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Numero do processo: 10840.907412/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-002.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 74 12 /2 00 9- 81 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior 2089 IRPJ Lucro Presumido, para a compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada porque identificou que o pagamento efetuado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. 3. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO emitiu Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: (...) DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. 4. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 5. Alega que identificou, depois de ter entregado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que os valores que havia confessado e pago via DARF eram indevidos; por isso apresentou a PEr/Dcomp requerendo o crédito para fins de compensação; e que a RFB interpretou incorretamente, dado que apresentou DCTF retificadora, conforme anexa ao processo; afirma que o Despacho Decisório tomou por base a DCTF original e não considerou a retificadora. 6. Discorda que não tenha apresentado documentação comprobatória suficiente de que os recolhimentos foram indevidos; afirma anexar documentos que comprovam a alegação. 7. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.210, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906603/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.210): "1 Paradigma de lote. 7. A interessada informou na DIPJ, o código da atividade 85.138/01 atividades de clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios); o objeto social é "Serviços Médicos de ortopedia e traumatologia, bem como pronto socorro"; declarou o IRPJ pelo regime do Lucro Presumido, apurado mediante o percentual de 8% sobre a Receita Bruta. 8. Este processo foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do lote, cuja composição consta da tabela na sequência deste voto. 9. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ dos processos que compõem este lote são de teor idêntico. 10. A DRJ/RPO, explicou a necessidade de a interessada apresentar provas de que efetuou recolhimentos a maior: Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em diferentes declarações, ou entre informações prestadas em declarações originais e retificadores, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, consta do despacho decisório recorrido que o pagamento indicado pela postulante em PER/DCOMP foi integralmente exaurido por vinculação, em DCTF, a débito de igual valor, não restando qualquer saldo compensável. A interessada, por seu turno, sustenta que o valor do imposto devido seria inferior ao valor do débito (e respectivo pagamento) informado em DCTF. A diferença resultaria saldo a restituir/compensar. Ante tal situação, caberia à própria contribuinte fazer prova do suposto crédito decorrente de recolhimento a maior. Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada; e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. 11. Os dados dos processos que compõem o lote, com os respectivos documentos são os apresentados na tabela a seguir: DIPJ retif nº processo crédito PA dta arrec Darf pago Crédito requer data ciê DD data DIPJ retif Receita Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 03/2001 30/04/2001 3.725,11 1.099,66 26/06/2009 06/07/2005 290.538,25 764,28 10840.907603/200925 3.725,11 26/06/2009 10840.907129/200959 06/2001 31/07/2001 4.013,55 337,81 26/06/2009 06/07/2005 301.734,50 857,04 10840.907399/200960 3.675,74 26/06/2009 10840.907130/200983 09/2001 31/10/2001 4.109,02 152,23 26/06/2009 06/07/2005 280.798,50 805,71 10840.907131/200928 12/2001 31/01/2002 5.291,18 1.921,13 26/06/2009 06/07/2005 274.914,51 813,00 10840.907132/200972 03/2002 30/04/2002 4.262,97 709,99 26/06/2009 06/07/2005 128.981,22 380,35 10840.907133/200917 06/2002 31/07/2002 5.026,96 829,26 26/06/2009 06/07/2005 151.694,50 434,05 10840.907409/200967 1.006,67 26/06/2006 10840.907410/200991 2.030,70 26/06/2009 10840.907411/200936 1.092,13 26/06/2009 10840.907412/200981 68,20 26/06/2009 DCTF retif A B nº processo Data IRPJ a pagar IRPJ a pagar REC Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 16/07/2009 não consta 314,50 112.211,52 314,50 10840.907603/200925 10840.907129/200959 16/07/2009 não consta 334,17 120.769,93 334,17 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 6 5 10840.907399/200960 10840.907130/200983 16/07/2009 não consta 347,65 123.796,19 347,65 10840.907131/200928 16/07/2009 não consta 441,20 159.232,99 441,20 10840.907132/200972 14/07/2009 não consta 380,36 128.981,22 380,36 10840.907133/200917 14/07/2009 não consta 434,63 151.694,50 434,63 10840.907409/200967 10840.907410/200991 10840.907411/200936 10840.907412/200981 A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário B Demonstr de IRPJ Devido/Recolh/A recuperar anexado c/ Rec Voluntário 12. Da análise dos A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário, da DIPJ e dos dados supra, verificase: a. A interessada apresentou DIPJs dos anoscalendário 2001 e 2002, retificadoras, em 06/07/2005; os Despachos Decisórios lhe foram cientificados em 26/06/2009; a entrega da DCTF retificadora foi posterior, em 14 e 16/07/2009, não espontânea; b. Os "A Demonstrativo de apuração do IRPJ" dos trimestres do ano 2001, apresentam valores de Receita Bruta e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF divergentes dos da DIPJ; os referentes aos 1º e 2º trim/2002, são coincidentes; c. em todos os trimestres, a apuração do IRPJ a pagar negativo resultou da dedução de IRRF; d. apesar da explicação da DRJ, da necessidade de documentos comprobatórios, o contribuinte não apresentou os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de retenção de IR na fonte, que as fontes pagadoras lhe teriam fornecido e que comprovariam os valores de IRRF deduzidos nas apurações retificadoras; e. em todos os trimestres em análise, a soma dos valores de créditos requeridos nas PER/Dcomp supera o SN de IRPJ que informou; por exemplo, tomandose o 2º trim/2002 (06/2002), temse que o Darf cód 2089 IRPJ Lucro Presumido, recolhido em 31/07/2002, totalizou R$5.026,96; o SN IRPJ constante tanto da DIPJ como dos "A Demonstrativo de apuração do IRPJ", foi R$()434,63, e a soma dos créditos requeridos nas PER/Dcomp foi R$5.026,96, ou seja, a totalidade do recolhimento. Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO, ao Recurso Voluntário." Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.907412/200981 Acórdão n.º 1201002.221 S1C2T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 178DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002057/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
Auto de Infração. Possibilidade de Vista dos Autos. Cerceamento de Defesa. Não Ocorrência.
Não ocorre cerceamento do direito de defasa quando assegurado ao contribuinte o direito de vista dos autos, bem como o direito de extrair cópia de qualquer documento ou dos autos integralmente.
Numero da decisão: 1301-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Roberto Silva Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2007 Auto de Infração. Possibilidade de Vista dos Autos. Cerceamento de Defesa. Não Ocorrência. Não ocorre cerceamento do direito de defasa quando assegurado ao contribuinte o direito de vista dos autos, bem como o direito de extrair cópia de qualquer documento ou dos autos integralmente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1416; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 131 1 130 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002057/201051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.231 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IPI FALTA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO Recorrente AA INDUSTRIAL E COMERCIAL FERRO E AÇO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE DE VISTA DOS AUTOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não ocorre cerceamento do direito de defasa quando assegurado ao contribuinte o direito de vista dos autos, bem como o direito de extrair cópia de qualquer documento ou dos autos integralmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 20 57 /2 01 0- 51 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 19515.002057/201051 Acórdão n.º 1301003.231 S1C3T1 Fl. 132 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AA INDUSTRIAL E COMERCIAL FERRO E AÇO LTDA., contra o Acórdão nº 1431.672, da 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à impugnação da recorrente e manteve o lançamento que dela exigia crédito tributário de IPI, no monante de R$ 14.286.404,48, compreendendo imposto, multa e juros. A Fiscalização, pelo exame das informações prestadas pela recorrente à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, constatou a falta de declaração e de recolhimento do IPI, no ano de 2007. Baseouse a autoridade lançadora nas saídas classificadas sob o CFOP 5101, referente a vendas de produção do estabelecimento. Contra a exigência do Fisco, foi apresentada impugnação na qual, em síntese, alegouse cerceamento do direito de defesa, porquanto a recorrente não teria tido acesso às provas e aos documentos com base nos quais o lançamento fora realizado. A DRJ RPO negou provimento à impugnação, em acórdão assim resumido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada, AA INDUSTRIAL E COMERCIAL FERRO E AÇO LTDA. recorreu do acórdão que lhe fora contrário, reproduzindo os mesmos argumentos da impugnação, que se resumiram ao cerceamento do direito de defesa. Disse a recorrente ser necessário que o autuado tenha conhecimento de todos os termos, laudos, documentos e declarações que serviram de base à lavratura do auto de infração, a fim de poder exercer, de forma ampla, o direito de defesa. No caso concreto, porém, a recorrente não teria sido intimada para se manifestar acerca da GIA e da DCTF utilizadas como base para lavratura do auto de infração, o qual não se fez acompanhar das cópias dos referidos documentos, impedindo que a autuada tivesse pleno conhecimento dos fatos a ela imputados. Ressaltou que o pedido de vista dos autos demanada pelo menos quinze dias para ser deferido, sendo necessário prévio agendamento que, normalmente, leva uma semana e meia. Já a solicitação de cópia dos autos é atendida em torno de sete dias. Arrematou dizendo que o auto de infração deveria ter sido enviado com todos os elementos de prova indispensáveis à caracterização do ilícito, e que não é admissível que o Fl. 132DF CARF MF Processo nº 19515.002057/201051 Acórdão n.º 1301003.231 S1C3T1 Fl. 133 3 Fisco fundamente toda ação fiscal em dados extraídos de GIA, DCTF e DIPJ, sem permitir à autuada ter ciência de tais dados. Com essas alegações, a recorrente pugnou pela reforma da decisão recorrida e a anulação do lançamento. Os autos foram remetidos à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que, pelo Acórdão nº 3201002.221 (fls. 126 a 128), declinou da competência em favor da 1ª Seção, alegando conexão com o processo 19515.002056/2010 15, do qual o presente processo seria reflexo. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia se limita à alegação de cerceamento de defesa, pois a recorrente afirma não ter tido acesso aos elementos de prova com base nos quais a autoridade fiscal realizou o lançamento. Não houve cerceamento do direito de defesa. O respeito ao direito de defesa se garante permitindo ao contribuinte a vista dos autos e a possibilidade de extrair cópias de todos ou de alguns documentos, a critério do próprio autuado. O direito de obter cópia e de ter vista dos autos é garantido pela Lei nº 9.784/1999: Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; Tal dispositivo busca assegurar exatamente o direito de defesa, permitindo que ao interessado o conhecimento de todos os elementos probatórios constantes dos autos. Entendeu a lei que, para dar efetividade àquele direito constitucional, bastava permitir ao Fl. 133DF CARF MF Processo nº 19515.002057/201051 Acórdão n.