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Numero do processo: 10830.727510/2012-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. HOMOLOGAÇÃO.
Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pagamento, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Miranda Cardozo.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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REMESSAS AO EXTERIOR Recorrente ROBERT BOSCH LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. HOMOLOGAÇÃO. Formalizada, expressamente, a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pagamento, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Rodrigo Miranda Cardozo. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (efls. 2/199), lavrado em 06/12/2012 e com ciência em 27/12/2012, para a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 75 10 /2 01 2- 51 Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/201251 Acórdão n.º 3202001.299 S3C2T2 Fl. 1.076 2 cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico por Remessas ao Exterior – CIDE, multa de ofício e juros de mora, no montante de R$ 19.533.654,60, para o período de apuração de janeiro/2008 a dezembro/2009, em decorrência da insuficiência do recolhimento da contribuição sobre a remessa de valores ao exterior para o pagamento pela prestação de serviços, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal (efls. 2/66). Com vistas a melhor elucidar os fatos e destacar os argumentos trazidos pelas partes transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa (e fls. 944/ss), verbis: Relatório: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE (Remessas ao Exterior), lavrado em 06/12/2012 e cientificado ao contribuinte em 27/12/2012, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 19.533.654,60, sendo R$ 9.258.416,36 de CIDE, R$ 3.331.425,95 de juros de mora e R$ 6.943.812,29 de multa de ofício (acréscimos legais calculados até a data da lavratura) em virtude da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2008 e 2009 (fls. 189199). Através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 267, a autoridade tributária relatou que inicialmente intimou o contribuinte, dentre outros, a: Informar se possuía ação judicial relativa à CIDE, apresentando, em caso positivo, cópia da petição inicial e demais peças relevantes do processo; Apresentar Demonstrativo de Decomposição detalhada da base de cálculo da CIDE/REMESSAS para o Exterior dos anos de 2008 e 2009, especificando que o referido demonstrativo deveria ser elaborado em forma de planilha excel discriminando as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a título de: royalties, aquisição de conhecimentos tecnológicos e/ou fornecimento de tecnologia, prestação de assistência técnica, serviços técnicos, cessão e licença de uso de marcas, cessão e licença de exploração de patentes, ou outras rubricas sujeitas à incidência da CIDE; Apresentar extrato das contas contábeis extraídas do Livro Razão que registrassem os valores apontados na planilha; Em resposta, o contribuinte apresentou os documentos solicitados. Em relação a ação judicial, informou que possuía o processo nº 2003.61.05.0134695 relacionado a CIDE. Em análise aos documentos apresentados juntamente com dados extraídos dos sistemas da RFB, a autoridade fiscal construiu 4 planilhas referentes aos códigos 0422 e 0473 relativos a IRRF vinculados a remessas ao exterior dos anos 2008 e 2009, relacionando os recolhimentos efetuados pela empresa nas remessas ao exterior (fls. 489541). Com isso, intimou o contribuinte a se manifestar da seguinte forma: Apontando eventuais incorreções, distribuindo corretamente os valores contidos, caso fosse necessário; Preenchendo os Campos da Planilha com os dados faltantes, tais como “Contrato de Câmbio”, “Descrição da Operação” e “Valor Remetido”; Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/201251 Acórdão n.º 3202001.299 S3C2T2 Fl. 1.077 3 Apresentando documentação comprobatória hábil e idônea em relação as correções realizadas pelo contribuinte; Em atendimento a intimação, o contribuinte “apresentou Planilha, em papel e Mídia eletrônica formato excel, onde constam os recolhimentos efetuados nas remessas de valores ao exterior, códigos 0422 e 0473, anos calendários 2008 e 2009, com os campos preenchidos” indicando os documentos nomeados de Doc. 01 e CD 01 (fls. 542612). Posteriormente o contribuinte foi intimado a complementar as informações prestadas, completando os campos das Planilhas construídas com os dados das operações de câmbio realizadas. Após o atendimento desta intimação, a autoridade tributária, baseada nas informações e esclarecimentos prestados ao longo do procedimento fiscal, juntamente com os dados contidos nos sistemas da RFB, construiu novas planilhas, determinando o fato gerador da CIDE, conforme explica (fls. 613681): “82. Com base nas informações prestadas e nos dados constantes nos Sistemas da Receita Federal do Brasil, construiuse as Planilhas denominadas: (i) PLANILHA 5 – OPERAÇÕES REM EXT – AC 2008 – CONSOLIDADO – APURAÇÃO CIDE/IR/PIS/COFINS – BASE IRRF 0422; (ii) PLANILHA 6 – OPERAÇÕES REM EXT – AC 2008 – CONSOLIDADO – APURAÇÃO CIDE/IR/PIS/COFINS – BASE IRRF 0473; (iii) PLANILHA 7 – OPERAÇÕES REM EXT – AC 2009 – CONSOLIDADO – APURAÇÃO CIDE/IR/PIS/COFINS – BASE IRRF 0422; (iv) PLANILHA 8 – OPERAÇÕES REM EXT – AC 2009 – CONSOLIDADO – APURAÇÃO CIDE/IR/PIS/COFINS – BASE IRRF 0473; 83. Através destas Planilhas podese determinar o Fato Gerador da Obrigação Tributária, com os seus parâmetros: Data da ocorrência, Descrição do fato imponível, Base de Cálculo e Apuração do Valor devido do Tributo, e, também, com a classificação do fato gerador na legislação de regência (Decreto nº 4.195, de 2002);” Com isso, foi emitida nova intimação a fim de que o contribuinte se manifestasse sobre as supracitadas planilhas. Além disso, foi solicitada a apresentação de contratos de câmbio ainda não entregues, vinculados às operações descritas na planilha, conforme coluna “ROYALTIES/SERVIÇOS TÉCNICOS E ADMINISTRATIVOS DEC. 4.195/2002 (ART 10)”. O interessado atendeu a intimação e elaborou planilhas com as correções sugeridas, em decorrência de operações com classificações que julgou indevidas, as quais foram consolidadas na Planilha 13A (fls. 682693). Em análise as correções apontadas pelo interessado, a autoridade fiscal confrontouas com os documentos apresentados, excluindo àquelas que entendeu procedentes por não configurarem hipóteses de incidência da CIDE, construindo, assim, novas planilhas demonstrativas da base de cálculo da CIDE Planilhas 14, 15, 16 e 17, 25 e 26 (fls. 694768). Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/201251 Acórdão n.º 3202001.299 S3C2T2 Fl. 1.078 4 Após a descrição dos procedimentos fiscais, a autoridade tributária apresentou fundamentação legal da CIDEREMESSAS, como a Lei nº 10.168/2000, a MP nº 2.159/70, a Lei nº 10.332/2001, o Decreto nº 4.195/2002 e a Lei nº 11.452/2007, além de diversas soluções de consulta. Explica que a descrição das operações que originaram os contratos de câmbio indicados nas planilhas 14, 15, 16, 17, 25 e 26, está dentro das hipóteses de incidência da CIDE, elencadas no art. 10 do Decreto nº 4.195/2002. Desta forma, identificou as infrações tributárias de falta/insuficiência da CIDE em relação aos anos de 2008 e 2009 e lavrou o auto de infração em tela. Inconformado, o interessado apresentou impugnação tempestiva (fls. 772812) com os pontos de defesa que apresento a seguir. Primeiramente alegou a ausência de concomitância entre a ação judicial e o processo administrativo, afirmando que não houve renúncia da discussão na esfera administrativa. Diz que a ação judicial discute a constitucionalidade da incidência CIDE Tecnologia, enquanto o processo administrativo discute a nulidade do auto de infração, bem como a não configuração das remessas autuadas com o fato gerador da CIDE discutida; e conclui afirmando que não há identidade de causas de pedir. Em seguida defende a nulidade do auto de infração por ausência de fundamentação adequada e não comprovação da ocorrência do fato gerador. Prossegue adentrando o mérito da lide, argumentando que não há incidência da CIDE em relação às remessas em análise identificadas pela autoridade tributária como pagamento a título de royalties pela licença ou cessão de direitos de uso de softwares, de royalties pela cessão de direitos autorais, de prestação de serviços e de assistência administrativa. Finda tal questão, aponta equívoco na fixação da base de cálculo da CIDE, afirmando que o IRRF não faz parte da composição de tal base de cálculo, argumentando que o valor contratado corresponde ao valor líquido e não ao valor bruto da remessa, indicando como fundamentação legal o art. 2º, § 3º da Lei nº 10.168/2000. Por fim, alega a impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas proferiu o Acórdão nº 0540.641 em 24 de maio de 2013 (efolhas 944/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2008, 2009 CIDEREMESSAS. BASE DE CÁLCULO. IRRF NA FONTE. ÔNUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CideRemessas), instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/201251 Acórdão n.º 3202001.299 S3C2T2 Fl. 1.079 5 dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. A alegação do contribuinte de inobservância de requisitos fundamentais para efetuação do lançamento não condiz com os elementos constantes dos autos que demonstram claramente que tais requisitos foram observados. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela RFB, configurandose regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada foi cientificada do Acórdão proferido pela DRJ – Campinas em 21/06/2013 (efls. 968/973). Foi interposto Recurso Voluntário em 08/07/2013 (efolhas 975/ss), onde a Recorrente repisa os argumentos já trazidos em sua impugnação, acrescentando comentários e ponderações sobre o voto vencedor da decisão de primeira instância quanto à concomitância entre os processo judiciais e administrativos. Em síntese conclusiva, a Recorrente aduz que: (i) Não houve renúncia a presente discussão administrativa, pois os requisitos jurídicos necessários ao reconhecimento de concomitância entre as esferas administrativa e judicial não se fizeram presentes, já que as demandas propostas possuem causa de pedir absolutamente distintas. Na esfera judicial a causa de pedir é a inexigibilidade da CIDE em vista da sua inconstitucionalidade, na esfera administrativa discutese a nulidade do auto de infração e não incidência da CIDE considerandose as remessas e os contratos firmados pela Recorrente; (ii) A autuação fiscal é nula por ausência de comprovação, no curso da fiscalização, dos fatos geradores e pela má fundamentação jurídica. Em suma, a fiscalização teria deixado de perquirir sobre a verdadeira natureza jurídica das relações jurídicas que deram causa à remessa de valores ao exterior. Isto porque a fiscalização não analisou os direitos e obrigações previstos nos contratos que deram causa às remessas; (iii) Os pagamentos feitos pela cessão do direito de uso de software são, em primeiro lugar, isentos da incidência da CIDE por expressa determinação legal (art. 2º, § 1ºAº da Lei nº 10.168/2000); em segundo lugar, devese considerar que eles têm natureza de royalty e o instituto da propriedade intelectual que tutela o royalty é o direito autoral por determinação legal. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/201251 Acórdão n.º 3202001.299 S3C2T2 Fl. 1.080 6 Os royalties devidos em virtude de cessão de direitos autorais não possui previsão no Decreto nº 4.195/2002, por isso, a não podem ser submetidos à incidência da CIDE, em face do princípio da estrita legalidade; (iv) Os pagamentos efetuados pela Recorrente a título de contraprestação pela prestação de serviços não ensejaram a incidência da CIDE Royalties, pois os serviços contratados pela Recorrente não são considerados “técnicos” na acepção da Lei nº 10.168/2000 uma vez que, para serem “técnicos”, é condição sine qua non a transferência de tecnologia e tal fato não se fez presente no caso tratado; (v) Foram feitos pagamentos a título de indenização de multas, reembolsos de despesas e pagamentos relativos a despesas diversas que devem ser excluídos da base de cálculo da CIDE por não configurarem fato gerador da sua incidência; (vi) Serviços de assistência administrativa requerem, igualmente, transferência de tecnologia para que haja incidência da CIDE, fato que não ocorreu no presente caso; (vii) Subsidiariamente, a Recorrente faz jus à exclusão do IRRF da base de cálculo da CIDE por inexistir previsão legal para a sua inclusão e pela pretensão de incluílo afrontar dispositivo legal que disciplina a exata extensão da base de cálculo da contribuição devida; (viii) Subsidiariamente, a Recorrente faz jus ao reconhecimento de que não deve incidir juros moratórios sobre a multa de ofício lançada haja vista o fato de que inexiste previsão legal para a sua incidência. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. Em 09/09/2014, a Recorrente protocolizou no CAC – Central de Atendimento ao Contribuinte da DERAT – São Paulo pedido de desistência integral do recurso interposto, “mediante pagamento à vista, com os benefícios estabelecidos pelo artigo 2º da Lei 12.996/14 (...)”, requerendo que “seja retirado o presente processo da pauta de julgamento do dia 16/09/2014, bem como seja reconhecida a desistência, e, ainda, a extinção do débito objeto do presente feito, nos termos do artigo 156, I, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10830.727510/201251 Acórdão n.º 3202001.299 S3C2T2 Fl. 1.081 7 Como relatado, em 09/09/2014 a Recorrente apresentou petição informando a desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário, bem como renunciando a qualquer direito sobre o que se fundamenta o presente processo administrativo, tendo em vista o pagamento do débito com os benefícios da Lei nº 12.996/14. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (grifamos) Ressaltese, que a competência para apreciar/deferir os valores que incluiu, espontaneamente, após a autuação, em pagamento/parcelamento, pertence à unidade de jurisdição da recorrente e o rito processual foge ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), por considerarse encerrado o litígio instaurado. Pelo exposto, voto em não conhecer o recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/11/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 05/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 11080.725652/2013-57
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
GLOSA COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. DESRESPEITO AOS PRECEITOS LEGAIS.
