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Numero do processo: 10855.724175/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA.
A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE.
O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção.
CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA.
O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CONCEITO DE INSUMO. NÃO-CUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificar-se se o insumo enquadra-se nos custos de aquisição e produção - fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIDA. A matéria, que não foi expressamente contestada na impugnação, deve ser considerada como preclusa, quando apresentada em fase recursal, em obediência ao artigo 17, do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. A decadência vem fulminar o direito subjetivo, quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é do contribuinte e não do fisco. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CONCEITO DE INSUMO. NÃOCUMULATIVIDADE. O conceito de insumo é polissêmico, há que se observar o processo produtivo da contribuinte e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. CRÉDITO. FRETES. PRODUTO ACABADO. ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O serviço de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 41 75 /2 01 2- 51 Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10855.724175/201251 Acórdão n.º 3302004.352 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e na parte conhecida, por unanimidade, rejeitar a prejudicial de decadência e, no mérito, por maioria, negarlhe provimento, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, apurado sob a modalidade não cumulativa, decorrente de vendas no mercado interno, referente ao 4o trimestre de 2007. O contribuinte apresentou declaração de compensação vinculadas ao PER Pedido Eletrônico de Restituição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba – SP, por meio do Despacho Decisório constante nos autos, reconheceu em parte o direito creditório, homologando as compensações efetuadas até o limite reconhecido, haja vista principalmente, a glosa de fretes entre estabelecimentos da Empresa, os quais não poderiam ser objeto de creditamento nos termos da legislação vigente. Conforme consta no TVF, foi apurado que parte dos fretes sobre os quais a empresa tomou créditos não se referem a operações de venda, e sim, por questões logísticas, tão somente a operações de distribuição. Cientificada do despacho decisório, a Empresa apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade contestando a glosa dos fretes nas operações de venda, alegando que seria lógico a legislação fiscal possibilitar seu creditamento na sistemática de Pis/Cofins não cumulativos e simplesmente desconsiderar parte destes custos quando, por questões de logística e otimização de carga, o frete é desmembrado. Defende que a realização de transporte de mercadorias, seja de modo direto ou indireto, deve ser considerada sempre como destinado à venda para fins de composição da base de cálculo das referidas contribuições. Não se conformando com o indeferimento da parcela dos créditos calculados sobre fretes de transferência de mercadorias entre matriz e filiais ou entre filiais e centros de distribuição, já que entende tratarse de etapa essencial à atividade da empresa, que possui unidades produtivas em diversos municípios do país. Reforça seu entendimento alegando que a sistemática da nãocumulatividade ampararia o creditamento sobre os fretes entre Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10855.724175/201251 Acórdão n.º 3302004.352 S3C3T2 Fl. 4 3 estabelecimentos conforme calculado. Cita excertos de decisões judiciais e transcreve Soluções de Consulta proferidas pela SRF que entende como favoráveis ao seu entendimento. Conclui então que o procedimento adotado estaria de acordo com o Art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/03. Sobreveio, então, acórdão da DRJ/Porto Alegre, considerando a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 10050.205. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde repisou as alegações da manifestação de inconformidade e solicitou a reversão das glosas em relação ao arrendamento mercantil. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.337, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10855.002716/200729, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.337): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 07 de julho de 2014, fls. 788, e o recurso foi protocolado em 06 de agosto de 2014, fls. 790. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da Matéria Preclusa No Recurso Voluntário, a Recorrente alega que a turma julgadora não emitiu juízo de valor sobre o crédito, decorrente de despesas com arrendamento mercantil. Discorre que a apropriação de créditos, decorrentes de custos com arrendamento mercantil, na apuração da COFINS não cumulativa, não foi condicionada ao fato de que o bem, equipamento ou veículo fosse utilizado na atividade fim da empresa, cita precedente do Carf e solicita a reversão da glosa. De fato, não há no acórdão da DRJ/Porto Alegre qualquer manifestação sobre a glosa de despesas com arrendamento mercantil, contudo, a Recorrente somente apresentou tal tema em fase recursal, não havendo, assim, como a decisão, ora contestada, pronunciarse sobre um tema que não havia sido manifestado no momento oportuno. Vale Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10855.724175/201251 Acórdão n.º 3302004.352 S3C3T2 Fl. 5 4 transcrever a legislação que discorre sobre a matéria que deve versar na impugnação administrativa: Decreto nº 70.235/1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (grifos não constam no original) No caso em análise, a Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, que seria equivalente à impugnação. Por tal motivo, a matéria é preclusa e, portanto, não pode ser conhecida. 3. Da Prejudicial de Mérito Da Decadência A Recorrente alega que, no presente caso, operouse o instituto da decadência, uma vez que o seu pedido de ressarcimento eletrônico foi transmitido em 30 de agosto de 2007 às 16h13min e a sua ciência ocorreu em 17 de setembro de 2012. Assim, entende que concluído o prazo de cinco anos sem a manifestação da Receita Federal do Brasil, o pedido de restituição estaria decaído e, por conseguinte, tacitamente homologado. No caso em análise, observase a existência de dois pedidos: um de ressarcimento e outro de compensação. Assim, em primeiro, lugar é necessário observar se o contribuinte faz jus ao crédito pleiteado no ressarcimento, para, então, poder alocálo no pedido de compensação. Quanto ao pedido de ressarcimento, não há como considerar que há uma homologação tácita pelo decurso de tempo, conferindo direito ao crédito. O período de decadência, em análise, seria para o contribuinte efetuar o pedido de ressarcimento, uma vez que o instituto da decadência apresentase como uma forma de estabilizar as relações jurídicas, pois ela se apresenta como uma forma extintiva do direito subjetivo. No caso, a contribuinte faz jus ao direito subjetivo de pleitear o crédito, que entende que possui. Por outro lado, o fisco faz jus ao direito subjetivo de lançar o crédito, que entende que não foi constituído. Portanto, a decadência vem fulminar o direito subjetivo. Quando se discorre sobre a análise de pedido de restituição, o direito subjetivo é da contribuinte e não do fisco. Assim, a existência do crédito no ressarcimento é premissa necessária para a compensação, não podendo falar em homologação tácita. Ademais, não há previsão legal de prazo para o fisco analisar o pedido de restituição. Portanto, rejeitase a prejudicial de decadência e não se conhece da matéria. 4. Dos Créditos Custos de Fretes Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10855.724175/201251 Acórdão n.º 3302004.352 S3C3T2 Fl. 6 5 A Recorrente alega que incorre em custos inevitáveis e necessários com transporte de seus produtos para suas filiais e centros de distribuição, razão pela qual eles devem integrar a base de créditos do PIS, pois se constituem em um verdadeiro insumo essencial na atividade produtiva da empresa, cita a legislação, entende insumo sob o aspecto da essencialidade. Pleiteia que os seus gastos com frete intermediário, aquele para o transporte de seus produtos para outros estabelecimentos, venham a compor a base de créditos do PIS. Cita soluções de consulta e pleiteia pela aplicação do princípio da isonomia. Por fim, entende que o conceito de insumo deve ser analisado sob a ótica do imposto sobre a renda. Da Informação Fiscal, fls. 731, extraise: 3.6 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda O item IX do artigo 3° da lei 10.833/2003, traz a permissão para crédito de gastos com “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda”, “quando o ônus for suportado pelo vendedor”. A memória de cálculo apresentada pela empresa foi detalhada na planilha 6 – Despesas de Fretes e Armazenagem, gravada no CD 04, cujo conteúdo encontrase digitalmente anexado ao Recibo de entrega de arquivos digitais – READ. Nesta rubrica, ao auditála, percebeuse que o número da nota fiscal elencada na planilha e informada no lançamento contábil, tratavase, na verdade, do número da Fatura, que, como sabemos, pode agregar várias notas fiscais, ou Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas, o CTRC. (...) 3.6.1 – Fretes na Operação de Venda (...) Para calcular o valor do crédito de direito, procedeuse da seguinte forma: Extraímos os fretes interiharas, isto é, os fretes da Iharabrás para a própria Iharabrás, consolidando tais valores a fim de glosálos, nos Anexos IX “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás Jul 2004 a Dez 2004 – Analítico” e Anexo X “Fretes Consolidados Iharabrás Para Iharabrás – Jul 2004 A Dez 2004 – Sintético”. Identificamos os fretes cujo remetente é a Iharabrás, e destinatário diverso, a fim de manter o creditamento. No que tange ao conceito de “insumos”, ele é polissêmico e não deve ser considerado como um termo de âmbito fechado, tampouco extremamente amplo; a sua interpretação há que se balizada pela proporcionalidade e razoabilidade, além do dever de observarse o contexto em que o determinado bem ou serviço está inserido, para, então, poder se configurar como despesas atinentes ao processo produtivo ou à prestação de serviço, Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10855.724175/201251 Acórdão n.º 3302004.352 S3C3T2 Fl. 7 6 havendo, assim, uma orientação própria na interpretação do conceito “insumo” a fim de observar o princípio da nãocumulatividade, presente na contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS. Há que se observar o processo produtivo da Recorrente e verificarse se o insumo enquadrase nos custos de aquisição e produção fatores de produção. Da doutrina contábil, extraise: d) Custo gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens ou serviços. Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço1 Assim, assemelhase, em parte, aos custos de produção e despesas necessárias, previstos nos artigos 290, I, e 299, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, mas não há uma identidade total, devendo ser analisado caso a caso, já que se tratam de materialidades similares, mas não idênticas. Assim, ele não pode ser restrito ao conceito, previsto no IPI, nem tão amplo, quanto na legislação do imposto sobre a renda. Da legislação, extraise: Lei 10.637/2002 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; Lei 10.833/2003 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; 1 MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010, p. 25. Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10855.724175/201251 Acórdão n.º 3302004.352 S3C3T2 Fl. 8 7 Assim, analisando o contexto, deverá se encontrar um caminho adequado, razoável, para equilibrar o conceito de insumo e, portanto, dar cumprimento à legislação, no caso, a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003. O cerne da questão é se fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica pode ser considerado como insumo do processo produtivo. Para esclarecer como ocorre o creditamento de fretes no que concerne à contribuição para o PIS/Pasep, valese da preciosa lição do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no acórdão nº 3302003.210, que explica didaticamente como ocorre e do qual se adota como fundamento: Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. (grifos não constam do original) Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10855.724175/201251 Acórdão n.º 3302004.352 S3C3T2 Fl. 9 8 Pela análise do anexo XIV, fls. 538 e seguintes, e pela própria argumentação da contribuinte, ela pleiteia pelo crédito de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, que por falta de previsão legal, e por não poder ser enquadrado como insumo, não gera direito ao crédito. Por tal motivação, mantémse a decisão da DRJ/Porto Alegre. 5. Conclusão Diante do exposto, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, rejeito a prejudicial de mérito e, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o Recorrente não impugnou a glosa dos créditos decorrentes de despesas com arrendamento mercantil na fase da manifestação de inconformidade, sendo a matéria preclusa; e, portanto, não pode ser conhecida, e, no mérito, aplicase o mesmo entendimento quanto ao crédito de PIS/COFINS de frete no transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, ressalvando que no caso específico do processo não houve litígio quanto à prejudicial de decadência. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, nego provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1064DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901852/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.027
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 1456.771 da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Ressarcimento de IPI e, por conseguinte, não homologara as compensações declaradas. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu preliminarmente a nulidade, por generalidade, do despacho decisório e, no mérito, invocou o princípio da verdade material e pleiteou o reconhecimento da não incidência da taxa Selic e multas sobre os débitos que restaram não compensados. Anteriormente, o contribuinte havia impetrado Mandado de Segurança, tendo obtido decisão liminar, em que se determinou que os pedidos de ressarcimento por ele RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 85 2/ 20 11 -1 6 Fl. 635DF CARF MF Processo nº 13851.901852/201116 Resolução nº 3201001.027 S3C2T1 Fl. 587 2 formulados fossem examinados “no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias, a contar da intimação [da] decisão, sob as penas da lei.” A par da liminar, o contribuinte foi intimado a apresentar livros, documentos e arquivos digitais em 20 dias, tendo a Fiscalização verificado que os arquivos digitais apresentados continham milhares de ocorrências de erros, sendo que, em função dessas incorreções e do prazo exíguo para a prolação da decisão, o pedido foi indeferido. A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o ressarcimento e na existência de previsão legal para a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Quanto à alegação do contribuinte acerca do caráter confiscatório da multa de ofício, o julgador a quo argumentou que a vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar as penalidades nos moldes da legislação que as instituiu. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito postulado e pedindo, alternativamente, a realização de diligência para as apurações cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.025, de 29/08/2017, proferido no julgamento do processo 13851.901697/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.025): A compensação tributária pode ser requerida pelo contribuinte que possua crédito líquido e certo contra a Fazenda. Nesse sentido é a literalidade do artigo 170 do CTN1. A administração, no prazo de 30 dias para análise que lhe foi concedido pelo Poder Judiciário, no âmbito do Mandado de Segurança impetrado pela recorrente, intimou a empresa a apresentar arquivos e documentos que já deviam estar disponíveis. O artigo 11 da Lei 8.218/912 prescreve o dever dos contribuinte de disponibilizar os dados. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 13851.901852/201116 Resolução nº 3201001.027 S3C2T1 Fl. 588 3 A responsabilidade do serviço público é muito grande quando defere restituição/ressarcimento ao contribuinte, pois se trata de transferir recursos da sociedade para o particular. Somente a materialidade provada, líquida e certa autoriza um ato administrativo com essa envergadura de responsabilidade. No presente caso, não existiam condições para tanto. Com efeito, o arquivo próprio para tais tipos de análises, que detalha as notas fiscais, não foi oferecido à administração, posto que aquele apresentado possuía tantos erros que não poderia validamente ser fundamento da restituição/ressarcimento. O Relatório Fiscal aponta milhares e milhares de erros no arquivo digital apresentado, erros inclusive de “IPI inválido”[...]. Resumese: ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2005 7667 Já existe um participante com esta identificação 2005 12 Inconsistência de IPI 2005 6 Inconsistência de Valor 2005 441 IPI Inválido 2005 3 NCM Inválida ou Inexistente 2008 9125 Já existe um participante com esta identificação 2008 186 Inconsistência de ICMS 2008 78 Inconsistência de IPI 2008 18 Inconsistência de Valor 2008 566 IPI Inválido 2008 4 NCM Inválida ou Inexistente 2009 9400 Já existe um participante com esta identificação ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2009 109 Inconsistência de ICMS 2009 44 Inconsistência de IPI 2009 1 Inconsistência de Valor 2009 494 IPI Inválido 2009 3 NCM Inválida ou Inexistente 2010 8875 Já existe um participante com esta identificação 2010 17 Inconsistência de ICMS 2010 1207 Inconsistência de IPI 2010 310 Inconsistência de Valor 2010 13114 IPI Inválido 2010 1 NCM Inválida ou Inexistente Não se configura, portanto, a materialidade do crédito pretendido. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 13851.901852/201116 Resolução nº 3201001.027 S3C2T1 Fl. 589 4 Logo, mais que lícito e fundamentado o indeferimento da compensação. A recorrente poderia, no longo prazo que decorreu desde o indeferimento do Despacho Decisório até hoje, esclarecer as divergências, oferecer outro arquivo, apontar planilhas com, ao menos, parte do crédito devido, indicar a origem material de seu direito, mas não é o que aconteceu. Poderia e deveria, porque o ônus de provar o crédito é seu art. 333 do Código Civil3. Até hoje, entretanto, mantémse na tentativa de obter um deferimento sumário, sem análise de mérito do crédito. A obrigação de esclarecimento do contribuinte é positivada, ainda, artigo 4º da Lei 9.784/99: Art. 4º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos Como pedido alternativo, a recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Em regra, a diligência somente é cabível quando se verifique o esforço da recorrente em esclarecer a materialidade dos fatos. Embora não se verifique inovação probatória na Impugnação e no Recurso Voluntário, que ensejasse a constatação desse esforço, o fato é que, nos casos de Pedido de Ressarcimento de IPI, o próprio programa gerador do pedido exige extensas informações, detalhadas, sobre o crédito. Essas informações indicam a existência de créditos, mas que ainda não foram auditados. Não houve oportunidade de correção dos arquivos digitais, primeiro, pelo prazo de análise imposto pelo Poder Judiciário, e em segundo lugar porque, em regra, essa correção não tem como ser feita nas instâncias julgadoras. À vista de todo o exposto, a comprovação das informações prestadas já no pedido, deve ser oportunizada, por meio dos arquivos digitais corrigidos e outros elementos que o Fisco entender necessários. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal promova auditoria nas informações já prestadas no pedido de ressarcimento, proferindo Despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Destaquese que, assim como ocorreu no acórdão paradigma, neste processo também se verificaram inconsistências nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte para demonstrar o crédito pleiteado. 3 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13851.901852/201116 Resolução nº 3201001.027 S3C2T1 Fl. 590 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado, procedendose à auditoria das informações já prestadas no Pedido de Ressarcimento, valendo se dos dados presentes nos arquivos digitais devidamente corrigidos e em outros elementos que entender necessários, proferindose despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720237/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/12/2010
CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE COOPERATIVAS SUJEITAS À VENDA COM SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se o caso dos autos de aquisição junto à cooperativa de produção agropecuária, observados todos os requisitos legais em relação ao adquirente para que a venda da cooperativa se dê com suspensão, aplica-se o crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925, de 2004.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não-cumulatividade.
REVERSÃO DA GLOSA DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES, INIDÔNEAS, INEPTAS. VERDADE MATERIAL. GLOSA. CABIMENTO.
Restando demonstrado que a recorrente efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudo-atacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas - COFINS, mantém-se as glosas dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/12/2010
CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE COOPERATIVAS SUJEITAS À VENDA COM SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se o caso dos autos de aquisição junto à cooperativa de produção agropecuária, observados todos os requisitos legais em relação ao adquirente para que a venda da cooperativa se dê com suspensão, aplica-se o crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925, de 2004.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS.
Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não-cumulatividade.
REVERSÃO DA GLOSA DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES, INIDÔNEAS, INEPTAS. VERDADE MATERIAL. GLOSA. CABIMENTO.
Restando demonstrado que a recorrente efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudo-atacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas - PIS, mantém-se as glosas dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente.
