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Numero do processo: 10980.726398/2011-36
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2009
A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2009 A teor da Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme entendimento da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Marcos Antonio Pires e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 98 /2 01 1- 36 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório COTRANS LOCAÇÃO DE VEICULOS LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Curitiba (PR), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata o presente processo de notificação eletrônica de lançamento (fl. 36) emitida em virtude de entrega intempestiva da DCTF. Alega a impugnante a nulidade da ação fiscal e do auto de infração, capitulação legal equivocada, decadência e cobrança abusiva dos juros de mora. A DRJ CuritibaPR , através do acórdão nº 0640.030, de 27 de março de 2013 (fls. 47/51), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/04/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa moratória correspondente. NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DECADÊNCIA. O prazo para o lançamento da multa por atraso na apresentação da DCTF é de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da respectiva declaração. Ciente da decisão em 25/04/2013, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 55), apresentou o recurso voluntário em 21/05/2013, onde pugna pela improcedência do lançamento alegando estar albergada pelo instituto da denúncia espontânea e o caráter confiscatório da multa aplicada. É o relatório Fl. 84DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10980.726398/201136 Acórdão n.º 1803001.872 S1TE03 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de multa por atraso na entrega de DCTF. Alega a recorrente que estaria albergada pelo instituto da denúncia espontânea preconizada no art. 138 do CTN, pois entregou a DCTF antes de qualquer procedimento fiscal. Alude também quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, o que ensejaria a sua inconstitucionalidade e conseqüente desconstituição do lançamento. Não assiste razão à interessada. As matérias alegadas no recurso voluntário não foram objeto de prequestionamento na impugnação, mas em homenagem ao amplo direito de defesa serão apreciadas no presente voto. Com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício aplicada, temse que é defeso ao colegiado julgador administrativo enveredar na análise da constitucionalidade da lei tributária, conforme entendimento cristalizado na Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Melhor sorte não colhe a recorrente no que tange ao instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN). Com efeito, o acolhimento da tese da denúncia espontânea quando presentes seus pressupostos, somente se aplica em relação à multa de mora incidente sobre tributos pagos em atraso e não sobre obrigações acessórias (multa pelo atraso na entrega de declarações por exemplo). Neste sentido, a Súmula CARF nº 49: Súmula CARF nº 49, a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10680.100285/2005-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003
Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade.
Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal.
Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo do PIS/Pasep, é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.
Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.352
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para cancelar a incidência da Cofins sobre variações monetárias ativas, hedge e indenização de seguro e para cancelar a incidência do PIS sobre essas rubricas até novembro/2002. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento em maior extensão.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade. Nos termos regimentais, pode-se afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo do PIS/Pasep, é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido em Parte.
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Base de cálculo: valores relativos a crédito presumido; indenização de seguros, variação cambial e hedge; remessa para ZFM. Recorrentes FAZENDA NACIONAL e APERAM INOX AMÉRICA DO SUL S/A FAZENDA NACIONAL e APERAM INOX AMÉRICA DO SUL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 Base de Cálculo. Alargamento. Aplicação de Decisão Inequívoca do STF. Possibilidade. Nos termos regimentais, podese afastar aplicação de dispositivo de lei que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária do Supremo Tribunal Federal. Afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, a base de cálculo da contribuição para o Pis/Pasep, até a vigência da Lei 10.637/2002, voltou a ser o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e de mercadorias e de serviços. A partir da vigência dessa lei, a base de cálculo do PIS/Pasep, é o faturamento, mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Recursos Especiais do Procurador Negado e do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo para cancelar a incidência da Cofins sobre variações monetárias ativas, hedge e indenização de seguro e para cancelar a incidência do PIS sobre essas rubricas até novembro/2002. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 10 02 85 /2 00 5- 42 Fl. 2183DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento em maior extensão. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Os fatos foram assim descritos no relatório do acórdão recorrido: (...) Os lançamentos de PIS e COFINS englobam diferenças apuradas pela fiscalização entre os montantes devidos e os declarados pela empresa nos períodos de apuração ocorridos entre janeiro de 1999 e dezembro de 2003. O auto de COFINS, portanto, tem como fundamentação única a Lei n° 9.718/98. Já no caso do PIS, as incidências posteriores a novembro de 2002 já encontram respaldo nas disposições da Lei 10.637/2002. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 44 a 51 detalha as infrações que teriam sido cometidas pela empresa: exclusão de vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus por entendêlas equiparadas a exportação e, pois, alcançadas por isenção ou imunidade; diferenças na apuração de variações monetárias ativas, visto que a empresa adotava um regime misto: "de competência com efeitos de caixa, de modo a compensar os efeitos da variação monetária passivas (sic) em períodos de apuração subseqüentes, os quais denominou de 'reversão da variação cambial'. Cabe salientar que a conta de receita de `variação monetária' não consiste numa provisão para sofrer 'reversões'. 0 contribuinte justifica, então, que, 'procedendose desta forma, na liquidação da operação, o montante tributado de acordo com o regime de competência é exatamente o que seria tributado em se adotando o regime de caixa". A fiscalização esclarece ainda que a empresa adotou o regime de competência para apuração dos tributos PIS, COF1NS, IRPJ e CSLL nos anos de 1999, 2000, 2001 e 2003, somente adotando o regime de caixa no ano de 2002. Esse item da autuação alcança, portanto, os períodos Fl. 2184DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.100285/200542 Acórdão n.º 9303002.352 CSRFT3 Fl. 2.135 3 posteriores a novembro de 2002 em que já vigente a sistemática nãocumulativa para o PIS. diferenças de apuração de ganhos em operações de hedge; a empresa teria adotado o mesmo "regime misto" também na apuração de seus ganhos em operações de hedge, de modo a poder abater eventuais perdas ai verificadas, o que não encontraria amparo na legislação até 1° de fevereiro de 2004; não inclusão das "receitas de recuperações de materiais sinistrados". Sobre o ponto, escreveu o autuante: "Constatamos que no item 18 "() Recuperação de créditos baixados como perda/Recuperações de Despesas" do DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE PIS E COFINS", há a inclusão da "61.17.04 — RECUPERAÇÃO/DE MATERIAIS SINISTRADOS" como sendo recuperação de créditos baixados como perdas e conseqüente redução da base de cálculo da COFINS/PIS. Intimado a justificar, o contribuinte respondeu serem recuperações de custos/despesas. Entretanto, o entendimento da SRF consolidado em consultas é no sentido de que os valores de indenização recebidos, a titulo de seguro, pela perda ou sinistro de bens de seu Ativo Circulante e Permanente, deverão integrar a base de cálculo para apuração do PIS e da COFINS (ver Solução de Consulta SRRF/7a N° 11, de 24 de janeiro de 2002"); receitas provenientes do reconhecimento contábil de credito presumido de IPI da Lei n° 9.363/96; exclusão indevida de descontos, tidos pela empresa como incondicionais, mas que ela não conseguiu comprovar de fato o serem. A fiscalização esclareceu que o contribuinte impetrara ação judicial contra as disposições da Lei n° 9.718/98 na qual foi proferida decisão definitiva contrária às suas pretensões. Ou seja, a empresa tem contra si decisão transitada em julgado que considera constitucional o alargamento da base de cálculo daquelas contribuições promovido pela Lei n° 9.718. Em virtude de decisões do STF em sentido contrário, a empresa propôs ação rescisória que, segundo a autoridade fiscal, ainda não possuía decisão favorável quando da lavratura dos autos de infração. Contra a empresa foi ainda lavrado auto de infração para constituição de crédito — com exigibilidade suspensa — relativo à multa de oficio devida quando o contribuinte recolhe tributos em atraso sem o acréscimo da multa de mora. Isso porque, após efetuar diversos recolhimentos em atraso relativos às competências janeiro a março de 1999 e não a incluir, impetrou ação judicial visando ao reconhecimento de sua inexigibilidade na qual foi deferida liminar. A empresa impugnou os três lançamentos. Quanto ao PIS e COFINS optou por reconhecer e recolher a matéria atinente aos descontos por "não dispor dos comprovantes de que eles foram mesmo concedidos incondicionalmente". Apontou ainda diversas incorreções que teriam sido cometidas pela autoridade fiscal na Fl. 2185DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 apuração das bases de cálculo, bem como a desconsideração de DCTF retificadoras. Quanto à multa isolada, apontou sua insubsistência face à legislação superveniente. Após a realização de diligência que acolheu a existência de erros e recomendou sua exclusão do lançamento, a DRJ afastou a decadência argüida, considerou definitivo no âmbito administrativo o lançamento no que se refere à constitucionalidade da Lei n° 9.718/98, e os considerou parcialmente procedentes com relação às matérias não submetidas ao Poder Judiciário, que entendeu serem apenas o conceito de receitas e as vendas à ZFM. Destas, apenas afastou as parcelas decorrentes dos erros cometidos e reconhecidos no relatório de diligência. Às fls. 1526 a 1528 elaborou o relator de primeira instância tabelas em que consigna o montante desonerado em cada lançamento. Para o PIS: R$ 1.790.095,86; para a COFINS, R$ 2.541.568,64. Da multa isolada, a totalidade lançada: R$ 118.306,66. Propôs, por isso, recurso de oficio a esta Casa. Considerou ainda improcedente a exigência de multa de oficio isolada porque a legislação posterior afastoua na hipótese. Inconformada com essa decisão, apresenta a empresa, tempestivamente, substancioso recurso, no qual postula: decadência do direito da Fazenda relativamente aos períodos de apuração entre janeiro de 1999 e novembro de 2000 (inclusive) em face da regra emanada do § 4° do art. 150 do CTN; inconstitucionalidade das alterações legais promovidas pelas Leis 9.718 e 10.637. Embora reconheça a existência de decisão contrária em ação própria, defende que dada sua reversibilidade diante da decisão final proferida pelo STF a continuação da exigência formalizada constituiria afronta à legalidade e verdadeiro enriquecimento sem causa; Se mantida a aplicação da Lei, defende os procedimentos adotados para apuração das variações cambiais com base nos conhecidos argumentos segundo os quais a receita que deve ser tributada é somente aquela que represente efetiva e definitiva entrada no Patrimônio da entidade, citando julgados e decisões administrativas. Segundo ela, o critério adotado não fere o regime contábil da competência, apenas assegura que não seja tributado valor que ainda não é definitivo, o que, postula, só ocorre quando liquidada a operação ativa ou passiva que origina tanto a variação monetária como o hedge. Pelo mesmo motivo — não serem receitas defende que o recebimento de indenização por bens sinistrados, efetuadas pelas seguradoras contratadas, não pode ser tributado. Sobre o ponto escrevem os ii. patronos: "o presente item se desfaz com o conceito de receita.. .se a ACESITA vendeu o bem para um cliente, mas no caminho este bem restou danificado e imprestável, o valor a receber já estava registrado e será tributado pelo PIS e pela COFINS. Ora, se tributado o valor recebido pela Seguradora estaremos diante do mais clamoroso bis in idem da história deste Pais! ). E prossegue: "ainda que Fl. 2186DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.100285/200542 Acórdão n.º 9303002.352 CSRFT3 Fl. 2.136 5 assim não fosse, retornando ao conceito de receitas auferidas,... os valores percebidos de materiais sinistrados não podem ser considerados corno receita auferida (aliás, o próprio Regulamento do Imposto de Renda admite que sequer podem ser considerados como renda), pois se tratam (sic) de mera recomposição do patrimônio perdido, portanto, não há sentido na tributação. A decisão recorrida alega que são dois fatos geradores distintos, mas esquecese que tratase de um único sinal presuntivo de riqueza. A empresa recebeu da Seguradora (valor) a receita que receberia do cliente e que foi tributada! Sustenta, por fim, a impossibilidade de tributação das receitas provenientes de vendas de produtos para a Zona Franca de Manaus porque seriam equiparadas à exportação; Julgando o feito, a turma recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 VALORES DESONERADOS APÓS DILIGÊNCIA. Reconhecida pela autoridade fiscal a improcedência de parte da exigência originalmente formalizada, deve a autoridade julgadora afastála do lançamento perpetrado. Recurso de Oficio Negado. NORMAS GERAIS. HOMOLOGAÇÃO TACITA. O prazo para que a Fazenda reveja os procedimentos do contribuinte que culminam com o pagamento da exação sem o prévio exame por parte da autoridade administrativa é de cinco anos, contado do fato gerador, consoante disposição do § 4° do art. 150 do CTN, aplicável a todos os tributos subordinados A modalidade de lançamento por homologação. NORMAS REGIMENTAIS. SÚMULA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. Nos termos do art. 53 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, baixado pela Portaria MF n° 147/2007, é obrigatória a aplicação de entendimento consolidado em Súmula Administrativa do Conselho aprovada e regularmente publicada. RENÚNCIA Â INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA ADMINISTRATIVA N°01 Nos termos da Súmula n° 01 do Segundo Conselho de Contribuintes, aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do Fl. 2187DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo". NORMAS PROCESSUAIS. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA ADMINISTRATIVA N° 02. "0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária". PIS. BASE DE CALCULO SEGUNDO A LEI 9.718/98. DEFINIÇÃO DE RECEITAS AUFERIDAS. Na composição da base de cálculo prevista Lei n° 9.718/98 devem ser somadas todas as receitas auferidas pela empresa, entre as quais se incluem os ganhos em operações de hedge e as variações monetárias ativas. Por falta de previsão legal, tais receitas não podem ser consideradas liquidas de eventuais perdas incorridas. PIS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Integra a base de cálculo da Cofins a receita proveniente de vendas efetuadas para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus. PIS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. A receita proveniente do ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais não integra a base de cálculo do PIS. PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DE INDENIZAÇÃO POR SINISTROS OCORRIDOS. Constitui receita da segurada, e por isso, integra a base de cálculo prevista na Lei n° 9.718/98 valor recebido de seguradora a titulo de indenização por sinistro ocorrido. COFINS. BASE DE CÁLCULO SEGUNDO A LEI 9.718/98. DEFINIÇÃO DE RECEITAS AUFERIDAS. Na composição da base de cálculo prevista Lei n° 9.718/98 devem ser somadas todas as receitas auferidas pela empresa, entre as quais se incluem os ganhos em operações de hedge e as variações monetárias ativas. Por falta de previsão legal, tais receitas não podem ser consideradas liquidas de eventuais perdas incorridas. COFINS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Integra a base de cálculo da Cofins a receita proveniente de vendas efetuadas para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus. Fl. 2188DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.100285/200542 Acórdão n.º 9303002.352 CSRFT3 Fl. 2.137 7 COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. A receita proveniente do ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras de produtos nacionais não integra a base de cálculo da Cofins. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DE INDENIZAÇÃO POR SINISTROS OCORRIDOS. Constitui receita da segurada, e por isso, integra a base de cálculo prevista na Lei n° 9.718/98 valor recebido de seguradora a titulo de indenização por sinistro ocorrido. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, fls. 1627 a 1634, onde, em apertada síntese, pede seja restaurada a incidência do PIS e da COFINS sobre a receita advinda do crédito presumido do IPI. O Especial Fazendário foi admitido, tãosomente, no que diz respeito à incidência da Cofins, não sendo admitido no pertinente ao PIS, conforme despacho de fl. 1638, confirmado pelo de fl. 1639. Contrarrazões vieram às fls. 1653 a 1668. Ao seu turno, o sujeito passivo também apresentou recurso especial, fls. 1689 a 1726, o qual, a exemplo do apelo fazendário, também foi admitido apenas parcialmente, mais precisamente, quanto à forma de tributação das variações monetárias ativas e hedge, pelo regime de competência; indenizações de bens sinistrados e isenção de vendas para Zona Franca de Manaus realizadas a partir de 18/12/2000, relativamente à incidência de PIS/Pasep e Cofins, vide despacho de fls. 2024 a 2026, confirmado pelo Presidente da CSRF, despacho de fl. 2027. Contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional vieram às fls. 2030 a 2055. O sujeito passivo vem novamente aos autos, desta feita, para defender e requerer, o seguinte: a necessidade de revisão do lançamento, quer pela Câmara Superior, quer por outros órgãos que compõem a RFB, antes da apreciação do recurso especial interposto por esta Eg. Câmara Superior, sob pena de descumprimento de ordem judicial. Assim, requer: a) A reconsideração do despacho de admissibilidade proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que seja acatada a possibilidade de análise do recurso especial no que tange os efeitos da decisão obtida nos autos da ação rescisória n° 2005.01.00.0704442 sobre o lançamento ora combatido, que se lastreia em dispositivo legal julgado inconstitucional pelo Judiciário; Fl. 2189DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 b) Ad argumentandum, caso não acatado o pedido de revisão acima, que sejam os autos baixados em diligência para que a autoridade administrativa competente se pronuncie sobre o crédito tributário remanescente após o julgamento definitivo do processo n° 2005.01.00.0704442, sob pena de a Câmara Superior julgar pontos que já perderam o objeto. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Os recursos são tempestivos e foram admitidos apenas parcialmente; o da Fazenda Nacional, tãosomente, no tocante à incidência da Cofins sobre as receitas de crédito presumido de IPI, enquanto o apelo do Sujeito Passivo teve sua admissibilidade limitada às questões relativas à forma de tributação das variações monetárias ativas e do hedge, pelo regime de competência; à incidência do PIS e da Cofins sobre indenizações de bens sinistrados e, ainda, à isenção de vendas para Zona Franca de Manaus realizadas a partir de 18/12/2000. A meu sentir, os despachos de admissibilidade, tanto do apelo fazendário quanto do sujeito passivo não merecem reforma, posto que foram exarados com observância rigorosa da legislação processual e regimental, não havendo razão alguma para os reformar. Preliminarmente, rejeito o pedido do sujeito passivo para que os autos baixem em diligência com o propósito de o lançamento ser revisto por órgão da Receita Federal do Brasil, antes da análise dos recursos especiais por este Colegiado, e o faço em razão de tal procedimento não encontrar amparo no Regimento Interno desta Casa, tampouco no Decreto 70.235/1972 ou em qualquer outro dispositivo legal que veicule norma procedimental. Esclareçase, por oportuno, que a revisão de ofício, nos termos do art. 149 do CTN, somente pode ocorrer até a instauração do litígio. Impugnado tempestivamente o lançamento, este não mais pode ser revisto de ofício, pois eventuais alterações somente podem ser efetuadas no âmbito do contencioso, e mais ainda, na circunscrição da lide instaurada. Também rejeito o pedido de revisão do despacho de admissibilidade por absoluta falta de previsão legal ou regimental. Do Recurso Especial Apresentado pela Fazenda Nacional. No tocante à inclusão, na base de cálculo da Cofins, dos valores recebidos pelo sujeito passivo a título de crédito presumido de IPI, com a devida licença do Colegiado recorrido, ouso divergir pelas razões seguintes. Primeiramente, fazse necessário definir a natureza desses ingressos, e decidir se configuram ou não receita. Fl. 2190DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.100285/200542 Acórdão n.º 9303002.352 CSRFT3 Fl. 2.138 9 Receita, do latim "recepta", é o vocábulo que designa recebimento, valores recebidos. Assim, em sentido amplo, é o vocábulo que designa o conjunto ou a soma de valores que ingressam no patrimônio de determinada pessoa. O mestre Geraldo Ataliba1, em trabalho publicado sobre o ISS, conceituou receita, e a diferenciou de meros ingressos, nos termos seguintes: “O conceito de receita referese a uma espécie de entrada. Entrada é todo dinheiro que ingressa nos cofres de determinada entidade. Nem toda entrada é receita. Receita é entrada que passa a pertencer à entidade. Assim, só se considera receita o ingresso de dinheiro que venha integrar o patrimônio da entidade que a recebe. As receitas devem ser escrituradas separadamente das meras entradas. É que estas não pertencem à entidade que as recebe. Têm caráter eminentemente transitório. Ingressam a título provisório, para saírem, com destinação certa, em breve lapso de tempo.” Das palavras do mestre, podemos concluir que todos os ingressos que sejam incorporados ao patrimônio de determinada pessoa, jurídica ou física, são considerados como receita, já os valores que são recebidos, a título transitório, que não pertencem ao recebedor, e, em breve lapso tempo, devem sair, com destinação certa, não são receitas, mas meros ingressos. ALIOMAR BALEEIRO, ao analisar o que se deve entender por receitas, assim concluiu: Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, vem acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo. Adaptando o conceito dado pelo mestre baiano, ao Direito Tributário, temse que receita não é, a priori, todo e qualquer ingresso, mas tãosomente aquele que, efetivamente, se incorpora ao patrimônio do sujeito passivo, sem contrapartida, reserva, condições ou correspondência no passivo da pessoa. Nessa linha de raciocínio, vêse que o crédito presumido de IPI representa um ingresso que se incorpora ao patrimônio do exportador, sem implicar em contrapartida, reserva, ou condições ou correspondência em seu passivo. Assim, podese afirmar que, os valores recebidos a título de crédito presumido constituem receita da pessoa jurídica, mais precisamente, receita não operacional, posto não ser fruto direto da alienação de um bem ou serviço relacionado à atividade fim da sociedade empresária, mas de um incentivo fiscal, vinculado à exportação. Resta, então, determinar se tal receita pode ser alcançada pela incidência do Cofins. Vejamos: Até o advento da Lei 9.718/1998, a base de cálculo dessa contribuição era a receita bruta decorrente da venda de bens, de serviços ou de bens e serviços (conceito de 1 ATALIBA, Geraldo. ISS – Base Imponível. Estudos e pareceres de Direito Tributário, v. 1. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1978, p. 88. Fl. 2191DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 faturamento). Todavia, o §2 1º do art. 3º dessa Lei alterou o campo de incidência do PIS/Pasep e da Cofins, alargandoo, de modo a alcançar toda e qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade por ela exercida e da classificação contábil das receitas. Desta forma, sob a égide desse dispositivo legal, dúvida não havia de que as receitas oriundas do ressarcimento de crédito presumido de IPI, comporiam a base de cálculo dessa contribuição. Correto, portanto, o lançamento fiscal. Acontece, porém, que o STF, em controle difuso, julgou inconstitucional esse dispositivo legal. Cabe então verificar os efeitos dessa decisão pretoriana sobre a tributação ora em exame. Entendo que o controle concreto de constitucionalidade tem efeito interpartes, não beneficiando nem prejudicando terceiros alheios à lide. Para que produza efeitos erga ominis, é preciso que o Senado Federal edite resolução suspendendo a execução do dispositivo de lei declarado inconstitucional pelo STF. Não desconheço que o Ministro Gilmar Mendes, há muito vem defendendo a desnecessidade do ato senatorial para dar efeito geral às decisões da Corte Maior, mas essa posição ainda não foi positivada no ordenamento jurídico brasileiro, muito embora alguns passos importantes já tenham sido dados, como é o caso da súmula vinculante. De qualquer sorte, a resolução senatorial ainda se faz necessária, para estender efeitos de decisões interpartes a terceiros alheios à demanda. De outro lado, o regimento interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trouxe a possibilidade de as decisões do STF serem estendidas, em controle difuso, aos julgados administrativos, conforme preceitua a Portaria nº 256/2009, Anexo II, art. 69. Este dispositivo reproduz a mesma redação prevista no regimento anterior (art. 49, na redação dada pela Portaria nº 147/2007): É vedado afastar a aplicação de lei, exceto ... “I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Notese que tal dispositivo cria exceção à regra que veda este Colegiado afastar a aplicação de dispositivo legal, mas exige que a inconstitucionalidade desse dispositivo já tenha sido declarada por decisão definitiva do plenário do STF. Não basta qualquer decisão da Corte Maior, tem de ser de seu plenário, e, devese entender como definitiva a decisão que passa a nortear a jurisprudência desse tribunal nessa matéria. Em outras palavras, decisão definitiva, na acepção do art. 69 do RICARF é aquela reiterada, assentada na Corte. Em outro giro, o sujeito passivo teve contra si decisão judicial transitada em julgado, que reconhecera a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998, o que afastaria, para o caso sob exame, a aplicação da decisão do STF acima mencionada. Todavia, foi acostada aos autos documentação que demonstram que o sujeito passivo conseguiu reverter, por meio de ação rescisória, a decisão judicial que havia transitado em julgado em seu desfavor. A rescisória favorável ao sujeito passivo, restabelece o status quo anterior, e o trânsito em julgado que antes lhe era desfavorável, com essa ação, inverteuse e passou a favorecêlo, para todos os efeitos legais. Aplicandose, pois ao caso ora em exame, a decisão do STF que julgou inconstitucional o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais, até a vigência da Lei 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins voltou a ser a receita bruta correspondente ao faturamento, assim entendido como o produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. 2 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Fl. 2192DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.100285/200542 Acórdão n.º 9303002.352 CSRFT3 Fl. 2.139 11 Todavia, a partir de 1º de fevereiro de 2004, por força do disposto no inciso I, do art. 93 da Lei 10.833/2003, passou a viger os artigos 1º a 15º e 25 dessa lei, sendo que, justamente, o artigo primeiro desse diploma legal restabelece a base alargada da Cofins, nos termos seguintes: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: omissis V referentes a: omissis VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito) 1. De todo o exposto, podese concluir que, anteriormente a 1º de fevereiro de 2004, data de vigência dos arts.1º a 15 e 25 da Lei nº 10.833/2003, a base de cálculo da Cofins era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Neste período, as receitas oriundas de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9363/96 não compunham a base de cálculo da Cofins. Como o lançamento alcança fatos geradores ocorridos anteriormente à data de vigência dessa lei, não há como deixar de reconhecer a improcedência da exação fiscal, e, por conseguinte, negarse provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Do recurso especial do sujeito passivo. No tocante à incidência da Cofins sobre indenizações de bens sinistrados, bem como sobre variações monetárias ativas e do hedge, pelo regime de competência, entendo que são receitas pelas mesmas razões já apontadas linhas acima, mas que, no caso sob exame, não podem ser alcançadas pela incidência da Cofins, haja vista que anteriormente à vigência do § 1º do art. 3º da Lei 9.78/1998, a base de cálculo da Cofins era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços Fl. 2193DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica, onde não se enquadrava as receitas relativas às variações monetárias ativas, ao hedge e às indenizações de bens sinistrados. Assim, aqui, não há qualquer relevância a discussão sobre o momento do reconhecimento dessas receitas. De outro lado, no tocante ao PIS, a discussão merece ser travada, posto que, a partir de 1º de dezembro de 2002, por força do disposto no inciso II, do art. 68 da Lei 10.637/2002, passou a viger os artigos 1º a 6º e 8º a 11 dessa lei, sendo que, justamente, o artigo primeiro desse diploma legal restabelece a base alargada do PIS/Pasep, nos termos seguintes: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. De todo o exposto, podese concluir que, anteriormente a 1º de dezembro de 2002, data de vigência dos arts. 1º a 6 e 8º a 11 da Lei nº 10.637/2002, a base de cálculo do PIS/Pasep era o faturamento, assim entendido a receita bruta correspondente ao produto da venda de bens, serviços ou de bens e de serviços relacionados à atividade operacional da pessoa jurídica. Neste período as receitas financeiras e quaisquer outras, a exemplo das relativas às variações monetárias ativas, ao hedge e às indenizações de bens sinistrados, que não se enquadrassem no conceito de faturamento não se incluíam não base de cálculo dessa contribuição. A partir de dezembro de 2002, por força do art. 1º desse diploma legal, as sociedades empresárias sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep estavam sujeitas ao pagamento da contribuição em comento sobre o total das receitas auferidas (receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica), independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Diante disso, a partir de dezembro de 2002, as receitas relativas às variações monetárias ativas, ao hedge e às indenizações de bens sinistrados passaram a compor a base de cálculo do PIS. Em relação a essas receitas, bem como o regime de tributação a ser aplicados às duas primeiras, socorrome dos ensinamentos do relator do acórdão recorrido, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a quem rendo as merecidas homenagens e passo a transcrever excertos de seu voto. A empresa questiona o caráter de receita de dois elementos acrescidos pela fiscalização: as variações cambiais e as indenizações recebidas de seguradoras. Quanto ao primeiro deles, entendo que a discussão sequer pode ser travada dada a literalidade do art. 9° da própria Lei n°9.718: Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro liquido, Fl. 2194DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.100285/200542 Acórdão n.º 9303002.352 CSRFT3 Fl. 2.140 13 da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. As variações monetárias ativas, gênero de que são espécie as variações cambiais ora discutidas, incluemse na base de cálculo por equiparação as receitas financeiras. Não há como lhes negar o caráter de receita. E o texto expresso da Lei é que as equipara. 0 que se pode discutir quanto a elas é o momento em que devem ser adicionadas na base de cálculo. Há os que defendam que, mesmo no regime de competência, elas devem ser adicionadas apenas quando se saiba exatamente o valor a ser exigido na liquidação do direito ou da obrigação que lhes der causa. Desse modo, aduzem, garantirseia a tributação apenas do valor efetivamente "auferido" pela empresa. Entendo que, sob regime de câmbio flutuante que tem vigorado em nosso Pais desde 1999, pelo menos, esse argumento não tem como ser aplicado. No regime de competência toda e qualquer receita tem de ser reconhecida quando o seu "fato gerador" se completa. E o fato gerador da variação cambial não é o vencimento da obrigação ou do direito. Com efeito, a variação cambial ativa é o registro contábil — feito para atender princípios contábeis — da contrapartida do aumento do direito ou da redução da obrigação decorrente tão somente de alteração no valor da moeda ocorrido desde a última demonstração contábil elaborada. Em outras palavras, basta que o real tenha oscilado em relação â. moeda de referência em que está expresso o direito ou a obrigação para que se imponha o registro de variação monetária. E isso se deve à obrigação legal de as demonstrações contábeis serem apresentadas em moeda nacional, e moeda de poder de compra na data da demonstração exibida. Tratase, como é de conhecimento geral, dos princípios contábeis de reconhecimento de receitas no período a que competirem e do denominador comum monetário. Destarte, a única causa para tal reconhecimento é a alteração no valor da moeda nacional. A variação monetária não tem nada que ver com o contrato de empréstimo, ativo ou passivo, celebrado. Mais claramente, pouco importa quando o direito ou a obrigação vence, ou mesmo se foi ou não adimplido. Tudo o que importa é verificar o exato valor dele no momento em que se elabora a demonstração financeira. Se ele difere do que foi registrado em demonstração anterior, cabe o registro de variação monetária. Será ela ativa caso tenha havido aumento de direito ou redução de obrigação; será passiva no caso oposto. Essa regra só muda se se adotar o regime de caixa na apuração e registro das receitas. Nesse caso, registrase como variação monetária a diferença entre o valor registrado inicialmente em Fl. 2195DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 moeda nacional e o valor efetivamente entrado ou saído. A cada mês, quando ocorrer liquidação de ativos ou passivos em moeda estrangeira, tais variações devem ser incluídas. Mas não há base legal para métodos "híbridos". Ainda mais quando; ao contrário do que afirma a recorrente, não fazem com que o regime de competência produza o mesmo efeito do regime de caixa. Refirome ao procedimento, adotado pela recorrente, de comparar a variação ocorrida no mês de apuração da contribuição àquela já registrada em meses anteriores e adicionar apenas o que exceder o já reconhecido. Ou seja, se o direito surge em 1° de janeiro, registrase ao final desse mês a variação efetivamente existente. Caso nova variação ativa ocorra em fevereiro, é adicionada normalmente. Mas se ocorrer uma reversão no mês de fevereiro, que implica o registro de uma variação monetária passiva neste mês, o registro nos meses seguintes dependerá deste mês de fevereiro. Com efeito, somente "existirá" variação ativa na parcela que exceder àquela já registrada em janeiro. Tomese, para exemplo, um empréstimo contraído no valor de US$ 1.000.000 em 1° de janeiro quando o dólar americano valesse R$ 1,80. Este empréstimo deveria obrigatoriamente ser registrado na contabilidade pelo valor de R$ 1.800.000,00. Caso, em 31 de janeiro, o dólar passasse a valer R$ 1,50, e nessa data — 31 de janeiro — a empresa levante outra demonstração financeira, o empréstimo teria de ser avaliado por R$ 1.500.000,00. A diferença — R$ 300.000,00 de redução no valor da obrigação — terá de ser registrada a débito da conta de empréstimo e a credito de uma conta de VMA. Se em 28 de fevereiro, o dólar passar a custar R$ 1,70, o registro do empréstimo terá de ser ajustado para o valor correto nesta data — R$ 1.700.000,00 — e a diferença em relação ao que fora registrado em 31 de janeiro (em 31, não em 10 de janeiro) será variação passiva de R$ 200.000,00. Havendo nova inversão na cotação da moeda, em 31 de março, digamos para R$ 1,60, surge a obrigação contábil de ajustar o registro do empréstimo para R$ 1.600.000,00 e a diferença — R$ 100.000 — é VMA do mês de março, desde que, repetimos, a empresa ai elabore nova demonstração contábil. E assim seguirseá ate que o registro do empréstimo desapareça da contabilidade. Suponhamos, então, que o dólar não sofra mais nenhuma alteração e o empréstimo seja, ao final de um ano, liquidado por R$ 1.600.000,00. Na contabilidade elaborada terão de estar registradas, por regime de competência, duas VMA, num total de R$ 400.000, R$ 300.000,00 em janeiro e R$ 100.000,00 em março. Haverá, ainda, uma VMP de R$ 200.000 em fevereiro. Total "líquido" no ano: R$ 200.000,00. Se fosse aplicado o regime de caixa, dúvida não haveria quanto ao registro a ser feito: R$ 1.600.000,00 pagos contra R$ 1.800.000 inicialmente "tomados": VMA de R$ 200.000,00. Essa receita somente seria contabilizada no mês do efetivo Fl. 2196DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.100285/200542 Acórdão n.