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Numero do processo: 19515.002057/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
IPI. REFLEXO DO IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF.
Compete à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário que verse sobre crédito tributário decorrente do IPI, quando mero reflexo do IRPJ e formalizado com base nos mesmos elementos de prova (Portaria MF nº 343, de 2015).
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3201-002.221
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, para declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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score : 1.0
Numero do processo: 19647.005217/2008-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 27/12/2004 a 03/03/2008
PIS/COFINS-IMPORTAÇÃO. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS.
O artigo 1º, §1º, II do Decreto nº 5.171/04, editado para regulamentar os §§10 e 12 do artigo 8º da Lei nº 10.865/04, trouxe, como requisito para o direito à fruição das reduções de alíquotas do PIS/Cofins-importação, que a empresa importadora seja representante de fábrica estrangeira do papel, para venda das mercadorias importadas exclusivamente à pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas.
O contribuinte não logrou comprovar ser representante do fabricante estrangeiro do papel imune, não fazendo jus, portanto, ao benefício da redução de alíquotas das contribuições em comento.
ATO ADMINISTRATIVO. REGULAMENTO. DECRETO. ANULAÇÃO. CARF. COMPETÊNCIA. AUSÊNCIA.
No caso da anulação de ato administrativo pela Administração Pública, ela somente pode ser exercida pelo próprio agente que praticou o ato ou por autoridade hierarquicamente superior. De forma que não se vislumbra possibilidade de anulação ou afastamento dos efeitos de um regulamento (ato administrativo geral e normativo), expedido por decreto pelo Chefe do Poder Executivo, por parte do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a ele subordinado, por intermédio do Ministério da Fazenda.
Recurso Voluntário negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS. O artigo 1º, §1º, II do Decreto nº 5.171/04, editado para regulamentar os §§10 e 12 do artigo 8º da Lei nº 10.865/04, trouxe, como requisito para o direito à fruição das reduções de alíquotas do PIS/Cofinsimportação, que a empresa importadora seja representante de fábrica estrangeira do papel, para venda das mercadorias importadas exclusivamente à pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas. O contribuinte não logrou comprovar ser representante do fabricante estrangeiro do papel imune, não fazendo jus, portanto, ao benefício da redução de alíquotas das contribuições em comento. ATO ADMINISTRATIVO. REGULAMENTO. DECRETO. ANULAÇÃO. CARF. COMPETÊNCIA. AUSÊNCIA. No caso da anulação de ato administrativo pela Administração Pública, ela somente pode ser exercida pelo próprio agente que praticou o ato ou por autoridade hierarquicamente superior. De forma que não se vislumbra possibilidade de anulação ou afastamento dos efeitos de um regulamento (ato administrativo geral e normativo), expedido por decreto pelo Chefe do Poder Executivo, por parte do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a ele subordinado, por intermédio do Ministério da Fazenda. Recurso Voluntário negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 52 17 /2 00 8- 02 Fl. 681DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento integral. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Recife, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de Cofinsimportação e PIS importação sobre as mercadorias importadas por meio das Declarações de Importação registradas na Alfândega de Suape, no período de 27/02/2004 a 03/03/2008. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Tratase da importação de papéis classificados nos códigos NCM 4810.19.90 e 4810.19.89. O contribuinte utilizou, em suas operações, para as mercadorias classificadas no Item NCM 4810.19.89, o beneficio explicitado no artigo 8º, § 12°, inciso IV da Lei n° 10.865/2004 e no artigo 4º, inciso IV, do Decreto n° 5.171/2004. Para as mercadorias classificadas no código NCM 4810.19.90, utilizou o beneficio explicitado no artigo 8º, § 10°, incisos I e II da Lei n° 10.865/2004 e no artigo 1º incisos I e II, do Decreto n° 5.171/2004, que regulamentou a Lei citada. A fiscalização arguiu que o inciso II, do § 1°, do artigo 1º do Decreto n° 5.171/2004 é explicito quando prevê que para usufruir das alíquotas reduzidas era necessário que a empresa beneficiária, estabelecida no Brasil, fosse representante da fábrica estrangeira do papel, nos termos do artigo 12, § 1º, dessa norma. E o contribuinte não demonstrara ser representante da fábrica estrangeira do papel por ele a importado. Em 17.03.2008, foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (n° 04.1.51.002008000517), juntamente com o respectivo Termo de Inicio da ação fiscal, em 18.03.2008, tendo sido intimado o Fl. 682DF CARF MF Processo nº 19647.005217/200802 Acórdão n.º 3402005.343 S3C4T2 Fl. 682 3 contribuinte a apresentar, no prazo e local estabelecidos, cópia autenticada dos seguintes documentos: “a) Contrato de Representação das fábricas estrangeiras dos papéis, classificados sob as NCMs supracitadas, importados entre o dia 20.08.2004 e 03.03.2008; b) Contrato social e alterações posteriores, devidamente arquivados na Junta Comercial; e c) Outros documentos que identifiquem as pessoas com poderes para assinar pela empresa, se houver”. Em 07.04.2008, a empresa informou que não firmara contrato de representação com a fábrica estrangeira produtora do papel, e que, segundo o seu entendimento, era prescindível esse contrato. Concluiu, então, a fiscalização, que o importador não cumprira Requisito previsto no inciso II, do § 1º, do artigo 1º do Decreto nº 5.171, de 2004, e que, portanto, não fazia jus às alíquotas reduzidas da Cofins e do PIS incidentes sobre as importações de papel, razão da lavratura de dois Autos de Infração (AI). O primeiro para a cobrança da Cofinsimportação, às fls.01 a 46 do processo digital, no valor de R$ 518.968,40 (quinhentos e dezoito mil, novecentos e sessenta e oito reais e quarenta centavos), acrescida de juros de mora, no montante de R$ 57.387,01 (cinquenta e sete mil, trezentos e oitenta e sete reais e um centavo) e de multa de ofício, no valor de R$ 389.226,30 (trezentos e oitenta e nove mil, duzentos e vinte e seis reais e trinta centavos), totalizando este AI o montante de R$ 965.581,71 (novecentos e sessenta e cinco mil, quinhentos e oitenta e um reais e setenta e um centavos). O segundo AI, às fls.47 a 90, para a cobrança do PISimportação, no valor de R$ 105.198,80 (cento e cinco mil, cento e noventa e oito reais e oitenta centavos), acrescido de juros de mora, no total de R$ 11.567,21 (onze mil, quinhentos e sessenta e sete reais e vinte e um centavos) e de multa de ofício, no valor de R$ 78.899,10 (setenta e oito mil, oitocentos e noventa e nove reais e dez centavos), perfazendo este AI o montante de R$ 195.665,11 (cento e noventa e cinco mil, seiscentos e sessenta e cinco reais e onze centavos). O Termo de Encerramento, às fls. 91 e 92, consigna o valor total do crédito tributário, R$ 1.161.246,82 (um milhão, cento e sessenta e um mil, duzentos e quarenta seis reais e oitenta e dois centavos). DA IMPUGNAÇÃO Intimada, a empresa ingressou, tempestivamente, com a sua impugnação, às fls. 597 a 615, ela anexando a documentação de fls. 616 a 619, cujos argumentos serão a seguir resumidos. Fl. 683DF CARF MF 4 1. Nulidade do lançamento. Incompetência da autoridade lançadora: Alegou que a competência para a revisão do despacho aduaneiro e o lançamento de tributos/contribuições não era da IRF Recife e, sim, da Alfândega do Porto de Suape, responsável pelo despacho e desembaraço das mercadorias importadas, embasando as suas alegações no Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30.04.2007 (DOU 02.05.2007), artigo 160, que determina que cada unidade da RFB exerça as suas atribuições no âmbito da sua respectiva jurisdição (transcreve o artigo 160 e seus incisos, cita Acórdão nº 5.857, de 22.04.2005, da DRJ Florianópolis, à fl.602, e trecho de Celso A. Bandeira de Mello, à fl.604). 2. Auto aplicabilidade da Lei concessora do benefício fiscal: Arguiu que as alíquotas do PISimportação e da Cofinsimportação, incidente sobre o papel destinado a periódicos foram reduzidas para 0,8% e 3,2%, respectivamente, de acordo com o artigo 8º, §10, da Lei 10.865, de 2004; e que para os papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90 da Tabela do IPI TIPI, também destinados à impressão de periódicos, o artigo 8°, § 12, IV, da Lei n° 10.865/04 determinou a redução das alíquotas dos tributos/contribuições para 0%, pelo prazo de quatro anos contados da vigência da norma, ou até que a produção nacional atenda a 80% do consumo interno; Argumentou que a empresa importou papéis classificados na TIPI nos códigos 4810.19.89 e 4810.19.90, ambos destinados à impressão de periódicos, assim, nos termos da Lei nº 10.865/2004, o papel classificado no Subitem 4810.19.89, fazia jus à alíquota zero de PIS/Cofins (artigo 80, § 12, IV), enquanto o papel classificado no Item 4810.19.90, também destinado à impressão de periódicos, sujeitase ao PIS/CofinsImportação às alíquotas de 0,8% e 3,2%, respectivamente (artigo 8°, § 10, I e II); Assinalou que a fiscalização promoveu os lançamentos em questão, sob a alegação de que a empresa importadora deveria ser representante da fábrica estrangeira do papel, exigência ilícita, uma vez que a prescrição legal é autoaplicável e que o termo “representante de fábrica estrangeira do papel” não pode ser interpretado como sinônimo de “representação comercial” ou, muito menos, ser ligado à ideia de “exclusividade de distribuição”; Ressaltou que, de acordo com o artigo 176 do CTN, o benefício fiscal em apreço especificou as condições e requisitos para a sua concessão (importação de papel destinado à impressão de periódicos), os tributos a que se aplica (PIS/Cofinsimportação) e o prazo de sua duração (quatro anos ou quando a produção nacional atenda a 80% do consumo interno); Acrescentou, ainda, que foram descritas na norma todas as hipóteses necessárias para surtirem os efeitos desejados (cita Paulo Barros de Carvalho e jurisprudência do Egrégio Tribunal Regional Federal da 5ª RF, às fls. 611 a 613), portanto, o Fl. 684DF CARF MF Processo nº 19647.005217/200802 Acórdão n.º 3402005.343 S3C4T2 Fl. 683 5 Decreto nº 5.171/2004 somente regulamentou as alíquotas diferenciadas, prescritas pelos §§ 10 e 12 da Lei nº 10.865/2004, garantidolhes eficácia, não se podendo interpretálo como impositivo de novos limites ou restrições; 3. Distribuidor do fabricante de papel no exterior: Alegou que juntou declaração dos fabricantes do papel importado, afirmando que a empresa é distribuidora do fabricante no exterior, e que essa prova não foi aceita pela fiscalização, que continuou entendendo que ela teria de figurar como representante comercial das empresas exportadoras para fins de gozo da alíquota diferenciada das contribuições incidentes sobre o papel imune; Afirmou que não se pode resumir o termo “representante de fábrica estrangeira do papel” como “representante comercial dotado de exclusividade”. Representante comercial é instituto comercial específico, possuiu regramento próprio e não pressupõe a existência de compra e venda, mas apenas mediação para a realização de negócios mercantis, agenciando propostas ou pedidos para transmitilos aos representantes (Lei 4.886/65); representante comercial não pratica ato de importação. 4. Pedido: Por todo o exposto, solicitou que fosse conhecida e provida a impugnação apresentada, para (a) reconhecer a nulidade dos AI lavrados, em face de o terem sido por servidor incompetente, falecendolhe jurisdição quanto às importações desembaraçadas na zona primaria do Porto de Suape; ou (b) para declarar a improcedência do lançamento de oficio ora hostilizado, em face da autoaplicabilidade das alíquotas reduzidas previstas no art. 8°, §§ 10 e 12, III e IV, da Lei n° 10.865/2004, revelandose imprópria a interpretação do Decreto n° 5.171/04 promovida pela autoridade fiscal. Sobreveio então o Acórdão 1141.830, da 6ª Turma da DRJ/REC, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 27/12/2004 a 03/03/2008 Cofinsimportação. Papel imune. Redução de alíquota. Requisitos. Multa de ofício. A redução de alíquota da Cofins na importação do papel imune objeto do artigo 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal de 1988, condicionase à sua destinação exclusiva para a impressão de periódicos, devendo ser realizada por pessoa física ou pessoa jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas, ou por empresa representante de fábrica estrangeira do papel, estabelecida no Brasil, cuja venda seja exclusiva para as duas primeiras, bem como que a empresa importadora ou adquirente seja devidamente registrada para esse fim, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 685DF CARF MF 6 O descumprimento de qualquer das condições para a fruição do benefício fiscal, acarreta a cobrança da Cofinsimportação, à alíquota de 7,6%, acrescido de multa de ofício de 75%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 27/12/2004 a 03/03/2008 PISimportação. Papel imune. Redução alíquota. Requisitos. Multa de ofício. A redução de alíquota do PIS na importação do papel imune objeto do artigo 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal de 1988, condicionase à sua destinação exclusiva à impressão de periódicos, devendo ser realizada por pessoa física ou pessoa jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas, ou por empresa representante de fábrica estrangeira do papel, estabelecida no Brasil, cuja venda seja exclusiva para as duas primeiras, bem como que a empresa importadora ou adquirente seja devidamente registrada para esse fim, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O descumprimento de qualquer das condições para a fruição do benefício fiscal, enseja a cobrança do PISimportação, à alíquota de 1,65%, acrescido de multa de ofício de 75%. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 27/12/2004 a 03/03/2008 Jurisdição dos serviços aduaneiros. A jurisdição dos serviços aduaneiros estendese por todo o território aduaneiro e abrange, além da zona primária, a zona secundária, que compreende a parte restante do território aduaneiro. Revisão Aduaneira. A apuração da regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames devidos à Fazenda Nacional e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o Regulamento Aduaneiro e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de Importação (DI), nos termos do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN). Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 646/665) a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora. A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 09/08/2013, conforme AR de fls. 645 e apresentou em 06/09/2013 o recurso voluntário de fls. 646/665, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Pelo relato acima, constatase que o ponto fulcral da controvérsia cingese ao preenchimento dos requisitos legais para a fruição dos benefícios relativos à importação de papel, segundo a legislação do PISimportação e da COFINSimportação. Em síntese, a fiscalização entende que para usufruir das alíquotas reduzidas era necessário que a empresa beneficiária, estabelecida no Brasil, fosse representante da fábrica estrangeira do papel. De seu Fl. 686DF CARF MF Processo nº 19647.005217/200802 Acórdão n.º 3402005.343 S3C4T2 Fl. 684 7 lado, a Recorrente defendese dizendo que tal requisito não é juridicamente válido, e, portanto, inaplicável. Vejamos o contexto da discussão. Haja vista que a imunidade referente ao papel restringese aos impostos (artigo 150, inciso VI, alínea "d" da Constituição), a legislação ordinária criadora do PIS importação e Cofinsimportação (Lei n. 10.865/2004), dando cumprimento ao valor constitucional de incentivo à cultura, informação e educação, determinou a redução de alíquotas nas operações de importação de papel. Vejamos o seu texto: Art. 8o As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7o desta Lei, das alíquotas: (...) § 10. Na importação de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea d, da Constituição Federal, ressalvados os referidos no inciso IV do § 12 deste artigo, quando destinado à impressão de periódicos, as alíquotas são de: I 0,8% (oito décimos por cento), para a contribuição para o PIS/PasepImportação; e II 3,2% (três inteiros e dois décimos por cento), para a Cofins Importação. (...) § 12. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas das contribuições, nas hipóteses de importação de: (...) IV – papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, todos da TIPI, destinados à impressão de periódicos pelo prazo de 4 (quatro) anos a contar da data de vigência desta Lei ou até que a produção nacional atenda 80% (oitenta por cento) do consumo interno; (grifei) A Recorrente utilizou, em suas operações de importação para as mercadorias classificadas no código NCM 4810.19.90, o beneficio explicitado no artigo 8º, §10°, incisos I e II da Lei n° 10.865/2004 (chamemos de "redução de alíquota para papel destinado a periódicos"). Já para as mercadorias classificadas no NCM 4810.19.89, utilizou o beneficio explicitado no artigo 8º, § 12°, inciso IV da Lei n° 10.865/2004 (doravante designada como "alíquota zero para NCMs específicos"). Ocorre que o Decreto n. 5.171/04 foi editado para regulamentar os citados §§ 10 e 12 do artigo 8º da Lei nº 10.865/04, e, ao fazêlo, trouxe como condição determinante para o direito à fruição do benefício, que a empresa importadora seja representante de fábrica estrangeira do papel, para venda das mercadorias importadas exclusivamente à pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas. Vejamos seu conteúdo: Fl. 687DF CARF MF 8 Decreto n.º 5.171, de 2004 Art. 1º Na importação de papel imune a impostos de que trata o art. 150, inciso VI, alínea "d", da Constituição, ressalvado o disposto no art. 4º deste Decreto, quando destinado à impressão de periódicos, as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP Importação e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINSImportação são de: I 0,8%, para a Contribuição para o PIS/PASEPImportação; e II 3,2%, para a COFINSImportação. § 1º O disposto no caput aplicase somente às importações realizadas por: I pessoa física ou jurídica que explore a atividade da indústria de publicações periódicas; e II empresa estabelecida no País como representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente às pessoas referidas no inciso I. (...) Art. 4º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação nas operações de importação de: (…) IV papéis classificados nos códigos 4801.00.10, 4801.00.90, 4802.61.91, 4802.61.99, 4810.19.89 e 4810.22.90, todos da TIPI, destinados à impressão de periódicos, até 30 de abril de 2008, ou até que a produção nacional atenda oitenta por cento do consumo interno; (grifei) Ora, não é preciso adentrar em maiores digressões: o Decreto regulamentador criou requisito não previsto em lei, qual seja, que a empresa importadora figure como representante de fábrica estrangeira de papel no Brasil. Com efeito, enquanto a Lei n. 10.865/2004 trazia critério objetivo (importar o papel destinado à periódico; e importar papel de tais e quais NCMs), o Decreto criou requisito subjetivo, pois diz respeito à constituição social da empresa importadora (representante de fábrica estrangeira de papel). Inarredável, portanto, a conclusão pela ilegalidade do artigo 1º, §1º, II do Decreto n. 5.171/04, que extrapolou o conteúdo da Lei n. 10.865/2004, ferindo a hierarquia das normas jurídicas. A ilegalidade de tal ato normativo está disposta não só em nível constitucional, por meio do princípio da legalidade (artigo 150, inciso I)1 e da determinação que os decretos são expedidos pelo próprio Poder Executivo para a fiel execução da lei (artigo 1 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Fl. 688DF CARF MF Processo nº 19647.005217/200802 Acórdão n.º 3402005.343 S3C4T2 Fl. 685 9 84, inciso IV),2 mas também explicado pela lei complementar (artigos 97 e 99 do Código Tributário Nacional CTN), quando estabelecem a função dos instrumentos introdutores de normas do direito tributário (leis, tratados, convenções internacionais e decretos): Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65. Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. (grifei) Outrossim, o CTN, em seu artigo 176 do CTN é explicito sobre ser de competência da lei, em sentido estrito, o estabelecimento de condições e requisitos exigidos para a concessão de isenções. Lembremos seu texto: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Justamente por essas razões que o Poder Judiciário, ao debruçarse sobre a mesma questão ora analisada, rechaça a aplicação do artigo 1º, §1º, II do Decreto n. 5.171/04, única razão trazida pela autoridade fiscal ao lavrar o presente auto de infração. Nesse sentido, colaciono abaixo ementa de Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região: Ementa TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS. LEI Nº. 10.865/2004. EXIGÊNCIA. REPRESENTANTES DE FÁBRICA ESTRANGEIRA DE PAPEL. DECRETO Nº. 5.171/2004. ILEGALIDADE. 1. No caso, não merece reparos a sentença que concedeu a segurança para que a autoridade coatora se abstenha de exigir, como condição para o gozo das alíquotas diferenciadas do PIS/COFINS Importação de que tratam os arts. 8.º, parágrafos 10 e 12, III e IV, da Lei 10.865/2004, a prova de que as impetrantes figuram como representante de fábrica estrangeira de papel, conforme previsto no art. 1.º, parágrafo 1.º, II, do Decreto n.º 5.171/2004, tendo em vista a ilegalidade de tal exigência. 2. É que, ao regulamentar os parágrafos 10 e 12, do art. 8o., e o inciso IV, do art. 28, da Lei 10.865, de 20 de abril de 2004, o Decreto 5.171 criou uma exigência que não está inserida na legislação 2 Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...) IV sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Fl. 689DF CARF MF 10 específica, de modo a excluir a empresa dedicada à importação de papéis para a sua ulterior revenda no mercado interno da alíquota zero. 3. "O Decreto 5.171, de 2004, ao regulamentar dispositivos da Lei 10.865, do mesmo ano, não pode estabelecer exigências não previstas nem estabelecidas na norma". (APELREEX 200883000098692, Desembargador Federal Vladimir Carvalho, TRF5 Terceira Turma, 17/04/2009). 4. Apelação e Remessa Oficial improvidas. (Processo APELREEX 200883000071479, APELREEX Apelação / Reexame Necessário 3287, Relator Desembargador Federal Francisco Barros Dias. TRF5, Segunda Turma, DJE Data::02/06/2010 Decisão UNÂNIME) (grifei) Assim, entendo que: i) o artigo 26A do Decreto 70.235/72 e a Súmula CARF n. 2 não permitem que o CARF afaste ato normativo por inconstitucionalidade, mas silenciam sobre questões afetas à ilegalidade, justamente porque é da precípua competência desse Tribunal julgar os processos administrativos efetuando juízo sobre a legalidade dos atos normativos que embasam as autuações fiscais; ii) o artigo 1º, §1º, II do Decreto n. 5.171/04 é ilegal, pois criou requisito não previsto em lei; iii) a Recorrente cumpriu todos os requisitos exigidos pela Lei n. 10.865/2004 para usufruir das reduções de alíquota referente ao PIS importação e à COFINSimportação sobre as mercadorias que foram objeto da fiscalização. Necessário, portanto, o cancelamento da presente exigência fiscal. Por fim, destaco que a Recorrente apresenta argumento preliminar a respeito da nulidade por falta de competência de autoridade lançadora. Contudo, deixo de analisar a questão com fulcro no artigo 59, §3º do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972, cujo texto dispõe: “quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” Dispositivo Ex positis, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir do Voto da Ilustre Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, restando meu posicionamento vencedor por voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo as minhas razões de decidir. A competência para sustar atos normativos do Executivo que exorbitem do poder regulamentar é do Congresso Nacional, nos termos do art. 49, V da Constituição Federal3, sem prejuízo do controle de legalidade, ou de controle de constitucionalidade nas hipóteses por ventura admitidas, pelo Poder Judiciário. 3 Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: Fl. 690DF CARF MF Processo nº 19647.005217/200802 Acórdão n.º 3402005.343 S3C4T2 Fl. 686 11 No entanto, não pode o agente da Administração Pública, subordinado que está às disposições do Decreto, aferir se este desborda dos parâmetros estabelecidos pela Lei por ele regulamentada. Sobre o Regulamento assim ensina Hely Lopes Meirelles4: A faculdade normativa, embora caiba predominantemente ao Legislativo, nele não se exaure, remanescendo boa parte para o Executivo, que expede regulamentos e outros de caráter geral e efeitos externos. Assim, o regulamento é um complemento da lei naquilo que não é privativo da lei. Entretanto, não se pode confundir lei e regulamento. Regulamento é ato administrativo geral e normativo, expedido privativamente pelo Chefe do Poder Executivo (federal, estadual ou municipal), através de decreto, com o fim de explicar o modo e forma de execução da lei (regulamento de execução) ou prover situações não disciplinadas em lei (regulamento autônomo ou independente). Como ato administrativo que é, o regulamento, expedido através de Decreto, goza da presunção de legitimidade, o que autoriza a sua imediata execução ou operatividade, como bem esclarece Meirelles, enquanto "não sobrevier o pronunciamento de nulidade os atos administrativos são tidos por válidos e operantes, quer para a Administração, quer para os particulares sujeitos ou beneficiários de seus efeitos"5. Como se sabe a Administração tem competência para invalidar atos administrativos ilegais ou ilegítimos (anulação), inconvenientes ou inoportunos (revogação). Também o Poder Judiciário efetua o controle de legalidade dos atos administrativos. De forma que os atos administrativos permanecem vigentes, com presunção de legitimidade, até que sejam invalidados pela própria Administração Pública ou pelo Poder Judiciário. No caso da anulação de ato administrativo pela Administração Pública, ela pode ser exercida pelo próprio agente que praticou o ato ou por autoridade hierarquicamente superior 6. De forma que não se vislumbra possibilidade de anulação ou afastamento dos efeitos de um regulamento, expedido pelo Chefe do Poder Executivo, por parte de um Colegiado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a ele subordinado, por intermédio do Ministério da Fazenda. Entendimento semelhante foi adotado por este CARF no Acórdão abaixo: I resolver definitivamente sobre tratados, acordos ou atos internacionais que acarretem encargos ou compromissos gravosos ao patrimônio nacional; II autorizar o Presidente da República a declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente, ressalvados os casos previstos em lei complementar; III autorizar o Presidente e o VicePresidente da República a se ausentarem do País, quando a ausência exceder a quinze dias; IV aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas; V sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; (...) 4 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 33. ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 128. 5 Ibidem, p. 159. 6 Ibidem, p. 208. Fl. 691DF CARF MF 12 Processo nº 16641.000031/200811 Acórdão nº 1202001.209 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2014 Anocalendário: 2004, 2005 (...) IRPJ/CSLL. ILEGALIDADE DE ATOS INFRALEGAIS. AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas; incluídas as que julgam litígios fiscais, não detêm competência para decidir sobre a ilegalidade de atos infralegais. (...) VOTO No caso específico da fundamentação da cobrança nos artigos 303 e 463 do RIR/99, os quais, segundo a Recorrente, encontramse revogados tacitamente, razão não lhe assiste. Sobre a legalidade de atos infralegais, o art. 16 da Lei nº 12.833, de 20.06.2013, inseriu o parágrafo único ao art. 48 da Lei nº 11.941/2009 com a seguinte redação: "Art. 48. (...) Parágrafo único. São prerrogativas do Conselheiro integrante do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: I somente ser responsabilizado civilmente, em processo judicial ou administrativo, em razão de decisões proferidas em julgamento de processo no âmbito do CARF, quando proceder comprovadamente com dolo ou fraude no exercício de suas funções; e II emitir livremente juízo de legalidade de atos infralegais nos quais se fundamentam os lançamentos tributários em julgamento." Porém, ao sancionar a referida Lei, a Presidente da República vetou o inciso II do referido parágrafo, sob o seguinte fundamento: "Razões do veto: O CARF é órgão de natureza administrativa e, portanto, não tem competência para o exercício de controle de legalidade, sob pena de invasão das atribuições do Poder Judiciário." Como o referido veto presidencial aguarda apreciação pelo Congresso Nacional, não cabe ao CARF pronunciarse sobre a ilegalidade das normas aplicadas pela Fiscalização na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Dessa forma, incumbe a este Colegiado, no julgamento do recurso voluntário de que trata o presente processo, considerar válidas e eficazes as disposições contidas no art. 1º, §1º, II do Decreto nº 5.171/04, que restringe a fruição do benefício de redução das alíquotas das contribuições à "empresa estabelecida no País como representante de fábrica estrangeira do papel, para venda exclusivamente às pessoas referidas no inciso I". A recorrente não logrou comprovar ser representante do fabricante estrangeiro do papel imune, não fazendo jus, portanto, ao benefício da redução de alíquota das contribuições em comento. Quanto à preliminar cuja análise restou prejudicada no voto da Conselheira Relatora, melhor sorte não assiste à recorrente. A decisão recorrida, abaixo transcrita, há de ser mantida pelos seus próprios fundamentos, mesmo porque não há no recurso voluntário qualquer argumento hábil a afastá la: Acórdão 1141.830 6 ª Turma da DRJ/REC Sessão de 26 de julho de 2013: (...) A Portaria RFB/Suari nº 2906, de 10 de dezembro de 2009, que dispõe sobre o planejamento, execução, registro e controle dos procedimentos de fiscalização aduaneira de zona secundária, dispõe, em seu artigo 13, inciso III: Fl. 692DF CARF MF Processo nº 19647.005217/200802 Acórdão n.