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Numero do processo: 10830.005892/2002-96
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/07/1997 a 31/12/1997
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-003.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por concomitância.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1997 a 31/12/1997 PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso por concomitância. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl e Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 58 92 /2 00 2- 96 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por PAULO SERGIO CELANI 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ Campinas/SP, abaixo transcrito: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), lavrado em 08/05/2002 (fls. 16) e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 10/06/2002 (fls. 53), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 173.269,12, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não localização de pagamento vinculado aos débitos declarados para os períodos de julho a dezembro de 1997. Impugnando a exigência, foi protocolizada, em 03/07/2002, a peça de defesa de III fls. 01/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/49, com as razões a seguir sintetizadas. Alega o interessado que a matéria debatida se funda especificamente na compensação de Finsocial, pela qual optou em virtude do reconhecimento da inconstitucionalidade das majorações de alíquota acima de 0,5% (RE n° 150.764PE). Defende seu direito à compensação, invoca o art. 66 da Lei n° 8.383/91 e assevera ter utilizado, na amortização da Cofins, as parcelas pagas indevidamente ao Finsocial de competência setembro/89 a março/92, considerando, para correção monetária, os preceitos das Leis 8.383/91 combinado com a Lei 9.430/96 e os expurgos inflacionários garantidos pelo Provimento n° 24/97 do TRF da 3' Região. Entende que a lavratura do Auto de Infração, desconsiderando as Decisões do STF, as Resoluções do Senado e a IN SRF 31/97, afastouse da legalidade, da moralidade e da verdade material e representa ofensa ao parágrafo único do art. 142 do CTN, e ao art. 150, inciso IV, que veda o Confisco. Defende a aplicação do Provimento 24/97 do TRF da 3 a Região para fins de correção monetária e requer o cancelamento do Auto de Infração. Para justificar a existência do alegado crédito, a defesa está instruída com cópias de DARF indicando vencimentos entre 16/10/89 e 07/11/91 (fls. 24/49). Às fls. 50 consta ofício da Procuradoria Secional da Fazenda Nacional em Campinas, solicitando a remessa deste e de dois outros processos administrativos (10830.000501/200247 e 10830.005134/200359, relativos, respectivamente a Autos de infração de Cofins de março a junho/97 e de fevereiro a dezembro/98), para fins de possibilitar a defesa judicial da União nos autos da ação declaratória 2004.61.05.0130256. Às fls. 57, a autoridade preparadora informa que o crédito tributário lançado foi transferido para o PAES e encaminha os autos para julgamento. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10830.005892/200296 Acórdão n.º 3801003.154 S3TE01 Fl. 12 3 Analisando o litígio, a DRJ de Campinas/SP considerou parcialmente improcedente a Impugnação do Recorrente, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DCTF. REVISÃO INTERNA. PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS. ALEGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM RECOLHIMENTOS DE FINSOCIAL. Extinguese em cinco anos, contados da data do recolhimento, o direito de o contribuinte pleitear a restituição, ou efetivar a correspondente compensação, de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis no 11.051/2004 e n° 11.196/2005. Lançamento Procedente em Parte No recurso voluntário apresentado pelo contribuinte, este argumenta, em síntese, que é de 10 anos o prazo para se pedir a repetição do crédito tributário dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, por isso, não há que se falar em indeferimento da compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. Importante ressaltar que processo de idêntico conteúdo do mesmo contribuinte já fora julgado, em 11 de novembro de 2011, por esta mesma Turma Especial, tendo sido todos os pontos levantados para apreciação devidamente analisados. Por conseguinte, adoto, como razões de decidir, o voto do Ilmo. Conselheiro Relator Flávio de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por PAULO SERGIO CELANI 4 Castro Pontes, acatado unanimemente por essa Turma Especial no Processo no. 10830.000501/200247, no qual a ora Recorrente também figurava como parte no processo, e que transcrevo a segu: Antes da apreciação da tese sobre o prazo que o sujeito passivo tem para reaver as quantias indevidamente recolhidas, é essencial o exame da ação ajuizada pela recorrente e de seus efeitos. É incontroverso que a recorrente ajuizou uma ação ordinária declaratória, autos nº 2004.61.05.0130256, junto à 1ª Vara Cível Federal de Campinas objetivando a convalidação da compensação já realizada dos valores recolhidos indevidamente a título da contribuição Finsocial em face da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal da majoração das alíquotas da referida exação, bem como a anulação dos autos de infração e das intimações relativos às parcelas das contribuições compensadas. Como visto, a interessada postulou a anulação deste lançamento através da via judicial, fato reconhecido pela administração fazendária, segundo informações sobre o processo judicial de fls. 88 e 89. Desta forma, é indubitável que o objeto dessa ação judicial é o mesmo deste processo administrativo, compensação do Finsocial pago a maior e anulação do auto de infração, assim incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. (grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10830.005892/200296 Acórdão n.º 3801003.154 S3TE01 Fl. 13 5 interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por PAULO SERGIO CELANI 6 lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. A propósito da ação ordinária, autos nº 2004.61.05.0130256, após pesquisa no site do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, verificase que, em atenção à decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.187.737, foi proferido novo acórdão pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região negando provimento à remessa oficial e à apelação da Fazenda Nacional. Em face do exposto, voto no sentido de negar conhecimento ao recurso voluntário, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário a matéria objeto desse processo. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10830.005892/200296 Acórdão n.º 3801003.154 S3TE01 Fl. 14 7 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 20/11/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 20 /11/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 11384.000615/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 03/03/2005
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, j DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, j do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES
Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 03/03/2005 CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, j DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, j do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS - ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA - IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Negado
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Inobservância do artigo 33, § 2.º da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E DOCUMENTOS ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE ELEMENTOS DE PROVA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES Uma vez que a autoridade fiscal demonstrou de forma clara a falta descrita na autuação, bem como toda a fundamentação legal, incumbe ao recorrente comprovar a improcedência dos fatos descritos pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 38 4. 00 06 15 /2 01 1- 56 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11384.000615/201156 Acórdão n.º 2401003.754 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de obrigação acessória, lavrado sob n. 35.761.5107, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 33, §2º da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 283, II, “j” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 36 e seguintes, a Empresa deixou de apresentar à fiscalização os LivrosDiário e LivrosRazão solicitados através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, datado de 17/11/2004, relativos aos exercícios de 2000 a 2003. Em decorrência da infração praticada está sendo aplicada a multa cabível, nos termos do artigo 283, inciso I I , "3" do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3 . 0 4 8 / 9 9 , no valor de R$ 10.359,14 valor atualizado pela Portaria MPS/479, de 07/05/2004. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 03/03/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 18/03/2005. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 66 a 76. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 98 a . PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR A EMPRESA DE APRESENTAR LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS NA LEI 8.212/91. INFRAÇÃO. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. 1) Por força de lei, a empresa é obrigada a apresentar todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na legislação previdenciária. 2) Apesar de regularmente solicitado através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, a empresa deixou de apresentar à fiscalização os Livros Diário e Razão, relativos aos exercícios de 2000 a 2003. 3) Infringência ao artigo 33, § 2.°, da Lei 8.212, de 24.07.91. 4) Ocorrência de reincidência em um mesmo tipo de infração. Valor da multa elevado em três vezes, de acordo com o art. 292, IV, do RPS. Não houve regularização da falta cometida. Autuação procedente. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 98 a 103, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: Fl. 192DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 1. Inexiste a infração, pois todos os documentos solicitados pelo Auditor Fiscal foram entregues conforme solicitados e que a autuação ocorreu porque parte da documentação não havia sido ainda disponibilizado para o levantamento fiscal. Entretanto, afirma que a empresa não estava sonegando documentos e que não houve qualquer atitude da recorrente no sentido de impedir a auditoria fiscal. Pede que a autuação seja julgada insubsistente, isentando a recorrente de qualquer multa. 2. Condena a aplicação dos juros SELIC por ter caráter estritamente remuneratório, ressaltando que na taxa SELIC está embutida os juros e a correção monetária, concomitantemente, sendo por isso elevada e onerosa para o contribuinte. Que o parágrafo 1.° do art. 161 do CTN dispõe claramente que somente por legislação ordinária expressa, os juros moratórios podem ultrapassar a 1% ao mês e a utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros moratórios incidentes sobre a multa aplicada afronta o parágrafo 1.° , do art. 161, do CTN. 3. Inconformada com o percentual aplicado da multa, por ter caráter confiscatório, alega que a administração, apesar do caráter público dos valores em discussão, não pode pretender locupletarse à guisa dessa cobrança 4. excessiva. Protesta contra a aplicação da multa, argumentando que atualmente, admitese a imposição de pena em valor não superior a 2%, conforme dicção da Lei 9.298/96. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11384.000615/201156 Acórdão n.º 2401003.754 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 116. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No mérito, foram trazidos os mesmos argumentos da impugnação, ou seja, o recorrente alega que nunca sonegou informações, mas teve um prazo exíguo para apresentação dos mesmos. Contudo, não houve a apresentação dos referidos diários e razão, nem mesma na fase impugnatória e recursal, nem mesmo após ter sido a questão enfrentada pelo julgador de primeira instância, não trouxe o recorrente qualquer fato novo. No que se refere à lavratura do presente Auto de Infração, há que se considerar que a sua emissão está revestida das formalidades legais, em conformidade com o disposto no artigo 33 da Lei 8.212/91 e a multa foi aplicada em consonância com os dispositivos legais, no caso, o artigo 283, inciso II, alínea "/ do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, no valor de R$ 31.077,42 (trinta e um mil e setenta e sete reais e quarenta e dois centavos). Da análise do TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (fls. 32) e MPF Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 31), constatase que a empresa foi regularmente intimada a apresentar a documentação à fiscalização em 17/11/2004, incluindose os Livros Diário e Razão dos exercícios de 2000 a 2003, e deixar à sua disposição no dia 19/11/2004, para serem devidamente examinados. No entanto, a empresa não apresentou os citados Livros, tendo sido autuado em 03/03/2005, por infração ao artigo 33, parágrafo 2.°, da Lei 8.212/91. Assim, não procede a alegação de que a fiscalização não concedeu um prazo maior para apresentar os referidos documentos, haja vista o lapso temporal superior a 100 dias entre a solicitação da documentação através do TIAD e a efetiva lavratura do Auto de Infração. Além disso, por força de lei, a empresa é obrigada a apresentar os documentos fiscais regularmente solicitados pela fiscalização, como é o caso dos Livros Diário e Razão. Com efeito, não há como acatar a tese da empresa de que inexiste a infração, visto que a empresa infringiu frontalmente a legislação previdenciária quando deixou de apresentar os Livros Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 Diário e Razão dos exercícios de 2000 a 2003, conforme determina o artigo 33, parágrafo 2.°, da Lei 8212/91. Ora, ao recorrente dáse o direito de insurgirse contra as autuações que lhe foram imputadas, colacionando alegações que demonstrem a fragilidade do mesmo, mas desde que, para tanto, demonstre inexistir os fatos que ensejaram a autuação, o que não foi o caso. Conforme descrito no relatório fiscal a autuação pautouse em dispositivo diverso o art. 33, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado a exibir os livros e documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, no caso, não apresentou os livros contáveis –diário e razão”. Art.33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9/07/2001) (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Simplesmente alegar, ou mesmo dizer que os documentos encontramse à disposição, porém não no prazo exíguo estipulado, de forma alguma, determina a procedência de suas alegações. Durante o procedimento o contribuinte é intimado a apresentar os documentos que determinam a sua regularidade em relação as contribuições previdenciárias. Bastanos uma simples leitura do relatório fiscal, fl. 36 e seus anexos, para que se perceba, que auditor desincumbiuse de identificar claramente não apenas a falta imputada como toda a legislação que fundamenta o lançamento. Se existem folhas de pagamentos, bastaria a empresa apresentálas. A indicação dos fatos geradores e das faltas cometidas apurados durante o procedimento fiscal, realmente é da competência da autoridade fiscal, que tem o dever de efetuar o lançamento de forma clara, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório, porém a partir do momento que não são apresentados documentos que comprovem o recolhimento não basta simplesmente a empresa alegar que os documentos encontramse à disposição. Ora, considerando que durante o contencioso administrativo o julgador deve apreciar os argumentos e provas que demonstrem a improcedência do lançamento, não é possível, atestar as alegações do recorrente quando o mesmo se resume a argumentar de forma genérica, sem nem mesmo colacionar aos autos os documentos que demonstrariam estar incorreta a conclusão apresentada pela autoridade fiscal. O auditor, A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 11384.000615/201156 Acórdão n.