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Numero do processo: 19515.001125/2004-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001
ARROLAMENTO DE BENS.
O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais - CARF é incompetente para analisar a o procedimento administrativo de arrolamento de bens.
IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS
O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação idônea, prova a origem dos recursos depositados em suas contas bancária.
UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. ESTRITA LEGALIDADE.
Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2101-002.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
DANIEL PEREIRA ARTUZO - Relator.
EDITADO EM: 11/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Nome do relator: DANIEL PEREIRA ARTUZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 ARROLAMENTO DE BENS. O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais - CARF é incompetente para analisar a o procedimento administrativo de arrolamento de bens. IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituí-la. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação idônea, prova a origem dos recursos depositados em suas contas bancária. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. ESTRITA LEGALIDADE. Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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O Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF é incompetente para analisar a o procedimento administrativo de arrolamento de bens. IRPF. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ALEGAÇÃO DE TITULARIDADE DE TERCEIROS O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. Cabe a desconstituição da presunção quando o contribuinte, através de documentação idônea, prova a origem dos recursos depositados em suas contas bancária. UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC PARA ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Súmula CARF nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO LANÇAMENTO. PRINCÍPIOS DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. ESTRITA LEGALIDADE. Súmula CARF n.º 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 25 /2 00 4- 17 Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO (Relator), MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relatório Em 2004 foi lavrado o Auto de Infração de efls. 1.046/1.054 para a exigência de IRPF acrescido de juros e multa de ofício. Após o procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pelo Recorrente, a fiscalização entendeu que haveria omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada realizados durante os anos de 1999 a 2001 (Termo de Constatação de efl. 1.042/1.045). Cientificado do lançamento, o Recorrente apresentou a Impugnação de efls. 1.063/1.084, alegando, em síntese: 1) As movimentações realizadas pelo contribuinte decorrem do exercício da sua atividade profissional (serviços advocatícios) na pessoa jurídica Advocacia Bonilha, da qual é sócio. No exercício de sua atividade, este vê depositado em suas contas correntes valores pertencentes aos seus clientes, em razão do seu êxito em diversas reclamatórias trabalhistas. Por evidente, referidos valores são posteriormente repassados aos seus clientes; 2) Por não pertencer ao impugnante os valores movimentados utilizados pela Fiscalização para autuálo, não pode o lançamento prosperar. Por inexistir o acréscimo de patrimônio do impugnante, não se justifica a constituição do crédito tributário; 3) O que não é renda ou provento de qualquer natureza não pode ser alcançado, pois, pelo imposto previsto no artigo 153, III, da Constituição Federal, tratandose de hipótese de não incidência tributária; 4) Só há que se cogitar a respeito de tributação sobre a renda se estivermos diante de acréscimo patrimonial. A síntese do critério material possível deste imposto é auferir renda e proventos de qualquer natureza, tomandose essa expressão no sentido de acréscimo Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001125/200417 Acórdão n.º 2101002.689 S2C1T1 Fl. 1.187 3 patrimonial. Assim, ausente um dos requisitos necessários para composição da regramatriz de incidência tributária do IR, não há que se falar em exigência dessa exação; 5) Não há capacidade contributiva no caso em comento, considerando que a movimentação financeira considerada para efeitos de constituição do crédito tributário não foi do impugnante. Permitir, pois, que o patrimônio seja tributado por imposto pessoal, universal, cuja observância ao princípio da capacidade contributiva é de rigor, sem que haja efetivo aumento dessa capacidade, é evidente inobservância a este princípio basilar da Carta Magna; 6) O parágrafo 4° do artigo 117 do Decreto n.°3.000/99 tem a pretensão de dar contornos de legalidade a tributação, pelo imposto de renda, de fato jurídico que se encontra no campo da não incidência do citado tributo. Tratase, assim, de novo tributo. Nesse sentido, imperioso que sua instituição se dê mediante lei ordinária, e não decreto, instrução normativa ou autuação; 7) A imposição tributária que viole por sua excessividade e desarrazoabilidade a propriedade, a capacidade contributiva ou a livre iniciativa, estará também, violando a vedação do efeito confiscatório; 8) Em se admitindo seja mantida a autuação, há evidente desrespeito ao princípio da verdade material, considerando que não há para o contribuinte, fato gerador (acréscimo de renda), sendo tal fato corroborado pela natureza de sua atividade profissional, bem como pelos sinais de riqueza que possui; 9) É inconstitucional a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, devendo estes ser calculados à proporção de 1% ao mês de forma não capitalizada, posto que tal exigência decorre de expressa definição legal contida na súmula do TRF, do artigo 161, §1°, do CTN e do próprio artigo 192, §3°, da CF/88; 10) As multas exigidas representam verdadeiro confisco, vedado pelo artigo 150, V, da CF/88; 11) Com fundamento no artigo 15 e §3° da Lei n.° 8.906/94 (Estatuto da OAB), a alíquota aplicável para eventual constituição do crédito tributário não é de 27,5% como no caso em comento, mas 1,5%. Ao analisar a Impugnação, a DRJ de São Paulo II julgou o lançamento procedente (acórdão de efls 1.135/1.152) Inconformado com o resultado do julgamento, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls. 113/120), alegando, em síntese, os mesmos argumentos já expendidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro DANIEL PEREIRA ARTUZO Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, cumpre destacar que o Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF não possui competência para analisar a necessidade de arrolamento de bens, uma vez que tal procedimento legal não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do arrolamento de bens. Em relação à alegação de que os depósitos bancários não representariam acréscimo patrimonial e que os recursos financeiros não poderiam ser considerados como rendimentos, entendo que não assiste razão ao Recorrente. O caput do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 determinar que “Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações” O referido dispositivo legal instituiu uma presunção legal relativa que “dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada” (Súmula CARF nº 26). Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Entretanto, dado o caráter relativo, a presunção qual poderia facilmente ser desconstituída caso o contribuinte comprovasse que os montantes depositados não poderiam ser caracterizados como renda auferida ou que os valores não pertencem a ele. Pela simples leitura do Termo de Constatação de efl. 1.042/1.045, verificamos que a Fiscalização já considerou como justificados os depósitos que o Recorrente comprovou como pertencentes a terceiros. Foram apresentado diversos alvarás judiciais comprovando as origens de diversos depósitos como pertencentes a terceiros e cheques nominais e/ou comprovantes de depósitos em conta corrente dos clientes. Caso houvessem mais comprovantes de origem de outros depósito, o Recorrente poderia ter apresentado todas as provas que considerasse necessárias à sua defesa no momento da apresentação da sua impugnação e, até mesmo, em fase de recurso voluntário, na hipótese de ter conseguido a documentação hábil nesse momento da sua defesa. Contudo, somente fez alegações genéricas no sentido de que os valores não representariam acréscimo patrimonial e/ou que não lhe pertenceriam. Caso a Recorrente tivesse comprovado através de documentação idônea a origem dos recursos, não restariam dúvidas de que a parcela justificada não poderia integrar o presente lançamento. Assim, deve ser rechaçada, as afirmações genéricas feitas pelo Recorrente de que os valores depositados em suas contas bancárias não representam renda. Já quanto às alegações de que o lançamento violaria diversos princípios constitucionais (princípio da capacidade contributiva, vedação ao confisco, estrita legalidade), Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19515.001125/200417 Acórdão n.º 2101002.689 S2C1T1 Fl. 1.188 5 bem como que a utilização da Taxa SELIC e a multa de ofício seriam inconstitucionais, cumpre destacar que Importante destacar que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise da constitucionalidade das normas existentes no ordenamento jurídico brasileiro, conforme determina o art. 62 do anexo II do RICARF e a Súmula n.º 02 do CARF. Em relação à utilização da taxa SELIC para atualização do crédito tributário lançado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já pacificou a sua jurisprudência no sentido de que a mesma é aplicável. “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Por fim, em relação ao pedido de aplicação da alíquota de 1,5% a título de IRPF, por considerar que, por analogia, os rendimentos poderiam ter sido tributados pela sociedade da qual faz parte, entendo que tal argumento também não pode ser considerado, uma vez que o Recorrente não logrou êxito em comprovar que os rendimentos seriam de propriedade da sociedade de advogados. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É o meu voto. DANIEL PEREIRA ARTUZO Relator Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 13/02/201 5 por DANIEL PEREIRA ARTUZO, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10825.902151/2012-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, a, da Medida Provisória nº 1.858-6, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.158-35/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
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INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. A partir do advento do art. 23, I e II, “a”, da Medida Provisória nº 1.8586, de 26/06/1999 e reedições até a MP nº 2.15835/2001, as receitas das cooperativas passaram a sofrer a incidência da contribuição ao PIS. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 21 51 /2 01 2- 04 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp em 30/11/2009, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a exigência da contribuição ao PIS foi restabelecida sob a égide da CF/88, notadamente nos termos do art. 2o, II, da Lei 9.715/98, sendo um ano após expressamente revogada em relação às entidades sem fins lucrativos, por meio da MP 1.85810/99, com a atual redação conferida pelo art. 93 da MP nº 2.15835/01, ainda assim algumas cooperativas permaneceram obrigadas ao recolhimento da contribuição ao PIS sobre a folha de salário, em vista de regra específica prevista no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 9.715/98; (ii) a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos. Explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13; (iii) ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; (iv) ainda que a redação do art. 15 da MP2.15835 seja genérica em relação às sociedades cooperativas e, portanto, não excetue as cooperativas de trabalho médico, isso não permite a conclusão de que essas cooperativas estariam entre as compreendias no alcance desse dispositivo, como também concluiu as autoridades fiscais, nos termos do art. 28 da IN SRF nº 635/06; (v) conclui aduzindo que se as sociedades cooperativas médicas não se sujeitam às exigências da contribuição ao PIS com base na folha de salários de seus empregados e, portanto, todo o recolhimento realizado a esse título deve ser entendido comore colhimento a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902151/201204 Acórdão n.º 3803005.823 S3TE03 Fl. 12 3 maior ou indevido e, logo, passível de ser recuperado. Requereu, ainda, a reforma do julgado de primeira instância, a procedência integral da declaração de compensação, com vista a legitimidade do crédito tributário e o reconhecimento da extinção dos débitos compensados no PER/DECOMP. A decisão prolatada pela 14ª Turma da DRJ/RPO, de 11/09/13 (fls. /) por meio do Acórdão nº 1444.634, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, para manter o crédito tributário exigível, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009 FATURAMENTO E FOLHA DE SALÁRIOS. LEGALIDADE. Quando a sociedade cooperativa realiza as exclusões legais da base de cálculo do PIS Faturamento, é devido o PIS Folha concomitantemente, nos termos do art. 15, § 2º, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e do art. 32, § 4º, do Decreto nº 4.524, de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão adotou o pressuposto de que : (a) “Nos termos da regra consolidada na atual MP nº 2.15835, de 2001, a tributação das sociedades cooperativas segue a tributação das demais pessoas jurídicas em geral, calculando o PIS de acordo com o faturamento. No entanto, caso a cooperativa realize determinadas operações que não sofrem a incidência do PIS com base no faturamento, deverá, conforme disposição inscrita no art. 15, §2º, I da MP nº 2.15835, de 2001, apurar o PIS com base na folha de salários. Nesse caso, portanto, a cooperativa sujeitase cumulativamente à tributação com base no faturamento e com base na folha de pagamentos”. Consubstanciouse ainda no art. 13 da referida MP, e nos arts. 36 da MP 66/02; no art. 1º da MP nº 101/02, convertida na Lei nº 10.767/03; no art. 32 do Dec. 4.524/02 e nos arts. 9º e 33 da IN SRF nº 247/02. De acordo com os dispositivos mencionados não prevalece a tese de que as sociedades cooperativas outras que não de produção agropecuária, eletrificação rural, de Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 crédito e de transporte rodoviário, estariam fora do alcance do PIS sobre a folha de salários. E assim, nos períodos em que tenha procedido à exclusão das sobras líquidas da base de cálculo da contribuição, o PIS sobre a folha de pagamentos deve ser recolhido. Situação essa em que o sucesso da contribuinte em ver homologada a compensação declarada na primeira instância administrativa, condicionase à comprovação da liquidez e certeza do direito creditório, no caso, a de que não efetuou a exclusão em foco. No que se relaciona ao aspecto do elemento material de prova extraise excertos que sintetizam o posicionamento adotado pela decisão em questão, adiante: “Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejando os com os demais por ela informados à Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia.” De acordo com o Termo de Ciência por decurso de prazo, a data de disponibilização na caixa postal da contribuinte da decisão contida no Acórdão nº 1444.634, foi em 20/09/2013. Com isso a data da ciência se deu em 05/10/2013. O Termo de Solicitação de Juntada de recurso voluntário foi registrada pela repartição preparadora em 01/11/13. Ciente da decisão contida no acórdão retromencionado a contribuinte irresignada, em sede de recurso voluntário, reiterou de forma minudente acerca das razões de defesa apresentadas na exordial. Ressaltou que a MP 2.15835/01, em seu artigo 13, explicitou quais os tipos de entidades que se sujeitavam à contribuição ao PIS, calculada sobre a folha de salários, bem assim que as sociedades cooperativas não foram contempladas, de acordo com o elenco formulado nesse artigo, como o foram às Organizações das Cooperativas – OCB e as Organizações estaduais de Cooperativas, nos termos do inciso I, do art. 13, da MP nº 2.158 35/01, que não se identifica com as sociedades cooperativas propriamente ditas. Mencionou que na mesma senda segue o § 2º e incisos I a IV, do art. 15 dessa MP, eis que as cooperativas de trabalho médico não praticam as operações descritas nesses incisos do confuso enunciado do referido artigo da MP correspondente. Aduziu ademais disso que o art. 28 da IN SRF 635/06 identifica quais sociedades cooperativas se sujeitam à incidência da contribuição ao PIS com base na folha de Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902151/201204 Acórdão n.º 3803005.823 S3TE03 Fl. 13 5 salário, ou seja, as sociedades sujeitas às exclusões previstas no art. 15 da MP 2.15835/01,bem assim que a resposta à Consulta 290/07 ratifica este entendimento. Requer ao final o integral provimento do recurso, protestando pela apresentação de memoriais e sustentação oral das razões aduzidas. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Duas foram às questões devolvidas para apreciação pelo Tribunal ad quem, a saber: (i) a verificação da certeza e liquidez do direito creditório alegado pela Recorrente; e (ii) a tributação das sociedades cooperadas de trabalho médico pelo PIS. O exame acerca da primeira questão resta prejudicado, eis que nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo foi colacionado aos autos, com o fim de corroborar as assertivas formuladas na exordial, ou mesmo no apelo sob exame, o que se faz em respeito aos dispositivos contidos no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, caput e § 4º. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Resta, então, o enfrentamento da questão relacionada à tributação das sociedades cooperadas pelo PIS. O hodierno ordenamento jurídico tem a sua gênese na Constituição Cidadã de 1988. O seu artigo 146, III, ‘C’, dispõe que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais me matéria de legislação tributária, especialmente sobre: adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 A Lei nº 5.764/71, que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas, por meio do seu artigo 4º, já havia atribuído à definição legal de “cooperativas”, como sendo: Art. 4º. As cooperativas são sociedades de pessoas, como forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas à falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...); VII – retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral. Adiante, no caput e no parágrafo único do artigo 79 do mesmo mandamus, adveio a definição e a funcionalidade de “atos cooperativos”. Em outras palavras são tais atos jurídicos que criam, mantém ou extinguem relações cooperativas, não implicando, necessariamente, em atos de mercado. Acerca da tributação do PIS e da COFINS, inicialmente, foi a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, considerada isenta por força do disposto no caput e inciso I do art. 6º, da LC nº 70/91, instituidora da Cofins. Entretanto, com o advento da MP nº 1.8586/99, por meio de seu artigo 23, foram os incisos I e III do artigo 6º da LC nº 70/91, revogados. Ocorre que essa revogação se manteve por meio da MP nº 66/02 e também pela Lei nº 10.637/02, por meio dos seus artigos 1º e 2º, que atualmente regula esta matéria (cobrança do PIS/PASEP, cuja base de cálculo é o valor do faturamento). Do mesmo modo ocorreu com o PIS, cujas cooperativas estão sujeitas ao pagamento desse tributo, seja sobre a folha de salários, mediante a aplicação de alíquota de 1% sobre a folha de pagamento mensal de seus empregados. A outra forma de tributação incide sobre a receita bruta, mediante a alíquota de 0,65% (a partir de 01/11/1999, data fixada pelo Ato Declaratório SRF nº 88/99), com exclusões da base de cálculo prevista pela MP 2.11327/01, ou mesmo de acordo com a MP 107, com as exclusões da base de cálculo, de acordo com o disposto também no artigo 15 da MP 2.113 27/01. Por força do contido na Lei nº 10.637/02, a partir de 01/12/02, a alíquota do PIS foi majorada para 1,65%. Destarte, por meio da MP 107/03, de 10/022003, a alíquota do PIS que houvera sido majorada, retorna ao seu valor original de 0,65%, inclusive para as sociedades cooperativas. Foi a partir da MP nº 2.11329, de 27/03/01, DOU de 28/03/01, de suas reedições e alterações posteriores, até a MP 2.15835/01, através de suas disposições que se Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902151/201204 Acórdão n.º 3803005.823 S3TE03 Fl. 14 7 tornou possível para as sociedades cooperativas a exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, de valores mencionados no artigo 15 desta MP, isto uma vez observado o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. Portanto, a base de cálculo para as contribuições para o PIS e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento, correspondente à receita bruta. A respeito da exclusão de valores da base de cálculo do PIS e da Cofins das cooperativas vale mencionar as disposições da MP nº 101/02, litteris: Art. 1º. As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração de Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1º. Omissis. § 3º O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999. Portanto, seja sob a ótica da MP nº 2.15835/01, ou segundo os dispositivos contidos na MP nº 101/02, posteriormente convertida na Lei 10.767/02 e, observados o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, o que se percebe nitidamente, é a possibilidade de exclusão de elementos da base de cálculo do PIS e da Cofins, para as sociedades cooperativas. Confirase: Art. 1° Esta Lei aplicase no âmbito da legislação tributária federal, relativamente às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e a Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, ao Imposto sobre a Renda e ao Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativos a Títulos ou Valores Mobiliários IOF. Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (...); § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). (Grifei). De outra parte assim se pronunciou a Solução de Consulta COSIT nº 06, de 8 de novembro de 2010 (ação judicial): EMENTA: O disposto no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não permite que as operadoras de planos de assistência à saúde deduzam da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep as despesas e custos operacionais relacionados com os atendimentos médicos realizados em seus próprios beneficiários (clientes), por meio de estabelecimento próprio ou pela rede conveniada/credenciada de profissionais e empresas da área de saúde, visto que tais contribuições incidem sobre o faturamento (receita bruta) mensal e não sobre o resultado. O inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, somente autoriza as operadoras de planos de assistência à saúde a deduzirem da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep o valor correspondente às indenizações efetivamente pagas por uma operadora, referente aos atendimentos médicos efetuados em beneficiários (clientes) pertencentes à outra operadora de plano de assistência à saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade. O Poder Judiciário, aqui representado pelos Tribunais Superiores, também não se omitiu quando provocado a se pronunciar a respeito da tributação do PIS/PASEP e da Cofins, senão vejamos: O Julgamento da Questão no STJ – Sistemática do Recurso Repetitivo: RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : COOPERATIVA DOS INSTRUTORES DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL E PROMOÇÃO SOCIAL RURAL LTDA COOPIFOR Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902151/201204 Acórdão n.º 3803005.823 S3TE03 Fl. 15 9 ADVOGADO : CAMILA COLARES SANTANA E OUTRO(S) DECISÃO (...) impõese, da mesma forma, a submissão do presente apelo extremo como representativo da controvérsia atinente à incidência da contribuição destinada ao PIS e da COFINS sobre a receita oriunda de atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas, à luz do disposto no artigo 79, parágrafo único, da Lei 5.764/71, a fim de se prevenir eventual óbice de conhecimento. (...) Brasília (DF), 24 de fevereiro de 2010. A discussão realizada pelo Supremo Tribunal Federal ainda não chegou a termo, entretanto o reconhecimento da repercussão geral a respeito do tema ora sob exame, já ocorreu. Confirase: REPERCUSSÃO GERAL EM RE N.672.215CE RELATOR: MIN. JOAQUIM BARBOSA EMENTA: TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DA COFINS, DA CONTRIBUIÇÃO AO PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL E DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE O PRODUTO DE ATO COOPERADO OU COOPERATIVO. DISTINÇÃO ENTRE “ATO COOPERADO TÍPICO” E “ATO COOPERADO ATÍPICO”. CONCEITOS CONSTITUCIONAIS DE “ATO COOPERATIVO”, “RECEITA DE ATIVIDADE COOPERATIVA” E “COOPERADO”. COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. VALORES PAGOS POR TERCEIROS À COOPERATIVA POR SERVIÇOS PRESTADOS PELOS COOPERADOS. LEIS 5.764/1971, 7.689/1988, 9.718/1998 E 10.833/2003. ARTS. 146, III, c, 194, par. ún., V, 195, caput, e I, a, b e c e § 7º e 239 DA CONSTITUIÇÃO. Tem repercussão geral a discussão sobre a incidência da Cofins, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”. Discussão que se dá sem prejuízo do exame da constitucionalidade da revogação, por lei ordinária ou medida provisória, de isenção, concedida por lei complementar (RE 598.085RG), bem como da “possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.158 33, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de1998” (RE 599.362 RG, Rel. Min. Dias Toffoli). Como visto ainda não se vislumbra nos textos normativos, nem jurisprudenciais, a hipótese de isenção ou de não incidência tributária para as cooperativas. Tampouco de distinção entre cooperativas de trabalho médico, de crédito, enfim, entre as demais modalidades de sociedades cooperativas. Concluise, por conseguinte que, do texto legal, onde o legislador não faz distinção, não cabe ao operador do direito fazêlo, tampouco ao intérprete da lei. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 O PIS sobre a folha de pagamento constitui uma obrigação tributária principal devida por todas as entidades sem fins lucrativos, classificadas como Isentas, Imunes ou Dispensadas, e calculado sobre a folha de pagamento de salários, à alíquota de 1%. Quanto ao requerido pela Recorrente, no sentido de que o PIS/folha de pagamento não é cabível, portanto poderia ser compensado com tais débitos, considero inadequado o seu pedido. Isto porque ao manifestar o seu inconformismo a ora Recorrente destacou que a MP 2.15835/01 ao mesmo tempo em que revogou a exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, explicitou que as sociedades cooperativas de produção rural, contribuintes do PIS com base no faturamento, porém sujeitas às exclusões e deduções no art. 15 da referida MP, continuavam sujeitas à contribuição ao PIS com base na folha de salário, nos termos do seu art. 13. Tema este reiterado no recurso voluntário. Há um equívoco nas assertivas formuladas pela Recorrente quanto à revogação da exigência da contribuição ao PIS para as entidades sem fins lucrativos, pela MP nº 2.158 35/01. Diversamente, com o advento dessa medida provisória tornouse concreta a possibilidade de exclusão de elementos previstos na legislação de regência, da base de cálculo do PIS e da Cofins, isto em conformidade com o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. E mais, a Recorrente foi além ao mencionar que ratificando esse entendimento encontrase o art. 28 da IN SRF nº 635/06, que explicita quais as sociedades que continuam sujeitas a incidência da contribuição ao PIS com base na folha de salário, conforme se depreende da solução no processo de consulta nº 290/07; O fato de o art. 28 não relacionar expressamente a sociedade cooperativa de trabalho médico dentre aquelas cujo fato gerador para o PIS/PASEP incide sobre a folha de salários no percentual de 1%, não autoriza o contribuinte a dela se eximir, como se imune ou isenta fosse, o que não corresponde ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, posto que as deduções permitidas em lei, se faz em observância desses dois artigos suso citados. O rol das exclusões mencionados no art. 15 da MP 2.15835/01, aplicável ao caso em comento, não é exaustivo, ou mesmo conclusivo, como também não o é aquele constante do artigo 28 da IN SRF nº 635/06, DOU de 17/04/2006, e ambos ensejam a incidência do PIS/Folha. Isto posto oriento o meu voto pelo não provimento do recurso voluntário. É como voto. Sala de sessões em 25 de março de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10825.902151/201204 Acórdão n.º 3803005.823 S3TE03 Fl. 16 11 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 30/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001756/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/11/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2302-003.564
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos que visam rediscutir a matéria já apreciada por ora do recurso, mantendo o lançamento do crédito tributário.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em rejeitar os Embargos de Declaração opostos que visam rediscutir a matéria já apreciada por ora do recurso, mantendo o lançamento do crédito tributário. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 17 56 /2 00 9- 43 Fl. 315DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 2 Relatório Tratase de embargos opostos tempestivamente pela ASSOCIAÇÃO DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DOESTADO DE RONDÔNIA EMATER/RO, fls. 0303 a 0307, contra acórdão, fls. 0281 a 0297, que negou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Afirma a embargante que: 1. O acórdão embargado afasta uma suposta preliminar de nulidade, por vício de procedimento, inexistente nas razões do recurso voluntário interposto pela ora recorrente. Na verdade, o que alegou a recorrente foi que o fundamento da autuação, qual seja, o cancelamento da isenção das contribuições previdenciárias, teria se dado em virtude de ato cancelatório nulo, sendo, pois, improcedente o lançamento. 2. A decisão embargada não emitiu juízo de valor acerca de questões ventiladas durante o curso de todo processo, imprescindíveis para a solução da lide, que não foram, portanto, prequestionadas. 3. A despeito da aplicação do art. 32A, para aplicação da penalidade, o acórdão não se manifestou sobre a alegação da recorrente, e desta feita não atentou ao parâmetro equivocado utilizado pelo auto de infração para o calculo da penalidade menos gravosa. É o Relatório. Voto Tratase de embargos de declaração contra acórdão, amparado na existência de omissão na decisão. O Regimento Interno deste Órgão Colegiado prevê, em seu art. 65 e seguintes, o manejo de embargos declaratórios contra seus julgados que restarem omissos, obscuros ou contraditórios em algum de seus termos, sendo estes os requisitos indeclináveis para o acatamento dos declaratórios. Com efeito, tais embargos não merecem acolhida. Afora tais hipóteses, devidamente elencadas no Regimento Interno deste Conselho, os embargos não são o meio hábil a alterar uma determinada decisão proferida pelo Colegiado, sendo certo que existem outros recursos para tanto. Analisando a pretensão da recorrente, resta claro que a motivação da Embargante é a de revisão deste julgado, ou seja, rediscussão da constatação de que as GFIPs, referentes aos meses 01/2007 a 13/2008, foram apresentadas com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº10240.001756/200943 Acórdão n.º 2302003.564 S2C3T2 Fl. 3 3 Pretende a recorrente que a matéria seja revista reconhecendose sua isenção sobre tais contribuições e, por conseguinte, a inexistência do crédito tributário, o que não é admissível – como dito – pela estreita via dos embargos declaratórios. Nesse sentido, segue jurisprudência do STJ: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DA MATÉRIA NA VIA ELEITA. EMBARGOS RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Embargos de declaração opostos com o fito de rediscutir a causa já devidamente decidida. Nítido caráter infringente. Recebimento como agravo regimental em homenagem ao princípio da fungibilidade recursal. 2. A mera propositura de ação revisional objetivando discutir o débito não autoriza, por si só, a concessão de antecipação da tutela requerida pela ora recorrente. 3. Verificado pela instância de origem que não preenchidos o requisito da Súmula 380/STJ, o acolhimento da pretensão recursal, por qualquer das alíneas do permissivo constitucional, demandaria a alteração das premissas fático probatórias estabelecidas pelo acórdão recorrido, com o revolvimento das provas carreadas aos autos, o que é vedado em sede de recurso especial, nos termos do enunciado da Súmula 7 do STJ. 4. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental a que se nega provimento. (STJ EDcl no AREsp: 208825 SP 2012/01548433, Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data de Julgamento: 10/09/2013, T4 QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 17/09/2013) Feitos estes esclarecimentos, e por não se tratar da hipótese de verdadeira omissão ou contradição por parte da decisão embargada, entendo que os embargos não merecem ser providos neste ponto, por absoluta falta de previsão legal para tanto. Por isso, VOTO no sentido de REJEITAR os embargos de declaração. É o voto. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto em rejeitar os embargos propostos. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2014 Fl. 317DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI 4 LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 7/03/2015 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 17/03/2015 por LIEGE LACROIX T HOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001836/2009-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DESPESA DESNECESSÁRIA. ALUGUEL. Não subsiste a glosa de despesa de aluguel fundamentada no fato de o locador não ser proprietário do imóvel, pois basta-lhe a posse direta para fruir daquele direito.
DESPESA DESNECESSÁRIA. SERVIÇOS JURÍDICOS PRESTADOS PARA VIABILIZAR A CONCENTRAÇÃO DO CONTROLE ACIONÁRIO NA PESSOA DO ADMINISTRADOR. INDEDUTIBILIDADE. Serviços jurídicos prestados para o fim exclusivo de viabilizar a concentração do controle acionário na pessoa do administrador da empresa não são dedutíveis, por não serem necessários, nem usuais e tampouco contribuírem na geração de receitas.
GLOSA DE CUSTOS. CRÉDITOS UTILIZADOS NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. Cancela-se a exigência se a contribuinte demonstra a regularidade de seu procedimento e infirma a acusação de redução indevida do lucro tributável.
DÉBITOS INCLUÍDOS NO PAEX. DEDUTIBILIDADE. Correta a decisão que afasta exigência entendendo que improcede a glosa do débitos apropriados na consolidação do PAEX, se a fiscalização não consegue demonstrar motivos que impeçam a sua dedutibilidade.
GANHO DE CAPITAL. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Correta a decisão que afasta exigência por entender não restar materializadas a situação que constitui o fato gerador do tributo lançado.
MULTA REGULAMENTAR POR DESATENDIMENTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Correta a decisão que afasta a penalidade por entender não demonstrado objetivamente o desatendimento à forma de apresentação dos arquivos contábeis e constatar que seus dados foram importados e validados com êxito pelo programa SINCO, da RFB.