Numero da decisão: 3302-004.649
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer os documentos juntados após o recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Pelo voto de qualidade, em admitir as provas juntadas pela fiscalização, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado, Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de Araújo e José Renato Pereira de Deus. Os Conselheiros Walker Araújo e José Renato Pereira de Deus votaram pelas conclusões. Pelo voto de qualidade em negar provimento quanto à reversão da glosa de aquisição de café de pessoas jurídicas irregulares/inidôneas/inaptas, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado, Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de Araújo e José Renato Pereira de Deus. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de créditos sobre aquisição de cooperativas sujeitas à venda com suspensão, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto à reversão das glosas dos serviços de frete da Transquality, da glosa relativa à NF 712221 no valor de R$ 30.894,60 e das glosas relativas às notas de devoluções de alho chinês nº 625/626/627/628/629/747. Designada a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar para redigir o voto vencedor.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Lenisa Prado - Relatora
[Assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/12/2010 CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE COOPERATIVAS SUJEITAS À VENDA COM SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se o caso dos autos de aquisição junto à cooperativa de produção agropecuária, observados todos os requisitos legais em relação ao adquirente para que a venda da cooperativa se dê com suspensão, aplica-se o crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925, de 2004. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não-cumulatividade. REVERSÃO DA GLOSA DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES, INIDÔNEAS, INEPTAS. VERDADE MATERIAL. GLOSA. CABIMENTO. Restando demonstrado que a recorrente efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudo-atacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas - COFINS, mantém-se as glosas dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/12/2010 CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE COOPERATIVAS SUJEITAS À VENDA COM SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se o caso dos autos de aquisição junto à cooperativa de produção agropecuária, observados todos os requisitos legais em relação ao adquirente para que a venda da cooperativa se dê com suspensão, aplica-se o crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925, de 2004. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não-cumulatividade. REVERSÃO DA GLOSA DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES, INIDÔNEAS, INEPTAS. VERDADE MATERIAL. GLOSA. CABIMENTO. Restando demonstrado que a recorrente efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudo-atacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas - PIS, mantém-se as glosas dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer os documentos juntados após o recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Pelo voto de qualidade, em admitir as provas juntadas pela fiscalização, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado, Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de Araújo e José Renato Pereira de Deus. Os Conselheiros Walker Araújo e José Renato Pereira de Deus votaram pelas conclusões. Pelo voto de qualidade em negar provimento quanto à reversão da glosa de aquisição de café de pessoas jurídicas irregulares/inidôneas/inaptas, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado, Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de Araújo e José Renato Pereira de Deus. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de créditos sobre aquisição de cooperativas sujeitas à venda com suspensão, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto à reversão das glosas dos serviços de frete da Transquality, da glosa relativa à NF 712221 no valor de R$ 30.894,60 e das glosas relativas às notas de devoluções de alho chinês nº 625/626/627/628/629/747. Designada a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar para redigir o voto vencedor. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Lenisa Prado - Relatora [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/12/2010 CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE COOPERATIVAS SUJEITAS À VENDA COM SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose o caso dos autos de aquisição junto à cooperativa de produção agropecuária, observados todos os requisitos legais em relação ao adquirente para que a venda da cooperativa se dê com suspensão, aplicase o crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925, de 2004. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. REVERSÃO DA GLOSA DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES, INIDÔNEAS, INEPTAS. VERDADE MATERIAL. GLOSA. CABIMENTO. Restando demonstrado que a recorrente efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudoatacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas COFINS, mantémse as glosas dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/12/2010 CRÉDITOS SOBRE AQUISIÇÃO DE COOPERATIVAS SUJEITAS À VENDA COM SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 37 /2 01 1- 13 Fl. 22505DF CARF MF 2 Tratandose o caso dos autos de aquisição junto à cooperativa de produção agropecuária, observados todos os requisitos legais em relação ao adquirente para que a venda da cooperativa se dê com suspensão, aplicase o crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925, de 2004. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. REVERSÃO DA GLOSA DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ. IMPOSSIBILIDADE. PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES, INIDÔNEAS, INEPTAS. VERDADE MATERIAL. GLOSA. CABIMENTO. Restando demonstrado que a recorrente efetuou aquisições de café de pessoas jurídicas pseudoatacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas PIS, mantémse as glosas dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer os documentos juntados após o recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Pelo voto de qualidade, em admitir as provas juntadas pela fiscalização, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado, Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de Araújo e José Renato Pereira de Deus. Os Conselheiros Walker Araújo e José Renato Pereira de Deus votaram pelas conclusões. Pelo voto de qualidade em negar provimento quanto à reversão da glosa de aquisição de café de pessoas jurídicas irregulares/inidôneas/inaptas, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado, Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de Araújo e José Renato Pereira de Deus. Por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário quanto à possibilidade de créditos sobre aquisição de cooperativas sujeitas à venda com suspensão, vencidos os Conselheiros Lenisa Rodrigues Prado e Walker Araújo. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto à reversão das glosas dos serviços de frete da Transquality, da glosa relativa à NF 712221 no valor de R$ 30.894,60 e das glosas relativas às notas de devoluções de alho chinês nº 625/626/627/628/629/747. Designada a Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar para redigir o voto vencedor. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Lenisa Prado Relatora [Assinado digitalmente] Fl. 22506DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.506 3 Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dérouledè (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório O presente processo foi formalizado para tratamento dos pedidos de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativos decorrentes de operações no mercado externo, de que tratam os artigos 3° e 5° da Lei n° 10.637/2002 e os artigos 3° e 6° da Lei 10.833/2003, bem como dos pedidos de ressarcimento de PIS e Cofins nãocumulativos decorrentes de operações no mercado interno, de que tratam o artigo 17 da Lei 11.033/2004 e o artigo 16 da Lei 11.116/2005. Foram apresentados 54 pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS com incidência nãocumulativa, sendo 30 decorrentes de operações destinadas ao exterior e 24 referentes as operações no mercado interno, cujos pedidos de apuração dos créditos ocorreram no período que engloba o 2º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de 2010, inclusive. A Delegacia da Receita Federal/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 1075/1080, com base no Parecer SEFIS n° 269/2011, fls. 854/1074, no qual reconheceu em parte o direito creditório pleiteado e homologou parcialmente as compensações declaradas. Em decorrência da decisão proferida foram lavrados os Autos de Infração de fls. 2/13 e 14/26 do Processo apenso n° 15586.720304/201191, relativos a falta de recolhimento e multa isolada sobre o valor do crédito indeferido/indevido nos pedidos de ressarcimento, nos valores totais de R$ 10.276.282,95 para a Cofins, e R$ 2.290.868,04 para o PIS. No Parecer SEFIS n° 269/2011 a autoridade fiscal informa que com base na análise na documentação apresentada pela interessada, bem como de informações extraídas dos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal, foram efetuadas glosas em parte dos créditos informados nos Dacon. Conseqüentemente, os pedidos de ressarcimento ora apresentados pela empresa foram parcialmente deferidos, e as respectivas Declarações de Compensação parcialmente homologadas. Todos os ajustes realizados pela fiscalização, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no Demonstrativo de Apuração do PIS, constante às fls. 689/692, bem como no Demonstrativo de Apuração da Cofins às fls. 693/696. O crédito presumido e o crédito vinculado às receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes do crédito vinculado a receitas não tributadas no mercado interno e antes do crédito vinculado a receitas de exportação, em função da vedação legal de se efetuar o ressarcimento ou a compensação de outros tributos administrados pela SRF com esses créditos. Fl. 22507DF CARF MF 4 A falta/insuficiência de recolhimentos de PIS/COFINS, resultado da recomposição dos créditos a descontar, consta dos Demonstrativos de Apuração de PIS e Cofins às fls. 689/692 e 693/696, respectivamente. O auto de infração dos débitos acima lançados bem como o respectivo relatório de fiscalização, constam do Processo Administrativo n° 15586.720304/201191, apenso, para fins de julgamento simultâneo (Portaria 666/2008). Após a recomposição dos créditos a descontar, restou comprovado o não reconhecimento dos valores pleiteados nos Pedidos de Ressarcimento n. 30483.24920.090811.1.5.086262, 39137.81086.281010.1.5.081587, 13052.70078.090811.1.5.082962, 0979.50719.090811.1.5.095801, 38650.01911.290711.1.5.091246 e 00034.987779.09.0811.1.5.098014. Por esse motivo, foi aplicada multa isolada de 50% sobre o montante do crédito indeferido ou indevido nos pedidos de ressarcimento acima identificados, em conformidade com o disposto nos parágrafos 15 a 17 do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei n. 12.249/2010. Cientificada em 14/12/2011 a interessada apresentou em 13/01/2012 a manifestação de inconformidade de folhas 1273 a 1360 e a impugnação de folhas 1490 a 1495 nas quais alega, em síntese, que: a) Créditos de serviços não admitidos, dentre os quais estão os serviços administrativos, de auditoria e consultoria, decorrentes atividades meio, de manutenção de computadores, de telefonia fixa ou móvel, de comercialização, da produção, dentre outros Neste tópico a contribuinte reconhece que, por um erro de interpretação, creditouse das contribuições nas referidas operações, à exceção da operação de aquisição de açúcar amorfo, operação esta datada de 07/05/2009, no valor de R$ 30.894,60; b) Créditos decorrentes da despesa de frete em transferência entre filiais A recorrente esclarece que esse crédito corresponde as transferências de produtos entre vendedores/armazéns gerais para as unidades da Tangará, sempre por interpostas pessoas, até mesmo porque a contribuinte não atua no setor de transportes e não tem os veículos necessários para tanto; c) Apropriação de crédito na aquisição de insumos com alíquota zero a contribuinte reconhece que, por erro de interpretação, creditouse das contribuições em operações sujeitas à alíquota zero, à exceção das operações correspondentes às Notas 625/626/627/628/629 e 747; e à Nota 58649, de 21/12/2009; d) Serviços adquiridos da Secretaria Municipal de Estrutura Urbana Da mesma forma que no item b, a recorrente afirma que a falha na conversão das informações contidas no quantum (utilizado pela empresa até meados de 2009) do formato txt para o formato excel e no agrupamento das informações, para atendimento da solicitação fiscal contida na Intimação Fiscal n° 01/11, devido a uma coincidência de números das notas fiscais, o programa utilizado ao fazer o vínculo entre o emitente e o número da nota correspondente buscou o fornecedor indevido, levando ao erro apontado no presente tópico. Desta feita, temse que as notas fiscais listadas na planilha de fl. 28 referemse, em sua totalidade, a documentos relativos a prestação de serviço de armazenamento da Dínamo Armazéns Gerais LTDA, consoante planilha abaixo e notas fiscais anexas; e) Serviços adquiridos da CONAB A recorrente reconhece a incorreção relacionadas às informações prestadas nas Notas Fiscais 2369 e 2370, porque não se referem à venda de "estoques estratégicos" do Governo Federal, e sim à prestação de serviços de armazenagem; Fl. 22508DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.507 5 f) Serviços adquiridos com suspensão Ocorre que a Tangará, não se enquadrava nos anos imediatamente anteriores aos das operações, quais seja 2007 a 2009, no conceito de "atividade preponderantemente exportadora" descrito no §1° do art. 40, pois a receita bruta de exportação não alcançou o percentual ali fixado. A despeito da informação contida no relatório fiscal de que as notas da Transquality Transporte LTDA conteriam no campo observações a expressão: "saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, conforme Lei 11.488, art. 31". Temse que se trata de informação inverídica, pois somente em ínfima parte das notas consta tal informação. Desta feita tendo em vista que a contribuinte não se enquadra na situação de empresa preponderantemente exportadora, verificase que não tem fundamento legal a glosa dos créditos decorrente das operações listadas nas planilhas de fls. 32 a 71; g) Aquisição de café de sociedades cooperativas Em virtude da sistemática da não cumulatividade é integralmente devido o crédito oriundo das operações de vendas de produtos de cooperativas de pessoas jurídicas; h) Aquisição de café com suspensão A contribuinte reconhece que procedeu ao creditamento indevido de PIS/Cofins apontados pela autoridade fiscal. Entretanto, a glosa dos créditos descritos nas NF'S: 1.159, 1.160 e 1.161 deve ser revista uma vez que o sistema agrupou mais de uma nota num mesmo fornecedor, sendo que apenas uma delas estava ao amparo da suspensão do tributo; i) Aquisição de café de produtores rurais pessoas físicas Alega a impugnante que, assim como exposto nos itens 2 e 4, devido a uma falha na conversão das informações contidas no sistema quantum (utilizado pela empresa até meados de 2009) do formato txt para o formato excel e no agrupamento das informações, para atendimento da solicitação fiscal contida na Intimação Fiscal n° 01/11, devido a uma coincidência de números das notas fiscais, o programa utilizado ao fazer o vínculo entre o emitente e o número da nota correspondente buscou o fornecedor indevido, levando ao erro apontado no presente tópico; j) Aquisições de café de pessoas jurídicas irregulares A contribuinte afirma que todas as operações listadas efetivamente ocorreram, sem exceção. Ademais, registra o fato que há época das operações todas as empresas fornecedores encontravamse em situação cadastral "apta/regular". Diante do robusto quadro fático e normativo, bem como os esclarecimentos apresentados, a Manifestação de Inconformidade/ Impugnação apresentada pela contribuinte foi parcialmente acolhida, em acórdão que foi assim sumariado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2010 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. Fl. 22509DF CARF MF 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2010 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. COFINS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários adquiridos de cooperativas de atividade agropecuária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2010 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. PIS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários adquiridos de cooperativas de atividade agropecuária. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, motivo pelo qual os autos ascenderam a este Conselho. Voto Vencido Fl. 22510DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.508 7 Conselheira Lenisa Rodrigues Prado A contribuinte tomou conhecimento sobre o teor do acórdão proferido pela 17ª Turma da DRJ/RJ na oportunidade do julgamento da manifestação de inconformidade/ impugnação em 25/08/2014, pela abertura dos documentos disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal ECAC), conforme está registrado no Termo de Abertura de Documento (acostado à folha 22110 dos autos eletrônicos). A contribuinte solicitou tempestivamente a juntada da petição de recurso voluntário em 24/09/2014 (certidão acostada à folha 22112 dos autos eletrônicos). Presentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade, submeto as razões do apelo voluntário ao julgamento deste Colegiado. 1. PRELIMINAR A recorrente se insurge contra as provas apresentadas pela autoridade fiscal para justificar a autuação no que concerne as aquisições de café de pessoas jurídicas irregulares. Sua indignação consiste no fato que os depoimentos de produtores rurais, corretores, sócios e direitos de empresa criminalmente investigadas foram utilizadas pela autoridade fiscal como o único substrato de provas para justificar a autuação sob julgamento. Não obstante o fato de terem sido utilizados depoimentos e provas referentes às empresas com as quais a contribuinte nunca operou, ainda não foi conferida à recorrente o direito a se manifestar sobre as provas angariadas aos presentes autos. A irresignação da contribuinte foi assim registrada: "Cumpre argüir, em sede de preliminar, por se tratar de questão prejudicial, o fato de que o item 10, que corresponde a parte substancial do lançamento baseiase em provas emprestadas, em especial nos depoimentos de produtores rurais, corretores, sócios e diretores das empresas que denomina como 'fornecedoras', no curso das Operações Tempo de Colheita e Broca. Ocorre que a Recorrente, consoante já exposto em sede de impugnação não foi arrolada, citada ou instada a manifestar se nas referidas operações, razão pela qual as provas nelas colhidas não se lhe aplicam, pois cuidamse de PROVAS EMPRESTADAS" (fl. 2215, grifos no original) "In casu, o absurdo da prova emprestada utilizada (depoimentos colhidos em processos totalmente estranhos à Recorrente), tornase ainda mias evidente quando se verifica que o relatório fiscal, que fundamentou o item 10 da autuação, é uma verdadeira mala direta, pois trata de diversos produtores com os quais a Recorrente sequer operou, por óbvio que as provas foram produzidas em procedimento diverso, do qual a Recorrente não fez parte. Ora, se a Recorrente não foi investigada, indiciada ou mesmo chamada a depor nas investigações conduzidas nas Operações Tempo de Colheita e Broca, é porque não recaiam suspeitas de que estaria envolvida nas situações ali tratadas" (fl. 22117 grifos no original). Fl. 22511DF CARF MF 8 A argumentação apresentada em preliminar é, na verdade, um intróito para a robusta contestação formulada pela recorrente nos capítulos que se seguem. 2. MÉRITO Considerando o provimento parcial da manifestação de inconformidade/ impugnação pela instância de origem1, remanescem sob discussão somente os questionamentos acerca da manutenção das seguintes glosas: (i) sobre a aquisição de açúcar amorfo; (ii) sobre as Notas Fiscais n. 625/626/627/628 e 747; (iii) sobre os serviços adquiridos com suspensão com a finalidade de exportação; (iv) sobre as aquisições de café das sociedades cooperativas; (v) sobre a aquisição de café de produtores rurais pessoas físicas, e (vi) sobre a aquisição de café das pessoas jurídicas consideradas irregulares. 2.1. CRÉDITOS DE SERVIÇOS NÃO ENQUADRADOS NA DEFINIÇÃO DE INSUMOS. A instância de origem manteve a glosa sobre o crédito decorrente da Nota Fiscal n. 712221, de 07/05/2009, no valor de R$ 30.894,60, porque chegouse a conclusão que tais despesas seriam, na verdade, correspondentes à prestação de serviços de comunicação prestadas pela Embratel, custo esse que não gera o crédito reclamado. No entanto, a contribuinte afirma que esta despesa se refere à aquisição de açúcar refinado amorfo, operação sobre a qual incidem PIS e COFINS. Esclarece que essa confusão entre o efetivo custo registrado no valor indicado, é um dentre vários problemas derivados da conversão das informações contábeis que originalmente inseridas no padrão txt foram convertidas para o formato xslx, em estrita obediência à ordem emanada pela fiscalização. A conversão afetou as informações registradas, resultando nas inconsistências reportadas e devidamente corrigidas. A contribuinte trouxe aos autos cópia do DANFE2 (fls. 1376/1377 dos autos eletrônicos) onde está registrado o destaque das contribuições, bem como cópia de seu Livro Diário onde consta que no dia 11/05/2009 a única nota registrada no valor de R$ 30.894,60 referese à aquisição do açúcar amorfo, de onde se origina o crédito ora reclamado3. Diante das provas existentes nos autos, entendo que não deve prevalecer a alegação fiscal, de modo a cancelar a glosa apontada. 1 O Colegiado que apreciou as razões da impugnante concluiu pelo cancelamento das glosas sobre (i) frete do café entre vendedores/armazéns (já que comprovados pela juntada dos conhecimentos de frete); (ii) sobre a Nota Fiscal 58649, de 21/12/2009; (iii) sobre os serviços adquiridos da Secretaria Municipal de Estrutura Urban; (iv) sobre os serviços de armazenagem de grãos prestados pela CONAB; e (v) sobre as aquisições de café com suspensão. 