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Numero do processo: 37299.009140/2005-78
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA.
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2302-002.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro.
.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico-procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1888; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 397 1 396 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37299.009140/200578 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.361 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2013 Matéria Salário Indireto: Ajuda de Custo, Educação Recorrente ZF DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE CIÊNCIA SOBRE O RESULTADO DE DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Com efeito, este entendimento encontra amparo no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 29 9. 00 91 40 /2 00 5- 78 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 . Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 25/10/2002, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de ajuda de custo, como condomínios, aluguéis, telefone, energia elétrica, IPTU, empregada doméstica, jardineiro entre outras, bolsas de estudo para cursos de língua estrangeira, graduação e pósgraduação e despesas pagas para contribuintes individuais, diretores, como condomínios e aluguéis. O período lançado abrange as competências de 01/1999 a 06/2002. Na impugnação, a notificada diz que reconhece parte do crédito lançado e que recolheu alguns valores lançados, além da competeência 05/2001, que já estava recolhida quando da notificação. Por este motivoos autos baixaram em diligência para que o Fisco se manifestasse sobre as alegações do contribuinte. A diligência concluiu às fls. 154/157, que a notificada tinha efetivamente recolhido os valores pertinentes aos levantamentos AJI e AJC e parte do lançamento HDI, devendo ser apropriados. Quanto à competência 05/2001, a mesma deve ser excluída da notificação por já estar recolhida. Quanto ao levantamento referente às bolsas de estudo, diz que traz alguns valores indevidos que devem ser excluídos do lançamento. O débito é retificado e DecisãoNotificação de fls. 186/194, pugnou pela procedência parcial do lançamento. A recorrente apresentou recurso voluntário, o Fisco ofereceu as contrarrazões e Acórdão da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, fls. 272/277, converteu o julgamento em diligência para que fossem respondidos os seguintes quesitos, que transcrevo da Resolução: 1 — Havia, para a realização dos cursos, análise da recorrente sobre a necessidade e utilidade do curso para suas funções empresariais? 2 — Os cursos oferecidos eram em decorrência da atividade laboral dos segurados para a recorrente? 3 — Os cursos eram oferecidos para o aperfeiçoamento da atividade laboral dos segurados para a recorrente? 4 — Há norma, regulamento, acordo para a realização dos cursos? E 5 — Era vedada, em regulamento, expressamente, a participa algum segurado a serviço da recorrente? Informação Fiscal de fls. 381/382, diz que: a empresa possui critérios para a realização de cursos visando a utilização nas ações empresariais; que os cursos são disponibilizados para segurados que exercem atividades em que o curso é necessário para as mesmas; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37299.009140/200578 Acórdão n.º 2302002.361 S2C3T2 Fl. 398 3 que para diversos cargos a língua estrangeira e cursos de especialização são requisitos para o exercício do cargo; que os cursos são realizados para que o empregado aplique seus conhecimentos na empresa; que há normas para a realização dos cursos ( fls. 283/290), mas não se pode afirmar que estavam em vigor na data da ocorr~encia dos fatos geradores; que não há vedação expressa sobre a participação de funcionários, mas para poder participar dos cursos de idioma e de pós graduação, os empregados tem que ter mais de um ano de empresa. Concluiu dizendo que não foram apresentados documentos contemporâneos aos fatos geradores, que atualmente a empresa disponibiliza cursos de idiomas e pósgraduação parq eu o empregado se aperfeiçoe e utilize os conhecimentos nas suas atividades empresariais e que não há vedação expressa à participação de funcionários. Após a conclusão da diligência, os autos retornaram à segunda instância para julgamento. É o relatório. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido. Preliminarmente deve ser examinada uma questão: analisando os autos verifiquei que não há provas de que a notificada tenha sido cientificada do resultado da diligência de fls. 154/157, que conheceu em parte das argumentações da contribuinte e se manifestou pela retificação do lançamento. A DecisãoNotificação pugnou pela procedência parcial do crédito, sem a possibilidade do contraditório em relação à diligência fiscal. A decisão foi emitida sem que a notificada tivesse ciência da realização da diligência e de seu resultado. A impossibilidade de conhecimento dos fatos elencados pelo Auditor Fiscal ocasionou a supressão de instância. O recorrente possui o direito de apresentar suas contrarrazões aos fatos apontados pela fiscalização ainda na primeira instância administrativa. Da forma como foi realizado o procedimento, o direito do contribuinte ao contraditório foi conferido somente em grau de recurso. Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 37299.009140/200578 Acórdão n.º 2302002.361 S2C3T2 Fl. 399 5 De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, entendo que a decisão recorrida deve ser anulada, uma vez que prolatada sem que o contribuinte tivesse a oportunidade de se manifestar, regularmente, em relação à informação fiscal carreada aos autos pelo fisco. Pelo princípio constitucional do contraditório, é facultado à parte manifestar sua posição sobre fatos trazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conhecimento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos. Inseremse no princípio do contraditório a chamada regra da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das partes. O princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo ser observado inclusive em processos administrativos, consoante art. 5°, LV, da Constituição Federal vigente. Art. 5°, LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Foi contemplado também no art. 2º, caput e parágrafo único, inciso X, da Lei nº 9.784/99, abaixo transcrito: Lei n° 9.784/99, art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (grifo nosso) Nesse sentido, entendo que a decisão proferida é nula, por cerceamento ao direito de defesa, com fulcro no art. 31, II, da Portaria MPS n° 520/2004, abaixo transcrito. Art. 31. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Ainda, é de se registrar que o contribuinte também não foi cientificado do Acórdão proferido pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que converteu o julgamento em diligência , tampouco do resultado da mesma, fls.381/382. Por todo o exposto, voto pela anulação da decisão de primeira instância. devendo ser conferida ciência ao recorrente do resultado da diligência fiscal de fls. 154/157, abrindolhe prazo para manifestação e posterior emissão de nova decisão. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 402DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 01/03/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 13956.001274/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO,
MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA.
Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre honorários advocatícios percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes.
Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-001.620
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre honorários advocatícios percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002. Recurso provido.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre honorários advocatícios percebidos em processo judicial trabalhista, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, eis que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Fl. 71DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.001274/200834 Acórdão n.º 210101.620 S2C1T1 Fl. 66 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 45/49) interposto em 19 de agosto de 2010 contra o acórdão de fls. 40/41, do qual o Recorrente teve ciência em 26 de julho de 2010 (fl. 44), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 12/15, lavrado em 07 de abril de 2008, em decorrência de compensação indevida de IRRF, verificada no anocalendário de 2004. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRRF. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Devese manter a glosa do imposto de renda retido na fonte sobre verbas recebidas em reclamatória trabalhista quando não restar demonstrado nos autos o efetivo desconto e recolhimento do valor declarado. Impugnação Improcedente. Crédito tributário mantido” (fl. 40). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso de fls. 45/49, repisando os argumentos ventilados por ocasião da impugnação, bem como acostando aos autos DARF recolhido no ano de 2005, no qual, supostamente, estariam englobados os valores de IRRF compensados no anocalendário de 2004. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.001274/200834 Acórdão n.º 210101.620 S2C1T1 Fl. 67 3 Consoante se infere dos documentos trazidos aos autos, bem como dos termos do próprio lançamento, a presente controvérsia encontrase adstrita à verificação da retenção, no anocalendário de 2004, do valor de R$ 71.034,93, compensado pelo contribuinte com o imposto devido referente ao exercício de 2005. Em relação ao referido ponto, aduz o contribuinte que, muito embora não tenham, de fato, sido recolhidos os valores aos cofres públicos, o levantamento do montante de R$ 397.158,67 no anocalendário de 2004 teria sido realizado já com os competentes descontos de IRRF pela fonte pagadora. Nesse esteio, afirma que, tendo havido a retenção do valor, a omissão no repasse das verbas ao ente público não poderia ser a ele atribuível, mas, de outra sorte, à própria fonte pagadora. De fato, conforme se infere da conta de execução de fl. 53, das guias de retirada de fls. 52 e 17 e do DARF de fl. 51, este último no valor de R$ 104.540,84, o imposto de renda devido sobre o montante pago ao Recorrente foi retido pela fonte no exercício de 2005, em meados do anocalendário de 2004, e recolhido no exercício de 2006, em meados do anocalendário de 2005. Concluise, portanto, que o contribuinte adotou o procedimento correto ao declarar ter recebido o valor bruto do Tribunal trabalhista com a respectiva retenção na fonte, configurandose direito do contribuinte compensar o valor do imposto retido ainda que não recolhido. Ora, conforme autoriza a legislação de regência, mais precisamente o art. 12, V, da Lei n.º 9.250/95, são dedutíveis da base de cálculo de apuração do imposto de renda devido “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo”. As hipóteses de responsabilidade tributária vêm previstas nos arts. 128 e seguintes do CTN, e conforme bem assevera o referido art. 128, “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”, o que se amolda à hipótese vertente, porquanto a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte é da fonte pagadora, consoante o Parecer Normativo n.º 01, de 2002, da Receita Federal do Brasil. A partir da leitura do mencionado parecer, depreendese que, em situações como a ora em análise, em que há a retenção do imposto, mas não há o recolhimento, afigura se a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, in verbis: “IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido.” Sendo efetivamente comprovada a retenção dos valores pelo Tribunal, bem como considerando que eles constaram da declaração do contribuinte, a responsabilidade pelo recolhimento é exclusiva da fonte. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13956.001274/200834 Acórdão n.º 210101.620 S2C1T1 Fl. 68 4 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 19/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 02/07/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 06/07/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11065.100691/2010-92
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.088
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, determinar a realização de diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, determinar a realização de diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior –Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Eivanice Canário da Silva. Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 05 a 06, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, relativamente ao exercício de 2009, anocalendário de 2008. A Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05verso, informa que, da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da RFB, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com ou sem vínculo empregatício, sujeito à tabela progressiva no valor de R$4.415,32. O lançamento identificou como fonte pagadora a empresa APM Global Logistics Brasil Ltda. Na apuração do imposto devido foi compensado IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 665,39. Não se conformando com o crédito tributário constituído, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 01, acompanhada cópia de demonstrativo de valores contendo a identificação da empresa Virgínia Costa Imóveis Ltda CNPJ 03.598.524/000114, fls. 03, sustentando em sua defesa que: Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.100691/201092 Resolução n.º 2802000.088 S2TE02 Fl. 75 2 o contribuinte notificado por omissão de rendimento do trabalho sem vinculo APM GLOBAL LOGISTICS BRASIL LTDA,CNPJ 03.598.524/000114, segundo informações prestadas na Dirf pela empresa informou à RFB os rendimentos auferidos no ano 2008 (R$ 27.514,75), do qual deduziu a taxa de administração cobrada pela imobiliária no valor de R$ 2.751,46; concluindo suas razões, requereu o acolhimento da presente impugnação e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegra(RS)– DRJ/POA julgou improcedente a impugnação, fls. 18 a 19, cujas razões de decidir constam assim resumidas na ementa do Acórdão nº:1033.942 – 8ª Turma da DRJ/POÁ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS DE PESSOA JURÍDICA Deve ser mantido o lançamento decorrente da omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, devidamente confirmada por meio de informação prestada em DIRF pela fonte pagadora.Impugnação Improcedente Cientificado em 29/09/2011, fls. 23, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/10/2011, fls. 49, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação, para aduzir que: jamais prestou serviços à empresa que informou o rendimento declarado em DIRF; .em nenhum momento desempenhou qualquer atividade remunerada com ou sem vínculo empregatício junto a fonte pagadora; a relação existente com a empresa Maersk Logistics Brasil Ltda, CNPJ 03.598.524/000114, é de locador/locatário; estão corretas as informações em sua DIRPF. As incorreções estão na DIRF entregue pela empresa Maersk Logistics Brasil Ltda, que atribuiu um rendimento que não lhe pertence, cabendo a tal empresa explicar a razão dessa incorreção; foi solicitado à empresa que apresentasse retificação da DIRF, conforme cópia de e mail juntado às fls. 50 a 56. Também acompanham o seu recurso os documentos juntados às fls. 57 a 67 (cópia da carteira de trabalho, comprovantes de rendimentos pagos pelo INSS e Auxiliadora Predial, contrato de locação firmado com a empresa Maersk Logistics Brasil Ltda. Às fls. 70 a 73, foram juntados aos autos os seguintes documentos: a) Memorando nº 213/2011/SECAT/DRFNHO/SRRF10/RFB/MFRS, datado de 03/11/2011 (encaminhando documentos a este CARF); b) tela do sistema COMPROT da RFB, relativamente ao presente processo; c) recibo de entrega da DIRF retificadora, transmitida em 27/10/2011, em nome da empresa DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA, CNPJ nº Fl. 75DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.100691/201092 Resolução n.º 2802000.088 S2TE02 Fl. 76 3 03.598.524/000114, e; informação de rendimentos de aluguel recebidos da empresa Maersk Logisics Brasil Ltda, CNPJ nº 03.598.524/000114. É o relatório. Passo ao voto. O recurso voluntário foi apresentado tempestivamente. Dele, pois, tomo conhecimento. A recorrente nega haver recebido o valor de R$ 4.415,32, constante dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil a título de rendimento do trabalho sem vínculo empregatício, código de receita 0588, declarado em DIRF apresentada pela empresa APM GLOBAL LOGISTICS BRASIL LTDA, CNPJ nº 03.598.524/000114. De acordo com o relatório “RESUMO DO BENEFICIÁRIO – DETALHAMENTO MENSAL”, extraído da referida DIRF, fls. 17, constatase que, de fato, o nome da Recorrente figura como beneficiária do citado rendimento, declarado em DIRF por APM GLOBAL LOGITICS BRASIL LTDA, cadastrada na RFB como DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA. Ocorre, porém, que de acordo com o recibo de entrega juntado às fls. 72, referida DIRF foi retificada em 27/10/2011. Contudo, esse recibo, por si só, não consegue demonstrar que a contribuinte não mais figura como beneficiária do rendimento por ela originalmente declarado como recebido em julho de 2004, no valor de R$ 4.415,32. Diante disso, voto para que seja realizada diligência pela Unidade da Receita Federal de origem, tendo por objetivo informar e detalhar se a Recorrente, MARIANGELA BOHRER HABIGZANG ainda figura como beneficiária de rendimentos na DIRF retificadora transmitida pela declarante DAMCO LOGISTICS BRASIL LTDA, CNPJ nº 03.598.524/0001 14, conforme recibo de entrega juntado às fls. 72. Após relatório fiscal, dar ciência à contribuinte concedendolhe prazo razoável para, se assim desejar, manifestarse acerca da informação prestada no referido relatório. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 76DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16707.005177/2009-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.829
Decisão: Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes.
