DI (arts. 72 e 73, do Decreto nº 4.543, de 26/12/02 RA/2002, com fulcro nos art. 1º e 23, do Decretolei nº 37, de 18/11/66), o termo a quo do prazo decadencial – considerando que, nessa modalidade, não há pagamento antecipado de tributos aduaneiros – só se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, vale dizer, no primeiro dia do exercício Fl. 1378DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.379 10 seguinte, ao dia imediatamente posterior, ao trigésimo dia da data limite para exportação, haja vista que o contribuinte beneficiário do regime tem trinta dias após o seu encerramento para promover o devido recolhimento dos tributos (suspensos) exigidos na importação, conforme COMUNICADO DECEX N° 21, de 11/07/97 (DOU de 23/07/97, pág. 15097), itens 26.2 e 26.3 — Consolidação das Normas do Regime de Drawback — CND. CAPÍTULO VI LIQUIDAÇÃO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO TÍTULO 26 Considerações Gerais 26.1 Caso a beneficiária apresente documentação que comprove a efetiva importação e exportação nas condições constantes do Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão, será considerado cumprido o compromisso de exportação vinculado ao Regime. 26.2 A liquidação do compromisso de exportação se dará mediante: I exportação efetiva do produto previsto no Ato Concessório de Drawback, na quantidade, valor e prazo nele fixados; II adoção de uma das providências previstas no item 26.3 desta CND e, no caso do subitem 26.1.III, comprovação do recolhimento dos tributos e adicionais exigidos na importação; III liquidação ou impugnação de débito eventualmente lançado contra a beneficiária. 26.3 Na modalidade de suspensão, vencido o Ato Concessório de Drawback e não cumprido o compromisso de exportar, em razão da não utilização ou utilização parcial da mercadoria importada, a beneficiária deverá adotar, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da data limite para exportação, estabelecida no Ato Concessório de Drawback, uma das providências relacionadas a seguir: I providenciar a devolução ao exterior da mercadoria não utilizada; II requerer a destruição da mercadoria imprestável ou da sobra, sob controle aduaneiro, às suas expensas; ou III destinar a mercadoria remanescente para consumo interno, com o devido recolhimento dos tributos e adicionais exigidos na importação, com os acréscimos legais previstos na legislação, observadas no que couber, as normas gerais de importação. Assim, a contagem se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte, ao dia imediatamente posterior, ao 30° (trigésimo) dia do encerramento do regime de drawback suspensão, prazo que o beneficiário tem para reexportar, nacionalizar, ou destruir, sob controle aduaneiro, o produto importado eventualmente remanescente. Observase que o ato concessório nº 20020126557 foi expedido em 05/11/2002, com data de validade igual a 03/06/2003. Fixado tal prazo, e considerando os 30 (trinta) dias previstos, a Fazenda Nacional, já a partir de julho de 2003, poderia iniciar o exame quanto à observação dos compromissos assumidos no citado ato concessório, iniciandose a contagem do prazo decadencial em 1°/01/2004, tendo como data limite para a lavratura do auto de infração o final do ano de 2008. Considerando que o lançamento ocorreu em 17/10/2008 e foi cientificado pessoalmente em 11/11/2008, concluise não alcançando pela decadência, o direito de a Fazenda constituir o presente crédito tributário. Fl. 1379DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.380 11 'MÉRITO' DO REGIME ADUANEIRO DE DRAWBACK PARA FORNECIMENTO DO MERCADO INTERNO Alegase nesse ponto a mudança de critério jurídico que embasou a expedição do ato concessório de drawback nº 20020126557, sendo ilegal o novo entendimento, aplicado pelas autoridades vinculadas ao MDIC e, por isso, seria impossível um lançamento decorrente do novo critério jurídico, sob pena de violação ao art. 146, do CTN; devendo ser utilizado no presente caso o art. 3º, da Lei nº 11.732/08, afastandose a invalidação indevida do seu ato concessório, que deu causa a autuação. Afirmase que o argumento que motivou a declaração de nulidade do ato concessório de drawback e a conseqüente lavratura do presente auto de infração, devese ao fato de que a licitação internacional foi realizada pela empresa ECOVIAS, entidade privada não sujeita a Lei nº 8.666/93, o que teria sido resultado da mudança na interpretação dos critérios jurídicos previstos no art. 5º, da Lei nº 8.032/90. Aduz que o art. 3º, da Lei nº 11.732/08, teria convalidado as licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas de direito privado, até a data da sua publicação, em 30/06/2008. Lei nº 8.032/90 Art. 5o O regime aduaneiro especial de que trata o inciso II do art. 78 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, poderá ser aplicado à importação de matériasprimas, produtos intermediários e componentes destinados à fabricação, no País, de máquinas e equipamentos a serem fornecidos no mercado interno, em decorrência de licitação internacional, contra pagamento em moeda conversível proveniente de financiamento concedido por instituição financeira internacional, da qual o Brasil participe, ou por entidade governamental estrangeira ou, ainda, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES, com recursos captados no exterior. (Redação dada pela Lei nº 10.184, de 2001) Lei nº 11.732/08 Art. 3o Para efeito de interpretação do art. 5o da Lei no 8.032, de 12 de abril de 1990, licitação internacional é aquela promovida tanto por pessoas jurídicas de direito público como por pessoas jurídicas de direito privado do setor público e do setor privado.(Vide) § 1o Na licitação internacional de que trata o caput deste artigo, as pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado do setor público deverão observar as normas e procedimentos previstos na legislação específica, e as pessoas jurídicas de direito privado do setor privado, as normas e procedimentos das entidades financiadoras. § 2o(VETADO) § 3o Na ausência de normas e procedimentos específicos das entidades financiadoras, as pessoas jurídicas de direito privado do setor privado observarão aqueles previstos na legislação brasileira, no que couber. § 4o(VETADO) Fl. 1380DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.381 12 § 5o O Poder Executivo regulamentará, por Decreto, no prazo de 60 (sessenta) dias contados da entrada em vigor da Medida Provisória no 418, de 14 de fevereiro de 2008, as normas e procedimentos específicos a serem observados nas licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas de direito privado do setor privado a partir de 1o de maio de 2008, nos termos do caput e parágrafos deste artigo, sem prejuízo da validade das licitações internacionais promovidas por pessoas jurídicas de direito privado até esta data. Entende a recorrente que a Receita Federal e as D. Autoridades Julgadoras não podem simplesmente se omitir na análise e aplicação da Lei nº 11.732/08, sob pena de violação ao princípio da legalidade e da Sumula CARF nº 100. Do enunciado da citada Sumula CARF nº 100, e respectivos precedentes2, podemos extrair algumas lições. Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Observase que, em se tratando de regime aduaneiro especial drawback suspensão, fornecimento no mercado interno, encontrase na área de competência da RFB, fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Aliás, esse entendimento está em consonância com disposto no art. 338 do Decreto nº 4.543, de 26/12/02 RA/2002, e o estatuído no art. 2º, da Portaria MEFP nº 594, de 25 de agosto de 1992; além do Comunicado DECEX nº 21, de 11 de novembro de 1997, com as alterações posteriores, que tratava da concessão do regime drawback, modalidade fornecimento no mercado interno, no Título 14, do Capítulo III. RA/2002 Art. 338. A concessão do regime, na modalidade de suspensão, é de competência da Secretaria de Comércio Exterior, devendo ser efetivada, em cada caso, por meio do Siscomex. Portaria MEFP nº 594/92 Art. 2° Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2o, da Lei no 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. 2 Acórdãos nº 930301.248, de 06/12/10; CSRF/0305.557, de 13/11/07; 30130.380, de 15/10/02; 30237.892, de 23/08/06; 30239.028, de 16/10/07; 310100.305, de 03/12/09; 3202000.695, de 20/03/13. Fl. 1381DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.382 13 Art. 3o Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DpRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. Notar que nos termos do art. 2o, da Lei n° 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, não cabe a administração aduaneira e fazendária, sendo de competência da Secretaria Nacional de Economia SNE; depois, da Secretaria de Comércio Exterior SECEX/DECEX, a qual, no presente caso, concedeu o benefício e, posteriormente, o anulou. Nos autos, inexiste controvérsia no sentido de que a SECEX/DECEX é o órgão competente para a concessão do regime drawbacksuspensão, modalidade fornecimento no mercado interno. Discutese se seria possível outros órgãos da administração pública federal desconsiderar a anulação do ato concessório de drawbacksuspensão, regularmente promovida pelos agentes competentes, a partir de uma reinterpretação da decisão de nulidade, com efeitos infringentes, diante da superveniência da Lei nº 11.732/08. Legítimo o direito de petição à invocar a atenção dos poderes públicos sobre uma possível interpretação rescisória da decisão de nulidade do ato concessório, porém, necessariamente, junto à quem detenha a competência para prática dos atos relacionados com a concessão do benefício (SECEX), momento prévio e distinto da aplicação do regime, da verificação do cumprimento de requisitos e condições, e da fiscalização dos tributos suspensos, de competência de órgão (RFB) e agentes específicos. