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Numero do processo: 10820.003043/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1264; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 443 1 442 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.003043/200811 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.523 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 13 de agosto de 2013 Assunto IRRF Recorrente UNIMED DE LINS COOPERAT. TRABALHO MEDICO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 20 .0 03 04 3/ 20 08 -1 1 Fl. 443DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003043/200811 Resolução nº 2202000.523 S2C2T2 Fl. 444 2 Relatório 1 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO A recorrente, cooperativa de trabalho médico, realizou pedido de compensação de IRRF a pagar com IRRF retido quando do recebimento de pagamentos de seus segurados pelos planos de saúde. Tal pedido foi realizado por meio de PER/DCOMP (fls. 0313 do e processo) relativa aos períodos de maio e abril de 2003. O total do crédito pleiteado foi de R$ 4.736,93 para o mês de abril, e R$ 4.977,12 para o mês de maio. 2 DESPACHO HOMOLOGATÓRIO O pleito da recorrente foi analisado pelo Fisco (fls. 6162 do eprocesso), que emitiu despacho homologatório (fls. 6364 do eprocesso) acolhendo parcialmente o pedido. O fundamento para a negativa de parte dos créditos pleiteados foi a divergência entre os valores declarados a título de retenção sofrida e os valores declarados pelos segurados em suas DIRF’s: 1) RECONHECER o direito creditório da interessada, no montante de R$ 7.760,32, referente ao IRRF retido na fonte por pessoas jurídicas em razão de serviços prestados por profissionais médicos associados à cooperativa de trabalho, nos meses de março e abril de 2003; e 2) HOMOLOGAR EM PARTE a Declaração de Compensação que constitui o objeto do presente processo, por ter sido demonstrada a inexistência parcial dos créditos relativos à retenção do IRRF, pelas beneficiárias da prestação de serviços de assistência médica pela requerente, conforme segue: Débito P. A. Vencimento Valor R$ IRRF (0588) 3ª semana 04/2003 24/04/2003 4.736,93 IRRF (0588) — parte 3ª semana 05/2003 21/05/2003 1.917,73 Desse modo, remanesceu saldo devedor de R$ 3.059,39, o qual deveria ser pago pela recorrente ou compensado com outros créditos. 3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A recorrente contestou o despacho emitido pela Fazenda, mediante apresentação de manifestação de inconformidade (fls. 8284 do eprocesso) alegando que as retenções foram efetivamente realizadas e que não pode ser responsabilizada pelos erros de declaração de seus contratantes. Para comprovar a inconformidade das DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, apresentou tabelas comparativas (fls. 166 e 188 do eprocesso) e faturas dos valores recebidos (fls. 167187 e 189209 do eprocesso). Fl. 444DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003043/200811 Resolução nº 2202000.523 S2C2T2 Fl. 445 3 4 ACÓRDÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A 5ª Turma da DRJ/POR acordou (fls. 215219 do eprocesso), por unanimidade de votos, pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada. O fundamento para negar provimento à peça impugnatória da recorrente foi a falta de comprovação da efetividade e da natureza de cada operação. A Turma entendeu que as provas necessárias eram as notas fiscais das operações e o registro contábil do recorrente, de modo que os documentos apresentados foram considerados insuficientes para a comprovação dos fatos necessários. 5 RECURSO VOLUNTÁRIO Ciente do acórdão em 14/09/11, a recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, em 30/09/11, reiterando os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando: a) enquanto sociedade civil, a recorrente está autorizada a emitir faturas, nos termos do art. 20 da Lei nº 5.474/68. Essa fatura deve discriminar a natureza dos serviços prestados e deve servir à comprovação dessa natureza; b) apresenta cópia da conta que registra as retenções sofridas no livro razão analítico (fls. 232441 do eprocesso), e pede a baixa dos autos em diligência para verificar a idoneidade dos crédito utilizados por meio de prova pericial,. É o relatório. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10820.003043/200811 Resolução nº 2202000.523 S2C2T2 Fl. 446 4 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo A recorrente apresentou recurso voluntário com o fim de reforma de decisão que considerou improcedente a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP para períodos do ano de 2003. O fundamento da decisão foi a falta de comprovação da efetividade da retenção sofrida. Após extensiva análise dos documentos apresentados, constatouse que i) as duplicatas apresentadas conferem com o relatado no pedido de compensação; ii) estão faltando as páginas 152 a 186 do Livro Razão, na qual estariam presentes as contas de diversas pessoas jurídicas responsáveis por parte das retenções efetuadas, como, por exemplo, Promilat Ind. e Comércio de Laticínios, Prefeitura de Municipal de Sabino e Prefeitura Municipal de Pongai. Desse modo, conjugando a plausibilidade das alegações e comprovações existentes com a prudência indispensável nas declarações que implicam extinção do direito subjetivo da Fazenda, entendo que o feito deve ser convertido em diligência, materializada nas seguintes ações: a) intimação do contribuinte, para que apresente cópia integral do livro “razão auxiliar de clientes”, de modo a corrigir a falha da prova apresentada; b) solicitação à Fiscalização para que confronte os valores contidos nas duplicatas (fls. 167187 e 189209 do eprocesso) com os lançados no Livro Razão a ser apresentado pelo contribuinte, de modo a verificar se todos os valores apresentados a título de retenção sofrida estão devidamente comprovados por esses documentos. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 446DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por RAFAEL PANDOLFO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001742/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto.
LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO.
Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização - que envolve o acondicionamento no pallet, plástico de coberto e colocação do filme strecht - não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratando-se, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito.
RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL.
O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de pallets de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo stretch, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Pallaretti Calcini, OAB/SP nº 197.072.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização - que envolve o acondicionamento no pallet, plástico de coberto e colocação do filme strecht - não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratando-se, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de pallets de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo stretch, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Pallaretti Calcini, OAB/SP nº 197.072.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 196 1 195 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.001742/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.628 – 2ª Turma Especial Sessão de 28 de fevereiro de 2013 Matéria PIS/PASEPRESTITUIÇÃO Recorrente COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 42 /2 01 0- 11 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Pallaretti Calcini, OAB/SP nº 197.072. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 Ementa: CONCEITO DE INSUMO. MATERIAL DE EMBALAGEM. O conceito de insumo abrange somente a embalagem incorporada ao produto durante o processo de industrialização, que agregue valor comercial ao produto através de sua apresentação ou que objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. PERCENTUAIS DE RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. COMPOSIÇÃO DA RECEITA BRUTA TOTAL. O crédito ressarcível oriundo de Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001742/201011 Acórdão n.º 3802001.628 S3TE02 Fl. 197 3 custos, despesas e encargos comuns, quando determinado pelo método da proporcionalidade, será obtido aplicandose a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total da empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A manifestação de inconformidade foi apresentada em face de despacho decisório proferido em pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado de PIS/Pasep. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”, materiais estes utilizados no acondicionamento do produto industrializado pela Recorrente. Isso porque, de acordo com o Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), o creditamento seria restrito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização, sem compreender os materiais de acondicionamento, utilizados exclusivamente para fins de transporte das mercadorias. Entendeuse ainda que o interessado não teria juntado qualquer prova de que os referidos materiais seriam vendidos com o produto final; e que, ademais, a apuração do crédito relativo a custos, despesas e encargos comuns deveria ser determinada a partir da receita bruta total da empresa, e não apenas sobre a receita da venda de produtos lácteos. O Recorrente, nas razões de fls. 136162, sustenta que a confrontação entre os créditos da unidade de laticínios com a totalidade dos ingressos da cooperativa, realizada pela autoridade fiscal, seria contrária ao disposto no art. 15, III, da Lei nº 9.779/1999, o que implicaria a nulidade do auto de infração. Alega que a própria Fiscalização teria validado o critério de confrontação da totalidade dos créditos dos estabelecimentos do sujeito passivo, por meio do processo administrativo nº 13016.000165/200739. E que essa orientação seria vinculante, por força do disposto no arts. 100 e 146 do Código Tributário Nacional. Aduz que o conceito de insumos seria mais amplo que o adotado pela decisão recorrida, compreendendo todos os custos, despesas e dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica, visando à obtenção de receita. O direito ao crédito também seria decorrente da natureza dos produtos fabricados (do gênero alimentício), sujeitos à exigências e imposições de outros órgão públicos para o exercício da atividade econômica, em especial a Resolução nº 10/1984, do Ministério da Agricultura, Portaria SVS/MS nº 326/1997 e Resolução Anvisa nº 275/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 20/10/2011 (fls. 133), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 16/11/2011 (fls. 195), portanto, dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). A matéria em debate, por sua vez, está inserida na 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 competência da Terceira Seção, de sorte que, presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE O Recorrente alega preliminarmente a nulidade do auto de infração em razão da não observância dos critérios de rateio dos créditos. Tratase, porém, de preliminar que se confunde com o mérito e deve ser apreciada em conjunto com este. II DO DIREITO AO CRÉDITO DE EMBALAGENS A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001742/201011 Acórdão n.º 3802001.628 S3TE02 Fl. 198 5 aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, verificase que a DRJ, consoante já destacado, não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”, assentado nos seguintes fundamentos: “[...] Considerando a definição do vocábulo ‘insumo’ nas instruções normativas supramencionadas [Instruções Normativas n° 247/2002e n° 404/2004] e, de interesse no contexto tratado no presente processo, devese concluir que são citados a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Observese que a abrangência da definição ‘insumo’ remete à produção ou fabricação do produto, dessa forma o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a ̀venda. Tendo em vista que a utilização desses créditos resultará em redução da contribuição devida, equivalendo a uma renúncia de receita, cumpre observar o princípio da interpretação literal, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos, consoante o disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Assim, há que se interpretar restritivamente a legislação referente à nova sistemática. A dúvida suscitada reside especificamente se os valores indicados pelo interessado, relativos aos gastos com material utilizado no acondicionamento para transporte podem ser considerados insumos. O relatório fiscal menciona claramente que a glosa foi efetuada sobre as aquisições de bens considerados fora do conceito de insumos, o que se deu em relação às despesas com embalagens que se destinavam ao transporte dos produtos elaborados, no caso: pallets de madeira, plástico de cobertura e filme plástico transparente ‘stretch’. Neste ponto, é importante tecer alguns comentários acerca da diferenciação entre as embalagens que acondicionam diretamente aos produtos e a eles se incorporam, e aquelas utilizadas apenas para o seu transporte. Embora aqui a discussão verse sobre a base de cálculo do PIS e da COFINS, buscase na legislação do IPI (Decreto n. 4.544/2002 RIPI), conforme o próprio interessado mencionou em sua manifestação, a distinção entre os dois tipos de embalagem: [...] 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001742/201011 Acórdão n.º 3802001.628 S3TE02 Fl. 199 7 Resta evidente, portanto, a distinção existente entre as embalagens incorporadas aos produtos apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam, por conta disso, tãosomente ao seu acondicionamento e transporte, e aquelas embalagens incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, que geram créditos a serem descontados das contribuições, por se constituírem em insumos, na acepção da legislação. Podese, assim, dizer que a embalagem de apresentação é aquela com a qual o produto se apresenta ao usuário no ponto de venda, ou seja, é a embalagem tida como elemento importante na decisão de compra do produto que estará junto com outros nas prateleiras. Temse, portanto, que o direito ao creditamento abrange somente a embalagem incorporada ao produto durante o processo de industrialização, que agregue valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. Assim, considerando o relatório fiscal elaborado pela unidade jurisdicionante e as próprias ponderações da interessada em sua manifestação de inconformidade, quando juntou fotografias para demonstrar os materiais cujas aquisições tiveram os respectivos créditos glosados, fica claro que os pretendidos créditos se referem a despesas com materiais de acondicionamento utilizados exclusivamente para o transporte das mercadorias. Devese ressaltar, a partir da observação das próprias fotografias anexadas pelo contribuinte, que seu produto é também acondicionado em outras embalagens que são de fato incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, com põe sua apresentação final e acabamento para utilização pelo consumidor, como é o caso das caixas menores de papelão para acondicionamento em lotes de 12 unidades e das embalagens do tipo ‘tetrapack’, cujas aquisições corretamente não foram glosadas, gerando o respectivo direito ao crédito. Importante, também, frisar que o interessado não juntou qualquer documentação no sentido de apontar que os referidos materiais de acondicionamento, cujas aquisições foram glosadas, possam ter sido vendidos juntamente com seu produto ao consumidor final. Pelo contrário, em face das evidências de que tais materiais de acondicionamento sequer integram os produtos na forma em que estes se apresentam ao consumidor final no ponto de venda, não resta outra alternativa senão considerálos como utilizados exclusivamente no transporte dos produtos industrializados.” A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito de insumo restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 244/2004 não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: Art. 66. [...] § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Por outro lado, no presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições HigiênicosSanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matériasprimas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matériasprimas e produtos acabados: 8.8.1 – As matériaprimas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi demonstrado ainda que o “pallet” têm natureza “oneway” (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. O Recorrente, portanto, mesmo considerando os critérios da IN SRF nº 244/2004 e ao conceito de insumo adotado pela jurisprudência do CARF, tem direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira não retornáveis (“one way”), plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001742/201011 Acórdão n.º 3802001.628 S3TE02 Fl. 200 9 Por fim, afastada a interpretação restritiva adotada pela decisão recorrida, descabe a exigência de prova da venda dos materiais de acondicionamento com o produto ao consumidor final. III DOS CRITÉRIOS DE RATEIO Em relação as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à alíquota zero, o Recorrente por não apresentar um sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração optou pela aplicação do critério do rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003: “Art. 3º [...] § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Foram consideradas, porém, apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero, o que, de acordo com o sujeito passivo, teria sido validado no âmbito do processo administrativo nº 13016.000165/200739. Referida orientação, ainda segundo o interessado, seria vinculante para a Administração Fazendária, por força do disposto no arts. 100 e 146 do Código Tributário Nacional. Todavia, em que pese as razões aduzidas pelo Recorrente, entendese que, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, acima transcrito, o rateio proporcional deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês. Deve ser mantida, assim, o critério do despacho decisório, acolhido pela decisão recorrida, nos termos seguintes: O disposto nos incisos II, dos §§ 8o, acima transcritos, é bem claro ao determinar que a relação percentual aplicase aos custos, despesas e encargos comuns. Ao estabelecerem o método de rateio proporcional, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 definem que a relação proporcional deve ser aquela observada entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. A expressão "receita bruta total" utilizada não comporta a interpretação restritiva Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 pretendida pelo interessado no sentido de reduzir o conceito do termo empregado, para incluir apenas as receitas decorrentes de vendas de produtos lácteos. Caso o legislador, em algum momento, pretendesse se referir somente à parcela das receitas decorrentes da atividade principal da empresa. O processo administrativo nº 13016.000165/200739, por sua vez, como se depreende da passagem transcrita na petição recursal, limitouse a reproduzir o mesmo critério da legislação, isto é, não autorizou, com a devida vênia, o cálculo por estabelecimento: “[...] os custos e encargos comuns devem ser rateados consoante contabilidade de custos integrada e coordenada com a contabilidade ou – s.m.j., por analogia, conforme art. 108 do CTN, com o § 8º do art. 3º das leis 10.637 e 10.833 – segundo a proporção das receitas brutas da venda de produtos de alíquota zero comparadas às receitas de produtos tributados a alíquotas positivas. Destarte, no item 2 da intimação fiscal nº 07, intimados a contribuinte a efetuar o rateio segundo um desses dois critérios.” (documentos em anexo, os grifos são nossos).” Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900761/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Oct 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO PRÉVIO À DECLARAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA.
