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Numero do processo: 19515.005375/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA.
A regra da contagem do prazo decadencial é aquela prevista no art. 173, I, do CTN. Não sendo verificado no lançamento em análise a existência de declaração e/ou recolhimento parcial do crédito tributário, não há fundamento para atração da regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN.
NULIDADE. LEI Nº. 11.941/2009. INOCORRÊNCIA.
O fato da Lei nº. 11.941/2009 estar em vigência na data da ciência do lançamento não significa que a Autoridade Fiscal deve contemplar os benefícios previstos naquela lei na lavratura do auto de infração, tampouco ausência de tal conduta implica em nulidade do lançamento do crédito tributário.
Numero da decisão: 2401-004.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, não reconhecer a decadência e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. A regra da contagem do prazo decadencial é aquela prevista no art. 173, I, do CTN. Não sendo verificado no lançamento em análise a existência de declaração e/ou recolhimento parcial do crédito tributário, não há fundamento para atração da regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN. NULIDADE. LEI Nº. 11.941/2009. INOCORRÊNCIA. O fato da Lei nº. 11.941/2009 estar em vigência na data da ciência do lançamento não significa que a Autoridade Fiscal deve contemplar os benefícios previstos naquela lei na lavratura do auto de infração, tampouco ausência de tal conduta implica em nulidade do lançamento do crédito tributário.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA. A regra da contagem do prazo decadencial é aquela prevista no art. 173, I, do CTN. Não sendo verificado no lançamento em análise a existência de declaração e/ou recolhimento parcial do crédito tributário, não há fundamento para atração da regra prevista no art. 150, § 4º, do CTN. NULIDADE. LEI Nº. 11.941/2009. INOCORRÊNCIA. O fato da Lei nº. 11.941/2009 estar em vigência na data da ciência do lançamento não significa que a Autoridade Fiscal deve contemplar os benefícios previstos naquela lei na lavratura do auto de infração, tampouco ausência de tal conduta implica em nulidade do lançamento do crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 53 75 /2 00 9- 31 Fl. 202DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade, não reconhecer a decadência e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 19515.005375/200931 Acórdão n.º 2401004.849 S2C4T1 Fl. 203 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 141/150) interposto em face do Acórdão nº. 1626.628 (fls. 118/133) que julgou improcedente a impugnação da ora recorrente, cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa:SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Considerase salário decontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28 da Lei 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, a contribuição a seu encargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, bem como é responsável pelo recolhimento da contribuição devida pelos próprios segurados. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. De acordo com o entendimento sumulado da Egrégia Corte (Súmula n° 08/2008) e do Parecer PGFN/CAT n° 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008, não há que se falar em decadência nos lançamentos efetuados dentro do prazo previsto no art. 173 do CTN. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. ALTERAÇÃO NOS CÁLCULOS E LIMITES DA MULTA. APLICAÇÃO DA NORMA MAIS BENÉFICA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a Administração deve aplicar a lei nova a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática, assim observando, quando da aplicação das alterações na legislação tributária referente às penalidades, a norma mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, "c", do CTN). O presente processo decorre do crédito tributário lançado em face da recorrente, por meio do DEBCAD nº. 37.248.5928. Nos termos do Relatório Fiscal de fls. 32/34, tratase de contribuições da empresa devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais, cujos recolhimentos não constam do banco de dados da Receita Federal do Brasil e não foram comprovados pela empresa. Fl. 204DF CARF MF 4 Nos termos do REFISC, fora detecado na DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte, exercício de 2004, a informação da existência de contribuintes individuais, código 0588, cujos nomes não constavam das GFIP para o mesmo período e que, apesar de intimada, a empresa não apresentou livros e documentos que possibilitassem a análise dos lançamentos contábeis relativos àqueles segurados. Assim, lançado o crédito tributário com a aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos do art. 106, II, c, do CTN, nos termos dos cálculos apresentados pelo AFRFB. Apresentada a impugnação (fls. 93/105), esta foi julgada improcedente, nos termos do acórdão reproduzido acima. Intimada do referido acórdão em 28/02/2011 (fl. 138), apresentou tempestivamente o seu recurso voluntário (fls. 141/150) em 21/03/2011, alegando, em síntese: a) Decadência, por aplicação do art. 150, § 4º, CTN, ante a existência de recolhimento parcial das contribuições e pelo lançamento ter sido realizado em 03/12/2009 e exigir as contribuições do período referente a 01/01/2004 a 31/12/2004; b) Nulidade da autuação decorrente da não aplicação da Lei nº. 11.941/2009, sob o fundamento de que a fiscalização não aplicou os benefícios de redução de multas e juros previstos na referida lei, ainda que o lançamento tenha sido realizado no período de vigência da mesma. O presente processo administrativo e seus 7 apensos foram incluídos em pauta de julgamento do dia 16 de abril de 2014, quando todos foram convertidos em diligência, por meio de resoluções específicas para cada processo, a fim de que fossem prestadas as seguintes explicações (as mesmas em todos os processos): Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo baixem à Delegacia de Origem, com todos os seus 07 (sete) apensos, para que a fiscalização informe se as GFIP´s juntadas às fls. 62/76 do processo 19515.005379/2009 19: (i) se relacionam ao presente lançamento; (ii) se o pagamento dos valores de cada uma delas fora devidamente recepcionado e consta no sistema da SRFB; (iii) se tais pagamentos se referem ao crédito tributário objeto do presente lançamento ou em qualquer dos outros objeto dos processos apensados a este Auto de Infração; (iv) se tais pagamentos foram aproveitados no presente lançamento ou em qualquer outro dos lançamentos constantes dos processos apensados; (v) Se tais GFIP´s foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal, tendo sido ou não consideradas na oportunidade da realização do lançamento; (vi) Se tais GFIp´s apresentam a informação acerca de valores pagos à contribuintes individuais cujas remunerações foram Fl. 205DF CARF MF Processo nº 19515.005375/200931 Acórdão n.º 2401004.849 S2C4T1 Fl. 204 5 omitidas em GFIP e folha de pagamentos relativamente a todos os processos apensados ao presente Auto de Infração; Em resposta à Resolução nº. 2401000.358 (fls. 163/166) do presente processo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo, emitiu a Informação Fiscal de fls. 176/177, apresentando as seguintes conclusões aos questionamentos desta turma julgadora: Assim, retornaram os autos a este e. Conselho e foram a mim distribuídos. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Decadência Ante a alegação de decadência da recorrente, a composição anterior desta c. turma julgadora decidiu por converter o julgamento em diligência, para o fim de verificar se os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias constantes num dos processos apensos ao presente fariam com que a contagem do prazo decadencial se desse com fulcro no art. 150, § 4º do CTN (5 anos a contar da data do fato gerador) ou no art. 173, I, também do CTN. Na resposta à resolução acima mencionada, a Autoridade Fiscal de origem informou que as GFIPs relacionadas e anexadas ao presente processo, com os comprovantes de recolhimento, referemse única e exclusivamente ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, não havendo comprovante de recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos contribuintes individuais, objeto do presente lançamento. Assim, resta esclarecida a dúvida que permeou o julgamento quando da inclusão em pauta pela composição anterior desta turma, demonstrandose que as GFIPs apresentadas pela recorrente e os seus respectivos comprovantes de recolhimento dizem respeito ao pagamento da contribuição previdenciária incidente sobre às remunerações pagas aos empregados daquela. Contudo, não há comprovação de recolhimento parcial da contribuição incidente sobre o valor pagos aos contribuintes individuais, objeto do presente lançamento. Desse modo, a fim de se definir pela aplicação da contagem do prazo decadencial pela regra do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, necessário se faz esclarecermos a natureza das contribuições em comento. A contribuição devida pelas remunerações pagas a contribuintes individuais (objeto do presente PAF) tem previsão no art. 22, III, da Lei nº. 8.212/91, ao passo que a contribuição devida em função do pagamento de remuneração aos segurados empregados está prevista no art. 22, I, também da Lei nº. 8.212/91. Conforme restou esclarecido pela autoridade fiscal, há recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos segurados empregados, mas não quanto à remuneração paga aos contribuintes individuais esta objeto do presente lançamento. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 19515.005375/200931 Acórdão n.º 2401004.849 S2C4T1 Fl. 205 7 Por essa razão, entendo que a rega da contagem do prazo decadencial deve ser dar pelo art. 173, I, do CTN, ante a inexistência no presente caso de declaração e/ou pagamento da contribuição objeto do lançamento, o que teria o condão de atrair a regra do art. 150, § 4º, do CTN, nos termos do já decidido pelo STJ e entendimento pacificado neste E. Conselho. Assim, afasto a alegação de decadência do lançamento. Da nulidade por não aplicação da Lei nº. 11.941/2009 Alega a recorrente que o lançamento é nulo pois não contemplou os benefícios de anistia de multa e juros previsto na Lei nº. 11.941/2009, o que ofenderia os princípios da moralidade administrativa e da legalidade. Em que pesem as razões trazidas no recurso voluntário, entendo que estas não merecem prosperar. O fato de estar em vigor lei que permite aos contribuintes pátrios pagar seus débitos com benefícios de redução de multas e juros, não implica em nulidade de procedimentos realizados na vigência desta e que constituam crédito tributário sem a previsão de tais benefícios. Os benefícios da Lei nº. 11.941/2009 estavam previstos em rito próprio, com fundamentos específicos de validade e, ainda, prazos e procedimentos para adesão. Não caberia a autoridade fiscal, por meio do auto de infração em análise, já oferecêlos. Tampouco, a conduta verificada no presente caso acarreta a nulidade pleiteada pela recorrente. CONCLUSÃO Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.002357/2007-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11831.002357/200741 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.495 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado REQUEST IT CONS. EM SOLUÇÕES TECNOLOGICAS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 23 57 /2 00 7- 41 Fl. 1040DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301003.079, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.046.8643, que se constituiu em contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes às rubricas empresa, empregados, financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa e "Terceiros", contribuições estas incidentes sobre os valores pagos por serviços prestados a pessoas jurídicas através de seus sócios, pessoas jurídicas estas (Request For Informática S/C Ltda e Reqssa Informática S/C Ltda) que compõe o quadro societário da Notificada, uma vez constatada pela Fiscalização relação de emprego entre os sócios das "prestadoras" e a Notificada, no período de 01/05/1999 a 31/12/2004, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 25.706.477,25, fls. 01. A fiscalização constatou que havia um grande volume de pagamentos da recorrente para as empresas Reques For Informática (Reques for) e Reqssa Informártica S/C Ltda (Reqssa). Após consulta aos sistemas do fisco, observou a autoridade fiscal que tais empresas não apresentavam nenhum empregado a elas vinculado. Continuando a investigação, ficou evidenciado que as empresas citadas emitiam notas exclusivamente para a Request Informática e possuíam o objeto social idêntico da fiscalizada. Ficou anotado que a Request For possuía 343 sócios e a Reqssa, 90, em média. A autoridade fiscalizadora entendeu que existia prova irrefutável dos fatos assinalados em seu relatório na existência de um Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta, Nº 210/2004, fls. 198/200 por meio do qual a recorrente comprometeuse a: “(...) ABSTERSE de admitir e manter, sob a rubrica de sócio, trabalhadores que efetivamente não sejam donos do negócio, na forma e moldes estabelecidos no Titulo 11 do Código Civil/2002, observado o disposto no artigo 3º da CLT.” O Contribuinte apresentou impugnação às fls. 252/290 e aditamento da impugnação às fls. 568/572, após correção da citação do interessado. A 14ª Turma da DRJ/São Paulo, no Acórdão de fls. 828/849, julgou o lançamento procedente em parte. O Acórdão a quo acatou a caracterização do vínculo com o Contribuinte, mas afastou os fatos geradores atingidos pela decadência conforme a regra do art. 173, inciso I do CTN, de modo a incluir na caducidade os fatos geradores até 11/2001, mantendo o crédito tributário de R$ 13.360.618,94. Dado o valor da exoneração do crédito tributário, foi apresentado Recurso de Ofício. Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 11831.002357/200741 Acórdão n.º 9202005.495 CSRFT2 Fl. 10 3 O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário de fls. 855/891, requerendo a reforma da Decisão a quo e apresentando argumentos a seguir, em síntese: pleiteou a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, § 4º do CTN. Defendei que sua terceirização era lícita. Apontou que a fiscalização deixou de identificar o principal elemento para caracterizar o vínculo empregatício: o modo em que os serviços eram realizados e o tipo de relação estabelecida entre os sócios da autuada, a própria autuada e as empresas tomadoras. A falta de investigação quanto ao modo de prestação de serviços, não há como determinar se havia a pessoalidade na prestação, ou seja, se os serviços eram prestados intuitu perssonae. Alegou que se vínculo existisse este deveria ser estabelecido entre os contratantes, os tomadores dos serviços e os prestadores, e não com a recorrente. Argumentou que a fiscalização analisou apenas documentos contábeis, deixando de tratar da realidade da contratação. Sustentou que há aplicação equivocada ao caso do Enunciado 331, pois a recorrente não é a tomadora dos serviços. Concluiu que os requisitos do art. 3º da CLT não ficaram evidenciados. Argumentou que o art. 129 da Lei 11.196/05 se aplica ao caso, pois serviços de Tecnologia da Informação são serviços intelectuais. Solicitou a exclusão dos diretores como corresponsáveis por entender que não foram atendidos os requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 956/995, NEGOU PROVIMENTO ao recurso de ofício, bem como DEU PROVIMENTO ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de decadência, aplicando a regra contida no art. 150, § 4º, do CTN e, no mérito, para exonerar o crédito tributário em sua totalidade. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/2004 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. NULIDADE NA FASE FISCALIZATÓRIA. NATUREZA INQUISITORIAL DO PROCEDIMENTO. INAPLICABILIDADE DOS IMPERATIVOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. No rito do procedimento administrativo fiscal, a fase de investigação, preliminar à lavratura do Auto de Infração, é inquisitória, sendo o contraditório e a ampla defesa exercidos quando da instauração do devido processo legal, mediante a apresentação de impugnação instruída com os argumentos e provas de que disponha o sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações Fl. 1042DF CARF MF 4 que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN(primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, § 4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados no lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada para o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade práticosocial, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 11831.002357/200741 Acórdão n.º 9202005.495 CSRFT2 Fl. 11 5 Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 997/999, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração aduzindo contradição, alegando que o acórdão a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas para que fosse aplicada a multa prevista no art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente e para afastar a responsabilidade dos administradores da recorrente, Contudo, depreendeuse que foi dado provimento parcial também para que fosse aplicado retroativamente o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso mais benéfica, tendo sido afastada a aplicação do art. 35A da Lei 8.212/91. Essa contradição gerou dúvida em torno do resultado do julgamento do recurso voluntário (se também foi dado parcial provimento para que fosse aplicado retroativamente o art. 32A, da Lei 8.212/91), bem como do interesse em recorrer, tolhendo, assim, o direito de defesa da Fazenda Nacional. Às fls. 1003/1004, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento rejeitou os Embargos de Declaração, sob o fundamento de que o processo não trata de multa por infrações à GFIP, então não há como cogitar da aplicação do trecho do voto que suscita esse tipo de infração. O caso em tela referese a obrigações principais para as quais foi aplicada a multa de mora do art. 35 da Lei 8.212/91. O Voto cuidou de vislumbrar todas as hipóteses de aplicação do regime de multas mais benéfico ao contribuinte, mas deixou claro qual multa aplicar em cada situação, sem espaço, conforme alegou a embargante, para suscitar dúvidas para a sua execução. Às fls. 1009/1018, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: retroatividade benigna. Consignou, inicialmente, que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que hora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em que também se exigia as contribuições apuradas em decorrência da mesma ação fiscal. Contudo, o colegiado a quo entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei nº 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Entretanto, o acórdão paradigma considera que, havendo lançamento de contribuições previdenciárias, o dispositivo legal aplicado passa a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Às fls. 1021/1025, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à única divergência arguida, uma vez vislumbrada a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigmas, configurando a divergência jurisprudencial apontada. Após retorno sem êxito da citação, fl. 1028, o Contribuinte foi citado através de Edital, conforme fls. 1029/1030, mantendose inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 1044DF CARF MF 6 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.046.8643, que se constituiu em contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes às rubricas empresa, empregados, financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa e "Terceiros", contribuições estas incidentes sobre os valores pagos por serviços prestados a pessoas jurídicas através de seus sócios, pessoas jurídicas estas (Request For Informática S/C Ltda e Reqssa Informática S/C Ltda) que compõe o quadro societário da Notificada, uma vez constatada pela Fiscalização relação de emprego entre os sócios das "prestadoras" e a Notificada, no período de 01/05/1999 a 31/12/2004, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 25.706.477,25, fls. 01. O Acórdão NEGOU PROVIMENTO ao recurso de ofício, bem como DEU PROVIMENTO ao recurso voluntário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à retroatividade benigna, tratandose de multa por descumprimento de obrigação acessória, verificandose que no acórdão paradigma o dispositivo legal aplicado passou a ser o art. 35A da Lei 8.212/91, que remete ao art. 44, I da Lei 9.430/96, e não o art. 32A da Lei 8.212/91, conforme entendeu a Câmara a quo. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 11831.002357/200741 Acórdão n.º 9202005.495 CSRFT2 Fl. 12 7 necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP Fl. 1046DF CARF MF 8 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 11831.002357/200741 Acórdão n.º 9202005.495 CSRFT2 Fl. 13 9 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 1048DF CARF MF 10 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 11831.002357/200741 Acórdão n.º 9202005.495 CSRFT2 Fl. 14 11 face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada Fl. 1050DF CARF MF 12 na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 11831.002357/200741 Acórdão n.º 9202005.495 CSRFT2 Fl. 15 13 Fl. 1052DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.729467/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
DO VALOR DA TERRA NUA - VTN
Deverá ser revisto o VTN arbitrado para o ITR/2009, com base em laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado e com ART/CREA, demonstrando de maneira convincente o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços da época do fato gerador do imposto, bem como suas peculiaridades desfavoráveis.
ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. LAUDO TÉCNICO. DECLARAÇÃO DE VACINAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA.
A existência das áreas de pastagem deve ser comprovada por meio de documentação idônea, que ateste de forma inequívoca a existência de rebanho apascentado para que tais áreas sejam consideradas no cálculo do ITR.
Numero da decisão: 2401-004.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do lançamento, ano base 2009, a glosa de 3.424,93 ha, referente a área de pastagem, e para estabelecer o VTN no valor de R$ 344,54 o hectare.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ITR. ÁREAS DE PASTAGEM. LAUDO TÉCNICO. DECLARAÇÃO DE VACINAÇÃO. COMPROVAÇÃO. OCORRÊNCIA. A existência das áreas de pastagem deve ser comprovada por meio de documentação idônea, que ateste de forma inequívoca a existência de rebanho apascentado para que tais áreas sejam consideradas no cálculo do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 94 67 /2 01 3- 55 Fl. 258DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do lançamento, ano base 2009, a glosa de 3.424,93 ha, referente a área de pastagem, e para estabelecer o VTN no valor de R$ 344,54 o hectare. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Denny Medeiros da Silveira, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Rayd Santana Ferreira. Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10120.729467/201355 Acórdão n.º 2401004.905 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório JOSÉ TEODORO DE ARAUJO, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 03067.982/2015, às efls. 97/101, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2010, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 04/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 28/10/2013 (AR. fl. 19), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: " Área de Pastagem informada não comprovada Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou a área efetivamente utilizada para pastagens declarada. O Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o campo valor da terra nua por ha (VTN/ha) foi arbitrado considerando o valor obtido no Sistema de Preços de Terra (SIPT), e o valor total da terra nua foi calculado multiplicandose esse VTN/ha arbitrado pela área total do imóvel. O Sistema de Preços de Terra (SIPT) da RFB, instituído através da Portaria SRF nº 447, de 28/03/02, é alimentado com os valores recebidos das Secretarias Estaduais ou Municipais de Agricultura ou entidades correlatas, sendo que esses valores são informados para cada município/UF, de localização do imóvel rural, e exercício (AC da DITR); assim foram obtidos os dados para os respectivos campos: município, UF e exercício. Os valores do DIAT encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa.(...)" Fl. 260DF CARF MF 4 Após análise da DITR/2010, a autoridade fiscal glosou integralmente a área de pastagens informada (4.563,1 ha) e desconsiderou o VTN declarado de R$ 1.030.236,96 (R$ 209,18/ha), arbitrandoo em R$ 51.714.600,00 (R$ 10.500,00/ha), com base no SIPT/RFB, com o conseqüente aumento do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do grau de utilização do imóvel, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 4.204.813,62, conforme demonstrativo de fls. 06. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 108/118, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, suscitando a improcedência do lançamento posto que comprova suas alegações por meio de documentação hábil e idônea. Reapresenta o laudo de avaliação com ART/CREA, com os requisitos da NBR 14.6533 da ABNT, para contestar o citado arbitramento do VTN, fora de qualquer parâmetro inclusive da tabela SIPT/RFB, além de corrigir a área declarada e sua distribuição, com os respectivos valores e o demonstrativo da apuração do imposto devido. Aduz ser absurdo o valor de R$ 10.500,00 (dez mil e quinhentos reais) por hectare encontrado pelo fiscal para arbitrar o valor da terra nua, fugindo de qualquer parâmetro, inclusive da tabela SIPT da Receita Federal. Afirma, com certeza, que a Tabela SIPT da região, nem de perto chega a este valor, crendo existir uma confusão/erro por parte da autoridade. Explicita ter o Laudo Técnico, levando em conta todos os parâmetros exigidos das normas técnicas vigentes, encontrado o valor de R$ 344,54 por hectare, ou seja, algo em torno de 3% do valor arbitrado. Devendo ser considerado o valor lançado pelo profissional que fez o laudo. Insurgese também quanto a suposta diferença em relação ao grau de utilização em relação hectare por animal, anexando cópia das notas fiscais de compra de 4.970 doses de vacina contra AFTOSA e 5.025 doses contra RAIVA, além da comprovação da vacinação, comprovando de forma inequívoca a existência de animais suficientes para preencher os requisitos necessários exigidos pela legislação para área de pastagem. Alega que o referido laudo foi objeto de comprovação para os anos 2008 e 2009, e no processo 10.120.725.747/201211, relativo ao ano base 2008, a DRJ de Brasília, acatou por completo o VTN constante do laudo. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10120.729467/201355 Acórdão n.º 2401004.905 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Como podese ver da autuação, o contribuinte foi autuada após análise da DITR/2010, a autoridade fiscal glosou integralmente a área de pastagens informada (4.563,1 ha) e desconsiderou o VTN declarado de R$ 1.030.236,96 (R$ 209,18/ha), arbitrandoo em R$ 51.714.600,00 (R$ 10.500,00/ha), com base no SIPT/RFB, com o conseqüente aumento do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do grau de utilização do imóvel, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 4.204.813,62. ARBITRAMENTO DO VTN A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2010, R$ 1.030.236,96 (R$ 209,18/ha), arbitrandoo em R$ 51.714.600,00 (R$ 10.500,00/ha), instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, observadas a Portaria SRF nº 447/2002 e a NE/ Cofis nº 02/2010, aplicável às atividades de malha fiscal desse exercício. Por sua vez o recorrente suscita a improcedência do lançamento posto que comprova suas alegações por meio de documentação hábil e idônea. Reapresenta o laudo de avaliação com ART/CREA, com os requisitos da NBR 14.6533 da ABNT, para contestar o citado arbitramento do VTN, fora de qualquer parâmetro inclusive da tabela SIPT/RFB, além de corrigir a área declarada e sua distribuição, com os respectivos valores e o demonstrativo da apuração do imposto devido. Aduz ser absurdo o valor de R$ 10.500,00 (dez mil e quinhentos reais) por hectare encontrado pelo fiscal para arbitrar o valor da terra nua, fugindo de qualquer parâmetro, inclusive da tabela SIPT da Receita Federal. Afirma, com certeza, que a Tabela SIPT da região, nem de perto chega a este valor, crendo existir uma confusão/erro por parte da autoridade. Explicita ter o Laudo Técnico, levando em conta todos os parâmetros exigidos das normas técnicas vigentes, encontrado o valor de R$ 344,54 por hectare, ou seja, algo em torno de 3% do valor arbitrado. Devendo ser considerado o valor lançado pelo profissional que fez o laudo. Conforme se depreende dos documentos que instruem o processo, consta às efls. 08/09, o Termo de Intimação Fiscal solicitando o laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do referido imóvel, em relação aos exercícios 2008, 2009 e 2010, a qual não foi respondida no tempo pretendido pela fiscalização. Fl. 262DF CARF MF 6 Observase do documento acima citado, que ao final da relação de cada exercício, tem a indicação do valor do VTN para o Município, vejamos: Em relação ao ano de 2008: "[...] Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2008: [...] A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2008 no valor de R$: Valor do VTN para o Município R$ 632,38." Ano de 2009: "[...] Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2009: [...] A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2008 no valor de R$: Valor do VTN para o Município R$ 630,73." E por último, o ano em debate: "[...] Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2010: [...]A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei nº 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2008 no valor de R$: OUTRAS R$ 10.500,00." Notase dos excertos encimados, a enorme discrepância em relação aos valores atribuídos para os exercícios de 2008 e 2009, cerca de R$ 630,00, enquanto para 2010, R$ 10.500,00. Afora isto, há uma divergência acerca dos termos utilizados, nos dois primeiros consta: Valor do VTN para o Município, já no ano em questão diz: OUTRAS. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10120.729467/201355 Acórdão n.º 2401004.905 S2C4T1 Fl. 5 7 Este motivo, por si só, já é o bastante para retificação do valor atribuído ao valor da terra nua aqui discutido. Se não bastasse isso, é importante salientar que a Delegacia de Julgamento manteve o lançamento, pelo simples motivo de não observar nos autos, o laudo técnico de avaliação com ART/CREA, emitido por profissional habilitado ou empresa de reconhecida capacitação técnica. Realmente, em analise, não vislumbrei esse laudo até o momento do julgamento de piso. No entanto, em sede recursal, o contribuinte apresenta laudo técnico de avaliação e anexos, efls. 159/254, elaborado por profissional habilitado, com ART/CREAGO. Da análise desse laudo, que adota o método comparativo de dados de mercado, verificase que o autor do trabalho específica as áreas e as características do imóvel avaliado (denominação, localização, condições de acesso, infraestrutura, destinação econômica etc), fundamentado na NBR14.6533 da ABNT. Assim, o laudo técnico classificado com grau de fundamentação e precisão II, elaborado por profissional habilitado, atende aos requisitos essenciais estabelecidos na referida norma da ABNT e demonstra de maneira convincente o valor fundiário do imóvel, sendo considerado documento hábil para alterar o VTN arbitrado. Neste mesmo sentindo, a DRJ em Brasília, julgou os autos referentes ao ITR/2009, nos termos do Acórdão n° 0355.002/2013, conforme ementa abaixo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2009 DA PRELIMINAR DE NULIDADE Tendo o procedimento fiscal sido instaurado de acordo com os princípios constitucionais vigentes, possibilitando ao contribuinte o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa, é incabível a nulidade requerida. DECLARAÇÃO RETIFICADORA PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida da fiscalização excluí a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA ÁREA DE PASTAGENS. Não comprovada, por meio de documentação hábeis, a existência de rebanho no ano base de 2008, deverá ser mantida a glosa, efetuada pela autoridade fiscal, da área de pastagem, declarada para o ITR/2009, observada a legislação de regência. Fl. 264DF CARF MF 8 DO VALOR DA TERRA NUA VTN Deverá ser revisto o VTN arbitrado para o ITR/2009, com base em laudo técnico de avaliação emitido por profissional habilitado e com ART/CREA, demonstrando de maneira convincente o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços da época do fato gerador do imposto, bem como suas peculiaridades desfavoráveis. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte."(grifei) Portanto, com base nessas provas documentais, entendo que deva ser acatado o VTN de R$ 344,54/ha. DA ÁREA DE PASTAGENS Insurgese também quanto a suposta diferença em relação ao grau de utilização em relação hectare por animal, anexando cópia das notas fiscais de compra de 4.970 doses de vacina contra AFTOSA e 5.025 doses contra RAIVA, além da comprovação da vacinação, comprovando de forma inequívoca a existência de animais suficientes para preencher os requisitos necessários exigidos pela legislação para área de pastagem. Alega que o referido laudo foi objeto de comprovação para os anos 2008 e 2009, e no processo 10.120.725.747/201211, relativo ao ano base 2008, a DRJ de Brasília, acatou por completo o VTN constante do laudo. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: "LEI Nº 9.393, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1996. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: [...] IV área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, excluídas as áreas: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10120.729467/201355 Acórdão n.º 2401004.905 S2C4T1 Fl. 6 9 a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo;(Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: a) sido plantada com produtos vegetais; b) servido de pastagem, nativa ou plantada, observados índices de lotação por zona de pecuária; c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental;[...]" (grifei) Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, será excluída da apuração do ITR aquela área de pastagem, efetivamente utilizada, observados os índices de lotação por zona de pecuária. In casu, desde a impugnação e repisando em seu recurso o litigante aduz a existência de animais suficientes para preencher os requisitos necessários exigidos pela legislação para área de pastagem, anexando cópia das notas fiscais de compra de 4.970 doses de vacina contra AFTOSA e 5.025 doses contra RAIVA, além da comprovação da vacinação. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito das autoridades fazendárias autuante e julgadora de primeira instância, o pleito do contribuinte merece acolhimento, como passaremos a demonstrar. Da análise dos documentos acostados aos autos, de efls. 127/128, são as declarações de comprovação de vacinação dos bovinos e bubalinos, às e=fls 132/151, foram disponibilizados os relatórios de GTA´s emitidas por exploração durante todo o ano base de 2009. Assim, fica claro que o contribuinte comprova a existência de uma quantidade de animais suficientes para justificar a área de pastagem. Afora a comprovação já mencionada acima, o Laudo de Avaliação, efls. 163, é claro sobre as áreas de pastagens, vejamos: Com efeito, não é razoável que o laudo possa produzir efeito em relação a algumas áreas da propriedade, bem como o valor do VTN e não em relação a pastagem. Portanto, sanada a exigência que deu margem a notificação, estando demonstrado nos autos que efetivamente existia no ano base 2009 uma quantidade de animais suficientes para justificar as pastagens, devendo ser considerada improcedente a glosa de 3.424,93ha, equivalente a 68,34% conforme mencionado no laudo. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER Fl. 266DF CARF MF 10 DO RECURSO VOLUNTÁRIO, e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 267DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721489/2013-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA
O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO
O Auto de Infração foi devidamente motivado e em consonância com o estabelecido no art. 145 do CTN, não devendo que se falar em nulidade do ato.