º 2401003.754 S2C4T1 Fl. 5 7 Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é de conhecimento, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Conforme descrito no art. 96 do CTN, a legislação engloba não apenas as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos, mas também as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, foi correta a aplicação do auto de infração pelo órgão previdenciário. O relatório fiscal, indicou de maneira clara e precisa todos os fatos ocorridos, havendo subsunção destes à norma prevista na Lei n ° 8.212/1991. Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificamse pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto a alegação de multa confiscatória, entendo que razão também não assiste ao recorrente: A multa aplicada obedeceu estritamente aos ditames previstos não havendo qualquer reparo a ser feito. A fundamentação da multa foi bem descrita, razão pela qual não há qualquer equivoco na sua aplicação: Em decorrência da infração praticada está sendo aplicada a multa cabível, nos termos do artigo 283, inciso I I , "3" do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3 . 0 4 8 / 9 9 , no valor de R$ 10.359,14 valor atualizado pela Portaria MPS/479, de 07/05/2004. Com efeito, não tendo o contribuinte regularizado a infração cometida, e não atendendo o requisitos estabelecidos no § 1.° do artigo 291, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, mantémse a multa aplicada no presente Auto de Infração, regularmente lavrado pela Fiscalização. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Vale destacar, ainda, que a responsabilidade pela infração tributária é em regra objetiva, isto é independe de culpa ou dolo, ou das circunstâncias que geraram o descumprimento da legislação, dessa forma, indiferente a argumentação de que não agiu de máfe. Assim, não tendo o recorrente, afastado a falta que lhe foi imputada, demonstrando a apresentação dos documentos, deve ser determinada a procedência da autuação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13657.000288/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (29/01/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (29/01/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 100 1 99 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13657.000288/200813 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.211 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de janeiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente JOSE CARLOS SANTOS LEITE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa quando o auto de infração é lavrado após o decurso do prazo da intimação fiscal para apresentação de documentos, ou quando é lavrado sem que o contribuinte apresente qualquer documentação probatória dos seus direitos na fase de procedimento de fiscalização. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSÊNCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 02 88 /2 00 8- 13 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13657.000288/200813 Acórdão n.º 2801002.211 S2TE01 Fl. 101 2 Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (29/01/2015), em substituição ao Presidente Antônio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Adoto como relatório o explicitado pela DRJ que assim dispõe: Para José Carlos Santos Leite, já qualificado nos autos, foi lavrada a Notificação de Lançamento, as fls. 62 a 65, exigindo o recolhimento de R$ 11.131,51 de imposto de renda pessoa fisica suplementar, R$ 8.348,63 de multa de oficio (passível de redução) e R$ 6.029,93 de juros de mora (atualizados até 31/01/2008). Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2004 (fls. 48 a 50). Conforme informações, as fls. 63 e 65 (ambas frente e verso), houve dedução indevida com despesa de instrução (R$ 1.998,00), de despesas médicas (R$ 30.703,56), de dependentes (R$ 2.544,00) e de previdência privada e fapi (R$ 5.907,99), por falta de comprovação, pois "regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data." Cientificado da notificação, o contribuinte apresentou a impugnação, as fls. 01 a 04, instruída pelos elementos de fls. 05 a 46, em que contesta o lançamento efetuado, resumidamente, nos termos a seguir: • Consta da notificação que, regularmente intimado, o contribuinte não teria atendido à intimação. Contudo, alega que reside no mesmo endereço da notificação há mais de 15 anos e é bastante conhecido na cidade e região, não sendo crível que não tenha sido encontrado pelos correios. Não fora deixado qualquer aviso ou comunicação na caixinha dos correios existente na porta do prédio onde reside, noticiando a existência do AR da Receita Federal. Ademais, não possui conhecimento de que tenha sido intimado por meio de edital, "sequer recebeu qualquer comunicação a esse respeito; se houve a intimação por edital a toda evidencia a mesma não se deu na forma preconizada na lei, já que não houve publicação no órgão oficial e nem em jornal de ampla circulação local." Assim, houve cerceamento de defesa e ofensa ao devido processo legal, devendo ser anulada a notificação ou declarada a inexistência de imposto a pagar, com todos os seus consectdrios legais. Neste ponto, cita ementa de decisão judicial a respeito; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13657.000288/200813 Acórdão n.º 2801002.211 S2TE01 Fl. 102 3 • "De outra banda, inobstante o evidente cerceamento de defesa, cabe ao impugnante nesta fase administrativa de apresentação de defesa, nos termos da lei, apresentar todos os comprovantes de despesas glosadas pelo fisco..."; • Requer, pois, que o lançamento seja desconsiderado e, por conseguinte, restituída a quantia a que tem direito (R$ 185,71), devidamente corrigida. Além disso, solicita que toda e qualquer intimação seja encaminhada ao seu local de trabalho ou via endereço eletrônico. A DRJ/JFA julgou a impugnação procedente em parte (fls. 70/74), em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FiSICA IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÕES. DEPENDENTES. Restabelecese a dedução pleiteada, quando o contribuinte comprova, através da apresentação de documentos, as relações de dependência questionadas. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Mantémse parte da glosa das deduções pleiteadas pelo contribuinte, cujos recibos não atendem integralmente aos requisitos de formalidade exigidos na legislação. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Deve ser restabelecida a dedução, devidamente comprovada, referente a gastos com a educação da filha e dependente, respeitado o limite individual anual. DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. Deve ser restabelecida a parcela da dedução devidamente comprovada, mediante documentação hábil, em sede de impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de primeira instância, o Interessado apresentou o Recurso, reiterando os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13657.000288/200813 Acórdão n.º 2801002.211 S2TE01 Fl. 103 4 Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Em primeiro plano, cabe analisar o pedido do recorrente de nulidade do lançamento em virtude de cerceamento do seu direito de defesa. Segundo o contribuinte, houve o cerceamento do seu direito de defesa em virtude de o mesmo ter sido notificado, durante o procedimento de fiscalização, para apresentação dos documentos de prova, via edital. O motivo da notificação via edital, e sua fundamentação legal, já foi esclarecido pela DRJ; in verbis: Cumpre, também, verificar se o impugnante foi ou não regularmente cientificado do Termo de Intimação Fiscal n° 2004/606106804531052, que solicitava a apresentação dos comprovantes das deduções pleiteadas em sua DIRPF/2004 (fl. 54). Reza o art. 23 do Decreto 70.235/72, com alterações posteriores, que: Art. 23. Farse6 a intimação: por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) § 12 Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Incluído gala Lei n° 11.196, de 2005) I no endereço da administração tributária na i nternei; (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei n° 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído gala Lei no 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: (.) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído Dela Lei no 11.196, de 2005) No caso em tela, a autoridade revisora optou pela intimação por via postal do Termo de Intimação Fiscal n° 2004/606106804531052. Pelas telas de fls. 68/69, extraídas dos sistemas informatizados da RFB, observase que a correspondência foi devolvida ao remetente em virtude da ausência do destinatário. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13657.000288/200813 Acórdão n.º 2801002.211 S2TE01 Fl. 104 5 Assim, estritamente de acordo com o dispositivo anteriormente transcrito, houve a regular intimação, através do Edital Malha Fiscal IRPF N° 00011 de 30 de outubro de 2007, afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação, considerandose ocorrida a ciência do contribuinte em 16/11/2007. Cabe observar, ainda, que a oportunidade de manifestação do impugnante não se exaure na etapa anterior A. efetivação do lançamento. Pelo contrário, na busca da preservação do direito de defesa do contribuinte, o processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto n° 70.235/72, estendese por outra fase, a fase litigiosa, na qual o notificado, inconformado com o lançamento que lhe foi imputado, instaura o contencioso fiscal mediante apresentação de impugnação ao lançamento, quando as suas razões de discordância serão levadas à consideração dos órgãos julgadores administrativos, sendolhe facultado pleno acesso 6. toda documentação constante dos autos. A vista disso, não merecem acolhida as preliminares aventadas pelo impugnante. Ademais, no decorrer de todo o processo administrativo, foram oportunizadas amplas oportunidades de produção de provas e defesa para o contribuinte; não havendo qualquer cerceamento de direito de defesa; tanto que o mesmo anexou, em sua impugnação, e em seu recurso, todos os documentos que julgava necessários para a prova dos seus direitos. Assim, rejeito as preliminares suscitadas. No mérito, o Recorrente contesta a glosa das despesas médicas mantida pela decisão recorrida, que foram assim motivadas: 1 Os recibos emitidos por Aécio KemHiti Kashiwakura, clinico geral, à fl. 05, no total de R$ 2.620,00, não contêm a indicação do endereço do profissional e não identificam o beneficiário dos serviços; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Mantémse a glosa; 2 Os recibos emitidos por Cristiane Reis e Lopes Telles, fisioterapeuta, às fls. 06 a 08, no total de R$ 8.000,00, não contêm a indicação do endereço da profissional e não identificam o beneficiário das "sessões de fisioterapia"; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Mantémse a glosa; 3 No recibo emitido por Ranulpho Giacomelli Jr., dentista, à fl. 09, no valor de R$ 2.170,00, não é possível identificar a descrição do serviço prestado e nem o beneficiário do tratamento; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Mantémse a glosa; 4 Os recibos emitidos por Rosália Lopes Gonçalves, psicóloga, as fls. 09 a 12, no total de R$ 3.000,00, não contêm a indicação do endereço da profissional e não identificam o beneficiário do "tratamento psicoterap8utico"; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Mantémse a glosa; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13657.000288/200813 Acórdão n.º 2801002.211 S2TE01 Fl. 105 6 5 Os recibos emitidos em nome de Marcus Antônio do Nascimento, psicólogo, A. fl. 13, no total de R$ 940,00, não contêm a indicação do endereço do profissional e um deles não identifica o beneficiário do "atendimento psicoterdpico"; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Além disso, tais recibos foram assinados por Fernanda Fernandes Simões, sem qualquer indicação, de sua vinculação com o profissional liberal ou autorização para tanto. Mantémse a glosa; 6 Os recibos emitidos por Ellen C. Reis Marques, dentista, à fl. 14, no total de R$ 3.920,00, não podem ser aceitos: os recibos 'A' e 'C' não identificam o responsável pelo pagamento, enquanto o recibo `13' não identifica o beneficiário do "tratamento odontológico"; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Por outro lado, os recibos de fl. 15, na soma de R$ 1.205,00, da lavra da mesma profissional devem ser acatados. Restabelecese, pois, R$ 1.205,00; (...) 8 Os recibos emitidos por Luiz Guilherme Wolf Borges, psicólogo, no total de R$ 5.100,00 (maior que o pleiteado R$ 5.000,00), As fls. 18 a 34, não identificam o beneficiário da "sessão de psicoterapia"; o impugnante figura apenas como responsável pelo pagamento. Mantémse a glosa. Observase que, em sede de recurso, não foram carreados aos autos documentos que suprissem as faltas verificadas pela autoridade fiscal. Conforme expressa previsão legal (art. 8º , § 2º , II, da Lei 9.250/95), a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Por este motivo, além da identificação de quem arcou com a despesa, é imprescindível que esteja identificado quem foi o beneficiário do tratamento. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da motivação da glosa, apresentar documentos outros (laudos ou declarações dos profissionais, retificação dos recibos) no sentido de sanar o vício formal nos comprovantes apresentados. De acordo com o § 2°, incisos III e IV do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a especificação e comprovação dos pagamentos, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo por meio do qual foi efetuado o pagamento. Portanto, deve ser mantida a glosa das correspondentes despesas médicas, posto que os comprovantes apresentado não atenderam às exigências apontadas, consoante legislação de regência. Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13657.000288/200813 Acórdão n.º 2801002.211 S2TE01 Fl. 106 7 Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 29/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10845.002694/99-36
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1988 a 31/12/1988, 01/01/1989 a
31/01/1989, 01/08/1989 a 30/10/1989, 01/12/1989 a 31/12/1989
RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. COTA CAFÉ. PRAZO. O
Superior Tribunal de Justiça firmou jurisprudência no sentido de
que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por
homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do
CTN, tem início na data da homologação - expressa ou tácita - do
lançamento. Não havendo homologação expressa, o prazo para a
repetição do indébito é de dez anos contados do fato gerador.
Recurso especial parcialmente provido
Numero da decisão: CSRF/03-06.248
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso especial, para considerar tempestivo o pedido de reconhecimento do direito creditório, quanto aos fatos geradores ocorridos depois de 28 de janeiro de 1990 (10 anos contados da ocorrência do fato gerador- tese dos 5 + 5 anos) e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de origem, para apreciar as demais questões, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Luiz Roberto Domingo (substituto convocado) e Antonio Carlos Guidoni Filho.que deram provimento integral ao recurso. O Conselheiro Antonio Praga, vencido em primeira votação, acompanha a Conselheira Relatora pelas suas conclusões. O Conselheiro Antonio Praga apresentará declaração de voto.