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GASPAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008 MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator designado Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de Lançamento, lavrado em 14/10/2009, que constituiu crédito tributário, segundo Relatório Fiscal, fls. 15/21, referente a contribuição previdenciária e Sat/rat incidentes sobre remunerações de trabalhadores empregados em obra de construção civil apuradas por aferição indireta – levantamentos NF e Z2; contribuição incidente sobre serviços prestados por cooperativa de trabalho – levantamento COO e Z1, e a ausência de retenção em notas fiscais de prestação de serviço com cessão de mão de obra – levantamentos R4 e R12, no período 11/2004 a 12/2004, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 147.501,45. Após tomar ciência postal da autuação em 19/10/2009, fls. 109, a recorrente apresentou impugnação, fls. 113/127, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Recife, no Acórdão de fls. 218/227, julgou a impugnação procedente em parte, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 22/03/2011, fls. 231. O Acórdão a quo afastou os levantamentos NF e Z2 que utilizaram a aferição indireta. O recurso voluntário, protocolizado em 26/04/2011, fls. 234/246, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Trata extensamente da improcedência do arbitramento. Segue argumentando pela não inclusão dos valores pagos a título de alimentação na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16707.005177/200921 Acórdão n.º 230102.829 S2C3T1 Fl. 250 3 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A recorrente apresentou seus argumentos contra o arbitramento e a inclusão dos valores pagos a título de alimentação na base de cálculo da contribuição. No entanto, tais argumentos são impertinentes, tendo em vista que os levantamentos que utilizaram a aferição indireta (arbitramento) já foram afastados pelo Acórdão a quo, sem que haja Recurso de Ofício, e não há qualquer levantamento que incluiu na base de cálculo os valores dispendidos com alimentação do trabalhador. A insurgência da recorrente poderia ter abordado a discussão sobre a ausência de retenção em notas fiscais de serviços com cessão de mão de obra (levantamentos R12 e R4) e o recolhimento da contribuição sobre notas fiscais de cooperativas de trabalho (levantamentos COO e Z1). Porém, a recorrente não tratou de tais questões. Sendo questão de ordem pública, trataremos a seguir das multas aplicáveis ao caso. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de Fl. 258DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos Fl. 259DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16707.005177/200921 Acórdão n.º 230102.829 S2C3T1 Fl. 251 5 casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 261DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16707.005177/200921 Acórdão n.º 230102.829 S2C3T1 Fl. 252 7 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 8 Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16707.005177/200921 Acórdão n.º 230102.829 S2C3T1 Fl. 253 9 Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Redator designado 1. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 2. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 3. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 4. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 5. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 264DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA 10 6. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 265DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 14/09 /2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assin ado digitalmente em 24/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11020.003434/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
MULTA ISOLADA - IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL.
Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-002.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negava provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negava provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1.726 1 1.725 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003434/200643 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.062 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente LOANDA MARIA LOPES MILANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA CUMULATIVA COM A MULTA DE OFÍCIO NORMAL. Deve ser afastada a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de ofício normal, incidentes sobre o tributo objeto do lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que negava provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 34 34 /2 00 6- 43 Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1709/1723) interposto em 01 de abril de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), (fls. 1694/1704), do qual a Recorrente teve ciência em 04 de março de 2011 (fls.1708), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 1647/1660, lavrado em 07 de novembro de 2006, em decorrência da apuração de dedução indevida de despesas de livro Caixa e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, formalizandose a exigência de crédito tributário no montante de R$ 173.536,73, nele compreendido imposto, multa proporcional, multa exigida isoladamente e juros de mora. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AnoCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA ISOLADA (CARNÊLEÃO). A multa de lançamento de ofício é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. CONCOMITÂNCIA ENTRE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Não há impedimento na aplicação da multa de ofício e da multa isolada por se referirem a diferentes infrações cometidas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1709/1723), onde alega, em síntese, que “se aplicada a multa de ofício ao tributo apurado em lançamento de ofício, a ausência de anterior recolhimento mensal (via carnêleão) do referido imposto não deve ocasionar a aplicação cumulativa da multa isolada, já que esta somente é aplicável de forma isolada, de modo a se evitar a dupla penalização sobre a mesma base de incidência.” Por fim, requer seja decidido pela inexigibilidade da multa isolada, excluindoa do Auto de Infração objeto da irresignação. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 1725, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.003434/200643 Acórdão n.º 2101002.062 S2C1T1 Fl. 1.727 3 Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à aplicação da multa isolada sobre a diferença do imposto que deixou de ser recolhido, oriunda do pagamento de carnêleão e o apurado pela autoridade autuante. Para melhor entendimento, transcrevo abaixo os dispositivos legais que tratam da aplicação das multas, veiculados pela Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Com base nos dispositivos legais citados a fiscalização imputou à contribuinte duas multas – a punitiva pelo não recolhimento de tributo (multa normal – art. 44, I) e a isolada pelo não recolhimento de imposto na sistemática do carnêleão (multa isolada – art. 44, II, “a”). Reiteradas decisões deste E. Colegiado tem concluído pela impossibilidade de cobrança concomitantemente da multa normal e da multa isolada. O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença do imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, deve ser lançada a multa isolada, e somente ela. Assim, incabível a hipótese de incidência de multa pelo não pagamento da antecipação e pelo não pagamento do imposto devido quando do ajuste anual. Nestes termos, voto no sentido de afastar a aplicação da multa isolada, cobrada concomitantemente com a multa de ofício, vez que a primeira apresenta a mesma base de cálculo da segunda, já exigida com o tributo. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11020.003434/200643 Acórdão n.º 2101002.062 S2C1T1 Fl. 1.728 5 Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002272/2008-99
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS
O valor do plano de saúde pago em benefício do contribuinte é dedutível da base de cálculo do imposto de renda apurada em sua declaração de ajuste anual. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.847,54 (dois mil, oitocentos e quarenta e sete reais e cinquenta e quatro centavos), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.847,54 (dois mil, oitocentos e quarenta e sete reais e cinquenta e quatro centavos), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Juliana Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 22 72 /2 00 8- 99 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, fls. 3 a 6verso, referente ao exercício 2007, anocalendário 2006, lavrada em virtude da constatação das infrações descritas a seguir: 1) dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 10.717,62; 2) omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física, no valor de R$ 600,00; Relativamente à glosa das despesas médicas, consta do lançamento a seguinte COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS, fls. 04: “COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Despesas Médicas glosadas por falta de amparo legal: 1) R$ 1.790,00 (Maria Oliete Perini Guerra), em favor de DALILA NOVAIS P. SUAID, beneficiária não relacionada como dependente do contribuinte; 2) R$ 385,00 (Clínica Infantil da Praia Ltda). As despesas médicas com medicamentos ou vacinas, não encontram permissivos legais que autorizem a dedução dos rendimentos tributários. Despesas Médicas glosadas por falta de comprovação: R$ 8.542,62 (Sul América Seguro Saúde).” O sujeito passivo apresentou impugnação à fl. 1, contestando o feito fiscal mediante apresentação dos seguintes documentos: a) comprovante de pagamentos efetuados à FENACEF Federação Nacional das Associações de Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal, detentora das Apólices de Seguros n° 38.3780004 e 39.4540000, firmado com a Sul América Seguro Saúde, relacionando os pagamentos realizados no valor total de R$ 5.695,08, bem como os Demonstrativos de Proventos Previdenciários, que comprovariam os descontos em folha de pagamento do imposto de renda. b) Demonstrativo Financeiro fornecido pela Administradora de Imóveis Paulo Sardenberg Ltda. Ao final, solicita reconsideração da referida Notificação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, fls. 27 a 32, examinando o assunto, considerou e não impugnada a glosa de dedução com despesas médicas no valor de RS 2.175,00 referente aos profissionais Maria Oliete Periné Guerra e Clínica Infantil da Praia Ltda, por falta de contestação expressa. Relativamente à glosa das despesas médicas remanescente, no valor de R$8.542,62, referida decisão não acatou a documentação apresentada por não relacionar os beneficiários do plano de saúde, fato este que impede a verificação do atendimento ao disposto no inciso II, do art. 80 do RIR/99. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.002272/200899 Acórdão n.º 2802002.114 S2TE02 Fl. 55 3 Por sua vez, decidiu pela procedência parcial da impugnação tão somente para excluir da tributação o valor de RS 600,00, referente a receita de aluguel considerada omitida pelo lançamento. Cientificado em 30/03/2011, fls. 39, o interessado interpôs recurso voluntário em 20/04/2011, fls. 40/41, instruído com os documentos de fls. 42 a 51, alegando, em síntese, que, apresenta novo comprovante de fornecido pela operadora do plano de saúde com a identificação dos seus participantes. Como sua esposa não é considerada sua dependente, o lançamento deverá prevalecer somente em relação à parcela que lhe correspondente no valor de R$ 2.847,54. Após informar que refez o s cálculos e procedeu o recolhimento do imposto de renda devido, alegando haver juntado aos autos cópia do respectivo DARF, solicitando a baixa do débito e o arquivamento do presente processo. E o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Após decisão de primeira instância, remanesce a glosa da despesas médicas declaradas pelo contribuinte como pagas à Sul América Seguro Saúde, no valor de R$8.542,62. O recorrente apresenta como comprovação dessa dedução o documento, fls. 50. De seu exame, constatase a indicação do contribuinte, como titular, e de Dalila Novaes Ferreira Suaid, sua esposa, como pessoas beneficiárias daquele plano de saúde. Constatase também que, ao final do anocalendário de 2006, as contribuições recolhidas pelo contribuinte atingiram o montante de R$ 5.695,08 (R$ 2.847,54 para cada beneficiário). Conforme se depreende do recurso interposto, o próprio contribuinte reconhece que a parte das contribuições pertencentes à sua esposa não é dedutível, em face desta não constar como dependente em sua declaração de ajuste. Diante disso, há que ser restabelecida a dedução do valor de R$ 2.847,54, uma vez evidenciado que este pagamento corresponde à parcela do plano de saúde pertencente ao contribuinte, consoante disposto no inciso II, do art. 80, do RIR/99. Voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 2.847,54 (dois mil, oitocentos e quarenta e sete reais e cinquenta e quatro centavos). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 63DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19515.000230/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
IR-FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. INOCORRÊNCIA. Tributo não é penalidade ou sanção de ato ilícito. A exigência de IR-Fonte com fulcro no art. 35 da Lei 8.981/1995 deve observar 2 premissas básicas: i) a efetiva realização do pagamento (prova a cargo do Fisco); ii) a inexistência ou não comprovação da causa do desembolso, e/ou a constatação de que o beneficiário não é aquele apontado pela fonte pagadora (prova também a cargo do Fisco). Na situação versada nos autos, comprovado pelo autuado que os pagamentos se deram em função da prestação de serviços dos beneficiários, com efetiva retenção de IR-Fonte; comprovado ainda que os serviços foram prestados, ainda que parcialmente (aquisição e processamento), o fato de não ter sido comprovada a exportação desses produtos, pode ensejar a glosa dos benefícios tributários vinculados à venda destinada ao exterior, porem, não autorizam a exigência de IR-Fonte sob a acusação de pagamento sem causa.
Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 IR-FONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. INOCORRÊNCIA. Tributo não é penalidade ou sanção de ato ilícito. A exigência de IR-Fonte com fulcro no art. 35 da Lei 8.981/1995 deve observar 2 premissas básicas: i) a efetiva realização do pagamento (prova a cargo do Fisco); ii) a inexistência ou não comprovação da causa do desembolso, e/ou a constatação de que o beneficiário não é aquele apontado pela fonte pagadora (prova também a cargo do Fisco). Na situação versada nos autos, comprovado pelo autuado que os pagamentos se deram em função da prestação de serviços dos beneficiários, com efetiva retenção de IR-Fonte; comprovado ainda que os serviços foram prestados, ainda que parcialmente (aquisição e processamento), o fato de não ter sido comprovada a exportação desses produtos, pode ensejar a glosa dos benefícios tributários vinculados à venda destinada ao exterior, porem, não autorizam a exigência de IR-Fonte sob a acusação de pagamento sem causa. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
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TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO I SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRFONTE. PAGAMENTO SEM CAUSA. INOCORRÊNCIA. Tributo não é penalidade ou sanção de ato ilícito. A exigência de IRFonte com fulcro no art. 35 da Lei 8.981/1995 deve observar 2 premissas básicas: i) a efetiva realização do pagamento (prova a cargo do Fisco); ii) a inexistência ou não comprovação da causa do desembolso, e/ou a constatação de que o beneficiário não é aquele apontado pela fonte pagadora (prova também a cargo do Fisco). Na situação versada nos autos, comprovado pelo autuado que os pagamentos se deram em função da prestação de serviços dos beneficiários, com efetiva retenção de IRFonte; comprovado ainda que os serviços foram prestados, ainda que parcialmente (aquisição e processamento), o fato de não ter sido comprovada a exportação desses produtos, pode ensejar a glosa dos benefícios tributários vinculados à venda destinada ao exterior, porem, não autorizam a exigência de IRFonte sob a acusação de pagamento sem causa. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 30 /2 00 9- 43 Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por sua vez, a 6a. TURMA DA DRJ EM SÃO PAULO I – SP, também recorre de ofício em face da exoneração de valor acima de R$ 1.000.000,00. Transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida: COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO (CBD), empresa acima identificada, foi submetida a auditoria fiscal. Ao final do procedimento a fiscalização constatou os seguintes fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal 01 (fls. 2.153/2.162) e Termo de Verificação Fiscal 02 (fls. 2.163/2.185). A CBD, nos anos calendário de 2002 e 2003, supostamente teria adquirido grãos de soja de Centúria S/A Industrial, Comercial e Agrícola (Centúria), CNPJ n° 01.298.968/000370. Em seguida, estes grãos de soja supostamente teriam sido beneficiados por Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura (Rubi), CNPJ nº 04.136.996/000207 e 04.136.996/000118 e transformados em farelo e óleo de soja. Por fim, o farelo de soja e óleo de soja supostamente teriam sido alienados para Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro (Canorp), CNPJ nº 77.479.442/000197, que efetuaria a exportação dos produtos. A CBD também contratou a empresa Master Consultoria Tributária S/C Ltda (Master), CNPJ 04.233.504/000102, para administrar estas operações. Segundo a fiscalização, todas estas operações foram simuladas, assim os pagamentos efetuados a título de industrialização à Rubi e os pagamentos em favor da Master foram considerados sem causa. O contribuinte no ano calendário de 2002 reduziu indevidamente o lucro líquido, no valor de R$ 401,94, como custo na aquisição de grãos de soja. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados em 22/05/06 os seguintes autos de infração, cientificados ao contribuinte na mesma data: Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 3 Ajuste da Base de Cálculo do Imposto de Renda (fls. 2.192/2.193). Fundamento legal citado na fl. 2.193; Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF (fls. 2.204/2.207): Total do crédito tributário, R$ 72.952.361,77, incluídos o tributo, multa e juros de mora calculados até 28/04/06. Fundamento legal citado na fl. 2.207. O contribuinte apresentou defesa de fls. 2.226/2.346, em 21/06/06, alegando em síntese: na consecução de seus objetivos sociais promoveu a compra de soja em grãos, os industrializou e vendeu os seus derivados com a finalidade de exportação; foi procurada pela empresa Master para prestar serviço de consultoria com vistas a realizar operação de performance de exportação, que melhoraria o resultado operacional do contribuinte, com aproveitamento de créditos de PIS e IPI; esta operação consistia na compra de grãos de soja da empresa Centúria que entregaria o produto diretamente na empresa Rubi, por conta do impugnante. Estes grãos eram transformados em derivados e transportados diretamente pela Rubi para a Canorp que em nome próprio efetuava a exportação; os contratos que lastrearam esta operação se encontram em anexo; uma vez exportada a soja a exportadora se encarregava de enviar ao impugnante o memorando de exportação; realiza este tipo de operação há mais de 20 anos; está sendo condenada sem que suas operações tenham sido fiscalizadas, com base em alegações e fatos verificados em períodos distintos, envolvendo outros contribuintes. O fisco chegou ao estabelecimento do impugnante com as autuações préconstituídas; o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) previa a fiscalização do IRPJ, assim a fiscalização não tinha poderes para fiscalizar o PIS, o IRRF e a COFINS; a fiscalização valeuse exclusivamente de provas obtidas pelo Fisco estadual para lavratura de auto de infração do ICMS que sequer foi julgado definitivamente; a investigação efetuada pelo Fisco estadual junto à empresa Centúria foi empreendida no ano de 2004, não tendo assim, condições de remontar operações ocorridas com até dois anos de antecedência; o fato de a Centúria ter se mudado para imóveis menores não a desqualifica, pois grande parte das aquisições de grãos de soja ocorreram quando o produto já se encontrava no estabelecimento da empresa Rubi que possuía cerca de 5.000 m2; a empresa Rubi ainda hoje está ativa no cadastro do CNPJ; o fato anteriormente narrado faz cair por terra o argumento utilizado pelo Fisco estadual de que a última operação da Centúria controlada por Posto Fiscal de Fronteira do Mato Grosso, teria ocorrido em 25/06/01, já que a soja já se encontrava no estado de São Paulo; a informação obtida junto ao contabilista da empresa Centúria de que a partir de março de 2001 foram entregues Gias negativas foi utilizada pela fiscalização para demonstrar a inexistência de operações da Centúria, ao passo que o próprio Fisco afirmou que houve emissão de Nota Fiscal nº 377, de 25/06/01, não escriturada; Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 4 a empresa Centúria manteve relação com o Fisco estadual do Mato Grosso ao longo dos anos de 2002 e 2003, pedindo baixa de seu estabelecimento apenas em janeiro de 2004, o que denota a regular presença da empresa no Mato Grosso durante o período a que se refere o auto de infração; em 01/07/02, 14/11/02, 17/12/02, 14/05/03 e 12/08/05, o Fisco estadual concedeu à Centúria autorizações de impressão de documentos fiscais, acenando com a regularidade da empresa; as alegações do Fisco estadual quanto à Centúria de que houve a renúncia do presidente em 08/04, solicitação de baixa da inscrição do estabelecimento em 01/04 e declaração de extravio de documentos fiscais em 01/04, eventos que comprovariam a inexistência da empresa, não podem ser opostas ao impugnante, pois as operações em questão ocorreram em período anterior; a declaração do exfuncionário da Centúria de que após a mudança da empresa para Rondonópolis MT em 2001 não houve qualquer operação, somente é válida até 01/02, quando o funcionário foi dispensado; conforme documentos anexos (doc. 13), a Centúria realizou operações com soja nos anos calendário de 2002 e 2003; em seu relatório, o Fisco estadual apontou para um superfaturamento dos grãos de soja. No caso em estudo, a soja era vendida por cerca de R$ 49,00, dentro dos padrões do mercado; este mesmo relatório informa que empresas de ramo totalmente diverso foram atraídas para a operação simulada envolvendo soja. Ocorre que o impugnante atua neste ramo econômico, vendendo derivados de soja, inclusive processados pela empresa Rubi (doc. 6); no que tange à empresa Rubi, o trabalho fiscal cita apenas operações envolvendo esta empresa com a Santa Cruz como fornecedora de soja e não com a pessoa jurídica Centúria; a idoneidade da Canorp foi assegurada pelo próprio Fisco paranaense, pois ela possuía regular cadastro, contava com AIDF e apresentava regularmente Gias; todas as exportações em questão foram realizadas, conforme memorandos de exportação; os lançamentos não têm por fundamento a ausência de exportação da soja, mas a emissão indevida de documento fiscal por eventual inexistência de soja; a fiscalização tenta demonstrar o dolo e máfé com a duplicação das notas fiscais de exportação; tendo em vista que vendeu derivados de soja para que a Canorp efetuasse em nome próprio a exportação, o fato de haver clonagem das notas fiscais de exportação não significa que os produtos exportados não sejam do impugnante, fato que não foi objeto de fiscalização; não concorda com o estorno dos créditos, já que desconhece qual seria a operação real, eis que não foram apresentadas as notas fiscais de exportação da Canorp referentes às vendas de sua soja; não encontrou as notas fiscais de exportação nºs 4726, 4722, 4720, 4721 e 5016, constantes dos Memorandos de Exportação; Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 5 em face das inconsistências apontadas o estudo elaborado pelo Fisco estadual não serve para calcar o lançamento tributário; os autos de infração se sustentam em frágeis presunções; até é possível que as empresas investigadas pelo Fisco estadual tenham praticado operações irregulares, contudo nada é indicativo que nas operações do impugnante as máculas apontadas tenham ocorrido; não há prova nos autos que demonstre a existência de conluio do impugnante com outras empresas investigadas ou a inexistência das operações que deram o direito ao crédito de PIS e IPI, tampouco considerar os pagamentos efetuados à Master e Rubi, como sem causa; concluise que os autos de infração são nulos; a fiscalização desconsiderou todos os documentos fiscais relativos às operações realizadas visando à exportação dos derivados de soja, por entender que as operações não ocorreram, ou seja, teria ocorrido falsidade material; ocorre que os documentos são válidos até que se prove o contrário. Para que isso ocorra os documentos deveriam ser analisados em processo administrativo próprio e declarados inaptos por decisão do Delegado da Receita Federal; cita a Portaria MF nº 187/93; a totalidade das infrações apuradas foi praticada por terceiros, quanto ao impugnante não há uma única afirmação no relatório elaborado pelo Fisco estadual de que tenha participado da alegada fraude; se houve fraude, esta foi praticada pelos dirigentes das empresas mencionadas no relatório do Fisco estadual, que ao emitirem documentos falsos (memorandos e notas de exportação) teriam agido dolosamente, resultando em prejuízo ao Erário. O crédito tributário deveria ser exigido destes terceiros a teor do disposto no artigo 135 do CTN; teria que se provar que o impugnante conhecia esta fraude e que agiu em conluio com as demais empresas, o que não se comprovou; as principais provas arroladas pelo Fisco federal são notas de exportação que teriam sido duplicadas pela Canorp. Se foram os dirigentes desta empresa que agiram com dolo, e não embarcaram a soja vendida pelo impugnante, nos termos do artigo 135 do CTN e artigo 7º da Lei nº 10.637/02, a responsabilidade pelo recolhimento dos tributos deve ser imputada a eles; o impugnante ao efetuar as operações colocadas em discussão sempre agiu de boa fé e procurou se cercar de cautelas e praxe sobre a legalidade dos negócios; a operação em questão foi declarada idônea por empresas de auditoria e consultoria, entre elas a Delloitte Touche Tohmatsu Consultoria Contábil e Tributária S/A; os tributaristas Alcides Jorge Costa e Roque Carrazza emitiram parecer destacando que estas operações foram lícitas; não tem motivos para desconfiar da idoneidade dos documentos fiscais que lastrearam a operação, pois presentes os requisitos para sua validade, não podendo ser imputado ao impugnante qualquer sanção à vista do princípio da aparência; Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 6 as empresas emitentes destes documentos fiscais eram legalmente constituídas e autorizadas à emissão destes documentos e antigas parceiras comerciais; os negócios jurídicos em tela estão amparados nos competentes contratos hábeis para a constituição de direitos e obrigações; não é possível o estorno do crédito decorrente das operações com a Rubi; esta empresa não foi autuada pelo Fisco federal, fato que denota sua regularidade; efetivamente pagou à Rubi pelo serviço prestado; não se comprovou simulação, ela não pode ser presumida; haverá simulação sempre que um ato apresenta vontade diferente da aparentemente manifestada e será defeituoso quando houver intuito de prejudicar terceiros ou violar lei; no caso em estudo a operação pactuada não aparenta direito diverso, não contém declaração falsa e não foi realizada para prejudicar terceiros. Os fatos analisados pela fiscalização se referem a operações praticadas por outros contribuintes em períodos distintos; a fiscalização não buscou a verdade material; com base nos princípios da motivação e da legalidade a autoridade fiscal não poderia ter lavrado auto de infração sem o levantamento e exame de toda documentação contábil e fiscal do impugnante; a contabilidade faz prova em seu favor, nos termos do artigo 276 do RIR/99 e artigos 379 a 382 do CPC, pois não tem como provar que a soja não circulou; a escrituração contábil está lastreada em contratos e documentos fiscais, a fiscalização não demonstrou a inveracidade dos fatos contabilizados; a responsabilidade pelo transporte da mercadoria ficou a cargo da Centúria e da Rubi, que não puderam encaminhar os comprovantes do transporte, pois estes documentos estariam com a Receita Federal (doc. 9); os valores supostamente devidos a título de PIS e COFINS estão confessados em DCTF (doc. 10), não sendo cabível o lançamento de ofício; os débitos de PIS e COFINS