Configura denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN, o pagamento do tributo devido acompanhado dos juros de mora, desde que o recolhimento seja prévio à apresentação da declaração do débitos tributários e à ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório pelo Fisco. A denúncia espontânea exclui a aplicação da multa moratória.
Numero da decisão: 3201-001.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos(a) os(a) Conselheiros(a) Joel Miyazaki e Mércia Helena Trajano Damorim.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
EDITADO EM: 03/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO PRÉVIO À DECLARAÇÃO. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. Configura denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN, o pagamento do tributo devido acompanhado dos juros de mora, desde que o recolhimento seja prévio à apresentação da declaração do débitos tributários e à ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório pelo Fisco. A denúncia espontânea exclui a aplicação da multa moratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos(a) os(a) Conselheiros(a) Joel Miyazaki e Mércia Helena Trajano Damorim. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. EDITADO EM: 03/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Mércia Helena Trajano Damorim, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 07 61 /2 00 8- 43 Fl. 196DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10950.900761/200843 Acórdão n.º 3201001.451 S3C2T1 Fl. 197 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o processo de manifestação de inconformidade, apresentada em face da homologação parcial da compensação declarada por meio do Per/Dcomp 24191.20478.240804.1.3.04 8925 nos termos do despacho decisório emitido em 09/05/2008 pela DRF em Maringá/PR (cópia à fl. 06). Segundo o despacho decisório, cientificado em 21/05/2008 (fl. 09), a compensação foi parcialmente homologada porque apenas a parcela de R$ 0,01 do pagamento realizado em 15/04/2001 (no total de R$ 10.465,43, cod. 8109), encontravase disponível. Na manifestação apresentada a contribuinte, após breve relato dos fatos, defende a suspensão da exigibilidade do crédito tributário compensado, discorre sobre a impossibilidade da exigência de multa sobre débitos tributários pagos espontaneamente (a teor do art. 138 do CTN) e aduz o caráter sancionatório da multa aplicada. Ao final, pede o acolhimento da manifestação, a suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, a não lavratura de auto de infração para exigir a multa de mora e a não aplicação, por parte da Fazenda, da multa isolada punitiva. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. COMPENSAÇÃO. CREDITO INEXISTENTE. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Comprovado nos autos que o crédito informado corno suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, mantémse a homologação das compensações requeridas até o limite do crédito reconhecido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10950.900761/200843 Acórdão n.º 3201001.451 S3C2T1 Fl. 198 3 É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A lide restringese ao pedido de restituição de valores pagos indevidamente a título de multa de mora, devido à recorrente entender que o pagamento foi feito espontaneamente, e desta forma estaria albergado pela norma prevista no artigo 138 do CTN. O referido dispositivo assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Tal regra, com o objetivo estimular os contribuintes a se anteciparem a autoridade fiscal, dispensa estes do pagamento de multa. Para ter este direito, os contribuintes precisam efetuar o pagamento do crédito tributário que poderia ter sido constituído, mas não o foi, nem se encontra em fase de constituição, acrescido dos correspondentes juros de mora. O STJ, em dois julgamentos de recursos repetitivos representativos da controvérsia decididos na sistemática prevista pelo artigo 543C do CPC, de observância obrigatória por este órgão colegiado conforme estabelecido pelo artigo 62A do RICARF, estabeleceu os limites da aplicação da denúncia espontânea. No Resp nº 886.462RS, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, restou estabelecido que, em tendo o contribuinte declarado o tributo devido mas sem o correspondente recolhimento no vencimento, o pagamento a destempo não se configura como denúncia espontânea. Transcrevese a ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E NÃO PAGO NO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1 Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, ou de outra declaração dessa natureza, Fl. 198DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10950.900761/200843 Acórdão n.º 3201001.451 S3C2T1 Fl. 199 4 prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido . 2. Recurso especial parcialmente conhecido e, no ponto, improvido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. De acordo com esta decisão, se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido não se configura como denúncia espontânea para fins da exclusão da responsabilidade prevista no artigo 138 do CTN. Posteriormente, no julgamento do Resp nº 1.149.022SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, restou definida a configuração de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento do fisco), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Abaixo transcrevese a ementa deste julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e Resp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente Fl. 199DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10950.900761/200843 Acórdão n.º 3201001.451 S3C2T1 Fl. 200 5 inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A decisão distingue, portanto, o contribuinte que declara previamente o tributo devido, mas efetua o recolhimento a destempo, daquele que efetua o recolhimento antes de apresentar a declaração ou do início do procedimento fiscal de apuração do crédito tributário. Como já visto, a denúncia espontânea não resta caracterizada nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Configurase a denuncia espontânea, contudo, caso o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10950.900761/200843 Acórdão n.º 3201001.451 S3C2T1 Fl. 201 6 Este entendimento tem por base o fato de que, caso o recolhimento do tributo devido seja feito previamente a apresentação da declaração, tornase desnecessária a ação do Fisco para a constituição do crédito tributário. Em assim agindo o contribuinte, antecipandose a fiscalização, caracterizase a denuncia espontânea da infração, com a consequente exclusão da responsabilidade decorrente deste ato. Estabeleceuse, portanto, a data da constituição do crédito tributário como critério principal para se definir a espontaneidade. O julgado define ainda que o instituto da denúncia espontânea abrange também as multas moratórias, dado trataremse de penalidades pecuniárias, de caráter eminentemente punitivo, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Ingressandose na análise do caso concreto à luz do exposto, temos que a recorrente procedeu com o pagamento do tributo devido acrescido de juros de mora e de multa de mora em 15/4/2002, tendo apresentado a DCTF em 15/5/2002. Constatase que o recolhimento foi efetivado antes de constituído o crédito tributário, de forma a caracterizar a denúncia espontânea da infração, com a consequente exclusão da responsabilidade pela infração. Os valores recolhidos a título de multa de mora, portanto, mostramse indevidos, possuindo a recorrente direito a sua restituição ou a compensação com tributos devidos. Diante do exposto, voto pela procedência da manifestação de inconformidade, reconhecendo o crédito tributário requerido e homologando a compensação declarada. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 201DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 20/10/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10665.720816/2010-73
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO.
Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refira-se à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I).
PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo.
FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao frete na operação de venda (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto.
FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Trata-se de matéria-prima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, a, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL.
Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado.
AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO.
O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; Decreto-Lei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, a).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Redator designado.
EDITADO EM: 06/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DECORRENTES DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS. VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO. DESPESAS DE FRETE. AMPLITUDE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. ALÍQUOTA ZERO. Embora o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, refirase à frete nas operações de venda, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos, que decorre dos incisos I e II. O creditamento ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou do bem adquirido para revenda, sendo calculado a partir do custo de aquisição, no qual está compreendido o frete (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Na aquisição de bens e de insumos sujeitos à alíquota zero, somente há direito ao crédito quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep e pela Cofins, o que também se aplica ao frete pago no transporte (Lei nº 10.833/2003, arts. 3º, § 2º, II). Assim, não há direito ao crédito do frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda, uma vez que a operação antecedente também está sujeita à alíquota zero (art. 25, I). PIS/PASEP. CREDITAMENTO. FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Por ausência de dispositivo legal permissivo, inexiste direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. FRETE. TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS DESTINADOS À VENDA. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 08 16 /2 01 0- 73 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 A legislação não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX), sendo irrelevante o fato de se tratar de produto ou subproduto. FRETE. REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. O arroz à granel para fins de industrialização não constitui produto nem subproduto do adquirente. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. Portanto, deve ser reconhecido o direito ao crédito, porque o frete integra o custo de aquisição (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. ROLETES, CONE DE ROLETES E FUSO TRANSPORTADOR. AUSÊNCIA DE PROVA DE VIDA ÚTIL. Em se tratando de bens que, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato, o contribuinte, para ter reconhecido o direito ao crédito, deve demonstrar as circunstâncias de sua utilização no processo produtivo e, principalmente, se os mesmos estão sujeito a um processo de desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA. PÊSSEGO ENLATADO. O sujeito passivo tem direito ao crédito do frete relativo a produto acabado adquirido para revenda, porque o mesmo integra o custo de aquisição do bem (Instrução Normativa SRF nº 404/2004, art. 8º, § 3º; DecretoLei nº 1.598/1977, art. 13, § 1º, “a”). Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório relativo às despesas de frete devido no transporte de venda de subprodutos; de remessa de arroz à granel para industrialização; e de aquisição de produto acabado ("pêssego enlatado") para revenda. Por unanimidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo ao frete no retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda; e ao frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete e fuso transportador. Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao crédito relativo às despesas de frete devido no transporte de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz. Vencidos, neste ponto, os Conselheiros Solon Sehn (relator), Bruno Curi e Cláudio Pereira.Designado, neste ponto, o Conselheiro Regis Xavier Holanda para redação do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 3802001.319 S3TE02 Fl. 372 3 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Redator designado. EDITADO EM: 06/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo ora Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO A compensação é regular no caso da existência de créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A manifestação de inconformidade referese à pedido de ressarcimento de créditos de PIS/Pasep decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados à vendas efetuadas com alíquota zero, formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005. O acórdão da DRJ não reconheceu o crédito relativo ao frete nas aquisições e nos retornos de produtos enviados para industrialização perante terceiros; na “remessa de arroz acabado para entrega a clientes, mas antes passando pela Matriz”; no transporte de subprodutos, de arroz a granel entre estabelecimentos industriais da pessoa jurídica e na aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. O ressarcimento foi admitido apenas no tocante ao frete na aquisição de matériaprima (arroz em casca) de produtor rural pessoal física, de embalagens e na remessa de matériaprima para industrialização, nos anos de 2005 e 2006. A Recorrente, nas razões recursais de fls. 342360, pleiteia a reforma da decisão recorrida, alegando que o frete na remessa e no retorno de matériaprima para industrialização por terceiros estaria vinculado ao processo produtivo, integrando, assim, o custo de industrialização do produto acabado. Sustenta ainda que a Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 não poderia ser invocada como fundamento para a vedação do crédito de frete Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 na transferência de produto acabado entre a filial e a matriz, porquanto, de acordo com o art. 16, § 4º, da Instrução Normativa nº 740/2007, seus efeitos não podem retroagir. Alega ter direito ao crédito nas transferências entre estabelecimentos, uma vez que se trata de operação realizada com o intuito de aperfeiçoar a logística de distribuição, isto é, despesas vinculadas diretamente à operação de venda. Aduz que o frete na remessa de subprodutos e de arroz a granel para ser industrializado, de produto acabado e de subproduto destinado à venda deve ser reconhecido, segundo recente jurisprudência do Carf, que interpreta o conceito de insumo de modo abrangente de todos os custos e despesas necessários para a operação do contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A interessada teve ciência da decisão no dia 30/08/2011 (fls. 341), interpondo recurso tempestivo em 28/09/2011 (fls. 342). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. O pedido de ressarcimento foi formulado com fundamento no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 e no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que assim dispõem: Lei nº 11.116/2005 “Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.” Lei nº 11.033/2004 “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Os créditos em discussão, por sua vez, referemse às despesas de frete devido no transporte (i) de produtos enviados para industrialização por terceiros (“retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”); (ii) de produto acabado para Fl. 374DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 3802001.319 S3TE02 Fl. 373 5 venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (iii) de subprodutos; (iv) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (v) de aquisição de produto acabado e de subprodutos destinados a revenda. I PRODUTOS ENVIADOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA Cumpre destacar que, embora a decisão recorrida se refira à “aquisições e retorno de produtos enviados para industrialização junto a terceiros, com alíquota zero (item C)”, notase, a partir do termo de verificação de fls. 22 e seguintes, que, a rigor, a glosa do crédito diz respeito ao frete no “retorno de mercadorias remetidas para industrialização por encomenda”. A legislação aplicável ao regime nãocumulativo do PIS/Pasep e da Cofins disciplina o creditamento decorrente das despesas com frete nos seguintes termos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; É preciso ter cautela na interpretação da amplitude do direito ao crédito relativo às despesas com frete. Isso porque, embora o art. 3º, IX, refirase à “frete nas operações de venda”, o contribuinte que adquire bens para revenda ou para utilização como insumo também tem direito ao crédito do frete pago no transporte de tais produtos. Este, porém, não decorre do inciso IX, mas dos incisos I e II do art. 3º, porque a base de cálculo do crédito constitui o custo de aquisição do bem, que também é composto pelo frete pago na entrega. O creditamento do frete, assim, ocorre de forma indireta, vinculada ao crédito do insumo ou bem adquirido para revenda. Com efeito, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, o cálculo do crédito deve considerar o custo de aquisição do bem ou serviço: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de frota própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; Na aquisição de insumos e de mercadorias para revenda, portanto, o contribuinte tem direito ao crédito do frete, à medida que este integre o custo de aquisição, consoante amplamente reconhecido em diversas soluções de consulta: [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo (Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006). FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática não cumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 3802001.319 S3TE02 Fl. 374 7 contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática (Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. No mesmo sentido, cf.: Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010; Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006; Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007) Ao promover a glosa do crédito, a autoridade competente não divergiu dessa orientação, consoante se depreende da seguinte passagem do ato que serviu de fundamento para o despacho decisório (fls. 22 e seguintes): “Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens, conforme artigo 289, § 1º do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99). Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, como é o caso das aquisições de pessoas físicas e com alíquota zero, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito.” De fato, na industrialização por encomenda, a pessoa jurídica executora está sujeita à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 25, I, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 25. A pessoa jurídica encomendante, no caso de industrialização por encomenda, sujeitase, conforme o caso, às alíquotas previstas nas alíneas a ou b do inciso I do art. 1o da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos nelas referidas. Parágrafo único. Na hipótese a que se refere o caput: I as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis à pessoa jurídica executora da encomenda ficam reduzidas a 0 (zero); e” Assim, não há direito ao crédito, porque, nas hipóteses de alíquota zero, o adquirente somente pode se creditar quando a operação subsequente for tributada pelo PIS/Pasep ou pela Cofins, nos termos do art. 3º, § 2º, II, da Lei nº 10.833/2003: “Art. 3º [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Portanto, como o crédito do frete na aquisição de bens não é autônomo em relação ao crédito do insumo adquirido porque se operacionaliza de forma atrelada ao crédito Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 do insumo, compondo a respectiva base de cálculo , não há como reconhecer o direito ao crédito ao Recorrente, uma vez que a operação não está sujeita à incidência da contribuição. II PRODUTO ACABADO PARA VENDA, PORÉM, COM PASSAGEM PRÉVIA PELO ESTABELECIMENTO DA MATRIZ A legislação, consoante destacado acima, estabelece que o contribuinte tem direito ao crédito de frete nas operações de venda, desde que tenha suportado o ônus respectivo (Lei nº 10.8333, art. 3º, IX): Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. O acórdão da DRJ, por sua vez, entendeu que o Recorrente não teria direito ao crédito, porque a mercadoria, por questões de logística, circulava pelo estabelecimento da matriz: “As remessas dos produtos acabados da unidade de Capivari do Sul para Minas Gerais para entrega aos clientes; por questão de logística, esta mercadoria circula pelo estabelecimento matriz. Esse gasto não pode ser considerado como insumo porque se refere a frete de produto acabado da filial para a matriz. Portanto, não gera crédito, conforme orientação da citada Solução de Divergência.” (fls. 335). A decisão recorrida referese à Solução de Divergência Cosit nº 26/2007, que recebeu a seguinte ementa: EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE COFINS. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa. Essa interpretação, entretanto, carece de sentido. Isso porque “se o crédito é assegurado na hipótese de transporte da indústria diretamente para o consumidor final, não há razões para negar esse mesmo direito quando a mercadoria é remetida previamente a um centro Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 3802001.319 S3TE02 Fl. 375 9 de distribuição. O que ocorre, na espécie, é apenas um desmembramento das etapas de transporte do bem destinado à venda. Ao invés de manter o estoque na fábrica, remetendo a mercadoria para o destino final após a concretização da venda, o contribuinte promove o deslocamento em duas etapas” 1. No caso em exame, a partir do Anexo IV do termo de verificação fiscal, nota se claramente que se trata de “remessa de arroz acabado para entrega a clientes”. O fato da mercadoria, por questões de logística, circular previamente pelo estabelecimento da matriz em nada afeta o direito ao crédito, porque a legislação autoriza o creditamento desde a unidade produtora até o consumidor final. Desse modo, entendese que deve ser reconhecido o direito ao crédito. III FRETE NO TRANSPORTE DE SUBPRODUTOS O crédito do frete no transporte de subprodutos destinados à venda não foi reconhecido, porque, de acordo com a decisão recorrida, “o transporte de subproduto está fora do processo produtivo e não pode ser considerado como insumo”. Por outro lado, “seguindo o disposto na Solução de Divergência nº 26, de 30/05/2008, o gasto com o transporte de subprodutos não deve gerar créditos de PIS/Cofins” (fls. 337). Entendese, entretanto, que a SD nº 26/2008 não pode ser invocada fundamento para a vedação do direito ao crédito, porque, de acordo com sua ementa, reproduzida no item anterior, a mesma não trata do transporte de subprodutos. Na verdade, devese ter presente que subproduto nada mais é do que um resíduo ou produto secundário do processo industrial. Muitas empresas, limitamse ao seu descarte no ambiente ou em aterros sanitários, dentro de uma etapa do procedimento industrial conhecida como lançamento ou disposição de resíduos. Outras, por política ambiental ou por razões econômicas, notadamente quando o produto secundário apresenta valor comercial ou quando a sua disposição se apresenta muito onerosa, promovem a sua comercialização. A legislação, ao conceder o direito ao crédito, não diferencia o produto (ou produto principal) do subproduto (ou produto secundário). Estabelece apenas que a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação ao “frete na operação de venda” (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, IX). Portanto, em se tratando de venda de produto ou subproduto, o que é irrelevante , o sujeito passivo pode se creditar. IV REMESSA DE ARROZ À GRANEL PARA INDUSTRIALIZAÇÃO De acordo com a decisão recorrida, “[...] o gasto com transporte de arroz a granel, mesmo que ainda em fase de industrialização, entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica não proporciona o direito ao crédito do PIS e da Cofins”, porque “o arroz a granel equivale a um produto ou a um subproduto para o contribuinte” (fls. 337). Essa interpretação, porém, não pode ser acolhida. Afinal, se o transporte do arroz à granel ocorre para fins de industrialização, não cabe qualificálo como produto nem como subproduto. Tratase de matériaprima do processo industrial, ou seja, insumo nos termos do art. 8º, § 4º, I, “a”, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004: 1 SEHN, Solon. PISCofins: nãocumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 334. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 “Art. 8º [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Na verdade, arroz a granel em nada difere do arroz em casca remetido para industrialização. Ambos são matériaprima para o produto final. Portanto, se a DRJ reconheceu o direito ao crédito em relação a este, também deveria ter admitido o creditamento em relação ao primeiro, porque, consoante destacado no exame do item I, o frete integra o custo de aquisição. O acórdão, portanto, deve ser reformado nesse particular. V – AQUISIÇÃO DE PRODUTO ACABADO E DE SUBPRODUTO PARA REVENDA A DRJ não admitiu o creditamento do frete pago na aquisição de roletes, cone de rolete, fuso transportador e de pêssego enlatado, com base nos seguintes fundamentos: “Segundo contribuinte, neste caso se trata de frete incidente sobre a aquisição de produto acabado (pêssego enlatado), subprodutos adquiridos e destinados a revenda, produtos estes tributados pelo PIS e a Cofins. Tratase, também, da glosa de créditos relativos a frete sobre transporte na aquisição de roletes, cone de roletes, fuso transportador. Na presente situação, não se vislumbra que esse frete referese a insumos. Esse gasto está fora do processo produtivo. Por isso não gera direito ao crédito de PIS/Cofins.” (fls. 337/338). No que tange aos roletes, cone de roletes, fuso transportador, o Recorrente alega que seriam insumo do processo produtivo, inclusive com contato direto com a matéria prima. Todavia, do exame dos autos, verificase que não há qualquer prova nesse sentido. Tampouco há qualquer elemento que permita aferir a vida útil de tais bens, o que se afigura relevante à medida que tais produtos, por sua própria natureza, não estão sujeitos a um desgaste imediato. O Recorrente, dito de outro modo, deveria ter demonstrado as circunstâncias da utilização de tais bens no processo produtivo e, principalmente, que o mesmos sofrem um desgaste em prazo inferior a um ano. Isso porque, se o prazo de desgaste é superior, não há que se falar em insumo, mas bem do ativo imobilizado. Por fim, em relação ao frete na aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) adquirido para revenda, entendese que o crédito deve ser reconhecido, porque, de acordo com o § 3º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, reproduzido acima, o cálculo deve considerar o custo de aquisição do bem, no qual se inclui o frete. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, para efeitos de reconhecimento do direito ao crédito relativo às despesas de frete devido no Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10665.720816/201073 Acórdão n.º 3802001.319 S3TE02 Fl. 376 11 transporte (a) de produto acabado para venda, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz; (b) venda de subprodutos; (c) de remessa de arroz à granel para industrialização; e (d) de aquisição de produto acabado (“pêssego enlatado”) para revenda. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor COFINS. Regime nãocumulativo. Creditamento. Despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. No caso presente, filiome ao voto exarado pelo i. Conselheiro Relator no que toca ao reconhecimento de direito creditório da COFINS (regime nãocumulativo) previsto na Lei nº 10.833, de 2003, referente às despesas de frete devido no transporte relativo à: i) venda de subprodutos (art. 3º, IX, da Lei); ii) remessa de arroz à granel para industrialização (art. 3º, II, da Lei); (iii) aquisição de produto acabado – “pêssego enlatado” para revenda (art. 3º I, da Lei). Entendo, em consonância com os fundamentos exposto pelo i. Relator, que, em relação ao itens ii e iii acima, o custo do frete integra o custo de aquisição do insumo ou do produto para revenda refletindo positivamente no direito creditório previsto no art. 3º, I e II da Lei nº 10.833, de 2003. Noutro giro, peço vênia ao i. Relator para, acompanhando a divergência inaugurada pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, pontuar meu entendimento de que as despesas de frete devido no transporte de produto acabado para entrega a clientes, porém, com passagem prévia pelo estabelecimento da matriz, não são hábeis à geração de créditos. Tratase, no caso, de frete de produto acabado da filial para a matriz, custo este não albergado pela legislação de referência. Vejamos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Destaquei. Com efeito, o mero deslocamento de mercadorias acabadas de uma unidade para outra da mesma pessoa jurídica – operação em que inexiste qualquer contrato subjacente de transferência de propriedade do produto não se confunde com o serviço de frete na operação de venda. A estrutura do artigo 3º da Lei apresenta, a par de um dispositivo aberto que remete ao conceito de insumo (inciso II), um rol taxativo de hipóteses de creditamento que, em que pese não se enquadrarem no conceito de insumo, são, ainda assim, admitidos ao creditamento, de maneira a exigir uma interpretação restritiva nesses demais casos – e.g., aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos; edificações e benfeitorias em imóveis; vale Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 transporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção; e armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Ainda, havendo previsão literal sobre as hipóteses de creditamento não se tratando, portanto, de ausência de disposição expressa (art. 108 da Lei nº 5.172, de 1966 – CTN) – penso incabível o uso de analogia no presente, ainda mais quando para fins de alargamento das hipóteses de creditamento legalmente elencadas, como sói ocorrer na tentativa de equiparar as despesas de transporte de mercadorias acabadas entre estabelecimentos da empresa ao serviço de frete na operação de venda. Também não há que se falar em crédito por conta do artigo 3º, II da Lei em estudo por também não se tratar aqui de frete na aquisição de insumos – hipótese em que o custo de transporte integraria o custo dos mesmos. Dessa forma, entendo, por ausência de dispositivo legal permissivo, não existir direito a crédito relativo à despesas de frete de mercadorias acabadas entre estabelecimentos do mesmo grupo. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Conselheiro Presidente Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 05/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 19991.000315/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
NULIDADE. ACÓRDÃO. INDEFERIMENTO PEDIDO PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não constitui cerceamento do direito de defesa a decisão proferida por autoridade ou Colegiado competente, com observância dos requisitos estabelecidos no art. 31 do Decreto nº 70.235/72, embora a autoridade ou o Colegiado tenha indeferido pedido de perícia que entendeu prescindível.
REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Deve ser indeferido o pedido de realização de perícia quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-002.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de votos.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 NULIDADE. ACÓRDÃO. INDEFERIMENTO PEDIDO PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa a decisão proferida por autoridade ou Colegiado competente, com observância dos requisitos estabelecidos no art. 31 do Decreto nº 70.235/72, embora a autoridade ou o Colegiado tenha indeferido pedido de perícia que entendeu prescindível. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Deve ser indeferido o pedido de realização de perícia quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de votos. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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ACÓRDÃO. INDEFERIMENTO PEDIDO PERÍCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento do direito de defesa a decisão proferida por autoridade ou Colegiado competente, com observância dos requisitos estabelecidos no art. 31 do Decreto nº 70.235/72, embora a autoridade ou o Colegiado tenha indeferido pedido de perícia que entendeu prescindível. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Deve ser indeferido o pedido de realização de perícia quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas apresentará declaração de votos. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/08/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 99 1. 00 03 15 /2 01 0- 40 Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19991.000315/201040 Acórdão n.º 3302002.221 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório A empresa SPRESS CAFÉ IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, já qualificada nos autos, apresentou PER/DCOMP pleiteando o ressarcimento de créditos Do PIS nãocumulativo, previsto no § 1o, do art. 5o, da Lei no 10.637/2002, relativo ao 2o trimestre de 2007. A autoridade administrativa competente, em um segundo exame determinado pela DRJ, indeferiu o pedido da interessada porque: (...) no citado trimestre, objeto desta análise, a soma dos créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno, receitas não tributadas no mercado interno e receitas de exportação, no balanço de cada um dos trimestres, é sempre menor que a soma dos débitos de COFINS apurados para o respectivo trimestre, de sorte que, em todos os três trimestres, segundo o DACON do contribuinte, não remanesce qualquer crédito em seu favor passível de ressarcimento. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que se transcreve abaixo. a) o Despacho Decisório é nulo por cerceamento ao direito de defesa; b) "os créditos, embora não detalhados, foram declarados nos DACONs, e todas as operações comerciais que comprovam as despesas incorridas pela Manifestante, no período objeto dos pedidos de compensação, estão plenamente comprovadas através das notas fiscais agrupadas anexadas à defesa protocolada em 28.10.2010" c) os créditos tem origem também na aquisição de café de produtores rurais pessoas físicas; d) faz jus aos créditos de Cofins e PIS/Pasep decorrentes da cisão entre ela e a empresa Bourbon Specilaty Coffes Ltda., cujo ressarcimento ainda não foi julgado; e) quando do preenchimento da DACON não relacionou o saldo de crédito de meses anteriores; f) requer prova pericial e para tanto apresenta quesitos e indica o assistente; Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19991.000315/201040 Acórdão n.º 3302002.221 S3C3T2 Fl. 4 3 Foi requerido diligência, por meio do Despacho n° 24/2010 2ª Turma da DRJ/FLA, com o objeto da DRF verificar “a existência de saldos de crédito nos meses anteriores como alega a manifestante e em caso positivo, apure se existe saldo a ser usado nas compensações declaradas”. Realizado a diligência, ficou comprovado que não existe saldos de créditos de períodos anteriores, como alegara a Recorrente. A autoridade julgadora de primeira instância indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0936.848, de 15/09/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. PERÍCIA TÉCNICA. INDEFERIMENTO. Dispensável a perícia para quesitos que não exijam conhecimento técnico diverso daquele que a lei requer dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil com mandato de julgador nas Turmas de Julgamento das DRJ. CRÉDITO PRESUMIDO – AGROINDÚSTRIA Para fazer jus ao crédito presumido agroindústria, a empresa precisa produzir ela própria o café que revende, considerando como tal o exercício cumulativo das atividades previstas na legislação de regência. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. REQUISITOS. A manifestação de inconformidade mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Ciente desta decisão em 28/10/2011, a interessada ingressou, no dia 25/11/2011, com Recurso Voluntário, no qual repisa as alegações da manifestação de inconformidade e levanta a preliminar de nulidade do acórdão recorrido por ter indeferido o seu pedido de realização de perícia, caracterizando, no seu entender, cerceamento do direito de defesa. Renova o pedido de realização de perícia. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19991.000315/201040 Acórdão n.º 3302002.221 S3C3T2 Fl. 5 4 Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando o ressarcimento de créditos de PIS não cumulativo do 2º trimestre de 2007. Confrontando os valores declarados no DACON com os informados no PER/DCOMP, a DRF constatou que no período de apuração acima havia saldo devedor e não saldo credor passível de ressarcimento. Conseqüentemente, indeferiu o pedido da Recorrente. Na Manifestação de Inconformidade, a empresa interessada alegou que na decisão da DRF não foi considerado saldos credores de períodos anteriores. A DRJ baixou o processo em diligência para a DRF apurar a existência dos referidos créditos. Realizada a diligência, ficou comprovado que, ao contrário do alegado, não existe saldo credor de períodos anteriores. Ciente do resultado da diligência, a empresa se manifesta sobre o mesmo para renovar os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade. Preliminarmente, analiso a alegação de que ocorreu cerceamento do direito de defesa da Recorrente, caracterizado pelo indeferimento do seu pedido de realização de perícia, devendo ser declarada nula a decisão recorrida. Não merece prosperar a alegação da recorrente de que houve cerceamento do seu direto de defesa porque, em relação a pedidos de realização de diligência ou perícia, a autoridade julgadora, para formar sua convicção, pode entender prescindível a produção de novas provas, fundamentando sua decisão, em perfeita harmonia com o que dispõe o art. 28 do Decreto no 70.235/72. Foi exatamente o que aconteceu no presente caso. Pelas mesmas razões e com os mesmos fundamentos da decisão recorrida (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/1999), também entendo prescindível a realização de perícia para a formação de minha convicção sobre o mérito da lide posta em discussão. Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e de indeferir o pedido de realização de perícia. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à Recorrente. O pedido de ressarcimento da Recorrente foi indeferido porque no DACON do período objeto do pedido foi apurado saldo devedor e não saldo credor, não existindo valor a ressarcir. As alegações da Recorrente são completamente improcedentes, conforme bem assentado nos fundamentos da decisão recorrida. Sobre a alegação de existência de saldos credores de períodos anteriores, ficou provado que saldos credores de períodos anteriores não existem. Sobre a alegação de que tem direito a crédito pleiteado pela empresa Bourbon Specilaty Coffes Ltda, cujos processos estão em tramitação neste CARF, não há como apreciar, neste processo, a existência do referido crédito e, mesmo que ele exista, não pode ser reconhecido neste processo e, portanto, aproveitado nas compensações aqui declaradas. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19991.000315/201040 Acórdão n.º 3302002.221 S3C3T2 Fl. 6 5 Quanto ao direito ao crédito presumido, a empresa Recorrente não trouxe provas efetivas de que exerce, cumulativamente, as “atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial”, exigidos pelo §6º, do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. As notas fiscais de aquisição de embalagens para café não são provas de que a Recorrente exerce as atividades acima enumeradas: são indícios, somente. Deveria a Recorrente trazer prova de que possui parque industrial (máquinas, equipamentos e instalações), devidamente contabilizado em seu ativo permanente, e pessoal habilitado (devidamente registrado no Livro de Registro de Empregados) a realizar as atividades exigidas pela Lei nº 10.925/2004. Se não o fez, não cabe ao Fisco fazêlo. É dela Recorrente o ônus da prova do direito alegado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Declaração de Voto Transcorrido o prazo regimental de 15 (quinze) dias do julgamento, a Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas não apresentou sua declaração de voto, razão pela qual o acórdão foi formalizado sem a referida declaração de voto, conforme autoriza os §§ 7º e 8º, do art. 63, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09, com alteração da Portaria MF nº 586/10). Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.000343/2001-92
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1996
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1995 e terminado em 31/12/2000. Como o lançamento se deu apenas em 13/02/2001, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.850
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 13/09/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1995 e terminado em 31/12/2000. Como o lançamento se deu apenas em 13/02/2001, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 03 43 /2 00 1- 92 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 13/09/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 189/199) contra o Acórdão nº 19200.124 (fls.183/186), de 18 de dezembro de 2008, exarado pela Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes que acolheu a preliminar de decadência e deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte Péricles Cidri Martins (fls. 136/153). O Recurso Especial da Fazenda Nacional argui a decadência do direito do fisco lançar tributos amoldados ao lançamento por homologação. O Acórdão recorrido estabelece o prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, para que se verifique a decadência , nos casos de tributo sujeito ao lançamento por homologação, salvo existência de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º, do CTN). Já, a Fazenda Nacional argumenta que, de acordo com o art. 149, V, do CTN, “o lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte”. Para a Fazenda Nacional, está claro que o art. 150 do CTN foi contrariado, já que não houve recolhimento do tributo devido, e que, portanto, é cabível a aplicação do art. 149, V, do CTN. Continua a Fazenda Nacional: “se inexato o pagamento antecipado, negase a homologação e operase o lançamento de ofício; se omisso na antecipação do pagamento, nada há passível de homologação e a exigência se formalizará por ato de ofício da administração (CTN, art. 149, inc. V)”. Sendo lançamento de ofício, para fins de contagem de prazo decadencial, não se aplica o art. 150, § 4º, do CTN e sim o art. 173, I, que dispõe: “o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15374.000343/200192 Acórdão n.º 9202002.850 CSRFT2 Fl. 8 3 No caso em questão, a Fazenda Nacional conclui que, “como a ciência do auto se deu em 20 de fevereiro de 2001, temos que, para o anocalendário de 1995, exercício 1996, o prazo decadencial somente começou a fluir em 01 de janeiro de 1997. O lançamento, por conseguinte, poderia ter sido realizado até 31/12/2001”. Em 14 de outubro de 2009, o despacho nº 1920200.124 (às fls. 202/204), da 1ª Câmara da 2ª Seção do Carf, deu seguimento ao Recurso Especial da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. O contribuinte foi cientificado desse despacho e do Recurso Especial da Fazenda em 12 de abril de 2011 e não apresentou contrarrazões ou recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passase, portanto, à análise de mérito da argumentação da Fazenda Nacional quanto ao acolhimento, pelo Acórdão recorrido, da decadência, para o anocalendário de 1995. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15374.000343/200192 Acórdão n.º 9202002.850 CSRFT2 Fl. 9 5 Observese que o Acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Tem sido esse o entendimento da 2a Turma da CSRF, como demonstram os Acórdãos a seguir transcritos: DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria Fl. 5DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 6 infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Neste processo, a questão é de fácil deslinde, pois existiu antecipação de pagamento na forma de registro nos sistemas internos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fl. 11), bem como de DARFs de fls. 20 e 21. Ainda, ressaltese que não foi comprovada, nos autos, a existência de dolo, fraude ou simulação, em linha com a aplicação da multa de 75% quando da constituição de ofício do crédito tributário, sendo, assim, obrigatória, no caso, a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na data de ocorrência do fato gerador. Salientese, a propósito, que o pagamento a que se refere o STJ deve ser entendido como qualquer recolhimento do tributo relativamente a todo o período de apuração e não aquele estritamente relacionado ao valor da receita omitida. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que faz com que, no presente caso, ele tenha se aperfeiçoado em 31 de dezembro de 1995 para o anocalendário de 1995 (exercício de 1996). Destarte, iniciouse a contagem do prazo decadencial, na situação fática, em 30 de dezembro de 1995, estabelecido o dies ad quem do prazo quinquenal em 31 de dezembro de 2000. Como a ciência do lançamento se deu apenas em 13 de fevereiro de 2001 (fl. 81), concluise que àquele instante o crédito tributário objeto de lançamento já havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 15374.000343/200192 Acórdão n.º 9202002.850 CSRFT2 Fl. 10 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/10/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
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Numero do processo: 10814.006241/2008-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/04/2008
INFRAÇÃO POR ATRASO NO REGISTRO DA CHEGADA DE AERONAVE NO PAÍS. REGISTRO NO SISTEMA MANTRA APÓS O MOMENTO DA EFETIVA CHEGADA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE.
