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Numero do processo: 10283.720182/2013-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. FORNECIMENTO DE MATERIAIS. BASE DE CÁLCULO. Integram a receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido o valor recebido em razão dos serviços prestados, aí incluída parcela classificada como fornecimento de materiais para execução de serviços de limpeza, conservação e manutenção, com vistas a reduzir a retenção de contribuições previdenciárias.
OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR SÓCIO. A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos (Súmula CARF nº 95).
Numero da decisão: 1101-001.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. FORNECIMENTO DE MATERIAIS. BASE DE CÁLCULO. Integram a receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido o valor recebido em razão dos serviços prestados, aí incluída parcela classificada como fornecimento de materiais para execução de serviços de limpeza, conservação e manutenção, com vistas a reduzir a retenção de contribuições previdenciárias. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR SÓCIO. A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos (Súmula CARF nº 95).
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. FORNECIMENTO DE MATERIAIS. BASE DE CÁLCULO. Integram a receita bruta auferida pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido o valor recebido em razão dos serviços prestados, aí incluída parcela classificada como fornecimento de materiais para execução de serviços de limpeza, conservação e manutenção, com vistas a reduzir a retenção de contribuições previdenciárias. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO POR SÓCIO. A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos (Súmula CARF nº 95). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 01 82 /2 01 3- 96 Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 3 2 . Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório CONSERGE CONSTRUÇÃO E SERVIÇOS GERAIS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 12/06/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 9.130.711,12. A autoridade lançadora constatou que, no anocalendário 2009, a contribuinte em epígrafe, optante pelo lucro presumido em regime de caixa, foi beneficiada com pagamentos promovidos pelo Governo do Estado do Amazonas, sendo que os créditos totais recebidos em contas bancárias mantidas pela fiscalizada representaram R$ 43.155.116,47. Durante o procedimento fiscal, a contribuinte informou, dentre outros aspectos, que na contratação com órgão publico ou privado, a empresa contratada arcaria com as compras de equipamentos e materiais (máquinas e equipamentos leves e pesados, fardamentos, EPI de segurança, ferramentas, combustíveis e lubrificantes, alimentação, vale transporte, etc) que seriam utilizados nas obras e depois solicitaria o reembolso. As notas fiscais emitidas englobariam os mencionados materiais e equipamentos, mas sua atividade seria puramente de prestação de serviços e não de comercialização de produtos. Já em DCTF os valores declarados teriam em conta apenas as receitas de serviços recebidas, com exclusão dos materiais fornecidos, sendo que alguns débitos não foram declarados em razão das retenções promovidas por Empresa Amazonas Energia S/A. A contribuinte também vinculou parte dos créditos bancários a transferências promovidas a título de empréstimos pelo sócio Paulo Roberto da Silva Coimbra, com vistas a suprir necessidades de caixa da empresa, nos valores de R$ 1.824.752,80 e de R$ 178.757,50, apresentando correspondentes contratos de mútuo. A autoridade lançadora classificou como receitas de serviços os valores estampados nas notas fiscais, bem como apurou que o sócio Paulo Roberto da Silva Coimbra não dispunha de recursos, informados em sua declaração de rendimentos, suficientes para os empréstimos alegados, concluindo tratarse de valores advindos de receitas omitidas. Demonstrou que as receitas omitidas representariam o total de R$ 31.143.541,11, consoante quadro a seguir reproduzido: Mês Receita Mensal Apurada Receita Mensal Declarada Receita trimestral Apurada Receita trimestral Declarada Omissão de Receita Jan 588.271,00 588.271,00 Fev 4.083.876,94 1.731.224,00 1° 1° 1° Mar 2.380.745,08 1.101.412,00 7.052.893,02 3.420.907,00 3.631.986,02 Abr 2.630.911,37 1.196.345,00 Mai 4.068.905,66 1.076.845,00 2o 2o 2o Jun 3.398.271,38 917.117,00 10.098.088,41 3.190.306,35 6.907.782,06 Jul 3.886.035,89 965.112,00 Ago 3.352.176,54 987.505,00 3o 3o 3° Set 3.872.525,04 1.072.841,00 11.110.737,47 3.025.458,64 8.085.278,83 Out 3.839.306,69 1.100.413,00 Nov 4.684.637,98 758.212,00 4o 4o 4o Dez 6.369.452,90 516.278,00 14.893.397,57 2.374.903,37 12.518.494,20 TOTAL 43.155.116,47 12.011.575,00 43.155.116„57 12.011.575,36 31.143.541,11 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 5 4 A partir de tais valores, a Fiscalização apurou os tributos devidos e recompôs a dedução de tributos retidos, inclusive identificando deduções indevidas. Determinou, assim, os valores lançados, que foram acrescidos de multa de ofício de 75%. Impugnando a exigência, a contribuinte questionou a apuração fiscal, apresentou demonstrativo das bases de cálculo que seriam corretas, defendeu que os serviços prestados abrangeriam apenas os valores referentes à locação de mãodeobra e à construção civil, aduziu que as demais parcelas não constituíram ganho econômico mas mera reposição de valores repassados a terceiros, invocou o disposto no art. 7o da Lei Complementar nº 116/2003 e no art. 43 do CTN, observou que a Fiscalização ignorou destaques presentes nas notas fiscais acerca dos repasses. Afirmou equivocados os valores exigidos, em razão de exame superficial dos fatos, restando destituídos da necessária certeza para aplicação de qualquer penalidade. Invocou o princípio da capacidade contributiva, e afirmou não observados o art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, bem como o art. 7o, §1o da Portaria RFB nº 3.014/2011. Pediu, por fim, o cancelamento da exigência, subsidiariamente requerendo diligência para apuração da correta base de cálculo e dos tributos devidos. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos invocando o disposto no art. 224 do RIR/99, e observando que a contribuinte não forneceu materiais ou equipamentos às contratantes, mas, sim, os utilizou na prestação dos serviços contratados. Consignouse, ainda, que os destaques a título de vale transporte e refeição, material utilizado ou equipamento utilizado, foram feitos para fins de identificação da base de cálculo da contribuição previdenciária à alíquota de 11 %, consoante informado nas próprias notas fiscais. Quanto aos efeitos do art. 7o da Lei Complementar nº 116/2003, observouse que embora retido ISS nas operações, sem destaque de ICMS, houve também retenção de imposto de renda sobre o valor total da nota fiscal. Acrescentouse que a dedução de custos e despesas somente teria lugar na sistemática do lucro real, e que a incidência da Contribuição ao PIS e da COFINS se verificaria na sistemática cumulativa sobre as receitas apuradas. Ao final foram afastados os alegados erros na apuração das bases de cálculo, afirmandose a regularidade das deduções admitidas pela Fiscalização, e rejeitandose o pedido de diligência porque desnecessária. Cientificada da decisão de primeira instância em 31/03/2014 (fl. 713), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 22/04/2014 (fls. 715/747). Aduz que a autoridade lançadora equivocouse ao adotar como base de cálculo dos tributos apurados os valores movimentados em contascorrentes. Na seqüência, relaciona os tributos pagos e retidos no período fiscalizado, e produz dois cálculos dos tributos devidos, o primeiro mediante confronto das receitas faturadas com as receitas declaradas (diferença de R$ 20.506.570,54 segundo o regime de competência) e o segundo mediante comparação das receitas recebidas conforme extrato bancário com as receitas declaradas (diferença de R$ 19.958.185,36 segundo o regime de caixa). Assevera, então, que a Fiscalização valeuse de parâmetro inadequado para a apuração, pois considerou como receita bruta para apuração dos tributos o total dos pagamentos realizados pela Secretaria de Fazenda do Estado do Amazonas, em razão de contratos com órgãos públicos estaduais, e tendo em conta os valores creditados em contas correntes, deixando de observar que o objeto social da recorrente é a prestação de serviços de limpeza e conservação mediante locação de mãodeobra e obras de construção civil, sendo que estas não se referem à incorporação ou construção de unidades imobiliárias. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 6 5 Reafirma que sua principal fonte de receitas decorre da contratação com órgãos públicos e defende que nos termos do art. 224 do RIR/99, sua receita bruta compreende o preço dos serviços prestados, sem alcançar as despesas de custeio dos serviços prestados, tais como vale transporte e alimentação dos trabalhadores, que são repassados diretamente aos mesmos, e nem o valor dos materiais aplicados nos serviços de construção, que são apenas repostos pelos tomadores de serviços. Complementa que tais parcelas são excluídas da receita bruta por não se constituírem em ganho econômico do contribuinte, representando despesas de custeio da prestação de serviços, objeto de reposição de valores repassados a terceiros. Invoca o disposto no art. 43 do CTN, observa que não houve acréscimo patrimonial em razão do repasse daquelas verbas, e discorda da incidência do imposto de renda e demais tributos sobre tais parcelas. Ressalta a disparidade entre os valores apurados pela Fiscalização e planilha de cálculo que diz apresentar, discorre sobre o princípio da capacidade contributiva, aduz que sua efetividade somente seria alcançada com a apuração com base no lucro real e afirma que ao incluir na receita bruta valores que não se constituem em ganho econômico atenta contra a capacidade contributiva. Defende, assim, a revisão de ofício do lançamento, para que seja apurado o correto valor devido, em nome da capacidade contributiva e da legalidade, pois não pode ser penalizado por dívidas tributárias que não existem. Na seqüência, requer a declaração de improcedência do lançamento porque o crédito tributário não possui os requisitos de liquidez e certeza que o tornam exigível e, ainda, que a atividade do Auditor Fiscal responsável não obedeceu às normas legais. Ao final, subsidiariamente pede que seja acatado o pedido de nova diligência fiscal para apuração das corretas bases de cálculo. Fl. 754DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 7 6 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como bem observado na decisão de 1a instância, os destaques apresentados nas notas fiscais de serviços acerca do fornecimento de materiais e de itens de outra natureza prestaramse, tão só, a determinar a base de cálculo da retenção de contribuições previdenciárias incidentes, apenas, sobre as parcelas representativas de cessão de mão de obra, na forma da Lei nº 8.212/91, em sua redação alterada a partir da Lei nº 9.711/98: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) §2oNa impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). §4oEnquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Ilimpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIvigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IIIempreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IVcontratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). §5oO cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a Fl. 755DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 8 7 participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Vejase, a título de exemplo, o conteúdo de notas fiscais apresentadas à Fiscalização e juntadas às fls. 176/319: Fl. 756DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 9 8 A recorrente limitase a alegar, desde o procedimento fiscal, que ao “fechar” uma licitação fica sempre estabelecido pelo Contratante seja Órgão Público e Privado, acordado que a empresa que sair vencedora na abertura dos envelopes a mesma terá que arcar com as compras de Equipamentos e Materiais que serão utilizados nas obras e depois solicitar o reembolso, tais como (Máquinas e Equipamentos Leves e Pesados, Fardamentos, EPI de segurança, Ferramentas, Combustíveis e Lubrificantes, Alimentação e Vale Transporte, etc), sendo sua atividade puramente de prestação de serviços e não de comercialização de produtos. Acrescentou que enviava juntamente com as faturas de prestação de serviços as notas de compras dos produtos, restando indicado nas notas fiscais de serviços o valor total recebido. Notese que os mencionados contratos, assim como as notas de compras de produtos que teriam sido juntadas às notas fiscais de serviços, não foram apresentados, e as notas fiscais com destaques de materiais, vale transporte, refeição e outros, expressam os seguintes serviços prestados: · Serviços de apoio às atividades comerciais prestadas às unidades consumidoras de energia elétrica atendidas pela Manaus Energia S/A (ou Amazonas Distribuidora de Energia S/A) em sua área de concessão, conforme contrato OC 14135/2008 para mão de obra de eletrotécnicos com fornecimento de veículo e equipamentos de informática ou eletricistas, auxiliares de eletricistas e auxiliar administrativo (fl. 177, 193, 205, 222, 228, 243, 254, 267, 280, 298 e 303); · Serviços de conservação e limpeza com fornecimento de mão de obra, saneantes domissanintários, materiais e equipamentos (fl. 179, 181, 196, 211, 221, 236, 244, 253, 265, 279, 300, 305 e 316); · Manutenção predial com fornecimento de mão de obra indireta nas categoriais de eletricista, pedreiro, marceneiros, soldador, pintor de parede e ajudantes; manutenção com trocas de peças nos aparelhos de ar condicionado de janela e em todas as centrais de ar refrigerados das dependências da Del. Geral, Unidades Policiais e Institutos (IML, IC, ADEPOL e DNA) conforme 3o termo aditivo ao contrato 008/006 e nota de empenho para o mês de [...] (fl. 179, 194, 210, 220, 235, 245, 255, 266, 286, 294, 310 e 315); · Serviços de conservação, limpeza, higienização, jardinagem e portaria nas dependências da Maternidade Ana Braga conforme 5o Termo Aditivo ao Contrato nº 095/2004 e Nota de Empenho para o mês de[...] (fl. 183, 202, 214, 225, 239, 248, 259, 277, 291, 292, 297, 309 e 317); · Serviços de conservação e limpeza conforme contrato 005/07 e seu segundo termo aditivo que entre si celebram o Município de Manaus através da Secretaria de Finanças Públicas – SEMEF conforme nota de empenho para o mês de [...] (fl. 185, 199 e 215); · Serviços especializados em conservação, limpeza e serviços de portaria nas dependências do Hospital Infantil Dr. Fajardo, Fl. 757DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 10 9 conforme contrato nº 017/2008 e nota de empenho para o mês de [...] (fl. 186, 198, 216, 226, 240, 250, 260, 275, 290, 299 e 314); · Serviços especializados em manutenção preventiva e corretiva na rede de baixa e alta tensão, centrais de emergência (grupos geradores), acabamento lógico, malhas de aterramento pararaios, banco de capacitores bem como manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos eletroeletrônicos pertencentes ao patrimônio da Fundação Hemoam em sua sede e anexos, conforme [...] (fl. 187, 204, 217, 224, 237, 251, 262, 278, 289 e 313); · Serviços de mão de obra indireta para execução de obras de urbanização do sistema viário da região metropolitana de Manaus conforme planilha da [...] Medição de Contrato 014/2008 e Nota de Empenho [...] para o mês de [...] (fl. 188, 191, 212 e 223); · Prestação de serviços de mão de obra nas categorias de encarregado geral, encarregado de turma, almoxarife, apontador geral, apontador de turma, bombeiro hidráulico, pedreiro e servente para atender as demandas de serviços de urbanização e conservação do sistema viário da região metropolitana de Manaus, conforme [...] medição referente ao contrato nº 001/2009 e Nota de Empenho [...] para o mês de [...] (fl. 189, 192, 213, 219, 234, 246, 256, 268, 288, 296, 307 e 318); · Serviços de Pavimentação Asfáltica de acordo com a planilha de medição conforme contrato [...] (fl. 206 e 208); · Serviços de reaterro (fl. 207, 209 e 229); · Serviços de conservação, limpeza e higienização nas dependências das escolas municipais [...] (fl. 218, 227, 238, 247, 258, 276, 281, 301, 305 e 312); · Locação de um caminhão basculante truck de placa [...] ou uma retroescavadeira com fornecimento de mão de obra para apoio às obras da região metropolitana de Manaus – AM no período de [...] (fls. 250, 252, 264, 274 e 306); · Prestação de serviços de conservação e limpeza, com fornecimento de mãodeobra de 2 (dois) trabalhadores de serviços gerais, materiais, equipamentos, ferramentas e utensílios, dos serviços de limpeza, conservação, desinfecção e higienização das dependências (área interna e externas) da sede da Secretaria da Região Metropolitana de Manaus, conforme Contrato nº 007/2009 [...] (fls. 242, 249, 261, 269, 287, 295, 308 e 319). Todas as evidências, portanto, são no sentido de que a contribuinte foi contratada para prestar serviços de limpeza, conservação e manutenção, e ocasionalmente serviços acessórios em obras públicas, inexistindo qualquer prova de que a contratante tenha se Fl. 758DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 11 10 responsabilizado pelos materiais, equipamentos, encargos de vale transporte ou refeição, dentre outros, obrigandose ao reembolso dos valores eventualmente empregados pela contratada. Somente se pode concluir, em tal contexto, que o destaque destes itens nas notas fiscais de serviços emitidas prestavase, apenas, a reduzir a retenção de contribuições previdenciárias, sem decorrer de disposição contratual específica no sentido de seu reembolso. Consoante leciona José Antonio Minatel em sua obra "Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação" (São Paulo: MP Editora, 2005, p.101), a receita corresponde ao ingresso a título definitivo no patrimônio da pessoa jurídica, em regra proveniente do esforço pelo exercício da sua específica atividade operacional, seja como contrapartida da multiplicidade de negócios jurídicos cujo objeto seja a transferência da propriedade de bens e direitos (contratos de venda de mercadorias ou prestação de serviços), seja como remuneração pelo uso de direitos cedidos onerosamente a terceiros (contratos de mútuo, de investimento, de licenciamento, de locação de bens). Portanto, receita é ingresso qualificado pela sua origem, caracterizando a entrada definitiva de recursos que, ao mesmo tempo, remunera e é proveniente do exercício da atividade empresarial. Mais à frente, ao abordar a distinção entre receitas e recuperação de custos ou despesas, o mesmo autor observa que: (Op. cit., p. 219220): Contudo, não se pode generalizar a ponto de enxergar a recuperação de custo na prática de ato típico da atividade empresarial, praticando com o objetivo de busca de resultado positivo, como, por exemplo, imaginar que possa ser tratado como mera recuperação de custo, e não como receita, o ingresso proveniente da venda de mercadorias pelo exato valor de seu custo registrado na escrituração mercantil da empresa. Ainda que economicamente seja esse seu efeito na apuração de resultado, nessas circunstâncias o ingresso decorre do exercício de atividade e corresponde à contrapartida remuneradora do negócio jurídico praticado (venda e compra), reunindo todos os predicados para que seja rotulado de receita auferida, inobstante a nãoapuração de lucratividade na operação de venda pelo exato valor de custo. Com a mesma configuração podem ser catalogadas algumas operações empresariais típicas, comumente rotuladas de "cessão de mãodeobra" no exercício de atividades ditas "terceirizadas", em que empresas especializadas na prestação de serviços de portaria, vigilância, segurança, limpeza, telemarketing e outros assemelhados pretendem considerar o valor recebido das tomadoras dos serviços, até o limite que remunera o salário e encargos sociais da mãodeobra cedida, como simples "recuperação de custo", registrando como receita o valor excedente recebido. Evidente que a operação relatada é complexa e comporta exame caso a caso, principalmente em função dos contratos firmados pelas partes. No entanto, há uma diretriz geral e irrefutável a ser considerada: só comporta tratamento de "recuperação de custo/despesa" nos contratos firmados com essa específica e expressa condição, em que a remuneração da atividade da empresa prestadora de serviços seja mensurada por critério particularizado, ainda que mediante percentual sobre a totalidade dos custos administrados , a título de taxa de administração. Esses elementos devem fluir harmoniosamente não só dos contratos, mas da dinâmica que marca o específico exercício da atividade, assim como do regime adotado para a escrituração dos respectivos eventos. Por outro lado, se há expectativa de lucratividade da empresa prestadora de serviços em cima da mãode obra cedida (risco, ou interesse), em que não se permite desvincular, nem particularizar, o critério da remuneração da sua atividade, todo o valor ingressado deve ser tratado como receita da empresa prestadora dos serviços, em que os custos Fl. 759DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 12 11 da mãodeobra concorrem como instrumentos necessários e imprescindíveis para a obtenção da receita, não tendo natureza de gastos a reembolsar. No presente caso, inferese da descrição dos serviços prestados que a contribuinte se utilizou de materiais e equipamentos para a realização dos serviços, circunstância distinta da prestação de serviços com o emprego de materiais, na qual os materiais são agregados ao bem objeto da prestação dos serviços. Neste segundo caso, a legislação autoriza a aplicação do coeficiente de 8% para presunção do lucro, dentro dos limites bem expostos na Solução de Consulta COSIT nº 55/2013, publicada em 17/01/2014 (disponível em http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/SolucoesConsultaCosit/ 2013/SCCosit552013.pdf) 5. Como se verifica, de acordo com o inciso III do § 1º do art. 15 e o art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, no lucro presumido, independentemente de ter havido emprego de material, em regra, aplicase o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta da prestação de serviços em geral. Exceção é feita, no próprio dispositivo legal, para as seguintes atividades, consideradas alheias ao presente processo, tendo em vista que não foram mencionadas pela consulente: prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da ANVISA. 6. No que tange à atividade de construção de imóveis e de execução de obras de construção civil, mencionadas pela consulente, a Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispunha pela obrigatoriedade de apuração do IRPJ com base no lucro real, nos seguintes termos: Lei nº 8.981, de 1995: Art. 36. Estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real as pessoas jurídicas: (...) IV que se dediquem à compra e à venda, ao loteamento, à incorporação ou à construção de imóveis e à execução de obras da construção civil; 7. O Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997, foi publicado em face do disposto no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, com o intuito de normatizar a aplicação de percentuais sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas dedicadas às atividades de construção por empreitada, estabelecendo que: ADN Cosit nº 6, de 1997: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, (...) declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I – na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãode obra, ou seja, sem o emprego de materiais. II – As pessoas jurídicas enquadradas no inciso I, letra “a”, deste Ato Normativo, não poderão optar pela tributação com base no lucro presumido. 8. Embora a pessoa jurídica dedicada à construção por empreitada, com fornecimento de materiais, aplicasse sobre a receita bruta da atividade, para fins de Fl. 760DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 13 12 apuração da base de cálculo do IRPJ, a ser antecipado a título de estimativa mensal, o percentual de 8% (oito por cento), segundo o disposto no inciso II do ADN Cosit nº 6, de 1997, não teria a mesma pessoa jurídica o direito a optar pela tributação com base no lucro presumido, pois a apuração pelo lucro real tornavase obrigatória em razão do inciso IV do art. 36 da Lei nº 8.981, de 1995. 9. A entrada em vigor da Lei nº 9.718, de 1998, redefiniu os critérios de obrigatoriedade de apuração do IRPJ com base no lucro real. Essa lei revogou o art. 36 da Lei nº 8.981, de 1995, e não trouxe, entre suas imposições à obrigatoriedade de apuração do IRPJ pelo lucro real, qualquer referência à atividade de construção civil, perdendo eficácia a norma interpretativa contida no inciso II do ADN Cosit nº 6, de 1997. 10. Ressaltese, além do mais, que o mencionado ADN encontrase derrogado em face da edição de atos supervenientes. O art. 1º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 539, de 25 de abril de 2005, dando nova redação ao art. 32 da IN SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, modificou, a partir de 27 de abril de 2005, o entendimento sobre a aplicação do percentual de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais. 11. Assim, ficou superado o item I do ADN Cosit nº 6, de 1997, na medida em que se restringiu a aplicação do percentual ali previsto para a determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal, no caso de empreitada com emprego de materiais, apenas à hipótese de fornecimento, pelo empreiteiro, de todos os materiais indispensáveis à execução da obra, sendo estes a ela incorporados, empreitada na modalidade total. 