º 3402005.343 S3C4T2 Fl. 687 13 “Art. 13. O procedimento de fiscalização aduaneira de zona secundária será executado pela unidade da RFB com jurisdição sobre o estabelecimento matriz do sujeito passivo, salvo nas seguintes hipóteses: I a de que trata o §2º e §4º do art. 6º da Portaria RFB nº 11.371/07; II a de que trata o inciso VI do art. 278 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 125, de 2009; III nas operações fiscais do grupo "Revisão Aduaneira", relacionadas no Anexo I, que serão executadas pela unidade da RFB com jurisdição sobre o estabelecimento responsável pelo registro das declarações aduaneiras; IV nas operações fiscais do grupo "Renúncia Fiscal", relacionadas no Anexo I, que serão executadas pela unidade da RFB com jurisdição sobre o estabelecimento beneficiário ou detentor do incentivo, ainda que as importações ou exportações beneficiadas tenham sido realizadas por outro estabelecimento; V nas operações fiscais do grupo "Combate à Fraude", natureza "Interposição Fraudulenta", relacionadas no Anexo I, que também poderão ser executadas pela unidade da RFB com jurisdição sobre o estabelecimento matriz do adquirente.” (Grifos acrescentados) Configurada está, portanto, a competência da IRFRecife para a execução das operações fiscais de Revisão Aduaneira das empresas responsáveis pelo registro das DI objeto da revisão. No que toca, ainda, à revisão das DI, também contestada pela defesa, devese esclarecer que o procedimento pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço, reexamina o despacho aduaneiro, denominado de Revisão Aduaneira, deve ser realizado enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, conforme dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 150, § 4º, e 156, inciso V, c/c o artigo 54 do Decreto lei nº 37, de 1966, alterado pelo artigo 2º do Decreto lei nº 2.472, de 1988, in verbis: “Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da Declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto lei.” (Grifos acrescentados) Assim dispõem o Decreto lei nº 37/66, alterado pelo Decreto lei nº 2.472/88, e o Regulamento Aduaneiro de 2009, em vigor na data de ocorrência do fato gerador, acerca da conferência e da revisão aduaneiras, in verbis: Decreto lei nº 37/66: Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o artigo 44 deste Decreto Lei.” (Grifos acrescentados) Regulamento Aduaneiro: “Art. 638. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto lei no 37, de 1966, art. 54, com a Fl. 693DF CARF MF 14 redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 2o, e Decreto lei no 1.578, de 1977, art. 8o). ..... § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decreto lei no 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto lei no 2.472, de 1988, art. 2o); e........... § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado.” (Grifos acrescentados) Portanto, não há vedação ao reexame dos despachos aduaneiros (desde que nos cinco anos a partir do registro das DI). Além do mais, a administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade, nos termos do artigo 53 da Lei nº 9.784, de 1999, desde que no prazo de cinco anos, contados a partir do registro das DI, razão do reexame das DI objeto do litígio. Não cabe razão à defendente, portanto, no que toca à nulidade dos lançamentos, uma vez que a autoridade lançadora é competente e a revisão do lançamento seguiu as diretrizes legais, tudo em consonância com a legislação citada. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 694DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720016/2015-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/07/2011 a 31/12/2012
AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DE PAGAMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL.
Nas vendas efetuadas de sebo bovino é obrigatória a suspensão do pagamento das contribuições para PIS e Cofins, não podendo o adquirente creditar-se em montante superior a 40% do crédito correspondente às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, ainda que tais percentuais estejam destacados nas notas fiscais de venda.
MULTA. APLICAÇÃO. PREVISÃO LEGAL
Aplica-se a multa de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de lançamento de ofício por falta de recolhimento de contribuições devidas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/2011 a 31/12/2012
AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DE PAGAMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL.
Nas vendas efetuadas de sebo bovino é obrigatória a suspensão do pagamento das contribuições para PIS e Cofins, não podendo o adquirente creditar-se em montante superior a 40% do crédito correspondente às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, ainda que tais percentuais estejam destacados nas notas fiscais de venda.
MULTA. APLICAÇÃO. PREVISÃO LEGAL
Aplica-se a multa de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de lançamento de ofício por falta de recolhimento de contribuições devidas.
Numero da decisão: 3302-005.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo, que dava provimento parcial para admitir o crédito integral em relação às notas fiscais com destaque de PIS/Pasep e Cofins e sem a informação de que os produtos saíram com suspensão. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde como redator ad hoc para formalização do voto. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou da votação, em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na reunião de abril de 2018.
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Redator ad hoc.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL. Nas vendas efetuadas de sebo bovino é obrigatória a suspensão do pagamento das contribuições para PIS e Cofins, não podendo o adquirente creditarse em montante superior a 40% do crédito correspondente às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, ainda que tais percentuais estejam destacados nas notas fiscais de venda. MULTA. APLICAÇÃO. PREVISÃO LEGAL Aplicase a multa de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de lançamento de ofício por falta de recolhimento de contribuições devidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2011 a 31/12/2012 AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DE PAGAMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL. Nas vendas efetuadas de sebo bovino é obrigatória a suspensão do pagamento das contribuições para PIS e Cofins, não podendo o adquirente creditarse em montante superior a 40% do crédito correspondente às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, ainda que tais percentuais estejam destacados nas notas fiscais de venda. MULTA. APLICAÇÃO. PREVISÃO LEGAL Aplicase a multa de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de lançamento de ofício por falta de recolhimento de contribuições devidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 16 /2 01 5- 41 Fl. 5691DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.692 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Walker Araújo, que dava provimento parcial para admitir o crédito integral em relação às notas fiscais com destaque de PIS/Pasep e Cofins e sem a informação de que os produtos saíram com suspensão. Designado o Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde como redator ad hoc para formalização do voto. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida não participou da votação, em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na reunião de abril de 2018. Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Raphael Madeira Abad Relatório Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar o voto, passo a transcrever o relatório elaborado na minuta do voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 17/04/2018. "Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Contra a contribuinte em epígrafe foram lavrados autos de infração (fls. 2/43) resumidos nos quadros demonstrativos a seguir, relativos a valores de Cofins e PIS/PASEP apurados nos meses de julho de 2011 a dezembro de 2012. Os valores acima demonstrados encontramse acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora legais calculados com base na taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic. O autuante apurou que, em parte das aquisições de sebo bovino (NCM 1502.001), o contribuinte autuado descontou integralmente de créditos pelas alíquotas de 7,60%(Cofins) e 1,65% (PIS), quando deveria se beneficiar do crédito presumido calculado à razão de 40% daquelas alíquotas, por força do disposto no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009. Os valores das contribuições correspondentes às diferenças apuradas foram objeto de lançamento de ofício. Cientificado da pretensão fiscal em 18/02/2015 (fls. 672), o sujeito passivo apresenta a impugnações de fls. 5624/5640, onde contesta a autuação fiscal, alegando o que segue. Fl. 5692DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.693 3 O defendente inicia sua impugnação solicitando a anulação dos autos de infração, tomando por base seguinte argumento de fundo: “requer a Impugnante a integral anulação dos autos de infração em questão, tendo em vista que a capitulação legal trazida nos mesmos não tem qualquer silogismo prático, lógico e jurídico com os fatos narrados, porquanto a ora Impugnante apenas se creditou do valor destacado nas notas fiscais de aquisição de seus insumos.” Quanto ao mérito, aduz que diversas empresas fornecedoras de sebo bovino, necessário à industrialização de seus produtos, “declinaram” do regime de suspensão da incidência das contribuições, mantendo o recolhimento do PIS e da Cofins, além de realizarem o devido destaque integral dos valores nas notas fiscais de venda expedidas; por tal motivo, o defendente alega ter direito ao creditamento integral dos valores com base nas alíquotas cheias das contribuições (1,65% para o PIS e 7,60% para a Cofins), e não o crédito presumido de 40%, previsto no art. 34, da Lei nº 12.058, de 2009, alterado pela Lei nº 12.350, de 2010. Afirma que os produtos não foram adquiridos “com suspensão do pagamento”. Argumenta o administrado que os valores destacados nas notas fiscais integraram o custo de aquisição dos insumos, sendo passíveis de integral aproveitamento nas fases seguintes da cadeia produtiva, segundo o regime da não cumulatividade previsto para as contribuições. Informa, também que os fornecedores declinaram de se valer do regime de suspensão sem que tivesse havido qualquer ingerência do contribuinte autuado, e que aqueles apresentaram declarações que comprovam suas opções pelo pagamento integral das contribuições. Quanto à multa exigida, o impugnante defende a impossibilidade de aplicação da mesma, argüindo a falta de nexo de causalidade, tendo em vista que nenhuma infração teria sido cometida. Ao fim da peça de defesa, requer a improcedência dos autos de infração. É o Relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011, 2012 AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DE PAGAMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL. Fl. 5693DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.694 4 Nas vendas efetuadas de sebo bovino é obrigatória a suspensão do pagamento das contribuições para PIS e Cofins, não podendo o adquirente creditarse em montante superior a 40% do crédito correspondente às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, ainda que tais percentuais estejam destacados nas notas fiscais de venda. MULTA. APLICAÇÃO. PREVISÃO LEGAL Aplicase a multa de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de lançamento de ofício por falta de recolhimento de contribuições devidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011, 2012 AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DE PAGAMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. PERCENTUAL. Nas vendas efetuadas de sebo bovino é obrigatória a suspensão do pagamento das contribuições para PIS e Cofins, não podendo o adquirente creditarse em montante superior a 40% do crédito correspondente às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, ainda que tais percentuais estejam destacados nas notas fiscais de venda. MULTA. APLICAÇÃO. PREVISÃO LEGAL Aplicase a multa de 75% (setenta e cinco por cento) nos casos de lançamento de ofício por falta de recolhimento de contribuições devidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos legais e não tendo ocorrido nenhuma das causas de nulidade descritas na legislação pertinente (Decreto nº 7.574, de 2011), não há que se falar em anulação da autuação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 05/08/2015, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 5.659, apresenta em 04/09/2015, através da Solicitação de Juntada de fl. 5.661, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 5.662/5.688, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede impugnatória e ao final requer: (i) sejam anulados os autos de infração, por conta de sua capitulação legal falha; (ii) a improcedência das autuações, dado que se mantidas haverá evidente afronta ao princípio da nãocumulatividade, nos Fl. 5694DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.695 5 termos do art. 195, § 12 da Constituição Federal/1988 12 c.c. artigo 1º, da Lei 10.637/02 (não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep) e artigo 1º, da Lei 10.833/02 (não cumulatividade da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –Cofins)), assim como restarão violados os arts. 3º da Lei nº 10.833/03 e art. 3º da Lei nº 10.637/02, uma vez que a Recorrente tem todo o direito de se aproveitar dos créditos de PIS e Cofins; (iii) a improcedência das autuações, porque o sebo bovino é utilizado como insumo pela Recorrente, para a produção de sabão, devendose, para tanto, considerar que, muito embora as empresas vendedoras de tal matériaprima estivessem em tese submetidas ao regime de suspensão das contribuições, conforme previsão do artigo 32 da Lei n.º 12.058/09, com a redação vigente após a Lei n.º 12.431/11, essas empresas não se valeram de tal regime, com base, precipuamente, no quanto disposto no § único do art. 4º da Instrução Normativa nº 997/2009, procedendo à escrituração do valor cheio e completo das alíquotas de ambas as contribuições, repassando o encargo para a ora Recorrente em sua totalidade, o que legitima esta ao aproveitamento integral, nos termos dos artigos 3os, da Lei n.º 10.833/03 e da Lei n.º 10.637/02; (iv) a improcedência das autuações, pois não se pode questionar o direito que assiste à Recorrente em proceder ao creditamento dos valores decorrentes da aquisição de sebo bovino, destacados pelas empresas que o comercializaram, porquanto não houve a ocorrência da condição, sine qua non, contida no artigo 34, da Lei n.º 12.058/09 (vigente à época das operações), ou seja, não houve aquisição dos insumos com suspensão dos pagamentos das contribuições; (v) subsidiariamente, a improcedência das autuações, porquanto a ora Recorrente não cometeu infração tributária alguma, ao escriturar um encargo fiscal contido efetivamente nas notas de aquisição; e, se houve alguma infração, esta, no mínimo, deveria de ser imputada aos fornecedores que emitiram nota fiscal em desrespeito ao entendimento do Auditor Fiscal e sem cumprimento da obrigação acessória complementar contida nos artigos 2os, § 2os, das Instruções Normativas n.os 977/2009 e 1.157/2011, sendo de rigor, portanto, afastar a totalidade da multa aplicada e os respectivos juros incidentes sobre ela; e, (vi) subsidiariamente ao julgamento, a Recorrente requer a conversão do julgamento em diligência, com o fim de ser, de forma detalhada, apurado, junto aos revendedores de sebo, se, efetivamente, houve o recolhimento dos valores correspondentes às contribuições ao PIS e à COFINS, conforme devidamente destacado nas notas fiscais; e (vii) subsidiariamente quanto ao julgamento em diligência, caso haja qualquer dúvida a respeito da qualidade de revendedores, que também se converta o julgamento em diligência ante a falha profunda cometida pelo auto de infração, que não promoveu qualquer investigação, notificação ou fiscalização prévias, baseouse somente em uma Fl. 5695DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.696 6 interpretação equivocada da legislação, sem substrato correto nos fatos. Que todas as futuras intimações sejam exclusivamente realizadas em nome dos advogados JOSÉ MANOEL DE ARRUDA ALVIM NETTO, inscrito na OAB/SP 12.363; e EDUARDO PELLEGRINI DE ARRUDA ALVIM, inscrito na OAB/SP 118.685, ambos com endereço na Rua Atlântica, nº 516, Jardim América, São Paulo – CEP 01440902 e endereço eletrônico: arrudaalvimsp@arrudaalvim.com.br, sob pena de nulidade." É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Redator ad hoc. Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar o voto, passo a transcrever o voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 17/04/2018. "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Inexistência de nulidade Argui o recorrente que a base legal utilizada na autuação não corresponde a situação fática demonstrada pelo fiscal, tendo o julgador da decisão de piso tentado "consertar" a descrição dos fatos, situação incompatível com uma autuação de valores estratosféricos. Constatase que o enquadramento legal utilizado na autuação, o qual foi reproduzido pelo julgador "a quo" corresponde aos diplomas legais que amparam o lançamento tributário que ora se discute, estando o Termo de Verificação Fiscal TVF, fls.498/502, parte integrante e indissociável do auto de infração minudentemente fundamentado, com as remissões legais pertinentes às constatações demonstradas, tanto que o recorrente, apreendeu o inteiro teor da autuação, visto que se defendeu precisamente em suas peças defensórias demonstrando perfeito conhecimento dos fatos que lhe são imputados e colacionando a interpretação que entende cabível. Quanto à análise do julgador de piso a respeito da nulidade invocada, observase que inaugurado o litígio e assim estabelecida a dialética processual, fundamentou o r. julgador de forma minudente e amparado na legislação de regências, as razões, segundo seu entendimento, cabíveis para refutar a tese colacionada pela defesa. Transcrevese a seguir alguns excertos da decisão com o fito de demonstrar a fundamentação quanto ao tópico alegado: Já o Termo de Verificação Fiscal (fls. 498/501), que embasa os autos de infração, descreve de forma clara e precisa a situação fática ensejadora da autuação, bem como os comandos legais infringidos pelo contribuinte. Fl. 5696DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.697 7 Com efeito, a autuação teve como motivação o fato de o contribuinte adotar mecanismo de apuração de créditos (utilizados como desconto das contribuições devidas), não previsto na legislação. Ressaltese que tanto o art. 3º da Lei nº 10.833, como o seu homógrafo correspondente na Lei nº 10.637, citados no enquadramento dos autos de infração, tratam das situações que admitem desconto de créditos; justamente a questão central que levou à autuação. Dessa forma, mostrase descabida a alegação de nulidade (anulação) dos autos de infração, não tendo ocorrido, na espécie, qualquer forma de afronta ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Diante dos fundamentos acima constatase que não há reparos no feito fiscal, tampouco na decisão de piso. Das Notificações e Intimações Quanto à solicitação de que as notificações e intimações referentes ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, é de se esclarecer que o Decreto nº 70.235, de 1972, norma que rege o Processo Administrativo Fiscal PAF, em seu artigo 23, incisos I, II e III, estabelece as formas de intimação e precisamente no inciso II do referido dispositivo determina que [...por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo]. Nesse sentido, indeferese a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio do procurador da Recorrente. MÉRITO Do aproveitamento indevido de créditos Conforme relatado, o autuante apurou que, em parte das aquisições de sebo bovino (NCM 1502.001), o contribuinte autuado descontou integralmente de créditos pelas alíquotas de 7,60%(Cofins) e 1,65% (PIS), quando deveria se beneficiar do crédito presumido calculado à razão de 40% daquelas alíquotas, por força do disposto no art. 34 da Lei nº 12.058, de 2009. Constatase que a principal linha defensória consiste em que os produtos não foram adquiridos “com suspensão do pagamento”, visto que diversas empresas fornecedoras de sebo bovino, necessário à industrialização de seus produtos, “declinaram” do regime de suspensão da incidência das contribuições, mantendo o recolhimento do PIS e da Cofins, além de realizarem o devido destaque integral dos valores nas notas fiscais de venda expedidas; por tal motivo, o defendente alega ter direito ao creditamento integral dos valores com base nas alíquotas cheias das contribuições (1,65% para o PIS e 7,60% para a Cofins), e não o crédito presumido de 40%, previsto no art. 34, da Lei nº 12.058, de 2009, alterado pela Lei nº 12.350, de 2010. Esclarece o Termo de Verificação Fiscal TVF, fls.498/502: (...) constatouse que a contribuinte utilizouse integralmente de créditos pelas alíquotas de 7,60% (COFINS) e de 1,65% Fl. 5697DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.698 8 (PIS) em função da aquisição do NCM mencionado, com exceção da aquisição desse NCM de frigoríficos. Ocorre, entretanto, que a Lei 12.431, publicada em 26/06/2011, em seu art. 53, modificou o art. 32, inciso II, da Lei 12.058/09, suspendendo também o pagamento das Contribuições para o PIS e Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de produtos classificados na posição 1502.00.1, quando efetuado por pessoa jurídica que revenda tal produto. Dessa maneira, conforme art. 34 da Lei 12.058/09, e em função da vigência da Lei 12.431/11, a revenda de sebo bovino tanto por frigoríficos como pelas demais pessoas jurídicas dariam direito apenas ao crédito presumido e não ao crédito integral”.(grifei) Assim dispõe a Lei n° 12.058, de 13 de outubro de 2009: Art. 32. Fica suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda, no mercado interno, de:(grifei) I – animais vivos classificados na posição 01.02 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando efetuada por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, vendidos para pessoas jurídicas que produzam mercadorias classificadas nas posições 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM; (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). II produtos classificados nas posições 02.01, 02.02, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0210.20.00, 0506.90.00, 0510.00.10 e 1502.00.1 da NCM, quando efetuada por pessoa jurídica que revenda tais produtos ou que industrialize bens e produtos classificados nas posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. (grifei) Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo: I não alcança a receita bruta auferida nas vendas a varejo; II aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Art. 34. A pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, que adquirir para industrialização ou revenda mercadorias com a suspensão do pagamento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins prevista no inciso II do art. 32, poderá descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, determinado mediante a aplicação, sobre o valor das aquisições, de percentual correspondente a 40% (quarenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.(grifei). Fl. 5698DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.699 9 Da leitura do caput do art. 32 verificase não assistir razão à defesa, haja vista que a norma é impositiva quanto à suspensão do pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins ante a situação fática dos autos, sendo facultado à adquirente, conforme o artigo 34 do referido diploma legal, descontar da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, sobre o valor das aquisições, no percentual correspondente a 40% (quarenta por cento) das alíquotas previstas nos dispositivos legais referenciados. Nesse sentido tomo de empréstimo a escorreita análise efetuada pela decisão de piso: O comando legal impõe de forma taxativa a suspensão do pagamento das contribuições, dessa forma, diferentemente do que dito na impugnação, o vendedor da mercadoria não deve, ao seu talante, desconsiderar (ou não seguir) regra expressamente prevista em comando legal. Principalmente no caso onde o descumprimento do dispositivo legal seja utilizado para justificar o surgimento de benefício requerido por terceiros. Ocorre que a suspensão da incidência das contribuições prevista no preceito normativo acima transcrito é regra e tem cunho obrigatório, não permitindo interpretação contrária. (grifei). Já o art. 34 da mesma lei, faculta ao adquirente beneficiarse de crédito presumido calculado em percentual de 40% sobre as alíquotas cheias, de 1,65% para o PIS e 7,60% para a Cofins,(...) Em outro giro, assim destaca referida decisão: Outro aspecto a ser tratado, recai sobre a alegação do contribuinte de que deveriam ser aplicados os princípios da não cumulatividade pelo fato de as notas fiscais expedidas pelos vendedores destacarem as contribuições em valores correspondentes às alíquotas cheias. A argumentação apresentada procura insinuar que os vendedores dos produtos de origem animal teriam retido as respectivas contribuições para o PIS e a Cofins em valores cheios, e que os mesmos as teriam recolhido. Entretanto, nos autos, não existem documentos que respaldem referida tese, quer em relação à efetividade da retenção, quer sobre existência de efetivo recolhimento. (grifei) É certo que foram anexados pelo defendente ao processo, várias declarações produzidas pelos vendedores (fls. 676/720) onde alguns deles afirmam que “não usufruem” do benefício da suspensão do paramento. Contudo, como já se viu neste voto, a suspensão do pagamento é regra prevista em preceito legal, e não faculdade do vendedor (art. 123 do CTN). Mesmo que tenha havido recolhimento indevido das contribuições, resta ao vendedor apenas solicitar a Fl. 5699DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.700 10 restituição da quantia indevidamente recolhida, não sendo permitido pela legislação em vigor o repasse de eventual indébito para ser utilizado por terceiros. (grifei). Há de se ressaltar também, que o simples destaque da contribuição, por seu valor “cheio” na nota fiscal de venda, não garante que a quantia ali estampada foi efetivamente retida ou recolhida. Assim, as regras da não cumulatividade não podem ser transpostas para a situação ora analisada. Tendo em vista o dsciplinamento da questão, conforme legislação destacada e em face dos fundamentos acima, mantémse as glosas efetuadas pela fiscalização, ante a inexistência de base legal para que as empresas adquirentes de produtos agropecuários classificados no código NCM 1502.001 se beneficiem de crédito de PIS e Cofins, calculados às alíquotas de 1,65% e 7,60%, respectivamente. Com efeito, inferese que nas vendas efetuadas de sebo bovino é obrigatória a suspensão do pagamento das contribuições para PIS e Cofins, não podendo o adquirente creditarse em montante superior a 40% do crédito correspondente às alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, ainda que tais percentuais estejam destacados nas notas fiscais de venda. Da multa de ofício Como bem demonstrado no presente voto, constatou a fiscalização, conforme o TVF, o aproveitamento indevido de créditos e PIS e Cofins referente à aquisição de produtos classificados na NCM (Nomenclatura Comum do Mercosul) 1502.0012 (sebo bovino) no período de 07/2011 12/2012, situação fática que ensejou o não recolhimento das referidas contribuições, lançadas portanto de ofício, conforme demonstrativos da peça vestibular. O suporte fático da autuação se amolda portanto às disposições do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art 14 da Lei nº 11.488, de 2007, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; No caso dos autos de lançamento de ofício aplicou o agente fiscal o percentual de 75% determinado no dispositivo legal acima transcrito." Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 5700DF CARF MF Processo nº 19311.720016/201541 Acórdão n.º 3302005.538 S3C3T2 Fl. 5.701 11 Fl. 5701DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.900809/2008-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
INDÉBITO ILÍQUIDO
Para o reconhecimento de direito creditório, não basta a comprovação da certeza de ter havido indébito, é necessária também a sua quantificação, ou seja, a liquidez do valor. No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior.