Numero da decisão: 1101-001.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de alugueis, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 2) relativamente à glosa de serviços jurídicos, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso; 3) relativamente à glosa de custos, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à glosa de tributos parcelados no PAEX, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 5) relativamente ao ganho de capital, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 6) relativamente à multa de arquivos magnéticos, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 7) relativamente à multa proporcional, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente à multa isolada, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DESPESA DESNECESSÁRIA. ALUGUEL. Não subsiste a glosa de despesa de aluguel fundamentada no fato de o locador não ser proprietário do imóvel, pois basta-lhe a posse direta para fruir daquele direito. DESPESA DESNECESSÁRIA. SERVIÇOS JURÍDICOS PRESTADOS PARA VIABILIZAR A CONCENTRAÇÃO DO CONTROLE ACIONÁRIO NA PESSOA DO ADMINISTRADOR. INDEDUTIBILIDADE. Serviços jurídicos prestados para o fim exclusivo de viabilizar a concentração do controle acionário na pessoa do administrador da empresa não são dedutíveis, por não serem necessários, nem usuais e tampouco contribuírem na geração de receitas. GLOSA DE CUSTOS. CRÉDITOS UTILIZADOS NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. Cancela-se a exigência se a contribuinte demonstra a regularidade de seu procedimento e infirma a acusação de redução indevida do lucro tributável. DÉBITOS INCLUÍDOS NO PAEX. DEDUTIBILIDADE. Correta a decisão que afasta exigência entendendo que improcede a glosa do débitos apropriados na consolidação do PAEX, se a fiscalização não consegue demonstrar motivos que impeçam a sua dedutibilidade. GANHO DE CAPITAL. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Correta a decisão que afasta exigência por entender não restar materializadas a situação que constitui o fato gerador do tributo lançado. MULTA REGULAMENTAR POR DESATENDIMENTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Correta a decisão que afasta a penalidade por entender não demonstrado objetivamente o desatendimento à forma de apresentação dos arquivos contábeis e constatar que seus dados foram importados e validados com êxito pelo programa SINCO, da RFB.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de alugueis, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 2) relativamente à glosa de serviços jurídicos, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso; 3) relativamente à glosa de custos, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à glosa de tributos parcelados no PAEX, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 5) relativamente ao ganho de capital, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 6) relativamente à multa de arquivos magnéticos, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 7) relativamente à multa proporcional, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente à multa isolada, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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ALUGUEL. Não subsiste a glosa de despesa de aluguel fundamentada no fato de o locador não ser proprietário do imóvel, pois bastalhe a posse direta para fruir daquele direito. DESPESA DESNECESSÁRIA. SERVIÇOS JURÍDICOS PRESTADOS PARA VIABILIZAR A CONCENTRAÇÃO DO CONTROLE ACIONÁRIO NA PESSOA DO ADMINISTRADOR. INDEDUTIBILIDADE. Serviços jurídicos prestados para o fim exclusivo de viabilizar a concentração do controle acionário na pessoa do administrador da empresa não são dedutíveis, por não serem necessários, nem usuais e tampouco contribuírem na geração de receitas. GLOSA DE CUSTOS. CRÉDITOS UTILIZADOS NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS E DA COFINS. Cancelase a exigência se a contribuinte demonstra a regularidade de seu procedimento e infirma a acusação de redução indevida do lucro tributável. DÉBITOS INCLUÍDOS NO PAEX. DEDUTIBILIDADE. Correta a decisão que afasta exigência entendendo que improcede a glosa do débitos apropriados na consolidação do PAEX, se a fiscalização não consegue demonstrar motivos que impeçam a sua dedutibilidade. GANHO DE CAPITAL. INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Correta a decisão que afasta exigência por entender não restar materializadas a situação que constitui o fato gerador do tributo lançado. MULTA REGULAMENTAR POR DESATENDIMENTO À FORMA DE APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS MAGNÉTICOS. Correta a decisão que afasta a penalidade por entender não demonstrado objetivamente o desatendimento à forma de apresentação dos arquivos contábeis e constatar que seus dados foram importados e validados com êxito pelo programa SINCO, da RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 18 36 /2 00 9- 40 Fl. 3987DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de alugueis, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 2) relativamente à glosa de serviços jurídicos, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso; 3) relativamente à glosa de custos, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 4) relativamente à glosa de tributos parcelados no PAEX, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 5) relativamente ao ganho de capital, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 6) relativamente à multa de arquivos magnéticos, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; 7) relativamente à multa proporcional, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 8) relativamente à multa isolada, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. Fl. 3988DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório O presente processo retorna depois da realização de diligência determinada por este Colegiado, nos termos da Resolução nº 1101000.063, da qual colhese o seguinte relato das ocorrências até então verificadas nos autos: TERMOTÉCNICA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 26/05/2009, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 69.655.232,92. A autoridade lançadora assim estruturou as infrações constatadas, no Termo de Verificação Fiscal às fls. 747/765: 3. Infrações 3.1 Glosas 3.1.1 Glosa de despesas Despesas não comprovadas/não necessárias: Item a: Glosa de várias despesas lançadas na conta 3.50.05.005.000 DESPESAS DIVERSAS, relativamente às quais a contribuinte alegou não ter encontrado documento que comprove as despesas. Item b: Glosa de despesas em 2004, relativamente às quais a contribuinte não logrou comprovar integralmente o estorno de lançamentos reconhecidamente indevidos. Item c: Glosa de despesas com pagamento de débitos parcelados no PAES ou inscrito em Dívida Ativa da União, porque o principal já havia sido devidamente considerado no regime de competência. Item d: Glosa de despesas de aluguéis contabilizadas em 2006, que embora pagos à empresa PLASTIVAN referiamse a imóvel de propriedade da fiscalizada, situado em Contagem/MG, objeto de Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda com condição suspensiva e não levado a registro. Item e: Glosa de despesas oriundas de contratos de prestação de serviços jurídicos, que de forma inusitada teriam sido formalizados pela autuada e suas controladoras, mas sob gerenciamento da primeira. Asseverando que a contratação somente ocorreu porque o administrador das controladoras e das controladas era Albano Schmidt, que já deteria o controle das controladoras em razão de operações ocorridas de 2002 a 2004, reconheceu que a reestruturação do Grupo Empresarial, de fato, ocorreu, mas destinouse a concentrar todo o capital da Termotécnica nas mãos de um dos sócios, Albano Schmidt, excluindo seu contendor, Rodrigo de Almeida Schmidt, último dos familiares a vender suas cotas. Assim, se os gastos efetuados em favor de Albano Schmidt fossem dedutíveis, também o seriam aqueles efetuados por Rodrigo de Almeida Schmidt, que inclusive ingressou com ações judiciais contra a ação voraz de Albano Schmidt. Cita documento de fls. 112 a 116 que revela a estratégia adotada por Albano Schmidt, com vistas a contornar o acordo de acionistas assinado em 1998, fls. 118 a 122. Item f: Glosa de despesas relativas a dívidas confessadas no âmbito do PAEX, em razão de o montante de dívida contabilizada em 2006, no valor de R$ 45.652.316,29 ter sido inventado pela contribuinte para se contrapor à receita de R$ Fl. 3989DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 5 4 31.252.454,34 reconhecida a título de crédito extemporâneo de IPI, ao passo que os montantes parcelados, incluídos os acréscimos legais, corresponderiam a R$ 21.354.142,13. 3.1.1 Glosa de custos – PIS e COFINS de compras: falta da comprovação da dedução dos créditos de PIS e COFINS relativos às compras em consignação, computadas a título de insumos, na apuração do custo dos produtos vendidos. 3.2 Ganho de capital – lei n° 9.249/95, artigo 22: apuração verificada em devolução de capital a sócio em dezembro/2006, pois, em operações realizadas, a TUPINAMBÁ que tinha R$ 24.379.075,00, ficou com R$ 9.991.917,00 e recebeu pelos seus R$ 14.387.158,00 (diferença entre 24.379.075 e 9.991.917) R$ 38.879.962,00, com ganho de capital de R$ 24.492.804,00 (diferença entre R$ 38.879.962,00 e R$ 14.387.158,00). Da mesma forma, ALBANO SCHMIDT tinha R$ 13.153,00 e ficou com R$ 8.083,00, recebendo seus R$ 5.070,00 a R$ 24.700,00, com ganho de capital de R$ 19.630,00. 3.3 Multa Regulamentar arquivos magnéticos: a autoridade lançadora aplicou a multa prevista no art. 980, inciso I do RIR/99, equivalente a 0,5% da receita bruta dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, em razão da apresentação de arquivo com lançamentos cujo histórico não permite sua perfeita individualização, e porque a contabilidade contém dias desbalanceados, ou seja, os créditos e débitos não são iguais naquele dias (os lançamentos precisam de mais de um dia para se aperfeiçoarem). Além disso, os lançamentos do diário auxiliar têm códigos no histórico e não apresentam as contrapartidas. Impugnando parcialmente a exigência, a contribuinte veiculou alegações assim sintetizadas pela autoridade julgadora de 1a instância: reconhece ser devida a glosa das despesas dos subitens a, b e c do item 3.1.1. do Termo de Verificação Fiscal, mas não concorda com a multa de 75%, pelo seu caráter confiscatório; contesta a glosa dos alugueres pagos – subitem d do item 3.1.1 do TVF – reiterando que o imóvel fora alienado por instrumento particular irretratável, tendo ficado pendente apenas a outorga da escritura pública, ato que não se operou em virtude da existência de hipoteca sobre o prédio; também contesta a glosa das despesas de honorários advocatícios constantes do sub item e do item 3.1.1. do TVF, argumentando que o trabalho foi importante para os negócios das empresas, blindando a impugnante, principalmente porque o conflito societário vinha lhe criando dificuldades de crédito e problemas para a manutenção de contratos frente ao mercado, em razão da nãoaprovação de contas no ano de 1999. Enfatiza que os serviços foram prestados, beneficiando todas as empresas do grupo, mas a impugnante teve o maior benefício, porquanto conseguiu atravessar o período de conflito de seus controladores sem ter sido arrastada para a quebra ou para o declínio de seus negócios. Esclarece que ficou responsável pelo pagamento dos honorários por ser a única das empresas com potencial produtivo; reportandose ao contrato firmado em 17/08/2006, afirma não restarem dúvidas de que as despesas eram efetivamente afetas à impugnante, sendo que as notas fiscais nº 462 a 470 tiveram como objetivo a retirada da Termotécnica do Grupo Joinvillense, porquanto seus negócios eram dificultados pelas condições da controladora Joinvillense, que tinha patrimônio líquido negativo – prejuízos acumulados superiores a 100 milhões de reais – e dependia de mútuos constantes para se manter; também contesta a glosa das despesas constantes do subitem f do item 3.1.1. do TVF, argumentando que o autuante verificou nos sistemas internos da RFB que a dívida da impugnante no PAEX era de apenas R$ 21.354.142,13, quando, em realidade, era de R$ 45.652.316,29, valor devidamente lançado a título de despesas. Afirma que a escrituração contábil, da forma como efetivada, objetivou refletir os atos e fatos contábeis ocorridos. Afirma que o autuante reconheceu que a receita por ela escriturada, referente a créditos extemporâneos de IPI, no montante de R$ 31.252.454,34, foi válida, Fl. 3990DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 6 5 porém glosou a integralidade da despesa lançada, por considerála inexistente. Descreve em detalhe as operações e afirma que nada há de irregular no seu procedimento; reportandose ao item 3.1.2 do TVF – Glosa de custos – PIS e COFINS de compras, afirma que o autuante incorreu em equívocos por incorreta interpretação dos fatos, dada a peculiaridade de sua política de suprimentos, posto que adquire matériaprima pela sistemática de consignação. Discorre sobre o procedimento adotado, relativamente à aquisição e consumo de matériaprima e diz ser inverossímil que seja acusada de embutir PIS e COFINS em seu custo. Detalha exaustivamente o procedimento por ela adotado em relação à aquisição e consumo de matériaprima. Ao final, prevendo a hipótese de os julgadores não se sentirem seguros para decidir a questão, pede a realização de diligência tendente a aferir a veracidade das informações prestadas, constantes das novas planilhas apresentadas com a impugnação, com base nos quesitos formulados às fls. 802803; reportandose ao item 3.2 do TVF – Ganho de capital – Lei nº 9.249/95, art. 22, afirma que o TVF não relata a totalidade da operação, o que pode ensejar interpretação errônea. Reitera que a devolução de capital foi realizada com saldo em créditos de mútuo, devidamente registrados na contabilidade a valor de mercado e afirma ser evidente que, se os valores de mútuo foram devolvidos com base nos valores registrados na contabilidade, não há que se falar em ganho de capital, vez que a diferença é igual a zero, a teor do art. 419 do RIR/99, a cujo respeito discorre. Também historia os fatos ligados a alterações de seu capital; afirma ser indevida a cobrança da multa regulamentar, aduzindo que as acusações respectivas não guardam correspondência com a realidade. Argumenta que o autuante cometeu os equívocos que aponta e presta os esclarecimentos que considera pertinentes. Ao final, prevendo a hipótese de os julgadores não se sentirem seguros para decidir a questão, pede a realização de diligência nos arquivos magnéticos entregues à fiscalização, ou nos arquivos em seu poder, a fim de averiguar se atendem ou não as especificações regulamentares, com vistas a responder os quesitos formulados às fls. 813; contesta a exigência das multas isoladas afirmando que não houve irregularidades em relação aos tributos respectivos, e também ao argumento de que a aplicação de duas multas de ofício sobre a mesma infração fiscal caracteriza duas cobranças sobre o mesmo fato, representando verdadeiro confisco; contesta a totalidade das multas lançadas, atribuindolhes caráter confiscatório. Argumenta que o art. 150 da Constituição Federal veda a utilização de tributo com efeito de confisco. Finaliza argumentando que, em obediência ao princípio da razoabilidade, deve ser afastada a aplicação das exorbitantes multas de 75%, que revelariam nítido caráter confiscatório, pleiteando sua substituição para o percentual de 2%. A autoridade julgadora de 1a instância converteu o julgamento em diligência (fls. 1486/1487), em razão da qual a Fiscalização prestou as informações de fls. 3067/3073, contraditadas pela contribuinte por meio da petição de fls. 3074/3085. Os pontos debatidos foram os seguintes: ● Relativamente à glosa de R$ 45.652.316,29, correspondente a despesa tributária contabilizada em razão da adesão da contribuinte ao PAEX (item “3.1.1.f”), solicitouse pronunciamento da Fiscalização acerca dos elementos juntados na impugnação. Intimada, a contribuinte indicou os débitos parcelados às 1495/1541 que corresponderiam a débitos de IPI advindos de DCTFs retificadoras e não aproveitados na determinação do lucro real no período de competência. Observando que a contribuinte apurou prejuízos fiscais e bases negativas desde 2002, concluiu a autoridade fiscal que não houve antecipação de pagamento de IRPJ e CSLL, restando injustificada a inobservância do art. 344 do RIR/99. Replicou a impugnante que a Fiscalização não apurou adequadamente o montante da dívida da Contribuinte junto ao PAEX, e, restando evidenciado que não Fl. 3991DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 7 6 houveram lançamentos de despesas nos exercícios anteriores, pediu a desconsideração integral da glosa promovida. ● Relativamente à glosa de custos por falta de expurgo dos créditos de COFINS e Contribuição ao PIS incidentes sobre compras de mercadorias recebidas em consignação (item “3.1.2”), ante os novos elementos juntados na impugnação, apontando para outra conta contábil envolvida na operação, deferiuse a diligência solicitada pela impugnante para confirmação da natureza dos valores registrados na conta 1424 e na conta 1421, bem como para avaliação da alegação da contribuinte de que lançamentos realizados nas contas de COFINS e Contribuição ao PIS a recolher e de Fornecedores teriam se prestado ao expurgo dos valores glosados. A autoridade fiscal comparou os documentos trazidos pela contribuinte com os constantes dos autos, e solicitou novos elementos, mas concluiu que eles não provavam as alegações da impugnante, e também acrescentou que os lançamentos em conta de tributos a recolher e fornecedores não afetaram a apuração do resultado do período. A impugnante reafirmou a regularidade de seus registros contábeis, indicando a origem documental dos valores por ela afirmados, e acrescentando que a Fiscalização ainda não havia entendido a sistemática da aquisição de insumos por consignação e muito menos a sistemática de custos da Contribuinte, baseando suas conclusões em premissas falsas. Refutou individualmente as afirmações fiscais resultantes da diligência, concluindo que os valores de PIS e COFINS não estão "embutidos" no CPV e que os equívocos cometidos pela Fiscalização invalidam o lançamento. ● Relativamente à multa por irregularidades nos arquivos magnéticos apresentados (item “3.3”), solicitouse à Fiscalização que respondesse aos quesitos formulados na impugnação. A autoridade fiscal apontou a existência de um grande número de lançamentos com histórico genérico e de lançamentos sem histórico na contabilidade auxiliar, diferenças entre o total de lançamentos a crédito e a débito na contabilidade auxiliar conforme relatório de importação dos arquivos magnéticos, indicativo de falta de lançamentos nos arquivos entregues, a ocorrência de lançamentos que necessitam de dias distintos para equivaler débito e crédito e de lançamentos, no diário auxiliar, que não têm contrapartidas registradas nos arquivos magnéticos, mesmo em lançamentos de primeira fórmula, restando evidenciado que os arquivos magnéticos estão em desacordo com a legislação na sua forma de apresentação. Contrapondose a esta análise, a impugnante esclareceu que os históricos padrão por ela adotados remetem a outros relatórios contábeis, em regra extensos e de difícil impressão, como inclusive já explicitado na impugnação. Destacou o reconhecimento da existência dos lançamentos auxiliares pela Fiscalização, mas com o acréscimo de inconsistências que são infirmadas pela validação dos arquivos no sistema informatizado da Receita Federal. Reiterou as justificativas para esporádicos lançamentos iniciados em um dia e concluídos em outro, contidas na impugnação, declarou desconhecer a apuração dos valores que levaram à conclusão de que há lançamentos sem contrapartida e ressaltou a impossibilidade de os arquivos magnéticos serem validados acaso aquele volume de inconsistências existisse. Afirmou que a Fiscalização se apegou a detalhismos, desconsiderando fatos incontestáveis, como a validação dos arquivos no sistema da RFB. A Turma julgadora acolheu parcialmente os argumentos da impugnante, aduzindo que: · Relativamente ao item seguinte “3.1.1.d”, a operação foi atípica e lesiva aos interesses da sociedade, pois a venda do imóvel resultou em parcelas a receber a partir de maio/2010, e pagamentos de aluguel desde 07/07/2001, de modo que as despesas incorridas até maio/2010, mesmo sem correção, representariam R$ 1.500.000,00 pelo aluguel de um prédio que pertencia à Fl. 3992DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 8 7 autuada. Deste modo, a operação teria beneficiado apenas Albano Schmidt, que usou patrimônio da impugnante para adquirir, para si, ações da própria impugnante. · Relativamente ao item “3.1.1e”, com base no contrato firmado para prestação de serviços de advocacia, nas aquisições de ações, quase todos os seus parentes por Albano Schmidt, e no relatório de execução dos serviços prestados apresentados à Fiscalização, o conflito a ser solucionado existia entre apenas duas pessoas, os irmãos Albano Schmidt e Rodrigo de Almeida Schmidt, que peleavam pela administração e pelo controle acionário da impugnante e sua controladora, Joinvillense Participações S/A.. Logo, os serviços jurídicos remunerados com mais de vinte milhões de reais não se destinaram a defender os interesses da impugnante contra os interesses de pessoas estranhas. Tampouco se destinaram a defendêla do ataque de um grupo expressivo de acionistas dissidentes. Tratavase pura e simplesmente da disputa de duas pessoas físicas, cada uma delas detentora de 17,16% de suas ações, sendo que uma delas se encontrava encastelada na presidência da impugnante e, até onde se encontra documentado nos autos, o sócio defenestrado da diretoria carecia do efetivo poder de representar ameaça séria. Inexistiria prova da reprovação de contas alegada pela impugnante, a justificar a necessidade de blindagem na companhia, bem como nenhuma evidência há de que estas despesas contribuíram para o incremento das atividades da impugnante. Procedente, portanto, a glosa. · Relativamente ao item “3.1.1.f”, embora tenha sido informado ao autor da diligência, a possível existência de vários outros débitos além daqueles mencionados no Termo de Verificação Fiscal, o que invalidaria a suposição de que eram ‘inventados’, e a necessidade de pronunciamento expresso declinando os motivos que respaldassem a glosa levada a efeito, não houve demonstração da erronia do procedimento da impugnante, e a existência de fundamentos legais para a glosa. Acrescentando que somente com a confissão do débito no PAEX surgiu a possibilidade de a contribuinte calcular e deduzir contabilmente os juros e multa até ali incorridos, registrou que a Fiscalização não demonstrou que os débitos são inventados, não demonstrou a falta de reconhecimento do ativo correspondente ao crédito obtido pela via judicial, não demonstrou fundamento legal para a indedutibilidade dos encargo, não demonstrou equívocos no procedimento contábil e não demonstrou qualquer afronta ao art. 344 do RIR/99, impondo se a declaração de improcedência da glosa. · Relativamente o item “3.1.2”, observando que os lançamentos automatizados de créditos de COFINS e Contribuição ao PIS prestamse apenas a destacálos da conta de Fornecedores, declarou incontroverso o fato de que o expurgo destes valores da conta de custos é feito por meio de lançamentos manuais. Contudo, analisando os demonstrativos apresentados pela impugnante, constatou que os lançamentos dos tais ajustes manuais não guardam correspondência com o somatório do PIS/PASEP e da COFINS que deveriam ser expurgados, apontando, inclusive, a existência de lançamentos que anulam tais expurgos. Refutou a alegação de que o autuante não teria compreendido a sistemática de contabilização de compras pelo regime de consignação, imputou à contribuinte o dever de demonstrar, com clareza e objetividade, os lançamentos que diz existirem, e ressaltou o fato de o lançamento de créditos de COFINS e Contribuição ao PIS serem automatizados, porque beneficiam a impugnante, ao contrário do expurgo de seus valores do custo, que precisam ser realizados manualmente. Demonstrando individualmente a inexistência de correlação Fl. 3993DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 9 8 entre os lançamentos contábeis e os valores que deveriam ser expurgados, concluiu que a impugnante não logrou demonstrar que exclui dos custos os valores do PIS/PASEP e COFINS que se credita, em relação às matérias primas que adquire. · Relativamente ao item “3.2”, entendeu não demonstrada a existência de ganho de capital tributável na pessoa jurídica, na medida em que desconsiderados eventos registrados no contrato analisado pela Fiscalizado (constituição de reserva de reavaliação e sua incorporação parcial ao capital social), e não enfrentadas as disposições do art. 22 da Lei nº 9.249/95. Ainda, tendo em conta o que dispõe o art. 60 da Instrução Normativa SRF nº 11/96, declarou que o ganho de capital suscetível de tributação na pessoa jurídica é aquele que for apurado no valor do bem, e não no valor da participação do capital da pessoa jurídica. Em verdade, o autuante não alega que um bem foi entregue por valor superior àquele pelo qual a pessoa jurídica o adquiriu. O que a fiscalização alega é que os titulares do capital auferiram ganhos de capital. Logo, a tributação deveria recair sobre os sócios – e não sobre a empresa. Em conseqüência, considerou insubsistente o lançamento relativamente ao ganho de capital. · Relativamente ao item “3.3”, concluindo que a autuação decorreu do não atendimento à forma estipulada pela Administração para a apresentação dos registros e respectivos arquivos magnéticos, reputou necessária a indicação da norma que deixou de ser observada pela contribuinte, sendo insuficiente a indicação de que a escrituração contábil da fiscalizada dificultaria a auditagem, pois tal característica é intrínseca à escrita e não à forma dos arquivos digitais. Considerou favorável à impugnante o fato de seus arquivos terem sido importados e validados pelo programa específico da Receita Federal do Brasil (SINCO – Sistema Integrado de Coleta), e observou que outras desconformidades não detectáveis por este programa deveriam ser apontadas objetivamente pela Fiscalização. Ausente tal demonstração, a multa não pode ser mantida. · Negou a cobrança de multas de ofício sobre a mesma infração fiscal, pois a falta de recolhimento de estimativas é distinta da falta de recolhimento do ajuste anual. Firmou, também, a compatibilidade destas exigências com a legislação de regência, e a impossibilidade de sua redução ou alteração por critérios meramente subjetivos. Reconstituindo o lançamento, a autoridade julgadora exonerou crédito tributário principal de IRPJ no valor de R$ 17.546.187,57, e de CSLL no valor de R$ 5.037.065,28, além das correspondentes multas de ofício proporcional e isoladas, bem como a multa regulamentar aplicada nos valores de R$ 793.386,97, R$ 895.446,55 e R$ 990.636,44. Em razão dos montantes cancelados, recorreu de ofício a este Conselho. Cientificada da decisão de primeira instância em 22/02/2010 (fl. 3114), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 24/03/2010 (fls. 3117/3176.. Inicialmente observou que a Fiscalização não se pautou pela melhor técnica, considerandose que autuou a Impugnante com base em conclusões decorrentes de análise superficial dos dados apresentados, ao invés de tomar os devidos cuidados para efetuar as investigações atentando para a verdade material. Recordou a afirmação da autoridade lançadora de que os valores contabilizados em razão no parcelamento no PAEX foram “inventados”, embora tais informações constassem dos sistemas da RFB, e que sem analisar a operação em sua integralidade, exigiu da contribuinte a comprovação de pagamento de imposto de renda sobre o ganho de Fl. 3994DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 10 9 capital na devolução de capital a sócio. Ainda, classificou de elogiável a atuação da autoridade julgadora de 1a instância que cancelou a exigência de multa regulamentar, desconsiderando lançamento sem nenhum cabimento. O cancelamento, em 1a instância de julgamento, de cerca de metade do auto de infração demonstraria que a Fiscalização não primou pela melhor técnica. Passou a demonstrar, então, que os R$ 35 milhões remanescentes também não estão consentâneos com a legislação e com o princípio da verdade material, mas antes destacando que o valor exigido é deveras significativo e pode levar a Recorrente a situação de insolvência, tendo em conta que seu patrimônio líquido representa R$ 26 milhões, e o arrolamento de seus bens alcançou R$ 48 milhões, o que já lhe causa dificuldades operacionais na obtenção de empréstimos. Como se vê, ante valores tão significativos, não poderiam haver tantos descuidos e tanto açodamento por parte da Fiscalização. Apesar da Recorrente estar ciente que nos tempos atuais a velocidade e a padronização são a tônica, há que se considerar que a Fiscalização não pode se deixar levar por essa onda que a todos engolfa, principalmente no caso em tela, onde, além das significativas cifras envolvidas, surgem inúmeras consequências que afetam a operacionalidade da Recorrente, pois, como já demonstrado, como fazer com que a Recorrente obtenha capital de giro e financiamentos com essa verdadeira "espada de Dâmocles" sobre sua cabeça? Afirmou que a Fiscalização decorreu de sua vitória em ação judicial, na qual obteve o direito de creditarse do IPI pela aquisição de insumos adquiridos com isenção, não tributação e alíquota zero. Pareceulhe que o Órgão de Fiscalização quer recuperar o numerário "na marra", tornando a Recorrente um exemplo aos que ousam desafiála, pois, além do valor significativo, como já demonstrado, há o gravame sobre os seus bens, o que dificulta sobremaneira as suas operações. Por estas razões, cogitou de requerer a nulidade do lançamento, mas assim não fez ante a jurisprudência administrativa predominante que classifica o procedimento fiscal de fase inquisitória. Todavia, pediu a este Colegiado a necessária ponderação para reequilibrar a equação, pois, da forma como efetuada a Fiscalização e concretizada a Autuação, como já se viu em relação a uma parte e como se verá em relação a outra parte, que ora é recorrida, deve ser redobrada a análise dos fatos e direitos, com o intuito único de evitar grave injustiça. No que tange à glosa de despesas de alugueis, reportouse aos documentos juntados à impugnação, que evidenciam o compromisso irretratável de compra e venda do imóvel de Contagem, datado de 08/06/2004, em favor de Albano Schmidt, que o repassou a Rodrigo de Almeida Schmidt, como autorizado contratualmente, restando pendente apenas a outorga da escritura pública de compra e venda, para a transferência perante o Registro de Imóveis. Entendeu que foram ignorados os efeitos jurídicos do contrato de compra e venda (negócio jurídico perfeito) — com cláusulas de irrevogabilidade e irretratabilidade (que não autorizam o arrependimento do negócio/contrato) – e também, os demais documentos, que roboram a informação acerca da efetiva transferência da posse (mesmo que indireta) — tradição do bem no ato de assinatura do aludido contrato, citando a lei civil e jurisprudência acerca dos conceitos de propriedade e posse. Comparou a operação questionada àquela que teve por objeto imóvel situado em Sumaré, bem como abordou a necessidade da despesa e a possibilidade de o proprietário vender seu imóvel e continuar nele morando como locatário. Relativamente à glosa de despesas tratada no item “3.1.1.e”, a autoridade julgadora teria ampliado os equívocos cometidos no lançamento, ensejando conclusões errôneas. Buscou assim desconstituir os seguintes equívocos da decisão recorrida: Fl. 3995DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 11 10 a.1) Equívoco 1: a autoridade julgadora não teria levado em conta o contrato firmado em 17/08/2006. Descrevendo os serviços contratados, pagos a cada etapa vencida, porque contratados ad êxito, esclareceu que a recorrente assumiu os pagamentos iniciados em 2004, por ser ela a única das Empresas com potencial produtivo e que assim precisava ser preservada no período de conflito de seus Controladores. Destacou o benefício patente representado pelo aumento de seu faturamento e os prejuízos que poderiam he causar um desgastante processo de reestruturação societária. Observou que o rateio das despesas pela controladora resultaria no mesmo encargo à autuada, conforme doutrina citada. Por fim, disse que o objeto do contrato de 17/08/2006 vincularseiia à última etapa da contratação anterior, consistente na retirada da Termotécnica do Grupo Joinvillense, operação de interesse da autuada, visto aquela controladora possuir patrimônio líquido negativo e depender de mútuos da Recorrente, prejudicando suas atividades. a.2) Equivoco 2: a autoridade julgadora teria desconsiderado a possibilidade de outra solução ao conflito, cogitada contratualmente, e consistente na dissolução do Grupo. O contrato buscou proteger a Recorrente de quaisquer efeitos do conflito societário, mantendo aa sinergia durante turbulências que são recorrentes em empresa familiar, e as conclusões da autoridade julgadora desconsidera as dificuldades enfrentadas no caso concreto, descritas em sua defesa, com base nas quais diz ser simplista a afirmação de que o Sr. Albano Schmidt abusou de sua condição de presidente para beneficiarse dos serviços do escritório de advocacia e adquirir as ações de quase todos seus parentes. Defende a necessidade dos serviços jurídicos para a manutenção da atividade da Recorrente durante o conflito e a manutenção da fonte produtora de receitas de forma independente das questões entre os Acionistas. Aborda novamente as opções cogitadas para solução do litígio, e a solução ao final encontrada, asseverando que a decisão recorrida inverteu a ordem dos fatos e distorceu a realidade, na busca de vincular a solução do conflito a interesse exclusivo do acionista, ignorando a imprevisibilidade sempre presente quando se lida com seres humanos. a.3) Equívoco 3: quanto à afirmação de que Albano Schmidt já havia adquirido as ações da Joinvillense Participações S/A, historiou os fatos desde o conflito evidenciado na Assembléia Geral Ordinária de 30/04/99, até a retirada dos minoritários, e as aquisições destas ações por Albano Schmidt, embora sem alteração do controle da sociedade, relatando a posterior retirada de Adele e Helga Schmidt, cujas ações foram adquiridas por aquele sócio, permitindolhe alcançar o controle do Grupo em abril/2002 e, assim, ”sonhar” com a concentração total das participações acionários de todos os integrantes da Família Schmidt. a.4) Equívoco 4: esclareceu que o documento de fls. 112/116, que revelaria que o escritório de advocacia contratado tomou partido do Sr. Albano, em detrimento de seu contendor, Sr. Rodrigo foi produzido pelos advogados contratados pelo Sr. Albano para cuidar de seus interesses no conflito societário, nada nele permitindo a afirmação de que ele seria de autoria do escritório contratado pela empresa, consoante abordagem comparativa apresentada na defesa. a.5) Equívoco 5: haveria contradição evidente na conclusão da autoridade julgadora de que o aumento de faturamento da contribuinte decorreu de boa gestão, mas ainda assim seriam desnecessários os gastos com assessoria jurídica. Questiona se a boa gestão não decorreria das medidas tomadas para evitar os problemas e potencializar seus negócios, citando a defesa em ações movidas pelos sócios, a profissionalização decorrente do afastamento de familiares empregados que não trabalhavam, o corte de benefícios indevidos a acionistas, as mudanças societárias. Concluiu ser óbvio que o fato do conflito societário ter sido resolvido da Fl. 3996DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 12 11 melhor forma possível, permitiu que a Recorrente continuasse a operar sem maiores traumas o que foi fundamental para a continuidade dos negócios. Concluiu, assim, que as despesas garantiram a operacionalidade da Recorrente, blindandoa contra atos prejudiciais que poderiam ser praticados por Rodrigo Schmidt. Transcreveu doutrina acerca da “função social dos contratos”, para afirmar que a resolução do conflito societário foi fundamental para a continuidade das operações da Recorrente, protegendo a própria existência da fonte produtora. Citou caso semelhante cuja exigência foi desconstituída em exame de recurso voluntário. No que tange à infração tratada no item 3.1.2 do Termo de Verificação Fiscal, decorrente da falta de exclusão dos créditos de PIS e COFINS das compras de insumos em consignação das DIPJ's dos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, embora demonstrado, em impugnação, os equívocos cometidos pela Fiscalização, e tendo a autoridade julgadora solicitado diligência, na medida em que esta foi realizada pela próprio Auditor autuante, não houve o resultado almejado com vistas a dirimir toda e qualquer dúvida, quanto à ausência de fundamentos na Autuação. Assim, inicialmente firmou as balizas decorrentes do procedimento até aqui desenvolvido nos seguintes termos: 1) A Autuação se deu porque o Sr. AuditorFiscal entendeu que a Recorrente não excluiu o PIS e a COFINS da conta de compra de matériaprima pela sistemática da consignação, ou seja, os valores relativos ao PIS e COFINS estariam "embutidos" em tal conta, componente do CPV; 2) A Recorrente equivocouse ao remeter as Planilhas que apresentam os valores relativos aos centros de custo que compõem a linha 3 da Ficha 4A das DIPJ's dos anos calendário 2004, 2005 e 2006 ("Anexo XVII" da Impugnação) e