Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,954)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,892)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,944)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,143)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,303)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,526)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10983.903141/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR.
A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1402-002.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se pedido de perícia ou diligência quando sua realização revele-se impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10983.903141/2008-89
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851507
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-002.944
nome_arquivo_s : Decisao_10983903141200889.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 10983903141200889_5851507.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7200639
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009064177664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1880; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.903141/200889 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.944 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP COMPENSAÇÃO DE VALOR RECOLHIDO INDEVIDAMENTE Recorrente CONFRETTA CONSTRUTORA FRETTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese pedido de perícia ou diligência quando sua realização revelese impraticável e prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADORA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO E TRANSCORRIDOS MAIS DE 5 ANOS DO FATO GERADOR. A DCTF retificadora transmitida após a ciência do Despacho Decisório, objetivando reduzir o valor do débito ao qual o pagamento estava integralmente alocado, e já transcorridos 5 (cinco) anos para pleito da restituição, não pode gerar efeitos jurídicos para a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a solicitação de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente Leonardo Luis Pagano Gonçalves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 31 41 /2 00 8- 89 Fl. 25DF CARF MF Processo nº 10983.903141/200889 Acórdão n.º 1402002.944 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, buscando extinguir por compensação de débito próprio. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC – DRF Florianópolis proferiu o Despacho Decisório, o qual não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento arrolado como crédito já teria sido integralmente utilizado. Conseqüentemente, foi promovida a cobrança do débito arrolado na compensação, com os acréscimos legais decorrentes da mora (multa de mora e juros). Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com a autuação, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que foi entregue retificadora da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica referente ao exercício 2003, anocalendário de 2002, e também DCTF retificadora, sendo informados os débitos correspondentes ao exercício. Complementa dizendo que não merece prosperar o entendimento exarado pela autoridade fiscal, posto tratarse de compensação devida e que houve pagamento a maior/indevido. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, entendeu que não há elementos suficientes para concluir que o pagamento arrolado como crédito é maior que o devido, devendo, por isso, ser mantido o que foi decidido através do Despacho Decisório e ser considerada não homologada a compensação. Fundamentou a sua decisão que a recorrente admite que apresentou a DCTF retificadora, somente após a ciência do Despacho Decisório. Portanto, a conclusão a que chegou o Despacho Decisório advém das informações contidas nos sistemas de controle da RFB, que foram prestadas pela própria interessada através da DCTF original. Destarte, é certo, porém, que a retificação da DCTF promovida através da mera apresentação de declaração retificadora, sem a comprovação documental do erro anteriormente cometido, não tem o condão de, de pronto, alterar o débito anteriormente informado e, conseqüentemente, fazer surgir crédito para ser utilizado em compensação. Neste sentido, deve ser levado em conta que a interessada apresentou retificação da DCTF somente após a ciência do Despacho Decisório que não homologou a compensação e, ainda, sem a devida comprovação de que o valor do débito anteriormente confessado não é devido, o que seria obrigatório na hipótese ora analisada, dada a perda de espontaneidade. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que expõe os seguintes elementos e argumentos: Fl. 26DF CARF MF Processo nº 10983.903141/200889 Acórdão n.º 1402002.944 S1C4T2 Fl. 4 3 O art. 1º da IN nº 166/99 reconhece a possibilidade de restituição e/ou compensação de tributos a partir da DIPJ retificadora, sem condicionar a necessidade de DCTF retificadora; Os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade, sendo ônus da fiscalização solicitar documentos, nos termos do art. 9º, caput, do Decreto nº 70.235/72; A apresentação da DCTF retificadora apresentada após o início do MPF não constituiria motivo por si só para indeferimento do pedido de restituição; Aplicarseia a verdade material, pois um erro material no envio da DCTF retificadora não poderia prevalecer sobre o direito do crédito, este decorrente de pagamento indevidamente efetuado, e informado na DIPJ. Cita alguns acórdãos e ementas pertinentes para corroborar seu raciocínio; Se houvesse dúvida, poderia ser convertido o julgamento em diligência, para análise do direito creditório e da compensação; Dispõe posteriormente sobre a formalidade moderada e da verdade material que regem o processo administrativo fiscal para justificar a apresentação da DIPJ e demais documentos que demonstram o direito ao crédito; Disto pede que seja julgado procedente o presente recurso, e alternativamente, seja determinada a conversão em diligência para apuração da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.926, de 22.02.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10983.901701/200941. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.926): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pela recorrente, para apuração da compensação pleiteada, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos. Destarte, aplicase o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de Fl. 27DF CARF MF Processo nº 10983.903141/200889 Acórdão n.º 1402002.944 S1C4T2 Fl. 5 4 diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Embora o comando legal inserido no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Destarte, INDEFIRO o pedido de diligência. Da questão material Conforme relatado, o Despacho Decisório cerne da peça recursal declarou a inexistência do direito creditório pleiteado pela recorrente, em razão do pagamento indicado encontrarse totalmente utilizado, vinculado a débito de mesmo valor. Irresignada, a recorrente alega que no ano de 2004 retificou a DIPJ do período, informando os verdadeiros débitos correspondentes ao exercício. Em análise aos elementos constantes nos autos, no período pertinente ao tributo em discussão no presente processo, foi apresentada a DCTF original, no prazo legal para tanto. Igualmente, foi apresentada, no seu prazo devido, a DIPJ original, referente ao anocalendário do tributo e respectivo período de apuração do tributo em questão neste processo. Percebese que o pagamento efetuado pelo contribuinte mostra se compatível com o que fora declarado na DCTF e na DIPJ originais. Destarte, em algum tempo depois, considerando o débito que consta na DIPJ última entregue, e sem ter retificado a DCTF original, a recorrente apresentou a DCOMP pleiteando a compensação ora em exame, que não foi homologada pela autoridade fiscal. Somente no ano de 2009, após tomar ciência do Despacho Decisório, a recorrente retificou a DCTF original, informando nesta o valor então apurado na DIPJ última entregue. Aqui, há que se atentar que é por meio da DCTF, e não pela DIPJ, que o débito do sujeito passivo considerase juridicamente constituído. A DIPJ tem caráter meramente informativo, distinto da DCTF, que tem caráter declaratórioconstitutivo, significando uma confissão de débitos apurados pela pessoa jurídica. Destarte, na data da apresentação da DCOMP não homologada pela autoridade fiscal, a DCTF original ainda não tinha sido retificada, o que significa que o crédito utilizado pela recorrente em sua compensação, juridicamente, não existia. No caso que se examina, não há dúvidas que a recorrente retificou sua DCTF somente após a ciência da decisão administrativa que não homologou a compensação pretendida. Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a Fl. 28DF CARF MF Processo nº 10983.903141/200889 Acórdão n.º 1402002.944 S1C4T2 Fl. 6 5 liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Há ainda que se destacar que a retificação da DCTF ocorreu já com o decurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito ali declarado, nos termos do art. 168, caput, do CTN, de forma que a referida retificação não poderia produzir quaisquer efeitos tributários. Com este entendimento, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeito a solicitação de diligência e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 29DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.901246/2009-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO.
As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
Numero da decisão: 1302-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurando-se a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.901246/2009-88
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5850953
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.587
nome_arquivo_s : Decisao_10835901246200988.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10835901246200988_5850953.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7197952
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009066274816
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-28T11:14:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-28T11:14:27Z; Last-Modified: 2018-03-28T11:14:27Z; dcterms:modified: 2018-03-28T11:14:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:b43630f6-43ce-45d8-9b4b-fba5b4ad4527; Last-Save-Date: 2018-03-28T11:14:27Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-28T11:14:27Z; meta:save-date: 2018-03-28T11:14:27Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-28T11:14:27Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-28T11:14:27Z; created: 2018-03-28T11:14:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2018-03-28T11:14:27Z; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-28T11:14:27Z | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.901246/200988 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.587 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP. IRPJ. ATIVIDADE HOSPITALAR. Recorrente LABORATÓRIO DE ANATOMIA PATOLÓGICA E CITOPATOLOGIA S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 MATÉRIAS NÃO PROPOSTAS EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO EM RECURSO AO CARF. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. As matérias não propostas em sede de manifestação de inconformidade não podem ser deduzidas em recurso ao CARF em razão da perda da faculdade processual de seu exercício, configurandose a preclusão consumativa, a par de representar, se admitida, indevida supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 12 46 /2 00 9- 88 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10835.901246/200988 Acórdão n.º 1302002.587 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso apresentado em relação ao Acórdão nº 1431.905, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional." O sujeito passivo apresentou o Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DComp) nº 40842.21778.140405.1.3.049704, por meio do qual compensa suposto crédito de sua titularidade, referente a pagamento indevido ou a maior a título de IRPJ, período de apuração de junho de 2003, com débito(s) relativo(s) à Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep) , período de apuração de março de 2005. Por meio do Despacho Decisório a citada compensação não foi homologada, por inexistência do alegado crédito. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual o sujeito passivo se limita a alegar a existência do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) que embasaria o crédito compensado via PER/Dcomp. O Acórdão recorrido entendeu que não foram comprovadas a liquidez e certeza necessárias para haver o reconhecimento do direito creditório. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual sustenta que: a) o motivo da compensação pelo contribuinte é o desenvolvimento de atividade hospitalar; b) o Fisco, ao homologar várias compensações promovidas sob os mesmos fundamentos, reconheceu o direito da Recorrente à aplicação da alíquota de 8% incidente sobre a receita bruta na apuração do IRPJ sobre o lucro Presumido; Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10835.901246/200988 Acórdão n.º 1302002.587 S1C3T2 Fl. 4 3 c) a Recorrente está cadastrada sob a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) 8640202 "Laboratórios clínicos"; d) tal atividade corresponde à designada na atribuição 4, mencionada no art. 27, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, que, por sua vez, reportase à Resolução RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), parte II, subitem 2.1, atribuição 4, tópico 4.4, "Anatomia patológica e citopatologia"; e) à luz dos documentos apresentados, a Recorrente atende à legislação relativa à definição de "serviços hospitalares"; f) o Acórdão recorrido "contraria as conclusões de procedimento fiscal realizado pela própria Receita Federal (Termo de Verificação Fiscal nº 0810500200700032 2), no qual se reconheceu que a Recorrente atende às exigências legais e regulamentares concernentes à referida condição e, portanto, faz jus ao percentual diferenciado para apuração do lucro presumido na prestação de seus serviços"; g) a exigência do Fisco de exigir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atender casos de internação de pacientes é ilegal e inconstitucional; h) eventuais dúvidas foram dissipadas com a edição de Instruções Normativas, da Solução de Divergência nº 11, de 21 de julho de 2003, e do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, que considerou "serviços hospitalares" aqueles prestados por pessoas jurídicas diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução, dentre outras atividades, da relativa à anatomia patológica; i) igualmente, considerarseia serviços hospitalares os prestados pelos estabelecimentos assistenciais de saúde constituídos por empresários ou sociedades empresárias, cujos serviços sejam prestados não apenas pelos sócios, mas provenham de uma atividade empresarial (organização de fatores intelectuais e materiais visando ao lucro); j) apenas nos casos em que a receita provém, unicamente, do trabalho intelectual e pessoa dos sócios, o percentual aplicável será o de 32%; k) as Instruções Normativas que regulamentaram a matéria em comento acabaram por imputar requisitos subjetivos contrários ao art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; l) ainda assim, a estrutura da Recorrente atende a todas as normas acima referidas, conforme citado Termo de Verificação Fiscal; m) o Superior Tribunal de Justiça, por meio do julgamento do REsp nº 1.141.299/SC, consolidou o seu posicionamento no sentido de que os arts. 15, §1º, III, "a", e 20, da Lei nº 9.249, de 1995, explicitamente concede o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços prestados, e não no contribuinte que os executa; n) por fim, requer que, para contrapor fatos trazidos na decisão combatida, por ocasião do julgamento do recurso voluntário, sejam requisitadas informações ou cópias do Termo de Verificação Fiscal nº 08105002007000322 / DRF Presidente Prudente (SP). É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10835.901246/200988 Acórdão n.º 1302002.587 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.563, de 22.02.2017, proferido no julgamento do processo nº 10835.901867/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.563): O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 30 de março de 2011 (fl. 23), tendo apresentado recurso em 27 de abril de 2011 (fls. 24 a 56), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável por força do art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. O Recurso é assinado por sócioadministrador, com poder de representação, conforme fls. 48 a 55. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso I, e Art. 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Ocorre que o cotejo entre a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (fl. 11) e o recurso ora tratado permite a constatação de que todas as matérias contidas neste último apelo não foram trazidas naquela primeira peça. Nos termos da legislação de regência do processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo dela constar todos os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância e as razões e provas das alegações (arts. 14 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ou seja, é nesse instante em que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido ao contribuinte e à autoridade ad quem tratar de matéria não questionada por ocasião da impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão consumativa. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 770.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10835.901246/200988 Acórdão n.º 1302002.587 S1C3T2 Fl. 6 5 A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. Todas as conclusões acima expostas em relação à impugnação são aplicáveis à manifestação de inconformidade contra a não homologação de compensação, em decorrência do art. 74, §§9º e 11, da Lei nº 9.430, de 27 de março de 1996. É patente que as matérias e provas trazidas no recurso de fls. 24 a 56 não se encaixam nas exceções acima tratadas, de modo que se torna imperioso o reconhecimento da preclusão do direito do Recorrente em trazêla aos autos neste momento, quando deveriam ter sido alegadas na manifestação de inconformidade. Tratando da preclusão consumativa, Fredie Didier Jr (Curso de Direito .Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." É exatamente o caso dos presentes autos. Se o Recorrente se limitou, em sua Manifestação de Inconformidade, a alegar a existência do Darf que motivou a Declaração de Compensação, sem explicitar minimamente a composição do suposto crédito que ensejou a compensação, não pode, em sede de Recurso ao CARF, inovar completamente os seus argumentos de defesa, para traz matéria que poderia, e deveria, ter sido oposta naquele primeiro recurso. A questão se relaciona ainda com a extensão do efeito devolutivo dos recursos, sobre a qual o mesmo autor (Curso de Direito Processual Civil, 13a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 3, p. 143) se manifesta nos seguintes termos: "A extensão do efeito devolutivo significa delimitar o que se submete, por força do recurso, ao julgamento do órgão ad quem. A extensão do efeito devolutivo determinase pela extensão da impugnação: tantum devolutum quantum apellatum. O recurso não devolve ao tribunal o conhecimento de matéria estranha ao âmbito do julgamento (decisão) a quo. Só é devolvido o conhecimento da matéria impugnada (art. 1.013, caput, CPC)." Há diversos precedentes, no âmbito de todas as Seções deste Conselho, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que concluem pelo reconhecimento da preclusão consumativa em relação às matérias não apreciadas pelo julgado a quo. Apenas para citar algumas mais recentes: "PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRECLUSÃO. É o contribuinte quem delimita os termos do contraditório ao formular a seu pedido ou defesa, conforme o caso, e instruílo com as provas documentais pertinentes, de modo que, em regra, as questões não postas para discussão precluem. Há hipóteses de exceção para tal preclusão, a exemplo (i) das constantes dos Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10835.901246/200988 Acórdão n.º 1302002.587 S1C3T2 Fl. 7 6 incisos I a III do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972 e (ii) de quando o argumento possa ser conhecido de ofício pelo julgador, seja por tratar de matéria de ordem pública, seja por ser necessário à formação do seu livre convencimento, neste último caso em vista da vedação ao non liquet. Não ocorrência de tais hipóteses de exceção no caso concreto. Não se conhece de recurso voluntário que traz exclusivamente argumentos novos, não aventados na manifestação de inconformidade.Recurso Voluntário Não Conhecido." (Acórdão nº 1401002.047 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção, de 16 de agosto de 2017, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) "ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão." (Acórdão nº 3401004.146 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção, de 24 de outubro de 2017, Relator Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012.Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazêlo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72." (Acórdão nº 9303005.208 3ª Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 20 de junho de 2017, Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello) Isto posto, voto pelo não conhecimento do recurso do sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10835.901246/200988 Acórdão n.º 1302002.587 S1C3T2 Fl. 8 7 No presente processo a ciência da decisão de primeira instância deuse em 08 de fevereiro de 2011, e o recurso voluntário foi apresentado em 09 de março de 2011. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722780/2010-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2000
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA.
A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mão-de-obra.
Numero da decisão: 9202-006.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11080.722524/2010-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2000 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mão-de-obra.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.722780/2010-04
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854134
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.586
nome_arquivo_s : Decisao_11080722780201004.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11080722780201004_5854134.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11080.722524/2010-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7233643
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009139675136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.722780/201004 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202006.586 – 2ª Turma Sessão de 20 de março de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente BANCO DO BRASIL S.A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2000 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. A Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, exceto nos casos de cessão de mãodeobra. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11080.722524/201017, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 80 /2 01 0- 04 Fl. 400DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte contra o Acórdão de Recurso Voluntário, no qual restou consignada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/12/2000 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. PARECER AGU AC 55/ 2006. ALCANCE. Os efeitos do Parecer AGU nº AC55/ 2006 DOU de 24/11/2006 alcançam, tão somente, os Contratos Administrativos celebrados pela Administração Pública direta, circunstância em que Poder Público atua com supremacia sobre as empresas privadas contratadas, mediante cláusulas e preceitos de Direito Público previstos no Capítulo III da Lei nº 8.666/93, não irradiando efeitos sobre as Sociedades de Economia Mista, pessoas jurídicas de direito privado, eis que tais empresas atuam no mercado de bens e serviços em igualdade de condições que as demais empresas privadas, e cujos contratos regemse pelas normas de Direito Privado. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. NFLD. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor dessa presunção. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O proprietário, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEGALIDADE. Nas hipóteses em que o cálculo do tributo tiver por base, ou tomar em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11080.722780/201004 Acórdão n.º 9202006.586 CSRFT2 Fl. 3 3 serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, poderá arbitrar o valor da base de cálculo ou os aludidos preços, sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o fisco federal pode inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ELISÃO DA SOLIDARIEDADE. IMPOSSIBILIDADE. A CND apenas certifica que, no momento de sua emissão, não havia crédito tributário formalmente constituído em desfavor da empresa signatária da certidão, circunstância que não afasta o direito da Fazenda Pública de constituir e cobrar qualquer débito eventualmente apurado após a sua emissão, conforme ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Conforme consta do auto de infração, os objetos dos lançamentos são as contribuições sociais destinadas à Seguridade Social correspondentes a: II remuneração paga aos segurados empregados das empresas executoras de obras de construção civil, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente, haja vista que não houve elisão da responsabilidade solidária nos termos da legislação aplicável, a seguir fundamentada, cujo lançamento está codificado como “SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999”; III remuneração paga aos segurados empregados das empresas prestadoras serviços com cessão de mãodeobra, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente, haja vista que não houve elisão da responsabilidade solidária nos termos da legislação aplicável, a seguir fundamentada, cujo lançamento está codificado como “SM1 – SOLIDARIEDADE CMO ANTES 1999”. Fl. 402DF CARF MF 4 Especificamente quanto aos fatos geradores da Solidariedade na Construção Civil e por Cessão de MãodeObra: a) fazem parte do crédito previdenciário as contribuições devidas pela notificada, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa (FPAS) e dos segurados empregados, ao financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (Seguro de Acidente de TrabalhoSAT) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa; b) as contribuições previdenciárias destinadas a Terceiros não foram incluídas na presente notificação, tendo em vista o entendimento do Parecer CJ/MPAS n.º 1.710/99. Irresignada, a ora Recorrente impugnou a autuação alegando, em síntese: a necessidade de chamamento ao processo da empresa executora, responsável pelo recolhimento tributário, a fim de que se apurasse a real existência dos débitos autuados, em observância aos princípios da garantia de defesa e da verdade material; a impossibilidade de enquadrar o Impugnante como responsável solidário, já que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo foi assumida pela empresa contratada, esta na forma de licitação pública; a autuação indevida, por não lhe ter sido garantido o benefício de ordem, cobrando em primeiro lugar, da contribuinte propriamente dita, já que a redação do art. 30, inciso IV da Lei n. 8.212/91, até dezembro de 1997 não vedava sua aplicação; e a irregularidade na apuração do lançamento do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, o que gerou a interposição de Recurso Voluntário, ao qual foi negado provimento. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial pela Contribuinte, no qual, acerca da divergência, a Recorrente sustenta que o Acórdão de Recurso Voluntário adotou entendimento divergente da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF (acórdão n.º 2401003.200), merecendo, por isso, reanálise do tema: responsabilidade solidária de sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil. Foi realizado exame de admissibilidade, restando disposta a seguinte conclusão: Do exposto, verificase que foram atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso especial previstos nos arts. 67 e 68 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/06/2015, razão pela qual é de se DAR SEGUIMENTO ao pedido do recorrente para que seja reapreciada a seguinte matéria: responsabilidade solidária de sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil art. 30,VI da lei 8212/91. Cabe destacar que o acórdão paradigma trata de situação fática idêntica a dos autos, referindose ao mesmo tributo e à mesma parte (Banco do Brasil). No que se referem às razões de reforma do Acórdão vergastado, a Recorrente aduz, em síntese, que: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 11080.722780/201004 Acórdão n.º 9202006.586 CSRFT2 Fl. 4 5 a) considerando que o lançamento objurgado não se refere a contratos formados por cessão de mãodeobra, mas sim, exclusivamente, para realização de obras de construção civil contratadas mediante empreitada, cujo conceito não se equipara a celebração de contratos mediante cessão de mãodeobra, há que se reconhecer a inexistência de responsabilidade solidária; b) com base no Parecer AGU n.º AC55/2006 e respaldado no entendimento deste Conselho (Súmula CARF n.º 66), resta indene de dúvida que a Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários de empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, como é exatamente o caso das contratações realizadas pelo Recorrente, sociedade de economia mista; c) deve ser promovido o cancelamento do crédito legal constituído, com o reconhecimento da nulidade da autuação. Foram apresentadas contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nas quais expressamente restou consignada a concordância com a demonstração da divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente, nos seguintes termos: O cotejo levado a cabo pela Recorrente permite constatar que efetivamente foi demonstrada a alegada divergência jurisprudencial: enquanto no caso do acórdão recorrido entendeuse que sociedade de economia mista responde solidariamente por contratação de obra de construção civil em razão do art. 30,VI da lei 8212/91, o paradigma decidiu em sentido contrário. Quanto às razões do improvimento do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, a Procuradoria dispôs, em síntese: a) o alegado pelo contribuinte de que o próprio STJ confirma a não aplicabilidade da Responsabilidade Solidária em relação à sociedade de economia mista não procede para o caso em tela, eis que o citado acórdão do Superior Tribunal de Justiça trata da Responsabilidade Solidária prevista quando da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra (REsp 417.794RS, Relator Min. Luiz Fux. – 1ª Turma); b) não é possível aceitar os argumentos expostos no tópico anterior, uma vez que o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/1991, mas de responsabilidade solidária decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da Lei 8.212/1991. Fazse necessário destacar que o Recurso Especial sob análise tratase de Paradigma, de modo que o resultado consignado no presente julgamento será aplicado aos demais processos com fundamento em idêntica questão de direito que foram distribuídos no mesmo lote, consoante o disposto no art. 47, § 1º e §2º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), abaixo transcrito: Fl. 404DF CARF MF 6 Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observandose a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Portanto, aplicase ao presente a sistemática de recursos repetitivos prevista no Regimento Interno da Casa. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.580, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 11080.722524/201017, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.580): Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. De conformidade com o narrado, a divergência objeto da controvérsia é a responsabilidade solidária da sociedade de economia mista na contratação de obra de construção civil. Sobre a aptidão da mencionada divergência suscitada pela Recorrente para fins de conhecimento do Recurso, houve concordância da Procuradoria da Fazenda Nacional. Apesar da referida concordância, a Procuradoria da Fazenda, durante a sustentação oral proferida, quando do início do julgamento do recurso sob análise, suscitou o seu não conhecimento. Não assiste razão à Fazenda Nacional, tendo em vista que restou configurada a divergência argüida, pois o acórdão paradigma Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11080.722780/201004 Acórdão n.º 9202006.586 CSRFT2 Fl. 5 7 (n.º 2401003.200) trata de situação fática idêntica, mesmo tributo e mesma parte, inclusive (Banco do Brasil), em que foi aplicado entendimento jurídico diverso do posicionamento adotado pelo acórdão recorrido (sobre o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91). Desse modo, assentou o colegiado pelo conhecimento do Recurso Especial interposto pela Contribuinte. No que se refere ao mérito do recurso, assevera a Recorrente que, com base no Parecer AGU n.º AC55/2006 e respaldado no entendimento deste Conselho (Súmula CARF n.º 66), resta indene de dúvida que a Administração Pública não responde solidariamente por créditos previdenciários de empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, como é exatamente o caso das contratações realizadas pelo Recorrente, sociedade de economia mista. Por outro lado, a PFN alega a impossibilidade de aceitação dos argumentos da Contribuinte, uma vez que o REsp 417.794RS citado no Recurso sob análise trata da responsabilidade solidária prevista quando da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra, de acordo com o art. 31 a Lei 8.212/91, não sendo o caso dos autos, que dispõe, na realidade, sobre a responsabilidade solidária decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o art. 30, VI, da Lei 8.212/91. Assim, assevera a Procuradoria que: modificar o julgado importaria em violação ao referido dispositivo legal, o que não pode ser feito na via administrativa (Súmula n. 2 do CARF). Estabelecidos os contornos da controvérsia, impende discorrer sobre a natureza jurídica do Banco do Brasil S.A, que é uma entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertencem em sua maioria à União, enquadrandose, nos termos do DecretoLei 200/1967, como sociedade de economia mista. Pleiteia a Recorrente a aplicação, ao presente caso, do Enunciado de Súmula CARF 66 abaixo transcrito: Súmula CARF nº 66: Os Órgãos da Administração Pública não respondem solidariamente por créditos previdenciários das empresas contratadas para prestação de serviços de construção civil, reforma e acréscimo, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. Tendo em vista que, ao editar os enunciado de súmula, os tribunais devem aterse às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação, nos termos do art. 926, § 2º, do CPC, para melhor avaliar a subsunção do presente caso ao disposto na Súmula CARF n.º 66, foi realizado o distinguishing entre o caso concreto analisado e os paradigmas que orientaram a formação da Súmula mencionada. Fl. 406DF CARF MF 8 Um dos paradigmas relevantes é o Acórdão n.º 20600.611, da Fundação Clóvis Salgado e Outros, que nega provimento a Recurso de Ofício em razão da inexistência de responsabilidade solidária na construção civil, conforme a ementa baixo transcrita: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1997 a 31/07/1998 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA — CONSTRUÇÃO CIVIL — ÓRGÃO PÚBLICO — FUNDAMENTO LEGAL ART. 30, INCISO VI LEI 8.212/1991 —INEXISTÊNCIA. Diante do que prevê o artigo 71, § 2° da Lei n° 8.666/93, com a redação dada pela Lei n° 9.032/95, somente nas situações previstas no art. 31 da Lei n° 8.212/1991, a Administração passou a responder solidariamente com o contratado pelas contribuições previdenciárias por ele devidas. Recurso de Oficio Negado Convém salientar que a contribuinte no referido processo é uma Fundação Estadual pertencente à administração indireta, da mesma forma que a Recorrente (Sociedade de Economia Mista). Nesse contexto, pareceme que a Súmula 66 trata da Administração pública direta e indireta, mas, impropriamente, se utiliza da expressão "órgão público". Sobre a abrangência do conceito de órgão público, José dos Santos Carvalho Filho, esclarece: Enquanto a Administração Direta é composta de órgãos internos do Estado, a Administração indireta se compõe de pessoas jurídicas, também denominadas de entidades. De acordo com o art. 4º, II, do Decretolei n.º 200/1967, a Administração Indireta compreende as seguintes categorias de entidades, dotadas, como faz questão de consignar a lei, de personalidade jurídica própria: a) as autarquias; b) as empresas públicas; c) as sociedades de economia mista; e d) as fundações públicas. Considerando o paradigma utilizado para a formação da Súmula 66, a interpretação mais adequada é a de que o Enunciado trata da Administração pública como um todo, não apenas de órgão público; compartimento na estrutura estatal a que são cometidas funções determinadas, sendo integrado por agentes que, quando as executam, manifestam a própria vontade do Estado; alcançando as entidades da administração pública indireta. Portanto, considero perfeitamente aplicável o referido Enunciado, desde que a empresa construtora tenha assumido a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente. O requisito citado não foi objeto de discussão nos autos, pois a controvérsia se instaurou de forma mais ampla, existência ou não de responsabilidade da SEM na Construção Civil. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11080.722780/201004 Acórdão n.º 9202006.586 CSRFT2 Fl. 6 9 Pelo fato de o Banco do Brasil tratarse de sociedade de economia mista, fazendo parte da Administração Pública Federal, ele está submetido ao regramento especial disposto Lei nº 8666/93: Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras, serviços, inclusive de publicidade, compras, alienações e locações no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...). Parágrafo único. Subordinamse ao regime desta Lei, além dos órgãos da administração direta, os fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios. O citado diploma dispõe, em seu art. 71, que as responsabilidades pelos encargos decorrentes da execução dos contratos firmados com a Administração Pública deverão ser atribuídas apenas ao contratado, exceto nos casos em que a execução do contrato seja realizada mediante a cessão de mão deobra, assim vejamos: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. § 1º A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995) § 2° A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 19911. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). Assim, em razão de os contratos realizados com a Recorrente serem regidos pela Lei de Licitações, entendo cumprido o requisito previsto na Súmula em questão, em razão da natureza do contrato administrativo realizado a partir do procedimento licitatório, bem como diante da objeto social do Banco (operações bancárias ativas, passivas e acessórias, a prestação de serviços bancários, de intermediação e suprimento financeiro sob suas múltiplas formas e o exercício de quaisquer atividades facultadas às instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional). Conforme já identificado nos Fundamentos Legais do Débito, fls. 8 e 9, a responsabilidade solidária atribuída à Recorrente foi Fl. 408DF CARF MF 10 fundamentada no art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: VI o proprietário, o incorporador definido naLei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem;(...). Cumpre elucidar que a previsão trazida na Lei 8.666/93 tratase de norma especial que rege a responsabilidade dos entes da Administração Pública sobre encargos administrativos, devendo prevalecer sobre o art. 30, inciso VI, da Lei 8.212/91, que prescreve norma geral sobre responsabilidade solidária pelos débitos previdenciários decorrentes das obras de construção civil, independente de quem seja o contratante, o que se consubstancia na aplicação do princípio da especialidade, lex specialis derrogat generali. Vale destacar a aplicabilidade do Parecer AC nº 055/2006 da Advocacia Geral da União (AGU), aprovado pelo Presidente da República, também consolidando o entendimento de que a Administração Pública não poderá responder por créditos previdenciários devidos pela empresa contratada para prestação de serviços de construção civil, reforma ou acréscimo, nos termos do art. 30, VI da Lei 8.212/91, conforme ementa abaixo transcrita: PREVIDENCIÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONTRATOS. OBRAS PÚBLICAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E RETENÇÃO. DEFINIÇÃO. I Desde a Lei nº 5.890/73, até a edição do DecretoLei nº 2.300/86, a Administração Pública respondia pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o construtor contratado para a execução de obras de construção, reforma ou acréscimo de imóvel, qualquer que fosse a forma da contratação. II Da edição do DecretoLei nº 2.300/86, até a vigência da Lei nº 9.032/95, a Administração Pública não respondia, nem solidariamente, pelos encargos previdenciários devidos pelo contratado, em qualquer hipótese. Precedentes do STJ. III A partir da Lei nº 9.032/95, até 31.01.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública passou a responder pelas contribuições previdenciárias solidariamente com o cedente de mãodeobra contratado para a execução de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra, nos termos do artigo 31 da Lei nº 8.212/91 (Lei nº 8.666/93, art. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 11080.722780/201004 Acórdão n.º 9202006.586 CSRFT2 Fl. 7 11 71, § 2º), não sendo responsável, porém, nos casos dos contratos referidos no artigo 30, VI da Lei nº 8.212/91 (contratação de construção, reforma ou acréscimo). IV Atualmente, a Administração Pública não responde, nem solidariamente, pelas obrigações para com a Seguridade Social devidas pelo construtor ou subempreiteira contratados para a realização de obras de construção, reforma ou acréscimo, qualquer que seja a forma de contratação, desde que não envolvam a cessão de mãodeobra, ou seja, desde que a empresa construtora assuma a responsabilidade direta e total pela obra ou repasse o contrato integralmente (Lei nº 8.212/91, art. 30, VI e Decreto nº 3.048/99, art. 220, § 1º c/c Lei nº 8.666/93, art. 71). V Desde 1º.02.1999 (Lei nº 9.711/98, art. 29), a Administração Pública contratante de serviços de construção civil executados mediante cessão de mãodeobra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa contratada, cedente da mãodeobra (Lei nº 8.212/91, art. 31). Em virtude de a Advocacia Geral da União ter reconhecido, por meio de Parecer aprovado pelo Presidente da República, que a responsabilidade da Administração sobre as contribuições previdenciárias decorrentes dos contratos administrativos é restrita apenas aos casos de cessão de mãodeobra, tal entendimento deve ser seguido pelos órgãos da Administração, conforme determina o art. 40, §1º da Lei Complementar nº 73/93 abaixo transcrito: Art. 40. Os pareceres do Advogado Geral da União são por este submetidos à aprovação do Presidente da República. § 1º O parecer aprovado e publicado juntamente com o despacho presidencial vincula a Administração Federal, cujos órgãos e entidades ficam obrigados a lhe dar fiel cumprimento. Considerando que a matéria recorrida não se refere à execução de contratos mediante cessão de mãodeobra, concluise que, no presente caso, não há que se falar em responsabilidade solidária da Contribuinte pelos débitos previdenciários decorrentes de obras de construção civil, fundamentada no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/12. Ademais, acerca dos argumentos da Procuradoria, tornase imperioso elucidar que a Recorrida centraliza suas contrarrazões na impossibilidade de aceitação dos argumentos da Contribuinte, uma vez que o REsp 417.794RS não seria aplicável ao caso, contudo a Recorrente não faz menção ao julgado citado, de modo que rejeito as sintéticas argumentações da Fazenda. Fl. 410DF CARF MF 12 Diante do exposto, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.721994/2013-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010
DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO.
Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. ÁGIO DE SI PRÓPRIA. INDEDUTIBILIDADE.
A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 - art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 - não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma.
A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados.
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE.
