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Numero do processo: 10166.016223/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2002
VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES.
O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração.
DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF.
A Súmula Vinculante n° 8 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91 que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos, previsto no CTN.
Tendo em vista a natureza tributária das contribuições destinadas aos terceiros, ficam afastadas as disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de dez anos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O arbitramento é hipótese legal de apuração do tributo devido, e quando observados os requisitos legais, não acarreta nulidade nem cerceia o direito à ampla defesa. É lícita a aplicação da aferição indireta para o cálculo de contribuições previdenciárias quando há omissão de registros contábeis.
NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO FISCAL.
Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários.
CÓDIGO FPAS. ENQUADRAMENTO. ATRIBUIÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
O enquadramento do código do Fundo de Previdência e Assistência Social - FPAS, nos lançamentos de ofício, constitui-se atribuição privativa da fiscalização, e se dá pelo enquadramento da atividade principal desenvolvida pelo sujeito passivo na Classificação Nacional de Atividade Econômica - CNAE.
ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil.
AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 40%. PREVISÃO.
Aplica-se a alíquota de 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, nos termos do artigo 618, inciso I, da Instrução Normativa INSS/DC Nº 100, de 18 de dezembro de 2003, vigente à época dos fatos.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso.
Numero da decisão: 2401-005.706
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência das competências 01/94 a 11/98. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento os valores apurados a título de pró-labore. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro .
Miriam Denise Xavier - Presidente.
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relator.
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2002 VENCIMENTO DO MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES. O CARF tem posicionamento consolidado no sentido de que o MPF é apenas procedimento gerencial da receita federal, sendo que mesmo sua inexistência não gera nulidade da infração. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE DO STF. A Súmula Vinculante n° 8 do STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91 que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos, previsto no CTN. Tendo em vista a natureza tributária das contribuições destinadas aos terceiros, ficam afastadas as disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de dez anos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AFERIÇÃO INDIRETA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. 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O enquadramento do código do Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS, nos lançamentos de ofício, constituise atribuição privativa da fiscalização, e se dá pelo enquadramento da atividade principal desenvolvida pelo sujeito passivo na Classificação Nacional de Atividade Econômica CNAE. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Argumentações com ausência de prova enseja o indeferimento da pretensão, haja vista a impossibilidade de se apurar a veracidade das alegações. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil. AFERIÇÃO INDIRETA. UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DE 40%. PREVISÃO. Aplicase a alíquota de 40% (quarenta por cento) do valor dos serviços constantes da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, nos termos do artigo 618, inciso I, da Instrução Normativa INSS/DC Nº 100, de 18 de dezembro de 2003, vigente à época dos fatos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a decadência das competências 01/94 a 11/98. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento parcial em maior extensão para excluir do lançamento os valores apurados a título de prólabore. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro . Miriam Denise Xavier Presidente. Luciana Matos Pereira Barbosa Relator. José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator designado. Fl. 11399DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Debito, lavrada cm desfavor da empresa ADLER Assessoramento Empresarial e Representações Ltda., que se refere às contribuições sociais devidas à Seguridade Social referente à empresa, segurados empregados e contribuintes individuais e as devidas a Terceiros, no período de 01/94 a 12/2002. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 542/562, o crédito tributário apurado decorreu de práticas fraudulentas por parte da empresa, traduzidas em omissão de faturamento pela prática criminosa de calçamento de notas fiscais e a consequente omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária em seus registros contábeis. Ademais, foram obtidas por volta de 1.800 (mil e oitocentas) notas fiscais calçadas no período de 01/1994 a 10/2000, representando uma omissão de faturamento, em valores originais, de mais de R$ 24.000.000,00 (vinte e quatro milhões de reais). Inconformada, a ora Recorrente apresentou Defesa de fls. 9.305/9.381, alegando, em síntese: (i) o enquadramento no CNAE apontado no Relatório Fiscal encontrase errado, pois, conforme consta em seu CNPJ, o enquadramento correto seria 45.33.0.01 — construção de estação e redes de telefonia e comunicação; (ii) o período anterior a 12/2001 está desprovido de regular fundamentação legal do critério de aferição indireta, estando apenas as competências de 2002 adequadamente fundamentadas; (iii) as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados, tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado; (iv) as notas fiscais tidas como calçadas pelo fisco previdenciário já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte, nada existindo de omitido a respeito. Esclarece, ainda, que todas as obrigações fiscais incidentes sobre tais faturamentos, bem como o próprio lucro do contribuinte foram uma parte quitada, e outra, regularmente reconhecida como devida e incluída no REFIS; (v) a alíquota de 40% para fins de apuração do salário de contribuição foi exacerbada e inadequada; (vi) em relação aos levantamentos de "aferição indireta faturamento", não existe nos autos qualquer fundamentação legal ou normativa quanto aos critérios e alíquotas que validam o labor fiscal, no período anterior ao da vigência das IN 69 e 70, ambas de 2002; Fl. 11400DF CARF MF 4 (vii) os valores classificados como prólabore omitido, comissões não nominadas e despesas de representações, são, na verdade, valores componentes do montante de lucro distribuído aos sócios; (viii) em relação ao levantamento prólabore omitido, informa que os argumentos apresentados decorrem de seu exclusivo esforço dedutivo, com lastro apenas na planilha de fls. 351/430, haja vista não constar em nenhuma passagem do relatório fiscal qualquer menção a respeito deste levantamento; (ix) quanto aos empreiteiros, motoristas e engenheiros, alega que não foram demonstrados nos autos os pressupostos aptos a caracterizar a relação empregatícia; (x) possui créditos perante o INSS, objeto de processos de restituição que não foram apropriados de forma adequada na presente NFLD; Em seguida, às fls. 9.391/9.403, a ora Recorrente peticiona requerendo a nulidade do lançamento, posto que o MPF — Mandado de Procedimento Fiscal está vencido. Alega que o MPF fora emitido em 30.01.03 e tinha como prazo de validade 28.03.03, sendo que o MPF complementar fora expedido somente em 02.05.03, ou seja, trinta dias após o vencimento do MPF originário, o que caracterizaria vicio formal insanável. As fls. 9.513/9.517, consta conversão do processo em diligencia, a fim de sanar o possível equivoco quanto ao enquadramento da Recorrente, que encontrase enquadrada no CNAE, na Seção F construção, divisão 45 Construção, Grupo 453 Obras de Infraestrutura para Energia Elétrica e para Telecomunicações, e a Fiscalização entende que o correto grupo seria 454 Obras de Instalações. Em atendimento ao disposto acima, fora apresentada Informação Fiscal (fls. 10.167/10.303), alegando o correto enquadramento da fiscalização quanto ao CNAE da empresa e pronunciando pormenorizadamente os porquês da manutenção parcial do lançamento, para que sejam excluídos tãosomente os valores indevidos apurados a maior em relação ao LEVANTAMENTO 007 — AUTÔNOMOS (CONTR FIN). Posteriormente, às fls. 10.327/10.329, consta Despacho Saneador, informando que deve ser evitado o uso de expressões incompatíveis com a seriedade do processo administrativofiscal, que extrapolem os limites do litígio, desta feita, requer sejam riscadas as expressões: sensacionalismo, sensacionalista, maldosa, tendenciosa, tendencioso, tendenciosidade e desonesto, constantes da peça impugnatória e da Informação Fiscal. A fim de solicitar informações a respeito da possibilidade de arrolamento de bens pertencentes aos sócios administradores da empresa ora Recorrente, fora expedido Oficio (fls. 10.365/10.367) solicitando manifestação da Procuradoria Federal especializada. Em atendimento a consulta formulada, a Procuradoria do INSS, às fls. 10.373/10.377, concluiu ser plenamente legal o arrolamento de bens dos sócios, suscitando como argumento, a desconsideração da personalidade jurídica prevista no artigo 50 do Código Civil. Às fls. 10.690/10.708, há petição da ora Recorrente, requerendo, em suma, a nulidade da NFLD, aduzindo as mesmas razões quando da propositura de sua Defesa. Analisando todas as provas carreadas aos autos, a Decisão Notificação nº. 23.401.4/0150/2005, de fls. 10.714/10.774, julgou o lançamento procedente em parte, Fl. 11401DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 4 5 retificando apenas o valor lançado relativo à rubrica 007 AUTÔNOMOS (CONTR FIN). Confirase: “DIREITO PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL. ENQUADRAMENTO NO CNAE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AFERIÇÃO INDIRETA. DECADÊNCIA. OPERAÇÃO CONCOMITANTE. PROVA. O código CNAE, cadastrado junto à Secretaria da Receita Federal, em nada vincula o INSS, haja vista ter caráter meramente declaratório. O MPF complementar, emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI. As normas delineadoras dos parâmetros da base de cálculo, na aferição indireta, por terem natureza formal, devem se fundamentar na legislação em vigor na data do lançamento. Havendo prova de fraude, dolo ou simulação, poderão ser constituídos, a qualquer tempo, os créditos tributários. Para efetivação da operação concomitante, impõese a existência de crédito da mesma natureza, oriundo de processo de restituição ou de reembolso. O julgador administrativo emitirá suas conclusões com base na demonstração da ocorrência dos fatos que as partes proporcionarem através da prova, instrumento processual adequado para levar ao conhecimento do mesmo os fatos que envolvem a relação tributária. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE” Às fls. 10.895/10.945, consta nova manifestação da Recorrente reiterando os argumentos trazidos em sua Defesa. Em seguida, devidamente cientificada da Decisão Notificação nº 23.401.4/0150/2005 em 19/04/2005 (fls. 10.889), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 10.957/11.047), em que, mais uma vez, se repete todas as alegações já aduzidas anteriormente. Ato contínuo, o Contencioso Administrativo da Secretaria da Receita Previdenciária negou seguimento ao Recurso Voluntário (fl. 11.053), eis que não foi acompanhado do depósito recursal de 30% da exigência fiscal. Todavia, tendo em vista que o Plenário do Supremo Tribunal Federal entendeu ser inconstitucional a lei que determina a exigência de depósito prévio em recursos administrativos, a Procuradoria da Fazenda Nacional, às fls. 11.073/11.075, determinou o encaminhamento dos autos para apreciação do recurso interposto. Naquela oportunidade, a 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, ao analisar o recurso (Resolução nº 230100.070 – fls. Fl. 11402DF CARF MF 6 11.083/11.087), não vislumbrou a possibilidade de julgamento deste processo, em razão de a fiscalização não ter examinado diversos pontos suscitados pela Recorrente na sua Defesa, que também são objeto do Recurso Voluntário, sem que este órgão pudesse sobre eles se manifestar. Desta feita, por unanimidade de votos, determinouse a conversão do julgamento em diligência para esclarecer: (i) se as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados, tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado; (ii) se as notas fiscais tidas como calçadas já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte; (iii) se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS; (iv) se as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base na aferição indireta foram corrigidas antes da Defesa do contribuinte e, em caso positivo, a repercussão destas correções no tributo devido. Cumprida a diligência (Informação Fiscal de fls. 11.173/11.175), o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, informou que: (i) O contribuinte não contabilizou, em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos Autos; (ii) Não houve o reconhecimento total das receitas omitidas por meio de emissão de notas fiscais “calçadas”, uma vez que a fiscalização juntou aos Autos documentos que demonstram que o contribuinte não apropriou corretamente as notas fiscais emitidas no período de 1994 a 2000; (iii) No que concerne ao questionamento sobre a inclusão de todas as obrigações fiscais no REFIS, impôs a fiscalização, que o REFIS foi rescindido em 17/11/2009, permanecendo em aberto 65 (sessenta e cinco) parcelas não quitadas; (iv) E, por fim, informou que as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base em aferição indireta não foram corrigidas antes da defesa do contribuinte, e que o Recurso Voluntário não trouxe nenhum elemento novo. Em que pese a fiscalização não ter dado ciência ao contribuinte, o Presidente da Terceira Câmara da Segunda Seção de julgamento, solicitou a comunicação e a abertura de prazo para as alegações do contribuinte, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório (fls. 11.177). Devidamente notificada em 06/07/2012 (Aviso de Recebimento de fl. 11.182), a empresa Recorrente apresentou sua resposta (fls. 11.184/11.201) ao resultado da diligência, alegando, em resumo, que: (i) A Diligência restou cumprida de modo precário, apoiandose comodamente em uma avaliação calcada em fatos pretéritos. Não houve, pois, novas análises; não se verificou o que consta dos escritos fiscais da recorrente, e, porquanto, obtevese limitadas informações; Fl. 11403DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 5 7 (ii) As obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas no momento da migração do REFIS para o parcelamento da Lei 11.941/09, tal afirmativa pode ser comprovada com as provas anexadas às alegações, bem como pelas informações contidas nos Sistemas informatizados da Própria Receita Federal do Brasil; (iii) Desprovida de fundamento se apresenta a afirmação da Autoridade Fiscal de que o contribuinte não contabilizou, em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos Autos, vez que todos os movimentos financeiros atinentes aos períodos que se encontram abarcados no lapso temporal que autorizaria a exigência dos tributos correspondentes foram devidamente sanados ou contabilizados; (iv) Todas as receitas omitidas foram apropriadas na contabilidade, na qualidade de ajustes de exercícios anteriores e na sequência deduzidas em uma conta relativa a débito de distribuição de lucros para os sócios da empresa, e assim sendo, não há como sustentar que as impontualidades no faturamento ainda persistiam. Com a escrituração desses valores, a recorrente reconheceu todos os tributos federais que sobre eles incidiam, optou pelo parcelamento destes e, conforme comprovantes, anexos à defesa, foram quitados; (v) A recorrente empreendeu todas as medidas necessárias para a correção do seu passado contábil e fiscal; (vi) Ilegítimo se apresentou o arbitramento das contribuições previdenciárias, vez que se encontra pautado em elementos insuficientes, vinculados apenas ao faturamento e a receita. Ao analisar o recurso, a 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária mais uma vez converteu o feito em diligência (Resolução nº 2302000.356 de fls. 11.233/11.238), tendo em vista que o Auditor fiscal cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Cumprida a diligência (fls.11.251/11.253), o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, informou que: (i) Primeiramente, cumpre esclarecer que a NFLD n° 35.675.4219 é relativa à infração de obrigações principais. O crédito é constituído dos seguintes levantamentos: 05 – Omissão de Folha de Pagamento, 06 – Pró Labore Omitido, 07 – Autônomos, 08 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 09 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 10 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas) e 11 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas); (ii) Conforme anexos aos processos n° 10166.722302/201083, fls. 68 a 274, n° 10166.722300/201094, fls. 76 a 104, e n° 10166.722307/201014, fls. 96 a 291, percebese que a Autoridade Fiscal, devido às inconsistências nos registros contábeis da empresa – que inclusive ocasionaram diversas penalidades por descumprimento de obrigações acessórias – e nos termos dos artigos 50, 52, 53 e 54 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto n° 356/1991, dos artigos 50, 52, 53 e 54 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173/1997 e dos artigos 231, 233, 234 e 235 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, sendo Fl. 11404DF CARF MF 8 vinculada a constituir o crédito tributário pelo lançamento relativo às obrigações principais, não viu outra opção senão utilizar a metodologia de apuração da remuneração da mãodeobra por aferição indireta, baseada no faturamento, 4. Alega o contribuinte, entretanto, no item 02.a, fls 11.188 a 11.191 de sua resposta à Informação Fiscal constante nas folhas 48 e 49 deste processo, esta solicitada pela Resolução n° 230100.070 da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF, que suas obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento, que estavam sendo pagas no parcelamento instituído pela Lei n° 9.964/2000 – REFIS, foram integralmente liquidadas, à vista, com os benefícios fiscais instituídos pela Lei n° 11.941/2009; (iii) É necessário esclarecer que os créditos tributários que foram consolidados no REFIS e que, segundo alegação do contribuinte, foram liquidados à vista em novembro de 2009, com benefícios da Lei n° 11.941, conforme telas dos sistemas anexadas aos autos, fls. 11.244 a 11.250, são relativos aos seguintes tributos: IRRF, IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. Dentre estes tributos, apenas o PIS e a COFINS, conforme art. 2° da Lei n° 9.718/1998, possuem como hipótese de incidência o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado e como base de cálculo o próprio faturamento; (iv) O PIS e a COFINS constituem fontes de financiamento da seguridade social previstas na alínea “b”, do inciso I, art. 195 da Constituição Federal de 1988. Não se confundem, portanto, com a contribuição social incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física prestadora de serviço, prevista na alínea “a” do mesmo dispositivo, embora também seja encargo do empregador, empresa ou a esta equiparada: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício b) a receita ou o faturamento c) o lucro;” (v) A Lei n° 8.212/1991, em seu capítulo IV, exerceu efetivamente a competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “a”, do inciso I, do art. 195 da CF/88, enquanto que a Lei n° 9.718/1998, por sua vez, exerceu efetivamente a competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “b”, do inciso I, do art. 195 da CF/88. Não resta dúvida, portanto, que Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) e PIS/COFINS tratamse de tributos diferentes, considerando que o art. 4° do CTN estabelece que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação e que os tributos citados possuem diferentes bases de cálculos e diferentes hipóteses de incidência; (vi) Esclareçase também, em tempo, que não há que se confundir critérios de apuração de bases de cálculo de tributos com as bases de cálculo propriamente ditas. De forma genérica, a Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), em seu artigo 148, possibilita que, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé os documentos expedidos pelo sujeito passivo, a Fl. 11405DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 6 9 autoridade lançadora realize o arbitramento do valor, preço ou direito que constitua base de cálculo de qualquer tributo. Não há no ordenamento jurídico tributário federal qualquer diploma legal vedando a utilização de determinadas grandezas como critério de arbitramento pelo simples fato de constituírem hipóteses de incidência de outros tributos; (vii) A Lei n° 8.212/1991 estabelece, no parágrafo 6°, do art. 33, a possibilidade de arbitramento da especificamente da Contribuição Previdenciária Patronal: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” (viii) Dessa forma, percebese que o contribuinte se equivocou em sua impugnação, pois o faturamento, no caso em epígrafe, não foi utilizado como base imponível para cálculo da CPP, mas sim como método de arbitramento, estabelecido pela legislação infralegal, para se chegar à real base de cálculo da CPP, qual seja “o total das remunerações pagas devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados que prestaram serviços, destinadas a retribuir o trabalho”. Após a manifestação fiscal encimada, os presentes autos foram redistribuídos a esta Relatoria. A empresa às fls. 11.266/11.267, solicitou que lhe seja oportunizado prazo para se manifestar sobre a Informação Fiscal de fls. 11.251/11.253, em homenagem à ampla defesa e ao contraditório. Já às fls. 11.277/11.299 os Senhores Ernesto Calvet de Paiva Carvalho e Antônio Ricardo Sechis, sócios da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda, informam que seus bens foram alvo de arrolamento desde 16/11/2004, sendo que eles, na condição de pessoas físicas, não possuem nenhum débito perante os cofres públicos. Assim, a teor do que dispõe o artigo 37, § 2º da Lei nº 8.212/91, c/c os artigos 64 e 64A da Lei nº 9.532/97, além da IN RFB nº 1.088, onde todos os dispositivos deixam claro que o arrolamento só cabe contra os bens do sujeito passivo, no presente caso, só caberia arrolar bens da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda. Citam, ainda, a Súmula 88 do CARF e a decisão em sede de recurso repetitivo do STF no Recurso Extraordinário nº 562.276/PR que entendeu pela inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 8.620/93, na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente com seus bens pessoais junto à Seguridade Social, tanto por vício formal ( violação ao artigo 146, inciso III da CF /88), como Fl. 11406DF CARF MF 10 por vício material (violação aos artigos 5º, Inciso XIII, e 170, parágrafo único da CF/88). Citam ainda a Súmula Vinculante nº 211, de 29/10/2009 do STF e ao final requerem a anulação ou cancelamento do arrolamento de bens realizados em seus nomes. Sobreveio nova diligência (Resolução nº 2401000.579), determinando a intimação da Recorrente Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda. para se manifestar sobre o retorno da diligência constante às fls. 11.251/11.253. Devidamente intimada em 06/10/2017 (fls. 11.345), a empresa Recorrente apresentou manifestação (fls. 11.348/11.395), reiterando parte de suas alegações mencionadas nas manifestações precedentes e aduzindo que: Definitivamente, o presente lançamento, passados mais de doze anos de sua constituição, não ostenta qualquer possibilidade jurídica de ser mantido, inclusive por não ter logrado a fiscalização originária, nem atender o que foi determinado pelo CARF quanto a realização de determinadas e específicas diligências, nem tampouco minimizar a percepção, desde sempre existente, de que não há qualquer segurança jurídica na manutenção desta cobrança, dado os inaceitáveis níveis de incertezas na caracterização e na mensuração fiscal deste lançamento fiscal de índole previdenciária. As mais recentes manifestações fiscais, aliás, colaboram para a percepção de que nem mesmo a fiscalização se preocupa em produzir o que quer que seja para argumentar sobre a validade deste lançamento. Nada mais tem sido promovido pela fiscalização de útil à manutenção desta cobrança, acreditase, por já ter ela constatado o quão irregular foram a constituição e a mensuração deste lançamento, reconhecendo que o seu cancelamento é a medida esperada por soberana decisão do CARF. Por outro lado, vem o contribuinte reiterando os seus argumentos sustentados desde os primórdios de sua originária defesa, potencializados pelas ocorrências então supervenientes e com força determinante a interferir no desfecho deste contencioso, mormente no que se relaciona aos atos de regularização de registros contábeis e de adesão/REFIS. Ora, o simples fato de que ocorreram apropriações e regularizações contábeis de faturamentos decorrentes de recebimentos via notas fiscais anteriormente alheias à contabilidade do contribuinte (informadas no relatório fiscal da NFLD – ‘calçadas’), e que as incidências fiscais daí decorrentes foram assumidas pelo contribuinte, inclusive com correspondente inclusão/REFIS, já inviabiliza a manutenção dos levantamentos “aferição indireta – faturamento”, pro labore omitido e “pro labore indireto (NF calçadas)”, o que deve ser reconhecido pelo CARF, se já não o for previamente por ato espontâneo da RFB. Afinal, se os valores de faturamento posteriormente reconhecidos contabilmente como receitas de serviços, se prestaram à incidência de PIS/COFINS, inclusive com a incidência de IRPJ/CSLL