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Numero do processo: 13931.000368/2012-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO
A inclusão de atividade vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida.
Posterga-se o reingresso no regime, a despeito da supressão da atividade impertinente nos registros cadastrais da pessoa jurídica, para o ano-calendário seguinte, se atendidos os demais requisitos legais.
Numero da decisão: 1001-000.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e no mérito negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2012 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO A inclusão de atividade vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida. Posterga-se o reingresso no regime, a despeito da supressão da atividade impertinente nos registros cadastrais da pessoa jurídica, para o ano-calendário seguinte, se atendidos os demais requisitos legais.
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ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO A inclusão de atividade vedada pela legislação do Simples Nacional, impede a sua permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida. Postergase o reingresso no regime, a despeito da supressão da atividade impertinente nos registros cadastrais da pessoa jurídica, para o anocalendário seguinte, se atendidos os demais requisitos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa e no mérito negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 1. 00 03 68 /2 01 2- 51 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13931.000368/201251 Acórdão n.º 1001000.366 S1C0T1 Fl. 113 2 Relatório Tratase de solicitação de reinclusão no Simples Nacional, interposto pela recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Salvador (BA), mediante o Acórdão nº 1535.238, de 03/04/2014 (efls. 88/93), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome de parte do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Impugnação ao Despacho que indeferiu o pedido de reinclusão no Simples Nacional por incidir a pessoa jurídica em um das hipóteses legais que expressamente vedam a permanência no regime simplificado. A exclusão do contribuinte do Simples Nacional, em 01/06/2012, operouse automaticamente, em razão da atualização do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, em 11/5/2012, com a inclusão de nova atividade societária – CNAE 46.35499 (Comércio Atacadista de Bebidas Não Especificadas Anteriormente), fls. 8. A Autoridade Recorrida afirma que a atividade classificada no código CNAE 46.35499 encontrase elencada no rol de vedações ao ingresso expressamente previsto na Resolução CGSN n° 04, de 30/5/2007 (art. 12, inciso XXI, ‘b’), impondo a exclusão automática. Acrescenta, ainda, que, nesses casos, o retorno à condição de optante do regime simplificado (reinclusão), atendidos os demais requisitos legais, somente é admitido no anocalendário seguinte àquele em que o motivo da exclusão deixe de existir (Resolução CGSN n° 15, de 23/7/2007, art. 3º, inciso II, ‘c’, e art. 6º § 14). O contribuinte alega (fls. 24 a 37) em síntese: a) Preliminar de cerceamento do direito de defesa por erro de capitulação. Afirma que desconhece a razão do indeferimento do pedido de inclusão e que não compreende o fundamento legal utilizado para o indeferimento, visto que, no seu entendimento, a negativa de inclusão fundamentouse tão somente no §14 da Resolução CGSN n° 04, de 2007, sem indicar qual o artigo respectivo. Aduz que a Autoridade Recorrida inicialmente afirmou que o indeferimento ocorreu por violação a dispositivo da Resolução CGSN nº 4, de 2007, e em seguida que foi justificado pela Resolução CGSN n° 15, de 2007. Alega também que a Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, revogou expressamente as resoluções que serviram de fundamento para o ato recorrido. Entende, assim, que ocorreu cerceamento do direito de defesa e que a utilização de norma revogada implica inexistência de fundamentação válida e nulidade do ato administrativo por falta de motivação. b) No mérito, alega: inocorrência de atividade impeditiva, quando considerada a atividade preponderante do objeto social da pessoa jurídica; tratamento isonômico com a hipótese de exclusão por existência de débito fiscal; restabelecimento das condições que permitam a manutenção da função social da empresa; e boafé. Aduz, ainda, que a decisão recorrida se encontra pautada no desatendimento de Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13931.000368/201251 Acórdão n.º 1001000.366 S1C0T1 Fl. 114 3 formalidades e no fato da empresa se encontrar “em débito com algum órgão ligado à administração pública”, em ofensa ao princípio da verdade material. Requer, ao final, a declaração de nulidade da decisão que manteve a exclusão da empresa do Simples Nacional, por se encontrar embasada em norma revogada; e, alternativamente, a reforma da decisão para assegurar a permanência da pessoa jurídica no Simples Nacional. (omissis) A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos excertos do voto transcrevese a seguir: A vedação existente na Lei Complementar nº 123, de 2006 (art. 17, inciso X), repetida na Resolução CGSN n° 04, de 30/5/2007 (art. 12, inciso XXI, ‘b’) e na Resolução CGSN nº 94, de 2011 (art. 15, inciso XX, “b”), é absoluta em relação à atividade objeto da vedação, inexistindo distinção em razão da avaliação da preponderância desta atividade vedada frente às demais eventualmente realizadas pela pessoa jurídica. Além disso, inexiste comprovação do alegado erro na atualização cadastral no CNPJ, especialmente quando verificado que os registros de atividades secundárias encontramse compatíveis com os atos constitutivos da pessoa jurídica, como apontado pelo Despacho de indeferimento do pedido de reinclusão. (...) Alegações de boafé não permitem afastar a incidência da norma tributária, visto que a Autoridade Administrativa encontrase investida do poderdever de atuar, sob pena de responsabilidade, em obediência ao princípio da legalidade, diante do descumprimento das prescrições normativas para ingresso e permanência no regime especial unificado de arrecadação de tributos. (...) Impertinente, outrossim, o reingresso no anocalendário da exclusão, a despeito da supressão da atividade em tela nos registros cadastrais da pessoa jurídica, pois a regra disciplinadora da hipótese posterga o retorno para o ano calendário seguinte. Irretocável, portanto, a decisão recorrida também nesta parte (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 30, inciso II, §3º, e art. 31, § 5 º). O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 VEDAÇÕES AO INGRESSO. ATIVIDADE. ATUALIZAÇÃO DO CNPJ. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional o contribuinte que declare exercer atividade expressamente vedada. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação do contribuinte, é obrigatória e, no caso de alteração do cadastro nacional da pessoa jurídica, implementase automaticamente. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13931.000368/201251 Acórdão n.º 1001000.366 S1C0T1 Fl. 115 4 Postergase o reingresso no regime, a despeito da supressão da atividade impertinente nos registros cadastrais da pessoa jurídica, para o anocalendário seguinte, se atendidos os demais requisitos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 02/06/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 95, a recorrente apresentou recurso voluntário em 02/07/2014 (efls. 96/110), conforme carimbo à efl. 96. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de primeira instância, ou seja, como preliminar do mérito alega que "ocorreu cerceamento do direito de defesa e que a utilização de norma revogada implica inexistência de fundamentação válida e nulidade do ato administrativo por falta de motivação" e cita doutrinas. No mérito, em apertada síntese, reitera que a inclusão da atividade vedada decorreu um equivoco de digitação dos números e que nunca exerce a atividade vedada. E completa: "...tão logo percebeu o erro tratou de, imediatamente, providenciar as correções mediante a alteração e adequação dos atos constitutivos...". Ou seja, a recorrente não traz novos argumentos. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, e em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: (grifos constam do original) Preliminar Diferente do quanto alegado pelo impugnante, o Despacho que indeferiu o pedido de reinclusão encontrase fundamentado tanto na Resolução CGSN n° 04, de 30/5/2007 (art. 12, inciso XXI, ‘b’), quanto na Resolução CGSN n° 15, de 23/7/2007 (art. 3º, inciso II, ‘c’, e art. 6º § 14). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13931.000368/201251 Acórdão n.º 1001000.366 S1C0T1 Fl. 116 5 A primeira dispôs sobre a opção pelo Simples Nacional e, nesse sentido, tratou das hipóteses de vedação ao ingresso no regime especial. A segunda tratou das hipóteses de exclusão de pessoas jurídicas do Simples Nacional. Isso fica evidenciado tanto pela leitura da fundamentação do Despacho quanto pelo dispositivo que declara o indeferimento. A correlação entre as resoluções, então, encontrase explícita no ato recorrido na medida em que apresenta a exclusão (Resolução CGSN n° 15, de 2007) como conseqüência direta da incidência em hipótese de vedação (Resolução CGSN n° 04, de 2007). E, ressaltese, ambas (Resoluções CGSN n° 04 e nº 15, de 2007) encontram se lastreadas na Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, que regula o Simples Nacional. Tais resoluções, de fato, como alegado pelo impugnante, encontravamse formalmente revogadas pela Resolução CGSN nº 94, de 29/11/2011, cuja eficácia normativa iniciouse em 1º de janeiro de 2012. Contudo, materialmente, não há inovação no tratamento normativo dispensado pelas resoluções à hipótese fática examinada pela Autoridade Recorrida. A Resolução CGSN nº 94, de 2011, trata da vedação (art. 15, inciso XX, “b”), da exclusão (art. 73, inciso II, “c”, art. 74, inciso II) e da limitação à reinclusão (art. 76 § 5º) nos exatos termos das resoluções revogadas, e conforme dispõe a Lei Complementar n º 123, de 2006 (art. 17, inciso X, art. 30, inciso II, §3º, e art. 31, § 5 º). Portanto, não há que se falar em nulidade, sob o título de cerceamento do direito de defesa, em face de equívocos relacionados ao enquadramento normativo informado pela Autoridade Recorrida, quando o impugnante demonstra conhecimento dos fatos que lhe estão sendo imputados, bem assim suas consequências, expressamente declaradas no ato recorrido, cuja fundamentação jurídica apresenta identidade material com aquela emanada pelas normas vigentes, que também são conhecidas pelo impugnante. Ademais, como visto, todas as resoluções citadas encontramse fundamentadas na Lei Complementar nº 123, de 2006, e, neste sentido, assim também o ato recorrido. Ademais, não há que se falar em ausência de motivo ou motivação uma vez que se encontram presentes no Despacho atacado tanto as circunstâncias de fato quanto as jurídicas que autorizaram a realização do ato administrativo. Em última instância, a nulidade cogitada, se albergada, amesquinharia a essência e finalidade do processo administrativofiscal, erigindo o formalismo a um patamar superior àquele em que se encontra o conteúdo substantivo, material, do ato administrativo atacado, cuja higidez, como se vê, não se conseguiu desconstituir. Assim, inexistentes nos autos comprovação de ocorrência das hipóteses que ensejam a decretação de nulidade, conforme previsto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, especialmente diante do pleno exercício do direito de defesa pelo contribuinte, materializado pela impugnação apresentada, afasto a preliminar. Mérito A vedação existente na Lei Complementar nº 123, de 2006 (art. 17, inciso X), repetida na Resolução CGSN n° 04, de 30/5/2007 (art. 12, inciso XXI, ‘b’) e na Resolução CGSN nº 94, de 2011 (art. 15, inciso XX, “b”), é absoluta em relação à Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13931.000368/201251 Acórdão n.º 1001000.366 S1C0T1 Fl. 117 6 atividade objeto da vedação, inexistindo distinção em razão da avaliação da preponderância desta atividade vedada frente às demais eventualmente realizadas pela pessoa jurídica. Além disso, inexiste comprovação do alegado erro na atualização cadastral no CNPJ, especialmente quando verificado que os registros de atividades secundárias encontramse compatíveis com os atos constitutivos da pessoa jurídica, como apontado pelo Despacho de indeferimento do pedido de reinclusão. Incabível, no caso, em respeito ao princípio da legalidade, o deferimento de tratamento isonômico com a hipótese de exclusão em razão de débito fiscal, visto que o paradigma foi submetido a regulação distinta na Lei Complementar nº 123, de 2006, e a previsão para a hipótese fática associada ao impugnante (exercício de atividade vedada) encontrase disciplinada em sua inteireza nas normas reguladoras do regime simplificado (Lei nº 5.172, de 25/10/1966, arts. 107 a 111). Alegações de boafé não permitem afastar a incidência da norma tributária, visto que a Autoridade Administrativa encontrase investida do poderdever de atuar, sob pena de responsabilidade, em obediência ao princípio da legalidade, diante do descumprimento das prescrições normativas para ingresso e permanência no regime especial unificado de arrecadação de tributos. Enganase o impugnante quando cogita que a decisão recorrida mirou simples desatendimento de formalidade. Em verdade, a pessoa jurídica incidiu inequivocamente, por ato próprio, em hipótese de vedação ao ingresso no regime especial, o qual impõe a exclusão automática, como previsto normativamente. Não se trata, pois, de mero formalismo, mas sim do reconhecimento da desconformidade da pessoa jurídica frente os requisitos legais indispensáveis para usufruto da sistemática do Simples Nacional, à vista da assunção de atividade incompatível com tal regime tributário. A materialidade da inadequação do objeto social do impugnante às regras de ingresso encontrase estampada em seus atos constitutivos e na ação voluntária de atualizar os registros no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, inserindo código CNAE de atividade impeditiva. Impertinente, outrossim, o reingresso no anocalendário da exclusão, a despeito da supressão da atividade em tela nos registros cadastrais da pessoa jurídica, pois a regra disciplinadora da hipótese posterga o retorno para o ano calendário seguinte. Irretocável, portanto, a decisão recorrida também nesta parte (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 30, inciso II, §3º, e art. 31, § 5 º). Ademais, revelase descabida e estranha à demanda a alegação do impugnante de que a decisão recorrida teria se baseado no fato da pessoa jurídica se encontrar “em débito com algum órgão ligado à administração pública”. Não há como se extrair do ato decisório atacado qualquer menção a existência de débito da pessoa jurídica ou que tenha sido este o fundamento da exclusão e da negativa de reingresso. Voto para julgar improcedente a impugnação e manter o Despacho nº 013/2012 (fls. 19 a 21) que indeferiu o pedido de reinclusão no Simples Nacional. Quanto à doutrina citada, a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13931.000368/201251 Acórdão n.º 1001000.366 S1C0T1 Fl. 118 7 Por todo o exposto, voto por REJEITAR A PRELIMINAR de cerceamento do direito de defesa e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.722563/2011-43
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 25 63 /2 01 1- 43 Fl. 68DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1246.739, da 8ª Turma da DRJ/RJ1, o qual indeferiu a Manifestação de Inconformidade contra Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional, face à existência de débitos fiscais, sem exigibilidade suspensa, consoante o artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123, de 2006. A ora recorrente apresentou uma impugnação ao referido termo. cuja decisão da DRJ foi contrária à manifestação de inconformidade, a qual reproduzo o voto: Do mérito O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional indeferiu o pedido de inclusão no Simples Nacional, com o fundamento de que havia débito inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos do art. 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006. A seguir, citase o referido dispositivo legal: “Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ..... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa;” O art. 7º, § 1ºA, I da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional – CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, com redação dada pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009, dispõe o seguinte: “Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009)” Portanto, da análise do referido dispositivo, constatase que as pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional deveriam ter sido regularizadas até o último dia útil de janeiro do ano objeto do pedido de inclusão, no caso, até 31/01/2011. Ocorre que, no presente caso, a inscrição em Dívida Ativa, que motivou o indeferimento, não foi regularizada até 31/01/2011, pois, segundo consta no sistema ‘Consulta Dívida Ativa’ da Fl. 69DF CARF MF Processo nº 12448.722563/201143 Acórdão n.º 1001000.269 S1C0T1 Fl. 3 3 PGFN, juntado aos autos, a data de arrecadação foi 07/12/2011, após o prazo legal para a regularização de pendências. Portanto, uma vez que o débito inscrito em Dívida Ativa, que motivou o indeferimento da opção pelo Simples Nacional, não foi regularizados até o último dia útil de janeiro do ano objeto do pedido de inclusão, nos termos do art. 7º, § 1ºA, inciso I, da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) nº 04/2007, com redação dada pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009, deve ser indeferida a solicitação do interessado de inclusão na sistemática do Simples Nacional. É o VOTO. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso voluntário, a recorrente argumentou que: Fl. 70DF CARF MF 4 Para fins de economia processual, adoto a decisão da DRJ, na íntegra, posto que, com base na legislação, em vigor, LC 123/2006, art. 17, inciso V (acima transcrita), as microempresas ou empresas de pequeno porte não podem se beneficiar do Simples Nacional, se houver débitos, com a exigibilidade não suspensa, para com a Instituto Nacional do Seguro Social INSS ou para com as Fazendas Pública Federal, Estadual ou Municipal. No caso da Recorrente, o prazo para regularização de pendências expirouse em 31/01/2011, consoante a Resolução CGSN 04/2007, acima transcrita. Conseqüentemente, nego provimento ao presente recurso, sem crédito tributário em litígio. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16692.721047/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/12/1994 a 31/12/1998
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. IMPROCEDÊNCIA.
O pedido de habilitação de crédito não se apresenta como uma homologação por parte da Secretaria da Receita Federal, mas ele é um procedimento prévio relacionado a crédito reconhecido judicialmente.
CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória.
DEVER DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL.
A Secretaria da Receita Federal cumpriu o seu dever funcional ao analisar a liquidez e certeza dos créditos, reconhecidos judicialmente
CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO OCORRÊNCIA.
De acordo com o entendimento do REsp 1.035.847/RS, julgado sob o regime de repetitivo, não há correção monetária em créditos de IPI - créditos escriturais.
AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. IPI. CRÉDITO.
