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Numero do processo: 10314.005400/00-50
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência os autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM-Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Relatório
O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE.
Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir:
O Contribuinte supraqualificado foi cientificado em 01/12/2003, fls. 34, da Decisão da Seção de Orientação e Análise Tributária da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo/SP (DECISÃO/SAORT106/2003/IRF/SPO), fls. 32, 33, através do qual o Inspetor da citada Unidade, após apreciar o Pedido de Restituição dos valores pagos do Imposto de Importação II e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e multa, fls. 10/12 (pagamentos referentes a Pedido de Regularização de Veículo, situação em que tal Pedido de Regularização foi indeferido e o Veículo foi apreendido, fls. 24), concluiu pelo indeferimento do Pedido de Restituição.
Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas:
O Interessado apresentou, às fIs. 10, Pedido de Restituição de valores recolhidos em 10/05/1990, a título de II e IPI e multa referentes ao Pedido de Regularização de veículo no processo 10880.027175/8800.
Os tributos foram pagos indevidamente, visto que não foram utilizados na regularização do veículo, pois o Pedido não foi deferido na esfera administrativa nem na judicial, tendo sido o veículo apreendido.
O Pedido inicial de Restituição fora protocolizado em 08/02/1999, tendo sido o processo arquivado por falta de interesse do Postulante que não apresentou os documentos solicitados. Em 12/12/2000, foi protocolizado o presente processo, sendo desarquivado o de nº 10880.027175/8800.
Conforme o artigo 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), o Sujeito Passivo tem direito, independente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos:
I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da 1egislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido.
II - .................................................
Todavia, devido ao disposto pelo Ato Declaratório 96, de 26/11/1999, fls. 33, o direito do Contribuinte à repetição do indébito está inequivocadamente decaído, conforme decidido pelo Acórdão DRJ/SPO 8, de 19/10/2001.
Inconformado com a DECISÃO/SAORT/IRF/SPO, fls. 32, 33, da qual fora cientificado em 01/12/2003, fls. 34, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 29/12/2003, fls. 35/51, solicitando a restituição dos valores pagos do II e IPI, e demais acréscimos recolhidos, requerendo seja reformada a citada DECISÃO, incluindo o afastamento da alegação de decadência, a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, a apresentação de novos documentos, realização de diligências, perícia técnica e as demais que forem necessárias, argumentando em síntese:
A propositura do Pedido de Restituição estava a depender da solução de outro processo administrativo e de um processo judicial, que tratava da regularização do veículo, pois apenas com o indeferimento do Pedido de Regularização restou exteriorizado o indébito. Por tal motivo, no período que tramitou o processo judicial, cuja Decisão transitou em julgado em 07/12/1994, não corria o prazo decadencial, o qual se iniciou nessa data.
Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, processo 10314.000659/98-18, antes do transcurso de cinco anos do trânsito em julgado da Decisão Judicial, o Pedido não se encontra decaído.
O processo administrativo 10880.027175/88-00, cujo protocolo data de 12/08/1988, trata do Pedido de Regularização de automóvel de origem estrangeira, fundamentado pelo Decreto-Lei 2.446, de 30/06/1988.
Tal Decreto-Lei possibilitava a regularização fiscal de bens de origem ou procedência estrangeira, que tivessem ingressado no território até a data de sua publicação, ou seja, 1º/07/1988, fls. 37, 38.
O Pedido foi instruído com o recolhimento dos impostos realizados em 30/09/1987, acrescidos de encargos financeiros, de acordo com o art. 2º, § 1º, do Decreto-Lei 2.446, fls. 38, dados constantes às fls. 27 do processo administrativo 10880.027175/88-00, verificado que o Requerente procedeu ao recolhimento da complementação dos tributos em 10/05/1990. Não obstante, o Pedido de Regularização foi indeferido pela Autoridade Administrativa, pelo que o Contribuinte ingressou com Ação Judicial.
Ao final, o Superior Tribunal de Justiça julgou improcedente as Ações, tendo o Acórdão sido publicado no Diário da Justiça em 31/10/1994 e transitado em julgado em 07/12/1994, o que teve como conseqüência a aplicação da pena de perdimento do veículo.
Devido ao indeferimento da regularização fiscal do veículo, em 08/02/1999 o Requerente ingressou com Pedido de Restituição dos impostos pagos com tal finalidade, porque o Pedido de Restituição dependia da conclusão dos processos administrativos e judiciais que visavam a regularização do veículo, a qual restara concluída em 11/12/1998, com a apreensão do mesmo. Sem a definição a respeito do Pedido de Regularização do veículo, não era possível o Pleito da restituição dos tributos com tal finalidade, conclusão ratificada por Acórdãos do Conselho de Contribuintes, fls. 40/47, e à luz dos arts. 156, 165 e 168 do Código Tributário Nacional.