º 9303002.352 CSRFT3 Fl. 2.141 15 pagamento, que pode, naturalmente, diferir do mês do vencimento. Para a fiscalização e para a empresa, entretanto, o regime a ser aplicado é o de competência. Para a primeira, isso implica a tributação sobre R$ 400.000,00. Para a empresa, sobre R$ 300.000,00. Vêse, por esse exemplo, que o método adotado pela empresa não "produz os mesmos efeitos que o regime de caixa", como assentara a fiscalização. Na verdade, ele implica tributar mais do que pelo regime de caixa. E assim o será sempre porque o regime de caixa permite "abater" a variação monetária passiva ocorrida desde o registro até o pagamento. Já o método pretendido pela empresa apenas a "libera" de tributar mais do que os R$ 300.000,00 já reconhecidos em janeiro. Apesar disso, entendo que não há amparo legal para sua pretensão. Com efeito, o regime de competência não objetiva evitar que se registre mais do que já se registrou anteriormente. Nele, pouco importa o que ocorreu em fevereiro, a variação monetária de março é a que resulta da comparação do valor em 1° de março e em 31 de março. Nada muda porque o valor em 1° de março seja maior ou menor do que em 31 de janeiro. Desse modo, tendo a empresa adotado o regime de competência, mesmo após a possibilidade de adoção do regime de caixa, possibilidade que se abriu com a edição da MP 2.15835, deve se submeter a todas as conseqüências dele. E o mesmo raciocínio se aplica ao cômputo de ganhos em operações de hedge. Para estas, nem sequer há autorização para que se adote o regime de caixa. Já no que tange As indenizações, a empresa defende que não seriam receitas nem mesmo no conceito da Lei n° 9.718/98 porque apenas "recomporiam o patrimônio perdido". Ora, é exatamente por isso que são! De fato, com o sinistro ocorrido desapareceu para a empresa o bem sobre o qual haveria de obter receita a lhe compensar os custos incorridos e proporcionar lucro. Caso não houvesse contratado o seguro, simplesmente teria de registrar uma perda. Por têlo contratado "recupera" os custos incorridos da mesma forma que o faria por meio do pagamento que viesse a fazerlhe o cliente. En passant, registro minha total concordância com o voto recorrido quando aduz que o aspecto de "recuperação de custos" de que se revestem diversas operações não altera o seu caráter de receita. Com efeito, toda receita objetiva recuperar os custos incorridos e deixar um excedente para a empresa. Considerar que a parte que apenas recupera os custos não deva ser incluída na base de cálculo importa, assim, transformála, sem amparo, legal, em imposto sobre o lucro bruto (ou mais precisamente sobre a "margem de contribuição"). Mas não é isso em absoluto Fl. 2197DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 que determina a Lei. Justa ou injusta, quer ela alcançar a receita, e esta é toda a contrapartida do aumento do ativo ou de redução no passivo que a empresa obtém com suas operações. Não é o excedente que dai advém, dêse a ele o nome que se queira. Ainda mais disparatado é o argumento do bis in idem. De fato, pretende a defesa que nos casos de sinistro a empresa registra primeiro o direito contra o cliente e depois novo "ingresso", a titulo de "recuperação de despesas ou de custos" proveniente da seguradora. Nada mais absurdo! Se assim o fizesse, de fato estaria registrando duas receitas. Mas nunca há duas receitas sobre a mesma operação. Em primeiro lugar, devese registrar que o sinistro pode ocorrer dentro do próprio estabelecimento, sem que tenha havido ainda qualquer venda. Por óbvio, nenhuma receita com cliente há ainda. Mas a empresa se refere aos acidentes ocorridos após o bem de venda ter saído do estabelecimento. Afirma que esse simples fato já lhe daria direito a registrar uma receita contra o cliente e que a indenização recebida posteriormente se referiria à mesma operação. Nada mais falso. Em verdade, a receita com clientes só é registrada quando a mercadoria é entregue ao comprador. E ai depende da cláusula de entrega pactuada. Deveras, somente se na venda é adotada a clausula de retirada pelo comprador na porta do estabelecimento vendedor, é que este pode registrar a receita neste momento. Mas por isso mesmo nem se cogita de este receber indenização em caso de sinistro a partir dai ocorrido. Eventual sinistro atinge o novo proprietário, que já está na posse do bem, e deve ser a ele indenizado. Nas vendas contratadas para entrega no estabelecimento do comprador, ou em local por ele indicado, somente após a mercadoria ai chegar e ser recebida pelo cliente é que nasce o direito à receita para a empresa vendedora. Portanto, somente neste caso é que a vendedora receberá indenização por sinistro ocorrido no trânsito da mercadoria até o comprador; mas ai não terá registrado receita com cliente, pois ainda não transferiu a posse do bem. Em suma, inexiste possibilidade de a indenização vir a se somar à receita com clientes já registrada com aquela operação. óbvio que a empresa vendedora deve promover a substituição do bem sinistrado, remetendo outro para o cliente. Só assim poderá manter algum valor eventualmente já recebido dele. Registrese, entretanto, que, neste caso, o valor recebido deve ser contabilizado como adiantamento e não como receita. Ele apenas deve ser transferido para receita quando a entrega se completar. A substituição do bem, no entanto, configura uma nova operação pela qual registrará a empresa custos e receita (de clientes). Fl. 2198DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.100285/200542 Acórdão n.º 9303002.352 CSRFT3 Fl. 2.142 17 Na operação sinistrada registrará custos e receita (receita!) proveniente da seguradora. Duas operações, duas receitas, dois valores tributáveis. Nenhum problema. E o valor recebido é receita pelo mesmo motivo que a variação cambial o é: aumenta o patrimônio da empresa — aumento do ativo, sem correspondente aumento do passivo. Podese chamar a isso de "recomposição", não importa. A "recomposição" também ocorre no caso da venda, apenas muda quem faz a recomposição... No tocante às vendas para a Zona Franca Manaus, entendo não merecer reparo ao acórdão vergastado, pelas razões seguintes. De um lado, o sujeito passivo defende sua exclusão, sob alegação que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fazenda Nacional, entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 3art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Desta feita, como é de sabença geral, as 3 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 2199DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 18 exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Ainda sobre o tema, precisos são os argumentos da Conselheira Silvia de Brito Oliveira, relatora do acórdão de primeira instância, que peço licença para transcrever como fundamento deste voto. Sobre a receita de vendas para a ZFM, primeiro, cabe considerar que os dispositivos da MP 2.03725, de 2000, cujas reedições terminaram na MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, objeto de medida cautelar concedida pelo STF tratam exclusivamente de vendas relacionadas nos inc. IV, VI, VIII e IX do art. 14 da última MP aqui citada e, intimada a se pronunciar, no curso do procedimento fiscal, a recorrente informou as vendas efetuadas para a ZFM não se enquadravam em nenhum desses incisos. Ademais, conforme pesquisa no sitio do STF para acompanhamento processual, verificase que a ADI n°23489 foi baixada ao arquivo daquele Tribunal, em virtude de se ter transcorrido o prazo regulamentar da publicação no Diário da Justiça de 15 de fevereiro de 2005 da decisão monocrática proferida em 2 de fevereiro de 2005, sem interposição de nenhum recurso. Por meio da referida decisão monocrática, decidiuse que, uma vez que a MP impugnada mediante referida ADI sofrera reedições sucessivas e não houvera nenhum aditamento à inicial, declarouse prejudicado o pedido por perda do objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. Quanto ao mérito da inclusão das receitas em questão na base de calculo do PIS, não vislumbro abrigo na ordem jurídica para agasalhar a pretensão contraria da recorrente, pois o dispositivo legal invocado no recurso, editado em fevereiro de 1967, traz em si expressão cuja literalidade fornece os exatos contornos temporais para o alcance dos efeitos fiscais a que se refere, estando assim redigido o art. 40 do Decretolei n° 288, de 1967. Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (Grifouse) Observase, portanto, que o próprio dispositivo legal tratou de restringir seus efeitos fiscais a legislação vigente a data de sua publicação, evitandose, dessa forma, a produção de efeitos em relação a tributos que forem instituídos posteriormente, como é o caso do PIS, que somente foi introduzido no ordenamento jurídico pela Lei Complementar nº7, de 7 de setembro de 1970. Destarte, não havendo na legislação de regência da contribuição em tela referencia expressa à isenção ou exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes de vendas para consumo ou industrialização na ZFM, não há fundamento legal para, equiparando tais vendas à exportação, concederlhes benefícios Fl. 2200DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10680.100285/200542 Acórdão n.º 9303002.352 CSRFT3 Fl. 2.143 19 fiscais constantes de legislação superveniente a vigência do Decretolei n°288, de 1967. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, e de dar provimento parcial ao recurso apresentado pelo sujeito passivo para cancelar a exação fiscal relativa à incidência da Cofins sobre receitas de variações monetárias ativas, de hedge e de indenização de seguro, e à incidência do PIS sobre tais receitas no tocante a fatos geradores ocorridos anteriormente a 1º de dezembro de 2002. Henrique Pinheiro Torres Fl. 2201DF CARF MF Impresso em 03/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por LUI Z EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/09/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10120.911979/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.119
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Adriene Maria de Miranda Veras. RELATÓRIO O presente processo trata de Declaração de Compensação – DCOMP, transmitida eletronicamente, de suposto crédito da COFINS – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor original de R$ 40.771,51, a ser compensado com débitos de outros tributos federais. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da decisão de primeira instância administrativa: Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 28091.39849.170408.1.3.046957, transmitida eletronicamente em 17/04/2008, com base em créditos relativos à Fl. 252DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911979/200987 Resolução n.º 3202000.119 S3C3T2 Fl. 253 2 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 31/12/2007 5856 40.771,51 17/1/2008 A partir das características do DARF foi identificado pelos sistemas da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado integralmente para pagamento de outro débito, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO SALDO DO CRÉDITO ORIGINAL DISPONÍVEL PARA COMPENSAÇÃO 4349436741 40.771,51 DB: cód 5856 – PA 31/12/2007 40.771,51 0,00 Assim, em 7/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 5), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$41.847,88. Cientificado, via postal, dessa decisão em 20/10/2009 (fl. 27), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 18/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2, acrescida de documentação anexa. A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, esclarecendo que, o crédito original declarado no presente PER/Dcomp encontrase devidamente retificado na DCTF. Informa o mês de referência da DCTF, a data da entrega da declaração e o número do recibo. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão n° 0345.481 de 20/10/2011, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911979/200987 Resolução n.º 3202000.119 S3C3T2 Fl. 254 3 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde aduz em apertada síntese que: houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual o débito não foi identificado pela SRFB. Em vista desse erro, a Recorrente procedeu à retificação da DCTF e informou à autoridade administrativa (quando da manifestação da inconformidade). Entende que com esta informação, à época, já era suficiente para a solução da questão, uma vez que foi em razão da não localização do crédito no sistema que a compensação foi indeferida (pelo despacho decisório eletrônico); a decisão recorrida reconheceu que a não homologação da compensação teve como fundamento o fato de a DCTF não indicar a existência do crédito, todavia, os julgadores de primeira instância entenderam que além da declaração retificadora, a Recorrente deveria comprovar, com base em sua escrituração contábil, a ocorrência dos fatos alegados na DCTF retificadora; embora entenda desnecessária a apresentação dessas novas provas, com a intenção de solucionar o litígio juntou aos autos os documentos fiscais contábeis que deram supedâneo à retificadora da DCTF e que justificam o crédito pleiteado. E, deste modo, requer a realização de diligência caso entendase necessário ao esclarecimento acerca do crédito compensado; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911979/200987 Resolução n.º 3202000.119 S3C3T2 Fl. 255 4 não há nenhum impedimento para a apresentação de DCTF retificadora, ou prazo determinado na legislação para a apresentação da retificadora, desde que respeitado o limite temporal de 5 anos, aplicável a todas obrigações acessórias; a retificação da DCTF esvazia o Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação apresentada e justifica a sua modificação, uma vez que no seu entender não resta mais dúvida acerca da existência de valores passíveis de compensação; por fim, requer seja dado provimento ao Recurso Voluntário apresentado para reformar o acórdão recorrido. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, relator. Compulsandose os autos verificase que o pedido de compensação da Recorrente foi indeferido, por meio de Despacho Decisório eletrônico, em decorrência da “inexistência de crédito”. A Recorrente apresentou DCTF retificadora, informando este fato quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade. No seu entender, com a apresentação da declaração retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no Despacho Decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que a interessada não apresentou qualquer elemento contábil demonstrando que teria havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, a Recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação. Portanto, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas na DCTF retificadora. A interessada, quando da apresentação do Recurso Voluntário, afirma que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, sendo que este fato foi informado à autoridade administrativa e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio (uma vez que o fundamento do Despacho Decisório seria apenas a inexistência de débito). Como o acórdão recorrido proferido pela DRJ – Brasília indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, a Recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Muito bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos aos créditos que a Recorrente pretende compensar. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10120.911979/200987 Resolução n.º 3202000.119 S3C3T2 Fl. 256 5 É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei n° 5.172/66 (Código Tributário Nacional — CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábilfiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para a Recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, entendo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF – Goiânia proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, bem como intime a interessada para apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários, a critério da fiscalização, com vistas a esclarecer e comprovar a existência dos supostos créditos suscetíveis de serem utilizados na compensação de tributos. Desta forma, os autos devem retornar à repartição de origem – Delegacia da Receita Federal em Goiânia para realização da diligência solicitada. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF – Goiânia deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados na diligência, inclusive manifestandose sobre a existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente na Declaração de Compensação apresentada. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 256DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 21/10/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 21/10/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13411.000163/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2102-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 2102-02.014, de 15/10/2012, nos termos do voto da relatora.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 19/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 210202.014, de 15/10/2012, nos termos do voto da relatora. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 19/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 00 01 63 /2 00 7- 87 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 2102002.617 S2C1T2 Fl. 100 2 Relatório Em sessão plenária realizada em 15/05/2012 esta Turma julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte JOSÉ RENATO BIZERRA, Acórdão nº 210202.014, de 15/10/2012, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia, no valor de R$ 84.398,79. Cientificada do Acórdão acima mencionado, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, indicando a existência de omissão no julgado, nos seguintes termos: O vício apontado consiste em omissão no julgado, tendo em vista que o acórdão embargado não indicou as razões pelas quais entendeu que as transferências online efetuadas pelo autuado foram endereçadas efetivamente à Madeilene Mônica Ribeiro do Vale Bizerra. Compulsando os autos, verificase que não há qualquer comprovação apresentada pelo sujeito passivo de que o documento (conta) de nº 220963000034235 efetivamente foi endereçado (ou é de titularidade) do(a)(s) beneficiário(a)(s) da pensão alimentícia estabelecida em decisão judicial. Cabe notar que o próprio acórdão embargado ressaltou que os recibos apresentados pela exesposa do autuado não poderiam ser levados em consideração em virtude de apontarem quantias excedentes ao percentual estabelecido em decisão judicial. Salientou o voto condutor, inclusive, que no mês de julho o recibo apresentado corresponde ao valor total dos proventos líquidos recebidos pelo contribuinte. Vejase que essa constatação aliada a outros fatos apresentados pela decisão de primeira instância confirma a falta de credibilidade dos recibos apresentados: “19. Acrescentese que, após quatro anos da dissolução de sociedade conjugal, ocorrida em 2003, o contribuinte ainda mantém idêntico domicilio tributário de sua excônjuge, Madeilene Mônica Ribeiro do Vale Bizerra, na Av. da Nações Vila da Justiça, 55, casa, conforme consulta realizada no sistema CPF, constante de fls. 69 e 70”. Por fim, destaquese que o acórdão da DRJ deixou claro que o contribuinte autuado não comprovou que os valores foram efetivamente endereçados a(o)(s) beneficiário(a)(s) da pensão alimentícia fixada judicialmente. In verbis: “18. Ressaltese que os extratos de conta corrente anexados nas fls. 40 a 53, comprovam transferência on line Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 2102002.617 S2C1T2 Fl. 101 3 realizadas após o recebimento dos proventos do contribuinte, porém não informam a conta do beneficiário da transferência. Assim, ainda que a decisão judicial houvesse sido prolatada pelo juízo competente, não restaria comprovado o efetivo repasse do numerário a Madeilene Mônica Ribeiro do Vale Bizerra.” Assim, diante da constatação de que os comprovantes bancários colacionados aos autos não informam o nome do beneficiário da transferência, cabe o saneamento do vício da omissão pelo órgão julgador a quo. É o relatório Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 2102002.617 S2C1T2 Fl. 102 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional preenchem os requisitos legais para sua admissibilidade e devem ser conhecidos. O voto condutor do acórdão embargado assim se pronunciou sobre a glosa da pensão alimentícia judicial: No mérito, a lide que ora se aprecia restringese à infração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 85.938,53, que foi mantida pela decisão recorrida sob a seguinte fundamentação: 16. Assim, de acordo com a legislação supracitada, competiria ao juízo de Vara de Família prolatar as sentenças relativas às dissoluções das uniões familiares estáveis e às causas de alimentos, o que não acontece no presente caso, no qual os documentos de fls. 29 a 32 foram emitidos por Juízo de Direito da 1ª e 3ª Vara Cível da Comarca de Petrolina, e não pela Vara de Família, conforme previsão legal. 