VERDADE MATERIAL. AUTO DE INFRAÇÃO
Não vejo equívoco no auto de infração diante dos levantamentos comprovados através dos cruzamentos DIRF x GPS, após o confronto com a documentação apresentada pelo contribuinte e a devida exclusão de valores. A postulante não se exonerou em afastar o restante levantamento apurado.
GRATIFICAÇÃO DE CONTINGENTE. INCIDÊNCIA.
Integra a remuneração, bem como o salário-de-contribuição do segurado empregado, a parcela devida a título de Gratificação Contingente, cuja previsão de pagamento repete-se de maneira sistemática nos acordos coletivos de trabalho. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção. A parcela que corresponde a um percentual aplicado sobre a remuneração normal do trabalhador não caracteriza desvinculação do respectivo salário.
GRATIFICAÇÃO EXTRAORDINÁRIA GERENCIAL. INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO ACIONARIA. BÔNUS DE DESEMPENHO
Nítido caráter salarial. Esta cristalina a natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, pelo e não, para, o trabalho.
Numero da decisão: 2401-004.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos à gratificação de contingente. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O Auto de Infração foi devidamente motivado e em consonância com o estabelecido no art. 145 do CTN, não devendo que se falar em nulidade do ato. VERDADE MATERIAL. AUTO DE INFRAÇÃO Não vejo equívoco no auto de infração diante dos levantamentos comprovados através dos cruzamentos DIRF x GPS, após o confronto com a documentação apresentada pelo contribuinte e a devida exclusão de valores. A postulante não se exonerou em afastar o restante levantamento apurado. GRATIFICAÇÃO DE CONTINGENTE. INCIDÊNCIA. Integra a remuneração, bem como o salário-de-contribuição do segurado empregado, a parcela devida a título de Gratificação Contingente, cuja previsão de pagamento repete-se de maneira sistemática nos acordos coletivos de trabalho. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção. A parcela que corresponde a um percentual aplicado sobre a remuneração normal do trabalhador não caracteriza desvinculação do respectivo salário. GRATIFICAÇÃO EXTRAORDINÁRIA GERENCIAL. INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO ACIONARIA. BÔNUS DE DESEMPENHO Nítido caráter salarial. Esta cristalina a natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, pelo e não, para, o trabalho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos à gratificação de contingente. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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INOCORRÊNCIA O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O Auto de Infração foi devidamente motivado e em consonância com o estabelecido no art. 145 do CTN, não devendo que se falar em nulidade do ato. VERDADE MATERIAL. AUTO DE INFRAÇÃO Não vejo equívoco no auto de infração diante dos levantamentos comprovados através dos cruzamentos DIRF x GPS, após o confronto com a documentação apresentada pelo contribuinte e a devida exclusão de valores. A postulante não se exonerou em afastar o restante levantamento apurado. GRATIFICAÇÃO DE CONTINGENTE. INCIDÊNCIA. Integra a remuneração, bem como o saláriodecontribuição do segurado empregado, a parcela devida a título de Gratificação Contingente, cuja previsão de pagamento repetese de maneira sistemática nos acordos coletivos de trabalho. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção. A parcela que corresponde a um percentual aplicado sobre a remuneração normal do trabalhador não caracteriza desvinculação do respectivo salário. GRATIFICAÇÃO EXTRAORDINÁRIA GERENCIAL. INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO ACIONARIA. BÔNUS DE DESEMPENHO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 14 89 /2 01 3- 98 Fl. 2544DF CARF MF 2 Nítido caráter salarial. Esta cristalina a natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, “pelo” e não, “para”, o trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos à gratificação de contingente. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 16682.721489/201398 Acórdão n.º 2401004.761 S2C4T1 Fl. 2.545 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I RJ (DRJ/RJI), que julgou, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, nos termos do relatório e voto, para considerar devido os créditos tributários, nos valores exigidos nos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.011.0363, 51.011.0371 e 51.011.0380, acrescidos de juros a serem calculados na data da liquidação, conforme ementa do Acórdão nº 1264.282 (fls. 1.844/1.858): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÕES HABITUAIS E ABONOS. SEGURADO EMPREGADO. CONVENÇÕES COLETIVAS. EFEITOS. A contribuição previdenciária a cargo da empresa incide sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados. O § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91 enumera as hipóteses de exclusão de salário de contribuição dos empregados para fins de custeio da Seguridade Social. Não comportam incidência de contribuições previdenciárias apenas as verbas que se subsumem ao disposto no item 7, alínea “e” do dispositivo, caracterizandose de ganhos eventuais. As convenções entre particulares, ainda que façam leis entre as partes, não podem se opor à Fazenda Pública. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. SALÁRIO DECONTRIBUIÇÃO. O saláriodecontribuição do segurado contribuinte individual é composto pelo total das remunerações recebidas a qualquer título, no decorrer do mês. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS PARAESTATAIS (TERCEIROS). São devidas as contribuições a outras entidades e fundos paraestatais (terceiros) incidentes sobre as mesmas bases das contribuições devidas à Seguridade Social. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é devida por expressa previsão legal e, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Fl. 2546DF CARF MF 4 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. É inadequada a postulação de matéria relativa à inconstitucionalidade na esfera administrativa, na forma prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, acrescido pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Presente processo é composto por 03 Autos de Infração (Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário à fl. 02), referente período de apuração 01/01/2009 a 31/12/2011, lavrados em 02/01/2014, conforme se segue: 1. AI DEBCAD nº 51.011.0363 (fls. 05/14), relativo à Contribuições previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a qualquer título a contribuintes individuais, no valor de R$ 276.320,16. 2. AI DEBCAD nº 51.011.0371 (fls. 15/70), relativo à Contribuições previdenciárias a cargo da empresa e ao RAT (Contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho), incidentes sobre a remuneração paga a qualquer título a segurados empregados e a contribuintes individuais, no valor de R$ 29.887.847,44. 3. AI DEBCAD nº 51.011.0380 (fls. 71/116), relativo a contribuições destinadas à outras entidades e fundos (terceiros), incidentes sobre a remuneração paga a qualquer título a segurados empregados, no valor de R$ 7.111.278,90. O Relatório Fiscal dos Autos de Infração (fls. 350/371 e anexos às fls.377 a 646), em síntese, informa que: · As contribuições exigidas recaem sobre as remunerações pagas a diversos títulos (abonos, incentivos e gratificações), não oferecidas à tributação previdenciária, classificadas em folhas de pagamento como “não incidentes para a Previdência Social”, e não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social – GFIP; · As verbas não declaradas em GFIP pagas aos Empregados foram localizadas nas folhas de pagamento nas seguintes Rubricas: a) Rubrica 1469 Gratificação Contingente (levantamentos G1 e G2); b) Rubrica 1030 Gratificação Extraordinária Gerencial (levantamento GE); Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 16682.721489/201398 Acórdão n.º 2401004.761 S2C4T1 Fl. 2.546 5 c) Rubrica 1477 Incentivo à Participação Acionária. (Levantamento IP); · As verbas não declaradas em GFIP pagas aos Contribuintes Individuais (Dirigentes) foram localizadas nas folhas de pagamento na Rubrica 2007 Bônus de Desempenho (levantamento BD); · A relação com os pagamentos individualizados por empregado e as respectivas bases de cálculo estão nos anexos II, III e IV (fls. 415 a 639). · A relação com os pagamentos individualizados por contribuinte individual (Bônus de Desempenho) está no anexo V (fl. 640); · A relação com os pagamentos a pessoas físicas sem vínculo empregatício (Contribuintes Individuais), constantes em DIRF (levantamento CI), sem declaração em GFIP, encontramse no anexo VI (fls. 641 a 646); · As remunerações pagas aos trabalhadores declarados em DIRF (código 0588) "Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício", não declaradas em GFIP, foram levantadas por aferição indireta (AI n° 51.011.0363); · Que foi verificada a mudança de enquadramento do CNAE preponderante durante o período fiscalizado: a) Ano de 2009: CNAE preponderante: 5011401 Transporte Marítimo de Cabotagem; b) Anos de 2010 e 2011: CNAE preponderante: 4949000 Transporte Dutoviário; · Questionou, por Termos de Intimação Fiscal – TIF, qual a natureza dos pagamentos de cada rubrica. Em resposta, a empresa detalhou as condições de cada pagamento e informou que eles estavam previstos nos Acordos Coletivos firmados entre a categoria e o empregador. O contribuinte foi intimado dos Autos de Infração, pessoalmente, em 03/01/2014, conforme assinatura no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF (fl. 347). Em 03/02/2014 apresentou, tempestivamente, suas Impugnações aos DEBCADS: · Nº 51.011.0380 (fls. 759/782, doc. anexos às fls. 783/1.058); · Nº 51.011.0371 (fls. 1.062/1.094, doc. anexos às fls. 1.095/1.385); · Nº 51.011.0363 (fls. 1.389/1.412, doc. anexos às fls. 1.413/1.763); Fl. 2548DF CARF MF 6 O Contribuinte, em 05/02/2014, promoveu a juntada de mais documentos (fls. 1.768/1.830). Nas impugnações apresentadas pelo Contribuinte ele requer que sejam consideradas as relevantes razões de fato e de direito aduzidas e pleiteia que os Autos de Infração sejam julgados improcedentes, cancelando, na sua totalidade, os lançamentos tributários. Na impugnação do AI nº 51.011.0363 ele pele, alternativamente, a redução da multa arbitrada em homenagem aos princípios da legalidade e não confisco. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento pela 13ª Turma da DRJ/RJI, foi julgado IMPROCEDENTE mantendo os créditos constituídos pelos Autos de Infração. O contribuinte teve ciência do Acordão nº 1264.282 em 14/05/2014, por meio de sua Caixa Postal (TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO fl. 1.869), e apresentou, tempestivamente, em 09/06/2014, seu Recurso Voluntário (fls. 1.941/1.992, doc. anexos às fls. 1.993/2.506), onde: · Preliminarmente, arguia nulidade da decisão recorrida, em relação aos Autos de Infração, sob argumento de falta de adequada fundamentação o que implica numa ausência de motivação ou a sua precariedade, prejudicando o seu direito de defesa, nos termos do art. 59, inciso II do Decreto 70.35/72; · Argui também, nas preliminares, a nulidade do Auto de Infração DEBCAD nº 51.011.0363 por ausência de caracterização da infração, pois, segundo seu entendimento, existe um desacordo entre a motivação da lavratura do AI e a fundamentação legal apresentada, o que confrontando diversos princípios que regem os atos da Administração Pública em geral. Cita nas suas argumentações o que dispõe o art. 2º, inciso VII, e o art. 50, inciso II, § 1º, ambos da Lei 9.784/99. Colaciona à peça recursal jurisprudência unânime da 2ª Tuma da Câmara Superior do CARF; · Aduz que, pelo fato de existir declaração em GFIP relacionadas às remunerações pagas às pessoas físicas prestadoras de serviço e, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, não merece prosperar a cobrança constante do Auto de Infração DEBCAD nº 51.011.0363. Anexa ao RV o Doc. 06 (fls. 2.198/2.328), que traz uma planilha que faz a correlação da declaração dos contribuintes individuais informados na GFIP e na DIRF. Neste anexo também estão as cópias das GFIPs, que constam na planilha de correlação, bem como os Protocolos de Envio de Arquivos pela Conectividade Social; · Argumenta que a decisão de 1ª instância, que manteve as exigências dos Autos de Infração DEBCAD 51.011.0371 e DEBCAD 51.011.0380, não merece prosperar em razão da ausência de natura salarial das verbas usadas como base de cálculo (Gratificação de Continente, Gratificação Extraordinária Gerencial, Incentivo à Participação Acionária e Bônus de Desempenho). · Assevera que a Contribuição à Terceiros, segundo preconiza o art. 109 da Instrução Normativa RFB nº 971/09, tem a mesma base de Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 16682.721489/201398 Acórdão n.º 2401004.761 S2C4T1 Fl. 2.547 7 cálculo que as Contribuições destinadas à Previdência Social, ou seja, a folha de pagamento de salários. Colaciona jurisprudência recente do TRF1 (fl. 1.966), nesse sentido; · Reforça sua alegação de que as verbas de Gratificação de Contingente devem ser excluídas da base de cálculo da Contribuições destinadas a Terceiros porque não possuem natureza salarial. Afirma que esse valor é pago por força de Acordo Coletivo de Trabalho (Doc. 08 às fls. 2.407/2.502) e que o pagamento não é feito de forma habitual. Cita, nesse sentido, doutrina, jurisprudência do TST e do STJ, o Ato Declaratório nº 16/2011 da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional; · Afirma que a Gratificação Extraordinária Gerencial, paga uma única vez, também deve ser excluída da base de cálculo da Contribuição Previdenciária pois, não integram o salário dos empregados já que está afastada a característica indispensável da habitualidade. Cita jurisprudência do STJ nesse sentido; · Com relação às verbas de Incentivo à Participação Acionária, informa que a Recorrente, com o intuito de fazer com que seus empregados participem do crescimento da empresa, desenvolveu um plano de incentivo, previsto no Acordo Coletivo de Trabalho (Doc. 08 às fls. 2.407/2.502) e aprovado pela Diretoria (Doc. 10 Ata de Reunião nº 477 – fls. 2.505/.2506). Afirma que, os valores restituídos aos empregados que adquirem ações da empresa, não tem natureza salarial por ausência de habitualidade, pelo caráter voluntário e a onerosidade existente, já que os empregados usam recursos próprios na aquisição das ações. Cita jurisprudência do TRF 3ª Região e do TST, nesse sentido; · Utiliza o mesmo argumento, falta de habitualidade, para dizer que as verbas de Bônus de Desempenho, pagas aos seus diretores, paga uma única vez, no final do ano, em razão de decisão do Conselho de Diretores, também não pode compor a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. Cita doutrina; · Argui a nulidade da multa exigida, diante da patente violação ao Princípio da Proporcionalidade e do Nãoconfisco. Cita doutrina, e jurisprudência do STF no julgamento da ADI nº 551. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo que sejam consideradas as relevantes razões de fato e de direito aduzidas a fim de reformar a decisão recorrida, cancelando, na sua totalidade o lançamento tributário. É o relatório. Fl. 2550DF CARF MF 8 Voto Vencido Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Da nulidade da decisão de primeira instância Preliminarmente, aduz as pessoa jurídica Recorrente que a negativa do pleito requerido inicialmente quanto ao deferimento de prazo suplementar para a apresentação de documentos com vistas a prestigiar o princípio da verdade material, implicaria na nulidade do julgado. Entendo que não assiste razão às Recorrentes. Não há que se falar em nulidade quando o julgador proferiu decisão fundamentada explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Ademais, o Decreto 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, estabelece na Seção VI concernente ao julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, diferente do que foi suscitado pela recorrente, entendo que o indeferimento do seu pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. Assim, rejeito a preliminar suscitada pela parte. Da nulidade do Auto de Infração nº 51.011.0363 Assevera a Recorrente que o Auto de Infração não guarda correlação com a cobrança de contribuição à seguridade social, acrescida da multa de 75%, isso porque, com a publicação da Lei nº 11.941,09 trouxe no art. 32A, a previsão de multas aplicáveis na hipótese Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 16682.721489/201398 Acórdão n.º 2401004.761 S2C4T1 Fl. 2.548 9 de não apresentação da GFIP, razão porque o Fisco não procedeu a correta motivação para ensejar a cobrabça. O Auto de Infração em apreço se refere ao lançamento para a cobrança de obrigação principal, razão porque, aplicase a multa de ofício de 75% positivada no art. art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). A multa estabelecida no art. 32A da Lei nº 8.212/91 diz respeito ao descumprimento de obrigação acessória isolada, o que não se refere ao presente caso em que ocorreu inadimplemento da obrigação principal relativa aos fatos geradores levantados no lançamento. Correta, pois, a aplicação da multa. Quanto ao argumento de falta de motivação do Auto de Infração por não fazer menção à exigência das contribuições não recolhidas, cumpre destacar que o item 3.4 do Relatório Fiscal, resta claro que o lançamento se refere às contribuições a cargo da empresa sobre a remuneração paga a qualquer título a contribuintes individuais, correspondentes à parte empresa em face de divergências verificadas na comparação entre o que fora declarado em DIRF (rendimento do trabalho sem vínculo empregatício) e o montante de remuneração de contribuintes individuais declarados em GFIP. Destaquese ainda que o contribuinte foi intimado pela fiscalização, através dos Termos de Intimação nºs 4 e 6, objetivando a identificação da natureza do trabalho prestado e o motivo das divergências. Ademais, em resposta às intimações, a empresa apresentou planilha identificando o tipo de serviço prestado, e apontou a correspondente declaração em GFIP para determinados trabalhadores, no entanto, ainda restaram trabalhadores declarados em DIRF cuja declaração em GFIP não foi identificada. Assim, constatase que o lançamento foi motivado, razão porque não assiste razão à Recorrente. Fl. 2552DF CARF MF 10 Do mérito Auto de Infração 51.011.0363 – verdade material – existência de declaração em GFIP das remunerações das pessoas físicas prestadoras de serviço Segundo a peça recursal, existem diferenças entre os contribuintes individuais declarados em GFIP e em DIRF pelo fato de na GFIP constar alguns erros de digitação, o que pode ter dificultado o Fisco no momento da apuração. apresenta tabela com erros apontados. Ocorre que no item 16 da acusação fiscal, esclarece que não obstante ter apurado uma diferença a partir do cruzamento das informações das remunerações pagas aos trabalhadores em DIRF em confronto com a GPS, , após a regular intimação do contribuinte e apresentação pertinente de documentos, foram feitas as exclusões necessárias, porém, ainda restaram trabalhadores cuja declaração não foi identificada, o que gerou o lançamento relativo às remunerações às pessoas físicas, prestadoras de serviços. Diferente do que asseverou a Recorrente, não vejo equívoco no auto de infração neste ponto, diante dos levantamentos comprovados através dos cruzamentos DIRFxGPS, após o confronto com a documentação apresentada pelo contribuinte e a devida exclusão de valores, a postulante não se exonerou em afastar o restante levantamento apurado. Conforme bem destacou a decisão de piso, a última GFIP da Competência 01/2009, citada pela Defesa, de nº FJXizMcPRcf00000 foi enviada em 03/12/2013 quase no fim do procedimento fiscal. A GFIF nº ATnurTwhsfa00000 da mesma forma apontada pela Impugnante como suposta causadora de erro no lançamento, por conter equívoco no nome da segurada ANA PATRICIA BRANDÃO DE MIRANDA, também foi enviada em 03/12/2013 e, justamente por ter sido encaminhada em período de ação fiscal, encontrase sob o status “Aguardando Exportação”, o que indica que as informações nela contidas ainda não foram repassadas para as áreas de Arrecadação e para o CNIS. O cotejamento com a documentação apresentada foi feito e a argumentação genérica não tem o condão de afastar os levantamentos efetuados. Da Gratificação de Contingente (rubrica 1469 – Levantamento G1 e G2) Pleiteia a recorrente a não incidência da contribuição previdenciária da gratificação de contingente por se tratar de pagamento único e não habitual, decorrente de previsão expressa em Acordo Coletivo de Trabalho firmado. É certo que os acordos e convenções coletivas de trabalho não detêm o poder de alterar a definição legal do fato gerador de contribuição para a Seguridade Social (art. 114 e 123 do CTN). De outro lado, em face da gratificação de contingente encontrarse estabelecida em Acordos Coletivos de Trabalho, cabe ao Fisco, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributável. Fl. 2553DF CARF MF Processo nº 16682.721489/201398 Acórdão n.º 2401004.761 S2C4T1 Fl. 2.549 11 Nesse contexto, os pagamentos realizados sem habitualidade, ainda que por mera liberalidade do empregador, não sofrem a incidência de contribuição previdenciária por não comporem o salário de contribuição, o que se fundamenta pelo disposto no art. 28, § 9°, “e”, item 7, da Lei 8.212/91: A gratificação de contingente foi pactuada em Acordos Coletivos de Trabalho (fls. 2430/2521), com destinação específica a empregados da ativa, pagas uma única vez, sem qualquer compensação e sem incorporação ao salário, como se destaca na Cláusula 96ª do AC de 2007, repisada nos ACT/2009 e ACT/2011, senão vejamos o AC/2007 que tem o mesmo teor dos demais: AC/2007: A companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2007 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2007, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporado aos respectivos salários, no valor correspondente a 80% (oitenta por cento) da sua remuneração normal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias. O recorrente alega, ainda, que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, editou o Ato Declaratório n° 16, de 20 de dezembro de 2011 (DOU de 22.12.2011), em que reconhece expressamente que sobre o abono único previsto em convenção coletiva de trabalho, e desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não incide contribuição previdenciária, in verbis: ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009) Verifico, no presente caso, que se encontram presentes os requisitos estabelecidos no art. 28, § 9°, “e”, item 7, da Lei 8.212/91, para a não incidência da contribuição previdenciária, haja vista que as importâncias recebidas são expressamente desvinculados do salário, conforme determinam os Acordos Coletivos (não incorporados aos respectivos salários) e pagos sem habitualidade, configurando nítido caráter indenizatório. Portanto, afasto do lançamento da referida rubrica. Fl. 2554DF CARF MF 12 Da Gratificação Extraordinária Gerencial (rubrica 1030 – Levantamento GE). Assevera o contribuinte que a Gratificação Extraordinária Gerencial não se reveste de características salariais, posto que paga uma única vez, o que afasta a habitualidade. De acordo com o Relatório Fiscal, instada a se manifestar acerca da referida verba, o contribuinte esclareceu que trata de pagamento realizado para o corpo gerencial e especialistas na gestão e execução do novo Plano de Negócios e foi fruto de livre manifestação do empregador, em caráter excepcional e em parcela única (fl. 357). No tocante à Gratificação Gerencial, entendo que não merece prosperar os argumentos da Recorrente. isso porque o caráter geral de remuneração integradora do salário de contribuição, encontrase positivada no artigo 22 da Lei nº 8.212/91; e a não subsunção à norma, precipuamente, a prevista artigo 28, § 9º, “e”, item 7 da Lei nº 8.212/91, deve considerar a não eventualidade do ganho e inexistência de desvinculação salarial, nem por lei, nem por acordo coletivo algum, dado que tal gratificação, sequer foi estipulada em ACT; não devendo ser aplicado o Ato Declaratório PGFN nº 16, de 20.12.2011, considerando que a gratificação não foi sequer prevista em ACT, possui vinculação ao salário. Do Incentivo à Participação Acionária (rubrica 1477 – Levantamento IP) Segundo a Recorrente tal verba não integra o salário por ter natureza mercantil, sendo caracterizadas como compra de ações. Referido incentivo não tem natureza de negócio mercantil, configurando claramente em remuneração indireta aos empregados que se tornaram acionistas e não pode ser entendida como indenização alguma. Como se vê, não há previsão em lei ou em ACT no sentido de desvincular tais pagamentos de tributação previdenciária, sendo ofertados “pelo trabalho” e não “para o trabalho”, integrando a regra geral de incidência prevista nos artigos 22, I, e artigo 28, ambos, da Lei nº 8.212/91. Do Bônus Desempenho (Rubrica 2007 – Levantamento BD) A Recorrente alega que os citados pagamentos deramse como forma de indenização pelos desempenhos dos empregados. decorreu de pagamentos feitos a diretores no final do ano em razão de decisão do conselho de diretores. Pois bem, ressai cristalina a natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, “pelo” e não, “para”, o trabalho. destacamos o que estabelece a Consolidação das Leis do Trabalho a esse respeito: Fl. 2555DF CARF MF Processo nº 16682.721489/201398 Acórdão n.º 2401004.761 S2C4T1 Fl. 2.550 13 Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953). Aliado à norma especializada, bem como aos artigos. 22, I, e. 28, ambos, da Lei nº 8.212/91, ausência de norma que isenta em lei ou ACT e a inaplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 16, de 20.12.2011, mostrase firme o lançamento nos moldes efetuados. Da multa abusiva Aduz que a imposição de multa no importe de 75% avança de forma desmedida no patrimônio do contribuinte. com efeito, a multa de ofício de 75% foi positivada no art. art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91 e encontrase em consonância com o ordenamento jurídico pátrio. A administração tributária está jungida pela estrita legalidade e que no âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos seus órgãos julgadores afastar a aplicação ou deixar de observar a legislação tributária, conforme disposto no artigo 26A, do Decreto n°. 70.23 5/ 1972. Não prospera referida argumentação. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, exonerando do lançamento a gratificação de contingente apurada no Levantamento G1 e G2. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 2556DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Divirjo da I. Relatora quanto à Gratificação Contingente (Rubrica 1469 – Levantamento G1 e G2). Além do caráter habitual, as importâncias recebidas não estão desvinculadas do salário do trabalhador. Com efeito, esclarece o Relatório Fiscal que a verba é decorrente de cláusula expressa inserta nos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT), com previsão no ACT/2007, vigência de 1º de setembro de 2007 até 31 de agosto de 2009; no ACT 2009, vigência de 1º de setembro de 2009 até 31 de agosto de 2011; e ACT 2011, vigência de 1º de setembro de 2011 até 31 de agosto de 2013 (fls. 353/354). Embora devida de um só vez aos segurados empregados durante o período de vigência do respectivo ACT, conforme cláusula da negociação coletiva, a previsão de pagamento repetese de maneira sistemática em todos os acordos firmados. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção. Tampouco as parcelas recebidas estão desvinculadas do salário, eis que correspondem a um percentual aplicado sobre a remuneração normal do trabalhador. A impossibilidade de tributação dos pagamentos recebidos a título de ganho eventual, dada a exclusão expressa pelo item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 11991, não comporta a interpretação pretendida pela recorrente no recurso voluntário. Eis o dispositivo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) O ganho eventual a que alude o item 7 da alínea "e" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, deve estar expressamente desvinculado do salário, para só então não integrar a remuneração do segurado empregado. Acresço que no conceito previdenciário a parcela que se destina a retribuir o trabalho possui natureza remuneratória, independentemente da sua periodicidade de pagamento (arts. 22 e 28 da Lei nº 8.212, de 1991). Fl. 2557DF CARF MF Processo nº 16682.721489/201398 Acórdão n.º 2401004.761 S2C4T1 Fl. 2.551 15 É que exigência de habitualidade das parcelas recebidas pelo segurado restringese somente aos ganhos sob a forma de utilidades, denominados "in natura". A legislação tributária não faz menção ao requisito da habitualidade para os ganhos em pecúnia, de tal modo que estão incluídos no campo de incidência das contribuições previdenciárias, nos termos da Lei nº 8.212, de 1991, todos os pagamentos em dinheiro destinados a retribuir o trabalho, quer sejam habituais ou não. É nítida, a meu ver, a natureza remuneratória da Gratificação Contingente, paga como a finalidade de retribuição pelo trabalho prestado à empresa. Para fazer jus ao pagamento da parcela, exigese do trabalhador apenas o vínculo de emprego e o efetivo exercício em determinada data. Logo, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2558DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.002613/2001-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2001 a 30/11/2002
CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO JULGADO. APROVEITAMENTO EM PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Há vedação expressa de aproveitamento de crédito em discussão judicial (art. 170-A do CTN). No caso concreto os créditos adquiridos de terceiros foram reconhecidos por força de provimento judicial concedido em antecipação de tutela, medida revertida posteriormente, solicitado com arrimo no art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, expressamente revogado pelo Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000, que antecedeu o protocolo dos pedidos de compensação objeto dos presentes autos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2001 a 30/11/2002
CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO JULGADO. APROVEITAMENTO EM PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Há vedação expressa de aproveitamento de crédito em discussão judicial (art. 170-A do CTN). No caso concreto os créditos adquiridos de terceiros foram reconhecidos por força de provimento judicial concedido em antecipação de tutela, medida revertida posteriormente, solicitado com arrimo no art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, expressamente revogado pelo Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000, que antecedeu o protocolo dos pedidos de compensação objeto dos presentes autos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2001 a 30/11/2002
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.
Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação com créditos de terceiros, por conseguinte, os correspondentes pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa e as Conselheiras Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza votaram pelas conclusões em relação à preliminar. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento fez declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2001 a 30/11/2002 CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO JULGADO. APROVEITAMENTO EM PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Há vedação expressa de aproveitamento de crédito em discussão judicial (art. 170-A do CTN). No caso concreto os créditos adquiridos de terceiros foram reconhecidos por força de provimento judicial concedido em antecipação de tutela, medida revertida posteriormente, solicitado com arrimo no art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, expressamente revogado pelo Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000, que antecedeu o protocolo dos pedidos de compensação objeto dos presentes autos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2001 a 30/11/2002 CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO JULGADO. APROVEITAMENTO EM PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Há vedação expressa de aproveitamento de crédito em discussão judicial (art. 170-A do CTN). No caso concreto os créditos adquiridos de terceiros foram reconhecidos por força de provimento judicial concedido em antecipação de tutela, medida revertida posteriormente, solicitado com arrimo no art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, expressamente revogado pelo Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000, que antecedeu o protocolo dos pedidos de compensação objeto dos presentes autos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2001 a 30/11/2002 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação com créditos de terceiros, por conseguinte, os correspondentes pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa e as Conselheiras Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza votaram pelas conclusões em relação à preliminar. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2001 a 30/11/2002 CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO JULGADO. APROVEITAMENTO EM PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Há vedação expressa de aproveitamento de crédito em discussão judicial (art. 170A do CTN). No caso concreto os créditos adquiridos de terceiros foram reconhecidos por força de provimento judicial concedido em antecipação de tutela, medida revertida posteriormente, solicitado com arrimo no art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, expressamente revogado pelo Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000, que antecedeu o protocolo dos pedidos de compensação objeto dos presentes autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2001 a 30/11/2002 CRÉDITO DE TERCEIRO. DECISÃO JUDICIAL SEM TRÂNSITO JULGADO. APROVEITAMENTO EM PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Há vedação expressa de aproveitamento de crédito em discussão judicial (art. 170A do CTN). No caso concreto os créditos adquiridos de terceiros foram reconhecidos por força de provimento judicial concedido em antecipação de tutela, medida revertida posteriormente, solicitado com arrimo no art. 15 da Instrução Normativa SRF n° 21, de 1997, expressamente revogado pelo Instrução Normativa SRF nº 41, de 2000, que antecedeu o protocolo dos pedidos de compensação objeto dos presentes autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2001 a 30/11/2002 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 26 13 /2 00 1- 01 Fl. 569DF CARF MF 2 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIRO. CONVERSÃO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação com créditos de terceiros, por conseguinte, os correspondentes pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa e as Conselheiras Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza votaram pelas conclusões em relação à preliminar. O Conselheiro José Fernandes do Nascimento fez declaração de voto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório O assunto devolvido no voluntário se refere utilização de crédito cedido por terceiro e decadência operada por força dos §§ 1º e 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Com o indeferimento do ressarcimento e compensação dos créditos obtidos de terceiros com débito próprio da Recorrente, e, ameaça de cobrança, obteve provimento judicial com o objetivo de suspender a exigência aviada por meio de execução fiscal, sendo o efeito extinto. Debate a Recorrente que a cobrança deve ser dirigida a cedente do crédito tributário, in casu, CIA. AÇUCAREIRA NORTE DE ALAGOAS, por ter sido transferido à cessionária, Recorrente, por meio do procedimento administrativo – Processo 10410.001403/200197, cujo exame ter acontecido perante a Delegacia da Receitas Federal em Maceió ao abrigo da Instrução Normativa SRF nº 21/97. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10410.002613/200101 Acórdão n.º 3302004.263 S3C3T2 Fl. 570 3 Afirma que os débitos declarados foram extinto não por pagamento em dinheiro, mas por compensação com créditos obtidos juntos a Cia Açucareira do Norte de Alagoas, cujos pedidos de compensação (PCCs) foram emitidos entre junho de 2001 e maio de 2002, anterior a alteração do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e da Instrução Normativa SRF nº 21/97, forma de extinção de crédito tributário preconizado pelo artigo 156, II, do CTN. Transcrevo o relatório da decisão recorrida por expressa com riqueza os detalhes dos autos: “RELATÓRIO. 1. O Processo – em conjunto com o de nº 10410.001078/200243, a ele juntado por apensação (fls. 430) – reúne diversos Pedidos de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiros, tendo como cessionária a empresa EMBRASIL – EMPRESA BRASILEIRA DISTRIBUIDORA LTDA., CNPJ 19.166.917/00199, com sede em Ribeirão das Neves – MG, na jurisdição da DRF/Sete Lagoas, e como cedente dos supostos créditos a CIA AÇUCAREIRA NORTE DE ALAGOAS, CNPJ 12.268.181/000110, sediada em Porto Calvo– AL, e jurisdicionada pela DRF/Maceió. 2. O crédito foi utilizado para a compensação de débitos da Cofins, Código 2172, e da Contribuição para o PIS, Código 8109, relativos a diversos meses de 2001 e 2002, e que montam, no global, em não menos que R$ 5,7 milhões. 3. Os Documentos de Crédito à Compensação – DCC foram emitidos pela DRF/Maceió por força de tutela antecipada concedida na Ação Ordinária nº 2001.80.00.0014033, 4ª Vara/AL, na qual se discutia, na época da inicial, o direito, nos últimos 10 anos da propositura da ação (22/03/2001), à apropriação de um suposto crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor de R$ 13.644.469,33. 4. Pelo que pude depreender das decisões prolatadas no juízo de 1º instância e do TRF da 5ª Região, buscava a autora o seguinte: 1) Fundamentalmente, o direito aos chamados “créditosfictos” na aquisição de insumos desonerados do imposto (isentos, tributados à alíquota zero, nãotributados ou imunes), seja na etapa agrícola, do cultivo da canadeaçúcar, seja para utilização no processo industrial, incluída aí a própria canade acúcar (que é “NT”), ainda que adquirida de pessoas físicas e cooperativas; 2) Com representatividade bem menor, a retroatividade, para antes de 1999, do art. 11 da Lei nº 9.779/99, regulamentado pela IN/SRF nº 33/99, que concedeu o direito à manutenção e à utilização dos créditos relativos às aquisições de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) tributados à alíquota positiva utilizados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero, aí intentandose também incluir os insumos da etapa agrícola; Fl. 571DF CARF MF 4 3) Em caráter residual, o creditamento na entrada de itens tributados positivamente mas que não se enquadram na conceituação de produto intermediário da legislação do IPI; 4) Tudo isto considerando a prescrição decenal e fazendo incidir a correção monetária e os juros de mora. 5. Conforme já dito, foi deferida a tutela antecipada requestada pela CIA AÇUCAREIRA, mas em sede de Agravo de Instrumento interposto pela Fazenda foram obstados seus efeitos, consoante ementa transcrita a seguir (o inteiro teor está às fls. 435 a 444): EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CRÉDITO IPI. INSUMOS, MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM, UTILIZADOS EM PRODUTOS FINAIS ISENTOS, IMUNES, NÃOTRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO COMPENSAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 212 DO STJ. 1. Tratase Agravo de Instrumento da FAZENDA NACIONAL, em face da Decisão do Exmo. Juiz Federal da 4ª Vara/AL, Dr. Sebastião José Vasques de Moraes (fls. 39/41), que deferiu, a título de antecipação de tutela, a compensação de créditos de IPI, ressalvada a prescrição decenal, com débitos da mesma exação, em face de indébito verificado, decorrente das aquisições de insumos, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tributados à alíquota zero, imunes ou sujeitos a não incidência. 2. Decisão da Exma. Desembargadora Federal Margarida Cantarelli (fls. 80/81) denegando o efeito suspensivo ao agravo, concluindo que: a) não pode haver o creditamento do IPI se não houve a incidência do tributo em nenhuma das fases da cadeia produtiva; b) a Agravante não logrou êxito em comprovar que esta seja a hipótese dos autos; c) a decisão agravada não teve alcance de conceder creditamento à agravada. 3. A ação principal versa sobre o pedido de creditamento extemporâneo do IPI, respeitado o período prescricional de 10 anos, no valor de R$ 13.644.469,33, e aproveitamento dos referidos créditos, com o lançamento em conta gráfica da Agravada, para compensálos com as saídas (débitos) tributários do IPI ou outros tributos administrados pela SRF, sem qualquer restrição não prevista na Constituição Federal (fls. 45/64); O reconhecimento do direito de compensar créditos de IPI pagos na aquisição de insumos, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, utilizados em produtos finais isentos, imunes, nãotributados ou tributados à alíquota zero, com o IPI devido na saída de outros produtos ou quaisquer outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pode ser determinado por meio de liminar, nem de antecipação dos efeitos da tutela, a teor da Súmula 212 do Superior Tribunal de Justiça. (Precedentes: STJ: Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10410.002613/200101 Acórdão n.º 3302004.263 S3C3T2 Fl. 571 5 RESP933973 Processo: 200700586271/AL: 1ªT Data da decisão: 06/11/2007 Rel. Min. José Delgado. Decisão: unânime. Votantes: Falcão, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda; TRF5: AGIAG46211 Processo: 200205000286253/PE: 1ªTurma. Data da decisão: 06/02/2003 Rel. Desembargador Federal Castro Meira. Decisão unânime; AC315094 Processo: 200280000007914/AL: 2ª Turma Data da decisão: 13/03/2007 Rel. Desembargador Federal Francisco Cavalcanti. Decisão unânime). 5. Agravo regimental prejudicado. Agravo de Instrumento provido. (AGTR nº 35.824/AL, Rel. Des. Federal Hélio Silvio Ourem Campos, DJU 14/05/2008) 6. Com fulcro nesta decisão e ponderando que ainda não havia o trânsito em julgado, a DRF/Maceió emitiu Despachos Decisórios “proclamando nãodeclaradas as compensações” e determinou por conseguinte, que se desse prosseguimento à cobrança dos débitos, ressalvando ainda que não cabia Manifestação de Inconformidade contra o decisum. 7. A DRF/Sete Lagoas, por meio da ARF/Pedro Leopoldo, encaminhou os Despachos Decisórios à EMBRASIL, intimando a a recolher os débitos indevidamente compensados, ressaltando que o não pagamento implicaria o encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva. 8. Irresignada, a EMBRASIL apresentou, em 05/08/2008, Manifestações de Inconformidade contra os Despachos Decisórios, dirigidas à DRF/Maceió, informando o fato à DRF/Sete Lagoas, requerendo a suspensão das cobranças enquanto não definitivamente julgados os recursos. 9. O SEORT/DRF/Sete Lagoas comunicou, em ofício, à EMBRASIL, que a cobrança dos débitos iria prosseguir, pois, conforme consignado nos Despachos Decisórios da DRF/Maceió, não cabia Manifestação de Inconformidade nestes casos e os débitos foram inscritos na Dívida Ativa da União. 10. Inconformada, a EMBRASIL impetrou o Mandado de Segurança (nº 2008.38.12.0012693 – Subseção Judiciária e Vara Única de Sete Lagoas/MG), pleiteando a suspensão da cobrança, obtendo decisão liminar favorável, publicada em 24/10/2008, contra a qual a União interpôs Agravo Retido. 10.1. A sentença concedendo a segurança na parte que interessava à suspensão dos débitos (fls. 408 a 4111) foi publicada em 18/05/2009, tendo o Dispositivo o seguinte teor: Fl. 573DF CARF MF 6 Ante o exposto, não conheço da questão referente à decadência, mas CONCEDO EM PARTE A SEGURANÇA VINDICADA e confirmo a liminar deferida nestes autos, apenas para determinar que a autoridade coatora suspenda a cobrança dos valores constantes nas Notificações ARF/PLO/067/2008 e AFR/PLO/068/2008, até que os recursos apresentados à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Maceió/AL (Processos 10410.001078/200243 e 10410.002613/200101) sejam devidamente julgados. 10.2. Considerando a decisão judicial, os processos (juntados) foram encaminhados a esta DRJ para julgamento 11. Nas Manifestações de Inconformidade, em síntese, centra a reclamante a sua defesa na alegação de que os débitos estariam extintos porque teria se operado a decadência, à vista do disposto no art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN. Nas suas palavras: “Os débitos da requerente/cessionária foram extintos por compensação com créditos a ela cedidos pela Cia. Açucareira Norte de Alagoas ao abrigo da legislação da época, ou seja, artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e Instrução Normativa SRF n° 21/97. Os pedidos são antecedentes às alterações na legislação de regência posto que datados de junho de 2001 com emissão dos DCCs entre junho de 2001 e maio de 2002, momento em que ocorreu a homologação da transferência dos créditos, não se podendo falar em "não homologação" agora em junho de 2008. Portanto, se no dizer expresso da lei, o pagamento antecipado do tributo, em dinheiro ou mediante compensação extingue o crédito tributário sob "condição resolutória de ulterior homologação'' – art. 150, § 1º, do CTN, cujo prazo é de cinco anos para a homologação desse pagamento – artigo 150, § 4º, do CTN, sendo que entre a emissão dos DCCs e o ato de não homologação expresso no despacho decisório de junho de 2008 já transcorreram seis anos e meses, portanto, tendo ocorrido a homologação tácita em face do lapso qüinqüenal, segundo o CTN e a Súmula 108 do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR) – hoje, Superior Tribunal de Justiça (STJ). Desse modo, evidente que houve a homologação tácita, decaindo a Fazenda Pública do direito de lançar e exigir o crédito tributário. Poderseá alegar que a emissão dos DCCs se deu por autorização judicial de cuja relação processual a cessionária, ora requerente, não participou e nem teve mínima responsabilidade, não se podendo dizer ter havido dolo, fraude ou simulação, já que os DCCs foram emitidos pela cedente amparada em 1 Nas referências que faço às folhas do processo que foram digitalizadas utilizo a numeração eletrônica, que difere da original. legislação própria, sem qualquer participação ou interferência da cessionária. O processo judicial em que são partes a cedente e a Fazenda Nacional não impede o curso da decadência em relação à cessionária. Neste particular, cumpre destacar, ainda, que os valores compensados pela Recorrente a partir do direito creditório Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10410.002613/200101 Acórdão n.º 3302004.263 S3C3T2 Fl. 572 7 pleiteado pela Cia. Açucareira Norte de Alagoas nos autos do Processo n° 10410.001403/200197, encontramse extintos por ter implementada a condição resolutória pelo decurso de prazo conferido ao fisco a homologação do pagamento.” 11.1. Estribase em citações doutrinárias para defender que a decadência fulmina o direito do Fisco lançar o tributo e, “se o crédito tributário encontrase extinto para a recorrente em virtude do não exercício pelo fisco do direito de lançamento pela "não homologação" do pagamento dentro do prazo de lei, não poderá a autoridade administrativa falar em não homologação de pedido de compensação e, mais razão ainda estará ela impedida de cobrálo daquela, podendo, entretanto, em nosso modesto entendimento, fazêlo em relação à cedente, haja vista, existir uma relação judicial entre esta e o fisco”. 11.2. Acresce ainda que, “além da ocorrência da decadência, milita em favor da recorrente o fato de que os efeitos da decisão no AGTR 35.824AL não a atingem posto que ela não é e nem foi parte na ação principal. Demais, quando referida decisão foi proferida 22/04/2008 e publicada em 14/05/2008, ou seja, muito além dos cinco anos contados do protocolo dos PCCs e emissão das DCCs, mormente considerando a inexistência de qualquer impedimento legal ou judicial para a autoridade homologar ou não as compensações em relação à pessoa da cessionária/recorrente” e, por estas razões, “tornase imperioso reconhecer que os créditos tributários recolhidos por compensação tributária pela recorrente ante o fato de que os mesmos estão extintos pela compensação – artigo 156, II, do CTN, e homologados tacitamente em virtude do não exercício do direito pelo fisco da faculdade de não homologação dentro dos cinco anos que a lei lhe confere – artigo 150, § 4º, do CTN”. 11.3. Ao final requer: a) que o recurso seja recebido como Manifestação de Inconformidade, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei n.