apresentou as novas Planilhas, desta feita com os valores corretos ("Anexo XVIII" da Impugnação); 3) A Recorrente apresentou também no "Anexo XX" da Impugnação, que foi reapresentado no "Anexo VIII" da cartaresposta a Diligência, protocolada em 09/11/2009, Planilhas relacionando todas as Notas Fiscais da movimentação efetuada pela Recorrente nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. Foi dito que estas Planilhas constituiam a compilação de dados extraídos do Relatório SUP 1650, não tendo sido juntado o referido Relatório em virtude do volume que seria gerado, porém, a Recorrente garantiu a veracidade das informações e deixou bem claro que o mesmo estava disponível para ser averiguado pela Fiscalização a qualquer momento. Cabe registrar que tendo sido realizada a Diligência e não tendo a Fiscalização se manifestado a respeito e considerando que a Turma Julgadora de Primeira Instância utilizouse do mesmo para embasar seu Acórdão, fica desde já registrado que as mencionadas Planilhas foram devidamente aceitas como verídicas e hábeis para o presente Recurso. Mesmo assim, caso a digna Turma assim não entenda o Relatório SUP 1650 permanece a disposição para quaisquer averiguações que se façam necessárias, para comprovação da veracidade dos dados fornecidos nas Planilhas juntadas no "Anexo XX" da Impugnação; 4) Demonstrouse que os lançamentos manuais existem e que os mesmos serviram para "expurgar" o PIS e a COFINS da conta 1424 (compras em consignação). Passou a demonstrar, então, como é efetivada a compra de matériaprima (monômero de estireno) pela sistemática da consignação e como se dá a apropriação dos custos em relação a tais aquisições, abordando a metodologia aplicada em relação a exclusão dos tributos IPI, ICMS, PIS e COFINS do custo dessas aquisições. Procurou demonstrar, também, seu equívoco ao enviar planilhas ao AuditorFiscal, e discordou das conclusões, equivocadas, da Fiscalização de que os Tributos PIS e COFINS estariam "embutidos" nas "compras em consignação", apontando as interpretações erradas adotadas pelo fiscal autuante. Alegou que apresentou os demonstrativos corretos na impugnação, não questionados pela Fiscalização ou pela autoridade julgadora e subsidiariamente Fl. 3997DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 13 12 cogitou da necessidade de novas análises pela autoridade fiscal. Ressaltou que a autoridade julgadora concluiu que não existem evidências de que a impugnante efetivamente expurgou de seus custos os valores por ela creditados a titulo de PIS/PASEP e COFINS, mas a acusação fiscal foi no sentido de que o PIS e a COFINS estão "embutidos" nas compras em consignação, não de que não existiriam lançamentos de expurgo, e questionou que comprovação deveria apresentar para desconstituir as premissas equivocadas aqui adotadas. Reportouse a evidências de que a Fiscalização não teria compreendido a sistemática de compras em consignação, e procurou demonstrar sua preocupação durante o procedimento fiscal em esclarecer tais fatos. Apresentou justificativas para os lançamentos manuais de ajustes, e apontou as verificações que deveriam ter sido feitas pela autoridade fiscal. Classificou de injusta a penalização com a exigência aqui veiculada pelo fato de efetuar a escrituração de forma não consentânea com o pretendido pela Fiscalização e pela Turma Julgadora de Primeira Instância e pediu a reforma do Julgado de Primeira Instância em relação a este item da Autuação. Subsidiariamente opôsse à aplicação de duas multas de ofício sobre a mesma infração fiscal, por caracterizar bis in idem. Invocou jurisprudência deste Conselho e pediu o cancelamento das multas isoladas. Aduziu, também, que a multa de ofício no percentual de 75% tem natureza confiscatória, e em obediência ao princípio da razoabilidade pede sua redução a 2%. Em contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional apenas pediu que fosse negado provimento ao recurso voluntário. No que tange aos pagamentos de aluguel à empresa Plastivan, destacou que a formalidade prescrita em lei para a validade do negócio jurídico de compra e venda não foi observada, de modo que nos termos do art. 166, inciso IV do Código Civil de 2002, o negócio jurídico é nulo e ineficaz erga omnes, permanecendo a propriedade do imóvel com a contribuinte. Ademais, não se verificou o pagamento do preço e a respectiva entrega do bem, dado que a transferência de propriedade dependeria de registro da escritura pública de compra e venda, não realizado até a data do lançamento. Demais disso, o negócio jurídico seria completamente atípico e lesivo ao patrimônio da contribuinte, que, de proprietária do imóvel, passou, por puro arbítrio de seu administrador e sem nenhuma contrapartida financeira pelo prazo de seis anos, à condição de reles locatária, com a assunção de uma obrigação mensal de pagamento de R$ 15.000,00, posteriormente elevada para R$ 25.000,00. A autuada, por ato de pura liberalidade, financiou a perder de vista a pretensão do acionista Albano Schimidt de adquirir as ações de Rodrigo de Almeida Schmidt, assumindo, em função dessa liberalidade, o ônus de pagar despesas de aluguel. Logo, não estão presentes os requisitos da necessidade e da normalidade do gasto, na forma do Parecer Normativo CST nº 32/81. Quanto às despesas com serviços jurídicos, observa que para ser dedutível, a despesa deve se prestar à consecução das atividades próprias da empresa, de seu objeto social, contribuindo para a geração da correspondente receita. Contudo, o objetivo primordial e imediato a ser alcançado com as contratações, e quanto a isso não há debate, era solucionar o conflito estabelecido entre os sócios, evidenciando o uso da pessoa jurídica e de seus recursos como instrumento para resolver questões que tocam primordialmente aos interesses de ordem pessoal de seus sócios, sendo que apenas em caráter acessório, secundário, podese cogitar de possíveis ganhos em favor da empresa. Fl. 3998DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 14 13 Considerou, insuficiente, o fato de o gasto ter trazido algum benefício abstrato à pessoa jurídica, e firmou indispensável a prova dos efeitos concretos que o gasto gerou na obtenção das receitas. Destacou, por fim, que as despesas de 2004 a 2006 alcançaram a monta de aproximadamente R$ 95.000.000,00 (noventa e cinco milhões de reais), dos quais mais de R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de reais), ou seja, de cerca de 21%, foram incorridos com os serviços de advocacia ora debatidos. Com referência à glosa de custos, pediu vênia para encampar os argumentos coligidos pela DRJ, destacando que a matéria é eminentemente probatória, não havendo o contribuinte logrado êxito em comprovar que expurgava da conta de compra de matériasprima em consignação os créditos de PIS e Cofins. Defendeu a legalidade da cumulação da multa de ofício com a multa isolada, na medida em que há duas infrações distintas, inclusive com bases de cálculos distintas, e transcreveu ementas de decisões judiciais favoráveis ao entendimento defendido. Por fim, abordou a legitimidade da multa no percentual de 75%, invocando a Súmula CARF nº 2 e discordando da alegação de ofensa ao princípio do não confisco. Na sessão de 08 de novembro de 2012, o julgamento dos recursos foi convertido em diligência em razão de esclarecimentos necessários para apreciação da matéria tratada no item 3.1.2 – Glosa de custos – PIS e Cofins de compras, nos termos do voto condutor da Resolução, assim finalizado: [...] Os lançamentos de consumo de matériasprimas em valores incompatíveis com as notas fiscais correspondentes, a imprecisão na determinação do valor a pagar aos fornecedores, e os lançamentos genéricos de ajustes, extensamente antes abordados, denotam que a contribuinte mantinha controles internos por meio dos quais aferia quais saldos deveriam ser mantidos nas contas patrimoniais, promovendo os estornos correspondentes da conta de resultado, integrante do custo dos produtos vendidos. Assim, é necessário que estes esclarecimentos venham aos autos, para ficar claro que os créditos de Contribuição ao PIS e Cofins não integraram a matériaprima consumida, computada no resultado dos períodos fiscalizados. Para tanto, deve a autoridade lançadora intimar a contribuinte a apresentar os lançamentos contábeis da conta reduzida 0400.1000, confirmando se, de fato, seu saldo representou, na apuração do resultado dos exercícios de 2004 a 2006, o consumo das matériasprimas inicialmente adquiridas em consignação, e que o resultado assim apurado prestouse como ponto de partida aos ajustes para determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Na seqüência, devem ser justificados os lançamentos promovidos na conta reduzida 0400.1000, de modo a demonstrar que eles não comportam, de fato, os impostos e contribuições recuperáveis incidentes sobre as matériasprimas consumidas ali contabilizadas, demonstrandose, também, que tais créditos foram contabilizados como ativos recuperáveis ou como redutores de obrigações tributárias relativas à Contribuição ao PIS e à Cofins. Ao final, a autoridade lançadora deve elaborar relatório circunstanciado, informando se o resultado dos anoscalendário 2004 a 2006 foi indevidamente reduzido por alguma parcela de Contribuição ao PIS ou Cofins incidente sobre as matériasprimas objeto de operações de consignação que, sendo recuperáveis, não deveriam ter integrado o custo dos produtos vendidos a partir do consumo destas matériasprimas. A contribuinte deve ser cientificada do resultado dos trabalhos fiscais, com a reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para complementação de suas razões de defesa, antes do retorno dos autos a este Conselho. Fl. 3999DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 15 14 Estas as razões para CONVERTER o julgamento em diligência. A autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar os elementos e esclarecimentos necessários em face do que exposto no voto condutor da Resolução nº 1101 000.063 (fls. 3425/3434). A contribuinte prestou as informações de fls. 3438/3451 e juntou os documentos e arquivos magnéticos indicados às fls. 3452/3974. A autoridade fiscal elaborou a informação fiscal de fls. 3975/3980 relatando as respostas apresentadas e, cientificada deste documento, a contribuinte destacou alguns excertos das informações por ela prestadas, para concluir que foi devidamente comprovado que os Tributos PIS e COFINS efetivamente não compuseram o CPV – Custo dos Produtos Vendidos. Fl. 4000DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 16 15 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, a contribuinte concordou com as glosas de despesas descritas nos subitens a, b e c do item 3.1.1. do Termo de Verificação Fiscal, mas questionou a penalidade aplicada, em razão de seu caráter confiscatório. No julgamento de 1a instância, foram declaradas improcedentes as glosas descritas nos itens “3.1.1.f”, “3.2” e “3.3”, porém o crédito tributário exonerado está sujeito a reexame necessário. Passase, então, à análise individualizada do mérito de cada uma das infrações imputadas à recorrente e por ela questionadas, postergando para o final a apreciação da multa de ofício aplicada em razão das glosas de despesas descritas nos subitens a, b e c do item 3.1.1. do Termo de Verificação Fiscal 3.1.1.d Glosa de despesas com alugueis Neste ponto, a autoridade julgadora de 1a instância endossou o entendimento da Fiscalização no sentido de que os alugueis pagos à empresa PLASTIVAN seriam indedutíveis por se referirem a imóvel de propriedade da fiscalizada, vez que não fora levado a registro Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda com condição suspensiva tendo por objeto aquele imóvel. Aduziu a recorrente que o compromisso irretratável de compra e venda do imóvel de Contagem, datado de 08/06/2004, foi formalizado em favor de Albano Schmidt, que o repassou a Rodrigo de Almeida Schmidt, como autorizado contratualmente. Somente restou pendente a outorga da escritura pública de compra e venda, para a transferência perante o Registro de Imóveis, porque pesava, e inclusive, ainda pesa sobre o imóvel, uma hipoteca em favor do FINEP. Consignou que operação semelhante se deu em relação a imóvel situado em Sumaré, mas inexistindo ali qualquer ônus foi outorgada a escritura pública de compra e venda em favor de Rodrigo de Almeida Schmidt, seguindose a contratação de locação para manutenção da filial que ali funcionava. Destacou que o compromisso de compra e venda relativo ao imóvel de Contagem mencionava expressamente a impossibilidade de outorga da escritura pública antes de 30/05/2010, por conta da cédula de empréstimo perante a FINEP, para o que, o dito imóvel serviu de garantia, mas transferiuse ali imediatamente a posse do imóvel, tornando o comprador responsável por suas despesas e permitindolhe locar o imóvel. Posteriormente, em 01/09/2004, Rodrigo de Almeida Schmidt cedeu o contrato de locação à empresa Plastivan, a quem os aluguéis foram pagos, até que em 29/06/2006 o imóvel foi entregue à locadora, porque não interessava mais à Recorrente em manter a sua unidade na cidade de Contagem. Os negócios jurídicos questionados pela Fiscalização verificaramse durante conflito extensamente abordado nestes autos, existente entre Albano Schmidt e Rodrigo de Fl. 4001DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 17 16 Almeida Schmidt, último dos familiares a vender sua participação na autuada ao primeiro. Ao analisar estes fatos, interpretou a Procuradoria da Fazenda Nacional que a empresa Termotécnica Ltda, não por normal e usual necessidade empresarial, mas por ato de pura liberalidade, financiou a perder de vista a pretensão do acionista Albano Schmidt de adquirir as ações de Rodrigo de Almeida Schmidt, assumindo, em função dessa liberalidade, o ônus de pagar despesas de aluguel. Todavia, não foi esta a acusação fiscal. O único aspecto questionado pela Fiscalização pode ser resumido pelo seguinte excerto extraído do Termo de Verificação Fiscal: Pois bem, se o instrumento é particular e não foi levado à registro e tem cláusula suspensiva, em tese só produz efeitos entre as partes. Logo, para terceiros, o imóvel permanece como propriedade da fiscalizada. Assim, os pagamentos de aluguéis para uso de imóvel próprio não podem ser considerados despesa necessária às atividades da empresa e foram glosados. Tanto o é que os alugueis vinculados ao imóvel localização em Sumaré/SP, aparentemente objeto do mesmo conjunto de operações, não foram glosados. No que tange à mencionada cláusula suspensiva, colhese do Termo de Intimação de fl. 446 a seguinte exigência: 8. Informar porque não foi contabilizada a venda de imobilizado realizada em 2004 referente aos Lotes 3 e 4 e Edificação em Contagem/MG, no valor de R$1.904.724,10, conforme contrato apresentado; informar os valores contábeis dos imóveis vendidos e as depreciações; Respondeu a contribuinte, à fl. 452: No que se relaciona ao item "8" do Termo de Intimação, importante informar que até o presente momento não se concretizou a venda dos Ativos Imobilizados ali referidos. Como V.Sa. pode verificar pelo Contrato que lhe foi apresentado, tratase de Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda, com condição suspensiva. O imóvel foi dado em garantia referente ao empréstimo FINEP e só poderá ter a sua propriedade transferida após 30 de maio de 2010. Assim sendo, a venda ainda não foi efetivada, o que por força do Contrato só ocorrerá no ano de 2010, e por este motivo não foi contabilizada. O valor contábil dos referidos imóveis é de R$ 4.037.870,95 e a depreciação no valor de R$ 2.228.274,93. Inferese que a mencionada cláusula suspensiva seria aquela contida no Instrumento Particular de Transação de fls. 230/247, firmado entre Albano Schmidt e Rodrigo de Almeida Schmidt, com intervenção da autuada e outras empresas do mesmo grupo, por meio do qual Albano Schmidt, titulado a transferir os direitos relativos à posse e propriedade, dentre outros, do imóvel situado em Contagem, permutaos com as ações detidas por Rodrigo de Almeida Schmidit em empresas do grupo, consoante as seguintes cláusulas contratuais: CLÁUSULA PRIMEIRA: ALBANO permuta, neste ato e na melhor forma de direito, como de fato permutado têm, com RODRIGO, a totalidade das Ações, no valor convencionado e aceito pelas partes de R$ 2.905.644,93 (dois milhões, novecentos e cinco mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e noventa e três centavos), pelos Imóveis, igualmente no valor convencionado e aceito pelas partes de R$ 2.905.644,93 (dois milhões, novecentos e cinco mil, seiscentos e quarenta e quatro reais e noventa e três centavos), de modo a que ALBANO passa a deter a Fl. 4002DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 18 17 titularidade das Ações e RODRIGO passa a deter a titularidade dos Imóveis. SHEILA e GISELA expressamente anuem com permuta ora avençada. [...] PARÁGRAFO SEGUNDO: O Imóvel situado em Contagem será transferido, pelo valor de R$ 1.904.724,10 (hum milhão, novecentos e quatro mil, setecentos e vinte e quatro reais e dez centavos), através da correspondente Escritura Pública de Compra e Venda, a ser lavrada, em Joinville/SC, no prazo máximo de 05 (dias) dias, a contar da liberação da hipoteca existente em favor do FINEP em razão do empréstimo realizado pela TERMOTÉCNICA em 15 de maio de 2003, hipoteca esta registrada sob n. R972.297 (Prenotação n. 239.980), na respectiva matrícula n° 72.297. Fica desde já estipulado que em caso de venda dos direitos relativos ao Imóvel situado em Contagem por RODRIGO ou de alterações no valor escritural, o valor deverá ser ajustado entre TERMOTÉCNICA e RODRIGO, sem que haja qualquer reflexo ao ora negociado, vez que para efeitos da presente, o que vale é a transferência dos direitos relativos ao Imóvel. PARÁGRAFO TERCEIRO: Inobstante o fato de que transferência do Imóvel situado em Contagem dependa da liberação da hipoteca identificada no parágrafo anterior desta Cláusula, RODRIGO poderá ceder os direitos a ele assegurados por esta transação, independentemente da anuência de qualquer uma das Partes, desde que respeitadas por RODRIGO as condições estabelecidas no presente Instrumento e de que tal ato não prejudique nem altere as condições da garantia feita pela TERMOTÉCNICA em favor do FINEP e/ou não importe em desrespeito às condições da Cédula Hipotecária. Fica estipulado desde já que até a lavratura da escritura não poderá ser registrado o presente instrumento ou qualquer outro dele decorrente que implique prejuízo à garantia hipotecária no Registro de Imóveis competente. CLÁUSULA SEGUNDA: Em razão da transação ora pactuada, cada Parte adquire legitimidade relativa aos bens permutados de que se tornou beneficiária em razão do presente Instrumento, podendo exercer sobre eles todos os direitos cabíveis e usálos como seus, podendo exercer a posse e propriedade sem restrições e podendo transferilos ou onerálos à sua exclusiva discricionariedade, respeitada a restrição mencionada no item 8 das "Considerações" e estabelecida na cláusula anterior. Do exposto, a única suspensão que se pode cogitar referese ao direito de registrar o instrumento de transação antes da liberação da hipoteca que pendia sobre o imóvel. Notase, ainda, que uma transação anterior entre a autuada e o sócio Albano Schmidt alçouo à condição de titulado a transferir os direitos relativos à posse e propriedade do referido imóvel, operação que a autoridade julgadora de 1a instância reputou atípica e lesiva aos interesses da sociedade, pois a venda do imóvel da impugnante foi feita em 96 parcelas de R$ 19.840,89 vencíveis após o mês de maio de 2010, mas o contrato de locação foi firmado a partir de 07/07/2004, fixando aluguel mensal de R$ 15.000,00 nos primeiros 24 meses, e de R$ 25.000,00 nos meses subseqüentes, sempre com correção pelo IGPMFGV. Desta forma, até maio de 2010 sem considerar a correção pelo IGPMFGV, a impugnante já teria pago a significativa soma de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) pelo aluguel de um prédio que lhe pertencia e em cuja venda não recebera um centavo sequer. Em conseqüência, o único beneficiado com a operação seria Albano Schmidit, para a quem a autuada teria vendido o imóvel em troca de pagamento a ser concluído dali a 168 meses, e que o transferiu para Rodrigo de Almeida Schmidit em troca das ações da impugnante que este detinha. Na essência, o Sr. Albano usou patrimônio da impugnante para adquirir, para si, ações da própria impugnante, o que confirma a desnecessidade da despesa. Fl. 4003DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 19 18 Mas, como já dito, estes aspectos não integraram a acusação fiscal, e são desmerecidos pela admissibilidade das despesas com alugueis em razão do uso do imóvel de Sumaré/SP, objeto da mesma operação. Assim, releva ter em conta o que dispõe o Código Civil acerca das operações destinadas a transferir a posse e da propriedade de bens imóveis: Art. 481. Pelo contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagarlhe certo preço em dinheiro. Art. 482. A compra e venda, quando pura, considerarseá obrigatória e perfeita, desde que as partes acordarem no objeto e no preço. [...] Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, darseá no lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda. [...] Art. 533. Aplicamse à troca as disposições referentes à compra e venda, com as seguintes modificações: I salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; II é anulável a troca de valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros descendentes e do cônjuge do alienante. [...] Art. 1.196. Considerase possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade. Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto. Art. 1.198. Considerase detentor aquele que, achandose em relação de dependência para com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas. Parágrafo único. Aquele que começou a comportarse do modo como prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presumese detentor, até que prove o contrário. Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária. Art. 1.201. É de boafé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a aquisição da coisa. Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boafé, salvo prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção. [...] Art. 1.204. Adquirese a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade. [...] Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. Fl. 4004DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 20 19 [...] Art. 1.231. A propriedade presumese plena e exclusiva, até prova em contrário. Art. 1.232. Os frutos e mais produtos da coisa pertencem, ainda quando separados, ao seu proprietário, salvo se, por preceito jurídico especial, couberem a outrem. [...] Art. 1.245. Transferese entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. § 1o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. [...] Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boafé ou do título do terceiro adquirente. É inconteste que a propriedade do imóvel em referência não foi transferida a Rodrigo de Almeida Schmidt. As despesas de alugueis decorrem de locação com a empresa PLASTIVAN, à qual Rodrigo de Almeida Schmidt transferiu os direitos que lhe foram transmitidos por meio do Instrumento Particular de Transação antes mencionado. Como se vê na lei civil, a propriedade confere a seu titular a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha, e só é adquirida mediante registro do título translativo no Registro de Imóveis. Mas adquirese a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade, e, neste ponto, o Instrumento Particular de Transação é expresso no sentido de que Rodrigo de Almeida Schmidt adquiriu o direito de exercer sobre o imóvel em referência todos os direitos cabíveis e usálos como seus, podendo exercer a posse e propriedade sem restrições e podendo transferilos ou onerálos à sua exclusiva discricionariedade, exceto com relação à sua transferência no Registro Público, ou atos que impliquem outros registros incompatíveis com este impedimento. Concluise, do exposto, que Rodrigo de Almeida Schmidt adquiriu a posse justa do imóvel em virtude de direito pessoal, inexistindo qualquer impedimento para a cessão da posse direta deste imóvel à própria autuada, salvo se esta já a detivesse por direito pessoal, na forma do art. 1.197 do Código Civil. Contudo, a autuada figurou como interveniente no Instrumento Particular de Transação, e nele se fez constar, dentre as considerações iniciais, que Rodrigo de Almeida Schmidt concordava em ceder em locação para TERMOTÉCNICA os Imóveis, nos exatos termos dos respectivos contratos assinados simultaneamente, que integram o presente instrumento sob a forma de Anexo III. A Fiscalização negou validade ao referido contrato, asseverando que à falta do Registro Público, para terceiros, o imóvel permanece como propriedade da fiscalizada, e neste sentido observou a Procuradoria da Fazenda Nacional que o negócio jurídico poderia ser declarado inválido em razão do disposto no art. 166, inciso IV do Código Civil, por não revestir a forma prescrita em lei. Mas o fato a ser provado é a transmissão de posse direta do imóvel à autuada mediante retribuição, de modo que esta relação jurídica seja válida entre as Fl. 4005DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 21 20 partes contratantes. E, para tanto, é suficiente o instrumento particular, assinado pelas partes, por intervenientes e duas testemunhas, na forma do Código Civil: Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I agente capaz; II objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III forma prescrita ou não defesa em lei. [...] Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Art. 109. No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento público, este é da substância do ato. [...] Assim, a acusação fiscal não permite refutar a alegação da recorrente de que para a validade da locação de um imóvel é suficiente apenas a efetiva transferência da posse (mesmo que indireta) — tradição do bem no ato de assinatura do aludido contrato. Em conseqüência, tornase desnecessário abordar a importância da locação para autuada, a possibilidade de o proprietário de vender seu imóvel e continuar nele morando como locatário, e a inexecução do contrato por falta de entrega ou pagamento do preço (aventados pela Procuradoria da Fazenda Nacional), pois estes argumentos não justificaram a glosa das despesas. Por certo o fato de o imóvel não ter sido baixado do patrimônio da autuada, sem a consequente apuração de ganho, ou perda de capital, é incompatível com o registro de despesa de aluguel em relação ao uso daquele mesmo imóvel. Aliás, a manutenção daquele imóvel no ativo poderia viabilizar o registro de depreciações concomitantes com os alugueis em referência. Mas, como já dito diversas vezes neste voto, a acusação fiscal não contemplou estes aspectos, e justificou a glosa apenas na falta de registro da venda do imóvel. E, apenas por esta razão, não é possível negar os efeitos da relação jurídica em referência. O presente voto, assim, é por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e cancelar as exigências correspondentes a este item da autuação. 3.1.1.e Glosa de despesas com prestação de serviços jurídicos As despesas questionadas pela Fiscalização referemse aos contratos firmados com Palhares Advogados S/C Ltda, juntados às fls. 20/26 e 27/36, denominados, respectivamente, Contratos nº 5 e nº 1, os quais podem ser assim descritos: · Contrato nº 1, assinado em 17/05/99: figuram como contratantes a autuada e suas controladoras Tupinambá S/A, Tapuia Administração e Participações S/A e Joinvilense Participações S/A, todas Fl. 4006DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 22 21 representadas por Helga Schmidt e Albano Schmidt, tendo por objeto a prestação de serviços advocatícios com as seguintes finalidades: i) assessoria jurídica para defender os interesses das CONTRATANTES frente aos reflexos da sucessão familiar em sua gestão; ii) assessoria jurídica para mediar e solucionar o conflito societário existente de modo a eliminar seus reflexos sobre os negócios das CONTRATANTES; iii) assessoria jurídica para a reestruturação societária do grupo econômico objetivando a redução no número de empresas controladoras (holdings) da Termotécnica, ou limitando a ingerência de seus sócios/acionistas na administração e negócios desta. Os honorários fixados para os itens ii e iii, em caso de êxito na solução do conflito familiar, corresponderiam a 5% e 2%, respectivamente, das receitas operacionais brutas das contratantes e da controlada Termotécnica da Amazônia Ltda nos 12 (doze) meses anteriores à data da solução do conflito, acrescido o primeiro percentual de mais 5% sobre eventual aumento de receitas comparativamente com o volume de 12 (doze) meses anteriores à contratação; · Contrato nº 5, assinado em 17/08/2006: figuram as mesmas contratantes acima citadas, com os mesmos representantes, tendo por objeto a mediação e solução de novo conflito societário, agora entre os atuais acionistas da Joinvillense, com menção expressa, por escrito, da acionista minoritária [Prêmio Administração e Corretagem de Seguros Ltda] de dissolução da sociedade caso o outro acionista, majoritário, não adquira as ações daquele, apesar de o acionista majoritário estar impedido legalmente de adquirir as ações do minoritário por força da vedação legal prevista no art. 496 do Código Civil, fazendose necessária solução societária que evite a dissolução das sociedades, pelo evidente prejuízo que delas resultaria, e que seja rápida e eficaz para evitar novo desgaste à imagem da empresa operacional, Termotécnica, viabilizando a continuidade dos seus negócios. Os honorários fixados representariam 3% das receitas operacionais brutas das contratantes e da controlada Termotécnica da Amazônia Ltda nos 12 (doze) meses anteriores à data da solução do conflito. Disse a Fiscalização que, antes da reestruturação, a autuada era controlada por Tupinambá S/A, esta por Tapuia Administração e Participação S/A, ambas apresentando participações de Albano Schmidt e Rodrigo de Almeida Schmidt inferiores a 1%. A Tapuia Administração e Participação S/A era controlada por Joinvillense Participações S/A, que tinha como sócios Helga Schmidt (33,25%), Adele Emma Schmidt (28,29%) Albano Schmidt (17,16%), Rodrigo de Almeida Schmidt (17,16%), Mariza Moritz Ramos (1,11%), Cynthia R.S. Mello (0,54%) e Espólio de G. Schmidt (2,49%). Ao final da reestruturação, a autuada passou a ser controlada por Tupinambá S/A, cujo capital era detido por Albano Schmidt (99,99999999%) e Helga Schmidt (0,000000001%). Extraise da acusação as seguintes justificativas para glosa destas despesas: 1) as despesas de reestruturação do grupo societário caberiam às controladoras e não à controlada; 2) o controle do grupo societário já havia sido adquirido por Albano Schmidt por Fl. 4007DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 23 22 meio de operações realizadas entre 2002 e 2004, antes dos pagamentos realizados; 3) se os gastos com a reestruturação efetuados por Albano Schmidt fossem dedutíveis, também o seriam os gastos efetuados por Rodrigo de Almeida Schmidt quando se opunha àquele sócio; e 4) as ações judiciais promovidas por Rodrigo de Almeida Schmidt decorreram da “voracidade” de Albano Schmidt, o qual valendose desta “desculpa”, contratou serviços advocatícios para defender seus interesses em nome da autuada. As despesas glosadas de 2004 a 2006 representaram R$ 20.470.980,35. Em impugnação, a contribuinte afirmou a necessidade de blindagem da empresa, em razão de dificuldades enfrentadas ante o conflito entre seus sócios, bem como reportouse aos reflexos do patrimônio líquido negativo ostentado pela controladora Joinvillense. A autoridade julgadora de 1a instância entendeu que o conflito a ser solucionado existia, apenas, entre Albano Schmidt e Rodrigo de Almeida Schmidt, inexistindo prova de que este segundo pudesse representar uma ameaça séria às atividades da impugnante, ou de outras razões para a blindagem da companhia em prol do incremento de suas atividades. A decisão recorrida centra sua análise do contrato firmado em 17/05/99, tece várias considerações acerca das alterações societárias ocorridas e, especialmente, acerca do documento de fls. 112/116. Em recurso voluntário, a interessada procura, inicialmente, demonstrar que os serviços foram contratados em razão de êxito, e reafirma as justificativas apresentadas desde o procedimento fiscal, no sentido de que as despesas ficaram a seu encargo, embora existindo outras contratantes (Tupinambá S.A.; Tapuia Administração e Participações S. A. e Joinvillense Participações S.A.) por ser ela a única das Empresas com potencial produtivo a ser preservada no período de conflito de seus Controladores. Vejase que durante o procedimento fiscal a contribuinte foi além, fazendo crer que a própria autuada conduziu as negociações para que os advogados contratados realizassem os atos necessários para que suas atividades não restassem prejudicadas (fls. 451/452): "No caso dos dois Contratos que objetivaram mediar e solucionar questões e conflitos societários o interesse da Termotécnica é evidente. Em ambos os casos, a Termotécnica tomou a iniciativa da contratação e assumiu a obrigação pelo pagamento dos serviços por ser ela a principal interessada, vez que, em ambos os contratos, o objetivo colimado pela contratação dos serviços foi "blindar" a empresa controlada dos conflitos gerados por suas controladoras, de forma a resguardar a imagem e a continuidade dos negócios da empresa operacional. Em decorrência da situação de ser uma empresa CONTROLADA, a Termotécnica não dispunha de condição jurídica para impor atos de defesa de seus interesses a suas CONTROLADORAS, vez que, ao contrário, estava à mercê dos reflexos do conflito público e noticiado entre os acionistas. Por este motivo, a forma encontrada para que as CONTROLADORAS não pudessem prejudicar a continuidade dos negócios da CONTROLADA foi fazer com que aquelas outorgassem poderes aos advogados desta para que pudessem realizar atos de interesse para a continuidade dos negócios da operação, através da reestruturação jurídica do Grupo Empresarial e evitar que os conflitos entre os interesses dos acionistas a prejudicassem". (negrejouse) Adiante, complementa: "Os benefícios auferidos pela Termotécnica em decorrência da prestação dos serviços contratados são inquestionáveis, como também é notório ter sido esta a empresa mais interessada na solução societária". Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 24 23 Outra não poderia ser a conclusão fiscal: Inusitado: uma controlada gerenciando a reeestruturação de um grupo empresarial, seu controlador! No mínimo, as despesas deveriam ter sido arcadas pelas controladoras. A afirmação de que a autuada deveria ser preservada dos conflitos societários prestase a evidenciála, apenas, como objeto das ações a serem realizadas, e não como interessada na contratação. Aliás, o relato dos conflitos que justificaram as despesas em questão, expostos nas considerações preliminares do Contrato nº 1, não deixam dúvidas acerca da figuração da autuada, bem como da Termotécnica da Amazônia Ltda, como mero objeto do controle em disputa dentro da família Schmidt: 1. A Contratante Termotécnica pertenceu ao Grupo Tupy, sediado em Joinville, que foi criado e controlado pela família Schmidt até 1995; 2. O Grupo Tupy teve destacado crescimento durante a gestão do Sr. Hans. Dieter Schmidt, que exerceu o controle em nome da família Schmidt até seu falecimento; 3. Com o desaparecimento de Dieter os interesses dos integrantes da família Schmidt no Grupo Tupy entraram em conflito, e os reflexos desses desentendimentos, na gestão das empresas, resultou no estado préfalimentar do Grupo Tupy e na retirada da família Schmidt do quadro acionário do Grupo Tupy, com a transferência da Termotécnica, então Tupy Plásticos, em troca de sua retirada; 4. A Contratante Termotécnica continua sendo controlada pela família Schmidt, através das empresas Tupinambá, Tapuia e Joinvillense e os conflitos societários se acirraram a ponto de afetar a gestão das empresas e de colocar em risco o futuro dos negócios, principalmente da Termotécnica e de sua controlada Termotécnica da Amazônia Ltda., pela repetição do ocorrido no Grupo Tupy; [...] O interesse em manter seu potencial produtivo, alegado pela recorrente, evidentemente, era de suas controladoras, e não há justificativa, neste contexto, para que as despesas incorridas com esta finalidade sejam alocadas na empresa lucrativa do grupo. As despesas necessárias à autuada são aquelas usuais e normais, que, como bem destacado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, prestamse à consecução das atividades próprias da empresa, de seu objeto social, contribuindo para a geração da correspondente receita. Ou seja, tais despesas devem dizer respeito à atividade fim da pessoa jurídica, aí não se incluindo aquelas externas à empresa, destinadas a assegurar que sua gerência se conduza de acordo com seus objetivos sociais. As despesas decorrentes desta condução adequada dos objetivos sociais são necessárias as atividades, mas não aquelas incorridas para que esta gerência assim se porte. A necessidade, neste segundo contexto, evidentemente, é inerente ao controlador, que deve direcionar seus esforços à melhor condução de seus investimentos, sem despendêlos em conflitos internos, que poderiam ser solucionados por uma assessoria contratada, como foi o caso. Em tais condições, o aumento da lucratividade da autuada refletirá, por equivalência patrimonial ou distribuição de dividendos no patrimônio de suas controladoras, e a assessoria jurídica contratada constituirseá em despesa incorrida para obtenção deste retorno. É inquestionável que a contratação da assessoria jurídica poderia beneficiar o grupo societário, reduzindo o conflito entre os sócios e suas conseqüências. Mas o interesse neste Fl. 4009DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 25 24 resultado restringese às partes em conflito (sócios da Joinvillense Participações S/A), e não ao objeto disputado neste conflito (autuada). A recorrente cogita que se coubesse às controladoras tais despesas, a autuada poderia terlhe transferido os recursos para pagamento via mútuo, seguindose o rateio das despesas com base na receita, de forma que o resultado final seria praticamente o mesmo. Porém, o rateio de despesas somente seria pertinente em caso de contratação centralizada de serviços que seriam usufruídos por todas as empresas do grupo, ao passo que o entendimento aqui firmado tem por pressuposto o interesse, apenas, da empresa controladora do grupo, e não da entidade operacional aqui autuada. Assim, o referido rateio poderia alcançar, no máximo, as controladoras beneficiárias do serviço prestado. Sob esta ótica, é dispensável a apreciação dos argumentos da recorrente acerca do afirmado equívoco cometido pela autoridade julgadora ao supor que a alternativa de retirada de todos os familiares das empresas do Grupo, mediante a alienação conjunta de suas participações acionárias não teria sido seriamente cogitada. Da mesma forma, irrelevante se mostra a oposição à afirmação, também em julgamento, de que Albano Schmidt teria abusado de sua condição de presidente para beneficiarse dos questionados serviços de advocacia e alcançar seu objetivo de adquirir as ações detidas por todos seus familiares. Isto porque, mesmo admitindose a contratação como destinada a manter a sinergia durante turbulências que seriam recorrentes em empresa familiar, este interesse, como dito, circunscrevese à controladora da empresa, e não à autuada. Quanto à demonstração feita pela defesa acerca de todos os fatos que resultaram na contratação dos mencionados serviços jurídicos, inclusive da falta de aprovação das contas da controladora Joinvillense em 1999, prejudicando seu acesso a crédito, e com respeito às referências de que Albano Schmidt exerceria a presidência do grupo por designação das matriarcas Adele Emma Schmidt e Helga Schmidt, tratamse de alegações que confirmam a correlação das tratativas aqui em debate com a controladora da pessoa jurídica autuada, e não prejudicam a conclusão, até aqui adotada, acerca da impertinência das correspondentes despesas como redutoras da lucro tributável da pessoa jurídica autuada. Ainda, se o documento de fl.s 112/116, apontado como evidência de que o escritório de advocacia tomara partido do Sr. Albano, em detrimento do seu contendor, Sr. Rodrigo, foi elaborado por advogados distintos daqueles contratados pelos controladores da autuada, este aspecto pode desmerecer uma das argumentação feita pela autoridade fiscal acerca da postura de Albano Schmidt à frente das contratações aqui questionadas, mas não a conclusão condutora deste voto, em ratificação a outro argumento que sustenta o lançamento, de que as despesas em debate caberiam, apenas, à controladora do grupo societário. A recorrente também menciona que o objeto do contrato de 17/08/2006 estaria vinculado à última etapa da contratação anterior, consistente na retirada da Termotécnica do Grupo Joinvillense, operação de interesse da autuada, visto aquela controladora possuir patrimônio líquido negativo e depender de mútuos da Recorrente, prejudicando suas atividades. Todavia, como relatado no início desta abordagem, referido contrato buscou, apenas, encontrar uma solução para retirada da acionista minoritária Prêmio Administração e Corretagem de Seguros Ltda. Nada ali corrobora as alegações da recorrente. Por fim, não há como vincular o aumento de faturamento da contribuinte às mencionadas medidas adotadas para evitar os problemas e potencializar seus negócios. Diversas são as razões econômicas que justificariam estes resultados, inclusive a boa gestão de Fl. 4010DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 26 25 seus recursos materiais e humanos. Ainda que se tenha por óbvio que o fato do conflito societário ter sido resolvido da melhor forma possível, permitiu que a Recorrente continuasse a operar sem maiores traumas, tratase apenas da cogitação de um benefício abstrato à pessoa jurídica, como dito pela Procuradoria da Fazenda Nacional, sendo impossível dimensionar sua relevância, de modo a conferirlhe a importância pretendida pela recorrente. Vejase que outro era o contexto abordado no Acórdão nº 10195.033, citado pela recorrente. A contratação de consultoria e assessoria, questionada pela Fiscalização, mostrouse vinculada às atividades operacionais da recorrente, como por exemplo, o acompanhamento de Projetos de Lei relacionados às atividades desenvolvidas pela recorrente. Nenhuma correlação é possível estabelecer entre este caso, e a necessidade de gastos destinados a resolver conflito entre os sócios da autuada, para manutenção e incremento de seus resultados. Aliás, a forma de remuneração estabelecida para os serviços advocatícios denota que a autuada até poderia ser a única das Empresas contratantes com potencial produtivo, mas não a única empresa do Grupo com esta característica, dado que as receitas da Termotécnica da Amazônia Ltda também se prestaram como referência para cálculo dos honorários. Em verdade, a conduta dos administradores da sociedade mais faz crer que a autuada somente escolhida para figurar na contratação em referência por auferir lucros em volume suficiente para absorver integralmente as despesas daí decorrentes. Os fatos abordados na defesa apenas evidenciam a necessidade dos serviços de assessoria jurídica pelas controladoras da empresa autuada, mostrandose correta a glosa procedida pela autoridade lançadora, de modo a anular seus efeitos na apuração do lucro tributável da empresa controlada, aqui autuada. Ante o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a este item da autuação. 3.1.2 Glosa de custos referentes a PIS e COFINS de compras A autoridade lançadora entendeu que a contribuinte não comprovara a exclusão de créditos de Contribuição ao PIS e de Cofins do montante de insumos computados no custo dos produtos vendidos, referentes a compras em consignação. Em impugnação, a contribuinte descreveu seu procedimento, disse que houve incorreta interpretação dos fatos, inclusive na exposição por ela feita ao Fisco, e requereu diligência, apresentando quesitos, para aferição da regularidade dos novos demonstrativos juntados à defesa. A diligência foi deferida, mas os elementos apresentados não convenceram a Fiscalização. A autoridade julgadora de 1a instância também entendeu que os expurgos eram feitos por lançamentos manuais, alguns dos quais estornados, concluindo que as alegações não foram demonstradas com clareza e objetividade. A recorrente trouxe extenso arrazoado acerca do procedimento por ela adotado, destacando as peculiaridades das operações de consignação. No voto condutor da Resolução nº 1101000.063 foram analisados os elementos que ensejaram as conclusões das autoridades lançadora e julgadora, em confronto com as alegações da recorrente. Segue sua reprodução integrada pelo resultado da diligência antes requerida. Fl. 4011DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 27 26 Na introdução do Termo de Verificação Fiscal, disse a autoridade lançadora que os questionamentos acerca da apuração da Contribuição ao PIS e da Cofins foram objeto dos Termos de Intimação Fiscal de nº 13 e 14 (fls. 510 e 544), cujas respostas estariam juntadas às fls. 512/543 e 545/551, tendo sido prestados, também, esclarecimentos adicionais juntados às fls. 552/563. No Termo de Intimação Fiscal nº 13, questionou a Fiscalização: 1. Justificar os valores constantes das fichas 20 e 24 da DIPJ 2005, item 2, divergirem do valor de compras informado na ficha 4A ANO CALENDÁRIO 2004 COMPRAS FICHA 4A DIPJ 78. 737. 433,30 CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS/PIS 110.353.172,51 CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS/COFINS 110.220.889,05* *considerando o mesmo valor que o informado para PIS no mês de janeiro. 2. Justificar os valores das linhas correspondentes aos créditos de insumos nas DACON anos calendário 2005 e 2006 divergirem dos valores de compras informados na ficha 4A das DIPJ: ANO CALENDÁRIO 2005 2006 COMPRAS FICHA 4A DIPJ 72.663.243,55 76.854.901,73 CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS/PIS 108.410.391,04 99.477.856,62 CRÉDITO DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS/COFINS 108.410.391,04 98.911.667,71 Observase que o indício inicialmente apurado era contrário à conclusão final da Fiscalização: as compras computadas no cálculo do custo dos produtos vendidos eram inferiores aos insumos utilizados para creditamento na apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. A contribuinte requereu dilação do prazo, informando que 5 (cinco) dias úteis seriam insuficientes para o atendimento. Este documento, juntado às fls. 512/514, é apontando pela Fiscalização como resposta à intimação, e é acompanhado de extrato do Livro Razão da conta 1.01.09.003.004 – Matéria Prima em Consignação nos anos de 2004 a 2006 (fls. 515/543). O Termo de Intimação Fiscal nº 14 exige justificativas acerca da composição do item OUTRAS RECEITAS na apuração das bases de cálculo de PIS e COFINS, nas DACON, bem como das diferenças entre as bases de cálculo de PIS e COFINS e as receitas de vendas na DACON 2007. Ou seja, não mantém relação direta com este item da autuação. Já às fls. 545/551 consta o que efetivamente seria a resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 13, e nela a contribuinte esclarece: · O valor dos insumos informado na ficha de apuração de créditos do PIS/Cofins (linha 02 das fichas 20 e 24 da DIPJ) correspondem ao valor bruto, antes do desconto de PIS, Cofins e ICMS, ao passo que o valor informado a título de compras de insumos, na linha 03 da ficha 04 da DIPJ) corresponde ao valor líquido de impostos; · O valor de compras em 2004 contém, indevidamente, o valor de frete vendas, que deveria estar destacado na linha 07 da mesma ficha, bem Fl. 4012DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 28 27 como o valor de energia elétrica dos meses de outubro, novembro e dezembro está ali computado, quando o correto seria sua indicação na linha 04; · A diferença entre o valor de insumos informados nas fichas de apuração de Contribuição ao PIS e Cofins de 2004 decorre de erro no preenchimento da ficha relativa à Cofins nos meses de outubro e novembro de 2004, sendo o correto o valor de R$ 110.353.172,51; e · A diferença entre o valor de insumos informados na apuração de Contribuição ao PIS e Cofins de 2006 não existe, conforme demonstrativos apresentados. Embora sem intimação formal, a contribuinte abordou, em esclarecimentos adicionais de fls. 552/563, as colocações da Fiscalização por ocasião da apresentação das respostas acima mencionadas, quando afirmado que não conseguiu verificar os créditos de PIS e COFINS, no arquivo magnético, o que, segundo afirmação sua "o leva a crer que a empresa não estaria excluindo tais créditos do custo dos produtos (CPV)"; e ter restado evidenciado, pelos questionamentos feitos por V.Sa., que não foi bem compreendida a questão afeta à operação de aquisição de matériaprima pela sistemática da consignação. Para esclarecer estes fatos, apresentou exemplo da contabilização do recebimento de matériaprima por consignação e do seu consumo, destacando que os valores da segunda operação são mais elevados por serem registrados em poucas notas fiscais: No momento da remessa da matériaprima, a empresa "Innova SA" emite nota fiscal de remessa de consignação e envia a mercadoria. A Termotécnica registra a nota fiscal e a mercadoria em estoque em consignação e se credita do ICMS e do IPI, conforme lançamentos contábeis abaixo: NF 54184 data emissão 30/11/2004 data entrada 02/12/2004 D — 1.01.09.003.004 conta reduzida 1424 (matériaprima em consignação) — valor total da nota fiscal deduzindo o crédito do ICMS e IPI. D — 2.01.03.001.000 conta reduzida 6101 (IPI a recuperar) valor do crédito do IPI. D — 2.01.03.002.000 conta reduzida 6102 (ICMS a recuperar) valor do crédito do ICMS. C _ 2.01.08.043.000 conta reduzida 6263 (fornecedores em consignação) valor total da nota fiscal. Para comprovar que assim é, segue no "Anexo 1" cópia do lançamento contábil, extraída diretamente da tela do computador, que reproduz o lançamento contábil efetivado no sistema "logix", bem como reprodução do que consta no arquivo magnético, enviado para V.Sa. Como se vê, nessa etapa, os créditos de PIS e COFINS ainda não haviam sido tomados, pelo fato de não ter havido consumo. Posteriormente, no momento em que a Termotécnica consumiu a matériaprima, a fornecedora "Innova" emitiu a nota fiscal de faturamento, gerando a cobrança. Dessa forma, a Termotécnica registrou a nota fiscal no seu estoque e creditou o PIS e a COFINS, de vez que, nesse momento, foi gerado o direito ao crédito, conforme lançamentos contábeis abaixo: NF 54943 data emissão 21/12/2004 data entrada 21/12/2004 Fl. 4013DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 29 28 D — 2.01.08.043.000 conta reduzida 6263 (fornecedores em consignação) valor da mercadoria deduzido o crédito do PIS e da COFINS D — 2.01.03.010.000 conta reduzida 6110 (PIS a recuperar) valor do PIS creditado D — 2.01.03.005.000 conta reduzida 6105 (COFINS a recuperar) valor da COFINS creditado C — 2.01.001.000 conta reduzida 6001 (fornecedores a pagar) valor total da nota fiscal Para comprovar que os lançamentos acima foram efetivamente realizados, segue o "Anexo 2" com a cópia do lançamento contábil, extraída diretamente da tela do computador, que reproduz o lançamento contábil efetivado no sistema "logix", bem como reprodução do que consta no arquivo magnético, enviado para V.Sa. Assim, fácil constatar que os valores do PIS e da COFINS não compõem a conta 2.01.08.043.000 (fornecedores em consignação), ou seja, em tal conta são registrados os valores "líquidos" (sem PIS e COFINS) das matériasprimas. Ao final de cada mês, os valores da conta 2.01.08.043.000 são transferidos, via lançamento manual, para conta de estoque, logo, não há PIS e COFINS nos valores contabilizados em estoque e conseqüentemente no CPV. Antes, porém, a Fiscalização já havia intimado a contribuinte a informar que contas do centro de custos estão abrangidas pelo custo de insumos, apresentando estes dados de modo que o custo total de insumos deve corresponder à soma dos valores informados nas contas de centro de custo controladas pelo estoque, bem como saneando inconsistências detectadas em contas representativas de compras (1401, 1402, 1421, 1424, 1425, 1426, 1431 e 1438) (fl. 446). E os demonstrativos de fls. 455/457 apontaram de quais contas foram extraídos os valores informados nas DIPJ dos anoscalendário 2004 a 2006, a título de estoque final, compras e estoque inicial. Eis o resumo do que informado acerca da composição de compras, com destaque do ponto central do presente litígio: Conta Contábil Valores Indicados no Demonstrativo Extenso Reduzida 2004 2005 2006 1.01.09.001.001 1401 64.559,13 11.948,16 1.01.09.001.002 1402 25.980.547,43 21.670.341,26 20.029.416,39 1.01.09.003.001 1421 4.334.424,40 5.636.113,34 12.560.034,98 1.01.09.003.005 1425 6.558.499,29 8.024.925,85 9.829.534,40 1.01.09.003.006 1426 479.355,46 810.430,71 1.01.09.004.001 1431 1.062.259,93 1.201.098,08 1.01.09.004.008 1438 1.01.09.003.004 1424 40.322.346,79 36.456.873,26 33.222.869,72 Total 78.737.433,30 72.663.243,55 76.854.901,73 Em razão destes elementos, a autoridade lançadora constatou que o custo de compras na ficha 4A das DIPJ's, para as compras em consignação, está representado pela conta 1424, 1.01.09.003.004 — Compras em Consignação, cujo relatório, fls. 515 a 543, apresenta seus valores. E, de fato, as fichas com informações do Livro Razão, ali juntadas, apontam que a conta 1.01.09.003.004 apresentava saldos devedores de R$ 40.322.346,79 em 31/12/2004 (fl. 526), R$ 36.456.873,26 em 31/12/2005 (fl. 534) e R$ 33.222.869,72 em 31/12/2006 (fl. 543). A Fiscalização concluiu que houve apropriação a maior no custo dos produtos vendidos, tendo em conta a informação da contribuinte de que os valores registrados Fl. 4014DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 30 29 na conta 1.01.09.003.004 ainda não estariam reduzidos pelos créditos de PIS e Cofins, fato por ela demonstrado por meio dos lançamentos contábeis antes descritos e pelo confronto das fls. 524 e 557/558, que expressam a contabilização da nota fiscal nº 54.184, de 02/12/2004, a título de exemplo. O fiscal autuante acrescentou que inexistia qualquer registro de lançamento manual naquela conta e que as deduções de PIS e Cofins, na apuração da receita líquida, foram feitas pelo valor destas contribuições antes do abatimento dos créditos. Para determinar o valor tributável, o fiscal autuante somou os registros de fls. 515/543 ao ICMS e ao IPI extraídos do Livro Registro de Entradas (observando a informação da contribuinte de que os registros da conta 1424 já estavam reduzidos pelo ICMS e IPI a recuperar), e elaborou o demonstrativo de fls. 616/628 no qual decompôs estas operações para apurar o valor total de cada nota fiscal sem os tributos, e assim identificar a diferença indevidamente apropriada a maior nos custos. A apuração fiscal representou reduções nos valores extraídos da conta 1.01.09.003.004 (reduzida 1424) em montantes equivalentes a R$ 5.113.821,58 em 2004, R$ 4.385.711,77 em 2005 e R$ 4.781.526,52 em 2006. Todavia, por ocasião da apresentação do demonstrativo de fls. 455/457, a contribuinte informara que a conta 1424 referese a estoque de consignação. Portanto, o estoque é de terceiros e conseqüentemente não podemos computar o valor do estoque inicial e final na composição do custo de insumos. As compras efetivadas (quando consumidas) fazem parte da composição do custo de insumos. Logo, embora afirmando que somente as compras efetivamente consumidas eram transportados para custo, a contribuinte indicou no demonstrativo de fls. 455/457 o saldo final da conta 1424 como integrante dos custos dos produtos vendidos nos períodos fiscalizados (fls. 526/543). Neste mesmo sentido, a Fiscalização tomou por referência as notas fiscais apontadas na conta 1424 como representativas de compras que poderiam ser computadas no custo dos produtos vendidos, e a partir delas determinou as parcelas de Contribuição ao PIS e Cofins que deveriam ser excluídas nesta operação. Frente a este contexto, a confirmação de que a conta 1424 representava, apenas, estoques em consignação, e não as matérias primas efetivamente consumidas, já fragilizaria a base de cálculo adotada pela Fiscalização para determinação dos créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS. Observase, também, que nos esclarecimentos adicionais de fls. 552/563, a contribuinte disse que a conta reduzida 6263 (fornecedores em consignação), depois de ser creditada pelo valor bruto das matériasprimas recebidas em consignação (incluindo o ICMS e o IPI, e sem o destaque da Contribuição ao PIS e da Cofins), era debitada pelo valor líquido das matériasprimas efetivamente consumidas, depois de expurgados os créditos de Contribuição ao PIS e Cofins a recuperar, e que ao final do mês, o saldo desta conta era transferido, por meio de lançamento manual, para conta de estoque de mercadorias. Tal argumentação não observa a lógica contábil, pois se o valor representativo de matérias primas ingressa em uma conta contábil pelo seu valor bruto, e seu consumo é extraído daquela conta pelo valor líquido, o saldo remanescente jamais representará apenas o estoque daquela matéria prima. Certamente o saldo remanescente, em tais condições, estaria minimamente acrescido pelos créditos de Contribuição ao PIS e de Cofins que Fl. 4015DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 31 30 ingressaram, mas não saíram daquela conta, inexistindo qualquer esclarecimento acerca de ajustes do IPI e do ICMS devidos em razão do consumo efetivo das mercadorias. Esta observação se presta a demonstrar o quão imprecisos foram os esclarecimentos adicionais de fls. 552/563 que, recordese, sequer decorreram de uma intimação formal da Fiscalização. E isto para comparálos com os esclarecimentos prestados num segundo momento, durante o contencioso administrativo. Em impugnação, ao descrever novamente o procedimento adotado para esta contabilização, a interessada reformulou os demonstrativos de fls. 455/457 e deu ênfase aos lançamentos manuais necessários para a correta apropriação da matéria prima consumida, reportandose não só aos registros da conta 1424, como também na conta 6263. O comparativo a seguir evidencia as alterações alegadas (fls. 1145/1153), relativamente à composição do montante agregado, a título de compras, no custo dos produtos vendidos: Conta Contábil 2004 Extenso Reduzida Proc. Fiscal Impugnação 1.01.09.001.001 1401 1.01.09.001.002 1402 25.980.547,43 25.980.547,43 1.01.09.003.001 1421 4.334.424,40 8.380.915,28 1.01.09.003.005 1425 6.558.499,29 6.558.499,29 1.01.09.003.006 1426 479.355,46 479.355,46 1.01.09.004.001 1431 1.062.259,93 1.062.259,93 1.01.09.004.008 1438 1.01.09.003.004 1424 40.322.346,79 36.275.855,91 Total 78.737.433,30 78.737.433,30 Conta Contábil 2005 Extenso Reduzida Proc. Fiscal Impugnação 1.01.09.001.001 1401 64.559,13 64.559,13 1.01.09.001.002 1402 21.670.341,26 21.670.341,26 1.01.09.003.001 1421 5.636.113,34 9.546.933,72 1.01.09.003.005 1425 8.024.925,85 8.024.925,85 1.01.09.003.006 1426 810.430,71 810.430,71 1.01.09.004.001 1431 1.01.09.004.008 1438 1.01.09.003.004 1424 36.456.873,26 32.546.052,88 Total 72.663.243,55 72.663.243,55 Fl. 4016DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 32 31 Conta Contábil 2006 Extenso Reduzida Proc. Fiscal Impugnação 1.01.09.001.001 1401 11.948,16 11.948,16 1.01.09.001.002 1402 20.029.416,39 20.029.416,39 1.01.09.003.001 1421 12.560.034,98 13.881.203,02 1.01.09.003.005 1425 9.829.534,40 9.829.534,40 1.01.09.003.006 1426 1.01.09.004.001 1431 1.201.098,08 1.201.098,08 1.01.09.004.008 1438 1.01.09.003.004 1424 33.222.869,72 31.901.701,68 Total 76.854.901,73 76.854.901,73 Disse a impugnante que errou ao elaborar o demonstrativo de fls. 455/457, dado o volume de informações exigidas e os exíguos prazos concedidos pela Fiscalização, estando os novos valores alegados expressos nos seguintes demonstrativos: · Anexo XIX à impugnação, no qual os novos valores apurados como oriundos da conta 1421 resultam do expurgo dos valores referentes a transferências de matériaprima de matriz para filial, e de filial para filial. Os extratos do Livro Razão evidenciariam estas operações em históricos que remetem ao nome da impugnante (fls. 1154/1355). Tais extratos apresentam os valores contabilizados na conta 1421 e o seu saldo final em cada anofiscalizado (R$ 18.625.073,63 em 2004, R$ 31.330.002,86 em 2005 e R$ 18.490.269,48 em 2006) · Anexo XX à impugnação, no qual estão descritas as notas fiscais de remessa de matérias primas em consignação, com destaque do IPI e do ICMS, e notas fiscais de faturamento destas matérias primas, com destaque da Contribuição ao PIS e da COFINS, agrupadas mensalmente em todo o período fiscalizado (fls. 1356/1384). No Anexo XIV à impugnação (fls. 1120/1121), a contribuinte transcreve o demonstrativo de janeiro/2006 expresso no Anexo XX, relacionando as notas fiscais de remessa de matériasprimas recebidas em consignação à correspondente nota fiscal de faturamento do consumo destes insumos, inclusive apontando, relativamente ao primeiro grupo, os créditos de PIS/COFINS que a Fiscalização entendeu tributáveis: Fl. 4017DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 33 32 Nº NF ESP DATA CFOP ICMS IPI PIS COFINS TOTAL NF PIS COFINS 69099 NFR 16/01/2006 2.917 16.555,25 16.855,32 137.960,43 12.761,34 69182 NFR 18/01/2006 2.917 16.034,52 16.325,14 133.620,96 12.359,94 69847 NFR 26/01/2006 2.917 16.084,51 16.376,04 134.037,55 12.398,47 68986 NFR 27/01/2006 2.917 15.997,02 16.286,97 133.308,52 12.331,04 69011 NFR 27/01/2006 2.917 16.005,35 16.295,45 133.377,95 12.337,46 69036 NFR 27/01/2006 2.917 15.938,70 16.227,59 132.822,50 12.286,08 69184 NFR 27/01/2006 2.917 16.580,25 16.880,76 138.168,72 12.780,61 69195 NFR 27/01/2006 2.917 16.176,16 16.469,35 134.801,30 12.469,12 69219 NFR 27/01/2006 2.917 16.705,22 17.008,01 139.210,20 12.876,94 69326 NFR 27/01/2006 2.917 16.126,17 16.418,45 134.384,71 12.430,59 69376 NFR 27/01/2006 2.917 15.951,20 16.240,31 132.926,65 12.295,72 69631 NFR 27/01/2006 2.917 15.663,75 15.947,66 130.531,26 12.074,14 69646 NFR 27/01/2006 2.917 15.980,36 16.270,00 133.169,66 12.318,19 69523 NFR 30/01/2006 2.917 16.084,51 16.376,04 134.037,55 12.398,47 69647 NFR 30/01/2006 2.917 16.097,00 16.388,76 134.141,70 12.408,11 69774 NFR 31/01/2006 2.917 15.876,21 16.163,97 132.301,76 12.237,91 69821 NFR 31/01/2006 2.917 15.713,74 15.998,55 130.947,85 12.112,68 69837 NFR 31/01/2006 2.917 16.551,09 16.851,07 137.925,71 12.758,13 69855 NFR 31/01/2006 2.917 16.051,18 16.342,11 133.759,82 12.372,78 306.172,19 311.721,55 2.551.434,80 236.007,72 69884 NFF 31/01/2006 2.111 42.065,45 193.756,02 2.549.421,28 42.065,45 193.756,02 2.549.421,28 COMPRAS SEM IMPOSTOS 1.695.706,07 A impugnante observou que estas informações foram extraídas por meio do relatório contábil SUP1650, exemplificado no Anexo XV da impugnação (fl. 1123). A soma destas compras sem impostos resulta nos valores que a contribuinte aponta no demonstrativo de fls. 1145/1153 como parcela extraída da conta 1424 para composição do custo dos produtos vendidos. Segundo alegação da impugnante, a conta 1424 é transitória e o consumo de matéria prima é dela extraído para apropriação na conta reduzida 0400.1000, representativa do custo do produto monômero de estireno. Os valores contabilizados nesta conta estariam exemplificados no Anexo XXI (fl. 1387), o qual apresenta, após transcrição de parte dos lançamentos realizados desde 31/07/2006, saldo em 31/12/2006 no valor de R$ 31.915.373,01. Esclarece a impugnante que a diferença entre este saldo e o valor apontando no demonstrativo de fls. 1145/1153 (R$ 31.901.701,68) decorre de avaliações de estoque por custo médio e variação cambial. Vejase que para comprovar os custos questionados pela Fiscalização, bastaria a contribuinte demonstrar a origem dos valores contabilizados na referida conta reduzida 0400.1000, que agrega a matéria prima recebida em consignação e consumida. Todavia, a farta documentação por ela apresentada em impugnação resulta em diversos demonstrativos, mas em precária demonstração do fluxo contábil, como fica claro na comparação entre o mencionado Anexo XXI (fl. 1387), que deveria coincidir com o Anexo XX ao menos quanto ao acréscimo líquido verificado mensalmente. Isto porque o Anexo XX nada mais é do que a demonstração das compras sem impostos, que somadas resultam, por exemplo, no valor de R$ 31.901.701,68, transportado, em 2006, da conta 1424 para o custo dos produtos vendidos, segundo afirma a Fl. 4018DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 34 33 impugnante. Já o Anexo XXI espelha o movimento da conta que recebe estas transferências, cujo saldo ao final de 2006 é R$ 31.915.373,01. Ocorre que, considerados todos os débitos e créditos mensais espelhados a partir de 31/07/2006 no Anexo XXI (Razão da conta reduzida 0400.1000), o valor líquido acrescido mensalmente não coincide, em nenhum mês, com as compras sem impostos indicadas no Anexo XX. Vejase: Conta 4.00.00.0400.1000 (reduzida 0400.1000) Monômero de Estireno Data Débitos Créditos Acréscimo Anexo XX 31/07/2006 4.817.286,44 1.848.146,53 2.969.139,91 3.262.403,41 31/08/2006 3.643.010,65 403.674,59 3.239.336,06 2.251.444,79 30/09/2006 3.574.673,64 836.795,06 2.737.878,58 2.723.568,27 31/10/2006 3.866.244,04 691.998,93 3.174.245,11 3.110.620,05 30/11/2006 4.072.509,94 781.579,87 3.290.930,07 3.156.622,32 31/12/2006 2.769.739,13 853.774,42 1.915.964,71 2.015.474,73 Totais 17.327.494,44 16.520.133,57 Estas divergências eventualmente também podem decorrer do que antes alegado: avaliações de estoque por custo médio e variação cambial. Temse, portanto, de um lado, a firme convicção da contribuinte de que deduz os créditos de Contribuição ao PIS e COFINS ao integrar as matériasprimas consumidas ao custo de produção, e de outro, os alegados erros cometidos durante o procedimento fiscal, que teriam induzido a Fiscalização à conclusão de que este procedimento não se verificou. A contribuinte insiste que a Fiscalização, e também a autoridade julgadora, não compreenderam o procedimento por ela adotado para registro do consumo das matérias primas recebidas em consignação, mas resta patente que a argumentação da contribuinte não foi clara o suficiente para permitir esta compreensão. A autoridade julgadora de 1a instância questionou a Fiscalização acerca da validade da retificação dos demonstrativos de fls. 455/457, bem como solicitou a análise fiscal a respeito das alegações envolvendo contas que aparentemente pertenceriam ao passivo circulante. Para responder aos quesitos da diligência, a Fiscalização intimou a contribuinte a detalhar as operações contabilizadas na conta 1421 e identificar, na conta 1424, os lançamentos pertinentes à Contribuição ao PIS e à Cofins. A resposta da contribuinte está juntada às fls. 1544/2505. Nela se destaca o Anexo V, apresentado para identificação dos lançamentos de ajustes de Contribuição ao PIS e Cofins na conta 1424 (fls. 2448/2463). Este documento denominado Razão Parcial expressa os movimentos da conta 1424 (1.01.09.003.004), contendo lançamentos a débito e a crédito, diversamente daquele tomado pela Fiscalização como referência para concluir que os saldos devedores daquela conta, de 2004 a 2006, foram computados no custo dos produtos vendidos (fls. 515/543). Novo exame deste relatório permite observar que ele foi denominado Razão Completo de Contas a Pagar, assim relacionando, apenas, as notas fiscais por fornecedor, registradas naquela conta. Outra intimação foi feita, durante a diligência, para que a contribuinte distinguisse, na conta 1421, os lançamentos correspondentes às compras de matériasprimas daqueles referentes às transferências matrizfilial e filialfilial (fl. 2506). A resposta da contribuinte consta às fls. 2508/2690. Fl. 4019DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 35 34 A autoridade fiscal, então, prestou informação às fls. 3068/3070, juntando os elementos de fls. 2618/2798 e afirmando: · Os valores retificados apresentados pela contribuinte como integrantes de compras a partir da conta 1424 correspondem ao Anexo XX da impugnação, no qual foram utilizados distintos conjuntos de notas fiscais para cálculo de IPI/ICMS e Contribuição ao PIS/Cofins; · Os valores de compras utilizados para cálculo de Contribuição ao PIS/Cofins não são encontrados na conta 1424, e os lançamentos apresentados no Anexo V à diligência não guardam qualquer relação com os valores de Contribuição ao PIS/Cofins indicados no Anexo XX à impugnação, bem como não consta de seu histórico, listado às fls. 2633/2638, qualquer menção a PIS/Cofins; · Os valores de compras da conta 1421, à semelhança do que informado durante o procedimento fiscal, não correspondem ao alegado na impugnação, e foram reafirmados na resposta apresentada durante a diligência, juntada às fls. 2508/2610; · Os lançamentos feitos na conta “6001 – Fornecedores” não afetam os valores das compras informados na ficha de custos da DIPJ (ficha 4A). A Fiscalização não se manifestou acerca dos esclarecimentos complementares da contribuinte, apresentados em resposta à intimação no curso da diligência (fls. 1546/1548). Sua parte inicial, abordando o procedimento por ela adotado em razão das matérias primas recebidas em consignação, pouco difere do que antes informado no curso do procedimento fiscal: 1) Contabilização das remessas de matériaprima em consignação. Nesta etapa a mercadoria ainda não é de propriedade da Termotécnica, logo, ainda não há creditamento de PIS e COFINS. Abaixo, um dos lançamentos referente aquisição de matériaprima: D — 1424 (MP em consignação) — 104.549,86 D — 6101 (IPI a recuperar) — 16.855,32 D —6102 (ICMS a recuperar) — 16.555,25 C —6263 (fornecedores em consignação) — 137.960,43 2) No fim do mês de janeiro/2006 a movimentação apresentada acima teve os seguintes valores acumulados: D— 1424 (MP em consignação) —1.933.541,06 D — 6101 (IPI a recuperar) — 311.721,55 D — 6102 (ICMS a recuperar) — 306.172,19 C — 6263 (fornecedores em consignação) — 2.551.434,80 No fim do mês de janeiro/2006 é então feito o levantamento da quantidade de matériaprima consumida e, com base em tal quantidade, são enviadas as informações para o fornecedor que emite a nota fiscal de faturamento, referente as Fl. 4020DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 36 35 remessas do mês. Considerando que nesse momento, as mercadorias passam a ser de propriedade da Termotécnica, podem haver então os lançamentos referentes os créditos de PIS e COFINS. Os lançamentos contábeis referentes essa etapa são os seguintes: D —6263 (fornecedores em consignação) —2.313.599,81 D —6110 (PIS a recuperar) —42.065,45 D —6105 (COFINS a recuperar) — 193.756,02 C — 6001 (fornecedores a pagar) — 2.549.421,88 Até este ponto, a argumentação da contribuinte guarda os mesmos contornos da petição de fls. 552/563. Mantémse a mesma impropriedade de integrar o valor bruto das matériasprimas à conta 6263, e nela creditar o valor líquido, já expurgado de créditos da Contribuição ao PIS e COFINS, no momento do registro do consumo daquelas matérias primas. Mas a interessada prossegue: 3) No fim do mês, para fins de cálculo do custo, são então apropriados os valores das compras (que se referem ao consumo) na conta do centro de custo produtivo 0400.1000. Essa é a etapa do fechamento ("corte"). Nessa etapa ocorre então a transferência do valor relativo ao consumo das matériasprimas. O valor de R$ 2.149.012,08 é transferido da conta 1424 para a conta 0400.1000, ou seja, o valor referente ao consumo é apropriado na conta de centro de custo produtivo. Perguntase: se o valor líquido da matéria prima consumida era R$ 2.313.599,81, como antes demonstrado, por que se transfere para custo um valor menor de consumo (R$ 2.149.012,08)? A contribuinte não justifica expressamente. De outro lado, nos documentos anexados à sua resposta na diligência (Anexo VI), a interessada destaca que o valor transferido para custo foi R$ 2.151.938,41, o qual vincula por anotação manuscrita a um crédito de R$ 2.926,33, para identificar o resultado de R$ 2.149.012,08 (fl. 2467). Não há justificativa para este ajuste. De outro lado, o Razão Parcial da conta 1424 à fl. 2459 indica que o lançamento de consumo de matéria prima, contabilizado em 31/01/2006, representaria R$ 2.154.864,74, ajustado por estorno de R$ 5.852,66, o que também resulta em R$ 2.149.012,08. Prosseguindo nos esclarecimentos complementares em diligência, a contribuinte diz: Já na conta 6263 houve lançamento a débito de R$ 187.211,45 e na conta 1424 houve lançamento a débito de R$ 253.834,83, sendo as contrapartidas desses ajustes lançadas na conta 0400.1000 para garantir que o CPV não contenha PIS e COFINS. Significaria dizer que a conta representativa de custo da produção não foi aumentada por R$ 2.149.012,08, mas sim por este valor reduzido em R$ 187.211,45 e R$ 253.834,83, ou seja, R$ 1.707.965,80, restituindose aquelas parcelas redutoras às contas representativas de fornecedores em consignação (6263) e estoque de matéria prima em consignação (1424). Não há qualquer esclarecimento acerca de como foram apurados os ajustes de R$ 187.211,45 e R$ 253.834,83, embora eles estejam, de fato, registrados como ajustes na transcrição do Razão da conta 0400.1000 à fl. 2467 e da conta 1424 à fl. 2459. Fl. 4021DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 37 36 Observase, porém, que no detalhamento dos lançamentos de ajuste, apresentado pela Fiscalização à fl. 2637, o valor de R$ 253.834,83 é contabilizado a crédito da conta 4.00.00.0400.2800, denominada Outros Mats de Processo, e como bem destacado pelo auditor responsável, o histórico do lançamento nada diz acerca da causa do ajuste. Mas a interessada assim finaliza sua argumentação: Concluindo: os lançamentos manuais/ajustes ocorrem de forma simultânea nas contas 6263; 1424 e 0400.1000 (centro de custo produtivo), logo, não há lançamento isolado de PIS e COFINS que demonstre o seu "expurgo" do CPV. A contribuinte reconhece, portanto, que não há lançamento específico de expurgo da Contribuição ao PIS e da Cofins por ocasião do cômputo das matériasprimas consumidas no custo de produtos vendidos. Há um ajuste manual que soluciona as pendências que subsistem nas contas citadas, o qual se prestaria, também, a confirmar o correto expurgo daqueles valores. De toda sorte, em algum momento estes afirmados expurgos das contribuições recuperáveis deveriam ter aportado em contas de ativo, ou minimamente em contas de passivo representativa das obrigações decorrentes daquelas contribuições. Prossegue a interessada: Para reforçar o fato de que o PIS e a COFINS não estão "embutidos" nas compras, cabe retornar ao exemplificado no texto da Impugnação encaminhada para a DRJ. No fim do ano 2006, o valor final da conta 0400.1000 (centro de custo produtivo) foi de R$ 31.915.373,01 (Anexo VII), que é praticamente o valor referente as "compras" (conta 1424 da coluna "compras" do novo "Demonstrativo da Ficha 4A do Termo de Intimação Fiscal nr. 0012"), que como já dito diversas vezes é o valor do consumo da matériaprima, de vez que a empresa não detém estoques, por adquirir matériaprima sob a