17. Portanto, não vejo como reconhecer a dedução pleiteada, a título de pensão, uma vez que, apenas a pensão judicial paga em face do Direito de Família pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte. Sendo assim, não é permitido à autoridade administrativa estender tal isenção à pensão por acordo judicial emitido por juízo ao qual não compete o direito de família, por meio de interpretação da lei que não seja a estritamente literal, nos termos do art. 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN): (...) 18. Ressaltese que os extratos de conta corrente anexados nas fls. 40 a 53, comprovam transferência on line realizadas após o recebimento dos proventos do contribuinte, porém não informam a conta do beneficiário da transferência. Assim, ainda que a decisão judicial houvesse sido prolatada pelo juízo competente, não restaria comprovado o efetivo repasse do numerário a Madeilene Mônica Ribeiro do Vale Bizerra. Acrescentese que, após quatro anos da dissolução de sociedade conjugal, ocorrida em 2003, o contribuinte ainda mantém idêntico domicílio tributário de sua excônjuge, Madeilene Mônica Ribeiro do Vale Bizerra, na Av. da Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 2102002.617 S2C1T2 Fl. 103 5 Nações Vila da Justiça, 55, casa, conforme consulta realizada no sistema CPF, constante de fls. 69 e 70. No recurso, o contribuinte esclareceu que há mais de 10 anos não existe Vara de Família na Comarca de Petrolina, sendo que as causas de Direito de Família, por isso, são conhecidas e julgadas pelas Varas Cíveis. Para comprovar sua alegação, juntou aos autos Certidão, fls. 94, firmada pelo Secretário do Foro de Petrolina, Estado de Pernambuco, que confirma os esclarecimentos prestados pelo recorrente. Nestes termos, verificase que a sentença, fls. 29/32, que determinou o pagamento da pensão alimentícia foi homologada por autoridade competente, afastandose, pois, as razões exaradas na decisão recorrida. No que se refere à comprovação dos pagamentos da pensão judicial, o contribuinte acostou aos autos cópias de recibos firmados por sua exesposa, de extratos bancários e do comprovante de rendimentos. Do exame dos referidos documentos verificase que restou comprovado, mediante transferências bancárias, fls. 40/53, o pagamento de pensão alimentícia, no valor de R$ 50.876,94 e mediante comprovante de rendimentos, fls. 33, R$ 33.521,85, quantias que somadas totalizam R$ 84.398,79. No que se refere aos recibos firmados pela exesposa do recorrente temse que não podem ser levados em consideração, por exceder ao percentual de 80% estabelecido na decisão judicial. Observese, a título de exemplo, que no mês de julho o recibo corresponde ao valor total dos proventos líquidos recebidos pelo recorrente. Assim, devese restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial, no valor de R$ 84.398,79. De fato, da leitura do trecho acima se infere que o voto condutor do acórdão recorrido poderia ter sido mais explícito na apreciação das provas trazidas pelo recorrente, as quais foram consideradas suficientes para o convencimento da relatora e em última análise da Turma, que proferiu o julgado embargado. Na verdade, os extratos bancários trazidos pelo contribuinte não identificam o beneficiário das transferências online. Porém, mesmo sem tal identificação, acolheuse as transferências bancárias como demonstração do pagamento da pensão alimentícia judicial, nos meses de janeiro a julho de 2004, em razão do conjunto comprobatório existente nos autos, quais sejam: a existência da decisão judicial, os recibos fornecidos pela excônjuge do contribuinte e o valor das transferências bancárias, que em sua grande maioria correspondem a 80% dos proventos recebidos pelo contribuinte. Juntos, estes fatos conduzem à conclusão de que as transferências foram de fato destinadas para pagamento da pensão alimentícia judicial. Os recibos fornecidos pela excônjuge do contribuinte, até que se prove em contrário, são documentos idôneos e fazem prova a favor do contribuinte, sendo certo que os recibos somente não foram acolhidos de forma integral no acórdão embargado em razão de os Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13411.000163/200787 Acórdão n.º 2102002.617 S2C1T2 Fl. 104 6 valores ali consignados, por vezes, ser superior aos 80% estabelecidos na determinação judicial. Contudo, frisese, em nenhum momento o voto condutor do acórdão embargado colocou em dúvida a idoneidade dos recibos firmados pela exesposa do contribuinte, posto que é bastante razoável admitirse que, por vezes, o contribuinte poderia optar por fornecer pensão maior do que a estabelecida na decisão judicial. Ou seja, apenas os valores consignados nos recibos não foram acolhidos por indicarem, por vezes, quantias acima dos 80% estabelecidos na decisão judicial, o que não é admissível pela legislação de regência. Repitase, os recibos conjugados com os extratos bancários e a decisão judicial firmaram o convencimento da relatora e também da Turma julgadora no sentido de entender comprovado o pagamento de pensão judicial no valor de R$ 50.876,94. Já o fato de o contribuinte residir no mesmo endereço de sua exesposa não foi abordado no voto condutor da decisão recorrida, posto que irrelevante para a dedutibilidade da pensão alimentícia judicial, sendo importante destacar que o contribuinte informou em seu recurso que voltou a casar com sua exesposa, razão porque estariam residindo no mesmo endereço. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no Acórdão nº 210202.014, de 15/10/2012, nos termos em que consignado acima. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915460/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA AUSENTE NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.
DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.945
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, em negar provimento, nos termos do voto do relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, em negar provimento, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 54 60 /2 00 9- 69 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Tereza Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, que mantendo despacho decisório eletrônico da origem julgou improcedente Manifestação de Inconformidade relativa à Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito alegado é de Cofins. O direito creditório não foi reconhecido na origem em razão de o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior constar como integralmente aproveitado para quitação do respectivo débito. Na Manifestação de Inconformidade a empresa alega que o indébito tem origem em recolhimento indevido, por terem sido computados na base de cálculo da Contribuição valores repassados a terceiros. Afirma que deixou de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, especialmente aquela prevista no inciso III do referido parágrafo, arguindo que a inexistência de norma regulamentadora não pode restringir as deduções. Transcreve decisões judiciais favoráveis às exclusões apontadas, citando o art. 66 da Lei 8.383, de 1991, e defendendo o direito à compensação. A DRJ manteve o indeferimento, levando em conta, primeiro, que a restituição ou compensação tributária está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do indébito, o que não ocorreu neste processo, e segundo, que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP no 1.991, de 2000. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, introduzindo alegação nova ausente da Manifestação de Inconformidade ao afirmar que o indébito decorre de recolhimento indevido a título de PIS, apurado com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega se tratar de indébito com origem em recolhimento indevido a título de PIS, cuja apuração teria se dado com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.915460/200969 Acórdão n.º 3301001.945 S3C3T1 Fl. 55 3 Ao defender, apenas na peça recursal, que o pagamento indevido teria tal origem, a contribuinte introduz matéria que não deve ser conhecida nesta segunda instância. Por ter sido abordada apenas em sede recursal, resta impossibilidade o seu conhecimento em face da preclusão. Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que: ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade. (MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè,1993, vol. 3, p. 233). A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que o contribuinte teve para tratar, já que na Manifestação de Inconformidade alegou origem diversa para o indébito – teria deixado de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. Caso não incorresse em preclusão e tivesse repetido na peça recursal a alegação escorada no citado inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de todo modo não assistiria razão à Recorrente, como já decidiram o órgão de origem e a DRJ. É que o referido inciso foi revogado pelo art. 47, IV, “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, antes de ter sido regulamentado. O poder atribuído ao Executivo para regulamentar o inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nada tem de ilegal ou inconstitucional. Neste sentido já assentou o STJ, inclusive, como se observa no julgado abaixo: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEI N.o 9.718/98, ARTIGO 3o, § 2o, INCISO III. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N.o 1991 18/2000. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 97, IV, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESPROVIMENTO. 1. Se o comando legal inserto no artigo 3o, § 2o, III, da Lei n.o 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000. Não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 2. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 3. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp n° 445.452RS (2002∕00836607) DJ de 10/03/2003, Relator Min. José Delgado). A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente – até ter sido revogado pelo art. 47, IV, “b”, da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, em virtude da ausência de regulamentação. Vem, a interpretação do STJ, ao encontro do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 56, de 20/07/2000, segundo o qual a norma veiculada pelo III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é ineficaz, para fins de eventual exclusão de valores que, computados como receita bruta, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Por fim, ressalto que em pedido de restituição ou ressarcimento o ônus de provar a existência do indébito é do sujeito passivo. Sendo assim, a alegação genérica de pagamento indevido ou a maior precisava ser esclarecida. Cabia à Recorrente evidenciar com precisão e de modo não contraditório a origem do indébito, para que esse pudesse ser reconhecido e a compensação homologada. Tendo acontecido o contrário, a compensação não deve ser homologada. Nesse sentido, já decidiu o CARF, por sua Terceira Seção de Julgamento, em relação ao mesmo contribuinte. Confiramse as seguintes ementas: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. Inexistindo crédito líquido e certo, inexiste o direito à compensação. (Processo nº 11020.915469/200970, Rel. Antônio Carlos Atulim, Ac. nº 3403 002.241). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.915460/200969 Acórdão n.º 3301001.945 S3C3T1 Fl. 56 5 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. (Processo nº 11020.915457/200945, Rel. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ac. nº 3401002.192). Pelo exposto, em face da preclusão, não conheço da alegação de que o indébito teria tido origem em recolhimentos indevidos do PIS, e, na parte conhecida, nego provimento ao Recurso Voluntário, uma vez que inexiste indébito algum em relação ao pagamento efetuado. Bernardo Motta Moreira – Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 14098.000042/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1611; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14098.000042/201001 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.354 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de julho de 2013 Assunto Realizar Diligência. Recorrente AMAGGI EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Contra a empresa recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de PIS e Cofins, relativo a fatos geradores ocorridos no ano de 2005, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada efetuou a venda de mercadorias no mercado interno para pessoas físicas, cujo fim era exportação, mas sem o pagamento das contribuições em tela. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .0 00 04 2/ 20 10 -0 1 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14098.000042/201001 Resolução nº 3302000.354 S3C3T2 Fl. 3 2 Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas alegações foram resumidos pela decisão recorrida nos seguintes termos: a) com o advento da Emenda Constitucional 33/2001, as receitas de exportações tornaramse imunes às contribuições sociais, estando neste grupo, as contribuições para o PIS e Cofins; b) ao serem deferidas pelo texto constitucional, as imunidades devem ser aplicadas de forma incondicional; c) além das disposições constitucionais, o legislador ordinário ao instituir a não cumulatividade do PIS e Cofins, respectivamente através das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, também se preocupou com a desoneração tributária nas exportações, confirmando o dispositivo constitucional, porém desta vez, não somente na última etapa da cadeia produtiva, e sim em todas as demais, permitindo o ressarcimento dos créditos das contribuições pagas nas etapas anteriores, evidenciando dessa forma a intenção de desonerar, totalmente, a mercadoria exportada das referidas contribuições; d) em se tratando de imunidade não deve prevalecer o aspecto literal da interpretação, passando a ter significado maior a interpretação teleológica; e) admitir que o legislador ordinário ou o intérprete possa retirar a eficácia ou mitigar imunidade constitucionalmente prevista significa também violar o direito fundamental do contribuinte à imunidade constitucional e a segurança jurídica; f) no caso, é manifesta a violação aos princípios da razoabilidade e coerência legislativa; g) não pode a Receita Federal do Brasil firmar entendimento que contrarie a Constituição e a legislação que versa sobre a matéria; h) a restrição ao direito e a recusa na desoneração das contribuições para o PIS e Cofins sobre as vendas com fim específico de exportação através de pessoas físicas, comprovadamente exportadoras, é de manifesta ilegalidade e inconstitucionalidade; i) o intento fiscal em tributar as vendas com fim específico de exportação efetuadas através de pessoas físicas comprovadamente exportadoras, com base em atos da RFB, não encontra guarida no disposto no art. 100 do CTN e fere o primado da legalidade; j) sob pena de ofensa direta à CF/88, notadamente aos seus artigos 1º, caput, 3º, II e III; 4°, V; 5º, caput, 150, V; 151, I; 152 e 170, VII, que consagraram o Princípio da Igualdade entre os Estados e contribuintes, bem como o Princípio do Pacto Federativo, assim como visam coibir as desigualdades regionais, as exportações estão imunes das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, inclusive originados em exportações indiretas efetuadas por pessoas físicas; k) as exportações efetuadas por intermédio de terceiros não podem descaracterizar a exportação; l) as exportações realizadas tanto por meio de pessoas jurídicas como por pessoas físicas, efetivamente estão comprovadas conforme constatado pelo Agente Fiscal na folha de continuação do Auto de Infração; m) todas as operações de vendas com fim específico de exportação não devem sofrer incidência das contribuições para o PIS e Cofins; Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14098.000042/201001 Resolução nº 3302000.354 S3C3T2 Fl. 4 3 n) ao descaracterizar o fim especifico de exportação de acordo com o equivocado entendimento adotado pelo agente fiscal, a mecânica da nãocumulatividade está sendo ignorada; o) é descabida a multa de 75% sobre a contribuição, por constituir um confisco tributário, vedado pelo artigo 150, IV, da CF/88, já que não se trata de reprimir fraude fiscal (nota fria, conluio, subfaturamento), nem de delito de contrabando, descaminho ou sonegação; p) no âmbito do E. Superior Tribunal de Justiça, tem predominado entendimento segundo o qual a multa não pode ultrapassar o patamar de 20%, em casos como o em foco, justamente porque é o que preceitua o artigo 61, § 2°, da Lei 9.430/96. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Campo Grande MS julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0425.918, de 13/09/2011, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. Os princípios constitucionais são endereçados ao legislador ordinário e a inconstitucionalidade de normas só pode ser reconhecida pelo Poder Judiciário. VENDAS PARA PESSOAS FÍSICAS. As vendas para pessoas físicas são operações no mercado interno em que incide a Cofins, mesmo no caso de as mercadorias serem exportadas posteriormente. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. PIS/PASEP. SIMILITUDE DE MOTIVOS DE LANÇAMENTO. Ante à similitude de motivos dos lançamentos e das razões de impugnação, aplicamse à contribuição para o PIS/Pasep os mesmos argumentos esposados quanto à Cofins. Ciente desta decisão em 14/10/2011, conforme AR juntado aos autos, a interessada ingressou, no dia 08/11/2011, com recurso voluntário, no qual renova os argumentos da impugnação, acima resumido. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14098.000042/201001 Resolução nº 3302000.354 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente efetuou a venda de mercadorias no mercado interno para pessoas físicas, cujo fim era exportação, mas sem o pagamento das contribuições em tela. Em Memorial distribuído pelo Patrono da Recorrente na sessão do dia 26/06/2013, consta que a Juíza da 2ª Vara da Justiça Federal em Mato Grosso proferiu sentença nos autos do Mandado de Segurança nº 000753593.2011.4.01.3600, impetrado pela Recorrente contra o Delegado da Receita Federal do Brasil em Cuiabá – MT. Juntei aos autos cópia da referida sentença e, segundo a mesma, o Mandado de Segurança tem por objetivo “afastar a incidência do PIS e da Cofins sobre as operações de vendas com o fim específico de exportação para pessoas físicas exportadoras, bem como o recálculo dos créditos de PIS e Cofins, incorporando ao saldo credor as parcelas que incidiram sobre as operações aqui versadas”. No item “C” do relatório da referida sentença a empresa Recorrente informa que efetuou o recolhimento do PIS e da Cofins relativo à autuação sofrida no ano de 2005. Não está claro se 2005 é o ano da lavratura do auto de infração ou o ano objeto da autuação. No presente auto de infração foram lançados débitos do anocalendário de 2005. E, por esta informação, o débito lançado pode já ter sido pago. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 informar se a empresa Recorrente efetuou o pagamento do crédito tributário lançado no auto de infração controlado neste processo; 2 juntar cópia da petição inicial do Mandado de Segurança nº 0007535 93.2011.4.01.3600; 3 juntar cópia das decisões proferidas, tanto pelo juízo de primeira instância como pelo Tribunal Regional Federal / Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos relacionados ao referido Mandado de Segurança, podendo juntar cópia de certidão de objeto e pé. 4 opinar sobre a existência de concomitância de objeto deste processo com o objeto do referido Mandado de Segurança; 5 Informar se o crédito tributário objeto do Mandado de Segurança foi lançado de ofício. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14098.000042/201001 Resolução nº 3302000.354 S3C3T2 Fl. 6 5 6 dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo lhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11 para manifestação. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10880.915937/2008-32
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. ISENÇÃO. DESCABIMENTO.
