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Numero do processo: 16327.720432/2012-30
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. MATÉRIA DEVOLVIDA INSUFICIENTE PARA REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, tal condição não resta atendida quando se constata que a matéria que teve seguimento no despacho de exame de admissibilidade não se mostra suficiente para reformar a decisão recorrida. Recurso não conhecido.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 9101-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à incidência de juros de mora sobre multa de ofício e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada para substituir a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ADMISSIBILIDADE. ART. 67 DO ANEXO II DO RICARF. MATÉRIA DEVOLVIDA INSUFICIENTE PARA REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto para a Câmara Superior de Recursos Fiscais, para ser conhecido, deve demonstrar a divergência de interpretação da legislação tributária entre a decisão recorrida e a paradigma, que pode ter sido proferida por outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Contudo, tal condição não resta atendida quando se constata que a matéria que teve seguimento no despacho de exame de admissibilidade não se mostra suficiente para reformar a decisão recorrida. Recurso não conhecido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os artigos 113, 139 e 161, do CTN, e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à incidência de juros de mora sobre multa de ofício e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 04 32 /2 01 2- 30 Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.097 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada para substituir a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 2643 e segs) interposto pela RUBI HOLDINGS LTDA. em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402001.926 (efls. 2536/2597), pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03/03/2015, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo das matérias A autuação fiscal (efls. 2194/2256) tratou de ganho de capital cuja base de cálculo teria sido eliminada em razão de reavaliação de ativos decorrente de operações societárias que geraram ágio e posteriormente foram desfeitas. Foram lavrados autos de infração de IRPJ e CSLL. A Contribuinte apresentou impugnação (efls. 2259/2323), que foi julgada improcedente (efls. 2361/2382) pela primeira instância (DRJ). Foi interposto pela contribuinte recurso voluntário (efls. 2397/2474). A turma ordinária do CARF decidiu negar provimento ao recurso voluntário (efls. 2536/2597). Foram opostos embargos de declaração (efls. 2605/2617) pela Contribuinte, que foram rejeitados por despacho de admissibilidade de embargos (efls. 2622/2631). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 2643/2706). O despacho de exame de admissibilidade (efls. 3019/3042), ratificado pelo despacho de reexame (efls. 3043/3045), deu seguimento parcial ao recurso para as matérias (1) fundamentos do ágio passível de integração ao valor contábil de um bem e (2) juros de mora sobre multa de ofício. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 3054/3094). A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.098 3 A contribuinte apresentou impugnação (efls. 2259 e segs). A impugnação foi julgada improcedente pela 10ª Turma da DRJ/São Paulo I, nos termos do Acórdão nº 16 46.123 (efls. 2361/2382), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CAPITULAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não prosperam os questionamentos relativos à identificação do sujeito passivo e à capitulação legal do lançamento de ofício, tanto em face da perfeita compreensão de ambas as questões demonstrada pela contribuinte por intermédio da peça de impugnação, quanto à luz do exauriente conjunto probatório trazido pela fiscalização aos autos. ÁGIO FUNDAMENTADO EM PAGAMENTO COM RECURSOS PROVENIENTES DO EXTERIOR. ALEGAÇÕES CONTRADITÓRIAS E DIVERGENTES DAS PROVAS TRAZIDAS AOS AUTOS. Resta improcedente a alegação de que haveria fundamento econômico para ágio oriundo de pagamento efetuado por meio de recursos provenientes do exterior, tendo em vista a falta de comprovação da existência do referido pagamento, bem como em função de argumentos contraditórios da impugnação, que refutam a própria tese defendida pelo sujeito passivo. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SUBSUNÇÃO À HIPÓTESE PREVISTA EM LEI. Não cabe questionar a ocorrência do fato gerador do tributo, ao ser demonstrado pelo Fisco que o caso descrito no lançamento de ofício se subsumiu à situação definida em lei para gerar a obrigação principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.099 4 Anocalendário: 2009 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Foi interposto recurso voluntário (efls. 2397 e segs) pela Contribuinte. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 03/03/2015, decidiu negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão nº 1402001.926 (efls. 2536/2597), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE NORMA VIOLADA. INEXISTÊNCIA. O lançamento se deu pela falta de apuração do ganho de capital na subscrição do capital social da empresa Colombus realizada pela Recorrente. Assim, dentro do contexto da acusação fiscal, o sujeito passivo está corretamente identificado e o enquadramento legal adequadamente definido, não se podendo considerar o lançamento como nulo. GANHO DE CAPITAL. INCLUSÃO DE ÁGIO GERADO ARTIFICIALMENTE NO CUSTO CONTÁBIL. Constatado que as ações utilizadas em subscrição de capital foram transferidas em valor superior ao custo contábil, correta a exigência de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital correspondente. Não integra o valor do bem o ágio artificialmente criado em operações meramente formais e desprovidas de outro propósito negocial que não a própria redução de tributos. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.100 5 incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Foram opostos embargos de declaração pela Contribuinte (efls. 2605/2617), que foram rejeitados pelo despacho de exame de admissibilidade de embargos (efls. 2622/2631). A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 2643/2706), no qual discorre sobre três matérias sobre as quais haveriam interpretações divergentes da legislação tributária. Na primeira matéria, entende que, para fins tributários, o desfazimento de um negócio não teria relevância. O Fisco, ao promover os lançamentos relativos ao ganho de capital não contabilizado, teria considerado que o ágio, utilizado para "inflar" o valor contábil das ações utilizadas pela recorrente na subscrição de capital social da empresa COLUMBUS, não teria fundamento econômico porque o negócio jurídico que lhe deu causa foi posteriormente desfeito, com a saída do Goldman Sachs da parceria com o Bradesco. Com o desfazimento do negócio, a Fiscalização, equivocadamente, teria entendido que não podiam subsistir somente os efeitos fiscais das operações até então praticadas. Na segunda matéria, discorre sobre os fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital. Nesse contexto, aborda questões como a (des)necessidade de fundamento econômico, de propósito negocial ou de independência entre as partes na celebração do negócio que origina o ágio, além da (im)possibilidade de caracterização de um suposto abuso de direito, para dizer que as operações no caso concreto teria sido lícitas e regulares e, por isso, o ágio do investimento teria sido gerado nos termos da legislação tributária. Na terceira matéria, protesta sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 3019/3042) deu seguimento parcial ao recurso para a segunda e terceira matérias. A PGFN apresentou contrarrazões (efls. 3054/3094), pugnando pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 3019/3042) deu seguimento ao recurso especial da Contribuinte, para as matérias (1) fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital, e (2) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Contudo, peço vênia para discordar parcialmente do exame. Entendo que restou demonstrada a divergência na legislação da interpretação tributária entre decisão recorrida e paradigma apenas para a matéria incidência de juros de Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.101 6 mora sobre a multa de ofício, razão pela qual dou seguimento nesta parte, adotando as razões do despacho de exame de admissibilidade. Em relação à matéria "fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital", não há que se falar em divergência na interpretação da legislação tributária, porque, ao se efetuar o cotejo entre decisão recorrida e decisões paradigma, verificase que (1) partem de suportes fáticos distintos e (2) as autuações fiscais não compartilham das mesmas premissas. Os presentes autos tratam de uma situação bastante específica, com várias particularidades. Em brevíssima síntese, trata da negociação entre o Grupo Bradesco (do qual faz parte da Contribuinte, RUBI HOLDINGS), e o Grupo Goldman Sachs (GGS), no qual o Grupo Bradesco alienou uma participação societária de 9,28% da VISANET. Foram empreendidas uma série de arranjos societários entre empresas do Grupo Bradesco e GGS para operacionalizar a aquisição das ações, mas todo o negócio foi desfeito com a devolução ao comprador do dinheiro corrigido por juros. Ocorre que, em razão das operações preparatórias para celebração do negócio, as ações da VISANET detidas pelo Grupo Bradesco foram reavaliadas, com registro de ágio. Posteriormente, em uma IPO, com participação do Grupo Bradesco, as ações ordinárias foram vendidas a valor de mercado. E, em razão do registro do ágio ocorrido nas operações preparatórias para venda das ações para o GGS, o ganho de capital foi neutralizado/diminuído. A Fiscalização contestou o registro do ágio, por entender que as operações que deram ensejo à reavaliação das ações teriam perdido o objeto, em razão do desfazimento do negócio com a GGS, e efetuou lançamento de ganho de capital (art. 418 do RIR/99). A Fiscalização descreve com detalhamento as operações que deram origem à ação fiscal. Esclarece que, na IPO da VISANET, que teve o Grupo Bradesco como participante, ocorreram uma série de operações para o lançamento das ações. O Grupo Bradesco subscreveu o capital social da COLUMBUS HOLDING com ações da VISANET que foram entregues por empresas do grupo, como o BANCO ALVORADA, O BANCO BOAVISTA, ALVORADA CARTÕES, ELBA HOLDINGS e a Contribuinte, RUBI HOLDINGS. Discorre a autoridade fiscal que, apesar das ações no IPO terem sofrido substancial valorização (da ordem de 3.160%, três mil cento e sessenta por cento), não foi apurado ganho de capital, por conta do ágio registrado. A ação fiscal, nesse contexto, direcionouse na apuração da origem das ações da VISANET e do seu custo de aquisição. Ao investigar a evolução do valor das ações, deparouse com a negociação empreendida entre o Grupo Bradesco e a GGS. O GGS efetuaria a aquisição de participação societária de 9,28% da VISANET detida pelo Grupo Bradesco. Para operacionalizar o negócio, o alienante venderia 49,9% da participação da FERRARA (que era controlada pela Contribuinte). O GSS utilizou a empresa do seu grupo, PIRAPETINGA (controlada pela QUIXABA, que era controlada pelo grupo BCI), para a aquisição da participação societária da FERRARA. Com a crise econômica de setembro de 2008, no qual se consumou o pedido de concordata do banco Lehman Brothers, consolidouse cenário adverso, tanto para a GGS quanto para o Grupo Bradesco. Nesse contexto, iniciaramse as tratativas para o desfazimento do negócio. Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.102 7 O desfazimento do negócio incluiu, dentre outras operações, a compra pelo Grupo Bradesco da BCI (que era do GSS e havia comprado a participação societária da VISANET). Assim, o Grupo Bradesco passou a deter o controle da participação da VISANET. Também, passou a controlar o grupo BCI ( que controlava a QUIXABA e a PIRAPETINGA). E, no que concerne ao objeto da autuação fiscal, a Contribuinte (RUBI HOLDINGS), efetuou a aquisição do capital social da QUIXABA, o que permitiu a RUBI HOLDINGS a controlar novamente as ações da VISANET. Na aquisição das ações, foi registrado ágio de R$305.675.950,64. Sobre a operação, discorre a autoridade fiscal (efl. 2226): O saldo da conta 1.3.1.1.2.054 Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda, refletia o ágio contabilizado pela própria Rubi quando da aquisição da empresa Quixaba, conforme foi abordado no item 1.4.1. Reportando ao item 1.4.1 verificamos que apesar da empresa tentar contabilizar a aquisição da Quixaba como uma nova aquisição ela se insere em todo o processo de "desfazimento" do negócio entre os Grupos Goldman Sachs e Bradesco. Em seguida, a Contribuinte (RUBI HOLDINGS), subscreveu o capital da COLUMBUS HOLDINGS com a participação das ações da VISANET, vez que o Grupo Bradesco utilizouse da COLUMBUS HOLDINGS para o IPO da VISANET. E se encontra precisamente na operação de subscrição das ações o ganho de capital auferido pela RUBI HOLDINGS, vez que entendeu a Fiscalização que o valor do ágio de R$305.675.950,64 não poderia integrar a base de cálculo. Transcrevo conclusão do Termo de Verificação Fiscal (efls. 2234/2235): Iremos tratar apenas do ágio de R$ 305.675.950,64, criado dentro da própria Rubi, em 11/12/2008, quando esta adquiriu as cotas do capital social da Quixaba, e que foi denominado como "Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda". (...) Não existia o menor fundamento econômico de atribuirse um ágio para esta aquisição, primeiro porque a Quixaba já pertencia ao Grupo Bradesco e segundo porque o único ativo relevante da Quixaba era a participação na Visanet que na prática estava retornando para o controle indireto da Rubi, ou seja, tratavase de uma recomposição do "Status quo ante" devido ao "desfazimento" de uma venda. Considerar este valor como um ágio legítimo seria equivalente a afirmar que a Rubi pagou um ágio por um ativo que já lhe pertencia, no caso as ações da Visanet. A Rubi acertadamente contabilizou, em 31/12/2008, o valor de R$ 305.675.950,64 a crédito na conta redutora de ativo 1.3.1.1.7.012 Provisão Amortização Ágio Outras Empresas, eliminando do valor contábil da Quixaba os efeitos do ágio. Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.103 8 Entretanto ao subscrever o capital da Columbus, a Rubi atribuiu apenas o valor do ágio ao valor contábil das ações da Visanet. Caso a Rubi tivesse utilizado também o valor da provisão ela eliminaria o ágio e o valor de R$ 305 milhões não seria acrescido ao valor contábil das ações Visanet. (...) Apesar do valor de R$ 305 milhões estar denominado como "Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda" na contabilidade da Rubi e o contribuinte ter a liberdade de atribuí lo ao valor contábil das ações Visanet, o "Ágio Quixaba Empreendimentos e Participações Ltda" não poderia reduzir o valor tributável previsto no artigo 418 do RIR/99, pela falta de essência econômica e ainda pelas seguintes razões: I) Este ágio era fruto dá aquisição da Quixaba, que já pertencia ao Grupo Bradesco e se inseria no processo de "desfazimento" da venda da participação na Visanet; II) Ao se desfazer a venda, este ágio não poderia ser atribuído ao único ativo que era o objeto da venda e que na realidade estava retornado ao controle da Rubi, através da aquisição da Quixaba; III) A avaliação da Visanet feita pela Rubi contrariava as evidências de mercado e da própria operação de venda que foi desfeita; e IV) Na composição deste ágio foram inseridos valores que não tinham a menor relação com o valor das ações da Visanet. Portanto a Rubi subscreveu o capital da Columbus pelo valor de R$ 3.048.063.870,81, entregando ações da Visanet cujo valor contábil, para efeitos tributários, deveria ser composto apenas do seu,valor patrimonial de R$ 113.165.236,66, acrescido do ágio de R$ 2.629.222.683,51, já tributado na redução do capital da Ferrara e da Quixaba, resultando em um valor tributável de ganho de capital de R$ 305.675.950,64. (Grifei) Como se pode observar, a autuação fiscal referese a ganho de capital decorrente da subscrição do capital de empresa holding do Grupo Bradesco (COLUMBUS HOLDING) com participação societária (ações da VISANET) da Contribuinte, investimento (VISA) a ser objeto de IPO. O ganho de capital foi auferido porque se entendeu que não existiria ágio gerado em razão de um negócio celebrado anteriormente envolvendo as mesmas ações da VISANET, no qual o Grupo Bradesco alienaria a participação societária da VISANET a grupo estrangeiro (Goldman Sachs), que ensejou uma série de reestruturações societárias no qual as ações haviam sofrido uma reavaliação, mas que foi desfeito, e as reestruturações do Grupo Bradesco foram "refeitas". O aproveitamento da despesa do ágio ocorre mediante ocorrência de dois eventos: primeiro, quando há uma separação entre o investidor e o investimento, que pode ocorrer quando o investidor aliena a investida, quando, para se apurar o ganho de capital, Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.104 9 considerase na apuração da base de cálculo o valor do sobrepreço contabilizado (art. 33 do DecretoLei nº 1.598, de 1977). Segundo, quando ocorre a comunicação (casamento) dos patrimônios do investidor e investida (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997). O caso dos autos tratam dos dois eventos: a autuação fiscal diz respeito ao ganho de capital que foi neutralizado em razão do aproveitamento do ágio na alienação da participação societária da VISANET, e o surgimento do ágio decorreu do sobrepreço avaliado nas ações da VISANET que surgiu em razão de negócio jurídico que tratou da transferência dessas ações para a GGS e que posteriormente foi desfeito. Ora, não há qualquer comunicação com o suporte fático tratado pelos acórdãos paradigma. Tanto no primeiro quanto no segundo (acórdãos nº 1302001.184 e 1101 00.708, discorrem exclusivamente sobre aproveitamento de despesa de amortização de ágio no evento de comunicação (casamento), ou seja, em operações de aquisição de investimento com sobrepreço seguidas dos eventos de modificação societária (fusão, incorporação ou cisão) previstos nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, no qual se conclui sobre a legitimidade de operações no âmbito de um mesmo grupo econômico, a desnecessidade de desembolso de valores para a licitude da operação e a liberdade para se adotar planejamento tributário. Ambos os acórdãos tratam de operações no qual a autoridade fiscal entendeu terem ocorrido dentro de um mesmo grupo econômico, sendo que no acórdão nº 110100.708 ("caso Gerdau") a reorganização deuse no contexto do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. Na realidade, o que se observa é que a aplicação do entendimento dos paradigmas não seria suficiente para resolver o litígio dos presentes autos. A partir do momento em que o Contribuinte não logrou demonstrar a necessária divergência na interpretação tributária para a primeira matéria (para fins tributários, o desfazimento de um negócio não teria relevância), razão pela qual não foi admitida pelo despacho de exame de admissibilidade, restou consumada a insuficiência recursal. Isso porque a principal motivação da acusação fiscal foi a de que com o desfazimento do negócio entre o Grupo Bradesco e o Grupo Goldman Sachs as reorganizações preparatórias entre as empresas dos grupos que teriam provocado a valorização das ações da VISANET teriam perdido o objeto. E tal matéria não teve o seguimento para exame de mérito. E, como já visto, analisandose os acórdãos paradigma da matéria que foi admitida (fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital), verificase que em nenhum momento trata dos efeitos de desfazimento de operação de compra e venda na reavaliação de investimentos submetidos ao Método de Equivalência Patrimonial. Percebese, com clareza, que a divergência que teve seguimento no despacho de exame de admissibilidade (representada pelos acórdãos paradigma nº 1302001.184 e 1101 00.708) não se mostra suficiente para reformar a decisão recorrida em relação à matéria "fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital". Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.105 10 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Contribuinte em relação à matéria "fundamentos que permitem a criação de um ágio que possa ser integrado ao valor contábil de um bem, para fins de apuração de ganho de capital". Passo ao exame do mérito, para a matéria conhecida "incidência de juros de mora sobre multa de ofício". Sobre o assunto, vale transcrever, inicialmente, o artigo 113, do CTN, que predica que o objeto da obrigação tributária principal é o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) § 2º (...) Por sua vez, o crédito tributário decorre da obrigação principal, conforme o artigo 139 do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. A penalidade pecuniária tem base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, materializada na multa de ofício aplicada sobre o tributo. E, como se pode observar a penalidade pecuniária, decorrente da infração, compõe a obrigação tributária principal e, por conseguinte, integra o crédito tributário. Por sua vez, o CTN, ao discorrer sobre o pagamento, informa que devem incidir juros sobre o crédito tributário não integralmente adimplido no vencimento, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifei) § 1º (...) E a correção estipulada pelo mencionado art. 161, a partir da Lei nº 9.065, de 1995, segue a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, questão já pacificada pela Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 16327.720432/201230 Acórdão n.º 9101003.009 CSRFT1 Fl. 3.106 11 Verificase, assim que tanto tributo quanto a multa de ofício estão sujeitos à atualização prevista no art. 161 do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC. Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer parcialmente o recurso voluntário da Contribuinte para a matéria incidência de juros de mora sobre multa de ofício e, na parte devolvida ao mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 3106DF CARF MF
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Numero do processo: 13956.000073/2003-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 31/10/2002
COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. POSSIBILIDADE.
