Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10875.907897/2012-19
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.804
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10875.907897/2012-19
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372261
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.804
nome_arquivo_s : Decisao_10875907897201219.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10875907897201219_5372261.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5586772
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029715828736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 95 1 94 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.907897/201219 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.804 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 97 /2 01 2- 19 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907897/201219 Acórdão n.º 3801003.804 S3TE01 Fl. 96 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 31/10/2009. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2009 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907897/201219 Acórdão n.º 3801003.804 S3TE01 Fl. 97 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907897/201219 Acórdão n.º 3801003.804 S3TE01 Fl. 98 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e Fl. 98DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907897/201219 Acórdão n.º 3801003.804 S3TE01 Fl. 99 5 servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907897/201219 Acórdão n.º 3801003.804 S3TE01 Fl. 100 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000915/2004-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003
DECADÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal. No presente caso não houve antecipação do pagamento devendo ser aplicado o artigo 173, inciso I do CTN.
IMUNIDADE. ISENÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE -
A Recorrente não pode ser caracterizada como entidade beneficente de assistência social, de maneira que não lhe é aplicável a imunidade prevista no art. 150, § 7º, da Constituição Federal. A isenção da Cofins prevista nos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.158-35 alcança apenas as receitas derivadas das atividades próprias das instituições de caráter recreativo e cultural, de maneira que as receitas consideradas na autuação sujeitam-se à contribuição.
NEGOCIAÇÃO DE ATLETAS. RECEITAS DECORRENTES. VENDA DE BENS DE ATIVO PERMANENTE. EQUIPARAÇÃO. PRECLUSÃO.
A teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade, especialmente quando sua apresentação para debate se dá através da apresentação memoriais, que, por seu turno, não são sucedâneos dos recursos previstos na lei de regência do processo contencioso fiscal.
FATURAMENTO. RECEITA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. CONCEITO.
As decisões plenárias definitivas do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, fixaram sua abrangência ao somatório das receitas oriundas das atividades operacionais típicas da entidade, de maneira que, para os clubes de futebol, as verbas originárias da negociação de direitos sobre atletas compõe o seu faturamento, sujeitando-se à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Numero da decisão: 3401-002.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário quanto à preliminar de decadência de parcela do lançamento, nos termos do voto da relatora. No mérito, por maioria de votos negou-se provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ângela Sartori. A Conselheira Raquel Brandão Minatel acompanhou a divergência pelas conclusões. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e redator designado
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Claudio Monroe Massetti e Eloy Eros da Silva Nogueira.
Nome do relator: ANGELA SARTORI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal. No presente caso não houve antecipação do pagamento devendo ser aplicado o artigo 173, inciso I do CTN. IMUNIDADE. ISENÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE - A Recorrente não pode ser caracterizada como entidade beneficente de assistência social, de maneira que não lhe é aplicável a imunidade prevista no art. 150, § 7º, da Constituição Federal. A isenção da Cofins prevista nos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.158-35 alcança apenas as receitas derivadas das atividades próprias das instituições de caráter recreativo e cultural, de maneira que as receitas consideradas na autuação sujeitam-se à contribuição. NEGOCIAÇÃO DE ATLETAS. RECEITAS DECORRENTES. VENDA DE BENS DE ATIVO PERMANENTE. EQUIPARAÇÃO. PRECLUSÃO. A teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazê-lo em outra oportunidade, especialmente quando sua apresentação para debate se dá através da apresentação memoriais, que, por seu turno, não são sucedâneos dos recursos previstos na lei de regência do processo contencioso fiscal. FATURAMENTO. RECEITA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. CONCEITO. As decisões plenárias definitivas do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, fixaram sua abrangência ao somatório das receitas oriundas das atividades operacionais típicas da entidade, de maneira que, para os clubes de futebol, as verbas originárias da negociação de direitos sobre atletas compõe o seu faturamento, sujeitando-se à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.000915/2004-85
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5373670
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.691
nome_arquivo_s : Decisao_19515000915200485.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANGELA SARTORI
nome_arquivo_pdf_s : 19515000915200485_5373670.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário quanto à preliminar de decadência de parcela do lançamento, nos termos do voto da relatora. No mérito, por maioria de votos negou-se provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ângela Sartori. A Conselheira Raquel Brandão Minatel acompanhou a divergência pelas conclusões. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. Robson José Bayerl Presidente ad hoc e redator designado Ângela Sartori - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Claudio Monroe Massetti e Eloy Eros da Silva Nogueira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5594291
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029717925888
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 5 1 4 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000915/200485 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.691 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2014 Matéria Cofins Recorrente SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 8, do Supremo Tribunal Federal. No presente caso não houve antecipação do pagamento devendo ser aplicado o artigo 173, inciso I do CTN. IMUNIDADE. ISENÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE A Recorrente não pode ser caracterizada como entidade beneficente de assistência social, de maneira que não lhe é aplicável a imunidade prevista no art. 150, § 7º, da Constituição Federal. A isenção da Cofins prevista nos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835 alcança apenas as receitas derivadas das atividades próprias das instituições de caráter recreativo e cultural, de maneira que as receitas consideradas na autuação sujeitamse à contribuição. NEGOCIAÇÃO DE ATLETAS. RECEITAS DECORRENTES. VENDA DE BENS DE ATIVO PERMANENTE. EQUIPARAÇÃO. PRECLUSÃO. A teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por conseqüência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade, especialmente quando sua apresentação para debate se dá através da apresentação memoriais, que, por seu turno, não são sucedâneos dos recursos previstos na lei de regência do processo contencioso fiscal. FATURAMENTO. RECEITA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. CONCEITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 15 /2 00 4- 85 Fl. 474DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 2 As decisões plenárias definitivas do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de faturamento, fixaram sua abrangência ao somatório das receitas oriundas das atividades operacionais típicas da entidade, de maneira que, para os clubes de futebol, as verbas originárias da negociação de direitos sobre atletas compõe o seu faturamento, sujeitandose à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário quanto à preliminar de decadência de parcela do lançamento, nos termos do voto da relatora. No mérito, por maioria de votos negouse provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ângela Sartori. A Conselheira Raquel Brandão Minatel acompanhou a divergência pelas conclusões. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e redator designado Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Robson José Bayerl, Ângela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Claudio Monroe Massetti e Eloy Eros da Silva Nogueira. Relatório Tratase de Auto de infração que decorreu de fiscalização para verificação de operações envolvendo atletas profissionais com clubes no exterior, tendo a fiscalização constatado que: a) Não houve recolhimento de valores devidos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, nos períodos de setembro de 1998 a dezembro de 2003; b) O Clube de futebol alega que estaria isento da CONFINS em relação a qualquer receita, ocorre que para a fiscalização a isenção abarca apenas as receitas típicas do clube, tais como doações, anuidades, mensalidades e contribuições de seus associados, não se estendendo às atividades comuns às dos agentes econômicos, como as resultantes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Afirma a fiscalização também, que a partir de fevereiro de 1999 a Lei 9.718.98 estabeleceu uma nova definição de faturamento para efeito de incidência da COFINS Fl. 475DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 3401002.691 S3C4T1 Fl. 6 3 devida pelas pessoas jurídicas de direito privado, ampliando a base de cálculo, que passou a incidir sobre a receita bruta assim considerada a totalidade das receitas por ela auferidas. Destaca também que o art. 14 da MP 1.8586, reeditada com o n 2.15835, dispôs que estariam isentas da COFINS apenas as receitas relativas às suas atividades próprias e que a Instrução Normativa SRF n. 247/2002, esclareceu no art. 47 que as atividades próprias dos clubes são as decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Da mesma forma dispõe o Decreto 4.524/2002, no seu art. 46. Ancorado nestes dispositivos, a fiscalização lançou a COFINS apurando como base de cálculo receitas decorrentes de várias atividades, tais como Descontos Concedidos, Álbum de Figuras, Clube do Whisky, Cursos de Pintura, Receitas de Venda de Atletas, Multa Rescisórias, dentre vários outros arrolados nas fls. 128 e 129. Irresignado com a autuação, a empresa apresentou impugnação, a qual foi devidamente julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – SP, pela 9ª Turma, a qual prolatou o Acórdão 05.620, em 20 de julho de 2004, mantendo o crédito tributário, conforme ementa que segue abaixo transcrita: DECADÊNCIA – IMUNIDADE – ISENÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE – SELIC. O prazo decadencial da Cofins é de 10 anos. A impugnante não pode ser caracterizada como entidade beneficente de assistência social, de maneira que não lhe é aplicável a imunidade prevista no art. 150, parágrafo 7º da Constituição Federal. A isenção da Cofins prevista nos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835 alcança apenas as receitas derivadas das atividades próprias das instituições de caráter recreativo e cultural, de maneira que as receitas consideradas na autuação se sujeitam à contribuição. Falece competência à autoridade administrativa para apreciar alegações de inconstitucionalidade. Cumpre à autoridade administrativa aplicar a lei, podendo o contribuinte recorrer ao Poder Judiciário para afastar norma que entenda inconstitucional. Lei 9.718/98 e Selic aplicadas em decorrência do caráter vinculado da atividade de lançamento. Lançamento Procedente. A partir do acórdão acima, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 296/339 da numeração em papel alegando, em síntese: a) A autuação exige valores já alcançados pela decadência; b) O recorrente é imune, nos termos do art. 195, parágrafo 7º da CF/88; Fl. 476DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 4 c) O recorrente tem todas as suas receitas revertidas em prol de suas atividades sociais e, portanto, alcançadas pela isenção; d) A autuação adotou a base de cálculo prevista na lei 9.718/98 que não encontra amparo no texto constitucional, qual seja, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, já que a Constituição Federal, à época da edição desse diploma Legislativo, só autorizava a instituição de contribuição social sobre o faturamento; e) A atuação acresceu aos valores lançados taxa SELIC, cuja incidência sobre o crédito tributário viola os arts. 97 e 161 parágrafo 1º do CTN; 145 parágrafo 1º e 150, I e IV CF e 4º da LICC. Posteriormente, o contribuinte apresentou pedido de desistência parcial dada a inclusão parcial dos débitos em parcelamento especial – TIMEMANIA – permanecendo contudo, a discussão no que toca as outras matérias como decadencia e venda de atletas. É o breve relato do necessário. Voto Vencido Conselheira Ângela Sartori O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) Fl. 477DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 3401002.691 S3C4T1 Fl. 7 5 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado. Portanto, para o presente caso, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. No caso, como não houve qualquer pagamento de COFINS, já que o Clube se considerava imune/isento à contribuição, devendo ser aplicada a regra do artigo 173 do CTN. Por conseguinte, reconheço a decadência apenas dos fatos geradores ocorridos até novembro de 1998. DO MÉRITO DO CONCEITO DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 09/11/2005 em sessão plenária, quando do julgamento dos RE n°s 357.950 e 358.273, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, acórdão cuja publicação ocorreu em 15/08/2006 e o trânsito em julgado em 05/09/2006. O acórdão e a ementa registram o seguinte teor: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, Fl. 478DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 6 considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) Tendo em vista o STF já haver se pronunciado definitivamente através de seu Pleno acerca da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, com fulcro no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), há que se reconhecer o direito de a Recorrente ter excluído do presente lançamento a exigência decorrente de receitas estranhas ao faturamento, como ocorre no presente caso com a venda de jogadores de futebol. A doutrina também segue o mesmo sentido, conforme se percebe das palavras de José Antonio Minatel, em PIS e Cofins à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Marcelo Magalhães Peixoto e Gilberto de Castro Moreira Junior (coordenadores), São Paulo: MP Ed., 2011., p. 360, in verbis: Há conceito constitucional pressuposto para “receita”, qualificandose como o ingresso definitivo no patrimônio da pessoa jurídica que remunera suas atividades econômicas, ou negócios jurídicos que envolvam a cessão onerosa e temporária de bens ou direitos; Os rótulos e registros contábeis são indicativos, mas não atribuem natureza aos fatos relatados, impondose a investigação, em cada caso, sobre a natureza das operações que envolvam o trânsito de recursos financeiros de terceiros pelo patrimônio da pessoa jurídica encarregada do repasse, pois a transparência é nota determinante na estipulação do critério jurídico para se definir o valor da “receita” que deve ser registrado pelos diferentes agentes. Ademais, nesse sentido vem decidindo a 3ª Seção do CARF, conforme demonstram as ementas que, parcialmente, se traz à colação: INCONSTITUCIONALIDADE. CONCEITO DE RECEITA BRUTA. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve Fl. 479DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 3401002.691 S3C4T1 Fl. 8 7 ser estendida aos julgamentos efetuados por este Conselho, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras, vez que não decorrem de faturamento. Precedente (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 330100.796, sessão 03/02/2011) Os jogadores de futebol objeto da lide estão contabilizados no ativo permanente do clube o o artigo 3, parágrafo 2 inciso IV da Lei 9.718/98 esclarece que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas decorrentes da venda do ativo permanente. Por tal razão, merece provimento o recurso voluntário uma vez que não pode a fiscalização realizar o lançamento da Receita Bruta do Recorrente haja vista o período do fato gerador. DA VENDA DE BENS DO ATIVO PERMANENTE Além dos argumentos acima que por si só bastam para que seja dado provimento ao Recurso Voluntário, por amor ao debate acrescento este item que é exclusivo para venda de bens do ativo permanente. Embora tal tema especifico, somente tenha sido levantado pela Recorrente em uma petição quando ao final, quando desiste de parte da discussão para parcelar os débitos entendo que pelo princípio da verdade material, qual seja, os jogadores de futebol sempre estiveram na contabilidade da empresa anexados na inicial, e portanto é prova de que tratase de ativo permanente devemos também analisar este documento. Entendo ainda que a Administração deve se pautar no princípio da verdade material, ja que no presente caso foi apresentado no início do processo a contabilidade da empresa onde consta os jogadores no ativo permanente, a fim de que se busque ao máximo a incidência tributária de acordo com os fatos que aconteceram na realidade, como podemos perceber na leitura da decisão a seguir colacionadas do CARF: “Processo administrativo. Preclusão. Conforme precedentes desta Corte, o processo administrativo fiscal visa primordialmente ao controle de legalidade dos atos da Administração, pelo que as normas relativas à preclusão devem ser interpretadas com menos rigor, especialmente aquelas relacionadas às fases postulatória e instrutória do procedimento. Nessa linha, não restam preclusas questões jurídicas invocadas pelo contribuinte apenas em sede de recurso voluntário quando este contesta a tributação em sede de impugnação, ainda que por outros fundamentos. Recurso especial provido apenas para determinar o retorno dos autos ao colegiado a quo para apreciação das razões recursais não conhecidas sob o fundamento de preclusão” (Ac 910100.525, j. 26.01.2010). Fl. 480DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Em observância ao princípio da verdade material entendo que os elementos e documentos trazidos aos autos, qual seja a contabilidade entre outros sejam considerados para o fim de julgamento deste processo, ou seja, os documentos apresentados na fase da impugnação devem ser apreciados no julgamento. Assim passo a analisar o tema. Nos termos do art. 3º, parágrafo 2º, inc. IV da Lei 9.718/98, devem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS cumulativos as receitas decorrentes da venda de bens do ativo permanente. Para tanto, vejase a redação do artigo citado, in verbis: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Pois bem, o art. 179 da Lei das S.A., em complemento ao dispositivo acima, arrolava os elementos patrimoniais que seriam registrados às contas do ativo permanente, de acordo com sua natureza, abaixo segue o referido artigo com redação vigente à época dos fatos geradores, in verbis: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; V no ativo diferido: as aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a formação do resultado de mais de um exercício social, inclusive os juros pagos ou creditados aos Fl. 481DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 3401002.691 S3C4T1 Fl. 9 9 acionistas durante o período que anteceder o início das operações sociais. Parágrafo único. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo. Nesse sentido, vejase os precedentes deste Conselho, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007 BASE DE CÁLCULO. RECEITA. VENDA MATERIAL PERMANENTE. EXCLUSÃO. REGRA GERAL. POSSIBILIDADE. As pessoas jurídicas relacionadas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 tem o direto de excluir ou deduzir da receita bruta, para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuições para o PIS/Pasep, a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006, 2007 BASE DE CÁLCULO. RECEITA. VENDA MATERIAL PERMANENTE. EXCLUSÃO. REGRA GERAL. POSSIBILIDADE. As pessoas jurídicas relacionadas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 tem o direto de excluir ou deduzir da receita bruta, para efeito da determinação da base de cálculo da Contribuições o Financiamento da Seguridade Social COFINS, a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. Recurso Voluntário Provido (CARF. Terceira Seção de Julgamento. Processo nº 16327.000922/201054; Recurso nº 915.825 Voluntário; Acórdão nº 3102001.720 – 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, Sessão de 30 de janeiro de 2013) Percebase que os atletas, jogadores de futebol, exercem papel fundamental para a existência do clube. Este ativo melhor se enquadra na categoria de Ativo Imobilizado, forma contábil adotada pela recorrente, uma vez que é representada por direitos que têm como objeto bens destinados à manutenção das atividades da empresa ou exercidos com essa finalidade. Sem os jogadores não há espetáculo, sem espetáculo não há clube de futebol ativo. O São Paulo Futebol Clube é uma sociedade civil que tem como finalidade a prática e desenvolvimento da educação física em todas as modalidades e a promoção de reuniões culturais e desportivas que mantém, dentre outros, quadros de futebol profissional, conforme se percebe do art. 1º de seu Estatuto, fl. 07. Por essa razão, não há como considerar que o clube de futebol tem como fim precípuo a venda de seus jogadores bem como classificar a receita de venda de jogador de futebol como operacionais por serem supostamente típicas da atividade de clube de futebol profissional. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 10 Ademais, mesmo que se tratasse de receita operacional da Recorrente esta não poderia ser tributada, por não se enquadrar no conceito de faturamento, em razão do período do fato gerador em apreço, conforme se verifica no tópico anterior. DA IMUNIDADE E DA ISENÇÃO Alega a Recorrente no Recurso Voluntário que foi posteriormente objeto de desistência pela mesma, nos termos acima descritos que está amparada pela imunidade prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, por caracterizarse como entidade beneficente de assistência social. Sustenta que este caráter decorre do fato de que os incentivos à prática de esportes e atividades culturais, que são os fins da Recorrente estão compreendidos no conceito lato de assistência social adotado pelo constituinte, sobretudo em razão do disposto nos art.s 203 e 217 da Lei Maior. Afirma que o art. 175, § 7o , da Constituição Federal, a despeito de empregar a palavra "isenção", contém regra que estabelece imunidade, por se tratar de desoneração veiculada pelo texto constitucional, e que, portanto, a lei a que se refere este dispositivo deve ser lei complementar, conforme exige o art. 146, II, da Constituição Federal. Conclui que, diante da ausência de lei complementar específica para regular o dispositivo, devem ser observadas as condições previstas nos arts. 9o e 14 do CTN, todas elas devidamente cumpridas pela Recorrente. A propósito destas alegações, convém ressaltar, inicialmente, que o art. 55 da Lei 8.212/91 estabeleceu as condições a serem observadas para o gozo da isenção da Cofins. Esta norma, com as alterações introduzidas pela Medida Provisória 2.18711/2001 e pela Lei 9.528/97, prescreve: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente ao INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Portanto, para o gozo da isenção pretendida, deve a Recorrente demonstrar o cumprimento dos requisitos inscritos na norma transcrita e este ônus não foi cumprido. Com Fl. 483DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 3401002.691 S3C4T1 Fl. 10 11 efeito, a Recorrente não apresentou o certificado e o registro de entidade de fins filantrópicos (inciso II) e tampouco o reconhecimento como entidade de utilidade pública (inciso I). Nem se alegue que estes requisitos para o gozo da isenção não podem ser exigidos, já que, na liminar deferida pelo STF nos autos da ADIN 2.028DF, de lavra do Ministro Marco Aurélio, ficou expressamente consignado que: "Tudo recomenda, assim, sejam mantidos, até a decisão final desta ação direta de inconstitucionalidade, os parâmetros da Lei n° 8.212/91, na redação primitiva". Aliás, nesta mesma decisão, a propósito do conceito de entidade beneficente de assistência social, assevera o Ministro Marco Aurélio que: “Indispensável, é certo, que se tenha o desenvolvimento da atividade voltada aos hipossuficientes, àqueles que, sem prejuízo do próprio sustento e o da família, não possam dirigirse aos particulares que atuam no ramo buscando lucro, dificultada que está, pela insuficiência de estrutura, a prestação do serviço pelo Estado.” Portanto, não assiste razão à Recorrente ao sustentar, com base nos arts. 203 e 217 da Lei Maior, que sua caracterização como entidade beneficente de assistência social decorre do fato de que os incentivos à prática de esportes e atividades culturais, que são seus fins, estão compreendidos no conceito lato de assistência social adotado pelo Recorrente. O simples fato de ter por finalidade, tal como inscrito no art. I o de seus estatutos, a "prática e desenvolvimento da educação física em todas as modalidades e a promoção de reuniões culturais e desportivas" não autoriza a inferência de que a Recorrente tem natureza de entidade beneficente de assistência social. Com efeito, adotandose a interpretação da Recorrente sobre o conceito de entidade beneficente de assistência social muito pouco restaria fora do alcance da regra inscrita no art. 195, § 7o , da Constituição Federal e restaria violado o art. 195 da Lei Maior, que prescreve que a seguridade social seja financiada por toda a sociedade. Repercussões positivas para a sociedade são produzidas pela imensa maioria das associações e sociedades, inclusive as de fins lucrativos, que geram emprego, renda e vários outros benefícios sociais. Não obstante, o constituinte não quis dispensar das contribuições sociais quaisquer entidades, mas estritamente aquelas beneficentes de assistência social, vale dizer, aquelas que, conforme a orientação da decisão acima transcrita, dedicamse a atividades voltadas aos hipossuficientes. Evidentemente, a Recorrente não tem como única atividade a manutenção de equipe profissional de futebol, mas é inegável que esta atividade concentra a maior parte de suas receitas e não se reveste de qualquer conteúdo assistencial. Em conclusão, qualificar a Recorrente como entidade beneficente de assistência social seria extrapolar o texto do art. 195, § 7o , da Constituição e, mais que isso, estender esta interpretação excessivamente lata aos demais contribuintes inviabilizaria por completo o financiamento da seguridade social. A Recorrente sustenta que goza de isenção da Cofins, nos termos em que prevista nos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835. Afirma que o conceito de receitas derivadas das atividades próprias veiculado pelo § 2 o do art. 14 da Instrução Normativa SRF 247/2002 desborda dos limites da referida Medida Provisória, fere o princípio da livre iniciativa assegurado no art. 170 da Constituição Federal e viola o art. 111 do CTN, que veda interpretação extensiva às normas que estabelecem isenções. Alega que as receitas consideradas pela autoridade autuante na lavratura do auto de infração são intrínsecas às suas atividades e que a autuação fere o princípio da legalidade, já que não há norma com hierarquia Fl. 484DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 12 de lei que proíba o gozo da isenção às entidades que recebem contraprestação por alguns dos serviços desempenhados para a consecução de seus objetivos sociais. A propósito destas alegações, convém transcrever o texto dos arts. 13 e 14 da Medida Provisória 2.15835, que estabelece a isenção mencionada: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei ne 9.532, de 1997; Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de l 2 de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. 10.2. A Instrução Normativa SRF 247/2002, que contém normas regulamentares sobre o PIS/PASEP e sobre a Cofins, dispõe, especificamente no tocante à isenção ora analisada: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9 2 desta Instrução Normativa: (...) II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. As normas que outorgam isenções, consoante o art. 111, inciso II, do CTN, devem ser interpretadas literalmente. Portanto, as instituições de caráter recreativo e cultural só são isentas da Cofins no tocante às receitas derivadas de suas atividades próprias que não é o caso aqui descrito. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, dar provimento. Ângela Sartori Fl. 485DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 19515.000915/200485 Acórdão n.º 3401002.691 S3C4T1 Fl. 11 13 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, redator designado. Rendendo as homenagens de praxe, peço vênia à Relatora para divergir de seu voto no que tange à exclusão da receita advinda da negociação de atletas do clube da base de cálculo da contribuição, seja pela equiparação a venda de bens do ativo permanente, seja pela qualificação de receitas estranhas a faturamento, na linha definida pelo STF. Após reexame do inteiro teor do processo, mormente as peças recursais coligidas, verifiquei que a razão de direito atinente à equiparação destas verbas às vendas de bens do ativo permanente foi deduzida exclusivamente em memoriais entregues por ocasião do julgamento do processo, quando de sua primeira inclusão em pauta neste colegiado. Incide, então, no caso vertente, as disposições do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, consoante o qual “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Outrossim, não cabe alegação que este ponto controvertido estivesse implicitamente posto em discussão através do questionamento relativo à (in)constitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, haja vista que, independente do vício de aludido diploma, as receitas de bens integrantes do ativo permanente nunca compuseram a apuração das contribuições referidas. Demais disso, ainda que possível transpor o óbice da preclusão, melhor sorte não agasalharia a pretensão, porquanto, a par de não serem os atletas do clube “bens do ativo permanente”, mas, na melhor das hipóteses, deteria o clube direitos sobre sua negociação, de modo que, entendo, não seria possível a vindicada analogia, ao passo que não são todos os bens e direitos do ativo imobilizado que estão excluídos da tributação, mas apenas os bens do ativo permanente, que representa um dos componentes do ativo imobilizado, a teor do aludido art. 179 da Lei nº 6.404/76, estando um para o outro em uma relação de espécie para gênero. Ou seja, a exclusão alcança apenas os bens do ativo permanente (espécie), não alcançando os direitos, como no caso presente, do ativo imobilizado (gênero). Respeitante à qualificação das receitas em comento como não operacionais ou, melhor dizendo, como receitas estranhas ao faturamento, à luz do conceito formulado pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, socorrome da manifestação exarada naqueles mesmos julgados a que faz referência o voto vencido, eis que nos Recursos Extraordinários 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, mesmo declarando a inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, estabeleceram, na linha da jurisprudência daquele egrégio tribunal, que as expressões “faturamento” e “receita bruta”, a par de sinônimas, açambarcariam o somatório das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial, como se extrai do seguinte excerto do voto condutor do RE 390.840, de lavra do eminente Min. Marco Aurélio: Fl. 486DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL 14 “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (sublinhado) Em oportunidades posteriores, o próprio Supremo Tribunal Federal se manifestou no sentido que a expressão “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços” corresponderia à soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais, como registrado nos Recursos Extraordinários nºs 371.258/SP e 400.479/RJ, mormente este último, cuja seguinte passagem reproduzo: “Seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominados prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” Nesta senda, é inegável que as verbas recebidas pela negociação de direitos sobre jogadores de futebol caracterizamse como oriundas do exercício da atividade principal do clube, juntamente, com as rendas de bilheteria, direitos de imagem, patrocínios, etc., ressalvada a existência de exclusão específica, o que, friso, não ocorre para a receita sub examine. Assim, considerando que as receitas decorrentes da negociação de atletas configura faturamento, assim entendido como o somatório das receitas oriundas das atividades típicas da entidade, voto por negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 487DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000263/2008-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.
Por decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. Por decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. Recurso Especial do Procurador Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11065.000263/2008-46
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372007
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-003.015
nome_arquivo_s : Decisao_11065000263200846.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 11065000263200846_5372007.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente Substituto (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5585603
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029723168768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 242 1 241 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.000263/200846 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.015 – 3ª Turma Sessão de 5 de junho de 2014 Matéria Cofins/PIS Ressarcimento Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PACIFIC SHOES INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. Por decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins na cessão de créditos de ICMS para terceiros. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 02 63 /2 00 8- 46 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra acórdão proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara da 3ª Sejul do CARF, sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ALTERAÇÃO NA PARCELA DO DÉBITO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de ICMS gerado de operações de exportação anteriormente registrado como encargo tributário não materializa ingresso de elemento novo. O aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação do custo tributário provê o retorno à situação patrimonial anterior, não reunindo condições de qualificála no conceito de receita. Em Recurso Especial a Fazenda requer a reforma do acórdão sob o fundamento de que na época dos créditos não havia legislação que embasasse a exclusão da parcela relativa à cessão onerosa da base de cálculo da contribuição. Somente com a vigência da Lei 11.945/2009, a partir de 01/01/2010, as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS deviam ser excluídas da base de cálculo das contribuições. Antes dessa data as referidas receitas compunham a sua base de cálculo. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. A matéria tratada no presente recurso será somente o fato de as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS deverem, ou não, ser excluídas da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria não é mais passível de discussão no CARF, haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão Fl. 270DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11065.000263/200846 Acórdão n.º 9303003.015 CSRFT3 Fl. 243 3 geral, nos termos dos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606107, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativas, os valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, cuja ata nº 13 foi publicada no DJE de 03/06/2013, foi julgado o mérito do presente tema com repercussão geral, com a seguinte decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, conheceu e negou provimento ao recurso extraordinário, vencido o Ministro Dias Toffoli. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Luiz Carlos Martins Alves, Procurador da Fazenda Nacional, e, pela recorrida, o Dr. Danilo Knijnik. Plenário, 22.05.2013. EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e a certidão de trânsito em julgado em 05/12/2013. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Por força regimental Portaria MF nº 256/2009, art. 62A, essa decisão deve ser reproduzida por este relator. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 272DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002612/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
GLOSA DE DESPESAS
Somente são dedutíveis custos e despesas que, além de comprovados por documentação hábil e idônea, preencham os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade.
Numero da decisão: 1401-001.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso voluntário, afastando as glosas referentes as despesas i) com serviços de informática junto a empresa EDS Eletronic Data Systems do Brasil LTDA, relativamente às notas emitidas a partir de julho de 2003, ii) com importação de software junto à Great Lakes, iii) com importação de licença de Sistema SAP, e iv) com prestação de serviço de armazenagem da empresa M3 Armazenagem, e v) dos lançamentos estornados, referente a conta razão 50120020. Acompanhou o julgamento em nome da recorrente, Dr. Giordano Bruno V. de Barros - OAB/DF nº 23.433.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire Da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 GLOSA DE DESPESAS Somente são dedutíveis custos e despesas que, além de comprovados por documentação hábil e idônea, preencham os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.002612/2008-21
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5371626
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.226
nome_arquivo_s : Decisao_19515002612200821.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : KAREM JUREIDINI DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 19515002612200821_5371626.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso voluntário, afastando as glosas referentes as despesas i) com serviços de informática junto a empresa EDS Eletronic Data Systems do Brasil LTDA, relativamente às notas emitidas a partir de julho de 2003, ii) com importação de software junto à Great Lakes, iii) com importação de licença de Sistema SAP, e iv) com prestação de serviço de armazenagem da empresa M3 Armazenagem, e v) dos lançamentos estornados, referente a conta razão 50120020. Acompanhou o julgamento em nome da recorrente, Dr. Giordano Bruno V. de Barros - OAB/DF nº 23.433. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire Da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5581795