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência, nos termos do art. 48; cabendo ao órgão competente decidir eventual recurso, podendo confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência, nos termos do art. 64, ambos, da Lei nº 9.784/99 (regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), tudo isso feito via processo administrativo regular de declaração de nulidade do Ato Concessório de Drawback nº 20020126557, efetuado pela DECEX, nos autos de nº 52500.000431/200632 (fls. 93/649). Nesse sentido, em face das competências distintas, o ato concessório emitido pela SECEX/DECEX, não vincula a atividade de lançamento da autoridade fiscal da RFB, a quem compete, inclusive, verificar o atendimento das condições estabelecidas no referido ato. O que não se pode confundir são os requisitos fixados para concessão do regime ou emissão do ato concessório, estabelecidos em atos normativos editados pela própria DECEX (Comunicado DECEX nº 21/97), com os requisitos e condições fixados na legislação para fruição do incentivo fiscal do regime. Quanto à estes últimos, prerrogativa constitucional da RFB e de seus auditores fiscais (art. 37, XVIII), precedência sobre os demais órgãos, em matéria de competência para fiscalizar o regular cumprimento da legislação relativa aos tributos suspensos, verificando os requisitos e condições do regime, fixados na legislação de regência, inclusive, o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão. Quanto aos requisitos fixados para concessão do regime, não cabe a RFB invadir a competência da SECEX/DECEX e adentrar no mérito ou alterar decisão definitiva, formalmente proferida, sob pena de ingerência indevida nas atribuições de outro órgão administrativo. Fl. 1382DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.383 14 Não restam dúvidas que a atuação dos dois órgãos ocorre em momentos distintos e de forma complementar, cabendo à SECEX, previamente, a concessão do regime e a RFB, posteriormente, fiscalizar os requisitos e condições legais estabelecidos para sua fruição. Veja que enfrentarmos as questões que pretende a recorrente, seria o mesmo que entender possível substituir a manifestação da vontade do órgão competente para concessão do regime de drawbacksuspensão, restabelecendo benefício fiscal declarado nulo. Perceba que, à rigor, não existe, pois, retirado do mundo jurídico, o ato concessório que respaldaria a suspensão dos tributos aduaneiros, não existindo regime válido à ser aplicado, implicando na constatação do descumprimento da condição de existência de ato concessório válido vigente, resultando na fiscalização e constituição dos tributos suspensos, dentro das respectivas atribuições de cada órgão. Pelo exposto, voto por não conhecer do mérito do processo administrativo de declaração de nulidade do Ato Concessório de Drawback nº 20020126557, efetuado pela DECEX, nos autos de nº 52500.000431/200632 (fls. 93/649), apenas, acatando o comando de nulidade do ato e seus efeitos reflexos na constituição dos créditos tributários ora combatidos. ART. 100, DO CTN, MULTA DE OFÍCIO (75%) E JUROS DE MORA (TAXA SELIC) Quanto aos efeitos reflexos do ato anulado, na constituição dos créditos tributários, recorre a contribuinte contra os acréscimos lançados, alegando que, no mínimo, deveriam ser excluídas as cobranças de multa e de juros de mora, por força do CTN: art. 100, inciso III (práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas) e parágrafo único (exclusão de penalidades e acréscimos legais). Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Argüise que, à época de expedição do AC, com fundamento no art. 5º, da Lei nº 8.032/90, era prática reiteradamente observada pelas autoridades administrativas do DECEX, que o sentido de “licitação internacional” poderia ser promovida por qualquer entidade mercantil, inclusive sociedades da iniciativa privada concessionárias de serviço público, independentemente de estarem sujeitas aos ditames da Lei nº 8.666/93, bem como era irrelevante a previsão no Edital de Licitação da fruição do benefício fiscal em questão. Nesse ponto, entendo, andou bem a decisão recorrida em entender que tal alegação não merece prosperar e ser decidida nesse processo administrativo fiscal, pois, estaríamos invadindo, por via indireta, a área de competência da SECEX, para avaliar se aquele órgão federal tinha a referida prática. Fl. 1383DF CARF MF Processo nº 10314.012598/200865 Acórdão n.º 3401004.415 S3C4T1 Fl. 1.384 15 Assim, desde 09/08/2007, após decisão definitiva da lavra do então Ministro de Estado, Interino, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (fl. 643), tendo sido mantida a nulidade do Ato Concessório, passando a não existir óbice à lavratura do presente auto de infração (art. 142, CTN), atividade vinculada e obrigatória, com vistas a viabilizar a exigência do crédito tributário, não pago nem recolhido, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, nos termos do art. 44, inc. I, e art. 61, §3°, da Lei nº 9.430/96, não restando configurada nenhuma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, elencadas nos incisos, do art. 151, do CTN, na data do lançamento de ofício, cientificado em 11/11/2008, aplicandose ao caso, quanto aos juros à taxa Selic, as Súmulas CARF nº 4 e 5 3. Por tudo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator 3 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais; Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 1384DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.689988/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 88 /2 00 9- 84 Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 10880.689988/200984 Acórdão n.º 1402002.867 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de IRPJ, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Fl. 2439DF CARF MF Processo nº 10880.689988/200984 Acórdão n.º 1402002.867 S1C4T2 Fl. 4 3 Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.855, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/200997. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.855): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 10880.689988/200984 Acórdão n.º 1402002.867 S1C4T2 Fl. 5 4 Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de Fl. 2441DF CARF MF Processo nº 10880.689988/200984 Acórdão n.º 1402002.867 S1C4T2 Fl. 6 5 supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10880.689988/200984 Acórdão n.º 1402002.867 S1C4T2 Fl. 7 6 E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2443DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001868/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o processo em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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AUSÊNCIA DOCUMENTOS. Recorrente ASSA ABLOY BRASIL SISTEMAS DE SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por converter o processo em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a cobrança de diferenças de COFINS que não teriam sido recolhidas no período de 10/2003 a 12/2007. O Auto de Infração relaciona apenas os valores de COFINS devidos, sendo suas bases de cálculo identificadas em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 86 8/ 20 09 -0 0 Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 19515.001868/200900 Resolução nº 3402001.241 S3C4T2 Fl. 1.230 2 documento denominado “Cotejo de Informações” (efls. 50/79) com a diferença entre os valores apurados da contabilidade da empresa e aqueles declarados. Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada parcialmente procedente pelo acórdão n.º 1622.777 da 6ª Turma da DRJ/SP1 para excluir os valores decaídos das competências 10/2003 e 01/2004 a 03/2004. A decisão de primeira instância manteve, portanto, a exigência relativa ao período de 04/2004 a 12/2007, tendo sido assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE o SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/01/2004 a 31/12/2007 FALTA DE DECLARAÇÃO E PAGAMENTO. Procede o lançamento das diferenças não declaradas nem pagas pelo sujeito passivo, apuradas por meio do confronto entre os valores declarados e/ou pagos e os escriturados, visto estar em perfeita conformidade com a legislação de regência. DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Tendo em vista tratarse de matéria de ordem pública, cabe à autoridade julgadora reconhecer de ofício a decadência do direito de constituir o crédito tributário, sempre que fique comprovada nos autos. DECADÊNCIA. No, que respeita às contribuições sociais, o prazo decadência para constituir o crédito tributário é de 5 anos, consoante a Súmula Vinculante n° 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da lei n° 8.212191. Segundo o Parecer PGFN/CAT N° 1617/2008, havendo pagamento antecipado da contribuição — ainda que parcial — o termo a quo será a data de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, parágrafo 4°, do CTN. Por outro lado, não havendo pagamento ou verificada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o início do prazo decadencial se dará no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, conforme dispõe o art. 173, I, do referido código. SÚMULAS VINCULANTES. OBSERVÂNCIA PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A Administração Pública está sujeita à estrita observância das súmulas vinculantes editadas pelo STF, devendo darlhes imediato cumprimento a partir de sua publicação, como dispõem o art. 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional n° 45, de 2004, e o art. 2 0 da Lei n° 11.417/2006. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. IRRELEVÂNCIA DA SITUAÇÃO FINANCEIRA DO SUJEITO PASSIVO. O instituto da capacidade contributiva, atribuída pelo legislador a quem tenha relação pessoal e direta com a hipótese de incidência, não se confunde com a capacidade financeira da empresa. A alegação de que passa por dificuldades financeiras não a isenta do lançamento de ofício nem tampouco do colhimento dos tributos devidos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003, 01/01/2004 a 31/12/2007 LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE DESCABIMENTO Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto no 70.235172. AÇÃO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. Os princípios do contraditório e da ampla defesa aplicamse apenas ao processo administrativo tributário, tendo em vista que o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitória, nos moldes do inquérito policial. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não tem cabimento a alegação de cerceamento do direito de defesa quando se verifica que a contribuinte não atendeu à intimação para justificar as diferenças apuradas pela autoridade autuante nem se dignou esclarecêIas na impugnação apresentada. DELEGACIAS DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 19515.001868/200900 Resolução nº 3402001.241 S3C4T2 Fl. 1.231 3 As delegacias de julgamento cabe julgar apenas a impugnação ao auto de infração apresentada pelo sujeito passivo, não lhes competindo pronunciarse a respeito de supostos créditos aos quais a suplicante teria direito, cuja liquidação deve darse mediante procedimento administrativo próprio. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A IMPUGNAÇÃO. A apresentação de novos documentos após a protocolização da impugnação está sujeita às restrições previstas nos parágrafos 4º e 50 do artigo 16 do Decreto no 70.235/72, acrescidos pela Lei no 9.532/97. PEDIDO DE PERíCIA CONTÁBIL. INDEFERIMENTO. Os pedidos de perícia, quando prescindíveis ou em desacordo com os requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto no 70.235/72 (PAF), deverão ser sumariamente indeferidos. PEDIDO DE SUSTENTAÇÃO ORAL E OITIVA DE TESTEMUNHAS. INDEFERIMENTO. É inadmissível na esfera administrativa por absoluta falta de previsão legal a produção de sustentação oral na fase de julgamento de primeira instância, bem como a oitiva de testemunhas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte" (efls. 988/989) Intimada desta decisão em 01/03/2010 (efl. 1.037), a empresa apresentou Recurso Voluntário em 22/03/2010 (efls. 1.038/1.050) alegando, em síntese: (i) preliminarmente, sustenta a nulidade do procedimento de fiscalização por não ter sido oportunizado o contraditório e a ampla defesa e por não terem sido produzidas provas requeridas pelo sujeito passivo no processo; e (ii) que todos os valores autuados foram pagos antes da lavratura da ação fiscal. Exatamente para confirmar as alegações de pagamento trazidas pela Recorrente, o processo foi convertido em diligência por meio da Resolução n.º 3402000.368 (efls. 01/05), nos seguintes termos: "Consequentemente, no intuito de melhor instruir os autos para formação de convicção final sobre o assunto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Preparadora tome as seguintes providências: 1 – Intime o sujeito passivo a apresentar cópia autenticada do DARF relativo ao recolhimento da contribuição referente ao período de apuração de abril de 2004, pois que o documento que se encontra digitalizado nos autos, não está completamente legível; 2 – Verifique se, ao ser elaborado o “Cotejo de Informações” e também o próprio Lançamento, foram considerados os registros contábeis do contribuinte, especialmente se o valor contabilizado pela empresa com sendo COFINS A PAGAR, foram resultado do somatório dos lançamentos contidos na coluna “CRÉDITO”, considerando ou não os registros referentes a coluna “DÉBITOS”, ou ainda, se foram considerados os valores referentes ao “SALDO C/D”. Verifique, ainda, se nessa conta corrente há impacto do saldo inicial da conta no final e início de cada período de apuração, e os reflexos desta conclusão nos registros contábeis; 3 – Verifique se, analisando os Livros Razão e Diário (se o caso) do sujeito passivo, os valores registrados nas “Listagens do Razão”, dos meses de Abril de 2004 até o último período de apuração objeto do lançamento, em ambas as colunas (“Crédito” e “Débito”), tem existência contábil e fiscal, respaldados pelos documentos societários e fiscais do contribuinte, atestando, ainda, se os valores lançados nas Colunas de Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 19515.001868/200900 Resolução nº 3402001.241 S3C4T2 Fl. 1.232 4 “Débito” (que diminuem o valor da conta COFINS A Pagar), concedem o direito a crédito da COFINS durante a vigência da não cumulatividade; 4 – Verifique se, ao ser efetuado um recolhimento (ou compensação devidamente comprovada), se o mesmo é refletido na referida conta contábil, afetando ou não os saldos inicial e final de cada período de apuração; 5 – Verifique se, analisando os Livros Razão e Diário (se o caso) do sujeito passivo, bem como a partir do resultado da análise das Listagens do Razão e das respostas as questões acima, os valores objeto das apurações de COFINS de todos os períodos lançados no Auto de Infração, foram corretamente refletidos na DACON e/ou na DCTF, e se foram ou não objeto de recolhimento nos respectivos DARF’s; 6 A partir das verificações acima e dos documentos acostados aos autos e outros obtidos junto ao contribuinte, se necessário, identificar se houve falta ou insuficiência de pagamento, ou ainda, se houve pagamento a maior de COFINS, reportando referida análise em todos os Períodos de Apuração objeto do Auto de Infração, que estejam respaldados em documentos societários e contábeis que demonstrem a ocorrência do fato gerador da contribuição; 7 – Ao final, manifestese, em relatório circunstanciado e conclusivo, sobre os documentos e esclarecimentos a serem apresentados e sobre as análises a serem procedidas, concedendo, em seguida, vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, sobre o resultado da diligência, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento." (efls. 3/4) Uma vez que os autos retornaram ao CARF sem terem sido acostados os documentos da diligência, o processo foi novamente convertido em diligência pela Resolução n.º 3402000.798 para que se desse cumprimento à determinação da resolução anterior (efls. 1.201/1.202). Naquela oportunidade, a Recorrente apresentou petição informando que a diligência já havia sido cumprida, tendo anexado seu termo de encerramento (efls. 1.211/1.216). Contudo, como mencionado no despacho fiscal da efl. 1.219, observase que a Recorrente apresentou apenas o termo de encerramento, não tendo sido anexados aos autos os documentos que instruíram a diligência realizada: "À AFRFB Regina Segadas da Cruz, para anexação de todos os documentos produzidos no âmbito do TDPF (antigo MPF) 08190002012044686. É provável que o CARF tenha emitido a Resolução 3402000.798 (4ª Câmara/2ª Turma Ordinária), de 22/06/2016, pois não encontrou neste PAF os documentos produzidos no âmbito daquele TDPF (MPF), em cumprimento à Resolução 3402000.368 (4ª Câmara/2ªTurma), de 15/02/2012. Podese ver que, neste PAF, após o documento (...) cuja última peça é a juntada do Recurso Voluntário do Contribuinte, já está o ¿Despacho de encaminhamento¿ (fls. 1197), que versa sobre o retorno da diligência ao CARF. Ou seja: ainda que a diligência da Resolução 3402000.368 (4ª Câmara/2ªTurma), de 15/02/2012, tenha sido cumprida, como constata o próprio contribuinte em sua solicitação de juntada às fls. 1208 a 1216, os documentos relativos àquela diligência não constam dos autos deveriam. Consequentemente, devem ser juntados aos autos agora, antes da devolução deste PAF ao CARF." (efl. 1.219 grifei) Não obstante esse alerta, os documentos da diligência não foram acostados aos autos, constando apenas o relatório de encerramento anexado pelo sujeito passivo. É o que foi indicado no despacho seguinte da autoridade fiscal da efl. 1.222: Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 19515.001868/200900 Resolução nº 3402001.241 S3C4T2 Fl. 1.233 5 "Informo que a diligência proposta pelo CARF, por meio da Resolução nº 3402 000.798 ¿ 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 28/06/2016, consistia em reforçar o pedido de cumprimento de diligência de uma diligência já proposta anteriormente pelo CARF, por meio da Resolução nº 3402000.368, de 15/02/2012.Acontece que a diligência proposta pela Resolução nº 3402000.368, de 15/02/2012, já havia sido devidamente cumprida por esta DIFIS II. O que aconteceu foi que, por algum motivo, os documentos pertinentes não constavam dos autos. Agora, o contribuinte juntou, por meio de Solicitação de Juntada no eprocesso, o Termo de Encerramento de Ação Fiscal da diligência em questão, datado de 06/06/2013 (fls. 1211 a 1216 deste PAF). Sendo assim, considerase que houve o saneamento da ausência da comprovação do cumprimento da diligência proposta pela Resolução nº 3402000.368, de 15/02/2012, estando este PAF apto para retorno ao CARF." (efl. 1.222 grifei) Após este despacho, os autos retornaram a este Conselho. É o relatório. Resolução Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Atentandose para os documentos constantes dos presentes autos e após a leitura do termo de encerramento da diligência fiscal, não vejo outra alternativa senão converter novamente o processo em diligência para complementação de informações e documentos. Como já evidenciado no relatório, vislumbrase que não foram anexados aos autos quaisquer dos documentos que instruíram a diligência fiscal realizada neste processo, elaborada em conclusão ao MPF n.º 08190002012044686. Como indicado no despacho da e fl. 1.219, crucial que a íntegra do processo relativo ao cumprimento deste MPF seja anexada aos autos. Somente para evidenciar a impossibilidade de se prosseguir com o julgamento considerando apenas o termo de encerramento fiscal anexado aos autos, destaquese primeiramente que, dentre estes documentos deve constar a cópia do DARF de COFINS relativo a competência de abril/2004, solicitado expressamente na Resolução n.º 3402000.368 e indicado no termo de encerramento da diligência: "Com parte do mesmo procedimento, intimamos, ainda, o contribuinte a apresentar cópia autenticada do DARF relativo ao recolhimento da contribuição ao período de apuração de abril de 2004, pois que o documento se encontra digitalizado nos autos do processo 19515.001868/200900, não apresentandose totalmente legível (Termo de Início de Diligência lavrado em 29/10/2012 AR 30/10/2012). Esta solicitação foi atendida em 05/11/2012" (efls. 1.212/1.213) Acrescese que em todo momento no relatório de encerramento a fiscalização se remete aos valores informados em planilha elaborada pelo sujeito passivo no curso da diligência. Entretanto, esta planilha não consta dos autos. Vejamos pelo trecho do Termo à efl. 1.213: Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 19515.001868/200900 Resolução nº 3402001.241 S3C4T2 Fl. 1.234 6 O trecho acima transcrito evidencia que grande parte do relatório da diligência trata de competências não mais abrangidas neste processo, vez que já excluídas pela DRJ por estarem decaídas (01/2004 a 03/2004). Contudo, como indicado na referida Resolução, as considerações fiscais devem se ater ao período que permanece sob contencioso (04/2004 a 12/2007). Ademais, o relatório de encerramento de diligência elaborado não faz qualquer referência ao Auto de Infração lavrado, não sendo possível confirmar a validade ou desconformidade dos valores autuados. Observase que nos moldes como elaborada, a diligência não responde com clareza e eficácia os itens 2 a 5 itens da diligência fiscal proposta pela Resolução n.