O artigo 11, da Lei nº 9.779, de 1999, não permite incondicionalmente a transferência de crédito entre distintos estabelecimentos, mas somente o direito a aproveitar o saldo credor de IPI para compensação, nos termos dos artigos 73 e 74, ambos da Lei nº 9.430, de 1996 e demais normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/12/1994 a 31/12/1998 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. IMPROCEDÊNCIA. O pedido de habilitação de crédito não se apresenta como uma homologação por parte da Secretaria da Receita Federal, mas ele é um procedimento prévio relacionado a crédito reconhecido judicialmente. CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL. A Secretaria da Receita Federal cumpriu o seu dever funcional ao analisar a liquidez e certeza dos créditos, reconhecidos judicialmente CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO OCORRÊNCIA. De acordo com o entendimento do REsp 1.035.847/RS, julgado sob o regime de repetitivo, não há correção monetária em créditos de IPI - créditos escriturais. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. IPI. CRÉDITO. O artigo 11, da Lei nº 9.779, de 1999, não permite incondicionalmente a transferência de crédito entre distintos estabelecimentos, mas somente o direito a aproveitar o saldo credor de IPI para compensação, nos termos dos artigos 73 e 74, ambos da Lei nº 9.430, de 1996 e demais normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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DESPACHO DECISÓRIO. IMPROCEDÊNCIA. O pedido de habilitação de crédito não se apresenta como uma homologação por parte da Secretaria da Receita Federal, mas ele é um procedimento prévio relacionado a crédito reconhecido judicialmente. CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. CUMPRIMENTO DE ORDEM JUDICIAL. A Secretaria da Receita Federal cumpriu o seu dever funcional ao analisar a liquidez e certeza dos créditos, reconhecidos judicialmente CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. NÃO OCORRÊNCIA. De acordo com o entendimento do REsp 1.035.847/RS, julgado sob o regime de repetitivo, não há correção monetária em créditos de IPI créditos escriturais. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. IPI. CRÉDITO. O artigo 11, da Lei nº 9.779, de 1999, não permite incondicionalmente a transferência de crédito entre distintos estabelecimentos, mas somente o direito a aproveitar o saldo credor de IPI para compensação, nos termos dos artigos 73 e 74, ambos da Lei nº 9.430, de 1996 e demais normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 2. 72 10 47 /2 01 4- 11 Fl. 216DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior e Walker Araujo. Relatório Por bem transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 144 e seguintes1: Tratase de Despacho Decisório (fls. 42/51) exarado em função de pedidos de habilitação de crédito apresentados pela pessoa jurídica em virtude de ação ordinária transitada em julgado (nº 1999.34.00.0342906). Este processo foi constituído por representação (fl. 02) para controle dos débitos com compensações declaradas nos seguintes PER/DCOMP: nº 15040.44950.121109.1.3.517210 (fls. 03/15), no valor de R$ 16.308.449,00 (crédito utilizado para compensação: R$ 10.657.928,59), vinculado ao processo de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado nº 11610.015403/200857 (processo em apenso), de 12/11/2008; e nº 24893.51777.171109.1.3.512624 (fls. 16/19), no valor de R$ 2.310.383,63 (crédito utilizado para compensação: R$ 1.656.714,43), vinculado ao processo de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado nº 19647.019419/200823 (localizado na DRF/Recife/PE), de 07/11/2008. O processo 16062.000261/200809 (também em apenso) controla outros débitos, conforme a tabela inserta no Despacho Decisório, à fl. 46. Os PER/DCOMP foram transmitidos em nome do estabelecimento matriz (CNPJ nº 35.402.759/000185), que figura nestes como detentor dos créditos oriundos de ressarcimento de IPI. Conclusões do Despacho Decisório: 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 16692.721047/201411 Acórdão n.º 3302004.935 S3C3T2 Fl. 3 3 a) A ação judicial em questão autorizou o aproveitamento de crédito somente no que concerne ao período de 5 (cinco) anos anteriores à data da propositura da ação (11/11/1999): dezembro de 1994 a dezembro de 1998; b) O pedido de ressarcimento inclui créditos de filiais, o que configura transferência de créditos sem previsão legal: os estabelecimentos filiais da autora da ação (matriz) não figuram no pólo ativo da ação, sendo que não consta do pleito da autora o pedido de autorização para transferência do crédito de filiais para a matriz; c) Sendo o ônus da prova da pessoa jurídica, autora da ação, quanto ao pedido de ressarcimento de créditos do IPI, tudo deve ter registro nos respectivos livros fiscais e contábeis, observada a legislação específica acerca de ressarcimento e compensação; d) É incabível, por ausência de previsão legal, a atualização monetária pela incidência da taxa Selic de créditos de IPI abrangidos pelo pedido de ressarcimento. O direito creditório foi reconhecido no limite do valor do crédito apurado e as declarações de compensação foram parcialmente homologadas. Transcrição parcial do relatório do Despacho Decisório: “Sendo assim, utilizaremos as diversas informações constantes nos documentos e decisões dos referidos autos judiciais e administrativos para compor a exposição a seguir. De acordo com a cópia da petição inicial (juntada às fls. 37/54 do processo nº 11610.015403/200857 pedido de habilitação apenso) o interessado, somente em nome da matriz – CNPJ nº 35.402.759/000185 e conjuntamente com dois litisconsortes, por intermédio da Ação Ordinária com pedido de (parcial) Tutela Antecipada nº 1999.34.00.0342906 pleiteou(aram) o reconhecimento do direito à(s) autora(s) ao lançamento em sua(s) escrita(s) fiscal(is) dos valores do(s) crédito(s) de IPI, relativos aos últimos 5 (cinco) anos, cobrado nas operações de aquisições de matériaprima e de insumos utilizados na fabricação de produtos tributados à alíquota zero, requerendo a concessão de provimento jurisdicional antecipatório (parcial) “... para o fim de que seja garantido às Autoras o lançamento em sua escrita fiscal dos valores do crédito de IPI a que fazem jus, ... , fazendo prevalecer o exercício do direito conferido no art. 11 da Lei nº 9779/99, utilizando, assim, o crédito lançado em seus livros fiscais, tudo de acordo com as hipóteses autorizadas nas Instruções Normativas nºs 21/97, consolidada pela de nº 073, de 15/09/97 e na INSRF 37/97, quais sejam: (i) restituição; (ii) ressarcimento; (iii) compensação entre tributos e contribuições de diferentes espécies;...”. A sentença de 1ª instância julgou improcedente o pedido. Entretanto, posterior sentença, datada de 05/06/2000, proferida em sede de embargos de declaração, ainda que tenha Fl. 218DF CARF MF 4 determinado a prescrição do que foi recolhido em período anterior a 5 (cinco) anos da data da propositura da ação (11/11/1999), julgou “procedente o pedido para reconhecer às autoras o direito ao ressarcimento dos créditos relativos ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI incidente quando da aquisição de matériaprima e de insumos, utilizados em produtos com isenção ou nãoincidência do tributo, na forma prevista no art. 11 da Lei nº 9.779/99, e inciso I do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 21/97”. O acórdão prolatado pelo E. Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou provimento à apelação da União e à remessa oficial e proveu o recurso adesivo das autoras para reconhecer também o direito ao crédito do IPI relativamente à aquisição de materiais de embalagem empregados na industrialização de produtos tributados à alíquota zero. Posteriormente, os embargos de declaração opostos pela União foram rejeitados, bem como, o seu recurso especial não foi admitido. Igualmente, o Colendo Superior Tribunal de Justiça negou seguimento ao Agravo de Instrumento interposto pela União, como também, negou provimento ao seu Agravo Regimental, tendo esse acórdão transitado em julgado em 13/12/2005 (fls. 55 a 88 do processo nº 11610.015403/200857 pedido de habilitação apenso). Por outro lado, paralelamente ao trâmite da Ação Judicial, antes e depois do trânsito em julgado, em nome da matriz (0001), como também pela filial 0006 e com fundamento na Lei nº 9.779/99, o contribuinte apresentou administrativamente dezenas de Pedidos de Ressarcimento de IPI, referentes a períodos de apuração dos créditos de IPI a partir do ano de 1999, cumulados com Pedidos de Compensação, bem como, Declarações de Compensação eletrônicas referentes a créditos de Ressarcimento de IPI da matriz e filial 0006, relativas aos anos de 1999 a 2006, sendo alguns deles já deferidos e homologadas as compensações, e outros indeferidos em última instância administrativa. Importante ressaltar que esses Pedidos de Ressarcimento de IPI apresentados a partir de 1999 encontram se respaldados na prerrogativa contida no art. 11 da Lei nº 9.779/99 em vigor a partir de 1º/01/1999 e, portanto, não estão abrangidos na tutela judicial que determinou a apuração do crédito de IPI apenas do período a partir de 5 anos anteriores à propositura da ação, ajuizada em 11/11/1999, devendo ser computado somente o período de dez/1994 a dez/1998, de acordo com o pleito das autoras na referida medida judicial. Portanto, ainda que, no presente pedido de habilitação, o contribuinte tenha apresentado planilha de apuração de créditos de IPI do período de nov/1994 a mar/2006, serão considerados apenas os créditos relativos ao período de dez/1994 a dez/1998, sob pena de que referidos créditos de IPI sejam utilizados em duplicidade, ou seja, ressarcidos duas vezes: primeiro por intermédio dos processos administrativos de Pedidos de Ressarcimento cumulados com Pedidos de Compensação, apresentados tanto em formulários impressos, como em Fl. 219DF CARF MF Processo nº 16692.721047/201411 Acórdão n.º 3302004.935 S3C3T2 Fl. 4 5 DCOMPs eletrônicas, citados parágrafo anterior, e segundo por intermédio da transmissão das presentes DCOMPs eletrônicas vinculadas à Ação Judicial nº 1999.34.00.0342906 aqui em epígrafe. Constatase ainda que, em 11/07/2006, com base na decisão judicial parcialmente favorável na citada Ação Ordinária nº 1999.34.00.0342906, por intermédio do Processo Administrativo nº 11610.005375/200606, em nome da matriz CNPJ nº 35.402.759/000185, o contribuinte protocolou Pedido de Ressarcimento de IPI, apresentando planilha de apuração referente apenas ao período de DEZ/1994 a DEZ/1998, o qual foi indeferido em 25/09/2007, em virtude de ausência de Pedido de Habilitação de Crédito reconhecido por Ação Judicial transitada em julgado, como também, a manifestação de inconformidade apresentada perante à DRJ/RPOSP, foi considerada improcedente. Voltando aos processos aqui em questão, em 27/06/2006, utilizando o CNPJ nº 35.402.759/000690 – (PE), o requerente protocolou Pedido de Ressarcimento dos alegados créditos de IPI, referentes aos períodos de DEZ/1994 a DEZ/1998, decorrentes da mesma Ação Ordinária nº 1999.34.00.0342906, formalizado no Processo Administrativo nº 11971.000363/2006 88; (atualmente aqui em apenso ao presente processo). À fl 01 do processo nº 11971.000363/200688, o contribuinte informa que os créditos são específicos do estabelecimento filial CNPJ nº 35.402.759/000690, localizado em Jaboatão dos Guararapes, Estado de Pernambuco. E, por se tratar de supostos créditos oriundos de estabelecimento filial, o processo nº 11971.000363/200688 foi encaminhado à DRF/RCE/PE, onde o DelegadoAdjunto da DRF/RECIFE/PE, proferiu despacho decisório às fls. 376 do processo, o qual estabelecendo que em relação aos créditos de IPI reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado referentes aos meses de dezembro/1994 a dezembro/1998, conforme requerido pelo contribuinte, considerou “não formulado o pedido de ressarcimento e não declaradas as compensações vinculadas ao processo” também em razão da ausência de prévia habilitação do crédito judicial transitado em julgado deferido pelo titular da DRFRecife e falta de transmissão da DCOMP por meio do programa PGD PER/DCOMP. O contribuinte tomou ciência desta decisão em 27/04/2010. Contudo, mesmo antes da ciência do despacho acima mencionado, utilizando o CNPJ da matriz nº 35.402.759/0001 85, em 07/11/2008, por intermédio do Processo Administrativo nº 19647.019419/200823, o interessado protocolou Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado, perante a DRF/Recife/PE., o qual encontrase atualmente localizado naquela DRFRCEPE. Abrimos aqui um parêntese para informar que, em 13/07/2006, o interessado apresentou em formulário impresso Declaração de Fl. 220DF CARF MF 6 Compensação dos alegados créditos de IPI, cujo procedimento gerou o Processo Administrativo nº 11610.005504/200658; todavia, em 22/11/2006, mediante requerimento dirigido à DERAT/SP, o contribuinte solicitou o cancelamento da Declaração de Compensação constante do Processo Administrativo nº 11610.005504/200658; (fl. 62 do mesmo). O processo de representação nº 16062.000261/200809 (aqui em apenso), foi formalizado para possibilitar o controle e a cobrança dos créditos tributários relativos à COFINS – código 5856 e ao PIS – código 6912, referentes aos períodos de apuração de 06/2006 a 08/2006 e 11 e 12/2006, cujos valores foram declarados nas DCTF’s apresentadas pela contribuinte como suspensos em decorrência de decisão favorável desta Ação Judicial nº 1999.34.00.0342906. A Informação Fiscal datada de 28/11/2008, proferida naquele processo, (fl. 72 do mesmo), indicou o encaminhamento dos créditos tributários constantes daquele processo à cobrança, em virtude da ausência do Pedido de Habilitação de Crédito e da DCOMP eletrônica. Cumpre ressaltar que esses débitos, relativos à COFINS – código 5856 e ao PIS – código 6912, referentes aos períodos de apuração de 06/2006 a 08/2006 e 11 e 12/2006, (transferidos do processo nº 11971.000363/200688 para cobrança no processo de representação nº 16062.000261/200809 – extratos fls. 35/37) são os mesmos declarados como compensados nas DCOMP’s eletrônicas acima relacionadas na Tabela 01 e, portanto, também controlados no presente processo nº 16692.721047/201411. Por fim, abrimos outro parêntese para informar a respeito do processo nº 10880.721510/201251, o qual foi formalizado para controlar o débito, relativo à COFINS – código 5856, referente ao período de apuração de 02/2007, no valor de R$ 376.716,49, declarado na DCTF apresentada pelo contribuinte em 12/11/2009 como suspenso em decorrência de decisão favorável desta Ação Judicial nº 1999.34.00.0342906 (cópia da DCTF COFINS fev/2007 a fl. 38). Observese que o débito relativo à COFINS – código 5856, referente ao período de apuração de 02/2007 foi declarado pelo valor total de R$ 1.148.287,01, sendo o valor de R$ 376.716,49 declarado na DCTF com suspenso e o valor de R$ 771.570,52, declarado como compensado na DCTF e na DCOMP nº 15040.44950.121109.1.3.517210 (acrescido de juros). Esse débito no valor de R$ 376.716,49 será encaminhado para cobrança, em virtude de ausência de DCOMP”. Transcrição da fundamentação do Despacho Decisório: “De início, verificase que o contribuinte transmitiu as DCOMPs em nome do CNPJ da matriz nº 35.402.759/000185, bem como, informa apenas a matriz como detentora dos créditos provenientes de Ressarcimento de IPI em ambas as DCOMPs. Todavia, nas planilhas de apuração dos créditos constante dos autos estão relacionados além de créditos da matriz, créditos das filiais 0006 (PE) e 0015 (RJ). Fl. 221DF CARF MF Processo nº 16692.721047/201411 Acórdão n.º 3302004.935 S3C3T2 Fl. 5 7 Ocorre que, as filiais da(s) autora(s) da medida judicial não figuram no pólo ativo da ação e, portanto, não estão abrangidas pela tutela judicial, uma vez que, para efeito do IPI, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento da pessoa jurídica, conforme disposto no parágrafo único do art. 51 do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual não serão considerados os alegados créditos de IPI apurados pelas filias, informados no Pedido de Habilitação de Crédito nºs 11610.015403/200857 (apenso). O mesmo se aplica ao processo de Pedido de Habilitação de Crédito nº 19647.019419/200823 (localizado na DRF/RCEPE), uma vez que, não tendo a filial feito parte do processo judicial, não pode ser parte legítima para pleitear a compensação de créditos. Outrossim, observese que não consta do pleito da(s) autora(s) o pedido de autorização para transferência do crédito de filiais para a matriz, configurando, dessa forma, a transferência de créditos de IPI sem previsão legal, haja vista a ausência de tutela judicial, como também, não foram apresentados quaisquer Registros de Apuração do IPI ou escrituração contábil dos procedimentos adotados. Demais disso, é incabível a aplicação da taxa Selic aos créditos oriundos de ressarcimento de IPI, uma vez que ao ressarcimento não se aplica o mesmo tratamento próprio da restituição ou compensação. A taxa Selic é aplicável somente na repetição de indébito de pagamentos indevidos ou a maior, inconfundíveis com a hipótese de ressarcimento. Portanto, cumpre ressaltar de pronto, que o valor dos alegados créditos de IPI informados pelo contribuinte em sua planilha encontramse incorretos, uma vez que não há previsão legal para a aplicação de taxa Selic na atualização dos créditos oriundos de Ressarcimento de IPI, razão pela qual, serão considerados apenas os valores dos créditos originais da matriz, constantes nos montantes apurados mensalmente e relacionados na Tabela 03 – Apuração dos Créditos de IPI – período dez/1994 até dez/1998, abaixo. Por outro lado, de acordo com as informações prestadas acima acerca da Ação Ordinária nº 1999.34.00.0342906, ajuizada pela matriz, verificase que a tutela judicial autorizou o aproveitamento do crédito de IPI apenas do período a partir de 5 anos anteriores à propositura da ação, ajuizada em 11/11/1999, devendo ser computado somente o período de dez/1994 até dez/1998, de acordo com o pleito das autoras, aplicandose de forma retroativa o disposto contido no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999: "Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à Fl. 222DF CARF MF 8 alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda." O art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 04 de março de 1999, têm a seguinte redação: Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Dessa forma, conforme relatado acima, ainda que, no presente pedido de habilitação, o contribuinte tenha apresentado planilha de apuração de créditos de IPI ampliando agora o período de apuração dos créditos desde 01/11/1994 até 31/03/2006, serão considerados apenas os créditos relativos ao período de dez/1994 até dez/1998, sob pena de que referido crédito de IPI seja utilizado em duplicidade, ou seja, ressarcidos duas vezes: primeiro por intermédio dos diversos processos administrativos de Pedidos de Ressarcimento cumulados com Pedidos de Compensação, apresentados tanto em formulários impressos, como em DCOMPs eletrônicas, referentes a créditos de IPI apurados a partir de 01/01/1999 e segundo mediante o montante pretendido na planilha de apuração de créditos de IPI no período de nov/1994 a mar/2006 apresenta no Pedido de Habilitação de Créditos apenso e transmissão das presentes DCOMPs eletrônicas vinculadas à Ação Judicial nº 1999.34.00.0342906 aqui em epígrafe. Registrese que, os créditos de IPI apurados a partir do ano de 1999, não estão abrangidos na tutela judicial, uma vez que se encontram respaldados no art. 11 da Lei nº 9.779/99 em vigor a partir de 1º/01/1999, como também, não foram apresentados pelo contribuinte os lançamentos fiscais (demonstrativos) de apuração e dedução do aproveitamento do crédito de IPI a partir de 01/01/99. Sendo assim, apuramos o crédito do IPI, considerando as planilhas da matriz juntada às fls. 500/558 e 593/653, transcritos na Tabela 03 – Apuração dos Créditos de IPI – período dez/1994 até dez/1998, a seguir, (notese que as planilhas e relações de notas fiscais constantes das fls. 500 a 558 encontramse duplicadas nas fls. 655 a 692. O mesmo ocorre com as fls. 593/653 e fls. 1482 a 1538)”. Planilha de apuração de créditos (dez/1994 a dez/1998), às fls. 48 e 49. Total dos créditos apurados: R$ 1.468.924,67. As compensações declaradas foram homologadas até o limite desse valor. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 16692.721047/201411 Acórdão n.º 3302004.935 S3C3T2 Fl. 6 9 A pessoa jurídica tomou ciência em 15/09/2014 do ato decisório e de outras notificações atreladas, conforme o “termo de abertura de documento” à fl. 66. Em 14/10/2014, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 68/91), subscrita pelo respectivo representante legal (alteração de contrato social às fls. 93/109), em que sustenta que se trata de glosa de créditos tributários já homologados anteriormente por meio de “pedidos de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado”, pelos quais já havia sido verificada a correta apuração dos valores submetidos a habilitação, conforme o processo administrativo nº 11610.015403/200857; inclusive, em fiscalização anterior, realizada in loco, já havia sido constatada a correta apuração dos valores; o Despacho Decisório deve ser anulado porque não abriu prazo para a regularização de pendências porventura existentes (prazo de trinta dias, conforme o art. 51, § 3º, da IN nº 600/2005), mesmo depois da habilitação do crédito; a nulidade do Despacho Decisório também é caracterizada pela falta de assinatura do Delegado da Receita Federal (PAF, art. 25), conforme precedente do Conselho de Contribuintes; os créditos já haviam sido habilitados e homologados, mas a discussão administrativa foi retomada sem a oitiva da interessada, o que caracteriza cerceamento do direito de defesa; uma decisão judicial passada em julgado deve ser acatada pela autoridade administrativa, mas, tendo cumprido todos os requisitos, com a devida habilitação antes das compensações; a correção monetária é um consectário legal indissociável dos créditos de IPI (no caso, com a aplicação da taxa Selic), sob pena de enriquecimento ilícito da União, conforme jurisprudência; restringindo o alcance da autonomia dos estabelecimentos, o estabelecimento matriz pode centralizar a apuração dos créditos das filiais (IN SRF nº 210/02, art. 14, § 2º; IN SRF nº 600/05, art. 16, § 2º), não se tratando de transferência de créditos; a decisão judicial transitada em julgado exerce efeitos pretéritos e futuros, portanto, enquanto a empresa adquirir insumos com alíquota zero, isentos, não tributados ou com suspensão, há a geração de créditos, assegurada por ordem judicial e que não pode ser restringida pela autoridade fiscal. Por fim, espera que o Despacho Decisório seja anulado integralmente e que seja reconhecida a fruição do direito aos créditos já devidamente homologados por meio de pedidos de habilitação de créditos, e que a Administração Tributária providencie a intimação da interessada se houver a necessidade de regularização de documentação. A DRJ/Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, a ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/12/1994 a 31/12/1998 Fl. 224DF CARF MF 10 DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE NULIDADE. É facultado ao Delegado da Receita Federal do Brasil delegar competência para análise de pedido de ressarcimento ou compensação; portanto, inexiste nulidade por incompetência da autoridade subscritora do ato decisório. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Antes da prolação do ato decisório, mediante intimação circunstanciada, houve oportunidade, afinal desperdiçada, para a requerente apresentar a documentação solicitada e exercer plenamente o direito de defesa; não é, portanto, vislumbrada nulidade por cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADA. COISA JULGADA. CORRESPONDÊNCIA. Os créditos do imposto enfeixados por pedido de habilitação de crédito devem corresponder estritamente ao objeto do pedido de provimento jurisdicional e aos termos da coisa julgada. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA DE ESTABELECIMENTOS. No âmbito do IPI, cada estabelecimento de uma empresa, matriz e filiais, é autônomo no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias principal e acessória. CRÉDITOS BÁSICOS DE INSUMOS APLICADOS EM PRODUTOS DESONERADOS. ANULAÇÃO OBRIGATÓRIA DOS CRÉDITOS ATÉ 31/12/1998. Os créditos básicos do imposto relativos a aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, destinados à industrialização de produtos isentos, não tributados ou tributados à alíquota zero, deviam ser compulsoriamente estornados na escrita fiscal segundo a legislação tributária vigente até 31/12/1998. A contribuinte, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, no qual repisou os fundamentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 17 de julho de 2015, fls. 158, e o recurso foi protocolado em 05 de agosto de 2015, fls. 161. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 16692.721047/201411 Acórdão n.º 3302004.935 S3C3T2 Fl. 7 11 2. Preliminares 2.1. Nulidade do despacho decisório A Recorrente relata que foi intimada do despacho decisório, mesmo após ter tido seus créditos devidamente homologados em pedido de habilitação e, depois, ainda sofreu fiscalização em sua empresa, que atestou a veracidade dos créditos. Afirma que já havia esclarecido todas as questões, que ocorreram por ocasião do pedido de habilitação dos créditos, e que a fiscalização não poderia mais realizar qualquer tipo de questionamento. Entende que o despacho decisório não abriu prazo anterior para que a contribuinte regularizasse as informações e que não haveria informação pendente, já que o próprio processo, qual seja de habilitação de crédito, decorreu de decisão judicial transitada em julgado. Por fim, postula pela nulidade do despacho decisório em razão da afronta ao princípio da segurança jurídica, pela falta de intimação para esclarecimentos e pela falta de assinatura do delegado da Receita Federal. Primeiramente, cabe esclarecer que a Recorrente apresentou pedido de habilitação de crédito, decorrente de reconhecimento em decisão judicial transitada em julgado, e também pedidos de compensação em seara tão somente administrativa, pedidos que se referem ao mesmo período de apuração, configurando pedidos em duplicidade. Não há que se entender que o pedido de habilitação já se apresenta como uma homologação por parte da Secretaria da Receita Federal, mas ele é um procedimento prévio relacionado a crédito reconhecido judicialmente, pois há que se liquidar a decisão que reconheceu o direito ao crédito e, portanto, cabe à autoridade fiscal fazer o referido encontro de contas, tornando o crédito líquido e certo. Ademais, quanto à alegação de fiscalização e que não poderia haver qualquer tipo de procedimento fiscalizatório, tal argumentação também não procede, tendo em vista que, conforme demonstrado anteriormente, cabe à autoridade fiscal liquidar o crédito, reconhecido em juízo, algo que não foi realizado pelo Poder Judiciário, que tão somente reconheceu o direito existente, mas não o liquidou diante da contabilidade. Outro fato importante é o trazido pelo despacho decisório, fls. 44 e seguintes: Por outro lado, paralelamente ao trâmite da Ação Judicial, antes e depois do trânsito em julgado, em nome da matriz (0001), como também pela filial 0006 e com fundamento na Lei nº 9.779/99, o contribuinte apresentou administrativamente dezenas de Pedidos de Ressarcimento de IPI, referentes a períodos de apuração dos créditos de IPI a partir do ano de 1999, cumulados com Pedidos de Compensação, bem como, Declarações de Compensação eletrônicas referentes a créditos de Ressarcimento de IPI da matriz e filial 0006, relativas aos anos de 1999 a 2006, sendo alguns deles já deferidos e homologadas as compensações, e outros indeferidos em última instância administrativa. Importante ressaltar que esses Pedidos de Ressarcimento de IPI apresentados a partir de 1999 encontram se respaldados na prerrogativa contida no art. 11 da Lei nº 9.779/99 em vigor a partir de 1º:01:1999 e, portanto, não estão abrangidos na tutela judicial que determinou a apuração do crédito de IPI apenas do período a partir de 5 anos anteriores à Fl. 226DF CARF MF 12 propositura da ação, ajuizada em 11/11/1999, devendo ser computado somente o período de dez/1994 a dez/1998, de acordo com o pleito das autoras na referida medida judicial. Portanto, ainda que, no presente pedido de habilitação, o contribuinte tenha apresentado planilha de apuração de créditos de IPI do período de nov/1994 a mar/2006, serão considerados apenas os créditos relativos ao período de dez/1994 a dez/1998, sob pena de que referidos créditos de IPI sejam utilizados em duplicidade, ou seja, ressarcidos duas vezes: primeiro por intermédio dos processos administrativos de Pedidos de Ressarcimento cumulados com Pedidos de Compensação, apresentados tanto em formulários impressos, como em DCOMPs eletrônicas, citados parágrafo anterior, e segundo por intermédio da transmissão das presentes DCOMPs eletrônicas vinculadas à Ação Judicial nº 1999.34.00.0342906 aqui em epígrafe. Além do dever funcional de liquidar e executar a decisão, percebese que houve o pedido em duplicidade de créditos por parte da Recorrente, relativos ao mesmo período, sendo que o princípio da segurança jurídica foi observado, quando a autoridade fiscal se certifica a respeito do direito reconhecido judicialmente. Quanto à apresentação da documentação, não se vislumbra qualquer cerceamento ao direito de defesa, pois quando da prolação do despacho decisório, abrese prazo para manifestação de inconformidade, período o qual a contribuinte possui para fazer prova do seu direito2. Por fim, quanto à falta de assinatura do delegado da Receita Federal, assim, fundamentou o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 151: O Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) proferiu o Despacho Decisório no uso da competência conferida pelo Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 2012, arts. 226, VII, 241, I e 305, III, e da competência delegada pela Portaria DERATSP nº 212, de 2014. Se não houvesse a possibilidade de delegação de competência seria extremamente difícil a administração tributária encetada no âmbito dos órgãos preparadores. Faltou atenção à requerente na leitura do ato decisório fustigado. Por tal motivação, considerase afastada a preliminar de nulidade do despacho decisório. 