12. Atualmente, essa interpretação está devidamente balizada na Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, que dispõe sobre a retenção de tributos nos pagamentos efetuados pela administração pública federal. Especificamente no caso de construção por empreitada com emprego de materiais, referida norma aplicase à apuração da base de cálculo na adoção do lucro presumido, por força da disposição expressa contida no inciso II do art. 38 da IN RFB nº 1.234, de 2012, que abaixo está transcrito, juntamente com os demais dispositivos relevantes para elucidar a matéria: IN RFB nº 1.234, de 2012: Art. 1º. A retenção de tributos nos pagamentos efetuados pelos órgãos da administração pública federal direta, autarquias e fundações federais, empresas públicas, sociedades de economia mista e demais pessoas jurídicas que menciona a outras pessoas jurídicas pelo fornecimento de bens e serviços, obedecerá o disposto nesta Instrução Normativa. Art. 2º. Ficam obrigados a efetuar as retenções na fonte do Imposto sobre a Renda (IR), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os pagamentos que efetuarem às pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços em geral, inclusive obras, os seguintes órgãos e entidades da administração pública federal: (...) § 7º Para fins desta Instrução Normativa considerase: I serviços prestados com emprego de materiais, os serviços cuja prestação envolva o fornecimento pelo contratado de materiais, desde que tais materiais estejam discriminados no contrato ou em planilhas à parte integrante do contrato, e na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços; II construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 14 13 § 8º Excetuase do disposto no inciso I do § 7 º os serviços hospitalares, de que trata o art. 30, e os serviços médicos referidos no art. 31 . § 9º Para efeito do inciso II do § 7 º , não serão considerados como materiais incorporados à obra os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. (...) Art. 3º. A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor a ser pago, o percentual constante da coluna 06 do Anexo I a esta Instrução Normativa, que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do IR, determinada mediante a aplicação de 15% (quinze por cento) sobre a base de cálculo estabelecida no art. 15 da Lei n º 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. § 1 º O percentual a ser aplicado sobre o valor a ser pago corresponderá à espécie do bem fornecido ou do serviço prestado, conforme estabelecido em contrato. (...) Art. 38. As disposições constantes nesta Instrução Normativa: I alcançam somente a retenção na fonte do IR, da CSLL, da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, realizada para fins de atendimento ao estabelecido no art. 64 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 34 da Lei n º 10.833, de 2003; II não alteram a aplicação dos percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do IR a que estão sujeitas as pessoas jurídicas beneficiárias dos respectivos pagamentos, estabelecidos no art. 15 da Lei n º 9.249, de 1995, exceto quanto aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais, de que trata o inciso II do § 7 º do art. 2 º , os serviços hospitalares, de que trata o art. 30, e os serviços médicos referidos no art. 31. (...) 13. O efeito dos dispositivos legais em discussão pode ser concluído com base no entendimento firmado no Anexo I da citada IN RFB nº 1.234, de 2012, que, em relação ao IRPJ, tributo parâmetro nesta análise, assim especifica: Serviços de construção civil por empreitada com emprego de materiais: percentual de retenção do IRPJ de 1,2%, correspondente a 15% (alíquota do imposto) de 8% (percentual da base de cálculo) da receita bruta; 14. Alertese para o fato de que, nos termos do inciso II do § 7º do art. 2º da citada Instrução, considerase construção por empreitada com emprego de materiais: a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Não serão considerados como materiais incorporados à obra os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução dos trabalhos (§ 9º do art. 2º). 15. Salientese que esse entendimento estendese a CSLL, incidindo para apuração de sua base de cálculo, o percentual de 12% sobre a receita bruta, conforme previsto no art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, uma vez que se aplicam a esta contribuição as mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o IRPJ, conforme art. 6°, parágrafo único, da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 57 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996. 16. Assim, as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL serão, respectivamente, de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), nas atividades de construção civil por empreitada, na modalidade total, se, e somente se, o contrato para a realização da obra previr que a totalidade dos materiais a serem empregados e incorporados a ela sejam fornecidos pelo empreiteiro contratado. Caso o contrato não preveja o Fl. 762DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 15 14 fornecimento de materiais pelo empreiteiro, ou preveja o fornecimento parcial, as bases de cálculo das duas exações, na sistemática do lucro presumido, corresponderão a 32% (trinta e dois por cento) da receita bruta auferida com o contrato. 17. Por outro lado, no que se refere à prestação de outros serviços, como limpeza, locação de mão de obra etc., independentemente de haver fornecimento de material, aplicase sobre a receita bruta da atividade, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, no caso do lucro presumido, o percentual de 32% (trinta e dois por cento) estabelecido no inciso III, § 1º do art. 15 da Lei º 9.249, de 1995. Este é o percentual aplicado pelo anexo I da IN RFB 1234/2012, que prevê do seguinte modo: Limpeza, locação de mãodeobra, demais serviços: percentual de retenção do IRPJ de 4,8%, correspondente a 15% (alíquota do imposto) de 32% (percentual da base de cálculo) da receita bruta. 18. Em resumo, constatase que, para a determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, na forma do lucro presumido, a legislação não contempla a diferenciação de percentual sobre a receita bruta por serviços prestados, seja com emprego de materiais às expensas do contratado ou do contratante, exceto na prestação de serviços hospitalares e de assistência à saúde especificados, e sob condições determinadas, e de serviços de construção civil por empreitada, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Destaquese que a contratação com órgãos públicos para prestação de serviços de empreitada com emprego de materiais demandaria, inclusive, a especificação contratual dos materiais aplicados, com vistas a delimitar a responsabilidade do contratado. E nenhuma justificativa, neste sentido, foi apresentada pela contribuinte, devendo ser destacado que esta prova é de natureza documental, deveria ter sido apresentada em impugnação na forma do art. 16, §4o do Decreto nº 70.235/72, e assim não pode ser suprida mediante deferimento da perícia genericamente pleiteada pela recorrente, inclusive com inobservância dos requisitos fixados no inciso IV do mesmo art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Frente a tais circunstâncias, impõese concluir que todos os valores recebidos integram o preço dos serviços prestados e, assim também, a receita bruta das vendas e serviços na dicção do art. 224 do RIR/99. Por sua vez, o art. 519 do mesmo regulamento determina que o coeficiente de presunção do lucro deve ser aplicado sobre a receita bruta definida no mencionado art. 224, e estipula em seu §1o, inciso II, o percentual de 32% para presunção do lucro nas atividades de prestação de serviços em geral. Logo, a autoridade lançadora procedeu corretamente ao adotar como base de cálculo dos tributos apurados os valores movimentados em contascorrentes, mormente tendo em conta a opção da contribuinte pela tributação segundo o regime de caixa. Inexiste, assim, qualquer ofensa ao art. 43 do CTN ou ao princípio da capacidade contribuinte, mormente porque o imposto de renda, no caso presente, incide sobre apenas 32% da receita auferida, restando 68% daquele montante destinado à cobertura de custos e despesas necessários para o desenvolvimento da atividade do sujeito passivo. De outro lado, se tais custos e despesas efetivamente superaram aquele percentual, cumpriria à contribuinte ter optado pela sistemática do lucro real, para assim sujeitarse a menor carga tributária sobre sua renda, não podendo ser acolhido, agora, seu pedido de revisão de ofício do lançamento. Recordese, ainda, que o art. 24 da Lei nº 9.249/95 estabelece que verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de Fl. 763DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10283.720182/201396 Acórdão n.º 1101001.214 S1C1T1 Fl. 16 15 tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão, obrigando a Fiscalização a observar a forma de tributação escolhida pela pessoa jurídica, salvo se presente uma das hipóteses do art. 47 da Lei nº 8.981/95, determinante do arbitramento dos lucros. Ademais, a própria contribuinte reconhece parcialmente as infrações cometidas, na medida em que indica em seu recurso voluntário a existência de receitas omitidas no montante de R$ 19.958.185,36, segundo o regime de caixa. Por sua vez, nos relatórios de fls. 162/175, a autoridade lançadora agrupa mensalmente os créditos bancários que classificou como receitas de cada mês fiscalizado, evidenciando que os valores foram transferidos pelos órgãos públicos contratantes, ou então decorriam de suprimentos de numerário de sócios, acerca dos quais não foi demonstrada a origem ou efetiva entrega, subsistindo a presunção de omissão de receitas na forma da Súmula CARF nº 95 (A presunção de omissão de receitas caracterizada pelo fornecimento de recursos de caixa à sociedade por administradores, sócios de sociedades de pessoas, ou pelo administrador da companhia, somente é elidida com a demonstração cumulativa da origem e da efetividade da entrega dos recursos). Observese, ainda, que a autoridade lançadora reuniu todas as retenções sofridas pela contribuinte, bem como os pagamentos de tributos por ela promovidos, e aproveitou no lançamento os créditos não deduzidos na apuração original dos tributos incidentes sobre as receitas declaradas, inclusive constatando a dedução excessiva de algumas parcelas, que foram revertidas no presente lançamento. Por todo o exposto, não há reparos à presente exigência, razão pela qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 764DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13811.001451/2001-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO.
Os embargos de declaração devem ser acolhidos quando existe contradição entre a parte dispositiva e a ementa do acórdão, exigindo o saneamento de tal inconsistência.
IPI. CREDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA E DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. CONCILIAÇÃO ENTRE O ART. 15, II, DA LEI 9779/99 E O ART. 2º DA LEI 9363/96. RECEITA OPERACIONAL BRUTA DO PRODUTOR EXPORTADOR.
A apuração centralizada na matriz, prevista no art. 15, II, da Lei nº. 9.779/99, é uma exigência de controle fiscal que não pretendeu nem poderia acarretar a redução do coeficiente de exportação, cuja apuração permanece sob a regência do art. 2º da Lei nº 9.363/96, o qual dispõe que a receita de exportação deve ser confrontada com a receita operacional bruta do produtor exportador. Na apuração do coeficiente de exportação, o valor da receita operacional bruta operacional deve restringir-se aos mesmos estabelecimentos produtores exportadores dos quais se extraiu a receita de exportação, não se devendo incluir a receita de outros estabelecimentos que não realizam a atividade de produtor exportador.
Embargos acolhidos para alterar a parte dispositiva do acórdão.
Numero da decisão: 3403-003.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para alterar a parte dispositiva do acórdão, cuja redação passa a ser a seguinte dar provimento ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito (1) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, (2) de apurar o coeficiente de exportação considerando a receita operacional bruta apenas em relação aos estabelecimentos produtores exportadores e (3) de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, quanto ao coeficiente de exportação, mantendo-se a ementa tal como se encontra. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP nº 246.569
(assinatura digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinatura digital)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Relator
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CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração devem ser acolhidos quando existe contradição entre a parte dispositiva e a ementa do acórdão, exigindo o saneamento de tal inconsistência. IPI. CREDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA E DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. CONCILIAÇÃO ENTRE O ART. 15, II, DA LEI 9779/99 E O ART. 2º DA LEI 9363/96. RECEITA OPERACIONAL BRUTA DO PRODUTOR EXPORTADOR. A apuração centralizada na matriz, prevista no art. 15, II, da Lei nº. 9.779/99, é uma exigência de controle fiscal que não pretendeu nem poderia acarretar a redução do coeficiente de exportação, cuja apuração permanece sob a regência do art. 2º da Lei nº 9.363/96, o qual dispõe que a receita de exportação deve ser confrontada com a receita operacional bruta do produtor exportador. Na apuração do coeficiente de exportação, o valor da receita operacional bruta operacional deve restringirse aos mesmos estabelecimentos produtores exportadores dos quais se extraiu a receita de exportação, não se devendo incluir a receita de outros estabelecimentos que não realizam a atividade de produtor exportador. Embargos acolhidos para alterar a parte dispositiva do acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para alterar a parte dispositiva do acórdão, cuja redação passa a ser a seguinte “dar provimento ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito (1) de incluir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 14 51 /2 00 1- 51 Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, (2) de apurar o coeficiente de exportação considerando a receita operacional bruta apenas em relação aos estabelecimentos produtores exportadores e (3) de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, quanto ao coeficiente de exportação”, mantendose a ementa tal como se encontra. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP nº 246.569 (assinatura digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinatura digital) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1433.670, de 11 de maio de 2011 (fls. 139/146), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ) cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoa não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins não integram o cálculo do crédito presumido. Os conceitos de produção, mateŕiasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de cred́ito de IPI Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário (fls. 152/178), o contribuinte explica inicalmente que “não impugnou a glosa dos custos da energia elet́rica, dos combustíveis e de outros insumos consumidos em seu processo produtivo, mas que não mantêm contato direto com o produto final, em virtude do que restou deliberado na sessão plenária do 2° Conselho de Contribuintes, de 18.9.2007 (Súmula n. 12: "não integram a base de cálculo do crédito Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13811.001451/200151 Acórdão n.º 3403003.443 S3C4T3 Fl. 1.212 3 presumido da Lei n. 9363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário" (fl. 154) e, no mérito, sustenta o seguinte: 1. que deve haver a inclusão, na base de caĺculo do incentivo fiscal, das aquisições de não contribuintes da contribuição ao PIS/Cofins, citando precedentes administrativos e judiciais neste sentido; 2. que na apuração da receita operacional bruta, para o efeito de obtenção do coeficiente de exportação (relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta) não devem ser computados, devendo ser excluídos os valores correspondentes a receitas auferidas por estabelecimentos que não são produtores exportadores; 3. que deve ser reconhecido o direito à atualização pela Taxa Selic entre a data do pedido e o seu efetivo ressarcimento. Este Conselho, por meio do Acórdão 3403003.002, de 28 de maio de 2014, deu provimento ao recurso voluntário, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do art. 62A do Regimento Interno, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). IPI. CREDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA E DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. CONCILIAÇÃO ENTRE O ART. 15, II, DA LEI 9779/99 E O ART. 2º DA LEI 9363/96. RECEITA OPERACIONAL BRUTA DO PRODUTOR EXPORTADOR. A apuração centralizada na matriz, prevista no art. 15, II, da Lei nº. 9.779/99, é uma exigência de controle fiscal que não pretendeu nem poderia acarretar a redução do coeficiente de exportação, cuja apuração permanece sob a regência do art. 2º da Lei nº 9.363/96, o qual dispõe que a receita de exportação deve ser confrontada com a receita operacional bruta do produtor exportador. Na apuração do coeficiente de exportação, o valor da receita operacional bruta operacional deve restringir se aos mesmos estabelecimentos produtores exportadores dos quais se extraiu a receita de exportação, não se devendo incluir a receita de outros estabelecimentos que não realizam a atividade de produtor exportador. Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Por força do art. 62A do Regimento Interno, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data do seu efetivo aproveitamento (na qual se concretizar o seu pagamento, ou for usado em compensação), em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). Recurso provido. Seguiuse a interposição de Embargos de Declaração pelo Conselheiro Relator, pelos seguintes fundamentos: Senhor Presidente, depois de formalizar o Acórdão nº 3403 003.002, por meio do qual houve o julgamento do recurso voluntário interposto no Processo Administrativo em referência, identifiquei a existência de contradição entre a parte dispositiva do Acórdão e os fundamentos de mérito constantes na ementa e no voto, o que aconteceu em relação exclusivamente a um único tema, conforme passo a explicar. Na parte dispositiva, o Acórdão descreve que o provimento do recurso teria sido para “reconhecer ao contribuinte o direito (1) de que a receita de exportação de produtos classificados como NT integre tanto a receita de exportação como a receita bruta operacional, para o fim de determinação do coeficiente de exportação, (2) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, e (3) de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento” (sublinhado editado). Ocorre que a ementa e o voto não tratam da questão cujo texto encontrase grifado. A ementa, com efeito, revela que se tratou de questão jurídica diferente, conforme se destaca abaixo: Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Por força do art. 62A do Regimento Interno, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que deve ser incluída na base de cálculo do crédito presumido do IPI o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS/Cofins (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). IPI. CREDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO CENTRALIZADA E DETERMINAÇÃO DO COEFICIENTE DE EXPORTAÇÃO. CONCILIAÇÃO ENTRE O ART. 15, II, DA LEI 9779/99 E O ART. 2º Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13811.001451/200151 Acórdão n.º 3403003.443 S3C4T3 Fl. 1.213 5 DA LEI 9363/96. RECEITA OPERACIONAL BRUTA DO PRODUTOR EXPORTADOR. A apuração centralizada na matriz, prevista no art. 15, II, da Lei nº. 9.779/99, é uma exigência de controle fiscal que não pretendeu nem poderia acarretar a redução do coeficiente de exportação, cuja apuração permanece sob a regência do art. 2º da Lei nº 9.363/96, o qual dispõe que a receita de exportação deve ser confrontada com a receita operacional bruta do produtor exportador. Na apuração do coeficiente de exportação, o valor da receita operacional bruta operacional deve restringirse aos mesmos estabelecimentos produtores exportadores dos quais se extraiu a receita de exportação, não se devendo incluir a receita de outros estabelecimentos que não realizam a atividade de produtor exportador. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Por força do art. 62A do Regimento Interno, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data do seu efetivo aproveitamento (na qual se concretizar o seu pagamento, ou for usado em compensação), em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Entendimento uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010). O voto, por sua vez, é coerente com o tema tratado na ementa, mas ambos divergem do tema tratado na parte dispositiva. Embora todos se refiram à determinação do coeficiente de exportação, fica claro que: a parte dispositiva do Acórdão se refere à temática da necessidade de inclusão da mesma receita (a) tanto no valor da receita de exportação como (b) no valor da receita bruta operacional, para a determinação do coeficiente de exportação; a ementa e o voto do Acórdão se referem à temática da apuração centralizada e da necessidade de limitar a receita bruta operacional apenas aos estabelecimentos produtores exportadores, impedindo o cômputo das receitas de outros estabelecimentos que não estes últimos. Tratase, a toda evidência, de temas distintos, a sinalizar a falta de aperfeiçoamento do julgamento quanto ao tema, reclamando a interposição dos presentes embargos de declaração, com fundamento nos arts. 64 e 65, § 1º, I, do Regimento Interno, para que seja sanada a contradição. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 A contradição existente entre a parte dispositiva do Acórdão embargado e o entendimento contido na ementa do mesmo Acórdão revelam a inconsistência do julgamento em relação a um dos fundamentos de direito que foram objeto do julgamento, exigindo que sejam acolhidos os embargos de declaração para sanar tal incongruência. Notese que o Acórdão encontrase hígido e claro em relação ao direito às aquisições de nãocontribuintes de PIS/Cofins, bem como em relação ao direito de atualização pela taxa Selic, não havendo nenhuma contradição a respeito destes temas. A inconsistência do julgamento reside exclusivamente na questão jurídica a respeito da determinação do coeficiente de exportação, no que se refere à consideração apenas dos estabelecimentos exportadores na apuração da receita operacional bruta. Tal como se encontra redigido o Acórdão, não fica claro que esta Turma tenha efetivamente apreciado e deliberado a respeito deste tema e, então, definido o seu entendimento. Por esta razão, deve ser revisto o tema para que, enfim, seja sanada a inconsistência. O recorrente sustenta que na determinação do coeficiente de exportação – o qual consiste em obter a proporção entre a receita de exportação e a receita operacional bruta – não se pode admitir que sejam computados na receita operacional bruta os valores de receita de outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica que não apenas os que realizam a produção dos produtos exportados. Vale lembrar, a propósito, o texto do art. 2º, § 2º, da Lei nº 9.363/96: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. Recordese, também, que por meio da Lei nº 9.779/99 sobreveio a seguinte alteração na forma de apuração do crédito presumido: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: ...... Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13811.001451/200151 Acórdão n.º 3403003.443 S3C4T3 Fl. 1.214 7 II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; Baseada nestes dispositivos, a recorrente argumenta o seguinte: Como se pode observar, o referido dispositivo legal facultava à empresa beneficiária do crédito presumido do IPI optar por sua apuração centralizada na matriz, ou descentralizada em cada estabelecimento produtor exportador. (...) Diante daquela alteração legislativa, em tese, dependendo do critério que se adotasse para a apuração do crédito presumido, seria possível que o valor apurado pela forma centralizada se tornasse menor do que o apurado pela forma descentralizada, em decorrência da "contaminação" causada pela inclusão na receita bruta operacional das receitas auferidas por estabelecimentos não exportadores. Com efeito, considerandose a fórmula do cálculo do beneficio fiscal prevista no "caput" do art. 2° da Lei n. 9363/96, e ́ claro que o aumento da receita bruta operacional, com a adição da receita auferida por estabelecimentos que não são exportadores, implica a redução da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, o que, conseqüentemente, resulta na diminuição do crédito presumido do IPI. Em função disso, a recorrente passou a considerar, na apuração do beneficio fiscal, a somatória dos valores referentes ás aquisições de insumos, à receita operacional e receita de exportação correspondentes tão somente aos seus estabelecimentos produtores exportadores. Por outro lado, os valores correspondentes aos estabelecimentos que não são exportadores e que, portanto, não se beneficiam do cred́ito presumido de IPI, não são incluídos em seu cálculo. Tal procedimento decorre da interpretação sistemática e teleológica do inciso II do art. 15 da Lei n. 9779/99, que, em momento algum, pretendeu modificar o valor do incentivo fiscal a ser ressarcido aos produtores exportadores de mercadorias nacionais, restringindose assim o fim colimado pelo legislador, quando da edição da Lei n. 9363/96, qual seja, a desoneração da exportação de produtos nacionais do custo dos tributos incidentes na cadeia de produção. É importante ter em mente que o intérprete não deve se utilizar apenas da interpretação meramente literal dos dispositivos legais para compreender o seu verdadeiro sentido, sendo certo que a verdadeira hermenêutica consiste na utilização de todas as regras de interpretação, devendo sempre ter em vista o resultado a que conduz cada interpretação. Entendo que assiste razão ao recorrente. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Isto porque o texto do art. 2º da Lei nº 9.363/96 é categórico em referirse à “receita operacional bruta do produtor exportador”, com o que fica claro que não se deve levar em conta a receita operacional bruta de estabelecimentos outros, que não o do estabelecimento produtor exportador. O coeficiente de exportação, como se sabe, é extraído pela determinação da proporção entre a “parte” – venda para o mercado externo (receita de exportação) – e o “todo” – total das vendas para o mercador interno e externo dos produtos produzidos (receita operacional bruta). Ocorre que este confronto entre a receita operacional bruta e a receita de exportação deve estar circunscrito aos estabelecimentos que realizam a atividade de produção e exportação. Assim, em respeito ao art. 2º da Lei, para a apuração do crédito presumido de IPI, o confronto da receita de exportação deve acontecer em relação à receita operacional bruta do produtor exportador, não se devendo computar a receita de estabelecimentos que não sejam produtor exportador. A apuração centralizada na matriz, prevista no art. 15, II, da Lei nº 9.779/99, é uma exigência de controle fiscal, que não pretendeu nem poderia acarretar a redução do benefício fiscal, devendo ser harmonizada com o disposto no art. 2º da Lei nº 9.363/96, que é o dispositivo que prevê, especificamente, a forma de cálculo do crédito presumido de IPI. Assim, na apuração do coeficiente de exportação, o valor da receita de exportação deve ser confrontado apenas com o valor da receita operacional bruta operacional dos mesmos estabelecimentos produtores que realizaram exportação, não se podendo computar na receita operacional bruta a receita de outros estabelecimentos. Diante disso, voto pelo acolhimento dos embargos de declaração, apenas para que seja alterada a parte dispositiva do acórdão, cuja redação passa a ser a seguinte “dar provimento ao recurso para reconhecer ao contribuinte o direito (1) de incluir na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de pessoas físicas e cooperativas, (2) de apurar o coeficiente de exportação considerando a receita operacional bruta apenas em relação aos estabelecimentos produtores exportadores e (3) de atualização do crédito pela aplicação da taxa Selic entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e o seu efetivo aproveitamento”, mantendose a ementa tal como se encontra. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13027.000053/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO.