º 3402000.368, não fazendo qualquer relação clara entre a verificação feita na diligência fiscal e o auto de infração lavrado. Com efeito, na diligência fiscal proposta pela referida resolução foi evidenciada dúvida quanto à qual teria sido origem da base de cálculo adotada pela fiscalização dentro da documentação fiscal da contribuinte, com a aparente consideração apenas dos valores contábeis na coluna CRÉDITO do razão, desconsiderando os valores de débitos. Vejamos novamente os exatos termos da dúvida suscitada na Resolução: "Embora a recorrente não tenha feito o vínculo e trazido todas as justificativas sobre a extensa documentação que compõe este processo (que forma a maciça maioria de suas folhas dos autos), por ela juntadas, bem como, ainda, inobstante tais documentos já poderem ter sido verificados pela Fiscalização antes da lavratura do Auto de Infração analisado, a verdade é que a Recorrente alega estarem totalmente pagos os débitos lançados pelo que entendo que o feito não está completamente instruído a ponto de receber um julgamento justo. Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 19515.001868/200900 Resolução nº 3402001.241 S3C4T2 Fl. 1.235 7 Isto porque, no documento elaborado pela Fiscalização, ainda na fase inquisitorial, denominado de “Cotejo de Informações” (fls. 41 e seguintes), constatase que foi apontado como valor contabilmente devido a título da contribuição a COFINS, os valores que constaram da “Listagem do Razão”, mas colhendose o valor da coluna “CRÉDITO”, sem considerar ou abater, no entanto, os valores da coluna “DÉBITO”, e o respectivo “SALDO D/C”. A título exemplificativo, vejamos a folha 45 dos autos, referente ao mês de abril de 2004, na qual encontramos as seguintes informações: COFINS (IMPORTAÇÃO), COFINS (MERC. INTERNO) Resultado do cotejamento periódico Inicio Fim Contab. Retif.Contab. DCTF Diferença Sinal Lançamento 01/04/2004 30/04/2004 226.017,01 31.279,74 49.407,57 145.329,70 49.407,57 145.329,70 Procedendo ao cotejo das informações acima, com a “Listagem do Razão”, acostada às folhas 219 (ref. ao mês de abril/2004), verificase que o valor considerado como se devido fosse (R$ 226.017,01), corresponde ao Total da Conta, referente ao somatório dos lançamentos registrados na coluna “CRÉDITO” da respectiva conta, que são provenientes de “Faturamento” do contribuinte, e, portanto, aptos a consumar o fato gerador da contribuição em tela. Observese que por se tratar de conta do passivo da entidade, recebe lançamento a crédito, com o que “aumenta” o passivo, e quando há lançamento a débito da referida conta, esse registro provoca a “diminuição” do passivo. Assim sendo, é possível que na hipótese vertente, ao proceder a coleta de dados e o respectivo cotejo das informações constantes da Contabilidade (retificada ou não), com as DCTF’s, DACON, DIPJ e DARF’s, tenhase desconsiderado os lançamentos constantes da coluna “DÉBITO”, que no caso ora exemplificativamente citado (abril/2004), constava o valor de R$ 257.389,33. No mesmo mês de abril/2004, havia um saldo anterior, a crédito da respectiva conta, no valor de R$ 68.577,94, a qual, somados os créditos do mês, e diminuídos os débitos igualmente registrados, levaram ao registro de saldo devedor de COFINS a pagar no valor de R$ 37.205,62. No referido mês constou da DCTF o valor de R$ 49.407,57 como devido, o qual, igualmente constou e foi aceito pela Fiscalização como “Sinal”, o mesmo valor de R$ 49.407,57. Nesse referido mês, dependendo do valor a se extrair, haverá saldo devedor (como concluído pela Fiscalização), ou pagamento a maior, se se considerar o saldo final da conta e o valor recolhido. E a situação acima se repete por diversos meses, tendo a Fiscalização aparentemente partido da premissa de que o valor contabilizado pela empresa é o somatório dos lançamentos contidos na coluna “CRÉDITO” da conta COFINS A PAGAR, e não o Total Conta referente ao “SALDO C/D”. Portanto, a alegação da impugnante, que é repetida no recurso, não se trata, a princípio, de se proceder à compensação de créditos de titularidade da contribuinte (proveniente de pagamento indevido ou a maior), ou mesmo de compensar eventuais pagamentos a maior que porventura tenha feito em períodos diversos ao longo do período fiscalizado, mas sim, de considerar os créditos a que teria direito em virtude da sistemática da não cumulatividade (registrados na coluna “DÉBITOS” da citada conta contábil), inaugurada pela Lei nº 10.833/03, e que já estava vigente a partir dos períodos de apuração de fevereiro de 2004, e já escriturados na respectiva conta COFINS A PAGAR. Outrossim, deverseia verificar o impacto do saldo inicial da conta no final e início de cada período de apuração. E igualmente não se vislumbrou, pela documentação por ela trazida com a impugnação, que houvera a “baixa contábil” dos saldos de COFINS a pagar, quando a empresa realizasse um pagamento, de modo que o saldo a pagar no final de um período, é exatamente o saldo inicial do mês subsequente, o que, por certo, pode Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 19515.001868/200900 Resolução nº 3402001.241 S3C4T2 Fl. 1.236 8 interferir nos valores considerados como sendo uma parte importante na análise dos fatos geradores que vieram a ser posteriormente lançados." (efls. 2/3 grifei) Contudo, essa dúvida não foi sanada pela diligência que, quanto a competência de 04/2004 apenas traz considerações quanto aos valores recolhidos em DARF e quanto a valores de receita financeira que não teriam sido incluídos na base de cálculo, sem qualquer esclarecimento quanto a essa dúvida trazida na Resolução: Essa informação igualmente não pode ser depreendida da planilha elaborada pela fiscalização na diligência. Atentandose para a competência de abril/2004 tomada de exemplo da fiscalização, a fiscalização continua indicando como débitos do período o valor de R$ 206.017,01. Entretanto, sem qualquer justificativa, aponta que o valor efetivamente devido seria aquele declarado em DCTF de R$ 49.047,57, não restando saldo a pagar: Pela leitura do termo de encerramento não é possível confirmar o que e qual a base utilizada pela fiscalização para confirmar os valores dos créditos do período, o que seriam os créditos indevidos e como há diferença entre as colunas "Débitos do período" e "Valor devido". A fiscalização não identifica a origem de quaisquer dos valores indicados na planilha. Por exemplo, não é possível confirmar a que se refere a coluna de "créditos indevidos". Qual o fundamento utilizado pela fiscalização para considerar os créditos como indevidos? Como esses valores afetam a composição da coluna "Valor devido"? a Coluna valor devido que deve ser admitida como a coluna com o valor da COFINS devida no período de apuração ou o valor indicado na coluna "Débitos do período"? O único fundamento trazido pela diligência, de forma genérica, seria que "o contribuinte cometeu o equívoco de descontar o valor da receita financeira que integrava a Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 19515.001868/200900 Resolução nº 3402001.241 S3C4T2 Fl. 1.237 9 base de cálculo da COFINS para vários períodos" (efl. 1.213). Contudo, não deixa claro quais foram os reflexos para a autuação sob análise. A discussão aqui travada então é de inclusão de valores de receita financeira na base de cálculo da COFINS para todos os períodos autuados que permanecem em discussão nesse processo (04/2004 a 12/2007)? Como essa constatação afetou as bases de cálculo que constam no Auto de Infração? Creio que o termo de encerramento da diligência acostado aos presentes autos traz mais dúvidas do que esclarecimentos quanto à validade da autuação lavrada, não viabilizando o devido julgamento deste processo. Sob esta perspectiva e à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/72, voto por novamente converter o processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem: (i) junte aos autos cópia integral dos documentos que instruíram a diligência fiscal realizada neste processo, elaborada em conclusão ao MPF n.º 0819000 2012044686, como determinado no despacho da efl. 1.219; (ii) Elaborar novo relatório de diligência fiscal respondendo com clareza os pontos trazidos na Resolução n.º 3402000.368, quais sejam: (ii.1) Em conformidade com o item 2 da Resolução, informar qual foi a base de informação do contribuinte adotada pela fiscalização ao elaborar o “Cotejo de Informações”, que serviu de base para a lavratura do Auto de Infração (efls. 50/79). Informar se a fiscalização considerou apenas o valor indicado no “SALDO C/D” dos registros contábeis do contribuinte, ou o resultado do somatório dos lançamentos contidos na coluna “CRÉDITO”, sem considerar os registros referentes a coluna “DÉBITOS”. Informar, com clareza, se os "DÉBITOS" indicados nos registros contábeis foram considerados ou não na base de cálculo do Auto de Infração1. Caso não considerados os valores da coluna "DÉBITOS", demonstrar se a sua consideração impacta o saldo inicial da conta contábil da COFINS A PAGAR no final e início de cada período de apuração; (ii.2) Em conformidade com o item 3 da Resolução, informar se, analisando os Livros Razão e Diário do sujeito passivo (se for o caso), os valores registrados nas “Listagens do Razão”, das competências autuadas em discussão (04/2004 a 12/2007), em ambas as colunas (“Crédito” e “Débito”), tem fundamento contábil e fiscal, respaldados pelos documentos societários e fiscais do 1 Essa dúvida foi bem indicada na referida Resolução n.