2.2. Cerceamento do direito de defesa 2 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 16692.721047/201411 Acórdão n.º 3302004.935 S3C3T2 Fl. 8 13 A Recorrente, novamente, questiona a respeito do procedimento do pedido de habilitação, defendendo que não cabe mais à Receita Federal avaliar créditos, que foram devidamente homologados. Ela afirma que o contribuinte não foi intimado durante o processo de habilitação de crédito e diz que houve afronta ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Cabe repisar que o pedido de homologação de crédito é apenas uma etapa preparatória para verificar a liquidez e certeza do crédito, reconhecido em seara judicial, de modo ilíquido. Quanto à afirmação de que ela não foi intimada durante o processo de habilitação do crédito, vale colacionar o que o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto relatou na fundamentação, fls. 151: Em 18/06/2014 foi assinado digitalmente o termo de intimação fiscal (fls. 24 e 25) pelo qual foi solicitada, para apresentação no prazo de 15 (quinze) dias (com prorrogação por mais quinze dias), documentação de interesse quanto aos créditos em questão (cópias de partes relevantes do Livro Registro de Apuração do IPI com os lançamentos de créditos de IPI e os estornos dos valores constantes dos pedidos de habilitação; demonstrativo com individualização, por matriz e filiais, do crédito de ressarcimento de IPI vinculado à ação ordinária nº 1999.34.00.0342906; etc.). Na resposta (fls. 32/34), protocolada em 24/07/2014, a interessada se limitou a afirmar que os créditos pleiteados e reconhecidos judicialmente não são objeto de execução judicial e a apresentar um demonstrativo com os totais dos créditos utilizados por PER/DCOMP. Houve a intimação regular da interessada, tendo sido deveras incipiente a respectiva resposta. E que, por sua vez, reflete um dos pedidos de habilitação, processo administrativo nº 11610.015403/200857, fls. 20 e seguintes, que demonstra a comunicação entre fisco e contribuinte. Portanto, não se vislumbra qualquer afronta ao contraditório e ampla defesa em face da Recorrente, rejeitando a preliminar suscitada. 3. Do mérito 3.1. Dever da Administração Pública em cumprir ordem judicial A Recorrente relata a ação ordinária ajuizada para reconhecimento do direito ao crédito e descreve o procedimento de habilitação de crédito como prérequisito em caso de compensação de crédito, reconhecido em processo judicial. Ela afirma que cumpriu todos os trâmites do processo administrativo e que não poderia outro órgão da Receita Federal rever os procedimentos já adotados, afirmando que seu direito foi reconhecido em seara judicial. Não assiste razão a Recorrente. Conforme relatado em tópicos anteriores, a Secretaria da Receita Federal simplesmente cumpriu o seu dever funcional ao analisar a liquidez e certeza dos créditos, reconhecidos judicialmente. Ademais, conforme também Fl. 228DF CARF MF 14 exposto, a Recorrente pediu em duplicidade créditos relativos ao mesmo período, sendo que pediu de forma administrativa e em processo de habilitação. Por tal fundamentação, não há qualquer falta de dever por parte da Secretaria da Receita Federal em cumprir ordem judicial; liquidar a decisão judicial é justamente cumprir a ordem judicial, tornandoa de efeitos concretos. 3.2. Direito à correção monetária A Recorrente pleiteia pelo direito à correção monetária, afirmando que não se trata de acréscimo e pleiteia pela incidência da Taxa Selic. Sem razão a Recorrente, vide precedente abaixo do Superior Tribunal de Justiça, em sistema de recurso repetitivo, que não concede correção monetária em créditos escriturais: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 16692.721047/201411 Acórdão n.º 3302004.935 S3C3T2 Fl. 9 15 (REsp 1.035.847/RS; Relator: Luiz Fux; Data: 24.06.2009) (grifos não constam no original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, de acordo com o entendimento do REsp 1.035.847/RS, julgado sob o regime de repetitivo, não há correção monetária em créditos de IPI créditos escriturais e, por conseguinte, fica prejudicada a Taxa Selic, que seria o fator de correção. 3.3. Autonomia dos estabelecimentos A Recorrente explica como ocorre a tributação do Imposto sobre Produtos Industrializados e pleiteia pela utilização de créditos do estabelecimento matriz e filial, cujo ressarcimento foi, na forma da legislação de regência, requerido pela matriz. Cita legislação de regência que permite a transferência de créditos de um estabelecimento para outro da mesma pessoa jurídica O crédito pleiteado é fundamentado na seguinte legislação: Lei nº 9.779, de 1999 Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de Fl. 230DF CARF MF 16 conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. O artigo, ora colacionado, não permite incondicionalmente a transferência de crédito entre distintos estabelecimentos, mas somente o direito a aproveitar o saldo credor de IPI para compensação, nos termos dos artigos 73 e 74, ambos da Lei nº 9.430, de 1996 e demais normas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ademais, conforme expôs o despacho decisório, fls. 47 e seguintes: De início, verificase que o contribuinte transmitiu as DCOMPs em nome do CNPJ da matriz nº 35.402.759/000185, bem como, informa apenas a matriz como detentora dos créditos provenientes de Ressarcimento de IPI em ambas as DCOMPs. Todavia, nas planilhas de apuração dos créditos constante dos autos estão relacionados além de créditos da matriz, créditos das filiais 0006 (PE) e 0015 (RJ). Ocorre que, as filiais da(s) autora(s) da medida judicial não figuram no pólo ativo da ação e, portanto, não estão abrangidas pela tutela judicial, uma vez que, para efeito do IPI, considerase contribuinte autônomo qualquer estabelecimento da pessoa jurídica, conforme disposto no parágrafo único do art. 51 do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual não serão considerados os alegados créditos de IPI apurados pelas filias, informados no Pedido de Habilitação de Crédito nºs 11610.015403/200857 (apenso). (...) Outrossim, observese que não consta do pleito da(s) autora(s) o pedido de autorização para transferência do crédito de filiais para a matriz, configurando, dessa forma, a transferência de créditos de IPI sem previsão legal, haja vista a ausência de tutela judicial, como também, não foram apresentados quaisquer Registros de Apuração do IPI ou escrituração contábil dos procedimentos adotados. Não há como a autoridade fiscal estender os efeitos de uma decisão judicial, que simplesmente reconheceu o crédito para a matriz e que não houve a participação das filiais na lide. Tal extensão de direito implicaria em descumprir ordem judicial e não houve pleito por parte da Recorrente em estender o reconhecimento do direito ao crédito para as filiais, nesse sentido, mantémse a decisão da DRJ/Ribeirão Preto. 3.4. Período de reconhecimento dos créditos A Recorrente argumenta que o despacho decisório, mantido pelo acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, tenta restringir o comando sentencial para apenas reconhecer os créditos de dezembro de 1994 até dezembro 1998 e afirma que uma decisão judicial tem efeitos pretéritos e futuros. Além disso, com fundamento nesta posição, diz que não há apuração dos créditos em duplicidade. A duplicidade foi constatada, pois houve, simultaneamente, pedido judicial e administrativo em relação a períodos iguais, fls. 44: Fl. 231DF CARF MF Processo nº 16692.721047/201411 Acórdão n.º 3302004.935 S3C3T2 Fl. 10 17 Por outro lado, paralelamente ao trâmite da Ação Judicial, antes e depois do trânsito em julgado, em nome da matriz (0001), como também pela filial 0006 e com fundamento na Lei nº 9.779/99, o contribuinte apresentou administrativamente dezenas de Pedidos de Ressarcimento de IPI, referentes a períodos de apuração dos créditos de IPI a partir do ano de 1999, cumulados com Pedidos de Compensação, bem como, Declarações de Compensação eletrônicas referentes a créditos de Ressarcimento de IPI da matriz e filial 0006, relativas aos anos de 1999 a 2006, sendo alguns deles já deferidos e homologadas as compensações, e outros indeferidos em última instância administrativa. Importante ressaltar que esses Pedidos de Ressarcimento de IPI apresentados a partir de 1999 encontramse respaldados na prerrogativa contida no art. 11 da Lei nº 9.779/99 em vigor a partir de 1º:01:1999 e, portanto, não estão abrangidos na tutela judicial que determinou a apuração do crédito de IPI apenas do período a partir de 5 anos anteriores à propositura da ação, ajuizada em 11/11/1999, devendo ser computado somente o período de dez/1994 a dez/1998, de acordo com o pleito das autoras na referida medida judicial. Portanto, ainda que, no presente pedido de habilitação, o contribuinte tenha apresentado planilha de apuração de créditos de IPI do período de nov/1994 a mar/2006, serão considerados apenas os créditos relativos ao período de dez/1994 a dez/1998, sob pena de que referidos créditos de IPI sejam utilizados em duplicidade, ou seja, ressarcidos duas vezes: primeiro por intermédio dos processos administrativos de Pedidos de Ressarcimento cumulados com Pedidos de Compensação, apresentados tanto em formulários impressos, como em DCOMPs eletrônicas, citados parágrafo anterior, e segundo por intermédio da transmissão das presentes DCOMPs eletrônicas vinculadas à Ação Judicial nº 1999.34.00.0342906 aqui em epígrafe. (grifos não constam no original) Conforme demonstrado, o presente processo administrativo circunscreveuse aos limites da coisa julgada em total obediência ao preceito judicial exarado, logo, o pedido de habilitação de crédito, que originou o presente processo, deveria ter se referido tão somente ao período reconhecido em sentença judicial, uma vez que, a partir de 1999, a Recorrente apresentou dezenas de pedidos de ressarcimento de IPI, cumulados com pedidos de compensação, sendo que alguns já foram, inclusive, homologados. Por tal motivação, mantém se a decisão da DRJ/Ribeirão Preto. 4. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer o presente recurso, rejeitando as preliminares suscitadas e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 232DF CARF MF 18 Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.900570/2006-60
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE.
RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação dos créditos declarados em declaração de compensação está
submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o
atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação dos créditos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 05 70 /2 00 6- 60 Fl. 47DF CARF MF 2 Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 3ª Turma da DRJ/Campinas (efl. 22 e ss): Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: A não homologação acima mencionada foi justificada em função da indisponibilidade de crédito para compensação, uma vez que o saldo de crédito informado na PER/DCOMP enviada era de apenas R$ 936,75. De fato, constatase que a PER/DCOMP enviada pela contribuinte contém erros de preenchimento, uma vez que o crédito informado não corresponde ao pagamento indevido ou à maior, qual seja, DARF no valor de R$ 1.306,66 (...) referente à PIS faturamento sobre o lucro real (Código 6912), com Período de Apuração do mês de abril de 2003, efetivamente recolhido em 15 de maio de ano de 2003. Notese que a guia DARF acima mencionada foi recolhida indevidamente, sendo, portanto, passível de compensação com outros débitos eventualmente devidos por esta contribuinte. Em que pese a efetivamente identificação do equívoco cometido, ao tentar retificar a Declaração de Compensação 16931.05373.151003.1.3.046886, esta peticionaria foi informada pelo programa gerador que tal procedimento não é admitido, devendo ser formalizado na competente Manifestação de Inconformidade. Com efeito, protesta a contribuinte pelo reconhecimento do crédito decorrente do pagamento efetivado indevidamente (DARF anexo), com a retificação da declaração da compensação formalizada pelo contribuinte, e, conseqüentemente, com a homologação da mesma. A DRF de Curitiba produziu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2003 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10875.900570/200660 Acórdão n.º 3001000.187 S3C0T1 Fl. 3 3 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RETIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A retificação dos créditos declarados em declaração de compensação está submetida a procedimentos e parâmetros específicos, sendo incabível o atendimento de tal pleito em sede de manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em Recurso Voluntário (efl. 33 e ss) a Recorrente, em suma, repete os argumentos utilizados na manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 1.015,34, (efl. 3), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. No caso em tela, a Requerente solicita retificação da declaração de compensação, sua homologação e reconhecimento de créditos a que diz ter direito. Como já informou a decisão a quo, o contencioso administrativo fiscal não é o local apropriado para a solicitação de retificação de declaração de compensação. Outros são os instrumentos a que o contribuinte pode recorrer a fim de ter sua declaração retificada. O Recurso Voluntário certamente não é. Fl. 49DF CARF MF 4 Assim, pelo exposto, voto pro NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12719.720377/2015-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Paulo G. Déroulède, Maria do Socorro F. Aguiar e Jorge L. Abud. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Relator e Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Paulo G. Déroulède, Maria do Socorro F. Aguiar e Jorge L. Abud. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Relator e Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencidos os Conselheiros Paulo G. Déroulède, Maria do Socorro F. Aguiar e Jorge L. Abud. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator e Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente de Auto de Infração por desacato à autoridade aduaneira, com fundamento no art. 728, III, "a" do decreto nº 6.759/2009. Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: "Na descrição dos fatos do Auto de Infração consta que o desacato ocorreu no Aeroporto Internacional Hercílio Luz (FlorianópolisSC), por ocasião da inspeção aduaneira dos bens trazidos pelos passageiros e tripulantes de voo privado proveniente do Uruguai (Punta del Este), RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 27 19 .7 20 37 7/ 20 15 -6 6 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 12719.720377/201566 Resolução nº 3302000.677 S3C3T2 Fl. 217 2 no qual vinham como passageiros o Sr. Mário Branco Peres, a esposa dele, Sra. Maria Lúcia Brunaldi Branco Peres, a filha do casal, Sra. Janaína Branco Peres Domingos, e a filha desta última, de quatro anos de idade; e como tripulantes os Srs. José Carlos Petean e Sr. Bruno Costa Matheus Peixoto; De acordo com o relatado, houve um incidente na referida inspeção, realizada com base nas disposições contidas na Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.059/2010. A bagagem dos tripulantes e parte da bagagem dos passageiros não foram apresentadas à fiscalização quando solicitado, sendo que esta última foi localizada oculta, no interior da aeronave, quando da vistoria ali realizada. A autoridade lançadora relatou que, questionados sobre o porquê de não terem apresentado suas bagagens, os tripulantes responderam que o proprietário da aeronave, Sr. Mário Branco Peres, os teria instruído a não o fazerem, sob a alegação de que não queria perder muito tempo com formalidades em Florianópolis, e que justificativa semelhante foi apresentada pelo Sr. Renato Camargo dos Santos, representante da empresa responsável pelo agenciamento e assessoria a voos privados no aeroporto e que também acompanhou a vistoria, ao ser perguntado sobre o motivo de os volumes encontrados na parte traseira do avião não terem sido apresentados à fiscalização quando solicitado. Informou a referida autoridade que, ato contínuo, foi solicitado ao Sr. Renato que retirasse as bagagens e as levasse ao Terminal de Desembarque, para serem abertas e conferidas na presença de seus proprietários. Prossegue o auditorfiscal relatando que, ao retornar ao Terminal de Desembarque, constatou que os passageiros continuavam na lanchonete do Aeroporto. Como já passava das 13:00 h, e havia compromissos préagendados no Terminal de Carga, optou por resolver logo esses compromissos. Ele informou que, por volta das 13:25 h, recebeu ligação do Sr. Renato perguntando se iria demorar a retornar ao Terminal de Passageiros, tendo ele respondido que tão logo terminasse suas atividades ali voltaria para finalizar a conferência dos bens, e que: Nesse momento, a ligação passou abruptamente ao Sr. Mário Branco Peres, que disse que eu o estava atrasando sem motivo e que eu deveria imediatamente liberálo, pois ele estava com a família e tinha compromissos. Argumentei que eu era somente um para desempenhar todas as atividades pertinentes à Receita Federal no aeroporto, e que se todos os volumes de bagagem tivessem sido retirados da aeronave para inspeção, conforme o exigido, o voo provavelmente já estaria liberado para seguir viagem. Ele então perguntoume quem eu pensava que era para reter sua bagagem, ao que o lembrei de que eu, na qualidade de autoridade aduaneira, estava investido do poder e do dever de proceder ao controle da bagagem de viajantes, executando, se fosse o caso, a retenção ou mesmo a apreensão de mercadorias. Nesse ponto o Sr. Mário passou a questionar, de forma desrespeitosa e até mesmo chula, minha autoridade. Optei então por encerrar a conversa, retrucando que quanto mais tempo ele me atrasasse, mais eu demoraria para terminar meu trabalho no Terminal de Carga e retornar ao Terminal de Passageiros. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 12719.720377/201566 Resolução nº 3302000.677 S3C3T2 Fl. 218 3 Por volta das 13h40 retornei ao Terminal de Passageiros, a fim de concluir a conferência das bagagens. Antes, porém, tendo em vista a maneira e o tom desrespeitoso com que fora tratado ao telefone pelo Sr. Mário, decidi solicitar o apoio de um agente da Polícia Federal, Sr. Fernando Vicente de Azevedo [...] para testemunhar e garantir maior segurança ao desempenho das atividades. Segundo a autoridade lançadora, a inspeção da referida bagagem foi realizada na presença, também, do agente administrativo Domingos Manoel Vellozo, do interveniente aduaneiro Renato Camargo dos Santos e de todos os tripulantes e passageiros da referida aeronave, tendo sido previamente alertado que: [...] uma vez tendo sido constatada a ocultação de tais volumes no interior da aeronave, não sendo atendida a exigência da Receita Federal de retirálos do veículo, qualquer mercadoria encontrada passível de tributação, por sua natureza, quantidade ou valor, seria objeto de retenção para fins de aplicação da pena de perdimento, por terse configurado a infração de dano ao erário. De acordo com o relato fiscal, a verificação da bagagem transcorreu de forma anormalmente tensa e constrangedora, em virtude do comportamento inadequado e desrespeitoso tanto do Sr. Mário quanto de sua esposa durante toda a vistoria, visivelmente incomodados com um procedimento regular de fiscalização, previsto e amparado pela legislação aduaneira, ao qual todos os viajantes provenientes do exterior estão sujeitos e devem submeterse. Tal comportamento configurouse, por vezes, no desacato à autoridade da qual me encontrava investido, uma vez que, particularmente o Sr. Mário Branco Peres, por repetidas vezes, desqualificou com singular ironia e sarcasmo, minha autoridade e atribuições como agente público, procurando visivelmente submeterme a constrangimento. Reiterados comentários de que eu desconhecia os atos que praticava, os quais decorreriam de vingança (!!!), de que, na condição de servidor público, eu estava ali para servilo (!!!), além da corriqueira afirmação de menosprezo de que ele pagava meu salário, e ainda insinuações de motivações políticas para meus atos, como a de eu que era representante do “Brasil do Lula e da Dilma”, que penalizava aqueles que trabalham pelo país. [...]A todo e qualquer comentário desrespeitoso e intimidatório respondi de forma a resguardar minha autoridade, mas sempre com urbanidade e de forma respeitosa [...] Advertio, enfim de que seu comportamento configurava, aos olhos de todos os presentes, flagrante desacato à autoridade aduaneira, nos termos do previsto no art. 728, inciso IIIa, do Decreto n.º 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, sujeita a multa e, se reiterado, ao uso da força policial, tendo em vista sua previsão no Código Penal. Em certo momento, houve a necessidade de intervenção do agente da Polícia Federal, que alertou o Sr. Mário a manterse dentro dos limites da civilidade, não só em respeito aos agentes públicos, mas à sua própria família, pois seu comportamento estarseia realmente configurando como desacato à autoridade, encaminhando a situação para um desfecho não desejado por nenhum dos presentes. De minha parte, mesmo constrangido e sentindo afrontada minha autoridade, optei por não dar voz de prisão ao Sr. Mário pelo desacato à autoridade Fl. 218DF CARF MF Processo nº 12719.720377/201566 Resolução nº 3302000.677 S3C3T2 Fl. 219 4 aduaneira, tipificado como crime conforme o previsto no art. 331 do DecretoLei n.º 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal Brasileiro), punível com a penalidade de detenção de seis meses a um ano, para não agravar a situação num momento já conturbado e principalmente em respeito à filha e à neta do casal, também visivelmente constrangidas e abaladas com os acontecimentos, notadamente a criança. Consta na descrição dos fatos que foram encontradas algumas unidades de cremes de beleza e outros itens de perfumaria e cosmética, todos novos, tendo a Sra. Maria Lúcia se identificado como proprietária desses bens, e informado têlos comprado na loja franca do aeroporto de saída do Uruguai. A autoridade lançadora informou que: Solicitei a nota fiscal referente à compra dos bens e o Sr. Mário respondeu que não havia nota. À minha observação de que então eu teria de valorar tais bens, pesquisando seu preço, a Sra. Maria Lúcia apresentou a nota fiscal solicitada. Analiseia, comparandoa com as mercadorias encontradas e deixeia sobre o balcão, ocasião em que a Sra. Maria Lúcia a pegou e rasgou, e em seguida o Sr. Mário amassou as duas metades do documento. Alerteios de que sua atitude conduziria à necessidade do uso da força policial, intimandoo a devolver a nota fiscal, o que ele fez visivelmente contrariado. A nota fiscal foi reconstituída, colandose as partes rasgadas, e então observouse que as mercadorias adquiridas na loja franca do aeroporto de saída em Punta del Este que se encontravam no volume oculto no interior da aeronave perfaziam um total de US$ 2.108 (dois mil cento e oito dólares americanos). Na sequência o auditorfiscal responsável pela vistoria informou que as mencionadas mercadorias foram apreendidas, por não terem sido apresentadas à fiscalização quando solicitado, permanecendo ocultas no interior do veículo transportador, e lavrado auto de infração propondo a aplicação da pena de perdimento delas (processo 12719.720376/201511). Em seguida a autoridade atuante transcreveu a definição de desacato constante no Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e concluiu: Assim, ante o exposto, lavrase o presente auto, com a proposição de aplicação da multa prevista no art. 728, inciso IIIa, do Decreto n.º 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, por terse claramente configurada a conduta tipificada como desacato à autoridade aduaneira, praticada pelo Sr. Mário Branco Peres, na presença de testemunhas idôneas e identificadas no presente relato dos fatos. A correspondente Representação Fiscal para Fins Penais, destinada ao Ministério Público Federal, uma vez configurado o crime previsto no art. 331 do Código Penal, será lavrado na mesma data. " Em impugnação, a recorrente alegou: I. A Insubsistência da autuação por erro na fundamentação legal; II. Incompatibilidade da tipificação do crime de desacato com o sistema democrático; Fl. 219DF CARF MF Processo nº 12719.720377/201566 Resolução nº 3302000.677 S3C3T2 Fl. 220 5 III. Ausência de motivo para a retenção das mercadorias procedida; IV. Nulidade da autuação devido a vício na motivação; V. Inocorrência do desacato; Ao final requereu, preliminarmente, a nulidade do lançamento e, no mérito, sua insubsistência. Foi elaborada por parte do recorrente representação para a Corregedoria da RFB, formalizada no processo nº 18186.726693/201593. A Sétima Turma da DRJ em Fortaleza proferiu o Acórdão nº 0835.478, julgando a impugnação improcedente, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 22/06/2015 DESRESPEITO À HONRA FUNCIONAL DE SERVIDOR PÚBLICO. DESACATO. MULTA. A sequência de atos e palavras que demonstrem claramente a intenção de desrespeitar, menosprezar, humilhar servidor público no exercício de suas atribuições legais configura a infração administrativa de desacato, que é punível com multa específica. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: I. A nulidade da autuação por erro no enquadramento legal do artigo 43 da Lei nº 9.430/1996 e no artigo 728 do Decreto nº 7.759/2009, que teria sido revogado pelo Decreto nº 8.010/2013; II. No mérito, que não houve desacato, mas manifestação de crítica ou discordância, que o mero apelo compõe o princípio de liberdade de expressão, amparado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, que não houve dolo em macular a honra ou a imagem profissional do AuditorFiscal, que houve, no mais aceitável possível exaltação de ambas as partes, que o Audiotr teve uma postura ameaçadora e inescrupulosa e que houve abuso de autoridade por infringência ao Código de Conduta dos Agentes Públicos (Portaria RFB nº 773/2013), ao Estatuto do Servidor Público Federal Lei nº 8.112/1990 e ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Decreto nº 1171/1994. Ao final, reiterou o pedido de nulidade do Auto de Infração, a nulidade do Acórdão da DRJ e o cancelamento da multa imposta. Posteriormente, às efls. 186 em diante, requereu a juntada do Acórdão do Resp nº 1.640.084/SP, no qual a turma do STJ descriminalizou a conduta tipificada como crime de desacato por entender incompatível com o artigo 13 da Covenção Americana de Direitos Humanos, do qual o Brasil é signatário, bem como cópia da decisão liminar em favor do recorrente nos autos do Habeas Corpus Preventivo nº 500060981.2017.4.04.7200. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Vencedor Fl. 220DF CARF MF Processo nº 12719.720377/201566 Resolução nº 3302000.677 S3C3T2 Fl. 221 6 Conselheiro Walker Araujo, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: Tratase de Auto de Infração para cobrança de multa de R$.10.000,00, prevista no artigo 728, do Decreto nº 6.758/2009, em razão do desacato à autoridade aduaneira. Às fls. 0412 consta a descrição dos fatos e o enquadramento legal que ensejaram a aplicação da multa em comento. A Recorrente, por sua vez, nega a autoria do crime de desacato e, em síntese apartada, afirma que o fiscal agiu com abuso de autoridade ou excesso de poder. Há representação apresentada na Corregedoria da Secretaria da Receita Federal do Brasil em desfavor do auditor fiscal. Porém, no entendimento deste Redator, o conjunto probatório constante nos autos, ao contrário do que restou decidido pelo i. Relator, não permite concluir sobre a autoria e materialidade do crime. Isto porque, a comprovação do delito de desacato, depende não só do depoimento das partes envolvidas (acusação e defesa), mas do depoimento de outras pessoas que presenciaram os fatos e, de certa forma podem contribuir para solução do litígio. Neste ponto, registrese que diversas pessoas presenciaram os fatos que deram ensejo à acusação do delito de desacato (vide descrição dos fatos fls.0412) e, que segundo a Recorrente, tais pessoas já prestaram depoimento no Inquérito Policial (número não informado nos autos) instaurado para apuração do referido crime. Assim, é necessário que a autoridade fiscal intime o Recorrente e/ou o Ministério Público Federal para que traga aos autos, cópia do Inquérito Policial instaurado para apuração do crime de desacato em desfavor do Sr. Mário Branco Peres. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 221DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.007858/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2008
COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170-A DO CTN. INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES JUDICIAIS INTERPOSTAS ANTES DA VIGÊNCIA DA LC 104/01
Nos termos da decisão em sede Recurso Representativo de Controvérsia nos autos do REsp nº 1164452/MG, não se aplica a vedação do art. 170-A às ações judiciais propostas antes da sua vigência.
COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS.
Também nos termos da decisão proferida no REsp nº 1164452/MG, "a lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte".
ART. 74 DA LEI Nº 9.430/96. COMPENSAÇÃO POR MEIO DE DECLARAÇÃO. INVIABILIDADE DA AUTOCOMPESAÇÃO DECLARADA EM DCTF.
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66/02, convertida na Lei nº 10.637/02 a compensação de créditos apurados pelo contribuinte apenas pode se dar por meio da apresentação de Declaração de Compensação.
DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME.
Sendo inválida a compensação pretendida pelo contribuinte, autocompensação sem apresentação de Declaração de Compensação, não há direito creditório passível de análise pela administração fiscal.
Numero da decisão: 3201-003.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES JUDICIAIS INTERPOSTAS ANTES DA VIGÊNCIA DA LC 104/01 Nos termos da decisão em sede Recurso Representativo de Controvérsia nos autos do REsp nº 1164452/MG, não se aplica a vedação do art. 170A às ações judiciais propostas antes da sua vigência. COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO VIGENTE NO MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. Também nos termos da decisão proferida no REsp nº 1164452/MG, "a lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte". ART. 74 DA LEI Nº 9.430/96. COMPENSAÇÃO POR MEIO DE DECLARAÇÃO. INVIABILIDADE DA AUTOCOMPESAÇÃO DECLARADA EM DCTF. A partir da vigência da Medida Provisória nº 66/02, convertida na Lei nº 10.637/02 a compensação de créditos apurados pelo contribuinte apenas pode se dar por meio da apresentação de Declaração de Compensação. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME. Sendo inválida a compensação pretendida pelo contribuinte, autocompensação sem apresentação de Declaração de Compensação, não há direito creditório passível de análise pela administração fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 78 58 /2 00 8- 49 Fl. 497DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1027.427, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que assim relatou o feito: Fl. 498DF CARF MF Processo nº 11020.007858/200849 Acórdão n.º 3201003.441 S3C2T1 Fl. 498 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2007 a 30/06/2008 Ementa: Crédito sub judice. A partir da vigência do art. 170A do CTN é vedado, para fins de compensação, aproveitar crédito, objeto de disputa judicial, antes de transitar em julgado a decisão favorável ao sujeito passivo. COMPENSAÇÃO DCOMP a partir da vigência da MP 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, passou a ser obrigatória a apresentação de declaração de compensação para efetivação de todo e qualquer encontro de contas envolvendo tributos e contribuições administrados pela SRFB. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido Vale salientar que a tanto a apresentação da Manifestação de Inconformidade, quanto a interposição de Recurso Voluntário, ocorreu por força de decisão proferida no Mandado de Segurança nº 2009.71.07.0001463/RS, juntada às fls. 304/308 (eprocesso), que determinou: ... à autoridade coatora que, no âmbito do processo administrativo n.° 11020007858/200849, receba e processe a manifestação de inconformidade da impetrante, bem como, se for o caso. oportunize a interposição de recurso ao Conselho de Contribuintes, suspendendo, até o julgamento de tais peças, a exigibilidade dos respectivos créditos tributários. Fl. 499DF CARF MF 4 Desse modo, passase ao exame do Recurso Voluntário apresentado. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário O recurso é próprio e tempestivo e, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre trazer breve esclarecimento acerca do andamento processual do presente feito. O Recurso Voluntário apresentado nos presentes autos foi remetido para análise por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força de decisão proferida no Mandado de Segurança nº 2009.71.07.0001463/RS, juntada às fls. 304/308, que determinou: ... à autoridade coatora que, no âmbito do processo administrativo n.° 11020007858/200849, receba e processe a manifestação de inconformidade da impetrante, bem como, se for o caso. oportunize a interposição de recurso ao Conselho de Contribuintes, suspendendo, até o julgamento de tais peças, a exigibilidade dos respectivos créditos tributários. Por conseguinte, foi proferido o Acórdão DRJ nº 1027.427 de 25 de novembro de 2010 (fls. 385/394). A Contribuinte interpôs, então, o Recurso de fls. 398/489, datado de 11 de janeiro de 2011, fazendo anexar a sentença proferida em sede de Mandado de Segurança que confirmou a medida liminar outrora proferida (fls. 490/493). Conforme despacho de fl. 496, a remessa dos presentes autos a este CARF ocorreu exatamente em razão da referida decisão judicial. Ao receber, por sorteio realizado em maio de 2017, o presente feito para elaboração de Relatório e Voto, consultei o sítio do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, onde pude constatar que a referida sentença foi parcialmente reformada em segunda instância: EMENTA: APELAÇÃO. TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS. AUSÊNCIA DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/96. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO Nº 70.235/72. DIREITO AO DUPLO GRAU ADMINISTRATIVO. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. A impetrante, por meio de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, informou a existência de débitos, que estariam suspensos por decisão liminar em mandado de segurança, não tendo havido pedido de compensação, mas de suspensão de exigibilidade. Fl. 500DF CARF MF Processo nº 11020.007858/200849 Acórdão n.º 3201003.441 S3C2T1 Fl. 499 5 A compensação, conforme o art. 74 da Lei 9.430/96, é efetuada mediante a entrega da Declaração de Compensação (DCOMP), na qual devem constar informações relativas aos créditos utilizados e respectivos débitos compensados. Ausente pedido de compensação, não cabe a manifestação de inconformidade (Lei nº 9.430/96), mas o recurso específico previsto no Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, visto tratarse de débitos confessados em DCTF. (TRF4, APELREEX 2009.71.07.0001463, PRIMEIRA TURMA, Relatora CLÁUDIA CRISTINA CRISTOFANI, D.E. 02/03/2011) Não obstante a dubiedade da ementa transcrita, é de se observar a ordem no sentido de que é cabível "o recurso específico previsto no Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal", que é, exatamente, o presente Recurso Voluntário. O seguinte trecho do acórdão proferido clarifica a questão: Portanto, deverá a autoridade coatora, no âmbito do Processo Administrativo nº 11020.007858/200849, processar o recurso interposto pela impetrante em segunda instância, a teor do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, afastandose a aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, visto inexistir pedido de compensação. Desse modo, passase ao exame do mérito objeto da presente lide administrativa. Conforme brevemente relatado, o presente lançamento tem por objeto a cobrança de débitos de IRPJ e CSLL declarados em DCTF, relativos aos períodos de apuração 01/07/2007 a 30/06/2008. Os débitos foram declarados na condição de suspensos por "liminar em Mandado de Segurança", ação judicial nº 2000.71.07.0075522. No referido Mandado de Segurança nº 2000.71.07.0075522 a contribuinte buscava se eximir do recolhimento recolhimento de Pis/Cofins nos termos estabelecidos pela Lei 9.718/1998 (alargamento de base de cálculo e aumento da alíquota de 2% para 3%. A medida liminar deferira a exclusão da base de cálculo das contribuições dos valores correspondentes às transferências para terceiros entre o período de 11/1998 a 09/2000. Tais exclusões, por conseguinte, geraram o crédito utilizado pela Recorrente para quitar, por meio de "autocompensação", os já mencionados débitos de IRPJ e CSLL declarados em DCTF, relativos aos períodos de apuração 01/07/2007 a 30/06/2008, ora objeto de cobrança. Em Despacho proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul (RS), foi consignado que o procedimento adotado pelo contribuinte foi inapropriado por duas razões: (i) os débitos de IRPJ e CSLL declarados em DCTF não estavam com a exigibilidade suspensa por força do Mandado de Segurança nº 2000.71.07.0075522, que apenas discutiam as contribuições ao PIS e à COFINS; e (ii) os declarados créditos utilizados para a "autocompesação" não poderiam ser utilizados antes do trânsito em julgado da decisão judicial, nos termos do art. 170A do CTN, introduzido pela Lei Complementar n° l04, de 10 de janeiro de 200l. Fl. 501DF CARF MF 6 Por se tratar, portanto, de cobrança de débitos declarados em DCTF e considerados não quitados, foi concedido ao contribuinte o prazo para interposição do Recurso previsto na Lei nº 9.784/99. Não obstante, como dito, o contribuinte obteve decisão judicial que determinou que o presente feito seguisse o rito do DL nº 70.235/72. Pois bem. Tanto em sua Manifestação de Inconformidade, como, posteriormente, em seu Recurso Voluntário, aduz o contribuinte que o procedimento por ela adotado obedeceu à norma específica do Mandado de Segurança (art. 12 da Lei nº 1.533/51), que atribui efeito imediato à liminares e que, de acordo com seu entendimento, afasta a aplicação do art. 170A do CTN. Desde já afasto tal argumento, uma vez que tal conclusão não pode ser extraída do art. 12 da Lei nº 1.533/51: Art. 12 Da sentença, negando ou concedendo o mandado cabe apelação. Parágrafo único. A sentença, que conceder o mandado, fica sujeita ao duplo grau de jurisdição, podendo, entretanto, ser executada provisoriamente. A norma citada fala "podendo" e "provisoriamente", logo, a sua execução imediata depende de expressa autorização nesse sentido, o que inocorre na hipótese dos autos. Nada obstante, tenho que, na hipótese específica dos autos, o art. 170A não deve ser aplicado em razão da sua irretroatividade, reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, de aplicação obrigatória por esta Corte. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Logo, como o Mandado de Segurança nº 2000.71.07.0075522 foi impetrado em 2010, portanto, anteriormente à vigência do art. 170A do CTN, não há falar em sua aplicação à hipótese dos autos. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11020.007858/200849 Acórdão n.º 3201003.441 S3C2T1 Fl. 500 7 Superada tal questão, deve ser analisado o procedimento de "autocompensação" realizado pelo Contribuinte. Como relatado, as compensações realizadas foram registradas apenas na contabilidade da empresa. Não houve a apresentação de Declaração de Compensação. Como bem salientado inclusive pelo contribuinte, o procedimento de compensação deve obedecer à legislação vigente à época do encontro de contas. No caso, este momento deve ser considerado como a apresentação da DCTF pelo contribuinte, ocorrida em 06/10/2008 e 14/10/2008 (períodos de apuração de 01/07/2007 a 30/06/2008). Com efeito, não haverá encontro de contas enquanto não ocorrida o próprio nascimento do débito que se pretende extinguir por compensação, ainda que os créditos em questão refiramse a períodos anteriores. Pois bem. Desde a edição da Medida Provisória nº 66 de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430/96, passouse a exigir que as compensações de tributos no âmbito da RFB fossem feitas por meio de declaração de compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Assim, o procedimento de autocompensação do contribuinte não pode ser validade em face da exigência legal de que a compensação fosse realizada por meio da apresentação prévia de Declaração de Compensação. Muito embora alegue o Recorrente que a autcompensação pretendida teria sido autorizada nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.71.07.0075522, não é o que se constata do exame das peças trazidas aos autos. Em que pese tenha sido formulado pedido liminar "para o fim autorizar a Impetrante a efetuar a compensação da majoração da COFINS (1%), com a CSLL" (fl. 75), tal pedido foi indeferido em primeira instância (fl. 76) e não foi alcançado pela decisão em sede de Agravo de Instrumento, proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4º Região (fl. 77), verbis: Nessas condições, a solução que parece atender, razoável e equitativamente, os interesses de ambas as partes é o depósito judicial das quantias exigidas por força dos arts. 2°, 3°, § l° e 8° e seus parágrafos da Lei n° 9.718/98, permanecendo a obrigatoriedade do pagamento da contribuição relativa à COFINS nos moldes da disciplina vigente anteriormente à sua modificação. Dessa forma, os valores serão imediatamente Fl. 503DF CARF MF 8 repassados para o Tesouro Nacional; satisfazendose a sua premente necessidade de recursos financeiros (Lei n° '9703/98, art. 1°, § 2°); e os recorrentes, em caso de vitória, não precisarão submeterse às agruras dos precatórios para obter o reembolso das importâncias depositadas (Lei n' 9703/98, art l°, § 3°, 1). Além disso, a sentença proferida denegou integralmente a segurança nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.71.07.0075522 (fl. 90). Por fim, o acórdão em sede Recurso de Apelação proferido pelo TRF da 4º Região, em , também não autorizou qualquer forma de compensação, mas apenas deu "parcial provimento à apelação, reconhecendo o direito da impetrante excluir da base de cálculo da COFINS os valores que tenham sido transferidos a terceiros, no período de novembro/98 a setembro/00." (fl. 102) No que diz respeito aos Recurso Extraordinário interposto ao STF, este foi e permanece suspenso até o julgamento final do RE 585.235, rel. min. Cezar Peluso e AI 715.423, rel. min. Ellen Gracie, respectivamente. (fl. 110) Pelos fatos expostos, portanto, não há falar que o Mandado de Segurança nº 2000.71.07.0075522 teria autorizado que a compensação fosse realizada de forma diversa daquela prescrita em lei. Ainda que, como dito, fosse inaplicável o art. 170A (prévio trânsito em julgado), ou seja, fosse legítima a utilização do crédito reconhecido por decisão judicial antes do seu trânsito em julgado, esta deveria se dar nos estritos termos da legislação de regência. Na hipótese, a legislação de regência a ser aplicada é aquela vigente no momento do encontro de contas, como ressaltado no próprio REsp 1164452/MG, cuja ementa foi transcrita acima e repiso: 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. Também em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, o STJ definiu, com clareza, a validade do procedimento de compensação regulado pelo art. 74 da Lei nº 9.430/96: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e Fl. 504DF CARF MF Processo nº 11020.007858/200849 Acórdão n.º 3201003.441 S3C2T1 Fl. 501 9 devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizoua apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. 4. A redação original do artigo 74, da Lei 9.430/96, dispõe: "Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração". 5. Consectariamente, a autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si. 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.430/96, a qual não mais albergava esta limitação. 7. Em consequência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal, tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. 8. Deveras, com o advento da Lei Complementar 104, de 10 de janeiro de 2001, que acrescentou o artigo 170A ao Código Tributário Nacional, agregouse mais um requisito à compensação tributária a saber: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, Fl. 505DF CARF MF 10 em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). 10. In casu, a empresa recorrente ajuizou a ação ordinária em 19/12/2005, pleiteando a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS E COFINS com parcelas vencidas e vincendas de quaisquer tributos e/ou contribuições federais. 11. À época do ajuizamento da demanda, vigia a Lei 9.430/96, com as alterações levadas a efeito pela Lei 10.637/02, sendo admitida a compensação, sponte própria, entre quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações. 12. Ausência de interesse recursal quanto à não incidência do art. 170A do CTN, porquanto: a) a sentença reconheceu o direito da recorrente à compensação tributária, sem imposição de qualquer restrição; b) cabia à Fazenda Nacional alegar, em sede de apelação, a aplicação do referido dispositivo legal, nos termos do art. 333, do CPC, posto fato restritivo do direito do autor, o que não ocorreu in casu; c) o Tribunal Regional não conheceu do recurso adesivo da recorrente, ao fundamento de que, não tendo a sentença se manifestado a respeito da limitação ao direito à compensação, não haveria sucumbência, nem, por conseguinte, interesse recursal. 13. Os honorários advocatícios, nas ações condenatórias em que for vencida a Fazenda Pública, devem ser fixados à luz do § 4º do CPC que dispõe, verbis: "Nas causas de pequeno valor, nas de valor inestimável, naquelas em que não houver condenação ou for vencida a Fazenda Pública, e nas execuções, embargadas ou não, os honorários serão fixados consoante apreciação equitativa do juiz, atendidas as normas das alíneas a, b e c do parágrafo anterior." 14. Consequentemente, vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do art. 20, § 4º, do CPC. (Precedentes da Corte: AgRg no REsp 858.035/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2008, DJe 17/03/2008; REsp 935.311/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/08/2008, DJe 18/09/2008; REsp 764.526/PR, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 07/05/2008; REsp 416154, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 25/02/2004; REsp 575.051, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004). Fl. 506DF CARF MF Processo nº 11020.007858/200849 Acórdão n.º 3201003.441 S3C2T1 Fl. 502 11 15. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por equidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07 do STJ. No mesmo sentido, o entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário." (Súmula 389/STF). (Precedentes da Corte: EDcl no AgRg no REsp 707.795/RS, Rel. Ministro CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP), SEXTA TURMA, julgado em 03/11/2009, DJe 16/11/2009; REsp 1000106/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 27/10/2009, DJe 11/11/2009; REsp 857.942/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/10/2009, DJe 28/10/2009; AgRg no Ag 1050032/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/04/2009, DJe 20/05/2009) 16. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 17. Recurso especial parcialmente conhecido e parcialmente provido, apenas para reconhecer o direito da recorrente à compensação tributária, nos termos da Lei 9.430/96. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1137738/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) É inaplicável, portanto, a pretensão da Contribuinte em ver aplicada a Lei nº 8.383/91, que, de fato, permitia a auto compensação, visto que não estava mais vigente no momento do encontro de contas. Nesse sentido, uma vez invalidado o procedimento de autocompensação realizado pelo contribuinte, não há falar em qualquer análise de mérito acerca do crédito utilizado na suposta compensação. A uma, pois, não havendo procedimento de compensação válido, por conseguinte, inexiste direito creditório a ser reconhecido ou sequer examinado pela Autoridade Fiscal. A duas, pois, adentrar à natureza do crédito reconhecido ou não por força do Mandado de Segurança nº 2000.71.07.0075522 equivaleria a afastar a impossibilidade de concomitância, violando a Súmula CARF nº 1. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 507DF CARF MF 12 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. De igual modo, a tardia alegação de necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS é inócua aos presentes autos, uma vez que inexiste direito creditório formalmente constituído a ser analisado nesta seara. Demais argumentos do contribuinte acerca da inconstitucionalidade de normas e violações aos princípios da isonomia, capacidade contributiva, legalidade (instituição de tributo por meio de lei formal), ainda no que diz respeito ao crédito postulado, também não podem ser apreciadas por vedação constante da Sumula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concluo, portanto, pelos fundamentos expostos, por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário apresentado. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 508DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000584/2010-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 660/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.410
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões Conselheiro Pedro Rinaldi.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 660/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, realizadas pelas pessoas jurídicas elencadas nos incisos I a III do art. 3º da IN SRF nº 660/06, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões Conselheiro Pedro Rinaldi. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 05 84 /2 01 0- 59 Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 3 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: 4. Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) de COFINS não cumulativo, relativo ao 3º TRIMESTRE 2008, transmitido em 21.11.2008 (fls. 06 a 09), no valor de R$10.287.755,67, e Declarações de Compensação (DCOMP) vinculadas aos alegados créditos (fls. 10 a 53). 5. Por meio do despacho decisório da EQAUD/DIORT/DERAT/SPO, de fls. 1391 a 1404, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido e a Declarações de Compensação não homologadas, em síntese, com base nos seguintes fundamentos: i) No tocante à agroindústria (ramo de atuação do contribuinte), a legislação traçou regras específicas para a apuração do crédito de PIS/COFINS. É bastante comum no mercado agropecuário produtores rurais (pessoas físicas) fornecerem insumos agropecuários a pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS e a COFINS no regime não cumulativo. Estas pessoas físicas (fornecedoras) não são contribuintes destas contribuições e, portanto, suas vendas não produziam direito ao creditamento pelos adquirentes. Este fato desequilibrava as relações comerciais no agronegócio, uma vez que as pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS e a COFINS no regime nãocumulativo davam preferência para as aquisições de insumos agropecuários de outras pessoas jurídicas, por que assim teriam direito ao creditamento relativo a estas aquisições; ii) O crédito presumido foi estabelecido, inicialmente, nas vendas dos bens relacionados realizadas por pessoas físicas (Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu art. 25, incluiu os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). O crédito era apurado mediante aplicação de alíquota correspondente a 70% da alíquota prevista para a contribuição sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumos na produção de produtos destinados à venda, conforme estabelecia o inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Com a sanção da Lei nº 10.833, de 2003, os §§ 5º e 6º do art. 3º possibilitaram também na COFINS a apuração do crédito presumido nas mesmas bases que já haviam sido estabelecidas para a Contribuição para o PIS; iii) A solução proposta (que já não está mais em vigor) não surtiu efeito na amplitude planejada. Isso porque no agronegócio operavam também como fornecedores pessoas jurídicas, cujas vendas da mesma espécie davam direito à apuração de créditos normais (cheios), em valor superior aos créditos presumidos gerados nas aquisições de insumos de pessoas físicas. A alternativa adotada para que o mercado adquirisse o equilíbrio foi, então, suspender a incidência das Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuições nas vendas daqueles produtos realizadas por pessoas jurídicas, visando afastar a apuração dos créditos normais, e possibilitar a apuração e dedução de créditos presumidos nãocumulativos originados nas vendas efetuadas com suspensão. Os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, revogaram as disposições mencionadas nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, reformulando em parte a solução anteriormente desenhada; iv) A suspensão da incidência das contribuições, conforme delineada acima, é regra e não exceção, tendo, portanto, cunho obrigatório. A redação do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, estabelece marco imperativo: “A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda:”. Não consta na legislação a possibilidade de, ao efetuarem vendas de produtos agropecuários a pessoas jurídicas relacionadas no caput do art. 8º, as pessoas jurídicas relacionadas nos incisos I a II do § 1º do mesmo artigo recolham as contribuições, gerando assim o crédito normal a seus clientes. Se assim fosse, estarseia voltando à origem do problema, uma vez que as pessoas físicas não têm essa possibilidade. Assim, revelase a sapiência da Lei que forçou um equilíbrio por justiça fiscal. A Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, em seus art. 4º e 6º, confirma este entendimento; v) O crédito presumido não pode ser ressarcido e/ou compensado, mas somente utilizado como desconto da Contribuição devida. vi) A forma de apuração do crédito pelo contribuinte está em desacordo com a legislação. Conforme demonstrado na fundamentação deste despacho, o contribuinte deveria ter efetuado as suas compras de café com a suspensão aludida nos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, o que geraria crédito presumido e não crédito cheio. Afinal, o interessado compra café cru em grão de pessoas jurídicas que se enquadram no conceito de cerealista e/ou de pessoa jurídica/cooperativa que exerça atividade agropecuária; vii) Não obstante na maioria das notas fiscais de compra de insumos constar: “VENDA SUJEITA A INCIDÊNCIA DE PIS/COFINS, NÃO SUJEITA A SUSPENSÃO NOS TERMOS DO ART. 9° DA LEI N° 10.925/2004.” concluise que essas operações deveriam, OBRIGATORIAMENTE, ter sido realizadas com suspensão e foram consideradas pela fiscalização como se assim tivessem sido. Então, essas operações geraram crédito presumido à NOBLE BRASIL S.A. viii) O crédito presumido foi calculado aplicandose a alíquota de 2,66% (35% de 7,6%); ix) Tendo em vista que o crédito presumido não pode ser ressarcido e/ou compensado, o Pedido de Ressarcimento foi indeferido e as Declarações de Compensação não homologadas. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 5 4 6. O contribuinte, inconformado com despacho decisório, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1412 a 1433 na qual argumenta, em síntese, que: 6.1 Tratase de PER/DCOMPs apresentados pela Defendente a fim de obter o ressarcimento de seus créditos de COFINS, apurado no regime de incidência nãocumulativa, relativos ao 3º TRIMESTRE 2008, vinculados às suas vendas para o mercado externo e, consequentemente, a homologação das compensações declaradas com base em referido crédito; 6.2 O saldo credor objeto do pedido de ressarcimento decorreu da impossibilidade de a Defendente compensar a totalidade dos seus créditos de COFINS no decorrer do 3º TRIMESTRE 2008, tendo em vista a não incidência de referida contribuição sobre as receitas de vendas ao mercado externo; 6.3 Contudo, sob o fundamento de que o café adquirido pela Defendente de pessoas jurídicas com incidência normal do PIS e da COFINS nãocumulativas deveria, obrigatoriamente, ter sido vendido à Defendente com a suspensão de tais contribuições prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, a D. Fiscalização adotou o entendimento de que a Defendente faria jus apenas ao crédito presumido previsto em referida Lei 10.925/2004 e não ao crédito normal da sistemática nãocumulativa. Todavia referida glosa não subsiste a uma análise mais aprofundada do caso; 6.4 Antes da Lei n° 10.925/2004, as receitas oriundas da comercialização de café (código 09.01 da NCM e da TIPI) não tinham qualquer tratamento tributário diferenciado para o PIS e a COFINS. Isto é, referidas receitas estavam incluídas na regra geral da nãocumulatividade estabelecida pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 e sujeitas às alíquotas de 1,65% e 7,5%, respectivamente. A Lei n° 10.925/2004, em seu artigo 9º, incluiu nesta sistemática um regime de suspensão condicional destas contribuições nos casos de venda de produtos in natura de origem vegetal, dentre eles o café. Este é o dispositivo que a D. Fiscalização entende ser de aplicação compulsória pelas pessoas jurídicas que forneceram o café para a Defendente; 6.5 Ocorre que a fruição de referido benefício de suspensão não teve aplicação imediata, haja vista que foi instituído por norma de eficácia limitada que necessitava do estabelecimento de termos e condições pela Receita Federal para a sua plena e efetiva fruição, consoante se depreende da leitura do § 2º do artigo 9º da Lei n° 10.925/04; 6.6 A possibilidade de suspender a incidência do PIS e da COFINS só foi regulamentada com o advento da IN n° 636/2006 e posteriormente da IN n° 660/2006, que revogou a anterior. Dessa forma, a IN n° 660/2006 dispôs sobre os termos e condições da suspensão da exigibilidade das citadas contribuições, estabelecendo certos requisitos a serem atendidos pela pessoa jurídica vendedora para que pudesse fazer jus ao benefício, conforme disposto em seu artigo 4º. Da leitura do referido art. 4º, inferese claramente o caráter condicional da Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 6 5 suspensão da incidência do PIS e da COFINS, instituída pela Lei n° 10.925/04, pois a pessoa jurídica vendedora só poderia usufruir deste favor fiscal se todos os requisitos legais fossem atendidos. Além destes requisitos, o gozo deste benefício também está condicionado à inserção no corpo do documento fiscal de venda da informação de que a operação foi realizada sob a égide da suspensão, consoante o §2º do artigo 2º da IN n° 660/06. Pela inteligência das normas acima dispostas, caso não sejam atendidas todas as condicionantes, a operação deverá ser tributada normalmente; 6.7 A legislação determinou, ainda, a adoção de crédito presumido do PIS e da COFINS a ser utilizado pelos adquirentes de insumos agrícolas de cerealistas, cooperativas de produção ou pessoas jurídicas agroindustriais ou agropecuárias nas aquisições comprovadamente realizadas sob o regime da suspensão em tela (art. 7º da IN SRF 660/2006); 6.8 Posteriormente, com a edição da IN n° 977/09, publicada em 14.12.2009, alterouse a redação do artigo 4º da IN n° 636/06 que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente: (...)" . Notese que, apesar de a norma em análise passar a conter o comando normativo "é obrigatória", as cooperativas de produção, os cerealistas e as pessoas jurídicas agropecuárias ou agroindustriais somente seriam compelidas a efetuarem a venda de suas mercadorias com a suspensão do PIS e da COFINS nos casos em que as condicionantes legais fossem totalmente observadas; 6.9 Portanto, apesar da alteração na redação do supra citado artigo, o benefício da suspensão manteve o seu caráter facultativo, sendo de observância obrigatória pela pessoa jurídica vendedora apenas quando esta, cumulativamente, cumprissem os requisitos determinados na IN; 6.10 Este quadro legislativo, no entanto, sofreu transformações relevantes com o advento da Medida Provisória n° 545/2011, convertida na Lei n° 12.599/2012 e regulamentada pela IN n° 1.223/2011. Referida legislação modificou o regime do PIS e da COFINS até então em vigor na cadeia produtiva do café na medida em que institui de forma incondicionada e obrigatória a suspensão da incidência destas contribuições sobre as receitas decorrentes da venda de café no mercado interno e estabeleceu um crédito presumido para as pessoas jurídicas sujeitas ao regime da nãocumulatividade que efetuem a exportação do café. Nos termos da regulamentação acima, o regime da suspensão foi inovado, pois a legislação atual (Lei n° 12.599/2012 e IN n° 1.223/2011), diferentemente da legislação que a precedeu (Lei n° 10.925/04 e IN n° 660/06), não elenca condições a serem observadas para a aplicação da suspensão da incidência das contribuições em tela. O novo regime de suspensão do PIS e da COFINS possui caráter notadamente obrigatório e incondicional, tendo em vista que a legislação não estabeleceu Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 7 6 requisitos para a fruição do benefício. Este novo regime começou a vigorar apenas em 01.12.2012, conforme dispõe o art. 17 da IN n° 1.223/2011; 6.11 A Defendente é empresa que tem por objeto social, dentre outros, o beneficiamento e comercialização, tanto no mercado interno quanto no externo, das mercadorias classificadas no código 09.01 da NCM e da TIPI (café). Por estar inserida na sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, apropria créditos vinculados a receitas decorrentes das vendas de café no mercado externo; 6.12 Embora a legislação vigente à época dos fatos tenha previsto a possibilidade de suspensão da incidência do PIS e da COFINS nas vendas realizadas por fornecedores enquadrados no artigo 8º da Lei n° 10.925/2004, as aquisições de café efetuadas pela Defendente no mercado interno foram realizadas sem a suspensão das referidas contribuições e tributadas normalmente, como reconheceu o próprio r. despacho decisório. Por esta razão, a Defendente apurou os créditos normais de PIS e COFINS e não o crédito presumido previsto pela Lei n° 10.925/2004 e houve por bem apresentar os pedidos de ressarcimento em análise, visando a utilização destes créditos remanescentes por meio da compensação de débitos próprios administrados pela RFB. Nesse ponto, importante destacar que a sistemática adotada pelo fornecedor dos insumos agrícolas é que terá o efeito jurídico de refletir o montante dos créditos que podem ser apropriados pela empresa adquirente. Se a operação foi realizada com a incidência do PIS e da COFINS, o adquirente da mercadoria poderá se apropriar dos créditos normais destas contribuições, mas se a operação foi comprovadamente realizada sob a égide da suspensão, o crédito a que fará jus o adquirente é o presumido; 6.13 A suspensão da incidência do PIS e da COFINS, prevista pela Lei n° 10.925/2004, é regime diferenciado concedido a pessoas jurídicas determinadas em função da atividade de fornecimento de insumos agrícolas específicos, desde que atendam a requisitos e condições previstos na IN n° 660/2006, sob pena de não fazerem jus ao benefício. Tal raciocínio encontra amparo, inclusive, no próprio entendimento da RFB, que já se manifestou por intermédio de inúmeras Soluções de Consulta a respeito da aplicabilidade do regime de suspensão do PIS e da COFINS somente nos casos em que forem atendidos todos os requisitos legais; 6.14 Se referida suspensão é sujeita ao atendimento de determinadas condições e requisitos préestabelecidos, ela não pode ser obrigatória. A imposição de ônus para a fruição de um determinado benefício fiscal implica conceder ao sujeito passivo o direito de escolher entre arcar com referidos ônus para aproveitar a suspensão ou, de outro modo, não aproveitar a suspensão e pagar os tributos incidentes na operação para que não tenha de arcar com os ônus que lhes são exigidos pela legislação tributária; Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 8 7 6.15 Certa obrigatoriedade de referida suspensão somente passou a constar na legislação tributária com a publicação da IN n° 977/2009, em 16.12.2009, com efeitos retroativos a 01.11.2009 (art. 22). Isto é, atendidas as condições para a fruição da suspensão (hipótese em que a suspensão é aplicável), ela se tornaria obrigatória. O art. 22 da IN n° 977/2009 pretendeu atribuir à inovação quanto à obrigatoriedade acima referida os efeitos retroativos de legislação tributária de caráter interpretativo (art. 106, I, do CTN). O critério para distinguir uma norma interpretativa de uma norma não interpretativa é, pois, a existência ou não de inovação no instituto jurídico abordado. Se a lei não inova o instituto jurídico regulado, então ela pode ser interpretativa. Contudo, se há inovação, a legislação não tem caráter interpretativo.Nesse ponto, em que pese se tenha pretendido a atribuição de caráter de norma interpretativa para a alteração da IN n° 660/2006 pela IN n° 977/2009, resta claro que a nova legislação inovou o regime jurídico anteriormente vigente, não podendo, pois, ter os efeitos retroativos permitidos pelo art. 106, I, do CTN; 6.16 Contudo, ainda que para argumentar se admita o caráter interpretativo de referida norma, o que temos de concreto a partir da IN n° 977/2009 é que a suspensão ora discutida tinha sua aplicação obrigatória apenas nas hipóteses em que seria aplicável. Isto é, seria obrigatória somente quando atendidas as condições impostas pela regulamentação infralegal. Se referidas condições não fossem cumpridas, não haveria que se falar em aplicação da suspensão, muito menos em aplicação obrigatória; 6.17 Apenas com a edição da IN n° 1.223/2011, para regulamentar da Lei n° 12.599/2012, conversão da MP n° 545/2011, a suspensão se tornou incondicional e de caráter obrigatório; 6.18 Sob o argumento de que a suspensão seria obrigatória, no caso dos autos a D. Fiscalização deixou de examinar se os fornecedores da Defendente atenderiam, ou não, às condicionantes necessárias para a aplicação do benefício. Como se viu acima, uma das condições para que a empresa vendedora pudesse utilizar a suspensão do PIS e da COFINS era a obrigação de fazer constar expressamente no corpo do documento fiscal de venda da mercadoria que aquela operação se deu com tal benefício. No caso do café adquirido pela Defendente, como reconheceu o r. despacho decisório, os vendedores consignaram exatamente o oposto, isto é, de que referidas operações foram tributadas normalmente pelo PIS e pela COFINS. A ausência da expressa menção à aplicação da suspensão no corpo do documento fiscal de venda já caracterizaria, por si só, o não atendimento aos requisitos legais prescritos na IN n° 660/2004, autorizando a pessoa jurídica adquirente (no caso, a Defendente) a apurar créditos normais de PIS e COFINS, que foram desconsiderados pela Fiscalização; 6.19 Apenas ao vendedor fornecedor da Defendente é que cabe aplicar a regra da suspensão, porque ele é que se qualifica como Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 9 8 o sujeito passivo das aludidas contribuições e também dos ônus inerentes ao atendimento das condições e termos necessários para a fruição do benefício (emissão de nota fiscal com especificação dos requisitos legais, obtenção de declarações dos adquirentes, etc). Ao adquirente das mercadorias cabe apenas identificar, com base na nota fiscal emitida pelo fornecedor dos insumos agrícolas, as aquisições sobre as quais calculará o crédito normal das contribuições e aquelas sobre as quais deverá calcular o crédito presumido, pois não tem condição, jurídica ou física, de praticar ou fiscalizar a suspensão da incidência do PIS e da COFINS. Verificase, nesse contexto, que a apuração de créditos normais de PIS e COFINS levada a efeito pela ora Defendente está em plena consonância com a legislação vigente à época dos fatos, haja vista que as suas aquisições de café sofreram a incidência do PIS e da COFINS e, portanto, geraram direito ao crédito normal destas contribuições, e não ao crédito presumido como quer fazer crer a D. Fiscalização; 6.20 Ainda na hipótese de a suspensão ser considerada aplicável no período em tela, o que se admite pelo princípio da eventualidade, o Fisco também não poderá glosar os créditos da Defendente sob o argumento de que a suspensão do PIS e da COFINS era obrigatória pois o entendimento da RFB à época dos fatos era de que referida suspensão era condicionada. O entendimento das D. Autoridades Tributárias da RFB está muito bem refletido em soluções de consulta. Entendia a RFB, até bem depois das datas dos fatos geradores ora discutidos, que a suspensão de que cuidam a Lei n° 10.925/2004, IN n° 636/2006 e IN n° 660/2006 era condicionada – o que, nos termos acima expostos, exclui sua pronta obrigatoriedade. As razões para a glosa do crédito da Defendente sobre suas aquisições de café são manifestamente contrárias ao entendimento da RFB publicado até então. Em outras palavras, a D. Fiscalização pretende alterar o critério jurídico adotado pelas D. Autoridades Tributárias na época do registro do crédito para glosálo; 6.21 Em se tratando de alteração de critério jurídico utilizado para a aplicação do regime de suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS nas receitas de venda de café no mercado interno, esta alteração não pode ser aplicada para fatos geradores passados, já concretizados no tempo e no espaço. Isto nos termos do artigo 146 do CTN, que dispõe que a modificação introduzida de ofício no critério jurídico adotado somente pode ser efetivada para fatos geradores ocorridos posteriormente a sua introdução; 6.22 Agir nesse sentido seria permitir a aplicação retroativa de um novo posicionamento, em prejuízo da Defendente, contrariando não só o disposto no artigo 146 do CTN, como também dispositivo de cunho constitucional, precisamente expresso no art. 5°, inciso XL da Constituição Federal. Cita jurisprudência do CARF e doutrina para corroborar seu entendimento; Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 10 9 6.23 Diante de todo o exposto, requer seja a presente Manifestação de Inconformidade julgada e acolhida na sua totalidade, para que seja reconhecido integralmente o direito ao crédito pleiteado e homologadas as respectivas compensações. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, por intermédio da 9ª Turma, no Acórdão nº 1645.220, sessão de 27/03/2013, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PRODUTOS AGROPECUÁRIOS. VENDAS COM SUSPENSÃO. OBRIGATORIEDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. A suspensão da incidência de COFINS nos casos previstos no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, tem caráter obrigatório e aplicase às vendas para a agroindústria com finalidade de industrialização. Desde 4 de abril de 2006 é obrigatória a suspensão de incidência de COFINS quando ocorridas as condições previstas no art. 4o da IN SRF nº 660, de 2006. Conforme o art. 8º da Lei nº 10.925 de 2004, a pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor de COFINS não cumulativo, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à alimentação humana ou animal. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresenta recurso voluntário, no qual repisa seus argumentos da peça impugnatória e ataca a decisão recorrida, em que se destaca: 1. A não obrigatoriedade da aplicação da suspensão da Cofins prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 aos fornecedores, com a implicação de se permitir o direito ao crédito nas aquisições do café pela recorrente; 2. Não cumpridas as condições estabelecidas na IN 660/06, a suspensão não se aplica aos fornecedores; 3. A fiscalização não verificou se os fornecedores preenchiam as condições para gozo do benefício; 4. A legislação aponta para a não obrigatoriedade da suspensão, daí a razão para impor condições de ordem material e formal; 5. O art. 9º da Lei 10.925/04 introduziu regime de suspensão condicional de PIS/Cofins no caso de venda de produto in natura, dentre eles o café; 6. Os termos e condições para a fruição da suspensão foram regulamentados pela IN 660/2006, que impôs requisitos a serem atendidos pelos vendedores condições materiais; Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 11 10 7. A condição formal é a obrigatoriedade dos fornecedores de requerer aos adquirentes as declarações previstas no anexo da IN SRF 660/06. A fiscalização não comprovou que as declarações foram prestadas; 8. Os fornecedores não cumpriram com requisito de inserção no corpo da nota fiscal de que se tratava de operação com suspensão da Contribuição; ao contrário, continha expressão de venda sujeita à incidência de PIS/Cofins; 9. O fato demonstra que os fornecedores optaram pela tributação do PIS/Cofins; 10. Apresenta Soluções de Consulta que entende demonstrar o caráter facultativo da suspensão; 11. Apresenta opinião doutrinária acerca da prerrogativa em optar pela suspensão; 12. O acórdão equivocase em afirmar que a norma nasceu com natureza obrigatória; 13. As operações foram submetidas à tributação, inclusive com declaração os fornecedores; 14. A invalidação dos créditos apurados estão fundamentados na suposta suspensão da incidência de PIS/Cofins que não se concretizaram; 16. A manutenção da decisão implica ofensa direta à legislação que impõe a não cumulatividade das Contribuições; 17. A IN RFB 977/2009 trouxe apenas certa obrigatoriedade para a suspensão pois manteve condições a serem cumpridas; 18. Alega que somente com a edição das Lei nº 12.599/2012 e IN 1.223/2011 e que a suspensão da incidência da PIS e Cofins tornouse obrigatória e incondicional; 19. A fiscalização alegou o caráter interpretativo dos dispositivos editados em 2012. 20. A aplicação do art. 146 CTN justificase pelo entendimento da RFB à época dos fatos expresso nas soluções de consulta que entende apontaram para a natureza condicional da suspensão; 21. As Soluções de Consultas veiculam claro posicionamento de que se não cumpridas ou obedecidas as condições estabelecidas na IN 660/06 não se aplica a suspensão; 22. O procedimento implica alteração de critério jurídico, autorizado pelo 146 do CTN somente para fatos futuros. É o relatório. Voto Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 12 11 Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de pedido de ressarcimento indeferido e declarações de compensação não homologadas, com os fundamentos que constam do despacho decisório relatado alhures. O litígio foi inaugurado com a impugnação da contribuinte onde contestou e aduziu que o direito ao crédito na aquisição de café cru de fornecedores pessoas jurídicas era o básico (integral) e não o presumido conforme decidira a autoridade no despacho decisório. Sustentou também que as vendas de insumos pelos seus fornecedores não estavam obrigatoriamente sujeitas à suspensão do PIS e da Cofins, vez que entende tratarse de mera faculdade. Dessa forma, a questão a ser decida neste julgamento é tãosomente acerca da tributação dos insumos adquiridos café, se suspenso ou com incidência do PIS/Cofins, da qual (tributação) decorre a modalidade de crédito a que tem direito a recorrente: básico ou presumido. A autoridade fiscal elaborou demonstração precisa e didática do histórico legislativo da incidência de PIS e Cofins nas vendas de produtos agropecuários efetuados por pessoas físicas e jurídicas a sociedades que se dedicam à industrialização de produtos cujas aquisições são insumos com direito a crédito. A seguir os excertos dos fundamentos da autoridade fiscal ao proferir seu despacho decisório (fls.1.391/1.404), com os quais me alinho e os faço minhas razões de decidir: 19. No tocante à agroindústria (ramo de atuação do contribuinte), a legislação traçou novas regras para a apuração do crédito. 20. Destaquemos, inicialmente, que é bastante comum no mercado agropecuário produtores rurais (pessoas físicas) fornecerem insumos agropecuários a pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins no regime nãocumulativo. Estas pessoas físicas (fornecedoras) não são contribuintes destas contribuições e, portanto, suas vendas não PRODUZIAM direito ao creditamento pelos adquirentes. Este fato desequilibrava as relações comerciais no agronegócio, uma vez que as pessoas jurídicas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins no regime nãocumulativo davam preferência para as aquisições de insumos agropecuários de outras pessoas jurídicas, por que assim teriam direito ao creditamento relativo a estas aquisições. 21.A Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, em seu art. 25, incluiu os §§ 10 e 11 ao art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, com a seguinte redação: “Art. 25. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 5ºA e com as seguintes alterações dos arts. 1º, 3º, 8º, 11 e 29: Fl. 1508DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 13 12 "Art. 3º .......................................................................... § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: I seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2º; II o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal." 22. Observamos, aí, dois aspectos importantes: a) o crédito presumido foi estabelecido, inicialmente, nas vendas dos bens relacionados realizadas por pessoas físicas; b) o crédito era apurado mediante aplicação de alíquota correspondente a 70% (setenta por cento) da alíquota prevista para a contribuição sobre o valor dos bens e serviços utilizados como insumos na produção de produtos destinados à venda, conforme estabelecia o inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: (...) 23.Com a sanção da Lei nº 10.833, de 2003, os §§ 5º e 6º do art. 3º possibilitaram também na Cofins a apuração do crédito presumido nas mesmas bases que já haviam sido estabelecidas para a Contribuição para o PIS/Pasep: (...) 24. A solução proposta (que já não está mais em vigor) não surtiu efeito na amplitude planejada. Isso porque no agronegócio operavam também como fornecedores pessoas jurídicas, cujas vendas da mesma espécie davam direito à apuração de créditos normais (cheios), em valor superior aos créditos presumidos gerados nas aquisições de insumos de pessoas físicas. A alternativa adotada para que o mercado adquirisse o equilíbrio foi, então, suspender a incidência das contribuições nas vendas daqueles produtos realizadas por Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 14 13 pessoas jurídicas, visando afastar a apuração dos créditos normais, e possibilitar a apuração e dedução de créditos presumidos nãocumulativos originados nas vendas efetuadas com suspensão. 25.Assim, fornecedores pessoa física e fornecedores pessoa jurídica estariam equiparados, recebendo o mesmo tratamento tributário no tocante aos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins originados para seus clientes. 26.Os arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, revogaram as disposições mencionadas nas Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, reformulando em parte a solução anteriormente desenhada: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00,1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Fl. 1510DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 15 14 I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. Art. 9° A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de venda dos produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 09.01, 10.01 a 10.08, 12.01 e 18.01, todos da NCM, efetuada pelos cerealistas que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os referidos produtos, por pessoa jurídica e por cooperativa que exerçam atividades agropecuárias, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal.” 27. Há alguns aspectos importantes a serem destacados: a) as cooperativas produtoras, que adquiram bens nestas condições, passaram também a ter direito de apurar e descontar o crédito presumido; b) o rol de pessoas, cujos fornecimentos daqueles bens possibilitam o direito à apuração do crédito presumido por seus adquirentes, foi estendido: b.1) aos cooperados pessoas físicas; b.2) ao cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; b.3) às pessoas jurídicas que exerçam cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 16 15 b.4) às pessoas jurídicas e cooperativas que exerçam atividades agropecuárias. c) a suspensão da incidência das contribuições quando originadas em aquisições realizadas das pessoas jurídicas mencionadas nos itens b.2 a b.4 é obrigatória. 