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Numero do processo: 10283.004492/2002-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. NÃO CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O agente marítimo não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RELAÇÃO AO AGENTE MARÍTIMO.
Recurso provido em relação ao agente marítimo AMSAL.
MERCADORIAS CONTENDO INFORMAÇÕES IRREGULARES VEDAÇÃO DE IMPORTAR MERCADORIA CUJOS RÓTULOS INDIQUEM COMO NACIONAL A MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.487
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a pessoa jurídica AMSAL do pólo passivo. O Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou pela conclusão.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2009 Matéria 111IPI - Falta de recolhimento Recorrente BMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. E OUTRA Recorrida DRJ-BELÉM/PA ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. NÃO CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. 1 O agente marítimo não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RELAÇÃO AO AGENTE MARÍTIMO. Recurso provido em relação ao agente marítimo AMSAL. MERCADORIAS CONTENDO INFORMAÇÕES IRREGULARES VEDAÇÃO DE IMPORTAR MERCADORIA CUJOS RÓTULOS INDIQUEM COMO NACIONAL A MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a pessoa jurídica AMSAL do pólo passivo. O Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro votou pela conclusão. a Guerra de Castro - Presidente .Ni2on Luiz B oli - Relatp- EDITADO EM: 27/10/2009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento (Suplente), Beatriz Veríssimo de Sena, Nilton Luiz Bartoli, Celso Lopes Pereira Neto e Nanai Gania. Relatório Trata-se de Auto de Infração (fls. 01/04), por meio do qual foram autuados o importador BMA Indústria e Comércio LTDA e o representante do transportador internacional no Brasil, a empresa AMSAL — Agenciamento Marítimo Mercosul Ltda, em virtude da constatação de irregularidades relacionadas às unidades de carga de números PONU 144902-8 e PONU 135971-0, em cujos documentos, que as acobertavam, notaram-se divergências quanto ao local de descarga, a rota do veículo transportador, o navio PONL Panamá, combinadas com a falsa declaração do conteúdo destas. Consta relatado no AI, no item Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(s) - fls. 02/04, em suma, que: (i) "DA MERCADORL4 DE POSSE PROIBIDA" 1. O navio Ponl Panamá entrou-no Porto de Manaus em 23.01.02, sendo a visita aduaneira registrada através do termo 17/2002; 2. Segundo o "Pedido de Visita e Termo de Responsabilidade", o referido navio era procedente do Porto Manzanillo; 3. A "Lista _ de Carga em Trânsito" -apresentava dois conteineres com destino ao Porto of Spain, cujos BL's informavam que o ponto de descarga era o Porto Manzanillo; 4. Constitui indícios de possíveis irregularidades o fato do ponto de descarga dos dois contêineres em trânsito ser exatamente o local de procedência do navio; 5. Os referidos contêineres foram-retidos (Termo de Retenção n°05/2002); 6. O autuado AMSAL foi intimado a acompanhar a natureza das mercadorias contidas nos contêineres, porém, não o fez razão pela qual foi providenciado um inventário destes; 7. Efetuada a verificação fisica dos contêineres, foram encontrados: - Aparelhos de som, com embalagens impressas a razão social "BMA DA AMAZÔNIA S/A", o selo de certificação da qualidade ISO 9002, bem como o selo "Produzido na Zona Franca de Manaus", acompanhados dos manuais de instruções com informações confirmando a produção na Zona Franca de Manaus; e - Máquinas fotográficas, marca TRON, envolvidas em bolsas plásticas, contendo na sua base inferior o dizer "Produzido na Zona Franca de Manaus", além de conter manuais de instruções que ratificava a produção na Zona Franca de Manaus. 297. Processo n° 10283.0044922002-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 Fl. 220 (ü) "DA MERCADORIA EXISTENTE A BORDO DO VEÍCULO SEM REGISTRO EM MANIFESTO, EM DOCUMENTO EQUIVALENTE OU EM OUTRAS DECLARAÇÕES" 1. Da análise da documentação, restaram observados os seguintes fatos: - Segundo o documento "Ports of Call List", entregue na visita aduaneira, o navio esteve no Porto de Manaus no período de 03/01/02 a 04/01/02; - Os BL's informam que o embarque dos conteineres foi em 22/12/01; - Na documentação entregue na visita aduaneira realizada no dia 03/01/02, o autuado AMSAL não informou - mas deveria ter informado - os dois contêineres como "em trânsito"; (iii) "DA MERCADORIA POSSUÍDA A QUALQUER TITULO COM FALSIFICAÇÃO OU ADULTERAÇÃO DE DOCUMENTO" 1. Consta no "Ports of Call List", entregue na visita aduaneira de 03/01/2002, que na data do embarque dos conte'ineres em questão, 22.12.01, o navio estava no Porto de Buena Ventura, e não no Porto de Hong Kong, como era o esperado. A capitulação legal encontra-se descriminada às fls. 04. Instruem o referido AI os seguintes documentos: 1. Relação das mercadorias apreendidas (fls. 05/06); 2. Intimações à AMSAL (fls. 07, 09, 11 e 13), bem como suas respostas (fls. 08, 10 e 12); 3. Termo de Constatação (fls. 14); 4. Relatório da constatação fisica dos contêineres, contendo a relação de materiais encontrados (fls. 15/19); 5. "Ports of Call List" (fls. 20/21); 6. Termos de Visita Aduaneira (fls. 22/23); 7. Pedido de Visita e Responsabilidade (fls. 24/25); 8. Lista de Carga em Trânsito (fls. 26/27); 9. BL's (fls. 28/29); e 10.Teimo de Retenção (fls. 30). Lavrado o lançamento ora exposto, os autuados foram intimados a apresentação de defesa. O contribuinte autuado "AMSAL - Agenciamento Marítimo Mercosul Ltda.", apresentou de forma tempestiva (ciência à fl.I4) a Impugnação ao Auto de Infração, consoante de depreende das fls. 31/49, alegando, em suma: Preliminarmente 1. Não tem interesse na mercadoria apreendida, pois não é proprietário, importador, vendedor ou possuidor desta; 2. Teve participação somente no agenciamento do navio P&O Nedlloyd Panamá o qual transportou os contêineres PONU114902-8 e PONU135971-0, que são de propriedade do Transportador Marítimo P&O Nedlloyd; 3. O Transportador Marítimo P&O Nedllouyd foi contratado para fazer o transporte dos contêineres supracitados até o Porto de Manaus para serem entregues à empresa Exel Global Log. do Brasil S/A, conforme se verifica dos Conhecimentos de Embarque, porém, antes do navio chegar ao Porto de Manaus, recebeu um telefonema do sr. Clauber Campos da empresa Exel, solicitando a redestinação dos dois contêineres ao Porto de Manzanillo, ou seja, solicitou o retomo da carga ao Porto onde a havia recebido; 4. A solicitação acima descrita foi posteriormente, em 22.01.02, reduzida a termo através de e-mail; 5. Após, foi informado ao Agente Marítimo que da impossibilidade da redestinação, vez que o navio não retomaria ao Porto de Mazanillo naquela viagem, razão pela qual o sr. Clauber solicitou a redestinação da mercadoria ao próximo Porto depois de Manaus, que seria o "Porto f Spain", em Trinidad&Tobago, assim, os dois contêineres foram descarregados em Manaus ficando na condição de carga em transito; 6. Não tinha conhecimento de que a empresa BMA Ind. e Com. Ltda. estava envolvida na operação, vez que na documentação disponibilizada ao transportados somente constava o consignatária Exel; 7. É parte ilegítima para figurar no pólo passivo desta autuação, visto que especializado em Agenciamento Marítimo, sendo representante do Transportador Marítimo P&O Nedlloyd B.V. na cidade de Manaus; 8. apenas agenciou o navio durante a estadia no Porto de Manaus, não havendo qualquer disposição legal que permita a sua autuação por infrações fiscais que possam ou que sejam atribuídas ao Transportador Marítimo; 9. A autuada conta como co-responsável no AI e no Termo e Guarda Fiscal n° 0227600/00003-02 juntamente com EMA Ind. e Com. Ltda. pelo simples fato de ser representante (Agente Marítimo) do Transportador Marítimo que transportou a mercadoria, e ter assinado o 'Termo de Responsabilidade", equiparando o Agente Marítimo ao Transportador para fins de responsabilidade tributária; 37/ Processo n° 10283.004492/200245 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 Fl. 221 10. A título de argumentação, o agente marítimo mesmo assinado o Termo de Responsabilidade perante esta Delegacia da Receita Federal se equipara ao Transportador para fins de responsabilidade no pagamento de impostos e taxas em eventuais diferenças a serem apuradas no imposto de importação (Súmula 192 do Tribunal Federal de Recursos); 11. Logo, não sendo o Agente Marítimo parte legítima para figurar no pólo passivo do presente processo, requer a sua exclusão ou a anulação do AI; No mérito 12. O Agente Marítimo não importou, fabricou, etiquetou ou incorreu em qualquer das figuras legais prevista pelo Decreto 2.367/98, não tendo nenhuma responsabilidade no ato considerado ilícito; 13. A má-fé e a intenção de cometer a infração não podem ser presumidas, sob pena de consagração da arbitrariedade; 14. Houve um pedido de "redestinaçÉlo" da carga, sendo o Al um equívoco; 15. Não há intuito doloso do agente e do transportador marítimo e não há responsabilidade pela infração punível, ressaltando que o agente marítimo não importou, fabricou, etiquetou ou incorreu em qualquer das figuras prevista pelo Decreto n°2.367/98; 16. Não há justa causa para a inclusão da recorrente no processo administrativo fiscal; 17. A norma aduaneira versa sobre mercadoria destinada ao território aduaneiro, o que não teria ocorrido vez que houve pedido de "REDESTINAÇÃO", não descarregando em Manaus (território Aduaneiro); 18. Não há um plano de escalas rígido. Os portos de escala de um navio estão sempre adstritos aos interesses dos consignatários das cargas e do próprio navio; 19. Não há previsão legal de procedimento administrativo em relação a mercadoria em trânsito aduaneiro e, portanto, as imputações do Agente Autuante são improcedentes por falta de amparo legal ou fático; 20. A imputação de falsidade ou adulteração documental é totalmente despida de fundamento. A listagem não foi confeccionada pelo Agente Marítimo, e sim pelo Transportador Marítimo, excluindo qualquer intenção da recorrente de querer falsificar ou inserir declaração falsa; 21. Não houve observância ao princípio da boa-fé. Ao final, requer o cancelamento do lançamento em tela. Instrui sua impugnação cópia do email (fl. 50); Procuração (fl. 51); Cartão de Credenciamento e Identificação (fls. 52); e Alteração Contratual (fls. 53/54). Por seu turno, a empresa autuada BMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, também manifestou-se contrária à exigência, apresentando tempestivamente (ciência a fl. 14) a Impugnação de fls. 55/60, na qual alega, resumidamente, que: 1. Solicitou à empresa exportadora IDM Internacional Lula, localizada em Hong Kong, a vinda de mercadorias estrangeiras descritas nas faturas comerciais "Invoices" nos 01/0041 e 01/0042, ambas emitidas em 20.12.2001; 2. As mercadorias foram entregues pela empresa exportadora no armazém da empresa de Agenciamento Marítimo "Exel Hong Kong lida." e esta contratou a Companhia Marítima Neddlouyd, cuja representante no Brasil é a "AMSAL — Agência Marítima Mercosul, para efetuar o transporte das mercadorias de Hong Kong até o Brasil; 3. As referidas mercadorias foram acondicionadas em contêineres, que embarcaram em navio do porto de Hong Kong com destino ao porto do Panamá, e, chegando a este porto, foram descarregados para posterior transbordo em outro navio com destino aos países da América Latina; 4. No momento em que os contêineres chegaram ao porto do Panamá para serem transbordados em outro navio, a empresa exportadora IDM Internacional Ltda., enviou uma correspondência confirmando as mercadorias exportadas, bem como apresentou informações adicionais sobre características e acessórios que acompanhariam estas mercadorias; 5. Quando teve ciência dessas informações adicionais, a impugnante perdeu o interesse em adquirir as mercadorias que havia solicitado, razão pela qual enviou a empresa exportadora correspondência confirmando o cancelamento da compra; 6 Em razão do cancelamento das mercadorias estrangeiras contidas nos contêMeres n°s PONU 144902-8 e PONU 135971-0, a empresa exportadora IDM Internacional Ltda determinou que estes conteineres fossem transbordados para outro porto de descarga, qual seja, "Porto of Spain Trinidad and Tobago", não mais existindo qualquer relação entre estas mercadorias e a Impugnante; 7. Da leitura dos Conhecimentos de Embarque n°s PONLHKG40018038 e PONLHKG40018039, referentes aos containers supracitado; consta como consignatária a empresa de Agenciamento Marítimo Exel Global Log. do Brasil S/A, o que significa dizer que ela é proprietária das cargas, o que é inclusive confirmado no relatório elaborado pelo fiscal autuante em 15.03.2002; 8. Por não ser a proprietária ou consignatária das presentes mercadorias, e por não ter qualquer relação com as mercadorias estrangeiras contida nos containers PONU 144902-8 e PONU 135971-0, a impugnante não tem legitimidade para figurar no pólo passivo da demanda; 9. A empresa de Agenciamento Marítimo Exel Global Log. do Brasil S/A é a dona das cargas, pois os consignatários nos conhecimentos de embarque são considerados os donos das cargas; Processo n° 10283.004492/2002-15 83-C1T2 Acórdão n.° 3102-00487 Fl. 222 10. Se considerar a hipótese de ser legítima no pólo passivo, o AI deveria ser nulo, pois a impugnante não foi devidamente intimada da chegada dos containers no porto de Manaus, nem tampouco do procedimento realizado pela fiscalização aduaneira de verificação dos containers das mercadorias vindas a bordo do navio PONL PANAMÁ. Diante do exposto, requer a procedência da Impugnação para excluí-lo do pólo passivo. Caso o entendimento acima não seja adotado, requer a impugnante a insubsistência da exigência fiscal objeto do AI e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n° 0227600100003/02. Acompanha sua impugnação e-mail (fl. 62), Conhecimento de Embarque BL's (fls. 63/64), Relatório (fls. 65), Procuração (fl. 66) e Contrato Social (fls. 69/72). Remetidos os autos para o - Serviço de Controle -e-- Acompanhamento _ _ Tributário - ao SECAT da Alfândega de Manaus foi exarado o Parecer Técnico Conclusivo n° 17/2002, no qual foi proposto a procedência do Auto de Infração e Termo de Apreensão e Guarda Fiscal n°0227600/00003/02 (fls. 77/89), nos termos da seguinte ementa (fl. 77): "PERDIMENTO DE MERCADORIA Mercadoria com informações irregulares. Proibição de importar produtos cujos rótulos indiquem como nacional a mercadoria estrangeira. Mercadoria não mantrestada. Aplicação de pena de perdimento à mercadoria procedente do exterior, existente a bordo do veículo, sem registro em manifesto. Pela procedência do auto de infração e aplicação da pena de perdimento." Ato contínuo foi exarado o Despacho Decisório (fl.90) que julgou procedente o Auto de Infração e termo de Apreensão e Guarda Fiscal e aplicou a pena de perdimento das mercadorias constantes da relação de fls. 05/06, com fundamentos nos exatos termos do Auto de Infração. Notifica (AR — fl. 93), a AMSAL manifestou-se às fls. 95/96 onde aduziu, sinteticamente, que já fora apresentada defesa administrativa e requer a devolução dos contêineres descarregados. Por seu turno, a BIV1A DA AMAZÔNIA S/A, igualmente cientificada (AR - 94), interpôs Recurso Voluntário às fls. 98/109, no qual apresentou, em suma, que: 1. O recurso tem por escopo o mesmo da Impugnação, isto é, pugnar pela ilegitimidade passiva da recorrente; 2. Não interessa o destino das mercadorias, até porque não são de sua propriedade ou responsabilidade, assim como não questiona e nem questionou o mérito da aplicação da pena de perdimento; 3. O dispositivo ao prescrever a possibilidade de decisão administrativa em instância única, não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico trazido pela Constituição Federal; 4. A Administração Pública pode e deve a qualquer tempo, rever seus atos, anulando-os quando ilegais ou revogando-os quando inconvenientes ou inoportunos; 5. O direito de interposição de Recurso à autoridade superior à que praticou o ato administrativo vem previsto na Constituição Federal bem como também no artigo 33 do Decreto n° 70.235/72 c./c artigo 2°, parágrafo Único, inciso X e artigo 56 da Lei n°9784/1999; 6 Em dezembro de 2001 a recorrente solicitou para a empresa exportadora 1DM INTERNATIONAL LTDA, localizada em Hong Kong, mercadorias de origem estrangeiras descritas nas faturas comerciais — Invoices n° 01/0041 e 01/0042, sendo que estas mercadorias foram entregues pela empresa Exel Global Logística do Brasil, que por sua vez, contratou a NEDDLOYD, cuja representante no Brasil é a AMSAL (Agência Marítima Mercosul Ltda), para transportar as mercadorias de Hong Kong até o Brasil; 7. As mercadorias foram acondicionadas nos containers, sendo que os mesmos foram embarcados em navio do Porto de Hong Kong com destino ao Porto do Panamá, onde foram descarregados para posterior transbordo em outro navio com destino aos países da América Latina; 8. Quando os contêineres chegaram ao Porto de Panamá, a empresa exportadora IDM INTERNATIONAL LTDA, enviou uma correspondência à Recorrente confirmando as mercadorias que foram_ _ exportadas e lhe estariam sendo entregues, apresentando, ainda, informaçôes adicionais sobre características e acessórios que acompanhariam estas mercadorias que haviam sido solicitadas; 9. A recorrente manifestou sua falta de interesse em adquiri-las, enviando, assim, correspondência à empresa exportadora, na qual fica expressamente confirmado o cancelamento de sua compra, antes do navio ancorar no Porto de Manaus; 10. Em razão do cancelamento, a empresa exportadora determinou que fossem os mesmos transbordados para outro porto de descarga — "Port of Spain TRinidde and Tobago", inexistindo qualquer relação destas mercadorias com a recorrente, devido a NOVACAO;. 1 11.A recorrente não tem legitimidade passiva, pois não tem relação com as mercadorias de origem estrangeira contidas nos contêineres PONU 144902-8 e PONU 135971, daí o pedido de exclusão do pólo passivo da lide; 12.Se considerarmos, apenas para efeito de argumentação, que a recorrente fosse legítima, o auto de infração deverá ser nulo, pois não foi devidamente intimada (como se verifica na leitura dos termos de intimação — nrs 001/2002; 002/2002; 003/2002 e 004/2002) a acompanhar o procedimento realizado pela d. fiscalização aduaneira para a verificação dos contêineres das mercadorias vindas a bordo do navio PONL PANAMÁ, sendo impedida de exercer seu direito à ampla defesa 8 C?:; Processo n° 10283.004492/2002-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 9. 223 e ao contraditório, violando-se também, o princípio do devido processo legal; 13.A sanção trazida pelo artigo 514 do Regulamento Aduaneiro é a penalidade de maior rigor, haja vista que prevê a apreensão e o leilão das mercadorias, e que nos casos apenados com o perdimento de mercadorias deve restar configurado o dolo de fraudar a fiscalização; 14. Não há, todavia, como imputar responsabilidade da recorrente com base em indícios e presunções já que o próprio parecer demonstrou que a responsabilização não foi cabalmente comprovada; 15. Por fim, ressalta-se que o NAVIO PONL PANAMÁ deu entrada no Porto de Manaus no dia 23/01/2002, enquanto a revogação do contrato de - compra e venda, celebrado com o exportador, ocorreu em 14/01/2002, ou _ _ seja, muito antes do seu ingresso na faixa territorial marítima nacional. Às fls. 118/127, consta a "REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS", formalizada nos autos do processo 10283.010470/2002-86. A SEANA, por meio da INFORMAÇÃO SEANA 969/02 (fls. 128/129), propõe o envio do processo 10283.010470/2002-86 ao Ministério Público Federal — MPF para a persecução penal se for o caso e o envio do presente processo para a SAPOL para que se manifeste sobre o pedido de fls. 95/96. Em atendimento a SAPOL, às fls. 235, informa que as mercadorias apreendidas foram removidas para o depósito em Petrópolis e que não possui informações a fornecer sobre o paradeiro dos contêineres PONU 144902-8 e PONU 185971-0. Face às informações prestadas, os autos foram dirigidos para a SEANA (fl. 138), que por seu turno remeteu os autos ao Secai para análise do pedido de fls. 98 a 109, que exarou a Informação Secat n° 15/2003 (fls. 142/149), no qual constam as seguintes considerações: 1. Os autos tratam da pena de perdimento aplicada às mercadorias em decorrência da constatação de crime, daí que ha a Representação Fiscal para Fins Penais correlata a este Processo, tal matéria segue os ritos administrativos impostos pelo art. 27 Decreto-Lei 1.455/76; 2. Não se pode cogitar a não obediência ao devido processo legal, pois foi seguido à risca os ditames do art. 27, do Decreto-Lei 1.455/76; 3. Está pacificado na jurisprudência e nas regras infraconstitucionais várias delas negam o duplo grau de jurisdição na esfera administrativa, tal qual o Decreto-Lei 1.455/76, de forma que não é contrário à Constituição Brasileira ou às leis vigentes, desde que se dê oportunidade de defesa ao sujeito passivo, do duplo grau de jurisdição os processos administrativos que têm ritual privado deste andamento comum, pois, mesmo assim, ao administrado é facultado recorrer ou não da decisão no Judiciário. {(-1( Por fim, propôs o não encaminhamento do Recurso Voluntário às fls. 95/108 devido ao fato de que a pena de perdimento aplicada obedeceu à capitulação e ao ritual instituídos pelo § 4°, do art. 27 do Decreto — Lei 1.455/76, que impõe instância única à apreciação deste litígio. A d. Inspetora MARIA ELÉIA ALVES DE ANDRADE proferiu despacho às fls. 150, corroborando com o alegado e descrito às fls. 1421149 e, portanto, decidiu não dar prosseguimento ao Recurso Voluntário de fls. 98/109, por expressa aplicação de dispositivo que priva o administrado deste encaminhamento, consoante o artigo 27, parágrafo 4° do Decreto — Lei n° 1.455/1976. A BMA Indústria e Comércio Ltda obteve ciência desta decisão em 26 de fevereiro de 2003, conforme A.R, juntado às fls. 154, e, inconformada, impetrou Mandado de Segurança n° 2003.32.00.001789-6, em face da SRA INSPETORA DA ALFÂNDEGA DA FECEITA FEDERAL DE PORTO DE MANAUS. A d. Juíza Federal da 1' Vara de Manaus, às fls. 175/178, julgou improcedente o pedido da impetrante para denegar a segurança pleiteada. Contudo, a impetrante interpôs apelação e o Relator e Juiz Federal do TRF da P Região, OSMANE ANTONIO DOS SANTOS, determinou o prosseguimento do Recurso Voluntário, consoante informação às fls. 208, cuja cópia do acórdão consta às fls. 215/216. Cabe ressaltar que, às fls. 170/171, há cópia da decisão do Mandado de Segurança n° 2003.01.00.018420-8, da 4' Vara Federal de Manaus, impetrado pelo contribuinte, que concedeu liminar a fim de suspender o leilão que estava marcado para 18.06.2003, às 9:00 horas, das mercadorias contidas nos contélneres PONU 144.902-8, PONU - - 135.971-0 e PONU 133.312-5. Às fls. 193 consta a informação de que as referidas mercadorias não foram destinadas ao leilão. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, em um único volume, constando numeração até às fls. 209, para julgamento do recurso voluntário. Tendo em vista o disposto na Portaria MF n°314, de 25/08/1999, deixam os autos de serem encaminhados para ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional, quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator Tomo conhecimento dos Recursos Voluntários interpostos pelos contribuintes autuados, por serem tempestivos e tratarem de matéria de competência deste Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Inicialmente, antes de adentrar na controvérsia estabelecida nos autos, esclareço que apesar do Decreto-Lei n° 1.455/1976, em seu artigo 27, §4°, dispor acerca da apreciação do presente litígio em uma única instância, o contribuinte autuado "BMA" obteve através de Mandado de Segurança de n° 2003.32.00.001789-6, o direito a apreciação de o Processo n° 10283.004492/2002-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 Fl. 224 Recurso Voluntário por este Eg. Conselho, consoante se depreende da ementa exarada pelo Tribunal Regional da 1* Região, abaixo transcrita: Processo: AMS 2003.32.00.001789-6/AM; APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Relatar: IDESEMBARGADOR FEDERAL CARLOS FERNANDO MATH1AS Convocado: JUIZ FEDERAL OSMANE ANTÓNIO DOS SANTOS órgão Julgador: OITAVA TURMA Publicação: 14/12/2007 DJ p.151 'Data da Decisão: 06/11/2007 Decisão: A Turma deu provimento à apelação, por unanimidade. Ementa: TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUTO DE INFRAÇÃO E TERMO DE APREENa0 E GUARDA FISCAL DE MERCADORIA: — - IMPUGNAÇÃO INDEFERIDA. RECURSO ADMINISTRATIVO AO 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES. ILEGALIDADE DO NÃO CONHECIMENTO COM FUNDAMENTO NO ART. 27, § 40 DO DECRETO LEI N 1.455/76. ARTIGO NÃO RECEPCIONADO PELA CONSTITUIÇÃO. ART. 5°, LV, CF. ILEGALIDADE DO ART. 56 USQUE 69 DA LEI IV. 9.784/99. L Da decisão administrativa que indefere impugnação a Auto de Infração e Termo de Apreensão de mercadorias cabe recurso ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos termos do que dispõem os arts. 56 usque 69 da Lei n. 9.784/99. II. É ilegal a decisão que, com fundamento na apreciação do caso em instância única (§ 4°, art. 27, Decreto-lei n. 1.455/76), nega seguimento a esse recurso, posto que essa disposição normativa, além de não recepcionada pelo art. 5°, LV, CF, prevê a apreciação da matéria pelo Ministro da Fazenda, o que no caso não ocorreu. HL Segurança concedida para reformar a sentença e determinar à autoridade impetrada a imediata remessa do processo administrativo ao 3° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, para julgamento do Recurso Voluntário interposto pela impetrante. Além disso, é de se ressaltar que a referida decisão transitou em julgado em 30.07.2009, conforme se constata do andamento processual extraído do sítio do TRF da la Região (www.trfl .2ov.br): • ""- ";ç"9hírr-tt :tU,SPIÇA: FEPERki •'JAMIMANAti,S,a(nrs-No. • 03/05/2009 14:2619 i:',13;41;t4P4F;IIVIIIVA 4)11-, :l itrt;f1i=1-1 ?'" 