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029725265920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.002612/200821 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.226 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria IRPJ e outros Recorrente SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 GLOSA DE DESPESAS Somente são dedutíveis custos e despesas que, além de comprovados por documentação hábil e idônea, preencham os requisitos da necessidade, normalidade e usualidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DERAM provimento PARCIAL ao recurso voluntário, afastando as glosas referentes as despesas i) com serviços de informática junto a empresa EDS Eletronic Data Systems do Brasil LTDA, relativamente às notas emitidas a partir de julho de 2003, ii) com importação de software junto à Great Lakes, iii) com importação de licença de Sistema SAP, e iv) com prestação de serviço de armazenagem da empresa M3 Armazenagem, e v) dos lançamentos estornados, referente a conta razão 50120020. Acompanhou o julgamento em nome da recorrente, Dr. Giordano Bruno V. de Barros OAB/DF nº 23.433. (ASSINADO DIGITALMENTE) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 12 /2 00 8- 21 Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire Da Silva (Presidente), Karem Jureidini Dias, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes De Mattos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão n. 1635.177, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I – SP. Em Termo de Verificação Fiscal (fls. 259/267) foram analisados pela fiscalização documentos apresentados pela Contribuinte no intuito de verificar se as despesas deduzidas estavam em consonância com a legislação tributária. Assim, mediante a apreciação de documentos apresentados pela empresa, perquiriuse acerca da necessidade das despesas para manutenção da atividade da empresa, conforme excerto transcrito do TVF em comento: “Nesta análise foi verificado: comprovação com documentação hábil e idônea; necessidade à atividade da empresa ou a manutenção da fonte produtora; usualidade ou normalidade no tipo de transações, operações ou atividades da empresa; e, a vinculação, intrínseca, com a produção ou comercialização dos bens e serviços.” Nesse contexto, sob o fundamento de não comprovação de algumas despesas, bem como a existência de custos e despesas operacionais supostamente não necessários, e, portanto indedutíveis, lavrouse contra a Contribuinte Auto de Infração (fls. 279/290) para exigência de IRPJ e CSLL. Inconformada com a glosa das despesas, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 315/335), alegando preliminarmente nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa. No mérito, sustentou que, no geral, as despesas glosadas são referentes a serviços de informática e a serviços advocatícios, o que, por sua natureza, são indispensáveis para o funcionamento da empresa. No tocante às despesas não comprovadas, juntou documentos para devida comprovação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP, analisando o pleito, houve por bem manter parcialmente o lançamento, julgando a impugnação procedente em parte, nos termos do acórdão (fls. 1215/1249) que segue ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2003 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. FATOS E ATOS. REGISTRO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar, com documentos hábeis e idôneos, os fatos e atos registrados em sua contabilidade. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002612/200821 Acórdão n.º 1401001.226 S1C4T1 Fl. 3 3 O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. ENVIO DE INTIMAÇÕES. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. Intimações devem ser enviadas ao domicílio tributário do sujeito passivo, entendido como o endereço postal ou eletrônico autorizado fornecidos pelo mesmo sujeito passivo para fins cadastrais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003 DESPESAS E CUSTOS INCOMPROVADOS. Mantémse a glosa de custos e despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. Exonerase a parcela devidamente comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após o julgamento da DRJ, a situação do crédito tributário passível de discussão pode ser ilustrada pela planilha abaixo: LANÇADO EXONERADO MANTIDO IRPJ 1.972.070,18 260.233,08 1.171.847,10 MULTA IRPJ 1.479.052,64 195.167,31 1.283.885,33 CSLL 709.945,27 93.680,31 616.264,96 MULTA CSLL 532.458,95 70.260,23 462.198,72 Ainda irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1262/1284), reiterando o que fora alegado em sede de impugnação, sem mais alegar as nulidades suscitadas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias A autuação se deu em virtude da glosa de despesas pela fiscalização. Após apresentação de impugnação e apreciação do lançamento guerreado pela DRJ, o crédito foi parcialmente exonerado. A Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, combatendo os itens remanescentes do lançamento, subdividindo em dois tópicos, a saber, i) despesas “não dedutíveis” e ii) despesas não comprovadas. As despesas consideradas não essenciais foram tratadas no expediente recursal em tópicos distintos, expondo inicialmente a razão da dedutibilidade das despesas com serviços de informática, e posteriormente das despesas com serviços advocatícios. Intentou também comprovar as despesas entendidas como não comprovadas pelo Fisco Federal, subdividindo também conforme a natureza da despesa. Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 4 Para bem esclarecer acerca das despesas, importante observar a tabela de despesas não dedutíveis e não comprovadas, informada pela contribuinte e abaixo reproduzida: 1) Despesas com serviços de informática Prestação de serviços de informática pela EDS Eletrônica Data System ∙ Contrato com tradução juramentada (período: 01/07/2003 a 30/06/2008) DOC. 4 ∙ Notas Fiscais DOC. 5 Despesas Não Dedutíveis 2) Despesas com serviços advocatícios Soares e Ramires (cancelado) Castro Neves Advocacia (mantido) ∙ Contrato DOC. 9 1) Despesas com importação de software Importação de software desenvolvido pela Great Lakers Software ∙ Invoice DOC. 10 2) Despesas com serviço de assessoria Prestação de serviços pela Advanced Appraisal Consultoria e Planejamento ∙ Nota Fiscal DOC. 11 3) Despesas com pesquisa de mercado Reembolso de despesas da Recofarma pela pesquisa realizada pela Nielsen ∙ Notas de débito DOC. 12 4) Lançamentos estornados Tratavase de valores estornados e não deduzidos ∙ Cópia dos respetivos lançamentos contábeis/Razão DOC. 13 5) Despesas com armazenagem Prestação de serviços de armazenagem pela M3 Armazenagem e Serviços ∙ Nota Fiscal DOC. 14 6) Despesas com frete Despesas com fretes pagos à São Rafael Logística Ltda. ∙ Contrato DOC. 15 Despesas Nâo Comprovadas 7) Despesas com importação da licença do sistema SAP Aquisição pela CocaCola EUA e México de licenças de uso do programa de gestão empresarial SAP cm a SAP América Inc. (reembolso de despesas) ∙ Contrato com tradução juramentada DOC. 18 ∙ Invoice DOC. 19 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002612/200821 Acórdão n.º 1401001.226 S1C4T1 Fl. 4 5 8) Despesas com serviços de telefonia Prestação de serviços de telefononia pela Embratel ∙ Não foi encontrado o comprovante Pois bem, o Decreto 3000/1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR, estabelece o Lucro Real como o lucro líquido do período de cômputo ajustado pelas adições, exclusões ou compensações permitidas na legislação tributária. A esse respeito, dispõe o artigo 247 do decreto supramencionado: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). Nesse contexto, o artigo 249 do regulamento determina a adição ao lucro líquido do período do que não seja dedutível na determinação do lucro real, excluindose, a contrario sensu, o que a lei considera dedutível. Dentro do rol de despesas dedutíveis estão as operacionais, entendidas essas como as despesas não computadas nos custos, e necessárias à atividade da empresa e à manutenção da fonte produtora, nos termos do artigo 299, in verbis: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Despesas operacionais são gastos não computados nos custos, mas indispensáveis às operações da empresa, devendo ser usuais ou normais no desenvolvimento de sua atividade ou na manutenção da fonte produtiva. A empresa deve manter documentos hábeis e idôneos que comprovem a sua natureza, a identidade do beneficiário, a quantidade, o valor da operação, e demais elementos que permitam identificar a operação que originou despesa. Partindo do exposto, passemos a analisar a glosa das despesas consideradas pela fiscalização não necessárias à manutenção da atividade da empresa). A primeira natureza de despesa a ser apreciada é aquela com serviços de informática. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 6 A DRJ, ao apreciar a demanda, entendeu como determinante o fato da celebração do contrato da Contribuinte com a empresa EDS Eletronic Data Systems do Brasil Ltda., fornecedora dos serviços de informática, somente ocorrer em 31.10.2003, sendo inadmissível, para a Turma Julgadora a quo, postular a impertinência da glosa para os períodos de janeiro a outubro do anocalendário de 2003. Contudo, para os períodos posteriores à celebração do contrato, reconheceu a necessidade para o desempenho de atividades essenciais, e afastou a glosa. Em suma, os serviços de informática são necessários e usuais para desenvolvimento da atividade empresarial, com o que concordo com a DRJ, restando apenas a análise dos pagamentos efetuados vis a via o serviço contratado, ora analisado. Em relação a esse período de janeiro a outubro de 2013, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando ter apresentado documento hábil e idôneo para comprovar a necessidade, usualidade ou normalidade das despesas. Para tanto, alega que o documento 5 da impugnação traz notas fiscais de prestação de serviços que correspondem aos valores deduzidos na apuração do lucro real. Compulsando os autos, verifiquei a existência de contrato de prestação de serviços de tecnologia (363/) com início em 31 de outubro de 2003, conforme se observa do excerto, abaixo transcrito, extraído do instrumento particular celebrado entre a Contribuinte e a empresa EDS: CONTRATO DE SERVIÇOS DE TECNOLOGIA ESTE CONTRATO SE CELEBRA NO BRASIL, DISTRITO FEDERAL COM DATA 31 DE OUTUBRO DE 2003, (A "DATA DE INICIO") ENTRE SPAL INDUSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A (0 "CLIENTE"), REPRESENTADA POR SERGIO HECTOR ROSSI CONSIGLIERI, E EDS — ELECTRONIC DATA SYSTEMS BRASIL LTDA. (NO SUCESSIVO DENOMINADA "FORNECEDOR") REPRESENTADA POR CHU TUNG. 0 PRESENTE CONTRATO E SEUS ADITIVOS SERÃO DENOMINADOS DE FORMA CONJUNTA "CONTRATO" E SUJEITO ÀS SEGUINTES DECLARAÇÕES E CLÁUSULAS: Contudo, a cláusula de vigência do contrato (fls. 362) institui como início da vigência do contrato o dia 1 de julho de 2003. Assim dispõe a cláusula contratual: CLÁUSULA 2. PRAZO 2.1 prazo de vigência deste Contrato terá inicio em 1 de Julho de 2003 e concluirá em 30 de junho de 2008 (o "Prazo do Contrato"), a menos que se rescinda ou termine segundo este Contrato. 2.2 Um mês antes do final do Prazo do Contrato se iniciarão automaticamente, os Serviços de Assistência a Terminação como se definem neste Contrato. 2.3 A terminação do Prazo dos Serviços de Assistência para a Terminação, este Contrato se dará por terminado sem obrigação alguma para as partes, exceto pelas obrigações que se derivem pela terminação segundo se definirem na Cláusula 18 e as obrigações que sobrevierem A terminação deste Contrato segundo as Cláusulas 13A, 15, 16, 17, 20, 21y 22C. Verifiquei, ainda, a existência de notas fiscais que datam de 27.01.2003, 25.02.2003, 27.03.2003, 28.04.2003, 28.05.2003, 26.06.2003, 29.07.2003, 27.08.2003, 29.09.2003, 28.10.2003, 26.11.2003, 17.12.2003 (fls. 504/512), as quais indicam o pagamento à empresa EDS Eletronic Data Systems do Brasil Ltda. de valores referentes a prestação de serviços nesses períodos, comprovando, portanto o dispêndio econômico. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002612/200821 Acórdão n.º 1401001.226 S1C4T1 Fl. 5 7 Sendo assim, entendo que a despeito da data do contrato, este ratifica o início de sua vigência para julho de 2003, devendo ser afastada a glosa relativa aos pagamentos efetivos correspondentes às notas fiscais emitidas a partir de julho de 2003, conforme acima mencionado, haja vista a que a própria DRJ já havia admitido a necessidade das despesas dessa natureza, mantendo apenas o período que entendeu não abarcado no contrato. No que tange ao estorno alegado, referente à duplicidade de lançamento do dia 03.10.2003, observo às fls. 512 que foi juntada nota fiscal n. 003648 referente a serviços prestados pela empresa EDS, no valor de R$ 727.405,00, que deveria ser lançado no livro razão em 26.09.2003, data de emissão do documento, o qual já se encontra abrangido pelo provimento supra, não sendo necessário estender nessa questão. No que tange as despesas com serviços advocatícios, a DRJ considerou indedutível as ocorridas com o escritório Castro Neves, por ausência de documento fiscal que confirme a prestação de serviço, e exonerou crédito referente à prestação de serviços jurídicos pelo escritório Soares & Ramirez por haver contrato e recibo comprovando a efetiva despesa, bem como a necessidade do dispêndio econômico. A Contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, afirma que o contrato é documento hábil, idôneo e suficiente para a comprovação. Neste contexto, entendo que a Contribuinte, titular do ônus da prova, deixou de comprovar a existência dos requisitos necessários para glosa das despesas. Isso porque, muito embora o contrato de prestação de serviço esclareça acerca da natureza do gasto para as atividades da empresa, a Recorrente deveria ao menos ter comprovado o pagamento, juntado o recibo, ou demonstrado o cumprimento do serviço contratado. A assunção de compromisso não implica na presunção de cumprimento do serviço, tampouco na obrigação de pagamento pela contribuinte. Vale lembrar que o artigo 251 c/c o artigo 264 do RIR/99 assevera que incumbe o dever de manutenção de escrituração das operações ao contribuinte, inclusive mantendo os livros, e demais papeis referentes à sua atividade. Eis o que determina o texto legal: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial O Primeiro Conselho de Contribuintes, inclusive, já se manifestou sobre o tema, posicionandose no sentido de dispensar uma prova, desde que suficiente o conjunto probatório, o que não se confunde com a mera juntada de contrato. Vejamos a ementa: IRPJ GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVACÃO Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 8 Desde que comprovado o efetivo pagamento, não se justifica a glosa de despesas de prestação de serviços cuias notas fiscais não foram encontradas, se a existência dos contratos e necessidade dos serviços configurouse incontroversa pelo fato de a fiscalização não ter glosado os demais valores, para os quais foram apresentadas as respectivas notas fiscais. (Acórdão n. 10195193, Conselheira Relatora Sandra Maria Faroni, Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). Pelo exposto, a despeito da notoriedade do escritório de advocacia, a Recorrente não logrou êxito em juntar documento comprobatório da efetividade do serviço e/ou do pagamento. Passemos a análise das despesas consideradas não comprovadas. Bem sedimentado está que a questão de glosa de despesas é tipicamente probatória, cabendo ao contribuinte comprovar a essencialidade do gasto para a atividade da empresa, para então restar configurado a despesa operacional. A primeira despesa considerada não comprovada referese aos os gastos com importação de software. A essencialidade de tal despesa para atividade da empresa não foi questionada pela DRJ, que argumentou pela manutenção da glosa somente devido a ausência da Declaração de Importação ou outro documento que acompanhe o ingresso da mercadoria. A Contribuinte, em seu recurso novamente argumenta pela improcedência da glosa, tendo em vista a invoice ser suficiente para fazer prova da despesa operacional dedutível. Nas operações de importação são emitidas faturas de duas espécies, a primeira é a proforma e a segunda é a invoice. Esta, por sua vez, é documento emitido pelo exportador para que o importador possa realizar todo procedimento de liberação das mercadorias no país, contendo as características do objeto importado, a quantidade, o preço, o endereço do exportador e a forma de pagamento. Encontrase às fls. 874 a fatura comercial emitida pela empresa Great Lakes informando a formalização da transferência do software C.I.M.S, um sistema de previsão de vendas. A DRJ, por sua vez, considerou insuficiente a invoice como meio de prova de despesa operacional dedutível, sendo essencial para a Turma Julgadora a quo a Declaração de Importação. Pois bem, a Declaração de Importação de fato é documento fundamental para realização do despacho da importação, mediante o desembaraço aduaneiro. Entretanto, para o presente caso nos importa a comprovação da despesa. Por isso que a invoice, a meu ver, é suficiente para comprovar a despesa com o software, e este se encontra expressamente mencionado no documento (“Year 2003 Software Maintenance and Support for CIMS Sales Forecasting Software”). Havendo documento hábil e idôneo que comprove a efetiva despesa, não subsistem razões para a manutenção da glosa. A própria Receita Federal do Brasil esclarece em seu endereço eletrônico (http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/dipj/2002/pergresp2002/pr292a301.htm) acerca das características do documento hábil para comprovação da despesa operacional efetiva a ser deduzida. Voto, assim, por afastar a glosa referente às despesas com importação de software. No que tange às despesas com serviços de assessoria, verificase a juntada de nota fiscal fls. 876 que comprova a despesas incorridas com serviços de assessoria da Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.002612/200821 Acórdão n.º 1401001.226 S1C4T1 Fl. 6 9 empresa Advanced no inventário de bens no anocalendário de 2002. Contudo, a autuação se refere à despesa incorrida no anocalendário de 2003, razão pela qual proponho a manutenção da glosa. Prosseguindo na análise das despesas, passase às despesas com pesquisa de mercado. A DRJ entendeu não haver documentos suficientes para comprovar a efetiva despesa. De fato os documentos de fls. 878/883 carecem de informações essenciais para justificar ou comprovar a despesa, posto que não se encontra sequer a confirmação do objeto do contrato de prestação de serviço (pesquisa de mercado), juntando apenas nota de débito. Mantenho, neste ponto, o quanto decidido pela DRJ. Outro tópico da autuação diz respeito aos lançamentos estornados. A DRJ entendeu que ainda que a Contribuinte “tenha apresentado folhas do Razão com indicação dos lançamentos de R$ 114.700,00 (fls. 898/900) e R$ 86.100,00 (fls. 900 e 903), com nºs de documento que encontram correspondência com o quadro por ela elaborado à fl. 896, falta esclarecimento acerca da sistemática de operação da Conta do Razão nº 50120020, e apresentação dos documentos que ampararam os lançamentos efetuados no Razão. Observase, ainda que as folhas do Razão registram a coluna Data do Documento, não constando a coluna Data do Lançamento, informação que é relevante para o deslinde da questão”. A Contribuinte em seu Recurso Voluntário alega que os documentos apresentados comprovam a existência de lançamentos equivocados que foram estornados e o posterior lançamento retificado. De fato os estornos foram comprovados às folhas 552 e 555. Está demonstrada a existência de mesmos eventos contabilizados, o que demonstra a ocorrência de lançamento equivocado retificado, devendo ser afasta a respectiva glosa. No tocante às despesas com armazenagem, referente aos serviços prestados pela empresa M3 Armazenagem e Serviços Ltda., identificase às fls. 899, nota fiscal emitida pela prestadora de serviços. Nesse contexto, o entendimento da própria Receita Federal do Brasil exposto em seu sítio, já mencionado anteriormente, admite como prova dos pagamentos efetuados à pessoa jurídica, a Nota Fiscal ou o Cupom emitidos por equipamentos ECF – Emissor de Cupom Fiscal, observados os seguintes requisitos, em relação à pessoa jurídica compradora: sua identificação, mediante indicação de seu CNPJ; descrição dos bens ou serviços, objeto da operação; a data e o valor da operação. Qualquer outro meio de emissão de nota fiscal, inclusive o manual, depende de autorização da Secretaria de Estado da Fazenda, com jurisdição sobre o domicílio fiscal da empresa interessada. Pois bem, a nota fiscal preencheu os requisitos necessários para comprovar a efetiva despesa, isto é, informou o serviço realizado, bem como o valor pago e as partes envolvidas. Entendo, assim, que a nota fiscal fls. 899 é suficiente para comprovação da despesa operacional necessária, razão pela qual afasto a glosa efetuada, exonerando o crédito tributário referente a este ponto da autuação. Já as despesas com fretes devem, no meu entender, permanecer glosadas, haja vista ter a contribuinte juntado aos autos apenas o contrato de prestação de serviço, não demonstrando a efetiva despesa mediante conjunto probatório suficiente. Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA 10 A própria Contribuinte afirma em seu Recurso Voluntário que para “comprovação desta despesa, a Recorrente apresentou o contrato de prestação de serviços firmados entre as partes (Doc. 15 da impugnação), que claramente demonstra a relação obrigacional de prestação de serviços, comprovando, assim, a efetiva existência da despesa que no exercício de 2003 foi deduzida pela Recorrente”. Contudo, conforme entendimento anteriormente exposto, o contrato per si não comprova a efetividade da despesa. As despesas com importação da licença do Sistema SAP, assumo o mesmo posicionamento referente à glosa de despesas com importação de software, corroborado ainda pelo contrato firmado entre as partes que evidencia seu objeto (doc. 18). Sendo assim, a invoice, enquanto verdadeira Nota Fiscal Internacional, preenche todos os requisitos que a Receita Federal do Brasil elenca como indispensáveis para a devida comprovação da despesa. Merece guarida nesse ponto o pleito recursal da Contribuinte, devendo ser afastada a glosa efetuada, exonerando da base de cálculo os valores referentes à despesas com importação da licença do Sistema SAP. Por fim, no que tange às despesas com serviços de telefonia, não há prova carreada aos autos do efetivo pagamento, sendo certo que a própria Contribuinte afirmou em seu Recurso Voluntário não ter encontrado qualquer comprovantes, como se depreende do excerto: “Não tendo localizado o comprovante respectivo até o momento, a Recorrente protesta por sua juntada posterior aos autos”. Diante do exposto, analisada as glosas, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, afastando as glosas referentes as despesas i) com serviços de informática junto a empresa EDS Eletronic Data Systems do Brasil LTDA, relativamente às notas emitidas a partir de julho de 2003, ii) com importação de software junto à Great Lakes, iii) com importação de licença de Sistema SAP, e iv) com prestação de serviço de armazenagem da empresa M3 Armazenagem, e v) dos lançamentos estornados, referente a conta razão 50120020. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003537/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES.
Não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas ao segurado empregado a título de terço constitucional de férias e sobre a remuneração devida pelo empregador nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Integram o salário de contribuição as parcelas pagas ao segurado empregado a título de horas extras e abonos não excluídos pela lei, por constituírem remuneração para fins previdenciários.
JUROS. TAXA SELIC.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
MULTA DE MORA.
Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-004.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, auxílio-doença nos primeiros quinze dias de afastamento e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Vencida a relatora quanto à multa aplicada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Redator Designado.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas ao segurado empregado a título de terço constitucional de férias e sobre a remuneração devida pelo empregador nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Integram o salário de contribuição as parcelas pagas ao segurado empregado a título de horas extras e abonos não excluídos pela lei, por constituírem remuneração para fins previdenciários. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA DE MORA. Aplica-se aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10320.003537/2009-17
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5373882
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-004.154
nome_arquivo_s : Decisao_10320003537200917.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
nome_arquivo_pdf_s : 10320003537200917_5373882.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, auxílio-doença nos primeiros quinze dias de afastamento e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Vencida a relatora quanto à multa aplicada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Redator Designado. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5596131
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029729460224
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 157 1 156 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.003537/200917 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.154 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de julho de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. SUBROGAÇÃO. Recorrente MUNICÍPIO DE CODÓ CÂMARA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 02. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. Não há incidência de contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas ao segurado empregado a título de terço constitucional de férias e sobre a remuneração devida pelo empregador nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Integram o salário de contribuição as parcelas pagas ao segurado empregado a título de horas extras e abonos não excluídos pela lei, por constituírem remuneração para fins previdenciários. JUROS. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Aplicação da Súmula CARF nº 4. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 35 37 /2 00 9- 17 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, auxíliodoença nos primeiros quinze dias de afastamento e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Vencida a relatora quanto à multa aplicada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Redator Designado. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 158 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0344.316 da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ BrasíliaDF, f. 94104, com ciência ao sujeito passivo em 12/12/2011 que julgou a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.226.263 5. De acordo com o relatório fiscal de f. 3740, o AIOP trata de exigência de contribuições para a Seguridade Social a cargo dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados exercentes de cargo eletivo (vereadores), aos segurados empregados e aos segurados contribuintes individuais. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento dos segurados empregados e dos recibos de pagamentos/notas de empenhos de pagamentos a contribuintes individuais. Os beneficiários dos pagamentos, os valores pagos e as fontes dos dados estão discriminados em planilhas juntadas ao Processo Principal no 10.320.003536/200964 (Debcad no 37.226.2627), acompanhadas de cópias dos documentos que embasaram o lançamento, juntadas por amostragem. O lançamento se refere à parte não informada em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Foi feita representação ao Ministério Público Federal para, se assim entender, propor ação penal por crime de sonegação de contribuição previdenciária. A empresa autuada apresentou impugnação abrangendo todas as matérias do lançamento tributário. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. Em 20/12/2011 o sujeito passivo interpôs recurso apresentando suas alegações, f. 116149, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Alega que se trata de cobrança em duplicidade, pois as contribuições já foram lançadas no Auto de Infração Debcad nº 37.226.2619 ou no Auto de infração Debcad 37.226.2546. Alega que parte das contribuições exigidas no auto de infração é indevida porque se refere a parcelas da remuneração que não integram o salário de contribuição, pagas aos servidores a título de 1/3 de férias, horas extras e a devida nos quinze primeiros dias de afastamento do ambiente de trabalho por motivo de doença. Sustenta que o valor devido pela empresa nos quinze primeiros dias de afastamento do empregado por motivo de doença tem a mesma natureza indenizatória do benefício do auxílio doença, pois lhe falta o caráter de contraprestação de atividade laboral, requisito da remuneração, conforme definição do art. 3o caput da CLT, no qual se esteia o art. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 195, inciso I, da CF/88, ao definir a folha de salários como hipótese de incidência de contribuições previdenciárias. Apresenta doutrina neste sentido. Argumenta que o adicional de 1/3 de férias na possui natureza remuneratório, pois o empregado não está efetivamente prestando serviços ou à disposição do empregador, o que contraria o art. 28 da Lei 8.212/91. Cita decisão do Supremo Tribunal Federal proferida no RE nº 389.903DF, reconhecendo a natureza indenizatória dessa verba. Entende descabida a incidência de contribuições sobre as horas extras e os abonos pagos porque não integram os proventos de aposentadoria. Cita decisão do Superior Tribunal de Justiça proferida no ROMS nº 14346DF, corroborando seu entendimento. Com relação à penalidade aplicada, suscita a inconstitucionalidade do art. 35 da Lei nº 8.212/91, argumentando que esse dispositivo possui percentuais progressivos de multa no decorrer do tempo e em razão da prática de atos administrativos, funcionando também como compensação pela mora do contribuinte, cujo papel cabe, na verdade, aos juros de mora, em verdadeira sobreposição. Argumenta, ainda, que a multa progressiva no tempo não guarda adequação e congruência com a conduta objeto de punição, o que ofende o princípio da razoabilidade, da proibição do excesso e da vedação ao confisco, pois o percentual de multa pode variar até 100% do valor do crédito tributário. Acrescenta que o Supremo Tribunal Federal vem coibindo multas excessivas mediante invocação do art. 150, inc. IV, da CF. Suscita a inconstitucionalidade da taxa Selic, argumentando ser aplicável a Lei 11.960/2009, que alterou o art. 1o – F da Lei 9.494/97, determinando a incidência, nas condenações impostas à Fazenda Pública, dos índices oficiais de remuneração básica e juros aplicados à caderneta de poupança, a TR – Taxa Referencial, conforme dispõe a Lei nº 8.660/93. Pede a declaração de nulidade do lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Duplicidade da Exigência Alega, a recorrente, que as contribuições tratadas no presente lançamento tributário estão sendo exigidas em outro auto de infração, ao qual ela ora atribui o Debcad nº 37.226.2619 e ora o Debcad 37.226.2546. Essa afirmação não é verdadeira. O Auto de Infração Debcad nº 37.226.2619 cuida das contribuições dos segurados, descontadas pela recorrente de suas remunerações e não repassadas à Seguridade Social, ao passo que o presente lançamento referese às contribuições a cargo dos segurados Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 159 5 que não foram descontadas e nem recolhidas pela recorrente, como se infere da descrição dos grupos de fatos geradores extraída do relatório fiscal e abaixo transcrita: Levantamento CSN Contr Segur Não Decl em GFIP: valores a mais que deveriam ter sido descontados em Folhas de pagamento dos segurados empregados pertencentes ao Regime Geral de Previdência Social e que NÃO foram declarados em GFIP, no período de 01/2005 a 11/2008; Levantamento CS8 Contr Segur Não Decl em GFIP: valores a mais que deveriam ter sido descontados em Folhas de pagamento dos segurados empregados pertencentes ao Regime Geral de Previdência Social e que NÃO foram declarados em GFIP, nas competências 12/2008 e 13/2008; Levantamento CSI Folh Contr Indiv Não DecL GFIP: valores a mais que deveriam ter sido descontados em Folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais pertencentes ao Regime Geral de Previdência Social e que NÃO foram declaradas em GFIP, no período de 01/2005 a 11/2008; Levantamento CI8 Folh Contr Indiv Não DecL GFIP: valores a mais que deveriam ter sido descontados em Folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais pertencentes ao Regime Geral de Previdência Social e que NÃO foram declaradas em GFIP, nas competências 12/2008 e 13/2008; 15. Nos levantamentos CSN, CS8, CSI e CI8 estão lançados os valores a mais das contribuições a cargo dos segurados contribuintes empregados, segurados em cargo eletivo e contribuintes individuais e que foram apurados durante a Ação Fiscal. Valores obtidos após análise das Folhas de Pagamento, nas quais não foram descontadas as contribuições previdenciárias dos segurados acima e/ou foram utilizadas tabelas de descontos não atualizadas, ou seja, pertencentes a competências anteriores. Os valores descritos estão demonstrados na coluna "2eSegur." da planilha "Servidores Empregados não Informados em GFIP (total)" e na coluna "Segur." Da planilha "Servidores Contribuintes Individuais não Informados em GFLP (total)" O auto de infração Debcad nº 37.226.2546, por sua vez, conforme informado pela autoridade julgadora de primeira instância,“referese a infração cometida pelo MUNICÍPIO DE CODO PREFEITURA MUNICIPAL, com CNPJ diverso do CNPJ do MUNICÍPIO DE CODO CÂMARA MUNICIPAL”, ou seja, aquele lançamento trata das contribuições incidentes sobre as remunerações dos servidores da Prefeitura Municipal, e este, das contribuições incidente sobre as remunerações dos servidores da Câmara Municipal. Em suma, não há identidade de créditos tributários entre os lançamentos apontados. Terço Constitucional de Férias. Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou entendimento no sentido de que o adicional de 1/3 constitucional de férias e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença não possuem caráter remuneratório, afastando a incidência da contribuição previdenciária sobre essas verbas. Consolidou este entendimento a decisão do STJ no REsp nº 1.230.957, submetido ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil (recurso repetitivo), cujos trechos da ementa transcrevo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSOS ESPECIAIS. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DISCUSSÃO A RESPEITO DA INCIDÊNCIA OU NÃO SOBRE AS SEGUINTES VERBAS: TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS; SALÁRIO MATERNIDADE; SALÁRIO PATERNIDADE; AVISO PRÉVIO INDENIZADO; IMPORTÂNCIA PAGA NOS QUINZE DIAS QUE ANTECEDEM O AUXÍLIODOENÇA. (...) 1.2 Terço constitucional de férias. No que se refere ao adicional de férias relativo às férias indenizadas, a não incidência de contribuição previdenciária decorre de expressa previsão legal (art. 28, § 9°, "d", da Lei 8.212/91 redação dada pela Lei 9.528/97). Em relação ao adicional de férias concernente às férias gozadas, tal importância possui natureza indenizatória/compensatória, e não constitui ganho habitual do empregado, razão pela qual sobre ela não é possível a incidência de contribuição previdenciária (a cargo da empresa). A Primeira Seção/STJ, no julgamento do AgRg nos EREsp 957.719/SC (Rel. Min. Cesar Asfor Rocha, DJe de 16.11.2010), ratificando entendimento das Turmas de Direito Público deste Tribunal, adotou a seguinte orientação: "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção Documento desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas". (...) 2.3 Importância paga nos quinze dias que antecedem o auxílio doença. No que se refere ao segurado empregado, durante os primeiros quinze dias consecutivos ao do afastamento da atividade por motivo de doença, incumbe ao empregador efetuar o pagamento do seu salário integral (art. 60, § 3°, da Lei 8.213/91 — com redação dada pela Lei 9.876/99). Não obstante nesse período haja o pagamento efetuado pelo empregador, a importância paga não é destinada a retribuir o trabalho, sobretudo porque no intervalo dos quinze dias consecutivos ocorre a interrupção do contrato de trabalho, ou seja, nenhum serviço é prestado pelo empregado. Nesse contexto, a orientação das Turmas que integram a Primeira Seção/STJ firmouse no sentido de que sobre a importância paga pelo empregador ao empregado durante os primeiros quinze dias de afastamento por motivo de Fl. 162DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 160 7 doença não incide a contribuição previdenciária, por não se enquadrar na hipótese de incidência da exação, que exige verba de natureza remuneratória. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.100.424/PR, 2a Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 18.3.2010; AgRg no REsp 1074103/SP, 2a Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe 16.4.2009; AgRg no REsp 957.719/SC, 1a Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 2.12.2009; REsp 836.531/SC, 1a Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 17.8.2006. (...) Com relação ao terço constitucional de férias, o STJ acompanhou a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme se vê nos trechos das seguintes decisões do STJ: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE ADICIONAL DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. ADEQUAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ AO ENTENDIMENTO FIRMADO NO PRETÓRIO EXCELSO. 1.A Primeira Seção do STJ considerava legitima a incidência da contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. 2.Entendimento diverso foi firmado pelo STF, a partir da compreensão da natureza jurídica do terço constitucional de férias, considerado como verba compensatória e não incorporável à remuneração do servidor para fins de aposentadoria. 3. Realinhamento da jurisprudência do STJ, adequandose à posição sedimentada no Pretório Excelso, no sentido de que não incide Contribuição Previdenciária sobre o terço constitucional de férias, dada a natureza indenizatória dessa verba. Precedentes: EREsp 956.289/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe 10/11/2009; Pet 7.296/PE, Rel. Min. Eliana Calmon, Primeira Seção, DJe de 10/11/2009. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1123792/DF, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 09/03/2010, DJe 17/03/2010) EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. INOVAÇÃO RECURSAL. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCABIMENTO. VIOLAÇÃO DA CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. INOCORRÊNCIA. (...) 2. "Jurisprudência das Turmas que compõem a Primeira Seção desta Corte consolidada no sentido de afastar a contribuição previdenciária do terço de férias também de empregados celetistas contratados por empresas privadas." (AgRgEREsp n° Fl. 163DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 957.719/SC, Relator Ministro Cesar Asfor Rocha, Primeira Seção, in DJe 16/11/2010). (...) (AgRg no REsp 1.221.674/SC, Rel. Ministro Hamilton Carvalhido, DJe 18/04/2011). Em se tratando de temas já absolutamente pacificados no âmbito do STF e STJ, não vejo como deixar de adotar o mesmo entendimento, o que não significa afastar a aplicação de norma ou legislação de direito tributárioprevidenciário, mas tão somente adotar precedentes os quais claramente, ao se discutir acerca da natureza de cada uma das verbas em questão, fixaram entendimento de que não se tratam de retribuição para o trabalho, situação que as afasta da incidência das normas previstas no art. 28 da Lei 8.212/1991. Com base no exposto, concluise que as verbas pagas a título de terço constitucional de férias e a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença não integram o salário de contribuição, dada a sua natureza indenizatória. Horas Extras. Abonos Integram o salário de contribuição as horas extras e os abonos, conforme previsto no art. 28 da Lei 8.212/91: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Deixo de apreciar a alegação de incompatibilidade do art. 28 da Lei 8.212/91 com o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, por força da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Para fins previdenciários, a remuneração é composta por todos os ganhos, ainda que variáveis e eventuais, com exceção das parcelas elencadas no § 9o do art. 28 da Lei 8.212/91, o qual não excluiu do salário de contribuição os valores recebidos pelo segurado empregado a título de horas extras e abonos permanentes. No mesmo sentido o § 1o do art. 457 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) dispõe que integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, horas extras, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 161 9 O STJ tem jurisprudência no sentido de que o recebimento de horas extras, para efeitos de incidência de contribuição previdenciária, configura remuneração e não indenização. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. SALÁRIO MATERNIDADE. HORASEXTRAS, ADICIONAIS NOTURNO, DE INSALUBRIDADE E DE PERICULOSIDADE. NATUREZA JURÍDICA. VERBAS DE CARÁTER REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE DECIDIU A CONTROVÉRSIA À LUZ DE INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL. (...) As verbas recebidas a título de horas extras, gratificação por liberalidade do empregador e adicionais de periculosidade, insalubridade e noturno possuem natureza remuneratória, sendo, portanto, passíveis de contribuição previdenciária. (...) (STJ, AgRg no Ag 1330045/SP, Ministro Relator Luiz Fux, Primeira Turma, Data do Julgamento: 16/11/2010, Data da Publicação: 25/11/2010). Portanto, rejeito a alegação, mantendo a incidência de contribuições previdenciárias sobre pagamento de horas extras e abonos. Multa de Mora O instituto das multas em matéria previdenciária foi profundamente alterado pela Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106, inciso II, do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento de débito nos casos de ii) falta de declaração ou de iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: para a primeira, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; para a segunda, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 162 11 O caso em exame trata de multa sobre contribuições incluídas em lançamento tributário, portanto, não é aplicável a sistemática da multa para falta de pagamento espontâneo. A multa para pagamento não espontâneo, incluído em lançamento tributário que é o caso conforme visto, na nova sistemática do art. 35A da Lei 8.212/91, é única para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata. Já o revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32, inciso IV, §§4o e 5o da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. Ressaltase que não é possível negar vigência ao art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da Lei 9.528/97 porque o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos do enunciado da Súmula CARF nº 02. No caso concreto, o relatório fundamentos legais do débito, f. 3536, revela que sobre os valores lançados nas competências 02/2007 a 11/2008, houve incidência da multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99 e na competência 12/2008 foi aplicada a multa de que trata o art. 35A da Lei 8.212/91, incluído pela MP 449/2008. Ficou consignado nos autos que a multa mais benéfica será calculada de acordo com a sistemática aqui apontada no momento do pagamento, nos termos do art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Diante disso, ratifico a sistemática da multa aplicada, devendo ser observado o limite de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96. Juros. Taxa Selic A apreciação de arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa Selic) também é incabível na esfera administrativa, nos termos do Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. O art. 1oF da Lei 9.494/97 limitase às hipóteses de pagamento de verbas remuneratórias devidas a servidores e empregados públicos, conforme jurisprudência do STJ. Ademais, há legislação específica tratando da taxa de juros aplicáveis em matéria tributária, a qual deve prevalecer, por se tratar de lei especial. Com efeito, a utilização da Taxa Selic como taxa de juros está embasada na Lei 8.212/91, art. 34, para os fatos geradores ocorridos até 11/2008 e art. 35, na redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, c/c Lei 9.430/96, art. 61, para os fatos geradores ocorridos após 12/2008, não podendo, a autoridade administrativa, deixar de observar a lei, sob pena de incorrer em ilegalidade. O Código Tributário Nacional embora, em seu art. 161, § 1º, refira à taxa de 1% ao mês, o faz em caráter supletivo, deixando à lei, expressamente, a possibilidade de dispor de modo diverso. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 163 13 Convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Em síntese, são rejeitadas as alegações sobre essa matéria, de modo que se mantém a taxa de juros aplicada com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic. Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias e sobre a importância paga nos quinze dias que antecedem o auxíliodoença. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes – redator designado Multa de mora Insurgese a recorrente a multa moratória. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. É que a medida provisória revogou o artigo 35 da Lei 8.212/91 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Sendo que para a multa de mora existe o limite de 20%. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 164 15 redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia desde 27/12/1996 o artigo 44 da Lei nº 9.430/96, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral; é um dos critérios para a solução dos conflitos aparentes. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP 449 aplicavase sem vacilo o artigo 35 da Lei 8.212/91. Portanto, a sistemática do artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/96 para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. E não fica só nisso, dependendo de alguns agravantes esta última que se inicia em 75% pode chegar a 225%; enquanto a multa de mora é limitada a 20% do valor principal. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo artigo 35 da Lei nº 8.212/91, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Quando Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 realizado o lançamento a multa de mora é maior em razão da gradação e não porque foi aplicada com um procedimento de ofício. E esse acréscimo de valor da multa de mora também ocorre igualmente em outras fases do processo sem que, em qualquer momento, a Lei nº 8.212/91 alterasse a natureza jurídica da multa de mora. E, ainda, a diferença de percentual para a multa de mora quando a contribuição é paga espontaneamente ou não é de apenas 4%. Ressaltando que, mesmo tendo iniciado o procedimento fiscal, o sujeito passivo tem direito a recolher ou mesmo parcelar suas contribuições em atraso, como se espontaneamente. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449. Alguns sustentam a aplicação quando embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. ... É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão6: “De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória.” Como regra comporta algumas exceções, dentre as quais a aplicação retroativa da lei posterior que houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; 6 FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 165 17 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Acontece que as hipóteses excepcionais nas alíneas “a” e “b” não têm relação com a multa de mora. Isso porque a mesma Lei nº 8.212/91 fazia à época uma nítida diferenciação entre infração, todas relacionadas ao descumprimento de obrigações acessórias, inclusive pela falta de declaração de fatos geradores em GFIP, e obrigação principal pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Deixar de pagar a contribuição devida não era infração, mas inadimplemento de uma obrigação que tinha como conseqüência o lançamento através de Notificação Fiscal de Lançamento do Débito – NFLD para a cobrança do valor principal e os acréscimos legais na forma de multa e juros de mora: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. ... Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99: Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nºs 8.212 e 8.213, ambas de 1991, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; b)deixar a empresa de se matricular no Instituto Nacional do Seguro Social, dentro de trinta dias contados da data do início de suas atividades, quando não sujeita a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; c)deixar a empresa de descontar da remuneração paga aos segurados a seu serviço importância proveniente de dívida ou Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 responsabilidade por eles contraída junto à seguridade social, relativa a benefícios pagos indevidamente; d)deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; ... Já quanto à hipótese na alínea “c”, o Superior Tribunal de Justiça STJ pacificou o entendimento que não se trata apenas dos atos infracionais, mas de todas as penalidades em geral, inclusive aquela relativa à mora: RECURSO ESPECIAL Nº 542.766 RS (2003/01010120) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – MULTA MORATÓRIA – REDUÇÃO – APLICAÇÃO DO ART. 61 DA LEI 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997 –POSSIBILIDADE – RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA – ART. 106 DO CTN O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106 do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61 da Lei 9.430/96 a fatos geradores anteriores a 1997. Recurso não conhecido. ... O art. 106, II, "c", do CTN, que prevê a retroação da lex mitior determina que se aplique, in casu, a Lei nº 9.430/96, que alcança fatos pretéritos por ser mais favorável ao contribuinte, devendo ser reduzida a multa aplicada por cometimento de infração tributária material. Destarte, não comporta mais divergências no âmbito da Primeira Seção desta Corte, em razão do julgado nos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 184.642/SP, da relatoria do Min. Garcia Vieira, in verbis: "TRIBUTÁRIO – LEI MENOS SEVERA – APLICAÇÃO RETROATIVA – POSSIBILIDADE – REDUÇÃO DA MULTA DE 30% PARA 20%. O Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, letra 'c' estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comina punibilidade menos severa que a prevista por lei vigente ao tempo de sua prática. A lei não distingue entre multa moratória e multa punitiva. Tratandose de execução não definitivamente julgada, pode a Lei n.º 9.399/96 ser aplicada, sendo irrelevante se já houve ou não a apresentação dos embargos do devedor ou se estes já foram ou não julgados." A Administração Fazendária, através da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009, admitiu também a retroatividade benéfica aos processos ainda não definitivamente julgados, ainda que realizados antes da vigência da MP 449; embora tenha considerado que as multas sejam de ofício mesmo para os fatos geradores ocorridos na vigência da redação original do artigo 35 da Lei nº 8.212/91. E, a partir da adoção do conceito de multa de ofício, a Portaria, para a aplicação da retroatividade benéfica, fixou uma regra de Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 166 19 execução com a qual não concordamos. A Portaria diz que as multas lançadas nas NFLD devem ser somadas à multa por omissão de fatos geradores em GFIP para fins de comparação, com vista à aplicação da alínea "c" do inciso II do artigo 106 CTN. Entendo que não se podem comparar institutos com naturezas jurídicas distintas como se fossem a mesma coisa e, pior ainda, a partir disso se realizarem operações algébricas com as expressões monetárias de cada um deles. Como somarem multa de mora e multa de ofício se entre elas só há em comum o nome “multa”, mais nada? Não pode. Essa parte da Portaria, com o devido respeito, não merece acolhida nesse Conselho Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009: Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). ... § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a Fl. 175DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. A multa lançada nos documentos de constituição de crédito da obrigação principal anteriores à vigência da MP 449 é de mora. Contudo, de fato, o conceito foi alterado pela lei posterior para multa de ofício. Acontece que não se pode fazer retroagilo aos lançamentos de fatos geradores que lhe são anteriores. Para fins de aplicação da retroatividade benéfica devemos comparar as regras anteriores e posteriores. Assim, temos atualmente vigentes duas regras, a primeira para a multa de mora e a segunda para a de ofício: a) quando a contribuição inadimplida é declarada, aplicase o artigo 61 da Lei nº 9.430/96; b) caso contrário, o artigo 44 da mesma lei. Lei nº 9.430/96 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.003537/200917 Acórdão n.º 2402004.154 S2C4T2 Fl. 167 21 declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Por tudo aqui exposto, a regra relativa à multa de ofício nunca será aplicada aos fatos geradores anteriores à MP 449; agora para aplicação do artigo 61 da Lei nº 9.430/96 é necessário que tenha havido declaração. A regra atual de incidência da multa de mora, para a retroatividade benéfica, deve ser comparada com a regra do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores mas como um todo e não de forma fracionada. A aplicação da multa de mora atualmente vigente ao invés da multa de ofício exige como requisito a declaração dos fatos geradores. Se a declaração na época somente tinha importância para a redução da multa de mora, nos termos do §4° do mesmo artigo, para a regra atual deixa de ser aplicada multa de ofício e se aplica multa de mora. Lei nº 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: ... Em síntese, por força do artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, os processos de lançamento fiscal de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449, ainda em tramitação, devem ser revistos para que as multas sejam adequadas às regras e limitação previstas no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, quando declarados os fatos geradores ou, caso contrário, aplicado o artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91 nos percentuais vigentes à época dos fatos geradores. Por último, considerando que a execução judicial do crédito é ato processual posterior à MP 449, também não seria aplicável a regra do artigo 35, inciso III, “c” e “d” da Lei nº 8.212/91, mas a atual regra no artigo 44, inciso I da Lei n° 9.430, de 27/12/1996: III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: ... c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Por tudo, voto pelo provimento parcial para ao recurso voluntário para que seja afastada a incidência da contribuição social previdenciária sobre a verba paga a título de adicional de 1/3 constitucional de férias, auxíliodoença nos primeiros quinze dias de afastamento e, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909826/2006-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/1999
BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES.
Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparam-se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição.
COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO.
Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/1999 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparam-se a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.909826/2006-25
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5374457
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.872
nome_arquivo_s : Decisao_10880909826200625.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 10880909826200625_5374457.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5597836
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029737848832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 10 1 9 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.909826/200625 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801003.872 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria PIS BONIFICAÇÕES Recorrente MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/1999 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparamse a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 26 /2 00 6- 25 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909826/200625 Acórdão n.º 3801003.872 S3TE01 Fl. 0 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 30/11/99 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 1.184,54;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 11 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909826/200625 Acórdão n.º 3801003.872 S3TE01 Fl. 0 3 Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos citando trechos da decisão recorrida. Postula a reforma do acórdão da DRJ argumentando que, de fato, as operações de bonificação praticadas pela recorrente não possuíam a natureza de desconto incondicional aplicado às suas vendas no período e que a recorrente não fundamentou sua manifestação de inconformidade segundo essa premissa. Pugna pela homologação da compensação em análise com base no fundamento de que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, ou seja, foram realizadas gratuitamente (sem auferimento de receita). Sustenta que a inexistência de vínculo entre suas operações de bonificação e as vendas praticadas no caso concreto é patente, pois suas bonificações decorreram do cumprimento de obrigações pactuadas contratualmente junto a seus clientes: bonificálos (premiálos) com mercadorias em face da ocorrência de fatos específicos (aniversário de loja, renovação de contrato, aniversário contratual, superação de metas de vendas, etc). Apresenta trechos de contratos firmados com os destinatários das mercadorias oferecidas em bonificação. Pontua que as operações de bonificação têm como objetivo o estreitamento do vínculo comercial entre vendedor e comprador, proporcionando a fidelização de suas relações comerciais. Tece comentários sobre a espécie de bonificação comumente conhecida no âmbito empresarial como “dúzias de treze”. Insiste que as operações de bonificação da recorrente não se caracterizam como “dúzias de treze”. Destaca o caráter de gratuidade de que se revestem as operações de bonificação praticadas pela recorrente, impossibilitando a incidência da contribuição sobre o montante das notas fiscais que as documentaram. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909826/200625 Acórdão n.º 3801003.872 S3TE01 Fl. 0 4 Alega que nas bonificações praticadas pela recorrente não houve qualquer recebimento de receita supostamente integrante do resultado do período. Colaciona jurisprudência do CARF. Por fim, requer a reforma do acórdão recorrido e homologado o crédito compensado. Posteriormente apresenta petição requerendo a juntada das cópias das notas fiscais, do balancete contábil e da planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais ora tratadas. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909826/200625 Acórdão n.º 3801003.872 S3TE01 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomo conhecimento. A controvérsia desse litígio administrativo cingese a verificar se as bonificações concedidas em produtos podem ser excluídas da receita bruta na composição da base de cálculo da contribuição. A recorrente sustenta que suas saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, ou seja, foram realizadas gratuitamente (sem auferimento de receita). Assiste razão à recorrente, conforme será demonstrado. A legislação de regência, art. 3º, § 2º, inciso I da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, disciplina: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; (grifouse) Pelos documentos comprobatórios juntados aos autos, constatase que, de fato, as saídas de produtos a título de bonificações foram autônomas, isto é, não estavam vinculadas as operações de vendas específicas, portanto não configuram descontos incondicionais. Cabe, mais, acrescentar que as bonificações em discussão caracterizamse como doações, sendo que o estabelecimento vendedor entrega ao adquirente uma quantidade de produtos, sem vinculação com uma venda, isto é, não é cobrado qualquer valor do cliente pela quantidade excedente de produtos entregues. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909826/200625 Acórdão n.º 3801003.872 S3TE01 Fl. 0 6 O fato gerador da contribuição em discussão é o auferimento de receita pela pessoa jurídica. Diferentemente do fato gerador do Imposto Sobre Produtos Industrializados, a saída do produto do estabelecimento não implica na incidência da contribuição. Resta evidente que a incidência da contribuição está associada ao ingresso de receita, o que não ocorreu no presente caso. Colhese do processo que não houve o ingresso de recursos financeiros no patrimônio da interessada. É de se ver, portanto, que as operações em discussão não podem ser consideradas como bonificações, mas sim, como doações. Assim, a saída de mercadorias a título de doações não está no campo de incidência da contribuição. Neste sentido a Solução de Consulta Solução de Consulta editada pela Divisão de Tributação da 8ª Região Fiscal, de nº 130, de 03 de maio de 2012, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA.. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982.(rgifou se) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909826/200625 Acórdão n.º 3801003.872 S3TE01 Fl. 0 7 Na mesma direção a Solução de Consulta editada pela Divisão de Tributação da 10ª Região Fiscal, de nº 136, de 21 de agosto de 2012: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO. A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita. Dispositivos Legais: CF, de 1988, art. 195, I, “b”; Lei nº 10.406, de 2002, Código Civil, art. 538; Lei nº 10.637, de 2002, arts. 1º, §§ 1º e 2º, e 3º, I e II; Lei nº 10.833, de 2003, arts. 3º, IX, e 15, II; IN SRF nº 51, de 1978; PN CST nº 113, de 1978. (grifouse) No caso vertente restou comprovado que as bonificações em tela caracterizamse como doações e não estão sujeitas à incidência da contribuição porque não configuram receitas. Tratase de uma despesa operacional da pessoa jurídica. Convém ressaltar que o direito à repetição de indébito está previsto no artigo 165 do Código Tributário Nacional – CTN, verbis Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (...) Quanto ao direito à restituição do indébito, Luciano Amaro em Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2005, p. 420, esclarece: O direito à restituição do indébito encontra fundamento no princípio que veda o locupletamento sem causa, à semelhança do que ocorre no direito privado. Registrese, por oportuno, que não se exige para o reconhecimento do indébito a retificação da DCTF, pois o importante é aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito, de acordo com o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional). No caso em discussão, o direito creditório se apresentou líquido e certo nos conjunto probatório. Registrese, por fim, que essa decisão reconhece apenas o direito material da recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição Cofins, período de apuração de 30/11/1999, os valores das notas fiscais a título de bonificações. Incumbe à Delegacia de Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.909826/200625 Acórdão n.º 3801003.872 S3TE01 Fl. 0 8 origem com base na escrituração fiscal (Livros, DCTF, etc) e contábil apurar o valor do pagamento indevido ou a maior (quantum) e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido (atualizável pela taxa Selic). Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de excluir da receita bruta na composição da base de cálculo da Cofins as bonificações concedidas em produtos e homologar a compensação até o limite do crédito a ser apurado pela Delegacia de origem. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001316/2010-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2006
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da incidência contributiva à Previdência Social e não se vislumbra nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e ampla defesa.
LANÇAMENTO. MODALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER VINCULADO.
O lançamento de ofício não se confunde com o auto-lançamento ou com o lançamento espontâneo.
É cabível a multa de ofício ao lançamento de ofício, enquanto aspecto vinculado deste.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2301-003.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de:*) multa de mora limitada a 20%; e*) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente,nos termos do voto do(a)Relator(a). Redator:Mauro José Silva.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATORRelator.
EDITADO EM: 27/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da incidência contributiva à Previdência Social e não se vislumbra nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e ampla defesa. LANÇAMENTO. MODALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER VINCULADO. O lançamento de ofício não se confunde com o auto-lançamento ou com o lançamento espontâneo. É cabível a multa de ofício ao lançamento de ofício, enquanto aspecto vinculado deste. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15983.001316/2010-50
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372373
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2301-003.840
nome_arquivo_s : Decisao_15983001316201050.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 15983001316201050_5372373.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de:*) multa de mora limitada a 20%; e*) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente,nos termos do voto do(a)Relator(a). Redator:Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - RELATORRelator. EDITADO EM: 27/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
id : 5588423
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029739945984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2202; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.001316/201050 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301003.840 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de novembro de 2013 Matéria Multa de ofício Recorrente JOSÉ CARLOS BLANCO POUSADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2006 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da incidência contributiva à Previdência Social e não se vislumbra nos autos a ocorrência de preterição do direito de contraditório e ampla defesa. LANÇAMENTO. MODALIDADES. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER VINCULADO. O lançamento de ofício não se confunde com o autolançamento ou com o lançamento espontâneo. É cabível a multa de ofício ao lançamento de ofício, enquanto aspecto vinculado deste. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 13 16 /2 01 0- 50 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b) em dar provimento parcial ao recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de:*) multa de mora limitada a 20%; e*) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente,nos termos do voto do(a)Relator(a). Redator:Mauro José Silva. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATORRelator. EDITADO EM: 27/08/2014 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.001316/201050 Acórdão n.º 2301003.840 S2C3T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Mauro José Silva, Manoel Coelho Arruda Júnior. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD no 37.320.2768, no montante de R$ 79.884,87 (setenta e nove mil e oitocentos e oitenta e quatro reais e oitenta e sete centavos), consolidado em 27 de dezembro de 2010, tendo como sujeito passivo José Carlos Blanco Pousada [fl. 32, v. 1]. Conforme Relatório Fiscal [fls. 40 e 41, v. 1], o lançamento corresponde às contribuições da empresa referente ao percentual de 20% previsto no artigo 22, inciso I, da Lei no 8.212/91 e em razão da incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho no percentual de 3%, previsto no artigo 22, inciso II, da mesma Lei, ambos na competência de 11/2009. "Tratase de obra de construção civil pessoa física, inicialmente de propriedade de Carlos Blanco Ramil, sendo transferido em 26/05/2009, ao seu filho José Carlos Blanco Pousada, conforme consta da averbação do Cartório de Registro de Imóveis de São Vicente, matrícula 126536, ficha 03, Livro n° 2, da qual foi concluída em 18/04/2007, conforme Carta de Habitação 241/07. O início da obra foi em 26/10/2005, conforme consta do Alvará n° 306/05, Plano 307, Processo n° 36.966/2005 e seu término deuse em 18/04/2007, conforme Carta de Habitação n° 241/07”. “A Agência em Praia Grande encaminhou o processo n°18404.001554/200993 em 08/09/2010, informando que não foi recolhido e/ou parcelado o valor aferido referente ao ARO 414749, e analisando o processo enviado, consta dos autos Termo de Juntada fls. 115 a 119, onde consta requerimento solicitando novo cálculo para o pavimento inferior, com área destinada a garagem, e não depósito como constava da planta original. Constatamos que a planta apresentada às fls. 116, é idêntica da inicialmente apresentada às fls. 11, sendo que esta última, apresenta alteração feita manualmente, não podendo ser considerada conforme determina legislação, sem a devida aprovação pelo órgão competente, a Prefeitura Municipal de São Vicente”. O contribuinte, por meio da Guia da Previdência Social GPS, efetuou pagamento no valor de R$ 43.312,12. Não pagou o valor de R$ R$ 80.287,67 por considerar um equívoco da fiscalização [fl. 50 e 77, v. 1]. José Carlos Blanco Pousada, cientificado da notificação, apresentou, em 25 de janeiro de 2011 [fl. 52, v. 1], impugnação ao presente lançamento, alegando, em síntese, [fls. 52 a 62, v. 1] que a multa de ofício aplicada e os juros SELIC não eram devidas: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 “No mérito, que seja julgado improcedente o Auto de Infração, já que não contesta o valor da Contribuição Previdenciária (20% da empresa e 3% de SAT/RAT) incidente sobre a construção civil, e sim, a multa de ofício aplicada e os juros SELIC, vez que não foi recolhida anteriormente por que o contribuinte não tem competência para efetuar o cálculo por aferição indireta da Contribuição, já que esta, segundo a Lei n°. 8.212/91 e a Instrução Normativa 971/09, cabe exclusivamente a Receita Federal do Brasil fazer”. “Os cálculos das contribuições previdenciárias incidentes na construção civil estão regulados na Lei n°. 8.212/91 (artigo 33 e §§ 4o e 6o) e na Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil n°. 971/09 (artigo 335 e ss.) e podem ser pagas à medida que a obra vai sendo realizada ou ao seu final, pelo método da aferição indireta, método este escolhido pelo IMPUGNANTE”. “Ora, diz também à legislação que, caso o contribuinte opte por recolhêlas pelo método de aferição indireta, caberá EXCLUSIVAMENTE à Receita Federal do Brasil, efetuar o seu cálculo, cabendo ao interessado fornecer os documentos e informações necessárias ao seu cálculo”. O contribuinte alega que não houve razoabilidade e proporcionalidade na aplicação da multa. Ainda na defesa, requer o agrupamento deste processo administrativo com os autos de infração no 37.320.2776 e no 37.320.2784, com o julgamento de todos na mesma data devido à conexão [fl. 62, v. 1]. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, em 26 de agosto de 2011, no acórdão no 0534.864 – 9a Turma da DRJ/CPS, manteve em parte o crédito tributário exigido [fls. 79 a 86], concluindo que: “[...] cabe destacar que o contribuinte apresenta impugnação parcial e não contesta que os fatos geradores ocorreram e tampouco os valores apurados pelo auditor fiscal a título de base de cálculo mas sim a multa de ofício aplicada e os juros de mora. O mesmo apresenta comprovante de pagamento, fl.77, correspondente à parte não contestada (apenas o valor principal, sem juros mora e multa de ofício)”. José Carlos Blanco Pousada recebeu o ofício em 24 de outubro de 2011 e, em 17 de novembro de 2011, apresentou recurso voluntário [fls. 110 a 116] repisando os mesmos argumentos constantes na impugnação. Eis uns trechos: “Do OBRIGATÓRIO trabalho fiscal, em vez de receber o valor a ser recolhido a título de contribuição previdenciária (visto que o RECORRENTE não poderia legalmente fazer o cálculo) resultaram três Autos de Infração, de números, respectivamente, 37.320.2768 (ora combatido), 37.320.2776 e 37.320.2784 que foram objeto de IMPUGNAÇÕES tempestivas, nos termos da Lei. Dessa forma, em face da evidente identidade entre o presente processo administrativo e os demais, supracitados, requerse, desde já, a conexão entre os mesmos até o julgamento final dos Recursos Voluntários apresentados em face dos Al's retro mencionados, evitandose, com isso, decisões conflitantes”. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.001316/201050 Acórdão n.º 2301003.840 S2C3T1 Fl. 4 5 “O RECORRENTE não se conformando com a atitude da autoridade lançadora, recolheu em favor da União o valor da contribuição previdenciária, através da GPS com o código de receita 4200 a importância total de R$ 43.312,12 (quarenta e três mil trezentos e doze reais e doze centavos) incidente sobre a construção civil (20% da empresa e 3% de SAT/RAT) calculado pelo método de "aferição indireta", conforme prazo estabelecido no § 2o do artigo 340 da IN n°. 971/2009 e apresentou IMPUGNAÇÃO tempestiva no que tange a incidência de multa de ofício e juros moratórios”. O processo foi encaminhado para CARF para julgamento [fl. 118]. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. I PRELIMINAR DE NULIDADE – NÃO ACOLHIMENTO Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, argüida pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.001316/201050 Acórdão n.º 2301003.840 S2C3T1 Fl. 5 7 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. II REGULARIDADE DA AUTUAÇÃO Pelo que consta dos autos, o contribuinte compareceu à unidade de atendimento da RFB em Praia Grande, em 11/11/2009, para atender solicitação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, conforme correspondência fl.8, datada de 16 de outubro de 2009, e apresentou a Declaração de Informações sobre Obras – DISO, para regularizar a obra em questão, o que resultou na emissão do respectivo ARO, com valores apurados para a competência de 11/2009. Não concordando com os cálculos, o contribuinte teria apresentado novos elementos através do requerimento protocolado em 14/12/2009, e, segundo o mesmo, compareceu novamente diversas vezes à unidade para obter os novos cálculos. Ainda, de acordo com os elementos constantes dos autos, especificamente do relatório fiscal, fl.40/41, a Agência em Praia Grande encaminhou o processo da DISO, em 08/09/2010, à DRF em Santos, informando que não foi recolhido e/ou parcelado o valor aferido ao ARO 414749. A autoridade autuante, relata que, analisando o processo enviado, consta dos autos requerimento solicitando novo cálculo para o pavimento inferior, com área destinada a garagem e não depósito como constava da planta original, termo de juntada fls. 115 a 119, onde constatou que a planta de fl.116, seria idêntica à inicialmente apresentada às fls.11, sendo que esta última apresenta alteração feita manualmente, não podendo ser considerada sem a devida aprovação pelo órgão competente, a Prefeitura Municipal de São Vicente. Ainda, de acordo o relatório fiscal, foi emitido o Termo de Início de Procedimento Fiscal, solicitando documentos referentes à obra, e com a ciência do proprietário foi esclarecido que a alteração de área somente poderia ser considerada com a devida aprovação da Prefeitura Municipal de São Vicente. Nesse diapasão, foilhes apresentado novo projeto arquitetônico Processo n° 03172/10, Alvará 45/10 Plano n° 92 de 26/02/2010, agora constando ser o pavimento inferior garagem e o cálculo foi elaborado conforme critérios previstos na legislação, artigo 338 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009, com base na área e enquadramento da obra. Neste contexto, o contribuinte questiona a imediata emissão do Auto de Infração, com multa de ofício e juros moratórios, sem lhe oportunizar a possibilidade do recolhimento espontâneo, conforme, segundo o mesmo as instruções que tratam da matéria. Em que pese esses argumentos, cumpre destacar de plano que, o lançamento é o ato administrativo vinculado que promove na apuração do valor devido a título de tributo, apurandose a base de cálculo, aplicandose a alíquota correspondente na legislação, conforme as peculiaridades de cada fato gerador. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 Dito isso, peço licença aos i. Conselheiros para acolher como razões de decidir os argumentos constantes do acórdão recorrido. Dispõe o artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Tratase de um poderdever, portanto, à autoridade administrativa não é dado decidir sobre a conveniência ou a oportunidade da constituição do crédito tributário. Sua conduta, como de resto a de qualquer outro servidor, está pautada pelo princípio da indisponibilidade dos bens públicos. Exatamente por isso, a atividade do lançamento é vinculada e obrigatória. E ainda, no que se refere à alegação do contribuinte de que a Administração já disponha dos elementos necessários à apuração dos valores, em nada macula o lançamento, uma vez que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Este entendimento está pacificado na jurisprudência administrativa, conforme se verifica na Súmula CARF nº 46 (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42): O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. É certo que o lançamento foi realizado de acordo com o ARO 414749 retificado em 15 de dezembro de 2010, fls 29/30, e segundo consta do próprio relatório fiscal, o débito referese à competência de 11/2009, conforme lançamento do ARO original, de acordo com o disposto no inciso I, § 2º, art. 344, da IN RFB 971/2009. Portanto, nenhum reparo no que se refere ao lançamento do débito, uma vez que, os valores foram apurados nos termos da legislação e de acordo com os elementos constantes do processo de regularização de obra e outros posteriormente apresentados. Dito isto, verificase que o Auto de infração foi devidamente emitido, portanto, tendo o respectivo crédito sido apurado através de lançamento de ofício, impõese, nos termos da legislação a aplicação da multa de ofício. E, conforme explicitado no auto de infração, o fundamento legal da exigência da multa de ofício foi a Lei n. 8.212, de 24.07.91, 35A (combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96), ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.001316/201050 Acórdão n.º 2301003.840 S2C3T1 Fl. 6 9 Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Portanto, uma vez regularmente constituído o crédito, através de lançamento de ofício correta a aplicação da multa de ofício III INCONSTITUCIONALIDADE E SELIC Em relação as demais matérias tratadas no Recurso Voluntário, devem ser aplicados os enunciados das Súmulas deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] IV MULTA Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. V DISPOSITIVO Portanto, em dar provimento parcial ao recurso para até, 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de multa de mora limitada a 20%. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RelatorRelator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.001316/201050 Acórdão n.º 2301003.840 S2C3T1 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 12 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.001316/201050 Acórdão n.º 2301003.840 S2C3T1 Fl. 8 13 O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 14 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.001316/201050 Acórdão n.º 2301003.840 S2C3T1 Fl. 9 15 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 16 Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 15983.001316/201050 Acórdão n.º 2301003.840 S2C3T1 Fl. 10 17 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 27/08/2014 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19679.007438/2003-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/04/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITOS.