28. A legislação ainda recebeu alguns aperfeiçoamentos. A redação final dos arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, é a seguinte: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: Fl. 1512DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 17 16 I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 8º É vedado às pessoas jurídicas referidas no caput o aproveitamento do crédito presumido de que trata este artigo quando o bem for empregado em produtos sobre os quais não incidam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, ou que estejam sujeitos a isenção, alíquota zero ou suspensão da exigência dessas contribuições. (Incluído pela Medida Provisória nº 552, de 2011) § 9º O disposto no § 8o não se aplica às exportações de mercadorias para o exterior. (Incluído pela Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 18 17 pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)” 29. A pós estabelecer este horizonte cronológico da legislação pertinente à agroindustria, passando em revista desde sua origem até sua configuração atual, concluímos que: a) A suspensão da incidência das contribuições, conforme delineada acima, é regra e não exceção, tendo, portanto, cunho obrigatório. A redação do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, estabelece marco imperativo: “A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda:”. a.1) Não consta na legislação a possibilidade de, ao efetuarem vendas de produtos agropecuários a pessoas jurídicas relacionadas no caput do art. 8º, as pessoas jurídicas relacionadas nos incisos I a II do § 1º do mesmo artigo recolham as contribuições, gerando assim o crédito normal a seus clientes. Se assim fosse, estarseia voltando à origem do problema, uma vez que as pessoas físicas não têm essa possibilidade. Assim, revelase a sapiência da Lei que forçou um equilíbrio por justiça fiscal. b) O crédito presumido só é gerado na aquisição de insumos para produção. A base legal consta, também, do caput do art. 8º, quando menciona expressamente o inciso II do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, e se estende a todas as aquisições realizadas na forma do § 1º. Desta maneira, as aquisições para revenda não estão inseridas no contexto da suspensão de incidência e nem da geração do crédito presumido. (...) 30.A Instrução Normativa SRF nº 660, de 2006, em seus art. 4º e 6º, confirma este entendimento ao limitar a aplicação da suspensão: “Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas Fl. 1514DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 19 18 a pessoa jurídica que, cumulativamente: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) ... Art.6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM.” Evidenciase na evolução legislativa que a suspensão das Contribuições nas vendas efetuadas por pessoas jurídicas teve por finalidade equilibrar a concorrência no fornecimento de produtos por pessoas físicas e jurídicas, ou ao menos, não desfavorecer aquelas (pessoas físicas). Assim, os textos legais, que já se sabe não comportam expressões ou palavras inúteis, utilizou com exatidão de alcance e sentido vocábulos que impliquem a obrigatoriedade, e não a permissão, para que diante de operações realizadas sob determinadas características, tornasse imperativa a suspensão de PIS e Cofins, conforme escolha tributária do legislador. Há de se pontuar que a lógica jurídica que impõe a interpretação da norma extraída da legislação é, conforme entendo, sintetizada no seguinte silogismo: Premissas: (i) efetuada operação de venda de determinados produtos de origem agropecuária, cujo (ii) vendedor seja pessoa jurídica e (iii) o adquirente pessoa jurídica que se amolda à situação tributária específica e (iv) realiza industrialização com o produto adquirido, decorre a: conclusão de que a venda deverá ser com a suspensão do PIS e da Cofins. Ao meu sentir, outra interpretação seria equivocada, pois escorada na interpretação usual do instituto da suspensão, que normalmente é forjado na legislação de diversos tributos como uma medida de benefício para que, cumprido e mantidos os requisitos da concessão, seja afastada a incidência do tributo. Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 20 19 Todavia, não é desse viés a suspensão que foi introduzida na legislação do PIS e Cofins, e, ainda que a denomine impropriamente de "condicional", o termo se refere às situações (não requisitos ou condições) preliminares de aplicabilidade, que a torna obrigatória. Ocorre que no caso da legislação do PIS e Cofins atinentes ao crédito na aquisição de insumos agropecuários, teve o legislador ordinário a clara intenção de impor, não um benefício ou liberalidade tributária ao fornecedor quando pessoa jurídica, mas sim uma restrição à pessoa jurídica adquirente a de não tomar crédito integral na aquisição do produto de pessoa jurídica em detrimento da aquisição quando de pessoa física, cuja venda, normalmente, não confere o direito ao crédito básico das contribuições. A leitura atenta do texto do art. 9º da Lei nº 10.925/04, seja na edição original ou na redação dada pelos diplomas posteriores, leva à única e indubitável conclusão de que ocorrendo uma situação fáticajurídica delimitada implica a suspensão das Contribuições, pois as expressões "fica suspensa na hipótese de" e "fica suspensa no caso de" não comportam outra interpretação válida. Segue o excerto do caput do artigo: Art. 9° A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa na hipótese de (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) No caso, para que a interpretação apontasse para a liberalidade do vendedor usufruir ou não da suspensão o verbo "ficar" no modo imperativo haveria de ser substituído por "poderá ficar" ou "ficará", o que certamente daria sentido totalmente diverso, em especial com as implicações normativas. Retornando ao caso dos autos e como assentado no início deste voto, a recorrente tãosomente irresignouse em relação à obrigatoriedade da emissão de notas fiscais de seus fornecedores de insumo (o café) que, segundo seu entendimento, sendo facultativa e não exercida havia de ser tributada concedendolhe o direito ao aproveitamento ao crédito básico. Nos autos não constam qualquer refutação ao fato de que os fornecedores não se enquadrariam na lista de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão das Contribuições, prescrito no art. 3º da IN SRF nº 660/2006: DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e Fl. 1516DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 21 20 III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar,armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. Os fornecedores da recorrente enquadramse no inciso I e III do § 1º do art. 3º da IN SRF nº 660/06, como informado no despacho decisório (fl. 1.402): 40. Afinal, o interessado compra café cru em grão de pessoas jurídicas que se enquadram no conceito de cerealista e/ou de pessoa jurídica/cooperativa que exerça atividade agropecuária. Alguns de seus fornecedores são: Comercial de Café Stockl LTDA; Gold Coffee Comércio de Café LTDA; Líder Comercial de Café LTDA; SASC – Sociedade Agrícola Senhora da Conceição LTDA; dentre outros. Igualmente, nenhum argumento ou contestação foi apresentado quanto à verificação realizada pela autoridade fiscal no item "41" (fl. 1.402) no tocante ao preenchimento dos requisitos dos incisos I a III do art. 4º da IN SRF nº 660/2006: Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. Ora, na hipótese das vendas efetuadas de café por pessoa jurídica cerealista ou cooperativa (requisitos do art. 3º, § 1º da IN) a adquirente pessoa jurídica que não reúne os requisitos (art. 4º da IN) para que a venda seja com a suspensão de PIS/Cofins, é dever dos vendedores municiaremse dos elementos e documentos que os dispensariam do dever legal estatuído na norma suspensiva, pois que no descumprimento sujeitamse às sanções legais. Toda a argumentação despendida pela recorrente quanto à emissão de notas fiscais com informação de venda sujeita à incidência de PIS e Cofins pelos seus fornecedores pessoas jurídicas são inócuas pois que a inobservância de regramento legal em relação ao setor agroindustrial não comporta a transmissão de direito creditório por se tratar de procedimento Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 22 21 contrário ao legalmente prescrito. Não havia a permissão a esses fornecedores à opção pela suspensão, vez que evidente imposição legal no caput do art. 9º da Lei nº 10.925/04. Melhor explicando, as pessoas jurídicas que ao arrepio da lei emitiram notas fiscais sem a informação de suspensão, ou com a indicação de que se tratava de operação sujeita à incidência de PIS/Cofins, não tem o condão de atribuir o crédito básico (em valores integrais). Se a lei impõe à operação a suspensão e autoriza o adquirente o direito ao crédito presumido, somente esta modalidade creditória poderá tomálo. Outrossim, o dever da fiscalização de verificar a regularidade das notas fiscais emitidas, a escrituração e a apuração das contribuições na pessoa jurídica vendedora está fora do escopo do procedimento que trata este processo, e tampouco corrobora qualquer pretensão da recorrente. Ademais, a praticidade tributária permite que o Fisco escolha qual o sujeito interveniente em determinado conjunto de operações irá auditar. Não por outro motivo a tão conhecida substituição tributária, há muito instituída no direito pátrio, e, ainda que contestadas em tribunais superiores, permanece vigente no ordenamento jurídico pátrio. Quanto às soluções de consulta, nada haveria a acrescentar aos fundamento da decisão recorrido. Seu conteúdo material não afirma a facultatividade da indigitada suspensão, basta a leitura atenta do teor de todas elas; formalmente, ainda que outras fossem as interpretações, não teriam efeitos à recorrente, vez que não figurava como consulente. E neste sentido nenhum amparo à pretensão da recorrente o avocado art. 146 do CTN, pois não se está diante de situação de mudança de critério jurídico anteriormente fixado pelas autoridades da Receita Federal Em hipótese alguma a legislação negligenciou a sistemática da não cumulatividade do PIS/Cofins; ao contrário, o art. 9º da Lei nº 10.925/04 com o objetivo de conceder crédito onde não havia nas aquisições de pessoas físicas tratou de aplicar o instituto do crédito presumido que por opção do legislador, já demonstrado em sua teleologia, estendeu às pessoas jurídicas, ainda que compreendido como um limitador. Não há que se falar em introdução da suspensão obrigatória somente com o advento da IN RFB nº 979 de 2009 ou pela Lei 12.599/2001. A obrigatoriedade da suspensão está no texto original "A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS fica suspensa (...)", a evolução legislativa trouxe maior simplificação e especificidade à regra, conquanto rotulado ou nomeado pelo caráter interpretativo. Nesta linha argumentativa, e com mesmos fundamentos, outras decisões no âmbito do CARF foram proferidas, com destaque a duas: PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de Fl. 1518DF CARF MF Processo nº 12585.000584/201059 Acórdão n.º 3201003.410 S3C2T1 Fl. 23 22 produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. (Acórdão 3402003.153, processo nº 10183.905478/201141. Sessão de 20/07/2016. Cons. Relator Waldir Navarro Bezerra) CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL INSUMOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE MERCADORIAS DE ORIGEM ANIMAL. PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DEFINIDO SEGUNDO O TIPO DA MERCADORIA PRODUZIDA. POSSIBILIDADE. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial de produção de bens de origem animal destinados à alimentação humana ou animal, especificado no § 3o, I, do art. 8o da Lei 10.925/2004: independentemente da natureza do insumo agropecuário, tem o direito de apropriarse do crédito do presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, calculado pelo percentual de 60% da alíquota normal das referidas contribuições, a ser aplicado sobre o custo de aquisição do insumo utilizado no processo de produção.(Acórdão 3302003.607. Proc. n° 11516.721881/2011 73. Sessão de 20/02/2017. Cons. relator voto vencedor José Fernandes do Nascimento) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte para que se mantenha a glosa dos créditos básicos nas aquisições de café das pessoas jurídicas obrigadas a realizar vendas do produto com a suspensão da Contribuição para a Cofins. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Fl. 1519DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.720315/2015-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 15/09/2014 a 17/12/2014
PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. PESSOA JURÍDICA QUE NÃO É PARTE DA AÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO. CONHECIMENTO.
É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa de uma das impugnantes, no caso, a contribuinte que não é parte da ação judicial de mesmo objeto.
Em que pese a superioridade da decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas.
Esse entendimento não destoa daquele exarado na Súmula CARF n° 1 ou no Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, uma vez que, embora tais atos não tratem da pluralidade de sujeitos passivos, dispõem acerca da configuração da renúncia ou da desistência de recurso especificamente para aquele sujeito passivo que propôs a ação judicial.
Nulidade da decisão recorrida
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-004.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em declarar de ofício a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que propôs o sobrestamento do processo até o julgamento final da ação judicial mencionada no voto.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 15/09/2014 a 17/12/2014 PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. PESSOA JURÍDICA QUE NÃO É PARTE DA AÇÃO JUDICIAL. IMPUGNAÇÃO. CONHECIMENTO. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa de uma das impugnantes, no caso, a contribuinte que não é parte da ação judicial de mesmo objeto. Em que pese a superioridade da decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas. Esse entendimento não destoa daquele exarado na Súmula CARF n° 1 ou no Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, uma vez que, embora tais atos não tratem da pluralidade de sujeitos passivos, dispõem acerca da configuração da renúncia ou da desistência de recurso especificamente para aquele sujeito passivo que propôs a ação judicial. Nulidade da decisão recorrida Aguardando nova decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em declarar de ofício a nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que propôs o sobrestamento do processo até o julgamento final da ação judicial mencionada no voto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 03 15 /2 01 5- 73 Fl. 1020DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 15/09/2014 a 17/12/2014 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO. SUFICIÊNCIA. NULIDADE AFASTADA. O auto de infração reputase suficientemente motivado ao citar as soluções de consulta originadas da própria autuada e trazendo suas ementas. Não há que se alegar cerceamento de defesa se o articulado no relatório fiscal permitiu a ampla defesa da autuada tanto nos âmbitos administrativo quanto judicial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 15/09/2014 a 17/12/2014 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior ao procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 15/09/2014 a 04/12/2014 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 06/10/2014 a 17/12/2014 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1021DF CARF MF Processo nº 12466.720315/201573 Acórdão n.º 3402004.841 S3C4T2 Fl. 1.021 3 Versam os autos sobre autos de infração relativos ao Imposto de Importação (II) e ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em face da Stile Comercial Ltda. (importadora) e da Xeryu’s Importadora e Distribuidora de Artigos para Vestuário Limitada. (terceira adquirente responsável operação por sua conta e ordem), em face de reclassificação fiscal das mercadorias importadas (mala infantil com rodinhas, lancheira e estojo escolar), classificadas pela importadora em desacordo com as Soluções de Consulta nºs 65/2013, 09/2014 e 10/2014, exaradas em função de consultas formuladas pela própria XERYU'S junto à Superintendência Regional da Receita Federal (SRRF) da 8ª Região Fiscal (RF). Os referidos lançamentos foram efetuados para prevenir a decadência, nos seguintes termos: "O crédito tributário lançado através do presente Auto de Infração está com a exigibilidade suspensa por força de tutela antecipada ref. ação ordinária nº 0109149 77.2014.4.02.5001 (2014.50.01.1091491) da 6ª Vara Federal Cível do Esp. Santo (art. 151, incisos II e IV do CTN)". As interessadas apresentaram impugnações em separado, mas de mesmo conteúdo, aduzindo, em síntese: a) nulidade formal do auto de infração por cerceamento do direito de defesa; b) adequação da classificação fiscal adotada nas Declarações de Importação e c) impossibilidade da cobrança de juros de mora. Posteriormente, a STILE encaminhou a Certidão nº TRFCET2016/00191 (fls. 795796) “(...) que comprova a existência e cumprimento de ação ajuizada pelo responsável solidário, pendente do julgamento”, requerendo atualização da “(...) situação de nossa empresa, quanto a existência de débitos/pendências na Receita Federal” (fl. 794). A Delegacia não acolheu os argumentos das impugnantes, sob os seguintes fundamentos: As soluções de consulta têm efeito vinculante e os seus efeitos são estendidos às filiais da empresa. Os relatórios fiscais que embasam os lançamentos relacionam todas as DI e respectivas adições, referemse especificamente às SC apontadas, reproduzem suas ementas e assim dispõem: “Reputamos suficiente e adequada a fundamentação utilizada nas SC supracitadas” (fls. 28 e 57). Não há, pois, que se cogitar em cerceamento de defesa ou reconhecimento de nulidade formal por falta de clareza dos autos de infração, visto que apresentam todos os elementos necessários a sua compreensão e possibilitam a ampla defesa das autuadas. A impetração por uma das autuadas de ação judicial contra a autoridade fazendária importa em renúncia à discussão nas instâncias administrativas sobre a mesma matéria. Nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, a propositura de ação judicial pelo contribuinte com o mesmo objeto da autuação importa renúncia ou desistência às instâncias administrativas, sendo cabível, no presente caso, o não conhecimento da impugnação no que concerne à questão da classificação fiscal. A decisão judicial (não transitada em julgado até a lavratura das autuações), ainda que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, não tem o condão de alterar o prazo de pagamento previsto na legislação. Ainda que inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de incidência dos juros de mora no caso de decisão judicial final desfavorável ao impugnante. Somente o prévio depósito do valor integral do crédito tributário impede sua fluência desde a data do depósito até a sua conversão em renda. Cientificada em 17/06/2016, por meio de seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), a empresa STILE apresentou recurso voluntário em 18/07/2016, alegando, em síntese: Fl. 1022DF CARF MF 4 NULIDADE FORMAL DO AUTO DE INFRAÇÃO: a genérica descrição dos fatos e atos supostamente cometidos não é suficiente para delimitar a infração ou a omissão capaz de ensejar, com a certeza devida, a cobrança do imposto, a imputação de penalidade e sua consequente autuação. DA DISCUSSÃO DO MÉRITO NA ESFERA JUDICIAL: a Recorrente realiza a importação dos produtos detalhados e, aplicando as regras de interpretação da Nomenclatura Comum do Mercosul / Sistema Harmonizado, entende como corretas as classificações NCM 4202.12.20 para os produtos mala com rodas, mala de mão/lancheira e sacolas de viagem e para o estojo a posição 4202.32.00 em razão da especificidade e destinação. DA INAPLICABILIDADE DOS JUROS DE MORA PELO DEPÓSITO JUDICIAL: o CARF já possui entendimento consolidado na Súmula n.º 05, na qual dispõe que o depósito do montante integral constitui exceção à aplicação dos juros de mora em créditos tributários cuja exigibilidade esteja suspensa e, no caso, a Xeryus, Responsável Solidária, vem realizando os depósitos judiciais das diferenças, na mesma data que realiza o pagamento dos impostos, na data da Declaração de Importação. Cientificada em 17/06/2016, por meio de DTE, a empresa XERYU'S apresentou recurso voluntário em 15/07/2016, com as mesmas alegações da outra recorrente. Em resposta a requerimento da empresa XERYU'S, a Unidade de Origem manifestouse, em 23 de agosto de 2016, no sentido de que há a suspensão da exigibilidade do crédito tributário com base no inciso II do art. 151 do CTN, nestes termos: "Em atenção a vossa mensagem eletrônica de fls. 208, determinando a análise quanto à subsistência de condição suspensiva dos créditos do Processo nº 12466.720315/201573, atualmente no CARF aguardando julgamento, verifiquei que a Sacat informou, às fls. 205, que os depósitos judiciais (fls. 170171 e fls. 184185) – consignados no CNPJ da matriz do devedor solidário, embora do termo de sujeição passiva (fls. 572573 do Processo nº 12466.720315/201573) conste a filial de CNPJ nº 07.764.744/000202 – são suficientes frente ao crédito tributário lançado (...)". É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento dos recursos voluntários. A preliminar de nulidade do auto de infração não merece prosperar, vez que ele contém todos os requisitos previstos no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, além de motivação explícita, clara e congruente, consistente na declaração de concordância com Soluções de Consultas sobre classificação fiscal já emitidas pela Superintendência Regional da Receita Federal em resposta a questionamentos de umas das recorrentes, em conformidade com o art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99. Não há que se falar em descrição genérica dos fatos, como alegado pelas recorrentes, vez que, na autuação, as mercadorias objeto de reclassificação fiscal foram completamente identificadas e as regras adotadas em tal procedimento foram especificadas, além do que o montante de tributo exigível foi apurado relativamente a cada Declaração de Importação. No que concerne à classificação fiscal, não pairam dúvidas de que a questão é matéria discutida ação ordinária nº 010914977.2014.4.02.5001 (2014.50.01.1091491), proposta na 6ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Espírito Santo pela XERYU'S Fl. 1023DF CARF MF Processo nº 12466.720315/201573 Acórdão n.º 3402004.841 S3C4T2 Fl. 1.022 5 IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ARTIGOS PARA VESTUARIO LTDA, como se vê na sentença (fls. 83/96) e na Certidão (fls. 962/963), razão pela qual foi correta a decisão da DRJ de não conhecer as razões de defesa desta impugnante (responsável solidária) em relação tal matéria. Ocorre, entretanto, que não consta no presente processo, nem no sítio do Tribunal Regional Federal da 2ª Região1 que a contribuinte Stile Comercial Ltda. seja parte na referida ação ordinária ou que tenha proposto uma outra ação judicial em face da matéria tratada no auto de infração. Em que pese a superioridade no mérito da decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte Stile Comercial Ltda. tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas. Esse entendimento não destoa daquele exarado na Súmula CARF n° 1 ou no Parecer Normativo Cosit nº 7/20142, uma vez que, embora tais atos não tratem da pluralidade de sujeitos passivos, dispõem acerca da configuração da renúncia ou da desistência de recurso especificamente para aquele sujeito passivo que propôs a ação judicial. Embora as recorrentes nada tenham argumentado nesse sentido, entendo que tal questão, de ordem pública atinente ao cerceamento do direito de defesa, representa óbice insuperável ao prosseguimento do julgamento no âmbito deste CARF. Em consonância com o disposto no art. 59, II do Decreto nº 70.235/723, entendo que deve, então, ser declarada a nulidade da decisão recorrida para que outra seja 1 PROCESSO: 010914977.2014.4.02.5001 (2014.50.01.1091491) ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA AUTOR: XERYU'S IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ARTIGOS PARA VESTUARIO LTDA RÉU: UNIAO FEDERAL 2 Súmula CARF n° 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014: (...) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; (...) 3 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 1024DF CARF MF 6 proferida com a análise dos argumentos sobre classificação fiscal da impugnante que não é parte na ação judicial. Caso o Colegiado assim não entenda na sessão de julgamento, no que concerne aos juros moratórios, estaria com razão as recorrentes, a teor da Súmula CARF nº 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral" [grifei]. O auto de infração foi lavrado com suspensão da exigibilidade com base também no inciso II do art. 151 do CTN (depósito do montante integral), o que se confirma com a manifestação posterior da fiscalização no sentido de que " (...) os depósitos judiciais (fls. 170 171 e fls. 184185) – consignados no CNPJ da matriz do devedor solidário, (...) são suficientes frente ao crédito tributário lançado (...)". Dessa forma, caso rejeitada pelo Colegiado a preliminar de nulidade suscitada acima por esta Relatora, entendo que deveria ser dado provimento parcial aos recursos voluntários na parte conhecida para exonerar os juros de mora da autuação. Assim, pelo exposto, voto no sentido de declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão levando em consideração, no que concerne à controvérsia sobre classificação fiscal, a impugnação da contribuinte Stile Comercial Ltda. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1025DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.720171/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O processo tributário é regido por regras próprias e neste o contribuinte não se defende apenas dos fatos mas do lançamento como um todo, incluindo a base legal aplicada. Impossível aplicar por analogia o instituto da mutatio libelli e o teor da Súmula STF n. 453 quando norma própria do processo tributário -- no caso, o artigo 18 § 3ºdo Decreto 70.235/1972 -- exige a lavratura de auto de infração complementar se, em exames posteriores, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. DESNECESSIDADE. DESCONTOS COMERCIAIS. DEDUTIBILIDADE.