quando fosse o caso, com a resultante de tais incidências levadas à inclusão em programas especiais de parcelamento, não podem tais mesmos valores se prestarem à caracterização de base a outras tributações e definições, como ocorre no caso dos autos, com a correspondente Fl. 11407DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 7 11 cobrança previdenciária que parte da base (a mesma) então considerada como sendo remuneração a contribuintes individuais ou celetistas. Ora, ou se prestam à incidência dos tributos sobre faturamento e lucro, ou se caracterizam como remuneração a contribuintes individuais ou celetistas. O que não se pode admitir é impor ao contribuinte esta dupla incidência e consequente dupla cobrança. Ou uma ou outra definição. E, se a própria RFB já validou a adesão/REFIS, a ponto de aceitar a adesão e os pagamentos realizados, estando discutindo apenas aspectos valorativos relacionados à atualizações monetárias, juros e multas, por óbvio é que se deve ter como consumada no mundo jurídico tal formal realidade. Com efeito, a presente cobrança, aos menos a calcada nos valores de faturamento/receita, deve ser considerada como uma cobrança nitidamente em duplicidade e, em razão, deve nestes pontos ser cancelada. Aliás, pouco importa se todos os valores faturados que se prestaram como base de incidência para os levantamentos “aferição indireta – faturamento”, pro labore omitido e “pro labore indireto (NF calçadas)” in casu, foram ou não registrados em contabilidade e com consequentes impostos pagos, pois, não se pode retirar a relevância conceitual de que, se não no todo em boa parte sim, o que o fisco considera nos presente autos como remuneração a contribuinte individual ou celetista (por aferição indireta), foi reconhecido pela RFB como faturamento/lucro com recolhimentos dos impostos consequentes. O contribuinte insiste que realizou de forma completa este reconhecimento (contabilmente e com o pagamento dos impostos devidos) e trouxe aos autos elementos documentais que permitem esta constatação. Mas, se o fisco se furta a promover diligência completas em tal sentido, aliás, já determinadas pelo CARF, com relação aos faturamentos que foram considerados como ausentes de contabilização e como remuneração a contribuintes individuais ou segurados (em jun/2004 – constituição do lançamento), mas que foram apropriados contabilmente e incluídos no REFIS (ao redor de 2009/2010), prestandose inclusive como base de incidência de PIS/COFINS e IRPJ/CSLL, é de se reconhecer, ao menos, haver intransponíveis níveis de incerteza neste lançamento. E a incerteza é incompatível com a segurança jurídica do lançamento, tornandose o seu cancelamento medida que se impõe e que se espera seja pelo CARF aplicada. Tal raciocínio se aplica de forma direta nos levantamentos, “aferição indireta – faturamento”, pro labore omitido e “pro labore indireto (NF calçadas)”, o que é induvidoso. Mas, também se aplica aos levantamentos “autônomos” e “omissão – folha de pagamento”, ambos constituídos e mensurados com exagerados e, em razão, ilegítimos, critérios de aferição indireta e arbitramento. Nada, absolutamente nada legitima a manutenção desta cobrança previdenciária. Passados tantos anos de sua constituição, seu processamento apenas consome de forma inadequada a força de trabalho atuante in casu, e, a cada dia que passa, só aumenta os seus inaceitáveis níveis de incerteza fiscal e de consequente insegurança jurídica. Fl. 11408DF CARF MF 12 E, por não terem ocorrido novas manifestações fiscais relevantes que pudessem oferecer cenários diversos ao defendido até o momento nesta manifestação, procurará o contribuinte reproduzir parte do que já está argumentado nestes autos em suas diversas manifestações, nos termos hábeis de serem verificados nos tópicos que seguem. II) CONTRAPONTOS ÀS INFORMAÇÕES FISCAIS DE FLS. 11.251/11.253 – CONSIDERAÇÕES PROCESSUAIS E MERITÓRIAS GERAIS Já disse o contribuinte que se impressiona como após tantas diligências, sejam determinadas por DRJ ou mesmo pelo CARF, ainda não se tenha alcançada qualquer perspectiva de certeza neste lançamento. Pelo contrário, a cada ato ou decisão que venham a se materializar in casu, mais a convicção de sua improcedência se potencializa, principalmente pelos absolutamente irregulares, exagerados e injurídicos critérios de arbitramento considerados para a mensuração do quantum aqui lançado como devido. E, com base em tais critérios, os parâmetros utilizados quando da constituição e mensuração da base lançada como devida, já não mais podem ser considerados atualmente, por não mais estarem presentes no mundo jurídico, o que já de há muito vem sendo sustentado pelo contribuinte. Afinal, e como já argumentado acima, a presunção de que existiam notas fiscais ‘calçadas’ (sobre as quais fora mensurada a base de incidência previdenciária) não pode mais prevalecer, pelo simples fato de que foi ajustada a contabilidade para agregar em seus termos e controles todos os faturamentos do contribuinte, atitude esta que, inclusive, gerou o passivo incluído e aceito em parcelamento especial (REFIS) junto à própria RFB. Ora, pouco importa para o contexto dos presentes autos se o referido parcelamento está quitado ou ainda se encontra em aberto, como se preocupa a fiscalização em apregoar, pois, o que realmente importa neste específico ponto é, apenas, a afirmativa incontroversa (pois homologada por ato formal da RFB com a consolidação de novos débitos e a adesão/REFIS) de que NÃO MAIS PRESENTES ESTÃO NO MUNDO JURÍDICO AS NOTAS TIDAS COMO “CALÇADAS” E QUE OFERECERAM OS VALORES SOBRE OS QUAIS FOI PRESUMIDA E ARBITRADA A BASE DE INCIDÊNCIA LANÇADA IN CASU. E, se não mais estão no mundo jurídico, justamente por ter o contribuinte retificado e ajustado a sua contabilidade para validar um correto faturamento (distinto daquele que serviu de base para o arbitramento fiscal realizado), por absolutamente evidente que não se pode dar qualquer respaldo jurídico aos cálculos utilizados pela fiscalização quando da mensuração das bases de incidência cobradas, o que não pode passar despercebido pelos senhores julgadores administrativos que atuarão nestes autos. Validar esta cobrança com os valores que a originaram, é validar um específico arbitramento que elegeu como parâmetros determinados valores já retificados formal e oficialmente, ou seja, é validar algo sem base na realidade, o que não se pode admitir inclusive em respeito ao Estado de Direito. Fl. 11409DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 8 13 Entendeu por bem o contribuinte iniciar esta sua manifestação com os alertas acima, justamente para demonstrar que o escopo da presente manifestação caminha no sentido de se tentar algo similar a “chamar o processo a ordem”, pois o que vem há anos sendo argumentado pelo contribuinte como de necessária avaliação fiscal, e, mesmo com determinações do CARF a respeito, não restou avaliado e muito menos concluído pela fiscalização de origem. E, insistese, mesmo que de forma repetitiva, que as determinações/CARF para a realização de diligências fiscais não foram atendidas, o que permite a confirmação de que este lançamento é INCERTO e, em razão, deve ser cancelado por desatender as exigências legais à sua validação. Ora, basta ler o que foi dito pela fiscalização na Informação Fiscal de 24/07/2015 (fls. 11.251/11.253), para se ter a plena convicção de que este lançamento está revestido de ilegítima incerteza, e que a própria fiscalização, permissa vênia, se perdeu no curso deste processamento, já não mais compreendendo o que foi realizado quando da constituição deste lançamento, o que, repetese, potencializa os elevados níveis de incerteza tendentes à pela anulação desta irregular cobrança. Tal atitude fiscal atrai as deveras sensatas deliberações firmadas pela Resolução/CARF motivadora da debelada diligência fiscal, que são adiante transcritas, in verbis: “Não vislumbro a possibilidade de julgamento deste processo, pelo menos neste momento, em razão de a fiscalização não ter examinado diversos pontos suscitados pela ora Recorrente na sua Defesa, que também são objeto deste Recurso Voluntário, sem que este órgão possa sobre eles se manifestar. (.............................................) Outrossim, a Recorrente afirma que a aferição indireta para se realizar o lançamento em comento deveria ter sido revista, na medida em que as irregularidades contábeis do passado podem ter sido corrigidas, como foi admitido pela própria autoridade fazendária no MPF 0110100.2010.00178. Todos esses pontos não apreciados pela fiscalização referemse a questões que podem afastar o lançamento decorrente de apuração indireta, nos termos do art. 148 do CTN e o art. 33, § 06º da Lei 8212/91. Ocorre que a autuação somente poderia ser concluída depois de rebatidas todas as questões suscitadas pelo contribuinte, o que não se deu no caso em tela, o que impõe a devolução dos autos à autoridade fiscal para o exame da situação fática apontada, diante da impossibilidade de fazêlas nesta instância recursal.” (grifos nossos) Ora, o quanto deliberado pelo CARF há anos atrás, efetivamente não foi atendido pela fiscalização, ATÉ HOJE, o que, insistese, potencializa a INCERTEZA deste lançamento que, em razão, deve ser cancelado. Aliás, diversos outros pontos já foram levantados pelo contribuinte, sem qualquer resposta Fl. 11410DF CARF MF 14 Tratamse de argumentos consistentes e já produzidos nos autos, mas, sem respostas. Assim, a Recorrente reafirma neste momento que as correções contábeis foram realizadas da única forma que lhe era possível assim fazer, e os tributos apurados em face da receita omitida foram integralmente recolhidos. E, se não o foram, devem ser cobrados em sede própria, o que não elimina a força do argumento de que as bases de incidência aqui questionadas são ilegítimas, por exageradas e não terem respaldo na realidade. Reconheceu o contribuinte erros do passado, e, em nov/2009 promoveu recolhimentos de tributos então parcelados em patamares superiores a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) o que demonstra de forma concreta e efetiva, e não meramente teorizada e subjetiva como se percebe ocorrer nos pronunciamentos fiscais in casu, a sua boafé e respeito às suas obrigações fiscais, o que, data vênia, poderia gerar um tratamento mais respeitoso, ou, ao menos meramente isento e técnico, por parte das autoridades fiscais atuantes in casu. Com efeito, servese o contribuinte da presente manifestação para, mais uma vez, demonstrar o quão surreal é o presente lançamento, que teve suas bases de incidências apuradas por presunções e parâmetros que já não mais estão no mundo jurídico dada as retificações contábeis levadas a efeito pelo contribuinte. Retificações contábeis estas que, de tão regulares e oficiais que foram, receberam a chancela da RFB, inclusive com formalização de parcelamentos, pagamentos e incidências diversas, tudo a corroborar com a convicção de os parâmetros iniciais utilizados pela fiscalização não mais se prestam à validação do que quer que seja, o que só potencializa o elevado nível de INCERTEZA desta autuação, que, em razão, deve ser cancelada na sua plenitude. Em resumo, são firmes as posições do contribuinte quanto (i) as diligências impostas pelo CARF não foram cumpridas, até hoje pela fiscalização; além do fato de que (ii) as Informações Fiscais de fls. 11.251/11.253 estão acima impugnadas e não passam de argumentos meramente teorizados, sem qualquer pertinência com a concreta hipótese dos autos, não merecendo qualquer viés de acolhimento; (iii) sem prejuízo de se considerar que já há nos autos sérios e fundamentados questionamentos promovidos pelo contribuinte no curso do processamento deste contencioso, inclusive, já tidos como relevantes pelo CARF a ponto de motivarem baixas em diligências, tendentes estas a, justamente, retirar a INCERTEZA desta cobrança, o que, já se viu pela precariedade da atitude fiscal nestes autos, apenas aumenta e se potencializa (a INCERTEZA). Assim, e na eventualidade de não sobrevirem novos movimentos fiscais a completarem as diligências determinadas pelo CARF, e que considerem os fatos supervenientes já insistentemente provados e considerados pelo contribuinte, outra alternativa não existirá senão o cancelamento desta cobrança, na sua integralidade para toda e qualquer finalidade de direito. Ficam, pois, contrapostas formalmente as Informações fiscais de fls. 11.251/11.253, com o reiterado pedido de cancelamento desta injurídica cobrança na sua plenitude. III DOS QUESITOS APRESENTADOS PELO CARF NA RESOLUÇÃO 230100.070 E DO POSICIONAMENTO DO CONTRIBUINTE A Fl. 11411DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 9 15 RESPEITO – DOS CONTRAPONTOS DO CONTRIBUINTE ÀS INFORMAÇÕES FISCAIS DE FLS. 11.173/11.174) Entende o contribuinte ser oportuno reproduzir na sequencia desta manifestação, com específicas e pontuais alterações, o quanto já produziu nestes autos sobre os quesitos apresentados pelo CARF, até o momento sem adequadas respostas oferecidas pela fiscalização, mesmo diante dos anos passados a respeito. E, por uma mera questão de didática, será alterada a ordem estabelecida nos itens da contraditada Informação Fiscal, mas, mantendose a referência numérica então consignada. a) item 05/IF, relacionado ao item ‘c’/Resolução (se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS) Afirma e comprova o contribuinte que as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram SIM efetivamente quitadas, quando da migração do chamado REFIS para o parcelamento instituído pela Lei 11.941/09. E, diante de tal afirmativa, absolutamente passível de ser identificada oficialmente pela autoridade fiscal diligente por meio de singelas pesquisas nos sistemas informatizados da RFB/DF, é de causar séria perplexidade a incompleta e nitidamente indutora a erro vinculada resposta dada no item 05 da debelada IF, relativamente à evidenciada opção/REFIS. Diz a debelada IF, in verbis: “Conforme consta na IF (fls. 5001 a 5006), e dados do Extrato do processo 10166.014927/0061 (fls. 5430 a 5466), o contribuinte aderiu ao REFIS em 01/03/2000 e em 17/11/2009 foi rescindido, permanecendo em aberto 65 parcelas não quitadas” Ora, REALMENTE HOUVE A RESCISÃO DO CHAMADO REFIS EM NOV/2009, MAS, A PEDIDO EXPRESSO E ELETRÔNICO DO CONTRIBUINTE, JUSTAMENTE PARA QUE HOUVESSE A MIGRAÇÃO DO SALDO DEVEDOR ENTÃO EXISTENTE, PARA OS TERMOS DAS MODALIDADES DE PARCELAMENTOS DA LEI 11.941/09. Segue anexo, como irrefutável prova de que a rescisão/REFIS se deu para fins de migração do saldo devedor então existente ao parcelamento da Lei 11.941/09, bem como que referido saldo foi QUITADO NA SUA PLENITUDE, os seguintes documentos: a) termo eletrônico de desistência do parcelamento instituído pela Lei 9964/00 (REFIS), nos moldes estabelecidos pelo regramento administrativo editado sob o prisma da Lei 11.941/09; b) planilhas demonstrativas da “consolidação dos débitos do REFIS de acordo com o “SICALC”, a indicar, de forma clara e pormenorizada que, para fins de quitação plena, o saldo devedor remanescente então migrado corresponderia ao valor de R$ 5.352.379,64; Fl. 11412DF CARF MF 16 c) onze (11) DARF/quitadas, no valor total de, exatamente, R$ 5.352.376,12, QUE COMPROVAM QUE TODO O SALDO DEVEDOR OUTRORA INCLUÍDO NO REFIS, FOI QUITADO NA FORMA DA LEI 11.941/09, o que evidencia uma atitude completamente desnecessária da autoridade fiscal diligente, de apregoar oficialmente que “65 parcelas ficaram em aberto”, quando já estavam, desde 2009, DEFINITIVA E CABALMENTE QUITADAS; É impressionante a falta de isenção na prestação de informações fiscais a este Colegiado, que, de todo o modo, só corrobora a argumentação defensiva de que este lançamento está plenamente desprovido de juridicidade, por incerto, ilíquido e com uma motivação vinculada absolutamente distante da realidade. Ademais, os valores envolvidos nesta noticiada quitação decorrem de levantamentos realizados pela própria RFB, sobre valores reconhecidos como faturados pelo contribuinte, inclusive com consequente respaldo contábil, o que retira qualquer perspectiva de manutenção das originais insinuações fiscais quanto a omissões de receitas. Faltou zelo e tecnicismo à Informação Fiscal, pois, houvesse o mínimo cuidado de analisar as razões de a recorrente ter rescindido o REFIS, teria tido a oportunidade de concluir que o foi simples e tão somente porque entendeu por bem quitar o débito parcelado de forma adiantada (vide documentos anexo). Por certo que chegaria a concluir, ainda, que a consolidação dos débitos incluídos em parcelamento, conforme documentos já juntados aos autos, abrangeu também a totalidade dos créditos tributários decorrentes das correções contábeis relacionadas a integral receita oriunda das notas tidas por “calçadas”, e igual inferência teria no que tange as supostas 65 parcelas em aberto, porque se o crédito foi quitado, como aqui está comprovado, e rescindido o parcelamento, foi porque nada mais era devido. Remanescem disputas quanto a valores de juros e multas, mas, não há polêmicas quanto a quitação dos valores principais, o que pode ser atestado pela RFB. Mas, mesmo que existissem polêmicas quanto aos montantes principais, evidente que não seriam suficientes para validar esta cobrança, já que os elementos que alicerçaram o entendimento fiscal afeto a remunerações sujeitas à incidência previdenciária, ou seja, as notas fiscais não contabilizadas, foram posteriormente apropriadas contabilmente com as incidências e pagamentos fiscais daí decorrentes, e, em razão, não se pode mais falar em se prestarem estes mesmos valores de base para incidências sobre remunerações. Portanto, nada do que afirma o Sr. fiscal neste item tem idoneidade fática suficiente para se manter o que, a bem da mais pura verdade e ora satisfatoriamente comprovado, expõe a fragilidade de apoiarse comodamente em uma avaliação calcada em fatos pretéritos, dissociados da realidade atualizada do Recorrente. Desta forma, e apenas para dar o devido destaque, a Recorrente reafirma, com suporte na documentação ora carreada em sua defesa, que todas as obrigações fiscais relacionadas ao faturamento foram cumpridas ao seu tempo, não havendo nada mais devido, o que não está infirmado objetivamente pela fiscalização (até por não ser possível), evidenciado, apenas por este viés, haver plena Fl. 11413DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 10 17 possibilidade jurídica de cabal reconhecimento da plena falta de qualquer prosperidade desta debelada NFLD. b) item 03/IF, e, ‘a’/Resolução (se as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado) Ao contrário do que alinha o respeitável agente fiscal em suas informações, é de ser afirmado que todos movimentos financeiros atinentes aos períodos que se encontram abarcados no lapso temporal que autorizaria a exigência dos tributos correspondentes, foram devidamente sanados ou contabilizadas, aliás, conforme bem demonstram os documentos já trazidos aos autos, nas diversas páginas que o compõem. Por outro lado, é preciso destacar que a informação fiscal em baila, para sustentar que a Recorrente não teria corrigido todos os problemas em foco, se escora nas planilhas e dados lançados tanto na decisão de primeira instância, quanto na diligência que a antecedeu. Significa dizer que, por certo, as dúvidas que inibiram este Colegiado de deliberar acerca do Recurso posto em julgamento, permanecem inalteradas. E, admitindose que a dúvida é incompatível com a certeza exigida de um lançamento fiscal, evidente ser o decreto de cancelamento desta NFLD medida que se impõe. Ora, a limitada avaliação dos fatos não permitiu à fiscalização constatar um detalhe crucial, qual seja: tanto a decisão recorrida quanto a avaliação que lhe precedeu, sustentam a manutenção da acusação em incorreções ocorridas, na sua maior parte, em períodos além de 05 (cinco) anos da efetivação do lançamento, ou seja, incorreções em períodos já decaídos e que, portanto, não podem servir de sustentação para desqualificação da contabilidade para períodos posteriores. Estas afirmativas fiscais decorrem das próprias palavras externadas na debelada IF (item 03 / fls. 11.173), in verbis: os documentos anexados nos autos demonstram que as movimentações bancárias e os cheques identificados pela autoridade fiscal não foram registrados na contabilidade, até o mês de novembro de 2000. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 244/254), as planilhas anexas, a Informação Fiscal (fls. 4982 va 5050) e a Decisão Notificação nº 23.401.4/0150/2005, especificamente nos itens 131 a 134 da DN fica cabalmente demonstrado que o contribuinte não contabilizou em todo o período fiscalizado as movimentações bancárias e os cheques identificados nos autos. Nítido que, além de não ter promovido qualquer diligência adicional ao que já estava produzido nos autos, apregoa a fiscalização uma pretensa falta de contabilização de cheques e movimentações financeiras até o ano 2000, ou seja, praticamente todo o período atingido pela decadência. Fl. 11414DF CARF MF 18 De toda forma, os cheques não contabilizados, conforme sustenta a fiscalização, vinculamse a receita decorrente das insinuadas “notas calçadas”, sendo certo que se as notas foram apropriadas contabilmente, os cheques, por direta implicação, também o foram. Com efeito, tanto pela premissa de que há regularidade contábil, inclusive já atestada pela SRF, quanto, pelas eventuais incorreções (não reconhecidas pelo contribuinte) apontadas de forma pontual pelo fisco (até 2000), e que, não podem repercutir por períodos posteriores, aliado ao fato de que não há qualquer pronunciamento fiscal quanto a irregularidades a respeito nos períodos posteriores a 2000, é de se ter como correto considerar desprovida de fundamento a vinculada acusação fiscal, de forma que, sob este fundamento, com, a devida vênia, o lançamento não pode prevalecer no mundo jurídico. 02.c) item 04/IF, e, ‘b’/Resolução (se as notas fiscais tidas como calçadas já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte) Neste especifico item, solicitou a Turma Julgadora que a auditoria fiscal avaliasse se as notas fiscais que teriam sido “calçadas” pela Recorrente foram ou não apropriadas em sua contabilidade, pelo que foi afirmado que, “de acordo demonstrações anteriores”, as apropriações contábeis não teriam se dado de forma correta. Em que pese a fiscalização sequer indicar as razões pelas quais considera incorretas as correções empreendidas na contabilidade da empresa, preferindo a cômoda repetição de uma avaliação anterior totalmente distorcida e distante da verdade dos fatos, certo é que todo o trabalho de escrituração das referidas notas se deu em face das notas fiscais que subsidiaram a acusação inicial. Na esteira desse ideal, o documento de fls. 1.055 e diante, em relação a períodos não decaídos, lista 152 (cento e cinquenta e duas) Notas Fiscais de Serviço e 18 (dezoito) de Venda Mercantil, cujos valores contabilizados estavam inferiores às notas verificadas, no seguinte patamar: R$ 788.632.41 (setecentos e oitenta e oito mil seiscentos e trinta e dois reais e quarenta e um centavos) – VENDA MERCANTIL; R$ 3.745.345.96 (três milhões setecentos e quarenta e cinco mil trezentos e quarenta e cinco reais e noventa e seis centavos) – SERVIÇOS. De acordo com o Livro Razão do 1º semestre de 2004, Pág. 689/693, as notas fiscais de serviços cujos valores contábeis estavam erroneamente indicados foram apropriadas e lançadas na conta contábil de nº 2.14.501.00002, como receitas de exercícios anteriores, gerando um valor apropriado de R$ 3.739.078,98 (três milhões setecentos e trinta e nove mil e setenta e oito reais e noventa e oito centavos). Ainda segundo o mesmo Livro Razão, só que relativo ao 2º semestre de 2004, p. 1026, as notas fiscais relativas à venda mercantil foram integralmente apropriadas na mesma conta contábil nº 2.14.501.0002, como receitas de exercícios anteriores, gerando um valor apropriado de R$ 788.632.41 (setecentos e oitenta e oito mil seiscentos e trinta e trinta e dois reais e quarenta centavos). Fl. 11415DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 11 19 Importante anotar que todas as receitas omitidas foram apropriadas na contabilidade na qualidade de ajustes de exercícios anteriores e registradas na conta a crédito como receita de exercícios anteriores e na sequência deduzidas em uma conta relativa a débito de distribuição de lucros para os sócios da empresa, de forma que não há mais como sustentar que as impontualidades no faturamento ainda persistiam. E, muito menos, que se pode caracterizar tais valores como base de remunerações a contribuintes individuais ou celetistas. Com a escrituração desses valores a Recorrente reconheceu os consequentes tributos federais que sobre eles incidiam, tendo feito a opção pelo seu parcelamento, conforme já argumentado, inclusive, com a vinculada quitação de tal saldo devedor, conforme, aliás, já comprovado (documentos juntados aos autos). Dessa forma, e em resposta objetiva ao que indaga esta Turma Julgadora, e ao contrário do que preferiu sustentar o sr. fiscal diligente, o faturamento omitido da Recorrente fora por ela contabilizado, e as obrigações fiscais dele decorrentes foram igualmente reconhecidas e os tributos devidamente incluídos em REFIS, e na verdade, já quitadas. Se não na totalidade (o que cabe a fiscalização provar, pois o contribuinte afirma que sim, inclusive com respaldo da RFB), em patamares mais do que suficientes para retirar a possibilidade jurídica de ter os lançamentos que consideraram tais valores como parcelas remuneratórias, absolutamente indevidos. Apenas a título de argumentação, transcrevese argumentação do próprio contribuinte já produzida nestes autos, oportuna de análise frente o ponto ora debelado, in verbis: (...) Errada a postura fiscal em apregoar no item 46/IF que o reconhecimento da receita não contabilizada e apurada pela fiscalização da SRF deixou de reconhecer os custos correspondentes à mãodeobra referentes a tais Notas Fiscais, justamente pelo fato de que TODOS OS CORRESPONDENTES CUSTOS CONTÁBEIS ENCONTRAMSE DEVIDAMENTE CONTABILIZADOS. Outra equivocada insinuação decorre da menção feita no item 48/IF no sentido de que o contribuinte não promoveu a retificação contábil referente ao