A expressa desistênciado recurso voluntário implica o encerramento do litígio na esfera administrativa.
RecursoVoluntárionãoconhecido.
Numero da decisão: 3202-001.288
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/1998 a 30/04/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITOS. A expressa desistênciado recurso voluntário implica o encerramento do litígio na esfera administrativa. RecursoVoluntárionãoconhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19679.007438/2003-25
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5381742
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.288
nome_arquivo_s : Decisao_19679007438200325.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 19679007438200325_5381742.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
id : 5628499
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029746237440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 188 1 187 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.007438/200325 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.288 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de agosto de 2014 Matéria COFINS. MULTA Recorrente TECHINT S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 30/04/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITOS. A expressa desistênciado recurso voluntário implica o encerramento do litígio na esfera administrativa. RecursoVoluntárionãoconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres de Oliveira, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 74 38 /2 00 3- 25 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Trata o presente processo de autos de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referente a períodos de apuração compreendidos no ano de 1998, no valor total de R$ 1.185.209,17, incluídos multa proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Em auditoria fiscal levada a efeito em face da contribuinte acima identificada foi constatado "Proc. Jud. Não Comprovado" e "Pagto. Não Localizado" da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS dos fatos geradores ocorridos nos períodos de 04/1998, 10/1998 a 12/1998, declarados nas DCTF, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 19 a 26 integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto de contribuição, multa de oficio, multa de mora e juros de mora com cálculos válidos até 30/06/2003 perfazendo o total de R$ 1.185.209,17 (um milhão, cento e oitenta e cinco mil, duzentos e nove reais e dezessete centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 160 L 5172/66; Art. 1 L 9249/95; Art. 44 e inc. I e par. 1 line. I L 9430/96; Art. 160 L 5172/66; Art. 1 L 9249/95; Art. 43 e 61 e pars. 1 e 2 L 9430/96; Art. 161 par. 1 L 5172/66; Art. 61 par. 3 L 9430/96. 2. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 11/08/2003 (AR a fl. 46) a contribuinte protocolizou, em 08/09/2003 a impugnação de fls. 01 a 04 acompanhada dos documentos de fls. 0532, na qual alega: 2.1. Nulidade do lançamento — Ausência de lançamento válido — Art. 142, CTN. 2.1.1. O Auto de Infração 6, em face dos erros de fato apontados em sua lavratura, nulo de pleno direito, não podendo produzir quaisquer efeitos. 2.1.2. O lançamento, que é o ato administrativo vinculado à lei, está definido no artigo 142 do CTN, estabelecendo o conjunto de procedimentos que devem compôlo. 2.1.3. Dessa forma, lavrar Auto de Infração significa proceder ao lançamento de oficio, nos termos do inciso V do artigo 149 do CTN. Em razão disso, na sua lavratura devem estar presentes os elementos constitutivos de qualquer lançamento (artigo 142 do CTN). Assim, no curso de uma fiscalização, o agente administrativo ao depararse com uma infração à legislação tributária inerente ao tributo arrecadado e fiscalizado, poderá lavrar autos de infração, porém, a sua mantença depende, invariavelmente, da correção da ação fiscal. Para tanto, é necessário que o auto de infração esteja revestido de liquidez e certeza, o que pressupõe sua irrefutável fundamentação. 2.1.4. Verificase, pois, bastando para isso uma análise mesmo que perfunctória, que o lançamento efetuado pelo digno agente Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19679.007438/200325 Acórdão n.º 3202001.288 S3C2T2 Fl. 189 3 fiscal encontrase eivado de vicio insanável, pelo que devemos afirmar que o mesmo não pode produzir qualquer efeito jurídico no sentido de compelir a Impugnante ao pagamento dos valores exigidos a título de tributo e de penalidade. 2.2. No corpo do auto de infração devem estar determinados com absoluta clareza, o sujeito passivo da obrigação seja ela principal ou acessória, a descrição dos fatos geradores das obrigações, sejam elas principais ou acessórias, acompanhado da respectiva fundamentação, os fatos que caracterizam a matéria tributável, os fatos que caracterizam a infração à legislação tributária e que ensejam a aplicação de penalidade e por derradeiro tanto o cálculo do tributo devido quanto da multa que houver de ser aplicada. 2.2.1. Só assim, se todos os elementos estiverem detalhados e demonstrados com clareza e perfeição, em estrita observância ao artigo 142 do CTN, o auto de infração poderá ser considerado formalmente válido (o que não necessariamente induz à. Validade material ou meritória), sendo que a falta de qualquer deles resultará na nulidade insanável do auto de infração. 2.3. A autoridade fiscal lavrou o auto de infração baseada tão somente nas informações do contribuinte constantes na DCTF. Ou seja, verificou todos os valores que foram efetivamente declarados e, posteriormente, realizou o encontro de contas, de maneira que todas as quantias declaradas na DCTF e supostamente não pagas mediante DARF são objeto do presente lançamento. 2.3.1. 0 procedimento adotado pelo Sr. Agente Fiscal foi meramente eletrônico, não tendo sido sequer analisados quaisquer documentos da Impugnante com intuito de verificar se ela realizou ou não o pagamento dos supostos créditos tributários, se o não pagamento estava ou não lastreado com decisão judicial, etc. A adoção de tal procedimento incorre em verdadeira afronta ao artigo 10 do Decreto n° 70.235/72, conforme reproduzido. 2.3.2. Da análise do referido preceito normativo, verificase que é necessária a presença do agente fiscal nas dependências da empresa para a fiscalização e lavratura do competente Auto de Infração, o que não ocorreu no presente caso. Notase que foi realizado o encontro de contas mediante simples conferência no processo eletrônico em verdadeira afronta ao procedimento prescrito na legislação ordinária. 2.3.3. Não é por outra razão que o CC tem reconhecido o desacerto dos procedimentos fiscais que são instaurados sem o devido contraditório, ou seja, através dos dados contidos no sistema da Receita Federal e os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, conforme decisões anexas (Doc. 03). 2.3.4. A matéria expendida está alicerçada no artigo 9° do Decreto n 70.235/72, que estabelece: "a exigência do crédito Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 tributário, a retificação de prejuízo fiscal a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em auto de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito". 3.3.5. Considerando ainda que o Sr. Agente Fiscal não trouxe aos autos qualquer meio de prova capaz de configurar a existência do suposto crédito tributário, deve ser declarada a nulidade do presente auto de infração. 2.3.6. Assim, havendo falha de natureza formal grave que do ponto de vista do artigo 142 do CTN macula o lançamento de vicio insanável, necessário o cancelamento do auto de infração em exame, a fim de que não gere nenhum efeito. 2.4. Por fim, requer seja reconhecida a nulidade do lançamento tributário em sua totalidade pelas preliminares arguidas, cancelandose em decorrência a autuação, a fim de que não gere quaisquer efeitos. 3. A impugnação foi previamente analisada pela DERAT/DICAT/EQAAR/SÃO PAULO, conforme DESPACHO DECISÓRIO N2 709/2009, de 27/03/2009 (fl. 51) onde concluiu pela improcedência de R$ 41,13 e multa de R$ 30,85 referentes ao PA de 04/1998, permanecendo o saldo remanescente em litígio. 4. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo julgou procedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/SPI n.º 1621.167, de 23/04/2009 (fls. 1 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1998 a 30/04/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE LOCAL DA LAVRATURA. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em cancelamento ou anulação do Auto de Infração. Não é nulo o Auto de Infração lavrado fora do estabelecimento da contribuinte. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 19679.007438/200325 Acórdão n.º 3202001.288 S3C2T2 Fl. 190 5 direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. MULTA DE OFÍCIO – RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI N° 10.833/2003. Com a edição da MP n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP n° 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, "c" do CTN), impõese o cancelamento da multa de oficio lançada. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 150 e ss., cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Por meio da petição de fl. 172, datada de 8/1/2014, a Recorrente requereu a desistência do seu Recurso Voluntário, tendo em vista que incluiu, no REFIS IV, os débitos discutidos nos presentes autos. Ainda que eventualmente não tenha incluído todos os débitos, a expressa desistência do recurso encerrou o litígio, de modo que nada resta a ser apreciado por este Colegiado Administrativo. Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/09/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727566/2012-06
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS RETROATIVOS. FUNDAMENTOS LEGAIS. INOBSERVÃNCIA. CONSEQUENCIAS.
A constituição do crédito tributário se deu nos exatos termos do art. 142 do CTN, tendo em vista que a exclusão da empresa do Simples Nacional teve como fundamento os incisos III e IV do § 4º c/c o inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006.
Não havendo como descaracterizar o lançamento, é sabido que a pessoa jurídica excluída do sistema simplificado de pagamento de tributos sujeitar-se-á, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, segue as mesmas regras das demais empresas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.623
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS RETROATIVOS. FUNDAMENTOS LEGAIS. INOBSERVÃNCIA. CONSEQUENCIAS. A constituição do crédito tributário se deu nos exatos termos do art. 142 do CTN, tendo em vista que a exclusão da empresa do Simples Nacional teve como fundamento os incisos III e IV do § 4º c/c o inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006. Não havendo como descaracterizar o lançamento, é sabido que a pessoa jurídica excluída do sistema simplificado de pagamento de tributos sujeitar-se-á, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, segue as mesmas regras das demais empresas. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.727566/2012-06
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5379769
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.623
nome_arquivo_s : Decisao_11080727566201206.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11080727566201206_5379769.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5618862
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029748334592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2005; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.727566/201206 Recurso nº 11.080.727566201206 Voluntário Acórdão nº 2803003.623 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente TECNISERVICE SOLUÇÕES EM TECNOLOGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS RETROATIVOS. FUNDAMENTOS LEGAIS. INOBSERVÃNCIA. CONSEQUENCIAS. 1. A constituição do crédito tributário se deu nos exatos termos do art. 142 do CTN, tendo em vista que a exclusão da empresa do Simples Nacional teve como fundamento os incisos III e IV do § 4º c/c o inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006. 2. Não havendo como descaracterizar o lançamento, é sabido que a pessoa jurídica excluída do sistema simplificado de pagamento de tributos sujeitar seá, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, segue as mesmas regras das demais empresas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 75 66 /2 01 2- 06 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727566/201206 Acórdão n.º 2803003.623 S2TE03 Fl. 3 2 Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727566/201206 Acórdão n.º 2803003.623 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente ao GILRAT (AI 51.017.6836); contribuições previdenciárias dos segurados empregados (AI 51.017.6844); Terceiras Entidades (FNDE, INCRA, SEBRAE, SESC E SENAC) (AI 51.017.6852; obrigação acessória por ter apresentado a declaração a que ser refere a Lei nº 8.212/91, art. 32, IV, com incorreções e omissões (CFL 78) (AI 51.017.6810; e também de obrigações acessórias, em razão de a empresa deixar de apresentar contratos e notas fiscais e serviço, requisitados por meio de intimação fiscal, conforme previsto no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91 c/c o art. 233, parágrafo único, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99 (CFL 38) (AI 51.017.6828).. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 12 de setembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Auto de Infração nº 51.017.6810 de 26/06/2012 Auto de Infração nº 51.017.6828 de 26/06/2012 Auto de Infração nº 51.017.6836 de 26/06/2012 Auto de Infração nº 51.017.6844 de 26/06/2012 Auto de Infração nº 51.017.6852 de 26/06/2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUJEIÇÃO PASSIVA COMO EMPRESA NORMAL. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais e da obrigação acessória, segue as mesmas regras das demais empresas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente foi fiscalizada conforme determinação no MPF nº 1010100.2011.01338. O resultado da fiscalização originou vários os autos de infração. Destes procedimentos, a recorrente promoveu a impugnação tempestiva que ora foi julgada como improcedente sendo o crédito tributário mantido. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727566/201206 Acórdão n.º 2803003.623 S2TE03 Fl. 5 4 AI 51.017.6828. A recorrida julgou improcedente a impugnação relativa a este auto de infração, alegando diversos motivos que encontramse dispostos no acórdão. Este auto contempla a multa aplicada em razão de não cumprimento de obrigação acessória. No relatório de procedimento fiscal, a fiscalização informa que em razão da recorrente não ter apresentado os contratos e as notas fiscais de serviço foi emitido este auto de infração. Comete um erro crasso, a fiscalização pois o AI emitido é o DEBCAD nº 51.017.6828, o que por si só já anula o procedimento no tocante a aplicação da referida multa. A multa aplicada sequer estabeleceu a capitulação legal, só citando a Portaria Interministerial MPS/MF nº 02/2012. Ocorre que de acordo com o Decreto nº 3.048/99 – RPS, são diversos os tipos e graduação da multa. Para ser legítima a aplicação da multa, e possibilitar a ampla defesa e o contraditório, ela deve ser cominada mediante a informação de qual legislação e o artigo utilizado, o que no caso em tela não ocorreu. AI 51.017.6830, 51.017.6844 e 51.017.6852. O primeiro, contempla as contribuições devidas relativas a cota patronal e acidentes do trabalho. Para apuração do valor devido foi utilizada a alíquota de 20% relativa a cota patronal e 1% relativa a cota de acidente do trabalho. O segundo contempla as contribuições relativas aos segurados. Para apuração do valor devido foram considerados os valores calculados na folha de pagamento de acordo com a tabela de incidência das respectivas contribuições. O terceiro contempla as contribuições devidas relativas aos terceiros. Para apuração do valor devido foi utilizado a alíquota de 5,8%. A fiscalização apurou o crédito tributário que entendia devido, de acordo com o confronto realizado entre as folhas de pagamento e as GFIPs declaratórias. Destes valores foram abatidas apenas algumas GPS recolhidas, não fazendo o abatimento de todas as guias recolhidas pela recorrente, bem como não considerou os parcelamentos efetuados que dizem respeito a estas competências. Estas guias encontramse reconhecidas pelo sistema de arrecadação da Secretaria da Receita Federal. Assim, pela forma de apuração do crédito tributário, a fiscalização no período que corresponde o presente auto de infração, qual seja, janeiro à dezembro de 2009, deixou de considerar o pagamento correspondente as guias e parcelamentos efetuados no período. A recorrente requer que o valor de todas as guias e parcelamentos efetuados seja utilizado para quitar a parte dos segurados, para então, o saldo remanescente ser utilizado para a quitação da parte patronal. Não há motivo plausível para que a fiscalização não tenha considerado o pagamento efetuado no período, pagamento este que consta de seus próprios registros. Desta forma, deverá o fisco promover nova apuração do crédito tributário, considerando todos os valores recolhidos e os parcelamentos existentes no período conforme documentos que se encontram no processo, pois que legítimos e ensejadores da extinção do crédito tributário, conforme já exposto anteriormente. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727566/201206 Acórdão n.º 2803003.623 S2TE03 Fl. 6 5 Além disto, devem ser revistos os percentuais de multa e juros aplicados, pois não está de acordo com a legislação aplicada a época. Ante o exposto, requer: a) Que seja recebido o presente Recurso Voluntário, com os documentos que o instruem, utilizando para análise do mérito todos os documentos que já se encontram no processo administrativo; b) No mérito seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário, para anular o AI nº 51.017.6828 que são objeto deste recurso voluntário, com a extinção do crédito tributário, uma vez que o mesmo padece de suporte jurídico; c) No mérito seja julgado procedente o presente recurso voluntário para anular os autos de infração nºs 51.017.6830, 51.017.6844 e 51.017.6852 que são objeto deste Recurso Voluntário, com a extinção do crédito tributário, uma vez que os valores já se encontram devidamente quitados, conforme guias de pagamento e parcelamentos efetuados.; d) Na apuração do novo crédito tributário, caso existir, que seja revisto o percentual de multa e juros aplicados, eis que não retratam a legislação aplicável à época. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727566/201206 Acórdão n.º 2803003.623 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Consta nos autos que a empresa foi excluída do Simples Nacional, por intermédio do Ato Declaratório Executivo nº 03, emitido pela Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre – RS. Em seu recurso, o contribuinte aduz que: Foi fiscalizada conforme determinação no MPF nº 1010100.2011.01338. O resultado da fiscalização originou vários os autos de infração. Destes procedimentos, a recorrente promoveu a impugnação tempestiva que ora foi julgada como improcedente sendo o crédito tributário mantido. AI 51.017.6828. A recorrida julgou improcedente a impugnação relativa a este auto de infração, alegando diversos motivos que encontramse dispostos no acórdão. Este auto contempla a multa aplicada em razão de não cumprimento de obrigação acessória. No relatório de procedimento fiscal, a fiscalização informa que em razão da recorrente não ter apresentado os contratos e as notas fiscais de serviço foi emitido este auto de infração. Comete um erro crasso, a fiscalização pois o AI emitido é o DEBCAD nº 51.017.6828, o que por si só já anula o procedimento no tocante a aplicação da referida multa. A multa aplicada sequer estabeleceu a capitulação legal, só citando a Portaria Interministerial MPS/MF nº 02/2012. Ocorre que de acordo com o Decreto nº 3.048/99 – RPS são diversos os tipos e graduação da multa. Para ser legítima a aplicação da multa, e possibilitar a ampla defesa e o contraditório, ela deve ser cominada mediante a informação de qual legislação e o artigo utilizado, o que no caso em tela não ocorreu. AI 51.017.6830, 51.017.6844 e 51.017.6852. O primeiro, contempla as contribuições devidas relativas a cota patronal e acidentes do trabalho. Para apuração do valor Fl. 308DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727566/201206 Acórdão n.º 2803003.623 S2TE03 Fl. 8 7 devido foi utilizada a alíquota de 20% relativa a cota patronal e 1% relativa a cota de acidente do trabalho. O segundo contempla as contribuições relativas aos segurados. Para apuração do valor devido foram considerados os valores calculados na folha de pagamento de acordo com a tabela de incidência das respectivas contribuições. O terceiro contempla as contribuições devidas relativas aos terceiros. Para apuração do valor devido foi utilizado a alíquota de 5,8%. A fiscalização apurou o crédito tributário que entendia devido, de acordo com o confronto realizado entre as folhas de pagamento e as GFIPs declaratórias. Destes valores foram abatidas apenas algumas GPS recolhidas, não fazendo o abatimento de todas as guias recolhidas pela recorrente, bem como não considerou os parcelamentos efetuados que dizem respeito a estas competências. Estas guias encontramse reconhecidas pelo sistema de arrecadação da Secretaria da Receita Federal. Assim, pela forma de apuração do crédito tributário, a fiscalização no período que corresponde o presente auto de infração, qual seja, janeiro à dezembro de 2009, deixou de considerar o pagamento correspondente as guias e parcelamentos efetuados no período. De outra parte, no que diz respeito à Manifestação de Inconformidade referente ao ADE nº 03, emitido pela Delegacia da Receita Federal de Porto Alegre, o julgador a quo, assim se manifestou: A impugnante, em sua peça de defesa, apresenta diversos questionamentos a respeito dos motivos da exclusão da empresa do Simples Nacional. Esclareço que estes mesmos questionamentos constam das fls. 217/222 do processo administrativo 11080.727565/201253, ao qual este se encontra apensado, em manifestação de inconformidade apresentada pelo mesmo contribuinte ao Ato Declaratório Executivo nº 03, emitido pela Delegacia da Receita Federal de Porto alegre/RS, fl. 99, com ciência em 26/06/2012, juntamente com as exigências fiscais. A manifestação de inconformidade, na qual questiona sua exclusão do Simples Nacional foi objeto de julgamento pela 6ª Turma da Delegacia de Julgamento de Florianópolis, que emitiu o acórdão 32.657, em 12/09/2013, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, tendo sido mantidas a exclusão do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/01/2008. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727566/201206 Acórdão n.º 2803003.623 S2TE03 Fl. 9 8 No julgamento da impugnação, foi provida parcialmente, a defesa apresentada pelo contribuinte, tendo em conta a anulação do Auto de Infração nº 51.017.6810 (fl. 257), mantendose, contudo, aptos à cobrança, os demais. Com relação aos outros Autos de Infração, como se pode observar do resumo do inconformismo do contribuinte, conforme o relatório acima, o sujeito passivo aprestou argumentação genérica, deixando de combater o mérito de cada uma das situações. No ponto, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnada (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Ademais, ficou muito bem evidenciado que a empresa descumpriu, apesar de requerida, os termos constantes do inciso II do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006, in verbis: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) II for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, e nas demais hipóteses que autorizam a requisição de auxílio da força pública; A constituição do crédito tributário se deu nos exatos termos do art. 142 do CTN, tendo em vista que a exclusão da empresa do Simples Nacional teve como fundamento os incisos III e IV do § 4º c/c o inciso II do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006. Não havendo como descaracterizar o lançamento, é sabido que a pessoa jurídica excluída do sistema simplificado de pagamento de tributos sujeitarseá, a partir do período que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas que, no caso das contribuições sociais, segue as mesmas regras das demais empresas. Em razão do exposto, mantenho o lançamento pelos seus próprios fundamentos, exceto na parte anulada pelo acórdão recorrido (AI 51.017.6810). Os demais Autos de Infração que compõe o lançamento continuam aptos à cobrança. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11080.727566/201206 Acórdão n.º 2803003.623 S2TE03 Fl. 10 9 (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000400/2008-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.361