2 São informações registradas no Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica que os 1.200 quilos de açúcar foram adquirido da Açúcar Guarani S.A., no dia 07/05/2009, 3 Considerando que a recorrente atua no comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios. Sua atuação consiste na industrialização do café, no beneficiamento de cereais, no comércio de subprodutos siderúrgicos e defensivos agrícolas e fertilizantes. Atua também na exploração de atividade de armazéns gerais, e a previsão contida nos art. 3º das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, é correto afirmar que utiliza o açúcar (dentre outros produtos) como insumos para a fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 22512DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.509 9 2.2. INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. A autuação, no que concerne os insumos alíquota zero, foi tratada no Parecer SEFIS n. 269/2011 da seguinte maneira: "A Tangará se apropriou de créditos referentes a diversas aquisições de produtos com alíquotas zero, conforme listamos: alho chinês (art. 28, III, Lei n.10.865/2004 e códigos 0712.90.10/0712.90.10 da TIPI), arroz branco polido (...), banana em flocos (...), cebola em pó desidratada, coco ralado, metamidofos fersol e carboran fersol (...) e glifosato (...). Observouse que houve o aproveitamento de créditos tanto na compra desses bens ou insumo, como nas despesas de frete decorrente dessas aquisições. (...) Não obstante, se não há previsão legal à apuração de crédito na aquisição de bens tributados à alíquota zero, e se as despesas de frete incorridas para seu transporte integram o curso de aquisição destes bens, logicamente, não poderia ter sido aproveitado crédito nas despesas de frete utilizadas para o seu transporte" (fls. 878/879) Como esclarecido no item anterior, a recorrente reconhece que por um erro operacional creditouse equivocadamente das contribuições em operações sujeitas à alíquota zero. Porém, dentre essas operações entende ter agido com acerto no que concerne a aquisição de alho da China (Notas Fiscais n. 625/626/627/628/629 e 747), e também na operação registrada na Nota Fiscal n. 58649, de 21/12/2009 (a legitimidade da apropriação dos créditos sobre essa última nota fiscal foi reconhecida no julgamento da impugnação). A justificativa apresentada no acórdão recorrido para manter a glosa das operações entabuladas com a China foi que as notas de devolução não teriam sido trazidas aos autos e as planilhas não detém a presunção de legitimidade necessária para confirmar a idoneidade das operações. A recorrente afirma que as notas fiscais apontadas pela autoridade fiscal na planilha de folhas 879/880 se referem à operação através da qual a Recorrente vendeu alho chinês para a Sanes do Brasil, para tanto a Recorrente emitiu os documentos fiscais n° 130338, 130339, 130340, 130341, 130342 e 130343, devidamente apresentadas em sede de Impugnação (fls. 1615 a 1684). Estes valores compuseram juntamente com os demais débitos, os valores de PIS (R$ 111.961,99) ficha 07/A da Dacon 08/2009 e Cofins (R$ 515.703,70) ficha 17/A da Dacon 08/2009 . NOTA SERIE DATA TIPO CFOP CNPJ CLIENTE PRODUTO VR.CONTABIL DEBITO PIS DEBITO COFINS 130338 27/08/2009 NF 6.106 03718276000106 SANES BRASIL AGROINDUSTRIAL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 Fl. 22513DF CARF MF 10 130339 27/08/2009 NF 6.106 03718276000106 SANES BRASIL AGROINDUSTRIAL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 130340 27/08/2009 NF 6.106 03718276000106 SANES BRASIL AGROINDUSTRIAL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 130341 27/08/2009 NF 6.106 03718276000106 SANES BRASIL AGROINDUSTRIAL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 130342 27/08/2009 NF 6.106 03718276000106 SANES BRASIL AGROINDUSTRIAL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 130343 27/08/2009 NF 6.106 03718276000106 SANES BRASIL AGROINDUSTRIAL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 810.900,00 13.379,85 61.628,40 Porém, estas vendas não se concretizaram, ocorrendo assim, a emissão de notas de devoluções 625/626/627/628/629/747 (docs. anexos), também devidamente apresentadas em sede de Impugnação, fls. 1615 a 1684. Tais notas, juntamente com as demais notas de devolução de vendas somaram o valor de R$ 682.736,98, e foram informados na linha 12 das fichas 06/A e 16/A da Dacon 08/2009, originando o crédito. Notas fiscais de Devolução ref.08/2009 ‐ Valor informado na linha 12 das fichas 06/A e 16/A NOTA SERIE DATA CFOP CNPJ FORNECEDORES PRODUTO VR.CONTABIL CREDITO PIS CREDITO COFINS 1207 U 04/08/2009 2.202 481352000106 CARLOS JUNIOR FERNANDES GATT GELEIA DE BRILHO NEUTRA 141,88 2,34 10,78 124804 1 06/08/2009 2.949 13353040000169 SUELI LUCAS ME FLOCOS DE BATATA(NUTRICI)6X1KG 345,00 5,69 26,22 127049 1 14/08/2009 2.949 87001335061675 PURAS DO BRASIL SOCIEDADE AN FLOCOS DE BATATA(NUTRICI)6X1KG 4.980,00 82,17 378,48 129105 1 24/08/2009 2.949 42333419000105 GALETO PIUPTU LTDA FLOCOS DE BATATA(NUTRICI)6X1KG 219,00 3,61 16,64 129106 1 24/08/2009 2.949 83850768000181 RESTAURANTE PER TUTTI LTDA M FLOCOS DE BATATA(NUTRICI)6X1KG 238,20 3,93 18,10 1789 U 24/08/2009 2.201 91963512000109 EDILSON PORTES GARCEZ FLOCOS DE BATATA(NUTRICI)6X1KG 183,60 3,03 13,95 4 U 06/08/2009 2.201 9361138634 MANOEL TADEU VICENTE LOBATO FLOCOS DE BATATA(NUTRICI)6X1KG 302,94 5,00 23,02 624 1 31/08/2009 2.949 15626666000127 ROBERTO SENA CASTRO FLOCOS DE BATATA(NUTRICI)6X1KG 236,70 3,91 17,99 625 1 31/08/2009 2.949 3718276000106 SANES BRASIL AGROINDL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 626 1 31/08/2009 2.949 3718276000106 SANES BRASIL AGROINDL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 627 1 31/08/2009 2.949 3718276000106 SANES BRASIL AGROINDL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 628 1 31/08/2009 2.949 3718276000106 SANES BRASIL AGROINDL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 629 1 31/08/2009 2.949 3718276000106 SANES BRASIL AGROINDL LTDA ALHO CHINES 135.150,00 2.229,98 10.271,40 745 U 20/08/2009 2.201 8206699000152 PASTA Y SALSA PRODALIMLTDA FLOCOS DE BATATA(NUTRICI)6X1KG 339,66 5,60 25,81 682.736,98 11.265,16 51.888,01 A Nota Fiscal 747 foi lançada na linha 12 das fichas 06/A e 16/A da Dacon 09/2009, consoante memória abaixo: NOTA XEKIE DATA CFOP CHPJ FORNECEDORES PRODUTO T*L*K C*HT*ftkL CREDITO PIS 3485 1 16/03:2003 2.343 3500338000163 ROSS & CIA LTDA rLOCOSDE E<ATATA|HUTPICI|EX1KG 363,30 5,33 2T.61 3486 1 14/03:2003 2.343 245253000125 IYAN MELO IBIAPINA_EPP rLOCOSDE E<ATATA|HUTPICI|EX1KG 204,00 3.3T 15,50 3432 1 14:03:2003 2.343 38141620001T5 HIPERPAHIFELAHCHBELAVIS RECHEIO PRONTO CONF SE ERIGAD 152,32 2,51 11,58 4000 1 16:03:2003 1.343 50335436000655 EXPPEEE0JUHDIAIEAOPAUL0L rLOCOS DE E<ATATA|HUTPICI|EX1KG 226,20 3.T3 1T.13 4001 1 16:03:2003 1.343 8T0013350T5382 PURAS DO BRASIL S:A TLOCOSDE E<ATATA|HUTPICI|EX1KG 226,20 3.T3 1T.13 5035 1 21:03:2003 2.343 3354110000126 SORVETE BAIANINHO LTDA SORO COMUM (MASTER) 25KG 1.003.25 16.65 T6.T0 5650 1 23:08:2008 2.848 41756883000141 J C DE PAULA RECHEIO PRONTO COHF SB ERIGAD 146,46 2,42 11,13 5885 28:08:2008 2.201 3615680000146 HELDKAIHDCCHPP.CD11ATAL1 SORO COMUM (MASTER) 15KG 3TT.00 6,22 25,65 662T 1 25:03:2003 2.343 1TT311T0001T0 HAP.IZA IHDC0HDAAHAZ0HIAL SORO COMUM (MASTER) E.5KG T.350,00 131,18 604,20 T4T 1 01:03:2003 2.343 3T182T6000106 EAHEE PPAEIL AGP0IHDL LTDA ALHO CHINÊS 135.150,00 2.223,38 10.2T1.40 T51 1 01:03:2003 2.343 6360T540001T0 TkC C0HEPCI0 E>E ALIHEHT0E LT rLOCOSDE E<ATATA|HUTPICI|EX1KG 152.T0 2,52 11,61 33 4 16:03:2003 2.201 T13818380001T4 EkHDIETPPEPPPODALlHEHTK fLOCOEDE E<ATATA|HUTPICI|EX1KG 6.012,00 33,20 456,31 1S1.363.43 2.S 0T.S0 11. S43.6S De acordo com as informações prestadas e comprovadas pela recorrente, a situação narrada resultou em efeito zero na tributação, o que significa que não houve recolhimento do tributo, sequer a utilização indevida dos créditos, o que enseja o cancelamento da glosa. 2.3. SERVIÇOS ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO. Fl. 22514DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.510 11 A autuação fiscal , no que concerne o tópico sobre os serviços adquiridos com suspensão, foi instaurada nos seguintes contornos: "Depreendese dos §§ 2º e 6º que as receitas de frete ficarão suspensas, quando contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional, e mais, nas notas fiscais deverão constar a expressão 'Saída com suspensão da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins', com a especificação do dispositivo legal correspondente. (...) Foi observado que, nas notas fiscais de frete emitidas pela empresa TransQualisty Transportes Ltda, CNPJ 65.185.472/000101, foi informado no campo observações a expressão 'SAÍDA COM SUSPENSÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS, CONFORME LEI N. 11.488 ART. 31'. E com fulcro no art. 3º, § 2º, inciso II, acrescido pelo art. 37 da Lei n. 10.865/2004 e Solução de Divergência COSIT n. 5, de 17/03/2008, ficou vedado, a partir de 01/08/2004, o aproveitamento de créditos relacionados a aquisição de bens ou serviços não sujeitas ao pagamento da contribuição, exceto nos casos de aquisições isentas que resultem em saídas sujeitas ao pagamento das contribuições. Nesta senda, a Tangará não poderia ter se apropriado de créditos nas aquisições de serviços de frete com suspensão das contribuições" (fls. 884/885) Por sua vez a contribuinte defende que os requisitos previstos na legislação pertinente ao debate apresentado, não lhe permitiam assumir a condição de pessoa jurídica preponderantemente exportadora nos anos de 2007, 2008 e 2009, porque não atingiu o percentual mínimo de operações de exportação. Segue a esteira do raciocínio trilhada pela recorrente: "Nos termos do caput do art. 40 da Lei n° 10.865/20044 'A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora'. Como visto o caput do art. 40 condiciona a referida suspensão a atividade/ situação da destinatária do produto que há de ser considerada "preponderantemente exportadora". 4 Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Fl. 22515DF CARF MF 12 O §1° do art. 40 da lei retrorreferida conceitua como preponderantemente exportadora a pessoa jurídica: 'cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido igual ou superior a 70% (setenta por cento) de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no mesmo período, após excluídos os impostos e contribuições incidentes sobre a venda'. Ocorre que a Tangará, não obstante atuar no comércio exterior, não se enquadrava nos anos imediatamente anteriores aos das operações, quais seja 2007, 2008 e 2009, no conceito de 'preponderantemente exportadora', como descrito no §1° do art. 40, pois a sua receita bruta com exportação não alcançou o percentual ali fixado (70%), senão vejamos: 2007 % 2008 % 2009 361.906.609,25 100,00 514.355.592,98 100,00 740.672.604,70 100,00 Vendas de Mercadorias 184.428.654,32 50,96 176.291.281,69 34,27 496.392.317,95 67,02 Vendas Mercadorias Importadas 18.317.314,55 5,06 16.862.846,94 3,28 140.114.880,9 8 18,92 Vendas Mercadorias Nacionais 13.178.877,84 3,64 24.801.752,72 4,82 23.958.701,99 3,23 Vendas Mercadorias p/Exterior 68.087.209,86 18,81 113.546.601,6 4 22,08 332.318.734,9 8 44,87 Vendas Merc. Nac. Lei 10.925/04 Art. 1 7.509.122,65 2,07 5.420.346,59 1,05 Vendas Materiais Diversos 81.124,30 0,02 156.611,30 0,03 Venda Merc. Imp. Lei 10.925 A. 1 Inc XI 77.255.005,12 21,35 15.503.122,50 3,01 Vendas de Produtos 176.700.578,57 48,82 334.335.794,07 65,00 240.861.987,31 32,52 Vendas de Produtos 15.696.229,07 4,34 7.943.221,53 1,54 140.980.986,1 7 19,03 Venda de Produtos P/Exterior 120.157.393,5 5 33,20 263.928.766,0 6 51,31 99.881.001,14 13,49 Venda Prod. Lei 10.925 Art. 1 inc XI 40.846.955,95 11,29 62.363.644,12 12,12 Vendas de 100.162,36 0,02 Fl. 22516DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.511 13 Produtos ZFM Serviços 777.376,36 0,21 3.728.517,22 0,72 3.418.299,44 0,46 Serviço de Armazenage m 777.376,36 0,21 3.728.517,22 0,72 3.418.299,44 0,46 Desta feita, resta evidente que as receitas da Recorrente com exportação não atingiram o percentual mínimo exigido de 70%, para que tivesse sua atividade caracterizada como preponderantemente exportadora. Também não merece prevalecer a interpretação adotada pela DRJ que bastaria a destinação dos produtos ao exterior, uma vez que o § 4º do art. 40 da Lei n. 10.865/2004 Contudo, tal argumento de que bastaria a destinação ao exterior, se confrontado com a letra da lei, cai por terra, haja visto o disposto no parágrafo 4°, do artigo 40 da Lei n° 10.865/20045 apresenta os requisitos indispensáveis a serem observados para que as empresa possam ser consideradas preponderantemente exportadoras. E é nesse mesmo sentido a previsão contida no parágrafo 6°A do artigo 40 da Lei n° 10.865/2004, verbis: Art. 40. (...) § 6oA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei n° 11.774. de 2008) I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e (Incluído pela Lei n° 11.488. de 2007) II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora A recorrente ainda esclarece que as informação contidas em algumas das notas fiscais ("saída com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, conforme Lei 11.488, art. 31") é, na verdade, informação inverídica, posto que: 5 Art. 40. (...) § 4o Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão: I atender aos termos e às condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal; e declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atende a todos os requisitos estabelecidos. Fl. 22517DF CARF MF 14 "tal informação consta numa parte ínfima das notas, enquanto se está tratando de um universo de 1.344 (um mil trezentos e quarenta e quatro) documentos fiscais, cujos créditos foram ilegitimamente glosados do contribuinte, com base em entendimento errôneo". E continua a explanar que: "ainda que de todas as notas constassem referidos dizeres mera inscrição na nota fiscal não tem o condão de induzir a determinada situação jurídica, pela prevalência da matéria sobre a forma". Ainda que se entenda que a legislação apresentada alhures não seja pertinente ou ampare a pretensão da recorrente, entendo que a autuação deve ser cancelada, diante do conteúdo da Solução de Consulta n° 150/2013 que firmou entendimento no sentido de que as receitas de frete, referentes ao transporte do produto até a saída do território nacional, para o fim de exportação, mesmo quando contratado pelas empresas comerciais exportadoras estão sujeitas a tributação pelo PIS e pela COFINS, vejamos: SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF08 N° 150, DE 03 DE JULHO DE 2013 (Publicado(a) no DOU de 28/08/2013, seção , pág. 23) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITA DE FRETE CONTRATADO POR EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. EXPORTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins RECEITA DE FRETE CONTRATADO POR EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. EXPORTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITA DE FRETE CONTRATADO POR EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. EXPORTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Receitas de frete, referentes ao transporte de produto até o ponto de saída do território nacional, para o fim de exportação, quando contratado por Empresa Comercial Exportadora ECE, estão sujeitas à tributação da contribuição para o PIS/Pasep, não gozando de não incidência ou isenção em relação a tal contribuição, por ausência de previsão legal. Dispositivos Legais: Lei n° 10.865, de 2004, art. 40; Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, art. 45, §1°; Lei n° 10.637, de 2002, arts. 5° e 7°; Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 14, incisos II, VIII e IX; Instrução Normativa RFB n° Fl. 22518DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.512 15 1.152, de 2011, art. 3°; Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, arts. 584 e 585. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins RECEITA DE FRETE CONTRATADO POR EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. EXPORTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. Receitas de frete, referentes ao transporte de produto até o ponto de saída do território nacional, para o fim de exportação, quando contratado por Empresa Comercial Exportadora ECE, estão sujeitas à tributação da Cofins, não gozando de não incidência ou isenção em relação a tal contribuição, por ausência de previsão legal. Dispositivos Legais: Lei n° 10.865, de 2004, art. 40; Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, art. 45, §1°, Lei n° 10.637, de 2002, arts. 6° e 9°; Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 14, incisos II, VIII e IX; Instrução Normativa RFB n° 1.152, de 2011, art. 3°; Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, arts. 584 e 585. Alternativamente, caso não seja nesse sentido o entendimento dessa D. Turma, o que se admite somente por hipótese, pedese a desconstituição da glosa relativa aos créditos de frete ocorridos até 19/09/2008, quando foi publicada a Lei n° 11.774/ 2008, que incluiu o parágrafo 6°A no art. 40 da Lei n° 10.865/2004, dispondo que a suspensão alcançaria também as receitas de frete. Desta feita, entendo que a glosa dos créditos decorrente das operações listadas nas planilhas de fls. 32 a 71 do Parecer SEFIS 269/2011 deve ser cancelada. 2.4. AQUISIÇÃO DE CAFÉ DE SOCIEDADES COOPERATIVAS. As aquisições de café de sociedade cooperativas foram glosadas pelas autoridades fiscais para evitar o suposto duplo e indevido beneficiamento por parte da recorrente, já que o inciso I do art. 15 da MP 215835/2001 permite que as receitas das cooperativas decorrentes de comercialização da produção de seus cooperados seja excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS. E, por esse motivo, chegouse a conclusão que: "E a aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não dará direito ao crédito, conforme previsto no art. 3º, § 2º, inciso II da Lei n. 10.833/2003, acrescido pelo art. 21 da Lei n. 10.865/2004" (fl. 925) E as ponderações apresentadas pelo fiscal seguem, ao estabelecer a relação das Leis 11.051/2004 e 11.196/2005, com a regulamentação inaugurada pelas Instruções Fl. 22519DF CARF MF 16 Normativas 636, de 24 de março de 2006, que foi revogada pela Instrução Normativa n. 660, de 17 de julho de 2006, culminaram com a seguinte conclusão: "a Tangará não tem o direito de apurar os créditos integrais na aquisição de café de sociedades cooperativas. Primeiramente, porque as receitas de venda auferidas pelas sociedades cooperativas foram excluídas da base de cálculo das contribuições (não houve recolhimentos de Pis e Cofins sobre estas receitas de venda). Segundo, porque as cooperativas venderam café com suspensão, sob a égide do inciso III do art. 8º da Lei n. 10.925/04 c/c arts. 2º a 7º da IN 660/2006. Neste caso somente foi garantido o direito à apuração de crédito presumido, e sem a possibilidade de ressarcimento ou compensação" (fl. 931). Na oportunidade em que a manifestação de inconformidade/ impugnação foi julgada pela instância de origem não havia sido publicada o Parecer/PGFN/CAT n. 1.425/2014, motivo pelo qual acredito as glosas foram mantidas. Esta nota técnica é a resposta apresentada pela Procuradoria da Fazenda Nacional a pergunta formulada se os exportadores de café teriam direito à apuração dos créditos de PIS e COFINS em relação às aquisições de café das sociedades cooperativas que submeteram o produto à atividade agroindustrial. E a resposta é taxativa ao garantir que "a aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS". É importante consignar que as operações foram realizadas com cooperativas agroindustriais (que exercem as atividades descritas no § 6º do art. 8º da Lei n. 10.925/20046). Tal constatação é reforçada pelo levantamento realizado pela autoridade fiscal (que resultou nas planilhas de folhas 932/991 dos autos eletrônicos, onde estão descritos os cafés adquiridos (sendo eles o café beneficiado arábica, café BNF (beneficiado) nutricional especiale, café BNF (beneficiado) nutricional dulce). As cooperativas agroindustriais das quais foram adquiridos os produtos, realizavam cumulativamente as atividades descritas no § 6º do art. 8º da Lei n. 10.925/2004, replicada no inciso II do art. 6º da IN n. 660/20067, ao passo que a recorrente não se amolda à categorização delimitada no art. 4º da IN n. 660/2006, porque não exerce atividades agroindustriais, como está exigido no inciso II do indigitado artigo. A contribuinte, ao que tudo indica, também não utiliza o café como insumo, pois o revende da forma que o adquire. Por esses motivos, as vendas não poderiam ocorrer com a suspensão das contribuições, como leva a crer a autuação fiscal Deste modo, considerando que o pleito da recorrente está em fina sintonia com a interpretação normativa conferida pela Procuradoria da Receita Federal, entendo que as glosas devem ser canceladas. 6 Não há discussão sobre as atividades desenvolvidas pelas cooperativas, já que a descrição dos produtos contidas nas notas fiscais de saídas dessas cooperativas reflete a realidade defendida pela recorrente. 7 "O exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade de grãos". Fl. 22520DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.513 17 2.5. AQUISIÇÃO DE CAFÉ DOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS FÍSICAS E DE PESSOAS JURÍDICAS IRREGULARES. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. OFENSA AO PRINCÍPIO DA TIPICIDADE CERRADA. O fisco glosou o crédito integral (devido nas operações com pessoas jurídicas) e concedeu o crédito presumido (devido nas operações com pessoas físicas) como se as operações houvessem sido feitas com os produtores pessoas física, em evidente desconsideração do negócio jurídica efetivamente entabulado. A previsão contida nos artigos 116 e 149 do Código Tributário Nacional, que justificariam tamanha ingerência da autoridade fiscal no âmbito decisório do contribuinte, somente podem ser avocados diante de constatada ocorrência de fraude, dolo ou simulação, que não é a hipótese dos autos. E a constatação que não há nenhum dos vícios aptos a justificar a desconsideração do negócio jurídico se dá por dois motivos: (i) porque não há nos autos nenhuma prova que a recorrente efetivamente tenha participado das práticas ilícitas apuradas nas Operações Broca e Tempo de Colheita; e (ii) porque sequer foi apenada com a multa qualificada, o que seria resultado direto da comprovação da ilicitude intentada pela recorrente. 