1,Et7563,4)12B/2.2:-‘' ,;;C 5 1[1k:Afhlh:4)? QRPJn rh,e hhh,g.- bh h, hhhr i.e'h&ghrhhái‘ "Z,';„.;» h5; 5-"h L; 2- 4:C.7.-,,4172$'3"-ïS;:r"?2099001000,23277 fr-V )hh-h,g,55-1;ï 5, 5 h:.;"'5 52:15:1‘5‘' r.etne"a 2; ïhh ;,?5- .• .V.ht-‘5.: ;Yt5;.'''hi , h;2 5't OS/08/2,ÕQ.9. 2, 5' _h2;..n, TRANSITO EM JULGADO DO 30/07/2009 19:36:00 270100 ACÓRDÃO _ 30/07/2009 15..41 :00 221100 PROCESSO RECEBIDO - " •2." , " 1"241 • Posta tal observação, tendo em vista que a decisão judicial não mais é passível de reforma, passo a análise do caso em comento. A fim de aclarar os fatos de relevância ocorridos nestes autos, vislumbro a necessidade de se fazer um breve resumo das infrações constatadas. Vejamos: Consoante se denota da leitura dos autos, a operação em tela se iniciou com a solicitação por parte da empresa BMA (importadora) de mercadoria estrangeira junto a empresa exportadora IDM International Ltd, sediada em Hong Kong. A empresa exportadora (IDM) teria entregue as mercadorias no armazém da empresa de Agenciamento Marítimo EXEL Hong Kong Ltda. que, por sua vez, contratou a Companhia Marítima P&O Nedlloyd (transportadora), cuja representante no Brasil seria a AMSAL, para fazer o transporte das mercadorias de Hong Kong até o Brasil. O navio em questão, _Ponl Panamá, transportava as mercadorias acondicionadas em dois contêineros: PONU 144902-8 e P0NU135971-0. Em 23 01 2002, o referido navio chegou ao Porto de Manaus e, após a sua chegada, a AMSAL (Agenciamento Marítimo Mercosul Ltda.) efetuou o "Pedido de Visita" e assinou o 'Termo de Responsabilidade" (documento às fls. 24/25), onde informou que o navio procedia do Porto de Manzanillo. no Panamá. Desta forma, foi realizada a visita aduaneira no navio, conforme Termo de Visita Aduaneira 17/2002, lavrado na mesma data, em 23.01.2002 (fls. 22/23). Importa destacar que consta na "Lista de Carga em Trânsito" (fl. 26), entregue no momento da visita aduaneira e subscrita pelo gerente da AMSAL, Sr. Adilson Costa dos Santos, que os dois conteineres tinham como destino o "Port of Spain", na Venezuela. Por outro lado, segundo os "Conhecimentos de Embarque" (BL's) — fls. 28/29, emitidos pela P&O Nedlloyd, cujo representante no Brasil é a AMSAL, referentes aos presentes contêineres, estes seriam descarregados no Porto de Manzanillo, no Panamá. A divergência entre o destino dos contêMeres, consoante exposto nos dois supracitados parágrafo; bem como o fato de que o local da descarga dos contêineres - segundo os BL's - ser o mesmo da procedência destes, qual seja, o Porto de Manzanillo, deram ensejo a retenção dos contêineres, por indícios de supostas irregularidades. Com efeito, em 22.03.2002 foi conferida a carga contida dentro dos contêineres (Termo de Constatação — fls. 14/15), na companhia do representante da AMSAL, cujas mercadorias encontradas foram: 1";; Processo n° 10283.004492/2002-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00487 F1. 225 - embalagens individuais de aparelhos de som, com impresso contendo: razão social "BMA da Amazônia S/A"; certificado de qualidade ISO 9002; e selo de "Produzido na Zona Franca de Manaus"; e - máquinas fotográficas da marca TRON, contendo na base inferior os dizeres "Produzido na Zona Franca de Manaus". Diante de tal constatação, concluiu-se que as mercadorias foram produzidas no exterior e seriam consideradas como produzidas na ZFM uma vez que havia a inscrição nelas de "PRODUZIDO NA ZONA FRANCA DE MANAUS" (Item I do AI) Ainda neste enredo, com relação à infração imputada no Item II do AI, o "Ports of Call List", entregue na visita aduaneira realizada em 23.01.2002 e subscrito pela AMSAL (fl. 21), informa que o navio já havia estado no Porto de Manaus em 03.01.2002 e 04.01.2002. E, segundo consta dos BL's, os contêineres embarcaram em 22.12.2001 (data da emissão dos BL's), portanto, os referidos contêineres já estavam a bordo do navio quando da primeira viagem ao Porto de Manaus, que ocorreu entre a data de 03 e 04.01.2002, contudo, não foram declarados nesta época pela AMSAL, nem como carga em trânsito, nem como de destino final. Desta forma, tendo em vista que o navio esteve no Porto de Manaus nos dias 03 e 04 de janeiro de 2002 (segundo o "Pons of Call List" entregue na visita aduaneira) e que em 22.12.2001 este navio já havia embarcado com os dois conteineres (segundo os BL's), constatou-se que quando da "Visita Aduaneira" de 03 e 04 de janeiro de 2002 não foi declarado que ambos os contéineres estavam "em trânsito". Em razão do exposto, foi aplicada a pena de perdimento sobre os dois contêineres, nos termos do disposto no art. 514, inciso IV, do Regulamento Aduaneiro. Por fim, no que tange ao Item III do AI, o "Ports of Call List" (fl. 20) informa que em 22.12.2001 - data do embarque dos contêineres em Hong Kong, consoante se infere dos BL's - o navio estava no Porto de Buenaventura, na Colômbia, e não em Hong Kong, como era o esperado, posto que os BL's informam que o navio procedia de Hong Kong na mesma data, 22.12.2001. Destarte, é impossível que um único navio possa estar em dois lugares ao mesmo tempo, razão pela qual as informações contidas nas BL's foram consideradas falsas, com fulcro no art. 514, incisos VI e VII do Regulamento Aduaneiro. Findo o resumo dos fatos, resta adentrar na análise do caso em tela. De plano, faço a observação de que as infrações imputadas às autuadas se constituem em três, sendo a primeira (Item I) imputada somente à autuada BMA, e as duas seguintes (Itens II e IH) imputadas à autuada AMSAL. Isto porque a infração do Item I se refere a mercadorias de propriedade da BMA, já que continham dizeres com seu nome, e as Infrações dos Itens II e III se referem a documentação fiscal, cuja responsabilidade é do transportador, que supostamente seria representado no Brasil pela AMSAL. Em preliminar, tanto a AMSAL (representante do transportador marítimo no Brasil) como a BMA (importadora) alegam que são partes ilegítimas para figurar no pólo passivo da autuação. Primeiramente, quanto a ilegitimidade argüida pela autuada AMSAL, vê-se da leitura de sua Impugnação, em resumo, que esta justifica a sua ilegitimidade passiva sob o argumento de que somente praticou o agenciamento do navio P&O Nedlloyd Panamá que transportou as mercadorias contidas nos dois conteineres de propriedade do Transportador Marítimo P&O Nedlloyd. Alega, ainda, que apesar de ter assinado o Termo de Responsabilidade perante a Delegacia da Receita Federal, não se equipara ao Transportador para fins de responsabilidade no pagamento de impostos e taxas em eventuais diferenças a serem apuradas no imposto de importação. E, neste ponto, entendo assistir razão à autuada AMSAL, no sentido de não ser parte legítima a integrara pólo da presente demanda. Explico: Inicialmente, observo que não há prova nos autos de que a AMSAL seria a representante legal do Transportador Marítimo P&O Nedlloyd, empresa esta que foi contratada para efetuar o transporte dos contéineres em questão. Na verdade, o que se vislumbra dos documentos destes autos é que, a AMSAL é empresa comercial que agencia alguns transportadores/armadores nacionais e _ _ _ estrangeiros, sendo mera mandatária destes. Importante também enfocar que a AMSAL não é proprietária do navio em tela (P&O Nedlloyd Panamá), não tendo, portanto, transportado as mercadorias acondicionadas nos contelneres objeto da lide. Era sim, à época, mera agente marítima do transportador da mercadoria, a empresa P&O NEDLLOYD, responsável pelo transporte dos referidos contêMeres. Ora, não pode o agente, mero gastar de negócios, responder pelas mercadorias contidas em uma embarcação que nem lhe pertence, em razão de não ser parte legítima da demanda. Nessa esteira, é de se afastar a hipótese de tratar-se a autuada AMSAL como TRANSPORTADOR, pois se trata, na realidade, de um AGENTE MARÍTIMO que, no caso, apenas atuou em tal condição, ou seja, na qualidade de Agente Consignatário do navio "Ponl Panamá", tal como figurou no Termo de Visita Aduaneira n° 017/2002 e 002/2002 (fls. 22 e 23, respectivamente). O citado Termo de Visita apontou como "Proprietário / Armado?' do navio "Ponl Panamá" a empresa "FUDAS DISTC. 'VE DENIZCILIK", certamente uma empresa • estrangeira e, como Agente Consignatário, efetivamente, a empresa ora autuada AMSAL. Não obstante, não se pode jamais confundir as figuras em discussão, ou sejam: ARMADOR ou PROPRIETÁRIO com TRANSPORTADOR. Em linguagem bastante simplória pode-se estabelecer que: Processo n°10283.004492/2002-IS S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 Fl. 226 1)ARMADOR ou PROPRIETÁRIO, é aquele que "arma" a embarcação, ou seja, que lhe abastece com material humano (tripulação) e provisões, necessários e indispensáveis à realização da viagem marítima. Diz-se, em geral, dos PROPRIETÁRIOS dos navios. 2) Já TRANSPORTADOR é aquele que efetivamente transporta as mercadorias; que realiza Contratos de Transporte, consubstanciados pelos respectivos Conhecimentos de Embarque ou Conhecimentos Marítimos ou Conhecimentos de Transportes ou, como são conhecidos internacionalmente, "BILL OF LADINO" responsabilizando-se, quer frente aos exportadores/importadores, pelas cargas transportadas, quer frente a Fazenda Nacional pelos tributos incidentes, enquanto imbuídos da condição de Fiel Depositário dessas cargas, no percurso marítimo. O ponto crucial da preliminar levantada pela AMSAL é: O agente marítimo é representante no país do transportador marítit—no? A resposta é não. O agente marítimo é mero intermediário de cargas entre os armadores e os interessados no transporte de mercadorias por via marítima, bem como atende eventuais despesas decorrentes do navio e sua tripulação que são repassadas ao armador, ou seja, é mero gestor dos negócios do proprietário da embarcação. Nessa esteira, temos que o agente marítimo é mandatário do transportado; por tratar-se de representação convencional advinda de um contrato. Porém, cabe a ressalva aqui para não se confundir representação com atribuição de responsabilidade. A atuação do agente marítimo ocorre por conta e em nome alheio, ou seja, por conta e "ordem" do armador. Assim, o agente marítimo não é o afretador do navio, não manuseia a carga, não executa o transporte, bem como não tem poder de ingerência sobre a navegação, motivo pelo qual não pode ser responsabilizado por atos praticados no exercício de seu oficio nem pelos atos do armador. O agente exerce atividade estritamente mandatária, falando e agindo em nome e por conta do armador, logo, é o armador quem irá contrair obrigações e adquirir direitos como se pessoalmente tivesse tomado parte no negócio jurídico. O mandatário é representante por vontade do representado, daí ser o mandato uma representação convencional, em que o representante recebe poderes para agir em nome do representado. O que, diga-se, difere de outras situações jurídicas em que a representação se dá por força de lei, que é a representação legal por excelência. Na transferência a que se denomina representação, os poderes derivam de lei (representação legal) ou do próprio negócio jurídico (representação voluntária ou convencional). Apesar disso, não raro são propostas ações contra o agente marítimo, no que se refere a ato administrativo que estabelece ser representante legal (não convencional) do armador (e/ou proprietário do navio) o agente marítimo, atribuindo-lhe responsabilidade que não tem. Ocorre que tal assertiva não encontra respaldo legal, concluindo-se que o agente marítimo não pode ser responsabilizado pelos atos impostos ao transportador, consoante já assentado na jurisprudência: "STJ - Acórdão RESP 148683/SP; RECURSO ESPECIAL (1997/0065839-2); Fonte: DJ DATA:14/12/1998 PG:00206; Relator(a) Min. HELIO MOSIMANN (1093); Data da Decisão 05/1111998; Orgão Julgador: 72- SEGUNDA TURMA "O agente marítimo não é considerado responsável tributário. nemseetra rtador". "TRIBUTÁRIO - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - AGENTE MARÍTIMO - ILEGITIMIDADE PASSIVA I. O agente marítimo não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador. Súmula n° 192 do TER. Reconhecida a ilegitimidade passiva do embargante. 2. Honorários advocatícios mantidos no percentual fixado na sentença, eis que arbitrados em atenção ao artigo 20, § 4°, do CPC." (TRF fletido, processo n°9403.077482-7) Da mesma forma, o extinto TFR, sumulou jurisprudência que se ajusta ao caso em comento, vejamos: "O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do Decreto-Lei 37, de 1966." Neste curso, importa mencionar o Acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça que se ajusta perfeitamente ao caso em tela, dando enfoque, ainda, ao "termo de compromisso firmado por agente marítimo" no seguinte sentido: "TRIBUTÁRIO — IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO — RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR — AGENTES MARÍTIMOS — ASSINATURA DE TERMO DE RESPONSABILIDADE — INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. 1. A controvérsia essencial dos autos restringe-se à responsabilidade tributária dos agentes marítimos representantes de transportadora, no que tange ao imposto de importação. 2. Em que pese a assinatura do Termo de Responsabilidade, o agente marítimo não é responsável tributário no caso do imposto de importação, porquanto inexiste previsão legal para tanto. 3. O enunciado 192 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos, explicita: o agente marítimo, guando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado transportador para efeitos do Dec. Lei 37/66, ato normativo que trata do imposto de importação. Recurso especial improvido." — REsp 361.324, Relator Ministro Humberto Martins, DJ 14/08/2007 10 Processo n° 10283.004492/2002-15 83-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.487 EL 227 Do referido Acórdão merece destaque, para fins de julgamento da preliminar arguida, alguns excertos extraídos do Voto do Relator prolatado pelo Exmo. Ministro Humberto Gomes de Barros, nos seguintes termos: dl A controvérsia essencial dos autos restringe-se à res onsabilidade tributária dos a entes marítimos representantes de transportadoras no que tange ao imposto de DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO AGENTE MARITIMO Para bem dilucidar a questão encerrada neste autos, cabe o - - exame -da funções- dos- auxiliares-de navegação, quais sejam: - operadores portuários, práticos, agentes marítimos, estivadores, entre outros. Nestes termos: As funções do agente ou consignatário são divididas em dois grumr 1. auxiliar na armação, que engloba os serviços prestados ao navio, tais como condução para navios fundeados ao largo; requisição de práticos, amarradores, atracação, passagens aéreas ou terrestres para tripulantes que desembarcam; embarque e desembarque de tripulantes etc.; e, 2. auxiliar t timo, que envolve as atividades de contratação do transporte da carga, bem como sua manipulação; o redespacho de mercadorias, ou seja, o despacho de mercadorias em trânsito após a descarga do navio naquele porto. (GILBERTONL Carta Adriana Gomitre. Teoria e Prática do • Direito Marítimo. Ed. Renovar: Rio de Janeiro: Ia ed., 1998, p. 1120). O texto transcrito é por demais claro e dispensa maiores digressões. Por conseguinte, em face das funções peculiares do agente marítimo, a responsabilidade tributária não incide sobre o annte, e sim sobre o transportador, porquanto inexiste previsão legal para tanto. Esse entendimento é válido mesmo na hipótese em que o azente de naveeaeão firme termo de compromisso pelo vazamento de tributo, diante do princípio da reserva legal A propósito, convém lembrar que o extinto Tribunal Federal de Recursos, ao editar o enunciado 192 da Súmula/7'FR, consagrou o entendimento de que o agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado transportador para efeitos do Dec. Lei n. 37/66, ato normativo que trata do imposto de importação. A titulo de reforço, julgados da Segunda Turma do STJ: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AGENTE MARÍTIMO. TERMO DE COMPROMISSO. 117 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA INEXISTENTE. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. 1. O termo de compromisso firmado por agente marítimo não tem o condão de atribuir-lhe responsabilidade tributária. Aplicação do princípio da reserva legal, nos termos do art. 121, inciso II, do CTN. 2. Aplicação da Súmula 192/TFR, segundo a qual, 'o agente marítimo, quando no exercido exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do Decreto-Lei n°37 de I966.' 3. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 223.836/RS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 12.42005, DJ 5.9.2005) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE AGENTE MARÍTIMO. QUEBRA DE MERCADORIA IMPORTADA A GRANEL. 1. 'O agente marítimo, quando no uso exclusivo das atribuições próprias, não é considerável responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do Decreto-Lei n° 37, de 1996 (Súmula 192 do extinto TFR). 2. Esse posicionamento é adotado mesmo nos casos em que o - - - agente tenha assinado- termo de compromisso pelo pagamento dos tributos. 3. Recurso especial impróvido. (REsp 170.997/SE, Rel. MM. Castro Ateira, Segunda Turma, julgado em 22.2.2005, DJ 4.4.2005) Na mesma vereda, oportuno reproduzir trecho do seguinte julgado do STJ: O agente marítimo é contratado pelo armador de um navio mercante para atuar como intermediário entre este e a praça onde vai atracar. Já o armador é aquele que explora comercialmente uma embarcação mercante, sendo ou não seu proprietário. A aplicação de qualquer penalidade, seja tributária, seja administrativa, obedece ao princípio da legalidade, assim, não é admissivel que o agente marítimo responda pelas infrações sanitárias cometidas pelo armador, por falta de previsão legal. (AGREsp 584.365/PE, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 28.4.2004). Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial É como penso. É como voto. MINDiR0 HUMBERTO MARTINS Relator" (grilos nossos) Processo n° 10283.004492/2002-15 53-CIT2 Acórdão n.°3102-00.487 Fl. 228 Como se depreende do voto acima transcrito, o STJ já teve várias oportunidades de ser manifestar acerca do tema aqui tratado, sempre se posicionando no sentido de que o agente marítimo ao é responsável tributário, nem mesmo quando assina o Termo de Responsabilidade. Por outro giro, os contratos de transporte marítimo, os Bill of Lading (EL) (fls. 28/29), são os instrumentos regulamentadores das relações jurídicas decorrentes do transporte marítimo, tendo três finalidades básicas, de acordo com Samir Keedi e Paulo C.0 Mendonça: a) "é o contrato de transporte entre o transportador, o embarcador e o consignatário da carga; b) é recibo de entrega da mercadoria ao transportador ou a - bordo do navio, sendo a comprovação documental da armador de recebimento da carga para transporte; c)como título de crédito, o que significa que é o documento de resgate da mercadoria junto ao transportador, no destino final para o qual o transporte foi contratado, podendo ser transferido a terceiros mediante endosso". Ou seja, "o conhecimento de carga (BL) é o instrumento do contrato de transporte firmado entre embarcador e transportador, como partes contratantes, orientando as relações decorrentes do respectivo contrato e valendo, desta forma, como um título de crédito, em relação a terceiros reeulando, em última análise, a relação entre o transportador e o seu portador" (2) (in, Delfim Bouças Coimbra, O Conhecimento de Carga no Transporte Marítimo, Aduaneiras, 2.* ed., São Paulo, 2000, p.12). Como se evidencia dos conhecimentos de transporte (BL's - fls. 28/29), a AMSAL em momento algum transportou ou firmou algum contrato de transporte com a consignatária da mercadoria, não podendo, assim, o Fisco promover autuação em face desta, mas sim deveria ter autuado o transportador das mercadorias, a empresa P &O Nedlloyd. A autuada AMSAL sequer figura no contrato de transporte como embarcadora, transportadora ou consignatária, não fazendo, portanto, parte da relação contratual firmada. Posto isto, acato a preliminar de ilegitimidade passiva da autuada AMSAL — Agenciamento Marítimo Mercosul Ltda., para o fim de excluí-la do pólo passivo deste Auto de Infração. Diante do exposto, insubsistentes são os Itens 2 e 3 do Auto de Infração, em razão da ilegitimidade passiva do agente marítimo AMSAL. Em razão do exposto, passo a delimitar a controvérsia ao Item 1 do Al referente a infração imputada ao importador EMA A Infração relativa ao 'Item 1' consiste na descoberta, por parte do Fisco, de mercadorias acondicionadas em dois contélneres, as quais eram de procedência estrangeira, mas que continham rótulos informando que eram de procedência nacional. Tal fato constitui infração ao RIPI (Decreto 2.367/1998): 6/1 "Art 205: É proibido: 1— importar fabricar, possuir, aplicar, vender ou expor à venda rótulos etiquetas cápsulas ou invólucros arre se prestem a indicar. como estrangeiro produto nacional. ou vice-versa (Lei 4502, de 1964, art. 45, inciso I); LI — importar produto estrangeiro com rótulo escrito no todo ou em parte, na língua portuguesa. sem indicacão do pais de origem (Lei 4502, de 1964, art. 45, inciso 10; 111 — PaPregar rótulo que declare falsa procedência ou falsa qualidade do produto (Lei 4502, de 1964, art. 45, inciso III); IV — adquirir possuir, vender ou expor à venda produto rotulado, marcado, etiquetado, ou embalado nas condicães dos incisos anteriores (Lei 4502, de 1964, art. 45, inciso 119; V — mudar ou alterar os nomes dos produtos importados, constantes dos submetidos a processo de industrialização no Pais." Da leitura do dispositivo acima transcrito, somada as constatações realizadas pelo Fisco, conclui-se que o importador BMA incidiu nas infrações nele dispostas. O que ocorreu foi que, uma vez que retido os dois referidos contêineres, foi providenciada a abertura destes, e acabou se constando a existência das seguintes mercadorias: - Embalagens individuais de aparelhos de som, com impressos contendo razão social BMA da Amazônia S/A; selo de certificação da qualidade de processo ISO 9002, conferido pela Fundação Vanzolini; e selo de produzido na Zona Franca de Manaus. As embalagens ainda eram acompanhadas dos manuais de instruções, que continham informações corroborando a produção dessas mercadorias na Zona Franca de Manaus; e - Máquinas fotográficas da marca TRON, contendo em suas bases a gravação em baixo relevo os dizeres "Produzido na Zona Franca de Manaus", acompanhadas de estojos individuais e dos manuais de instrução, nos quais havia a informação que ratificava a produção na Zona Franca de Manaus. Diante da constatação de que as mercadorias eram de propriedade da BMA, em razão destas indicarem (com dizeres da razão `BMA') referida empresa como sendo a fabricante das mercadorias, não restam dúvidas que a autuada BMA pretendia adquirir estas mercadorias. Ademais, a BMA não nega em suas defesas a operação de importação das referidas mercadorias. Assim, no que tange a ilegitimidade passiva argüida pela autuada BMA Indústria e Comércio Ltda., entendo que dão deve ser levada a efeito, pois do conjunto probatório acostado aos autos pelo Fisco, fica claro que a autuada BMA é responsável pelas mercadorias tidas como irregulares. Todos os fatos relatados pela fiscalização autuante evidenciam as irregularidades praticadas pelo importador. (2?27 Processo n° 10283.004492/2002-15 83-C/T2 Acórdão n.°3102-00.487 Fl. 229 Por seu turno, a autuada BMA não trouxe elementos suficientes a ilidir a acusação fiscal, limitou-se a afirmar que teria "cancelado" a importação das referidas mercadorias, bem como o fato de que não acompanhou a abertura dos contêineres em tela. As alegações da autuada BMA se mostram frágeis, na medida em que, primeiramente, o cancelamento não foi comprovado. Além do que, se realmente não tivesse mais interesse na aquisição das mercadorias não teria impetrado Mandado de Segurança perante o Tribunal Regional Federal, de n°2003.01.00.018420-8, para concessão da suspensão do leilão das referidas mercadorias que se encontram retidas, pedido este que foi concedido pelo mencionado Tribunal, conforme se verifica do Acórdão de fls. 163/164. Igualmente sem fundamento é a alegação de que não teve acesso à abertura dos conteineres. Ora, se somente apr)s a abertura de tais contêineres se teve conhecimento de seu envolvimento comas mercadorias, no sentido de que era o real importador destas, como haveria de ter o mencionado acesso? • Nesse contexto, as acusações elaboradas pelo Fisco mostram-se devidamente comprovadas, não trazendo a autuada BMA nenhum elemento ou provas convincentes em suas defesas que viessem a repudiá-las. Aliás, vale ressaltar que a prova produzida pela Administração Pública goza de presunção juris tantum, ou seja, admite prova em contrário. Com efeito, deveria a aututada BMA combater as acusações que lhe foram imputadas, nos moldes do que prevê a regra basilar acerca do ônus da prova, prevista no artigo 333, do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 333. O ónus da prova incumbe: 1- ao autor, quanto ao_fato constitutivo do seu direito: II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Diante de todo o exposto, dou PROVIMENTO ao Recurso Voluntário da autuada AMSAL, para declarar nulo o Auto de Infração, em relação aos seus Itens 2 e 3, tendo em vista a sua ilegitimidade passiva. Quanto ao Recurso Voluntário da autuada BMA voto pelo NÃO PROVIMENTO, uma vez que devidamente constatada a infração. Oon—LuA;artoli 21
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005053/2008-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2803-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que todos os documentos do presente processo sejam juntados nos presentes autos digitais pela autoridade preparadora. Realizada a diligência, retornem os autos a julgamento.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Relatório
Os autos digitais vieram ao presente relator para julgamento, contudo não há quaisquer peças juntadas a eles.