Numero da decisão: 1401-002.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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No presente caso, o contribuinte recolheu o IRPJ pelo percentual de 32% sobre o total das suas vendas e contratos e notas fiscais de aquisição de materiais indicam que parte das suas vendas se submeteriam ao percentual de 8%. Nada obstante, com os elementos trazidos aos autos, não há comprovação de quais vendas apresentam tal característica, o que impede a verificação do montante recolhido a maior. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 08 09 /2 00 8- 00 Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10855.900809/200800 Acórdão n.º 1401002.430 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1426.514 da 5ª Turma da DRJ/RPO que negou provimento à manifestação de inconformidade apresenta pelo interessado. Com relação às peças iniciais do feito, tomo de empréstimo o relatório da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório [...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: a) a sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) em 23/01/2003, a contribuinte formulou consulta fiscal, processo administrativo n° 10855.000267/20031, requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido; c) obteve como resposta o percentual de 8%; d) constatou que sempre apurou o lucro presumido pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, conseqüentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; e) a contribuinte procedeu a compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); f) a contribuinte deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior de imposto; g) embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito os documentos anexos comprovam Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10855.900809/200800 Acórdão n.º 1401002.430 S1C4T1 Fl. 4 3 claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; h) o contrato anexo comprova a natureza do serviço de construção civil e o emprego de materiais para execução da obra; i) as notas fiscais anexas comprovam os materiais utilizados na obra contratada; j) a nota fiscal emitida pela contribuinte discrimina o contrato a que corresponde e comprova a origem da receita; k) a nota fiscal emitida pela contribuinte e o DARF, se confrontados, comprovam que o lucro presumido foi apurado pelo percentual de 32% e que o IRPJ foi recolhido a maior que o quádruplo do valor; l) a não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da contribuinte e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. Ao final, requer que seja dado provimento a presente manifestação para homologar a compensação efetuada e anular o débito. DA DECISÃO RECORRIDA Em breve síntese, a decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade sob o fundamento de que o contribuinte a solução de consulta a que faz referência asseverou, de um lado, a alíquota de 8% para a construção civil com o emprego de materiais, mas também que as empresas que exercem atividades diversificadas devem aplicar a alíquota específica de cada atividade. No contrato social apresentado, a empresa exerce diversas atividades de serviços (nesse passo, o julgador elenca cada uma delas). Assim, os contratos por ela assinados podem abrigar mais de um tipo de atividade, o que exige a documentação fiscal cabível para a apuração da base de cálculo do IRPJ. O contribuinte apresentou Notas Fiscais Faturas de Serviços e demais documentos pertinentes. No entanto, o imposto não é apurado, nota a nota. Como o contribuinte não fez a nova apuração do imposto devido no trimestre, deixou de demonstrar o montante do indébito. Quanto a essa parte, vale transcrever o trecho original da decisão: Contudo, o direito à repetição do indébito não diz respeito a cada nota fiscal como pretendido pela contribuinte. Repetir o IRPJ atinente a cada nota fiscal emitida para a Cia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo caracteriza flagrante impropriedade, vez que o que a contribuinte pleiteia como indébito, na PER/Dcomp [...], é o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 1º trimestre de 2000, e este não incide em cada nota fiscal em particular, mas sim sobre uma base de cálculo, determinada pela aplicação de um percentual sobre o montante da receita bruta, decorrente da venda de mercadorias e serviços, acrescido de outras receitas e ganho de capital, apurado trimestralmente na forma da lei. Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 1 trimestre de 2000 com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10855.900809/200800 Acórdão n.º 1401002.430 S1C4T1 Fl. 5 4 de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido.l Foi essa a razão que orientou o voto para negar provimento à manifestação de inconformidade. RECURSO VOLUNTÁRIO O contribuinte apresentou recurso voluntário além de documentos nas páginas seguintes. Desta vez, além das notas fiscais e contratos de prestação de serviços, carreou o diário do período (1º trimestre de 2000), com o balanço, a demonstração do resultado do exercício e o plano de contas. Na peça recursal, aduziu inicialmente as mesmas razões oferecidas na manifestação de inconformidade. Ademais, afirma que os documentos apresentados seriam suficientes para comprovar o indébito, pois, apesar de não ter juntado os livros fiscais, carreou toda a documentação que deu suporte à sua escrituração. De toda sorte, dada a exigência da autoridade julgadora de primeiro grau, juntou ao recurso todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos, as notas fiscais dos materiais empregados e a cópia do seu livro diário. É o relatório do essencial. Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10855.900809/200800 Acórdão n.º 1401002.430 S1C4T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.416, de 13/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.906076/2009 90, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma teve como origem o IRPJ pago com base na apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 2001. No presente processo, o direito creditório pleiteado tem como origem o IRPJ pago com base no lucro presumido apurado no 1º trimestre de 2000. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.416): "Inicialmente, apesar de não discordar da conclusão do voto como explicarei posteriormente, devo dizer que a premissa adotada pela autoridade julgadora de primeiro grau foi muito rigorosa. Não é necessário, no meu ponto de vista, demonstrar novamente toda a apuração do trimestre para se verificar um valor de indébito a partir de algumas notas fiscais. Afinal, se o contribuinte adotou o percentual de 32% para toda a sua receita e, posteriormente, comprova que alguns dos valores registrados estão submetidos a percentual diverso, o montante do indébito corresponderá à diferença de percentual sobre a receita apontada. Esse raciocínio é o mesmo que permite à autoridade fiscal lançar o imposto de renda a partir da verificação de apenas alguns itens do resultado, sem que necessite recalcular toda a base de cálculo. Com os elementos apresentados pelo contribuinte, é possível aferir que houve serviços prestados com o emprego de materiais, mas não é possível aferir exatamente quais e nem identificar o seu montante. Podemos verificar que, no período, o contribuinte prestou serviços apenas para a SABESP, em razão da seqüência contínua de notas fiscais que vão da nº de 180, emitida em 01/10/2001 a 199, emitida em 17/12/2001. Ou seja, todas as suas receitas provieram da execução de contratos com essa empresa. Nos referidos contratos, consta cláusula que impõe ao prestador o dever de empregar os materiais. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10855.900809/200800 Acórdão n.º 1401002.430 S1C4T1 Fl. 7 6 Houve materiais adquiridos no período. Aliás, além do período (foram adquiridos no interregno entre a celebração dos contratos e das prestações de serviço), é possível identificar que tais materiais foram empregados nos serviços prestados à Sabesp em função de referências como "Material a ser utilizado na obra de Hortolândia/SP" (vide fl. 370), justamente o local de execução das prestações de serviço. No entanto, não é possível aferir (e nem sequer o contribuinte indica) quais notas se referem a serviços prestados com o fornecimento de materiais. Sabemos que uma parte dessas notas são relativas à prestação de serviço com fornecimento de material, mas elas não correspondem ao todo, uma vez que o contribuinte pleiteia indébito significativamente menor que a aplicação da diferença de percentual sobre o total da receita. Ademais, não sabemos quais são as notas dentre aquelas apresentadas e nem o seu montante, uma vez que, entre as notas de aquisição de materiais e as de prestação de serviço, inexiste vinculação, a qual nem sequer pode ser inferida pela proximidade de datas. Sem essa quantificação, não é possível aferir o valor do indébito, que para ser deferido exige a sua liquidez. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 612DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.913965/2012-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Desatendido pressuposto de admissibilidade, não pode o recurso ser conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2011 a 30/06/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso do prazo de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Desatendido pressuposto de admissibilidade, não pode o recurso ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Alan Tavora Nem e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o processo de declaração de compensação de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, no valor de R$ 868,66, relativo ao período de apuração junho/2011. Por meio de despacho decisório à fl. 2, a Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo decidiu pela não homologação da compensação porque concluiu que o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 39 65 /2 01 2- 78 Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11065.913965/201278 Acórdão n.º 3002000.279 S3C0T2 Fl. 137 2 pagamento relativo ao Darf informado havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos, não restando crédito para compensar. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 6 e 7), na qual informou ter havido equívoco no preenchimento da DCTF e do Dacon, o que teria levado ao entendimento de que não haveria crédito disponível para compensação. Efetuada a retificação das declarações após o Despacho Decisório, entende ter sanado a divergência. Juntou, a título de prova, ato de representação e constituição da empresa, Despacho Decisório e recibo da DCTF retificadora (fls. 8 a 33). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte proferiu o Acórdão nº 02 55.545 (fls. 37 a 40), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a retificação da DCTF, por si só, não faz prova do direito e que o contribuinte não juntou aos autos documentação que demonstrasse a certeza e liquidez do crédito pleiteado. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2011 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 22/05/2014, conforme AR à fl. 44, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 26/06/2014, conforme Carimbo aposto à página inicial (fl. 47). Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte alega que tem direito ao crédito do pagamento a maior, o que pode ser constatado ao se confrontar a DIPJ com a DCTF retificadora. Entende que a DCTF foi atendeu ao previsto na Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010, segundo a qual a declaração retificadora tem a mesma natureza da originária (fls. 47 e 48). Junta, a título de prova, a DIPJ relativa ao anocalendário 2011, além dos atos de representação e de constituição da empresa (fls. 49 a 132). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11065.913965/201278 Acórdão n.º 3002000.279 S3C0T2 Fl. 138 3 O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, contados da data da ciência da decisão de primeira instância, conforme estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A recorrente tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 22/05/2014, conforme AR constante à fl. 44. Esta data foi inserida tanto manualmente, pela pessoa que recebeu o documento, quanto por meio de carimbo dos Correios. Logo, a data limite para recorrer foi em 23/06/2014, segundafeira, já que o prazo de 30 dias expirou no sábado. Entretanto, o Recurso Voluntário foi protocolizado em 26/06/2014, o que se constata do carimbo aposto ao documento original (fl. 47). A recorrente informa que teria recebido a cópia do Acórdão da DRJ em 27/05/2014, sem maiores explicações sobre a discrepância entre sua assertiva e a data que consta no processo e sem a juntada de qualquer documento que demonstre o que afirma, prevalecendo, desse modo, a data que consta no AR. Considerando que não houve feriado, nacional ou local, no início ou no fim da contagem do prazo, que justificasse o alargamento do período, concluise pela intempestividade do recurso, que é pressuposto para a sua admissibilidade. Pelo exposto, voto em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13656.720147/2011-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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COSTA TRANSPORTES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 01 47 /2 01 1- 18 Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 9202006.773 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 9202006.773 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 9202006.773 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 564DF CARF MF Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 9202006.773 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 565DF CARF MF Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 9202006.773 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 566DF CARF MF Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 9202006.773 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 9202006.773 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 568DF CARF MF Processo nº 13656.720147/201118 Acórdão n.º 9202006.773 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 569DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.006564/2008-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 14/11/2003
MULTA. TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA EMISSÃO. NÃO APLICAÇÃO.
A multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação), não se aplica nos casos em que o tratamento administrativo de licenciamento previsto para a mercadoria não implique a efetiva emissão de uma Licença de Importação. Não se pode aplicar multa por falta de documento que sequer deve ser emitido por ausência de subsunção do fato à norma.
Cancelamento de ofício.
Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3402-005.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por cancelar de ofício a exigência fiscal por ausência de subsunção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 14/11/2003 MULTA. TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA EMISSÃO. NÃO APLICAÇÃO. A multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação), não se aplica nos casos em que o tratamento administrativo de licenciamento previsto para a mercadoria não implique a efetiva emissão de uma Licença de Importação. Não se pode aplicar multa por falta de documento que sequer deve ser emitido por ausência de subsunção do fato à norma. Cancelamento de ofício. Crédito tributário exonerado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por cancelar de ofício a exigência fiscal por ausência de subsunção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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TRATAMENTO ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO PARA EMISSÃO. NÃO APLICAÇÃO. A multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação), não se aplica nos casos em que o tratamento administrativo de licenciamento previsto para a mercadoria não implique a efetiva emissão de uma Licença de Importação. Não se pode aplicar multa por falta de documento que sequer deve ser emitido por ausência de subsunção do fato à norma. Cancelamento de ofício. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por cancelar de ofício a exigência fiscal por ausência de subsunção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 65 64 /2 00 8- 00 Fl. 180DF CARF MF 2 Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência da multa de controle administrativo por falta de Licença de Importação (L.I.) do art. 169, I, "b" e § 2°, inciso I do DecretoLei n° 37/66, na redação dada pela Medida Provisória n° 135/03 (efl. 9). Referida penalidade foi aplicada em razão do equívoco identificado pela fiscalização na classificação da mercadoria importada por meio da Declaração de Importação n.º 03/09975675, de 14/11/2003, identificada pela empresa como "ÓXIDO DE MANGANÊS ADENSANTE", com classificação fiscal no código NCM 2820.90.10 – Óxido Manganoso. Com base em laudo técnico acostado aos autos (efls. 29 e 31), entendeu a fiscalização que a classificação correta da mercadoria seria no código NCM 2820.90.30 Tetraóxido de Trimanganês. Nos termos do laudo técnico no qual se respalda a fiscalização: "CONCLUSÃO: Tratase de Tetraóxido de Trimanganês (Oxido Salino de Manganês). RESPOSTAS AOS QUESITOS: 1. Não se trata de Oxido Manganoso. Tratase de Tetraóxido de Trimanganês (Oxido Salino de Manganês), um Outro Oxido de Manganês. 2. Segundo Literatura Técnica Especifica (cópia anexa), a mercadoria de nome comercial MICROMAX, constante na embalagem, tratase de Tetraóxido de Trimanganês, sendo recomendado para utilização como cimento para poços petrolíferos e fluidos para perfuração. 3. Informamos que foram coletadas amostras dos dois (2) containers discriminados no Pedido de Exame." (efl. 29 grifei) O raciocínio fiscal foi identificado na "Descrição dos fatos e enquadramento legal" do Auto de Infração, nos seguintes termos: "Verificase, portanto que o importador declara estar importando "OXIDO DE MANGANÊS" (que tem como sinônimo "Óxido Manganoso"), cuja fórmula química é "MnO", e efetivamente promove importação de "TETRAÓXIDO DE MANGANÊS", cuja fórmula é "Mn304", ou seja, tratamse de mercadorias distintas (como também o são seus respectivos enquadramentos tarifários). Considerando que todo registro de Declaração de Importação junto ao "SISCOMEX" encontrase vinculado à concessão de Licenciamento de Importação, automático ou não automático (no caso presente automático), e tendo em vista que erro de classificação tarifária decorrente de insuficiência, na descrição, de todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário da mercadoria, implica na obtenção de licenciamento para uma mercadoria diversa da que foi importada (Ato Declaratório Normativo COSIT/SRF n°s. 12, de 1997), mediante os resultados dos Laudos de Análises Funcamp n° 3191.01 e 3191.02, de 12/12/2003, e a descrição incorreta da Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11128.006564/200800 Acórdão n.º 3402005.383 S3C4T2 Fl. 181 3 mercadoria no campo "Descrição Detalhada da Mercadoria" na adição única da Declaração de Importação n° 03/09975675 [o contribuinte informa estar importando determinada mercadoria (óxido de manganês) e efetivamente importa mercadoria diversa (tetraóxido de manganês), ou seja, não fornece os elementos necessários para a classificação fiscal da mercadoria efetivamente importada e enquadraa incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul), proponho a aplicação, ao infrator, da multa por falta de Licenciamento de Importação (L.I.) ou documento de efeito equivalente, nos termos da legislação vigente, para a mercadoria amparada pela DI/ADIÇÃO:" (efls. 6/7 grifei) Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa, julgada improcedente pelo acórdão abaixo ementado: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 14/11/2003 Importação do produto Oxido de Manganês Adensante, com classificação fiscal no código NCM 2820.90.10. Laudo de Assistência Técnica revelou que se tratava de Mn304 Tetraóxido de Trimanganês, para qual a Tarifa Externa Comum do Mercosul possui código NCM específico, ou seja, 2820.90.30. A boa fé alegada, ainda que respaldada em erro assumido, por força do artigo 136 do Código Tributário Nacional, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 98) Intimada desta decisão em 28/03/2017 (efl. 109) a empresa apresentou Recurso Voluntário em 07/04/2017 (efls. 111/129) reiterando parte de suas razões da Impugnação, sustentando em síntese: (i) a necessidade de se afastar a multa aplicada por ausência de intuito doloso ou máfé, com fulcro no Ato Declaratório COSIT n.º 12 de 21/01/1997 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 13, de 10/09/2002. Tratase de alegação trazida em sede de preliminar que não foi aventada de forma específica em sede de Impugnação; (ii) a correta classificação fiscal da mercadoria importada, realizada em conformidade com os documentos do fabricante e igualmente adotada pela empresa exportadora do produto. Sustenta que a alteração da NCM implicaria em importação irregular, vez que realizada em desconformidade com os dados dos produtos trazidos na fatura comercial e demais documentos da importação. Afirma ainda que o produto está protegido por segredo industrial, impedindo a obtenção de outros dados além daqueles informados pelo fabricante, bem como a classificação é complexa por se tratar de produto químico; (iii) a ausência de prejuízo ao erário e de conduta de máfé do sujeito, vez que as duas NCMs possuem o mesmo tratamento tributário, devendo a penalidade ser afastada com fulcro no art. 100 do CTN. Afirma ainda que os laudos técnicos acostados aos autos fazem menção a distintos procedimentos Fl. 182DF CARF MF 4 que não foram trazidos aos autos, impedindo o contraditório e a ampla defesa, pleiteando a necessidade de repetição dos testes. Em seguida, os autos foram direcionados a esse Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Tomo conhecimento do Recurso, por tempestivo. Contudo, identificase questão de ofício passível de cancelar a autuação fiscal na forma do art. 65 da Lei n.º 9.784/991, que passa a ser elucidada a seguir. Como visto, a autuação fiscal foi lavrada em decorrência da constatação de erro de classificação fiscal cometido pela Recorrente em importação realizada por meio da Declaração de Importação (DI) n.º 03/09975675. Com fulcro em laudo técnico, a fiscalização identificou que a descrição das mercadorias trazidas na DI estavam equivocadas. Para facilitar a visualização, vejamos a descrição das mercadorias indicadas na DI e como elas passaram a ser descritas pela fiscalização com fulcro no laudo técnico: DI Descrição detalhada da mercadoria NCM adotada Fundamento Fiscalização NCM Fiscalização 03/02132346 "ÓXIDO DE MANGANÊS, ADENSANTE, FINAMENTE MOÍDO, BAG C/2.200LIBRAS/997.20 KILOS, PN: D157, FABR SCHLUMBERGER P/PASTAS DE CIMENTO. PCM 161070045/03 AFM 990610045/03 ITEM 00 Ir1 1 — Qtde: 34270 QUILOGRAMA VUCV: 5,0700000 DÓLAR DOS EUA" (efl. 16 grifei) 2820.90.10: Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos Óxidos de manganês Outros Óxido manganoso "1. Não se trata de Oxido Manganoso. Tratase de Tetraóxido de Trimanganês (Oxido Salino de Manganês), um Outro Oxido de Manganês." (Laudo Técnico efl. 29 grifei) 2820.90.30: Produtos químicos inorgânicos; compostos inorgânicos ou orgânicos de metais preciosos, de elementos radioativos, de metais das terras raras ou de isótopos Óxidos de manganês Outros Tetraóxido de trimanganês (óxido salino de manganês) Vislumbrase que, considerando a descrição da mercadoria indicada na Declaração de Importação, o enquadramento da NCM adotado pela Recorrente estaria correto. Contudo, após a elaboração do laudo técnico, constatouse que aquelas mercadorias possuiriam descrições diferentes que implicavam em sua reclassificação fiscal. Diante deste contexto fático, a fiscalização procedeu com a lavratura do Auto de Infração para a exigência da multa de 30% do valor aduaneiro das mercadorias em razão da ausência de Licença de Importação para as mercadorias após sua reclassificação fiscal2. Como indicado pela fiscalização, "considerando que todo registro de Declaração de Importação junto ao "SISCOMEX" encontrase vinculado à concessão de Licenciamento de Importação, automático ou não automático" (efl. 7 grifei) e uma vez que as mercadorias foram importadas sem "licenciamento de importação" foi aplicada a multa do 1 "Art. 65. Os processos administrativos de que resultem sanções poderão ser revistos, a qualquer tempo, a pedido ou de ofício, quando surgirem fatos novos ou circunstâncias relevantes suscetíveis de justificar a inadequação da sanção aplicada. Parágrafo único. Da revisão do processo não poderá resultar agravamento da sanção." 