levantamento realizado pela SRF em 2000, pois, se tal fato tivesse sido registrado no ano de 2000 alteraria o resultado daquele período, não permitindo a distribuição de lucros no valor de R$ 2.621.000,00. E, assim afirma argumentando que em se tratando de valores relativos a exercícios anteriores, com o encerramento e apuração de resultado de tais períodos já concluído, a única forma de registrar tais fatos é com a utilização de uma conta de AJUSTE DE EXERCÍCIOS ANTERIORES (no caso o título utilizado foi de ‘Retificação de Erros de Exercícios Anteriores), componente do Patrimônio Líquido. Ora, tal alegação não merece a menor credibilidade, pois, o reconhecimento da ‘Receita Omitida’ em qualquer época refletiria diretamente no Patrimônio Líquido, onerando os Lucros Acumulados em igual valor. Fl. 11416DF CARF MF 20 Portanto, se tal fato tivesse ocorrido no ano de 2000, a Contabilidade apresentaria como saldo de Lucros Acumulados o valor correspondente ao somatório da conta 2.1.41.201.0001 (R$ 3.044.966,88 – 2.983.684,34 que se refere ao Lucro do 04º Trimestre de 2000) e a conta 2.1.41.202.0002 (R$ 8.959.147,90) totalizando R$ 9.080.430,44, e, ao contrário do que é alegado na IF, existiria saldo suficiente para promover a distribuição de lucros no valor de R$ 2.621.000,00, distribuição esta, aliás, que só veio a ocorrer no ano 2001 e não em 2000, como alegado. Percebese, pois, o quão realmente frágil é o labor fiscal ora combatido, que, distorce a realidade contábil do contribuinte de uma forma que não se sustenta diante do contraponto da própria realidade.” Desta forma, a Recorrente reafirma neste momento que as correções contábeis foram realizadas da única forma que lhe era possível assim fazer, e os tributos apurados em face desta posteriormente reconhecida receita, foram integralmente recolhidos. Reconheceu o contribuinte erros do passado, e, em nov/2009 promoveu recolhimentos de tributos então parcelados em patamares superiores a R$ 5.000.000,00 (cinco milhões de reais) o que demonstra de forma concreta e efetiva, e não meramente teorizada e subjetiva como se percebe ocorrer nos pronunciamentos fiscais in casu, a sua boafé e respeito às suas obrigações fiscais, o que, data vênia, poderia gerar um tratamento mais respeitoso, ou, ao menos meramente isento e técnico, por parte das autoridades fiscais atuantes in casu. Esta, aliás, uma afirmativa que sempre repetirá o contribuinte no bojo destes autos. d) item 06/IF e ‘d’/Resolução (se as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base na aferição indireta foram corrigidas antes da Defesa do contribuinte e, em caso positivo a repercussão destas correções no tributo devido) Nada que venha a ser dito em relação a este tópico pode retirar a certeza de que o contribuinte, imbuído em seu propósito de adequar sua contabilidade aos padrões de confiabilidade relacionados ao faturamento, empreendeu todas as medidas necessárias para a correção do seu passado contábil e fiscal, como aliás, já argumentado neste manifesto. E na busca desse objetivo envidou todos esforços humanos e financeiros necessários, e que lhe permitem, de forma segura, sustentar neste momento que não há qualquer razão que possa conduzir a manutenção do arbitramento na forma como levado a efeito nestes autos, sendo o que se espera ouvir deste e. Tribunal Administrativo. e) da falta de justificativa para o arbitramento de contribuições previdenciárias em razão de erros no faturamento – das conclusões quanto aos contrapontos à Informação Fiscal de fls. 11.173/11.174 Muito embora já tragam os autos as balizas necessárias para o correto julgamento do caso em baila, bem como de ter contraditado na plenitude todas as Informações Fiscais produzidas nestes autos, é de se reiterar o Fl. 11417DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 12 21 questionamento do arbitramento empreendido pela autoridade fiscal no caso sob apreciação, especialmente sob a justificativa de que haveria faturamento omitido, em razão de notas fiscais calçadas e cheques não contabilizados. Muito embora todas essas incorreções já terem sido devidamente corrigidas (insiste o contribuinte que corrigiu a totalidade), é de se admitir que não são esses “erros”, por si, justificativas hábeis para sustentar um procedimento arbitrado em relação às contribuições previdenciárias, na forma como se produziu nestes autos. Isso se afirma porque, ainda que se constate a existência de faturamento omitido da contabilidade, os registros remuneratórios não necessariamente se vinculam a esses dados, de forma que podem não sofrer impacto negativo, permanecendo em sua real dimensão. Em verdade, a omissão de receita, por meio de supostas notas calçadas, somente pode ter repercussão nos tributos relacionados ao faturamento e a receita, e que devem ser exigidos, ainda que seja por meio de recomposição presumida do valor a sofrer a incidência tributária. O mesmo, contudo, não se pode dizer em relação às contribuições previdenciárias, cuja tributação não levava em conta a receita da empresa, mas sim sua folha salarial. Por certo que a Recorrente não busca por meio do presente instrumento, contestar a faculdade legal dispensada à autoridade fiscal em buscar a tributação por meio de uma base presumida, quando não for possível, em razão da deficiência ou falta de apresentação de documentos, identificar a base tributável tida como real, e a consequente inversão do ônus probatório que isso acarreta. Muito pelo contrário, a insurreição assentada nas premissas aqui expostas situase na precisa correlação que deve existir entre o evento ou eventos chamados a justificar o arbitramento e a direta correspondência com a impossibilidade de descoberta da real base tributável, e que assim permite a sua substituição pela base indiciária. Sem dúvida que “os vícios, erros ou deficiências só legitimam a utilização do arbitramento se os mesmos tornarem a documentação imprestável para os fins a que se destina, vale dizer, se comprometem a descoberta do objeto que se pretende provar(...).1 Seguindo nesse raciocínio, as contribuições previdenciárias têm sua base imponível constitucionalmente fixada na remuneração que é dirigida aos empregados da empresa, motivo pelo qual, aliás, o § 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/912, somente permite a adoção da base indiciária, no caso deste especifico tributo, quando os dados registrados na contabilidade não indicarem o movimento real da remuneração dos segurados empregados a seu serviço. O detalhe beira o óbvio, porque se o tributo toma como base a remuneração, apenas a inviabilidade da sua exata dimensão, através dos registros contábeis pertinentes a massa salarial do contribuinte, ainda que em contraste com dados externos a contabilidade, torna legítima a adoção de meios presumidos de tributação. O que se destaca aqui é que não é o erro contábil em si que torna 1 FERRAGUT, Maria Rita, Presunções no Direito Tributário, 2ª Ed., Quartier Latin, São PauloSP, pág. 273. 2 § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 11418DF CARF MF 22 legitima a postura fiscal ora discutida, mas sim que esse erro, de alguma forma, tenha repercussão e relação direta no montante remuneratório escriturado, de tal forma que este não mereça nenhuma fé3. Em verdade, se erros existem, mas, se eles não têm nenhuma correlação com o tributo objeto de investigação fiscal, não cabe a auditoria fiscal desconsiderar os valores registrados e informados pelo contribuinte, e substituir a base de incidência por um valor estimado e presumido. No caso objeto de apreciação desses Nobres Conselheiros, até o final de 2000, o único elemento invocado pela fiscalização para justificar o arbitramento das contribuições previdenciárias constituídas por meio da presente NFLD, foram os cheques e o faturamento omitidos da contabilidade. Nenhum dado ou razão foi aduzido no sentido de demonstrar que a movimentação remuneratória contabilizada estaria irregular, de forma que, por tudo o que disse em linhas volvidas, acredita a Recorrente que não caberia o arbitramento aqui empreendido. Vale esclarecer ainda que a Recorrente não se insurge nesta petição quanto a adoção do faturamento como base para obtenção do tributo previdenciário, mas, sim, quanto a ilegitimidade de se arbitrar contribuições previdenciárias em razão de problemas vinculados apenas ao faturamento e a receita. Desta forma, entende a ora Recorrente que o arbitramento das presentes contribuições, encontrase alicerçado em elementos insuficientes para sua adoção, esperando que esta Turma Julgadora afaste esta nítida arbitrariedade. E, que com esta afirmativa, ficam contrapostas as Informações Fiscais de fls. 11.173/11.174, bem como os critérios de aferição indireta e arbitramento utilizados pela fiscalização nestes autos. É o relatório. 3 AgRg no Resp 1121052/SC, 1ª Turma, Rel. Ministro Luiz Fux, publicado no DJE de 22/03/2010. Voto Vencido Conselheiro Luciana Matos Pereira Barbosa 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada do acórdão em 18/04/2005 (fl. 10.889) e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 17/05/2005, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Fl. 11419DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 13 23 2. Ausência de MPF válido. Inicialmente, a Recorrente argumenta que a sua tese de ausência de MPF válido, “não obstante ter sido formalizada nos autos antes do início das diligências fiscais realizadas in casu, inclusive com características incidentais (...), não fora enfrentada pela autoridade fiscal então diligente.” Todavia, alega que a matéria fora enfrentada de “maneira surpreendentemente precária pela decisão recorrida que, não se sabe com lastro em qual fundamento legal ou normativo, concluiu, inclusive, via ementa que; ‘O MPF complementar, emitido no curso da ação fiscal, mesmo que após o vencimento do MPF original ou dos complementares já emitidos, não invalida os atos praticados, inclusive os lançamentos, desde que exista MPF válido na data da lavratura da NFLD ou AI’”. Adiante, afirma que a NFLD é nula por não estar precedida de MPF válido, tendo em vista que, a emissão de MPF’s complementares só poderiam ocorrer dentro do prazo de vigência do MPF então precedente. Nesse sentido argumenta que “um MPF complementar, emitido após a extinção do prazo de validade do MPF que o precedeu, não pode ser admitido como um MPF complementar válido, e, portanto, qualquer ato fiscal praticado com tal alicerce deve ser tido como inválido para todo e qualquer efeito de direito”. Com essas considerações, requer seja reconhecida a invalidade dos MPF’s com a consequente declaração de nulidade da presente NFLD. Todavia, entendo que o recurso não comporta provimento. A jurisprudência pacífica da Câmara Superior de Recursos Fiscais é no sentido de que o MPF é apenas um ato interno da SRF, de cunho gerencial, que, por consequência, não afeta o Auto de Infração quando expedido ou executado sem respeitar os termos da Portaria ou mesmo quando não expedido, como podemos ver dos julgados das três turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais. “Ementa(s) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2004 NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Recurso Especial da Fazenda Nacional não conhecido. Recurso Especial do Contribuinte com provimento em parte” Fl. 11420DF CARF MF 24 (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Acórdão nº 9101001.798, Conselheiro Relator Marcos Aurelio Pereira Valadao, Data da Sessão 19/11/2013) “Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR EXERCÍCIO: 2002 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. Recurso especial negado.” (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 2ª Turma, Acórdão nº 9202003.063, Conselheiro Relator Manoel Coelho Arruda Junior, Data da Sessão 13/02/2014) “Ementa(s) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1999 a 21/12/2003 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários à sua formalização, não se justifica argüir sua nulidade, mormente quando comprovado, pela clara descrição dos fatos e alentada impugnação, não ter havido preterição do direito de defesa. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Diante do teor da Súmula vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal, a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício das contribuições sociais deve obedecer às regras previstas no CTN. Nos casos de lançamento por homologação, aplicase o artigo 150, § 4° do CTN, contandose o prazo de 5 anos a partir da ocorrência do fato gerador. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Não se incluem na base de cálculo da contribuição, os valores relativos ao crédito presumido do IPI. SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 11421DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 14 25 RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO EM PARTE” (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 3ª Turma, Acórdão nº 9303001.194, Conselheira Relatora Maria Teresa Martinez Lopez, Data da Sessão 25/10/2010) Da análise das ementas acima transcritas, é possível notar, do primeiro acórdão, que não há nulidade do procedimento de fiscalização, mesmo inexistindo MPF. O segundo acórdão deixa claro que a inobservância de MPF gera apenas conseqüências disciplinares à Autoridade Administrativa, não gerando nulidade para a fiscalização realizada. Por fim, o terceiro acórdão conclui que, tratandose de ato administrativo, só será nulo quando proferido por pessoa incompetente. Concordo com esse entendimento. Analisando a legislação tributária, vemos que no plano constitucional o artigo 145, § 1º possibilita que os entes tributantes identifiquem o patrimônio, os rendimentos e atividades do contribuinte, desde que “respeitados os direitos individuais e nos termos da lei”: “Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: [...] § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.” Em nosso entender, o direito individual mencionado acima é o direito de defesa, bem como outras garantias estabelecidas por lei que, desrespeitadas, haja previsão expressa de ensejarem a nulidade do procedimento. No que tange à prescrição “nos termos da lei”, encontramos no Código Tributário Nacional, por sua vez, os seguintes dispositivos: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. [...] Art. 194. A legislação tributária, observado o disposto nesta Lei, regulará, em caráter geral, ou especificamente em função da natureza do tributo de que se tratar, a competência e os poderes Fl. 11422DF CARF MF 26 das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação. Parágrafo único. A legislação a que se refere este artigo aplica se às pessoas naturais ou jurídicas, contribuintes ou não, inclusive às que gozem de imunidade tributária ou de isenção de caráter pessoal. [...] Art. 196. A autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização lavrará os termos necessários para que se documente o início do procedimento, na forma da legislação aplicável, que fixará prazo máximo para a conclusão daquelas. Parágrafo único. Os termos a que se refere este artigo serão lavrados, sempre que possível, em um dos livros fiscais exibidos; quando lavrados em separado deles se entregará, à pessoa sujeita à fiscalização, cópia autenticada pela autoridade a que se refere este artigo.” Em outros termos, a lei estabelece que a constituição do crédito tributário, por autoridade administrativa, deve respeitar os seguintes requisitos: 1) a autoridade ter competência para a prática do ato; 2) deve ser instaurado um procedimento; 3) se o procedimento depender de intimação do sujeito passivo, deve ser lavrado termo para que se documente a data de início; 4) prazo para findar; e, se necessário, 5) lavratura de auto de infração contendo a RMIT. Os dispositivos acima estabelecem, também, que a legislação tributária, ou seja, “os decretos e as normas complementares”, inclusive, regulará, observado o disposto nesta Lei, “a competência e os poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização da sua aplicação”. Nesse sentido, o artigo 7º do DecretoLei nº 70.235/72, recepcionado pela Constituição Federal/1988 com nível de lei ordinária, dispõe: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” Entendemos, ainda, que o artigo 194 do Código Tributário Nacional possibilita a instituição de duas espécies de normas: i) inaugurais e ii) regulamentares; podendo ser subdivididas em normas de direito material e normas processuais. Na lição do Prof. Paulo de Barros Carvalho, pautandose no artigo 5º, § 2º, da CF/88, “A lei e os estatutos normativos que têm vigor de lei são os únicos veículos Fl. 11423DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 15 27 credenciados a promover o ingresso de regras inaugurais no universo jurídico brasileiro pelo que as designamos por “instrumentos primários”, e “Todos os demais diplomas regradores de conduta humano, no Brasil têm sua juridicidade condicionada às disposições legais, quer emanem preceitos gerais e abstratos, quer individuais e concretos. São, por isso mesmo, considerados “instrumentos secundários” ou “derivados”, não apresentando por si só, a força vinculante que é capaz de alterar as estruturas do mundo jurídicopositivo”. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 90.) Ainda sobre o tema, ressalta que os instrumentos secundários não podem inovar a ordem jurídica, “fazendo surgir novos direitos e obrigações”. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 108.) Em sentido contrário, entendese que tampouco poderá restringir direitos ou obrigações. Pois bem. O artigo 6º da Lei nº 10.593/2002 é exemplo de norma inaugural de direito material, quando confere, privativamente, ao AuditorFiscal da Receita Federal a competência para “construir, mediante lançamento, o crédito tributário”. Por sua vez, o Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, que confere atribuições às delegacias e departamentos internos são normas de direito material regulamentares. A importância da classificação acima está no fato de que, a nulidade de um ato só deve ser declarada quando a norma for: i) inaugural de direito material ou ii) de direito processual, com previsão expressa de uma consequência em caso de desrespeito à previsão legal ou infralegal. A partir dessa premissa, Auto de Infração lavrado por quem não é Auditor Fiscal é “nulo”, pois o artigo 142 do CTN combinado com o artigo 6º da Lei nº 10.953/2002 confere apenas a essa autoridade administrativa a competência para constituir o crédito tributário por meio de auto de infração. Todavia, procedimento estabelecido por ato regulamentar, “observado o disposto nesta Lei” (artigo 194, do CTN), que não preveja expressamente uma consequência quando ela não for respeitada, na seara tributária, não gera nenhum efeito, exceto se provado prejuízo ao exercício de direito de defesa – esta com base em instrumento inaugural, qual seja o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. É o que ocorre com o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF, outrora denominado Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Como bem fundamentou o ilustre Conselheiro Antônio Bezerra Neto: “O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada”. Acórdão nº 1401 001.223. Somase aos argumentos retro o fato que as garantias e privilégios do crédito tributário não podem ser afastados por meio de ato infralegal, nem mesmo por aplicação do “princípio da legalidade, da ampla defesa e do devido processo legal”, haja vista que o artigo 194 do CTN limita a regulamentação dos atos procedimentais “observando o disposto nesta lei”. Frisamos, nenhuma lei em sentido estrito foi ofendida. Por fim, como já fundamento acima, a competência para lavrar auto de infração é privativa de auditorfiscal, nos termos do artigo 142 do CTN, combinado com o artigo 6º da Fl. 11424DF CARF MF 28 Lei nº 10.953/2002. Eventual desrespeito a ato infralegal de “repartição de competência”, não gera nulidade do Auto de Infração. Em suma, não há que se falar em nulidade de acordo com o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, seja porque a autoridade lançadora era competente, seja porque não houve cerceamento do direito de defesa. 3. Da decadência. Insiste a Recorrente, que a matéria relativa às contribuições destinadas a terceiros já encontramse fulminadas pela decadência, razão pela qual devem ser excluídas da presente NFLD. Assiste razão à Recorrente quanto ao reconhecimento do prazo de cinco anos para o cálculo da decadência das contribuições sociais. Contudo, a decadência ocorrerá como regra geral, nos moldes do art. 173, I, do CTN, em obediência a Súmula Vinculante editada pelo STF, ao passo que o artigo 150, § 4º do CTN, será aplicado nos casos em que o contribuinte tenha realizado recolhimento parcial das contribuições, conforme determina o Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008 aprovado pelo Sr. Ministro do Estado da Fazenda. Vejamos: Anotase que até 11 de junho de 2008 a questão da decadência do crédito tributário decorrente das contribuições previdenciárias era regulada pelo então em vigor artigo 45 da Lei nº 8.212/91 que estabelecia o prazo de dez anos. Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno do STF editou, entre outros, o seguinte enunciado de súmula vinculante publicado em 20 de junho de 2008 no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, de acordo com o § 4° do artigo 2° da Lei nº 11.417/2006. “Súmula vinculante n° 8 — São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008;RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min. Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; REI 38.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei n°1.569/1997, art. 5°, parágrafo único Lei n° 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III” De acordo com a Lei nº 11.417/06, após o Supremo Tribunal Federal editar enunciado de súmula, esta terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Fl. 11425DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 16 29 Judiciário e A administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. Nos julgamentos adotados como precedentes à edição da Súmula, o STF, por maioria, deliberou a aplicação de efeitos ex nunc, esclarecendo que a modulação deveria ser aplicada tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008. Consequentemente, estando definida pelo STF a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 que estabeleciam o prazo decenal para constituição e cobrança dos créditos relativos às contribuições sociais previdenciárias, a matéria passa a ser regida pelo Código Tributário Nacional. Considerando o entendimento sumulado da Egrégia Corte e o Parecer PGFN/CAT nº 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, que obriga a todos os órgãos e entidades integrantes de sua estrutura à tese jurídica fixada (artigo 42 da Lei Complementar nº 73/1993), concluise que: (i) a inexistência de pagamento justifica a utilização da regra geral do artigo 173 do CTN, e, (ii) o pagamento antecipado da contribuição, ainda que parcial, suscita a aplicação da regra prevista no §4° do artigo 150 do CTN. No que tange às contribuições sociais destinadas aos Terceiros, a Lei n° 11.457/07, que criou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, dispõe que as citadas contribuições sujeitamse as regras da Lei nº 8.212/91, conforme se verifica nos dispositivos abaixo mencionados: “Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. [...] § 3º As obrigações previstas na Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às contribuições sociais de que trata o caput deste artigo serão cumpridas perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. [...] § 2º O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Fl. 11426DF CARF MF 30 Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3º As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitamse aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2º desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial.” Portanto, entendese que o prazo decadencial das contribuições destinadas aos Terceiros deve obedecer ao prazo decadencial de 05 anos previsto no CTN, em face da interpretação sistemática dos dispositivos supramencionados. Assim, afastase a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212/91, bem como as demais disposições infralegais que determinavam a aplicação do prazo decadencial de 10 anos para as contribuições destinadas aos Terceiros, em consonância com a Súmula vinculante n° 08 de STF. Com efeito, considerando que o presente lançamento foi consolidado em 07/06/2004 e que o contribuinte foi cientificado pessoalmente em 17/06/2004 (fls. 56), há que se reconhecer a DECADÊNCIA PARCIAL do lançamento objeto desta Notificação, no moldes do art. 173, I do CTN (ausência de recolhimento), nas competências 01/94 a 11/98 . Restando válido o período de 12/98 a 12/2002. 