É o relatório.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Numero do processo: 11516.002755/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1990 a 31/12/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESTITUIÇÃO. PARCELAMENTO REFIS. DECADÊNCIA.
O prazo para restituição de contribuição social indevida, no âmbito do REFIS, é de cinco anos, contados do pedido de devolução dos pagamentos da parcelas.
Verificado pagamento de parcela relativa a competência decadente, no período não atingido pela prescrição, cabível a repetição do indébito.
Comprovado o encargo econômico suportado pelo interessado, ex-sócio, mediante dação em pagamento, cabe o deferimento da restituição pleiteada.
FORMA DE COMPENSAÇÃO/ABATIMENTO
Deverá, para fins de devolução/abatimento, o pagamento recair primeiramente sobre os valores devidos e não abarcados pela decadência, inseridos no REFIS e, posteriormente, quitado integralmente o devido, os pagamentos deverão recair sobre as verbas indevidas a serem restituídas no processo.
A decadência é forma de extinção do crédito tributário e não há como exigir pagamento de contribuição sobre exigências decaídas.
LEGITIMIDADE DO RECORRENTE
A legitimidade do recorrente foi objeto de decisão, transitada em julgado, o que impede rediscussão da matéria.
Numero da decisão: 2301-003.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, para que o abatimento das parcelas recaia, primeiramente, sobre os valores devidos, não abrangidos pela decadência do direito de exigir do Fisco, contidos no REFIS e, depois de quitado integralmente o devido, os pagamentos recaiam sobre as verbas indevidas, a serem restituídas no processo, conforme a restituição definida, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em reconhecer o direito à restituição das parcelas pagas após a data de 20/03/2003, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que reconhecia o direito integral à restituição; III) Por unanimidade de votos: a) em reconhecer a legitimidade do recorrente, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator designado ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, MAURO JOSE SILVA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e MANOEL ARRUDA COELHO JÚNIOR.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1990 a 31/12/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESTITUIÇÃO. PARCELAMENTO REFIS. DECADÊNCIA. O prazo para restituição de contribuição social indevida, no âmbito do REFIS, é de cinco anos, contados do pedido de devolução dos pagamentos da parcelas. Verificado pagamento de parcela relativa a competência decadente, no período não atingido pela prescrição, cabível a repetição do indébito. Comprovado o encargo econômico suportado pelo interessado, ex-sócio, mediante dação em pagamento, cabe o deferimento da restituição pleiteada. FORMA DE COMPENSAÇÃO/ABATIMENTO Deverá, para fins de devolução/abatimento, o pagamento recair primeiramente sobre os valores devidos e não abarcados pela decadência, inseridos no REFIS e, posteriormente, quitado integralmente o devido, os pagamentos deverão recair sobre as verbas indevidas a serem restituídas no processo. A decadência é forma de extinção do crédito tributário e não há como exigir pagamento de contribuição sobre exigências decaídas. LEGITIMIDADE DO RECORRENTE A legitimidade do recorrente foi objeto de decisão, transitada em julgado, o que impede rediscussão da matéria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, para que o abatimento das parcelas recaia, primeiramente, sobre os valores devidos, não abrangidos pela decadência do direito de exigir do Fisco, contidos no REFIS e, depois de quitado integralmente o devido, os pagamentos recaiam sobre as verbas indevidas, a serem restituídas no processo, conforme a restituição definida, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em reconhecer o direito à restituição das parcelas pagas após a data de 20/03/2003, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que reconhecia o direito integral à restituição; III) Por unanimidade de votos: a) em reconhecer a legitimidade do recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator designado ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, MAURO JOSE SILVA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e MANOEL ARRUDA COELHO JÚNIOR.
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RESTITUIÇÃO. PARCELAMENTO REFIS. DECADÊNCIA. O prazo para restituição de contribuição social indevida, no âmbito do REFIS, é de cinco anos, contados do pedido de devolução dos pagamentos da parcelas. Verificado pagamento de parcela relativa a competência decadente, no período não atingido pela prescrição, cabível a repetição do indébito. Comprovado o encargo econômico suportado pelo interessado, exsócio, mediante dação em pagamento, cabe o deferimento da restituição pleiteada. FORMA DE COMPENSAÇÃO/ABATIMENTO Deverá, para fins de devolução/abatimento, o pagamento recair primeiramente sobre os valores devidos e não abarcados pela decadência, inseridos no REFIS e, posteriormente, quitado integralmente o devido, os pagamentos deverão recair sobre as verbas indevidas a serem restituídas no processo. A decadência é forma de extinção do crédito tributário e não há como exigir pagamento de contribuição sobre exigências decaídas. LEGITIMIDADE DO RECORRENTE A legitimidade do recorrente foi objeto de decisão, transitada em julgado, o que impede rediscussão da matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 55 /2 00 8- 11 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 Acordam os membros do colegiado: I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, para que o abatimento das parcelas recaia, primeiramente, sobre os valores devidos, não abrangidos pela decadência do direito de exigir do Fisco, contidos no REFIS e, depois de quitado integralmente o devido, os pagamentos recaiam sobre as verbas indevidas, a serem restituídas no processo, conforme a restituição definida, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior e Mauro José Silva, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por maioria de votos: a) em reconhecer o direito à restituição das parcelas pagas após a data de 20/03/2003, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que reconhecia o direito integral à restituição; III) Por unanimidade de votos: a) em reconhecer a legitimidade do recorrente, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator designado ‘ad hoc’. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, MAURO JOSE SILVA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES e MANOEL ARRUDA COELHO JÚNIOR. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11516.002755/200811 Acórdão n.º 2301003.552 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por LOURIVAL FIEDLER, em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que julgou improcedente o pedido de restituição. 2. O Recorrente aviou o requerimento de restituição no dia 20 de fevereiro de 2008 (vide fls 001), onde almejava o ressarcimento de todos os valores pagos no âmbito do REFIS relativos às competências 03/1995 e anteriores ou, quando menos, da competência 12/1994 e anteriores, por considerar formalmente nulos lançamentos efetuados por aferição indireta. 3. Posteriormente atravessou uma petição visando declarar extinto o crédito tributário atingido pela decadência/prescrição. Foi proferida decisão de indeferimento, sob o fundamento de falta de legitimidade do Recorrente para o pleito de restituição, não sendo apreciado o mérito do pedido. Indignado, para anatematizar a decisão de piso aviou recurso. 4. A 5ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (DRJ/FNS), proferiu decisão, indeferindo o pleito do Recorrente, por falta de legitimidade para pleitear o crédito, não apreciando o mérito do pedido. 5. O Recorrente manejou então, Recurso Voluntário a esta Corte, alegando ser legítimo detentor de direito para perquirir o pleito de restituição, face a sua condição de devedor solidário da obrigação tributária; que anteriormente foi recepcionado o seu requerimento, no qual o débito foi retificado para afastar contribuições às terceiras entidades, então decadentes. Requereu a aplicação da decadência para a competência 03/1995 e anteriores, ou o ressarcimento dos valores anteriores à competência 01/1995, pelo vicio formal do lançamento mediante aferição indireta. 6. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) julgou o Recurso, proferindo o acórdão n° 240101.178 (fl. 118 a 124), tornando nula a decisão de primeira instância, reconhecendo a legitimidade do interessado para o pleito de restituição, determinando a remessa dos autos a DRJ de origem para análise das demais razões meritórias das pretensas contribuições recolhidas indevidamente. 7. Após decisão acima, mister destacar que a parte, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, teve ciência da decisão do CARF e não recorreu (fls. 125). 8. Cientificado o Recorrente apresentou manifestação, reforçando a legitimidade reconhecida, requerendo aplicação da decadência da competência 03/1995 e anteriores e adicionalmente a nulidade por vicio formal das competências 03/1990 a 12/1994, requerendo o levantamento dos valores e procedida à restituição. 9. A Unidade de Origem juntou aos autos todo o extrato dos pagamentos alocados aos débitos, os pagamentos via banco feitos para o REFIS, com código de pagamento DARF 9100, elaborou planilha com os valores recolhidos ao REFIS, e os repassados para quitação das NFLD 35.035.7566 (dos autos) e 35.036.7574. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 10. há nos autos despacho historiando os fatos ocorridos nos processos, citando entre outros: i) os pedidos anteriores de revisão denegados na Delegacia da Receita Previdenciária em Florianópolis face a adesão ao REFIS; ii) o recurso encaminhado diretamente ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS); 11. Ao aviar o seu Recurso Voluntário, em ambos processos um sob nº 11516.002755/200811 (este) e outro sob nº 11516.000887/200816, o Recorrente alegou que: a) inicialmente que existem 02 (dois) pedidos de restituição, um para a NFLD nº 35.036.7566 (processo nº; 11516.002755/200811) e outro para NFLD nº 35.036.7574 (processo nº 11516.000887/200816), entretanto, às intimações recebidas pelo recorrente indica apenas o processo principal 11516.000887/200816, que certamente a decisão exarada abarcará os dois feitos, devendo o direito à restituição ter em mente tal premissa; b) que nos dois processos há uma única linha de discussão (direito à restituição de valores pagos no âmbito do REFIS, atingidos pela decadência e inexigíveis pela nulidade da aferição indireta, lançados em face de pessoa jurídica da qual foi sócio); c) alega que a ação judicial nº 2006.72.00.0108830, não prejudica os interesses do recorrente, ante o disposto no art. 301, § 2º, do CPC, para que uma ação judicial seja idêntica à outra (e impeça nova discussão da matéria), é necessário, além da coincidência de partes, que a causa de pedir e o pedido de todos os efeitos sejam iguais. E não é isto, em absoluto, que se observa no caso concreto; d) aduz que o acórdão recorrido contrariou decisão anterior do CARF, que reconheceu a legitimidade do recorrente, cita o expresso no art. 42, do Decreto nº 70.235/72, não é crível que em segundo passo venha a ser desdito o que afirmado anteriormente, para afastar a legitimidade; e) afirma que o recorrente suportou o ônus do encargo financeiro decorrente da obrigação tributária, conforme contrato de alienação societária apresentado em primeira instância; f) que não houve prescrição, cita o artigo 168, inciso I, do CTN, diz que as medidas adotadas tendentes à revisão do débito interromperam a prescrição; g) contesta que o cálculo do crédito deve se dar a partir do momento em que os pagamentos feitos ao REFIS superou o montante devido; h) por fim, nulidade da aferição indireta, que o anexo, “Descrição de Fundamentos Legais” – FLD, não faz qualquer menção ao dispositivo da Lei 8.212/91, que ampara o arbitramento por meio de aferição indireta de saláriodecontribuição. 12. Não houve contrarazões e os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É a síntese do necessário. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11516.002755/200811 Acórdão n.º 2301003.552 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator ‘ad hoc’ O presente Recurso Voluntário acode todos os pressupostos de admissibilidade, inclusive sendo tempestivo, razão pela qual, desde já, dele conheço. LEGITIMIDADE DO RECORRENTE Quanto à legitimidade do Recorrente, na análise dos autos verifico que o CARF já se pronunciou sobre essa questão, Acórdão n° 240101.178, definindo que o mesmo é parte legítima para pleitear a restituição, e conforme dito no relatório acima, a outra parte na lide, Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que é quem tinha direito de questionar a decisão – por embargos ou por recurso especial, conforme reza o RICARF teve ciência da decisão da Quarta Turma desta Seção do CARF (acórdão n° 240101.178), supramencionado e não recorreu. Com a ausência de questionamento por parte da Procuradoria, essa matéria legitimidade, transitou em julgado na esfera administrativa, impedindo sua rediscussão. Assim, em respeito à coisa julgada e ao trânsito em julgado, tenho como legitimo o Recorrente para perquiri os seus supostos direitos postos em exame na presente testilha. DA PRESCRIÇÃO Quanto à prescrição, tenho que cristalino é o Código Tribunal Nacional ao autorizar o sujeito passivo a receber o que foi pago indevidamente, desde que no prazo prescricional de cinco anos. Reza o Código Tributário Nacional: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. No mesmo diapasão dispõe o inciso I, do Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprovou o regulamento da Previdência Social, confirmando o entendimento apresentado: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 “Art. 253. O direito de pleitear restituição ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos, contados da data: I do pagamento ou recolhimento indevido; ou II em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a sentença judicial que tenha reformado, anulado ou revogado a decisão condenatória.” No caso em tela ficou evidente que os pagamentos foram feitos por meio de parcelamento do REFIS, conforme nos demonstra os extratos. Como é cediço, o prazo prescricional deve ser contado da data da extinção parcial do crédito tributário, que ocorre com o pagamento de cada parcela, na forma do art. 163 do CTN, e na jurisprudência abaixo. In verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. REPETIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. 1. "Obtido o parcelamento do débito tributário e implementado o mesmo a maior, na visão do contribuinte, cumprelhe repetir o indébito no prazo do art. 168, I do CTN, máxime porque em casos tais de parcelamento, não sujeitos à homologação pelo Fisco, o prazo prescricional deve ser contado da data da extinção parcial do crédito tributário, que ocorre com o pagamento de cada parcela" (REsp 840.037/RS, 1ª Turma, Rel. p/ acórdão Min. Luiz Fux, DJ de 14.5.2007). 2. Assim, o prazo prescricional (de cinco anos) para se pleitear o que foi recolhido indevidamente, na hipótese de parcelamento, tem como termo inicial o pagamento de cada parcela, e não o momento em que foi deferido o pedido de parcelamento, como equivocadamente entendeu o Tribunal de origem. 3. Recurso especial provido” (REsp 1009651/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2009, DJe 15/04/2009). “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ART. 35 DA LEI 7.713/88. PARCELAMENTO. PRESCRIÇÃO. TERMO AQUO. COMPENSAÇÃO. 1. Obtido o parcelamento do débito tributário e implementado o mesmo a maior, na visão do contribuinte, cumprelhe repetir o indébito no prazo do art. 168, I do CTN, máxime porque em casos tais de parcelamento, não sujeitos à homologação pelo Fisco, o prazo prescricional deve ser contado da data da extinção parcial do crédito tributário, que ocorre com o pagamento de cada parcela. 2. Recurso especial desprovido”.(REsp 840.037/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2007, DJ 14/05/2007, p. 262) Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11516.002755/200811 Acórdão n.º 2301003.552 S2C3T1 Fl. 5 7 Assim, considerando que o Recorrente apresentou requerimento de restituição em 20 de fevereiro de 2008, no qual pleiteou o ressarcimento dos valores pagos no âmbito do REFIS relativos às competências 03/1995 e anteriores. Entende que o prazo prescricional é de dez anos. No caso, cumpre aplicar a regra prescricional, nos termos do art. 168 do CTN, que tem por marco a data do requerimento apresentado, ou seja, 20/02/2008, a partir daí, retroagir cinco anos, que corresponde a 20/03/2003. Assim, tomando por base a planilha, de fls. 66 a 93 do processo 11516.000887/200816, notase que não estão prescritos para fins de repetição diversos pagamentos feitos após a data de 20/03/2003. Concluo, portanto, em votar por reconhecer o direito à restituição das parcelas pagas após a data de 20/03/2003. DO DIREITO A VALORES ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA. Quanto ao direito a valores atingidos pela decadência, penso que há razão em seu pedido a Recorrente, eis que em seu pedido de restituição, solicita reconhecimento, por parte da administração tributária, de valores lançados, integrantes do REFIS, estariam alcançados pela decadência, ou seja, seriam inexigíveis. Realmente, entre a data do lançamento, 04/2000, fls. 0425, a data em que se solicita a restituição, 02/2008, houve definição, no mundo jurídico, a respeito da regra decadencial a ser aplicada nas contribuições previdenciárias, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O fato é que o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Nesse sentido deve ser seguida a interpretação adotada pelo STJ no julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11516.002755/200811 Acórdão n.º 2301003.552 S2C3T1 Fl. 6 9 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 10 corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 11516.002755/200811 Acórdão n.º 2301003.552 S2C3T1 Fl. 7 11 do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido. Há de se ver que as contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, assim caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Na análise dos autos, encontramos registro de pagamento no lançamento, fls. 032, portanto deve ser aplicada ao caso a regra decadencial expressa no Art. 150, § 4º do CTN. Como o lançamento (DEBCAD: 35.036.75664), em que se está solicitando a restituição, possui exigências de contribuição nas competências 03/1990 a 12/1997 (fls. 032), e foi cientificado ao sujeito passivo em 04/2000 (fls. 0425), pela regra decadencial expressa no Art, 150, § 4º são inexigíveis e devem ser excluídas do parcelamento as contribuições exigidas até a competência 03/1995, anteriores a 04/1995. Com aplicação da solução sobre a regra decadencial, acima, a administração tributária deve – sobre os valores realmente exigíveis, ou seja, àqueles constantes do lançamento em competências a partir de 04/1995, posteriores a 03/1995, utilizar os créditos pagos conforme a definição sobre prescrição acima, ou seja, utilizar todos os valores pagos a partir de 20/03/2003 para quitar os valores constantes do lançamento nas competências posteriores a 03/1995, que permaneceram no lançamento. Destacamos que, caso o abatimento das parcelas, pagas após 02/03/2003, seja maior que os valores devidos, não alcançados pela decadência contribuições referentes às competências posteriores a 03/1995 – o saldo deve ser restituído ao sujeito passivo, por sua exigência ser indevida. Vejo como a única solução aplicável ao caso. A declaração de inconstitucionalidade, proferida pelo STF, decide que para os litígios em que o sujeito passivo esteja discutindo a decadência, administrativa ou Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 12 judicialmente a norma julgada inconstitucional nunca existiu no mundo jurídico, portanto não poderia ter sido cobrada, ex tunc, cabendo sua restituição. Destaco que o Pretório Excelsior aprovou a súmula 8 em sessão de 12/06/2008, ou seja, depois do pedido do sujeito passivo que é datado de 20 de fevereiro de 2008. A própria fiscalização, em seu parecer, já dá sinais do direito do sujeito passivo, fls. 0425. Portanto, por todo exposto, voto para que o abatimento das parcelas, pagas após 02/03/2003, recaia, primeiramente, sobre os valores devidos, não abrangidos pela decadência do direito de exigir do Fisco, (contribuições referentes às competências posteriores a 03/1995), contidos no REFIS e, depois – caso quitado integralmente o devido os pagamentos seja restituídos, pois indevidos CONCLUSÃO: Diante do acima exposto, tenho que o presente Recurso Voluntário acode todos os pressupostos de admissibilidade, por isto dele se conhece, para DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, a fim de: i) reconhecer a legitimidade do Recorrente para perquirir a restituição timo o recorrente, nos termos do voto; ii) reconhecer o direito à restituição das parcelas pagas após a data de 20/03/2003, nos termos do voto; e iii) para que o abatimento das parcelas recaia, primeiramente, sobre os valores devidos, não abrangidos pela decadência do direito de exigir do Fisco, contidos no parcelamento e, depois de quitado integralmente o devido, caso haja saldo, os pagamentos sejam restituídos, nos termos do voto. É o meu voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator ‘Ad hoc’. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.917005/2009-49
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Da verificação dos pressupostos objetivos (extrínsecos) do recurso interposto, observa-se que o relativo à tempestividade não obedeceu às formalidades legais. A interposição extemporânea do recurso resulta em preclusão temporal
Numero da decisão: 3803-004.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ser intempestivo.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. Da verificação dos pressupostos objetivos (extrínsecos) do recurso interposto, observase que o relativo à tempestividade não obedeceu às formalidades legais. A interposição extemporânea do recurso resulta em preclusão temporal Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por ser intempestivo. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo De Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 70 05 /2 00 9- 49 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Tratase de compensação não homologada. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico emitido em 09/04/2009, a autoridade administrativa após analisar o crédito constante de DARF pelo seu valor original, constatou a sua utilização integral para pagamento de outros débitos próprios, não restando saldo credor suficiente para a compensação declarada. Por conseguinte não homologou a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade ao teor do despacho a interessada aduziu pela existência de erro material no preenchimento da DCTF, mês de competência de novembro/2002, eis que o valor efetivamente devido seria de R$ 7.469,02 e não de R$ 22.226,13, para requerer pelo reconhecimento do crédito e extinção do débito indevidamente imputado . Conclusos foram os autos levados a sessão de julgamento em 14/07/2011, quando por meio do Acórdão nº 1238.691 a 3ª Turma da DRJ/RJ1 proferiu decisão sintetizada ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o interessado fazêlo em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. I0F. ANOCALENDÁRIO DE 2003. DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO. Mantémse o Despacho Decisório se não elidido o débito ao qual o alegado .pagamento indevido ou a maior foi alocado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. 10F. ANOCALENDÁRIO 2003. EMPRÉSTIMOS. LEGITIMIDADE. O responsável tributário tem direito à restituição do IOF que recolheu nessa condição, desde que autorizado por aquele que efetivamente suportou tal encargo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. A ciência da decisão deuse por meio de AR em 16/09/11(sextafeira), e a interposição do recurso voluntário em oposição à mesma ocorreu em 19/10/11(quartafeira), Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15374.917005/200949 Acórdão n.º 3803004.478 S3TE03 Fl. 5 3 conforme consta do envelope digitalizado anexo (cópia da postagem enviada pela Agência de Correios e Telégrafos). Na ocasião a interessada reiterou minudentemente os termos exarados na exordial, inclusive conclamando pela conversão do julgamento em diligência, se porventura a prova produzida não for suficiente para à comprovação da regularidade da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso interposto não preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele não conheço. Como relatado à ciência da decisão a quo deuse por meio de AR em 16/09/11(sextafeira), e a interposição do recurso voluntário em oposição à mesma ocorreu em 19/10/11(quartafeira), conforme consta do envelope digitalizado anexo (cópia da postagem enviada pela Agência de Correios e Telégrafos). O artigo 5º do Decreto nº 70.235/72 e o art. 210 do CTN estabelecem que os prazos serão contínuos, excluindose o dia do início e incluindose do vencimento. De outra parte o artigo 33 do mesmo córtex dispõe que da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Logo, sendo o dia 19/09/2011 (segunda feira) o primeiro dia útil após o da ciência (16/09/2011, sextafeira), portanto o dia do início da contagem do prazo recursal de um lapso temporal de 30 (trinta) dias, a data do vencimento deuse em 18/10/2011 (terçafeira). Ocorre que a Recorrente somente postou o envelope em 19/10/2011, portanto após o exaurimento do prazo legal. Isto dito resta prejudicada a apreciação das matérias devolvidas a esta Corte por ocorrência de preclusão temporal, sendo esta a razão pela qual deixo de conhecer do recurso interposto. É como voto Sala de sessões em 20 de agosto de 2013. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 04/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.907032/2012-82
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/12/2008
SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS.