sistemática da consignação. Percebese que a argumentação da contribuinte permanece confusa, pois no Anexo XIV, que detalha a lógica da elaboração do Anexo XX, ambos de sua impugnação, a contribuinte afirmara que o valor das compras sem impostos em janeiro/2006 seria R$ 1.695.706,07, e não R$ 1.707.965,80, como resulta das operações acima descritas. A única coerência, aqui, verificase em relação às divergências semelhantes apontadas neste voto a partir de julho/2006, no confronto entre os movimentos do Razão da conta reduzida 0400.1000 (Anexo XXI à impugnação) e a demonstração correlata contida nos meses de julho a dezembro/2006 no Anexo XX. Como dito, a impugnante mencionou genericamente que estas divergências decorreriam de avaliações de estoque por custo médio e variação cambial, sendo que em 2006 elas representam R$ 13.671,33, mas em 2004 totalizam R$ 578.601,60 e em 2005 R$ 279.983,50 (fl. 1550). Em que pese tais imprecisões nos esclarecimentos prestados pela contribuinte, era possível existir equívocos na interpretação fiscal que impedissem a manutenção da exigência com os elementos até então disponíveis. Isto porque o trabalho fiscal pautouse em informações prestadas pela contribuinte, que foram posteriormente colocadas em dúvida, as quais não foram integralmente solucionadas durante a diligência requerida pela autoridade julgadora de 1a instância. As notas fiscais de recebimento das matériasprimas em consignação são registradas sem qualquer destaque de créditos de Contribuição ao PIS ou da Cofins. A exigência restringese à glosa destes créditos na apuração do resultado dos períodos Fl. 4022DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 38 37 fiscalizados. Aparentemente, no momento em que consumida esta matéria, os valores que foram transferidos para custos não correspondem ao exato valor das notas fiscais arroladas às fls. 515/543 (ponto de partida para os cálculos da exigência). O documento de fls. fls. 2448/2463 contraria a afirmação fiscal, mas não dá suporte à alegação da contribuinte de que as contribuições recuperáveis não teriam integrado o custo dos produtos vendidos. O confronto entre os movimentos do Razão da conta reduzida 0400.1000 (Anexo XXI à impugnação) e o demonstrativo do expurgo daqueles créditos, contido no Anexo XX à impugnação evidencia divergências que não foram individualmente justificadas pela interessada, a qual apenas mencionou a ocorrência de avaliações de estoque por custo médio e existência de variação cambial. Os lançamentos de consumo de matériasprimas em valores incompatíveis com as notas fiscais correspondentes, a imprecisão na determinação do valor a pagar aos fornecedores, e os lançamentos genéricos de ajustes, extensamente antes abordados, denotam que a contribuinte mantinha controles internos por meio dos quais aferia quais saldos deveriam ser mantidos nas contas patrimoniais, promovendo os estornos correspondentes da conta de resultado, integrante do custo dos produtos vendidos. Assim, era necessário que estes esclarecimentos viessem aos autos, para evidenciar que os créditos de Contribuição ao PIS e Cofins não integraram a matériaprima consumida, computada no resultado dos períodos fiscalizados. Daí a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora intimasse a contribuinte a apresentar o detalhamento contábil necessário à demonstração deu que na transferência para custo do consumo das matériasprimas inicialmente adquiridas em consignação não foram computados impostos e contribuições recuperáveis. A autoridade fiscal intimou a contribuinte a apresentar os elementos indicados no voto condutor da Resolução nº 110100.063, bem como a esclarecer as inconsistências consignadas em sua fundamentação (fls. 3425/3434). Depois de requerer prorrogação de prazo (fls. 3435/3437), a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 3438/3451 assim sintetizados em seu início: a) Nos meses de janeiro a julho/2004, os valores relativos aos tributos PIS e COFINS efetivamente foram lançados no custo (conta de resultado 0400.1000), porém, os montantes relacionados a estas contribuições sociais foram lançados em contas redutoras do faturamento, não afetando, portanto, o cálculo do IRPJ e da CSLL; b) No ano de 2005 a conta de resultado 0400.1000 contemplou, além das compras em consignação, compras diretas da BASF; c) Os lançamentos manuais de ajuste tem a função de adequar aos valores reais os saldos da conta 1424 (estoque de matériaprima em consignação), da conta 6263 (fornecedores em consignação), bem como da conta 0400.1000, em virtude do custo da matériaprima monômero de estireno consumida ser valorizada com base em custo estimado. Finalizou seus esclarecimentos consignando que, devidamente esclarecido e comprovado que as parcelas recuperáveis de PIS e COFINS incidentes sobre a aquisição da matériaprima monômero de estireno não integraram o custo dos produtos vendidos quando empregados no processo produtivo, não teria havido a redução indevida do resultado nos anoscalendário 2004 a 2006. Fl. 4023DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 39 38 Os documentos apresentados estão juntados às fls. 3452/3973, e além deles foram anexados ao processo 9 (nove) arquivos não pagináveis. Como demonstrado na abordagem inicial desta infração, em razão dos esclarecimentos deficientes apresentados pela contribuinte, a autoridade fiscal não logrou confirmar em que momento os créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS referentes às compras em consignação foram considerados na apuração do lucro tributável. Tendo em conta os valores escriturados na conta reduzida 1424 a título de compras em consignação, o fiscal autuante apurou os valores que não poderiam ter sido deduzidos como custo nos anos calendário 2004 (R$ 5.113.821,58), 2005 (R$ 4.385.711,77) e 2006 (R$ 4.781.526,52). No Anexo VII dos esclarecimentos prestados em diligência, a contribuinte detalha as notas fiscais de consignação de 2004 a 2006 (fls. 3698/3709), bem como indica as notas fiscais de compra direta que, como informado à fl. 3442, também foram computadas como custos na conta 0400.1000 – monômero de estireno, mas apenas no anocalendário 2005. Não há coincidência entre as notas fiscais assim detalhadas pela contribuinte e aquelas tomadas pela autoridade lançadora para determinação dos custos glosados porque a apuração fiscal, como dito, teve em conta os valores computados como matéria prima em consignação na conta 1.01.09.003.004 (conta reduzida 1424), informada como uma das fontes dos valores deduzidos como compras nas DIPJ, e a contribuinte posteriormente esclareceu que apenas as matérias primas efetivamente consumidas eram computadas em custo. Também não há coincidência entre as notas fiscais detalhadas no Anexo VII e aquelas antes informadas no Anexo XX à impugnação (fls. 1356/1384), na medida em que parte das notas fiscais indicadas no demonstrativo anterior não se referiam à matériaprima “monômero de estireno”, bem como não estavam agregadas pelas compras diretas deste insumo verificadas no anocalendário 2005, além de outras variações quanto aos critérios de creditamento de ICMS, IPI, Contribuição ao PIS e COFINS. As diferenças entre os dois demonstrativos estão informadas no Anexo VIII às fls. 3710/3725. De toda sorte, as alegações da recorrente acerca do procedimento contábil adotado para registro dos custos decorrentes destes insumos permanecem verossímeis depois dos esclarecimentos prestados em diligência, e fragilizam as bases a partir das quais a autoridade fiscal calculou os créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS indevidamente computados em custos. Para além disso, considerando as inconsistências apontadas por ocasião da conversão do julgamento em diligência, a contribuinte revisou sua apuração e verificou que, de fato, de janeiro a julho de 2004 não havia excluído os créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS dos valores lançados como custo na conta 0400.1000. Acrescentou, contudo, que o lucro tributável não foi indevidamente reduzido porque os créditos foram lançados diretamente nas contas de resultado “8600PIS s/vendas MI” e “8700COFINS s/ vendas MI”. Significa dizer que embora o custo dos produtos vendidos estivesse majorado naqueles períodos, a despesa tributária decorrente da Contribuição ao PIS e de COFINS no período foi reduzida pelo creditamento promovido nas contas referidas, também de resultado. A título de exemplo, consta que em janeiro/2004 a Contribuição ao PIS foi calculada no montante de R$ 150.699,53, correspondente à aplicação da alíquota de 1,65% sobre o faturamento de R$ 9.133.304,72. A contribuição a recolher, contudo, corresponderia a R$ 50.372,88, tendo em conta a dedução de créditos básicos no valor de R$ 100.326,65. Por sua vez, apenas a parcela de R$ 50.372,88 teria sido agregada ao demonstrativo que resulta no valor deduzido na apuração do lucro da DIPJ do anocalendário 2004 como despesa tributária referente a “PIS s/vendas” (R$ 1.575.084,85). Os elementos juntados às fls. 3452/3637 Fl. 4024DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 40 39 apresentam algumas divergências entre os demonstrativos elaborados pela contribuinte e as informações prestadas no DACON, mas as diferenças são imateriais e não se prestam a infirmar a metodologia contábil alegada pela recorrente. A recorrente também demonstra que os créditos deduzidos corresponderiam à aquisição de insumos, detalhandoos por filiais. Relativamente à filial Joinville, apresenta relatórios para evidenciar o cômputo naqueles insumos dos valores correspondentes ao consumo da matériaprima monômero de estireno, objeto das aquisições por consignação. Relativamente a janeiro/2004 indica aquisições totais de R$ 4.188.217,84, integrada por três grupos de insumos, sendo os representativos de monômero de estireno equivalentes a R$ 3.195.475,97, mas com o IPI incluído. Em comparação, observase que tomando por referência as notas fiscais de remessa em consignação, a autoridade lançadora apurou insumos equivalentes a R$ 2.500.374,04 (ou R$ 2.105.546,86, com o desconto de ICMS), e a partir deste valor estimou em R$ 54.729,84 o crédito de Contribuição ao PIS indevidamente computado no custo em janeiro/2004, ao passo que a demonstração da contribuinte aponta que se prestou como base de cálculo para o creditamento insumos antes recebidos em consignação, no valor líquido total de R$ 2.920.624,57, assim como que este crédito, embora não descontado do custo das mercadorias vendidas, foi anulado mediante redução da despesa tributária de Contribuição ao PIS sobre vendas. Concluise, do exposto, que os elementos apresentados pela recorrente são consistentes no sentido de que as despesas tributárias de COFINS e Contribuição ao PIS deduzidas na apuração do lucro foram minimizadas de janeiro a julho/2004 em montantes compatíveis com os créditos daquelas contribuições decorrentes de insumos inicialmente recebidos em consignação. De outro lado, embora a autoridade lançadora tenha afirmado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 759) que as deduções consignadas em DIPJ são os valores apurados das contribuições antes do abatimento dos créditos de compras, nenhuma demonstração apresentou para justificar sua assertiva. Os elementos assim reunidos em diligência evidenciam que a autoridade lançadora tomou como referência para determinação dos custos glosados notas fiscais que não representam a matéria prima consumida depois de recebida em consignação. Além da majoração da base de cálculo a partir da qual foram determinados os créditos supostamente deduzidos na apuração do lucro tributável, não há exata correspondência entre os períodos em que as matérias são recebidas em consignação e consumidas. Porém, mais relevante para a decisão acerca do presente litígio, é o fato de que a falta de apropriação contábil do crédito de Contribuição ao PIS e de COFINS no momento da entrada ou consumo da matériaprima não é constatação suficiente para a acusação de que houve indevida redução do lucro tributável do período. Isto porque, se não é feita a apropriação contábil do crédito, e de um lado o custo resta majorado, de outro também não é possível, contabilmente, reduzir a obrigação tributária caso ela seja constituída pelo valor bruto da contribuição, antes da dedução dos créditos. Em tais circunstâncias, as contribuições devidas sobre o faturamento são contabilizadas por seu valor líquido, já deduzido dos créditos, o que neutraliza os efeitos da indevida majoração do custo na apuração do lucro tributável. Por sua vez, a contribuinte logrou demonstrar que assim procedeu ao menos no 1o semestre de 2004, infirmando a assertiva fiscal em sentido contrário, dissociada de qualquer comprovação. Quanto à extensa gama de documentos juntados pela contribuinte por ocasião da diligência, requereuse na Resolução nº 1101000.063 que, ao final dos trabalhos, a autoridade lançadora elaborasse relatório circunstanciado, informando se o resultado dos Fl. 4025DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 41 40 anoscalendário 2004 a 2006 foi indevidamente reduzido por alguma parcela de Contribuição ao PIS ou Cofins incidente sobre as matériasprimas objeto de operações de consignação que, sendo recuperáveis, não deveriam ter integrado o custo dos produtos vendidos a partir do consumo destas matériasprimas. E, neste sentido, a autoridade fiscal encarregada da diligência consignou que: No Termo de Diligência nº 01/2013 foi solicitado ainda que o sujeito passivo se manifestasse sobre as inconsistências descritas pelo órgão julgador no corpo da Resolução nº 1101000.063. Diante disso, em sua resposta, além de atender aos quesitos formulados, o sujeito passivo expôs detalhadamente e com profundidade sobre sua sistemática de apuração dos créditos de PIS/Pasep e Cofins apurados segundo o regime nãocumulativo, bem como acerca do método utilizado para que eles não fossem considerados como deduções na apuração das bases de cálculo da CSLL e do IRPJ. Em anexo, foi apresentada farta documentação em papel e CD. Frente ao requerido, e tendo em conta as respostas apresentadas pela contribuinte, a autoridade fiscal encarregada da diligência não manifestou qualquer discordância acerca da regularidade dos procedimentos demonstrados pela contribuinte. Diante de todo o exposto, resta infirmada a acusação fiscal, razão pela qual deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a glosa de custos. 3.1.1.f Glosa de despesas com tributos confessados no âmbito do PAEX A autoridade lançadora glosou integralmente a despesa de R$ 45.652.316,29, que corresponderia a dívidas confessadas no PAEX, afirmando que este valor teria sido inventado. A contribuinte informara, também, que registrara despesas de R$ 14.399.861,95 em razão da contabilização de um ativo de R$ 31.252.454,34 referente a crédito extemporâneo de IPI, mas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, a autoridade fiscal apenas confirmou o parcelamento do montante total de R$ 21.354.142,13. Ante os questionamentos apresentados em impugnação, a autoridade julgadora solicitou diligência, na qual foram alegados débitos de IPI parcelados, que não foram deduzidos no período de competência, observando a Fiscalização que não houve antecipação de IRPJ e CSLL naquele período de competência, a afastar a aplicação do art. 344 do RIR/99. A autoridade julgadora afastou a glosa das despesas, porque os elementos trazidos pela contribuinte invalidavam a suposição de que eles teriam sido inventados, restando injustificada a glosa não só pela falta de comprovação neste sentido, como também por falta de demonstração do não reconhecimento do ativo correspondente, do fundamento legal de indeduditibilidade, de equívocos no procedimento contábil e de afronta ao art. 344 do RIR/99. A exigência fiscal já mereceria ser substancialmente reduzida ante a ausência de qualquer justificativa para glosa, apenas, do valor escriturado a débito na conta de despesa indicada pela Fiscalização (3.50.05.036.000 – PAEX – PARCELAMENTO EXCEPCIONAL). Se, como dito, o valor de R$ 45.652.316,29 foi escriturado como um valor inventado pelo contribuinte para se contrapor à receita escriturada de R$ 31.252.454,34, e foi confirmado o parcelamento de R$ 21.354.142,13, a autoridade lançadora deveria ter explicitado, ao menos, entendimento que justificasse o fato de a glosa não ter se limitado ao montante de R$ Fl. 4026DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 42 41 14.399.861,95, saldo transferido para resultado do exercício conforme extrato do Livro Razão juntado à fl. 638. E, quanto à dedutibilidade desta parcela remanescente, também não se verificou motivação suficiente para afastála. Além de haver o reconhecimento fiscal de que houve parcelamento de tributos no montante de R$ 21.354.142,13, a autoridade lançadora não promoveu qualquer confronto entre estes valores parcelados e aqueles contabilizados, de modo a identificar quais já teriam sido, ou deveriam ter sido deduzidos em períodos de apuração anteriores. Ao deixar de assim proceder, a autoridade lançadora não identificou quais parcelas deveriam ser, simplesmente, glosadas no período fiscalizado, porque antes já deduzidas e por corresponderem a tributos que não reduzem o lucro tributável, ou que representariam inobservância do regime de escrituração, por competirem a períodos de apuração anteriores. Tratou genericamente todos os valores como indedutíveis, apenas em razão da falta de clareza no procedimento adotado pela contribuinte. Relevante destacar que a resposta apresentada aos questionamentos formulados pela Fiscalização durante procedimento investigativo, juntada às fls. 440/442, não está acompanhada das planilhas nela referidas, as quais evidenciariam débitos de IPI com vencimento até dezembro/2005, incluídos no mencionado parcelamento. Disse a contribuinte, que os débitos decorreriam de créditos indevidamente registrados na apuração do IPI, e os demonstrativos de débitos parcelados às fls. 630/633 indicam os montantes principais de R$ 8.557.279,35 a título de IPI, e de R$ 4.415.049,48 sem especificação. Já na impugnação, os documentos de fls. 1006/1022 evidenciaram outros débitos parcelados, os quais foram submetidos à Fiscalização, por meio de diligência solicitada em 21/08/2009, para que se pronunciasse a respeito dos motivos que eventualmente determinem a glosa parcial ou integral de cada um deles (fl. 1486). A autoridade lançadora exigiu relatório descritivo dos débitos parcelados, da fase de cobrança em que ele se encontrava à época do parcelamento e do seu aproveitamento na determinação do lucro real (fl. 1494), e a contribuinte prestou estas informações às fls. 1496/1541, detalhando os tributos e afirmando sua confissão espontânea, bem como negando seu aproveitamento na apuração do lucro. Afirmando que os débitos parcelados corresponderiam apenas a IPI apurado a partir de 2002, a autoridade lançadora limitouse a dizer que a falta de dedução, no passado, daqueles débitos, não gerara antecipação de IRPJ e CSLL – dado que apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa desde então –, a justificar a inobservância do art. 344 do RIR/99, que estabelece a dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência (fl. 3067). Difícil compreender esta conclusão sem maiores esclarecimentos acerca da forma que, no entender da Fiscalização, deveria ter sido observada para o cômputo de custos ou despesas em períodos de apuração já encerrados. De outro lado, qualquer abordagem neste sentido significaria integrar novos motivos a acusação fiscal. Observese, ainda, que a Fiscalização sequer cogitou da eventual dedutibilidade de partes destes valores nos anoscalendário de 2004 e 2005, objeto de lançamento nestes autos. Fl. 4027DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 43 42 Assim, à semelhança do que já decidido pela autoridade julgadora de 1a instância, resta concluir que não há motivação suficiente para a manutenção da glosa tratada neste item da autuação, devendo ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. 3.2 Ganho de capital A acusação fiscal tem em conta redução de capital social verificada na autuada no anocalendário 2006, assim descrita pela autoridade lançadora (fl. 761): A empresa tinha um capital social de R$ 16.442.228,00 (TUPINAMBÁ S.A. possuía R$ 16.412.632,00; TAPUIA ADM E PARTIC S.A. possuía R$ 13.153,00 e existiam R$ 16.443,00 em ações na tesouraria), foram devolvidos R$ 38.879.962,00 a TUPINAMBÁ S.A. e R$ 24.700,00 a ALBANO SCHMIDT. A cópia da Décimaquarta Alteração de Contrato Social da fiscalizada, fls. 212 a 214, esclarece a operação: 1. TAPUIA transferiu sua participação para ALBANO SCHMIDT (item 1 na alteração do contrato social) (que passou a ter R$13.153,00 do capital social); 2. TERMOTÉCNICA vende as cotas em tesouraria para a TUPINAMBÁ (item 1 na alteração do contrato social) que subscreve e integraliza R$7.950.000,00 (item 3 na alteração do contrato social) (passando a ter R$ 24.379.075,00 do capital social da fiscalizada); 3. são devolvidos R$38.879.962,00 à TUPINAMBÁ (que remanesce com R$9.991.917,00 do capital social) e R$ 24.700,00 a ALBANO SCHMIDT (ficando com R$ 8.083,00 do capital social) (item 3 na alteração do contrato social). Ora, se a TUPINAMBÁ tinha R$ 24.379.075,00 e ficou com R$ 9.991.917,00, recebeu pelos seus R$ 14.387.158,00 (diferença entre 24.379.075 e 9.991.917) R$ 38.879.962,00, com ganho de capital de R$ 24.492.804,00 (diferença entre R$ 38.879.962,00 e R$ 14.387.158,00). Da mesma forma, ALBANO SCHMIDT tinha R$ 13.153,00 e ficou com R$ 8.083,00, recebendo seus R$ 5.070,00 a R$ 24.700,00, com ganho de capital de R$ 19.630,0. Estes valores foram incluídos na apuração do resultado em dezembro de 2006, conforme preconiza a lei n° 9.249/95. Diz o art. 22 da Lei nº 9.249/95, com destaque na parte invocada pela Fiscalização: Art. 22. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. § 1º No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos entregues será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real ou na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devidos pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado. § 2º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa jurídica, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão registrados pelo valor contábil da participação ou pelo valor de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica que esteja devolvendo capital. Fl. 4028DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 44 43 § 3º Para o titular, sócio ou acionista, pessoa física, os bens ou direitos recebidos em devolução de sua participação no capital serão informados, na declaração de bens correspondente à declaração de rendimentos do respectivo anobase, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica. § 4º A diferença entre o valor de mercado e o valor constante da declaração de bens, no caso de pessoa física, ou o valor contábil, no caso de pessoa jurídica, não será computada, pelo titular, sócio ou acionista, na base de cálculo do imposto de renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. (negrejouse) Argumentou o agente fiscal que a contrapartida da devolução (que era o montante do mútuo) estava registrada a valor de mercado, no entanto, o montante do capital social não estava e é sobre este valor que deve ser apurado o ganho de capital (fl. 761). Contudo, a norma não pode ser interpretada sob esta ótica, sob pena de se verificar ganho de capital tributável sempre que a devolução de capital for promovida por valor superior ao capital social reduzido. A devolução em tais circunstâncias é, sem dúvida, a hipótese regulada no dispositivo em comento, mas o ganho de capital deve ser verificado tendo em conta o valor atribuído aos bens e direitos entregues aos sócios/acionistas em contrapartida à redução do capital social. Se a tais bens e direitos for atribuído um valor superior ao contábil (valor de mercado), haverá ganho de capital a ser reconhecido pela pessoa jurídica e o sócio/acionista poderá registrar estes bens e direitos em sua declaração de bens pelo valor mercado. No caso, a contribuinte informara que o montante devolvido já estava registrado na contabilidade com valores atualizados (“de mercado”), por se tratarem de “créditos de mútuo”. Inferese desta afirmação que a redução do capital social teve por contrapartida a extinção de direitos detidos pela autuada em face de seus sócios em razão de anteriores contratos de mútuo. À míngua de qualquer investigação pela autoridade lançadora, seria de se supor que tais direitos, em montantes equivalentes a R$ 38.879.962,00 e R$ 24.700,00, foram baixados por seu valor escritural em contrapartida às reduções de capital nos valores de R$ 14.387.158,00 e R$ 5.070,00 em favor, respectivamente, de Tupinambá S/A e Albano Schmidt. Significaria dizer que os direitos teriam sido devolvidos por seu valor contábil, mas este seria superior ao valor patrimonial das cotas extintas em tal operação. Neste sentido, a autoridade julgadora de 1a instância consignou que: Como se vê, o ganho de capital suscetível de tributação na pessoa jurídica é aquele que for apurado no valor do bem, e não no valor da participação do capital da pessoa jurídica. Em verdade, o autuante não alega que um bem foi entregue por valor superior àquele pelo qual a pessoa jurídica o adquiriu. O que a fiscalização alega é que os titulares do capital auferiram ganhos de capital. Logo, a tributação deveria recair sobre os sócios – e não sobre a empresa. Para além disso, a contribuinte demonstrou, em impugnação, que outros eventos se verificaram na Décimaquarta Alteração de seu Contrato Social, dos quais resultaram alterações assim consolidadas na decisão, neste ponto, sob reexame: Fl. 4029DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 45 44 OCORRÊNCIAS DA 14ª ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL DESCRIÇÃO TUPINAMBÁ S/A ALBANO SCHMIDT PARTICIAPÇÃO ANTES DA 14ª ALTERAÇÃO 16.412.632,00 (+) RECEB. DE AÇÕES EM TESOURARIA 16.443,00 (+) RECEB. DE TAPUIA ADM. PARTIC. 13.153,00 (=) SUBTOTAL 1 16.429.075,00 13.153,00 (+) SUBSCRIÇÃO 7.950.000,00 (+) CAPIT. RESERVA REAVALIAÇÃO 24.492.804,00 19.630,00 (=) SUBTOTAL 2 48.871.879,00 32.783,00 () DEVOLUÇÃO DE CAPITAL 38.879.962,00 24.700,00 (=) SALDO FINAL DO CAPITAL 9.991.917,00 8.083,00 Resta evidente, assim, que a autoridade lançadora não analisou por completo a operação que pretendeu tributar, além de dar equivocada interpretação ao §1o do art. 22 da Lei nº 9.249/95. Por tais razões, não merece reparo a decisão sob reexame, devendo ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício neste ponto. 3.3 Multa Regulamentar arquivos magnéticos A contribuinte foi punida com multa equivalente a 0,5% da receita bruta nos anoscalendário 2004 a 2006, prevista no art. 980, inciso I do RIR/99 aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos. A acusação fiscal foi assim veiculada às fls. 762/763: A empresa utilizou escrituração em meio magnético nos anos fiscalizados. Intimada a apresentar os arquivos magnéticos referentes à escrita contábil para os anos de 2004 a 2006, apresentou o arquivo com os lançamentos cujo histórico não permite sua perfeita individualização. Se tomarmos como exemplo o arquivo de lançamentos correspondente à conta reduzida 1424 (1.01.09.003.004 — Compras em Consignação), razão em fls. 657 a 669, assim como os demais juntados neste processo, fls. 670 a 675, fica fácil verificar que os lançamentos estão identificados com o histórico "LANCTO CF SUP1650 D/DATA", sem contrapartida e a cujos "número" e "arquivamento" correspondem muitos outros lançamentos, inclusive de naturezas e datas diversas. Assim, o primeiro lançamento de 2006 naquela conta tem como número, "00031/00012", fl. 666, a que correspondem 109 outros lançamentos, fls. 670 a 672. Para o seu número de arquivamento (SUP0000593) correspondem outros 19 lançamentos, fl. 673. Apesar dos lançamentos auxiliares entregues, para o arquivo em análise os lançamentos auxiliares inexistem. Isso sem falar que a contabilidade contém dias desbalanceados, ou seja, os créditos e débitos não são iguais naqueles dias (os lançamentos precisam de mais de um dia para se aperfeiçoarem). Os lançamentos do diário auxiliar tem códigos no histórico e não apresentam as contrapartidas. Assim, por exemplo, nos arquivos magnéticos apresentados não há conta com o nome dos fornecedores ou clientes, não há menção a clientes ou fornecedores individualizados no histórico dos lançamentos no diário geral e no Fl. 4030DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 46 45 diário auxiliar, não há histórico que individualize os lançamentos para clientes ou fornecedores. Como os arquivos magnéticos apresentados, pela forma como estão os registros, não permitem a individualização dos lançamentos, estando em desacordo com o formato previsto na legislação tributária, entendemos ser aplicável a multa regulamentar prevista no art. 980 do RIR99 (Decreto 3000/99). Das DIPJ 2005, 2006 e 2007, fls. 564 a 615, foram retirados os dados para a construção da tabela 5, de cálculo da multa regulamentar aplicada. A autoridade julgadora de 1a instância, porém, validamente argumentou que a multa não decorre de irregularidades materiais na escrita, ou seja, aquelas irregularidades que poderiam existir, mesmo se a escrita estivesse sendo apresentada em meio físico (livros). A multa somente se tornará devida quando restar comprovado o não atendimento à forma estipulada pela Administração para a apresentação dos registros respectivos. E, reportandose ao Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001, observou que seu Anexo Único enfeixa as regras de armazenamento e formatação dos arquivos digitais, devendo ser demonstrada a desatenção àqueles requisitos para aplicação da multa em comento. Acrescentou, ainda, que: É forçoso concordar com o autuante que a escrita da autuada dificulta a auditagem. Contudo, tal característica é intrínseca à escrita – e não à forma dos arquivos digitais. Caso a contabilidade estivesse em papel, a dificuldade seria a mesma. Considero relevante o fato de que, já na impugnação, a autuda argumentava com vigor que os arquivos haviam sido importados e validados pelo programa específico da Receita Federal do Brasil (SINCO – Sistema Integrado de Coleta), o que significaria o atendimento às especificações regulamentares. O argumento é forte. Se existe programa que importa e valida os dados extraídos dos arquivos eletrônicos, é de se presumir que também critica a forma de apresentação dos arquivos, em confronto com aquela prevista em abstrato no normativo. Em tese, podem existir desconformidades não detectáveis pelo programa validador. Contudo, em se materializando tal hipótese, deverão as inconformidades ser apontadas de forma objetiva, permitindo ao contribuinte produzir prova em contrário. Nada há a acrescentar a estes argumentos, suficientes para o cancelamento da exigência. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Penalidades Consoante demonstrado ao final deste voto, uma vez negado provimento ao recurso de ofício e dado provimento parcial ao recurso voluntário, e tendo em conta os prejuízos e bases negativas originalmente apurados pelo sujeito passivo, subsistirá crédito tributário a título de IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual de 2005 e de 2006. A contribuinte, porém, afirmou a ilegitimidade da multa de ofício aplicada no percentual de 75%, em razão de sua natureza confiscatória, pleiteando sua redução a 25%. Fl. 4031DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 47 46 Ocorre que esta penalidade está prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96 e, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, este órgão de julgamento não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício proporcional, mantendo sua aplicação sobre os créditos tributários remanescentes. Quanto à aplicação das multas isoladas concomitantemente com a multa de ofício proporcional, foi recentemente aprovada a Súmula CARF nº 105 com o seguinte enunciado: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Restou pacificado nesta 1a Seção de Julgamento que até a vigência da Medida Provisória nº 351/2007, que alterou a redação original do art. 44, §1o, inciso IV da Lei nº 9.430/96 e deslocou o fundamento legal da penalidade em comento para o inciso I, letra “b” daquele art. 44, não é possível a exigência concomitante das duas penalidades. Na medida em que as infrações aqui constatadas são todas anteriores à edição da Medida Provisória nº 351/2007, sua exoneração se impõe em observância à Súmula CARF nº 105. Considerando que parte das multas isoladas já haviam sido canceladas na decisão de 1a instância, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário e NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício para excluir integralmente as exigências de multas isoladas. Assim sendo, os créditos tributários lançados nestes autos são assim reformulados: Fl. 4032DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 48 47 Anocalendário 2004 Exigido Contestado Exonerado DRJ Exonerado CARF Mantido Lucro Líquido Ajustado (7.158.684,64) (7.158.684,64) 3.1.1.a Despesas não comprovadas 40.000,00 40.000,00 3.1.1.b Despesas não comprovadas 234.001,73 234.001,73 3.1.1.e Glosa de serviços jurídicos 3.897.152,35 3.897.152,35 3.897.152,35 3.1.2 Glosa de custos 5.113.821,58 5.113.821,58 5.113.821,58 Lucro Líquido Reconstituído 2.126.291,02 (2.987.530,56) Compensação Prejuízos (637.887,31) Lucro Real 1.488.403,71 (2.987.530,56) IRPJ (15%) 223.260,56 Adicional (10%) 124.840,37 IRPJ Total 348.100,93 IR P J Multas Isoladas 538.475,95 538.475,95 538.475,95 Lucro Líquido Ajustado (7.158.684,64) (7.158.684,64) 3.1.1.a Despesas não comprovadas 40.000,00 40.000,00 3.1.1.b Despesas não comprovadas 234.001,73 234.001,73 3.1.1.e Glosa de serviços jurídicos 3.897.152,35 3.897.152,35 3.897.152,35 3.1.2 Glosa de custos 5.113.821,58 5.113.821,58 5.113.821,58 Lucro Líquido Reconstituído 2.126.291,02 (2.987.530,56) Compensação BCN (637.887,31) BC da CSLL 1.488.403,71 (2.987.530,56) CSLL ( 9%) 133.956,33 C S L L Multas Isoladas 193.993,00 193.993,00 193.993,00 3.3. Multa Arq. Magnéticos 793.386,97 793.386,97 793.386,97 Anocalendário 2005 Exigido Contestado Exonerado DRJ Exonerado CARF Mantido Lucro Líquido Ajustado (6.540.588,28) (6.540.588,28) 3.1.1.a Despesas não comprovadas 6.322,65 6.322,65 3.1.1.b Despesas não comprovadas (44.122,88) (44.122,88) 3.1.1.e Glosa de serviços jurídicos 6.728.733,00 6.728.733,00 6.728.733,00 3.1.2 Glosa de custos 4.385.711,77 4.385.711,77 4.385.711,77 Lucro Líquido Reconstituído 4.536.056,26 150.344,49 Compensação Prejuízos (1.360.816,88) (45.103,35) Lucro Real 3.175.239,38 105.241,14 IRPJ (15%) 476.285,91 15.786,17 Adicional (10%) 293.523,94 IRPJ Total 769.809,85 15.786,17 IR P J Multas Isoladas 555.007,04 555.007,04 555.007,04 Lucro Líquido Ajustado (6.540.588,28) (6.540.588,28) 3.1.1.a Despesas não comprovadas 6.322,65 6.322,65 3.1.1.b Despesas não comprovadas (44.122,88) (44.122,88) 3.1.1.e Glosa de serviços jurídicos 6.728.733,00 6.728.733,00 6.728.733,00 3.1.2 Glosa de custos 4.385.711,77 4.385.711,77 4.385.711,77 Lucro Líquido Reconstituído 4.536.056,26 150.344,49 Compensação BCN (1.360.816,88) (45.103,35) BC da CSLL 3.175.239,38 105.241,14 CSLL ( %) 285.771,54 9.471,70 C S L L Multas Isoladas 204.122,52 204.122,52 204.122,52 3.3. Multa Arq. Magnéticos 895.446,55 895.446,55 895.446,55 Fl. 4033DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10920.001836/200940 Acórdão n.º 1101001.235 S1C1T1 Fl. 49 48 Anocalendário 2006 Exigido Contestado Exonerado DRJ Exonerado CARF Mantido Lucro Líquido Ajustado (1.281.951,59) (1.281.951,59) 3.1.1.a Despesas não comprovadas 77.341,58 77.341,58 3.1.1.c Despesa PAES 89.877,47 89.877,47 3.1.1.d Glosa de aluguéis 164.701,71 164.701,71 164.701,71 3.1.1.e Glosa de serviços jurídicos 9.245.095,00 9.245.095,00 9.245.095,00 3.1.1.f Despesas PAEX 45.652.316,29 45.652.316,29 45.652.316,29 3.1.2 Glosa de custos 4.781.526,52 4.781.526,52 4.781.526,52 Lucro Líquido Reconstituído 58.728.906,98 8.130.362,46 Compensação Prejuízos (11.193.082,08) (2.439.108,74) 3.2 Ganho de Capital 24.512.434,00 24.512.434,00 24.512.434,00 Lucro Real 72.048.258,90 5.691.253,72 IRPJ (15%) 10.807.238,84 853.688,06 Adicional (10%) 7.180.825,89 545.125,37 IRPJ Total 17.988.064,73 1.398.813,43 IR P J Multas Isoladas 10.414.671,11 10.414.671,11 8.930.837,73 1.483.833,38 Lucro Líquido Ajustado (1.281.951,59) (1.281.951,59) 3.1.1.a Despesas não comprovadas 77.341,58 77.341,58 3.1.1.c Despesa PAES 89.877,47 89.877,47 3.1.1.d Glosa de aluguéis 164.701,71 164.701,71 164.701,71 3.1.1.e Glosa de serviços jurídicos 9.245.095,00 9.245.095,00 9.245.095,00 3.1.1.f Despesas PAEX 45.652.316,29 45.652.316,29 45.652.316,29 3.1.2 Glosa de custos 4.781.526,52 4.781.526,52 3.2 Ganho de Capital 24.512.434,00 24.512.434,00 24.512.434,00 Lucro Líquido Reconstituído 83.241.340,98 8.130.362,46 Compensação BCN (17.222.969,33) (2.439.108,74) BC da CSLL 66.018.371,65 5.691.253,72 CSLL ( %) 5.941.653,45 512.212,83 C S L L Multas Isoladas 3.691.734,76 3.691.734,76 3.157.413,76 534.321,00 3.3. Multa Arq. Magnéticos 990.636,44 990.636,44 990.636,44 É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 4034DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10882.904454/2009-73
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1802-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada.