° 9.430/96; b) que seja reconhecida a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários “recolhidos por compensação tributária enquanto não definitivamente julgado o presente recurso de manifestação de inconformidade, nos termos do Decreto n° 70.235, de 1972”; c) que seja o recurso julgado procedente para reformar os Despachos Decisórios da DRF/Maceió.” É o que importa relatar. Voto Fl. 575DF CARF MF 8 Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento e passo a examinar as questões postas. A preliminar arguida se refere homologação por força do disposto no inciso 1º e 4º do art. 150 do CTN. Afirma, também, que o direito de utilizar o crédito de terceiros em processo de compensação aconteceu antes da alteração do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, e, ao abrigo da IN nº 21/97, consubstanciado na emissão dos pedidos de compensação (PCCs) em junho de 2001 e maio de 2002. Em primeiro momento pela sustentação de que os pedidos foram expedidos anteriores as vedações introduzidas ordenamento jurídico pertinente causa inicialmente falsa certeza do direito buscado pela Interessada. Constatase, que os créditos foram utilizados para a compensação de débitos da COFINS e PIS relativos diversos meses de 2001 e 2002, e, os Documentos de Créditos à Compensação – DCC foram emitidos por força de tutela antecipada em ação ordinária de nº 2001.80.00.0014033, Quarta Vara Federa de Alagoas. O provimento judicial obtido, esclareçase, pela Cia Açucareira de Alagoas, e, cedido a Recorrente, sofreu reverso perante o Tribunal Regional Federal, ao reconhecer a impossibilidade de antecipação de tutela seguindo norte da Súmula nº 212 do Colendo Superior Tribunal de Justiça – STJ. O marco a ser considerado na definição das normas a serem aplicadas ao recurso de inconformidade é a data em que foi protocolado o pedido de compensação de crédito com o débito de terceiro, de acordo com jurisprudência esse limite é 30 de dezembro de 1999 e não a data do protocolo do recurso, sendo assim, há de se verificar quando ocorreram os pedidos de compensação. Como é de conhecimento geral, a Lei Complementar nº 104/2001, vigente desde a sua publicação em 11 de janeiro de 2001, vedou a compensação de tributo que seja objeto de contenda judicial antes do trânsito em julgado, art. 170A, do CTN. Verificado que os pedidos foram protocolizados em 28 de junho de 2001 e 26 de fevereiro de 2002, foram alcançados pela vedação da novel legislação que veda o aproveitamento de indébito antes do transito em julgado da decisão que reconheceu a existência do direito. Além do que, estava vigendo a Instrução da Secretária da Receita Federal – IN/SRF nº 41/2000, que vedava compensação de débito do sujeito passivo com créditos de terceiros. Não pode prevalecer o argumento de que o crédito adquirido de terceiro restou reconhecido por meio de processo administrativo com a expedição dos Documentos Certificados de Compensação, haja vista, o dever da Autoridade Administrativa em rever suas decisões. Também, não pode preponderar alegação de que os efeitos da decisão no Agravo de Instrumento de nº 35.824AL alcancem o negócio relativo aquisição do crédito por não ser parte na ação principal. Como se sabe os pactos caráter privado não pode predominar sobre a relação tributária, no caso concreto negado a utilização do crédito em compensação Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10410.002613/200101 Acórdão n.º 3302004.263 S3C3T2 Fl. 573 9 com débito próprio, o beneficiado é a Recorrente, motivo pelo qual cabe ela sofrer as conseqüências da decisão judicial que reverteu antecipação de tutela concedida, inexistindo mais o provimento judicial, a revogação por parte da Administração se fazia obrigatória sob pena de responsabilidade legal, uma vez, que vedação decorre de Lei. Da Decadência. Pelos mesmos fundamentos acima mencionados não ocorreu decadência, os certificados foram expedidos por força de provimento judicial, enquanto vigente a Administração Tributária nada podia fazer, nesse caso não importa o tempo, pois depende da definitividade do assunto perante o judiciário. Portanto, o prazo de cinco anos para homologação não depende da Administração, essa encontrava suspensa até o desfecho judicial quanto ao crédito cedido, o Recorrente sabia da precariedade quando da aquisição, disse bem o julgador de piso, em todos os certificados havia o registro de que foram expedidos por determinação judicial. Razão pela qual afasto alegação de homologação tácita diante do silencio da Administração, que estava até o desfecho da questão junto ao Poder Judiciário impedida de indeferir o pleito. Concluo no sentido de que não ocorreu à alegada decadência, bem como, a impossibilidade de utilizar crédito em discussão judicial, vedação trazida pelo artigo 170A do CTN. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Declaração de Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento. A presente declaração de voto cingese a questão preliminar, prejudicial de mérito, atinente a decadência do direito de lançar ante a ocorrência da homologação tácita da compensação realizada pela recorrente com créditos terceiros no período de junho de 2001 a maio de 2002. A recorrente a alegou que, nos termos do art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, a autoridade administrativa tinha o prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da formação do pedido, para homologar as compensações em apreço, porém, como a decisão não Fl. 577DF CARF MF 10 homologatória fora proferida em 10/6/2008, após 6 (seis) anos e meses, estaria consumada a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Equivocase a recorrente. O art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN trata da homologação tácita do lançamento em que há pagamento antecipado do tributo. No caso, além de não ter havido pagamento, mas compensação, não há que se falar homologação tácita do lançamento, haja vista que, por iniciativa própria, a recorrente procedeu a constituição dos débitos tributários compensados, por meio da DCTF. Assim, se os débitos foram devidamente constituídos, obviamente, a etapa de lançamento ou constituição do crédito está superada, portanto, a decadência suscitada pela recorrente é matéria superada e, portanto, estranha aos autos Dessa forma, resta saber se no caso em tela, de fato, houve a alegada homologação tácita das compensações em referência. Nesse sentido, previamente, cabe consignar que, até 01/10/2002, quando entrou em vigor a sistemática de compensação por declaração, introduzida pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, não havia previsão legal para a homologação tácita da compensação. No período em que vigeu a redação originária do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, alterada pelos citados preceitos legais, e regulamentada pela da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, não havia prazo para homologação dos pedidos de compensação formulados pelos contribuinte. Tal previsão somente passou a existir com a novel alteração supra mencionada. A propósito do assunto em comento, é oportuno enfatizar que, no âmbito dos tributos administrados pela RFB, a compensação do crédito de terceiro não tinha (e continua não tendo) amparo legal. Nesse sentido, atualmente há determinação legal expressa (art. 74, § 12, II, “a”, da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 11.051, de 2004) atribuindo o efeito de compensação não declarada a utilização de crédito de terceiro e tipificando tal conduta como infração sancionada com a multa fixada no § 4º do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com as alterações posteriores. A despeito da falta de previsão legal, o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, em total afronta ao princípio da estrita legalidade, da supremacia do interesse público e da hierarquia das normas, num curto período de tempo, autorizou a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, com a seguinte dicção: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (...). (grifos não originais). Analisando o teor do referido comando normativo, verificase que, a despeito de denominar a quitação do débito de outro contribuinte de “compensação”, na verdade, de compensação não se trata, pois, sabidamente, a forma de extinção dos débitos de terceiro, estabelecida no citado comando normativo, caracterizase como uma novação do tipo subjetiva ativa, prevista no inciso III do art. 3601 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 10 de 1 "Art. 360. Dáse a novação: I quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior; II quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor; Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10410.002613/200101 Acórdão n.º 3302004.263 S3C3T2 Fl. 574 11 janeiro de 2002), que consiste na substituição do credor originário por um novo credor, libertandose o devedor em face do antigo credor. Essa forma de extinção de obrigação, embora prevista no direito privado, não tem previsão no âmbito do direito tributário, pois não integra o rol taxativo do art. 156 do CTN. O instituto da compensação tem característica própria que o diferencia da novação. Aquela pressupõe a existência de obrigações recíprocas. Dito de outra forma, a existência de duas pessoas, simultaneamente, credoras e devedoras uma da outra. Neste sentido, dispõe o art. 368 do Código Civil, a seguir transcrito: “Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem”. Ainda que desprovido de suporte legal, o referido art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, vigeu até 10/4/2000, data em que foi expressamente revogado pelo art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 041 de 07 de abril de 2000. Em consonância com as disposições legais vigentes, este ato normativo também proibiu a compensação de débitos de um sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela RFB, com créditos de terceiros (art. 1º). Logo, diferentemente do alegado pela recorrente, na data em que ela formalizou as compensações em apreço, o referido art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, que, sem fundamento legal, autorizara a compensação com crédito de terceiros, já se encontrava expressamente revogado e, ao contrário do disposto no citado preceito normativo, o art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 041, de 20002, passou expressamente a proibir essa modalidade de compensação, com os seguintes termos, in verbis: Art. 1º É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. Parágrafo único. A vedação referida neste artigo não se aplica aos débitos consolidados no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal REFIS e do parcelamento alternativo instituídos pela Medida Provisória no 2.0045, de 11 de fevereiro de 2000, bem assim em relação aos pedidos de compensação formalizados perante a Secretaria da Receita Federal até o dia imediatamente anterior ao da entrada em vigor desta Instrução Normativa. (grifos não originais) Cabe esclarecer ainda que, além dos pedidos de compensação de crédito com débitos próprios pendentes de análise em 1/10/2002, ainda existiam, em fase de análise, pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros formalizados até 9/4/2000, data do término da vigência do art. 15 da da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, aos quais foram assegurados, pela própria Administração Tributária, o direito de compensação até então vigente. III quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor quite com este". 2 É oportuno esclarecer que a referida regra de transição encontrase reproduzida nas demais Instruções Normativas que passaram a dispor sobre compensação tributária, referente aos tributos administrados pela RFB. Fl. 579DF CARF MF 12 De qualquer modo, não se pode desconhecer que o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 2002, estabeleceu um regramento de transição para os pedidos de compensação pendentes de apreciação até 1/10/2002, nos termos do § 4º acrescido ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito: “Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo”. Em face das regras de transição anteriormente apresentadas, as questões a serem respondidas são as seguintes: os pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, pendentes de análise em 9/4/2000, estão sujeitos a qual regramento? Ao que vigeu até 30/9/2002 ou ao vigente a partir de 1/10/2002, que introduziu o novel regime de compensação por declaração? Afirmativamente, tais pedidos ficaram submetidos à disciplina legal sobre compensação vigente em 9/4/2000 e que vigeu até 30/9/2002, pelos seguintes motivos: a) o novo regime de compensação aplicase apenas à “compensação de débitos próprios”, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1976, com a nova redação da Lei nº 10.637, de 2002; b) a declaração de compensação, prevista na nova sistemática, deve ser entregue pelo próprio sujeito passivo detentor do crédito e do débito a serem compensados, nos termos do § 1º do art. da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 10.637, de 2002; e c) há previsão expressa no § 13 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, acrescido pela Lei nº 11.051, de 2004, no sentido de que a compensação de crédito de terceiros não se submete ao novel regime jurídico de compensação por declaração. Dessa forma, os pedidos de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, formulados até 9/4/2000, pendentes de apreciação na data de início do regime de compensação declarada, por não atender a tais condições, obviamente, não se converteram em declaração de compensação. Assim, com muito mais razão, os pedidos de compensações com crédito de terceiro, formulados a partir de 10/4/2000, como no caso em tela, protocolados após a referida data, quando já não expressa vedação, inclusive, em atos normativos da Receita Federal, induvidosamente, inequivocamente, também não se converteram em declaração de compensação. Assim, os débitos compensados por meio dos citados pedidos não estão sujeitos ao regime de extinção sob condução resolutória da sua ulterior homologação, nem tampouco ao prazo de 5 (cinco) determinado para efetivação da homologação expressa, previstos no art. 74, §§ 2ºe 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Além disso, por se trata de um direito subjetivo de natureza material, o regime jurídico da compensação realizada pelo contribuinte é aquele previsto na norma legal vigente na data do exercício desse direito (a data da compensação), logo, havendo mudança de regime jurídico, os novos preceitos legais somente se aplicam aos fatos e situações futuras (a partir da vigência). Tratase de aplicação da regra geral de direito intertemporal, prevista no art. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10410.002613/200101 Acórdão n.º 3302004.263 S3C3T2 Fl. 575 13 101 do CTN, combinado com o disposto no art. 6º da Lei de Introdução ao Código Civil. Nesse sentido, a doutrina de Hugo de Brito Machado3, explicitada no excerto a seguir reproduzido: (...). Em princípio, o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Essa é a regra geral do chamado direito intertemporal. A lei incide sobre o fato que, concretizando sua hipótese de incidência, acontece durante o tempo em que é vigente. Surgindo uma lei nova para regular fatos do mesmo tipo, ainda assim, aqueles fatos acontecidos durante a vigência da lei anterior foram por ela qualificados juridicamente e a eles, portanto, aplicase a lei antiga. (grifos do original) Não se pode olvidar que a norma jurídica, apenas em caráter excepcional, retroage para qualificar juridicamente os fatos ocorridos antes do início de sua vigência. No âmbito tributário, as hipóteses de retroatividade da norma são aquelas taxativamente enumeradas no art. 106 do CTN, em que não se incluem as situações ou fatos extintivos do crédito tributário por meio da compensação. Em relação ao procedimento de compensação, evidentemente, não pode ser diferente, uma vez que o regime de compensação a que tem direito sujeito passivo é aquele previsto na lei vigente na data da realização da compensação tributária, o que, no âmbito dos tributos administrados pela RFB, corresponde a data da entrega do pedido ou da declaração de compensação. No mesmo sentido, manifestouse a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), por meio do Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1499/2005, em que concluiu pela inexistência de conversão em declaração de compensação dos pedidos de compensação fundados em créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos excertos relevantes transcrevese a seguir: V – COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIRO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO NÃO SÃO CONVERTIDOS EM DCOMPS 38. Partindo do disposto no tópico anterior, é de se perquirir: e os pedidos de compensação com créditos de terceiro que, quando da entrada em vigor da Lei nº 10.637/02 (que incluiu o § 4º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96), encontravamse pendentes de análise pela SRF, estão sujeitos à nova disciplina da “declaração de compensação”? 39. Ora, partindo do pressuposto de que a compensação com créditos de terceiro afigurase como exceção, vedada expressamente pela legislação em vigor, e do fato de o sujeito passivo apenas poder contrapor seu crédito líquido e certo ao crédito fiscal, como direito subjetivo público seu, no caso de existir norma legal autorizadora do encontro de contas e, ainda, submetendose ele aos requisitos de condições e garantias estipulados pela lei específica, é de se entender que os pedidos 3 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 28 ed. São Paulo: Malheiros, 2007, p. 127. Fl. 581DF CARF MF 14 de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na lei nº 9.430/96 e legislação correlata. 40. Assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela SRF (RFB), protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. 41. Com efeito, o precitado art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, ao instituir a “declaração de compensação”, expressamente previu que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para que a “declaração de compensação” feita à Secretaria da Receita Federal extinga o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), mister se faz que o contribuinte utilizese de créditos próprios. 42. Se não existe “declaração de compensação” com créditos de terceiro, por óbvio, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da RFB, não podem transmudarse naquela. 43.E mais, permanecendo como pedidos de compensação, não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. 44. Tal entendimento decorre, inclusive, de uma interpretação sistemática das regras jurídicas encartadas na Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, do confronto entre as regras contidas nesse diploma legal, bem como entre essas regras e as demais que tratam do instituto da compensação. 45. Dito isso, concluise, desde já, que o novel regime da compensação, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (hoje RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa. 46. Não podendo o novo regime instituído para a compensação ser desmembrado, de maneira que apenas alguns de seus postulados sejam cumpridos, em detrimento de outros, é evidente a inaplicabilidade das novas disposições sobre a compensação aos encontros de contas daquela natureza. 47. Resumindo, o encontro de contas pleiteado deve ser analisado de acordo com as normas anteriores, que previam a utilização de créditos de terceiro, não se aplicando, inclusive, a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos). Fl. 582DF CARF MF Processo nº 10410.002613/200101 Acórdão n.º 3302004.263 S3C3T2 Fl. 576 15 48. Não se afigura correto, pois, a conversão dos pedidos de compensação desse jaez (com créditos de terceiros) em declarações de compensação, por total ausência de previsão legal para tanto. 49. E mais, por também não observarem as condições estabelecidas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela MP nº 66/02), resta claro que não podem ser convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Aplicase, pois, o entendimento retro exposto. 50. Por fim, cumpre chamar a atenção para o fato de que, com a entrada em vigor do art. 4º da Lei nº 11.051/04, as compensações, pretendidas a partir desta data, em que os créditos sejam de terceiros (assim como aqueles que se encontrem nas situações elencadas no parágrafo anterior), serão consideradas não declaradas (vide, a respeito, os recém incluídos §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96, que disciplinam esta situação e que ainda serão objeto de análise no presente Parecer). (os últimos grifos não constam do original). No mesmo sentido, o entendimento esposado na Solução de Consulta Cosit nº 1, de 4 de janeiro de 2006, de onde se extrai os trechos dos enunciados da sua ementa a seguir reproduzidos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Homologação tácita de compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto Fl. 583DF CARF MF 16 de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “crédito prêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. [...] (grifos não originais). Em suma, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por falta de amparo legal, o novo regime de compensação declarada não se aplica aos pedidos de compensação de crédito com débitos de terceiros, apresentados na ou após a vigência do art. 15 da Instrução Normativa nº 21, de 1997, e pendentes de análise em 1/10/2002, data que entrou em vigor a nova sistemática de compensação por declaração. Com base nesses fundamentos, assim como nobre Relator, rejeitase a preliminar de decadência por homologação tácita, suscitada pela recorrente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.909949/2012-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Numero da decisão: 3401-003.572
