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5750043 #
Numero do processo: 10830.727510/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. HOMOLOGAÇÃO. Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pagamento, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Miranda Cardozo.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/2012­51  Acórdão n.º 3202­001.299  S3­C2T2  Fl. 1.076          2 cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico por Remessas ao Exterior –  CIDE, multa de ofício e  juros de mora, no montante de R$ 19.533.654,60, para o período de  apuração de  janeiro/2008 a dezembro/2009, em decorrência da  insuficiência do  recolhimento  da  contribuição  sobre  a  remessa  de  valores  ao  exterior  para  o  pagamento  pela  prestação  de  serviços, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal (e­fls. 2/66).  Com vistas a melhor elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas  partes  transcreve­se o relatório  constante da decisão de primeira  instância administrativa  (e­ fls. 944/ss), verbis:   Relatório:  Trata  o  presente  processo  de  Auto  de  Infração  relativo  à  Contribuição  de  Intervenção  no Domínio  Econômico  – CIDE  (Remessas  ao  Exterior),  lavrado  em  06/12/2012  e  cientificado  ao  contribuinte  em  27/12/2012,  formalizando  crédito  tributário no valor total de R$ 19.533.654,60, sendo R$ 9.258.416,36 de CIDE, R$  3.331.425,95  de  juros  de mora  e R$ 6.943.812,29  de multa  de  ofício  (acréscimos  legais  calculados  até  a  data  da  lavratura)  em  virtude  da  falta/insuficiência  de  recolhimento  da  contribuição  referente  a  fatos  geradores  ocorridos  nos  anos  de  2008 e 2009 (fls. 189­199).  Através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 267, a autoridade tributária relatou  que inicialmente intimou o contribuinte, dentre outros, a:  ­  Informar  se  possuía  ação  judicial  relativa  à  CIDE,  apresentando,  em  caso  positivo, cópia da petição inicial e demais peças relevantes do processo;  ­  Apresentar  Demonstrativo  de  Decomposição  detalhada  da  base  de  cálculo  da  CIDE/REMESSAS  para  o Exterior  dos  anos  de  2008  e  2009,  especificando que  o  referido  demonstrativo  deveria  ser  elaborado  em  forma  de  planilha  excel  discriminando  as  importâncias  pagas,  creditadas,  entregues,  empregadas  ou  remetidas  a  título  de:  royalties,  aquisição  de  conhecimentos  tecnológicos  e/ou  fornecimento  de  tecnologia,  prestação  de  assistência  técnica,  serviços  técnicos,  cessão e licença de uso de marcas, cessão e licença de exploração de patentes, ou  outras rubricas sujeitas à incidência da CIDE;  ­  Apresentar  extrato  das  contas  contábeis  extraídas  do  Livro  Razão  que  registrassem os valores apontados na planilha;  Em  resposta,  o  contribuinte  apresentou  os  documentos  solicitados.  Em  relação  a  ação judicial, informou que possuía o processo nº 2003.61.05.0134695 relacionado  a CIDE.  Em  análise  aos  documentos  apresentados  juntamente  com  dados  extraídos  dos  sistemas da RFB, a autoridade  fiscal construiu 4 planilhas referentes aos códigos  0422 e 0473 relativos a  IRRF vinculados a remessas ao exterior dos anos 2008 e  2009,  relacionando  os  recolhimentos  efetuados  pela  empresa  nas  remessas  ao  exterior (fls. 489­541).  Com isso, intimou o contribuinte a se manifestar da seguinte forma:  ­ Apontando eventuais  incorreções, distribuindo corretamente os valores contidos,  caso fosse necessário;  ­ Preenchendo os Campos da Planilha com os dados faltantes, tais como “Contrato  de Câmbio”, “Descrição da Operação” e “Valor Remetido”;  Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/2012­51  Acórdão n.º 3202­001.299  S3­C2T2  Fl. 1.077          3 ­  Apresentando  documentação  comprobatória  hábil  e  idônea  em  relação  as  correções realizadas pelo contribuinte;  Em  atendimento  a  intimação,  o  contribuinte  “apresentou  Planilha,  em  papel  e  Mídia  eletrônica  formato  excel,  onde  constam  os  recolhimentos  efetuados  nas  remessas  de  valores  ao  exterior,  códigos  0422  e  0473,  anos  calendários  2008  e  2009, com os campos preenchidos” indicando os documentos nomeados de Doc. 01  e CD 01 (fls. 542­612).  Posteriormente  o  contribuinte  foi  intimado  a  complementar  as  informações  prestadas,  completando  os  campos  das  Planilhas  construídas  com  os  dados  das  operações de câmbio realizadas.  Após  o  atendimento  desta  intimação,  a  autoridade  tributária,  baseada  nas  informações  e  esclarecimentos  prestados  ao  longo  do  procedimento  fiscal,  juntamente com os dados contidos nos sistemas da RFB, construiu novas planilhas,  determinando o fato gerador da CIDE, conforme explica (fls. 613­681):  “82. Com base nas informações prestadas e nos dados constantes nos Sistemas  da Receita Federal do Brasil, construiu­se as Planilhas denominadas:  (i)  PLANILHA  5  –  OPERAÇÕES  REM  EXT  –  AC  2008  –  CONSOLIDADO – APURAÇÃO CIDE/IR/PIS/COFINS – BASE IRRF 0422;  (ii)  PLANILHA  6  –  OPERAÇÕES  REM  EXT  –  AC  2008  –  CONSOLIDADO – APURAÇÃO CIDE/IR/PIS/COFINS – BASE IRRF 0473;  (iii)  PLANILHA  7  –  OPERAÇÕES  REM  EXT  –  AC  2009  –  CONSOLIDADO – APURAÇÃO CIDE/IR/PIS/COFINS – BASE IRRF 0422;  (iv)  PLANILHA  8  –  OPERAÇÕES  REM  EXT  –  AC  2009  –  CONSOLIDADO – APURAÇÃO CIDE/IR/PIS/COFINS – BASE IRRF 0473;  83. Através destas Planilhas pode­se determinar o Fato Gerador da Obrigação  Tributária,  com  os  seus  parâmetros:  Data  da  ocorrência,  Descrição  do  fato  imponível, Base de Cálculo e Apuração do Valor devido do Tributo, e, também,  com a classificação do fato gerador na legislação de regência (Decreto nº 4.195,  de 2002);”  Com  isso,  foi emitida nova  intimação a  fim de que o  contribuinte  se manifestasse  sobre as supracitadas planilhas.  Além  disso,  foi  solicitada  a  apresentação  de  contratos  de  câmbio  ainda  não  entregues,  vinculados  às  operações  descritas  na  planilha,  conforme  coluna  “ROYALTIES/SERVIÇOS  TÉCNICOS  E  ADMINISTRATIVOS  DEC.  4.195/2002  (ART 10)”.  O  interessado  atendeu  a  intimação  e  elaborou  planilhas  com  as  correções  sugeridas, em decorrência de operações com classificações que julgou indevidas, as  quais foram consolidadas na Planilha 13A (fls. 682­693).  Em  análise  as  correções  apontadas  pelo  interessado,  a  autoridade  fiscal  confrontou­as  com  os  documentos  apresentados,  excluindo  àquelas  que  entendeu  procedentes  por  não  configurarem hipóteses de  incidência  da CIDE,  construindo,  assim,  novas planilhas  demonstrativas da  base  de  cálculo  da CIDE Planilhas  14,  15, 16 e 17, 25 e 26 (fls. 694­768).  Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/2012­51  Acórdão n.º 3202­001.299  S3­C2T2  Fl. 1.078          4 Após  a  descrição  dos  procedimentos  fiscais,  a  autoridade  tributária  apresentou  fundamentação  legal  da CIDE­REMESSAS,  como  a  Lei  nº  10.168/2000,  a MP  nº  2.159/70,  a Lei  nº  10.332/2001,  o Decreto  nº  4.195/2002  e  a Lei  nº  11.452/2007,  além de diversas soluções de consulta.  Explica  que  a  descrição  das  operações  que  originaram  os  contratos  de  câmbio  indicados  nas  planilhas  14,  15,  16,  17,  25  e  26,  está  dentro  das  hipóteses  de  incidência da CIDE, elencadas no art. 10 do Decreto nº 4.195/2002.  Desta forma, identificou as infrações tributárias de falta/insuficiência da CIDE em  relação aos anos de 2008 e 2009 e lavrou o auto de infração em tela.  Inconformado, o interessado apresentou impugnação tempestiva (fls. 772­812) com  os pontos de defesa que apresento a seguir.  Primeiramente  alegou  a  ausência  de  concomitância  entre  a  ação  judicial  e  o  processo administrativo, afirmando que não houve renúncia da discussão na esfera  administrativa.  Diz  que  a  ação  judicial  discute  a  constitucionalidade  da  incidência  CIDE­ Tecnologia,  enquanto  o  processo  administrativo  discute  a  nulidade  do  auto  de  infração, bem como a não configuração das remessas autuadas com o fato gerador  da CIDE discutida; e conclui afirmando que não há identidade de causas de pedir.  Em seguida defende a nulidade do auto de infração por ausência de fundamentação  adequada e não comprovação da ocorrência do fato gerador.  Prossegue  adentrando  o mérito  da  lide,  argumentando  que  não  há  incidência  da  CIDE em relação às  remessas em análise  identificadas pela autoridade  tributária  como pagamento a título de royalties pela licença ou cessão de direitos de uso de  softwares, de royalties pela cessão de direitos autorais, de prestação de serviços e  de assistência administrativa.  Finda  tal  questão,  aponta  equívoco  na  fixação  da  base  de  cálculo  da  CIDE,  afirmando  que  o  IRRF  não  faz  parte  da  composição  de  tal  base  de  cálculo,  argumentando que o valor contratado corresponde ao valor líquido e não ao valor  bruto  da  remessa,  indicando  como  fundamentação  legal  o  art.  2º,  §  3º  da  Lei  nº  10.168/2000.  Por  fim, alega a  impossibilidade de  cobrança de  juros de mora  sobre a multa de  ofício.  A  1ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Campinas proferiu o Acórdão nº 05­40.641 em 24 de maio de 2013 (e­folhas 944/ss), o qual  recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO ­  CIDE  Ano­calendário: 2008, 2009  CIDE­REMESSAS.  BASE  DE  CÁLCULO.  IRRF  NA  FONTE.  ÔNUS  ASSUMIDO  PELA FONTE PAGADORA.  O  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  (IRRF)  incidente  sobre  os  valores  pagos,  creditados,  entregues,  empregados  ou  remetidos  a  residentes  ou  domiciliados  no  exterior  compõe  a  base  de  cálculo  da  Contribuição  de  Intervenção  no  Domínio  Econômico  (Cide­Remessas),  instituída  pelo  art.  2º  da  Lei  nº  10.168,  de  29  de  Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/2012­51  Acórdão n.º 3202­001.299  S3­C2T2  Fl. 1.079          5 dezembro  de  2000,  nas  hipóteses  em  que  esta  seja  devida,  ainda  que  a  fonte  pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto.  ARGÜIÇÃO DE NULIDADE.  A  alegação  do  contribuinte  de  inobservância  de  requisitos  fundamentais  para  efetuação  do  lançamento  não  condiz  com  os  elementos  constantes  dos  autos  que  demonstram claramente que tais requisitos foram observados.   INCIDÊNCIA  DA  CONTRIBUIÇÃO.  CONCOMITÂNCIA  ENTRE  PROCESSO  ADMINISTRATIVO E JUDICIAL.  Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de  ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento  de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta  da  constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).  JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.  A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições  administrados  pela RFB,  configurando­se  regular  a  incidência  dos  juros  de mora  sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido   A interessada foi cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Campinas em  21/06/2013 (e­fls. 968/973).  Foi interposto Recurso Voluntário em 08/07/2013 (e­folhas 975/ss), onde a  Recorrente repisa os argumentos já trazidos em sua impugnação, acrescentando comentários e  ponderações  sobre o voto vencedor da decisão de primeira  instância quanto à concomitância  entre os processo judiciais e administrativos. Em síntese conclusiva, a Recorrente aduz que:  (i)  Não  houve  renúncia  a  presente  discussão  administrativa,  pois  os  requisitos  jurídicos  necessários  ao  reconhecimento  de  concomitância  entre as esferas administrativa e judicial não se fizeram presentes, já que  as demandas propostas possuem causa de pedir absolutamente distintas.  Na esfera judicial a causa de pedir é a inexigibilidade da CIDE em vista  da  sua  inconstitucionalidade,  na  esfera  administrativa  discute­se  a  nulidade do auto de infração e não incidência da CIDE considerando­se  as remessas e os contratos firmados pela Recorrente;   (ii)  A  autuação  fiscal  é  nula  por  ausência  de  comprovação,  no  curso  da  fiscalização, dos fatos geradores e pela má fundamentação jurídica. Em  suma,  a  fiscalização  teria  deixado  de  perquirir  sobre  a  verdadeira  natureza  jurídica  das  relações  jurídicas  que  deram  causa  à  remessa  de  valores ao exterior. Isto porque a fiscalização não analisou os direitos e  obrigações previstos nos contratos que deram causa às remessas;  (iii)  Os pagamentos feitos pela cessão do direito de uso de software são, em  primeiro lugar, isentos da incidência da CIDE por expressa determinação  legal (art. 2º, § 1º­Aº da Lei nº 10.168/2000); em segundo lugar, deve­se  considerar que eles têm natureza de royalty e o instituto da propriedade  intelectual que tutela o royalty é o direito autoral por determinação legal.  Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/2012­51  Acórdão n.º 3202­001.299  S3­C2T2  Fl. 1.080          6 Os royalties devidos em virtude de cessão de direitos autorais não possui  previsão no Decreto nº 4.195/2002, por isso, a não podem ser submetidos  à incidência da CIDE, em face do princípio da estrita legalidade;  (iv)  Os  pagamentos  efetuados  pela  Recorrente  a  título  de  contraprestação  pela  prestação  de  serviços  não  ensejaram  a  incidência  da  CIDE­ Royalties,  pois  os  serviços  contratados  pela  Recorrente  não  são  considerados “técnicos” na acepção da Lei nº 10.168/2000 uma vez que,  para  serem  “técnicos”,  é  condição  sine  qua  non  a  transferência  de  tecnologia e tal fato não se fez presente no caso tratado;  (v)  Foram feitos pagamentos a  título de  indenização de multas,  reembolsos  de  despesas  e pagamentos  relativos  a  despesas  diversas  que  devem  ser  excluídos da base de cálculo da CIDE por não configurarem fato gerador  da sua incidência;  (vi)  Serviços  de  assistência  administrativa  requerem,  igualmente,  transferência de  tecnologia para que haja  incidência da CIDE,  fato que  não ocorreu no presente caso;  (vii)  Subsidiariamente,  a Recorrente  faz  jus  à  exclusão  do  IRRF da  base  de  cálculo da CIDE por  inexistir previsão  legal para a  sua  inclusão e pela  pretensão  de  incluí­lo  afrontar  dispositivo  legal  que  disciplina  a  exata  extensão da base de cálculo da contribuição devida;  (viii)  Subsidiariamente,  a  Recorrente  faz  jus  ao  reconhecimento  de  que  não  deve incidir juros moratórios sobre a multa de ofício lançada haja vista o  fato de que inexiste previsão legal para a sua incidência.  O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este  Conselheiro Relator na forma regimental.  Em  09/09/2014,  a  Recorrente  protocolizou  no  CAC  –  Central  de  Atendimento ao Contribuinte da DERAT – São Paulo pedido de desistência integral do recurso  interposto, “mediante pagamento à vista, com os benefícios estabelecidos pelo artigo 2º da Lei  12.996/14 (...)”, requerendo que “seja retirado o presente processo da pauta de julgamento do  dia 16/09/2014, bem como seja reconhecida a desistência, e, ainda, a extinção do débito objeto  do presente feito, nos termos do artigo 156, I, do Código Tributário Nacional.   É o relatório.  Voto             Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator.  Da admissibilidade  Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não  deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela  Recorrente.   Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/2012­51  Acórdão n.º 3202­001.299  S3­C2T2  Fl. 1.081          7 Como relatado, em 09/09/2014 a Recorrente apresentou petição informando a  desistência,  de  forma  irrevogável,  do  recurso  voluntário,  bem como  renunciando  a qualquer  direito  sobre  o  que  se  fundamenta  o  presente  processo  administrativo,  tendo  em  vista  o  pagamento do débito com os benefícios da Lei nº 12.996/14.  No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará  configurada renúncia ao direito sobre o qual se  funda o recurso, nos  termos do que dispõe o  artigo 78 do Regimento  Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF  (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, verbis:  Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso  em tramitação.  §1º  A  desistência  será  manifestada  em  petição  ou  a  termo  nos  autos  do  processo.   §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção  sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura  pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo  objeto, importa a desistência do recurso.  §3º No  caso  de  desistência,  pedido  de parcelamento,  confissão  irretratável  de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia  ao direito  sobre o qual se  funda o  recurso  interposto pelo  sujeito passivo,  inclusive  na  hipótese  de  já  ter  ocorrido  decisão  favorável  ao  recorrente,  descabendo  recurso  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  por  falta  de  interesse.   (grifamos)  Ressalte­se,  que  a competência para apreciar/deferir  os valores que  incluiu,  espontaneamente,  após  a  autuação,  em  pagamento/parcelamento,  pertence  à  unidade  de  jurisdição  da  recorrente  e  o  rito  processual  foge  ao  Decreto  nº  70.235/72,  que  disciplina  o  processo administrativo fiscal (PAF), por considerar­se encerrado o litígio instaurado.   Pelo exposto, voto em não conhecer o recurso voluntário.   É como voto.  Luís Eduardo Garrossino Barbieri                              Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA

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Numero do processo: 11080.725652/2013-57