Nome do relator: Anelise Daudt Prieto
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Numero do processo: 11040.720632/2013-66
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei.
SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGALIDADE.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
TAXA SELIC.
Legal a aplicação da taxa Selic nas contribuições previdenciárias inadimplidas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores referentes a CPP - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte, desde que não tenham sido já utilizados.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 EXCLUSÃO DO SIMPLES. Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observando-se os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGALIDADE. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. TAXA SELIC. Legal a aplicação da taxa Selic nas contribuições previdenciárias inadimplidas. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores referentes a CPP - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte, desde que não tenham sido já utilizados. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira.
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Com a exclusão do SIMPLES a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas, sendo imperioso o lançamento tributário em honra ao princípio da legalidade, uma vez a constituição do crédito é procedimento vinculado à lei. SIMPLES. RECOLHIMENTO APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Aplicação da Súmula 76 do CARF: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. LEGALIDADE. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. TAXA SELIC. Legal a aplicação da taxa Selic nas contribuições previdenciárias inadimplidas. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para que os valores referentes a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 72 06 32 /2 01 3- 66 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 CPP CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte, desde que não tenham sido já utilizados. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Fábio Pallaretti Calcini, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11040.720632/201366 Acórdão n.º 2803003.933 S2TE03 Fl. 405 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Jarbas Jesus Teixeira Martins ME, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito Tributário. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 60/65), os créditos tributários referemse a ̀contribuic aõ previdenciária da parte patronal e do SAT, que foi apurada no AI no 51.029.9733, a contribuic ão previdenciaŕia da parte dos segurados, apurada no AI no 51.029.9750, além da contribuic aõ social destinada a outras entidades e fundos, apurada no AI no 51.029.9776. No referido Relatório Fiscal, a autoridade lanc adora esclarece que, dos documentos solicitados à empresa autuada durante a ac ão fiscal, esta deixou de apresentar os Livros Diaŕio e/ou Caixa do ano de 2010, além das folhas de pagamento de todo o período fiscalizado, tendo sido, por esse motivo, lavrado o Auto de Infrac ão no 51.029.9792. Pelo fato de o contribuinte naõ ter apresentado as folhas de pagamento, e diante da constatac ão de que os valores informados em RAIS não coincidiam com os recibos de pagamentos apresentados à fiscalizac ão, o débito foi apurado atraveś de aferic aõ indireta, com base na RAIS, na forma como dispõe o §3o do art. 33, da Lei no 8.212/91. O contribuinte era optante do Simples Nacional até 31/12/2007, tendo sido excluído de tal sistemática atraveś do ADE no 01/2013, que gerou efeitos a partir de 01/01/2008, por ter deixado de escriturar o Livro Caixa ou por ter deixado de identificar a movimentac ão financeira, inclusive a bancária. Os fatos geradores das contribuic ões ora lanc adas decorreram do exercício de atividade remunerada de segurados empregados, constatada atraveś das informac ões prestadas na RAIS do período de 01/2009 a 12/2011. Devidamente cientificada da autuação, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 277/296, alegando em síntese: a) reputa como indevida a sua exclusão do Simples Nacional, e, por via de conseque ncia, também, a autuac ão, motivo pelo qual interpo s junto à Justic a Federal um Mandado de Seguranc a, que encontrase aguardando sentenc a, devendo o processo administrativo em questão ficar suspenso até o fim do processo judicial. b) é nula a autuac aõ pelo fato de que não foram considerados e abatidos os valores recolhidos pela empresa na sistemática simplificada de tributac ão. c) a contribuic ão do INCRA foi criada inicialmente pela Lei 2.613/55, no entanto, após várias alterac ões legislativas, a exige ncia do referido tributo findouse com a edic ão da Lei 8.212/91, que instituiu novo plano de custeio da seguridade social e deixou de Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 incluir o INCRA como entidade beneficiária da seguridade social, motivo pelo qual a questão não comporta mais controvérsias; d) No caso de ser considerada a contribuic aõ destinada ao INCRA como uma CIDE, como entendem alguns, ainda assim, a impugnante sustenta que a mesma naõ fora recepcionada pelo art. 149, § 2o , III, a, da CF/88. e) questiona a multa aplicada, no patamar de 75%, sob o argumento de que a mesma e ́utilizada com intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarc ado, além de ter natureza confiscatória, o que é vedado pela Constituic ão Federal. f) argúi a inconstituconalidade da taxa Selic. A DRJ ao apreciar as ponderações trazidas pela contribuinte, julgou improcedente a impugnação apresentada, em acórdão que restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 SUSPENSÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DISCUSSÃO JUDICIAL. MATÉRIA DIFERENTE. Descabe a suspensão do trâmite do processo no contencioso administrativo para aguardar a decisão judicial que venha a ser proferida em processo no qual é discutida matéria diferente daquela que se discute na instância administrativa. INCRA. EXTINÇÃO. INOCORRÊNCIA. É devida a contribuição destinada ao INCRA, visto que não extinta com o advento das Leis 7.787/89 e 8.212/91. INCRA. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS. FORO INADEQUADO. O contencioso administrativo não é o meio adequado para a discussão acerca da inconstitucionalidade das normas. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. As normas que estabelecem a aplicação de juros moratórios com base na taxa SELIC para os créditos tributários não pagos até o vencimento estão plenamente em vigor no ordenamento jurídico, devendo, portanto, ser aplicadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignada com a decisão proferida, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. ), aduzindo, em apertado escorço: a) ser indevida a sua exclusão do Simples Nacional, e, por via de consequência, também, a autuação, motivo pelo qual interpôs junto à Justiça Federal um Mandado de Segurança, que encontrase aguardando sentença, devendo o processo administrativo em questão ficar suspenso até o fim do processo judicial; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11040.720632/201366 Acórdão n.º 2803003.933 S2TE03 Fl. 406 5 b) que durante o período autuado a empresa recolheu corretamente como inclusa no Simples, devendo os valores pagos serem compensados para a auferição do montante devido; c) que a contribuição ao INCRA é indevida por empresa urbana; d) que a multa aplicada, no patamar de 75%, é utilizada com intuito arrecadatório, valendose como tributo disfarçado, além de ter natureza confiscatória, o que é vedado pela Constituição Federal; e) a impossibilidade de aplicação da taxa Selic. Sem contrarrazões fiscais, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Exclusão do Simples A empresa foi excluída do Simples Nacional através do Processo Administrativo n. 11040.720165/201220, e com base do Despacho Decisório n. 3, expedido em 11.01.2013 pela DRF/PEL/Saort, cientificado a recorrente em 18.01.2013, foi emitido o Ato Declaratório Executivo ADE n. 01/2013, com efeitos a partir de 01.01.2008, por “falta de escrituração do Livro Caixa ou não identificação da movimentação financeira, inclusive a bancária”. A recorrente, por sua vez, alega ingressou com Mandado de Segurança n. 500502088.2013.404.7110, perante a Vara Federal, e que esta aguardando sentença. Ocorre que, compulsando os dados do processo no sítio virtual do Tribunal Regional Federal da 4a. Região, verifiquei que a segurança foi denegada pela sentença de mérito e mantida em grau de apelação. Trago à baila a conclusão da sentença denegatória da segurança da contribuinte; “Por todo o exposto, concluise pela improcedência da demanda. Não havendo prova do direito líquido e certo do impetrante de ser enquadrado como pequeno empresário na realidade há prova de que na vigência do contrato celebrado com a Câmara Municipal do Rio Grande (documento 6 do evento 1), em setembro de 2008, a receita bruta anual da empresa superou o limite que permitiria o referido enquadramento resta julgar totalmente improcedente a demanda, cujo objeto, repitase, recaiu especificamente sobre sua reinclusão no Simples Nacional.” Com efeito, diante do quadro fático que se apresenta, entendo que o lançamento tributário é medida que se impõe. A autoridade fazendária representa a administração pública, que deve pautarse pelo princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal. Assim sendo, patente a realização do fato gerador, incide o tributo, devendo o Fisco proceder o lançamento, uma vez que se encontra subordinado, de forma completa, à lei. Destarte, como preleciona o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento possui natureza vinculada, o que significa que não cabe a autoridade Fazendária a escolha, sendo ele definido em lei. A legislação é clara no sentido que com a exclusão do Simples, a contribuinte se sujeita às normas tributárias aplicáveis às demais pessoas. Observo ainda que, em momento algum o recorrente impugnou a constituição do lançamento, limitandose a rechaçar a sua exclusão do Simples. Diante no exposto, neste ponto, não acolho a tese trazida pela recorrente. Da Compensação Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11040.720632/201366 Acórdão n.º 2803003.933 S2TE03 Fl. 407 7 Neste tópico, incorreta está a decisão a quo, visto que há súmula deste conselho para que os valores recolhidos na sistemática do Simples seja abatida do valor global.: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Assim, procedente as alegações recursais neste tópico Das Contribuições Para o Incra Muito embora a recorrida alegue que “a verba destinada ao INCRA não poderia ser instituída por via de DecretoLei, haja vista não se tratar de matéria de finanças públicas” (f. 148) não se olvida que a referida contribuição tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto.” ... “LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: (...) Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola;” Assim, verificase que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, a qual relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sôbre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA , no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos têrmos dêste DecretoLei, são devidas de acôrdo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º dêste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º dêste Decretolei. II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º dêste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sôbre a soma da fôlha mensal dos salários de Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11040.720632/201366 Acórdão n.º 2803003.933 S2TE03 Fl. 408 9 contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas.” E nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça STJ que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal – STF, verbis: “TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL INCRA ART. 6º, § 4º, DA LEI N. 2.613/55 EXIGIBILIDADE EMPRESA URBANA. 1. A contribuição destinada ao INCRA, desde sua concepção, caracterizase como contribuição especial de intervenção no domínio econômico, sendo classificada doutrinariamente como contribuição especial atípica. 2. A contribuição ao INCRA não possui referibilidade direta com o sujeito passivo, por isso se distingue das contribuições de interesse das categorias profissionais e de categorias econômicas. 3. Possível a exigência da contribuição social destinada ao INCRA das empresas urbanas. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no REsp 991214/PE. Segunda Turma. Relator Ministro Humberto Martins. DJ 16.05.2008, p. 1) Abaixo, segue ementa lavrada pelo STF no julgamento do Agravo Regimental de n ° 735.665/RS, de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa publicado no Diário da Justiça em 01 de abril de 2011: “AGRAVO REGIMENTAL. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. EMPRESA URBANA. A decisão agravada está em perfeita harmonia com o entendimento firmado por ambas as Turmas deste Tribunal, no Fl. 412DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 10 sentido de que é devida por empresa urbana a contribuição destinada ao INCRA. Agravo regimental a que se nega provimento.” Dessa forma, com base nas considerações tecidas acima, entendo que não merecem prosperar as alegações trazidas pela recorrente em suas razões. Da Utilização da Taxa Selic Por fim, entendo que a utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na súmula nº 04 deste Conselho. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na Fl. 413DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 11040.720632/201366 Acórdão n.º 2803003.933 S2TE03 Fl. 409 11 determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (g.n.) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177) E quanto às alegações de multa confiscatória, devese concluir que não possuem fundamento, pois o valor da multa não corresponde ao valor da contribuição. Tal constatação pode ser alcançada pela leitura da discriminação dos valores realizadas pelo agente fiscal no auto de infração. Assim, tendo atendido à determinação legal e não sendo equivalente à totalidade do débito, não há que se falar em caráter confiscatório da multa. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o recurso, para darlhe parcial provimento, , para que os valores referentes a CPP CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL, eventualmente recolhidos pela contribuinte na sistemática do Simples no período autuado sejam devidamente abatidas para a aferição do montante efetivamente devido pela contribuinte, desde que não tenham sido já utilizados. É como voto. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 414DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 12 Fl. 415DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/12/ 2014 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 13976.000176/2001-75
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (REsp 993.164 e REsp nº 1.035.847)
GLOSA. REVERSÃO. JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA.
Os juros calculados com base na Taxa Selic devem incidir sobre os valores dos insumos componentes da base de cálculo do crédito presumido de IPI reconhecidos em disputa no contencioso administrativo.