º 3402000.368: "Procedendo ao cotejo das informações acima, com a “Listagem do Razão”, acostada às folhas 219 (ref. ao mês de abril/2004), verificase que o valor considerado como se devido fosse (R$ 226.017,01), corresponde ao Total da Conta, referente ao somatório dos lançamentos registrados na coluna “CRÉDITO” da respectiva conta, que são provenientes de “Faturamento” do contribuinte, e, portanto, aptos a consumar o fato gerador da contribuição em tela. Observese que por se tratar de conta do passivo da entidade, recebe lançamento a crédito, com o que “aumenta” o passivo, e quando há lançamento a débito da referida conta, esse registro provoca a “diminuição” do passivo. Assim sendo, é possível que na hipótese vertente, ao proceder a coleta de dados e o respectivo cotejo das informações constantes da Contabilidade (retificada ou não), com as DCTF’s, DACON, DIPJ e DARF’s, tenhase desconsiderado os lançamentos constantes da coluna “DÉBITO”, que no caso ora exemplificativamente citado (abril/2004), constava o valor de R$ 257.389,33. No mesmo mês de abril/2004, havia um saldo anterior, a crédito da respectiva conta, no valor de R$ 68.577,94, a qual, somados os créditos do mês, e diminuídos os débitos igualmente registrados, levaram ao registro de saldo devedor de COFINS a pagar no valor de R$ 37.205,62." (efl. 2 grifei) Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 19515.001868/200900 Resolução nº 3402001.241 S3C4T2 Fl. 1.238 10 contribuinte, atestando, ainda, se os valores lançados nas Colunas de “Débito” (que diminuem o valor da conta COFINS A PAGAR), concedem o direito a crédito da COFINS durante a vigência da não cumulatividade; (ii.3) Em conformidade com o item 4 da Resolução, informar se, quando o contribuinte realizava um recolhimento (ou compensação comprovada), ele refletia este fato na conta contábil da COFINS A PAGAR, afetando ou não os saldos inicial e final de cada período de apuração. (ii.4) Em conformidade com o item 5 da Resolução, informar se os valores objeto das apurações de COFINS dos períodos em discussão no Auto de Infração (04/2004 a 12/2007), foram corretamente refletidos no DACON e/ou na DCTF, e se foram ou não objeto de recolhimento nos respectivos DARF’s. Apontar as divergências eventualmente existentes em planilha, identificando, ainda, as eventuais divergências em relação ao valor autuado no presente Auto de Infração. Apontar nesta planilha a eventual existência de pagamento feito a maior. (iii) Considerando as dúvidas acima levantadas, elaborar uma planilha clara quanto aos períodos sob discussão no presente processo (04/2004 a 12/2007) que traga discriminada qual a base de cálculo correta da COFINS devida (informando qual a base de informação contábil considerada e quais os valores das receitas financeiras que estão sendo incluídas na base de cálculo), qual o valor da COFINS apurada, quais os créditos considerados (e se desconsiderados, fundamentar a razão para a não admissão dos créditos), qual o valor de COFINS efetivamente devida, qual o valor informado em DCTF, qual o valor quitado (por DARF/Compensação etc) e qual o valor da diferença passível de exigência por meio de Auto de Infração. Em seguida, antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias do resultado da diligência. É como proponho a presente Resolução. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 1238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.912419/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.294
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 12 41 9/ 20 11 -4 7 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.912419/201147 Resolução nº 3402001.294 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.035, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.912419/201147 Resolução nº 3402001.294 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.912419/201147 Resolução nº 3402001.294 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.912419/201147 Resolução nº 3402001.294 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.912419/201147 Resolução nº 3402001.294 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.003299/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS.
Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE.
O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA.
A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura.
Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento.
AFERIÇÃO INDIRETA
Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Numero da decisão: 2401-005.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/1998 a 31/12/1998 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS. Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
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BENEFÍCIO DE ORDEM. INEXISTÊNCIA. ENUNCIADO N° 30 DO CRPS. Em se tratando de responsabilidade solidária, o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços, mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. O contratante de qualquer serviço executado mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.032/95. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ELISÃO. INOCORRÊNCIA. A responsabilidade solidária do contratante com o executor de serviços prestados mediante cessão de mão de obra somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal o fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. Para os efeitos da elisão da solidariedade em tela, o cedente da mão de obra deve elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 32 99 /2 00 8- 90 Fl. 1470DF CARF MF 2 AFERIÇÃO INDIRETA Com a recusa ou apresentação deficiente de documentos a fiscalização promoverá o lançamento de ofício por arbitramento, inscrevendo as importâncias que reputar devidas, conforme respaldo no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 18050.003299/200890 Acórdão n.º 2401005.323 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório COMPANHIA DE ELETRICIDADE DO ESTADO DA BAHIA COELBA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Salvador/BA, Acórdão nº 1518.550/2009, às efls. 1.422/1.434, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, decorrente da aferição da remuneração da mãodeobra contida em notas fiscais de serviços prestado a recorrente, em relação ao período de 07/1998 a 12/1998, conforme Relatório Fiscal e demais documentos que instruem o processo. De acordo com o Discriminativo Analítico de Débito (fls. 03/04), as contribuições apuradas sobre a remuneração dos empregados correspondem a 20% da parte da empresa, 8% dos segurados empregados, 3% referentes à Contribuição da Empresa, destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. O crédito foi apurado face a não comprovação, pela GRIFFIN, do recolhimento prévio e específico das contribuições previdenciárias referentes aos serviços de mão de obra de vigilância armada, prestados mediante cessão de mão de obra pela empresa GUARDSECURE EMPRESARIAL LTDA., CNPJ n° 42.035.097/000118. Conforme o mesmo relatório constitui fato gerador da presente notificação a remuneração contida na nota fiscal/fatura/recibo do serviço prestado mediante cessão de mão deobra pela empresa contratada, descrito no Relatório de Lançamentos integrante desta NFLD, ficando a contratante responsável solidariamente pelo recolhimento, nos termos do art. 31 da Lei 8.212, de 1991. Para proceder à aferição, foi aplicado o percentual de 40% sobre O valor bruto das notas fiscais/faturas/recibos de acordo o serviço realizado, com base no art. 63 da Instrução Normativa/INSS/DC n° 70, de 10 de maio de 2002. O Serviço de Análise de Defesa e Recurso, fls. 710 a 713, solicitou diligência fiscal para que fosse anexado aos autos o comprovante de entrega de cópia da NFLD à empresa prestadora de serviço. Foi solicitada ainda a elaboração de Relatório Fiscal Complementar com a explicitação da fundamentação legal da aferição indireta (art. 33, parágrafo 3° da Lei n° 8.212, de 1991), foi solicitado ainda que o auditor informasse que o crédito previdenciário foi lançado em razão da empresa fiscalizada não ter se elidido da responsabilidade solidária, indicando os documentos solicitados no TIAD que não foram apresentados e fazendo referência à legislação. Foi solicitado que fosse demonstrando os pressupostos da cessão de mãode obra, assim como a copia dos contratos e das notas fiscais. Também foi solicitado que: a) a comprovação da ciência da NFLD, anexos e Relatório Fiscal por parte da empresa prestadora; b) ciência do Relatório Fiscal Complementar por parte das empresas solidárias. Fl. 1472DF CARF MF 4 Foi solicitado ainda o pronunciamento dos auditores sobre os documentos juntados aos autos na defesa. Em atendimento às solicitações referidas, os auditores, às fls. 716 a 772, juntaram aos autos cópias do contrato de prestação de serviços e aditivos, bem como das notas fiscais. Consta nos autos Aviso de Recebimento dos Correios Fls. 774 comprovando que a empresa Guardsecure recebeu a NFLD em 14/10/2003, os auditores se pronunciaram no sentido de que as guias recolhidas quitam o débito levantado. Foi feito novo pedido de diligência para elaboração do Relatório Fiscal Complementar anteriormente solicitado no pedido de diligência anterior. Foi elaborado Relatório Fiscal Complementar fls. 825/828. A Coelba recebeu o Relatório Fiscal Complementar e, 23/07/07 e a Guardsegure em 24/07/07. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 1.438/1.451, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, alega a existência do litisconsórcio necessário por solidariedade, isso porque, somente diante da incapacidade de comprovação do recolhimento pela prestadora, e, conseqüentemente, da confirmação da existência de débito, é que poderia se cogitar em imputação de responsabilidade solidária à COELBA, a qual se funda exclusivamente, ressalte se, no inadimplemento aferido. Contudo, o que se vê, no caso em tela, é que a autuação deveuse ao simples fato de não dispor, a recorrente, no momento da fiscalização, das cópias de guia de recolhimento, o que, por absurdo, entendeu o Autuante, seria definitivo para comprovar que não teria havido o recolhimento. No entanto, tal documentação fora apresentada, devendo ser cancelado o lançamento por violação à ampla defesa. Argumenta também que a fiscalização restringiuse a autuar a tomadora dos referidos serviços, lançando sobre ela o ônus de arcar com a referida obrigação, antes mesmo de que fosse averiguado o seu cumprimento por quem a lei prevê como principal obrigada, qual seja a empresa prestadora dos serviços. Desta forma, reitera a recorrente o seu requerimento para que sejam examinados os documentos já, e mais uma vez, colacionados, que demonstram o efetivo recolhimento das contribuições, porque a configuração da coresponsabilidade somente se dará na inadimplência do principal obrigado, deixando de ocorrer em virtude da inexistência de débito do mesmo, hipótese essa que se enquadra na presente situação. Sendo assim, uma vez que a solidariedade do dono da obra (tomador) se dá em virtude da inadimplência da prestadora de serviço, não havendo débito, não há que se falar em inadimplência como sequer, por conseqüência, em responsabilidade nela fundada. Diante da inequívoca comprovação do recolhimento, que se deu nos autos com a juntada das folhas de pagamento, GFlP, GRPS ou GPS, não subsiste o débito imputado, e, portanto, não há que se falar em responsabilidade já que esta está diretamente vinculada a Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 18050.003299/200890 Acórdão n.