4. Da metodologia de arbitramento. Inicialmente, destaco que no processo administrativo o julgador deve sempre buscar a verdade material, ainda que, para isso, tenha que se valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados. A autoridade administrativa competente não fica obrigada a restringir seu exame ao que foi alegado, trazido ou provado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente alega serem inexistentes nos autos, quais os específicos dispositivos legais e normativos que fundamentam e legitimam a aferição/arbitramento realizada pela Fiscalização. Argumenta que o Setor de Análise de Defesas e Recursos da Previdência Social, ao analisar o Relatório Fiscal, verificou pela leitura da fundamentação nele contida, que não ficou claro qual a norma efetivamente utilizada para todo o período apurado, o que poderia caracterizar cerceamento do direito de defesa, e, assim sinalizou pela possibilidade de emissão de um Relatório Fiscal Complementar, de modo a sanar eventuais omissões. Assim, argumenta que o despacho de fls. 9.433 merecia ter desdobramentos, mas, ao invés disso, insistiu a Autoridade Fiscal na manutenção do erro cometido, e, de acordo com a Recorrente, “cometeu um erro ainda maior, ao entranhar nos autos uma linha de raciocínio impossível de ser acolhida, no sentido de ser a ININSS/DC nº 100/03, o instrumento normativo que fundamenta os critérios da aferição indireta utilizados pelo INSS, no período, por exemplo, de 1994 a 1998”. Ademais, argumenta que, “em se trazendo aos autos esclarecimentos fiscais diversos ao anteriormente dito a respeito, no sentido de ser a IN 100/03 o único fator normativo a fundamentar todo o período desta NFLD, sem a lavratura de um Relatório Fiscal Complementar, é evidente a dúvida gerada quanto a sua validade no atual momento processual, o que deve ser ponderado.” Fl. 11427DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 17 31 Destaca que também deve ser ponderada a validade de tal raciocínio fiscal, na medida em que, é pacífico na jurisprudência administrativa, que deve ser aplicada a regra vigente à época do correspondente fato gerador. Dessa forma, sustenta que a IN 100/03 não pode retroagir seus efeitos no que pertine à caracterização e mensuração de bases de cálculos. Assim, questionada a conclusão fiscal de ser a IN 100/03 o instrumento normativo que fundamenta a aferição (nos quesitos caracterização e mensuração do salário de contribuição), permanece a dúvida do contribuinte quanto a qual ou quais atos normativos deve se pautar para a realização da sua defesa. Nesse contexto, afirma que permanecem as dúvidas não sanadas pela decisão recorrida. E questiona: Observado o exercício de 1998 e a hipótese dos autos, qual seria o adequado instrumento normativo aplicável: a OS 176/97, ou a 165/97? De igual forma, alega que o período de 1999 também suscita dúvidas, destacandose, como exemplo, se estaria a atividade do contribuinte sujeita à retenção na forma da OS 203/99, ou mesmo dos termos da OS 209/99? E mais, aplicarseiam os comandos da IN 18/00 na espécie dos autos no exercício de 2000, ou, ainda estaria sujeita a atividade do contribuinte às regras da OS 176/97? E, ao final, conclui da seguinte forma: É inadequada a utilização da IN 100/03, como instrumento normativo a fundamentar os parâmetros fiscais utilizados para a caracterização e mensuração das bases de cálculos constituídas nesta NFLD, no período anterior a sua vigência, não podendo ser admitido este raciocínio, culminando por se caracterizar estar esta NFLD desprovida de regular fundamentação normativa; Culmina o fisco previdenciário, outrossim, por caracterizar um novo vício de nulidade, decorrentes das contradições de raciocínio verificadas, ao tentar esclarecer na sua IF que apenas a IN 100/03 é elemento de fundamentação legal na espécie dos autos, contradizendose com o afirmado no RF/NFLD, que, para tanto, invocava, também, as INs 69 e 70, ambas de 2002; Valese o fisco previdenciário, inclusive a DN, de comandos internos para validar o seu raciocínio, aos quais o contribuinte não tem acesso, inviabilizando a sua utilização in casu, para qualquer finalidade, sob pena de ocorrência, também por esta vertente, de cerceamento de defesa; Aliás, persiste o cerceamento de defesa na espécie dos autos, justamente, por não estar claramente exposto qual o regramento legal aplicável no período anterior, agora, ao advento da IN 100/03 (OS 175/97 ou 165/97, em 1998; IN 18/00 ou OS 176/97, em 2000?), ou seja, diante dos esclarecimentos fiscais, A PLENITUDE DA NFLD ESTÁ DESPROVIDA DE ADEQUADA FUNDAMENTAÇÃO NORMATIVA, DEVENDO, EM RAZÃO, SER DECLARADA NULA. Pois bem. Compulsando detidamente os presentes autos, verificase que o Relatório Fiscal (fl. 558) aponta que “o critério de aferição do saláriodecontribuição dos segurados empregados foi pautado no faturamento, segundo estabelece o art. 74 da IN/INSS/DC nº 69 de 10/05/2002, art. 63 da IN INSS/DC nº 70 de 10/05/2002 e 440 a 442 da IN INSS/DC nº 100 de 18.12.2003”. Fl. 11428DF CARF MF 32 Após a apresentação da Defesa, os autos foram encaminhados ao Serviço de Análise de Defesas e Recursos da Previdência Social, o qual, após a análise dos argumentos apresentados pela empresa, em 26/08/2004 solicitou à Fiscalização, a emissão de um Relatório Fiscal Complementar, precedido do respectivo MPFD, desta feita, informando ao contribuinte as normas legais utilizadas para fins de apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias, devolvendo ao sujeito passivo o prazo para impugnação no que concerne a matéria modificada (fls. 9.429/9.435). Em resposta, a Fiscalização assim se pronunciou: “II – DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA AFERIÇÃO INDIRETA [...] 14. Percebese das alegações da defendente, que seu questionamento se refere aos aspectos formais do lançamento, mais especificamente quanto a sua fundamentação legal. Nesse sentido, há de ser analisado os preceitos do art. 144 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. 15. Como se vê dos comandos acima transcritos, o lançamento no que se refere à fundamentação legal, revestese de natureza substancial e procedimental. A natureza substancial é reservada a lei, que deve ser a vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, regulará a base de cálculo, a tipicidade do fato gerador e a alíquota para cálculo da contribuição devida. Já a natureza procedimental é reservada à legislação (norma administrativa), vigente ao tempo do lançamento, que disciplinará o procedimento de lançar, os aspectos formais e os critérios de apuração, além das garantias e dos privilégios do crédito tributário. 16. Portanto, a norma que fundamenta a aferição para todo o período do lançamento ora em comento (01/1994 a 12/2002) é a ININSS/DC 100/03, vigente à época do lançamento (NFLD emitida em 15/06/2004 com ciência do contribuinte em 17/06/2004) e regularmente citada no item 5 do Relatório Fiscal de fls. 252. 17. Ao mencionarmos a ININSS/DC 69 e ININSS/DC 70 no Relatório Fiscal não o fizemos com a intenção de fundamentar período, como entendeu a defendente, concluindo que para o período anterior àquelas Instruções Normativas o lançamento estaria desprovido de fundamentação legal. Para esclarecimento da defendente, no período da antiga estrutura do INSS, o regramento administrativotributário Fl. 11429DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 18 33 era estabelecido pelo Diretor de Arrecadação através de Ordens de Serviços (OS) nomenclatura, inadequada para esse fim, uma vez que se reportava também à clientela externa (o contribuinte). Com a nova estrutura regimental do INSS, aprovada pelo DECRETO Nº 3.081 DE 10 DE JUNHO DE 199 – DOU DE 11/06/99, o regramento passou a ser atribuição da Diretoria Colegiada, e a divulgação destes atos através de Instruções Normativas. No mês de maio do ano de 2002, foi publicada uma série de IN estabelecendo Normas e Procedimentos, concentrado por assunto, tratando: a 65 sobre Órgãos Públicos; a 66 Isenção; a 67 Compensação e Restituição; a 68 Atividades Rural e Agroindustrial; a 69 Construção Civil; a 70 Procedimentos Fiscais e Planejamento da Arrecadação; e a 71 Normas Gerais de Tributação. 18. No final do ano de 2003 a Diretoria Colegiada do INSS resolveu consolidar as normais gerais de tributação e arrecadação em um único dispositivo, o que se deu com a publicação da ININSS/DC 100, de 18/12/2003. Ocorre que a IN citada não tratou dos procedimentos internos, o que ficou reservado à Orientação Interna (OI), sob a responsabilidade da Diretoria da Receita Previdenciária, que só foi publicada em 17/06/2004. 19. Desse modo, para manter a unicidade de procedimentos internos quanto à legislação aplicável, o Diretor da Receita Previdenciária editou a circular nº 021/2004, de 05/04/2004, dirigida aos Chefes de Serviços/Divisão da Receita Previdenciária das GerênciasExecutivas do INSS com os seguintes termos: Assunto: Procedimentos internos – Legislação aplicável. Considerando a entrada em vigor da Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18.12.2003, com as alterações da IN/INSS/DC nº 105, de 24 de março de 2004; Considerando que a IN/INSS/DC nº 100, de 2003 não trata dos procedimentos internos, determinamos; Que sejam observados os procedimentos internos previstos nas Instruções Normativas IN/INSS/DC nº 65, 66, 67, 68, 69, 70 e 71, de 10 de maio de 2002, com as alterações posteriores, e na Instrução Normativa INSS/DC nº 89, de 11 de junho de 2003, até que seja publicada Orientação Interna disciplinando a matéria e convalidando os atos praticados com base nos referidos atos nesse período. 20. Diante do exposto, e considerando que a OI nº 7, que tratou do assunto, só foi publicada em 17/06/2004, portanto posteriormente a concretização do lançamento, a fundamentação da aferição indireta teve por base as IN/INSS 69/02 e 70/02. 21. Não obstante a tudo que aqui foi relatado, é importante salientar que o critério de aferição utilizado (faturamento), assim como a porcentagem de cálculo para a obtenção do saláriodecontribuição Fl. 11430DF CARF MF 34 (40% sobre a mãodeobra), sendo a mãodeobra a diferença entre o valor bruto da nota fiscal de serviço e o material aplicado, embora previsto em atos administrativos já revogados, sempre foi o mesmo em todo o período do lançamento constante dos autos. 22. Portanto, não existe nos atos normativos, vigentes à época do lançamento, qualquer obrigatoriedade por parte da autoridade administrativa em colecionar aos autos, a fundamentação legal no conceito a envolver normas administrativas como alega a defendente, o que é comprovado pela redação do art. 60 da IN/INSS 70/02 que pedimos vênia para transcrevêlo: Art. 60. No relatório da NFLD, o AFPS deverá, de forma clara e precisa, descrever os fatos geradores comprovadamente ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando os parâmetros utilizados, bem como, sempre que possível, os segurados envolvidos. 23. Desse modo, o que precisa ficar claro ao contribuinte, são os parâmetros utilizados na aferição da base de cálculo, de modo a permitir o amplo direito de defesa ao contribuinte, e isto está claramente definido nos artigos das IN citados no item 5 do Relatório Fiscal, assim como foi encontrada esta base de cálculo, o que se deu pela planilha de fls. 439 a 443, de conhecimento da defendente, tanto é que possibilitou sua defesa às fls. 4566 item II.2.b.” Em profunda análise ao que estampa o procedimento fiscal de que ora cuidamos, o crédito tributário pelo lançamento relativo às obrigações principais, foi constituído por metodologia de apuração da remuneração da mãodeobra por aferição indireta, baseada no faturamento da empresa Recorrente. Ao tempo do lançamento, vigoravam as seguintes normas que davam supedâneo à aferição indireta da contribuição previdenciária: “Lei nº 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; [...] Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de Fl. 11431DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 19 35 substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999: Art. 235. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, da receita ou do faturamento e do lucro, esta será desconsiderada, sendo apuradas e lançadas de ofício as contribuições devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. INSTRUÇÃO NORMATIVA INSS/DC Nº 100 DE 18 DE DEZEMBRO DE 2003 DOU DE 30/03/2004: DA APURAÇÃO DA REMUNERAÇÃO DA MÃODEOBRA POR AFERIÇÃO INDIRETA Art. 440. A escolha do indicador mais apropriado para a avaliação do custo da construção civil e a regulamentação da sua utilização para fins da apuração da remuneração da mãodeobra, por aferição indireta, competem exclusivamente ao INSS, por atribuição que lhe é dada pelos §§ 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991. Seção I Da Apuração da Remuneração da MãodeObra Contida em Nota Fiscal, Fatura ou Recibo de Prestação de Serviços Art. 441. O valor da remuneração da mãodeobra utilizada na execução dos serviços contratados, aferido indiretamente, corresponde, no mínimo, a quarenta por cento do valor dos serviços contidos na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços. Art. 442. Havendo previsão contratual de fornecimento de material, ou de utilização de equipamentos, ou de ambos, na execução dos serviços contratados, o valor dos serviços contido na nota fiscal, fatura ou Fl. 11432DF CARF MF 36 recibo de prestação de serviços deverá ser apurado na forma prevista no art. 619, observado o disposto no art. 623.” Sem embargos, o arbitramento é procedimento legitimo do qual podese valer a autoridade fiscal, para fins de alcançar a base a ser tributada, sempre que lhe for sonegado em ação fiscal, ou mesmo não mereçam fé, os documentos do contribuinte. Do relatório fiscal, constatase que a norma que fundamenta a aferição para todo o período do lançamento ora em comento (01/1994 a 12/2002) é a ININSS/DC 100/03, vigente à época do lançamento (NFLD emitida em 15/06/2004 com ciência do contribuinte em 17/06/2004) e regularmente citada no item 5 do Relatório Fiscal de fls. 558. Apesar do inconformismo da Recorrente, a utilização da aferição indireta como critério de lançamento estava amparada pelas normas vigentes; notese ainda que caberia ao Recorrente, em época própria, demonstrar o valor da base de cálculo, o que não foi feito. A contabilidade, se constituída com base nas técnicas adequadas e com observância da legislação e dos princípios contábeis da aceitação geral, é um sistema que evidencia fielmente o patrimônio e as variações patrimoniais de uma entidade. É por essa razão que ela se constitui em meio de prova eficaz dos fatos empresariais. Uma contabilidade desprovida do rigor que as normas contábeis determinam, ainda que se preste a fornecer alguma informação não terá valor comparativo, não poderá ser oposta a terceiros e não servirá de instrumento probante. Como em qualquer sistema, a contabilidade se sustenta no equilíbrio entre os elementos patrimoniais (bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido, neste contidos os elementos modificativos como as receitas e as despesas). Se um desses elementos é afetado por algum fenômeno, outro elemento sofrerá o efeito contrário, de forma a manter o sistema sempre em equilíbrio. No caso em questão, foram constatadas diversas movimentações financeiras sem o devido registro na contabilidade da Recorrente, emissão de Notas Fiscais “calçadas”, bem como ausência do registro das movimentações bancárias da contribuinte em sua contabilidade, até novembro de 2000, fato suficiente para se desconsiderar a contabilidade da empresa, lançando as devidas contribuições reputadas devidas à Seguridade Social, por metodologia da aferição indireta. Ademais, não vejo ofensa ao artigo 148 do Código Tributário Nacional, uma vez que, conforme constatado, as informações fiscais não eram dignas de fé. Ao contrário, vejo que o citado artigo dá sustentação ao procedimento adotado. Diante do exposto, voto no sentido de manter a decisão a quo nesse particular. 5. Do arrolamento de bens. Sobre a matéria em questão, às fls. 11.277/11.299 os Senhores Ernesto Calvet de Paiva Carvalho e Antônio Ricardo Sechis, sócios da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda, informam que seus bens foram alvo de arrolamento desde 16/11/2004, sendo que eles, na condição de pessoas físicas, não possuem nenhum débito perante os cofres públicos. Assim, a teor do que dispõe o artigo 37, § 2º da Lei nº 8.212/91, c/c Fl. 11433DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 20 37 os artigos 64 e 64A da Lei nº 9.532/97, além da IN RFB nº 1.088, onde todos os dispositivos deixam claro que o arrolamento só cabe contra os bens do sujeito passivo, no presente caso, só caberia arrolar bens da empresa Adler Assessoramento Empresarial e Representações Ltda. Citam, ainda, a Súmula 88 do CARF e a decisão em sede de recurso repetitivo do STF no Recurso Extraordinário nº 562.276/PR que entendeu pela inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 8.620/93, na parte em que determinou que os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada responderiam solidariamente com seus bens pessoais junto à Seguridade Social, tanto por vício formal (violação ao artigo 146, inciso III da CF /88), como por vício material (violação aos artigos 5º, Inciso XIII, e 170, parágrafo único da CF/88). Citam ainda a Súmula Vinculante nº 211, de 29/10/2009 do STF. Ao final, requerem a anulação ou cancelamento do arrolamento de bens realizados em seus nomes. Todavia, as argumentações acima não devem ser conhecidas. Isso porque, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Nos termos do artigo 3º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, as matérias de competência do CARF, especificamente da 2ª Seção de Julgamento, se restringem à: “Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); II IRRF; III Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007;” Como se depreende do artigo 17, da Instrução Normativa RFB nº 1565, de 11/05/2015, a seguir transcrito, a apreciação da matéria relativa ao arrolamento de bens no âmbito administrativo é de competência da unidade da Receita Federal do Brasil (RFB) do domicílio tributário do sujeito passivo. “Art. 17. É facultado ao sujeito passivo apresentar recurso administrativo no processo de arrolamento de bens e direitos, no prazo de 10 (dez) dias, contado da data da ciência da decisão recorrida, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. § 1º O recurso será apreciado pelo chefe da divisão, do serviço, da seção ou do núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo que, se não o acatar, o encaminhará ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo. Fl. 11434DF CARF MF 38 § 2º A decisão proferida pelo titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo será definitiva na esfera administrativa.” As decisões deste Conselho caminham nesse sentido. Confirase: “ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. MATÉRIA DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais carece de competência para se pronunciar sobre o processo administrativo de arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo. [...]” (CARF, 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 1302002.565, Conselheiro Relator Paulo Henrique Silva Figueiredo, Data da Sessão 22/02/2018) “[...] NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO SEM A INSTAURAÇÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. [...]” (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2202 003.853, Conselheira Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Data da Sessão 10/05/2017) “[...] ARROLAMENTO DE BENS. COMPETÊNCIA. O exame de questões relacionadas ao arrolamento de bens encontrase fora dos limites de competência do CARF. [...]” (CARF, 1ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 1401001.529, Conselheiro Relator Antonio Bezerra Neto, Data da Sessão 02/02/2016) Em face do exposto, as alegações sobre a regularidade do arrolamento de bens dos sócios, não devem ser conhecidas. 6. Do enquadramento no FPAS. Inicialmente, a Recorrente alega que, por ser tratar de questão de ordem pública, a matéria em debate pode ser arguida a qualquer tempo, inclusive em sede de recurso. Narra que sempre promoveu o seu enquadramento no FPAS 515, desde a época da GRPS até o advento da GFIP. Assim, entendo a Autoridade Fiscal ser o FPAS correto para o contribuinte o código 507 e não o 515, é evidente que deveria ser observado o quanto disposto nos parágrafos 3º e 4º, do artigo 148 da IN 100/03. Fl. 11435DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 21 39 Destaca que a falta de observância ao disposto nas regras contidas nos parágrafos acima citados, resulta em ocorrência de mácula no procedimento fiscal, passível de gerar sua nulidade, inclusive por cerceamento de defesa. Todavia, não assiste razão à Recorrente. O cálculo do montante do tributo devido passa necessariamente pelo enquadramento da empresa auditada no Código do Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS específico, a partir do qual se identificam as outras entidades e fundos para as quais haverá destinação de contribuições sociais. Nesse sentido, a indicação do código FPAS nos lançamentos de ofício constituise atribuição privativa da Fiscalização, inerente à atividade fiscal de constituir o Crédito Tributário mediante o lançamento. Isso decorre da seguinte dicção do Código Tributário Nacional: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” O enquadramento do código FPAS se dá a partir da Classificação Nacional de Atividade Econômica – CNAE à qual se encontra vinculada a empresa sob fiscalização, conforme assentamento no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, na forma estabelecida no Anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Assim, tendo em vista que houve o reenquadramento da empresa na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, eis que, conforme restou decidido no acórdão a quo – e não foi objeto de recurso voluntário – “o faturamento da empresa provém, basicamente, dos serviços de rede lógica e elétrica para computadores, sendo, neste tipo de serviço, desenvolvidas as atividades dos segurados empregados da recorrente, justificando, deste modo, o enquadramento da empresa no código 45.411 Obras de Instalações – Instalações Elétricas”., correto se mostra o seu reenquadramento, também, em relação ao Código do Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS específico, não havendo que se falar em nulidade do procedimento fiscal, tampouco em desobediência ao contido nos parágrafos 3º e 4º, do artigo 148 da IN 100/03. 7. Do mérito. 7.1. Das provas utilizadas. A Recorrente se insurge contra a respeitável decisão de primeira instância administrativa e ao procedimento fiscal, alegando a “fragilidade e tendenciosidade do arcabouço probatório utilizado pelo fisco previdenciário nestes autos”. Fl. 11436DF CARF MF 40 Reitera o seu posicionamento de se tratarem as provas utilizadas nestes autos (apenas relações decorrentes de diversas anotações particulares) analisadas isoladamente, como inadequadas para a concepção de fatos geradores de obrigações previdenciárias. Todavia, o inconformismo do sujeito passivo não pode ser confundido com violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. No caso em análise, verificase que a decisão recorrida entendeu que “a alegação da empresa de que não houve o adequado cotejo entre tais provas e a contabilidade da empresa é totalmente infundada, além do que desacompanhada de qualquer prova de que tais movimentações foram corretamente contabilizadas” – fl. 10.762. É mister destacar que alegações genéricas e desacompanhadas de provas não têm o condão de afastar os lançamentos, pois compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no art. 373, II, do Código de Processo Civil vigente. Portanto, era dever da Recorrente apresentar documentação comprobatória das suas alegações, ônus do qual não se desincumbiu. Assim, diante da ausência de comprovação acerca dos argumentos lançados na peça recursal, não há como se acolher a tese ali apresentada. 7.2. Da Omissão de Receitas – fls. 11.005/11.011. Sobre o tema, a Recorrente reitera que todas as receitas da contribuinte foram contempladas pelas retificações contábeis feitas oportunamente e eventuais passivos fiscais apurados, fórum incluídos no REFIS. Insiste que o quanto afirmado pela fiscalização no item 48 da Informação Fiscal de fls. 10.209/10.211 é imprestável na medida em que o reconhecimento da Receita Omitida em qualquer época refletiria diretamente no patrimônio líquido, onerando os lucros acumulados em igual valor, ou seja, economicamente irrelevante o momento de tal ocorrência. E prossegue da seguinte forma: “Portanto, se tal fato tivesse ocorrido no ano 2000, a Contabilidade apresentaria como saldo de Lucros Acumulados o valor correspondente ao somatório da conta 2.1.41.201.0001 (R$ 3.044.966,88 – 2.893.684,34 que se refere ao Lucro do 04º Trimestre de 2000) e a conta 2.1.41.202.0002 (R$ 8.959.147,90) totalizando R$ 9.080.430,44, e, ao contrário do que alega o Sr. Auditor, existiria saldo suficiente para promover a distribuição de lucros no valor de R$ 2.621.000,00, distribuição esta que só veio ocorrer no ano de 2001 e não em 2000 como alegado. Ou seja, nada de irregular nesta operação, cujos correspondentes dados se encontram entranhados no bojo destes autos. Mas, a insistência do Sr. Fiscal é tamanha que, logra induzir a erro o próprio setor de análises conforme se constata no item 140/144 da DN. Ora, é obvio o que diz a DN no item 140, no sentido de que o valor de 2.983.684,34 estava incluído no montante de 3.044.684,34, A TANTO Fl. 11437DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 22 41 QUE NA EQUAÇÃO APRESENTADA, O PRIMEIRO VALOR É ABATIDO DO SEGUNDO VALOR. E, permanece a contabilidade do contribuinte à inteira disposição do fisco previdenciário para qualquer análise que se queira realizar a respeito. É inacreditável como é tratada no bojo destes autos a conduta do contribuinte que procurou reconhecer todas as suas pendências fiscais, inclusive, para se valer do REFIS. Busca o fisco previdenciário, de forma realmente desnecessária, deturpar esta saudável providência. Mas, o próprio fisco resvala em contradições ao insistir, no item 52/IF que não houve reconhecimento da receita omitida apurada pela SRF, alegando, inclusive, que se trata de um lançamento apenas escritural não tendo havido ingresso dos recursos no Caixa. Ora, apenas teoriza o fisco, sendo que nada a este respeito, além da manipulação de dados, é comprovado. A mero título exemplificativo, no sentido de demonstrar a existência de manipulação de dados contábeis, na letra ‘f’ do item 52/IF – FLS. 10.167/10.303, está errado o valor informado como transposto da conta Empenho Diversos a Receber para as contas individualizadas por clientes, no montante de R$ 10.730.634,15, quando na verdade, o valor transferido conforme os lançamentos contábeis fora de R$ 6.189.365,85. Assim, encerrase este tópico enfatizando o erro fiscal na alínea “f” do item 52/IF, contempladas pelo item II.2/DN, além de reiterar a regularidade do reconhecimento das receitas anteriormente omitidas, tudo, a consumar validade, não só às distribuições de lucros realizadas, mas, à toda a contabilidade de uma forma geral.” Quando da análise pela primeira instância administrativa, os julgadores concluíram da seguinte forma (fls. 10.758/10.760): “[...] 131. Ao contrário do que alega o impugnante, de que todas as transações bancárias estariam contabilizadas, os documentos anexados aos autos pela autoridade fiscal demonstram que a movimentação bancária não era devidamente registrada, até o mês de novembro de 2000. 