Numero da decisão: 3803-006.832
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de insumos adquiridos de pessoas físicas, bem como a aplicação da taxa Selic a tal parcela do crédito da recorrente, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. As compras de matériasprimas de pessoas físicas, incluemse no cálculo do beneficio, conquanto não sofram a incidência das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. FRETE NA AQUISIÇÃO DE MP, PI E EMB. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo, sob a regência da Lei nº 9.363, de 1996, as despesas com energia elétrica e industrialização por encomenda, e de igual forma as despesas com frete na aquisição desses insumos, salvo se incluídas nos respectivos preços. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (REsp 993.164 e REsp nº 1.035.847) GLOSA. REVERSÃO. JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 6. 00 01 76 /2 00 1- 75 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Os juros calculados com base na Taxa Selic devem incidir sobre os valores dos insumos componentes da base de cálculo do crédito presumido de IPI reconhecidos em disputa no contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, das aquisições de insumos adquiridos de pessoas físicas, bem como a aplicação da taxa Selic a tal parcela do crédito da recorrente, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de pedido de crédito presumido de IPI para ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins, relativo ao trimestre de 2001, formulado com amparo na Portaria MF nº 38/97, que regulamenta a Lei nº 9.363/96. Despacho Decisório da Autoridade Administrativa deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento e homologou parte das compensações declaradas. Do cálculo do crédito pleiteado foram excluídas aquisições que a fiscalização entendeu não se incluírem no conceito de matériasprimas, produtos intermediários e/ou materiais de embalagem, dado pela legislação aplicável. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Interessada alegou que, conforme legislação e julgados que cita, a inclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas devem compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI; a instrução normativa não pode limitar o que o texto legal não limita, sendo que, os combustíveis, energia elétrica, fretes e prestação de serviços de industrialização devem, também, ser incluídos no cálculo do beneficio. Em julgamento da lide, a DRJ/Ribeirão Preto consignou: a) quanto às exclusões dos valores correspondentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, que somente as aquisições de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), que tenham sofrido a incidência das contribuições para o PIS e a Cofins, podem ser incluídos no cálculo do beneficio, conforme se depreende da redação do art. 1° da Lei n° 9.363, de 1996; b) no que diz respeito à exclusão de valores relativos à compra de energia elétrica, concluiu que os gastos com energia elétrica não revestem a condição de insumos (MP Fl. 177DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13976.000176/200175 Acórdão n.º 3803006.832 S3TE03 Fl. 177 3 e PI), conceituados pela legislação do IPI, em ação direta sobre o produto em fabricação, conforme explicado nos itens anteriores; a) na mesma esteira considerou também impertinentes créditos relativos aos fretes, por não se caracterizarem como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, únicos insumos admitidos na lei. d) uma vez desprovidos os pedidos, por decorrência lógica entendeu não haver que se falar em atualização monetária, tendo acrescentado que não existe fundamento legal para qualquer atualização no ressarcimento de créditos do IPI. A decisão foi ementada como segue: AssUNTO: IMPOSTO PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CREDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E DA COFINS. As compras de produtos de pessoas físicas, ainda que para emprego na industrialização, não se incluem no cálculo do beneficio, porque não sofrem a incidência das referidas contribuições que ele visa ressarcir. INSUMOS QUE NÃO REVESTEM A CONDIÇÃO MP, PI E ME. Não se inclui, no cálculo do benefício, os gastos com energia elétrica, fretes e prestação de serviço de industrialização pois não revestem a condição de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) ou material de embalagem (ME), na definição da legislação do IPI, únicos insumos admitidos pela lei. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC E incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI Cientificada da decisão em 13 de julho de 2010, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 16 de agosto de 2010, em que reitera os mesmos argumentos manejados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Cingese a controvérsia na pretensão da Recorrente de incluir na base de cálculo do benefício o valor do frete pago na aquisição de matériasprimas, dos insumos adquiridos de pessoas físicas e das despesas com industrialização por encomenda. Consignese que a inclusão dos fatores de produção frete e despesas com industrialização por encomenda passou a ser permitida a partir da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001[1], e surgiu como regime alternativo ao da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Este instrumento legal veicula norma acerca do primeiro período a que o regime poderia ser aplicado, quarto trimestre de 2001. Vejase: Art. 1º. [...] § 4o A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: I o último trimestrecalendário de 2001, quando exercida neste ano; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. A razão não é outra senão que os novos dispositivos tratam de direito material, cuja vigência só pode ser prospectiva, não se prestando para alcançar pedidos de ressarcimento referente a período retroativo, qual o de que aqui se trata, primeiro trimestre de 2001. A consolidar este entendimento observese que o parágrafo 6º, do art. 1º, ao tratar da renúncia fiscal decorrente da nova modalidade de cálculo do benefício, então instituída, faz remissão ao período de 1o de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, verbis: Art. 1º. [...] § 6o Relativamente ao período de 1o de janeiro de 2002 a 31 de dezembro de 2004, a renúncia anual de receita, decorrente da modalidade de cálculo do ressarcimento instituída neste artigo, será apurada, pelo Poder Executivo, mediante projeção da renúncia efetiva verificada no primeiro semestre. Logo, correta a decisão recorrida, quanto a estes insumos. Quanto ao frete, é possível a sua consideração, porém, desde que integrado ao preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Não é outro o 1 Art. 1º. Alternativamente ao disposto na Lei n º 9.363, de 13 de dezembro de 1996 , a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1 . A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput : I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13976.000176/200175 Acórdão n.º 3803006.832 S3TE03 Fl. 178 5 sentido que se pode construir a partir do art. 18 do IN SRF nº 69, de 6 de agosto de 2001[2]. Fora desse alcance, não se há de dar razão à Recorrente, conforme já decidido. Quanto à possibilidade de incluir as aquisições de matériasprimas de pessoas físicas, o julgamento desta matéria nesta Corte deve reproduzir as reiteradas decisões em recursos especiais repetitivos julgados na sistemática do art. 543C, do Código de Processo Civil, tendo como paradigma o REsp nº 993.164, de relatoria do Min,. Luiz Fux, em seus termos: Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS.[g.n] Ao caso, deve ser aplicado o art. 62A do RICARF, incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Taxa Selic Quanto à atualização, pela taxa Selic, do crédito do contribuinte cujo direito é ora reconhecido, a matéria não mais comporta disputas, eis que a existência também deste direito foi declarada pela Corte Superior, em julgamento do REsp nº 1.035.847, na sistemática do art. 543C, do Código de Processo Civil, cuja ementa abaixo se transcreve, aplicandose, igualmente, o art. 62A do RICARF: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 2 Art. 18. Para efeito do cálculo do crédito presumido, o ICMS não será excluído dos custos das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem, da energia elétrica e dos combustíveis, bem assim os valores do frete e seguro, desde que cobrados ao adquirente. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. aplicação da taxa Selic a tal parcela do crédito da recorrente, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para reconhecer a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, as aquisições de insumos adquiridos de pessoas físicas, bem como a aplicação da taxa Selic a tal parcela do crédito, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 181DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/01/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/01/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 14098.000189/2008-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente.
A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado.
APLICAÇÃO DE JUROS SELIC - MULTA - PREVISÃO LEGAL.
Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
A multa aplicada encontra-se em perfeita consonância com o disposto no art. 35 da lei 8212/91.
O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Numero da decisão: 2401-003.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora e Presidente em Exercício
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do CARF: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” A multa aplicada encontrase em perfeita consonância com o disposto no art. 35 da lei 8212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 89 /2 00 8- 79 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2003 a 31/05/2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Presidente, Conselheiro Elias Sampaio Freire. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora e Presidente em Exercício Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14098.000189/200879 Acórdão n.º 2401003.757 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente AI de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 37.181.7072, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados, no período de 12/2003 a 05/2007. Conforme relatório fiscal, fl. 69 e seguintes, a fim de realizar procedimento de auditoria previdenciária na remuneração de empregados e contribuintes individuais, foram solicitados ao sujeito passivo, acima identificado, documentos relacionados a fatos geradores e informações cadastrais, financeiras e contábeis exigíveis para verificação do cumprimento de obrigações previdenciárias principais e acessórias, conforme a seguir: 4.1 Em 18/12/2007, nos termos do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal n° 09427445F00, expedido em 24/10/2007, foi dada a ciência ao sujeito passivo do início da ação fiscal, através do TIAF — Termo de Início da Ação Fiscal, enviado por via postal, conforme AR (Aviso de Recebimento) n° RA 555960540 BR. 4.2 Através do TIAF Termo de Início da Ação Fiscal, enviado por via postal, conforme AR (Aviso de Recebimento) n° RA 555960540 BR, foram solicitados documentos e informações cadastrais, financeiras e contábeis, em meio papel e em meio digital, conforme demonstrativo denominado ANEXO 1 ao Relatório Fiscal, grupo 1 (TIAF, recebido em 18/12/2007). 4.2.1 O prazo estabelecido para a apresentação dos documentos/informações solicitados no referido TIAF foi 16/01/2008, contudo a autuada deixou de apresentar todos os documentos solicitados. 4.3 Em 08/02/2008, através de TIAD Termos de Intimação para Apresentação de Documentos, o contribuinte foi cientificado de que o MPF n° 09427445F00 foi substituído pelo MPF n° 0130100200800025, que por sua vez convalidou todos os atos anteriormente praticados, bem como ,foi reintimado a apresentar os documentos e informações anteriormente solicitados átravés do TIAF, recebido em 18/12/2007. 4.3.1 O novo prazo estabelecido para apresentação dos documentos/informações, constantes do TIAD, foi 18/02/2008, contude',a autuada deixou de apresentar ou apresentou os documentos/informações solicitados de forma deficiente, conforme demonstrativo denominado ANEXO 1 ao Relatóric Fiscal, grupo 2 (TIAD, recebido em 08/02/2008). 4.4 Em 06/05/2008, por procuração, o contribuinte foi intimado a apresentar novos documentos, bem como foi reintimado a apresentar os documentos/informações constantes do TIAF (recebido em 18/12/2007) e do TIAD (recebido em 08/02/2008). Fl. 182DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 4.4.1 O prazo estabelecido para apresentação dos documentos constantes do segundo TIAD, recebido em 06/05/2008, foi 13/05/2008, contudo a autuada também deixou de apresentar ou apresentou os documentos solicitados de forma deficiente, conforme demonstrativo denominado ANEXO 1 ao Relatório Fiscal, grupo 3 (TIAD, recebido em 06/05/2008). 5. Conforme disposto no Art. 32, inciso 111, da Lei 8.212/91, e no art. 8° da Lei n° 10.666, de 08/05/2003, DOU de 09/05/2003, combinado com o art. 225, inciso 111, § 22 (acrescentado pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.2003) do Decreto n° 3.048 Regulamento de Previdência Social, de 06/05/1999, a pessoa jurídica usuária de sistema de processamento eletrônico de dados para o registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos de natureza contábil, fiscal, trabalhista e previdenciária deverá, quando intimada por auditorfiscal, deverá apresentar a documentação técnica completa e atualizada de seus sistemas, bem como os arquivos digitais contendo informações relativas aos seus negócios e atividades. Conforme demonstrativo denominado Anexo 1 ao Relatório Fiscal, grupos I, 2 e 3, e Relatórios de Resumos da Validação de Arquivos, emitido pelo SVA Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, anexos, a empresa deixou de atender a solicitação fiscal no tocante à apresentação, em meio digital, de informações relativas à contabilidade e folhas de pagamento de todos os segurados (empregados, contribuintes individuais e avulsos), em conformidade com o Manual Normativo Arquivos Digitais MANAD, atual ou em vigor à época dos fatos geradores.Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 19/02/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 20/02/2009. Não restou outra alternativa a esta Auditoria Fiscal a não ser a apuração das bases de cálculo dos tributos ora lançamento através de aferição indireta (arbitramento ), a partir de informações constantes dos bancos de dados da Receita Federal do Brasil, prestadas pela própria empresa (RAIS Relação Anual de Informações Sociais, DIRF — Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), conforme demonstrativo denominado Anexo II ao REFISC. Os levantamento foram ssim divididos: I. Levantamento AF1 (Período de lançamento: 04/2004 a 05/2007) Constituem fatos geradores para as contribuições lançadas, as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados alocados nas atividades da empresa. II. Levantamento AF2 (Período de lançamento: 09/2003 a 05/2007) Constituem fatos geradores para as contribuições lançadas, as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a título de prólabore, aos segurados contribuintes individuais. III. Levantamento DAL (Período de lançamento: 12/2003, 12/2004,01 e 02/2005 e 02/2007) Diferença de Acréscimos Legais resultantes de pagamentos de contribuições previdenciárias efetuados pelo contribuinte após o vencimento legal, sem os devidos acréscimos legais ou pagos a menor. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 06/08/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 22/08/2008. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14098.000189/200879 Acórdão n.º 2401003.757 S2C4T1 Fl. 4 5 Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 71 a 96. Anexou o recorrente cópia de diversos documentos. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 128 a 142. Transcrevo ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2007 AS REMUNERAÇÕES PAGAS AOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS POR ARBITRAMENTO. Constituemse fatos geradores das contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas, quando não declaradas nas Guias de Recolhimentos do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, mas constantes na Relação Anual de Informações Sociais RAIS e na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. PAGAMENTOS A PESSOAS FÍSICAS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS PRóLABORE. É devida contribuição a Seguridade Social pela sociedade empresária sobre a remuneração paga a título de prólabore contribuintes individuais. SAT. LANÇAMENTO DEVIDO. A contribuição a cargo da empresa é devida para o financiamento do benefício previsto nos artigos. 57 e 58 da Lei rP 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 146 a 152 . Em síntese, a recorrente repete as mesmas alegações já apresentadas em sua impugnação, quais sejam: DA SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DA EXISTÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS TRIBUTOS INDICADOS NOS LANÇAMENTOS DE DÉBITO CONFESSADOS NÚMEROS 35.012.2580 E 35.012.2598. A fiscalização baseouse nos Lançamentos de Débitos Confessados n° 35.012.2580 e 35.012.2598, todavia, esses lançamentos estão sendo impugnados por meio do recurso ao 2° Conselho de Contribuintes. Não obstante ter se demonstrado essa situação no momento da impugnação, no momento do julgamento em primeira instância foi informado que se considerou os LDC"s indicados retro sem, no entanto, se demonstrar onde se abateu os valores, Fl. 184DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 DA ILEGALIDADE DO SALÁRIO EDUCAÇÃO. • A contribuição social exigida não é válida e está em confronto com o texto constitucional. DA ILEGALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO PARA O INCRA. • A contribuição social ao INCRA é tratada como CIDE, assim, não poderia ser cobrada desde de 11/12/2001, pois afronta o artigo 149, § 2°, III, a, da Constituição Federal/88, cujo texto foi acrescentado pela EC n° 33/2001. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE DAS EMPRESAS DE MÉDIO E GRANDE PORTE. O ARTIGO 167, INCISO IV DA CF/88 — NATUREZA DE IMPOSTO PARA AS MÉDIAS E GRANDES EMPRESAS. COMPETÊNCIA RESIDUAL — ARTIGO 154, INCISO I, DA CF/88. DA NECESSIDADE DA INSTITUIÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR CONFORME ARTIGO 149 DA CF/88. DA BITRIBUTAÇÃO. • É inconstitucional a contribuição para o SEBRAE, por afronta ao artigo da Constituição Federal de 1988; • A contribuição é imposto para as médias e grandes empresas, portanto afronta o artigo 167, IV, da Constituição Federal/88; • • O artigo 154, I, e o artigo 149, da Constituição Federal/88 prevêem que a contribuição deverá ser instituída por Lei Complementar, assim, é inconstitucional a contribuição para o SEBRAE; • A contribuição para o SEBRAE incide sobre o mesmo fato gerador já instituído por outros tributos, resultando a bitributação vedada pela Constituição Federal. DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA RELATIVA AO SESC E AO SENAC. • Pelos mesmos motivos alegados para o SEBRAE, a cobrança da contribuição social para o SESC e SENAC é ilegal. DA ILEGALIDADE DE SE APLICAR A SELIC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA. • • A aplicação da taxa SELIC é ilegal, que nas execuções fiscais devese aplicar o INPCIBGE. DA ILEGALIDADE DO ÍNDICE DAS MULTAS APLICADAS. • A multa aplicada fere o princípio do não confisco. Por todo o exposto, em consonância com os fatos e direito expostos, requerse: 1) Seja dado provimento ao presente recurso a fim de que se reconheça a nulidade do auto de infração que lastra este processo. É o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14098.000189/200879 Acórdão n.º 2401003.757 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 146. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO No recurso apresentado pelo recorrente, apesar de extenso, O RECORRENTE resumiuse a atacar a não consideração de LDC realizadas anteriormente, e a ilegalidade/inconstitucionalidade do SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SEBRAESESC, SENAC, SELIC E MULTA. Notese que não houve por parte do recorrente a impugnação dos fatos geradores lançados por arbitramento face a não apresentação de documentos, mas ao somente quanto a exigência de contribuição em si. DA CONSIDERAÇÃO DOS VALORES LANÇADOS EM LDC Quanto aos parcelamento – LDC não considerados, assim, alegou o recorrente: “Não obstante ter se demonstrado essa situação no momento da impugnação, no momento do julgamento em primeira instância foi informado que se considerou os LDC"s indicados retro sem, no entanto, se demonstrar onde se abateu os valores.” Também em relação a esse ponto, já observou a autoridade julgadora, que todos os valores confessados, foram considerados no abatimento das contribuições ora lançadas.Senão vejamos: A exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por previsão do artigo 151, III, do Código Tributário Nacional — CTN. Quanto aos lançamentos de débitos confessados alegados pelo impugnante, estes foram considerados pela Auditoria Fiscal, conforme se verificam nos Relatórios de Documentos Apresentados RDA, f1s.28/34. Portanto, rejeitamse as alegações do Impugnante. Conforme descrito, no relatório RDA – Documentos apresentados são identificados todos os créditos em nome do recorrente, apurados durante o lançamento e que irão abater as contribuições lançadas no presente AI. As fls. 28 a 32, foram identificadas as LDC e da fls. 33 a 34, as GPS, por competência, razão pela qual não prosperam as alegações do recorrente. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Já nas fls. 35 e seguintes no relatório RADA, encontramse lançados por competência a a contribuição lançada em cada DEBCAD (AI), lavrados durante o procedimento e o abatimento desses valores, com aquelas créditos apurados no relatório RDA. Dessa forma, da análise dos referidos relatórios é possível identificar a apropriação de todos as LDC em nome do recorrente. DAS INCONSTITUCIONALIDADES APONTADAS No que tange a argüição de ilegaliade/inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento das contribuições destinadas a terceiros: SALÁRIO EDUCAÇÃO, INCRA, SEBRAE, SESC, SENAC, SELIC E MULTA, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade seja questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias, não há razão para a recorrente. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. QUANTO A APLICAÇÃO DOS JUROS SELIC Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14098.000189/200879 Acórdão n.º 2401003.757 S2C4T1 Fl. 6 9 Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Quanto a aplicação da taxa SELIC, dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais DA MULTA MORATÓRIA Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado Fl. 189DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 14098.000189/200879 Acórdão n.º 2401003.757 S2C4T1 Fl. 7 11 dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de Primeira Instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 190DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10882.002509/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da 3ª Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Relatório
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da 3ª Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 02 50 9/ 20 03 -1 3 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10882.002509/200313 Resolução nº 3402000.705 S3C4T2 Fl. 247 2 Relatório Tratase de Auto de Infração referente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrado em 13/06/2003, tendo a Contribuinte cientificada em 01/07/2003, com o crédito tributário no valor total de R$ 91.808,58 (noventa e um mil oitocentos e oito reais e cinquenta e oito centavos), correspondente a 1 valor principal, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora e 2 multa de ofício isolada, em razão de: a) Débitos de PIS de código 8109 dos períodos de janeiro a dezembro/98 terem sido declarados com exigibilidade suspensa por processo judicial de outro CNPJ (declaração inexata); b) Débitos de PIS de códigos 8002 e 8205 dos períodos de março/98 terem sido recolhidos em atraso, sem acréscimos moratórios. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA A Contribuinte apresentou em 31/07/2003, Manifestação de Inconformidade, à fl. 2 (numeração eletrônica) alegando, em síntese, que no tocante às competências de Janeiro a Maio de 1998 estaria decaído o direito para o lançamento, bem como que a Secretaria da Receita Federal, antes de autuála, deveria ter determinado uma diligência fiscal ou uma intimação para prestar esclarecimentos a fim de verificar qual a razão da falta de pagamento, e que, caso o procedimento adotado houvesse sido esse, poderia ter verificado que o não recolhimento justificase em virtude de liminar em Mandado de Segurança, nos autos nº 9600104450, por meio do qual possuía autorização judicial para recolher o PIS na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 7/70. A então Impugnante mencionou que a liminar foi concedida conforme o pedido inicial, estando a exigibilidade dos créditos suspensa. A sentença julgou parcialmente procedente o pedido, porém equivocouse quanto à parte não acolhida, pois foi determinado a aplicação das EC nºs 10/96 e 17/97, que são aplicáveis somente às instituições financeiras e equiparadas, o que não era o caso da Contribuinte, o qual foi discutido em sede de recurso, aguardando julgamento no TRF da 3ª Região. Requereu ao fim a impossibilidade da correção dos valores autuados pela Taxa SELIC, aduzindo que esta não foi criada por lei, ofendendo assim, o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no art. 161, §1º do CTN, sendo esse o entendimento no RE nº 215.881 do STJ. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), em 02/02/2011, proferiu acórdão de nº 0532.288, às fls. 131 (numeração eletrônica), nos seguintes termos: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10882.002509/200313 Resolução nº 3402000.705 S3C4T2 Fl. 248 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. LANÇAMENTO. DÉBITOS DE PIS FATURAMENTO. 01/98 A 05/98. DECADÊNCIA. NULIDADE. Descabe discutir o prazo para formalização da exigência, bem como aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. AUSÊNCIA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Apurada causa suficiente, hábil a dispensar a intimação do contribuinte, desnecessária é a exteriorização do procedimento fiscal por meio de prévia solicitação de esclarecimentos. AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não impede a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade antes do início do procedimento fiscal, incabível seria a explicação de multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de suspensão de exigibilidade não comprovada, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. Os juros serão equivalentes à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de alegações relacionadas a inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA DÉBITOS DECLARADOS SOB CÓDIGOS 8205 E 8002. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. Ausente motivação específica para atribuição de vencimento previsto para PISFaturamento (código 8109) a débitos declarados sob código 8205(PISRepique) e 8002 (PISDedução), não prospera a imputação de atraso no recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A DRJ considerou procedente em parte a impugnação, afastando a preliminar de decadência, sustentando que relativamente ao crédito tributário relativo aos períodos supostamente decaídos, por estarem os mesmos declarados em DCTF, seria inócua eventual declaração (de decadência), pois que o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte mediante a formalização de declaração. Em seguida, reconhecendo a existência de Fl. 248DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10882.002509/200313 Resolução nº 3402000.705 S3C4T2 Fl. 249 4 medida liminar em MS, manteve aqueles lançados a título de principal PISFaturamento (código 8109) relativos aos períodos de janeiro a maio/98 (considerando que o contribuinte apresentou desistência dos períodos subsequentes, inserindoos na Lei 11.941/2009) e afastou a multa de ofício proporcional sobre eles aplicada e a multa de ofício isolada, conforme quadro resumo em anexo ao Acórdão da DRJ, às fls. 142 (numeração eletrônica). DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 28/02/2011 (conforme AR de fls. 146), a contribuinte apresentou em 25/03/2011 a defesa que denominou Manifestação de Inconformidade, recorrendo, porém, contra o Acórdão da DRJ, fls. 149153, nos seguintes termos: Arguiu a Contribuinte, em resumo, que quanto ao “princípio da constituição e extinção do crédito tributário”, considerandose a modalidade de lançamento por homologação, no qual o prazo é de 5 anos, a contar da data do fato gerador (estabelecido pelo §4º do art. 150 do CTN), estaria o crédito tributário homologado tacitamente, uma vez que entre a declaração pelo contribuinte e a constituição do crédito tributário pelo Fisco havia decorrido mais de 5 anos (fatos geradores 01 a 12/1998, lançamento em 13/06/2003). Desta forma, como não homologado expressamente, restaram os períodos controvertidos homologados tacitamente, pelo que deveria ser reformado o Acórdão recorrido. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 245 (duzentos e quarenta e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10882.002509/200313 Resolução nº 3402000.705 S3C4T2 Fl. 250 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Quanto aos requisitos de admissibilidade do recurso, inicialmente se faz necessário consignar que o recorrente protocolou suas razões de defesa através de recurso nominado “Manifestação de Inconformidade”, atacando, entretanto, o Acórdão proferido pela DRJ de Campinas, pelo que, pelo princípio da fungibilidade, aceito a referida petição, verificando em seguida seus efetivos pressupostos. “Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/07/2004 PRELIMINAR DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO VOLUNTÁRIO Acatase como Recurso Voluntário a petição da contribuinte contendo esclarecimentos, em função do teor constante do Acórdão recorrido que só poderá ser alterado pela instância de julgamento superior, bem como em função dos princípios da fungibilidade e o da economia processual.” (ACÓRDÃO 3302001.800. CARF. 3A. SEÇÃO. 