O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação.
Numero da decisão: 1802-002.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Correa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/12/2008 SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação.
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. O pedido de restituição de tributos retidos e recolhidos indevidamente cabe a pessoa jurídica que de fato assumiu o ônus da exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. O conselheiro José de Oliveira Ferraz Correa vai apresentar declaração de voto para expor suas razões quanto a negativa. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Correa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Darci Mendes de Carvalho Filho, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Henrique Heiji Erbano, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Ausente justificadamente o conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 70 32 /2 01 2- 82 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Por economia processual passo a adotar o suscinto relatório elaborado pela DRJ, in verbis: “Tratase de Pedido de Restituição das contribuições sociais retidos na fonte por ocasião de pagamento de serviços de terceiros. Na fundamentação do Despacho Decisório que indeferiu o Pedido, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição (...) Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que: o crédito, cuja restituição se pretende decorrente de retenção indevida praticada pela Impugnante referente a serviço prestado por pessoa jurídica optante do SIMPLES Nacional, nos termos em que instituído pela Lei Complementar nº 123/2006. ... Consoante relatado e conforme comprovam os respectivos documentos fiscais, a Impugnante contratou a prestação de serviços da pessoa jurídica de direito privado ‘Guarapuã Florestal Ltda – EPP’ (...). Com base nas disposições do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 e da Lei nº 10.833/2003, a Impugnante é obrigada a reter os valores concernentes ao imposto de renda e às contribuições sociais CSLL, PIS e COFINS Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 4 3 incidentes sobre as operações e repassálos (...) na condição de substituta tributária. Todavia, a Impugnante constatou posteriormente que a pessoa jurídica substituída fornecedora dos serviços contratados à época dos fatos geradores ora considerados, era optante do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, situação em que permaneceu no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, como bem comprovam os documentos inclusos. ... Por esta peculiar sistemática, o adimplemento dos mencionados tributos dáse de modo unificado, por meio de uma alíquota única, ao encargo da pessoa jurídica optante do SIMPLES, o que indelevelmente a desonera as empresas porventura obrigadas às retenções de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, como a Impugnante, a assim procederem. ... Nesta esteira, a retenção praticada pela Impugnante não teve sentido algum e o montante recolhido por ela por ocasião da operação retratada notadamente constitui indébito, cuja restituição se justifica (...).” A DRJ de Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 30/12/2008 SIMPLES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. RETENÇÃO. RESTITUIÇÃO. REQUISITOS. Ainda que indevida a retenção de tributos devidos por prestadora de serviços optante pelo Simples, a restituição de valores depende da demonstração da assunção do ônus tributário por parte da tomadora dos serviços que efetuou as retenções por ocasião do pagamento das respectivas notas fiscais, sem o que esta última não preenche os requisitos para que lhe sejam restituídos os valores eventual e indevidamente recolhidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Dessa decisão da qual tomou ciência em 29/10/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 27/11/2013. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 5 4 No Recurso faz arrazoado sobre os motivos pelo qual o acórdão exarado pela DRJ não deve prosperar, reiterando em seguida as alegações feitas por ocasião da sua manifestação de inconformidade e, no fim, pugnando pelo provimento do seu Recurso Voluntário, eis que tem autorização expressa da empresa para a qual o encargo foi transferido para pleitear a devolução do indébito. Este é o Relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. A análise feita sobre o pedido apresentado pela contribuinte se deu no âmbito do processamento eletrônico de declarações, meio legítimo e eficiente de verificação dos pleitos formalizados pelos sujeitos passivos, também de forma eletrônica, em busca dos créditos que entendem possuir contra a Fazenda Pública. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Especialmente nos processos iniciados pelo Contribuinte, como o aqui analisado, há toda uma dinâmica na apresentação de elementos de prova, uma vez que a Administração Tributária se manifesta sobre esses elementos quando profere os despachos e decisões com caráter terminativo, e não em decisões interlocutórias, de modo que não é incomum a carência de prova ser suprida nas instâncias seguintes. É por isso também que antes de proferir o despacho decisório, ainda na fase de auditoria fiscal, pode e deve a Delegacia de origem inquirir o Contribuinte, solicitar os meios de prova que entende necessários, diligenciar diretamente em seu estabelecimento (se for o caso), enfim, buscar todos os elementos fáticos considerados relevantes para que na sequ ência, na fase litigiosa do procedimento administrativo (fase processual), as questões envolvam mais a aplicação das normas tributárias e não propriamente a prova de fatos. Desse modo, para a homologação desse crédito a Administração Fazendária solicitou que o contribuinte juntasse ao seu pedido a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento ao pedido de restituição. A Recorrente por ocasião de sua Manifestação de Inconformidade juntou: a) consulta feita na internet em que consta a informação de que a empresa Guarapuã Florestal Ltda – ME estaria compreendida no Simples no período de 11/07/2008 a 31/12/2011, o que abarca os pagamentos tidos por indevidos. b) notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços nas quais estão destacadas as parcelas referentes aos tributos que teriam sido indevidamente retidos. Os valores segundo análise da DRJ são compatíveis com o montante do crédito inscrito no Pedido de Restituição. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 7 6 c) documento endereçado à contribuinte, no qual consta a seguinte solicitação: “GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, cadastrada no CNPJ sob o nº 10.296.543/000151, estabelecida à Rua Ruy Barbosa, nº 685 – Centro, município de Buri/SP, vem solicitar através desta a restituição de imposto descontado indevidamente em notas fiscais devido empresa ser optante do SIMPLES NACIONAL, conf. Demonstrativo abaixo” Com isso a Recorrente requer a restituição de apenas uma parcela do valor recolhido por meio do DARF inscrito no Pedido, razão pela qual não foi possível a verificação, a partir dos valores, da exata composição do DARF de forma a aferir se o valor recolhido corresponde efetivamente ao tido por indevido. Uma demonstração da composição do DARF seria indispensável para a efetiva comprovação da inclusão dos valores eventualmente indevidos nos recolhimentos efetuados. Seria caso de baixar esse processo em diligência, caso a Recorrente não viesse reiteradamente se evadindo em demonstrar que de fato assumiu o ônus do tributo retido da prestadora de serviço indevidamente. Pelo contrário, deu todos os indícios, inclusive com a declaração da empresa Guarapuã Florestal Ltda – EPP, que não assumiu o ônus, mas que apenas se prendeu a parte final do CTN, artigo 166, onde mediante autorização de quem sofreu o ônus do tributo, haveria a possibilidade de efetuar o pedido de restituição em nome próprio. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Nesse sentido a Lei nº 9.430/96, art, 74, § 12, II, “a” veda expressamente a trasferência de créditos tributários para terceiros. A esse respeito já há jurisprudência consolidada, senão vejamos: "TRIBUTÁRIO – COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS A TERCEIROS – LEI 9.430/96 – IN SRF 21/97 E 41/2000 – LEGALIDADE. A Lei 9.430/96 permitiu que a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, autorizasse a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. O art. 15 da IN 21/97, permitiu a transferência de créditos do contribuinte que excedessem o total de seus débitos, o que foi posteriormente proibido com o advento da IN 41/2000 (exceto se se tratasse de débito consolidado no âmbito do REFIS) e passou a constar expressamente do art. 74, § 12, II, "a" da Lei 9.430/96. Dentro do poder discricionário que lhe foi outorgado, a Secretaria da Receita Federal poderia alterar os critérios da compensação, sem que isso importe em ofensa à Lei Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 8 7 9.430/96. (REsp 677874/PR Ministra ELIANA CALMON DJ 24.04.2006)". A autorização de restituição a quem não teve o ônus seria o mesmo que a Administração Fazendária anuir com o enriquecimento ilícito ou sem causa, também denominado enriquecimento indevido, ou locupletamento, pois configuraria aumento patrimonial sem causa jurídica, ou o que se perderia sem causa legítima. Isso porque em momento algum está estabelecido que o produto da restituição será repassado a quem teve o ônus. Nesse sentido prescreve o Código Civil: “Art. 884. Aquele que, sem justa causa, se enriquecer à custa de outrem, será obrigado a restituir o indevidamente auferido, feita a atualização dos valores monetários. Parágrafo único. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada, quem a recebeu é obrigado a restituíla, e, se a coisa não mais subsistir, a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido.” Isso porque a despesa já incorrida foi integralmente registrada em conta de resultado atribuida ao fornecedor, sendo sua contrapartida registrada em conta de passivo, uma parte devida ao fornecedor e o restante em tributos retidos de terceiro. A recuperação do crédito tributário daria ensejo ao registro em conta redutora de passivo com a contrapartida em caixa / bancos. Essa prática daria ensejo a obteção de uma receita decorrente da cessão de créditos tributários, essa vedada pela legislação ora em vigor, sem qualquer tributação. No presente caso, havendo crédito tributário a ser restituído, caberia somente a empresa GUARAPUÃ FLORESTAL LTDA – EPP, contribuinte do tributo para solicitar a restituição. Sendo assim, resta claro que a parte final do caput do art. 166 do CTN deve ser interpretado de acordo com o restante do sistema jurídico que rege a matéria, em especial os citados anteriormente. Por oportuno cabe salientar ainda que se trata apenas de “Pedido de Restituição”, pois em caso de “Pedido de Compensação” a Recorrente estaria sujeita à multa correspondente a compensação não declarada, nos termos do diploma legal supra citado. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso, mantendo a decisão da delegacia de origem. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 9 8 Declaração de Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Faço a presente declaração de voto para demonstrar os fundamentos que me levam a acompanhar o relator no não provimento do recurso voluntário. O art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN, trazido à baila para o exame das questões suscitadas, guarda relação com a antiga classificação dos contribuintes em “contribuinte de direito” e “contribuinte de fato”. O chamado “contribuinte de fato”, na lógica dos tributos indiretos (p/ ex., IPI e ICMS), desimportante para o direito tributário num primeiro momento, adquire relevância nos casos de restituição de indébito, eis que de acordo com o referido artigo: Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. O problema é que essa lógica não se aplica aos tributos retidos na fonte. Ocorrida a retenção de tributo e presente o respectivo beneficiário do pagamento que ensejou essa retenção, tal situação refoge ao campo do art. 166 do CTN. A fonte pagadora é encarregada de cumprir um dever administrativo (de reter e recolher o tributo), na condição de mero responsável, mas não ocupa a posição do chamado “contribuinte de direito” (que se perfaz na pessoa do fabricante, no caso do IPI, e do comerciante, no caso do ICMS). Tratandose de retenção na fonte, a condição de contribuinte, desde o início, cabe ao beneficiário do pagamento/rendimento, ou seja, àquele que sofreu a retenção do tributo, e é somente ele quem poderá reivindicar a repetição do tributo retido e que se configurou como indébito tributário. Nesse caso, a fonte pagadora não possui legitimidade para figurar no pólo ativo da repetição de indébito. Não se aplica aqui a autorização mencionada no art. 166 do CTN, eis que a situação seria de apropriação/aproveitamento de crédito de terceiro, o que não é admitido pela legislação (Lei nº 9430, art. 74), e a referida autorização não poderia servir a esse fim – transferência de direito creditório de um contribuinte para outro. Por essas razões, acompanho o relator e também nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 10855.907032/201282 Acórdão n.º 1802002.459 S1TE02 Fl. 10 9 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JOSE DE OLI VEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 11442.000194/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO.
No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetiva-se uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente.
Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE PIS/PASEP E COFINS INCIDENTES SOBRE PRODUTOS SUJEITOS A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. COMERCIANTE VAREJISTA. INDEFERIMENTO. No regime monofásico de tributação não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez, portanto, sem previsão de fato gerador futuro e presumido, como ocorre no regime de substituição tributária para frente. Após a vigência do regime monofásico de incidência, não há previsão legal para o pedido de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e para a COFINS incidente sobre a venda de automóveis para o comerciante varejista. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O conselheiro Andrada Canuto Natal votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 2. 00 01 94 /2 01 0- 41 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 3 2 Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez, Andrada Márcio Canuto Natal, Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas e Sidney Eduardo Stahl. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento Eletrônico, por meio do qual a interessada requer o ressarcimento de créditos que julga possuir, oriundo de créditos da COFINS NãoCumulativa. A interessada não transmitiu Declarações de Compensação vinculadas ao Pedido de Ressarcimento acima citado. Intimada a apresentar documentos e informações a contribuinte informou que os supostos créditos pleiteados no PER foram motivados pela comercialização de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas classificações fiscais 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001, pleiteando seus créditos com base no artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004. Indeferido o pedido apresentou Manifestação de Inconformidade solicitando a reforma do Despacho Decisório, com uma rica argumentação onde discorre sobre dois marcos normativos importantes que não teriam sido observados: o art. 17 da Lei 11.033, de 2004 que lhe daria o direito de se creditar da Cofins e do PIS incidente sobre a fase anterior em regime de substituição tributária; e o art. 42 da Lei 11.727, de 2008, que revogou a sistemática de não cumulatividade ainda mantida pelas leis 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002 para alguns casos específicos previstos no inciso IV do § 3º do art. 1º e a alínea a do inciso VII do art. 8º das referidas leis, respectivamente para a Cofins e o PIS, o que teria eliminado qualquer discussão sobre as normas de não cumulatividade que, por princípio, devem permitir o crédito sobre as contribuições que incidiram na fase anterior da cadeia produtiva. A DRJ de Ribeirão Preto/SP julgou improcedente o pedido da contribuinte sendo o acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. VENDAS EFETUADAS COM ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE AUTOMÓVEIS E PEÇAS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO DE CRÉDITO. Em razão da técnica legalmente implementada de tributação concentrada nos fabricantes e importadores de automóveis e peças, as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas e varejistas com a venda desses produtos são submetidas à alíquota zero de PIS e Cofins, sendo expressamente vedado o aproveitamento de créditos em relação às aquisições desses bens. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 151DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 5 4 Inconformada apresenta a recorrente o presente recurso voluntário apontando as mesmas razões apontadas na Manifestação de Inconformidade. É o que importa relatar. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A Recorrente pleiteou o ressarcimento dos valores atualizados da COFINS incidente sobre aquisição de veículos automotores classificados na Tabela TIPI nas posições 87032100, 87043190, 87042190, 8704219001 e 8703231001. No âmbito do PIS e da COFINS, os veículos automotores, bem como as autopeças mencionadas nos anexos I e II da lei n.° 10.485/2002, estão sujeitos ao regime de tributação monofásica desde o advento desse diploma legal, cujos artigos. 1º e 3º, após as alterações introduzidas pela lei n.º 10.865/2004, trazem a seguinte redação: Art. 1º. As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto n.º 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (...) Art. 3º As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) e 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento), respectivamente, nas vendas para fabricante: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) a) de veículos e máquinas relacionados no art. 1º desta Lei; ou (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) de autopeças constantes dos Anexos I e II desta Lei, quando destinadas à fabricação de produtos neles relacionados; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 153DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 7 6 II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1º Fica o Poder Executivo autorizado, mediante decreto, a alterar a relação de produtos discriminados nesta Lei, inclusive em decorrência de modificações na codificação da TIPI. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 10.865, de 2004) § 2º Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata:(Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e II – o caput do art. 1º desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001. O sistema de incidência monofásica consiste na concentração de tributação das contribuições do PIS e da COFINS no início da cadeia produtiva, isto é, ocorre a incidência de alíquotas mais elevadas nas etapas de produção e importação, desonerandose as fases seguintes da comercialização, mediante atribuição de alíquota zero. Vale dizer, o fato gerador ocorre uma única vez nas vendas realizadas pelos fabricantes/importadores, não havendo mais incidência dessas contribuições nas vendas realizadas nas etapas seguintes da cadeia econômica. A concentração funciona, assim, como uma antecipação da cobrança do tributo que normalmente seria cobrado nas operações subseqüentes à cadeia inicial. Essa sistemática foi instituída nos termos dos artigos acima apontados que estabeleceu o regime de incidência monofásica, na origem, ou seja, nos fabricantes e importadores, em conformidade com o previsto no art. 149, § 4º, da CF/1988, assim expresso: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão uma única vez. Na incidência monofásica os fabricantes e importadores passaram a efetuar o recolhimento das citadas Contribuições somente na condição de contribuinte (de fato e direito), deixando de ser contribuintes substitutos dos demais intervenientes nas etapas de comercialização seguintes (as distribuidoras e os varejistas). Fl. 154DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 8 7 Em decorrência da nova modalidade de incidência, as receitas dos varejistas provenientes das vendas desses produtos ficaram excluídas do pagamento das referidas Contribuições, com base no regime da alíquota zero, conforme § 2º do artigo 3º, supra citado. Não é demais ressaltar que, a partir da nova forma de incidência a tributação dos fabricantes e varejistas passaram a ser realizadas de forma autônoma. Em decorrência, o que for recolhido pelo fabricante não mais significa antecipação do que seria devido nas etapas subseqüentes. Logo, a incidência das mencionadas contribuições sobre os fabricantes ou importadores, assim como os pagamentos por eles realizados são considerados definitivos, independentemente de qual seja o desfecho que venham ter os fatos geradores posteriores à aquisição dos produtos para revenda. Nesse sentido, é pertinente trazer à colação o entendimento dos renomados Professores Sacha Calmon Navarro Coêlho e Misabel Abreu Machado Derzi, externados no excerto extraído da Revista Dialética de Direito Tributário n.º 86, página 113, a seguir transcrito: “... cabe agora dizer que no caso em exame não temos substituição tributária e tampouco nãoincidência (imunidade, isenção ou alíquota zero), mas uma categoria jurídica diferente, a da tributação monofásica”. (grifos do original) Logo, a eficácia das modificações introduzidas pela MP n.º 1.99115, de 2000, no que tange à nova redação do art. 4º da Lei n.º 9.718, de 1998, conforme determinado no seu art. 46, II, verificouse, como já mencionado, desde 01/07/2000, não mais existindo, a partir daí, o regime de substituição tributária. Ressaltese, ainda, que o referido dispositivo constou em todas as reedições posteriores da citada MP, sendo repetido na atual MP n.º 2.158 35, de 24 de agosto de 2001 (art. 92, II), que em face do disposto no art. 2º da EC n.º 32/2001, não carece de reedição. Assim, a MP n.º 1.99115, de 2000, extinguiu o citado regime de substituição tributária aplicável às duas Contribuições, determinando a tributação em uma única fase (monofásica). Por sua vez, a MP 1.99118, de 2000, a Lei n.º 9.990, de 1990 e a Lei n.º 10.865, de 2004, sem alterar o regime jurídico de incidência monofásica, modificaram apenas as alíquotas aplicáveis as operações em análise. Nesse sentido, no regime monofásico de incidência não há previsão de ressarcimento ou restituição de tributos pagos na fase anterior da cadeia de comercialização, haja vista que a incidência efetivase uma única vez. No presente Recurso, sustentou a interessada que, a despeito da alíquota zero aplicável às operações de venda de veículos, ela teria direito ao crédito relativo às aquisições dos referidos produtos junto ao fabricante, conforme expressamente reconhecido no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004. Não assiste razão a Recorrente. O citado preceito legal, não comporta tal conclusão, conforme observase de sua redação, in verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 9 8 Da leitura do transcrito comando legal, resta indubitável que ele se aplica, exclusivamente, a manutenção de créditos, calculados sobre custos, encargos e despesas que tenham antes sofrido a tributação das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, segundo sistemática da nãocumulatividade, ou seja, quando a cadeia de incidência não é a em exame. Além disso, por força do artigo 3º, inciso I, alínea “b”, da Lei n.º 10.637, de 2002 é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aquisições de veículos objetos da presente discussão. Assim, ao se referir à “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” às operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, o dispositivo em análise, na verdade, está se referindo aos créditos relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos das ditas Contribuições, no âmbito do regime de incidência nãocumulativa, sem contudo alterar a força normativa do inciso alínea “b” do I do art. 3º da Lei n.º 10.637, de 2002, e da Lei n.º 10.833, de 2003, que, de forma expressa, veda a utilização de crédito relativo às aquisições dos produtos revendidos, cuja receita está sujeita aos regimes especiais de tributação, especificamente, o de incidência monofásica em apreço. Ademais, tendo em conta a natureza específica de cada uma das formas de incidência — e não regime de tributação — das citadas Contribuições anteriormente abordadas, não vislumbro qualquer incompatibilidade entre o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3º das Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e o estabelecido no art. 17 da Lei 11.033, de 2004. Na verdade, ambos os preceitos legais tratam de sistemáticas distintas de incidência, não podendo o regramento de uma ser invocado para fins de apuração e cobrança por meio de outra sistemática, sem que haja grave distorção nos regimes de apuração e cobrança das referidas Contribuições. Em consideração ao caso tomo a liberdade de apontar a expressão do parágrafo oito da exposição de motivos da MP 66/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, a saber (os destaques são nossos): 8. Sem prejuízo de convivência harmoniosa com a incidência não cumulativa do PIS/Pasep, foram excluídos do modelo, em vista de suas especificidades, as cooperativas, as empresas optantes pelo Simples ou pelo regime de tributação do lucro presumido, as instituições financeiras e os contribuintes tributados em regime monofásico ou de substituição tributária. Esse foi o cuidado tomado pela Lei, explicitar que os regimes são distintos e não intersectáveis e na condição de Conselheiro, ao qual a discussão da óbvia inconstitucionalidade, não é permitida. Até tenho me posicionado que quando a empresa opera com produtos do sistema monofásico e no regime da nãocumulatividade, poderá descontar créditos quanto às máquinas e veículos utilizados como insumo na fabricação ou prestação de serviços, mas não como se pretende no presente caso, porque para a revenda esse aproveitamento é expressamente vedado. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, os comerciantes distribuidores, atacadistas e varejistas que comercializam mercadorias sujeitas ao regime de incidência monofásica — mecanismo de incidência monofásica, forma de incidência monofásica ou qualquer sinonímia que se queira dar à essa forma de incidir —, mesmo que submetidos ao regime nãocumulativo, são proibidos de descontar créditos em relação à aquisição de tais produtos quando adquiridos para revenda. Essa restrição é específica aos produtos sujeitos à incidência monofásica adquiridos para revenda, portanto, a aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica para serem utilizados em processos de industrialização ou prestação de serviços (insumos), não estão abrangidos pela restrição. A título de exemplo, suponhamos que uma fábrica de automóveis adquira filtros de combustíveis, sujeitas à incidência monofásica, para serem empregadas na fabricação daquele produto. Nesta hipótese, a empresa poderá descontar créditos normalmente, sendo que as alíquotas aplicáveis no cálculo dos créditos serão de 1,65% para o PIS/Pasep e 7,60% para a Cofins, ou seja, não serão aplicadas as alíquotas diferenciadas. É verdade que a Presidência da República vem tentando, sistematicamente, restringir através de Medidas Provisórias (MP's), a apropriação dos créditos sobre os custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico, todavia, essa tentativa de restrição não perdurou nas respectivas conversões em Lei. Assim, podemos concluir que é admitido aos atacadistas e varejistas o desconto de créditos em relação aos demais custos, despesas e encargos relacionados à venda dos produtos sujeitos ao regime monofásico das contribuições, ou seja, a restrição abrange apenas a aquisição dos produtos adquiridos para revenda e não os utilizados como insumo. O referido artigo 17 foi antes da conversão da Lei expresso no artigo16 da MP 206/2004, cuja justificativa na exposição de motivos é simplória expressando que “as disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”, no meu exame, serviu para informar que o crédito das contribuições relativos aos custos, encargos e despesas legalmente autorizados a gerar créditos devem permanecer e que a restrição é com relação aos produtos destinados à revenda. No mais, se serve para esclarecer dúvidas, não serve para inovar, garantindo um direito novo, diferente do ante existente. Cabe destacar ainda que existe uma diferença marcante entre a previsão de alíquota zero apontada no artigo 17 da Lei n.º 11.033, de 2004, e aquela outra estabelecida no inciso I do artigo 50 da Lei n.º 10.833, de 2003. A primeira visa exonerar determinadas receita de venda da cobrança das citadas Contribuições, ao passo que a segunda tem por objetivo a implementação da técnica de apuração e cobrança de forma concentrada ou monofásica. No caso em tela, caso fosse acatado o entendimento esposado pela Recorrente, o que se admite apenas para fins argumentativos, teria direito ao crédito tanto o comerciante atacadista, quando houver, como, por ex., no caso de distribuidoras de combustíveis, quanto o varejista. Em decorrência, com a fruição dos créditos por ambos os contribuintes, chegarse ia ao absurdo de a Fazenda Nacional recolher um valor para em seguida devolvêlo em dobro. Ante o exposto, fica demonstrado que, seja pelo prisma estritamente jurídico, seja pelo lado racional que norteia a técnica da tributação concentrada, as receitas dos comerciantes atacadistas e varejistas decorrentes das vendas de automóveis estão sujeitas à Fl. 157DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11442.000194/201041 Acórdão n.º 3301002.416 S3C3T1 Fl. 11 10 alíquota zero das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, sendo expressamente vedado, de outra parte, o aproveitamento dos créditos atinentes às aquisições desses bens dos fabricantes e importadores, únicos responsáveis pela apuração e recolhimento das ditas Contribuições incidentes em toda a cadeia de venda. Tenho, por fim, que explicitar que o que existe é um mecanismo de incidência monofásica no qual alguns produtos se submetem à opção do legislador e o regime da nãocumulatividade que permite a apuração de créditos dentro dos limites também delimitados pelo legislador pátrio, estando os produtos sujeitos à incidência monofásica, quando adquiridos para revenda, fora dos permitidos para a apuração dos créditos. Assim, para esses, não há que se cogitar nem de débito nem de crédito das referidas Contribuições, por expressa determinação legal. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 158DF CARF MF Impresso em 15/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 11522.000323/2008-96
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA. CONFISCO
Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2802-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández quanto à preliminar.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 119 1 118 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.000323/200896 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.905 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente MARIA ELCIANY ARAUJO CAVALCANTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA. CONFISCO Nos termos da Súmula CARF n. 2, este E. Sodalício não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández quanto à preliminar. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 03 23 /2 00 8- 96 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração de fls. 85/97, relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF, exercícios 2004 e 2005, anos calendário 2003 e 2004, que resultou em crédito total apurado de R$ 174.117,71. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 91) e Termo de Verificação Fiscal (fls. 13), o lançamento de ofício decorre da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente por não ter o recorrente comprovado a origem dos depósitos bancários. Inconformada, o recorrente interpôs Voluntário de fls. 205/234. com vistas a obter a reforma do julgado, alegando em pequena síntese: a) nulidade do mandado de procedimento fiscal, por ausência do número do telefone do chefe da ARRF, da data do encerramento da ação fiscal e autorização de prorrogação pela autoridade competente e suas respectivas datas de validade; b) inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário e; c) legitimidade da origem dos depósitos; d) incorreta tributação dos valores transferidos e depositados na conta da recorrente por parte de seu cônjuge e e) caráter confiscatório da multa. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A presente ação fiscal decorre da análise de informações bancárias fornecidas à RFB pelo sujeito passivo, realizada com a finalidade de verificar se os valores referente às movimentações financeiras efetuadas nos anos calendários de 2003/2004, pelo recorrente, correspondem efetivamente ao movimentado nas contas bancárias de sua titularidade. Parte dos extratos bancários foram apresentados “espontaneamente” pelo recorrente, informações estas complementadas com a expedição de RMF pela autoridade fiscalizadora (fl. 13). Constatada a omissão de rendimentos, foi lavrado Auto de Infração e constituído o respectivo crédito tributário relativo a omissão de rendimentos provenientes depósitos bancários, de que trata o artigo 42 da lei n° 9.430/96. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11522.000323/200896 Acórdão n.º 2802002.905 S2TE02 Fl. 120 3 De início, suscito preliminar de nulidade do lançamento por vício material na colheita das informações bancárias sem prévia ordem judicial, em violação ao já decidido pelo STF. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário n.º 389.808/PR, decidiu dar interpretação conforme a constituição a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte, cuja ementa segue abaixo: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010). O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Apenas adotou interpretação conforme a Constituição, de sorte a compatibilizar o enunciado legal com os direitos e garantias constitucionais protegidos pela CF. É a conclusão que se extrai do seguinte trecho do voto do Relator: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Em verdade, a Corte Suprema realizou interpretação conforme a Constituição, técnica hermenêutica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na Fl. 275DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. Importa ressaltar que a interpretação conforme a Constituição busca justamente evitar a simples declaração de nulidade de lei por incompatibilidade vertical com a Constituição. A ambigüidade da linguagem dos enunciados normativos cria vasto campo de significações possíveis, de sorte a permitir que o exegeta busque a construção de sentido mais próxima daquela prestigiada pelos princípios e regras contidos na Constituição. Ao agir desse modo, evitase a afronta à vontade popular expressada pelo texto legal e se atende ao objetivo de manutenção ou conservação das normas no ordenamento jurídica dada a presunção ainda que relativa de sua constitucionalidade. Apesar da semelhança do ponto de vista prático, a interpretação conforme a Constituição não se confunde com a declaração de nulidade sem redução de texto: (...) enquanto, na interpretação conforme a Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfälle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal1 Por isso, é de se afirmar: “interpretação conforme não é critério de aplicação de determinada lei em detrimento de outra, mas de aplicação de determinada interpretação (´critério de interpretação`) em detrimento de outra”.2 Em várias oportunidades, o STF se socorreu da interpretação conforme para evitar a declaração de nulidade de leis tributárias, de modo a reduzir, ampliar ou requalificar o alcance interpretativo do enunciado legal em exame (ADI n. 1.7584, RE 196.6467/RS e RE 169.7407/PR). É comum que na busca das significações possíveis de um enunciado normativo haja discordância quanto ao alcance e aplicação do texto legal em exame. É notório que a presunção de onisciência do legislador e da plenitude do sistema não passa de pressuposto lógico necessário de conhecimento do fenômeno jurídico e que não deve ser levado a enésima potência. Daí que a atividade de construção de sentido do aplicador da lei pode reduzir, ampliar ou requalificar o alcance do enunciado sob interpretação, de sorte a prestigiar a compatibilidade do resultado exegético com a Constituição Federal, em detrimento de qualquer outro sentido gramaticalmente possível. A utilização desse método não é vedada aos órgãos administrativos de julgamento. Pelo contrário, é imposição do próprio ordenamento jurídico, que não permite o desprezo de sentido compatível com a Constituição, quando da análise de legislação aplicável ao caso concreto posto à sua apreciação. Logo, é de se concluir: o impeditivo do artigo 26A, do Decreto n. 70.235/72, não veda aos órgãos de julgamento a utilização de interpretação conforme a Constituição, em situações nas quais a ambigüidade do enunciado em análise possa resultar em várias interpretações possíveis, ainda mais em situações nas quais o próprio STF assim já decidiu. 1 MENDES, Gilmar Ferreira. Jurisdição Constitucional. São Paulo: Saraiva, 1996. p.275. 2 ALMEIDA JUNIOR, Fernando Osório de. Interpretação conforme a Constituição e direito tributário. São Paulo: Dialética, 2002, p. 18. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11522.000323/200896 Acórdão n.º 2802002.905 S2TE02 Fl. 121 5 A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei n.º 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. Por fim, decisão tomada com fulcro no artigo 557 do CPC, da atual Ministra do STJ, Regina Helena Costa, pelo reconhecimento da jurisprudência já dominante do STF sobre a impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial AGRAVO LEGAL. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA. FISCALIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTE DO STF. I Nos termos do caput e §1°A, do art. 557, do Código de Processo Civil e da Súmula 253/STJ, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento ou a dar provimento ao recurso e ao reexame necessário, nas hipóteses de pedido inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com a jurisprudência dominante da respectiva Corte ou de Tribunal Superior. II O Supremo Tribunal Federal, conferindo interpretação conforme a Constituição da República à Lei n. 9.311/96, à Lei Complementar n. 105/2001, bem como ao Decreto n. 3.724/01, decidiu pela impossibilidade de a Receita Federal quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem prévia autorização judicial (cf.: RE 389808/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 15.12.10). III Entendimento incontrastável que se adota para determinar a abstenção do fornecimento da movimentação financeira relativa ao Mandado de Procedimento Fiscal constante dos autos, sem a devida autorização judicial. IV Agravo legal improvido. (TRF3, AC n.º 2001.61.08.0036460/SP, Rel. Des. Fed. REGINA COSTA, Sexta Turma, j. 06/09/2012, D.E. 21/09/2012) Sendo assim, entendo que o lançamento não pode subsistir, dada a incompatibilidade entre a colheita da prova da materialidade do fato gerador e a Constituição Federal, da forma como decidido pelo STF. O Colegiado, entretanto, por maioria, rejeitou a preliminar acima arguida, nos seguintes termos. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 As decisões do STF em controle difuso de constitucionalidade proferidas fora da sistemática do art. 543B do CPC (art. 62A do Regimento Interno do CARF) não vinculam os membros do CARF. Logo, a interpretação sistemática do Regimento Interno do CARF é no sentido de que a possibilidade de o CARF afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou Decreto sob fundamento de inconstitucionalidade é medida excepcional e que, na matéria sob apreciação, não se pode tomar como declaração de inconstitucionalidade por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal (inciso I, do parágrafo único, do art. 62 do RICARF) a decisão proferida no RE389.808/PR, uma vez que o Recurso Extraordinário designado como paradigma e ainda pendente de julgamento é o de nº 601314; este sim, uma vez julgado e com trânsito em julgado, será de reprodução obrigatória pelos membros deste Colegiado. Vencido quanto à preliminar, passo ao mérito. Afasto, de plano, a alegada nulidade do MPF, por ausência do telefone do Chefe da AFRF e pela falta de prorrogação. Além de não se tratar de exigência legal, eventuais irregularidades no MPF, não são suficientes para invalidar o trabalho fiscal, desde que não causem, como no caso em apreço, prejuízo real à ampla defesa do contribuinte. Nesse sentido, farta jurisprudência deste E. Sodalício: O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF PRORROGAÇÃO NÃO COMUNICAÇÃO AO SUJEITO PASSIVO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO LANÇAMENTO O MPF constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação Fiscocontribuinte e objetiva informar ao sujeito passivo que seu nome foi selecionado para verificações fiscais e que o agente fiscal indicado recebeu do Fisco a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se correrem problemas com a prorrogação do MPF, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos, nem dados por imprestáveis os documentos obtidos para respaldar o lançamento de créditos tributário apurados. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(acórdão nº 10249346, de 0910 2008, da 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Moises Giacomelli Nunes da Silva) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2000 (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual Fl. 278DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11522.000323/200896 Acórdão n.º 2802002.905 S2TE02 Fl. 122 7 inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo. (...) (acórdão nº 19200107, de 18122008, da 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Rubens Maurício Carvalho) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002 NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. (Acórdão nº 40202898, de 28/01/2008, 2ª Turma da CSRF, Relator Conselheiro Antônio Carlos Atulim) Não acolho o pleito de nulidade por ausência de apreciação das provas apresentadas pela DRJ, dada a ausência de indicação precisa sobre quais documentos ou provas não foram devidamente analisados pelo órgão julgador. Quanto à origem dos depósitos, a recorrente reitera os argumentos lançados na Impugnação, no sentido de que os depósitos tinham como origem principal transferências que vinham de sua própria contapoupança das quais efetuava retiradas, bem como de transferências da conta corrente de seu cônjuge, além de depósitos efetuados em dinheiro também oriundo de doações feitas pelo marido, Alega ainda a realização de depósitos efetuados através de cheques que constituem devolução de empréstimo feito à empresa Casa do Macarrão Thainá Ltda. A DRJ reconheceu a procedência parcial do lançamento, mantendoo em parte com base em irregularidades existentes nas provas juntadas e nas alegações feitas com a finalidade de comprovar a origem dos recursos, nos seguintes termos: Em relação à transferência entre cônjuges não ficou demonstrada a natureza do negócio jurídico que ensejaram as referidas transferências, se doação ou se relacionadas à atividade comercial exercida por ambos, por exemplo. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 9.430/96 menciona em seu §3º que não serão consideradas os créditos "decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física1", portanto, mantém se, por insuficiência de prova, na base de cálculo do presente lançamento, os valores correspondem aos depósitos bancários referentes às transferências entre cônjuges. Nas razões do Voluntário, anexa contratos de mútuo firmados entre Tomasso Solito (cônjuge) e Casa do Macarrão Thainá Ltda. (fl. 247/250). Entretanto, tais contratos, desprovidos da respectiva escrituração contábil do empréstimo supostamente realizado na pessoa jurídica, não se prestam a comprovar a origem dos recursos depositados na c/c da recorrente, muito menos a excluílos da base tributável da omissão de rendimentos. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 De igual modo, a alegação de distribuição de lucros desprovida da respectiva escrituração contábil, não é meio de prova suficiente para a exclusão do valor da base tributável. Rejeito a alegação quanto à confiscatoriedade da multa de 75% aplicada e da violação ao conceito constitucional de renda e proventos de qualquer natureza, diante da vedação imposta a este órgão judicante pelo art. 26A do Decreto n. 70.235/72 e pela Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Pelo exposto, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 280DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 05/11/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 16561.000107/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROVAS NÃO APRECIADAS. As provas documentais podem ser juntadas depois da impugnação, se justificada a demora, e quando isto ocorre depois de proferida a decisão de 1a instância, elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância. Demonstrado que a contribuinte assim procedeu, os embargos são acolhidos suprir a omissão na apreciação de tais provas.
LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. JUROS EM EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS. São afastadas as glosas de despesas provadas por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original.
Numero da decisão: 1101-001.178
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para afastar PARCIALMENTE as glosas de prejuízos em aplicações em fundos de ações e de despesas de juros em empréstimos bancários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROVAS NÃO APRECIADAS. As provas documentais podem ser juntadas depois da impugnação, se justificada a demora, e quando isto ocorre depois de proferida a decisão de 1a instância, elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância. Demonstrado que a contribuinte assim procedeu, os embargos são acolhidos suprir a omissão na apreciação de tais provas. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. JUROS EM EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS. São afastadas as glosas de despesas provadas por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2160; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000107/200717 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1101001.178 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de agosto de 2014 Matéria IRPJ e Reflexos Lucros no Exterior e Outros Embargante ARCOM S/A (Sucessora de ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROVAS NÃO APRECIADAS. As provas documentais podem ser juntadas depois da impugnação, se justificada a demora, e quando isto ocorre depois de proferida a decisão de 1a instância, elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância. Demonstrado que a contribuinte assim procedeu, os embargos são acolhidos suprir a omissão na apreciação de tais provas. LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS COMPUTADAS NO RESULTADO DA CONTROLADA. PREJUÍZOS EM FUNDOS DE AÇÕES. JUROS EM EMPRÉSTIMOS BANCÁRIOS. São afastadas as glosas de despesas provadas por meio de documentos hábeis e idôneos, traduzidos para a língua portuguesa ou compreensíveis em seu conteúdo original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONHECER e ACOLHER os embargos de declaração com efeitos infringentes para afastar PARCIALMENTE as glosas de prejuízos em aplicações em fundos de ações e de despesas de juros em empréstimos bancários, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 07 /2 00 7- 17 Fl. 4232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 4233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório ARCOM S/A, já qualificada nos autos, embarga o acórdão nº 110200.036, proferido pela 2a Turma desta 1a Câmara, em sessão de 27/08/2009, sob relatoria da Conselheira e Presidente Sandra Maria Faroni (fls. 2153/2160). A embargante argüiu omissão do julgado, por não ter apreciado documentos que, apresentados depois da decisão de 1a instância, mas antes da ciência desta, não estariam juntados aos autos. As provas se refeririam à glosa de perdas na aplicação em fundos de investimentos e de despesas com juros de empréstimos bancários contabilizados por controlada no exterior, as quais foram mantidas integralmente no acórdão embargado (fls. 2182/2185). O Presidente desta 1a Câmara submeteu os autos à apreciação do Presidente da 2a Turma de Julgamento desta mesma Câmara, para deliberação sobre os embargos de declaração opostos pela Contribuinte e respectiva documentação que os instruem, enfeixada nos volumes 13 a 16 dos presentes autos (fls. 3154/3156). Apreciando os embargos, a 2a Turma de Julgamento desta 1a Câmara acolheu a proposta de diligência apresentada pela Presidente e Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, formalizandose a Resolução nº 110200.049, na qual foi determinado à autoridade jurisdicionante que juntasse aos autos os documentos alegados e conferisse seus efeitos probantes, cientificando a contribuinte para que esta se manifestasse sobre o resultado da diligência antes do retorno dos autos ao CARF (fls. 3157/3160). A autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar os documentos originais comprobatórios das despesas em referência (fls. 3163/3167), mas a autuada esclareceu que os documentos já integravam os autos na forma de quatro anexos, requerendo a conferência de seus efeitos probantes (fl. 3170). No relatório às fls. 3171/3176, a autoridade fiscal reconheceu que os documentos estão juntados aos autos, mas observou que sob o ponto de vista formal eles não estão registrados no Registro de Títulos e Documentos, como exigiria o art. 129, §6o da Lei nº 6.015/73, bem como não atendem ao que expresso no Manual de Serviço Consular e Jurídico, do Ministério das Relações Exteriores, em seu capítulo 4o, seção 7a, itens 4.7.1 e 4.7.2., qual seja, a legalização, pela Autoridade Consular brasileira, do original expedido em sua jurisdição consular. Já sob o aspecto material, reconheceu que os documentos apresentados pelo sujeito passivo são, ao menos em parte, pertinentes às despesas da controlada no exterior, Arcom Corporation, relativas aos prejuízos na aplicação em fundo de ações e juros decorrentes de empréstimos bancários. Na seqüência, relatou as verificações feitas por amostragem e concluiu: Quanto ao aspecto material, em que pese os documentos apresentados tenham pertinência com as despesas glosadas, não foram hábeis a comprovar na íntegra, as deduções objeto de glosa, ao menos em parte da amostra submetida a análise na presente diligência fiscal. Fl. 4234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 5 4 Cientificada em 09/04/2012, a contribuinte contestou o relatório de diligência fiscal por meio da petição de fls. 3177/3185, apresentada em 04/05/2012. Inicialmente observou que os documentos originais apresentados haviam sido anexados aos autos antes de proferida a decisão recorrida, a evidenciar a desnecessidade das cópias que instruíram os embargos. Quanto ao relatório de diligência fiscal, asseverou que os documentos foram apresentados por meio de suas traduções originais e que não há exigência legal de seu registro em Cartório de Títulos e Documentos, a qual somente se verifica quando a validade do ato dependa dessa formalidade. No caso, tratarseiam de instrumentos de mútuo e de contratos de aplicações financeiras em ações, estes últimos, inclusive, usualmente pactuados por contrato verbal. Apresentou outros argumentos para desmerecer a suposta necessidade de registro e argumentou que tratou de fazer tudo aquilo que estava ao seu alcance para demonstrar as perdas e despesas incorridas com juros, juntando aos autos toda a documentação probatória, as traduções juramentadas, em vias originais, dos documentos redigidos em língua estrangeira, e a declaração da sua autenticidade pelos responsáveis das instituições financeiras com as quais foram contratadas as operações, defendendo a aplicação do princípio do formalismo moderado, e reportandose a decisão judicial contrária ao excesso de rigor formal até mesmo no âmbito do processo civil. Por fim, discordou do método de amostragem aplicado pela autoridade fiscal, defendendo que a diligência solicitada deveria abranger cada um dos documentos anexados aos autos pela Recorrente. De toda sorte, anotou que na análise de prejuízos incorridos nas operações de renda variável somente houve ressalva à perda de US$ 5.562,00, e que na apreciação das despesas de juros afirmouse que elas correspondiam a apropriações em conformidade com os documentos apresentados. Afirmou incompreensível e contraditória a conclusão fiscal e pediu a apreciação do CARF acerca da regularidade de seus procedimentos, em face da sua conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos, como observado pela própria autoridade fiscal. Na sessão de 06 de março de 2013, este Colegiado converteu o julgamento dos embargos novamente em diligência nos termos do voto condutor desta Relatora, que integra a Resolução nº 1101000.065: A omissão recai sobre a apreciação de provas que se prestariam a desconstituir parte da glosa de despesas não comprovadas da Arcom Corporation, que resultaram na apuração de lucros na subsidiária integral, nos anos de 2003 e 2004, não oferecidos à tributação, nos valores de, respectivamente, R$ 6.828.516,92 e R$ 10.170.136,19. Tais lucros foram apurados a partir dos seguintes ajustes nos resultados produzidos pela controlada no exterior: Fl. 4235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 6 5 Período da DIPJ 2003 (01/01 a 31/12) 2004 (01/01 a 01/02) 2004 (02/02 a 31/12) Resultado apurado a partir da escrituração (1.057.067,30) (412.740,23) 378.234,42 Glosa de despesas efetuadas pela fiscalização 3.420.530,17 334.399,91 3.531.531,53 Resultado da sociedade controlada estrangeira 2.363.462,87 (78.340,32) 3.909.765,95 As glosas alcançaram os seguintes itens contábeis: Período da DIPJ 2003 (01/01 a 31/12) 2004 (01/01 a 01/02) 2004 (02/02 a 31/12) US$ R$ US$ R$ US$ R$ Despesas de depreciação 1.199.952,00 3.466.901,31 99.996,00 294.078,23 1.099.956,00 2.919.723,20 Despesas com taxas bancárias 434,83 1.256,31 5,00 14,70 6.167,55 16.371,14 Despesas custódia e taxas diversas 27.728,30 80.112,60 44.510,06 118.147,50 Prejuízos aplic. Fundos de Ações 316.194,53 913.549,23 192.357,00 510.592,42 Despesas juros empréstimos banc. 1.061.196,51 3.066.008,95 73.710,95 216.776,53 876.271,49 2.325.975,04 Demais despesas 815.024,00 2.354.767,34 160.687,96 472.567,22 1.312.269,43 3.483.287,97 Valor total da glosa 3.420.530,17 9.882.595,74 334.399,91 983.436,68 3.531.531,53 9.374.097,27 As parcelas que a contribuinte buscou comprovar por meio dos documentos apresentados em 10/03/2008 referemse aos itens Prejuízos aplic. Fundos de Ações e Despesas juros empréstimos banc.. Ao realizar a diligência solicitada, a autoridade fiscal inicialmente apontou irregularidades formais nos documentos, invocando o que dispõe a Lei nº 6.015/73: Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: [...] 