2 Observase pelos presentes autos que não foi lavrada a multa de 1% do valor da mercadoria por erro de classificação fiscal, na forma do art. 84, I, da Medida Provisória n.º 2.158/2001. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11128.006564/200800 Acórdão n.º 3402005.383 S3C4T2 Fl. 182 5 art. 169, I, 'b' do Decretolei n.º 37/66, reproduzido à época no art. 633, I, 'a' do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 4.543/2002, que expressa: Decretolei n.º 37/66 "Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) I importar mercadorias do exterior: (Redação dada pela Lei nº 6.562, de 1978) (...) b) sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: (Incluída pela Lei nº 6.562, de 1978) Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria." (grifei) Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): (...) II de trinta por cento sobre o valor aduaneiro: a) pela importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente, inclusive no caso de remessa postal internacional e de bens conduzidos por viajante, desembaraçados no regime comum de importação (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso I, alínea "b" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o);" (grifei) O que ocorreu na hipótese foi a identificação pela fiscalização, em procedimento de revisão aduaneira, de erro de classificação fiscal das mercadorias importadas pela Recorrente que implicou, por consequência, na importação de mercadoria sem licença de importação. Contudo, tal como ocorreu na oportunidade do julgamento do Acórdão 3402 004.693, de 24/10/2017 de minha relatoria, possível vislumbrar um vício material passível de ser conhecido de oficio à luz do já mencionado art. 65 da Lei n.º 9.784/99, diante da confirmação de que a mercadoria reclassificada para a NCM 2820.90.30 não está sujeita à emissão de Licença de Importação (LI), como indicado pela fiscalização, não podendo, por conseguinte, ensejar a aplicação da multa por falta de licença do art. 633, II, 'a' do RA/2002. Para melhor elucidar essa questão, me valho das palavras do Conselheiro Rosaldo Trevisan proferida no Acórdão 3401003.229, de 26/09/2016. Em seu voto, o Conselheiro traça uma clara distinção entre o processo de licenciamento da importação e a necessidade do documento Licença de Importação (LI), elucidando que somente quando esta última for necessária que se pode aplicar a penalidade imposta na presente autuação: "Mas temos que esclarecer aqui que não se pode confundir licenciamento de importação com Licença de Importação (LI). Licenciamento é o procedimento por meio do qual se obtém a LI, que é o documento que equivale, a partir de 28/09/1992, à Guia de Importação (GI), conforme esclarece o Decreto n.º 660/1992, em seus artigos 4º, § 1º ("a formulação de exigências, licenças ou Fl. 184DF CARF MF 6 autorizações diretamente incidentes sobre operações de comércio exterior deverá ser feita por intermédio do SISCOMEX"); e 6º, § 1º (para todos os fins e efeitos legais, os registros informatizados das operações de exportação ou de importação no SISCOMEX, equivalem à Guia de Exportação, à Declaração de Exportação, ao Documento Especial de Exportação, à Guia de Importação e à Declaração de Importação". E o registro informatizado no SISCOMEX não é o "licenciamento" (processo), mas a "licença" (documento) de importação. O Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto n.º 4.543/2002) esclareceu a questão. Vejase que o texto da multa aplicada, na lei de regência (artigo 169, I, "b" do DecretoLei no 37/1966, com a redação dada pela Lei no 6.562/1978) estabelece que a infração é pela importação de mercadoria "sem Guia de Importação ou documento equivalente", e o Regulamento Aduaneiro de 2002 a detalhou (artigo 633, II "a") como "importação de mercadoria sem licença de importação ou documento de efeito equivalente". À época dos fatos narrados na autuação [30/10/2000], havia duas modalidades de licenciamento: automático e não automático, conforme o art. 7o da Portaria SECEX no 21/1996. No caso de licenciamento não automático, o número da LI obtida (válida, em regra, a por 60 dias) figuraria na respectiva declaração de importação, vinculado à mercadoria. No caso de licenciamento automático, contudo, sequer se pode falar em LI, que não recebe numeração e não consta na declaração de importação, havendo, em verdade, um licenciamento com dispensa de licença. Isso ficou mais claro quando a SECEX, em 01/12/2003, resolveu estabelecer que seriam três as categorias de licenciamento: automático, não automático e dispensado, no artigo 6º da Portaria SECEX no 17/2003. A nova modalidade denominada de "licenciamento dispensado" equivale à anteriormente existente sob a denominação "licenciamento automático". E as novas modalidades de "licenciamento automático" e "licenciamento não automático" correspondem a desmembramentos da anteriormente compreendida como "licenciamento não automático". Tais observações se prestam a esclarecer que a multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação), não se aplica nos casos em que o tratamento administrativo de licenciamento previsto para a mercadoria não implique a efetiva emissão de uma Licença de Importação. Buscando confirmar se havia tratamento administrativo específico para o código NCM 3824.90.89, na data do registro da DI (30/10/2000), efetuei consulta ao sistema "Tratamento Administrativo Consultas Web", na função "Consulta Histórico", no sítio "Web" do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, informando como data inicial "01/10/2000" e como data final "01/01/2001". Ao efetuar a consulta por subitem (3824.90.89) e por posição (3824), obtive a resposta de que não havia tratamento administrativo específico. Ao consultar por capítulo (38), encontrei dois tratamentos administrativos específicos, nenhum deles para a mercadoria em análise. Assim, sendo automático o licenciamento, à época do registro da DI, para o código NCM 3824.90.89, indicado como correto pela fiscalização, e aqui mantido, não há que se falar em falta de Licença de Importação, e, muito menos, em falta de Licença de Importação. Deve, assim, ser afastada a multa por infração administrativa ao controle das importações, decorrente de falta de Guia de Importação ou documento equivalente (no caso, a Licença de Importação)." (grifei) Atentandose para a presente autuação fiscal, vislumbrase que a fiscalização não identificou quais atos normativos do SECEX ou do DECEX indicariam a necessidade de emissão de Licença de Importação (LI) para a mercadoria que passou a ser classificada na NCM 2820.90.30 quando da importação em 14/11/2003. Com efeito, a fiscalização apenas Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11128.006564/200800 Acórdão n.º 3402005.383 S3C4T2 Fl. 183 7 afirma que esta mercadoria estaria sujeita a licenciamento automático para o qual, como elucidado no voto acima, "sequer se pode falar em LI, que não recebe numeração e não consta na declaração de importação, havendo, em verdade, um licenciamento com dispensa de licença". Vejamos novamente os termos da autuação: "Verificase, portanto que o importador declara estar importando "OXIDO DE MANGANÊS" (que tem como sinônimo "Óxido Manganoso"), cuja fórmula química é "MnO", e efetivamente promove importação de "TETRAÓXIDO DE MANGANÊS", cuja fórmula é "Mn304", ou seja, tratamse de mercadorias distintas (como também o são seus respectivos enquadramentos tarifários). Considerando que todo registro de Declaração de Importação junto ao "SISCOMEX" encontrase vinculado à concessão de Licenciamento de Importação, automático ou não automático (no caso presente automático), e tendo em vista que erro de classificação tarifária decorrente de insuficiência, na descrição, de todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário da mercadoria, implica na obtenção de licenciamento para uma mercadoria diversa da que foi importada (Ato Declaratório Normativo COSIT/SRF n°s. 12, de 1997), mediante os resultados dos Laudos de Análises Funcamp n° 3191.01 e 3191.02, de 12/12/2003, e a descrição incorreta da mercadoria no campo "Descrição Detalhada da Mercadoria" na adição única da Declaração de Importação n° 03/09975675 [o contribuinte informa estar importando determinada mercadoria (óxido de manganês) e efetivamente importa mercadoria diversa (tetraóxido de manganês), ou seja, não fornece os elementos necessários para a classificação fiscal da mercadoria efetivamente importada e enquadraa incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul), proponho a aplicação, ao infrator, da multa por falta de Licenciamento de Importação (L.I.) ou documento de efeito equivalente, nos termos da legislação vigente, para a mercadoria amparada pela DI/ADIÇÃO:" (efls. 6/7 grifei) Ora, como visto, não se pode confundir o processo de licenciamento com a Licença de Importação sendo que à luz da Portaria SECEX n.º 21/19963, vigente à época da importação, o processo de licenciamento não automático exige a emissão prévia de uma Licença de Importação (LI), não necessária, em regra, para o processo de licenciamento automático (salvo se previstas condições ou procedimentos especiais nesse procedimento4). Diante disso, mostrouse necessário confirmar se a mercadoria objeto da reclassificação estaria sujeita à emissão de Licença de Importação (LI), avaliando o seu 3 Revogada pela Portaria SECEX n.º 17 de 01/12/2003. 4 "Art. 7º O licenciamento das importações ocorrerá de forma automática e não automática e será efetuado por meio do SISCOMEX. § 1º As informações de natureza comercial, financeira, cambial e fiscal a serem prestadas para fins de licenciamento estão contidas no Anexo II da Portaria Interministerial MF/MICT nº 291, de 12 de dezembro de 1996. § 2º As informações de que trata o parágrafo anterior caracterizam a operação de importação e definem o seu enquadramento. Art. 8º Nos casos de licenciamento automático, as informações de que trata o artigo anterior deverão ser prestadas no Sistema em conjunto com as informações exigidas para a formulação da declaração para fins de despacho aduaneiro da mercadoria. Art. 9º Nas importações sujeitas a licenciamento não automático, o importador deverá prestar no Sistema as informações a que se refere o art. 8º, previamente ao embarque da mercadoria no exterior ou antes do despacho aduaneiro, conforme o caso." (grifei) Fl. 186DF CARF MF 8 tratamento administrativo ditado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior à época. Para tanto, foi realizada consulta ao sistema "Tratamento Administrativo Consultas Web", na função "Consulta Histórico", no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior5 sendo que, como indicado no item 2 do Comunicado DECEX 37/1997, somente são indicados na tabela de "Tratamento Administrativo" do SISCOMEX aqueles "produtos sujeitos a condições ou procedimentos especiais no licenciamento automático, bem como os produtos sujeitos a licenciamento nãoautomático." A consulta foi realizada com a data inicial "01/11/2003" e como data final "30/11/2003", analisando o subitem 2820.90.30, sendo possível verificar que a NCM não possuía tratamento administrativo específico na época: Este mesmo trabalho foi igualmente realizado pela fiscalização na consulta do SISCOMEX, para o qual não foi indicado tratamento administrativo específico e, por conseguinte, a necessidade de emissão de licença de exportação (efl. 35): Assim, verificase de ofício a existência de condições suscetíveis à afastar a penalidade imposta no presente Auto de Infração, uma vez que a mercadoria reclassificada para a NCM 2820.90.30 não exigia a emissão de Licença de Importação (LI) à época da importação. Por essa razão, cancelo de ofício a exigência constante do Auto de Infração face a ausência dos requisitos fáticos necessários para o enquadramento na hipótese legal do art. 169, I, 'b' do Decretolei n.º 37/66. Face o cancelamento da autuação por ausência de subsunção, deixo de apreciar os argumentos trazidos no Recurso Voluntário. 5 Disponível em https://siscomex.desenvolvimento.gov.br/tratamento/private/pages/consulta_historico.jsf. Acesso em 11/06/2018. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.006564/200800 Acórdão n.º 3402005.383 S3C4T2 Fl. 184 9 É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 188DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13608.000164/2008-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL.
Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1003-000.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional.
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INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou em 02.06.2008, fl. 01, o Pedido de Inclusão no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 8. 00 01 64 /2 00 8- 13 Fl. 33DF CARF MF Processo nº 13608.000164/200813 Acórdão n.º 1003000.083 S1C0T3 Fl. 34 2 Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, referente ao período de 06.07.2007 a 26.08.2007, alegando que: De acordo com a Art. 7º Parágrafo 3º inciso I a empresa tem o prazo de 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição para efetuar a opção pelo Simples Nacional, uma vez que a opção foi cumprida dentro do tempo previsto, vem mui respeitosamente pedir que retroaja a data de opção pelo Simples Nacional para a data da Constituição, desconsiderando o inciso V do Art.7° Parágrafo 3º, visto que a empresa entre o período da constituição (06/07/2007) e o da opção pelo Simples Nacional (27/08/2007) ficou sem regime de recolhimento. No Despacho Decisório de Inclusão no Simples Nacional DRF/Juiz de Fora/MG, de 18.07.2012, fls. 0708, consta que o pedido foi indeferido fundamentado nas informações constantes na Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, fls. 0506. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 0941.227, de 13.09.2012, efls. 2224: OPÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INDEFERIMENTO. Dada a intempestividade da solicitação de opção ao ingresso ao Simples Nacional, há que se manter o indeferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 09.10.2012, efls. 2627, a Recorrente apresentou o recurso voluntário, fl. 28, conforme envelope de postagem com data ilegível, fls. 2930, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Referente ao cumprimento dos requisitos cumulativos para deferimento da inclusão retroativa pelo Simples Nacional no caso de início de atividades aduz que: Considerando que a empresa efetuou a abertura do CNPJ em 06/07/2007, inscrição estadual em 22/08/2007 e Inscrição municipal e "data efeito" da opção em 27/08/2007, subentende que a empresa no período de 06 de julho a 26/08/2007 ficou inativa, pois não tinha como iniciar atividades sem estar inscrita. Considerando que o programa da declaração de inativo não existe opção de declarar período: 06/07/2007 a 26/08/2007. E por considerar penalizada sem ter cometido nenhuma infração, pede o cancelamento da notificação Nº. 049/2012, a retificação da data de inclusão no Simples Nacional para a data de abertura da empresa no CNPJ e na JUCEMG, 06/07/2007, ou ainda seja disponibilizado a declaração de inativo, que é a situação real da empresa, para o período de 06/07/2007 a 26/08/2007. É o Relatório. Voto Fl. 34DF CARF MF Processo nº 13608.000164/200813 Acórdão n.º 1003000.083 S1C0T3 Fl. 35 3 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, uma vez que a data constante no carimbo aposto pelos Correios no envelope de postagem do recurso voluntário está ilegível, fls. 2930 (§§ 5º, 6º e 7º do art. 56 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011). A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional no início de atividade, ou seja, de 06.07.2007 a 26.08.2007. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pela sistemática será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Nos casos de empresa com início de atividade no anocalendário de 2008, o prazo para opção neste mesmo ano se encerrará após decorridos 10 (dez) dias da comprovação do último deferimento de inscrição nos entes federativos, quando exigíveis. A pessoa jurídica não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos. A opção implica o recolhimento mensal, mediante Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) até o dia 20 do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. Ainda que se trate de situação de inatividade, deve ser entregue anualmente à RFB e declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais a ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos resultantes das informações nela prestadas.1. A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 . Fl. 35DF CARF MF Processo nº 13608.000164/200813 Acórdão n.º 1003000.083 S1C0T3 Fl. 36 4 § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação das informações prestadas; III os entes federativos deverão, no prazo de até 10 (dez) dias, contados da disponibilização das informações, comunicar à RFB acerca da verificação prevista no inciso II; IV confirmados os dados ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III sem manifestação por parte do ente federativo, considerarseão validadas as respectivas informações prestadas pelas ME ou EPP; V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; Fl. 36DF CARF MF Processo nº 13608.000164/200813 Acórdão n.º 1003000.083 S1C0T3 Fl. 37 5 (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. O princípio da legalidade estabelece que a atuação administrativa que decorre da aplicação da lei de ofício, de modo que deve ser feito o que a lei determina, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (art. 37 da Constituição Federal e art. 142 do Código Tributário Nacional). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Está registrado no voto condutor do Acórdão da 2ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 0941.227, de 13.09.2012, efls. 2224: Na linha do tempo, há que se ter em boa conta os seguintes eventos: • 06/07/2007: abertura do CNPJ; • 22/08/2007: inscrição estadual; • 27/08/2007: inscrição municipal e “Data Efeito” da opção; • 29/08/2007: Pedido de Inclusão ao SN; • 13/09/2007: data do deferimento do Pedido. Uma vez exigíveis as inscrições estadual e municipal, a data efeito do Pedido de Inclusão no SN retroagiu para a da última daquelas inscrições (municipal 27/08/2007), sem que haja reparos. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) teve sua abertura em 06.07.2007, conforme registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais JUCEMG, fl. 03; (b) iniciou suas atividades no CNPJ em 06.07.2007, de acordo com a Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, fls. 0506; (c) teve sua inscrição estadual em Minas Gerais deferida em 22.08.2007, segundo a Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, fls. 0506; (d) teve sua inscrição municipal em Abre Campo/MG deferida em 27.08.2007, em conformidade com a Consulta Histórico da Empresa no Simples Nacional, fls. 0506; Fl. 37DF CARF MF Processo nº 13608.000164/200813 Acórdão n.º 1003000.083 S1C0T3 Fl. 38 6 (e) o pleito de opção retroativa referente ao período de 06.07.2007 a 26.08.2007 constante nos presente autos foi formalizado em 02.06.2008, fl. 01. Nesse sentido a Recorrente deveria cumprir os seguintes requisitos concomitantemente: (a) poderia efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade até 06.09.2007 (dez dias contados do último deferimento de inscrição formal); (b) poderia efetuar sua opção pelo Simples Nacional até o dia 02.01.2008 (180 dias da inscrição do CNPJ), a saber: 25 dias em julho + 31 dias em agosto + 30 dias em setembro + 31 dias em outubro + 30 dias em novembro + 31 dias em dezembro do ano de 2007 + 2 dias em janeiro do ano de 2008. Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa ao período de 06.07.2007 a 26.08.2007, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tãosomente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Restou comprovado que a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional no dia 02.06.2008, fl. 01, ou seja, após do decurso dos prazos legais permissivos. Analisando o conjunto probatório produzidos nos autos verificase que a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. Em relação ao cumprimento de obrigação acessória, o Anexo I do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 430, de 09 de outubro de 2017, determina: Art. 270. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil (DRF), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro (DemacRJ), à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Pessoas Físicas (Derpf) e às Alfândegas da Receita Federal do Brasil (ALF) compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, gerir e executar as atividades de cadastros, de arrecadação, de controle, recuperação e garantia do crédito tributário, de direitos creditórios, de benefícios fiscais, de atendimento e orientação ao cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas e de planejamento, avaliação, organização e modernização. Assim a regularidade fiscal em relação ao período de inatividade, ao cancelamento de notificação, entre outros eventos são temas de competência da Unidade de Origem, conforme Regimento Interno da RFB. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº Fl. 38DF CARF MF Processo nº 13608.000164/200813 Acórdão n.º 1003000.083 S1C0T3 Fl. 39 7 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.015536/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
VÍCIO INAPTO A CERCEAR O DIREITO DE DEFESA. IRREGULARIDADE PASSÍVEL DE SANEAMENTO. DESNECESSIDADE QUANdO NÃO CAUSA PREJUÍZO AO JULGAMENTO DA LIDE.
Não há que se falar em nulidade quando o vício apontado não é provado ou quando se constata mera irregularidade que não é apta a cercear o direito de defesa do sujeito passivo. Aplica-se na hipótese o art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, sendo inclusive dispensável o saneamento quando não causa prejuízo ao sujeito passivo nem influencia na solução do litígio.
PROVA COMPARTILHADA. PROCESSO JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
Não há irregularidade na utilização de provas produzidas no seio de processo judicial, inclusive criminal, quando o compartilhamento é determinado pela autoridade judiciária e a decisão não é afastada.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTO. POSSIBILIDADE.
Há presunção de omissão de rendimento, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, quando a autoridade lançadora demonstra que o Sujeito Passivo incorreu em dispêndios superiores aos recursos disponíveis ou declarados.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. OMISSÃO DE RENDIMENTO RECEBIDO DA PESSOA JURÍDICA. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
Não é possível manter a tributação dos mesmos valores na forma de IRRF por pagamento sem causa constituído contra a pessoa jurídica e, ao mesmo tempo, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica constituído contra a pessoa física. Conforme a legislação, nesses caso a tributação deve ser feita exclusivamente na pessoa jurídica, afastando-se a tributação dos valores na pessoa física.