O art. 151, III, do CTN, redação anterior à Lei n. 10.833/2003, já previa que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário".
A lei nº10.833/2003, não traz hipóteses de suspensão da exigibilidade. Aplicação da interpretação autêntica.
DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. PENDENTE DE DECISÃO FINAL EM PROCESSO DIVERSO. CONEXÃO.
Nos termos do artigo 55,caput, do Código de Processo Civil, Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir.
Numero da decisão: 9303-005.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ARTIGO 151, III DO CTN. POSSIBILIDADE. O art. 151, III, do CTN, redação anterior à Lei n. 10.833/2003, já previa que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". A lei nº10.833/2003, não traz hipóteses de suspensão da exigibilidade. Aplicação da interpretação autêntica. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. PENDENTE DE DECISÃO FINAL EM PROCESSO DIVERSO. CONEXÃO. Nos termos do artigo 55,caput, do Código de Processo Civil, Reputamse conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 00 73 /2 00 3- 13 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 107 2 Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 67 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº256/09, contra ao acórdão nº380200288, proferido pela 2 Turma Especial do Conselho de Contribuintes, que decidiu dar provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a suspensão da exigibilidade dos débitos informados até o julgamento definitivo do processo administrativo nº 13956.000267/200220, momento em que, após juntada por anexação, deve ser realizada eventual compensação dos débitos aqui declarados com saldo de crédito porventura existente após decisão final do processo nº 13956.000267/200220. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do crédito presumido apurado no período em epígrafe, no valor de R$ 606.461,13, a ser utilizado na compensação dos débitos declarados nesse processo e no de nº 13956.000351/2002 43 apensado ao presente. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar referese (sic) crédito presumido de IPI referente ao 4° trimestre de 2001. A DRF em Maringá não homologou a compensação declarada no presente processo sob o fundamento de que inexiste saldo credor para a compensação pretendida, dado o indeferimento do crédito no processo administrativo 13956.000267/200220. Regulamente cientificada da nãohomologação, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando em suma que a homologação da compensação está sob condição resolutiva, que consiste na decisão do processo que deu origem ao crédito. A cobrança do crédito compensado não está de acordo coma (sic) a legislação vigente e contraria o entendimento da doutrina e também da jurisprudência. Acrescentou que a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI está sujeita à reexame pela Delegacia de Julgamento, conforme manifestação de inconformidade protocolada naqueles autos e, por este motivo, ficaria vedado ao Fisco fazer qualquer exigência em relação aos tributos compensados com o crédito objeto do referido processo, uma vez que o litígio regularmente instaurado suspende a exigibilidade dos créditos tributários até decisão final irrecorrivel. Por fim, solicitou a suspensão da exigibilidade dos débitos em questão. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 108 3 A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e indeferiu a solicitação. O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Data do fato gerador: 14/02/2003 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. MESMO CRÉDITO. REUNIÃO. Os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, devem ser reunidos em um único processo administrativo. COMPENSAÇÃO. DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A partir de 31/10/2003, com a edição da MP nº 135 convertida na Lei nº 10.833/03 –, a manifestação de inconformidade e o recurso suspendem a exigibilidade do débito objeto de compensação nãohomologada. Aplicação do princípio tempus regit actum, tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO". Da decisão vergastada, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração suscitando contradição. O Colegiado a quo rejeitou os aclaratórios por entender que inexiste qualquer contradição. Não se conformando com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que não esta correto o acórdão recorrido, pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (30/10/2002) e não a data da intimação do despacho decisório. Para comprovar a divergência jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdão nº 2801 00.431, de 13/04/2010. Em seguida, por ter sido comprova a divergência, o Presidente da 2ºCâmara da 3º Seção do CARF deu seguimento ao recurso. A Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 109 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito se deve ser mantido ou não o indeferimento da compensação em atenção ao princípio do tempus regit actum, cuja data a ser considerada seria ou não do encontro de contas (14/02/2003) ou a data da intimação do despacho decisório. Passo a decidir. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI referente ao 4º Trimestre de 2001. A DRF em Maringá não homologou a compensação declarada no presente processo sob o fundamento de que inexiste saldo credor para a compensação pretendida, dado o indeferimento do crédito no processo administrativo nº 13956.000267/2002 20. Regularmente cientificada da nãohomologação, a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando em suma que a homologação da compensação está sob condição resolutiva, que consiste na decisão do processo que deu origem ao crédito. A cobrança do crédito compensado não está de acordo coma a legislação vigente e contraria o entendimento da doutrina e também da jurisprudência. Acrescentou ainda, que a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento de IPI está sujeita à reexame pela Delegacia de Julgamento, conforme manifestação de inconformidade protocolada naqueles autos e, por este motivo, ficaria vedado ao Fisco fazer qualquer exigência em relação aos tributos compensados com o crédito objeto do referido processo, uma vez que o litígio regularmente instaurado suspende a exigibilidade dos créditos tributários até decisão final irrecorrível. Com efeito, a decisão recorrida deu provimento ao Recurso Voluntário para suspender a exigibilidade do débito objeto de compensação não homologada com fundamento na MP 135/03, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003, data anterior a intimação do despacho decisório. Dispôs ainda, que pelo principio do tempus regit actum, deve ser aplicada a referida lei ao caso concreto tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. Sem embargo, neste processo não se analisa a possibilidade ou não da compensação realizada, posto que tal matéria está sendo tratada no Processo Administrativo n° 13956.000267/200220, já objeto de decisão deste Conselho em sede de recurso voluntário, motivo pelo qual, no processo ora analisado, questionase tãosomente a possibilidade de manterse o seu deslinde independente de ainda não haver decisão administrativa final naquele processo administrativo. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 110 5 Deste modo, questionase a possibilidade de manter o andamento deste processo, no sentido de cobrarse um débito que ainda não está definitivamente constituído, já que ainda não há decisão definitiva no Processo Administrativo n° 13956.000267/200220. Ou seja, o débito que aqui está sendo cobrado decorrerá da decisão naquele processo administrativo. Compulsando aos autos, verifico que o protocolo da Declaração de Compensação se deu em 14/02/2003 (fl. 01) e Contribuinte foi intimada do despacho decisório de não homologação da declaração de compensação em 08/06/2005 (fl. 28). A decisão recorrida entendeu que, a partir de 31/10/2003, com a edição da MP nº 135 convertida na Lei nº 10.833/03 a suspensão da exigibilidade de débito compensado tornouse possível uma vez que a declaração de compensação feita pelo contribuinte passou a ter caráter de confissão de dívida e ser instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Destarte, em que pese a discussão sobre os efeitos da suspensão da exigibilidade do crédito tributário vinculado a pedido de compensação formulado antes da vigência da Lei nº 10.833/2003, que alterou o artigo 74 da lei nº 9.430/96, penso que o pedido de compensação deve ser analisado sob a égide da legislação então vigente, diametralmente oposto do defende a Fazenda Nacional, a qual entende que o pedido de compensação realizado antes da Lei nº 10.833/03, não constitui confissão de divida, razão pela qual o crédito deve ser lançado, não sendo possível suspender a exigibilidade. Neste passo, o artigo 151, III, do Código Tributário Nacional CTN, norma complementar, editada antes da lei nº 10.833/2003, dispõe que:"as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". Quanto a tese de que a declaração de compensação só teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário antes ou partir da Lei n. 10.833/2003, não se sustenta, considerando que os efeitos da suspensão da exigibilidade já estavam garantidas pelo artigo 151, III, do CTN. No que tange a leitura da lei nº10.833/2003, esta ao meu sentir, não traz hipóteses de suspensão, com efeito, da leitura dos dispositivos para melhor técnica deve ser empregada a interpretação autêntica. Neste caso, entendo que não se aplica regra do tempus regit actum, tendo em vista, que à época dos fatos, havia dispositivo legal (artigo 151, III do CTN) que determinava o efeito de suspender à exigibilidade do crédito vinculado a declaração de compensação. Neste mesmo sentido, o STJ no julgamento do AgRg no Recurso Especial nº 1.146.374 PR (2009/01219748) decidiu que o pedido de compensação na esfera administrativa, mesmo anteriormente à nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tributário porque enquanto pendente discussão administrativa. In verbis: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 111 6 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COMPENSAÇÃO. RECURSO ADMINISTRATIVO. CAUSA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, NOS TERMOS DO ART. 151, III, DO CTN. NÃO INFLUÊNCIA DA LEI N. 10.833/2003, QUE ALTEROU O ART. 74 DA LEI N. 9.430/1996. 1. Caso em que se discute a atribuição do efeito de suspensão da exigibilidade do crédito tributário ao pedido de compensação formulado antes da vigência da Lei n. 10.833/2003, que alterou o art. 74 da Lei n. 9.430/1996. 2. Agravo regimental no qual se sustenta que "o pedido de compensação, bem como a manifestação contra não homologação do mesmo, devem ser analisados à luz da legislação então vigente", razão pela qual defendese que o pedido de compensação, realizado antes da Lei n. 10.833/2003, não é causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 3. O art. 151, III, do CTN, cuja redação é bem anterior à Lei n. 10.833/2003, já previa que "as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário". 4. Conquanto não se desconheça as controvérsias jurisprudenciais sobre a matéria, não se pode entender como razoável a interpretação dada pela Fazenda Nacional de que o pedido de compensação só teria o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário a partir da Lei n. 10.833/2003, uma vez que esse efeito já estava previsto no art. 151, III, do CTN. 5. A Lei n. 10.833/2003 não traz nova hipótese de suspensão, mas tão somente dita, previamente, a interpretação que deve ser feita da lei. É a chamada interpretação autêntica. 6. Assim, no caso, não se está diante da hipótese da regra do tempus regit actum, pois, à época, já havia disposição legal que respaldava a atribuição do efeito de suspender à exigibilidade do crédito tributário ao pedido de compensação. 7. O STJ já enfrentou o tema e decidiu que "o pedido de compensação na esfera administrativa, mesmo anteriormente à nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tributário porque enquanto pendente discussão administrativa, a dívida carece de certeza (existência) e exigibilidade" (REsp 972.531/AL, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 6/10/2009, DJe 27/11/2009). 8. Agravo regimental não provido. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 9303005.547 CSRFT3 Fl. 112 7 Nestes termos, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, reconheço a suspensão da exigibilidade dos débitos informados até o julgamento definitivo do Recurso Especial, processo nº 13956.000267/200220, por se tratar de matéria conexa, nos termos do artigo 55, do Código de Processo Civil, devendo ser compensado os débitos declarados do presente processo com saldo de crédito existente após decisão final do processo nº 13956.000267/200220. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.911740/2011-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF é preclusa, não devendo ser conhecida.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. IMPUTAÇÃO. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE FISCAL.
Escapa à competência do CARF a imputação de responsabilidade aos sócios pelo crédito constituído sem sua menção no auto de infração.
DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP.