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13864.000400/2008-62
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5373865
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-000.361
nome_arquivo_s : Decisao_13864000400200862.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 13864000400200862_5373865.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
id : 5595517
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047029755674624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1587; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000400/200862 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.361 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de outubro de 2012 Assunto Solicitação de sobrestamento Recorrente JOSÉ LAZARO PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 64 .0 00 40 0/ 20 08 -6 2 Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório JOSÉ LAZARO PEREIRA, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 019.302.75854, com domicílio fiscal na cidade de São Jose dos Campos SP, Estado de São Paulo, à Rua DR. Sergio Santos, n.º 240 Bairro Jardim Portugal, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Jose dos Campos SP, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 1651/1666, prolatada pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls.1671/ 1677. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP, em 04/11/2008, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 1599/1607), com ciência por AR, em 17/11/2008 (fls. 1573), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.254.392,36 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2004 e 2006, correspondente aos anoscalendários de 2003 e 2005. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2004 e 2006, depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição (ões) financeira(s), em relação aos; quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a conforme Termo de Verificação que é origem dos recursos utilizados nessas operações, parte integrante e indissociável do presente auto de infração. Infração capitulada no art. 1º da Lei n° 11.119, de 2005; art. 4° da Lei n° 9.481, de 1997 e art. 42 da Lei nº 9 430, de 1996. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Relatório da Ação Fiscal, datado de 04/11/2008 (fls. 1611/1624), entre outros, os seguintes aspectos: que, em atendimento à intimação constante no Termo de Início da Ação Fiscal o contribuinte apresentou, em 14/03/2008 e 18/03/2008, os documentos e extratos bancários constantes às folhas 25 a 523; que segundo o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei n o 9.430/96, os depósitos bancários inferiores a R$ 12 mil cujo total no ano não ultrapasse R$ 80 mil não serão considerados na determinação da receita omitida. Ressaltamos que esse limite não é de, Ser aplicado para cada conta corrente e sim para o "conjunto de depósitos do ano, conforme consta da lei. No caso do contribuinte, estes depósitos totalizaram o valor de R$ 345.626,17 para o anocalendário 2003; o valor de R$ 399.435,66 para o ano, calendário de 2004; e o valor de R$ 394.406,31 pára o anocalendário de 2005. Atingido, portanto, o limite de R$ 80.000,00 em todos os anos; que em 11/06/2008, o contribuinte solicitou prorrogação de prazo, por 30 (trinta) dias para dar cumprimento ao termo de intimação fiscal, comunicando haver solicitado Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 4 3 aos bancos Unibanco e Bradesco os elementos necessários para restar os devidos esclarecimentos (fls. 547 a 549); que considerando que os documentos apresentados em nada atenderam ao Termo de Intimação 03, lavramos em 14/07/2008 o Termo de Reintimação Fiscal Termo 06 (fl. 556), para cumprimento no prazo de 10 (dez) dias, mediante o qual o contribuinte restou reintimado a apresentar os extratos bancários das poupanças e a comprovação da origem do recursos aportados em suas contas já apresentadas. A ciência postal ao referido termo ocorreu em 25/07/2008 (fl. 557); que à vista da não apresentação pelo contribuinte dos extratos de poupança dos bancos Bradesco S/A e Unibanco União de Bandos Brasileiros S/A, solicitamos, em 14/07/2008, ao Sr. Delegado da Receita Federal em São José dos Campos a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira aos aludidos bancos, com fundamento na hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; que cabe informar que, dos lançamentos constatados, foram mantidos aqueles cuja origem não foi possível identificar, tendo sido efetuada a exclusão dos lançamentos com origem identificada, ainda que não tenha havido nenhuma indicação por parte do contribuinte. Foram desprezados os valores, cuja origem provém do próprio banco, resgate de aplicações financeiras, empréstimos recebidos, estornos de débitos, e os recebimento de TED relativo a impostos; que conforme relatado, os lançamentos a crédito efetuados nas contas bancárias do contribuinte, cuja origem não foi possível identificar, foram submetidos ao contribuinte para identificação e comprovação, mediante: o Termo de Intimação Fiscal Termo 03 (fls. 524 a 546), cujo prazo para atendimento foi prorrogado a pedido do contribuinte; o Termo de Reintimação Fiscal — Termo 06 (fls. 556 e 557); e, posteriormente, o Termo de Intimação 'Fiscal Termo 09 (fls. 943 a 990) Não tendo havido a devida comprovação da origem dos referidos lançamentos, é cabível o lançamento a título de omissão de receita ou de rendimento, com fundamento nos dispositivos abaixo analisados; que no arbitramento efetuado com base na Lei 8.021, de 1990 (artigo 5°, § 6°), para ações fiscais anteriores a 1° de janeiro de 1997, era imprescindível a comprovação da utilização dos valores depositados como renda consumida, para serem evidenciados, assim, os sinais exteriores de riqueza. Nos termos desta Lei, portanto, somente era possível o arbitramento que trouxesse a demonstração de gastos realizados, em relação aos créditos na conta corrente, ou seja, deveria ser estabelecido um nexo causal entre os gastos efetuados e os depósitos; que depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente; que como a soma dos créditos tributários de responsabilidade do contribuinte excedeu a R$ 500.000,00 e a 30% do patrimônio conhecido, será procedida formalização do processo de Arrolamento de Bens e Direitos para garantia do crédito tributário, ou a complementação de processo já existente, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 264, de 20 de dezembro de 2002; Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 5 4 que sobre o valor do imposto de renda apurado no lançamento de ofício foi acrescido multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), definida no inciso I do art. 44 da Lei n o 9.430/96 e de juros de mora à taxa Selic, conforme demonstrado no Auto de Infração. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 15/12/2008, a sua peça impugnatória de fls. 1575/1648, instruído pelos documentos de fls. 1595/1596, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que o artigo 153, inciso III, da nossa Carta Magna, combinado com o artigo 43, do Código Tributário Nacional, asseveram que o âmbito material de incidência do imposto de "renda", assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda; sincero que não há renda nem provento, sem que haja acréscimo patrimonial, pois, o CTN adotou expressamente o conceito de renda como acréscimo. Quando se diz que o conceito de renda envolve acréscimo patrimonial, como o conceito de proventos também envolve acréscimo; que destaquese que não existe renda presumida. A renda há de ser sempre real. Presumido, ou arbitrado, pode ser o montante da renda. A existência desta, porém, há de ser real. Assim, a realização do fato gerador do Imposto de Renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de Renda (decorrente do capital, do trabalho ou da conjugação de ambos) e de proventos de qualquer natureza, assim entendidos todos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda; que assim, perante o vertente caso, o auto de infração de aproximadamente R$ 1.300.000,00 mais 1.200.000,00 do lançamento anterior, perfazem um total aproximado de R$ 2.500.000,00 não faz justiça fiscal, uma vez que estes valores são em muito superiores ao total do patrimônio do Impugnante, pois, conforme já dito, tais movimentações financeiras, serviram de especulação com o fito de tentar fazer o dinheiro recebido na indenização trabalhista render um pouco mais, porém, sem acréscimo considerável em seu patrimônio; que o artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal, estabelece que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios utilizar tributo com Efeito de Confisco. O Confisco deve ser entendido como TRIBUTAÇÃO EXCESSIVA, EXARCEBADA OU ESCORCHANTE e, é o que se verifica no presente Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM); que ademais, prevaleceu a tese no Supremo Tribunal Federal de que o tributo deve ser avaliado à luz de todo sistema tributário, isto é, em relação à carga tributária total resultante dos tributos em conjunto, e não em função de cada tributo isoladamente (ADIMC 2.010DF, Relator Ministro Celso Mello, 30.0931999); que artigo 149, inciso VIII, do Código Tributário Nacional, estabelece que o Lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; que tal fato também é corroborado quando da apresentação da declaração de imposto de renda da pessoa física que faculta a apresentação da declaração simplificada com substituição de todas as despesas por meio da aplicação de percentual sobre os rendimentos; Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 6 5 que avaliando a situação do ponto de vista da atividade rural encontramos também subsídios quando da apuração de resultados com base em escrituração mesmo de forma rudimentar, tanto de forma pessoal como também resultados em parcerias; que tal procedimento não nos parece ser a melhor técnica, pelo fato de que é ingênuo imaginar que qualquer contribuinte iria deixar passar despercebida tamanha violação aos seus direitos constitucionais, pois, o que foi feito pela fiscalização é simplista demais, isto é, somar todos os depósitos para alcançar a base de cálculo; que ademais delegado, a existência de depósitos bancários em montante incompatível com os dados da declaração de rendimentos, por si só não é fato gerador do imposto de renda da pessoa física. O lançamento baseado em depósitos bancários só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de rendimentos; que por isso não se vislumbra em momento algum, sinais exteriores de riqueza do impugnante, uma vez que a fiscalização, além de não levar em consideração a evolução patrimonial do contribuinte, lançou simplesmente todos os depósitos bancários de maneira generalizada, não respeitando nem mesmo os dispositivos legais atinentes aos fatos geradores do referido tributo. Sendo este o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais; que no caso ora em discussão, o enquadramento legal que se apoiou a suposta existência de fatos geradores com intuito de exigir tributos foi o artigo 926 do Decreto n° 3.000/1999, que preconiza que Art. 926, sempre que apurarem infração às disposições deste Decreto, inclusive pela verificação de omissão de valores na declaração de bens, os Auditores Fiscais do Tesouro Nacional lavrarão o competente auto de infração, com observância do Decreto n2 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, que dispõem sobre o Processo Administrativo Fiscal; que por outro lado, o próprio Poder Executivo promulgou o Decreto Lei n° 2.471, de 01.09.88, que em seu art. 9° prevê o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos, que tomaram como base valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. "Art. 90. Ficam cancelados, arquivandose, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: (...) VII do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extrato ou de comprovante de depósitos bancários; Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Nona Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em São Paulo SP, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que o impugnante inquire que o lançamento com base no art. 42 da lei 9.430/1996 é ilegal, uma vez quê o lançamento escorado em base de cálculo presumida é ' incompatível com o estipulado na CF art. 153, III, sobretudo por desrespeitar a verdadeira aquisição de disponibilidade econômica na forma estampada no CTN, art. 43, I e II. Acrescenta ainda que o crédito tributário lançado ofende aos princípios constitucionais da vedação de tributo com efeito de confisco e do respeito à capacidade contributiva do contribuinte. Por fim argúi ser a Lei Complementar 105/2001 inconstitucional, assim como a cobrança de juros moratórios com base na taxa SELIC; Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 7 6 que ação Fiscal em questão se desenrolou dentro dos ditames legais, com a instauração do devido procedimento administrativo. E lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105/2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver ,procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial; que o impugnante 'inquire que os rendimentos declarados por ele nas DIRPF apresentadas à Fazenda Nacional comprovam a origem dos depósitos realizados em suas 'contascorrentes. Protesta contra o fato de fiscalização não as ter aceitado como prova, visto serem, ao seu ver, documentos hábeis e idôneos, especialmente no seu caso, já que é pessoa física desobrigada de escriturar livro caixa; que já dito, não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição de inconstitucionalidade de lei. Inovado o sistema jurídico com' uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente elar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do Mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal; que a cobrança de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para títulos federais, acumulada mensalmente, foi fixada pela Lei n° 9.065/1995 em seu art. 13. Exigência esta que foi mantida para débitos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 10 de janeiro de 1997 pelo art. 61, § 30, da Lei n° 9.430/1996; que a autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas, não s tendo sua competência julgar a inconstitucionalidade/ilegalidade da lei; que o presente lançamento, com base em depósitos ou créditos bancários, fundamentase no artigo 42 da Lei n.° 9.430 de 1996 que estabelece uma presunção legal de omissão de rendimentos contra o contribuinte titular de conta bancária ou de investimento que, regularmente intimado pelo Fisco, não comprove a origem destes créditos; que o lançamento em análise, fundamentado no art. 42 da Lei 9430/96, com as alterações da Lei 9481/97, estabelece uma presunção legal de que os depósitos cuja origem não seja comprovada caracterizam omissão de rendimentos e estão sujeitos à incidência do IRPF; que quanto à matéria impugnada, a legislação do imposto de renda não deixa, dúvidas: adotou o regime de caixa para a apuração do tributo devido, cabendo a tributação, exatamente no 'momento do recebimento dos rendimentos. A regra não foi imposta à toa ou para penalizar o contribuinte, está ali justamente para garantir que da pessoa física não será cobrado imposto sem que esta tenha disponibilidade financeira para pagálo. É, na realidade, dispositivo de proteção ao contribuinte; que com a edição da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, o imposto de renda pessoa física passou a ser exigido mensalmente, à medida que os rendimentos fossem sendo auferidos. Dessa forma, o período de apuração passou a ser mensal, conforme Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 8 7 estabelecido pelo art. 2° da citada lei. Enquanto vigeu inalterada, ou seja, ao longo do anobase 1989, o imposto de renda das pessoas físicas incidente sobre quaisquer rendimentos tributáveis, quer percebidos de pessoa jurídica, quer de pessoa física, tinham base de cálculo mensal. Todas as deduções do imposto tinham que ser feitas no mês. O imposto era, conforme reza o art. 2° da Lei n.° 7.713, de 1988, devido mensalmente; que apesar de assim afirmar, o defendente não anexou à peça impugnatória nenhum novo documento. Não há no presente processo, portanto, fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior que deva ser apreciado. Todos os documentos anexados aos autos foram apreciados pela autoridade fiscal lançadora; A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE DE ATOS LEGAIS. Não compete à autoridade administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01 /i997. A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos valores que lhe forem creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira SIGILO BANCÁRIO. UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS BANCÁRIOS. O acesso às informações bancárias: não configura quebra do sigilo bancário, haja vista ser imposto às autoridades administrativas, seu resguardo durante todo o procedimento. Há, na verdade, mera transferência do sigilo, que antes vinha sendo assegurado pela instituição financeira, e passa a ser mantido também pelas autoridades administrativas. EXCESSO DE EXAÇÃO. Tendo o lançamento sido efetuado de acordo com a legislação tributária pertinente e não se verificando que o agente fiscal procedeu além dos limites das funções ou atribuições que são determinadas legalmente, afastada está a hipótese de excesso de exação. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 9 8 JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. A utilização da taxa SELIC como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. REVISÃO DE OFÍCIO DO LANÇAMENTO INAPLICABILIDADE. O lançamento é revisto de ofício pela autoridade administrativa somente quando necessária a apreciação fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Não se examina doutrina transcrita oposta ao texto explícito do direito positivo, mormente em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. Impugnação Improcedente. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 18/08/2009, conforme Termo constante às fls. 1651/1666, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (02/10/2009), o recurso voluntário de fls. 1671/1677, instruído pelos documentos de fls. 1678/1681, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que diante da improcedência da impugnação em primeira instância administrativa, o impugnante pleiteou a exclusão de vários apontamentos indevidos no ato constitutivo do lançamento realizado pela autoridade e, alem de não ser apreciado, ao menos foi tocado no momento da decisão. Esses lançamentos contêm erros, materiais, ou seja, são valores que foram colocados no lançamento de forma equivocada e, apontados pelo impugnante, não foram apreciados; que em vários momentos da decisão de primeira instância, o julgador entendeu por bem enfatizar o bom e eficiente trabalho da fiscalização, porém, não se pode concordar com tal supostaeficiência, vez que fiscalização ora em comento, simplesmente usou todos os depósitos da contacorrente do impugnante e somou para obter a base de cálculo do gravame ora guerreado; que neste contexto, sobreleva o princípio da legalidade que, como um dos fundamentos do Estado de Direito eleito pelo o legislador foi reproduzido à exaustão na Carta da república dentro dos direitos e garantias fundamentais, fixou o artigo 5°, 11, "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei conferiu, também, à Administração Pública a observância do princípio da legalidade, conforme artigo 37 (redação dada pela Emenda Constitucional n° 19 de 1998): “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 10 9 que assim, a esforça que a fiscalização engendrou_na ânsia de exigir, eventual crédito tributário foi atropelado pela opção do seu procedimento, o qual estabeleceu, repitase, sem suporte legal critério na _apuração temporal da constituição do crédito tributário. Por certo, o procedimento laborou em equívoco, eis que, os rendimentos omitidos deverão ser tributados no mês em que considerados recebidos consoante dicção do § 4° do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996; que a referida lei complementar é inconstitucional, está sendo discutida no Supremo Tribunal Federá tal inconstitucionalidade, pois é flagrante. È de se admirar que a Receita Federal em seus procedimentos acate urna lei dessa natureza, pois, nos parece que não se detém o conhecimento mínirno dos Princípios Gerais do Direito Tributário. É o Relatório. Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com sobrestamento de julgados. Observase às fls. 1611/1624, onde consta o Termo de Verificação Fiscal, o seguinte excerto: À vista da não apresentação pelo contribuinte dos extratos de poupança dos bancos Bradesco S/A e Unibanco União de Bandos Brasileiros S/A, solicitamos, em 14/07/2008, ao Sr. Delegado da Receita Federal em São José dos Campos a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira aos aludidos bancos, com fundamento na hipóteses previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996. Com visto, resta claro da análise dos autos, que a autoridade administrativa, através da Requisição de Movimentação Financeira – RMF solicitou diretamente às instituições financeiras os extratos bancários. Assim sendo, a discussão sobre os depósitos bancários lançados, por enquanto, não faz sentido haja vista que se trata de mais um caso de sobrestamento de julgado feito, por unanimidade de votos, por esta turma de julgamento, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. É de se ressaltar, que a primeira orientação dada era de que se os extratos bancários fossem acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, o processo deveria ser sobrestado até que a repercussão geral fosse julgada. Entretanto, na evolução da discussão sobre o assunto, surgiu a corrente que defende a tese de que somente é possível sobrestar as matérias que o próprio Supremo Tribunal Federal tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinário – RE. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 12 11 Para pacificar o assunto o Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) editou a Portaria CARF nº 001, de 03 janeiro de 2012, determinando os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos, da qual extraio os seguintes excertos: Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal – STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários – RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal – STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Resta evidente, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, o fornecimento das informações sobre movimentação bancária do contribuinte foram obtidas pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. O Recurso Extraordinário (RE) 601314 chegou ao Supremo contra uma decisão que considerou legal o artigo 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, que permite a entrega das informações, por parte dos bancos, a pedido do Fisco. Para o autor do recurso, contudo, este dispositivo seria inconstitucional, uma vez que permite a entrega de informações de contribuintes, sem autorização judicial, configuraria quebra de sigilo bancário, violando o artigo 5°, X e XII da Constituição Federal. De acordo com o relator, a matéria discutida no RE 601314, a eventual inconstitucionalidade de quebra de sigilo bancário pelo Poder Executivo (Receita Federal) atinge todos os contribuintes, conforme a ementa, de 20/11/2009, abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 601314 RG, Relator (a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 22/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238307 PP01422) Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 13 12 Em data posterior (15/12/2010) a decretação da repercussão geral o Pleno do Supremo Tribunal Federal decidiu, por cinco votos a quatro, que a Receita Federal não tem poder de decretar, por autoridade própria, a quebra do sigilo bancário do contribuinte, durante julgamento do Recurso Extraordinário interposto pela GVA Indústria e Comércio contra medida do Fisco (RE 389.808), cuja ementa é a seguinte: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Observase que a discussão girou em torno do respaldo constitucional dos dispositivos da Lei nº 10.174, de 2001, da Lei Complementar nº 105, de 2001 e do Decreto nº 3.724, de 2001, usados pela Receita para acessar dados da movimentação financeira. O relator do caso, ministro Marco Aurélio, destacou em seu voto que o inciso 12 do artigo 5º da Constituição diz que é inviolável o sigilo das pessoas salvo duas exceções: quando a quebra é determinada pelo Poder Judiciário, com ato fundamentado e finalidade única de investigação criminal ou instrução processual penal, e pelas Comissões Parlamentares de Inquérito. “A inviabilidade de se estender essa exceção resguarda o cidadão de atos extravagantes do Poder Público, atos que possam violar a dignidade do cidadão”. Por maioria de votos, o STF entendeu ser indispensável à prévia manifestação do Poder Judiciário para que seja legítimo o acesso da Receita Federal às informações que se encontram protegidas pelo sigilo bancário. E assim o fez em virtude de regra clara e inequívoca, constante do artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, que prescreve que o sigilo de dados somente pode ser afastado mediante prévia autorização judicial. Em seu voto o ministro Celso de Mello, a equação direito ao sigilo — dever de sigilo exige — para que se preserve a necessária relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos fundamentais reconhecidos em favor da generalidade das pessoas (verdadeira liberdade negativa, que impõe, ao Estado, um claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder Público de investigar comportamentos de transgressão à ordem jurídica, de outro — que a determinação de quebra de sigilo bancário provenha de ato emanado de órgão do Poder Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insistase, revelase garantia de respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto à supremacia do interesse público. Os efeitos dessa decisão por ora estão limitados ao caso concreto e não vinculam as instâncias inferiores. Porém, ela reafirma entendimento pacificado do Supremo Tribunal Federal. Não se pode esquecer, pois, que se trata de decisão do Pleno da mais alta corte do país e como tal deve ser entendida e respeitada. Isso quer dizer, na prática, que mesmo que o Supremo ainda não tenha julgado definitivamente a matéria (várias ações diretas de inconstitucionalidade contra a lei complementar ainda aguardam para ser julgadas na corte, além do Recurso Extraordinário 601.314), sua decisão em relação à Lei Complementar nº 105, de 2001, poderá ser o argumento para os próximos julgados. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 14 13 Em decisão monocrática publicada em março de 2011, a ministra Cármen Lúcia afirma categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto. "No julgamento do Recurso Extraordinário 389.808 (…), com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários dos contribuintes", disse ela ao julgar o Recurso Extraordinário 387.604, verbis: RE 387.604 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA RECEITA FEDERAL: IMPOSSIBILIDADE. RECURSO AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO. Relatório 1. Recurso extraordinário interposto com base no art. 102, inc. III, alínea a, da Constituição da República contra o seguinte julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “EMBARGOS INFRINGENTES. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. COLISÃO DE DIREITOS FUNDAMENTAIS. INTIMIDADE E SIGILO DE DADOS VERSUS ORDEM TRIBUTÁRIA HÍGIDA. ART. 5º, X E XII. PROPORCIONALIDADE. 1. O sigilo bancário, como dimensão dos direitos à privacidade (art. 5º, X, CF) e ao sigilo de dados (art. 5º, XII, CF), é direito fundamental sob reserva legal, podendo ser quebrado no caso previsto no art. 5º, XII, 'in fine', ou quando colidir com outro direito albergado na Carta Maior. Neste último caso, a solução do impasse, mediante a formulação de um juízo de concordância prática, há de ser estabelecida através da devida ponderação dos bens e valores, in concreto, de modo a que se identifique uma 'relação específica de prevalência' entre eles. 2. No caso em tela, é possível verificarse a colisão entre os direitos à intimidade e ao sigilo de dados, de um lado, e o interesse público à arrecadação tributária eficiente (ordem tributária hígida), de outro, a ser resolvido, como prega a doutrina e a jurisprudência, pelo princípio da proporcionalidade. 3. Com base em posicionamentos do STF, o ponto mais relevante que se pode extrair desse debate, é a imprescindibilidade de que o órgão que realize o juízo de concordância entre os princípios fundamentais a fim de aplicálos na devida proporção, consoante as peculiaridades do caso concreto, dandolhes eficácia máxima sem suprimir o núcleo essencial de cada um revistase de imparcialidade, examinando o conflito como mediador neutro, estando alheio aos interesses em jogo. Por outro lado, ainda que se aceite a possibilidade de requisição extrajudicial de informações e documentos sigilosos, o direito à privacidade, deve prevalecer enquanto não houver, em jogo, um outro interesse público, de índole constitucional, que não a mera arrecadação tributária, o que, segundo se dessume dos autos, não há. Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 15 14 4. À vista de todo o exposto, o Princípio da Reserva de Jurisdição tem plena aplicabilidade no caso sob exame, razão pela qual deve ser negado provimento aos embargos infringentes” (fl. 275). 2. A Recorrente alega que o Tribunal a quo teria contrariado o art. 5º, inc. X e XII, da Constituição da República. Argumenta que “investigar a movimentação bancária de alguém, mediante procedimento fiscal legitimamente instaurado, não atenta contra as garantias constitucionais, mas configura o estrito cumprimento da legislação tributária. Assim, (...) mesmo se considerarmos o sigilo bancário como um consectário do direito à intimidade, não podemos esquecer que a garantia é relativa, podendo, perfeitamente, ceder, se houver o interesse público envolvido, tal como o da administração tributária” (fl. 284). Analisados os elementos havidos nos autos, DECIDO. 3. Razão jurídica não assiste à Recorrente. 4. No julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, Relator o Ministro Marco Aurélio, com repercussão geral reconhecida, o Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: “O Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (LC 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001). Inicialmente, salientou se que a República Federativa do Brasil teria como fundamento a dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º, III) e que a vida gregária pressuporia a segurança e a estabilidade, mas não a surpresa. Enfatizouse, também, figurar no rol das garantias constitucionais a inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas (art. 5º, XII), bem como o acesso ao Poder Judiciário visando a afastar lesão ou ameaça de lesão a direito (art. 5º, XXXV). Aduziuse, em seguida, que a regra seria assegurar a privacidade das correspondências, das comunicações telegráficas, de dados e telefônicas, sendo possível a mitigação por ordem judicial, para fins de investigação criminal ou de instrução processual penal. Observouse que o motivo seria o de resguardar o cidadão de atos extravagantes que pudessem, de alguma forma, alcançálo na dignidade, de modo que o afastamento do sigilo apenas seria permitido mediante ato de órgão eqüidistante (Estadojuiz). Assinalouse que idêntica premissa poderia ser assentada relativamente às comissões parlamentares de inquérito, consoante já afirmado pela jurisprudência do STF”. Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 16 15 O acórdão recorrido não divergiu dessa orientação. 5. Nada há, pois, a prover quanto às alegações da Recorrente. 6. Pelo exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário (art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, § 1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Publiquese. Brasília, 23 de fevereiro de 2011. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora. Nesta linha de raciocínio, é de se notar, ainda, que nas demais decisões o Supremo Tribunal Federal tem determinado o sobrestamento de tal matéria, conforme é possível se verificar nos julgados abaixo: Decisão: Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presente feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publique se. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator (a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012). DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – BAIXA À ORIGEM. 1. Reconsidero o ato de folhas 343 a 344. 2. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 3. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, havendo a intimação do acórdão de origem ocorrido posteriormente à data em que iniciada a vigência do sistema da repercussão geral, bem como presente o objetivo maior do instituto – evitar que o Supremo, em prejuízo dos trabalhos, tenha o tempo tomado com questões repetidas – , determino a devolução dos autos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Façoo com fundamento no artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno deste Tribunal, para os efeitos do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. Publiquem. Brasília, 3 de novembro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 714857 AgR, Relator (a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 03/11/2011, publicado em DJe217 DIVULG 14/11/2011 PUBLIC 16/11/2011). Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 17 16 Ora, o presente tema tem sido muito discutido após a Lei nº 10.174, de 2001 (que alterou a Lei nº 9.311, de 1996, e passou a admitir a utilização de dados da extinta CPMF para fins de apuração de outros tributos) e, sobretudo, a Lei Complementar nº 105, de 2001 (cujos artigos 5º e 6º admitem o acesso, pelas autoridades fiscais da União, Estados e municípios, das contas de depósito e aplicações financeiras em geral), tem reflexo direto em inúmeros lançamentos que são fundamentados na existência de movimentação bancária incompatível com os rendimentos e receitas declarados pelo contribuinte. Como visto, anteriormente, o primeiro julgamento de relevância adveio na ação cautelar nº 33 – ajuizada para o fim de atribuir efeito suspensivo a recurso extraordinário – em que, por seis votos a quatro, admitiuse a quebra independentemente de autorização judicial. Votaram a favor do Fisco os ministros Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Carmen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie, enquanto, contrariamente à quebra sem ordem judicial, posicionaramse os ministros Marco Aurélio, Cezar Peluso, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. Todavia, poucas semanas após o próprio recurso extraordinário (nº 389.808) veio a ser apreciado, desta vez com resultado diverso. O ministro Gilmar Mendes mudou de posição e, como o ministro Joaquim Barbosa não participou do julgamento, o placar foi favorável aos contribuintes, por cinco a quatro. Apesar da decisão monocrática da ministra Cármen Lúcia afirmado categoricamente que não cabe mais discussão sobre o assunto, entendo, que a questão não está resolvida. Tivesse o ministro Joaquim Barbosa participado do julgamento (no pleno do STF) e mantido sua posição adotada na cautelar, o resultado teria ficado empatado (cinco a cinco). Além disso, existem várias Adins que aguardam julgamento (nºs 2.386, 2.390, 2.397 e 4.010) e o tema já teve sua repercussão geral reconhecida (RE nº 601.314), porém, ainda pendente de julgamento. Por outro lado, existe noticias na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que o mesmo tem determinado o sobrestamento de processos onde a discussão abrange o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Assim, resta evidente, que o assunto se encontra na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314 e que os processos estão sobrestados. É de se ressaltar, que caso a posição definitiva do Supremo Tribunal Federal STF seja no sentido da possibilidade da quebra sem autorização judicial, os autos de infração em curso deverão ser mantidos pelos órgãos administrativos de julgamento, o mesmo sucedendo com os processos judiciais, ressalvadas as questões peculiares envolvidas em cada caso. Contudo, se declarada a inconstitucionalidade dos diplomas que permitem a quebra pelas autoridades administrativas, será preciso verificar com maior critério as consequências nos procedimentos em curso. Isso porque nem sempre o lançamento é motivado apenas na existência de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Nos casos, por exemplo, de omissão de receitas (artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996) fundamentados exclusivamente na existência de valores em instituições financeiras, não há dúvida de que, declarada a inconstitucionalidade da quebra sem autorização judicial, os lançamentos restarão viciados e deverão assim ser declarados pelo órgão administrativo ou judicial competente. No Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 18 17 entanto, há casos em que a existência de recursos financeiros eventualmente não comprovados é apenas um dos indícios que fundamentam a ação fiscal. No caso em questão, resta claro, nos autos, de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada, onde o fornecimento das informações sobre a movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, foi realizada diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial (art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001). Ou seja, os extratos bancários foram acostados aos autos mediante o atendimento da Solicitação de Emissão de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) solicitada pela autoridade fiscal lançadora, com base no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001. É conclusivo, que no julgamento do Recurso Extraordinário n. 389.808, não aplicável a repercussão geral, o Pleno do Supremo Tribunal Federal afastou a possibilidade de ter acesso a Receita Federal a dados bancários de contribuintes: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Senhor Ministro Marco Aurélio (Relator), deu provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Ayres Britto e Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Falou, pelo recorrente, o Dr. José Carlos Cal Garcia Filho e, pela recorrida, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque, Procurador da Fazenda Nacional. Plenário, 15.12.2010. Naquele julgado, o Plenário, por maioria, proveu recurso extraordinário para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto a dados bancários da empresa recorrente. Na espécie, questionavamse disposições legais que autorizariam a requisição e a utilização de informações bancárias pela referida entidade, diretamente às instituições financeiras, para instauração e instrução de processo administrativo fiscal (Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001). Não há duvidas de que o Supremo Tribunal Federal, em sua composição plenária, naquela ocasião, declarou, por maioria de votos, a impossibilidade de acesso aos dados bancários dos contribuintes através de procedimento administrativo efetuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil diretamente as instituições financeiras, entretanto a decisão, ainda, não transitou em julgado e não se aplica na solução da repercussão geral em discussão, razão pela qual entendo que se faz necessário sobrestar o presente julgado até a solução final da repercussão geral em questão. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 13864.000400/200862 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.361 S2C2T2 Fl. 19 18 Assim sendo, resta evidente nos autos de que se trata de imposto de renda incidente sobre depósitos bancários com origem não comprovada e parte da discussão se concentra sobre o fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte obtida pelo fisco por meio de procedimento administrativo, sem prévia autorização judicial, assunto na esfera das matérias de repercussão geral no Supremo Tribunal Federal, conforme o recurso extraordinário 601314. A vista disso seja o presente processo encaminhado à Secretaria da 2ª Câmara da 2ª Seção para as devidas providencias no sentido de atender o sobrestamento do julgamento. Observando que, após solucionada a questão, o presente processo será novamente incluído em pauta publicada. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 02/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