estão informados em DCOMP 34.31.98.35.20, 25.44.02.11.17, 04.92.43.40.49 e PA 11610.000398/200373; os pagamentos efetuados à Rubi e à Master têm causa, ou seja, industrialização por encomenda lastreada em documentos e contratos e prestação de serviço de assessoria, respectivamente; houve equívoco no reajustamento da base de cálculo do IRRF, em desobediência do artigo 20, § 1º, da INSRF nº 15/01, de alguns pagamentos listados à fl. 2.308; a exigência do IRRF com base na Lei nº 8.981/95, artigo 61, parágrafo terceiro e INSRF nº 15/01 ofende aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação de utilização de tributo com efeitos de confisco; a fiscalização pretendeu utilizar tributo para apenar o impugnante por prática de suposta fraude ou simulação não comprovada. Houve ofensa ao conceito de tributo; a Lei nº 8.981/95, artigo 61, parágrafo primeiro, tem natureza sancionatória; Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 7 reteve valores a título de IRRF nos pagamentos efetuados em favor da Master que deveriam ser deduzidos do lançamento de ofício (fl. 2.319); caso não seja admitida a manutenção dos créditos de ICMS, PIS e IPI, o valor correspondente ao montante destes créditos não poderia compor o resultado do impugnante, devendo ser refeito o cálculo do lucro real, sendo que eventuais créditos de IRPJ constituiriam pagamentos indevidos e deverão ser compensados de ofício; a autoridade fiscal glosou o montante de R$ 401,94 a título de custo de aquisição de soja, ocorre que se a operação envolvendo soja não existiu, a respectiva receita também não pode ser considerada para fins de apuração do lucro real; quanto ao auto de infração do PIS a fiscalização não averiguou a ocorrência do fato gerador, optaram por proceder ao lançamento com base somente nos valores dos créditos glosados, sem identificar se e quando esses créditos foram utilizados; muito embora o valor dos créditos glosados possa ser o mesmo do tributo que deixou de ser recolhido, é necessário que se faça esta demonstração, pois o impugnante pode não ter utilizado a totalidade do crédito para pagamento de seus tributos, ou usado estes créditos em períodos posteriores aos que foram escriturados; não cometeu ilícito nenhum, pois tomou todas as cautelas quanto à idoneidade de seus fornecedores e as irregularidades apuradas pela fiscalização se referem a terceiros; não ficou comprovada conduta dolosa; não se comprovou a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio; somente a existência de simulação não configuraria a aplicação da penalidade agravada, neste caso haveria que se provar o evidente intuito de fraude; foi vítima da operação envolvendo soja, assim não caberia o lançamento da multa agravada, a teor do disposto no artigo 112, II, do CTN; é ilegal a aplicação da taxa Selic como juros de mora, pois tem natureza remuneratória e não foi criada por lei; protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos; requer a nulidade e a improcedência dos autos de infração lavrados. Em face do despacho de fl. 2.803, a autoridade fiscal promoveu a constituição do presente processo administrativo contemplando autos de infração de IRPJ (fls. 2.192/2.193) e IRRF (fls. 2.204/2.207) que foram desentranhados do processo administrativo nº 19515.000982/200661, conforme informação constante às fls. 2.816/2.817. Quanto a este procedimento nada opôs o contribuinte (fl. 2.819). A decisão recorrida está assim ementada: NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972. MPF. O MPF é instrumento de controle interno da administração, qualquer irregularidade formal apurada não é causa de nulidade. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 8 É lícito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. PAGAMENTO SEM CAUSA. Os pagamentos efetuados sem causa justificada devem ser tributados, nos moldes do artigo 61 da Lei nº 8.981/95. ERRO NA APURAÇÃO DO TRIBUTO DEVIDO. Deve ser cancelada parte da exigência quando ficar comprovado que a autoridade fiscal procedeu ao reajuste da base de cálculo do IRRF em desacordo com a legislação de regência. (...) CUSTOS INEXISTENTES. Devem ser adicionados ao lucro líquido do exercício os custos que afetaram de forma indevida a apuração do lucro real. Impugnação Procedente em Parte. Credito Tributário Mantido em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguintes termos: É o relatório. Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 9 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Ambos recursos, voluntário e de oficio, preenchem os requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, deles conheço. Tratase de processo administrativo decorrente da lavratura de auto de infração, por meio do qual a fiscalização objetiva a cobrança de IRFonte, relativamente aos meses de novembro e dezembro de 2002, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2003 e janeiro de 2004, no valor de R$ 72.952.361,00 (incluindo multa e juros) e IRPJ, apenas compensação de prejuízo de 401,94 (vide fls. 2178 e 2191). Na mesma ação fiscal foram constituídos créditos tributários de PIS e Cofins, que estão sendo exigidos no processo De acordo com a descrição contida nos Termos de Verificação Fiscal, fls. 2153 e seguintes, a Recorrente teria realizado pagamentos sem causa às empresas Rubi S/A Ind., Com. e Agricultura e Master Consultoria Tributária S/A Ltda., uma vez que, no entendimento da fiscalização, as operações de aquisição, beneficiamento e exportação de soja teriam sido simuladas. Ressaltese, ainda, que as autoridades fiscais aplicaram a Recorrente com a exigência de multa agravada de 150%, nos termos do artigo 44, inciso II da Lei n.° 9.430/96, sob a acusação de dolo nas operações analisadas. Passo a apreciar os recursos. RECURSO DE OFICIO A decisão de 1a. instância deu provimento parcial ao recurso em face de erro na apuração da base de cálculo do IRFonte. Isso porque a autoridade fiscal equivocouse na aplicação da formula para fins de apuração da base de cálculo reajustada de alguns pagamentos (fls. 2.308). O erro foi apontada na peça impugnatória, no tocante a observância do 20, § 1º, da INSRF nº 15/01, que detalha a fórmula como deve ser calculado o rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto ou seja: RB= ((RPD)/1T), onde: RB=rendimento bruto RP=valores pagos D= dedução da classe de rendimentos a que pertence o RP Essa fórmula poder ser resumida da seguinte maneira: RB=RP/0,65, tendo em vista que a autoridade fiscal considerou a alíquota do IRRF como sendo de 35%. Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 10 Vejamos a comparação da base de cálculo do IRRF desses pagamentos é o valor tomado no auto de infração: Data do pagamento Valor pago, em R$ Base de cálculo do IRRF correta, em R$ Base de cálculo do IRRF utilizada pela fiscalização, em R$ 08/09/03 3.078.003,23 4.735.389,58 8.794.294,94 03/10/03 2.771.300,07 4.263.538,57 7.918.000,20 31/10/03 297.973,59 458.420,91 851.353,11 06/01/04 71.258,90 109.629,08 203.596,86 31/10/03 1.966.674,36 3.025.652,86 5.619.069,60 06/01/04 529.278,52 814.274,65 1.512.224,34 02/12/03 301.875,55 464.423,92 862.501,57 07/01/04 71.351,84 109.772,06 203.862,40 02/12/03 1.992.427,96 3.065.273,78 5.692.651,31 07/01/04 529.968,84 815.336,68 1.514.196,69 29/12/03 344.624,84 530.192,06 984.642,40 07/01/04 81.613,55 125.559,31 233.181,57 29/12/03 3.464.092,99 5.329.373,83 9.897.408,54 06/01/04 921.990,27 1.418.446,57 2.634.257,91 Comprovado e corrigido o erro material, cumpre negar provimento ao recurso de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO De inicio, reproduzo os fundamentos iniciais da decisão de 1a. instancia, para melhor compreensão dos fatos e também das conclusões fiscais: “(...) A empresa fiscalizada, nos anoscalendário de 2002 e 2003, teria adquirido grãos de soja de Centúria S/A Industrial, Comercial e Agrícola (Centúria), CNPJ n° 01.298.968/000370. Em seguida, estes grãos de soja teriam sido beneficiados por Rubi S/A Comércio, Indústria e Agricultura (Rubi), CNPJ nº 04.136.996/000207 e transformados em farelo e óleo de soja. Por fim, o farelo de soja e óleo de soja teriam sido alienados para Cooperativa Agropecuária Norte Pioneiro (Canorp), CNPJ nº 77.479.442/000197, que efetuaria a exportação dos produtos. Segundo a fiscalização, todas estas operações que podemos denominar de “operação soja” foram simuladas, não existiram de fato. Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 11 Para chegar a esta conclusão, a autoridade fiscal partiu inicialmente dos seguintes elementos probatórios, referentes a última etapa da “operação soja”, ou seja, a exportação. Na planilha de fl. 1.398, estão arroladas notas fiscais emitidas pela Canorp relativas à exportação de derivados de soja alienados à Canorp pelas seguintes empresas: Imcopa Imp. Exp. Ind. Óleos Ltda, Bianchini S/A Ind. Com. Agric e Coinbra Ind. Exp. Ltda. Ocorre que estes mesmos documentos fiscais foram utilizados para amparar exportações fictícias de derivados de soja que teriam sido vendidos pela empresa autuada à Canorp. O procedimento era simples: com base na nota fiscal verdadeira, era elaborada uma outra nota fiscal com todos os dados do documento fiscal original, exceto quanto à identificação do real fornecedor do farelo e óleo de soja que era alterada para o nome da empresa fiscalizada. Destaquemos alguns exemplos. Nota fiscal de exportação nº 4727 (fl. 1.403) emitida pela Canorp em 19/11/02, referente à venda de 20.385.030 kg de farelo de soja tipo I adquiridos de Imcopa Imp. Exp. Ind. Óleos Ltda, conforme nota fiscal nº 127282, de 11/11/02. O produto seria embarcado no Porto de Paranaguá, amparado no RE 02/1175125001. Os “Bill of Lading” (BL) de fls. 1.405/1.409 e as pesquisas efetuadas no Siscomex (fl. 1410/1413) atestam esta exportação. Ocorre que “idêntica” nota fiscal pode ser verificada à fl. 1.404, com uma diferença em relação à de fl. 1.403, no caso, o fornecedor do farelo de soja, tipo I seria a CBD que teria alienado o produto por intermédio da nota fiscal nº 041346, de 31/10/02. A questão crucial que surge é: qual das duas notas fiscais seria a verdadeira, ou seja, qual delas corresponderia a um negócio jurídico real? A fiscalização concluiu que a nota fiscal de fl. 1403 é a verdadeira. Entendo que esta conclusão está correta em decorrência dos seguintes elementos probatórios. A nota fiscal de fl. 1.403 foi colhida junto ao órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o local de embarque da mercadoria exportada, ao passo que a nota fiscal de fl. 1.404, além de ser uma cópia simples, foi juntada pela defesa sem que este documento contenha qualquer evidência de que tenha sido apresentada à autoridade fiscal no momento da realização da exportação do farelo de soja tipo I. Outra prova que robustece a posição da fiscalização é a de que a nota fiscal de fl. 1404 indica que o fornecedor do farelo de soja tipo I seria a CBD que teria alienado o produto por intermédio da nota fiscal nº 041346, de 31/10/02. Compulsando este documento fiscal que se encontra à fl. 1.384, observase que o produto vendido teria sido na realidade farelo de soja desengordurado tipo II e não farelo de soja tipo I que foi objeto da exportação. Há enorme diferença entre os farelos de soja tipo I, II e III, conforme se verifica no Anexo à Portaria nº 795/93 do ministro de estado da agricultura, do abastecimento e da reforma agrária. Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 12 Ademais, os documentos de exportação controlados no Siscomex apontam para a exportação de farelo de soja tipo I (fls. 1410, 1411, 1413), da mesma forma, o Memorando de Exportação nº 083/2002, de fl. 1.402, trazido pela própria defesa. Neste ponto, convém destacar que o impugnante estava ciente de que a mercadoria vendida à Canorp não teria sido exportada, tendo em vista que recebeu os memorandos de exportação, conforme afirmou em sua defesa, memorandos que informavam a exportação de produto diverso daquele alienado à Canorp. Passemos a analisar mais uma das notas fiscais constante da planilha de fl. 1.398. Nota fiscal de exportação nº 4939 (fl. 1.912) emitida pela Canorp em 23/10/03, referente à venda de 618 toneladas de óleo de soja refinado adquiridas de Imcopa Imp. Exp. Ind. Óleos Ltda, conforme nota fiscal nº 149843, de 20/10/03. O produto seria embarcado no Porto de Paranaguá, amparado no RE 03/1249516001. O BL de fl. 1.916 e as pesquisas efetuadas no Siscomex (fls. 1914/1915) atestam esta exportação. Entretanto, “idêntica” nota fiscal pode ser observada à fl. 1.913, com uma diferença em relação à de fl. 1.912, no caso, o fornecedor do óleo de soja refinado seria a CBD que teria alienado o produto por intermédio da nota fiscal nº 46547, de 29/09/03. Concluise que a verdadeira nota fiscal é a de fl. 1.912 que foi colhida junto ao órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o local de embarque da mercadoria exportada, ao passo que a nota fiscal de fl. 1913, além de ser uma cópia simples, foi apresentada pela defesa sem que este documento contenha qualquer evidência de que tenha sido apresentada à autoridade fiscal no momento da realização da exportação de óleo de soja refinado. Além disso, a nota fiscal de fl. 1.913 indica que o fornecedor do óleo de soja refinado seria a CBD que teria alienado o produto por intermédio da nota fiscal nº 46547, de 29/09/03. Compulsando este documento fiscal que se encontra à fl. 1.390, observase que o produto vendido teria sido na realidade óleo de soja degomado tipo I e não óleo de soja refinado que foi objeto da exportação. Há enorme diferença entre óleo de soja degomado e óleo de soja refinado. Apenas a título ilustrativo, convém diferenciar o que seja óleo de soja degomado e óleo de soja refinado, nos termos da Instrução Normativa Nº 49, de 22/12/2006 do MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO, Anexo: 2.14. Refino: etapas de tratamento que incluem degomagem, neutralização, clarificação e desodorização para tornar o óleo comestível. 