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 GLOSA COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. DESRESPEITO AOS PRECEITOS LEGAIS. A decisão judicial que confere a contribuinte o direito de compensação, não a exime de o fazer em respeito à legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO CUMULADA COM MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício, com o escopo de não onerar demasiadamente o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para afastar a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 244          1 243  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11080.725652/2013­57  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­003.891  –  3ª Turma Especial   Sessão de  02 de dezembro de 2014  Matéria  Contribuições Sociais Previdenciarias  Recorrente  OPTPLENTES LENTES DE CONTATO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010  GLOSA  COMPENSAÇÃO.  DECISÃO  JUDICIAL.  DESRESPEITO  AOS  PRECEITOS LEGAIS.  A decisão judicial que confere a contribuinte o direito de compensação, não a  exime de o fazer em respeito à legislação de regência.  MULTA  DE  OFÍCIO  CUMULADA  COM  MULTA  ISOLADA.  IMPOSSIBILIDADE.  A multa  isolada não pode ser  aplicada  em conjunto  com a multa de ofício,  com o escopo de não onerar demasiadamente o contribuinte.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para afastar a multa isolada de 150% aplicada  pela fiscalização. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima  (assinatura digital)  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente  (assinatura digital)  Ricardo Magaldi Messetti ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 56 52 /2 01 3- 57 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior,  Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.  Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/2013­57  Acórdão n.º 2803­003.891  S2­TE03  Fl. 245          3   Relatório    Trata­se de recurso voluntário interposto pela empresa Optolentes Lentes de  Contato Ltda, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em  Ribeirão Preto  (SP) que  julgou  improcedente  a  impugnação apresentada e manteve o crédito  Tributário.  Contra a contribuinte ora recorrente foram lavrados autos de infração para a  constituição  de  crédito  referente  a  glosa  de  compensações  de  contribuições  previdenciárias,  indevidamente declaradas em GFIP, no período de 01/2009 a 12/2010, multa isolada aplicada  por  compensações  indevidas  com  comprovada  falsidade  e  aplicação  de  penalidade  por  descumprimento de obrigação acessória, conforme se observa  a)  DEBCAD  nº  51.025.999­5  –  Glosa  de  compensações  de  contribuições  previdenciárias, consolidado em 04/06/2013ç  b)  DEBCAD nº 51.026.000­4 – Multa Isolada por compensações indevidas  com comprovada falsidade, no valor de lavrado em 04/06/2013;  c)  DEBCAD  nº  51.026.001­2  Descumprimento  de  obrigação  acessória  ­  deixar  a  empresa  de  prestar  à  Secretaria  da Receita  Federal  do  Brasil  todas  as  informações  cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem  como os esclarecimentos necessários à fiscalização, lavrado em 04/06/2013.   De  acordo  com  o  relatório  fiscal  apresentado  (fls.  78/83),  a  contribuinte  ajuizou  a  ação  ordinária  nº  2002.71.00.003223­RS  visando  o  reconhecimento  do  direito  de  compensar os valores pagos  a  título de contribuição social  incidente  sobre a  remuneração de  administradores  e  autônomos,  instituída  pela  Lei  nº  7787/89,  artigo  3º,  inciso  I.  Dada  a  declaração  de  inconstitucionalidade  da  exação  pelo  Supremo Tribunal  Federal,  foi  proferida  sentença  procedente  em  favor  da  contribuinte.  Afima,  ainda,  o  relatório  fiscal  que  a  compensação de créditos reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado dar­se­á na  forma  prevista  nos  atos  normativos  da  Receita  Federal  do  Brasil  se  a  decisão  judicial  não  dispuser  de  formar  diversa. A  compensação  de  valores  foi  declarada  em GFIP  no  período  e  01/2009 a 12/2010.   A  contribuinte  foi  intimada  através  do  Termo  de  Início  de  Procedimento  Fiscal  a  apresentar  memória  de  cálculo  das  compensação  efetuadas.  Em  26/03/2013  o  contribuinte  apresentou  um documento denominado “Movimento de Compensação De  Inss”,  no qual constava o valor compensado mensalmente conforme declarado em GFIP.   O fiscal entendeu que esse documento não atendeu ao solicitado na intimação  fiscal  e  foi  emitido  novo  termo  solicitando  informações  sobre  a  real  existência  de  valores  retidos  e posteriormente  compensados  pelo  sujeito  passivo,  nos  termos  da Lei  nº  9711/98,  e  também  sobre  compensação  oriunda  do  processo  judicial  2002.71.00.003223. O  contribuinte  apresentou suas justificativas, as quais não foram acatadas, sendo, então, contra ele lavrado os  autos objeto do presente PAF.  Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     4 Após devidamente  intimando do  lançamento  em 08.07.2013, o  contribuinte  apresentou impugnações tempestivas às fls.88/98 e 114/121. No entanto a delegacia da Receita  manteve o lançamento, em acõrdão cuja a ementa transcrevo abaixo:   “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010  NULIDADE  POR  ERRO  NO  ENQUADRAMENTO  DA  INFRAÇÃO  E  DA  MULTA APLICADA. INOCORRÊNCIA.  Não há que se falar em nulidade por erro no enquadramento da Infração e  da  Multa  aplicada,  quando  devidamente  associados  os  fatos  narrados  no  auto  de  infração  como  justificadores  da  capitulação  legal  aplicada,  que  ensejou a exigência da totalidade do crédito compensado, acrescido de juros  e multa de mora.  COMPENSAÇÃO.  NÃO  COMPROVAÇÃO  DO  DIREITO  LÍQUIDO  E  CERTO. GLOSA.  O  valor  compensado  indevidamente,  sem  a  comprovação  do  direito  creditório,  deve  ser  glosado,  sobre  o  qual  incide  multa  de  mora.  Compensação de  créditos  reconhecidos  em  sentença  judicial  transitada  em  julgado dar­se­á na forma prevista nos atos normativos da Receita Federal  do Brasil, se a decisão não dispuser de forma diversa.  INCIDÊNCIAS DE MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL E ACESSÓRIA. VIABILIDADE LEGAL.  São  compatíveis,  entre  si,  as  multas  exigidas  por  descumprimento  de  obrigações  principais  e  acessórias  aplicadas  em  perfeita  sintonia  com  os  dispositivos legais de regência.  MULTAS APLICADAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.  Não é  confiscatória a multa  exigida nos  estritos  limites do previsto para o  caso  concreto,  não  sendo  competência  funcional  do  órgão  julgador  administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da  legislação vigente.  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/06/2013 a 30/06/2013  PREVIDENCIÁRIO.  PRESTAÇÃO  DE  INFORMAÇÕES  À  RFB.  OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.  Constitui  infração  à  legislação  previdenciária,  punível  com  multa  pecuniária,  deixar  a  empresa  de  prestar  à  Receita  Federal  do  Brasil  as  informações  de  natureza  cadastral,  contábil  ou  financeira,  bem  como  os  esclarecimentos  necessários  à  fiscalização,  quando  regularmente  intimada  para esse fim.  Impugnação Improcedente  Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/2013­57  Acórdão n.º 2803­003.891  S2­TE03  Fl. 246          5 Crédito Tributário Mantido”  Irresignado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou suscinto recurso  voluntário, aduzindo, em apertado escorço:  a)  que  é  fato  incontroverso  que  a  recorrente  declarou  as  compensações  realizadas,  sendo  objeto  da  autuaçãoo  só  e  tão  somente  o  fato  de  não  ter  apresentado  os  documentos e o critério de cálculo que teria sido utilizado no cômputo do crédido adjudicado  em face do trânsito em julgado da medida judicial;  b)  que  correto  seira  a  imposição  da  multa  isolada,  capitulada  no  Regulamento da Prvidência Social, ao invés da multa de mora e 20%;  c)  concomitância  da  penalidade  da multa  de mora,  da multa  isolada  e  da  multa de ofício sobre o mesmo fato imponível, o que é vedado por este Conselho.  Sem  contrarrazões  fiscais,  os  autos  foram  encaminhados  à  apreciação  e  julgamento por este conselho, sendo a mim sorteada a relatoria.  É o relatório.    Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     6 Voto             Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti  Da Admissibilidade  O  recurso  voluntário  apresentado  é  tempestivo  e  presentes  estão  os  demais  requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciá­lo.  Das Glosa de Compensação  O  instituto  da  compensação  tributária  tem  fundamento  legal,  no  próprio  Código Tribunal Nacional, e classifica­se como uma das modalidades de extinção do crédito  tributário. Entretanto,  foi com o advento da Lei nº 8.383/91, que a compensação  tomou suas  primeiras formas, visto que o disposto no art. 66 do aludido Diploma Legal, trazia em seu bojo  autorização para compensação de tributo e contribuições federais.  Tratava­se de uma compensação ainda tímida, possível somente entre tributos  e  contribuições  da  mesma  espécie,  e  a  Instrução  Normativa  nº  67/92,  primeira  a  regular  a  matéria, não previa um procedimento especial para a compensação, limitando­se a afirmar que  ela poderia ser efetuada pelo próprio contribuinte, independentemente de solicitação à unidade  da Receita  Federal  (art.  2º),  e  que  a  documentação  comprobatória  da  compensação  efetuada  deveria ser mantida pelo contribuinte até o fim do prazo prescricional (artigo 10).  Quando a Lei nº 9.430/96, no artigo 74, passou a prever a possibilidade da  compensação entre tributos e contribuições de espécies distintas, desde que administradas pela  então  Secretaria  da  Receita  Federal,  condicionou  tal  compensação  à  apresentação,  pelo  contribuinte, de um pedido de compensação, cuja forma foi dada pela Instrução Normativa nº  21/97.  Expostos  os  primeiros  esboços  sobre o  instituto  da  compensação  tributária,  desde já, é possível apontar que com o advento da Lei nº 9.430/96, era possível proceder­se à  compensação entre tributos e contribuições de espécies distintas, desde que fossem todos eles  administrados pela Secretaria da Receita Federal.  O  evento  acima  descrito,  qual  seja  ­  a  possibilidade  de  compensação  de  diversas  espécies  tributárias  entre  si,  aí  incluídas  as  contribuições  ­  correspondente  ao ponto  nodal  da  presente  análise  e  dotado  do  intuito  de  defender  tal  tese,  afigura­se  necessário  nos  debruçarmos e responder à seguinte indagação: a compensação é um direito do contribuinte ou  mero favor fiscal conferido pelo fisco?  Para  responder  ao  questionamento  em  lume,  é  preciso  analisar  o  teor  do  comando previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito:  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja  estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa,  autorizar a  compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos  ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.  Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/2013­57  Acórdão n.º 2803­003.891  S2­TE03  Fl. 247          7 De  pronto,  é  possível  concluir  que  o  Código  Tributário  Nacional  conferiu  poderes ao legislador ordinário para definir as condições e garantias a serem seguidas, a fim de  que se concretize a compensação tributária.  Partindo  de  uma  análise  literal  do  dispositivo  ora  em  debate,  é  possível  também afirmar ­ sob uma leitura meramente perfunctória ­ que o CTN conferiu à autoridade  administrativa  a prerrogativa de determinar quais  as  condições  e  garantias para que ocorra  a  compensação.  Contudo,  a  interpretação  do  dispositivo  em  comento  deve  ser  feita  com  parcimônia, de  sorte que a decisão quanto  à compensação não seja dada em função da mera  discricionariedade da autoridade administrativa.  Destarte, ainda que a compensação em questão fosse autoridade por medida  judicial,  deveria  a  recorrente  ter  procedido  em  atendimento  aos  procedimentos  legais  para  a  efatização da compensação, o que não o fez, conforme confissão em sua própria peça recursal  (fls. 199/201):  “Conforme  se  verifica  pela  cronologia  dos  fatos,  bem  como  pelos  argumentos justificadores da imposição fiscal, a infração cometida apontada  pela  autoridade  autuante,  conforme  já  restou  consignado  nas  razões  de  impugnação,  reiteradas em sede de recurso voluntário,  relativo ao Auto de  Infração  n.  51.025.999­5  (decorrente  do  mesmo  procedimento  fiscal);  que  inclusive ensejou a exigência da totalidade do crédito adjudicado na época,  afigura­se, claramente, mero erro formal, nada mais do que isso.  Aliás,  é  fato  incontroverso  nos  autos  que  a  empresa  declarou  as  compensações realizadas, sendo objeto da autuaçãoo só e tão somente o fato  de não ter apresentado os documentos e o critério de cálculo que teria sido  utilizado no cômputo do crédito adjudicado em face do trânsito em julgado  da medida judicial.  Observe­se  que,  em  que  pese  a  empresa  ter  adjudicado  créditos  fiscais  legítimos,  decorrentes  de  decisão  judicial  transitada  em  julgado,  o  fez  de  forma  equivocada,  inadequada,  sem  atentar  para  as  nomas  fiscais  específicas no que tangem às obrigações fiscais.”   Com  efeito,  a  recorrente  confessa  que  não  procedeu  a  compensação  em  respeito  aos ditames  legais,  pelo  contrário,  executou a compensação de  forma aleatória,  sem  qualquer supedâneo que lhe desse sustentáculo.   Ora, para a compensação não basta a existência e legitimidade do crédito que  se  pretende  compensar,  mister  se  faz  que  o  contribuinte  adote  os  mecanismos  legalmente  previstos com o desiderato de pode usufruir exitosamente o crédito existente.  Ademais, a recorrente não trouxe em nenhum momento da fiscalização como  atingiu  os  valores  compensados,  tampouco  a  mágica  formula  que  utilizou  para  alcançar  mencionados  montantes.  Assim,  não  vislumbro  como  dar  guarida  as  frívolas  alegações  da  recorrente neste ponto.  Das Multas Aplicadas  Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA     8 Analisando o relatório fiscal, observa­se que o auditor responsável aplicou 03  (três) multas, a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n. 9430/96, a multa  de mora prevista no §9o., do art. 88, da Lei n. 8.212/91 e a multa isolada de 150%, constatada a  falsidade na declaração apresentada.  Ocorre que a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício  é  vedada por  este Conselhor. Ora,  houve  a  aplicação  da multa  no  percentual  de  150%,  pois  entendeu a  fiscalização existir  falsidade na declaração GFIP, de modo a  fazer  incidir a  regra  prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, antes de ser alterado pela Lei nº 11.941/2009. Nesse  diapasão, transcreve­se a redação original do invocado dispositivo:   “Art. 89. "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada  contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto  Nacional do Seguro Social ­ INSS na hipótese de pagamento ou  recolhimento indevido.   (...)  §  2º  Somente  poderá  ser  restituído  ou  compensado,  nas  contribuições  arrecadadas  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS,  o  valor  decorrente  das  parcelas  referidas  nas  alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta lei.  § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior  a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência.  (...)  §  10.  Na  hipótese  de  compensação  indevida,  quando  se  comprove  falsidade  da  declaração  apresentada  pelo  sujeito  passivo,  o  contribuinte  estará  sujeito  à multa  isolada  aplicada  no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº  9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo  o valor total do débito indevidamente compensado.”  Da  simples  leitura  do  artigo  supramencionado,  não  há  qualquer  dúvida  de  que, no caso de prestação de informação falsa na declaração da GFIP, o contribuinte fica, por  fazer o artigo acima reproduzido remissão ao inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, sujeito  à multa isolada de 75%, a qual é aplicada em dobro, por conta da gravidade da infração.  Analisando  a  função  social  dessa  norma,  verifica­se  que  ela  tem  por  finalidade  inibir,  aplicando multa  elevada,  a  prática  infracional  de  prestação  de  informações  equivocadas, com o claro intuito de reduzir a carga tributária, o que inevitavelmente acarreta  lesão direta aos cofres públicos.  Pois,  especificamente  no  caso  de  compensação,  o  contribuinte  deixa  de  desembolsar  valores  a  título  de  pagamento  do  tributo,  por  possuir  créditos  contra  a Fazenda  Pública. Assim,  se  na GFIP,  o  sujeito  passivo  insere  na  declaração  ser  possuidor  de  direito  crédito e essa  informação não corresponder à realidade dos  fatos, sem dúvida, constitui clara  hipótese do artigo supra.  A falsidade a que se refere o artigo em debate, está atrelada a ideia de que a  informação  prestada na  declaração  deve  necessariamente  não  só  corresponder  à verdade  dos  fatos, mas também estar estritamente amparada por lei.  Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/2013­57  Acórdão n.º 2803­003.891  S2­TE03  Fl. 248          9 Ocorre que não vislumbro no caso em apreço a suposta falsidade a ensejar a  aplicação da multa  isolada no importe de 150%, pelo contrário, a própria fiscalização admite  em seu relatório a existência do crédito a compensar, somente diverge da forma feita, que não  respeito os ditames legais.  Assim,  com  o  escopo  de  não  onerar  injustamente  a  contribuinte,  afasto  a  multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização.  Conclusão  Pelo  exposto,  voto  no  sentido  de  conhecer  do  recurso  voluntário,  para  no  mérito  dar­lhe  parcial  provimento,  afastando  a  multa  isolada  de  150%  aplicada  pela  fiscalização.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Ricardo Magaldi Messetti ­ Relator                                Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA

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Numero do processo: 11610.003881/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Nesse caso a prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF é o bastante para se aferir a correção do procedimento. . RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Uma vez demonstrado pelo contribuinte com documentos hábeis e idôneos que oferecera à tributação os rendimentos que deram origem às retenções consideradas na formação do saldo negativo é de se dar provimento ao recurso.