Constatada omissão no julgado, cabe acolher os embargos de declaração para complementá-lo.
PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, conforme previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99.
Não há violação a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela.
Inaplicável o artigo 146 do CTN por não configurar mudança de critério jurídico no exercício do lançamento.
Numero da decisão: 3101-001.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em, pelo voto de qualidade, dar provimento aos embargos de declaração para suprir a omissão e rerratificar o acórdão recorrido, sem efeitos infringentes. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Valdete Aparecida Marinheiro e Demes Brito. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. O Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira substituiu o Conselheiro José Henrique Mauri, ausente momentaneamente.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Rodrigo Mineiro Fernandes Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Luiz Feistauer (Suplente), Demes Brito(Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Interessado DRJSANTA MARIA/RS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE COMPLEMENTAR O ACÓRDÃO. Constatada omissão no julgado, cabe acolher os embargos de declaração para complementálo. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURAÇÃO. O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, conforme previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784/99. Não há violação a direitos adquiridos em tal hipótese, pois os direitos são adquiridos em face da lei, não contrariamente a ela. Inaplicável o artigo 146 do CTN por não configurar mudança de critério jurídico no exercício do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Henrique Pinheiro Torres Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 02 7. 00 00 53 /2 00 5- 97 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Luiz Roberto Domingo – Relator Rodrigo Mineiro Fernandes – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Luiz Feistauer (Suplente), Demes Brito(Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte contra Acórdão n° 3101000.851, de 10/08/2011, que, por voto de qualidade, negou provimento ao Recurso Voluntário, conforme a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. REDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EQUIPARAÇÃO À ISENÇÃO. A redução da base de cálculo do PIS e da COFINS, conferida pelo art. 1o da Lei n° 10.485/02, não pode ser considerada uma isenção, haja vista que estes dois institutos jurídicos têm assento constitucional distintos (§ 6o do art. 150 da Constituição da República de 1988). A redução da base de cálculo não está elencada no art. 17 da Lei n° 11.033/04, e portanto não pode ser alcançada pelo ar. 16 da Lei n° 11.116/05. Alega a Embargante que o Acórdão foi omisso ao deixar de apreciar as seguintes questões: 1) Considerando que o lançamento de ofício decorre da mudança de critério jurídico em relação ao despacho decisório que deferiu o ressarcimento pleiteado, aduz, em preliminar, que o ato que autorizou a revisão do ressarcimento carece de fundamentação legal; 2) Há contradição entre a classificação feita pelo Fisco de que o benefício é de natureza financeira e o procedimento de constituição de crédito tributário por meio de lançamento de ofício; 3) Impossibilidade de revisão do ato administrativo por mudança de critério jurídico uma vez que não houve ocorrência de nenhuma das hipóteses dos artigos e 149 do CTN. Vedação expressa do art. 146 4) não foi apreciada a tese alternativa de classificação da redução da base de cálculo equiparável à não incidência parcial. 5) omissão em relação aos efeitos de interpretação definitiva dada pelo STF em julgamento do pleno no RE 174.478 e descumprimento do Decreto n° 2.346/97 que determina aplicação obrigatória das decisões definitivas do STF. 6) Omissão quanto à quantificação do crédito tributário uma vez que não foram considerados na totalidade as operações de exportação; Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13027.000053/200597 Acórdão n.º 3101001.753 S3C1T1 Fl. 604 3 7) Omissão quanto ao critério no cômputo das Variações Cambiais relativas a contratos submetidos ao regime caixa, bem como apropriação das variações cambiais ativas sem considerar as variações cambiais passivas. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro LUIZ ROBERTO DOMINGO, Relator Conheço do embargos por atenderem aos requisitos de admissibilidade. Primeiramente, cabe ressaltar que as discussões empreendidas quando do julgamento do mérito, acabaram por deixar em segundo plano as análise das alegações não menos importantes trazidas pela Recorrente, mas que os Embargos de Declaração dão conta de suprir. Quanto à preliminar de ausência de fundamento jurídico do ato que autorizou a fiscalização e revisão do ressarcimento autorizado, entendo que o ato administrativo carece de validade, seja porque não contempla motivação e motivo para ser exarado, formal e materialmente. Explico. Do ponto de vista formal, todo ato administrativo deve atender aos requisitos de validade, em especial, exarado por pessoa competente e contemplando, motivo e motivação, ou seja, deve conter os fundamentos jurídicos de sua expedição e os motivos circunstanciais que levaram a autoridade a expedilo. Inexistentes esses requisitos, o ato não detém suporte bastante e suficiente em uma superficial conferência de validade. O ato administrativo sob análise tratase de autorização para reexame do ressarcimento, pelo qual o Delegado da Receita Federal em Passo Fundo exarou: De acordo. 2. Autorizo o reexame da matéria e determino a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização – MFPF, na forma solicitada. Da solicitação consta: Senhor Delegado, Em face às disposições contidas na Lei n° 11.116/2005, tornase necessário o reexame da Verificação Fiscal realizada para que seja novamente examinado se a interessada faz jus ao crédito tributário pleiteado, nas condições estabelecidas pela Lei 10.833/2003. 2. Por essa razão, solicitamos a autorização para reexaminar a legitimidade do crédito pedido neste processo, mediante a execução de procedimento fiscal definido pro Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização que deverá ser realizado pelos AuditoresFiscais da receita Federal (AFRF) Valmir Scheid e Vilson José Klock. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 Pela simples leitura do ato que foi homologado conferindo autorização para revisão do ressarcimento, não se verifica os requisitos formais mínimos para ato de revisão do ato administrativo que deferiu o ressarcimento. O ato não descreve de forma clara e objetiva os motivos e em que medida a motivação suporta a conclusão para o exercício funcional, que, digase de passagem não pode ser realizado senão conforme a lei e nos limites dela. O ato administrativo, e com mais razão o que propõe revisão dos atos da administração, não pode calarse diante de um “porque”. Deve de antemão estar lastreado em fatos, em motivos, em fundamentos legais que lhe propiciem segurança jurídica e aferição em face do sistema jurídico vigente no Estado Democrático de Direito, uma vez que a vontade da administração não é a vontade do administrador, mas sim a vontade da lei. No caso em apreço, o ato que determina a revisão do ressarcimento efetivado não responde aos requisitos mínimos de validade. Evidentemente, no curso da revisão perpetrada contra o contribuinte verificouse que a motivação da administração era apenas uma: mudança de critério jurídico na expedição do ato que deferiu o ressarcimento. Para a autoridade da repartição de origem, isso configurou erro bastante e suficiente para reverter o ressarcimento por meio de lançamento tributário agravado pelo aplicação de penalidade, correção monetária e juros embutidos na aplicação da Taxa Selic. Mas a lógica do lançamento não funciona, como veremos adiante pois a autoridade administrativa entendeu que “errou”, mas foi o contribuinte chamado a pagar a multa. Notese que a Lei n° 9.784/99, art. 53, prevê: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Ora, a hipótese de incidência prevê que “quando eivados de vício de legalidade” a administração deve anular seus próprios atos. Ocorre que o ato que defere a revisão e o ato revisor não identifica no ato revisado os elementos do vício de legalidade. Não foi apontada nenhum vício de legalidade, de modo que não é possível uma ilegalidade inominada ou genérica, pois configurase uma acusação em branco, sob pena de cerceamento do direito à ampla defesa. Não houve a exata subsunção do fato à norma, por isso indevida a revisão. A revisão dos atos da administração, não há dúvida, pode ser feita a qualquer momento, tendo como limites o lapso decadencial e as garantias constitucionais que alicerçam a segurança jurídica, e por isso mesmo consagradas pelas cláusulas pétreas contidas na Constituição Federal. O Art. 5o da Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13027.000053/200597 Acórdão n.º 3101001.753 S3C1T1 Fl. 605 5 ... XXXVI a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada A Constituição Federal ao trazer o termo “lei”, o fez de forma genérica, ou seja, nenhuma norma jurídica prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. A “lei”, portanto, congrega outras formas de normas tais como decretos, atos normativos e atos individuais e concretos, inclusive que conferem direitos às pessoas. Desta forma, a revisão, assim entendida como ato normativo individual e concreto (“lei nova”), não prejudicaria direito adquirido do contribuinte porque o mero ressarcimento não exclui a revisão e portanto não lhe confere direito adquirido. Da mesma forma não prejudica a coisa julgada por que não decorre de ato praticado no âmbito da jurisdição. O ato jurídico perfeito, assim entendido aquele praticado, publicado e acabado segundo as normas vigentes ao tempo em que foi exarado, satisfazendo todos os requisitos formais para gerar os efeitos que objetivou. Desta forma, o ato administrativo válido, que confere ressarcimento ao contribuinte, somente será passível de revisão se e quando não puder ser considerado ato jurídico perfeito. Para tanto é necessário que o ato que pretenda a revisão seja explícito em declarar os elementos jurídicos que destituem o ato administrativo de sua perfeição. Nem o ato que autoriza procedimento de revisão nem o Despacho Decisório DRF/RFO, de 10 de julho de 2006, contempla os motivos cumprem os requisitos mínimos de justificativa e fundamentação para revisão do ato jurídico perfeito. Quanto a alegada contradição entre a classificação do ressarcimento como benefício financeiro e o lançamento tributário, não procede o reclamo do contribuinte, seja porque o crédito decorre da natureza tributária da obrigação e da não cumulatividade do PIS e da COFINS, seja porque essa é a forma prevista em lei (Lei 9.430/96). Cabe ressaltar que o art. 149 do CTN prevê em números clausus as circunstâncias em que a administração pode rever de ofício o lançamento, se é que se pode atribuir ao despacho decisório as características do ato administrativo de lançamento. Mas mesmo que considerássemos possível, os casos enumerados no referido artigo devem ser tomados segundo os pressupostos gerais da administração em prestígio aos princípios constitucionais da moralidade, da impessoalidade e da segurança jurídica. De modo que não se vislumbra qualquer motivo para a administração rever a homologação / deferimento da restituição senão uma mudança de interpretação da norma jurídica que concedeu o benefício que no momento do deferimento e ressarcimento era uma e depois passou a ser outra interpretação. No caso em pauta, o despacho decisório em ressarcimento tem a mesma natureza jurídica que a resposta à Consulta da autoridade administrativa. Na consulta, a resposta favorável tem o efeito de conferir ao contribuinte um direito acerca da interpretação da legislação tributária, de modo que o contribuinte fica protegido em relação à interpretação prolatada até que a “administração altere o entendimento nela expresso”, sendo certo que a lei garante que “a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial”, não sendo possível que a administração exija do contribuinte o pagamento de tributos que deixaram de ser recolhidos por conta dos critérios jurídicos contidos na Consulta ou dos efeitos jurídicotributários que dela decorram. Nesse diapasão é que a interpretação da lei tributária explicitada no Despacho Decisório que culminou no ressarcimento, ato jurídico perfeito, não pode ser objeto de revisão operando efeitos retroativos, para rever o entendimento explicitado no ato administrativo. Em prestígio ao princípio da segurança jurídica a administração não pode frustrar o direito adquirido pelo administrado por haver no caso ato jurídico perfeito, emanado por autoridade competente que detinha a atribuição e capacidade de conferir à norma aquela interpretação. Ademais, tratase de questão análoga à coisa julgada. Digo isso porque o processo administrativo fiscal em que se dá o ressarcimento e a restituição, quando deferido são definitivas as respectivas decisões, não cabendo, aliás, recurso de ofício por parte da autoridade. Esse é o supedâneo do art. 146 do CTN e do art. 48 da Lei nº 9.430/96, cujo fundamento de direito e o valor jurídico protegido são a segurança jurídica dos atos administrativos. Cabe relembrar o art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Por conta desse entendimento, desde já, acolho os embargos em caráter infringente para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Quanto à alegada omissão em relação à tese alternativa de que a redução da base de cálculo equivale à não incidência parcial e, portanto, passível de equiparação às hipóteses do art. 17 da Lei n° 11.033/04, entendo que não houve omissão, uma vez que o Ilustre Relator Designado foi expresso ao considerar, inclusive na ementa do Acórdão Embargado que: “A redução da base de cálculo não está elencada no art. 17 da Lei n° 11.033/04, e portanto não pode ser alcançada pelo art. 16 da Lei n° 11.116/05”, motivo pelo qual rejeito os Embargos neste ponto específico. Quanto à omissão da natureza jurídica do crédito se financeiro ou tributário, a natureza jurídica da “redução da base de calculo” e em relação aos efeitos de interpretação definitiva dada pelo STF em julgamento do pleno no RE 174.478 e descumprimento do Decreto n° 2.346/97 que determina aplicação obrigatória das decisões definitivas do STF, entendo não caber razão à recorrente. O Decreto nº 2.346/97 dispõe em seu art. 1º o seguinte: Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13027.000053/200597 Acórdão n.º 3101001.753 S3C1T1 Fl. 606 7 O Supremo Tribunal Federal, em decisão unânime do Tribunal Pleno, em caráter definitivo – decisão de 2005 sem qualquer alteração – confirmou a interpretação a ser dada às reduções de base de cálculo: EMENTA: TRIBUTO. Imposto sobre Circulação de Mercadorias. ICMS. Créditos relativos à entrada de insumos usados em industrialização de produtos cujas saídas foram realizadas com redução da base de cálculo. Caso de isenção fiscal parcial. Previsão de estorno proporcional. Art. 41, inc. IV, da Lei estadual nº 6.374/89, e art. 32, inc. II, do Convênio ICMS nº 66/88. Constitucionalidade reconhecida. Segurança denegada. Improvimento ao recurso. Aplicação do art. 155, § 2º, inc. II, letra "b", da CF. Voto vencido. São constitucionais o art. 41, inc. IV, da Lei nº 6.374/89, do Estado de São Paulo, e o art. 32, incs. I e II, do Convênio ICMS nº 66/88 (RE 174478, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. CEZAR PELUSO, Tribunal Pleno, julgado em 17/03/2005, DJ 30092005 PP00005 EMENT VOL0220702 PP00243 RIP v. 7, n. 33, 2005, p. 264) Entendo ser irrelevante a natureza tributária ou financeira do crédito uma vez que qualquer que fosse sua natureza, a lei elegeu a via tributária para seu aperfeiçoamento, sendo esse o regime a ser aplicado No que trata da natureza jurídica da “redução da base de cálculo” o voto vencedor, embargado, expôs seu entendimento ao dizer que tal previsão não está açambarcada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004 o que de plano afastaria o art. 1o do Decreto 2346/97, haja vista que a decisão definitiva a ser seguida pela administração precisa ser, necessáriamente, acerca da norma jurídica de competência desse ente tributante, de modo que uma decisão sobre o conteúdo semântico da locução “redução da base de cálculo” dada em relação às normas de incidência do ICMS, a princípio, não congrega força vinculante para interpretação das normas de incidência do PIS e da COFINS por serem regimes jurídicos distintos. De modo que, nesse ponto, não assiste razão à Embargante. Quanto à omissão relativa ao erro quantificação do crédito tributário uma vez que não foram considerados na totalidade as operações de exportação, entendo que a Recorrente não logrou êxito em demonstrar os equívocos da apuração levada a efeito pelo Fisco, o que dependeria de apresentação de cálculos exatos e não apenas a relação ente dois elementos que compõe os cálculos do ressarcimento. Inobstante, improcedente a alegação de que não foi considerada informação retificadora apresentada após a atividade fiscal (10/08/2006). Neste caso específico, entendo que o valor atribuído pela fiscalização está correto, pois o valor deferido em relação às exportações foi de R$ 4186.351,16 (fls. 228 – fls. 263 digital) e não R$ 4.891.168,43, como alega a Embargante. Por fim, quanto às variações cambiais, obtida a informação direta de que o contribuinte optou pela apuração dos contratos em moeda estrangeira no regime competência, conforme as diligências realizadas (Resoluções n°s 3101000285, 3101000286, 3101000287, de 20/08/2013) nos autos dos processos administrativos fiscais n°s 13027.000046/200595, Fl. 595DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 13027.000199/200532 e 13027.000207/200541, a variação cambial deve ser considerada mensalmente e não apenas na liquidação da operação, como autoriza o art. 35 da MP 2158 35/2001 (regime caixa). As variações cambiais mensais em registros contábeis devem ser apropriados para cálculo das contribuições PIS e COFINS. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO aos Embargos de Declaração, com efeitos infringentes para anular o processo ab inicio em face da impossibilidade de retroatividade da mudança de critério jurídico. Luiz Roberto Domingo Voto Vencedor Rodrigo Mineiro Fernandes, redator designado. Inobstante os relevantes argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, ouso descordar de suas conclusões quanto à alegada falta de motivação para a revisão e a alegada mudança de critério jurídico da autoridade fiscal. O princípio da autotutela determina a anulação ou revogação dos próprios atos pela Administração Pública em casos de ilegalidade, inoportunidade e inconveniência, desde que obedecido o prazo decadencial de cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé, de acordo com o previsto nos artigos 53 e 54 da Lei n 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Esse princípio está consagrado em duas súmulas do Supremo Tribunal Federal, abaixo transcritas: Súmula 346 A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473 A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Importante destacar que a súmula 473 do STF menciona que a anulação de atos ilegais praticados pela administração pública, não gera direitos por parte do particular. O dever revisional de ato administrativo ilegal decorre, logicamente, do princípio da legalidade e da igualdade. O procedimento de revisão é a forma utilizada pela autoridade fiscal para aferição da conformação do ato às prescrições legais, na forma de controle interno, para atestar a sua adequação ao ordenamento jurídico. A doutrina não diverge desse entendimento. Para Hugo de Brito Machado, a “administração pode e deve corrigir seus atos ilegais” (MACHADO, 2009, p.85). Também o Ministro Napoleão Nunes Maia Filho defende a observância obrigatória do princípio da legalidade na revisão administrativa para a adequação dos atos viciados aos seus parâmetros normativos obrigatórios (NUNES FILHO, 1999, p.55). Para Mary Elbe Queiroz, o controle administrativo deve buscar “a perfectibilidade dos atos e das ações dos agentes públicos no tocante às exações tributárias” (QUEIROZ, 2002, p.119). Fl. 596DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 13027.000053/200597 Acórdão n.