O registro, no sistema Mantra, após o momento da chegada, no País, de aeronave procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA ADMINISTRATIVA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CHEGADA DA AERONAVE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que reconheciam a denúncia espontânea da infração e davam provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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REGISTRO NO SISTEMA MANTRA APÓS O MOMENTO DA EFETIVA CHEGADA. APLICAÇÃO DE MULTA REGULAMENTAR. POSSIBILIDADE. O registro, no sistema Mantra, após o momento da chegada, no País, de aeronave procedente do exterior configura infração por descumprimento de obrigação acessória, sancionada com a correspondente multa regulamentar. INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA ADMINISTRATIVA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE CHEGADA DA AERONAVE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação sobre a carga descarregada em porto alfandegado nacional não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama, que reconheciam a denúncia espontânea da infração e davam provimento integral ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 00 62 41 /2 00 8- 15 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 4/8) em que formalizada a aplicação da multa regulamentar, no valor de R$ 5.000,00, em decorrência do cometimento da infração caracterizada por prestação de informação com atraso sobre a chegada de aeronave no País, tipificada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003. O motivo da autuação, conforme consignado na descrição dos fatos que integra o citado auto de infração, fora o registro extemporâneo, no Sistema Mantra, da chegada do Vôo CRX 0096. Tal fato, segundo a fiscalização, teve como consequência a ausência da formalização do Termo de Entrada da aeronave, o permitia livres alterações na Relação de Cargas Manifestadas, mesmo após a chegada da aeronave, o que poderia propiciar graves distorções ao controle do fluxo aduaneiro de mercadorias e facilitar o desvio de cargas e outros crimes tributários; daí a obrigação instituída em lei para que a formalização da chegada dos veículos procedentes do exterior fosse foi feita no momento da chegada. Em sede de impugnação, a autuada alegou a improcedência da autuação, com base nos argumentos que foram assim resumidos no relatório que integra o acórdão recorrido: (a) o atraso de fato não ocorreu, pois o registro da chegada da aeronave ocorreu exatamente no momento da chegada conforme registro no SIVInfraero, devendose considerar que a impugnante de fato procedeu por ato próprio ao registro das informações, o que implica na necessidade de reconhecimento da espontaneidade e boafé para fins de direito; (b) deve ser reconhecida na hipótese a necessidade de observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, bem como a possibilidade de complementação de informações, questão que, não tendo sido observada pela rigidez do art. 9º da IN SRF 102/94, deve ser verificada na presente oportunidade; (c) ademais, a responsabilidade pela prestação de informações na hipótese é exclusiva dos agentes de carga, na forma do disposto no artigo 30, § 2º, do Decreto nº 4.543/2002, quem deve ser responsabilizado na forma do art. 9º da IN SRF 102/94; (d) foi formalizada consulta junto à COANA com vistas ao debate da responsabilização do agente de cargas na hipótese, Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10814.006241/200815 Acórdão n.º 3102001.993 S3C1T2 Fl. 21 3 além da questão da necessidade de razoabilidade na concessão de maior prazo e possibilidade de complementação de informações, nos termos do ordenamento constitucional em vigor; (e) está ausente a tipicidade entre o fato descrito e a imposição legal, sendo necessária a adequação entre meios e fins da penalidade imposta; (f) requer, assim, a nulidade absoluta do auto de infração. Em 15/12/2011, foi proferida a decisão primeira instância (fls. 56/61), em que, por unidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e a multa aplica mantida, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa a seguir reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/04/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO. O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada; sob pena de sujeitarse o infrator à multa prevista pelo art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 10/1/2012 (fl. 66), a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 8/2/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 67/74, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na fase impugnatória, em aditamento alegou que: a) a legislação não fixava prazo específico para o registro de informação de chegada da aeronave, pois era vazia a expressão “no momento da sua chegada”, contida no 9º da Instrução Normativa SRF n° 102, de 1994; b) era nula, por incompatibilidade com o ordenamento jurídico pátrio, a norma do citado art. 9º, porque ela exigia o registro imediato de informações, no momento da chegada da aeronave, o que, de fato, consistia na inexistência de prazo, ainda que mínimo, para que o transportador pudesse cumprir tal determinação; e c) era atípica a conduta atribuída a recorrente, pois não existia tipo específico para a infração em questão, posto que deixar de registrar informações de chegada de aeronave não se enquadrava na hipótese típica da infração prevista no artigo 107, IV, “e” do Decretolei nº 37, de 1966. É o relatório. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia limitase à questão atinente à subsunção do fato imputado à recorrente, descrito no auto de infração, à conduta abstrata descrita na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: [...] IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): [...] e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta aporta, ou ao agente de carga; e [...]. (grifos não originais) Tratase de norma penal em branco, cuja aplicação exige a complementação do conteúdo por outro diploma normativo de natureza administrativa, a ser expedido pelo Secretário da Receita Federal do Brasil (RFB). No caso de veículo aéreo procedente do exterior, a norma complementar que trata do prazo e da forma da prestação de informação sobre a chegada no País é o art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102, de 1994, a seguir reproduzido: Art. 9º O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada, cabendolhe, simultaneamente, a entrega à fiscalização aduaneira dos manifestos e dos respectivos conhecimentos de carga e, quando for o caso, dos documentos de trânsito aduaneiro. § 1º A falta de informações sobre carga procedente do exterior previamente à chegada de veículo ou sobre carga procedente de trânsito, associada à não entrega dos documentos de que trata o “caput” deste artigo, implicará na configuração de declaração negativa de carga, nos moldes do previsto pelo parágrafo único do art. 46 do Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985. § 2º Quando não atendido o disposto neste artigo, o AFTN deverá proceder ao respectivo registro da chegada, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10814.006241/200815 Acórdão n.º 3102001.993 S3C1T2 Fl. 22 5 § 3° A chegada do veículo caracterizará, para efeitos fiscais, o fim da espontaneidade prevista no art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. (grifos não originais) A norma complementar em destaque estabelece que o registro de chegada de aeronave procedente do exterior deverá ser efetuado pelo transportador no momento de sua chegada no País. No caso em tela, os extratos de consulta, extraídos do Sistema Mantra (fls. 11/12), informam a chegada efetiva do Vôo CRX 0096 às 07:05 (sete horas e cinco minutos) do dia 29/3/2008, enquanto que o registro da chegada da aeronave no citado Sistema somente fora efetivado às 08:18 (oito horas e dezoito minutos) do dia 30/3/2008. No caso, se houve o descumprimento do prazo de registro determinado na referido preceito normativo, indubitavelmente, consumouse a conduta infratora prevista determinada na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Portanto, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que era atípico o fato infrator que lhe fora imputado na autuação em apreço. Também não tem fundamento jurídico a alegação da recorrente de que não existia tipo específico na legislação aduaneira para o referido fato infringente, o contraria o disposto do art. 9º da Instrução Normativa SRF nº 102, de 1994. É oportuno ainda ressaltar que o registro da chegada da aeronave, no Sistema Mantra, implica abertura do termo de entrada, documento indispensável para controle aduaneiro das cargas transportadas e descarregadas no recinto alfandegado local. Alegou ainda a recorrente que o registro da informação de chegada da aeronave, no Sistema Mantra, fora realizada antes da autuação, o que configurava denúncia espontânea da infração. No caso em tela, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decreto lei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 116DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à Administração tributária pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo inexoráve do tempo como elemento essencial da tipificação da infração, pois, sob o ponto de vista jurídico, somente fato desconhecido da fiscalização é passível de denúncia, o que não ocorre nas obrigações acessórias por descumprimento de prazo fixado em preceito normativo, o qual se torna imediatamente conhecido com o mero fluir do tempo, sem que a conduta determinada seja implementada. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex Mantra a informação acerca da chegada efetiva da aeronave no País, hipótese da autuação em apreço. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre veículo no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, Fl. 117DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10814.006241/200815 Acórdão n.º 3102001.993 S3C1T2 Fl. 23 7 simplesmente, deixar de prestar a informação sobre veículo. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é a conduta que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação de chegada da aeronave materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Dessa forma, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Da mesma forma, em situação análoga, relacionada ao descumprimento de obrigação acessória de natureza tributária, caracterizada pelo atraso na entrega de declaração, a jurisprudência deste E. Conselho firmou o entendimento no sentido da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, nos termos do enunciado da Súmula Carf nº 49, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No mesmo sentido, tem se firmado a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme enunciado da ementa a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. PRÁTICA DE ATO MERAMENTE FORMAL. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DCTF. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. I A inobservância da prática de ato formal não pode ser considerada como infração de natureza tributária. De acordo com a moldura fática delineada no acórdão recorrido, deixou a agravante de cumprir obrigação acessória, razão pela qual não se aplica o benefício da denúncia espontânea e não se exclui a multa moratória. "As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN" (AgRg no AG nº 490.441/PR, Relator Ministro LUIZ FUX, DJ de 21/06/2004, p. 164). Fl. 118DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 II Agravo regimental improvido. (STJ, ADRESP 885259/MG, Primeira Turma, Rel. Min Francisco Falcão, pub. no DJU de 12/04/2007). Portanto, segundo o entendimento do STJ, o cumprimento extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória configura infração formal, não passível do benefício do instituto da denúncia espontânea da infração, previsto no art. 138 do CTN, por se tratar de responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN. Nesse diapasão, existem vários julgados do e. Tribunal Superior em que foi declarada a impossibilidade de aplicação dos benefícios da denúncia espontânea aos casos em que configurada a infração por atraso na entrega da declaração (DCTF, DIPJ etc). Com base nessas considerações, fica demonstrado que o efeito da denúncia espontânea da infração, previstos no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, não se aplica às infrações aduaneiras de natureza acessória, caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, em especial, a infração por registro extemporâneo da chegada de aeronave no País, objeto da presente autuação. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 119DF CARF MF Impresso em 30/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 26 /09/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 10314.720674/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 28/03/2006 a 29/09/2010
IMPORTAÇÃO. FRAUDE. MULTA REGULAMENTAR.
A importação de bens do exterior, com a utilização de recursos cuja origem não foi comprovada, caracteriza interposição fraudulenta de terceiros, com dano ao Erário, sujeitando o importador à pena de perdimento com posterior substituição por multa punitiva equivalente ao valor aduaneiro dos bens importados consumidos ou não localizados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
É válido o lançamento de ofício efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INFRAÇÃO. IMPORTAÇÃO. CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
A contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário decorrente de penalidade por infração tributária, na importação de mercadoria, se inicia na data da sua ocorrência.