2.16. Degomagem: tratamento pelo qual se retira do óleo as substâncias indesejáveis denominadas fosfolipídeos. Ademais, o documento de exportação controlado no Siscomex aponta para a exportação de óleo de soja refinado (fl. 1.914), da mesma forma, o BL de fl. 1.916 indica a venda de óleo de soja refinado. E, mais importante, o próprio memorando de exportação trazido pela defesa (fl. 1.911) atesta a exportação de óleo de soja refinado. Examinemos mais uma das notas fiscais constante da planilha de fl. 1.398. Tratase da nota fiscal de exportação nº 4900 (fl. 1.872) emitida pela Canorp em 06/09/03, referente à venda de 9.450 toneladas de farelo de soja tipo I adquiridas de Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 13 Imcopa Imp. Exp. Ind. Óleos Ltda, conforme notas fiscais nº 145752 e 146316, de 29/08/03 e 09/09/03, respectivamente. O produto seria embarcado no Porto de Paranaguá, amparado no RE 03/1027588001. O BL de fl. 1.879 e as pesquisas efetuadas no Siscomex (fls. 1.874/1.878) atestam esta exportação. “Idêntica” nota fiscal pode ser verificada à fl. 1.873, com uma diferença em relação à de fl. 1.872, os fornecedores do farelo de soja, tipo I seriam a Novasoc Com Ltda e a CBD que teria alienado 2.418 toneladas do produto por intermédio da nota fiscal nº 46450, de 29/08/03 e 3.516 toneladas do mesmo produto amparado na nota fiscal nº 3979, de 29/08/03. A nota fiscal de fl. 1.872 é a original, pois colhida junto ao órgão da Secretaria da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o local de embarque da mercadoria exportada, ao passo que a nota fiscal de fl. 1.873, além de ser uma cópia simples, foi apresentada pela defesa sem que este documento contenha qualquer evidência de que tenha sido apresentada à autoridade fiscal no momento da realização da exportação do farelo de soja tipo I. Outra prova que robustece a posição da fiscalização é a de que a nota fiscal de fl. 1873 indica que entre os fornecedores do farelo de soja tipo I se encontraria a CBD que teria alienado o produto por intermédio das notas fiscais nº 46450 e 3979. Compulsando estes documentos fiscais que se encontram às fls.1.388 e 1.389, respectivamente, observase que o produto vendido teria sido na realidade farelo de soja desengordurado tipo II e não farelo de soja tipo I que foi objeto da exportação. Há enorme diferença entre os farelos de soja tipo I, II e III, conforme anteriormente explanado. Ademais, os documentos de exportação controlados no Siscomex apontam para a exportação de farelo de soja tipo I (fls. 1874 e 1878), da mesma forma o Memorando de Exportação nº 112/03, de fl. 1.871, trazido pelo impugnante. As demais notas fiscais emitidas pela Canorp e constantes da planilha de fl. 1398 também possuem irregularidades semelhantes àquelas descritas nos parágrafos anteriores demonstrando que a posição exarada pela fiscalização está correta, ou seja, havia duas notas fiscais de exportação “idênticas”, tendo como única diferença a figura do alienante da mercadoria exportada, sendo fictícias as notas fiscais apresentadas pelo impugnante. Portanto, ficou comprovado que as operações de exportação de derivados de soja que teriam sido alienados pelo impugnante à Canorp não ocorreram. A defesa sustenta que vendeu os derivados de soja à Canorp e que a exportação ou não destes bens seria de responsabilidade desta empresa. De pronto, surge uma indagação que afastaria a tese da defesa, qual empresa (Canorp) compraria produtos, “pagaria” por eles e não os venderia? Entretanto, foram arroladas outras provas que derrubam a argumentação do impugnante. Neste passo, convém analisar as demais etapas da “operação soja” que supostamente resultaram na exportação dos produtos. Anteriormente já foi mencionado que grãos de soja eram adquiridos pelo impugnante da empresa Centúria, em seguida supostamente entregues à pessoa jurídica Rubi que os transformaria em farelo e óleo de soja. Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 14 Para uma melhor clareza dos fatos analisemos uma das operações envolvendo soja à luz dos contratos acostados aos autos pela fiscalização. Por intermédio do Contrato nº 11/03 (fls. 202/204) a empresa Centúria teria alienado 31.137 toneladas de grãos de soja ao impugnante. Em seguida, os grãos de soja teriam sido entregues na empresa Rubi que com base no Contrato nº 12/03 (fls. 205/207) os transformaria em óleo e farelo de soja. Por intermédio do Contrato de compra de performance de exportação (fls. 208/209), a CBD adquiria performance de exportação, avaliada em 2% do valor total de exportação, valor a ser pago à Rubi. O farelo de soja (25.275 ton.) teria sido vendido à Canorp, por intermédio do Contrato 14/03 (fls. 210/211) e o óleo de soja degomado (4.460 ton.), com base no Contrato nº 15/03 (fls. 212/213). Esta operação mercantil estaria amparada na nota fiscal nº 46450 (fl. 1388) que destaca que o produto negociado foi farelo de soja tipo II e óleo de soja degomado. As demais operações seguem o mesmo padrão, com as mesmas partes contratantes, exemplifico algumas delas: Operação de compra de soja/mês Contrato de compra de grãos de soja, nº e fls. Contrato de industrialização de grãos de soja, fls. Contrato de venda de farelo e óleo de soja, fls. 10/02 1000/02 e 181/183 184/186 189/190 e 191/192 08/03 11/03 e 202/204 205/207 210/211 e 212/213 09/03 11 A e 214/216 217/219 223/225 e 226/228 09/03 16 A e 240/242 243/245 249/251 e 252/254 08/03 16 e 263/265 266/268 271/272 e 273/274 Como se vê, os contratos estavam interligados, ou seja, o contribuinte adquiria grãos de soja, em seguida os encaminhava para transformação em farelo e óleo de soja degomado e, por fim, os vendia para empresa que teria a incumbência de exportar o produto. Os contratos de compra e venda de grãos de soja, firmados com a empresa Centúria S/A, possuíam as mesmas cláusulas. Passo a destacar duas delas: “SEGUNDAPAGAMENTO PARÁGRAFO ÚNICO –O COMPRADOR efetuará os pagamentos com as duplicatas de venda dos produtos industrializados, destinados ao mercado interno ou externo, as quais o VENDEDOR desde já as aceita como boas e valiosas para a devida liquidação” QUINTA CONDIÇÕES GERAIS O VENDEDOR é responsável pela legitimidade do crédito oriundo da venda da matéria prima, respondendo civil e criminalmente pelo mesmo, sujeitando se, ainda, às penalidades prescritas em lei por quaisquer atos de falsidade, inclusive as ideológicas, obrigandose, desde já, a devolver os valores efetivamente recebidos, mais multas e juros de mora e outros acréscimos que venham a ser cobrados do COMPRADOR, pelo fisco, desde que não haja recursos administrativos e judiciais.” Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 15 Portanto, o impugnante efetuaria o pagamento pela compra de grãos de soja à empresa Centúria com as duplicatas de venda dos produtos industrializados à Canorp, ou seja, havia uma ligação entre a operação de compra dos grãos de soja e a operação de venda de farelo e óleo de soja degomado à CANORP. Todos os contratos de industrialização firmados com a empresa Rubi S/A, para a transformação de grãos de soja em farelo e óleo, também continham as mesmas cláusulas, entre elas se destacam: PRIMEIRA OBJETO A CONTRATADA prestará serviços de esmagamento de (..........) toneladas de soja em grãos para produção de óleo de soja e farelo de soja, de conformidade com as normas exigências, com objetivo único de remessa para o exterior QUARTA ESPECIAL O presente contrato fica vinculado, fazendo parte da operação já iniciada, ao contrato anterior de compra e venda de grãos de soja, firmado entre a CONTRATANTE e a CENTÚRlA S.A. INDUSTRlAL, COMERCIAL E AGRÍCOLA (....) SEXTA CONDIÇÕES GERAIS A CONTRATADA é responsável pela legitimidade do crédito oriundo da prestação de serviço, respondendo civil e criminalmente pelo mesmo, sujeitandose, ainda, às penalidades prescritas em Lei por quaisquer atos de falsidade, inclusive as ideológicas, (......) (g.n.) A quarta cláusula estabelece a ligação entre o contrato de compra dos grãos de soja e o de industrialização, ou seja, todos os grãos adquiridos da empresa Centúria S/A seriam transformados em farelo e óleo, para exportação (cláusula primeira in fine). A cláusula sexta deve ser destacada pelo fato de o prestador de serviço se responsabilizar pela legitimidade do crédito recebido da empresa autuada. Este procedimento não é usual. Os Contratos de compra de performance de exportação também possuíam cláusulas semelhantes que os interligavam às etapas anteriores, destaco a quarta cláusula: “O presente contrato fica vinculado, fazendo parte à operação já iniciada ao contrato anterior de compra e venda de grãos de soja, firmado entre o COMPRADOR e a CENTÚRIA S.A INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRÍCOLA.” Por fim, os contratos de venda de farelo e óleo para a CANORP também possuíam as mesmas cláusulas, transcrevo a segunda cláusula: SEGUNDA DO PREÇO O valor total a pagar é de (....) a serem liquidados contra a apresentação dos documentos de embarque para o exterior da mercadoria, com as duplicatas que o (outorgante) VENDEDOR utilizará para liquidação da compra da soja em grãos, conforme contrato(....) já firmado.(g.n.) Mais uma vez deve ser destacada a ligação entre os contratos de compra de grãos de soja e a exportação do óleo e do farelo de soja, tendo em vista que a Centúria S/A apenas receberia o valor devido pelo impugnante se de fato a exportação ocorresse. Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 16 Portanto, os contratos estavam interligados, fazendo parte de uma mesma operação, assim se uma delas não ocorreu as demais também inexistiram. Nos levam a esta conclusão os seguintes fatos. O interessado adquiria grãos de soja de Centúria S/A e o pagamento ocorreria com as duplicatas decorrentes da venda de óleo e farelo de soja à Canorp. Este fato demonstra de forma clara a interligação entre todas as operações, ou seja, desde a aquisição dos grãos de soja, seu envio para industrialização, sua venda e posterior exportação. No mercado não é usual uma empresa vender grãos de soja em troca de duplicatas de terceiros decorrentes de um negócio futuro e incerto. Causa mais estranheza o fato de o alienante se responsabilizar pela qualidade do crédito, conforme se verifica nos contratos de aquisição dos grãos de soja: “VENDEDOR desde já as aceita como boas e valiosas para a devida liquidação.” O VENDEDOR é responsável pela legitimidade do crédito oriundo da venda da matéria prima, respondendo civil e criminalmente pelo mesmo, sujeitandose, ainda, às penalidades prescritas em lei por quaisquer atos de falsidade, inclusive as ideológicas, obrigandose, desde já, a devolver os valores efetivamente recebidos, mais multas e juros de mora e outros acréscimos que venham a ser cobrados do COMPRADOR, pelo fisco” Ora, qual empresa venderia grãos de soja em troca de duplicatas a serem geradas em uma operação futura e ainda se responsabilizaria pela qualidade dos títulos? Prossigo. Os contratos firmados com a empresa Rubi S/A previam que o produto da industrialização tinha um único destino, qual seja exportação (cláusula primeira). Estes contratos também de forma expressa determinavam a interligação de toda operação, em sua cláusula quarta: QUARTA ESPECIAL O presente contrato fica vinculado, fazendo parte da operação já iniciada, ao contrato anterior de compra e venda de grãos de soja, firmado entre a CONTRATANTE e a CENTÚRlA S.A. INDUSTRlAL, COMERCIAL E AGRÍCOLA(....). Outro fato a ser destacado é que nesta operação invariavelmente o impugnante obtinha prejuízo. A título exemplificativo destaco novamente a operação de compra de grãos de soja ocorrida no mês de agosto de 2003, contratos de fls. 202/207 e 210/213: Valor, em R$ a receber de Canorp S/A (A) (fls. 210 e 212) Valor a pagar à Centúria S/A, em R$ (B) (fl. 202) Valor a pagar à Rubi S/A, em R$, com desconto ( C) (fl. 206) Saldo da operação, em R$ = A – (B +C) 18.908.733,00 + 7.359.000,00 25.843.710,00 2.269.326,83 (1.845.303,83) Em um sistema capitalista no qual o objetivo de uma empresa é auferir lucros para sua subsistência, assim como para distribuílos aos seus sócios não é crível que uma pessoa jurídica reiteradamente faça operações nas quais obtenha prejuízo. Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 17 Após esta exposição há que afastar a alegação da defesa de que a responsabilidade pelas irregularidades apuradas seriam de terceiros, e que não teria sido provado que o impugnante conhecia esta fraude e que agiu em conluio com as demais empresas. Ficou demonstrado que todas as etapas da operação envolvendo soja estavam interligadas, ou seja, desde a “compra” dos grãos de soja, sua “industrialização” e posterior “exportação”. Não seria crível que a CBD não estivesse ciente dos acontecimentos, afinal são operações envolvendo consideráveis quantias que deveriam ter o acompanhamento da empresa, mesmo porque impactariam de forma importante nas finanças da empresa. Outro fato importante é que o contrato firmado com a Canorp seria liquidado: “contra a apresentação dos documentos de embarque para o exterior da mercadoria”. Ora, em passagens anteriores ficou demonstrado que tanto os memorandos de exportação encaminhados pela Canorp ao impugnante, como os demais documentos de exportação, identificavam produtos exportados diversos daqueles vendidos pela CBD à Canorp. Evidente, que um dos cuidados básicos a serem adotados pelos contratantes em qualquer negócio jurídico é verificar a lisura dos documentos apresentados pela outra parte, principalmente, se deste documento resultaria o pagamento de milhões de reais. O fato de o interessado não ter se atentado que a mercadoria vendida não era a exportada, por certo indica que o negócio não existiu. Também há que rechaçar a ponderação do impugnante de que o lançamento do crédito tributário teve como escopo meras presunções, em face das inúmeras provas citadas em parágrafos anteriores, cito exemplificativamente: contratos de compra de grãos de soja, contratos de industrialização, contratos de exportação, memorandos de exportação, notas fiscais de exportação, Bill of landing, documentos de exportação, entre outros. (...) Por fim, devemos destacar trechos do trabalho efetuado pelo fisco estadual que vem ao encontro de nossa posição, ao demonstrar que as empresas Centúria, Rubi e Canorp eram utilizadas para fornecer benefícios fiscais a terceiros, por intermédio de operações fictícias de venda de grãos de soja, sua industrialização e posterior exportação de seus derivados. A fiscalização juntou aos autos (fls. 296/316) trabalho efetuado pela Diretoria Executiva da Administração Tributária– DEAT da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda sobre esquema de evasão fiscal em operações com soja. Destaco as principais passagens: “1.1 Empresas estabelecidas em São Paulo foram procuradas, nos últimos anos, por elementos que se apresentam como "consultores tributários", a elas oferecendo serviços de assessoria com vistas à obtenção de expressiva redução na carga tributária por meio de créditos do ICMS, do PIS e da COFINS, e no passado de IPI, além de vantagens no IRPJ. Cuidavase daquilo que, no mercado de commodities, se denomina "performance de exportação", não obstante o fato de as empresas atraídas para o negócio atuarem em ramos de atividade econômica absolutamente estranhos ao da produção, beneficiamento e exportação da soja e seus derivados. Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 18 1.2 Três eram as operações básicas do esquema, executadas por empresas criadas e controladas pelos seus mentores: Fornecimento da soja em grãos, com destaque do ICMS, a empresas adquirentes atraídas para o esquema; Remessa da soja, por ordem em conta dos adquirentes, para empresas beneficiadoras, com vistas à extração do óleo bruto degomado e do farelo de soja. Venda dos derivados de soja a empresas atuantes no comércio exterior, para o fim específico de exportação. 1.3 Às empresas adquirentes, beneficiárias do esquema, cabia apenas o cumprimento das obrigações acessórias previstas na legislação tributária e, obviamente, a quitação dos pagamentos previamente acordados. Em contrapartida, passaram a acumular elevado volume de créditos em conta gráfica, na medida em que os valores do tributo creditados ao ensejo da aquisição dos cereais acabavam sendo mantidos por força da exportação dos produtos extraídos do esmagamento da soja, gerando enormes reduções do imposto a recolher nos respectivos períodos de apuração. 1.4 Como adiante será mostrado, todas essas operações foram fictícias, não tendo ocorrido efetiva circulação de mercadorias. Daí então que não houve aquisição de soja em grãos, nem seu beneficiamento e muito menos a exportação de seus derivados. Houve apenas emissão de documentos fiscais reportando tais operações e comprovação fraudulenta de exportações. 1.5 (....)Nessa época, as empresas controladas pelos mentores do processo tinham posição definida no esquema: a mesma empresa podia ser fornecedora de grãos numa operação e, em outra, atuar como comercial exportadora. Era o caso da CENTÚRIA S/A INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRÍCOLA, criada em Osasco como empresa industrial e comercial. Mas assim que estabelecida, no mesmo local, a RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRICULTURA, a CENTÚRIA S/A, em fevereiro de 2001, a CENTÚRIA S/A, já a partir de agosto desse ano, começou a experimentar um progressivo processo de esvaziamento, deslocada para pequenas salas e com pessoas interpostas em seu quadro societário, até que transferida para o Estado do Mato Grosso, em março de 2003. O fato de continuar formalmente ativa nesse Estado tornou possível a obtenção de autorização para a impressão de 43.450 documentos fiscais. Desse total são conhecidas até o momento apenas 200 notas fiscais, utilizadas em operações fraudulentas. Quase todos os impressos foram remetidos para o antigo endereço da CENTÚRIA S/A em Osasco, onde hoje funciona a RUBI S/A. (....) Detalhamento das operacões: 1 Operação fictícia de venda de soja em grãos à empresa beneficiária do esquema, em valores superfaturados, com a finalidade de transmitir créditos fraudulentos de ICMS. 2 Suposta remessa (....) com destino à RUBI S/A, para fins de beneficiamento, por conta e ordem da empresa beneficiária do esquema. 3 Remessa simbólica da soja em grãos à RUBI S/A efetuada pela empresa beneficiária do esquema. 4 Retomo simbólico, à empresa beneficiária do esquema, dos subprodutos da soja (óleo bruto degomado e farelo de soja), em decorrência do beneficiamento supostamente efetuado pela RUBI S/A. Fl. 2992DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 19 5 Venda, pela empresa beneficiária do esquema, dos subprodutos da soja à CANORP, para o fim específico de exportação, em operação não tributada pelo ICMS. 6 Remessa parcelada à CANORP dos subprodutos da soja, efetuada pela RUBI S/A por ordem e conta da empresa beneficiária do esquema, para fins de exportação. (....) 2. A DUPLICAÇÃO DAS NOTAS FISCAIS DE EXPORTAÇÃO 2.1 De todos os atos fraudulentos praticados pelos mentores do esquema de evasão fiscal, nenhum se compara, pelo dolo e absoluta má fé de seus autores, ao procedimento de duplicação das notas fiscais de exportação. 2.2 Como mostrado no item anterior, a duas das empresas controladas pelo grupo havia sido atribuída a missão de "adquirir" os derivados da soja das empresas beneficiárias do esquema para o fim específico de exportação: a COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL NORTE PIONEIRO CANORP, de Japira (PR) (....). Mas como as operações anteriores de aquisição e de beneficiamento eram fictícias, não havendo, a rigor, o que exportar, os "planejadores tributários" adotaram a estratégia de simular uma operação de exportação em paralelo a uma operação real. (....) 2.4 As duas operações corriam em paralelo, tendo por suporte uma única nota fiscal de exportação, que era duplicada. No corpo da via original era indicado o nome da verdadeira empresa exportadora, da qual haviam sido adquiridos os produtos objeto da operação de exportação, enquanto que na via duplicada era indicado o nome da empresa beneficiária do esquema. 2.5 Não ocorriam, por isso mesmo, duas exportações, mas apenas uma, devidamente comprovada pelo respectivo memorando, conhecimento de transporte marítimo (BiII of Lading), fatura comercial, contrato de câmbio e por todos os extratos do SISCOMEX (Sistema Integrado de Comércio Exterior). Só que apenas uma se concretizava e a outra era simulada. (....) 2.12 O modus operandi empregado nas exportações atribuídas à CANORP foi ainda mais simples: os fraudadores simplesmente tiraram cópia reprográfica da nota fiscal antes do preenchimento, lançando, na via original, os dados da exportação real e, na cópia reprográfica, os dados da exportação fictícia. (....) 3. A ENGENHARIA FINANCEIRA DO ESQUEMA 3.1 Por tudo o que se viu até este passo, dúvidas não há a respeito daquilo que realmente se procurava vender às empresas interessadas. Não se tratava, na verdade, de negócios com soja, mas de créditos do ICMS, do PIS e da COFINS. Em passado recente, entravam também em jogo créditos do IPI. O objetivo era, por isso mesmo, gerar o maior volume possível de créditos em favor das empresas beneficiárias. Daí, então, que a primeira providência consistia em "inflar" os valores de venda da soja em grãos (....) para patamares muito acima dos preços correntes no mercado (....). Fl. 2993DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 20 3.2 Como visto, a empresa adquirente remetia simbolicamente a soja em grãos a uma das empresas beneficiadoras: RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRICULTURA, (....). Não obstante os elevados custos de beneficiamento pagos pela empresa adquirente da soja em grãos, os derivados do produto farelo de soja e óleo bruto eram vendidos, por valores inferiores aos da aquisição da soja em grãos, às comerciais exportadoras do esquema: (....) e COOPERATIVA AGROPECUÁRIA NORTE PIONEIRO CANORP. 3.3 Tratavase, como se vê, de estratégia viciada por extremado artificialismo, na medida em que se atribuía a produtos industrializados valor de comerciali zação inferior ao dos insumos in natura. Bem comparando, seria o mesmo que a goiabada ter preço de venda menor do que as goiabas!(....) (....) 3.5 A engenharia financeira do esquema valeuse, neste passo, de um mecanismo de compensação, juridicamente qualificado de subrogação, pelo qual a empresa beneficiária(....) foi orientada para transferir (....) seu crédito (....), por meio de endosso na duplicata que emitiu contra esta última. Operouse, deste modo, a substituição do credor subrogante(....), pelo credor subrogado (....), que passou então a assumir o pólo ativo na relação obrigacional. (....) 3.9 Justamente nessa suposta quitação de duplicatas (....) se aninhava a farsa mais perversa do esquema de defraudação fiscal. Pois os empresários aliciados pelos "consultores tributários" da MASTER (....) ficavam sabendo que não iriam precisar retirar milhões de reais do capital de giro para fazer frente à aquisição da soja em grãos (....). 3.10 Tudo parecia ser extremamente simples e atraente: ao invés de terem que despender, digamos, 10 milhões de reais, na aquisição de 1.451 toneladas de soja em grãos, bastaria aos felizardos empresários pagar por volta de R$ 950.000,006 para serem contemplados com um crédito correspondente a 12% de ICMS, a 7,6% de COFINS e a 1,65% de PIS, num total de R$ 2.125.000,00! E com a vantagem de poderem apropriarse imediatamente de tais créditos, sem preci sarem esperar pelas exportações. Um verdadeiro negócio da China, como se vê, onde só o que conta são os créditos, e não as operações com soja. (....) 5. EMPRESAS DO ESQUEMA ENVOLVIDAS 5.1 Além das já apontadas empresas com funções operacionais, destacamse as "consultorias tributárias", encarregadas de montar o esquema e de promover o aliciamento das empresas às quais são ofertadas as chamadas operações de "performance" de exportação. (....) 5.2 Mas outras empresas de consultoria acabaram se associando à MASTER, (....) Tais consultorias atuaram, na verdade, com coadjuvantes da MASTER na tarefa de aliciamento das empresas para o esquema de evasão fiscal. 5.3.(....)Conhecidas empresas de auditoria, algumas de reputação internacional como a DELOITTE TOUCHE TOHMATSU CONSULTORIA CONTÁBIL E TRIBUTÁRIA S/C LTDA (....). (....) 6. RELATÓRIOS DE DILIGÊNCIAS FISCAIS E ANÁLISE DOCUMENTAL 6.1 Em face dos limites do presente relatório, não foram narradas, em detalhes, as diligências realizadas junto às empresas montadas para operacionalizar o Fl. 2994DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 21 esquema, constantes de vários relatórios de diligências fiscais e análise documental. Estes os relatórios já concluídos: CENTÚRIA S/A INDUSTRIAL COMERCIAL E AGRÍCOLA Primeira das empresas montadas (....), que funcionou inicialmente em Osasco e acabou formalmente transferida para Rondonópolis (MT) e depois para Cuiabá (MT). As diligências provaram que a empresa jamais entrou em efetiva atividade em ambos os municípios, conquanto lograsse obter autorização para impressão de 43.450 documentos fiscais, dos quais são conhecidos apenas 200, consoante já dito. Os livros contábeis da CENTÚRIA S/A foram encontrados na latrina do estabelecimento filial da (....). COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL DO NORTE PIONEIRO CANORP.(....) Diligências promovidas no local revelaram um estabelecimento em situação de abandono, coberto por poeira. Não foram encontrados equipamentos apropriados à industrialização de soja ou de canadeaçúcar, nem estoques de soja, e muito menos tanques destinados à armazenagem de óleo de soja. Constatouse, enfim, que as operações atribuídas à CANORP eram apenas escriturais. Apenas notas fiscais em branco foram encontradas, tudo indicando que o preenchimento dos documentos igualmente se processou em São Paulo, no estabelecimento onde situada a RUBI S/A COMÉRCIO INDÚSTRIA E AGRI CULTURA. (g.n.) Todos estes fatos levam à mesma conclusão da fiscalização, ou seja, todas as operações estavam interligadas e não existiram. (...)” Pois bem, pela análise dos autos estou convencido de que não há que se falar em incidência do IRFonte em face de pagamento sem causa nessas operações, pois: 1) ocorreu a incidência do IRFonte, na pagamento dos serviços prestados à Máster, bem como à Rubi, sendo que tais empresas, em principio, ofereceram tais valores à tributação (fato incontroverso nos autos); 2) foram juntados documentos pela Recorrente que demonstram ter havido a prestação de mencionados serviços (industrialização e consultoria tributária), bem como que demonstram a ocorrência de todas as transações financeiras das etapas da operação descritas pela Fiscalização; 3) os beneficiários dos pagamentos foram todos identificados, quanto a isso não se tem dúvida; 5) se tais operações ocorreram exatamente como descreveu o Fisco e que os benefícios da autuada foram exatamente os créditos do PIS/Cofins e IPI (isso sim tratase de fato incontroverso), então a operação teve causa, qual seja, obter tais ganhos, sendo que os valores pagos nada mais é do que a devolução dos recebimentos somados à parcela pela “prestação dos serviços”. Frisese que também não há dúvida quanto a receita obtida pela autuada, tanto que o fisco corretamente compensou tais valores com as despesas glosadas pelo que apurou apenas 401,94 de base de calculo do IRPJ. 4) se por outro lado, as operações forem verdadeiras e a contribuinte autuou de boa fé, então não há mesmo que se falar em pagamentos em causa. 5) nos exatos termos do art. 3o. do CTN, tributo não é sacão de ato ilícito. Fl. 2995DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000230/200943 Acórdão n.º 1402001.343 S1C4T2 Fl. 0 22 Cabe razão ao ilustre representante da contribuinte quando afirma nos memórias que: “(...) Ademais, ainda que se admitisse a duplicação das notas fiscais de exportação (ou seja, que a soja tenha sido vendida no mercado interno, por exemplo), o que se alega apenas a título de argumentação, tal fato não pode servir de prova para se inferir que as operações de industrialização (empresa Rubi) e de prestação de serviços de consultoria (empresa Master) contratados pela Recorrente não existiram. (...) Ou seja , caso a Fiscalização desejasse autuar os pagamentos efetuadas pela Recorrente à Master e à Rubi por terem sido supostamente sem causa, a Fiscalização deveria ter demonstrado e comprovado que tais pagamentos referemse à operações que não ocorreram, o que não foi feito no presente caso, pois as provas produzidas limitaramse a demonstrar a existência de incongruências nas notas fiscais de exportação.” Repita: a soja foi comprovada, processada, vendida e recebida pela contribuinte. Logo, o serviço foi prestado pelas empresas Máster e Rubi. A acusação fiscal é de que essa venda não se deu mediante exportação, fato que definitivamente não pode ensejar a exigência de IRFonte sob a acusação de pagamento sem causa. Deixo de apreciar as demais alegações da recorrente em face do cancelamento da exigência pelos fundamentos acima. Por fim registro que o auto de infração do IRPJ não foi objeto de recurso pelo contribuinte. CONCLUSÃO. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de superar as preliminares, para no mérito, negar provimento ao recurso de oficio e dar provimento ao recurso voluntário e cancelar integralmente a exigência do IRFonte. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 11543.001193/2008-61
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