O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em impugnação, de modo que sua colocação na peça recursal dirigida ao CARF é preclusa, não devendo ser conhecida. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. IMPUTAÇÃO. COMPETÊNCIA. AUTORIDADE FISCAL. Escapa à competência do CARF a imputação de responsabilidade aos sócios pelo crédito constituído sem sua menção no auto de infração. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 91 17 40 /2 01 1- 21 Fl. 385DF CARF MF 2 Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belém/PA, que declarou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte contra Despacho Decisório nº 1040/2012, fls. 205/217. Tal Despacho indeferiu o Pedido de Ressarcimento do IPI nº 25066.97115.300108.1.1.013476, formalizado em 30 de janeiro de 2008, solicitando o valor total de R$ 79.813,24 referente ao 4º trimestre de 2007, e não homologou a Declaração de Compensação (Dcomp) n. 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.01 5223 e 02882.73542.190208.1.3.014370. Por bem consolidar os fatos que deram ensejo ao presente processo, bem como os argumentos trazidos pela Contribuinte em sede de manifestação de inconformidade, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do Acórdão da DRJ in verbis: Segundo a Unidade de origem, no curso de Ação Fiscal, foi detectado que o sujeito passivo não era contribuinte do IPI e que intimada, foi incapaz de demonstrar o crédito pleiteado. Concluiu o SEFIS/DRF/GOI: “que a Interessada valeuse dos PERDcomp para, mediante declaração falsa de ser possuidora de crédito de IPI, pleitear o ressarcimento do crédito e utilizálo em compensações de tributos, de modo a reduzir indevidamente suas obrigações tributárias”. Cientificada do despacho decisório em 24 de julho de 2012, AR à fl. 227, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, fls. 230/313, em 23 de agosto de 2012, na qual esclarece sobre os sócios administradores à época: “a autuação da pessoa jurídica deve ser lavrada em litisconsórcio com seus sócios administradores à época dos atos fraudulentos, que assinavam em conjunto e eram pessoalmente responsáveis pelos atos cometidos com excesso de poderes e contra a lei, nominadamente CAIRO ROBERTO GOMES, (...) e LUIZ VIEIRA DA PAIXÃO (...). ”Isto porque caso não sejam chamados a se defender no processo administrativo, a cobrança voltada contra si é nula por cerceamento de defesa. Além do que é inconstitucional o prosseguimento da perseguição apenas da pessoa jurídica que, apesar de,ser o contribuinte legal e, em última instância, sempre será obrigada perante a Fazenda, é, antes de tudo, um ser inanimado, que é incapaz de cometer fraude” (...) Verificase dos instrumentos contratuais juntados que, desde sua criação até o registro da 6a Alteração, em 05/12/2011, perante a Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10120.911740/201121 Acórdão n.º 3402004.318 S3C4T2 Fl. 112 3 JUCEG, os sócios DR. CAIRO ROBERTO GOMES e DR. LUIZ VIEIRA DA PAIXÃO era administradores da empresa, sendo o último, inclusive, o sócio responsável perante esta Receita Federal. Assim, durante todo o período em que geradas as Perdcomp e suas retificadoras, as ordens eram dadas por ambos, os únicos responsáveis pela aquisição e utilização de créditos ilegais e, pior, ao que tudo indica, sequer existentes. Como o contribuinte explicou exaustivamente nas respostas às Notificações enviadas ao longo do procedimento de fiscalização, NÃO teve acesso à qualquer documento além dos que lhe foi possível juntar, quais sejam recibos passados pelo contador da época SR. MÁRCIO ADRIANO e o seu contrato de prestação de serviços com a empresa. O fato é que a atual administração vem empreendendo todos os esforços necessários, principalmente em relação aos débitos que a empresa tinha em aberto com o Fisco, realizando todos os procedimentos de adesão ao Parcelamento da Lei n. 11.941 até o seu final, quitando todos os valores e regularizando o cumprimento de todas as obrigações, sejam principais ou acessórias. No entanto, o que foi feito antes, pela administração anterior, não pode ser imputado a ninguém mais do que os próprios administradores. De modo que, ainda que a empresa seja responsável pelo tributo e pelas multas e consectários, fato é que seus administradores são coresponsáveis uma vez que foi deles que partiu a ordem para compra e para lançamento dos créditos indevidos de IPI utilizados nas indigitadas Perdcomp. À respeito dos débitos efetivamente compensados – não homologados: Também, é forçoso verificar que o Dcomp 4370 é uma retificação do primeiro Dcomp 0050. na medida em que apenas repetem os tributos já lançados com algumas mínimas alterações, e o Dcomp 5223 é o pedido de compensação de um outro Ressarcimento diferente, o Per n. 27344.45383.110208.1.1.019033. Sobre débitos já compensados em PER/Dcomps anteriores: Ora, como o tributo é ex lege e seu fato gerador só acontece uma vez, senão se trata de novo crédito tributário, de outra competência, cada vez que se pretendia compensar o mesmo tributo mais de uma vez, agia em duplicidade que tornava inexistente nova compensação. E, no caso em epígrafe verificase que tal ocorreu de três formas diferentes, ainda. A primeira na repetição dos lançamentos em dois Dcomp sucessivos para o mesmo ressarcimento, em clara retificação mas sem informar tal situação na transmissão dos arquivos; a segunda, na repetição da tentativa de compensação dos mesmos tributos já compensados no PAT n.10120.911738/201152, quais sejam PIS, COFINS, INSS e Fl. 387DF CARF MF 4 IRRF de maio à junho de 2007, inclusive já constituídos de ofício pela não homologação daquela compensação, de modo que é impossível que sejam constituídos novamente aqui neste processo; e, a terceira, na repetição da compensação em outro Dcomp completamente alheio ao Pedido de Ressarcimento em epígrafe, inclusive já tendo ocorrido a homologação tácita. referente à compensação dos tributos PIS e COFINS do mês de abril de 2007, no Dcomp 11349.38930.260607.1.3.020080. Ainda, é inescapável, Ilustre Julgador, que o Dcomp 20354.91514.110208.1.3.015223 NÃO É COMPENSAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO AQUI LANÇADO. Não podendo ser simplesmente "incluído no pacote". Mas, pior que isso, ele compensa de novo INSS já lançado no Dcomp 4370 e, pior ainda, já parcelado na Lei n. 1 1 .941/09 através do Debcad 37.180.761 1, todos os documentos juntados. Juntase, igualmente, o Despacho n.1.038/2012 e o Dcomp lá constituído, onde comprovase que já foram lançados lá as competências relativas aos meses de abril à junho/2007. Além disso, a competência de abril dos tributos PIS, COFINS e CSLL já foram definitivamente compensadas pela homologação tácita do Dcomp 11349.38930.260607.1.3.020080, que compensou CSLL, PIS, COFINS e IRestimativa de abril de 2007. A respeito do INSS empregador: Quanto ao INSS da competência de janeiro de 2008, citada no Dcomp 02882.73542.190208.1.3.014370 e, de novo, no Dcomp 20354.91514.110208.1.3.015223, é forçoso verificar que foi parcelado na Lei n. 1 1 .941/09, sob o Debcad 37.180.7638, que lançou o INSS empregador do período de 02/2007 à 02/2008, recibo e PAT correspondentes juntados. Com relação aos PER/Dcomp 35066.97115.300108.1.1.013476, e ressarcimento e os Perdcomp 19410.89459.300108.1.3.01 0050; 20354.91514.110208.1.3.01 5223 e 02882.73542.190208.1.3.014370 informa que foram indevidamente extintos sob condição resolutória os PA 08 à 12/2007 e 01/2008, PIS; 11 e 12/2007, IRRF e PA 08 à 12/2007 e 01/2008, COFINS. Requer por fim, que: “Por todo o exposto e provado, PUGNASE SEJA FEITA A REVISÃO do Lançamento para: 1) incluir os sócios administradores da época no pólo passivo, e, 2) corrigir o valor do lançamento em face da demonstração do valor indevidamente compensado.” Em julgamento datado de 12 de agosto de 2014, a DRJ Belém/PA negou provimento manifestação de inconformidade do Contribuinte (Acórdão 0129.783), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10120.911740/201121 Acórdão n.º 3402004.318 S3C4T2 Fl. 113 5 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS. Escapa à competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da responsabilidade dos sócios pelo crédito constituído. DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o Contribuinte recorre a este Conselho, repisando os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. É o relatório Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz O Recurso Voluntário é tempestivo, o patrono encontrase regularmente constituído nos autos e a matéria está inserta na esfera de competências 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), assim dele tomo conhecimento. Como se depreende do relato acima, a Recorrente não se insurge contra o entendimento da Fiscalização sobre ser indevido o crédito que embasou os PER/DCOMP 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.014370 ora sob análise. A discussão, isto sim, resumese a problemas apontados nos débitos ali declarados, quais sejam: i) são débitos em duplicidade em relação a outras DCOMPs, algumas homologadas e outras não; ii) alguns outros débitos foram objeto de parcelamento tributário; ou iii) tratase de débito referente a multas e juros simplesmente inexistentes, uma vez que não ocorreram lançamentos de ofício referente aos período a que tais imposições seriam correlatas. Lembremos que, de acordo com a legislação fiscal, tais débitos são considerados como objeto de confissão pelo Contribuinte. A este respeito, o CARF já se manifestou no sentido de que "dado o caráter de confissão de dívida dos débitos constantes da DCOMP, deve a autoridade julgadora apreciar as alegações pertinentes aos créditos e débitos compensados, cancelandose eventual exigência indevida por erro de fato contido na Declaração de Compensação." (Acórdão n. 180300.530, Processo n. 10768.100181/200314). Pois bem. Analisando a documentação trazida aos autos, e os pontos de inconformidade apontados pela Recorrente, entendo que mesmo sem os livros e demais Fl. 389DF CARF MF 6 documentos fiscais/contábeis que a Recorrente alega não mais possuir justamente porque extraviados durante a mágestão dos diretores que pretenderam efetuar as compensações com créditos tributário indevidos , é possível uma análise das alegações trazidas pela conferência dos débitos constantes desse Processo com aquel'outros apontados pela Recorrente, além de um levantamento dos débitos constantes do Parcelamento com a Receita Federal contratado pela Recorrente. Assim, para o deslinde do litígio aqui instaurado, entendo ser necessário converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, para que a autoridade fiscal de origem elabore relatório conclusivo a respeito: i) da existência de débitos (mesmos períodos de apuração, mesmo tributo e mesmos valores) informados em duplicidade, por serem objeto repetidamente dos PER/DCOMP de n. 08779.03885.100807.1.3.015207, 18368.12432.080507.1.2.021260, 11349.38930.260607.1.3.020080 e 00706.98149.260607.1.3.027071, 20585.48289.260607.1.3.029830, 13458.07181.131107.1.3.011091, 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.014370, 35066.97115.300108.1.1.013476 destacando estarem os débitos duplicados já extintos ou não por homologação das compensações; ii) a existência de débitos (mesmos períodos de apuração, mesmo tributo e mesmos valores) declarados nos PER/DCOMP 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.014370 que estejam sendo adimplidos por meio de parcelamento tributário (Lei n. 11.941/2009), destacando estarem os débitos já extintos pela adimplemento do programa de parcelamento ou não; iii) a existência de débitos declarados nos PER/DCOMP 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.0143707 que sejam decorrentes de multas ou juros inexistentes, uma vez que o período ao qual fazem referência nunca foi objeto da lavratura de lançamento de ofício; iv) caso confirmados os valores em duplicidade, parcelados ou indevidos (itens i, ii e iii acima), requerse que a Autoridade Fiscal de origem especifique o débito tributário que deve permanecer nestes autos como declarados pela Recorrente nos PER/DCOMP 19410.89459.300108.1.3.010050, 20354.91514.110208.1.3.015223 e 02882.73542.190208.1.3.0143701; v) finalmente, uma vez juntado o relatório conclusivo da fiscalização, seja aberta vista à Recorrente para, querendo, manifestarse sobre seu conteúdo. Contudo, restei vencida por voto de qualidade na citada proposta da conversão do julgamento em diligência, em sessão de julgamento de 27 de junho de 2017. A Turma de Julgamento entendeu que não cabe em processo derivado de compensação a análise dos débitos nele constantes, mas tão somente dos créditos. Assim, caso de fato haja débitos cobrados de forma equivocada, infelizmente deverá a Recorrente se submeter ao caminho da repetição do indébito para ver garantido seu direito. Passo ao julgamento do mérito do processo. 1. Sobre o pretendido litisconsórcio com seus sócios administradores Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10120.911740/201121 Acórdão n.º 3402004.318 S3C4T2 Fl. 114 7 O lançamento tributário é ato administrativo de competência da autoridade fiscalizadora, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), com relação a todos os elementos que fazem parte da relação jurídica tributária, dentre eles a sujeição passiva. Dessarte, seja no que tange ao contribuinte propriamente dito (quem pratica o fato gerador do tributo, no caso, a Recorrente artigo 121, inciso I do CTN), seja sobre eventuais responsáveis (no caso, eventualmente, os sócios administradores artigo 121, inciso II do CTN), sua inserção como sujeito passivo da obrigação tributária em lançamento de ofício é função da autoridade fiscal (o que é chamado pela Recorrente de litisconsórcio e chamamento do processo, valendose de figuras processuais constante do Código de Processo Civil, mas inexistentes no processo administrativo fiscal), e não das instância de julgamento do processo administrativo fiscal, a quem incumbe julgar as impugnações, manifestações de inconformidade e recursos voluntários, conforme dispõe o Decreto 70.235/72. É nesse sentido que tornase impossível acolher a pretensão da Recorrente sobre a atribuição da responsabilidade tributária às pessoas físicas responsáveis pelos atos que deram ensejo aos presentes processos administrativos. Juridicamente, quem efetuou as compensações mediante a utilização de créditos inexistentes foi a pessoa jurídica, sendo impossível o seu afastamento do processo administrativo. 2. Da Homologação Tácita Como bem colocado pela decisão recorrida, sobre a argumentação que PER/Dcomps 18368.12432.080507.1.2.021260, 11349.38930.260607.1.3.020080 e 00706.98149.260607.1.3.027071, estariam homologados tacitamente, não é cabível a sua apreciação, à medida que os citados PER/Dcomps não estão incluídos no despacho decisório nº 1038/2012, objeto do litígio deste processo. Não é necessário tecer maiores esclarecimento de que não pode este Colegiado se manifestar sobre algo que não faz parte do processo administrativo. 3. Dos demais valores Como destacado acima, a Recorrente não contesta o fato de os créditos de IPI pretendidos neste processo são de fato inexistentes. Assim, aquiesce com a fiscalização que não homologou as compensações nesse ponto. Tratase, portanto, de questão preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, tendo essa turma de julgamento decidido por voto de qualidade questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a verificação dos apontados erros relativos aos débitos que constam das compensações, não resta o que fazer nesse processo se não reconhecer que as compensações pretendidas não podem ser validadas, pois não há crédito para fazer frente aos débitos nelas apontados. Débitos esses que foram confessados, haja vista a regra contida no artigo 74, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, “a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensado." 4. Dispositivo Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário. Fl. 391DF CARF MF 8 Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17613.721009/2015-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DOENÇA GRAVE. ISENÇÃO. DATA DE INÍCIO.
A isenção do imposto de renda pessoa física decorrente de doença grave aplica-se aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial.
Numero da decisão: 2401-005.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para reconhecer a isenção a partir da competência 05/10. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier- Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ISENÇÃO. DATA DE INÍCIO. A isenção do imposto de renda pessoa física decorrente de doença grave aplicase aos rendimentos recebidos a partir do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão ou da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 10 09 /2 01 5- 37 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 17613.721009/201537 Acórdão n.º 2401005.089 S2C4T1 Fl. 82 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para reconhecer a isenção a partir da competência 05/10. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 17613.721009/201537 Acórdão n.º 2401005.089 S2C4T1 Fl. 83 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 61/77) interposto em face do Acórdão nº. 1671.774 (fls. 52/57), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, o beneficiário do rendimento deverá comprovar, além de seus rendimentos serem oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, ser portador da moléstia grave constante do rol elencado no inciso acima citado, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O presente processo originase de notificação de lançamento (fls. 40/41) para exigência do Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, sobre as seguintes infrações apontadas pela autoridade fiscal: omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 16.360,55, decorrentes de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave pela não comprovação da moléstia, uma vez que a doença grave deve ser comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do DF ou dos Municípios. Não consta do laudo pericial apresentado, o carimbo de identificação do serviço médico oficial e os dados de identificação do médico que o autorizam a se manifestar em nome do Órgão Público. Fonte pagadora: Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. Apresentada a sua impugnação, esta foi julgada improcedente, nos termos do acórdão cuja ementa foi acima reproduzida. Intimado do referido acórdão em 15/04/2016 (fl. 60), o recorrente apresentou seu recurso voluntário (fl. 61/77) tempestivamente em 06/05/2016, onde alega, em síntese: a) nos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012 declarou o imposto sobre a renda de pessoa física e, em virtude do montante a pagar, o que o fez incluir os débitos em parcelamento, cujo processo é o de nº. 10783.402675/1225; Fl. 83DF CARF MF Processo nº 17613.721009/201537 Acórdão n.º 2401005.089 S2C4T1 Fl. 84 4 b) no ano de 2014, com base em diagnóstico de 2011, que reconheceu ser portador de neoplasia maligna, retificou suas declarações de IR relativas aos anos de 2011, 2012 e 2013, apresentando a documentação comprobatória por ser portador da moléstia grave alegada; c) em decorrência das retificações, ao invés de possui saldo de imposto a pagar, passou a ter saldo de imposto a restituir; d) intimado para comprovar sua condição de portador de moléstia grave, no ano de 2015, juntou os documentos que comprovavam tal condição; e) cumpre os requisitos necessários à isenção do imposto de renda: obter rendimentos de aposentadoria e ser portador de doença grave, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº. 7.713/88; f) informa que ainda que caso não se reconheça o seu direito à isenção, o imposto aqui lançado já vem sendo pago por meio do Parcelamento nº. 10783402675/1225, portanto não deveria ser mais exigido; É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 17613.721009/201537 Acórdão n.º 2401005.089 S2C4T1 Fl. 85 5 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Mérito O recorrente alega ser isento do Imposto de Renda Pessoa Física por atender aos dois requisitos cumulativos necessários, quais sejam ter como rendimento aposentadoria e ser portador de moléstia grave. Conforme extraise do art. 6°, inciso XIV da Lei 7.713/88, os proventos recebidos de aposentadoria por portadores de moléstia grave devem ser isentos do tributo ora discutido, verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O contribuinte juntou aos autos os seguintes documentos: a) Comprovante de rendimentos pagos a título de aposentadoria por tempo de contribuição. Ano base 2010 fl. 17; b) Receituário médico SUS fl. 9, datado de 17/06/2010; c) Atestado médico relatando a realização de cirurgia prostatectomia, em 01/07/2010, datado de 26/05/2011 fl. 10; d) Relatório de consulta, datado de 12/05/2010 fl. 11; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 17613.721009/201537 Acórdão n.º 2401005.089 S2C4T1 Fl. 86 6 e) Biópsia de próstata, datada de 17/12/2009 fsl. 12/13; f) Relatório de Exame Histopatológico, datado de 07/07/2010 fls. 14/15; g) Laudo Médico Pericial do INSS, datado de 03/05/2010, reconhecendo a neoplasia maligna, com validade até 03/05/2015 fl 79; Portanto, verificase que o contribuinte é portador neoplasia maligna desde o anocalendário de 2009, tendo sido atestado e acompanhado por profissionais especializados da rede particular de saúde, resultando no Laudo Médico Pericial do INSS que concluiu que em 03/05/2010 o contribuinte era portador de neoplasia maligna; Ainda, foram juntados Comprovantes de Pagamento que demonstram de forma cabal a auferição de proventos de aposentadoria pelo recorrente, conforme os extratos de fls. 17, que atestam ser o ora recorrente aposentado no anocalendário de 2010. Assim, estando comprovados o cumprimento dos requisitos cumulativos para a obtenção da isenção dos proventos de aposentadoria, deve ser dado provimento ao recurso voluntário do recorrente, para o fim de reconhecer o seu direito à isenção do imposto sobre a renda de pessoa física incidentes sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria no anocalendário de 2010.. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 86DF CARF MF Processo nº 17613.721009/201537 Acórdão n.º 2401005.089 S2C4T1 Fl. 87 7 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Redatora Designada Com a maxima venia, divirjo do I.Relator quanto ao reconhecimento da isenção para os rendimentos auferidos pelo sujeito passivo nos meses de janeiro a abril de 2010. A legislação de regência exige que, para efeito do reconhecimento da isenção dos proventos de aposentadoria, deve restar comprovado que o contribuinte é portador de moléstia grave prevista em lei e que a enfermidade deve estar devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, e artigo 30 da Lei nº 9.250, de 1995). No caso, o laudo médico emitido por serviço médico oficial aponta que o contribuinte é portador de moléstia grave desde 3/5/2010 (fl.79). Assim, somente a partir da data indicada é que cabe o reconhecimento da isenção. Cabe registrar que, no caso do IRPF, estamos diante de um fato gerador complexivo, com duas modalidades de incidência no mesmo período de apuração, em momentos distintos (artigo 2º da Lei nº 8.134, de 1990). Em um primeiro momento, a retenção e/ou recolhimento do imposto de renda constitui antecipação do imposto efetivamente devido, sendo calculado mensalmente, à medida que os rendimentos forem percebidos. Em um segundo momento, é feito o acerto definitivo para cálculo do montante do imposto devido na declaração de ajuste anual. Assim, no momento do recebimento, os rendimentos auferidos pelo sujeito passivo nos meses de janeiro a abril não estão abarcados pelo laudo apresentado e, consequentemente, estão sujeitos à tributação do IRPF. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, reconhecendo a isenção dos rendimentos recebidos pelo contribuinte a partir de maio de 2010 e mantendo a tributação dos rendimentos recebidos de janeiro a abril de 2010. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000365/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
INTEMPESTIVIDADE
Constando do processo a decisão que se pretende embargar, conta-se o prazo para interposição de tal expediente, a partir do dia seguinte a concessão de vistas ao interessado. Embargos apresentados fora do prazo previsto no art. 65, §§ 1º, inciso II, 3º e 7º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 'RICARF não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 2402-005.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 INTEMPESTIVIDADE Constando do processo a decisão que se pretende embargar, conta-se o prazo para interposição de tal expediente, a partir do dia seguinte a concessão de vistas ao interessado. Embargos apresentados fora do prazo previsto no art. 65, §§ 1º, inciso II, 3º e 7º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 'RICARF não deve ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
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LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 INTEMPESTIVIDADE Constando do processo a decisão que se pretende embargar, contase o prazo para interposição de tal expediente, a partir do dia seguinte a concessão de vistas ao interessado. Embargos apresentados fora do prazo previsto no art. 65, §§ 1º, inciso II, 3º e 7º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais 'RICARF não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 65 /2 00 7- 32 Fl. 1012DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente), Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luiz Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Bianca Felícia Rothschild e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2402005.925 S2C4T2 Fl. 1.013 3 Relatório Após análise do mesmo, resolvemos adotar o relatório da análise de admissibilidade, uma vez que define adequadamente os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até então, em especial quanto as alegações opostas pelo embargante nos termos seguintes: "Tratase de embargos opostos, tempestivamente, pelo HOSPITAL SÃO LUCAS DE TAUBATÉ/SC LTDA., contra o acórdão 2301 002.274, de 24 de agosto de 2011. Após decisão, os autos foram remetidos ao Procurador Representante da Fazenda Nacional para ciência do acórdão, momento em que interpôs recurso especial, o qual foi acolhido. Posteriormente foi proferido despacho para encaminhamento dos autos ao contribuinte para que este tomasse ciência do Acórdão do Recurso Voluntário, do Recurso Especial interposto pela Fazenda e do Despacho de admissibilidade do recurso. 2. Na decisão recorrida, o pedido foi julgado parcialmente procedente, tendo sido mantida a aplicação da decadência nos termos do artigo 173, inciso I do CTN, e a desconsideração da relação jurídica no que se refere às atividades de coordenador de setor e do conselho interdepartamental. 3. Aduz a embargante, em síntese, que o v. Acórdão é omisso quanto à decadência e que se contradiz ao manter a relação jurídica quanto à alguns trabalhadores e desconsiderar quanto aos que exercem as atividades de coordenador de setor e do conselho interdepartamental, tendo em vista que essas prestam serviços exatamente iguais, e nas mesmas condições que os outros. 4. Alega, ainda, a existência de obscuridade e contradição quanto aos motivos que ensejaram a desconsideração da relação jurídica das atividades de coordenador de setor e do conselho interdepartamental. 5. Por fim, a embargante solicita que os embargos sejam recebidos e, conseqüentemente, sejam supridas a omissão, a obscuridade e a contradição apontadas. 6. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015 (DOU10/06/2015), a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria Fl. 1014DF CARF MF 4 se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: "Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar se a turma." 7. Contudo, quanto à alegação de omissão, não se vislumbrou acerto na tese aduzida pela embargante, uma vez que a matéria foi amplamente exaurida no v. acórdão, o que demonstra patente busca da embargante em rediscutir matéria já definida na decisão. 8. No que se refere à contradição e à obscuridade alegada, entendo que assiste razão aos argumentos trazidos pela embargante. 9. Em razão do exposto, entendo que devam ser acolhidos parcialmente os embargos opostos para análise da matéria apontada como obscura e contraditória, já que, neste particular, foram preenchidos os requisitos ou pressupostos estabelecidos no art. 65 do RICARF. À consideração do Senhor Presidente da 2ª TO para conhecimento e providências." Cumpre registrar que consta dos autos recurso especial interposto pela PGFN (pág 935). Cabe registrar que os embargos foram interpostos em 30 de março de 2015 (fls. 732), sendo a decisão embargada datada de 24 de agosto de 2011, existindo pedido de vistas realizado por advogado com mandato regular (fls 885) com comprovante de pagamento de darf devidamente juntado (fls 956) e recibo de vistas em 20 de dezembro de 2013 (fls 958). É o relatório. Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 16045.000365/200732 Acórdão n.º 2402005.925 S2C4T2 Fl. 1.014 5 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1 Juízo de Admissibilidade No tocante à tempestividade dos embargos declaratórios, o recorrente tomou ciência do acórdão do recurso voluntário em 20/12/2013 (fls 958), através de pedido de vistas realizado por advogado com poderes para tal conforme procuração de fls 885, tendo interposto embargos apenas em 30 de março de 2015, portanto, em prazo bem superior ao regimental para sua interposição. O despacho de admissibilidade deixou de tratar do tema, tão pouco o Embargante tratou da tempestividade com indicação de razões que levassem a suspensão do termo a quo para fruição do prazo de interposição dos Embargos. De certo, o mesmo teve vistas dos autos contendo a decisão ora embargada e, passados quase dois anos, resolve interpor recurso, sendo, em nosso sentir, momento intempestivo para tal. Conclusão Por todo exposto voto por não conhecer dos embargos, dada sua intempestividade. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 1016DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.016523/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000.