3ACAMARA/.2ATURMAORDINARIA) Em seguida, ponderando que o sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância em 28/02/2011 (conforme AR de fls. 146) e que apresentou sua defesa em 25/03/2011, considero tempestivo o recurso, para dele então tomar conhecimento apenas na parte que restou discutida no petitório, vez que houve desistência parcial do processo (relativa aos períodos não entendidos como decaídos JunDez/1998), conforme petição de fls. 88 (numeração eletrônica). Compulsandose então propriamente à questão controvertida nos autos, constato tratarse de Auto de Infração exarado na data de 13/06/2003, em face de o contribuinte ter declarado em DCTF a suspensão da exigibilidade dos débitos em face de decisão judicial, cuja vinculação, conforme próprio relatório da DRJ, “restou não comprovada”. Em 31/07/2003 a Recorrente apresentou sua impugnação ao Auto de Infração alegando a decadência dos períodos de JanMai/1998, bem como questionando a ausência de procedimento fiscalizatório por parte da Administração Tributária, a qual poderia obter do contribuinte os dados referidos ao Processo Judicial cuja vinculação não restou verificada pelo Fiscal, anexando à defesa cópias das principais peças processuais e dos extratos da referida ação, sob o intuito de comprovar a medida liminar para si favorável. Analisando a discussão sob o ponto dos motivos que levaram a Administração à lavratura do auto de infração, modalidade de lançamento vinculada, subsumida ao artigo 142 do Código Tributário Nacional, verifico que o ponto determinante para o mesmo foi o fato de não restar comprovada a referida suspensão dos débitos do contribuinte declarados em DCTF, bem como, não reconhecida pela Instância Julgadora a quo a decadência pleiteada pelo contribuinte. Assim, considerando que houve desistência parcial do lançamento pelo sujeito passivo (relativa aos períodos de 06 a 12/1998), restaram no processo apenas os valores de 04 e Fl. 250DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 10882.002509/200313 Resolução nº 3402000.705 S3C4T2 Fl. 251 6 05/1998, alegados como decaídos pelo contribuinte e rejeitados pela DRJ, pois que considerado já constituído o crédito tributário por meio da declaração. Antes ainda, de haver qualquer manifestação acerca da controvérsia, importa mencionar que a decadência ou não dos períodos exigidos através do lançamento, somente poderia ser justamente analisada por este Colegiado, acaso estivessem reunidos no processo todos os elementos hábeis a motivar e justificar uma contagem de prazo decadencial, qual seja, a própria DCTF declarada pelo contribuinte (bem como eventual complementação transmitida), e ainda, informação acerca da possível existência de pagamentos parciais realizados pelo sujeito passivo, pois que a rigor da obrigação contida no artigo 62A do RICARF, uma vez já decidido pacificamente o tema pelo STJ (que considera este fator determinante para a aplicação das regras que delimitam este instituto), será necessário adotar esta mesma posição, devendo, portanto, haver presente nos autos estes documentos/informações. Assim, da análise dos autos não foi possível identificar a DCTF do contribuinte relativa ao período autuado (1998), nem tampouco, há menção, documentos ou informações, sobre eventuais pagamentos parciais de PIS para os períodos daquele anocalendário, pelo que, o processo assim não se encontra em condições de receber um justo julgamento, merecendo o mesmo ser convertido em diligência para: a) Seja juntada a DCTF cruzada pela Fiscalização para o lançamento; b) Seja intimada a recorrente para que se manifeste sobre a existência de pagamentos parciais para os débitos autuados, bem como, apresente comprovantes, se existentes; c) Após elaboração termo de Diligência, com as conclusões decorrentes dos quesitos aqui formulados, seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 30 dias,retornando os autos a julgamento. Na esteira das considerações acima, proponho a conversão deste julgamento em diligência. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/1 1/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 19647.013800/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.488
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Participou a conselheira Mônica Elisa de Lima. Ausente justificadamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Participou a conselheira Mônica Elisa de Lima. Ausente justificadamente a conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Joel Miyazaki - Presidente. Winderley Morais Pereira - Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mônica Elisa de Lima, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes e Daniel Mariz Gudino Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 06-11 para cobrança da Contribuição para o Fl. 217DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 19647.013800/2008-89 Resolução n.º 3201-000.488 S3-C4T3 Fl. 218 2 Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativamente aos períodos supra especificados, a seguir detalhado (valores em reais): ... 2. A autoridade fiscal expõe na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 06) os elementos que justificaram os lançamentos acima: 001— FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DA COFINS INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO OU DECLARAÇÃO 3. Acompanha o mencionado auto de infração o Termo de Encerramento de fls. 12-13, constando o desenvolvimento da ação fiscal levada a efeito, notadamente para expor que o lançamento de ofício foi motivado pelas representações fiscais (MEMO n° 85, de 01/07/2008; MEMO n2 89, de 02/07/2008, MEMO n° 91, de 07/07/2008 e MEMO n° 93, de 09/07/2008) elaboradas pelo SEORT (Serviço de Orientação e Análise Tributária) da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife_ (DRF/REC) pela diferença entre os valores (débitos) informados em pedidos de compensação, constantes do processo n° 10480.005921/2003-18, cujas compensações foram consideradas indevidas e aqueles declarados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Do Termo de Informação Fiscal, também elaborado pelo SEORT, constante deste processo às fls. 18-20, é importante destacar as seguintes informações: 3.1. que os débitos da empresa Mercofricon S/A, constantes do processo nº 10480.005921/2003-18, foram transferidos para controle no processo n ª 19647.003308/2005-52; 3.2. que em 17/10/2007 a empresa retificou os débitos em análise, reduzindo consideravelmente seus valores, mas tal retificação não foi considerada, no caso de débitos vencidos há mais de cinco anos; 3.1. os débitos cujos vencimentos são posteriores ao 4º trimestre de 2002, tiveram os seus valores alterados no sistema SINCOR/PROFISC e as diferenças entre os débitos constantes nos pedidos de compensação e os declarados nas DCTF retificadoras, de 17/10/2007, deverão ser apuradas para o devido lançamento de ofício. 4. Devidamente cientificado da autuação em 23/07/2008 (fls. 09), a empresa insurge-se contra o lançamento em 14/08/2008, apresentando suas razões de defesa (fls. 53-82), por intermédio de seu procurador (instrumento às fls. 99-113 e 116), a seguir sucintamente expostas: 4.1. faz um breve resumo dos fatos, para informar que apurou corretamente a base de cálculo da COFINS do ano-calendário 2003, períodos de apuração janeiro junho, em conformidade com a legislação vigente e que os valores dos tributos devidos foram devidamente indicados em DCTF apresentadas, informando inclusive as respectivas compensações; 4.2. aduz que utilizou créditos de tributos adquiridos de terceiros, na forma autorizada por sentença judicial, para compensar débitos de Cofins informados como devidos nas DCTF apresentadas nestes períodos; 4.3. afirma que no levantamento efetuado a autoridade fiscal desconsiderou os cálculos da impugnante apresentados em DCTF, afirmando que o auditor-fiscal se equivocou e lançou a diferença entre o valor declarado em DCTF e o declarado nos pedidos de compensação, quando na realidade essa diferença se tratava de multa e juros; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 19647.013800/2008-89 Resolução n.º 3201-000.488 S3-C4T3 Fl. 219 3 4.4. aponta que a leitura do auto de infração e dos demonstrativos a ele anexados tornaram confuso o entendimento sobre os verdadeiros motivos que ensejaram a autuação, invocando o cerceamento de defesa e aduz que pretende tentar fazer a sua defesa contestando as várias hipóteses que poderiam se apresentar e que teriam ensejado interpretação equivocada; 4.5. suscita a anulação do auto de infração, tendo em vista que o processo administrativo n° 10480.005921/2003-18 cuida de pedido de restituição de tributos formulados pela empresa DGB - Distribuidora Guararapes de Bebida Ltda e no qual existem pedidos de compensação formulados por diversas empresas utilizando-se do mencionado crédito, assegurados judicialmente, daí ter o impugnante dele se utilizado; 4.6. ocorre que o mencionado processo administrativo tramitou sem qualquer comunicação às empresas interessadas, tendo havido somente comunicações formais endereçadas à DGB; 4.7.-informa que alguma das decisões no Processo n° 10480.005921/2003-18 eram danosas aos interesses das empresas que se utilizaram, legitimamente, do crédito da DGB para pagamento de seus tributos, sendo que qualquer procedimento de comunicação lhes foi feito; 4.8. cita e transcreve dispositivo de lei sobre a legitimação em processo administrativo para argumentar a existência de previsão legal para intimação dos interessados no processo n° 10480.005921/2003-18, ainda que não sejam requerentes do mesmo; 4.9. afirma que o auto de infração que ora se impugna tem origem no processo citado e, caso se constate a ocorrência de nulidade do processo originário, obviamente os atos conseqüentes serão, da mesma forma, nulos, tal como o auto de infração que se impugna; 4.10. referindo-se à falta de intimação dos interessados das decisões no processo 10480.005921/2003-18, especialmente àquela que indeferiu o pedido de restituição formulado pela DGB, discorre sobre a publicidade dos atos administrativos e os princípios da legalidade, devido processo legal, contraditório e ampla defesa e, mirando no lançamento tributário, conclui que não se pode prosseguir em exigência calcada em atos administrativos nulos de pleno direito; 4.11. discorre sobre o direito à compensação tributária como garantia individual do cidadão, alegando que devem ser devolvidos os valores que não são tributos, que forem recolhidos indevidamente ou maior que o devido, pois prevalece o interesse público na segurança da devolução, mesmo sob a forma de compensação de crédito, citando e transcrevendo os arts. 165 e 170 do CTN e o arts. 368 e 369 do Código Civil; 4.12. cita os comandos da Lei n° 8.383, de 1991, da Lei n° 9.430, de 1996, e da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, sustentando que o seu direito à compensação e líquido e certo e está devidamente assegurado por toda a legislação tributária e, especialmente, pelas sentenças judiciais que reconhecem expressamente esse direito, independente de qual tenha sido o motivo da autuação; 4.13. aponta que as bases de cálculo sobre as quais estão sendo exigidas diferenças da Cofins estão inteiramente equivocadas, porque a exigência da Cofins consubstanciada no auto de infração, ora impugnado, tem como fundamento legal a Lei n° 9.718, de 1998, diploma que alterou substancialmente a disciplina do PIS e da Cofins; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 19647.013800/2008-89 Resolução n.º 3201-000.488 S3-C4T3 Fl. 220 4 4.14. aponta que a Lei n° 9.718, de 1998, padece de inconstitucionalidades reconhecidas pelo STF (RE 357.950), afirmando que o impugnante tem recurso neste sentido, o qual terá o mesmo desfecho, não sendo prático e racional seguir-se adiante com créditos tributários já natimortos deste auto de infração; 4.15. alega que o art. 3º2 da Lei n° 9.718, de 1998, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da Cofins, previsto no art. 195 da Constituição Federal, o fez em total inobservância às normas e princípios constitucionais que regem a matéria, posto que faturamento não é receita bruta da empresa; 4.16. ao ampliar a base de cálculo do PIS e da Cofins fora dos limites da competência legal fixados no texto constitucional, em verdade, a Lei n° 9.718, de 1998, instituiu um novo tributo e, por se tratar de uma nova fonte de custeio é imprescindível a edição de lei complementar, nos termos do §4º do art. 195, combinado com o art. 154 da Constituição Federal, citando ainda o RE 346.084/PR; 4.17. conclui que a partir da Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/1998, a eventual instituição de contribuição social cuja base de cálculo seja a receita só terá fundamento de validade se for criada após 16/12/1998, o que não ocorreu com a Lei n 9 9.718, de 1998, que instituiu contribuição com base de cálculo não prevista, à época, na Constituição Federal, afirmando ainda que a alteração constitucional promovida pela EC citada não teve o condão de convalidar a Lei nº 9.718, de 1998, uma vez que ao tempo da sua edição este diploma legal estava em manifesta desconformidade com o texto constitucional então em vigor, padecendo de vício de inconstitucionalidade; 4.18. afirma que o STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei n° 9.718 nos RE 357950, 390840, 359273 e 346084, pois fixou entendimento que o dispositivo legal não dispunha de fundamento constitucional de validade quando de sua edição e que por esta razão não estava apto a produzir efeitos no ordenamento jurídico brasileiro; 4.19. menciona que o julgado administrativo-tributário deve reconhecer de ofício a inconstitucionalidade de lei já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal; 4.20. assevera que no período de julho de 2003 a maio de 2004 o contribuinte, ora impugnante, enviou DCTF à Receita Federal para informar a ocorrência do fato gerador, bem como para quantificar o valor do tributo devido, mas o pagamento só veio ocorrer a partir de dezembro de 2003, quando o autuado havia enviado pedido de compensação dos referidos tributos com crédito da DGB, objeto do processo administrativo 10480.005921/2003-18, tendo a autuada, na data do envio do pedido de compensação atualizado o valor devido, incluindo multa e juros de mora, indicando para comprovar sua tese a DCTF, pedidos de compensação, DARF e relatório do SICALC; 4.21. aduz que com o indeferimento dos pedidos de compensação a Receita Federal está entendendo que deve haver o lançamento de multa e juros de mora incidentes quando dos pedidos de compensação, acrescentando a atualização monetária, bem como a incidência de multa de ofício de 75% sobre a mencionada diferença; 4.22. aponta que o cálculo está inteiramente equivocado uma vez que a atualização do valor supostamente devido deve ocorrer com a incidência de multa de mora (20%) e juros sobre o valor principal, que é aquele constante da DCTF, porém o cálculo do auditor-fiscal Fl. 220DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 19647.013800/2008-89 Resolução n.