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Numero do processo: 19515.721557/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007
BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição.
SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços.
2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODOS DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE.
1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito.
2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação.
GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007
BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição.
SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços.
2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE.
1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito.
2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação.
GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato e Diego Weis que davam provimento também quanto aos serviços de operação portuária e serviços logísticos (capatazia); vencidos os Conselheiros Jorge Lima e Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços de manutenção do parque industrial.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODOS DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓSINDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODOS DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 15 57 /2 01 2- 58 Fl. 1394DF CARF MF 2 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 30/11/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓSINDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 19515.721557/201258 Acórdão n.º 3302005.184 S3C3T2 Fl. 1.395 3 contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato e Diego Weis que davam provimento também quanto aos serviços de operação portuária e serviços logísticos (capatazia); vencidos os Conselheiros Jorge Lima e Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços de manutenção do parque industrial. Fl. 1396DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 577/597, em virtude da apuração de falta de recolhimento e glosa de créditos da Cofins e Contribuição para o PIS/Pasep dos períodos de abril a dezembro de 2007, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 1.318.814,81. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 456/467, a interessada solicitou ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas, relativos aos 2º, 3º e 4º trimestres de 2007. Ao analisar a documentação da empresa, foram feitas apurações que levaram à constituição das glosas descritas nos autos de infração e exigidas as diferenças relativas aos meses de outubro e novembro de 2007. Primeiramente, foram conferidos os valores das receitas totais e das receitas tributadas à alíquota zero, sendo as mesmas validadas em sua totalidade. No tocante ao rateio dessas receitas, foram apuradas pequenas diferenças nos percentuais utilizados pela impugnante, em seu Dacon, para o mês de dezembro de 2007 (35,84% de receitas tributadas e 64,16% de receita não tributada, contra 36% de receita tributada e 64% de receita não tributada informado no Dacon). Analisando os créditos calculados pela empresa, no que diz respeito aos serviços utilizados como insumos, a fiscalização identificou vários “que não se encaixam no conceito de insumo”, a saber: segurança e limpeza, detalhamento de engenharia, operação portuária (que não teriam sido detalhados), serviços logísticos (não detalhados e prestados no município de Santo André, onde a interessada não possui estabelecimento), serviços de apoio (mãodeobra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes). Dos créditos calculados sobre as despesas de energia elétrica, a fiscalização glosou os que incidiram sobre “prestação de serviço Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 19515.721557/201258 Acórdão n.º 3302005.184 S3C3T2 Fl. 1.396 5 de gerenciamento de energia”, por não serem gastos com energia elétrica, nem se enquadrarem no conceito de insumo. Com relação às despesa de armazenagem e frete na operação de venda, verificouse que “alguns dos serviços contratados não geraram os créditos pretendidos, uma vez que os produtos transportados apresentaram CFOP incompatíveis com as operações de venda dos mesmos e em alguns casos as despesas de fretes não se referiam aos períodos declarados.” O enquadramento legal encontrase a fls. 580/581, 585, 589/590, 594. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 605/650, na qual suscitou, preliminarmente, a conexão do presente processo com os processos relativos aos pedidos de ressarcimento, relacionados à fl. 610, argumentando que “as decisões proferidas no âmbito dos referidos processos irão produzir impacto direto na presente discussão, uma vez que, se confirmados os créditos informados na Dacon da Impugnante, os débitos aqui discutidos estarão automaticamente quitados.” Por essa razão, considerando ser “inadmissível a existência de decisões conflitantes relativas aos mesmos fatos”, requereu o julgamento conjunto deste e dos demais processos referidos ou, alternativamente, a suspensão do julgamento do presente processo até a decisão final a ser proferida naqueles processos de ressarcimento. Mencionou jurisprudência do Carf que ampara ambos os seus pedidos. Considerando a possibilidade de sua solicitação não ser atendida, o que significaria o entendimento de que os créditos glosados devam ser discutidos nestes autos, a interessada passou a tratar do mérito da regularidade dos créditos declarados no Dacon, reiterando os argumentos já explicitados nos processos de ressarcimento. Ao final, reiterou os pedidos relativos ao julgamento concomitante ou suspensão do julgamento, e pleiteou o cancelamento da exigência e o reconhecimento dos créditos declarados em seu Dacon. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1160/1164), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 CRÉDITOS. SERVIÇOS E DESPESAS. Apenas geram créditos, para fins de cálculo das contribuições não cumulativas, os serviços utilizados diretamente como insumos na produção de bens ou na prestação de serviços, bem Fl. 1398DF CARF MF 6 como as despesas expressamente listadas na legislação de regência. FRETE. CRÉDITOS. Apenas os fretes na operação de venda dão direito a crédito, não se enquadrando em tal conceito a transferência de mercadorias dentro do estabelecimento ou entre estabelecimentos. INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição de insumos é o que consta da respectiva nota fiscal, sem acréscimo de quaisquer outras despesas. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. O aproveitamento de créditos extemporâneos pressupõe a retificação do Dacon e, se for o caso, da DCTF do período de sua apuração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 CONEXÃO. Por serem conexos, aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep as mesmas conclusões referentes ao lançamento da Cofins. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Em 27/7/2015, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada, em 25/8/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 1172/1222, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em especial, a recorrente pleiteou que o presente processo fosse julgado juntamente com os processos de nºs 12585.720158/201205, 12585.720156/201216, 12585.720157/201252, 12585.720159/201241, 10845.900919/2012 69 e 10845.900920/201293, que tratam dos pedidos de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos 2º ao 4º trimestres de 2007, em razão dos fortes elementos de conexão entre eles. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Previamente, cabe esclarecer que, em face da conexão da matéria e em atenção ao pleito da recorrente, este processo será apreciado em conjunto com os citados seis processos referentes aos pedidos de ressarcimento e de compensação de créditos das contribuições dos 2º ao 4º trimestres de 2007. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 19515.721557/201258 Acórdão n.º 3302005.184 S3C3T2 Fl. 1.397 7 Os presentes autos tratam de lançamento de créditos tributários, por insuficiência de recolhimento, e de glosas de créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. As glosas dos créditos foram devidamente analisadas nos respectivos processos de ressarcimento e, em parte, nos presentes autos. De acordo com item 9 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 456/467), com base nos valores declarados na base de cálculo dos débitos e os valores apurados na base de cálculo dos créditos das referidas contribuições, a fiscalização apurou que houve insuficiência de recolhimentos nos meses de outubro e novembro de 2007, especificados na tabela a seguir: COMPETENCIA PIS/PASEP (R$) COFINS (R$) 10/2007 76.157,92 350.787,33 11/2007 28.206,22 129.914,57 TOTAL 104.364,14 480.701,90 A leitura dos autos revela que a controvérsia cingese a glosa de créditos apropriados (i) sobre os valores de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de produção e (ii) sobre os valores das despesas a título de energia elétrica e de armazenagem e frete na venda. I Das Glosas dos Créditos Apropriados Sobre Insumos De acordo com Termo de Verificação Fiscal de fls. 456/467, a fiscalização glosou parcela dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de produção. I.1 Da glosa dos bens utilizados como insumo Segundo a fiscalização (subitem 8.1), mediante simples comparação dos valores declarados no Dacon com os valores das notas fiscais informados no Memorial / Planilha de Cálculo apresentado pela recorrente, apurou as glosas discriminadas no Anexo I ao referido TVF (fls. 468/503). No recurso em apreço, a recorrente insistiu na alegação de que, em razão de seu elevado volume, bem como de sua antiguidade, não fora “possível juntar a estes autos as notas fiscais que geraram os créditos em discussão. Não obstante, a Recorrente entende que as explicações ora oferecidas bastam para demonstrar a regularidade dos créditos pleiteados.” Em seguida, a recorrente passa a defender o direito de apropriação de créditos extemporâneos. E além de não apresentar, na fase processual oportuna, qualquer documento comprobatório, também na atual fase recursal a recorrente não trouxe aos autos documento algum, ou sequer discriminou tais documentos. E diante desta omissão, depois de mais anos, ainda insistiu com alegação de que não fora possível trazer aos autos as notas fiscais de aquisição dos bens glosados. Assim, na ausência de prova de aquisição dos referidos bens, a glosa deve ser integralmente mantida. I.2 Da glosa dos serviços utilizados como insumo Sob o argumento de que não atendiam ao conceito de insumo, a fiscalização procedeu a glosa de alguns serviços informados como insumos. Diversamente, a recorrente Fl. 1400DF CARF MF 8 alegou que os valores dos serviços glosados enquadravamse no conceito de insumo e asseguravam o direito de apropriação de créditos da contribuição. Assim, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance do conceito de insumo para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. O assunto encontrase disciplinado no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, especialmente, nos preceitos que seguem transcritos extraídos do último diploma legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] (grifos não originais) Duas correntes divergem sobre a extensão do conceito de insumo previsto no referido preceito legal. Para a Administração tributária, insumo compreende apenas as Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 19515.721557/201258 Acórdão n.º 3302005.184 S3C3T2 Fl. 1.398 9 matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens utilizados diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, que se assemelha, em termos gerais, a definição de insumo da legislação do IPI. Já para parte relevante da doutrina, insumo compreende os bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação, assim como aqueles bens e serviços necessários à manutenção da atividade da pessoa jurídica, conforme definição veiculada na legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados bens, que, em termos financeiros, equivalem, em parte, aos custos indiretos de produção ou fabricação. No entendimento deste Relator, além das matérias primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem aplicados na produção (insumos diretos de produção), também estão alcançados pelo conceito de insumo os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação e os demais bens e serviços utilizados na produção ou fabricação de forma indireta (insumos indiretos de produção), a exemplo dos bens e serviços agregados aos bens ou serviços aplicados no processo produtivo. De outra parte, o conceito de insumo não compreende os demais bens e serviços não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação ou que a estes não se agregam, bem como todos os demais bens e serviços utilizados antes e após a conclusão do processo produtivo, que compreendem os bens e serviços utilizados na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, representam os gastos ou despesas préindustriais, e na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, constituem as despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica, tais como: as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc. Com base nesse entendimento, passase a analisar as glosas dos créditos apropriados sobre serviços utilizados como insumo pela recorrente e glosados pela fiscalização. I.2.1 Da glosa dos serviços de segurança e limpeza Para a fiscalização, tais serviços não atendiam ao conceito de insumo, porque foram aplicados nas atividades de apoio e não estavam relacionados diretamente ao processo produtivo da empresa. Em relação aos serviços de limpeza, a recorrente alegou que, a atividade por ela desenvolvida envolvia a manipulação de produtos químicos em volume elevadíssimo que, sem os devidos cuidados, eram extremamente nocivos à saúde de seus colaboradores e de terceiros. Logo, a contratação de serviços de limpeza de alta qualidade era essencial às atividades da empresa, tanto por razões de imagem, quanto por determinação de órgãos ambientais e regulatórios. Para comprovar o que alegou, a recorrente trouxe à colação dos autos o contrato de limpeza celebrado com a empresa Porã Sistema de Remoções Ltda., por meio do qual contratara “os serviços de umectação e lavagem de ruas, bem como de coleta interna de lixo” (doc. 7 da Impugnação fls. 158/191). Fl. 1402DF CARF MF 10 A teor do referido contrato revela que os serviços de limpeza contratados pela recorrente da pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. consistiam na (i) umectação e lavagem de ruas, avenidas e logradouros e (ii) coleta nos recintos internos dos resíduos provenientes do processo industrial, conforme se lê no objeto do contrato, que segue transcrito: OBJETO 1.1 O presente contrato tem por objeto a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de umectação e lavagem de ruas, avenidas e logradouros e a coleta Interna de lixo, no estabelecimento industrial da CONTRATANTE, situado na Rodovia Cônego Domenico Rangoni, km 62, Cubatão SP. na forma a seguir estabelecida. Tais serviços, embora essenciais ao regular funcionamento e à manutenção adequada da área fabril, inequivocamente não foram aplicados/utilizados no processo de industrialização dos produtos comercializados pela recorrente. Assim, dada essa característica, tais serviços não se enquadram no conceito de insumo anteriormente definido. Além disso, cabe o registro que, segundo os dados apresentados na planilha de glosas de fls. 18/34, nem todos os serviços de limpeza excluídos da base de cálculo dos créditos foram prestados pela pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. e, portanto, foram serviços de remoção de resíduos industriais. Assim, para os que, diferentemente deste Relator, entendem que os serviços de remoção de resíduos industriais são essenciais ou inerentes à atividade industrial da recorrente, na ausência de prova da natureza ou do tipo dos demais serviços de limpeza glosados, deve ser parcialmente cancelada a glosa dos referidos serviços, para excluir apenas os serviços de limpeza prestados pela pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. No que tange aos serviços de segurança, a recorrente alegou que a contratação de tais serviços não visava apenas prevenir danos ao seu patrimônio, mas também evitar a entrada e trânsito de pessoas não autorizadas em locais perigosos. Para comprovar o que alegou, a recorrente trouxe à colação dos autos o contrato de vigilância e segurança celebrado com a pessoa jurídica Gocil Serviços de Vigilância e Segurança Ltda. (doc. 8 da Impugnação fls. 192 e ss.), cujo objeto encontrase descrito no trecho segue transcrito: 1. OBJETO 1.1. A CONTRATADA prestará serviços de vigilância e de segurança para a CONTRATANTE, no estabelecimento industrial desta situado no endereço constante do preâmbulo deste instrumento, observadas as especificações de Posto de Trabalho, Atividades Principais, Regime de Trabalho (Hs.), Custo (R$) Homem/Hora e Gestor do Posto, constantes do Anexo I. 1.1.1. Por serviços de vigilância e de segurança entendemse as atividades preventivas a serem realizadas pelos vigilantes visando ao controle de entrada, saída e movimentação em geral de pessoas e bens nos domínios do estabelecimento da CONTRATANTE, bem como as de evitar ações ofensivas ou desrespeitosas ao patrimônio desta ou às pessoas que ocupam o estabelecimento, observados a legislação vigente e os regulamentos internos da CONTRATANTE. Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 19515.721557/201258 Acórdão n.º 3302005.184 S3C3T2 Fl. 1.399 11 1.1.1.1. Eventuais atividades não constantes do Anexo I, relacionadas às atividades de vigilância, poderão ser desenvolvidas pela CONTRATADA, desde que sejam necessárias para atendimento ao disposto no item 1.1.1 acima. 1.1.2. A CONTRATADA prestará os serviços objeto deste contrato, sem utilizarse do emprego de armas de fogo. (grifos não originais) O trecho em destaque esclarece que se trata de prestação de serviços normais e gerais de vigilância e de segurança, ou seja, atividades preventivas de controle de entrada, saída e movimentação em geral de pessoas e bens nos domínios do estabelecimento da contratante, bem como evitar ações ofensivas ou desrespeitosas ao patrimônio desta ou às pessoas que ocupam o estabelecimento. Dadas essas características, tais serviços não constituem insumo de produção, mas serviços gerais de vigilância e de segurança e como tais não se enquadra no conceito de insumo de fabricação anteriormente apresentado. Portanto, correta a glosa integral dos créditos apropriados sobre o custo de aquisição de tais serviços. I.2.2 Da glosa dos serviços de detalhamento de engenharia De acordo com a planilha colacionada aos autos, os serviços foram prestados pela empresa NEWCAD Engenharia S/A. Para a fiscalização, tais serviços não se enquadram no conceito de insumo Por sua vez, a recorrente alegou que o detalhamento de engenharia consistia na etapa subsequente aos estudos de investimento realizados na conceituação do Projeto e Engenharia Básica. Este detalhamento continha todos os parâmetros de engenharia da planta, sendo, portanto, “essencial para que se possa efetivamente dar andamento às atividades operacionais industriais da recorrente.” Inequivocamente, tratase de serviços aplicados na fase préindustrial, portanto, não se enquadra no conceito de insumo, pelas razões anteriormente demonstradas. I.2.3 Da glosa dos serviços de operação portuária Segundo a fiscalização, os serviços de operação portuária prestados não foram detalhados e foram realizados, em regra, pela empresa Fertimport S/A., como não se enquadrava no conceito de insumo foram glosados. A recorrente alegou os serviços de operação portuária eram um conjunto de operações que incluíam a permissão de passagem da mercadoria desde o transporte marítimo até o transporte terrestre e viceversa. Para a recorrente, o serviço envolvia mais que a simples movimentação da mercadoria (carga, descarga, armazenagem etc), englobando também serviços complementares, tais como a identificação da mercadoria, os despachos aduaneiros, o reconhecimento de avarias, e os sistemas de informação, entre outros. Esclareceu ainda a recorrente que tais serviços referiamse, “na sua totalidade, à movimentação e eventual armazenagem de insumos (mais especificamente, enxofre, o principal insumo utilizado na produção de ácido sulfúrico) importados pela Recorrente para a fabricação de produtos químicos.” Fl. 1404DF CARF MF 12 Os serviços de operação portuária em destaque foram prestados na operação de importação de insumos utilizados pela recorrente no seu processo produtivo. Acontece que, no âmbito da operação de importação, o direito ao crédito somente é assegurado em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços, conforme expressamente determina o § 1º do art. 15 da Lei 10.685/2004, a seguir reproduzido: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dosarts. 