132. A título exemplificativo, veja o extrato do Banco do Brasil, da conta nº 200.0741 (fl. 4660), onde consta como data de abertura 05/11/1991, embora a primeira movimentação no Livro Razão – conta contábil 1.11.102.0001 (fl. 4663), data de 30/11/2000. Também se verifica, em diversas notas fiscais anexadas aos autos, a anotação para crédito em tal conta, a exemplo da NF 3562 (fl. 1228), datada de 31/10/1994 e a NF 3569 (fl. 1231), datada de 01/11/1994. Fl. 11438DF CARF MF 42 133. A partir da análise dos arquivos digitais, a fiscalização elaborou planilha (fls. 4664 a 4686) com a movimentação bancária do período de 10/2000 a 12/2000, contendo diversos dados relevantes, tais como conta movimentada, data da compensação, número e valor do cheque, demonstrando, ao final, existência de uma grande diferença entre a soma dos cheques movimentados e a soma dos cheques contabilizados. 134. Por outro lado, a empresa não apresentou qualquer prova objetiva de suas alegações. Nesse sentido, cabe salientar que é a prova o instrumento processual adequado para levar ao conhecimento do julgador administrativo os fatos que envolvem a relação tributária, visando esclarecimentos dos mesmos. O julgador administrativo emitirá suas conclusões com base na demonstração da ocorrência dos fatos que as partes proporcionarem através da prova. [...] 137. Deste modo, em não havendo qualquer prova em contrário, restou evidenciado, pelos documentos juntados aos autos pela fiscalização, que as movimentações bancárias anteriores a 11/2000 não foram devidamente contabilizadas. [...] 139. Neste tópico, novamente assiste razão à fiscalização. Primeiramente, porque o período coberto pela fiscalização da SRF foi menor do que o verificado pela previdência social: 01/1995 a 12/1997. Tal conclusão já seria, por si só, suficiente para se concluir que não houve o reconhecimento total das receitas omitidas através da emissão de notas fiscais ‘calçadas’, haja vista a fiscalização ter juntado aos autos documentos que demonstram que tal prática ocorreu desde o ano de 1994 até o ano de 2000. 140. Também as alegações do impugnante, às fls. 5233/5235, relativamente à distribuição de lucro no ano de 2000, merecem alguns esclarecimentos. Senão vejamos: visando demonstrar a existência de saldo suficiente para a distribuição de lucros no ano de 2000, apresenta o mesmo a seguinte equação para a composição da conta Lucros Acumulados: (R$ 3.044.966,88 – 2.983.684,34 + 8.959.147,90 = 9.020.430,44). 141. O primeiro equívoco detectado é utilização, na equação acima, do valor de R$ 2.983.684,34, referente ao lucro do 4º trimestre, posto que o mesmo já está contido no lucro apurado no final do exercício, que é de R$ 3.044.966,88. 142. Do mesmo modo, erra o defendente ao considerar, apenas, o valor de R$ 8.959.147,90, a crédito da conta 2.1.41.202.0002, relativo à receita omitida, esquecendose outros lançamentos daquela conta, referentes aos tributos e encargos lançados pela SRF, nas datas e valores abaixo e que deveriam também ser contabilizados no ano de 2000: POSIÇÃO DOS LUCROS ACUMULADOS NA CONTABILIDADE Fl. 11439DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 23 43 01/01/2000 PREJUIZOS ACUMULADOS A COMPENSAR 17.096,67 28/12/2000 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ERNESTO 650.000,00 28/12/2000 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS RICARDO 650.000,00 29/12/2000 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ERNESTO 650.000,00 29/12/2000 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS RICARDO 650.000,00 31/12/2000 LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 3.044.966,88 31/12/2000 SALDO NO FINAL DO PERÍODO 406.869,91 LANÇAMENTOS NO ANO DE 2001 E QUE DEVERIAM SER EFETUADOS NO ANO 2000 02/01/2001 AJUSTE EXERCÍCIOS ANTERIORES 825.323,30 31/01/2001 AJUSTE EXERCÍCIOS ANTERIORES 13.606,46 31/03/2001 AJUSTE EXERCÍCIOS ANTERIORES 9.186.459,47 31/03/2001 AJUSTE EXERCÍCIOS ANTERIORES 8.959.147,80 TOTAL (vide fl. 4266) 1.039.028,51 SALDO DE FATO NO FINAL DO ANO 2000 632.158,60 143. Frisese, também, que o valor de R$ 2.621.000,00 realmente foi distribuído no ano de 2000, e não em 2001, como alegado pela defesa, conforme vêse da folha de razão anexada pela defesa (fl. 4.525), bem como pelos recibos de retirada de lucros anexados na Informação Fiscal da diligência (fl. 4762 a 4765). 144. Assim, de acordo com o demonstrativo acima, constatase que, se realmente a retirada dos lucros acumulados tivesse sido contabilizada no ano de 2000, teria havido uma retirada, inexistente, no valor de R$ 632.158,60.” Todavia, conforme relatado, a 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, ao analisar o recurso (Resolução nº 230100.070 – fls. 11.083/11.087), não vislumbrou a possibilidade de julgamento deste processo, em razão de a fiscalização não ter examinado diversos pontos suscitados pela Recorrente na sua Defesa, que também são objeto do Recurso Voluntário, sem que este órgão pudesse sobre eles se manifestar. Desta feita, por unanimidade de votos, determinouse a conversão do julgamento em diligência para esclarecer: (i) se as movimentações bancárias e os cheques identificados no levantamento fiscal estão devidamente contabilizados, tendo sido lançado todo o movimento correspondente ao período fiscalizado; (ii) se as notas fiscais tidas como calçadas já estão apropriadas na contabilidade do contribuinte; Fl. 11440DF CARF MF 44 (iii) se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS; (iv) se as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base na aferição indireta foram corrigidas antes da Defesa do contribuinte e, em caso positivo, a repercussão destas correções no tributo devido. Cumprida a diligência (Informação Fiscal de fls. 11.173/11.175), o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, o que segue: “[...] 3. Quanto ao item a) da solicitação: Os documentos anexados nos autos demonstram que as movimentações bancárias e os cheques identificados pela autoridade fiscal não foram registradas na contabilidade, até o mês de novembro de 2000. De acordo com o Relatório Fiscal – RL (fls. 244 a 254), as planilhas anexas, a Informação Fiscal – IF (fls. 4982 a 5050) e a Decisão Notificação nº 23.401.4/0150/2005, especialmente nos itens 131 a 134 da DN fica cabalmente demonstrado que o contribuinte não contabilizou em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos autos. 4. Quanto ao item b) da solicitação: De acordo com RL e planilhas anexas, tópico II.a, e subtópicos da IF e item II.2 da DN concluise que não houve o reconhecimento total das receitas omitidas por meio de emissão de notas fiscais ‘calçadas’, haja vista a fiscalização ter juntado aos autos documentos que demonstram que o contribuinte não apropriou corretamente as notas fiscais emitidas no período de 1994 até o ano de 2000. 5. Quanto ao item c) da solicitação: Conforme consta na IF (fls. 5001 a 5006) e dados do extrato do Processo nº 10166.0149227/0061 (fls. 5430 a 5466), o contribuinte aderiu ao REFIS em 01/03/2000 e em 17/11/2009 foi rescindido, permanecendo em aberto 65 parcelas não quitadas. Ressaltamos que o valor levantado pela RFB referese ao período 01/1995 a 12/1997 e de acordo com a documentação anexada aos autos não abrange todo o faturamento mediante calçamento de notas fiscais. 6. Quanto ao item d) da solicitação: analisando todas as provas juntadas aos autos, as irregularidades contábeis que ensejaram o lançamento com base na aferição indireta não foram corrigidas antes da Defesa do contribuinte e o Recurso Voluntário repete todas as alegações já apresentadas anteriormente e não trouxe aos autos nenhum elemento novo que venha elidir o crédito previdenciário lançado na estrita observância das disposições legais vigentes. [...]” Fl. 11441DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 24 45 Devidamente notificada em 06/07/2012 (Aviso de Recebimento de fl. 11.182), a empresa Recorrente apresentou sua resposta (fls. 11.184/11.201) ao resultado da diligência, alegando, em resumo, que: (i) A Diligência restou cumprida de modo precário, apoiandose comodamente em uma avaliação calcada em fatos pretéritos. Não houve, pois, novas análises; não se verificou o que consta dos escritos fiscais da recorrente, e, porquanto, obtevese limitadas informações; (ii) As obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas no momento da migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941/09, tal afirmativa pode ser comprovada com as provas anexadas às alegações, bem como pelas informações contidas nos Sistemas informatizados da Própria Receita Federal do Brasil; (iii) Desprovida de fundamento se apresenta a afirmação da Autoridade Fiscal de que o contribuinte não contabilizou, em todo o período fiscalizado, as movimentações bancárias e os cheques identificados nos Autos, vez que todos os movimentos financeiros atinentes aos períodos que se encontram abarcados no lapso temporal que autorizaria a exigência dos tributos correspondentes foram devidamente sanados ou contabilizados; (iv) Todas as receitas omitidas foram apropriadas na contabilidade, na qualidade de ajustes de exercícios anteriores e na sequência deduzidas em uma conta relativa a débito de distribuição de lucros para os sócios da empresa, e assim sendo, não há como sustentar que as impontualidades no faturamento ainda persistiam. Com a escrituração desses valores, a recorrente reconheceu todos os tributos federais que sobre eles incidiam, optou pelo parcelamento destes e, conforme comprovantes, anexos à defesa, foram quitados; (v) A recorrente empreendeu todas as medidas necessárias para a correção do seu passado contábil e fiscal; (vi) Ilegítimo se apresentou o arbitramento das contribuições previdenciárias, vez que se encontra pautado em elementos insuficientes, vinculados apenas ao faturamento e a receita. Ao analisar o recurso, a 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária mais uma vez converteu o feito em diligência (Resolução nº 2302000.356 de fls. 11.233/11.238), tendo em vista que o Auditor fiscal cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Cumprida a diligência (fls.11.251/11.253), o Auditor Fiscal, com base nos documentos já anexados aos Autos do processo, informou que: “1. Tratase de Requisição de Diligência da 2ª Turma da 3ª Câmara Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme Resolução n° 2302000.356, de 05 de novembro de 2014, a fim de que seja esclarecido se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento Fl. 11442DF CARF MF 46 foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, considerando que a resposta à diligência anterior se limitou a afirmar que permaneciam em aberto 65 (sessenta e cinco) parcelas. 2. Primeiramente, cumpre esclarecer que a NFLD n° 35.675.4219 é relativa à infração de obrigações principais. O crédito é constituído dos seguintes levantamentos: 05 – Omissão de Folha de Pagamento, 06 – Pró Labore Omitido, 07 – Autônomos, 08 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 09 – Aferição Indireta pelo Faturamento, 10 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas) e 11 – Pró Labore Indireto (notas fiscais calçadas). 3. Conforme anexos aos processos n° 10166.722302/201083, fls. 68 a 274, n° 10166.722300/201094, fls. 76 a 104, e n° 10166.722307/2010 14, fls. 96 a 291, percebese que a Autoridade Fiscal, devido às inconsistências nos registros contábeis da empresa – que inclusive ocasionaram diversas penalidades por descumprimento de obrigações acessórias – e nos termos dos artigos 50, 52, 53 e 54 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto n° 356/1991, dos artigos 50, 52, 53 e 54 do ROCSS, aprovado pelo Decreto n° 2.173/1997 e dos artigos 231, 233, 234 e 235 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, sendo vinculada a constituir o crédito tributário pelo lançamento relativo às obrigações principais, não viu outra opção senão utilizar a metodologia de apuração da remuneração da mãode obra por aferição indireta, baseada no faturamento, 4. Alega o contribuinte, entretanto, no item 02.a, fls 11.188 a 11.191 de sua resposta à Informação Fiscal constante nas folhas 48 e 49 deste processo, esta solicitada pela Resolução n° 230100.070 da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária do CARF, que suas obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento, que estavam sendo pagas no parcelamento instituído pela Lei n° 9.964/2000 – REFIS, foram integralmente liquidadas, à vista, com os benefícios fiscais instituídos pela Lei n° 11.941/2009. 5. É necessário esclarecer que os créditos tributários que foram consolidados no REFIS e que, segundo alegação do contribuinte, foram liquidados à vista em novembro de 2009, com benefícios da Lei n° 11.941, conforme telas dos sistemas anexadas aos autos, fls. 11.244 a 11.250, são relativos aos seguintes tributos: IRRF, IRPJ, PIS, COFINS e CSLL. Dentre estes tributos, apenas o PIS e a COFINS, conforme art. 2° da Lei n° 9.718/1998, possuem como hipótese de incidência o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado e como base de cálculo o próprio faturamento; 6. O PIS e a COFINS constituem fontes de financiamento da seguridade social previstas na alínea “b”, do inciso I, art. 195 da Constituição Federal de 1988. Não se confundem, portanto, com a contribuição social incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados à pessoa física prestadora de serviço, prevista na alínea ‘a’ do mesmo dispositivo, Fl. 11443DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 25 47 embora também seja encargo do empregador, empresa ou a esta equiparada: ‘Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício b) a receita ou o faturamento c) o lucro;’ 7. A Lei n° 8.212/1991, em seu capítulo IV, exerceu efetivamente a competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “a”, do inciso I, do art. 195 da CF/88, enquanto que a Lei n° 9.718/1998, por sua vez, exerceu efetivamente a competência tributária da União no tocante à contribuição previdenciária prevista na alínea “b”, do inciso I, do art. 195 da CF/88. Não resta dúvida, portanto, que Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) e PIS/COFINS tratamse de tributos diferentes, considerando que o art. 4° do CTN estabelece que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação e que os tributos citados possuem diferentes bases de cálculos e diferentes hipóteses de incidência. 8. Esclareçase também, em tempo, que não há que se confundir critérios de apuração de bases de cálculo de tributos com as bases de cálculo propriamente ditas. De forma genérica, a Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional), em seu artigo 148, possibilita que, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé os documentos expedidos pelo sujeito passivo, a autoridade lançadora realize o arbitramento do valor, preço ou direito que constitua base de cálculo de qualquer tributo. Não há no ordenamento jurídico tributário federal qualquer diploma legal vedando a utilização de determinadas grandezas como critério de arbitramento pelo simples fato de constituírem hipóteses de incidência de outros tributos. 9. A Lei n° 8.212/1991 estabelece, no parágrafo 6°, do art. 33, a possibilidade de arbitramento da especificamente da Contribuição Previdenciária Patronal: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao Fl. 11444DF CARF MF 48 recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. 10. Dessa forma, percebese que o contribuinte se equivocou em sua impugnação, pois o faturamento, no caso em epígrafe, não foi utilizado como base imponível para cálculo da CPP, mas sim como método de arbitramento, estabelecido pela legislação infralegal, para se chegar à real base de cálculo da CPP, qual seja ‘o total das remunerações pagas devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados que prestaram serviços, destinadas a retribuir o trabalho’.” Por sua vez, em que pese a Recorrente tenha se manifestado (fls. 11.348/11.395) a respeito da informação fiscal acima transcrita, no sentido de que “que as determinações/CARF para a realização de diligências fiscais não foram atendidas, o que permite a confirmação de que este lançamento é INCERTO e, em razão, deve ser cancelado por desatender as exigências legais à sua validação” e que “basta ler o que foi dito pela fiscalização na Informação Fiscal de 24/07/2015 (fls. 11.251/11.253), para se ter a plena convicção de que este lançamento está revestido de ilegítima incerteza, e que a própria fiscalização, permissa vênia, se perdeu no curso deste processamento, já não mais compreendendo o que foi realizado quando da constituição deste lançamento, o que, repetese, potencializa os elevados níveis de incerteza tendentes à pela anulação desta irregular cobrança”, entendo que o inconformismo não merece prosperar. Isso porque, após idas e vindas deste processo, convertendoo em inúmeras diligências, a Fiscalização constatou que, ao contrário do que alega a Recorrente, no sentido de que todas as transações bancárias foram devidamente contabilizadas, os documentos anexados aos autos demonstram que a movimentação bancária não era devidamente registrada, até o mês de novembro de 2000. Ou seja, concluise que não houve o reconhecimento total das receitas omitidas por meio de emissão de notas fiscais “calçadas”, haja vista a fiscalização ter juntado aos autos documentos que demonstram que o contribuinte não apropriou corretamente as notas fiscais emitidas no período de 1994 até o ano de 2000. E, conforme dito anteriormente, compete ao sujeito passivo o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no artigo 373, II, do Código de Processo Civil vigente, ônus do qual a Recorrente não se desincumbiu. Portanto, nego provimento ao recurso nesse ponto. 7.3. Da alíquota de 40% + Extrafolha + Pro labore. Pretende a Recorrente, que sejam revistos e refeitos os cálculos de mensuração do salário de contribuição arbitrado sobre valores faturados, sem a utilização da alíquota de 40%, entendendo serem devidas as alíquotas indicadas quando da apresentação de sua defesa. Fl. 11445DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 26 49 Segundo alega, a partir do instante em que se identifica o custo de mãode obra em determinados serviços, tal parâmetro deve se sobrepor à genérica alíquota de 40%, mormente em se tratando de serviços que envolvam fornecimento de material e utilização de equipamentos. Sem razão o recorrente no que se refere a aplicação da aliquota de 40% (fornecimento de material e utilização de equipamentos) como base de incidencia celetista e extrafolhas, em face ao que dispõe a legislação que rege a matéria. Contudo, conforme já mencionado alhures, em que pese a legalidade do critério de aferição utilizado (faturamento) já que amparado pelas normas vigentes, bem como os extrafolhas, observase que, noutro giro, a porcentagem de cálculo utilizada para a obtenção do salário de contribuição sobre o prolabore), conforme descrito no item 07 do Relatório Fiscal, onde 100% dessa receita (valores faturados a título de mercadoria e faturado pelo contribuinte) se prestou a base de incidência de pro labore, fere o pincípio da razoabilidade e da proporcionalidade, já que se afasta das perspectivas da congruência e equivalência que deve imperar entre a medida adotada e o caso concreto, ou entre a medida e o critério utilizado. O princípio da razoabilidade consiste em uma análise do caso concreto na busca por evitar os excessos cometidos pela lei ou pelo agente público, não se admite que um ato estatal, destinado a promover a realização de um direito fundamental ou de um interesse coletivo, restrinja outros direitos fundamentais. Nesse esteira de entendimento, mantenho a aplicação da alíquota de 40% mais extrafolhas e entendendo que houve exagero na porcentagem utilizada para obtenção da base de cálculo realcionada aos valores referentes ao pro labore, razão pela qual dou provimento parcial à Recorrente para excluir da base de cálculo, integralmente, os valores referentes ao prolabore. 7.4. Da duplicidade de cobrança. De acordo com a Recorrente, no caso em análise, não logrou a fiscalização provar a ocorrência de nenhuma hipótese que caracteriza o nascimento da obrigação previdenciária. Narra que a alegação fiscal de subfaturamento ou de registro de valores menores fora detectado pela fiscalização da SRF em processo de fiscalização realizado na empresa e de conhecimento da auditoria previdenciária, conforme relato no RF/NFLD, item 7 (relatório fiscal originário). Adiante, argumenta que o fato gerador da contribuição previdenciária a cargo da empresa está no previsto artigo 22 da Lei nº 8.212/91, e não guarda sintonia quantitativa com o arcabouço conclusivo desta NFLD, que, não representa, nem de longe, um passivo previdenciário que contemple a verdadeira hipótese previdenciária do contribuinte. Alega que foram trazidos aos autos, supostos pagamentos realizados em favor de determinadas pessoas físicas, conforme planilhas às fls. 564/754, valendo destacar que alguns desses supostos pagamentos não identificavam beneficiários. A este respeito, argumenta que os valores, cujos eventuais beneficiários não foram identificados pela fiscalização não poderão compor a base de cálculo destes autos, tendo Fl. 11446DF CARF MF 50 em vista que não está aperfeiçoada a possibilidade de consumar a ocorrência do fato gerador, o que deverá estar plenamente identificado no lançamento. Assim, defende que com relação àquelas pessoas identificadas nas correspondentes planilhas, é certo que carecem de sustentabilidade a utilização de tais planilhas, isoladamente, como meios hábeis à viabilização de se impor, sobre os correspondentes valores, a incidência da obrigação previdenciária. Destaca, ainda, que o Agente Fiscal, ao lançar os valores constantes nas planilhas de fls. 756 a 858, o fez em duplicidade por se tratarem aqueles valores de distribuição de lucros efetivados aos dirigentes da empresa, declarados ao Imposto de Renda e já homologados pela Delegacia da Receita Federal. Por fim, conclui que se o fisco previdenciário pretende manter o critério de aferição utilizado, que aplique, pois, o percentual adequado sobre os valores faturados pelo contribuinte, tal qual demonstrado na originária defesa, para mensuração da mão de obra então utilizada, que, verificará a compatibilidade com o quanto oportunamente recolhido pelo contribuinte a título de contribuições incidentes sobre sua massa salarial. Mas, não apurar um volume de massa salarial extraído das faturas, e, além disso, promover novas cobranças a título de contribuições incidentes sobre a massa salarial, que, estará, induvidosamente, promovendo uma cobrança em duplicidade. Sem razão a Recorrente. De início, destaco que é assente o entendimento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no sentido de que considerase preclusa a matéria que não tenha sido levada ao debate quando da apresentação da Impugnação na primeira instância, o que impossibilita a análise da matéria na segunda instância. E, no caso dos autos, a matéria aqui debatida não foi levada ao conhecimento dos julgadores de primeira instância, razão pela qual não merece ser conhecida. Ainda que assim não fosse, destaco que alegações genéricas, desprovidas de fundamentação e desacompanhadas de provas não são hábeis a demonstrar os alegados desacertos que pretende a Recorrente, cabendo a ela, conforme já exaustivamente demonstrado, o ônus da prova no tocante a fatos impeditivos, modificativos e extintivos da pretensão do fisco, como regra geral disposta no artigo 373, II, do Código de Processo Civil, ônus do qual a Recorrente não se desincumbiu. Por fim esclareço que o parcelamento e posterior quitação realizado em relação a PIS e COFINS foi realizado em 2009, em data muito superior ao lançamento em debate e não reflete nas contribuições previdenciárias em comento. 8. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL reconhecedo a decadência parcial do lançamento objeto desta Notificação, nos moldes do artigo 173, I do CTN, nas competências 01/94 a 11/98, bem como para excluir da base de cálculo, integralmente, os valores referentes ao prolabore, nos termos do relatório e voto. É como voto. Fl. 11447DF CARF MF Processo nº 10166.016223/200815 Acórdão n.º 2401005.706 S2C4T1 Fl. 27 51 (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relator Voto Vencedor Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Divirjo apenas em relação ao cancelamento dos valores apurados a título de prólabore. A fiscalização tomou o faturamento omitido, resultante das notas fiscais calçadas, como prólabore indireto aos sócios, integralmente na venda mercantil e, na prestação de serviços, pelo valor restante após a dedução de 40%, sendo esta parcela deduzida considerada como saláriode contribuição dos segurados empregados. Notese que se tributou apenas o faturamento omitido em razão das notas calçadas. O faturamento omitido em questão (integral na venda mercantil ou parcial na prestação de serviços) foi apropriado pelos sócios, eis que não foi reconhecido como integrante do patrimônio da empresa. Logo, o critério adotado no lançamento é razoável, sendo representativo do valor disponibilizado ao patrimônio do sócio em razão da emissão das notas calçadas. Não vislumbro ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Ainda que as notas calçadas tenham lastreado a correção da contabilidade em exercício posterior e que tenham sido recolhidos ou parcelados outros tributos, a empresa não apresentou documentação comprovando que o faturamento omitido não foi apropriado pelos sócios ao tempo da emissão das notas fiscais calçadas. O fato de posteriormente se contabilizar o recurso omitido como sendo de titularidade da empresa, não tem o condão de anular a anterior ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária (CTN, arts 116 e 117). Isso posto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para tão somente declarar a decadência das competências 01/94 a 11/98. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Redator Designado. Fl. 11448DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.033428/99-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO
O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior que devido.