Numero da decisão: 1401-000.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Relator

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 587          1 586  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11610.003881/2003­18  Recurso nº  999.999   Voluntário  Acórdão nº  1401­000.953  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de abril de 2013  Matéria  Compensação  Recorrente  METRO TECNOLOGIA LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2000, 2001  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  COMPENSAÇÃO.  TRIBUTOS  DA  MESMA  ESPÉCIE.  Antes  da  nova  sistemática  de  compensação  das  Dcomps,  estabelecida  pela  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  existia  a  compensação  entre  tributos  da mesma  espécie  que  autorizava  ao  contribuinte,  por  meio  de  mera  dedução  do  valor  a  ser  recolhido no período subseqüente  (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Nesse  caso a prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido  a DCTF é o bastante para se aferir a correção do procedimento.  . RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.  Uma  vez  demonstrado  pelo  contribuinte  com  documentos  hábeis  e  idôneos  que  oferecera  à  tributação  os  rendimentos  que  deram  origem  às  retenções  consideradas  na  formação  do  saldo  negativo  é  de  se  dar  provimento  ao  recurso.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  NEGAR provimento ao recurso.  .    (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 38 81 /2 00 3- 18 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/2003­18  Acórdão n.º 1401­000.953  S1­C4T1  Fl. 588          2 (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto – Relator    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto,  Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro,  Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.  Fl. 589DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/2003­18  Acórdão n.º 1401­000.953  S1­C4T1  Fl. 589          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário contra o Acórdão nº 16­20.798, da 7ª Turma da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I­SP.  Por  economia  processual  e  por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  como  parte  deste, o relatório constante na decisão de primeira instância:  Em 18/03/2003, a contribuinte protocolizou junto à SRF, DCOMP (fls.01/03),  objetivando  o  aproveitamento  de  saldos  negativos  de  IRPJ,  referentes  aos  anos­ calendário  de  2000  e  2001,  nos  valores  de  R$  395.044,86  e  R$  120.865,40,  respectivamente, para compensação de débitos diversos deste processo, das DCOMP  eletrônicas e dos processos apensos.  Em  04/03/2008,  a  Derat/SPO  exarou  DESPACHO  DECISÓRIO  (fls.  308/315)  HOMOLOGANDO  EM  PARTE  as  compensações  declaradas  em  DCOMP, nos valores de R$ 36.490,58 e R$ 105.752,57 para os anos­calendário de  2000  e  2001,  respectivamente,  valores  estes  remanescentes,  após  efetuadas  as  compensações, informadas em DCTF sem processo.  Dessa  forma,  o  litígio  restringe­se  aos  seguintes  valores  originais  para  os  anos­calendário de 2000 e 2001, conforme segue:  Ano­calendário/tributo  IRPJ  2000  158.775,25  2001  15.112,83  A  homologação  parcial  das  compensações  deu­se  pelos motivos  expostos  a  seguir:    • Para o ano­calendário de 2000, o saldo negativo apurado foi reduzido para  R$ 36.490,58, em razão de compensações efetuadas pela requerente sem processo.  •  A diferença  provém da  glosa  de  IRRF deduzido  a maior  na  apuração  anual no valor de R$ 58.981,94 (comprovou apenas R$ 695.488,12 em DIRF e não  ofereceu  todas  as  receitas de  prestação  de  serviços  à  tributação,  razão pela  qual  o  IRRF  dedutível  foi  reduzido  de  R$  695.488,12  para  R$  684.544,19)  e  das  estimativas mensais em virtude compensação não informada em DCTF para os PA  de  01/03  do  ano­calendário  de  2000,  cujo  ajuste  reduziu  o  montante  em  R$  99.793,31;  •  Para o ano­calendário de 2001, o saldo negativo foi  reduzido para R$  105.752,57, tendo em vista que a contribuinte logrou comprovar IRRF dedutível de  R$  994.904,92  (fls.l  16/148  e  314)  de  um  total  deduzido  na  DIPJ  de  RS  1.010.017,74.  Fl. 590DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/2003­18  Acórdão n.º 1401­000.953  S1­C4T1  Fl. 590          4 A contribuinte  teve ciência do Despacho Decisório em 07/05/2008 (fl.. 306­ verso)  e  dela  recorreu  a  esta DRJ  em  08/04/2008  (fls.  307/317). As  alegações  da  impugnante são resumidas a seguir.    Requer  a  suspensão  dos  débitos  cuja  compensação  não  foi  homologada  (art.l51,III,CTN);  Quanto  à  glosa  de  R$  158.775,25  (R$  99.793,94+R$  58.981,94),  apresenta  documentos  contábeis  (docs.05  e  06)  que  comprovam  as  compensações  efetuadas  (R$  99.793,94  ­  compensações  efetuadas  nos  PA  de  01/03  de  2000)  e  estas  não  podem ser desconsideradas mesmo não  sendo  informadas em DCTF, pois  se deve  considerar a verdade dos fatos (princípio da verdade material);  Quanto  ao  valor  glosado  de  R$  58.981,94,  a  autoridade  fiscal  não  poderia  utilizar­se de cálculo mediante o emprego de método de proporção para a aferição  do IRRF dedutível sobre os rendimentos de prestação de serviços;  •  A  diferença  entre  os  montantes  apurados  pelo  Fisco  e  pela  contribuinte  deriva da diferença de regimes de tributação adotados entre a tomadora e a pagadora  dos rendimentos (regimes de caixa e competência), a qual resultou em divergências,  conforme ocorreu com os JSCP (docs.7 e 8);  •  Quanto à glosa de R$ 15.112,83, referente ao ano­calendário de 2001, a  diferença apurada pelo Fisco e pela contribuinte provém das diferenças de regimes  de tributação adotados entre a tomadora e a pagadora dos rendimentos (regimes de  caixa e competência);  •  Requer,  por  fim,  provimento  da  presente  manifestação  de  inconformidade.   A DRJ,  por  unanimidade  de  votos,  INDEFERIU  a  solicitação,  nos  termos  da  ementa abaixo:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000, 2001  COMPENSAÇÃO EM DCOMP.  Não  comprovada  a  existência  de  direito  creditório  veda­se  ao  contribuinte  efetuar as compensações em DCOMP.  SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.  Constituem créditos a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto  de  renda  apurados  em  declaração  de  rendimentos,  ­desde  que  ainda  não  tenham sido compensados ou restituídos.  RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.  O  reconhecimento  do  crédito  depende  da  efetiva  comprovação  do  alegado  recolhimento indevido ou maior do que o devido.    Fl. 591DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/2003­18  Acórdão n.º 1401­000.953  S1­C4T1  Fl. 591          5 Irresignada  com  a  decisão  de  primeira  instância,  a  interessada  interpôs  recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação  e aduzindo em complemento em relação ao JCP:  Primeiramente,  conclui­se  que  a  DRJ  desconsiderou  totalmente  os  documentos 7 a  10  juntados  aos  autos  por  intermédio de petição protocolada  em  29/9/2008, os  quais, mais uma  vez,  ora  se  anexa  (doc.  01). Trata­se  das  planilhas  demonstrativas dos valores  recebidos a  título de JCP, bem como do livro razão no  qual ocorreu a sua contabilização.  Com efeito, a Receita Federal desconsiderou o  crédito de IRRF detido pela Recorrente, em relação às receitas de juros sobre capital  próprio recebida, contabilizadas e, principalmente,  tributadas no ano calendário de  2.000.      (1)  A diferença refere­se ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano  calendário  de  1.999,  registrada  na  contabilidade  em  25/2/2000,  conforme  razão  contábil  anexado  ao  presente  recurso.  O  IRF  (15%)  referente  a  essa  receita  foi  corretamente contabilizado, na conta contábil de IRF a recuperar.   (2)  A diferença refere­se ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano  calendário  de  2.000,  registrada  na  contabilidade  érh  28/2/2001,  conforme  razão  contábil  anexado  ao  presente  recurso.  O  IRF  (15%)  referente  a  essa  receita  foi  corretamente contabilizado, ha'conta contábil de IRF a recuperar.  Da análise.da planilha receita de juros sobre o capital próprio ­ano calendário  2000;  verifica­se  que  os  pagamentos  relativos  a  JCP  reconhecidos  pela  RFB,  totalizam R$ 1.573.853,02, quando, na verdade, as receitas de JCP correspondem a  R$ 1.829.685,97 (tal como informado na DIPJ ­ doc. 2).  É o relatório.  Voto             Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator.  O  recurso  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  portanto,  dele  tomo  conhecimento.  A  interessada  apresentou  Pedido  de  Restituição  cumulado  com  Pedido  de  Compensação  pretendendo  compensar  os  débitos  mediante  aproveitamento  de  crédito  decorrente do saldo negativo de IRPJ dos anos­calendário de 2000 e 2001..  O   pleito  foi  deferido  apenas  em  parte,  deixando­se  de  homologar  as  compensações  referentes  aos  valores  de R$  158.775,25  (R$  99.793,94  e  R$  58.981,94),  em  face do ano calendário 2000 e R$ 15.112,57 com relação ao ano­calendário 2001.  Baixou­se  o  feito  em  diligência  para  averiguação APENAS de  questões  de  fato  ligadas  a  diferenças  dos  regimes  de  apropriação  de  receitas  entre  quem  paga  os  rendimentos e de quem os recebe (regimes de caixa e competência) , ou seja R$ 58.981,94 para  o ano­calendário de 2000 e R$ 15.112,83 para o ano­calendário de 2001.  Fl. 592DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/2003­18  Acórdão n.º 1401­000.953  S1­C4T1  Fl. 592          6 Em apertada síntese, a esse respeito, assim se pronunciou a DRJ para negar a  solicitação da Recorrente:  (...)Outro argumento apresentado pela contribuinte é a questão das diferenças  dos regimes de apropriação de receitas entre quem paga os rendimentos e de quem  os  recebe  (regimes  de  caixa  e  competência),  cuja  metodologia  pode  resultar  em  reconhecimento não coincidentes em data e montantes. Se o valor, conforme alega a  interessada, provém da diferença de regimes de tributação adotados entre a tomadora  e a prestadora de  serviços (regimes de caixa e competência), deveria a  reclamante  apresentar documentação comprobatória, a qual provasse as referidas discrepâncias.  Para a prova de que houve diferenças entre a apropriação das  receitas e das  retenções  é  imprescindível  que  se  demonstre  os  montantes  discrepantes  reconhecidos  nos  exercícios  envolvidos.  Se  houve  tributação  a  maior  em  um  exercício, ocorreu um oferecimento a menor em outro período. Portanto, as referidas  diferenças  devem  ser  demonstradas  através  de  documentação  hábil  e  idônea  de  forma a não restar qualquer dúvida quanto à apropriação das receitas auferidas e as  respectivas  retenções  de  IR.  Mencionada  providência  não  foi  tomada  pela  reclamante.  Anexo aos presentes autos temos as cópias do Razão Analítico de fls.349/357,  cujo  objetivo  é  a  prova  das  retenções  dos  JSCP  na  contabilidade.  Apesar  da  apresentação dos livros contábeis, não há nos autos qualquer prova que as receitas  auferidas e glosadas pela autoridade fiscal foram oferecidas à tributação (doc. 8).  Em relação à glosa de R$ 15.112,83, referente ao ano­calendário de 2001, a  contribuinte  utiliza­se  da mesma  argumentação  para  refutar  o  ajuste  na  DIPJ.  Da  mesma forma, aplica­se ao presente as observações já mencionadas anteriormente.  De  fato,  cabe  salientar  que  a  adoção  do  regime  de  competência  na  contabilização  de  receitas  e  despesas  está  prevista  na  legislação  tributária.  Assim,  nas  as  receitas são apropriadas ao resultado em observância do regime de competência dos períodos­ base, sendo reconhecidas à medida que os rendimentos são atribuídos.  Porém é sabido que é aceitável que ocorra divergência entre os montantes de  rendimentos  informados nas DIRFs e os valores  contabilizados  e declarados pelas  empresas,  dado o reconhecimento das receitas pelo contribuinte de acordo com o regime de competência,  sendo o método da proporcionalidade o último recurso a ser utilizado.  De  outra  banda,  a  Recorrente  trouxe  em  seu  Recurso  fls.  400/406  fundamentos  justificadores  para  a  comprovação  da  diferença  glosada  convincentes,  porém  carentes de uma melhor aprofundamento que não pôde ser feito por esta autoridade julgadora,  motivo pelo qual o feito foi baixado em diligência.  Conforme relatado, assim demonstra a Recorrente a origem das diferenças:    Primeiramente,  conclui­se  que  a  DRJ  desconsiderou  totalmente  os  documentos 7 a  10  juntados  aos  autos  por  intermédio de petição protocolada  em  29/9/2008, os  quais, mais uma  vez,  ora  se  anexa  (doc.  01). Trata­se  das  planilhas  demonstrativas dos valores  recebidos a  título de JCP, bem como do livro razão no  qual ocorreu a sua contabilização.  Com efeito, a Receita Federal desconsiderou o  crédito de IRRF detido pela Recorrente, em relação às receitas de juros sobre capital  próprio recebida, contabilizadas e, principalmente,  tributadas no ano calendário de  2.000.   Fl. 593DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/2003­18  Acórdão n.º 1401­000.953  S1­C4T1  Fl. 593          7    (1)  A diferença refere­se ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano  calendário  de  1.999,  registrada  na  contabilidade  em  25/2/2000,  conforme  razão  contábil  anexado  ao  presente  recurso.  O  IRF  (15%)  referente  a  essa  receita  foi  corretamente contabilizado, na conta contábil de IRF a recuperar.   (2)  A diferença refere­se ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano  calendário  de  2.000,  registrada  na  contabilidade  em  28/2/2001,  conforme  razão  contábil  anexado  ao  presente  recurso.  O  IRF  (15%)  referente  a  essa  receita  foi  corretamente contabilizado, na'conta contábil de IRF a recuperar.  Da análise.da planilha receita de juros sobre o capital próprio ­ano calendário  2000;  verifica­se  que  os  pagamentos  relativos  a  JCP  reconhecidos  pela  RFB,  totalizam R$ 1.573.853,02, quando, na verdade, as receitas de JCP correspondem a  R$ 1.829.685,97 (tal como informado na DIPJ ­ doc. 2).    Fonte    Nome ,  Rendimento  Bruto  IRRF  Observação  03.323.840/0001­83  Banco Alfa S/A (BRI)  50.877,80  7.631,66  fls.  278  17.167.412/0001­13  Financeira Alfa S/A  2.383,80  .357,56  fls.  278  60.770.336/0001­65  Banco  Alfa  de  Investimentos  60.591,42  29.088,68  fls.  278        TOTAL   1.573.853,02  236.077,90  RECEITA  (DIPJ 2001)  1.828.783,79  274.315,77­  Ficha 06,   Linha 23  DIFERENÇA  254.930,77  38.237,87  311.695,63  .4.754,34 '  1)  (56,776,46)  (8.516,47)  2)    Infelizmente, a diligência não foi atendida da forma que esperava. Entrou­se em  questões de direito que  fugiam a alçada da  autoridade diligenciante e passou­se ao  largo das  questões de fato que precisavam ser melhor investigadas e esclarecidas:  Fl. 594DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/2003­18  Acórdão n.º 1401­000.953  S1­C4T1  Fl. 594          8 E  finalmente,  cabe  a  esclarecer  que  o  tratamento  tributário  dado  ao  Juros  sobre Capital  Próprio  é  bem diferente  dos Dividendos. Dividendos  são  a  parte  do  lucro  que  uma  companhia  de  capital  aberto,  ou  seja,  aquelas  que  possuem  ações  negociadas em Bolsa de Valores, são distribuída aos seus acionistas. Os Dividendos  podem  ser  pagos  em  novas  ações,  dinheiro  ou  bônus  de  subscrição,  e  são  proporcional à quantidade e ao tipo de ações que o acionista possui no momento do  anúncio  de  sua  distribuição.  Já  os  Juros  sobre Capital  Próprio  são  obtidos  após  a  aplicação  da  taxa  de  juros  de  longo  prazo  ("TJLP")  sobre  o  patrimônio  líquido  ajustado. Ao distribuir  e  pagar  JCP,  as  empresas  utilizam o  valor  dos  juros  como  despesa  no  Balanço  Patrimonial,  diminuindo  o  lucro  para  fins  de  apuração  no  Imposto  de Renda  e,  conseqüentemente,  reduzindo  o  valor  a  ser  pago  a  título  de  Imposto  de  Renda.  E  a  grande  diferença  entre  eles  é  justamente  o  regime  de  declaração  para  fins  de  Imposto  de  Renda.  Enquanto  os  Dividendos  recebidos  devem ser declarados pelo regime de caixa, o JCP deve ser declarado pelo regime de  competência.  Assim  sendo,  o  acionista  deverá  declarar  o  JCP  no  mesmo  ano  do  anúncio de sua distribuição, mesmo se o pagamento ocorrer nos anos subseqüentes.  No caso dos Dividendos, estes devem ser declarados sempre no ano de recebimento  do pagamento, e não no ano fiscal do anúncio de sua distribuição.    De toda sorte, o que se observa é que a autoridade diligenciante não conseguiu  infirmar o conjunto coerente de provas e argumentações trazidos aos autos pela Recorrente.  A  meu  ver,  a  Recorrente  trouxe  provas  suficientes  para  que  seu  pedido  seja  deferido nesta parte. No caso, contento­me com a prova  trazida aos autos de forma sintética,  mas  baseando­se  em  documentos  contábeis  da  Recorrente  (Razão),  DIPJs,  planilhas  demonstrativas dos valores recebidos a título de JCP e comprovantes de crédito de rendimentos  de ações escriturais fornecidos pelo Banco Alfa de Investimentos, todos eles consistentes uns  com  os  outros  dando  conta  de  que  houve  mesmo  apenas  divergência  entre  os  regimes  de  apropriação  das  receitas,  sem  conseqüências  impeditivas  para  a  homologação  das  compensações, uma vez que as premissas  colocadas pela Recorrente  se mostram coerentes  e  verdadeiras:     (1)  A diferença refere­se ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano  calendário  de  1.999,  registrada  na  contabilidade  em  25/2/2000,  conforme  razão  contábil  anexado  ao  presente  recurso.  O  IRF  (15%)  referente  a  essa  receita  foi  corretamente contabilizado, na conta contábil de IRF a recuperar.   (2)  A diferença refere­se ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano  calendário  de  2.000,  registrada  na  contabilidade  em  28/2/2001,  conforme  razão  contábil  anexado  ao  presente  recurso.  O  IRF  (15%)  referente  a  essa  receita  foi  corretamente contabilizado, na'conta contábil de IRF a recuperar.    É sabido que a coerência e a ausência de consistência é tido também como um  conceito  de  verdade.  Pois  a  verdade  pressupõe  coerência  interna.  Na  falta  de  uma  verdade  absoluta, o conceito moderno de coerência prevalece sobre outros conceitos de verdades, como  por  exemplo,  o  conceito  de  verdade  como  correspondência,  que  foi  o  procurado  quando  da  diligência.  Fl. 595DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/2003­18  Acórdão n.º 1401­000.953  S1­C4T1  Fl. 595          9 Outrossim,  os  esclarecimentos  e  explicações  trazidos  ‘as  fls.  404/406  da  sua  manifestação de inconformidade contra o resultado de diligência aliado aos novos documentos  anexados  aos  autos  não  podem  ser  olvidados,  deixando  mais  claro  ainda  os  motivos  das  divergências, bem assim corroborando os seguintes fatos:  ­ a receita dos juros sobre o capital próprio foi tributada  ­ Os JCP e o IRRF referente ao JCP foram corretamente contabilizados  ­ Apesar de  haver  divergência  nas DIRFs,  o  IRRF  foi  descontado  dos  valores  recebidos da Recorrente, conforme atestam anexos comprovantes de crédito de rendimentos de  ações escriturais fornecidos pelo Banco Alfa de Investimentos.  Por  todo  o  exposto,  Dou  provimento  parcial  ao  recurso  no  valor  R$  58.981,94, em relação ao ano calendário 2000 e R$ 15.112,57 com relação ao ano­calendário  2001  e  homologar  as  respectivas  compensações  até  o  limite  desses  créditos  atualizados  monetariamente, conforme legislação de regência.    Compensações sem processo feitas na contabilidade  A Recorrente se indispõe contra a glosa de R$ 99.793,94 (linha 16 da Ficha 12  A),  alegando  que  procedera  com  compensação  sem  processo  feito  direito  na  contabilidade.  Para  provar  seu  direito,  apresenta  as  cópias  do  Livro  Razão,  as  quais  demonstram  os  lançamentos  contábeis  das  compensações  desconsideradas  pela  autoridade  fiscal  em  seu  Despacho Decisório.  A DRJ indefere essa parte da solicitação, nos seguintes termos:  Quanto  à  compensação,  como bem observado pela  autoridade  fiscal,  devem  ser  informadas  em  DCTF  para  terem  eficácia,  pois  a  compensação  somente  na  escrituração vigorou apenas até edição da IN SRF n° 21/97.  0  art.6°,  I, e o art.7°, XI e §1°, da  IN SRF n° 73/97 determinam que as  compensações tributárias devem ser informadas em DCTF:    "Art. 6° A DCTF será apresentada por contribuinte, pessoa jurídica, ou a ela  equiparado, na forma da legislação pertinente, para prestar informações relativas aos  seguintes tributos e contribuições federais:  1  ­ Imposto sobre a Renda das Pessoas jurídicas ­ IRPJ;  Art. 7° A DCTF deverá conter as seguintes informações, relativas ao trimestre  de competência:  XI­ compensações;  § Io No caso de compensação deverá ser informado o código da receita, a data  do pagamento, o valor original da receita, expresso em moeda da época, e o valor  utilizado para compensação."  Fl. 596DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/2003­18  Acórdão n.º 1401­000.953  S1­C4T1  Fl. 596          10 Dessa  forma,  apenas  a  apresentação  de  documentos  fiscais  (escrituração  fls.344/348)  não  é  providência  suficiente  para  a  comprovação  das  compensações  efetuadas pela requerente.  Cai por terra, dessa forma, a argumentação da requerente quanto ao respeito  da busca da verdade material se nem a mesma cumpre suas obrigações tributárias.  Trata­se  de  compensação  de  imposto  da  mesma  espécie  antes  do  advento  da  sistemática das Dcomps. É que a partir de  então para efetivar  as  compensações  com o novo  regime  de  compensações  atualmente  em  vigor,  não  cabendo  mais  a  mera  demonstração  de  compensação na contabilidade, pois essa sistemática não é mais vigente.  A  Lei  nº  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  em  seu  art.  49,  instituiu  a  declaração de compensação (Dcomp) e deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996,  para estabelecer que, a partir de 1º de outubro de 2002  (art. 68),  a compensação declarada à  SRF  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória  da  ulterior  homologação  e  será  “efetuada  mediante  a  entrega,  pelo  sujeito  passivo,  de  declaração  na  qual  constarão  informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos”:  Nessa esteira, antes do advento dessa nova sistemática de compensação,  tenho  me posicionado  favoravelmente á prova  feita apenas na contabilidade, mesmo que não  tenha  preenchido a DCTF. A contabilidade por si só já demonstra a boa fé do contribuinte e possui  elementos suficientes para se aferir a correição do procedimento. Nos autos não consta que a  DRF nem a DRJ tem desqualificado a sua contabilidade, tendo se pautado para o indeferimento  do pleito única e exclusivamente pela ausência de declaração das compensações em DCTF. O  razão de fls. 344 e seguintes para mim é suficiente como prova da referida compensação.  Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso.   (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto                                    Fl. 597DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO

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5801822 #
Numero do processo: 10880.694456/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 305          1 304  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.694456/2009­69  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3302­000.492  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  29 de janeiro de 2015  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  CTEEP COMPANHIA  DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA  ELÉTRICA  PAULISTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  da  Segunda  Turma  Ordinária  da  Terceira  Câmara  da  Terceira  Seção  de  Julgamento,  por  unanimidade  de  votos,  em  converter  o  julgamento  em  diligência, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Walber José da Silva   Presidente   (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède   Relator   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Walber  José  da  Silva,  Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo  Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.  RELATÓRIO Trata  o  presente  de  declaração  de  compensação,  relativa  a  crédito  de  agosto/2004,  indeferida  pela  autoridade  administrativa  sob  o  fundamento  de  que  o  DARF  informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 45 6/ 20 09 -6 9 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 306          2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que:  1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão  de  energia  elétrica  de  acordo  com  contrato  firmado  em  13/09/1999  (CONTRATO CPST Nº  006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ­ ONS;  2. Estas  receitas  estariam  sujeitas  à  incidência  cumulativa  da Lei  nº  9.718/98,  por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a  31/10/2003,  por  disposição  prevista  no  inciso  XI,  alíneas  "b"  e  "c",  do  art.  10  da  Lei  nº  10.833/2003;  3.  A  Nota  Técnica  nº  224/2006,  expedida  pela  SFF/ANEEL,  apresentou  entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação  de  Serviço  de  Trasmissão  ­  CPST,  firmados  anteriormente  a  31/10/2003,  e  reajustados  anualmente pelo IGP­M, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei  nº 9718/98;  4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime  não­cumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu  várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido;  5.  Estava  providenciando  a  retificação  das  DCTF  e  Dacons,  quando  foi  surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações;  6.  Foi  necessária  a  retificação  dos  Dacons  e  das  DCTF,  após  a  ciência  dos  despachos  decisórios,  para  corrigir  o  erro  de  fato  cometido  e  que  as  DCOMPs  não  foram  retificadas  em  razão  da  intimação  para  ciência  dos  despachos  decisórios,  de  acordo  com  a  vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008;  7.  Os  erros  cometidos  no  preenchimento  dos  DARFs,  DCTFs,  Dacons  e  DCOMP  não  causaram  prejuízo  ao  erário  e  devem  ser  reconhecidos  pela  Administração  Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material;  8.  Poderá  disponibilizar  os  documentos  como  Diário,  Razão,  Faturas,  Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária;  A  Terceira  Turma  da  DRJ/BEL  em  Belém  proferiu  decisão  nos  termos  da  ementa que abaixo transcreve­se:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário:2004   DCOMP.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  ÔNUS  DA  PROVA.   Considera­se não  homologada a declaração de  compensação quando  não  reste  comprovada  a  existência  do  crédito  apontado  como  compensável. Em sede de compensação, o  contribuinte possui o ônus  de prova do seu direito.   DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVA.  DCTF  E  DACON  RETIFICADORES.   Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 307          3 A  DCTF  e  o  DACON  Retificadores,  na  condição  de  documentos  confeccionados  pelo  próprio  interessado,  não  exprimem  nem  materializam, por si só, o indébito fiscal.   Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido   A  recorrente  interpôs  tempestivamente  recurso  voluntário,  alegando  resumidamente que:  1. O  IGP­M deve ser considerado  índice que  reflete a variação ponderada dos  custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005;  2. Ainda que se negue a inclusão do IGP­M no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal  índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109  da  Lei  nº  11.196/2005  estipulou  que  a  variação  dos  custos  não  descaracteriza  o  preço  predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizá­lo;  3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio  da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal;  4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota;  5.  Não  disponibilizou  toda  a  documentação,  como  Diário,  Razão,  Faturas,  Balancetes,  normas da ANEEL em  razão do  grande volume, vez que  foram  apresentadas 51  defesas administrativas;  6.  Em  momento  algum,  afirmou  que  a  retificação  do  DACON  e  da  DCTF  constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os  deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em  sua escrituração contábil;  Cita,  ainda,  jurisprudência  deste  Conselho  e  do  STJ  e  apresenta  cópia  do  balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas  alegações.  Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator.  É o relatório.  VOTO  Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.  O  recurso  voluntário  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  A  autoridade  administrativa  indeferiu  a  homologação  pelo  fato  de  o  DARF  apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência  do despacho, a  recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os  valores alegados como corretos.  Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 308          4 A  DRJ  considerou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente,  sob  os  argumentos  de  que  o  contrato  CPST  006/1999,  apresentado  pela  recorrente,  não  era  apto  a  demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que  descaracterizassem  o  preço  predeterminado;  que  a  Cláusula  53  assegurava  às  partes  a  prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da  ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGP­M não constitui índice  que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos  insumos  utilizados;  que  a  desconstituição  dos  créditos  confessados  não  se  efetiva  com  a  apresentação  da  DCTF  e  Dacon  retificadores,  mas  com  a  apresentação  da  escrita  fiscal  e  contábil e respectiva documentação de suporte.  Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP­ M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos  de forma a comprovar seu direito.  Vê­se que  a  lide  se  refere ao  alcance da  expressão  "preço predeterminado",  e,  consequentemente,  da  sujeição  das  receitas  auferidas  à  incidência  não­cumulativa  ou  cumulativa das contribuições.  Passa­se, assim, à análise dos requisitos para exclusão das  receitas em questão  da incidência não­cumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado.  As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003  foram excluídas da incidência não­cumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso  XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei:  Art.  10.  Permanecem  sujeitas  às  normas  da  legislação  da  COFINS,  vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições  dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito)  [...]XI ­ as receitas relativas a contratos  firmados anteriormente a 31  de outubro de 2003:  a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de  consórcios  de  bens  móveis  e  imóveis,  regularmente  autorizadas  a  funcionar pelo Banco Central;  b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou  de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços;  c)  de  construção  por  empreitada  ou  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa  jurídica  de direito público,  empresa pública,  sociedade de economia mista ou  suas  subsidiárias,  bem  como  os  contratos  posteriormente  firmados  decorrentes  de  propostas  apresentadas,  em  processo  licitatório,  até  aquela data;  [...]Art.  15.  Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­ cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)  [...]V ­ no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela  Lei nº 10.865, de 2004)  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 309          5 V ­ nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei;  (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)   V ­ nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta  Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a  IN SRF 468/2004, que, em seu  art.2º,  estipulou que a  implementação do primeiro  reajuste ou  a  revisão  para manutenção do  equilíbrio  econômico­financeiro  dos  contratos,  após  31/10/2003,  descaracterizariam  o  preço  predeterminado, nos seguintes termos:  Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é  aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do  objeto do contrato.   §  1  o  Considera­se  também  preço  predeterminado  aquele  fixado  em  moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução.   §  2  o  Se  estipulada  no  contrato  cláusula  de  aplicação  de  reajuste,  periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente  até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a  data mencionada no art. 1 o .   § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do  equilíbrio  econômico­financeiro,  nos  termos  dos  arts.  57,  58  e  65  da  Lei  n  º  8.666,  de  21  de  junho  de  1993,  o  caráter  predeterminado  do  preço  subsiste  até  a  eventual  implementação  da  primeira  alteração  nela fundada após a data mencionada no art. 1 º .   Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de  preços  em  função  do  custo  de  produção  ou  da  variação  de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  não  será  considerado  para  fins  de  descaracterização  do  preço  determinado:  Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput  do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de  preços em função do custo de produção ou da variação de índice que  reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados,  nos  termos do  inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho  de  1995,  não  será  considerado  para  fins  da  descaracterização  do  preço predeterminado.  Parágrafo  único.  O  disposto  neste  artigo  aplica­se  desde  1o  de  novembro de 2003.  Novamente,  regulamentando  a matéria,  a  RFB  editou  a  IN  SRF  nº  658/2006,  revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado,  nos seguintes termos:  Do Preço Predeterminado   Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é  aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do  objeto do contrato.  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 310          6 §  1º  Considera­se  também  preço  predeterminado  aquele  fixado  em  moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução.  § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço  subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art.  2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação:  I  ­  de  cláusula  contratual  de  reajuste,  periódico  ou  não;  ou  II  ­  de  regra  de  ajuste  para manutenção  do  equilíbrio  econômico­financeiro  do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de  junho de 1993.  § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em  percentual  não  superior  àquele  correspondente  ao  acréscimo  dos  custos  de  produção  ou  à  variação  de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II  do  §  1º  do  art.  27  da  Lei  nº  9.069,  de  29  de  junho  de  1995,  não  descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original)  Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer  título,  a prorrogação do  contrato,  as  receitas  auferidas  depois  de  vencido  o  prazo  contratual  vigente  em  31  de  outubro  de  2003  sujeitar­se­ão  à  incidência  não­ cumulativa das contribuições.  Verifica­se que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de  revisão  dos  contratos  administrativos,  destinados  à  manutenção  do  equilíbrio  econômico­ financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o  preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo  dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos  insumos utilizados.  A  revisão  contratual  decorre  de  fatos  imprevisíveis,  ou  previsíveis,  porém  de  conseqüências  incalculáveis,  retardadores ou  impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda,  em  caso  de  força  maior,  caso  fortuito  ou  fato  do  príncipe,  configurando  álea  econômica  extraordinária e extracontratual2.  Já  o  reajuste  é  cláusula  necessária  nos  contratos  administrativos3  e  "objetiva  reconstituir  os  preços  praticados  no  contrato  em  razão  de  fatos  previsíveis,  é  dizer,  álea  econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação  inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a  fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance  este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos".  A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que,  dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a                                                              1 A data é 31/10/2003.  2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93  3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93  4 Lei 8.987/95:  Art.  9o  A  tarifa  do  serviço  público  concedido  será  fixada  pelo  preço  da  proposta  vencedora  da  licitação  e  preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato.  [..~]          §  2o  Os  contratos  poderão  prever  mecanismos  de  revisão  das  tarifas,  a  fim  de  manter­se  o  equilíbrio  econômico­financeiro.  Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 311          7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18  da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da  tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29.   A  situação  aqui  tratada  refere­se  a  reajuste  e  não  a  revisão  contratual  e  se  o  procedimento  altera  o  preço  predeterminado. A  definição  desta  expressão  adotada pela RFB  era a disposta na IN SRF nº 21/79:  3  ­  Produção  em  Longo  Prazo  O  contrato  de  construção  por  empreitada  ou  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado,  de  bens  e  serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a  12  (doze)  meses,  terá  seu  resultado  apurado,  em  cada  período­base,  segundo o progresso dessa execução:   3.1 ­ Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou  não  a  reajustamento,  para  execução  global;  no  caso  de  construções,  bens  ou  serviços  divisíveis,  o  preço  predeterminado  é  o  fixado  contratualmente para cada unidade.  A  instrução  normativa  acima  foi  utilizada  como  fundamento  em  diversas  soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O  entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004.   Porém a RFB editou a referida  instrução, modificando o entendimento sobre a  definição  de  preço  predeterminado,  sem  que  qualquer  lei  tenha  sido  publicada  alterando  tal  definição.  Foi  meramente  nova  interpretação  normativa  que  suscitou  rebates  por  parte  dos  contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004:  AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 ­ PR (2012/0035548­7)  EMENTA  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL.  VIOLAÇÃO  DO  ART.  557  DO  CPC.  INEXISTÊNCIA.  ALEGAÇÃO  GENÉRICA.  SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N.  10.833/03.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  468/2004.  VIOLAÇÃO  DO  PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.  1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do  CPC  fica  superada  com  a  reapreciação  do  recurso  pelo  órgão  colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp  824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006.                                                                                                                                                                                                   §  3o  Ressalvados  os  impostos  sobre  a  renda,  a  criação,  alteração  ou  extinção  de  quaisquer  tributos  ou  encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa,  para mais ou para menos, conforme o caso.  [...]   Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas:  [...]          IV ­ ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas;  Art. 29. Incumbe ao poder concedente:  [...]          V  ­  homologar  reajustes  e  proceder  à  revisão  das  tarifas  na  forma desta  Lei,  das  normas  pertinentes  e  do  contrato;      Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 312          8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa  468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o  caráter  predeterminado  do  preço  subsiste  somente  até  a  implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por  conferir,  de  forma  reflexa,  aumento  das  alíquotas  do  PIS  (de  0,65%  para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%).  3.  Somente  é  possível  a  alteração,  aumento  ou  fixação  de  alíquota  tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal  para  este  fim,  sob  pena  de  violação  do  princípio  da  legalidade  tributária.   Precedentes:  REsp  1.089.998­RJ,  DJe  30/11/2011;  REsp  1.109.034­ PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169­RS, Dje 13/5/2009.   RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 ­ MT (2009/0235718­4)  EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL.  ART.  535,  II,  DO  CPC.  ALEGAÇÕES  GENÉRICAS.  SÚMULA  284/STF.  INTIMAÇÃO  PESSOAL  DA  FAZENDA.  FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA.  NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI  10.833/03.  CONCEITO  DE  PREÇO  PREDETERMINADO.  IN  SRF  468/04.  ILEGALIDADE.  PRECEDENTE.  ART.  538,  PARÁGRAFO  ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ.  [...]4.  O  preço  predeterminado  em  contrato,  previsto  no  art.  10,  XI,  "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter  cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da  IN n.º 468/04. Precedente.   5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve  ser  afastada  quando  notório  o  propósito  de  prequestionamento  dos  embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ.  6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte.  RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 ­ RJ (2008/0205608­2)  EMENTA  TRIBUTÁRIO.  COFINS.  REGIME  DE  CONTRIBUIÇÃO.  LEI  N.  10.833/03.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  N.  468/2004.  VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.  1.  Cuida­se  de  recurso  especial  interposto  pelo  contribuinte,  questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal,  na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art.  10 da Lei n. 10.833/03.   2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos  de  prestação  de  serviço  firmados  a  preço  determinado  antes  de  31.10.2003, e com prazo superior a 1  (um) ano, permanecem sujeitos  ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS.  (Grifo meu.)  3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa  n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que  "o  caráter  predeterminado  do  preço  subsiste  somente  até  a  Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 313          9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por  conferir,  de  forma  reflexa,  aumento  das  alíquotas  do  PIS  (de  0,65%  para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%).  4.  Somente  é  possível  a  alteração,  aumento  ou  fixação  de  alíquota  tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal  para  este  fim,  sob  pena  de  violação  do  princípio  da  legalidade  tributária.   5.  No  mesmo  sentido  do  voto  que  eu  proferi,  o  Ministério  Público  Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela  Secretaria da Receita Federal,  pois  "a  simples aplicação da cláusula  de  reajuste  prevista  em  contrato  firmado anteriormente  a  31.10.2003  não configura, por  si  só, causa de  indeterminação de preço, uma vez  que  não  muda  a  natureza  do  valor  inicialmente  fixado,  mas  tão  somente  repõe,  com  fim  na  preservação  do  equilíbrio  econômico­ financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação  ." (Fls. 335, grifo meu.)   Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso  especial.  De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o  reajuste  implicaria  em  descaracterização  do  preço  predeterminado.  Entretanto,  o  advento  do  art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria.  O art.  109 mencionou expressamente que "o  reajuste de preços  em  função do  custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos  insumos utilizados, nos  termos do  inciso  II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será  considerado  para  fins  da  descaracterização  do  preço  predeterminado".  Se  a  intenção  da  modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi  o que restou publicado.  O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano  Real,  na  qual  estipulava  que  a  correção  monetária,  em  virtude  de  estipulação  legal  ou  em  negócio  jurídico,  deveria  dar­se  pelo  Índice  de  Preços  ao  Consumidor,  Série  r  ­  IPC­r,  de  acordo  com  o  art.  27  da  Lei  nº  9.069/95,  mas  ressalvadas  as  hipóteses  de  seu  parágrafo  primeiro:  § 1º O disposto neste artigo não se aplica:  I ­ às operações e contratos de que tratam o Decreto­lei nº 857, de 11  de  setembro  de  1969,  e  o  art.  6º  da  Lei  nº  8.880,  de  27  de maio  de  1994;  II ­ aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para  entrega  futura, prestar ou fornecer serviços a  serem produzidos, cujo  preço  poderá  ser  reajustado  em  função  do  custo  de  produção  ou  da  variação  de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos utilizados;  III ­ às hipóteses tratadas em lei especial.  Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao  reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPC­r.  Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 314          10 Salienta­se que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da  MP nº 1.503/95, extinguiu o IPC­r em seu art. 8º:  Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro  de  Geografia  e  Estatística  ­  IBGE  deixará  de  calcular  e  divulgar  o  IPC­r.  §  1o Nas  obrigações  e  contratos  em que  haja  estipulação de  reajuste  pelo IPC­r, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo  índice previsto contratualmente para este fim.  § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto,  e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de  índices  de  preços  de  abrangência  nacional,  na  forma  de  regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.  A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que:  Art.  1o  As  estipulações  de  pagamento  de  obrigações  pecuniárias  exeqüíveis no território nacional deverão ser  feitas em Real, pelo  seu  valor nominal.  Parágrafo  único.  São  vedadas,  sob  pena  de  nulidade,  quaisquer  estipulações de:  I  ­  pagamento  expressas  em,  ou  vinculadas  a  ouro  ou  moeda  estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do Decreto­Lei no  857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no  8.880, de 27 de maio de 1994;  II  ­  reajuste  ou  correção  monetária  expressas  em,  ou  vinculadas  a  unidade monetária de conta de qualquer natureza;  III  ­  correção monetária ou de  reajuste por  índices de preços gerais,  setoriais  ou  que  reflitam  a  variação  dos  custos  de  produção  ou  dos  insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte.  Art.  2o  É  admitida  estipulação  de  correção monetária  ou  de  reajuste  por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos  custos de produção ou dos  insumos utilizados nos contratos de prazo  de duração igual ou superior a um ano.  §  1o  É  nula  de  pleno  direito  qualquer  estipulação  de  reajuste  ou  correção monetária de periodicidade inferior a um ano.  §  2o  Em  caso  de  revisão  contratual,  o  termo  inicial  do  período  de  correção monetária  ou  reajuste,  ou  de  nova  revisão,  será  a  data  em  que a anterior revisão tiver ocorrido.  § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de  junho  de  1995,  e  no  parágrafo  seguinte,  são  nulos  de  pleno  direito  quaisquer  expedientes  que,  na  apuração  do  índice  de  reajuste,  produzam  efeitos  financeiros  equivalentes  aos  de  reajuste  de  periodicidade inferior à anual.  O  Decreto  nº  1.544/95  estipulou  que,  na  hipótese  de  não  existir  previsão  de  índice para substituir o IPC­r e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média  Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 315          11 aritmética  entre  o  Índice Nacional  de  Preços  ao  Consumidor  ­  INPC  ­  do  IBGE  e  o  Índice  Geral de Preços ­ Disponibilidade Interna ­ IGP­DI ­ da Fundação Getúlio Vargas (FGV).   Art.  1º  Na  hipótese  de  não  existir  previsão  de  índice  de  preços  substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices  de  preços  de  abrangência  nacional  a  ser  utilizada  nas  obrigações  e  contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPC­r, a  partir  de  1º  de  julho  de  1995,  será  a  média  aritmética  simples  dos  seguintes índices:   I  ­  Índice  Nacional  de  Preços  ao  Consumidor  (INPC),  da  Fundação  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);   II  ­  Índice  Geral  de  Preços  ­  Disponibilidade  Interna  (IGP­DI),  da  Fundação Getúlio Vargas (FGV).   Observa­se que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste  em  função  de  índices  gerais  ou  setoriais  do  reajuste  em  função  do  custo  de  produção  ou  da  variação  de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados,  inicialmente  no  art.  27  da  Lei  9.069/95  e  posteriormente  nos  artigos  1º  e  2º  da  Lei  nº  10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias).  O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou  da  variação  de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada  dos  custos  dos  insumos  utilizados,  acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então  inexistente. Quisesse apenas referir­se a reajuste em geral, bastaria tê­lo feito nos termos do art.  2º da Lei nº 10.192/2001.  Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota  Técnica 224/2006 SFF­ANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo  Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann):  EMENDA ­ ART. 44­A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003,  passa a vigorar com a seguinte redação:  "Art. 10...........................................................................  ........................................................................................  XI­  as  receitas  relativas  a  contratos  firmados  anteriormente  a  31  de  outubro  de  2003,  independentemente  de  a  eles  serem  aplicados  reajustamentos previstos em cláusulas contratuais."  JUSTIFICATIVA:  a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a  eles  serem  aplicados  reajustamentos  previstos  em  cláusulas  contratuais" faz­se necessária, visto que o Poder Executivo através da  Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a  interpretação do  conceito  de  "preço  predeterminado"  passando  a  impedir  que  os  contratos  abrigados  pela  Lei  nº  10.833/2003,  deixem  de  usufruir  o  direito  de  permanecer  sob  o  regime  da  cumulatividade.  A  IN  em  questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já  caracteriza  uma  mudança  da  base  do  preço  e  desta  forma  afasta  a  eficácia  do  dispositivo  legal.  No  fundo  o  que  a  IN  faz  é,  na  prática,  Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 316          12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço  fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior  a um ano sem previsão de reajustamento.  Tivesse  sido  assim  publicado  o  artigo  109,  a  interpretação  forçosamente  retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido.  Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art.  109, ao dispor no §3º do art. 3º:  § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em  percentual  não  superior  àquele  correspondente  ao  acréscimo  dos  custos  de  produção  ou  à  variação  de  índice  que  reflita  a  variação  ponderada dos  custos dos  insumos utilizados,  nos  termos do  inciso  II  do  §  1  º  do  art.  27  da  Lei  n  º  9.069,  de  29  de  junho  de  1995,  não  descaracteriza o preço predeterminado.  A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada  como  "reajuste  de preços  em percentual  não  superior". Esta  redação  não  exclui, a priori, a  utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção  ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.   Assim,  se a  fórmula de  reajuste utilizada não ultrapassar aqueles  limites, deve  tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressalta­se que o art. 109  está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos,  como dispõe o  inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o  inciso XVIII do art. 3º da Lei nº  9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ­ ANEEL:   Lei nº 8.666/93:  Art.  40. O edital  conterá no  preâmbulo  o número  de  ordem em série  anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade,  o  regime  de  execução  e  o  tipo  da  licitação,  a  menção  de  que  será  regida  por  esta  Lei,  o  local,  dia  e  hora  para  recebimento  da  documentação  e  proposta,  bem  como  para  início  da  abertura  dos  envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte:  [...]XI ­ critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do  custo  de  produção,  admitida  a  adoção  de  índices  específicos  ou  setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do  orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento  de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)  Lei nº 9.427/96:  Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI  e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995,  de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o  disposto  no  §  1o,  compete  à  ANEEL:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009).  [...]XVIII  ­  definir  as  tarifas  de  uso  dos  sistemas  de  transmissão  e  distribuição,  sendo  que  as  de  transmissão  devem  ser  baseadas  nas  seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004)  Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 317          13 a) assegurar  arrecadação de  recursos  suficientes  para  cobertura  dos  custos dos sistemas de transmissão; e  (Incluído pela Lei nº 10.848, de  2004)  a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos  custos  dos  sistemas  de  transmissão,  inclusive  das  interligações  internacionais  conectadas  à  rede  básica;  (Redação  dada  pela  Lei  nº  12.111, de 2009)  b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para  os  agentes que mais  onerem o  sistema de  transmissão;  (Incluído  pela  Lei nº 10.848, de 2004)  Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passa­se à  análise do contrato apresentado.  A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão  de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ­ ANEEL ­ instituída  pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico  –  ONS  ­  em  13/09/1999,  intitulado  Contrato  de  Prestação  de  Serviço  de  Transmissão  de  Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999).  O ONS  é  entidade  de  direito  privado  sem  fins  lucrativos,  cabendo­lhe,  dentre  outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e  respectivas  condições  de  acesso,  bem  como  dos  serviços  ancilares,  nos  termos  do  art.  13,  parágrafo  único,  alínea  “d”  da  Lei  nº  9.648/98,  sob  fiscalização  e  regulação  da  ANEEL  (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98).  O  contrato  celebrado  denomina­se  CONTRATO  DE  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇO  DE  TRANSMISSÃO  e  tem  por  objeto  regular  as  condições  de  administração  e  coordenação  por  parte  da  ONS,  da  prestação  de  serviço  de  transmissão  pela  Transmissora  (recorrente).  Seu  prazo  de  vigência  é  a  partir  de  13/09/1999  e  permanece  até  a  extinção  da  concessão da transmissora.  A  claúsula  36º  dispõe  que  a  recorrente  teria  direito  a  receber  dos  usuários,  mediante  os  Contratos  de  Uso  do  Sistema  de  Transmissão,  um  duodécimo  da  receita  anual  permitida, e  seu parágrafo 1º dispôs que os  serviços de operação de  rede básica,  serviços de  telecomunicações  e  serviços  ancilares  seriam  remunerados  pela  RAP  até  a  assinatura  de  contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002.  A  cláusula  37º  menciona  ainda  a  existência  de  Contrato  de  Concessão  de  Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento  mensal  à  transmissora  será  realizado  de  acordo  com  as  datas  e  condições  definidas  nos  Contratos de Uso do Sistema de Transmissão.  Cláusula 40º O pagamento mensal,  definido  na Cláusula  36*,  devido  pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de  Transmissão,  será  realizado  em  3  (três)  vencimentos,  cada  um  equivalente  a  1/3  (um  terço)  do  valor  global  devido,  nas  datas  e  condições  definidas  nos  CONTRATOS  DE  USO  DO  SISTEMA  DE  TRANSMISSÃO.   Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 318          14 Verifica­se que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destina­se  a  regular  as  condições  de  administração  e  coordenação  por  parte  da  ONS,  da  prestação  de  serviço  de  transmissão,  mas  não  corresponde  aos  contratos  dos  quais  decorrem  as  receitas  auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua  caracterização  como  de  longo  prazo  e  do  preço  predeterminado,  como:  data  de  assinatura,  prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo  do reajuste, e outros.  Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de  Fiscalização  Econômica  e  Financeira  –  SFF/ANEEL,  apresenta  os  modelos  de  contratos  utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços  de transmissão ­ CPST ­ e contratos de uso do sistema de transmissão ­ CUST.  Da  análise  das  cláusulas  dos  modelos  apresentados,  são  necessários  alguns  esclarecimentos  por  parte  da  recorrente  para  melhor  compreendê­los,  bem  como  detalhar  a  receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem.  Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para  que a autoridade administrativa intime a recorrente a:  1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem;  2.  Apresentar  o  Contrato  de  Concessão  do  Serviço  Público  de  Transmissão,  especificando  a  data  de  assinatura,  o  prazo  de  vigência,  as  condições  contratadas  para  o  reajustamento ­ fórmula e datas de reajuste;  3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente  às receitas auferidas;  4.  Esclarecer  se  houve  alguma  revisão  do  contrato  visando  a  manutenção  do  equilíbrio econômico­financeiro;  5. Apresentar  as  resoluções  da ANEEL  relativas  a  novos  acréscimos  ao  preço  originalmente contrato ­ Receita Anual Permitida ­ identificando a origem destes acréscimos;  6.  Esclarecer  se  na  receita  auferida  constam  revisões  de  que  trata  a  cláusula  abaixo reproduzida:  Oitava  Subcláusula  ­  A ANEEL  procederá,  anualmente,  à  revisão  da  RECEITA  ANUAL  PERMITIDA  do  SERVIÇO  PÚBLICO  DE  TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações  nas  INSTALAÇÕES  DE  TRANSMISSÃO,  inclusive  as  decorrentes  de  novos  padrões  de  desempenho  técnico  determinados  peia  ANEEL,  conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula  Quarta  deste  CONTRA  TO  DE  CONCESSÃO  7.  Esclarecer  se  na  receita  auferida  há  parcela  recebida  devida  à  ultrapassagem  do  sistema de transmissão e da sobrecarga;  8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após  31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002;  Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/2009­69  Resolução nº  3302­000.492  S3­C3T2  Fl. 319          15 9.  Se  houve  parcela  de  ajuste  na Receita Anual  Permitida,  relacionada  com  a  majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica  224/2006:  PA  (PIS/COFINS)  =  parcela  a  ser  adicionada  a  PA  de  cada  concessionária de  serviço público de  transmissão de energia elétrica,  resultante  do  impacto  financeiro  decorrente  da  majoração  das  alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS   10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de  acordo  com  o  item  70  da  Nota  Técnica  224/2006  e  a  data  em  que  foram  autorizadas  pela  ANEEL:  Dessa  forma,  é  possível,  e  freqüentemente  ocorre,  a  necessidade  da  realização  de  obras  visando  a  implantação  de  novas  instalações  de  transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema  Interligado Nacional ­ SIN. Tais obras são então autorizadas por esta  ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais  é fixada respectiva receita..  11. Esclarecer  se  existe  algum  índice  setorial  que  reflita  a variação ponderada  dos custos dos insumos utilizados;  12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e  da variação do  índice mencionado no  item  anterior  e o  reajuste  adotado,  relativo  ao período  correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a  competência do crédito objeto da DCOMP.  Após  concluída  a  resposta  à  intimação,  elaborar  relatório  fiscal,  separando  as  receitas que entender sujeitas à incidência não­cumulativa das sujeitas à incidência cumulativa,  a partir das premissas contidas nesta  resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias  para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do  Decreto nº 7.574, de 2011.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède  Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE

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Numero do processo: 10983.900834/2010-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA ALOCAÇÃO E DA DISPONIBILIDADE DE PAGAMENTO. Confirmada a alocação dos pagamentos a compensações efetuadas, e a disponibilidade de saldo suficiente para a compensação especificamente pleiteada no processo (e indeferida por despacho decisório eletrônico que indicava alocação a outro débito), esta deve ser acolhida.
Numero da decisão: 3403-003.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1731; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 172          1 171  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10983.900834/2010­34  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.450  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  10 de dezembro de 2014  Matéria  COMPENSAÇÃO  Recorrente  BRY TECNOLOGIA S.A.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2005  PEDIDOS  DE  COMPENSAÇÃO.  DILIGÊNCIA.  CONFIRMAÇÃO  DA  ALOCAÇÃO E DA DISPONIBILIDADE DE PAGAMENTO.  Confirmada  a  alocação  dos  pagamentos  a  compensações  efetuadas,  e  a  disponibilidade  de  saldo  suficiente  para  a  compensação  especificamente  pleiteada  no  processo  (e  indeferida  por  despacho  decisório  eletrônico  que  indicava alocação a outro débito), esta deve ser acolhida.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento  em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.    ANTONIO CARLOS ATULIM ­ Presidente.     ROSALDO TREVISAN ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Antonio  Carlos  Atulim  (presidente da  turma), Rosaldo Trevisan  (relator), Fenelon Moscoso de Almeida  (em  substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya  Batista.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 08 34 /2 01 0- 34 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN     2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 3 a 61, transmitida em 11/08/2005,  na qual  se busca  compensar valor  recolhido  a maior ou  indevidamente  (R$ 8.386,55, de um  total  de  R$  14.035,41,  pago  em  15/06/2005)  a  título  de  COFINS  com  débitos  da  própria  COFINS e de Contribuição para ao PIS/PASEP.  No Despacho  Decisório  eletrônico  de  fl.  7  (emitido  em  19/04/2010,  com  ciência em 27/04/2010, conforme AR de fl. 8), acusa­se que o pagamento (DARF no valor total  de  R$  14.035,41)  foi  localizado,  tendo  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  débitos  do  contribuinte  (em  outro  processo  de  compensação),  não  restando  crédito  disponível  para  a  compensação.  Em  sua manifestação  de  inconformidade  (fl.  9),  alega  a  empresa  que  “o  valor  não  consta  na DCTF  do mês  05/2005,  tendo  em  vista  a  inexistência  de  débito,  pois  o  valor informando do DACON ficha 17, apresenta débito de R$ 344,05, e retido na fonte ficha  17A R$ 507,03, portanto o sistema não aceita a informação do referido DARF de R$ 14.035,41  na  DCTF”.  Para  comprovar  o  alegado,  junta  o  DARF  (fl.  12),  planilha  interna  (fl.  13)  e  DACON (fls. 14 a 21).  Em 28/10/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 23 a 25), no  qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não  haver comprovação do direito creditório. O julgador afirma que a motivação do indeferimento  é utilização do crédito  em outro processo de compensação  (final 8273),  e que a contribuinte  nada alega a esse respeito.  Cientificada  da  decisão  de  piso  em  25/11/2012  (AR  à  fl.  27),  a  empresa  apresenta recurso voluntário em 14/12/2012 (fls. 28 a 36), no qual alega que: (a) efetuou um  pagamento  a maior de R$ 14.035,41  a  título  de COFINS  em 15/06/2005  (em  relação  a mês  para o qual não possuía débito algum);  (b)  aproveitou  inicialmente parte de  tal o pagamento  (R$ 5.205,34) na DCOMP retificadora de final 8273, remanescendo um saldo de R$ 8.881,61;  (c)  em 14/07/2005  registrou uma  segunda DCOMP  (final 6600),  utilizando mais R$ 495,05,  restando  ainda  R$  8.386,56;  (d)  em  11/08/2005  transmitiu  a  DCOMP  em  análise  neste  processo (final 8090), no valor de R$ 8.597,05 (correspondente à atualização dos R$ 8.386,56  remanescentes);  e  (e)  assim,  há  crédito  suficiente  para  todas  as  compensações.  Em  anexo,  adiciona DCTF­1osem/2005 (fls. 37 a 110) e DIPJ­2006 (fls. 111 a 134).  Em  24/10/2013  esta  Terceira  Turma  unanimemente  decide  pela  conversão  do  julgamento em diligência,  por meio da Resolução no  3403­000.518, para que  a unidade  local  da  RFB  apontasse,  detalhadamente,  as  imputações  efetuadas  e  o  desfecho  de  cada  processo de  compensação  referente  ao pagamento de R$ 14.035,41,  efetuado pela  recorrente  em 15/06/2005, no código 2172.  No  despacho  de  diligência  de  fls.  166/167,  emitido  em  28/08/2014,  a  autoridade  local  esclarece que “o pagamento em  tela  teria  sido suficiente para compensar os  débitos  das  DCOMP  mencionadas”  (DCOMP  nº  38399.51580.280905.1.7.04­8273,  R$  5.153,80;  DCOMP  nº  07751.98146.140705.1.3.04­6600,  R$  495,05;  e  DCOMP  nº  13009.36251.110805.1.3.04­8090,  objeto  do  presente  processo,  R$  8.386,56),  sendo  a  recorrente cientificada do despacho em 11/09/2014 (cf. documento de fl. 169), sem apresentar  manifestação sobre seu teor.  É o relatório.                                                              1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do  processo (e­processos).  Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10983.900834/2010­34  Acórdão n.º 3403­003.450  S3­C4T3  Fl. 173          3   Voto             Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator  O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele  se toma conhecimento.  O  caso  é  de  despacho  decisório  eletrônico. Mas,  de  forma  diversa  ao  que  normalmente  acontece,  o  despacho,  apesar  de  eletrônico,  é  extremamente preciso,  indicando  que  o  pagamento  (R$  14.035,41)  efetuado  no  código  2172  (COFINS)  em  15/06/2005  (PA  05/2005)  foi  utilizado  integralmente  em  outra  compensação  (PER/DCOMP  no  38399.51580.280905.1.7.04­8273).  Após  manifestação  de  inconformidade  sintética  e  confusa,  que  ocasiona  o  indeferimento do direito  creditório na  instância  de piso,  a  empresa  torna mais  clara  em sede  recursal  a  explicação  para  o  ocorrido:  teria  registrado  o  PER/DCOMP  no  12410.93656.120705.1.1.04­4627,  retificado,  em  28/09/2005,  pelo  PER/DCOMP  no  38399.51580.280905.1.7.04­8273 (que é o referido no despacho decisório), compensando parte  do crédito que possuía.  Assim, o PER/DCOMP retificador (tratado no despacho decisório) aproveita  R$ 5.153,80 (valor do crédito original) dos R$ 14.035,41, pagos em 15/06/2005 (código 2172),  restando  um  saldo  original  de  R$  8.881,61.  E  tal  saldo  teria  sido  utilizado  inicialmente  em  outro  PER/DCOMP  (de  final  6660),  no  montante  original  de  R$  495,05,  restando  ainda  disponíveis  R$  8.383,56,  sendo  que  com  o  saldo  disponível  (ou  melhor,  com  R$  8.383,55,  restando disponíveis R$ 0,01) se registra o PER/DCOMP de que trata o presente processo.  