A legislação do PIS e da Cofins tem, desde sua instituição, via de regra, tem afastado expressamente o Decreto-Lei nº 288/67, ao tratar de isenção ou exclusão de base de cálculo. A Lei nº 10.996/2004, promulgada na constância da liminar na ADI nº 2.348/AM, por confirmar a existência de relação jurídica submetendo à incidência destas contribuições, à alíquota zero, as vendas para pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus, não pode ser desconsiderada no juízo de controle de legalidade que o CARF realiza.
Numero da decisão: 3803-004.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que admitiam juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A legislação do PIS e da Cofins tem, desde sua instituição, via de regra, tem afastado expressamente o Decreto-Lei nº 288/67, ao tratar de isenção ou exclusão de base de cálculo. A Lei nº 10.996/2004, promulgada na constância da liminar na ADI nº 2.348/AM, por confirmar a existência de relação jurídica submetendo à incidência destas contribuições, à alíquota zero, as vendas para pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus, não pode ser desconsiderada no juízo de controle de legalidade que o CARF realiza.
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INOCORRÊNCIA. O ato administrativo que obedece as suas formalidades essenciais e que não contenha obscuridade que implique cerceamento do direito de defesa não pode ser inquinado de nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A legislação do PIS e da Cofins tem, desde sua instituição, via de regra, tem afastado expressamente o DecretoLei nº 288/67, ao tratar de isenção ou exclusão de base de cálculo. A Lei nº 10.996/2004, promulgada na constância da liminar na ADI nº 2.348/AM, por confirmar a existência de relação jurídica submetendo à incidência destas contribuições, à alíquota zero, as vendas para pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus, não pode ser desconsiderada no juízo de controle de legalidade que o CARF realiza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida. No mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que admitiam juntada de provas e convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 37 /2 00 8- 32 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação DComp nº 40529.34093.150304.1.3.040718, fls. 5/9, em que utilizou como crédito pagamentos a maior de Cofins Cumulativa relativa ao período de apuração novembro de 2000, no valor de R$ 7.786,32, do DARF pago de R$ 233.380,16. Despacho Decisório Eletrônico da Derat/São Paulo, fl. 1, de 26 de agosto de 2008, não homologou a DComp, visto que o crédito já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não tendo restado crédito disponível do DARF discriminado no PeR/DComp. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 13/17, a Contribuinte alegou, em síntese, que: a) as DComps tratam de créditos de mesmo tipo e prova, não fracionáveis, pelo que requereu a apensação de todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; b) arguiu a nulidade do despacho decisório pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; c) os documentos ora juntados (notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas da base de cálculo e demonstrativo contábil ) devem ser apreciados sob pena de cerceamento do direito de defesa; d) recolheu indevidamente PIS e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 sobre as vendas para a Zona Franca de Manaus ZFM, que não geram obrigação fiscal pois equiparadas a exportação por força do art. 4º do DL 288/67; e) o incentivo fiscal permaneceu em vigor mesmo após a promulgação da CF/88, por força do art. 40 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. Ao final, requereu a emissão de novo Despacho em face da prova, e/ou homologação da presente compensação e das demais cujo apensamento pleiteiou. Em julgamento da lide, a DRJ/São Paulo I, fls. 45/52, manifestouse pela validade do despacho decisório, eis que proferido por autoridade competente e dele foi dada ciência regular à Contribuinte, rejeitando, assim, o argumento de nulidade. Aduziu que a falta de intimação para prestar esclarecimentos não perfaz o rol das nulidades previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 3803004.531 S3TE03 Fl. 102 3 Quanto ao mérito, defendeu a correção do despacho decisório, referindo que é inteira a responsabilidade do sujeito passivo no tocante à constituição do crédito tributário por meio da confissão em DCTF, e a ele cabe desconstituílo por meio de documento retificador para que se habilite a eventual direito à restituição ou homologação de compensação, quando o DARF vinculado a determinado direito creditório já tiver sido utilizado na extinção dessa mesma dívida. Acerca das vendas para a Zona Franca de Manaus, destacou que a Manifestante não citara o dispositivo legal em que amparara o seu alegado direito ao não recolhimento sobre esta base, nem sob que instituto (imunidade, isenção ou alíquota zero) o enquadra. Não reconheceu o direito ao crédito, se, acaso, a hipótese considerada pela Contribuinte tivesse sido isenção ou alíquota zero, com fundamento na Solução de Divergência nº 7, de 29/11/2006. Se a hipótese aventada pela Manifestante fosse imunidade, assentou que, por se tratar de alegação de inconstitucionalidade, o foro para essa discussão haveria de ser o Judiciário, sendo incompetente para fazêlo a Delegacia de Julgamento. A decisão foi ementada como segue: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/11/2000 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da decisão em 27 de junho de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, 57/68, em 25 de julho de 2011, em que, em síntese: a) inquina de nulidade o acórdão recorrido, por não ter sido claro e preciso na fundamentação de suas razões de decidir e foi construído com base em premissas confusas e obscuras, que impossibilitam o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, no caso concreto b) ratificou e reforçou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quanto à isenção das receitas de vendas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus, não podendo este CARF deixar de aplicar o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Nulidade Sobre o acórdão recorrido a Recorrente refere que: [...] não deixa claro se a premissa para negar provimento à Manifestação de Inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a Recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a Recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; ou (iii) se a Recorrente não tinha direito à isenção de PIS sobre as vendas realizadas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra”. Em outra passagem, por outro lado, o Acórdão mencionado afirma sem um aprofundamento devido, que a Recorrente não aponta em qual dispositivo legal fundamenta sua pretensão, por supostamente não haver apontado qual o instituto tributário aplicável ao caso, o que, como será visto adiante, não é verdade. A Manifestante estruturou a sua defesa em dois pilares, embora não a tenha repartido em tópicos expressos: (i) preliminar de nulidade do despacho decisório; e (ii) matéria de mérito, em que apresenta a origem do crédito que utilizara na compensação em foco. Após concluir a primeira parte, deixando claro que se tratava de preliminar, nos itens “5” e “6” transcritos abaixo, tece os seus argumentos em torno do mérito, verbis: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 3803004.531 S3TE03 Fl. 103 5 [...] Isto à guisa de invocação preliminar. 5. No particular, conforme restará demonstrado, o crédito objeto de compensação teve origem em recolhimentos indevidos a título de PIS e COFINS, no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam, na espécie, de vendas para Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento dos tributos, em face das disposições do Decretolei 288/67 que equiparou referidas vendas a uma operação de exportação. E para comprovar o alegado, ora junta a MICROLITE, em ordem cronológica, cópias de todas as notas fiscais ensejadoras do crédito compensado, bem como demonstrativo da base da compensação, em sua totalidade. Ademais, a fim de facilitar a apreciação da prova ora produzida, junta, ainda, a MICROLITE, planilhas demonstrativas da composição mensal das bases de cálculo dos recolhimentos integrais de PIS e COFINS, no período declinado, e cópia do respectivo demonstrativo contábil. 6. Em face do exposto e acreditando que os documentos juntados demonstram a lisura do seu comportamento compensatório e o equívoco perpetrado pela Autoridade Julgadora em seu julgamento, nesta oportunidade requer a MICROLITE seja acolhida a sua MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE para o efeito de (i) preliminarmente se determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal, para a prolação de despacho decisório fundamentado, em face da prova e (ii), por economia processual, se assim não for determinado, se homologar todas as compensações conectadas tanto a este procedimento, como também aos demais procedimentos cujo apensamento ora se pleiteia. Foi com foco na exposição acima que o voto condutor da decisão recorrida afirmou que a Manifestante não apresentara o fundamento legal do direito pleiteado, nem identificara o instituto jurídico sob o qual abarcara a sua pretensão de excluir as receitas oriundas das vendas para a Zona Franca de Manaus da tributação a que anteriormente submetera. Como se vê, no texto reproduzido acima, a Manifestante indicara o Decreto Lei nº 288/67, mencionando que este equiparara as vendas para a Zona Franca de Manaus a exportação. A decisão recorrida não passou ao largo dessa menção feita pela Manifestante, e foi mesmo em face dela que fez a sua consideração de ausência de fundamentação legal do direito. Para o deslinde dessa questão, importa reconhecer que o texto do art. 4º do DecretoLei nº 288/67 é um enunciado prescritivo que erige a ficção de equiparar a exportação Fl. 105DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 as vendas de produtos nacionais para a Zona Franca de Manaus, porém, desprovido de completude que o torne, por si, uma norma de exoneração tributária. Isso, porque tal preceito faz remissão à legislação em vigor que esteja a reger o tratamento fiscal dado às exportações1, havendo de ser esse tratamento estendido às vendas para a ZFM. Logo, o fundamento jurídico do pedido não só está incompleto, naquela defesa, como, de fato, ausente de indicação está o tipo exonerativo que imunizaria de não incidência as indigitadas receitas. Conforme todos os termos da defesa da Manifestante expressos no mérito, acima expostos, é, de fato, impossível não se ver essa vaguidade na exposição da causa de pedir que sustenta a Manifestação de inconformidade. Não obstante isso, o Julgador a quo não se esquivou de julgar a questão e enfrentou as três hipóteses exonerativas possíveis de serem consideradas pela Parte: isenção, alíquota zero e imunidade. O que o Relator fez, sem mencionálo, foi vislumbrar o caminho processual de defesa mais amplo que era possível à Manifestante, como se ela tivesse se utilizado do princípio da eventualidade. E à luz dessa ampla análise, deitou por terra a pretensão da Manifestante. Então, indaga a Recorrente para conspurcar de nulidade a decisão combatida: qual(is) foi(ram) as premissas que de fato serviram para fundamentar o acórdão recorrido? E afirma: A verdade é que ou não houve premissa alguma; ou, a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, "soltas", caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na Manifestação de Inconformidade, sendo incapaz de apontar de maneira suficiente qual a fundamentação legal considerada para negar provimento à pretensão da Recorrente. Em ambas as hipóteses, o Acórdão é nulo, por cercear o direito de defesa da Recorrente. A pergunta é descabida para o fim específico que almeja a Recorrente. Isso, porque é a manifestação de inconformidade que estabelece o limite objetivo da lide. A Manifestante é que deveria fixar se estava fundamentando o seu recálculo na imunidade, ou na isenção ou na alíquota zero a que estariam submetidas as vendas para a ZFM. Ela afirma que o acórdão abordou institutos tributários não tratados na defesa. É verdade, não foram tratados na defesa. Mas nem por isso se poderá dizer que houve uma decisão extra petita, porquanto os três institutos exonerativos que haveriam de servir como causa de pedir da Manifestante é que foram abordados no acórdão. Tal verdade não mancha a decisão, mas, a contrario sensu, milita contra o interesse da Recorrente, pois a então Manifestante não discutiu nenhum dos três, e que agora afirma ter tratado de isenção. Uma inverdade de fácil verificação. Quanto à observação da Recorrente de que o acórdão foi esparso e lacônico ao afirmar que a documentação juntada pela Recorrente ‘não tem o teor comprobatório buscado no mérito’, ela é inócua, pois, ao tempo em que o faz, não desenvolve argumento na tentativa de demonstrar que os documentos que trouxera na manifestação de inconformidade tivessem, de fato, conteúdo probatório de sua alegação de direito ao crédito. 1 A meu ver, seja esta a vigente ao tempo da edição ou a que estiver vigendo durante o prazo de eficácia do art. 4º do DL 288/67, por força do art. 40 dos ADCTs da CF/88. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 3803004.531 S3TE03 Fl. 104 7 Por fim, a Recorrente traz à colação ementas de julgados da Câmara Administrativa de Recursos Fiscais (sic) em que há decretação de nulidade da decisão de primeira instância por falta de enfrentamento de matéria de mérito conduzida na defesa, fundamentandoo no cerceamento do direito de defesa. Conforme elucidado acima, não é o que se deu no presente caso, pelo que, considero incabíveis como paradigmas os julgados citados, por se fincarem em substrato fático distinto. Pelo exposto, deve ser rejeitada a preliminar de nulidade da decisão recorrida. Mérito De início importa rever a evolução, no tempo, dos dispositivos legais e regulamentares em relação à matéria de isenção/exclusão da base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre o faturamento ou a receita bruta. Partindose do Regulamento do extinto Finsocial, aprovado pelo Decreto nº 92.698, de 21 de maio de 1986, a matéria foi tratada em seu art. 32, inciso V. Esta disciplina antecede à promulgação da Carta da República de 1988 e consequente recepção do art. 4º do DL 288/67, pelo art. 40 dos ADCTs: Art. 32. As empresas, cuja contribuição para o Finsocial seja calculada sobre a receita bruta, excluirão da base de cálculo os seguintes valores: (...) V. receitas decorrentes da exportação de mercadorias e serviços, assim entendidas: (...) b) vendas de mercadorias e serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; (...) d) vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decreto Lei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores; e) vendas realizadas a empresas exclusivamente exportadoras registradas na Carteira de Comércio Exterior (Cacex) do Banco do Brasil S.A.; (...) Parágrafo único. A exclusão de que trata o item V deste artigo não alcança as vendas efetuadas por empresas comerciais ou industriais à Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental. [Grifei] Fl. 107DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que o conteúdo do parágrafo único vinculase ao inciso V, como a reconhecer a correspondência das vendas para a Zona Franca de Manaus com a operação de exportação. Malgrado isso, o parágrafo encarta o comando negativo de direito de excluir da base de cálculo do Finsocial as receitas para a ZFM. A contribuição para o PIS/Pasep, instituída pela Lei Complementar nº 7, de 1970, somente veio a tratar de exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da contribuição quando da edição da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988, em seu artigo 5º, após a entrada em vigor da CF/88, como segue: Art. 5º. Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP e para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o DecretoLei no 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. [Grifei] Essa redação prevaleceu até a edição da Medida Provisória nº 622, de 22 de setembro de 1994, posteriormente convertida na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, que deixou expressa a vedação de exclusão das receitas de vendas para as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e em Área de Livre Comércio da base de cálculo das contribuições. Vejase: Art. 1° O art. 5° da Lei n° 7.714, de 29 de dezembro de 1988, acrescido dos §§ 1° e 2°, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 5° Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), instituídas pelas Leis Complementares n° 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. [Grifei] § 1° Serão consideradas exportadas, para efeito no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1° do DecretoLei n° 1.248, de 29 de novembro de 1972. § 2° A exclusão prevista neste artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; (...). [Grifei] A Medida Provisória nº 1.212, de 29 de dezembro de 1995, cuja reedição final foi convertida na Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, dispôs sobre o PIS/Pasep, e, ao ampliar o leque das receitas excluíveis da base de incidência, no caput do artigo 4º, determina a observância das disposições da Lei nº 9.004/95, mantendo, portanto, inalterada a vedação de exclusão das receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus, Amazônia Ocidental e a Área de Livre Comércio da base de cálculo da contribuição: Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 3803004.531 S3TE03 Fl. 105 9 Art. 4º. Observado o disposto na Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, na determinação da base de cálculo da contribuição serão também excluídas as receitas correspondentes: II aos serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior, desde que não autorizada a funcionar no Brasil, cujo pagamento represente ingresso de divisas; II ao fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em trafego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; III ao transporte internacional de cargas ou passageiros. [Grifei]. Relativamente à Cofins, com respeito às receitas de exportação, a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, com redação dada pela Lei Complementar nº 85, de 15 de fevereiro de 1996, deixa claro que as vendas de mercadorias e serviços exportados são as destinadas para o exterior: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decreto lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. [Grifei] O Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993, que regulamentou o disposto no art. 7º da Lei Complementar nº 70, de 1991, ainda que repetindo o pleonástico Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “para o exterior”, cuidou de afirmar que a exclusão da base de cálculo não alcançava as vendas para a ZFM: Art. 1º. Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992; d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação. [Grifei] Posteriormente, edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, tratou inteiramente da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, e não fez referência alguma à exclusão da receita bruta de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. A Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, em seu art. 14, caput, e §§ 1º e 2º, adiante transcrito, redefiniu as regras de desoneração, nas hipóteses especificadas, e revogou todos os dispositivos legais Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 3803004.531 S3TE03 Fl. 106 11 relativos às isenções e às exclusões da receita bruta, para fins de determinação de base de cálculo, a partir de 30 de junho de 19992, que já não contemplavam isenção para a Zona Franca de Manaus. Em sua redação afastou da isenção as vendas para a ZFM, como o fizeram, antes, o Decreto nº 92.698, de 21 de maio de 1986, a Lei nº 9.004, de 16 de março de 1995, o Decreto nº 1.030, de 29 de dezembro de 1993 e a Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998. E dispôs: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; [Grifei] Esta redação foi mantida até a edição da MP 2.03724, de 23 de novembro de 2000, ocasião em que foi impetrada a ADI nº 2.3489/AM, que resultou na concessão de medida liminar, em 18 de dezembro de 2000, suspendendo a expressão na Zona Franca de Manaus contida no inciso I, do § 2º, do artigo 14, da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, com eficácia ex nunc. Em observância à liminar concedida pelo STF, entendo, na edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 22 de dezembro de 2000, foi suprimida a expressão na Zona Franca de Manaus do art. 14, § 2º, I. Contudo, esse ajuste não implica que após deixar de existir o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja é preciso que o ato legal a explicite, a teor do art. 111, II, do CTN, não sendo bastante o enunciado prescritivo do art. 4º do DecretoLei 288/67, como já o afirmei. Em razão da adequação da Medida Provisória nº 2.03724 à liminar já na reedição seguinte, a falta de aditamento à inicial, pelo impetrante, resultou na perda de objeto da ADI, ficando prejudicada a liminar, conforme decisão datada de 2 de fevereiro de 2005: DECISÃO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. MEDIDA PROVISÓRIA. REEDIÇÕES. AUSÊNCIA DE ADITAMENTO À INICIAL. PRECEDENTE. PREJUÍZO (QUESTÃO DE ORDEM NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 1.952/DF). 1. Conforme ressaltado pelo ProcuradorGeral 2 Os incisos I e III do art. 6º da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; o art. 7º da Lei Complementar no 70, de 1991, e a Lei Complementar no 85, de 15 de fevereiro de 1996; o art. 5º da Lei no 7.714, de 29 de dezembro de 1988, e a Lei no 9.004, de 16 de março de 1995 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 da República na peça de folha 545 a 547, a medida provisória atacada mediante esta ação direta de inconstitucionalidade foi objeto de reedições sucessivas, não havendo ocorrido aditamento à inicial. 2. Nos termos do precedente revelado na apreciação da Questão de Ordem na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.952/DF, relatada pelo ministro Moreira Alves, com decisão publicada no Diário da Justiça de 9 de agosto de 2002, declaro o prejuízo do pedido por perda de objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. 3. Publiquese. Brasília, 2 de fevereiro de 2005. Ministro MARCO AURÉLIO Relator. (fonte: www.stf.gov.br). A evolução desta matéria como descrita acima, permite concluir que os Poderes Legislativo e Executivo ao trataremna, na esfera de suas competências, não tiveram em consideração o art. 40 da ADCT na preservação da equivalência entre as vendas para a Zona Franca de Manaus e a exportação de mercadorias e serviços para o exterior. Não se pode dizer que é de todo desprezível o entendimento segundo o qual a retirada da expressão Zona Franca de Manaus do texto que a excluía da isenção dada às exportações passou a permitir a equiparação prevista no art. 4º do DL nº 288/67. É como se pudesse dizer: a exclusão do que estava excluído é inclusão. Vertendoo na linguagem da norma: venda para a Zona Franca de Manaus deve ser considerada como exportação, para os efeitos ficais; exportação é isenta, exclusive para a Zona Franca de Manaus; retirada a exclusão, Zona Franca de Manaus beneficiase da isenção. O silogismo é válido. Todavia, esse entendimento enfrenta o histórico legal de não equiparação das vendas para a ZFM a exportação pelo Poder Legislativo e pelo Poder Executivo. Mesmo na vigência da liminar na ADI 2.3489/AM, o Poder Executivo editou a Medida Provisória nº 202, 23 de julho de 2004, convertida na Lei n° 10.996, de 15 de dezembro de 20043, que reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus, por pessoa jurídica estabelecida fora dela. Tal ato, assim como a sua conversão em lei, foram promulgados antes, até, da decisão que declarou prejudicado o pedido, esta, em 2 de fevereiro de 2005. Conquanto esta norma tenha efeito prospectivo, o texto do art. 2º contém uma norma implícita, da qual deflui uma conclusão inafastável, qual seja, uma redução de alíquota somente pode acontecer, por óbvio, no bojo da existência de relação jurídica tributária anteriormente estabelecida. Portanto, no caso, a norma está a informar que gravitava sobre as vendas para pessoas jurídicas localizadas na Zona Franca de Manaus a incidência tributária da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a submeter essas operações às alíquotas normais respectivas originalmente fixadas e que, então, passavam a ser reduzidas a zero. Uma vez mais, reforçando o histórico de incidência das aludidas contribuições sobre as operações em foco, a lei 10.996/2004, evidencia que na discussão e votação da Medida Provisória nº 202/2004 não levou em conta o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. 3 Art. 2º. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.915937/200832 Acórdão n.º 3803004.531 S3TE03 Fl. 107 13 Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça tem, reiteradamente, decidido reconhecer a isenção das receitas de vendas de produtos e serviços para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, mesmo após a perda de objeto da liminar na ADI nº 2.3489/AM, alinhandose declaradamente ao entendimento do Supremo Tribunal Federal ali expresso. Anotese, porém, que as decisões não foram proferidas sob a sistemática de recursos repetitivos, nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, do que não resulta a vinculação deste CARF àqueles julgados. Ademais, entendo que não se deve perder de vista que, sendo o papel desta Corte exercer o controle de legalidade dos atos administrativos, o conteúdo implícito da norma contida na Lei nº 10.996/2004 não pode ser desconsiderado, sob pena de se afastar a aplicação da norma de incidência tributária vigente (Lei nº 9.718/98, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003), uma vez que aquela lei não reconhece a existência da isenção das vendas para a ZFM, à base do art. 14 da MP nº 2.158/2001. Adotar esse entendimento não é mero resultado de deixar de aplicar o art. 4º do DecretoLei nº 288/67, como aduz a Recorrente; implica, sim, aplicar a norma de incidência das contribuições, autorizada e validada, concretamente, pela Lei nº 10.996/2004, esta, sim, deixou da considerar válida, para os efeitos fiscais de que aqui se trata, a equivalência das vendas para a ZFM a exportação ao fixar a alíquota zero para este destino. Por fim, aditese: ainda que se superasse todas as razões de direito acima expendidas, a Recorrente deixou de acostar aos autos as bases sobre que efetuara pagamento a maior e documentos idôneos que o comprovassem, circunstância já referida pela decisão recorrida. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 24 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 03/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 13805.005189/97-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992
DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DATO DO FATO GERADOR. CTN, ART. 150, § 4º. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme o art. 62-A, do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário ofício é contado da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, quando efetuado o pagamento antecipado exigido nesse artigo. A contagem a partir do primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, estipulada no art. 173, I, do CTN, é reservada à hipótese em que a lei não prevê o pagamento antecipado ou quando, a despeito da previsão legal, não ocorre tal pagamento.
AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DISPENSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESES. Mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN).