Numero da decisão: 2202-004.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 34.930,55.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 VÍCIO INAPTO A CERCEAR O DIREITO DE DEFESA. IRREGULARIDADE PASSÍVEL DE SANEAMENTO. DESNECESSIDADE QUANdO NÃO CAUSA PREJUÍZO AO JULGAMENTO DA LIDE. Não há que se falar em nulidade quando o vício apontado não é provado ou quando se constata mera irregularidade que não é apta a cercear o direito de defesa do sujeito passivo. Aplica-se na hipótese o art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, sendo inclusive dispensável o saneamento quando não causa prejuízo ao sujeito passivo nem influencia na solução do litígio. PROVA COMPARTILHADA. PROCESSO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Não há irregularidade na utilização de provas produzidas no seio de processo judicial, inclusive criminal, quando o compartilhamento é determinado pela autoridade judiciária e a decisão não é afastada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTO. POSSIBILIDADE. Há presunção de omissão de rendimento, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, quando a autoridade lançadora demonstra que o Sujeito Passivo incorreu em dispêndios superiores aos recursos disponíveis ou declarados. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. OMISSÃO DE RENDIMENTO RECEBIDO DA PESSOA JURÍDICA. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível manter a tributação dos mesmos valores na forma de IRRF por pagamento sem causa constituído contra a pessoa jurídica e, ao mesmo tempo, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica constituído contra a pessoa física. Conforme a legislação, nesses caso a tributação deve ser feita exclusivamente na pessoa jurídica, afastando-se a tributação dos valores na pessoa física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 34.930,55. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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IRREGULARIDADE PASSÍVEL DE SANEAMENTO. DESNECESSIDADE QUANdO NÃO CAUSA PREJUÍZO AO JULGAMENTO DA LIDE. Não há que se falar em nulidade quando o vício apontado não é provado ou quando se constata mera irregularidade que não é apta a cercear o direito de defesa do sujeito passivo. Aplicase na hipótese o art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, sendo inclusive dispensável o saneamento quando não causa prejuízo ao sujeito passivo nem influencia na solução do litígio. PROVA COMPARTILHADA. PROCESSO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. Não há irregularidade na utilização de provas produzidas no seio de processo judicial, inclusive criminal, quando o compartilhamento é determinado pela autoridade judiciária e a decisão não é afastada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTO. POSSIBILIDADE. Há presunção de omissão de rendimento, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, quando a autoridade lançadora demonstra que o Sujeito Passivo incorreu em dispêndios superiores aos recursos disponíveis ou declarados. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. OMISSÃO DE RENDIMENTO RECEBIDO DA PESSOA JURÍDICA. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não é possível manter a tributação dos mesmos valores na forma de IRRF por pagamento sem causa constituído contra a pessoa jurídica e, ao mesmo tempo, omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica constituído contra a pessoa física. Conforme a legislação, nesses caso a tributação deve AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 55 36 /2 01 0- 36 Fl. 1680DF CARF MF 2 ser feita exclusivamente na pessoa jurídica, afastandose a tributação dos valores na pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 34.930,55. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do recorrente para constituir IRPF em razão da identificação de omissão de rendimentos e de acréscimo patrimonial a descoberto. Tendo o Contribuinte impugnado o lançamento, a DRJ manteve integralmente o crédito tributário, julgando improcedente a impugnação. Insatisfeito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário que ora se analisa. Feito o breve resumo da lide, passo ao relato pormenorizado dos autos. Em 03/12/2010 foi lavrado auto de infração (fls. 3/11) para constituir IRPF no valor de R$ 874.662,41, além de juros e multa de ofício qualificada, devido à identificação de (01) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e (02) acréscimo patrimonial a descoberto entre 2005 e 2007. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 12/28), o lançamento foi realizado com base em documentos obtidos pela Polícia Federal no âmbito da operação denominada "Secos e Molhados", com compartilhamento autorizado por juiz federal. Também, que no meio do procedimento de fiscalização tributária, foi lavrado auto de infração contra o Recorrente para constituir IRPF por omissão de ganho de capital, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 10380.008461/201037. Ainda de acordo com o TVF, com base "na documentação apreendida pela Polícia Federal na sede da empresa (...) ficou evidente que o contribuinte ocultava suas reais Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10380.015536/201036 Acórdão n.º 2202004.737 S2C2T2 Fl. 1.681 3 atividades comerciais utilizandose de 'laranjas' em empresas nas quais era o 'sócio de fato', responsável por toda a administração e controle das referidas empresas, dentre as quais está a empresa América do Sul. Esta empresa funcionava como uma central de controle das demais empresas em que o contribuinte era sócio" de fato ou de direito (fl. 18). Apresentou, inclusive, o seguinte diagrama para facilitar a compreensão: Concluiu, portanto, que toda a quantia recebida pelo Contribuinte da empresa América do Sul, deliberadamente omitida, deveria ser considerada como rendimento recebido de pessoa jurídica omitido. Outrossim, tendo detectado excesso de dispêndios em relação aos recursos disponíveis em diversos meses durante os anoscalendário de 2005 e 2007, entendeu haver se configurado acréscimo patrimonial a descoberto. Enfim, qualificou a multa com base no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996 com o art. 71, I, da Lei nº 4.502/1964, porquanto entendeu haver diversas evidências do esforço do Contribuinte em encobrir suas atividades comerciais por meio da utilização de interpostas pessoas. Intimado do lançamento em 14/12/2010 (fl. 1.458), o Contribuinte apresentou Impugnação em 12/01/2011 (fls. 1.393/1.434 e docs. anexos fls. 1.435/1.479) argumentando, em síntese: Fl. 1682DF CARF MF 4 · Que houve cerceamento do direito de defesa devido à demora da Fazenda Pública em apresentar os recursos necessários à confecção da impugnação, especificamente 15 (quinze) dias, 50% do prazo legal; · Que foram utilizadas provas ilegais para lavrar o auto de infração, vez que o STJ trancou a investigação criminal por meio do HC nº 94.141/CE; · Que a documentação utilizada pela autoridade lançadora pra embasar o auto de infração não tem natureza fiscal e portanto não pode servir para comprovar a base de cálculo. Que os contratos, recurso, faturas de cartão de crédito são meramente materiais "de escritório"; · Que, efetivamente, a autoridade lançadora não comprovou a existência de omissão de rendimentos nem de acréscimo patrimonial, vez que contratos aleatórios, recibos nãooficiais e faturas de cartões de crédito não possuem a certeza necessária para constituir o tributo; · Nesse sentido, afirma que nem mesmo depósitos bancários servem para comprovar o acréscimo patrimonial, quiçá meras faturas de cartão de crédito ou meros recibos; · Que o lançamento foi realizado com base nos recursos recebidos da empresa AMÉRICA DO SUL DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA., a qual sofreu autuação no ano de 2010 (processo nº 10380.724014/201029) para constituir, entre outros, IRRF decorrente das remessas destinadas ao Sr. Alexandre Gontijo Guerra. Se se aplica o art. 674 do RIR/2010 (sic), contra a empresa e se tributa a pessoa que recebe os recursos, então há dupla tributação sobre os mesmos fatos; · Que a autoridade lançadora desconsiderou integralmente e sem fundamentação as DIRPFs retificadoras apresentadas pelo Contribuinte antes do início da fiscalização o que afastou irregularmente a denúncia espontânea, art. 138 do CTN, a que tinha direito; · Que é indevida a qualificação da multa de ofício, mormente porquanto o próprio Contribuinte apresentou DIRPFs retificadoras com o intuito de corrigir seus erros antes do início do procedimento fiscal. Levado a julgamento em 1º grau, a DRJ proferiu o acórdão nº nº 0821.348 (fls. 1.480/1.500), de 12/06/2011, julgando improcedente a impugnação e mantendo integralmente o crédito fazendário. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005,2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 10380.015536/201036 Acórdão n.º 2202004.737 S2C2T2 Fl. 1.682 5 Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. O acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis ou isentos e tributados exclusivamente na fonte, caracterizando omissão de rendimentos, evidenciado por análise no mesmo período, só é elidido mediante a apresentação de documentação hábil que não deixe margem a dúvida. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. APRESENTAÇÃO. Descabe a alegação da defesa de que a autoridade fiscal desprezou as declarações retificadoras apresentadas, quando restou comprovado que o lançamento teve por base as referidas declarações. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar caracterizado o intento doloso do contribuinte de se eximir do imposto devido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Intimado dessa decisão por correspondência com AR em 25/10/2011 (1.505), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.506/1.542) em 23/11/2011, insistindo nos argumentos suscitados em sede de impugnação. Rebateu o acórdão recorrido, especificamente, com relação à interpretação da ordem dada pelo STJ no HC nº 94.141/CE: segundo o recorrente, tendo o STJ permitido a utilização dos dados para as investigações em curso, restou proibida a instauração de novas investigações com base nas mesmas provas, como é o caso do MPF que levou ao lançamento do presente auto de infração. Deixou de recorrer, entretanto, da multa qualificada. Fl. 1684DF CARF MF 6 Chegando ao CARF, os autos foram baixados em diligência pela Resolução nº 2202000.768, de 06/04/2017 (fls. 1.551/1.558), nos seguintes termos: "É clara, portanto, a legislação que rege a matéria: quando o pagamento for feito sem causa identificada, a tributação deve realizada exclusivamente na fonte. Nesse caminho, a solução encontrada pela autoridade julgadora de 1º grau foi equivocada: não é possível manter o lançamento contra o Contribuinte se o mesmo fato gerador deu azo à tributação na fonte. Entretanto, não há nos autos informações suficientes para que se identifique quais as operações que estão sofrendo dupla tributação. Nesse caminho, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que: · a autoridade fiscalizadora realize diligência e elabore tabela individualizando as operações que compõem a base de cálculo do presente processo e, ao mesmo tempo, daquele de nº 10380.724014/201029; · Intime o Contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe prazo de trinta dias para se manifestar, caso assim deseje; e · Devolva os autos a esse turma para continuidade do julgamento." fl. 1.558. A autoridade diligenciadora formalizou então "Diligência Fiscal Termo de Constatação" em 13/09/2017 (fls. 1.600/1.601), no qual intimou o Contribuinte a se pronunciar do seguinte resultado da diligência fiscal: "Em atendimento a Resolução n° 2202 000.768 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, esta autoridade fiscalizadora elaborou tabelas individualizando as operações que compõem a base de cálculo do Auto de Infração da pessoa física Alexandre Gontijo Guerra, bem como, a tabela individualizada das operações que compõe a base de cálculo do Auto de Infração da pessoa jurídica América do Sul Distribuidora de Alimentos Ltda, CNPJ: (...). De posse das duas tabelas procedemos a análise dos valores tributados e constatamos que duas operações sofreram dupla tributação, tendo em vista constarem das duas tabelas (com coincidência de datas, valores e histórico do pagamento), conforme descritos abaixo: · 05/01 — Pagamento Mansão Macedo — R$ 20.506,67; · 20/07 — Pagamento em espécie — despesas Prime — Alexandre — R$ 14.423,88." fl. 1.600. Intimado em 15/09/2017 (fl. 1.602), o Contribuinte protocolou Manifestação (fls. 1.603/1.610 e docs. anexos fls. 1.611/1.676) em 20/10/2017 (fls. 1.563 e 1.610), anotando que: · Que houve contração no prazo concedido para a manifestação, fazendo menção a prazo de 20 (vinte) dias e de 30 (trinta) dias, o que gera nulidade do Termo de Constatação, vez que prejudica a sua defesa; Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 10380.015536/201036 Acórdão n.º 2202004.737 S2C2T2 Fl. 1.683 7 · Que, caso não seja reconhecida a nulidade do Termo de Constatação, devem ser recebidas as informações nele contidas para alterar o lançamento; e · Que não se observam hipóteses que justifiquem a sua responsabilização em relação ao crédito constituído contra a pessoa jurídica. Enfim, foi anexado aos autos Relatório Fiscal em 18/01/2018 (fl. 1.563 e docs. anexos fls. 1.564/1.559), que ratificou as conclusões alcançadas no Termo de Constatação. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Da perícia Ao final da sua peça recursal, o Contribuinte reclama a realização de diligência ou perícia. Contudo, uma vez que não preenche os requisitos do art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, tal pedido deve ser tido como não elaborado, nos termos do § 1º do mesmo comando legal. Outrossim, diante das provas juntadas aos autos, não se vislumbra a necessidade de realizar diligência, vez que o Contribuinte não trouxe elementos que exijam análise aprofundada nem demonstrou inadequação da análise das provas apresentadas pela autoridade lançadora. Preliminares: Nulidade da intimação do lançamento: Argumenta o Contribuinte contra o prazo garantido para a apresentação da Impugnação, reclamando ser extremamente curto. Pior, alega que teve seu direito de defesa cerceado, porquanto não recebeu, no ato da intimação do lançamento, todos os documentos que instruíram o auto de infração. Nesse caminho, tendo solicitado cópias dos autos, a fazenda pública tardou 14 dias para fornecêlas, o que dificultou a sua defesa, retirandolhe, efetivamente, metade do prazo legal. A DRJ negou provimento a essa preliminar, apontando que não constam nos autos quaisquer provas de que o contribuinte passou duas semanas sem acesso à documentação. Outrossim, aponta que a maior parte da documentação que embasa o lançamento foi fornecida pelo próprio sujeito passivo, de forma que ele certamente dispunha delas. Enfim, que, Fl. 1686DF CARF MF 8 conforme o TVF, toda a documentação que lastreou o lançamento encontravase à disposição do impugnante na sede da SRFB à disposição do Contribuinte. Com razão a DRJ. A verdade é que o Contribuinte não trouxe aos autos, seja em sede de Impugnação seja em sede de Recurso Voluntário, qualquer prova que ateste que lhe foi tolhido o acesso à documentação disponível nos autos. Dessarte, impossível dar provimento a essa preliminar. Nulidade do Termo de Constatação no curso da diligência Reclama o recorrente pelo reconhecimento da nulidade do Termo de Constatação formalizado no curso da diligência uma vez que houve contradição quanto ao prazo concedido para sua manifestação. Não assiste razão ao pleito do Contribuinte nesse ponto. Efetivamente, em que pese tenham sido mencionados o prazo de 20 (vinte) dias e de 30 (trinta) dias no referido Termo de Constatação, a verdade é que o Recorrente só protocolou sua manifestação no após o prazo maior e mesmo assim foi recebida. Nessa linha, não há cerceamento do seu direito de defesa mas, no máximo, irregularidades na forma do art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, a qual, inclusive, dispensa saneamento vez que não influi na solução do presente litígio. Das provas utilizadas e da decisão do STJ: Ainda em sede de preliminar, argumenta o recorrente que o lançamento se baseou em provas ilegais. Segundo esclarece, o lançamento se fez em boa parte com documentação obtida em sede de investigação policial. Anota, entretanto, que o STJ determinou o trancamento da investigação e a devolução da documentação apreendida, o que implica na ilegalidade da sua utilização para fins desse lançamento. A DRJ negou provimento também a essa preliminar. Explicou que, da leitura do acórdão do STJ, percebese claramente que o HC teve provimento parcial, para trancar tão somente a investigação atinente ao crime contra a ordem tributária. Outrossim, permitiu a continuidade das demais investigações, possibilitando, inclusive, nova investigação com relação a esse delito caso viesse a ser constituído definitivamente crédito fazendário. Enfim, anotou que a decisão em momento proibiu a realização de procedimentos fiscal. Novamente, com razão a DRJ. Da simples leitura do acórdão do STJ, juntado aos autos pelo próprio Contribuintes (fls. 1.444/1.457), é possível perceber que a corte superior determinou a interrupção da investigação tão somente em relação ao crime contra a ordem tributária, exatamente pela falta de um crédito tributário. Ora, tal crédito não será jamais constituído se o procedimento fiscal instaurado para a sua investigação, apuração e lançamento for também trancado. Já prevendo isso, o STJ deixou claro que o referido crime de sonegação poderia novamente ser investigado quando sobreviesse constituição definitiva do crédito tributário: "Verificase, então, que a hipótese é peculiar e não se cinge meramente ao exame da ocorrência ou não da condição objetiva de punibilidade do delito tributário, indo além da referida análise. De qualquer forma, quanto ao crime de sonegação fiscal merece acolhido o pleito de trancamento de inquérito, sem prejuízo de que, havendo constituição definitiva do crédito, Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 10380.015536/201036 Acórdão n.º 2202004.737 S2C2T2 Fl. 1.684 9 novo procedimento seja instaurado. Importante, porém, consignar que, pertinente aos demais delitos, deve prosseguir a apuração, não sendo prudente, no momento, pôrse prematuramente termo à investigação. Com relação à legalidade da busca e apreensão, impende esclarecer, por fim, que o acórdão vergastado explicitou que a medida foi procedida mediante a devida autorização judicial, nos termos legais, assinalando que pode ser realizada a qualquer tempo, mesmo antes da instauração de inquérito, padecendo, portanto, de qualquer vício." fl. 1.454 (grifei). Observase do trecho transcrito, ainda, que o STJ deixou claro que a busca e apreensão empreendida pela polícia federal foi lícito, não tendo qualquer vício. Em outra senda, o compartilhamento das provas foi autorizado por juiz federal, conforme decisão acostada aos autos (fls. 112/116), da qual convém transcrever o seguinte trecho: 13. Ante o exposto e pelo contido nos autos, defiro o pedido de quebra de sigilo fiscal e de dados das pessoas jurídicas COMETA DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA (CNPJ n° ...), MASIL TORRES PESSOA (CNPJ n° ...), AMÉRICA DO SUL DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA (CNPJ n° ...) e COLUMBUS SUGAR DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA (CNPJ n° ...), bem como da pessoa física de ALEXANDRE CONTIJO GUERRA (CPF n° ...), determinando a adoção das seguintes medidas, observandose, ainda, o caráter sigiloso das informações: a) O acesso, ora autorizado,à autoridade investigadora a todos os dados insertos nos conteúdos (...); b) Seja oficiada à Receita Federal para, usando a base da CPMF, fornecer a movimentação financeira das pessoas acima referidas, bem como para encaminhar suas Declarações de Renda relativas aos anos calendários de 2004 a 2006. No mesmo ofício, seja requisitada a designação de Auditores Fiscais, aos quais estendo: a quebra de sigilo, concedendo acesso a toda a documentação e mídias apreendidas pestes autos, para triagem, analise e, se necessário, retirada de cópias para fins administrativos fiscais, nesse último caso com a anuência da autoridade que preside o inquérito, no prazo de quinze dias." fl. 115. Enfim, vez que o compartilhamento das provas também foi autorizado por juiz federal, e que a decisão da corte superior não aponta qualquer mácula nesse ato, não é possível dar provimento a esse pleito do Contribuinte. Das DIRPFs Retificadoras: Argumenta ainda o Contribuinte que a autoridade lançadora desconsiderou integralmente e sem fundamentação as DIRPFs retificadoras por ele apresentadas antes do início do procedimento de fiscalização. Fl. 1688DF CARF MF 10 A DRJ rechaçou o argumento, afirmando que a autoridade lançadora considerou sim as DIRPFs retificadoras. Entretanto, apesar da apresentação de essas Declarações retificadoras, foi necessário realizar novas retificações, o que foi procedido pela autoridade fiscalizadora, e que culminou no auto de infração. Efetivamente, se a autoridade lançadora não tivesse considerado as DIRPFs Retificadoras apresentadas tempestivamente pelo Contribuinte, então haveria erros na base de cálculo, vez que essas DIRPFs retificadoras assumem o lugar das DIRPFs originais. Entretanto, o argumento do Contribuinte padece de embasamento fático. A verdade é que a autoridade lançadora utilizou sim as informações contidas nas DIRPFs retificadoras. É o que se percebe da leitura do TVF, onde faz menções às DIRPF's retificadas e retificadoras (e.g. fls. 14/15), bem como da análise das informações contidas no Demonstrativo de Apuração do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 8/10) e as DIRPFs (fls. 44/86): AC Imposto Pago Considerado no AI Imposto declarado Original DIRPF Retificadora 2005 19.262,66 (fl. 8) 5.195,80 (fl. 78) 19.262,66 (fl. 44) 2006 14.329,56 (fl. 9) 4.577,27 (fl. 81) 14.329,56 (fl. 55) 2007 7.290,21 (fl. 10) 2.131,76 (fl. 86) 7.290,21 (fl. 68) Outrossim, apesar de ter utilizado as DIRPFs Retificadoras, o que a autoridade fiscalizadora fez foi glosar as informações prestadas pelo Contribuinte, "corrigindo" a apuração para que refletisse as informações que ela, autoridade fiscalizadora, entendeu ser a verdade real dos fatos. Assim, ao invés de aceitar como se fossem imutáveis as informações prestadas pelo Contribuinte, ela, autoridade fiscalizadora, fez o lançamento considerando como rendimento o que acreditava sêlo. Isso implica, também, alterar outras informações das DIRPFs. Nesse caminho, não assiste razão à Contribuinte, vez que a autoridade lançadora não desconsiderou as DIRPFs Retificadoras, e muito menos o fez sem fundamentação. Pelo contrário, baseandose nelas, fez o lançamento que é sua atribuição legal, nos termos do art. 142 do CTN com as informações que entendeu ser corretas com base nas provas que juntou aos autos. Enfim, não se constatando qualquer irregularidade, não é possível anular o lançamento com base nesses argumentos. Da existência de provas da ocorrência das infrações: Argumenta o Recorrente que o lançamento foi realizado à revelia de quaisquer provas, de sorte que não pode ser mantido. Segundo afirma, documentos como contratos, recibos nãofiscais, faturas de cartões de crédito ou mesmo extratos bancários não são elementos suficientes para comprovar a ocorrência de recebimento de rendimentos ou de realização de dispêndios. A DRJ, analisando o argumento do Contribuinte e toda a exposição feita pela autoridade lançadora no TVF, bem como a distribuição do ônus probatório estabelecido no art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, concluiu que há sim provas nos autos da ocorrência das infrações. Mais, explicou que: "Referidos documentos não tratam de meros recibos ou pedaços de papel em escritos desprezíveis como quer fazer crer a defesa. Foram sim documentos que demonstram cabalmente recursos Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 10380.015536/201036 Acórdão n.º 2202004.737 S2C2T2 Fl. 1.685 11 auferidos pelo autuado e muitos de seus gastos. Vale ressaltar que a autoridade fiscal juntou ao processo todos os documentos que respaldaram a autuação, os quais perfizeram quase seis volumes de aproximadamente 200 folhas cada um." fls. 1.495/1.496; Efetivamente, a despeito da insurreição do Recorrente, a verdade é que há nos autos uma série de documentos que servem como elemento de prova. Exemplos podem ser citados: (1) extratos de cartão de crédito em seu nome; (2) notificação de lançamento de IPTU em seu nome; (3) recibos firmados por terceiros; (4) boletos de câmbio; (5) contratos firmados pelo Contribuinte, bem como por terceiros, com testemunhas e reconhecimento de firma; (6) DIRFs emitidos por empresas declarando o pagamento ao Contribuinte e a respectiva retenção na fonte do IR, bem como DARFs pagos; (7) balancetes de empresas citadas no TVF; etc. Todos esses documentos muitos dos quais têm sim natureza fiscal são elementos de provas que devem ser aceitos, vez que a sua veracidade não foi contestada. Outrossim, mesmo os elementos que não foram emitidos com fins fiscais, ainda assim têm o condão de comprovar a ocorrência de fatos, os quais, tendo interesse jurídicotributário, tornamse relevantes para comprovar a ocorrência do fato gerador. Outrossim, o procedimento de fiscalização é eminentemente inquisitorial, cabendo à autoridade lançadora ao constituir o crédito tributário anexar as provas que entende demonstrar cabalmente o quanto por ela concluído. Nesse caminho, ante a apresentação de mais de mil laudas de provas pela autoridade lançadora, dentre as quais se encontram aquelas listadas acima, não é possível admitir o argumento do Recorrente de que inexistem nos autos provas passíveis de comprovar a ocorrência do fato gerador. Questão diversa é apurar se o crédito foi corretamente constituído, se as provas juntadas pela autoridade lançadora fazem prova do quanto ela alega. Tratase, essa análise, de questão de mérito. Em suma, não há que se falar em nulidade do lançamento por ausência de provas. Mérito Da presunção de omissão de rendimentos e o acréscimo patrimonial a descoberto (APD): Argumenta o Contribuinte que inexistem provas da ocorrência dos fatos geradores. Segundo desenvolve sua tese, não é possível lançar tributo com base em meros indícios. Assim, conclui que a mera circulação monetária não acarreta acréscimo patrimonial que faça jus à cobrança de IRPF. Acontece que o RIR/1999 estabelece uma presunção legal em desfavor dos Contribuintes. Efetivamente, com base no entendimento esposado em diversos dispositivos legais, sobretudo no art. 3º, §4º, da Lei nº 7.713/1988, estabeleceuse que o benefício auferido pelo Contribuinte, independentemente da sua forma ou origem, deve ser tributado. Mais, determinouse que cabe à autoridade lançadora demonstrar a ocorrência do benefício, passando então a ser ônus do Contribuinte provar a origem do rendimento e demonstrar que foi tributado ou que era isento. Fl. 1690DF CARF MF 12 Nesse caminho, porquanto a Lei estabelece a presunção legal, não pode este e.CARF julgar de maneira contrária. In casu, especificamente, questiona o Contribuinte onde está a comprovação do acréscimo patrimonial que justifica a tributação. A comprovação está em toda a documentação juntada aos autos pela autoridade lançadora, documentação essa já citada acima. Nelas, restaram comprovados os gastos e dispêndios incorridos pelo Recorrente. Portanto, ao contrário do que entende o Contribuinte, os documentos que demonstram despesas têm sim relevância tributária, uma vez que têm o condão de demonstrar as despesas. Com base nessas informações, a autoridade lançadora consolidou as tabelas denominadas "Demonstrativo Mensal da Variação Patrimonial" (fls. 40/43), nas quais apontou os recursos disponíveis e os dispêndios incorridos. A Lei permite presumir que houve omissão de rendimento sempre que os dispêndios são superiores aos recursos disponíveis. Efetivamente, se se anotam todos os recursos disponíveis para cobrir os gastos sejam eles recursos provenientes de rendimentos, de empréstimos ou de quaisquer outras fontes e estes são inferiores às despesas incorridas, então é necessário concluir que o sujeito passivo tinha outros recursos, os quais não eram do conhecimento do fisco, que foram utilizados para fazer frente a essas despesas. Vez que a autoridade lançadora identificou o APD com base nas informações contidas nos documentos juntados aos autos, e que o Contribuinte contesta exclusivamente a possibilidade do lançamento realizado com base em presunção, então não é possível afastar essa infração. Da Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica e do auto de infração contra a pessoa jurídica: Por fim, o Contribuinte argumenta que a 01 (omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica) não pode prevalecer porquanto as mesmas operações de transferências de recursos foram objeto de lançamento cobrando IRRF da empresa pagadora. Aponta que esse auto de infração está sendo analisado no processo nº 10380.724014/201029. Em outras palavras, a Fisco estaria cobrando IRRF por pagamento sem causa da empresa América do Sul Distribuidora de Alimentos Ltda. e, ao mesmo tempo, cobrando IRPF do Contribuinte que recebeu os recursos. Para reforçar sua tese, o Recorrente aponta inclusive algumas operações que estariam inclusas em ambas as autuações, ressaltando tratarse de indicações meramente exemplificativas, não exaustivas. Diante da verossimilhança das alegações, este e.CARF converteu o julgamento em diligência na Resolução nº 2202000.768 (fl. 1.551/1.558), conforme o relatório acima. Baixados os autos para a DRF, esta anexou os autos de infração que compõem o processo referente ao IRRF da empresa, bem como comparouos valores que compõem a base de cálculo daquele lançamento e os que compõem a base de cálculo do presente auto de infração. Concluiu, ao cabo, que constam em ambas as bases de cálculo dois valores idênticos, na mesma data: R$ 20.506,67 em 05/01 e R$ 14.423,88 em 20/07. Há que se observar que se tratam dos mesmos valores identificados pelo Contribuinte em seu recurso voluntário. Outrossim, intimado este, não apresentou nenhum outro valor que compusesse ambas as bases de cálculo. Observando a legislação de regência da matéria, percebese que (RIR/1999): Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 10380.015536/201036 Acórdão n.º 2202004.737 S2C2T2 Fl. 1.686 13 Art. 622. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei nº 8.383, de 1991, art.74): (...) II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I. Parágrafo único. A falta de identificação do beneficiário da despesa e a não incorporação das vantagens aos respectivos salários dos beneficiários, implicará a tributação na forma do art. 675. (...) Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). (...) Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). (...) É clara, portanto, a legislação que rege a matéria: quando o pagamento for feito sem causa identificada, a tributação deve ser realizada exclusivamente na fonte. In caso, é importante registrar que, conforme pesquisa no sistema de acompanhamento processual do CARF, é possível observar que a empresa AMÉRICA DO SUL Fl. 1692DF CARF MF 14 DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. é sujeito passivo do referido processo (nº 10380.724014/201029). Outrossim, observase que esse processo já foi julgado neste e.CARF no acórdão nº 1401001.087, de 07/11/2013, que manteve o crédito tributário. Na ementa restou consignado que: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PAGAMENTOS SEM CAUSA E SEM BENEFICIÁRIO IDENTIFICADO. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, calculado à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos sem causa e sem beneficiário identificado. Portanto, uma vez que os valores identificados compõem a base de cálculo de ambos os autos de infração, e considerando que a Lei determinou expressamente que a tributação deve ser feita exclusivamente na fonte, então entendo ser necessário dar provimento ao recurso nesse ponto, para excluir da base de cálculo do presente processo os valores repetidos. Dispositivo Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo o valor de R$ 34.930,55. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 1693DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720779/2014-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011
PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei 10.101, de 2000 sofrem a incidência de contribuições sociais previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. DECISÃO DO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, NO JULGAMENTO DO RE 569.441/RS (COM REPERCUSSÃO GERAL CONHECIDA, TEMA 344). CF, ART. 7º, XI. EFICÁCIA LIMITADA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO À PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 794, DE 1994. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101, DE 2000 E DA LEI 6.404, DE 1976.