º 2401005.323 S2C4T1 Fl. 4 5 eventual inadimplência da prestadora, o que, definitivamente, não corresponde ao caso em concreto. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a decadência do lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 1474DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA BENEFÍCIO DE ORDEM Conforme relatado acima, o crédito foi lançado com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei n. 8.212/91, com redação vigente à época do fato gerador, pela empresa prestadora de serviços. A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Ainda assim, a recorrente entende que outras exigências de cruzamento de informações deveriam ter sido cumpridas. Todavia, sem amparo na legislação vigente à época dos fatos geradores. Vejamos. A Lei nº 8.212/91, em seu artigo 31, na redação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, fixou de forma taxativa a responsabilidade solidária do contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, com o executor, pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, em relação aos serviços prestados, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) §1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. §2º Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 18050.003299/200890 Acórdão n.º 2401005.323 S2C4T1 Fl. 5 7 normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032/95). (grifos nossos) §4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032/95). No mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. §1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações. §2º A responsabilidade solidária pode ser elidida desde que seja exigido do executor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, conforme definido pelo INSS. §3° Entendese como cessão de mãodeobra a colocação, à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos cujas características impossibilitem plena identificação dos fatos geradores das contribuições, independentemente da natureza e da forma de contratação. §4° Enquadramse na situação prevista no §3° as seguintes atividades: a) construção civil; Fl. 1476DF CARF MF 8 b) limpeza e conservação; c) manutenção; d) vigilância; e) segurança e transporte de valores; f) transporte de cargas e passageiros; g) outras atividades definidas pelo MTA. A Lei de Custeio da Seguridade Social, ao estabelecer a hipótese de solidariedade em seu art. 31, culminou por atribuir ao contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra a obrigação acessória de auxiliar o Fisco na fiscalização das empresas prestadoras dessa modalidade de serviços, fazendo com que aquele exija deste cópias autenticadas das individualizadas guias de recolhimento e respectivas folhas de pagamento, acenando, inclusive, com a possibilidade de retenção das importâncias devidas pelo executor para a garantia do cumprimento das obrigações previdenciárias. Destarte, ao não exigir da empresa prestadora de serviços mediante cessão de mão de obra as cópias autênticas dos documentos a que se refere o §4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, na redação que lhe foi dada, de berço, pela Lei nº 9.032/95, o Contratante se sujeita, ex lege, automaticamente, à solidariedade pelo adimplemento das contribuições previdenciárias devidas pelo executor, relativas aos serviços contratados. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já irradiou em seus arestos a interpretação que deve prevalecer na pacificação do debate em torno do assunto, lançando definitivamente uma pá de cal nessa infrutífera discussão, consoante se depreende do Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 2002/00892216, da Relatoria do Min. Luiz Fux, assim ementado: Processo AgRg no Ag 463744 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 2002/00892216 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador TI PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 20/05/2003 Data da Publicação/Fonte DJ 02.06.2003 p. 192 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. AGRAVO REGIMENTAL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTOS PARA INFIRMAR A DECISÃO AGRAVADA. DESPROVIMENTO. I. O artigo 31 da Lei 8.212/91 impõe ao contratante de mãode obra a solidariedade com o executor em relação às obrigações de recolhimento das contribuições previdenciárias, bem como outorga o direito de regresso contra o executor, permitindo, inclusive, ao tomador a retenção dos valores devidos ao executor para imporlhe o cumprimento de suas obrigações. Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 18050.003299/200890 Acórdão n.º 2401005.323 S2C4T1 Fl. 6 9 2. Para a empresa tomadora de serviços isentarse da responsabilidade pelo não pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela prestadora de serviço, é necessário que demonstre o efetivo recolhimento destas contribuições. 3. O Agravante não trouxe argumento capaz de infirmar o decisório agravado, apenas se limitando a corroborar o disposto nas razões do Recurso Especial e no Agravo de Instrumento interpostos, de modo a comprovar o desacerto da decisão agravada. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Nesse panorama, verificando o auditor fiscal a ocorrência de prestação de serviços executados mediante cessão de mão de obra, não restando elidida a responsabilidade solidária pela via estreita fixada pela lei, estabelecese definitivamente a solidariedade em estudo entre prestador e tomador, podendo o fisco, ante a inexistência do beneficio de ordem, efetuar o lançamento do crédito tributário em face do contribuinte (o executor), ou diretamente em desfavor do responsável solidário (o contratante), ou contra ambos, sendo certo que o pagamento efetuado por um aproveita o outro. Portanto, não assiste razão à recorrente. CESSÃO DE MÃO DE OBRA Em relação à cessão de mãodeobra, cumpre esclarecer que se trata apenas da aplicação da lei ao caso concreto. Neste sentido, o parágrafo 2°, do artigo 31, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 9.528/97, conceituava cessão de mão de obra, como sendo: a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Já constou da decisão a quo que, pela análise da documentação apresentada pela empresa contratante, durante a ação fiscal, os Auditores notificantes constataram a existência de serviços prestados mediante cessão de mão de obra pela contratada, nos moldes do art. 31, § 2°, da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.528/97. Verificase, no presente caso, que a cessão de mãodeobra referese a serviços de mão de obra de vigilância armada, prestados pela empresa Guardsecure. Análise dos termos do contrato de prestação de serviços, seus anexos e aditivos fls.713 a 770, demonstra a ocorrência da cessão de mão de obra. O serviço em tela se enquadra perfeitamente no conceito de cessão de mão de obra previsto na legislação, bastando para tanto a verificação das descrições dos serviços prestados nas cópias das notas fiscais. Observese que o mesmo art. 42 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173, de 1997, em seu parágrafo 5° assim dispunha: Fl. 1478DF CARF MF 10 Art. 42 (..)§ 5° Enquadramse na situação prevista no § 43, dentre outras, as seguintes atividades: a) construçao civil; b) limpeza e conservação; c) manutenção; d) vigilância; e) segurança e transporte de valores; f) transporte de cargas e passageiros; g) serviços de informática. (g.n.) É evidente a existência de cessão de mão de obra, não havendo elementos na peça recursal que infirmem os fatos relatados ou os fundamentos jurídicos do lançamento. AFERIÇÃO INDIRETA A fundamentação legal para o procedimento adotado Aferição Indireta encontrase na no artigo 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91. Confirase: art. 33: Parágrafo 3° Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Departamento da Receita Federal (DRF) podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Em análise atenta a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD em questão, notase claramente que esta se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com a legislação vigente PAGAMENTO PELO PRESTADOR E ELISÃO Quanto à alegação de que houve o pagamento pelo prestador, as guias apresentadas pela recorrente em sua defesa são genéricas, não atendem às disposições legais capazes de elidir o lançamento. A Lei n° 9.032 de 1995, ao acrescentar o § 3° ao art. 31 da Lei 8.212, de 1991, no caso da cessão de mão de obra, disciplinou a possibilidade de elisão desta responsabilidade solidária, mediante o prévio recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída na Nota Fiscal de Prestação de Serviços, quando da quitação da referida nota. Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 18050.003299/200890 Acórdão n.º 2401005.323 S2C4T1 Fl. 7 11 A mesma Lei n° 9.032, de 28 de abri de 1995, acrescentando o § 4° ao art. 31 da Lei 8.212/91, determinou que o tomador de serviços deveria exigir do prestador, quando da quitação da Nota Fiscal, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada. A Ordem de Serviço INSS/DAF n° l76, de 05 de dezembro de 1997, vigente à época dos fatos geradores disciplinava como deveria ser feito o preenchimento da GRPS Guia de Recolhimento da Previdência Social: 10 A empresa prestadora de serviço mediante cessão de mão deobra deverá preencher GRPS distintas para cada empresa tomadora, ou, alternativamente, para cada estabelecimento desta, conforme 0 “Manual da GRPS ", com as seguintes adaptações; Campo 8.' a) número de segurados colocados à disposição da tomadora; b) saláriodecontribuição dos segurados empregados, segundo a folha de pagamento; c) número, data de emissão e valor da nota fiscal, fatura ou recibo; d) matrícula (CGC/CEI) e nome ou razão social da empresa tomadora. 