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS E CAUSA DE PEDIR. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
ANTÔNIO LISBOA CARDOSO - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DATO DO FATO GERADOR. CTN, ART. 150, § 4º. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme o art. 62A, do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário ofício é contado da ocorrência do fato gerador, nos termos do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, quando efetuado o pagamento antecipado exigido nesse artigo. A contagem a partir do primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, estipulada no art. 173, I, do CTN, é reservada à hipótese em que a lei não prevê o pagamento antecipado ou quando, a despeito da previsão legal, não ocorre tal pagamento. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DISPENSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESES. Mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 51 89 /9 7- 64 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS E CAUSA DE PEDIR. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. EDITADO EM: 20/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de acórdão da DRJ/SP1 que julgou improcedente a impugnação apresentada, relativamente ao auto de infração de Finsocial do período de apuração de 01/12/1991 a 31/03/1992, constituído em 11/06/1997 (fls. 1), conforme sintetiza a ementa do acórdão a seguir reproduzida: Acórdão 1631.052 6a Turma da DRJ/SP1 Sessão de 19 de abril de 2011 Processo 13805.005189/9764 Interessado FOSBRASIL S/A CNPJ/CPF 54.091.707/000180 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/12/1991 a 31/03/1992 FALTA DE RECOLHIMENTO A falta de recolhimento torna indispensável o lançamento de ofício, a fim de constituir o crédito tributário devido. FINSOCIAL COISA JULGADA Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13805.005189/9764 Acórdão n.º 3301001.953 S3C3T1 Fl. 227 3 É legítimo o lançamento do Finsocial à alíquota de 0,5%, quando se verifica estar em perfeita conformidade com o provimento judicial obtido pela impugnante, o qual se limita a reconhecer a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que a elevaram posteriormente. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS A mera alegação de que os débitos lançados teriam sido compensados não basta para atestarlhes a extinção. A compensação prevista no art. 66 da lei n° 8.383/91 deve estar consignada na escrituração contábil por meio de lançamentos específicos, cabendo ao sujeito passivo exibilos sempre que necessário. ANÁLISE DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. Segundo o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil,compete ao delegado da unidade que jurisdiciona o contribuinte, e não às Delegacias de Julgamento (DRJ), a análise inicial de pedidos de restituição, os quais devem ser formalizados em processos instaurados com esse fim e na forma da legislação específica. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA Procede a exigência de multa de ofício e juros de mora apurados de acordo com a legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente cientificada em 29/02/2012 (fls. 213), foi interposto recurso voluntário em face do v. Acórdão em 30/03/2012 (fls. 216 e seguintes), sendo reiteradas as argumentações constantes da impugnação, esclarecendo que o Finsocial foi lançado à alíquota de 0,5%, em função do trânsito em julgado da Ação Declaratória nº 9.111269, perante a 4ª Vara da Seção Judiciária Federal do DF, em sintonia com o RE nº 150.7641/2010, julgado pelo STF, no qual foi declarada a inconstitucionalidade do Finsocial em alíquota superior ao percentual de 0,5%. Diz que até o período de novembro de 1990, recolheu a referida contribuição à alíquota superior a 0,5%, resultando em crédito a ser compensado com débitos de mesma natureza, à época. Desta forma, o crédito tributário exigido se refere às compensações não consideradas pela decisão recorrida. Em relação ao saldo devedor no final do período compensado, diz que apresentou denúncia espontânea através do processo nº 13805.006098/9312, e no mesmo ato recolheu em 23.10.93, valor superior à diferença dos débitos remanescentes. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 Segundo os próprios cálculos realizados pela Fiscalização, através de diligência, os créditos da Recorrente seriam suficientes para compensar os débitos de Finsocial apurados no período de dezembro de 1990 a agosto de 1991 (os quais foram exigidos no Auto de Infração no processo 13805.005188/9700). Segundo a metodologia do agente fiscal, foram computados acréscimos aos débitos apurados a partir de setembro de 1990, de modo que o recolhimento complementar foi suficiente apenas para compensar os débitos de outubro, novembro e parte do mês de dezembro de 1991, sendo proposto pela Fiscalização, que fosse retificado o débito referentre a dezembro de 1991, de 15.380,06 para 1.784,62 UFIR. Paralelamente, a decisão de primeira instância nos autos do processo 13805.005188/9700 (12.90 a 10.91), reconheceu de ofício, a decadência de todos os créditos tributáiros exigidos no referido auto de infração. Afirma que o seu indébito decorrente do pagamento a maior de Finsocial seria suficiengte para extinguir os créditos tributários exigidos, os quais se encontram devidamente comprovados nos autos (DARF´s juntados). Aduz por fim que o relatório de diligência fiscal apura o total do crédito de Finsocial a que faz jus a Recorrente, sem contudo aplicar qualquer índice de autualização monetária, sob alegação de falta de previsão legal, contrariando o disposto no art. 66,§ 3º, da Lei nº 8.383/91, com base na variação da UFIR. Protesta ao final pela improcedência do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso foi interposto tempestivamente e revestido das demais condições de admissibilidade, devendo o mesmo ser conhecido. O auto de infração de Finsocial foi lavrado em 11/06/1997 (fls. 1), referente ao período de 31/12/1991, 31/01/1992, 29/02/1992 e 31/03/2991, acrescido de multa de ofício de 75%. Consta ainda que precederam à autuação as ações declaratórias ajuizadas respectivamente perante a 4ª Vara da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal (Certidão de fls. 85), sob nº 89.82698, ajuizada em 11/10/89, contra a exigência do Fiscoial com base nos arts 7 e 21 da Lei nº 7.787/89, pelo fato do Finsocial do DL 1.940/82, ser imposto, e se for considerado conribuição social a majoração da alíquota de 0,5% para 1,0% só teria eficácia a partir de out/89 (§ 6º, art. 195, CF), com o consquente depósito judicial correspondente aos fatos que ocorreram durante o trâmite da ação (majoração da alíquota) e juors de mora relativo à diferença de alíquota nos meses de setembro a dezembro de 1989, os quais teriam sido deferidos pelo r. Juízo. O TRF/1ª Região reduziu a verba honorária de 10% para 5%, com o trânsito em julgado ocorrendo em 31/08/93. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13805.005189/9764 Acórdão n.º 3301001.953 S3C3T1 Fl. 228 5 De acordo com a certidão de fls. 87 e seguintes, consta outra Ação Declaratória (processo 90.111269), perante a 8ª Vara Federal/DF, tendo sido julgada procedente, em parte, sendo declarada a inconstitucionalidade do excedente à alíquota de 0,5%, sendo legítima a cobrança do Finsocial nos moldes do DL 1.940/82, tendo sido cassado os efeitos da liminar anteriormente concedida. O v. Acórdão transitou em julgado em 26/08/1994 (fls. 133), expedida em 10.09.95 (fl. 88). O Acórdão da Apelação Cível nº 90.01.083021/DF, foi assim ementado: TRIBUTARIO. FINSOCIAL. DECRETOLEI N. 1940/82. LEGISLAÇÃO MODIFICADORA. INCONSTITUCIONALIDADE. LEVANTAMENTO DE DEPOSITO JUDICIAL. 1. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, AO JULGAR OS RECURSOS EXTRAORDINARIOS NS. 150.7551 E 150.7641 DECLAROU A INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTS. 9, DA 7689/88; 7 DA LEI N. 7787/89; 1, DA LEI N. 7894/89; E 1, DA LEI N. 8147/90. 2. DESSE MODO, TEMSE COMO INCONSTITUCIONAL A LEGISLAÇÃO MODIFICADORA DO DECRETOLEI N. 1940/82. 3. O DEPOSITO EFETUADO AO FITO DE SE SUSPENDER A EXIGIBILIDADE NO CREDITO TRIBUTARIO (LEI 6830/80, ART. 32, PARAGRAFO 2), SOMENTE PODE SER DEVOLVIDO A QUALQUER DAS PARTES, MEDIANTE ORDEM JUDICIAL, APOS O TRANSITO EM JULGADO DA DECISÃO. 4. PEDIDO DE LEVANTAMENTO DE DEPOSITO INDEFERIDO. 5. APELAÇÃO PROVIDA EM PARTE. (AC 000754778.1990.4.01.0000 / DF, Rel. JUIZ NELSON GOMES DA SILVA, QUARTA TURMA, DJ p.24904 de 24/06/1993). (extraído do sitio eletronico do TRF/1ª Região em 16/07/2013: http://jurisprudencia.trf1.jus.br/busca/) É público e notório que o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula vinculante nº 8, declando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: “Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j.12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.CármenLúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente (DOU nº 117, de 20/06/2008,Seção I, pág. 1) Todavia, de acordo com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em sede de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no CARF, por força do art. 62A, do RICARF, a decadência do direito de constituir o crédito tributário é regida pelo art. 173, I, do CTN, quando se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e o contribuinte não realiza o respectivo pagamento parcial antecipado (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux (Primeira Seção, DJe 18.9.2009, submetido ao art. 543C do CPC). Desta forma, no caso em questão deve ser aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, tendo em vista tratarse de exigência de tributo sem que houvesse qualquer antecipação de pagamento, afastando assim a decadência para a constituição do crédito tributário. Não há como discutir o mérito da exigência do FINSOCIAL, tendo em vista que o assunto foi submetido ao crivo do Poder Judiciário, ocorrendo renúncia à instância administrativa, nos termos da Súmula nº 1, do CARF. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 231DF CARF MF Impresso em 26/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 13 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.902841/2008-94
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3801-002.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl,- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio e Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 41 /2 00 8- 94 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902841/200894 Acórdão n.º 3801002.056 S3TE01 Fl. 71 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da DRJ de Campinas/SP: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF (...) discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que houve equívoco no preenchimento do campo relativo ao documento de arrecadação na declaração de compensação. Segundo a interessada, ao invés de informar o valor do DARF, teria informado o valor do crédito que possuiria. Após, relata os valores que teriam sido apurados como tributo devido, pago e o saldo que pretende ter reconhecido como indébito. Ao fim, requer a homologação da compensação por força da existência do crédito reivindicado. Posteriormente, a interessada trouxe aos autos DCTF retificadora da apuração e na qual estaria evidenciado o crédito requerido. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob a alegação de que o crédito tributário não foi provado e com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento alegado como origem do crédito. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902841/200894 Acórdão n.º 3801002.056 S3TE01 Fl. 72 3 pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso e pede a homologação da compensação com base nos seguintes argumentos: (a) Que a retificação da DCTF pode ser procedida a qualquer momento; (b) que retificada a DCTF é possível identificarse o crédito da contribuinte; (c) Que a Receita Federal tem na sua base de dados as demais informações e documentos fiscais hábeis para comprovar o direito creditório, inclusive a DIPJ. É o Relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902841/200894 Acórdão n.º 3801002.056 S3TE01 Fl. 73 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado a Recorrente apresentou PER/DCOMP cujo crédito não foi reconhecido pelo sistema da Receita em decorrência de já ter sido alocado com outro débito em DCTF. Retificada a DCTF a contribuinte entende que está feita a demonstração do seu crédito e que não é necessário a produção de outras provas porque todos os dados estão nos bancos de dados da Receita. Entretanto, também é certo que a Contribuinte a qualquer momento e especialmente após instalado no processo administrativo fiscal por informação contrária deve a apresentar as provas de seu direito creditório, porque a DCTF, apesar de representar uma confissão de dívida, é uma declaração unilateral sujeita a exame para que se possa homologar as compensações pleiteadas. Como é sabido, na sistemática existente é a contribuinte que informa à Receita Federal os seus débitos e créditos através de inúmeras declarações e cabe à autoridade, se lhe interessar, fiscalizar a sua veracidade. Assim, se a autoridade não homologou a declaração da contribuinte pela inexistência de crédito é porque a própria contribuinte informou que esses créditos já haviam sido utilizados de algum modo. É essa a informação que constou, inclusive no acórdão da DRJ, que se pronunciou acerca da ausência da prova do direito creditório – ausentes as provas ou faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido – e ao contribuinte caberia contrapor essa informação demonstrando que tinha crédito. No mais, compulsando os autos, não fui capaz de encontrar um documento sequer que se relacione com a escrituração da Recorrente, cópia de pagamento, DCTF, DACON, uma planilha que informe a origem do crédito ou qualquer apontamento que possa nos dizer qual é esse crédito que a contribuinte está querendo compensar. A alegação da Recorrente de que todos os dados e provas estão na base da Receita, não havendo necessidade de prova suplementar, pode até parecer uma suposição interessante, mas o que é certo á que a inteligência da Receita Federal está ainda muito distante do PRISM, programa de vigilância eletrônica, denunciado pelo exagente da CIA, Edward Snowden. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902841/200894 Acórdão n.º 3801002.056 S3TE01 Fl. 74 5 Além disso, estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório porque foi ele que declarou que o tinha. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, competiria ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Assim, na hipótese da compensação declarada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que provas e argumentos sejam carreados aos autos no sentido de refutar o procedimento fiscal e que essas se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Consignese que o artigo 170 da Lei n.º 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito e sequer informou a origem dos mesmos. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.902841/200894 Acórdão n.º 3801002.056 S3TE01 Fl. 75 6 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10980.725708/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A 0MULTA MAIS BENÉFICA.
Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
AUTO DE INFRAÇÃO -DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO
Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2301-003.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira- Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A 0MULTA MAIS BENÉFICA. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. AUTO DE INFRAÇÃO -DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira- Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A 0MULTA MAIS BENÉFICA. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 57 08 /2 01 0- 14 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES – Relator (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Damiao Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725708/201014 Acórdão n.º 2301003.047 S2C3T1 Fl. 417 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TRANSVALTER LIMITADA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2008. 2. Em conformidade com o relatório fiscal transcrito no processo principal, 10980.725704/201036, o presente lançamento referese ao fato de a empresa ter deixado de “preparar folhas de pagamento das remunerações pagas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil” (f. 338). 3. Dessa feita, de acordo com a peça introdutória, a empresa teria infringido o artigo 30, inciso I, da Lei 8.212/91, conforme auto de infração DEBCAD 37.221.7591, constante no mencionado processo. 4. A decisão do colegiado de primeira instância restou ementada nos termos que seguem: “JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. COMPETÊNCIA. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A análise da cobrança de juros sobre a multa de ofício extrapola a presente jurisdição, uma vez que a exigência não está consubstanciada no ato jurídico do lançamento tributário e se reportaria a evento futuro de cobrança. JUROS SOBRE MULTA LEGALIDADE. Correta a incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, haja vista esta compor o crédito tributário, conforme legislação vigente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” (f. 376) 5. Buscando reverter o lançamento, o contribuinte apresentou suas razões aduzindo, em síntese: a) preliminarmente, a tempestividade do recurso apresentado, sendo inexigível depósito ou arrolamento de bens para o seguimento do processo; b) pugna pela anulação do lançamento devido à falta de clareza na fundamentação da infração, o que viola o princípio da ampla defesa e do contraditório; c) no mérito, aduz que é uma empresa que possui por objeto social a exploração do ramo de transporte rodoviário de cargas secas e granel Fl. 418DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 em âmbito nacional, e subcontrata, eventualmente empresas do ramo para melhor cumprir com suas atividades regulares; d) tais subcontratações se dão diretamente mediante o deslocamento de funcionários das subcontratadas até as dependências da empresa para repasse dos dados necessários ao transporte, bem como a realização de contratos de transporte rodoviário, mediante a apresentação do documento de veículo que será utilizado para a realização do seguro de carga; e) afirma ainda que “como a recorrente tem ciência que está subcontratando outras empresas de transportes, entendese por consequência lógica que os representantes encaminhados pelas mesmas são funcionários destas, e que (...) referidas transportadoras realizam a retenção das parcelas referentes à contribuição previdenciária, não havendo que se falar em falta de arrecadação das contribuições dos segurados contribuintes individuais”; f) por fim, a impossibilidade da cobrança de juros (com aplicação da taxa SELIC) sobre a multa de ofício. 6. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725708/201014 Acórdão n.º 2301003.047 S2C3T1 Fl. 418 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade de recurso administrativo foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, resultando na edição da súmula vinculante nº 21. 2. Consta da redação da súmula que “É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévio de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.”. Dessa forma, não sendo mais exigível o depósito recursal, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 3. Inicialmente, pugna o contribuinte pela anulação do processo sob o fundamento de que o fisco teria violado os princípios do contraditório e da ampla defesa: “em relação à presente infração, a recorrente persiste quanto a falta de clareza na fundamentação dos fatos que ensejaram a autuação, o que dificulta sua defesa, uma vez que não há suficiente fundamentação legal à suposta violação apontada”. (f. 390) 4. Contudo o inconformismo do recorrente não encontra guarida, tendo em vista que os fundamentos legais para o arbitramento encontramse plasmados na f. 338. Vale salientar também que foram devidamente demonstrados nos autos a descrição dos fatos e a respectiva capitulação legal que fundamentou a exigência tributária. 5. Por fim, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal, no que rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A CONTRATAÇÃO DE TRANSPORTADOR AUTÔNOMO 6. Conforme narrado no relatório fiscal, o auto de infração foi constituído com base na constatação de que a empresa “deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.” (f. 338) 7. Dos autos, verificase que a controvérsia trazida à análise deste Conselho cingese à incidência de contribuições sociais sobre os pagamentos feitos pela empresa a transportadores rodoviários autônomos. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 8. Os trabalhadores autônomos, como o caso dos transportadores, são incluídos na categoria dos contribuintes individuais. Vejamos a definição do termo adotado pelo Ministério da Previdência Social: “Contribuinte individual: Nesta categoria estão as pessoas que trabalham por conta própria (autônomos) e os trabalhadores que prestam serviços de natureza eventual a empresas, sem vínculo empregatício. São considerados contribuintes individuais, entre outros, os sacerdotes, os diretores que recebem remuneração decorrente de atividade em empresa urbana ou rural, os síndicos remunerados, os motoristas de táxi, os vendedores ambulantes, as diaristas, os pintores, os eletricistas, os associados de cooperativas de trabalho e outros.” 