2.5.1. OPERAÇÃO TEMPO DE COLHEITA E BROCA. PROVA EMPRESTADA. No capítulo intitulado "Instituição da Não Cumulatividade do PIS e da COFINS e sua Repercussão no Mercado Cafeeiro"8 a autoridade fiscal esclarece que: "As empresas exportadoras de café são beneficiadas com a não tributação para o PIS e COFINS sobre suas receitas de exportação. Mas este benefício não é suficiente" Constituem créditos sobre aquisições de empresas inexistentes de fato (criadas exclusivamente para fornecimento de notas fiscais), quando na realidade são aquisições de produtor rural (pessoa física). Ou seja, não recolhem (legalmente) as contribuições e ainda pleiteiam restituição de créditos fictícios. A título de ilustração, o valor de Pis e Cofins pleiteados pela Tangará, nos anos de 2007 a 2010, ora em análise, equivale a uma quantia total de R$ 76.977.836,50. Desta quantia, um percentual ínfimo foi recolhido aos cofres públicos nas etapas anteriores do processo produtivo pelas empresas fornecedoras. E isto é o pleito de apenas uma empresa. A situação é recorrente em diversas outras" (fl. 999). Sobre essas colocações apresentadas pela autoridade autuante, apresento algumas ponderações: 8 Parecer SEFIS n° 269/2011 fls. 999/ 1010. Fl. 22521DF CARF MF 18 (i) a contribuinte atua no segmento de comercialização de café desde o ano de 1998, muito antes de se iniciarem as investigações mencionadas; (ii) como bem reconhece a autoridade fiscal, a contribuinte atua no comércio atacadista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios. Sua atuação consiste na industrialização do café, no beneficiamento de cereais, no comércio de subprodutos siderúrgicos e defensivos agrícolas e fertilizantes. Atua também na exploração de atividade de armazéns gerais. Deste modo é incoerente afirmar que o valor global equivalente aos créditos tributários mencionados pela autoridade decorrem única e exclusivamente da prática de supostos crimes relacionados a compra e venda de café; (iii) a ausência de provas a corroborar o que alega a fiscalização é impressionante, já que não há nos autos sequer o valor efetivamente recolhido aos cofres públicos pela recorrente. Ora, só se pode afirmar a ocorrência de prejuízo ao erário decorrente da burla das normas diante da quantificação dos valores. Caso não exista tal constatação, toda a acusação se torna vazia9; (iv) por fim e por óbvio, não pode a recorrente responder por todas as vicissitudes causadas por outras contribuintes que atuem no mesmo segmento econômico. As denúncias oferecidas pelo Ministério Público contra as atividades ilícitas apuradas nas Operações Broca e Tempo de Colheita resultaram na formalização dos Processos n. 2008.50.05.0005383, 2009.50.01.00005193 e 2010.50.05.0001610, bem como no inquérito Policial n. 541/2008DPF/SR/ES. Conforme atestam as certidões emitidas pela Justiça Federal/ Seção Judiciária do Espírito Santo (fls. 22329/ 22337), a recorrente não é investigada ou foi arrolada no pólo passivo das ações em curso supra mencionadas. Ao que tudo indica, a contribuinte não é depoente e sequer guarda qualquer relação com as Operações Tempo de Colheita e Broca, o que faz das provas que contra si foram aproveitadas nesses autos, típicas provas emprestadas, rechaçadas no ordenamento pátrio. E tal enjeitamento é coerente com os primados da ampla defesa e do devido processo legal, já que a contribuinte não participou da colheita dessas provas e também não foi convocada a apresentar seus esclarecimentos. A recorrente informa que todas as aquisições de café por ela realizadas eram intermediada por corretores, prestação de serviço devidamente tributada e cujos crédito s foram integralmente mantidos pela fiscalização. Também esclarece que durante o período de que trata o auto de infração (2007 a 2010), adquiriu de 348 fornecedores, dentre as quais estão pessoas jurídicas e físicas. Dessas, 123 foram declaradas inidôneas após as operações e em decorrências das constatações por elas apuradas. Foram descritas no Parecer SEFIS n. 269/2011 a situação cadastral inapta/inadequada de alguns fornecedores da ora recorrente o que justificaria a autuação promovida. Segue transcrição das principais informações: "P.A. DE CRISTO CNPJ 08.492.348/000155 SITUAÇÃO CADASTRAL BAIXADA PELO MOTIVO INEXISTENTE DE FATO, PROC. 11543001791201054. A empresa P.A. de Cristo, CNPJ 08.492.348/000155, Forneceu notas fiscais a Tangará nos valores de R$ 65.000,00, R$ 339.019,00, e R$ 1.012.852,01, em 2008, 2009 e 2010, respectivamente. Referida empresa segue o 9 Vale destacar, ainda, que o estopim para a investigação promovida pelo Ministério Público em conjunto com vários auditores fiscais foi a incompatibilidade entre a receita declarada e a movimentação financeira das investigadas9 (fls.1002/1003). Fl. 22522DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.514 19 mesmo padrão das demais empresas pseudoatacadistas. Como resultados das diligências realizadas, foi baixada pelo motivo inexistência de fato, conforme Processo Administrativo n. 11.543.001791/201054" (fl. 1026) "EXPORTADORA DE CAFÉ CENTRO OESTE LTDA CNPJ 10.707.333/000109 Foi declarada INAPTA pelo motivo INEXISTENTE DE FATO, conforme Processo 15563000408200849. Forneceu notas fiscais a Tangará nos valores de R$ 438.900,00 em 2007. Jamais declarou débitos à Receita Federal do Brasil". (fl. 1029) "AGRO MINAS COMÉRCIO EXPORTAÇÃO DE CAFÉ LTDA CNPJ 07.250.579/000270 Foi declarada INAPTA pelo motivo INEXISTENTE DE FATO, conforme Processo 168320000616200974. Forneceu notas fiscais a Tangará nos valores de R$ 362.033,13, R$ 2.225.176,27 e R$1.344.257,39, em 2007, 2008 e 2009, respectivamente. Não declarou nada à Receita Federal do Brasil. Sequer apresentou DIPJ nos anos de 2008 e 2009. No ano de 2007 apresentou DIPJ de Lucro Presumido sem indicação de receitas" (fl. 1029). "FARIA COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA, CNPJ 05.201.788/000118 (FORNECEDORA DA TANGARÁ) Foi declarada INAPTA por inexistência de fato, conforme Processo 19.991.000603/200961. Forneceu notas fiscais à Tangará no valor de R$ 81.850,00 em 2009. Todas as declarações apresentadas são de INATIVA ou com receita zerada até 2005. Nos anos seguintes encontrase omissa. Nada recolheu aos cofres públicos" (fl. 1029) "TAVARES COMÉRCIO DE CAFÉ LTDA CNJP 04.316.561/000155 (FORNECEDORA DA TANGARÁ) Foi declarada INAPTA por omissa não localizada, conforme Processo 10976000121201068. Forneceu notas fiscais à Tangará no valor de R$ 118.500,00 em 2007. Encontrase omissa de apresentação de declaração. Nada recolheu aos cofres públicos" (fl. 1030). "MINAS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA CNPJ 00.492.197/000204, (FORNECEDORA DA TANGARÁ) Foi declarada INAPTA, por inexistência de fato, conforme Processo 19991000615200995. Forneceu notas fiscais à Tangará no valor de R$ 560.214,67 em 2008. Encontrase omissa de apresentação de declaração desde o ano Fl. 22523DF CARF MF 20 calendário 2006. Nada recolheu aos cofres públicos" (fl. 1030). "MARAGOGIPE COMÉRCIO DE CEREAIS LTDA, CNPJ 10.221.099/000152, (FORNECEDORA DA TANGARÁ). Foi declarada INAPTA, por inexistência de fato, conforme Processo 19991000118201021. Forneceu notas fiscais à Tangará nos valores de R$ 1.274.656,49 e R$ 1.639.452,49, em 2009 e 2010, respectivamente. Nada recolheu aos cofres públicos" (fl. 1030). "FRANCISCO APOLINARIO NETO, CNPJ 09.130.145/000181 (FORNECEDORA DA TANGARÁ) Localizada em Candeias MG. Inscrita em 06/09/2007 no CNPJ. Foi declarada SUSPENSA, pelo motivo INEXISTENTE DE FATO, nos autos do Processo Administrativo n. 10.665.721450/201131. Apresentase como 'fornecedora de café' para a Tangará, nos valores de R$ 157.200,00 e R$ 5.517.419,61, nos anos de 2007 e 2010, respectivamente. Declarou débitos em DCTF de PIS e COFINS, mas não recolheu nenhum centavo aos cofres públicos. Declarou em GIFP apenas um funcionário administrativo com renda de um salário mínimo" (fl. 1030). Da leitura do acima transcrito, verificase que o auditor fiscal não apresentou qualquer prova que conecte a ora recorrente com as atividades das contribuintes investigadas após a sua declaração de inidoneidade. Aliás, como já esclarecido, a maior parte das declarações de inidoneidade/ inaptidão indicadas na autuação são frutos diretos das Operações Broca e Tempo de Colheita. Desse modo e porque não existem provas que sustentem conclusão contrária é de rigor prestigiar o laudo elaborado pela Grand Thorton (empresa de auditoria externa e independente) que registra: * a regularidade de todas as pessoas jurídicas fornecedoras de café no CNPJ e SINTEGRA à época das operações; * o lastro documental de todas as operações, cuja venda é acompanhada por documentação fiscal idônea; * o pagamento de todas as operações através de TED ou depósito bancário; * o depósito de todas as mercadorias em armazéns terceirizados, através de comprovante de depósito e recibo de pesagem que fazem expressa referência às notas fiscais que acobertaram as operações e às placas dos caminhões que fizeram o transporte. O parágrafo único do art. 82 da Lei n. 9.430/1996 assegura o direito ao crédito nos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, diretos e mercadorias ou utilização dos serviços. Fl. 22524DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.515 21 Da mesma forma o Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento no enunciado n. 50910 de Súmula, através do julgamento do Recurso Especial n. 1.148.444/MG, o qual deve ser aqui adotado por analogia: "É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda". Ademais, diante da inexistência de provas e até mesmo da demonstração do nexo causal indispensável entre os prejuízos causados ao erário pela prática dos ilícitos apurados nas Operações Tempo de Colheita e Broca (que não investigaram a recorrente), entendo que devem ser revisitadas as lições do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro11 sobre a necessidade de motivação do ato administrativo: " Assim, quando se fala em motivação do ato administrativo, o que se tem é uma garantia do administrado e, em contrapartida, um dever do agente público, dever esse que consiste em (i) delimitar a circunstância fática para o qual o ato administrativo se dirige; (ii) identificar, com precisão, os fundamentos jurídicos que fundamentam o ato administrativo, e, ainda (iii) concatenar, de forma explícita, clara e congruente a relação entre o fato e o fundamento jurídico que subsidia o ato administrativo. Neste mesmo diapasão são as lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Dito princípio implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os fundamentos de direito e de fato, assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo. Dar este tratamento à motivação do ato administrativo, em última análise, significa promover uma identificação das ações da Administração Pública sob o prisma de que o Direito Pública precisa ser, antes de tudo, o Direito não autoritário, dialógico e, concomitantemente, promotor da concretização (mais homogênea possível) do núcleo essencial dos direitos fundamentais, acima e além de interpretativismos estritos12". 11 São fragmentos de sua declaração de voto no julgamento do Processo n. 12466.721752/201342, que resultou no Acórdão n. 3402003.883, proferido em 28/03/2017 pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamentos. 12 FREITAS, Juarez. O controle dos atos administrativos e os princípios fundamentais. 3ª ed. São Paulo: Malheiros, 2004. p. 263. Fl. 22525DF CARF MF 22 Ademais, é certo que para que suceda a efetiva configuração do ilícito, quando esse for fundamentado em presunção, é indispensável a constatação de indícios convergentes. Esses indícios devem ser apresentados pelo auditor fiscal em sua autuação, em atenção ao que determina o art. 9º do Decreto n. 70.235/197213. Da mesma forma o art. 2º da Lei n. 9.784/1998 impõe ao fiscal a incumbência de produzir e apresentar todas as provas necessárias para justificar a penalização do contribuinte, uma vez que: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único: Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I autuação conforme a lei e o Direito; (...) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados". Tendo em vista que grande parte da autuação fiscal está amparada tão somente nas provas emprestadas, é pertinente reproduzir o voto proferido na ocasião do julgamento do Processo n° 13982.001088/201001, que resultou no Acórdão n° 3801001.869. Naquela assentada o colegiado se deparou com de uma situação análoga à dos autos, que com base em "provas emprestadas" o contribuinte teve créditos glosados. A propósito: "Acontece, porém, que a fraude não se presume, mas tem que ser provada. E tal prova cabe ao fisco produzir. É indevida qualquer presunção de sonegação. Isso depende de provas, que não cabem ao contribuinte. Não existe a obrigação do contribuinte de fazer prova negativa, prova de que não sonegou. Cabe só ao fisco provar a sonegação que alega. Tal afirmação possui uma justificativa razoável: se o indício a partir do qual se constrói a conclusão permitir não só a ocorrência do fato alegado, como também outro diverso, o seu emprego para a constituição do fato jurídico tributário fica comprometido. No caso em questão, a ausência de apresentação pelo contribuinte, no prazo de 20 dias, de documentos que comprovassem a efetiva aquisição das mercadorias, pode denotar a ocorrência do fato 13 Dispõe que para a exigência de crédito tributário é necessário instruir o auto de infração com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito Fl. 22526DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.516 23 alegado? Sim. Mas também pode significar tão somente que a Recorrente não tinha como aferir, em tempo hábil, meios documentais que comprovassem aquela aquisição. Daí a fragilidade de todo o procedimento fiscal. (...) Em verdade, apesar de instada desde auditoria fiscal, bem como na decisão de 1a instância, a recorrente não apresenta um elemento de prova da efetividade dessas operações de compra". Assim, por tudo o quanto foi exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe integral provimento. [assinado digitalmente] Lenisa Prado Relatora Voto Vencedor Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora Designada: Esclareçase com a devida vênia à ilustre Relatora que as divergências a seguir explicitadas cingemse à Aquisição de café de sociedades cooperativas e a Aquisição de café de pessoas jurídicas irregulares que correspondem aos itens 7 e 10 do Parecer SEFIS nº 269/2011, conforme fundamentos a seguir dispostos. Da Aquisição de café de sociedades cooperativas Quanto à matéria, item 7 do Parecer SEFIS nº 269/2011, o cerne da controvérsia reside nos seguintes argumentos em sede recursal: 1 a recorrente não adquiriu o café de cooperativa de produção agropecuária, e sim agroindustrial: Ocorre que, consoante se passa a demonstrar as operações cujos créditos foram legitimamente apropriados pela Recorrente, se deram com cooperativas agroindustriais(...) 2 a recorrente não atende às condições cumulativas do art. 4° da IN SRF n° 660/2006: (...) não atende cumulativamente os requisitos do art. 4° da IN SRF n° 660/2006, uma vez que: (i) não utiliza o produto como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5°, como exige o inciso III e (ii) a aquisição é destinada integralmente a revenda, em frontal afronta ao comando do §3° do art. 4°.) Fl. 22527DF CARF MF 24 3 nas NF constava a expressão "operação tributada pelo PIS e COFINS à alíquota de 9,25%", "não sujeita à suspensão de que trata o art. 8° da Lei n° 10.925/04", desconhecendo a DRJ não só as NF apresentadas com as declarações das cooperativas de que estariam sujeitas à sistemática da nãocumulatividade. Argui portanto a recorrente que a decisão de piso desconsiderou as alegações postas em sede de impugnação, bem como as declarações das cooperativas de que estariam sujeitas à sistemática da não cumulatividade e as próprias notas fiscais, nas quais constava a expressão "operação tributada pelo PIS e COFINS à alíquota de 9,25%", "não sujeita à suspensão de que trata o art. 8° da Lei n° 10.925/04". Destaca assim, que as operações cujos créditos foram legitimamente apropriados pela Recorrente, se deram com cooperativas agroindustriais, além do que, a Recorrente não preenche os requisitos impostos pelo art. 4° da lei em referência, razão pela qual a suspensão a que se refere o art. 2° da citada lei, não lhe é aplicável. Demonstrase à luz da legislação que rege a matéria, que não assiste razão à Recorrente. CONTEXTO NORMATIVO Os atos a seguir transcritos disciplinam o regramento da matéria: Lei n° 10.925, de 2004: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009)(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005); II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e Fl. 22528DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.517 25 III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (...) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5º Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004);(grifei). § 7º O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009) Fl. 22529DF CARF MF 26 I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) IN SRF 660, de 2006: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com Fl. 22530DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.518 27 suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. Das pessoas jurídicas que efetuam vendas com suspensão Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: (...) III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. (...) Das condições de aplicação da suspensão Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos Fl. 22531DF CARF MF 28 produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16 exceto o código 1502.00.1; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) (...) § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. (...) Da atividade agroindustrial Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: (...) II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. Parágrafo único. A operação de separação da polpa seca do grão de café, realizada pelo produtor rural, pessoa física ou jurídica, não descaracteriza o exercício cumulativo a que se refere o inciso II do caput. (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) Dos insumos que geram crédito presumido Art. 7º Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º, os produtos agropecuários: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. 2º;(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. Fl. 22532DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.519 29 § 1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: (...) II 0,5775% (cinco mil e setecentos e setenta e cinco décimos de milésimo por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso dos demais insumos. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: (...) II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Estabelecidos os parâmetros normativos acima transcritos, é importante destacar a motivação do parecer fiscal de fls. 924/973(Arquivo 1), fls . 974/990 (arquivo 2): Neste contexto, importante ressaltar que a Tangará adquire café cru em grãos de produtores rurais pessoas físicas, de sociedades cooperativas e de pessoas jurídicas. A mercadoria é encaminhada a armazéns gerais terceirizados, os quais prestam serviço de armazenagem e rebenefício. O rebenefício consiste em melhorar o tipo, separar defeitos e peneiras. Após essas etapas de preparo, são realizados as ligas ou misturas (blend) dos diversos lotes de café. Tais informações foram colhidas em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 001, prestada pela própria empresa. Posteriormente, grande parte deste café beneficiado é exportado e outra parte é vendida ao mercado interno a empresas torrefadoras. Notese que a suspensão das contribuições, nos termos dos arts. 2o e 3o da IN SRF n° 660, de 2006, aplicase, no caso em questão, unicamente às aquisições dos produtos agropecuários feitas de cooperativas de produção agropecuária, entendendose por cooperativa de produção agropecuária a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. No entanto, para que a suspensão se torne obrigatória suas vendas devem ser realizadas para pessoas jurídicas sob as condições do art. 4o da supracitada IN, que é o caso da Tangará. Todos os prérequisitos para que as vendas de café das sociedades cooperativas saíssem com suspensão foram cumpridos. Não obstante, as sociedades cooperativas informaram, no corpo das notas fiscais, expressões do tipo: "operação tributada pelo Pis e Cofins à alíquota de 9,25%. Não sujeita a suspensão de que trata o art. 8o da Lei 10.925/2004".(grifei). Fl. 22533DF CARF MF 30 No contexto em exame, destaquese a Resposta ao Termo de Intimação Fiscal TIF nº 001, fls.375/377: (...) Resposta ao TIF nº 001/2010, fls. 382/388: 4 Discriminar de forma minuciosa as atividades desenvolvidas pela empresa, no que tange as operações de café, detalhando os processos de industrialização realizados, bem como as atividades de beneficiamento, desde a compra do café até a sua venda. Operação de café em MG e SP Nestes estados a Tangará atua somente na comercialização de café cru em grãos. 1) O café cru em grãos (já beneficiado) é adquirido pela Tangará de empresas jurídicas (comércio atacadista e cooperativas) ou de produtores rurais; 2) As modalidades de transporte podem ser : a. À retirar : frete por conta do comprador b. Posto : frete por conta do vendedor 3) A mercadoria é encaminhada a armazéns gerais terceirizados, determinados pela Tangará, e que nos prestam serviço de armazenagem e rebenefício; 4) No recebimento da mercadoria, o funcionário do armazém colhe as amostras de cada lote, e envia para o setor de qualidade da Tangará, para que seja feita a análise e definidos quais lotes irão entrar em um mesmo processo de preparo/maquinação do café; 5) Após a definição dos lotes, é emitida uma ordem de serviço ao armazém, para que o café seja despejado e iniciado o processo de preparo (melhoria do tipo, separação de defeitos e de peneiras). As máquinas que fazem parte deste processo são : a. PréLimpeza : separa as impurezas contidas no café (pó, paus, cascas, etc.) b. Catador de pedras : separa as pedras contidas no café; c. Classificador ou Rebenefício : separa os grãos de café por tamanho; d. Mesas Densimétricas : separa os grãos de café por densidade; e. Catação Eletrônica : separa os grãos de café por cor. 6) Após o processo acima, são feitas as ligas ou misturas (blends) dos diversos lotes formados no processo de maquinação, de acordo com as vendas realizadas no Mercado Interno e Externo; Fl. 22534DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.520 31 7) Os lotes blendados são destinados ao porto, no caso de vendas para exportação, ou à empresas comerciantes ou torrefadoras, no caso de vendas para o mercado interno;(grifei). Vêse pelo TIF nº 002, fl. 411 que a fiscalização solicita a apresentação das NF entrada referentes ao CFOP1.102, cuja planilha em anexo ao TIF nº 002, fls.412/420, demonstra o destaque de crédito de PIS/COFINS em todas as operações referenciadas na referida planilha. Registrese que a interpretação dos comandos normativos que regem a espécie em análise, em cotejo com a resposta da própria empresa sobre a natureza de suas operações, conduzem à seguinte inferência: a) as operações foram realizadas com cooperativas agropecuárias, conforme notas fiscais de fls.931/990 e não agroindustriais, já que o processo de beneficiamento do café pela cooperativa não a afasta da condição de cooperativa de produção agropecuária; b) a adquirente atende cumulativamente aos requisitos da suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins: a) apura o imposto de renda com base no Lucro Real; b) exerce atividade agroindustrial, nos termos do art. 6º da IN SRF 660/2006, visto que realiza atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004; c) utiliza o produto adquirido como insumo, segundo se constata pela natureza das atividades desenvolvidas pela empresa, conforme por ela informado. A título informativo, com vistas à melhor identificação do produto destacado nas planilhas de fls.2.778/2.780, com a indicação de B/C em todas as aquisições, trazse a colação a INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 8, DE 11 DE JUNHO DE 2003 DO MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, que Aprova o Regulamento Técnico de Identidade e de Qualidade para a Classificação do Café Beneficiado Grão Cru, (...). 2. Definição do Produto: entendese por Café Beneficiado Grão Cru o endosperma do fruto de diversas espécies do gênero Coffea, principalmente Coffea arabica e Coffea canephora (robusta ou conillon). 4.2.3. Quando o Café Beneficiado Grão Cru não for submetido à separação em peneiras, ou quando submetido se enquadre em quatro ou mais peneiras, será considerado BICA CORRIDA (B/C).(grifei) Em pesquisa na rede mundial de computadores, em publicações sobre a matéria vêse que: Beneficiamento– é o processo de remoção da casca, limpeza e classificação simples do café. Realizado normalmente em cooperativas, armazéns, unidades móveis ou na propriedade. Bica– são as saídas do café separado em peneiras nas máquinas de benefício ou rebenefício. Bica corrida– café beneficiado sem separação de peneiras.(grifei). Fl. 22535DF CARF MF 32 Blend– mistura de grãos diferentes de café. O blend pode ser elaborado com cafés crus ou torrados. CONTEXTO PROBATÓRIO Conforme ressaltou a fiscalização no aludido parecer, embora estivessem presentes todos os prérequisitos para que as vendas de café das sociedades cooperativas saíssem com suspensão foram cumpridos, as sociedades cooperativas informaram, no corpo das notas fiscais, expressões do tipo: "operação tributada pelo Pis e Cofins à alíquota de 9,25%. Não sujeita a suspensão de que trata o art. 8o da Lei 10.925, de 2004. Nesse sentido, constatase das notas fiscais arroladas pela fiscalização, exemplificativamente a seguinte notação: fl.2.785, no campo "Dados Adicionais": (..) "Op. trib. PIS/COFINS e não suj. a inc. do aart. 9 da Lei 10.925/04 c/ alt. Lei 11051/04"(sic); fl. 2.791, no campo "Dados Adicionais": (...) "VENDA SUBMETIDA A INCIDÊNCIA DO PIS CONFINS NÃO SUJEITO A SUSPENSÃO NOS TERMOS DA LEI 10.925/04 MODIFICADA PELA LEI 11.051/04 TF 1146/10"(sic); fl. 2794, no campo "Dados Adicionais": "OPERAÇÃO COM INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS", e ; fl. 3.044: "OPERAÇÃO COM INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS". A esse respeito esclarece o parecer: Ficou também demonstrado a exigência por parte dos Gompradores investigados da necessidade de gravar a incidência integral do PIS/COFINS nas fictícias notas fiscais de venda. As empresas atacadistas, exportadoras e indústrias subverteram a regra das operações normais tributadas, fazendo nelas constar aquilo que a legislação nem mencionou.