Tratando-se de negociação através de comissão de empregados, a efetiva participação de representante do sindicato nas deliberações, inclusive com direito a voto, é requisito essencial para a legitimidade dos termos acordados.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR.
Tratando-se de previdência complementar por entidade fechada, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. Não se considera disponível a todos, quando a empresa se nega a realizar aportes a alguns de seus segurados, especialmente em razão da faixa salarial.
PREVIDENCIÁRIO. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 14/2009.
Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB 14/2009.
Numero da decisão: 2301-005.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: I) quanto ao levantamento Previdência Privada: por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; II) quanto ao levantamento Participação nos Lucros e Resultados: a) por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a inexistência de instrumento de acordo; b) por maioria de votos, dar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a assinatura do instrumento de acordo no final do período de apuração, vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo; c) por voto de qualidade, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada: falta de participação do sindicato, restrição ao poder de voto do sindicato e existência de fórmula pré-estabelecida, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; III) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Jorge Henrique Backes; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal. Designado para redigir o voto vencedor em relação à Previdência Privada e Participação nos Lucros (participação do sindicato, restrição de poder de voto dos sindicatos e existência de fórmula pré-estabelecida), o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, e quanto à retroatividade benigna a conselheira Andrea Brose Adolfo.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício e Redatora
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Tratando-se de negociação através de comissão de empregados, a efetiva participação de representante do sindicato nas deliberações, inclusive com direito a voto, é requisito essencial para a legitimidade dos termos acordados. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Tratando-se de previdência complementar por entidade fechada, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. Não se considera disponível a todos, quando a empresa se nega a realizar aportes a alguns de seus segurados, especialmente em razão da faixa salarial. PREVIDENCIÁRIO. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 14/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplica-se a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB 14/2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: I) quanto ao levantamento Previdência Privada: por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; II) quanto ao levantamento Participação nos Lucros e Resultados: a) por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a inexistência de instrumento de acordo; b) por maioria de votos, dar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a assinatura do instrumento de acordo no final do período de apuração, vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo; c) por voto de qualidade, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada: falta de participação do sindicato, restrição ao poder de voto do sindicato e existência de fórmula pré-estabelecida, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; III) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Jorge Henrique Backes; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal. Designado para redigir o voto vencedor em relação à Previdência Privada e Participação nos Lucros (participação do sindicato, restrição de poder de voto dos sindicatos e existência de fórmula pré-estabelecida), o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, e quanto à retroatividade benigna a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício e Redatora (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa quando em desacordo com a Lei nº 10.101/2000. Tratandose de negociação através de comissão de empregados, a efetiva participação de representante do sindicato nas deliberações, inclusive com direito a voto, é requisito essencial para a legitimidade dos termos acordados. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Tratandose de previdência complementar por entidade fechada, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. Não se considera disponível a todos, quando a empresa se nega a realizar aportes a alguns de seus segurados, especialmente em razão da faixa salarial. PREVIDENCIÁRIO. MULTAS. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB 14/2009. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e não declarados em GFIP, aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação do resultado da soma da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e a multa por falta de declaração em GFIP, vigente à época da materialização da infração, com o resultado da incidência de multa de 75%, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB 14/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 65 23 /2 00 9- 03 Fl. 59DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito: I) quanto ao levantamento Previdência Privada: por voto de qualidade, negar provimento ao recurso, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; II) quanto ao levantamento Participação nos Lucros e Resultados: a) por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a inexistência de instrumento de acordo; b) por maioria de votos, dar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada a assinatura do instrumento de acordo no final do período de apuração, vencida a conselheira Andrea Brose Adolfo; c) por voto de qualidade, negar provimento em relação aos fatos geradores em que caracterizada: falta de participação do sindicato, restrição ao poder de voto do sindicato e existência de fórmula préestabelecida, vencidos o relator e os conselheiros Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; III) quanto às multas relacionadas à GFIP, submetida a questão ao rito do art. 60 do Regimento Interno do CARF, foram apreciadas as seguintes teses: a) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei 11.941, de 2009; b) aplicação das regras estabelecidas pela Portaria Conjunta PGFN/RFB 14, de 2009; c) aplicação da regra do artigo 35 da Lei 8.212, de 1991, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no artigo 44, I, da Lei 9.430, de 1996; em primeira votação, se manifestaram pela tese "a" os Conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal; pela tese "b" os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Jorge Henrique Backes; e pela tese "c" o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes; excluída a tese "c" por força do disposto no art. 60, parágrafo único, do Regimento Interno do CARF, em segunda votação, por voto de qualidade, restou vencedora a tese "b", vencidos os conselheiros Fabio Piovesan Bozza, Alexandre Evaristo Pinto e Fernanda Melo Leal. Designado para redigir o voto vencedor em relação à Previdência Privada e Participação nos Lucros (participação do sindicato, restrição de poder de voto dos sindicatos e existência de fórmula préestabelecida), o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, e quanto à retroatividade benigna a conselheira Andrea Brose Adolfo. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício e Redatora (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal. Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de recurso voluntário interposto pela Eaton Ltda. contra o acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/Campinas), que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 3 3 A fiscalização lavrou diversos autos de infração com o intuito de exigir da ora Recorrente o recolhimento de contribuições previdenciárias e de terceiro, além de multas e de juros de mora, incidentes sobre os pagamentos de contribuições à previdência privada complementar e de participações sobre lucros ou resultados aos seus empregados, ocorridos no período compreendido entre janeiro/2005 e dezembro/2008. A ciência das autuações ocorreu em 03/12/2009 e as exigências fiscais encontramse assim distribuídas: 1. Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.257.9655 (processo administrativo nº 10830.016522/200951), relativo às contribuições previdenciárias patronais; 2. Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.257.9663 (processo administrativo nº 10380.016523/200903), relativo às contribuições previdenciárias dos segurados empregados; 3. Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 37.257.9671 (processo administrativo nº 10380.016524/200940), relativo às contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição do salárioeducação e as destinadas ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE 4. Auto de Infração de Obrigação Acessória DEBCAD nº 37.257.9680 (processo administrativo nº 10380.016525/200994), relativo à multa por entrega de GFIP com omissão das remunerações pagas aos segurados empregados, a título de previdência privada complementar de caráter fechado (Eatonprev) e Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), nos termos do art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei n° 9.528/97. A acusação fiscal escorase nas seguintes irregularidades (fls. 12): (i) pagamentos realizados à entidade fechada de previdência privada (EatonPrev), sem disponibilizar o benefício à totalidade dos empregados da Recorrente, circunstância que descaracterizaria a desoneração de contribuição previdenciária prevista em lei; somente os empregados com salários superiores a dez vezes o salário unitário definido em regulamento receberiam contrapartida ao plano de previdência privada por parte da Recorrente; (ii) pagamento de participação sobre lucros ou resultados (PLR) relativamente a alguns grupos de empregados em descumprimento com os requisitos legais (falta ou restrição indevida da participação do sindicato nas negociações ou na celebração do acordo de PLR, assinatura do instrumento em data próxima ao pagamento). Irresignada, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 941), a qual foi julgada improcedente pela DRJ/Campinas. O acórdão de primeira instância possui a seguinte ementa (fls. 1947): Assumo: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 Fl. 61DF CARF MF 4 LANÇAMENTO FISCAL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUSTEIO SEM ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS DA LEI. SALÁRIODECONTRIBUICAO. Integra o saláriodecontribuição o valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não custeado à totalidade de seus empregados e dirigentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Integra o saláriodecontribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica. INCRA A contribuição destinada ao INCRA é devida tanto pela empresa urbana como pela empresa rural em face do princípio constitucional da solidariedade social. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei superveniente quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. PROVAS. O momento para a apresentação de documentos se dá com a impugnação precluindo o direito de apresentação de provas após o decurso do prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ainda irresignada, a Recorrente apresentou recurso voluntário defendendo (fls. 1988): (a) a nulidade da autuação por ausência de verificação da verdade material; (b) a concessão de previdência privada não tem caráter remuneratório e foi oferecida a todos os empregados – conforme atestam o informativo dos Recursos Humanos, o Regulamento do Plano de Benefícios Eaton e o Termo de Opção assinado pelos empregados – cumprindose assim todos os requisitos legais para a desoneração do benefício; (c) a legislação previdenciária não impõe a realização de aporte de valores pela empregadora em favor da previdência privada de todos os funcionários; (d) mesmo assim, a Recorrente é obrigada pelo plano de previdência privada a realizar uma contribuição mínima creditada na conta coletiva do fundo, de modo a beneficiar todos os empregados; (e) a Recorrente jamais implementou o referido programa como “manobra” para evitar tributação de suposta remuneração paga aos empregados, tendo em vista que todos os requisitos estabelecidos na legislação previdenciária foram seguidos, e que os valores depositados nos fundos do programa de previdência privada não podiam ser sacados Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 4 5 mensalmente e/ou aleatoriamente senão após a ocorrência de determinados eventos geralmente atrelados a aposentadoria do empregado ou sua demissão; (f) os diversos acordos de PLR firmados pela Recorrente contaram com a participação do sindicato local, sendo a eventual falta de assinatura no instrumento suprida pelos comunicados e pela lista de presença; (g) nem a legislação previdenciária e muito menos a Lei n° 10.101/2000 estipulam a obrigatoriedade de poder de veto ao sindicato; pelo contrário, a lei simplesmente estabelece que o sindicato deverá participar das negociações como forma de assessorar e garantir os direitos dos trabalhadores; (h) apesar dos insistentes comunicados da Recorrente, em pouquíssimos casos, a participação sindical não foi tão ativa nas tratativas para fixação de PLR em favor dos funcionários, não podendo a Recorrente ser penalizada pela inércia, má vontade ou indisponibilidade de horário do sindicato; (i) nos casos em que o sindicado, embora intimado, não compareceu às reuniões, a Recorrente viuse obrigada a iniciar as negociações diretamente com os empregados, conforme autorizado pelo art. 617, §1º da CLT; (j) haveria um apego exagerado ao formalismo e lesão ao espírito da Lei nº 10.101/2000 por parte da fiscalização, relativamente ao início da vigência dos acordos em data próxima ao pagamento da PLR e à falta de participação ou de assinatura dos sindicatos nos acordos; (k) a aplicação da retroatividade benigna relativamente à multa lançada de ofício está incorreta, devendo ser revista. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Após verificações e diligências (Resolução nº 2301000.541 e informação fiscal às fls. 3149), restou comprovado que a intimação do acórdão de primeira instância ocorreu em 03/09/2010 (sextafeira) e o recurso voluntário foi interposto em 05/10/2010 (data da postagem no correio). Por ser tempestivo e por cumprir com as formalidades legais, dele tomo conhecimento. Nulidade do Lançamento A Recorrente argui nulidade do lançamento em razão de a fiscalização ter analisado superficialmente a documentação, violando, assim, a busca da verdade material. Aduz que a fiscalização limitouse apenas a constatar a existência de pagamentos realizados, deixando de perquirir a que título tais pagamentos teriam sido efetuados, assim como sua natureza e habitualidade. No entanto, sem razão a Recorrente. Fl. 63DF CARF MF 6 O teor do relatório fiscal revela uma descrição minuciosa das situações que motivaram o lançamento de ofício nas situações envolvendo os pagamentos de previdência privada complementar e de participação nos lucros ou resultados, descritos nos anexos I, II e III. Além disso, a fiscalização não lastreou o lançamento de ofício exclusivamente em pagamentos realizados. A respectiva natureza dos pagamentos foi sim considerada. Entretanto, como na visão da fiscalização a Recorrente teria descumprido requisitos legais para aplicar a desoneração pretendida, promoveuse a requalificação dos valores pagos. Se as conclusões fiscais foram corretas ou não, tratase de matéria de mérito a ser analisada a seguir. Dessa forma, a preliminar de nulidade não merece ser acolhida. Previdência Privada Complementar de Entidade Fechada A fiscalização sustenta que a Recorrente não cumpriu com os requisitos contidos na legislação para fazer jus à desoneração das contribuições previdenciárias, exigindo o recolhimento das exações incidentes sobre o valor dos aportes realizados em planos de previdência privada dos empregados, mantidos em entidade fechada (EatonPrev): Conforme constatado, somente empregados com remuneração superior a determinado parâmetro – o qual variou de R$ 3.474,80 a R$ 4.695,30 entre os anos de 2005 e 2008 – receberiam contrapartida ao referido plano por parte da Recorrente. Os empregados com remuneração inferior ao parâmetro poderiam participar do plano mediante aportes próprios, mas não receberiam aportes da empregadora. No entender da fiscalização, tal circunstância vulneraria a condição posta pelo art. 28, §9º, alínea “p” da Lei nº 8.212/91 para assegurar a não incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores aportados pela Recorrente nos planos de previdência privada dos empregados: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; A interpretação dada pelas autoridades fiscais, no sentido de que os aportes patronais devem ser estendidos à totalidade dos empregados, também foi compartilhada pelo acórdão de primeira instância, conforme atesta a transcrição do seguinte trecho do voto do relator (fls. 1967 – grifos nossos): Ora, a norma acima estabelece de forma clara que não há incidência se os valores efetivamente pagos pela pessoa jurídica, a título de previdência complementar, forem extensivos a todos os seus segurados, o que de forma alguma ocorreu no caso em questão, pois efetivamente a empresa arcava com a contribuição de sua parte denominada de contribuição básica, somente àqueles funcionários que pertencessem a certa faixa salarial, como demonstrado no relatório fiscal. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 5 7 Não obstante as alentadas considerações desenvolvidas pelas autoridades fiscais e pelo acórdão de primeira instância, não concordo com tal entendimento. O art. 202, §2º da Constituição Federal de 1988, na redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, estabelece que as contribuições do empregador a planos de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, nos termos da lei1. As disposições legais existentes a respeito não se resumem ao estabelecido pelo art. 28, §9º, alínea “p” da Lei nº 8.212/91, havendo outras disposições igualmente relevantes, a exemplo do art. 458 da CLT2 e dos art. 68 e 69 da Lei Complementar nº 109/20013. Todas essas prescrições devem ser interpretadas de maneira sistemática e, sempre que possível, de forma harmoniosa. Além disso, o art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91 elenca verbas que não integram a base de cálculo e, em algumas situações, impõe condições para a fruição da desoneração (por exemplo, a extensão do benefício a todos os empregados). Considero que tal dispositivo não encerra propriamente uma norma de isenção, mas sim uma norma declaratória de não incidência tributária, tal como revela a exposição de motivo de uma das leis que o alterou4. As condições existentes em algumas alíneas do §9º não prejudicam tal conclusão e podem ser vistas como normas específicas de antievasão, impostas pelo legislador 1 Art. 202. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 2 Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: VI – previdência privada; 3 Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1º Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2º A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2º Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. 