º 3101001.753 S3C1T1 Fl. 607 9 Apurada a irregularidade no deferimento do direito creditório, a autoridade fiscal não apenas pode, mas deve rever seu ato, com foi o caso apurado nos presentes autos. Defender a impossibilidade da autoridade fiscal proceder à formalização de novo ato quando constatada inexatidão ou incorreção na apuração do fato jurídico tributável, sob o argumento de proteção da segurança jurídica, ao invés de proteger o ordenamento e os direitos individuais, leva a uma desordem sistêmica, reproduzida na afronta à isonomia para aqueles contribuintes que estavam na mesma situação de fato e de direito e não tiveram o mesmo tratamento do lançamento ilegal. Também divirjo do Ilustre Conselheiro Relator quanto à impossibilidade de revisão do ato administrativo por alegada ofensa ao ato jurídico perfeito e direito adquirido pelo administrado, em prestígio ao princípio da segurança jurídica. A aplicação do princípio da proteção da confiança legítima condicionase à sua conjugação com a legalidade e com a igualdade. Nos casos de ilicitudes, a concretização da proteção da confiança no sistema tributário brasileiro deve estar prevista no Código Tributário Nacional (CTN), como exceção à regra da legalidade, e como exceção às distorções porventura existentes em relação à igualdade. Tratase de exceção que o legislador instituiu no sistema tributário nacional, e que o aplicador deverá obedecer. O CTN prestigia o princípio da proteção da confiança legítima em seus artigos 100, parágrafo único, e 146. O artigo 100 do CTN trata dos atos infralegais, complementares, regulamentares, ou interpretativos, bem como das práticas reiteradamente praticadas pela autoridade fiscal no exercício de suas funções. Seu parágrafo único impossibilita o lançamento de multas e acréscimos moratórios no caso de observância das referidas normas complementares, mesmo em caso de ilicitude. Tratase do maior exemplo de aplicação do princípio da proteção da confiança em nosso sistema tributário: se o contribuinte atendeu às normas complementares editadas pela Administração Tributária, não poderá ser penalizado pela falta de base legal das referidas normas, logicamente se agiu de boafé e sem conluio com o agente público responsável pelo ato. Notese que apenas a penalidade não será lançada, sendo perfeitamente devido o tributo porventura não recolhido, em atendimento ao princípio da legalidade. A norma aplicase a todos os contribuintes que observaram os atos complementares genéricos. Não se trata de modificações de interpretações da lei, mas de extrapolação das previsões legais na edição do ato, caracterizando ilegalidade do ato normativo complementar. O princípio da proteção da confiança será aplicado de forma conjugada com o princípio da legalidade, de forma a restaurar a situação prevista em lei, sem penalizar o contribuinte que agiu de boafé, com a exclusão das multas e juros previstas nas normas sancionatórias. A Administração Tributária agiu de forma irregular na edição do ato viciado, com excesso de poder, que não pode prevalecer por falta de competência constitucional para tanto. Sua margem de atuação encontrase delimitada pela Constituição e seus atos normativos não podem exceder a previsão legal. No caso de práticas reiteradas pelas autoridades fiscais, o direito do contribuinte não afasta o seu dever de pagar o tributo devido, visto que apenas a aplicação de penalidades e juros é excluída por esse dispositivo do CTN. A aplicação do artigo 100 do CTN não se aplica ao caso em questão pela inexistência de ato infralegal, complementar, regulamentar, ou interpretativo questionado, bem como a inexistência de práticas reiteradamente praticadas pela autoridade fiscal no exercício de suas funções. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 Enquanto o artigo 100 do CTN versa sobre uma situação de ilegalidade, o artigo 146 trata de mudanças entre interpretações, mas dentro da legalidade. O ponto fundamental para a aplicação dos dispositivos é a legalidade: enquanto a norma do artigo 100 prevê a proteção da confiança para atos ilegais, a norma do artigo 146 do CTN prevê a impossibilidade de modificação dos critérios interpretativos dentro das hipóteses legais, considerando que ambas as soluções adotadas pela autoridade fiscal são contempladas pela interpretação razoável da lei. O artigo 146 do CTN referese à irretroatividade dos efeitos de uma mudança nos critérios jurídicos adotados pela autoridade fiscal, no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, para fatos geradores posteriormente à sua introdução. Numa interpretação literal, extraise que se trata de uma regra individual, determinando a irretroatividade para um mesmo sujeito passivo objeto de ato anterior. Também que se trata de uma regra de irretroatividade aplicável apenas ao ato administrativo do lançamento tributário, para fatos geradores posteriores à mudança introduzida, inaplicável a qualquer outro ato administrativo, como as soluções de consulta. Também não é aplicável o artigo 146 do CTN ao caso em discussão nos presentes autos, visto que não ficou configurada a mudança de critério jurídico no exercício do lançamento. Diante do exposto, voto por dar provimento aos embargos de declaração para suprir a omissão e rerratificar o acórdão recorrido, sem efeitos infringentes. Rodrigo Mineiro Fernandes [assinado digitalmente] Fl. 598DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 09/12 /2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, As sinado digitalmente em 20/11/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 10480.902204/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1999 a 30/04/1999 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 22 04 /2 00 8- 41 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa transcrita abaixo: COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. A compensação, nos termos em que definida pelo artigo 170 do CTN só poderá ser homologada se o crédito do contribuinte em relação à Fazenda Pública estiver revestido dos atributos de liquidez e certeza. E o artigo 170A do mesmo diploma legal veda a compensação mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 5 4 Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.902204/200841 Acórdão n.º 3801004.647 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13603.903321/2012-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/2007
PRAZO. DOMICILIO ELETRÔNICO. DUPLICIDADE DE NOTIFICAÇÃO. TERMO DE ABERTURA E TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO.
Havendo duplicidade de notificação do acórdão da DRJ, emitindo-se Termo de ciência por Decurso de Prazo mesmo depois da expedição de Termo de Abertura, deve prevalecer a forma de contagem que assegure a ampla defesa do contribuinte. Além disso, até o advento da Lei nº 12.844/2013 (DOU de 19/07/2013) a ciência por via eletrônica apenas acontece validamente por decurso de prazo, devendo prevalecer em relação ao termo de abertura (PA nº13864.720116/2012-92) .
RETIFICAÇÃO DE DCTF. PRAZO. MOMENTO. EFEITOS.
Depois de proferida a decisão que nega em todo ou em parte a homologação da Declaração de Compensação (DCOMP), a posterior retificação da DCTF, bem como do Dacon, DIPJ ou de qualquer outra declaração não tem qualquer efeito em relação à decisão já proferida, a qual apenas pode ser reformada por meio da inter
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO - DDE. PROVA DO INDÉBITO.
Entende este Conselho que depois de negada a homologação por meio de DDE, cumpre ao contribuinte, no âmbito do contencioso administrativo, demonstrar o indébito, carreando todas as provas necessárias para tanto, não surtindo qualquer efeito a tão-só retificação da DCTF ou do DACON. Isto de tal modo que, se o contribuinte não comprova o indébito, mantém-se a decisão pela não-homologação da compensação. Ressalva do entendimento pessoal do Relator.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3403-003.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Bárbara Cristina Romani Silva, OAB/DF 43.792.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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DOMICILIO ELETRÔNICO. DUPLICIDADE DE NOTIFICAÇÃO. TERMO DE ABERTURA E TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO. Havendo duplicidade de notificação do acórdão da DRJ, emitindose Termo de ciência por Decurso de Prazo mesmo depois da expedição de Termo de Abertura, deve prevalecer a forma de contagem que assegure a ampla defesa do contribuinte. Além disso, até o advento da Lei nº 12.844/2013 (DOU de 19/07/2013) a ciência por via eletrônica apenas acontece validamente por decurso de prazo, devendo prevalecer em relação ao termo de abertura (PA nº13864.720116/201292) . RETIFICAÇÃO DE DCTF. PRAZO. MOMENTO. EFEITOS. Depois de proferida a decisão que nega em todo ou em parte a homologação da Declaração de Compensação (DCOMP), a posterior retificação da DCTF, bem como do Dacon, DIPJ ou de qualquer outra declaração não tem qualquer efeito em relação à decisão já proferida, a qual apenas pode ser reformada por meio da inter COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO DDE. PROVA DO INDÉBITO. Entende este Conselho que depois de negada a homologação por meio de DDE, cumpre ao contribuinte, no âmbito do contencioso administrativo, demonstrar o indébito, carreando todas as provas necessárias para tanto, não surtindo qualquer efeito a tãosó retificação da DCTF ou do DACON. Isto de tal modo que, se o contribuinte não comprova o indébito, mantémse a decisão pela nãohomologação da compensação. Ressalva do entendimento pessoal do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 33 21 /2 01 2- 62 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Sustentou pela recorrente a Dra. Bárbara Cristina Romani Silva, OAB/DF 43.792. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual o contribuinte apresenta como crédito valor de recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação ao fato gerador de abril de 2007. A Delegacia da Receita Federal de Belo Horizonte/MG (DRF), por meio de Despacho Decisório Eletrônico – DDE (fl. 11), indeferiu o pedido de compensação pelo fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 25/32) sustentando, em síntese, o seguinte: Ressaltese que a declaração do débito de COFINS não cumulativa referente à competência de abril de 2007, bem como a sua forma de quitação, estão devidamente demonstrados na DCTF retificadora anexa. Ainda que. por meta hipótese, se entenda que as informações prestadas na DCTF retificadora não seriam suficientes á comprovação da existência do crédito, a Requerente junta documentos que comprovam a correta apuração do débito de COFINS nao cumulativa na competência de abril de 2007. Com a impugnação junta cópia da DCTFretificadora e do DACON retificador transmitidos pela contribuinte depois da notificação do DDE e uma planilha intitulada Apuração de PIS e Cofins. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 0244.009, de 22 de abril de 2013 (fls. 113/120), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13603.903321/201262 Acórdão n.º 3403003.370 S3C4T3 Fl. 145 3 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/04/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A compensação demanda a existência de créditos líquidos e certos da contribuinte contra a Fazenda Pública. A mera redução do valor do débito anteriormente confessado não basta para justificar a reforma da decisão contestada, fazendose mister a prova de que houve erro no preenchimento da declaração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 125/137), por meio do qual reiterou os fundamentos da manifestação de inconformidade, reafirmando que o valor correto da base de cálculo da contribuição é a que consta no DCTF e no DACON retificados, acrescentando que: Por meio do documento anexo (doe. 1). que reflete os seus lançamentos contábeis, verificase que em março de 2007. a Requerente adquiriu materiais de embalagens, os quais foram contabilizados em abril/2007. De fato, ao rever a sua apuração, a Recorrente verificou que não havia considerado para apuração da COFINS não cumulativa daquele mês, os créditos decorrentes da aquisição de materiais de embalagem exatamente no valor do saldo credor pleiteado nesses autos, de R$12.084.18 Cumpre esclarecer que o restante do saído credor apurado em razão do pagamento indevido ou a maior da COFINS na competência de abril/2007, no valor de R$13.655,77. decorre do fato de que a Recorrente havia considerado, equivocadamente, como receita de serviços, valores referentes ao repasse de despesas (taxa de administração de Sociedade em Conta de Participação) da própria Recorrente, sócia ostensiva, para os sócios ocultos, o que gerou a redução da base de cálculo da contribuição devida sobre a venda de bens e serviços, no montante de R$179.680.79, como afirmado pelo d. acórdão recorrido à fl. 117. O contribuinte também se insurge contra o entendimento manifestado pela DRJ no sentido de que a retificação das declarações não seria válidas porque realizadas fora do prazo. Sustenta o contribuinte que o prazo para a retificação começa no 1º dia do exercício seguinte àquele em poderia ser exigido o tributo objeto da declaração, de maneira que seriam válidas as retificações que realizou. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado em 17/06/2013 (fl. 125). A ciência do acórdão da DRJ aconteceu pelo acesso do contribuinte ao sítio da RFB, conforme certificado em Termo de Abertura de Documento (fl. 122), em 03/05/2013. Ocorreu, no entanto, que na mesma data houve a expedição de Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fl. 123) pelo sistema informatizado, certificando que “foi dada ciência ao contribuinte” em relação ao mesmo Acórdão da DRJ, estabelecendo como data de disponibilização dia 03/05/2013, relacionados dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, ocorrido em 18/05/2013 (fl. 123). Diante desta confusão de datas, causada pelo próprio sistema, entendo que se deve conceder ao contribuinte a interpretação que lhe assegura o direito de defesa, promovendo a contagem a partir da data certificada pelo Termo de Ciência expedido pela Administração. Além disso, antes do advento da Lei nº 12.844/2013 a ciência por via eletrônica só ocorria por decurso de prazo, tendo sido esta Lei publicada no DOU de 19/07/2013 (PA nº13864.720116/201292) . Considerando a data do Termo de Ciência por Decurso de Prazo, é tempestivo o recurso. No mérito, deve prevalecer o entendimento que vem sendo reiterado pela maioria desta Turma, e do qual serve de exemplo o Acórdão 3403002.722 (PA 10880.934550/200966), no qual prevaleceu o entendimento do Conselheiro Rosaldo Trevisan, cujo cerne transcrevo abaixo: Nos casos de despachos decisórios eletrônicos, acordase com o relator que a questão da dificuldade (ou até, em alguns casos, impossibilidade) de defesa assume protagonismo. Já tivemos a oportunidade de externar em diversos votos (acolhidos unanimemente pela turma) que: “No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte (...) Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema Fl. 147DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13603.903321/201262 Acórdão n.º 3403003.370 S3C4T3 Fl. 146 5 informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. E, tendo em conta que o ônus probatório é do postulante do crédito, cabível a negativa do direito à compensação.” (Acórdão no 3403002.655, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 28.nov.2013) (No mesmo sentido, v.g., os Acórdãos no 3403002.579 e no 3403002.653). Assim, não é todo despacho decisório eletrônico que impossibilita a defesa do interessado. Quando a impossibilita, esta turma recorrentemente acorda pelo cancelamento (v.g. Acórdãos no 3403002.258 e no 3403002.729). E naqueles que a dificultam (sem impossibilitála), esta turma tem majoritariamente admitido, em nome da verdade material, a Fl. 148DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 apreciação de documentos/elementos apresentados em sede de recurso voluntário (v.g. Resolução no 3403000.518). As considerações expostas buscam sempre a evidenciação das peculiaridades do caso concreto, sem generalizações. Assim, discordase da afirmação contida no voto vendido de que: “deve ser anulado o DDE que, sem qualquer procedimento prévio de fiscalização, recusa sumariamente a compensação com fundamento exclusivamente em que o valor do tributo informado na DCTF é o mesmo do valor do DARF.” Os despachos decisórios eletrônicos, como exposto, apenas diferem dos demais pelo fato de serem expedidos por máquinas, a partir de tratamento massivo de informações, como instrumento derivado da (e necessário diante dos desafios da) modernidade. Fosse necessária uma fiscalização individualizada por seres humanos, perderia toda a razão de ser o despacho eletrônico. E os inúmeros benefícios do tratamento eletrônico massivo de informações (visíveis na esmagadora maioria dos processos) não podem ser mitigados pela existência de eventuais situações em que reste dificultada ou prejudicada a defesa. Como exposto anteriormente, se inviabilizada a defesa, simples é a solução: cancelamento do despacho. E se dificultada for, incumbe ao julgador sopesar o fato na apreciação das provas. No presente processo, percebese, pela manifestação de inconformidade, que a empresa compreende a motivação da autuação, e informa cometeu erro no preenchimento da DCTF, que foi retificada posteriormente ao despacho decisório. Contudo, não ampara a retificação em nenhum documento fiscal ou contábil: somente apresenta a DCTF original e a retificada. E, em sede de recurso voluntário, agregam somente planilhas e cópias parciais de documentos, que continuam a não alicerçar o direito creditório, nem semeiam dúvida no julgador a demandar diligência (que não se presta a suprir deficiência probatória, seja da postulante ou do fisco). Estáse, assim, diante de carência probatória exatamente da parte que tem o ônus de provar seu direito creditório: a postulante. Assim, entendo que a recorrente não possibilita a comprovação da existência e da liquidez do crédito, como exige o comando do art. 170 do Código Tributário Nacional: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”. (grifo nosso) E a ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito tributário pleiteado culmina na impossibilidade de compensação. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13603.903321/201262 Acórdão n.º 3403003.370 S3C4T3 Fl. 147 7 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. No presente caso temse situação similar: o contribuinte limitouse a alegar que promoveu a retificação depois de ter recebido o DDE, apresentando apenas cópia das declarações retificadas e uma planilha, sem trazer elementos de prova que demonstrem o indébito. Aliás, apenas no recurso voluntário houve a explicação da origem do indébito. Por isso deve ser aplicado ao presente caso o mesmo entendimento do precedente acima referido. Ressalvo meu entendimento pessoal a respeito desta situação, cujo teor pode ser conferido no votovencido que apresentei no mesmo precedente acima citado. Esclareço, por fim, que é impertinente a discussão quanto à validade em si mesmo da retificação da DCTF, pois não interferirá no resultado do presente processo. O contribuinte tem razão quando diz que o prazo para a retificação apenas começa a correr a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser exigido. E, salvo se o contribuinte se encontrar em procedimento de fiscalização, a retificação surtirá o efeito de alterar tudo quanto esteja nela veiculado. Mas não se pode pretender, no entanto, que a retificação obrigue a Administração a revisar as decisões e lançamentos realizados antes da retificação, em que tenha utilizado os dados das declarações existentes na época. Com efeito, depois de negada a homologação por meio de despacho decisório, cumpre ao contribuinte, no âmbito do contencioso administrativo, demonstrar o indébito, carreando todas as provas necessárias para tanto, não surtindo qualquer efeito a tãosó retificação da DCTF ou do DACON. Isto de tal modo que, se o contribuinte não comprova o indébito, mantémse a decisão pela nãohomologação da compensação. Voto, por tais razões, por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 150DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 28/11/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10314.002149/2004-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 16/04/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. HOMOLOGAÇÃO.