2oe3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1odesta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeitos) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (grifos não originais) As alegações da recorrente sobre o direito de apropriação de crédito sobre os gastos com fretes no transporte de insumos adquiridos no mercado nacional não se aplica ao caso em tela, uma vez que se trata de insumos importados, para os quais a legislação, expressamente, só admitiu os créditos relativos às contribuições efetivamente pagas pelo importador. Por essas razões, deve ser integralmente mantida a glosa em apreço. I.2.4 Da glosa dos serviços logísticos Segundo a fiscalização, os serviços prestados não foram detalhados e foram realizados pela empresa Solvay Química Ltda. Constava na descrição das notas fiscais que os serviços foram prestados no município de Santo André, município em que a recorrente não possuía estabelecimento. A recorrente esclareceu que os serviços referiamse a operações de capatazia, envolvendo o descarregamento e movimentação de insumos (carbonato dissódico) adquiridos do exterior. Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 19515.721557/201258 Acórdão n.º 3302005.184 S3C3T2 Fl. 1.400 13 Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, mantémse integralmente a glosa em apreço. I.2.5 Da glosa dos serviços de apoio A fiscalização informou que, em resposta à intimação, a recorrente informou que a Empresa Pinturas Ypiranga prestaralhe serviços de mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes. E tais serviços foram considerados serviços de apoio, não vinculados diretamente ao processo produtivo, por essa razão procedeu a glosa dos referidos serviços. A recorrente alegou que fazia jus ao crédito em questão porque se tratava de serviços relacionados à manutenção e preservação do parque industrial da recorrente, portanto, serviços essenciais à atividade da recorrente. No entendimento deste Relator, tratase de serviços não aplicados no processo produtivo. Com base no conceito de insumo anteriormente apresentado, tais serviços não se enquadram no conceito de insumo. Por essa razão, deve ser mantida a presente glosa. II Da Glosa das Despesas com Fretes em Geral Em relação a esse ponto, assim se manifestou a fiscalização: Intimamos o sujeito passivo a apresentar uma planilha em que púdessemos identificar a origem e a destinação dos produtos transportados. Não foram apresentadas as planilhas para estes serviços. Assim, não foi possível verificar o tipo de serviço prestado. Questionado o sujeito passivo nos informou que se tratava de transportes de insumos e produtos em elaboração. Por sua vez, a recorrente esclareceu que os gastos com “Fretes em geral” referiam a movimentações ocorridas dentro do estabelecimento da recorrente, relativas a duas situações distintas, a saber: a) Movimentação de gesso: transporte de gesso no estabelecimento da Recorrente. Como se verá, esta movimentação é parte essencial e inevitável do processo produtivo da Recorrente, devendo ser, portanto, considerada um insumo; e b) Movimentações de Produtos acabados: transporte de produtos finais para armazenagem e subsequente venda. Estas movimentações devem ser consideradas parte da operação de venda, que, conforme expressamente reconhecido pela fiscalização, gera crédito. Em vários votos proferidos em julgados anteriores deste Colegiado, após exaustiva fundamentação legal, este Relator chegou a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: Fl. 1406DF CARF MF 14 a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Com base nesse entendimento, apenas os créditos relativos aos fretes aplicados no transporte de gesso devem ser integralmente restabelecidos, por se tratar de transporte de insumo entre estabelecimentos da recorrente. III Da Glosa das Despesas com Energia Elétrica De acordo com o subitem 8.4 do TVF, a fiscalização assim esclareceu o motivo da glosa em apreço: Analisando os documentos físicos apresentados, encontramos faturas de serviços prestados classificadas pela tabela do ISS com o código N.º 03115 Assessoria ou Consultoria de qualquer natureza, não contida nos outros itens desta lista. As descrições dos serviços contidos nas NF, são: “Prestação de Serviço de Gerenciamento de Energia”. Assim, a despesa apresentada é inadequada para a composição desta linha do DACON, e em última análise também não se encaixa no conceito de Insumo, motivo pelo qual glosamos os seus valores, conforme a Planilha de Glosa, que detalhamos a seguir: [...] Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 19515.721557/201258 Acórdão n.º 3302005.184 S3C3T2 Fl. 1.401 15 No recurso em apreço, a recorrente esclareceu as referidas despesas eram relativas a serviços prestados pela empresa Comerc Comercializadora de Energia Elétrica Ltda. E como a energia elétrica era um produto importante para o seu processo produtivo, a fim de garantir que suas instalações estivessem sempre abastecidas por um fluxo constante de energia, celebrou contrato com a citada empresa, no qual esta se comprometia “a prestar uma série de serviços, todos eles relacionados à finalidade de obtenção de energia elétrica (doc. 19 da Impugnação).” Como a própria recorrente confessou e objeto do contrato colacionados aos autos (fls. 408/433) que os valores glosados não eram decorrentes de consumo de energia elétrica e os serviços de assessoria e consultoria prestados (glosados), no entendimento deste Relator, não se enquadra no conceito de insumo aplicado na produção, portanto, a glosa deve ser integralmente mantida. IV Da Glosa das Despesas com Armazenagem e Fretes na Operação de Venda No subitem 8.6 da referida Informação Fiscal, a fiscalização assim esclareceu o motivo da glosa em destaque: Analisamos os documentos apresentados, verificamos que alguns dos serviços contratados não geraram os créditos pretendidos, uma vez que os produtos transportados apresentaram CFOP incompatíveis com as operações de venda dos mesmos e em alguns casos as despesas de fretes não se referiam aos períodos declarados. Por sua vez, a recorrente alegou que a planilha disponibilizada fiscalização só continha uma lista extensa com todas as notas fiscais que não foram consideradas para fins de crédito. Porém, a referida planilha não mencionava quais CFOPs foram considerados incompatíveis e, tampouco, quais despesas não se referiam aos períodos declarados, ou seja, não detalha em momento algum os motivos que levaram à glosa do crédito referente a cada nota fiscal. Dada essa circunstância, a recorrente alegou que tal fato configurava cerceamento de seu direito de defesa, visto que as informações disponibilizadas impossibilitavam aferir quais foram as razões que levaram o fisco a efetuar a glosa ora combatida. Os motivos da glosa foram devidamente apresentados pela fiscalização, a saber: CFOP incompatíveis e despesas de fretes não pertencente aos períodos declarados. O fato de a recorrente não ter mencionado o motivo da glosa para cada nota fiscal, certamente, não representou cerceamento do direito de defesa da recorrente, especialmente, porque ela própria, com base nas referidas notas fiscais, fez a identificação/correlação com o respectivo CFOP, conforme se verifica na planilha apresentada na fase impugnatória. Assim, na manifestação de inconformidade e no presente recurso, cabia a recorrente demonstrar que os valores dos fretes glosados não correspondiam aos motivos apresentados pela fiscalização. Nesse sentido, a recorrente limitouse em informar que foram glosados créditos oriundos de operações de fretes amparadas pelas notas fiscais nºs 386534, 389065 e 393355, todas emitidas pela empresa Transkompa Transportes de Cargas Ltda., sob o CFOP 5101. Fl. 1408DF CARF MF 16 Acontece que, embora o CFOP fosse perfeitamente compatível com operações de venda, o motivo da mencionada glosa não foi a incompatibilidade do CFOP, mas impertinência do período de apuração do crédito, posto que se tratava de despesa com frete de meses anteriores ao período de apuração em que informados/registrados e a recorrente não logrou demonstrar que tais créditos não foram apropriados nos meses ou períodos de apuração pertinentes, o que era necessário, conforme a seguir demonstrado. Em relação aos créditos registrados em períodos posteriores, a recorrente ainda alegou que havia apenas dois requisitos para a apropriação de tais créditos, ou seja: a) que os créditos fossem apropriados dentro do prazo de cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram; e b) que os créditos fossem apropriados sem atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, consoante dispõe o art. 13 da Lei n° 10.833/2003. A recorrente confunde regime de apuração com regime de aproveitamento de créditos. Inequivocamente, tratamse de situações distintas que submetem a tratamento diferentes na legislação. Ambos os regimes encontramse disciplinados no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, porém, enquanto o regime de apuração é determinado no § 1º o regime aproveitamento é disciplinado no § 4º e no art. 13 da Lei 10.833/2003, que seguem transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. [...] Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3o, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6o, bem como do § 2º e inciso II do § 4oe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (grifos não originais) Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 19515.721557/201258 Acórdão n.º 3302005.184 S3C3T2 Fl. 1.402 17 O disposto no § 1º art. 3º, expressamente, determina que a apuração dos créditos será feita mensalmente, com base (i) nos custos dos bens e serviços adquiridos no mês, (ii) nas despesas/gastos com energia, aluguéis, arrendamento mercantil e armazenagem e frete incorridos no mês, (iii) encargos de depreciação e amortização incorridos no mês e (iv) os bens devolvidos no mês. E a fixação desse procedimento de apuração mensal tem por finalidade assegurar o controle e a verificação da correta apuração do crédito, especialmente, a natureza/tipo de crédito e valor apropriado. Em suma, esse procedimento visa a confirmação/comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito, condição indispensável para o aproveitamento sob as diversas modalidades prevista na legislação (dedução, ressarcimento ou compensação). E a segregação dos créditos por períodos de apuração também se justifica pelo fato de a forma passível/admitida de aproveitamento depender da composição do crédito no respectivo período de apuração, especialmente, nos casos de aproveitamento mediante ressarcimento e compensação, para os quais existem específicas restrições legais. Em outras palavras, é indispensável, sob pena de burla indireta às vedações legais, que, para cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de ressarcimento ou compensação. Dada essa exigência legal, o ressarcimento ou compensação de eventuais saldos de créditos não aproveitados (deduzidos) no período de apuração pertinente (créditos extemporâneos), necessariamente, deve ser precedida da revisão da apuração (confronto entre créditos e débitos) dos correspondentes períodos de apuração. Sem esse prévio e indispensável procedimento, não há como saber se o saldo de crédito era ou não passível de ressarcimento ou compensação. Portanto, a segregação da apuração dos créditos por período de apuração, inequivocamente, não se trata de mera exigência formal, sem efeito prático. Ao contrário, trata se de procedimento determinado por lei, que visa o controle e a verificação do estrito cumprimento dos requisitos legais. A relevação ou a desconsideração dessa formalidade, além da impossibilidade da verificação da legitimidade do crédito por parte da autoridade fiscal, inequivocamente, poderá resultar no descumprimento das condições legais estabelecidas para o ressarcimento ou compensação dos saldos de créditos das referidas contribuições. Além da obrigatória apuração dos créditos nos respectivos meses do período de apuração, determinado no referido preceito legal, antes da utilização do Sistema Publico de Escrituração Digital (SPED) e da entrega do arquivo digital EFDContribuições, a apuração extemporânea de créditos deveria ser seguida da obrigatória retificação do Dacon e, se alterado o valor do débito, da respectiva DCTF, conforme expressamente determinava o art. 11 da Instrução Normativa SRF 590/2005, a seguir reproduzido: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. Fl. 1410DF CARF MF 18 [...] § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. [...] (grifos não originais) Assim, na vigência do referida legislação que disciplinava o Dacon, apurada a existência de créditos não apropriados/registrados (créditos extemporâneos), além da obrigatória apuração nos pertinentes períodos de apuração, o contribuinte deveria informar a alteração dos valores dos créditos informados nos demonstrativos anteriores mediante apresentação do Dacon retificador e, se fosse o caso, acompanhada da DCTF retificadora. A propósito, cabe registrar que, não é verdade, como afirmado em alguns julgados deste Conselho1, que a “linha 06/31” do Dacon contemplavam o registro de operações de créditos extemporâneos. A simples leitura do texto explicativo do conteúdo da referida linha revela que ela destinavase ao registro de “ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30”, em que registradas às operações normais de créditos relativas às aquisições de embalagens. E a expressão “créditos não contemplados”, obviamente, não significa créditos extemporâneos. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, seguem transcritos os textos extraídos das orientações de preenchimento do Dacon: CRÉDITOS DECORRENTES DA APURAÇÃO DE EMBALAGENS PARA REVENDA (Lei nº 10.833/2003, art. 51, § 3º) Linha 06A/30 – Créditos Apurados A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, deve informar nesta linha o valor da Contribuição para o PIS/Pasep referente às embalagens que adquirir no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição (§ 3º do art. 51 da Lei nº 10. 833, de 2003, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 2004). Linha 06A/31 – Ajustes Positivos de Créditos Informar nesta Linha ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30. Linha 06A/32 – () Ajustes Negativos de Créditos Informar nesta Linha ajustes negativos de crédito não contemplados na Linha 06A/30, tais como: Com base nessas considerações, resta demonstrado que, somente quando definida a natureza, certeza e liquidez do saldo de crédito apurado em determinado período mensal cabe analisar as formas de aproveitamento previstas na legislação. Nesse sentido, dispõe o § 4º do art. 3º e o art. 13 que o saldo de crédito apurado em determinado mês pode ser aproveitado mediante dedução, ressarcimento ou compensação nos períodos mensais subsequentes, sem atualização monetária e incidência de juros. E desde que o aproveitamento ocorra dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contado do dia seguinte ao mês de apuração do 1 A título de exemplo, citase os acórdãos nºs 3202001.456 e 9303004.562. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 19515.721557/201258 Acórdão n.º 3302005.184 S3C3T2 Fl. 1.403 19 crédito, sob pena da extinção do direito de aproveitamento pela prescrição determinada no Decreto 20.910/1932. No presente caso, além de não demonstrar/comprovar que os créditos extemporâneos não foram apropriados/utilizados nos meses ou períodos de apuração pertinentes, o que era necessário por expressa determinação legal, a recorrente também não procedeu a retificação do Dacon, a que estava obrigada por expressa determinação do art. 11 da Instrução Normativa SRF 590/2005, vigente no período de apuração dos créditos em apreço. Enfim, em relação a esse tópico, a recorrente informou que, para fim de comprovar seu direito, juntara a estes autos planilha completa detalhando cada uma das remessas feitas no período fiscalizado (doc. 20 da Impugnação). Ainda segundo a recorrente, as notas fiscais relativas a este ponto foram integralmente disponibilizadas à fiscalização, estando à disposição desse colegiado, na eventualidade de se entender pela necessidade de realização de diligência. Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, o pedido de diligência formulado pela recorrente revelase totalmente descabido e prescindível, pois além de não atender os requisitos determinados no art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972, a própria fiscalização já relacionou e analisou tais notas fiscais, conforme explicitado na citada informação fiscal. No caso, em vez de solicitar diligência, a recorrente deveria ter demonstrado que os CFOP era compatíveis com as operações de venda e que os créditos registrados nos períodos de apuração posteriores não foram apropriados nos pertinentes períodos de apuração, o que não ocorreu. Por todas essas razões, deve ser integralmente mantida a glosa dos créditos em apreço. V Da Conclusão Por todo o exposto, votase pelo provimento parcial do recurso, para cancelar a glosa apenas dos créditos calculados sobre os valores dos fretes aplicados no transporte de gesso entre estabelecimentos, cujo efeito sobre os débitos lançados nos presentes autos dependerá do que for apurado nos processos nºs 10845.900919/201269 e 10845.900920/2012 93, que tratam dos pedidos de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins do 4º trimestre de 2007. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1412DF CARF MF 20 Fl. 1413DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.000005/2009-49
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
NULIDADE. DECISÃO SOBRE MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO.
A preclusão, por não ser tema pacífico nesse Tribunal, não pode ser reconhecida de ofício.
MULTA QUALIFICADA. DEMONSTRAÇÃO DO INTUITO FRAUDULENTO.
Além de presentes os elementos que permitiram a configuração da presunção de omissão de receitas, reconhece-se circunstâncias que, reunidas, demonstram a ilicitude do contribuinte, classificada como sonegação, a exemplo da manutenção de expressivos valores à margem da tributação, falta de apresentação das devidas comprovações pelo quando intimado a fazê-lo e dolo na ocultação do seu real domicílio, elegendo-se uma empresa de faixada utilizada como localização de mais de 350 empresas, sem estrutura e funcionamento, em cidade diversa, levando, assim, à qualificação da penalidade.