º 1301003.231 S1C3T1 Fl. 134 4 interessado a possibilidade de vista dos autos, e a faculdade de solicitar cópia das peças e dos documentos que o próprio interessado, a seu juízo, entendesse importantes. Assim, portanto, estaria assegurado o direito de defesa. Nas instruções que acompanham o auto de infração, e que foram remetidas à recorrente quando da notificação do lançamento, está expressamente indicado esse direito. Eis o teor da informação: IV Após a formalização do processo, havendo necessidade de vista do mesmo, esta só será concedida ao próprio Sujeito Passivo ou ao seu representante legal, devidamente comprovado ou habilitado nos autos processuais. O interessado deverá comparecer no seguinte endereço: (g.n.) (fl. 52) O auto de infração entregue à recorrente, quando da ciência do lançamento, não precisa vir acompanhado das provas da infração, as quais o sujeito passivo poderia examinar mediante vista dos autos e, assim, ter conhecimento de todos os dados que serviram de base à autuação. A recorrente alega, por outro lado, que, no mais das vezes, é demorado o procedimento para se ter vista dos autos, bem como para obter cópias. É possível que, em algumas situações, a morosidade da Administração ocorra. O fato, entretanto, deve ser provada. O contribuinte deve comprovar a data em que o pedido foi feito e a data em que foi atendido. Se a Administração for morosa, causando prejuízo ao direito de defesa, o contribuinte terá direito à devolução do prazo para impugnação ou recurso. Essa circunstância, entretanto, tem de ser comprovada e examinada, caso a caso, a fim de verificar o efetivo prejuízo ao direito de defesa. No caso concreto, não há um único documento a revelar que a recorrente tenha solicitado cópia dos autos, e que essas cópias não tenham sido entregues ou que o foram tardiamente. Em suma, não ficou demonstrado nenhum óbice ou embaraço ao exercício do direito de defesa. Por fim, cabe registrar que, no processo nº 19515.002056/201015, que tinha por objeto a exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, recaindo todos os tributos sobre a mesma base fática do presente processo, que cuida do IPI, a decisão foi no mesmo sentido. Confirase: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. REGULARIDADE DAS INTIMAÇÕES. INOCORRÊNCIA. A ciência dos autos de infração sem apresentação de copia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsálo e obter as copias que entendesse necessárias. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 19515.002057/201051 Acórdão n.º 1301003.231 S1C3T1 Fl. 135 5 Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação foram plenamente assegurados no curso do processo. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.937652/2011-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. RELATÓRIO Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento de IRPJ a maior que o devido. Pelo Despacho Decisório, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em face de o crédito informado decorrer de "pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 37 65 2/ 20 11 -5 8 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.937652/201158 Resolução nº 1201000.501 S1C2T1 Fl. 3 2 Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período". Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente. A decisão de Primeira Instância apresenta a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA MENSAL. MODIFICAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO PARA SALDO NEGATIVO. NOVO PER/DCOMP. A modificação da natureza jurídica do crédito não configura inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, erro no critério jurídico, de forma que para alterála impõese cancelar o PER/DCOMP errado e apresentar outro com a informação correta. PAGAMENTO MAIOR QUE O DEVIDO.DIREITO. Não restou demonstrado o erro que teria provocado o pagamento maior que o devido, razão pela qual não se reconhece o direito creditório pleiteado e nem se extingue por compensação o débito informado. Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado: a) a nulidade do Acórdão recorrido que modificou a fundamentação do Despacho Decisório; b) O Despacho Decisório havia consignado não ser possível reconhecer o crédito da recorrente ante o erro material verificado no PER/DCOMP. O Acórdão recorrido, por seu turno, mantém a não homologação do crédito, todavia, por fundamentação diversa, consignando que o mesmo não foi devidamente comprovado; c) O Acórdão recorrido não poderia ter simplesmente ignorado a apuração do crédito do imposto procedida pela recorrente. Bastaria comparar o valor lançado mensalmente com os recolhimentos feitos para concluir a existência do crédito; d) Afastada a nulidade, deveria a autoridade " a quo" ter diligenciado ou intimado a parte para a comprovação do crédito compensado, sob pena de nova nulidade por cerceamento do direito de defesa administrativa. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10880.937652/201158 Resolução nº 1201000.501 S1C2T1 Fl. 4 3 VOTO Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.500, de 11/06/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.937651/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/05/2005 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ recolhido em 28/12/2005. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.500): "Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. O crédito indicado é relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ. Consultandose a DIPJ retificadora correspondente ao anocalendário em questão, verificase que, dentre as estimativas de IRPJ a pagar declaradas, não se vê nenhum valor igual ao do crédito pleiteado. Nessa mesma declaração foi apurado saldo negativo de IRPJ, em face da dedução de estimativas pagas durante o anocalendário. Ocorre que o total das estimativas a pagar apuradas mensalmente nas fichas próprias da DIPJ é menor que o indicado para fins de apuração do saldo negativo. Também, o total do IRRF aproveitado para fins de dedução das estimativas mensais devidas tem valor maior que aquele declarado na ficha da apuração anual (saldo negativo). Vêse, assim, que não há certeza quanto ao valor do saldo negativo apurado. Em face do exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: a) verifique qual é o real montante do saldo negativo do período, em face das estimativas efetivamente pagas, compensadas e do IRRF; b) relacione todas as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ do anocalendário em questão, discriminando todos os créditos e débitos indicados para compensação, procedendo à valoração para Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.937652/201158 Resolução nº 1201000.501 S1C2T1 Fl. 5 4 fins de verificação de suficiência do saldo negativo apurado, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. Encerrada a diligência, a contribuinte deverá ser intimada para que, querendo, manifestese num prazo de trinta dias. Havendo ou não manifestação da contribuinte, após esgotado o prazo a ela concedido os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, converto o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11176.000272/2007-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO.
Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão.
Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência.
Numero da decisão: 9202-007.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202-006.102, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO. Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão. Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202-006.102, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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ERRO MATERIAL. DISPOSITIVO. Verificado o equívoco na parte dispositiva que se refere a procedência parcial ou total do recurso especial julgado necessária se faz a correção do mesmo, tomando como base o pedido do recurso especial e o que efetivamente é concedido no acórdão. Na hipótese, portanto, deve ser retificado o dispositivo do acórdão para total procedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202 006.102, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 02 72 /2 00 7- 07 Fl. 456DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Os presentes Embargos de Declaração visam apontar obscuridade/erro material, face ao acórdão 9202006.102, proferido por esta 2ª Turma / Câmara Superior de Recursos Fiscais CARF. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/10/2006, por ter o Contribuinte, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 13, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes a pagamentos de contribuintes individuais, nas competências 01/01/1999 a 31/07/2006 , tendo resultado na aplicação de multa de R$ 598.162,41. O Contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, às fls. 183/199, tendo a 5ª Turma da DRJ/Curitiba, no Acórdão de fls. 335/343, julgado o lançamento procedente em parte. A decisão acatou a retificação proposta pela autoridade fiscal alterando a multa para R$ 126.170,53. Embora tenha admitido que houve correção das falhas em relação a aquisição de produção rural de pessoa física, o órgão julgador não admitiu a relevação parcial nesse aspecto. A empresa, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, fls. 346/359. Às fls. 365/381, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF decidiu dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para determinar o recálculo da multa aplicada sob o comando do art. 32 A, da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, se mais benéfico. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2006 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202007.018 CSRFT2 Fl. 10 3 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas ás contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n.º 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigidas até a data da decisão de primeira instância. Havendo provas do saneamento das faltas, ainda que parcial, as respectivas multas devem ser ser relevadas. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. A União (Fazenda Nacional) interpôs Recurso Especial, às fls. 397/408, para reformar o acórdão recorrido no sentido de se aferir a retroatividade benigna da norma perante o cotejo entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e art. 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35 A da Lei nº 8.212/91, nos termos da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. No Acórdão nº 9202006.102, de Relatoria do Conselheiro Luiz Eduardo Oliveira Santos, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, às fls. 435/442, DEU PARCIAL PROVIMENTO, no sentido para que a retroatividade benigna fosse aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Às fls. 444/448, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, sob a alegação de obscuridade/erro material, ao constar provimento PARCIAL, embora a tese defendida tenha sido acolhida integralmente. Os Embargos de Declaração restaram admitidos às fls. 453/454 e, após novo sorteio, distribuídos à Conselheira Ana Paula Fernandes, retornando os autos para novo julgamento. É o relatório. Fl. 458DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 18/10/2006, por ter o Contribuinte, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 13, apresentado o documento a que se refere o art. 32, inciso IV e §3º com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação aos fatos geradores de contribuições previdenciárias referentes a pagamentos de contribuintes individuais, nas competências 01/01/1999 a 31/07/2006, tendo resultado na aplicação de multa de R$ 598.162,41. O Acórdão embargado deu parcial provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Embargos de Declaração oposto pela Fazenda Nacional visa correção de erro material, em virtude de que sua tese alegada em sede de Recurso Especial foi acolhida integralmente, embora no dispositivo tenha constado PARCIAL PROVIMENTO. A questão da retroatividade benigna nas penalidades que envolvem a temática denominada cesta de multa – envolve a uniformização da tese jurídica, e o provimento final se relaciona com o pedido do Recurso Especial. Assim, onde constou como PARCIAL PROVIMENTO deve ser lido TOTAL PROVIMENTO. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 9202006.102, de 25/10/2017, alterar a decisão para "dar provimento ao Recurso Especial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009", sem efeitos infringentes É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 459DF CARF MF Processo nº 11176.000272/200707 Acórdão n.º 9202007.018 CSRFT2 Fl. 11 5 Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.000146/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2010
IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A não apreciação das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio apresentadas em Impugnação caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente.