6º) todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das respectivas traduções, para produzirem efeitos em repartições da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios ou em qualquer instância, juízo ou tribunal; [...] Invocou, também, o Manual do Serviço Consular e Jurídico, do Ministério das Relações Exteriores, transcrevendo o seguinte excerto de seu Capítulo 4o: 4.7.1 Para que um documento originário do exterior tenha efeito no Brasil é necessária a legalização, pela Autoridade Consular brasileira, do original expedido em sua jurisdição consular, seja por reconhecimento de assinatura, seja por autenticação do próprio documento. 4.7.2 Caso o documento não esteja redigido em português, a tradução deverá ser feita obrigatoriamente no Brasil, por tradutor público juramentado, após a legalização do documento original pela Autoridade Consular brasileira. Todavia, cumpre considerar que não se trata, aqui, de glosa de despesas que afetaram diretamente o resultado da pessoa jurídica fiscalizada, situada no Brasil, mas sim da de despesas contabilizadas por controlada da fiscalizada no exterior que Fl. 4236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 7 6 interferiram na apuração do lucro considerado auferido por intermédio daquela investida, nos termos de normas tributárias específicas, que pouco abordam as obrigações acessórias dos contribuintes neste âmbito. De fato, a Lei nº 9.249/95, em seu art. 25, § 2o, inciso IV, diz que as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e, ao tratar dos lucros das coligadas, diz no §3o, inciso IV do mesmo dispositivo que a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. Para fins de compensação do imposto pago no exterior, o art. 26 da Lei nº 9.249/95 dizia que o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Contudo, a Lei nº 9.430/96 dispensou esta exigência quando a pessoa jurídica comprovasse que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (art. 16, §2o, inciso II), bem como condicionou a compensação do imposto à apresentação das demonstrações financeiras correspondentes, permitindo o arbitramento dos lucros das filiais, sucursais ou controladas quando não for possível a determinação de seus resultados. A Instrução Normativa SRF nº 38/96, por sua vez, assim disciplinou a prova a ser feita pelos contribuintes: Demonstrações Financeiras Art. 10. As demonstrações financeiras das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, serão elaboradas segundo as normas da legislação comercial do país de seu domicílio. § 1º Nos casos de inexistência de normas expressas que regulem a elaboração de demonstrações financeiras no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, estas deverão ser elaboradas com observância dos princípios contábeis geralmente aceitos, segundo as normas da legislação brasileira. § 2º As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas pela filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, depois de traduzidas em idioma nacional e convertidos os seus valores em reais, deverão ser classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira, nas demonstrações financeiras elaboradas para serem utilizadas na determinação da base de cálculo do imposto de renda no Brasil. § 3º A conversão em Reais dos valores das demonstrações financeiras elaboradas pelas filiais, sucursais, controladas e coligadas, no exterior, será efetuada tomandose por base a taxa de câmbio para venda, fixada pelo Banco Central do Brasil, da moeda do país onde estiver domiciliada a filial, sucursal, controlada ou coligada. § 4º Caso a moeda do país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada não tenha cotação no Brasil, os valores serão primeiramente convertidos em Dólares dos Estados Unidos da América e depois em Reais. § 5º As demonstrações financeiras levantadas pelas filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, que embasarem as demonstrações financeiras em Reais, no Brasil, deverão ser mantidas em boa guarda, à disposição das autoridades fiscais da Secretaria da Receita Federal, até o transcurso do prazo de decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir crédito tributário com base nas mesmas. § 6º As demonstrações financeiras em Reais das filiais, sucursais, controladas ou coligadas, no exterior, deverão ser transcritas ou copiadas no livro Diário da pessoa jurídica no Brasil. § 7º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, as participações em filiais, sucursais, controladas ou coligadas, bem assim as aplicações em títulos e valores mobiliários no exterior devem ser escrituradas separada e discriminadamente na Fl. 4237DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 8 7 contabilidade da pessoa jurídica no Brasil, de forma a permitir a correta identificação desses valores e as operações realizadas. A Instrução Normativa SRF nº 213/2002 praticamente não inovou quanto às orientações acerca das demonstrações financeiras das investidas no exterior, mas abordou mais extensamente a prova para fins de compensação do imposto pago no exterior: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. [...] § 12. Observadas as normas deste artigo, a pessoa jurídica que tiver os lucros de filial, sucursal e controlada, no exterior, apurados por arbitramento, segundo o disposto nas normas específicas constantes desta Instrução Normativa, poderá compensar o tributo sobre a renda pago no país de domicílio da referida filial, sucursal ou controlada, cujos comprovantes de pagamento estejam em nome desta. § 13. A compensação dos tributos, na hipótese de cômputo de lucros, rendimentos ou ganhos de capital, auferidos no exterior, na determinação do lucro real, antes de seu pagamento no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, poderá ser efetuada, desde que os comprovantes de pagamento sejam colocados à disposição da Secretaria da Receita Federal antes de encerrado o anocalendário correspondente. § 14. Em qualquer hipótese, a pessoa jurídica no Brasil deverá colocar os documentos comprobatórios do tributo compensado à disposição da Secretaria da Receita Federal, a partir de 1 º de janeiro do ano subseqüente ao da compensação. [...] Não é razoável interpretar que os dispositivos invocados pela autoridade diligenciante prestemse a obrigar as pessoas jurídicas situadas no Brasil, que detenham investimentos no exterior, a registro no Cartório de Títulos e Documentos, ou legalização por Autoridade Consular, de todos os contratos ou outros documentos que resultem em itens redutores dos lucros auferidos por intermédio de controladas ou coligadas no exterior. Para tanto, a lei tributária que estabeleceu a tributação em bases universais assim deveria ter determinado. Observese, ainda, que a autoridade lançadora não apresentou restrições formais aos documentos que lhe foram apresentados em língua estrangeira (fls. 984/997, 1014/1034, 1042/1044 e 1045/1166), analisando seu conteúdo e explicitando as razões para não admitilos como prova das despesas questionadas (fls. 1655/1661). Assim, não seria mais possível, durante o contencioso administrativo, adicionar requisitos prévios à análise iniciada pela autoridade lançadora. De fato, a autoridade julgadora poderia, apenas, exigir que os documentos estivessem traduzidos na forma do art. 224 do Código Civil, não podendo o litigante imporlhe a apreciação de fatos não vertidos em língua nacional. Contudo, observa se que a contribuinte buscou resguardarse desta exigência, juntando dentre os elementos apresentados após a impugnação, várias traduções juramentadas, na sua maioria assinadas entre 02/01/2008 e 06/02/2008, datas posteriores à impugnação, apresentada em 05/11/2007. Assim, este óbice formal não dispensa a autoridade diligenciante de conferir o conteúdo material probante dos documentos apresentados. Contudo, o relatório da diligência fiscal deixa claro que o auditor fiscal responsável não apreciou todos os documentos que integram os Anexos I a IV por ele referidos. Embora tais Anexos não tenham sido digitalizados para apreciação desta Relatora, foi reconhecido que a contribuinte apresentou novamente os mesmos documentos por ocasião dos embargos de declaração, e observase às fls. 2390/3150 que há Fl. 4238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 9 8 documentos pertinentes a despesas glosadas que não foram apreciados durante a diligência, como por exemplo, aqueles relativos à glosa de prejuízos na aplicação em fundos de ações nos valores de US$ 41.784,04 (fls. 2395/2397) e de US$ 73.590,00 (fls. 2405/2410), e outros relativos à glosa de juros em empréstimos bancários nos valores de US$ 63.750,00 (fls. 2417/2421), e vários outros indicados à fl. 2552, que coincidem com as glosas apontadas nos itens 24, 31, 39 e 58. Os quadros abaixo demonstram os itens em litígio e a sua situação após a conclusão da diligência: [...] A amostragem feita pela autoridade fiscal não é suficiente para admitir ou rejeitar os elementos apresentados, tendo em vista as peculiaridades de cada operação e dos conjuntos probatórios juntados. Necessário se faz que seja apresentado parecer individualizado para cada item de despesa que a contribuinte pretendeu comprovar, de modo a permitirlhe contraditar tais razões. E isto também porque, nos termos do Decreto nº 70.235/72, embora a prova documental deva ser juntada à impugnação, o §4o do art. 16 admite sua apresentação em outro momento processual, desde que justificada a demora, o que se verifica nos autos, na medida em que os documentos referemse à escrituração contábil da controlada no exterior, e, ademais, encontravamse em língua estrangeira a exigir tradução que, como visto, somente foi concluída em 06/02/2008. Juntadas as provas depois de proferida a decisão de 1a instância, diz o §6o do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância, assegurandose melhor julgamento da lide se, antes da manifestação final da autoridade julgadora, a contribuinte tiver oportunidade de contraditar eventual interpretação equivocada dos fatos que pretendeu demonstrar. Por tais razões, o presente voto é no sentido de, novamente, CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade competente manifestese sobre todos os documentos apresentados pela contribuinte em 10/03/2008, indicando quais itens da autuação restaram por eles provados, e disto cientificando a contribuinte para complementação de suas razões de defesa, no prazo de 30 (trinta) dias, antes do retorno dos autos a este Conselho. Confrontando os documentos apresentados com as razões expostas pela autoridade lançadora para glosa das despesas, e destacando as parcelas cuja glosa foi admitida pela contribuinte, a autoridade fiscal individualizou no Relatório de Diligência Fiscal às fls. 4103/4114 as razões para admitir comprovadas parcialmente as despesas glosadas. Cientificada em 28/02/2014, a contribuinte manifestouse às fls. 4115/4117 apresentando esclarecimentos complementares acerca de prejuízos incorridos em aplicações em fundos de ações em 30/09/2003 (US$ 142,559.85), bem como indicando erro em ponto específico da abordagem fiscal acerca da glosa de juros, e reportandose ao efeito de operações anteriores ao anocalendário 2003. A autoridade fiscal, então, prestou as informações de fls. 4174/4177, manifestandose acerca dos questionamentos apresentados pela contribuinte às fls. 4115/4117, admitindo parte da comprovação dos prejuízos incorridos em aplicações em fundos de ações e retificando o erro apontado na apreciação da glosa de juros, bem como juntando aos autos versão retificada do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 4178/4189), cientificado à contribuinte em 11/04/2014. Fl. 4239DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 10 9 A contribuinte novamente se manifestou às fls. 4190/4192, aduzindo que a autoridade fiscal não examinou os documentos juntados em sua petição anterior, e questionando outros pontos da abordagem fiscal, requerendo nova diligência para que sejam supridas as omissões e obscuridades daí decorrentes. Depois do retorno destes autos ao CARF, a autoridade local solicitou a juntada do despacho de fls. 4198, informando inconsistências no SIEF acerca dos débitos em litígio, com vistas a subsidiar o registro do resultado de julgamento quando do retorno dos autos à origem. Em 31/07/2014 e 20/08/2014 a autoridade local requereu a devolução dos autos para operacionalização de desistência parcial formalizada pela contribuinte (fl. 4201, 4204 e 4229/4230), porém, a notícia destes pedidos somente foi constatada no processo depois de iniciada a sessão de julgamento. Em 25/08/2014 a contribuinte requereu a juntada, aos autos, da petição de fls. 4207/4226, na qual noticia que optou por aderir ao Programa Especial de Parcelamento, na modalidade pagamento à vista, conforme comprovantes de pagamento e planilha de conversão/atualização anexados (doc. 1), somente e unicamente no que diz respeito às despesas cuja glosa foi mantida por serem consideradas não comprovadas pela Il. Autoridade Fiscal Diligente, quais sejam: (a) perdas incorridas nos investimentos em fundos de ações no valor da glosa equivalente a US$ 855,492.26 e (b) despesas com juros de empréstimos externos cuja glosa também foi mantida, em valor correspondente a US$ 109,184.54. Juntou, também, demonstrativos de cálculo dos valores recolhidos e correspondentes DARF de recolhimento nos quais observase que a desistência teve em conta parcelas glosadas em 2003 e 2004, na medida em que integram a base de cálculo dos recolhimentos glosas de perdas em fundos de ações no valor de US$ 179,621.36 em 2003 e US$ 109,184.54 em 2004, bem como despesas com juros de empréstimos no valor de US$ 109,544.31 em 2003, além das parcelas a este mesmo título nos valores de US$ 4.42 e US$ 20,779.23 em 2004. Fl. 4240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 11 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como relatado, os embargos opostos nestes autos têm em conta, apenas, as glosas de despesas que afetaram os resultados da subsidiária integral Arcom Corporation, e assim evidenciaram insuficiência de adição, às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, de lucros auferidos no exterior, nos anocalendário 2003 e 2004. Por oportuno observese que, nos períodos fiscalizados, a controlada estava sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. Em impugnação, a contribuinte já deixara de questionar as glosas de despesas com taxas bancárias, despesas de custódia e de taxas diversas e “demais despesas”, e não obteve sucesso em seus demais argumentos. Apreciando o recurso voluntário nos termos do Acórdão nº 1102000.036, a 2a Turma desta 1a Câmara afastou a glosa de despesas com depreciação e manteve as glosas de prejuízos na aplicação de fundos de ações e de despesas com juros de empréstimos bancários por ausência, nos autos, de prova documental ou de demonstração de sua protocolização. A Relatora Conselheira Sandra Maria Faroni ressaltou que: Por outro lado, procedem as justificativas declinadas pela fiscalização para glosar os prejuízos/despesas contabilizados, quais sejam: não houve a apresentação de extrato que demonstrasse o valor da aplicação, impedindo aferir se a sociedade estrangeira incorreu em prejuízos; não comprovação de que a quantia identificada no documento é atinente a uma despesa incorrida; documento não oficial, que pode conter incorreções, segundo adverte o próprio banco; documentos que não fazem referência à sociedade estrangeira nem ao emissor; fichas de lançamento e extratos contábeis não comprovam dedutibilidade dos valores contabilizados, etc. ) Deve ser mantida a glosa. Ainda sobre essa terceira parcela (glosa de despesas da controlada estrangeira), na peça impugnativa a contribuinte alegou que a fiscalização considerou simplesmente os valores glosados como lucros distribuídos, mas não levou em conta os prejuízos auferidos pela Arcorn Corporation a partir de 2002. A decisão recorrida refutou essa alegação, afirmando que, ao contrário, a fiscalização não considerou simplesmente os valores glosados como lucros distribuídos, mas considerou os prejuízos apurados pela Arcom Corporation, como a seguir: [...] Perante esta instância, a Recorrente alega que a decisão não levou em conta os prejuízos auferidos pela Arcom Corporation no anocalendário de 2002. Todavia, o prejuízo auferido em 2002 não influencia a tributação dos anoscalendário seguintes, sendo computado no cálculo da equivalência patrimonial do período em que auferido, tal como fez a autoridade fiscal, conforme evidencia o demonstrativo às fls. 1642. De acordo com a lei, os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada ou controlada no curso do períodobase da pessoa jurídica (Lei 9.249/95, art. 25, § 3o, inc.II), os quais são considerados disponibilizados na data do balanço em que tiverem sido apurados (MP 2.15835, art. 74) Fl. 4241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 12 11 Assim, cumpre apenas apreciar os efeitos dos documentos apresentados depois da impugnação para afastar a glosa de prejuízos na aplicação de fundos de ações e de despesas com juros de empréstimos bancários, mormente tendo em conta que, como já dito, nos termos do Decreto nº 70.235/72, embora a prova documental deva ser juntada àquela defesa, o §4o do art. 16 admite sua apresentação em outro momento processual, desde que justificada a demora, o que se verifica nos autos, na medida em que os documentos referemse à escrituração contábil da controlada no exterior, e, ademais, encontravamse em língua estrangeira a exigir tradução que, como já dito, somente foi concluída em 06/02/2008. Juntadas as provas depois de proferida a decisão de 1a instância, diz o §6o do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que elas devem permanecer nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciadas pela autoridade julgadora de segunda instância. A autoridade fiscal encarregada da diligência manifestouse pontualmente sobre as despesas glosadas, confrontando a acusação fiscal e os documentos apresentados pela defesa, razão pela qual a decisão será fragmentada de acordo com o agrupamento apresentado no Relatório Fiscal de Diligência. Contudo, em razão da desistência parcial comunicada às fls. 4207/4226, não serão submetidas à decisão do Colegiado as glosas mantidas ao final da diligência acima mencionadas. Inicialmente consta do Relatório fiscal a abordagem acerca das provas apresentadas para afastar as glosas de prejuízos na aplicação de fundos de ações: As despesas com Prejuízos na Aplicação em Fundo de Ações escrituradas na conta contábil 41102003 e glosadas no Auto de Infração IRPJ/CSLL, são as discriminadas na tabela que segue: Data Despesa (US$) Glosa (US$) 31/1/2003 9.985,00 9.985,00 31/1/2003 41.784,04 41.784,04 28/2/2003 40.735,00 7.670,00 31/3/2003 16.776,13 16.776,13 9/7/2003 92,39 92,39 30/9/2003 166.296,97 166.296,97 9/12/2003 73.590,00 73.590,00 Total das Despesas Glosadas no Ano de 2003 316.194,53 30/4/2004 142.559,85 142.559,85 30/9/2004 7.501,97 1.480,48 31/12/2004 48.316,67 48.316,67 Total das Despesas Glosadas no Ano de 2004 192.357,00 Passase, então, a abordagem dos itens acima: Fl. 4242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 13 12 Glosas de US$ 92.39 (09/07/2003), US$ 7,670.00 (28/02/2003) e US$ 1,480.48 (30/09/2004) Consoante destaca a autoridade fiscal, o contribuinte reconhece a procedência das glosas dos valores de US$ 92,39, US$ 7.670,00 e US$ 1.480,48 (peça impugnatória fls. 1.699/1.700). Em verdade, para a parcela de US$ 92.39 não havia sido apresentada qualquer justificativa nem mesmo durante o procedimento fiscal. Assim, estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio e dispensando a apreciação deste Colegiado. Glosa de US$ 9,985.00 (31/01/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Em relação ao valor deduzido e contabilizado em 31/01/2003, no montante de US$ 9.985,00, também se impõe a glosa. A despeito de ter sido apresentado um extrato do Banco Santander Central Hispano, exibindo a posição da aplicação em 31/01/2003, não houve a apresentação de extrato que demonstrasse o valor da mesma aplicação de 31/12/2002, impedindo aferir se, de fato, a sociedade estrangeira incorreu em prejuízos no mês de janeiro de 2003 (fls. 984/985)." Às fls. 189 e 190 do anexo I, foram juntados extratos do Banco Santander Central Hispano, exibindo a posição da aplicação em 31/01/2003, no valor de US$ 14.874.848,00, e exibindo a posição da aplicação em 31/12/2002, no valor de US$ 14.879.271,00, perfazendo um prejuízo na aplicação em fundo de ações no período, no valor de US$ 4.423,00, restando um montante de US$ 5.562,00 a título de prejuízo na aplicação em fundo de ações não comprovado, para o qual há de se considerar procedente a glosa. A abordagem fiscal não extrai adequadamente as informações constantes dos documentos em tela. A contribuinte já apresentara, durante o procedimento fiscal, extrato apontando como valor de suas aplicações em 31/01/2003 o montante de US$ 14,882,553 (fl. 946) e por ocasião da defesa novamente juntou este documento acompanhado de extrato semelhante com a posição em 31/12/2002, no valor de US$ 14,892,538. A diferença entre estas posições revela a perda de US$ 9,985.00, ao passo que as grandezas comparadas no Relatório Fiscal estão consignadas apenas em uma fita de soma anexada ao extrato e não guardam relação com a posição atualizada da carteira de investimentos consignada nos dois documentos citados. Sob esta ótica, a glosa deveria ser integralmente cancelada. Porém, como a glosa de US$ 5,562.00 foi mantida em diligência e está alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, descabe a apreciação deste Colegiado acerca daquela parcela. Logo, cumpre apenas cancelar a parcela de US$ 4,423,00, como indicado pela autoridade fiscal ao final da diligência. Glosa de US$ 41,784.04 (31/01/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: Fl. 4243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 14 13 "Igual tratamento também deve ser conferido ao valor deduzido em 31/01/2003, no montante de US$ 41.784,04, em relação ao qual houve a apresentação de documento emitido pelo JPMorgan Private Bank (fls. 986). A despeito de nele existira identificação de uma quantia correspondente ao valor deduzido (US$ 41.784,04), não há a comprovação de que efetivamente o valor é atinente a uma despesa incorrida. Tal valor apenas está localizado na coluna de uma tabela do demonstrativo. Como se não bastasse, no documento apresentado consta a seguinte informação: "O Banco JPMorgan adverte que esta planilha é meramente informativa e poderá conter imprecisões, tendo em vista que este foi realizado não pela área de operações do Banco, e sim pela área de relacionamento com o cliente, somente para atendimento a sua solicitação. Deverá ser considerado como documento oficial o extrato mensal encaminhado em anexo". Como o referido "documento oficial" não foi apresentado, plenamente justificada a glosa da despesa." Às fls. 193 e 194 do anexo I, foram juntados extratos do Banco J.P. Morgan (Suisse) SA, em língua inglesa, relativo à conta bancária n.