Formalizada a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3202-001.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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MULTA REGULAMENTAR Recorrente IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/04/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESISTÊNCIA DE RECURSO. HOMOLOGAÇÃO. Formalizada a desistência do recurso pela recorrente, em virtude de pedido de parcelamento, deve ser homologado o referido ato, não se conhecendo do apelo voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório O presente litígio decorre de Auto de Infração, lavrado em 16/04/2004, para a cobrança de a multa regulamentar do IPI, em decorrência da utilização inidônea de notas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 21 49 /2 00 4- 85 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10314.002149/200485 Acórdão n.º 3202001.450 S3C2T2 Fl. 241 2 fiscais na aquisição de mercadorias importadas, sendo cobrado o crédito tributário no valor total de R$ 936.340,23. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente de auto de infração lavrado contra a contribuinte em epígrafe, em razão da utilização de notas fiscais inidôneas, devido a empresa emitente das mesmas estar inapta, conforme publicação no DOU de 07/07/03 e consulta ao CNPJ. Assim, a empresa foi autuada com base no disposto no art. 83, caput e inciso I, da Lei 4502/64 e art. P, alteração do DL 400/68, ou seja, por entregar ao consumo de produto de procedência estrangeira que tenha entrado no estabelecimento, desacompanhado da nota fiscal. Cientificada da autuação em 20/04/2004 (fis.1), a interessada apresentou impugnação de fls. 30 e ss, alegando que: • Em preliminar, que os fatos que deram suporte à autuação e via de conseqüência à presente impugnação, bem como às circunstâncias materiais de fato, levaram a concluir que podem remanescer dúvidas no tocante à capitulação legal do fato e suas circunstâncias materiais, devendo se aplicado o princípio "in dúbio contra fiscum". • No mérito, firma que pagou por todas as mercadorias adquiridas nas notas fiscais relacionadas, apresentando as duplicatas quitadas correspondentes. • Ser terceira de boa fé, estando amparada pelo disposto no § 50 do artigo 43 da IN/SRF n° 200/02. • Adquiriu todas as mercadorias mencionadas nos documentos fiscais no mercado interno, não participando de qualquer internação dos produtos. • Á fiscalização caberia verificar no momento do desembaraço se as mercadorias estão sendo introduzidas regularmente no mercado interno. • Também erro de direito no lançamento ao utilizar fundamentação alternativa "para iludir a fiscalização ou fugir do pagamento do imposto". • Insurgese contra a capitulação no artigo 83, I da Lei 4502/64 e art.490, I do Decreto 4544/02, uma vez que a fiscalização em momento algum perqueriu se as mercadorias importadas pela empresa que vendeu as mercadorias para a impugnante foram desovadas no pais em conduta clandestina, importada irregular ou fraudulentamente ou sem registro de importação; • Ao final requer seja julgado improcedente o lançamento. É o relatório. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II proferiu o Acórdão nº 1725.970, julgando procedente o lançamento efetuado. Inconformada com a decisão de primeira instância administrativa, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, em 13/08/2008 (fls. 117/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10314.002149/200485 Acórdão n.º 3202001.450 S3C2T2 Fl. 242 3 O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro na forma regimental. Nos termos do Despacho nº 3201000.279, de 11/08/2011 (efls. 193/196), proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, o processo foi baixado em diligência para que a autoridade fiscal da IRF São Paulo intimasse a Recorrente a apresentar documentos e/ou informações que comprovassem: 1º O efetivo ingresso das mercadorias no estabelecimento da Recorrente; 2º A efetivação dos pagamentos de todas as compras efetuadas (p.ex. cópia dos cheques nominais emitidos e sua correspondente liquidação demonstrada em seus extratos bancários). A diligência foi efetuada, conforme Relatório elaborado pela IRF – São Paulo (efls. 201/202). A autoridade fiscal da Equipe de Controle de Crédito Tributário da IRF – São Paulo juntou ao presente processo o comunicado (efl. 232): COMUNICADO Nº 569/2013 Comunicamos que houve desistência do recurso voluntário apresentado nesse processo assumida em função do parcelamento da Lei 11.941/2009. Informamos que o pedido de parcelamento importa confissão irretratável da dívida e configura confissão extrajudicial, nos termos dos artigos 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil. O processo retornou ao CARF, com seguinte informação (efl. 234): Ocorre que ao consultar a situação do processo no Sief, verifiquei que o mesmo encontrase na situação “controle parcelamento – parcelado”. Na aba questionamento consta a informação de desistência do recurso voluntário, assumida em função da Lei 11.941/2009, com data de 30 de junho de 2011. Anexei aos autos tela do sistema que demonstra que o débito referente a esse processo está parcelado pela lei 11941 (parcelamento realizado no CNPJ matriz: 65.491.029/000240). Proponho assim, o retorno do processo ao CARF para conhecimento dessa informação. Após, retornar a esta Eqcot – IRF SP para acompanhamento do parcelamento. Foi dada ciência ao contribuinte do Comunicado nº 569/2013 (efl. 235). Não houve manifestação por parte do interessado. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Da admissibilidade Fl. 242DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10314.002149/200485 Acórdão n.º 3202001.450 S3C2T2 Fl. 243 4 Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência da desistência apresentado posteriormente pela Recorrente, quando do pedido de parcelamento de débitos. Como informado pela autoridade fiscal da IRF – São Paulo (efls. 232/234), a Recorrente apresentou desistência do recurso voluntário, em 30/06/2011, em função do parcelamento pleiteado com base na Lei nº 11.941/2009. No caso de desistência manifestada nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. (grifamos) Ressaltese, que a competência para apreciar/deferir os valores que incluiu, espontaneamente, após a autuação, em pagamento/parcelamento, pertence à unidade de jurisdição da recorrente e o rito processual foge ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal (PAF), por considerarse encerrado o litígio instaurado. Pelo exposto, voto em não conhecer o recurso voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 243DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 18/12/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000151/2002-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001
MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RI-CARF.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. ANÁLISE DO MÉRITO.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA
Não integram a base de cálculo as aquisições de energia elétrica, uma vez que tal item não se agrega ao produto final e nem sofre desgaste em função de ação exercida diretamente sobre o produto fabricado.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. GASTOS COM MATRIZES - AVES E LEITÕES.
Aves e leitões utilizados como matrizes, devido a integrarem o ativo imobilizado, não são considerados insumos para fins de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS E CONSUMIDOS POR OUTROS ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS
Não são admitidos como insumos - para fins de apuração do benefício - os gastos com itens não utilizados nas unidades de industrialização.
METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO CRÉDITO
A apuração do crédito presumido deve ser efetuada a partir dos insumos efetivamente empregados na fabricação de produtos exportados.
AQUISIÇÃO DE RAÇÃO E DE INSUMO PARA PRODUÇÃO DE RAÇÃO.
No cômputo do valor total das aquisições para apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI, excluem-se as aquisições de ração e de insumos para a produção de ração.
Numero da decisão: 3201-001.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RI-CARF. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. ANÁLISE DO MÉRITO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA Não integram a base de cálculo as aquisições de energia elétrica, uma vez que tal item não se agrega ao produto final e nem sofre desgaste em função de ação exercida diretamente sobre o produto fabricado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. GASTOS COM MATRIZES - AVES E LEITÕES. Aves e leitões utilizados como matrizes, devido a integrarem o ativo imobilizado, não são considerados insumos para fins de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS E CONSUMIDOS POR OUTROS ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS Não são admitidos como insumos - para fins de apuração do benefício - os gastos com itens não utilizados nas unidades de industrialização. METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO CRÉDITO A apuração do crédito presumido deve ser efetuada a partir dos insumos efetivamente empregados na fabricação de produtos exportados. AQUISIÇÃO DE RAÇÃO E DE INSUMO PARA PRODUÇÃO DE RAÇÃO. No cômputo do valor total das aquisições para apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI, excluem-se as aquisições de ração e de insumos para a produção de ração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96, bem como é lícita a aplicação da taxa SELIC acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PERCENTUAL DE CÁLCULO DO BENEFÍCIO. 5,37%. A legislação que concede benefício fiscal interpretase literalmente, a teor do art. 111 do CTN, não se podendo utilizar, para o seu cálculo, percentual diverso do que expressamente define a lei, qual seja 5,37%. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA Não integram a base de cálculo as aquisições de energia elétrica, uma vez que tal item não se agrega ao produto final e nem sofre desgaste em função de ação exercida diretamente sobre o produto fabricado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. GASTOS COM MATRIZES AVES E LEITÕES. Aves e leitões utilizados como matrizes, devido a integrarem o ativo imobilizado, não são considerados insumos para fins de cálculo do crédito presumido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 01 51 /2 00 2- 68 Fl. 2203DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.204 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS ADQUIRIDOS E CONSUMIDOS POR OUTROS ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS Não são admitidos como insumos para fins de apuração do benefício os gastos com itens não utilizados nas unidades de industrialização. METODOLOGIA DE APURAÇÃO DO CRÉDITO A apuração do crédito presumido deve ser efetuada a partir dos insumos efetivamente empregados na fabricação de produtos exportados. AQUISIÇÃO DE RAÇÃO E DE INSUMO PARA PRODUÇÃO DE RAÇÃO. No cômputo do valor total das aquisições para apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI, excluemse as aquisições de ração e de insumos para a produção de ração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. ANÁLISE DO MÉRITO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Fl. 2204DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.205 3 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), com fulcro na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, apresentado em 17/01/2002, no que concerne ao 4º trimestrecalendário de 2001 e no importe de R$ 8.424.858,56. Impende, então, para o correto entendimento da lide administrativa, reproduzir excerto do Parecer SAORT/DRF/ITJ nº 071/2006, parte integrante do Despacho Decisório de fls. 1992/2031, exarado em 08/08/2006: “O Pedido de Ressarcimento foi inicialmente NÃO CONHECIDO, conforme Informação e Decisão, esta do Sr. Delegado da Receita Federal em Itajaí, às fls.234/237. A ciência à interessada deuse em 07 de agosto de 2002, cfe. expediente à fl. 238 e "AR", à fl. 239. Houve "Impugnação" da interessada, a essa decisão, endereçada à DRJ Florianópolis, às fls. 248/262. Nesta, é informado, à fl. 249: "Ocorre, todavia, que por um equivoco no preenchimento do formulário, fez constar o crédito pleiteado no campo 13 crédito de IPI da Lei n° 9.779/99, quando na verdade se tratava de crédito presumido de IPI decorrente da Lei n° 9.363/96, campo 12.". E, sob a epígrafe "DO PEDIDO: [fl. 261] Assim sendo, ..., REQUER se digne V. Sa., primeiramente, reformar a decisão impugnada por erro material no preenchimento do campo correto (constou o campo 13 quando deveria ser o 12) do valor Pedido de Ressarcimento, determinandose o retorno para a Delegacia de origem para o regular processamento do pedido, e ...". (destacamos) Em vista do indeferimento da DRJ Porto Alegre, Acórdão n° 3.210, de 19 de dezembro de 2003 (fls. 283/287) e posterior recurso ao Conselho de Contribuintes (fls. 290/291), reiterando o equivoco na caracterização do crédito (indicação no campo 13 do formulário, ao invés do 12), sobreveio o Acórdão n° 20216.268, da 2ª Câmara do 2° Conselho de Contribuintes (CC), datado de 13 de abril de 2005, As fls. 321/324, no qual o processo restou “anulado a partir do despacho decisório da Delegacia de origem", consoante ementa, à fl. 321. Na "Remessa de Processo do CC/CSRF n° 169/2005", da DRJ Porto Alegre, 3ª Turma IPI, à fl. 327, encaminhase o processo à "DRF/ITAJAÍ/SC/SAORT, para as providências determinadas na fl. 324.". Nessa folha encontrase a conclusão do Voto do Sr. ConselheiroRelator, no 2° CC, que se transcreve: "Com essas considerações, voto no sentido de anular o processo a partir da decisão de fls. 234/237, inclusive, por cerceamento Fl. 2205DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.206 4 do direito defesa, para a necessária apuração do crédito presumido pleiteado." Foi dada ciência do mencionado acórdão à interessada, em 20 de janeiro de 2006, conforme expediente à fl. 726 e "AR", à fl. 727. 2.1 Em decorrência da decisão quanto à anulação do processo, e encaminhamento determinado pela DRJ Porto Alegre, procedese à sua apreciação na forma de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido do IPI, da Lei n° 9.363, de 1996 (Portaria MF n° 38/97), mantidos o período de apuração e o valor originalmente requeridos”. Posteriormente, foi retificado o pedido de ressarcimento pela interessada, com a redução do valor do pleito para R$ 7.117.078,95. Uma nova retificação, em 27/01/2006, resultou no acréscimo de R$ 1.430.004,42, sendo então o montante global no importe de R$ 8.547.083,37. As glosas encetadas pela fiscalização são discriminadas no Parecer SAORT, de fls. 1992/2031, conforme o seguinte excerto : [...] Em resumo, é o seguinte o conteúdo da parte dispositiva do Despacho Decisório, de fls. 2029/2031: “a) deferir parcialmente o pedido de ressarcimento de Crédito Presumido do IPI, da Lei n° 9.363, de 1996, da interessada, SEARA ALIMENTOS S/A, CNPJ n° 02.914.460/000150, relativo ao período de apuração 4° trimestre/2001, As fls. 01 e 1406, referido no parecer como "Pedido Original", reconhecendo o valor total de R$ 960.397,62 (novecentos e sessenta mil, trezentos e noventa e sete reais e sessenta e dois centavos), tendo em vista: a.1) as glosas aplicadas sobre os valores de "utilização de insumos" informados pela interessada, seguintes: Gastos que não correspondem a MP, PI ou ME; Insumos cujos valores informados não constituem utilização (consumo); Insumos adquiridos sem incidência das contribuições para o PIS/PASEP ou COFINS (aquisições de pessoas físicas e de cooperativas); Insumos não utilizados nos abatedouros ou unidades de "industrialização"; Insumos utilizados na produção de ração; Insumos adquiridos pela empresa e repassados aos integrados; e Fl. 2206DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.207 5 Insumos que não se constituem em MP, PI ou ME, na ótica do IPI, e que não sofram, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. a.2) a utilização indevida de alíquota pela interessada: 7,43% ao invés de 5,37%, conforme estabelecida em lei. De forma esquemática: CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO (em R$) Data Pedido Valor requerido Valor RECONHECIDO 17.01.2002 "Original" 7.117.078,95 960.397,62 b) indeferir o pedido de ressarcimento de Crédito Presumido do IPI, da interessada, à fl. 1407, do mesmo período de apuração, referido no parecer como "Pedido Complementar", tendo em vista: b.1) as glosas, aplicadas sobre os valores de "utilização de insumos" informados pela interessada, seguintes: Insumos cujos valores informados não constituem utilização (consumo): "LEITÕES P/ RECRIA"; Insumos adquiridos sem incidência das contribuições para o PIS/PASEP ou COFINS (aquisições de pessoas físicas): aves e suínos para abate; e Insumos cujos valores informados constituemse em reembolso aos produtores parceiros e não aquisição: aves e suínos para abate. b.2) a utilização indevida de alíquota pela interessada: 7,43% ao invés de 5,37%, conforme estabelecida em lei. De forma esquemática (valor requerido, em R$): CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI RECONHECIDO Data 10.07.2006 Pedido Valor requerido Valor RECONHECIDO "Complementar" 1.430.004,42 0,00 (...)” Insatisfeita com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 12/09/2006, conforme aviso de recebimento nos autos, a contribuinte ofereceu, em 10/10/2006, manifestação de inconformidade subscrita pelos patronos da companhia, munidos do devido mandato, em que, em síntese, aduz que: Fl. 2207DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.208 6 a) há julgado do antigo Conselho de Contribuintes, hoje CARF, no qual consta que, a respeito do art. 2º da Lei nº 9.363, de 1996, o valor total abrange todas as aquisições, sem exceções, sendo que uma norma infralegal não pode criar exclusões que tornem o valor parcial; b) o trabalho da fiscalização tomou por base somente as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem consumidos no processo industrial, o que não corresponde ao texto do art. 1º da mesma lei; c) a glosa de energia elétrica, como insumo que não se enquadra como matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, não é amparada por disposições legais existentes; a energia elétrica, além de haver PIS e COFINS inseridos no respectivo preço, é um produto intermediário necessário à produção da mercadoria final e que é consumido no processo industrial embora sem integrar o produto final (RIPI, art. 82, I, e ementa do Parecer Normativo nº 65, de 1979); há precedentes administrativos e judiciais que sufragam esse entendimento, além de doutrina; aliás, todos os bens referidos no relatório fiscal são produtos intermediários, enquadrados como bens de produção, e não bens de consumo; d) a glosa de insumos oriundos de pessoas físicas não tem cabimento, uma vez que a intenção do Poder Executivo na criação do benefício fiscal sempre foi desonerar ao máximo a carga tributária da COFINS e do PIS, conforme julgados do Conselho de Contribuintes; e) houve também a glosa indevida de insumos adquiridos mas não consumidos na produção, como aves e suínos matrizes, dos quais surgem aves e suínos para abate; algumas aves e suínos matrizes são também, após a vida útil abatidas, o que indica consumo no processo produtivo; f) glosa indevida de aquisições de insumos não utilizados nos abatedouros de aves ou suínos e nas unidades de industrialização, sendo que o insumos integram todo o processo de produção verticalizada da impugnante; g) glosa indevida dos insumos utilizados pelos estabelecimentos que industrializam rações e que fazem parte do processo de verticalização da produção: a ração é consumida na engorda e criação dos pintos/aves e leitões/suínos utilizados na fabricação dos produtos; h) glosa indevida da transferência de insumos (ração, medicamentos, etc.) por parceiros integrados no processo produtivo, sendo a criação, recriação, engorda, terminação de pintos/aves e leitões/suínos executadas pelos parceiros em nome da impugnante; i) a glosa de insumos que não sofrem desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas , com a ação exercida Fl. 2208DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.209 7 diretamente sobre os produtos em fabricação é reconhecida pela impugnante; j) quanto à glosa complementar, o custo de aquisição considerado pela autoridade fiscal não inclui o custo de industrialização por encomenda (produção de tripa e produção de sacos plásticos com polietileno) que deve integrar o custo médio do insumo; provavelmente, a maior parte das diferenças constatadas pela autoridade fiscal, pois o valor consumido agrega esses custos de industrialização e os valores apurados pela fiscalização apenas se refere à matéria prima propriamente dita; foi excluído indevidamente do cálculo do crédito presumido o consumo dos insumos do período de janeiro a setembro de 2001, tendo por justificativa o método de cálculo do crédito presumido, contudo não houve tais glosas nos despachos decisórios referentes aos pedidos de ressarcimento dos trimestres anteriores; o trabalho fiscal deveria ter sido restrito à glosa no período de outubro a dezembro de 2001; no trabalho fiscal, houve a adoção do critério do consumo em detrimento da aquisição, diferentemente deste item, no qual houve prevalência da aquisição sobre o consumo: uma contradição que merece reparo; k) o montante do pedido deve ser atualizado monetariamente pela taxa Selic, de maneira semelhante ao que ocorre com a devolução do imposto de renda da pessoa física; l) o percentual de 7,43% do crédito presumido se coaduna com a elevação de 2% para 3% da alíquota da COFINS, sendo que o percentual de 5,37% se referia à alíquota de 2%. Por fim, requer que o Despacho Decisório seja reformado para que seja julgado procedente o pedido de ressarcimento acrescido da taxa Selic e calculado mediante a aplicação do percentual de 7,43%. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS e da Cofins, pois, conforme a legislação de regência, os insumos adquiridos devem sofrer o gravame das referidas contribuições. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E DE SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÃO. Fl. 2209DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.210 8 Somente as matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração da base de cálculo do incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. CADEIA PRODUTIVA. ETAPAS ANTERIORES AO PROCESSO PRODUTIVO. São glosados os valores referentes a aquisições de insumos empregados em etapas anteriores à do processo produtivo em si e que abrangem somente atividades desenvolvidas por parceiros integrados do estabelecimento industrial. CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME COMUM. APURAÇÃO ALÍQUOTA APLICÁVEL. Consoante a legislação de regência, sendo comum o regime, é de 5,37% a alíquota aplicável na apuração do crédito presumido do IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de créditos presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita da interessada, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. A decisão considera não impugnadas a glosa referente ao expurgo da aquisição de insumos, inclusive para o ativo fixo, que não sofrem, em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, por ser matéria incontroversa, e a glosa de créditos com aquisições sem repercussão das contribuições do Pis e da Cofins (insumos importados e insumos adquiridos de cooperativas), por entender que não houve contestação específica. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A recorrente contesta ainda a ausência de julgamento em relação aos créditos com aquisições de cooperativas, afirmando constar esta questão do título do tópico, bem como que os argumentos expedidos referemse ao tema, abrangendo todas as aquisições sem Fl. 2210DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.211 9 percussão das contribuições do Pis e da Cofins, não podendo, portanto, ser classificada como matéria não impugnada. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. DAS PRELIMINARES A recorrente contesta a omissão do julgado recorrido em relação às glosas referentes a aquisições de insumos junto a cooperativas. A instância julgadora a quo entendeu não ter havido contestação específica em relação à glosa, e considerou a matéria não impugnada. Em análise a peça impugnatória, especificadamente ao título “GLOSA DE INSUMOS QUE NÃO TIVERAM INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUICÕES PARA O PIS/PASEP E COFINS (PESSOAS FISICAS E COOPERATIVAS)”, constatase que a glosa foi objeto de contestação, tendo sido apresentados argumentos acerca da matéria. Mostrase equivocada, portanto, a decisão ora em julgamento. Ao não julgar a glosa, incorreu o autoridade julgadora em preterição ao direito de defesa da recorrente, eivando o ato de vício passível de nulidade, de acordo com o artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Observo, contudo, que o parágrafo 3º do artigo supracitado estabelece que, “Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta”. Esta disposição mostrase aplicável à lide, conforme se esclarecerá no transcorrer deste voto, de forma que, em que pese a verificação do vício, não se decidirá pela nulidade da decisão recorrida. DAS AQUISIÇÕES DE NÃOCONTRIBUINTES – PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS – E DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DO CRÉDITO PELA SELIC. Entre as matérias submetidas ao contencioso administrativo encontramse a inclusão das aquisições junto a pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito presumido de IPI, bem como à aplicação da taxa SELIC ao saldo credor, a título de atualização monetária do valor requerido. Tais questões já se encontram decididas pelo STJ em sede de recurso repetitivo, previsto no art. 543C do CPC. Aplicável a lide, portanto, a norma prevista no artigo 62A do Regimento Interno do CARF: Fl. 2211DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.212 10 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, tendo em vista o dispositivo acima transcrito, aplicase nesta decisão administrativa o entendimento exposto no julgamento do RE 993.164, reproduzido abaixo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para Fl. 2212DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.213 11 fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores Fl. 2213DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.214 12 não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, Dje 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; Resp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e Resp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente Fl. 2214DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.215 13 aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta forma, devem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI as aquisições junto a pessoas físicas e cooperativas, quando se tratarem de aquisições sujeitas ao benefício, bem como autorizar a aplicação da Taxa SELIC na correção monetária dos créditos, acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo até a sua efetiva utilização por meio de compensação com outros tributos ou pelo ressarcimento em espécie. DO CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI O crédito presumido do IPI foi instituída pela Lei nº 9.363, de 13 dezembro de 1996, como forma de ressarcimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de insumos utilizados no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Seu artigo 1º assim dispõe: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (grifo nosso) O artigo 2º da Lei nº 9.363, de 1996, por sua vez, estabelece que a base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total dos insumos, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Sobre a base de cálculo assim determinada será Fl. 2215DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.216 14 aplicado o percentual de 5,37%, obtendose, dessa forma, o valor do crédito presumido do IPI a que tem direito a pessoa jurídica produtoraexportadora. DA ENERGIA ELÉTRICA A recorrente consta a glosa de créditos apropriados em relação a gastos com energia elétrica, por entender tratarse de produtos intermediários. A matéria, contudo, já se encontra pacificada no âmbito desta Casa, sendo inclusive objeto da Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009, de observância obrigatória por este colegiado, e que possui o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário Desta forma, deve ser mantida a decisão recorrida em relação à glosa de créditos referentes a gastos com energia elétrica. DOS INSUMOS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO – PARCEIROS INTEGRADOS A atividade industrial objeto do crédito presumido do IPI encontrase devidamente detalhada no Parecer SAORT/DRF/ITJ nº 071/2006 (fls. 1993 a ), de forma que dele serão reproduzidas abaixo alguns excertos, úteis para melhor compreensão da lide: 15 A empresa tem como atividade principal a produção e comercialização de carnes de frangos e de suínos. Os produtos são apresentados "innatura" (carcaças e cortes) e na forma de "industrializados" (ou "processados", termos utilizados pela empresa), tais como os empanados, presuntos, linguiças, salsichas e mortadelas. Em menor escala, produz também processados que contêm carne bovina. A empresa também produz a ração animal utilizada nos processos de cria/engorda das aves e suínos, bem como na manutenção das matrizes. 15.1 A produção é comercializada no mercado interno e exportada, à exceção de produtos que contêm carne bovina (hambúrguer, quibinho) comercializados, no período de apuração, apenas no mercado interno. Da produção de ração, uma pequena parte é vendida a terceiros. 16. No seu ciclo produtivo, a empresa mantém parcerias com produtores rurais, na sistemática operacional denominada "Integração". Os integrados recebem pintos de um dia ou leitões e partidas de ração (e outros insumos) e encarregamse da cria (ou recria) e engorda dos animais até o ponto de abate. 16.1 Esses parceiros são pessoas físicas, na sua grande maioria. São firmados contratos entre a empresa e os integrados, de "parceria avícola", "parceria para criação de suínos" ou "comodato de produtor leitão para terminação", conforme Fl. 2216DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.217 15 modelos constantes As fls. 696/700, 701/710 e 711/715, respectivamente; 16.2 A remuneração dos integrados dáse na forma da participação em termos de quilogramas do plantel terminado (a exemplo da cláusula terceira do contrato de "parceria avícola": fl. 697). Essa parte dos produtores é normalmente objeto de compra pela empresa, com pagamento em dinheiro (a exemplo do disposto na mesma cláusula citada). A recorrente descreve seu sistema de produção em seu recurso voluntário nestes termos: No processo de produção e de industrialização de seus produtos, que são derivados de carne de aves e de suínos, a Recorrente, ao invés de adquirir aves e suínos prontos para abate, finalisticamente falando, se envolve desde a aquisição de aves/pintos e suínos matrizes, que produzirão ovos (pintos) e leitões, até a aquisição de pintos de 1 dia e leitões que serão enviados para seus parceiros integrados para engorda até o momento do abate. Os parceiros integrados tem função importante, porque exercem em nome da Recorrente (como terceiros) exclusivamente os serviços relativos a recriação e engorda dos animais, sendo que tanto os animais como todos os insumos utilizados para criação e engorda, tais como os necessários à produção da ração, medicamentos, entre outros, são adquiridos pela mesma As características do sistema de parceria adotado pela recorrente podem assim sintetizadas: a empresa adquire animais (aves e leitões) que são repassados a seus parceiros para engorda; adquire também, para repasse aos mesmos parceiros, medicamentos e a ração a ser utilizada naquela engorda adquire ainda insumos para fabricação própria de ração a ser enviada igualmente a seus parceiros; após a recria e engorda praticada pelos parceiros, os animais são abatidos e com eles processados os artigos industrializados geradores do benefício quando exportados; alguns dos animais adquiridos constituirão matrizes, isto é, reprodutores que gerarão novos animais a serem abatidos. A recorrente, entendendo que todo o processo é realizado/suportado por ela mesma, considerou todas as aquisições indicadas acima no seu próprio cálculo (inclusive das matrizes e dos insumos empregados na produção própria de ração). Fl. 2217DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.218 16 A autoridade fiscal, contudo, procedeu a glosa dos créditos relacionados a esta etapa de sua cadeia produtiva que participam os integrados – por entender que esta não constitui industrialização em estabelecimento industrial, no contexto do IPI. A recorrente questiona o fato de que as glosas estariam calcadas em normas infralegais, bem com, em relação as rações por ela produzidas, que devido a serem consumidas para alimentação de animais de sua propriedade, correspondem ao conceito de insumos. Em relação aos demais insumos adquiridos, afirma que a simples transferência aos parceiros integrados não desnatura a sua utilização na criação, recriação, engorda e terminação, de forma que devem ser mantidos os créditos. Entendo, em que pese os argumentos exposto pela recorrente, que neste ponto a razão está com a Fazenda Nacional. As matrizes (aves e leitões), objeto de grande parte da controvérsia, não correspondem ao conceito de insumos do processo produtivo, seja por serem utilizados para a geração de outros animais, estes sim abatidos e participantes do processo produtivo, seja por constarem do ativo permanente imobilizado da recorrente. Quanto às aves e leitões adquiridos e repassados à terceiros para engorda e posterior devolução, bem como a ração e os demais bens adquiridos pela recorrente e utilizados pelos parceiros integrados neste processo, a utilização do sistema de parceria impede a geração de créditos. Quem pratica o processo produtivo não é a recorrente, mas sim os parceiros integrados. Caso a própria empresa recorrente os engordasse em seus próprios estabelecimentos, a mesma obteria direito ao crédito, todavia ao optar por esta sistemática a mesma acaba por perder este direito. Adoto, ainda, como fundamento deste voto, o entendimento exposto pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho na relatoria do Acórdão nº 930300.814, proferido pela 3ª Turma CSRF em Sessão de 02 de fevereiro de 2010, abaixo colecionado: DAS DESPESAS HAVIDAS NA INTEGRALIZAÇÃO VERTICAL DO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO O recorrente, apoiandose na sua particular interpretação da Lei instituidora do beneficio, pretende, em primeiro lugar, que se inclua, na base de cálculo do mesmo, o valor dos insumos adquiridos, mas ainda não consumidos na chamada produção verticalizada. Referese, mais precisamente, as matrizes (aves e leitões), que são criados para gerar outros animais, esses sim, abatidos e consumidos processo produtivo dos produtos exportados. Como argumento em favor de sua posição o contribuinte traz à. questão o disposto no art. 1º da Lei n.º 9.363, de 1996, acima já reproduzido. Afirma que, neste artigo, é utilizado o termo "aquisições". Equivocase. A correta apuração do crédito presumido leva em conta, estritamente, o valor dos insumos consumidos no período, em detrimento do valor dos insumos Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.219 17 adquiridos. Ocorre que este mesmo artigo restringe as aquisições àquelas "para utilização no processo produtivo". Ora, a finalidade para a qual um determinado insumo foi adquirido (aplicação no processo produtivo ou outra qualquer) somente é verificada no momento de sua efetiva utilização. Adicionalmente, a mesma Lei n.º 9.363, de 1996, em seu art. 6º, determina que o Ministro da Fazenda disponha sobre a periodicidade de fruição do beneficio. "Art. 6° O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido .e respectivo ressarcimento, a definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse titulo, efetuados pelo produtor exportador." (grifo nosso) Assim, cabe ao Ministro da Fazenda determinar o período de apuração e, por conseguinte, o momento em que as aquisições de insumos serão consideradas no cálculo do crédito presumido. De fato, este momento foi definido pela Portaria MF nº 38, de 1997, que, corroborando o entendimento acima exposto, claramente determinou que o insumo adquirido deve ser considerado, para fins de cálculo do crédito presumido, quando consumido. "Art. 3° O crédito presumido será apurado ao. final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. § 1° Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o inicio do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção;" (grifo nosso) Ademais, o valor de aquisição de matrizes não pode ser computado no cálculo do beneficio, porque tais itens que não se enquadram no conceito de insumos utilizados na produção, mas de ativo permanente imobilizado. O Parecer Normativo CST nº 57, de 1976 (DOU de 12 de outubro de 1976), determina a classificação de animais reprodutores no ativo imobilizado, conforme reproduzido abaixo. "2.1 — Ativo Imobilizado Podemos considerar como integrantes do ativo imobilizado as contas a seguir ... Integram o ativo imobilizado para os efeitos de correção monetária, os bens que se destinem a exploração do objeto social ou a manutenção das atividades da pessoa jurídica. Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.220 18 2.1.1 — Gado Reprodutor, indicativa de touros puros de origem, touros puros de cruza, vacas puras de cruza vacas puras de origem e o plantel destinado a inseminação artificial..." No mesmo sentido, o Conselho de Contribuintes já decidiu que aves de produção de ovos e de reprodução classificamse no Permanente (Acórdãos do 2º CC 101 79.852 e 78.853/90 — DOU 19/09/1990), cuja ementa do primeiro encontrase transcrita, em parte, a seguir. “... Correção monetária: Aves de produção de ovos e de reprodução. Classificamse no "permanente" e como tal sujeitamse acorreção monetária do balanço. ...” O Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, esclarece que não devem gerar crédito as aquisições de bens que, em face de princípios contábeis devem ser incluídos no ativo permanente, conforme a seguir reproduzido: Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, strictu sensu, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, ..., desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. (grifo na transcrição) Assim, o valor da aquisição de matrizes (aves e suínos) não pode ser considerado para fins de apuração do crédito presumido, enquanto tais animais não forem efetivamente utilizados como matéria prima na produção dos alimentos exportados. Os gastos com os insumos das fábricas de ração, da mesma forma, não podem ser admitidos, sem desvirtuamento total da sistemática adotada pela legislação. A vedação para tal pretensão extraise da inteligência do art. 1° da Lei nº 9.363, de 1996, que se refere ao ressarcimento das contribuições para o PIS e Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições de insumos, e não sobre as de qualquer outro estabelecimento que venha, eventualmente, participar dessa produção verticalizada. Assim sendo, mantenho a glosa promovida pela autoridade fiscal em relação a estes itens. DO PERCENTUAL DE 7,43% A recorrente adotou em seu cálculo do crédito presumido de IPI o percentual de 7,43%, e não de 5,37%, pois entendeu que, como a Cofins modificou sua alíquota de 2% para 3%, o percentual do crédito presumido também deveria ser reajustado. Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10909.000151/200268 Acórdão n.º 3201001.845 S3C2T1 Fl. 2.221 19 A recorrente, contudo, mostrase equivocada, pois o percentual a ser aplicado, definido expressamente na lei de criação do crédito presumido, não foi modificado, de forma que, em virtude de expressa determinação legal, a glosa deve ser mantida. Diante de todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, concedendo direito ao crédito presumido de IPI em relação às aquisições junto a pessoas físicas e cooperativas, quando se tratarem de aquisições sujeitas ao benefício, bem como autorizar a aplicação da Taxa SELIC na correção monetária dos créditos, acumulada a partir da data de protocolização do pedido administrativo até a sua efetiva utilização por meio de compensação com outros tributos ou pelo ressarcimento em espécie, mantendose as demais glosas. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 10580.727510/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009, 2010
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO.
A comprovação da origem dos recursos depositados compreende a apresentação de documentação, hábil e idônea, que identifique a fonte do recurso e a natureza jurídica da operação que lhe deu causa e suporte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ALEGAÇÃO DE MÚTUO.
Não há como prosperar a alegação de mútuo, se somente estão devidamente comprovados, inclusive com transferências bancárias, a entrega dos recursos da pessoa jurídica para o contribuinte, ao passo, que não há documentação a comprovar a devolução de tais recursos.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14 - Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010)
RO Provido em Parte e RV Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer a tributação sobre R$ 1.117.514,02 relativo a depósitos bancários do ano-calendário de 2008. Vencida a Conselheira Alice Grecchi que negava provimento. Quanto ao voluntário, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos de PJ. Vencido o Conselheiro Bernardo Schmidt, que mantinha a qualificação da multa.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 15/12/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ORIGEM. COMPROVAÇÃO. A comprovação da origem dos recursos depositados compreende a apresentação de documentação, hábil e idônea, que identifique a fonte do recurso e a natureza jurídica da operação que lhe deu causa e suporte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. ALEGAÇÃO DE MÚTUO. Não há como prosperar a alegação de mútuo, se somente estão devidamente comprovados, inclusive com transferências bancárias, a entrega dos recursos da pessoa jurídica para o contribuinte, ao passo, que não há documentação a comprovar a devolução de tais recursos. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Súmula CARF nº 25, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14 Portaria CARF nº 52, de 21/12/2010) RO Provido em Parte e RV Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 75 10 /2 01 2- 40 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 397 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso de ofício, para restabelecer a tributação sobre R$ 1.117.514,02 relativo a depósitos bancários do anocalendário de 2008. Vencida a Conselheira Alice Grecchi que negava provimento. Quanto ao voluntário, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos de PJ. Vencido o Conselheiro Bernardo Schmidt, que mantinha a qualificação da multa. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 15/12/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra NELSON ALMEIDA TABOADA foi lavrado Auto de Infração, fls. 235/248, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2008 e 2009, exercícios 2009 e 2010, no valor total de R$ 7.818.692,11, incluindo multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, e juros de mora, estes últimos calculados até julho de 2012. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, fls. 200/234, foram omissão de rendimentos, detectada nos livros Diário e Razão da pessoa jurídica Terra Norte Empreendimentos, conta 2.1.1.03.0001 (anocalendário 2008 – R$ 4.086.362,47 e anocalendário 2009 – R$ 5.569.980,33) e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada (anocalendário 2008 – R$ 2.831.945,46 e anocalendário 2009 – R$ 521.379,38). No que se refere à infração de omissão de rendimentos relacionada com a pessoa jurídica Terra Norte Empreendimentos, importante destacar o seguinte trecho do Relatório Fiscal: Dispensável, portanto, afirmar que eventuais vendas efetuadas pela pessoa jurídica TERRA NORTE EMPREENDIMENTOS S/A Fl. 397DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 398 3 jamais poderiam ser creditados ou debitados em conta corrente de um sócio ou diretor. Por outro lado, o contribuinte admite possuir contacorrente com a mencionada empresa, que custeia diariamente suas despesas, mas tais recebimentos não são declarados pelo mesmo como tributáveis. Já que sócio não é, como insiste, e sim mero representante de sua filha menor, o contribuinte tem rendimentos tributáveis recebidos na TERRA NORTE S/A, vez que suas despesas com plano de saúde, contas de luz e telefone, fotógrafo ENZO Studio, Colégio Anchieta, cartão ItaúCard Nelson Taboada, lavanderia DryClean, Xarmonix (conhecida loja de presentes da cidade), serviços médicos, brinquedos, taxa mensal do Yacht Clube, costureira, condomínio Edf Villa Serena, e tantas outras despesas são custeadas pela pessoa jurídica. (...) Assim, uma vez que os valores contabilizados na conta 2.1.1.03.0001 – Nelson Almeida Taboada não foram declarados na sua declaração de ajuste anual nos anos fiscalizados, este fisco constatou a ocorrência de omissão de rendimentos perante o fisco federal, conforme planilha anexa a este relatório Fiscal, denominada “Rendimentos Omitidos – Pagamentos Mensais Efetuados pela TERRA NORTE S/A”. A multa de ofício foi aplicada na sua forma qualificada, no percentual de 150%, estando justificada nas seguintes razões extraídas do Relatório Fiscal: Esta fiscalização se deparou com o uso de interpostas pessoas para representar os interesses de Nelson Taboada junto à Terra Norte Empreendimentos Rurais S/A, coletandose provas incontestes de que o verdadeiro dono daquela pessoa jurídica é o próprio fiscalizado. Por outro lado, o próprio fiscalizado, que não figura como sócio da Terra Norte S/A, possui um “conta corrente” com a referida empresa, que arca com todas as suas despesas particulares, constituindo verdadeira fonte de rendimentos não declarados ao fisco federal, fato este registrado no histórico de todos os lançamentos contábeis do livro Razão, anexo a este processo. Na conta bancária do contribuinte são registrados depósitos inúmeros, de origem não comprovada, também objeto de lançamento. (...) O evidente intuito de fraude está demonstrado pela omissão deliberada e continuada, por dois anos consecutivos, de 100% dos rendimentos percebidos, fato este também detectado nas receitas auferidas pelas pessoas interpostas (Marival Oliveira e Jaquaraci Xavier) e na Terra Norte S/A. Tanto é que o fiscalizado fora alçado à condição de RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO ao crédito tributário lançado na pessoa jurídica citada, com base no inciso I do artigo 124 do CTN, que trata das pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 399 4 Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi considerada procedente em parte, para reduzir as bases de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada aos montantes de R$ 618.680,02 e R$ 69.179,38, nos anoscalendário 2008 e 2009, respectivamente, e também para cancelar a qualificação da multa de ofício sobre a referida infração, conforme Acórdão DRJ/SDR nº 1532.385, de 30/04/2013, fls. 367/376. A DRJ Salvador recorreu de ofício de sua decisão a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/05/2013, Aviso de Recebimento (AR), fls. 380, o contribuinte apresentou, em 12/06/2013, recurso voluntário, fls. 382/389, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – Neste primeiro item a preliminar é de nulidade, uma vez que o Fisco atribuiu qualidade de rendimento tributável aos valores transacionados, sob regime de mútuo com a empresa Terra Norte e controlado por esta através do registro contábil em conta corrente específica. O recorrente ocupa a função de Diretor da empresa Terra Norte Empreendimentos Rurais e Comerciais S/A, cuja sociedade é controlada por menor impúbere, sua filha, e representada pelo recorrente, conforme documento juntado aos autos. Em conseqüência dos objetivos sociais da empresa, criouse uma rubrica contábil para controlar e agilizar a gestão financeira da companhia e ao mesmo tempo controlar o movimento de aportes e retiradas de recursos do recorrente em regime de mútuo. No curso dos períodos fiscalizados houve aportes e retiradas de recursos, representados por créditos e débitos, respectivamente. Nos livros Diário e Razão verificase que no anocalendário 2008 foi creditado na conta em questão o valor de R$ 1.576.681,95. Ou seja, o recorrente devolveu à empresa este valor. Da mesma forma, no ano de 2009 foram devolvidos R$ 2.508.958,50. Mas, o Fisco não entendeu desta forma e equivocadamente considerou que os débitos realizados naquela rubrica contábil seriam rendimentos. O saldo devedor ou credor da referida conta significa apenas direito ou obrigação do recorrente para com a companhia, de modo que os débitos na conta não se confundem com a hipótese de incidência tributária. Da multa qualificada – A fiscalização abordou quatro temas motivadores para a aplicação da multa qualificada. Primeiro aduz interposição de pessoa para representar os interesses do recorrente junto à Terra Norte. Ocorre que ao aventar a figura de interposição fraudulenta o Fisco deve declarar o nome da pessoa interposta e isto não existe no feito fiscal. O segundo tema é que a multa decorre da existência de registro contábil na Terra Norte em contacorrente. Todavia, como já demonstrado o contribuinte é diretor da empresa e representa a acionista impúbere. E mesmo que não o fosse não existe lei que proíba qualquer pessoa física de realizar operação de mútuo com pessoa jurídica. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 400 5 O terceiro tema levantado estaria demonstrado na omissão deliberada, por dois anos consecutivos de 100% dos rendimentos omitidos. O quarto referese ao lançamento de depósitos bancários, cuja multa já foi desqualificada pela decisão recorrida. A simples leitura da alegada motivação para a aplicação da multa qualificada evidencia com clareza a inexistência de dolo caracterizador da exasperação da multa. É o Relatório. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 401 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Do recurso de ofício O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele conheço. A decisão recorrida considerou a impugnação apresentada pelo contribuinte procedente em parte. Assim, reduziu as bases de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada aos montantes de R$ 618.680,02 e R$ 69.179,38, nos anoscalendário 2008 e 2009, respectivamente, e também cancelou a qualificação da multa de ofício sobre a referida infração. A redução da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada foi fundamentada, em suma, por duas razões: (i) depósitos bancários, cuja origem estava identificada nos próprios extratos bancários e (ii) depósitos bancários que também foram tributados como omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Terra Norte S/A, conforme se infere do seguinte trecho do voto condutor da decisão recorrida a seguir transcrito: Tem razão o impugnante quanto aos depósitos cujos autores estão identificados no extrato. Durante a fiscalização apontara estas origens e as operações que lhes teriam dado causa. O art. 42 da Lei 9.430/1996 apenas autoriza a presunção de rendimentos omitidos quando a origem dos depósitos não for comprovada. Não cabe ampliar o conceito de origem à necessidade de prova da natureza das operações de que resultaram os créditos. Se fosse assim, assim certamente teria disposto o legislador. Mas o que a lei estabelece é que, comprovada a origem do depósito, a autoridade lançadora deve realizar o lançamento, se for o caso, pelo enquadramento dos rendimentos na hipótese específica do fato gerador do tributo, como está no art. 42, §2º, da Lei 9.430/1996: (...) Apesar dos depósitos já estarem identificados nos extratos, o autuante lançou estes valores como rendimentos omitidos por falta de prova da origem, o que está errado. Se fosse o caso, o lançamento deveria ser fundamentado com a determinação específica da hipótese de incidência tributária, e não como depósito de origem não comprovada. A transferência de recursos financeiros entre pessoas devidamente identificadas não é em si mesmo fato gerador do tributo. Pode ser resultado de diversas transações, como empréstimos, alienações patrimoniais, etc. Mesmo a presunção simples de que se consideram rendimentos tributáveis, salvo prova em contrário, os pagamentos de empresas a sócios ou pessoas ligadas deveria ser fundamentada Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 402 7 no lançamento com a construção legal específica, e não mais com a lei dos depósitos bancários, sob pena de cerceamento do direito de defesa. O interessado em sua impugnação apresenta cópia do livro Diário, onde estão discriminados os cheques da Terra Norte S.A. contidos em transferências que englobavam diversos pagamentos para a sua conta pessoal na empresa. Foi possível confirmar a veracidade destes registros pelo extrato da conta bancária da empresa, anexado ao processo nº 10580.732471/201201 (nas suas fls. 345/372), que trata do auto de infração contra a pessoa jurídica. À fiscalização apresentara apenas cópia do livro Razão consolidado, que não continha informações em detalhe sobre as parcelas que compunham tais créditos, que estavam registrados sumariamente sob a rubrica "VAL. PELOS PAGAMENTOS NESTA DATA". Estes créditos foram computados no lançamento como rendimentos tributáveis pagos pela empresa. O impugnante demonstra, porém, que alguns dos cheques que compuseram estas transferências também foram incluídos no auto de infração como depósitos de origem não comprovada. É o que se confirma pelo confronto entre o livro Diário (fls. 309/362), a relação das transferências da pessoa jurídica para o autuado (fls. 219/234) e a planilha de depósitos de origem não comprovada (fls. 214/218). Do texto acima reproduzido, verificase que a autoridade julgadora de primeira instância entende que a identificação do depositante é suficiente para o cancelamento da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Contudo, esta não é a melhor interpretação do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.(grifei) A acepção da palavra origem, utilizada no dispositivo acima transcrito, não significa simplesmente demonstrar quem é o responsável pelo depósito, mas, principalmente, identificar a natureza da operação que deu causa ao crédito. A identificação da natureza da operação se fundamenta no fato de que, para ser cumprida a ordem legal prevista no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que, uma Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 403 8 vez comprovada a origem do depósito, este será submetido às normas de tributação específicas, é necessário, para a correta tipificação do caso concreto, que a definição de comprovação da origem inclua também a capacidade de se determinar, com certeza absoluta, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física em razão de sua natureza e titularidade. Em outras palavras, a lei determina que, caso comprovada a origem, devese verificar se os valores tributáveis compuseram a base de cálculo, caso contrário, não sendo possível determinar a natureza dos valores depositados, estes são simplesmente considerados receita omitida. No presente caso, identificouse o depositante, todavia, a operação que deu causa aos depósitos não foram esclarecidas, de modo que não se pode admitir a exclusão de tais créditos da base de cálculo da infração. Registrese que durante o procedimento fiscal o contribuinte afirmou que tais créditos seriam decorrentes de venda e intermediação de compra e venda de soja. Contudo, tais esclarecimentos carecem de comprovação, conforme se infere do trecho a seguir transcrito do Relatório Fiscal: (...) Finalmente, em 25/04/2012, o contribuinte informa que os depósitos que integram a planilha fornecida pelo fisco, contendo todos os créditos de origem ainda não justificada, se referem a transações de venda e intermediação de soja, efetuadas para Raimundo da Cruz Bastos (CPF 155.358.09591), Global AG Agropecuária Ltda (CNPJ 07.797.397/000133), Comac Cereais Ltda (CNPJ 06.648.454/000150), ADM do Brasil Ltda (CNPJ 02.003.402/001228), sem informar como efetuou tais vendas, se não declara a propriedade de nenhum imóvel rural. Até então não esclareceu para quem estaria supostamente intermediando as vendas ou de qual propriedade, se sua, estariam sendo enviadas as mercadorias vendidas. Não apresentou nenhum comprovante das mencionadas vendas, mas simples alegação de venda/intermediação, sem também comprovar o oferecimento desses rendimentos à tributação federal. Nessa conformidade, deve a decisão recorrida ser reformada para restabelecer a tributação incidente sobre os depósitos bancários, cujo somatório perfaz a quantia de R$ 1.117.514,02, no anocalendário 2008. Já no que se refere aos créditos excluídos da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada sob a fundamentação de que tais créditos também foram tributados como omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Terra Norte S/A assiste razão à decisão recorrida, no que deve ser mantida, sob este aspecto. Também assiste razão à decisão recorrida quanto à redução do percentual de 150% para 75% da multa de ofício incidente sobre a diferença de imposto decorrente da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Ao caso, aplicase integralmente o disposto na Súmula CARF nº 25, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 404 9 Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 Vale dizer que, no presente caso, a autoridade fiscal detectou o uso de interposta pessoa pelo recorrente. Contudo, tal conduta em nada se liga à infração em questão, posto que as contas bancárias, objeto de investigação, tinham como titular o recorrente, junto às instituições financeiras. Acrescentese que, tratandose de autuação por presunção legal fica ainda mais distante a caracterização da fraude, dolo ou simulação. A presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos e não pelas condutas a que se reportam os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Nestes termos, devese dar parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a tributação incidente sobre os depósitos bancários, cujo somatório perfaz a quantia de R$ 1.117.514,02, no anocalendário 2008. Do recurso voluntário O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De imediato, devese dizer que a defesa restringe suas alegações à infração de omissão de rendimentos recebidos da pessoa jurídica Terra Norte Empreendimentos S/A e à qualificação da correspondente multa, silenciando quanto à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. No que se refere à infração de omissão de rendimentos recebidos da Terra Norte Empreendimentos S/A a defesa alega tratarse de mútuo. Ou seja, diz que a conta contábil 2.1.1.03.0001, que deu causa ao lançamento, tinha por objetivo controlar os aportes e retiradas de recursos do recorrente em regime de mútuo. Assim, esclarece que na referida conta eram registrados os débitos, que foram considerados rendimentos omitidos, mas, também os créditos (devolução dos recursos tomados emprestados), na ordem de R$ 1.576.681,95 e R$ 2.508.958,50, nos anoscalendário 2008 e 2009, respectivamente. Tal alegação foi rechaçada pela decisão recorrida nos seguintes termos: O impugnante alega que os pagamentos que recebera da empresa Terra Norte S.A. integrariam operações de mútuo. Não comprova, porém, este fato, nem poderia, pois, como restou demonstrado, estas transferências se caracterizaram como renda consumida ou investida, em viagens, restaurantes, para pagar o seu cartão de crédito, aluguéis, veículos, etc. Também as transferências registradas no livro Razão que teria feito em favor da empresa não restaram comprovadas. Não se confirmaram saídas correspondentes na sua conta bancária, nem foi comprovado qualquer outro negócio que lhe pudesse dar causa. A escrituração desacompanhada de documentação comprobatória não é prova hábil dos alegados pagamentos de quitação do suposto mútuo, não operando a transferência do ônus da prova para a Administração, como dispõem os artigos Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 405 10 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999, Decreto 3.000/1999), in verbis: (...) Não se pode falar em operação de mútuo quando os recursos supostamente emprestados são consumidos pelo suposto tomador do empréstimo, que ao mesmo tempo não possui nem declara qualquer outra fonte de renda. Absurda a sua afirmação de que são eventos permutativos, que se cancelam mutuamente. Se não tinha outra fonte de renda e se consumia o que lhe era creditado, como poderia devolver o que recebia? Menciona créditos anteriores aos períodos fiscalizados, mas nada comprova. Evidente, portanto, que a empresa foi a fonte dos seus rendimentos, com os quais mantinha um elevado padrão de vida. (...) Corretos os fundamentos da decisão recorrida. Não há como prosperar a alegação de mútuo, argüida pela defesa, se somente estão devidamente comprovados, inclusive com transferências bancárias, a entrega dos recursos da pessoa jurídica para o contribuinte, ao passo, que não há documentação a comprovar a devolução de tais recursos. O fato de estarem registrados na escrita contábil créditos, que representariam supostas devoluções dos recursos recebidos, não é suficiente para demonstrar a tese de mútuo, mormente, quando o contribuinte não comprova a origem dos recursos supostamente devolvidos à empresa. Destaquese que, examinando as cópias do Diário Simplificado, acostado aos autos, esta relatora não identificou os registros de créditos, a que se refere a defesa, nos valores de R$ 1.576.681,95 e R$ 2.508.958,50, nos anoscalendário 2008 e 2009, respectivamente, os quais estivessem identificados como provenientes das devoluções referidas pela defesa. Nestes termos, devese manter a infração de omissão de rendimentos recebidos da Terra Norte Empreendimentos S/A, nos termos em que consubstanciado no Auto de Infração. No que pertine à qualificação da multa de ofício, que a autoridade fiscal fez incidir sobre a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, temse que foi justificada, em suma, por duas razões, uso de interposta pessoa e conduta reiterada, posto que a infração foi verificada em dois anoscalendário consecutivos. A autoridade fiscal relata que o contribuinte fez uso de interposta pessoa na constituição de pessoas jurídicas, das quais é sócio de fato. Contudo, muito embora tal ocorrência uso de interposta pessoa tenha sido verificada na pessoa jurídica, da qual o contribuinte recebeu os rendimentos, que foram objeto da infração em questão, temse que referida conduta não concorreu para a infração em questão, posto que os valores levados à tributação estavam registrados em conta escriturada nos livros Diário e Razão da pessoa jurídica Terra Norte Empreendimentos em nome do contribuinte. Assim, o uso de interposta pessoa, neste caso, não pode ser tomado como fato ensejador da qualificação da multa de ofício. Já no que se refere à conduta reiterada, isto é, a mesma infração verificada em dois anoscalendário subseqüentes, não pode, por si só, justificar a qualificação da multa de ofício. A conduta reiterada pode ser tomada como um elemento a mais, que somado a outras Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727510/201240 Acórdão n.º 2102003.198 S2C1T2 Fl. 406 11 condutas adotadas pelo contribuinte conduzam à conclusão pela qualificação da multa de ofício, mas, somente a conduta reiterada isolada não se presta para caracterizar a qualificação da multa de ofício. Veja que, para a aplicação da multa qualificada exigese que reste provada presença de elemento subjetivo na conduta do contribuinte de forma a demonstrar que este quis os resultados elencados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ou mesmo que assumiu o risco de produzilos. Ou seja, para a aplicação da multa de ofício qualificada exigese que haja o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Portanto, a qualificação da multa de ofício é inaplicável nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos de fato. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste Conselho, que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Nestes termos, incabível a qualificação da multa de ofício, no que diz respeito aos créditos tributários decorrentes da infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a tributação incidente sobre os depósitos bancários, cujo somatório perfaz a quantia de R$ 1.117.514,02, no anocalendário 2008 e DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para desqualificar a multa de ofício incidente sobre a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000254/2010-78
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2005
IRPF. CÔNJUGE QUE OPTOU POR DECLARAÇÃO EM SEPARADO.IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO COMO DEPENDENTE.
Tendo o cônjuge optado por apresentar Declaração de Ajuste Anual em separado não é permitida a inclusão da mesma como dependente do Recorrente.
DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS OPÇÃO PELA DECLARAÇÃO EM SEPARADO
Somente são dedutíveis na Declaração de Rendimentos as despesas médicas realizadas com o próprio contribuinte ou seus dependentes. No caso de cônjuges que apresentam declarações em separado, cada declarante deverá deduzir suas próprias despesas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos,negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Adriano Keith Yjichi Haga, José Valdemir da Silva,Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.Ausente o Conselheiro Flávio Araújo Rodrigues Torres.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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CÔNJUGE QUE OPTOU POR DECLARAÇÃO EM SEPARADO.IMPOSSIBILIDADE DA DEDUÇÃO COMO DEPENDENTE. Tendo o cônjuge optado por apresentar Declaração de Ajuste Anual em separado não é permitida a inclusão da mesma como dependente do Recorrente. DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS OPÇÃO PELA DECLARAÇÃO EM SEPARADO Somente são dedutíveis na Declaração de Rendimentos as despesas médicas realizadas com o próprio contribuinte ou seus dependentes. No caso de cônjuges que apresentam declarações em separado, cada declarante deverá deduzir suas próprias despesas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,por unanimidade de votos,negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 02 54 /2 01 0- 78 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11634.000254/201078 Acórdão n.º 2801003.923 S2TE01 Fl. 113 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Adriano Keith Yjichi Haga, José Valdemir da Silva,Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.Ausente o Conselheiro Flávio Araújo Rodrigues Torres. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 6a Turma da DRJ/CTA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o processo de Auto de Infração, fls. 38 a 43, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, que exige R$ 2.989,80 de imposto, R$ 4.484,70 de multa de oficio (150%) e acréscimos legais, em virtude de dedução indevida com dependente e a titulo de despesas médicas. 2. Cientificado do lançamento em 19/03/2010 (AR à fl. 53), o Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 55 a 59, em 09/04/2010, acompanhada dos documentos de fls. 60 a 77, argumentando, em síntese, que: 2.1. Entende correta a lavratura do auto de infração, sob pena de prevaricação do agente responsável, por força do art. 926 do RIR199. No entanto, o lançamento não pode prosperar, em face da obrigatoriedade de apresentação da DAA por pessoa que tenha participado de quadro societário de empresa, como é o caso de sua esposa, Hilda de Brito Rover, que tem seu nome inscrito na empresa H. B. Rover & Gonçalves Ltda. — CNPJ 03.196.562/000140 como sócia e, por esse motivo, o contador da empresa elaborou a DAA, com rendimentos no valor de R$ 3.500,00, referente a uma pequena participação nos lucros, rendimentos estes isentos de tributação (art. 39, XXXVII, c/c art. 206 do RIR/99); 2.2. A empresa está localizada em Siqueira Campos/PR, enquanto que sua residência e de sua esposa é em Curitiba/PR, na Rua Estados Unidos, 1454, AP 901, "tornando impossível qualquer lavor na empresa em questão" em razão da distância, o que leva A conclusão de não se tratar de pro labore e/ou de serviços prestados. Não se trata de aluguel, haja vista a propriedade ser de terceira pessoa, conforme cópia de recibo de pagamento de aluguel em anexo. Também se deduz que se não houvesse a apresentação em separado da DAA, este rendimento entraria em sua declaração como rendimento isento, não alterando os valores sujeitos A tributação; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11634.000254/201078 Acórdão n.º 2801003.923 S2TE01 Fl. 114 3 2.3. Salienta que a esposa vive As suas expensas e não exerce nenhum trabalho fora de casa que lhe traga rendimentos. Ainda que fosse tributado, o rendimento nunca poderia cobrir as despesas odontológicas pagas ao profissional Julio Cezar de Sá Ferreira, CPF n° 215.654.73949, sendo bancado por ele, conforme comprovam as cópias de cheques já encaminhadas A. Fiscalização e ora novamente anexadas; 2.4. Na relação de cheques apresentados, não consta o de n° 698690, sacado contra o Banco hail S/A, no valor de R$ 600,00, emitido em 04/04/2004. Requer a juntada do mesmo ao processo, sob pena de cerceamento de defesa, bem como a inclusão do cheque 844265 do Banco hall S/A, nominal ao Dr. Julio Cezar de Sá Ferreira, no valor de R$ 300,00, emitido em 13/01/2004, que por um lapso deixou de integrar a relação apresentada e cujo valor deve ser abatido também da DAA. Os valores devem ser acatados, sem se falar em prescrição do direito A apresentação (CF, art. 5°, combinado com inciso LV); 2.5. Considera o Impugnante estar provada a dependência da esposa para fins do IR, cabendo também a aceitação do desconto com a referida dependente, CPF 645.719.12900; 2.6. Com relação ao profissional Alvaro Eduardo França de Abreu, cirurgiãodentista, afirma que, como não tem como provar o serviço efetuado, concorda com a glosa (R$ 2.800,00); 2.7. Requer também a aceitação do valor de R$ 1.000,00, referente aos cheques apresentados, "cujos valores ascendem a R$ 7.800,00 e que foram abatidos apenas R$ 6.800,00". Assim, os valores processados no programa do IR 2005/2004 apresentamse da seguinte forma: Imposto a ser devolvido R$ 2.728,78, Imposto devolvido R$ 3.223,78, Diferença a ser mantida R$ 495,00; 3. Consta, à fl. 79, despacho da Equipe de Arrecadação e Cobrança da DRF em Londrina/PR, no sentido de se tratar de impugnação parcial (a parcela não impugnada corresponde a R$ 770,00 e a parcela impugnada a R$ 2.219,80). De acordo com o Termo de Transferência de Crédito Tributário e Extrato do Processo, fls. 81 e 82, respectivamente, o crédito não impugnado foi transferido para o processo n° 16370.000238/201047. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme Acórdão de ( fls.89/04numeração digital), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO. DEPENDENTE. DECLARAÇÃO EM SEPARADO. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11634.000254/201078 Acórdão n.º 2801003.923 S2TE01 Fl. 115 4 Se o dependente do contribuinte apresenta declaração de ajuste em separado, deve ser glosada a dedução do respectivo dependente. DESPESAS MÉDICAS. TRATAMENTO DE NÃO DEPENDENTE. INDEDUTIBILIDADE. A dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual não se aplica àquelas que não sejam relativas a tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 13.10.2011(fl.96numeração digital), o contribuinte apresentou recurso em 11.11.2011(fls.102/107numeração digital). Em sua defesa sustenta os argumentos da impugnação e ao final requer seja procedente o presente recurso e cancelamento do crédito tributário por indevido. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Conforme relatado,tratase de Recurso Voluntário em que se discute lançamento por meio do qual foi glosada a dependência da Sra. Hilda de Brito Rover (esposa do Recorrente) e ainda despesa médica do profissional Júlio Cezar Sá Ferreira no valor de R$ 6.800,00. No que diz respeito à possibilidade da esposa do Recorrente ser considerada como sua dependente,a autoridade julgadora de primeira instância negou a pretensão do Recorrente ao argumento de que a mesma apresentara declaração em separado, e por isso fizera a opção por tributar seus rendimentos também em separado. Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente não traz nenhum fato novo em face dos argumentos que fundamentaram a decisão recorrida, limitandose a alegar que a Sra. Hilda de Brito Rover não auferia renda e era efetivamente sua dependente. Porém, no mesmo sentido da decisão recorrida é a jurisprudência deste Conselho, demonstrada através do seguinte julgado: DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS OPÇÃO PELA DECLARAÇÃO EM SEPARADO Somente são dedutíveis na Declaração de Rendimentos as despesas médicas realizadas com o próprio contribuinte ou seus dependentes. No caso de cônjuges que apresentam declarações Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 11634.000254/201078 Acórdão n.º 2801003.923 S2TE01 Fl. 116 5 em separado, cada declarante deverá deduzir suas próprias despesas. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTAÇÃO EM SEPARADO. ERRO DE FATO INOCORRÊNCIA A apresentação de declaração em separado ou em conjunto é opção dos contribuintes, não se caracterizando erro de fato a escolha de uma das formas, ainda que a outra seja mais favorável aos declarantes. Recurso negado. (Acórdão nº 10422501 do Processo 13706000319200471) Assim é que, pelas mesmas razões expostas na decisão recorrida, deixo de acolher sua pretensão neste sentido. Outrossim, no que diz respeito à dedução da despesa médica no valor de R$ 6.800,00 com o profissional Júlio Cezar Sá Ferreira, o Recorrente afirma que os serviços foram prestados a sua esposa Hilda de Brito Rover (fls.74/80). Considerando que a mesma não é dependente do Interessado a glosa de despesas médicas também deve ser mantida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 116DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/20 15 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720036/2012-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. EXTINÇÃO DO DIREITO.
O direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extingue-se em cinco anos contados do recolhimento ou do pagamento indevido.
O STJ, no julgamento do REsp 1.002.932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência da LC 118/2005 o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados ou prescritos será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO.
Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa das compensações efetuadas, porque é vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extingue-se em cinco anos contados do recolhimento ou do pagamento indevido. O STJ, no julgamento do REsp 1.002.932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência da LC 118/2005 o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados ou prescritos será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO. Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de pleitear restituição ou reembolso ou de realizar compensação de contribuições ou de outras importâncias extinguese em cinco anos contados do recolhimento ou do pagamento indevido. O STJ, no julgamento do REsp 1.002.932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência da LC 118/2005 o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados ou prescritos será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. TITULARIDADE DO CRÉDITO. Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 00 36 /2 01 2- 06 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a glosa das compensações efetuadas, porque é vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. Somente poderão ser utilizados na compensação de contribuições previdenciárias os créditos líquidos e certos de titularidade do próprio sujeito passivo em face da Fazenda pública decorrentes do recolhimento indevido ou a maior que o devido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), André Luís Mársico Lombardi, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720036/201206 Acórdão n.º 2302003.602 S2C3T2 Fl. 187 3 Relatório Período de apuração: 01/08/2009 a 30/06/2011 Data da lavratura dos AIOP: 27/03/2012. Data da ciência dos AIOP: 02/04/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Ribeirão Preto/SP que julgou procedente em parte a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 51.015.8226 e 51.015.8234 decorrentes de glosa de compensação indevida de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 14/22. De acordo com o Relatório Fiscal, o presente lançamento decorre do descumprimento de obrigações tributárias representadas pelos seguintes Autos de Infração: • 51.015.8226 Relativo à glosa de compensações indevidas, ocorridas nas competências de 08/2009 a 06/2011; • 51.015.8234 Relativo à multa isolada, à alíquota de 150% incidente sobre o valor indevidamente compensado. Consta do Relatório Fiscal que, ao ser intimado a prestar esclarecimentos sobre as compensações em debate, o contribuinte declarou que se restituiu de contribuições patronais recolhidas sobre a folha de pagamento do período de 08/1999 a 18/9/2004, relativas aos exercentes de mandato eletivo da Câmara Municipal de Taquaritinga, apresentando cópia de folhas de pagamento dos vereadores, planilhas demonstrativa dos valores supostamente descontados dos vereadores, base de cálculo da contribuição patronal, cópias de guias de recolhimento da previdência social e notas de empenho para o período de 06/1998 a 12/2004, bem como cálculo das contribuições compensadas, considerando a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal – STF, da alínea h, inciso I, do artigo 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pelo §1º do artigo 13 da Lei nº 9.506/1997. Consoante resenha fiscal, tais compensações foram consideradas indevidas, em razão dos seguintes motivos: O direito de o contribuinte realizar as compensações de recolhimentos efetuados entre 29/01/1999 a 31/07/2004 já se encontrava extinto em 8/2009, quando se iniciou as compensações, em razão do decurso do prazo de cinco anos contados do pagamento. Anexa demonstrativo dos recolhimentos e data de pagamento de contribuições previdenciárias efetuados pela Câmara Municipal de Taquaritinga para o período de 08/1999 a 08/2001 e 06/2003 a 09/2004, extraídos do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 A Prefeitura de Taquaritinga, CNPJ 72.130.818/000130, realizou a compensação com aproveitamento de recolhimentos efetuados pela Câmara Municipal CNPJ 49.165202/000182, conforme esclarecimentos prestados pelo contribuinte. A compensação, portanto, foi realizada em CNPJ diverso daquele em que ocorreu o recolhimento. Conforme artigo 44, §2º, da Instrução Normativa nº 900/2008, a compensação somente é permitida entre estabelecimentos da mesma empresa, ou seja, entre estabelecimentos que tenha o mesmo CNPJ raiz. Em decorrência, glosou se os recolhimentos para as competências 7/2004, 8/2004 e 9/2004, cujos pagamentos ocorreram em 10/8/2004, 10/9/2004 e 8/10/2004, respectivamente. Não constam recolhimentos no contacorrente do CNPJ da Câmara Municipal para o período de 9/2001 a 5/2003. As cópias das guias de recolhimento e dos empenhos relativos às competências 9/2001 a 5/2003, apresentadas à fiscalização, apesar de conterem autenticação própria da Prefeitura, não atestam o recolhimento, pois seus valores não constam no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Assim, houvese por aplicada multa isolada por falsidade na declaração, em razão de o contribuinte compensar valores que não constavam do conta corrente da Câmara Municipal de Taquaritinga no período de 9/2001 a 5/2003. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 92/109. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito das retenções sofridas pela Autuada perante o Fundo de Participação dos Municípios – FPM, bem como sobre a manutenção da multa isolada, conforme Despacho de Diligência a fls. 125/126. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos a fls. 130, informando que, com a comprovação de que as contribuições previdenciárias foram efetuadas através da retenção do FPM, houvese por sanada a condição que gerou a emissão do Auto de Infração da multa isolada debcad 51.015.5234. Promovida a ciência da referida Informação Fiscal ao Sujeito Passivo, este se quedou inerte, deixando transcorrer in albis o prazo que lhe fora assinalado para se manifestar nos autos do processo a respeito do resultado do incidente processual acima referido. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1448.216 10ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 138/147, julgando procedente em parte o lançamento tributário, para dele fazer excluir, tão somente, a multa isolada aviada no Auto de Infração nº 51.015.8234 e mantendo o crédito tributário contido no Auto de Infração nº 51.015.8226 em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 18/02/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 155. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720036/201206 Acórdão n.º 2302003.602 S2C3T2 Fl. 188 5 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 157/177, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que os créditos do Sujeito Passivo utilizados na compensação em debate não se encontravam prescritos. Aduz que o parcelamento suspende a prescrição; · Que embora as contribuições indevidas tenham sido recolhidas no CNPJ da Câmara Municipal de Taquaritinga (49.165.202/000182) e a compensação tenha sido realizada no CNPJ da Prefeitura Municipal (72.130.818/000130), a Prefeitura Municipal realizou os parcelamentos e os quitou, sendo legitima credora dos créditos gerados em razão da declaração de inconstitucionalidade da cobrança destes tributos. Ao fim, requer a anulação do Auto de Infração nº 51.015.8226; Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 18/02/2014. Havendo sido o recurso voluntário postado na Agência de Correios no dia 28/02/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA PRESCRIÇÃO Alega o Recorrente que os créditos do Sujeito Passivo utilizados na compensação em debate não se encontravam prescritos. Aduz que o parcelamento suspende a prescrição. Sem razão. Merece ser enaltecido, inicialmente, que a fiscalização considerou como prescrito o direito de o contribuinte realizar a compensação de recolhimentos efetuados no período de 29/01/1999 a 31/07/2004, conforme expressamente consignado no item 2.3. do Relatório Fiscal, a fl. 15, fato esse não contestado pelo Recorrente. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720036/201206 Acórdão n.º 2302003.602 S2C3T2 Fl. 189 7 Relatório Fiscal 2.3 Ocorre que o direito deste Órgão Publico realizar compensações para recolhimentos efetuados entre 29/01/1999 a 31/07/2004 encontravase extinto, pois a mesma se deu após cinco anos contados da data do pagamento, visto que o contribuinte realizou as compensações a partir da competência 08/2009. Anexo a este relatório, demonstrativo dos recolhimentos e data de pagamento de contribuições previdenciárias efetuados pela Câmara Municipal de Taquaritinga referente ao período 08/1999 a 08/2001 e 06/2003 a 09/2004 extraídos do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil tela contacorrente. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando o Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR, da relatoria do ministro Carlos Velloso, assentou o entendimento de que a instituição de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos titulares de mandato eletivo, antes da vigência da Emenda Constitucional nº 20/1998, mostravase desarmônica com a Carta Federal, tendo em vista não se enquadrarem os agentes políticos no conceito de trabalhador, previsto na redação originária do inciso II do artigo 195 do Diploma Maior, sendo necessária a edição de lei complementar para a disciplina, conforme dessai da ementa do acórdão adiante transcrita, publicada no Diário da Justiça de 21 de novembro de 2003: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL: PARLAMENTAR: EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL ou MUNICIPAL. Lei 9.506, de 30.10.97. Lei 8.212, de 24.7.91. C.F., art. 195, II, sem a EC 20/98; art. 195, § 4º; art. 154, I. I. A Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, acrescentou a alínea h ao inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, tornando segurado obrigatório do regime geral de previdência social o exercente de mandato eletivo, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. II. Todavia, não poderia a lei criar figura nova de segurado obrigatório da previdência social, tendo em vista o disposto no art. 195, II, C.F.. Ademais, a Lei 9.506/97, § 1º do art. 13, ao criar figura nova de segurado obrigatório, instituiu fonte nova de custeio da seguridade social, instituindo contribuição social sobre o subsídio de agente político. A instituição dessa nova contribuição, que não estaria incidindo sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros" (C.F., art. 195, I, sem a EC 20/98), exigiria a técnica da competência residual da União, art. 154, I, ex vi do disposto no art. 195, § 4º, ambos da C.F. É dizer, somente por lei complementar poderia ser instituída citada contribuição. III. Inconstitucionalidade da alínea ‘h’ do inc. I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506/97, § 1º do art. 13. IV. R.E. conhecido e provido. Com efeito, a Resolução n° 26/2005 do Senado Federal suspendeu a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/1991, acrescentada pelo §1º do art. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 13 da Lei nº 9.506/1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR. RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL nº 26, de 21 de junho de 2005 O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. Art. 2º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. De acordo com o previsto no §2º do art. 1º do referido Decreto, os efeitos da suspensão da execução pelo Senado Federal seriam retroativos à data de entrada em vigor da norma declarada inconstitucional. Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. §1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. (grifos nossos) §2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. O Secretário da Receita Federal do Brasil publicou o Ato Declaratório Executivo RFB n° 60, de 17 de outubro de 2005, dispondo em seu Art. 1º que “A suspensão, pela Resolução nº 26 do Senado Federal, da execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentada pelo §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997, produz efeitos ex tunc, ou seja, desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional”. Nesse contexto, até o dia 18 de setembro de 2004, os exercentes de mandato eletivo não poderiam ser considerados segurados obrigatórios do RGPS, por falta de previsão legal. Somente a contar da data de eficácia do art. 11 da Lei n° 10.887/2004, digase, 19 de setembro de 2004, é que o exercente de mandato eletivo não vinculado a Regime Próprio de Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720036/201206 Acórdão n.º 2302003.602 S2C3T2 Fl. 190 9 Previdência Social passou a ser caracterizado como segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de segurado empregado. Ocorre que a norma disposta no §2º do art. 1º do Decreto n° 2.346/1997, aplicável nas hipóteses em que o Supremo Tribunal Federal, na via incidental, declara inconstitucional lei ou ato normativo, deixa dúvidas quanto o estabelecimento do termo inicial do prazo prescricional para o exercício do direito de repetição de indébito, uma vez que a suspensão da norma pelo Senado Federal não opera efeitos ex tunc, como na hipótese descrita no §1º do mesmo dispositivo legal, mas sim, efeitos ex nunc, de forma que não faz sentido, nestes casos, a decisão retroagir à data de entrada da norma declarada inconstitucional. O Código Tributário Nacional, por seu turno, estatui em seu art. 168, II, que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Código Tributário Nacional CTN Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Acontece que, em 09 de fevereiro de 2005, foi publicada a Lei Complementar nº 118/2005, cujo art. 3º dispôs que, para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 do citado codex, colocando lenha numa fogueira quase extinta, e reacendendo o debate em torno do dies a quo do prazo prescricional ora em debate. Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Código Tributário Nacional CTN Fl. 194DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Malgrado o Poder Legislativo houvesse estatuído, expressamente, numa interpretação autêntica, que o preceito encartado em seu art. 3º possuía natureza interpretativa, sendo aplicado, portanto, a atos e fatos pretéritos, o Supremo Tribunal Federal, devidamente provocado a se manifestar sob o tema, entrou de sola na questão mandando para escanteio a retroatividade legalmente plasmada no art. 4º da citada Lei Complementar, ao fundamento de que a Lei nova havia alterado, materialmente, o termo inicial do prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. RE 566.621/RS Rel. Min. ELLEN GRACIE DJe de 11102011 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720036/201206 Acórdão n.º 2302003.602 S2C3T2 Fl. 191 11 pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Dessa forma, a norma tributária insculpida no art. 3º da LC 118∕2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência, digase, a contar de 09/06/2005, conforme assim decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em decisão adiante ementada: AI no EREsp nº 644.736/PE Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJe de 27/08/2007 CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118∕2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juízes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118∕2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a 'interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118∕2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118∕2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Arguição de inconstitucionalidade acolhida. A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento do REsp 1.002.932/SP, sujeito ao regime dos "recursos repetitivos", reafirmou o entendimento de que "O advento da LC 118/05 e suas consequências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova." (REsp 1.002.932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 25/11/2009) (os grifos são nossos) REsp 1.153.433 / RS Rel. Min. CASTRO MEIRA DJe de 22/03/2010 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA. PRESCRIÇÃO. 1. Extinguese o direito de pleitear a restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação – não sendo esta expressa – somente após o transcurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos contados da data em que se deu a homologação tácita (EREsp 435.835/SC, julgado em 24.03.04). Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720036/201206 Acórdão n.º 2302003.602 S2C3T2 Fl. 192 13 2. Na sessão do dia 06.06.07, a Corte Especial acolheu a arguição de inconstitucionalidade da expressão "observado quanto ao art. 3º o disposto no art. 106, I, da Lei n. 5.172/1966 do Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05 (EREsp 644.736PE, Rel. Min. Teori Albino Zavascki). 3. Nessa assentada, firmouse o entendimento de que, "com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição de indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova". 4. Esse entendimento foi ratificado no julgamento do REsp nº 1.002.932/SP, Rel. Min. Luiz Fux (DJe de 18.12.09), submetido ao colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543C do CPC. 5. Recurso especial provido. No caso ora em apreciação, os pagamentos efetuados pelo Sujeito Passivo que deram origem ao crédito utilizado na compensação ocorreram em período anterior à data de vigência da LC nº 118/2005, de maneira que, nos termos da jurisprudência consolidada do STJ, sob o regime do art. 543C do CPC, “a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova”. Nessa prumada, sendo de 09 de junho de 2005 a data de vigência da LC nº 118/2005, e tendo o Autuado realizado compensação de contribuições previdenciárias nas competências de 08/2009 a 06/2011, deflui que somente se encontravam a salvo da prescrição os recolhimentos efetuados a contar da competência agosto/2004, estando prescritos todos os créditos do Recorrente relativos aos pagamentos efetuados na competência julho/2004 e nas competências anteriores a esta. Conforme expressamente consignado no item 2.3. do Relatório Fiscal, a fl. 15, a fiscalização considerou como prescrito, tão somente, o direito creditório do contribuinte relativo aos recolhimentos efetuados no período de 29/01/1999 a 31/07/2004. Nenhum outro. Nesse contexto, há que se reconhecer que, de acordo com a jurisprudência firmada no STF e no STJ na sistemática dos recursos repetitivos, ao efetuar a compensação nas competências de 08/2009 a 06/2011, o Sujeito Passivo utilizouse de créditos já fulminados pela prescrição. Considerando que a jurisprudência da Suprema Corte de Justiça acima adotada houvese por produzida na sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 543C do CPC, o entendimento nela esposado deve ser reproduzido nos julgados deste Colegiado, nos termos do art. 62A do Anexo II, da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Não procede, portanto, a alegação de que o parcelamento se constituiria causa de suspensão da prescrição. Nos termos do inciso VI do art. 151 do CTN, o parcelamento constituise causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário de titularidade da Fazenda Pública em face do Contribuinte, não ao contrário. Código Tributário Nacional CTN Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. Com efeito, se a Fazenda Pública tem um crédito tributário em face do Contribuinte e o devedor procede ao parcelamento do indigitado montante devido, suspendese a exigibilidade do crédito, jamais a prescrição, a qual passa a contar da data de vencimento de cada parcela não adimplida. Ou seja, o credor tem suspensa a faculdade de exigir judicialmente do devedor o crédito tributário de sua titularidade. No caso dos autos, a titularidade do crédito em debate é do Contribuinte, sendo devido pela Fazenda Pública, não tendo o devedor realizado qualquer parcelamento do seu débito. Assim, o titular do crédito não teve por suspenso o seu direito de exercer a restituição, tampouco a compensação, daquilo que lhe é devido, tendo que exercer tal direito, todavia, no prazo assinalado no Art. 168 do CTN, observado o art. 3º do LC nº 118/2005, sob pena de prescrição. “Quem dorme, dormelhe a fazenda” (BOCAGE, Jose Manuel Maria Barbosa du, BOCAGE Poemas Várias, Lisboa, Livraria Clássica Editora, 1961) Assim, a superveniência da prescrição aniquila o direito creditório do Contribuinte. Inexistindo crédito, indevida é a compensação, correta a glosa, procedente o lançamento. 2.2. DA TITULARIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Alega o Recorrente que, embora as contribuições indevidas tenham sido recolhidas no CNPJ da Câmara Municipal de Taquaritinga (49.165.202/000182) e a compensação tenha sido realizadas no CNPJ da Prefeitura Municipal (72.130.818/000130), a Prefeitura Municipal realizou os parcelamentos e os quitou, sendo legitima credora dos créditos gerados em razão da declaração de inconstitucionalidade da cobrança destes tributos. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720036/201206 Acórdão n.º 2302003.602 S2C3T2 Fl. 193 15 No capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre crédito tributário, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o Código Tributário Nacional CTN conferiu ao instituto da compensação os contornos jurídicos de modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170 do CTN estatuiu que a lei poderia, nas condições e sob as garantias que estipulasse, ou cuja estipulação em cada caso atribuísse à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Pública. Dessarte, o instituto da compensação, no Direito Tributário, depende pois de previsão legal. Em se tratando de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, o instituto da compensação tributária foi regulamentado pelo Art. 89 da Lei Nº 8.212/91, o qual reproduzimos, in totum, a seguir : LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) A redação do caput do Art. 89 da lei 8212/91 é de uma clareza solar ao dispor que somente os créditos do sujeito passivo em face da fazenda pública, decorrentes de pagamento ou recolhimento indevido de contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, é que podem ser objeto de compensação ou de restituição. Para tornar esse entendimento o mais livre de dúvidas possível, o parágrafo segundo do mesmo art. 89 complementou o respectivo caput dispondo que somente pode ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720036/201206 Acórdão n.º 2302003.602 S2C3T2 Fl. 194 17 parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do Art. 11 da Lei nº 8.212/91, ou seja, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social: a) A cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço, nos termos do Art. 22, I, II e III da Lei Nº 8.212/91. b) As contribuições sociais a cargo dos empregadores domésticos, de acordo com o Art. 24 da Lei Nº 8.212/91. c) As contribuições sociais a cargo dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriodecontribuição, conforme Art. 20 da Lei Nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; A compensação tributária, a ser realizada nas condições de contorno fixadas na lei, é um direito subjetivo do sujeito passivo. Tratase de uma faculdade de que dispõe o titular de um crédito tributário em face da fazenda pública para extinguir um débito que lhe é imposto pelo fisco. Diante dos aludidos dispositivos, avulta, por decorrência lógica, que a iniciativa e condução do procedimento de compensação são prerrogativas exclusivas do titular do crédito tributário decorrente do recolhimento indevido ou a maior das contribuições previdenciárias referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91. Nessa vertente, não se mostra possível atender ao pedido formulado pelo Recorrente. A uma, porque o Recorrente não figura como o titular do crédito tributário alegado, eis que a Prefeitura Municipal de Taquaritinga, CNPJ nº 72.130.818/000130, se compensou de valores de titularidade da Câmara Municipal de Taquaritinga, CNPJ nº 49.165.202/000182, que possui autonomia financeira em relação à prefeitura Municipal, de molde que somente o órgão legislativo em questão detém a prerrogativa de pleitear qualquer espécie de compensação, nos casos e nas condições previstos em lei. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 A duas, porque os créditos utilizados na compensação já se encontravam juridicamente prescritos, não se configurando como direito creditório em face da Fazenda Pública Federal. 3. DECISÃO Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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