Numero da decisão: 3201-004.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da DRJ, a fim de que outra seja proferida, para a qual devem ser consideradas todas as alegações encartadas na impugnação interposta, de modo que esta seja conhecida.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A não apreciação das alegações de defesa essenciais ao deslinde do litígio apresentadas em Impugnação caracteriza cerceamento do direito de defesa e reclama a nulidade da decisão administrativa correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para anular a decisão da DRJ, a fim de que outra seja proferida, para a qual devem ser consideradas todas as alegações encartadas na impugnação interposta, de modo que esta seja conhecida. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 01 46 /2 01 0- 24 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 13839.000146/201024 Acórdão n.º 3201004.011 S3C2T1 Fl. 165 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada, no valor total de R$ 609.389,01 (incluídos nesse valor o principal, multa proporcional e juros de mora), em decorrência da falta de confissão em DCTF e pagamento de débito apurado na DIPJ/2007, referentes aos períodos de apuração de fevereiro e março de 2006. 2. Cientificada em 12.01.2012 (AR fl. 65), a interessada apresentou, tempestivamente, em 11.02.2010, impugnação na qual apresenta, em síntese, as seguintes alegações: a) Desiste de contestar o lançamento referente ao mês de março, no valor original de R$ 20.877,80, anexando o DARF do pagamento do mesmo (fl. 105); b) Preliminarmente, alega cerceamento de direito de defesa em virtude da autoridade fiscal haver fundamentado o lançamento na Instrução Normativa SRF nº 786, de 2007, que ainda não estava em vigor, implicando na falta de fundamentação do procedimento fiscal; c) No mérito, informa que o débito em questão, que deixou de ser informado na DCTF por equívoco, “foi extinto pelo via da compensação com crédito de IPI 2002, através do competente e hábil PER/DCOMP realizado tempestivamente à época do vencimento do débito”; d) “Desta forma, o Impugnante tendo emitido todos os documentos fiscais relativos às suas operações, registrados os mesmos nos competentes Livros (Registro Saídos e Apuração do IPI) e procedido à compensação do saldo devedor apurado, nada resta mais a fazer em termos de lançamento do tributo.”; e) “Ora, se o débito foi incluído na DCTF retificadora por exigência do autoridade resto patente que houve o regularização da obrigação acessória pela empresa, ora Impugnante, razão pelo qual não há que se falar em lançamento de ofício pelo autor do procedimento. Com este ato, o lançamento restou feito em duplicidade, pelo emissão dos documentos fiscais e apuração no Livro Registro de Apuração do IPI e pelo Auto de Infração.”; f) “De se esclarecer que, mesmo que a Autoridade Fiscal não tivesse intimado a Impugnante a retificar o DCTF também não poderia realizar o lançamento, porque o Débito do IPI estava extinto pela compensação realizada no vencimento do débito e pelos meios legais e apropriados que é a PER/DCOMP”; g) Ao final requer a homologação da compensação que extinguiu o débito e a procedência de seus argumentos. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 13839.000146/201024 Acórdão n.º 3201004.011 S3C2T1 Fl. 166 3 A impugnação não foi conhecida pela decisão de 1ª instância, proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, conforma Acórdão 0126.621, cuja ementa assim dispõe: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 IMPUGNAÇÃO A impugnação tempestivamente apresentada deverá trazer os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sem o que não poderá ser conhecida. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: (i) nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa, em razão de a IN 736/07 adotada pela fiscalização não estar vigente à época dos fatos; (ii) o Decreto 70.235/72, em seus arts. 10, inc. IV e 11 dispõe que o auto de infração e a notificação de lançamento devem conter a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (iii) o Decreto 70.235/72, em seu art. 59, inc. II dispõe que são nulos os atos praticados com preterição do direito de defesa; (iv) o débito referente à 28/02/2006 foi informado na DIPJ 2006/2007 de acordo com a apuração registrada no Livro de Apuração do IPI e, contudo, por um erro de fato não foi informado na DCTF; (v) tal débito foi extinto pela via da compensação com crédito de IPI 2002, por meio da PER/DCOMP transmitida à época do vencimento do débito; (vi) emitiu todos os documentos fiscais relativos às suas operações, registrandoos nos competentes Livros (Registro de Saídas e Apuração do IPI) e procedeu à compensação do saldo devedor apurado, não tendo nada mais a fazer em termos de lençamento do tributo;DCTF (vii) realizou a retificação da DCTF conforme intimação do Sr. Auditor Fiscal, para regularização de cumprimento de obrigação acessória e não principal; (viii) se o débito foi incluído na DCTF retificadora por exigência da autoridade, resta patente que houve a regularização da obrigação acessória pela recorrente, razão pela qual não há que se falar em lançamento de ofício; (ix) se o Auditor não deveria lançar o débito mas somente intimar a empresa para realizar a retificação da obrigação acessória (DCTF), uma vez que o tributo já estava Fl. 166DF CARF MF Processo nº 13839.000146/201024 Acórdão n.º 3201004.011 S3C2T1 Fl. 167 4 lançado e compensado tempestivamente antes de qualquer procedimento de fiscalização (tornando, conseguintemente, extinto o crédito tributário), resta demonstrada a falha na ação fiscal, pelo que o Auto de infração não pode prosperar; (x) que a compensação realizada através do PER/DCOMP (processo nº 13839.001596/200224) restou tacitamente homologada e o crédito tributário consequentemente extinto; (xi) se houvesse qualquer irregularidade na compensação ou no próprio crédito objeto desta, caberia ao Fisco glosar a compensação no prazo de 5 anos contados da data de sua realização, a qual se deu em 15/06/2006, o que não ocorreu; e (xii) na hipótese de manutenção do lançamento, seja reconhecido o crédito do contribuinte, o qual foi objeto da PER/DCOMP nº 31280.51867.150306.1.3.019970. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Assiste parcial razão à empresa recorrente. A Recorrente por ocasião de sua Impugnação apresentou razões que podem influenciar no correto deslinde da questão. Tais matérias não foram apreciadas pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, a qual limitouse em não conhecer da Impugnação. Alegou em Impugnação a Recorrente: (i) o débito foi incluído na DCTF retificadora por exigência da autoridade e resta patente que houve a regularização da obrigação acessória pela empresa, razão pela qual não há que se falar em lançamento de ofício pelo autor do procedimento. Com este ato, o lançamento restou feito em duplicidade, pela emissão dos documentos fiscais e apuração no Livro Registro de Apuração do IPI e pelo Auto de Infração; (ii) mesmo que a Autoridade Fiscal não tivesse intimado a Impugnante a retificar a DCTF. também não poderia realizar o lançamento, porque o Débito do IPI estava extinto pela compensação realizada, no vencimento do débito e pelos meios legais e apropriados que é a PER/DCOMP; e (iii) em termos operacionais e pragmáticos o Receita Federal, através de seu Serviço Competente, deveria simplesmente ter homologado a compensação realizada via PER/DCOMP, haja vista ser o crédito legal, válido e/ou autêntico. Assim procedendo, não haveria necessidade de lançamento de ofício, já que todos os documentos fiscais foram emitidos e regularmente lançados nos livros da escrituração fiscal Fl. 167DF CARF MF Processo nº 13839.000146/201024 Acórdão n.º 3201004.011 S3C2T1 Fl. 168 5 Assim, entendo que incorreu em erro a decisão recorrida, ao não ter apreciado tais argumentos, razão pela qual deve ser reformada. Diante das razões expendidas, entendo, ao contrário do que restou consignado na decisão recorrida, que não há que se falar em ausência de Impugnação em relação ao mérito da questão. Sobre a necessidade de se anular decisão de 1ª instância que não conhece da Impugnação, deixando de apreciar alegações proferidas pelo contribuinte, colaciono decisão proferida pelo CARF: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:1989, 1990 IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. ERRO MATERIAL.INEXISTÊNCIA DE CONCOMITÂNCIA. NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. Uma vez constatado erro material no fundamento do acórdão da DRJ que entendeu pelo não conhecimento da Impugnação apresentada pelo contribuinte (inexistência de concomitância no caso concreto), deverá ser reconhecida a sua nulidade, determinandose o retorno dos autos àquela instância de julgamento, para que esta aprecie os fundamentos constantes da referida peça de defesa. Recurso Voluntário Provido em parte." (Processo nº 10835.002054/9279; Acórdão nº 3301003.854; Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; sessão de 27/02/2017) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto para anular a decisão da DRJ, a fim de que outra seja proferida, para a qual devem ser consideradas todas as alegações encartadas na Impugnação interposta, de modo que esta seja conhecida. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973280/2012-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 28 0/ 20 12 -1 2 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD) de nº [...], emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº [...] e não deferiu a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível a ser aproveitado na presente DCOMP. O referido DARF, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: período de apuração – 30/06/2010; data de arrecadação – 29/07/2010; código de receita – 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO) e valor original utilizado R$ 64.527,49. 1.1. A transmissão da DCOMP ocorreu em 24/05/2011. 2. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, [...] alegando, em síntese, que: (...) I DOS FATOS A empresa tem sua tributação baseada na sistemática do lucro presumido. No segundo e terceiro trimestres do ano civil de 2010, apurou receitas em duas modalidades: prestação de serviços e venda de imóveis. Na apuração do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) dos referidos trimestres, foram consideradas as duas modalidades de receita como sendo somente de prestação de serviço. Isto posto, as receitas de vendas de imóveis tiveram suas bases de redução calculadas à alíquota de 32% ao invés de 8% para fins de IRPJ, e no caso da CSLL à alíquota de 32% ao invés de 12%. (...) Em razão desses créditos fiscais, a partir de maio de 2011 foram solicitados pedidos de compensações, através de PER/DCOMPs para quitação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL vincendos a partir daquela data que estão sendo objetos de questionamento de Despachos Decisórios. Lamentavelmente, quando da elaboração e apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), não foram configurados os referidos créditos fiscais na ficha 14A linha 07 e 18A linha 03, correspondente à apuração do IRPJ e da Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 4 3 CSLL do segundo e terceiro trimestres de 2010, uma vez que as cifras ficaram apresentadas na linha 07 da ficha 14A (IRPJ) receita bruta sujeita ao percentual de 32% e linha 03 ficha 18A (CSLL) receita bruta sujeita ao percentual de 32%, ao invés da segregação entre as receitas sujeitas ao percentual de 32% e aquelas sujeitas ao percentual de 8%, para fins de IRPJ, e sujeitas ao percentual de 12% para fins de CSLL. Com isto, os saldos a pagar de IRPJ, bem como o da CSLL, ficaram idênticos aos valores recolhidos através de DARF não configurando a demonstração do crédito, pois se os valores apresentados na DIPJ como saldos a pagar fossem efetivamente menores do que os recolhidos, ficaria evidente o direito de crédito por recolhimento a maior. II – DO DIREITO (...) II. 2 DO MÉRITO Conforme explicado anteriormente, a empresa agiu de boa fé, utilizando os preceitos e fundamentos legais para denunciar o seu crédito e a respectiva utilização através dos instrumentos de compensação, e, em sendo assim, a empresa não pode ter o seu direito cerceado pelo equívoco que cometeu no preenchimento da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), e dessa forma não ter a homologação através de Despacho Decisório de seus créditos fiscais legítimos por recolhimento a maior. III DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (...) 