Numero da decisão: 9101-003.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de nulidade parcial da decisão recorrida suscitada de ofício pela conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), a qual restou vencida; vencidos, também, os conselheiros Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à rejeição da preliminar de nulidade parcial, o conselheiro Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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OMISSÃO DE RECEITAS. RReeccoorrrreennttee FAZENDA NACIONAL IInntteerreessssaaddoo COBRAR ASSESSORIA EM COBRANÇA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 NULIDADE. DECISÃO SOBRE MATÉRIA NÃO RECORRIDA. PRECLUSÃO. A preclusão, por não ser tema pacífico nesse Tribunal, não pode ser reconhecida de ofício. MULTA QUALIFICADA. DEMONSTRAÇÃO DO INTUITO FRAUDULENTO. Além de presentes os elementos que permitiram a configuração da presunção de omissão de receitas, reconhecese circunstâncias que, reunidas, demonstram a ilicitude do contribuinte, classificada como sonegação, a exemplo da manutenção de expressivos valores à margem da tributação, falta de apresentação das devidas comprovações pelo quando intimado a fazêlo e dolo na ocultação do seu real domicílio, elegendose uma empresa de faixada utilizada como localização de mais de 350 empresas, sem estrutura e funcionamento, em cidade diversa, levando, assim, à qualificação da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e por maioria de votos, acordam em rejeitar a preliminar de nulidade parcial da decisão recorrida suscitada de ofício pela conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), a qual restou vencida; vencidos, também, os conselheiros Luís Flávio Neto e Flávio Franco Corrêa. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à rejeição da preliminar de nulidade parcial, o conselheiro Gerson Macedo Guerra. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 00 05 /2 00 9- 49 Fl. 732DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 733 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratamse de autos de infração (Efls. 09 ss.) para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, no regime do SIMPLES, decorrente da acusação fiscal de (i) omissão de receitas escrituradas entre 29.02.2004 e 31.12.2004, em função da diferença entre depósitos bancários e valores registrados contabilmente, acrescidos de multa qualificada de 150%, e (ii) insuficiência de montantes recolhidos apurada em cruzamento automático de dados entre 31.03.2004 e 31.12.2004, com a imputação de multa de ofício de 75%, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (Efls. 14 ss.), transcrito abaixo: “TERMO DE ESCLARECIMENTOS E DE CONCLUSÃO PARCIAL DE AUDITORIA FISCAL ANEXO AO AUTO DE INFRAÇÃO No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no uso de nossas atribuições legais e na forma do disposto no art. 911, do Decreto no. 3.000, baixado em 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto sobre a Renda), procedemos à ação fiscal junto ao contribuinte acima qualificado, cumprir o que vai em Mandado de Procedimento Fiscal expedido pelo Delegado da Receita Federal em Niterói, no que tange, inicialmente, ao exercício da União de 2005, anocalendário de 2004. I. DA AÇÃO FISCAL EMPREENDIDA Em 6 de setembro de 2007, comparecemos à Rua Dr. Luiz Januário, 262, Centro, Saquarema, Rio de Janeiro, endereço constante do Cadastro Nacional de Pessoa Jurldica — CNPJ, corno sendo o de domicilio fiscal de COBRAR ASSESSORIA EM COBRANÇA LTDA., CNPJ 06.021.788/000107, encontrando portas cerradas em horário comercial. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 734 3 Localizamos, em própria casa, por meio de informação de terceiros, a Sra. FABIANE BELGUES AFFONSO, CPF 004.951.22777, que devidamente franqueou o acesso da Fiscalização à sala onde supostamente funcionaria a sociedade empresária. Encontramos em modesta sala unicamente uma mesa e cadeira, com algumas prateleiras vazias. Foinos relatado por Fabiana Belgues Affonso que: 1. A Cobrar Assessoria em Cobrança Ltda. não tinha sua operacionalidade naquele endereço; 2. Que era secretaria de JOÃO MIGUEL LIMA ESTEPHANIO, posteriormente identificado como portador da carteira de identidade no. 361468, expedida pelo Ministério da Marinha, CPF 635.040.81791, casado, engenheiro, domiciliado na Rua Montevidéu, 1.190 apto.101, Penha, RJ; 3. Que o endereço era mantido meramente como fachada para aproximadamente 350 empresas; 4. Que a Policia Federal estivera naquele endereço, segundo ela um mês antes, em operação de busca e apreensão. Contatado por telefone, Joao Miguel Lima Esthephanio, já qualificado, compareceu à Delegacia da Receita Federal em Niterói, apresentando: 1. Recibo assinado por ALUISIO DUARTE THOMAS DE AQUINO, um dos sócios da Cobrar Ltda., que, em síntese atesta que a Cobrar sublocava a referida sala; 2. Documento assinado por Joao Esthephanio no qual afirma ser um mero sublocador de espaço Cobrar; 3. Contrato de sublocação celebrado entre Joao Esthephanio e a Cobrar, representada pelo sócio Aluisio; 4. Mandado de Busca e Apreensão expedido pela 4a• Vara Federal Criminal datado de 9 de julho de 2007. Em ligação para a repartição, apresentouse FELIPE P. N. CASTANHEIRA DE SOUZA, como sendo um dos sócios da ora Autuada, informando que o endereço da Cobrar seria na Rua José Clemente, 94 sala 1.205, Centro, Niterói, RJ, para onde enviamos, por Aviso de Recebimento emitido pelos Correios, Termo de Reintimação lavrado em 15/10/2007, com exigência fiscal de apresentação de extratos bancários referente a movimentações efetuadas nas instituições financeiras Bradesco e BCN. Apresentou o contribuinte os extratos solicitados, justificando que a conta mantida no BCN foi consolidada em uma única contacorrente quando da incorporação do BCN pelo Bradesco. Analisados os extratos bancários em sua totalidade, confrontados os valores com os Livros Diário e Razão apresentados, temse que: II. DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS PASSÍVEIS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO O lançamento de oficio é efetivado, a fim de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, em virtude de o contribuinte, no curso da ação fiscal, não ter apresentado quaisquer documentações que justificassem o fato de ter registrado, em declaração apresentada para o exercício de 2005, anocalendário de 2004, valores correspondentes as suas receitas de prestação de serviços em muito inferiores ao volume de créditos movimentados em contacorrente mantida no Bradesco, deles já expurgados todos os valores cujo histórico não possibilitava à Fiscalização a convicção de que se referiam a receitas operacionais, bem como valores referentes a empréstimos contraídos, estornos, devoluções de CPMF, transferências de mesma titularidade etc. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 735 4 Foram analisados todos os registros de créditos e de débitos que os extratos bancários continham, sendo desprezados os valores representativos de centavos de real. Apresentando declaração sob o regime SIMPLES, no ano fiscalizado, contribuinte registrou como sendo o total de suas receitas de prestações de serviços no ano calendário de 2004, exercício de 2005, o valor de R$ 195.449,68 (cento e noventa e cinco mil quatrocentos e quarenta e nove reais e sessenta e oito centavos). Apurouse que o volume de movimentação a crédito da conta bancária da pessoa jurídica (após os necessários expurgos, já referidos) monta R$ 3.640.226,16 (três milhões seiscentos e quarenta mil duzentos e vinte e seis reais e dezesseis centavos). O Autuado, intimado a justificar a origem dos recursos depositados na conta corrente 13.8711, agência 30716, mantida no Bradesco, informa que: 1. A empresa tem como atividade a assessoria em cobrança que inclui além de orientação técnica ao Departamentos de Contas a Receber de Terreiros, o serviço efetivo de cobrança; 2. Este serviço inclui o recebimento de duplicatas, endossadas para a Cobrar; 3. Após o recebimento e deduzido, se for o caso, os honorários da cobrança, os valores são repassados aos clientes; 4. Os valores movimentados a crédito também o foram a débito. A ora Autuada não apresentou demonstrativos, contratos, recibos, duplicatas, notasfiscais de prestação de serviços, correspondências, ou quaisquer outros documentos, em apoio à justificativa apresentada. Obviamente, dos extratos constam valores a débito. Entretanto, tais débitos não mantém correlação com os créditos em magnitude. Os valores de débitos e créditos não são de tal forma semelhantes, que permitam o entendimento de que os créditos deixam de representar receitas operacionais ou valores de origem não comprovada e mantidos à margem do atingimento da Receita Federal, quando da apresentação de declaração por parte do contribuinte, quanto à cobrança de imposto e contribuições. Via de consequência, concluise que o contribuinte deliberadamente omitiu valores referentes a receitas operacionais, já que não apresentou, no curso da ação fiscal, quaisquer documentos referentes aos serviços supostamente prestados, não comprovando a origem dos recursos, tampouco a quais pessoas jurídicas prestou serviços, sejam eles de assessoramento ou cobrança, como afirma. O contribuinte não apresentou o Livro Caixa. Entretanto, mesmo optando pelo regime de tributação SIMPLES, manteve registros no ano de 2004, em Livros Diário e Razão. O Livro Razão que contém registros pertinentes ao anocalendário de 2004, não contém assinaturas de sócios, embora registre a assinatura do contabilista RUY CASTANHEIRA DE SOUZA, CRC 19639 04, CPF 076.242.04720. O Livro Diário (ano 2004) contém registro no Cartório do 12°. Oficio de Niterói, e vai assinado por sócio e contabilista. Da análise do referido Livro verificouse que: 1. Não contém registros de clientes e fornecedores, números de documentação fiscal etc.; 2. Há registros de movimentações no Bradesco, sem identificação do serviço prestado ou da despesa incorrida; 3. Os lançamentos aparecem meramente generalizados, conforme cópias reprográficas por mim devidamente autenticadas, representando a integralidade dos quatro livros apresentados (dois Diários e dois Razões). Fl. 735DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 736 5 Ill. DA OMISSÃO DE RECEITAS APURADA E DA BASE DE CALCULO DO LANÇAMENTO DE OFICIO (…) IV. DA EXCLUSÃO DE OFICIO DO SIMPLES E DAS CONSEQUÊNCIAS DELA DECORRENTES Tendo em vista que o contribuinte ultrapassou o limite previsto para utilização de regime de apuração de lucros com base no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, no anocalendário de 2004, foi procedida a exclusão do contribuinte desse regime de tributação, com efeitos a partir de 1 °. de janeiro de 2005, de conformidade com o disposto nos artigos 15 e 16, da Lei 9.317/96, e em consonância com o que preconiza o artigo 24, inciso VI, da Instrução Normativa SRF no. 608, de 9 de janeiro de 2006, por meio do Ato Declaratário no. 04, de 27 de janeiro de 2009, que está contido no Anexo Único deste Processo de no. 15540.000005/200949. A autuação no que tange ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, se dá com base na legislação do SIMPLES. V. DOS EFETIVOS ELEMENTOS DE PROVA COLHIDOS NO CURSO DA AÇAO FISCAL Anexamos ao processo, como elementos de prova, os Termos lavrados e as respostas apresentadas pelo contribuinte, e mais os seguintes documentos: 1. Declaração apresentada pela pessoa jurídica referente aos Exercício de 2005, anocalendário de 2004; 2. Cópias dos extratos bancários da contacorrente mantida no Bradesco, conforme anteriormente referido; 3. Cópias por mim autenticadas dos Livros Diário e Razão, já descritos, com registros correspondentes ao ano de 2004; 4. Demonstrativos Mensais de Créditos Bancários com Origem de Recursos Não Comprovada; 5. Consolidações dos Créditos Bancários cuja origem não foi comprovada (ano 2004). VI. DA APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO INCISO II, DO ART. 957, DO RIR199 E sobremodo importante assinalar que a multa de lançamento de oficio em percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no inciso II, do art. 957, do Decreto n °. 3.000, de 26 de março de 1999, é aplicada no presente lançamento de oficio, em razão de o contribuinte ter mantido à margem da base de cálculo do IRPJ devido, bem como de contribuições, expressivos valores, o que deixa clara a intenção dolosa da Autuada, caracterizada por sonegação fiscal. Manteve ainda o contribuinte registro cadastral de domicilio fiscal, junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em endereço meramente de fachada, o que demonstra a clara e inequívoca intenção em dificultar a ação da Fiscalização, com fito de não ver descoberta a burla à legislação tributária. (…) Toma ciência ainda o contribuinte, em mesmo ato, do Ato Declaratário Executivo no. 04, de 27 de janeiro de 2009, que declara a sociedade empresária excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 1 0. de janeiro de 2005, conforme previsto nos artigos 15 e 16 da Lei no. 9.317, de 1996, e no inciso VI do artigo 24 da Instrução Normativa 608, de 9 de janeiro de 2006, atestando o recebimento de cópia do citado ato. (…)” Fl. 736DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 737 6 Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnação às efls. 588 ss. sustentando, em primeiro lugar, com relação à contribuição previdenciária, que deveria ser excluída da autação, pois seria impossível se considerar que a empresa estaria sujeita ao regime do SIMPLES e, portanto, as calcularia sobre o faturamento, e adicionalmente que deveria ser excluída deste enquadramento por auferir receita superior ao limite global. Com suas palavras, “de duas uma: a) Ou a empresa é tributada pelo SIMPLES e neste caso não há débito fiscal a lançar já que é a receita reconhecida como tributável inferior ao limite legal para a opção, (o que sustenta a suplicante). b) Ou a empresa não é considerada como enquadrada no regime SIMPLES e neste caso as contribuições previdenciárias não são calculadas sobre o faturamento, e sim, sobre a folha de pagamento.” Esclarece que opera na atividade de cobrança, recebendo títulos de crédito por conta e ordem de terceiros e procedendo às providências necessárias para a sua liquidação, de modo que haveria uma diferença entre “a) o total do depósito bancário realizado pelo devedor em pagamento do crédito de terceiros representado pelo suplicante. b) A receita auferida pela suplicante que é a diferença entre o valor do depósito e o valor dos seus serviços deduzidos desses depósitos. c) O lucro que é o resultado do valor referido no item anterior diminuído dos custos e despesas operacionais nos limites e condições fixados pela legislação vigente.” No entanto, a fiscalização teria considerado estes três itens, que por sua natureza seriam diversos, como equivalentes e teria identificado os depósitos bancários com receita e com o lucro, prática que não poderia substituir, até porque poderia haver "re apresentação" de cheques que teriam sido tomados neste caso duas ou mesmo três vezes. Insiste, asism, na realização de “perícia contraditória indispensável para apuração da matéria de fato” ou arbitramento do lucro. Leiase: “15. Na verdade o auto conta exclusivamente o total dos depósitos bancários, desprezando quaisquer custos ou despesas, operacionais o que significa em termos práticos que deixou de lado os valores lançados na contabilidade por considerálos imprestáveis para apuração do resultado. 16. Ora mesmo que entendesse desta forma, não se poderia identificar a receita bruta com o lucro. Ao contrário caberia arbitrar o resultado, usando as regras do art. 532 do RIR, ou seja, os percentuais que estão previstos no art. 519 do RIR acrescidos de 20%. Em termos práticos isso significa que o lucro seria o equivalente à 9,6% da receita, ou seja, da base de cálculo adotada para o lançamento e não a totalidade dos ingressos financeiros.” Finalmente, defende que aos autos de infração relativos à Contribuição ao PIS e à COFINS deveriam ser cancelados em função de a Lei n. 9718 haver sido julgada inconstitucional em reiterada jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, reconhecendo Fl. 737DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 738 7 como sua base de cálculo exclusivamente a receita decorrente da prestação de serviço. Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I proferiu o acórdão n. 1237.603 (Efls. 607 ss.), mantendo o lançamento em questão pelas razões resumidas na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 PERÍCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia se reserva à elucidação de dúvidas sobre assuntos técnicos que requeiram conhecimentos de profissional especializado, cuja manifestação tornase necessária à solução do litígio. Sua realização não se justifica quando o fato puder ser demonstrado pela mera juntada de documentos. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Aplicase la insuficiência de recolhimento o mesmo tratamento dispensado à omissão de receita, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Logo em seguida, constam nos autos o Ato Declaratório Executivo n. 04, de 27 de janeiro de 2009 (Efls. 621), seguindo a Representação Fiscal (Efls. 619 ss.) anterior sobre a contribuinte ter excedido a receita bruta permitida para sua permanência no regime de apuração simplificado (SIMPLES). Em face da decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 646 ss.) basicamente nos mesmos termos de sua impugnação administrativa, mas desta vez mencionando a questão da qualificação da multa. Do julgamento do recurso pela Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção resultou o acórdão n. 140200.982 (Efls. 659 ss.), em que substancialmente se manteve a decisão da instância a quo, mas se afastou a qualificação da multa uma vez que não consubstanciada a fraude. Leiase a sua ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2004 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTANCIA. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 739 8 INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade da decisão de 1a. instancia que enfrenta todas as matérias impugnadas e indefere justificadamente pedido de perícia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados na operação. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. TRIBUTOS NÃO CONFESSADOS. LANÇAMENTO DE OFICIO. Verificada insuficiência de recolhimentos, diferenças essas que também não foram confessadas em DCTF, correto o Lançamento de Ofício com a respectiva multa pela infração. MULTA QUALIFICADA. Incabível a exigência de multa qualificada caso não consubstanciada a fraude, mormente quando a exigência é calcada unicamente em presunção legal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%, nos termos do voto do Relator, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.” Contra o referido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (Efls. 672 ss.), pretendendo fosse restabelecida a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% diante da defendida evidência de fraude, para o que apresentou os acórdãos n. 20309.098 e n. 10196.875 como paradigmas da divergência, sendo recepcionado por despacho de admissibilidade às Efls. 2558 ss.). Por fim, foram juntados ao processo o Ato Declaratório Executivo n. 46, de 22 de Junho de 2015 (Efls. 714) declarando inapta a inscrição da contribuinte perante o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e a inidoneidade dos documentos fiscais por ela emitidos, bem como despacho de encaminhamento (Efl. 729) registrando que a sua ciência para contrarrazões ou pagamento deuse via edital diante de tentativas mal sucedidas via postal. Passase, assim, à apreciação do recurso. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Fl. 739DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 740 9 CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose então ao caso sob exame, consideramse preenchidos tais requisitos, razão pela qual se VOTA POR CONHECER o recurso especial. MÉRITO 1. Preliminar de Nulidade Antes que se adentre na análise do recurso, impende observar que, embora o acórdão recorrido tenha julgado a questão da qualificação da multa, desconstituindoa, e a decisão da DRJ sobre ela tenha se manifestado sucintamente no último parágrafo de seu voto pela sua manutenção, observase da leitura da impugnação, que essa matéria não foi recorrida, tornando preclusa a discussão desde aquele instante. Voltandose ao autos, vêse que a impugnação absolutamente nada menciona sobre a qualificação da multa realizada na autuação. Fl. 740DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 741 10 Por sua vez, a DRJ também nada menciona sobre o tema durante todo o seu voto, com exceção da seguinte conclusão no seu último parágrafo, que interpreto como sendo uma simples manutenção do lançamento, eis que não tratou em suas razões da qualificação da penalidade. Vejase: “Conclusão 75 Pelas razões expostas, julgo o lançamento tributário procedente, para manter as exigências fiscais relativas ao IRPJ, à CSLL, ao PIS, à COFINS e ao INSS, sobre as quais deverão incidir juros de mora e multa de oficio de 75%, para a infração I e de 150%, para a infração II. 76 É o voto.” (grifouse) Na sequência, em seu recurso voluntário, a contribuinte trouxe uma colocação sobre o tema: Por sua vez, o acórdão recorrido assim decidiu: “Multa qualificada de 150% Consoante entendimento pacificado nesta Turma, não é cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando a exigência é calcada exclusivamente em presunção fiscal, no caso de omissão de Receitas com base em depósitos bancários. Isso porque, a fraude não se presume, deve ser provada o que não ocorreu no presente caso. Constatase, pois, a inocorrência de qualquer das hipóteses previstas nos art. 71 a 73 da 4.502/1964. Portanto a multa de oficio deve ser reduzida ao percentual de 75%. Conclusão Em verdade, na peça recursal, o contribuinte limitouse a repisar as alegações veiculadas na impugnação que a meu ver foram corretamente enfrentadas na decisão recorrida, pelo que entendo não merecer reparo os fundamentos acima transcritos. Pelas razões expostas, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso para reduzir a multa ao percentual de 75%.” Fl. 741DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 742 11 Independentemente do grau de aprofundamento do recurso voluntário e decisões citadas, não se consegue superar o fato de a matéria não ter sido objeto de recurso pela impugnação, restando preclusa desde então, razão pela qual se entende nula a decisão a quo que julgou o recurso voluntário sobre a matéria. Assim sendo, VOTASE POR RECONHECER A NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO, DESCONSITUTINDOO. 2. Qualificação da multa Na eventualidade de restar vencida na questão anterior, devolvese a julgamento com o recurso especial da Fazenda Nacional a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%, já adiantando que entendo pela sua aplicação. Partese das informações constantes do Termo de Verificação Fiscal para se compreender que, para além de presentes os elementos que permitiram a configuração da presunção de omissão de receitas, reconhecese circunstâncias que, reunidas, demonstram a ilicitude do contribuinte, qualificada como sonegação, nos termos do artigo 957 do RIR/99, com as suas remissões. Além da manutenção de expressivos valores à margem da tributação; sem apresentar as devidas comprovações quando intimado a fazêlo, entendese o dolo de ocultar o seu real domicílio, elegendo uma empresa de faixada utilizada como localização de mais de 350 empresas, sem estrutura e funcionamento, num endereço noutra cidade (Saquarema/RJ), enquanto se teve conhecimento de que funcionava, verdadeiramente, em Niterói, para a prestação de serviços de factoring, dentre alguns fatores relatados pelo Termo de Verificação Fiscal, que ora se aproveita: “I. DA AÇÃO FISCAL EMPREENDIDA Em 6 de setembro de 2007, comparecemos à Rua Dr. Luiz Januário, 262, Centro, Saquarema, Rio de Janeiro, endereço constante do Cadastro Nacional de Pessoa Jurldica — CNPJ, corno sendo o de domicilio fiscal de COBRAR ASSESSORIA EM COBRANÇA LTDA., CNPJ 06.021.788/000107, encontrando portas cerradas em horário comercial. Localizamos, em própria casa, por meio de informação de terceiros, a Sra. FABIANE BELGUES AFFONSO, CPF 004.951.22777, que devidamente franqueou o acesso da Fiscalização à sala onde supostamente funcionaria a sociedade empresária. Encontramos em modesta sala unicamente uma mes e cadeira, com algumas prateleiras vazias. Foinos relatado por Fabiana Belgues Affonso que: 1. A Cobrar Assessoria em Cobrança Ltda. não tinha sua operacionalidade naquele endereço; 2. Que era secretaria de JOÃO MIGUEL LIMA ESTEPHANIO, posteriormente identificado como portador da carteira de identidade no. 361468, expedida pelo Fl. 742DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 743 12 Ministério da Marinha, CPF 635.040.81791, casado, engenheiro, domiciliado na Rua Montevidéu, 1.190 apto.101, Penha, RJ; 3. Que o endereço era mantido meramente como fachada para aproximadamente 350 empresas; 4. Que a Policia Federal estivera naquele endereço, segundo ela um mês antes, em operação de busca e apreensão. Contatado por telefone, Joao Miguel Lima Esthephanio, já qualificado, compareceu à Delegacia da Receita Federal em Niterói, apresentando: 1. Recibo assinado por ALUISIO DUARTE THOMAS DE AQUINO, um dos sócios da Cobrar Ltda., que, em síntese atesta que a Cobrar sublocava a referida sala; 2. Documento assinado por Joao Esthephanio no qual afirma ser um mero sublocador de espaço Cobrar; 3. Contrato de sublocação celebrado entre Joao Esthephanio e a Cobrar, representada pelo sócio Aluisio; 4. Mandado de Busca e Apreensão expedido pela 4a• Vara Federal Criminal datado de 9 de julho de 2007. Em ligação para a repartição, apresentouse FELIPE P. N. CASTANHEIRA DE SOUZA, como sendo um dos sócios da ora Autuada, informando que o endereço da Cobrar seria na Rua José Clemente, 94 sala 1.205, Centro, Niterói, RJ, para onde enviamos, por Aviso de Recebimento emitido pelos Correios, Termo de Reintimação lavrado em 15/10/2007, com exigência fiscal de apresentação de extratos bancários referente a movimentações efetuadas nas instituições financeiras Bradesco e BCN. Apresentou o contribuinte os extratos solicitados, justificando que a conta mantida no BCN foi consolidada em uma única contacorrente quando da incorporação do BCN pelo Bradesco. Analisados os extratos bancários em sua totalidade, confrontados os valores com os Livros Diário e Razão apresentados, temse que: II. DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS PASSÍVEIS DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO O lançamento de oficio é efetivado, a fim de salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional, em virtude de o contribuinte, no curso da ação fiscal, não ter apresentado quaisquer documentações que justificassem o fato de ter registrado, em declaração apresentada para o exercício de 2005, anocalendário de 2004, valores correspondentes as suas receitas de prestação de serviços em muito inferiores ao volume de créditos movimentados em contacorrente mantida no Bradesco, deles já expurgados todos os valores cujo histórico não possibilitava à Fiscalização a convicção de que se referiam a receitas operacionais, bem como valores referentes a empréstimos contraídos, estornos, devoluções de CPMF, transferências de mesma titularidade etc. Foram analisados todos os registros de créditos e de débitos que os extratos bancários continham, sendo desprezados os valores representativos de centavos de real. Apresentando declaração sob o regime SIMPLES, no ano fiscalizado, contribuinte registrou como sendo o total de suas receitas de prestações de serviços no ano calendário de 2004, exercício de 2005, o valor de R$ 195.449,68 (cento e noventa e cinco mil quatrocentos e quarenta e nove reais e sessenta e oito centavos). Apurouse que o volume de movimentação a crédito da conta bancária da pessoa jurídica (após os necessários expurgos, já referidos) monta R$ 3.640.226,16 (três milhões seiscentos e quarenta mil duzentos e vinte e seis reais e dezesseis centavos). Fl. 743DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 744 13 O Autuado, intimado a justificar a origem dos recursos depositados na conta corrente 13.8711, agência 30716, mantida no Bradesco, informa que: 1. A empresa tem como atividade a assessoria em cobrança que inclui além de orientação técnica ao Departamentos de Contas a Receber de Terreiros, o serviço efetivo de cobrança; 2. Este serviço inclui o recebimento de duplicatas, endossadas para a Cobrar; 3. Após o recebimento e deduzido, se for o caso, os honorários da cobrança, os valores são repassados aos clientes; 4. Os valores movimentados a crédito também o foram a débito. A ora Autuada não apresentou demonstrativos, contratos, recibos, duplicatas, notasfiscais de prestação de serviços, correspondências, ou quaisquer outros documentos, em apoio à justificativa apresentada. Obviamente, dos extratos constam valores a débito. Entretanto, tais débitos não mantém correlação com os créditos em magnitude. Os valores de débitos e créditos não são de tal forma semelhantes, que permitam o entendimento de que os créditos deixam de representar receitas operacionais ou valores de origem não comprovada e mantidos à margem do atingimento da Receita Federal, quando da apresentação de declaração por parte do contribuinte, quanto à cobrança de imposto e contribuições. Via de consequência, concluise que o contribuinte deliberadamente omitiu valores referentes a receitas operacionais, já que não apresentou, no curso da ação fiscal, quaisquer documentos referentes aos serviços supostamente prestados, não comprovando a origem dos recursos, tampouco a quais pessoas jurídicas prestou serviços, sejam eles de assessoramento ou cobrança, como afirma. O contribuinte não apresentou o Livro Caixa. Entretanto, mesmo optando pelo regime de tributação SIMPLES, manteve registros no ano de 2004, em Livros Diário e Razão. O Livro Razão que contém registros pertinentes ao anocalendário de 2004, não contém assinaturas de sócios, embora registre a assinatura do contabilista RUY CASTANHEIRA DE SOUZA, CRC 19639 04, CPF 076.242.04720. O Livro Diário (ano 2004) contém registro no Cartório do 12°. Oficio de Niterói, e vai assinado por sócio e contabilista. Da análise do referido Livro verificouse que: 1. Não contém registros de clientes e fornecedores, números de documentação fiscal etc.; 2. Há registros de movimentações no Bradesco, sem identificação do serviço prestado ou da despesa incorrida; 3. Os lançamentos aparecem meramente generalizados, conforme cópias reprográficas por mim devidamente autenticadas, representando a integralidade dos quatro livros apresentados (dois Diários e dois Razões).” Por essas razões, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 744DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 745 14 Voto Vencedor Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Redator Designado Sobre a preliminar de reconhecimento de ofício da preclusão da discussão da matéria qualificação da multa, por ausência de menção na impugnação, tenho posicionamento distinto do posicionamento da i. Relatora. Analisando friamente o Decreto 70.235/72, a preclusão é tratata no parágrafo §4º, do artigo 16, em relação à juntada de provas posteriormente à impugnação e no artigo 17, sobre a falta de impugnação de determinada matéria, nos seguintes termos: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Contudo, tratandose de processo administrativo, onde imperam princípios próprios, até mesmo a preclusão não é matéria pacífica. Há muitos que aqui nesse tribunal entendem que a preclusão deve ser relativizada, em função do princípio da verdade material, de modo a aceitar provas ou razões em qualquer momento do preocesso administrativo. Digo isso para ilustrar que a matéria preclusão não é pacífica nesse tribunal, de modo que seu reconhecimento pelo julgador demanda discussão acerca de qual entendimento deve prevalecer, a saber: relativizase em função do princípio da verdade material ou interpretase literalmente a Lei? Nesse contexto, compreendo que a preclusão, em processo administrativo fiscal, deve ser matéria cuja discussão seja provocada pelas partes, não sendo possível seu reconhecimento de ofício pelo julgador. Nesse contexto, divirjo da relatora quanto à aplicação da preclusão de ofício. É como voto quanto a essa matéria. (assinado digitalmente) Fl. 745DF CARF MF Processo nº 15540.000005/200949 Acórdão n.º 9101003.425 CSRFT1 Fl. 746 15 Gerson Macedo Guerra Fl. 746DF CARF MF
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Numero do processo: 13807.005119/00-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 IRPJ. INOBSERVÂNCIA QUANTO A PERÍODO-BASE DE APROPRIAÇÃO DE DESPESA.. No caso de inexatidão quanto à apropriação de despesas, é cabível a recomposição dos lucros tributáveis dos períodos-base envolvidos para, somente assim, apurar o verdadeiro reflexo fiscal, seja redução indevida do lucro real, seja postergação no pagamento do imposto. Todavia, é necessária a efetiva comprovação desta nos autos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.670
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Pelá
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 IRPJ. INOBSERVÂNCIA QUANTO A PERÍODOBASE DE APROPRIAÇÃO DE DESPESA.. No caso de inexatidão quanto à apropriação de despesas, é cabível a recomposição dos lucros tributáveis dos períodosbase envolvidos para, somente assim, apurar o verdadeiro reflexo fiscal, seja redução indevida do lucro real, seja postergação no pagamento do imposto. Todavia, é necessária a efetiva comprovação desta nos autos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.005119/0072 Acórdão n.º 140200.670 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório TECALON BRASILEIRA DE AUTO PECAS LTDA., com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa. Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL, lavrado em 23/06/2000, referente ao anocalendário 1996, apurado com base no lucro real anual, multa e juros. Contanos o relatório da DRJ (fls. 1310/1314), que a causa da autuação foi a majoração indevida do custo de produtos vendidos decorrente da subavaliação dos estoques finais de produtos em fabricação e acabados, em vista do arbitramento efetuado pela fiscalização dos valores desses estoques finais, decorrente da desclassificação do sistema de custos, pois a fiscalização entendeu que o mesmo não era integrado e coordenado à contabilidade comercial. Essa majoração não foi considerada postergação pela fiscalização, pois não houve pagamento do imposto no ano subseqüente (fls. 30/31). O total das diferenças apuradas alcançou R$ 185.555,95, sendo R$ 165.031,90 referente ao estoque final de produtos acabados e R$ 20.524,05 referente ao estoque final de produtos em processamento (fls. 168/194). Os fatos apurados constam do Termo de Verificação Fiscal às fls. 168/173. A empresa apresentou impugnação ao Auto de Infração (fls. 197/212), acostando cópias de documentos (fls. 213/465 e 474/751) e alegando, em resumo, conforme relatório da DRJ, que: 10.1 dispõe, sim, de um sistema contábil de custos integrado e coordenado com o restante da escrituração, conforme documentos apresentados juntamente com a impugnação cotejados com os requisitos legais, assim definidos no RIR/94: "Art. 236. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Leis nos 154/47, art. 2°, §4°, e 6.404/76, art. 183, II). §1º. O contribuinte que mantiver sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração poderá utilizar os custos apurados para avaliação dos estoques de produtos em fabricação e acabados (Decretolei n.° 1.598/77, art. 14, §1°). §2°. Considerase sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração aquele: a) apoiado em valores originados da escrituração contábil (matériaprima, mãodeobra direta, custos gerais de fabricação); Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.005119/0072 Acórdão n.º 140200.670 S1C4T2 Fl. 0 3 b) que permite determinação contábil, ao fim de cada mês, do valor dos estoques de matériasprimas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados; c) apoiado em livros auxiliares, ou fichas, ou formulários contínuos, ou mapas de apropriação ou rateio, tidos em boa guarda e de registros coincidentes com aqueles constantes da escrituração principal; d) que permite avaliar os estoques existentes na data de encerramento do períodobase de apropriação de resultados segundo os custos efetivamente incorridos." 10.2 a alínea "a" é suprida pelos mapas de valorização de produtos acabados (anexo 1, às fls. 213 a 361) e em processo (anexo 1a, às fls. 362 a 465), bem como pelo demonstrativo do custo médio das matériasprimas (anexo 1b, às fls. 475 a 617), de janeiro a dezembro de 1996; 10.3 a alínea "b" é suprida pelos demonstrativos analíticos dos valores dos estoques de matériasprimas e outros materiais, produtos em elaboração e produtos acabados (anexo 2, às fls. 618 a 622); tais valores estão "explicitados nos mapas de resumo sintético que se encontram em anexo, denominados Cálculo da Movimentação de Materiais e Inventário, nos quais são transportados os valores ... dos mapas analíticos acima indicados; (entendase: o Cálculo da Movimentação de Materiais e Inventário é o anexo 2, identificado como resumo analítico, às fls. 618 a 622); 10.4 a alínea "c" é suprida pelos mapas já mencionados e pelas "fichas técnicas de cada produto, das quais anexamos uma delas (anexo 3), somente para ... conhecimento dos critérios de apuração do custo de cada produto", que demonstram que há "mapas e demonstrativos que embasam a valoração atribuída a cada produto" (fls. 623 a 632); 10.5 a alínea "d" é suprida pela documentação já mencionada, que permite a avaliação dos estoques na data do encerramento do períodobase; 10.6 há a descrição de "processo de custo integrado da contabilidade", seguido pela empresa, "bem como o organograma que explicita como são apropriados os custos (anexo 4)", às fls. 633 a 636; 10.7 as variações, ou seja, as diferenças entre os valores registrados nos balancetes mensais e os valores registrados como custo dos estoques nos mapas analíticos e sintéticos já mencionados, em média de 3% ao ano, são aceitáveis, estando explicitadas em demonstrativo (anexo 5, às fls. 637 a 639), cujos dados foram extraídos do balancete de 31/12/96 (anexo 5a às fls. 640 a 665), tendo sido causadas por preparação de máquinas para a fabricação de um novo produto, perdas eventuais decorrentes de falta de energia, de matériaprima, programa das montadoras menor do que o previsto no início do mês e Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.005119/0072 Acórdão n.º 140200.670 S1C4T2 Fl. 0 4 manutenção de máquinas, fatores normais e usuais na atividade fabril; reproduz exemplo extraído de respeitável literatura técnica a respeito de acréscimo das variações líquidas ao custo padrão, na demonstração do resultado, bem como de demonstrativo da composição dessas variações líquidas; conclui que "as diferenças apuradas, que se encontram no mapa em anexo", são aceitáveis, tanto do ponto de vista contábil como fiscal, "não ensejando, ..., qualquer presunção quanto à inexatidão das demonstrações contábeis ... a justificar o arbitramento do valor dos estoques ...", pois alcançam apenas 3% ao ano (entendase: 3% do faturamento líquido anual, conforme fl. 638); 10.8 o cálculo do arbitramento do "valor dos produtos acabados em 70%, conforme mapa ...em anexo" (fls. 174 a 185 e anexo 6, às fls. 666 a 678), do qual resultou o valor tributável de R$ 165.031,90 (fl. 185 e 678), referente aos produtos acabados, não deve prevalecer, pois "o arbitramento ... foi realizado somente em relação a alguns produtos, não abrange toda gama de produtos fabricados ...", de forma que o arbitramento correto seria de R$ 63.090,44 (anexo 7, às fls. 679 a 690), conforme o registro de Inventário da matriz, em 31/12/96 (anexo 7a, às fls. 691 a 719), e a listagem de códigos atuais dos produtos utilizados nesse cálculo (anexo 8, às fls. 720 a 748), pois há alguns produtos vendidos até com prejuízo; 10.9 "ad argumentandum", a subavaliação dos estoques finais e conseqüente majoração de custos resultam apenas em postergação do pagamento de tributos, de forma que caberia, somente, multa e juros de mora sobre o recolhimento em atraso; o fato de ter apurado prejuízo fiscal em 1997 (fls. 30, 31 e anexo 9, às fls. 749 a 751) não afeta o argumento; traz jurisprudência administrativa. 11 Os documentos apresentados, conforme fl. 213, são os seguintes: 11.1 anexo 1: demonstrativo da valorização de produtos acabados em 1996, às fls. 213 a 361; 11.2 anexo 1a: demonstrativo da valorização de produtos em processos em 1996, às fls. 362 a 465; 11.3 anexo 1b: demonstrativo do custo médio de matériaprima em 1996, às fls. 475 a 617; 11.4 anexo 2: resumo analítico da apuração dos estoques em 1996, às fls. 618 a 622; 11.5 anexo 3: modelo de apuração do custo do produto conforme ficha técnica, às fls. 623 a 632; 11.6 anexo 4: descrição do processo de custo integrado à contabilidade, às fls. 633 a 636; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.005119/0072 Acórdão n.