Numero da decisão: 1202-000.692
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 19 /03/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10880.033428/9992 Acórdão n.º 120200.692 S1C2T2 Fl. 2 2 Tratase de Pedido de Restituição da CSLL cumulado com Pedidos de Compensações onde a Contribuinte, em 26.11.1999, onde requer o aproveitamento de pagamentos a maior efetuados durante os anoscalendários de 1.997 à 1.999, com vistas à quitação de débitos compreendidos de períodos subseqüentes. Em despacho decisório proferido em 28.09.2005, foi deferido parcialmente o pedido da contribuinte, reconhecendo o direito creditório contra a Fazenda Nacional, acrescidos de juros SELIC, sob os seguintes fundamentos: Na data do pedido de restituição dos valores recolhidos à maior, ainda não havia transcorrido o prazo decadencial de 5 (cinco) anos, demonstrandose a tempestividade da solicitação; Em relação ao AnoCalendário de 1.996, ao proceder a análise dos valores efetivamente recolhidos a titulo de estimativa (extrato SINAL08), constatouse que os mesmos ensejariam CSLL à pagar e não à restituir; Em relação aos AnosCalendários de 1.997 e seguintes constatouse que a Contribuinte deduziu a titulo de estimativa o valor de R$ 583.131,12, porém, o valor efetivamente recolhido através das DARF's apresentadas somam apenas R$ 473.124,43, sendo corretamente apurado na Ficha 11 saldo negativo no valor de R$ 283.205,40. Notificada do referido Despacho Decisório em 22.11.2005, a Recorrente apresentou tempestivamente sua Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese que: Inicialmente, quanto ao direito creditório apurado e sua forma de atualização, não há o que se questionar; Entretanto, a decisão desconsiderou o saldo credor referente o Ano Calendário de 1.996, procedendo a análise "a partir do anocalendário de 1997", em decorrência de que ao confirmar "os valores efetivamente recolhidos a titulo de estimativa" constatou que haveria "CSLL a pagar, e não a restituir", lançandose assim o respectivo AIIM. Informa que os referidos lançamentos foram devidamente impugnados, originandose o Processo Administrativo n.° 19515.002000/200595. Alega que muito embora os fundamentos acima demonstrados, os mesmos não devem prosperar no tópico que deixou de reconhecer o direito ao crédito relativo ao Ano Calendário de 1.996, uma vez que, por mero equivoco, a empresa deixou de desmembrar adequadamente os valores lançados referentes às CSLL pagas via DARF 's (linha 23) e Saldo de CSLL a Compensar apurado em períodos anteriores (linha 24), indicando todo o montante apenas na Linha 23. Todavia, a mera inobservância de dever instrumental e erros na DIPJ não obstam o reconhecimento do credito e sua devida restituição, sob pena de "referendar o confisco e locupletamento ilícito da União” em detrimento do contribuinte. Tampouco poderia ensejar a cobrança de valores já extintos por compensação (CTN, art. 156, II), nos autos do processo administrativo n.° 19515002000/200595." Aduz ainda que o próprio fiscal da DEFIC reconheceu o direito da empresa à restituição, desde que observados os "mecanismos legalmente previstos", informando que a Fl. 427DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 19 /03/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10880.033428/9992 Acórdão n.º 120200.692 S1C2T2 Fl. 3 3 Requerente fez justamente isso, ou seja, através de pedido de compensação, requereu que fosse homologada a compensação do saldo credor de CSLL apurado em 1996 com os débitos daquela contribuição apurados nos anos seguintes. Por fim, requereu o reconhecimento do direito creditório também quanto ao anocalendário de 1.996, cancelandose inclusive, o crédito tributário objeto do Processo Administrativo n.° 19515.002000/200595. Em vista aos argumentos apresentados pela Contribuinte, a 7ª Turma da DRJ /SPO manifestouse nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997,1998, 1999 RESTITUIÇÃO — PAGAMENTO A MAIOR Constitui indébito tributário os pagamentos efetuados a maior cujo crédito poderá ser compensado com tributos de períodos subseqüentes. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Solicitação Indeferida. Assim, entendeu a Primeira Instância Julgadora que quanto à compensação com saldo negativo de exercícios anteriores (anocalendário de 1995), Linha 24, Ficha 11, a interessada deveria ter comprovado o direito creditório a que acredita fazer jus por meio de apresentação de documentação hábil e idônea. Sem a prova do direito liquido e certo não há que se reconhecer a referida compensação e, portanto, o referido campo da declaração deverá ser mantido conforme indicado na DIPJ, não demonstrando assim o saldo negativo alegado pela interessada. Aduz ainda que passado o prazo legal para a retificação da declaração de rendimentos, não existe mais possibilidade de sanar o alegado equivoco pela contribuinte. Por estas razões, a Instância Julgadora de piso votou no sentido de indeferir o pedido de restituição remanescente e não homologar a compensação solicitada. Irresignada, a Contribuinte, cientificada da decisão de 1ª Instância em 13.09.2007 (quintafeira) interpôs Recurso Voluntário contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/SPO em 15.10.2007 (segundafeira), reapresentando as razões defensórias de Primeira Instância, expondo em síntese que segue: O Agente Fiscal não admitiu, no AnoCalendário de 1.997, a utilização da base de cálculo negativa de CSLL relativa ao AnoCalendário de 1.996, apesar de devidamente apurado na DIPJ (fls.223); Fl. 428DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 19 /03/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10880.033428/9992 Acórdão n.º 120200.692 S1C2T2 Fl. 4 4 Após haver estornado o valor de saldo negativo, o Agente Fiscal não efetuou a projeção nos exercícios posteriores do referido saldo, deixando de considerar as bases negativas dos AnosCalendários de 1.998 e 1.999, sendo que esta recomposição acarreta na completa modificação na quantificação final do pedido de restituição; Os pagamentos referentes ao período do AnoCalendário de 1.996 podem ser comprovados pelo extrato informatizado anexado pelo próprio Fiscal (fls. 224) e os saldos de exercícios anteriores pela DIPJ/1995 (fls. 254); Invoca ainda que documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar o direito creditório da Contribuinte já se encontram anexos aos presentes autos, respectivamente As fls. 254, 223, 44 e 09; Ademais, os equívocos cometidos no preenchimento das declarações foram devidamente demonstrados e são aferíveis por simples cálculos aritméticos, sendo que o art. 142 do CTN prescreve que a autoridade responsável pela formalização do lançamento está comprometida com a obtenção da verdade real, afastando presunções e conclusões formalistas; Invoca a busca da verdade material ou real para fundamentar que o equivoco no preenchimento da DIPJ não obsta o reconhecimento de saldo credor A compensar, invocando jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes. Por derradeiro, espera a admissão de suas Razões de Recurso Voluntário para reformar a decisão proferida pela DRJ/SPO, (i) conferindo o direito ao aproveitamento da totalidade dos saldos pleiteados no pedido de restituição em tela, considerandose no cálculo do montante a ser restituído a base negativa do exercício de 1996 com a devida projeção do crédito apurado nos anos de 1997, 1998 e 1999; (ii) seja considerado sem efeito o AIIM , objeto do Processo n.° 19515.002000/200595, em razão da comprovação de saldo negativo da CSLL no AnoCalendário de 1996 e; (iii) por fim, seja homologada a compensação referenciada no pedido de restituição, garantindo a utilização do saldo remanescente com outros tributos administrados pela SRF do Brasil. Na seção de julgamento ocorrida no dia 08/12/2009, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a autoridade administrativa de origem anexe aos presentes autos o processo 19515.002000/200595, a fim de elucidar a matéria em foco, o que foi efetivado de acordo com o aviso 10334 (fls. 416). É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Presentes todos os requisitos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Tratase de pedido de restituição/compensação de CSLL valendo se de pagamentos feitos a maior nos anos calendário de 1997 à 1999. Cabe de início ressaltar a possibilidade de compensação/restituição dos tributos e contribuições federais, observando os prazos Fl. 429DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 19 /03/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10880.033428/9992 Acórdão n.º 120200.692 S1C2T2 Fl. 5 5 decadenciais, sendo que a restituição tem previsão no art. 1° da Lei 5172/1966 e a compensação encontra amparo no art. 170 do Código Tributário Nacional. Ambas restituição/compensação podem ser realizadas de ofício ou requerimento da parte interessada. A Recorrente em sua DIRPJ/97 que se refere ao anocalendário 1996, apurou um saldo devedor de CSLL no valor de R$ 110.006,51 (linha 23 ficha 11 da DIRPJ) conforme exposto na fls.223 que resulta da dedução da CSLL com base no balancete de suspensão/redução no importe de R$ 485.974,33, com a CSLL liquidada em R$ 375.967,82. Alega que o montante de saldo negativo do ano calendário de 1996 é constituído de R$ 253.185,13 em pagamentos por estimativa feitos através de DARF´s e R$ 232.789,25 são pagamentos oriundos do ano calendário de 1995 aproveitados como compensações. No preenchimento da DIRPJ/97, a Recorrente alegou ter informado erroneamente o valor total de R$ 485.974,33 (R$ 253.185,13 + R$ 232.789,25) na linha 23 sendo que o correto seria R$ 253.185,13 na linha 23 e R$ 232.789,25 na linha 24. No tocante ao valor da linha 23 da ficha 11, a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório na sua integralidade. Já com relação aos exercícios anteriores, a Recorrente não fez opção para utilização do referido crédito de CSLL, pois não informou na DIPJ 1997 anocalendário 1996 o seu interesse. Através desta análise foi lavrado auto de infração (fls. 261 a 268), uma vez que de acordo com as informações prestadas pela Recorrente na DIRPJ 1997 e informações de recolhimentos do sistema da Receita Federal a título de estimativa (extrato SINAL08, fls.224), houve CSLL a recolher no valor de R$ 122.782,69 e não a restituir no valor de R$ 110.006,51, além do que foi reconhecido através do Despacho Decisório de fls. 270 a 272. Feitas essas importantes considerações, verificase, no caso vertente, que ao invés da restituição/compensação, o contribuinte teria um saldo devedor perante o Fisco, como foi objeto do processo administrativo nº 19515.002000/200595, anexado ao presente pela diligência deliberada por este colegiado. A decisão proferida pelo colegiado da DRJ, oriunda do processo 19515.002000/200595 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996 GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A não comprovação da existência do crédito liquido e certo para com a Fazenda Nacional permite a autoridade fiscal glosar as compensações indevidas efetuadas pela contribuinte em sua declaração de rendimentos. DECADÊNCIA O prazo para a constituição do crédito tributário das contribuições sociais é de 10 anos. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 19 /03/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10880.033428/9992 Acórdão n.º 120200.692 S1C2T2 Fl. 6 6 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de abril de 1995, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic está em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina. Lançamento Procedente Foi reconhecido, portanto, pela apreciação da primeira instância administrativa, procedente o lançamento do crédito tributário de CSLL, notadamente pelo que se depreende da leitura por falta de comprovação do suposto direito creditório. Contudo assim seja, a autoridade administrativa de origem, nos autos em anexo, se viu obrigada, conforme despacho de fls 140/142 após a decisão referida, em aplicar o entendimento da Sumula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal que dispõe nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo do artigo 5° do DecretoLei 1569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8212/1991 que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Diz a decisão administrativa em comento que a Emenda Constitucional n° 45 de 2004 trouxe ao ordenamento jurídico brasileiro a figura da Súmula Vinculante, cujo enunciado se torna obrigatório após a sua publicação a todos os destinatários diretos, ou seja, todos os Órgãos da Administração Pública direta e indireta, além dos órgãos jurisdicionais. Neste sentido, a questão do crédito tributário examinado nos autos 19515.002000/200595, foi considerada resolvida em face a decadência de ofício reconhecida, do direito da Fazenda Pública de lançar o crédito tributário, com a edição do Despacho Decisório de fls. 140 a 142 mencionado. Como se tratou de situação prejudicial ao presente feito, ou seja, reconhecido o crédito tributário, inexiste o suposto direito creditório alegado nestes autos, posto ainda que seja inexigível pela Fazenda Nacional por ter decaído seu direito pelo decurso do prazo decadencial, restou demonstrado que à Recorrente careceu de comprovação do alegado direito creditório, pela reconhecida subsistência do lançamento de ofício, em termos meritórios, embora não exigível legalmente, no processo anexo de nº 19515.002000/200595. Se de um lado tornouse inelutável o afastamento da exigência do crédito tributário, de outro lado, pela razão meritória nos autos em anexo, selou como indiscutível o suposto direito creditório, objeto remanescente no presente processo. Ou seja, o erro suscitado pela Recorrente não foi considerado subsistente por falta de efetiva comprovação, produzindo efeito direto no mérito deste processo, posto que não se pode acolher a pretensão de erro meramente por discurso argumentativo, sem corroborar em provas documentais, conforme decidido no processo nº 19515.002000)200595, em relação ao que também adotase os fundamentos de decidir da decisão da DRJ... , reforçando o entendimento aqui exarado, na esteira igualmente do quanto decidido pela autoridade julgadora de primeira instância nestes autos. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 19 /03/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10880.033428/9992 Acórdão n.º 120200.692 S1C2T2 Fl. 7 7 Diante todo exposto, é de se negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 432DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 19 /03/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/03/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
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Numero do processo: 10580.908730/2012-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2010
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
Numero da decisão: 3001-000.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para o Programa de Integração Social PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 30 /2 01 2- 72 Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10580.908730/201272 Acórdão n.º 3001000.531 S3C0T1 Fl. 526 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1467.520, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 20.06.2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 25460.33514.251111.1.3.040011. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 54 a 58), verbis: Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 28/02/2010, no valor de R$ 32.118,63, transmitida através do PER/Dcomp nº 25460.33514.251111.1.3.040011. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 41, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 44), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de Cofins no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10580.908730/201272 Acórdão n.º 3001000.531 S3C0T1 Fl. 527 3 A 5ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2010 DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO COMUNICADO" (efl. 61), conheceu do teor do acórdão vergastado em 20.07.2017, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 17.08.2017, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efls. 63/64), registra a juntada do presente recurso voluntário (efls. 65 a 73), acompanhado dos anexos 01 a 05 (efls. 74 a 523). Do recurso voluntário Após tomar ciência da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma do acórdão. Nesta referida petição recursal limitase a repisar os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, e apresenta, dentre outros, o denominado "anexo 05", que tratase da "RELAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO POR CONTA E CENTRO DE CUSTO" , referente ao mês fevereiro de 2010, extraído em 21.03.2011. Diante do alegado, requer sejalhe dado provimento, reconhecendose seu direito creditório e homologandose a compensação objeto do presente processo. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 28.08.2017 (efl. 524), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10580.908730/201272 Acórdão n.º 3001000.531 S3C0T1 Fl. 528 4 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 17.08.2017, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 20.07.2017; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10580.908730/201272 Acórdão n.º 3001000.531 S3C0T1 Fl. 529 5 pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ao não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente teria como objetivo corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou bem claro o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.902029/2017-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO QUE NÃO ABORDA ARGUMENTO INDEPENDENTE TRAZIDO PELA DEFESA.
O julgador não está obrigado a se pronunciar sobre todos os argumentos trazidos pela defesa. Todavia, tal regra possui exceções a exemplo da hipótese dos autos, em que o julgador, rejeitando um pedido, não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seria, em tese, suficiente para justificar o acolhimento da defesa.
NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE.
Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
IRPJ. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. LEGISLAÇÃO QUE EQUIPARA SEU TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO DA FAZENDA PÚBLICA.
A ECT deve prestar o serviço postal de modo permanente e independente da remuneração recebida. É por isso que a ECT, tal como a União, não pode ser considerada contribuinte do IRPJ, sendo a regra do artigo 12 do Decreto-Lei 509/1969 clara neste sentido, assim como incontroversa a conclusão de que tal dispositivo foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988.
IRPJ. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. IMUNIDADE RECÍPROCA. DECISÕES DO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
O Supremo Tribunal Federal examinou três Recursos Extraordinários dotados de repercussão geral, reiterando, em todos os casos, que a totalidade dos serviços e bens dos Correios submetem-se ao previsto no artigo 150, VI, "a", da Constituição Federal, inexistindo, por conseguinte, competência tributária para os entes federativos exigirem impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços da referida empresa pública.
Desta forma, verificando que o STF já decidiu sobre a aplicação desse dispositivo constitucional à ECT com relação ao patrimônio (IPTU) e aos serviços (ICMS e ISS), não há que prevalecer o entendimento de que ele não deva ser aplicável à renda (IRPJ), pois são os fundamentos (isto é, a ratio decidendi) do precedente que possuem efeitos vinculantes, e não a sua conclusão prática à hipótese concreta.
Numero da decisão: 1301-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO QUE NÃO ABORDA ARGUMENTO INDEPENDENTE TRAZIDO PELA DEFESA. O julgador não está obrigado a se pronunciar sobre todos os argumentos trazidos pela defesa. Todavia, tal regra possui exceções a exemplo da hipótese dos autos, em que o julgador, rejeitando um pedido, não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seria, em tese, suficiente para justificar o acolhimento da defesa. NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 IRPJ. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. LEGISLAÇÃO QUE EQUIPARA SEU TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO DA FAZENDA PÚBLICA. A ECT deve prestar o serviço postal de modo permanente e independente da remuneração recebida. É por isso que a ECT, tal como a União, não pode ser considerada contribuinte do IRPJ, sendo a regra do artigo 12 do Decreto-Lei 509/1969 clara neste sentido, assim como incontroversa a conclusão de que tal dispositivo foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. IRPJ. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. IMUNIDADE RECÍPROCA. DECISÕES DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal examinou três Recursos Extraordinários dotados de repercussão geral, reiterando, em todos os casos, que a totalidade dos serviços e bens dos Correios submetem-se ao previsto no artigo 150, VI, "a", da Constituição Federal, inexistindo, por conseguinte, competência tributária para os entes federativos exigirem impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços da referida empresa pública. Desta forma, verificando que o STF já decidiu sobre a aplicação desse dispositivo constitucional à ECT com relação ao patrimônio (IPTU) e aos serviços (ICMS e ISS), não há que prevalecer o entendimento de que ele não deva ser aplicável à renda (IRPJ), pois são os fundamentos (isto é, a ratio decidendi) do precedente que possuem efeitos vinculantes, e não a sua conclusão prática à hipótese concreta.
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DECISÃO QUE NÃO ABORDA ARGUMENTO INDEPENDENTE TRAZIDO PELA DEFESA. O julgador não está obrigado a se pronunciar sobre todos os argumentos trazidos pela defesa. Todavia, tal regra possui exceções a exemplo da hipótese dos autos, em que o julgador, rejeitando um pedido, não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seria, em tese, suficiente para justificar o acolhimento da defesa. NULIDADE. SUPERAÇÃO. MÉRITO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. Nos termos do § 3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1979, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 IRPJ. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. LEGISLAÇÃO QUE EQUIPARA SEU TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO DA FAZENDA PÚBLICA. A ECT deve prestar o serviço postal de modo permanente e independente da remuneração recebida. É por isso que a ECT, tal como a União, não pode ser considerada contribuinte do IRPJ, sendo a regra do artigo 12 do DecretoLei 509/1969 clara neste sentido, assim como incontroversa a conclusão de que tal dispositivo foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. IRPJ. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. IMUNIDADE RECÍPROCA. DECISÕES DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 20 29 /2 01 7- 45 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 104 2 O Supremo Tribunal Federal examinou três Recursos Extraordinários dotados de repercussão geral, reiterando, em todos os casos, que a totalidade dos serviços e bens dos Correios submetemse ao previsto no artigo 150, VI, "a", da Constituição Federal, inexistindo, por conseguinte, competência tributária para os entes federativos exigirem impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços da referida empresa pública. Desta forma, verificando que o STF já decidiu sobre a aplicação desse dispositivo constitucional à ECT com relação ao patrimônio (IPTU) e aos serviços (ICMS e ISS), não há que prevalecer o entendimento de que ele não deva ser aplicável à renda (IRPJ), pois são os fundamentos (isto é, a ratio decidendi) do precedente que possuem efeitos vinculantes, e não a sua conclusão prática à hipótese concreta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão 1157.513, proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, na sessão de 11 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 105 3 de setembro de 2017, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório proferido por ocasião do julgamento da primeira instância, a seguir transcrito: Tratam os autos de análise da Pedido de Restituição (PER) nº 28070.21283.290716.1.2.046000, com cópia às fls. 42 a 44, por intermédio do qual pleiteia a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no montante de R$ 42.339.313,47 na data de transmissão, decorrente de Darf no valor de mesmo valor, referente ao 2º trimestre de 2011, com data de arrecadação em 29/07/2011. 2. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório com nº de rastreamento 122286016, em 02/05/2017, com cópia às fls. 45 a 51, que não reconheceu o direito creditório pretendido e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada. 2.1. Consoante consta da fundamentação e da análise do crédito, todo o valor recolhido via Darf foi alocado a débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo saldo a restituir/compensar. 3. Cientificado da decisão por via postal em 19/06/2017, conforme cópia de Aviso de Recebimento (AR) à fl. 41, em 19/07/2017 o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 12 a 26, instruída com os documentos às fls. 27 a 41, onde argumentou, em síntese, o que segue: 3.1. O crédito tem origem em indevida retenção na fonte do IRPJ sobre pagamentos realizados pelos clientes dos Correios, bem como sobre aplicações financeiras suas. Ao negar o direito à restituição das retenções de IRPJ impostas ao contribuinte, a autoridade fiscal tributou valores não incluídos no campo do fato gerador do tributo; 3.2. A ECT é empresa pública, sem escopo lucrativo, criada pelo DecretoLei nº 509, de 1969, para desempenhar serviços públicos essenciais de competência da União estabelecidos no art. 21, X, da Constituição Federal (CF), na qualidade de sua delegatária, e não de exploradora de atividade econômica ou de concessionária de serviço público. Assim, diferentemente das demais empresas privadas que exploram serviços postais não exclusivos, não podem recusar entrega, independente da distância, e não gozam de flexibilidade administrativa, sujeitandose ao regime de licitações, contratações via concurso público, e controle de órgãos competentes (TCU, CGU, entre outros). Além disso, como longa manus da União, não faz jus a suscitar o desequilíbrio econômicofinanceiro na prestação do serviço público, como ocorre para as concessionárias. O Ministério Público Federal (MPF), em parecer Nº 7248/10 – MJG, lavrado no Habeas Corpus 105.542 RGS, impetrado Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 106 4 contra julgamento colegiado da Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que negou provimento ao REsp 894.730/RS, consignou que a ECT explora serviço de competência da União, sendo por ela controlada e mantida; que seu capital é controlado integralmente pela União; e que desenvolve atividade sob regime de exclusividade, gozando dos mesmos privilégios concedidos à Fazenda Pública, inclusive em relação à imunidade tributária. Sua natureza equiparase à Fazenda Pública no que concerne ao tratamento tributário, conforme art. 12 do referido DL e diversos precedentes judiciais. Assim, tal como a União, não é contribuinte de IRPJ, pois seu resultado positivo não é renda tributável, mas superávit/excedente orçamentário, além do que não configura sujeito passivo de exação por receber tratamento equiparado à Fazenda Pública; 3.3. Não bastasse isso, o Supremo Tribunal Federal (STF), nos autos da ACO 765/RJ, reconheceu que os Correios configuram um braço do Poder Público, devendo lhe ser estendida a imunidade sobre seu patrimônio, sua renda e seus serviços, prevista no art. 150, VI, “a”, da CF. Reforçando esse entendimento, no RE 601.392/PR (ISS), submetido ao rito da repercussão geral, o STF reafirmou o direito da ECT à imunidade recíproca, inclusive sobre as atividades econômicas outras que são praticadas para viabilizar a prestação do serviço postal. Tal entendimento foi reiterado pelo STF no RE 627.051 (ICMS) e no RE 773.992 (IPTU); 3.4. O processo administrativo deve observar os precedentes firmados sob o rito de repercussão geral e dos recursos repetitivos. O próprio Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão hierarquicamente superior às Delegacias de Julgamento, em seu art. 62, estabelece o dever de aplicar o decidido sob tais ritos. O precedente a ser seguindo não se limita à conclusão explícita extraída do julgado, mas também abrange o raciocínio aplicado pelo julgador para alcançar o resultado. Assim, é um contrassenso afirmar que a imunidade recíproca reconhecida pelo STF nos julgados antes referidos se restringe ao ISS, IPTU e ICMS. A controvérsia aqui é a mesma desses julgados, qual seja, o direito da ECT à imunidade recíproca, a qual engloba todos os impostos incidentes sobre a renda, o patrimônio e os serviços desta, e, segundo o raciocínio do RE 601.392, aplicase à totalidade de seus serviços, postais ou não. Então sob a ótica de os processos administrativos serem apreciados em consonância com os precedentes judiciais de reprodução obrigatória, também é devida a restituição do IRPJ retido na fonte sobre os pagamentos de clientes e aplicações financeiras. 4. Em 24/08/2017, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB nº 453, de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 2.231, de 2017, os autos foram remetidos a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Recife PE para proceder ao julgamento da lide (fl. 63). Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 107 5 Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, conforme sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 IMUNIDADE RECÍPROCA. EMPRESA PÚBLICA FEDERAL PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO. EXTENSÃO. A imunidade recíproca a impostos de que trata o art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal aplicase ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados às atividades essenciais da empresa pública prestadora de serviço público. As demais atividades desenvolvidas não são consideradas finalísticas da empresa pública federal e, portanto, não estão abrangidas pela imunidade recíproca. STF. IMUNIDADE RECÍPROCA. ALCANCE. TODAS AS ATIVIDADES. EFEITO DE DECISÃO EM RE COM REPERCUSSÃO GERAL. IMPOSTO MUNICIPAL/ESTADUAL/DISTRITAL. EXTENSÃO AO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. Decisão do STF em recurso extraordinário, em rito de repercussão geral, conclusiva pela aplicação da imunidade recíproca sobre todas as atividades do contribuinte, especificamente em relação a imposto municipal/estadual/distrital objeto do processo judicial, não vincula a administração pública relativamente ao IRPJ. PER. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. CONDIÇÃO. É condição para o deferimento do pedido de restituição que o crédito pretendido seja líquido e certo. Na espécie, o crédito apontado não atende tal requisito, razão pela qual não pode ser reconhecido o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido em 13/09/2017 (fls. 77), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 11/10/2017 (fls. 79), tempestivamente, recurso voluntário, através de representante legal, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 108 6 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Tratase de pedido de restituição de IRPJ, recolhido via DARF pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT, no 2º trimestre de 2011, no montante de R$ 42.339.313,47 (quarenta e dois milhões, trezentos e trinta e nove mil, trezentos e treze reais e quarenta e sete centavos), que foi utilizado para quitar parcialmente saldo a pagar de IRPJ apurado. Em sua defesa inicial, o contribuinte aduziu que não está sujeita à incidência do IRPJ, uma vez que (i) o DecretoLei nº 509/1969 estabeleceu que os Correios compõem a estrutura da União, de modo que não estão submetidas nem auferem renda tributável no âmbito do imposto de renda, e, ainda, (ii) o STF reconheceu seu direito à imunidade, prevista no art. 150, VI, “a”, da CF, inclusive para as atividades econômicas que desempenha, nos Recursos Extraordinários 601.392/PR, 773.992/BA, 627.051/PE, todos submetidos ao rito da repercussão geral. Ao apreciar as razões apresentadas, a DRJ entendeu que a ECT goza de imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal tãosomente no que tange aos serviços, patrimônio e renda vinculados às atividades essenciais da empresa pública, para em seguida, negar provimento ao pleito, por constatar que a ECT não discriminou na composição de sua renda o numerário auferido com a prestação de serviços públicos. Nas suas palavras da DRJ: Assim, ante o exposto, há que se considerar que o contribuinte faz jus a imunidade recíproca "parcial" do IRPJ, ou seja, relativamente às suas atividades finalísticas (serviços postais definidos em lei), não se estendendo às não finalísticas. A partir desse entendimento, para concluir pela procedência ou não do direito creditório representado pelo Darf vinculado em DCTF ao saldo de IRPJ a pagar apurado na DIPJ, seria necessário que o contribuinte tivesse comprovado a composição de suas receitas, indicando as operações que lhe deram causa, a fim de permitir a sua classificação em finalísticas e não finalísticas, e, por conseguinte, viabilizar a apuração por este julgador do montante devido de IRPJ para o período de apuração. Contudo, tal providência não foi adotada, pois o contribuinte se limitou a defender que todas as receitas seriam imunes com base nas decisões proferidas pelo STF relativamente ao ISS, ICMS e IPTU. 26. Logo, diante da impossibilidade de determinar a parcela do IRPJ que foi recolhida a maior, o crédito pretendido não é líquido e certo, condição necessária para sua restituição e/ou utilização em compensação.” Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 109 7 (os grifos são meus) Contra essa decisão, o contribuinte interpõe o presente Recurso Voluntário, por meio do qual renova seus argumentos, pugnando pela procedência do seu pedido. Pois bem, a controvérsia sobre o referido direito creditório centrase no reconhecimento ou não da tributação, pelo IRPJ, dos resultados positivos auferidos pela recorrente, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT. Inicialmente, em preliminar, alega a recorrente nulidade parcial do acórdão recorrido, acusando que a DRJ não apreciou um dos suas alegações, notadamente a que faz alusão ao artigo 12 do DecretoLei nº 509/1969, que equipara os Correios à Fazenda Pública, inclusive em matéria tributária, o que evidencia que a ECT não é sujeito passivo do IRPJ. De fato, do que se percebe da leitura do acórdão recorrido, a DRJ deixou de examinar este fundamento, apreciando apenas o relativo à imunidade da ECT e sua extensão, quedandose inerte em relação à equiparação dos Correios à Fazenda Pública. É verdade que o julgador não está obrigado a se pronunciar sobre os argumentos trazidos pela parte, desde que não resulte em afronta ao contraditório, o que ocorre quando, por exemplo, rejeitando um pedido, o julgador não se pronuncia sobre argumento que, individualmente considerado, seja, em tese, suficiente para justificar o acolhimento. Acredito que este seja o caso dos autos. Isso porque a DRJ ignorou, de fato, o argumento autônomo mencionado em defesa, acerca da equiparação da ECT à Fazenda Pública por força do art. 12 do DecretoLei 509/1969, que se mostrava suficiente para acolher o pedido feito pelo recorrente. Ora, uma coisa é ser equiparada à Fazenda Pública com base em disposição legal, e outra coisa é a alegação de imunidade recíproca prevista constitucionalmente. Assim, ao rebater apenas o argumento relativo à imunidade recíproca, a DRJ operou em cerceamento do direito de defesa da ECT, o que obrigaria a anulação do acórdão recorrido, para que aquele colegiado pudesse proferir uma nova decisão, e se pronunciar também sobre os argumentos trazidos no item 3.1 da manifestação de inconformidade. Porém, deixo de fazêlo com base no que dispõe o §3º do artigo 59 do Decreto 70.235/1972, pois o mérito pode ser decidido em favor da recorrente. Penso que há dois fundamentos que conduzem à procedência do pedido da recorrente. O primeiro decorre da própria análise do teor do artigo 12 do DecretoLei 509/1969, que equiparou a ECT à Fazenda Pública. Confirase a norma: Art. 12 A ECT gozará de isenção de direitos de importação de materiais e equipamentos destinados aos seus serviços, dos privilégios concedidos à Fazenda Pública, quer em relação a imunidade tributária, direta ou indireta, impenhorabilidade de seus bens, rendas e serviços, quer no concernente a foro, prazos e custas processuais. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 110 8 Embora tenha sido publicada antes de 1988, o STF já reconheceu em várias oportunidades que o DecretoLei nº 509/1969 foi recepcionado pela atual Carta Magna, inclusive, e, no que se refere ao artigo 12 desse Decreto, já afirmou expressamente sua recepção, não incidindo a restrição contida no artigo 173, §1º, d CF, que submete a empresa pública, a sociedade de economia mista e outras entidades que explorem atividade econômica ao regime próprio das empresas privadas (RE 220.9069, Pleno, Rel. Min. Mauricio Correa, DJ 14/11/2002). EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS. IMPENHORABILIDADE DE SEUS BENS, RENDAS E SERVIÇOS. RECEPÇÃO DO ARTIGO 12 DO DECRETOLEI Nº 509/69. EXECUÇÃO.OBSERVÂNCIA DO REGIME DE PRECATÓRIO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 100 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. 1. À empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, pessoa jurídica equiparada à Fazenda Pública, é aplicável o privilégio da impenhorabilidade de seus bens, rendas e serviços. Recepção do artigo 12 do Decretolei nº 509/69 e nãoincidência da restrição contida no artigo 173, § 1º, da Constituição Federal, que submete a empresa pública, a sociedade de economia mista e outras entidades que explorem atividade econômica ao regime próprio das empresas privadas, inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias. 2. Empresa pública que não exerce atividade econômica e presta serviço público da competência da União Federal e por ela mantido. Execução. Observância ao regime de precatório, sob pena de vulneração do disposto no artigo 100 da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e provido. (RE 220906, Relator(a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 16/11/2000, DJ 14112002 PP00015 EMENT VOL 0209103 PP00430) Diversas decisões judiciais têm equiparado a ECT à Fazenda Pública para fins de aplicação dos privilégios de que esta goza, a exemplo da impenhorabilidade de bens, prazos processuais, dispensa de pagamento de custas, juros de mora (art. 1ºF da Lei 9.494/1997), dentre outros. Assim, a ECT, tal como a União Federal, por força do art. 12 do DecretoLei nº 509/1969, não configura contribuinte do Imposto de Renda, e nem não aufere renda tributável, nos termos do que prevê o art. 153, IV da Constituição Federal. Observese que uma empresa como os Correios, ao obter lucro, o faz enquanto meio, diferentemente da empresas privadas, exploradoras de atividades econômicas, que fazem do lucro um fim. Semelhante raciocínio foi consignado no ACO 765/RJ, pelo Ministro /Ayres Britto, que assim se expressou: “... quando uma empresa como os Correios, organizada sob a forma de empresa pública, obtém lucro, ela o faz enquanto meio, diferentemente das empresas privadas. As empresas privadas, exploradoras de atividade econômica, fazem do lucro um fim. Então, a empresa vende bem, presta serviços, faz a intermediação de negócios para obter o lucro. Ao passo que esse Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 111 9 tipo de empresa pública, não: ela obtém o lucro, busca o lucro para continuar prestando a atividade. Daí porque esses lucros são necessariamente revertidos em prol da atividade. A atividade é afetada, segundo a Constituição, e o lucro também é afetado, porque deixa de ser um fim e passa a ser um meio. O fim é a prestação de uma atividade que, por expressa qualificação constitucional, não pode deixar de ser mantida, não pode deixar de ser prestada.” Desta forma, se ECT não deve IRPJ porque ela, como empresa pública, é equiparada à União,o recolhimento por ela efetuado tornarse indevido, devendo ser deferido o pedido de restituição. Mas não é só. Um segundo fundamento ampara a pretensão da recorrente: deve ser aplicado ao caso as decisões proferidas pelo STF em sede de repercussão geral. O Supremo Tribunal Federal examinou três Recursos Extraordinários dotados de repercussão geral, reiterando, em todos os casos, que a totalidade dos serviços e bens dos Correios submetemse ao previsto no artigo 150, VI, "a", da Constituição Federal, inexistindo, por conseguinte, competência tributária para os entes federativos exigirem impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços da referida empresa pública. As teses firmadas são as seguintes: • RE 601.392/PR (Tema 235 da repercussão geral): Os serviços prestados pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT, inclusive aqueles em que a empresa não age em regime de monopólio, estão abrangidos pela imunidade tributária recíproca (CF, art. 150, VI, a e §§ 2º e 3º). • RE 627.051/PE (Tema 402 da repercussão geral): Não incide o ICMS sobre serviço de transporte de encomendas realizado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT, tendo em vista a imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal. • RE 773.992/BA (Tema 644 da repercussão geral): A imunidade tributária recíproca reconhecida à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — ECT alcança o IPTU incidente sobre imóveis de sua propriedade e por ela utilizados, não se podendo estabelecer, a priori, nenhuma distinção entre os imóveis afetados ao serviço postal e aqueles afetados à atividade econômica. De acordo com o art. 62 do RICARF, estes precedentes firmados sob o rito da repercussão geral são de observância obrigatória pelos julgadores administrativos. A DRJ não seguiu os precedentes acima, por entender que eles não versaram especificamente sobre o IRPJ, mas sobre o ISS, ICMS e IPTU, não estando obrigada a adotá los Ocorre que o não recolhimento de ISS, ICMS e IPTU é apenas a conseqüência do reconhecimento por aquela Corte, acerca da imunidade sobre o patrimônio, renda e serviços da ECT. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 112 10 O dispositivo constitucional aplicado em tais acórdãos de repercussão geral artigo 150, VI, "a" da Constituição Federal determina a imunidade com relação ao "patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. Se o STF já decidiu sobre a aplicação desse dispositivo à ECT com relação ao patrimônio (IPTU) e aos serviços (ICMS e ISS), não há qualquer interpretação jurídica que ele não deva ser aplicável à renda (IRPJ). De fato, a doutrina processualista aponta que são os fundamentos (isto é, a ratio decidendi) do precedente que possuem efeitos vinculantes, e não a sua conclusão prática à hipótese concreta: Assim, embora comumente se faça referência à eficácia obrigatória ou persuasiva do precedente, devese entender que o que tem caráter obrigatório ou persuasivo é a sua ratio decidendi, que é apenas um dos elementos que compõem o precedente. A ratio decidendi – ou para os norteamericanos, a holding – são os fundamentos que sustentam a decisão; a opção hermenêutica adotada na sentença, sem a qual a decisão não teria sido proferida como foi (DIDIER, Fredie Jr. Curso de Direito Processual Civil. Volume 2. 7ª Edição. Salvador: 2012. p 385, grifamos) A grande questão a ser respondida por uma teoria descritiva dos precedentes judiciais é: “O que vale como precedente judicial?” Como optamos por uma teoria normativa do precedente judicial, nosso problema é “O que deve contar como precedente judicial, para fins de sua aplicação no raciocínio jurídico?” Ao reformularmos a pergunta inicial, abandonamos a perspectiva do observador e adotamos a do participante. Precedentes são, como enunciados legislativos, textos dotados de autoridade que carecem de interpretação. É trabalho do aplicador do direito extrair a ratio decidendi – o elemento vinculante – do caso a ser utilizado como paradigma. (BUSTAMANTE, Thomas da Rosa de. Teoria do precedente judicial: a justificação e a aplicação de regras jurisprudenciais. São Paulo: Noeses, 2012, p. 259, grifamos). Ou seja, o que vincula no precedente dotado de efeitos expansivos são as razões que fundamentam a decisão do caso, e não a conclusão casuística dos autos, sob pena inclusive de o precedente jamais poder ser aplicado, uma vez que situações exatamente idênticas dificilmente ocorrem na realidade fenomênica. Assim, não prospera a alegação de que se está a tratar de objeto diverso daquele apreciado pelo STF, pelo contrário,a controvérsia é a mesma, qual seja: o direito dos Correios à imunidade recíproca sobre toda a sua estrutura. Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório pleiteado, homologando a compensação até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10166.902029/201745 Acórdão n.º 1301003.443 S1C3T1 Fl. 113 11 José Eduardo Dornelas Souza Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.720101/2013-83
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.774
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira (relator) e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 01 01 /2 01 3- 83 Fl. 78DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2010, anocalendário de 2009, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 17.099,89. O contribuinte apresentou impugnação parcial (concordou com a glosa no valor de R$ 40,00), que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Brasília de f. 40/46. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 52/63. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta cingese à glosa de despesas médicas, no montante de R$ 17.059,89. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de documentação do efetivo pagamento para comprovação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10825.720101/201383 Acórdão n.º 2001000.774 S2C0T1 Fl. 3 3 Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Fl. 80DF CARF MF 4 Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10825.720101/201383 Acórdão n.º 2001000.774 S2C0T1 Fl. 4 5 A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.000472/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005
01/01/2006 a 31/01/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A validade do lançamento é pautada pela observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF.
Tendo havido declaração a menor de valores devidos, pagamento da diferença com acréscimos de juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, aplica-se o instituto da denúncia espontânea, inclusive quanto à multa moratória.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-005.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005, 01/12/2005 a 31/12/2005 01/01/2006 a 31/01/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A validade do lançamento é pautada pela observância dos requisitos do art. 142 do CTN c/c art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. Tendo havido declaração a menor de valores devidos, pagamento da diferença com acréscimos de juros de mora, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração, aplica se o instituto da denúncia espontânea, inclusive quanto à multa moratória. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 72 /2 00 9- 42 Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15586.000472/200942 Acórdão n.º 3301005.327 S3C3T1 Fl. 514 2 Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza os detalhes do litígio: Tratase de Auto de Infração (fls.140/142) e Demonstrativos (fls.137/139), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$ 967.663,46, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 2.083.693,97, em razão de ter sido constatada a insuficiência de recolhimento de imposto fora dos prazos estabelecidos pela legislação, sem a inclusão da multa de mora, valendose do instituto da denúncia espontânea, preconizada no art.138 do Código tributário Nacional – CTN, aprovado pela Lei nº 5.172, de 1966, resultando em recolhimento a menor dos tributos devidos, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls.132/136. Consta no Termo de Verificação que a empresa informou no campo “outros créditos de IPI” da DIPJ, item 16, valores elevados em relação ao total dos créditos de IPI, o que motivou a fiscalização com relação aos anos calendários de 2004, 2005 e 2006. A empresa esclareceu que os créditos informados originavamse da entrada de produtos em seu estabelecimento com direito aos créditos, estorno de débitos, outros créditos. Além disso, informou que os créditos decorrentes da ação ajuizada por terceiros nº 84.00201167 foram recolhidos valendose do instituto da denúncia espontânea com base no art.138 do CTN, combinado com o art.193, §§5º e 6º do RIPI/2002. Porém, o fez sem a inclusão da multa de mora, que resultou na insuficiência de recolhimentos, ora objeto do lançamento, informada no processo administrativo 13770.000320/200775. O enquadramento legal prevê infração aos artigos 34, inciso II, 122, 124, 125, III, 127, 130, 199 e parágrafo único, 200, incisos III e IV, 202, III e V, do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). Cientificada do lançamento em 10/06/2009, fl.207, a interessada apresenta a impugnação de folhas 172/201, sendo essas as suas razões de defesa: • o IPI tido por indevidamente creditado em sua escrita fiscal tinha sido espontaneamente estornado de sua escrita fiscal, mediante recolhimento e por meio de DARF dos respectivos montantes providos em 31/01/2007, com acréscimo de juros SELIC, nos termos do art.138 do CTN; Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15586.000472/200942 Acórdão n.º 3301005.327 S3C3T1 Fl. 515 3 • a situação descrita foi formalmente comunicada a DRF de Vitória, controlada no processo 13770.000320/2007, que não foi admitido como denuncia espontânea porque muito embora não exista qualquer dúvida quanto à efetividade dos recolhimentos promovidos pela impugnante ao amparo do art.138 do CTN, sem o acréscimo da multa de mora, no valor de R$ 8.414.496,41, entendeu o Sr. Auditor Fiscal que esses recolhimentos foram insuficientes, razão pela qual, em 05/06/2009, foi lavrado o auto de infração ora combatido; • em abril/2009 nova intimação fiscal foi expedida impugnante para apresentação em arquivo magnético e impressa da relação das notas fiscais geradoras dos créditos lançadas na escrita fiscal nos anos de 2003 e 2006; • nulidade do auto de infração pois a lavratura não observou os pressupostos legais estabelecidos nos arts.10 e 11 do Decreto nº70.235, de 1972; • o art.142 do CTN delega à autoridade fiscal a competência para lançar crédito tributário, mas a descrição do fato e a disposição legal infringida exigidas no PAF devem guardar vinculação direta com o fato; • a denúncia espontânea afasta a incidência de multa moratória; • transcreve diversa jurisprudência e doutrina que entende apoiar sua defesa. • requer o cancelamento do auto de infração e o arquivamento do processo administrativo. Após diversos encaminhamentos, o processo, tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº 2.440, de 30 de novembro de 2012, foi transferido para esta DRJ, para julgamento, conforme despachos de encaminhamento de fl.271/274. A 4ª Turma da DRJ/SDR, acórdão nº 15032.664, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO POR FALTA E/OU INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA ISOLADA. INSTITUTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera ocorrida a denúncia espontânea quando o sujeito passivo paga o tributo acrescido dos juros de mora, mas deixa de apresentar declaração confessando o débito. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Os pagamentos efetuados pela contribuinte devem ser acolhidos através do método de amortização proporcional, que é o único admitido pelo CTN. Em seu recurso voluntário, a Recorrente ratifica todos os argumentos de sua impugnação; aponta nulidade do auto de infração; a existência de contradição na decisão de Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15586.000472/200942 Acórdão n.º 3301005.327 S3C3T1 Fl. 516 4 piso; a efetivação da denúncia espontânea efetuada, com a exclusão da multa de mora. Ao final, requer o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Nulidade do Auto de Infração Afasto a pretensão de declaração de nulidade do auto de infração, porquanto entendo terem sido observados os requisitos fixados no art. 142 do CTN, combinado com os art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/1972, verbis: CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Decreto nº 70.235/72 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura. III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15586.000472/200942 Acórdão n.º 3301005.327 S3C3T1 Fl. 517 5 I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Outrossim, a autuação está fundamentada nos dispositivos legais que a regem e a descrição dos fatos já conduz às situações jurídicas que desencadearam o lançamento, pois a narração é clara, não deixando dúvida quanto ao fato imputado, o que permitiu à empresa identificar o fundamento da exigência fiscal. Comprovouse que a Recorrente foi intimada de todos os atos, bem como foi exercido o amplo direito de defesa mediante contraditório regularmente instaurado, tendo sido ofertada a impugnação ao lançamento e apresentado o presente recurso voluntário. Logo, restando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, e estando presentes nos autos todos os documentos que serviram de base para a autuação sob exame, não há que se falar em nulidade. Portanto, voto por não acolher a preliminar. Mérito Configuração da denúncia espontânea Conforme relatado, a controvérsia se volta ao cabimento ou não da multa de mora nas hipóteses em que o contribuinte realiza o pagamento integral do tributo devido antes da entrega da DCTF e do início de qualquer procedimento de fiscalização. Dito de outra forma, a aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea à multa moratória. Para a fiscalização, a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não caberia sua exclusão em casos de denúncia espontânea. Isso porque a mora resta configurada com o inadimplemento da obrigação no prazo fixado para o seu vencimento. Nesse sentido, o Parecer Normativo CST n° 61, de 26/10/1979: 4.1 As multas fiscais ou são punitivas ou são compensatórias. 4.2 Punitiva é aquela que se fundamenta no interesse público de punir o inadimplente. É a multa proposta por ocasião do lançamento. É aquela mesma cuja aplicação é excluída pela denúncia espontânea a que se refere o art. 138 do Código Tributário Nacional, onde arrependimento, oportuno e formal, da infração faz cessar o motivo de punir. 4.3 A multa de natureza compensatória destinase, diversamente, não a afligir o infrator, mas a compensar o sujeito ativo pelo prejuízo suportado em virtude do atraso no pagamento do que lhe era devido. É penalidade de caráter civil, posto que comparável à indenização prevista no direito civil. Em decorrência disso, nem a própria denúncia espontânea é capaz de excluir a responsabilidade por esses acréscimos, via de regra chamados moratórios. Por sua vez, a DRJ afastou a denúncia espontânea sob outro fundamento: a ausência de DCTF retificadora. Aponta que sendo pago o débito, mas não apresentada Fl. 517DF CARF MF Processo nº 15586.000472/200942 Acórdão n.º 3301005.327 S3C3T1 Fl. 518 6 declaração, não se considera ocorrida a denúncia espontânea. Observese a fundamentação da decisão de piso: No presente caso, os débitos resultantes do estorno do crédito na escrita fiscal foram pagos em 31/01/2007, com acréscimo de juros SELIC, tendo a interessada formalizado processo administrativo 13770.000320/200775, informando a situação, noticiando a existência dos débitos devidos, posteriormente a quitação, este não admitido, conforme informação contida no Termo de Verificação Fiscal, em razão de a contribuinte não ter recolhido a multa de mora. Analisando o complexo das medidas adotadas pelo sujeito passivo, pagamento em atraso dos tributos acrescidos de juros de mora e subsequente entrega de processo administrativo dando conta da realização dos procedimentos adotados, percebese que não há como ampliar o entendimento do sentido explícito contido nos Pareceres da PGFN, para considerar cumpridos os pressupostos de admissibilidade para a aplicação das disposições firmadas nos próprios atos da PGFN, outorgandose por conseguinte a desoneração da incidência da multa de mora sobre os valores do IPI recolhidos a destempo, pois, em que pese ter a contribuinte procedido da forma que julgou a mais correta (a protocolização do processo administrativo informando o débito apurado, embora tais informações nunca tenham sido levadas a efeito para DCTF’s complementares), deixou entretanto de confessar o débito concomitantemente ou mesmo posteriormente em ato próprio constitutivo do crédito tributário, no caso a DCTF. A Nota Cosit nº19, de 2012, que abaixo se transcreve, discute exatamente a situação ora posta para concluir pela impossibilidade de se estar diante do instituto da denúncia espontânea: (...) 4.1. Segundo o Ato Declaratório PGFN n° 8, de 2011, somente na situação em que o contribuinte declara a menor, paga integralmente o débito declarado e depois retifica a declaração para maior, quitando concomitantemente o débito, configurase a denúncia espontânea. 4.2. O ato da PGFN não trata das seguintes situações constantes da Nota Técnica n° 1, de 2012: contribuinte não apresenta declaração, mas paga o débito; contribuinte declara o débito a menor, não paga e posteriormente retifica a declaração pagando concomitantemente todo o débito e; o contribuinte não declara o débito em DCTF, porém efetua a compensação dele em Dcomp. Desse modo, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, deve ser considerada ocorrida a denúncia espontânea apenas na sua acepção primária de pagamento do débito concomitantemente a apresentação da declaração e na forma delimitada no próprio Ato Declaratório PGFN n° 8, de 2011, como descrito no item 4.1. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 15586.000472/200942 Acórdão n.º 3301005.327 S3C3T1 Fl. 519 7 O art. 138 do CTN prescreve regra de exclusão da responsabilidade por infrações quando a confissão da dívida é acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora devidos, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. Observese: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O STJ editou súmula com a seguinte redação: Súmula nº 360 O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Nos termos da Súmula, não há denúncia espontânea para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando o contribuinte realiza o pagamento fora do prazo legal de tributo já declarado, mesmo que antes de qualquer procedimento de fiscalização. Por outro lado, se o pagamento integral do tributo se der com os juros e fora do prazo legal, bem como que não tenha sido constituído/declarado, aplicase a denúncia espontânea, desde que não tenha se iniciado qualquer procedimento de fiscalização. Posteriormente, o STJ, no julgamento do REsp nº 1.149.022, sob a sistemática de recurso repetitivo firmou: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo Fl. 519DF CARF MF Processo nº 15586.000472/200942 Acórdão n.º 3301005.327 S3C3T1 Fl. 520 8 contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). [...] 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. [...] 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Tal decisão é de observância obrigatória por este Conselho, nos termos do art. 62A do RICARF. Assim: a) As multas moratórias têm natureza de punitivas, por isso excluídas no caso de configuração da denúncia espontânea; b) No caso de lançamento por homologação, não cabe a denúncia espontânea se o contribuinte declara todo o débito tributário, mas realiza o pagamento integral a destempo; c) A denúncia espontânea se aplica aos casos em que não houve a declaração do tributo, porém houve o pagamento antes de iniciado qualquer procedimento administrativo. No caso em comento, restou incontroverso que o pagamento foi realizado a destempo, com o acréscimo dos juros de mora, sem entrega da DCTF e antes do início de qualquer procedimento de fiscalização. Com razão a Recorrente quando afirma não haver previsão em lei da exigência de DCTF retificadora como condição para a configuração da denúncia espontânea. A infração, apuração e pagamentos foram levados a conhecimento da autoridade através do protocolo do processo n° 13770.000320/200775. Ressalto que a causa da lavratura do auto de infração não foi a falta de DCTF retificadora, mas tão somente a falta do recolhimento da multa de mora. Nesse contexto está claro que o contribuinte deve ser beneficiado pela denúncia espontânea, uma vez que foram completamente observados os requisitos do art. 138, Fl. 520DF CARF MF Processo nº 15586.000472/200942 Acórdão n.º 3301005.327 S3C3T1 Fl. 521 9 do CTN, na medida em que o pagamento integral foi realizado sem a declaração e antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, bem como foi dado ciência à autoridade das ações executadas. Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 521DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.000354/2005-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 30/11/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MANIFESTAÇÃO STF.
O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 390.840, pronunciou-SE a respeito da impossibilidade de se incluir na base de cálculo do Pis valores como CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N° 9.363/96.