A decisão judicial que confere a contribuinte o direito de compensação, não a exime de o fazer em respeito à legislação de regência.
MULTA DE OFÍCIO CUMULADA COM MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício, com o escopo de não onerar demasiadamente o contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para afastar a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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DECISÃO JUDICIAL. DESRESPEITO AOS PRECEITOS LEGAIS. A decisão judicial que confere a contribuinte o direito de compensação, não a exime de o fazer em respeito à legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO CUMULADA COM MULTA ISOLADA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício, com o escopo de não onerar demasiadamente o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para afastar a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 56 52 /2 01 3- 57 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/201357 Acórdão n.º 2803003.891 S2TE03 Fl. 245 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Optolentes Lentes de Contato Ltda, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito Tributário. Contra a contribuinte ora recorrente foram lavrados autos de infração para a constituição de crédito referente a glosa de compensações de contribuições previdenciárias, indevidamente declaradas em GFIP, no período de 01/2009 a 12/2010, multa isolada aplicada por compensações indevidas com comprovada falsidade e aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória, conforme se observa a) DEBCAD nº 51.025.9995 – Glosa de compensações de contribuições previdenciárias, consolidado em 04/06/2013ç b) DEBCAD nº 51.026.0004 – Multa Isolada por compensações indevidas com comprovada falsidade, no valor de lavrado em 04/06/2013; c) DEBCAD nº 51.026.0012 Descumprimento de obrigação acessória deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, lavrado em 04/06/2013. De acordo com o relatório fiscal apresentado (fls. 78/83), a contribuinte ajuizou a ação ordinária nº 2002.71.00.003223RS visando o reconhecimento do direito de compensar os valores pagos a título de contribuição social incidente sobre a remuneração de administradores e autônomos, instituída pela Lei nº 7787/89, artigo 3º, inciso I. Dada a declaração de inconstitucionalidade da exação pelo Supremo Tribunal Federal, foi proferida sentença procedente em favor da contribuinte. Afima, ainda, o relatório fiscal que a compensação de créditos reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado darseá na forma prevista nos atos normativos da Receita Federal do Brasil se a decisão judicial não dispuser de formar diversa. A compensação de valores foi declarada em GFIP no período e 01/2009 a 12/2010. A contribuinte foi intimada através do Termo de Início de Procedimento Fiscal a apresentar memória de cálculo das compensação efetuadas. Em 26/03/2013 o contribuinte apresentou um documento denominado “Movimento de Compensação De Inss”, no qual constava o valor compensado mensalmente conforme declarado em GFIP. O fiscal entendeu que esse documento não atendeu ao solicitado na intimação fiscal e foi emitido novo termo solicitando informações sobre a real existência de valores retidos e posteriormente compensados pelo sujeito passivo, nos termos da Lei nº 9711/98, e também sobre compensação oriunda do processo judicial 2002.71.00.003223. O contribuinte apresentou suas justificativas, as quais não foram acatadas, sendo, então, contra ele lavrado os autos objeto do presente PAF. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 Após devidamente intimando do lançamento em 08.07.2013, o contribuinte apresentou impugnações tempestivas às fls.88/98 e 114/121. No entanto a delegacia da Receita manteve o lançamento, em acõrdão cuja a ementa transcrevo abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 NULIDADE POR ERRO NO ENQUADRAMENTO DA INFRAÇÃO E DA MULTA APLICADA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por erro no enquadramento da Infração e da Multa aplicada, quando devidamente associados os fatos narrados no auto de infração como justificadores da capitulação legal aplicada, que ensejou a exigência da totalidade do crédito compensado, acrescido de juros e multa de mora. COMPENSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO DIREITO LÍQUIDO E CERTO. GLOSA. O valor compensado indevidamente, sem a comprovação do direito creditório, deve ser glosado, sobre o qual incide multa de mora. Compensação de créditos reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado darseá na forma prevista nos atos normativos da Receita Federal do Brasil, se a decisão não dispuser de forma diversa. INCIDÊNCIAS DE MULTAS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. VIABILIDADE LEGAL. São compatíveis, entre si, as multas exigidas por descumprimento de obrigações principais e acessórias aplicadas em perfeita sintonia com os dispositivos legais de regência. MULTAS APLICADAS. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2013 a 30/06/2013 PREVIDENCIÁRIO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES À RFB. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária, punível com multa pecuniária, deixar a empresa de prestar à Receita Federal do Brasil as informações de natureza cadastral, contábil ou financeira, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, quando regularmente intimada para esse fim. Impugnação Improcedente Fl. 247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/201357 Acórdão n.º 2803003.891 S2TE03 Fl. 246 5 Crédito Tributário Mantido” Irresignado com a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou suscinto recurso voluntário, aduzindo, em apertado escorço: a) que é fato incontroverso que a recorrente declarou as compensações realizadas, sendo objeto da autuaçãoo só e tão somente o fato de não ter apresentado os documentos e o critério de cálculo que teria sido utilizado no cômputo do crédido adjudicado em face do trânsito em julgado da medida judicial; b) que correto seira a imposição da multa isolada, capitulada no Regulamento da Prvidência Social, ao invés da multa de mora e 20%; c) concomitância da penalidade da multa de mora, da multa isolada e da multa de ofício sobre o mesmo fato imponível, o que é vedado por este Conselho. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário apresentado é tempestivo e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Das Glosa de Compensação O instituto da compensação tributária tem fundamento legal, no próprio Código Tribunal Nacional, e classificase como uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Entretanto, foi com o advento da Lei nº 8.383/91, que a compensação tomou suas primeiras formas, visto que o disposto no art. 66 do aludido Diploma Legal, trazia em seu bojo autorização para compensação de tributo e contribuições federais. Tratavase de uma compensação ainda tímida, possível somente entre tributos e contribuições da mesma espécie, e a Instrução Normativa nº 67/92, primeira a regular a matéria, não previa um procedimento especial para a compensação, limitandose a afirmar que ela poderia ser efetuada pelo próprio contribuinte, independentemente de solicitação à unidade da Receita Federal (art. 2º), e que a documentação comprobatória da compensação efetuada deveria ser mantida pelo contribuinte até o fim do prazo prescricional (artigo 10). Quando a Lei nº 9.430/96, no artigo 74, passou a prever a possibilidade da compensação entre tributos e contribuições de espécies distintas, desde que administradas pela então Secretaria da Receita Federal, condicionou tal compensação à apresentação, pelo contribuinte, de um pedido de compensação, cuja forma foi dada pela Instrução Normativa nº 21/97. Expostos os primeiros esboços sobre o instituto da compensação tributária, desde já, é possível apontar que com o advento da Lei nº 9.430/96, era possível procederse à compensação entre tributos e contribuições de espécies distintas, desde que fossem todos eles administrados pela Secretaria da Receita Federal. O evento acima descrito, qual seja a possibilidade de compensação de diversas espécies tributárias entre si, aí incluídas as contribuições correspondente ao ponto nodal da presente análise e dotado do intuito de defender tal tese, afigurase necessário nos debruçarmos e responder à seguinte indagação: a compensação é um direito do contribuinte ou mero favor fiscal conferido pelo fisco? Para responder ao questionamento em lume, é preciso analisar o teor do comando previsto no art. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/201357 Acórdão n.º 2803003.891 S2TE03 Fl. 247 7 De pronto, é possível concluir que o Código Tributário Nacional conferiu poderes ao legislador ordinário para definir as condições e garantias a serem seguidas, a fim de que se concretize a compensação tributária. Partindo de uma análise literal do dispositivo ora em debate, é possível também afirmar sob uma leitura meramente perfunctória que o CTN conferiu à autoridade administrativa a prerrogativa de determinar quais as condições e garantias para que ocorra a compensação. Contudo, a interpretação do dispositivo em comento deve ser feita com parcimônia, de sorte que a decisão quanto à compensação não seja dada em função da mera discricionariedade da autoridade administrativa. Destarte, ainda que a compensação em questão fosse autoridade por medida judicial, deveria a recorrente ter procedido em atendimento aos procedimentos legais para a efatização da compensação, o que não o fez, conforme confissão em sua própria peça recursal (fls. 199/201): “Conforme se verifica pela cronologia dos fatos, bem como pelos argumentos justificadores da imposição fiscal, a infração cometida apontada pela autoridade autuante, conforme já restou consignado nas razões de impugnação, reiteradas em sede de recurso voluntário, relativo ao Auto de Infração n. 51.025.9995 (decorrente do mesmo procedimento fiscal); que inclusive ensejou a exigência da totalidade do crédito adjudicado na época, afigurase, claramente, mero erro formal, nada mais do que isso. Aliás, é fato incontroverso nos autos que a empresa declarou as compensações realizadas, sendo objeto da autuaçãoo só e tão somente o fato de não ter apresentado os documentos e o critério de cálculo que teria sido utilizado no cômputo do crédito adjudicado em face do trânsito em julgado da medida judicial. Observese que, em que pese a empresa ter adjudicado créditos fiscais legítimos, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado, o fez de forma equivocada, inadequada, sem atentar para as nomas fiscais específicas no que tangem às obrigações fiscais.” Com efeito, a recorrente confessa que não procedeu a compensação em respeito aos ditames legais, pelo contrário, executou a compensação de forma aleatória, sem qualquer supedâneo que lhe desse sustentáculo. Ora, para a compensação não basta a existência e legitimidade do crédito que se pretende compensar, mister se faz que o contribuinte adote os mecanismos legalmente previstos com o desiderato de pode usufruir exitosamente o crédito existente. Ademais, a recorrente não trouxe em nenhum momento da fiscalização como atingiu os valores compensados, tampouco a mágica formula que utilizou para alcançar mencionados montantes. Assim, não vislumbro como dar guarida as frívolas alegações da recorrente neste ponto. Das Multas Aplicadas Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 Analisando o relatório fiscal, observase que o auditor responsável aplicou 03 (três) multas, a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n. 9430/96, a multa de mora prevista no §9o., do art. 88, da Lei n. 8.212/91 e a multa isolada de 150%, constatada a falsidade na declaração apresentada. Ocorre que a aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício é vedada por este Conselhor. Ora, houve a aplicação da multa no percentual de 150%, pois entendeu a fiscalização existir falsidade na declaração GFIP, de modo a fazer incidir a regra prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, antes de ser alterado pela Lei nº 11.941/2009. Nesse diapasão, transcrevese a redação original do invocado dispositivo: “Art. 89. "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Da simples leitura do artigo supramencionado, não há qualquer dúvida de que, no caso de prestação de informação falsa na declaração da GFIP, o contribuinte fica, por fazer o artigo acima reproduzido remissão ao inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996, sujeito à multa isolada de 75%, a qual é aplicada em dobro, por conta da gravidade da infração. Analisando a função social dessa norma, verificase que ela tem por finalidade inibir, aplicando multa elevada, a prática infracional de prestação de informações equivocadas, com o claro intuito de reduzir a carga tributária, o que inevitavelmente acarreta lesão direta aos cofres públicos. Pois, especificamente no caso de compensação, o contribuinte deixa de desembolsar valores a título de pagamento do tributo, por possuir créditos contra a Fazenda Pública. Assim, se na GFIP, o sujeito passivo insere na declaração ser possuidor de direito crédito e essa informação não corresponder à realidade dos fatos, sem dúvida, constitui clara hipótese do artigo supra. A falsidade a que se refere o artigo em debate, está atrelada a ideia de que a informação prestada na declaração deve necessariamente não só corresponder à verdade dos fatos, mas também estar estritamente amparada por lei. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11080.725652/201357 Acórdão n.º 2803003.891 S2TE03 Fl. 248 9 Ocorre que não vislumbro no caso em apreço a suposta falsidade a ensejar a aplicação da multa isolada no importe de 150%, pelo contrário, a própria fiscalização admite em seu relatório a existência do crédito a compensar, somente diverge da forma feita, que não respeito os ditames legais. Assim, com o escopo de não onerar injustamente a contribuinte, afasto a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, para no mérito darlhe parcial provimento, afastando a multa isolada de 150% aplicada pela fiscalização. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 11610.003881/2003-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Nesse caso a prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF é o bastante para se aferir a correção do procedimento.
. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
Uma vez demonstrado pelo contribuinte com documentos hábeis e idôneos que oferecera à tributação os rendimentos que deram origem às retenções consideradas na formação do saldo negativo é de se dar provimento ao recurso.
Numero da decisão: 1401-000.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
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COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Nesse caso a prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF é o bastante para se aferir a correção do procedimento. . RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Uma vez demonstrado pelo contribuinte com documentos hábeis e idôneos que oferecera à tributação os rendimentos que deram origem às retenções consideradas na formação do saldo negativo é de se dar provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. . (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 38 81 /2 00 3- 18 Fl. 588DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 588 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 589 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1620.798, da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo ISP. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: Em 18/03/2003, a contribuinte protocolizou junto à SRF, DCOMP (fls.01/03), objetivando o aproveitamento de saldos negativos de IRPJ, referentes aos anos calendário de 2000 e 2001, nos valores de R$ 395.044,86 e R$ 120.865,40, respectivamente, para compensação de débitos diversos deste processo, das DCOMP eletrônicas e dos processos apensos. Em 04/03/2008, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 308/315) HOMOLOGANDO EM PARTE as compensações declaradas em DCOMP, nos valores de R$ 36.490,58 e R$ 105.752,57 para os anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente, valores estes remanescentes, após efetuadas as compensações, informadas em DCTF sem processo. Dessa forma, o litígio restringese aos seguintes valores originais para os anoscalendário de 2000 e 2001, conforme segue: Anocalendário/tributo IRPJ 2000 158.775,25 2001 15.112,83 A homologação parcial das compensações deuse pelos motivos expostos a seguir: • Para o anocalendário de 2000, o saldo negativo apurado foi reduzido para R$ 36.490,58, em razão de compensações efetuadas pela requerente sem processo. • A diferença provém da glosa de IRRF deduzido a maior na apuração anual no valor de R$ 58.981,94 (comprovou apenas R$ 695.488,12 em DIRF e não ofereceu todas as receitas de prestação de serviços à tributação, razão pela qual o IRRF dedutível foi reduzido de R$ 695.488,12 para R$ 684.544,19) e das estimativas mensais em virtude compensação não informada em DCTF para os PA de 01/03 do anocalendário de 2000, cujo ajuste reduziu o montante em R$ 99.793,31; • Para o anocalendário de 2001, o saldo negativo foi reduzido para R$ 105.752,57, tendo em vista que a contribuinte logrou comprovar IRRF dedutível de R$ 994.904,92 (fls.l 16/148 e 314) de um total deduzido na DIPJ de RS 1.010.017,74. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 590 4 A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 07/05/2008 (fl.. 306 verso) e dela recorreu a esta DRJ em 08/04/2008 (fls. 307/317). As alegações da impugnante são resumidas a seguir. Requer a suspensão dos débitos cuja compensação não foi homologada (art.l51,III,CTN); Quanto à glosa de R$ 158.775,25 (R$ 99.793,94+R$ 58.981,94), apresenta documentos contábeis (docs.05 e 06) que comprovam as compensações efetuadas (R$ 99.793,94 compensações efetuadas nos PA de 01/03 de 2000) e estas não podem ser desconsideradas mesmo não sendo informadas em DCTF, pois se deve considerar a verdade dos fatos (princípio da verdade material); Quanto ao valor glosado de R$ 58.981,94, a autoridade fiscal não poderia utilizarse de cálculo mediante o emprego de método de proporção para a aferição do IRRF dedutível sobre os rendimentos de prestação de serviços; • A diferença entre os montantes apurados pelo Fisco e pela contribuinte deriva da diferença de regimes de tributação adotados entre a tomadora e a pagadora dos rendimentos (regimes de caixa e competência), a qual resultou em divergências, conforme ocorreu com os JSCP (docs.7 e 8); • Quanto à glosa de R$ 15.112,83, referente ao anocalendário de 2001, a diferença apurada pelo Fisco e pela contribuinte provém das diferenças de regimes de tributação adotados entre a tomadora e a pagadora dos rendimentos (regimes de caixa e competência); • Requer, por fim, provimento da presente manifestação de inconformidade. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem créditos a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 591 5 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento em relação ao JCP: Primeiramente, concluise que a DRJ desconsiderou totalmente os documentos 7 a 10 juntados aos autos por intermédio de petição protocolada em 29/9/2008, os quais, mais uma vez, ora se anexa (doc. 01). Tratase das planilhas demonstrativas dos valores recebidos a título de JCP, bem como do livro razão no qual ocorreu a sua contabilização. Com efeito, a Receita Federal desconsiderou o crédito de IRRF detido pela Recorrente, em relação às receitas de juros sobre capital próprio recebida, contabilizadas e, principalmente, tributadas no ano calendário de 2.000. (1) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 1.999, registrada na contabilidade em 25/2/2000, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na conta contábil de IRF a recuperar. (2) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 2.000, registrada na contabilidade érh 28/2/2001, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, ha'conta contábil de IRF a recuperar. Da análise.da planilha receita de juros sobre o capital próprio ano calendário 2000; verificase que os pagamentos relativos a JCP reconhecidos pela RFB, totalizam R$ 1.573.853,02, quando, na verdade, as receitas de JCP correspondem a R$ 1.829.685,97 (tal como informado na DIPJ doc. 2). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A interessada apresentou Pedido de Restituição cumulado com Pedido de Compensação pretendendo compensar os débitos mediante aproveitamento de crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário de 2000 e 2001.. O pleito foi deferido apenas em parte, deixandose de homologar as compensações referentes aos valores de R$ 158.775,25 (R$ 99.793,94 e R$ 58.981,94), em face do ano calendário 2000 e R$ 15.112,57 com relação ao anocalendário 2001. Baixouse o feito em diligência para averiguação APENAS de questões de fato ligadas a diferenças dos regimes de apropriação de receitas entre quem paga os rendimentos e de quem os recebe (regimes de caixa e competência) , ou seja R$ 58.981,94 para o anocalendário de 2000 e R$ 15.112,83 para o anocalendário de 2001. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 592 6 Em apertada síntese, a esse respeito, assim se pronunciou a DRJ para negar a solicitação da Recorrente: (...)Outro argumento apresentado pela contribuinte é a questão das diferenças dos regimes de apropriação de receitas entre quem paga os rendimentos e de quem os recebe (regimes de caixa e competência), cuja metodologia pode resultar em reconhecimento não coincidentes em data e montantes. Se o valor, conforme alega a interessada, provém da diferença de regimes de tributação adotados entre a tomadora e a prestadora de serviços (regimes de caixa e competência), deveria a reclamante apresentar documentação comprobatória, a qual provasse as referidas discrepâncias. Para a prova de que houve diferenças entre a apropriação das receitas e das retenções é imprescindível que se demonstre os montantes discrepantes reconhecidos nos exercícios envolvidos. Se houve tributação a maior em um exercício, ocorreu um oferecimento a menor em outro período. Portanto, as referidas diferenças devem ser demonstradas através de documentação hábil e idônea de forma a não restar qualquer dúvida quanto à apropriação das receitas auferidas e as respectivas retenções de IR. Mencionada providência não foi tomada pela reclamante. Anexo aos presentes autos temos as cópias do Razão Analítico de fls.349/357, cujo objetivo é a prova das retenções dos JSCP na contabilidade. Apesar da apresentação dos livros contábeis, não há nos autos qualquer prova que as receitas auferidas e glosadas pela autoridade fiscal foram oferecidas à tributação (doc. 8). Em relação à glosa de R$ 15.112,83, referente ao anocalendário de 2001, a contribuinte utilizase da mesma argumentação para refutar o ajuste na DIPJ. Da mesma forma, aplicase ao presente as observações já mencionadas anteriormente. De fato, cabe salientar que a adoção do regime de competência na contabilização de receitas e despesas está prevista na legislação tributária. Assim, nas as receitas são apropriadas ao resultado em observância do regime de competência dos períodos base, sendo reconhecidas à medida que os rendimentos são atribuídos. Porém é sabido que é aceitável que ocorra divergência entre os montantes de rendimentos informados nas DIRFs e os valores contabilizados e declarados pelas empresas, dado o reconhecimento das receitas pelo contribuinte de acordo com o regime de competência, sendo o método da proporcionalidade o último recurso a ser utilizado. De outra banda, a Recorrente trouxe em seu Recurso fls. 400/406 fundamentos justificadores para a comprovação da diferença glosada convincentes, porém carentes de uma melhor aprofundamento que não pôde ser feito por esta autoridade julgadora, motivo pelo qual o feito foi baixado em diligência. Conforme relatado, assim demonstra a Recorrente a origem das diferenças: Primeiramente, concluise que a DRJ desconsiderou totalmente os documentos 7 a 10 juntados aos autos por intermédio de petição protocolada em 29/9/2008, os quais, mais uma vez, ora se anexa (doc. 01). Tratase das planilhas demonstrativas dos valores recebidos a título de JCP, bem como do livro razão no qual ocorreu a sua contabilização. Com efeito, a Receita Federal desconsiderou o crédito de IRRF detido pela Recorrente, em relação às receitas de juros sobre capital próprio recebida, contabilizadas e, principalmente, tributadas no ano calendário de 2.000. Fl. 593DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 593 7 (1) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 1.999, registrada na contabilidade em 25/2/2000, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na conta contábil de IRF a recuperar. (2) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 2.000, registrada na contabilidade em 28/2/2001, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na'conta contábil de IRF a recuperar. Da análise.da planilha receita de juros sobre o capital próprio ano calendário 2000; verificase que os pagamentos relativos a JCP reconhecidos pela RFB, totalizam R$ 1.573.853,02, quando, na verdade, as receitas de JCP correspondem a R$ 1.829.685,97 (tal como informado na DIPJ doc. 2). Fonte Nome , Rendimento Bruto IRRF Observação 03.323.840/000183 Banco Alfa S/A (BRI) 50.877,80 7.631,66 fls. 278 17.167.412/000113 Financeira Alfa S/A 2.383,80 .357,56 fls. 278 60.770.336/000165 Banco Alfa de Investimentos 60.591,42 29.088,68 fls. 278 TOTAL 1.573.853,02 236.077,90 RECEITA (DIPJ 2001) 1.828.783,79 274.315,77 Ficha 06, Linha 23 DIFERENÇA 254.930,77 38.237,87 311.695,63 .4.754,34 ' 1) (56,776,46) (8.516,47) 2) Infelizmente, a diligência não foi atendida da forma que esperava. Entrouse em questões de direito que fugiam a alçada da autoridade diligenciante e passouse ao largo das questões de fato que precisavam ser melhor investigadas e esclarecidas: Fl. 594DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 594 8 E finalmente, cabe a esclarecer que o tratamento tributário dado ao Juros sobre Capital Próprio é bem diferente dos Dividendos. Dividendos são a parte do lucro que uma companhia de capital aberto, ou seja, aquelas que possuem ações negociadas em Bolsa de Valores, são distribuída aos seus acionistas. Os Dividendos podem ser pagos em novas ações, dinheiro ou bônus de subscrição, e são proporcional à quantidade e ao tipo de ações que o acionista possui no momento do anúncio de sua distribuição. Já os Juros sobre Capital Próprio são obtidos após a aplicação da taxa de juros de longo prazo ("TJLP") sobre o patrimônio líquido ajustado. Ao distribuir e pagar JCP, as empresas utilizam o valor dos juros como despesa no Balanço Patrimonial, diminuindo o lucro para fins de apuração no Imposto de Renda e, conseqüentemente, reduzindo o valor a ser pago a título de Imposto de Renda. E a grande diferença entre eles é justamente o regime de declaração para fins de Imposto de Renda. Enquanto os Dividendos recebidos devem ser declarados pelo regime de caixa, o JCP deve ser declarado pelo regime de competência. Assim sendo, o acionista deverá declarar o JCP no mesmo ano do anúncio de sua distribuição, mesmo se o pagamento ocorrer nos anos subseqüentes. No caso dos Dividendos, estes devem ser declarados sempre no ano de recebimento do pagamento, e não no ano fiscal do anúncio de sua distribuição. De toda sorte, o que se observa é que a autoridade diligenciante não conseguiu infirmar o conjunto coerente de provas e argumentações trazidos aos autos pela Recorrente. A meu ver, a Recorrente trouxe provas suficientes para que seu pedido seja deferido nesta parte. No caso, contentome com a prova trazida aos autos de forma sintética, mas baseandose em documentos contábeis da Recorrente (Razão), DIPJs, planilhas demonstrativas dos valores recebidos a título de JCP e comprovantes de crédito de rendimentos de ações escriturais fornecidos pelo Banco Alfa de Investimentos, todos eles consistentes uns com os outros dando conta de que houve mesmo apenas divergência entre os regimes de apropriação das receitas, sem conseqüências impeditivas para a homologação das compensações, uma vez que as premissas colocadas pela Recorrente se mostram coerentes e verdadeiras: (1) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 1.999, registrada na contabilidade em 25/2/2000, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na conta contábil de IRF a recuperar. (2) A diferença referese ao recebimento de ajuste de JCP relativo ao ano calendário de 2.000, registrada na contabilidade em 28/2/2001, conforme razão contábil anexado ao presente recurso. O IRF (15%) referente a essa receita foi corretamente contabilizado, na'conta contábil de IRF a recuperar. É sabido que a coerência e a ausência de consistência é tido também como um conceito de verdade. Pois a verdade pressupõe coerência interna. Na falta de uma verdade absoluta, o conceito moderno de coerência prevalece sobre outros conceitos de verdades, como por exemplo, o conceito de verdade como correspondência, que foi o procurado quando da diligência. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 595 9 Outrossim, os esclarecimentos e explicações trazidos ‘as fls. 404/406 da sua manifestação de inconformidade contra o resultado de diligência aliado aos novos documentos anexados aos autos não podem ser olvidados, deixando mais claro ainda os motivos das divergências, bem assim corroborando os seguintes fatos: a receita dos juros sobre o capital próprio foi tributada Os JCP e o IRRF referente ao JCP foram corretamente contabilizados Apesar de haver divergência nas DIRFs, o IRRF foi descontado dos valores recebidos da Recorrente, conforme atestam anexos comprovantes de crédito de rendimentos de ações escriturais fornecidos pelo Banco Alfa de Investimentos. Por todo o exposto, Dou provimento parcial ao recurso no valor R$ 58.981,94, em relação ao ano calendário 2000 e R$ 15.112,57 com relação ao anocalendário 2001 e homologar as respectivas compensações até o limite desses créditos atualizados monetariamente, conforme legislação de regência. Compensações sem processo feitas na contabilidade A Recorrente se indispõe contra a glosa de R$ 99.793,94 (linha 16 da Ficha 12 A), alegando que procedera com compensação sem processo feito direito na contabilidade. Para provar seu direito, apresenta as cópias do Livro Razão, as quais demonstram os lançamentos contábeis das compensações desconsideradas pela autoridade fiscal em seu Despacho Decisório. A DRJ indefere essa parte da solicitação, nos seguintes termos: Quanto à compensação, como bem observado pela autoridade fiscal, devem ser informadas em DCTF para terem eficácia, pois a compensação somente na escrituração vigorou apenas até edição da IN SRF n° 21/97. 0 art.6°, I, e o art.7°, XI e §1°, da IN SRF n° 73/97 determinam que as compensações tributárias devem ser informadas em DCTF: "Art. 6° A DCTF será apresentada por contribuinte, pessoa jurídica, ou a ela equiparado, na forma da legislação pertinente, para prestar informações relativas aos seguintes tributos e contribuições federais: 1 Imposto sobre a Renda das Pessoas jurídicas IRPJ; Art. 7° A DCTF deverá conter as seguintes informações, relativas ao trimestre de competência: XI compensações; § Io No caso de compensação deverá ser informado o código da receita, a data do pagamento, o valor original da receita, expresso em moeda da época, e o valor utilizado para compensação." Fl. 596DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11610.003881/200318 Acórdão n.º 1401000.953 S1C4T1 Fl. 596 10 Dessa forma, apenas a apresentação de documentos fiscais (escrituração fls.344/348) não é providência suficiente para a comprovação das compensações efetuadas pela requerente. Cai por terra, dessa forma, a argumentação da requerente quanto ao respeito da busca da verdade material se nem a mesma cumpre suas obrigações tributárias. Tratase de compensação de imposto da mesma espécie antes do advento da sistemática das Dcomps. É que a partir de então para efetivar as compensações com o novo regime de compensações atualmente em vigor, não cabendo mais a mera demonstração de compensação na contabilidade, pois essa sistemática não é mais vigente. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, em seu art. 49, instituiu a declaração de compensação (Dcomp) e deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para estabelecer que, a partir de 1º de outubro de 2002 (art. 68), a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação e será “efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos”: Nessa esteira, antes do advento dessa nova sistemática de compensação, tenho me posicionado favoravelmente á prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF. A contabilidade por si só já demonstra a boa fé do contribuinte e possui elementos suficientes para se aferir a correição do procedimento. Nos autos não consta que a DRF nem a DRJ tem desqualificado a sua contabilidade, tendo se pautado para o indeferimento do pleito única e exclusivamente pela ausência de declaração das compensações em DCTF. O razão de fls. 344 e seguintes para mim é suficiente como prova da referida compensação. Por todo o exposto, DOU provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 597DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/09/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10880.694456/2009-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de agosto/2004, indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 94 45 6/ 20 09 -6 9 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 306 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 307 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 308 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 308DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 309 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 310 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 311 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 312 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 312DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 313 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 314 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 314DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 315 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 315DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 316 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 316DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 317 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 318 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 318DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.694456/200969 Resolução nº 3302000.492 S3C3T2 Fl. 319 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 319DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 10983.900834/2010-34
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA ALOCAÇÃO E DA DISPONIBILIDADE DE PAGAMENTO.
Confirmada a alocação dos pagamentos a compensações efetuadas, e a disponibilidade de saldo suficiente para a compensação especificamente pleiteada no processo (e indeferida por despacho decisório eletrônico que indicava alocação a outro débito), esta deve ser acolhida.
Numero da decisão: 3403-003.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA ALOCAÇÃO E DA DISPONIBILIDADE DE PAGAMENTO. Confirmada a alocação dos pagamentos a compensações efetuadas, e a disponibilidade de saldo suficiente para a compensação especificamente pleiteada no processo (e indeferida por despacho decisório eletrônico que indicava alocação a outro débito), esta deve ser acolhida. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Alexandre Kern. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida (em substituição a Alexandre Kern), Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 08 34 /2 01 0- 34 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre a DCOMP de fls. 3 a 61, transmitida em 11/08/2005, na qual se busca compensar valor recolhido a maior ou indevidamente (R$ 8.386,55, de um total de R$ 14.035,41, pago em 15/06/2005) a título de COFINS com débitos da própria COFINS e de Contribuição para ao PIS/PASEP. No Despacho Decisório eletrônico de fl. 7 (emitido em 19/04/2010, com ciência em 27/04/2010, conforme AR de fl. 8), acusase que o pagamento (DARF no valor total de R$ 14.035,41) foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte (em outro processo de compensação), não restando crédito disponível para a compensação. Em sua manifestação de inconformidade (fl. 9), alega a empresa que “o valor não consta na DCTF do mês 05/2005, tendo em vista a inexistência de débito, pois o valor informando do DACON ficha 17, apresenta débito de R$ 344,05, e retido na fonte ficha 17A R$ 507,03, portanto o sistema não aceita a informação do referido DARF de R$ 14.035,41 na DCTF”. Para comprovar o alegado, junta o DARF (fl. 12), planilha interna (fl. 13) e DACON (fls. 14 a 21). Em 28/10/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 23 a 25), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade, por não haver comprovação do direito creditório. O julgador afirma que a motivação do indeferimento é utilização do crédito em outro processo de compensação (final 8273), e que a contribuinte nada alega a esse respeito. Cientificada da decisão de piso em 25/11/2012 (AR à fl. 27), a empresa apresenta recurso voluntário em 14/12/2012 (fls. 28 a 36), no qual alega que: (a) efetuou um pagamento a maior de R$ 14.035,41 a título de COFINS em 15/06/2005 (em relação a mês para o qual não possuía débito algum); (b) aproveitou inicialmente parte de tal o pagamento (R$ 5.205,34) na DCOMP retificadora de final 8273, remanescendo um saldo de R$ 8.881,61; (c) em 14/07/2005 registrou uma segunda DCOMP (final 6600), utilizando mais R$ 495,05, restando ainda R$ 8.386,56; (d) em 11/08/2005 transmitiu a DCOMP em análise neste processo (final 8090), no valor de R$ 8.597,05 (correspondente à atualização dos R$ 8.386,56 remanescentes); e (e) assim, há crédito suficiente para todas as compensações. Em anexo, adiciona DCTF1osem/2005 (fls. 37 a 110) e DIPJ2006 (fls. 111 a 134). Em 24/10/2013 esta Terceira Turma unanimemente decide pela conversão do julgamento em diligência, por meio da Resolução no 3403000.518, para que a unidade local da RFB apontasse, detalhadamente, as imputações efetuadas e o desfecho de cada processo de compensação referente ao pagamento de R$ 14.035,41, efetuado pela recorrente em 15/06/2005, no código 2172. No despacho de diligência de fls. 166/167, emitido em 28/08/2014, a autoridade local esclarece que “o pagamento em tela teria sido suficiente para compensar os débitos das DCOMP mencionadas” (DCOMP nº 38399.51580.280905.1.7.048273, R$ 5.153,80; DCOMP nº 07751.98146.140705.1.3.046600, R$ 495,05; e DCOMP nº 13009.36251.110805.1.3.048090, objeto do presente processo, R$ 8.386,56), sendo a recorrente cientificada do despacho em 11/09/2014 (cf. documento de fl. 169), sem apresentar manifestação sobre seu teor. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 173DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10983.900834/201034 Acórdão n.º 3403003.450 S3C4T3 Fl. 173 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O caso é de despacho decisório eletrônico. Mas, de forma diversa ao que normalmente acontece, o despacho, apesar de eletrônico, é extremamente preciso, indicando que o pagamento (R$ 14.035,41) efetuado no código 2172 (COFINS) em 15/06/2005 (PA 05/2005) foi utilizado integralmente em outra compensação (PER/DCOMP no 38399.51580.280905.1.7.048273). Após manifestação de inconformidade sintética e confusa, que ocasiona o indeferimento do direito creditório na instância de piso, a empresa torna mais clara em sede recursal a explicação para o ocorrido: teria registrado o PER/DCOMP no 12410.93656.120705.1.1.044627, retificado, em 28/09/2005, pelo PER/DCOMP no 38399.51580.280905.1.7.048273 (que é o referido no despacho decisório), compensando parte do crédito que possuía. Assim, o PER/DCOMP retificador (tratado no despacho decisório) aproveita R$ 5.153,80 (valor do crédito original) dos R$ 14.035,41, pagos em 15/06/2005 (código 2172), restando um saldo original de R$ 8.881,61. E tal saldo teria sido utilizado inicialmente em outro PER/DCOMP (de final 6660), no montante original de R$ 495,05, restando ainda disponíveis R$ 8.383,56, sendo que com o saldo disponível (ou melhor, com R$ 8.383,55, restando disponíveis R$ 0,01) se registra o PER/DCOMP de que trata o presente processo. Restando, a priori, demonstrada a utilização em compensações do valor constante do DARF apontado como origem do crédito, em tese estaria afastada a motivação do despacho decisório denegatório (de que o pagamento foi alocado integralmente ao PER/DCOMP no 38399.51580.280905.1.7.048273). Mas como não havia no processo cópia de nenhum dos PER/DCOMP adicionais citados pela recorrente, ou de seus processos correspondentes (que não foram localizados no “eprocessos”), determinouse a conversão em diligência para que fossem detalhadas as imputações efetuadas e o desfecho de cada processo de compensação referente ao pagamento de R$ 14.035,41, efetuado pela recorrente em 15/06/2005, no código 2172. No despacho de diligência de fls. 166/167, emitido em 28/08/2014, esclarece se que: “Por meio de pesquisa extraída dos sistemas da Receita Federal do Brasil (RFB), às fls. 144/145, verificamos, primeiramente, que o DARF indicado às fls. 4 (pagamento nº 5104802238), totalizando a quantia de R$ 14.035,41, não teria sido utilizado na vinculação de débito da COFINS (período de apuração maio/2005), uma vez que não consta a existência de crédito tributário constituído seja por meio de Declaração de Débitos e Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Créditos de Tributos Federais –DCTF, seja por lançamento de ofício de eventual quantia devida da aludida contribuição. Ato contínuo, verificamos que este pagamento teria sido efetivamente aplicado na compensação da DCOMP nº 38399.51580.280905.1.7.0482731 (fls. 153/157), na quantia original de R$ 5.153,80, constando dos sistemas da RFB, a informação de que ocorreu a homologação total desta compensação, o que, por consequência, geraria saldo de crédito em favor do interessado (fls.145). Salientese, por oportuno, que o saldo do DARF em tela teria sido vinculado pelo contribuinte noutras duas DCOMP, a saber: i) na DCOMP nº 07751.98146.140705.1.3.046600 (fls. 158/161), com utilização da quantia original de R$ 495,05; e ii) na DCOMP nº 13009.36251.110805.1.3.048090 (objeto do presente processo), donde o crédito utilizado perfaz a quantia original de R$ 8.386,56. Quanto àquela DCOMP, verificamos que teria ocorrido a sua homologação (fls. 145). No entanto, quanto à DCOMP nº 13009.36251.110805.1.3.048090, verificamos que o despacho decisório de cuida o presente processo, às fls. 7, teria não homologado a referida DCOMP sob o argumento de que o pagamento ilustrado no demonstrativo de fls. 145 teria sido integralmente vinculado aos débitos da DCOMP nº 38399.51580.280905.1.7.048273, o que não corresponde com as informações nesta inseridas. Desta forma, temse que, a partir das informações constantes nos sistemas da RFB, sobretudo o demonstrativo de fls. 145, que apresenta as imputações realizadas ao pagamento nº 5104802238, apreciado em conjunto com a planilha de cálculos de fls. 162/165, entendemos, s.m.j,, que o pagamento em tela teria sido suficiente para compensar os débitos das DCOMP mencionadas acima.” (grifo nosso) Assim, resta clara a improcedência do despacho decisório eletrônico, que partiu de imputação equivocada do pagamento efetuado, como reconhece a própria autoridade local. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10983.900834/201034 Acórdão n.º 3403003.450 S3C4T3 Fl. 174 5 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001537/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. Demonstrada a omissão entre a matéria fática coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar o Acórdão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos de declaração, emprestando-lhes efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1401-001.293
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos da DRF com efeitos infringentes para então DAR-LHES provimento ao recurso voluntário em razão de cobrança em duplicidade.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarou-se impedido de votar.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Câmara. Demonstrada a omissão entre a matéria fática coligida aos autos e as conclusões que dela foram extraídas para fundamentar o Acórdão, impõese a sua correção, em sede de embargos de declaração, emprestandolhes efeitos infringentes. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e ACOLHER os embargos da DRF com efeitos infringentes para então DAR LHES provimento ao recurso voluntário em razão de cobrança em duplicidade. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 37 /2 00 8- 81 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Jorge Celso Freire da Silva. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarouse impedido de votar. Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO em que se alega erro de fato, obscuridade e omissão no Acórdão nº 1401000.598, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que DEU provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE. Comprovada parcialmente a compensação de tributos em outro processo é de se manter também parcialmente o auto de infração lançado em decorrência dessa compensação originalmente indevida. Os Embargos da DRF, em apertada síntese, alega omissão no Acórdão de argumento relevante. É que não foi tratada a questão da duplicidade entre o presente processo (auto de infração da CSLL) e o de no. 10768.906570/200691 ao primeiro ligado, que trata da não homologação de uma Dcomp. Para ser fiel ao relato da DRF, segue abaixo o seu teor: 1. Trata o presente processo de representação fiscal da antiga DERAT/RJO de fls. 01 para lançar débito objeto de compensação não homologada, e que não estava confessado em DCTF, conforme artigo 68 da IN SRF 600/2005. 2. Tal representação é originada do processo n.° 10768.906570/200691 que deu tratamento manual à DCOMP n.° 14150.37760.290503.1.3.024806. 3. O crédito pleiteado de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 foi deferido em parte, e homologados os débitos até o limite desse crédito (fls. 10). 4. O débito compensado de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de R$ 3.184.776,33, foi lançado de oficio no auto de infração de fls. 40/46, em face da omissão desse valor em DCTF e considerando que a DCOMP não é confissão de dívida por ser anterior a 31/10/2003. 5. O valor lançado de ofício foi mantido pela DRJ às fls. 71/72, porém, o Conselho de Contribuintes às fls. 88/96 deu provimento parcial ao recurso voluntário de fls. 77/85 excluindo do lançamento apenas a parcela de R$ 29.166,31 razão de comprovação de retenção na fonte a deduzir. 6. Em que pese o disposto no último parágrafo de fls. 95, nenhuma parcela de compensação é objeto do litígio, cuja discussão se dá nos autos do processo de origem atualmente no CARF vide fls. 124, sendo neste processo julgado apenas a manutenção ou não do auto de infração de lançamento do débito não quitado por compensação e omisso em DCTF. 7. Entretanto, uma das alegações do contribuinte aparentemente não foi analisada: nos itens 17 e 18 de fls. 84 o contribuinte alega que houve duplicidade de cobrança, o que, salvo melhor juízo pelo CARF, teria realmente ocorrido conforme se segue. Fl. 290DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401001.293 S1C4T1 Fl. 289 3 8. Consta nas consultas ao sistema SIEFProcesso de fls. 124/127 que o crédito já reconhecido (parte incontroversa) foi suficiente para quitar o débito de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de RS 3.184.776,33, o mesmo objeto do presente lançamento de ofício. 9. Assim, em caso de prosseguimento da cobrança deste processo em tese haveria duplicidade de cobrança. 10. Desta forma, propomos o retorno dos autos ao CARF a fim de esclarecer as seguintes questões: a) Deve ser mantido o presente auto de infração ? b) Em caso afirmativo acima, como fica a compensação anterior de fls. 127 ? É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Apenas para melhor contextualização, os presentes embargos se dá no contexto de uma autuação em que a autoridade fiscal lançou de ofício o débito compensado de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de R$ 3.184.776,33, em face da omissão desse valor em DCTF e considerando que a DCOMP não é confissão de dívida por ser anterior a 31/10/2003. Acontece que existe um outro processo que tratou da não homologação da Dcomp 10768.906570/200691. Entrando em mais detalhes: Trata referido processo sobre os PER/DCOMP que versa sobre compensações do saldo negativo do IRPJ relativo ao ano calendário de 2000. O PER/DCOMP n° 14150.37760.290503.1.3.024806, baixado em papel no qual a interessada acima solicita compensação de débito de CSLL (código 24841 mesmo débito lançado no presente processo ora motivo de embargos), relativo ao período de apuração abril/2003 e vencimento 30/05/2003, no valor de R$ 3.184.776,33, que não se encontrava informado em DCTF com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário de 2000, no valor de R$ 7.344.797,76 De fato há omissão no julgado embargado. Não foi tratado a questão relativa a uma possível cobrança em duplicidade promovida por dois processos simultaneamente: o presente processo (auto de infração em função da não homologação da dcomp n. 14150.37760.290503.1.3.024) e o de n. 10768.906570/200691 (homologação parcial de algumas Dcomps, inclusive da dcomp acima referida). Fl. 291DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 A Recorrente assim se defendeu dessa questão: Como demonstrado na inicial, o valor total, no montante de R$ 11.400.838,58, foi compensado pela Recorrente da seguinte forma: Competência Valor compensado Tributo compensado W da PER/DCOMP t Maio/2003 3.184.776,33 CSLL 14150.37760.290503.1.3.024 Maio/2003 2.158.894,72 IRPJ 19205.53147.290503.1.3.023 Setembro/2003 73.503,74 IRPJ 12254.26166.150904.1 J.025 Setembro/2003 26.178,43 CSLL 12254.26166.150904.1.3.025 Outubro/2003 109.503,55 IRPJ 28376.21261.151004.1.3.024 Outubro/2003 41.128,36 CSLL 28376.21261.151004.1.3.024 Novembro/2003 1.806.693,89 IRPJ 36003.04504.121104.1.3.027 Novembro/2003 666.425,70 CSLL 6003.04504.121104.1.3.027 Dezembro/2003 2.360.963,27 IRPJ 20615.94537.131204.1.3.029 Dezembro/2003 972.770,59 CSLL 20615.94537.131204,1.3.029 Total.compensação 11.400.838,58 Assim sendo, resta. demonstrado e comprovado, pela documentação anexada aos autos que o direito' creditório requerido através da ´PER/DCOMP n° 14150.37760.290503.1.3.024806 no montante de R$ 3,184.776,33 está correto e deve ser homologado, portanto não há hipótese, como mencionado pelo Fiscal responsável pelo Lançamento e posteriormente confirmado pela Julgadora de Ia instância, da ora Recorrente ter recolhido tributo com insuficiência. ' . 13 Se não houve recolhimento insuficiente, o que pode ter ocorrido? 14 Na verdade o que ocorreu, e isto foi detectado após a decisão a quo, foi a falta de preenchimento da DCTF ou seja no mês de maio de 2003 a Recorrente deixou de prestar esta informação na DCTF, o que convenhamos não pode ensejar na cobrança em referência, quando muito poderia ter sido exigida alguma penalidade por falta de cumprimento da obrigação acessória. 15 De acordo com fls. 72 da decisão de Ia instância, foi feito menção pela Sra. Julgadora da existência do PTA supracitado cujo mérito é exatamente o mesmo da autuação em tela ou seja o tributo; o período de apuração e o valor saõ rigorosamente os mesmos da presente autuação. 16 Na verdade o PTA 10768.906570/200691 diz respeito a não homologação da PER DCOMP o que levou a Recorrente interpor manifestação de Inconformidade pelas mesmas razões expostas acima. 17 Como se pode observar a Receita Federal do Brasil iniciou DOIS processos administrativos distintos para cobrar um mesmo tributo, o que convenhamos traduzse em verdadeiro terrorismo fiscal na medida em que a CSLL de R$ 3.184.776,33 já havia sido recolhida por antecipação conforme explicações fornecidas anteriormente. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15374.001537/200881 Acórdão n.º 1401001.293 S1C4T1 Fl. 290 5 18 Com base nesta duplicidade de lançamentos e nas provas carreadas aos autos, está devidamente comprovado que a autuação. em referência é totalmente improcedente eis que a obrigação principal foi plenamente satisfeita, tendo ocorrido apenas um equívoco em relação ao preenchimento da DCTF que não pode e nem deve ser punido da forma como pretende a Receita Federal.(grifei) A DRF em seus embargos foi peremptória: Consta nas consultas ao sistema SIEFProcesso de fls. 124/127 que o crédito já reconhecido (parte incontroversa) foi suficiente para quitar o débito de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de RS 3.184.776,33, o mesmo objeto do presente lançamento de ofício. 9. Assim, em caso de prosseguimento da cobrança deste processo em tese haveria duplicidade de cobrança. Como se vê, patente é a duplicidade apontada tanto pelo contribuinte quanto pela DRF em seus embargos. Na verdade as decisões da DRJ e do CARF deixaramse levar apenas pela aparente conexão entre os dois processos e não vislumbraram que o objeto do litígio do presente processo já estava abarcado pela lide do processo n. 10768.906570/200691, em que, conforme bem sublinhado pela DRF o crédito já reconhecido (parte incontroversa) foi suficiente para quitar o débito de CSLL, código de receita 2484, do PA 04/2003, no valor de RS 3.184.776,33. Dessa forma, patente o erro de fato cometido pelo Acórdão embargado, motivo pelo qual se deve acolher os embargos da DRF e lhes dar efeitos infringentes, para então DAR provimento ao recurso voluntário. Sobre a admissibilidade de se conferir efeitos infringentes aos embargos declaratórios, trago à baila a lição de Candido Rangel Dinamarco : São em princípio inadmissíveis os embargos declaratórios com eficácia infringente; mas a jurisprudência atenua essa regra, ao permitir que pela via dos embargos de declaração se corrijam certos erros graves e perceptíveis a um exame puramente objetivo, corno aquele consistente em dar por intempestivo um recurso interposto dentro do prazo. No mesmo sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a exemplo do posicionamento assentado nos EDcl no REsp nº 511.127 MG, Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 12/06/2007 e publicado em 06/08/2007. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. 28,86%. COMPENSAÇÃO DETERMINADA NO ACÓRDÃO EXEQÜENDO NÃO ESTABELECIDA NAS CONTAS DE LIQÜIDAÇÃO. ERRO MATERIAL CONFIGURADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS COM EFEITOS INFRINGENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO. (...) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 3. Não obstante os embargos declaratórios produzam, em regra,tãosomente efeito integrativo, doutrina e jurisprudência admitem a modificação do acórdão quando presente algum dos vícios que ensejam a interposição dos embargos. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos para conhecer do recurso especial e darlhe provimento. Com essas considerações finais, ACOLHO os embargos da DRF com efeitos infringentes para então DAR provimento ao recurso voluntário em razão da cobrança em duplicidade. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 294DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/02/2015 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10675.900135/2010-78
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO.