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge dOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
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PAGAMENTO INDEVIDO OUA MAIOR COFINS Recorrente GRG COMERCIO IMPORTADORA E EXPORTADORA DE EQUIPAMENTOS REPROGRAFICOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 99 49 /2 01 2- 08 Fl. 82DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. O Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira votou pelas conclusões, por entender que o pedido não era certo e determinado, e lhe faltava fundamento. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl , Augusto Fiel Jorge d’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP, cujo crédito teria origem em recolhimento da Cofins efetuado a maior. Conforme despacho decisório, a compensação declarada não foi homologada, pelos seguintes motivos: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Ou seja, como a contribuinte declarou dever o exato montante do valor do DARF pago, o despacho decisório não identificou qualquer pagamento a maior ou indevido a justificar o direito de crédito alegado, indeferindo o pedido. Após ser intimada, a ora Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte ("DRJ"), por decisão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo”. Intimada dessa decisão, a ora Recorrente apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário, pelo qual requereu a reforma do acórdão recorrido, com base nos seguintes argumentos: (i) nulidade da decisão recorrida, pois estaria impondo condições ao direito de compensar da Recorrente e por utilizar fundamento para nãohomologação que não encontraria amparo na Lei; (ii) haveria falta de amparo legal e regulamentar no fundamento utilizado para a nãohomologação da compensação, pois não haveria obrigação de retificar a DCTF do período em que se verificou o crédito; (iii) não haveria como se reconhecer válida a emissão de despacho decisório eletrônico; (iv) o crédito seria legítimo; e (v) não teria ocorrido preclusão na produção de provas. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10830.909949/201208 Acórdão n.º 3401003.572 S3C4T1 Fl. 3 3 Em seguida, os autos foram remetidos à Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.542, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.902391/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3401003.542): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401 003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 84DF CARF MF 4 Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. O fundamento para a negativa do pedido foi a não retificação da DCTF pela Recorrente, o que implicou uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de COFINS. Assim, não identificou a Administração Tributária qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente alega apenas o seguinte: A Impugnante, ao calcular o quantum debeatur da exação, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlo. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10830.909949/201208 Acórdão n.º 3401003.572 S3C4T1 Fl. 4 5 aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, etc. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Como se verifica, a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Muito embora não tenha citado qualquer fundamento legal ou os precedentes nos quais teriam sido apreciadas a tese jurídica que ampararia o seu direito de crédito, a Recorrente parece estar se referindo à declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, pelo Supremo Tribunal Federal (“STF”), que depois reconheceu a repercussão geral da questão constitucional nos RE nº 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG. Sem adentrar na ausência de exposição pela Recorrente do fundamento legal e regulamentar que autorizaria a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, a possibilitar a apresentação de sua declaração de compensação, haja vista que nem toda declaração de inconstitucionalidade pelo STF permitirá a compensação tributária (artigo 43, parágrafo 3º, alínea f, da Instrução Normativa nº 900/2008), percebese que a Recorrente não se preocupa em conferir liquidez e certeza ao direito de crédito alegado. Ainda que se admita que o fundamento do direito de crédito seja a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998 e que tal fundamento seja aplicável à Recorrente, essa alegação, por si só, não justifica o direito de crédito. A Recorrente deveria demonstrar que efetivamente realizou o recolhimento de COFINS a maior, sobre uma receita que não poderia se sujeitar à tributação, pela apresentação de demonstrativo das receitas apuradas naquele mês, identificação das receitas que foram incluídas indevidamente, com o suporte contábil e documentação fiscal correspondente. Contudo, nada disso foi apresentado, nem o valor que foi pago a maior e outros elementos, ainda que incompletos, que pudessem servir de princípio de prova. Em seu Recurso Voluntário, a Recorrente procura desenvolver aquilo que havia afirmado na Manifestação de Inconformidade, dessa vez, citando o dispositivo declarado inconstitucional e identificando os precedentes, e inova, em contrariedade ao que antes havia informado sobre a origem do crédito. O direito de crédito não mais seria em razão da inconstitucionalidade de dispositivo da Lei nº 9.718/1998, mas também em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, argumento que já nem poderia ser conhecido, em razão dos efeitos da preclusão (artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972). Fl. 86DF CARF MF 6 De qualquer maneira, novamente, a Recorrente se limita a indicar a tese jurídica de forma geral, sem expor, no seu caso concreto, a origem do crédito, que operações realizou, em que valor, o que foi indevidamente incluído na base de cálculo, e também não apresenta qualquer documentação que pudesse dar suporte ao direito de crédito alegado. Portanto, a declaração de compensação apresentada pela Recorrente, sem qualquer prova da origem do crédito, não pode prosperar, estando correta a decisão recorrida na manutenção da nãohomologação, em perfeita harmonia com o disposto nos artigos 170 do CTN, e 74 da Lei nº 9.430/1996, que prevêem como requisito para a compensação tributária a existência de crédito líquido e certo. Por fim, quanto à questão prejudicial levantada pela Recorrente, de nulidade do despacho decisório, penso que deve ser rejeitada. A Recorrente alega que sua fundamentação não seria adequada e não permitiria conhecer os motivos da não homologação. Porém, apesar de o despacho ser objetivo, o mesmo permite a compreensão dos motivos para a não homologação, não se verificando qualquer prejuízo à defesa da Recorrente. Assim, considerando válido o despacho decisório que gerou o presente processo, devidamente enfrentada a questão essencial para o julgamento da lide, quanto à prova do direito de crédito, e não sendo as demais alegações levantadas pela Recorrente capazes de superar a ausência de prova do direito de crédito e a afastar a decisão que manteve a nãohomologação da compensação, proponho ao Colegiado negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903529/2010-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 29 /2 01 0- 14 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16327.903529/201014 Acórdão n.º 1301002.355 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.903529/201014 Acórdão n.º 1301002.355 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.903529/201014 Acórdão n.º 1301002.355 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.903529/201014 Acórdão n.º 1301002.355 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.903529/201014 Acórdão n.º 1301002.355 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.903529/201014 Acórdão n.º 1301002.355 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.903529/201014 Acórdão n.º 1301002.355 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721743/2015-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. FILHOS MAIORES.
Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas a filhos menores ou maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários.
Numero da decisão: 9202-005.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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SÚMULA CARF Nº 98 Recorrente RUBENS RODRIGUES FILHO Interessado UNIÃO (PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. FILHOS MAIORES. Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas a filhos menores ou maiores de idade quando incapacitados para o trabalho e sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 17 43 /2 01 5- 72 Fl. 210DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 95 a 98), relativa a imposto de renda da pessoa física, emitida em 09/02/2015, pela qual se procedeu à glosa de deduções a título de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação ou de previsão legal, na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2014. Essa alteração implicou glosa da pensão no montante de R$ 183.935,70 e lançamento de imposto suplementar de R$ 46.847,44 que acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, montou a R$ 86.250,82, cientificado à contribuinte em 20/02/2015 (efl. 100). Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, em 05/03/2015, à efl. 03 a 13 dos autos. A impugnação foi apreciada na 18ª Turma da DRJ/RJO que, por maioria de votos, em 02/06/2015, no acórdão 1276.657, às efls. 106 a 112, julgou a impugnação procedente em parte, para afastar da glosa, valores referentes a outros alimentandos, não indicados na notificação de lançamento, mas que compunham o total glosado. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 10/05/2013, apresentou recurso voluntário, às efls. 120 a 130, no qual alega, em resumo, que: § violação ao princípio da legalidade, uma vez que a lei não faria qualquer exigência quanto à capacidade laborativa dos alimentandos, haja vista que a própria fiscalização admitiu a pensão paga à ex cônjuge do contribuinte sem qualquer questionamento nesse sentido; § o Fisco estaria desrespeitando os arts. 109 e 110 do CTN, ao desnaturar institutos e normas do direito privado que regeria a matéria de pensão; § não há mera liberalidade nos pagamentos, quando a própria fonte pagadora realiza os descontos, diante de decisão judicial, o próprio sítio da RFB contém informação no sentido de que pagamentos de pensões amparados por decisão judicial não são de mera liberalidade; § se não forem considerados os pagamentos de IRPF realizados pelas alimentandas, haverá bis in idem, com a cobrança realizada no auto de infração, com excesso de exação a ser repelido pelo CARF; § existem jurisprudências administrativas e judiciais que confortariam suas teses. Acórdão CARF A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 19/02/2016, resultando no acórdão n° 2402005.074, às efls. 156 a 166, assim ementado: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10166.721743/201572 Acórdão n.º 9202005.539 CSRFT2 Fl. 211 3 ISENÇÃO. DEDUTIBILIDADE. PENSÃO JUDICIAL. FILHOS MAIORES E CAPAZES. Somente são dedutíveis do rendimento bruto, para fins de incidência do Imposto de Renda, as pensões pagas a filhos, até 21 anos de idade, incapazes, sem meios para proverem a própria subsistência ou até 24 anos, se universitários ou cursando escola técnica de segundo grau. No presente caso, as pensões pagas a filhas maiores de 24 anos, capazes, com condições de proverem a própria subsistência, não podem ser deduzidas do IRPF. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário RE do contribuinte Em 30/03/2016 (efl. 173), o contribuinte foi cientificado do resultado do julgamento e, em 08/04/2016, interpôs recurso especial de divergência, às efls. 177 a 185. O contribuinte aponta divergência de entendimentos em acórdão que, diferentemente do recorrido, acatam as disposições do direito de família como suficientes para a dedução das pensões pagas, sendo a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, bastantes para justificar as deduções. Como argumentos, afirma que haveria violação ao princípio da legalidade e violação da decisão judicial que deveria ser cumprida pela administração pública. Além disso, a prória RFB admitiria que pensões pagas por liberalidade seriam apenas aquelas desprovidas de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Por fim, novamente cita a proibição de bis in idem, uma vez que as pensões estariam sendo tributadas na pessoa física das alimentandas e o IRPF novamente exigido com a presente notificação de lançamento. Como paradigmas da divergência, indica os acórdãos: nº 10247.888, da 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e nº 2802002.894 da 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento. Admissibilidade do RE do contribuinte A Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 31/05/2016, através do despacho de efls. 199 a 201, deu seguimento ao recurso especial do contribuinte, para que fosse analisada a divergência a respeito da pensão alimentícia paga a filhos maiores de 24 anos da possibilidade de dedutibilidade dessa como despesa na declaração de ajuste anual. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade do recurso especial e divergência, em 04/07/2016 (efl. 202); e apresentou contrarrazões em 16/08/2016, às efls. 203 a 208. No contraarrazoado o Procurador argumenta: Fl. 212DF CARF MF 4 a) as filhas maiores do contribuinte não mais atendem à condição para serem suas dependentes; b) para que se faça jus às deduções da declaração de ajuste anual é indispensável que os alimentandos não possuam meios de prover o próprio sustento, não bastando o cumprimento do acordo homologado judicialmente mas também o preenchimento das condições previstas na legislação para serem consideradas dependentes; c) a interpretação das normas que permitem dedução há de ser feita de forma sistêmica, pois admitir que toda e qualquer importância paga a titulo de pensão alimentícia em face do Direito de Família, desde que homologada judicialmente, é passível de dedução da base de cálculo do IRPF é elastecer o direito previsto de forma a criar isenção não prevista em lei. É o relatório. Voto Conselheiro Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. De pronto, reconheço que andaram bem tanto a decisão a quo quanto a de primeira instância, na interpretação do alcance da dedução de verbas pagas a título de alimentos. Me louvo nos argumentos já apresentados pela DRJ/RJO, à efl. 110,que abaixo transcrevo: Assim, é de se inferir que o filho que não seja incapacitado para o trabalho, ao atingir a maioridade, que, à luz da codificação civil em vigor, dáse aos dezoito anos, perderia, a princípio, o direito à pensão alimentícia. A doutrina admite que tal pagamento se dê após a maioridade e até os 24 anos de idade, apenas se comprovado que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência. É preciso reconhecer que o dever de prestar alimentos a filho que atingiu a maioridade não termina automaticamente, dependendo de decisão judicial a ser proferida em razão de pedido exoneratório do alimentante com a possibilidade ao alimentando de manifestar e comprovar, se for o caso, a impossibilidade de prover a sua própria subsistência. Ocorre que, tanto a doutrina como a jurisprudência, vem manifestando o entendimento de que inexiste norma que obrigue o pai a continuar alimentando o filho, atingida a maioridade, salvo se provada a necessidade, situação em que o fundamento de eventual indeferimento em pedido de exoneração não estaria mais no dever de assistência imposta pelo pátrio poder poder familiar, na linguagem atual – mas no dever de solidariedade entre parentes próximos. No anocalendário de 2013 em análise, Luciana Costa Rodrigues completou 36 anos de idade e Tatiana Costa Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10166.721743/201572 Acórdão n.