Numero da decisão: 3001-000.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. IMPOSSIBILIDADE. MANIFESTAÇÃO STF. O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 390.840, pronunciouSE a respeito da impossibilidade de se incluir na base de cálculo do Pis valores como CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N° 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 03 54 /2 00 5- 12 Fl. 373DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Tratase de Auto de Infração relativo ao PIS, notadamente pela exclusão da base de cálculo do tributo o valor referente ao crédito presumido de IPI, pelo qual foi constituído o crédito tributário no valor de R$ 4.358,74, sendo R$ 1.872,35 de valor principal, tendo em vista a diferença apurada entre os valores declarados e os escriturados àquele título, consoante o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1820. Impugnação Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, conforme retirado da mesma, em suma: [..] concluímos que as diferenças apuradas referem a Base de Cálculo do PIS e COFINS sobre outras receitas as quais esclarecemos: Primeira Situação: Em 26/04/2002 recolhemos/compensamos as referidas contribuições do período de setembro de 1999 até março de 2002, pois neste período estávamos sobre o amparo do Mandado de Segurança de n° 1999.38.00.0331991. Em 26/03/2002 foi publicado o acórdão onde a Egrégia 4' turma do Tribunal Regional Federal da I° Região, deu provimento ao Recurso de Apelação da Fazenda Nacional, para declarar a Constitucionalidade da Lei 9.71898. Como a segurança havia sido parcialmente concedida em 1° instância nos encontrávamos no direito de realizar o recolhimento da Cofins e do Pis só sobre o Faturamento. Uma vez revogada a segurança pelo tribunal em 26/03/2002, tínhamos 30 dias contados da publicação do acórdão para fazer o recolhimento/ compensação. Assim o fizemos em 26/04/2002 conforme demonstrativo e documentos anexo Doc. 01. Segunda Situação: No entendimento dos auditores, embasada na IN n° 307 de 14/03/2003, o Crédito Presumido do IPI, deve ser considerada outras receitas operacionais, portanto compor a Base de Calculo para efeito do Pis e COFINS. Entendemos que o Crédito Presumido é uma Recuperação de Custo e não outras Receitas Operacionais, J. Senhor julgador, são estes, Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13656.000354/200512 Acórdão n.º 3001000.559 S3C0T1 Fl. 374 3 em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: a) Os Recolhimentos/Compensações, não observados pelos auditores, referentes ao PIS e COFINS sobre outras Receitas, em 26/04/2002. b) O conceito de Crédito Presumido do IPI como Receita Operacional. DRJ/JFA A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão n° 0921.514 2° Turma da DRJ/JFA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000, 30/04/2000 DECADÊNCIA. Não tendo havido dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para lançamento relativo ao PIS é de cinco anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, em razão da publicação da súmula vinculante n° 8 do STF e do disposto no Parecer PGFN/CAT n° 1.617, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000, 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 31/01/2002, 28/02/2002, 31/03/2002, 31/07/2002, 31/08/2002, 30/09/2002, 30/11/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. A partir de 1° de fevereiro de 1999, os valores do crédito presumido do IPI instituído pela Lei n° 9.363, de 1996, caracterizamse como receitas operacionais e, não tendo sido expressamente contemplado pelas hipóteses de exclusão e isenção, integram a base de cálculo da contribuição. DIFERENÇA ENTRE O VALOR DECLARADO E O VALOR PAGO. Fl. 375DF CARF MF 4 Apurada pelo fisco divergência entre os valores escriturados e declarados/pagos, mantémse a exigência da diferença, com os acréscimos legais, máxime uma vez que a contribuinte não logrou elidir o feito fiscal. Lançamento Procedente em Parte Quanto a decadência alegada pela impugnante, a DRJ entendeu que encontramse abrangidos pela decadência os fatos geradores anteriores a 09/05/2000, tendo em vista que a ciência pessoal do lançamento ocorreu em 09/05/2005. No tocante ao mérito, entendeu que as receitas advindas do recebimento de crédito presumido de IPI, para fins de ressarcimento do PIS e da COFINS, incidentes sobre as compras de matérias primas utilizadas na fabricação de produtos destinados à exportação, integram suas bases de cálculo. Acrescentou que, quanto ao ponto de discordância de que "Os Recolhimentos/Compensações, não observados pelos auditores, referentes ao PIS e COFINS sobre outras Receitas, em 26/04/2002", ao argumento de que "Em 26/04/2002 recolhemos/compensamos as referidas contribuições do período de setembro de 1999 até março de 2002", não há nenhuma afetação dos valores objetos daquele pedido de compensação, vez que decorrentes daquele provimento judicial, enquanto o lançamento deuse exclusivamente sobre parcela da base de cálculo da contribuição não declarada pela contribuinte. Isso posto, a DRJ considerou parcialmente procedente o lançamento, conforme se retira da conclusão: a) exonerar a contribuinte do valor principal da PIS, no somatório de R$ 88,42 [47,56 + 14,22 + 17,38 + 9,26 (fatos geradores anteriores a 09/05/2000)], além dos acréscimos legais, em razão da decadência; b) exigir da contribuinte o valor principal remanescente de PIS, de R$ 1.783,93, além dos encargos legais. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente rechaça o entendimento do órgão a quo, trazendo os seguintes argumentos: Crédito Presumido de IPI A recorrente, em face do seguinte entendimento da DRJ que: “a partir de 1° de fevereiro de 1999, os valores do crédito presumido do IPI instituído pela Lei n. 9.363, de 1996, caracterizamse como receitas operacionais e, não tendo sido expressamente contemplados pelas hipóteses de exclusão e isenção, integram a base de cálculo da contribuição.”, alega que somente são receitas operacionais aqueles obtidas pela pessoa jurídica através do desempenho da sua atividade fim, no entanto, que a mesma não possui como atividadefim o recebimento de crédito presumido de IPI (como, de resto, nenhuma sociedade a possui). Portanto, conclui que os valores do crédito presumido de IPI não configuram receita da pessoa jurídica e, menos ainda, de natureza operacional, donde se deflui a total impossibilidade de se pretender tributálos tal como realizado neste lançamento de ofício, tendo em vista que o crédito presumido de IPI é tãosomente uma recuperação de custos. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13656.000354/200512 Acórdão n.º 3001000.559 S3C0T1 Fl. 375 5 Lei n. 9.718/98 Alega que a DRJ em Juiz de Fora se vale do § 10 do art. 30 da Lei n. 9.718/98 para tentar legitimar a inclusão dos valores relativos ao crédito presumido de IPI. No entanto, que “além do fato de o crédito presumido de IPI não representar receita operacional, tal como visto anteriormente, registrese que a Recorrente tem a seu favor ação judicial transitada em julgado que lhe garante o recolhimento da Contribuição ao PIS segundo o faturamento ou receita bruta, entendidos estes como o produto da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços (LC 07/70 e Lei 9.715/98), no que não se inclui valores recebidos a título de crédito presumido de IPI.” A recorrente colaciona o trecho da referida decisão: "Sendo assim, em face das razões expostas, conheço do presente recurso extraordinário, para darlhe parcial provimento (CPC, art. 557, § 1° A), em ordem a afastar, considerada a base de cálculo do PIS/COFINS, a aplicação do § 1° do art. 3° da Lei n. 9.718/98, observandose, para esse efeito, o entendimento que o Plenário desta Suprema Corte proclamou no julgamento do RE 357.950/RS.” (STF, RE 542.462/MG, Rel. Min. Celso de Mello, Recorrente: Cacique Artefatos de Couro Ltda. e outros, Recorrido: União, Decisão de 09/04/2007, DOU de 13/06/2007.) Ademais, aduz que a autuação que deu origem ao presente recurso não poderia prevalecer porque, fora a decisão transitada em julgado a seu favor, seria totalmente inconstitucional, ilegal e contrária à orientação jurisprudencial desse Egrégio CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Dos recolhimentos não observados pelo Fisco Declara que durante o curso da ação judicial mencionada, em virtude do provimento da apelação da Fazenda em face da decisão de 1º grau, a ora recorrente procedeu ao recolhimento do montante referente à diferença entre o que efetivamente foi recolhido no período de setembro de 1999 a março de 2002 e o que deveria ser recolhido segundo as disposições da Lei n. 9.718/98. Ressalta que a alegação da DRJ confirma que o que foi lançado foi recolhido, porque nada mais havia a ser recolhido, sendo certo que, o que o fisco alega que não foi declarado, era exatamente a diferença (entre a base de cálculo efetivamente considerada e aquela determinada pela Lei n. 9.718/98) recolhida. Assim, tendo a decisão sido revertida a favor da ora Recorrente de forma definitiva no âmbito do Supremo Tribunal Federal, os valores recolhidos definitivamente pela Recorrente não seriam devidos, pelo que, por mais essa razão, solicita que o lançamento deve ser julgado improcedente. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Fl. 377DF CARF MF 6 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração. Admissibilidade do Recurso O contribuinte teve ciência do acórdão de impugnação em 28.11.2011, conforme Avisos de Recebimento AR, fls.323, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 29.12.2008, conforme comprova o comprovante de protocolo da ARF São Sebastião do Paraíso MG, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS A recorrente foi autuada sob a alegação de que teria declarado valores de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS menores que os escriturados. E isto porque teria apurado o montante declarado excluindose da base de cálculo do tributo o valor referente ao crédito presumido de IPI. O presente de recurso voluntário foi apresentado em decorrência de decisão que julgou parcialmente procedente o lançamento, exonerando a recorrente de R$ 88,42 em razão da decadência e mantendo o restante em decorrência das receitas advindas do recebimento de crédito presumido de IPI. Com isso, requer a recorrente, a reforma da decisão que considerou parcialmente procedente o lançamento, tendo em vista que, segundo a recorrente, existe a favor da mesma norma individual e concreta que a permite recolher a Contribuição ao PIS nos termos da Lei Complementar n. 07/70 e Lei n. 9.715/98. MÉRITO O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 390.840, já se pronunciou a respeito da impossibilidade de se incluir na base de cálculo do Pis valores como CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N° 9.363/96. Este tem sido o entendimento da CSRF deste CARF, conforme se segue a decisão abaixo trancrita: Acórdão nº 9303005.298 Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13656.000354/200512 Acórdão n.º 3001000.559 S3C0T1 Fl. 376 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999, 01/01/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N° 9.363/96.EXCLUSÃO DA BASE. POSSIBILIDADE Não se incluem na base de cálculo da contribuição valores relativos ao credito presumido do IPI por não se tratar de receita. O Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 390.840, decidiu que a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendida a receita bruta decorrente da venda de mercadorias e de serviços. Este mesmo entendimento se aplica ao crédito presumido de IPI a título de ressarcimento de PIS e de Cofins. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 379DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.914036/2009-56
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. INÉPCIA.
Não pode ser conhecido o recurso voluntário quando não há qualquer questão de fato ou de direito em litígio.
DECISÃO A QUO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Constatado que a decisão a quo foi favorável ao pleito suscitado pelo sujeito passivo na manifestação de inconformidade, revela-se sem propósito a apresentação de recurso voluntário, não podendo ser conhecido por ausência de motivação que o justifique.
Numero da decisão: 3001-000.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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AUSÊNCIA DE LITÍGIO. INÉPCIA. Não pode ser conhecido o recurso voluntário quando não há qualquer questão de fato ou de direito em litígio. DECISÃO A QUO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. Constatado que a decisão a quo foi favorável ao pleito suscitado pelo sujeito passivo na manifestação de inconformidade, revelase sem propósito a apresentação de recurso voluntário, não podendo ser conhecido por ausência de motivação que o justifique. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 29 a 31) interposto em face do Acórdão 1431.394, da 2ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto DRJ/RPO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 40 36 /2 00 9- 56 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10983.914036/200956 Acórdão n.º 3001000.593 S3C0T1 Fl. 49 2 (fls. 21 a 22), que, em sessão de julgamento realizada em 27.10.2010, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório que homologou parcialmente o Per/Dcomp sob exame. Da síntese dos fatos Como forma de elucidar os fatos ocorridos, adoto, por sua clareza e concisão, a narrativa constante do relatório do acórdão vergastado, ipsis litteris: Relatório Trata o presente de PerDcomp parcialmente homologada, sendo que os créditos glosados tiveram como fundamento que o CNPJ do estabelecimento constava como cancelado. Tempestivamente, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que, conforme documentos juntados, tão somente teria ocorrido erro de preenchimento da DCOMP, no que tange ao número do CNPJ relacionados às fl. 01/02, o que se comprovaria pelas notas fiscais juntadas. Encerrou requerendo a homologação da compensação conforme solicitada inicialmente. Da ementa do acórdão de 1ª instância Sua ementa encontrase vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DCOMP. GLOSA DE CRÉDITOS ERRO DE PREENCHIMENTO. Comprovado o equívoco no preenchimento do número do CNPJ do estabelecimento que emitiu a nota fiscal com o destaque do IPI, e de se reconhecer o direito creditório. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Do "intitulado" recurso voluntário Com a ciência da decisão a quo, o contribuinte interpõe petição, que denominou de recurso voluntário, no qual aduz que: 1 nos termos do voto condutor da decisão tomada pela 2ª Turma da DRJ/RPO, foi acolhida apenas parcialmente a manifestação de inconformidade da ora recorrente, ao se reconhecer ter havido equívoco de preenchimento da Dcomp, objeto da controvérsia que lhe foi submetida; Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10983.914036/200956 Acórdão n.º 3001000.593 S3C0T1 Fl. 50 3 2 ao retornar à DRF/FNS, quando se procedeu às extinções por compensação, houve o lançamento incorreto dos valores postulados entre o saldo de créditos de IPI e o montante da compensação indicada a título de PIS/Pasep, no “extrato do processo", cujo detalhamento do crédito, apontouse a quantia de R$ 34.444,56, para o período de apuração “08/2006"; 3 em consequência de equívoco interpretativo da decisão da DRJ, ou por engano na digitação do campo "multa mora" (S), o débito foi extinto parcialmente por compensação até a quantia de R$ 19.834,29, resultando em um “saldo de principal c/ multa de mora" de R$ 14.610,27; 4 ocorreu erro de fato quanto por parte própria autoridade fiscal, enganando se quando do exame do confronto entre crédito e débito equivalentes, que se pretende extinguir por meio da compensação pretendida; 5 por se tratar de erros de fato, verificáveis com a simples visualização dos documentos constantes dos autos, em que restam evidenciados os tributos e respectivas datas de apuração e vencimento, o equívoco pode ser corrigido a requerimento do contribuinte ou mesmo de oficio pela autoridade fiscal competente, à luz dos artigos 147, § 2º e 149, inciso II, do CTN. Pelo exposto, requer sejam retificados os erros de fato acima apontados quanto ao período de apuração e vencimento do PIS/Pasep objeto da compensação postulada, em face dos respectivos créditos do IPI objeto da PER/Dcomp acima identificada, reformando se os cálculos resultantes da decisão da DRJ/RPO, a fim de que seja admitida integralmente a compensação pretendida, cancelandose o processo de cobrança nº 10983.914427/200971. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O recorrente foi cientificado do acórdão de primeira instância em 20.12.2010, por ocasião do recebimento do Aviso de Recebimento AR (fl. 28). Em 18.01.2011 junta o recurso voluntário, é o que depreendese do carimbo de "Protocolo" (fl. 29). Contudo, não obstante tratarse de petição apresentada tempestivamente, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235, de 1972), conforme a seguir restará demonstrado, não será conhecida. Do juízo de admissibilidade Em síntese, conforme a seguir restará evidenciado, a petição intitulada "recurso voluntário" (fls. 29 a 31) não tem o condão de reabrir a discussão nesta instância de julgamento. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10983.914036/200956 Acórdão n.º 3001000.593 S3C0T1 Fl. 51 4 Arcabouço legal aplicável ao caso sob exame Dispõe a Lei nº 9.784, de 29.01.1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, verbis: (...) Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente admitidos. Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo aplicase à delegação de competência dos órgãos colegiados aos respectivos presidentes. Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I a edição de atos de caráter normativo; II a decisão de recursos administrativos; (grifei) III as matérias de competência exclusiva do órgão ou autoridade. (...) Art. 48. A Administração tem o dever de explicitamente emitir decisão nos processos administrativos e sobre solicitações ou reclamações, em matéria de sua competência. (...) Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifei) I fora do prazo; II perante órgão incompetente; (grifei) III por quem não seja legitimado; (grifei) IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. (grifei) § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. (grifei) Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10983.914036/200956 Acórdão n.º 3001000.593 S3C0T1 Fl. 52 5 Art. 64. O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência. Parágrafo único. Se da aplicação do disposto neste artigo puder decorrer gravame à situação do recorrente, este deverá ser cientificado para que formule suas alegações antes da decisão. (...) Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. (grifei) (...) Dispõe o Decreto n º 70.235, de 06.03.1972, que regula o processo administrativo fiscal, verbis: (...) Art. 24. O preparo do processo compete à autoridade local do órgão encarregado da administração do tributo. Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Vide Decreto nº 2.562, de 1998) (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 2005) (...) II em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10983.914036/200956 Acórdão n.º 3001000.593 S3C0T1 Fl. 53 6 Art. 38. O julgamento em outros órgãos da administração federal farseá de acordo com a legislação própria, ou, na sua falta, conforme dispuser o órgão que administra o tributo. (...) Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (grifei) (...) Dispõe a Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) , verbis: (...) Art. 1º Fica aprovado o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), na forma prevista nos Anexos desta Portaria: (...) Art. 10. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. (...) ANEXO I (...) Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (...) ANEXO II (...) Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10983.914036/200956 Acórdão n.º 3001000.593 S3C0T1 Fl. 54 7 instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º A competência de que trata o caput não se aplica a recurso contra ato proferido na fase de cumprimento dos seus acórdãos. (grifei) (...) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: I Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive quando incidentes na importação de bens e serviços; (...) IV crédito presumido de IPI para ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; (...) Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. (grifei) (...) Breves esclarecimentos A defesa, reclamação ou impugnação deverá ser apresentada por escrito, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data da intimação, in casu, de despacho decisório que homologou parcialmente a compensação declarada. Como é cediço, é com a defesa que se instaura ou que se dá início efetivamente a fase litigiosa do procedimento fiscal. É nela que o contribuinte impugna o ato emanado da autoridade fazendária (auto de infração, notificação de lançamento ou despacho decisório). Na petição da defesa, o impugnante mencionará (Decreto nº 70.235, de 1972, artigo 16): (a) a autoridade julgadora a quem é dirigida (Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento); (b) a qualificação do impugnante (nome, status e domicílio); (c) os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir (as razões fáticas e jurídicas da impugnação); (d) as diligências, ou perícias, que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (as provas que pretende produzir devem ser formuladas na própria exordial); e (e) se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, momento em que deverá juntar cópia da petição judicial. No que concerne ao ônus da impugnação, a matéria que não tiver sido expressamente contestada pelo impugnante será tida por não impugnada e preclusa, podendo ser realizada a sua cobrança executiva de imediato em autos apartados (Decreto nº 70.235, de Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10983.914036/200956 Acórdão n.º 3001000.593 S3C0T1 Fl. 55 8 1972, § 1º do artigo 21): "No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original". A defesa interposta gerará a suspensão do crédito tributário (efeito processual suspensivo), o que impedirá, antes do seu julgamento definitivo, o ajuizamento de eventual ação de execução fiscal. A prova documental, sob pena de preclusão, deverá ser anexada à petição da impugnação, salvo se: (a) ficar demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (b) referirse a fato ou a direito superveniente; ou (c) destinarse a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Nesses três casos supraaludidos, a juntada dos documentos poderá ocorrer a qualquer tempo, mediante requerimento do interessado formulado à autoridade julgadora. A matéria não contestada pelo impugnante será considerada preclusa. Incumbirá à autoridade julgadora de primeira instância (DRJ) determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização das diligências ou perícias necessárias ao julgamento da lide tributária. Deverá indeferir as diligências desnecessárias, inúteis e impraticáveis. A designação para proceder aos exames relativos a diligências ou perícias recairá sobre a pessoa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Encerrada a instrução, o processo será levado a julgamento. O julgamento é atribuição das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Receita Federal, organizados em turmas de julgamento. A decisão, que poderá ser de improcedência, procedência total ou procedência parcial, deverá estar devidamente fundamentada e conterá, sob pena de nulidade: (a) relatório: resumo das principais ocorrências do processo; (b) fundamentação: razões de fato e de direito; e (c) dispositivo: é a conclusão do julgamento (pela procedência, procedência em parte ou pela improcedência da impugnação). Há de se conter, também, na decisão, a ordem de intimação para cumprimento do que foi decidido ou, informação de prazo, para eventual interposição de recurso para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). As inexatidões materiais e os erros de escrita ou de cálculo independerão de recurso e poderão ser retificados, a qualquer tempo, de ofício ou a requerimento do impugnante. Não cabe pedido de reconsideração (nem houve previsão de embargos de declaração para sanar omissões, contradições ou obscuridades) das decisões emanadas da DRJ. Fundamentos desta decisão Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10983.914036/200956 Acórdão n.º 3001000.593 S3C0T1 Fl. 56 9 Compulsando a petição de fls. 29 a 31, já devidamente resumida no relatório supra, percebese, à evidência, que o contribuinte está insurgindose tão somente contra à execução de acórdão de primeira instância, em face de erro de cálculo, por parte da autoridade preparadora, quando da apreciação da respectiva decisão da DRJ/RPO, tanto que assenta que tais equívocos podem ser corrigidos de oficio, a despeito de requerimento próprio, em conformidade com o disposto nos artigos 147, § 2º e 149, inciso II, do CTN. Neste sentido, concretamente, não existe litígio nesse processo, quanto ao direito pleiteado, pois do montante do crédito indicado no PER/Dcomp nº 22518.65092.140906.1.3.012674, no valor de R$ 69.849,02, inicialmente foi reconhecido a importância de R$ 54.333,01, via Despacho Decisório. Insurgindose contra a parcela não reconhecida, o contribuinte teve reconhecida a parcela restante do crédito utilizado, é o que depreendese dos fundamentos do acórdão da DRJ, na medida em que o relator do voto condutor da referida Decisão, após analisar as notas fiscais apresentadas na manifestação de inconformidade e confrontálas com os demonstrativos constantes dos autos, verificou tratarse de mero erro de digitação de CNPJ, conforme havia alegado o contribuinte. Desta feita, não obstante a decisão a quo haver se manifestado sua pela procedência parcial, verdade é que textualmente reconheceu, como já dito, o restante do valor do direito creditório vindicado na compensação dos débitos declarados, não havendo, pois, qualquer parcela de crédito utilizado que não tenha sido objeto de reconhecimento. Portanto, resta concretizado o direito alegado, uma vez que já reconhecido, não havendo qualquer litígio administrativo sobre a existência do direito creditório pleiteado. Neste caso, com supedâneo na legislação processual antes reproduzida, cabe à unidade de origem rever de ofício os cálculos efetuados e procedimentos adotados em função do que restou efetivamente determinado pelo acórdão da primeira instância. Da conclusão Com base em tais considerações, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado, por inepto. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17032.720458/2017-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Numero da decisão: 2002-000.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. A patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 03 2. 72 04 58 /2 01 7- 61 Fl. 55DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 04/07) em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2013 (efls. 16/22), onde se apurou "Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado". O contribuinte ingressou com impugnação ratificando a isenção dos rendimentos e indicando a juntada dos documentos comprobatórios correspondentes (efls. 02/03), a qual foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/FNS por não constar do laudo pericial apresentado o carimbo do serviço oficial e os dados do médico que o emitiu (efls. 27/32). Cientificado do acórdão de impugnação em 02/05/2018 (efls. 35/36), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/05/2018 (efls. 40) reiterando a isenção dos rendimentos e apontando a reapresentação do documento comprobatório contendo o carimbo do médico e o carimbo de identificação do órgão oficial. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Sobre a isenção por moléstia grave, aplicase o disposto no art. 39, XXXI e XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Fl. 56DF CARF MF Processo nº 17032.720458/201761 Acórdão n.º 2002000.490 S2C0T2 Fl. 55 3 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...) § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. § 6º As isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII também se aplicam à complementação de aposentadoria, reforma ou pensão. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção em comento. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o outro está relacionado com a existência de moléstia tipificada no texto legal, comprovada através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso concreto a decisão de piso não acolheu o laudo pericial apresentado na impugnação por não conter o carimbo do serviço oficial e os dados do médico que o emitiu. Não obstante, verificase que o laudo pericial reapresentado no recurso voluntário (efls. 48) possui carimbo com o nome e o CRM do médico emitente e carimbo do Pronto Socorro Municipal (PSM) 21 de julho, ainda que localizado na parte inferior do documento, fora do espaço para ele designado. Dessa forma, restam supridas as pendências apontadas na decisão de piso. Em vista do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 57DF CARF MF 4 Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.721958/2016-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016
CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2402-006.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, afastar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015, 2016 CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, afastar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 19 58 /2 01 6- 35 Fl. 329DF CARF MF 2 Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou improcedente a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Contra a contribuinte foi lavrado auto de infração em 20.05.2016, no valor original e principal de R$ 20.915.526,44 (total) fls. 2/17 para cobrança de multa isolada por compensações indevidas, por meio de declarações apresentadas com falsidade no período de 04/2012 a 03/2016, relativamente às GFIP das competências de 12/2011 a 05/2015. A Fiscalização entendeu que as compensações se deram com falsidade e que o dolo estaria estampado na própria conduta, consoante excerto a seguir: Regularmente intimada, apresentou Impugnação que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ às fls. 258/264. Em seu Recurso Voluntário às fls. 271/283 aduz em síntese: Que o lançamento da multa qualificada é o resultado, única e exclusivamente, da interpretação jurídica da DRJ acerca da impossibilidade formal de compensação de créditos de PIS/COFINS não cumulativos com contribuições previdenciárias. Que a fraude precisa ser concretamente aferida para que se aplique a multa em exame. Que a aplicação indiscriminada da multa punitiva, contraria os ditames da Constituição Federal, violando o direito fundamental de petição aos poderes públicos, o direito ao contraditório e a ampla defesa, a vedação de utilização de tributos com efeito de confisco, além dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, resultando em verdadeira sanção política tendente a inibir a iniciativa dos contribuintes de buscarem junto ao Fisco o ressarcimento de créditos que entendem possuir, utilizandoos em compensação. Que o fato de a recorrente efetuar a compensação de créditos de PIS/COFINS com débitos previdenciários e regularmente solicitar à RFB a sua homologação, não caracteriza evidente intuito de fraude. Que a multa aqui tratada está em duplicidade parcial com a penalidade cobrada no Auto de Infração nº 10410.724723/201514 e no de nº 10410.721476/201685. É o relatório. Voto Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10410.721958/201635 Acórdão n.º 2402006.639 S2C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O contribuinte tomou ciência do acórdão recorrido em 19.05.2017, consoante assenta o despacho de fls. 289, e apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário. Consta dos autos, notícia de ajuizamento de ação anulatória visando desconstituir a multa aqui tratada. Do relatório da Decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento 080231996.2018.4.05.0000, notase o seguinte objeto e razões em litígio (fls. 297/298): Que inexistiria a fraude na compensação, na medida em que haveria divergência de opinião quanto à utilização de créditos de PIS/COFINS para a compensação das contribuições previdenciárias; Que se há a possibilidade de que o fisco, de ofício, promova a compensação, não poderia ser o contribuinte punido se efetuasse tal compensação espontaneamente; e Que a multa possuiria caráter confiscatório. Nesse sentido, a considerar a concomitância de instâncias no que toca aos assuntos e matéria encimados, tenho que o recurso do contribuinte deva ser, parcialmente, conhecido, na parte que não foi levada à apreciação judicial. Prosseguindo. As multas aqui analisadas guardam relação com os débitos resultantes das compensações não homologadas e controlados pelos processo 10410.724723/201514 (período de 01/2015 a 05/2015) e 10410.721476/201685 (período de 12/2011 a 13/2014). Apenas para constar, após consultas ao sistema de localização de processos (COMPROT), pude notar que enquanto o de nº 10410.724723/201514 encontrase na DRJ, o de nº 10410.721476/201685 já foi encaminhado à PGFN, o que me leva a concluir, no que toca a este último, pela definitividade da decisão que não homologou aquelas compensações. Nesse sentido, qualquer argumento que tenda a justificar os encontros de contas promovidos não será no mérito aqui apreciado, eis que seriam estranhos à lide. Com efeito, a questão aqui trazida e que será enfrentada neste voto resumese à procedência ou não da multa isolada em função de declaração apresentada com falsidade, na medida em que, como abordado acima, ao menos parte das compensações foi definitivamente tida por indevida. Apenas para constar: há uma diferença substancial entre declarar compensações inexistentes, reduzindo, indevida e deliberadamente, o valor devido do débito a ser controlado pelos sistemas de cobrança previdenciária e o exercício do direito de PEDIR assegurado constitucionalmente a todos os brasileiros. Enquanto que na primeira o resultado pretendido foi alcançado independentemente do prévio consentimento da administração, na segunda, nada se tem antes da decisão da autoridade que teria sido instada a manifestarse. Fl. 331DF CARF MF 4 Nesse rumo, não vislumbro qualquer restrição e/ou ofensa ao seu direito constitucional de petição. Por derradeiro, quanto à argumentação de que a multa aqui tratada estaria em duplicidade parcial com a penalidade cobrada no Auto de Infração nº 10410.724723/201514 e no de nº 10410.721476/201685, após leitura dos despachos decisórios de nº 480/2015 (fls. 113/123) e nº 094/2016 (fls. 208/219), depreendese que a multa lá exigida, diferentemente da punitiva prevista no § 10 do artigo 89 da Lei 8.212/91, referese àquela de natureza moratória com esteio no § 9º do mesmo dispositivo. Confirase: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ante o exposto, CONHEÇO parcialmente do recurso apresentado para, na parte conhecida, afastar a preliminar e, no mérito, NEGARLHE provimento. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