8. Razão contábil do segundo e terceiro trimestres de 2010 das receitas de vendas de imóveis (Contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010). (...) 11. Controle de utilização dos créditos fiscais. IV DO PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para revisão da decisão e consequente cancelamento do Despacho Decisório rastreamento n° [...], consideração da existência do crédito fiscal e a homologação para compensação/quitação do débito no valor de [...]." 2. Em sessão de 26 de agosto de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, conforme Acórdão nº 1660.815, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” 3. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Embora a Recorrente tenha juntado cópias do razão contábil e planilha própria de utilização dos créditos fiscais, ambas referentes aos segundo e terceiro trimestres de 2010, constatou que a) as cópias do Livro Razão não estão acompanhadas dos respectivos documentos de respaldo (contrato de venda e compra do imóvel; comprovante de recebimento da respectiva receita, etc); b) também não estão acompanhadas de cópias dos lançamentos correspondentes no Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial. Portanto, o direito creditório pleiteado não pode ser considerado líquido e certo. 3.2. Sustenta que, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sob pena de precluir o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual. 4 Cientificada da decisão em 01/10/2015 , a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/10/2015, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que a prova documental produzida nos autos já seria suficiente para comprovar seu direito creditório, mas, para que não pairem dúvidas, juntou a seguinte documentação complementar: (i) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02); (ii) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03); (iii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04); (iv) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05); e (v) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06). 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de receber os documentos complementares anexos e converter o julgamento em diligência baixando os autos para que a autoridade preparadora examine os documentos novos juntados que complementam a prova do crédito da Recorrente utilizado nessa DCOMP, ou dignese acolher o recurso para o fim de homologar a presente declaração de compensação. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.425, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658130/201273, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.425): " 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente acerca da juntada de documentação complementar em sede de Recurso Voluntário. 8. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 9. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 10. No mais, de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, é possível a juntada de provas complementares para contrapor às 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 7 6 razões do julgamento de primeira instância à luz dos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório efetivo, verbis: " (...) PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual.Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1a instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. (...)" (Processo nº 16327.001040/200891, Acórdão nº 1102000.940, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 08.10.2013, Relator: José Evande Carvalho Araujo) 11. Notese que, cabe a autoridade julgadora verificar a necessidade e a utilidade do recebimento da prova de forma a harmonizar valores e princípios constitucionais e processuais, verbis: " PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (...)" (Processo nº 10880.008207/200611), Acórdão nº 2801003.682, 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 09.09.2014, Relator: Carlos César Quadros Pierre) 12. Portanto, acolho o pedido da Recorrente no sentido de admitir as provas acostadas em sede de Recurso Voluntário por considerálas úteis e necessárias para devida apreciação do processo. 13. No mais, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto)(grifos nossos) 16. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 17. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 18. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 19. A Recorrente exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios, bem como a locação de imóveis próprios. 20. Como é sabido, na venda de imóveis próprios a alíquota de presunção do lucro é de 8% (IRPJ) e 12% de CSLL, sendo que na locação, esta alíquota é de 32% 21. Entre abril de 2010 e setembro de 2010 a Recorrente vendeu um imóvel próprio e apurou IRPJ e a CSLL como locação. Portanto, tributou à alíquota de 32% ao invés de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2010. 22. No presente caso, não há controvérsia acerca do preenchimento dos requisitos (i) e (ii) constantes do item 16, mas do (iii). A DRJ [...] considerou que as provas apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade [...] não foram suficientes para que o crédito pleiteado fosse considerado líquido e certo. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 9 8 23. Ocorre que, a ora Recorrente tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto, complementarmente, em seu Recurso Voluntário [...], apresentou vasta documentação probatória hábil a demonstrar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo, tais como: (i) doze DARFs de recolhimento de IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestre de 2010 [...]); (ii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Original [...]; (iii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Retificadora transmitida em 21/11/2012 e seu recibo [...]; (iv) razão contábil do segundo e terceiro trimestre de 2010 das receitas de vendas de imóveis (contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010,[...]); (v) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02, [...]); (vi) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03, [...]); (vii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04, [...]); (viii) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05, [...]); e (ix) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06, [...]). 24. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 25.Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 26. Em face do exposto, diante de toda a documentação acostada aos autos, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2010, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 27. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 28. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.973280/201212 Resolução nº 1201000.432 S1C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 152DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.000476/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE.
De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS.
PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte.
Numero da decisão: 9303-007.124
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO DE CRÉDITO. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SINCOL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS E COFINS. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. DIREITO Á CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS NA AQUISIÇÃO DE PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO EM MÁQUINAS UTILIZADAS NO PROCESSO PRODUTIVO. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 04 76 /2 00 9- 19 Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa quanto à embalagem utilizada para transportes, vencidos os conselheiros Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto, tempestivamente, pela Fazenda Nacional, com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 380303.220, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. Na parte de interesse ao presente julgamento, a decisão do colegiado a quo pode ser resumida pela transcrição dos seguintes fragmentos de sua ementa: (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Os valores referentes a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, para manutenção das máquinas e equipamentos empregados na produção de bens destinados à venda, abarcando as pequenas peças de reposição, podem compor a Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 4 3 base de cálculo dos créditos a serem descontados da contribuição não cumulativa, desde que respeitados todos os demais requisitos legais atinentes à espécie. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na marcação das matériasprimas e dos produtos finais fabricados, bem como na proteção das máquinas utilizadas no setor produtivo. FRETES. TRANSPORTE DE INSUMOS. TRANSFERÊNCIA ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. Dá direito a crédito o valor dispendido a título de frete prestado por pessoa jurídica domiciliada no País, tributado pela contribuição, mas não adicionado ao valor de aquisição dos bens utilizados como insumos, ainda que se refiram à transferência de mercadorias entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso Especial, aduzindo divergência às seguintes matérias: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo; d) direito a crédito na depreciação de bens do ativo imobilizado; e) direito a crédito no transporte de insumos entre filiais, cobrados separadamente dos insumos quando de sua aquisição. Para comprovar a divergência, aponta como paradigma o acórdão nº 203.12.448. Em seguida, mediante despacho de admissibilidade o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, deu seguimento ao recurso em relação à: a) conceito de insumo para fins de creditamento na sistemática de apuração não cumulativa da contribuição; b) direito a crédito na aquisição de produtos utilizados como embalagem de transporte; c) direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo. Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões pugnando pelo não conhecimento do Recurso interposto e, caso o Colegiado entenda em conhecer do Recurso, no mérito requer que lhe seja negado provimento. No essencial é o Relatório. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.108, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 10925.000459/200981, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.108): "O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos de contribuições não‑ cumulativas para o PIS, no valor de R$ 21.832,17, cumulado com Declarações de Compensações (PER/DCOMP). A Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiu, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, por entender que “a não cumulatividade aplicada às contribuições sociais para o PIS e Cofins não se confunde com a não cumulatividade dos impostos do IPI e ICMS. Nesta, além da origem constitucional, diferentemente da não cumulatividade das contribuições de origem legal, a sistemática do encontro de contas entre débitos e créditos refere‑ se ao ciclo de produção ou de comercialização de um produto ou mercadoria”. E, assim, terminou por adotar conceito de insumo diverso daquele aplicado para o IPI. Com efeito, alega a Fazenda Nacional que a decisão recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelo art. 3º da Lei nº 10.637/2002 c/c o disposto na IN SRF nº 247/2002, em razão de uma interpretação equivocada, acabou criando dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser mantida a decisão de primeira instância a qual analisou a questão sob o prisma correto, mantendose todas as glosas ali ratificadas. Analisando a quaestio, já consignei meu entendimento intermediário sobre o conceito de insumos no Sistema de Apuração NãoCumulativo das Contribuições, penso que o conceito adotado não pode ser restritivo quanto o determinado pela Fazenda, mas também não tão amplo como aquele freqüentemente defendido pelos Contribuintes. Sem embargo, a jurisprudência Administrativa e dos Tribunais Superiores vem admitindo o aproveitamento de crédito calculado com base nos gastos incorridos pela sociedade empresária e com produtos ou serviços aplicados na produção ou a ela diretamente vinculados, mesmo que, ao contrario de como alguns pretendem limitar por meio de Instruções Normativas. Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 6 5 De fato, salvo melhor juízo, não se vê razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, contudo, respeito posicionamentos contrários. A legislação que introduziu o Sistema NãoCumulativo de apuração das Contribuições define sua base de cálculo como sendo o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, compreendendo a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Feitas as exclusões expressamente relacionadas nas Leis, tudo o mais deve ser incluído na base imponível. Levandose em consideração a incumulatividade tributária traz em si a idéia de que a incidência não ocorra ao longo das diversas etapas de um determinado processo sem que o contribuinte possa reduzir de seu encargo aquilo do que foi onerado no momento anterior, ainda que considerássemos todas as particularidades e atipicidades do Sistema não cumulativo próprio das Contribuições, terminaríamos por concluir que, a um débito tributário calculado sobre o total das receitas, haveria de fazer frente um crédito calculado sobre o totaldas despesas. Contudo, ainda que a interpretação teleológica conduza nessa direção, o fato é que os critérios de apuração das Contribuições não foram dessa forma definidos em Lei. Tal como consta no texto legal, o direito ao crédito, em definição genérica, admite apenas que se considerem as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, jamais referindose à integralidade dos gastos da pessoa jurídica. Prova disso é que os gastos que não se incluem nesse conceito e dão direito ao crédito são listados um a um nos itens seguintes, de forma exaustiva. Neste quadro, para corroborar com minha interpretação, invoco as lições do Prof. Lenio Streck (p.242) que bem esclarece os limites de uma correta interpretação jurídica: “Então, ao contrário do que se diz na dogmática jurídica, não interpretamos para, só depois, compreender. Na verdade, compreendemos para interpretar, sendo a interpretação a explicitação de compreendido, para usar as palavras de Gadamer, em seu Wahrheit und Method. Essa explicitação (justificação do compreendido) necessita sempre de uma estruturação no plano 1argumentativo (é o que se pode denominar de o “como apofântico”). A explicitação da resposta de cada caso deverá estar sustentada em consistente justificação, contendo a reconstrução do direito, doutrinária e jurisprudencialmente, confrontando tradições, enfim, colocando a lume a fundamentação jurídica que, ao fim e ao cabo, legitimará a decisão no plano do que se entende por responsabilidade política do interprete no paradigma do Estado Democrático de Direito2”. Outrossim, se admitíssemos a tese de que insumo denota conceito amplo, abrangendo todos os gastos destinados à obtenção do resultado da pessoa jurídica, nos depararíamos com uma flagrante distorção promovida no amplo reconhecimento ao direito de crédito para o setor industrial ou prestador de serviços, em detrimento ao setor comercial, para o qual o direito teria ficado restrito apenas aos gastos com bens adquiridos para revenda. 1 2 STRECK, Lenio Luiz. Hermenêutica, Estado e Política: uma visão do papel da Constituição em países periféricos. In CADEMARTORI, Daniela Mesquita Leutchuk e GARCIA, Marcos Leite (org.). Reflexões sobre Política e Direito – Homenagem aos Professores Osvaldo Ferreira de Melo e Cesar Luiz Pasold. Florianópolis: Conceito Editorial, 2008; p. 242. Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 7 6 Insumos, tal como definido e para os fins a que se propõe o artigo 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, são apenas as mercadorias, bens e serviços que, assim como no comércio, estejam diretamente vinculados à operação na qual se realiza o negócio da empresa. Na atividade comercial, sendo o negócio a venda dos bens no mesmo estado em que foram comprados, o direito ao crédito restringese ao gasto na aquisição para revenda. Na indústria, uma vez que a transformação é intrínseca à atividade, o conceito abrange tudo aquilo que é diretamente essencial a produção do produto final, conceito igualmente válido para as empresas que atuam na prestação de serviços. Somente a partir desta lógica é que os créditos admitidos na indústria e na prestação de serviços observarão o mesmo nível de restrição determinado para os créditos admitidos no comércio. Em que pese esta E. Câmara Superior já ter definido o conceito de insumos, a matéria foi levada ao poder judiciário e, em recente decisão o Superior Tribunal de Justiça – STJ sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Senão vejamos: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 8 7 Contribuinte. (Resp n.º Nº 1.221.170 PR (2010/02091150), Relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho). Como visto, a Relatora Ministra Regina Helena Costa, reiterou os conceitos do que já vínhamos decidindo, definiu como conceito a essencialidade e relevância. Vejamos: Essencialidade considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Deste modo, inferese do voto da Ministra Regina Costa que o conceito de insumo deve “ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, considerandose a imprescindibilidade ou ainda a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”, ou seja, caracterizase insumos, para fins das contribuições do PIS e da COFINS, todos os bens e serviços, empregados direta ou indiretamente na prestação de serviços, na produção ou fabricação de bens ou produtos e que se caracterizem como essenciais e/ou relevantes à atividade econômica da empresa. Sem embargo, restou ainda decidido ilegais as IN´s nºs 247/2002 e 404/2004, que tratam de conceito de muito restritivo de insumo para as contribuições em pauta, uma vez que somente se enquadrariam os bens e serviços “aplicados ou consumidos” diretamente no processo produtivo. Desta forma, o STJ adotou conceito intermediário de insumo para fins da apropriação de créditos de PIS e COFINS, o qual não é tão restrito como definido na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados, nem tão amplo como estabelecido no Regulamento do Imposto de Renda, mas que privilegia a essencialidade e/ou relevância de determinado bem ou serviço no contexto das especificidades da atividade empresarial de forma particularizada. Neste aspecto, observase que se trata de matéria essencialmente de prova de ônus do contribuinte. Compulsando aos autos, verifico que a atividade empresária da Contribuinte destina se a produção de portas de madeira. Quanto aos produtos utilizados em embalagens para transporte (fita adesiva, filme película, película de polietileno, fita Uniflec, papel, chapa de papelão ondulada, tiras de papelão, folha plástica, embalagem para parquet, sacos plásticos, fita gomada perfurada, embalagem plástica.) entendo essencial a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte, passível de creditamento do Pis e da Cofins. No que tange o direito a crédito na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas, verifico que também são essenciais ao processo de produção da Contribuinte, as citadas peças de reposição e serviços de manutenção industrial são adquiridas para conservação das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação dos produtos, com objetivo de garantir a qualidade dos produtos industrializados pela Contribuinte. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 9 8 Ademais, a utilização de peças e serviços não geram aumento de vida útil do bem, apenas mantém as máquinas e equipamentos em condições aptas de funcionamento. São bens consumidos no processo de industrialização, que se desgastam e perdem propriedades físicas e químicas sem integrar o produto final. Destarte, o conceito de "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento do Pis e da COFINS, apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI, tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha equilíbrio, os insumos devem estar relacionados diretamente com a produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. Neste sentido, o inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, permite a utilização do crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo nas seguintes hipóteses: “I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X vale transporte, vale refeição ou vale alimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção". Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 10 9 Como se vê, o conteúdo do inciso II supra, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS e da COFINS, referente aos produtos utilizados como embalagem de transporte e na aquisição de peças de reposição e serviços de manutenção em máquinas utilizadas no processo produtivo da Contribuinte." (...) Entendimento que prevaleceu quanto ao direito de crédito sobre as embalagens de transporte. "Com todo respeito ao voto do ilustre relator, porém discordo de suas conclusões a respeito da possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade do PIS sobre as embalagens utilizadas somente para o transporte do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso especial da Fazenda Nacional é quanto a possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre as embalagens destinadas precipuamente ao transporte de seu produto final. No presente caso a discussão é sobre os gastos utilizados pelo contribuinte para embalar o seu produto acabado (portas de madeira) para fins de seu transporte. Não se trata da embalagem normal relativa a encerramento do processo produtivo e dele integrante, mas referentes ao gasto com o transporte do produto após o encerramento do processo produtivo do bem destinado a venda. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que não faz diferença o fato de ser embalagem para o transporte do produto com as demais embalagens, como as de apresentação. Portanto ele entendeu que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotados pelo acórdão recorrido e pelo relator do voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 11 10 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10925.000476/200919 Acórdão n.º 9303007.124 CSRFT3 Fl. 12 11 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso é incontroverso que as embalagens que se discute são as destinadas precipuamente para o transporte dos produtos. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei). Assim, por se tratar de gastos efetuados após o encerramento do processo produtivo em relação aos quais não há previsão na legislação de regência, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para restabelecer as glosas de créditos em relação aos gastos com embalagens destinadas ao transporte do produto final. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 868DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.660307/2012-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 03 07 /2 01 2- 00 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 5 4 crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 6 5 onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660307/201200 Acórdão n.º 3401004.711 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13312.000614/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÕES
O agravamento da multa pelo não atendimento à fiscalização deve ser aplicado como medida extrema. Não restando devidamente comprovado a desídia em responder as intimações, não pode ser o contribuinte penalizado por esse tipo de agravamento por não possuir os documentos requeridos pela fiscalização. O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE
Não tendo sido devidamente demonstrada a necessidade da prova pericial, cabe ao julgador, conforme disposto no artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, a faculdade da determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN.
O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" Devidamente demonstrado que o responsável, apesar de não constar nos quadros societários da empresa era o sócio de fato, deve também recair sobre esse o ônus da dívida tributária.