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 44 54 /2 00 9- 73 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.904454/200973 Acórdão n.º 1802002.509 S1TE02 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Henrique Heiji Erbano, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório Por economia processual e bem resumir os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratam os autos da declaração de compensação nº 19172.15541.101208.1.7.041840, transmitida eletronicamente em 10/12/2008, com base em créditos relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: PERÍODO DE APURAÇÃO: 30/09/2002 CÓDIGO DE RECEITA : 2089 VALOR TOTAL DO DARF : 21.633,27 DATA DE ARRECADAÇÃO: 30/12/2002 A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 20/04/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 4), cuja decisão não homologou a declaração de compensação por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 23.969,80. Cientificado dessa decisão em 29/04/2009, o sujeito passivo apresentou em 27/05/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 e 3, acrescida de documentação anexa. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.904454/200973 Acórdão n.º 1802002.509 S1TE02 Fl. 4 3 Em síntese, a contribuinte esclarece que teria recolhido indevidamente três parcelas de IRPJ referentes ao período em análise. Uma vez constatado o recolhimento indevido, retificou suas declarações. Enfatiza que teria cometido erro de fato e que não existiria impedimento legal para retificação dos débitos e créditos declarados. Apresenta quadro demonstrativo e anexa aos autos cópias das declarações. Ao final, solicita a homologação da compensação requerida por meio do PER/DCOMP em análise, cancelandose o débito fiscal dela decorrente. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0356.220, de 17 de outubro de 2013, cientificado ao interessado em 20/12/2013. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil/fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/01/2014. A Recorrente alega que: Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.904454/200973 Acórdão n.º 1802002.509 S1TE02 Fl. 5 4 há equívoco na decisão recorrida ao sustentar que a pessoa jurídica deveria, em sua manifestação de inconformidade, provar, através dos seus assentamentos contábeis/fiscais embasando sua escrituração com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, fundamentando seus lançamentos contábeis com o comprovante de retençãoemitido em seu nome pela fonte pagadora; tal entendimento é totalmente descabido na análise do presente contencioso administrativo fiscal posto que a Recorrente em sua impugnação item "c" deixou claro que o todo alegado poderia ser devidamente comprovado através da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ/2003 (linha 29 do 1º Quadro da folha 04) fl.41 dos autos, entregue e encaminhada à Secretaria da Receita Federal do Brasil; é cediço que a Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ é a reprodução integral dos assentamentos contábeis/fiscais do sujeito passivo e, os dados nela contidos, estão permanentemente à disposição de autoridade fiscal para apreciação, análise e contestações que se fizerem necessárias; o crédito tributário que deu origem ao pedido de compensação não homologado pela Autoridade Administrativo preparadora, não tem sua origem em imposto de renda retido na fonte como sugerido pela ilustre JulgadoraRelatora fls. 57 dos autos, mas sim da diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor devido constante da Declaração de Informações EconômicoFiscais, pertinente ao 3o Trimestre do AnoCalendário de 2002; conforme informado pela Recorrente o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ código da receita 2089, referente ao 3o Trimestre de 2002, apurado e informado na DIPJ somou a quantia de R$ 4.328,36 (quatro mil, trezentos e vinte e oito reais e trinta e seis centavos), e o valor recolhido, conforme atestado através dos DARF's anexados aos autos somou a quantia de R$ 63.292,20 (sessenta e três mil, duzentos e noventa e dois reais e vinte centavos); havendo receitas decorrentes de prestação de serviços e estando dentro dos limites previstos pela legislação tributária, a fonte pagadora deve proceder à devida retenção do imposto/contribuições devidos o qual, por sua vez, será deduzido do imposto ou contribuição a pagar/recolher; no Ano Calendário de 2002, submeteuse ao regime de tributação com base no Lucro Presumido e, no 3o Trimestre do período de apuração encerrado em 30 de setembro de 2002, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no montante de R$ 63.292,20 (sessenta e três mil, duzentos e noventa e dois reais e vinte centavos) , em três parcelas, conforme a seguir demonstrado, que foram devidamente informados em DCTF: IRPJ 3° Trimestre — PA 30/09/2002 Data vencimento/recolhimento Valor Recolhido em R$ I a Parcela 31/10/2002 21.097,40 2a Parcela 29/11/2002 21.097,40 3a Parcela 30/12/2002 21.097,40 TOTAL 63.292,20 após a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais do Exercício de 2003 Ano Calendário de 2002 constatou que o valor efetivamente devido no 3o Trimestre de 2002, era de R$ 4.328,36 (quatro mil, trezentos e vinte e oito reais e trinta e seis centavos), fato este Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.904454/200973 Acórdão n.º 1802002.509 S1TE02 Fl. 6 5 verificado em tempo posterior através de auditoria interna a fim de analisar os procedimentos de natureza contábil/fiscal adotados pela Recorrente; ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2002, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ/2003 Retificadora, em 28/11/2008, fls. 37/41 dos autos, e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF Retificadora, fls.31/36 dos autos, em 26/05/2009. diante da constatação das inconsistências acima apontadas a Recorrente concluiu que no 3o Trimestre de 2002, recolheu o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, em valores acima do efetivamente devido no montante de R$ 58.963,84 (cinquenta e oito mil, novecentos e sessenta e três reais e oitenta e quatro centavos), abaixo demonstrado: IRPJ 3o Trimestre PA 30/09/2002 Valor Recolhido em R$ Valor Devido em R$ Valor Recolhido a Maior V a l o r r e f e r e n t e a s 1 ª , 2 ª , e 3 ª quotas 63.292,20 4.328,36 58.963,84 TOTAL 63.292,20 4.328,36 58.963,84 o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento das quotas recolhidas no curso do 4º trimestre de 2002, o qual está devidamente comprovado através das declarações e documentos apresentadas em sua impugnação; os valores informados na DCTFRetificadora, recepcionada em 26 de maio de 2009 fls. 31/36 dos autos estão sobejamente comprovados através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2003 AnoCalendário de 2002, recepcionada em 28 de novembro de 2008 fls. 37/41 dos autos e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 12/14. Finalmente requer provimento do recurso voluntário e protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 19172.15541.101208.1.7.041840 (fls.05/09), retificador, transmitido em 10/12/2008, em que a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ e CSLL relativos ao 3º Trimestre de 2006 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.904454/200973 Acórdão n.º 1802002.509 S1TE02 Fl. 7 6 no total de R$ 23.969,80 com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ no valor de R$ 21.633,27, código – 2089, relativo ao DARF: Período de Apuração: 30/09/2002; Data de Arrecadação: 30/12/2002, no valor de R$ 21.633,27. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 20/04/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos, foi localizado o pagamento no valor de R$ 21.633,27, mas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. A Recorrente afirma que o crédito reclamado através deste PER/DCOMP referese ao pagamento das quotas recolhidas no curso do 4º trimestre de 2002, o qual está devidamente comprovado através das declarações apresentadas em sua impugnação. De inicio, cabe registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 que alterou o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico), utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc) na data em que apresentado o PER/DCOMP. No caso, por se tratar de suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado no PER/DCOMP com a informação do débito constante na DCTF na data em que transmitido o PER/DCOMP. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para a compensação indicada. A Recorrente, no essencial, alega que o crédito está sobejamente comprovado por meio dos valores informados na DCTF Retificadora, recepcionada em 26 de maio de 2009 fls. 31/36, através dos dados extraídos da Declaração de Informações Econômico Fiscais Retificadora do Exercício de 2003 AnoCalendário de 2002, recepcionada em 28 de novembro de 2008 fls. 37/41 e dos DARF's anexados aos autos do presente contencioso administrativo fiscal fls. 12/14. Como se vê, o contribuinte informa o crédito a compensar no PER/DCOMP 19172.15541.101208.1.7.041840 (fls.05/09), retificador, transmitido em 10/12/2008, e procedeu a retificação da DCTF relativa ao 3º trimestre de 2002 após a apresentação do PER/DCOMP ou seja em 26/05/2009. Portanto, na data da transmissão do PER/DCOMP não há falar em crédito a ser compensado com débitos do contribuinte. No entendimento da decisão recorrida não basta a retificação da DCTF e da DIPJ/2003 para comprovar o direito creditório, pois, neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábil/fiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.904454/200973 Acórdão n.º 1802002.509 S1TE02 Fl. 8 7 A Recorrente alega que, ao determinar a base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicou sobre a receita auferida no 3° Trimestre de 2002, a alíquota de 32% (trinta e dois por cento), quando a alíquota efetiva a ser aplicada era de 8% (oito por cento), em face de suas atividades operacionais. Daí a origem do seu direito creditório. Diz que, ipso fato procedeu à retificação da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários DCTF como explicitado acima. De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que comprove suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC Art. 333. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito ... A Recorrente, genericamente, protesta pela produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil/fiscal e comparar com os valores declarados na DIPJ/2003 e DCTF. E, demonstrar cabalmente suas atividades operacionais mediante notas fiscais para os fins de apuração do lucro presumido, a se verificar qual o percentual de aplicação se 8% (retificadora) ou 32% como apurado nas declarações originais. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Como registrado acima e, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente o contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.904454/200973 Acórdão n.º 1802002.509 S1TE02 Fl. 9 8 Como bem esclarecido na decisão recorrida, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. Como cediço, as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito e os equívocos dito cometidos. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PER/DCOMP, retificador, foi transmitido pela pessoa jurídica em 10/12/2008, tomou ciência do despacho decisório expedido em 20/04/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 27/05/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA Processo nº 10882.904454/200973 Acórdão n.º 1802002.509 S1TE02 Fl. 10 9 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/ 03/2015 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JOSE DE OLIVEIRA FE RRAZ CORREA
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Numero do processo: 11516.721499/2012-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
NULIDADE DE DECISÃO. JULGAMENTO EM SEPARADO DE PROCESSOS. INEXISTÊNCIA.
Não há qualquer vício no julgamento em separado dos processos relativos ao IRPJ/CSLL e o de constituição de diferenças relativas ao PIS e a Cofins, formalizados em processo apartado, ainda que as infrações tenham sido apuradas no curso da mesma ação fiscal.
NULIDADE DE DECISÃO. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. Não incorre em nulidade a decisão de primeiro grau que indefere, de modo fundamentado, pedido de perícia formulado em desconformidade com as normas que regem o processo administrativo fiscal.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor-Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afasta-se quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF.
NULIDADE DE PROCEDIMENTO FISCAL. TERMO DE APREENSÃO DE DOCUMENTOS. CIÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A ciência de termo de apreensão fiscal de elementos que podem servir de prova em eventual processo penal, feita na data de encerramento da ação fiscal, junto com os autos de infração, não macula o procedimento fiscal.
APURAÇÃO DO LUCRO. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS.
O arbitramento do lucro é medida extrema, prevista na legislação para os casos de descumprimento dos requisitos para a apuração do imposto com base no Lucro Real ou Presumido. Não pode ser acolhida a invocação da própria má-fé da interessada, como forma de abrandar a imposição fiscal, quando esta tomou por base o que foi escriturado em seus próprios livros e documentos fiscais. Estando presentes todos os elementos necessários para a apuração do imposto pelo Lucro Real anual, tal como empreendido pelo Fisco no lançamento, não ha que se cogitar de arbitramento do lucro.
MULTA QUALIFICADA. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS.
Evidenciado que a interessada tinha plena consciência da inidoneidade dos documentos fiscais que ampararam os custos contabilizados e que restaram glosados é cabível a aplicação da multa qualificada. Desnecessária, para fins de glosa e qualificação da multa, a existência de Ato Declaratório de Inidoneidade dos documentos fiscais se os elementos colhidos revelam sua falsidade.
MULTA QUALIFICADA. GLOSA DE DESPESAS. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO. INAPLICABILIDADE.
Se os elementos dos autos não comprovam a existência de intuito doloso; antes indicam o contrário, a multa de ofício deve ser conformada ao percentual de 75%.
Numero da decisão: 1301-001.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada do item despesas não comprovadas (item 01 do Auto de Infração).
(assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO Presidente
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 NULIDADE DE DECISÃO. JULGAMENTO EM SEPARADO DE PROCESSOS. INEXISTÊNCIA. Não há qualquer vício no julgamento em separado dos processos relativos ao IRPJ/CSLL e o de constituição de diferenças relativas ao PIS e a Cofins, formalizados em processo apartado, ainda que as infrações tenham sido apuradas no curso da mesma ação fiscal. NULIDADE DE DECISÃO. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. Não incorre em nulidade a decisão de primeiro grau que indefere, de modo fundamentado, pedido de perícia formulado em desconformidade com as normas que regem o processo administrativo fiscal. NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do Auditor-Fiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afasta-se quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. NULIDADE DE PROCEDIMENTO FISCAL. TERMO DE APREENSÃO DE DOCUMENTOS. CIÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A ciência de termo de apreensão fiscal de elementos que podem servir de prova em eventual processo penal, feita na data de encerramento da ação fiscal, junto com os autos de infração, não macula o procedimento fiscal. APURAÇÃO DO LUCRO. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. O arbitramento do lucro é medida extrema, prevista na legislação para os casos de descumprimento dos requisitos para a apuração do imposto com base no Lucro Real ou Presumido. Não pode ser acolhida a invocação da própria má-fé da interessada, como forma de abrandar a imposição fiscal, quando esta tomou por base o que foi escriturado em seus próprios livros e documentos fiscais. Estando presentes todos os elementos necessários para a apuração do imposto pelo Lucro Real anual, tal como empreendido pelo Fisco no lançamento, não ha que se cogitar de arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Evidenciado que a interessada tinha plena consciência da inidoneidade dos documentos fiscais que ampararam os custos contabilizados e que restaram glosados é cabível a aplicação da multa qualificada. Desnecessária, para fins de glosa e qualificação da multa, a existência de Ato Declaratório de Inidoneidade dos documentos fiscais se os elementos colhidos revelam sua falsidade. MULTA QUALIFICADA. GLOSA DE DESPESAS. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO. INAPLICABILIDADE. Se os elementos dos autos não comprovam a existência de intuito doloso; antes indicam o contrário, a multa de ofício deve ser conformada ao percentual de 75%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada do item despesas não comprovadas (item 01 do Auto de Infração). (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 918 1 917 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.721499/201241 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.814 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de março de 2015 Matéria Glosa de Custos e Despesas Recorrente MINERAÇÃO CARAVAGGIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE DE DECISÃO. JULGAMENTO EM SEPARADO DE PROCESSOS. INEXISTÊNCIA. Não há qualquer vício no julgamento em separado dos processos relativos ao IRPJ/CSLL e o de constituição de diferenças relativas ao PIS e a Cofins, formalizados em processo apartado, ainda que as infrações tenham sido apuradas no curso da mesma ação fiscal. NULIDADE DE DECISÃO. INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE PERÍCIA. INOCORRÊNCIA. Não incorre em nulidade a decisão de primeiro grau que indefere, de modo fundamentado, pedido de perícia formulado em desconformidade com as normas que regem o processo administrativo fiscal. NULIDADE DO LANÇAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DE PRORROGAÇÃO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão, prorrogação ou alteração do MPF. NULIDADE DE PROCEDIMENTO FISCAL. TERMO DE APREENSÃO DE DOCUMENTOS. CIÊNCIA. INOCORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 14 99 /2 01 2- 41 Fl. 918DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 919 2 A ciência de termo de apreensão fiscal de elementos que podem servir de prova em eventual processo penal, feita na data de encerramento da ação fiscal, junto com os autos de infração, não macula o procedimento fiscal. APURAÇÃO DO LUCRO. ARBITRAMENTO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. O arbitramento do lucro é medida extrema, prevista na legislação para os casos de descumprimento dos requisitos para a apuração do imposto com base no Lucro Real ou Presumido. Não pode ser acolhida a invocação da própria máfé da interessada, como forma de abrandar a imposição fiscal, quando esta tomou por base o que foi escriturado em seus próprios livros e documentos fiscais. Estando presentes todos os elementos necessários para a apuração do imposto pelo Lucro Real anual, tal como empreendido pelo Fisco no lançamento, não ha que se cogitar de arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. Evidenciado que a interessada tinha plena consciência da inidoneidade dos documentos fiscais que ampararam os custos contabilizados e que restaram glosados é cabível a aplicação da multa qualificada. Desnecessária, para fins de glosa e qualificação da multa, a existência de Ato Declaratório de Inidoneidade dos documentos fiscais se os elementos colhidos revelam sua falsidade. MULTA QUALIFICADA. GLOSA DE DESPESAS. INTUITO DOLOSO NÃO COMPROVADO. INAPLICABILIDADE. Se os elementos dos autos não comprovam a existência de intuito doloso; antes indicam o contrário, a multa de ofício deve ser conformada ao percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa qualificada do item despesas não comprovadas (item 01 do Auto de Infração). (assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO– Presidente (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 920 3 Relatório MINERAÇÃO CARAVAGGIO LTDA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0731.348, de 17 de Maio de 2013, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo ao IRPJ e CSLL, s, no valor total de R$ 26.656.949,23, incluindo multa de ofício e juros de mora calculados até agosto de 2012. As irregularidades apontadas no lançamento de IRPJ – e por decorrência na CSLL – foram: a) Glosa de Custos, Despesas Operacionais e Encargos não Comprovados; b) Glosa de Custo dos Bens Vendidos e/ou Serviços Prestados – Comprovação Inidônea de Custos. Irresignada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Notificada dos lançamentos, em 6/8/2012, a interessada apresentou, tempestivamente, impugnação onde alega: Em preliminar: que devem ser anulados todos os atos fiscais posteriores a 5/4/2012 – incluídos aí os autos de infração – por entender não ter havido prorrogações válidas do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF; que deve ser anulado o auto de infração de CSLL por não haver sido emitido MPF Complementar; que toda a autuação fiscal está baseada na “suposta” falsidade [e glosa] das notas fiscais emitidas por Gold e T’Mel, no entanto o TERMO DE APREENSÃO DE DOCUMENTOS, por meio do qual teria sido apreendidas tais notas fiscais, não está assinado pela Fiscalizada, o que, no seu entender, inquina de nulidade todo o feito fiscal. – que devem ser anulados os autos de infração uma vez que tornase insustentável a manutenção do lucro real – modalidade de apuração não indicada pela Contribuinte, segundo alega – sendo que houve glosa de quase totalidade dos custos e despesas. (...) que os autos de infração devem ser anulados pois que baseados na suposta falsidade das notas fiscais emitidas por Gold e T’Mel, sendo que tais notas fiscais foram desconsideradas pela Fiscalização sem que houvesse publicação de Ato Declaratório de Inidoneidade, para tal finalidade. No mérito, vem alegar: Fl. 920DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 921 4 não ser optante pelo regime de tributação do lucro real, como afirmam os auditores no Relatório Fiscal, uma vez que a opção somente se manifesta com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, o que não ocorreu. Diz que o lucro presumido lhe é mais favorável e que a exigência fiscal deveria ter sido elaborada com base neste regime ou no arbitrado. Requer a anulação dos autos de infração ou sua apuração pelo lucro arbitrado. a discordância da exigência fiscal resultante da glosa dos valores relativos a despesas indedutíveis lançados no LALUR unicamente por não aceitar o referido livro que foi apresentado sob ação fiscal. A Fiscalização – sem verificar se de fato houve ou não comprovação da indedutibilidade dos custos. Afirma que seu contador incorreu em erro ao se fazer tais lançamentos, mas, por outro lado não houve apuração, por parte do fisco, sobre a composição destes custos e sua aceitação como necessários à manutenção da atividade da empresa. Em razão disso requer a anulação dos autos e se este não for o entendimento dos julgadores, requer perícia contábil para comprovação dos custos dedutíveis. que toda a extensão da matéria de defesa seja também válida para combater a exigência em relação à CSLL. ser inaplicável a multa qualificada de 150% pois não se verificou a ocorrência de dolo, portanto afastada a duplicação da multa. Por outro lado, não subsistindo a exigência fiscal não há que se falar em qualquer penalidade, no entanto, admite a incidência de multa de 20% por atraso no recolhimento. E ao final, apresenta seus requerimentos: declaração de nulidade de todos os atos da fiscalização após 5/4/2012, em razão de irregulares prorrogações do MPF, anulandose por conseguinte os autos de infração; declaração de nulidade da exigência fiscal sobre a CSLL em virtude da ausência de MPF complementar; declaração de nulidade do Termo de Apreensão de Documentos e de todos os atos conseqüentes das notas fiscais indevidamente apreendidas, anulandose também a exigência fiscal decorrente. anulação dos autos de infração por ter sido procedida a tributação com base no lucro real, tendose que houve glosa de quase totalidade dos custos requerse que seja arbitrado o lucro. anulação dos autos de infração em razão da indevida desconsideração e glosa das notas fiscais sem a expedição de Ato Declaratório de Inidoneidade. anulação do auto de infração indevidamente tributado com base no lucro real, opção nunca exercida pela impugnante. Requerse a concessão de prazo para apresentação de seus resultados com base no lucro presumido. exclusão – dos autos de infração – das despesas tidas como indevidamente não dedutíveis. Requerse a concessão de prazo para identificação de cada despesa, com realização de prova pericial para se apurar o valor a ser excluído dos autos. exclusão da multa aplicada de 150%, afastamento da multa de 75%, enfim requerse a exclusão da totalidade das multas, aplicandose a multa de 20% se houver diferença de tributo a recolher. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 922 5 realização de prova pericial sobre as assinaturas e contratos acostados aos autos, bem como perícia contábil. Neste aspecto requerse a concessão de prazo para juntada de quesitos e indicação de assistente técnico. a produção de prova documental e a oitiva das testemunhas Sérgio Gonçalves, Vinícius de Barros Reck, José Luiz Valério e Luiz Carlos da Silva. A 3ª Turma da DRJ Florianópolis analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº n° 0731.348, de 17 de Maio de 2013, considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. ÔNUS DA PROVA Compete ao contribuinte comprovar a dedutibilidade de despesas, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ARBITRAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Independentemente do montante glosado, a desconsideração de custos lastreados em notas fiscais inidôneas não dá causa ao arbitramento do lucro, vez que a adoção da referida sistemática devolve ao contribuinte o direito de deduzir parcela desses mesmos dispêndios, o que, à luz da moralidade e da legalidade, não é aceitável. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, aplicase aos lançamentos decorrentes a decisão proferida no lançamento principal (IRPJ). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO E DESNECESSÁRIO. Considerase não formulado o pedido de perícia efetuado sem preencher os requisitos obrigatórios, além de desnecessária, por Fl. 922DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 923 6 se referir a lançamento fiscal que embasouse na falta de documentos comprobatórios de operações questionadas. Ciente da decisão de primeira instância em 13/06/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/07/2013. No recurso interposto, alega preliminarmente: a) Nulidade da decisão recorrido em face da ausência de julgamento conjunto do processo nº 11516,721537/2012 65, que trata do lançamento de PIS e Cofins apurado no mesmo procedimento fiscal; b) Cerceamento do seu direito de defesa em face do indeferimento de prova pericial pelo acórdão de 1º grau; c) Nulidade das prorrogações de prazo do Mandado de Procedimento Fiscal, devida a falta de ciência ao sujeito passivo, e ausência de MPF para fiscalização do PIS e da Cofins; d) Nulidade do Termo de Apreensão de Documentos em face da ausência de ciência da fiscalizada; No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: e) Que a contabilidade revelase imprestável para a apuração do Lucro Real diante do fato da fiscalização ter glosado a maior parte dos seus custos relativos à aquisição de matériaprima, por considerar inidôneas as notas fiscais contabilizada. f) Que diante de tal fato impunhase o arbitramento do lucro como forma de apuração dos tributos devidos, conforme a jurisprudência administrativa que indica; g) Que não há nos autos qualquer documento que dê respaldo ao custo de mercadoria vendida (CMV) utilizado pelo acórdão de primeiro grau com vistas a defender que a glosa de custos alcançaria no máximo 40% do total; h) Que a glosa de custos atinge cerca de 65% do CMV contabilizado; i) Que a glosa dos custos pela suposta inidoneidade dos documentos fiscais não foi precedida da necessária publicação do Ato Declaratório de Inidoneidade pelo Delegado da Receita Federal, nos termos da Portaria MF. 187/93; Fl. 923DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 924 7 j) Que as diligências realizadas pela fiscalização junto à terceiros não foram previamente notificadas à recorrente para que a mesma pudesse exercer o seu direito ao contraditório e a ampla defesa; k) Que as empresas responsáveis pela emissão dos documentos tidos como inidôneos continuam com o CNPJ ativo; l) Que, a despeito do fiscal autuante, e do acórdão recorrido, terem consignado que a recorrente adotou a tributação pelo Lucro Real, apuração anual, no anos de 2008 e 2009, tal fato não ocorreu, pois não optou expressamente pela tributação do lucro real, na medida em que não efetuou qualquer recolhimento do imposto (conforme extratos de pagamentos que anexa), condição prevista no parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.430, para a manifestação da opção. m) Que a simples entrega de DIPJ com apuração do Lucro Real é insuficiente para caracterizar a opção feita, na medida em que a lei exige o recolhimento do imposto, conforme jurisprudência administrativa que indica; n) Que o contador da empresa foi induzido a erro pela fiscalização ao apresentar o Lalur, quando a empresa sequer havia optado pelo Lucro Real e, assim, não reunindo parâmetros para apurar o Lucro Real, o Fisco deveria ter arbitrado o lucro. o) Que existe a necessidade de conversão do feito em diligências para apurar despesas de compras de matérias primas e reformas do parque fabril que teriam sido indevidamente contabilizadas como despesas não dedutíveis e glosadas pelo Fisco, conforme teria demonstrado por amostragem na peça impugnatória; p) Que aplicase ao lançamento da CSLL os mesmos argumentos utilizados com relação ao IRPJ; q) Que a multa de 150% não pode subsistir, pois as supostas notas frias sequer foram objeto de competente Ato Declaratório de Inidoneidade; r) Que não ficou caracterizado o dolo, ao contrário do que sustenta o acórdão recorrido, pois a não comprovação de pagamento e da entrega física das matériasprimas não revela conduta dolosa, no máximo conduta omissiva; s) Quanto a ausência de registros na empresa Gold de recebimentos em face dos fornecimentos e a falsidade Fl. 924DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 925 8 ideológica na alteração contratual da empresa Gold são condutas de terceiros de que jamais teve conhecimento e, portanto, não podem lhe ser imputadas. t) Requer que, caso seja mantido o lançamento, a multa aplicada seja de 20%, por atraso no recolhimento, ou ainda, no patamar de 75%, pois não há prova do dolo do sujeito passivo. Diante da informação de que a recorrente não efetuou qualquer recolhimento a título de estimativas mensais e mesmo de saldo de ajuste anual com base em apuração no lucro real e, inexistindo nos autos cópias das DIPJ que demonstrassem a base de cálculo adotada pela interessada na sua escrituração, este colegiado resolveu, na sessão realizada em 10/04/2014, por meio da Resolução nº 1301000.199, converter o julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos à unidade de origem, com vistas às seguintes providências: a) Que a autoridade preparadora determine a juntada aos autos de cópia das DIPJ dos anoscalendário 2008 e 2009 apresentadas pela recorrente e de DCTF eventualmente apresentadas relativas aos fatos geradores dos anoscalendário 2008 e 2009, ou, ainda, informar caso não tenham sido apresentadas DCTF’s no período. b) Seja intimada a interessada a apresentar os Livros Diário dos anoscalendário 2008 e 2009, dos quais devem ser extraídas cópias dos balanços e/ou balancetes mensais de suspensão/redução que dele constem e do balanço e demonstração de resultados anuais, procedendo a sua juntada aos autos. Concluídas as diligências, mediante a juntada dos elementos solicitados aos autos, estes retornaram ao CARF para julgamento do recurso voluntário interposto. É o Relatório. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 926 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Assim, dele conheço. Das alegações preliminares Antes de adentrar ao mérito das alegações da recorrente, impõese apreciar as nulidades apontadas em sede preliminar. Analisando as nulidades argüidas, entendo que nenhum delas deve ser acolhida. Senão vejamos. A primeira alegação é de nulidade da decisão recorrido em face da ausência de julgamento conjunto do processo nº 11516.721537/201265, que trata do lançamento de PIS e Cofins apurado no mesmo procedimento fiscal. Não há qualquer vício no julgamento em separado dos processos relativos ao IRPJ/CSLL (ora analisado) e o de constituição de diferenças relativas ao PIS e a Cofins, formalizados em outro processo. Embora as infrações tenham sido verificadas no curso da mesma ação fiscal, o lançamento das ditas contribuições decorrem do não recolhimento das contribuições com base num suposta isenção, refutada pela fiscalização, consoante se extrai do Relatório Fiscal. Observo que, ainda que decorressem dos mesmos fatos, o julgamento apartado, embora fosse desejável para evitar eventuais decisões contraditórias, não ensejaria qualquer nulidade. Assim, afasto a primeira alegação. A segunda nulidade decorreria do cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento de perícia pelo acórdão de primeiro grau. Não vejo qualquer nulidade, pois a autoridade julgadora a quo indeferiu o pedido, fundamentadamente, verbis: Solicitação de perícia Alega aqui que “foram realizadas diversas diligências e perícias em relação às notas fiscais emitidas pelas empresas Gold Comércio e Beneficiamento de Minérios Ltda., e T’Mel Beneficiamento Mineral Ltda., Tais atos, contudo, não observaram o devido processo legal, não sendo cientificado o sujeito passivo.” Há que se dizer que ocorreram duas diligências fiscais, uma na empresa GOLD e outra na empresa T’MEL – não houve realização de perícia –. Referidas diligências foram estabelecidas no decorrer da ação fiscal – fase investigatória – momento que ainda não havia sido inaugurado o contraditório, o que veio a Fl. 926DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 927 10 acontecer com apresentação da impugnação. Portanto, não há que se falar em descumprimento do devido processo legal e nem em cientificação do sujeito passivo. Argumenta que como as diligências e perícias foram realizadas pela própria autoridade fiscal requer neste momento “[...] a realização de nova perícia, sob pena de nulidade dos presentes autos. Requerse, ademais, a realização de perícia contábil sobre os valores dedutíveis indevidamente incluídos.” Sobre o tema, assim dispõe a legislação: Decreto nº 70.235, 1972, art. 16, inciso IV, parágrafo 1º. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. [...] Como se nota, é necessário estar presente na impugnação estes elementos destacados, do art. 16. Porém sem nomear perito, endereço e qualificação profissional, relacionar quesitos referentes aos exames desejados, o pedido carece dos requisitos exigidos e, é considerado não formulado, nos termos do § 1º, acima citado. É preciso dizer que a Contribuinte não apresentou provas de pagamento das notas fiscais das empresas GOLD e T’MEL, em que pese ter sido intimada para tal, não apresentou sequer a prova da entrada física da matériaprima supostamente adquirida por meio das referidas notas fiscais. A perícia não serve ao propósito de suprir a inércia da Impugnante na apresentação de documentos que deveriam ter sido oferecidos quando da ação fiscalizatória e tampouco os apresentou em sede de impugnação. Pelo exposto, considerase não formulado o pedido de perícia. O indeferimento do pedido de perícia, portanto, obedeceu o disposto no caput do art. 18 c/c o art. 28 do Decreto nº 70.235/19721 Assim, afasto a segunda nulidade arguida. 