° 2804660, de titularidade de Arcom Corporation, exibindo a posição da aplicação em 31/12/2002, no valor de US$ 4.139.547,94, e exibindo a posição da aplicação em 31/01/2003, no valor de US$ 4.097.763,99, perfazendo um prejuízo na aplicação em fundo de ações no período, no valor de US$ 41.783,95, restando comprovada a despesa deduzida pelo sujeito passivo. Os documentos às fls. 193/194 do Anexo I expressam o que consignado pela autoridade fiscal, razão pela qual a glosa deve ser cancelada. Glosa de US$ 16,776.13 (31/03/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "No que concerne à dedução de US$ 16.776,13, datada de 31/03/2003, também se impõe a glosa. Os documentos apresentados (fls. 995/997) não contêm qualquer referência à sociedade estrangeira ou mesmo a seu emissor. Como se não bastasse, no rodapé de todos eles consta a informação em inglês de que não há qualquer garantia de sua perfeição ou exatidão." Às fls. 197/198 do anexo I, foram juntados extratos do banco JP Morgan (Suisse) SA, em língua inglesa, relativo à conta bancária n.° 2804660, de titularidade de Arcom Corporation, onde consta o valor total de mercado em 28/02/2003, no montante de US$ 4.109.297,91, e em 31/03/2003, no montante de US$ 4.082.104,20, o qual adicionado ao valor intitulado Receitas e Despesas Diversas com saldo negativo de US$ 10.417,58, perfaz um prejuízo na aplicação em fundo de ações no valor de US$ 16.776,13, restando comprovada a despesa. Observase no extrato contábil à fl. 199 do Anexo I que a variação nos investimentos em referência foi distribuída em perdas de US$ 16,776.13 e despesas com administração de US$ 10,417.58. Assim, restando demonstrado nos extratos acima referidos a redução de US$ 27,193.71, contemplando ambas parcelas, a glosa correspondente às perdas deve ser cancelada. Fl. 4244DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 15 14 Glosa de US$ 166,296.97 (30/09/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Foi glosada também a despesa contabilizada em 30/09/2003, no valor de US$ 166.296,97. Além dos documentos apresentados (fls. 1014/1016) não comprovarem inequivocamente a despesa, em um deles (fls. 1015), além de inexistir qualquer menção à sociedade estrangeira ou ao seu emissor, também consta a informação em inglês de que não há garantia de sua perfeição ou exatidão." Os documentos apresentados no curso da ação fiscal (fls. 1014/1016), efetivamente não são hábeis a comprovar inequivocamente a despesa, conforme concluiu a autoridade lançadora, bem como não foram apresentados quaisquer documentos adicionais, impondose a manutenção da glosa. Na petição que acompanha os documentos que complementaram a impugnação, a contribuinte limitase a dizer que junta extratos para comprovar as despesas apontadas nas linhas 1, 2, 5, 15 e 20, ao passo que a glosa em questão está apontada no item 13. Em impugnação, dissera que a Fiscalização não poderia desconsiderar os elementos apresentados por não considerálos oficiais, e que a coincidência das informações imporia a admissibilidade da perda. Ocorre que os registros contábeis dos correspondentes investimentos em setembro/2003 apresentam várias naturezas (fl. 1016), e ainda consignam receita de aplicação financeira concomitantemente com perda em aplicação financeira, sendo certo que nenhum dos documentos apresentados traz explicitamente a indicação do valor da perda contabilizada, e todos estão em língua estrangeira. Contudo, como estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, está dispensada a apreciação deste Colegiado acerca deste ponto. Glosa de US$ 73,590.00 (09/12/2003) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Também se procedeu à glosa do valor contabilizado em 09/12/2003, no montante de US$ 73.590,00. Nos documentos apresentados (fls. 1020/1021) não há qualquer referência à sociedade estrangeira, impedindo concluirse que eles se referem efetivamente a esta. Ademais, os documentos apresentados contêm informações manuscritas que tampouco auxiliam na comprovação da despesa." Às fls. 201/202 do anexo I, foram juntadas cópias dos mesmos documentos acima mencionados, acompanhados de cópia de documento através do qual Arcom Corporation, representada pela sua Gerente Geral, solicita ao UnibancoUnião de Bancos Brasileiros (Luxembourg) SA, a confirmação de que a conta número 1600419, consignada nos extratos, é de titularidade da Arcom Corporation (fls. 204anexo I), documento este acompanhado de cópia de tradução feita por tradutor público (fls. 205anexo I). O Unibanco atende à solicitação e confirma a informação. Comprovada portanto, a despesa deduzida. Confirmada a titularidade da conta à qual se referem os documentos de fls. 1020/1021, observase que as informações manuscritas referidas pela Fiscalização, em verdade, afetam apenas a quantificação da receita reconhecida no mesmo período em questão. Fl. 4245DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 16 15 Isto porque o extrato evidencia que a aplicação de US$ 10,000,000.00 foi avaliada em US$ 9,926,410.00 em 08/12/2003, ensejando a perda de US$ 73,590.00, sendo depois acrescida de receita equivalente a US$ 35,666.67, registrada parcialmente em dezembro/2003 no valor de US$ 26,155.56, correspondente aos 22 dias transcorridos até 31/12/2003. Assim, deve ser cancelada a glosa promovida. Glosa de US$ 142,559.85 (30/04/2004) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "A necessidade de glosa também se estende à despesa contabilizada em 30/04/2004, no valor de US$ 142.559,85. Os documentos apresentados (fls. 1024/1026) também não permitem concluir a ocorrência do prejuízo contabilizado, justificando o procedimento ora adotado." Os documentos apresentados no curso da ação fiscal (fls. 1024/1026), efetivamente não são hábeis e comprovar inequivocamente a despesa, conforme concluiu a autoridade lançadora, bem como não foram apresentados quaisquer documentos adicionais, impondose a manutenção da glosa. Cientificada, a contribuinte juntou outros demonstrativos e requereu sua apreciação (fls. 3225/3226). A autoridade fiscal então retificou o Relatório de Diligência para consignar que: Às fls. 3.234/3.255, foram juntados os extratos emitidos pelo J.P. Morgan Private Bank, relativos ao movimento financeiro da empresa Arcom Corporation, no período de 01/04/2004 a 30/04/2004, onde consta especificamente a página 2 de 22 (fls. 3.235), o resumo do portfólio de ativos financeiros, literalmente traduzido: dinheiro e curto prazo (cash & short term), renda fixa (fixed income), ações (equities), outros (other). Às páginas 5 a 9 de 22 dos extratos (fls. 3.238/3.242), constam informações individualizadas a respeito dos ativos financeiros, restando consignado na página 8 de 22 (fls. fls. 3.241), perdas líquidas relativas aos investimentos em ações no montante de US$ 34.855,79 (coluna unrealized/gain/loss/USD não realizado/ganho/perda/USD). Nos extratos apresentados, estas foram as únicas perdas claramente identificadas, pertinentes aos investimentos em aplicações financeiras em fundo de ações. Na planilha demonstrativa da apuração das referidas perdas, elaborada e intitulada pelo contribuinte como Anexo 1 (fls. 3.227/3.228), constam movimentações financeiras a débito e a crédito, cujos valores foram extraídos das informações constantes das páginas 14 a 16 de 22 dos extratos emitidos pelo banco J.P. Morgan (fls. 3.247/3.249), e extratos de fls. 1.024 e 1.026, resultando ao final, na apuração do prejuízo incorrido em aplicações em fundo de ações, no montante de US$ 142.559,85. Em que pese todos os valores consignados na planilha demonstrativa tenham sido extraídos dos extratos emitidos pelo banco J.P. Morgan, os cálculos apresentados pelo contribuinte não conduzem efetivamente à formação de convicção acerca da ocorrência do prejuízo em aplicações em fundo de ações, no valor de US$ 142.559,85, até mesmo porque os mesmos documentos atestam objetivamente a ocorrência do prejuízo no montante de US$ 34.855,79, em relação à referida aplicação, restando portanto parcialmente comprovada a despesa neste mesmo montante. Fl. 4246DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 17 16 A contribuinte novamente manifestouse afirmando a absoluta falta de disposição e interesse da I. Autoridade Diligente no exame dos documentos anexados aos autos pela Requerente e nos esclarecimentos por ela prestados, justificando a manutenção da glosa com base em critérios obscuros e subjetivos, sem explicar porque os documentos apresentados não provariam a ocorrência do prejuízo. Complementou que a falta de informação satisfatória e objetiva acerca dos esclarecimentos prestados e documentos apresentados pela contribuinte prejudicaria o exercício de seu direito de defesa. Não tem razão a recorrente, pois a autoridade fiscal expôs com clareza o conteúdo que extraiu dos documentos juntados aos autos. Por sua vez, os registros contábeis dos correspondentes investimentos em abril/2004 apresentam várias naturezas (fl. 3230), e ainda consignam receitas de aplicação financeira concomitantemente com perda em aplicação financeira, sendo certo que nenhum dos documentos apresentados traz explicitamente a indicação do valor da perda contabilizada, e todos estão em língua estrangeira. É certo que outros extratos também foram apresentados, apenas, em língua estrangeira, mas a simplicidade das informações neles contidas permitiu concluir pela correspondência com os fatos alegados pela contribuinte. Já no presente caso, nem mesmo para a parcela US$ 34,855.79 é possível admitir a comprovação apresentada. Subsistiria integralmente, portanto, a glosa em questão. Contudo, como estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, estaria dispensada a apreciação do Colegiado acerca deste ponto. Glosa de US$ 48,316.67 (31/12/2004) Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Procedeuse também à glosa da despesa contabilizada em 31/12/2004, no valor de US$ 48.316,67, haja vista que nos documentos apresentados (emitidos pelo Unibanco fls. 1042/1044) não há qualquer menção à sociedade estrangeira, obstando a análise dos valores nele constantes e denotando a falta de comprovação da correspondente quantia deduzida." Às fls. 207/209 do anexo I, foram juntadas cópias dos mesmos documentos acima mencionados, acompanhados de cópia de documento através do qual Arcom Corporation, representada pela sua Gerente Geral, solicita ao UnibancoUnião de Bancos Brasileiros (Luxembourg) SA, a confirmação de que a conta número 1600419, consignada nos extratos, é de titularidade da Arcom Corporation (fls. 210, anexo I), documento este acompanhado de cópia de tradução feita por tradutor público (fls. 211, anexo I). O Unibanco atende à solicitação e confirma a informação. Comprovada portanto, a despesa deduzida. A titularidade da conta à qual se referem os documentos de fls. 1042/1044, de fato, está confirmada na defesa. Observase, porém, que eles, embora semelhantes àqueles apreciados com referência à glosa de US$ 73,590.00 em 09/12/2003, incorporam outros movimentos que afetam o saldo da conta de investimentos em 31/12/2004. É possível confirmar a receita de US$ 124,000.00 que em fita de soma anexada ao documento é deduzida do saldo final de US$ 10,451,250.00 para então confrontar o resultado com o saldo inicial de US$ 10,278,933.33 e evidenciar a perda de US$ 48,316.67. Todavia, além da receita referida, há outros movimentos cuja natureza não foi esclarecida, mormente tendo em conta que o Fl. 4247DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 18 17 extrato está em língua estrangeira. De outro lado, a autoridade lançadora não questionou o conteúdo do documento apresentado, mas apenas a titularidade da conta de investimento nele apresentada. Assim, confirmada esta, deve ser afastada a glosa em questão. Por tais razões, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos de declaração e atribuirlhes efeitos infringentes para afastar parcialmente as glosas de prejuízos na aplicação de fundos de ações, conforme consolidado no quadro abaixo: Prejuízos na Aplicações em Fundos de Ações (valores em US$) Item Data Despesa Glosa Comprovado Desistência 1 9/7/2003 92,39 92,39 92,39 2 31/1/2003 9.985,00 9.985,00 4.423,00 5.562,00 3 31/1/2003 41.784,04 41.784,04 41.784,04 4 28/2/2003 40.735,00 7.670,00 7.670,00 5 31/3/2003 16.776,13 16.776,13 16.776,13 6 30/9/2003 166.296,97 166.296,97 166.296,97 7 9/12/2003 73.590,00 73.590,00 73.590,00 Total em 2003 316.194,53 136.573,17 179.621,36 8 30/4/2003 142.559,85 142.559,85 142.559,85 9 30/9/2004 7.501,97 1.480,48 1.480,48 10 31/12/2004 48.316,67 48.316,67 48.316,67 Total em 2004 192.357,00 48.316,67 144.040,33 Neste ponto observase que ao se manifestar acerca da desistência, a contribuinte apontou em seus demonstrativos de cálculo que das infrações verificadas em 2004, no total de US$ 192,357.00, a parcela de US$ 83,172.46 teria sido comprovada em diligência, de modo que a desistência alcançaria apenas a parcela de US$ 109,184.54. O demonstrativo acima, porém, evidencia a manutenção de valor superior àquele objeto de desistência (US$ 144,040.33) e isto porque esta Relatora discordou do entendimento manifestado em diligência acerca da reversão parcial da glosa tratada no item 8 acima. Em conseqüência, no presente voto foi mantida integralmente a glosa de US$ 142,559.85, ao passo que a autoridade fiscal que promoveu a diligência propôs que se admitisse comprovada a parcela de US$ 34,855.79. Desta divergência de entendimento resultou a declaração de desnecessidade da apreciação do litígio em torno da integralidade da glosa tratada no item 8 acima em razão da desistência. Todavia, na medida em que a desistência não alcançou a parcela de US$ 34,855.79, a procedência desta glosa deverá ser apreciada pelo Colegiado, razão pela qual a presente decisão serão atacada por embargos opostos por esta própria Relatora. Com referência às despesas com juros de empréstimos bancários, a autoridade fiscal abordou as provas apresentadas agrupando as despesas segundo a numeração que lhes foi atribuída pela autoridade lançadora. Seguese a apreciação de cada grupo. Fl. 4248DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 19 18 Itens 9, 10, 11, 12, 26, 33, 40, 41, 42, 52, 53, 57, 58 e 66 A autoridade fiscal principia o relatório, nesta parte, observando que a contribuinte reconhece a procedência das glosas no valor total de US$ 19.915,10 relativo às despesas correspondentes aos itens 9, 10, 11, 12, 26, 33, 40, 41, 42, 52, 53, 57, 58 e 66 (peça impugnatória fls. 1700). A contribuinte ressalta que estas parcelas totalizam US$ 19.915,10, equivalentes a R$ 53.889,12. Contudo, como estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, está dispensada a apreciação deste Colegiado acerca deste ponto. Itens 23, 25, 27, 28, 32, 34, 37, 47, 48, 61 e 62 Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Em relação às despesas n° 23, 25, 27, 28, 32, 34 e 37, a fiscalizada apresentou documentos (fls. 1045/1063), alegando que tais despesas decorreram de empréstimos contratados pela controlada no exterior com o Unibanco. Porém, os documentos apresentados não são hábeis para a comprovação dos valores deduzidos. As fichas de lançamento e os extratos contábeis apresentados não comprovam a dedutibilidade dos valores contabilizados. Na verdade, as intimações lavradas tinham por exato objetivo que a fiscalizada apresentasse os documentos que lastreassem os lançamentos contábeis. Assim, para efeito de comprovação das despesas, os documentos da escrita contábil em nada suportam os lançamentos (inclusive a maioria das fichas de lançamento já haviam sido apresentadas como resposta a intimações anteriores). Os demais documentos tampouco se apresentam suficientes para comprovar as despesas em comento. Devese ressaltar que em todos eles não há qualquer menção à sociedade estrangeira, o que, por si só, já os torna inábeis para a pretendida comprovação. Como se não bastasse, em alguns deles sequer há a identificação do emissor dos documentos (supostamente o Unibanco) e um deles inclusive está ilegível (fls. 1057). Mas ainda que superados estes dois óbices intransponíveis, o que se faz apenas para afeito de argumentação, os documentos apresentados tampouco seriam suficientes para a comprovação das despesas deduzidas, visto que a partir deles os lançamentos contábeis realizados não são justificados. Assim, é imperioso concluir pela necessidade de glosa das despesas n° 23, 25, 27, 28, 32, 34 e 37." Às fls. 02/77anexo II, o sujeito passivo apresenta os mesmos documentos apresentados anteriormente (por cópia), além de planilha demonstrativa da memória de cálculo dos juros incorridos em decorrência de empréstimos bancários, bem como dois contratos de empréstimo celebrados entre a Arcom Corporation e o UnibancoUnião de Bancos Brasileiros (Luxemburgo) SA. em língua inglesa, nas datas de 09/12/2003 (fls. 16/23anexo II) e 11/12/2003 (fls. 24/30anexo II), ambos no valor de US$ 10.000.000,00. Foram apresentadas também as traduções dos contratos feitas por Tradutor Público (fls. 36/77anexo II). Na planilha de fls. 03anexo II o sujeito passivo apresenta a memória de cálculo dos juros incorridos, mediante a aplicação da taxa de juros pactuada nos contratos de empréstimo (taxa libor de três meses, mais 1,5 % ao ano) sobre o montante principal, sendo os juros calculados na base de um ano de 360 dias e na proporção dos dias efetivamente transcorridos em cada mês. Nos extratos apresentados por cópia (fls. 08/15anexo II), emitidos pelo Unibanco, estão consignados desembolsos trimestrais, cujos valores são coincidentes com Fl. 4249DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 20 19 aqueles escriturados na conta contábil 21202005, a título de pagamento de juros sobre empréstimo contraído junto ao Unibanco (fls. 06/07anexo II). Nos mencionados extratos não há menção à sociedade estrangeira, mas fazse referência à conta número 1600419, a qual é de titularidade da Arcom Corporation, segundo extraíse do documento juntado às fls. 210 anexo I, acompanhado de cópia de tradução feita por tradutor público (fls. 211 anexo I). Os documentos comprobatórios, conforme indicado pelo sujeito passivo na planilha de fls. 04anexo II, são pertinentes a despesas com juros de empréstimos contraídos junto ao UnibancoUnião de Bancos Brasileiros (Luxemburgo) SA., apropriadas na conta contábil 41102005, e correspondentes aos itens glosados de n.° 23, 25, 27, 28, 32, 34, 37, 47, 48, 61 e 62 da tabela acima. Na referida planilha fica demonstrado que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido, conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Entretanto, levandose em consideração o período de apuração anual, o montante dos juros apropriados contabilmente não superaram o montante dos juros efetivamente devidos. Restaram comprovadas portanto, as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 23, 25, 27, 28, 32, 34, 37, 47, 48, 61 e 62. Os documentos apresentados evidenciam que a controlada da contribuinte contratou dois empréstimos junto ao Unibanco – União de Bancos Brasileiros (Luxemburgo) S/A, cada um no valor de US$ 10,000,000.00, ensejando a apropriação de despesas juros a partir de dezembro/2003 em valores compatíveis com os contabilizados, sendo que a partir de maio/2004 a apropriação dos juros verificouse apenas ao final do correspondente trimestre. Os extratos da instituição financeira também apontam os pagamentos trimestrais destes encargos. Assim, as glosas devem ser canceladas. Itens 02 e 03 Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Em relação às despesas n° 02 e 03, a fiscalizada apresentou documentos (fls. 1064/1074), alegando que tais despesas decorreram de empréstimos contratados pela controlada no exterior com o Banco Santander. Aqui também são aplicáveis as mesmas observações anteriores quanto aos extratos contábeis e fichas de lançamento apresentados. Foi apresentada também uma planilha, sem qualquer lastro em documentação idônea, intitulada "Trade Finance Offshore em 31/01/2003" (fls. 1067), que não comprova qualquer despesa. Tampouco se apresenta suficiente para tanto um suposto extrato bancário obtido aparentemente pela Internet, sem qualquer comprovação de origem ou menção a sociedade estrangeira (fls. 1069). O mesmo se diz em relação à mensagem eletrônica sem qualquer identificação (fls. 1070). Por fim, os documentos do Banco Santander (fl. 1072 e fl. 1074) também não evidenciam as despesas deduzidas. Diante do exposto, tais despesas também foram glosadas." Às fls. 79anexo III/119anexo IV, o sujeito passivo apresenta planilhas demonstrativas da memória de cálculo dos juros incorridos em decorrência de empréstimos bancários, bem como cinco contratos de empréstimo celebrados entre a Arcom Corporation e o Banco Santander Brasil SA em língua inglesa nas seguintes datas e valores: em 29/05/2002, no valor de US$ 115.500,00 (fls. 85/97 anexo III); em 30/04/2002, no valor de US$ 115.500,00 (fls. 140/151anexo III); em 29/05/2002, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 194/206anexo III); e em 30/04/2002, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 42/54anexo IV). Fl. 4250DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 21 20 Foram apresentadas também as traduções dos contratos feitas por Tradutor Público (fls. 103/139anexo III, 157/193anexo III, 01/41anexo IV, 69/119anexo IV). Na planilha de fls. 80anexo III, o sujeito passivo apresenta a memória de cálculo dos juros incorridos, mediante a aplicação da taxa de juros pactuada nos contratos de empréstimo sobre o montante principal, sendo os juros calculados na base de um ano de 360 dias e na proporção dos dias efetivamente transcorridos em cada mês. Os documentos comprobatórios, conforme indicado pelo sujeito passivo na planilha de fls. 81anexo III, são pertinentes a despesas com juros de empréstimos contraídos junto ao Banco Santander Brasil SA, apropriadas na conta contábil 41102005, e correspondentes aos itens glosados de n.° 02 e 03 da tabela acima. Na referida planilha fica demonstrado que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido, conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Entretanto, levandose em consideração o período de apuração anual, o montante dos juros apropriados contabilmente, não superaram o montante dos juros efetivamente devidos. Restaram comprovadas portanto, as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 02 e 03. Os contratos firmados em 29/05/2002, no valor de US$ 115.500,00 (fls. 85/97anexo III), e em 30/04/2002, no valor de US$ 115.500,00 (fls. 140/151anexo III) apresentam vencimento no próprio anocalendário 2002, razão pela qual, salvo aditamento não provado, não poderiam justificar juros incorridos nos meses de janeiro e fevereiro/2003. Todavia, os juros calculados em razão dos empréstimos contraídos em 29/05/2002, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 194/206anexo III) e em 30/04/2002, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 42/54anexo IV), com vencimento em 27/05/2003 e 25/04/2003 apresentam valores compatíveis com as despesas glosadas indicadas nos itens 02 e 03, razão pela qual a glosa deve ser cancelada. Itens 01, 04, 05, 06, 07, 08, 13, 14, 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 63 Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Em relação às despesas n° 01, 04, 06, 07, 13, 16 a 21, a fiscalizada apresentou documentos (fls. 1075/1098), alegando que tais despesas decorreram de empréstimos contratados pela controlada no exterior com o Banco Safra. Especificamente em relação às despesas n° 17 e 21, houve a apresentação de um demonstrativo discriminando os juros provisionados (fls. 1075), um extrato contábil (fls. 1076) e duas fichas de lançamento (fls. 1077), além de um extrato emitido pelo Safra National Bank, abarcando o mês de junho de 2003 (fls. 1078/1079). Outrossim, tais documentos não comprovam tais despesas, ensejando a correspondentes glosas. Em relação às demais despesas supostamente decorrentes de empréstimos contraídos junto ao Banco Safra, houve a apresentação de relação de documentos (fls. 1080/1098), dentre os quais extratos contábeis, fichas de lançamentos, além de mensagens eletrônicas, os quais se mostram inábeis para a comprovação das despesas (conforme já discorrido em itens anteriores). Ademais, foram apresentados extratos bancários que aparentemente se referem a pagamentos efetuados pela sociedade estrangeira. Todavia, como já antes salientado, a comprovação de um pagamento (por meio da comprovação de um débito em conta) não é hábil para comprovar os juros incorridos e deduzidos segundo o regime de competência. Para tanto, deveria a fiscalizada apresentar extratos Fl. 4251DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 22 21 bancários de meses consecutivos de forma que, por meio da diferença entre os valores atualizados dos empréstimos, pudessem ser apurados os juros efetivamente incorridos (salientando que muitos dos juros deduzidos foram assim comprovados). Poderia também apresentar documentos hábeis (notadamente os contratos firmados) que comprovassem os empréstimos contraídos e as taxas de juros pactuadas, de forma a tornar possível o cálculo dos juros periodicamente incorridos. Ante o exposto, tais despesas também foram glosadas." Às fls. 120/236 anexo IV, o sujeito passivo apresenta planilhas demonstrativas da memória de cálculo dos juros incorridos em decorrência de empréstimos bancários, bem como cinco contratos de empréstimo celebrados entre a Arcom Corporation e o Safra National Bank of New York em língua Inglesa nas seguintes datas e valores: em 20/02/2003, no valor de US$ 7.000.000,00 (fls. 131/135 anexo IV); em 15/05/2003, no valor de US$ 10.000.000,00 (fls. 158/163 anexo IV); em 09/01/2004, no valor de US$ 30.000.000,00 (fls. 191/195 anexo IV); e em 13/11/2002, no valor de US$ 12.000.000,00 (fls. 216/219anexo IV). Foram apresentadas também as traduções dos contratos feitas por Tradutor Público (fls. 136/153 anexo IV, 164/181 anexo IV, 196/213 anexo IV, 220/236 anexo IV). Nas planilhas de fls. 121/124 anexo IV o sujeito passivo apresenta a memória de cálculo dos juros incorridos, mediante a aplicação da taxa de juros pactuada nos contratos de empréstimo (8% ao ano) sobre o montante principal, sendo os juros calculados na base de um ano de 360 dias e na proporção dos dias efetivamente transcorridos em cada mês. Os documentos comprobatórios, conforme indicado pelo sujeito passivo na planilha de fls. 125 anexo IV, são pertinentes a despesas com juros de empréstimos contraídos junto ao Safra National Bank of New York, apropriadas na conta contábil 41102005, e correspondentes aos itens glosados de n.