A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 1402-002.827
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de decadência. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO. Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. ÁGIO DE SI PRÓPRIA. INDEDUTIBILIDADE. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi-la prevista no art. 386, III, do RIR/99 - art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 - não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10660.721994/2013-12
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5840896
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-002.827
nome_arquivo_s : Decisao_10660721994201312.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 10660721994201312_5840896.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de decadência. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7167552
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009149112320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.068 1 1.067 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10660.721994/201312 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.827 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2018 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente ISOFILME INDUSTRIA E COMERCIO DE PLASTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. ÁGIO DE SI PRÓPRIA. INDEDUTIBILIDADE. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzi la prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados. TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 19 94 /2 01 3- 12 Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.069 2 A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de decadência. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por darlhe provimento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.070 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 13ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 20 de maio de 2015 (fls. 944/1001)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos de IRPJ e de CSLL perpetrados pelo Fisco, anoscalendário 2009 e 2011, relativamente a glosa de despesas com amortização de ágio (AI – fls. 2/26): DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TVF (fls. 27/41), a infração está assim delineada: “Em 16/08/2007 a empresa Providência Participações Ltda., CNPJ nº 08.976.288/000146, adquiriu 100% da Isofilme Indústria e Comércio de Plásticos Ltda. Nesta operação, foi gerado um ágio no montante de R$ 39.758.897,50, fundamentado na expectativa de resultados futuros, suportado por laudo de avaliação econômico financeira emitido por empresa especializada, a ser amortizado linearmente no prazo de 5 anos, correspondente ao tempo de geração dos benefícios econômicos para sua integral recuperação, resposta essa, descrita pelo próprio contribuinte ao ser questionado sobre os fundamentos do saldo de R$ 39.758.897,50, constante da Ficha 36 A Balanço Patrimonial da DIPJ 2009 da empresa Isofilme como está reportado, nesta etapa inicial do relatório, ao AC 2007. Deve ser dito que neste ano este ágio estava declarado na DIPJ 2008 da empresa Providência Participações Ltda., sendo indicada pela própria contribuinte a origem desse valor, sendo que a origem não se alterava pela incorporação futura, respaldada através do documento Contrato de Compra e Venda de Cotas; Em 15/02/2008, a Isofilme incorporou a Providência Participações Ltda e em decorrência dessa incorporação a Isofilme sucedeu a Providência Participações Ltda em todos os seus direitos e obrigações, incluindose em seus direitos o ágio resultante da aquisição da própria Isofilme. Dessa forma, o valor de R$ 39.758.897,50, declarado na DIPJ 2008, da Providência Participações Ltda., passou a estar declarado na DIPJ 2009 da Isofilme, que em decorrência dessa incorporação passou também a ter direito de deduzir esse ágio do lucro real; Em razão dessa operação, a Isofilme deduziu de seu lucro real em sua DIPJ 2009 o valor de R$ 7.951.779,48. De acordo com as decisões das instâncias administrativas de julgamento da RFB, são premissas básicas para a amortização de ágio: 1 o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.071 4 2 a realização das operações originais entre partes não ligadas e 3 que seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. A autuação tem por base a primeira dessas premissas: o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio. Pelo efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio entendemos que a empresa que adquire outra empresa com ágio e posteriormente deduz esse ágio, ou seja, possui um ágio dedutível, nas condições da legislação pertinente, necessita ter EFETIVAMENTE sofrido o custo da aquisição e o efetivo pagamento é a prova da materialidade do custo de aquisição: não havendo prova de efetivo pagamento por parte da empresa compradora não há custo de aquisição e, portanto, não há ágio a ser deduzido de outra forma, não há o menor sentido em se deduzir um custo não suportado, custos de terceiros não podem ser deduzidos do lucro real. Se a empresa não comprovar o efetivo pagamento do investimento a ser deduzido, não há dedução possível, pois não há custo. Em existindo comprovação de que terceiros suportaram o custo da aquisição não será permitida a dedução do lucro real, uma vez que também não houve custo para a empresa poder deduzir. Analisando os fatos, evidenciados pela documentação entregue tempestivamente pela contribuinte e que compõem esse processo, fica comprovado que a Providência Participações Ltda. não suportou o custo de aquisição da Isofilme e que, portanto, a Isofilme como incorporadora da Providência Participações Ltda. não está autorizada a deduzir o ágio de sua aquisição pela razão de que este ágio efetivamente não existiu em sua adquirente e posterior incorporada. (...) De acordo com as informações obtidas por meio dos sistemas informatizados da RFB, a Providência Participações Ltda não possui conta em instituição financeira: esta conclusão está amparada no fato de que não houve fato gerador de CPMF para a Providência Participações Ltda durante o ano de 2007 (ano da compra da Isofilme). Deste fato podem ser retiradas duas conclusões: 1 as instituições financeiras às quais a contribuinte Providência Participações Ltda possui conta não informaram corretamente à RFB sobre sua movimentação financeira nem retiveram a contribuição devida ou 2 a contribuinte efetivamente não possui conta em instituição financeira. Destas duas possibilidades a segunda deve ser tomada como verdadeira, não só pela alta impossibilidade de instituições financeiras não reterem CPMF de valores elevados nem informarem essa movimentação, como pelo o que será exposto adiante. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.072 5 Não havendo saída de recursos da Providência Participações, não há que se falar em custo para a Providência Participações Ltda., nem tampouco em dedução de ágio na sua incorporadora Isofilme. Tendo em vista que a aquisição da Isofilme pela Providência Participações envolveu altas quantias em dinheiro, é altamente improvável que essas quantias tenham sido movimentadas em espécie, e de fato não o foram, conforme se comprovará adiante. Desta forma, tendo os recursos para a compra da Isofilme, saídos de instituição financeira, e, não tendo a contribuinte conta em instituição financeira, fica comprovado que a contribuinte não suportou o custo da aquisição e, portanto, sua incorporadora não pode deduzir o valor do ágio escriturado em sua incorporada. Regularmente intimada a apresentar documentos comprobatórios da efetiva compra da Isofilme, a própria Isofilme (como incorporadora da Providência Participações Ltda.), encaminhou tempestivamente os documentos da aquisição. Nesses documentos constam os contratos de câmbio, utilizados para a compra das cotas do sócio Duotex Manegement LLC, CNPJ nº 07.675.855/000161, empresa americana, e cheques emitidos para a compra das cotas dos sócios Alexandre Leon Teig, CPF nº 685.885.34991 e Jaqueline Kattan Beda, CPF nº 277.803.82800. Desta forma fica comprovado que a compra da Isofilme foi feita com recursos que saíram de instituições financeiras (Ver arquivo "Documentos de Compra) e não em espécie. Constatase também, pela documentação entregue, a mesma acima mencionada, que os recursos movimentados para a compra da Isofilme partiu da empresa Companhia Providência Indústria e Comércio, CNPJ nº 76.500.180/000132. Há 5 (cinco) contratos de câmbio fechados entre a Companhia Providência e o Banco Santander. Estes contratos foram fechados para pagamento do sócio Duotex Management LLC e os valores estão discriminados abaixo (na primeira página de cada contrato consta o nome do Banco Santander como vendedor da operação e a Companhia Providência como compradora): Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.073 6 Com relação ao pagamento dos outros dois sócios, residentes em território nacional, a situação não foi diferente. Os cheques para pagamento saíram da conta da Companhia Providência conforme se comprova pelo próprio documento encaminhado pelo contribuinte (ver arquivo "Instrumento de recibo e quitação e cópia dos cheques"). Corroborando o fato de que os recursos saíram da Companhia Providência, os sócios Jaqueline e Alexandre declararam ganho de capital e em suas declarações consta a venda das cotas para Companhia Providência. O fato de a Companhia Providência ser dona de 99,90% da Providência Participações não altera em nada o fato da Providência Participações não ter tido custo algum na aquisição da Isofilme, já que é um dos princípios básicos da contabilidade que o patrimônio dos sócios não se confunde com o patrimônio da empresa (princípio da identidade), tampouco despesas dos sócios podem ser deduzidas do IRPJ/CSLL da empresa. A partir do exposto, fica claramente demonstrado, com inequívoca documentação, que NÃO HOUVE o efetivo pagamento do custo total da aquisição, inclusive do ágio pela Providência Participações e, portanto, a inserção do ágio dessa operação no ativo da Providência Participações não é possível e por consequência, não existindo esse direito em seu ativo, ele não pode ser repassado à sua incorporadora. Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.074 7 O custo foi comprovadamente suportado pela Companhia Providencia e outro seria o caso se a própria Companhia Providência houvesse comprado a Isofilme diretamente. Neste caso o primeiro requisito, estaria comprovado e seria, em tese, factível a dedução do ágio. No entanto, fato curioso, por se valer de uma empresa veículo (estratégia largamente adotada por empresas que se utilizam deste tipo de planejamento tributário), sem qualquer materialidade, sem querer movimentar conta em banco e criada apenas e unicamente com o objetivo de se tirar vantagem tributária da operação na empresa comprada; em resumo, por ter criado uma empresa que só existe "no papel", é que a dedução do ágio não será admitida. Desta forma, deve ser glosado o valor de R$ 39.758.897,50, constante da Ficha 34A Balanço Patrimonial, Linha 27, "Ágio em Investimentos" e, portanto, qualquer dedução efetuada com base nesta linha também deverá ser glosada”. Na sequência, o autuante (TVF – fls. 40), mostra a sequência cronológica dos fatos: Para concluir a acusação (TVF – fls. 40/41): “Não há efetividade de negócio jurídico uma vez que a Providência Participações detinha 100% da Isofilme, de forma que não é possível que uma controladora de 100% da controlada seja incorporada pela controlada, uma vez que não há saída de disponibilidade, ou seja, não há contraprestação onerosa por parte da compradora. Há, nesse caso a nítida intenção de gerar ágio por meio de planejamento tributário abusivo apenas para a diminuição do lucro real, uma vez que não há substancialidade nesse ágio”. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.075 8 Contrapondose ao trabalho fiscal, a autuada interpôs impugnação (fls. 725/748) na qual, depois de resumir as operações sequenciais que envolveram a transferência do controle acionário da ISOFILME e o surgimento do ágio em discussão, apontou, em preliminar, ter ocorrido “decadência” ao direito do Fisco perpetrar os lançamentos e, no mérito argui que o Fisco partiu da falsa premissa de que “o custo de aquisição da ISOFILME não teria sido suportado pela PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES, mas pela COMPANHIA PROVIDÊNCIA”; que, “os pagamentos foram feitos pela COMPANHIA PROVIDÊNCIA por conta e ordem da PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES”; que haveria mútuo entre estas duas empresas; que o Instrumento Contratual de Compra e Venda de Quotas da ISOFILME, firmado em 11/07/2007 teve originalmente como compradora a COMPANHIA PROVIDÊNCIA, mas “à época, as obrigações a cargo da adquirente da participação societária estavam suspensas”, por dependerem da realização de atos até o momento definido como "data de fechamento do negócio” (doc. 2 cláusula quinta) e que, “enquanto o ajuste estava com a sua eficácia suspensa”, foram cedidos pela Companhia Providência para a Providência Participações os direitos e obrigações “inerentes ao "Contrato de Compra e Venda de Quotas" da Isofilme”; Alude ao Código Civil, artigos 286 a 298, diz que como “a PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES havia sido formada para realizar a aquisição da ISOFILME e não tinha recursos para pagar pela compra do investimento, ela foi capitalizada e tomou empréstimo junto à sua sócia – COMPANHIA PROVIDÊNCIA. Os recursos recebidos foram transferidos parte aos vendedores pessoas físicas e parte ao vendedor de ISOFILME residente no exterior Duotex Management LLC mediante fechamento de contratos de câmbio, promovidos por COMPANHIA PROVIDÊNCIA contra ordem de PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES. Em 27/08/2008, parcela relativa ao empréstimo fora convertido em integralização de capital pela COMPANHIA PROVIDÊNCIA na ISOFILME”, que quem pagou pela compra desta participação societária não foi a COMPANHIA PROVIDÊNCIA, mas a PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES, tendo aquela agido “por conta e ordem” desta. Trata do tema “por conta e ordem”, inclusive nas operações de importação, aduz inexistir razão ao Fisco quando alega que "a contribuinte não suportou o custo da aquisição", já que a “própria legislação, inclusive a tributária, é expressa em reconhecer que a transação em conta e ordem se dá em nome e produz efeitos no patrimônio do ordenante (no caso concreto, a PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES)” de forma que, conclui, estariam presentes todos os pressupostos exigidos para a amortização do ágio, a saber, “(1) negócio verdadeiro que resulte na aquisição do investimento; (2) pagamento integral do investimento; e (3) ágio pela expectativa de rentabilidade futura fundamentado em critérios técnicos e demonstrado em estudo idôneo”. Segue discorrendo sobre a matéria, suscita que a COMPANHIA PROVIDÊNCIA poderia ter, alternativamente, comprado ISOFILME junto aos vendedores e posteriormente: (a) capitalizado holding que a incorporasse (ou fosse por ela incorporada) ou (b) ser incorporada pela sua nova investida, significando que, além da estruturação feita e daquela imaginada pela Fiscalização, haveria ainda pelo menos duas outras alternativas que levariam ao mesmo resultado alcançado. Portanto, para fins de amortização do ágio, a formação e a aquisição do investimento por meio da PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES era simplesmente indiferente. Entende que, ao prever a possibilidade de amortização do ágio quando da unificação da investida e da investidora, a legislação estimulou a organização dos negócios particulares, nega ter havido planejamento fiscal e afirma ter ocorrido opção societária, de cunho exclusivamente de direito privado, que nada interfere com o regime fiscal aplicável. Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.076 9 Sustenta que “o Fisco objeta a operação simplesmente porque pretende arrecadar mais do que a lei permite”, concluindo (impugnação – fls. 744): “como a forma adotada no caso em tela para a aquisição da participação societária da Impugnante (ocorrida mediante compra pela PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES) produziu substancialmente os mesmos efeitos que seriam resultantes da eventual adoção do negócio idealizado pela Fiscalização (aquisição pela COMPANHIA PROVIDÊNCIA), na medida em que ambos os casos seria gerado o ágio e haveria junção de patrimônios da investidora e investida, não há qualquer fundamento para negarse o direito de amortizar a importância despendida em valor superior ao seu PLC na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme asseguram os artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97, justificandose o cancelamento das autuações”. Sobre os lançamentos de CSLL acrescenta não haver determinação legal de adição da amortização do ágio à sua base de cálculo e da CSLL, traz decisões administrativas e requer o provimento da peça impugnatória. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 944/1001) Submetido o litígio ao crivo da 13ª Turma da DRJ/RPO, o Acórdão recorrido, depois de trazer longo, detalhado e elucidativo demonstrativo dos instrumentos contratuais e das alterações societárias das empresas envolvidas nas operações que levaram ao surgimento do ágio cuja amortização foi objeto de glosa fiscal (fls. 959/972) e rejeitar a preliminar de decadência (“no caso concreto, tendo sido o lançamento formalizado em 17/10/2013 (data em que o sujeito passivo tomou ciência do lançamento), não se verifica a decadência, pois, para o fato gerador mais remoto abrangido pela autuação, 31/12/2009, sua contagem teve início em 01/01/2010 e somente se findaria em 31/12/2014”), pontuou, no mérito: “Para análise do mérito, propriamente dito, pertinente recordar que o ágio surge na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial e corresponde à diferença a maior entre o preço de aquisição e o valor do patrimônio líquido contábil da participação societária adquirida em sociedade coligada ou controlada. Como lecionam Sérgio de Iudicibus e outros (Manual de Contabilidade. S.Paulo, Ed Atlas, 2010, p. 192) o investimento em coligada deve ser inicialmente reconhecido pelo custo e ajustado subsequentemente pela parte do investidor nos resultados e nas mutações do patrimônio líquido da investida. Caso a investidora tenha pago maisvalia e goodwill (por diferença de valor dos ativos líquidos da investida e por rentabilidade futura), esse valor integra o custo do investimento, como previsto no CPC 18. Essa parcela, portanto, faz parte do custo de aquisição da participação societária e tem grande relevância na determinação do valor do eventual ganho de capital, devendo o investidor, já na ocasião da compra, segregar na contabilidade o preço total do custo em duas contas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa conta e o valor do ágio em outra conta. dedutibilidade do ágio é matéria tratada nos arts. 385, 386 e 387 do RIR/99, os quais têm base legal no art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 26/12/1977, e arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97, que dispõem: (...) Observese que, como norma geral, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, não prevê a possibilidade de dedução da Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.077 10 amortização do ágio na apuração do lucro real. Ao contrário, em seu art. 391, com fundamento no art. 25 do Decretolei n° 1.598/77 e art. 1º, inciso III, do Decretolei n° 1.730, dispõe que as “contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 (art. 20 do DL 1.598/77) não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426” (alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo patrimônio líquido). Assim, a possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro restringese ao caso previsto no art. 386, III, do RIR/99 – art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97, qual seja: em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, caso em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. (...) Das disposições supra, depreendese que a utilização da amortização do ágio a título de despesa dedutível somente surge a partir de operações societárias que resultem na incorporação (fusão ou cisão) de uma empresa cujo investimento correspondente na escrituração da empresa incorporadora (fusionada ou cindida) tenha sido adquirido com ágio. Em outras palavras, ao disciplinar a dedutibilidade do ágio, entre outras condições (como a identificação e comprovação do fundamento do ágio e de seu efetivo pagamento), a Lei exige a absorção patrimonial (confusão patrimonial) da investida pela investidora, ou viceeversa, de modo que a despesa de ágio somente será dedutível caso o real investidor incorpore a investida, ou seja por ela incorporado. No presente caso, como fundamentação fática para glosa das despesas de amortização de ágio e formalização da exigência, destacamse do Termo de Verificação Fiscal os seguintes excertos: (...) Discordando da exigência, a Impugnante argumenta, em síntese, que o pagamento pela aquisição da totalidade das quotas da Isofilme foi efetuado pela Providência Participações com recursos provenientes de empréstimo concedido pela Companhia Providência e que as operações foram realizadas em consonância com os objetivos da Lei 9.532/97, os quais também seriam atendidos se, ao invés de constituir holding para realizar a aquisição, tivessem sido adotadas outras hipóteses de operações societárias. Para comprovar sua alegação acerca do pagamento, apresenta Instrumento Particular de Cessão de Direitos (Doc. 3, fl. 851) e Livro Diário da Providência Participações referentes a 2007 e 2008 (Doc. 7, fls. 873/906). Nesse ponto, cumpre registrar que, conforme refletido no Termo de Verificação, a Providência Participações Ltda. foi criada em 23/07/2007, sendo seu capital detido pela Companhia Providência (99,90%) e pela Providência Transportes (0,10%) e, após adquirir, em 24/08/2007, 100% da Isofilme, é incorporada pela mesma Isofilme em 15/02/2008. Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.078 11 De plano, vêse que a Providência Participações teve curta existência. E, como demonstrou a Fiscalização, embora efetuados em nome da Providência Participações, os atos de aquisição de 100% das quotas da Isofilme foram concretizados pela Companhia Providência. Inclusive o recolhimento de IRRF, distintamente do que diz a Impugnante, embora alegadamente efetuado por conta da Providência Participações e registrado em seu Diário, foi feito em DARF com CNPJ da Companhia Providência: (...) Assim, sendo a Cia. Providência e a Providência Participações partes intrinsecamente ligadas, as alegações de existência de transferência de recursos por meio de empréstimo entre elas e de cumprimento de obrigações por uma em nome da outra requerem provas materiais mais consistentes que não se limitem à escrituração formalizada pelas próprias partes envolvidas. Sequer restou comprovada a existência de contas bancárias em instituições financeiras em nome da Providência Participações. Ainda que alegadamente em nome de sua controlada, todas as operações de aquisição das quotas da Isofilme foram feitas pela sua sócia majoritária Companhia Providência. Nesse contexto, apesar da possibilidade legal de que operações sejam efetuadas por conta e a ordem de terceiros, a alegação de existência de empréstimo entre partes ligadas não se mostra, por si só, suficiente para comprovar que a aquisição das quotas da Isofilme teria sido feita com recursos desembolsados pela Providência Participações e não por sua sócia majoritária Companhia Providência. Pelo contrário, dos documentos que instruem os autos inferese que a aquisição da totalidade das quotas da ISOFILME INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., embora efetivada formalmente em nome da PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES LTDA., foi feita com recursos provenientes de sua controladora, COMPANHIA PROVIDÊNCIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO, efetiva investidora, pois a PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES LTDA., que teve como objeto a participação em outras sociedades, como sócia ou acionista, foi constituída apenas para figurar como adquirente na operação em que originado o ágio, possuindo como único investimento a totalidade das quotas da ISOFILME INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., e não há notícia de qualquer outra atividade no curto período de sua existência. Aliás, nos elementos que instruem o processo, não se identifica ato algum que tenha sido praticado autonomamente pela Providência Participações Ltda., mas sim que todos os atos envolvendo a Providência Participações foram, de fato, realizados pela sua controladora Companhia Providência. A operação de aquisição por meio da qual é gerado ágio (no caso aquisição de quotas da Isofilme pela pessoa jurídica Providência Participações que figura como adquirente) não pode ser apenas formal, para suprir interesses da real investidora, no caso Companhia Providência. O efetivo dispêndio pela aquisição de participação societária com ágio e o benefício fiscal de amortização desse último devem, após a incorporação Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.079 12 prevista na legislação, ser confrontados na mesma pessoa jurídica que remanescer da incorporação (real investidora ou na investida). (...) Ao contrário do que entende a Impugnante, a utilização de empresa intermediária (ou veículo), sem qualquer função empresarial real distinta do investimento com ágio, não está pré autorizada pela Lei. Não há lógica em supor que a Lei Tributária admitiria ou até incentivaria a criação de empresa intermediária, sem função empresarial, como se depreende das teses da Impugnante. Se a pessoa jurídica Providência Participações Ltda. não praticou ato algum de forma autônoma, independente, mas foi criada exclusivamente para figurar como “intermediária” em lugar da efetiva interessada, Companhia Providência, todos os atos dos quais a primeira participa se mostram artificiais. A Lei não autorizou expressamente (e nem poderia) que o contribuinte se beneficie de amortização de despesas originadas de negócios jurídicos artificiais. Não é possível admitir, sob pena de aceitar incompatibilidade no ordenamento jurídico, que a lei tenha autorizado a geração de ágio mediante operações que não refletem a realidade, sem efetivo propósito, como no caso, a criação da empresa intermediária sem qualquer finalidade. Ademais, como bem consignou a Fiscalização, o Princípio Contábil da Entidade não permite que a contribuinte autuada (Isofilme) se beneficie da amortização de dispêndios com ágio que, na verdade, foram suportadas por terceiros, no caso, por sua sócia controladora Companhia Providência. O fato de a Companhia Providência praticar atos em nome da Providência Participações e de a primeira ser controladora da segunda não as tornam uma única pessoa jurídica e não transforma a Providência Participações em uma sociedade operacional apta a usufruir de benefício fiscal de amortização de dispêndio (ágio) cujo ônus não assumiu de forma autônoma. Hipóteses invocadas pela Impugnante como construção de bem público ou a exploração de serviço público mediante Parceria PúblicoPrivada em que o próprio Poder Público exige, por lei, a formação de sociedade com características equivalentes, não refletem orientação de criação de “empresa veículo” nem validam a constituição de pessoa jurídica sem finalidade ou substância negocial. O próprio fato de a possibilidade de amortização de ágio relacionarse originalmente, como identifica a Impugnante, à privatização dos serviços públicos – negócio evidentemente não artificial mostra que somente o ágio decorrente de operações em que todas as partes envolvidas têm substância econômica pode ser amortizado. E no caso, não há como atribuir substância econômica a todas as operações que levaram ao aproveitamento da amortização do ágio, pois das ocorrências descritas pela Fiscalização depreendese: (i) a utilização de sociedade que não possui patrimônio (além de recursos que lhe foram transferidos para formalização da aquisição das quotas da investida) e que dura pouco, (ii) o retorno da participação acionária objeto da operação (investimento) à própria investida ao incorporar a investidora (quotas da Isofilme adquiridas pela Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.080 13 empresa intermediária que retornam a própria Isofilme, de modo que o ágio que passou a ser amortizado na autuada referese a ações dela própria – ágio de si mesma), bem como (iii) ausência de justificativa para a criação de empresa intermediária, já que sua extinção ocorreu em poucos meses e promoveu apenas a aquisição de quotas da investida. Por outro lado, não se encontra na legislação autorização para aproveitamento do ágio quando, ao final da operação, o verdadeiro adquirente (Companhia Providência) e o adquirido (Isofilme) remanescem existindo, sem que haja união do patrimônio dessas sociedades. Argumenta a Impugnante que mesmo que tivesse ocorrido a aquisição da Isofilme pela Companhia Providência, o ágio poderia ter sido amortizado e aponta outras hipóteses de constituição de holding com posterior cisão parcial, alegando existirem outras alternativas que levariam ao mesmo resultado alcançado. Contudo, ainda que outras formas de reorganização societária permitissem amortização de ágio, o fato é que adotou a Interessada a criação de empresa intermediária (veículo) exclusivamente para possibilitar a antecipação dos efeitos fiscais da dedutibilidade do ágio, sem outros propósitos empresariais ou negociais, e isto caracteriza descumprimento das condições previstas em lei para o reconhecimento e amortização do ágio. Como efeito, a amortização somente é permitida quando a aquisição e a incorporação são realizadas por sociedades operacionais. Admitir o contrário equivale a admitir que a lei validaria operações com participação de pessoas jurídicas artificiais – hipótese que, como já mencionado, não se coaduna com o ordenamento jurídico. Reprisese: os atos concretos da Interessada demonstram que a verdadeira adquirente do investimento (Companhia Providência) criou primeiramente empresa intermediária (veículo – Providência Participações Ltda.), a qual recebeu o valor para a aquisição do investimento (mediante aumento de capital ou alegado empréstimo). Essa empresa veículo adquiriu o investimento com ágio e depois foi incorporada pela empresa investida (Isofilme), que passa a amortizar o ágio. Dessa forma, o investimento mantevese na real adquirente (Companhia Providência, controladora da Providência Participações Ltda.), que permaneceu com sua participação na Isofilme detendo seu integral controle. O procedimento realizado não extingue, na real adquirente, a parcela do investimento correspondente ao ágio, de modo que, ao final das operações realizadas, com a incorporação da empresa veículo pela investida, a propriedade da participação societária adquirida com ágio subsiste no patrimônio da investidora original, diversamente do que se extrai da lei. Por sua vez, a Companhia Providência, embora tenha cedido os recursos, procurou omitir sua condição de real adquirente da Isofilme e esquivouse de, depois, incorporála (ou ser por ela incorporada), para, somente a partir daí, poder amortizar o ágio. Ao invés disso, utilizou empresa intermediária, criada exclusivamente para possibilitar a antecipação dos efeitos fiscais da dedutibilidade do ágio, sem outros propósitos empresariais ou negociais, o que caracteriza descumprimento das condições previstas em lei para o Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.081 14 reconhecimento e amortização do ágio, uma vez que, como já mencionado, a amortização somente é permitida quando a aquisição e a incorporação são realizadas por sociedades operacionais. Nesse contexto é que, além de não restar superada a constatação fiscal de que o ônus da aquisição da Isofilme foi suportado efetivamente pela Companhia Providência, apontou a Fiscalização que não há como prosperar a possibilidade de dedutibilidade por uma pessoa jurídica, de ágio originado na aquisição, de quotas dela mesma, por uma empresa criada somente para tal operação de aquisição (empresa intermediária ou empresa veículo). (...) Nos presentes autos, não se tem notícia de implementação da condição legal, para dedutibilidade da amortização do ágio, de “absorção de patrimônio” entre a real investidora (Cia Providência) e a investida (Isofilme). Após a incorporação da Providência Participações pela Isofilme, continuou existindo a Companhia Providência, de modo que a amortização do ágio não configura despesa própria da autuada Isofilme, não podendo reduzir o resultado dessa última. Assim, quer em face da interposição de sociedade veículo, com exclusiva finalidade fiscal de permitir a dedução do ágio desde a operação de incorporação da qual participou tal sociedade, sem que se configurasse a confusão patrimonial entre a real investidora e a investida, exigida por lei como decorrência de operação societária de incorporação, fusão ou cisão quer porque a ausência de tal confusão patrimonial no momento da operação de incorporação da qual participou a empresa veículo também se verifica no curso dos períodos autuados, impõese a manutenção do lançamento”. Em relação à CSLL o Acórdão a quo, depois de analisar a matéria, concluiu (fls. 1001): “tendo em conta que o lançamento de CSLL decorre dos mesmos fatos que ensejaram a autuação de IRPJ, impõese a adoção de igual orientação decisória, mantendose integralmente o lançamento”. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2011 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. A contagem do prazo decadencial, para a constituição do crédito tributário, mediante lançamento de ofício, somente pode ter início com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A contabilização do ágio, na operação de aquisição da totalidade de quotas de outra pessoa jurídica, enseja mero lançamento contábil de natureza patrimonial, sem repercussão imediata na determinação do lucro líquido, do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Diante da não ocorrência de fato gerador, não há possibilidade jurídica de lançamento de ofício e, consequentemente, de início da contagem do prazo decadencial. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2011 Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.082 15 IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. PAGAMENTO EFETUADO POR CONTROLADORA. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. ÁGIO DE SI PRÓPRIA. INDEDUTIBILIDADE. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzila prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei n° 9.532/97 e art. 10 da Lei n° 9.718/98 não pode prevalecer quando, para sua configuração, é utilizada empresa veículo para, em nome dela e com recursos provenientes de sua controladora, serem adquiridas ações com ágio da empresa que vem a ser a incorporadora e que passa a amortizar ágio de si mesma. A condição legal de ocorrência de uma operação de incorporação, mediante extinção da investida ou da investidora, e da consequente confusão patrimonial entre elas, não pode ser admitida apenas como uma exigência formal, mas deve ser considerada como um requisito de efetivo conteúdo econômico e societário, que reflita um verdadeiro propósito negocial e não apenas uma opção empresarial dos interessados, sob pena de se interpretar extensivamente uma norma concessiva de um benefício, hipótese vedada pelo art. 111 do CTN. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A exigência decorrente deve seguir a orientação decisória adotada para o tributo principal, tendo em vista ser fundada nos mesmos fatos, mormente em face de norma prevendo, para a CSLL, iguais hipóteses e condições de dedutibilidade de amortização de ágio, existentes em relação ao IRPJ. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após transferência mediante a utilização de empresa veículo, surge no patrimônio da própria investida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 18/06/2015 (fls. 1010), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 08/07/2015 (fls. 1012/1039), no qual, excetuadas as contraposições que fez em face da decisão recorrida, basicamente repisou o aduzido na impugnação, incluindo a preliminar de decadência e, no mérito, os argumentos lá assentados. Juntou, ainda, documentos (fls. 1040/1062). É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.083 16 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 18/06/2015 – fls. 1010 – protocolização do RV em 08/07/2015 – fls. 1012), a representação do contribuinte está corretamente formalizada (fls. 754/755) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. Suscita a recorrente em preliminar ter havido decadência, pelo que estaria o Fisco impossibilitado de questionar a reestruturação societária implementada e, consequentemente, de realizar os lançamentos de ofício efetuados. Penso que razão não cabe à recorrente. Sabidamente, os reflexos de qualquer “reestruturação societária”, no âmbito dos lançamentos tributários, só têm relevância a partir do momento em que irradiem reflexos [tributários] em função deste procedimento organizacional, o que, no caso concreto, deuse nos anoscalendário de 2009 e 2011. Digase, somente se pode falar em contagem do prazo decadencial após o surgimento dos fatos geradores, não importando a data da ocorrência de fatos administrativos ou societários passados, sem substância econômicotributária, que possam ter repercussão futura. Nessa linha, inequívoco que o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN, jamais do momento da “reorganização societária”, ato formal e de cunho societário, civil e comercial e que não traz, neste primeiro momento, qualquer reflexo na área fiscal. Em linguagem diferente, se a recorrente procedesse à dita “reorganização societária” que alega e tivesse apurado “ágio”, mantendoo em seu ativo, não o amortizando, não teria ocorrido o fato gerador ou infração à legislação tributária, de modo que não haveria que se falar em lançamento, consequentemente não haveria “prazo decadencial a fluir”. No caso da amortização do ágio, independentemente do ano em que o mesmo tenha sido gerado, ao Fisco só incumbe verificar a regularidade de sua utilização a partir do momento em que o sujeito passivo passa a deduzilo de seus resultados. Antes disso, não deflui qualquer prazo decadencial em relação ao direito do Fisco verificar a regularidade do lançamento por homologação realizado pelo Sujeito Passivo. Assim, ao examinar a dedução do ágio, incumbe ao Fisco perscrutar por completo as operações que lhe dariam suporte, ainda que ocorridas há mais de cinco anos da data em que o lançamento vier a ser efetuado. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.084 17 De outro lado, as mutações patrimoniais verificadas na contabilidade do sujeito passivo somente têm interesse fiscal e podem ser objeto de autuação pelo Fisco a partir do momento em que produzam efeitos nos resultados tributáveis apurados pelo sujeito passivo, como ocorre, por exemplo, na depreciação dos bens adquiridos para o ativo permanente. Somente após o registro das quotas de depreciação como despesas tem o Fisco o interesse na verificação de sua regularidade, independente da data em que tal bem tenha sido adquirido e incorporado ao imobilizado da empresa. Em suma, a contagem do prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado, nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Como se está diante de fatos geradores ocorridos em 2009 e 2011 e os lançamentos foram cientificados à contribuinte em 17/10/2013, não há que se falar em decadência, sequer trimestral. Precedentes deste Colegiado e desta 2º Turma da 4ª Câmara da 1ª Sejul mostram remansosa jurisprudência, dentre eles o Ac. nº 1402002.152, relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2006,2007,2008 DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, voltase apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art.150,§4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Ante ao exposto e tendo o lançamento sido realizado dentro do prazo decadencial previsto CTN, voto por rejeitar a preliminar de mérito relativa à decadência. Passo ao mérito. Tratase de glosa procedida pelo Fisco sobre despesas com amortização de ágio nos anoscalendário 2009 e 20112 na empresa recorrente, tendo em vista que, no dizer fiscal, não teria havido efetividade no negócio jurídico, sendo nítido ter havido “intenção de gerar ágio por meio de planejamento tributário abusivo apenas para a diminuição do lucro real, uma vez que não há substancialidade nesse ágio”. (TVF fls. 40/41). 2 Conforme bem observado pela decisão recorrida (fls. 945), a DRF jurisdicionante da contribuinte deverá atentar que, "à fl. 39, constou que a mesma tese sustentada para o anocalendário de 2009, consequentemente, se aplica aos anoscalendário de 2010 e 2011, conforme demonstrado no Auto de Infração, mas, às fls. 07 e 19, foram formalizadas exigências para os fatos geradores 31/12/2009 e 31/12/2011 e não para o fato gerador 31/12/2010, cabendo à autoridade lançadora avaliar a pertinência e oportunidade de eventual lançamento abrangendo o anocalendário de 2010, se for o caso”. Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.085 18 Em outras palavras, teria sido utilizada empresa veículo com o único propósito de carrear ágio para a recorrente (que sequer o suportou), tudo mediante manobras contábeis e contratuais que redundaram no aproveitamento fiscal dos encargos de amortização desse ágio de modo a reduzir o resultado tributável da empresa Isofilme. Aduz ainda a Fiscalização que os contornos do planejamento mostram cenário cujo único propósito foi o de permitir à recorrente a utilização de ágio internamente gerado (TVF – fls. 40): De seu turno, a recorrente pugna pela correção do procedimento e, consequentemente, da permissibilidade da dedução da despesa de ágio nas bases imponíveis de IRPJ e de CSL sustentando que o Fisco partiu de premissa falsa ao dizer que “o custo de aquisição da ISOFILME não teria sido suportado pela PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES, mas pela COMPANHIA PROVIDÊNCIA”; que, “os pagamentos foram feitos pela COMPANHIA PROVIDÊNCIA por conta e ordem da PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES”; que haveria mútuo entre estas duas empresas; que o Instrumento Contratual de Compra e Venda de Quotas da ISOFILME, firmado em 11/07/2007 teve originalmente como compradora a COMPANHIA PROVIDÊNCIA, mas “à época, as obrigações a cargo da adquirente da participação societária estavam suspensas”, por dependerem da realização de atos até o momento definido como "data de fechamento do negócio”, e que “enquanto o ajuste estava com a sua eficácia suspensa”, foram cedidos pela Companhia Providência para a Providência Participações os direitos e obrigações “inerentes ao "Contrato de Compra e Venda de Quotas" da Isofilme”. Diz mais: i) que como “a PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES havia sido formada para realizar a aquisição da ISOFILME e não tinha recursos para pagar pela compra do investimento, ela foi capitalizada e tomou empréstimo junto à sua sócia – COMPANHIA PROVIDÊNCIA. Os recursos recebidos foram transferidos parte aos vendedores pessoas físicas e parte ao vendedor de ISOFILME residente no exterior Duotex Management LLC mediante fechamento de contratos de câmbio, promovidos por COMPANHIA PROVIDÊNCIA contra ordem de PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES. Em 27/08/2008, parcela relativa ao empréstimo fora convertido em integralização de capital pela Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.086 19 COMPANHIA PROVIDÊNCIA na ISOFILME”, que quem pagou pela compra desta participação societária não foi a COMPANHIA PROVIDÊNCIA, mas a PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES, tendo aquela agido “por conta e ordem” desta; ii) que estariam presentes todos os pressupostos exigidos para a amortização do ágio, a saber, “(1) negócio verdadeiro que resulte na aquisição do investimento; (2) pagamento integral do investimento; e (3) ágio pela expectativa de rentabilidade futura fundamentado em critérios técnicos e demonstrado em estudo idôneo”; iii) que “o Fisco objeta a operação simplesmente porque pretende arrecadar mais do que a lei permite”; iv) que “a forma adotada no caso em tela para a aquisição da participação societária da Impugnante (ocorrida mediante compra pela PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES) produziu substancialmente os mesmos efeitos que seriam resultantes da eventual adoção do negócio idealizado pela Fiscalização (aquisição pela COMPANHIA PROVIDÊNCIA), na medida em que ambos os casos seria gerado o ágio e haveria junção de patrimônios da investidora e investida, não há qualquer fundamento para negarse o direito de amortizar a importância despendida em valor superior ao seu PLC na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme asseguram os artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97, justificandose o cancelamento das autuações”. Em sua impugnação inaugural (fls. 726), a recorrente mostra sua visão temporal e fática dos eventos societários: Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.087 20 Postos os fatos, passo à análise da lide. Inequívoco que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Por decorrência, a premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade seja possível é que ocorra a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, a teor do disposto no artigo 386, e seu inciso III, do RIR/99. Neste eito, a amortização do ágio nos moldes pretendidos pela recorrente seria então exceção, que, concretamente, referese a casos de transformações societárias envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos, impondo, i) a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição, ii) ou, mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). Feitas estas ponderações preliminares, passo ao caso concreto. De acordo com o relatório da decisão recorrida (fls. 962/966) e demais documentos dos autos, esta foi a sequência dos eventos societários das empresas envolvidas: a) em 11/06/2007 (e não 11/07/2007 como consta na impugnação inaugural apresentada junto à DRJ) é assinado "Contrato de Compra e Venda de Quotas" do capital da ISOFILME (ora recorrente) figurando como Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.088 21 vendedores, Duotex Management LLC e outros, e como compradora, a sociedade Companhia Providência (fls. 785/820); neste momento e no mesmo instrumento (cláusula 1.3) ficou acertado que a compradora, Companhia Providência, poderia, “até a Data do Fechamento (...) ceder e transferir todos os seus direitos e obrigações (...) a uma controlada (...) que efetuará a Aquisição”; b) em 20/07/2007 (fls. 448/456) é constituída a sociedade Providência Participações Ltda., tendo como sócias as pessoas físicas Renata Benacchio Regino e Daniela Mastrorocco, ambas advogadas, protocolo na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 0.407.226/072, com capital social de R$ 1.000,00; c) também em 20/07/2007 (fls. 457/458), ou seja, na mesma data, as sócias acima deliberam por nomear seus administradores, entre os quais o Sr. Hermínio Vicente Smania de Freitas (Diretor Presidente das pessoas jurídicas Companhia Providência Ind e Com Ltda. e Providência Transportes, fls.471); d) em 08/08/2007 (fls. 459/471), portanto menos de vinte dias após sua constituição, as sócias originais, Renata Benacchio Regino e Daniela Mastrorocco deixam a sociedade e transferem, pelo valor nominal de R$ 1.000,00, suas quotas na Providência Participações para a Companhia Providência e para Providência Transportes Ltda.; e) em 08/08/2007, ou seja, na mesma data em que Renata Benacchio Regino e Daniela Mastrorocco deixam a sociedade e transferem, pelo valor nominal de R$ 1.000,00, suas quotas na Providência Participações para a Companhia Providência e para Providência Transportes Ltda., a Companhia Providência CONFIRMA A CESSÃO dos direitos e obrigações relativos à aquisição da ISOFILME à Providência Participações (sociedade que é por ela controlada), conforme Instrumento Particular de Cessão de Contrato (fls. 852), ratificando, assim, os dizeres da cláusula 1.3 do Contrato de Compra e Venda de Quotas de 11/06/2007 (já citado); f) implementada nessa data (08/08/2007) a operação de Cessão de Contrato, a adquirente da totalidade das quotas sociais da ISOFILME passou a ser a Providência Participações (controlada pela Companhia Providência) e não mais esta, apesar de ser sua controladora; g) com isso, Providência Participações subrogase como detentora de todos os direitos e obrigações inerentes, inclusive o ágio decorrente; h) em 16/08/2007 (fls. 472/484), o Capital Social da Providência Participações é aumentado e integralizado pela sócia Companhia Providência passando a ser de R$ 13.136.244,00; i) 30/10/2007 (fls. 485/4964), o Capital Social da Providência Participações é novamente aumentado e integralizado em R$ 25 Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.089 22 milhões pela sócia Companhia Providência, passando a perfazer R$ 38.136.244,00; j) 13/11/2007 (fls. 497/509) há novo aumento do Capital Social da Providência Participações, integralizado pela sócia Companhia Providência, passando a perfazer R$ 46.320.273,00: k) finalmente, em 15/02/2008 (fls. 509/511 e fls. 392/394), houve deliberação das sócias da Providência Participações para que a sociedade fosse incorporada pela ISOFILME IND. E COM. DE PLÁSTICO LTDA., destacandose que esta última era integralmente controlada pela primeira, ou seja, a Providência Participações detinha a integralidade do capital social da ISOFILME (e o consequente o ágio surgido por conta da aquisição efetivada em 08/08/2007); l) como consequência destes eventos e desta incorporação às avessas, o ágio, nascido anteriormente pela operação de transferência da ISOFILME para a Providência Participações acabou, em face desta operação societária, por retornar à primeira [ISOFILME]. Esquematicamente 1. Companhia Providência adquire controle acionário da ISOFILME (com ágio) 2. Companhia Providência adquire Providência Participações (empresa veículo) 3. Companhia Providência cede direitos da aquisição da ISOFILME, inclusive ágio, à Providência Participações (empresa veículo) 4. Companhia Providência passa a capitalizar regularmente sua controlada Providência Participações (empresa veículo), que não dispunha de recursos para pagar pela compra da ISOFILME. Além disso, realiza empréstimos (mútuo) para permitir seja adimplida a aquisição Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.090 23 5. Providência Participações (que agora detém o ágio) é incorporada (às avessas), por sua controlada integral ISOFILME 6. ISOFILME passa a deduzir o ágio nascido anteriormente pela sua própria venda à Companhia Providência, ágio cedido a seguir à Providência Participações, e que, com a incorporação reversa, volta para a ISOFILME Relevante destacar que, segundo a recorrente, entre 17/08/2007 a 21/12/2007 foram firmados empréstimos entre Companhia Providência, na condição de mutuante, e Providência Participações, na condição de mutuaria, de modo que, com isso, a tomadora dos recursos passou a ser titular de capital suficiente para efetuar o pagamento pela aquisição das quotas da ISOFILME. Ao final das operações, ainda de acordo com a informação da própria recorrente, o valor devido foi transferido diretamente aos vendedores pela Companhia Providência, por conta e ordem da Providência Participações. Pois bem, excetuados casos pontuais, desde o julgamento do processo nº 16561.720026/201113 (“Caso Bunge”– acórdão nº 1402001.460), com a redação do voto vencedor do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, esta turma, com outra composição e por voto de qualidade, passou a adotar o posicionamento de que, independentemente do desenho das operações e dos eventuais propósitos negociais, na utilização de empresas veículo, não havendo extinção do investimento adquirido com ágio mediante confusão patrimonial entre investida e investidora, não há que se falar em dedutibilidade do ágio. Naquela situação, como nesta, houve indiscutível utilização de empresa veículo, restando ver, i) em que ela afetou a operação no que tange aos reflexos tributários e, ii) por quê foi criada e utilizada. A resposta, muito mais que no formalismo dos contratos e convenções firmados entre as partes envolvidas ou seus registros nos órgãos pertinentes, deve ser buscada no contexto em que inserida a empresa veículo e sua participação. Neste cenário, imperativo se tragam novamente as circunstâncias que envolveram a operação, os atos praticados por seus partícipes e a sequência cronológica dos fatos para se aferir se a presença da empresa veículo se fazia necessária para que as operações viessem a se viabilizar, ou contrariamente, se sem sua presença, as negociações inexistiriam. Pois bem, entre a data da assinatura do contrato de compra e venda das quotas da ISOFILME (11/06/2007) e a incorporação reversa da Providência Participações (15/02/2008) transcorreram pouco mais de 8 (oito) meses, tempo que, embora não extenso, a princípio não justificaria, salvo se cumulado com outros fatos, eventual descaracterização da operação pelo Fisco. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.091 24 Todavia, há outros eventos envolvidos e que não podem ser desconsiderados. O primeiro deles, a indesmentível presença de uma empresa “veículo”, expressão que, mais que um estereótipo, exsurge por sinais bem definidos: 1. constituição da sociedade Providência Participações (empresa veículo) com capital de R$ 1.000,00, tendo como “sócias” duas advogadas; 2. no mesmo ato e dia, a nomeação de administradores ligados à Companhia Providência para gerir a empresa veículo; 3. logo depois (08/08/2007), a transferência, pelo valor nominal de R$ 1.000,00, das quotas das duas advogadas na Providência Participações para a Companhia Providência; 4. a subsequente “cessão” dos direitos de aquisição das quotas da ISOFILME pela Companhia Providência a favor da Providência Participações, aí incluindo o “ágio” decorrente; 5. a notória incapacidade financeira da Providência Participações (veículo) para conseguir adimplir a obrigação perante os anteriores acionistas da ISOFILME, impondo que a Companhia Providência regularmente suprisse tal deficiência da empresa veículo com aportes de capital e empréstimos de mútuo; 6. a incorporação reversa da empresa veículo pela ISOFILME que, ao final de toda esta engenharia, passou a usufruir de um ágio nascido a partir dela mesmo, ou, melhor dizendo, gerado quando de sua venda para a Companhia Providência, que seria a legítima detentora do ágio e aquela que efetivamente poderia dele usufruir. Neste cenário, independentemente de maiores digressões de cunho jurídico ou societário, é indesmentível que, como assentado no item 6, acima, o ágio surgido pela venda da participação societária da ISOFILME estava legitimamente vinculado a quem, de fato e de direito, pagou pela aquisição, no caso, sem nenhuma dúvida, a Companhia Providência. A partir daí, TODAS as demais operações, mormente a presença subsequente de uma empresa veículo, desnecessária para a consecução do negócio, se revestiram de mera liberalidade da real adquirente, no caso, a Companhia Providência, aí incluindo etapas como “cessão do contrato” de aquisição da ISOFILME, capitalizações e mútuos envolvendo a empresa veículo Providência Participações teve um só motivo: permitir, transcorridos oito meses, que a ISOFILME passasse a se utilizar de um verdadeiro “ágio interno”, ou, “ágio de si mesmo” e reduzisse, pela despesa de amortização, suas bases imponíveis e IRPJ e de CSLL. Aplicável, em tudo, as lições do Professor Marco Aurélio Greco (in Planejamento Tributário, 2ª Edição, Dialética, pg. 123), "A questão fundamental é saber como devemos enxergar a realidade, pois ela comporta mais de uma perspectiva. Pode ser vista fotograficamente, quadro a quadro, e com isto chegaremos a uma conclusão positiva ou negativa em Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.092 25 relação a cada quadro isolado. Mas também pode ser vista cinematograficamente, vale dizer, o filme inteiro. Qual das perspectivas adotar? Normalmente só sabemos qual é a história quando chegamos ao final, só no final entendemos o significado real de tudo o que aconteceu. Esta é uma pergunta chave porque fotograficamente determinada opção pode ser plenamente protegida e até mesmo querida pelo ordenamento jurídico, mas da perspectiva do filme ela pode aparecer como instrumento para um planejamento inaceitável". Nessa linha, alegações ou justificativas como “a forma adotada no caso em tela para a aquisição da participação societária da Impugnante (ocorrida mediante compra pela PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES) produziu substancialmente os mesmos efeitos que seriam resultantes da eventual adoção do negócio idealizado pela Fiscalização (aquisição pela COMPANHIA PROVIDÊNCIA), na medida em que ambos os casos seria gerado o ágio e haveria junção de patrimônios da investidora e investida, não há qualquer fundamento para negarse o direito de amortizar a importância despendida em valor superior ao seu PLC na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, conforme asseguram os artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97, justificandose o cancelamento das autuações”, ou que quem pagou pela compra desta participação societária não foi a Companhia Providência, mas a Providência Participações, tendo aquela agido “por conta e ordem” desta ficam exatamente no terreno de alegações e não servem para justificar as operações que, sem sombra de dúvidas, tiveram como fim único permitir que a ISOFILME e não a Companhia Providência, legítima adquirente, usufruísse da benesse fiscal. E por que tal engenharia? Simplesmente porque a Companhia Providência, que, a princípio, detinha o ágio como efetiva INVESTIDORA, resolveu adotar procedimentos que acabaram por transferir tal ágio para empresa veículo especificamente criada para esse fim e posteriormente capitalizada e que, ao final, após diversas manobras, permitiu que o ágio retornasse à sua própria geradora, a ISOFILME, maior interessada em amortizálo, como se fosse possível amortizar ágio interno ou ágio de si mesmo. Em resumo, quem efetivamente poderia amortizar o ágio, Companhia Providência, preferiu não fazêlo (possivelmente por ter prejuízo); quem, realmente o utilizou (certamente por ter lucro) ISOFILME não poderia têlo feito. Simplesmente esse o desfecho da engenharia societária praticada. Mais claramente, se a amortização (despesa) poderia não ter maior repercussão na investidora, Companhia Providência, seja por ter prejuízo, seja por não ter receita suficiente para fazer frente às despesas com a amortização, seja por decisão interna da própria empresa, fosse o motivo que fosse, o fato é que tal procedimento, no fim, pôs por terra o argumento da recorrente de que “a forma adotada no caso em tela para a aquisição da participação societária da Impugnante (ocorrida mediante compra pela PROVIDÊNCIA PARTICIPAÇÕES) produziu substancialmente os mesmos efeitos que seriam resultantes da eventual adoção do negócio idealizado pela Fiscalização (aquisição pela COMPANHIA PROVIDÊNCIA), na medida em que ambos os casos seria gerado o ágio e haveria junção de patrimônios da investidora e investida”, não só pelos argumentos antes aduzidos como porque, como visto, tal “junção” inexistiu. Precedente recentíssimo (sessão de 08/08/2017, da 1ª Turma da CSRF) segue a mesma linha, relevando transcrever excetos do voto condutor da lavra do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo (Ac. 9101003.006), em tudo aplicável ao caso aqui apreciado pela sua identidade quase simétrica (alguns destaques foram acrescidos na reprodução): Fl. 1092DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.093 26 “Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço, pago em momento anterior pela investidora em razão da confiança na rentabilidade futura da investida. Destaquese que a regra se aplica tanto à incorporação da investida pela investidora quanto, no sentido inverso, à hipótese em que a investidora é que é incorporada por sua investida. Em ambos os casos, a lei exige que a investidora envolvida na incorporação seja a "original" ou stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada à pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco). A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo §6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu §6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.094 27 investidora) ou ser incorporada pela empresa onde investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que houve desembolso de valores por ocasião da aquisição das quotas da recorrente (ECISAPAR) e das ações da DYLPAR (que detinha participação na recorrente), operações ocorridas em 13/11/2006 e 20/12/2006, respectivamente. Também não se discute que tais valores superaram os valores contábeis das participações societárias alienadas. A existência dos ágios oriundos de tais operações não foi alvo de questionamento pela Fiscalização ou pela própria PGFN, nas contrarrazões que opôs ao recurso especial da contribuinte. Ocorre que os recursos financeiros utilizados na aquisição das participações societárias na recorrente e na DYLPAR (quotista da recorrente) não pertenciam à LICIA, mas à sua controladora BR MALLS, que realizou, entre novembro e dezembro de 2006, aportes de recursos que totalizaram mais de R$366.000.000,00 na LICIA, empresa que acabara de adquirir em outubro do mesmo ano, com a finalidade específica de aquisição de participação societária nas empresas ECISAPAR, DYLPAR e ECISAENG. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Sendo assim, a recorrente não fazia jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização dos ágios oriundos das operações levadas a cabo em 13/11/2006 e 20/12/2006. Como não foi a LICIA que desembolsou os valores que deram origem aos ágios contábeis, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. O numerário que pagou pela aquisição das quotas da recorrente e das ações da DYLPAR, no ano de 2006, saiu dos ativos da real investidora: BR MALLS. A empresa LICIA, embora conste formalmente como a adquirente das quotas da contribuinte (tanto direta quanto indiretamente, via aquisição de ações da DYLPAR), não tinha lastro econômico para efetivamente realizar algum sacrifício patrimonial que justificasse a criação do ágio. Pertencia à empresa BR MALLS a capacidade econômica para levar adiante o negócio de aquisição das participações societárias e foi efetivamente esta empresa quem desembolsou recursos para a aquisição das quotas da recorrida. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.095 28 Observase, pela conjugação dos indícios e das características das operações societárias que se sucederam, que a participação da LICIA foi antecipada e artificialmente concebida como forma de o grupo econômico recémformado poder posteriormente clamar pelo direito ao aproveitamento tributário do ágio previsto no art. 386 do RIR/1999. A empresa, constituída no ano anterior por pessoas físicas e contando com capital social de apenas R$15.000,00, não apresentava atividade alguma até outubro de 2006, quando foi adquirida pela BR MALLS. Tal aquisição visou exclusivamente à sua utilização como "empresa veículo": a pessoa jurídica receberia valores da real investidora (BR MALLS), aplicaria tais riquezas na aquisição de ações da DYLPAR e de quotas da recorrente e seria, em seguida, incorporada por esta última. Verificase que a LICIA teve duração efêmera (principalmente sob a gestão da BR MALLS) e deixou como único legado a possibilidade de utilização indevida de um benefício fiscal, como é característico das "empresas veículos". A empresa veículo LICIA e a DYLPAR tiveram parte de seus patrimônios incorporados pela recorrente ao final de dezembro de 2006. A recorrente, julgando que estaria configurada a "confusão patrimonial" entre o ágio e o investimento que lhe deu causa, passou a aproveitar as despesas da amortização do ágio para fins tributários. Ocorre que tal "confusão patrimonial", principal manifestação do aspecto material necessário à efetiva incidência da norma tributária prevista no art. 386 do RIR/1999, deve obrigatoriamente se dar entre a investida e a investidora originária, real. Por investidora originária, entendese aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária. Ou seja, no caso sob análise, só existe uma real investidora: BR MALLS. Sendo assim, a amortização operada pelo recorrente não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou seja por ela incorporada. No caso dos autos, a investidora originária não participou de "confusão patrimonial" alguma”. Em outro Acórdão recente da 1ª Turma das CSRF (Ac. 9101002.301, Relator Conselheiro André Mendes de Moura), encontramos: “Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.096 29 sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade”. (destacouse). Em síntese, fica claro que, com a aquisição da participação societária da ISOFILME pela Companhia Providência foi apurado um ágio a favor desta empresa EFETIVA investidora – que poderia, obedecida a legislação de regência, passar a amortizálo. Todavia, mediante a engenharia realizada, este valor, graças à utilização da empresa veículo Providência Participações, no final de todo o processo (que não durou mais que oito meses) foi revertido à mesma ISOFILME que havia tido seu controle acionário alienado no início do processo, terminando por gerar, como dito antes, um verdadeiro ágio de si mesmo, ou ágio interno, sendo inaceitável sua amortização (dedutível) sob o ponto de vista da legislação tributária. E, em contrapartida, a Providência Participações, criada em 23/07/2007, com capital detido majoritariamente pela Companhia Providência (99,90%) e apenas residual e figurativamente pela Providência Transportes (0,10%), após a “aquisição” (em 24/08/2007) de 100% da ISOFILME (com recursos da sua controladora), é incorporada pela mesma ISOFILME em 15/02/2008, tudo isso feito em apenas oito meses. Por fim, mas não menos relevante, como bem pontuado pela decisão recorrida, “o recolhimento de IRRF, distintamente do que diz a Impugnante, embora alegadamente efetuado por conta da Providência Participações e registrado em seu Diário, foi feito em DARF com CNPJ da Companhia Providência”, o que, para dizer o mínimo, mostra que todos os negócios foram realizados e os compromissos assumidos devidamente satisfeitos pela controladora e não pela controlada. Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.097 30 Nesse ponto, imperativo ver excerto do perspicaz voto condutor da decisão a quo, aqui adotado neste contexto, “sendo a Cia. Providência e a Providência Participações partes intrinsecamente ligadas, as alegações de existência de transferência de recursos por meio de empréstimo entre elas e de cumprimento de obrigações por uma em nome da outra requerem provas materiais mais consistentes que não se limitem à escrituração formalizada pelas próprias partes envolvidas. Sequer restou comprovada a existência de contas bancárias em instituições financeiras em nome da Providência Participações. Ainda que alegadamente em nome de sua controlada, todas as operações de aquisição das quotas da Isofilme foram feitas pela sua sócia majoritária Companhia Providência”. Concluindo, induvidoso que negócios que envolvam a aquisição de participações societárias não podem ter apenas exteriorização formal, mas, muito mais que isso, há de existir efetiva comprovação de toda a operação, único modo de dar substância à avença e permitir a irradiação dos efeitos tributários nos estritos termos que a legislação define, o que não restou confirmado no caso presente, até porque, como bem assentado no voto condutor do Ac. da CSRF nº 9101003.006, “a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou seja por ela incorporada. No caso dos autos, a investidora originária não participou de "confusão patrimonial" alguma”. Traduzindo para o caso apreciado, a Companhia Providência, REAL e EFETIVA INVESTIDORA, também não participou de “confusão patrimonial alguma”, nem incorporou ou foi incorporada pela recorrente. Deste modo, pelo exposto e o mais que consta nos autos, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação ao IRPJ. DOS LANÇAMENTOS DE CSLL Acerca da dedutibilidade de tais valores da base de cálculo da CSLL, melhor sorte não merece a irresignação da recorrente. De fato, como sabido, a CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes determinados na respectiva legislação, conforme dicção dos artigos 248 e 277, RIR/1999: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11). De outro giro, também pacífico, o lucro operacional resulta do confronto das receitas operacionais com as despesas operacionais (artigo 299, RIR/1999). Da interpretação sistemática destes dispositivos, extraise que somente poderão reduzir o lucro líquido as despesas operacionais que preencham os requisitos Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.098 31 previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias, de forma que, dispêndios que violem as regras de dedutibilidade do IRPJ, não podem reduzir o lucro líquido que é, também, a base de cálculo da CSLL, com os ajustes previstos na sua legislação específica. Mesmo considerando que as despesas, no presente caso, possam ter natureza não operacional, cabe lembrar que o que as torna indedutíveis da base de cálculo da Contribuição Social é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial, visto que esta impõe que o ponto de partida para se chegar à base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL, deve observar postulados e princípios contábeis. Ora, segundo o Princípio da Entidade, um dispêndio produzido de forma equivocada não deve estar na contabilidade. Em outras palavras, a contabilização de despesas inexistentes implica inobservância do princípio contábil da entidade, devendo ensejar, também por esta razão, a sua glosa, afetando, portanto, a base de cálculo do IRPJ e também da CSLL. Como consequência, dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício, digase, a própria base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art.2º da Lei 8.034, de 1990. Mais a mais, o art. 13, da Lei nº 9.249/951, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Assim, pela vinculação e nexo entre as glosas efetuadas para fins de apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, voto por negar provimento ao recurso também em relação a tal matéria. Pelas razões expostas, igualmente encaminho meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à CSLL. Concluindo, voto no sentido de REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida e os lançamentos presentes nos autos de infração de fls. 2/26. É como voto. Brasília (DF), em 25 de janeiro de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10660.721994/201312 Acórdão n.º 1402002.827 S1C4T2 Fl. 1.099 32 Fl. 1099DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720096/2014-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
AJUSTE DE PRODUTO COM PREÇO-PARÂMETRO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Cancela-se o ajuste de produto cujo preço-parâmetro calculado restou negativo. Inexiste ajuste a adicionar quando comprovado que o preço-parâmetro foi equivocadamente apurado.
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão.
PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador.
AJUSTES DE PREÇOS A MENOR APURADOS EM FISCALIZAÇÃO. DEDUÇÃO DOS AJUSTES POSITIVOS. IMPOSSIBILIDADE.