1 Decreto nº 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 928 11 A terceira nulidade alegada referese à ausência de ciência da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal MPF expedido e falta de MPF para o lançamento do PIS e da COFINS. O acórdão recorrido analisou a matéria fática em face da legislação que disciplina a emissão e prorrogação do MPF pela Receita Federal e demonstrou que a ciência das referidas prorrogações é feita por via eletrônica, mediante acesso pelo interessado ao sítio da RFB na internet, utilizando código informado pela fiscalização. De fato, a norma interna que disciplina a emissão do MPF (Portaria RFB nº 3.014, de 2011) dispõe que este documento deve ser emitido exclusivamente na em forma eletrônica e a ciência ao sujeito passivo é dada por intermédio da internet no endereço eletrônico da RFB, com a utilização do código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal (art 4º) e que as alterações e prorrogações também serão procedidas mediante registro eletrônico pela autoridade emitente (art. 9º). No que tange à extensão do MPF aos tributos PIS e Cofins, embora se trate de matéria estranha a este processo, a decisão recorrida assinalou que houve sim alteração do MPF para inclusão das contribuições no procedimento fiscal. Não conheço da matéria relativa à extensão do MPF aos tributos PIS e Cofins uma vez que tais contribuições não integram o presente litígio. De qualquer sorte, me alinho á jurisprudência majoritária deste Conselho que entende que o MPF é mero instrumento de controle interno da administração tributária, de sorte que, eventuais irregularidades na sua emissão ou prorrogação não enseja qualquer nulidade ao processo fiscal, posto que a constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa competente, por meio do lançamento, é atividade vinculada e obrigatória que decorre do CTN e da lei de regência, conforme sintetizado na ementa abaixo: CSLL, PIS E COFINS. TRIBUTOS NÃO PREVISTOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ORIGINAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização e não tem o condão de outorgar e menos ainda de suprimir a competência legal do AuditorFiscal da Receita Federal para fiscalizar os tributos federais e realizar o lançamento quando devido. Assim, se o procedimento fiscal foi regularmente instaurado e os lançamentos foram realizados pela autoridade administrativa competente, nos termos do art. 142 do CTN, e, ainda, a recorrente pôde exercitar com plenitude o seu direito de defesa, afastase quaisquer alegação de nulidade relacionada à emissão ou alteração do MPF. Ante ao exposto, voto pela rejeição da alegação de nulidade. A quarta e última alegação de nulidade referese à ausência de ciência de termo de apreensão de documentos, que macularia todo o procedimento fiscal. A referida apreensão consistiu em apenas algumas notas fiscais e faturas/duplicatas apresentadas pela fiscalizada no curso da ação fiscal e que a fiscalização, ao Fl. 928DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 929 12 final do procedimento, houve por bem reter os originais, devolvendo cópia autenticada e demais vias à recorrente, conforme descrito no Relatório Fiscal e no Termo de Apreensão de Documentos. A ciência, conforme descrito do Relatório Fiscal, se deu na data de encerramento da ação fiscal, junto com os autos de infração lavrados. Não vejo qualquer mácula no procedimento adotado, pois tratamse de elementos que poderão servir de prova em eventual processo penal, e nenhum prejuízo trouxe à recorrente, pois esta sempre esteve ciente do conteúdo de tais documentos, por ela mesma apresentados ao Fisco. Deste modo, afasto, também, esta alegação de nulidade. Do mérito A autuação, decorrente da glosa de custos e despesas relativa ao IRPJ e CSLL, foi realizada com base no lucro real anual, regime de apuração que, segundo a fiscalização, teria sido adotado pela recorrente nos anoscalendário 2008 e 2009. A recorrente, todavia, contestou tal afirmação, alegando que não obstante tenha apresentado as DIPJ com apuração pelo Lucro Real, na realidade não consumou a sua opção por este regime de apuração do lucro, na medida em que não efetuou qualquer recolhimento sob tais códigos, conforme extratos de recolhimentos de DARF que anexou aos autos, junto com sua impugnação. Asseverou que, segundo o § 2º do art. 3º da Lei nº 9.430/1996, a opção pela apuração pelo lucro real anual se manifesta pelo pagamento correspondente ao mês de janeiro do anocalendário (estimativa mensal). Entende a fiscalizada que, não tendo optado pela apuração do lucro real anual a autuação deve ser cancelada, pois a autoridade fazendária deveria ter, neste caso, optado pelo arbitramento do lucro; no entanto, realizou o lançamento com base no lucro real. Com efeito, o § 2º do art. 3º da Lei nº 9.430/19962 dispõe que a opção pela apuração do imposto anualmente, mediante a adoção do sistema de recolhimentos por estimativas mensais, previsto no art. 2º daquela lei3, será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou ao mês de início de atividade. 2 Lei nº 9.430/1996: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. 3 Lei nº 9.430/1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 930 13 A IN. SRF. Nº 093, de 24/12/1997, dispõe que a opção pelo pagamento por estimativa será efetuada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro do anocalendário, ainda que intempestivo, ou com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão4. Verificase, pelo disposto no caput do art. 1º da Lei nº 9.430/1996, que a regra geral de apuração do IRPJ (e da CSLL) pelo Lucro Real quanto à periodicidade é a trimestral5, podendo o sujeito passivo optar pela apuração anual, mediante recolhimento de estimativas mensais. Nas diligências realizadas, foram trazidas aos autos as cópias das DIPJ e das DCTF apresentadas pela interessadas e dos balancetes mensais de apuração por ela levantados em todos os períodos mensais de janeiro de 2008 a dezembro de 2009. Nas DIPJ's dos anoscalendário 2008 e 2009 e nas DCTF's mensais apresentadas a interessada informou que optou pela apuração pelo Lucro Real anual/estimativa e que efetuou o levantamento de balancetes mensais de Suspensão. Não obstante, não efetuou qualquer recolhimento relativo ao IRPJ e à CSLL. Impõese analisar se a ausência de qualquer recolhimento a título de IRPJ por parte da interessada obrigaria ao Fisco efetuar o lançamento com base no lucro arbitrado. Entendo que não. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor:[...] 4 IN.SRF. 093/1997: Art. 17. A adoção do pagamento trimestral do imposto, a que se refere o §1º do art. 2º, pelas pessoas jurídicas que apurarem o imposto pelo lucro real, ou a opção pela forma de pagamento por estimativa, a que se referem os arts. 3º a 10, será irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção pelo pagamento por estimativa será efetuada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro do anocalendário, ainda que intempestivo, ou com o levantamento do respectivo balanço ou balancete de suspensão. § 2º No caso de início de atividades, a opção de que trata o parágrafo anterior será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao primeiro mês de atividade da pessoa jurídica. 5 Lei nº 9.430/1996: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 931 14 Com efeito, a legislação do imposto de renda, com exceção daquelas empresas expressamente obrigadas à apuração do imposto com base no Lucro Real, deixa ao alvedrio do contribuinte a forma de sua apuração, que poderá ser pelo Lucro Real, anual ou trimestral, pelo Lucro Presumido ou pelo Lucro Arbitrado (ambos por períodos trimestrais). Embora permitido o autoarbitramento, desde que conhecida a receita bruta (art. 47, § 1º da Lei nº 8.98l/1995) 6, tal hipótese, na prática, é inusual, uma vez que representa um ônus adicional de 20% nas alíquotas aplicáveis sobre a mesma base pelo Lucro Presumido. Com relação à opção pelo Real anual/estimativa ou trimestral e pelo Lucro Presumido, a lei estabelece que a opção se manifesta com o pagamento do tributo mensal estimado (no caso de opção pelo Lucro Real anual), ou trimestral, nos caso de Lucro Real trimestral ou Lucro Presumido. No caso concreto, inexistiu pagamento sob qualquer das formas opcionais estabelecidas pela legislação. Não obstante, pelos elementos trazidos aos autos (balancetes/balanços, DIPJ e DCTF), a interessada manifestou expressamente sua opção pelo Lucro Real Anual, com o levantamento de balancetes mensais de suspensão (art. 17, § 1º da IN.SRF. 93/1997) Entendo que existem formalmente todos os elementos necessários para a apuração do imposto pelo Lucro Real anual, tal como empreendido pelo Fisco no lançamento. O arbitramento do lucro, ora invocado pela recorrente, é medida extrema, prevista na legislação para os casos de descumprimento dos requisitos para a apuração do imposto com base no Lucro Real ou Presumido, conforme previsto no art. 47 da Lei nº 8.981/1995, verbis: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e 6 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: [...] § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. [...] Fl. 931DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 932 15 fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. A recorrente traz ainda outro argumento tendente à aplicação do lucro arbitrado ao caso concreto. Alega que a glosa substancial dos seus custos contabilizados (cerca de 65% dos custos totais) tornaria a sua escrituração imprestável para a apuração do Lucro Real, uma vez que o custo dos produtos vendidos, considerado pelo Fisco, seria irreal. Ora, a própria recorrente acabou reconhecendo a inexistência de tais custos lançados em sua contabilidade ao promover, ainda que extemporaneamente, a sua exclusão da apuração do Lucro Real no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR (fls. 129 a 159 do e processo) apresentado à fiscalização no curso da ação fiscal. Aliás, tal providência denota a irrelevância e descabimento das alegações de que sequer teria havido a emissão de Ato Declaratório de Inidoneidade dos documentos fiscais ou da existência de prejuízos ao contraditório e à ampla defesa tendo em vista a realização de diligências junto a terceiros sem seu prévio conhecimento. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 933 16 A recorrente não trouxe quaisquer outros elementos ou argumentos que pudessem demonstrar que tais custos existiram de fato ou que o custo real de seus produtos fora superior ao que restou considerado após a exclusão dos valores relativos às notas fiscais fraudulentas que haviam sido indevidamente contabilizadas. Não há, portanto, como admitir a invocação da própria máfé da recorrente, como forma de abrandar a imposição fiscal, que tomou por base o que foi escriturado em seus próprios livros e documentos fiscais. Assim, rejeito as alegações trazidas pela recorrente quanto à necessidade de apuração das diferenças devidas com base no lucro arbitrado, o que resultaria no cancelamento das exigências. Ante ao exposto, inexistindo questionamento quanto ao mérito das glosas dos custos e despesas, entendo que está correta a apuração dos tributos devidos efetuada pela autoridade fiscal. A recorrente insurgese, ainda, quanto à imposição da multa qualificada de 150%. Sustenta que a multa de 150% não pode subsistir, pois as supostas notas frias sequer foram objeto de competente Ato Declaratório de Inidoneidade e que não ficou caracterizado o dolo, pois a não comprovação de pagamento e da entrega física das matérias primas não revelaria conduta dolosa, no máximo conduta omissiva. Afirma, ainda, que a ausência de registros na empresa Gold de recebimentos em face dos fornecimentos e a falsidade ideológica na alteração contratual da empresa Gold são condutas de terceiros de que jamais teve conhecimento e, portanto, não podem lhe ser imputadas. Requer que, caso seja mantido o lançamento, a multa aplicada seja de 20%, por atraso no recolhimento, ou ainda, no patamar de 75%, pois não há prova do dolo do sujeito passivo. Pelos elementos carreados aos autos resta evidente que a interessada tinha plena consciência da inidoneidade dos documentos fiscais que ampararam os custos contabilizados e que restaram glosados. Desnecessária a existência de Ato Declaratório de Inidoneidade dos documentos fiscais se os elementos trazidos revelam sua falsidade. A própria recorrente acabou por reconhecer a inidoneidade de tais custos, quando, no curso da ação fiscal, escriturou o Lalur excluindoos da apuração do lucro real. Evidentemente que tal arrependimento não é eficaz para impedir a aplicação da penalidade qualificada, posto que a atitude dolosa ocorreu quando da escrituração de tais custos e sua desconsideração na escrita fiscal (Lalur) só se materializou após a instauração da ação fiscal. Assim, entendo que a multa qualificada deve prevalecer com relação aos custos de produtos vendidos glosados (item 002 do auto de infração). Com relação às despesas glosadas, no entanto, verifico que a própria recorrente segregou em sua escrita contábil uma conta denominada 1255 Despesas Não Fl. 933DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O Processo nº 11516.721499/201241 Acórdão n.º 1301001.814 S1C3T1 Fl. 934 17 Dedutíveis no grupo: Despesas Não Dedutíveis Lalur (v.g. balancetes, fls. 753, 813, 817 e 869). Embora a interessada nada tenha recolhido a título de IRPJ e CSLL, a segregação contábil dessas despesas numa conta com tal título denota, ao menos em princípio, a intenção de adicionálas ao lucro líquido quando da apuração do lucro real, ou, pelo menos, indica a falta de intuito doloso de ocultálas do Fisco, de modo que me parece razoável que, em relação a estas, a multa de ofício seja aplicada no percentual básico de 75%. Assim, entendo que a multa de ofício aplicada sobre a infração constante do item 001 do Auto de Infração (glosa de despesas não comprovadas), deve ser reduzida para o percentual de 75%. Por todo o exposto, voto no sentido de afastar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício aplicada sobre a infração constante do item 001 do Auto de Infração (glosa de despesas não comprovadas), para o percentual de 75%. Sala de Sessões, em 05 de março de 2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 934DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /03/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por ADRIANA GOMES REG O
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Numero do processo: 12585.000032/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO
O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que fundamentam o direito pleiteado.
Numero da decisão: 3402-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do art. 8°, § 3°, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% da alíquota básica prevista no art. 2° da Lei de Regência da não cumulatividade da Contribuição Social. Fez sustentação oral a Dr.ª Marina Vieira de Figueiredo OAB/SP nº 257056. Os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça e João Carlos Cassuli Júnior votaram pelas conclusões do Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz Da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2087; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 545 1 544 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.000032/201041 Recurso nº 12.585.000032201041 Voluntário Acórdão nº 3402002.580 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria COFINS NÃO CUMULATIVIDADE PEDIDO DE RESSARCIMENTO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente BERTIN S.A., sucedida por JBS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. DILIGÊNCIAS. PRESCINDIBILIDADE. As diligências destinamse à elucidação de questões dúbias e não à produção de provas que, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotada no processo administrativo fiscal, tocaria à parte produzir, no momento processual adequado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que fundamentam o direito pleiteado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. PERCENTUAL. PRODUTO FABRICADO O crédito do presumido das contribuições sociais não cumulativas corresponde a 60% ou a 35% de sua alíquota de incidência em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 32 /2 01 0- 41 Fl. 545DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do art. 8°, § 3°, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% da alíquota básica prevista no art. 2° da Lei de Regência da não cumulatividade da Contribuição Social. Fez sustentação oral a Dr.ª Marina Vieira de Figueiredo – OAB/SP nº 257056. Os conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça e João Carlos Cassuli Júnior votaram pelas conclusões do Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Fernando Luiz Da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor da Cofins, relativo a receitas de exportações, apurado no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 39.536.177,38, referente ao 3 trimestre de 2008, cumulado com declarações de compensação do referido crédito com débitos próprios. De acordo com o Termo de Verificação de Infração Fiscal das fls. 158 a 191, a partir da recomposição da base dos créditos a que teria direito o contribuinte com base nos arquivos digitais dos registros fiscais apresentados pelo próprio sujeito passivo e também nos Dacon, e tendo em vista a ausência de esclarecimentos e de demonstrativos complementares, por parte do contribuinte, contendo a memória de cálculo utilizada nos pedidos, a Fiscalização não apurou crédito ressarcível, tendo inclusive procedido a lançamento de ofício da Contribuição devida no trimestre, objeto do processo administrativo nº 15868.720104/201253, tendo em vista que o crédito nãocumulativo apurado foi menor do que o débito devido. Em Manifestação de Inconformidade, fls. 214 a 146, o interessado argüiu a nulidade do procedimento por irregularidades na emissão do MPF e por cerceamento do direito de defesa, haja vista que a DRFAraçatuba dista aproximadamente 600 quilômetros da recorrente. Dizse parte ilegítima para responder pelos débitos eventualmente compensados de forma indevida, vez que, em razão da infração de lei e dos estatutos da sociedade incorporada, a responsabilidade pelos débitos compensados é direta e exclusiva dos administradores à época dos fatos. Entende que a Fiscalização não exerceu satisfatoriamente seu mister, por ter deixado de intimar os administradores a fornecer os documentos cuja falta acabou por prejudicar seu pleito. Pede que os agentes fiscais sejam punidos por essa omissão. Requer que se realizem diligências junto aos administradores da sucedida para busca da documentação faltante. Insiste na responsabilidade exclusiva e direta dos administradores pelos débitos da sucedida não compensados. No mérito, entende que a glosa dos créditos não deve prosperar, vez que a Fiscalização não conseguiu afastar a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela Bertin S/A. Defende que, para a análise mais apurada sobre o mérito, é necessária a realização Fl. 546DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000032/201041 Acórdão n.º 3402002.580 S3C4T2 Fl. 546 3 de diligência pela unidade fiscal situada em São Paulo, seja em razão da incompetência da DRFAraçatuba, seja em razão da imparcialidade de seus AuditoresFiscais. Eximese da responsabilidade pelas multas e juros moratórios, pois, nos moldes do art. 132 do CTN, a sociedade incorporadora somente responde pelos "tributos" devidos pela incorporada, e, ainda que se considere responsável, somente o seria se a multa tivesse sido lavrada em data anterior à incorporação. Reclamou da inexistência de qualquer justificativa par as demais glosas procedidas. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 05040.809, de 10 de junho de 2013, fls. 399 a 428, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal, sob a égide da Portaria que o criou, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da auditoria fiscal, não implicando nulidade do procedimento fiscal mesmo que haja eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa durante o curso do procedimento fiscal, no qual cumpre ao sujeito passivo apenas colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Somente após decisão, e regular contestação, é que se forma uma relação jurídica de natureza processual, da qual a contribuinte se torna parte, aplicandose, então, as garantias do devido processo legal. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não têlo feito naquela oportunidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 4 A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar créditos presumidos relativos às aquisições feitas de pessoas físicas, considerados os percentuais de redução da alíquota básica de acordo com a classificação dos insumos adquiridos e não dos produtos produzidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 432 a 464, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados com a lide, retoma as mesmas teses de defesa apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Finaliza, requerendo que seja conhecido e provido o recurso, para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, ou, ainda, para reconhecer a nulidade ou total improcedência da autuação, conforme exposto ao longo do presente recurso. Pede que o patrono da causa seja intimado pessoalmente de todos os atos processuais. A numeração das folhas referese à atribuída pelo processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 432 a 464 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 05040.809, de 10 de junho de 2013. Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização deste julgamento, nas pessoas de seus patronos, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000032/201041 Acórdão n.º 3402002.580 S3C4T2 Fl. 547 5 DAS PRELIMINARES Da nulidade em razão da incompetência do Auditor Fiscal A recorrente argúi a nulidade do procedimento fiscal ante a incompetência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB lotado na Delegacia da Receita Federal de Araçatuba. Aventa também a inexistência de autorização para emissão do Mandado de Procedimento Fiscal em jurisdição diversa da originária. Destaco, liminarmente, que ato que apreciou o pleito de que se trata Despacho Decisório das fls. 200 a 209 – foi proferido pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP, órgão regimentalmente incumbido para tanto. Não há falar em nulidade de procedimento fiscal em razão de sua execução por AFRFB lotado em outra delegacia fiscal, por ausência de efetivo prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa por parte do contribuinte. Incide, no caso, a Súmula CARF nº 27: Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Por outro lado, quanto a eventuais irregularidades na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, a jurisprudência dominante neste Conselho é no sentido de que não dão causa à decretação da nulidade do feito, haja vista que o MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais e não um limitador da competência do agente público. Ilustro com o Acórdão nº 920201.608, de 10/05/2011: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MPF. NULIDADE FORMAL AFASTADA. AUSÊNCIA DO BINÔMIO DEFEITO PREJUÍZO. De acordo com o princípio pas de nullité sans grief, que na sua tradução literal significa que não há nulidade sem prejuízo, não se declarará a nulidade por vício formal se este não causar prejuízo. Por fim, acrescento que a ação fiscal em tela, executada por auditores fiscais lotados na DRF/Araçatuba, estava autorizada pelo MPFFiscalização nº 08.1.90.002011034024, emitido pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 8ª Região, unidade da RFB a que se subordinam, tanto a Derat/São Paulo, quanto a DRF/Araçatuba. Rejeito a preliminar. Do cerceamento do direito de defesa em razão da localização da unidade da RFB que executou o procedimento fiscal Conforme relatado, a recorrente aventa a ocorrência de cerceamento de defesa em razão da localização da unidade da Receita Federal em que estava lotado o AFRFB que executou o procedimento fiscal. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 6 A recorrente não demonstrou e eu não vislumbrei qualquer prejuízo ao pleno exercício do direito de defesa decorrente do fato de a SRFAraçatuba ser distante da sede da recorrente. Todas as formalidades legais essenciais previstas em lei e regulamento foram cumpridas, inclusive a lavratura de atos, identificação da autoridade competente, prazos, motivação No Termo de Verificação de Infração Fiscal (fls. 158 a 191) está detalhado todo o procedimento fiscal realizado, com a descrição dos fatos e apurações feitas pela fiscalização, bem como ao contribuinte foram entregues os demonstrativos de apuração dos créditos e dos saldos remanescentes das contribuições sociais. Notase, ademais, que, no curso da auditoria fiscal, em diversas oportunidades, a interessada foi intimada a apresentar esclarecimentos e a alegada distância jamais foi invocada para fundamentar pedidos de prorrogação de prazo. A distância tampouco impediu que a recorrente tivesse vista dos documentos constantes dos autos, nem representou qualquer empecilho à produção de provas. Enfim, incide aqui também o princípio do pas de nulité sans grief. Rejeito a preliminar de nulidade em razão de cerceamento do direito de defesa. Da ilegitimidade da Recorrente para responder pelos débitos compensados A recorrente alega a ausência de responsabilidade para responder pelos débitos compensados em razão da responsabilidade pessoal e exclusiva dos dirigentes da sucedida, para fatos ocorridos até a data da incorporação. A argumentação está incorretamente formulado. Não há sentido algum em eximirse de responsabilidade por débito compensado, vale dizer, extinto. O que a recorrente pretende, imagino eu, é excluir sua responsabilidade por débitos não compensados, em decorrência do indeferimento do pleito de ressarcimento. Formulada dessa maneira a matéria, ressaltase a sua impertinência. É que o objeto da lide é o indeferimento do pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição Social e a não homologação das compensações vinculadas. Não se cuida da apreciação do lançamento de ofício de penalidades, nem mesmo da cobrança dos débitos indevidamente compensados – não há, nos autos, qualquer iniciativa de cobrança por parte da Administração dos débitos declarados nas DComps mas apenas do indeferimento do pedido e da não homologação das compensações. Cabe a esta Turma Recursal apenas a apreciação desse objeto, ou seja, ao julgamento do recurso voluntário contra o indeferimento do pedido de ressarcimento e contra a não homologação das compensações efetivadas pela interessada. Qualquer manifestação acerca de questão estranha à lide seria completamente inútil. Assim sendo, não conheço do recurso quanto à alegada ilegitimidade da recorrente para responder pelos débitos compensados. Do pedido de diligência O pedido de diligência não merece acolhimento. A jurisprudência deste Conselho é no sentido de que a providência tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento, visando a contribuir para a formação de convicção do julgador, e não se prestam para a produção de provas que toca à parte produzir, no momento processual adequado. Ilustro: Fl. 550DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000032/201041 Acórdão n.º 3402002.580 S3C4T2 Fl. 548 7 “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) DO MÉRITO Da presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados O argumento de mérito fundamental é o de que a Fiscalização não logrou desqualificar a presunção de liquidez e certeza dos créditos apurados pela sucedida Bertin S/A Penso o contrário. Nem durante o procedimento fiscal, bem no momento processual da reclamação, em que se concentra a produção de provas, o interessado jamais dignouse a apresentar planilha ou qualquer outro documento equivalente, contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da Contribuição. Também não apresentou os arquivos digitais complementares das Contribuições Sociais. A propósito, a Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, que instituiu o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, assim prescreveu: Art. 3º O sujeito passivo deverá manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições referidas no art. 2° e dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos, na forma dos arts. 2°, 3°, 5°, 5°A, 7° e 11 da Lei nº 10.637, de 2002, dos arts. 2°, 3°, 4°, 6°, 9º e 12 da Lei nº 10.833, de 2003 [...] A pessoa jurídica titular de direito creditório deve produzir a prova completa da pretensão deduzida no pleito administrativo, pois a ela incumbe o ônus de provar o fato constitutivo do direito reclamado. Ainda, a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, editada sob expressa autorização da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art, 74, § 14, admitiu que a autoridade da RFB competente para decidir sobre o ressarcimento condicione o Fl. 551DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 8 reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos (art. 65). O Termo de Verificação de Infração Fiscal não deixa dúvida, a interessada não conseguiu demonstrar a exatidão dos valores requeridos, tocando à Fiscalização, por meio do exame da contabilidade e dos elementos coligidos no procedimento fiscal, apurar os valores dos créditos. O procedimento fiscal concluiu pela ausência de certeza e liquidez dos créditos pleiteados, em contrário do que afirma a recorrente. Não tendo feito prova de seu direito aos valores pleiteados, ônus que lhe incumbiu o sistema de distribuição da carga probatória adotado no processo administrativo federal, plasmado no art. 36 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, devese prestigiar o levantamento fiscal. Do crédito presumido da agroindústria A recorrente controverte o percentual de presunção a ser empregado no cálculo do crédito presumido deferido às agroindústrias alíquota a ser utilizada para o cálculo do crédito presumido das atividades agroindustriais que produzam mercadorias de origem animal, destinadas à alimentação humana. A recorrente, em defesa ao crédito, afirma que a Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, no artigo 8°, ao definir os percentuais (60% ou 30% da alíquota da Contribuição), não vincula tais percentuais ao tipo de bem que é adquirido pela pessoa jurídica, mas sim ao tipo de produto que é produzido com o bem adquirido. Assim, defende a legitimidade do crédito presumido apurado no percentual de 60% da alíquota, em relação aos insumos destinados à fabricação dos produtos destinados a alimentação humana ou animal, descritos nos Capítulos 2 a 4, 6 da NCM e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e às misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18. Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração das contribuições sociais foi previsto nas próprias Lei nº 10.627, de 30 de dezembro de 2002, e Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, nos §§10 e 5° de seus respectivos artigos 3°s. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela Cofins incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência das Contribuições acumuladas no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis de Regência o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei nº 10.925, de 2004, que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota das Contribuições incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1°). Fl. 552DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000032/201041 Acórdão n.º 3402002.580 S3C4T2 Fl. 549 9 Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela Cofins e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de Cofins no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei nº 10.925, de 2004, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal por meio do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP nº. 183, cuja conversão originou a Lei nº 10.925, de 2004: “4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subseqüentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.” Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei nº 10.925, de 2004, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da Cofins na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado.Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza. O argumento definitivo em favor do quanto se afirmou veio com a promulgação da Lei nº 12.865, de 9 de outubro de 2013, cujo artigo 33 acresceu enunciado interpretativo ao artigo 8°, da Lei nº 10.925, de 2004, com o seguinte teor: Fl. 553DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 10 “Para efeito de interpretação do inciso I, do §3°, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos”. Assim, reconheçase à recorrente o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, §3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, ou seja, no equivalente a 60% do valor dos créditos previstos no artigo 3° da Lei de Regência. Da responsabilidade pelas multas e juros A recorrente requer que se exclua sua responsabilidade sobre multas e juros aplicáveis aos débitos compensados, porquanto a responsabilidade estabelecida no art. 132 do CTN não abrangeria multas decorrentes de infração. O pedido é incompreensível, pois todos os débitos declarados nas DComps findaram não compensados. Incidentalmente, se visava à exclusão da responsabilidade sobre os encargos incidentes na cobrança desses débitos, o pleito não merece conhecimento. Tratase de matéria estranha à lide, que, como já foi dito, diz respeito apenas à resistência oficial ao pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição e à não homologação das compensações vinculadas. Não há, nos autos qualquer início de procedimento de cobrança. Incidentalmente, ainda que houvesse, a jurisprudência deste Conselho entende que reclamações contra procedimentos de cobrança não são cursáveis sob o rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Confirase a esse respeito o Acórdão nº 310100.127, de 18/06/2009: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1989 a 30/09/1991 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Cobrança de valores formalmente confessados e declarados à Receita Federal em procedimento de compensação de créditos tributários é matéria estranha à competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. NORMAS PROCESSUAIS. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A busca de tutela jurisdicional caracteriza renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem como desistência de recurso eventualmente interposto. Recurso voluntário negado. Do pedido de diligência O pedido de diligência não merece acolhimento. A jurisprudência deste Conselho é no sentido de que a providência tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento, visando a contribuir para a formação de convicção do julgador, e não se prestam para a produção de provas que toca à parte produzir, no momento processual adequado. Ilustro: “DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.” (Acórdãos Fl. 554DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN Processo nº 12585.000032/201041 Acórdão n.º 3402002.580 S3C4T2 Fl. 550 11 nº 3403002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. (Acórdãos nº 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013) Da falta de justificativa para as demais glosas Quanto à suposta ausência de justificativa para as glosas procedidas pela Fiscalização, o Termo de Verificação de Infração Fiscal relata que o sujeito passivo, apesar de intimado e reintimado, não apresentou planilha ou qualquer outro documento equivalente, contendo a memória de cálculo demonstrativa da forma de apuração dos valores das aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, de gado bovino de pessoas físicas, bem como das devoluções de vendas, por ele considerados e informados nos Dacons, para a apuração dos créditos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Também não apresentou os arquivos digitais complementares do PIS/Cofins. Diante de tal situação, explica que restou à Fiscalização a alternativa de apurar os créditos da Contribuição com base nos arquivos digitais dos registros fiscais que foram apresentados pelo próprio sujeito passivo. Os valores decorrentes do procedimento estão evidenciados nas planilhas que acompanham o mencionado Termo. Como se vê, não houve ajustes procedidos ex officio. Eventual redução do valor deferido em relação ao consignado nos Dacon decorreu exclusivamente das discrepâncias existentes entre esse Demonstrativo e os dados constantes dos arquivos digitais. Qualquer incorreção na apuração da Fiscalização deveria ser objeto de contestação específica, amparada em documentação. Ainda assim, na Manifestação de Inconformidade e mesmo no recurso, o contribuinte limitouse a combatier as glosas genericamente, sem apresentar questionamentos específicos, nem documento comprobatório de que os valores tomados pela fiscalização ou critério por ela utilizado estariam incorretos. Conforme já se defendeu neste voto, toca ao interessado a prova do direito invocado. Da ilegitimidade da Recorrente para responder pelos débitos compensados A recorrente alega a ausência de responsabilidade para responder pelos débitos compensados em razão da responsabilidade pessoal e exclusiva dos dirigentes da sucedida, para fatos ocorridos até a data da incorporação. A argumentação está incorretamente formulado. Não há sentido algum em eximirse de responsabilidade por débito compensado, vale dizer, extinto. O que a recorrente pretende, imagino eu, é excluir sua responsabilidade por débitos não compensados, em decorrência do indeferimento do pleito de ressarcimento. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN 12 Formulada dessa maneira a matéria, ressaltase a sua impertinência. É que o objeto da lide é o indeferimento do pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição Social e a não homologação das compensações vinculadas. Não se cuida da apreciação do lançamento de ofício de penalidades, nem mesmo da cobrança dos débitos indevidamente compensados – não há, nos autos, qualquer iniciativa de cobrança por parte da Administração dos débitos declarados nas DComps mas apenas do indeferimento do pedido e da não homologação das compensações. Cabe a esta Turma Recursal apenas a apreciação desse objeto, ou seja, ao julgamento do recurso voluntário contra o indeferimento do pedido de ressarcimento e contra a não homologação das compensações efetivadas pela interessada. Qualquer manifestação acerca de questão estranha à lide seria completamente inútil. Assim sendo, não conheço do recurso quanto à alegada ilegitimidade da recorrente para responder pelos débitos compensados. Das conclusões Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à apropriação do crédito presumido na forma do artigo 8°, § 3°, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, no equivalente a 60% das alíquotas básicas previstas no art. 2ª da Lei de Regência da não cumulatividade da Contribuição Social. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 Fl. 556DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 06/02/2015 por G ILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 03/02/2015 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13888.000607/2004-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/1988 a 31/12/1995
PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Tratando-se de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09/06/2005, aplica-se o prazo prescricional de 10 anos, nos termos do que restou decidido pelo STF, sob regime do art. 543-A do CPC, no Re n. 566.621.