A apresentação de DARF cujo número de referência e o nome da contribuinte coincidem com o número do processo e da demandante discriminados em alvará expedido por Vara Trabalhista evidencia a vinculação do imposto compensado na declaração de ajuste anual com o valor recolhido, devendo tal valor ser apropriado ao débito lavrado na data do efetivo recolhimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-002.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A apresentação de DARF cujo número de referência e o nome da contribuinte coincidem com o número do processo e da demandante discriminados em alvará expedido por Vara Trabalhista evidencia a vinculação do imposto compensado na declaração de ajuste anual com o valor recolhido, devendo tal valor ser apropriado ao débito lavrado na data do efetivo recolhimento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1952; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 53 1 52 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.001193/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.934 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de fevereiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente FÁTIMA REGINA DA CRUZ SANTOS CARDOSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A apresentação de DARF cujo número de referência e o nome da contribuinte coincidem com o número do processo e da demandante discriminados em alvará expedido por Vara Trabalhista evidencia a vinculação do imposto compensado na declaração de ajuste anual com o valor recolhido, devendo tal valor ser apropriado ao débito lavrado na data do efetivo recolhimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 11 93 /2 00 8- 61 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11543.001193/200861 Acórdão n.º 2801002.934 S2TE01 Fl. 54 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fl. 25 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de Notificação de Lançamento expedida em nome da contribuinte em epígrafe, relativa ao exercício de 2005 que reduziu o imposto a restituir de R$ 2.435,31 para R$ 0,00. O lançamento originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício em questão, onde foi constatada Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de 2.435,31 por falta de comprovação do seu recolhimento por meio de DARF. Encontramse identificados nos documentos de fls. 2/6 o enquadramento legal das infrações, as alterações na base de cálculo, bem como o saldo do imposto apurado. A contribuinte tomou ciência da notificação em 01/04/2008 e, em 07/04/2008, apresentou impugnação acompanhada dos documentos de fls. 2/6 alegando resumidamente que na época em que foi intimada não possuía o DARF pago. Somente em 12/03/2008 o imposto foi efetivamente pago conforme DARF que anexa. Finalmente solicita o acolhimento da impugnação para modificar a notificação de lançamento. É o relatório. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 23/26, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO RECOLHIMENTO. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora ou comprovante de recolhimento correspondente ao rendimento declarado. Cientificada da decisão em 11/03/2011 (fl. 27), a Interessada apresentou recurso em 01/04/2011, alegando, em síntese, que, como a decisão recorrida se baseou na ausência de provas, anexa ao presente recurso todos os documentos retirados dos autos do Processo Trabalhista nº 00294.2003.006.17.00 (documentos de fls. 31/51). Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11543.001193/200861 Acórdão n.º 2801002.934 S2TE01 Fl. 55 3 Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Os julgadores da instância de piso entenderam pela inexistência de provas de que o DARF apresentado pela Interessada, no valor de R$ 2.992,25 (fl. 8 deste processo digital), referese ao rendimento declarado, ainda que dele constasse o número do alvará expedido pela 6ª Vara do Trabalho de Vitória/ES e o número do processo que originou os rendimentos, haja vista não ter sido acostado aos autos qualquer documento que evidenciasse a vinculação do imposto compensado na declaração de ajuste anual da Recorrente com o valor recolhido. À peça recursal foram anexados, dentre outros documentos, o Alvará Judicial nº 517/2008 (fl. 50), por intermédio do qual o Juiz da 6ª Vara do Trabalho de Vitória/ES determinou fosse efetuado o pagamento à Fazenda Nacional da importância de R$ 2.983,80, acrescida de atualização monetária, correspondente ao depósito efetuado na Caixa Econômica Federal – CEF em 25/02/2008, referente ao Processo 00294.2003.006.17.006, demandante Fátima Regina da Cruz Santos Cardoso e demandado Walter Alves Noronha. O número de referência constante do DARF apresentado coincide com o número do processo discriminado no alvará expedido pela 6ª Vara do Trabalho de Vitória/ES, assim como o nome da demandante e o próprio número do alvará. Na declaração de ajuste anual da Recorrente foram lançados rendimentos pagos por Walter Alves Noronha (demandado) e o respectivo imposto glosado pela Fiscalização (R$ 2.435,31), embora indevidamente na ficha de “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas”. Assim, entendo que os documentos apresentados pela Interessada, em sede recursal, comprovam, de forma inequívoca, que o imposto de renda recolhido em 12/03/2008, no valor de R$ 2.992,25, referese ao rendimento declarado no exercício de 2005. Nesse contexto, voto por dar provimento parcial ao recurso para que seja apropriado ao débito em discussão o valor constante do DARF cuja cópia foi apresentada pela Recorrente, na data do efetivo recolhimento (12/03/2008). Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 24/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/02/2013 por ANTONIO DE PA DUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 12466.004505/2006-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/08/2001 a 03/01/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE MATERIAL POR VÍCIO DE MOTIVO. PENDÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Estando a matéria objeto do auto de infração sendo discutida nos autos de ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional para desconstituir decisão judicial transitada em julgada que deferiu a terceiro a cessão de seus créditos à Recorrida, não cabe a lavratura de auto de infração sob motivo de não pagamento com a exigência de multa de ofício, mas tão somente caberia o lançamento sob motivo de prevenção da decadência sem a exigência de multa de ofício. Caracterizou-se, nos autos, evidente vício de motivo, o que compromete a validade material do lançamento.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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NULIDADE MATERIAL POR VÍCIO DE MOTIVO. PENDÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Estando a matéria objeto do auto de infração sendo discutida nos autos de ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional para desconstituir decisão judicial transitada em julgada que deferiu a terceiro a cessão de seus créditos à Recorrida, não cabe a lavratura de auto de infração sob motivo de “não pagamento” com a exigência de multa de ofício, mas tão somente caberia o lançamento sob motivo de “prevenção da decadência” sem a exigência de multa de ofício. Caracterizouse, nos autos, evidente vício de motivo, o que compromete a validade material do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 45 05 /2 00 6- 59 Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 56, inciso II do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, bem como no artigo 7º, incisos I e II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos os regimentos aprovados pela Portaria nº 147/2007, em face ao acórdão de nº 302 39.443, proferido em 19/05/2008, o qual, por maioria de votos, acolheu a preliminar de nulidade do auto de infração por vício material, tendo, entretanto, rejeitado as demais preliminares, conforme ementa a seguir: “DA COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA LAVRAR O AUTO DE INFRAÇÃO É competente para lançamento de tributos a autoridade fiscal do domicílio do contribuinte, forte no Regimento Interno da Receita Federal do Brasil e, ainda, no caso, com base no art. 9º do PAF. DA COMPETÊNCIA PARA DESCONSTITUIR A APROVAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO Não sendo os autos caso de desconstituição de pedido de compensação de crédito, mas mera obediência à decisão judicial e administrativa determinando o lançamento de tributos, não há que se tratar de competência para desconstituição de pedido de compensação. NORMAS PROCESSUAIS – NULIDADE. Afora as hipóteses de expressa dispensa do MPF, é inválido o lançamento de crédito tributário formalizado por agente do Fisco sem aquele documento. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Ultrapassadas as preliminares quanto à competência do agente fiscal, os requisitos formais do auto de infração são aqueles que estão listados no art. 10 do Decreto 70.235/72, os quais estão presentes no caso em exame. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material de motivo ocorre quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o auto de infração, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido, ou seja, quando o fato narrado pela autoridade fiscal não ocorreu ou ocorreu de maneira distinta daquela lançada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” O acórdão recorrido entendeu, em síntese, que a fiscalização não poderia ter lavrado auto de infração para constituir crédito tributário de II e de IPI pela falta de pagamento com exigência simultânea de multa de ofício, mas tão somente poderia têlo feito para prevenir a decadência sem multa de ofício em conformidade ao disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96, Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.004505/200659 Acórdão n.º 9303002.065 CSRFT3 Fl. 2.309 3 tendo em vista que o crédito tributário objeto do presente auto de infração estaria com a exigibilidade suspensa. Com efeito, fundamentou que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa pelo fato de a Fazenda Nacional ter obtido medida cautelar de ação rescisória que teria suspendido os efeitos da decisão judicial transitada em julgado que autorizou a cessão de créditos da SAB COMPANY EXPORTADORA para a autuada, que, por sua vez, teria os utilizado para compensar os débitos de II e de IPI objeto do presente lançamento. Assim, entendeu o acórdão recorrido que o auto de infração teria incorrido em vício de motivo, o que acarretaria na sua nulidade material. Inconformada, a Fazenda Nacional, em 05/06/2009, interpôs recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas, aduzindo, em síntese, que o acórdão recorrido teria sido proferido em contrariedade aos artigos 10, 59 e 60 do Decreto 70.235/72, bem como aos artigos 63 da Lei 9.430/96 e 151 do CTN e, ainda, teria contrariado as provas colacionadas aos autos às fls. 04/06 e 141/194, nas quais restarseia comprovado que a decisão judicial transitada em julgado, a qual haveria o cunho suspensivo, teria sido proferida em favor de terceiro estranho ao presente processo administrativo, quem seja, a SAB COMPANY EXPORTADORA, não havendo que se falar em suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do presente auto de infração, o qual não teria sido lavrado apenas para prevenir a decadência. Além disso, a Recorrente alegou que independentemente do fato de o auto de infração ter sido ou não lavrado para prevenir a decadência, isso não constituiria o seu motivo, mas sim a sua finalidade, que, por sua vez, é efeito automático de todo e qualquer lançamento, não cabendo a decretação da nulidade material do lançamento por essa razão. Em exame de admissibilidade de fls. 2.187/2.189, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 4º do atual Regimento Interno do CARF, o qual prevê a possibilidade de interposição de recurso por contrariedade à lei ou à evidência das provas contra os acórdãos proferidos na época da vigência da Portaria MF nº 147/2007. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 2.202/2.232, requerendo não fosse conhecido o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência das provas, ou que, caso assim não se entendesse, lhe fosse negado integral provimento para manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência das provas interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, razão pela qual passo a analisar sua admissibilidade. Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Como é cediço, o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência das provas não mais é cabível de ser interposto em face de decisões proferidas após a vigência do atual Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 256/2009. No entanto, tendo o acórdão recorrido sido proferido em 19/05/2008, época que ainda vigia o antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em seu artigo 7º, I previa que “compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”, mister se faz a aplicação desse antigo Regimento. E, para corroborar esse entendimento, o atual Regimento Interno do CARF, prevendo exatamente essa hipótese, previu, em seu artigo 4º, que “os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento”. Dessa forma, conheço do recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas interposto pela Fazenda Nacional, tendo em vista que os demais requisitos de admissibilidade previstos no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais foram atendidos. Passo ao exame do mérito. Conforme se depreende do relatório, cingese a controvérsia em dirimir se o auto de infração em epígrafe restou eivado de vício material de motivo. Primeiramente, mister se faz mencionar que o próprio auto de infração, no campo relativo à descrição dos fatos, previu que “a empresa SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A, CNPJ 42.354.274/000129, através de decisões proferidas no Mandado de Segurança preventivo n° 1999.61.00.0509823/SP, no Agravo de Instrumento n° 1999.03.00.0607404/SP, na Medida Cautelar n° 2002.03.000527070/SP, no Mandado de Segurança preventivo n° 99.00166582/RJ, no Agravo n° 99.02.294464/RJ e na Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0470300/RJ, tudo conforme explicitado na Informação Fiscal n° 77/2004 da SAORT da Alfândega do Porto de Vitória, (cujas cópias encontramse anexas ao presente auto), obteve o direito a utilização dos créditosprêmio de IPI para compensação com débito de terceiros.” Dentro desse trecho “débito de terceiros”, estava inserido o débito de II e de IPI da autuada SAB SP TRADING COMPANY S.A. (atualmente denominada de SERVER COMPANY COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A.), o qual foi constituído no presente lançamento juntamente à multa de ofício, sob motivo afeto à “falta de recolhimento”. A autuada (SAB SP TRADING COMPANY S.A.), com base em decisão judicial transitada em julgado em favor da SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S.A., se utilizou do crédito que lhe foi cedido por esta para compensar os débitos ora exigidos, e, confiando na segurança jurídica que a coisa julgada lhe proporcionara, acreditou ter extinto o crédito tributário objeto do presente auto de infração por força de aludida decisão judicial transitada em julgado bem como do disposto no artigo 156, II do CTN que prevê que “extinguem o crédito tributário: a compensação”. Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.004505/200659 Acórdão n.