1. O pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 569.441/RS (com repercussão geral conhecida, tema 344) decidiu que (a) o preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF - inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários - depende de regulamentação, em face de sua eficácia limitada e (b) a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94. Por conseguinte, conforme decidido pelo STF, a Lei 6.404, de 1976, não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição.
2. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória, compondo, dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da Lei 8212, de 1991, e não há falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei 10.101, de 2000, visto que, nos termos de seu art. 2º, essa lei só é aplicável aos empregados.
3. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemáticas, respectivamente, da repercussão geral e dos recursos repetitivos (arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf).
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PARA DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL.
Nos termos da Súmula CARF n. 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA.
Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições para terceiros (outras entidades e fundos).
Numero da decisão: 2301-005.192
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Andrea Brose Adolfo. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro João Bellini Júnior.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior Presidente e redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2011 PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei 10.101, de 2000 sofrem a incidência de contribuições sociais previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. ADMINISTRADORES NÃO EMPREGADOS. DECISÃO DO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, NO JULGAMENTO DO RE 569.441/RS (COM REPERCUSSÃO GERAL CONHECIDA, TEMA 344). CF, ART. 7º, XI. EFICÁCIA LIMITADA. INEXISTÊNCIA DO DIREITO À PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ANTERIORMENTE À EDIÇÃO DA MEDIDA PROVISÓRIA 794, DE 1994. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101, DE 2000 E DA LEI 6.404, DE 1976. 1. O pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 569.441/RS (com repercussão geral conhecida, tema 344) decidiu que (a) “o preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação”, em face de sua eficácia limitada e (b) “a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94”. Por conseguinte, conforme decidido pelo STF, a Lei 6.404, de 1976, não regula a participação nos lucros e resultados para efeitos de exclusão do conceito de salário de contribuição. 2. A verba paga aos diretores não empregados possui natureza remuneratória, compondo, dessa forma, o conceito previsto no art. 28, II da Lei 8212, de 1991, e não há falar em exclusão da base de cálculo pela aplicação da Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 79 /2 01 4- 44 Fl. 1288DF CARF MF 2 10.101, de 2000, visto que, nos termos de seu art. 2º, essa lei só é aplicável aos empregados. 3. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemáticas, respectivamente, da repercussão geral e dos recursos repetitivos (arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62, § 2º do Anexo II do Ricarf). APLICAÇÃO DE JUROS SELIC PARA DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. Nos termos da Súmula CARF n. 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições para terceiros (outras entidades e fundos). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Evaristo Pinto (Relator), Wesley Rocha, Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato, que deram provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Andrea Brose Adolfo. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro João Bellini Júnior. (assinado digitalmente) João Bellini Junior – Presidente e redator ad hoc (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Contra o Recorrente Banco Itaú BBA S.A. foram lavrados dois autos de infração (DEBCAD nº 51.011.1556 e nº 51.011.1564). Os valores totais lançados referentes aos autos de infração correspondiam, na data da consolidação dos débitos (25/08/2014), aos montantes de, respectivamente, R$ 466.223.341,82 (quatrocentos e sessenta e seis milhões, duzentos e vinte e três mil e trezentos e quarenta e um reais e oitenta e dois centavos) e R$ Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 3 3 40.706.729,26 (quarenta milhões, setecentos e seis mil e setecentos e vinte e nove reais e vinte e seis centavos). Sendo que o auto de infração de DEBCAD nº 51.011.1556 é composto de dois levantamentos: “PARTICIPAÇÃO DOS ADMINISTRADORES NOS LUCROS” e “PLR EMPREGADOS” sendo lançadas contribuições sociais previdenciárias de bancos e assemelhados sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, relativas às competências 02/2010, 03/2010 e 02/2011, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. No levantamento “PLR EMPREGADOS” do auto de infração de DEBCAD nº 51.011.1556 foram lançadas contribuições sociais previdenciárias de bancos e assemelhados sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados empregados, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, relativas a competências compreendidas no período de 02/2010 a 11/2011, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. No auto de infração de DEBCAD nº 51.011.1564, que é composto apenas do levantamento “PLR EMPREGADOS”, foram lançadas contribuições para outras entidades e fundos (Salário Educação e INCRA) relativas a competências compreendidas no período de 02/2010 a 11/2011, acrescidas de multa de ofício de 75% e juros de mora. As contribuições exigidas no levantamento “PARTICIPAÇÃO DOS ADMINISTRADORES NOS LUCROS” do auto de infração de DEBCAD nº 51.011.1556. Foi efetuado, conforme exposto no relatório fiscal, com base no valor da participação nos lucros paga aos administradores da Autuada com fundamento no artigo 152, §1º, da Lei nº 6.404/1976. O lançamento das contribuições exigidas no levantamento “PLR – EMPREGADOS” dos autos de infração de DEBCAD nº 51.011.1556 e nº 51.011.1564, por sua vez, foi efetuado com base no valor da participação nos lucros ou resultados pagos aos empregados da Autuada. A Autuada, no prazo legal, apresentou a impugnação de fls. 917 a 934, instruída com os documentos de fls. 935 a 1029. Assevera que o entendimento da autoridade fiscal de que a adoção de planos concomitantes de participação nos lucros ou resultados fere o disposto no artigo 2º da Lei nº 10.101/2000 é equivocado. Afirma que, da leitura do artigo 2º da Lei nº 10.101/2000, resta evidente que “a alternativa para a negociação de distribuição de lucros estabelecida pela Lei nº 10.101/00 se dá entre (i) instrumentos de negociação direta entre empregados e empresa por meio de comissão de empregados escolhida pelas partes integrada por um representante do sindicato da categoria e (ii) uma das formas de negociação coletiva lato sensu a que ela se refere, quais sejam acordo ou convenção coletiva”. Frisa que o artigo 2º da Lei nº 10.101/2000 não veda a quantidade de planos a ser adotada, já que dispõe sobre os meios de formalização dos planos (negociação com empregados ou coletiva) e não sobre a existência concomitante de modelos de participação nos lucros. Fl. 1290DF CARF MF 4 Informa que possui mais de um plano de participação nos lucros ou resultados, mas frisa que “todos eles seguiram uma única formalização negociação coletiva (inciso II do artigo 2o da Lei n° 10.101/2000) ”. Ressalta que a possibilidade de uma empresa manter mais de um plano de participação nos lucros ou resultados é demonstrada pelo artigo 3º, §3º, da Lei nº 10.101/2000, que prevê a possibilidade de compensação entre pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados mantidos espontaneamente pela empresa e as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. Cita ementa de julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (processo 2008.72.05.0014917) onde restou asseverado o seguinte: A Lei nº 10.101/2000 objetiva dotar os trabalhadores de garantias, mas não obsta a instituição de participação nos lucros ou resultados em moldes diversos. Prova disso é que o § 3º do art. 3º autoriza a compensação dos pagamentos realizados em virtude de planos mantidos espontaneamente pela empresa com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho. Resta evidente que a Lei reconhece a natureza jurídica de participação nos resultados aos planos formulados unicamente pela empresa, mesmo que não correspondam ao estrito modelo legal; de acordo com esse dispositivo, os planos só não têm o efeito de se sobrepor a eventual acordo ou convenção coletiva. Salienta que o próprio fiscal, no item 7.1 do Termo de Verificação Fiscal de fls. 149 a 190, demonstrou que compactua com a possibilidade de uma mesma empresa possuir mais de um plano de participação nos lucros ou resultados, já que “afirma, expressamente, ao analisar o artigo 2º, I e II da Lei nº 10.101/00, que duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados, de forma a afastar a sua natureza salarial: Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo Sindicato da respectiva categoria; Convenção ou acordo coletivo de trabalho”. Aduz que não merece acolhida a alegação de que adotou dois planos concomitantes, uma vez que negociou a participação nos lucros por intermédio de ambas as formas previstas no inciso II do artigo 2º da Lei n° 10.101/2000. Frisa que os pagamentos efetuados aos empregados com base nos programas próprios Modelos de Remuneração Variável “foram legitimados pela entidade sindical representativa dos empregados, qual seja, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e pelos representantes do empregador, na figura de seus diretores executivos que assinaram o Acordo Coletivo do Programa da Participação Complementar nos Resultados (PCR), apresentado no curso da Fiscalização”. Alega que a própria autoridade fiscal reconheceu que nos acordos coletivos de trabalho referentes aos anos de 2009 e 2010/2011, que tinham como objeto o Programa de Participação Complementar nos Resultados – PCR, existia uma cláusula (sexta) que reconhecia e ratificava os programas próprios de participação nos lucros ou resultados mantidos pela Autuada. Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 4 5 O fato dos Programas Próprios de Participação nos Lucros ou Resultados – “Modelos de Remuneração Variável 2009” de fls. 218 a 227 (ano 2009), 228 a 238 (ano 2010) e 239 a 249 (ano 2011), terem sido reconhecidos e ratificados pelos Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação Complementar nos Resultados de fls. 250 a 255 (ano 2009) e 257 a 272 (anos 2010 e 2011), demonstra que o sindicato responsável pela defesa dos interesses dos empregados participou da negociação dos programas próprios. Afirma que a evidência da ocorrência das negociações entre as partes foi trazida pela própria autoridade fiscal, já que esta reconheceu a ocorrência de discussões com o sindicato e constatou a existência de atas de reunião. Alega que não é correto falar que os “programas – Modelos de Remuneração Variável” não foram negociados, já que se os mesmos foram ratificados e reconhecidos em acordo coletivo, resta óbvio que eles estavam contidos na negociação deste instrumento. Afirma que, nesse contexto, verificase que é descabida a alegação de que os programas próprios correspondem a um terceiro instrumento de PLR, ao lado da CCT e do Acordo Coletivo (PCR), cujas regras foram definidas unilateralmente pela Autuada. Frisa que os planos próprios foram expressamente reconhecidos e ratificados pelo sindicato da categoria, por intermédio de acordo coletivo, que é instrumento legítimo para a validação dos referidos planos próprios. Assevera que o fato desse acordo coletivo validar o pagamento de participação complementar (PCR), não pode ser motivo para descaracterizar os planos próprios. Aduz que mantém apenas dois instrumentos para fins de estabelecer a participação de seus empregados nos lucros auferidos: “a CCT, que possui maior abrangência e visa integrar a maior parte dos empregados, de maneira geral, aos objetivos da instituição; e os planos próprios (validados por intermédio de acordo coletivo), os quais visam, justamente, estimular áreas específicas e posições a buscarem resultados diferenciados”. Diz que os planos próprios têm condições financeiras diferenciadas e mais vantajosas para os empregados que deles participam e buscam, em contrapartida, fomentar essa população de colaboradores a concretizar resultados efetivos e diferenciados, pactuados em contratos de metas. Frisa que os referidos instrumentos negociais atingem populações diversas, “não se verificando, em nenhum momento, a possibilidade de um mesmo funcionário ser beneficiado pelos dois mecanismos, vale dizer, dentro do plano próprio para cada funcionário apenas um instrumento será aplicável”. Afirma que o julgado do CARF mencionado pela autoridade fiscal para ratificar seus argumentos e fundamentar a descaracterização de todos os pagamentos que efetivou a título de participação nos lucros ou resultados (Acórdão 240102.250 – 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária) não se presta a esse fim, mas, ao contrário, valida os procedimentos que adotou, na medida em que asseverou, expressamente, o seguinte: (...) Fl. 1292DF CARF MF 6 Entendo como o próprio contribuinte descreveu em seu recurso, no seu estudo acerca das negociações coletivas, não existe óbice a que uma empresa firme convenção coletiva (que é mais abrangente), e ao mesmo tempo acordo coletivo (que é mais específico). (...) No caso, a própria Lei 10.101/2000, já vislumbrou a possibilidade de em existindo plano de PLR na empresa, o mesmo poderia ser compensado com as obrigações decorrentes dos instrumentos coletivos de negociação. Assim, caso desejasse efetuar PLR em melhores condições aos seus empregados a empresa, utilizando seja da comissão escolhida pelas partes, seja do acordo coletivo, poderia estabelecer programa de PLR, compensando os valores estabelecidos na convenção, o que entendo estaria dentro dos limites descritos na legislação aplicável. (...) Cita ementa de julgado do CARF (Acórdão nº 2401003.408) onde restou asseverado que “havendo nos autos a comprovação de que o representante do sindicato assinou o acordo para pagamento da PLR celebrado por comissão eleita para esse fim, devese considerar cumprido o requisito legal que exige a participação do ente sindical nas negociações, salvo se restar configurada fraude”. Afirma que “a parcela de pagamentos efetuada acima da periodicidade fixada em lei decorre de peculiaridades que buscam possibilitar a correta quitação de tais valores, em cumprimento da legislação vigente”. Esclarece que nos anos autuados realizou dois pagamentos a título de PLR aos seus funcionários e que a parcela de pagamentos apontada pela autoridade fiscal como supostamente efetuada acima da periodicidade fixada em lei decorre de mero ajuste nos pagamentos efetuados aos empregados. Alega que o pagamento do referido ajuste não altera a natureza dos valores pagos a título de PLR, tampouco traduz ofensa ao art. 3º, § 2º da Lei n° 10.101/00. Cita ementa de julgado do Tribunal Superior do Trabalho (Recurso de Revista nº TSTRR20590062.2003.5.02.0464) onde restou consignado que “a Subseção I da Seção Especializada em Dissídios Individuais pacificou entendimento no sentido de que o pagamento antecipado e parcelado da participação nos lucros, não obstante o comando expresso do art. 3º, § 2º, da Lei n° 10.101/2000, não altera a natureza dessa parcela, transformandoa em verba salarial, em atenção ao disposto nos incisos XI e XXVI do art. 7º da Constituição Federal”. Cita vários julgados do TST que diz terem o mesmo posicionamento do referido acima. Transcreve ementa de julgado do CARF (Acórdão nº 2301003005) na qual consta que “a antecipação de parte da parcela referente a participação nos lucros da empresa, decorrente de exigência do Sindicato da categoria, não possui o condão de conceder natureza salarial à verba, inexistindo razão para a incidência de contribuições previdenciárias”. Assegura que o suposto não atendimento ao interregno previsto na legislação, que é fruto de negociação entre as partes, não poderia descaracterizar por completo os pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados, mas, no máximo, fazer Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 5 7 incidir as contribuições sociais previdenciárias e para terceiros sobre os pagamentos não efetuados dentro daquele intervalo. Diz que as parcelas que ultrapassaram o limite de duas vezes ao ano correspondem a apenas 3% do valor pago a título de PLR nos anos autuados, conforme demonstrado pelo quadro abaixo: Afirma que, ao menos em relação aos valores pagos a título de PLR que observaram a semestralidade e limite de duas vezes ao ano, deve ser cancela a exigência fiscal. Cita ementa de julgado do CARF (Acórdão nº 2401003.138) onde restou atestado que “apenas devem ser tributados os pagamentos a título de PLR que excederem as regras de periodicidade previstas na Lei n. 10.101/2000”. Aponta diversos julgados do CARF que diz terem o mesmo posicionamento do Acórdão nº 2401003.138. Alega que, ao contrário do que entende a autoridade fiscal, o fato de um diretor empregado ter sido eleito em assembléia e se sujeitar às disposições da Lei n° 6.404/76 e não da Lei n° 10.101/2000, para fins de pagamento de participação nos lucros, não descaracteriza a verba para fins de isenção/imunidade da contribuição previdenciária. Ressalta que a participação nos lucros ou resultados foi expressamente excluída da relação de verbas sujeitas ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, nos termos da alínea “j” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991. Protesta que a Lei nº 8.212/1991 determina que as parcelas pagas a título de participação nos lucros ou resultados não integram a remuneração, desde que os pagamentos sejam feitos de acordo com lei específica. Assegura que a Lei nº 10.101/2000 não é a única legislação que regula o pagamento de participação nos lucros ou resultados, já que a Lei nº 6.404/1976 prevê expressamente o pagamento de participação nos lucros aos administradores e diretores. Aduz que, por força do disposto no artigo 152 e §§ da Lei nº 6.404/1976, os pagamentos de participação nos lucros aos diretores/administradores serão isentos desde que: Fl. 1294DF CARF MF 8 “i) o montante seja fixado em assembléia; ii) que a companhia tenha pago dividendo obrigatório aos seus acionistas e iii) que a participação não ultrapasse a remuneração anual dos administradores ou % dos lucros o que for menor”. Ratifica que atendeu a todos os requisitos da Lei nº 6.404/1976, conforme demonstram as Atas de Assembléia juntadas com a impugnação, “que determinaram a fixação das verbas a serem pagas aos Administradores e, dentre elas, a Participação nos Lucros, devidamente informada nas Demonstrações Contábeis e correspondentes Notas Explicativas dos anos de 2010 e 2011” Alega que “a natureza da verba paga a título de PLR não depende da condição daquele que a recebe (se é empregado ou diretor), mas sim da sua desvinculação da remuneração e da ausência da habitualidade”. Sendo que o direito à participação nos lucros ou resultados foi consagrado na Constituição Federal aos trabalhadores e não exclusivamente aos empregados. Cita julgados do CARF (Acórdãos nº 2301003.474 e nº 230102.491) que foram favoráveis a tese de que não incide contribuições sociais previdenciárias sobre a participação nos lucros prevista no artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. Traz o entendimento de que o disposto na alínea “j” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 não se aplica ao caso da participação nos lucros prevista no artigo 152 da Lei nº 6.404/1976, fere o disposto no artigo 150, inciso II, da Constituição Federal, já que acarreta tratamento tributário diferenciado a pessoas que se encontram em situações equivalentes. Cita julgado do CARF (Acórdão 240202699) onde restou asseverado que “a participação dos diretores, de que trata o art. 152 da Lei n° 6.404/76, decorre de uma relação jurídica firmada entre ‘Acionistas x Diretores/Administradores’, não se sujeitando às regras previstas na Lei n° 8.212/91, que se referem à relação jurídica ‘Empregador x Empregado’”. Afirma que o Fisco não pode exigir juros de mora sobre o valor da multa de ofício, visto que o artigo 61, caput e §3º da Lei nº 9.430/1996, determina que os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora e não o valor da multa de mora. Frisa que, se o juro de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Alega que, se a multa de ofício estivesse compreendida na referência feita pelo caput do artigo 61 da Lei n 9.430/1996 aos débitos de tributos e contribuições, “chegarse ia ao absurdo de concluir que o § 3º do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício”. Aduz que o artigo 164 do Código Tributário Nacional confirma sua tese quando, ao tratar de crédito tributário, separa claramente os conceitos de crédito, juros de mora e penalidades. Diz que o artigo 161, caput, do Código Tributário Nacional faz a mesma distinção. Ressalta que também não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês referidos no §1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional. Cita ementa de julgado da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº 9101000.722) onde restou asseverado que “os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada”. Aponta vários julgados administrativos que diz terem o mesmo posicionamento do Acórdão nº 9101000722. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 6 9 Alega que, mesmo que fossem cabíveis juros sobre a multa de ofício, seria aplicável apenas juros moratórios à taxa Selic, limitados a 1%. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recorrido (fls. 1037 e ss) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2011 PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições sociais previdenciárias. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A participação dos administradores nos lucros da companhia, prevista no artigo 152, §1º, da Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias, por caracterizar contraprestação aos serviços prestados, e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de imunidade/isenção. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2011 PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. Os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 sofrem a incidência de contribuições para terceiros (outras entidades e fundos). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DE ADMINISTRADORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PARA TERCEIROS. A participação dos administradores nos lucros da companhia, prevista no artigo 152, §1º, da Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições para terceiros (outras entidades e fundos), por caracterizar contraprestação aos serviços prestados, e por não se enquadrar em nenhuma hipótese de imunidade/isenção. Fl. 1296DF CARF MF 10 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2011 JUROS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros sobre a multa de ofício é legítima. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2010 a 30/11/2011 ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1.080/1.098) reiterando os argumentos apresentados na impugnação e acrescentando os seguintes pontos: No tocante aos instrumentos negociais utilizados pelo Recorrente para pagamento de PLR, a autoridade fiscal afirmou que não poderiam ser utilizados planos distintos de distribuição de lucros aos seus funcionários (Convenções Coletivas de trabalho CCT, Acordo Coletivo de Trabalho ACT e os Modelos de Remuneração Variável – Programa Próprios), pois tal procedimento estaria vedado pelo artigo 2° da aludida Lei n° 10.101/2000. Quanto a esse aspecto, entendeu a autoridade julgadora que o fato dos pagamentos de PLR terem fundamento em mais de um instrumento não poderia ter sido apontado como motivo para a exigência das contribuições sociais, pois, além de não haver vedação legal expressa para essa situação, a legislação a autoriza, de forma indireta, por meio do § 3° do art. 3o da Lei n° 10.101/00. Resta claro, portanto, que a existência de pagamentos de PLR com fundamento em mais de um instrumento de negociação, tal como ocorreu no caso em tela, não descaracteriza a natureza da verba e, via de consequência, não justifica a incidência das contribuições previdenciárias. Como visto, essa questão já foi analisada pela DRJ e o suposto descumprimento à legislação, nesse aspecto, foi integralmente afastado pela autoridade julgadora, razão pela qual não deve ser objeto de análise e discussão por esse E. Conselho. Contesta a Decisão a quo, reproduz razões da impugnação, acrescentando jurisprudência deste E. Conselho, por fim requer o provimento integral do Recurso. Em 17 de agosto de 2016, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF aprovou a Resolução nº 2301000.626 (fls. 1166 e ss), convertendo o julgamento em diligência para que (a) sejam juntados aos autos os comprovantes de pagamento aos acionistas de Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 7 11 dividendos obrigatórios no percentual de 25% do lucro líquido, relativamente aos exercícios de 2010 e 2011 e (b) esclarecer se os Modelos de Remuneração Variável constituem ou não instrumento próprio de PLR e independente dos demais, nos termos da Lei 10.101, de 2000. Em 21 de fevereiro de 2017, foi emitido o Relatório Conclusivo de Diligência Fiscal (fls. 1188 e ss), pelo qual a autoridade fiscal reiterou suas conclusões no sentido de que: (i) os modelos de remuneração variável constituem instrumento próprio de PLR e independente dos demais; e (ii) foram utilizados os seguintes instrumentos para pagamento da PLR aos empregados: Convenções Coletivas de Trabalho; Acordos Coletivos de Trabalho para pagamento da Participação Complementar nos Resultados – PCR e Modelos de Remuneração Variável (Programas de Participação nos Lucros ou Resultados próprios, mantidos pelo Banco). Ademais, o contribuinte foi intimado a apresentar os comprovantes de pagamento aos acionistas dos dividendos obrigatórios no percentual de 25% do lucro líquido, relativamente aos exercícios de 2010 e 2011. Em 24 de março de 2017, o Recorrente apresentou sua manifestação (fls. 1201 e ss) reafirmando que foi utilizado tão somente os Instrumentos de Convenção Coletiva (CCT) e Acordo Coletivo (devidamente assinado pelo sindicado), sendo que o último foi usado para definição dos planos próprios, assim como apresenta os comprovantes de pagamento aos acionistas dos dividendos obrigatórios no percentual de 25% do lucro líquido, relativamente aos exercícios de 2010 e 2011. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) paga aos Empregados em Desacordo com a Lei n. 10.101/00 A atividade empresarial pressupõe a combinação dos fatores de produção (terra, capital e trabalho) com o intuito de produzir e comercializar bens e serviços, de modo que as rendas oriundas da atividade empresarial são distribuídas mediante pagamentos aos detentores dos fatores de produção (aluguéis, juros e salários), sendo que a diferença entre os preços de vendas dos produtos e serviços e o custo para a produção de tais produtos e serviços constituirá o lucro da empresa (GUITTON, Henri. Economia Política. Segundo Volume. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1959. p. 51.). A empresa pode ser compreendida como um regime de produção exclusivo do capitalismo, uma vez que somente num regime tal qual o capitalismo onde são assegurados o direito de propriedade e a liberdade de iniciativa, o empreendedor estará apto a exercer a atividade empresarial com seus ônus e bônus. Vale notar que a responsabilidade da produção é Fl. 1298DF CARF MF 12 do empresário, que emprega os fatores de produção em sua empresa e responderá pelo bom ou mau êxito do empreendimento, ao passo que os fornecedores dos fatores de produção deverão receber a remuneração pelos fatores fornecidos independentemente do êxito da empresa. (ANTUNES, José Pinto. A Produção sob o Regime da Empresa. São Paulo: Saraiva, 1964. Pp. 6264.) Dessa forma, caso a empresa tenha sido lucrativa, o lucro deverá ser repartido entre os empreendedores que investiram no empreendimento. Entretanto, caso a empresa se encontre em prejuízo, a responsabilidade do empresário vai até o limite investido por esses sócios, nos casos de empreendimentos constituídos sob a forma jurídica de sociedades cuja responsabilização é limitada. (ANTUNES, José Pinto. A Produção sob o Regime da Empresa. São Paulo: Saraiva, 1964. Pp. 6264.) A participação nos lucros ou resultados surge exatamente em um contexto em que se incentiva uma maior integração entre o capital e o trabalho, na medida em que parte do lucro que corresponde ao êxito da atividade empresarial é repassado aos titulares do fator de produção trabalho. Nesse sentido, Sérgio Pinto Martins assinala: “Não deixa de ser a participação nos lucros uma forma moderna, decorrente do capitalismo, de integração do trabalhador na empresa, por meio da divisão dos resultados obtidos pelo empregador com a colaboração do empregado. O fundamento da participação nos lucros está em que o empregador e o empregado contribuíram diretamente para que se alcançasse o lucro na empresa, ou seja, o capital e o trabalho participaram diretamente na obtenção do lucro. É uma forma de o trabalhador passar a participar do desenvolvimento da empresa, de maneira a cooperar com empregador no desenvolvimento da atividade deste”. (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 29ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. Pp. 306 307) No âmbito do Direito Positivo, a participação nos lucros ou resultados encontra guarida constitucional no artigo 7º, XI, da Constituição Federal como um dos direitos dos trabalhadores, nos seguintes termos: Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Considerando que o referido dispositivo dispõe que a participação nos lucros é desvinculada da remuneração, o artigo 28, §9º, j, da Lei nº 8.212/91 explicitou que a participação nos lucros não integra o salário de contribuição, nos seguintes termos: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) §9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 8 13 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou credita de acordo com lei específica. Cumpre salientar que a participação nos lucros ou resultados não possui natureza de salário, de modo que a previsão do artigo 28, §9º, j, da Lei nº 8.212/91 não estabelece isenção, mas apenas explicita de forma didática uma não incidência. Sobre esse ponto, cumpre ressaltar a doutrina do Direito do Trabalho tão bem exposta nas palavras do exministro do Tribunal Superior do Trabalho, Pedro Paulo Teixeira Manus: “Vêse, tanto no artigo 1º da Medida Provisória n. 794/94, quanto nas subsequentes e no artigo 1º da Lei n. 10.101/00, que o fundamentos de sua reedição é a integração entre o capital e o trabalho e o incentivo à produtividade, isto é, uma tentativa de procurar contornar o problema do desemprego, já que a Constituição Federal desvincula a participação dos lucros ou resultados da remuneração, desonerando as empresas quanto a eventuais encargos trabalhistas que não incidem sobre esta verba. Buscase assim instituir uma melhoria no padrão de vida dos trabalhadores, sem aumentar sua remuneração. Isso porque do ponto de vista trabalhista as verbas pagas “pelo” trabalho têm sempre natureza salarial. Já aquelas que são pagas “para” o trabalho não têm natureza de salário. Isso significa, por exemplo, que uma gratificação pela assiduidade, ou pela produção tem natureza de salário, pois é instituída pelo trabalho. Já uma verba paga para cobrir despesas comprovadas no exercício de uma função não tem natureza salarial, porque é requisito para desenvolvimento do trabalho, o que não ocorre no primeiro caso. E, guardando natureza salarial, referida verba terá tratamento igual ao dispensado ao salário em sentido estrito, servindo de base de cálculo para todos os haveres trabalhistas. Eis por que o legislador constitucional desvinculou a participação nos lucros ou resultados da remuneração, como forma de evitar tais reflexos e buscando estimular sua instituição por empresas e empregados. (MANUS, Pedro Paulo Teixeira. Direito do Trabalho. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2012. Pp.151152) É interessante notar a distinção entre as verbas pagas “pelo” trabalho e as verbas pagas “para” o trabalho, de modo que o autor reconhece que a Constituição expressamente desvincula a PLR da natureza salarial, sendo que atribuir tal caráter à PLR somente teria o efeito de desestimular sua instituição pelas empresas. Em igual sentido, observa Sérgio Pinto Martins que: “A Constituição de 1988 eliminou o caráter salarial da participação nos lucros, determinando que tal prestação vem a ser totalmente desvinculada da remuneração. O objetivo foi realmente este, de possibilitar que o empregador concedesse a participação nos lucros a seus empregados, mas, em Fl. 1300DF CARF MF 14 contrapartida não tivesse nenhum encargo a mais com tal ato. O empregador não tinha interesse em conceder um benefício gratuitamente e ainda suportar os encargos sociais sobre tal valor. Foi uma forma de estimular o empregador a conceder a participação nos lucros, pois, se fosse utilizada a orientação da antiga Súmula 251 do TST, que considerava de natureza salarial a referida participação, o empregador não a iria conceder, porque haveria de pagar outros encargos sobre ela, como FGTS, contribuição previdenciária etc.”. (MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 29ª ed. São Paulo: Atlas, 2013. Pp. 308 309) Atualmente, a participação nos lucros ou resultados é regulada pela Lei nº 10.101/00, que assim dispôs: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Como decorrência do exposto, a participação nos lucros ou resultados deverá ser celebrada por uma comissão paritária ou por uma convenção ou acordo coletivo. Tal dispositivo tem por objetivo fazer com que haja uma efetiva negociação para determinação da PLR, assim como para evitar que sejam estabelecidas metas inverossímeis tanto no caso de metas inatingíveis quanto no caso de metas facilmente atingíveis, de forma que as metas deverão ser claras e objetivas, na medida do possível. Vale ressaltar que não há vedação à quantidade de planos de PLR, uma vez que a referida norma dispõe apenas sobre os meios de formalização dos planos (negociação com empregados ou coletiva), não proibindo a existência concomitante de modelos de participação nos lucros. Assim, diante da inexistência de proibição para a existência concomitante de planos de PLR, estes não representam problema desde que estes tenham sido formalizados, tal como aconteceu no presente caso. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 9 15 A permissão para a existência de planos de PLR concomitantes é reforçada pelo disposto no artigo 3º, §3º, da Lei nº 10.101/2000, que prevê a possibilidade de compensação entre pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados mantidos espontaneamente pela empresa e as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. A legitimação dos meios de formalização dos planos de PLR ocorreu, uma vez que houve a assinatura de um Acordo Coletivo do Programa da Participação Complementar nos Resultados (PCR) entre a entidade sindical representativa dos empregados, qual seja, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro e pelos representantes do empregador, na figura de seus diretores executivos, sendo que havia inclusive uma cláusula (sexta) que reconhecia e ratificava os programas próprios de participação nos lucros ou resultados mantidos pelo Recorrente. O fato dos Programas Próprios de Participação nos Lucros ou Resultados – “Modelos de Remuneração Variável 2009” de fls. 218 a 227 (ano 2009), 228 a 238 (ano 2010) e 239 a 249 (ano 2011), terem sido reconhecidos e ratificados pelos Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação Complementar nos Resultados de fls. 250 a 255 (ano 2009) e 257 a 272 (anos 2010 e 2011), é mais um dos elementos a demonstrar que o sindicato responsável pela defesa dos interesses dos empregados participou da negociação dos programas próprios. Dessa forma, não há que se falar que os “programas – Modelos de Remuneração Variável” não foram negociados, uma vez que se eles próprios foram ratificados e reconhecidos em acordo coletivo, de modo que eles estavam contidos na negociação deste instrumento, ou seja, tais planos próprios foram expressamente reconhecidos e ratificados pelo sindicato da categoria, por intermédio de acordo coletivo, que é instrumento legítimo para a validação dos referidos planos próprios. Como consequência, não merece prosperar a alegação de que os programas próprios correspondem a um terceiro instrumento de PLR, ao lado da CCT e do Acordo Coletivo (PCR), cujas regras foram definidas unilateralmente pelo Recorrente. Assim, há apenas dois instrumentos celebrados com o fito de estabelecer a participação de seus empregados nos lucros auferidos: a CCT, que possui maior abrangência e visa integrar a maior parte dos empregados, de maneira geral, aos objetivos da instituição; e os planos próprios (validados por intermédio de acordo coletivo), os quais visam, justamente, estimular áreas específicas e posições a buscarem resultados diferenciados. É interessante notar, ainda, que os planos próprios possuem condições financeiras diferenciadas e mais vantajosas para os empregados que deles participam e buscam, em contrapartida, fomentar essa população de colaboradores a concretizar resultados efetivos e diferenciados, pactuados em contratos de metas. Em que pese a Lei n. 10.101/00 traga dispositivo específico vedando o pagamento de PLR em mais de duas vezes no mesmo ano civil, há que se avaliar o caso concreto para se checar os motivos que levaram a tal pagamento. No caso em tela, entendo ser justificável o argumento de que a parcela de pagamentos apontada pela autoridade fiscal como supostamente efetuada acima da periodicidade fixada em lei decorre de mero ajuste nos pagamentos efetuados aos empregados. Fl. 1302DF CARF MF 16 Ademais, o mero fato de mais um pagamento do PLR não poderia alterar a natureza da PLR, que não possui natureza salarial, tal qual vem entendendo o TST como no caso do Recurso de Revista nº TSTRR20590062.2003.5.02.0464, em que restou consignado que “a Subseção I da Seção Especializada em Dissídios Individuais pacificou entendimento no sentido de que o pagamento antecipado e parcelado da participação nos lucros, não obstante o comando expresso do art. 3º, § 2º, da Lei n° 10.101/2000, não altera a natureza dessa parcela, transformandoa em verba salarial, em atenção ao disposto nos incisos XI e XXVI do art. 7º da Constituição Federal”. Ainda que fossem desconsiderados os pagamentos de PLR que excederam a semestralidade, não haveria como manter a exigência fiscal aos pagamentos que obedeceram a semestralidade. Por fim, cumpre citar comentário de Mauricio Godinho Delgado sobre a não natureza salarial da PLR: “É inquestionável, porém, que apenas a real participação nos lucros é que se desveste de natureza salarial: parcela periódica paga pelo empregador sem qualquer relação com os resultados alcançados pela empresa não se afasta da figura jurídica da gratificação habitual. (...) O ônus da prova relativa à fraude é, contudo, do autor da ação, em face da presunção não salarial decorrente do designativo eleito”. (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 16ª ed. São Paulo: LTr, 2017. P. 817.) Conforme se observa, a PLR não possui natureza salarial, de modo que ainda que não sejam cumpridos de forma estrita os requisitos da Lei n. 10.101/00, cabe à autoridade fiscal comprovar o caráter fraudulento do pagamento da PLR, de modo que o conjunto probatório trazido ao longo do presente processo administrativo não é suficiente para que seja demonstrado que os pagamentos de PLR feitos aos empregados nos anos de 2010 e 2009 são fraudulentos. Com base no exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à PLR paga aos Empregados. Da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) paga aos Diretores em Desacordo com a Lei n. 10.101/00 No tocante à PLR paga aos Diretores, cumprem alguns comentários iniciais destacando a importância da figura da PLR como não só instrumento de integração de capital e trabalho, mas como instrumento de diminuição dos riscos de agência. Em 1932, o advogado Adolph Berle Jr. juntamente com o economista Gardiner Means, ambos professores da Universidade Columbia, elaboraram a obra “A Moderna Sociedade Anônima e a Propriedade Privada”, na qual efetuaram a análise do controle societário das duzentas maiores companhias abertas não bancárias do Estados Unidos da América da época. Berle e Means já identificaram que em plena década de 30, a maior parte das companhias norteamericanas possuía capital pulverizado no mercado de ações, de forma que na maior parte de tais companhias não havia um acionista controlador identificável, o que gerava um grande poder para os administradores das mesmas. (BERLE, Adolph, MEANS, Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 10 17 Gardiner. A Moderna Sociedade Anônima e a Propriedade Privada. Tradução de Dinah de Abreu Azevedo. São Paulo: Nova Cultural, 1987). Em decorrência de tal tipo de situação, Berle e Means identificaram uma tendência ao divórcio entre a propriedade das ações (que é dos acionistas) e a gestão da companhia (que é feita pelos diretores). Ocorre que nas situações em que há tal divórcio entre a propriedade e a gestão, sempre há o risco de divergência entre os interesses dos acionistas (que são os proprietários) e os interesses dos administradores (que são os gestores), sendo que idealmente ambos deveriam ter o interesse de maximização do valor da companhia. A possibilidade de conflitos de interesses entre as referidas partes foi sintetizada na teoria da agência, apresentada por Michael Jensen e William Meckling no artigo “Theory of the firm: managerial behavior, agency costs and ownership structure”, de 1976. Segundo a teoria da agência, há um principal, que é representado pelos proprietários das ações, e o agente, que é representado pelos administradores, uma vez que os administradores agem como agentes dos principais na administração da sociedade anônima que é de propriedade dos principais. No caso da PLR paga aos diretores, tratase de um instrumento pelo qual se alinham os interesses dos administradores aos interesses da empresa (e consequentemente dos acionistas das empresas), isto é, a PLR pode funcionar como um mecanismo de governança corporativa que diminui os potenciais conflitos de agência existentes entre administradores e empresa. Tal como exposto no tópico anterior, seguindo o raciocínio de Pedro Paulo Teixeira Manus, a PLR paga aos administrados não é paga “pelo” trabalho, mas sim paga “para” o trabalho, de modo que não há caráter salarial também na PLR paga aos administradores. Vale ressaltar que o fato de um diretor empregado ter sido eleito em assembleia e se sujeitar às disposições societárias de eleição e responsabilização da Lei n° 6.404/76 não tira o caráter não salarial da PLR a ele paga. Mais uma vez, destaquese que a participação nos lucros ou resultados não possui natureza de salário, de modo que a previsão do artigo 28, §9º, j, da Lei nº 8.212/91 não estabelece isenção, mas apenas explicita de forma didática uma não incidência. Ademais, considerando que a Lei nº 6.404/1976 prevê expressamente o pagamento de participação nos lucros aos administradores e diretores, também é possível admitir que ainda que a previsão do artigo 28, §9º, j, da Lei nº 8.212/91 fosse uma norma isentiva, estaria sido cumprida o pagamento da participação nos lucros de acordo com lei específica, nesse caso a Lei n. 6.404/76. Nesse sentido, cumpre ressaltar que os requisitos do artigo 152 e §§ da Lei nº 6.404/1976, que cuida dos pagamentos de participação nos lucros aos diretores/administradores, foram cumpridos, conforme demonstram as Atas de Assembleia juntadas com a impugnação, “que determinaram a fixação das verbas a serem pagas aos Fl. 1304DF CARF MF 18 Administradores e, dentre elas, a Participação nos Lucros, devidamente informada nas Demonstrações Contábeis e correspondentes Notas Explicativas dos anos de 2010 e 2011” Por fim, destaquese que a natureza da verba paga a título de PLR não depende da condição daquele que a recebe (se é empregado ou diretor), mas sim da sua desvinculação da remuneração e da ausência da habitualidade, de modo que de modo que o conjunto probatório trazido ao longo do presente processo administrativo não é suficiente para que seja demonstrado que os pagamentos PLR feitos aos diretores nos anos de 2010 e 2009 são fraudulentos. Com base no exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário no tocante à PLR paga aos Diretores. Da Questão da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Por fim, a Lei n° 9.430/97, em seu artigo 61 passou a dispor que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, incidirão juros de mora à taxa SELIC, veja: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (.) § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Partindo do disposto no referido artigo, a discussão centrouse na interpretação da expressão "débitos decorrentes de tributos e contribuições", sendo que a multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições, decorrendo, nos exatos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: “a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata.” Dessa forma, a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 11 19 Voto Vencedor Conselheiro João Bellini Júnior, redator ad hoc na data de formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato da conselheira Andrea Brose Adolfo, redatora para o voto vencedor, ter renunciado ao seu mandato no CARF antes da formalização do acórdão, fui designado ad hoc para fazêlo. Inicialmente, cabe destacar que neste voto serão tratados apenas os pontos nos quais o relator restou vencido, quais sejam: a periodicidade no pagamento das verbas a título de PLR, da PLR paga aos diretores não empregados e da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Divirjo do respeitado conselheiro Alexandre Evaristo Pinto pelas razões a seguir expostas. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR) PAGA AOS DIRETORES EM DESACORDO COM A LEI N. 10.101, DE 2000 O pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 569.441/RS (com repercussão geral conhecida, tema 344) decidiu que (a) “o preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação”, em face de sua eficácia limitada e (b) “a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94”. O acórdão recebeu a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento. (Grifouse.) Tal acórdão transitou em julgado em 23/02/2015. Fl. 1306DF CARF MF 20 A seu turno, a Lei 8.212, de 1991 (art. 28, § 9°, “j”), na redação dada pela Lei 9.528, de 1997, ao tratar do saláriodecontribuição, também previu a necessidade de lei específica para que as importâncias recebidas pelos segurados a título de participação nos lucros e resultados não integrem o salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei: (...) j — a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando para ou creditada de acordo com a lei específica. (Grifouse.) Assim, apenas com a Medida Provisória 794, de 1994, convertida na Lei nº 10.101, de 2000, a matéria foi regulamentada. Ou seja, de acordo com o entendimento do Pleno do STF, não há falar em participação nos lucros e resultados decorrentes do art. 7º, XI, da Constituição Federal anteriormente à edição da Medida Provisória 794, de 1994 (friso a data de 1994, que, por si só, exclui a pretensão de existir na Lei 6.404, de 1976 a regulamentação de PLR a serem pagos a administradores/diretores). Tal entendimento, consolidado em decisão definitiva de mérito na sistemática do art. 543B da Lei nº 5.869, de 1973 (atualmente regulada pelos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015), deverá ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Carf, a teor do art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do Carf, Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 12 21 aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), na redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ademais, como deixou consignado nos sistemas do CARF a conselheira Andrea Brose Adolfo: Com relação ao pagamento de PLR a diretores não empregados, a Câmara Superior já vem decidindo pela inaplicabilidade das Leis nº 10.101/2000 e da Lei nº 6.404/76. A primeira por ser aplicável apenas a "empregados" e a segunda por não fazer às vezes de lei regulamentadora do tema, a suprir a previsão legal constante da parte final do art. 7º, XI do texto constitucional, e por ser anterior à edição da Medida Provisória 794/94 (marco inicial da aplicabilidade da regra insculpida no texto constitucional, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no RE 569441/RS, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, de 30/10/2014 (Info 765), submetido a sistemática de repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Cito os Acórdãos nº 9202.004.490, de 29/09/2016, e 9202005.378, de 26/04/2017. Tais decisões concluíram pela plena incidência das contribuições previdenciárias na hipótese aqui sob análise, dada a inaplicabilidade da Lei nº 10.101, de 2000 aos diretores não empregados, afastandose, ainda, a tese de aplicabilidade da Lei nº 6.404, de 1976, na forma dos seguintes fundamentos, que adoto como razões de decidir: (...) De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Fl. 1308DF CARF MF 22 Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o salário de contribuição. De acordo com o art. 9º, inciso V, alínea “f”, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, são considerados contribuintes individuais tanto o diretor não empregado como o membro do conselho de administração da sociedade anônima, vejamos: Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999): (...) f) o diretor não empregado e o membro de conselho de administração na sociedade anônima; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) § 2º Considerase diretor empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego. § 3º Considerase diretor não empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito, por assembléia geral dos acionistas, para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes à relação de emprego. (g.n.) No mesmo sentido, prevê o art. 12, inciso V, da Lei 8.212/1991 como contribuintes individuais os administradores (o diretor não empregado e o membro de conselho de administração) da companhia. Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 13 23 associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (g.n.) Logo, a legislação previdenciária enquadra os administradores da Recorrente como contribuintes individuais. Esse entendimento está consubstanciado pela concepção organicista em que os administradores (membros da Diretoria e do Conselho de Administração) são órgãos da companhia, na medida em que o ato praticado por eles, dentro de seus poderes, é um ato da própria sociedade empresária (Recorrente), linha adotada por Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 1999, v. 2, p. 239241). Em outras palavras, os membros da Diretoria (administradores), o que é o caso dos autos, possuem poder decorrentes da lei e do estatuto, sendo que isso viabiliza todo o poder para a condução das atividades diárias da companhia e distanciase da subordinação pessoal da relação empregatícia1. Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total dos segurados obrigatórios da previdência social, no caso, na qualidade de contribuintes individuais, incluindo no sentido lato de remuneração toda e qualquer retribuição, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de não incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Vale destacar que, entendo que o art. 28, §9º descreve as parcelas que não compõem o conceito de salário de contribuição de forma genérica, não afastando os pagamentos feitos os demais segurados, por exemplo Contribuintes individuais, da possibilidade de terem valores recebidos dos contratantes também excluídos do conceito de salário de contribuição, como analisaremos adiante. Resta claro ao analisar os art. 28, §9º, que a legislação previdenciária, alinhandose ao preceito constitucional, identifica verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória, Fl. 1310DF CARF MF 24 assistencial, ou mesmo por expressa previsão legal seguindo os parâmetros descritos no dispositivo. Quanto à participação nos lucros, encontrase expressamente descrito na alínea "j": Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Não restou demonstrado pelo recorrente que o pagamento enquadravase na exclusão acima descrita. Em relação a esse dispositivo e aos termos do art. 7, XI, inicialmente, ocorreu a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, e veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art.1º. Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 14 25 (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Nessa primeira análise é possível concluir que a lei 10.101/2000, conversão das citadas MPs, trouxe ao mundo jurídico a regulamentação de um anseio constitucional, qual seja, a definição da forma como o PLR estaria desvinculado da remuneração. Esse raciocínio, encontrase em perfeita consonância com o entendimento do próprio STF, que destaca que o direito previsto no art. 7, XI não é auto aplicável, iniciandose apenas a partir da edição da MP 794/1994, reeditada várias vezes e finalmente convertida na Lei 10.101/2000. Esse entendimento é extraído do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 398284/RJRio de Janeiro. Fl. 1312DF CARF MF 26 RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Merece transcrição excerto do voto do Ministro Menezes Direito (Relator do RE 398284/RJ): “Há três precedentes monocráticos na Corte. Um que foi relator o Eminente Ministro Gilmar Mendes; e dois outros da relatoria do Ministro Eros Grau. Então a questão está posta com simplicidade. E estou entendendo, Senhor Presidente, com a devida vênia da bela sustentação do eminente advogado, que realmente a regra necessita de integração, por um motivo muito simples: é que o exercício do direito é que se vincula à integração, não é a regra só, que nesses casos, quando manda que a lei regule o exercício, que vale por si só. Se a própria Constituição determina que o gozo do exercício dependa de lei, tem que haver a lei para que o exercício seja pleno. Se não há lei, não existe exercício. E com um agravante que, a meu ver, parece forte o suficiente para sustentar esse raciocínio. É que o fato de existir a participação nos lucros, desvinculada da remuneração, na forma da lei, não significa que se está deixando de dar eficácia a essa regra, porque a participação pode ser espontânea; já havia participação nos lucros até mesmo antes da Constituição dos 80. E, por outro lado, só a lei pode regular a natureza dessa contribuição previdenciária e também a natureza jurídica para fins tributários da participação nos lucros. A lei veio exatamente com esse objetivo. É uma lei que veio para determinar, especificar, regulamentar o exercício do direito de participação nos lucros, dando consequência à necessária estipulação da natureza jurídica dessa participação para fins tributários e para fins de recolhimento da Própria Previdência Social. Ora, se isso é assim, e, a meu sentir, parece ser, pela leitura que faço eu do dispositivo constitucional, não há fundamento algum para afastarse a cobrança da contribuição previdenciária antes do advento da lei regulamentadora.” Pelo abordado acima, já se manifestou o STF que não apenas o texto constitucional não é auto aplicável, como a norma que regulamento o art. 7º, inciso XI, surgiu apenas com a edição da Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 15 27 MP 794/94, convertida posteriormente na lei 10.101/2000, o que afasta a argumentação também de que a lei 6404/76 teria sido recepcionada pela Constituição para efeitos de regulamentação do art. 7º, XI. Ainda nessa linha de raciocínio, notese, conforme grifado no art. 2º da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos “empregados”, ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de “participações estatutárias” (administradores não empregados). Não se pode elastecer o conceito de participação nos lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, todo e qualquer pagamento feito aos seus trabalhadores e em função dessa nomenclatura desvincular as verbas do conceito de remuneração e salário. A Lei n° 10.101/2000, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. Apenas para ressaltar, afastase aqui, também, qualquer argumento de que o dispositivo constitucional, por si só, já afastaria para todo e qualquer trabalhador a “participação nos lucros e resultados” do conceito de remuneração, considerando o fato de que o “caput do art. 7º da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Essa constatação é cristalina na medida que os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos trazem a certeza do sentido estrito do direcionamento ao empregado, pretendido pelo legislador, ao considerarmos que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Levando a efeito o raciocínio pretendido pelo recorrente, chegaríamos a conclusão de obrigatoriedade de atribuir a observância dos direitos ali elencados a todos os trabalhadores autônomos. Assim, entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente. Isto posto, rejeito qualquer argumentação de que o termo trabalhador descrito também no art. 1º da lei 10.101/2000, seria capaz de abranger a categoria de administradores e demais contribuintes individuais. Vejase, que o termo autônomo ou para previdência social, contribuinte individual, não é uma pessoa que trabalha de forma subordinada, devendo cumprir Fl. 1314DF CARF MF 28 metas alcançar resultados, pois se assim o fosse, estaríamos atribuindo um requisito de empregado, qual seja a subordinação. Também vale lembrar que o trabalho de um mesmo trabalhador autônomo exigindo o cumprimento de resultados e metas durante um período (exercício) não deve ser utilizado de forma continuada, pois senão estaríamos atribuindo o segundo requisito que é a habitualidade na prestação de serviços. Dessa forma, entendo inviável qualquer interpretação em sentido contrário, razão pela, qual todo e qualquer pagamento feito a contribuintes individuais constituem salário de contribuição, salvo se possível o seu enquadramento dentre as hipóteses elencadas no art. 28, §9º da lei 8212/91. Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP nº 794/1994. Dessa forma, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991, também se refere a outras leis extravagantes, tal como a Lei 6.404/1976 que dispõe sobre as Sociedades por Ações (companhia), inclusive o seu art. 152, § 1o, estabeleceu que o estatuto da companhia pode atribuir aos administradores participação nos lucros da companhia, desde que sejam atendidos dois requisitos: (i) a fixação de dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro líquido; e (ii) o total da participação estatutária não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros, prevalecendo o limite que for menor. Corroborando ainda mais esse entendimento, o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou sua posição quanto ao tema por meio do RE 569441/RS, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, de 30/10/2014 (Info 765), submetido a sistemática de repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), nos seguintes termos: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.441 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI REDATOR DO ACÓRDÃO : MIN. TEORI ZAVASCKI EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. (g.n.) Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 16 29 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento.” Por força do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na 2 Portaria MF n° 343/2015 (Regimento Interno do CARF RICARF): Art. 62. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Entendo que o citado RE 569441/RS esclarece a inaplicabilidade da lei 6.404/76, seja como recepcionada para regulamentação do art. 7º, XI da CF/88 aos contribuintes individuais, seja dando respaldo a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 29, §9º da lei 8212/90. Pela transcrição do trecho do acórdão do STF acima, podemos dizer que a decisão daquela corte apenas ratifica o posicionamento adotado por essa relatora e por diversas outras decisões desse conselho acerca do tema. Essa linha de interpretação também se amolda ao posicionamento do STJ: “(...) A contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros é devida no período anterior à MP n. 794/94, uma vez que o benefício fiscal concedido sobre essa verba somente passou a existir no ordenamento jurídico com a entrada em vigor do referido normativo. (...)” (STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 95.339/PA, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/11/2012). De fato, concluise que a Lei 8.212/1991 em seu art. 28, §9º, "j", ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados e que EXPRESSAMENTE, descreve: "A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista (...)" Por fim, para espancar qualquer argumentação de que o pagamento estaria de acordo com o descrito na lei 6404/76, ressalto que a participação descrita na referida lei, dáse em função do capital investido. Ademais, também não entendo que a lei 6404/76 tenha, de forma alguma, excluído os valores do conceito de salário de contribuição, e, por consequência, possa respaldar os argumentos do recorrente. Vejamos o texto da lei, assim, como já descrito pela autoridade fiscal: Fl. 1316DF CARF MF 30 Lei 6.404/1976: Art. 152. A assembléia geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. (g.n.) § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Quanto às participações estatutárias, tal como a participação no lucro dos administradores – diretores não empregados, qualificados como segurados contribuintes individuais –, elas dependem de o resultado da companhia, no respectivo exercício social, ter sido positivo, pois do contrário não haverá lucros a serem partilhados aos diretores não empregados com base nos lucros, conforme determinar o art. 190 da LSA: “as participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanesceram depois de deduzidas a participação anteriormente calculada” (g.n.). Considerando não ter sido trazido qualquer argumentação de que tratavamse de acionistas, os fatos acima mencionados evidenciam que a Recorrente concedeu aos diretores não empregados (contribuintes individuais) uma remuneração distinta dos lucros previstos no art. 152 da Lei 6.404/1976 (Lei da LSA) ou distribuiu uma verba cognominada de lucros em desacordo com as regras estampadas na Lei 6.404/1976 (artigo 152 c/c o artigos 189 e 190). Isso nos leva a clara conclusão de que, efetivamente, a verba paga aos diretores não empregados, caracteriza se como uma remuneração pelo exercício de atividades na empresa, decorrente da relação contratante/contratado, que é distinta da relação acionista e diretores não empregados. Essa argumentação deixa claro a impossibilidade de acatar a interpretação dada pela ilustre conselheira relatora, seja porque os valores recebidos enquanto "diretores não empregados" não remunerou o capital investido, seja porque, a autorização da referida lei, acerca da possibilidade de distribuir lucros aos administradores nunca isentou tais valores da incidência de contribuições previdenciárias, ao contrário do que expressamente prevê a lei 10.101/2000, aplicável a categoria de empregados em consonância com o art. 28, §9º, 'j" da lei 8212/90. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 17 31 Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. (...) Dessa forma, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento em toda a sua extensão em relação aos administradores contribuintes individuais, negandose provimento integralmente ao recurso do sujeito passivo. Isto posto, entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente para excluir o pagamento do PLR dos segurados contribuintes individuais (PLR dos Administradores) do conceito de salário de contribuição, pelos seguintes fundamentos: (1) o art. 7º, XI, da CF não é auto aplicável; (2) a previsão do art. 7º, XI, da CF, referese apenas aos direitos dos trabalhadores empregados; (3) a lei 10.101/2000 restringese expressamente a regulamentar e descrever os requisitos para que o PLR não constitua base de incidência em relação a participação dos lucros/resultados aos empregados; (4) pelo fato de que a lei 6.404/76 não regula dispositivo constitucional do art. 7, XI da CF/88, nem tampouco o art. 28, §9º, 'j" da lei 8212/91. (5) porque o valor da PLR dada aos Administradores/Diretores não empregados, mesmo que fundada na lei 6404/76 não remunera o capital investido; seja por fim, (6) não existir previsão expressa na lei 6404/76, de que os valores pagos não sofram a incidência de contribuição previdenciária. (...) Assim, a partir da farta fundamentação supra, concluo pela inaplicabilidade das Leis nº 10.101/2000 e da Lei nº 6.404/76. A primeira por ser aplicável apenas a "empregados" e a segunda por não fazer às vezes de lei regulamentadora do tema, a suprir a previsão legal constante da parte final do art. 7º, XI da CF, e por ser anterior à edição da Medida Provisória nº 794/94 (marco inicial da aplicabilidade da regra insculpida no texto constitucional, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal no RE 569441/RS, submetido a sistemática de repercussão geral, mantendose assim o lançamento tributário referente às contribuições previdenciárias sobre as verbas a título de PLR pagas a diretores não empregados. DA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS (PLR) PAGA AOS EMPREGADOS EM DESACORDO COM A LEI N. 10.101/00 DA PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Alega o recorrente (efl. 1089) que a "parcela de pagamentos apontada pela fiscalização, supostamente efetuada acima da periodicidade fixada em lei, decorreu da Fl. 1318DF CARF MF 32 compatibilização entre os instrumentos que fundamentaram os pagamentos de PLR e de mero ajuste entre eles e, nos termos das jurisprudência ora apontadas, o pagamento de ajustes não desnatura a natureza da verba paga a título de PLR". De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (efl. 185) foram descumpridos os seguintes aspectos legais com relação aos planos de participação nos lucros ou resultados do Banco Itau BBA S/A: Em resumo, foram descumpridos os seguintes aspectos legais: Existência de Planos Concomitantes para o Pagamento da PLR, contrariando o disposto no artigo 2°da Lei 10.101/00; Ausência de negociação entre as partes para a formalização dos Modelos de Remuneração Variável, contrariando o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.101/00; Pagamento a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, contrariando o disposto no §2º do artigo 3º da Lei nº 10.101/00. (Grifamos) Com relação à periodicidade, o Auditor Fiscal dispõe no TVF (efls. 177/180): 7.3 DA PERIODICIDADE DOS PAGAMENTOS DA PLR Analisando a periodicidade dos pagamentos efetuados como sendo PLR, constatouse o não atendimento ao disciplinado no § 2º do art. 3º da Lei n° 10.101/2000, transcrito a seguir, que expressamente veda o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de PLR em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Como pode ser observado pelos Demonstrativos Periodicidade dos Pagamentos de PLR 2010 e 2011, houve casos em que para o mesmo beneficiário existiram três pagamentos dentro do mesmo ano civil ou dois pagamentos no mesmo semestre. ... Dessa forma, por ter sido descumprida essa importante determinação legal e sendo a PLR um instituto único, todos os valores pagos a esse título, constantes dos Demonstrativos da PLR Paga por Beneficiário 2010 e 2011, que incluem todos os pagamentos efetuados pelo Banco Itaú BBA (Convenção Coletiva, Acordo Coletivo e Modelo de Remuneração Variável Plano Próprio), não se desvinculam da remuneração e foram, considerados integrantes do salário de contribuição. (...) No caso concreto sob análise, o Banco Itaú BBA iniciou o ano de 2010 com 2.282 empregados e terminou esse mesmo ano com 2.359 empregados (informação obtida na DIPJ 2011, ficha 70 Informações Previdenciárias). Deste universo: Fl. 1319DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 18 33 a) 2.077 empregados receberam pagamentos a título de PLR em três vezes nos mesmo ano civil, nos meses de fevereiro (rubrica 04100 – Participação Lucros/Resultados), junho (rubrica 00260 Antecipação PCR) e agosto (rubrica 04100Participação Lucros/Resultados); b) 1.999 empregados receberam pagamentos a título de PLR em 4 vezes no mesmo ano civil, nos meses de fevereiro, (rubricas 00315 PCR Total, 00465 PLR Adicional Total, 04100 Participação Lucros/Resultados), junho (rubricas 00260 Antecipação PCR e 29145 PCR Partic. Adicional), agosto (rubrica 04100 Participação Lucros/Resultados) e outubro (rubrica 00445 Antecipação PLR Adicional); Com relação ao ano 2011, iniciou o período com 2.359 empregados e terminou com 2.715 empregados (informação obtida na DIPJ 2012, ficha 70 – Informações Previdenciárias). Deste universo: a) 2.065 empregados receberam pagamentos a título de PLR em 3 vezes no mesmo ano civil, nos meses de fevereiro (rubricas 00260 Antecipação PCR, 00465 PLR Adicional Total, 04100 Participação Lucros/Resultados), agosto (rubrica 04100 Participação Lucros/Resultados) e outubro (rubrica 00445 Antecipação PLR Adicional). A desobediência ao quesito da periodicidade dos pagamentos, por si só, é suficiente para que seja desconsiderado o comando constitucional de desvinculação da verba de PLR da remuneração. No entanto, como já vimos, não foi apenas nesse quesito que a empresa contrariou a lei. (...) (Grifamos) Conforme salientado no voto do relator a participação nos lucros ou resultados é direito garantido aos trabalhadores pelo art. 7º da CF: Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. (Grifamos) Salientese que o termo "desvinculada da remuneração" significa que tal parcela não está associada ao montante da remuneração de cada trabalhador, como por exemplo, fixação de um percentual desse valor, mas sim associada a metas/resultados, conforme definido em lei específica. Por seu turno, o artigo 28, §9º, 'j', da Lei nº 8.212/91 determina que a participação nos lucros não integra o saláriodecontribuição, desde que tal verba seja paga ou creditada de acordo com a Lei específica, verbis: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: Fl. 1320DF CARF MF 34 (...) §9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou credita de acordo com lei específica. (Grifamos) A Lei nº 10.101/2000 lei específica a disciplinar a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa estabelece requisitos que devem ser obedecidos pelos programas de PLR para a não incidência prevista no art. 28, §9º, 'j' da Lei nº 8.212/91: Lei 10.101/2000 “Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1º... §2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes o mesmo ano civil. §3º...” Notese que o legislador apenas permitiu que a empresa promova, durante o ano civil e com uma antecedência mínima de seis meses, uma antecipação do pagamento de PLR, porém, impediu o desvirtuamento do instituto (através de acordos que estabelecessem, por exemplo, o pagamento mensal de PLR) quando estabeleceu a proibição constante do parágrafo 2o, do artigo 3o, da Lei n° 10.101/2000. A própria recorrente reconhece que efetuou pagamentos de PLR em desacordo com a lei, entretanto tenta justificar alegando trataremse de meros ajustes nos pagamentos efetuados aos empregados. Todavia, no meu entender, tal justificativa não tem o condão de sanar a conduta contrária ao texto legal, qual seja, pagamento em periodicidade inferior a um semestre e, no caso dos autos, em mais de duas vezes no mesmo ano civil. Para obedecer aos ditames legais, e valerse da exclusão da base de incidência das contribuições sociais previdenciárias e das contribuições para terceiros, o recorrente deve adequar seus planos, nos mais diversos exercícios de forma a atender a lei de regência. Havendo pagamento em desconformidade com os termos legais, em qualquer extensão e em decorrência da unicidade do instituto "participação nos lucros e resultados", todos os pagamentos a este título devem ser tributados, sendo inaplicável o entendimento de que "uma parte" do plano estaria de acordo com a lei e "uma outra parte" em desacordo com a mesma lei. Ou o Programa de participação nos lucros e resultados atende o comando legal, ou não. Fl. 1321DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 19 35 No caso concreto, ficou configurado o descumprimento do art. 3º, § 2º da Lei nº 10.101/2000, afastando assim, o benefício da não incidência das contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme alínea j do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Por fim, importante relembrar que ausência de UM dos requisitos é suficiente para desqualificação da verba paga como Participação nos Lucros ou Resultados. Somente os valores pagos com estrita obediência aos comandos previstos na Lei nº 10.101/2000, estão fora da esfera de tributação da contribuição previdenciária. Assim, deve incidir contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de Participação nos Lucros ou Resultados pela recorrente, por descumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/2000. Sem razão o recorrente. DA QUESTÃO DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Com relação à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, divirjo do entendimento proferido pelo relator, com base nas considerações a seguir exposadas. Sobre essa matéria, as três turmas da Câmara Superior têm se manifestado pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, cito acórdãos nº 9101003.469 –1ª Turma sessão 7/03/2018 relatora Adriana Gomes Rêgo; nº 9202006.473 – 2ª Turma sessão de 30/01/2018 relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos e nº 9303006.008 3ª Turma sessão 29/11/2017 redator voto vencedor Andrada Márcio Canuto Natal. Transcrevo excerto do voto do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que, ao redigir o voto vencedor no citado acórdão nº 9303006.008 expõe com minuciosa precisão a matéria: De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de Fl. 1322DF CARF MF 36 pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária Fl. 1323DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 20 37 principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por todo o exposto, a multa de ofício proporcional, lançada juntamente com o tributo devido, se não paga no vencimento, sujeitase a juros de mora calculado com base na taxa SELIC por força do disposto no art. 61, caput e §3º da Lei nº 9.430, de 1996. Para reforçar este entendimento, transcrevo abaixo precedentes judiciais e administrativos elaborado pela assessoria jurídica do CARF em estudos internos a respeito da matéria. Julgamento da matéria nos Tribunais Superiores Em 1º de setembro de 2009, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça assim decidiu nos autos do Recurso Especial nº1.129.990 PR, sob a condução do Ministro Castro Meira: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. Analisouse, no caso, norma estadual questionada sob o argumento de que a multa por inadimplemento de ICMS não integraria o crédito tributário. Interpretando o art. 161 do CTN Fl. 1324DF CARF MF 38 em conjunto com os arts. 113 e 139 do CTN, o Ministro concluiu que o crédito e a obrigação tributária são compostos pelo tributo devido e pelas penalidades eventualmente exigíveis e, tendo em conta que o art. 161 do CTN ao se referir ao crédito, está tratando de crédito tributário, concluiu que referido dispositivo autoriza a exigência de juros de mora sobre multas. A 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, em 18 de maio de 2010, replicou este entendimento ao decidir o Recurso Especial nº 834.681MG, sob relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA TRIBUTOS ESTADUAIS DIANTE DA EXISTÊNCIA DE LEI AUTORIZADORA. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 879844/MG, DJE DE 25/11/2009, JULGADO SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ESPECIAL EFICÁCIA VINCULATIVA DESSE PRECEDENTE (CPC, ART. 543C, § 7º), QUE IMPÕE A ADOÇÃO EM CASOS ANÁLOGOS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. PRECEDENTE DA 2ª TURMA DO STJ. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. Também se tratava, neste caso, de legislação estadual. Em 04 de dezembro de 2012, a 1ª Turma manteve este posicionamento no julgamento de Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relatado pelo Ministro Benedito Gonçalves: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Neste caso, a multa de ofício fora lançada com fundamento no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e o sujeito passivo alegava a inexistência, no referido dispositivo legal, de qualquer menção sobre a cobrança de juros de mora. Por fim, em 07 de junho de 2016, a 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça mais uma vez aplicou a jurisprudência pacífica do Tribunal, agora em face de Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial nº 870.973MG, sob relatoria do Ministro Humberto Martins: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/73. INEXISTÊNCIA. DEVIDO Fl. 1325DF CARF MF Processo nº 16327.720779/201444 Acórdão n.º 2301005.192 S2C3T1 Fl. 21 39 ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. ICMS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIA DE CUNHO EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. REEXAME. COMPETÊNCIA DO STF. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC/73 quando a prestação jurisdicional é dada na medida da pretensão deduzida, com enfrentamento e resolução das questões abordadas no recurso. 2. Nos termos da jurisprudência pacífica do STJ, o crédito tributário compreende a multa pecuniária, o que legitima a incidência de juros moratórios sobre a totalidade da dívida. 3. Da leitura do acórdão recorrido, depreendese que a questão acerca da base de cálculo do ICM/ST foi debatida pelo Tribunal de origem com fundamento eminentemente constitucional, sendo a sua apreciação de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal, conforme dispõe o art. 102, III, do permissivo constitucional Agravo interno improvido. A análise recaiu, assim, sobre legislação do Estado de Minas Gerais. O Superior Tribunal de Justiça, portanto, não apreciou as questões colocadas em face da redação do art. 61, caput e §3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Ementas de acórdãos recentes da CSRF Acórdão nº 9101002.514, de 13 de dezembro de 2016, Relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 [...] JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício sofre a incidência dos juros de mora, conforme estabelecido no art. 161 do CTN. Precedentes do STJ. Acórdão nº 9202004.250, de 23 de junho de 2016, Relatora Maria Helena Cotta Cardozo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo Fl. 1326DF CARF MF 40 a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado Acórdão nº 9303004.570, de 8 de dezembro de 2016, Redator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2007 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [...] Sobre a aplicação da taxa Selic, colaciono a Súmula CARF nº 4 que firma o posicionamento a ser seguido por este Colegiado: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sem razão o recorrente. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – redator ad hoc Fl. 1327DF CARF MF
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