10.2 A contribuição relativa ao pessoal da administração da própria empresa prestadora de serviço será recolhida em guia distinta daquela referente a segurado objeto de cessão de mão deobra. Assim, no presente feito, as guias apresentadas não atenderam aos dispositivos acima citados. Já a ocorrência do fato gerador estava comprovada pelas informações constantes nos contratos e nas notas fiscais apresentadas. A empresa tomadora não apresentou os documentos necessários à elisão da solidariedade. Diante da não apresentação dos documentos, as contribuições foram lançadas adotandose os mesmos critérios que deveriam ter sido adotados pela empresa tomadora caso pretendesse se elidir da responsabilidade solidária. Isto porque, entre as formas de elisão da solidariedade, as normas que disciplinam o custeio da Seguridade Social sempre colocaram como opção à empresa tomadora, a exigência de recolhimento das contribuições de acordo com os percentuais utilizados pelo INSS para aferição indireta. Neste sentido, o art. 42 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173, de 05/03/ 1997, assim determinava: Art. 42. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste Regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às Fl. 1480DF CARF MF 12 contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, de que trata o art. 28. § I” Fica ressalvado o direito regressiva do contratante contra o cedente de mãodeobra e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações. § 2° A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo cedente de mãodeobra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma e percentuais estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS. § 3° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o cedente de mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do cedente de mãodeobra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Neste aspecto, melhor sorte não resta a contribuinte. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento sub examine em consonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 1481DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.948538/2009-72
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para confirmação do saldo credor proveniente de 2004. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves que entendeu não ser necessária a conversão em diligência. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Em 10.08.2006 o recorrente transmitiu Declaração de Compensação DCOMP, objetivando a utilização de crédito oriundo de pagamento indevido de Contribuição ao PIS não cumulativo referente ao mês de março/2005, com débito da mesma contribuição relativo ao mês de julho/2006. (fls. 03 a 07) Em 11.08.2009 foi emitido Despacho Decisório informando que o pagamento declarado pela empresa foi localizado, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 48 53 8/ 20 09 -7 2 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 15374.948538/200972 Resolução nº 3002000.002 S3C0T2 Fl. 95 2 PER/DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada, exigindose, por conseguinte, o pagamento do tributo cuja quitação se pretendia fazer por meio da DCOMP em comento. (fl. 09) Cientificado do conteúdo do Despacho Decisório em 20.08.2009, o contribuinte apresentou, em 17.09.2009, Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: a) Equivocouse ao preencher a DCTF do 1º semestre de 2005, informando débito de PIS (código 6912) no valor de R$2.040,04, quando o correto seria não informar nenhum valor, pois o valor do tributo devido nessa competência foi compensado integralmente com créditos de insumos, conforme informações constantes da DACON relativa ao mesmo período de apuração; b) Constatado o equívoco, entregou, em 17.09.2009, DCTF retificadora com exclusão do débito de PIS da competência 03/2005, evidenciando dessa forma, aos sistemas da RFB, a existência do crédito decorrente do pagamento indevido; c) O pagamento indevido de PIS, relativo a competência 03/2005 deve ser considerado para a quitação do débito de PIS referente ao mês de julho/2006, nos termos da DCOMP apresentada. d) Anexou cópia: do Despacho Decisório, da DCTF retificadora; das fichas 07 (março/2005) e 11B da DACON do 1º trimestre de 2005, e de documentos de identificação e legitimidade; A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE DRJ/FOR, em sessão de 28.04.2014, por meio do Acórdão nº 0829.482, considerou improcedente a manifestação de inconformidade com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Não cabe reparo a Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada pelo Contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado. Descabe reconhecer direito creditório não comprovado nos autos. DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. Modificações efetuadas na DCTF após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, desacompanhados dos elementos de prova, não têm o condão de tornar as informações originais incorretas. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. A autoridade julgadora de primeira instância consignou em seu voto que: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 15374.948538/200972 Resolução nº 3002000.002 S3C0T2 Fl. 96 3 "...os débitos declarados em DCTF constituem confissão de dívida, por isso dispensam inclusive lançamento de ofício, para fins de inscrição na Dívida Ativa, quando necessário." "...prevalece o que foi confessado pela DCTF Ativa na data do Despacho Decisório, descabendo o valor informado pela última DCTF Retificadora, por motivo de esta haver sido transmitida após a ciência do Despacho Decisório." "...o Interessado... não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar o direito alegado." Nos termos da decisão proferida pela DRJ/FOR, o contribuinte não logrou comprovar os requisitos de certeza e liquidez do crédito tributário utilizado na compensação, vez que deixou de anexar documentos probantes do direito creditório pleiteado. Alegaram também os representantes do fisco, que a ciência do conteúdo do Despacho Decisório instaurou procedimento fiscal para a cobrança do referido débito, excluindo a espontaneidade do Sujeito Passivo em relação aos atos envolvidos com as infrações verificadas. O acórdão combatido aduz que uma vez instaurado o litígio, com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, devem ser apresentadas as provas documentais do direito alegado, nos termos do art. 16, §4º do DeL 70.235/72, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade. Aduz ainda a DRJ/FOR que embora a DACON tenha sido instituída, pela IN SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido da COFINS e da contribuição ao PIS, prevalece o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF. Por fim, conclui pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade por não ter sido demonstrada a certeza e liquidez do direito creditório do manifestante, requisito indispensável para que o seu pleito fosse acatado. O contribuinte tomou ciência dessa decisão em 22.10.2014 por meio de correspondência registrada, (fl. 51), tendo protocolado o presente Recurso Voluntário em 19.11.2014. Em suas razões de recuso, o sujeito passivo ratifica as razões da manifestação de inconformidade, invocando em sua defesa o princípio da verdade material, segundo o qual devem prevalecer, no presente caso, as informações prestadas na DACON, enquanto instrumento hábil para a demonstração e controle de todas as operações que influenciam na apuração do valor devido a título de COFINS e contribuição ao PIS. Em fase recursal, o contribuinte anexou documentos de identificação e legitimidade dos recorrentes, razão contábil da conta PIS a recuperar, bem como nova cópia da mesma DACON juntada por ocasião da Manifestação de Inconformidade.. É o relatório. Voto Fl. 96DF CARF MF Processo nº 15374.948538/200972 Resolução nº 3002000.002 S3C0T2 Fl. 97 4 Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. No caso em análise, o contribuinte confessou, em sua Manifestação de Inconformidade, ter cometido equívoco no preenchimento da DCTF do 1º semestre de 2005 enviada originalmente, onde informou como valor devido a título de contribuição ao PIS referente ao mês de março/2005 o montante de R$2.040,04, quando o correto seria não ter informado saldo devedor desta contribuição para tal mês, haja vista que os débitos do período foram totalmente compensados com créditos oriundos da aquisição de insumos. Para comprovar sua alegação, o contribuinte trouxe aos autos, juntamente com a Manifestação de Inconformidade, cópia das fichas 07 e 11B da DACON relativa ao mesmo período, transmitida em 27.09.2005, ou seja, dentro do prazo regulamentar de envio e anterior a qualquer procedimento por parte do fisco em relação à declaração de compensação em tela. A DACON carreada aos autos evidencia que o crédito utilizado na compensação em apreço, advém de saldo credor de meses anteriores. A autoridade julgadora de primeira instância não determinou análise da veracidade dos dados constantes da DACON, limitandose apenas a informar, na única passagem do voto que faz menção a tal demonstrativo, que ...embora o citado demonstrativo haja sido instituído pela IN SRF 387 de 20/01/2004, para fins de o Sujeito Passivo manter controle de todas as operações que influenciem a apuração do valor devido das Contribuições ao PIS e COFINS, prevalece o conceito de confissão de dívida exclusivo da DCTF. Ao afirmar que a DACON foi instituída para fins de que o sujeito passivo mantenha o controle de todas as operações que influenciem na apuração das contribuições ao PIS e à COFINS, poderia a DRJ, consoante ao disposto no art. 29 do DEL 70.235/72, ter determinado diligências a fim de certificar a exatidão dos dados constantes de tal demonstrativo, em especial a existência do saldo credor de meses anteriores, utilizado pelo contribuinte no período de apuração em discussão nestes autos. A recorrente, por seu turno, já em fase recursal, anexou ao PAF: a) cópias do razão contábil das contas "Pis a Recuperar Não Cumulativo", "Pis a Recuperar (Pg. a maior)" e "Pis Cód. 6912 Não Cumulativo"; b) nova cópia da mesma DACON apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, evidenciando que tal demonstrativo permaneceu sem alterações durante todo o período da lide. Assim, tendo em vista: a) a falta de verificação, pela