º 140200.670 S1C4T2 Fl. 0 5 11.7 anexo 5: composição do custo dos produtos vendidos, de janeiro a dezembro de 1996 (contábil x sistema de apuração), às fls. 637 a 639; 11.8 anexo 5a: balancete analítico de 31/12/96, às fls. 640 a 665; 11.9 anexo 6: demonstrativo do custo arbitrado calculado pela fiscalização, às fls. 666 a 678; 11.10 anexo 7: demonstrativo do custo arbitrado calculado pela Tecalon, às fls. 679 a 690; 11.11 anexo 7a: registro de Inventário em 31/12/96 matriz, às fls. 691 a 719; 11.12 anexo 8: listagem de códigos atuais de produtos, às fls. 720 a 748; 11.13 anexo 9: LALUR 1997, às fls. 749 a 751. 12 A empresa apresentou, também, impugnação ao Auto de Infração de CSLL (fls. 752 a 766), reportandose aos mesmos argumentos e documentos (fls. 767 a 1304). O acórdão recorrido manteve a desclassificação do sistema de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração, por entender comprovada a inobservância, pelo contribuinte, dos requisitos previstos no Parecer Normativo CST N° 06/79. Eis os excertos relevantes, para o caso, do PN CST n.° 6/79 (fl. 170): "3.5 No caso em que a empresa apure custos com base em padrões préestabelecidos (custopadrão), como instrumento de controle de gestão, deverá cuidar no sentido de que o padrão incorpore todos os elementos constitutivos atrás referidos, e que a avaliação final dos estoques (imputação dos padrões mais ou menos as variações de custos) não discrepe da que seria obtida com o emprego do custo real. Particularmente, a distribuição das variações entre os produtos (em processo e acabados) em estoque e o custo dos produtos vendidos deve ser feito a intervalos não superiores a três meses ou em intervalo de maior duração, desde que não excedido qualquer um dos prazos seguintes: (1) o exercício social; (2) o ciclo usual de produção, entendido como tal o tempo normalmente despendido no processo industrial do produto avaliando. Essas variações, aliás, haverão que ser identificadas a nível de item final de estoque, para permitir verificação do critério de neutralidade do sistema adotado de custos sobre a valoração dos inventários. Assim, defende que se a contabilidade pode admitir pequenas diferenças para os usuários do custopadrão, como afirma a contribuinte, mas o mesmo não poderia ocorrer do ponto de vista fiscal, por disposição expressa no subitem 3.5 do PN CST n° 6/79. Destaquese trecho do acórdão recorrido nesse sentido: 22. Vejase, a propósito dessas variações, que o anexo 5 mostra, à fl. 638, que a média mensal das diferenças entre o custo contábil e o custo apurado, em 1996, foi de R$ 72.333,00, ou seja, uma diminuição indevida no lucro líquido anual de R$ 867.999,00. O mesmo anexo mostra que o CPV contábil é de R$ 22.346.073,00 e que R$ 21.478.074,00 é o CPV do sistema de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.005119/0072 Acórdão n.º 140200.670 S1C4T2 Fl. 0 6 custo, em 1996. Em outras palavras: eis a admissão de que o sistema de custos não é integrado e coordenado à contabilidade geral. 23. Ademais, a impugnante não alega e não comprova que efetuou os devidos ajustes do valor das variações apuradas ao custopadrão, para valorar os estoques finais, de forma que, ao contrário do que afirma, não só não cumpriu as alíneas "c" e "d", do § 2°, do art. 236, do RIR/94, mas, tampouco, o item 3.5 do PN CST n.° 6/79. 24. Por fim, digase que o fato de a variação alcançar 3% do faturamento líquido ao ano não afasta as determinações legais aplicáveis ao caso. Argumentos improcedentes. Ademais, entendeu procedente o argumento de que o arbitramento não abrange toda gama de produtos fabricados. Assim, procedeu a avaliação de todo estoque de produtos acabados utilizando em seu cálculo: (i) o maior dos valores quando há divergência entre o maior preço de venda da tabela de fls. 75/101 (utilizado pela fiscalização) e o maior preço de venda utilizado no cálculo da impugnante; (ii) o maior preço de venda quando há preços diferentes para o mesmo código, na referida tabela; e (iii) o preço de venda informado pela impugnante, em seu cálculo para os produtos em estoque não identificados nessa tabela. Os cálculos mostraram que o valor tributável seria superior àquele arbitrado pela fiscalização, razão pela qual o acórdão recorrido manteve o valor tributável autuado integralmente. Por fim, a decisão recorrida afasta o argumento de postergação de imposto sob a justificativa de que o contribuinte apurou prejuízo fiscal no anocalendário seguinte. Irresignado, o contribuinte apresenta recurso voluntário repisando os argumentos de sua peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.005119/0072 Acórdão n.º 140200.670 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Carlos Pelá, Relator. Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Compulsandose dos autos verificase que a autoridade fiscal encontrou diferenças de valores a menor constantes do livro de inventário (material semiacabado, acabado e matériaprima), que teriam evidenciado o acréscimo dos custos dos produtos vendidos nos períodosbase e, por via de conseqüência, a redução da base de cálculo do lucro real de cada exercício fiscalizado. Tais diferenças correspondem a 3% do faturamento líquido anual e seriam relacionadas à "preparação de máquinas para a fabricação de um novo produto, perdas eventuais decorrentes de falta de energia, de matériaprima, programa das montadoras menor do que o previsto no início do mês e manutenção de máquinas, fatores normais e usuais na atividade fabril", conforme afirma o próprio contribuinte e, portanto, seriam aceitáveis. Sobre esse ponto, esclareçase, por oportuno, que as diferenças relacionadas com perdas e quebras de estoque, segundo o art. 233 do RIR/94, integram o custo de produção dos bens e, não por outra razão, deveriam ter sido consideradas pelo contribuinte em sua formação de custos ao invés de permanecer à margem dela. Dito isso, de largada me inclino a confirmar que a apuração de custo feita pela empresa não está integrada com sua escrituração contábil, já que a fiscalização e a decisão da DRJ demonstraram através dos cálculos que efetuaram que se considerarmos as saídas registradas e os valores de avaliação registradas no inventário para cada item, o valor encontrado não representa o custo dos produtos vendidos escriturados no livro diário, o que fora confirmado pelo próprio contribuinte. Além disso, verificase dos autos que o contribuinte anexou novos documentos para comprovar que sua avaliação de estoque e formação de custos das mercadorias vendidas está coordenada à contabilidade comercial. Contudo, a vasta gama de documentos demonstra apenas que haviam mapas da alocação dos custos e controle sobre a formação do custo médio de matériaprima, que, entretanto, não tem o condão de alterar as diferenças já apuradas pela fiscalização. Assim, mesmo sem analisar profundamente os documentos acostados pelo contribuinte, uma vez que ele próprio confessa que existem diferenças na formação dos preços capazes de ensejar a majoração dos custos dos produtos, entendo procedente o lançamento efetuado. Nesse contexto, registrese também, que na falta de sistema de contabilidade de custo integrado, a avaliação do estoque de materiais em processamento e de produtos acabados é feita por arbitramento, calculado sobre o maior preço de venda praticado no períodobase. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13807.005119/0072 Acórdão n.º 140200.670 S1C4T2 Fl. 0 8 De outro giro, aduziu a recorrente que, ainda que houvesse subavaliação de estoque, estaria caracterizada a postergação e nunca a redução do imposto devido no período base. Nesse ponto, poderia assistir razão a recorrente. É sabido que a subavaliação de estoques em um determinado período, tem como conseqüência à majoração de custos nesse mesmo exercício, todavia, obrigatoriamente, implica na apuração de custo a menor, no exercício subseqüente, quando as vendas forem efetuadas. Isso porque, o estoque final do primeiro exercício será o estoque inicial do segundo exercício e assim por diante (Acórdão nº 10321.103). Contudo, nos casos em que, nos períodos de apuração subseqüentes ao de início do prazo da postergação e até o de término deste, a pessoa jurídica não houver apurado imposto e contribuição social devidos, em virtude de prejuízo fiscal ou de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, o lançamento deverá ser efetuado para exigir todo o imposto e contribuição social apurados no período de apuração inicial, com os respectivos encargos legais, tendo em vista que, segundo a legislação de regência, as perdas posteriores não podem compensar ganhos anteriores (PN Cosit nº 2, de 1996, item 9). Com efeito, essa avaliação deve ser feita em todos os períodos de apuração subseqüentes ao de início do prazo da postergação até o periodo em que o lançamento foi efetuado (06/2000). Nesse sentido, corrobora jurisprudência desse Conselho ao analisar lançamentos que apontavam inobservância quanto à apropriação de despesas no mesmo períodobase. Ocorre que o contribuinte não faz prova de que efetuou pagamento de tributos nos períodos seguintes. Ou seja, apesar de alegála, não traz prova da efetiva ocorrência da postergação, o que a toda evidência estaria a seu alcance, bastando juntar seus livros contábeis e as declarações do imposto de renda. Compulsando os autos não é possível concluir que realmente o contribuinte assim procedeu e, considerando que caberia ao autuado fazer essa prova, não há como reconhecer a ocorrência da postergação. Quanto às demais questões verificase que foram adequadamente enfrentadas no voto condutor do acórdão recorrido, cujos fundamentos não merecem reparos. Posto isso, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 16682.720072/2010-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
MUDANÇA DE ESTIMATIVA CONTÁBIL. RETIFICAÇÃO DE DIPJ EM PERÍODO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE.
A mudança de estimativa contábil não consiste em retificação de erro e não autoriza o reconhecimento de seus efeitos tributários em períodos anteriores mediante ajustes ao lucro real
Numero da decisão: 9101-003.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente BANCO NACIONAL S/A EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL Interessado UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MUDANÇA DE ESTIMATIVA CONTÁBIL. RETIFICAÇÃO DE DIPJ EM PERÍODO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A mudança de estimativa contábil não consiste em retificação de erro e não autoriza o reconhecimento de seus efeitos tributários em períodos anteriores mediante ajustes ao lucro real Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 00 72 /2 01 0- 65 Fl. 2047DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial interposto por Banco Nacional S/A (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 110100.756 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 1a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial versa sobre a validade da retificação de DIPJ do ano de 2005, com a consequente majoração dos saldos de prejuízos acumulados, em virtude de comunicado do Banco Central ("BACEN") emitido em 2006, em que esta comunica modificações na contabilização de débitos do recorrente no Programa de Estimulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional ("PROER"), no qual a referida instituição regulatória figura como credora. A aludida comunicação emitida pelo BACEN ao ora recorrente apresenta o seguinte conteúdo: “Senhor Liquidante. Comunicamos a V. Sa. que procedemos a adequaca̧õ da contabilização dos créditos do Banco Central perante instituicõ̧es em liquidação extrajudicial, oriundos do Programa de Estímulo à Reestruturacã̧o e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (PROER), com garantia real, às disposições do parágrafo único do art. 26 do Decretolei 7.661 de 1945 e do parágrafo único do art. 124 da Lei 11.101 de 2005. 2. Em decorren̂cia, o balanço de junho/2006 passa a refletir aqueles cred́itos atualizados com os encargos originalmente previstos nos contratos, resultando no montante de R$10.989.313.427.43 (dez bilhões, novecentos e oitenta e nove milhões, trezentos e treze mil, quatrocentos e vinte e sete reais e quarenta e três centavos), conforme planilha de cálculo já enviada a essa instituição. 3. As modificações na forma de registro e contabilização dos créditos do PROER observam as normas internacionais de padronização contábil elaboradas pelo International Accounting Standards Board (IASB) e os seguintes critérios: a) Saldos: encargos iguais ao custo médio dos títulos e direitos creditórios dados em garantia, acrescidos de 2% a.a.; b) Garantias: fluxos ajustados a valor presente utilizando como taxas de desconto as divulgadas pelo Comitê para Análise de Risco (NotaComitê Portaria 24593 002/2006, de 26.6.2006) para os seguintes ativos: CVS/FCVS 14,71% a.a.; NTNA3 8,02% a.a.. Quanto ao TDAE, utilizouse a taxa de desconto divulgada pelo exp. Deafi/Diaco 2006/60, de 27.6.2006: 10,53% a.a.. Para o ativo FCVS foi aplicada a taxa de rejeiçaõ de 10,67% informada pela CEF em 1.12.2005; c) Natureza: quanto à classificação, considerase que todo crédito do Banco Central, seja com garantia real (Proer), ou não, é de natureza preferencial; 4. Assim, deverá V. Sa. providenciar a adequação da contabilidade desse liquidando às mencionadas disposições legais de modo a refletir a real situaçaõ de suas obrigações e de seus ativos, consideradas as taxas mencionadas no item precedente.” Entre outras coisas, o acórdão recorrido repisou que, em face da comunicação emitida pelo BACEN: Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 16682.720072/201065 Acórdão n.º 9101003.430 CSRFT1 Fl. 1.987 3 "A contribuinte ajustou contabilmente saldo de suas obrigações em junho de 2006, mas registrou em Notas Explicativas que os reflexos fiscais do ajuste do passivo pertinentes a 2004 e 2005 seriam reconhecidos com as retificações das Declarações pertinentes. Os arquivos eletrônicos fornecidos à fiscalização permitiram quantificar o ajuste total em R$ 6.163.040.617,60, sendo a parcela de R$ 3.781.800.314,81 registrada a titulo de Lucros ou Prejuízos Acumulados de Exercícios Encerrados, e subdividida nos valores de R$ 1.787.409.504,17 pertinente ao período de novembro/95 a dezembro/2000, e de R$ 1.994.390.810,65 pertinente ao período de janeiro/2001 a dezembro/2005. Deste último montante, o valor de R$375.410.901,44 foi apropriado no anocalendário 2005, mediante exclusão na apuração do lucro real informada em DIPJ retificadora, e sem alteração da contabilidade ou das demonstrações financeiras de 2005". Ademais, o acórdão recorrido, citando o relato do acórdão da DRJ, assim apresenta os fatos presentes neste caso: "Registrou a Fiscalização que a Interessada não alterou a contabilidade, nem as demonstrações financeiras de 2005, mas retificou a DIPJ para excluir, das bases fiscais, parte do ajuste da dívida PROER efetuado em Junho/2006. Entendeu a fiscalização que os efeitos do ajuste determinados pelo BACEN só poderiam afetar os resultados do próprio período ou posteriores, e nunca retroagir a 2005, uma vez que tratou o caso de mudanças de estimativas, sendo que o Banco Central levou todo o ajuste dos saldos dos créditos PROER ao resultado de 2006. Com base nestas informações, a Fiscalização entendeu que ocorreram as seguintes infrações: Infração 001. Glosa de prejuízos compensados indevidamente pela inobservância do limite de 30%. Infração 002. Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real, referentes a créditos baixados como perdas de dedutibilidade não comprovada, e embutidos no valor excluído pela contribuinte a título de "reversão de provisões" no LALUR, DIPJ ac 2005, Ficha 09B, linha 22, e na D1PJ ac 2006, Ficha 09B, linha 21; Infração 003. Exclusões/compensações não autorizadas na apuração do lucro real por meio de juros produzidos por NTNA3, não beneficiados pela lei de isenção, gerando a redução indevida do Lucro Real, conforme LALUR; D1PJ AC 2005, Ficha 09B, linha 32; e DIPJ AC 2006, Ficha 09B, linha 31; Infração 004. Exclusões/compensações não autorizadas pela legislação do imposto de renda, de valores do lucro liquido do exercício. Valor identificado como parte do ajuste de divida PROER efetuado em Junho/2006, cujo efeito a Interessada pretendeu trazer para o resultado fiscal de 2005 (LALUR e DIPJ AC 2005, Ficha 09B, linha 33)." A DRJ julgou a impugnação administrativa integralmente improcedente (e fls. 1.584 e seg.). A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE. 30%. A limitação de 30% do lucro líquido ajustado para compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa não excepciona a entidade em fase de liquidação extrajudicial. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS. Fl. 2049DF CARF MF 4 As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial sujeitamse às mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às instituições ativas, relativamente aos impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO. A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional, (NTN), prevista no artigo 4º da Lei nº 10.179, de 2001, aplicase apenas às da série A, subsérie 1 NTNA1. Lei nº 10.179, de 2001, artigos 1º a 4º. e Decreto nº. 3.540, de 2000, artigos 6º e 7º, combinados com CTN, artigo 111, inciso II. PROVISÃO. REVERSÃO. EXCLUSÃO. A reversão de uma provisão que, quando da sua constituição, foi adicionada ao lucro real (oferecida à tributação), somente não constituirá receita passível de tributação, se forem cumpridos os requisitos do artigo 9º., da Lei nº.9.430, de 1996. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Foi interposto recurso voluntário pelo contribuinte (efls. 1611 e seg.), ao qual foi dado provimento parcial pela Turma a quo, “para excluir da base imponível dos lançamentos de IRPJ e CSLL no anocalendário 2005 a parcela de R$ 287.779,22, bem como exonerar as exigências de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário 2006” (efls. 1.754 e seg.). O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 CONEXÃO. Não sendo mais possível a reunido dos processos conexos, para julgamento conjunto, os efeitos da conexão são determinados em razão das infrações verificadas. REITERAÇÃO DE CONDUTA EM PERÍODOS DE APURAÇÃO POSTERIORES. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO SUBMETIDO A NOVA ANALISE DA AUTORIDADE LANÇADORA. APRECIAÇÃO INDEPENDENTE DO LITÍGIO. A reiteração de conduta em mais de um período de apuração não dispensa a apreciação dos contornos próprios da infração verificada no período autuado. Os efeitos de um mesmo fato jurídico tributário exigem apreciação especifica no contencioso administrativo tributário se outra foi a motivação fiscal para exigência do crédito tributário dele decorrente. MUDANÇA DE ESTIMATIVA CONTÁBIL. RETIFICAÇÃO DE DIPJ EM PERÍODO ANTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. A mudança de estimativa contábil não consiste em retificação de erro, e não autoriza o reconhecimento de seus efeitos tributários em períodos anteriores, mediante ajustes ao lucro real veiculados em retificação da DIPJ. LANÇAMENTO QUE TAMBÉM ALCANÇA PERÍODO NO QUAL É CONTABILIZADO 0 AJUSTE. FALTA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não subsiste o lançamento decorrente de outras infrações no anocalendário em que promovido o ajuste contábil que ensejou a exclusão glosada em período anterior, quando ausente motivação que inviabilize a dedução do ajuste no período em que contabilizado. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Correta a glosa das parcelas que a autoridade lançadora demonstrou corresponder à exclusão de perdas da base tributável não suportada pelas provas exigidas na legislação tributária, mas não subsiste a exigência no anocalendário 2006, em razão da falta de certeza e liquidez decorrente dos ajustes por mudança de estimativa contábil. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. A limitação de 30% do lucro liquido ajustado, para compensação de prejuízos fiscais, não excepciona a entidade em fase de liquidação extrajudicial. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 16682.720072/201065 Acórdão n.