Restando,  a  priori,  demonstrada  a  utilização  em  compensações  do  valor  constante do DARF apontado como origem do crédito, em tese estaria afastada a motivação do  despacho  decisório  denegatório  (de  que  o  pagamento  foi  alocado  integralmente  ao  PER/DCOMP no  38399.51580.280905.1.7.04­8273). Mas  como não  havia  no  processo  cópia  de  nenhum  dos  PER/DCOMP  adicionais  citados  pela  recorrente,  ou  de  seus  processos  correspondentes (que não foram localizados no “e­processos”), determinou­se a conversão em  diligência para que fossem detalhadas as imputações efetuadas e o desfecho de cada processo  de  compensação  referente  ao  pagamento  de  R$  14.035,41,  efetuado  pela  recorrente  em  15/06/2005, no código 2172.  No despacho de diligência de fls. 166/167, emitido em 28/08/2014, esclarece­ se que:  “Por meio de pesquisa extraída dos sistemas da Receita Federal  do  Brasil  (RFB),  às  fls.  144/145,  verificamos,  primeiramente,  que  o  DARF  indicado  às  fls.  4  (pagamento  nº  5104802238),  totalizando a quantia de R$ 14.035,41, não teria sido utilizado  na  vinculação  de  débito  da  COFINS  (período  de  apuração  maio/2005),  uma  vez  que  não  consta  a  existência  de  crédito  tributário constituído seja por meio de Declaração de Débitos e  Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN     4 Créditos de Tributos Federais –DCTF,  seja  por  lançamento  de  ofício de eventual quantia devida da aludida contribuição.  Ato  contínuo,  verificamos  que  este  pagamento  teria  sido  efetivamente  aplicado  na  compensação  da  DCOMP  nº  38399.51580.280905.1.7.04­82731  (fls.  153/157),  na  quantia  original  de  R$  5.153,80,  constando  dos  sistemas  da  RFB,  a  informação  de  que  ocorreu  a  homologação  total  desta  compensação, o que, por consequência, geraria saldo de crédito  em favor do interessado (fls.145).  Saliente­se,  por  oportuno,  que  o  saldo  do DARF  em  tela  teria  sido  vinculado  pelo  contribuinte  noutras  duas  DCOMP,  a  saber:  i)  na DCOMP  nº  07751.98146.140705.1.3.04­6600  (fls.  158/161), com utilização da quantia original de R$ 495,05; e ii)  na  DCOMP  nº  13009.36251.110805.1.3.04­8090  (objeto  do  presente  processo),  donde o  crédito utilizado  perfaz  a  quantia  original  de  R$  8.386,56.  Quanto  àquela  DCOMP,  verificamos  que  teria  ocorrido  a  sua  homologação  (fls.  145).  No  entanto,  quanto  à  DCOMP  nº  13009.36251.110805.1.3.04­8090,  verificamos  que  o  despacho  decisório  de  cuida  o  presente  processo,  às  fls.  7,  teria  não  homologado  a  referida DCOMP  sob  o  argumento  de  que  o  pagamento  ilustrado  no  demonstrativo de fls. 145 teria sido integralmente vinculado aos  débitos da DCOMP nº 38399.51580.280905.1.7.04­8273, o que  não corresponde com as informações nesta inseridas.  Desta  forma,  tem­se  que,  a  partir  das  informações  constantes  nos sistemas da RFB, sobretudo o demonstrativo de fls. 145, que  apresenta  as  imputações  realizadas  ao  pagamento  nº  5104802238, apreciado em conjunto com a planilha de cálculos  de  fls.  162/165,  entendemos,  s.m.j,,  que  o  pagamento  em  tela  teria  sido  suficiente  para  compensar  os  débitos  das  DCOMP  mencionadas acima.” (grifo nosso)  Assim,  resta  clara  a  improcedência  do  despacho  decisório  eletrônico,  que  partiu de imputação equivocada do pagamento efetuado, como reconhece a própria autoridade  local.    Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário  apresentado.  Rosaldo Trevisan                              Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10983.900834/2010­34  Acórdão n.º 3403­003.450  S3­C4T3  Fl. 174          5   Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN

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Numero do processo: 15374.001537/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Demonstrada a omissão entre a matéria fática coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar o Acórdão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos de declaração, emprestando-lhes efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1401-001.293
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos da DRF com efeitos infringentes para então DAR-LHES provimento ao recurso voluntário em razão de cobrança em duplicidade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1752; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 288          1 287  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15374.001537/2008­81  Recurso nº  99.999   Embargos  Acórdão nº  1401­001.293  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de setembro de 2014  Matéria  EMBARGOS DECLARATÓRIOS DA DRF  Embargante  DRF  Interessado  COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S.A.    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2003  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  OMISSÃO.  EFEITOS  INFRINGENTES.  Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia  pronunciar­se  a  Câmara.  Demonstrada  a  omissão  entre  a  matéria  fática  coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar  o  Acórdão,  impõe­se  a  sua  correção,  em  sede  de  embargos  de  declaração,  emprestando­lhes efeitos infringentes.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  CONHECER e ACOLHER os  embargos  da DRF  com efeitos  infringentes  para  então DAR­ LHES provimento ao recurso voluntário em razão de cobrança em duplicidade.  (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente    (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto ­ Relator      Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto,  Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 37 /2 00 8- 81 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO     2 Jorge  Celso  Freire  da  Silva.  O  Conselheiro Maurício  Pereira  Faro  declarou­se  impedido  de  votar.    Relatório  Tratam­se de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega erro de fato,  obscuridade e omissão no Acórdão nº 1401­000.598, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara  da 1a Seção do CARF, que DEU provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos das  ementas abaixo:   COMPENSAÇÃO  DE  TRIBUTOS.  AUTO  DE  INFRAÇÃO  DECORRENTE.  Comprovada  parcialmente  a  compensação  de  tributos  em  outro  processo  é  de  se  manter  também  parcialmente  o  auto  de  infração  lançado em decorrência dessa compensação originalmente indevida.     Os  Embargos  da  DRF,  em  apertada  síntese,  alega  omissão  no Acórdão  de  argumento relevante. É que não foi tratada a questão da duplicidade entre o presente processo  (auto de infração da CSLL) e o de no. 10768.906570/2006­91 ao primeiro ligado, que trata da não  homologação de uma Dcomp.  Para ser fiel ao relato da DRF, segue abaixo o seu teor:  1.  Trata  o  presente  processo  de  representação  fiscal  da  antiga  DERAT/RJO de fls. 01 para lançar débito objeto de compensação não homologada,  e que não estava confessado em DCTF, conforme artigo 68 da IN SRF 600/2005.  2.  Tal  representação  é  originada  do  processo  n.°  10768.906570/2006­91  que deu tratamento manual à DCOMP n.° 14150.37760.290503.1.3.02­4806.  3.  O crédito pleiteado de saldo negativo de IRPJ do ano­calendário 2000  foi deferido em parte, e homologados os débitos até o limite desse crédito (fls. 10).  4.  O  débito  compensado  de  CSLL,  código  de  receita  2484,  do  PA  04/2003, no valor de R$ 3.184.776,33, foi lançado de oficio no auto de infração de  fls. 40/46, em face da omissão desse valor em DCTF e considerando que a DCOMP  não é confissão de dívida por ser anterior a 31/10/2003.  5.  O valor lançado de ofício foi mantido pela DRJ às fls. 71/72, porém, o  Conselho  de  Contribuintes  às  fls.  88/96  deu  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário de fls. 77/85 excluindo do lançamento apenas a parcela de R$ 29.166,31  razão de comprovação de retenção na fonte a deduzir.  6.  Em que pese o disposto no último parágrafo de fls. 95, nenhuma parcela  de compensação é objeto do  litígio, cuja discussão se dá nos autos do processo de  origem atualmente no CARF vide  fls.  124,  sendo neste processo  julgado apenas  a  manutenção  ou  não  do  auto  de  infração  de  lançamento  do  débito  não  quitado  por  compensação e omisso em DCTF.  7.  Entretanto,  uma  das  alegações  do  contribuinte  aparentemente  não  foi  analisada: nos itens 17 e 18 de fls. 84 o contribuinte alega que houve duplicidade de  cobrança, o que, salvo melhor juízo pelo CARF, teria realmente ocorrido conforme  se segue.  Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/2008­81  Acórdão n.º 1401­001.293  S1­C4T1  Fl. 289          3 8.  Consta nas  consultas  ao  sistema SIEF­Processo de  fls. 124/127 que o  crédito  já  reconhecido  (parte  incontroversa)  foi  suficiente  para  quitar  o  débito  de  CSLL,  código  de  receita  2484,  do  PA  04/2003,  no  valor  de  RS  3.184.776,33,  o  mesmo objeto do presente lançamento de ofício.  9.  Assim, em caso de prosseguimento da cobrança deste processo em tese  haveria duplicidade de cobrança.  10.  Desta  forma,  propomos  o  retorno  dos  autos  ao  CARF  a  fim  de  esclarecer as seguintes questões:  a)  Deve ser mantido o presente auto de infração ?  b)  Em  caso  afirmativo  acima,  como  fica  a  compensação  anterior  de  fls.  127 ?  É o relatório.      Voto             Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator  Atendidos  os  requisitos  de  admissibilidade,  tomo  conhecimento  dos  embargos de declaração.  Apenas  para  melhor  contextualização,  os  presentes  embargos  se  dá  no  contexto de uma autuação em que a autoridade fiscal lançou de ofício o débito compensado de  CSLL,  código  de  receita  2484,  do  PA  04/2003,  no  valor  de  R$  3.184.776,33,  em  face  da  omissão desse valor em DCTF e considerando que a DCOMP não é confissão de dívida por ser  anterior a 31/10/2003.  Acontece  que  existe  um  outro  processo  que  tratou  da  não  homologação  da  Dcomp  10768.906570/2006­91.  Entrando  em  mais  detalhes:  Trata  referido  processo  sobre  os  PER/DCOMP  que  versa  sobre  compensações  do  saldo  negativo  do  IRPJ  relativo  ao  ano­ calendário de 2000. O PER/DCOMP n° 14150.37760.290503.1.3.02­4806, baixado em papel  no qual a interessada acima solicita compensação de débito de CSLL (código 2484­1­ mesmo  débito lançado no presente processo ora motivo de embargos), relativo ao período de apuração  abril/2003  e  vencimento  30/05/2003,  no  valor  de  R$  3.184.776,33,  que  não  se  encontrava  informado  em  DCTF  com  crédito  decorrente  de  saldo  negativo  de  IRPJ  referente  ao  ano­ calendário de 2000, no valor de R$ 7.344.797,76  De fato há omissão no julgado embargado.  Não  foi  tratado  a questão  relativa  a  uma possível  cobrança  em duplicidade  promovida  por  dois  processos  simultaneamente:  o  presente  processo  (auto  de  infração  em  função  da  não  homologação  da  dcomp  n.  14150.37760.290503.1.3.024)  e  o  de  n.  10768.906570/2006­91 (homologação parcial de algumas Dcomps, inclusive da dcomp acima referida).  Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO     4 A Recorrente assim se defendeu dessa questão:  ­  Como  demonstrado  na  inicial,  o  valor  total,  no  montante  de  R$  11.400.838,58, foi compensado pela Recorrente da seguinte forma:    Competência  Valor compensado  Tributo compensado  W  da  PER/DCOMP t  Maio/2003  3.184.776,33  CSLL  14150.37760.290503.1.3.024  Maio/2003  2.158.894,72  IRPJ  19205.53147.290503.1.3.023  Setembro/2003  73.503,74  IRPJ  12254.26166.150904.1 J.02­5  Setembro/2003  26.178,43  CSLL  12254.26166.150904.1.3.025  Outubro/2003 109.503,55  IRPJ  28376.21261.151004.1.3.024  Outubro/2003 41.128,36  CSLL  28376.21261.151004.1.3.024  Novembro/2003  1.806.693,89  IRPJ  36003.04504.121104.1.3.027  Novembro/2003  666.425,70  CSLL 6003.04504.121104.1.3.027  Dezembro/2003  2.360.963,27  IRPJ  20615.94537.131204.1.3.029  Dezembro/2003  972.770,59  CSLL  20615.94537.131204,1.3.029  Total.compensação  11.400.838,58   Assim sendo, resta. demonstrado e comprovado, pela documentação anexada  aos  autos  que  o  direito'  creditório  requerido  através  da  ´PER/DCOMP  n°  14150.37760.290503.1.3.02­4806  no  montante  de  R$  3,184.776,33  está  correto  e  deve  ser  homologado,  portanto  não  há  hipótese,  como  mencionado  pelo  Fiscal  responsável  pelo  Lançamento  e  posteriormente  confirmado  pela  Julgadora  de  Ia  instância, da ora Recorrente ter recolhido tributo com insuficiência.  '  .  13  ­ Se não houve recolhimento insuficiente, o que pode ter ocorrido?  14  ­ Na verdade o que ocorreu, e isto foi detectado após a decisão a quo,  foi a falta de preenchimento da DCTF ou seja no mês de maio de 2003 a Recorrente  deixou de prestar esta  informação na DCTF, o que convenhamos não pode ensejar  na cobrança em referência, quando muito poderia ter sido exigida alguma penalidade  por falta de cumprimento da obrigação acessória.    15  ­ De acordo com fls. 72 da decisão de Ia instância, foi feito menção pela  Sra. Julgadora da existência do PTA supracitado cujo mérito é exatamente o mesmo  da  autuação  em  tela  ou  seja  o  tributo;  o  período  de  apuração  e  o  valor  saõ  rigorosamente os mesmos da presente autuação.  16  ­  Na  verdade  o  PTA  10768.906570/2006­91  diz  respeito  a  não  homologação da PER DCOMP o que  levou a Recorrente  interpor manifestação  de Inconformidade pelas mesmas razões expostas acima.  17­  Como  se  pode  observar  a  Receita  Federal  do  Brasil  iniciou  DOIS  processos  administrativos  distintos  para  cobrar  um  mesmo  tributo,  o  que  convenhamos  traduz­se  em  verdadeiro  terrorismo  fiscal  na medida  em que  a  CSLL  de  R$  3.184.776,33  já  havia  sido  recolhida  por  antecipação  conforme  explicações fornecidas anteriormente.  Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/2008­81  Acórdão n.º 1401­001.293  S1­C4T1  Fl. 290          5 18 ­ Com base nesta duplicidade de lançamentos e nas provas carreadas  aos  autos,  está  devidamente  comprovado  que  a  autuação.  em  referência  é  totalmente improcedente eis que a obrigação principal foi plenamente satisfeita,  tendo  ocorrido  apenas  um  equívoco  em  relação  ao  preenchimento  da  DCTF  que  não  pode  e  nem  deve  ser  punido  da  forma  como  pretende  a  Receita  Federal.(grifei)  A DRF em seus embargos foi peremptória:  Consta nas consultas ao sistema SIEF­Processo de fls. 124/127 que o crédito  já  reconhecido  (parte  incontroversa)  foi  suficiente  para  quitar  o  débito  de  CSLL,  código  de  receita  2484,  do  PA  04/2003,  no  valor  de  RS  3.184.776,33,  o  mesmo  objeto do presente lançamento de ofício.  9.  Assim, em caso de prosseguimento da cobrança deste processo em tese  haveria duplicidade de cobrança.  Como se vê, patente é a duplicidade apontada tanto pelo contribuinte quanto  pela DRF em seus  embargos. Na verdade as decisões da DRJ e do CARF deixaram­se  levar  apenas  pela  aparente  conexão  entre  os  dois  processos  e  não  vislumbraram  que  o  objeto  do  litígio do presente processo já estava abarcado pela lide do processo n. 10768.906570/2006­91,  em  que,  conforme  bem  sublinhado  pela DRF  o  crédito  já  reconhecido  (parte  incontroversa)  foi  suficiente  para  quitar  o  débito  de  CSLL,  código  de  receita  2484,  do  PA  04/2003,  no  valor  de  RS  3.184.776,33.  Dessa forma, patente o erro de fato cometido pelo Acórdão embargado, motivo pelo  qual se deve acolher os embargos da DRF e lhes dar efeitos infringentes, para então DAR provimento  ao recurso voluntário.  Sobre  a  admissibilidade  de  se  conferir  efeitos  infringentes  aos  embargos  declaratórios, trago à baila a lição de Candido Rangel Dinamarco :   São  em  princípio  inadmissíveis  os  embargos  declaratórios  com  eficácia  infringente;  mas  a  jurisprudência  atenua  essa  regra,  ao  permitir  que  pela  via  dos  embargos de declaração se corrijam certos erros graves e perceptíveis a um exame  puramente objetivo,  corno aquele  consistente  em dar por  intempestivo um  recurso  interposto dentro do prazo.  No  mesmo  sentido,  a  jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  a  exemplo  do  posicionamento  assentado  nos  EDcl  no  REsp  nº  511.127  ­  MG, Min.  Arnaldo  Esteves Lima, julgado em 12/06/2007 e publicado em 06/08/2007.   EMENTA  PROCESSUAL  CIVIL.  ADMINISTRATIVO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  RECURSO  ESPECIAL.  SERVIDOR  PÚBLICO.  28,86%.  COMPENSAÇÃO  DETERMINADA  NO  ACÓRDÃO  EXEQÜENDO  NÃO  ESTABELECIDA  NAS  CONTAS  DE  LIQÜIDAÇÃO.  ERRO  MATERIAL  CONFIGURADO.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  ACOLHIDOS  COM  EFEITOS INFRINGENTES.  RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO.  (...)   Fl. 293DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO     6 3. Não obstante  os  embargos  declaratórios  produzam,  em  regra,tão­somente  efeito  integrativo,  doutrina  e  jurisprudência  admitem  a  modificação  do  acórdão  quando presente algum dos vícios que ensejam a interposição dos embargos.  4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos para conhecer  do recurso especial e dar­lhe provimento.  Com essas considerações finais, ACOLHO os embargos da DRF com efeitos  infringentes para então DAR provimento ao recurso voluntário   em  razão  da  cobrança  em  duplicidade.     (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto                                  Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO

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Numero do processo: 10675.900135/2010-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
Numero da decisão: 3802-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE02  Fl. 111          1 110  S3­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10675.900135/2010­78  Recurso nº  1   Voluntário  Acórdão nº  3802­001.907  –  2ª Turma Especial   Sessão de  20 de agosto de 2013  Matéria  CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Recorrente  PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTES  S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  CLASSIFICAÇÃO  FISCAL  DE  MERCADORIAS.  RAZÕES  DE  RECURSO  VOLUNTÁRIO  QUE  NÃO  ILIDEM  O  FUNDAMENTO  DA  AUTUAÇÃO.  A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos,  devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na  esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para  indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao  recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício.   (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda  (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Claudio Augusto  Gonçalves Pereira.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 01 35 /2 01 0- 78 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   2 Relatório  PEIXOTO  COMÉRCIO,  INDÚSTRIA  E  SERVIÇOS  DE  TRANSPORTE  S/A insurge­se no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 09­37.722, proferido pela  3ª  Turma  da Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em  Juiz  de  Fora  – DRJ/JFA,  que  julgou  improcedente  a  solicitação  contida  na  manifestação  de  inconformidade,  mantendo,  contudo, o saldo credor de R$ 125.835,93, relativo ao 4º trimestre de 2004 e a homologação da  integral compensação declarada pelo contribuinte.   Por  bem descrever  os  fatos  e  atos  processuais  ocorridos  até  o momento  da  apresentação da impugnação, reproduz­se aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de  1ª instância, in verbis:  “Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação, PER  nº24504.80792.260407.1.1.01­0554,  relativo  ao  saldo  credor  de  IPI  do  4º  trimestre de 2004, no montante de R$ 125.835,93, calculado nos  termos do  art.  11  da  Lei  9.779,  de  19/01/1999.  Ao  ressarcimento  vinculou­se  a  Declaração  Eletrônica  de  Compensação,  DCOMP  nº  17499.25805.260407.1.3.01­3828,  para  compensar  débitos  no  montante  de  R$  92.920,23,  com  vencimentos  em  13/12/2002e  04/11/2005  (vide  PER/DCOMP  DESPACHO  DECISÓRIO  ­  DETALHAMENTO  DA  COMPENSAÇÃO, à fl. 21).  A  análise  da  petição  do  interessado  se  deu  por  via  eletrônica,  com  procedimento fiscal instaurado, de que resultou o Despacho Decisório de fl.  03,  com o  indeferimento do  saldo credor  requerido  e,  consequentemente,  a  não  homologação  da  compensação  declarada.  Fundamentou­se  o  ato  decisório nos seguintes termos:  ­ Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 125.835,93  ­ Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00  O  valor  do  crédito  foi  inferior  ao  solicitado/utilizado  em  razão  do(s)  seguinte(s) motivo(s):  Constatação que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor  pleiteado.  ­ Constatação  de  utilização  integral  ou  parcial,  na  escrita  fiscal,  do  saldo  credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em  referência, até a data de apresentação do PER/DECOMP.   ­ Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento  fiscal.  Diante do exposto:  NÃO HOMOLOGO compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP:  17499.25805.260407.1.3.01­3828.  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/2010­78  Acórdão n.º 3802­001.907  S3­TE02  Fl. 112          3 INDEFIRO  o  pedido  de  restituição/ressarcimento  apresentados  no(s)  PER/DCOMP:  24504.80792.260407.1.1.01­0554.  [...]  Para  o  procedimento  fiscal  instaurado  de  que  dá  conta  o  Despacho  Decisório,  relatou  o  auditor  fiscal  que  das  "verificações  realizadas  nas  aquisições de insumos (Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de  Embalagem),  com  direito  a  crédito,  não  foram  identificadas  divergências  dignas de glosa”. No entanto, também fez constar:  1)  [...]  que  ao  preencher  a  presente  PER/DCOMP,  a  interessada  lançou  como Valor Passível  de Ressarcimento  o  total  de  IPI  destacado  nas Notas  Fiscais de aquisição de insumos e de devoluções de mercadorias tributadas  na  saída,  em  vez  do  saldo  credor.  Isto  é,  o  valor  correto  que  deveria  ser  lançado  no  campo Valor  Passível  de Ressarcimento  seria  de  R$92.920,23  (devidamente escriturado no LRAIPI) e não R$136.559,46 (valor destacado  na aquisição de insumos excluído o valor de R$ 10.120,28 referente a ajuste  realizado  em  dezembro/04).  Portanto,  glosar­se­á  o  valor  de  R$43.639,23,  referente às diferenças destes valores, assim distribuídas:    Ao ser indagada do embasamento que deu suporte a tal classificação fiscal a  empresa respondeu:  Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   4 “A  alteração  da  NCM  28.28.9011  é  a  classificação  específica  mais  indicada  considerando  as  características  da  composição  química  do  produto, pois a Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito  de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo.”  [...] esta  fiscalização entende que a melhor  classificação para os produtos  acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota  de  10%.  Classificação  que  resultará  na  diferença  de  R$24.616,10  que  se  encontra discriminada analiticamente no ANEXO­IV.    Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou a  manifestação de inconformidade de fls.23/29, para alegar que:  Os  produtos  em  questão,  a  água  sanitária  e  o  alvejante  produzidos  pela  Requerente, apresentam a seguinte composição química:    A Requerente tem comercializado tais produtos rotineiramente utilizando­se  da  classificação  fiscal  2828.90.11,  indicada para  produtos  que  apresentem  em  sua  composição  química  predominância  do  Hipoclorito  de  Sódio,  que  resulta na tributação dos mesmos pelo IPI à alíquota de 0%.   [...]  Fl. 336DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/2010­78  Acórdão n.º 3802­001.907  S3­TE02  Fl. 113          5 Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade  se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma  solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico  francamente predominado é o Hipoclorito de Sódio.  Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos  Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do  Hipoclorito de Sódio.  Nas  notas  explicativas  ao  enquadramento  dos  elementos  químicos  no  Capítulo  28,  esclarece  os  seguintes  termos  para  o  enquadramento  dos  produtos nesse Capítulo:  1  –  Ressalvadas  as  disposições  em  contrário,  as  posições  do  presente  Capítulo compreendem apenas:  a)  os  elementos  químicos  isolados  ou  compostos  de  constituição  química  definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas;  b)  as soluções aquosas dos produtos da alínea “a” acima;   [...]   Nas notas apresentadas  como convencimento quanto ao enquadramento da  água  sanitária  e do alvejante  (dado pela Fiscalização)  indica­se,  de  forma  enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que  os mesmos prestem­se à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura  de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico.  Em excerto seguinte, novamente aponta­se a condição do produto contendo  hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à  limpeza e desinfecção de pias e banheiros.  Observa­se claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a  classificação  conferida  aos  produtos  em  causa,  água  sanitária  e  alvejante,  decorreu  da  finalidade  conferida  a  tais  produtos,  todavia,  a  ela  não  se  bastando,  indicando  também  que  os  produtos  deveriam  resultar  de  uma  combinação de diversos elementos químicos onde figure – e não predomine –  o Hipoclorito de sódio.  Nesses termos segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante  haja uma classificação específica para os produtos a base de hipoclorito de  sódio,  ou  seja,  nos  produtos  onde  esse  elemento  químico  apresente  predominância,  preferiu­se  uma  classificação  onde  esse  elemento  químico  integre  uma  composição  química  mais  ampla,  tornando  irrelevante  a  predominância desse elemento químico.  Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações,  situação  inadmitida  pela  Requerente  diante  da  existência  de  uma  classificação específica  para os produtos à base de hipoclorito de  sódio,  o  Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   6 próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial  conflito.  De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o  regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação  das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado)   [...]  Nesses  termos,  entende  a  Requerente  que  a  classificação  por  elemento  químico predominante deve prevalecer  sobre a classificação por  finalidade  do  produto,  tendo  em  conta  o  caráter  notoriamente  mais  genérico  da  finalidade  de  cada  produto,  sendo  um  critério  explícito  da  tabela  que  a  classificação  prefira  o  critério  mais  específico  em  detrimento  do  critério  mais genérico.  No caso da aplicação da  tabela, o critério mais genérico somente deve ser  utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto  em causa.  [...]  É o relatório”.  Não  acatando  as  razões  aduzidas  pela  interessada  na  instância  a  quo,  a  3ª  Turma  da  DRJ/JFA  resumiu  na  forma  da  ementa  abaixo  os  motivos  pelos  quais  julgou  improcedente  a  solicitação  contida  na manifestação  de  inconformidade  ,  contudo votou  pelo  recolhimento do saldo credor de 125.835,93, relativo ao 4º trimestre de 2004 e a homologação  da integral da compensação declarada pelo contribuinte. Veja se:  Assunto: Classificação de Mercadorias  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  ALVEJANTE E ÁGUA SANITÁRIA VALOR  As  preparações  produzidas  pelo  contribuinte,  alvejante  e  água  sanitária,  ambas  constituídas  de  hipoclorito  de  sódio  em  solução  aquosa  e  outros  componentes  (  para  o  alvejante,  hidróxido  de  sódio  (soda  cáustica),  carbonato de sódio e perfume  floral, e para a água sanitária, hidróxido de  sódio),  comercialmente  denominados  ÁGUA  SANITÁRIA  VALOR  E  ALVEJANTE  VALOR  FLORAL,  apresentadas  em  garrafas  plásticas  de  1000ml e 2000ml, classificam­se no código NCM 3402.20.00.  Dispositivos  Legais:  RGI  1º  (texto  da  posição  34.02)  e  6ª  (texto  da  subposição  3402.20)  e  RGC­1  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  (NCM),  constante  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.545, de 26 de dezembro  de 2002.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/2010­78  Acórdão n.º 3802­001.907  S3­TE02  Fl. 114          7  SALDO CREDOR DÉBITOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO  É  de  se manter  os  débitos  apurados  pela  fiscalização  para  o  confronto  de  débitos X créditos na escrituração fiscal, quando ficar demonstrado que, por  erro de classificação fiscal, o contribuinte lançou­os a menor na apuração.  Por decorrência, o saldo credor do trimestre deve ser reduzido.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004  SALDO CREDOR. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA.  Quando o  cortejo dos  créditos  e dos débitos,  escriturados  e apurados pela  fiscalização,  são  suficientes  para  reconhecer  parcela  do  saldo  credor  destinado  pelo  contribuinte  para  a  efetivação  das  compensações  por  ele  declaradas,  é  legítimo  reconhecer  a  homologação  da  declaração  de  compensação, ainda que o saldo credor do trimestre tenha sido reduzido em  razão de débitos apurados pela fiscalização.  Manifestação de inconformidade improcedente.  Direito creditório reconhecido.   É o relatório.  Voto             Preenchidos  os  pressupostos  de  admissibilidade  e  tempestivamente  interposto, nos  termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das  razões nele expostas.  Trata­se  de  recurso  destinado  unicamente  a  combater  a  classificação  fiscal  indicada pela autoridade administrativa com relação a dois  tipos de produtos  industrializados  pelo Recorrente, de nomes comerciais “água sanitária valor” e “alvejante floral valor”.  A composição química de ambos os produtos não é objeto de celeuma, sendo  parte incontroversa da presente lide administrativa. Inclusive é de se ressaltar que a interação  do hipoclorito de sódio com outros compostos químicos foi a origem de todo o imbróglio.  Isso  se verifica  facilmente do Termo de Verificação Fiscal  de  fls.  111­123,  donde destaco o seguinte excerto constante de fl. 112:   “A  classificação  adotada  pela  empresa  a  partir  de  14/02/2004  é  específica  para  o  Hipoclorito  de  sódio  (NaCIO.6H2O),  o  que  não  é  o  caso  dos  produtos  acima,  que  resultam  da  diluição  do  referido  produto,  em  forma  aquosa,  em  água  e  adicionados  outros  produtos.”  Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   8 A missão do Recorrente,  desde  então,  tem  sido  a de defender  seu ponto de  vista, no sentido de que está correto em aplicar a classificação fiscal própria do hipoclorito de  sódio.  O Recorrente demonstra  total  domínio  das  normas  sobre  o  caso,  e discorre  acerca  do  que  entende  como  dois  critérios  possíveis  de  classificação  fiscal,  conforme  o  seguinte trecho de seu Recurso Voluntário:    Em  seguida,  o  Recorrente  afirma  que  o  enquadramento  de  certo  produto  “deve  ser  regido  especialmente pela  aplicação  dos  valores  condicionais  a  que o mesmo  está  sujeito”,  como  intróito  para  uma  defesa  segundo  a  seletividade  do  IPI  –  o  que  acarretaria  a  escolha de uma classificação fiscal mais favorável.  Ora, em que pesem as sensíveis alegações do Recorrente quanto ao princípio  da seletividade, que possui  raízes profundas na filosofia da tributação e se destina a atingir a  capacidade  contributiva  de  modo  mais  eficiente,  combatendo  o  capital  marginal  de  quem  adquire  produtos  menos  essenciais,  seus  argumentos  não  merecem  acolhida  em  sede  de  Recurso Voluntário.  Isso porque a classificação fiscal de mercadorias não é, em si, um princípio  que  permita  escolhas  conforme  a  finalidade  do  produto,  ou  mesmo  a  conveniência  administrativa. É regra de direito, e, como tal, é de aplicação objetiva.  Tanto  assim  que  Ronald  Dworkin,  ao  dispor  sobre  a  diferença  de  consideração entre regras e princípios, foi extremamente feliz ao considerar:  Denomino  princípio  um  padrão  que  deve  ser  observado,  não  porque  vá  promover ou assegurar uma situação econômica, política ou social considerada desejável, mas  porque é uma exigência de justiça ou eqüidade ou alguma outra dimensão da moralidade [...].  A diferença entre princípios jurídicos e regras jurídicas é de natureza lógica. Os dois conjuntos  de padrões apontam para decisões particulares acerca da obrigação jurídica em circunstâncias  específicas, mas distinguem­se quanto  à natureza da orientação que oferecem. As  regras  são  aplicáveis à maneira do tudo­ou­nada. Dados os fatos que uma regra estipula, então ou a regra  é válida, e neste caso a resposta que ela fornece deve ser aceita, ou não é válida, e neste caso  Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/2010­78  Acórdão n.º 3802­001.907  S3­TE02  Fl. 115          9 em  nada  contribui  para  a  decisão.  (Levando  os  direitos  a  sério.  Tradução  de  Jefferson  Luiz  Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2007, pp. 39­42)  A  seletividade,  como  princípio  que  é,  ainda  que  tenha  forte  conotação  normativa por ser obrigatória para o IPI nos termos do art. 153, § 3o, da CRFB, termina por ser  orientadora das normas constantes da Tabela do IPI, a qual objetivamente impõe as alíquotas e  critérios de classificação fiscal próprios.  Desse  modo,  caso  o  contribuinte  entenda  que  a  Tabela  do  IPI  contraria  a  seletividade ínsita ao  imposto, deve se valer das vias próprias para  tanto. Todavia, ao CARF  não compete apreciar argüições de inconstitucionalidade das normas aplicáveis, conforme seu  Regimento Interno e enunciado de Súmula n. 2.  Logo,  a  escolha  feita  pelo  Recorrente,  espelhada  no  excerto  abaixo,  de  classificar  os  produtos  objeto  do  presente  litígio  quanto  à  finalidade,  revela­se  em  si  equivocada,  porquanto  a  classificação  fiscal  de  mercadorias  é  feita  com  base  nos  critérios  objetivamente dispostos na TIPI:    Igualmente equivocada, a meu ver, a tentativa de enquadramento do caso ao  precedente  trazido  em  seu Recurso Voluntário  no  processo  10380.007467/96­12,  pois  ali  se  discutia  a  classificação  fiscal  de  sacos  plásticos  utilizados  para  acondicionar  alimentos,  diferentemente de outras finalidades. Sacos plásticos sempre serão sacos plásticos, enquanto a  distinção traçada no caso em tela diferencia a natureza do produto em si.  E ainda na seara da seletividade, a arguição de que os produtos se destinam a  desinfecção  termina não  se mostrando de muito  alento,  dado  que  as  soluções  ora  analisadas  permanecem com a mesma destinação – desinfecção –, resultando prejudicada uma discussão  sobre  o  critério  de  discrímen  adotado  na  distribuição  de  cargas  tributárias  aos  diferentes  produtos.  Indo mais além, a  tarefa do Recorrente deveria  ter se  fiado em demonstrar,  sim,  que  os  compostos  químicos  indicados  pela  autoridade  administrativa  não  desnaturam  a  característica dos produtos em serem um tipo – enquanto destinado para o mercado varejista –  de “agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para  lavagem  (incluídas  as  preparações  auxiliares)  e  preparações  para  limpeza,  mesmo  contendo  sabão, exceto as da posição 34.01”  (subgrupo 34.02 da TIPI,  com denominação própria para  venda  a  retalho  no  item  3402.20.00),  para  serem  simples  “hipocloritos  de  sódio”  (item  2828.90.11 da TIPI). E nesse mister em especial, restou carente o Recurso Voluntário.  Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento.    Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM   10   Conclusão  Ante  todo  o  exposto,  conheço  do  Recurso  Voluntário  para  negar­lhe  provimento, mantendo integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo.  (assinado digitalmente)  Bruno Maurício Macedo Curi                               Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM

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5746001 #
Numero do processo: 11065.100730/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos. Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3101-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1972; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C1T1  Fl. 166          1 165  S3­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11065.100730/2007­56  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3101­000.910  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  07 de outubro de 2011  Matéria  Cofins ­ Cessão Onerosa de Créditos de ICMS ­ Ação Judicial  Recorrente  INDÚSTRIA DE CALÇADOS WIRTH LTDA.  Recorrida  DRJ PORTO ALEGRE    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.  Nos  termos  da  Súmula  CARF  nº  1,  importa  renúncia  às  instâncias  administrativas  a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com o mesmo objeto do processo administrativo.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007  RESSARCIMENTO  DE  CONTRIBUIÇÕES  NÃO  CUMULATIVAS.  INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.  Disposição  expressa  de  lei  veda  a  atualização  monetária  ou  incidência  de  juros,  pela  taxa  Selic  ou  outro  índice  qualquer,  sobre  os  valores  objeto  de  ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos.  Negado Provimento ao Recurso Voluntário.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer  do  recurso  voluntário  quanto  à  matéria  discutida  no  Judiciário  e,  na  parte  remanescente, em negar provimento.   (assinado digitalmente)  HENRIQUE PINHEIRO TORRES ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 07 30 /2 00 7- 56 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100730/2007­56  Acórdão n.º 3101­000.910  S3­C1T1  Fl. 167          2 (assinado digitalmente)  MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS ­ Redatora designada.  EDITADO EM: 02/12/2014  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres  (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva  (Suplente), Corintho  Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.       Relatório  Trata­se  de  pedido  de  ressarcimento  de  créditos  da Cofins  não  cumulativa.  Em Despacho  Decisório  a  Delegacia  da  Receita  Federal  competente  deferiu  parcialmente  o  pleito, em razão da contribuinte não  ter  incluído, na base de cálculo da contribuição, valores  relativos a cessão onerosa de créditos do ICMS.  Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade  alegando,  em  síntese,  que  a  cessão  de  créditos  de  ICMS  a  terceiros  não  se  conceitua  como  receita, não integrando, portanto, a base de cálculo das contribuições sociais.  A DRJ de Porto Alegre  indeferiu  o  pleito  de  ressarcimento,  nos  termos  do  Acórdão 10­18.105 de 17 de dezembro de 2008, assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007   CESSÃO DE ICMS ­ INCIDÊNCIA DE COFINS.  A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte,  sendo base de cálculo para a COFINS.  TAXA SELIC ­ FALTA DE PREVISÃO LEGAL.  Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS  e de COFINS objetos de ressarcimento.    Solicitação Indeferida  Irresignada,  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  a  este  Conselho,  alegando,  em  preliminar,  que  o  entendimento  da  DRJ  não  pode  prosperar,  pois  contraria  decisão  judicial  proferida  pelo  TRF  da  4ª  Região  no  julgamento  da  apelação  interposta  em  Mandado de Segurança ajuizado pela empresa.   No mérito, defende a não incidência das contribuições sobre a cessão onerosa  de  créditos  do  ICMS,  além  de  requer  a  incidência  da  Selic  sobre  os  valores  pleiteados  em  ressarcimento que foram indeferidos pela.autoridade administrativa.  É o relatório.  Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100730/2007­56  Acórdão n.º 3101­000.910  S3­C1T1  Fl. 168          3   Voto             Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc  Por intermédio do Despacho de e­folha 165, nos termos da disposição do art.  17,  III,  do Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos Fiscais  – RICARF1,  aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiu­me o Presidente da Turma a  formalizar o Acórdão 3101­000.910, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa  Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF.  Desta  forma,  a  elaboração  deste  voto  deve  refletir  a  posição  adotada  pela  relatora  original,  que  foi  acompanhada,  por  unanimidade,  pelos  demais  integrantes  do  colegiado.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade. Dele se tomou conhecimento.  A Recorrente insurge­se,  inicialmente, contra o fato de a DRJ recorrida não  ter reconhecido o direito a excluir a cessão onerosa de créditos do ICMS da base de cálculo da  contribuição, pois tal direito lhe foi garantido na esfera judicial.   A  empresa  impetrou  o Mandado  de  Segurança  nº  2005.71.08.010560­0,  no  qual foi proferido, pelo TRF da 4ª Região, o Acórdão de fls. 140 a 146, que possui a seguinte  ementa:  TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. CRÉDITOS DE  ICMS  TRANSFERIDOS  A  TERCEIROS.  EXCLUSÃO DA  BASE  DE  CÁLCULO. COMPENSAÇÃO.  1.  A  inclusão  dos  valores  provenientes  da  transferência  de  saldo  credor  do  ICMS,  obtido  em  razão  do  beneficio  fiscal  concedido  às  empresas  exportadoras,  a  fornecedores  ou  terceiros,  na  base  de  cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, consoante entendimento  manifestado pelo Fisco, ofende a regra de imunidade prevista no art.  155, § 2°, inciso X, da Constituição Federal e regulamentada pelo art.  25, §§ 1° c 2°, da Lei Complementar n.° 87/96, o princípio federativo  e o da proibição do bis in idem. Precedentes desta Corte.  2. Por operação de exportação deve­se entender não só o produto da  venda  realizada  ao  exterior,  mas  toda  a  receita  ou  resultado  decorrente  do  complexo mecanismo  de  exportação,  inclusive  aquela  decorrente da transferência dos eventuais créditos de ICMS incidentes  nas operações anteriores.  3. Sentença reformada.                                                              1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as  atividades do respectivo órgão e ainda:  (...)  III ­ designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja  impossibilitado de fazê­lo ou não mais componha o colegiado;    Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100730/2007­56  Acórdão n.º 3101­000.910  S3­C1T1  Fl. 169          4 Constata­se  que  o  Mandado  de  Segurança  2005.71.08.010560­0  foi  impetrado  em  2005  e  os  fatos  geradores  do  presente  processo  ocorreram  em  2007,  estando,  indubitavelmente,  alcançados  pelo  MS.  E  o  objeto  da  ação  judicial,  conforme  atesta  a  transcrição  da  ementa  do  acórdão  do  TRF,  é  o  mesmo  da  controvérsia  deste  pleito  administrativo:  incidência  das  contribuições  sociais  sobre  a  cessão  onerosa  de  créditos  do  ICMS acumulados em razão de benefício fiscal concedido às empresas exportadoras.  Aplicável, portanto, a súmula CARF nº 1, in verbis:  Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a  propositura  pelo  sujeito  passivo  de  ação  judicial  por  qualquer  modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria  distinta da constante do processo judicial.  Desta  forma,  não  se  conhece  do  recurso  voluntário  na  parte  em  que  a  contribuinte defende a não­incidência das contribuições sobre a cessão onerosa de créditos do  ICMS acumulados em decorrência de exportações efetuadas, discussão levada à esfera judicial.  Resta  apreciar  a  questão  relativa  à  incidência  da  Selic  sobre  os  créditos  indeferidos pela unidade de origem, matéria não abordada no MS impetrado pela empresa. Os  créditos glosados se referem à não inclusão da cessão onerosa de créditos do ICMS na base de  cálculo  das  contribuições,  questão  a  ser  definida  pelo  Poder  Judiciário.  Todavia,  caso  a  contribuinte venha a ter seu direito reconhecido na esfera judicial, não terá direito à incidência  da Selic sobre os mencionados créditos, em razão da existência de proibição legal expressa à  atualização  monetária  ou  incidência  de  juros  sobre  o  ressarcimento  de  créditos  das  contribuições não cumulativas (artigos 13 e 15, VI, da Lei 10.833, de 2003).  Nestes  termos,  o  colegiado  não  conheceu  do  recurso  voluntário  quanto  à  matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, negou provimento.  E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto.    Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc                              Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS

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Numero do processo: 13807.000098/99-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/1992 a 30/09/1992, 01/04/1993 a 31/08/1993, 01/10/1993 a 30/11/1993 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO. Constatada omissão no julgado, por não verificar a existência de pagamentos antecipados na análise da decadência, cabe acolher os embargos de declaração para complementá-lo, concedendo-se-lhes efeitos infringentes porque a eliminação da omissão implicou em alteração do resultado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. REFORMATIO IN PEIUS. POSSIBILIDADE. No julgamento dos embargos de declaração, deve-se sanar o equívoco cometido na decisão embargada, independentemente do resultado e/ou do benefício à parte que os tenha oposto, admitindo a possibilidade de reformatio in peius nas decisões em sede de embargos de declaração. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. O depósito do montante integral, convertido em renda, equivale a pagamento para efeito da contagem do prazo de decadência. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DISPENSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESES. Mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe que seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN).