autoridade fiscal e pelo julgador de primeira instância, dos créditos de períodos anteriores constantes da DACON apresentada como prova pelo contribuinte em momento oportuno; b) os documentos apresentados pelo recorrente em seu último ato neste processo, que reforçam o contido na DACON em comento, mas ainda não são suficientes, por si só, para comprovar a certeza e liquidez do crédito utilizado; c) O princípio da verdade material, que deve orientar as ações do julgador administrativo no sentido buscar a decisão que melhor se coaduna à realidade dos fatos, não merece prosperar a alegação de que deve prevalecer o conceito de confissão de Fl. 97DF CARF MF Processo nº 15374.948538/200972 Resolução nº 3002000.002 S3C0T2 Fl. 98 5 dívida exclusivo da DCTF original, em detrimento da apuração detalhada e controlada pela DACON e dos outros elementos constantes dos autos. Diante de todo o exposto, VOTO por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB de origem: a) Intime o contribuinte à apresentação de documentos hábeis e idôneos, que possam comprovar a certeza e liquidez do crédito escritural de COFINS, declarado nas DACONs apresentadas nestes autos, inclusive no que diz respeito ao crédito remanescente do ano de 2004, elaborando parecer conclusivo sobre sua existência, ou não; b) Intime o contribuinte quanto ao teor do relatório da diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal, retornando, por fim, os autos ao CARF para julgamento. Diego Weis Junior Relator Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903081/2008-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/12/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente PETROVIARIO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 30 81 /2 00 8- 48 Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10830.903081/200848 Acórdão n.º 3002000.028 S3C0T2 Fl. 476 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 14/19), transmitido em 15/09/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 123), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 20/08/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 2/4), na qual informou que, primeiramente, no anocalendário de 2003, havia recolhido a contribuição para o PIS/Pasep pelo regime cumulativo, contudo, posteriormente, no início de 2004, fez uma revisão interna e optou por adotar o regime da não cumulatividade, inclusive, em relação ao ano anterior. Essa mudança de critério, segundo ela, teria gerado pagamentos a maior, os quais foram objeto de pedidos de compensação com outros tributos. Informou, ainda, que deixou de retificar suas declarações em época própria: Dacon, DIPJ e DCTF, apresentadoas juntamente com sua manifestação. A DRJ/CPS converteu o julgamento em diligência (fl. 128/129) para que a autoridade fiscal cumprisse os seguintes quesitos: "a) verifique, com exame da documentação contábilfiscal da contribuinte, a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade apurados pela interessada. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10830.903081/200848 Acórdão n.º 3002000.028 S3C0T2 Fl. 477 3 b) examine a apuração da contribuição na sistemática não cumulativa, incluindo o eventual aproveitamento futuro dos créditos apurados em 2003; c) elabore relatório circunstanciado destacando a contribuição efetivamente devida." Assim, em 24/11/2011, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Campinas intimou o sujeito passivo (fl 131/132) a apresentar, no prazo de 20 dias, a seguinte documentação: "Apresentar documentação contábilfiscal que comprove a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela acima e utilizados no DACON; Apresentar fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Novembro de 2003." Após essa data, ocorreram pedidos de dilação de prazo e reintimações. A seqüência fática encontrase bem evidenciada na Informação Fiscal (fl. 304/305) e, por isso, transcrevese excerto: "Em 24/11/2011, através da INTIMAÇÃO SEORT/DRF CPS/1678/2011 a interessada foi chamada a apresentar documentação contábilfiscal que comprovasse a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela e utilizados no DACON, bem como fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Fevereiro de 2003 Em 14/12/2011 a interessada protocolou pedido solicitando mais 20 dias para atendimento à intimação SEORT/DRF CPS/1678/2011. A interessada teve ciência do deferimento de seu pedido em 29/12/2011. Entretanto, em 25/01/2012, através do protocolo do dossiê eletrônico nº 10010.008343/011254 (documentos juntados às folhas 157/289), a interessada apresentou documento alegando já ter prestado os esclarecimentos solicitados, anexou cópia das manifestações de inconformidade já apresentadas e pediu ainda o cancelamento da intimação. Através da intimação SEORT/DRFCPS/232/2012 este SEORT esclareceu à interessada que os documentos estavam sendo requeridos a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas e que estes eram necessários para Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10830.903081/200848 Acórdão n.º 3002000.028 S3C0T2 Fl. 478 4 análise do crédito em discussão (folhas 290/291). Assim, em 09/04/2012, a interessada novamente solicitou mais 20 dias para a apresentação dos documentos. Concedido prazo de 20 dias contados da ciência da intimação SEORT/DRFCPS/ 502/2012 (ciência em 26/06/2012) a interessada não se manifestou até 14/08/2012. Por todo o exposto, considerando as diversas tentativas improfícuas deste SEORT em receber os documentos necessários ao cálculo do crédito de PIS do período de apuração Nov/2003, informamos que não foi possível preceder à análise/cálculo do crédito em questão." (grifo nosso) Após ser cientificada da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou Complementação à Manifestação de Inconformidade e outros documentos. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12//2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 421/426), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e juntando os seguintes documentos: a) cópia do livro de registro de entrada nº 2; b) cópia do livro de registro de entradas nº 5; c) nova planilha de apuração de demonstrativo de base de cálculo do PIS não cumulativo e d) planilha das diferenças dos valores a compensar e a recolher. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10830.903081/200848 Acórdão n.º 3002000.028 S3C0T2 Fl. 479 5 É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10830.903081/200848 Acórdão n.º 3002000.028 S3C0T2 Fl. 480 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10830.903081/200848 Acórdão n.º 3002000.028 S3C0T2 Fl. 481 7 Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10830.903081/200848 Acórdão n.º 3002000.028 S3C0T2 Fl. 482 8 afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito, juntar planilha e cópia de declarações retificadoras, DCTF, DIPJ e Dacon, em sua Manifestação de Inconformidade. Ressaltese, por fundamental, que todas as declarações apresentadas foram transmitidas após a ciência do Despacho Decisório. Em seu texto, a própria recorrente reconhece sua falha: "A mudança de critério foi feita corretamente, todavia, incorreu o contribuinte no erro de deixar de retificar os documentos informativos de tais alterações referentes ao exercício de 2003, como por exemplo: DCTF, Dacom e DIPJ." Assim, seguindo o raciocínio lógicojurídico exposto anteriormente, o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são, apenas, meros documentos. A despeito disso, a DRJCampinas resolveu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência e, na prática, oportunizar à contribuinte nova chance para apresentar as provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Data venia, creio que essa medida não era necessária, obrigatória, nem mesmo conveniente, tendo em vista que nenhuma prova havia sido juntada aos autos no momento oportuno. De qualquer forma, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Campinas, em atendimento à diligência requisitada, intimou, por diversas vezes, a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil e os documentos fiscais que a embasavam. Todavia, a maior interessada não cumpriu as intimações e, conseqüentemente, inviabilizou a auditoria que poderia comprovar a existência do suposto crédito. Em realidade, somente após tomar ciência da Informação Fiscal, que noticiava o término da diligência, a contribuinte apresentou peça denominada "complementação à Manifestação de Inconformidade", repisando alegações já formuladas e sem adentrar no teor das informações prestadas pelo SEORT, e juntando documentos já Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10830.903081/200848 Acórdão n.º 3002000.028 S3C0T2 Fl. 483 9 apresentados e outros novos. Contudo, mais uma vez, esses documentos não se configuravam como prova. Do voto condutor do Acórdão guerreado, transcrevese: "A falha da contribuinte em atender às seguidas intimações para submeter aqueles elementos à verificação fiscal fragiliza, ao ponto de inviabilizar, os argumentos que apresentou para contestar o ato de não homologação. Mesmo a apresentação do que seria seu Razão Analítico Contábil, no contexto em que o foi, ou seja, após ter sido reiteradamente intimado a fazêlo no âmbito da diligência, não tem o poder de socorrêlo. Concorre para comprometer seu valor probatório o fato de que o documento não apresenta os requisitos intrínsecos e extrínsecos que permitam aferir sua regularidade e, mais importante, está desacompanhado dos documentos contábeis e fiscais que permitiriam a aferição da correção dos valores e operações que dele constam. Diante de tudo isso, concluise pela inexistência de prova, nos autos, que permita acatar a nova apuração da contribuição realizada pela contribuinte e, por conseguinte, os créditos utilizados na compensação e que nela teriam origem." (grifo nosso) Após ciência da decisão da instância a quo, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Por oportuno, frisese que documentos fiscais continuaram a não ser anexados. Embasado em todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela sua inércia em atender às diversas intimações, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10830.903081/200848 Acórdão n.º 3002000.028 S3C0T2 Fl. 484 10 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 484DF CARF MF
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