(sic). Restou comprovada a inserção freqüente no corpo das notas fiscais de diversas expressões, tais como: "OPERAÇÃO SEM SUSPENSÃO DO PIS/COFINS COM BASE NO ARTIGO 8o, PARÁGRAFO 6o, 7o COMBINADO COM O ARTIGO 9o INCISO II PARÁGRAFO 1 DA LEI 10.925/04 COM ALTERAÇÕES DA LEI 11.051/04". Outras empresas utilizaram: "INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS NESTA OPERAÇÃO", "VENDA SUBMETIDA À INCIDÊNCIA DO PIS E COFINS. NÃO SUJEITA A SUSPENSÃO NOS TERMOS DO ART. 9o DA LEI N° 10.925/04, MODIFICADA PELA LEI N° 11.051/04" e "SAÍDA SEM SUSPENSÃO DO PIS/COFINS NA FORMA DO ART. 9o E DO PARÁGRAFO 3o DO ART. 15 DA LEI 10.925, DE 23/07/2004 (IN SRF N°: 660/2006 ART. 2, PARÁGRAFO 2)". Se tal determinação houvesse partido da legislação tributária, por óbvio, terseia UM ÚNICO PADRÃO COM OS MESMOS DIZERES, o que não ocorre. Portanto, esse novo "modelo" indicativo de tributação, possivelmente, contou com a participação de uma ou mais consultorias tributárias e foi disseminado para as empresas comerciais, exportadoras e indústrias de torrefação. A legislação tributária tem por regra geral estabelecer que apenas as operações com suspensão da exigibilidade das contribuições sejam mencionadas no corpo da nota fiscal de Fl. 22536DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.521 33 venda. Por óbvio as operações sujeitas à incidência não há tal obrigatoriedade. A utilização nesses casos é uma tentativa de legitimar aquilo que sabe não ser verdadeiro.(grifei). Pela pertinente análise da matéria sub examine, destacase a seguir alguns excertos da decisão de piso, que demonstram a escorreita fundamentação do parecer fiscal: Portanto, tratandose de venda efetuada por cooperativa de produção agropecuária à pessoa jurídica que atenda os requisitos legais citados, aplicase obrigatoriamente a suspensão do PIS e da Cofins, independentemente de se tratar de venda de produto recebido pela cooperativa de seus associados ou de produto adquirido de produtores rurais não cooperados. Por outro lado, na hipótese de a cooperativa exercer atividade agroindustrial, na forma do § 6º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, ou seja, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, esta terá direito ao crédito presumido de PIS e Cofins calculado sobre os insumos utilizados em seu processo industrial e em relação a suas vendas não se aplicará a suspensão. As alegações da interessada parecem caminhar no sentido de que as vendas de café pelas cooperativas não se deram com suspensão do PIS/Cofins, por se tratarem de cooperativas agroindustriais que vendem café cru em grão, ou seja, café submetido a um processo de beneficiamento. Estes argumentos baseiamse em uma falsa premissa: de que o beneficiamento do café pelas cooperativas corresponde a processo industrial o que, por consequência, afastaria a possibilidade de aplicação da suspensão de que trata a Lei 10.925/2004 nas vendas por elas efetuadas. Conforme se depreende do artigo 3º, § 1º, inciso III da IN/SRF 660/2006, o processo de beneficiamento do café pela cooperativa não a afasta da condição de cooperativa de produção agropecuária, aplicandose, por conseguinte a suspensão do PIS e da Cofins, se atendidos os demais requisitos previstos na legislação. Apenas o exercício cumulativo das atividades citadas no artigo 8o, § 6o da Lei 10.925/2004 e artigo 6o, II da IN/SRF 660/2006 caracterizam a atividade agroindustrial. O processo de beneficiamento do café, executado de forma isolada pela cooperativa, não a descaracteriza como cooperativa de produção agropecuária e não permite ao adquirente, a apropriação do crédito presumido aqui tratado. (grifos do original). (...) Observase, ainda, que a Tangará, adquirente do café cru em grão, atende aos três requisitos citados para que a venda se dê com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins, uma vez que apura o imposto de renda com base no Lucro Real, exerce Fl. 22537DF CARF MF 34 atividade agroindustrial e utiliza o produto adquirido como insumo. Resta evidenciada, portanto, a hipótese prevista na Lei 10.925/2004 para a aplicação da suspensão na venda efetuada pelas cooperativas e o aproveitamento do crédito presumido de PIS e Cofins pela interessada, apurado em relação ao custo dos insumos adquiridos. Tratandose de aquisição junto à cooperativa de produção agropecuária, observados todos os requisitos legais em relação ao adquirente para que a venda da cooperativa se dê com suspensão, aplicase, no caso, o crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925/2004. Correto, portanto, o procedimento da autoridade fiscal expresso no Parecer Conclusivo. Quanto às demais questões arguídas, constatase que segundo a impugnante as planilhas juntadas às fl.2.777 a 3.249, se referem a NF emitidas a partir de 2010, no entanto os fatos do processo, abrangem o seguinte período de apuração: da NF 45.141, de 19/01/2007, fl.931 a NF 4.491, de 25/11/2010, fl.990. Cumpre ainda ressaltar que a informação da fiscalização de que só foram constatados recolhimento de PIS sobre a folha de pagamentos nos termos do artigo 13 da MP nº 2.158, de 2001 e que não foram identificados recolhimentos a títulos de Cofins, não foi refutada pela empresa. Quanto ao descumprimento arguido em relação às disposições da Lei n° 5.764, de 1971 que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, também não assiste razão à recorrente haja vista que a Lei 10.925, de 2004 trata de disposições específicas com relação à espécie dos autos, convivendo harmonicamente com as disposições gerais regidas pela da 5.764, de 1971. É importante ainda ressaltar, com a devida vênia à Ilustre Relatora que estando os fatos acima delineados regidos pelas normas já destacadas, cujos requisitos para a apuração do crédito na situação fática dos autos está perfeitamente identificada, não se adequam exatamente a situação tratada no Parecer/PGFN/CAT nº 1.425/2014 que assim dispõe: (...) Por isso, estamos de acordo a Solução de Consulta nº 65, de 2014, quanto à solução dada ao caso concreto, quando diz: 14. A aquisição de produtos junto a cooperativas não impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, observados os limites e condições previstos na legislação. 15. Até dezembro de 2011, a pessoa jurídica exportadora de café sumetida ao regime de apuração não cumulativa tinha direito ao cálculo de créditos em relação às aquisições de café de cooperativas, observados os limites e condições legais. Não havia direito à apuração de créditos nas aquisições com suspensão previstas no art. 9º, I e III, da Lei nº 10.925, de 2004, nem nas aquisições feitas por empresa comercial exportadora que tenha adquirido o produto com o fim específico de exportação. Fl. 22538DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.522 35 Pelo exposto, quanto a esse item sob apreciação, concluise que não há reparos no parecer, tampouco na decisão de piso, visto que restou demonstrado que ao caso se aplica a suspensão na venda efetuada pelas cooperativas e o aproveitamento do crédito presumido de PIS e Cofins pela interessada. Das aquisições de café de pessoas jurídicas irregulares. Quanto ao item 10 do Parecer SEFIS nº 269/2011, abordase a seguir o argumento nuclear da peça recursal que reside na suposta utilização de prova emprestada pela fiscalização. Segundo o Parecer de fls.974/1.080: Importante ressaltar que o contribuinte efetuou aquisições de café de pseudoatacadistas (pessoas jurídicas estas declaradas inaptas devido à comprovação de sua inexistência de fato, após a conclusão de procedimento fiscal instaurado para tal finalidade) e de outras que apresentam vários indícios de serem pseudoatacadistas, conforme ficará demonstrado no relato a seguir.(grifei). (...) O material coletado durante as fiscalizações apresentase em número expressivo. Seria repetitivo demonstrálo no presente trabalho. Desta forma, faremos uma abordagem por amostragem, começando pelos depoimentos de alguns envolvidos e, depois, relatando alguns procedimentos que culminaram com a declaração de inaptidão ou suspensão, por inexistência de fato, evidenciando diversos fornecedores da Tangará. Frisamos que o "modus operandi" é recorrente em todas as operações de compra e venda de café que envolvem as empresas pseudoatacadistas(grifei). (...) A título informativo, a Tangará realizou compras de café, no período analisado, na monta de 650 milhões, sendo que deste valor apenas em torno de 3,7 milhões foram adquiridos de produtores rurais pessoas físicas. Numa análise estatística simplificada, pois sabemos que há diversas variáveis na formação do preço do café, verificamos que o preço médio da saca de café adquirido de produtor rural, portanto, sujeito à constituição do crédito presumido, é semelhante ou superior ao adquirido de pessoas jurídicas, sobre o qual o contribuinte constituiu crédito integral. Apenas em alguns meses o preço médio das aquisições sujeitas ao crédito integral é superior. Ao final conclui o parecer: Ficou evidenciado, diante dos fatos relatados e dos diversos depoimentos acostados ao presente parecer que a Tangará efetuou aquisições de café de inúmeras pessoas jurídicas Fl. 22539DF CARF MF 36 pseudoatacadistas, tendo se apropriado indevidamente de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas Pis (1,65%) e Cofins (7,6%). Portanto, foram efetuadas glosas dos créditos integrais indevidos e compensados contabilmente pela Tangará. Nos exatos termos da legislação pertinente (Lei n° 10.637/2002, art. 3o, §§ 10° e 11; Lei n° 10.833/2003, art. 3o, §§ 5o e 6o e Lei n° 10.925/2004, art. 8o), a Tangará tem direito ao respectivo crédito presumido sobre estas aquisições. Na Planilha de Notas Fiscais às fls. 601/688 foram discriminadas todas as notas de aquisição de café enquadradas nesta situação.(grifei). Observase do referido parecer que a fiscalização ao identificar a situação fática acima destacada, inicialmente contextualiza os fatos apurados no âmbito das operações “Tempo de Colheita” e “Broca” em face do disciplinamento estabelecido pela Lei 10.925, de 2004 e a reação do mercado cafeeiro com relação ao direito de crédito, aspecto abordado com a minuduência que lhe é peculiar, pelo Ilustre Conselheiro José Fernandes, no acórdão nº 3302 003.388, de 28/09/2016, no entanto, no caso em comento, diferentemente do que argui a defesa, a fiscalização não se utilizou de provas emprestadas, colhidas no âmbito da aludida operação, a contextualização em referência teve por escopo abordar questões como a evolução normativa que afetaram o mercado cafeeiro bem como quanto modus operandi relativo às aquisições de café de pseudoatacadistas, desvendadas no âmbito das referidas operações, no entanto, quanto à recorrente, a fiscalização especifica de forma individualizada, fls.1.026/1.062, as empresas fornecedoras da referida recorrente com processos finalizados pela RFB, informando a situação cadastral e o montante das NF nos respectivos períodos, como a seguir exemplificado. MODUS OPERANIDI Informa a fiscalização no citado Parecer, que:. empresas informavam receitas na DIPJ e débitos nas DCTF, mas não efetuavam recolhimentosfls.1052/1055; empresas que entregavam a GFIP sem movimento fornecedoras da Tangará fls.1055/1062; arquivos de NF fls.601/688 com destaque do créditos de PIS/COFINS REFERENTES AO ITEM 10 Nesse contexto, demonstra a fiscalização o período de emissão das NF, cuja adquirente é a empresa TANGARÁ, inclusive ressaltando que não houve recolhimento das contribuições no citado período. Ocorre que na peça recursal limitase a defesa a tecer várias considerações sobre prova emprestada, sobre a suposta ilação trazida pela fiscalização, no entanto não refuta, ainda que por amostragem as empresas individualmente identificadas pela fiscalização no parecer ora referido. Por oportuno, cabe registrar que o ônus probatório, que tem sua matriz legal no 14artigo 333 do Código de Processo Civil CPC, vigente à época da apresentação da 14 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 22540DF CARF MF Processo nº 15586.720237/201113 Acórdão n.º 3302004.649 S3C3T2 Fl. 22.523 37 manifestação de inconformidade e na via administrativa submetese ao seguinte regramento do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 9º [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito] e 16, III, do citado diploma legal que estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir], no caso em espécie, tratandose de direito creditório a regra quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito, ou seja cabe ao interessado a prova quanto aos créditos pleiteados. Enfatizase ainda que o argumento nuclear de prova emprestada, comprovantes de recebimento, pesagem e armazenamento e comprovação do pagamento não são suficientes para infirmar as provas expressamente referidas pela fiscalização, ademais o pagamento e a entrega da mercadoria não são postos em dúvida, mas sim a natureza da operação ou seja, a efetividade da real transação negociada. Outra linha da defesa que também não a socorre é sobre a desconsideração do negócio jurídico pela fiscalização, no entanto, essa não foi a fundamentação trilhada pelo vergastado parecer. Notese que uma vez conhecido o suporte fático sobre as aquisições de café da recorrente e os respectivos fornecedores, a fiscalização à luz da legislação que rege a espécie dos autos, já citada no presente voto, identificou o efetivo substrato material que permeia as operações descritas fundamentadamente no parecer e destacadas especificamente nos arquivos de NF fls.601/688, para os quais a fiscalização expressamente afirma ...foram discriminadas todas as notas de aquisição de café enquadradas nesta situação, limitandose a defesa a arguições tangenciais, visto que como já destacado, não refutou de forma expressa e específica as constatações da fiscalização expostas no já referenciado parecer. Nesse sentido, destaca a decisão de piso: Devese notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte autuado, constituídas como visto quase todas já em pleno regime da não cumulatividade, estiveram, quase sempre, em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos. (...) Os depoimentos aqui citados de forma muito resumida e reproduzidos mais detalhadamente no Parecer Fiscal denunciam a fraude, confirmam seu modus operandi, e, ainda, demonstram a participação efetiva das empresas adquirentes do café. A alegação da contribuinte de que não é possível concluir que teve conhecimento da prática ilícita de fornecedores, e que agira Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Fl. 22541DF CARF MF 38 de boafé, sempre consultando o SINTEGRA e o banco de dados da Receita Federal, a fim de comprovar a regularidade de seus fornecedores não prevalece porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal, não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível – contrariando o que afirmam seus próprios sócios e administradores – que teria vendido café somente para a Tangará. Cabe ainda citar que as confirmações de negócio, anexas ao Parecer, onde se constata a substituição dos reais vendedores de café (produtor rural – pessoa física) por empresa pseudoatacadista ilustram tudo o que foi constatado durante as operações Colheita e Broca e corroboram que a fraude ocorria também nas operações de compra pela Tangará.(grifei). Ante o exposto, em face das provas dos autos, também quanto a esse item não assiste razão à recorrente. Conforme fundamentos acima, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à possibilidade de créditos sobre a aquisição de cooperativas sujeitas à venda com suspensão, bem como quanto à reversão da glosa de aquisição de café de pessoas jurídicas irregulares/inidôneas/inaptas, que correspondem aos itens 7 e 10 do Parecer SEFIS nº 269/2011. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora designada Fl. 22542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901698/2011-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.026
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão nº 1456.770 da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que indeferira o Pedido de Ressarcimento de IPI e, por conseguinte, não homologara as compensações declaradas. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu preliminarmente a nulidade, por generalidade, do despacho decisório e, no mérito, invocou o princípio da verdade material e pleiteou o reconhecimento da não incidência da taxa Selic e multas sobre os débitos que restaram não compensados. Anteriormente, o contribuinte havia impetrado Mandado de Segurança, tendo obtido decisão liminar, em que se determinou que os pedidos de ressarcimento por ele RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 69 8/ 20 11 -7 4 Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13851.901698/201174 Resolução nº 3201001.026 S3C2T1 Fl. 534 2 formulados fossem examinados “no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias, a contar da intimação [da] decisão, sob as penas da lei.” A par da liminar, o contribuinte foi intimado a apresentar livros, documentos e arquivos digitais em 20 dias, tendo a Fiscalização verificado que os arquivos digitais apresentados continham milhares de ocorrências de erros, sendo que, em função dessas incorreções e do prazo exíguo para a prolação da decisão, o pedido foi indeferido. A decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o ressarcimento e na existência de previsão legal para a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora. Quanto à alegação do contribuinte acerca do caráter confiscatório da multa de ofício, o julgador a quo argumentou que a vedação ao confisco prevista na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar as penalidades nos moldes da legislação que as instituiu. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito postulado e pedindo, alternativamente, a realização de diligência para as apurações cabíveis. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.025, de 29/08/2017, proferido no julgamento do processo 13851.901697/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.025): A compensação tributária pode ser requerida pelo contribuinte que possua crédito líquido e certo contra a Fazenda. Nesse sentido é a literalidade do artigo 170 do CTN1. A administração, no prazo de 30 dias para análise que lhe foi concedido pelo Poder Judiciário, no âmbito do Mandado de Segurança impetrado pela recorrente, intimou a empresa a apresentar arquivos e documentos que já deviam estar disponíveis. O artigo 11 da Lei 8.218/912 prescreve o dever dos contribuinte de disponibilizar os dados. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 13851.901698/201174 Resolução nº 3201001.026 S3C2T1 Fl. 535 3 A responsabilidade do serviço público é muito grande quando defere restituição/ressarcimento ao contribuinte, pois se trata de transferir recursos da sociedade para o particular. Somente a materialidade provada, líquida e certa autoriza um ato administrativo com essa envergadura de responsabilidade. No presente caso, não existiam condições para tanto. Com efeito, o arquivo próprio para tais tipos de análises, que detalha as notas fiscais, não foi oferecido à administração, posto que aquele apresentado possuía tantos erros que não poderia validamente ser fundamento da restituição/ressarcimento. O Relatório Fiscal aponta milhares e milhares de erros no arquivo digital apresentado, erros inclusive de “IPI inválido”[...]. Resumese: ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2005 7667 Já existe um participante com esta identificação 2005 12 Inconsistência de IPI 2005 6 Inconsistência de Valor 2005 441 IPI Inválido 2005 3 NCM Inválida ou Inexistente 2008 9125 Já existe um participante com esta identificação 2008 186 Inconsistência de ICMS 2008 78 Inconsistência de IPI 2008 18 Inconsistência de Valor 2008 566 IPI Inválido 2008 4 NCM Inválida ou Inexistente 2009 9400 Já existe um participante com esta identificação ANO QUANTIDADE DENOMINAÇÃO DA INCONSISTÊNCIA 2009 109 Inconsistência de ICMS 2009 44 Inconsistência de IPI 2009 1 Inconsistência de Valor 2009 494 IPI Inválido 2009 3 NCM Inválida ou Inexistente 2010 8875 Já existe um participante com esta identificação 2010 17 Inconsistência de ICMS 2010 1207 Inconsistência de IPI 2010 310 Inconsistência de Valor 2010 13114 IPI Inválido 2010 1 NCM Inválida ou Inexistente Não se configura, portanto, a materialidade do crédito pretendido. Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13851.901698/201174 Resolução nº 3201001.026 S3C2T1 Fl. 536 4 Logo, mais que lícito e fundamentado o indeferimento da compensação. A recorrente poderia, no longo prazo que decorreu desde o indeferimento do Despacho Decisório até hoje, esclarecer as divergências, oferecer outro arquivo, apontar planilhas com, ao menos, parte do crédito devido, indicar a origem material de seu direito, mas não é o que aconteceu. Poderia e deveria, porque o ônus de provar o crédito é seu art. 333 do Código Civil3. Até hoje, entretanto, mantémse na tentativa de obter um deferimento sumário, sem análise de mérito do crédito. A obrigação de esclarecimento do contribuinte é positivada, ainda, artigo 4º da Lei 9.784/99: Art. 4º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I expor os fatos conforme a verdade; II proceder com lealdade, urbanidade e boafé; III não agir de modo temerário; IV prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos Como pedido alternativo, a recorrente pede a conversão do julgamento em diligência. Em regra, a diligência somente é cabível quando se verifique o esforço da recorrente em esclarecer a materialidade dos fatos. Embora não se verifique inovação probatória na Impugnação e no Recurso Voluntário, que ensejasse a constatação desse esforço, o fato é que, nos casos de Pedido de Ressarcimento de IPI, o próprio programa gerador do pedido exige extensas informações, detalhadas, sobre o crédito. Essas informações indicam a existência de créditos, mas que ainda não foram auditados. Não houve oportunidade de correção dos arquivos digitais, primeiro, pelo prazo de análise imposto pelo Poder Judiciário, e em segundo lugar porque, em regra, essa correção não tem como ser feita nas instâncias julgadoras. À vista de todo o exposto, a comprovação das informações prestadas já no pedido, deve ser oportunizada, por meio dos arquivos digitais corrigidos e outros elementos que o Fisco entender necessários. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal promova auditoria nas informações já prestadas no pedido de ressarcimento, proferindo Despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Destaquese que, assim como ocorreu no acórdão paradigma, neste processo também se verificaram inconsistências nos arquivos digitais apresentados pelo contribuinte para demonstrar o crédito pleiteado. 3 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 13851.901698/201174 Resolução nº 3201001.026 S3C2T1 Fl. 537 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora analise a existência do crédito postulado, procedendose à auditoria das informações já prestadas no Pedido de Ressarcimento, valendo se dos dados presentes nos arquivos digitais devidamente corrigidos e em outros elementos que entender necessários, proferindose despacho conclusivo quanto ao direito pretendido. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 586DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.728161/2013-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2013
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DÉBITO NÃO LANÇADO, AINDA QUE COM COBERTURA DE CRÉDITOS.