Numero da decisão: 1401-002.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para tão somente reduzir a multa aplicada para 75% (setenta e cinco por cento).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2005 MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÕES O agravamento da multa pelo não atendimento à fiscalização deve ser aplicado como medida extrema. Não restando devidamente comprovado a desídia em responder as intimações, não pode ser o contribuinte penalizado por esse tipo de agravamento por não possuir os documentos requeridos pela fiscalização. O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE Não tendo sido devidamente demonstrada a necessidade da prova pericial, cabe ao julgador, conforme disposto no artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, a faculdade da determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerá-las prescindíveis. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" Devidamente demonstrado que o responsável, apesar de não constar nos quadros societários da empresa era o sócio de fato, deve também recair sobre esse o ônus da dívida tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para tão somente reduzir a multa aplicada para 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
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ASSIS DE SOUSA FRUTICULTURA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Configura omissão de receitas a ocorrência de valores depositados em conta bancária para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove de forma individualizada, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos ali creditados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 MULTA AGRAVADA PELO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÕES O agravamento da multa pelo não atendimento à fiscalização deve ser aplicado como medida extrema. Não restando devidamente comprovado a desídia em responder as intimações, não pode ser o contribuinte penalizado por esse tipo de agravamento por não possuir os documentos requeridos pela fiscalização. O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE Não tendo sido devidamente demonstrada a necessidade da prova pericial, cabe ao julgador, conforme disposto no artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 1972, a faculdade da determinação de perícia, quando entender que elas se mostram necessárias, sendo que pode as indeferir, quando considerálas prescindíveis. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 00 06 14 /2 00 9- 66 Fl. 953DF CARF MF 2 O artigo 124, I, do CTN trata de solidariedade que pode atingir o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) ou o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" Devidamente demonstrado que o responsável, apesar de não constar nos quadros societários da empresa era o sócio de fato, deve também recair sobre esse o ônus da dívida tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para tão somente reduzir a multa aplicada para 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliviera Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foram lavrados os seguintes autos de infração, todos referentes a tributos incluídos no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte SIMPLES Federal: 1. Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ Simples, fls. 580/596, no valor total de R$ 261.349,35, incluindo encargos legais; 2. Contribuição para o Programa de Integração Social PIS Simples, fls. 597/605, no valor total de R$ 261.349,35, incluindo encargos legais; 3. Contribuição Social Sobre o Lucro CSLL Simples, fls. 606/614, no valor total de R$ 411.067,27, incluindo encargos legais; Fl. 954DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 954 3 4. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Simples, fls. 615/623, no valor total de R$ 822.134,76, incluindo encargos legais; 5. Contribuição para a Seguridade Social INSS Simples,fls. 627/635,no valor total de R$ 1.720.090,78, incluindo encargos legais. As infrações apurados pela Fiscalização, relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 582/584, foram os seguintes. 01 Omissão de Receitas – Receitas não Escrituradas Omissão de Receitas apurada conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 636/641, referente a receitas não escrituradas. Enquadramento Legal: art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, e 18 todos da Lei nº 9.317/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98 e art. 186, 188 e 199 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999 RIR/ 99). 02 Omissão de Receitas Depósitos Bancários não Escriturados/Origem não Comprovada Omissão de Receitas apurada conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 636/641, referente a depósitos bancários não escriturados. Enquadramento Legal: art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, e 18 todos da Lei nº 9.317/96; Art. 42 da Lei nº 9.430/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98 e art. 186, 188 e 199 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999 RIR/99). De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 636/641, tendo em vista a não entrega, pelo contribuinte, dos elementos solicitados nos diversos termos de intimação, foi lavrado o Auto de Infração, referente ao anocalendário de 2005, utilizando como Rendimentos Apurados os valores extraídos das fontes discriminadas nos quadros demonstrativos abaixo: Fl. 955DF CARF MF 4 Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 955 5 Fontes: Coluna 1 : Notas Fiscais emitidas e entregues pela Fabrica 1 da empresa Iracema, doc. de fls. 26 às fls. 54. Coluna 2 : Notas Fiscais emitidas e entregues pela Fabrica 2 da empresa Iracema, doc. de fls. 55 às fls. 157. Coluna 3 : Notas Fiscais emitidas e entregues pela empresa Resibras, doc. de fls. 524 às fls. 530. Coluna 4: Notas Fiscais emitidas pela empresa Usibras e entregues pelo contribuinte, doc. de fls. 258 às fls 268. Coluna 5 : Omissão de receitas não escrituradas, resultado do somatório das colunas 1, 2, 3, e 4. Coluna 6 : Valores extraídos dos extratos bancários os quais estão discriminados na planilha de fls. 510 às fls. 516, encaminhadas ao contribuinte através do Termo de Intimação de fls. 509. Coluna 7: Diferenças positiva Apuradas, resultado dos valores da coluna Total Geral Depósitos/Créditos, deduzidos dos valores constantes das Colunas Total Geral Notas Fiscais, os quais estamos considerando como omissão de receita, cuja origem dos Fl. 957DF CARF MF 6 recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea. Observações: 1(*) Detalhamentos do somatório das notas fiscais emitidas e entregues pela RESIBRAS . 2 (**) Detalhamentos do somatório das notas fiscais emitidas pela USIBRAS e entregues pelo contribuinte. 3 O somatório, mês a mês, das notas fiscais de entrada emitidas pela empresa IRACEMA encontra na planilha de fls. 554 às fls. 555. 4 A Declaração Simplificada da Pessoa JurídicaSIMPLES, referente ao ano calendário de 2005, PJSI 2006SIMPLES, encontrase das fls. 444 a fls. 461. Foi também lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 646/648, em nome de João Ângelo Jovino. Inconformados com as autuações acima descritas, tanto a empresa autuada quanto o Sr. João Ângelo Jovino, cientificados em 07/08/2009, fls. 643 e 649, respectivamente, apresentaram impugnações, nos seguintes termos. Impugnação apresentada pela autuada, fls. 773/777: 2. Da Nulidade do lançamento Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 956 7 A Impugnante é empresa que se dedica a atividade rural de produção de castanha de caju. Não omitiu receitas à tributação. Ao contrário, todos os seus tributos foram regularmente apurados e declarados ao fisco, através da modalidade do lucro presumido, conforme os documentos acostados em momento de fiscalização. O lançamento aqui atacado desconsiderou essa realidade, limitandose o fiscal a exigir a prova do registro de algumas notas fiscais e da origem dos depósitos bancários. O valor da receita declarada pela Impugnante inclui todas as suas vendas, inclusive aquelas referidas nas notas fiscais indicadas no auto de infração. Os depósitos bancários, por sua vez, têm como origem essas mesmas vendas. Tudo isso foi informado e demonstrado ao fiscal. A lei não autoriza o procedimento adotado nesta ação fiscal, baseada em uma esdrúxula presunção, sem qualquer apoio na realidade. Notese, ainda, que o agente fiscal considerou os depósitos bancários justificados pela receita que decorreria das notas fiscais quando o valor de tais notas era maior que os depósitos, mas deixou de considerar essa diferença de valor a maior, que deveria ficar acumulada para o mês seguinte. Na verdade, a Impugnante opera com dificuldade no interior de um dos estados mais pobres do País. Precisa utilizar dinheiro em espécie. Por isso, boa parte desses depósitos decorre dos mesmos valores antes sacados que apenas voltaram a ser depositados em banco. Além disso, se fosse o caso de se desconsiderar os valores dos tributos regularmente apurados e declarados pela Impugnante — que não é — a cobrança em causa deveria ter por base o lucro presumido. Se não pudesse ser utilizado o lucro presumido, seria o caso do arbitramento do lucro. Não é possível é a aplicação da modalidade de tributação pelo SIMPLES. De fato, a Impugnante não fez a opção pelo SIMPLES. Mesmo se existisse tal opção — que não existe — teria a Impugnante perdido o direito a essa modalidade de tributação, por três razões: (1) não pagou os valores relativos ao SIMPLES; (2) está sofrendo a imputação de uma irregularidade que seria a omissão de receitas; e (3) o valor de R$ 9.385.295,58, que foi o considerado como receita omitida, é bem superior ao limite anual exigido por lei para a tributação pelo SIMPLES. Nada justifica a aplicação da sistemática do SIMPLES ao caso de que se cuida, pelo que resta demonstrada a completa insubsistência da presente ação fiscal. Da indevida multa de 225% Vale ressaltar, ainda, que os fiscais autuantes — incansáveis —aplicaram contra a Impugnante a descabida multa agravada de 225%. No Termo de Verificação Fiscal, todavia, há apenas a alegativa vazia de que a fraude estaria devidamente comprovada e que o contribuinte não teria atendido intimações fiscais. Fl. 959DF CARF MF 8 O fiscal autuante não comprovou o evidente intuito de fraude, o que é indispensável para a elevação da multa para 150%. E não o fez porque a Impugnante não cometeu fraude alguma. A Impugnante muito menos deixou de atender às solicitações feitas pelo agente fiscal. Ao contrário, o recebeu com toda atenção em seu estabelecimento e respondeu por escrito a todas as suas solicitações. Sem razão, também, o agravamento da multa para 225%. Tudo não passa de um grave equívoco cometido pelo agente fiscal, que agiu com precipitação e açodamento. Para que se faça tal aumento da multa, é necessário que o agente fiscal explicite com clareza e objetividade os motivos que o levaram a tal conclusão, assim apresente as provas do chamado evidente intuito de fraude. Reforçando seus argumentos, a defesa transcreve ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Dos pedidos Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada posterior de documentos e perícias, o que é desde logo requerido. Face ao exposto, pede que se acolha as razões de defesa, para julgar Improcedente toda ação fiscal de que se cuida, inclusive da multa de 225%, determinando o arquivamento do respectivo processo administrativo. Impugnação apresentada pelo Sr. João Ângelo Jovino, fls. 838/843: Nos termos do art. 124, inciso I, do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O art. 124, inciso I, do Código Tribunal Nacional, todavia, não se aplica ao caso porque o ora impugnante não tem interesse comum com a pessoa jurídica autuada. Conforme ensina o jurista Hugo de Brito Machado "o interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação, cuja presença cria a solidariedade, não é um interesse meramente de fato, e sim um interesse jurídico”. Os fatos apresentados pelos fiscais, contudo, em nenhum momento, demonstram a existência de interesse jurídico comum entre a pessoa jurídica ASSIS DE SOUSA FRUTICULTURA e o ora impugnante. Não foi demonstrado exatamente porque não existe. Na verdade, o que aconteceu, e é muito comum em toda a sociedade, foi tão somente uma colaboração de filho para pai. Diante do inicio da fiscalização, o impugnante a pedido de seu pai se propôs a acompanhar os trabalhos. Com isso, passou a receber os agentes fiscais, assim como assinar os termos de fiscalização. Apenas isso. Vale ressaltar que o impugnante não faz parte dos quadros da empresa, nem possui sequer procuração para representála perante o fisco, para gerir as atividades comerciais ou mesmo para tomar qualquer decisão de gerência. O Impugnante possui tão somente procuração para movimentar a conta bancária existente no Banco do Brasil S/A. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 957 9 A simples condição de filho não é suficiente para ensejar a qualificação de responsabilidade solidária. Caso contrário, todos os filhos de pessoas que compõe sociedades empresárias ou de empresários seriam obrigatoriamente responsáveis solidários. Isso seria absurdo. Ainda assim, mesmo que o impugnante tivesse essa responsabilidade solidária, jamais poderia ser responsabilizado pelas multas decorrentes de atos que teriam sido praticados pela empresa. A responsabilidade pela infração é pessoal do infrator e não se estende a terceiros. Por fim, pede pela oportunidade de utilizar todo e qualquer meio de prova em direito admitido na defesa do seu direito, tais como anexar documentos, realizara perícia e a ouvida de testemunhas. Como não existe fundamento para a imputação de responsabilidade solidária ao aqui impugnante, pede e espera seja desconsiderado e tornado sem efeito o termo de sujeição passiva solidária aqui impugnando. Em 22 de dezembro de 2009, foi solicitado pela defesa a juntada aos autos do Ato Declaratório Executivo DRFB/SOB n.° 10, de 25 de novembro de 2009 que exclui a Autuada do SIMPLES, a partir do período de janeiro de 2006, pelo fato de não preencher os requisitos necessários, no ano de 2005. Na oportunidade, afirma que a própria Secretaria da Receita Federal já teria se manifestado no sentido de que a Autuada não poderia estar incluída no SIMPLES, exatamente porque no ano de 2005 — mesmo período da autuação de que se cuida — não detinha os requisitos necessários de adesão. Diante disso, a Autuada insiste na total improcedência do presente lançamento fiscal, uma vez que teria considerado, equivocadamente, para efeitos de arbitramento, sujeita ao cálculo dos tributos pelo regime do SIMPLES. Quando do julgamento dos recursos da empresa e do solidário, a decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente da empresa cujas operações que lhes deram origem restem incomprovadas presumemse advindos de transações realizadas à margem da contabilidade. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 Fl. 961DF CARF MF 10 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO: Tomase como não formulado o pedido de diligência que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL E ENTENDIMENTO DOUTRINÁRIO. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos proferidos em outros julgados administrativos ou judiciais ou em manifestações da doutrina especializada não vinculam os julgamentos administrativos emanados em primeiro grau pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 SOLIDARIEDADE. SÓCIO DE FATO Nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN), as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, são solidariamente obrigadas, revestindose, no caso do inciso I do dispositivo legal, da condição de contribuinte; assim, uma vez constatado que pessoa não integrante do quadro societário é sócio de fato da pessoa jurídica, recai sobre ele a condição de devedor solidário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2005 SIMPLES FEDERAL. EXCLUSÃO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. No caso de apuração de excesso de receita bruta, os efeitos da exclusão do Simples Federal darseão a partir do ano calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Interpostos recursos pela Contribuinte e pelo solidário nos seguintes termos: Do Recurso da Contribuinte Alega em síntese: Fl. 962DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 958 11 Erro de lançamento pois não deveria ter sido feito na sistemática do SIMPLES. Que a exclusão do simples deveria ter ocorrido no mês subsequente aos referidos fatos. Que a sujeição passiva solidária de João Ângelo Jovino deveria fazer a empresa ser excluída do SIMPLES. Que a opção de tributação da recorrente foi pelo presumido. Que a diferença das Notas Fiscais (a menor) para o valor dos depósitos (a maior) deveria ser considerada, devendo a receita omitida ser reduzida em R$980.000,00. Que a multa, apesar de ter sido reduzida pela DRJ de 225% para 112,5%, não se justificaria mesmo assim. Do Recurso do Solidário Aduz o solidário que houve cerceamento de defesa pois foi indeferida a produção de provas, que não há qualquer relação pessoal e direta com o inadimplemento da obrigação tributária, devendo, portanto ser afasta a solidariedade. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora Atendidos os requisitos de admissibilidade do recurso dele conheço. A infração apurada pelo Fisco foi omissão de receitas, apurada com base em depósitos bancários cuja origem a contribuinte, regularmente intimada, não logrou comprovar (art. 42 da Lei nº 9.430/1996), no ano calendário de 2005. Desconhecidas as receitas, em face da não apresentação, no curso da fiscalização, de escrituração contábil completa ou de Livro Caixa, nos termos exigidos para os optantes pelo SIMPLES, foram requisitadas as informações às suas clientes (Companhia Brasileira de ResinasRESIBRAS e Iracema Industria e Comércio de Castanha de Caju) informações sobre as transações com a empresa fiscalizada. Foi emitida solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) para os Bancos Bradesco S/A e do Brasil S/A. Novamente foi lavrado termo de intimação à Contribuinte para que justificasse as movimentações financeiras nas contas correntes de sua titularidade. Foi aplicada ainda, multa de 225%, reduzida posteriormente para 112,5%, por falta de atendimento às intimações. Ciente desses fatos, passamos a análise dos Recursos: Fl. 963DF CARF MF 12 Do Recurso da Recorrente Quanto ao alegado erro de lançamento, não resta qualquer razão à recorrente. O que ocorreu no caso dos autos é que a empresa era desde sempre, optante pelo SIMPLES. Nesse sentido, encontrase juntado aos autos o comprovante de que a recorrente entregou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Simples, relativa ao ano calendário de 2005, às fls. 455/472. Assim, não há o que se discutir sobre a tributação pelo lucro presumido e o não enquadramento da recorrente ao SIMPLES. Por outro lado, argumenta a recorrente que deveria ter sido excluída do SIMPLES, se a ele tivesse optado, no mês seguinte aos fatos alegados. Contudo, novamente olvida a recorrente que a sua exclusão do SIMPLES deuse posteriormente à lavratura do auto de infração e que o motivo de sua exclusão é ter ultrapassado no ano de 2005, o limite de receita dos optantes pelo SIMPLES. O Ato Declaratório de Exclusão juntado aos autos pela recorrente, somente comprova que agiu corretamente a fiscalização não tendo qualquer sentido as suas alegações. De acordo com o Despacho Decisório da DRF/Sobral, referido ato declaratório foi motivado pela constatação de que no decorrer do ano calendário de 2005 a receita bruta da empresa foi de R$ 9.385.295,58 (nove milhões, trezentos e oitenta e cinco mil, duzentos e noventa e cinco reais e cinqüenta e oito centavos), excedendo ao limite estabelecido para opção no SIMPLES (R$ 2.400.000,00). Portanto, o lançamento das omissões de receitas apuradas durante o ano calendário de 2005 deveria ter sido realizado na forma de tributação adotada naquele ano pela empresa, no caso o Simples Federal. Nesse sentido, desarrazoados os argumentos da defesa nesse aspecto devendo ser mantida a tributação da empresa pelo regime por ela escolhido no ano, que é o SIMPLES federal. Argumenta ainda a recorrente, que deveriam ter sido considerados os valores das notas fiscais para a base de cálculo das receitas omitidas e não os depósitos bancários, o que diminuiria a base de cálculo da autuação em R$980.000,00. Entretanto, cumpre ressaltar que a fiscalização utilizouse para a presunção de receita omitidas, do art. 42 da Lei 9.430/96: Lei n. 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitidos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 959 13 § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a RS 12.000, 00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário,não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Art. 42, § 3°, II, da Lei n° 9.430/1996 c/c art: 4° da Lei n° 9.481, de 13/08/1997). O dispositivo acima transcrito estabeleceu uma presunção legal de omissão de receitas/rendimentos que autoriza o lançamento do tributo correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Dessa forma, cabe ao contribuinte que pretender refutar a presunção da omissão de receitas estabelecida contra ele, provar, por meio de documentação hábil e idônea, que tais valores são provenientes de valores não tributáveis. É função do fisco comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, intimar o contribuinte a justificar a origem desse crédito e examinar a correspondente declaração de informações econômicofiscais, com vistas à verificação da ocorrência da omissão de receitas de que trata o art. 42 da Lei n. 9.430/1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. A contribuinte foi regularmente intimada a apresentar as justificativas quanto aos depósitos/créditos, devidamente individualizados, entretanto não logrando fazêlo. Assim, não merece qualquer reparo a autuação nesse aspecto. Com relação à aplicação da multa aplicada a DRJ reduziua à razão de 112,5%, contudo, não parece assistir razão ao voto da maioria. Na própria decisão, existe declaração de voto, com a qual coaduno e transcrevo abaixo para reduzir o percentual da multa à razão de 75%: Com a devida vênia, apresentase em seguida discordância com relação ao voto do ilustre relator, exclusivamente quanto à manutenção do agravamento da multa de ofício. Fl. 965DF CARF MF 14 A discordância reside no fato de não restar comprovada nos autos a motivação indicada pela fiscalização para o referido agravamento. No Termo de Verificação Fiscal, observase às fls. 639, que o fundamento para agravar a penalidade foi descrito da seguinte forma: O percentual de 150% foi agravado para 225%, de acordo com o § 2° do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, pelo fato de o contribuinte não ter atendido a diversas intimações para apresentação do Livro Caixa. [o grifo não consta do original]. A autoridade fazendária também registrou no mencionado Termo de Verificação Fiscal (fls. 636/641), as seguintes informações sobre o comportamento adotado pela autuada diante das intimações recebidas no curso da ação fiscal: 3 Em 18/09/2008 foi postado na agência dos Correios de Sobral, com Aviso de Recebimento (AR), o Termo de Inicio do Procedimento Fiscal. A ciência do termo ocorreu em 18/09/2008, conforme depreendese do AR, doc. de fls. 05. Através do Termo de Início do Procedimento Fiscal o contribuinte foi intimado a apresentar, dentre outros documentos, os Livros contábeis e Fiscais, bem como os Extratos Bancários de sua contacorrente e Informação sobre transferência de recursos para/do exterior. [...] 8 Em 16/10/2008 o contribuinte através do arrazoado, doc. de fls. 158, entregou os seguintes documentos: i) Extratos bancários do Banco do Brasil, agência 2273X, conta corrente 5.0083, doc. de fls. 159 às fls. 255. ii) Cópias de duas Transferências Eletrônicas Disponíveis – TED SIR "C", doc. de fls. 256 às fls. 257. iii) Onze cópias das Notas Fiscais, da Usina Brasileira de Óleos e Castanhas Ltda Usibras, cujo remetente é João Ângelo Jovino CPF23.116.617368 doc. de fls. 258 às fls. 268. iv) Cento e sessenta e uma Notas Fiscais da Resibras doc. de fls. 269 às fls. 431. Vale ressaltar que entra as notas fiscais entregues pelo contribuinte doc. de fls. 269 às fls. 431 há várias notas fiscais referentes anocalendário de 2004. v) Os outros documentos entregues estão às fls. 432 às fls. 461. [...] 