9. Sobre a questão, a legislação previdência determina que a empresa que contratar transportador autônomo, contribuinte individual do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), deverá recolher: a) 20% (contribuição patronal) – calculado sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao transportador autônomo; (artigo 22, III, Lei 8.212) b) 11% descontada do transportador autônomo e calculada sobre o valor da remuneração a ele paga, devida ou creditada, observado o limite máximo do saláriodecontribuição; (artigo 4º, da Lei 10.666/2003 e artigo 33, §5º, da Lei 8.212/91) c) 1,5% e 1,0% (contribuições devidas ao Serviço Social do Transporte (SEST) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), respectivamente – descontadas ao transportados autônomo e calculadas sobre o valor do saláriodecontribuição destes. (art. 1º, I, ‘b’, II, ‘b’; art. 2º, II e §3º, ‘a’, art. 3º e §1º do Decreto 1.007/93 e art. 7º, II, §1º e 2º da Lei 8.706/93) 10. Assim, verificada a adequação entre a natureza do fato gerador e da correspondente contribuição lançada, todas demonstradas com clareza pelo agente fiscal em seu relatório, devese concluir que o lançamento tem fundamentos e que a contribuição é devida. 11. Dessa forma, mantenho o lançamento com relação às contribuições devidas e não recolhidas referentes ao pagamento feito a transportadores autônomos, em consonância com o Colegiado a quo. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 12. A recorrente afirma que aplicação de juros não pode ser feita em conjunto com a multa de ofício, pois tal imposição contraria o ordenamento jurídico. 13. Ocorre que, no caso concreto, houve a aplicação de uma multa de ofício em decorrência do não recolhimento de contribuição previdenciária, assim, a multa de ofício constitui, ao lado do tributo propriamente devido, a obrigação tributária principal, conforme dispõe o artigo 113, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725708/201014 Acórdão n.º 2301003.047 S2C3T1 Fl. 419 7 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” (g.n.) 14. Dessa forma, verificase que a obrigação principal é formada tanto pelo tributo cobrado quanto pela penalidade pecuniária aplicada (multa). Portanto, o crédito tributário, o qual decorre da obrigação tributária, é composto pelo tributo a ser recolhido e pela correspondente multa de ofício, sendo que ambos estão sujeitos à incidência de juros de mora quando não pagos no vencimento estipulado pela lei, conforme assevera o art. 161, do CTN: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” 15. Além disso, o artigo 43 da Lei n.º 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, in verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. 16. Além disso, o artigo 43 da Lei n.º 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, in verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. 17. E a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, reza que as contribuições sociais arrecadadas e outras importâncias arrecadadas pelo INSS (como é o caso das multas) estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34, verbis: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) 18. Nesse sentido, sito ementa de acórdão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão n.º 920201.806. Recurso especial negado” 19. Assim, tenho como certo que a aplicação de juro sobre a multa de ofício não ofendem ao ordenamento jurídico pátrio e que sua imposição é devida. DO LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 20. Além do presente auto de infração, foram lavrados contra o contribuinte mais dois autos por descumprimento de obrigação acessória. 21. E em consonância com o relatório fiscal do processo principal, do qual também sou relator, a atuação fiscal se deu com base nos seguintes levantamentos: “MA – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO, MA1 – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO E MA2 – MOTORISTA AUTÔNOMO INFORMADO – referente a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ – com cópias, por amostragem, em anexo – e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 3201030015 – ‘FRETEIROS – P.F. – CURITIBA’; 3203030008 – ‘FRETEIROS – P.F.’; 3204030006 – ‘FRETEIROS P.F. – CHAPECÓ’; 3206030010 – ‘FRETEIROS P.F. – CARAZINHO’; 3207030007 – ‘FRETEIROS – P.F. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação Fl. 423DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725708/201014 Acórdão n.º 2301003.047 S2C3T1 Fl. 420 9 dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviário de cargas’. (...) NT – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ. NT1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ E NT2 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ – referentes a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ – com cópias, por amostragem, em anexo – e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 320103014 – ‘FRETEIROS P.J. – CURITIBA’; 3203030007 – ‘FRETEIROS – P.J.’; 3204030005 – ‘FRETEIROS P.J. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviário de cargas’. A empresa declarou em livros contábeis razão e diário como sendo despesas pagas a pessoa jurídica em decorrência de subcontratação de serviços de transporte. E, também, apresentou os referidos recibos, assinados apenas pelos motoristas autônomos, como sendo de pessoas jurídicas subcontratadas para prestação destes serviços. Entretanto, como se observa através das cópias por amostragem em anexo, estes documentos são recibos preenchidos pela empresa Transvalter Ltda e assinados por condutores autônomos de veículo rodoviário. De fato, a empresa não apresentou qualquer nota fiscal ou recibo preenchido por suposto prestador de serviço pessoa jurídica. Ou seja, só foram apresentados recibos assinados por pessoas fiscais. E, quanto às empresas que, supostamente, prestam os serviços de transporte, de fato não são empresas de transporte. Foram verificadas cada uma de suas atividades e nenhuma delas presta serviço de transporte; como por exemplo: ABN AMRO ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, BAMERINDUS LEASING, BANCO FINASA S.A., BANCO ITAU LEASING S/A, BB LEASING SA ARRENDAMENTO MERCANTIL, BV FINANCEIRA S/A. A planilha ‘ANEXO 5’, apresentada em anexo, demonstra este fato, onde para cada prestação de serviço, há o nome da empresa, seu CNPJ e a descrição de sua atividade econômica. Os campos desta planilha são, nesta ordem: CNPJ do estabelecimento tomador do serviço, data, nome do condutor autônomo de veículo rodoviário, valor bruto recebido, base de cálculo da contribuição previdenciária equivalente a 20% do valor bruto, nome da empresa declarada como subcontratada, CNPJ da empresa declarada como subcontratada, descrição da atividade da empresa declarada como subcontratada. Através do TIF nº 11, foi solicitado à empresa que apresentasse notas fiscais de serviço, referente s às prestações de serviços de ‘Freteiros Pessoa Jurídica’. Porém, até o encerramento deste auto de infração nada foi entregue. Portanto, verificase que de fato houve prestação de serviço de transporte por pessoa física, condutor autônomo de veículo rodoviário, contribuinte individual. (...) TR – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANP, TR1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSP E TR2 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRASNP – referentes a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento Fl. 424DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 3201030014 – ‘FRETEIROS P.J. – CURITIBA’; 3203030007 – ‘FRETEIROS P.J.’; 3204030005 – ‘FRETEIROS P.J. – CHAPECÓ’; 3206030009 – FRETEIROS P.J. – CARAZINHO’; 3207030006 – ‘FRETEIROS – P.J. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviário de cargas’. A empresa declarou em livros contáveis razão e diário como sendo despesas pagas a pessoa jurídica em decorrência de subcontratação de serviços de transporte. E, também, apresentou os referidos recibos como sendo de pessoas jurídicas subcontratadas para prestação destes serviços. Entretanto, como se observa através das cópias por amostragem em anexo, estes documentos são recibos preenchidos apenas pela empresa Transvalter Ltda e assinados por condutores autônomos de veículo rodoviário, não havendo prova de que os serviços foram prestados de fato por pessoa jurídica. Através do TIF nº 11, foi solicitado à Transvalter Ltda que apresentasse notas fiscais de serviço, referentes às prestações de serviços de ‘Freteiros Pessoa Jurídica’. Porém, até o encerramento deste auto de infração nada foi entregue. De fato, a empresa não apresentou qualquer nota fiscal ou recibo preenchido por suposto prestador de serviço pessoa jurídica. Ou seja, só foram apresentados recibos assinados por pessoas físicas. Portanto, verificase que de fato houve prestação de serviço de transporte por pessoa física, condutor autônomo de veículo rodoviário, contribuinte individual. (...) TT – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSVALT E TT1 – MOTORISTA AUTÔNOMO PJ TRANSVALT – referente a pagamentos a transportadores rodoviários autônomos, obtidos através da apresentação de recibos de pagamento intitulados como ‘Contrato de Transporte Rodoviário de Cargas’ e informações extraídas do livro razão – nas contas nº: 3201030014 – ‘FRETEIROS P.J. – CURITIBA’; 3203030007 – ‘FRETEIROS – P.J.’; 3204030005 – ‘FRETEIROS P.J. – CHAPECÓ’; 3206030009 – ‘FRETEIROS P.J. – CARAZINHO’; 3207030006 – ‘FRETEIROS – P.J. – JUNDIAÍ’; com cópias das páginas do livro razão, em anexo. Além do mais, a empresa apresentou a relação dos transportadores e os valores pagos (em anexo), os quais foram conferidos, por amostragem, com os ‘contratos de transporte rodoviários de cargas’. A empresa declarou em livros contábeis razão e diário como sendo despesas pagas a pessoa jurídica em decorrência de subcontratação de serviços de transporte. E, também, apresentou os referidos recibos como sendo de pessoas jurídicas subcontratadas para prestação destes serviços. Entretanto, consta como a empresa prestadora de serviços com sendo a própria Transvalter Ltda, empresa fiscalizada e tomadora dos serviços. Além do mais, os documentos apresentados pela empresa são recibos preenchido pela empresa e assinados por condutores autônomos de veículo rodoviário. Portanto, verificase que de fato houve prestação de serviço de transporte por pessoa física, condutores autônomo de veículo rodoviário, contribuinte individual.” 22. Assim, conforme constatado, verificase que a controvérsia trazida à análise deste Conselho diz respeito à incidência de contribuições sociais sobre os pagamentos feitos pela empresa a transportadores rodoviários autônomos. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725708/201014 Acórdão n.º 2301003.047 S2C3T1 Fl. 421 11 23. E sobre a questão da emissão de vários autos de infração por descumprimento de obrigação acessória relativos ao mesmo fato gerador, venho me posicionando no sentido de que o contribuinte já se encontra devidamente punido com a emissão do primeiro auto e, assim, não poderia ser novamente castigado pela não observância de obrigação acessória. 24. Sem adentrar no mérito e na capitulação legal de cada uma das infrações imputadas ao contribuinte tenho que a apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e por deixar de exibir as Guias abarcaram, efetivamente, a reprimenda ora cominada à empresa. 25. Não se questiona aqui o fato de que a falta de lançamento mensal em títulos de contabilidade, a entrega deficiente de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 e a não apresentação de GFIP constituem infrações distintas, possuindo inclusive fundamentação legal diferente. Entretanto, para efeito de punição a aplicação de uma multa pode ser inserida no contexto da outra. 26. Tal entendimento encontra guarida na própria norma previdenciária que, em alguns casos já trata conjuntamente as hipóteses de “recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente” para assegurar que o fisco poderá lançar de ofício a importância devida. (art. 33, §3º, da Lei 8.212/91) 27. O duplo sancionamento deve ser evitado. Sobre o tema vale ressaltar os ensinamentos de Daniel Ferreira “tem outra e especial serventia enquanto princípio geral do Direito: a de proibir reiterado sancionamento por uma mesma infração – vale dizer, afastar a possibilidade de múltipla e reiterada manifestação sancionadora da Administração Pública”. (in “Sanções Administrativas”, Malheiros Editores) 28. Nesse sentido, cito jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “AUTO DE INFRAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE DE COEXISTÊCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO ENTREGA DE GFIP E PELA NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO MESMO PERÍODO PARA O MESMO SUJEITO PASSIVO. Ocorrência de bis in idem quando se trata de uma infração e são lavrados dois autos de infração para aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de uma obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 2050.1522, julgado em 03.02.2009, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi) “DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS PRESTADOS. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE DA MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 constitui infração distinta da não prestação de informações e esclarecimentos, mas a autuação fiscal deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas Fl. 426DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 pelo contribuinte estiver abrangida pela outra. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 230101.291, julgado em 23.03.2010; Rel.: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) 29. Ainda com relação à matéria, apenas para exemplificar, a legislação que trata do processo administrativo por dano ambiental pacifica matéria semelhante na Lei 9.605/98, artigo 76 onde encontrase previsto que “o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substituiu a multa federal na mesma hipótese de incidência”. 30. Além disso, é importante que sejam observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme previsto nos artigos 37, 5º, inciso II, e 84, inciso IV, todos da Constituição Federal, pois, a meu ver, a Administração Pública deve seguilos como parâmetro para que as medidas adotadas por ela não gerem prejuízos elevados ao contribuinte. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), in verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado(...).” (Recurso Especial nº 728.999 PR (2005∕00331148; Ministro Relator Luiz Fux) 31. O princípio da proporcionalidade pode ser visto como um desdobramento do princípio da razoabilidade e se traduz no sentido de que adotando a medida necessária para atingir o interesse almejado, o administrador age com proporcionalidade, que deve ser media não pelos critérios pessoais do administrador e nem nos termos frios da lei, mas diante do caso concreto e segundo os padrões comuns na sociedade. 32. E no caso concreto, entendo que a fiscalização agiu de forma desproporcional ao autuar várias vezes o contribuinte em decorrência de ações da empresa que se comunicam entre sí. Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que a proporcionalidade é uma “faceta específica” da razoabilidade, o que significa dizer que nas decisões e nas medidas administrativas deve haver adequação entre os meios e os fins previstos na lei. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725708/201014 Acórdão n.º 2301003.047 S2C3T1 Fl. 422 13 33. A segurança jurídica é afetada ante a ação da fiscalização. E sobre a questão cito o parecer ProCADE n.º 526/2005, da Advocacia Geral da União AGU, no qual a Procuradora Nancy de Abreu afirma que o bis in idem “tratase de um princípio basicamente de construção doutrinária e que irradia sobre os atos administrativos, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, como uma limitação ao poder punitivo ao EstadoAdministração”. 34. Ainda conforme a AGU “a expressão bis in idem pode ter seu significado dividido nos seguintes termo: o bis deve ser entendido como uma vedação não só à nova sanção, mas deve ser estendido seu significado para se evitar nova persecução (instrução mediante novo processo); o idem, em termos objetivos, possui como significado, ao menos no direito brasileiro, como mesmos fatos, em termos reais e históricos, com relevância decorrente da análise dos fatos e não estritamente jurídica”. 35. Seguindo essa linha de raciocínio, Fábio Medina ensina que “a idéia básica do non bis in idem é que ninguém pode ser condenado duas ou mais vezes por um mesmo fato” e segue dizendo que “já foi definida essa norma como ‘princípio geral de direito’, que, com base nos princípios da proporcionalidade e da coisa julgada, proíbe a aplicação de dois ou mais procedimentos, seja em uma ou mais ordens sancionadoras, nos quais se dê uma identidade de sujeitos, fatos e fundamentos, e sempre que não exista uma relação de supremacia especial da Administração Pública”. (in Direito Administrativo Sancionador – SP, Editora RT, 2000, Osório, Fábio Medina, f. 279) 36. Assim, firme está meu convencimento no sentido de que o agente fiscal agiu em contraposição ao princípio do non bis in idem, ao autuar o contribuinte por nove vezes, agravando as multas aplicadas. 37. O fisco deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra, porém, cumpre salientar que não estou a menosprezar a função repressiva das sanções tributárias, adotadas sempre no sentido de preservar a atividade de fiscalização e a segurança nos atos destinados a arrecadação dos tributos. Entretanto, a meu sentir, o Estado também não pode punir excessivamente o contribuinte, notadamente no presente caso em que a empresa recebeu nove autos de infração por múltiplas condutas. 38. Não é demais falar que no Brasil a burocracia e o excessivo dever acessório de prestar ou franquear o acesso a informações de interesse da administração tributária colocam as empresas em situação caótica. A guarda de documentos, a produção de dados nos exatos formatos delimitados pelo fisco, entrega de documentos mensais, são apenas algumas das inúmeras e crescentes obrigações dos contribuintes passivas de pesadas multas. Sem falar no acompanhamento diário a que é obrigada a empresa sobre a edição de Leis, Decretos, Portarias, Instruções Normativas, etc. 39. Essas imposições de obrigações tributárias acessórias sem limite algum, na verdade, asfixiam as pequenas empresas e propiciam o aumento da informalidade no País. O que resulta, finalmente, no aumento do Custo Brasil, que, por seu turno, afeta gravemente a vida das empresas e dos empregados. 40. Feitas tais considerações, tenho como certo o presente lançamento não deve ser mantido. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA 14 CONCLUSÃO 41. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Voto Vencedor BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Redatora Permitome divergir do entendimento do Relator, em relação ao duplo sancionamento, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por dar provimento ao recurso, sob a alegação de que, como foram emitidos vários outros autos de infração por descumprimento de obrigação acessória relativos ao mesmo fato gerador, o contribuinte já se encontra devidamente punido com a emissão do primeiro auto e, assim, não poderia ser novamente castigado pela não observância de obrigação acessória. Entende que já houve a devida reprimenda quando a empresa apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, e por deixar de exibir as Guia. Contudo, tratamse de infrações distintas, sendo que, para cada uma, há a capitulação legal específica, com a aplicação da penalidade prevista nos normativos previdenciários. Assim, ao deixar de preparar folha de pagamento dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, a recorrente infringiu o disposto no art. 32, I, da Lei 8.212/91. Dessa forma, ocorreu a infração apontada acima, o que não é negado pelo relator, como também ocorreram as outras infrações indicadas pela fiscalização, ensejando a lavratura dos demais Autos de Infração. Se foram lavrados vários Autos de Infração, com a cobrança de multa isolada, conforme consta do voto do Relator, é porque a recorrente descumpriu várias obrigações, acessórias e principais, sendo que, para cada uma das infrações cometidas pela empresa, a Lei estabelece uma penalidade a ser aplicada. E como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigações acessórias, lavrou corretamente o presente auto, impondo a penalidade prevista nos normativos legais para cada tipo de infração, em observância à legislação que trata da matéria. Nesse sentido, meu voto é por conhecer do recurso e negarlhe provimento. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10980.725708/201014 Acórdão n.º 2301003.047 S2C3T1 Fl. 423 15 É como voto Bernadete de Oliveira Barros Fl. 430DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 23 /07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 25/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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