º 9202005.539 CSRFT2 Fl. 212 5 Rodrigues completou 33 anos de idade. Inexiste nos autos qualquer evidência de que as filhas do Interessado era incapazes para o trabalho ou que não possuíam capacidade financeira para prover seu própria sustento. É importante ressaltar também que não há nos autos notícia de que tenha havido indeferimento pelo Poder Judiciário de pedido exoneratório de pensão por parte do Interessado. Repisese que é condição imprescindível para se considerar devida a prestação de alimentos que o alimentando não tenha condições de prover, pelo seu trabalho, a sua própria mantença, nos termos do art. 1.695 do Código Civil, situação que se presume tenha cessado, em relação aos filhos que atingiram a maioridade. Ou seja, diante da legislação civil e tributária, para que eventuais repasses financeiros a filhos maiores de 24 anos de idade possam ser classificados como pensão alimentícia e não mera liberalidade, ato neutro em face das normas que regem as deduções para fins de imposto de renda, necessário seria que ficasse comprovada a incapacidade para o trabalho das filhas do Interessado, condição essa que em nenhum momento foi demonstrada, estando configurada, ao contrário, sua capacidade de auto sustento. Observese que ambas as filhas do recorrente eram maiores: Luciana Costa Rodrigues, nascida em 24/09/1977, e Tatiana Costa Rodrigues, nascida em 10/03/1980, já com 36 anos e 33 anos, respectivamente, no ano calendário de 2013, exercício em que se realizou a glosa. Salvo argumento em contrário, que nem mesmo foi levantado nos autos, ambas já teriam condições físicas e intelectuais de prover seu próprio sustento, sem necessidade de dependência do contribuinte. As disposições do Direito de Família têm seus efeitos naquela seara e não são afastados pelo Fisco; contudo, seus efeitos são distintos na esfera tributária. Isso porque as normas fiscais que estabelecem a dedutibilidade por decisões judiciais ou acordos, visam a desoneração tributária de encargo assumido relativamente a situações em que a uma dependência se estende além do usual no âmbito tributário. Normalmente, isso se dá por carências ou deficiências que levam o contribuinte a manter terceiro sem condições para o próprio sustento. A legislação tributária deve ser interpretada de forma sistemática e teleológica, para evitar que, sendo aplicado um de seus dispositivos, seu sistema seja desvirtuado, vejamos. (a) É bem verdade que a dedução relativa a pagamento de pensão alimentícia encontrase prevista no inciso II do caput do art. 4º, bem como na alínea “f” do inciso II do caput do art. 8º, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, abaixo transcritos: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) Fl. 214DF CARF MF 6 II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão ou acordo judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais; (...). (Grifei) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; (Grifos na transcrição). (b) Porém, o art. 77 do Decreto 3.000, de 1999, que regulamenta o Imposto de Renda, e tem por base artigos da mesma Lei n .9250, de 1995, restringe quem são os dependentes, para fins de tributação, nos termos a seguir: Art.77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nosarts. 4º, §3º, e5º, parágrafo único(Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10166.721743/201572 Acórdão n.º 9202005.539 CSRFT2 Fl. 213 7 VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. §2º Os dependentes a que referem osincisos IIIeV do parágrafo anteriorpoderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §1º). §3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §2º). §4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §3º). §5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §4º). (Grifos na transcrição) No entender deste conselheiro, para que a legislação seja aplicada harmonicamente, a pensão alimentícia deve ter o tratamento fiscal de dedutibilidade, quando aplicada, em face de dissolução da relação conjugal, àqueles que seriam considerados dependentes, quando da constância dessa relação. Portanto, a questão chave para interpretação dessas normas é a falta de condição do alimentando para se manter às próprias expensas. Salientese, entretanto, que, em sentenças judiciais e acordos homologados isso não é sequer perquirido pelo juiz, cuja preocupação é com as questões de família, e não com as questões tributárias. Assim, não cabe a ele estabelecer o limite da pensão que as partes consensualmente estabelecem. Se tal limite vai muito além das necessidades do alimentando, mas está dentro da capacidade do alimentante, o juiz não se manifestará a respeito, acedendo ao interesse das partes. Outrossim, se não provocado, normalmente, o juiz não determinará que seja dedutível o valor acordado e entendo que apenas nos casos que o juiz o faça poderia o alimentante deduzílo. Esclareçase que pensamento em sentido contrário elasteceria de tal modo a aplicação da legislação que acabaria por tornar letra morta, por exemplo, o limite de 24 anos determinado legalmente para que o filho seja considerado dependente e, consequentemente, suas despesas deduzidas na declaração de ajuste do pai. Para isso, bastaria que fosse feito um acordo e submetido ao poder judiciário, na vara de família, que uma vez homologado, extinguiria qualquer limite legal, para a dedutibilidade de despesas com filhos, seja de idade, seja de valor. Ora, essa antinomia fere a interpretação sistemática e teleológica da legislação. E não se alege aqui que, por não haver limite de idade para a pensão ao ex cônjuge, essa deveria ser a regra para filhos. Com efeito, para que o cônjuge seja considerado dependente também não há limite de idade e, portanto, verificamos situações diferentes, com tratamento tributário diferente, o que é totalmente permitido. Fl. 216DF CARF MF 8 Concluo, assim, que qualquer pagamento de alimentos aos filhos, título de pensão alimentícia, que esteja fora dos limites da legislação para que seja verificada a dependência, pode e deve ser tido como mera liberalidade do alimentante, independentemente de haver sentença ou acordo judicial nesse sentido. Por fim, com relação aos argumentos relativos à existência de bis in idem, igualmente não são matéria relativa à divergência, e foram adequadamente enfrentados em sede de recurso voluntário, quando se afirma que a "tributação, ou não, destes rendimentos, supostamente abrangidos por isenção, referese a rendimentos auferidos por outros contribuintes (filhas)" e, dessa forma, não fazem parte da matéria devolvida a este colegiado, nos termos do recurso especial em análise. Dessarte, concluo que o acórdão recorrido esteve correto ao acatar o entendimento da instância de piso. Conclusão Pelos motivos acima expostos, voto por conhecer do recurso especial do sujeito passivo, para, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o acórdão de recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.907827/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 14/09/2001
DCOMP. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Após a análise da escrituração fiscal e contábil do contribuinte, se comprovado o pagamento indevido, deve a compensação ser homologada.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Após a análise da escrituração fiscal e contábil do contribuinte, se comprovado o pagamento indevido, deve a compensação ser homologada. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, José Henrique Mauri, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão de efls. 8791: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, pelo qual a DRF Curitiba não reconheceu o direito AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 78 27 /2 00 9- 50 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10980.907827/200950 Acórdão n.º 3301003.651 S3C3T1 Fl. 174 2 creditório pleiteado no valor de R$ 51.294,26, relativo a pagamento a maior de Cofins, 7987, no valor de R$ 1.968.638,72, efetuado em 14/09/2001, pelo CNPJ 33.852.567/000145, empresa incorporada pela declarante (CNPJ 01.701.201/000189) da Dcomp em epígrafe. Em razão de não ter sido confirmado o evento de sucessão entre a declarante e a detentora do crédito discriminado na DCOMP de n° 04148.56307.150805.1.3.047776 não se homologou a compensação pleiteada. Cientificada em 02/04/2009, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 04/05/2009, alegando, em síntese, o seguinte: Diz que o Despacho Decisório está equivocado. Reconhece que a “a empresa, de fato, no momento da utilização dos créditos ainda não tinha regularizado a situação da incorporação junto à Receita Federal”. Aduz que “o referido registro de incorporação não ocorreu no momento adequado em virtude da quantidade de débitos que a empresa Banco HSBC S/A possuía, os quais não estavam com a sua exigibilidade suspensa, o que, por sua vez, impedia a emissão de CND”. Afirma que somente em março de 2009 conseguiu obter a CND da empresa, regularizando, então, a situação da incorporação da empresa Banco HSBC S/A pelo HSBC Bank Brasil S/A. Sustenta que essa mera formalidade não deve ser considerada como “impedimento para que não seja considerada a existência de crédito, e consequentemente sua utilização pela empresa incorporadora”. Diz que em nome do princípio da verdade material a Administração não pode agir baseada apenas em presunções. Diz que no caso em tela, há comprovação da ocorrência da incorporação, conforme os documentos que anexou. Requer que a homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), às fls. 22/25, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/09/2001 DCOMP. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado na DCOMP como origem do crédito está totalmente utilizado para quitar débito confessado em DCTF a compensação não pode ser homologada. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 30 a 40, alegando, em síntese, que: · A não homologação da compensação se deu por não ter sido vislumbrada a ocorrência de sucessão entre o detentor do crédito e a Recorrente, o que restou modificado pelo v. acórdão recorrido; · Tendo em vista que a não homologação do crédito sob a alegação da sua inexistência consiste em fato novo, trazido aos autos apenas pelo v. acórdão recorrido, fazse necessária a juntada de novos documentos para comprovar a Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10980.907827/200950 Acórdão n.º 3301003.651 S3C3T1 Fl. 175 3 existência do crédito, procedimento este autorizado pelo art. 16, III, § 4º, 'c' do Decreto n° 70.235/1972; · No anocalendário de 2001, o Banco HSBC S.A., incorporado pela ora Recorrente, apurou e recolheu regularmente a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS sobre o seu faturamento, sendo que para a competência de agosto de 2001, apurou o valor de R$ 1.917.344,46 a recolher, conforme se verifica em sua DIPJ 2002 (ano calendário 2001), o que pode ser verificado também na Memória de Cálculo da Apuração da COFINS do ano de 2001; · Eventual equívoco no cumprimento de obrigação acessória não tem o condão de invalidar o legítimo crédito de COFINS ora evidenciado e comprovado, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes; · Requer a reforma da r. decisão recorrida para o fim de homologar a compensação declarada, bem como determinar a RFB que proceda à retificação de ofício da DCTF do 3º trimestre de 2001. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por considerar que não havia crédito passível de utilização, embora tenha reconhecido a reorganização societária por sucessão. Então, em seu recurso voluntário, a Recorrente juntou novos documentos contábeis e fiscais para demonstrar que o seu direito creditório decorre da apuração da COFINS pelo Banco HSBC S.A., incorporado por ela, referente ao mês de agosto/2001, que foi paga a maior, uma vez que a empresa incorporada detentora do crédito efetuou erroneamente o lançamento referente a esse débito na DCTF do 3º trimestre de 2001, conforme cópia às fls. 75 e que a apuração correta estaria refletida na DIPJ 2002 (anocalendário 2001), conforme cópia às fls. 61/69. Na DCTF, foi apurado um débito de COFINS, período de apuração de agosto/2001, no montante de R$ 1.968.638,72; recolhido em 14/09/2001, conforme cópia de Comprovante de Arrecadação à fl. 73. Todavia, o valor apurado na DIPJ 2002 (anocalendário 2001) referente à COFINS nesse mesmo período foi no montante de R$ 1.917.344,46, conforme cópia às fls. 61/69. Diante disso o CARF, por meio da Resolução nº 3801000.615, converteu o julgamento em diligência para que a unidade de origem apurasse o valor devido a título de COFINS pelo CNPJ 33.852.567/000145, empresa incorporada pela declarante (CNPJ 01.701.201/000189), período de apuração de agosto/2001, origem do crédito informado no PER/DCOMP e utilizado para compensação, com base nos documentos acostados aos autos e na escrituração fiscal e contábil. A diligência foi cumprida, conforme parecer de fls. 160163, cujo resultado confirmou as alegações da empresa. É o relatório. Voto Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10980.907827/200950 Acórdão n.º 3301003.651 S3C3T1 Fl. 176 4 Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A compensação pleiteada pela Recorrente no PER/DCOMP nº 04148.56307.150805.1.3.047776 tem como fundamento o crédito de COFINS apurada pelo Banco HSBC S/A, decorrente de pagamento a maior de agosto/2001, no valor de R$ 51.294,26, com débito de COFINS da competência de julho/2005, no valor de R$ 86.897,61. No cotejo dos documentos: DIPJ 2002 – ano calendário 2001, memória de cálculo da apuração da COFINS do ano de 2001, comprovante de arrecadação, DCTF do 3º trimestre de 2001 e os demais solicitados pela autoridade fiscal na execução da diligência, foi devidamente comprovado o erro cometido pelo Banco HSBC S/A que, ao apurar os valores devidos a título de COFINS da competência de agosto/2001, ao invés do valor de R$ 1.917.344,46, efetuou o recolhimento do valor de R$ 1.968.638,72. A diferença, R$ 51.294,26, foi o valor do crédito informado no PER/DCOMP e utilizado para compensação com débito de COFINS pela Recorrente. A Autoridade Fiscal, na conclusão do Parecer de diligência, efls. 160/163, informou: 8. Com base nas considerações anteriores e nos documentos contábeis fiscais anexados ao processo, ficou comprovada que a base de cálculo da COFINS referente ao período de apuração 08/2001 é R$ 1.917.344,46 conforme documento de fl. 151. 9. Assim, o valor da COFINS devida referente ao PA 08/2001 é de R$ 63.911.481,93 * 3% = R$ 1.917.344,46, valor este conforme alegado pelo interessado. Por conseguinte, comprovado o recolhimento de R$ 1.968.638,72 a título de COFINS para o período de apuração de agosto/2001, houve o recolhimento indevido e a maior de R$ 51.294,26. Logo, deve ser homologada a compensação declarada através do PER/DCOMP nº 04148.56307.150805.1.3.04 7776, bem como deve ser feita a retificação de ofício da DCTF do 3º trimestre de 2001. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Sala de sessões, 24 de maio de 2017. Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10980.907827/200950 Acórdão n.º 3301003.651 S3C3T1 Fl. 177 5 Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001392/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO.
Constatado o lapso manifesto apontado pelos embargos, deve-se promover sua imediata correção.
Numero da decisão: 2201-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para, sanando o lapso manifesto identificado, retificar a decisão do Colegiado nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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LAPSO MANIFESTO. Constatado o lapso manifesto apontado pelos embargos, devese promover sua imediata correção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para, sanando o lapso manifesto identificado, retificar a decisão do Colegiado nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 13 92 /2 01 0- 05 Fl. 50DF CARF MF 2 Trata o presente Auto de Infração por descumprimento de Obrigações Acessórias, que deu origem ao DEBCAD 37.290.2383, no valor consolidado de R$ 14.317,78. O mérito do lançamento foi objeto do Acórdão 230200167 da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 17 de maio de 2012, fl. 41/44. Em fl. 46, o então Presidente da 2ª Turma Ordinária e Relator do voto que deu origem ao Acórdão citado no parágrafo precedente manifestouse nos autos, mediante a constatação da existência de um erro na formalização do Acórdão que ensejaria a necessidade de sua reinclusão em pauta de julgamento para compatibilização da pauta com o voto proferido. Em fl. 48/49, consta despacho do Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, admitindo os presentes embargos inominados. E o relatório necessário Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Inicialmente, expresso minha concordância com os pressupostos de admissibilidade contidos no despacho de fls. 48/49. Vejamos abaixo o excerto do Acórdão em que teria sido cometido o erro apontado pelo Conselheiro Relator: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/07/2010 Ementa: ARTIGO 33, § 2.º DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, II, “j”DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 – NÃO APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS FISCAIS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar a fiscalização federal na administração previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Grifouse. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Notase que a decisão do colegiado está compatível com o que foi registrado na Ata da sessão de Julgamento: Fl. 51DF CARF MF Processo nº 11070.001392/201005 Acórdão n.º 2201003.601 S2C2T1 Fl. 51 3 Relator(a): MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo: 11070.001392/201005 Recorrente: RADIO MAUA LTDA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Resolução 2302000.167 Decisão: Por unanimidade em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Não obstante o curso do voto condutor do Acórdão demonstra que o mérito da lide administrativa foi julgado, conforme se verifica nos excertos abaixo: Não há razão à recorrente ao afirmar que o servidor não podia conceder apenas cinco dias de prazo para apresentar documentos. O Auditor Fiscal pode requisitar a apresentação dos livros no prazo de cinco dias úteis, conforme previsto no art. 19 da Lei nº 3.470 de 1958, nestas palavras: (...) No presente caso, a recorrente não apresentou nenhum dos livros no prazo estabelecido pela fiscalização tributária. Dessa forma, foi correta a aplicação do auto de infração. (...) Ao contrário do que afirma a recorrente, a falta de contraditório antes do lançamento não o invalida. A ação fiscal é um procedimento de natureza inquisitiva, logo não há contraditório na formalização do lançamento. O contraditório é conferido somente após a cientificação do contribuinte acerca do lançamento efetuado. Da mesma forma que o contraditório no direito penal é conferido somente durante a ação penal, e não durante o inquérito policial. No presente caso, foi conferida ciência ao contribuinte de todos os atos lavrados pelo órgão fazendário. Assim não assiste razão à recorrente ao afirmar que deveria ser conferida oportunidade para o infrator corrigisse os erros antes da autuação. (...) Conclusão: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso e pela negativa de provimento. Observados os destaques acima, não são necessárias maiores considerações por parte deste Relator, já que evidente o lapso manifesto na descrição da conclusões do Colegiado. Tendo em vista que outros dois processos do mesmo contribuinte foram tratados na mesma sessão de julgamento, os quais foram, efetivamente, convertidos em diligência, podese inferir que o lapso decorre de repetição na Ata das conclusões relativas aos outros dois processos. Conclusão: Fl. 52DF CARF MF 4 Desta forma, considerando as razões e fundamentos legais acima expostos, voto por conhecer e acolher os embargos inominados interpostos para, sanando o lapso manifesto identificado, retificar a decisão do colegiado expressa no Acórdão 230200167, de 17 de maio de 2012, que passa à seguinte redação: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 53DF CARF MF
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