Encontrando-se, no procedimento de fiscalização ajustes de preços em valor menor do que o apurado pelo contribuinte, não pode haver dedução destes valores dos demais ajustes positivos. Os ajustes devem ser feitos produto a produto e leva-se a resultado o somatório dos ajustes positivos. Inexiste previsão de compensação entre ajustes de diferentes itens.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES ATÉ O LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL. Ao reconstituir o lucro real em procedimento de oficio, cumpre a fiscalização aproveitar todo o prejuízo fiscal de períodos anteriores regularmente apurado e declarado, pois, do contrário estará apenando indevidamente o contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário com relação à exclusão do ajuste de preços de transferência do item 94706526, no montante de R$15.082.792,49, e em relação à compensação de prejuízos fiscais no limite de 30% do lucro tributável do período autuado. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 AJUSTE DE PRODUTO COM PREÇO-PARÂMETRO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Cancela-se o ajuste de produto cujo preço-parâmetro calculado restou negativo. Inexiste ajuste a adicionar quando comprovado que o preço-parâmetro foi equivocadamente apurado. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. AJUSTES DE PREÇOS A MENOR APURADOS EM FISCALIZAÇÃO. DEDUÇÃO DOS AJUSTES POSITIVOS. IMPOSSIBILIDADE. Encontrando-se, no procedimento de fiscalização ajustes de preços em valor menor do que o apurado pelo contribuinte, não pode haver dedução destes valores dos demais ajustes positivos. Os ajustes devem ser feitos produto a produto e leva-se a resultado o somatório dos ajustes positivos. Inexiste previsão de compensação entre ajustes de diferentes itens. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES ATÉ O LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL. Ao reconstituir o lucro real em procedimento de oficio, cumpre a fiscalização aproveitar todo o prejuízo fiscal de períodos anteriores regularmente apurado e declarado, pois, do contrário estará apenando indevidamente o contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16561.720096/2014-14
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851352
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.281
nome_arquivo_s : Decisao_16561720096201414.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16561720096201414_5851352.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário com relação à exclusão do ajuste de preços de transferência do item 94706526, no montante de R$15.082.792,49, e em relação à compensação de prejuízos fiscais no limite de 30% do lucro tributável do período autuado. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7198388
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009159598080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.604 1 2.603 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720096/201414 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1401002.281 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria Ajustes Preços de Transferência Recorrentes GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 AJUSTE DE PRODUTO COM PREÇOPARÂMETRO NEGATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Cancelase o ajuste de produto cujo preçoparâmetro calculado restou negativo. Inexiste ajuste a adicionar quando comprovado que o preço parâmetro foi equivocadamente apurado. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão. PREÇO PARÂMETRO. EXCLUSÃO DO VALOR CORRESPONDENTE A FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Como decorrência de disposição legal e da necessidade de se comparar grandezas semelhantes, na apuração do preço parâmetro devem ser incluídos os valores correspondentes a frete, seguro e imposto sobre importação, cujo ônus tenha sido do importador. AJUSTES DE PREÇOS A MENOR APURADOS EM FISCALIZAÇÃO. DEDUÇÃO DOS AJUSTES POSITIVOS. IMPOSSIBILIDADE. Encontrandose, no procedimento de fiscalização ajustes de preços em valor menor do que o apurado pelo contribuinte, não pode haver dedução destes valores dos demais ajustes positivos. Os ajustes devem ser feitos produto a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 96 /2 01 4- 14 Fl. 2604DF CARF MF 2 produto e levase a resultado o somatório dos ajustes positivos. Inexiste previsão de compensação entre ajustes de diferentes itens. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES ATÉ O LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL. Ao reconstituir o lucro real em procedimento de oficio, cumpre a fiscalização aproveitar todo o prejuízo fiscal de períodos anteriores regularmente apurado e declarado, pois, do contrário estará apenando indevidamente o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. Por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário com relação à exclusão do ajuste de preços de transferência do item 94706526, no montante de R$15.082.792,49, e em relação à compensação de prejuízos fiscais no limite de 30% do lucro tributável do período autuado. Declarouse impedida de votar a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.605 3 Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso. Relatório Tratase de lançamentos que exigem do interessado as seguintes exações: a) Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 19.619.961,73, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 2268/2274); b) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$ 7.063.186,22, acrescida da multa de ofício e dos juros de mora (fls. 2276/2281). A infração apurada foi assim descrita no auto de infração de IRPJ: 001 ADIÇÕES PREÇOS DE TRANSFERÊNCIAS. CUSTOS, DESPESAS, ENCARGOS BENS, SERVIÇOS, DIREITOS ADQUIRIDOS NO EXTERIOR PESSOA VINCULADA Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2009 78.479.846,91 75,00 Os fatos e circunstâncias que fundamentam o lançamento estão descritos no Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 2283/2293, o qual, resumidamente, expõe o seguinte. Dos fatos A autoridade relata que no anocalendário fiscalizado (2009) o contribuinte importou de empresas vinculadas, com cobertura cambial, portanto sujeito às regras de preço de transferência, vários produtos que foram utilizados para a produção e revenda, o que foi alvo de verificação do cumprimento das obrigações tributárias decorrentes dessas regras. Segundo a fiscalização, o contribuinte, em sua DIPJ AC 2009, informou ter utilizado os métodos de ajuste: PIC, PRL 20 e PRL 60, tendo sido oferecido ajuste devido às importações, conforme o total dos valores declarados na Ficha 32, a quantia de R$ 56.966.216,28, o que também foi informado na tabela "Ajuste de Importação no Ano Fiscalizado" do banco de dados em ACCESS fornecido. O TVF relata inicialmente (fls. 2284/2286) as intimações, prorrogações, respostas produzidas ao longo da fiscalização, bem como todas as trocas de correspondências e de dados magnéticos entre a fiscalização e o fiscalizado. Do cálculo dos preços de transferência Do preço praticado A fiscalização, citando a legislação, notadamente o art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, e os §§ 4º e 5º, do art. 4º, da IN SRF nº 243, de 2002, analisou a forma Fl. 2606DF CARF MF 4 aplicável na apuração dos preços praticados, segundo a sistemática dos preços de transferência. Nesse contexto, calculou os preços praticados conforme demonstrado nas planilhas anexadas nos docs. 52 e 56 (fls. 278/1898). Do preço parâmetro No que toca a apuração do preço parâmetro na importação (média aritmética ponderada de preços praticados em operações entre empresas independentes, coletados e ajustados, conforme métodos definidos em lei, escolhidos pelo contribuinte), a autoridade fiscal fundamentouse, novamente, no art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996, bem como no art. 6º, da também citada IN SRF nº 243, 2002. Assim, de acordo com as previsões legais citadas e transcritas, autoridade calculou os valores dos preços parâmetros, conforme se vê nas planilhas anexadas nos docs. 53 e 57 (fls. 527/1902). Do método Preços Independentes Comparados PIC Esclarece a fiscalização que a legislação permite que este método seja adotado desde que, para a apuração dos preços de transferência, seus preços sejam comparados com os preços de bens idênticos ou similares: 1. vendidos pela mesma exportadora, a pessoa jurídica não vinculada, residente ou não: 2. adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou não; 3. em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou não. A autoridade explicita que, conforme dispõe o caput do art. 9°, da IN SRF nº 243, de 2002, os valores dos bens, serviços ou direitos devem ser ajustados de forma a minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, por diferenças nas condições de negócio, de natureza física e de conteúdo. Exemplifica isso citando: a condição CIF, FOB ou CFR; a de pagamento a 30, 60 ou 90 dias; a apresentação do bem sobre estrutura metálica ou plástica; seu acondicionamento em unidades individualizadas ou por dezenas, dúzias ou grosas, etc.. O § 1°, do art. 9°, da IN SRF nº 243, de 2002, dispõe ainda sobre os ajustes que podem ser efetuados nos casos de bens, serviços ou direitos idênticos. Nesse sentido, a autoridade, para minimizar os efeitos provocados sobre os preços a serem comparados, tanto os preços dos bens adquiridos no exterior de empresas vinculadas, utilizados para a apuração do preço praticado, quanto os preços utilizados para a apuração do preço parâmetro, foram comparados na condição FOB. Dentro da amostragem analisada, a autoridade esclarece que o contribuinte utilizou este método somente para o insumo 55565081. Do método do Preço de Revenda menos Lucro PRL Para a apuração do ajuste pelos métodos utilizados pelo contribuinte, o § 9° do art. 12°, da IN SRF n° 243, de 2002, estabelece como deverá ser feito o cálculo do ajuste pelo método do PRL 20 e o § 11° define o cálculo do PRL 60. A fiscalização explica que, para a obtenção do preço parâmetro calculase o preço líquido de venda (média aritmética ponderada dos preços de venda do bem Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.606 5 produzido), o percentual de participação dos bens importados no custo dos produzidos (relação do custo do bem importado e o custo total do bem produzido), a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a margem de lucro (20 ou 60% conforme o caso de revenda ou produção) e por fim o cálculo do preço parâmetro (a diferença entre a participação do bem importado no preço de venda do bem revendido/produzido e a respectiva margem de lucro). Na amostragem selecionada, a autoridade fiscal informa que o contribuinte utilizou este método para cerca de 26 insumos, tendo sido apurado pela fiscalização um ajuste total (PRL 20 e 60) maior que o apurado pelo contribuinte. Da auditoria Dos Cálculos e Ajustes realizados pelo contribuinte e pela Fiscalização Em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, e depois de várias correções nas tabelas do arquivo analisado, o contribuinte apresentou em 29/08/14 várias tabelas preenchidas com dados quantitativos e qualitativos relativos às: compras, vendas, importações, empresas vinculadas com quem transacionou, filiais, inventário, devoluções, custo da produção acabada, insumo produto anual e ajuste de importações realizados. Após a análise da documentação e dos arquivos digitais entregues naquela data, a fiscalização recalculou os preços parâmetros, preços praticados e quantidades dos insumos sujeitas a ajuste pelos métodos PRL 20 e 60. Na DIPJ do AC 2009 (doc. 59, fls. 2051/2100) os valores de ajuste, devido às importações, declarados na Ficha 32 somaram R$ 56.966.216,28 para o período de 01/01 até 31/12/2009. Concluiu aquela autoridade que, ao refazer os cálculos de ajuste conforme estabelece a IN SRF nº 243, de 2002, conforme os demonstrativos anexados (docs. de 50 a 58), que havia a necessidade de um ajuste adicional pelo PRL 20 de R$ 27.476.628,96 e pelo PRL 60 de R$ 51.003.217,95, totalizando um ajuste total adicional de R$ 78.479.846,91, a ser adicionado ao lucro real apurado e declarado no período. Esclarece aquela autoridade que os relatórios e demonstrativos onde ser vê a apuração são aqueles vistos nos documentos 50 a 58, fls. 275/1905: No caso da verificação do ajuste pelo método PIC, a autoridade ressalta que, devido à não entrega dos documentos necessários para sua avaliação (doc. 46), foi feito o cálculo utilizando o método PRL 60, e nenhum ajuste foi obtido. Do valor apurado nas operações No que tange a apuração da matéria lançar, aquela autoridade assim se pronunciou: (...) Fl. 2608DF CARF MF 6 Considerando que o contribuinte apurou lucro real antes da compensação de prejuízo no valor de R$ 1.659.698.432,62 (ver linha 71 da ficha 09 A da DIPJ AC 2009), que a base de cálculo da CSLL apurada antes da compensação da base de cálculo negativa foi de R$ 1.656.374.655,58 (ver página 20 da DIPJ AC 2009), que o prejuízo fiscal amortizado foi de R$ 497.909.529,79, que a base de cálculo negativa da CSLL amortizada foi de R$ 496.912.396,67; os valores apurados após a adição do ajuste calculado, e que serão utilizados nos lançamentos de ofício por esta fiscalização serão os seguintes: a) Novo resultado fiscal do período (lucro real): R$ 1.738.178.279,53; b) Prejuízo Fiscal de Períodos Anteriores a Compensar até o limite de 30%: R$ 497.909.529,79; c) Nova base de Cálculo da CSLL a ser utilizada no AC 2009: 1.734.854.502,49; (...) Impugnação O interessado tomou ciência dos lançamentos em 30/09/2014 (fls. 2298), e, inconformado com a autuação, impugnoua por meio da peça de fls. 2320/2349, a qual, resumidamente, traz as seguintes alegações: a) que a improcedência da exigência fiscal é total; I Do método do Preço de Revenda Menos o Lucro – PRL 20 I.1 Do erro de apuração b) que, no que diz respeito ao PRL 20, a Fiscalização não considerou, no cálculo do ajuste a ser realizado para cada um dos itens em que utilizou essa metodologia, os ajustes realizados pela impugnante, conforme DIPJ de 2010, juntada ao processo administrativo; c) que dos 27 itens selecionados ao final pela fiscalização, esta identificou seis produtos, de um total de 18, que foram objeto de autuação, sendo que para esses seis a interessada efetuou o cálculo do preço parâmetro na importação pelo método PRL 20, são eles: 1. 116DJ9I/GN TRACKER 2.0L MOD.220220 *GÁS*5LUG; 2. 1EL5Y9IMP/GM OMEGA CD MOD.149010; 3. 24577737TRANSMISSÃO MANUAL; 4. 3L5379I/GM CAPTIVA SPORT FWD 4x2 3.6L V6; 5. 3L6379I/GM CAPTIVA SPORT AWD; d) que a Fiscalização não se deu conta de que o valor do ajuste promovido pela impugnante em sua DIPJ era resultado, em grande parte, da aplicação do método do PRL 20 no cálculo do preço parâmetro dos produtos listados acima, o que significa que já efetuara os ajustes para praticamente todos os itens listados, mas isso não foi considerado na autuação; Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.607 7 e) que os ajustes que promoveu, a exceção de um caso, foram maiores que aqueles feitos pela fiscalização, conforme se vê abaixo: I.2 Da inclusão do frete, seguro e tributos na importação f) que, ainda no que diz respeito ao PRL 20, a Fiscalização realizou o cálculo do preço praticado levando em consideração os valores de frete, seguro e II, o que contradiz a legislação em vigor à época dos fatos, em especial o caput do artigo 18 da Lei nº 9.430, de 1996; g) que o legislador estabeleceu que seria considerada margem de lucro tudo aquilo que não fosse descontos incondicionais concedidos, impostos sobre vendas, comissões pagas e o preço efetivamente pago à parte relacionada; o que vale dizer que o legislador computou dentro da margem de lucro de 20% o lucro propriamente dito e outras despesas relacionadas com a revenda, a exemplo do frete e do seguro, pagos a terceiros, e do II; h) que há decisões administrativas em favor de sua tese, conforme acórdãos que colaciona; II Do método do Preço de Revenda Menos o Lucro – PRL 60 II.1 Do cálculo do PRL 60 – IN 243 versus Lei nº 9.430 i) que em relação ao PRL 60, a Fiscalização realizou o cálculo do preço parâmetro em conformidade com a metodologia de cálculo prevista na IN SRF nº 243, de 2002, que deve ser considerada ilegal, uma vez que prevê metodologia completamente diferente e contraditória àquela prevista no inciso II, do art. 18, da Lei nº 9.430, de 1996; Art. 18 (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; Fl. 2610DF CARF MF 8 d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. j) que a leitura do dispositivo impõe que o cálculo do PRL 60 corresponde à seguinte fórmula: k) que, ao assim dispor, o legislador objetivou estimular o processo produtivo nacional, pois quanto maior a agregação nacional, menor a necessidade de se fazer o ajuste PRL 60; l) que, em vista disso, o cálculo do PRL 60 proposto pela IN SRF nº 243, de 2002, violou o disposto na lei; m) que o Poder Executivo já se manifestou no sentido de que a metodologia da IN SRF não possui embasamento legal, pois tentou converter em lei a Medida Provisória nº 478, de 2009, com objetivo de regularizar a metodologia; II.2 Do preço de parâmetro negativo para o item 94706526 n) que, ainda em relação ao PRL 60, o cálculo do preço parâmetro do item 94706526 resultou em um valor negativo de R$ 17,4751, o que fez com que o ajuste calculado levasse em consideração uma "receita" que seria recebida pelo importador em relação a esse produto, o que é inadmissível; o) que o correto cálculo de um preço parâmetro, seja por meio da metodologia prevista na Lei nº 9.430, de 1996, seja por meio da IN SRF nº 243, de 2002, jamais poderia resultar em um valor negativo; p) que admitir um preço parâmetro negativo seria a mesma coisa que admitir que o exportador fosse obrigado a fazer um pagamento ao importador pelos produtos que são vendidos a este último; II.3 Da inclusão do frete, seguro e tributos na importação q) que também quanto ao PRL 60 houve inclusão indevida no cálculo do preço praticado dos valores relativos ao frete, ao seguro e aos tributos incidentes na importação; Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.608 9 III – Da compensação entre itens de ajustes distintos r) que efetuou ajustes em seu lucro líquido decorrentes da aplicação do PRL 20 em valores superiores àqueles calculado pela Fiscalização, razão pela qual esses valores têm que ser utilizados para abater eventual saldo de ajuste remanescente do presente auto de infração; IV – Da compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL s) que a Fiscalização não levou em consideração os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas acumulados pela Impugnante no momento de recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano de 2009, deixando de efetuar a compensação de 30% dos valores dos ajustes que realizou no lucro líquido com os referidos saldos; t) que os autos devem ser julgados improcedentes; u) que, subsidiariamente, caso não seja acolhido este pedido, a impugnante pleiteia seja dado provimento à impugnação para que haja o cancelamento parcial dos créditos deste auto de infração, em conformidade com os argumento e documentos expostos nesta impugnação. A impugnante protesta pela posterior juntada de documentos adicionais que sejam necessários para a melhor elucidação dos fatos e pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito. Diligência Consoante o Despacho de fls. 12421/2423, de 21/05/2015, os autos foram baixados em diligência, “(...) à autoridade autuante, ou outro(a) a ser designado(a) pelo chefe da unidade administrativa lançadora de jurisdição do interessado, para que analise os autos, de modo a: a) esclarecer se os produtos submetidos à sistemática de preços de transferência sob método o PRL 20, identificados nos demonstrativos de fls. 277 (doc. 51 do e processo), são distintos daqueles que o impugnante, de forma espontânea, ajustou pelo preço de transferência e consignou na Ficha 32 de sua DIPJ de fls. 251 e ss; b) especificar, caso se trata de mesmos produtos, se a matéria apurada pela fiscalização é referente a quantidades adicionais vendidas (outras), que não aquelas espontaneamente ajustadas e vistas na DIPJ e já tributadas; c) se for o caso, juntar aos autos qualquer outro elemento que lhe pareça útil ou necessário para o julgamento a ser feito. (...)” Fl. 2612DF CARF MF 10 Relatório de Diligência O resultado da diligência pode ser observado no Relatório Fiscal de Encerramento de Diligência de fls. 2429/2430, cujo conteúdo assim resumo: a) que foram identificadas diferenças de informações entre os códigos de alguns insumos/produtos tanto nas planilhas disponibilizadas quanto na DIPJ; b) que por força desse fato, o programa utilizado não abateu o valor oferecido na DIPJ; c) que após a correção desses códigos, a autoridade informa que recalculou os valores de ajuste segundo os métodos PRL 20 e PRL 60 e conclui que não havia ajustes adicionais em relação àqueles códigos; d) que o ajuste PRL 20 seria, então, de R$ 1.250.129,95; e) que, dessa forma, respondendo aos quesitos da diligência, a autoridade conclui que: “(...) Os insumos/produtos submetidos a sistemática de apuração de ajuste pelo PRL 20 por nós identificados e aqueles espontaneamente informados pelo Contribuinte na ficha 32 de sua DIPJ A/C 2009 são os mesmos. Não se trata de quantidades adicionais vendidas dos insumos. Para embasar o novo valor do ajuste pelo PRL 20, juntamos ao eprocesso os seguintes demonstrativos: o consolidado do PRL20, o da quantidade ajustada pelo PRL 20, o do preço parâmetro do PRL 20, o do preço praticado do PRL 20, o contendo as linhas dos insumos/produtos na "TABELA DE AJUSTES DAS IMPORTAÇÕES” da versão anterior à correção e a corrigida.” Contrarazões Cientificada do resultado da diligência (fls. 2444), a impugnante (fls. 2446/2449) aditou as seguintes razões à sua impugnação anterior: (...) 4. Em vista disso, a Requerente concorda integralmente com a conclusão da diligência em questão, que resultou na redução significativa do ajuste adicional calculado pela Fiscalização em relação ao PRL 20, de R$ 27.476.628,96 para R$ 1.250.129.95. 5. A Requerente esclarece, contudo, que o cálculo do PRL 20 promovido pela Fiscalização concluiu que, em relação a esses produtos, o valor total de ajuste seria de R$ 28.980.809,95, enquanto a Requerente promoveu ajustes em sua DIPJ no valor de R$ 40.256.185,46, conforme segue: Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.609 11 6. Logo, a Requerente entende e pleiteia que o resultado da presente diligência seja entendido apenas como o cancelamento do ajuste adicional referente ao PRL 20 promovido pela Fiscalização. Como resultado, além do cancelamento desse ajuste, a Requerente ainda tem direito a compensar IRPJ e CSLL em razão de ter promovido um ajuste em valor maior ao efetivamente devido, c fr me apurado pela Fiscalização e demonstrado acima e no tópico "IV A Compensação de Eventuais Ajustes de Preço de Transferência remanescentes com os Valores Ajustados a Maior" da impugnação. 7. Além disso, a Requerente vem ainda ressaltar que a diligência em referência analisou apenas um dos muitos equívocos cometidos pela Fiscalização e que fatalmente resultarão na completa anulação do auto de infração em questão. 8. Por essa razão, vem reforçar seu pedido para que o presente auto de infração seja completamente cancelado, uma vez que: (i) no que diz respeito ao PRL 20, a Fiscalização realizou o cálculo do preço praticado levando em consideração os valores de frete, seguro e II, o que contradiz a legislação em vigor à época dos fatos, em especial o caput do artigo 18 da Lei 9.430, de 1996; (ii) em relação ao PRL 60, a Fiscalização realizou o cálculo do preço parâmetro em conformidade com a metodologia de cálculo prevista na IN 243/02, que deve ser considerada ilegal, uma vez que prevê metodologia completamente diferente e contraditória àquela prevista pela Lei 9.430, de 1996; (iii) ainda em relação ao PRL 60, o calculo do preço parâmetro do item 94706526 resultou em um valor negativo de R$ 17,4751, o que é completamente absurdo e impossível na sistemática dos preços de transferência. Admitir um preço parâmetro negativo seria a mesma coisa que exigir que o exportador fosse obrigado a fazer um pagamento ao importador pelos produtos que são vendidos a este último; (iv) o cálculo do preço praticado dos itens em que foi aplicado o PRL 60 considerou os valores de frete, seguro e II, o que contradiz a legislação em vigor à época dos fatos, em especial o caput do artigo 18 da Lei 9.430, de 1996; (v) a Requerente efetuou ajustes em seu lucro líquido decorrentes da aplicação do PRL 20 em valores superiores àqueles calculado pela Fiscalização, razão pela qual esses valores têm que ser utilizados para abater com eventual saldo de ajuste remanescente do presente auto de infração; e (vi) a Fiscalização não levou em consideração os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas acumulados pela Requerente no momento de recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano de 2009, deixando de efetuar a compensação de 30% dos valores dos ajustes que realizou no lucro líquido com os referidos saldos. Fl. 2614DF CARF MF 12 9. Diante de todo o exposto, a Requerente concorda com a redução do ajuste adicional referente ao PRL 20 promovida pela Fiscalização no âmbito da presente diligência, mas, ao final, entende e pleiteia seja dado INTEGRAL PROVIMENTO a sua Impugnação e JULGADOS TOTALMENTE IMPROCEDENTES OS LANÇAMENTOS CONSIGNADOS NO AUTO DE INFRAÇÃO (MPF) N° 0818500.2013.00043, com o consequente cancelamento integral das exigências correlatas de IRPJ e CSLL, além da multa de ofício e dos juros. É o relatório. Analisando os fundamentos apresentados na autuação e na impugnação a Delegacia de Julgamento proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PROVA. LANÇAMENTO. IMPUGNAÇÃO. Cabe ao contribuinte apresentar, na impugnação, provas da improcedência do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRODUTO AJUSTADO ESPONTANEAMENTE. CANCELAMENTO. Cancelase o ajuste de preço de transferência quando verificado que o produto já sofrera ajuste espontâneo pelo contribuinte. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES PRODUTO A PRODUTO. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados para cada produto. Eventual ajuste a maior de um determinado produto não pode ser utilizado para compensar ajustes a menor relativos a outros produtos. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL. PREÇO PRATICADO. FRETES, SEGUROS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. Na apuração do preço praticado devem ser incluídos os valores correspondentes a frete e seguro cujos ônus tenham sido do importador. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL 60. AJUSTE. IN SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Os critérios da IN SRF nº 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os ditames do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTE. PREÇO PARÂMETRO. DEDUTIBILIDADE. Os custos de produtos importados, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis caso sofram a avaliação dessa dedutibilidade por algum dos métodos de preços de transferência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.610 13 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS/BASES NEGATIVAS. O prejuízo fiscal apurado poderá ser compensado com o lucro real, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Cabível a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas em procedimento de ofício. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito entre ambos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: I Da delimitação da lide. Alega que o recurso voluntário irá contestar as parcelas mantidas dos ajustes nos métodos PRL20 e PRL60, consoante mantidos pela DRJ e listados na tabela abaixo. Fl. 2616DF CARF MF 14 Destaca, nestes itens de ajuste o relativo ao produto código 94706526, no qual foi apurado um preço parâmetro negativo de R$ 17,4751. Reforça, em relação a este item que a Delegacia de Julgamento, mesmo reconhecendo o absurdo da situação, reduziu a zero o preçoparâmetro, mantendo a autuação na sua quase totalidade, reconhecendo que, em relação a este item a recorrente não deveria pagar nada ao exportador. Alega que se os dados apresentados ao fisco foram insuficientes ou deveriam ser desconsiderados, caberia a realização da apuração por outros métodos e não o descumprimento do poder/dever de realizar corretamente a apuração. Alega também que a alteração dos valores do lançamento pela DRJ implica em novo lançamento por autoridade que não é competente, o que implicaria nulidade da autuação. III. Erros e vícios na aplicação do PRL60: cálculo segundo a Lei nº 9.430/96 e IN 243/2002. Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.611 15 Ilegalidade da IN nº 243/2002 => Apresenta diversas alegações apontando possíveis falhas na regulamentação das normas da Lei pela referida instrução normativa. Para isso apresenta tabelas de cálculo com a intenção de demonstrar que a regulamentação pela instrução normativa provocou um artificial aumento do preçoparâmetro que causou ajustes maiores do que os efetivamente devidos. Pretende, assim, que seja considerada ilegal a regulamentação pela IN 243/2002, sendo refeitos os cálculos de acordo com os parâmetros da Lei nº 9.430/96. Edição da Lei nº 12.715/12. Alega, em complemento, que a edição da referida norma representa o reconhecimento da ilegalidade da instrução e de sua regulamentação, pois a nova lei trouxe normas de apuração semelhantes à da instrução normativa. Tal demonstração, complementa, estaria na própria exposição de motivos da Lei. Apresenta precedentes judiciais no sentido de considerar ilegal a regulamentação por parte da instrução normativa. IV. Inclusão indevida dos valores de fretes, seguros e imposto de importação no cálculo dos ajustes de preço. Neste ponto apresenta alegações no sentido de que os preços ajustados deveriam ser obtidos a partir do preço FOB de compra das mercadorias e não do preços CIF+II conforme apurado pela fiscalização. Aponta que os valores de fretes, seguros e imposto de importação não são pagos à empresa vinculada e sim a terceiros, razão pela qual não podem ser considerados na apuração dos ajustes. V. Possibilidade de compensação dos ajustes de preços realizados a maior na DIPJ/2010. Alega que a empresa realizou ajustes de preços a maior na DIPJ/2010, conforme reconhecido pela própria fiscalização. No entanto, estes ajustes realizados a maior não foram considerados como dedução dos ajustes apurados pela fiscalização como feitos a menor. Conforme tabela abaixo. Entende que o acórdão recorrido, ao atestar que os ajustes devem ser produto a produto acabou por corroborar um enriquecimento ilícito da Fazenda, impedindo que os ajustes a maior realizados pela empresa pudessem ser alocados na apuração da fiscalização. Fl. 2618DF CARF MF 16 Ao fim requer que acaso seja mantida alguma parte da autuação, que seja realizada a compensação dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, conforme já decidido pela Delegacia de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator II Nulidade do ajuste em relação ao produto 94706526: Impossibilidade de determinação de preçoparâmetro negativo. Em relação a este item o recorrente alega que o ajuste relativo ao produto código 94706526, no qual foi apurado um preço parâmetro negativo de R$ 17,4751. Reforça, em relação a este item que a Delegacia de Julgamento, mesmo reconhecendo o absurdo da situação, reduziu a zero o preçoparâmetro, mantendo a autuação na sua quase totalidade, reconhecendo que, em relação a este item a recorrente não deveria pagar nada ao exportador. Analisando os relatórios de auditoria elaborados pela fiscalização pudemos contatar que: 1 O preço parâmetro apurado para o item 94706526 foi de R$ 17,4751, conforme demonstrado nas planilhas de fls. 1901/1902; 2 Observamos da leitura destas mesmas planilhas que o preço unitário líquido de venda utilizado para cálculo do preço parâmetro já era negativo o que nos parece, no mínimo estranho; Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.612 17 3 O preço praticado apurado para o item, conforme planilha de fls. 1790/1793, calculado com base nas importações foi de R$ 121,9986; 4 O preço de produtos similares ( Cjcontrole mot) foi de R$ 122,00 e de R$ 124,00, ou seja, em montantes semelhantes; 5 Na planilha de apuração do preço parâmetro (fls. 1901/1902) o preço unitário líquido de venda é negativo em todos os itens, fazendo com que o cálculo do preço parâmetro fosse negativo no total; Dada a constatação acima e que a Delegacia de julgamento mesmo constatando a existência de um preço parâmetro calculado em valor negativo, apenas refez o cálculo do ajuste do item e, passando a considerar como preço parâmetro o valor R$ 0,00, reduziu o montante do ajuste do item. Cabe salientar também que o presente processo foi objeto de diligência na qual o auditor responsável poderia ter se manifestado acerca do cálculo do preço parâmetro deste item, cujo valor havia sido expressamente contestado pelo recorrente. Ora, conforme planilhas elaboradas pela fiscalização a apuração do preço parâmetro baseouse, para se tornar negativa, na informação de um preço líquido de venda negativo, daí resultando que o preço parâmetro apurado também foi negativo. Oportunidades não faltaram para que fosse apresentada justificativa, por parte da fiscalização ou pela Delegacia de Julgamento para a indicação dos motivos que levaram à apuração de um preço parâmetro negativo. A matéria foi plenamente contestada mas nem o relatório de diligência, nem a decisão de Piso cuidaram de bem justificar o aparente absurdo. Pela leitura das planilhas o problema da apuração não se limitou ao cálculo do preço parâmetro, mas sim do Preço Unitário Líquido de Venda do Produto, informado como negativo. O problema é simples. Não se admite num sistema capitalista uma empresa vender qualquer produto por preço negativo. Não existe nota fiscal negativa, no máximo com valor zerado, quando relativa a bonificações. Mais ainda, em relação a itens similares (conjunto controle motor, de códigos 94706518 e 94706520) o preço parâmetro encontrado foi respectivamente de R$ 64,7508 e de R$ 66,1172. Nestes outros dois itens o preço líquido unitário de venda foi positivo e similar, até mesmo porque se tratam de peças similares. No acórdão da impugnação a justificativa apresentada para a manutenção do cálculo de ajuste que resultou num preço parâmetro negativo foi a de que o contribuinte foi que apresentou a informação incorreta à fiscalização e que por isso, a responsabilidade seria do próprio contribuinte em fornecer informações incorretas. Por óbvio que se o preço praticado surgiu de informação prestada pela empresa desta é a responsabilidade pela informação acaso incorreta, no entanto, por princípio de Justiça não pode a fiscalização, a par das falhas cometidas pela empresa, evitar de realizar a correta apuração dos valores devidos. No presente caso o problema na apuração é evidente. Nenhum empresa pratica preço negativo e, mais ainda, num caso em que produtos similares possuem preços positivos e bem diferentes. Fl. 2620DF CARF MF 18 Caberia uma verificação simples: solicitar a apresentação das notas fiscais do preço praticado pela empresa. Apenas isto bastaria para solucionar o caso. Assim não cuidou nem a fiscalização nem a Delegacia de Julgamento. Esta preferiu adotar uma postura simplista na qual, verificado o absurdo da existência de preço parâmetro negativo, este erro foi integralmente atribuído ao contribuinte e fezse apenas o ajuste para zero, como se fosse usual a existência de venda de materiais a preços zerados. Não concordo com este posicionamento. A administração pública exerce uma atividade plenamente vinculada na qual seus atos tem de ser devidamente fundamentados. No presente caso, havendo um erro na planilha de apuração dos ajustes, este deveria ser plenamente identificado e, se fosse o caso, corrigido. Assim descuidaram tanto a fiscalização, quando a Delegacia de Julgamento e por isso, entende este relator, que o julgamento de Recurso Voluntário não é ocasião para a formação de prova em favor da fiscalização, quando, havendo oportunidade no julgamento da impugnação, não houve maiores investigações ou esclarecimentos sobre o fato. Se deixamos de aceitar, muitas vezes, documento juntados após a fase impugnatória que poderiam beneficiar o contribuinte, também não podemos aceitar a complementação de prova em favor do fisco, razão pela qual considero incorreta a apuração do ajuste de preço do item 94706256 e, por tal razão, ante a falta de prova cabal de que o ajuste era devido, entendo que deva ser cancelado o mesmo. Por todo o exposto e ante o apresentado acima, voto no sentido de excluir da autuação o ajuste de preços de transferência do item 94706526 no montante mantido pela Decisão de Piso de R$ 15.082.792,49 III. Erros e vícios na aplicação do PRL60: cálculo segundo a Lei nº 9.430/96 e IN 243/2002. Ilegalidade da IN 243/2002 e edição da Lei nº 12.715/12. A apontada ilegalidade da normatização da Lei n 9.430/96, pela IN RFB nº 243/2002 referese à alegação da possível inclusão de regras de cálculo do PRL60 que não foram previamente estabelecidas pela lei, desbordando de seu poder regulamentar. Esta matéria já vem a muito sendo tratada no âmbito deste CARF, havendo, como era de se esperar, correntes defendendo e contestando a ilegalidade apontada. Neste particular somos de posição favorável à legalidade da referida instrução e nos socorremos do acórdão nº 9101002.934 proferido pela 1a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do qual apresentamos os excertos abaixo: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese à legalidade ou não das disposições contidas na Instrução Normativa SRF nº 243/2002, no que se refere, mais especificamente, ao denominado método PRL 60. Na realidade, o cálculo proposto pela IN SRF nº 243/2002, veio corrigir uma imprecisão metodológica no cálculo anteriormente previsto na Instrução Normativa que a antecedeu (IN SRF nº 32/2001, que teve curta vigência), que, porém, não a invalidava do ponto de vista legal. Vejase,para comprovação do afirmado, a tabela abaixo: Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.613 19 Nesse primeiro cálculo, o preço líquido de revenda, de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o insumo nacional , é deduzido do valor de custo do insumo nacional (R$ 30,00), resultando em R$ 35,00, sobre o qual se calcula a margem de lucro de 60%, encontrandose R$ 21,00. Após isso, o preço parâmetro do insumo estrangeiro é apurado pela dedução dessa margem de lucro, de R$ 21,00, do preço líquido de revenda de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional , resultando em R$ 44,00. Ou seja, incluiuse, indevidamente, o preço líquido de revenda do insumo nacional, tanto para efeito de se calcular a margem de lucro de 60% (esta, tomandose como base o preço líquido de revenda de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional com a dedução do valor de custo do insumo nacional, de R$ 30,00), quanto, posteriormente, para se calcular o preço parâmetro do insumo estrangeiro (este, tomandose como base aquele mesmo preço líquido de revenda, de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional com a dedução da margem de lucro, de R$ 21,00). Vejase, agora, esta outra tabela, também construída a partir dos mesmos dados: DF CARF MF Fl. 2974 Com a proporcionalização devidamente procedida pela IN SRF nº 243, de 2002, temse que, tanto a margem de lucro de 60%, quando o preço parâmetro que se referem, ambos, ao insumo estrangeiro , estão calculados sobre o valor de R$ 43,33, que é o preço líquido de revenda, de R$ 65,00 que obviamente abrange tanto o insumo estrangeiro quanto o nacional , devidamente escoimado do preço líquido de revenda do insumo nacional, de R$ 21,67, em tamanho destacado na tabela. Fl. 2622DF CARF MF 20 Outro não foi o objetivo da Lei, ao dispor que a margem de lucro de 60% é “calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção” (grifei). Ora, o “valor agregado no País” corresponde, iniludivelmente, em última análise, à participação do insumo nacional na formação do preço de revenda. Afinal de contas, o que interessa, na realidade, é o valor efetivo do bem importado, obtido por meio do expurgo de todos os acréscimos a ele imputados no País. Vejase que a metodologia do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), universalmente utilizada, indica que se deve ter como base o preço de revenda do bem importado, para se calcular o preço parâmetro, pois é a margem de lucro (de operações entre partes não relacionadas) que é tida como parâmetro para servir de comparação, mas se houver outros custos ou riscos (que corresponde ao valor agregado), isto deve ser considerado devidamente e segregado. Portanto, quando o bem importado sofre agregação de valor, transformandose num outro produto, o valor agregado deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, sobre o qual se aplica uma margem de lucro para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado, conforme estipula a metodologia da IN 243/2002 que, porém, usa margens fixas ao invés de usar margens de lucro comparadas, como é caso do Manual da OCDE. Esta metodologia é corroborada no Manual de Preços de Transferência para Países em Desenvolvimento da ONU que, inclusive, traz especificamente a metodologia brasileira, com as margens fixas para o PRL.3 De lembrar que, embora o Brasil não seja membro da OCDE, é membro da ONU. Vejase que, se os outros custos não forem devidamente isolados no cálculo do preço parâmetro, podese chegar a números absurdos (e esta segregação é feita por meio da proporcionalização do custo). Ora, como vimos acima, valor agregado é aquilo que, mensurado economicamente, é adicionado a um bem existente (custo adicionado). O método de Preço de Revenda menos Lucro (PRL) deve ter como base o preço de revenda do bem importado pois é a margem de lucro que é tida como parâmetro para servir de comparação. Se o bem importado teve valor agregado no país transformandoo num outro produto, tal valor deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto, para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, o que é feito pela proporcionalização de sua participação no custo do bem, sobre o qual se aplica uma margem de lucro (no caso definida em lei ordinária) para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado. Pelo exposto até aqui, todos os argumentos da recorrente para inquinar de ilegalidade a IN SRF 243/2002 não se sustentaram sob uma análise interpretativa. Mas há mais argumentos. Pela lógica dos Preços de Transferência, o Método de Preço de Revenda menos Lucro (PRL) deve ter por base o preço de revenda do bem importado, o qual sofreu agregação de valor no país, para então, sobre este preço de revenda expurgado do valor agregado no país, aplicarse a margem de preço de revenda legal de 60% para se encontrar o preço parâmetro do custo do bem importado. Fl. 2623DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.614 21 Corrigindo a distorção inicialmente implementada com a edição da IN 32/2001, a metodologia veiculada no § 11 do art. 12 da IN SRF nº 243/2002 não mais determinou a incidência da margem de lucro de 60% sobre o preço líquido de venda do produto acabado, mas sobre a parcela desse valor que corresponde ao bem importado, i.e., a chamada “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, o que viabiliza a apuração do preçoparâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância com o objetivo do método PRL 60 e a finalidade do controle dos preços de transferência. Ou seja, o método de Preço de Revenda menos Lucro deve ter como base o preço de revenda do bem importado, pois é a margem de lucro que é tida como parâmetro para servir de comparação. Portanto, quando o bem importado sofre agregação de valor, transformandoo num outro produto, o valor agregado deve ser diminuído ou deduzido do valor de venda do produto para se encontrar o valor de venda individual do bem importado, sobre o qual se aplica uma margem de lucro (no caso definida em lei ordinária) para se encontrar o valor que se deseja comparar com o custo do bem importado. Insta observar, ainda, que as interpretações sistemática, lógica e finalística, aqui empregadas, prevalecem sobre eventuais interpretações gramatical e histórica que se pretenda empreender, com o fito de inquinar de ilegal a IN SRF nº 243/2002. Por fim, cumpre mencionar que o Tribunal Regional Federal da Terceira Região possui o mesmo entendimento, desde 2011, conforme Apelação Cível nº 002859462.2005.4.03.6100/SP, de 2 de outubro de 2014, que menciona diversos outros precedentes no mesmo sentido: DIREITO PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. LEIS 9.430/1996 E 9.959/2000. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/2002. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60. PREÇO PARÂMETRO. VALOR AGREGADO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO E IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA. LEGALIDADE. AGRAVO RETIDO. FALTA DE REITERAÇÃO. 1. Não se conhece do agravo retido, não reiterado na forma do artigo 523, CPC. 2. A IN 243/2002 foi editada na vigência da Lei 9.959/2000, que alterou a redação da Lei 9.430/1996, para distinguir a hipótese de revenda do próprio direito ou bem, tratada no item 2, da hipótese de revenda de direito ou bem com valor agregado em razão de processo produtivo realizado no país, tratada no item 1, ambos da alínea d do inciso II do artigo 18 da lei. 3. O cálculo do preço de transferência, pelo Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, no caso de direitos, bens ou serviços, oriundos do exterior e adquiridos de pessoa jurídica vinculada, passou, na vigência da Lei 9.959/2000, a considerar a margem de lucro de 60% "sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção" (artigo 18, II, "d", 1). 4. A adoção, na técnica legal, do critério do valor agregado objetivou conferir adequada eficácia ao modelo de controle de preços de Fl. 2624DF CARF MF 22 transferência, em cumprimento às obrigações assumidas pelo Brasil na Convenção Modelo da OCDE, evitando distorções e, particularmente, redução da carga fiscal diante da insuficiência das normas originariamente contidas na Lei 9.430/1996 e refletidas na IN/SRF 32/2001. 5. Com efeito, o cálculo do preço de transferência a partir da margem de lucro sobre o preço de revenda é eficaz, no atingimento da finalidade legal e convencional, quando se trate de importação de bens, direitos ou serviços finais para revenda interna, não, porém, no caso de importação de matérias primas, insumos, bens, serviços ou direitos que não são objeto de revenda direta, mas são incorporados em processo produtivo de industrialização, resultando em distintos bens, direitos ou serviços, agregando valor ao produto final, com participações variáveis na formação do preço de revenda, que devem ser apuradas para que seja alcançado corretamente o preço de transferência, de que trata a legislação federal. 6. Assim, a IN 243/2002, ao tratar, nos §§ 10 e 11 do artigo 12, do Método do Preço de Revenda Menos Lucro , para bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção, com exclusão do valor agregado e da margem de lucro de 60%, para tanto com a apuração da participação de tais bens, serviços ou direitos no custo e preço de revenda do produto final industrializado no país, não inovou nem violou o artigo 18, II, d, item 1, da Lei 9.430/1996 com a redação dada pela Lei 9.959/2000. 7. Contrariamente ao postulado na inicial, o que se verificou foi a necessária e adequada explicitação, pela instrução normativa impugnada, do conteúdo legal para permitir a sua aplicação, considerando que o conceito legal de valor agregado, conducente ao conceito normativo de preço parâmetro, leva à necessidade de apurar a sua formação por decomposição dos respectivos fatores, abrangendo bens, serviços e direitos importados, sujeitos à análise do valor da respectiva participação proporcional ou ponderada no preço final do produto. 8. O artigo 18, II, da Lei 9.430/1996, alterada pela Lei 9.959/2000, prevê que o preço de transferência, no caso de bens e direitos importados para a aplicação no processo produtivo, calculado pelo método de preço de revenda menos lucros PRL60, é a média aritmética dos preços de revenda de bens ou direitos, apurada mediante a exclusão dos descontos incondicionados, tributos, comissões, corretagens e margem de lucro de 60%, esta calculada sobre o preço de revenda depois de deduzidos os custos de produção citados e ainda o valor agregado calculado a partir do valor de participação proporcional de cada bem, serviço ou direito importado na formação do preço final, conforme previsto em lei e detalhado na instrução normativa. 9. O preço de transferência, assim apurado e não de outra forma como pretendido neste feito, é que pode ser deduzido na determinação do lucro real para efeito de cálculo do IRPJ/CSL. Há que se considerar, assim, a ponderação ou participação dos bens, serviços ou direitos, importados da empresa vinculada, no preço final do produto acabado, conforme planilha de custos de produção, mas sem deixar de considerar os preços livres do mercado concorrencial, ou seja os praticados para produtos idênticos ou similares entre empresas independentes. A aplicação do método de cálculo com base no valor do bem, serviço ou direito em si, sujeito à livre fixação de preço entre as partes vinculadas, geraria distorção no valor agregado, majorando indevidamente o custo de produção a ser deduzido na Fl. 2625DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.615 23 determinação do lucro real e, portanto, reduzindo ilegalmente a base de cálculo do IRPJ/CSL. 10. Para dar eficácia ao método de cálculo do preço de revenda menos lucro, previsto na Lei 9.430/1996 alterada pela Lei 9.959/2000, é que foi editada a IN/SRF 243/2002, em substituição à IN/SRF 32/2001, não se tratando, pois, de ato normativo inovador ou ilegal, mas de explicitação de regras concretas para a execução do conteúdo normativo abstrato e genérico da lei, prejudicando, pois, a alegação de violação ao princípio da legalidade. 11. Precedentes. Ainda, em recentíssima decisão, aquele mesmo Tribunal Regional Federal da Terceira Região expendeu o seguinte entendimento (Agravo Legal em Apelação Cível nº 002983651.2008.4.03.6100/ SP, de 18 de março de 2016, publicado em 31 de março de 2016): 1. O Preço de Transferência, em suma, é o valor definido para registrar as operações de venda ou transferência de bens, serviços ou propriedade intangível entre partes vinculadas, cujo controle é obtido mediante a comparação com preços praticados pelo mercado, por partes individuadas, em negócios semelhantes. Esse processo, do qual o Brasil adotou as regras, deriva das disposições da ConvençãoModelo Fiscal da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e pretende, dentre outros aspectos, consolidar a tributação igualitária das operações entre as empresas vinculadas, impedindo a manipulação de transações a fim de diminuir os encargos fiscais e, por consequência, preservando as operações similares praticadas pelas empresas independentes e a concorrência, inibindo a perda de receitas pelo Fisco. Encontraseabrigado na Lei nº 9.430/1996 e denominase Arm's length principle (Princípio da Neutralidade ou do Preço sem Interferência ou, ainda, Princípio dos Preços Independentes Comparados). No caso de empresas vinculadas, objetiva coibir tanto a dupla tributação como a ocorrência de evasão fiscal, determinandose uma margem de lucro sobre o valor do preço líquido de revenda da mercadoria ou insumo importado. 2. A sistemática prevista pela Lei nº 9.430/96, posteriormente modificada pela Lei nº 9.959/2000, e as INs/SRF nºs. 32/2001 e 243/2002, busca, em última análise, corrigir distorção em relação à margem de lucro, a qual, segundo o ordenamento jurídico modificado, resultaria da aplicação do percentual de 60% sobre os preços de venda do bem produzido. Com a modificação introduzida, passouse a considerar, para a apuração do preço parâmetro, a participação dos bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção, tanto no preço de venda do produto, quanto no custo total do bem acabado, já com valor agregado no país, o qual, juntamente com a margem de lucro de 60%, são eliminados na apuração do preço parâmetro, segundo a metodologia prevista no art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, da mencionada IN/SRF nº 243/2002, a qual regulamentou a Lei nº 9.430/1996, com a redação veiculada pela Lei nº 9.959/2000. 3. O cálculo do preço de transferência, pelo Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL passou, na vigência da Lei nº 9.959/2000, a considerar a margem de lucro de 60% "sobre o preço de revenda após deduzidos os Fl. 2626DF CARF MF 24 valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção" (artigo 18, II, "d", 1). A adoção, na técnica legal, do critério do valor agregado objetivou conferir adequada eficácia ao modelo de controle de preços de transferência, em cumprimento às obrigações internacionais assumidas pelo Brasil na Convenção Modelo da OCDE, evitando distorções e, particularmente, redução da carga fiscal diante da insuficiência das normas originariamente contidas na Lei nº 9.430/1996 e refletidas na IN/SRF nº 32/2001. 4. Com efeito, o cálculo do preço de transferência a partir da margem de lucro sobre o preço de revenda é eficaz no sentido de atingir a finalidade legal nos casos de importação para revenda interna, não, porém, no caso de importação de insumos que não são objeto de revenda direta, mas são incorporados em processo produtivo de industrialização, resultando em distintos bens, direitos ou serviços, agregando valor ao produto final, com participações variáveis na formação do preço de revenda, que devem ser apuradas para que seja alcançado corretamente o preço de transferência, de que trata a legislação federal. 5. Assim, nesse aspecto, a IN nº 243/2002 não violou o artigo 18, II, "d", item 1, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, ao tratar, nos §§ 10 e 11 do artigo 12, do Método do Preço de Revenda Menos Lucro, para bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção, com exclusão do valor agregado e da margem de lucro de 60%, para tanto com a apuração da participação de tais bens, serviços ou direitos no custo e preço de revenda do produto final industrializado no país. O conceito legal de valor agregado, que conduz ao conceito normativo de preço parâmetro, leva à necessidade de apurar a sua formação por decomposição dos respectivos fatores, abrangendo bens, serviços e direitos importados, sujeitos à análise do valor da respectiva participação proporcional ou ponderada no preço final do bem. O art. 18, II,da supracitada legislação prevê que o preço de transferência, no caso de bens e direitos importados para a aplicação no processo produtivo, calculado pelo método de preço de revenda menos lucros PRL 60, é a média aritmética dos preços de revenda de bens ou direitos, apurada mediante a exclusão dos descontos incondicionados, tributos, comissões, corretagens e margem de lucro de 60%, esta calculada sobre o preço de revenda depois de deduzidos os custos de produção citados e ainda o valor agregado calculado a partir do valor de participação proporcional de cada bem, serviço ou direito importado na formação do preço final, conforme previsto em lei e detalhado na instrução normativa. O preço de transferência assim apurado é que pode ser deduzido na determinação do lucro real para efeito de cálculo do IRPJ/CSL. Há que se considerar, assim, a ponderação ou participação dos bens, serviços ou direitos, importados da empresa vinculada, no preço final do produto acabado, conforme planilha de custos de produção, mas sem deixar de considerar os preços livres do mercado, praticados para produtos idênticos ou similares entre empresas independentes. 6. A aplicação do método de cálculo com base no valor do bem, serviço ou direito em si, sujeito à livre fixação de preço entre as partes vinculadas, geraria distorção no valor agregado, majorando indevidamente o custo de produção a ser deduzido na determinação do lucro real e, portanto, reduzindo ilegalmente a base de cálculo do IRPJ/CSL. Para dar eficácia ao método de cálculo do preço de revenda menos lucro, previsto na Lei nº 9.430/1996 alterada pela Lei nº 9.959/2000, é que foi editada a IN/SRF nº Fl. 2627DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.616 25 243/2002, em substituição à IN/SRF 32/2001, não se tratando, pois, de ato normativo inovador ou ilegal, mas de explicitação de regras concretas para a execução do conteúdo normativo abstrato e genérico da lei, prejudicando, pois, a alegação de violação ao princípio da legalidade. Do exposto e constandose que, ao final, a IN RFB nº 243/202 não ultrapassou os limites de regulamentação impostos pela norma legal, há de se considerar improcedente o recurso apresentado. IV. Inclusão indevida dos valores de fretes, seguros e imposto de importação no cálculo dos ajustes de preço. Em relação a este ponto apresento posicionamento apresentado pelo ilustre Conselheiro Marco Aurélio Pereira Valadão no acórdão nº 9101002317, da 1a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Também quanto à questão da inclusão, ou não, no preço praticado, não tem razão a recorrente. O art. 18, § 6º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, é bem claro a esse respeito (grifei): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...]. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. Se entende a recorrente que essa inclusão acarreta diversas distorções nos cálculos dos preços de transferência, deve, então, diligenciar, perante os seus representantes no Congresso Nacional, a fim de que seja alterada a redação daquele dispositivo legal, e não, simplesmente, pretender descumprilo sob esse argumento. Deve ser lembrado, porém, nessa eventualidade, o contido no art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), de seguinte teor: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Por outro lado, “onde a lei não distinguiu, não compete ao intérprete distinguir”, não sendo, pois, adequada a tentativa de se ler naquele Fl. 2628DF CARF MF 26 dispositivo legal algo que ali não está expressamente disposto, como, por exemplo, que aquela integração ao custo somente se daria se o ônus do importador fosse decorrente de pagamento a pessoa jurídica vinculada ou de aquisição internacional (importação). Dessa forma, temse que, até a entrada em vigor do art. 38 da Medida Provisória nº 563, de 3 de abril de 2012, convertida na Lei nº 12.715, de 17 de setembro de 2012, integravam o custo, para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real até o valor que não excedesse ao preço determinado pelo Método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), o valor do frete e do seguro, cujo ônus tivesse sido do importador, e os tributos incidentes na importação. É certo que, a partir de 1º de janeiro de 2013, permitiu o legislador a exclusão do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, em determinadas condições, e dos tributos incidentes na importação e gastos no desembaraço aduaneiro, mas, na época, essas exclusões não estavam autorizadas. Ademais, a interpretação dada pela Instrução Normativa que regulava os arts. 18, 21, 23 e 24 da Lei 9.430 Lei nº 9.430, de 1996, ao tratar do método PRL, ao tempo do lançamento (IN SRF 243/2002), é perfeitamente legal e se coaduna com aquelas normas, também no que diz respeito ao tratamento do frete, seguros e tributos incidentes na importação. Ainda que se possa admitir outra interpretação possível, não se pode inquinar de ilegalidade as Instruções Normativas neste aspecto, pela simples razão de que ilegais não são, embora pudesse ter outro entendimento igualmente legal. Nestes casos há que se preservar a integridade normativa das normas complementares, com supedâneo no art. 100, inciso I, do CTN, e também em homenagem ao princípio da segurança jurídica. Por outro lado não cabe ao CARF discutir a inconstitucionalidade das leis, a teor da Súmula CARF n. 2. Nas discussões em plenário foi lembrado que votei pela exclusão do frete e seguro em situações semelhantes, quando atuava na 1ª TO da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF. De fato, foram quatro decisões, salvo engano, tomadas na mesma sessão, nos quais fui o único conselheiro que votou neste sentido (a decisão foi por maioria de cinco votos a um), o que denota a grande controvérsia que envolve a matéria. Assim, deixo claro que, após maior aprofundamento no tema e maiores discussões, mudei meu pensamento a respeito da questão, e passo adotar a posição ora expressa neste voto, pelas razões de direito acima expostas. V. Possibilidade de compensação dos ajustes de preços realizados a maior na DIPJ/2010. Neste ponto o recorrente suscita que seja feita a compensação dos ajustes a maior apurados pela fiscalização dos ajustes de preço que a própria empresa realizou em sua DIPJ que foram calculados a maior do que os ajustes apurados pela fiscalização. Fl. 2629DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.617 27 Quando da análise da impugnação a Delegacia de Piso entendeu por não ser possível a realização desta compensação de ajustes a maior em razão de os ajustes deverem ser realizados de produto a produto. Vejamos a decisão de Piso neste ponto. Da compensação entre itens de ajustes distintos Pelo fato de ter efetuado ajustes espontâneos em seu lucro líquido, decorrentes da aplicação do PRL 20, em valores superiores àqueles calculados pela Fiscalização, a impugnante clama que esses valores ajustados “a maior” sirvam para abater os valores que ajustara a menor. Pois bem. É importante destacar que os ajustes decorrentes da legislação acerca dos preços de transferência devem, necessariamente, ser efetuados produto a produto, nos seguintes termos: IN SRF nº 243, de 2002 Art. 5º Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. § 1º Se o preço praticado na aquisição, pela empresa vinculada domiciliada no Brasil, for superior àquele utilizado como parâmetro, decorrente da diferença entre os preços comparados, o valor resultante do excesso de custo, despesas ou encargos, considerado indedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, será ajustado contabilmente por meio de lançamento a débito de conta de resultados acumulados do patrimônio líquido e a crédito de: (...) § 5º Se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for inferior àquele utilizado como parâmetro, nenhum ajuste com efeito tributário poderá ser efetuado. Lei nº 9.430, de 1996 Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) §5º Se os valores apurados segundo os métodos mencionados neste artigo forem superiores ao de aquisição, constante dos respectivos documentos, a dedutibilidade fica limitada ao montante deste último. § 6º Integram o custo, para efeito de dedutibilidade, o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador e os tributos incidentes na importação. § 7º A parcela dos custos que exceder ao valor determinado de conformidade com este artigo deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. (...). (grifei) Desse modo, para cada produto considerado, devese apurar o ajuste correto. Não se admite, portanto, que haja compensações de ajustes inter produtos. Ou seja, um excesso de custo de um ou mais produtos não pode ser compensado com a deficiência de custos de outros produtos. Fl. 2630DF CARF MF 28 Para ilustrar esse entendimento trago a seguinte ementa do Acórdão 1301 001.782, da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, do Conselho Administrativo de Recursos Federais – CARF, em sessão de 03 de março de 2015: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ –Ano calendário: 2008 (...) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES PRODUTO A PRODUTO. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados para cada produto. Eventual ajuste a maior de um determinado produto não pode ser utilizado para compensar ajustes a menor relativos a outros produtos. Assim rejeito a alegação nesse ponto. Efetivamente a norma do art. 18, parágrafo 7º, da Lei nº 9.430/96 estabeleceu que a parcela de custos que exceder o cálculo dos ajustes deverá ser adicionada ao lucro do exercício. Por esta razão é que a Decisão de Piso, à guisa da inexistência de norma que autorizasse a redução em caso contrário, resolveu por denegar o pedido. Consultando os precedentes de outros julgados verificamos que estes corroboram o entendimento de que os ajustes acaso realizados pela empresa em valores maiores do que os apurados pela fiscalização não podem ter os seus excessos compensados com os ajustes a serem acrescidos relativos a outros produtos tendo em vista a inexistência de norma autorizativa e em razão de a norma reguladora dos ajustes apenas dispor sobre a adição ao lucro da parcela dos ajustes apurados a maior de acordo com o cálculo da fiscalização. Vejamos os precedentes deste CARF. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES PRODUTO A PRODUTO. Os ajustes de preços de transferência não apurados individualizadamente para cada produto não servem para comprovar excesso de custo a ser adicionado ao lucro tributável. (Acórdão nº 1402002.758, de 20 de setembro de 2017) PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. AJUSTES PRODUTO A PRODUTO. Os ajustes de preços de transferência devem ser apurados para cada produto. Eventual ajuste a maior de um determinado produto não pode ser utilizado para compensar ajustes a menor relativos a outros produtos. (Acórdão nº 1301002.012, de 04 de maio de 2016) Assim, comungando do entendimento formulado pela Decisão de Piso, juntamente com os precedentes deste CARF no sentido de que não é possível a dedução de ajustes a maior realizados pelo próprio contribuinte para a redução dos ajustes apurados pela fiscalização, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. VI Compensação de Prejuízos Fiscais e Bases de cálculo negativa existentes caso seja mantida alguma parte da autuação. A decisão de Piso assim se pronunciou sobre este ponto do recurso. Da compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL Fl. 2631DF CARF MF Processo nº 16561.720096/201414 Acórdão n.º 1401002.281 S1C4T1 Fl. 2.618 29 Alega o interessado que a Fiscalização teria que levar em consideração os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas acumulados no momento de recomposição das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano de 2009, recalculando a compensação de 30% dos novos valores de lucro líquido. Entendo que cabe razão ao recorrente. De fato a compensação de ofício é uma faculdade do contribuinte realizar a compensação de até 30% do lucro real com prejuízos fiscais de períodos anteriores, se suficientes. Disposições Gerais RIR, de 1999 Art. 509. O prejuízo compensável é o apurado na demonstração do lucro real e registrado no LALUR (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 1º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º, e parágrafo único). § 1º A compensação poderá ser total ou parcial, em um ou mais períodos de apuração, à opção do contribuinte, observado o limite previsto no art. 510 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 64, § 2º). (...) Prejuízos Fiscais Acumulados até 31 de dezembro de 1994 e Posteriores Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15). (...) § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. Tanto o antigo Conselho de Contribuintes, quanto o atual Conselho Administrativo de Recursos Federais – CARF, impõem a reapuração da compensação de prejuízo fiscal quando da apuração de matéria fiscal em procedimento de ofício: Acórdão n° : 10515.500, Sessão de 26 de janeiro de 2006. IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS. Cabível a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas em procedimento de ofício, em face do estabelecido no art. 6° e seus parágrafos do Decretolei 1.598/77. Eventual compensação a maior, efetivada em períodos de apuração posteriores, decorrente da compensação de ofício efetivada neste processo, deve ser apurada em procedimento autônomo ulterior. Acórdão nº: 140200.236 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 03 de agosto de 2010 (...) COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES ATÉ O LIMITE DE 30% DO LUCRO REAL. Ao reconstituir o lucro real em procedimento de oficio, cumpre a fiscalização aproveitar todo o prejuízo fiscal de períodos anteriores regularmente apurado e declarado, pois, do contrário estará apenando indevidamente o contribuinte. Fl. 2632DF CARF MF 30 Em nosso caso, vemos às fls. 2267, 2270/2281 (Lalur e Auto de Infração) que o contribuinte exercera a opção de usar seus prejuízos anteriores para compensar o lucro liquido do anocalendário de referência (2009), dentro da trava de 30% prevista na lei. Assim, dou provimento a esse ponto da impugnação, de modo a aproveitar o prejuízo fiscal de períodos anteriores, identificados nos assentamentos da RFB (Sapli), no limite de 30% do lucro real, apurado consoante este voto. Na mesma linha de entendimento apresentada pela Decisão de Piso, entendo que mantida a exigência total ou parcialmente, o contribuinte faz jus à dedução dos prejuízos fiscais de IRPJ e das Bases de Cálculo Negativas da CSLL para abater até 30% do montante do lucro tributável. Assim, mantendo a decisão já proferida pela Delegacia de Julgamento, voto no sentido de que, quando da realização dos cálculos de ajustes do auto de infração aos comandos deste acórdão, sejam deduzidos do valor do lucro tributável o montante de até 30% deste lucro, limitado ao saldo existente de prejuízos fiscais do contribuinte. Do Recurso de Ofício Em relação à parte relativa ao Recurso de Ofício observase que a Decisão de Piso apenas excluiu da autuação os valores dos ajustes que, após o recálculo da fiscalização quando da realização da diligência, foram considerados incorretos. Assim, nada há a corrigir com relação à parte da Decisão de Piso que exonerou parcialmente a autuação. Neste sentido, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Em conclusão e à vista de todo o exposto e demonstrado, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário no sentido de excluir da autuação o ajuste de preços relativo ao item 94706526 no montante mantido pela Decisão de Piso de R$ 15.082.792,49 e de determinar, quando do recálculo dos valores da autuação, que seja deduzido do lucro tributável o valor relativos às bases negativas de IRPJ e CSLL limitadas a 30% deste e do valor dos saldos existentes destas bases negativas. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 2633DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.904582/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.047
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.904582/2012-71
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853759
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.047
nome_arquivo_s : Decisao_10283904582201271.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10283904582201271_5853759.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7220053
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009167986688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.904582/201271 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.047 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente MASA DA AMAZONIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 45 82 /2 01 2- 71 Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10283.904582/201271 Acórdão n.º 3402005.047 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10283.904582/201271 Acórdão n.º 3402005.047 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.060, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10283.904582/201271 Acórdão n.º 3402005.047 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10283.904582/201271 Acórdão n.º 3402005.047 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10283.904582/201271 Acórdão n.º 3402005.047 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10283.904582/201271 Acórdão n.º 3402005.047 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10283.904582/201271 Acórdão n.º 3402005.047 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 409DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.003272/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10640.003272/2007-64
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852141
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.392
nome_arquivo_s : Decisao_10640003272200764.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : GISELE BARRA BOSSA
nome_arquivo_pdf_s : 10640003272200764_5852141.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
id : 7203608
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009171132416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1614; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.003272/200764 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.392 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 15 de março de 2018 Assunto SIMPLES Recorrente DROGARIA CARVALHO E CANAAN LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “Versa o presente processo sobre a constituição do crédito tributário no montante de R$ 131.967,48 consolidado no demonstrativo de fl. 03, em razão da lavratura dos Autos de Infração (AI) de IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e INSS, todos relativos ao SIMPLES. Os lançamentos decorrem da operação fiscal denominada MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL COM RENDIMENTOS DECLARADOS — PJ no ano calendário 2004, tendo RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 40 .0 03 27 2/ 20 07 -6 4 Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10640.003272/200764 Resolução nº 1201000.392 S1C2T1 Fl. 3 2 sido em todos eles encontradas as infrações abaixo, consoante descrito no Relatório Fiscal (fls.6065): OMISSÃO DE RECEITA em razão de DEPÓSITOS BANCÁRIOS cuja origem não foi comprovada documentalmente; INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Às fls. 294299, impugnação na qual são aduzidos os seguintes argumentos de defesa, por excertos, segundo o articulado abaixo: IV. DAS RAZÕES DO IMPUGNANTE IV.I. DA PRELIMINAR O agir fiscal que inobserva os princípios que conformam o procedimento fiscalizatório causa a invalidade do ato de lançamento tributário e de imposição penalidades, auto de infração. Ainda assim, não se tratando de documentos apreendidos, [...], o exame da documentação deve ser realizado nas dependências da empresa, [...]: se inexiste razão para apreender o documento significa que constitui em material sujeito a regra geral estabelecida pelo artigo 195 do CTN, [..] inexiste direito a guarda temporária do documento, no sentido de manterse em poder do agente fiscal longe das vistas do fiscalizado e sem um motivado termo de apreensão. Ora, se o Impugnante tem domicílio fiscal fixo, não faz sentido o Agente Fiscal, no conforto de suas dependências intimar reiteradas vezes ao Impugnante, e este, tendo que localizar, solicitar, "xerocopiar" e enviar documentos, prejudicando em demasia o diaadia do Impugnante. [..] viu o Impugnante cerceado em seu direito constitucional de defesa, diante de insanáveis vícios na lavratura de Auto de Infração [...]: [...] não houve a efetiva demonstração das possíveis diferenças referente aos meses de janeiro e fevereiro do ano de 2004, tornandose impossível qualquer defesa relativamente ao período viciado. [...] houve um excesso de tributação pelo Agente Fiscalizador. O impugnante ofereceu à tributação os valores demonstrados e declarados em sua DIPJ [...]: Entretanto, a fiscalização singelamente tomou dos valores recompostos dos extratos bancários esquecendose de deduzir os valores já oferecidos à tributação, incorrendo em gravíssimo erro de bitributação [...]. (negritos originais; sublinhei) Em sua peroração, a contribuinte, em síntese: requer a declaração de nulidade dos lançamentos, ao argumento de desrespeito ao direito de defesa; protesta provar o alegado, fazendoo ainda no que diz respeito à "juntada de novos documentos.". 2. Em sessão de 11 de fevereiro de 2009, a 2ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedentes em parte os lançamentos, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0922.452 (fls. 310/317), para: a) exonerar a contribuinte dos seguintes valores principais lançados, além dos respectivos encargos legais: IRPJ (R$ 5,20), PIS (R$ 5,20), CSLL (R$ 20,00), COFINS (R$ 40,00) e INSS (R$ 45,99); e b) exigir da contribuinte os seguintes valores principais remanescentes, além dos devidos acréscimos legais: IRPJ (R$ Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10640.003272/200764 Resolução nº 1201000.392 S1C2T1 Fl. 4 3 3.564,81), PIS (R$ 3.564,81), CSLL (R$ 7.788,75), COFINS (R$ 15.577,48) e INSS (R$ 21.107,82). 3. A ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004 NULIDADE NORMAS PROCESSUAIS. Não se cogita de nulidade processual, tampouco de nulidade do lançamento, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito do impugnante fazêlo em outro momento processual.”. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Nos termos do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de receitas, sujeitos a lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Uma vez que os lançamentos decorreram dos mesmos elementos prova que nortearam o do IRPJ, evidenciase o caráter reflexivo, impondose eles o mesmo veredicto firmado no lançamento principal. Lançamento Procedente em Parte." 4. A DRJ/JFA acatou em parte os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 4. 1. Não há que se falar em nulidade do ato administrativo de lançamento por cerceamento do direito da Recorrente à ampla defesa. O fisco cuidou de ser diligente tanto na fase procedimental como na processual. Buscou, inclusive, obter junto às instituições financeiras (Banco Mercantil do Brasil S/A e Caixa Econômica Federal) as informações não fornecidas pela contribuinte, pela via das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (fls. 83/84 e 86/87), quanto, ato contínuo, de cientificar a contribuinte (TIF n° 4, fl. 89) a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em contascorrente junto àquelas instituições (relação de fls. 90/94). 4. 2. Não houve o descumprimento dos requisitos dispostos nos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, bem como artigo 142 do Código Tributário Nacional, hábeis a ensejar a nulidade do ato administrativo. 4. 3. A autuação decorre de receita não oferecida à tributação apurada com base nos depósitos bancários de origem não comprovada e insuficiência de recolhimento lançada em razão da mudança dos percentuais aplicáveis, consoante o demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta (fl. 04). Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10640.003272/200764 Resolução nº 1201000.392 S1C2T1 Fl. 5 4 4. 4. São aplicáveis as empresas optantes pelo regime tributário do Simples todas as presunções de omissão de receitas dispostas nas legislações de regência do imposto de renda (artigo 18, da Lei 9.317/96), e especificamente a prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, com alterações da Lei nº 9.481/97, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. 4. 5. Não haveria bitributação de parte da receita bruta auferida pela Recorrente no anocalendário 2004, tampouco excesso de tributação no lançamento combatido, pois o lançamento não incidiu sobre a receita bruta acumulada mês a mês (fl. 04), mas, proporcionalmente, sobre dois itens distintos: (i) insuficiência de recolhimentos (item 002 dos AIs): por meio do cotejo entre os demonstrativos de apuração dos valores não recolhidos (fls. 06/10) e os valores declarados em sua DIPJ/2005 (fls. 101/108), verificouse diferença de tributos a pagar decorrente de percentuais a menor aplicados pela contribuinte sobre a receita bruta declarada e, sobre eles, houve a incidência de multa de ofício de 75%; (ii) a par do que foi declarado pelo sujeito passivo, foram apuradas diferenças decorrentes de receitas omitidas (depósitos de origem não comprovada, item 001 dos AIs), conforme demonstrativo de fls. 11/14, não comprovadas pela contribuinte, sobre as quais foram aplicados os percentuais da legislação do Simples para fins de apuração dos tributos devidos acrescidos da incidência de multa agravada de 112,5%. 4. 6. Constatouse que o saldo lançado em março de 2004 à título de receita omitida remonta R$ 96.488,04 e não em R$ 98.488,04 (fls. 65). Por conta disso, reduziuse para R$ 51.603,67 o saldo de principal lançado pela fiscalização relativamente ao período de apuração de março de 2004. 5. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 340/362) em 18/05/2009 (AR de 16/04/2009, fl. 338), reiterou as razões já expostas em sede de impugnação (fls. 294/299) e centrou seu pedido para que seja declarada a nulidade do ato de lançamento por cerceamento de seu direito à ampla defesa e reconhecida a extinção do crédito tributário pela decadência e pela prescrição. É o relatório. Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em virtude da necessidade de baixar os autos em diligência, atenhome aos pressupostos e fundamentos hábeis a justificar tal providência a ser atendida pela douta autoridade preparadora. O Ônus da Prova no caso de Omissão de Receitas 8. Nos termos do §1º, do artigo 7° e do artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, deve o contribuinte optante pelo Simples Nacional escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira inclusive bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram de suporte para esta escrituração, verbis: Art. 7°(..) Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10640.003272/200764 Resolução nº 1201000.392 S1C2T1 Fl. 6 5 § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração das livros referidas nas alíneas anteriores. (...) Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. 9. Adicionalmente, os referidos artigos 18, da Lei nº 9.317/1996, 24 da Lei nº 9.249/1995 e 42, da Lei nº 9.430/96, não deixam dúvidas que a contribuinte está sujeita à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada. 10. Importante consignar que, conforme dispõe a Súmula CARF nº 26: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada". 11. Portanto, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal do tipo juris tantum e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. 12. Vejam que, o aproveitamento dos dispositivos supra juntamente com a interpretação constante da Súmula CARF nº 26, devem observar os limites da lei. Não se trata de "cheque em branco" dado às autoridades fiscais para aplicar indistintamente tal presunção. 13. Assim, considero fundamental a observância de dois pressupostos para legitimar a adoção da presunção em questão: (i) respeito aos limites legais constantes do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, leiase individualização dos lançamentos considerados de origem não comprovada; e (ii) efetiva intimação do contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. 14. Primeiro, a autoridade deve cuidar de respeitar as disposições e limites constantes, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, verbis: " Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10640.003272/200764 Resolução nº 1201000.392 S1C2T1 Fl. 7 6 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse 0 valor de R$ 80.000, 00 (oitenta mil reais)." 15. A partir da análise do dispositivo supra, o lançamento com base em depósito bancário de origem não comprovada tem validade apenas se a autoridade fiscal individualiza os depósitos que entende como não comprovados, para que, com base nessa segregação, o autuado se defenda e apresente provas. 16. Nesse sentido, é o r. Acórdão nº 1302001.642, cuja ementa segue abaixo transcrita, verbis: "OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO POR VALORES GLOBAIS. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ausência de intimação que discrimine individualizadamente os créditos a serem comprovados, nos termos da lei, implica a improcedência do lançamento". (Processo nº 18471.001400/200736, Acórdão nº 1302001.642, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/ 1ª Seção, Sessão de 5 de fevereiro de 2015, Relator Waldir Veiga Rocha). (grifos nossos) 17. Da leitura do julgado em questão, fica claro o dever da autoridade fiscal de intimar regularmente o contribuinte para que esclareça a origem dos créditos bancários e de fazer constar da intimação a discriminação individualizada dos valores a serem comprovados. Tais deveres asseguram o direito dos contribuintes ao contraditório efetivo e a ampla defesa1, bem como convergem com o disposto no artigo 142, do CTN. 1 Lei nº 13.105/2015 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10640.003272/200764 Resolução nº 1201000.392 S1C2T1 Fl. 8 7 18. Toda a presunção, ainda que estabelecida em lei, deve ter relação entre o fato adotado como indiciário e sua consequência lógica, a fim de que se realize o primado básico de se partir de um fato conhecido para se provar um fato desconhecido. 19. Os indícios em questão decorrem de questões fáticas levantadas tanto pela autoridade fiscal, por meio de suas plataformas tecnológicas de dados, como pelo contribuinte, que legalmente intimado, deve fazer prova da origem dos créditos bancários recebidos e demonstrar a ocorrência de lançamentos em duplicidade e/ou que não correspondem às receitas tributáveis, como é o caso dos resgates, estornos e transferências entre contas do mesmo titular. 