Numero da decisão: 3301-002.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir a parte do crédito tributário decorrente da infração cometida em 28 de março de 2006, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/03/2006 a 29/09/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa da motivação e da fundamentação legal do lançamento, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É válido o lançamento de ofício efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INFRAÇÃO. IMPORTAÇÃO. CONSTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de que a Fazenda Pública dispõe para a constituição de crédito tributário decorrente de penalidade por infração tributária, na importação de mercadoria, se inicia na data da sua ocorrência. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 28/03/2006 a 29/09/2010 IMPORTAÇÃO. FRAUDE. MULTA REGULAMENTAR. A importação de bens do exterior, com a utilização de recursos cuja origem não foi comprovada, caracteriza interposição fraudulenta de terceiros, com dano ao Erário, sujeitando o importador à pena de perdimento com posterior substituição por multa punitiva equivalente ao valor aduaneiro dos bens importados consumidos ou não localizados. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 06 74 /2 01 1- 13 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir a parte do crédito tributário decorrente da infração cometida em 28 de março de 2006, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Paulo I, SP, que julgou improcedente a impugnação do lançamento da multa regulamentar isolada na importação de bens do exterior por meio de interposição fraudulenta e falta de localização das mercadorias importadas, nos termos do Decretolei nº 1.455, de 1976, art. 23, V, §§ 1º, 2º e 3º. conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 04/41. Cientificada do lançamento, a recorrente impugnouo, alegando, razões assim resumidas por aquela DRJ: “PRELIMINARMENTE, alega a nulidade da sua intimação no MPF 08155002011002751. Conforme consta no relatório da ação fiscal, a fiscalização compareceu no endereço da empresa Impugnante sendo que não localizou a empresa ou qualquer funcionário, e mesmo assim encerrou o MPF 0815500201100275. O agente da Impugnada que diligenciou no local, foi informado pelo porteiro do prédio que haveria um advogado o DR. Carlos Alexandre Santos de Almeida, OAB/SP 172.864, o qual possui escritório no mesmo prédio comercial onde estava sediada a Impugnante, qual seja, Rua Salvador Gaeta n° 98 sl.13, e que o mesmo representaria a empresa. Conforme certidão de fls. 46 (doc. 67) o advogado teria informado que compareceria junto a Receita Federal, munido de procuração para tomar ciência da intimação, já que não lhe foi fornecida cópia da intimação por não comprovar, o advogado, representar a Impugnante. Entretanto, o advogado não compareceu junto à Impugnada para tomar ciência da intimação nem apresentou procuração, mesmo assim o agente da Impugnada considerou válida a intimação. A fiscalização deveria ter diligenciado no sentido de localizar a empresa ou seus sócios, sendo que não o fez, tendo encerado o processo sumariamente. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720674/201113 Acórdão n.º 3301002.010 S3C3T1 Fl. 386 3 Sendo assim, a intimação na pessoa de advogado sem poderes para representar a empresa é nula, tanto é que o disposto no artigo 23, I do Decreto 70.235/72 determina que a intimação deverá ser pessoal. De certo não seria difícil para Impugnada localizar endereço do sócio administrador, eis que em simples busca no "site" da empresa Telefônica, pode se localizar o endereço o sócio Vladimir, conforme se verifica na pesquisa anexa (doc.21). Sendo assim, a Impugnada deveria ter diligenciado no sentido de localizar o sócio administrador para intimálo. Diante dos fatos apresentados, houve NULIDADE na intimação da Impugnante, não podendo prosperar o auto de infração, devendo o mesmo ser anulado. DA NULIDADE POR FALTA DE INTIMAÇÃO DO MPF 08155002011002891 Não obstante a nulidade pelo encerramento precipitado do MPF 08155002011002751, o MPF 08155002011002891, também esta eivado de nulidade, senão vejamos: O exsócio Rogério, tomando ciência do novo MPF o de n° 08155002011002891, compareceu junto à impugnada informando que havia se retirado de fato da sociedade em dezembro de 2008 e não possuía documento para apresentar, bem como não era o sócio administrador, logo não dispunha das informações solicitadas. Verificase no AR de fls. 66 que, teria sido enviado um AR para a sede da empresa e recebido por alguém que certamente não pertencia à empresa, pois como declarado pelo agente da impugnada em diligencia ao local a mesma não mais estaria estabelecida naquele local, logo, a intimação é nula. O outro AR enviado para o sócio administrador Vladimir, foi encaminhado para endereço diverso de onde ele reside, pois, conforme demonstrado pela simples consulta ao "site" da Telefônica o mesmo reside em Guarulhos e não em São Paulo, além disso, consta divergência entre os ARs de fls. 66 e o de fls. 178, já que no 1o foi recebido por Lindsay Mendes e no segundo por Lindsay Santos, entretanto consta o mesmo n° de RG em ambos os ARs. Sendo assim houve ofensa ao principio do contraditório e da ampla defesa, bem como ao artigo 23 do Decreto 70.235/72, o qual determina que a intimação seja realizada de forma pessoal. Dessa forma, observamos nova nulidade na intimação, fato que vicia o auto de infração ora impugnado. DA DECADÊNCIA Verificamos que no caso em tela operouse a decadência, pois o processo administrativo foi iniciado decorridos mais de 05 anos do inicio da infração, violando o Decretolei 37/66. Nos termos do artigo 139 do Decreto 37/66, quando da abertura do processo administrativo para aplicação do auto de infração já havia decorrido o prazo decadencial de 05 anos, logo o auto lavrado é nulo. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 DA NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL NO AUTO DE INFRAÇÃO Consta na descrição do "ENQUADRAMENTO LEGAL" que a impugnada teria violado o artigo 689 do Decreto 6.759/09, entretanto o citado artigo possui 22 INCISOS, sendo que o agente da impugnada não descreveu qual deles teria sido violado, limitandose apenas a citar o caput e o §1º, sendo que tal procedimento é contrário ao principio da formalidade e da motivação, já que deveria indicar corretamente o artigo e inciso, vez que o caput é genérico, não restando fundamentado qual conduta a impugnada teria praticado. Não há fundamentação de qual dispositivo legal a Impugnada teria infringido, fato que torna nulo o auto de infração impugnado, vez que, não havendo o fundamento do dispositivo violado, não há que se falar em conversão em multa de uma violação inexistente. Ademais, o fundamento legal relativo à infração deve ser especifico e não genérico, pois impede o direito de defesa e macula o auto de infração. DA VIOLAÇÃO DO PRINCIPIO DA AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO Diante da não localização da empresa na diligencia a fiscalização encerrou o procedimento de forma sumária, sem permitir a Impugnante o direito à ampla defesa e contraditório, bem como ao sócio Rogério o qual, apesar de ter se retirado de fato da sociedade desde 2008, ainda consta no quadro social da mesma e certamente sofrerá os encargos da autuação. Sendo assim, o encerramento sumário da ação fiscal sem as diligências para localizar o sócio administrador da impugnante ou ainda, concessão de prazo para o Sócio Rogério apresentar qualquer manifestação ou documentos, viola o principio constitucional da ampla defesa e contraditório, fato que vicia a autuação, devendo a mesma ser anulada. Da mesma maneira a falta de fundamentação especifica no auto de infração impede o direito à ampla defesa e ao contraditório, pois não se sabe qual o inciso do artigo 689 do decreto 6.759/09 a Impugnante teria supostamente violado, logo, não há como apresentar defesa especifica para demonstrar a regularidade dos procedimentos adotados pela empresa. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR NÃO ATENDIMENTO AO DISPOSTO NO §1 °DO ARTIGO 73 DA LEI 10.833/03 A fiscalização deveria instaurar processo administrativo para aplicação da penalidade na impossibilidade de apreensão da mercadoria, de sua localização ou que tenha sido consumida, entretanto não foi o que ocorreu. Em diligência ao local onde seria a sede da empresa, a fiscalização verificou que a Impugnante não mais se encontrava naquele local, e assim encerrou a ação fiscal sem novas diligências para localizar a empresa. Ora, se a fiscalização verificou que a Impugnante não estaria mais sediada naquele local, como pode alegar que a mesma não teria atendido à intimação? Outro fato que impediria o encerramento do MPF 08155002011002751 seria a falta de intimação pessoal do sócio administrador, nos termos do artigo 23 do Decreto 70235/72, conforme já demonstrado em tópico anterior. Dessa forma, ouve nulidade no encerramento do MPF sem intimação de qualquer sócio ou funcionário da Impugnante, devendo o auto de infração ser anulado. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720674/201113 Acórdão n.º 3301002.010 S3C3T1 Fl. 387 5 DA NULIDADE DO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO Ainda que superada a questão da nulidade da intimação, a autuação não deve prosperar, pois foi aplicada sob o argumento de "aparente incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelos sócios e o capital social integralizado". Ora, como pôde a Impugnada lavrar autuação sob o fundamento de "aparente incompatibilidade" sem documentos que demonstrem tal aparência, ademais, se somarmos o montante das DIs dos últimos 05 anos, temos um volume de importação mensal de R$41.204,83 (R$2.472.290,61 X 60 meses), então, quanto de lucro liquido tal volume de importação traria à sociedade? Não há tal fundamentação no processo de fiscalização. Além disso, sequer há descrição de quanto teria sido declarado pelos sócios para que a alegada "aparência" fosse demonstrada como concreta. Consta ainda no item 4, "DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL", que haveria necessidade de apuração mais aprofundada das operações da Impugnante, entretanto não foi o que ocorreu. Ainda no item 4, "DA MOTIVAÇÃO DA AÇÃO FISCAL", consta que a partir da aparente incompatibilidade dos rendimentos declarados, "e outros elementos levantados foi verificada a necessidade de apuração mais profunda", entretanto, não há qualquer descrição ou citação do que seriam esses outros elementos, o que torna mais uma vez vaga a fundamentação na autuação. DA NULIDADE DA APLICAÇÃO DE PERDIMENTO DESDE O ANO DE 2006 POR FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO. Consta no item 6.1 do auto de infração que a data em que ocorreu a inaptidão da Impugnante teria sido em 28/03/2011, entretanto, não há qualquer relação à tal data e as demais alegações do agente. Considerando a alegação de que a inaptidão da Impugnante teria iniciando se em 2006 sob argumento de .parente incompatibilidade de rendimentos dos sócios, verificamos que nos anos de 2006 e 2007 (fls. 16/17 doc. 37/38) o volume de importações foi da ordem de R$25.664,50 no período de 15 meses o que perfaz uma média mensal de R$1.710,96, logo, não poderia haver qualquer incompatibilidade de rendimento em tal período, tendo em vista o irrisório valor importado. Ora, não há justificativa para que tal valor de importação, com média mensal de R$ 1.710,96, seja incompatível com qualquer' rendimento declarado, pois é irrisório, demonstrando assim mais uma nulidade na autuação. Ainda nesse aspecto, o auto de infração deveria justificar qual o motivo de terem sido incluídas as mercadorias importadas desde o ano de 2006. Assim sendo, não há demonstração de qual o inicio da infração, mas apenas a alegação do agente da Impugnada em considerar o termo inicial como 2006 sem qualquer fundamento que demonstre o inicio da infração alegada. DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DE APARENTE INCOMPATIBILIDADE Devido, o fato do agente da Impugnada ter encerrado prematuramente o MPF, não houve possibilidade da Impugnante demonstrar que a alegação de suposta incompatibilidade não prosperaria. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Consta no contrato social da empresa que na data de 17/05/2005 o capital social da Impugnante teria sido alterado para R$500.000,00, pois bem, como é notório o capital social não precisa ser integralizado imediatamente, logo, temos um período de 06 anos para que esse capital fosse integralizado pelos dois sócios. Dessa forma dividindose o montante do capital pelo número de meses temos um montante mensal de R$6.944,44 para que cada sócio integralize sua cota de capital social. Sendo assim, a aparente incompatibilidade se torna inexistente, pois o valor mensal para a integralização do capital é baixo, não havendo mais o que se falar em incompatibilidade, fato que também macula e torna nulo o auto de infração. DA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE PENA DE PERDIMENTO A pena de perdimento somente poderia ter sido aplicada em caso de apreensão das mercadorias ou se as mesmas tivessem sido liberadas mediante ordem judicial. Sendo assim, quando da entrada das mercadorias no pais não foi alegado qualquer motivo que as impedisse de serem liberadas, logo, se havia qualquer irregularidade quando da importação de tais mercadorias as mesmas não poderiam ter sido liberadas. Não pode o agente da impugnada após 5 anos de importações alegar que somente agora as importações foram fraudulentas. Ademais, não há nos autos qualquer demonstração de fraude mas apenas presunção. DA AUSÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO Na constituição atual, o perdimento de bens está previsto no art. 5º, XLV, tendo como finalidade a reparação do dano eventualmente causado. Isso significa que um dos pressupostos para aplicação da pena de perdimento é a existência de dano ao Erário, já que esta tem natureza de restituição, e não simples retribuição. Ou seja, o ilícito e a reação do Estado, quando lesado, devem ser perfeitamente proporcionais, sob pena de existir enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. Não consta no auto de infração qual teria sido o dano causado ao Erário Público, então como pode ser aplicada multa por dano ao Erário se não ocorreu tal prejuízo? Caso haja aplicação da penalidade sem ocorrência de dano, dirseá que a aplicação da norma contida no DecretoLei 1455/76 é inconstitucional, consubstanciando uma inconstitucionalidade in concreto. Como se percebe, a previsão da pena de perdimento com seus pressupostos e contornos há de ser vista como uma garantia do cidadão contra arbitrariedades, e não como um direito do Estado. Essa diferença não é meramente retórica, mas implica respeito preciso à estrita legalidade e à segurança jurídica, princípios mínimos e iniciais em um Estado Democrático que se submete à regra da lei. DO INTERESSE DE AGIR Justificase a inclusão do sócio Rogério na presente impugnação tendo em vista que, apesar de ter se desligado da empresa à tempos, por descuido de sua Fl. 394DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720674/201113 Acórdão n.º 3301002.010 S3C3T1 Fl. 388 7 parte ainda consta no quadro societário, sendo que esta na iminência de sofrer prejuízos diante da aplicação da penalidade.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1637.908, datado de 19/12/2012, às fls. 312/351, sob a seguinte ementa: “Dano ao Erário, causado por interposição fraudulenta. Decorrido o prazo de sessenta dias, contado da ciência de intimação formulada pela SRF, sem o devido atendimento pela empresa, o procedimento especial será concluído sumariamente. Não comprovação da transferência lícita dos recursos empregados na importação, devendo o autuado suportar os efeitos previstos no artigo 23 do Decreto Lei nº 1455/76.” Inconformada com essa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 370/383), requerendo a sua a reforma a fim de que se cancele o lançamento da multa regulamentar isolada, alegando, em síntese: i) em preliminar: i.a) nulidade do lançamento sob os argumentos de nulidade da intimação no MPF 08155002011002751 e nulidade por falta de intimação do MPF 08155002011002891; nulidade por não atendimento ao disposto no § 1º do art. 73 da Lei nº 10.833, de 2003; e, ainda, por falta de motivação e fundamentação da autuação, fatos que implicaram cerceamento do seu direito de defesa e ofensa aos princípios de ampla defesa e do contraditório; e, i.b) decadência quinquenal do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário; e, ii) no mérito: ii.a) nulidade da aplicação de perdimento por falta de amparo legal; ii.b) falta de demonstração de incompatibilidade entre os valores da importação e a capacidade financeira da recorrente; iic) a comprovação da origem dos recursos não foi realizada porque a recorrente não foi intimada e sim terceira pessoa estranha; e, ii.d) não houve dano ao erário, concluindo, ao final, que o lançamento é nulo e o crédito tributário deve ser cancelado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. i) Preliminares i.a) nulidade do lançamento A suscitada nulidade do auto de infração e, conseqüentemente, do lançamento sob os argumentos de nulidade da intimação no MPF 08155002011002751 e nulidade por falta de intimação do MPF 08155002011002891; nulidade por não atendimento ao disposto no § 1º do art. 73 da Lei nº 10.833, de 2003; e por falta de motivação e de fundamentação da autuação, fatos que implicaram cerceamento do seu direito de defesa e ofensa aos princípios de ampla defesa e do contraditório, não têm amparo legal e não merecem prosperar. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 De acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do procedimento administrativo fiscal, o auto de infração e, conseqüentemente o lançamento, somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme previsto em seu art. 59, literalmente: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” No presente caso, o auto de infração em discussão foi lavrado por Auditor Fiscais da Receita Federal do Brasil (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio de lançamento de ofício, inclusive a aplicação de penalidade. Do exame do auto de infração em discussão, verificamos que nele está demonstrada a motivação, a infração imputada à recorrente e a fundamentação legal da exação, ou seja, da multa regulamentar exigida. A motivação da autuação, segundo consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal foi importação irregular de mercadoria e a infração imputada foi a interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior, nos termos do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, c/ a redação dada pelo art. 29 da Lei nº 10.637 de 2002o . Já a exigência da multa regulamentar teve como fundamento o § 3º do art. 23, deste mesmo diploma legal, o art. 689, XXII e § 1º do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759, de 2009 (antigo Decreto nº 4.543, de 2002, art. 618), e arts. 73 e 77 da Lei nº 10.833, de 2003. Quanto ao MPF, este tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal; b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização; e, c) reverência o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do objetivo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, ainda que comprovadas, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não tem o condão de tomar nulo o lançamento tributário que atendeu aos requisitos do CTN, art. 142, e do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 10. Além disto, instrumento de controle administrativo, como MPF, criado por portaria, não pode se sobrepor ao Código Tributário Nacional que determina a realização do lançamento que é vinculado e obrigatório. Especificamente, em relação ao MPF nº 0815500/00289/11 que deu origem ao lançamento em discussão, a recorrente e seus dois sócios foram intimados deles conforme provam os Termos de Intimação Fiscal nºs 193; 194; e 195, às fls. 48/53; 54/60; e 60/65, e respectivos “ARs” de seus recebimentos às fls. 66. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720674/201113 Acórdão n.º 3301002.010 S3C3T1 Fl. 389 9 Quanto ao contraditório e à ampla defesa, aquele se iniciou com a apresentação da impugnação, sendo que a Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal do lançamento, às fls. 04/41, lhe permitiram contestar a infração que lhe foi imputada, tanto é que o fez, mediante a apresentação da impugnação na qual impugnou o crédito tributário lançado e exigido, ou seja, a multa regulamentar aplicada por interposição fraudulenta de terceiros na importação de mercadorias. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento. b) decadência Ainda, em preliminar, suscitou a decadência qüinqüenal do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, nos termos dos arts. 138 e 139 do Decretolei nº 37 de 18 de novembro de 1966, que trata do imposto de importação e dos serviços aduaneiros. Aqueles dispositivos legais assim dispõem: “Art. 138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art. 139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração.” No presente caso, assiste razão, em parte, à recorrente. Conforme demonstrado no auto de infração, mais especificamente no item 6.2 Demonstração dos Cálculos às fls. 16/40, as infrações decorreram de importações ocorridas nas datas de 28/03/2006 e entre as datas de 04/04/2007 e 29/09/2010. A notificação do lançamento se deu na data de 25 de julho de 2011, conforme provam a assinatura e a data postas pelo sócio da recorrente às fls. 03 do auto de infração. Assim, contandose o prazo qüinqüenal, nos termos do art. 138, citado e transcrito acima, naquela data, o direito de a Fazenda constituir a parte do crédito tributário decorrente da infração cometida em 28/03/2006 já havia decaído. O restante do crédito tributário não foi atingido pela decadência qüinqüenal. Portanto, a parcela do crédito tributário referente à infração decorrente da importação ocorrida na data de 28 de março de 2006, no valor de R$555,83, deve ser excluída do total lançado e exigido, mantendose a exigência do valor remanescente referente às infrações cometidas entre as datas de 04/04/2007 e 29/09/2010. ii) no mérito Conforme demonstrado nos autos, mais especificamente na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 04/11, em face do grande volume de importações realizadas pela recorrente, via Correios e por meio de Declarações Simplificadas de Importações, abriuse procedimento administrativo fiscal, mediante a emissão do MPF nº 0815500/00275/11, com o objetivo de verificar a regularidade deste tipo de operação. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 Do exame dos cadastros da recorrente e de seus sócios na Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a Fiscalização concluiu que a capacidade financeira da recorrente e os seus rendimentos eram incompatíveis com os valores das importações realizadas. Em diligência realizada no seu endereço, constante do seu cadastro na RFB, não foi encontrado nenhum empregado e/ ou responsável por ela. A partir de informações coletadas na portaria do prédio do endereço fornecido, a Fiscalização dirigiu à sala 13 onde foi atendida pelo advogado Carlos Alexandre Santos de Almeida, OAB 172.864, que alegou representar a recorrente, informando, inclusive, que ela estava praticamente desativada, prontificandose a comparecer à Delegacia da Receita Federal, munido de procuração e/ ou prova de que realmente era o seu representante e poder ter acesso aos documentos e ao procedimento administrativo fiscal que se iniciava. No entanto, como o referido advogado não compareceu à unidade da Receita Federal, foi aberto o MPF 0815500/002891 do qual a recorrente e seus sócios foram intimados por meio dos Termos de Início de Ação Fiscal nºs 193, 194 e 195, às fls. 48/53, 54/59 e 60/65, recebidos em 13/07/2001, conforme provam os “ARs” às fls. 66. Naqueles termos constou expressamente; “fica a empresa em epígrafe, ciente de que neste momento é aberto procedimento de auditoria fiscal e diligência relativos ao período de janeiro/2006 a dezembro/2010 no sentido de colher informações relativas à movimentação financeira e operações ligadas a comércio exterior da empresa, mediante o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) em epígrafe, exarado pelo InspetorChefe da IRF/SPO, cuja autenticidade pode ser verificada pela internet, no sítio da RFB (www.receita.fazenda.gov.br), informandose o CNPJ e o código de acesso acima. O procedimento fiscalizatório decorre da detecção de incompatibilidades entre as informações econômicofinanceiras da empresa e de suas operações realizadas de comércio exterior apuradas através de cruzamentos de dados constantes das bases da RFB, tidos como indícios da ocorrência da infração tipificada no inciso V, do art. 23, do DecretoLei nº 1.455/76, com redação dada pela Lei nº 10.637/02, regulamentada através do inciso XXII, do artigo 689, do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) e foi instaurado de forma vinculada ao disposto no artigo 68 e no inciso II do artigo 80 da Medida Provisória nº 2.15835/01, sendo disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 228/02” e, ainda, intimados a apresentar os seguintes documentos: “1. Cópia autenticada dos RG e CPF dos sócios e do administrador da pessoa jurídica. 2. Cópia autenticada do documento de constituição da empresa e alterações realizadas (todos devidamente registrados na JUCESP); 3. certidão específica da Junta Comercial, contendo o histórico de todas as alterações dos atos constitutivos da pessoa jurídica, expedida há, no máximo, noventa dias; 4. Contrato de locação ou escritura do imóvel onde a empresa exerce suas atividades; 5. Cópias autenticadas das 03 últimas contas de luz ou telefone, da empresa e dos sócios; 6. Comprovar a integralização do capital social que compõe o patrimônio líquida da empresa, mediante apresentação dos seguintes documentos: Fl. 398DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720674/201113 Acórdão n.º 3301002.010 S3C3T1 Fl. 390 11 Lista descritiva contendo todos os detalhes dos aportes realizados até hoje principalmente datas, valores, sócios, forma e etc); Extrato bancário da conta corrente da empresa contendo a entrada dos recursos; Registro contábil no livro Diário e Razão da empresa, contendo tais operações de integralização de capital; Extrato bancário de cada sócio, contendo saque ou saída dos recursos; Caso o aporte tenha sido por depósito de cheque, apresentar a microfilmagem do mesmo; Caso o aporte tenha sido por depósito em dinheiro, apresentar o comprovante de depósito (cópia autenticada), com identificação de quem efetuou e a data, assim como a declaração de IRPF (exercício do mesmo ano) de quem o efetuou, para comprovar a posse deste valor em espécie; Caso tenha sido por contrato de câmbio (capital proveniente do exterior), a empresa deve apresentálos; Caso tenha sido por transferências de valores entre contas do Patrimônio Líquido, apresentar registro contábil no livro Diário e Razão da empresa, mostrando tais operações de integralização de capital, assim como o Balanço Patrimonial fechado anteriormente para comprovar a existência prévia de tais valores; Demais documentos que a empresa tiver para fins de comprovação da integralização do Capital Social. 7. Cópia autenticada das páginas do Livro Registro de Empregados em que constam os atuais funcionários da empresa; 8. Balanços patrimoniais relativos ao período fiscalizado, assinados, pelo contador e sócioadministrador da empresa; 9. Demonstrativos de resultados relativos ao período fiscalizado, assinados pelo contador e sócioadministrador da empresa; 10. Contratos comerciais firmados juntos aos fornecedores de mercadorias no exterior 11. Cópias das comunicações escritas com os fornecedores de mercadorias no exterior por meio físico ou eletrônico (emails, faxes, memorandos, etc) que traduzam as negociações firmadas para a concretização das operações de comércio exterior 12. Relação das pessoas físicas ou jurídicas, no Brasil e no exterior, responsáveis pelas transações comerciais, com indicação dos respectivos telefones, fax e endereços eletrônicos Fl. 399DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 13. Relação de principais clientes e fornecedores (que respondam por pelo menos 80% do faturamento) 14. Documentos que comprovem como a empresa tem financiado suas atividades (aporte de capital, faturamento, emprlést6imos, etc) 15. Documentos que comprovem eventual repasse de recursos dos sócios à empresa 16. Relação, no modelo da planilha do ANEXO 1, fornecida em meio digital e meio impresso e assinado pelo(s) responsável(is) legal(is), das transferências das contas bancárias da empresa e para estas (TEDs e DCOs) 17. Relação no modelo da planilha do ANEXO 2, fornecida em meio digital e meio impresso e assinado pelo(s) responsável(is) legal(is), das declarações de importação e respectivos contratos de câmbio 18. Relação, no modelo as planilha dos ANEXOS 3A e 3B, fornecida em meio digital e meio impresso e assinado pelo(s) responsável(is) legal(is), das notas fiscais de entrada e saída 19. Relação de câmbios fechados e pendente extraídas do SISCOMEX (transação PCEX330) no período (apresentar contratos atualizados e respectivos comprovantes de remessa) 20. Extratos das contascorrentes onde são debitados os contratos de câmbio e dos tributos relativos a comércio exterior da empresa 21. Livros: Caixa, Diário e Razão, com todas as formalidades extrínsecas e intrínsecas exigidas pela legislação, inclusive devidamente assinados pelo sócio e contador responsável, acompanhados dos arquivos digitais respectivos conforme disposto na IN SRF nº 86/01, de 22/10/01 e no ADE COFIS nº 15/01, gerados pelo programa SINCO Arquivos Contábeis, fornecidos pela RFB no seguinte endereço eletrônico: http:/www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJurídica/SINCO/Arquiv osContabeis/programa Umdisco.htm. 22. Livros de Entradas, Saídas, de Registro de Inventário e Registro de apuração do IPI do período fiscalizado, com todas as formalidades extrínsecas e intrínsecas exigidas pela legislação, inclusive devidamente assinados pelo sócio e contador responsável. 23. Autorização para impressão dos documentos fiscais (AIDF) utilizados no período fiscalizado 24. Comprovação da propriedade ou posse ou contrato de locação dos bens imóveis utilizados como armazéns, depósitos, escritórios, etc.” A apresentação desses documentos era imprescindível para apurar a regularidade das importações e comprovar a capacidade financeira da recorrente de as Fl. 400DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720674/201113 Acórdão n.º 3301002.010 S3C3T1 Fl. 391 13 alavancar e, principalmente, comprovar a origem dos recursos utilizados, descaracterizando a interposição fraudulenta de terceiro na operação de comércio exterior. No entanto, a recorrente não atendeu à intimação nem se manifestou a respeito das solicitações. Posteriormente, foram expedidos os Termos de Intimação nºs 350, 351 e 352, às fls. 68/103, 104/140 e 141/177, à recorrente e a seus sócios, intimandoos a apresentar as mercadorias importadas, relacionadas nas DI’s discriminadas. Contudo recebidos os aqueles termos, conforme prova os “AR’s” às fls. 178, não os atenderam. As normas legais que definem interposição fraudulenta de terceiros no comércio exterior e tratam da respectiva penalidade sobre tais operações assim dispõem: Decretolei nº 1.455, de 1976: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...]; V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao Erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. [...].” (destaques não originais) IN SRF nº 228, de 2002: “Art. 1º As empresas que revelarem indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira evidenciada ficarão sujeitas a procedimento especial de fiscalização, nos termos desta Instrução Normativa. § 1º O procedimento especial a que se refere o caput visa a identificar e coibir a ação fraudulenta de interpostas pessoas em operações de comércio exterior, como meio de dificultar a verificação da origem dos recursos aplicados, ou dos responsáveis por infração à legislação em vigor. § 2º No caso de importação realizada por conta e ordem de terceiro, conforme disciplinado na legislação específica, o Fl. 401DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 controle de que trata o caput será realizado considerando as operações e a capacidade econômica e financeira do terceiro, adquirente da mercadoria. Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: [..]; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Parágrafo único. Nas hipóteses previstas nos incisos I e II do caput, será ainda instaurado procedimento para declaração de inaptidão da inscrição da empresa no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ).” Conforme demonstrado e provado nos autos, intimada a apresentar a documentação necessária e imprescindível para comprovar a regularidade das importações, capacidade financeira da recorrente de as alavancar e a origem dos recursos utilizados, recebida a intimação, a recorrente não a atendeu nem se manifestou a respeito. Dessa forma, segundo os diplomas legais citados e transcritos anteriormente, ficou caracterizada a interposição fraudulenta de terceiros nas operações de importações e dano ao Erário, sujeitando a recorrente à penalidade de perdimento das mercadorias importadas e sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro destas pela falta de suas localizações. Em face do exposto, rejeito as suscitadas nulidades do auto de infração (lançamento) e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente para excluir do total do valor lançado e exigido, a parcela decorrente da infração cometida em 28 de março de 2006, no valor de R$ 555,83 (quinhentos e cinqüenta e cinco reais e oitenta e três centavos). (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 402DF CARF MF Impresso em 25/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /08/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10280.901885/2009-67
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO.
Descabe considerar-se, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp).
APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N° 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1803-001.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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PER/DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO. Descabe considerarse, como suposta alteração da origem do crédito pleiteado, o comprovado erro no preenchimento de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp). APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N° 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 18 85 /2 00 9- 67 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.901885/200967 Acórdão n.º 1803001.652 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase, o presente feito, de declaração de compensação transmitida em 28/09/2005 pela empresa recorrente, na qual indicou crédito de R$ 5.602,65, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 03/2005, no valor originário de R$ 272.473,21. A Delegacia de origem registra que “analisadas as informações prestadas no documento (...), foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. Assim, não homologou a compensação declarada. Devidamente cientificada da decisão, a empresa recorrente apresenta manifestação de inconformidade, de forma tempestiva, alegando que tanto a descrição dos fatos como o enquadramento legal estão equivocados, pois os valores apontados no PER/DCOMP não foram antecipações, mas recolhimentos indevidos ou a maior, efetuados com código incorreto, fato que evidencia a total improcedência do enquadramento legal indicado pela fiscalização, que utilizou até mesmo dispositivo inexistente na época da compensação. Salienta que o débito da compensação não homologada deverá permanecer com a exigibilidade suspensa. Ainda, aduz a empresa que se tratasse de antecipação, a vedação trazida no bojo da MP 449/08, que introduziu dispositivo antes inexistente no art. 74 da Lei 9.430/96, somente poderia surtir efeito posterior a sua vigência, mas nunca atingir fatos pretéritos. Refere e transcreve decisão judicial, concluindo que deve prevalecer o entendimento no sentido de que não são aplicáveis limitações à compensação relativa a valores recolhidos antes da lei limitadora, aduzindo que no caso da presente manifestação de inconformidade, tanto os créditos em favor da recorrente quanto os débitos que se quer quitar são de datas anteriores à MP 449/08. De igual modo, frisa que se fosse o caso de se admitir que a lei possa limitar a utilização de crédito pelo contribuinte, mesmo assim, somente depois que a lei limitadora entrar em vigor é que a restrição começará a valer, mas nunca antes da lei estabelecer as limitações ao uso do crédito do contribuinte. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.901885/200967 Acórdão n.º 1803001.652 S1TE03 Fl. 113 3 A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem manter integralmente o lançamento. Afere, quanto ao erro na descrição dos fatos e enquadramento legal, alegado pela empresa recorrente, que não possui cabimento, já que se trata de recolhimentos efetuados a título de estimativas, tal como se pode concluir do teor da própria manifestação de inconformidade, sendo que a legislação em que se fundamenta a decisão proferida pela unidade de origem é a vigente no período de interesse ao caso concreto. Assim, não havendo a recorrente demonstrado o contrário, vez que se limitou a proferir alegação genérica. De igual modo, salienta o julgador que a empresa alega não se tratar de antecipações, mas sim de recolhimentos indevidos ou a maior, efetuados com código incorreto, ocorre que, em sua manifestação de inconformidade, a empresa recorrente deixou de identificar qual seria o “verdadeiro” código de recolhimento do tributo, cuja alteração deveria submeterse a prévio pedido de retificação do respectivo DARF, bem como sua natureza, além da possibilidade de sua repetição. No tocante às decisões judiciais citadas pela empresa recorrente, entende o julgador a quo que os entendimentos manifestados pelos Tribunais, ainda que Superiores, não vinculam, de per si, o julgamento administrativo trativa, mas que nos termos do art. 74, §11, da Lei 9.430/96, a suspensão de exigibilidade é efeito inerente à manifestação, já que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. Faz a ressalva quanto à força impositiva das súmulas vinculantes de que trata a Emenda Constitucional n° 45, de 2004, e das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade (artigo 102, § 2°, da CF/1988), inexistentes para o caso em apreço. Em relação à alegação trazida pela empresa recorrente e em parte fundada em jurisprudência, no sentido de que “ainda que se tratasse de antecipação, a vedação trazida no bojo da MP 449/08, que introduziu dispositivo antes inexistente no art. 74 da Lei 9.430/96, somente poderia surtir efeito posterior a sua vigência, mas nunca atingir fatos pretéritos”, entende o julgador que a disposição a que se refere a manifestação de inconformidade encontravase no art. 29 da MP nº 449/2008, o qual introduziu no art. 74, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 o inciso IX que aduz de forma imediata que o seu conteúdo não guarda qualquer relação com o caso concreto, Afirma o julgador de primeira instância que a vedação que fora introduzida pelo art. 29 da MP n°449/2008 alcançava os débitos apurados pelo sujeito passivo relativos a estimativas mensais, os quais não poderiam ser extintos pela via da compensação. Quanto à declaração de compensação, o julgador aduz que a Lei 10.637/2002 atribui à compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Já a lei 10.833/2003 fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP para a Receita Federal do Brasil homologar compensação declarada pelo contribuinte, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Assim, salienta o julgador de primeira instância que com a referida mudança da sistemática, a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratandose antes de procedimento efetivo pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação do fisco, de forma expressa ou tácita. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.901885/200967 Acórdão n.º 1803001.652 S1TE03 Fl. 114 4 No caso presente, temse que ao efetivar sua compensação a recorrente indicou como crédito pagamento correspondente a estimativas mensais. Ocorre que, nos termos da legislação relativa à apuração do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), aplicável à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) por força do art. 30 da Lei nº 9.430/19962, os recolhimentos efetuados pelas pessoas jurídicas optantes pelo lucro real, no decorrer dos meses do ano civil, caracterizam, em princípio, antecipações do tributo devido no final do período anual de apuração. Ou seja, o sujeito passivo, ao exercer a opção prevista no artigo 2º da Lei nº 9.430/1996, fica obrigado aos recolhimentos mensais por estimativa, com base na receita bruta, devendo, ao final do ano calendário, proceder à apuração do tributo devido, oportunidade em que poderá, então, deduzir os valores anteriormente recolhidos por estimativa. Cita o RIR a esse respeito. Explica o julgador que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real, que opte pelo recolhimento de estimativas, poderá suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido em cada mês, desde que demonstre, por intermédio de balanços ou balancetes mensais transcritos no Livro Diário, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo calculado com base no lucro real do período em curso. O levantamento de balanços ou balancetes mensais equivale ao próprio ajuste efetuado entre o mês de janeiro e o mês de levantamento do balanço ou balancete (comparandose o tributo calculado com base no lucro real do período de referência – de janeiro até o mês de levantamento do balanço/balancete – com o tributo já recolhido). Atenta que ao final do ano calendário, acaso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, poderá pleitear a restituição ou a compensação deste mesmo saldo, nos termos e condições constantes do art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/19963. Constatase, pois, que a regra geral é no sentido de que o contribuinte leve os valores recolhidos a título de estimativa à composição do saldo do IRPJ/CSLL apurado em 31 de dezembro. Em assim sendo, o recolhimento de estimativas mensais, exatamente nos valores calculados segundo os critérios determinados pela Lei nº 9.430/1996, não pode ser considerado, a priori, como pagamento indevido ou a maior, mesmo quando haja apuração de prejuízo fiscal ao final do exercício (este sim passível de repetição). Cita Instruções Normativas. Nesse compasso, a autoridade de primeira instância conclui que as normas legais vigentes à época vedavam à empresa recorrente de qualquer outra utilização para os recolhimentos a maior efetuados a título de estimativa do IRPJ que não a dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para composição do saldo negativo do período. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta, de forma tempestiva, suas razões de inconformidade em seara de recurso voluntário. Alega em sua defesa o já disposto em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.901885/200967 Acórdão n.º 1803001.652 S1TE03 Fl. 115 5 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, do qual tomo conhecimento. Trata, o presente processo, de declaração de compensação transmitida em 28/09/2005 indicando crédito de R$ 5.602,65, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF, relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 03/2005, no valor originário de R$ 272.473,21. A empresa recorrente contrapõese à decisão de primeira instância de forma tempestiva. De fato, entendo que a decisão proferida pela instância a quo deve ser revista, vez que levou em consideração as Instruções Normativas 460/2004 e 600/2005, que restaram prejudicadas com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. A empresa entende que os valores recolhidos a maior indicados como estimativa, devem ser tratados como verdadeiro crédito, tal como possibilita a IN 900 e também a Súmula CARF n°84: “Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.” Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para que a DRF de origem aprecie o direito creditório. É como voto. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10280.901885/200967 Acórdão n.º 1803001.652 S1TE03 Fl. 116 6 (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 10675.000664/00-27
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 20/05/1993 a 28/04/1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO
O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1990 e dezembro de 1995, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5 + 5. Recurso negado.
Numero da decisão: 9303-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3a. Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Relator
EDITADO EM: 11/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (presidente), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 20/05/1993 a 28/04/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1990 e dezembro de 1995, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicava-se o prazo decenal - tese dos 5 + 5. Recurso negado.
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PRESCRIÇÃO O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5), a partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado. Para restituição de créditos relativos a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1990 e dezembro de 1995, cujo pedido foi protocolado até 08 de junho de 2005, aplicavase o prazo decenal tese dos 5 + 5. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3a. Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Relator EDITADO EM: 11/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (presidente), Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 06 64 /0 0- 27 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida abaixo transcrito: Por bem retratar os fatos objeto do presente litígio, adoto e passo a transcrever o relatório da DRJ em Juiz de Fora/MG, ipsis literis: "A contribuinte acima identificada requereu às fls. 01, com juntada de documentos de fls. 02/62, a restituição de valores recolhidos a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, na vigência dos Decretoslei n.° 2.445/88 e n.° 2.449/88. A Decisão UBERSASIT n° 10675.353/2000, às fls. 103/107, exarada pela Delegacia da Receita Federal em Uberlândia/MG em 11/10/2000, indeferiu a solicitação da interessada, em síntese, com base no decurso do prazo decadencial previsto no art. 168 da Lei n° 5.172/1966 (CT1V) e no Ato Declaratório SRF n" 96, de 26 de novembro de 1999, para os recolhimentos efetuados até 28/04/1995 e deferiu a restituição dos saldos de pagamentos nos recolhimentos posteriores a esta data, nos termos daquele decisum. A interessada manifestou sua inconformidade, às fls. 110/115, argumentando, em resumo, que Conforme decisões recentes do Primeiro Conselho de Contribuintes e também do STJ, o prazo para pedir o dinheiro de volta ao Fisco é de cinco anos, contados da data em que o Supremo declarou a inconstitucionalidade dos decretos 2.445/88 e 2.449/88, mais precisamente a Resolução do Senado n°49 de 09/10/1995; Segundo robusta jurisprudência, o prazo decadencial começa a correr após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados mais cinco. O prazo prescricional tem por termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade de lei em que se fundamentou o gravame. Para reforçar seu entendimento transcreveu trechos retirados de decisões do Superior Tribunal de Justiça. Pleiteia a restituição/compensação dos valores apurados em planilha anexa do tributo PIS com valores vincendos e futuros tanto do próprio PIS como da Cofins e da CSLL". A DRJ em Juiz de Fora/MG negou o pleito da contribuinte em decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 20/05/1993 a 28/04/1995 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido como o Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10675.000664/0027 Acórdão n.º 9303002.408 CSRFT3 Fl. 214 3 pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Solicitação indeferida Irresignada com a decisão de Primeira Instância, a contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário a este Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, reiterando os termos de sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório O colegiado recorrido, decidindo o feito, deu provimento parcial ao recurso voluntário cujo acórdão foi assim ementado: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 20/05/1993 a 28/04/1995 Ementa: PIS. DECADÊNCIA. RESTITUIÇÃO. NORMAS PROCESSUAIS A decadência da Contribuição para o PIS tem como termo inicial a data de publicação da Resolução que extirpou do ordenamento jurídico a norma declarada inconstitucional pelo STF (Supremo Tribunal Federal). PIS — REPETIÇÃO DE INDÉBITO. Com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos Leis n's 2.445/1988 e 2.449/1988, as prestadoras de serviço, voltaram a dever a contribuição para o PIS, até fevereiro de 1996, com base na sistemática do PISRepique, consoante LeiComplementar n° 07 de 19970, e posteriores alterações (válidas). O indébito a ser repetido corresponde à diferença entre o valor da contribuição recolhida com base nos viciados decretos (PIS Faturamento) e a devida por força dessa lei complementar (PISRepique). Recurso Voluntário Provido em Parte A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, às fls. 180 a 187, em que pugna pelo prazo prescrional de 5 anos contados a partir do pagamento indevido. Foi dado seguimento a esse recurso nos termos do despacho de fls.191. O contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 194 a 224. É o relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese à questão do termo inicial da prescrição para repetição de indébito. A Fazenda Nacional defende a aplicação do art. 168 do CTN, com a interpretação dada pelo art. 3o da Lei Complementar 118/2005. Consultando os autos, verificase que os créditos pleiteados referemse a períodos de apuração compreendidos entre maio de 1993 a novembro de1995, sendo que o pedido foi formulado em 12 de maio de 2000. Sobre esta matéria há entendimento pacificado no STF que definiu que o termo inicial do prazo para repetição de indébito, a partir de 09/06/2005, vigência da Lei Complementar 118/2005, era a data da extinção do crédito pelo pagamento; já para nas ações de restituição ingressadas até a vigência dessa lei, deverseia aplicar o prazo dos 10 anos, consubstanciado na tese dos 5 mais 5 (cinco anos para homologar e mais 5 para repetir), prevalente no Superior Tribunal de Justiça. Para melhor clareza, transcrevese a ementa do acórdão pretoriano que decidiu a questão. 04/08/2011 PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, 1, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer Outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10675.000664/0027 Acórdão n.º 9303002.408 CSRFT3 Fl. 215 5 A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao Principio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vatatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. lnaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 54343, § 3, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. AC0RDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, sob a RE 66.621 / RS Presidência do Senhor Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da relatora A decisão acima reproduzida deixou claro que o artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005 só produziu efeitos a partir de 9 de junho de 2005, desse modo, aqueles que ajuizaram ação judicial de repetição de indébito, em período anterior a essa data, gozavam do prazo decenal (tese dos 5 + 5) para repetição de indébito, contado a partir do fato gerador da obrigação tributária. Assim, tendo sido atribuída repercussão geral à decisão, e tendo o STF a devem todos os demais tribunais e órgãos administrativos observar essa decisão. De todo o exposto, temse que aos pedidos administrativos de repetição de indébito, formalizados até 8 de junho de 2005, aplicase o prazo decenal. Assim, no caso sob Fl. 233DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 exame temos que o pedido foi formulado em 12 de maio de 2000 e que o primeiro período de apuração referese a maio de 1993, dentro portanto do prazo de decenal. Dessa forma, deve o presente processo retornar à autoridade preparadora para que esta examine e se pronuncie quanto ao mérito da restituição pleiteada, uma vez que a preliminar de decadência foi afastada. Em vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Joel Miyazaki Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por JO EL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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