A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
Numero da decisão: 3802-001.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Claudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão.
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RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO ILIDEM O FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO. A arguição de que a seletividade, ou mesmo a finalidade do uso dos produtos, devem nortear a classificação fiscal de mercadorias, não pode se sobrepor, na esfera administrativa, à classificação fiscal que adota critérios objetivos para indicar o subgrupo da TIPI aplicável aos produtos em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco Jose Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani e Claudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 01 35 /2 01 0- 78 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório PEIXOTO COMÉRCIO, INDÚSTRIA E SERVIÇOS DE TRANSPORTE S/A insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0937.722, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora – DRJ/JFA, que julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade, mantendo, contudo, o saldo credor de R$ 125.835,93, relativo ao 4º trimestre de 2004 e a homologação da integral compensação declarada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação, PER nº24504.80792.260407.1.1.010554, relativo ao saldo credor de IPI do 4º trimestre de 2004, no montante de R$ 125.835,93, calculado nos termos do art. 11 da Lei 9.779, de 19/01/1999. Ao ressarcimento vinculouse a Declaração Eletrônica de Compensação, DCOMP nº 17499.25805.260407.1.3.013828, para compensar débitos no montante de R$ 92.920,23, com vencimentos em 13/12/2002e 04/11/2005 (vide PER/DCOMP DESPACHO DECISÓRIO DETALHAMENTO DA COMPENSAÇÃO, à fl. 21). A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, com procedimento fiscal instaurado, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 03, com o indeferimento do saldo credor requerido e, consequentemente, a não homologação da compensação declarada. Fundamentouse o ato decisório nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 125.835,93 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER/DECOMP. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 17499.25805.260407.1.3.013828. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/201078 Acórdão n.º 3802001.907 S3TE02 Fl. 112 3 INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentados no(s) PER/DCOMP: 24504.80792.260407.1.1.010554. [...] Para o procedimento fiscal instaurado de que dá conta o Despacho Decisório, relatou o auditor fiscal que das "verificações realizadas nas aquisições de insumos (Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem), com direito a crédito, não foram identificadas divergências dignas de glosa”. No entanto, também fez constar: 1) [...] que ao preencher a presente PER/DCOMP, a interessada lançou como Valor Passível de Ressarcimento o total de IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição de insumos e de devoluções de mercadorias tributadas na saída, em vez do saldo credor. Isto é, o valor correto que deveria ser lançado no campo Valor Passível de Ressarcimento seria de R$92.920,23 (devidamente escriturado no LRAIPI) e não R$136.559,46 (valor destacado na aquisição de insumos excluído o valor de R$ 10.120,28 referente a ajuste realizado em dezembro/04). Portanto, glosarseá o valor de R$43.639,23, referente às diferenças destes valores, assim distribuídas: Ao ser indagada do embasamento que deu suporte a tal classificação fiscal a empresa respondeu: Fl. 335DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 “A alteração da NCM 28.28.9011 é a classificação específica mais indicada considerando as características da composição química do produto, pois a Água Sanitária e o Alvejante é a diluição do Hipoclorito de Sódio em água, sendo este o ingrediente principal ativo.” [...] esta fiscalização entende que a melhor classificação para os produtos acima é a da posição 3402.20.00 da TIPI, com tributação de IPI à alíquota de 10%. Classificação que resultará na diferença de R$24.616,10 que se encontra discriminada analiticamente no ANEXOIV. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls.23/29, para alegar que: Os produtos em questão, a água sanitária e o alvejante produzidos pela Requerente, apresentam a seguinte composição química: A Requerente tem comercializado tais produtos rotineiramente utilizandose da classificação fiscal 2828.90.11, indicada para produtos que apresentem em sua composição química predominância do Hipoclorito de Sódio, que resulta na tributação dos mesmos pelo IPI à alíquota de 0%. [...] Fl. 336DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/201078 Acórdão n.º 3802001.907 S3TE02 Fl. 113 5 Em ambos os casos, da água sanitária e do alvejante, sem maior dificuldade se observa a diluição dos agentes químicos em água, com a formação de uma solução aquosa. Além disso, também em ambos os casos, o elemento químico francamente predominado é o Hipoclorito de Sódio. Nesse contexto, o item 28.28.90.1, da TIPI é dedicada ao enquadramento dos Hipocloritos, sendo o item 28.28.90.11, específico para o enquadramento do Hipoclorito de Sódio. Nas notas explicativas ao enquadramento dos elementos químicos no Capítulo 28, esclarece os seguintes termos para o enquadramento dos produtos nesse Capítulo: 1 – Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo compreendem apenas: a) os elementos químicos isolados ou compostos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas; b) as soluções aquosas dos produtos da alínea “a” acima; [...] Nas notas apresentadas como convencimento quanto ao enquadramento da água sanitária e do alvejante (dado pela Fiscalização) indicase, de forma enfática, com negritos e grifos, como característica básica dos produtos que os mesmos prestemse à limpeza de louça sanitária e contenham uma mistura de hipoclorito de sódio com ortofosfato trissódico. Em excerto seguinte, novamente apontase a condição do produto contendo hipoclorito de sódio combinado com diversos outros produtos e destinado à limpeza e desinfecção de pias e banheiros. Observase claramente das justificativas contidas nos trechos citados que a classificação conferida aos produtos em causa, água sanitária e alvejante, decorreu da finalidade conferida a tais produtos, todavia, a ela não se bastando, indicando também que os produtos deveriam resultar de uma combinação de diversos elementos químicos onde figure – e não predomine – o Hipoclorito de sódio. Nesses termos segundo o entendimento fixado pela fiscalização não obstante haja uma classificação específica para os produtos a base de hipoclorito de sódio, ou seja, nos produtos onde esse elemento químico apresente predominância, preferiuse uma classificação onde esse elemento químico integre uma composição química mais ampla, tornando irrelevante a predominância desse elemento químico. Importante sublinhar que caso houvesse dúvida entre as duas classificações, situação inadmitida pela Requerente diante da existência de uma classificação específica para os produtos à base de hipoclorito de sódio, o Fl. 337DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 próprio regulamento do IPI contém normas que solucionariam esse potencial conflito. De fato, no caso do potencial conflito entre duas classificações possíveis, o regulamento estabelece regra própria de harmonização do sistema: (citação das regras 1 e 3 do Sistema Harmonizado) [...] Nesses termos, entende a Requerente que a classificação por elemento químico predominante deve prevalecer sobre a classificação por finalidade do produto, tendo em conta o caráter notoriamente mais genérico da finalidade de cada produto, sendo um critério explícito da tabela que a classificação prefira o critério mais específico em detrimento do critério mais genérico. No caso da aplicação da tabela, o critério mais genérico somente deve ser utilizado caso ausente um critério específico para a classificação do produto em causa. [...] É o relatório”. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 3ª Turma da DRJ/JFA resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a solicitação contida na manifestação de inconformidade , contudo votou pelo recolhimento do saldo credor de 125.835,93, relativo ao 4º trimestre de 2004 e a homologação da integral da compensação declarada pelo contribuinte. Veja se: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 ALVEJANTE E ÁGUA SANITÁRIA VALOR As preparações produzidas pelo contribuinte, alvejante e água sanitária, ambas constituídas de hipoclorito de sódio em solução aquosa e outros componentes ( para o alvejante, hidróxido de sódio (soda cáustica), carbonato de sódio e perfume floral, e para a água sanitária, hidróxido de sódio), comercialmente denominados ÁGUA SANITÁRIA VALOR E ALVEJANTE VALOR FLORAL, apresentadas em garrafas plásticas de 1000ml e 2000ml, classificamse no código NCM 3402.20.00. Dispositivos Legais: RGI 1º (texto da posição 34.02) e 6ª (texto da subposição 3402.20) e RGC1 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), constante da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.545, de 26 de dezembro de 2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/201078 Acórdão n.º 3802001.907 S3TE02 Fl. 114 7 SALDO CREDOR DÉBITOS APURADOS PELA FISCALIZAÇÃO É de se manter os débitos apurados pela fiscalização para o confronto de débitos X créditos na escrituração fiscal, quando ficar demonstrado que, por erro de classificação fiscal, o contribuinte lançouos a menor na apuração. Por decorrência, o saldo credor do trimestre deve ser reduzido. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 SALDO CREDOR. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DECLARADA. Quando o cortejo dos créditos e dos débitos, escriturados e apurados pela fiscalização, são suficientes para reconhecer parcela do saldo credor destinado pelo contribuinte para a efetivação das compensações por ele declaradas, é legítimo reconhecer a homologação da declaração de compensação, ainda que o saldo credor do trimestre tenha sido reduzido em razão de débitos apurados pela fiscalização. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito creditório reconhecido. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado unicamente a combater a classificação fiscal indicada pela autoridade administrativa com relação a dois tipos de produtos industrializados pelo Recorrente, de nomes comerciais “água sanitária valor” e “alvejante floral valor”. A composição química de ambos os produtos não é objeto de celeuma, sendo parte incontroversa da presente lide administrativa. Inclusive é de se ressaltar que a interação do hipoclorito de sódio com outros compostos químicos foi a origem de todo o imbróglio. Isso se verifica facilmente do Termo de Verificação Fiscal de fls. 111123, donde destaco o seguinte excerto constante de fl. 112: “A classificação adotada pela empresa a partir de 14/02/2004 é específica para o Hipoclorito de sódio (NaCIO.6H2O), o que não é o caso dos produtos acima, que resultam da diluição do referido produto, em forma aquosa, em água e adicionados outros produtos.” Fl. 339DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A missão do Recorrente, desde então, tem sido a de defender seu ponto de vista, no sentido de que está correto em aplicar a classificação fiscal própria do hipoclorito de sódio. O Recorrente demonstra total domínio das normas sobre o caso, e discorre acerca do que entende como dois critérios possíveis de classificação fiscal, conforme o seguinte trecho de seu Recurso Voluntário: Em seguida, o Recorrente afirma que o enquadramento de certo produto “deve ser regido especialmente pela aplicação dos valores condicionais a que o mesmo está sujeito”, como intróito para uma defesa segundo a seletividade do IPI – o que acarretaria a escolha de uma classificação fiscal mais favorável. Ora, em que pesem as sensíveis alegações do Recorrente quanto ao princípio da seletividade, que possui raízes profundas na filosofia da tributação e se destina a atingir a capacidade contributiva de modo mais eficiente, combatendo o capital marginal de quem adquire produtos menos essenciais, seus argumentos não merecem acolhida em sede de Recurso Voluntário. Isso porque a classificação fiscal de mercadorias não é, em si, um princípio que permita escolhas conforme a finalidade do produto, ou mesmo a conveniência administrativa. É regra de direito, e, como tal, é de aplicação objetiva. Tanto assim que Ronald Dworkin, ao dispor sobre a diferença de consideração entre regras e princípios, foi extremamente feliz ao considerar: Denomino princípio um padrão que deve ser observado, não porque vá promover ou assegurar uma situação econômica, política ou social considerada desejável, mas porque é uma exigência de justiça ou eqüidade ou alguma outra dimensão da moralidade [...]. A diferença entre princípios jurídicos e regras jurídicas é de natureza lógica. Os dois conjuntos de padrões apontam para decisões particulares acerca da obrigação jurídica em circunstâncias específicas, mas distinguemse quanto à natureza da orientação que oferecem. As regras são aplicáveis à maneira do tudoounada. Dados os fatos que uma regra estipula, então ou a regra é válida, e neste caso a resposta que ela fornece deve ser aceita, ou não é válida, e neste caso Fl. 340DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10675.900135/201078 Acórdão n.º 3802001.907 S3TE02 Fl. 115 9 em nada contribui para a decisão. (Levando os direitos a sério. Tradução de Jefferson Luiz Camargo. São Paulo: Martins Fontes, 2007, pp. 3942) A seletividade, como princípio que é, ainda que tenha forte conotação normativa por ser obrigatória para o IPI nos termos do art. 153, § 3o, da CRFB, termina por ser orientadora das normas constantes da Tabela do IPI, a qual objetivamente impõe as alíquotas e critérios de classificação fiscal próprios. Desse modo, caso o contribuinte entenda que a Tabela do IPI contraria a seletividade ínsita ao imposto, deve se valer das vias próprias para tanto. Todavia, ao CARF não compete apreciar argüições de inconstitucionalidade das normas aplicáveis, conforme seu Regimento Interno e enunciado de Súmula n. 2. Logo, a escolha feita pelo Recorrente, espelhada no excerto abaixo, de classificar os produtos objeto do presente litígio quanto à finalidade, revelase em si equivocada, porquanto a classificação fiscal de mercadorias é feita com base nos critérios objetivamente dispostos na TIPI: Igualmente equivocada, a meu ver, a tentativa de enquadramento do caso ao precedente trazido em seu Recurso Voluntário no processo 10380.007467/9612, pois ali se discutia a classificação fiscal de sacos plásticos utilizados para acondicionar alimentos, diferentemente de outras finalidades. Sacos plásticos sempre serão sacos plásticos, enquanto a distinção traçada no caso em tela diferencia a natureza do produto em si. E ainda na seara da seletividade, a arguição de que os produtos se destinam a desinfecção termina não se mostrando de muito alento, dado que as soluções ora analisadas permanecem com a mesma destinação – desinfecção –, resultando prejudicada uma discussão sobre o critério de discrímen adotado na distribuição de cargas tributárias aos diferentes produtos. Indo mais além, a tarefa do Recorrente deveria ter se fiado em demonstrar, sim, que os compostos químicos indicados pela autoridade administrativa não desnaturam a característica dos produtos em serem um tipo – enquanto destinado para o mercado varejista – de “agentes orgânicos de superfície (exceto sabões); preparações tensoativas, preparações para lavagem (incluídas as preparações auxiliares) e preparações para limpeza, mesmo contendo sabão, exceto as da posição 34.01” (subgrupo 34.02 da TIPI, com denominação própria para venda a retalho no item 3402.20.00), para serem simples “hipocloritos de sódio” (item 2828.90.11 da TIPI). E nesse mister em especial, restou carente o Recurso Voluntário. Por essas razões, conheço do Recurso Voluntário, mas lhe nego provimento. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento, mantendo integralmente o crédito tributário formalizado contra o sujeito passivo. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 342DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 23/0 1/2015 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100730/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos.
Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 3101-000.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente.
(assinado digitalmente)
MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada.
EDITADO EM: 02/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: VANESSA ALBUQUERQUE VALENTE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos. Negado Provimento ao Recurso Voluntário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Presidente. (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS - Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo.
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Recorrida DRJ PORTO ALEGRE ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Nos termos da Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. INCIDÊNCIA DA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Disposição expressa de lei veda a atualização monetária ou incidência de juros, pela taxa Selic ou outro índice qualquer, sobre os valores objeto de ressarcimento do PIS e Cofins não cumulativos. Negado Provimento ao Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, em negar provimento. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 07 30 /2 00 7- 56 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100730/200756 Acórdão n.º 3101000.910 S3C1T1 Fl. 167 2 (assinado digitalmente) MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Redatora designada. EDITADO EM: 02/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente), Tarásio Campelo Borges, Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Corintho Oliveira Machado, Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos da Cofins não cumulativa. Em Despacho Decisório a Delegacia da Receita Federal competente deferiu parcialmente o pleito, em razão da contribuinte não ter incluído, na base de cálculo da contribuição, valores relativos a cessão onerosa de créditos do ICMS. Tempestivamente, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que a cessão de créditos de ICMS a terceiros não se conceitua como receita, não integrando, portanto, a base de cálculo das contribuições sociais. A DRJ de Porto Alegre indeferiu o pleito de ressarcimento, nos termos do Acórdão 1018.105 de 17 de dezembro de 2008, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para a COFINS. TAXA SELIC FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não incidem correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de COFINS objetos de ressarcimento. Solicitação Indeferida Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho, alegando, em preliminar, que o entendimento da DRJ não pode prosperar, pois contraria decisão judicial proferida pelo TRF da 4ª Região no julgamento da apelação interposta em Mandado de Segurança ajuizado pela empresa. No mérito, defende a não incidência das contribuições sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS, além de requer a incidência da Selic sobre os valores pleiteados em ressarcimento que foram indeferidos pela.autoridade administrativa. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100730/200756 Acórdão n.º 3101000.910 S3C1T1 Fl. 168 3 Voto Conselheira Mônica Monteiro Garcia de los Rios – redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de efolha 165, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar o Acórdão 3101000.910, não entregue pela relatora original, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. A Recorrente insurgese, inicialmente, contra o fato de a DRJ recorrida não ter reconhecido o direito a excluir a cessão onerosa de créditos do ICMS da base de cálculo da contribuição, pois tal direito lhe foi garantido na esfera judicial. A empresa impetrou o Mandado de Segurança nº 2005.71.08.0105600, no qual foi proferido, pelo TRF da 4ª Região, o Acórdão de fls. 140 a 146, que possui a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. PIS E COFINS. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO. 1. A inclusão dos valores provenientes da transferência de saldo credor do ICMS, obtido em razão do beneficio fiscal concedido às empresas exportadoras, a fornecedores ou terceiros, na base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, consoante entendimento manifestado pelo Fisco, ofende a regra de imunidade prevista no art. 155, § 2°, inciso X, da Constituição Federal e regulamentada pelo art. 25, §§ 1° c 2°, da Lei Complementar n.° 87/96, o princípio federativo e o da proibição do bis in idem. Precedentes desta Corte. 2. Por operação de exportação devese entender não só o produto da venda realizada ao exterior, mas toda a receita ou resultado decorrente do complexo mecanismo de exportação, inclusive aquela decorrente da transferência dos eventuais créditos de ICMS incidentes nas operações anteriores. 3. Sentença reformada. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 168DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS Processo nº 11065.100730/200756 Acórdão n.º 3101000.910 S3C1T1 Fl. 169 4 Constatase que o Mandado de Segurança 2005.71.08.0105600 foi impetrado em 2005 e os fatos geradores do presente processo ocorreram em 2007, estando, indubitavelmente, alcançados pelo MS. E o objeto da ação judicial, conforme atesta a transcrição da ementa do acórdão do TRF, é o mesmo da controvérsia deste pleito administrativo: incidência das contribuições sociais sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS acumulados em razão de benefício fiscal concedido às empresas exportadoras. Aplicável, portanto, a súmula CARF nº 1, in verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desta forma, não se conhece do recurso voluntário na parte em que a contribuinte defende a nãoincidência das contribuições sobre a cessão onerosa de créditos do ICMS acumulados em decorrência de exportações efetuadas, discussão levada à esfera judicial. Resta apreciar a questão relativa à incidência da Selic sobre os créditos indeferidos pela unidade de origem, matéria não abordada no MS impetrado pela empresa. Os créditos glosados se referem à não inclusão da cessão onerosa de créditos do ICMS na base de cálculo das contribuições, questão a ser definida pelo Poder Judiciário. Todavia, caso a contribuinte venha a ter seu direito reconhecido na esfera judicial, não terá direito à incidência da Selic sobre os mencionados créditos, em razão da existência de proibição legal expressa à atualização monetária ou incidência de juros sobre o ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas (artigos 13 e 15, VI, da Lei 10.833, de 2003). Nestes termos, o colegiado não conheceu do recurso voluntário quanto à matéria discutida no Judiciário e, na parte remanescente, negou provimento. E são essas as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. Mônica Monteiro Garcia de los Rios – Redatora ad hoc Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 03/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13807.000098/99-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1992 a 30/09/1992, 01/04/1993 a 31/08/1993, 01/10/1993 a 30/11/1993
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO.
Constatada omissão no julgado, por não verificar a existência de pagamentos antecipados na análise da decadência, cabe acolher os embargos de declaração para complementá-lo, concedendo-se-lhes efeitos infringentes porque a eliminação da omissão implicou em alteração do resultado.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. REFORMATIO IN PEIUS. POSSIBILIDADE.
No julgamento dos embargos de declaração, deve-se sanar o equívoco cometido na decisão embargada, independentemente do resultado e/ou do benefício à parte que os tenha oposto, admitindo a possibilidade de reformatio in peius nas decisões em sede de embargos de declaração.
DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008.
Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN.
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERMO INICIAL.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. O depósito do montante integral, convertido em renda, equivale a pagamento para efeito da contagem do prazo de decadência.
AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DISPENSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESES.
Mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe que seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN).
Numero da decisão: 3101-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão e reconhecer a decadência dos fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993. O Conselheiro José Maurício Carvalho Abreu fará declaração de voto.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO. Constatada omissão no julgado, por não verificar a existência de pagamentos antecipados na análise da decadência, cabe acolher os embargos de declaração para complementálo, concedendoselhes efeitos infringentes porque a eliminação da omissão implicou em alteração do resultado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. REFORMATIO IN PEIUS. POSSIBILIDADE. No julgamento dos embargos de declaração, devese sanar o equívoco cometido na decisão embargada, independentemente do resultado e/ou do benefício à parte que os tenha oposto, admitindo a possibilidade de reformatio in peius nas decisões em sede de embargos de declaração. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DO FATO GERADOR. SÚMULA VINCULANTE DO STF Nº 8/2008. Editada a Súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal nº 8/2008, declarando a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, o prazo para a Fazenda proceder ao lançamento do PIS e da Cofins é de cinco anos, nos termos do CTN. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep é de 05 anos, contados do fato gerador na hipótese de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 00 98 /9 9- 10 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 existência de antecipação de pagamento do tributo devido ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. O depósito do montante integral, convertido em renda, equivale a pagamento para efeito da contagem do prazo de decadência. AÇÃO JUDICIAL. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DISPENSA DE LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. HIPÓTESES. Mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe que seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial aos embargos de declaração, com efeitos infringentes, para suprir a omissão e reconhecer a decadência dos fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993. O Conselheiro José Maurício Carvalho Abreu fará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri, Elias Fernandes Eufrasio, José Mauricio Carvalho Abreu e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Versa o presente processo sobre embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, por alegada contradição e omissão do Acórdão nº 3101001.471, na forma dos art. 65 do RICARF. O Acórdão embargado recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1992 a 30/09/1992 PIS. DECADÊNCIA. DÉBITOS NÃO DECLARADOS. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13807.000098/9910 Acórdão n.º 3101001.790 S3C1T1 Fl. 4 3 O prazo decadencial para o lançamento de ofício para débitos de PIS não declarados em DCTF contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em consonância com o disposto no inciso I do art. 173 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1993 a 30/09/1995 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. A existência de processo judicial não transitado em julgado, com ou sem medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não impede o lançamento de oficio, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL COM A MESMA MATÉRIA. Conforme a Súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DEPÓSITO JUDICIAL. NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS E MULTAS Não incide juros de mora sobre a parte do crédito tributário que foi objeto de depósito judicial tempestivo, por não se verificar a mora do sujeito passivo bem como os critérios de correção dos depósitos judiciais coincidirem com os do crédito tributário. Aplicação da Súmula CARF nº 5. A embargante alega a contradição e a omissão no referido acórdão, que declarou a “decadência referente a fatos geradores ocorridos no período de junho/1992 a setembro/1992”, por entender que o crédito tributário já estaria constituído por meio de autolançamento, no caso constituído por depósito judicial. Entende a embargante ser aplicável a reiterada jurisprudência do STJ, a qual considera desnecessária a constituição de ofício do crédito tributário, pela existência de depósito ou a fiança bancária garantindo a ação judicial, que implica em autolançamento do tributo. Requer o conhecimento e o provimento dos embargos, para saneamento da contradição e omissão, com efeitos infringentes. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 Os embargos são tempestivos e deles tomo conhecimento. A embargante alega não ter ocorrido a decadência apontada no acórdão embargado, pela existência de depósitos judiciais que constituíram o crédito tributário (autolançamento). O auto de infração em análise referese a débitos de PIS do período de 06/1992 a 09/1992, não declarados em DCTF, e às diferenças não declaradas em DCTF, no período de 04/1993 a 09/1995. Inicialmente importanos afirmar que, mesmo havendo demanda judicial com depósito do montante integral que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, a verificação de falta de escrituração de tributo apurado e respectiva declaração à Administração Pública, impõe seja efetivado o lançamento tributário, que decorre de atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN). Caso não se faça o lançamento, ultrapassado o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional, a Administração Tributária perderá o direito de formalizar o crédito tributário e não poderá alegar que não o fez em virtude da suspensão de sua exigibilidade ou devido ao fato de a matéria estar sub judice, pois o prazo de decadência não se suspende nem interrompe. Esta turma de julgamento decidiu que os valores lançados relativos a fatos geradores ocorridos até dezembro de 1992 teriam sido alcançados pela decadência, tendo em vista a data da ciência do auto de infração em 16/12/1998. No cálculo, foi considerado o disposto no inciso I do art. 173 do CTN: o prazo decadencial teve início em 01/01/1993 e término em 31/12/1997. Entretanto, conforme apontado pela embargante, tal entendimento não considerou a existência de depósito judicial que, conforme jurisprudência do STJ, equiparase ao pagamento antecipado previsto no art. 150 do CTN, para fins da contagem da decadência. Portanto, existindo o depósito judicial conforme atesta a autoridade fiscal, a decadência é contada da ocorrência do fato gerador, como previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Como a ciência do auto de infração deuse em 16/12/1998, encontravase alcançado pela decadência o crédito tributário pertinente a fatos geradores ocorridos até novembro de 1993, no caso de existência de depósitos judiciais. Os depósitos judiciais foram confirmados pela autoridade fiscal, conforme Relatório Fiscal (fls. 148), exceto para o mês de setembro/1993. Pelo exposto, voto por dar provimento parcial aos embargos para sanar a omissão, e reconhecer a decadência para os fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993, com efeitos infringentes. Sala de sessões, 11 de dezembro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator [assinatura digital] Fl. 399DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 13807.000098/9910 Acórdão n.