º 9101003.430 CSRFT1 Fl. 1.988 5 REGIME DE LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. NORMAS APLICÁVEIS. As instituições financeiras submetidas a regime de liquidação extrajudicial se sujeitam as mesmas normas da legislação tributária aplicáveis às instituições ativas, relativamente aos impostos e as contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. INFLUÊNCIA DE OUTRA INFRAÇÃO IMPUTADA NO MESMO LANÇAMENTO. Improcedente a exigência no anocalendário 2006, em razão da falta de certeza e liquidez decorrente dos ajustes por mudança de estimativa contábil. JUROS DE NOTAS DO TESOURO NACIONAL. ISENÇÃO. A isenção dirigida aos juros produzidos por Notas do Tesouro Nacional (NTN), prevista no artigo 4° da Lei n° 10.179/01, aplicase apenas as da série A subsérie 1 NTN Al. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. APLICAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A questão sobre a exigibilidade ou não da multa de oficio das empresas em regime de liquidação extrajudicial deve ser tratada somente na fase de execução e no foro competente, até mesmo porque a situação de liquidação extrajudicial ou falência pode ser cessada antes da realização da execução. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A PFN opôs embargos de declarações (efls. 1.789 e seg.), os quais foram rejeitados por despacho (efls. 1.796 e seg.). O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto à validade das retificações de anos anteriores em virtude do narrado comunicado do BACEN (efls. 1.847 e seg.) Em breve síntese, indica o contribuinte que o acórdão recorrido teria considerado legítima a retificação de sua DIPJ apenas quanto ao ano de 2006 (ano em que o comunicado do BACEN foi recebido), considerando ilegítima a referida retificação para períodos pretéritos, no caso, 2005. Tal decisão teria justificativa no fato de que, por se tratar de mudanca̧ de estimativa contábil, esta não afetaria exercícios anteriores. Contudo, afirma o contribuinte que esse posicionamento divergiria de outras decisões, em que se permitiu tal retificação. Sustenta, então, que, “devido à obrigação superveniente, tornase possível e devida a retificação da declaração de rendimentos para adequar os fatos à realidade” (efls. 1859). O recurso especial foi integralmente admitido por despacho (efls. 1.959 e seg.). Cientificada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 1.965 e seg.), argumentando, em breve síntese, que: Não haveria similitude com os paradigmas n. 1302000.596 e 1302000.597, pois, enquanto estes analisam a possibilidade de apresentação de declaração de retificadora, o presente processo analisaria os efeitos da revisão dos critérios contábeis. “Como se observa, as normas contábeis determinam que o reconhecimento da mudança de estimativa afeta os resultados do próprio período ou posteriores, e nunca retroagem a períodos anteriores, justamente por não serem retificações de erros, conforme vimos acima”. Fl. 2051DF CARF MF 6 Na sessão de 6 de junho de 2017, este Colegiado decidiu acolher a preliminar de não conhecimento apresentada pela PFN e não conhecer o recurso especial interposto pelo contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. O conhecimento do recurso especial pressupõe a existen̂cia de acórdãos hábeis a evidenciar divergência de interpretação quanto à mesma matéria. No entanto, o contribuinte impetrou o mandado de segurança n. 012608 37.2017.4.01.3400, perante a 5a Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal, por meio do qual foi concedida medida liminar determinando o conhecimento do presente recurso especial e o consequente julgamento de seu mérito. Destacase o dispositivo da r. decisão judicial: “Ante o exposto, DEFIRO a liminar e determino ás impetradas que conheca̧m do recurso especial interposto no processo Administrativo n° 16682.720072/201065, decorrente do Acórdão n° 9101002.879, encaminhandoo para apreciação e julgamento pela la Turma do CSRF, mantendose suspensa a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos III e IV, do artigo 151, do CTN. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Tendo em vista a ordem judicial proferida nos autos do mandado de segurança n. 01260837.2017.4.01.3400, devem cessar as discussões quanto à sua admissibilidade e enfrentado o seu mérito. O mérito do recurso consiste em saber se as modificações contábeis comunicadas pelo BACEN em relação ao PROER, em 2006, seriam aplicáveis apenas àquele próprio período e aos seguintes (como decidiu o acórdão recorrido) ou se poderiam ser aplicadas retroativamente, demandando, inclusive, retificações fiscais (como sustenta o contribuinte). Ocorre que, com a modificação contábil em questão, haveria o aumento do valor da obrigação PROER no passivo, bem como do correspondente aumento do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL. Para o presente julgamento, duas questões devem ser respondidas, sendo a primeira de natureza formal e a segunda de natureza material: i) se é possível a retificação de DIPJ pelo contribuinte a qualquer momento; ii) se as alterações de critérios contábeis seriam aplicáveis para períodos passados ou apenas para presentes e futuros, de forma que as retificações levadas a termo pelo contribuinte realmente seriam devidas. A primeira questão, de natureza formal, não parece demandar maiores discussões, sendo lícito ao contribuinte, especialmente na hipótese de lançamento por homologação, realizar a retificação de suas declarações para sanar incorreções e realizar ajustes necessários, inclusive se disso resultar a redução do montante do imposto devido (ou, como é o caso dos autos, aumentar o montante de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL). Sublinhase, nesse sentido, o art. 832 do RIR/99. Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 16682.720072/201065 Acórdão n.º 9101003.430 CSRFT1 Fl. 1.989 7 Os acórdãos apresentados como paradigmas de divergência (n. 1302000.596 e 1302000.597, IRPJ e CSLL, respectivamente) analisaram autuações impostas ao próprio recorrente, relacionadas a retificações conduzidas em razão do mesmo comunicado BACEN na DIPJ atinente ao anocalendário de 2004. Nessas autuações, ao que tudo indica, a fiscalização considerou que o art. 147 do CTN impediria a retificação da referida declaração (questão formal), o que aparentemente correspondeu à única motivação para a autuação do contribuinte. Os referidos acórdãos corretamente compreenderam que o art. 147 do CTN não pode ser aplicado como fundamento para impedir que o contribuinte realize a retificação de suas declarações atinentes ao IRPJ e CSLL (tributos sujeitos a lançamento por homologação). Ocorre que as restrições contidas no referido enunciado do CTN não se aplicam aos lançamentos por homologação, pois tutelam o chamado lançamento por declaração (ou “lançamento misto”). Tais acórdãos confirmaram o entendimento que já havia sido expressado pelos i. julgadores da DRJ, que igualmente decidiram cancelar aquelas autuações fiscais. Entretanto, é importante observar que o art. 147 do CTN não foi adotado como fundamento para a autuação fiscal que deu origem ao processo administrativo ora sob julgamento. No presente caso, atinente ao anocalendário de 2005, o i. agente fiscal consigna expressamente acolher a improcedência do fundamento adotado para o ano de 2004 (questão formal), de forma a aceitar que referidas retificações, caso efetivamente devidas (questão material), viesse a ser realizadas pelo contribuinte. Nesse sentido, vale transcrever o seguinte trecho do TVF (efls. 1543 e seg.): O núcleo do auto de infração, na parcela devolvida a este Colegiado, situase mais precisamente na segunda questão acima apresentada: se as modificações contábeis seriam aplicáveis para períodos passados ou apenas para o corrente e os futuros, de forma que as retificações levadas a termo pelo contribuinte realmente seriam devidas (questão material). Consignou o acórdão recorrido que "registrou a Fiscalização que a Interessada não alterou a contabilidade, nem as demonstrações financeiras de 2005, mas retificou a DIPJ para excluir, das bases fiscais, parte do ajuste da dívida PROER efetuado em Junho/2006". Fl. 2053DF CARF MF 8 O i. agente fiscal considerou que as referidas modificações tratarseiam de “mudança de estimativa contábil”, com eficácia apenas prospectiva. A referida conclusão levou em consideração o pronunciamento emitido pelo BACEN, a contabilização adotada por este enquanto credor da recorrente no PROER e, ainda, as normas enunciadas pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (“CPC”). Nesse sentido, vale transcrever o seguinte trecho do TVF (efls. 1559 e seg.): Por seu turno, a decisão recorrida realizou igual investigação quanto à pertinência material (e não apenas formal) das retificações realizadas, aprofundando a questão meritória dos ajustes pretendidos em vista da determinação do BACEN. A decisão recorrida compreendeu, em resumo, que, ainda que retificações fossem permitidas para a correção de critérios equivocados, os ajustes determinados pelo BACEN em 2006 não afetariam exercícios anteriores e, não demandariam retificações nas declarações fiscais referentes a 2005. A decisão recorrida deu destaque às Notas Explicativas das Demonstrações Financeiras Intermediárias do BACEN referentes a junho de 2006, nos seguintes termos: “Os créditos do Bacen com as instituições em liquidaca̧õ são originários de operações de assistência financeira (Proer) e de saldos decorrentes de saques a descoberto na conta reservas bancárias. A correção desses créditos era efetuada pelas taxas contratuais a partir da data do desembolso, e pela TR, a partir da data da liquidaca̧õ da instituicã̧o, conforme entendimento vigente da legislação. Porém, para melhor representar esses créditos, nesse semestre o valor reconhecido na contabilidade passou a ser calculado a partir da aplicação do art. 26, parágrafo único, da Lei de Falen̂cias, pelo qual a parcela dos cred́itos originada de Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 16682.720072/201065 Acórdão n.º 9101003.430 CSRFT1 Fl. 1.990 9 operações com o Proer deve ser atualizada pelas taxas contratuais, até o limite das garantias. Em funcã̧o desse novo entendimento, o valor justo desses créditos é avaliado pelo valor de mercado das garantias originais, excluídos os créditos preferenciaisao Bacen (pagamentos de despesas essenciais a liquidação, encargos trabalhistas e encargos tributários). Essas alterações foram classificadas como mudança de estimativas de acordo com a NIC 8 Políticas Contábeis, Mudança de Estimativas e Erros e não ocasionaram impacto significativo no resultado do Bacen, conforme demonstrado no quadro a seguir, que apresenta os valores de 30.6.2006, calculados pela metodologia atual e pela metodologia anterior:” (grifos acrescidos) Ademais, a decisão recorrida também deu destaque que as referidas Notas Explicativas das Demonstracõ̧es Financeiras Intermediárias do BACEN foram auditadas pela KPMG Auditores Independentes, com a transcrição do seguinte trecho de seu parecer: "Os créditos do Bacen com as instituições em liquidação são originários de operações de assistência financeira (Programa de Estimulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional Proer) e de saldos decorrentes de saques a descoberto na conta Reservas Bancárias. A realização desses créditos está sujeita aos ritos legais e processuais prescritos na Lei das Liquidações (Lei 6.024/1974) e na Lei de Falências (Lei 11.101/2005). Essa legislação, entre outros pontos, determina: que serão suspensos os prazos anteriormente estabelecidos para a liquidação das obrigações; que deverá ser feito o pagamento dos passivos em observância à ordem de preferência, estabelecida pela lei: despesas da administração da massa, créditos trabalhistas, credores com garantias reais, créditos tributários e, por fim, os créditos quirografários; que se estabelecerá o quadro geral de credores, instrumento pelo qual se identificam todos os credores da Instituição, o valor efetivo de seu crédito e sua posição na ordem de preferência para o recebimento; que serão previstos os procedimentos necessários à realização dos ativos, como a forma da venda (direta ou em leilão, ativos individuais ou conjunto de ativos). Tendo em vista essas características, não se pode precisar o momento da realização desse ativo, cabendo salientar, entretanto, que a maior parte dos créditos do Bacen possui garantia real e, como tal, tem seus valores de realização vinculados ao valor dessa garantia, conforme descrito a seguir. b) Classificação e forma de avaliação Esses créditos são classificados como Valor Justo a Resultado por designação da Administração do Bacen, que considerou essa classificação mais relevante, tendo em vista as seguintes características: constituem uma carteira de ativos, de mesma origem decorrem da atuação do Bacen como entidade fiscalizadora do sistema financeiro nacional; são, desde 1999, ativos avaliados pelo seu valor de realização, para efeitos gerenciais e contábeis. Essa forma de avaliação reflete os objetivos do Bacen ao tratar os processos de liquidação extrajudicial, ou seja, leva à conclusão no menor tempo possível e da forma menos onerosa para a autoridade monetária e para os depositantes e investidores. A correção desses créditos era efetuada pelas taxas contratuais, a partir da data do desembolso, e pela TR, a partir da data da liquidação da instituição, conforme entendimento vigente da legislação. Porém, para melhor representar esses créditos, a partir de 10.1.2006 o valor reconhecido na contabilidade passou a ser calculado com a aplicação do art. 26, parágrafo único, da Lei de Fl. 2055DF CARF MF 10 Falências, pelo qual a parcela dos créditos originada de operações com o Proer deve ser atualizada pelas taxas contratuais até o limite das garantias. Em razão desse novo entendimento, o valor justo desses créditos é avaliado pelo valor de mercado das garantias originais, excluídos os créditos preferenciais ao Bacen (pagamentos de despesas essenciais à liquidação, encargos trabalhistas e encargos tributários). Essas alterações foram classificadas como mudança de estimativas, de acordo com a NIC 8, e não ocasionaram impacto significativo no resultado do Bacen no período, não sendo esperados impactos significativos em períodos subseqüentes." É fundamental observar que o BACEN, em sua correspondência encaminhada ao contribuinte, expressamente consignou que “as modificacõ̧es na forma de registro e contabilização dos créditos do PROER observam as normas internacionais de padronização contábil elaboradas pelo International Accounting Standards Board (IASB)”. Assim, embora BACEN não tenha expressado em seu comunicado a eficácia temporal da referida modificação, deixou consignado que esta deveria ser analisada a partir dos referidos padrões internacionais de contabilidade. Por sua vez, em suas Notas Explicativas, o BACEN faz remissão ao “IAS 8 – Accounting Policies, Changes in Accounting Estimates and Errors (IASB)”. O Pronunciamento Técnico CPC n. 23 corresponde à “tradução” do IAS 8, implementado em razão da adoção dos padrões internacionais de contábeis (“Políticas contábeis, mudança de estimativa e retificação de erro”). O referido Pronunciamento traz as seguintes definições: Definições 5. Os termos que se seguem são usados neste Pronunciamento com os seguintes significados: Políticas contábeis são os princípios, as bases, as convenções, as regras e as práticas específicas aplicados pela entidade na elaboração e na apresentação de demonstrações contábeis. Mudança na estimativa contábil é um ajuste nos saldos contábeis de ativo ou de passivo, ou nos montantes relativos ao consumo periódico de ativo, que decorre da avaliação da situação atual e das obrigações e dos benefícios futuros esperados associados aos ativos e passivos. As alterações nas estimativas contábeis decorrem de nova informação ou inovações e, portanto, não são retificações de erros. Omissão material ou incorreção material é a omissão ou a informação incorreta que puder, individual ou coletivamente, influenciar as decisões econômicas que os usuários das demonstrações contábeis tomam com base nessas demonstrações. A materialidade depende da dimensão e da natureza da omissão ou da informação incorreta julgada à luz das circunstâncias às quais está sujeita. A dimensão ou a natureza do item, ou a combinação de ambas, pode ser o fator determinante. Erros de períodos anteriores são omissões e incorreções nas demonstrações contábeis da entidade de um ou mais períodos anteriores decorrentes da falta de uso, ou uso incorreto, de informação confiável que: (a) estava disponível quando da autorização para divulgação das demonstrações contábeis desses períodos; e (b) pudesse ter sido razoavelmente obtida e levada em consideração na elaboração e na apresentação dessas demonstrações contábeis. Tais erros incluem os efeitos de erros matemáticos, erros na aplicação de políticas contábeis, descuidos ou interpretações incorretas de fatos e fraudes. Aplicação retrospectiva é a aplicação de nova política contábil a transações, a outros eventos e a condições, como se essa política tivesse sido sempre aplicada. Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 16682.720072/201065 Acórdão n.º 9101003.430 CSRFT1 Fl. 1.991 11 Reapresentação retrospectiva é a correção do reconhecimento, da mensuração e da divulgação de valores de elementos das demonstrações contábeis, como se um erro de períodos anteriores nunca tivesse ocorrido. Aplicação impraticável de requisito ocorre quando a entidade não pode aplicá lo depois de ter feito todos os esforços razoáveis nesse sentido. Para um período anterior em particular, é impraticável aplicar retrospectivamente a mudança em política contábil ou fazer a reapresentação retrospectiva para corrigir um erro se: (a) os efeitos da aplicação retrospectiva ou da reapresentação retrospectiva não puderem ser determinados; (b) a aplicação retrospectiva ou a reapresentação retrospectiva exigir premissas baseadas no que teria sido a intenção da Administração naquele momento passado; ou (c) a aplicação retrospectiva ou a reapresentação retrospectiva exigir estimativas significativas de valores e se for impossível identificar objetivamente a informação sobre essas estimativas que: (i) proporciona evidências das circunstâncias que existiam à data em que esses valores deviam ser reconhecidos, mensurados ou divulgados; e (ii) estaria disponível quando as demonstrações contábeis desse período anterior tiveram autorização para divulgação. Aplicação prospectiva de mudança em política contábil e de reconhecimento do efeito de mudança em estimativa contábil representa, respectivamente: (a) a aplicação da nova política contábil a transações, a outros eventos e a condições que ocorram após a data em que a política é alterada; e (b) o reconhecimento do efeito da mudança na estimativa contábil nos períodos corrente e futuro afetados pela mudança. Em especial, o Pronunciamento Técnico CPC n. 23 também expressa o quanto segue: “37. Se a mudança na estimativa contábil resultar em mudanças em ativos e passivos, ou relacionarse a componente do patrimônio líquido, ela deve ser reconhecida pelo ajuste no correspondente item do ativo, do passivo ou do patrimônio líquido no período da mudança. 38. O reconhecimento prospectivo do efeito de mudança na estimativa contábil significa que a mudança é aplicada a transações, a outros eventos e a condições a partir da data da mudança na estimativa. A mudança em uma estimativa contábil pode afetar apenas os resultados do período corrente ou os resultados tanto do período corrente como de períodos futuros. Por exemplo, a mudança na estimativa de créditos de liquidação duvidosa afeta apenas os resultados do período corrente e, por isso, é reconhecida no período corrente. Porém, a mudança na estimativa da vida útil de ativo depreciável, ou no padrão esperado de consumo dos futuros benefícios desse tipo de ativo, afeta a depreciação do período corrente e de cada um dos futuros períodos durante a vida útil remanescente do ativo. Em ambos os casos, o efeito da mudança relacionada com o período corrente é reconhecido como receita ou despesa no período corrente. O efeito, caso exista, em períodos futuros é reconhecido como receita ou despesa nesses períodos futuros.” Conforme transcrito acima, a modificação contábil do BACEN foi justificada por meio de Notas Explicativas mantidas na contabilidade desta instituição, devidamente auditada por auditoria independente. Um entendimento anterior teria sido superado, com a adoção de um entendimento mais conservador. Nas palavras adotanas nas referidas Notas Explicativas, “para Fl. 2057DF CARF MF 12 melhor representar esses créditos”, “em função desse novo entendimento”, “essas alterações foram classificadas como mudança de estimativas”. Parece, portanto, razoável compreender tratarse de mudança de estimativa contábil e não de correção de erros, com efeitos apenas prospectivos, e não para a correção de erros ou incorreções de períodos anteriores. Ademais, tratandose o BACEN, além de credor no PROER, da entidade regulatória das instituições financeiras, adquire relevância a sua manifestação de que a modificação contábil decorreria de inovação de seu entendimento quanto à melhor forma de representar os créditos em questão, classificandoa como mudança de estimativa contábil. É, ainda, relevante considerar que tal classificação levada a termo pelo BACEN, como mudança de estimativa contábil, foi referendada por auditoria independente (KPMG). Por todos esses elementos, não merece reparos a decisão recorrida, que compreendeu que, como o reconhecimento da mudança de estimativa ocorrida em 2006 afetaria apenas os resultados do próprio período e posteriores, não haveria fundamento para as retificações pretendidas pelo contribuinte quanto ao ano de 2005. Por todo o exposto, admitido o recurso especial interposto pelo contribuinte, voto no sentido de NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 2058DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.903789/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 37 89 /2 00 9- 36 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10983.903789/200936 Acórdão n.º 1402002.948 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2004, anocalendário de 2003, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10983.903789/200936 Acórdão n.º 1402002.948 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10983.903789/200936 Acórdão n.º 1402002.948 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10983.903789/200936 Acórdão n.º 1402002.948 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002151/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 51 /2 01 0- 19 Fl. 123DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constitui crédito tributário relativo à contribuição dos segurados apurada com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que, entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído, transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre porém que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 19515.002151/201019 Acórdão n.º 2201004.163 S2C2T1 Fl. 123 3 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito á defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Fl. 125DF CARF MF 4 Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 126DF CARF MF Processo nº 19515.002151/201019 Acórdão n.º 2201004.163 S2C2T1 Fl. 124 5 § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001510/2009-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 20/09/2004 a 30/09/2004
PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA.
O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada.
MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.
MULTA. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2.
Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3002-000.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Simões, que lhe deu provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 20/09/2004 a 30/09/2004 PRELIMINAR. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. MULTA. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, comete a infração por atraso na prestação de informações de embarque responde pela multa sancionadora correspondente. Ilegitimidade passiva afastada. MULTA POR ATRASO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica o benefício da denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. MULTA. VIOLAÇÃO DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA E DO NÃO CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. Aplicação da Súmula CARF nº. 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Maria Eduarda Simões, que lhe deu provimento e manifestou intenção de apresentar declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 15 10 /2 00 9- 71 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 459 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 0721.882 da DRJ/FNS, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. No caso concreto, foi impingida a referida multa, referente a apuração da falta de informação, no prazo legal, dos dados de embarque de mercadorias em um navio no dia 12 de setembro de 2004, tendo sido a multa aplicada por viagem do transportador. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação, tecendo os seguintes argumentos: a) imprevistos no procedimento de exportação, que não são de sua responsabilidade; b) ausência de tipicidade, vez que não deixou de prestar informações, bem como não é uma empresa de transporte internacional, tampouco um agente de carga, não havendo hipótese para seu enquadramento como responsável; c) ilegitimidade passiva, não podendo figurar no pólo passivo da autuação, posto que é mera agência de navegação marítima, age em nome do Armador e com este não se confunde, logo, não pode responder pessoalmente por eventuais tributos e/ou obrigações acessórias; d) denúncia espontânea, sendo descabida a multa, pois as informações foram prestadas antes que o procedimento fiscal fosse instaurado, não podendo se falar em embaraço ou empecilho à fiscalização; e) retroatividade benigna, tendo em vista que os embarques ocorreram antes da vigência da IN SRF 510/2005, que estipulou prazo para a prestação de informações de embarque; Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 460 3 f) nulidade absoluta do AI, por este apresentar diversas irregularidades; g) ilegalidade e falta de motivação do AI, uma vez que os fatos não trouxeram prejuízo algum para a movimentação da carga no navio, sendo o Auto de Infração, por isso, desnecessário e abusivo. A DRJ/FLN, apreciando todos os argumentos da contribuinte, manteve, por unanimidade, o Crédito Tributário exigido. Irresignada com a referida decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário basicamente repisando os argumentos da ilegitimidade passiva (preliminar) e da denúncia espontânea, acrescentando a tese do caráter confiscatório da multa e da desproporcionalidade do seu quantum. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O Crédito Tributário contestado no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão se restringe na autuação fiscal, por ter a recorrente, supostamente, infringido o art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010, ou seja, a recorrente teria prestado informações no Siscomex, referente aos dados de embarque em prazo superior a 7 (sete) dias, conforme exige o ordenamento jurídico. Desta forma, ficando sujeita a penalidade prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . Iomissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis Fl. 460DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 461 4 ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Passo a análise dos argumentos trazidos pela recorrente em seu Voluntário: Preliminar 1) Ilegitimidade passiva O sujeito passivo alega que, como agente marítimo, não é parte legítima para figurar no pólo passivo, não tendo responsabilidade tributária sobre o crédito discutido. A fim de comprovar a justeza de seu entendimento, colaciona doutrina e jurisprudência que, em tese, o corroboram. Quanto à legitimidade, entendo que os arts. 94 e 95, I do DecretoLei nº 37/66 c/c o art. 135, II, do CTN, resolvem a questão, respectivamente: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;(...)" Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados;(...)" Deste modo, na condição de agência marítima e mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex, e assim não procedendo, cometeu a infração contida na alínea "e" do inciso IV do Fl. 461DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 462 5 artigo 107 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, respondendo, pessoalmente pela infração em comento. A recorrente cita a Súmula 192 do extinto Tribunal Federal de Recursos: O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei nº 37, de 1966. Esta Súmula restou superada ao longo do tempo, mormente pela redação do artigo 32, I do DecretoLei nº 37/66, dada pelo DecretoLei nº 2.472/1988 e do inciso II, do parágrafo único do mesmo artigo, dada pela Medida Provisória nº 215835/2001: Art. 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Ademais, a solidariedade tributária passiva está contida nos arts. 121, parágrafo único, II, 124, I e II e 128, todos do CTN, respectivamente, a saber: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 463 6 tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. A referida Súmula 192 do TFR também restou superada pela decisão do REsp 1.129.430/SP, relator ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJE de 14/12/2010, julgado em sede de recurso repetitivo. Tal decisão também foi citada pela recorrente em suas argumentações, contudo, diferentemente do alegado, a referida decisão judicial assentou que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei nº 2.472/88 (que alterou o art. 32, do DecretoLei nº 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porque inexistente previsão legal para tanto. Todavia, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figure como responsável tributário. Vejamos excerto esclarecedor: 14. No que concerne ao período posterior à vigência do Decreto Lei 2.472/88, sobreveio hipótese legal de responsabilidade tributária solidária (a qual não comporta benefício de ordem, à luz inclusive do parágrafo único, do artigo 124, do CTN) do "representante, no país, do transportador estrangeiro". Desta forma, entendo que por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no país, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no pólo passivo do Auto de Infração. Assim, rejeito a preliminar argüida. Mérito 1) Denúncia espontânea A recorrente alega que, no caso concreto, embora de forma extemporânea, as informações de embarque de mercadorias foram prestadas no SISCOMEX após o despacho aduaneiro e antes do procedimento administrativo, que culminou com o lançamento, assim, estando a situação fática se subsumindo às hipóteses legais para a aplicação do benefício da denúncia espontânea. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 464 7 O instituto da denúncia espontânea no Direito Tributário, assim como os seus semelhantes em outros ramos do Direito, visa incentivar o infrator se auto corrigir, através do reconhecimento voluntário do ilícito e da reparação do bem jurídico violado. Contudo, algumas infrações não são passíveis de serem beneficiadas pela denúncia espontânea. Quando a mera conduta do agente é definidor do núcleo do tipo da infração, estamos diante desse caso. Em outras palavras, quando a simples ação ou omissão do agente configurar o ilícito, não há possibilidade jurídica de se reparar o dano cometido. No caso das obrigações acessórias autônomas, em regra, essa situação se configura. Podemos dizer que é, justamente, o atraso no cumprimento de obrigação acessória o exemplo mais contundente desse tipo de infração. Uma vez que, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido cumprida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Considerandose que, como no caso dos presentes autos, a obrigação acessória autônoma descumprida pelo transportador ou pelos seus representantes consiste no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias à Aduana no prazo estabelecido, a simples falta da prestação tempestiva dessas informações já configura a infração e a impossibilidade física do retrocesso temporal impede sua reparação. Por outro lado, se admitíssemos a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea aos casos de infrações decorrentes do atraso na entrega de declarações ou da prestação de informações, estaríamos diante de um paradoxo lógicojurídico, o qual tornaria morta a letra da lei. Nesse sentido, me socorro do entendimento do Ilustre Conselheiro Jose Fernandes do Nascimento manifestado no Acórdão 310200.988, do qual extraio o seguinte excerto: "De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em conseqüência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 465 8 qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." Nesse mesmo sentido, vem se manifestando a jurisprudência de nossos tribunais, conforme se infere da seguinte ementa: MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) Nessa esteira, a Súmula CARF nº 49 preceitua a não aplicabilidade da denúncia espontânea em casos análogos de cumprimento de obrigação acessória de forma extemporânea: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Por fim, esclareçase que a recorrente alega que, com o advento da MP 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, o instituto da denúncia espontânea passou a alcançar as penalidades de natureza tributária e administrativa, caso em comento. Contudo, creio que a legislação supra não alterou o impedimento racional da aplicação do instituto da denúncia espontânea aos casos de cumprimento extemporâneo de obrigação acessória e alinho Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 466 9 me ao entendimento do Douto Desembargador Rômulo Pizzolatti manifesto no voto condutor do Acórdão já mencionado: A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. Pelo exposto, considero inaplicável ao caso concreto o instituto da denúncia espontânea, pois este não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento do dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à Administração. 2) Violação dos Princípios Constitucionais da Capacidade Contributiva e do Não Confisco A recorrente alega que foi autuada pelo registro tardio de dados referentes ao embarque de mercadorias no SÍSCOMEX., que os fatos ocorreram no ano de 2004, sendo que somente em 2009 ocorreu a autuação; que não foi aventada pelo Fisco qualquer hipótese de prejuízo, empecilho ou embaraço às suas atividades; que os valores impostos a titulo de multa, considerados em sua plenitude e na relação entre com a remuneração pelos serviços de agenciamento, inviabilizam a atividade profissional da Recorrente e que, resta caracterizado o caráter confiscatório e desproporcional da multa e, em conseqüência, a sua inconstitucionalidade. De pronto, esclareçase que, ao contrário do que afirma a recorrente, a simples mora no cumprimento da obrigação acessória de prestar as devidas informações sobre o embarque de mercadorias infringe o disposto em lei e, ademais, prejudica o controle aduaneiro e, por conseqüência, os interesses nacionais, conforme o disposto no art. 237 da Constituição Federal: Art. 237. A fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda. Quanto às demais considerações, impõese relembrar que o julgamento administrativo trata da aplicação da legislação tributária como apresentada no sistema jurídico. Assim, a norma válida e eficaz, assim entendida a promulgada e publicada, dotada de Fl. 466DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 467 10 presunção de correção formal e material, não pode ser desconsiderada pelo julgador. Nesse sentido, dispõe o art.62, do Anexo II, do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. A instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função, que é reservada pela Constituição Federal em caráter exclusivo ao Poder Judiciário. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações no âmbito administrativo, pois o julgador não pode delas tomar conhecimento. No caso, verificar a eventual existência de confisco ou de desproporcionalidade seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Em consonância com esse ditame, vejamos o teor da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, não tomo conhecimento das alegações de afronta aos Princípios Constitucionais do não confisco e da capacidade contributiva. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo na integra o Crédito Tributário lançado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 467DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 468 11 Declaração de Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Concordo com o voto proferido pelo eminente Relator no que concerne à inocorrência de ilegitimidade passiva do agente marítimo, bem como à incompetência deste Conselho para afastar a aplicação da multa sob o fundamento de ofensa a princípios constitucionais, em razão do disposto na súmula nº 02 do CARF. Quanto ao mérito, contudo, dada a devida vênia, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, conforme fundamentos a seguir indicados. 1. Da análise da aplicação no tempo das IN SRF nº 28/94 e alterações posteriores. De início, há um tema que entendo relevante à solução da presente contenda, qual seja, a análise da aplicação no tempo da IN SRF nº 28/94 e alterações posteriores. Ainda que o contribuinte não tenha reproduzido este fundamento em seu Recurso Voluntário, penso que não há óbice à apreciação desta matéria nesta oportunidade, visto que o convencimento do Julgador não se limita ao acolhimento ou não dos argumentos apresentados pela Recorrente. Além disso, verificase dos autos que este tema foi abordado pelo contribuinte em sede de impugnação e foi objeto de apreciação por parte da DRJ, sendo cabível, portanto, a análise dos fundamentos ali apresentados nesta fase recursal. Feitas essas considerações preliminares, passo à análise do tema em si. A presente demanda versa sobre a imposição de multa em razão do cumprimento a destempo da obrigação de registrar no SISCOMEX os dados pertinentes ao embarque. Os fatos geradores ocorreram em 2004. A multa de que trata o presente processo encontrase disposta no art. 107, inciso IV, "e", do DecretoLei n° 37, de 18/11/1966 com a redação atribuída pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...). e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de Fl. 468DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 469 12 serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; O prazo, por seu turno, encontrava previsão no art. 37 da IN SRF nº 28/94, cujo teor, vigente à época dos fatos, transcrevo a seguir: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (Grifos apostos) A referida norma foi posteriormente alterada pela IN SRF nº 510/2005, bem como pela IN 1.096/2010, que fixaram prazo certo de 2 (dois) e 7 (sete) dias, respectivamente. O auto de infração, ao tratar sobre o prazo em questão, apesar de descrever que o prazo seria de 7 (sete) dias, fundamentou a autuação na IN SRF nº 510/2005, que previa prazo de 2 (dois) dias para o registro das informações no SISCOMEX. Houve, portanto, uma falha na fundamentação do dispositivo legal aplicável. De toda sorte, entendo que tal vício não foi capaz de cercear o direito de defesa do contribuinte, que, em sua defesa, demonstrou ter pleno conhecimento das razões que levaram à lavratura do auto de infração em comento. Ademais, a análise do mérito que será a seguir realizada dispensaria o reconhecimento de eventual nulidade do auto de infração, em razão do disposto no parágrafo 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/2013, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Quanto à análise de mérito, é válido mencionar que os embarques objeto da presente contenda ocorreram em 2004, ou seja, quando ainda não se encontrava em vigor a redação original do IN SRF nº 28/94 que continha o termo "imediatamente após". Ainda não Fl. 469DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 470 13 estava em vigor, portanto, nem o prazo certo de dois dias determinado pela IN RFB nº 510 de 14 de fevereiro de 2005, nem o prazo certo de sete dias disposto na IN 1.096/2010. Sobre o tema, entendo que a imposição de multa realizada com base na IN RFB nº 510/2005, ou mesma da IN nº 1.096/2010, no caso de fatos geradores anteriores à sua vigência não se sustenta. Isso porque, conforme acima relatado, em sua redação original, a IN nº 28/94 dispunha que os dados pertinentes deveriam ser registrados no SISCOMEX "imediatamente após" o embarque da mercadoria. Penso, contudo, que o termo "imediatamente após", constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28/1994 não possui delimitação objetiva apta a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Até porque, diante da imprecisão deste termo, a sua delimitação dependeria do entendimento pessoal de cada autoridade fiscal, em prejuízo da segurança jurídica que deveria, ao menos em tese, reger as relações entre Fisco e contribuinte. Ademais, no meu entendimento, a Notícia Siscomex n° 105, de 27 de julho de 1994, que, em razão da indeterminação da expressão “imediatamente após”, veiculou a informação no sentido de que o prazo para prestação das informações na legislação vigente à época seria de 24 horas, não possui força normativa, razão pela qual não logra suprir a ausência de determinação de prazo certo constante da IN SRF nº 28/1994. Para os efeitos dessa obrigação, portanto, entendo que a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir da fixação de prazo certo, cuja primeira previsão foi instituída pela IN SRF nº 510, de 2005, que determinou prazo certo de dois dias para o registro das informações. Nesse mesmo sentido, já se pronunciou este Conselho, a exemplo dos Acórdão nº 3302002.721, cuja ementa colacionase a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 24/12/2004, 12/09/2008 a 21/09/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (IN SRF 28, de 1994, IN SRF 510, de 2005 e IN SRF nº 1.096, de 2.010). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. NOTÍCIA SISCOMEX. A expressão “imediatamente após”, constante da vigência original do art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994, traduz subjetividade e não possui delimitação jurídica objetiva a determinar o cumprimento da obrigação de registro dos dados de embarque. Para os efeitos dessa obrigação, a multa que lhe corresponde, instituída no art. 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37, de 1966, na redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510, de 2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 471 14 Sendo assim, tratandose o caso concreto aqui analisado de fatos geradores de 2004, ou seja, anteriores à entrada em vigor da IN nº 510/2005, entendo que deverá ser afastada a penalidade aplicada, em razão inexistência de previsão legal à época dos fatos geradores capaz de exigir o cumprimento da obrigação em tela. 2. Da denúncia espontânea. Em sua defesa, o contribuinte alega, ainda, a caracterização da denúncia espontânea, visto que todos os registros teriam sido realizados após o despacho aduaneiro e antes de qualquer ação da fiscalização. Pede, portanto, o afastamento da penalidade a ele imposta. A denúncia espontânea em matéria aduaneira encontra respaldo no artigo 102, § 2º, do DL 37/66, que, em decorrência da alteração introduzida pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), estendeu a aplicação do instituto às penalidades administrativas, in verbis: Art.102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Neste ponto, penso que também assiste razão ao contribuinte. Apesar de reconhecer que este tema é bastante controvertido no âmbito deste Conselho, entendo que o instituto da denúncia espontânea é plenamente aplicável no caso vertente. Isso porque, com a previsão inserida pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010) no referido parágrafo 2º do art. 102 do DL 37/66, que trata especificamente sobre imposto de importação e serviços aduaneiros, previsão esta reproduzida no art. 683, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), houve expressa ampliação da aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades de natureza administrativa. Logo, a sua não admissão em casos como o presente representaria, no meu entender, descumprimento de previsão legal expressa, o que não seria possível, sob pena de se incorrer em afronta ao disposto na súmula nº 02 do CARF, bem como do art. 62 do Anexo II do RICARF, a seguir transcritos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 472 15 *** Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ora, é inquestionável que a multa aqui analisada possui natureza administrativa. De outro lado, também é inquestionável que o referido parágrafo 2º admite a denúncia espontânea para penalidades de natureza administrativa. O que faz, portanto, alguns julgadores, no intuito de defender a inaplicabilidade da denúncia espontânea em casos como o presente é alegar que a sua admissão tornaria inócua a norma que estipula prazos para cumprimento de obrigação acessória. Entendo, contudo, que tal interpretação/conclusão vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. A norma não deixa dúvidas ao estender às penalidades administrativas o instituto da denúncia espontânea, trazendo como exceção tão somente as penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita à pena de perdimento, o que não é o caso dos autos. Afora tal exceção, não trouxe o legislador qualquer restrição adicional à aplicação da denúncia espontânea nos casos de penalidades administrativas, não havendo qualquer impedimento para que o fizesse, caso assim pretendesse. Entendo, portanto, que a restrição defendida em algumas decisões deste Conselho invade a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Ademais, entendo que a súmula nº 49 do CARF, que determina que a denúncia espontânea disposta no art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega da declaração, não se aplica ao caso vertente, visto que embasada em precedentes que tratam sobre o envio a destempo de DCTF, matéria diversa da aqui analisada, além de se embasar em casos anteriores à edição da MP 497/2010. Ocorre que a presente contenda versa sobre a denúncia espontânea em Direito Aduaneiro, considerado autônomo e que possui regramento próprio sobre a matéria (art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro), cuja redação sofreu alteração com base no conteúdo da MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), norma esta que não fora objeto dos julgados que culminaram com a edição da referida súmula nº 49. Logo, penso inadequada a indicação de dita súmula como óbice à concessão da denúncia espontânea em casos que versem sobre direito aduaneiro. Em observância ao princípio da especialidade lex specialis derogat legi generali , apresentase, pois, imperativa, no meu entender, a aplicação da literalidade do art. 102, parágrafo 2º do DL 37/66, reproduzido no art. 638, parágrafo 2º do Regulamento Aduaneiro, com a redação dada pela MP 497/2010 (convertida na Lei nº 12.350/2010), admitindose, por conseqüência, a denúncia espontânea para os casos de entrega a destempo de obrigação acessória aduaneira. Este tema encontrase muito bem abordado no voto proferido pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama no Acórdão 9303005.869. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 473 16 Uma vez constatada a possibilidade de aplicação, em tese, da denúncia espontânea à multa objeto da presente contenda, há de se verificar, então, a sua efetiva existência no caso concreto analisado. Além da exceção expressamente prevista no parágrafo 2º do referido art. 102 (mercadoria sujeita à pena de perdimento), a denúncia espontânea não deverá ser admitida nos casos previstos no parágrafo 1º, seja porque realizada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria, seja porque realizada após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. Assim, há de se perquirir se a denúncia se enquadra em alguma das situações acima descritas, caso em que restaria afastada a sua espontaneidade. Conforme já fora relatado, os embarques em análise através do presente recurso foram realizados em 2004, tendo as respectivas informações sido inseridas voluntariamente pelo contribuinte no SISCOMEX. embora com alguns dias de atraso, inclusive considerando a legislação mais benéfica que dispunha que o prazo para inclusão no sistema desta informação seria de 7 dias. Para que reste configurada a denúncia espontânea, portanto, deverá ser verificado se as informações foram incluídas no SISCOMEX no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria. Para tanto, é importante que se tenha em mente que se está diante no caso concreto aqui analisado de operações de exportação, conforme DDEs descritos na planilha constante do auto de infração combatido. Logo, em tais operações, temse que o desembaraço aduaneiro da mercadoria se dava nos termos previstos no art. 530 do Decreto 4.543/2002, abaixo transcrito, vigente à época dos fatos, cujo teor é o mesmo descrito no art. 591 do Decreto 6.759/2009, atualmente em vigor: Art. 530. Desembaraço aduaneiro na exportação é o ato pelo qual é registrada a conclusão da conferência aduaneira, e autorizado o embarque ou a transposição de fronteira da mercadoria. Ou seja, extraise deste dispositivo legal que o desembaraço aduaneiro ocorre anteriormente ao embarque, pois é com base neste registro que o embarque é autorizado. Logo, não resta dúvida que, após o embarque (que se dá necessariamente após o desembaraço aduaneiro), não está mais o contribuinte "no curso do despacho aduaneiro", cujo termo final, segundo a legislação, é justamente o desembaraço aduaneiro da mercadoria. Nesse contexto, uma vez reconhecido pela própria fiscalização que as informações foram incluídas voluntariamente pelo contribuinte no SISCOMEX posteriormente aos embarques das mercadorias, quando não mais se encontrava o contribuinte "no curso do despacho aduaneiro", há de se afastar o disposto na alínea a do parágrafo 1º do art. 102 DL 37/66. Ademais, considerando que o primeiro ato formal realizado pela fiscalização sobre este descumprimento foi a lavratura do presente auto de infração, em que já constou a informação da data em que a informação foi incluída no sistema, ainda que com atraso, afasta se, portanto, o disposto na alínea b do parágrafo 1º do art. 102 DL 37/66. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 11050.001510/200971 Acórdão n.º 3002000.011 S3C0T2 Fl. 474 17 Logo, uma vez verificado que a denúncia não fora realizada "no curso do despacho aduaneiro" e que a informação foi incluída no sistema antes de qualquer procedimento fiscalizatório, há de ser reconhecida a aplicação da denúncia espontânea no caso aqui analisado. Nesse mesmo sentido, vide Acórdão nº 3302002.721, de relatoria do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède e proferido em caso análogo ao presente: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 24/12/2004, 12/09/2008 a 21/09/2008 (...) REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, inciso IV, alínea “E” DO DECRETOLEI 37, DE 1966. DENÚNCIA ESPONTÂNEA PREVISTA NO ARTIGO 102 DO DECRETO LEI Nº 37, DE 1966, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 12.350, DE 2.010. Aplicase o instituto da denúncia espontânea à infração por registro extemporâneo dos dados de embarque de exportação, de que trata o artigo 37 da IN SRF nº 28, de 1994, conforme comando do artigo 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350, de 2.010. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins cancelar a multa exigida no auto de infração combatido em sua integralidade. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 474DF CARF MF
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Numero do processo: 11330.000177/2007-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/1997
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e prover o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente, justificadamente, a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 01 77 /2 00 7- 75 Fl. 218DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 11330.000216/200734, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária " O presente processo trata de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, referente às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, Empregados, Empresa, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho, e Terceiros. O valor originário lançado é relativo ao período de apuração constante do documento fiscal, sobre o qual incidiram multa e juros. A análise do Relatório Fiscal indica: que a Notificação em tela teve por objetivo substituir a NFLD que foi anulada pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, por vício formal, erro na classificação da fundamentação legal do fato gerador das contribuições apuradas; que a lavratura da Notificação tem fundamento no inciso II do art. 45 da Lei 8.212/91, que assegura à Seguridade Social o direito de apurar e constituir seus créditos em até 10 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada; que o fato gerador das contribuições apuradas foi a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados da empresa prestadora, cedidos à empresa NET Rio S.A. (tomadora), cuja responsabilidade foi atribuída a esta última por solidariedade, não afastada nos termos da legislação (§ 4º do art. 31 da Lei 8.212/91). A NET Rio S.A. foi devidamente cientificada do lançamento e, inconformada, formalizou tempestivamente sua impugnação, estruturada nos seguintes tópicos: Preliminares: da necessidade de adequada constituição do pólo passivo desta NFLD; da necessidade de oferecerse ciência ao ora defendente, dos termos de eventual defesa apresentada pelo contribuinte gerador da solidariedade imposta nesta NFLD; Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11330.000177/200775 Acórdão n.º 2201004.043 S2C2T1 Fl. 3 3 da inexistência de atos fiscais hábeis à minimização dos riscos de lançamentos em duplicidade; da inexistência de providências fiscais aptas à caracterização da ocorrência da cessão de mãodeobra hábil à geração da solidariedade previdenciária; da ocorrência da decadência quinquenal; De mérito: da condição legal da notificada; dos aspectos valorativos das exageradas alíquotas utilizadas para mensuração dos saláriosdecontribuição extraídos de faturas de serviço; Já a empresa prestadora apresentou intempestivamente sua impugnação. Na análise da impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento considerou procedente em parte o lançamento, promovendo a exclusão dos créditos tributários relativos às contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos, por não comportar lançamento por solidariedade. No mais, entendeu improcedentes os argumentos da defesa, inclusive em relação à decadência, que concluiu ser de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91. Ciente do Acórdão da DRJ, ainda inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual trouxe à balha considerações sobre a edição da então recente Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Na sequência, o recurso, basicamente, constituise na reafirmação dos mesmos tópicos já tratados na impugnação. Posteriormente, o recorrente apresentou nova petição, exclusivamente para reiterar suas considerações sobre a necessidade de cancelamento do lançamento em razão da citada Súmula Vinculante nº 08. É o relatório necessário.." Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11330.000216/200734, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Fl. 220DF CARF MF 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de fevereiro de 2018: Acórdão nº 2201004.040 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Em razão de ser tempestivo e por preencher demais condições de admissibilidade, conheço do presente Recurso Voluntário. Por constituir matéria preliminar de mérito, relevante iniciar a análise do presente pela alegação de que os débitos lançados são relativos a períodos de apuração alcançados pela decadência. Como se viu no relatório supra, tanto a Autoridade Fiscal quanto o Julgador de 1ª Instância ampararam seus atos (lançamento e decisão) nos termos do art. 45 da Lei 8.212/91, cuja redação então vidente era a seguinte: art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O débito ora sob análise decorre do cancelamento, por vício formal, de lançamento anterior. No presente caso, considerando os termos do art. 45 da Lei 8.212/91, o prazo decadencial teria início na data em que se tornou definitiva a decisão que cancelou o lançamento julgado nulo por vício formal. Não obstante, por não ter sido juntado aos autos os elementos que pudessem indicar a data efetiva em que esta se tornou definitiva e considerando que tratar do tema agora resultaria em inovação da lide administrativa com a inclusão de questão sobre a qual a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e a defesa não se manifestaram, há que se considerar, como início do prazo decadencial, a data em que foi exarada a decisão definitiva que fulminou o lançamento original. Assim, levandose em consideração os estritos termos da legislação vigentes na época do lançamento, não haveria que se falar em decadência. Não obstante, em Sessão Extraordinária realizada em 12 de julho de 2008, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: Súmula Vinculante n° 08: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11330.000177/200775 Acórdão n.º 2201004.043 S2C2T1 Fl. 4 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Grifouse Desta forma, considerando a data da prolação de decisão definitiva que anulou o lançamento como termo inicial para contagem do prazo decadencial, em cotejo com a data da ciência do lançamento substitutivo, há que se reconhecer que, nesta data, o direito do fisco em constituir o crédito tributário ora sob análise já se apresentava fulminado pela decadência. Conclusão: Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais acima expostos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento para considerar fulminados pela decadência todos o débitos contidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito em discussão. Fl. 222DF CARF MF 6 Quanto às demais matérias questionadas pela recorrente, deixo de analisálas, por restarem prejudicadas em razão da decadência reconhecida. Carlos Alberto do Amaral Azeredo – Relator” Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679871/2009-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 71 /2 00 9- 92 Fl. 86DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 15258.51059.180607.1.3.049961, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma e que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10880.679871/200992 Acórdão n.º 2201004.320 S2C2T1 Fl. 87 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 43 a 49, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Fl. 88DF CARF MF 4 (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 29/11/2010, conforme AR de fl. 51, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 52 a 68, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10880.679871/200992 Acórdão n.º 2201004.320 S2C2T1 Fl. 88 5 DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) Fl. 90DF CARF MF 6 § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. Tampouco foram juntados aos autos a DCTF retificadora, a qual foi, conforme informações disponíveis nos sistemas da RFB, apresentada em 03/12/2009, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.679871/200992 Acórdão n.º 2201004.320 S2C2T1 Fl. 89 7 contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que estaria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 92DF CARF MF 8 Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.679871/200992 Acórdão n.º 2201004.320 S2C2T1 Fl. 90 9 Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954387/2008-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2000
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2000 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 87 /2 00 8- 77 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.954387/200877 Acórdão n.º 3401004.153 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico, que restou não homologada face a inexistência de crédito, conforme despacho decisório que integra os autos ora em apreço. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF; (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento da contribuição havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.765, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.146, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.954389/200866, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Na apreciação de tal processo, o relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) propôs conversão em diligência, rechaçada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Vencida a proposta de Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.954387/200877 Acórdão n.º 3401004.153 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, o colegiado, no mérito, foi unânime na negativa de provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.146): "Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.954387/200877 Acórdão n.º 3401004.153 S3C4T1 Fl. 5 4 destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.954387/200877 Acórdão n.º 3401004.153 S3C4T1 Fl. 6 5 porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 74DF CARF MF
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