20. No presente caso, a douta autoridade fiscal cuidou de atender os dois pressupostos hábeis a legitimar a presunção de omissão de receitas: (i) individualizou os lançamentos de origem não comprovada (Termo de Intimação Fiscal nº 4, fls. 89/94, Relatório Fiscal, fls. 60/65); e (ii) por diversas vezes intimou e reintimou a Recorrente para prestar esclarecimentos quanto à origem dos depósitos bancários relacionados. 21. Contudo, a partir dos indícios verificados em cotejo com as informações prestadas pela contribuinte (extratos bancários, Declaração Simplificada PJ Simples 2005 e livro caixa), verifico que a autoridade fiscal deixou de excluir receitas não tributáveis e eventuais de depósitos em dinheiro, ainda que a Recorrente tenha apresentado o Livro Caixa às fls. 241/287. 22. Portanto, assiste razão à Recorrente quando alega que o lançamento de ofício está revestido de excesso de tributação. A autuação revela que o auditor fiscal constituiu os créditos tributários com base na totalidade dos depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pela Recorrente, sem, contudo, ter deduzido do saldo devedor lançado, eventuais receitas ("entradas") não tributáveis e de depósitos em dinheiro. 23. Da tabela reproduzida abaixo (fls. 61 verso), consta a informação de que os depósitos bancários de origem não comprovada totalizaram R$ 740.974,01, valor encarado pela fiscalização como receitas omitidas pela Recorrente, nos termos do quanto prevê o artigo 42, §1º, da Lei nº 9.430/96: Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Lei nº 9.784/1999 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10640.003272/200764 Resolução nº 1201000.392 S1C2T1 Fl. 9 8 24. Ao saldo total dos depósitos de origem não comprovada (R$ 740.974,01), o agente fiscal somou o total de receita bruta declarada pela Recorrente no anocalendário 2004 (R$ 218.402,22), concluindo, com isso, que a receita bruta total auferida pela Recorrente no anocalendário 2004 seria de R$ 959.376,23 (R$ 740.974,01 + 218.402,22). 25. No entanto, se levarmos em consideração o fato da Recorrente ter declarado receita bruta anual de R$ 218.402,22 (anocalendário 2004) juntamente com as características das atividades por ela desenvolvidas (comércio varejista de produtos farmacêuticos) e seu porte econômico, não podemos ignorar que os depósitos bancários cuja origem não foi comprovada podem coincidir com os pagamentos em dinheiro efetuados pelos próprios clientes à Recorrente, cujas receitas já foram incluídas na base de cálculo (receita bruta) dos tributos relativos ao anocalendário 2004, sob a sistemática do Simples. 26. Verificando a íntegra dos autos, não identifiquei esforço feito pelo agente fiscal no sentido de excluir os pagamentos/depósitos em dinheiro por meio do cotejo dos extratos bancários com os lançamentos no Livro Caixa (fls. 241/287). É imperioso que a fiscalização faça esse cruzamento justamente com o objetivo de afastar situações que não se enquadrem em efetiva omissão de receitas. 27. A apresentação dos livros e/ou documentos de sua escrituração comercial e fiscal aptos respaldar as informações declaradas ou, ao menos, permitir que a fiscalização identifique a real condição econômica do sujeito passivo, devem ser apreciados pela autoridade fiscal, sob pena de configurar real cerceamento de defesa e gerar indevido ônus tributário ao contribuinte. 28. Além de temerária a presunção de que a totalidade dos depósitos bancários de origem não comprovada seria prova inequívoca de receita omitida pela Recorrente, as informações extraídas do seu Livro Caixa (fls. 241/287) revelam fazer parte da sua dinâmica empresarial receber pagamentos à vista pelas vendas que realiza (fls. 242): Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10640.003272/200764 Resolução nº 1201000.392 S1C2T1 Fl. 10 9 29. Por tratarse de uma drogaria, é razoável presumirmos que parte considerável dos pagamentos à vista eram feitos em dinheiro pelos clientes da Recorrente e que, ao término do expediente, os seus funcionários recolhiam o total constante do no caixa e o depositavam nas contascorrentes mantidas pela Recorrente em instituições financeiras. 30. Ou seja, se concluirmos que todo o saldo depositado nas contascorrentes da Recorrente são, de fato, receita omitida, estaremos, via reflexa, concluindo que todos os pagamentos recebidos em dinheiro de seus clientes foram mantidos pela Recorrente no caixa de seu estabelecimento durante todo o anocalendário 2004. 31. Logo, não deduzir do saldo devedor lançado o total de tributos já pagos pela Recorrente nesta situação, implica em tributar duas vezes a parcela da receita declarada e que já foi oferecida pela Recorrente à tributação, evidente bis in idem. 32. Verificase claramente a necessidade de baixar os autos em diligência para que unidade preparadora apure com maior exatidão, a partir das provas acostadas aos autos (extratos bancários, Declaração Simplificada PJ Simples 2005 e Livro Caixa), se os depósitos bancários de origem não comprovada guardam ou não relação direta com os pagamentos em dinheiro, já tributados pela Recorrente, sob pena de enriquecimento ilícito da União. 33. Insta salientar que, deixar de considerar a documentação apresentada pelo contribuinte sem a devida motivação e diligência, viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e do contraditório efetivo, previstos nos artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil CPC/2015), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. 34. Tanto no processo administrativo como no processo judicial, garantir o contraditório é assegurar que a decisão seja fruto de um processo participativo e cooperativo, onde todos seus atores trabalhem juntos, por mais que busquem resultados diferentes. 35. Para a construção democrática do resultado do processo é preciso garantir a devida análise argumentativa e probatória, condição sine qua non para trazer satisfatividade às decisões proferidas e evitar o litígio no âmbito do Poder Judiciário. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10640.003272/200764 Resolução nº 1201000.392 S1C2T1 Fl. 11 10 36. Em vista do exposto, acolho o argumento da Recorrente e considero insatisfatórios os indícios/provas apresentados pela autoridade fiscal para justificar a presunção de omissão de receitas nos casos dos depósitos/pagamentos em dinheiro, constantes do item 001 dos autos de infração. Conclusão 37. Diante do exposto, determino a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que, com base nos documentos já acostados aos autos (extratos bancários, Declaração Simplificada PJ Simples 2005 e Livro Caixa), a autoridade preparadora: (i) Apure com maior exatidão se os depósitos bancários de origem não comprovada guardam ou não relação direta com os pagamentos em dinheiro ou cartão bancário (crédito ou débito) constantes do Livro Caixa, devendo ser deduzidos tais montantes das receitas supostamente omitidas e recalculado o montante do crédito tributário correspondente. Sugiro o cotejo entre os valores dos extratos bancários vs valores dos depósitos em dinheiro e lançamentos relativos aos pagamentos em cartão, constantes dos livro caixa vs valores efetivamente omitidos/não comprovados. (ii) Relativamente ao item 002 da autuação, insuficiência de recolhimentos em decorrência da alteração de faixa de receita bruta ao se computar a receita omitida, deverá a autoridade fiscal, em virtude da presente diligência, verificar eventual mudança de alíquotas em relação aos valores anteriormente declarados/recolhidos pela contribuinte e os constantes da diferença/insuficiência autuada. (iii) É inequívoco que, em caso de dúvidas quanto à exatidão da informações prestadas, a autoridade fiscal pode intimar a contribuinte para prestar esclarecimentos complementares. E, em que pese o interessado tenha o dever de comprovar a origem dos depósitos bancários, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/992. 38. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724024/2015-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos propostos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Caio Cesar Nader Quintella), Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros e Caio Cesar Nader Quintella. e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15504.724024/2015-49
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5852109
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-000.560
nome_arquivo_s : Decisao_15504724024201549.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCO ROGERIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 15504724024201549_5852109.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Caio Cesar Nader Quintella), Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros e Caio Cesar Nader Quintella. e Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
dt_sessao_tdt : Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7203114
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009206784000
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-03-29T12:36:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-03-29T12:36:20Z; Last-Modified: 2018-03-29T12:36:20Z; dcterms:modified: 2018-03-29T12:36:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:ba538d1b-6631-4eea-a65d-17062783e105; Last-Save-Date: 2018-03-29T12:36:20Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-03-29T12:36:20Z; meta:save-date: 2018-03-29T12:36:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-03-29T12:36:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-03-29T12:36:20Z; created: 2018-03-29T12:36:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; Creation-Date: 2018-03-29T12:36:20Z; pdf:charsPerPage: 1328; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-03-29T12:36:20Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.405 1 1.404 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.724024/201549 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 1402000.560 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de fevereiro de 2018 Assunto IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS OUTROS Recorrentes GABRIEL GANANIAN FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Caio Cesar Nader Quintella), Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros e Caio Cesar Nader Quintella. e Leonardo Luis Pagano Gonçalves. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 24 02 4/ 20 15 -4 9 Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.406 2 Relatório: Trata o presente de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício interpostos em face de decisão proferida pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro RJ, que julgou IMPROCEDENTE EM PARTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe. No v. acórdão a quo houve a seguinte decisão: a) rejeitaram a arguição de nulidade invocada e o pedido de realização de diligência; b) exoneram a parcela do IRPJ no valor de R$ 39.970.748,50 ; c) determinaram o prosseguimento da cobrança de IRPJ e de CSLL, nos valores de, respectivamente, R$ 31.893.990,20 e R$ 25.873.465,93; e declararam que os valores exigidos deverão ser acrescidos da multa qualificada de 150%, na forma do art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007, e de juros de mora. Atendidos os pressupostos do recurso de ofício, a turma a quo já recorreu na sua decisão, e o contribuinte apresentou o recurso voluntário (fls. 1295 a 1400). Da autuação: A recorrente foi autuada em 19/03/2016 relativamente ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica –IRPJ e, por decorrência, auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente aos fatos geradores do anocalendário de 2011, por meio dos quais foram exigidos os créditos tributários a seguir discriminados, acrescidos de multa qualificada de 150%, na forma do art. 44, inciso I, e § 1º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art.14 da Lei nº 11.488/2007, e de juros de mora. TRIBUTO ou CONTRIBUIÇÃO AUTO de fls. VALOR DO TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO EXIGIDO VALOR TOTAL EXIGIDO Imp. de Renda Pessoa Jurídica 02/06 71.864.738,70 211.181.721,14 Contribuição Social s. Lucro Liq. 07/11 25.873.465,93 76.031.766,97 VALOR TOTAL DO CRÉDITO 287.213.488,11 Fl. 1406DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.407 3 A descrição dos fatos determinantes para a autuação relativamente ao IRPJ é o seguinte: Razão do arbitramento no(s) período(s): 09/2011 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termo(s) de intimação em anexo, deixou de apresentálos. Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos a partir de 01/04/1999: Art. 530, inciso III, do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITA NÃO OPERACIONAL INFRAÇÃO: GANHOS DE CAPITAL Arbitramento do lucro realizado com base na omissão de ganho de capital, conforme relatório fiscal em anexo. E a descrição dos fatos determinantes para a autuação relativamente à CSLL é o seguinte: OMISSÃO DE RECEITA INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE OUTRAS RECEITAS E DEMAIS RESULTADOS OMITIDOS Arbitramento do lucro realizado com base na omissão de ganho de capital, conforme relatório fiscal em anexo. O Termo de Verificação Fiscal, que constitui parte integrante do auto de infração, contém o relato detalhado do trabalho fiscal desenvolvido, com o histórico dos Termos lavrados, a descrição dos elementos obtidos e as consequentes conclusões. Por detalhar e bem esclarecer o auto de infração, transcrevo sua análise e excertos destacados do termo de verificação fiscal: 1 Preâmbulo (...) Os trabalhos de auditoria visaram averiguar a regularidade da alienação de diversas empresas que tinham o Sr. Gabriel Gananian como sócio majoritário. Tais empresas foram vendidas em 2011 para a Schneider Electric Participações do Brasil Ltda, CNPJ n° 13.625.164/000156, empresa controlada pela multinacional francesa Schneider Electric. Ao cabo do presente TVF ficará evidenciado que o contribuinte utilizou de manobras que propiciaram a redução imprópria de tributos devidos sobre tal operação, bem como pretendeu substituir o sujeito passivo da obrigação tributária se colocando na posição de contribuinte, quando o correto seria a tributação de tais ganhos na sua empresa de investimentos denominada Steck Investimentos S/A, real detentora de parte das participações societárias alienadas. Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.408 4 2 Contexto Cronológico do Trabalho 1 O procedimento fiscal foi iniciado pela Auditora Fiscal Adriana Moreira Braga que conduziu os trabalhos até 12/02/2015, sendo substituída pelo Auditor signatário do presente Termo de Verificação a partir desta data. Teve como finalidade averiguar a alienação da empresa Steck da Amazônia Indústria Elétrica Ltda, CNPJ n° 06.048.486/000114. de agora em diante Steck da Amazónia. Tal empresa foi alienada em 20/07/2011 e até essa data as quotas de capital pertenciam â empresa Steck Investimentos S/A, CNPJ n° 09.276.804/000192. de agora em diante Steck Investimentos, também de propriedade do fiscalizado e que teve suas atividades encerradas no final de 2011. 2 O TDPF foi assinado em 07/08/2014. No dia 22/08/2014 foi lavrado o Termo de Inicio do Procedimento Fiscal TIPF. O referido TIPF foi enviado por meio postal para a residência do contribuinte constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil, cito â Alameda (....) 35 Conforme já citado anteriormente (ver parágrafo 18 acima), por meio da 8a Alteração do Contrato Social da Steck Indústria Elétrica e da 13a Alteração da Steck da Amazônia foram feitas as alterações dos quadros societários dessas empresas. Nos mesmos atos a Steck Investimentos vende suas quotas para o Sr. Gananian que as transferem simultaneamente para a Schneider Electric. Em função disto, novas intimações foram expedidas para que as diligenciadas apresentassem cópias dos documentos que lhes deram garantias de que as quotas de capital adquiridas pela Schneider eram de propriedade do Sr. Gabriel Gananian. Em resposta, as empresas apresentaram cópias das alterações contratuais como os documentos garantidores da posse das quotas de capital. (.....) 3 Histórico da empresa Steck da Amazônia Indústria Elétrica Ltda. 41 A empresa Steck da Amazônia Indústria Elétrica Ltda. foi constituída em 03/11/2003. (....) Foi constituída com um capital social de R$ 2.500.000,00, divididos em 2.500.000 quotas, sendo o Sr. Gabriel Gananian detentor de 2.499.999 das quotas e o Sr. Carlos Gondim Gananian proprietário de 1 quota (ver atos societários no item "CS Steck da Amazônia" do processo). 42 Tal configuração permaneceu inalterada até 19/12/2007 quando, mediante a 8ª Alteração Social de seu contrato, houve um aumento de capital da sociedade com emissão novas quotas. O capital social a partir desta data passa a ser de R$ 4.138.486,00, dividido em 4.138.486 quotas, sendo o Sr. Gabriel Gananian detentor de 4.138.485 quotas. 43 Em 30/12/2008 o Sr. Gabriel Gananian transfere suas quotas para a empresa Steck Investimentos S/A, conforme transcrito na 10ª Alteração Contratual. Portanto a partir desta data a empresa Steck Investimentos S/A. passa a ser a sócia majoritária da sociedade, detendo 99,99% do capital da Steck da Amazônia. 44 Por meio da 13ª Alteração do Contrato Social, ocorrida em 20/07/2011, são efetuadas diversas modificações no quadro societário da Steck da Amazônia, na seguinte ordem: 1º A sócia Steck Investimentos S/A se retira da sociedade transferindo suas 4.138.485 quotas para o Sr. Gabriel Gananian; Fl. 1408DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.409 5 2° O Sr. Gabriel Gananian, ato contínuo, cede suas 4.138.485 quotas para a empresa Schneider Electric Participações do Brasil Ltda; 3º O sócio Sr. Carlos Godim Gananian cede sua única quota de capital para a empresa Schneider Electric Participações do Brasil Ltda. 4º Após essas alterações a empresa Schneider Electric passa a ser proprietária das 4.138.486 quotas do capital social da Steck da Amazônia no valor de R$ 4.138.486,00. 4 Histórico da empresa Steck Indústria Elétrica Ltda. 46 A empresa Steck Indústria Elétrica Ltda. foi constituída em 15/09/2003 (....). Seu capital social era de R$ 1.000.000,00 divididos em 1.000.000 quotas, tendo o Sr. Gabriel Gananian integralizado R$ 999.999,00 desse capital e o Sr. Wanderley José Souto R$ 1,00 (ver atos societários no item "CS Steck Elétrica" do processo). 47 Em 01/07/2004 o Sr. Carlos Gondim Gananian adquire a participação do Sr. Wanderley José Souto no capital da empresa. 48 Por meio da 4a Alteração do Contrato Social de 19/12/2007 foi aprovado o aumento de capital da sociedade. O Sr. Gabriel Gananian integraliza o valor de R$ 17.034.197,00 ao capital. Portanto do novo capital de R$ 18.034.197,00 o Sr. Gananian detém R$ 18.034.196,00. 49 Em 30/12/2008, é arquivada a 8ª Alteração do contrato sociali. Nela é registrada a cessão das 18.034.196 quotas do Sr. Gabriel Gananian para a empresa Steck Investimentos S/A. Portanto, a partir desta data a Steck Indústria Elétrica tem como sócios a empresa Steck Investimentos, detentora de 18.034.196 quotas do capital, e o Sr. Carlos Godim Gananian, detentor de 1 quota. 50 Por meio da 8ª Alteração do Contrato Social, ocorrida em 20/07/2011, são efetuadas diversas modificações no quadro societário da Steck Indústria Elétrica, na seguinte ordem; 1º A sócia Steck Investimentos S/A se retira da sociedade transferindo suas 18.034.196 quotas para o Sr. Gabriel Gananian; 2o O Sr. Gabriel Gananian, ato contínuo, cede suas 18.034.196 quotas para a empresa Schneider Electric Participações do Brasil Ltda; 3o O sócio Sr. Carlos Godim Gananian cede sua única quota de capital para a empresa Schneider Electric Participações do Brasil Ltda. 51 Após essas alterações a empresa Schneider Electric passa a ser proprietária das 18.034.197 quotas do capital social da Steck Indústria Elétrica Ltda. 5 Histórico da empresa Steck Investimentos S/A. 52 Consultando os atos arquivados na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, apurase o seguinte histórico para a companhia Steck Investimentos S/A. A companhia foi constituída em 21/11/2007 com a denominação (...). Tinha como objeto social a participação em outras sociedades como sócias ou acionista. 53 Dois meses após a sua fundação, em 28/01/2008, as ações foram adquiridas pelo Sr. Gabriel Gananian e houve a alteração da denominação da companhia, passando Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.410 6 a ser designada como Steck Investimentos S/A. (ver contratos sociais no item "CS Steck Investimentos" do processo). 54 Por meio da Ata da Assembleia Geral e Extraordinária realizada em 29 de julho de 2010, foi alterado o capital social que passou de R$ 500,00 para R$ 66.000.000,00. O aumento foi procedido com a incorporação de R$ 14.999.500,00 da Reserva de Lucros e de parte do crédito detido pelo acionista Gabriel Gananian contra a companhia no montante de RS 51.000.000,00. 55 Em 22 de novembro de 2011 procedese o arquivamento da ata da Assembleia Geral Extraordinária onde se deliberou pela dissolução da companhia. 6 Análise das operações à luz da legislação de regência. 56 Segundo alegações do Sr. Gananian, as operações comerciais e societárias que envolveram as quotas de capital das empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica de sua propriedade seguiram, a partir de 2008, o roteiro traçado abaixo: I) Em setembro de 2008 foram vendidas para a empresa Steck Investimentos S/A numa operação que previa a sua quitação em quota única num prazo de até 36 meses. II) Em 29/07/2010 a Steck Investimentos S/A promoveu um aumento de capital da ordem de RS 66.000.000,00. O Sr. Gananian integralizou R$ 51.000.000,00 desse aumento se utilizando do crédito que detinha junto ã sociedade decorrente da venda das quotas de capital da Steck da Amazônia ocorrido em 2008. III) No mês de julho de 2011 o Sr. Gananian adquire novamente as quotas de capital das empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica da empresa Steck Investimentos e as revende, 12 dias depois, para a empresa Schneider Electric Participações do Brasil Ltda. 57 Analisando os dados trazidos ao presente trabalho, comprovamse documentalmente algumas das etapas descritas acima. É fato que as quotas de capital das empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica foram cedidas para Steck Investimentos em 30/09/2008. Tais transações estão corroboradas por meio da cópia do "contrato de compra e venda de quotas" e nas informações inseridas na Declaração de Bens e Direitos das DIRPFs entregues pelo contribuinte (ver cópia do contrato e das declarações nos itens "Resposta ao TIF 2" e "DIRPFs" do processo). 58 Por meio da Ata da Assembleia Geral Extraordinária realizada em 29 de julho de 2010, arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo, confirmase a alteração do capital social da Steck Investimentos, sendo incorporado ao capital o crédito detido pelo acionista Gabriel Gananian contra a companhia no montante de RS 51.000.000,00. Tal incremento de capital encontrase igualmente registrado na Escrituração Contábil Digital ECD, da empresa Steck Investimentos, arquivada no ambiente SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), e anexada ao presente processo no item "Razão". 59 Não restam dúvidas igualmente de que a Schneider Electric Participações adquiriu a totalidade das quotas de capital das empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica em julho de 2011. Conforme "contrato de compra de quotas" apresentado, as participações societárias foram vendidas pela pessoa física do Sr. Gabriel Gananian, detentor de 99,99% do capital dessas empresas, e pelo Sr. Carlos Gondim Gananian, detentor de 0,01% restante. Tais alienações foram inclusive objeto de apuração de ganho de capital e os tributos daí decorrentes foram quitados pelo Fl. 1410DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.411 7 contribuinte, conforme documentos trazidos ao processo (ver DARFs no item "Resposta ao TIF 1" do processo). 60 — Percebese, no entanto, que as quotas transacionadas faziam parte do acervo ativo da empresa Steck Investimentos S/A no mês de suas alienações. 61 Diversas foram as requisições para que o contribuinte apresentasse documentos que evidenciassem a sua aquisição das quotas de capital pertencentes ã Steck Investimentos nas empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica. Tais requisições foram inseridas nos itens 9 e 10 do Termo de Intimação n° 2, itens 9 e 10 do Termo de Relntimação n° 1, itens 4.1, 4.2 e 4.3 do Termo de Intimação Fiscal n° 3, itens 4, 8.1, 8.2 e 8.3 do Termo de Relntimação Fiscal n° 2 e item 1 do Termo de Intimação Fiscal n° 4 (ver documentos nos itens "Termo de Intimação" do processo"). 62 Em resposta, o contribuinte se limitou a informar que, no tocante às 4.138.486 quotas de capital da empresa Steck da Amazônia, adquiriuas, em 08 de julho de 2011, por meio de instrumento particular de contrato para cessão de quotas, da empresa Steck Investimentos, pelo valor de R$ 123.608.864,00. Informou que não encontrou o contrato original e fez anexar a minuta do referido contrato, sem assinatura (ver resposta no item "Resposta ao TIF 3 e TRIF2" do processo). Tal contrato, conforme já mencionado anteriormente, versa sobre a venda tanto das quotas de capital da Steck da Amazônia quanto das quotas da Steck Indústria Elétrica de propriedade da Steck Investimentos para ao Sr. Gabriel Gananian. 63 Buscamos verificar na escrituração comerciai da Steck Investimentos os lançamentos contábeis que pudessem sancionar as operações de vendas das quotas de capital que compunham a sua carteira de participações em outras companhias. As aquisições desses ativos foram registradas em sua contabilidade nas contas de investimentos n° 1403 Investimentos Steck SP e 1404 Investimentos Steck da Amazônia nos anoscalendário de 2009 e 2010 (ver contas no item "Razão" do processo). Pesquisando no ambiente SPED verificase que a companhia apresentou a ECD (Escrituração Contábil Digital) para os anoscalendário de 2009 e 2010, não arquivando os seus lançamentos contábeis de 2011 naquele sistema (ver tela no item "SPED" do processo). Registrese que, embora por diversas vezes requisitado, deixou de exibir os referidos lançamentos contábeis e, nem tampouco, o livro fiscal obrigatório (Lalur) contendo a escrituração e os ajustes promovidos no anocalendário de 2011. Ressaltamos que a escrituração comercial é uma das obrigações impostas às pessoas jurídicas, conforme preceitua o art.177 da Lei 6.404/76, ... (.....) 64 Igualmente não foi possível averiguar a redução da conta ativa Investimentos por meio da Declaração de Informações EconómicoFiscal DIPJ, haja vista que para o anocalendário de 2011 a Steck Investimentos não enviou a declaração obrigatória (ver tela do sistema no item "DIPJ" do processo). 65 A falta de documentação e registros usuais nestes tipos de transação, como contrato assinado, cópias dos comprovantes dos pagamentos acordados (TEDs, DOCs, cheques, etc), lançamentos contábeis tempestivamente registrados, fragiliza a argumentação do contribuinte de que adquiriu as quotas de capital, objeto da transação com a Schneider Electric, da Steck Investimentos. 66 Buscamos ainda, como forma de comprovar a efetividade dessas aquisições, documentos que versassem sobre tais transações por meio da Schneider Electric, compradora das quotas de capital junto ao Sr. Gananian. Foram diversas as intimações feitas para que as empresas sucessoras da Schneider Electric apresentassem os Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.412 8 documentos que afiançassem a posse do Sr. Gabriel Gananian sobre as quotas de capital no momento de sua aquisição. Os únicos documentos apresentados foram as alterações dos contratos sociais das empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica, onde, simultaneamente, é retirada a Steck Investimentos do quadro societário com o ingresso do Sr. Gananian, para, imediatamente, ser substituído pela Schneider Electric. (.....) 69 Partindo da obrigatoriedade dessa separação de patrimônio, a venda das quotas de capital da Steck Indústria Elétrica e Steck da Amazônia pela pessoa física do Sr. Gananian e não pela pessoa jurídica Steck Investimentos, detentora de tais quotas até, segundo alegação verbal do contribuinte, 12 dias antes de sua venda para a Schneider Electric Participações do Brasil é um movimento fora da curva de normalidade para uma empresa holding como é o caso da sociedade. 70 A Steck Investimentos tem como objeto social a participação no capital de outras sociedades, como sócia ou acionista, é o que se lê em seus estatutos arquivados junto à JUCESP (ver contratos no item "CS Steck Investimentos" do processo). A aquisição de parte do capital de outras sociedades ou empresas, e a posterior valorização desses investimentos é que determina o sucesso desse tipo de empresa. Portanto, uma holding atinge plenamente o seu objeto social quando seus investimentos em outras empresas alcançam valorização em relação ao custo despendidos para a sua aquisição. 71 Segundo o Sr. Gananian a exclusão da Steck Investimentos da transação efetuada com a Schneider Electric se deveu a exigência da compradora para evitar duo diligence também nesta empresa. Tal argumentação não resiste à análise dos documentos acostados ao presente processo. As Cartas de Intenções enviadas pela Schneider Electric para o Banco Credit Suisse e, posteriormente, para as empresas do grupo Steck dão conta que o interesse da compradora era inclusive em adquirir a própria Steck Investimentos. O contribuinte foi inquirido a apresentar documento que confirmasse essa sua alegação (ver item 2 do TIF 4) e nada apresentou. Valendo, portanto, o que se depreende das Cartas de Intenções citadas. 72 Na condição em que foi realizado o negócio, a Steck Investimentos abriu mão de um potencial e anunciado ganho para transferilo a um terceiro, o que não seria concebível a não ser que esse terceiro fosse o seu acionista controlador. Tal cessão de quotas jamais seria celebrada, nas condições em que a foram, com outra pessoa física. 73 Com estas características a transação alegadamente efetuada não contém propósito negocial, não passando de arranjo onde o único objetivo é a redução de tributos. 74 O ordenamento jurídico impõe limites ao exercício da liberdade de auto organização do contribuinte. Em seu artigo 187, o Código Civil, quando trata de atos jurídicos, classifica como lícitos aqueles atos cometidos pelo titular do direito que, ao exercêlo, excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. No mesmo sentido, o artigo 154 da Lei n° 6.404/76 (Lei das S/As.), que vai transcrito abaixo, impõe regramento às práticas do administrador da companhia, senão vejamos: (....) 75 Seguindo nesta mesma linha, temos o parágrafo único do artigo 116 do CTN (Lei n° 5.172/66), incluído pela Lei Complementar n° 104/2001, que possibilita a Fl. 1412DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.413 9 desconsideração de atos ou negócios praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador ou da natureza dos elementos da obrigação tributária. 76 Diante dos fatos acima elencados, é de se concluir que as quotas de capital das empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica pertenciam à empresa Steck Investimentos por ocasião de suas vendas para a Schneider. Não foram apresentados documentos hábeis que comprovassem a alegada transferência de suas titularidades para a pessoa física do Sr. Gabriel Gananian. A inexistência da alegada transação se firma na falta de contrato válido, na inexistência de pagamentos e na ausência de escrituração contábil obrigatória. 77 Portanto, estamos considerando os ganhos advindos da venda das participações societárias das empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica para a empresa Schneider Electric na pessoa jurídica da Steck Investimentos, detentora de fato e de direito das quotas vendidas. 6 Constituição do Crédito Tributário. 78 Conforme já mencionado anteriormente, não existe nos arquivos da Secretaria da Receita Federal do Brasil Declaração de Informações EconômicoFiscal DIPJ válida para o anocalendário de 2011 entregue pela Steck Investimentos. Tal situação foi comunicada ao contribuinte e foi requisitado que se manifestasse, mas nada foi feito. 79 Mencionamos igualmente que, embora legalmente obrigado, o contribuinte não enviou os arquivos da Escrituração Contábil Digital, ECD para o anocalendário de 2011 no ambiente do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Ainda que intimado e reintimado a sua apresentação o contribuinte não logrou atender a essa reinvindicação. 80 Assim sendo, na impossibilidade de se aferir o resultado fiscal por meio da escrituração comercial regular, partese para outra forma de apuração dos resultados tributáveis da fiscalizada. 81 As pessoas jurídicas que deixarem de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de guarda obrigatória, incorre no arbitramento de seu lucro, nos termos dos dispositivos constantes da Leis n° 8.981/95, que determinam: Lei n° 8.981 de 23 de janeiro de 1995 Do Regime de Tributação com Base no Lucro Arbitrado Art. 47 . O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: .... III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; 82 Portanto, em razão de todo o exposto, adotase o regime de lucro arbitrado para determinar o resultado fiscal da Steck Investimentos no anocalendário de 2011. 83 Historicamente a Steck Investimentos não produz receita operacional. Seus ganhos são provenientes dos resultados positivos em participações societárias, conforme pode ser comprovado pelas DIPJ dos anoscalendário de 2008, 2009 e 2010 (ver declarações nos itens "DIPJ ano" do processo). Tais investimentos, que se restringem às participações nas empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica, por serem relevantes são avaliados pelo Método da Equivalência Patrimonial MEP. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.414 10 em atendimento ao que determina a legislação societária (art. 248 da Lei n° 6.404/76) e fiscal (art. 384 do RIR/99). 84 Os ganhos e perdas provocados pela avaliação dos investimentos são isentos da tributação do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, já o lucro na venda da participação societária está sujeito à incidência desses tributos. Cabe nos, por conseguinte, determinar o ganho da Steck Investimentos na alienação das quotas de capital das empresas investidas. 85 Primeiramente iremos determinar o valor referente à venda das quotas de capital. Segundo o contribuinte, o preço da venda da Steck da Amazônia foi estipulado em R$ 297.392.947,85 para as 4.138.487 quotas de seu capital e da Steck Indústria Elétrica o valor foi estipulado em RS 97.379.084,24 para as 18.034.198 quotas de seu capitai (ver informação nos itens "Resposta ao TIF2" e "Resposta ao TRIF 2 E TIF4" do processo). Como a Steck Investimentos detinha 99,99% do capital tanto da Steck da Amazônia quanto da Steck Indústria Elétrica, teremos os seguintes valores de venda recebidos pela Steck Investimentos na transação: 86 Calculado o valor da venda, resta definir o custo das quotas vendidas. O "Contrato de Venda das Quotas" determinou como data da venda (data de vigência) o dia 20 de julho de 2011(ver contrato no item "Resposta ao TRIF2 e TIF4" do processo). Portanto a partir desta data o controle societário das empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica passou a ser exercido pela Schneider Electric. 87 O contribuinte apresentou o balanço levantado pela empresa Steck Investimentos em 31/12/2010. Nele confirmase que o valor total dos ativos representativos de investimentos em outras empresas alcançava RS 107.289.000,00 (ver balanço no item " Resposta ao TIF 1" do processo). 88 Por meio da Escrituração Contábil Digital ECD do anocalendário de 2010, da Steck Investimentos retirada do ambiente SPED, é possível determinar a composição da conta ativa n° 1403 Investimentos Steck SP e 14104 Steck AM (ver item "Razão" do processo). Nesta data o valor do investimento na Steck da Amazónia era de RS 102.669.000,00 e da Steck Indústria Elétrica era de RS 4.620.000,00, totalizando os R$ 107.289.000,00 constante do balanço patrimonial. 89 Aqui nos cabe tecer uma consideração. O contribuinte apresentou igualmente o balanço patrimonial da Steck Investimentos levantado em 30 de junho de 2011. Nele a conta representativa dos investimentos em quotas de capital de outras empresas alcançou o montante de R$ 114.704.000,00 (ver balanço no item "Resposta ao TIF 2" do processo). Tal valor, por ter sido levantado em data mais próxima das alienações das quotas de capital, certamente retrataria melhor a sua real cotação. No entanto, como não podemos avaliar a legitimidade e veracidade dos valores inseridos no referido balanço patrimonial, já que não foi apresentado a Escrituração Contábil Digital para o anocalendário de 2011, estamos considerando como cotação dos investimentos aquele inserido na escrituração e no balanço de 12/2010. Assim, os custos das participações ficaram como abaixo demonstrados: Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.415 11 90 Portanto, o valor do ganho obtido pela Steck Investimentos na venda de suas participações societárias nas empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica foi de RS 287.482.954,83 (valor da venda R$ 394.771.954,83 valor do custo R$ 107.289.000,00). Esse ganho deve ser acrescido ao Lucro Arbitrado para o cálculo do IRPJ e da CSLL devidos pela companhia, em conformidade ao que determina o inciso II, do artigo 27, da Lei n° 9.430/96, que transcrevemos abaixo: Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art 16 da Lei n5 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1* desta Lei; II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período, (grifei)" 91 Deste modo, os cálculos dos tributos incidentes sobre este ganho encontram se demonstrados abaixo: 7 — Responsabilidade. 92 A Steck Investimentos realizou a Assembleia Geral e Extraordinária AGE de dissolução em 22/11/2011. Posteriormente, em 29/02/2012, deu baixa no CNPJ junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil, procedendo desta forma a sua extinção (ver documentos nos itens "CS Steck Investimentos" e "CNPJ" do processo). 93 Para que se proceda a extinção de uma companhia a Lei 6.404/76 determina uma série de procedimentos a serem cumpridos. Tais procedimentos visam a dar publicidade de tal iniciativa aos diversos entes e pessoas que de alguma forma tenham interesses na dissolução da empresa, tais como acionistas, fornecedores, empregados, Fl. 1415DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.416 12 clientes, fisco, sociedade, etc, sendo necessária, em alguns casos, a convocação da AGE por anúncio público (art. 124 da Lei 6.404/76). 94 A Lei das Sociedades por Ações determinou que somente a AGE com a aprovação de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, caso maior quórum não seja exigido pelo estatuto da companhia, pode deliberar sobre a sua dissolução (artigo 136, inciso X, da Lei 6.404/76). Aprovada a dissolução, iniciase a fase de liquidação. A Assembleia nomeará um liquidante que ficará responsável por diversas tarefas até que seu trabalho culmine com a extinção da sociedade. A companhia dissolvida conservará a sua personalidade jurídica, até a sua extinção. Segundo os artigos 210 e 216 da citada lei, que vão transcritos abaixo, são deveres do liquidante; (......) 95 O Código Civil estabelece que a pessoa jurídica deixa de existir na data da averbação, no registro próprio, do distrato social ou ata da assembleia da liquidação. É o que se retira dos artigos abaixo transcritos: (.....) 105 O artigo 121 do Código Tributário Nacional (Lei 5.12/66) dispõe que o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. O referido artigo denomina o Sujeito Passivo como contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador, e responsável, quando sua obrigação decorra de disposição de lei. 106 A extinção da pessoa jurídica, ainda que eivada de irregularidades como a aqui analisada, acarreta a impossibilidade de configurála como sujeito passivo, uma vez que estaria cerceado o direito da ampla defesa e do contraditório. Tal entendimento vem sendo reiteradamente sendo proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como se depreende, dentre tantos, os Acórdãos n°s. 103.22729. 105.132490, 9101002.042, 9101001.806, 910100.16 e 9101001.858, esles últimos ementados como se demonstra abaixo: (......) 107 Nesta situação o artigo 135 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172/96) redireciona a responsabilidade pelo pagamento do tributo para os diretores/gerentes, senão vejamos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 108 Necessário aqui abrirmos um parêntese para analisar a participação do Sr. Gabriel Gananian na condução dos negócios da Steck Investimentos. Conforme já mencionado anteriormente a empresa foi criada em 11/2007 com o nome de V.V.Y.S.P.E. Empreendimentos e Participações S/A, com um capital de R$ 500,00, representadas por 500 ações. Dois meses após a sua criação as ações foram adquiridas pelo Sr. Gabriel Gananian e seu filho Carlos Godim Gananian. Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.417 13 109 A partir de então o nome empresarial passa a ser Steck Investimentos S/A. Certamente para que tal denominação guardasse relação com as demais empresas pertencentes ao Sr. Gabriel Gananian que, nessa nova composição acionária, passa a ser acionista quase que exclusivo com 499 ações e seu filho, Carlos Godim Gananian, detentor de apenas uma ação. A partir dai até a sua extinção, o controle acionário não saiu mais de suas posses. 110 Em 29/07/2010 a preponderância acionária do Sr. Gabriel Gananian fica ainda mais acentuada. Elevado o capital para R$ 66.000.000,00, dividido em 66.000.000 ações ordinárias, nominativas, o Sr. Gananian passa a possuir 65.339.522 (99,99%) dessas ações e seu filho Carlos Godim participa com 659.978 (0,01%) ações. A concentração acionária na pessoa do Sr. Gabriel Gananian faz com que a empresa seja extremamente personalista, resvalando no conceito de sociedade unipessoal. Nesse arranjo acionário o Sr. Carlos Godim tem atuação figurativa e secundária. Essa configuração acionária então não mais se modifica, permanecendo estática até a extinção da empresa em 11/2011. 111 Registrese que a partir de sua entrada no quadro acionário da companhia, o Sr. Gabriel Gananian sempre exerceu a função de Diretor/Presidente, resguardando para si a prerrogativa na condução dos negócios. E o que se confirma pela alteração do artigo 16 do estatuto efetuado pela AGE realizada em 02/07/2008, que abaixo vai transcrita: (......) 