PIS PASEP. TRIBUTAÇÃO. LC n.º 07/70.
"Súmula nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior. "
Numero da decisão: 3401-002.925
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09/06/2005, aplicase o prazo prescricional de 10 anos, nos termos do que restou decidido pelo STF, sob regime do art. 543A do CPC, no Re n. 566.621. PIS PASEP. TRIBUTAÇÃO. LC n.º 07/70. "Súmula nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior. " Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. EDITADO EM: 05/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 06 07 /2 00 4- 35 Fl. 336DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Relatório O presente processo cuida de pedido de restituição cumulado com pedido de compensação. O contribuinte afirma ter feito pagamento do PIS a maior do que o devido para os períodos de apuração de dezembro de 1988 a setembro de 1995, tendo em vista a inconstitucionalidade dos DecretosLeis nº 2.445 e 2.449, de 1988. Ele Instrui o processo com cópias dos Darf relativos aos pagamentos efetuados (fls. 17 a 45) e com planilhas para demonstrar os valores supostamente pagos a maior (fls. 05/07). Em seu cálculo para 12/07/1999, data do protocolo do pedido, o contribuinte especificou os seguintes valores totais de restituição: valor do indébito tributário R$ 4.759,37 taxa de juros de 1% ao mês R$ 2.107,67 taxa SELIC R$ 2.642,88 TOTAL requerido R$ 9.509,91 A autoridade jurisdicionante indeferiu os pedidos de reconhecimento do direito creditório e de compensação, justificando pela ausência de liquidez e certeza dos indébitos e pela decadência do direito de pleitear a restituição. O contribuinte contestou a decisão e apresenta as seguintes razões: a) não ocorreu decadência do direito a requerer restituição, de vez que tal prazo é de dez anos, a partir da data do pagamento indevido ou a maior, tendo em vista que se trata de contribuição cujo lançamento ocorre por homologação. Assim, tendo a homologação tácita ocorrido cinco anos depois do pagamento, dáse aí a extinção do crédito tributário e daí se inicia a contagem do prazo decadencial, que é de outros cinco anos, perfazendo, então, um total de dez anos contados de efetivação do pagamento; b) os créditos pretendidos são legítimos; c) o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar n.º 07/70 não trata de prazo de recolhimento, não tendo sido revogado pela Lei n.º 9.691/1988; d) a base cálculo é o faturamento ocorrido no sexto mês anterior, de acordo com a Lei Complementar n.º 07, de 07 de setembro de 1970, que era vigente à época dos pagamentos; e) devida a correção monetária integral dos indébitos. A R. 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto não acolheu a contestação do contribuinte e proferiu o Acórdão n.º 4.680, de 01 de dezembro de 2003, (fls 119131) que ficou assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/1988 a 30/09/1995 Ementa: BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. Considerase ocorrido o fato gerador da contribuição para o programa de Integração Social (PIS) com a apuração do faturamento mensal, situação necessária e suficiente para que seja devida a contribuição. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000607/200435 Acórdão n.º 3401002.925 S3C4T1 Fl. 3 3 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de Apuração: 11/09/1989 a 12/07/1994 Ementa: INDÉBITO FISCAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de se pleitear restituição e/ou compensação de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, inclusive, na hipótese de ter sido efetuado com base em lei posteriormente considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A restituição e/ou compensação de indébitos fiscais com crédito tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. SUSPENSÃO. A interposição de recurso contra despacho decisório que indeferiu pedido de compensação de indébitos tributários com créditos tributários vencidos não tem o condão de suspender a exigibilidade destes créditos. Contudo, a comunicação destes à Procuradoria da Fazenda nacional, para fins de inscrição em Dívida Ativa da Uião, somente se dará trinta dias após a ciência do contribuinte da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. ACEITAÇÃO DE CÁLCULOS. Recusamse os cálculos de indébitos fiscais apurados em desacordo com a legislação tributária a ser repetido e/ou compensado. Solicitação Indeferida ". Os Julgadores a quo indeferiram o pedido de restituição, e explicaram que não ficou comprovada a existência dos indébitos nos períodos em que o contribuinte alegou que o PIS teria sido recolhido a maior. E que calculada a contribuição, nos termos da legislação ulterior aos decretosleis declarados inconstitucionais, apurase saldo devedor de contribuições em todos os meses em que foram alegados indébitos. E, ainda, que: "...cabe informar à interessada que enquanto não ocorrer a decisão definitiva na esfera administrativa sobre seu pedido de restituição/compensação, a DRF em Piracicaba, SP, deverá cumprir o disposto nas INs SRF n° 15 e 16, de 16/02/2000, art. 1o, que estabelecem o prazo de trinta dias, após a ciência definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento do pedido de compensação, para comunicação à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição dos indébitos em Dívida Ativa da União". O contribuinte ingressou com recurso voluntário, e com ele argumenta, em resumo: 1) decisão foi proferida em dissonância com a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do STJ, sendo inexistente a decadência/prescrição do direito de pleitear a restituição, seja contado a partir da publicação da Resolução n.º 49/95, do Senado Federal, ou seja, pela tese dos "cinco mais cinco" anos, conforme entendimento do STJ; 2) no mérito, pugna pela semestralidade da base de cálculo nos termos do art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar n.º 07/70, sem correção monetária da mesma; 3) pugna pela plena correção monetária dos valores recolhidos indevidamente, bem como a incidência de juros capitalizáveis; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 4) discorda da decisão recorrida que alegou que nos cálculos apresentados estão contidos juros compensatórios de 1,0 %, cumulados com a taxa Selic, bem como índices expurgados da inflação, não reconhecidos pelo Fisco. Alega que a correção Monetária se deu em consonância com a legislação pertinente; 5) em razão do disposto no art. 74 da Lei n.º 9.430/96, com a redação data pelo art. 17 da Lei n.º 10.833/2003, deve a exigibilidade do crédito tributário, ora compensado, permanecer suspensa até decisão definitiva na esfera administrativa; Ao fim requer o provimento do recurso e a reforma da decisão recorrida para ter reconhecido o direito ao indébito apurado e a compensação realizada, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O processo foi apreciado pela Eg. 2ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, quando, em 29 de março de 2007 Resolução n.º 20201.222, decidiu converter o julgamento em diligência, in verbis (fls. 280286): Portanto, em face do que restou estabelecido pelos Membros desta Câmara, e resguardando minha posição pessoal, voto, com objetivo de melhor instruir o processo, no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, à repartição de origem, para que, conclusivamente, pronunciese sobre a existência de recolhimentos efetuados a maior, a título de PIS e nos períodos informados pela recorrente, levandose em consideração o que consta dos fundamentos deste voto [(a) o prazo decadencial é de 10 anos; b) A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior; c) inexiste correção da base de cálculo representada pelo faturamento do sexto mês anterior por ausência de previsão legal e sua aplicação traduzir alteração da base de cálculo por vias oblíquas.] , informando, inclusive caso venham a ser apurados , os alegados créditos a restituir/compensar (demonstrar). Posteriormente e em caso positivo, manifestese sobre a suficiência dos saldos acumulados desses pagamentos a maior, atualizados monetariamente, com base nos coeficientes da tabela anexa à Norma de Execução SRF/Cosit/Cosar n9 08, de 27/6/1997, bem como proceda de imediato o bloqueio dos créditos confirmados até que o presente processo seja julgado em definitivo por este Colegiado. Em seguida, após oferecer à recorrente o direito de emitir pronunciamento acerca do resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos a esta Câmara. Sala das Sessões, em 29 de março de 2007 A autoridade na unidade jurisdicionante, em atendimento à diligência, prestou as informações de fls. 324325, reconhecendo o indébito no montante de R$ 5.709,78, valorado em 02/10/1998 e que esse valor foi insuficiente para extinção de todos os débitos do SIMPLES levados à compensação, com demonstração às fls. 309310. Assim justificou a autoridade fiscal: Trata, o presente processo, de Representação aberta para fins de seguimento do julgamento de análise do crédito do PIS apresentado pela interessada, cumulado com pedidos de compensação, baixado em diligência pela 2a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, através da Resolução 20201.122 (fl 264 a 271), para que, afastada a decadência dos recolhimentos e reconhecida a semestralidade, seja feita a demonstração dos valores do indébito a que faz jus a interessada com Fl. 339DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000607/200435 Acórdão n.º 3401002.925 S3C4T1 Fl. 4 5 manifestação acerca da suficiência dos mesmos, considerando na atualização a NE SRF/Cosit/Cosar 08 de 27/06/1997, reabrindo prazo para manifestação com posterior retorno àquela Câmara. Pois bem, para elaboração dos cálculos fora utilizado o aplicativo CTSJ, programa de cálculos homologado pela RFB e que utiliza em suas rotinas o disposto na NE SRF/Cosit/Cosar n° 08 de 27/06/1997. De início, o aplicativo CTSJ fora alimentado com as bases de cálculo constantes da planilha apresentada pela interessada em documentos de fl 05 a 07 (anoscalendário 1989, 1990, 1991 e 1992) e pelas bases de cálculo constantes dos sistemas informatizados da RFB (anoscalendários 1993, 1994 e 1995), valores estes informados pela interessada em suas DIRPJ, obtendo, desse modo, os valores devidos considerandose a semestralidade (fl 278 a 281). A esses valores devidos, foram vinculados os respectivos DARF recolhidos pela interessada (fl 19 a 45 certificados em fl 57), resultando nas amortizações de fl289 a 295. Após a amortização, restou evidenciado o indébito da interessada no saldo dos DARF de fl 284 a 286, no total de R$ 5.709,78, valorado em 02/10/1998. A atualização dos indébitos (até a data de 02/10/1998) levada a efeito pelo aplicativo CTSJ, observou os seguintes índices: 06/1989 a 12/1991 NE Conjunta SRF/COSIT/COSAR n° 08 de 27/06/1997 01/1992 a 12/1995 UFIR (Lei 8.383/1991) 01/1996 a 09/1999 SELIC (Lei 9.250/95) Importa observar que o valor pleiteado pela interessada e constante da planilha de fl 05 a 07 (R$ 9.509,91) é o resultado da soma das parcelas abaixo: R$ 4.759,37 coluna Valor Diferença em Reais R$ 2.107,67 coluna Juros 1% a.m R$ 2.642.88 coluna Juros a Partir Selic Total R$ 9.509,91 O valor considerado pela contribuinte em sua planilha na coluna juros 1% a. m. não encontra amparo legal, motivo pelo qual tal índice não fora observado nas rotinas de cálculo do CTSJ. Há ainda que se observar a existência de diferenças nos valores das bases de cálculo utilizadas na elaboração dos cálculos nos PA 12/93 e 01/94 a 06/94. Os valores utilizados foram os constantes dos sistemas informatizados da RFB e informados pela interessada em DIRPJ (fl 273 e 274). Por fim, em decorrência de o valor do indébito calculado pelo CTSJ ser inferior ao pleiteado pela interessada, concluise, de forma lógica, que tal valor é insuficiente para extinção de todos os débitos levados à compensação, o que se vê em documentos de fl 287 e288. O contribuinte cientificado dessas Informações, cálculos e resultado, não se manifestou, retornando o processo ao CARF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Atendimento dos requisitos de admissibilidade verificados na ocasião da Resolução 20201.222 da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes. Preliminar: Sobre a decadência ou sobre a prescrição para o pedido de restituição. Com relação ao prazo para se pleitear a restituição ou a compensação, consoante a decisão do Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 566.621, transitado em julgado em 27/02/2012, que foi submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B e 543C do CPC), ficou pacificado o entendimento de que o prazo estabelecido na Lei Complementar n.° 118/05 somente se aplica para os processos ajuizados a partir 09 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação era de dez anos contados de seu fato gerador. Esse entendimento é de observação pelos julgados deste Conselho nos termos do art. 62A do RICARF. Portanto, o termo inicial do prazo para o exercício do direito de pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 10 anos para os pedidos protocolizados antes de 9 de junho de 2005 e de 5 anos se o pedido foi apresentado a partir dessa data. Ademais, entendo que o direito de restituir indébito decorrente de pagamento efetuado com base em lei declarada inconstitucional prescreve depois de transcorridos cinco anos, contados da data em que publicada a Resolução do Senado Federal, se a inconstitucionalidade foi proferida em controle difuso, ou a partir da publicação da ementa da decisão pelo Supremo Tribunal Federal, se proferida em controle concentrado. O direito assim exercido alcança todo o período em que tiver ocorrido o recolhimento indevido. Tendo em vista que o pedido de restituição foi registrado em 12/07/1999, concluo que o pedido foi formulado dentro do prazo prescricional que aqui defendo. Proponho a esta Eg. Turma confirmar o entendimento aprovado pela decisão registrada na Resolução n.º 20201.222 proferida pelo Conselho de Contribuintes e aqui referida. Mérito Já cristalizado o entendimento de que a base de cálculo para apuração da contribuição do PIS no período em que vigia a Lei Complementar nº 07/70 era formada pelo faturamento ocorrido no sexto mês anterior ao mês em que apurado o fato gerador. Assim se pacificou no Superior Tribunal e nas decisões proferidas também nos Conselhos de Contribuintes, sintetizada na Súmula n.º 15, de observação obrigatória neste âmbito administrativo, com o seguinte teor: "Súmula nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior. " Acrescento, ainda, que o STJ, em voto angular proferido pela E. Ministra Eliana Calmon, não existe "correção da base de cálculo representada pelo faturamento do Fl. 341DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 13888.000607/200435 Acórdão n.º 3401002.925 S3C4T1 Fl. 5 7 sexto mês anterior por ausência de previsão legal e sua aplicação traduzir alteração da base de cálculo por vias oblíquas". In verbis: "Sabese que, em relação ao PIS, é a Lei Complementar que, instituindo a exação, estabeleceu fato gerador, base de cálculo e contribuintes. [...] Doutrinariamente, dizse que a base de cálculo é a expressão econômica do fato gerador. E, em termos práticos, o montante, ou a base numérica que leva ao cálculo do quantum devido, medido este montante pela alíquota estabelecida. Assim, cada exação tem o seu fato gerador e a sua base de cálculo próprios. Em relação ao PIS, a Lei Complementar n° 07/70 estabeleceu duas modalidades de cálculo, ou forma de chegarse ao montante a recolher: [...] Assim, em julho, o primeiro mês em que se pagou o PIS no ano de 1971, a base de cálculo foi o faturamento do mês de janeiro, no mês de agosto a referência foi o mês de fevereiro e assim sucessivamente (parágrafo único do art. 6). Esta segunda forma de cálculo do PIS ficou conhecido como PIS SEMESTRAL, embora fosse mensal o seu pagamento. [...] o Manual de Normas e Instruções do Fundo de Participação PIS/PASEP, editado pela Portaria n° 142 do Ministro da Fazenda, em data de 15/07/1982 assim deixou explicitado no item 13: 'A efetivação dos depósitos correspondentes à contribuição referida na alínea "b ", do item I, deste Capítulo é processada mensalmente, com base na receita bruta do 6 (sexto) mês anterior (Lei Complementar n°07, art. 6 e § único, e Resolução do CMN n° 174, art. 7° e§ 1.' A referência deixa evidente que o artigo 6 , parágrafo único não se refere a prazo de pagamento, porque o pagamento do PIS, na modalidade da alínea "b" do artigo 3 da LC 07/70, é mensal, ou seja, esta é a modalidade de recolhimento Conseqüentemente, da data de sua criação até o advento da MP n° 1.212/95, a base de cálculo do PIS FATURAMENTO manteve a característica de semestralidade. " •[...] O normal seria a coincidência da base de cálculo com o fato gerador, de modo a terse como tal o faturamento do mês, para pagamento no mês seguinte, até o quinto dia. Contudo, a opção legislativa foi outra. E se o Fisco, de moto próprio, sem lei autorizadora, corrige a base de cálculo, não se tem dúvida de que está, por via oblíqua, alterando a base de cálculo, o que só a lei pode fazer", RE n.º 144.708 RS (1997/00581403), de 29/05/2001. Relatora Ministra Eliana Calmon. Ou seja, foram afastadas as dúvidas e as disputas interpretativas, nas esferas judicial e administrativa, acerca da semestralidade e da base de cálculo da contribuição para o PIS, bem como de não ocorrência de sua correção monetária e do prazo de recolhimento Como expôs a I Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA em seu voto, quando da conversão do julgamento em diligência: Portanto, exemplificativamente, se o fato gerador considerado é o mês de novembro de 1989, a base de cálculo será o faturamento do sexto mês anterior Fl. 342DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 àquele mês, ou seja, maio de 1989, sem que o mesmo seja corrigido monetariamente, e assim sucessivamente até o limite de vigência da referida Lei Complementar ou até o limite do pedido da recorrente, o que acontecer primeiro. Apurada a base de cálculo, sobre a mesma incide a alíquota de 0,75%. O prazo de recolhimento será o estabelecido na Lei n.º 7.691/88, ou seja, o décimo dia do terceiro mês subseqüente ao fato gerador, sem as exceções previstas nos decretosleis declarados inconstitucionais, bem como devem ser observadas as alterações legislativas posteriores que modificaram o prazo de recolhimento. O contribuinte havia se utilizado de juros de 1% am para determinar o quantum a que pediu reconhecimento de direito creditório, entretanto, penso que esse fator e solicitação do contribuinte não pode ser aceito, por simples falta de previsão legal e tendo em vista que a legislação prevê outro critério para atualização dos indébitos, aliás explicitados na Informação Fiscal. A Informação fiscal observou esses parâmetros e verificou o indébito no valor de R$ 5.709,78 (cinco mil setecentos e nove reais e setenta e oito centavos). Sobre esse valor a recorrente não contestou. Ademais, a Informação fiscal demonstrou que esse saldo de indébito não foi suficiente para extinguir todos os débitos que o contribuinte havia requerido por meio de compensação (fls. 309310). Portanto, proponho dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 5.709,78, valorado para 02/10/1998 e para utilizar este saldo para extinguir os débitos das solicitações de compensação feitas pelo contribuinte até o limite desse saldo, conforme demonstrado às fls. 309310, e para declarar não compensados os demais débitos cujo saldo desse direito creditório não logrou ser suficiente para quitálos. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 343DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 10/ 03/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10320.004650/2007-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
FOLHAS DE PAGAMENTO. INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE.
As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-004.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA EMPRESA. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE. As informações prestadas pela própria empresa em seus documentos gozam da presunção de veracidade. Eventuais equívocos devem ser comprovados pelo autor documento, no caso a empresa. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 46 50 /2 00 7- 40 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.004650/200740 Acórdão n.º 2402004.545 S2C4T2 Fl. 136 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento fiscal com ciência em 08/11/2007 e com base em valores declarados, todos devidamente contabilizados. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO. É de cinco anos o prazo de decadência aplicável às contribuições para o financiamento da Seguridade Social, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 feita através da Súmula Vinculante do STF n.° 8. Lançamento Procedente em Parte ... Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde alega que os fatos geradores ocorridos de 01 a 07/2002 também foram alcançados pela decadência, de acordo com o artigo 150, §4º do CTN. É o Relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.004650/200740 Acórdão n.º 2402004.545 S2C4T2 Fl. 137 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Decadência Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e Fl. 140DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10320.004650/200740 Acórdão n.º 2402004.545 S2C4T2 Fl. 138 7 municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN; caso contrário, aplicase o artigo 173, I do CTN que transfere o termo a quo de contagem para o exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Também atribuiu status de repetitivos a todos os processos que se encontram tramitando sobre a matéria. E, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a decisão deve ser reproduzida nas turmas deste Conselho. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Este CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Contudo, considerando o presente caso, deve ser aplicada a regra no artigo 173, I do CTN uma vez que para essas competências a recorrente não efetuou qualquer recolhimento de contribuição patronal sobre a folha de salários. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 142DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 13/03/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10283.902819/2009-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/10/2005
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO.
Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendo-se reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida.
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DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO. Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendose reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 19 /2 00 9- 84 Fl. 531DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual o contribuinte apresenta como crédito valor de recolhimento a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação ao fato gerador ocorrido em 31/10/2005. Foi negada homologação à compensação por meio de Despacho Decisório Eletrônico – DDE (fl. 7), pelo fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/17) sustentando, em síntese, que apenas depois de apresentada a DCTF original veio a verificar a existência de equívoco na apuração do tributo devido e que depois promoveu a retificação da DCTF, alegando também que a existência do indébito alegado na DCOMP decorre da verdade material. Com a impugnação o contribuinte apresentou cópia de DCTFretificadora (fls. 20/41), na qual, no entanto, não consta o valor confessado a título de Cofins, e do DACONoriginal, apresentado em 07/02/2006 (fls. 42/64), no qual consta a apuração da Cofins para o período de outubro de 2005. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0118.293, de 1 de julho de 2010 (fls. 125/128), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Anocalendário: 2006 CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 132/143) sustentando a nulidade do acórdão recorrido por falta de motivação sobre as provas produzidas, visto que acostou aos autos o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), por meio do qual demonstrava o patente equívoco do recolhimento que realizou, além de que, a DCTF retificadora apresentadas nos autos faz prova de que confessou valor nulo de Cofins. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.902819/200984 Acórdão n.º 3403003.570 S3C4T3 Fl. 527 3 Reiterou que o voto condutor do acórdão da DRJ faz parecer que não teria trazido qualquer outro documento além da DCTFretificadora, quando apresentou o DACON, que constituiria documento fiscal hábil e idôneo para demonstrar a apuração das contribuições do período. Este Conselho, por meio da Resolução nº 340300.203, de 2 de junho de 2011 (fls. 169/173), concluiu “pela conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem verifique se a contabilidade do contribuinte confirma as informações declaradas na DACON, confirmando o montante da contribuição apurada nesta Declaração ou, se o caso, indicando qual o valor efetivamente devido e o valor da diferença eventualmente recolhida a maior”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus/AM (DRF) apresentou o resultado da diligência por meio de Informação Fiscal (fls. 515/517), descrevendo a seguinte constatação: 1. Visando elucidar os questionamentos determinados na Resolução no3403000.203 da 4a Camara / 3a Turma Ordinária, do CARF, emitimos o Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/MNS No00233/2013, cujos documentos em resposta encontramse integrados de forma inseparável ao presente eProcesso. 2. Anexamos ao presente eProcesso a DCTF no 1000.000.2009.1860250066. 3. Anexamos ao presente eProcesso a DACON no 0000100200600119167. 4. De posse dessas informações foi elaborada Planilha com o demonstrativo denominado “SONOPRESS – RESUMO DE APURAÇÃO” onde procuramos explicitar de forma cabal os valores de Tributos devidos e indevidos e que são o objetivo da presente Diligencia Fiscal. Tudo anexado de forma inseparável ao presente eProcesso. CONCLUSÃO: Diante do acima exposto, e tendo em vista toda a documentação anexada ao presente Processo Administrativo Fiscal, nada mais tendo a cumprir no âmbito deste SEORT/DRF/MNS. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 O contribuinte foi intimado do resultado da diligência, deixando de se manifestar a respeito. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso voluntário foi protocolado por meio de remessa de carta, postada nos Correios no dia 03/09/2014 (fl. 130), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu no dia 04/08/2008 (fl. 129). Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma contra o entendimento do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. O resultado da diligência fiscal determinada por este Conselho, e promovida pela Delegacia de origem, demonstrou que a contabilidade confirma os dados declarados no DACON, certificando a correção da apuração da contribuição nele apresentada e, assim, concluindo pela existência de recolhimento indevido, cujo valor corresponde exatamente àquele indicado pelo contribuinte como crédito na DCOMP. Confirmada a existência do indébito pela diligência fiscal, apenas cumpre a este Conselho ratificar tais constatações e conclusão. Voto pelo provimento do recurso para reconhecer o direito de indébito e homologar a compensação conforme os valores apurados na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 534DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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