Numero da decisão: 3101-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão e reconhecer a decadência dos fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993. O Conselheiro José Maurício Carvalho Abreu fará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     2 existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro  dia  do  exercício  seguinte  em  que  o  lançamento  já  poderia  ter  sido  efetuado,  na  ausência  de  antecipação  de  pagamento.  O  depósito  do  montante  integral,  convertido  em  renda,  equivale  a  pagamento  para  efeito da contagem do prazo de decadência.  AÇÃO  JUDICIAL.  DEPÓSITO  DO  MONTANTE  INTEGRAL.  SUSPENSÃO  DA  EXIGIBILIDADE  DO  CRÉDITO.  DISPENSA  DE  LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESES.   Mesmo  havendo  demanda  judicial  com  depósito  do  montante  integral  que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta  de  escrituração  de  tributo  apurado  e  respectiva  declaração  à  Administração  Pública,  impõe  que  seja  efetivado  o  lançamento  tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade  administrativa,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional  (art.  142,  do  CTN).      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Por  unanimidade  de  votos,  deu­se  provimento  parcial  aos  embargos  de  declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão e reconhecer a decadência dos fatos  geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de  1993 a novembro de 1993. O Conselheiro  José Maurício Carvalho Abreu  fará declaração de  voto.    Henrique Pinheiro Torres ­ Presidente.   Rodrigo Mineiro Fernandes ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  Mineiro  Fernandes,  Valdete  Aparecida  Marinheiro,  José  Henrique  Mauri,  Elias  Fernandes  Eufrasio,  José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.    Relatório  Versa  o  presente  processo  sobre  embargos  de  declaração  interpostos  pela  Fazenda Nacional, por alegada contradição e omissão do Acórdão nº 3101­001.471, na forma  dos art. 65 do RICARF. O Acórdão embargado recebeu a seguinte ementa:    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/06/1992 a 30/09/1992  PIS. DECADÊNCIA. DÉBITOS NÃO DECLARADOS.  Fl. 397DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13807.000098/99­10  Acórdão n.º 3101­001.790  S3­C1T1  Fl. 4          3 O prazo  decadencial  para  o  lançamento  de ofício  para  débitos  de PIS  não declarados em DCTF conta­se do primeiro dia do exercício seguinte  àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância  com o disposto no inciso I do art. 173 do CTN.  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE.  A existência de processo judicial não transitado em julgado, com ou sem  medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não impede o  lançamento de oficio, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado  do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN.  CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E  PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA.  Conforme  a  Súmula  CARF  nº  1,  importa  renúncia  às  instâncias  administrativas a propositura pelo  sujeito passivo de ação  judicial por  qualquer  modalidade  processual,  antes  ou  depois  do  lançamento  de  ofício,  com  o mesmo  objeto  do  processo  administrativo,  sendo  cabível  apenas  a  apreciação,  pelo  órgão  de  julgamento  administrativo,  de  matéria distinta da constante do processo judicial.  DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTAS  Não  incide  juros  de  mora  sobre  a  parte  do  crédito  tributário  que  foi  objeto  de  depósito  judicial  tempestivo,  por  não  se  verificar  a mora  do  sujeito  passivo  bem  como  os  critérios  de  correção  dos  depósitos  judiciais coincidirem com os do crédito tributário. Aplicação da Súmula  CARF nº 5.  A  embargante  alega  a  contradição  e  a  omissão  no  referido  acórdão,  que  declarou  a  “decadência  referente  a  fatos  geradores  ocorridos  no  período  de  junho/1992  a  setembro/1992”,  por  entender  que  o  crédito  tributário  já  estaria  constituído  por  meio  de  autolançamento, no caso constituído por depósito judicial.  Entende a embargante ser aplicável a reiterada jurisprudência do STJ, a qual  considera  desnecessária  a  constituição  de  ofício  do  crédito  tributário,  pela  existência  de  depósito ou  a  fiança bancária  garantindo a  ação  judicial,  que  implica em autolançamento do  tributo.   Requer o  conhecimento  e o provimento dos  embargos,  para  saneamento  da  contradição e omissão, com efeitos infringentes.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.  Fl. 398DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     4 Os embargos são tempestivos e deles tomo conhecimento.  A  embargante  alega  não  ter  ocorrido  a  decadência  apontada  no  acórdão  embargado,  pela  existência  de  depósitos  judiciais  que  constituíram  o  crédito  tributário  (autolançamento).   O  auto  de  infração  em  análise  refere­se  a  débitos  de  PIS  do  período  de  06/1992 a 09/1992, não  declarados  em DCTF,  e  às diferenças não declaradas  em DCTF, no  período de 04/1993 a 09/1995.   Inicialmente importa­nos afirmar que, mesmo havendo demanda judicial com  depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação  de  falta  de  escrituração  de  tributo  apurado  e  respectiva declaração  à Administração Pública,  impõe seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória  da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN).  Caso não se faça o lançamento, ultrapassado o prazo de decadência previsto  no Código Tributário Nacional,  a Administração Tributária perderá o direito de  formalizar o  crédito  tributário  e  não  poderá  alegar  que  não  o  fez  em  virtude  da  suspensão  de  sua  exigibilidade ou devido ao fato de a matéria estar sub judice, pois o prazo de decadência não se  suspende nem interrompe.  Esta  turma de  julgamento  decidiu  que  os  valores  lançados  relativos  a  fatos  geradores ocorridos até dezembro de 1992  teriam sido alcançados pela decadência,  tendo em  vista  a  data  da  ciência  do  auto  de  infração  em  16/12/1998.  No  cálculo,  foi  considerado  o  disposto  no  inciso  I  do  art.  173  do  CTN:  o  prazo  decadencial  teve  início  em  01/01/1993  e  término em 31/12/1997.  Entretanto,  conforme  apontado  pela  embargante,  tal  entendimento  não  considerou a existência de depósito judicial que, conforme jurisprudência do STJ, equipara­se  ao pagamento antecipado previsto no art. 150 do CTN, para fins da contagem da decadência.  Portanto, existindo o depósito judicial conforme atesta a autoridade fiscal, a  decadência é contada da ocorrência do fato gerador, como previsto no § 4º do art. 150 do CTN.  Como  a  ciência  do  auto  de  infração  deu­se  em  16/12/1998,  encontrava­se  alcançado  pela  decadência  o  crédito  tributário  pertinente  a  fatos  geradores  ocorridos  até  novembro de 1993, no caso de existência de depósitos judiciais. Os depósitos judiciais foram  confirmados pela autoridade fiscal, conforme Relatório Fiscal (fls. 148), exceto para o mês de  setembro/1993.  Pelo  exposto,  voto  por  dar  provimento  parcial  aos  embargos  para  sanar  a  omissão, e  reconhecer  a decadência para os  fatos geradores de  junho de 1992 a  setembro de  1992,  abril  de 1993  a  agosto  de 1993,  e  outubro  de  1993  a novembro  de 1993,  com efeitos  infringentes.  Sala de sessões, 11 de dezembro de 2014.  Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinatura digital]              Fl. 399DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13807.000098/99­10  Acórdão n.º 3101­001.790  S3­C1T1  Fl. 5          5 Declaração de Voto  Conselheiro José Mauricio Carvalho Abreu  A decisão proferida por este colegiado enseja a análise da inaplicabilidade do  princípio  do  não  reformatio  in  peius  aos  embargos  de  declaração. O provimento  parcial  aos  presentes  embargos  declaratórios  ­  opostos  pela  Fazenda Nacional  –  implica  a  supressão  da  omissão e, como consequência, requer a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150  do CTN, ainda que desfavoravelmente à Embargante.   Conforme bem apontado em Voto do Eminente Conselheiro Relator Rodrigo  Mineiro Fernandes, a decisão embargada considerou equivocadamente o prazo decadencial do  inciso  I,  do  art.  173,  do  CTN.  Contudo,  foi  omissa  a  decisão  embargada,  ao  deixar  de  considerar  a  existência  de  depósito  judicial  que,  ora  observado,  exige  a  contagem  do  prazo  decadencial nos termos do § 4º, do art. 150, do CTN, provocando, na substância, decisão mais  desfavorável à Embargante.  Com  efeito,  e  sem  prejuízo  das  posições  em  contrário,  acata­se  a  aplicabilidade do princípio do não  reformatio  in peius na esfera administrativa, bem assim o  reconhecimento  da  natureza  recursal  dos  embargos  declaratórios,  este  último  por  expressa  determinação do legislador, o qual cuidou dos embargos declaratórios no Título dos Recursos  do Código de Processo Civil.   Contudo, as premissas supra mencionadas não nos levam necessariamente à  conclusão pela aplicabilidade do não reformatio in peius aos embargos de declaração. Faz­se  necessário  analisar  a  possibilidade  do  provimento  parcial  aos  embargos,  mesmo  que  desfavoravelmente à ora Embargante, à luz da função dos embargos de declaração.  Ora,  a  função  precípua  dos  embargos  de  declaração  é  sanar  a  obscuridade,  omissão ou contradição na decisão embargada. O objetivo é simplesmente obter decisão mais  transparente  e  completa,  razão  pela  qual,  mesmo  a  parte  vencedora,  pode  ter  interesse  processual para opor embargos declaratórios.   O julgador, por sua vez, ao tomar conhecimento da omissão, obscuridade ou  contradição,  tem  o  dever  de  sanar  o  equívoco  cometido  na  decisão  embargada,  independentemente do resultado e/ou do benefício à parte que os tenha oposto.  Portanto,  entende­se  pela  possibilidade  de  reformatio  in  peius  nas  decisões  em  sede  de  embargos  de  declaração.  É  dizer  que,  no  caso  dos  embargos  de  declaração,  a  função não é necessariamente trazer uma situação mais favorável ao embargante, mas apenas  aclarar a decisão originalmente proferida, seja em favor ­ ou desfavor ­ de qualquer das partes.  Nesse  sentido,  Luis Guilherme Aidar Bondioli,  em  obra  específica  sobre  o  tema dos embargos de declaração, leciona pela inaplicabilidade do princípio do reformatio in  peius em tais recursos, conforme segue:  “Nos embargos declaratórios, o requisito do interesse recursal prescinde da  sucumbência,  peculiaridade  inerente  ao  instituto,  que  contribui  para  sua  condição  sui  generis  (supra,  n.11  e  28).  Além  disso,  para  a  extirpação  da  Fl. 400DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S     6 imperfeição apontada pelo embargante, é facultado ao juiz praticar todos os  atos  necessários  para  tanto,  sendo­lhe  autorizado,  ainda,  sanar  o  vício  de  forma  como  entender  mais  adequado.  Essa,  aliás,  é  uma  condição  para  a  própria  sanação  da  obscuridade,  da  contradição,  da  omissão  ou  do  erro  apontado (supra, n.43). Em razão desse estado de coisas, o  julgamento dos  embargos  declaratórios  pode  trazer  como  resultado  final  situação  substancialmente mais desfavorável a quem os apresentou.” (Bondioli, Luis  Guilherme Aidar. Embargos de Declaração. 1ed. São Paulo: Saraiva, 2005,  p. 233).  Assim, dou provimento parcial aos embargos, independentemente de ser em  substância mais desfavorável à ora Embargante, de forma a  reconhecer e suprimir a omissão  incorrida,  aplicando­se  para  contagem  do  prazo  decadencial  o  §  4º  do  art.  150  do  CTN,  alcançando  a  decadência  os  fatos  geradores  de  junho  de  1992  a  setembro  de  1992,  abril  de  1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993, nos termos do voto do Relator.   Sala de sessões, 11 de dezembro de 2014.  Conselheiro José Mauricio Carvalho Abreu        Fl. 401DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S

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Numero do processo: 15563.000383/2010-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as demais frações do crédito tributário. Vencido Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Digite em caixa baixa o nome dos conselheiros presentes à sessão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as demais frações do crédito tributário. Vencido Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Digite em caixa baixa o nome dos conselheiros presentes à sessão.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   2 ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos  em  dar  provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do crédito referente à cooperativa de  trabalho  e  a  exclusão  da multa  de  ofício. Mantidas  as  demais  frações  do  crédito  tributário.  Vencido Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.      Carlos Alberto Mees Stringari   Presidente e Relator    Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Digite em caixa baixa  o nome dos conselheiros presentes à sessão.  Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000383/2010­06  Acórdão n.º 2403­002.868  S2­C4T3  Fl. 3          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra Decisão  da Delegacia  da  Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, Acórdão 12­36.263  da 12ª Turma, que julgou a impugnação improcedente.  O  lançamento  e  a  impugnação  foram  assim  relatadas  no  julgamento  de  primeira instância:    Trata­se  de  crédito  lançado  pela  fiscalização  (DEBCAD  n°  37.265.069­4)  relativo  às  contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  correspondente  à  parte  da  empresa,  inclusive  àquela  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  e  à  incidente  sobre os valores brutos das notas fiscais ou faturas de serviços  prestados  por  cooperados  por  intermédio  das  cooperativas  de  trabalho, relativas ao período de 11/2005 a 12/2007.  2.Nos  termos do "Relatório Fiscal do Auto de Infração", de  fls.  105/113,os seguintes fatos relevantes podem ser destacados:  A  empresa  Suissa  Industrial  e Comercial  Ltda  é  detentora  de  82% do capital social da ora notificada, motivo pelo qual, nos  termos  do  art.  30,  IX,  da  Lei  8.212/91,  e  art.  152,1,  da  IN  971/09,  a  mesma  foi  arrolada  como  responsável  solidária  do  presente débito.  Os  fatos  geradores  apurados  foram:  1)  os  pagamentos  efetuados  a  autônomos,  apurados  na  contabilidade,  conforme  planilha de fls. 114  (levantamento "AU1"); 2) os pagamentos  efetuados aos  segurados  empregados  constantes das  folhas de  pagamentos, não informados em GFIP (levantamento "FP1");  3) os pagamentos efetuados aos segurados empregados a título  de  participação  nos  lucros,  em  desconformidade  com  a  Lei  10.101/00, porquanto não houve vinculação dos pagamentos a  quaisquer  resultados  estabelecidos  através  de  regras  claras  e  objetivas  acerca  das  metas  a  serem  alcançadas,  conforme  planilha  de  fls.  115/118  (levantamento  "PL1";  4)  e  os  pagamentos efetuados a UNIMED NOVA IGUAÇU COOP. DE  TRABALHO  MÉDICO  LTDA,  apurados  na  contabilidade  e  não  declarados  em GFIP,  consoante  planilha  de  fls.  119/129  (levantamento "UNI" e "U21").  Levou­se  a  efeito  o  cotejo  da  penalidade  aplicável  pela  legislação  vigente  à  época  dos  fatos  geradores  e  aquela  instituída  pela  Lei  11.941/09,  que  incluiu  o  art.  35­A  à  Lei  8.212/91, para fins de cumprimento do estabelecido no art. 106,  II, "c", do CTN, verificando­se que a multa de ofício de 75%,  Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   4 instituída  na  nova  legislação,  é  mais  benéfica  para  o  sujeito  passivo  em  todas  as  competências  objeto  deste  lançamento,  consoante demonstrado na planilha de fls. 130/133.  3.Em  10/12/2010,  o  contribuinte  impugnou  a  exigência  (fls.  520/527),alegando, em síntese, o seguinte:  Inicialmente,  reconhece  a  procedência  da  cobrança,  no  que  tange  aos  pagamentos  efetuados  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  requerendo  a  emissão  da  respectiva  guia para recolhimento desta parte do débito;  No  que  concerne,  em  específico,  à  contribuição  de  que  trata  o  art.  22,  IV,  da  Lei  8.212/91,  ao  revés,  suscita  a  sua  inconstitucionalidade,  por  violação  do  art.  195,  I,  "a",  da  Constituição  Federal  de  1988,  e  art.  110  do  CTN,  porquanto,  embora  seja  possível  equiparar­se  a  sociedade  cooperativa  à  empresa,  a  aludida  norma  constitucional  não  permite  que  o  legislador ordinário a equipare à pessoa física;  A  lei  não  pode,  assim,  equiparar  a  cooperativa  ora  à  pessoa  jurídica,  quando  ela  forma  tomadora  de  serviço,  ora  à  pessoa  física,  quando  ela  for  prestadora  de  serviço  através  dos  seus  cooperados,  conferindo  naturezas  jurídicas  distintas  a  uma  mesma pessoa;  Se  a  presente  exigência  não  se  enquadra  em  quaisquer  das  hipóteses dos incisos I, II, III e IV do art. 195 da CF, se trata,  na verdade, de uma nova fonte de custeio, a qual, de Ú rd com o  §  4o  do  preceito  em  voga,  deveria  atender  a  certos  requisitos,  sobretudo,  ser  v  ^  aoc  através  de  lei  complementar,  o  que  não  ocorreu no caso.    Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde  alega/questiona, em síntese:    · Conforme exposto em sua Impugnação, reconhece a procedência da cobrança  no que tange às contribuições devidas em razão dos pagamentos efetuados a  segurados empregados e contribuintes individuais, não sendo estas objeto do  presente Recurso.  · Questiona  a  tributação  incidente  sobre  os  serviços  prestados  por  cooperativa de trabalho.  · Juros sobre multa de ofício.    É o relatório.  Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000383/2010­06  Acórdão n.º 2403­002.868  S2­C4T3  Fl. 4          5     Voto             Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator  O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à  análise das questões pertinentes.      TRIBUTAÇÃO  INCIDENTE  SOBRE  SERVIÇOS  PRESTADOS  POR  INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO     A recorrente questiona a tributação incidente sobre os serviços prestados por  cooperativa de trabalho.  Para  as  cooperativas  de  trabalho,  as  contribuições  devidas  a  cargo  da  empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991:    Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:  (...) IV ­ quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou  fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe  são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de  trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999).    Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade,  deu provimento a recurso e declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991  (artigo 22, inciso IV) que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de  serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento  do  Recurso  Extraordinário  (RE)  595838,  com  repercussão  geral  reconhecida,  no  qual  uma  empresa de consultoria questiona a tributação.  A Lei 9.876/1999, que inseriu a cobrança na Lei 8.212/1991, revogou a Lei  Complementar 84/1996, na qual se previa a contribuição de 15% sobre os valores distribuídos  pelas  cooperativas  aos  seus  cooperados.  No  entendimento  do  Tribunal,  ao  transferir  o  recolhimento  da  cooperativa  para  o  prestador  de  serviço,  a  União  extrapolou  as  regras  constitucionais referentes ao financiamento da seguridade social.  Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   6   Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do  Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a  inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991,  com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente,  Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro  Gilmar  Mendes.  Falaram,  pelo  amicus  curiae,  o  Dr.  Roberto  Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida  de  Souza  Trindade,  Procuradora  da  Fazenda  Nacional.  Plenário, 23.04.2014.    Cumpre  ressaltar  que  o  art.  62,  caput  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de  22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou  inobservância de  legislação sob  fundamento  de inconstitucionalidade.   Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF,  ressalva  que  o  disposto  no  caput  não  se  aplica  a  dispositivo  que  tenha  sido  declarado  inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal:    “Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob  fundamento de inconstitucionalidade.  Parágrafo  único.  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo:  I ­ que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão  plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal;    Enquanto  que  o  art.  62­A,  do Regimento  Interno  do CARF,  dispõe  que  as  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  na  sistemática  prevista pelos artigos 543­B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento  dos recursos no âmbito do CARF:    Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito  do  CARF.  (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010)    Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000383/2010­06  Acórdão n.º 2403­002.868  S2­C4T3  Fl. 5          7 Portanto,  diante  da  vinculação  deste  conselho  à  decisão  supra,  RE  no.  595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62­A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos  à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.      MULTA DE OFÍCIO    Estabelece o CTN que o lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou  revogada.    Art. 144. O lançamento reporta­se à data da ocorrência do fato  gerador da obrigação e rege­se pela lei então vigente, ainda que  posteriormente modificada ou revogada.  § 1º Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgado  ao  crédito  maiores  garantias  ou  privilégios,  exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados  por  períodos  certos  de  tempo,  desde  que  a  respectiva  lei  fixe  expressamente  a  data  em  que  o  fato  gerador  se  considera  ocorrido.    Constata­se que à época dos fatos geradores (2005 a 2007), não existia multa  de ofício para as contribuições previdenciárias.  Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das  contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício.    Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009).    Por  essa  inexistência  à  época  dos  fatos  geradores,  entendo  que  a multa  de  ofício não poderia ser aplicada  Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI   8 Entendo  ser  esse  motivo  suficiente  para  determinar  sua  exclusão  do  lançamento.      CONCLUSÃO    Voto  pelo  provimento  parcial  do  recurso,  determinando  a  exclusão  do  crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as  demais frações do crédito tributário.      Carlos Alberto Mees Stringari                                 Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI

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