º 3201-000.488 S3-C4T3 Fl. 221 5 responsável pela lavratura do auto levou em consideração o valor constante do pedido de compensação, o qual já continha a aplicação de multa e juros, em função de que foi formulado posteriormente ao envio da DCTF e, portanto, necessária a atualização monetária do valor quando do envio do pedido de compensação, contestando que o método utilizado pelo agente fiscalizador está havendo a cobrança de juros sobre juros e multa sobre multa, indicando um demonstrativo de cálculo; 4.26. indica que, ao se cotejar os valores da diferença do valor declarado em DCTF e do valor constante nos pedidos de compensação, os quais são exatamente os mesmos valores da Cofins (principal) lançada pelo auditor com os valores das multas de mora e juros constantes nos cálculos do SICALC e dos DARF, verifica-se que tais valores são idênticos; 4.27. ao final, requer a procedência total de sua impugnação, determinando a anulação do auto de infração e, caso não acatada esta tese, que o mesmo seja julgado improcedente." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/01/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. As diferenças apuradas nos valores escriturados e declarados devem ser lançados de ofício pela fiscalização, sendo considerados no levantamento dos créditos os recolhimentos devidamente comprovados. No lançamento de ofício é aplicada a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, incidindo também juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício. VALORES DECLARADOS EM PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E DCTF. DIFERENÇA. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Fl. 221DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 19647.013800/2008-89 Resolução n.º 3201-000.488 S3-C4T3 Fl. 222 6 Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário, afirmando que as divergências entre os valores declarados advém do fato dos valores constantes dos pedidos de compensação incluírem juros e multas. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. A discussão presente no processo trata da questão puramente fática. A Recorrente alega que a exigência da fiscalização utilizou as diferenças existentes entre os valores constantes dos pedidos de compensação e aqueles declarados em DCTF. O principio da verdade material e da ampla defesa são intrínsecos ao Processo Administrativo Fiscal e em que pese o fato, do seu informalismo contido, estes corolários não podem ser afastados, devendo pelo contrário, ser privilegiados, visto que, qualquer discussão administrativa que seja maculada, por procedimentos processuais questionáveis, pode vir no futuro a ser objeto de novas discussões, o que sem dúvida, afasta um dos grandes benefícios do processo administrativo, que busca abreviar a solução dos litígios. Diante do exposto e buscando a verdade material dos fatos, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora verifique se as diferenças apuradas pela Fiscalização entre os pedidos de compensação e aqueles declarados em DCTF correspondem a multas e juros de mora. Concluída tais verificações, deverá ser franqueado o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, devolver os autos para prosseguimento do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 222DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 03/11/ 2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10209.000724/2005-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/09/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro país, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 07 24 /2 00 5- 93 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 328 2 Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido: O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, às fls. 73/75 que transcrevo, a seguir: "Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação II acrescido de juros de mora e da multa de oficio no percentual de 75%, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 202.638,79. 2.Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa registrou a Declaração de Importação n° 00/0834765 9, em 04/09/2000, submetendo a despacho aduaneiro 2.402,392 toneladas métricas de GLP (PROPANO), mercadoria classificável no código NCM 2711.12.10 da Tarifa Externa Comum — TEC, utilizandose da redução de 80% da alíquota do Imposto de Importação prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), assinado pelo Brasil no âmbito da ALADI, instituído pelo Decreto n°3.138, de 16/08/1999. 3.Após análise dos documentos que instruíram a DI (fatura comercial, certificado de origem e conhecimento de carga), a fiscalização concluiu que em se tratando de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e uma sediada nas Ilhas Cayman, não haveria como a interessada invocar a redução tarifária prevista nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. 4.A negativa à redução tarifária nos termos do ACE 39, conforme pleiteada na citada DI, foi justificada pela fiscalização com base nos seguintes fatos e irregularidades: a) "No Certificado de Origem n°56901 (fl. 22) emitido em 07.09.2000, está declarado que as mercadorias indicadas correspondem a fatura comercial n° 1149980 emitida pela empresa PDVSA PETRÓLEO Y GAS S/A, situada na Venezuela e não apresentada no despacho. Entretanto, a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importacão foi a de n° PIFSB 1012/2000 (fl. 21),emitida em 14.11.2000 pela empresa Petrobras International Finance Company (PIFC0) situada nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI, documento que a fiscalização aduaneira utilizou para fazer as verificações e Fl. 328DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 329 3 procedimentos fiscais necessários para o desembaraço aduaneiro da mercadoria ..."; b) quanto ao "conhecimento de embarque (fls. 20), documento que assegura a propriedade da mercadoria, este foi consignado à empresa Petrobras International Finance Company (PIFCO), logo essa empresa situada nas Ilhas Cayman era a proprietária da mercadoria"; c) "a Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n° 3.325, de 30/12/1999, que trata de sua execução no seu artigo quarto, não prevê a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI na qualidade de exportador caracterizada nesta operação"; d) conquanto o artigo nono da Resolução n° 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n° 3.325, de 30.12.1999, "admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro pais, não se aplica ao caso, uma vez que não houve interveniência de um operador, nos termos da Resolução acima mencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferencias tarifárias no âmbito da ALADI"; e) "mesmo que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração ser faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato, o que não ocorreu"; f) a indicação da invoice emitida pela PDVSA PETRÓLEO Y GAS S/A em um campo da fatura emitida pela Petrobras International Finance Company (PIFCO) não supre as exigências da citada Resolução n° 252, tampouco a referencia feita à PFICO neste documento, "visto que não identifica efetivamente a operação pretendida"; g) em função do disposto no artigo 129 do Regulamento Aduaneiro de 1985, então vigente (Interpretase literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do Imposto de Importa cão), qualquer situação excepcional em matéria tributária, como a redução de imposto, só poderá ser reconhecida se expressamente prevista na legislação, se utilizada conforme estabelece a legislação, sendo que a não observância dos requisitos da lei implicará na perda da redução. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 330 4 5.Deste modo, concluiu a fiscalização que as preferências e contrapartidas econômicas, assentadas no regime de origem, contemplam exclusivamente o comércio praticado entre dois países signatários, destinandose tal regime a coibir qualquer interveniência nociva aos objetivos dos acordos pactuados entre os paísesmembros, pois conforme a legislação de vigência à época, 1 o legislador não deixou margem para a interveniência de um terceiro pais, n'os moldes da opera cão de fato ocorrida, de que resultou a importação efetuada pela fiscalizada. 6.Em função do constatado, foi lavrado o auto de infração de fls. 02/11 para cobrança da diferença do Imposto de Importação, acompanhada dos juros de mora e da multa de oficio de 75%. Da impugnação 7.Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 01/09/2005, fl. 02, a autuada apresentou impugnação, em 14/09/2005, documentos as fls.37/56, nos termos a seguir resumidos: 7.1. após traçar um histórico acerca dos fatos que permeiam à lide, a impugnante se reporta à operação comercial realizada onde explica que se trata de uma triangulação comercial, prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; 7.2. defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; 7.3. reconhece a ocorrência de equívoco no preenchimento da DI, na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, isso se referindo condição da PIFCO, onde afirma também que esta sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a revenda; 7.4. diz que a própria fiscalização reconhece que o contribuinte procedeu à importação da PDVSA (Venezuela) com transporte direto ao Brasil; 7.5. destaca ainda que a PIFCO figura como exportadora pelo fato da Receita Federal .não prever o procedimento especifico nos casos de triangulação comercial; 7.6. defende que os documentos que instruíram a DI são regulares, e estão em consonância com a Resolução n°252; 7.7. opõese a uma suposta multa regulamentar ao descumprimento dos requisitos do art. 425 do Regulamento Aduaneiro/85 inerentes a fatura comercial por entender que tal fato ocorre pela falta de previsão do procedimento de triangulação comercial; 7.8. alega que a fiscalização laborou em equivoco ao tentar interpretar o Tratado de Montevidéu e suas regras Fl. 330DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 331 5 complementares, conforme razões apresentadas as fls. 41 a 50, onde aduz que a legislação não vincula duas formas de documentos (certificado de origem e nota fiscal), mas tão somente a identidade do seu conteúdo, representado pela descrição das mercadorias e a correspondência com a mercadoria efetivamente negociada; 7.9. considera que a Resolução no 252 não definiu afigura do operador, bem como não informou como deveria ser a operação; 7.10. rebate o argumento de que a autuada não cumprira as formalidades exigidas na Resolução n°252, ressaltando a conduta formalista do autuante, dando destaque aos princípios da razoabilidade e da instrumentalidade das formas; 7.11. ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, onde aduz que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; 7.12. discorda da aplicação da multa proporcional de 75 %, tomando por base o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13, de 10/09/2002, e ainda, destaca a inaplicabilidade da taxa SELIC; 8. Ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente, protestando por todos os meios de prova em direito admitidos." O pleito foi deferido parcialmente, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/FOR nº 089.615, de 30/11/2006, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, às fls. 71/85 cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/09/2000 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, não signatário do Acordo Internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 04/09/2000 Fl. 331DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 332 6 MULTA DE OFICIO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a exigência da multa de oficio capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando a mercadoria se encontra corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários a sua identificação e enquadramento tarifário, em consonância com Ato Declaratório Interpretativo SRF n°13/2002. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA FORMAL DAS LEIS. FORO ADMINISTRATIVO. INCOMPETÊNCIA PARA ANÁLISE DO MÉRITO. 0 processo administrativo está adstrito a observação do cumprimento da legislação vigente, sendo o mesmo inaplicável a análise de questões atinentes a supostas incongruências formais existentes no texto legal ou no processo legislativo. Lançamento Procedente em Parte." 0 julgamento foi no sentido de considerar devido o Imposto de Importação no valor de R$ 78.272,16, acrescido da multa de mora no percentual de 20% e dos juros de mora, nos termos da legislação aplicável e exonerar a multa no percentual de 75%, no valor de R$ 58.704,12, tendo em vista o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 10/09/2002. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, às fls. 90/121 e documentos às fls.122/151, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Solicita que sejam observados os vários julgados no âmbito do Conselho de Contribuintes e Câmara Superior de Recursos. Através da Resolução de n° 30201534, em sessão de 10/09/2008, foi convertido o julgamento em diligencia, para que a autoridade preparadora tomasse as providências de intimar a recorrente a trazer aos autos, no prazo de 30 dias, por cópia autenticada, a invoice n° 1149980, que lastreou o Certificado de Origem à. fl. 22 deste contencioso. Após a efetivação da diligência, retornassem os autos a este Conselho. Consta nos autos a invoice referida, à fl. 170 A Julgando o feito, o Colegiado recorrido deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/09/2000 ALADI. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURAS COMERCIAIS. INTERMEDIAÇÃO. PAÍS NÃO SIGNATÁRIO. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 333 7 A rastreabilidade das operações é fundamental para que seja considerada a triangulação ocorrida PDVSA, PIFCO, PETROBRÁS e superada a questão de não haver o preenchimento das formalidades previstas para a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre certificado de origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, não signatário do acordo internacional. Após a diligência determinada, constam dos autos todas as faturas (originária e do interveniente) o BL e o Certificado de Origem, todos ligados entre si. Irresignada, a PGFN apresentou recurso especial de divergência onde discute a questão da multa de mora substitutiva da multa de ofício, e a questão da redução tarifária. O apelo fazendário foi integralmente admitido pelo então Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do Despacho de fls. 253 a 256. Contrarrazões vieram às fls. 266 a 280 (autos digital). É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. As questões trazidas a debate giram em torno da multa de mora em substituição à multa de ofício, e dos efeitos da divergência entre certificado de origem e fatura comercial, e, também, do fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro país, não signatário de Acordo Internacional. No tocante à questão da substituição da multa de ofício pela de mora, entendo que as instâncias julgadoras administrativas não têm competência para efetuar qualquer tipo de lançamento, o que pode fazer é decotálo para o adequar aos limites da legalidade. Assim, por exemplo, se a exigência continha multa qualificada, e, da análise dos autos, verificouse que a qualificadora não estava presente, o órgão julgador deve excluir a exasperação da multa e mantêla no percentual básico. Todavia, se entender que a multa de ofício não é cabível, deve, simplesmente, excluíla, sem infligir outra em substituição a que foi excluída. Isso porque, a competência para lançar, na Receita Federal do Brasil, é exclusiva de Auditores Fiscais em exercício na atividade de fiscalização, quando se tratar de auto de infração ou, no caso notificação de lançamento, do chefe da repartição fiscal da jurisdição do sujeito passivo. Em nenhuma hipótese, da autoridade julgadora. No caso sob exame, o órgão julgador de primeira instância excluiu a multa de ofício, e, não lançou a de mora em substituição à lançada pela fiscalização. Na realidade, o que Fl. 333DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 334 8 o órgão julgador de primeira instância fez foi esclarecer quais consectários legais devem incidir na execução do julgado administrativo. Tal esclarecimento, nem de longe pode ser considerado como lançamento de multa de mora, tem apenas e tãosomente, natureza opinativa, nada mais, nada menos. Do mesmo modo, também tem natureza, apenas opinativa, a manifestação do julgador a quo sobre a não incidência da multa de mora na execução da decisão definitiva destes autos. Isso porque as regras inerentes à execução dos acórdãos devem ser discutidas no seu devido tempo, não sendo producente anteciparse o debate. Essa discussão, na verdade, é mera especulação, e como tal, não merece prosperar. Na execução da decisão definitiva deste contencioso, o órgão preparador da Receita Federal do Brasil deve aplica as normas vigentes relativas aos consectários legais, assim o é, desde sempre, e com perdão do trocadilho, e sempre será. Quanto à questão das importações efetuadas ao abrigo benefício de redução tarifária entre os países membros da Aladi, para que os importadores gozem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresentase como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da Aladi, a comprovação dessa origem dáse, exclusivamente, por meio do certificado de origem. Por conseguinte, O Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta, o certificado de origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. De outro lado, a teor do artigo 1o do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 1990, com a redação dada pela Resolução 252 da ALADI, não deixa margem à dúvida de que a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria. PRIMEIRO A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá, coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro. (Destaquei). A seu turno, O Art. 7º da Resolução 78/ ALADI/ assim dispõe: Artigo 7º – Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, os países membros deverão acompanhar os documentos de exportação, no formulário – padrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem Fl. 334DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 335 9 que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar, certificada em todos os casos por uma repartição oficial ou entidade de classe com personalidade jurídica, credenciada pelo Governo do pais exportador." É de clareza meridiana que a exegese das normas internacionais insertas nos dispositivos transcritos linhas acima, é no sentido de ser indissociável a vinculação existente entre o Certificado de Origem da mercadoria e a fatura comercial correspondente. Não é por outro motivo que o formuláriopadrão, adotado para a mencionada certificação, possui campo próprio destinado à informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Por conseguinte, cada Certificado de Origem referese, exclusivamente, à mercadoria constante da fatura comercial nele indicada. Assim, não resta a menor dúvida de ser o vínculo entre Certificado de Origem e a fatura comercial o que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima o gozo do benefício tarifário quanto à mercadoria importada. Aqui, peço licença para transcrever a conclusão do ilustre relator do acórdão da DRJ, com as quais comungo. ....................................................................................................... Com efeito, a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria, objeto de tratamento tributário diferenciado por força de acordo internacional. Tanto assim, que o formuláriopadrão adotado para formalizar a mencionada certificação possui um campo próprio destinado à informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Assim, o Certificado de Origem apresentado ampara exclusivamente a quantidade de mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. 15. Cabe destacar que a finalidade única do Certificado de Origem é a de assegurar, por meio de uma declaração padrão, que as mercadorias objeto de intercâmbio, beneficiadas com os tratamentos preferenciais negociados, são efetivamente originárias e procedentes do pais declarante, e que cumprem, obrigatoriamente, com os requisitos fixados entre as partes. Com efeito, para fruição do tratamento tarifário previsto é necessário que tal declaração acompanhe a documentação de exportação, quando de sua apreciação para fins de desembaraço aduaneiro. ........................................................................................................ Fl. 335DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 336 10 Esclareçase, por oportuno, que não há contrariedade entre a posição aqui adotada e a Nota COANA/COLAD/DITEG n°. 60/1997, a que alude a autuada. Ao contrário do alegado no recurso voluntário, a nota em apreço diz expressamente que ALADI não havia regulamentado tal situação até então, porém, a manifestação Fazendária sustenta exatamente a necessidade de correlação entre a fatura comercial e o Certificado de Origem, nos termos hoje preconizados na Resolução 232 acima citada. Em outro giro, além da apresentação de Certificado de Origem e fatura comercial, em conformidade com as normas previstas no acordo internacional, a importação das mercadorias deve obedecer as demais regras determinadas nos Acordos de regência. O escopo de se condicionar a redução de tarifa às importações amparadas por certificado de origem emitido, nos termos e na forma prevista pela Aladi é para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza, poderiam, de modo ilegítimo, estender o benefício fiscal às importações de terceiros países não signatários do tratamento preferencial. Assim, à exceção de operações em que intervenha operador de terceiro país, para que haja o benefício fiscal, devese demonstrar que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, para esse fim, o Paísmembro da ALADI signatário do Acordo. Vale aqui transcrever a norma inserta no art. 4o da Resolução ALADI/CR n° 78, de 1987: QUARTO — Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do pais exportador para o pais importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta:" (grifei). a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum pais não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: I) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso, ou emprego no pais de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação." De outro lado, não se pode olvidar que, com a globalização, é cada vez mais freqüente as operações comerciais que envolvam mais de 2 países, denominadas de operações triangulares. A par dessas mudanças nas relações comerciais internacionais, o Comitê de Representantes da ALADI editou a Resolução 252, que engloba as Resoluções 227, 232 e os Acordos nº 25, 91 e 215 do Comitê de Representantes da ALADI. Predita resolução trouxe modificações que permitiram a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI, da seguinte forma: Fl. 336DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 337 11 Nono. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração sera faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino." Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre certificado de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação. Ressaltese que não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade ou não de atendimento aos requisitos previstos no acordo internacional, ao argumento de que se trata de mera formalidade. Em se tratando de redução tarifária no âmbito de acordo bilateral, as regras são rígidas e devem ser atendidas expressamente, sob pena de inviabilizar o acordo comercial e econômico entre os paísesmembros. De tudo que aqui foi exposto, podese concluir que a importação realizada pela impugnante não está amparada pelos referidos acordos internacionais, conseqüentemente, inaplicável ao caso o tratamento preferencial pretendido. Isso porque, frisese mais uma vez, tratase de operação comercial realizada entre sociedade empresária brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem Aqui, mais uma vez, reverbero as sábias palavras do relator da decisão de primeira instância, a quem rendo as merecidas homenagens, transcrevendo excerto de seu voto: 42. Constatase que as normas que dispõem sobre a certificação de origem, no âmbito na ALADI, trazem, como pressuposto mandamental, a origem da mercadoria acobertada pela fatura comercial emitida pelo pais exportador, fato este que deve estar inequivocamente demonstrado em todas as peças que instruem o despacho de importação, tendo em vista que essa documentação Fl. 337DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 338 12 materializa, enquanto elemento probatório perante o pais importador, a regularidade da utilização do beneficio pleiteado. 43. à luz da legislação de regência, nos precisos termos das normas de certificação de origem, no âmbito da ALADI, verifica se que, ainda que a empresa exportadora (situada nas Ilhas Cayman) se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução n° 252, acima citada, que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se • conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato. 44. Cumpre ainda destacar que a indicação da fatura n° 114998 0, que segundo o contribuinte foi emitida pela PDV SA Petróleo Y Gas S.A, em um campo da invoice n° PIFSB n° 1012/00, não supre as exigências acima destacadas trazidas A. colação pela Resolução n° 252, haja vista que a redução tarifária acordada há de estar incontestavelmente respaldada no documento que certifica perante o pais importador a mercadoria objeto do beneficio tarifário. Reiterese que a exigência em destaque não constitui mera formalidade, pois conforme sobejamente demonstrado, sendo o Certificado de Origem, documento imprescindível para a certificação da mercadoria pactuada, conforme estabelecido no Regime Geral de Origem, tem o escopo de assegurar perante as partes que a mercadoria negociada é efetivamente originária e procedente do pais declarante. 45. Com efeito, no caso em tela, o Certificado de Origem apresentado não atende as exigências previstas no artigo 9° da mencionada Resolução. Também não consta dos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação. Atentese que, sendo a norma tributária de natureza cogente e estabelecendo o Regime Geral de Origem as exigências para a certificação, complementadas aqui pela Resolução n° 252 do Comitê de Representantes da ALADI, não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade desta ou daquela informação, ao argumento de que se trata de mera formalidade, sob pena de atentar contra a própria literalidade da norma, haja vista que as regras que disciplinam o Regime de Origem são claras quanto à vinculação do certificado de origem à fatura comercial que ampare a mercadoria efetivamente pactuada. 46. Repisese que, para fazer jus à alíquota preferencial acordada na esfera da ALADI, a mercadoria a ser negociada deverá atender a requisitos de natureza objetiva, tais como Fl. 338DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 339 13 aqueles indicados nos artigos PRIMEIRO e QUARTO da citada Resolução 78, quais sejam, o de constituirse de produto efetivamente fabricado dentro do território de um dos países signatários, e de serem despachados diretamente do pais exportador para o importador e ainda que a origem dessa mercadoria seja formalmente atestada por um Certificado de Origem emitido pela entidade competente, de conformidade com o disposto no Capitulo II da mesma Resolução 78 e no Acordo 91, com a descrição do produto negociado e a indicação de sua classificação tarifária e da fatura emitida pelo exportador. 47. Logo, constatase que é inequívoca a impropriedade da operação realizada pela impugnante, não repercutindo na solução do litígio a argumentação trazida à colação na peça impugnatória de que tal operação teve o cunho eminentemente financeiro. Assinalese que sendo essa argumentação de cunho extra legal não tem o condão de convalidar o descumprimento das normas que tratam do regime de origem, envolvendo mercadoria objeto de acordo de redução tarifária. 48. Qualquer que seja o motivo alegado, seja para mera alavancagem financeira ou não, vale dizer, tratando se de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem, não há, como invocar a redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), conforme Decreto de execução n° 3.138, de 16/08/1999, firmado entre Brasil e os seguintes países: Colômbia, Equador, Peru, Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina), porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, cuja observância entre os paises 110 membros da ALADI se faz mister para o implemento das preferências tarifárias, a vedação da citada operação, dado o caráter cogente da norma que vincula expressamente, por meio do Certificado de Origem, a mercadoria ao emissor da fatura. Assim, não há como invocar a redução tarifária prevista no ACE 39, firmado no âmbito da ALADI, porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, a vedação pretensa redução tarifária, quando não atendidos os requisitos previstos nos Acordos de regência. Em outro giro, devese ter presente que a legislação do comércio exterior envolve uma série de controles a serem implementados pelos países participantes, sendo os ritos e formas previstos nos acordos internacionais imprescindíveis para uniformizar os procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras estabelecidas no respectivo acordo. Em razão disso, tornase bastante restrito o campo de aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. De outro lado, não se pode olvidar que, no presente caso, ainda que a empresa Petrobras International Finance Company Pifco se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução nº 252, acima citada, que o produtor ou exportador do país de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a “observações”, que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro país, Fl. 339DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000724/200593 Acórdão n.º 9303003.106 CSRFT3 Fl. 340 14 identificando além do nome, denominação ou razão social do operador, o domicílio do mesmo, ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro país, o importador deveria apresentar à administração alfandegária correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, na qual deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação.o que não ocorreu. De todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 340DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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