º 9303002.065 CSRFT3 Fl. 2.310 5 No entanto, para a surpresa da Recorrida, a Fazenda Nacional ajuizou ação rescisória visando desconstituir a decisão judicial transitada em julgado que deferiu à SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S.A a cessão dos seus créditos a terceiros. E, para maior surpresa ainda, a Fazenda Nacional obteve medida cautelar que suspendeu os efeitos de aludida decisão judicial transitada em julgado, o que fez com que os débitos, anteriormente entendidos como extintos por compensação, passassem a ter suas exigibilidades suspensas até o julgamento final da ação rescisória por força do artigo 151, V do CTN. E foi observando isso que, conforme descrição dos fatos do auto de infração, “o Sr. Inspetor da Alfândega do Porto de Vitória – ES, conforme despacho exarado às fls. 217 do processo n° 12466.002362/0020 (cópia anexa), determinou a lavratura do competente auto de infração visando prevenir a decadência dos créditos tributários em tela, acatando parecer do SECAT às fls. 204 e 205 do mesmo processo (cópia anexa)”. No entanto, em que pese a própria descrição dos fatos prever aludida determinação para lavratura de auto de infração para prevenir a decadência, a conclusão de aludida descrição fática surpreendentemente se deu nos seguintes termos: “Por fim, lavramos este auto de infração para constituição do crédito tributário correspondente aos valores do II que deixaram e ser recolhidos nas Declarações de Importação objeto do presente auto, acrescido dos juros e multa de ofício pelo não pagamento”. Ora, como é possível manter a validade material de um auto de infração que ao mesmo tempo que descreve a existência de uma série de ações judiciais que resultaram na suspensão dos efeitos da decisão judicial que autorizava o contribuinte a se utilizar de créditos da SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S.A para compensar seus débitos, aplica multa de ofício e conclui por lavrar um auto de infração sob motivo de “não pagamento”? Restase notória a contradição da descrição fática do lançamento, bem como das conclusões práticas do mesmo. E foi tentando sanar referida contradição que o julgador de primeira instância excluiu a aplicação da multa de ofício sob a justificativa de que “se trata de matéria cuja apreciação depende de decisão a ser proferida pelo poder judiciário em sede de Ação Rescisória impetrada contra o acórdão que, transitado em julgado, reconheceu o direito ao créditoprêmio do IPI requerido pela cedente desse direito”. Exatamente pelo fato de a matéria objeto do presente auto de infração estar sendo discutida nos autos da ação rescisória é que o mesmo deveria ter sido lavrado para prevenir a decadência e não para constituir o crédito tributário pelo “não pagamento”. Considerar o auto de infração em tela como sendo um ato materialmente válido seria desconsiderar que a compensação dos débitos objeto do presente auto de infração está sendo discutida judicialmente em sede de ação rescisória, bem como seria uma afronta ao princípio da segurança jurídica que a decisão judicial transitada em julgado proporcionou em um dado momento tanto para o cedente do crédito quanto para o cessionário do mesmo. Em face do exposto, considerando que o motivo invocado pelo fiscal, qual seja, o “não pagamento”, não coincide com o motivo de fato pelo qual o auto de infração deveria ter sido lavrado, qual seja, a prevenção da decadência, voto no sentido de conhecer o Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento no sentido de manter a nulidade material do auto de infração. Nanci Gama Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10880.955758/2008-38
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998 RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. [...]. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considera-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (STF Repercussão Geral).
Numero da decisão: 1803-001.295
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a tempestividade da declaração de compensação, devendo os autos retornarem à unidade de origem a fim de ser analisado o mérito do pedido.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 RESTITUIÇÃO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. [...]. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerase válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (STF Repercussão Geral). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a tempestividade da declaração de compensação, devendo os autos retornarem à unidade de origem a fim de ser analisado o mérito do pedido. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “1.Tratase de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento n° 808262715), que não reconheceu o crédito de 194.322,00 (cento e noventa e quatro mil, trezentos e vinte e dois reais), referente ao saldo negativo de IRPJ, do anocalendário 1998, demonstrado na declaração de compensação, PER/DCOMP n° 13001.29493.041004.1.3.022110, sob o fundamento de que o direito à compensação estava extinto, por decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão (04/10/2004) e a data de apuração do saldo negativo (31/12/1998), assim como não homologou os débitos compensados na referida declaração e na de n° 26939.46207.291004.1.3.025024. 1.1. De acordo com o Despacho Decisório impugnado, o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/11/2008, tem a seguinte composição: (...) 1.2. As citadas declarações de compensação (cópias) constam às fls. 06/17 e 18/27. 2. Por meio do instrumento, às fls. 28/47, acompanhado dos documentos, às fls. 49/372, a Manifestante alega, em síntese, que: 2.1.0 crédito (saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1998) em favor da Impugnante é inconteste tendo sido apurado no momento da elaboração e transmissão da DIPJ 1999 (original e retificadora) sendo que sua origem decorre de pagamentos de estimativa mensais (DCTF e guias de recolhimentos) em face de prejuízo fiscal; 2.2. não há qualquer causa extintiva, impeditiva ou modificativa do direito da Requerente à restituição/compensação do indébito tributário discutido, devendo ser homologada a compensação efetuada; 2.3. nos termos do art. 168, I, c/c 156, V I I , ambos do CTN, o prazo para pleitear a restituição começa a fluir a partir da homologação do lançamento, ou seja, não havendo homologação expressa, homologase automaticamente o lançamento após 05 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, Fl. 421DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 3 3 acrescentandose mais 05 (cinco) anos para a Requerente repetir/compensar o indébito tributário; 2.4. no caso, a homologação tácita ocorreu somente em 31/12/2003, momento em que se iniciou o prazo decadencial de cinco anos para pedir a restituição/compensação do indébito; 2.5. nestes termos, e, segundo a jurisprudência consolidada do STJ e do Conselho de Contribuinte do Ministério da Fazenda, somente em 01/01/2009, estaria extinto o direito de utilização do indébito; 2.6. a decisão recorrida é nula e deve ser reformada, haja vista a regularidade da utilização dos créditos; 2.7. a legislação acerca da decadência e da prescrição do indébito tributário prevista na Lei Complementar n° 118/05 não se aplica ao presente caso visto que inovou na ordem jurídica apenas após o ano de 2005; 2.8 o art. 3° da LC n° 118/05, não apenas trouxe nova interpretação mas inovou na ordem jurídica ao alterar o termo inicial, que não mais será o momento da extinção do crédito, mas o do pagamento antecipado sujeito anda à homologação; 2.9. o art. 4° da LC 118/05, ao tentar retroagir seus efeitos, acabou por incorrer em absoluta inconstitucionalidade e ilegalidade, principalmente, pelo fato que o objetivo da norma foi o de alterar o entendimento consolidado em nossos tribunais; 2.10. Anexa textos da doutrina e da jurisprudência; 2.11. a decisão deve ser reformada para reconhecer o entendimento consolidado do STJ sobre o prazo de 10 anos (05+05); 2.12. ainda que se considere o prazo de cinco anos, o indébito não foi atingido pela decadência, uma vez que somente no momento da apuração do prejuízo fiscal é que se pode aferir se os pagamentos por estimativa mensal, que são meras antecipações, foram maior que o devido, assim, a contagem do prazo decadencial se inicia com a elaboração e transmissão da declaração. 2.13. a declaração anual deve ser considerada para se constituir, efetiva e completamente, a ocorrência do fato gerador do tributo devido ou do crédito tributário (anexa julgados do Conselho de Contribuintes); 2.14. no caso, a DIPJ/99 foi transmitida em 29/10/1999 e as PER/DCOMP, em 04/102004 e 29/10/2004, não se verificando a decadência; 2.15. nos termos da legislação tributária (IN 600/05, art. 114, da Lei 11.196/2005 e Portaria Interministerial SRF), há determinação expressa para que a RFB, antes de autorizar qualquer restituição e/ou compensação, com débitos vincendos, Fl. 422DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 4 4 deverá realizar a compensação de ofício do crédito do contribuinte com débitos vincendos. 2.16. o art. 163, do CTN, determina a competência da autoridade administrativa para proceder à imputação/alocação de pagamentos conforme os critérios previstos nessa legislação o que também se aplica à compensação de ofício; 2.17. a compensação de ofício nada mais é do que a aplicação do princípio constitucional da celeridade processual, consagrado expressamente pelo inciso L X X V I I I , da C F ; 2.18. ainda que não sejam homologadas as compensações requeridas, deve ser reconhecida a obrigatoriedade da compensação de ofício, pois na data da ocorrência dos respectivos fatos geradores (débitos compensados), já existia crédito suficiente para realizar a compensação. 2.19. nesse raciocínio, uma vez existente crédito suficiente para compensação de ofício dos débitos declarados nas Dcomp, nas datas de ocorrência dos fatos geradores, e considerando que a Requerente inclui equivocadamente a multa nos débitos, devem os valores incluídos indevidamente ser reconhecidos como saldo credor remanescente em favor da Requerente; 2.20. a Requerente já era titular de saldo negativo de IRPJ, em valores muito superiores ao dos débitos, nas respectivas datas dos fatos imponíveis; 2.21 a multa deve ser excluída e realizada a compensação ; 2.22. tendo em vista o princípio da verdade material, que informa o processo administrativo e sob pena de cerceamento de defesa rogase pela análise dos documentos, bem como de outros, que desde já protestase pela posterior juntada e ainda pela sustentação oral;” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos: a) A entrega da primeira DCOMP, que contém o demonstrativo crédito, ocorreu em 04/10/2004, e, a segunda, em 29/10/2004, ou seja, ambas foram entregues depois de decorrido o prazo de cinco anos, contados a partir de 31/12/1998, data em que já se poderia apurar o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 194.322,00. b) A compensação de ofício não é um direito do contribuinte, mas dever da administração de não restituir valores a contribuinte que é devedor da União. Fica, portanto, indeferida a compensação de ofício, nos moldes requeridos pela Manifestante. c) Não há que se afastar a multa de mora sob alegação de que, quando da ocorrência dos fatos geradores dos débitos declarados no PER/DCOMP, havia saldo suficiente de CSLL para realizar a compensação. No caso dos autos a Impugnante incluiu débitos Fl. 423DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 5 5 que já estavam vencidos quando da entrega do PER/DCOMP e, atendendo à legislação tributária, informou valores a título de juros e multa de mora. d) Há de se indeferir o pedido de sustentação oral das razões de defesa, uma vez que as normas que regem o processo administrativo não prevêem tal possibilidade no julgamento em primeira instância administrativa. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) É comprovada a existência do direito creditório. b) O prazo para pleitear a restituição começa a fluir a partir da homologação do lançamento, após cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescentandose mais 5 anos para a recorrente repetir/compensar o indébito tributário. c) O pedido de compensação foi formalizado dentro do prazo de cinco anos contados entre a data da entrega da DIPJ e a data da transmissão das PER/Dcomp’s, não ocorrendo a decadência do direito da recorrente. d) É indevida a incidência de multa nos débitos compensados. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 31/01/2011 (AR de fls. 385). O recurso foi protocolado em 25/02/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O direito creditório pleiteado no presente processo é o saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1998. Não houve análise da liquidez e certeza do saldo negativo pleiteado pela recorrente, uma vez que, a não homologação fundamentouse na extinção do direito de utilização do crédito. Nos termos do despacho o termo inicial é a data da ocorrência do fato gerador. A declaração foi entregue em 04/10/2004, ou seja, após o decurso do prazo de cinco anos a contar do fato gerador. Quanto ao prazo para repetição ou compensação de indébitos, deve ser trazido à colação –se no acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática art. 543B do Código de Processo Civil: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA Fl. 424DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 6 6 VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10880.955758/200838 Acórdão n.º 180301.295 S1TE03 Fl. 7 7 Recurso extraordinário desprovido.”(RE 566.621/RS, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011) Nos termos da decisão do STF, o prazo de cinco anos após o pagamento indevido apenas aplicase às ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005. Por sua vez, o art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria n° 256, de 22 de junho de 2009, assim dispõe: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” No presente caso a declaração de compensação do saldo negativo de 1998 foi transmitida em 04/10/2004, ou seja, antes da inovação legislativa trazida pela Lei Complementar n° 118/2005, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Como a autoridade administrativa não verificou a liquidez e certeza do saldos negativo de IRPJ relativo ao ano de 1998, não é possível apreciar o mérito da compensação. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para afastar a preliminar de prescrição do prazo para repetição ou compensação de indébito, devendo os autos retornarem à unidade de origem a fim de ser analisado o mérito do pedido, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 426DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 23/05 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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