4 “19. A alteração do art. 28 da Lei nº 8.212 de 1991, fazse necessária para melhor caracterizar o saláriode contribuição, identificando, detalhadamente, as parcelas que o integram e as que não sofrem a incidência de contribuições previdenciárias, possibilitando maior segurança ao contribuinte nessa obrigação que ora se lhe pretende imputar, além de reunir num só ato legal diversas disposições esparsas em várias leis. Por outro lado, é antecipada, no âmbito da Previdência Social, a alteração do conceito de remuneração, para fins de incidência de contribuição previdenciária, visando à unificação com o Fundo de Garantia do Tempos de Serviço – FGTS, que, em breve, darseá na área trabalhista” (exposição de motivos da Medida Provisória nº 1.59614, convertida na Lei nº 9.528/97, publicada no Diário do Congresso Nacional de 02/12/1997, p. 17834). Fl. 65DF CARF MF 8 com o objetivo de evitar que verbas tributáveis sejam pagas travestidas de verbas não tributáveis. E mais. A interpretação realizada do disposto no art. 28, §9º, alínea “p” da Lei nº 8.212/91 pelas autoridades fiscais e pelo acórdão recorrido está equivocada. O que deve estar disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes não é o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica, mas sim o programa de previdência complementar, aberto ou fechado. Tal entendimento alinhase ao disposto no art. 16 da Lei Complementar nº 109/2001, que ao tratar dos planos de benefícios de entidades fechadas, estabeleceu que a empregadora deve obrigatoriamente oferecer o plano a todos os empregados (e não obrigatoriamente custeálo). A obrigação de oferecer o plano de previdência privada não impõe à empregadora a obrigação de obter a adesão efetiva de todos os seus empregados, muito menos a compele a realizar aportes em favor de todos eles (destaques nossos): Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. § 2º É facultativa a adesão aos planos a que se refere o caput deste artigo. § 3º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos planos em extinção, assim considerados aqueles aos quais o acesso de novos participantes esteja vedado. Há mais. O plano de previdência privada ora examinado notabilizase por proporcionar um complemento àquele empregado que recebe remuneração acima do teto da aposentadoria pago pelo INSS. Se o empregado recebe remuneração abaixo do mencionado teto – pela finalidade deste plano de previdência privada – não há necessidade de complementar o valor de benefício pago pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS), muito embora o plano lhe proporcione outros amparos, a exemplo de um valor de benefício mínimo (conforme item 7.25 do plano, abaixo transcrito). É bem verdade que os parâmetros para realização de aportes patronais no período fiscalizado (R$ 3.474,80 a R$ 4.695,30) não são idênticos aos tetos do RGPS (R$ 2.668,15 a R$ 3.038,99), mas há certa proximidade. Além disso, é preciso considerar a evolução salarial do empregado ao longo da carreira. Consequentemente, o critério de diferenciação utilizado afigurase razoável para atingir a finalidade preposta pelo plano, que é complementar a aposentadoria daqueles que recebem acima do teto do RGPS. E isso não se atenta contra a isonomia. A questão não é nova neste CARF, havendo diversos precedentes que se posicionam no sentido ora esposado (grifos nossos): PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES QUE RECEBEM ABAIXO DO TETO DO RGPS. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 6 9 A questão da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar não decorre de norma isentiva a ser interpretada literalmente. Em verdade, tratase de uma imunidade tributária, prevista no art. 202, § 2º da Constituição Federal. A interpretação restritiva, aplicada nas hipótese de imunidade tributária, não reduz o campo da norma, mas determinalhe as fronteiras exatas. Não conclui de mais, nem de menos do que o texto exprime, mas declara o sentido verdadeiro e o alcance exato da norma, tomando em apreço todos os fatores jurídico sociais que influíram em sua elaboração. O sistema de previdência complementar, de caráter privado, facultativo e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, objetiva garantir a continuidade do padrão de bemestar correspondente a fase em que o individuo laborava. A finalidade precípua da previdência complementar é a de complementar os benefícios de aposentadoria daqueles que auferem remuneração superior ao limite imposto para o RGPS. Não restou violada a norma contida no art. 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212/1991, por considerar que, não obstante o plano de previdência complementar ser voltado tão somente aqueles que percebam remuneração superior ao limite do RGPS, caracterizado está que este plano de previdência complementar encontrase disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. (ac. 920202.265, de 08/08/2012) ISENÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONDIÇÕES DIFERENCIADAS PARA ADESÃO. As disposições legais sobre a isenção de contribuições previdenciárias sobre contribuições pela pessoa jurídia a programa de previdência complementar condicionam o benefício à extensão à totalidade de empregados e dirigentes. A intenção da norma, ao exigir que o benefício fosse estendido a todos, foi de evitar privilégios a determinados segmentos de empregados. Assim, se o benefício foi ofertado a todos, embora em condições objetivamente distintas, dependendo da condição de cada trabalhador, devese reconhecer que o plano estava "disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes", incidindo na hipótese a alínea p do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. (ac. 2401004.221, de 09/03/2016) Fl. 67DF CARF MF 10 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. EXCLUSÃO DOS TRABALHADORES QUE RECEBEM ABAIXO DO TETO DO RGPS E QUE POSSUEM ACIMA DE SESSENTA ANOS DE IDADE. POSSIBILIDADE. A questão da incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar não decorre de norma isentiva a ser interpretada literalmente. Em verdade, tratase de uma imunidade tributária, prevista no art. 202, § 2º da Constituição Federal de 1988. Não restou violada a norma contida no art. 28, § 9º, “p” da Lei n ° 8.212/1991, por considerar que, não obstante o plano de previdência complementar ser voltado tão somente aqueles que percebam remuneração superior ao limite do RGPS e com idade inferior a sessenta anos, caracterizado está que este plano de previdência complementar encontrase disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. (ac. 2202003.080, de 10/12/2015) A própria Administração Tributária posicionouse no sentido de ser o plano (e não o pagamento) disponível à totalidade de empregados e dirigentes, por meio da Solução de Consulta COSIT nº 3/2015. Naquela ocasião, foi analisada a necessidade de extensão do plano de previdência privada a todos os estabelecimentos da mesma empregadora, em função da existência de convenções coletivas de trabalho firmadas com diferentes sindicatos (grifos nossos): 12. Da leitura dos dispositivos acima transcritos, temse que o valor das contribuições pago a título de plano de previdência privada não integrará o salário de contribuição somente se o referido plano estiver disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. 13. Para fins de incidência do dispositivo, é preciso que a empresa proporcione a todos os seus empregados e dirigentes um plano que lhes seja facultado aderir e que esteja a seu alcance; não o fazendo, ou beneficiando apenas dirigentes ou um grupo restrito de empregados, a parcela paga de forma diferenciada deverá ser tratada como parte do salário ou remuneração – sobre a qual deverá incidir a contribuição previdenciária. 14. A finalidade da restrição imposta pela legislação é garantir que a empresa ofereça um tratamento isonômico em relação a todos os seus empregados e dirigentes. Nesse sentido, entendese que a norma deve ser aplicada sob o prisma da pessoa jurídica também considerada em sua integralidade, não se revelando adequada a interpretação no sentido da aplicação da norma de forma compartimentada por estabelecimento ou CNPJ. Não obstante as considerações acima, o plano de previdência privada oferecido pela Recorrente apresentava importantes particularidades, que igualmente convergem para afastar a exigência fiscal (fls. 1030). É bem verdade que o acórdão de primeira instância procura relativizar tais fatos, oferecendo contraponto a enriquecer o debate. Não obstante a Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 7 11 tenacidade dos julgadores da DRJ/Campinas, tais argumentos não me convenceram do contrário, diante da consistência e relevância dos seguintes fatos: – todos os empregados da Recorrente são elegíveis ao plano de previdência complementar, independentemente do valor da remuneração, havendo exemplos de empregados que aderiram ao plano ganhando tanto acima quanto abaixo do patamar estabelecido para a realização de aportes por parte da Recorrente (fls. 1092); – a finalidade principal do plano de previdência privada oferecido é complementar os benefícios da previdência oficial (fls. 1028), o que explica por que empregados que são remunerados abaixo de certo patamar (valor máximo do benefício previdenciário distribuído pela previdência oficial) não receberiam aportes diretos da empregadora; – mesmo que indiretamente, a Recorrente participava do financiamento da previdência privada de todos os participantes do plano de previdência privada ao efetuar, de forma universal e regular, aportes ao fundo com o objetivo de garantir o pagamento do denominado “benefício mínimo”: CAPÍTULO V – DO SALÁRIO DE PARTICIPAÇÃO, DAS CONTRIBUIÇÕES E DAS DISPOSIÇÕES FINANCEIRAS Seção III Das Contribuições das Patrocinadoras 5.21. Adicionalmente às contribuições descritas nas Seções II e III deste Capítulo, o Atuário estabelecerá as contribuições de Patrocinadora necessárias à garantia do Benefício Mínimo ou à neutralização de eventuais insuficiências para a cobertura dos Benefícios concedidos. 5.21.2. As Contribuições de que trata o item 5.21 serão alocadas em uma conta coletiva do Plano, inclusive quando pagas pelo Participante. CAPÍTULO VII DOS BENEFÍCIOS Seção VIII – Benefício Mínimo 7.25. Nos casos de Aposentadoria Normal, Aposentadoria Antecipada, Aposentadoria por Invalidez, Pensão por Morte do Participante que não esteja recebendo Benefício de renda mensal e Benefício Proporcional, o Saldo de Conta Total, excluídas as Contribuições Especiais, Suplementares e Suplementares Adicionais efetuadas pelo Participante e o saldo de Conta Portabilidade, na Data do Cálculo do Benefício, observado o disposto na Seção IX deste Capítulo, não poderá ser inferior ao resultado obtido em (a) x (b) / (c), onde: (a) 4 (quatro) vezes o Salário de Participação; (b) Serviço Creditado, limitado até 30 (trinta) anos; (c) 30 (trinta) anos. Fl. 69DF CARF MF 12 Enfim, ao condicionar a aplicação da desoneração previdenciária prevista na Lei nº 8.212/91 à realização de aporte da Recorrente ao plano de previdência privada em favor de todos os empregados – e não apenas ao oferecimento do plano a todos eles – as autoridades fiscais e o acórdão de primeira instância inseriram discrímen não contemplado na norma. Adicionalmente, tal interpretação criou um descompasso com os preceitos já mencionados de outras leis, especialmente o art. 16 da Lei Complementar nº 109/2001. Em vista do exposto, considero que o requisito contido no art. 29, §9º, alínea “p” da Lei nº 8.212/91 foi cumprido, fazendo a Recorrente jus à desoneração da contribuição previdenciária sobre os aportes feitos aos planos de previdência privada de seus empregados. Dessa forma, a exigência fiscal deve ser cancelada. Participação nos Lucros ou Resultados – PLR Com relação ao pagamento das participações nos lucros ou resultados (PLR), é importante registrar que não existe um acordo único que contemple todos os empregados da Recorrente. Em virtude da existência de filiais localizadas em diferentes unidades da federação, foram firmados acordos de PLR por estabelecimento, com a participação do sindicato local dos empregados. Dos acordos de PLR firmados entre 2004 e 2008, que foi o período auditado, a fiscalização entendeu que uma parte considerável atendia a todos os requisitos legais elencados pela Lei nº 10.101/2000, sendo os respectivos pagamentos desonerados validamente da incidência de contribuição previdenciária, ao passo que outra parte também considerável desses acordos não atendia a esses mesmos requisitos, fato que ensejou a cobrança da exação sobre os pagamentos realizados a título de PLR. A depender do estabelecimento envolvido, as irregularidades apontadas pela fiscalização podem se referir: (i) à inexistência de acordo do PLR; (ii) à falta de participação dos sindicatos nas negociações e na celebração do acordo de PLR; (iii) à restrição, por parte da Recorrente, do poder de voto dos sindicatos nas negociações; (iv) à existência de fórmula pré estabelecida para o cálculo da PLR, não negociada no âmbito da comissão (v) à data da assinatura do acordo de PLR no final do período de referência. Cada uma dessas situações encontrase identificada no quadro abaixo. Inexistência de Acordo de PLR Realmente, as acusações de inexistência de acordo de PLR com relação aos períodos e aos estabelecimentos adotados no quadro abaixo não foram rebatidas pela Recorrente. Por esse motivo, mantenho a exigência fiscal para tal situação. Falta de Participação dos Sindicatos nas Negociações e na Celebração do Acordo de PLR O art. 2º da Lei nº 10.101/2000 consagra as formas para deliberação da PLR, merecendo destacar o denominado “plano próprio” oriundo das decisões tomadas pela comissão formada por representantes da empregadora, dos empregados e também do sindicato: Art. 2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 8 13 I – comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II – convenção ou acordo coletivo. A fiscalização alega que determinados planos próprios firmados pela Recorrente não contaram com a participação do sindicato local dos empregados, seja na fase de negociação seja na fase de assinatura do instrumento. Tal circunstância já autorizaria, a seu ver, o lançamento das contribuições previdenciárias sobre os valores de PLR então distribuídos. A Recorrente, por seu turno, refuta a ausência dos sindicatos e aduz que “...em todo momento, a Recorrente afirmou que o Sindicato foi convocado e participou das negociações de PLR, conforme se verifica dos comunicados aos sindicatos competentes juntados aos autos do processo administrativo e que aqui se juntam novamente” (fls. 2016). Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. A questão é tratada com simplicidade por ambos os lados, seja para extrair efeitos jurídicos de um fato supostamente objetivo, sem considerar o contexto no qual inserido; seja para negarlhe a ocorrência, embora os instrumentos finais assinados pelos participantes contestem tal versão. Ao analisar os documentos juntados, é possível perceber a oposição de interesses aflorar entre a Recorrente e o sindicato dos empregados. Veja o seguinte trecho de carta endereçada pela Recorrente ao sindicato do estabelecimento matriz (fls. 1186): Considerando que diante da impossibilidade de acordo entre esse sindicato e as Eatons, Eaton Ltda. Divisão Transmissões e Eaton Ltda., no que tange a Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados dáse então por encerrada a negociação sobre o assunto e, de acordo com a previsão normativa legal, Lei n°. 10.101 de 19122000, as Eatons informam que dão início à motivação dos empregados para participarem de candidatura e eleição, para formação de uma Comissão representativa para negociar e decidir sobre o assunto em pauta. Nesse contexto, não seria de se estranhar eventual relutância do sindicato local em indicar representantes para participar da comissão responsável pela negociação do PLR. De qualquer forma, a Recorrente mostrouse ciente dos requisitos exigidos pela legislação para produzir um plano de PLR válido, tanto que a fiscalização auditou os planos próprios de outras filiais e não encontrou irregularidade. Diante das dificuldades de formar uma comissão com o representante sindical em algumas filiais, a Recorrente decidiu seguir com as negociações somente com representantes da empresa e representantes dos empregados. Concomitantemente, a Recorrente noticiava os acontecimentos relevantes ao sindicato, ao mesmo tempo em que o convidava a participar, informandolhe local, dia e horário das reuniões (vide quadro abaixo). Como o pagamento da PLR deriva do art. 7º, inc. XI da CF/88, todos os agentes envolvidos (empresas, empregados, sindicatos, autoridades fiscais etc.) estão vinculados a promover a realização do comando constitucional. Não se trata, pois, de uma Fl. 71DF CARF MF 14 isenção, de uma desoneração ordinária, cujo adimplemento encontrase condicionado ao disposto no art. 111 do CTN, isto é, à observância literal da legislação tributária. Existe um preceito constitucional a ser promovido – no caso, a integração entre capital e trabalho – que influencia a interpretação e aplicação da norma. Por isso, eventual ausência do sindicato – seja nas negociações, seja na formalização do plano – não invalida ou desnatura automaticamente a PLR, principalmente nos casos em que o sindicato foi convocado para a reunião, mas não compareceu, como ocorreu na espécie. Vale frisar que o caso analisado está repleto de evidências que comprovam: (a) as intensas negociações entre os representantes da Recorrente e os representantes dos empregados (eleições, reuniões etc.); (b) a existência de um padrão de apuração da PLR, apenas variando anualmente os indicadores e as metas; (c) a preocupação de a Recorrente informar o sindicato local da evolução das negociações da PLR. Tais fatores concorrem para afastar a preocupação do legislador de ver a PLR indevidamente desnaturada e transmutada em remuneração de trabalho. Assim, não cabe ao Fisco, a pretexto de tutelar os interesses dos empregados, desconsiderar as negociações realizadas entre a empregadora e os empregados e tributar as distribuições de PLR como se fossem remuneração do trabalho. O entendimento acima externado não é inédito, havendo precedentes do CARF nesse sentido, a exemplo do acórdão nº 2401004.218, de 08/03/2016, Rel. André Luís Mársico Lombardi, cuja ementa é a seguinte (grifos nossos): PLR. NEGOCIAÇÃO. OPÇÃO LEGAL ENTRE CONVENÇÃO/ACORDO COLETIVO E COMISSÃO PARITÁRIA. ART. 616 DA CLT. ALCANCE. É facultado à empresa e aos empregados negociarem a participação nos lucros ou resultados via (i) convenção / acordo coletivo (art. 8°, VI, da CF) ou por intermédio de (ii) comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria (art. 8°, III, da CF). Art. 2° da Lei n° 10.101/2000. O art. 616 da CLT alude a procedimento a ser adotado pelo empregador quando da recusa à negociação coletiva para fins de celebração de acordo ou convenção coletiva, não havendo previsão legal de tal exigência procedimental na hipótese de celebração de acordo de PLR por comissão paritária. COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE SINDICAL. Consta do art. 2°, I, da Lei n° 10.101/2000, a exigência legal de que o sindicato indique um representante para a comissão paritária de negociação da participação nos lucros ou resultados. Se a ausência de representante do sindicato ocorre a despeito da comunicação formal da realização das reuniões (local, data e horário), na qual se solicita a presença de um representante do sindicato, não podem empregados e empresa ser prejudicados, pois a ilicitude não foi perpetrada por eles, mas pelo sindicato, que deixou de cumprir sua função constitucionalmente prevista (art. 8°, III, da CF). Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 9 15 A jurisprudência judicial também não destoa, consoante comprova a ementa do seguinte acórdão proferido pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no RESP nº 865.489, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 26/10/2010 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. 2. Os requisitos legais inseridos em diplomas específicos (arts. 2º e 3º, da MP 794/94; art. 2º, §§ 1º e 2º, da MP 860/95; art. 2º, § 1º e 2º, MP 1.53934/ 1997; art. 2º, MP 1.69846/1998; art. 2º, da Lei n.