Em razão do trânsito em julgado da decisão Judicial proferida pelo TRF/3, que reconheceu o direito da Recorrente a não recolher o IPI sobre os produtos classificados na posição 2309.10.00 da NCM (objeto da presente autuação), torna-se necessário que seja desconstituída integralmente a exigência fiscal discutida nestes autos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal em conformidade com o contido no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 2013 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DÉBITO NÃO LANÇADO, AINDA QUE COM COBERTURA DE CRÉDITOS. Em razão do trânsito em julgado da decisão Judicial proferida pelo TRF/3, que reconheceu o direito da Recorrente a não recolher o IPI sobre os produtos classificados na posição 2309.10.00 da NCM (objeto da presente autuação), torna-se necessário que seja desconstituída integralmente a exigência fiscal discutida nestes autos. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal em conformidade com o contido no voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2013 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DÉBITO NÃO LANÇADO, AINDA QUE COM COBERTURA DE CRÉDITOS. Em razão do trânsito em julgado da decisão Judicial proferida pelo TRF/3, que reconheceu o direito da Recorrente a não recolher o IPI sobre os produtos classificados na posição 2309.10.00 da NCM (objeto da presente autuação), tornase necessário que seja desconstituída integralmente a exigência fiscal discutida nestes autos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal em conformidade com o contido no voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 81 61 /2 01 3- 92 Fl. 619DF CARF MF 2 Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (fls. 305/321), abrangendo períodos de apuração (PA): janeiro de 2009 a novembro de 2010, lavrado pela fiscalização da DRF/Recife. A exigência resumese à Multa de Ofício isolada relativa ao IPI não lançado com cobertura de créditos (75%), passível de redução, no valor de R$ 178.226,78. A ciência do referido AI ocorreu em 26/11/2013 (fl. 306). Por trazer uma clara síntese do processo até o julgamento da Impugnação Administrativa, peço vênia para transcrever o relatório do Acórdão 0130.559, da 3ª Turma da DRJ em Belem (PA), ora recorrido (fls. 530/536): "1. Tratase de auto de infração lavrado contra a empresa acima identificada, em que foi lavrada multa isolada decorrente da saída de produtos sem lançamento do IPI, no valor de R$ 178.226,78. 2. Segundo Termo de Verificação de fls. 322/331, a fiscalização foi instaurada para analisar a existência de saldos credores de IPI passíveis de ressarcimento nos Pedidos Eletrônicos de números: 11991.36349.231110.1.1.010622, 16969.92656.220709.1.1.010380, 11915.94061.211009.1.1.01 0363, 10178.04265.130110.1.1.019046, 20366.75449.200410.1.1.018584, 25650.20223.130710.1.1.01 3918, 25556.61125.181010.1.1.017831 e 27244.02215.060111.1.1.015614, apresentados pela empresa Evialis do Brasil Nutrição Animal Ltda, incorporada pela Invivo. 3. Prossegue: “.... Constatamos, não obstante, que para as notas fiscais de saída de alguns bens de NCM 2309.10.00 aqueles acondicionados em embalagens acima de 10kg, o contribuinte não procedeu ao destaque de IPI. Intimado a apontar ‘as ações judiciais em face da Fazenda Nacional sobre a apuração do IPI no período fiscalizado, remeteunos cópia da petição inicial da ação ordinária n° 0012712 06.2009.403.6105, ingressa na 6º Vara da seção Judiciária de Campinas São Paulo e distribuída em 17 de setembro de 2009. Solicitamos, seguidamente, uma certidão de objeto e pé, de onde transcrevemos: (...) Ao consultarmos a situação do processo no momento de encerramento deste Termo de Verificação, atentamos que ele ainda se encontra no TRF da 3ª Região para o julgamento da apelação. Em regra, a apelação tem, basicamente, dois efeitos: o primeiro, natural a qualquer recurso, o devolutivo, remete a análise da matéria ao tribunal. Além deste, a apelação, quase sempre, também tem efeito suspensivo, ou seja, o de impedir a eficácia imediata da decisão recorrida. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10480.728161/201392 Acórdão n.º 3402004.297 S3C4T2 Fl. 620 3 Assim, ‘o efeito suspensivo da apelação vem a ser a supressão provisória dos efeitos da sentença, uma vez interposto o recurso de apelação. Interposto o recurso, não somente se opera a remessa à instância superior para o controle da sentença, mas também, como complemento necessário, os efeitos desta ficam suspensos'. Ou, no dizer de Liebman, ‘a eficácia executiva da sentença de primeira instância permanece suspensa se vier a ser interposta apelação e, mesmo antes, enquanto pende o prazo para esta.’4 No caso em apreço, como a apelação foi recebida no efeito suspensivo, a sentença favorável ao contribuinte recorrida pode ser considerada mera declaração da situação jurídica, posto que não se reflete no mundo jurídico enquanto não julgado o recurso dela interposto. Por conseguinte, nada obsta à Fazenda Publica na exigência de ofício do IPI não destacado nas Notas Fiscais de saída para os produtos de NCM 2309.10.00 acondicionados em embalagens acima de 10kg. 3.........” 4. Cientificada em 26.11.2013, a interessada apresentou, tempestivamente, em 18.12.2013, impugnação na qual apresenta as seguintes alegações: “.... 06. A r. sentença julgou a Ação Judicial procedente, acolhendo o pedido da então Autora (DOC. 05), para declarar a não incidência do IPI sobre produtos à alimentação de cães e gatos acondicionados em unidades com mais de 10kg (posição TIPI 2309.10.00) a partir de março de 2009, afastando a exigência de tal tributo, e ainda, concedeu a antecipação da tutela para autorizar a ora Impugnante a não mais incluir, a partir da prolação da sentença, os valores relacionados aos produtos acondicionados mencionados na base de cálculo do referido imposto. 07. Ato contínuo, a União interpôs Recurso de Apelação em 13/04/2011 (DOC. 06). 08. Não obstante a Fazenda Nacional não ter incluído tópico específico solicitando o recebimento do apelo em seu duplo efeito, o que era sua obrigação, d. Juízo responsável pela ação judicial, adotando despacho padrão/modelo, sem se atentar para a especificidade do caso, determinou o recebimento do Recurso de Apelação em ambos os efeitos, devolutivo e suspensivo, ao arrepio do disposto no art. 520, VII,1 do Código de Processo Civil. 09. Devidamente contrarrazoada pela Impugnante (DOC. 07), os autos permanecem conclusos desde 29/08/2012 com a Desembargadora Relatora, Dra. Consuelo Yoshida, para julgamento (DOC. 08). 10. Assim, conforme se depreende dos fatos ora narrados ocorridos em demanda judicial, bem como de toda a documentação acostada a presente defesa, a Impugnante obteve Fl. 621DF CARF MF 4 (e ainda detém) autorização judicial para não recolher IPI sobre os produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela mesma, acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg. a partir do 3° decêndio de outubro/03, motivo pelo qual, a partir desta data, a Impugnante promoveu a saída de tais produtos sem destaque de IPI. ....... 17. Contudo, embora louvável a intenção fazendária de coibir a prática de atos que contrariam a legislação tributária, equivoca se no presente caso, já que conforme restará amplamente demonstrado, a Impugnante sequer comete infração à legislação que justificaria a lavratura do Auto de Infração. 18. Isso porque, reiterase que a empresa discute judicialmente a incidência do IPI, tendo até o momento decisões favoráveis que lhe autorizam a não recolher o tributo sobre os produtos supracitados, não havendo que se falar em falta de destaque do imposto, conforme passará a expor adiante. ...... 20. Assim, não obstante o simples fato do crédito tributário ora guerreado estar com a sua exigibilidade suspensa nos termos do artigo 151, V do CTN, a exigência apontada no Auto de Infração é permeada de irregularidades e ilegalidades, uma vez que a conduta da contribuinte não é caracterizada pela ilicitude, elemento essencial para a imposição da multa no âmbito do Direito Tributário. ........ III.A DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 22. Analisandose a exigência fiscal ora impugnada, verificase claramente que o Sr. Agente Fiscal da Receita Federal lavou o respectivo Auto de Infração para exigir da contribuinte tão somente a multa isolada de ofício, por suposta ausência de destaque do IPI nas notas fiscais de venda de bens classificados na NCM 2309.10.00, acondicionados em embalagens acima de 10 kg. 23. Notase, portanto, que não há a exigência de tributo propriamente dito, o qual, como a seguir será melhor demonstrado, está com sua exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, V, do Código Tributário Nacional. 24. Assim, considerando que não houve a violação à legislação tributária a permitir a imputação de multa à Impugnante, de forma independente da exigência do valor do tributo, totalmente descabido o lançamento de crédito tributário exclusivamente referente a multa de ofício (...) 25. Portanto, demonstrado preliminarmente a nulidade do Auto de Infração ora impugnado, imprescindível que o mesmo seja cancelado "ab initio", a fim de se evitar maiores prejuízos à Impugnante em função de exigência fiscal notoriamente descabida. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10480.728161/201392 Acórdão n.º 3402004.297 S3C4T2 Fl. 621 5 IV. A DA INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO QUANDO PENDENTE CAUSA DE SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO.... 28. Ora, indubitável que a Impugnante apenas deixou de proceder ao recolhimento e destacar nos documentos fiscais o imposto em comento por estar amparada por decisão Judicial, a qual lhe autoriza a não recolher o IPI. em função da não incidência do tributo sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela mesma, acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10Kg. (...). 30. Isso porque, deve ser desconsiderado o crédito tributário consubstanciado na multa de ofício de 75% (setenta e cinco cento) do presente AIIM aplicada sobre o valor atualizado do imposto supostamente devido e não destacada nos documentos fiscais, já que é inegável que não houve qualquer descumprimento dos preceitos da legislação do IPI. 32. Ressaltase que a Autoridade Fiscal já procedeu ao lançamento do crédito tributário com o intuído de afastar a decadência acerca de suposto descumprimento de obrigação acessória. 33. Ora, a vigência de uma causa de suspensão de exigibilidade, como, por exemplo, uma decisão judicial (antecipação de tutela ou sentença), já indica a controvérsia sobre o débito tributário, albergando dúvidas quanto à legitimidade do lançamento feito, sua quantificação, a mora ou, mesmo, a existência da relação tributária. 34. Ademais, corroborando com os argumentos aludidos, imperioso consignar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já sumulou seu entendimento, nos termos da Súmula CARF n.° 17, a qual possui efeito vinculante na esfera administrativa federal, devendo ser de observância obrigatória por todos os órgãos da Receita Federal, senão vejamos: (...) 38. Ao lavrar AIIM com relação à multa pelo descumprimento de obrigação acessória, o r. AFRF ultrapassa a esfera da legalidade, pois, como previsto na própria legislação tributária, NÃO HOUVE infração à legislação pela Impugnante, tendo em vista que a suspensão da exigibilidade do débito ocorreu muito antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, como amplamente comprovados na documentação acostada e afirmado pela própria fiscalização. IV.B DOS EFEITOS DA APELAÇÃO 46. Cumpre infirmar ainda o argumento da Autoridade Fiscalizadora no que tange à alegação de que a sentença favorável à Impugnante no processo judicial pode ser considerada mera declaração de situação jurídica, sob o fundamento de que o efeito suspensivo do Recurso de Apelação interposto pela Fazenda Nacional suspende os próprios efeitos da sentença. Fl. 623DF CARF MF 6 47. Em primeiro lugar, importante destacar que em nenhum momento a Fazenda Nacional incluiu expressamente em seu Recurso de Apelação pedido para que o apelo fosse recebido em ambos os efeitos, devolutivo e suspensivo, considerando que, em regra, existindo decisão de concessão de tutela, o recurso será recebido apenas no efeito devolutivo, nos termos do art. 520 do Código de Processo Civil: (...) 48. Portanto, a luz do dispositivo supracitado, bem como não existindo pedido expresso no sentido de que fosse concedido o efeito suspensivo ao Recurso de Apelação fazendário, obrigatoriamente o apelo deve ser recebido unicamente sob o efeito devolutivo. 49. Entretanto, certamente por um lapso do d. Juízo responsável pela ação judicial, adotandose um despacho padrão/modelo de recebimento de recurso, foi incluído o efeito suspensivo ao apelo fazendário, o qual, todavia, não é óbice para que a tutela concedida produza seus efeitos no ordenamento jurídico. 50. Ora, sabese que o efeito suspensivo atribuído ao Recurso de Apelação não altera a situação de fato estabelecida pela concessão ou pela revogação da antecipação da tutela. 51. Nesse sentido a parte da sentença que cuida da confirmação da antecipação de tutela, anteriormente concedida, não estará sujeito à eventual efeito suspensivo da apelação, devendose buscar outros meios para obter a tutela antecipada da pretensão recursal. (...).. 62. Com efeito, a antecipação de tutela concebida pelo Poder Judiciário deve ser tida como norma individual e concreta, afastando a obrigação tributária acessória imposta por Lei, e, consequentemente, afastando a possibilidade infração à Legislação Tributária, o que cabalmente macula a imposição de Multa Isolada por parte da Autoridade Fiscalizatória. 63. Por fim, concluise que o duplo efeito concebido na apelação in casu, não altera a situação de fato estabelecida pela concessão da antecipação da tutela. .....” É o que importa relatar. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2013 DECISÃO JUDICIAL. Por força do princípio da unidade jurisdicional, a decisão judicial é soberana e sobrepõese a qualquer manifestação administrativa. Impugnação Improcedente / Crédito Tributário Mantido A empresa INVIVO NUTRIÇÃO E SAÚDE ANIMAL LTDA, tomou ciência do Acórdão em 16/01/2015, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10480.728161/201392 Acórdão n.º 3402004.297 S3C4T2 Fl. 622 7 Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) fl. 543. Em, 12/02/2015 (fl. 544), protocolou seu Recurso Voluntário de fls. 544/557, aduzindo suas razões, que desta forma pode ser resumida: a) da nulidade da aplicação da Multa de Ofício: destacase que o valor da multa foi calculado de forma equivocada pela fiscalização, eis que a multa de ofício é 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. No entanto, esta foi calculada sob o valor de 100% do valor do crédito tributário apurado. Conforme se comprova pelo Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário, carreado aos autos, o valor do crédito apurado foi de R$ 178.226,78, devendo a multa ter sido estipulada em R$ 133.670,08, correspondente à 75% do crédito apurado; b) do preceito constitucional que veda o confisco: é extensivo às penalidades também em razão do desdobramento da garantia do direito de propriedade (art. 5º, XXII e art. 170, II), que proíbe o confisco ao estabelecer prévia e justa indenização nos casos em que autoriza a desapropriação, não podendo se excluir do alcance dessa proteção constitucional a imposição de multas confiscatórias do patrimônio do contribuinte. Cita jurisprudências; c) quanto ao não destaque do IPI na Nota Fiscal: a Recorrente apenas deixou de proceder ao recolhimento e destacar nos documentos fiscais o IPI por estar amparada por Decisão Judicial, a qual lhe autoriza a não recolher o IPI, em função da não incidência do tributo sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela empresa, acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 Kg. d) requer que as intimações para quaisquer atos sejam realizadas em nome dos advogados (nominados), sob pena de serem consideradas nulas. Ao final, solicita a juntada nos autos da Impugnação, e que seja dado PROVIMENTO ao recurso, acolhendo os argumentos da RECORRENTE para decidir pelo cancelamento da multa isolada, bem como o reconhecimento do seu direito em não destacar os valores a título de IPI declarados indevidos pelo processo judicial, reformando o acórdão guerreado. O processo, então, foi encaminhado ao CARF e distribuído para este Conselheiro proceder a análise do recurso. É o relatório Voto Conselheiro Relator Waldir Navarro Bezerra 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 625DF CARF MF 8 2. Objeto da lide O que está em discussão no recurso voluntário apresentado é a procedência do lançamento, ou seja, se a aplicação da multa isolada de ofício é cabível e, se no caso, existe o direito da Recorrente em deixar de proceder ao recolhimento e destacar nas Notas Fiscais o IPI, por estar amparada por Decisão Judicial. 3. Do mérito do Auto de Infração Tratase o processo referente a lavratura do Auto de Infração, relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), abrangendo períodos de apuração de janeiro de 2009 a novembro de 2010. A exigência resumese à Multa de Ofício isolada (75%) relativa ao IPI não lançado, com cobertura de créditos. A infração é decorrente da falta de lançamento do imposto nas saídas para o mercado interno de rações para cães e gatos em embalagens acima de 10kg, que a fiscalização entende que, com base na Tabela de Produtos Industrializados TIPI, sejam tributadas à alíquota de 10%; no entanto a Recorrente, amparada em Ação Judicial, sustenta não sofrer incidência do IPI. Por outro giro, alega a Recorrente em seu recurso que a Recorrente apenas deixou de proceder ao recolhimento e destacar nos documentos fiscais o IPI por estar amparada por Decisão Judicial, a qual lhe autoriza a não recolher o IPI, em função da não incidência do tributo sobre produtos destinados à alimentação de cães e gatos fabricados pela empresa, acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10 Kg. Quanto ao lançamento da Multa Isolada, no caso, há que se observar que a legislação tributária não apenas pune a falta de recolhimento do IPI (falta de recolhimento dos saldos devedores). De acordo com o art. 80 da Lei nº 4.502/64 e alterações, há uma penalidade idêntica para o caso de falta de destaque (total ou parcial) do imposto na Nota Fiscal, como ocorrido no presente processo: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). (grifei) Ou seja, a simples falta de lançamento (“destaque”) do valor do IPI na Nota Fiscal (NF), já enseja a aplicação da referida multa de ofício. Em resumo, o Fisco alega que em razão do descumprimento dos preceitos da legislação do IPI, a empresa INVIVO cometeu a infração de deixar de destacar o IPI devido nas notas fiscais de saída, quando a alíquota aplicável aos mesmos seria positiva, de acordo com a data das saídas. 4. Fato Novo sentença Judicial transitada em julgado Dentro deste contexto, se faz necessário ressaltar, que em 04/07/2017, já com o processo em Pauta de Julgamento, foi registrada pela Recorrente, a Solicitação de Juntada de Documentos, requerendo o PROVIMENTO do recurso voluntário, tendo em vista a Sentença Judicial proferida pelo TRF/3ª Região, com decisão favorável à IN VIVO (anexando documentos), conforme pode ser observados dos trechos abaixo reproduzido (fls. 603/618): Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10480.728161/201392 Acórdão n.º 3402004.297 S3C4T2 Fl. 623 9 "(...) Em síntese, a Requerente apresentou impugnação para demonstrar que estava amparada por decisão judicial (processo nº. 2009.61.05.0127127), ainda não definitiva naquele momento, que lhe assegurava a não incidência do IPI sobre os produtos classificados na posição 2309.10.00 da NCM, motivo pelo qual estava desobrigada a destacar e recolher o IPI sobre tais operações. Nesse sentido, cumpre informar que a decisão que assegurava à Requerente o direito de não destacar e recolher o IPI sobre os produtos classificados na posição 2309.10.00 da NCM, a partir de março de 2009, pendente de confirmação definitiva pelo E. Tribunal Regional Federal da 3a Região há época da interposição de seu Recurso Voluntário, tornouse definitiva com o trânsito em julgado em 10/06/2016 da decisão que negou provimento ao Recurso de Apelação da Fazenda Nacional interposto no processo judicial nº. 2009.61.05.0127127 (cf. Documentos em Anexo)". Desta forma, como pode ser verificado nos documentos de fls. 606/618, o trânsito em julgado da referida decisão proferido pelo TRF/3ª Região, restou definitivamente reconhecido o direito da Requerente de não destacar e recolher o IPI sobre a saída de produtos destinados à alimentação animal acondicionados em embalagens com capacidade superior a 10kg. 5. Dispositivo Diante dos documentos apensados aos autos e, em cumprimento a decisão Judicial acima exposta (603/618), entendo correto DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da Requerente para que seja desconstituído o Auto de Infração em análise e cancelada integralmente a exigência em razão do trânsito em julgado da decisão judicial proferida pelo TRF/3ªRegião (processo judicial nº. 2009.61.05.0127127), que reconheceu o direito da Requerente a não recolher o IPI sobre os produtos classificados na posição 2309.10.00 da NCM, objeto da presente autuação. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 627DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.979324/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 24 /2 00 9- 12 Fl. 30DF CARF MF Processo nº 10880.979324/200912 Acórdão n.º 1201001.732 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 31DF CARF MF Processo nº 10880.979324/200912 Acórdão n.º 1201001.732 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 32DF CARF MF Processo nº 10880.979324/200912 Acórdão n.º 1201001.732 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.979324/200912 Acórdão n.º 1201001.732 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.001219/2005-29
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ATIVIDADE VEDADA
A atividade de representante comercial é expressamente vedada para o Simples, conforme art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996.