10 Em 12/02/2009 foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal, doc. de fls. 470, através do qual REINTIMAMOS o contribuinte a apresentar Livros Contábeis e Fiscais, bem como o Contrato/Estatuto Social e suas alterações. 11 Em 09/03/2009 foi entregue o arrazoado, doc. de fls. 471, através do qual o contribuinte declara que: "... De acordo com o Fl. 966DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 960 15 solicitado, já foram entregues Extratos da Conta Corrente Bancária em nome da Empresa em comento, Cópia das Notas Fiscais de venda de Castanha de Caju, Recibos da Declaração de ITR, das propriedades em nome do Titular, Copia da Declaração de Firma Individual, com registro na Junta Comercial do Ceará, documentos estes que tenho e que posso apresentar. [o grifo não consta do original] [...] 14 Em 24/03/2009 foi lavrado o Termo de Intimação, doc. de fls. 509 às fls. 516, através do qual INTIMAMOS o contribuinte a comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contascorrente, conforme relação anexa. A ciência do termo ocorreu em 30/03/2009, conforme depreendese do AR, doc. de fls. 517. 15 Em 16/04/2009 foi entregue o arrazoado, doc. de fls. 518 às fls. 519, através do qual o contribuinte, dentre outras informações, declara que: "... De acordo com o solicitado, já foram entregues Estratos da Conta Corrente Bancária em nome da Empresa em comento, Cópia das Notas Fiscais de venda de Castanha de Caju, Recibos da Declaração de ITR, das propriedades em nome do Titular, Cópia da Declaração de Firma Individual, com registro na Junta Comercial do Ceará, documentos estes que tenho e que posso apresentar." [...] Vale ressaltar que o contribuinte foi informado através do Termo de Intimação,lavrado em 24/03/2009, que: "A não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados neste termo, na forma e prazo estabelecidos, ensejará lançamento de oficio, a título de omissão de receita ou rendimento, nos termos do artigo 849, do Regulamento do imposto de Renda RIR/ 99, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem." 1ª intimação: ciência em 18.9.2008, resposta em 16.10.2008; 2ª intimação: ciência em 12.2.2010, resposta em 9.3.2009; 3ª intimação: ciência em 30.3.2009, resposta em 16.4.2009), o contribuinte atendeu a todas as intimações recebidas, explicando que havia apresentado os documentos que tenho e que posso apresentar. Na resposta apresentada em 9.3.2009 (fls. 471, renumerada no eprocesso para fls. 488), a autuada foi explícita ao afirmar que não escriturava o livro caixa, como se vê no trecho a seguir copiado daquele documento: Salientase, nesse sentido, estar formulando o presente requerimento para justificar que como trabalho exclusivamente com produtos primários não tive o cuidado de preencher livro caixa, nem tão pouco, registros de entradas e saídas de produtos, desde que todo o nosso produto, tratase, na maioria de produção própria, vendido diretamente para indústria que emite Notas Fl. 967DF CARF MF 16 Fiscais de todo o produto entregue na mesma e como tal recolhido seus devidos impostos, como prova o calhamaço de Notas Fiscais entregue a esta Culta Auditoria. Assim, apesar de não ter apresentado o livro caixa, a recorrente cientificou à autoridade fazendária que estava impedida de fazê lo,posto que não o havia escriturado. Concluise, portanto, que não ficou comprovado nos autos o motivo referenciado pela fiscalização para agravar a penalidade. Outrossim, podese dizer que não foi criado obstáculo proposital suficiente para justificar a exasperação da penalidade, considerando que as intimações formuladas pelo fisco foram atendidas, sem se configurar atraso significativo na entrega dos documentos possuídos pela fiscalizada. Há de se ressaltar ainda que a deficiência das respostas não trouxe prejuízo à ação fiscal, nem exigiu maior aprofundamento nas investigações. Pelo contrário, o crédito tributário foi lançado exatamente por falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, o que por si só enseja a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Nessas circunstâncias, o mero atraso – sem maior repercussão – no atendimento às intimações feitas pelo fisco também não justificaria o agravamento da penalidade. Em situações análogas, as Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento têm decidido pela impossibilidade de agravar a multa de ofício, como se pode ver nas ementas dos julgados seguintes: DRJ – Salvador ACÓRDÃO Nº 1520147 de 29 de Julho de 2009 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: MULTA AGRAVADA. Incabível a imposição de multa agravada no percentual de 112,5% quando os documentos disponibilizados pelo contribuinte permitiram à fiscalização apurar o montante devido e as diferenças exigidas de ofício. DRJ – Campinas ACÓRDÃO Nº 0532754 de 22 de Fevereiro de 2011 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: [...] Multa Agravada. Embaraço. Não Cabimento. A despeito das reiteradas omissões verificadas no atendimento às intimações fiscais, nas poucas oportunidades nas quais a contribuinte se propôs a atender ao Fisco os documentos apresentados revelaramse, justamente, como os elementos fundamentais para a apuração da omissão de receita, não se Fl. 968DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 961 17 vislumbrando, portanto, embaraço à fiscalização a justificar o agravamento da penalidade. [...] Esse entendimento também está corroborado por decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o que se vê nas decisões transcritas a seguir: Acórdão 2102000.886 Sessão de 24.9.2010 [...]OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. [...] ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA AGRAVADA.O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. [...] Acórdão 130100.270 Sessão de 29.1.2010 MULTA AGRAVADA FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações. [...] Acórdão 10196803 Sessão de 25.6.2008 DESATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO DE PERCENTUAL DE MULTA EX OFFICIO. O agravamento dos percentuais de multa ex officio por desatendimento à intimação para prestar informações, de que trata o § 2º do art. 44 da Lei 9.430/96, pressupõe a caracterização da recusa ou do descaso da fiscalizada em relação às intimações da autoridade fiscal. Descabido o agravamento no caso de falta de apresentação de documentos que a fiscalizada não dispunha. [...] Nessa linha de raciocínio, entendese que deve ser afastado o agravamento da penalidade, prevalecendo a multa de ofício no patamar básico de 75%, de acordo com o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, tendo em vista que o contribuinte atendeu a todas as intimações e que a deficiência das respostas não impediu o prosseguimento da fiscalização, a qual foi concluída com base nas informações colhidas no curso da auditoria. Fl. 969DF CARF MF 18 É incontestável que a fiscalização recebeu e analisou todos os documentos e informações solicitados à Recorrente. Os documentos que não foram entregues à fiscalização, conforme confessado pela própria contribuinte, não existiam. Nesse sentido, não houve qualquer prejuízo à atividade fiscalizatória. A aplicação da multa de ofício agravada decorre da expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por não atendimento pelo sujeito passivo à intimação para prestar esclarecimentos, apresentar arquivos ou documentos. Ou seja, nos casos de intimação do contribuinte e este, de forma desidiosa não preste os esclarecimentos ou não traga os documentos solicitados, de forma à prejudicar o andamento da fiscalização e a atividade da Autoridade Administrativa, é facultado à autoridade fiscalizadora a aplicação da multa agravada. Contudo, não foi isso que ocorreu no caso em apreço. Não é demais lembrar que a multa agravada é medida extremada que deve ser aplicada com cautela, somente quando o contribuinte causar embaraços ou dificuldades à Fiscalização. Nesse sentido, voto pela redução da multa à razão de 75%. Do recurso do solidário Alega o solidário que lhe foi negada a produção de prova e que não teve qualquer vinculação com os fatos geradores dos tributos inadimplidos. Com relação à prova requerida, não trouxe aos autos o recorrente, qual prova pretendia produzir, tampouco o que restaria comprovado. Assim, não tendo qualquer fundamentação lógica seu pedido, não cabe qualquer cerceamento de defesa pelo indeferimento de prova. Com relação à solidariedade do recorrente, cumpre ressaltar que esse caso se difere da maioria dos demais casos com relação à solidariedade prevista no art. 124, I do CTN. Isso porque não se está a frente de uma fraude onde o sócio pretende se esconder atrás de uma interposta pessoa qualquer para que seu patrimônio não seja atingido. Estamos aqui vislumbrado uma situação em que o real proprietário da empresa, apesar de presente naquele local, conforme exposto pelo próprio fiscal, não parecia gerir seus negócios, isso porque o solidário aqui indicado, seu filho era quem tomava a frente das decisões. Isso foi constatado in loco e não logrou êxito o solidário em demonstrar que seu pai, de acordo com o fiscal, um senhor de aparente 80 anos, ainda geria a empresa. A solidariedade da interposta pessoa é quase um ato natural e corriqueiro que acontece em quase todas as famílias quando da idade avançada dos pais, quem tomava conta era seu filho, que além de ter procuração para a movimentação das contas, era quem dava ordens, segundo o fiscal. Pois bem, quanto ao artigo 124, I, tratase de solidariedade que pode atingir seja o contribuinte (pessoa que tem relação com o fato gerador) seja o responsável (pessoa assim indicada por lei), a depender da configuração do "interesse comum" (e, no caso do responsável, da pressuposta previsão legal que o indique como tal). Fl. 970DF CARF MF Processo nº 13312.000614/200966 Acórdão n.º 1401002.634 S1C4T1 Fl. 962 19 Assim, para que se configure o interesse jurídico comum é necessária a presença de tal interesse direto, imediato, no fato gerador, que acontece quando as pessoas atuam em comum na situação que constitui o fato imponível, ou seja, quando participam em conjunto da prática da hipótese de incidência. Esta participação comum na realização da hipótese de incidência ocorre seja de forma direta, quando as pessoas efetivamente praticam em conjunto o fato gerador, seja indireta, em caso de confusão patrimonial e/ou quando dele se beneficiam em razão de sonegação, fraude ou conluio. O que restou demonstrado nos autos foi que a sociedade era gerida/administrada pelo solidário é que se houve qualquer sonegação/omissão de receitas, esse era o responsável, pois estava a frente dos negócios da recorrida. Ou seja, apesar de não contar o Sr. João Ângelo Jovino nos quadros societários da empresa de seu pai, esse se apresentava como se o acionista fosse da recorrida. Para bem dizer, apesar de não ser o solidário o acionista de direito, esse o era de fato. Sendo certo que o art. 124, I propicia a responsabilidade de solidária daqueles que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Nesse sentido, não há como negar a solidariedade do sujeito passivo, pois apesar de não constar o solidário como sócio da empresa, era esse que se apresentava como se acionista da recorrente fosse, devendo recair sobre ele também o ônus da dívida tributária. Conclusão Pelo acima exposto, dou provimento parcial ao recurso apenas para reduzir a multa aplicada para 75%, mantenho em todo a autuação quanto ao crédito tributário aplicando se para as exigências reflexas o que foi decidido em relação a matriz, bem como a manutenção da solidariedade do Sr. João Ângelo Jovino pelas razões acima aduzidas. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 971DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720075/2007-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.910
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO MÓVEIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 75 /2 00 7- 73 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11020.720075/200773 Acórdão n.º 9303006.910 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 340101.123, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11020.720075/200773 Acórdão n.º 9303006.910 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11020.720075/200773 Acórdão n.º 9303006.910 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 247DF CARF MF
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