° 01, 04, 05, 06, 07, 08, 13, 14, 16, 17, 18, 19, 20, 21 e 63 da tabela acima. Na referida planilha fica demonstrado que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Considerando o período de apuração anual, especificamente 2003, verificase que o somatório dos juros devidos nos termos pactuados nos contratos de empréstimo é inferior ao montante apropriado contabilmente. No ano de 2003, de acordo com os cálculos constantes das planilhas de fls. 121/124 anexo IV, consolidados na planilha de fls. 125 anexo IV, foram apropriados contabilmente juros no montante total de US$ 2.061.919,36, enquanto os juros efetivamente devidos totalizaram US$ 1.953.333,34, perfazendo uma diferença apropriada a maior no período, no valor de US$ 108.586,02, conforme demonstrado abaixo. Fl. 4252DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 23 22 Mês de Competência Juros Devidos Juros Apropriados Juros Apropriados a Maior Juros Apropriados a Menor Juros Apropriados Indevidamente Itens Jan/2003 82.666,67 80.000,00 2.666,67 01 Fev/2003 80.888,89 80.000,00 888,89 04 Mar/2003 130.888,89 232.524,01 101.635,12 98.079,56 05, 06 Abr/2003 126.666,67 126.666,62 0,05 07, 08 Mai/2003 153.111,11 126.666,62 26.444,49 13, 14 Jun/2003 193.333,33 230.284,54 36.951,21 10.506,46 16, 17, 18, 19, 20, 21 Jul/2003 199.777,78 199.777,57 0,21 Ago/2003 199.777,78 206.222,23 6.444,45 Set/2003 193.333,33 186.888,88 6.444,45 Out/2003 199.777,78 212.666,68 12.888,90 Nov/2003 193.333,33 180.444,44 12.888,89 Dez/2003 199.777,78 199.777,77 0,01 Totais 1.953.333,34 2.061.919,36 157.919,68 49.333,66 108.586,02 Como se vê, nos meses de janeiro, fevereiro, abril, maio, julho, setembro e novembro foram apropriados contabilmente juros a menor que o devido e nos meses de março, junho, agosto e outubro, foram apropriados juros a maior que o devido. Os juros apropriados a maior no mês de março, compensados com os juros apropriados a menor nos meses de janeiro e fevereiro, resultou em juros indevidamente apropriados no montante de US$ 98.079,56, correspondentes aos itens 05 e 06. Os juros apropriados a maior no mês de junho, compensados com os juros apropriados a menor nos meses de abril, maio e julho, resultou em juros indevidamente apropriados no montante de US$ 10.506,46, correspondentes aos itens 16, 17, 18, 19, 20 e 21. Enfim, os juros apropriados a maior e a menor que o devido nos meses de agosto a dezembro anulamse mutuamente, não resultando em diferenças apropriadas indevidamente. No que se refere à despesa com juros de empréstimos bancários correspondente ao item 63, no valor de US$ 9.724,20, contabilizada no mês de dezembro de 2004, os cálculos constantes das planilhas de fls. 121/124 anexo IV, consolidados na planilha de fls. 125 anexo IV, evidenciam que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, no curso do referido ano, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Entretanto, levandose em consideração o período de apuração anual, o montante dos juros apropriados contabilmente não superou o montante dos juros efetivamente devidos, e especificamente no mês de dezembro de 2004, as despesas passíveis de apropriação (US$ 23.465,03) superaram o montante efetivamente apropriado (US$ 9.724,20 item 63). Restaram comprovadas portanto, as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 01, 04, 07, 08, 13, 14 e 63, e parcialmente comprovadas as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 05, 06, 16, 17, 18, 19, 20 e21. Cientificada da primeira versão do Relatório Fiscal, a contribuinte apontou erro de cálculo, já corrigido na segunda versão do Relatório acima reproduzida. Disse, também, que a Fiscalização ignorou os efeitos dos juros apropriados em 2002 e 2004, que reduziriam a glosa de US$ 109,544.28 para US$ 50,075.45. Porém, como este segundo ponto não ensejou Fl. 4253DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 24 23 alterações no Relatório Fiscal, a contribuinte novamente se manifestou às fls. 4190/4192 apontando que a disparidade entre juros apropriados e aqueles efetivamente pagos decorre de liquidações antecipadas de contratos de empréstimo, levando ao ajuste do valor da despesa conforme planilha de fls. 86, reiterando que a dedutibilidade da despesa deveria ter sido avaliada tendo em conta todo o período abrangido pela operação de mútuo, que teve início em novembro de 2002 e término em janeiro de 2005, e não apenas o de 2004, como fez a autoridade fiscal. Questiona, assim, a conduta fiscal, que teria obstaculizado a busca da verdade material, requerendo a realização de nova diligência para por fim à controvérsia. Em que pese o empenho da autoridade fiscal que atendeu à diligência requerida nestes autos, constatase que a amplitude das análises acabou por exceder os limites estabelecidos pela acusação para admissibilidade da regularidade dos valores questionados, mormente tendo em conta que as verificações procedidas antes do lançamento buscavam apurar o lucro da controlada que, ao final do anocalendário, poderia ser considerado como disponibilizado à contribuinte autuada. De fato, observase nos autos que durante o procedimento fiscal a contribuinte apresentou os registros contábeis de sua controlada acerca das despesas de juros aqui questionadas, e neles constatase que os encargos foram apropriados depois da obtenção de empréstimos de US$ 7,000,000.00 em 24/02/2003, US$ 12,000,000.00 em 13/11/2002 e US$ 10,000,000.00 em 20/05/2003. Embora outras despesas de juros tenham sido agregadas às contas contábeis representativas destas obrigações, a autoridade lançadora glosou apenas parte delas, no total de US$ 884,309.66. De outro lado, a contribuinte comprovou que sua controlada não só contratou os empréstimos assim escriturados, como também outro, em 09/01/2004, no valor de US$ 30,000,000.00 (fls. 191/195 anexo IV). Além disso, apresentou planilhas de cálculo nas quais as taxas de juros e o período de sua aplicação são compatíveis com as disposições contratuais e resultam, para os primeiros contratos referidos, em juros totais de US$ 870,406.66, US$ 1,405,333.33 e US$ 1,151,111.11, respectivamente, passíveis de apropriação, em sua quase totalidade, nos períodos fiscalizados (2003 e 2004). A glosa foi motivada pela apresentação de documentação precária e concentrada, especialmente, na comprovação do pagamento do empréstimo. Daí porque a autoridade lançadora ressaltou que a comprovação de um pagamento (por meio da comprovação de um débito em conta) não é hábil para comprovar os juros incorridos e deduzidos segundo o regime de competência, afirmando necessária a apresentação de extratos bancários de meses consecutivos de forma que, por meio da diferença entre os valores atualizados dos empréstimos, pudessem ser apurados os juros efetivamente incorridos (salientando que muitos dos juros deduzidos foram assim comprovados), ou então a apresentação de documentos hábeis (notadamente os contratos firmados) que comprovassem os empréstimos contraídos e as taxas de juros pactuadas, de forma a tornar possível o cálculo dos juros periodicamente incorridos. Assim, considerando que a glosa alcançou, precisamente, os juros contabilizados no 1o semestre de 2003 em razão dos empréstimos de US$ 7,000,000.00 em 24/02/2003 e de US$ 12,000,000.00 em 13/11/2002, além das parcelas agregadas às despesas deste último em razão do seu controle conjunto com o empréstimo de US$ 10,000,000.00 de 20/05/2003 a 31/07/2003, na medida em que individualmente as despesas contabilizadas são compatíveis com aquelas esperadas em razão das disposições contratuais demonstradas na Fl. 4254DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 25 24 defesa, e tendo em conta que eventuais excessos podem repercutir em registros contábeis de ajuste posteriores, que neutralizariam seu efeito no que importa ao lucro distribuído à autuada, e ademais não foram glosados pela Fiscalização (somente foi identificada uma última glosa em 30/12/2004 no valor de US$ 9,724.12), impõese admitir que a contribuinte apresentou, em sua defesa, elementos suficientes para justificar as despesas contabilizadas por sua controlada. Assim, as glosas tratadas neste tópico deveriam ser canceladas. Contudo, como parte destas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, está dispensada a apreciação deste Colegiado acerca desta parcela, de modo que devem ser canceladas apenas as glosas indicadas na diligência, correspondentes aos itens de n.° 01, 04, 07, 08, 13, 14 e 63, e parcialmente aos itens de n.° 05, 06, 16, 17, 18, 19, 20 e 21. Itens 22, 24, 29, 30, 31, 35, 36, 38, 39, 44, 45, 46, 49, 50, 51, 54, 55, 59, 60, 64 e 65 Consta do Relatório Fiscal a seguinte abordagem acerca da acusação fiscal e das provas apresentadas pela contribuinte: "Por fim, a fiscalizada apresentou diversos outros documentos relacionados a empréstimos que teriam sido celebrados com o Banco JP Morgan (fls. 1099/1166). Cabem aqui as mesmas considerações já tecidas relacionadas à apresentação dos extratos contábeis e fichas de lançamento. Ademais, os extratos bancários apresentados denotam apenas débitos em conta supostamente relacionados a empréstimos (nos extratos constam os dizeres em inglês: "We have debited your account in payment of interest on your loan"). Alguns desses extratos inclusive se reportam ao ano de 2005 (lembrando as despesas aqui examinadas alcançam apenas os anos de 2003 e 2004). Destarte, é inegável que não houve a comprovação das despesas contabilizadas, porquanto os débitos em conta não demonstram os juros incorridos segundo o regime de competência. Sem a comprovação das cláusulas contratuais celebradas, não restam demonstradas as supostas despesas incorridas e contabilizadas. Ante o exposto, todas as demais despesas também foram glosadas." Às fls. 78anexo II/78anexo III, o sujeito passivo apresenta planilhas demonstrativas da memória de cálculo dos juros incorridos em decorrência de empréstimos bancários, bem como cinco contratos de empréstimo celebrados entre a Arcom Corporation e o JPMorgan Chase Bank em língua Inglesa nas seguintes datas e valores: em 25/03/2004, no valor de US$ 5.000.000,00 (fls. 43/50anexo III); em 25/06/2004, no valor de US$ 8.000.000,00 (fls. 140/147anexo II) ; em 11/08/2004, no valor de US$ 1.200.000,00 (fls. 03/10anexo III); em 16/09/2003, no valor de US$ 13.200.000,00; e em 12/10/2004, no valor de US$ 25.000.000,00 (fls. 91/98anexo II). Foram apresentadas também as traduções dos contratos feitas por Tradutor Público (fls. 99/127anexo II, fls. 148/176anexo II, fls. 193/220anexo II, fls. 11/38anexo III, fls. 51/78anexo III). Nas planilhas de fls. 84/85/anexo II o sujeito passivo apresenta a memória de cálculo dos juros incorridos, mediante a aplicação da taxa de juros pactuada nos contratos de empréstimo sobre o montante principal, sendo os juros calculados na base de um ano de 360 dias e na proporção dos dias efetivamente transcorridos em cada mês. As planilhas e extratos emitidos pelo JP Morgan referentes à conta de n.° 400 656884, de titularidade de Arcom Corporation, de fls. 87/90anexo II, 128/139 Fl. 4255DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 26 25 anexo II, 177184anexo II, 1/2anexo III e 39/42anexo III, atestam o pagamento dos juros devidos em períodos trimestrais, conforme disposto nos contratos de empréstimos. Os documentos comprobatórios, conforme indicado pelo sujeito passivo na planilha de fls. 86anexo II, são pertinentes a despesas com juros de empréstimos contraídos junto ao Banco JP Morgan, apropriadas na conta contábil 41102005, e correspondentes aos itens glosados de n.° 22, 24, 29, 30, 31, 35, 36, 38, 39, 44, 45, 46, 49, 50, 51, 54, 55, 59, 60, 64 e 65 da tabela acima. Na referida planilha fica demonstrado que os juros apropriados contabilmente em períodos mensais, ora o foram em valores superiores, ora em valores inferiores ao efetivamente devido, conforme pactuado nos contratos de empréstimo. Entretanto, levandose em consideração o período de apuração anual, o montante dos juros apropriados contabilmente, não superaram o montante dos juros efetivamente devidos. Restaram comprovadas portanto, as despesas com juros de empréstimos bancários correspondentes aos itens de n.° 22, 24, 29, 30, 31, 35, 36, 38, 39, 44, 45, 46, 49, 50, 51, 54, 55, 59, 60, 64 e 65. A contribuinte comprova os empréstimos bancários que, escriturados na forma apresentada antes do lançamento (fls. 1099/1166), motivaram as despesas de juros em referência. Por sua vez, a autoridade fiscal que realizou a diligência, confirmou a compatibilidade das despesas com as taxas de juros contratualmente fixadas. Logo, deve ser afastada a glosa das despesas indicadas nos itens de n.° 22, 24, 29, 30, 31, 35, 36, 38, 39, 44, 45, 46, 49, 50, 51, 54, 55, 59, 60, 64 e 65. Item 56 A autoridade fiscal encarregada da diligência observa que: Quanto à glosa pertinente à despesa com juros de empréstimos bancários de n.° 56, no valor de US$ 63.750,00, o contribuinte informa às fls. 03anexo I, tratarse de despesa decorrente de prejuízo incorrido em aplicação financeira contratada junto ao Unibanco. Às fls. 212/216anexo I, apresenta extratos emitido pelo Unibanco relativo à conta número 1600419, cuja titularidade é da Arcom Corporation, conforme atestam os documentos de fls. 215/216, anexo I. Mencionados extratos exibem a posição da aplicação em fundo de ações na data de 01/10/2004, no valor de US$ 10.127.500,00, e na data de 31/10/2004, no valor de US$ 10.063.750,00, perfazendo um prejuízo na aplicação em fundo de ações no período, no valor de US$ 63.750,00, restando comprovada a despesa deduzida. Observase no Termo de Verificação Fiscal que, embora intimada a comprovar a referida despesa, contabilizada a título de juros sobre empréstimos, a contribuinte não prestou os esclarecimentos pertinentes. Na documentação juntada à impugnação demonstra que uma de suas aplicações financeiras foi reduzida de US$ 10,127,500.00 para US$ 10,063,750.00 em 31/10/2004. Considerando a coincidência de datas e valores, bem como que a autoridade fiscal não questionou despesa semelhante contabilizada a título de prejuízos em aplicações financeiras, antes abordados, é razoável concluir que a controlada apenas errou a conta contábil na qual apropriara a despesa em tela, devendo ser afastada a glosa correspondente. Fl. 4256DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 27 26 Itens 15 e 43 Finalizando, a autoridade fiscal encarregada da diligência observa que não foram apresentados quaisquer elementos hábeis a comprovar as despesas com juros de empréstimos bancários de n.° 15, no valor de US$ 492,19 e de n.° 43, no valor de US$ 989,65. Assim, deveriam ser mantidas as glosas correspondentes. Contudo, como estas glosas foram mantidas em diligência e estão alcançadas pela desistência comunicada às fls. 4207/4226, não mais integrando o litígio, está dispensada a apreciação deste Colegiado acerca deste ponto. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de ACOLHER os embargos de declaração e atribuirlhes efeitos infringentes para afastar parcialmente as glosas de juros em empréstimos bancários, conforme consolidado no quadro abaixo: Juros em Empréstimos Bancários (valores em US$) Item Data Glosados Comprovados Desistência 1 31/1/2003 80.000,00 80.000,00 2 31/1/2003 44.345,16 44.345,16 3 27/2/2003 43.658,03 43.658,03 4 28/2/2003 80.000,00 80.000,00 5 31/3/2003 54.444,44 6 31/3/2003 178.079,57 134.444,45 98.079,56 7 30/4/2003 79.999,99 79.999,99 8 30/4/2003 46.666,63 46.666,63 9 30/4/2003 104,20 104,20 10 30/4/2003 98,58 98,58 11 30/4/2003 30,27 30,27 12 31/5/2003 233,05 233,05 13 31/5/2003 79.999,99 79.999,99 14 31/5/2003 46.666,63 46.666,63 15 18/6/2003 492,19 492,19 16 30/6/2003 82.665,17 17 30/6/2003 48.221,60 18 30/6/2003 91.111,02 19 30/6/2003 2.222,31 20 30/6/2003 4.508,19 21 30/6/2003 1.556,25 219.778,08 10.506,46 22 31/12/2003 64.464,58 64.464,58 23 31/12/2003 31.628,66 31.628,66 Total em 2003 1.061.196,51 951.652,20 109.544,31 24 31/1/2004 20.602,08 20.602,08 25 31/1/2004 53.104,45 53.104,45 26 1/2/2004 4,42 4,42 Total em 01/02/2004 73.710,95 73.706,53 4,42 Fl. 4257DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 28 27 Juros em Empréstimos Bancários (valores em US$) Item Data Glosados Comprovados Desistência 27 29/2/2004 41.611,11 41.611,11 28 31/3/2004 49.641,67 49.641,67 29 31/3/2004 39.775,01 39.775,01 30 30/4/2004 7.098,34 7.098,34 31 30/4/2004 19.937,50 19.937,50 32 30/4/2004 33.477,81 33.477,81 33 2/5/2004 13,83 13,83 34 31/5/2004 24.422,23 24.422,23 35 31/5/2004 8.846,10 8.846,10 36 31/5/2004 20.701,25 20.701,25 37 30/6/2004 8.244,45 8.244,45 38 30/6/2004 8.541,67 8.541,67 39 30/6/2004 19.937,40 19.937,40 40 27/8/2004 10.944,81 10.944,81 41 31/8/2004 3.251,00 3.251,00 42 31/8/2004 0,17 0,17 43 31/8/2004 989,65 989,65 44 31/8/2004 5.301,72 5.301,72 45 31/8/2004 8.836,21 8.836,21 46 31/8/2004 20.624,89 20.624,89 47 9/9/2004 74.111,11 74.111,11 48 9/9/2004 48.555,56 48.555,56 49 17/9/2004 1.180,35 1.180,35 50 24/9/2004 14.951,15 14.951,15 51 30/9/2004 5.573,23 5.573,23 52 4/10/2004 2.639,13 2.639,13 53 25/10/2004 2.880,00 2.880,00 54 30/10/2004 30.671,48 30.671,48 55 30/10/2004 35.508,83 35.508,83 56 30/10/2004 63.750,00 63.750,00 57 30/10/2004 5,25 5,25 58 3/11/2004 0,87 0,87 59 30/11/2004 27.280,00 27.280,00 60 30/11/2004 25.449,99 25.449,99 61 9/12/2004 59.655,56 59.655,56 62 9/12/2004 84.933,33 84.933,33 63 30/12/2004 9.724,12 9.724,12 64 31/12/2004 27.252,19 27.252,19 65 31/12/2004 29.898,00 29.898,00 66 31/12/2004 54,52 54,52 Total em 31/12/2004 876.271,49 855.492,26 20.779,23 Fl. 4258DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16561.000107/200717 Acórdão n.º 1101001.178 S1C1T1 Fl. 29 28 Diante de todo o exposto, os embargos de declaração devem ser ACOLHIDOS com efeitos infringentes para cancelar as exigências decorrentes da reversão PARCIAL das glosas de prejuízos em aplicações em fundos de ações e de juros em empréstimos bancários, demonstradas neste voto. Reiterese que, uma vez constatado no momento da formalização deste acórdão, que remanesceu matéria em litígio não apreciado pelo Colegiado, esta Relatora está opondo, em paralelo, embargos contra a presente decisão, para que seja suprida a omissão constatada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4259DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13706.001435/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO.
Restando verificado nos autos a inexistência de contradição no Acórdão recorrido, os Embargos de Declaração devem ser rejeitados.
Numero da decisão: 2101-002.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA.
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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CONTRADIÇÃO. NÃO ACOLHIMENTO. Restando verificado nos autos a inexistência de contradição no Acórdão recorrido, os Embargos de Declaração devem ser rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos interpostos. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. EDITADO EM: 06/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 14 35 /2 00 9- 12 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 06/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Tratam os autos de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls.82), em face do Acórdão nº 2101001.886, prolatado na sessão de 19 de setembro de 2012 (fls.61/66). No arrazoado, a embargante denuncia contradição no acórdão, cujos fundamentos estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: "Pela análise do Acórdão 2101001.886, verificase que a e. 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, com base no Comprovante de Pagamento de fls. 53 do e processo, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para “restabelecer a contribuição para a previdência privada no importe de R$ 1.114,20”. Ocorre que o citado Comprovante referese ao exercício de 2005 e não ao, de 2006 dos autos. Quanto à dedução pretendida, fazse necessário invocar a Lei n º 9.250/95, verbis: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas: (...) d) às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; e) às contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social; (Destaque nosso) O referido documento atesta que o pagamento de R$ 1.114,20 não ocorreu no exercício tratado no presente processo (2006). Portanto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que esse e. Colegiado, sanando a contradição apontada, limite a dedução aos pagamentos efetivamente realizados no exercício de 2006." A embargante denuncia contradição no acórdão embargado, relativamente à comprovação documental inadequada carreada aos autos pelo contribuinte, correlata não ao exercício de 2006 – objeto da autuação, e sim ao exercício de 2005. Voto Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Analisando o inteiro teor do processo administrativo em tela, entendo que não assiste razão à Embargante. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 06/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13706.001435/200912 Acórdão n.º 2101002.648 S2C1T1 Fl. 88 3 O Contribuinte afirma "que ingressou no Gboex — Previdência Social Privada em 27/08/1968, e que anexava os comprovantes de pagamento do exercício 2006 ano base 2005 — 1° semestre não encontrado, com reajuste no 2° semestre (julho a dezembro) , mensal de R$98,50 no subtotal de R$591,00 mais R$523,20 do 1° semestre". Para comprovar a sua alegação, apresentou um comprovante de pagamento do mês de julho de 2005 no valor de R$98,50 (efls 22 e 25). A decisão de 1a instância reconheceu tal pagamento e destacou que "Acatase a dedução da contribuição à Previdência Privada somente quando ficar comprovado nos autos a efetividade da mesma." (efl. 38) Visando instruir o seu Recurso Voluntário, o Contribuinte solicitou à Gboex – Previdência Social Privada que declarase o valor por ela recebido, a fim de que pudesse ser restabelecida a dedução pleiteada (efl. 53). Provavelmente por adotar o conceito de exercício financeiro, a declaração teve o título de "COMPROVANTE DE PAGAMENTOS EXERCÍCIO DE 2005". Refazendo as contas dos valores pagos, percebemos que o contribuinte pagou o valor de R$ 90,30 por mês durante o primeiro semestre e R$ 98,50/mês no segundo semestre, ambos do anocalendário em discussão. Ora, em vista que todas as evidências juntadas aos autos, corroboram com o que vem sendo afirmado pelo Contribuinte desde a sua Impugnação, entendo que não existe a contradição apontada pela Fazenda Nacional. Assim, NEGO provimento aos Embargos de Declaração. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2014 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 06/12/201 4 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004006/2010-56
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 05/04/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE.
É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR
As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
Numero da decisão: 3803-006.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/04/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/04/2010 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 1. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 05/04/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. POSSIBILIDADE. É lícito ao Fisco, visando a prevenir a decadência, proceder a lançamento mediante a lavratura de auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de antecipação de tutela em ação ordinária. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa, enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 40 06 /2 01 0- 56 Fl. 393DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 394DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004006/201056 Acórdão n.º 3803006.615 S3TE03 Fl. 394 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/04/2010 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 395DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os mesmos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004006/201056 Acórdão n.º 3803006.615 S3TE03 Fl. 395 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004006/201056 Acórdão n.º 3803006.615 S3TE03 Fl. 396 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.004006/201056 Acórdão n.º 3803006.615 S3TE03 Fl. 397 9 § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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