112 Com este poder quase absoluto o Sr. Gabriel Gananian conduzia os rumos do negocio. Nessa condição se reveste de responsabilidade pela dissolução da companhia sem promover a correta tributação dos ganhos obtidos pela venda das participações societarias pertencentes à Steck Investimentos nas empresas Steck da Amazonia e Steck Industria Elétrica. Ressaltese novamente, por oportuno, que nenhum documento válido que atestasse as suas cessões onerosas para a pessoa física do Sr. Gabriel Gananian foi apresentado. 113 Confirmase a infração de lei a não apresentação de contabilidade contendo os lançamentos do anocalendário de extinção da companhia, conforme determina o artigo 177 da Lei n° 6.404/76. Tampouco foram levantados balanço pela ocasião da liquidação da empresa, obrigação determinada pelo artigo 210 do mesmo diploma legal. 114 Incorre ainda em infração de lei, na qualidade de sócio/diretor e quase seu exclusivo acionista, o Sr. Gabriel Gananian ao extinguir a companhia sem proceder ao levantamento dos haveres e deveres e sem arquivamento de ata da liquidação que indicasse a partição dos ativos e o responsável pela guarda dos livros e documentos. 115 Da forma como foi extinta, a legislação tributária imputa ao Sr.Gabriel Gananian, na condição de sócio/gerente, a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária decorrente do ganho advindo da venda das ações de outras empresas pertencentes ao acervo de investimentos da Steck Investimentos. 116 Portanto, lavrase o presente auto de infração contra o Sr. Gabriel Gananian, atribuindolhe a condição de sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos do artigo 121 do CTN, na condição de responsável pelos tributos lavrados, em conformidade ao que determina o inciso III, do artigo 135 do mesmo código. 8 Da Multa Qualificada Planejamento Tributário Abusivo 117 O percentual atinente á multa de ofício deve observar o disposto no art. 44, inciso I da Lei Fl. 1417DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.418 14 n° 9.430/96 e em seu § 1o, com as alterações promovidas pela Lei n° 11.488/07, que dispõe: (.....) 118 Os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, citados na redação original e alterada do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, dispõem: (.....) 121 No curso da presente fiscalização restaram inequivocamente demonstrados que o fiscalizado tentou imputar a sujeição passiva para a sua pessoa física com a intenção de reduzir o tributo devido. De fato, da forma como foi procedida a negociação, a tributação do ganho de capital proveniente da venda das ações da Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica na pessoa física do Sr. Gabriel Gananian propiciou a redução indevida do imposto em quase 60%. 122 A pretensa compra das quotas de capital das empresas Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica pertencentes à Steck Investimentos não restou comprovada. Os documentos apresentados como afiançadores do negócio, particularmente a minuta de contrato sem assinatura, carecem de validade. Não existem documentos que asseverem o repasse de recursos da aquisição alegada pelo contribuinte. 123 Ademais, a falta de uma escrituração contábil e de DIPJ (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica), referente ao anocalendário de 2011, a que a Steck Investimentos estava obrigada só lança mais nebulosidade sobre a pretensa negociação e serviu para dificultar o conhecimento da autoridade tributária da sua real condição de sujeito passivo da obrigação tributária. 124 Tais fatos demonstram que a conduta praticada pelo contribuinte enquadra se no conceito de fraude e sonegação, circunstância na qual a aplicação da multa de 150% é de rigor. 11 Finalização 127 Diante dos fatos lavramos o presente Auto de Infração, constituindo o crédito tributário referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica e tributação reflexa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devidos no 3o trimestre do anocalendário de 2011. O lançamento Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, em que expõe, os seguintes argumentos e elementos, os quais aproveito do v. acórdão recorrido, por bem exporem o alegado nesta peça processual: Das Considerações Iniciais Sobre as Alienações Efetuadas as operações de reorganização societárias tratadas compreendem, fundamentalmente, três operações: duas cessões de participação societária, sendo a primeira da participação societária detida pela Impugnante na Steck Amazônia e Steck Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.419 15 Indústria Elétrica para a Steck Investimentos ao passo em que a segunda consistiuse na devolução das referidas quotas por esta última ao seu titular original (Impugnante); e, por fim, a alienação da participação societária aludida para a Schneider Electric (compradora); a segunda cessão de quotas apontada encontrase igualmente retratada, tanto no rol de bens e direitos da DIRPF relativa ao anocalendário de 2011, quanto na 13ª Alteração do Contrato Social da Steck Amazônia (levada a registro em 20/07/2011) e na 8ª Alteração do Contrato Social da Steck Indústria Elétrica (levada a registro também em 20/07/2011); o mero fato de as partes serem vinculadas jamais poderia colocar em dúvida a validade dos negócios pactuados, tampouco levar à conclusão de que as operações teriam sido simuladas ou careceriam de legítimo propósito negocial; a última operação realizada (alienação da participação societária detida pelo Impugnante à Schneider Electric), resta devidamente atestada já que foi apresentado durante o procedimento de fiscalização o contrato relativo à alienação das quotas da Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica, ainda que em idioma inglês (mas com sua tradução); tal venda encontrase devidamente retratada na DIRPF do Impugnante, relativa ao anocalendário de 2011; não obstante a demonstração da efetiva ocorrência e da regularidade patente de todas as operações de direito privado realizadas, a Fiscalização houve por bem apontar para supostas irregularidades de natureza societária que, a seu ver, teriam o condão de tornar os atos devidamente registrados perante a Junta Comercial da Amazônia e de São Paulo nulos; a partir da análise da documentação que apresentou durante o procedimento de fiscalização, o Auditor Fiscal concluiu que a segunda cessão realizada (cessão das quotas da Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica pela Steck Investimentos ao Impugnante) padeceria de vícios que a tornariam inválida (itens 25 e 26 do TVF); a prova incontestável que a alienação aludida das quotas das empresas operacionais para o seu proprietário original (i.e. o Impugnante) são as alterações dos contratos sociais das referidas empresas levadas a registro perante as respectivas Juntas Comerciais da sua jurisdição (Amazônia e São Paulo), pois, a partir desses registros, os AuditoresFiscais da RFB já não podem mais questionálos, sobretudo, no tocante à sua validade e efeitos haja vista que, nos termos da legislação de regência, compete privativamente aos órgãos de registro público averiguar dos atos societários levados a registro com o Direito Privado; o Código Civil (arts.1150, 1153 e 1154) é categórico ao estabelecer que compete, exclusivamente, às autoridades competentes das Juntas Comerciais "fiscalizar a observância das prescrições legais concernentes às formalidades da lei” (cf. art. 1.153, caput) de modo que, uma vez detectadas quaisquer irregularidades, as referidas autoridades têm a obrigação de notificar o requerente para que elas sejam imediatamente sanadas (cf. art. 1.153, parágrafo único); semelhante disposição, ainda mais categórica, consta do artigo 40 da Lei n° 8.934/94 que disciplina o referido regime público de registros; por se tratar de hipótese de alienação de quotas, o arquivamento pelas Juntas Comerciais das alterações promovidas nos contratos sociais da Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica possuem efeitos constitutivos; ou seja: através do arquivamento das referidas alterações é que se operou a transferência da propriedade das quotas da Steck Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.420 16 Investimentos para o Impugnante e a produção de efeitos contra terceiros (i.e. a eficácia erga omnes); a jurisprudência dos tribunais do Poder Judiciário confirma o efeito constitutivo e a eficácia erga omnes decorrente do registro de atos societários, conforme, neste sentido, as ementas de fls.912/913; ao ter simplesmente desconsiderado que a competência para a apreciação da legalidade de atos societários é privativa das Juntas Comerciais, o Auditor Fiscal contrariou entendimento que vem norteando as decisões proferidas no âmbito da esfera administrativa; não restam dúvidas de que o i. Auditor Fiscal foi muito além do que as suas competências legalmente estabelecidas lhe permitem ao questionar a legalidade da segunda operação de cessão que ensejou a devolução das quotas da Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica ao Impugnante; a Fiscalização tratou, inclusive, com maior rigor a análise dos documentos relativos à comprovação da segunda operação de cessão de participação societária, tendo relevado, em relação à primeira, documentos e informações que igualmente deixaram de ser apresentados; quanto à falta de assinatura, deve ser observado que: 1) um contrato escrito não é uma formalidade exigida pelo Direito Privado como essencial para a existência do negócio jurídico em causa; e 2) tratase de uma operação realizada entre partes vinculadas o que, digase, jamais teria o condão de tornar o negócio jurídico inválido; a Fiscalização também chegou ao absurdo de considerar que a existência de registros contábeis da operação seriam um elemento de prova essencial para a operação, quando, o que dá validade é o registro dos atos societários perante as respectivas Juntas Comerciais competentes; neste estado de coisas, é de se questionar: e o que teria então ocorrido se a 1ª e a 2ª operações de cessão tivessem sido consideradas juridicamente inválidas? Com resposta, temos que o ganho de capital teria sido incorrido diretamente pelo Impugnante; e desse modo, é descabida a alegação de que as operações societárias realizadas propiciaram a "economia tributária" apontada pelo Fisco (tributação do ganho de capital à alíquota de 15%); esta última já existia e já podia ser fruída pelo Impugnante desde o princípio. Do Mero Exercício de Opção Fiscal é incontroverso o fato de que a Steck Investimentos cedeu a participação societária por ela detida nas sociedades Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica ao Impugnante através de contrato de compra e venda, sendo que a devolução se deu segundo o valor contábil (i.e. patrimonial) das sociedades investidas, tal como reiteradamente informado pelo Impugnante (resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 1, apresentada em 12/12/2014 e resposta ao Termo de Relntimação Fiscal n° 1, apresentada em 16/03/2015) e dos demonstrativos de apuração de ganho de capital relativos à sua DIRPF do anocalendário de 2011; o que se vê é que a própria lei tributária faculta a devolução de direitos integrantes do ativo da pessoa jurídica a valor contábil. Mais do que uma mera faculdade, a devolução de direitos de sócio a valor contábil é uma verdadeira opção fiscal; Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.421 17 o efeito econômico, no entanto, é o mesmo; os direitos representativos da participação societária do Impugnante na pessoa jurídica foramlhe restituídos sendo precificados a valor patrimonial, inexistindo, aqui, qualquer conseqüência juridico tributária distinta daquela que de outro modo haveria caso se seguisse o caminho da redução de capital, sobretudo, porque o patrimônio da Steck Investimentos só era composto pelas quotas da Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica; frisese mais uma vez: o Impugnante poderia, a todo tempo, ter realizado uma redução de capital que as consequências jurídicas teriam sido as mesmas; ante a equivalência dos fenômenos econômicos e das consequências jurídicas acima expostos, impõese a aplicação do tratamento jurídico conferido pelo art.22 da Lei n° 9.249/95 de modo analógico; ademais, o E. CARF, em casos muito semelhantes ao presente, já firmou o entendimento de que a transferência da participação societária para os sócios individuais da detentora original das ações e posterior tributação do ganho de capital pelo IRPF à alíquota de 15% não configura hipótese de planejamento tributário por se tratar, justamente, do exercício de uma opção fiscal prevista em lei. Confirase, neste sentido, as ementa dos Acórdãos n° 1301001.302 (ementa às fls.926/927) e Acórdão n° 1402001.472 (ementa às fls.929/930); e assim, por esta terceira razão, impõese o reconhecimento da total improcedência da premissa da tese fiscal de que a operação autuada se subsume ao conceito de "planejamento tributário" ou "elisão fiscal". Do Nítido propósito negocial o i. Auditor Fiscal buscou refutar o propósito negocial apontado pelo Impugnante, mediante análise da Segunda Carta de Intenções, datada de 02/05/2011, alegando que a intenção da Schneider Electric seria a aquisição de "todas as empresas do grupo Steck, incluindo a Steck Investimentos" (cf. TVF, p. 12); na realidade, a finalidade era adquirir o negócio relativo ao grupo Steck, ou seja, apenas as empresas operacionais, isto é, com atividade comercial, industrial, prestação de serviço etc.) e não sociedades holding desprovidas de qualquer bem ou direito incorporado ao seu ativo que denotasse capacidade de geração de resultados; a alienação do grupo foi realizada para a Schneider Electric sob a condição o negócio fosse concluído em período curto de tempo, pois, do contrário, o Impugnante advertiu que fecharia negócio com outro potencial comprador; já o propósito negocial questionado pelo Fisco encontrase na única condição imposta imposta pela Schneider Electric para fechar o negócio de imediato, que foi a de que o grupo fosse adquirido do Impugnante e não da Steck Investimentos, porque, neste último caso, o fechamento do negócio teria, necessariamente, que aguardar as conclusões de auditoria independente o que, certamente, tomaria bastante tempo; vejase que o "fator tempo" que a due diligence da Steck Investimentos requereria foi, também, decisivo para a estruturação do negócio tal como realizado; relativamente à alegação de que a intenção do comprador seria adquirir, inclusive, a Steck Investimentos, impõese a seguinte questão: O que ocorreria, então, se todo grupo Steck nele não incluindo apenas as empresas operacionais, mas toda e qualquer pessoa jurídica tivesse sido alienado? a resposta é muito simples: o Impugnante teria alienado a Steck Investimentos e teria apurado ganho de capital "na pessoa física" sujeitandoo à incidência do IRPF à alíquota de 15% incidente sobre o ganho de capital; Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.422 18 o que se vê foi que o Impugnante, uma vez tendo constituído as empresas operacionais aqui tratadas digase, as mais importantes do grupo Steck decidiu estruturar a administração do seu negócio utilizandose de uma sociedade holding sem que tal decisão tenha sido influenciada predominantemente por qualquer fator tributário. Há, com efeito, lapso razoavelmente longo de tempo entre as operações aqui tratadas; e realizada a venda, a Steck Investimentos, diante da perda das participações societárias que permitiam a condução do seu objeto social, deixou de ter razão de existir e, neste sentido, foi dissolvida quase 4 meses após a venda Da inexistência de "norma geral antielisiva" e da "teoria do propósito negocial" no Direito Tributário Brasileiro o Auditor Fiscal invocou a norma consubstanciada no artigo 116, parágrafo único, do CTN hábil para amparar a teoria do propósito negocial e a desconsideração de parte das operações societárias já descritas; impõese reconhecer que a permissão para a desconsideração de atos ou negócios jurídicos prevista no parágrafo único do artigo 116 do CTN não produz efeito algum, já que aguarda a sua regulamentação por lei ordinária, sendo, portanto, uma norma de eficácia contida; e a própria tentativa de se prever tais critérios por meio da MP n° 66/2002 e a sua subsequente não conversão em lei ordinária (no tocante à parte que disciplinou a aplicação do artigo 116, parágrafo único do CTN) já evidencia, não apenas a sua necessidade para que o dispositivo produza efeitos, como também que a teoria do propósito negocial que o i. Auditor Fiscal pretendeu aplicar ao caso concreto não encontra qualquer previsão legal. Da Impossibilidade de imputação de responsabilidade tributária no Impugnante com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN uma primeira premissa que deve ser firmada, desde já, é a plena regularidade da extinção da Steck Investimentos, pessoa jurídica em face da qual, seguindose a coerência da tese fiscal, deveria ter sido formalizado o lançamento de ofício; em relação às considerações feitas pela Fiscalização, cumpre pontuar que a JUCESP efetuou o registro por arquivamento da documentação apresentada, no que convalidou que todos os requisitos legais para a dissolução societária haviam sido plenamente atendidos já que, nos termos do artigo 1.153 da Lei n° 10.406/2002, tal competência i.e. o controle da legalidade dos atos societários que se sujeitam ao "Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais" lhe é privativa; no mesmo sentido dispõe o artigo 40 da Lei n° 8.934/94 que dispõe, justamente, do sistema de Registro Público de Empresas Mercantis ao resguardar competência exclusiva das Juntas Comerciais para analisar atos societários levados a registro, tal como já foi exposto anteriormente; em vista de AuditoresFiscais da RFB, como mencionado anteriormente, não possuírem competência para questionar a legalidade de atos societários devidamente registrados pelas Juntas Comerciais, a extinção regular da Steck Investimentos não pode ser questionada; o artigo 135, inciso III, do CTN dispõe sobre as hipóteses em que se admite a imputação de responsabilidade pessoal pelo crédito tributário a diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas; para que haja imputação de responsabilidade pessoal aos dirigentes da pessoa jurídica, é fundamental a caracterização de uma conduta ilícita, seja do ponto de vista do ordenamento jurídico vigente, seja do ponto de vista do estatuto social; Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.423 19 dever tributos, pura e simplesmente, não é considerado uma infração à lei ou ao estatuto capaz de atrair a responsabilidade para os sócios, salvo se houver a caracterização de conduta ilícita para tanto; esta questão já foi, inclusive, objeto de pronunciamento pelo E. STJ que, no Recurso Especial n° 1.101.728/SP (Ministro Relator Teori Albino Zavaski, proferido em 11/03/2009), estabeleceu que "para que se viabilize a responsabilização patrimonial do sócio na execução fiscal, é indispensável que esteja presente uma das situações caracterizadoras de responsabilidade subsidiária do terceiro pela dívida do executado; como apontado anteriormente, o encerramento das atividades da Steck Investimentos mediante a lavratura das atas societárias que aos olhos da JUCESP foram consideradas suficientes para tanto não foi por outro motivo, inclusive, que os atos foram registrados mediante arquivamento sem exigências adicionais não caracteriza infração à lei, tampouco, ao estatuto social; a questão dos requisitos necessários à caracterização da dissolução irregular foi, inclusive, objeto da súmula n° 435, devido à sua elevada recorrência. Confirase, o seu teor: "Súmula 435: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente". As situações típicas, portanto, em que há dissolução irregular, à luz da jurisprudência do E. STJ que delimitou o seu conceito, não possuem relação de semelhança alguma com a situação apontada pela Fiscalização no caso concreto como caracterizadora de dissolução irregular. Logo, o que se vê é que a tese fiscal carece de qualquer fundamento; a Fiscalização aponta, também, que a não apresentação da contabilidade relativa ao anocalendário de 2011, bem como dos balanços, justificaria a imputação de responsabilidade pessoal ao Impugnante. Neste ponto, cumpre salientar que a falta de tais requisitos não é infração à lei hábil à imputação de responsabilidade pessoal dos sóciosadministradores da companhia; tratase de infração à lei imputável, quando muito, à própria pessoa jurídica, tal como ocorreria caso determinada obrigação acessória deixasse de ser adimplida, mas jamais imputável aos sóciosadministradores para fins de reconhecimento de responsabilidade pessoal; cumpre pontuar, ainda, que os acórdãos proferidos pelo E. CARF mencionados pela Fiscalização para amparar a aplicação do artigo 135, inciso III do CTN, diversamente do quanto alegado, não dão guarida à tese fiscal; mais do que isso: o Acórdão n° 9101002.042, proferido pela 1ª Turma da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), citado pela Fiscalização, preceitua que, em caso de encerramento das atividades empresariais, o dispositivo que, em tese, ampararia a imputação de responsabilidade pessoal dos dirigentes da pessoa jurídica seria o artigo 134, inciso VII do CTN; o Impugnante é parte ilegítima para se figurar no polo passivo; se os atos levados a registro perante a Junta Comercial podem ser questionados pelo Fisco, será inafastável a conclusão de que o i. Auditor Fiscal errou na escolha do sujeito passivo ao efetuar o lançamento do crédito tributário; Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.424 20 é dizer; a consequência da tese fiscal não é a extinção irregular da pessoa jurídica, mas sim a sua não extinção ou extinção pendente de condição suspensiva o que torna absolutamente sem sentido a tentativa de se incluir o Impugnante no polo passivo da relação tributária, na figura de responsável tributário, por débito de sociedade que, segundo a Fiscalização, até o presente momento conservaria a sua personalidade jurídica e, portanto, deveria compor o polo passivo como contribuinte; é sempre bom lembrar que a correta identificação do sujeito passivo é atividade necessária para o próprio lançamento do crédito tributário, nos termos previstos pelo artigo 142 do CTN; neste caso, a falha na realização de etapa fundamento ao próprio lançamento do crédito tributário só viria a demonstrar que o presente Auto de Infração é materialmente nulo; a necessária consideração do imposto recolhido pelo Impugnante na apuração do crédito tributário exigido; se o i. Auditor Fiscal entendeu ter havido planejamento tributário "abusivo", desconsiderando os atos e negócios jurídicos realizados pelas partes para tributar a "verdadeira operação" (venda da Steck Indústria Elétrica e Steck Amazônia pela Steck Investimentos), então deveria assumir todas as consequências dessa decisão, o que implica o reconhecimento de que o pagamento do IRPF pelo Impugnante era indevido; esta tem sido a orientação da jurisprudência do E. CARF (ementas de fls.952/953); notese, ademais, que a única diferença entre os tributos exigidos pelo auto de infração e aquele pago pelo Impugnante reside na diferença da alíquota. No mais, o fato gerador (apuração de ganho de capital) e a base de cálculo (o valor do ganho de capital auferido) são idênticos; No presente caso, há bis in idem nas duas acepções descritas acima: econômica e jurídica, pois o mesmo sujeito passivo que efetuou o recolhimento do imposto à alíquota de 15% está pleiteando o seu abatimento da cobrança do crédito tributário que contra ele foi constituído; e a imputação dos pagamentos efetuados com o IRPJ e a CSLL resulta na redução do crédito tributário exigido por meio deste auto de infração, no valor de R$ 57.970,74, como demonstrado à fl.954. Necessidade de redução da base de cálculo: ausência de disponibilidade jurídica em razão de "contagarantia" outro equivoco cometido pela Fiscalização foi ter simplesmente ignorado que, do valor fixado para a alienação das empresas do grupo Steck dentre as quais a Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica , qual seja, de RS 433.217.780,30, o valor correspondente a R$ 52.200.000,00 ficou retido em conta garantia sujeitandose a cláusulas suspensivas para o seu pagamento em momento futuro; assim, o valor efetivamente recebido pela alienação da participação societária do grupo Steck correspondeu a, apenas, RS 381.017.780,30; notese, também, que houve a celebração de contrato de prestação de serviços de depositário celebrado pelo Impugnante, comprador e o Banco Bradesco S.A.; o instituto da condição suspensiva encontrase disciplinado pelos artigos 121 e 125 do Código Civil, in verbis: Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.425 21 Art. 121. Considerase condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Art. 125. Subordinandose a eficácia do negócio jurídico à condição suspensiva, enquanto esta se não verificar, não se terá adquirido o direito, a que ele visa. no entanto, o autuante simplesmente ignorou a existência da referida conta garantia na medida em que partiu dos mesmos valores de venda informados pelo Impugnante, em resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal n° 01, quais sejam, R$ 297.392.947,85 para a Steck Amazônia e R$ 97.379.084,24 para a Steck Indústria Elétrica. Tais valores, por certo, correspondiam ao preço de venda sem o abatimento do valor depositado em conta garantia; Sobre esta questão a Receita Federal do Brasil já se posicionou através de Solução de Consulta n° 58. Vejase: Somente haverá a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital decorrente da alienação de bens e direitos, no tocante a rendimentos depositados em "escrow account" (contagarantia), quando ocorrer a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica destes para o alienante, após realizadas as condições a que estiver subordinado o negócio jurídico. além disso, o próprio E. CARF já se manifestou nos mesmos termos; a título exemplificativo, citase a ementa do Ac. n° 2202002.859 (reproduzida à fl.939): em adição ao exposto, temse que, pelo artigo 117 do CTN, se o negócio jurídico está vinculado a uma condição suspensiva, apenas quando ocorrida a condição prevista, o mesmo será considerado perfeito e acabado para fins de tributação: Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento, no caso da conta garantia, somente quando implementada a condição, podese dizer que há disponibilidade jurídica da renda permitindo que haja a incidência do IRPJ e da CSLL; desta forma, diante da constatação de que a incidência de IRPJ e CSLL sobre parcela retida em conta garantia não é possível juridicamente, em vista da inexistência de disponibilidade jurídica dos referidos valores, impõese a exclusão do valor de R$ 52.200.000,00 da base de cálculo dos tributos aqui considerados. Da Necessária correção do valor do custo de aquisição segundo consta do TVF (p. 22, § 88), os valores de aquisição teriam sido obtidos a partir da Escrituração Contábil Digital (ECD), relativa ao anocalendário de 2010, da Steck Investimentos; o custo de aquisição considerado pela Fiscalização corresponderia ao valor patrimonial dos investimentos; no entanto, a própria Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.426 22 Fiscalização reconhece que esses valores não seriam os mais precisos para que fosse efetuado o cálculo do ganho de capital; os custos de aquisição apontados pelo Impugnante, por sua vez, são mais precisos pois foram apurados mediante levantamento de balanço patrimonial em momento imediatamente anterior à realização da venda; foi com base nesse balanço que foi apurado o custo de aquisição total de R$ 128.300.375,43, o qual correspondia ao valor patrimonial dos investimentos que eram, por sua vez, avaliados mensalmente de acordo com o método da equivalência patrimonial à qual todos os investimentos considerados relevantes se submetem; tal balanço só deixou de ser juntado aos autos em razão de ter permanecido em poder dos compradores. Caso venha a prevalecer o custo de aquisição utilizado pelo Impugnante de R$ 128.300.375,43, o valor a ser reduzido do Auto de Infração corresponderá à aplicação da alíquota combinada de 34% sobre RS 21.011.375,43 resultando na exclusão do valor de R$ 7.143.867,65; na hipótese de o valor de R$ 128.300.375,43 não ser acatado, fazse necessária a conversão do julgamento em diligência com resposta ao quesito proposto à fl...; alternativamente, deverá prevalecer o custo de aquisição de RS 114.704.000,00, que corresponde ao valor patrimonial dos investimentos registros no ativo da Steck Investimentos, conforme consta do balanço patrimonial levantado em 30/06/2011; vale registrar que o i. Auditor Fiscal acabou por afastar o referido balanço patrimonial mediante a alegação de que não seria possível "avaliar a legitimidade e veracidade dos valores inseridos no referido balanço patrimonial, já que não fora apresentada a Escrituração Contábil Digital para o anocalendário de 2011; o Auditor Fiscal equivocouse ao ter simplesmente desconsiderado o balanço patrimonial da Steck Investimentos levantado em 30/06/2011. Isto porque, independentemente de a ECD ter sido entregue, o fato é que a demonstração financeira apresentada balanço patrimonial goza de igual fidedignidade que a escrituração contábil da Steck Investimentos; o efeito decorrente da assinatura firmada por contador devidamente registrado respectivo CRC é, justamente, o de atestar que as informações presentes demonstração financeira estão em plena conformidade com a contabilidade da empresa em causa (no caso, a Steck Investimentos); logo, não devem pairar dúvidas quanto à fidedignidade do valor patrimonial da Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica, conforme informado no balanço patrimonial da Steck Investimentos; Necessária desqualificação da multa aplicada: inocorrência de sonegação, fraude ou conluio; em que pesem os argumentos utilizados pelo Auditor Fiscal, a qualificação da multa punitiva não se sustenta por três motivos: (i) a generalidade da acusação, visto não ter apontado se o Impugnante incorreu em fraude ou sonegação; (ii) a ausência da prática de fraude, sonegação ou conluio mediante ação ou omissão dolosa específica pelo Impugnante; e (iii) a sua inequívoca boafé e a convicção de que sua atuação se deu no âmbito da licitude; Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.427 23 a qualificação da multa só é possível quando a Autoridade Fiscal comprova que o sujeito passivo praticou conduta comissiva ou omissiva que configure uma das hipóteses de que tratam os artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64; além disso, a fraude, sonegação ou conluio pressupõem ação ou omissão dolosa do sujeito passivo; a manifestação do Auditor Fiscal é, por si só, causa suficiente de cancelamento da qualificação da multa punitiva, pois evidencia o seu desprezo pelo dever de motivação de todo e qualquer ato administrativo que imponha sanções, tal como prescreve o já citado artigo 50, inciso II, da Lei n°. 9.784/99; não há dúvidas de que, ao deixar de identificar se teria ocorrido fraude ou simulação no caso concreto, o Auditor Fiscal omitiuse na demonstração do "evidente intuito de fraude" ou, ainda, na própria tipificação da conduta realizada; cabível, nesse sentido, a desqualificação da multa de ofício, já que o Auto de Infração revela vício material insanável de fundamentação; de todo modo, podese afirmar que só ocorreria sonegação se, após a apuração do ganho de capital pelo Impugnante, passivos atuassem no sentido de "ocultar" tal fato do Fisco; também não há que se falar em fraude, no caso concreto, pois o Impugnante não praticou qualquer conduta dirigida a evitar a ocorrência do fato gerador imputado pela Fiscalização no presente auto de infração; por fim, que não basta o sujeito passivo praticar as condutas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502/64, é preciso que a ação ou omissão seja dolosa, isto é, o sujeito passivo tenha a intenção (o propósito) de, sabidamente, descumprir a lei tributária e produzir resultado lesivo ao Fisco; esse dolo não pode ser meramente presumido como fez o i. Auditor Fiscal; há de ser provado, consoante a orientação sedimentada pela Súmula 14 do CARF; a jurisprudência do E. CARF corrobora todos os argumentos aqui expostos, conforme ementas de fls.974/975; o E. CARF entende também que não se sustenta a qualificação da multa de ofício se demonstrada a boafé do sujeito passivo e a ausência de ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios (ementas de fls 976/978); vale destacar, também, a importância de que se observem os princípios da proporcionalidade e razoabilidade na fixação do montante a ser cobrado a título de multa, a fim de se evitar, justamente, o efeito confiscatório da propriedade do sujeito passivo infrator; no julgamento do RE n°. 582.461/SP, submetido à repercussão geral (artigo 543B do CPC), o Plenário do C. STF analisou a possível confiscatoriedade de multa moratória, concluindo, ao final, que pela sua redução ao percentual de 20% (trecho da ementa às fls.980/981); para o caso concreto, em que a Fiscalização imputa multa de 150% em virtude de suposta prática de sonegação, fraude ou conluio, sobreleva notar que também o STF reconhece o efeito de confisco nas multas aplicadas para punir tais condutas; Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.428 24 é o que se depreende do voto do I. Ministro limar Galvão nos autos da ADI n°. 551/RJ acima mencionada: "Igual desproporção constatase na hipótese de sonegação, na qual a multa não pode ser inferior a cinco vezes o valor da taxa ou imposto, afetando ainda mais o patrimônio do contribuinte." pelo exposto, e considerando o entendimento firmado pelo C. STF em sede de repercussão geral, deve a C. Turma Julgadora determinar a redução da multa aplicada para 75%, por força do §2° do artigo 102 da Constituição Federal de 1988 e do §2° do artigo 62 do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n°. 343/15). Da aplicação ao artigo 112 em caso de voto de qualidade diante da existência de dúvida concreta o artigo 112 do CTN determina que, havendo uma interpretação mais favorável ao contribuinte quanto à aplicação de penalidades, esta deve obrigatoriamente prevalecer em caso de dúvida; assim, havendo empate, o voto de qualidade deve aplicar o artigo 112 do CTN, garantindose a interpretação mais favorável da legislação tributária ao contribuinte. Em outras palavras, o segundo voto do Presidente (voto de qualidade) deve sempre acompanhar a posição mais favorável ao contribuinte quanto à aplicação das penalidades; e portanto, para conciliar o instituto do voto de qualidade com o princípio constitucional da presunção de inocência, bem como com o artigo 112 do CTN, torna se mandatório o cancelamento das multas veiculadas no presente Auto de Infração em caso de empate no julgamento desta Impugnação. Da Não incidência de Juros de Mora Sobre a Multa De Ofício Subsidiariamente, caso não sejam acolhidos os argumentos acima expostos, o que se admite apenas para argumentar, deverão os Srs. Julgadores, ao menos, excluir a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos dos artigos 161 do CTN e 61, § 3o, da Lei n° 9.430/96; Tal procedimento que tem sido praticado indiscriminadamente pela Receita Federal do Brasil carece de fundamento legal, já que o § 3º do artigo 61 da Lei n° 9.430/96, em consonância com o artigo 161 do CTN, é claro ao restringir a incidência dos juros de mora sobre o valor do principal lançado; Felizmente, o E. CARF tem afastado a pretensão fiscal ao considerar que sobre a multa de ofício incidem os juros de mora (Ementas, fls.986); À luz da garantia constitucional mencionada foi editada a Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 que positivou, em seu artigo 24, um critério objetivo para definir a "razoável duração do processo" administrativo desenvolvido no âmbito federal. Veja se: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Assim, diante da inegável morosidade dos processos administrativos em geral, bem como da necessária eficiência da Administração Pública, conforme disposto no artigo 37 da Constituição Federal de 1988, prescreveu o legislador federal que fica obrigado o órgão de julgamento administrativotributário a proferir decisão no prazo de 360 dias contados do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos; Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.429 25 O descumprimento da norma pela Administração Pública deve implicar, como não poderia deixar de ser, em consequências jurídicas, dentre elas, a necessária cessação dos juros de mora; e Assim, para que se prestigie o dever de duração razoável do processo e o princípio da eficiência da Administração Pública, requer o Impugnante que o cálculo dos juros de mora seja limitado ao prazo de 360 dias, caso a decisão de 1ª instância venha a superar este prazo legal. Da decisão da DRJ: A decisão da DRJ, como já exposto logo no início do presente relatório, julgou a impugnação procedente em parte, o que foi acompanhado unanimamente pelos seus pares do colegiado de primeiro grau administrativo. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não abrangendo terceiros que não figurem como parte nas referidas ações judiciais. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2011 NEGÓCIO JURÍDICO FORMAL. VALIDADE. No âmbito do direito tributário, o negócio jurídico formal, mesmo que devidamente estruturado com base na lei das sociedades por ações, não pode prevalecer se não representar o fato real ocorrido, quando esse fato real é tipificado como fato gerador do imposto de renda, devidamente comprovado pela inconsistência dos atos societários e dos fatos contábeis. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2011 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE DO TIPO HOLDING. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. GANHO DE CAPITAL. DESLOCAMENTO DO GANHO PARA OS SÓCIOS DA PESSOA JURÍDICA. IMPOSSIBILIDADE. Não é dado à pessoa jurídica que aliena participação societária fazer deslocar o respectivo ganho de capital auferido no negócio para as Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.430 26 pessoas físicas que figuram como sócios da pessoa jurídica, mormente porque, in casu, tratase de sociedade do tipo “holding”, cujo precípuo objeto social consiste em fruir dos benefícios advindos das participações societárias, neles incluídos os ganhos havidos na sua alienação. PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 116 DO CTN. LEI COMPLEMENTAR Nº 104, DE 2001. NORMA ANTIELISÃO. Estando comprovada a ocorrência do fato gerador na alienação de quotas de capital, e verificandose que o contribuinte usou de negócio jurídico simulado, com o objetivo de elidir o surgimento da obrigação tributária principal ou de gerar indevidas vantagens fiscais, pode, o fisco, amparado no inciso VII do artigo 149 do CTN, deve constituir o crédito tributário tendo por objeto o ato dissimulado (alienação de quotas de capital), uma vez que o ato simulado (investimento) é nulo, nos termos do Código Civil, subsistindo o ato dissimulado. SIMULAÇÃO. EVASÃO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO LÍCITO. ELISÃO. No planejamento tributário lícito, também conceituado como elisão, evitase a ocorrência do fato gerador sem afrontar a lei tributária. Nesse procedimento utilizase das regras legais como motivação para se evitar a ocorrência do fato gerador, realizandose atos verdadeiros em consonância com a vontade entre as partes. Planejamento tributário deve designar tãosomente a técnica de organização preventiva de negócios, visando a uma lícita economia de tributos, seja evitando a incidência destes, seja reduzindo ou diferindo o respectivo impacto fiscal sobre as operações. SIMULAÇÃO. FRAUDE. EVASÃO FISCAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ILÍCITO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Constatada a prática de simulação, perpetrada mediante a articulação de operações com o intuito de evitar a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, é cabível a exigência do tributo, acrescido de multa qualificada, conforme o art. 44, inciso II, da Lei nº. 9.430, de 1996. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. VIOLAÇÃO DA LEI SOCIETÁRIA Infringidos dolosamente os dispositivos Código Civil de 2002 relativos à dissolução da sociedade, à sua administração, ao seu registro, à sua gerência ou à sua escrituração fica plenamente caracterizada em concreto a hipótese estabelecida no caput do art. 135 do CTN. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR. Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.431 27 No caso de pessoa jurídica extinta por distrato social registrado na Junta Comercial, por lhe faltar personalidade jurídica, correta a atribuição de sujeição passiva ao sócioadministrador responsável pela guarda da documentação, nos termos dos arts. 121, II, e 135, III do CTN. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. ART. 135 DO CTN. NECESSIDADE DE APURAÇÃO DE ATUAÇÃO EM OFENSA À LEI OU COM EXCESSO DE PODERES. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIZAÇÃO. A simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade do sócio. Para que se viabilize a responsabilização do sócio, é indispensável que esteja presente uma das situações caracterizadoras da responsabilidade do sócio, nos moldes das hipóteses previstas no art. 135 do CTN. Se o sócio administrador deixa de cumprir a obrigação legal de manter a escrituração em perfeito estado e apoiada em documentação hábil, comete ato ilícito que enseja sua responsabilização nos moldes do art. 135 do CTN. Também comete ato ilícito que permite a aplicação do art. 135, inciso III do CTN, o sócio que, durante sua gestão, apresenta DIPJ com informações falsas e/ou permite a dissolução irregular da empresa. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ARBITRAMENTO. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA PARA APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO. O lucro será arbitrado quando a interessada deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e os documentos da escrituração comercial e fiscal. Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento não seria modificável pela posterior apresentação de escrituração, cuja recusa ou inexistência foi a causa do arbitramento. Em conseqüência, a solicitação de realização de diligência com esse fim deve ser rejeitada. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. PAGAMENTOS. RECONHECIMENTO. O Imposto de Renda sobre o ganho de capital, recolhido pelo responsável, como pessoa física, deve ser compensado com o apurado no Auto de Infração, desde que o que foi pago pelo contribuinte seja relativo à mesma operação de alienação objeto do Auto de Infração. O ganho de capital relacionado ao ato simulado, existente só no papel. Nos atos formais, deve ser considerado como parte do ganho de capital relacionado ao fato real, escondido pelo ato simulado. Houve ganho de capital, mas relacionado à operação real demonstrada pela fiscalização e não conforme o demonstrativo apresentado pelo contribuinte. MULTA QUALIFICADA DE 150%. APLICAÇÃO NA PRESENÇA DE DOLO DE SONEGAÇÃO E OU FRAUDE. Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.432 28 Restando demonstrada a conduta dolosa com objetivo de evitar/reduzir o pagamento do tributo devido, com o deslocamento, para a pessoa física do sócio, da operação de venda de participações societárias, fica caracterizada a fraude/sonegação, sendo cabível a aplicação da multa qualificada. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2011 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. DECORRÊNCIA. Aplicase aos lançamentos decorrentes, no que couber, o que foi decidido quanto ao principal, na medida em que não há fatos novos a ensejarem conclusões. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para dar guarida a sua decisão final: quanto à nulidade em face de erro na identificação do sujeito passivo, discordaram, entendendo estar devidamente identificado o polo passivo desta autuação, na pessoa do Sr. Gabriel Gananian, em face da dissolução irregular da empresa no qual ele exercia a atividade de gerência; quanto à jurisprudência administrativa e judicial invocada, as mesmas não vinculam a Administração Pública Federal, somente as partes, e nenhuma súmula do CARF com efeito vinculante se aplica ao caso em análise; não foi identificada nenhuma afronta a princípios constitucionais; as operações societárias que motivaram a presente autuação constam, sucitamente, no gráfico abaixo: Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.433 29 os contratos sociais e suas alterações ao serem registrados nas Juntas Comerciais, atendem apenas o requisito da forma, carecendo de substância, o que pode levar seus efeitos tributários a serem questionados pelo Fisco. O fato de em 2008 e 2011 haver a mesma estrutura de controle societário não é argumento válido, pois a mudança de 2011 só foi promovida pelo interesse da Schneider Electric na aquisição das empresas; a opção fiscal alegada de que poderia ter adotado o caminho da redução de capital, sem consequência jurídica diferente, não prevaleceria porque a Steck Investimentos era uma holding, e o ganho de capital auferido na alienação das participações societárias é inerente ao objeto social, não sendo possível admitir que após toda a negociação efetuada pela pessoa jurídica, tenham optado por abrir mão de todo o ganho de capital em favor de sócios. Inclusive, quando da Carta de Intenção de Compra da Schneider, de 28/02/2011 (fl.544), marcou o início das negociações, e, nessa data, a Steck Investimentos ainda era a proprietária das empresas alienadas, portanto as negociações deveriam ser efetuadas pela Steck Investimentos. A descrição dos fatos é transparente ao atestar que as ações intencionais foram perpetradas com um único fim: excluir a Steck Investimentos do polo passivo tributário, modificando característica essencial do fato gerador (sujeição passiva tributária) e esquivandose do pagamento do montante dos tributos devidos. É fato que o ordenamento jurídico permite a organização das empresas da forma como lhes for mais adequada. Mas o que é permitido, é que diante de duas situações lícitas seja escolhida a menos onerosa. E baseado em lições de Marco Aurélio Greco, o relator conclui: A fraude à lei caracterizouse pela inobservância da norma impositiva que previa a incidência de IRPJ (alíquota de 15% e adicional de 10%) e CSLL (alíquota de 9%) na venda de bem do ativo permanente por pessoa jurídica (norma contornada), tendo o interessado montado uma sequência de operações de modo a enquadrar a operação como venda de bem por pessoa física (norma de contorno). a alegação da impugnante que a única condição imposta pela Schneider Electric para fechar o negócio de imediato, que foi a de efetuar a aquisição diretamente dele (interessado) e não da Steck Investimentos, para evitar o due diligence também nessa última empresa, não prospera, pois foi intimado durante a fiscalização a comprovar tal situação, e nada trouxe, e nem na sua impugnação. O que se tem de concreto, como bem observado pelo autuante, são as Cartas de Intenções enviadas pela Schneider Electric para o Banco Credit Suisse e, posteriormente, para as empresas do grupo Steck dando conta de que o interesse da compradora era inclusive o de adquirir a própria Steck Investimentos. (fl.544) Assim, em face de não ter sido demonstrada a existência de qualquer propósito negocial, acatase a conclusão do autuante de que a venda das empresas para o interessado teve como único objetivo a redução de tributos. quanto a inexistência da norma antielisiva (parágrafo único do art. 116 do CTN) e da teoria do propósito negocial, o fisco possui outros instrumentos legais em vigor para coibir os atos que traduzam formas ilícitas de retardar ou reduzir a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (principal). Neste contexto, é que, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Ficais – CARF, o propósito negocial tem sido a ferramentachave para se chancelar ou não o planejamento tributário realizado pelos contribuintes. Muitas Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.434 30 vezes, a própria legislação tributária dá ao contribuinte diversas opções, sendo que este possui o direito de escolher qualquer dessas opções e que lhe seja mais benéfica. Acrescentese que, conforme bem observado pelo autuante, o ordenamento jurídico impõe limites ao exercício da liberdade de autoorganização do contribuinte. Em seu artigo 187, o Código Civil, quando trata de atos jurídicos, classifica como ilícitos aqueles atos cometidos pelo titular do direito que, ao exercêlo, excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. No mesmo sentido, o artigo 154 da Lei n° 6.404/76 (Lei das S/As.), que vai transcrito abaixo, impõe regramento às práticas do administrador da companhia, senão vejamos: Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. quanto a alegada impossibilidade de imputação da responsabilidade com base no art. 135, III do CTN, a imputação de responsabilidade atribuída pela fiscalização, consta do Termo de Verificação Fiscal, os quais, em síntese, expõem que o Sr. Gabriel Gananian sempre exerceu a função de Diretor/presidente resguardando para si a condução dos negócios, sendo, portanto, de sua responsabilidade, as infrações ali apontadas. Consta também que, da forma como foi extinta, a legislação tributária imputa ao Sr.Gabriel Gananian, na condição de sócio/gerente, a responsabilidade pelo adimplemento da obrigação tributária decorrente do ganho advindo da venda das ações de outras empresas pertencentes ao acervo de investimentos da Steck Investimentos. A sujeição passiva foi atribuída ao sócioadministrador, Gabriel Gananian, na condição de responsável prevista no art. 121, inciso III, e com fundamento no art. 135, inciso III do CTN. A alegação apresentada na impugnação é a de que a JUCESP efetuou o registro por arquivamento da documentação apresentada, no que convalidou que todos os requisitos legais para a dissolução societária haviam sido plenamente atendidos e que não caberia ao Fisco questionar essa dissolução. Entretanto, o fato de um requisito formal ter sido atendido, não significa que o Fisco não possa questionar a substância do ato registrado, uma vez que o Direito não tutela simulacros. A dissolução irregular da empresa Steck Investimentos, promovida pelo interessado, está perfeitamente determinada no Termo de Verificação Fiscal quando, além de fazer menção à dissolução efetuada sem a promoção da correta tributação dos ganhos obtidos pela venda das participações societárias a ela pertencentes na Steck da Amazônia e Steck Indústria Elétrica, o autuante aponta as seguintes infrações: 1) a não apresentação de contabilidade contendo os lançamentos do ano calendário de extinção da companhia, conforme determina o artigo 177 da Lei n° 6.404/76; 2) falta do levantamento do balanço por ocasião da liquidação da empresa, obrigação determinada pelo artigo 210 do mesmo diploma legal; e Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.435 31 3) extinção da companhia sem levantamento dos haveres e deveres e sem arquivamento de ata da liquidação que indicasse a partição dos ativos e o responsável pela guarda dos livros e documentos. Também o art.1.179 do Código Civil nos permite constatar que o sócio administrador não cumpriu a obrigação legal de manter escrituração em conformidade com as atividades da interessada: Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. Assim, seja com base no art. 530 do RIR ou no art. 1.179 do CC, temos configurada a obrigação da empresa, comandada pela pessoa de seu administrador, de realizar adequadamente a escrituração de modo a refletir os fatos da realidade. Temse que, ao promover a dissolução irregular de que se trata, o Sr. Gabriel Gananian cometeu ato ilícito que propiciou a sua responsabilização com fundamento no art.135, inc.III, do CTN. Portanto, essa responsabilização não ocorreu por simples inadimplência de tributos, mas sim por atos praticados com excesso de poderes e infração de lei. quanto à apuração do crédito tributário, o resultado fiscal da Steck Investimentos, em 2011, foi pelo lucro arbitrado, pois não apresentou os arquivos de escrituração contábil digital devidos. Tal situação não foi questionada, e sim o fato de aproveitamento do imposto recolhido na pessoa física, a redução da base de cálculo em face da existência de "contagarantia" e a correção do custo de aquisição. Na pessoa física recolheu R$ R$ 39.970.748,50, quando da operação original de apuração de ganho de capital, e não foi considerado na autuação fiscal. Neste ponto, o v. acórdão dá guarida à pretensão da recorrente, pois de tudo que existiu, foi única operação que foi a de alienação das empresas Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica, efetuada pela Steck Investimentos, para a Schneider Electric Participações do Brasil Ltda, que ocorreu em 20/07/2011. A respeito da "contagarantia", o valor correspondente a R$ 52.200.000,00 ficou retido nesta conta, sujeitandose a cláusulas suspensivas para o seu pagamento em momento futuro, e sobre essa parcela não caberia a incidência de IRPJ e CSLL, em face da in inexistência de disponibilidade jurídica dessa importância. Contudo, não foram trazidos aos autos elementos que permitam definir exatamente a qual parcela se refere tal importância, não houve também apresentação de elementos que demonstrassem em que data a alegada situação suspensiva findou, já que entre a data de aquisição (ano de 2011) e a impugnação (2016), já transcorreramse 5 anos. Por isso, o pleito foi indeferido. A respeito da correção do custo de aquisição pleiteado, argui o interessado que a apuração efetuada pela fiscalização baseouse no custo patrimonial dos investimentos, com valores obtidos a partir da Escrituração Contábil Digital, relativa ao anocalendário de 2010, quando o último balanço patrimonial, levantado antes da alienação do grupo Steck à Schneider, aponta o valor de R$ 128.300.375,43, apurado pelo método de equivalência patrimonial, e que Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.436 32 esse balanço deixou de ser entregue à fiscalização por haver permanecido em poder dos compradores. No v. acórdão, o relator denegou tal situação, pois caracterizaria um arbitramento condicional, ou seja, modificável por posterior aparecimento da escrituração/documentação, cuja a sua falta de apresentação é que causou o arbitramento. Alternativamente, a recorrente pleiteia seja considerado o custo de aquisição de R$ 114.704.0000,00, que corresponde ao valor patrimonial dos investimentos registrados no ativo da Steck Investimentos, conforme consta do balanço de levantado em 30/06/2011, alegando que tal balanço goza de fidedignidade, ainda que não esteja amparado na ECD, uma vez que é assinado por contador devidamente registrado no Conselho Regional de Contabilidade. Contudo, é negado porque o balanço integra a ECD, e separado não poderia ter sua legitimidade e veracidade avaliadas. Assim, em face de ter sido considerado procedente o pleito de abaterse do IRPJ devido o valor já recolhido pelo interessado de R$ 39.970.748,50, o valor de IRPJ mantido é de R$ 31.893.990,20. da multa qualificada, reza o v. acórdão recorrido: os atos praticados pelo interessado, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, e já amplamente mencionados neste voto, demonstram o propósito de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da real ocorrência do fato gerador, obtendo como resultado a redução do montante do tributo devido, materializando a hipótese prevista nos arts. 71e 72 da Lei n.º 4.502, de 1964. Há no termo de verificação fiscal minuciosa descrição do eventos ocorridos e o necessário enquadramento legal para a qualificação da multa, citando os itens 121 a 124 deste,concluindo: os fatos descritos evidenciam o consciente intuito de pagar menos tributos, com a concatenação de atos e eventos societários, para o deslocamento indevido do ganho de capital auferido para a pessoa física do Sr. Gabriel Gananian, o que demonstra de forma inequívoca a conduta dolosa , colocando por terra, também, a alegada boafé. quanto a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, o v. acórdão recorrido negou tal pedido, pelo valor do crédito tributário compreender o valor do tributo e da multa de ofício, o que se aplicaria o art. 161 do CTN; Do Recurso Voluntário: Tomando ciência do v. acórdão de primeiro grau administrativo em 06/04/2017, numa quintafeira, apresentou o recurso voluntário em 08/05/2017, numa segunda feira, ou seja, tempestivamente. No seu recurso voluntário, expõe e repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória. Sucintamente, em contraponto à decisão recorrida, destaco os pontos em que há alguma contestação adicional sobre o decidido no acórdão a quo: sobre as Juntas Comerciais somente atenderem o requisito da forma, e se atestaram a regularidade formal, estão dando a devida licitude a etapa 2 (a cessão das quotas da Steck Investimentos para a recorrente), como diz, nas suas palavras: Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.437 33 Como se vê, a DRJ, simultaneamente, atesta a regularidade formal — leiase: licitude — de toda a operação, mas questiona os efeitos jurídicos irradiados de todos os documentos analisados para fins estritamente tributários. Ora, Srs. Conselheiros, ao assim se pronunciar a DRJ, a uma só vez., atesta a absoluta inconsistência da acusação fiscal ora questionada (i.e. de que a etapa 2 da operação autuada não atenderia ao critério da licitude) já que atesta a regularidade formal de todos os atos praticados (i.e. a sua licitude perante o Direito Privado), e, ainda, comete um duplo equívoco: i. incorre em contradição e omissão, ao, por um lado, reconhecer que a operação é formalmente lícita, mas, linhas depois, negar a sua licitude, sem, no entanto, justificar em que medida as inconsistências apontadas maculariam o negócio jurídico praticado (etapa 2) e seriam capazes de levar à desconsideração de documentos regularmente registrados e que, neste sentido, fazem prova a favor da absoluta licitude dos atos praticados. ii. despreza a repartição de competências estabelecida pela legislação em vigor, já destacada anteriormente, que prevê a prerrogativa exclusiva das Juntas Comerciais de avaliar a regularidade dos atos levados ao seu conhecimento anteriormente ao procedimento de arquivamento de documentos societários. o presente caso não se enquadra no conceito de planejamento tributário, razão pela qual operações praticadas jamais poderiam ter sido arquitetas com a finalidade exclusiva de se alcançar economia tributária, tal como alegado pela Fiscalização e sustentado pela DRJ, acrescentando: O raciocínio adotado pela Fiscalização possui duas falhas centrais. Em primeiro lugar, a DRJ despreza o quanto já se apontou acima no sentido de que não era, em momento algum, necessário que o Recorrente adotasse uma "norma de contorno" para submeter o ganho de capital decorrente da alienação realizada à alíquota de 15%, bastando, neste sentido, que fosse seguido um dos dois caminhos apontados anteriormente. Em segundo lugar, a DRJ ignora, também, que a operação sugerida por ela como sendo a mais correta leva a um resultado economicamente distinto daquele a que se chegou no caso concreto: na operação vislumbrada pela DRJ, o ganho de capital deveria ser forçosamente apurado pela Steck Investimentos e, neste sentido, compor o seu patrimônio, ao passo em que a operação, do modo como realizada, levou à apuração de ganho de capital pelo Recorrente e a sua permanência em seu patrimônio. sobre o propósito negocial, a Steck Investimentos não podia se figurar como alienante em razão das inegáveis consequências em termos de custo e tempo para a conclusão das negociações que uma due diligence da sua pessoa jurídica ensejaria, a única solução que restava era que o Recorrente fosse a alienante. Daí a justificativa econômica (propósito negociai) para a alienação da participação societária das empresas operacionais da Steck Investimentos para o Recorrente em momento lógico anterior à sua alienação à Schneider Electric. Este é, em suma, a síntese do argumento relativo ao propósito negocial da operação realizada. sobre a manutenção da multa qualificada, não houve a enquadramento adequado da conduta do tipo penal, se 71 ou 72 da Lei 4502/64, e no tocante ao dolo Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.438 34 específico, a DRJ erra ao considerar a mera descrição dos fatos já seria mais do que suficiente para demonstrar a intenção de pagar menos tributos; E no final, seu pedido é no seguinte sentido: Por todo o exposto, o Recorrente requer que o presente Recurso Voluntário seja admitido e, no mérito, integralmente provido, para determinar a reforma do Acórdão n° 12086.481 proferido pela DRJ/RJO na parte em que manteve o crédito tributário e, por conseguinte, o cancelamento integral do Auto de Infração. Requer, ainda, que seja negado provimento ao Recurso de Oficio interposto. Consequentemente, Subsidiariamente, requerse o reconhecimento das reduções do crédito tributário apontadas nos tópicos 111.4. a 111.11. do presente Recurso Voluntário. Requerse, em caráter subsidiário ainda, a conversão do presente julgamento em diligência nos termos especificados no tópico 111.6.1. É o relatório. Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.439 35 Voto: Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Compulsando os autos, na sua integralidade, vislumbrei não se acharem reunidos os elementos necessários integrais para a formação da convicção necessária ao julgamento. Igualmente, que dependendo da posição final que vier a adotar, poderá repercutir no meu voto. São elementos probatórios necessários para um eventual deslinde deste julgamento, dependendo do caminho a seguir no meu voto. Analisase: 1) a autoridade fiscal autuante, durante o procedimento fiscal, concentra seus esforços em caracterizar e documentar o cerne da sua acusação fiscal, que seria, conforme suas palavras: (...) manobras que propiciaram a redução imprópria de tributos devidos sobre tal operação, bem como pretendeu substituir o sujeito passivo da obrigação tributária se colocando na posição de contribuinte, quando o correto seria a tributação de tais ganhos na sua empresa de investimentos denominada Steck Investimentos S/A, real detentora de parte das participações societária alienada. 2) após proceder a coleta da documentação que entendeu adequada para as etapas acima, fez apuração do crédito tributário, conforme item 6 constituição do crédito tributário. Nela há algumas considerações do valor da operação e o custo associado. Tais elementos foram questionados basicamente logo no início do procedimento fiscal, e depois nada mais foi suscitado. 3) em sua peça impugnatória, a recorrente traz a tona da existência de "conta garantia" no montante de R$ 52.200.000,00 (efls. 1064 a 1080). Valor fixado para a alienação das empresas do grupo Steck, dentre as quais a Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica, que ficou retido em contagarantia sujeitandose a cláusulas suspensivas para o seu pagamento em momento futuro. Como expõe então: Tais valores permaneceram em conta aberta no Banco Bradesco até que as condições suspensivas previstas contratualmente ocorressem, momento em que haveria o levantamento progressivo no tempo do montante retido na conta garantia.(..) Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.440 36 No v. acórdão recorrido, houve a rejeição deste pleito, nos seguintes termos: Concordo com a tese da interessada. Entretanto, é de se observar que não foram trazidos aos autos elementos que permitam definir exatamente qual parcela da alegada importância se refere às alienações da Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica, uma vez que o referido valor de R$ 52.200.000,00 referese à garantia exigida por todo o negócio, conforme pode ser constatado, também, pelo Contrato de Prestação de Serviços assinado com o Banco Bradesco (fls.1064/1080). Observase, no entanto, que, além de não ter sido explicitada a parcela correspondente ao valor pago pela aquisição das empresas Steck Amazônia e Steck Indústria Elétrica, o interessado não instruiu a sua impugnação com elementos que demonstrassem em que data a alegada situação suspensiva findou, tendo em vista que essa situação ocorreu na data da aquisição em foco e a impugnação foi apresentada em 13/04/2016. Em face do exposto, o pleito de redução da base de cálculo em face da existência de contagarantia, por falta de definição/comprovação do correspondente valor, deve ser indeferida. Ou seja, aceita a validade jurídica da questão, mas o rejeita por questão da indefinição da data que findou a situação suspensiva. 4) apresentou na sua peça impugnatória, em anexo, doc. 10 (efls. 1064 a 1080), contrato de prestação de serviços de depositário, entre a recorrente e a Schneider Electric Participações do Brasil Ltda. , com o Banco Bradesco S.A., no valor de 52.200.000,00, datado de 20 de julho de 2011, exatamente o mesmo dia do fato gerador do ganho de capital imputado pela autoridade fiscal autuante. Na sua peça recursal retoma tal ponto, com o seguinte excerto: Conforme demonstrado anteriormente, o i. Auditor Fiscal, no entanto, simplesmente ignorou a existência da referida conta garantia na medida em que partiu dos mesmos valores de venda informados pelo Recorrente, em resposta apresentada ao Termo de Intimação Fiscal n° 01, quais sejam, R$ 297.392.947,85 para a Steck Amazônia e R$ 97.379.084,24 para a Steck Indústria Elétrica. Tais valores, por certo, correspondiam ao preço de venda sem o abatimento do valor depositado em conta garantia. (...) A despeito disso, em nítida demonstração de boafé, o Recorrente vem informar que, até o presente momento, não houve a liberação dos valores retidos na conta garantia constituída. Isto porque, não houve, até o presente momento, autorização por parte dos compradores para a liberação dos valores. Vale a pena mencionar que o Recorrente e os compradores (Schneider Electric) instauraram procedimento arbitral perante a International Chamber of Commerce processo n° 19271/CA Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.441 37 em que, ambas as partes, discutem, entre outros temas, a liberação, por parte dos compradores, dos valores retidos na conta garantia. 5) ademais, a recorrente pleiteou na sua peça impugnatória e recursal a correção do custo de aquisição para o valor de R$ 128.300.375,43. Foi considerado R$ 107.289.000,00 na autuação. A decisão a quo rejeitou tal pleito nas seguintes palavras: Como mencionado, a apuração de que se trata foi efetuada sob o regime de lucro arbitrado, tendo em vista que o interessado, embora intimado e reintimado, deixou de apresentar a escrituração contábil a que estava legalmente obrigado. Argui o interessado que a apuração efetuada pela fiscalização baseou se no custo patrimonial dos investimentos, com valores obtidos a partir da Escrituração Contábil Digital, relativa ao anocalendário de 2010, quando o último balanço patrimonial, levantado antes da alienação do grupo Steck à Schneider, aponta o valor de R$ 128.300.375,43, apurado pelo método de equivalência patrimonial, e que esse balanço deixou de ser entregue à fiscalização por haver permanecido em poder dos compradores. O interessado finaliza este tópico, pleiteando a realização de diligência para que possa ser confirmado o custo de aquisição pleiteado. Ocorre que como o arbitramento condicional não está previsto em lei, consequentemente, o ato administrativo praticado pelo agente do fisco, para este fim, não seria modificável por posterior aparecimento da escrituração/documentação, cuja falta de apresentação foi a causa do arbitramento. Para tanto, solicita um pedido de diligência Schneider Electric nos seguintes termos: A justificativa para o presente pedido de conversão do julgamento em diligência está na impossibilidade de o Recorrente ter acesso ao balanço patrimonial levantado em momento imediatamente anterior ao da alienação do grupo Steck. Sendo certo que os compradores possuem tal balanço e que o Recorrente não possui poder de polícia tal como as D. Autoridades Fiscais da RFB possuem, justificase a conversão do julgamento em diligência para que o custo de aquisição utilizado seja confirmado. Neste cenário, considerando o que consta nos autos e o acima exposto, e para ter todos os elementos necessários para a devida formação da minha convicção para decidir, bem como em respeito à busca da verdade material, encaminho meu voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem, providencie e esclareça: Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 15504.724024/201549 Resolução nº 1402000.560 S1C4T2 Fl. 1.442 38 1. da existência da contagarantia mencionada, avaliando o documento apresentado a efls. 1064 a 1080, e sua fidedignidade. Igualmente, corroborando com todos os elementos necessários a esclarecer quando foi constituída, o valor, e se ainda continua em depósito, e se não, quando houve o resgate. 2. verificar junto à adquirente qual o valor do custo de aquisição da operação. 3. caso entendido necessário, seja intimado a recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos complementares e adicionais julgado devidos no que concerne a estes itens; 4. após estas providências, elabore relatório DETALHADO e CONCLUSIVO circunstanciando todas as informações possíveis e juntando documentos comprobatórios necessários. 5. do procedimento de diligência, inclusive do relatório referido no item “4” (anterior), cientificar o contribuinte, com reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para que, querendo, venha a se manifestar exclusivamente sobre os fatos articulados e narrados na referida diligência, sendo desconsideradas manifestações de outra espécie. Transcorrido o prazo de trinta dias da ciência, com ou sem nova intervenção do contribuinte, o presente processo deverá retornar a esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, para prosseguimento de seu julgamento. Destarte, sem adentrar no em qualquer aspecto de preliminar e mérito ainda a ser julgado, e para deixar disponível a este relator as opções a exercer durante o julgamento, e dentro do princípio da busca da verdade material, algo que permeia os julgamentos deste Conselho, PROPONHO A CONVERSÃO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, nos termos supracitados. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 1442DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.008273/2009-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.008273/2009-20
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5846431
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.522
nome_arquivo_s : Decisao_10830008273200920.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PATRICIA DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10830008273200920_5846431.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7181587
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009235095552
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 202 1 201 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.008273/200920 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.522 – 2ª Turma Sessão de 27 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ABSA AEROLINHAS BRASILEIRAS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 82 73 /2 00 9- 20 Fl. 202DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2301 004.108, prolatado em 12/08/2014, pela 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária , interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Na origem, a autuação por descumprimento de obrigação principal, deu origem ao DEBCAD 37.235.9965. Assevera que há divergência jurisprudencial os acórdãos nº 2401002.453 (proferido pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF) e nº 9202002.696 (da 2ª Turma da CSRF, considerados aptos para embasar a divergência. O Contribuinte apresenta Contrarrazões pugnando pela manutenção do a quo. Apresentou, ainda, Recurso Especial que restou não conhecido. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Quanto à retroatividade benigna. Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10830.008273/200920 Acórdão n.º 9202006.522 CSRFT2 Fl. 203 3 Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV Fl. 204DF CARF MF 4 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10830.008273/200920 Acórdão n.º 9202006.522 CSRFT2 Fl. 204 5 previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 206DF CARF MF 6 dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10830.008273/200920 Acórdão n.º 9202006.522 CSRFT2 Fl. 205 7 somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira Fl. 208DF CARF MF 8 “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10830.008273/200920 Acórdão n.º 9202006.522 CSRFT2 Fl. 206 9 (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de Fl. 210DF CARF MF 10 auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10830.008273/200920 Acórdão n.º 9202006.522 CSRFT2 Fl. 207 11 acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13671.000025/2003-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.
O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de não-contribuintes (cooperativas e pessoas físicas). Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
Numero da decisão: 9303-006.350
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de não-contribuintes (cooperativas e pessoas físicas). Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13671.000025/2003-11
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5855057
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.350
nome_arquivo_s : Decisao_13671000025200311.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
nome_arquivo_pdf_s : 13671000025200311_5855057.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7234297
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009239289856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1245; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.439 1 1.438 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13671.000025/200311 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303006.350 – 3ª Turma Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente SBL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. O cálculo do crédito presumido de IPI deve considerar os valores referentes às aquisições de nãocontribuintes (cooperativas e pessoas físicas). Entendimento obrigatório em razão do disposto no Art. 62A do RICARF em conjunto com a decisão em sede de recurso repetitivo do STJ em RE n.º 993.164/MG. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 1. 00 00 25 /2 00 3- 11 Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.440 2 Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 210100.223 de 05 de junho de 2009 (fls. 1342 a 1368 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que: 1 pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário em relação às aquisições efetuadas de não contribuintes; e 2 por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário em relação às demais aquisições. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo Contribuinte de ressarcimento de créditos do IPI, declaração de compensação e declarações eletrônicas de compensação (DECOMP), referente ao primeiro trimestre de 2002. Desta forma, o Contribuinte foi submetido ao procedimento fiscal com o objetivo de constatar a procedência dos créditos pleiteados, sendo que, o resultado da ação fiscal reconheceu: a) a improcedência total do pleito; b) o crédito teria sido integralmente utilizado, conforme planilha elaboradas pela Fiscalização e acostadas aos autos, para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno em períodos de apuração subsequentes, conforme determinado pelo artigo 4 ° da Portaria MF número 38, de 27 de fevereiro de 1997; c) glosas, exclusões da base de cálculo de insumos que não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produtos intermediários, materiais de embalagem, energia elétrica e combustível; d) exclusão da base de cálculo de aquisições efetuadas de não contribuintes do PIS/PASEP e COFINS (pessoas física); Fl. 1440DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.441 3 e) exclusão da base de cálculo de aquisições cujas notas fiscais deixaram de ser apresentadas e aquelas consideradas inidôneas. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: todos os documentos necessários ao deslinde da questão foram anexados a impugnação apresentada em razão da lavratura do auto de infração em decorrência do suposto aproveitamento indevido de crédito presumido de IPI, relativo ao período de 1/1/2000 a 30/9/2002, que engloba o crédito presumido de IPI discutido no presente feito; os créditos devem ser atualizados monetariamente pela taxa de juros Selic, conforme disposto no art. 39, parágrafo 4 °, da Lei nº 9.250/95, determina que a partir de primeiro de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa Selic; todo o crédito presumido de IPI teria sido glosado sob o fundamento de que os referidos créditos teriam sido aproveitados em compensação com o IPI devido em períodos subsequentes, além das exclusões dos valores referentes aos materiais, por entender que nenhum destes tem contato físico ou exercem uma ação direta sobre o produto em fabricação (ferro gusa), razão nenhuma assiste o Fisco, pois tratam de materiais necessário ao processo de produção, assim sendo, constituem matériaprima, que os documentos trazidos A colação confirmam que a empresa jamais aproveitou o crédito em período subsequente; referente às exclusões, tratamse de valores das aquisições de parte dos ferramentas, acessórios e equipamentos usados na produção do ferro gusa, como: timpa, bocais de escória, ventaneiras, ferros (ferramentas), aços (ferramentas), tubos (caneletas), chapas, graxetas, concreto refratário, lingoteiras, peneiras e cascalho (brita), bem como a exclusão dos valores relativos As aquisições de energia elétrica e de óleo diesel, da base de cálculo do crédito presumido de IPI. O inconformismo, também, é em relação a exclusão dos valores relativos às aquisições de carvão vegetal provenientes de pessoa física, cujos valores foram excluídos da Fl. 1441DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.442 4 base de cálculo do crédito presumido de IPI, sob o fundamento de que os produtos que geram direito ao crédito presumido de IPI são apenas os adquiridos de contribuintes do PIS e da COFINS, portanto, tratando de pessoas físicas, essas não são contribuintes das mencionadas contribuições. Discorda também das diferenças, a favor e/ou contra, encontradas no confronto entre as notas fiscais emitidas pelos produtores e as notas fiscais de entrada de lavra da recorrente. Ainda, demonstra seu inconformismo em relação a exclusão dos valores relativos às notas fiscais de aquisições de carvão vegetal não apresentadas, bem como os valores relativos às notas fiscais de insumos não registradas no Livro de Registro de Entradas de Mercadorias. Em relação as notas fiscais não apresentadas, justifica que as mesmas estavam em poder da Fiscalização do Estado de Minas Gerais, portanto, cabia ao Fisco Federal requisitar tais documentos a Fiscalização Estadual. Em relação aos valores das notas fiscais não lançadas no livro de entrada mercadoria, estas teriam sido apresentadas, mas desconsideradas pelo Fisco. Concluiu requerendo o conhecimento e provimento do recurso para anular o acórdão recorrido, pugnando pelo julgamento em conjunto da manifestação de inconformidade e da impugnação ao auto de infração relativo ao Processo n.º 10665.000677/200681, bem como, por ofensa aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, finalizou solicitando que fosse reconhecido o direito de todo o credito presumido de IPI e consequentemente homologação das compensações formuladas com base no referido crédito. A DRJ em Santa Maria/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Fl. 1442DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.443 5 Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado decidiu: 1 pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário em relação às aquisições efetuadas de não contribuintes; e 2 por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário em relação às demais aquisições; conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO. LEI N° 9.363/96. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS e da Cofins na operação de fornecimento ao produtor exportador. CRÉDITO DE IMPOSTO INCIDENTE SOBRE INSUMOS NÃO INCORPORADO AO PRODUTO FINAL. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. Não é assegurado o aproveitamento de crédito de IPI de insumos entrados no estabelecimento industrial ou equiparado, destinados A industrialização de produtos tributados pelo imposto, incluídos os isentos e os sujeitos A alíquota zero, que não sejam vinculado diretamente ao produto final. Recurso negado. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1380 a 1396) em face do acordão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário, a divergência suscitada pelo Contribuinte, diz respeito ao entendimento firmado no acórdão recorrido de que os insumos adquiridos de pessoas físicas não geram direito ao crédito presumido de IPI. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, o Contribuinte apresentou como paradigmas os acórdãos de números 0203.337 e nº 201110.658. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. Fl. 1443DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.444 6 O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 1424 a 1426 sob o argumento que o acórdão recorrido decidiu que não se incluem na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI os insumos que não sofreram a incidência da contribuição para o PIS/Pasep ou Cofins, notadamente aqueles adquiridos de não contribuintes. Por sua vez, o acórdão paradigma decidiu que os valores correspondentes às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido do IPI. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1428 a 1436, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Entendo que o Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade conforme despacho de fls.1424 a 1426. O Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo diz respeito ao direito à apuração do crédito presumido PIS/COFINS sobre as aquisições nãocontribuintes. Tratase de matéria que não comportam maiores delongas por parte desta Câmara Superior, pois o tema, foi objeto de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça, por meio da sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), nos autos do REsp n° 993.164MG, de relatoria do Ministro Luiz Fux, decidindo a questão, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO Fl. 1444DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.445 7 DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos sete, de sete de setembro de 1970, 8, de três de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.”. 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.446 8 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I ¬ Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II ¬ nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS.”. 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarse ão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Fl. 1446DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.447 9 Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 do Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.448 10 Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Igualmente, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos termos do art. 62, §1º, II, alínea “b”, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é obrigatória a reprodução das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.449 11 Justiça pela sistemática dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Ademais, cumpre ressaltar que quanto ao cômputo das aquisições não contribuintes (pessoas físicas ou cooperativas) na apuração do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, existe Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN dispensando apresentação de contestação para esses casos nos seguintes termos: A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGRESP 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE RESP 995285/PE, RESP 1008021/CE, RESP 921397/CE, RESP 840056/CE, RESP 767617/CE, todas do STJ. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 13671.000025/200311 Acórdão n.º 9303006.350 CSRFT3 Fl. 1.450 12 E no âmbito do STJ, existe inclusive Súmula a respeito deste tema, publicada em 13/08/2012: Súmula 494: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matériasprimas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Por essas razões, deve ser acolhido o pleito do Contribuinte para reconhecer o direito à inclusão das aquisições de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário de não contribuintes (pessoas físicas ou cooperativas) do PIS e da COFINS na base de cálculo do crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96. E como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1450DF CARF MF
score : 1.0