º 3101001.790 S3C1T1 Fl. 5 5 Declaração de Voto Conselheiro José Mauricio Carvalho Abreu A decisão proferida por este colegiado enseja a análise da inaplicabilidade do princípio do não reformatio in peius aos embargos de declaração. O provimento parcial aos presentes embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional – implica a supressão da omissão e, como consequência, requer a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150 do CTN, ainda que desfavoravelmente à Embargante. Conforme bem apontado em Voto do Eminente Conselheiro Relator Rodrigo Mineiro Fernandes, a decisão embargada considerou equivocadamente o prazo decadencial do inciso I, do art. 173, do CTN. Contudo, foi omissa a decisão embargada, ao deixar de considerar a existência de depósito judicial que, ora observado, exige a contagem do prazo decadencial nos termos do § 4º, do art. 150, do CTN, provocando, na substância, decisão mais desfavorável à Embargante. Com efeito, e sem prejuízo das posições em contrário, acatase a aplicabilidade do princípio do não reformatio in peius na esfera administrativa, bem assim o reconhecimento da natureza recursal dos embargos declaratórios, este último por expressa determinação do legislador, o qual cuidou dos embargos declaratórios no Título dos Recursos do Código de Processo Civil. Contudo, as premissas supra mencionadas não nos levam necessariamente à conclusão pela aplicabilidade do não reformatio in peius aos embargos de declaração. Fazse necessário analisar a possibilidade do provimento parcial aos embargos, mesmo que desfavoravelmente à ora Embargante, à luz da função dos embargos de declaração. Ora, a função precípua dos embargos de declaração é sanar a obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargada. O objetivo é simplesmente obter decisão mais transparente e completa, razão pela qual, mesmo a parte vencedora, pode ter interesse processual para opor embargos declaratórios. O julgador, por sua vez, ao tomar conhecimento da omissão, obscuridade ou contradição, tem o dever de sanar o equívoco cometido na decisão embargada, independentemente do resultado e/ou do benefício à parte que os tenha oposto. Portanto, entendese pela possibilidade de reformatio in peius nas decisões em sede de embargos de declaração. É dizer que, no caso dos embargos de declaração, a função não é necessariamente trazer uma situação mais favorável ao embargante, mas apenas aclarar a decisão originalmente proferida, seja em favor ou desfavor de qualquer das partes. Nesse sentido, Luis Guilherme Aidar Bondioli, em obra específica sobre o tema dos embargos de declaração, leciona pela inaplicabilidade do princípio do reformatio in peius em tais recursos, conforme segue: “Nos embargos declaratórios, o requisito do interesse recursal prescinde da sucumbência, peculiaridade inerente ao instituto, que contribui para sua condição sui generis (supra, n.11 e 28). Além disso, para a extirpação da Fl. 400DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 6 imperfeição apontada pelo embargante, é facultado ao juiz praticar todos os atos necessários para tanto, sendolhe autorizado, ainda, sanar o vício de forma como entender mais adequado. Essa, aliás, é uma condição para a própria sanação da obscuridade, da contradição, da omissão ou do erro apontado (supra, n.43). Em razão desse estado de coisas, o julgamento dos embargos declaratórios pode trazer como resultado final situação substancialmente mais desfavorável a quem os apresentou.” (Bondioli, Luis Guilherme Aidar. Embargos de Declaração. 1ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 233). Assim, dou provimento parcial aos embargos, independentemente de ser em substância mais desfavorável à ora Embargante, de forma a reconhecer e suprimir a omissão incorrida, aplicandose para contagem do prazo decadencial o § 4º do art. 150 do CTN, alcançando a decadência os fatos geradores de junho de 1992 a setembro de 1992, abril de 1993 a agosto de 1993, e outubro de 1993 a novembro de 1993, nos termos do voto do Relator. Sala de sessões, 11 de dezembro de 2014. Conselheiro José Mauricio Carvalho Abreu Fl. 401DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/01 /2015 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 15563.000383/2010-06
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - COOPERATIVAS DE TRABALHO - RETENÇÃO - DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP - RICARF.
O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral.
Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62-A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA DE OFÍCIO - EXCLUSÃO
O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.
Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.868
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as demais frações do crédito tributário. Vencido Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Digite em caixa baixa o nome dos conselheiros presentes à sessão.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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A E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO COOPERATIVAS DE TRABALHO RETENÇÃO DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL RE 595.838/SP RICARF. O Supremo Tribunal Federal julgou pela inconstitucionalidade da contribuição instituída no art. 22, IV da Lei 8.212/91, sobre serviços prestados por cooperativas de trabalho nos autos do RE 595.828/SP, em decisão plenária, na sistemática da Repercussão Geral. Diante da vinculação deste conselho à decisão veiculada por decisão plenária do STF no RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Se à época dos fatos geradores a multa de ofício não existia para o tributo em questão, ela deve ser excluída do lançamento. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 03 83 /2 01 0- 06 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso, para determinar a exclusão do crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as demais frações do crédito tributário. Vencido Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Digite em caixa baixa o nome dos conselheiros presentes à sessão. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000383/201006 Acórdão n.º 2403002.868 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, Acórdão 1236.263 da 12ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n° 37.265.0694) relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, inclusive àquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e à incidente sobre os valores brutos das notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio das cooperativas de trabalho, relativas ao período de 11/2005 a 12/2007. 2.Nos termos do "Relatório Fiscal do Auto de Infração", de fls. 105/113,os seguintes fatos relevantes podem ser destacados: A empresa Suissa Industrial e Comercial Ltda é detentora de 82% do capital social da ora notificada, motivo pelo qual, nos termos do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, e art. 152,1, da IN 971/09, a mesma foi arrolada como responsável solidária do presente débito. Os fatos geradores apurados foram: 1) os pagamentos efetuados a autônomos, apurados na contabilidade, conforme planilha de fls. 114 (levantamento "AU1"); 2) os pagamentos efetuados aos segurados empregados constantes das folhas de pagamentos, não informados em GFIP (levantamento "FP1"); 3) os pagamentos efetuados aos segurados empregados a título de participação nos lucros, em desconformidade com a Lei 10.101/00, porquanto não houve vinculação dos pagamentos a quaisquer resultados estabelecidos através de regras claras e objetivas acerca das metas a serem alcançadas, conforme planilha de fls. 115/118 (levantamento "PL1"; 4) e os pagamentos efetuados a UNIMED NOVA IGUAÇU COOP. DE TRABALHO MÉDICO LTDA, apurados na contabilidade e não declarados em GFIP, consoante planilha de fls. 119/129 (levantamento "UNI" e "U21"). Levouse a efeito o cotejo da penalidade aplicável pela legislação vigente à época dos fatos geradores e aquela instituída pela Lei 11.941/09, que incluiu o art. 35A à Lei 8.212/91, para fins de cumprimento do estabelecido no art. 106, II, "c", do CTN, verificandose que a multa de ofício de 75%, Fl. 614DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 instituída na nova legislação, é mais benéfica para o sujeito passivo em todas as competências objeto deste lançamento, consoante demonstrado na planilha de fls. 130/133. 3.Em 10/12/2010, o contribuinte impugnou a exigência (fls. 520/527),alegando, em síntese, o seguinte: Inicialmente, reconhece a procedência da cobrança, no que tange aos pagamentos efetuados aos segurados empregados e contribuintes individuais, requerendo a emissão da respectiva guia para recolhimento desta parte do débito; No que concerne, em específico, à contribuição de que trata o art. 22, IV, da Lei 8.212/91, ao revés, suscita a sua inconstitucionalidade, por violação do art. 195, I, "a", da Constituição Federal de 1988, e art. 110 do CTN, porquanto, embora seja possível equipararse a sociedade cooperativa à empresa, a aludida norma constitucional não permite que o legislador ordinário a equipare à pessoa física; A lei não pode, assim, equiparar a cooperativa ora à pessoa jurídica, quando ela forma tomadora de serviço, ora à pessoa física, quando ela for prestadora de serviço através dos seus cooperados, conferindo naturezas jurídicas distintas a uma mesma pessoa; Se a presente exigência não se enquadra em quaisquer das hipóteses dos incisos I, II, III e IV do art. 195 da CF, se trata, na verdade, de uma nova fonte de custeio, a qual, de Ú rd com o § 4o do preceito em voga, deveria atender a certos requisitos, sobretudo, ser v ^ aoc através de lei complementar, o que não ocorreu no caso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Conforme exposto em sua Impugnação, reconhece a procedência da cobrança no que tange às contribuições devidas em razão dos pagamentos efetuados a segurados empregados e contribuintes individuais, não sendo estas objeto do presente Recurso. · Questiona a tributação incidente sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho. · Juros sobre multa de ofício. É o relatório. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000383/201006 Acórdão n.º 2403002.868 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. TRIBUTAÇÃO INCIDENTE SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO A recorrente questiona a tributação incidente sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho. Para as cooperativas de trabalho, as contribuições devidas a cargo da empresa, tem sua disposição no art. 22, IV, Lei nº 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), por unanimidade, deu provimento a recurso e declarou a inconstitucionalidade do dispositivo da Lei 8.212/1991 (artigo 22, inciso IV) que prevê contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838, com repercussão geral reconhecida, no qual uma empresa de consultoria questiona a tributação. A Lei 9.876/1999, que inseriu a cobrança na Lei 8.212/1991, revogou a Lei Complementar 84/1996, na qual se previa a contribuição de 15% sobre os valores distribuídos pelas cooperativas aos seus cooperados. No entendimento do Tribunal, ao transferir o recolhimento da cooperativa para o prestador de serviço, a União extrapolou as regras constitucionais referentes ao financiamento da seguridade social. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014. Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Enquanto que o art. 62A, do Regimento Interno do CARF, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista pelos artigos 543B, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) Fl. 617DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 15563.000383/201006 Acórdão n.º 2403002.868 S2C4T3 Fl. 5 7 Portanto, diante da vinculação deste conselho à decisão supra, RE no. 595.838/SP, conforme arts. 62, I e 62A do RICARF, devem ser afastados os valores relativos à autuação referente às contribuições das cooperativas de trabalho. MULTA DE OFÍCIO Estabelece o CTN que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Constatase que à época dos fatos geradores (2005 a 2007), não existia multa de ofício para as contribuições previdenciárias. Entendo que a Lei 11.941/2009 inovou. Trouxe para o ordenamento legal das contribuições previdenciárias, quando criou o artigo 35 – A na Lei 8.212/91, a multa de ofício. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Por essa inexistência à época dos fatos geradores, entendo que a multa de ofício não poderia ser aplicada Fl. 618DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Entendo ser esse motivo suficiente para determinar sua exclusão do lançamento. CONCLUSÃO Voto pelo provimento parcial do recurso, determinando a exclusão do crédito referente à cooperativa de trabalho e a exclusão da multa de ofício. Mantidas as demais frações do crédito tributário. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 619DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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