Descontos concedidos entre partes independentes são, a princípio, necessários à atividade comercial, não podendo ser glosados por desnecessidade mesmo quando em valores elevados, a menos que não comprovados como tais.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
BASE DE CÁLCULO PRÓPRIA DA CSLL. DESCONTOS COMERCIAIS. DEDUTIBILIDADE.
É dedutível na determinação da base de cálculo da CSLL a despesa com a concessão de descontos em operações de natureza mercantil visto que não há na legislação relativa a essa contribuição dispositivo que determine a sua adição ao lucro líquido para efeito de apuração de sua base de cálculo.
Numero da decisão: 1401-002.160
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto De Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010 ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo tributário é regido por regras próprias e neste o contribuinte não se defende apenas dos fatos mas do lançamento como um todo, incluindo a base legal aplicada. Impossível aplicar por analogia o instituto da mutatio libelli e o teor da Súmula STF n. 453 quando norma própria do processo tributário -- no caso, o artigo 18 § 3ºdo Decreto 70.235/1972 -- exige a lavratura de auto de infração complementar se, em exames posteriores, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. DESNECESSIDADE. DESCONTOS COMERCIAIS. DEDUTIBILIDADE. Descontos concedidos entre partes independentes são, a princípio, necessários à atividade comercial, não podendo ser glosados por desnecessidade mesmo quando em valores elevados, a menos que não comprovados como tais. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 BASE DE CÁLCULO PRÓPRIA DA CSLL. DESCONTOS COMERCIAIS. DEDUTIBILIDADE. É dedutível na determinação da base de cálculo da CSLL a despesa com a concessão de descontos em operações de natureza mercantil visto que não há na legislação relativa a essa contribuição dispositivo que determine a sua adição ao lucro líquido para efeito de apuração de sua base de cálculo.
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NOVA DENOMINAÇÃO DE BIRLA CARBON BRASIL LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O processo tributário é regido por regras próprias e neste o contribuinte não se defende apenas dos fatos mas do lançamento como um todo, incluindo a base legal aplicada. Impossível aplicar por analogia o instituto da mutatio libelli e o teor da Súmula STF n. 453 quando norma própria do processo tributário no caso, o artigo 18 § 3ºdo Decreto 70.235/1972 exige a lavratura de auto de infração complementar se, em exames posteriores, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. DESNECESSIDADE. DESCONTOS COMERCIAIS. DEDUTIBILIDADE. Descontos concedidos entre partes independentes são, a princípio, necessários à atividade comercial, não podendo ser glosados por desnecessidade mesmo quando em valores elevados, a menos que não comprovados como tais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 BASE DE CÁLCULO PRÓPRIA DA CSLL. DESCONTOS COMERCIAIS. DEDUTIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 71 /2 01 4- 13 Fl. 2586DF CARF MF 2 É dedutível na determinação da base de cálculo da CSLL a despesa com a concessão de descontos em operações de natureza mercantil visto que não há na legislação relativa a essa contribuição dispositivo que determine a sua adição ao lucro líquido para efeito de apuração de sua base de cálculo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto De Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em razão da glosa de despesas financeiras deduzidas da apuração do IRPJ e da CSLL sob a justificativa de tratarse de descontos comerciais. O relatório da decisão recorrida assim observou: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos – SP, foram lavrados contra a Interessada os autos de infração de fls. 03/16, para exigência do crédito tributário abaixo discriminado: Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 15983.720171/201413 Acórdão n.º 1401002.160 S1C4T1 Fl. 2.587 3 Os fatos que motivaram a autuação encontramse detalhados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/55, podendo ser resumidos conforme segue: (...) A Interessada é detentora da tecnologia para a fabricação de negro de fumo, sendo esta a principal atividade de seu contrato social. No anocalendário de 2010, as receitas de vendas do negro de fumo alcançaram R$ 780.745.594,11, cifra equivalente a 96,39% do total das vendas de mercadorias/produtos no período. Na composição das Despesas Financeiras informadas na Demonstração do Resultado — Ficha 06A da DIPJ/2011 —, verificouse que foi lançado o montante de R$ 178.606.207,18, a título de “Descontos Comerciais”. Após análise dos documentos coligidos, apurouse que os maiores beneficiários em tese dos Descontos Comerciais concedidos pela Interessada foram as empresasclientes abaixo relacionadas: Fl. 2588DF CARF MF 4 As vendas efetuadas para as empresas acima citadas montam R$ 599.840.728,88, cifra que corresponde a 76,83% do total das vendas de negro de fumo no ano de 2010: Na apuração fiscal, entendeu a Fiscalização que os lançamentos contábeis efetuados pela Interessada no anocalendário de 2010, a título de “Descontos Comerciais” – informados na DIPJ como “outras despesas financeiras” não procediam por não ter restado comprovada a sua natureza. Por consequência, as despesas correspondentes, no valor total de R$ 178.606.207,18, foram reputadas desnecessárias, nos termos da legislação vigente, tendo sido adicionadas às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Em síntese, as razões da Fiscalização foram as seguintes: a empresa não registra nenhum desconto nas notas fiscais emitidas no período; nos lançamentos efetuados não há procedência de registro de recebimentos de descontos financeiros por antecipação de pagamento das notas fiscais/faturas por parte dos clientes, fato determinante para lançamento no Grupo de Despesas Financeiras; a Interessada efetua pagamentos a clientes nacionais, a título de descontos comerciais, sem o amparo de contratos ou acordos os termos e acordos registrados nos Contratos de Compra e Venda apresentados têm sua redação em idioma estrangeiro, sem identificação das assinaturas das partes, nem a respectiva data de assinatura no contrato, cujos fatos são registrados na tradução oficial e, também, a existência de contrato tendo a subsidiária não identificada como beneficiária; dos termos e acordos comerciais em português/inglês apresentados constam registros que a data de assinatura é posterior à sua vigência e cujo objeto do contrato não foi comprovado, contendo dados divergentes ao serem comparados com as Solicitações de Concessão de Descontos; os preços praticados e as formas de pagamentos registradas nas notas fiscais de vendas de negro de fumo destinadas aos clientes não refletem as condições de mercado, nem correspondem aos termos que diz ser acordados nos Contratos e Termos de Acordos Comerciais; Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 15983.720171/201413 Acórdão n.º 1401002.160 S1C4T1 Fl. 2.588 5 a Interessada registra, título de Descontos Comerciais, os pagamentos de fretes e, também, reembolso de aquisição de máquinas/equipamentos do Imobilizado por parte de clientes; a Interessada efetua pagamentos a título de descontos a clientes antecipadamente aos recebimentos pelas vendas através das notas fiscais/faturas, inclusive em desacordo com os referidos Contratos e Acordos Comerciais. Inconformada com a autuação, de que tomou ciência em 23/10/2014, a Interessada apresentou, em 19/11/2014, a IMPUGNAÇÃO de fls. 2275/2313, instruída com os documentos de fls. 2314/2566, alegando, em síntese: I Nulidade dos Autos de Infração – Impossibilidade de exigência fiscal baseada em mera presunção O Auto de Infração foi lavrado com base em mera presunção da Fiscalização, que simplesmente ignorou que os descontos glosados foram concedidos para clientes, em operações firmadas entre partes independentes. Apesar de a Requerente ter apresentado extensa documentação e haver prestado todas as informações que lhe foram solicitadas, a Fiscalização afirma que os preços praticados e as formas de pagamento registradas nas notas fiscais de venda não refletem as condições de mercado. Ao alegar que as operações de venda praticadas pela Requerente não refletiriam as condições de mercado, a Fiscalização não estabeleceu nem indicou quais seriam estas “condições de mercado”. Assim, não resta dúvida de que estes descontos foram praticados em condições e parâmetros de mercado. Os descontos concedidos por uma empresa, com ou sem destaque em nota fiscal, são dedutíveis para fins de apuração do IRPJ/CSLL, pois configuram despesas necessárias, nos termos do art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964 (base legal do art. 299 do RIR/99). O destaque em nota fiscal seria relevante apenas para os tributos que incidem sobre a receita de venda (como o PIS, a COFINS e o ICMS), não afetando a apuração dos tributos que incidem sobre o lucro (como o IRPJ e a CSLL). Não faz sentido afirmar que a Requerente concede descontos a seus clientes apenas para gerar economia tributária: do ponto de vista financeiro, a empresa recupera apenas 34% do valor do desconto concedido (alíquota conjunta do IRPJ/CSLL). Além disso, como não há destaque em nota fiscal (decisão tomada para assegurar o sigilo comercial), o valor do desconto acaba sendo integralmente submetido à tributação do PIS, da COFINS e do ICMS, o que gera um alto custo tributário para a empresa. A concessão de descontos faz parte da estratégia de crescimento e administração da Requerente, condizendo com sua realidade econômica e com o relacionamento estabelecido com os seus clientes. Os descontos concedidos pela Requerente foram necessários, usuais e normais na sua prática comercial. Além disso, num Fl. 2590DF CARF MF 6 cenário de crise econômica, a redução dos preços e a reestruturação dos negócios foram ainda mais necessárias para a manutenção da fonte produtora da empresa. Em verdade, os descontos em questão trouxeram benefícios diretos para a Requerente, não apenas no sentido de garantir um faturamento mínimo nas vendas de negro de fumo, como também no de fidelizar os grandes clientes do setor. Os descontos glosados pela Fiscalização não configuraram ato de liberalidade, uma vez que houve contrapartida importante em favor da Requerente, traduzida na intensificação da relação comercial com os seus clientes. Independentemente do procedimento contábil adotado pela Requerente, o que deve ser levado em conta, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL, é a natureza da despesa. Sejam condicionais ou incondicionais, financeiros ou comerciais, a verdade é que os descontos aqui tratados constituem despesas necessárias, usuais e normais na atividade da Requerente. II Juros SELIC e Multa de Ofício de 75% Na hipótese de os pedidos acima não serem acolhidos, a Requerente requer a redução da abusiva multa de ofício a patamares razoáveis, bem assim o afastamento da incidência de juros de mora sobre a referida multa. Alega não observância à razoabilidade e à proporcionalidade. Em 30 de março de 2017 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro rejeitou a preliminar de nulidade e julgou improcedentes os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL, recorrendo de ofício a este CARF. O acórdão 12 86.642 (fls. 2.5682.579) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. DESNECESSIDADE. DESCONTOS. Descontos concedidos entre partes independentes são, a priori, necessários à atividade comercial, portanto, insuscetíveis de serem glosados por desnecessidade, mesmo quando em valores elevados, a menos que não comprovados como tais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 CSLL. AUTUAÇÃO DECORRENTE. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as mesmas disposições do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, quando se tratar de autuação decorrente. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O Termo de Ciência por abertura de mensagem de fls. 2.583 registra que a empresa teve ciência do acórdão por meio de sua Caixa Postal na data de 7 de abril de 2017. Nem a contribuinte nem a PGFN apresentaram qualquer manifestação. Recebi os autos em distribuição realizada em 21 de setembro de 2017. Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 15983.720171/201413 Acórdão n.º 1401002.160 S1C4T1 Fl. 2.589 7 Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Conforme relatado, a infração apontada pela fiscalização para embasar a autuação foi de que as despesas registradas como descontos comerciais entre partes independentes não seriam necessárias, tendo sido aplicada multa de ofício de 75%. Disso se defendeu a contribuinte, sustentando primeiramente a nulidade do auto de infração (por ter se baseado em mera presunção de que tais descontos não seguiriam padrões de mercado), bem como, no mérito, indicando as razões pelas quais tais descontos seriam necessários, usuais e normais e, portanto, dedutíveis. O relator do acórdão recorrido inicialmente conclui, em voto que restou superado, pela nulidade do auto de infração, sobretudo em razão da incongruência entre os fatos narrados e a fundamentação jurídica do lançamento. Isso porque, embora a base legal da autuação tenha sido tão somente a desnecessidade das despesas, aparentemente o que a fiscalização pretendeu foi acusar a contribuinte de ter realizado pagamentos sem causa ou despesas não comprovadas, especialmente quando aponta que os descontos não estão registrados nas notas fiscais, não são registrados contabilmente como antecipação de pagamento por parte dos clientes e não encontram amparo nos contratos de compra e venda firmados com estes. Em suas palavras: Assim, vejo diversas figuras nesse caso que apontam para a nulidade do Auto de Infração, entre elas: a prova diabólica ou de excessiva dificuldade para afastar a presunção de que os descontos concedidos entre partes independentes não eram necessários à atividade operacional da Impugnante; a inépcia da Autuação Fiscal, por não haver congruência entre os fatos narrados e a conclusão tirada pela fiscalização ao final, no apontamento da infração cometida pela empresa; a impossibilidade de mutatio libelli, isto é, de manter a autuação porém sob outros fundamentos, se contra esses não houve defesa específica na Impugnação; por fim, o cerceamento do direito de defesa, como decorrência das observações já apontadas, pois o contraditório possível (viável) é de observância obrigatória também nos processos administrativos, conforme previsão constitucional. Além disso, observa que muito embora haja "fortes indícios de pagamentos sem causa/despesas não comprovadas", não se pode manter o lançamento lastreado em uma impressão pessoal sobre os autos, que não foi submetida ao contraditório e que sequer foi assim fundamentada pela fiscalização. Salienta, ademais, que mesmo que a contribuinte quisesse se defender quanto à comprovação das despesas isso não seria possível, visto que o auto de infração não individualizou as despesas em tese não comprovadas. Apesar de tal preliminar de nulidade ter sido superada pela turma julgadora a quo, entendo que é exatamente o caso. A declaração de voto anexada aos autos por um dos julgadores de primeiro grau chega a corroborar tal fato quando, ao mesmo tempo em que pretende defender a possibilidade de mutatio libelli na seara tributária e a aplicação da Súmula Fl. 2592DF CARF MF 8 STF n. 4531, transcreve o § 3º do artigo 18 do Decreto 70.235/1972, o qual é claro em exigir a lavratura de auto de infração complementar quando, em exames posteriores, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada2. Ou seja, o Direito Tributário regula especificamente o caso análogo à mutatio libelli criminal, exigindo a formalização de lançamento complementar e a notificação do sujeito passivo para se defender de tal alteração, fato este que impede que se trate o instituto exatamente da mesma forma como ele é tratado no Direito Penal. Assim, a princípio, orientaria meu voto pela nulidade do auto de infração. No mérito, porém, observo que também assiste razão à contribuinte. De fato, as alegações trazidas no Termo de Verificação Fiscal não são suficientes para infirmar a posição de que os descontos concedidos pela contribuinte a partes independentes não eram necessários. Sobre o tema, vale observar o disposto na Solução de Consulta COSIT nº 212/2015: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ DESPESAS OPERACIONAIS. BONIFICAÇÕES COMERCIAIS CONCEDIDAS. DEDUTIBILIDADE. A concessão de bonificações em operações de natureza mercantil, com o fito de manter fidelidade comercial e ampliar mercado, visando aumento de vendas e possivelmente do lucro, é considerada despesa operacional dedutível, devendo, entretanto, as bonificações concedidas, guardar estrita consonância com as operações mercantis que lhes originaram. Dispositivos Legais: Lei n° 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 47; Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), arts. 249, 299 e 366, inciso V; e Parecer Normativo CST n° 32, de 17 de agosto de 1981. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES COMERCIAIS CONCEDIDAS. DEDUTIBILIDADE. É dedutível na determinação da base de cálculo da CSLL, a despesa com a concessão de bonificações em operações de natureza mercantil, com o fito de manter fidelidade comercial e ampliar mercado, visando aumento de vendas e possivelmente do lucro, visto que 1 Súmula STF n. 453: "Não se aplicam à segunda instância o art. 384 e parágrafo único do Código de Processo Penal, que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de circunstância elementar não contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou queixa." 2 "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)" Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 15983.720171/201413 Acórdão n.º 1401002.160 S1C4T1 Fl. 2.590 9 não há na legislação relativa a essa contribuição dispositivo que determine a sua adição ao lucro líquido para efeito de apuração de sua base de cálculo. Dispositivos Legais: Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2º; Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 57; Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 13; Lei nº 9.430, de 1996, art 28; Instrução Normativa RFB nº 390, de 30 de janeiro de 2004, arts. 3º e 38. Ressalto, por fim, que quanto à CSLL sequer o critério da necessidade é aplicável. Sobre o tema, irretocável o seguinte trecho da Solução de Consulta COSIT nº 212/2015: 9. A base de cálculo da CSLL, conforme prescreve o art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, que instituiu essa contribuição, é o resultado do exercício (lucro líquido), antes da provisão para o imposto de renda, ajustado pelas adições e exclusões, inicialmente estipuladas nesse artigo (alínea “c” do § 1º). 10. Os ajustes do lucro líquido, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL, estão consignados, essencialmente, no já citado art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, e no art. 13 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. É importante citar, também, o art. 3º, inciso II, da Lei nº 8.003, de 14 de março de 1990; o art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; os arts. 1º, § 3º, e 60 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997; o art. 34 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001; e o art. 1º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Notese que essas menções não são exaustivas, existindo ainda outros ajustes, vinculados a tópicos particulares da legislação tributária (caso do reconhecimento de variações monetárias, por exemplo), os quais, no entanto, não guardam relação com o objeto da consulta. 11. A Instrução Normativa SRF nº 390, de 30 de janeiro de 2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL, em seu art. 38, trata das adições ao lucro líquido, decorrentes das normas acima citadas, e explicita outras, devidas em função da aplicação das demais disposições legais. 12. Não se encontra entre os dispositivos precitados comando que expressamente considere indedutível, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, a despesa com a concessão de bonificações em operações de natureza mercantil. 13. É pertinente recordar a vigência de dispositivos da legislação tributária que ordenam a utilização de normas do imposto de renda no âmbito da CSLL: art. 6º da Lei nº 7.689, de 1988; art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995; art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Dentre eles, impende destacar o art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, o qual, em seu caput, assevera que “aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas”, “mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor” (destacouse). 14. O art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 390, de 2004, por seu turno, esclarece que “aplicamse à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e, no que couberem, Fl. 2594DF CARF MF 10 as referentes à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação da CSLL” (grifouse). 15. A análise dessas disposições permite inferir que, embora à CSLL apliquemse as mesmas normas de apuração e de pagamento do IRPJ, no que se refere à composição da base de cálculo dessa contribuição hão de ser observadas as regras específicas de sua legislação própria, inclusive no tocante aos ajustes do lucro líquido (adições e exclusões), pois é de seu cômputo que se origina o resultado ajustado, base de cálculo da CSLL. Dessa forma, considerando o disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, supero a nulidade do auto de infração para, no mérito, manter o seu cancelamento, nos termos da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2595DF CARF MF
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Numero do processo: 36624.000801/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO
Tendo em visa que o crédito tributário exonerado pela DRJ encontra-se abaixo do limite de alçada determinado pela Portaria MF n° 63/2017, não conheço do Recurso de Ofício (Súmula CARF n° 103).
NULIDADE E REVISÃO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA
Não há nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação.
Não há que se falar em revisão de lançamento de ofício, nos termos do 149 do CTN, mas tão somente em cumprimento de diligência, análise de documentos e revisão da multa aplicada em virtude da correção das informações constantes no SEFIP e GFIP pelo contribuinte.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSUBSISTÊNCIA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL
A improcedência da exigência do crédito tributário com relação às competências que foram extintas no processo principal por não mais subsistir a própria obrigação principal. Como não se pode cobrar o valor principal, não cabe a exigência da multa por descumprimento de obrigação acessória do que foi extinto.
BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO
Os valores pagos de bolsas de estudos a funcionários e a seus filhos não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não há que se falar em omissão na apresentação de GFIP, sendo insubsistente a cobrança da multa que deve ser excluída do lançamento.
RELEVAÇÃO DA MULTA.
Com supedâneo na legislação vigente à época do lançamento, impõe-se reconhecer o direito da contribuinte quanto à relevação da multa com relação a todas as faltas corrigidas até a decisão de primeira instância, inclusive as GFIPs corrigidas parcialmente.