º 10.101/2000), no afã de tutelar os trabalhadores, não podem ser suscitados pelo INSS por notória carência de interesse recursal, máxime quando deduzidos para o fim de fazer incidir contribuição sobre participação nos lucros, mercê tratar se de benefício constitucional inafastável (CF, art. 7º, IX). 3. A evolução legislativa da participação nos lucros ou resultados destacase pela necessidade de observação da livre negociação entre os empregados e a empresa para a fixação dos termos da participação nos resultados. 4. A intervenção do sindicato na negociação tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como definição do modo de participação nos resultados; fixação de resultados atingíveis e que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, entre outros. 5. O registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada. 6. A ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária. 7. O Recurso Especial não é servil ao exame de questões que demandam o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos, em face do óbice erigido pela Súmula 07/STJ. 8. In casu, o Tribunal local afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre verba percebida a título de participação nos lucros da empresa, em virtude da existência de provas acerca da existência e manutenção de programa espontâneo de efetiva participação nos lucros da empresa por parte dos empregados no período pleiteado, vale dizer, à luz do contexto Fl. 73DF CARF MF 16 fáticoprobatório engendrado nos autos, consoante se infere do voto condutor do acórdão hostilizado, verbis: "Embora com alterações ao longo do período, as linhas gerais da participação nos resultados, estabelecidas na legislação, podem ser assim resumidas: a) deve funcionar como instrumento de integração entre capital e trabalho, mediante negociação; b) deve servir de incentivo à produtividade e estar vinculado à existência de resultados positivos; c) necessidade de fixação de regras claras e objetivas; d) existência de mecanismos de aferição dos resultados. Analisando o Plano de Participação nos Resultados (PPR) da autora, encontramse as seguintes características: a) tem por objetivo o atingimento de metas de resultados econômicos e de produtividade; b) há estabelecimento de índices de desempenho econômico para a unidade e para as equipes de empregados que a integram; c) fixação dos critérios e condições do plano mediante negociação entre a empresa e os empregados, conforme declarações assinadas por 38 (trinta e oito) funcionários (fls. 352/389); d) existência de regras objetivas de participação e divulgação destas e do desempenho alcançado. Comparandose o PPR da autora com as linhas gerais antes definidas, bem como com os demais requisitos legais, verificase que são convergentes, a ponto de caracterizar os valores discutidos como participação nos resultados. Desse modo, estão isentos da contribuição patronal sobre a folha de salários, de acordo com o disposto no art. 28, § 9.º, alínea "j", da Lei n.º 8.212/91". (fls. 596/597) 9. Precedentes:AgRg no REsp 1180167/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe 07/06/2010; AgRg no REsp 675114/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe 21/10/2008; AgRg no Ag 733.398/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ 25/04/2007; REsp 675.433/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, DJ 26/10/2006; 10. Recurso especial não conhecido. Restrição do poder de voto dos sindicatos nas negociações A fiscalização alega que a Recorrente teria restringido indevidamente a participação dos sindicatos nas comissões, assegurandolhe apenas participação, sem poder de voto. Embora concorde com a fiscalização quanto à inadequação de tal restrição, ela não se estendeu além das comunicações feitas ao sindicato. Não há prova de sua concretização, mesmo porque a participação do sindicato como membro da comissão constitui prerrogativa assegurada legalmente. Nesse sentido, a acusação fiscal deve ser afastada. Fórmula préestabelecida de cálculo, não negociada Também não restou demonstrada pela fiscalização a existência de fórmula préestabelecida para cálculo do PLR, sem ter sido objeto de negociação no âmbito da comissão. O contexto das informações prestadas pela Recorrente à fiscalização sugere que os critérios de apuração haviam sido estabelecidos previamente ao término do período de referência, e não posteriormente. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 10 17 Por esse motivo, a acusação fiscal deve ser afastada. Data da assinatura do acordo de PLR no final do período de referência Esta acusação restringese ao acordo coletivo de trabalho sobre o PLR de 2004, assinado com a filial de Caxias do Sul (à época, assinado por outra empresa, posteriormente sucedida pela Recorrente). A questão envolvendo o momento da assinatura do plano de PLR – seja ele formalizado por convenção ou acordo coletivo de trabalho, seja por plano próprio – não encontra normatização específica pela Lei nº 10.101/2000. Isso não significa que tal informação seja sempre neutra. Contudo, a eventual relevância deverá ser demonstrada e contextualizada pela fiscalização, por exemplo, nos casos em que a distribuição de PLR teria servido para acobertar o pagamento de remuneração do trabalho. Não se trata, portanto, de uma presunção cuja ocorrência inverta automaticamente o ônus probatório contra o contribuinte. Mesmo porque existem várias circunstâncias que podem contribuir para eventual atraso na formalização do plano de PLR, como o prolongamento das negociações sobre algum item específico. Por isso, a acusação fiscal deve ser afastada. Quadro As informações do PLR de cada estabelecimento da Recorrente autuado e o respectivo ano de referência foram consolidadas no quadro abaixo. Vale enfatizar que, em algumas situações, além das comunicações entre a Recorrente e os sindicatos, há também comunicações dirigidas à Delegacia Regional do Trabalho. Alguns acordos de PLR contaram com a participação do sindicato na assinatura do instrumento final, conforme atesta a aposição do respectivo carimbo. Filial Ano Acusação Fiscal Observações 0001 Valinhos 2004 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 28) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1149) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 01/07/2004 (fls. 1186), 05/07/2004 (fls. 1190) Há também comunicado da Recorrente a Delegacia Regional do Trabalho, de 14/07/2004, informando das comunicações ao sindicato das reuniões e dos acordos firmados (fls. 1180) 0001 Valinhos 2005 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1193) Fl. 75DF CARF MF 18 (fls. 29) No PLR 2005, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 22/04/2005 (fls. 1214 e 1230) e 24/05/2005 (fls. 1226) e 22/06/2005 (fls. 1229) 0001 Valinhos 2006 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 29) No PLR 2006, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1233) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 23/06/2006 (fls. 1275), de 10/07/2006 (fls. 1277), de 17/07/2006 (fls. 1280) 0001 Valinhos 2007 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) No PLR 2007, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1284) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 18/06/2007 (fls. 1321), de 05/07/2007 (fls. 1323), de 15/08/2007 (fls. 1326) => agradecimento aos sindicalistas pela participação na apuração de votos e negociações. Relatório fiscal reconhece participação dos sindicatos nas negociações, mas sem poder decisório (fls. 30) 0001 Valinhos 2004 Folha confidencial (nível gerencial) – inexistência de acordo de PLR (fls. 28) Não foi apresentado instrumento próprio formalizado, sendo que o acordo de PLR dos mensalistas exclui a sua aplicação para os funcionários da folha confidencial 0001 Valinhos 2005 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1217) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 22/04/2005 (fls. 1214 e 1230) e 24/05/2005 (fls. 1226) e 22/06/2005 (fls. 1229) 0001 Valinhos 2006 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1270) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 23/06/2006 (fls. 1275), de 10/07/2006 (fls. 1277), de 17/07/2006 (fls. 1280) 0001 Valinhos 2007 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 11 19 próprio (fls. 1316) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 18/06/2007 (fls. 1321), de 05/07/2007 (fls. 1323), de 15/08/2007 (fls. 1326) 0028 Valinhos 2004 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 28) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1149) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 01/07/2004 (fls. 1186), 05/07/2004 (fls. 1190) Há também comunicado da Recorrente a Delegacia Regional do Trabalho, de 14/07/2004, informando das comunicações ao sindicato das reuniões e dos acordos firmados (fls. 1180) 0028 Valinhos 2005 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 29) No PLR 2005, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1193) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 22/04/2005 (fls. 1214 e 1230) e 24/05/2005 (fls. 1226) e 22/06/2005 (fls. 1229) 0028 Valinhos 2006 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) Restrição do poder de voto do sindicato (fls. 29) No PLR 2006, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1233) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 23/06/2006 (fls. 1275), de 10/07/2006 (fls. 1277), de 17/07/2006 (fls. 1280) 0028 Valinhos 2007 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 28) TVF reconhece participação dos sindicatos nas negociações, mas sem poder decisório (fls. 30) No PLR 2007, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 29, 30) Relatório fiscal reconhece participação dos sindicatos nas negociações, mas sem poder decisório 0028 Valinhos 2004 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1328) Há comunicados da Recorrente ao Fl. 77DF CARF MF 20 sindicato de 01/07/2004 (fls. 1186), 05/07/2004 (fls. 1190) Há também comunicado da Recorrente a Delegacia Regional do Trabalho, de 14/07/2004, informando das comunicações ao sindicato das reuniões e dos acordos firmados (fls. 1180) 0028 Valinhos 2005 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1333) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 22/04/2005 (fls. 1214 e 1230) e 24/05/2005 (fls. 1226) e 22/06/2005 (fls. 1229) 0028 Valinhos 2006 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1340) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 23/06/2006 (fls. 1275), de 10/07/2006 (fls. 1277), de 17/07/2006 (fls. 1280) 0028 Valinhos 2007 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1316) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 18/06/2007 (fls. 1321), de 05/07/2007 (fls. 1323), de 15/08/2007 (fls. 1326) 0030 Mogi Mirim 2006 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações (fls. 26 e 30) No PLR 2006, o sindicato foi convidado para assistir aos empregados, mas sem poder de negociação (fls. 31) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1360) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 21/06/2006 (fls. 1374) Há protocolo de recebimento do acordo assinado pelo sindicato (fls. 1372) Há requerimento do sindicato endereçado à Delegacia Regional do Trabalho de arquivamento do acordo de PLR (fls. 1373) 0030 Mogi Mirim 2004 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1345) 0030 Mogi Mirim 2005 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 12 21 negociada com sindicato (fls. 27) próprio (fls. 1349) Há protocolo de recebimento de documentos pelo sindicato sobre as deliberações de PLR de 13/05/2005 (fls. 1353), 07/06/2005 (fls. 1355) e 25/10/2005 (fls. 1357) Há requerimento do sindicato endereçado à delegacia regional do trabalho de arquivamento do acordo de PLR (fls. 1356) 0030 Mogi Mirim 2006 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1368) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 21/06/2006 (fls. 1374) Há protocolo de recebimento do acordo assinado pelo sindicato (fls. 1372) Há requerimento do sindicato endereçado à delegacia regional do trabalho de arquivamento do acordo de PLR (fls. 1373) 0030 Mogi Mirim 2007 Folha confidencial (nível gerencial) – existência de fórmula préestabelecida, não negociada com sindicato (fls. 27) No instrumento assinado, não há indicação de que o sindicato tenha participado das negociações ou da formalização do plano próprio (fls. 1377) Há comunicados da Recorrente ao sindicato de 07/05/2007 (fls. 1383), de 15/05/2007 (fls. 1386), de 17/05/2007 (fls. 1389), de 28/05/2007 (fls. 1390) Há protocolo de recebimento de documentos pelo sindicato (fls. 1385) Há requerimento do sindicato endereçado à Delegacia Regional do Trabalho de arquivamento do acordo de PLR (fls. 1394) 0037 Caxias do Sul 2004 Único – Acordo Coletivo de Trabalho de PLR 2004 assinado originalmente pela Pigozzi (sucedida pela Recorente) apenas em 02/12/2004, embora previamente ao pagamento (fls. 31) Acordo coletivo de trabalho firmado entre Recorrente e sindicato (fls. 1144) Recorrente alega que o acordo entre a Recorrente e empregados ocorreu no início do período, embora formalizado só no final 0037 Caxias do Sul 2005 Único – inexistência de acordo de PLR – pagamento a demitidos sem justa causa entre 03/2005 e 07/2006 sem lastro em acordo de PLR (fls. 32) Não foi apresentado instrumento próprio formalizado 0037 Caxias do Sul 2006 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações e assinatura do Há carimbo do sindicato na formalização do plano próprio (fls. 1397) Fl. 79DF CARF MF 22 acordo (fls. 32) 0037 Caxias do Sul 2007 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações e assinatura do acordo (fls. 32) Há carimbo do sindicato na formalização do plano próprio (fls. 1418) 0037 Caxias do Sul 2008 Mensalistas – falta de participação do sindicato nas negociações e assinatura do acordo (fls. 32) Há carimbo do sindicato na formalização do plano próprio (fls. 1429) 0037 Caxias do Sul 2006 Folha confidencial (nível gerencial) – inexistência de acordo de PLR (fls. 28) Não foi apresentado instrumento próprio formalizado 0037 Caxias do Sul 2007 Folha confidencial (nível gerencial) – inexistência de acordo de PLR (fls. 28) Não foi apresentado instrumento próprio formalizado Em suma, mantenho apenas as exigências fiscais sobre a PLR nos casos em que a Recorrente não apresentou instrumento próprio formalizado, conforme indicado no quadro acima, cancelandose as demais. Multa e Retroatividade Benigna Previamente à edição da Lei nº 11.941/2009, o sistema de penalidades da legislação previdenciária de custeio apresentava diversas particularidades. A redação do antigo art. 35 previa a exigência de penalidade sobre as contribuições previdenciárias em atraso – denominada como multa de mora – com percentuais que aumentavam progressivamente, de acordo com a ocorrência de determinados atos administrativos e também com o passar do tempo. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração (GFIP) à autoridade previdenciária não influenciava a evolução percentual da multa, o qual somente seria fixada no instante do efetivo pagamento. Vale lembrar que a falta de apresentação ou a apresentação com alguma incorreção da GFIP sujeitava o contribuinte à imposição de multa específica severa, por descumprimento de obrigação acessória, constante do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Com a unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, iniciada em 2007, uma série de modificações legislativas foi introduzida, a fim de harmonizar com o tratamento dado aos demais tributos federais. A fiscalização, ao lançar a multa por descumprimento de obrigação acessória, baseouse na seguinte redação do art. 32, IV e §5º da Lei º 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.528/97: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 13 23 § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). No entanto, referido dispositivo foi revogado, dando lugar ao art. 32A, cuja redação é a seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. Com relação à multa sobre a falta de recolhimento de contribuição previdenciária, o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 prescrevia o seguinte: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I – para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II – para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 81DF CARF MF 24 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/91 passou a tratar da multa de mora e o novel art. 35A cuidou de dispor sobre a multa de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). O art. 44 da Lei nº 9.430/96, mencionado no art. 35A supra, possui a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Pois bem. Feita esta breve digressão sobre a evolução legislativa, há dois pontos que gostaria de examinar, com vistas à aplicação da retroatividade benigna: o emprego da chamada “cesta de multas” (Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009) e o limite do percentual da multa. Com o intuito de facilitar a compreensão do posicionamento ora esposado, as matérias foram separadas em dois tópicos. Conflito entre Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória e Multa por Falta de Pagamento de Tributo – A Questão da “Cesta de Multas” Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 14 25 O primeiro ponto a ser destacado, quando se analisa os regimes das penalidades constantes da Lei nº 8.212/91 – antes e depois da edição da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 –, referese à identificação do comportamento sancionado. Tal providência afigurase importante para se aplicar adequadamente a retroatividade benigna aludida pelo art. 106, II do CTN, em virtude de alteração legislativa. A posição encampada pela Administração Tributária Federal, quando há lançamento de multas por falta de recolhimento de contribuição previdenciária e também de multas por descumprimento de obrigação acessória (GFIP), é convencionalmente denominada de “cesta de multas” e sua regulamentação encontrase detalhada na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, nos seguintes termos: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Ou seja, na “cesta de multas”, a aplicação da retroatividade benigna é condicionada à comparação entre: (i) o somatório entre as multas por descumprimento de obrigações acessórias (art. 32 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior às alterações da Lei nº 11.941/2009) e as multas por falta de pagamento de contribuições previdenciárias (art. 35, nas mesmas condições); e (ii) o art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, o qual introduziu à legislação previdenciária a multa de ofício de 75% sobre o valor da contribuição previdenciária devida. A redução da penalidade, em função da retroatividade benigna, terá lugar somente se o valor resultante da aplicação do critério (i) for superior ao resultado da aplicação Fl. 83DF CARF MF 26 do critério (ii). Nesse caso, a multa lançada deverá ser reduzida ao patamar do valor encontrado pelo critério (ii). A fundamentação do raciocínio que permitiu à Administração Tributária Federal alcançar tais conclusões não é explicitada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009. Contudo, ao analisar a jurisprudência administrativa sobre o tema, é possível tecer conjecturas sobre os motivos que conduziram à elaboração do mencionado normativo. Nesse sentido, por ocasião da prolação do acórdão nº 9202003.795, de 17/02/2016, a eminente Conselheira Relatora Maria Helena Cotta Cardozo fez constar do seu voto o seguinte trecho esclarecedor (grifos nossos): Destarte, resta claro que, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Em outras palavras, o entendimento preconizado pelo acórdão nº 9202003.795, de 17/02/2016, foi o de que: – antes da edição da Lei nº 11.941/2009, a falta de declaração ou a declaração inexata (descumprimento de obrigação acessória), bem como a falta de recolhimento do tributo (descumprimento da obrigação principal) configuravam infrações autônomas, com sanções independentes e cumuláveis, sendo a primeira apenada pelo art. 32 e a segunda apenada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91; – depois da edição da Lei nº 11.941/2009, a falta de declaração ou a declaração inexata juntamente com a falta de recolhimento do tributo passaram a tipificar, de acordo com o mencionado julgado, condutas necessárias para a tipificação de uma única sanção, em função da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual o art. 35A da Lei nº 8.212/91 faz remissão. No final, saber se a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 atuou ou não dentro dos preceitos legais depende, em essência, da interpretação a ser dada à expressão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”, contida no art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96. Não obstante a clareza do acórdão nº 920203.795, penso que tal exegese merece aprofundamento. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 15 27 De início, é possível afirmar que o legislador ordinário não está impedido de impor uma única sanção para mais de uma infração. Em tese, portanto, a finalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/96 poderia ser sancionar o contribuinte que não efetuou pagamento e não declarou ou declarou de forma inexata, sendo tais infrações identificadas pela autoridade fiscal, mediante lançamento de ofício. Não abrangeria a falta de recolhimento de tributo já declarado, cuja infração estaria sujeita apenas à multa de mora prevista no art. 35, nem o descumprimento isolado de obrigação acessória, passível de multa prevista no art. 32A, todos da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O problema é que o art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/96 possui redação truncada quando faz alusão “nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Na literalidade do dispositivo, se a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse cumulativamente falta de pagamento, falta de declaração e declaração inexata, isso consistiria um paradoxo, porque não seria possível, ao mesmo tempo, não existir declaração e existir declaração com inexatidão. Se, em outra leitura possível, a multa de 75% fosse aplicável quando houvesse alternativamente falta de pagamento ou falta de declaração ou declaração inexata seria criada uma antinomia em relação ao disposto no art. 32A, que igualmente cuida de penalizar a falta de declaração ou a declaração inexata. Diante da dúvida sobre a aplicação de sanções tributárias, o art. 112 do CTN prioriza a interpretação mais favorável ao acusado. Retrata a adoção do princípio “in dubio pro reo” em matéria de interpretação e deixa transparecer a vontade (vinculante) do legislador de favorecer o infrator com a aplicação da penalidade mais branda. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I – à capitulação legal do fato; II – à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III – à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV – à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A norma protege o acusado de injustiça na punição, quando houver incerteza a respeito do fato ou do direito aplicável. Assim, nas palavras de Hugo de Brito Machado (“Teoria das Sanções Tributárias”, in Sanções Administrativas Tributárias, Ed. Dialética, p. 177): Se o princípio de Direito Penal do in dubio pro reo exige certeza quanto ao fato, pela mesma razão deve exigir certeza quanto ao direito, pois a verificação da incidência da norma penal depende não apenas da constatação da ocorrência do fato, mas da delimitação do alcance da norma que é indispensável para que se saiba se está aquele fato abrangido, ou não, pela hipótese de incidência, vale dizer, pelo tipo penal. Fl. 85DF CARF MF 28 No caso concreto, pareceme que a interpretação mais favorável ao acusado é considerar que as infrações (i) de falta de declaração ou de declaração inexata e (ii) de falta de recolhimento da contribuição previdenciária devam ser sancionadas globalmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212/91. Conflito entre o Antigo Art. 35 e os Novos Art. 35 e Art. 35A, todos da Lei nº 8.212/91 – A Questão do Percentual da Multa O segundo ponto deste voto a ser tratado e que tem gerado controvérsia na jurisprudência referese ao limite do percentual da multa a ser observado, para fins de aplicação da retroatividade benigna. Sobre o tema, há essencialmente duas linhas de interpretação. A primeira linha de interpretação sustenta que somente o novo art. 35 poderá retroagir com o objetivo de limitar a 20% o percentual da multa constante do antigo art. 35. Por seu turno, o art. 35A, por inovar a legislação previdenciária de custeio, seria aplicável aos lançamentos de ofício realizados a partir da vigência da Lei nº 11.941/2009. Esta é a posição sustentada de maneira reiterada pelo Superior Tribunal de Justiça. Citese, a esse respeito, o seguinte enxerto do voto do Min. Humberto Martins (os grifos são nossos): A jurisprudência desta Corte é dominante no sentido de que se aplica o disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN na execução fiscal não julgada definitivamente na esfera judicial, independentemente da natureza da multa, sem descaracterizar a liquidez e certeza da Certidão de Dívida Ativa, pois tal normativo estabelece que a lei aplicase a ato ou a fato pretérito quando lhe comina punição menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. Verificase que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91 foi alterado pela Lei n. 11.941∕09, devendo o novo percentual aplicável à multa moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais benéfico ao contribuinte, deve lhe ser aplicado, por se tratar de lei mais benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do CTN. (...) Cumpre destacar que o art. 35 da Lei n. 8.212∕91, com a redação anterior à Lei n. 11.940∕09, não distinguia a aplicação da multa em decorrência da sua forma de constituição (de ofício ou por homologação), mas levando em consideração, essencialmente, o momento em que constatado o atraso no pagamento: antes da notificação fiscal, durante a notificação e existência de recurso administrativo, e após a inscrição em dívida ativa. (...) Com efeito, a nova redação do art. 35 da Lei n. 8.212∕91, dada pela Lei n. 11.941∕09, ao prever que as multas aplicadas obedecerão os parâmetros estabelecidos no art. 61 da Lei n. 9.430∕96, possibilitou a aplicação da multa reduzida aos processos ainda não definitivamente julgados. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 16 29 (...) A distinção quanto à forma de lançamento para fixação de multa somente foi prevista com o advento da Lei n. 11.940∕09, que introduziu o art. 35A à Lei n. 8.212∕91 (...) Com efeito, sua aplicação restringese aos lançamentos de ofício existentes após sua vigência, sob pena de retroação. STJ, 2ª Turma, EDcl no AgRg no RESP nº 1.275.297/SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 03/12/2013 No mesmo sentido, citese também o seguinte trecho do voto da Min. Regina Helena Costa (os grifos são nossos): Controvertese acerca do percentual de multa moratória aplicável ao lançamento de ofício após a alteração do art. 35 da Lei n. 8.212∕91 pela Lei n. 11.941∕09 que, ao incluir o art. 35A naquele diploma normativo, determinou a observância do parâmetro mais gravoso do art. 44 da Lei n. 9.430∕96, qual seja, de 75% (setenta e cinco por cento). Com efeito, esta Corte possui entendimento segundo o qual deve ser observado o percentual original da multa moratória previsto no art. 35 da Lei n. 8.212∕91, porquanto as ulteriores disposições do art. 35A cominam penalidade mais severa, autorizando a aplicação do preceito anterior, mais benéfico, a teor do disposto no art. 106, II, c, do CTN. (...) Isto posto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial para fixar o percentual da multa moratória em 20% (vinte por cento). STJ, 1ª Turma, RESP nº 1.585.929/SP, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 19/04/2016 A segunda linha de interpretação, por seu turno, considera que o antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 já previa em seu bojo tanto a multa moratória, para os recolhimentos espontâneos, quanto a multa de ofício, em decorrência de autuação da fiscalização (emissão de notificação fiscal de lançamento), não obstante o “caput” do dispositivo faça referência à “multa de mora”. Afinal, não será o “nomen iuris” que determinará o regime jurídico da multa. No fundo, a natureza jurídica dessas multas – moratória ou de ofício – seria a mesma, possuindo caráter sancionador, punitivo e nãoindenizatório. Em consequência, o lançamento de multa relativa a fatos geradores das contribuições previdenciárias ocorridos até 03/12/2008 deverá observar, por essa vertente interpretativa, os percentuais do antigo art. 35 (em respeito ao art. 144 do CTN), ficando limitado ao disposto (i) no novo art. 35 (20%), no caso de declaração entregue pelo contribuinte, ou (ii) no art. 35A (75%), no caso de ausência da mencionada declaração e existência de lançamento de ofício. Fl. 87DF CARF MF 30 Esta é a posição que tem prevalecido no CARF, pelo voto de qualidade ou, quando menos, por maioria de votos. De forma exemplificativa, vale citar os seguintes julgados: ac. 9202003.713, de 28/01/2016; ac. 9202004.344, de 24/08/2016; ac. 2202 003.445, de 14/06/2016; ac. 2301004.388, de 09/12/2015; ac. 2401004.286, de 13/04/2016). É indubitável a relevância dos fundamentos jurídicos apresentados pelas duas linhas de interpretação. Mas a existência dessa divergência jurisprudencial introduz, a meu ver, uma dúvida no sistema, de caráter objetivo, quanto à solução do conflito a respeito da retroatividade benigna da lei nova que define infrações, atraindo a aplicação do art. 112 do CTN, já reproduzido acima. Nesse cenário de incerteza normativa quando à natureza da penalidade aplicável ou à graduação da multa originalmente lançada (inc. IV), novamente o art. 112 do CTN é invocado para a solução do caso concreto. Tratase de corolário que não pode ser ignorado pelo intérprete, ainda que ele particularmente não apresente dúvida acerca do relacionamento entre o antigo art. 35, o novo art. 35 e o art. 35A. Isso porque a referida dúvida, pressuposto para aplicação do art. 112 do CTN, é objetiva e advém das decisões divergentes entre os membros da mesma turma, entre turmas diversas do mesmo tribunal ou entre tribunais diferentes. A jurisprudência judicial não destoa a esse respeito (grifamos): Além disso, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009, estabelece somente multas de mora, inclusive quando houver lançamento de ofício. O legislador considerou irrelevante, para efeito de aplicação da multa de mora, o fato de haver ou não informação a respeito do débito na GFIP. Isso porque as hipóteses de falta de declaração ou declaração inexata eram penalizadas com as multas previstas no art. 32, §§ 4º e seguintes, da Lei nº 8.212/91, que foram revogadas pela Lei nº 11.941/2009. De qualquer sorte, mesmo que haja dúvida quanto à natureza da penalidade aplicável (se é multa de mora ou de ofício), a lei deve ser interpretada da maneira mais favorável ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. TRF da 4ª Região, 1ª Turma, Apelação Cível nº 2005.71.11.0045302/RS, Rel. Des. Federal Joel Ilan Paciornik, julgado em 24/02/2010 Posto isso, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por comparar a multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do CTN. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, a fim de manter apenas as exigências fiscais incidentes sobre planos de PLR, cuja existência não foi comprovada, cancelandose as demais. Quanto às exigências mantidas, para fins de aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, voto por comparar a Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 17 31 multa por descumprimento de obrigação acessória e a multa por falta de pagamento de contribuição previdenciária impostas ao contribuinte de forma englobada, limitandoas ao percentual de 20% constante do novo art. 35 da Lei nº 8.212/91 (já com as alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009), por força interpretação mais favorável ao acusado, conforme determina o art. 112 do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Voto Vencedor Conselheira Andrea Brose Adolfo redatora ad hoc na data da formalização do acórdão. Para registro e esclarecimento, consigno que, pelo fato do conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, redator de parte do voto vencedor, ter deixado os quadros do CARF antes da formalização do acórdão, formalizo o acórdão na qualidade de redatora ad hoc para o voto vencedor nas matérias "Previdência Complementar e PLR". Esclareço que aqui reproduzo o voto deixado pelo conselheiro nos sistemas internos do CARF, com o qual não necessariamente concordo. Feito o registro. Matérias Previdência Complementar e Participação nos Lucros e Resultados Com a devida vênia, divirjo do relator quanto aos dois levantamentos: previdência complementar privada de entidade fechada e participação nos lucros ou resultados. Previdência complementar privada de entidade fechada O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. ... § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à Fl. 89DF CARF MF 32 exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). ... Em destaque nas transcrições acima, temse que, atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto à LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas ... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 18 33 II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Fl. 91DF CARF MF 34 Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador. No presente caso sob exame, os fatos geradores ocorreram posteriormente à LC n° 109/2001. Tratandose da modalidade de previdência complementar em regime fechado, de acordo com a tese aqui desenvolvida, há necessidade de disponibilização dos planos de previdência complementar à totalidade dos dirigentes e empregados. No presente caso, embora o acordo coletivo de trabalho permita o ingresso ao programa de previdência complementar de todos os segurados, somente aqueles com remuneração a partir de determinado valor terão direito à principal vantagem que é o aporte da empresa. Assim, não vejo como acatar a alegação de ser extensivo a todos quando para alguns foilhes retirado o principal atrativo. E observo que esses valores são superiores ao teto de contribuição da previdência social na época: 2005 R$ 2.668,15, 2006 R$ 2.801,56, 2007 R$ 2.894,28 e 2008 R$ 3.038,99. Assim, não se trata de restrição por conta da impossibilidade de se complementar o benefício concedido pelo INSS. Por tudo, entendo que não assiste razão ao recorrente. Participação nos lucros ou resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 19 35 junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Fl. 93DF CARF MF 36 Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, a recorrente oferece a seus segurados empregados uma participação nos lucros. O instrumento que disciplina o pagamento do benefício a todos é a formalização dos termos acordados através de comissão formada por empregados; contudo, carente de representante do sindicato. Diferentemente dos casos de acordos ou convenções coletivas de trabalho em que o sindicato já participa como parte das negociações, a ausência do representante do sindicato na comissão de empregados prejudica a legitimidade dos termos acordados. Os empregados ficam mais vulneráveis a contrapartidas ao benefício que podem frustrar completamente as expectativas dos trabalhadores. Devese lembrar também que os termos negociados pela comissão obrigarão a todos os empregados da empresa. Assim, para que tenha esse efeito erga omnes a presença do sindicato é requisito essencial de legitimidade. No caso de suposta negativa do sindicato, deve se aguardar que os representados interessados solucionem a controvérsia. Em razão dos fundamentos que adoto voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 20 37 Foi assim que o conselheiro redator do voto vencedor votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora ad hoc na data da formalização do acórdão Conselheira Andrea Brose Adolfo Redatora Retroatividade Benigna. Multas Aplicadas. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTAS APLICADAS. O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. De acordo com o relatório fiscal, o processo trata do lançamento de contribuições previdenciárias de segurados empregados e contribuintes individuais, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação entre o valor resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores e o valor resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 , acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Fl. 95DF CARF MF 38 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) Notase que o auditorfiscal, no momento da autuação já efetuou comparativo entre as multas vigentes na data do fato gerador e as multas supervenientes, em virtude das alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941, de 2009, conforme seguintes os trechos extraídos do relatório fiscal: IX APLICAÇÃO TEMPORAL DA LEI EM RELAÇÃO ÀS PENALIDADES 9.1 Considerando as alterações da Lei 8.212/1991 pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, e em atenção ao disposto na alínea "c" do inciso ll do artigo 106 da Lei 5.172/1966 Código Tributário Nacional, foram comparadas as multas impostas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores e as impostas pela legislação superveniente, tendo sido aplicadas as penalidades mais benéficas para o contribuinte, conforme demonstrativo apresentado no relatório “COMPArA", em CD anexo ao Auto. 9.2 Para as competências de 01/2005, 03/2005, 06/2005, 01/2006, 03/2006, 07/2006, 01/2007, 03/2007, 07/2007, 02/2008 a 04/2008, foi aplicada a multa incluída no Auto de Infração Al DEBCAD 37.257.9680, de Código de Fundamentação Legal CFL 68, prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, § 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 284, inc. ll, e art. 373, além da multa incluída no presente Auto, prevista na Lei n° 8.212, de 24/07/91, art. 35, I, ll, Ill (com a redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99); Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99, art. 239, Ill, "a", “b" e parágrafos 2° ao 6° e 11, e art. 242, parágrafos 1° e 2° (com a redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 29/11/99). 9.3 Para as competências de 02/2005, 04/2005, 05/2005, 07/2005 a 12/2005, 02/2006, 04/2006 a 06/2006, 08/2006 a 12/2006, 02/2007, 04/2007 a 06/2007, 08/2007 a 12/2007, 01/2008, 05/2008 a 12/2008, foi aplicada a multa prevista no artigo 35A da Lei n° 8.212, de 24/07/91 (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/96), ambos com redação da MP n°449 de 04/12/2008, convertida na Lei n°11.941, de 27/05/2009. Pelos excertos acima, constatase que a multa mais benéfica já foi calculada no momento da autuação, de acordo com o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito, e nos termos do art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Portanto não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna, consoante o disposto no artigo 106, II, c, do CTN, uma vez que tal procedimento já foi realizado pela fiscalização no momento da lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 476A da IN RFB 971/2009 e de acordo com o art. 2º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10830.016523/200903 Acórdão n.º 2301005.044 S2C3T1 Fl. 21 39 Pelo exposto, entendo que devam sem mantidos os valores da multa apurada incidente sobre a obrigação acessória. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Redatora Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.001027/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/02/2009
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA.
Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
Numero da decisão: 3301-003.988
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 05/02/2009 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
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MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 10 27 /2 00 9- 46 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11128.001027/200946 Acórdão n.º 3301003.988 S3C3T1 Fl. 214 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 63/73): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, a retificação de dados já incluídos no sistema informatizado de controle de cargas. Na documentação que acobertou a carga objeto da mencionada correção consta como agência de navegação responsável a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA., sujeito passivo da autuação. 2) A Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, estabelece as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, o qual é feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali estabelecidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) Nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007, a alteração em manifesto ou conhecimento eletrônico (CE) após o prazo para fornecimento do dado alterado também configura prestação extemporânea de informação, que dessa forma abrange a retificação, a inclusão, a exclusão, a vinculação, a associação e a desassociação de dados. 5) No presente caso, não ocorreu nenhuma das situações excludentes da penalidade definidas no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. 6) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11128.001027/200946 Acórdão n.º 3301003.988 S3C3T1 Fl. 215 3 estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. 7) A autuação foi realizada em conformidade com o entendimento formalizado na Solução de Consulta Interna nº 08, de 14/2/2008, por meio da qual a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) se posicionou pela aplicação da penalidade em foco levando em consideração a carga cujos dados exigidos não foram informados tempestivamente, e não a quantidade de informações sobre essa carga prestadas a destempo. 8) O lançamento também considerou as disposições contidas no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, materializada a infração, a aplicação da multa é cabível, independentemente da apuração de dolo ou culpa do interveniente, bem como da efetividade e extensão dos efeitos do ato infracionário. No caso, não há dúvidas que as informações foram prestadas pela autuada após o prazo estabelecido para esse fim. 9) Em relação aos intervenientes no comércio exterior, assim são consideradas todas aquelas pessoas indicadas pela legislação, como é o caso das citadas no § 2º do art. 76 da Lei nº 10.833/2003 e nos artigos 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. O lançamento foi formalizado em nome da autuada porque ela figurava como agência de navegação responsável no conhecimento eletrônico referente à carga, razão pela qual era obrigação dela prestar as informações exigidas no prazo fixado. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 20/1/2009 e apresentou impugnação (fls. 5058) em 9/2/2009, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) Por razões alheias à vontade da impugnante, como o atraso nas informações que deveriam ser prestadas pelos exportadores, houve atraso no registro do CE indicado pela fiscalização. b) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação nem causou embaraço ou impedimento à fiscalização, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. c) Mesmo que essa conduta pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11128.001027/200946 Acórdão n.º 3301003.988 S3C3T1 Fl. 216 4 ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. d) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.7790 7ª Turma da DRJ/FOR (fls. 55/66), julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/02/2009 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2009 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre carga transportada na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 74/84), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.268– 1ª Turma Especial (fls.116/124), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2009 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 11128.001027/200946 Acórdão n.º 3301003.988 S3C3T1 Fl. 217 5 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 126/138 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100429 – 1ª Câmara (fls 152/153), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 145/153). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.611– 3ª Turma (fls. 193/2001) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/02/2009 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 201): Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11128.001027/200946 Acórdão n.º 3301003.988 S3C3T1 Fl. 218 6 Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 74/84) o Recorrente, além da denúncia espontânea, que não constitui matéria da presente decisão, alega falta de fundamento legal para o lançamento da multa e ilegitimidade passiva. A Instrução Normativa Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, determinava que a retificação de conhecimento de embarque fora do prazo configurava prestação de informação fora do prazo, nos seguintes termos: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (grifouse) No entanto, o artigo transcrito foi revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 02 de junho de 2014. Ademais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna nº 2Cosit, de 4 de fevereiro de 2016, consolidou entendimento que a multa em pauta não se e aplica ao caso de retificação de informação já prestada pelo interveniente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 11128.001027/200946 Acórdão n.º 3301003.988 S3C3T1 Fl. 219 7 As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (grifouse) Dessarte, com supedâneo no art. 106, II, do CTN, na Instrução Normativa RFB nº 1473, de 2014 e na Solução de Consulta Interna nº 2 Cosit, de 2016, voto por afastar a penalidade e dar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721772/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.447
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que o processo número 13819.722690/2013-10 seja distribuído ao relator para julgamento conjunto dos feitos.
Nome do relator: Roberto Silva Junior
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que o processo número 13819.722690/201310 seja distribuído ao relator para julgamento conjunto dos feitos. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rotschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 19 .7 21 77 2/ 20 12 -5 8 Fl. 2988DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1017.17096.0CZN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13819.721772/201258 Resolução nº 1301000.447 S1C3T1 Fl. 2.989 2 Tratase de recurso voluntário interposto por VOLKSWAGEN DO BRASIL INDÚSTRIA DE VEÍCULOS AUTOMOTORES LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1449.188, da 15ª Turma da DRJ Ribeirão Preto (RPO), que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente e manteve o despacho no qual a DRF São Bernardo do Campo (SBC) se recusara a homologar as compensações declaradas pela recorrente. A DRF SBC, no Despacho nº 049/2013 (fls. 1.037 a 1.041), concluiu que a recorrente omitira receitas, as quais, se computadas na apuração do lucro real, modificariam o resultado do período, transformando o saldo negativo em imposto a pagar. Por conseguinte, foram indeferidos o direito creditório e a homologação das compensações. O motivo do indeferimento do pleito da recorrente foi a falta de prova de que as receitas financeiras a que correspondiam os valores retidos na fonte haviam sido oferecidas à tributação. Esse fato, além de motivar a não homologação das compensações, deu ensejo a lançamento de crédito tributário, formalizado em auto de infração que consta do processo administrativo nº 13819.722690/201310. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, à qual a DRJ RPO negou provimento, em decisão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVAS. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto n° 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. DILIGÊNCIA. Indeferese o pedido de diligência quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador, bem como quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). Apenas a cobrança do débito deverá aguardar o pronunciamento principal, se demonstrada a ocorrência de uma das causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DCOMP X AUTO DE INFRAÇÃO. REUNIÃO EM UM ÚNICO PROCESSO. NÃO CABIMENTO. Fl. 2989DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1017.17096.0CZN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13819.721772/201258 Resolução nº 1301000.447 S1C3T1 Fl. 2.990 3 O lançamento de IRPJ que decorra de infração relacionada à apuração da base de cálculo do tributo, e não propriamente do ato de não homologação das compensações na qual se utiliza como indébito o saldo negativo de IRPJ apurado em mesmo período, não enseja a formalização em um único processo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DCOMP X AUTO DE INFRAÇÃO. CONEXÃO PROCESSUAL. Dada a relação de causa e efeito, adaptase ao presente a decisão já prolatada nos autos do processo n° 13819.722690/201310, que trata do lançamento de ofício de crédito tributário decorrente da constatação de falta de tributação de receita financeira, porque resultou a reconstituição do imposto devido no ajuste anual com o afastamento da apuração de saldo negativo de IRPJ, o qual origina o direito creditório utilizado nas declarações de compensações aqui apreciadas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. A DIPJ tem efeito meramente informativo, constituindo, apenas, demonstrativo da existência do direito creditório pleiteado, cumprindo à pessoa jurídica comprovar a veracidade das informações prestadas em tal documento, quando o pedido de restituição compensação se origina de saldo negativo apurado em referida declaração. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÃO. IRRF. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS CORRESPONDENTES. O IRRF é antecipação do imposto devido no encerramento do período de apuração, constituindo dedução, quando comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos correspondentes e apresentado o respectivo Comprovante de Rendimentos Pagos, emitido nos termos da legislação vigente. Havendo incompatibilidade entre os valores de receitas declarados na DIPJ com aqueles informados nos sistemas da RFB, a falta de demonstração do regular oferecimento à tributação dos rendimentos de aplicações financeiras cuja dedução do IRRF se pleiteia enseja a adição dos valores correspondentes na determinação do Lucro Real. Feita a retificação cabível e considerada a dedução do IRRF, apurase saldo de imposto a pagar, já objeto de lançamento de ofício em processo distinto, mantido em decisão de primeira instância administrativa. DÉBITO OBJETO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. MULTA DE MORA E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. O tributo objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais, nos termos da legislação vigente. Não reconhecido o direito creditório, não se homologam as compensações trazidas a litígio. Não resignada, a recorrente apresentou recurso, no qual alega que: a) houve simples erro no preenchimento da DIPJ, o qual não implicou qualquer efeito sobre o resultado tributável, não trazendo prejuízo ao Fisco; Fl. 2990DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1017.17096.0CZN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13819.721772/201258 Resolução nº 1301000.447 S1C3T1 Fl. 2.991 4 b) a recorrente lançou a diferença entre os valores das receitas financeiras e o valor da variação monetária passiva, todavia o valor da despesa de variação monetária não foi inserido na linha respectiva, não produzindo duplicidade de dedução; c) houve nulidade por ausência de fundamentação quanto à norma infringida, além de existir discrepância entre os fundamentos e a conclusão; d) o auto de infração não se reveste das formalidades legais e regulamentares, especialmente no que concerne à clara e precisa descrição dos fatos e fundamentos legais que ensejaram a autuação; e) inexistência de efetiva omissão de receitas, pois o erro cometido pela recorrente não alterou o resultado do exercício, nem trouxe qualquer prejuízo ao Fisco; f) tributo não é sanção de ato ilícito e no lançamento deve prevalecer o princípio da verdade material, porém o procedimento adotado pela Fiscalização de não analisar as contas contábeis que compuseram as linhas da DIPJ e deixar de confrontálas com a escrituração comercial, impossibilitou chegarse à verdade material, o que se afigura contrário à correta aplicação da legislação tributária, tendo sido dada maior importância a aspectos formais, quando o correto seria efetuar exaustiva análise comparativa dos valores declarados; e g) impossibilidade de exigência de multa e juros sobre o crédito extinto por compensação, já que a recorrente não incorreu em mora, pois apresentou as declarações de compensação antes do vencimento do débito; Com esses fundamentos pediu o provimento do recurso; e, em caráter subsidiário, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que se comprovasse o equívoco na determinação da exigência materializada no auto de infração. É o que basta relatar. É incontroverso que existem dois procedimentos relativos ao mesmo contribuinte, ambos fundados em idêntica matéria de fato. Não foi por outra razão, aliás, que a DRJ RPO, ao decidir a controvérsia posta nestes autos, reproduziu boa parte do voto condutor da decisão prolatada no processo nº 13819.722690/201310 (Acórdão nº 1449.187 da DRJ RPO). E assim o fez amparada na "conexão processual" que ligava os dois processos administrativos. Ao final, concluiu aquele órgão julgador que "não restou infirmada a exigência fiscal de que trata o processo n° 13819.722690/201310, permanecendo, portanto, afastada a apuração de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 2008". O vínculo entre os dois processos administrativos também foi percebido por esta 1ª Turma Ordinária, ao iniciar o julgamento do processo 13819.722690/201310. Naquela oportunidade, o relator, Ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, apontou a relação entre os dois processos, propôs a conversão do julgamento em diligência para esclarecer matéria fática e, ao final, determinou o julgamento conjunto de ambos os processos. Encontramse na Resolução nº 1301000.334 as seguintes ponderações: Fl. 2991DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1017.17096.0CZN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13819.721772/201258 Resolução nº 1301000.447 S1C3T1 Fl. 2.992 5 Os lançamentos tributários objeto do presente processo decorrem de análises empreendidas em DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO apresentadas pela autuada e que encontramse sendo apreciadas nos autos do processo administrativo n° 13819.721772/201258. Observo, inclusive, que o signatário da peça de autuação é o mesmo do Despacho Decisório exarado no citado processo n° 13819.721772/201258. (...) Em vista do exposto, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que: a) seja distribuído, para fins de julgamento conjunto com o presente, o processo n° 13819.721772/201258; e b) a unidade de origem informe se os valores consignados na declaração de informações (DIPJ/2009) encontram lastro nos registros contábeis da contribuinte. (g.n.) Como se percebe, havia determinação para julgamento conjunto dos dois processos. Aplicase à situação aqui examinada o disposto no art. 6º, § 1º, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF: Art. 6o Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1° Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Portanto, com fulcro no dispositivo regimental acima transcrito, voto no sentido de sobrestar o julgamento do recurso até que o processo número 13819.722690/201310 seja distribuído ao relator para julgamento conjunto dos feitos. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 2992DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1017.17096.0CZN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ROBERTO SILVA JUNIOR em 03/10/2017 00:14:00. Documento autenticado digitalmente por ROBERTO SILVA JUNIOR em 03/10/2017. Documento assinado digitalmente por: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO em 06/10/2017 e ROBERTO SILVA JUNIOR em 03/10/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 09/10/2017. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1017.17096.0CZN Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: D86AC7B7EFB898855C5F117D42F76B27867B52120117A6B5585DFAE5FC263851 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13819.721772/2012-58. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13116.901606/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.955
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 06 /2 01 2- 51 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901606/201251 Acórdão n.º 3201002.955 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.587, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901606/201251 Acórdão n.º 3201002.955 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901606/201251 Acórdão n.º 3201002.955 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901606/201251 Acórdão n.º 3201002.955 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901606/201251 Acórdão n.º 3201002.955 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901606/201251 Acórdão n.º 3201002.955 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901606/201251 Acórdão n.º 3201002.955 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901606/201251 Acórdão n.º 3201002.955 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901606/201251 Acórdão n.º 3201002.955 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001199/2009-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar.
Embargos Acolhidos.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-004.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando se constata a existência de omissão do colegiado em ponto sobre o qual deveria pronunciar. Embargos Acolhidos. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 11 99 /2 00 9- 61 Fl. 6821DF CARF MF Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302004.735 S3C3T2 Fl. 6.561 2 Trata o presente de embargos opostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 3302003.096. Conforme relatado nos embargos opostos, a embargante alegou que o crédito pleiteado referente ao item 6.a serviços utilizados como insumos relacionados diretamente com o processo produtivo foi de R$ 541.186,48, enquanto que a fiscalização, em diligência, manteve a glosa de R$ 417.206,62, restando assim comprovado pela própria fiscalização que a diferença de R$ 123.979,86 seria relacionada diretamente com o processo produtivo. Informou que em julgamento, o acórdão embargado manteve a glosa de R$ 237.763,47, admitindo crédito de R$ 179.443,15 dos R$ 417.206,62 glosados pela fiscalização. Assim, a embargante alegou equívoco no resultado do julgamento, pois o crédito total admitido seria a soma de R$ 123.979,86, já admitidos em diligência, com R$ 179.443,15, admitidos em julgamento, ou seja, R$ 303.423,01. Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os embargos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Reconhecese, de fato, o equívoco cometido no julgamento. A informação fiscal resultante da diligência confirmou a apresentação de documentos objetivando comprovar as alegações da recorrente no montante de R$ 541.186,48, relativo ao item 6.a) serviços utilizados como insumos, efl.3502. Na análise do referido item, a fiscalização manteve a glosa de R$ 417.206,62, admitindo, pois, que a diferença de R$ 123.979,86 restaria comprovada e o admitida, conforme efl. 3515. Este valor, somado ao admitido no julgamento, totalizou R$ 303.423,01 de créditos em relação ao item 6.a, importando o reconhecimento da reversão deste valor relativa à glosa de serviços utilizados como insumos. Destarte, voto para acolher os embargos no sentido de retificar o acórdão embargado nos seguintes termos: 1. Excluamse os parágrafos abaixo da efl. 6592: "Assim, as glosas totalizam 237.763,47, ou seja, do total de R$ 417.206,62, devem ser admitidos créditos sobre R$ 179.443,15. Concernente ao item 6.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais, radiológicos, transporte de funcionários, elaboração de projetos, ginástica laboral, hospedagem, monitoramento, sistema de alarme, manutenção de ramais Fl. 6822DF CARF MF Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302004.735 S3C3T2 Fl. 6.562 3 telefônicos etc, que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa de R$ 52.498,87. Relativamente ao item 6.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa de R$ 12.125,36. Portanto, é admissível o creditamento sobre serviços utilizados como insumos de R$ 179.443,15." Para incluir os seguintes parágrafos: "Assim, as glosas totalizam 237.763,47, ou seja, do total de R$ 417.206,62, devem ser admitidos créditos sobre R$ 179.443,15, que somados aos R$ 123.979,86, reconhecidos pela fiscalização em diligência, totalizam R$ 303.423,01 a serem admitidos em relação ao item 6.a. Concernente ao item 6.b tratamse de serviços relativos a exames admissionais, radiológicos, transporte de funcionários, elaboração de projetos, ginástica laboral, hospedagem, monitoramento, sistema de alarme, manutenção de ramais telefônicos etc, que não possuem inerência ao processo produtivo, devendo ser mantida a glosa de R$ 52.498,87. Relativamente ao item 6.c, a recorrente reconhece a procedência da glosa de R$ 12.125,36. Portanto, é admissível o creditamento sobre serviços utilizados como insumos de R$ 303.423,01." 2. Excluir o dispositivo abaixo de efl. 6598: "Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens de R$ 2.349.240,12, material de reposição de R$ 811.454,52, amônia no valor de R$ 1.512,00, combustíveis e lubrificantes de R$ 65.260,71, serviços como insumos de R$ 179.443,15, fretes de R$ 10.406.381,40 e encargos de depreciação de R$ 43.128,47, todos valores referentes a base de cálculo." Para incluir o dispositivo abaixo: "Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório sobre embalagens de R$ 2.349.240,12, material de reposição de R$ 811.454,52, amônia no valor de R$ 1.512,00, combustíveis e lubrificantes de R$ 65.260,71, serviços como insumos de R$ 303.423,01, fretes de R$ 10.406.381,40 e encargos de depreciação de R$ 43.128,47, todos valores referentes a base de cálculo." (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 6823DF CARF MF Processo nº 10925.001199/200961 Acórdão n.º 3302004.735 S3C3T2 Fl. 6.563 4 Fl. 6824DF CARF MF
score : 1.0