Numero da decisão: 1802-000.882
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ATIVIDADE VEDADA A atividade de representante comercial é expressamente vedada para o Simples, conforme art. 9º, XIII, da Lei 9.317/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10660.001219/200529 Acórdão n.º 180200.882 S1TE02 Fl. 7 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que indeferiu a solicitação da Contribuinte para que fosse mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). A exclusão do regime simplificado operouse pelo Ato Declaratório Executivo n° 3, de 30/03/2005, emitido pela DRF Varginha/MG (fl. 8), com efeitos a partir de 01/01/2002 e assim fundamentado: Data da opção pelo Simples: 02/08/2000 Situação excludente (evento 306): Descrição: atividade econômica vedada representação comercial. Data da ocorrência: 20/11/2000 Fundamentação legal: Lei n°, 9.317, de 05/12/1996: art. 90, XIII; art. 12; art. 14, I; art. 15, II. Medida Provisória n° 2.158 35, de 24/08/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003: art. 20, XII; art. 21; art. 23; I; art. 24, II, c/c parágrafo único. Instaurada a fase litigiosa, com a manifestação de fl. 12, a Contribuinte alegou que a exclusão deveria se dar a partir da data da comunicação, pois foi enquadrada no Simples, conforme documentação anexa. Alegou também problemas de ordem financeira. Como já mencionado, a DRJ Juiz de Fora/MG indeferiu a solicitação da Contribuinte, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Data do fato gerador: 20/11/2000 EXCLUSÃO. SIMPLES. O exercício de atividade impeditiva implica na exclusão do Simples A decisão de primeira instância esclareceu que o efeito da exclusão deveria se dar mesmo a partir de 1º de janeiro de 2002, por força das alterações implementadas pela MP nº 215835, de 24/08/2001, no art. 15 da Lei 9.317/1996, as quais foram regulamentadas no art. 24, § único, inciso II, da IN SRF 355/2003. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10660.001219/200529 Acórdão n.º 180200.882 S1TE02 Fl. 8 3 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 08/12/2008, a Contribuinte apresentou em 31/12/2008 o recurso voluntário de fls. 27 e 28, com os argumentos a seguir descritos: a empresa contesta o Ato Declaratório de Exclusão do Simples com base no Parecer DRF/VAR/SACAT n° 218/2008 (fls. 45 e 46), exarado no Processo n° 13660.000255/200814, onde foi deferido o pedido para cancelamento de DCTF por ela apresentada em 29/02/2008, sob o fundamento de que o Contribuinte enquadrada no Simples não está obrigado à apresentação de DCTF; a empresa sempre pagou seus impostos pontualmente e no seu Contrato Social o objetivo era Prestação de Serviços nas Vendas de Passagens de Ônibus Intermunicipais e Municipais para Terceiros e Agenciamento de Cargas, e não "REPRESENTAÇÃO COMERCIAL"; foi feita Alteração Contratual e Consolidação do Contrato Social em 07/11/2005, mudando o objetivo comercial para: “COMÉRCIO VAREJISTA DE PASSAGENS DE ÔNIBUS INTERMUNICIPAIS E MUNICIPAIS PARA TERCEIROS E AGENCIAMENTO DE CARGA”; há um projeto de Lei Complementar no Senado, n° 535, de 2007 que diz: “ALTERA A LEI COMPLEMENTAR N° 123, DE 14 DE DEZEMBRO DE 2006, PARA PERMITIR A ADESÃO AO SIMPLES NACIONAL DE SERVIÇOS DE DESPACHANTES, REPRESENTANTES COMERCIAIS, ETC.” Este é o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10660.001219/200529 Acórdão n.º 180200.882 S1TE02 Fl. 9 4 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito à possibilidade ou não de a Contribuinte optar pelo regime de tributação simplificada Simples. O ato de exclusão foi motivado pela atividade desenvolvida pela interessada. Em procedimento de fiscalização junto à Empresa de Transportes Coutinho Ltda., CNPJ 17.845.264/00014, constatouse que a empresa Moreira e Pereira Comercial Ltda. tinha como atividade a prestação de serviços de venda de passagens em terminais rodoviários e que, conforme teor do contrato de prestação de serviço firmado com a referida empresa de transportes, havia a caracterização de representação comercial, atividade vedada ao Simples pelo artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96. Realmente, o referido dispositivo legal veda a opção pelo Simples para as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de representante comercial ou assemelhados: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; E as notas fiscais emitidas pela interessada, às fls. 5 a 7, para o recebimento de comissões junto à referida empresa de transportes, não deixa dúvidas de que sua atividade configura a representação comercial daquela empresa. O erro cometido no processo nº 13660.000255/200814, referente ao cancelamento de DCTF apresentada pela Contribuinte, levandose em conta que a interessada já havia sido excluída do Simples na data em que foi exarado o Parecer DRF/VAR/SACAT n° 218/2008, não consolida o enquadramento indevido no regime de tributação simplificada, uma vez que este não encontra respaldo legal. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10660.001219/200529 Acórdão n.º 180200.882 S1TE02 Fl. 10 5 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.005409/2006-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 28/04/2006
VISTORIA ADUANEIRA. ROUBO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO.
O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada correspondem à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Consequentemente, não há que se falar em caso fortuito ou força maior, para efeito de exclusão da responsabilidade. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Especial do Contribuinte Negado
Numero da decisão: 9303-004.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 28/04/2006 VISTORIA ADUANEIRA. ROUBO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada correspondem à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Consequentemente, não há que se falar em caso fortuito ou força maior, para efeito de exclusão da responsabilidade. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Contribuinte Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ARMAZÉNS GERAIS FRIGORÍFICOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 28/04/2006 VISTORIA ADUANEIRA. ROUBO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada correspondem à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Consequentemente, não há que se falar em caso fortuito ou força maior, para efeito de exclusão da responsabilidade. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Contribuinte Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 54 09 /2 00 6- 04 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 11128.005409/200604 Acórdão n.º 9303004.977 CSRFT3 Fl. 270 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, apresentado pelo Contribuinte, admitido por meio do despacho às fls. 255 a 257, por meio do qual se busca a reforma do Acórdão 320200.311, assim ementado: VISTORIA ADUANEIRA. ROUBO DE MERCADORIA. RESPONSABILIDADE DO DEPOSITÁRIO. Constatada a responsabilidade do depositário, em procedimento de vistoria aduaneira, deve ele arcar com o recolhimento de multa e dos impostos devidos na importação de mercadorias extraviadas, que se encontravam sob sua custódia, não caracterizando o roubo, pelas suas características no caso concreto apresentado, caso fortuito ou força maior. Recurso Voluntário Provido em Parte. A controvérsia diz respeito à caracterização de caso fortuito ou força maior na hipótese de roubo de carga, para efeito de aplicação da excludente de responsabilidade fixada no art. 595 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 2002. Essencialmente, busca o contribuinte demonstrar que o acórdão recorrido divergiu da jurisprudência acerca da matéria controvertida, pois reconheceu responsabilidade tributária pelo extravio da mercadoria, mesmo diante de hipótese de força maior. Para tanto, relaciona, como paradigmas os Acórdãos nº 30335.682 e 3802000.949. É o breve relato. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Consequentemente, deve ser conhecido. Passo à análise da controvérsia. Assumindo a premissa de que, de acordo com os documentos acostados ao processo, a mercadoria foi alvo de roubo, a solução do litígio depende de se avaliar se tal hipótese é suficiente para excluir a responsabilidade do recorrente. De fato, de acordo com o art. 595 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 2002), essa é uma das apurações a ser empreendida pela autoridade aduaneira: Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11128.005409/200604 Acórdão n.º 9303004.977 CSRFT3 Fl. 271 3 Segundo defende a recorrente, o fato de a carga ter sido roubada seria suficiente para afastar a exigência litigiosa. Estarseia diante de hipótese de caso fortuito ou força maior. Em sentido inverso, a meu ver corretamente, entenderam as autoridades julgadoras a quo que tal circunstância, por si só, não seria capaz de caracterizar a referida excludente e, consequentemente, de afastar a responsabilidade do depositário ou transportador. Chego a essa conclusão a partir da investigação do conceito de força maior, fixado nos termos da Lei Civil, bem assim da doutrina e da jurisprudência das mais altas cortes do País e desta Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca do tema. Diz o parágrafo único do art. 1.058 do Código Civil de 1916, que teve sua redação reproduzida no parágrafo único do art. 393 do Novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002): Parágrafo único.O caso fortuito, ou de força maior, verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar, ou impedir. (destaquei) Interpretando o comando normativo, conceitua Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado, T. XXIII, p. 84.): "Fato necessário está, aí, por fato cuja determinação se procede sem que o devedor possa afastar, em suas conseqüências. Se o fato é necessário, mas o devedor pode evitar ou impedir os seus efeitos, não há caso fortuito por força maior”. (destaquei) Notese, portanto, que um dos requisitos essenciais para a caracterização das excludentes não é a inevitabilidade do fato, mas dos seus efeitos. Não se pode olvidar, ademais, a segunda condição para caracterização das excludentes: a imprevisibilidade. Nesse sentido, afirma De Plácido e Silva (original não destacado)1: Caso fortuito: É expressão especialmente usada, na linguagem jurídica, para indicar todo caso que acontece imprevisivelmente, atuado por uma força que não se pode evitar. São, assim, todos os acidentes que ocorrem, sem que a vontade do homem os possa impedir ou sem que tenha ele participado, de qualquer maneira, para a sua efetivação. Todos os casos, que se revelam por força maior, dizemse casos fortuitos, porque fortuito, do latim fortuitus, de fors, quer dizer casual, acidental, ao azar. Ora, se a violência é circunstância de conhecimento geral, não haveria como se alegar, máxime para uma empresa dedicada à guarda ou ao transporte de mercadorias, que o 1 SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. Atual. por Nagib Slaibi Filho; Gláucia Carvalho. 2. ed. eletr. [Rio de Janeiro]: Forense, [entre 2000 e 2002]. 1 CDROM. Verbetes: caso fortuito, força maior. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11128.005409/200604 Acórdão n.º 9303004.977 CSRFT3 Fl. 272 4 roubo ou o furto de cargas é um fato imprevisível e cujos efeitos seria impossível evitar. Como é cediço, há meios para se conferir maior segurança ao exercício da atividade empresarial, minimizar os riscos do evento e, caso se concretize, seus efeitos. Estarseia, assim, diante de um caso fortuito interno, inerente ao risco da atividade econômica desenvolvida pela recorrente e que, como tal, não poderia ser considerado um excludente da responsabilidade tributária. Com efeito, o dever de zelar pela mercadoria sob sua guarda traz em seu bojo o risco e, consequentemente, o dever de evitar o evento, como pontua Caio Mário da Silva Ferreira, em sua obra "Responsabilidade Civil"2: A noção de guarda, como elemento caracterizador da responsabilidade, assume aspectos peculiares. Não pode objetivarse na "obrigação de vigiar". Ripert esclarece bem a questão, ao observar que se deve tomar como noção nova, criada para definir obrigação legal que pesa sobre o possuidor em razão de deter a coisa. "Quem incumbe uma pessoa de assumir a guarda de uma coisa é para encarregála de um risco" (Aguiar Dias). Nestas condições,o responsável deve assumir o risco gerado pela utilização normal da coisa. Notese que tal raciocínio vem sendo referendado pelo Superior Tribunal de Justiça que, analisando matéria semelhante, assentou o entendimento de que o roubo não exclui a responsabilidade tributária. Confirase: a) REsp nº 1.172.027 RJ (2009∕02457394) 3 TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO AÇÃO ANULATÓRIA DE AUTO DE INFRAÇÃO ROUBO DE MERCADORIA DURANTE TRANSPORTE TERRESTRE CASO FORTUITO INTERNO RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. 1. O roubo de veículo e de carga sujeita a imposto de importação ocorrido no transporte de mercadoria já desembaraçada não elide a responsabilidade de transportadora pelo pagamento do valor apurado em auto de infração, nos termos dos arts. 136 do CTN, 32 e60 do Decretolei 37∕66. 2. Recurso especial não provido. Peço licença para transcrever trecho do voto condutor que trata os fundamentos da decisão: Com base nesse conceito, defende o recorrente que não poderia responder pela perda do produto porque o roubo à mão armada seria um acontecimento alheio à sua vontade que ilidiria qualquer pretensão fazendária. Tal posicionamento não pode prosperar, pois defender que esse fato é um caso fortuito tornase descabido porque roubos e 2 Responsabilidade Civil. 8ª ed. Rev e Ampl. São Paulo : Saraiva, 2003, p. 428. 3 MINISTRA ELIANA CALMON Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11128.005409/200604 Acórdão n.º 9303004.977 CSRFT3 Fl. 273 5 furtos de caminhões, ônibus e carros nas vias terrestres brasileiras é fato corriqueiro, comum e, em verdade, previsível. Daí a razão pela qual o transportador deve se resguardar de todas as ocorrências possíveis que causem algum dano ou extravio na mercadoria, contratando, por exemplo, um seguro que garanta indenização por qualquer prejuízo que ele possa sofrer, como bem destacou a instância de origem. Para justificar tal entendimento, a distinção feita pelo Tribunal a quo acerca do fortuito interno e do fortuito externo ganha relevância porque a controvérsia reside em saber se estaria ou não dentro do campo da previsibilidade do transportador a possibilidade de ocorrer roubo da mercadoria durante a prestação do serviço. O fortuito interno, como fato inevitável ocorrido no momento da realização do serviço, não exclui a responsabilidade do transportador, se ele fizer parte de sua atividade e se ligar aos riscos do empreendimento. O mesmo não ocorre com o fortuito externo, que não guarda relação alguma com a atividade do recorrente e aí sim excluiria o seu dever perante o fisco. A partir desse raciocínio, entendo que o art. 480 do regulamento aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030∕85, apontado pelo recorrente como violado, ao se referir ao caso fortuito, relacionase em verdade com o fortuito externo, o que não seria o caso dos autos, pois a possibilidade de a carga ser roubada à mão armada relacionase diretamente com a atividade desenvolvida pelo recorrente, de onde se extrai que a questão debatida trata de fortuito interno, ficando afastada a aplicação desse dispositivo e a possível infringência apontada. Igualmente esclarecedor é o seguinte trecho do votovista proferido pelo Ministro Humberto Martins: Com efeito, o eventual roubo dos produtos importados, durante o transporte de mercadoria já desembaraçada, faz parte dos riscos da atividade econômica, que não podem ser transferidos ao Estado. Dessa forma, não é possível dela se afastar com argumentos, por mais que hermeneuticamente críveis, de que se trata de caso fortuito ou de força maior. b) REsp nº 734.4034 4. O roubo ou furto de mercadorias é risco inerente à atividade do industrial produtor. Se roubados os produtos depois da saída (implementação do fato gerador do IPI), deve haver a tributação, não tendo aplicação o disposto no art. 174, V, do RIPI98. O prejuízo sofrido individualmente pela atividade econômica desenvolvida não pode ser transferido para a sociedade sob a forma do não pagamento do tributo devido. 4 MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11128.005409/200604 Acórdão n.º 9303004.977 CSRFT3 Fl. 274 6 Como é possível perceber, inobstante haja uma tendência da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça no sentido de considerar o roubo uma circunstância excludente da responsabilidade contratual, tal tendência não é seguida pelas Primeira Seção daquela corte, que assentou o entendimento no sentido de que o roubo não exclui a responsabilidade tributária, posição com a qual concorda este Relator. Na mesma linha, seguiu esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, por ocasião da prolação dos seguintes julgados: a) 9303003.391, de 25/01/2016 Trânsito Aduaneiro. Extravio. Responsabilidade do Depositário. O roubo ou o furto de mercadoria importada não se caracteriza como evento de caso fortuito ou de força maior, para efeito de exclusão de responsabilidade, tendo em vista não atender, cumulativamente, as condições de ausência de imputabilidade, de inevitabilidade e de irresistibilidade. b) CSRF/0304.996, de 22/08/2006 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA. O registro do fato em boletim de ocorrência perante a autoridade policial não é prova suficiente para a exclusão da responsabilidade tributária. O boletim de ocorrência é um ato unilateral, ou um instrumento de coleta de informações, ou ainda, de comunicação a respeito do fato declarado (aparentemente criminoso). O roubo, juridicamente, não se enquadra no conceito de caso fortuito ou força maior, que seriam as únicas hipóteses de exclusão da responsabilidade prevista na legislação aduaneira. Com essas considerações, não reconheço a alegada excludente de responsabilidade (caso fortuito ou força maior) e NEGO PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15771.725027/2015-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/10/1997
FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Inexiste a comprovação da subsunção do fato à norma, em evidente deficiência no fundamento da autuação, lavrada em desconformidade com o art. 10, IV, do Decreto n.º 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-004.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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MOTIVAÇÃO. Recorrente MANUEL VILLAVERDE GRANA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/10/1997 FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA. Inexiste a comprovação da subsunção do fato à norma, em evidente deficiência no fundamento da autuação, lavrada em desconformidade com o art. 10, IV, do Decreto n.º 70.235/72. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Pedro Sousa Bispo. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 50 27 /2 01 5- 40 Fl. 239DF CARF MF 2 De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de auto de infração para a cobrança de multa decorrente da conversão da pena de perdimento de veículo importado, aplicada com fulcro no art. 73 da Lei 10.833/2003. Por bem descrever os fatos da autuação, adoto o relatório da r. decisão recorrida, com destaque para as questões entendidas como mais relevantes: "O interessado promoveu a importação do veículo Mercedes Bens, modelo 280 SLC, ano 1981, 2 portas, chassi WDB10702212010381, placa BND0018, ao amparo de medida liminar, concedida em 31/08/1992 (fls.34), nos autos do processo nº 92.00780610. A petição inicial foi juntada aos autos às fls. 10 e ss. Essa liminar foi cassada pelos Tribunais Superiores, cuja sentença do STJ que transitou em julgado em 17/11/1997 (fls. 72) e do STF em 01/12/1998 (fls. 77). Em 18/12/2012 (fls. 84) o interessado requereu judicialmente o desarquivamento dos autos (processo nº 007806164.1992.403.6100). Em 22/08/2013, sentença no processo nº 007806164.1992.403.6100 (fls. 85), informa que em 10/04/2013 o Impetrante requereu alteração no cadastro do veículo junto ao Detran/SP para possibilitar sua transferência, pedido este que foi negado em face da irregularidade da operação de importação. Também foi indeferido o pedido de fls. 233/237 (baixa do gravame para requisição de "placa preta" para veículo com mais de 30 anos). Em 4/12/2013 (fls. 95) o interessado foi intimado, por intermédio do Termo de Intimação nº 962/2013 (fls. 94) a entregar o veículo Mercedes Bens, modelo 280 SLC, ano 1981, 2 portas, chassi WDB10702212010381, placa BND0018, objeto deste processo. O não atendimento da intimação acarretaria a aplicação da multa prevista no artigo 728, inciso IV, alínea "c" do Regulamento Aduaneiro por embaraço à fiscalização. Em 07/03/2014, o interessado impetrou mandado de segurança, processo nº 000381795.2014.403.6100, (fls. 102 e ss), requerendo: a) liminarmente a suspensão da ordem de entrega do veículo emitida pelas Impetradas, permanecendo o veículo na posse do Impetrante sem a aplicação da multa estipulada (por não atendimento da intimação). b) reconhecimento do cabimento da importação do veículo,(...) diante da preclusão lógica, decadência, prescrição e direto adquirido fundamentados. Às fls. 164 e ss consta cópia da decisão indeferindo o pedido de liminar, em 11/04/2014. Às fls. 178 consta o AR do recebimento da intimação nº 540/2014 em 03/07/2014, que intimou o interessado a apresentar o bem, no prazo de 20 dias Às fls. 180 consta o AR do recebimento da reintimação nº 562/2014 em 02/09/2014, que novamente intimou o interessado a apresentar o bem, no prazo de 20 dias. Às fls. 183 e ss. foi juntada cópia da sentença julgando improcedente o pedido formulado na petição inicial de fls. 102 e ss. Às fls. 191 consta o AR do recebimento da intimação nº 720/2015 em 24/09/2015, dando ciência ao interessado da lavratura do presente auto de infração. Em 26/10/2015, o interessado apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 193), alegando em síntese a decadência, uma vez que o transito em julgado da Fl. 240DF CARF MF Processo nº 15771.725027/201540 Acórdão n.º 3402004.466 S3C4T2 Fl. 240 3 sentença se deu em 01/12/1998 e o artigo 173 do CTN estabelece o prazo de 5 anos para efetivação da obrigação tributária, sendo que a obrigação foi imposta em 19/11/2013 e agora em 24/09/2015. Junta julgados." (efls. 220/221 grifei) A Impugnação Administrativa apresentada foi julgada integralmente improcedente por esta r. decisão, ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/09/2014 CONVERSÃO DA PENALIDADE DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Na legislação aduaneira, há previsão legal para conversão da pena de perdimento de mercadorias em multa equivalente ao seu valor aduaneiro, quando houver impossibilidade de apreensão da mercadoria, quer seja em função da sua não localização, quer seja pelo seu consumo, conforme dispõe o Art. 23, §3.º, do Decretolei n.º 1.455/76. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 219) Cientificado desta decisão em 09/05/2016, a pessoa física apresentou Recurso Voluntário em 08/06/2016 reiterando suas razões aventadas em sede de Impugnação, sustentando a ocorrência de decadência do direito de lançar a multa na presente autuação. Em seguida os autos foram direcionados a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. As hipóteses de aplicação da pena de perdimento da mercadoria importada são trazidas no art. 105 do DecretoLei nº 37/1966 e no art. 23, caput e §1º do DecretoLei nº 1.455/1976. Estes dispositivos indicam distintas irregularidades passíveis de serem cometidas quando da importação que implicam, de alguma forma, em prejuízo à atividade de fiscalização ou dano ao Erário. Tratase, portanto, de um poder/dever da Autoridade Fiscal de apreender as mercadorias importadas irregularmente quando comprovadas as situações descritas na lei. Sua efetiva aplicação depende da instauração de processo administrativo próprio tendente a verificar a ocorrência da irregularidade. Caso comprovada e localizadas as mercadorias que foram indevidamente importadas, deve ser lavrado o Auto de Infração de aplicação da pena de perda e o correspondente Termo de Apreensão das mercadorias. Fl. 241DF CARF MF 4 O efeito da imposição da pena de perdimento da mercadoria é a sua destinação pelo Poder Público, na forma prevista no Regulamento Aduaneiro, por meio da alienação, incorporação, destruição ou inutilização1. Contudo, quando as mercadorias sujeitas a pena de perdimento não forem localizadas, surge o poder/dever do Poder Público, com fulcro no art. 73, da Lei n.º 10.833/2003, de impor uma penalidade pecuniária substitutiva àquela pena. Como indica o referido dispositivo legal2, esta penalidade de conversão da pena de perdimento em multa correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria deve ser aplicada em processo administrativo específico, distinto do processo de aplicação da pena de perdimento, quando a mercadoria não puder ser apreendida em razão de sua nãolocalização ou consumo: "Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua nãolocalização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1o Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2o A multa a que se refere o § 1o será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União." (grifei) Contudo, o procedimento de perdimento instaurado no presente caso não apresenta qualquer fundamento legal suscetível a respaldar a eventual aplicação da pena na hipótese. Com efeito, observase pela íntegra do processo n.º 10314.731349/201330, acostado ao presente processo, que não consta qualquer fundamento legal para a eventual aplicação da pena de perdimento na hipótese, apenas a narrativa fática do presente caso. A Administração não identifica, nem mesmo nas intimações enviadas ao Recorrente para apresentação do veículo, qual seria o fundamento legal para a aplicação do perdimento no caso. As intimações apenas trazem a determinação de apresentação do veículo sob pena de aplicação de multa por embaraço à fiscalização de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). É o que se depreende do Termo de Intimação SAPMA n.º 962/2013 (efl. 94): 1 As formas de destinação das mercadorias sujeitas ao perdimento estavam previstas à época da autuação no art. 713, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 4.543/2002, dispositivo reproduzido no art. 803 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 até as alterações pelo Decreto n.º 8.010/2013, que manteve estas quatro formas de destinação (alienação, incorporação, destruição ou inutilização) com algumas alterações quanto à forma de alienação e às pessoas autorizadas à incorporação. 2 A conversão da pena de perdimento em multa é igualmente indicada no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, sendo exigida para a sua aplicação a prévia não localização das mercadorias, como indicado tanto na redação vigente à época da autuação, dada pela Lei n.º 10.637/2002, como na atualmente vigente dada pela Lei n.º 12.350/2010: "Art. 23 (...) § 3º A pena prevista no § 1ºconvertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)" Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15771.725027/201540 Acórdão n.º 3402004.466 S3C4T2 Fl. 241 5 Acrescese que a comprovação da subsunção para a imposição da pena de perdimento é requisito essencial para a aplicação da penalidade pecuniária decorrente da sua conversão em multa. Isso porque, não tendo sido demonstrada a tipicidade necessária à aplicação da pena de perdimento, observase que foi contaminada, por ausência de motivação, a autuação lavrada para sua conversão em multa, ora sob análise. De fato, nesta autuação foram indicados os fundamentos legais para a aplicação da penalidade pecuniária e da pena de perdimento. Contudo, especificamente quanto à pena de perdimento, vislumbrase que foi indicado como fundamento o art. 688, VI, §1º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n.º 6.759/2009 que, além de não estar vigente à época da infração, não se relaciona com o presente caso. Vejamos primeiramente a descrição da autuação constante do Auto de Infração: "Aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face ao apurado no processo administrativo fiscal nº 10314.731349/201330. O sr. MANUEL VILLAVERDE GRANA, CPF nº 057.718.46872 promoveu a importação do veículo Mercedes Bens, modelo 280 SLC, ano 1981, 2 portas, chassi WDB10702212010381, placa BND0018, ao amparo de medida liminar posteriormente cassada pelos Tribunais Superiores, conforme informações às efls. 81, 82 e 168 do PAF nº. 10314.731349/201330 Intimado a entregar o veículo à SRFB, por meio do Termo de Intimação SEPMA nº 962/2013 (efl. 87), com ciência em 04/12/2013 (efl. 88), o interessado impetrou o Mandado de Segurança nº 000381795.2014.4.03.6100/SP, cuja liminar foi indeferida, conforme consta do despacho à efl. 168 do PAF nº. 10314.731349/201330. Posteriormente foi lavrado o Termo de Intimação SEPMA nº 540/2014, cuja ciência ocorreu em 03/07/2014, conforme efl. 170/171 do PAF nº. 10314.731349/201330. Foi então lavrado o Termo de Reintimação SEPMA nº 562/2014, por meio do qual foi exigida a entrega do veículo no prazo de 20 dias da ciência daquela (efls. 172 e 173 do PAF nº. 10314.731349/201330), ou seja, 22/09/2014, data esta que caracteriza o esgotamento das possibilidades de apreensão do veículo. Não consta do referido processo qualquer manifestação da parte interessada ou de qualquer representante seu, motivo pelo qual o referido processo administrativo foi encaminhado ao GRUSAM/SEPMA/ALF/SPO para aplicação da penalidade prevista no artigo 73 da Lei nº 10833/2003. Fl. 243DF CARF MF 6 Conforme pesquisa realizada no site da Justiça Federal, a sentença foi favorável à União Federal. Por todo o exposto, diante da ausência de entrega do veículo sujeito à aplicação da pena de perdimento, foi protocolado este processo de nº 15771.725027/201540 para tratar, especificamente, da lavratura da multa aplicável, resultante da conversão da pena de perdimento de veículo não localizado, prevista no art. 688, VI e § 1º do art. 689 do RA – Regulamento Aduaneiro, Decreto 6.759/2009 (DecretoLei nº 37 de 1966, art. 104 e 105; DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput, § 1º, com a redação dada pelo art. 59 da Lei no 10.637 de 2002, e § 3º do mesmo art. 23; e art. 73 da Lei 10.833 de 2003)." (grifei) Vejamos agora a expressão do referido art. 688, VI, §1º do Regulamento Aduaneiro/2009: "Art. 688. Aplicase a pena de perdimento do veículo nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 104; DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 24; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 75, § 4º): (...) VI quando o veículo terrestre utilizado no trânsito de mercadoria estrangeira for desviado de sua rota legal sem motivo justificado; e § 1o Aplicase, cumulativamente ao perdimento do veículo, nos casos dos incisos II, III e VI, o perdimento da mercadoria (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 104, parágrafo único, este com a redação dada pela Lei no10.833, de 2003, art. 77, e art. 105, inciso XVII; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, inciso IV e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59)." Ora, além do dispositivo indicado não estar vigente à época da infração (caracterizada em 13/10/19973), observase que o presente caso não se refere à veículo utilizado no trânsito de mercadoria, não se relacionando com o referido dispositivo normativo. Assim, inexiste a comprovação da subsunção do fato à norma, em evidente deficiência no fundamento da autuação, lavrada em desconformidade com o art. 10, IV, do Decreto n.º 70.235/72: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; 3 Atentandose para o presente caso, vislumbrase que o Recorrente procedeu com a importação de veículo usado, para o qual havia impedimento à época no art. 27 da Portaria Decex n.º 8/1991. A importação foi concretizada amparada por decisão liminar proferida no Mandado de Segurança n.º 92.00780610 (007806164.1992.403.6100 efl. 34), mantida em sede de sentença (efls. 45/56) e apelação (efls. 57/65). Contra essa decisão foram interpostos Recursos Especial e Extraordinário. Em julgamento do Recurso Especial, o Superior Tribunal de Justiça reformou o acórdão da apelação (efls. 66/70) em acórdão publicado em 13/10/1997 (efl. 71), transitado em julgado em 17/11/1997 (efl. 72). Com isso, entendeu o Tribunal que a importação do veículo teria sido irregular por estar em desconformidade com Portaria do Decex. Nesse mesmo sentido foi o julgamento do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal (efl. 73/76), em acórdão publicado em 13/11/1998, que transitou em julgado em 01/12/1998 (efl. 77). Assim, constatase que a liminar inicialmente concedida em favor do ora Recorrente foi reformada por decisão do Superior Tribunal de Justiça publicada em 13/10/1997, data em que foi reconhecida a ocorrência de infração por importação irregular de veículo, vez que feita em desconformidade com a orientação normativa vigente à época (Portaria Decex n.º 8/1991). Fl. 244DF CARF MF Processo nº 15771.725027/201540 Acórdão n.º 3402004.466 S3C4T2 Fl. 242 7 V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." (grifei) Desta forma, em face da deficiência na fundamentação da autuação, o auto de infração deve ser integralmente cancelado. Uma vez dado provimento ao Recurso em face da nulidade da autuação por erro de direito, deixo de analisar o argumento da decadência trazido pela Recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 245DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720754/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2010 a 31/08/2011
RECURSO DE OFICIO NÃO CONHECIDO. VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA.
Considerando que o valor do crédito exonerado é inferior ao disposto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. o Recurso de Oficio não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Bianca Felicia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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VALOR INFERIOR AO LIMITE DE ALÇADA. Considerando que o valor do crédito exonerado é inferior ao disposto no artigo 1º da PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. o Recurso de Oficio não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 07 54 /2 01 1- 79 Fl. 633DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Bianca Felicia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 19515.720754/201179 Acórdão n.º 2402005.924 S2C4T2 Fl. 634 3 Relatório A contenda objeto do presente processo decorreu da resistência do contribuinte a perfectibilização de crédito constituído pela fiscalização, mediante lavratura dos seguintes Autos de Infração: AIOP DEBCAD 37.278.9315 (fl. 21) – lavrado em 06/09/2011, referente às contribuições para a Seguridade Social, parte patronal, no valor total de R$ 3.006.371,24, incluídos juros e multa de mora; AIOP DEBCAD 37.278.9307 (fl. 3) – lavrado em 06/09/2011, referente às contribuições para a Seguridade Social, parte dos segurados, no valor total de R$ 1.170.286,75, incluídos juros e multa de mora; AIOP DEBCAD 37.278.9323 (fl. 56) – lavrado em 06/09/2011, referente às contribuições para outras entidades ou fundos, no valor total de R$ 493.665,02, incluídos juros e multa de mora; AIOA CFL 68 DEBCAD 37.278.9340 (fl. 71) – lavrado em 05/09/2011, referente multa no valor total de R$ 152.443,00, por descumprimento de obrigação acessória, notadamente por não ter declarado fatos geradores de contribuições previdenciárias nas GFIP. Na ocasião acordaram os membros da Turma, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento à impugnação, nos seguintes termos: a) manter em parte os créditos tributários referentes aos autos de infração DEBCAD 37.278.9307, 37.278.9315 e 37.278.9323, exonerando apenas a parte fulminada pela decadência, conforme Discriminativos Analíticos de Retificação de Débito (DADR ), em anexo (fls. 537/560); e b) manter na sua totalidade o crédito tributário apurado no AI (CFL 68) DEBCAD 37.278.9340. A decisão de exclusão de parte dos créditos teve por base terse operado a decadência em parte dos fatos econômicos tomados para sua realização.Considerando que o contribuinte fez pagamentos antecipados em todo o período fiscalizado, a DRJ entendeu por aplicável o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, assim, foram mantidos os valores verificados no período de 01 a 12/2006 conforme o seguinte: "Os valores lançados nos autos de infração por descumprimento de obrigação principal (AIOP´s DEBCAD 37.278.9307, 37.278.9315 e 37.278.9323) referentes ao período de 01 a 08/2006 serão excluídos, posto que extintos pela decadência (art. 156, V do CTN), o que resulta na redução dos seus valores para: AIOP DEBCAD 37.278.9307: valor total (incluídos juros e multas) de R$ 424.565,70 (quatrocentos e vinte e quatro mil quinhentos e sessenta e cinco Fl. 635DF CARF MF 4 reais e setenta centavos) valor consolidado até 05/09/2011; um milhão cento e quarenta e seis mil seiscentos e vinte e nove reais e dezessete centavos) valor consolidado até 05/09/2011; e AIOP DEBCAD 37.278.9323: valor total (incluídos juros e multas) de R$ 239.730,85 (duzentos e trinta e nove mil setecentos e trinta reais e oitenta e cinco centavos) valor consolidado até 05/09/2011;" O presente processo chega a este conselho impulsionado por recurso de oficio interposto pelo Presidente da Turma de Julgamento, em atendimento ao disposto no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, sendo a parte objeto de exclusão a sua única razão a ser julgada. O contribuinte foi notificado da decisão mas não interpôs recurso voluntário. É o relatório Fl. 636DF CARF MF Processo nº 19515.720754/201179 Acórdão n.º 2402005.924 S2C4T2 Fl. 635 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e interposto por parte legitima, entretanto, foi motivado, exclusivamente, pelo valor exonerado a época da decisão de primeira instância. O presidente da turma julgadora em atendimento ao mandamento contido no artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008 interpôs o presente recurso de oficio tendo em vista que o valor objeto de provimento pela decisão recorrida foi superior ao limite definido neste dispositivo. E mesmo considerando o atual valor de alçada previsto no Artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de Fevereiro de 2017, estaria o caso dentro do âmbito de situações em que se impõem a necessidade de reexame da matéria, por ter sido a exoneração superior ao valor previsto no citado normativo.: "PORTARIA MF Nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017 Multivigente Vigente Original Relacional (Publicado(a) no DOU de 10/02/2017, seção 1, pág. 12) Estabelece limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). (... Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais)." Isto posto, o \recurso de oficial preencher os requisitos de admissibilidade, portanto, voto por dele conhecer. Mérito Os créditos objeto do Recurso de Ofício foram excluídos com base em verificação de Decadência. Os fatos econômicos atingidos pela decadência (artigo 150, §4º, do CTN) seriam aqueles compreendidos até 08/2006, tendo o Acórdão adotado entendimento de que a anulação parcial do lançamento não é motivador para anulação de todo o auto de infração. e que uma vez excluída a parcela decadente deste, a sua parte remanescente (não decadente) permanece incólume Em reexame da decisão não há duvidas quanto a sua retidão. Tendo o lançamento ocorrido em 05/09/2011, considerando que o contribuinte realizou recolhimento antecipado em todo o período é aplicável a sistemática de contagem prevista no artigo 150, §4º, Fl. 637DF CARF MF 6 do CTN. Isto posto nos parece clara consonância com o disposto na Súmula Vinculante nº 08, do STF, no Diário de Justiça e no Diário Oficial da União de 20/06/2008 e com o disposto no Parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN/CAT n.º 1.617/2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, em 18/08/2008. Deste modo, a decisão recorrida não merece qualquer reparo, devendo ser mantida em sua integralidade. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do recurso de oficio. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 638DF CARF MF
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