Numero da decisão: 2401-005.146
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. por unanimidade, conhecer do recurso voluntário e, por maioria, dar-lhe provimento parcial para: (i) afastar a aplicação da multa para as competências até 11/2001, inclusive; (ii) excluir da base de cálculo da multa os valores relativos a bolsas de estudo; e (iii) relevar a multa com relação a todas as faltas corrigidas até 25/08/2010. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que reconhecia o direito à relevação da multa apenas para as correções integrais realizadas até a data limite para apresentação da impugnação (12/01/2007). Ao afastar a penalidade até as competências 11/2001, o conselheiro Cleberson Alex Friess acompanhou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente.em exercício
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO Tendo em visa que o crédito tributário exonerado pela DRJ encontra-se abaixo do limite de alçada determinado pela Portaria MF n° 63/2017, não conheço do Recurso de Ofício (Súmula CARF n° 103). NULIDADE E REVISÃO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA Não há nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. Não há que se falar em revisão de lançamento de ofício, nos termos do 149 do CTN, mas tão somente em cumprimento de diligência, análise de documentos e revisão da multa aplicada em virtude da correção das informações constantes no SEFIP e GFIP pelo contribuinte. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSUBSISTÊNCIA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A improcedência da exigência do crédito tributário com relação às competências que foram extintas no processo principal por não mais subsistir a própria obrigação principal. Como não se pode cobrar o valor principal, não cabe a exigência da multa por descumprimento de obrigação acessória do que foi extinto. BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO Os valores pagos de bolsas de estudos a funcionários e a seus filhos não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não há que se falar em omissão na apresentação de GFIP, sendo insubsistente a cobrança da multa que deve ser excluída do lançamento. RELEVAÇÃO DA MULTA. Com supedâneo na legislação vigente à época do lançamento, impõe-se reconhecer o direito da contribuinte quanto à relevação da multa com relação a todas as faltas corrigidas até a decisão de primeira instância, inclusive as GFIPs corrigidas parcialmente.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO Tendo em visa que o crédito tributário exonerado pela DRJ encontrase abaixo do limite de alçada determinado pela Portaria MF n° 63/2017, não conheço do Recurso de Ofício (Súmula CARF n° 103). NULIDADE E REVISÃO DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA Não há nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. Não há que se falar em revisão de lançamento de ofício, nos termos do 149 do CTN, mas tão somente em cumprimento de diligência, análise de documentos e revisão da multa aplicada em virtude da correção das informações constantes no SEFIP e GFIP pelo contribuinte. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSUBSISTÊNCIA. EXTINÇÃO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A improcedência da exigência do crédito tributário com relação às competências que foram extintas no processo principal por não mais subsistir a própria obrigação principal. Como não se pode cobrar o valor principal, não cabe a exigência da multa por descumprimento de obrigação acessória do que foi extinto. BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO Os valores pagos de bolsas de estudos a funcionários e a seus filhos não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Não há que se falar em omissão na apresentação de GFIP, sendo insubsistente a cobrança da multa que deve ser excluída do lançamento. RELEVAÇÃO DA MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 00 08 01 /2 00 7- 60 Fl. 5016DF CARF MF 2 Com supedâneo na legislação vigente à época do lançamento, impõese reconhecer o direito da contribuinte quanto à relevação da multa com relação a todas as faltas corrigidas até a decisão de primeira instância, inclusive as GFIPs corrigidas parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. por unanimidade, conhecer do recurso voluntário e, por maioria, darlhe provimento parcial para: (i) afastar a aplicação da multa para as competências até 11/2001, inclusive; (ii) excluir da base de cálculo da multa os valores relativos a bolsas de estudo; e (iii) relevar a multa com relação a todas as faltas corrigidas até 25/08/2010. Vencido o conselheiro Cleberson Alex Friess que reconhecia o direito à relevação da multa apenas para as correções integrais realizadas até a data limite para apresentação da impugnação (12/01/2007). Ao afastar a penalidade até as competências 11/2001, o conselheiro Cleberson Alex Friess acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente.em exercício (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Virgilio Cansino Gil. Ausente justificadamente a Conselheira Miriam Denise Xavier. Ausente o Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 5017DF CARF MF Processo nº 36624.000801/200760 Acórdão n.º 2401005.146 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Ofício interpostos, por ISCP – SOCIEDADE EDUCACIONAL S.A. e a FAZENDA NACIONAL, em face da decisão da 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP (DRJ/SP1), que julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento da NFLD nº 37.065.6334 (fl. 02), lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições a seu cargo, conforme ementa do Acórdão nº 1626.417 (fls. 4.520/4.536): Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Constitui infração deixar de informar mensalmente por meio de GFIP os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Art. 32, IV da Lei 8.212/91. LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. INTIMAÇÃO DIRIGIDA EXCLUSIVAMENTE AO PATRONO DA EMPRESA NO ENDEREÇO DAQUELE. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o § 4° do art. 23 do Decreto 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 07/08), a ação fiscal verificou que, nas competências de 01/99 a 12/2005, a recorrente omitiu das GFIP’s os seguintes fatos geradores de contribuições: Fl. 5018DF CARF MF 4 1. Bolsas de estudo dissídio coletivo, concedidas aos funcionários e/ou filhos de funcionários da empresa. 2. Bolsas de estudo FUNADESP concedidas a funcionários da empresa. 3. Remuneração paga a autônomos/contribuintes individuais. 4. Horas extras pagas a funcionários da empresa. 5. Diferenças apuradas entre a folha de pagamento e GFIP. O Relatório Fiscal também informa que a multa aplicada de 17/09/2000 a 04/2003 corresponde somente às contribuições dos segurados em virtude de liminar do STJ que suspendeu o ato do Ministro da Previdência que cancelou o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS. O Valor da multa é de R$ 2.886.466,04 (dois milhões, oitocentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e sessenta e seis reais e quatro centavos), e o seu cálculo encontra se nas planilhas anexas ao relatório às fls. 09 e 10. A Recorrente tomou ciência do Auto de Infração em 28/12/2006 (fl. 02), e em 12/01/2007 apresentou, tempestivamente, sua Impugnação (fls. 201/233, documentos anexos nas fls. 234 a 1.428). Em 14/02/2007 apresentou requerimento (fls. 1.433/1.436, documentos anexos nas fls. 1.437 a 4.397) onde pleiteia a relevação da multa aplicada e, alternativamente, no caso de não ter seu pleito atendido, pede a realização de revisão do valor da multa em face de todas as correções efetivadas tempestivamente. Em 19/07/2007 a 14ª Turma da DRJ/SPOI, através do Despacho nº 28 (fls. 4.401/4.402), determinou a realização de diligência para que a fiscalização esclarecesse as seguintes questões: 1. Se a concessão das bolsas de estudo se enquadra, ou não, na hipótese de exclusão de incidência prevista no § 9º, alínea "t", do art. 28 da Lei 8.212/91 (justificar); 2. Se no caso em questão, as bolsas foram concedidas somente aos empregados ou se os seus dependentes (filhos, cônjuges, etc.) também tiveram acesso às mesmas; 3. Se os benefícios concedidos aos empregados se referem a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa; 4. Quais as diferenças entre os dois tipos de bolsas concedidos (dissídio coletivo e FUNADESP). Em cumprimento ao pedido de Diligência a RFB emitiu relatório (fls. 4.420/4.421) onde afirmou o seguinte: Da concessão de bolsas de estudoAs bolsas de estudo concedidas não se enquadram na hipótese de exclusão de incidência prevista no § 9º, alínea "t", do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Fl. 5019DF CARF MF Processo nº 36624.000801/200760 Acórdão n.º 2401005.146 S2C4T1 Fl. 4 5 "Bolsas de Estudo Dissídio Coletivo", concedidas aos funcionários e a filhos de funcionários, por força de Acordo Sindical, assumindo cunho trabalhista de natureza salarial (salário utilidade). "Bolsas de Estudo FUNADESP (Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular), concedidas a funcionários pertencentes ao corpo docente e/ou administrativo. A entidade alega tratarse de "capacitação profissional", porém, em nenhum momento da ação fiscal apresentou elementos (pesquisas, estudos, teses, publicações, etc.) que comprovassem tal afirmação. Assim, diante dos fatos acima narrados, em ambos os casos, ficou caracterizada a remuneração indireta, não incluída, portanto, na hipótese de exclusão prevista no § 9º, alínea "t”, do art. 28 da Lei 8.212/91. Da revisão da multa aplicada Com base na análise das folhas de pagamento e seus respectivos registros contábeis, bem como das retificações das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, revisamos o valor da multa de R$ 2.886.466,04 (dois milhões, oitocentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e sessenta seis reais e quatro centavos) para R$ 2.785.056,64 (dois milhões, setecentos e oitenta e cinco mil, cinquenta e seis reais e sessenta e quatro centavos), conforme discriminativo anexo (fls. 4.422/4.424). A Recorrente tomou ciência do resultado da diligência em 04/12/2009 (fl. 4.421) e em 12/02/2009 se manifestou apenas reiterando os argumentos da impugnação e requerendo a aplicação da Súmula nº 8, do STF, e a consequente extinção das exigências alcançadas pela decadência (fls. 4.517/4.518). Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 14ª Turma da DRJ/SP1 julgou procedente em parte o lançamento, excluindo o crédito referente às competências de 01/1999 a 11/2000 em razão da decadência, e a retificação do crédito referente às competências posteriores a 11/2000, conforme manifestação e planilhas elaboradas pela Fiscalização juntadas aos autos (fls. 4.420/4.424), restando alterado o valor da multa aplicada de R$ 2.886.466,04 (dois milhões, oitocentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e sessenta e seis reais e quatro centavos) para R$ 1.880.614,42 (um milhão, oitocentos e oitenta mil, seiscentos e quatorze reais e quarenta e dois centavos), respeitada a legislação de regência no que tange à retroatividade da legislação mais benigna. A Recorrente teve ciência do Acórdão nº 1626.417 em 22/10/2010, via postal (AR à fl. 4.538), e apresentou, tempestivamente, em 11/11/2010, seu Recurso Voluntário (fls. 4.549/4.579), onde: · Argumenta que as bolas de estudo concedidas aos seus funcionários e os respectivos dependentes, seja pela via do convenio firmado com a FUNADESP ou decorrentes de Acordos e Dissídios Coletivos de Trabalho, não possuem o caráter salarial. Fl. 5020DF CARF MF 6 · Sustenta, em relação às horas extras pagas aos funcionários, diferenças apuradas entre folha de pagamento e GFIP e remuneração pagas aos autônomos e contribuintes individuais há necessidade de relevação da multa aplicada, de acordo com o disposto no art. 291 do Decreto 3.048/99, uma vez que foram feitas as devidas correções nas GFIP´s; · Ressalta que fez as devidas retificações das informações prestadas, nos termos em que determina a legislação especifica, entretanto, sem a obrigação de efetuar qualquer recolhimento a título de contribuição social, por se tratar de entidade imune, nos termos do artigo 195, parágrafo 7º da CF/88, como exaustivamente já demonstrou em outras defesas administrativas também julgadas pela DRJ; · Requer a aplicação da legislação mais benéfica superveniente ao recorrente em face da nova sistemática na aplicação de multas, nos termos da Medida Provisória nº 449, de 2008 que altera a Lei 8.212/91. · Requer que todas as intimações e publicações sejam feitas em nome do seu Patrono. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento pela 1ª Turma, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que em 10/03/2015 resolveu converter o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 2401000.455 (fls. 4.732/4.772). A DEFIS/SPO emitiu Relatório Fiscal de Diligência (fls. 4.764/4.765) onde concluiu pela não correção integral da falta. O resultado da diligência foi encaminhado à Recorrente que teve ciência, via postal (AR à fl. 4.773), em 05/04/2016 e apresentou suas Razões Adicionais de Defesa (fls. 4.778/4.807). O processo foi encaminhado para julgamento tendo os membros do Colegiado convertido o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2401000.585 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, para que o Fiscal competente elabore uma planilha para cada fato gerador, indicando por competência: (i) o valor que deveria ter sido informado em GFIP; (ii) a data e o valor informado; (iii) a data e o valor da correção da falta, caso tenha sido corrigida; (iv) o valor que faltou corrigir; (v) conclusão dizendo se houve correção e se ela foi total ou parcial. Em atendimento à Resolução mencionada, foi exarado o Relatório Fiscal da Diligência (fl. 4965) e anexadas as planilhas de fls. 4966/4973. Concluiu a AFRF que: (i) não ocorreu a correção integral da falta das diferenças apuradas entre a folha de pagamento e GFIP; (ii) considerandose a data da lavratura do auto em 26/12/2006 e a data limite para impugnação com correção da falta em 12/01/2007, foram identificadas em novas planilhas as contribuições de empregados e contribuintes individuais que deveriam ser declarados em GFIP e com a informação se houve cumprimento total ou parcial da exigência. Após intimação do resultado da diligência o contribuinte apresentou às fls. 4983/5011, razões adicionais à defesa em que requereu: (i) o reconhecimento da decadência de parte do período do fato gerador relativo às competências de dezembro/2000 a novembro/2001, em conformidade com a contagem do prazo do artigo § 4º do art. 150 CTN; (ii) o provimento do recurso para reconhecer a relevação da multa concernente a todas as correções realizadas Fl. 5021DF CARF MF Processo nº 36624.000801/200760 Acórdão n.º 2401005.146 S2C4T1 Fl. 5 7 pela recorrente até 25 de agosto de 2010, data da decisão de primeira instância; (iii) a exclusão do montante da base de cálculo da multa aplicada relativa aos créditos tributários julgados improcedentes e excluídos pela Turma nos DEBCAD´s nºs 37.014.2349 e 37.014.2357, em razão da rubrica bolsa de estudos não fazer parte do salário de contribuição; (iv) exclusão da base de cálculo da multa os valores excluídos por esta Turma julgadora correspondentes aos DEBCAD´s nºs 37.014.2365 e 37.014.2373, em razão da rubrica horas extras não fazerem parte do salário de contribuição, bem como os DEBCAD´s nºs 37.014.2330 e 37.014.2381 em razão da rubrica pagamentos autônomos; (v) recálculo da multa nos termos do art. 32A da Lei nº 8.212/91; Tendo em vista o retorno de diligência o processo foi encaminhado a esta Relatora para inclusão em pauta e prosseguimento no julgamento. É o relatório. Fl. 5022DF CARF MF 8 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Por ocasião do julgamento na DRJ o lançamento foi julgado parcialmente procedente, alterando o valor da multa aplicada de R$ 2.886.466,04 (dois milhões, oitocentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e sessenta e seis reais e quatro centavos) para R$ 1.880.614,42 (um milhão, oitocentos e oitenta mil, seiscentos e quatorze reais e quarenta e dois centavos), conforme se constata à fl. 4521. Tendo em visa que o crédito tributário exonerado pela DRJ encontrase abaixo do limite de alçada determinado pela Portaria MF n° 63/2017, não conheço do Recurso de Ofício (Súmula CARF n° 103). Revisão do lançamento Assevera em seu Recurso Voluntário a nulidade do lançamento. Entendo que não assiste razão à Recorrente. Não há que se falar em nulidade quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. Aduz ainda que após a determinação da DRJ para que fossem baixados os autos em diligência, sucedeuse uma nova fiscalização que resultou em novo relatório fiscal, o que consubstancia um novo lançamento, sem a observância do previsto no parágrafo único do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN). Por esse motivo entende que ocorreu a decadência parcial do crédito tributário, concernente às competências anteriores a Dezembro/2004. Conforme se verifica dos autos, o lançamento compreende as competências 01/ 1999 a 11/2005, tendo sido o contribuinte dele cientificado em 28/12/2006. Posteriormente, foi determinada pela DRJ/SPOI a elaboração de diligência para esclarecimentos ao órgão julgador acerca das alegações e documentos juntados por ocasião da apresentação da impugnação, o que foi esclarecido através da Informação Fiscal Complementar (fls. 4420/4421), na qual o Auditor Fiscal analisou os dados e documentos apresentados. Destarte, no presente caso, não há que se falar em revisão de lançamento de ofício, nos termos do 149 do CTN, mas tão somente em cumprimento de diligência, análise de documentos e revisão da multa aplicada em virtude da correção das informações constantes no SEFIP e GFIP pelo contribuinte. Fl. 5023DF CARF MF Processo nº 36624.000801/200760 Acórdão n.º 2401005.146 S2C4T1 Fl. 6 9 Ademais, por ocasião da diligência, o Auditor Fiscal, de forma pormenorizada, analisou os dados e documentos apresentados pelo contribuinte, sem qualquer alteração na motivação da acusação fiscal originária. O que deve ser analisado no presente caso é se deve prevalecer o lançamento da multa por descumprimento da obrigação acessória não atingida pela decadência, em face da extinção da obrigação principal. Pois bem. Quando foi efetuado o lançamento da multa por descumprimento da obrigação acessória, não mais existia parte da obrigação principal em virtude da extinção do crédito tributário. Nesse contexto, a multa por descumprimento de obrigação acessória não deve subsistir na medida em que sequer permanece o interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos relativos aos fatos geradores extintos pela decadência. Assim dispõe o § 2º do artigo 113 do Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (Grifamos). Diferente é a situação em que ocorre a exclusão do crédito tributário em face da isenção. Nesse caso, o próprio CTN disciplina a necessidade do cumprimento das obrigações acessórias decorrentes da obrigação principal, senão vejamos: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. Assim, em análise mais aprofundada aos presentes autos, entendo que não mais subsistindo obrigação principal, que fora extinta, deve, por conseguinte, ser afastada a aplicação da multa lavrada no presente lançamento correspondente às competências extintas Fl. 5024DF CARF MF 10 nos autos de infração de obrigação principal, nos termos do que determina o § 2º do art. 113 do CTN. Assim, julgo pela improcedência da exigência do crédito tributário com relação às competências que foram extintas no processo principal por não mais subsistir a própria obrigação principal. Como não se pode cobrar o valor principal, não cabe a exigência da multa por descumprimento de obrigação acessória do que foi extinto. Exclusão dos fatos geradores da base de cálculo da multa em decorrência do provimento dos recursos voluntários concernentes às obrigações principais Aduz a Recorrente que diante da improcedência dos lançamentos fiscais relativos às obrigações principais, a base de cálculo da multa aplicada deverá ser reduzida, em face da ausência de fatos geradores a serem declarados em GFIP referentes às rubricas lançadas indevidamente. Destarte, como no presente Processo Administrativo se discute a obrigação instrumental acessória de informar em GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias, necessário se faz verificar o exame de mérito no que diz respeito às competências não alcançadas pela decadência. Com relação às bolsas de estudo, foi proferida decisão no Processo nº 36624.000814/200739, Acórdão nº 2401003.876– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, na qual o colegiado firmou entendimento no sentido de que os valores pagos aos empregados e aos seus dependentes, se insere na norma de não incidência, conforme se destaca a seguir: Notadamente, há de se apontar que diante das alterações trazidas a lume pela Lei, no art. 28, §9o, alínea “t”, da Lei 8.212/91, a concessão de bolsas de estudo a dependentes passou a ser expressamente considerada pela norma de não incidência como não componente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, de modo que norma mais benéfica e posterior ao lançamento, veio a tratar tal situação como não mais contrária ao ordenamento jurídico, entendimento, este aplicável ao presente caso, tendo em vista que não foram imputados à recorrente quaisquer outros supostos descumprimentos de referida norma, mas apenas imputado à verba o caráter salarial. [...] No mesmo sentido, já decidiu este Eg. Conselho, em julgado capitaneado pelo Em. Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, cuja ementa é a seguir reproduzida: [...] AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CONCEDIDO AOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS EMPREGADOS. NÃO INCIDÊNCIA. LEGISLAÇÃO POSTERIOR MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A concessão de bolsas de estudo e de material escolar aos empregados e aos dependentes, mesmo em se tratando de cursos de graduação e pósgraduação, Fl. 5025DF CARF MF Processo nº 36624.000801/200760 Acórdão n.º 2401005.146 S2C4T1 Fl. 7 11 desde que atenta os requisitos da legislação previdenciária, inserese na norma de não incidência. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a averiguação da concessão do auxílioeducação aos segurados empregados e aos dependentes, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, e, quanto ao recurso voluntário, reconhecer a decadência das contribuições parte da empresa e dos empregados lançadas até as competências 09/2000 e, no mérito, em DARLHE PROVIMENTO, para julgar totalmente improcedente o lançamento quanto às demais competências lançadas relativamente às contribuições parte da empresa, destinadas ao financiamento do GILRAT, terceiros e as relativas à parte do empregado. (Grifamos). Conforme se destaca, a decisão lavrada no processo de obrigação principal considerou improcedente a exigência dos valores pagos a título de bolsas de estudos por não considerar essa rubrica como salário de contribuição. Assim, se tais valores não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, também não deve incidir sobre os consectários legais, não havendo que se falar em omissão na apresentação de GFIP, sendo, consequentemente, insubsistente a cobrança da multa que deve ser excluída do lançamento. No que tange às demais rubricas, com relação às competências a partir de 12/2001, em que permanece o dever instrumental acessório de informar os respectivos fatos geradores em GFIP, deve ser analisada a relevação da multa aplicada. Relevação da Multa A relevação da multa deve ser verificada com relação ao crédito tributário ainda remanescente. Destaquese que a Recorrente tomou ciência do Auto de Infração em 28/12/2006 (fl. 02), e em 12/01/2007 apresentou sua impugnação em que requereu a relevação da multa (fls. 201/233). A decisão proferida pela DRJ ocorreu em sessão de julgamento realizada em 25/08/2010. Em 14/02/2007 a empresa apresentou requerimento onde pleiteia novamente a relevação da multa aplicada (fls. 1.433/1.436). A decisão de piso não considerou a correção das faltas e apontou como motivo a indicação da condição de isenta mantida nas GFIP´s retificadoras, com o Código FPAS 639 utilizado para as entidades isentas. Afirmou que independente de ter havido, em data posterior ao lançamento, a inclusão das referidas verbas no total das remunerações informadas em GFIP, em virtude do código incorreto do FPAS, não deveriam ser consideradas para efeito de relevação da multa. Fl. 5026DF CARF MF 12 Importante destacar o que dispõe o art. 291 do RPS Decreto n° 3.048/1999, vigentes à época do lançamento e impugnação: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Grifamos). Ressaltese ainda que a mudança legislativa à referida norma ocorreu apenas em momento posterior ao lançamento e após a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Conforme se observa, a contribuinte requereu que fosse relevada a multa dentro do prazo para a defesa e, parte das correções foram efetuadas até a decisão de primeira instância, conforme planilhas de fls. 4966/4973. Destaquese ainda que o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional somente estabelece a retroatividade de novas normas à época da prática do ato quando for mais benéfica ao contribuinte, senão vejamos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe ainda destacar que a lei não estabelece se a correção deve ser total ou parcial, razão pela qual, em caso de dúvidas, a lei tributária deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte, conforme estabelece o artigo 112 do CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 5027DF CARF MF Processo nº 36624.000801/200760 Acórdão n.º 2401005.146 S2C4T1 Fl. 8 13 Assim, com supedâneo na legislação vigente à época do lançamento, impõe se reconhecer o direito da contribuinte quanto à relevação da multa com relação a todas as faltas corrigidas até 25/08/2010, inclusive as GFIPs corrigidas parcialmente. Conclusão Ante o exposto, não conheço do Recurso de Ofício. Conheço do Recurso Voluntário, para, não acolher a preliminar de nulidade e, no mérito, DARLE PROVIMENTO para: (i) afastar a aplicação da multa para as competências até 11/2001, inclusive; (ii) excluir da base de cálculo da multa os valores relativos a bolsas de estudo; e (iii) relevar a multa com relação a todas as faltas corrigidas até 25/08/2010, inclusive as GFIPs corrigidas parcialmente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 5028DF CARF MF
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