Deste modo, como a contagem do prazo decadencial iniciou em 07/12/1994, data do trânsito em julgado da Ação Judicial, o Contribuinte tinha até 07/12/1999 para realizar o protocolo. Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, tal protocolo foi feito antes do transcurso do prazo de cinco anos, pelo que não se encontra decaído, o que implica a reforma da Decisão proferida pelo Inspetor da Receita Federal.
Mister se faz salientar, ainda, que, além dos tributos, de acordo com o parágrafo 1º do artigo 2º do Decreto-Lei em questão, foram recolhidos encargos financeiros de valor equivalente ao veículo, cuja natureza, à evidência, é sancionatória, caracterizando, portanto, uma duplicidade de penalidade, tendo em vista a aplicação da pena de perdimento.
O Pedido de Restituição, protocolado em 8 de fevereiro de 1999, não se encontra decaído, pois foi protocolado antes do transcurso do prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão proferida nos autos da Ação Ordinária 92.00.012566, que ocorreu em 7 de dezembro de 1994.
O prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial findava em 7 de dezembro de 1999 e o Pedido de Restituição foi protocolado em 8 de fevereiro de 1999.
A jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacifica no sentido de que a contagem do prazo decadencial iniciasse da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial.
O Pedido de Restituição não poderia ser protocolado antes do julgamento definitivo do Pedido de Regularização fiscal do veículo, que se deu com o trânsito em julgado da Decisão Judicial, tendo em vista que foi a partir desse momento que houve a exteriorização do indébito.
Com o indeferimento do Pedido de Regularização fiscal do veículo, OS tributos recolhidos tornaram-se indevidos, devendo, portanto, serem restituídos.
O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 08-12449 de 11/12/2007, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis:
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1990 PEDIDO RESTITUIÇÃO. INSTITUTO DECADÊNCIA.
O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1990 DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Indefere-se o pedido de diligência/perícia quando estas se revelam prescindíveis.
CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. DECISÕES ADMINISTRATIVAS.
A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicando-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios.
LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS.
Não compete à Autoridade Administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Solicitação Indeferida.
O julgamento foi no sentido de indeferir pedido de restituição, reconhecendo a decadência do direito creditório do pedido de restituição.
O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória.
Ressalta pelo afastamento da decadência e que seu pedido não está decaído.
O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira.
É o Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O Contribuinte supraqualificado foi cientificado em 01/12/2003, fls. 34, da Decisão da Seção de Orientação e Análise Tributária da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo/SP (DECISÃO/SAORT106/2003/IRF/SPO), fls. 32, 33, através do qual o Inspetor da citada Unidade, após apreciar o Pedido de Restituição dos valores pagos do Imposto de Importação II e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e multa, fls. 10/12 (pagamentos referentes a Pedido de Regularização de Veículo, situação em que tal Pedido de Regularização foi indeferido e o Veículo foi apreendido, fls. 24), concluiu pelo indeferimento do Pedido de Restituição. Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas: O Interessado apresentou, às fIs. 10, Pedido de Restituição de valores recolhidos em 10/05/1990, a título de II e IPI e multa referentes ao Pedido de Regularização de veículo no processo 10880.027175/8800. Os tributos foram pagos indevidamente, visto que não foram utilizados na regularização do veículo, pois o Pedido não foi deferido na esfera administrativa nem na judicial, tendo sido o veículo apreendido. O Pedido inicial de Restituição fora protocolizado em 08/02/1999, tendo sido o processo arquivado por falta de interesse do Postulante que não apresentou os documentos solicitados. Em 12/12/2000, foi protocolizado o presente processo, sendo desarquivado o de nº 10880.027175/8800. Conforme o artigo 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), o Sujeito Passivo tem direito, independente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da 1egislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. II - ................................................. Todavia, devido ao disposto pelo Ato Declaratório 96, de 26/11/1999, fls. 33, o direito do Contribuinte à repetição do indébito está inequivocadamente decaído, conforme decidido pelo Acórdão DRJ/SPO 8, de 19/10/2001. Inconformado com a DECISÃO/SAORT/IRF/SPO, fls. 32, 33, da qual fora cientificado em 01/12/2003, fls. 34, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 29/12/2003, fls. 35/51, solicitando a restituição dos valores pagos do II e IPI, e demais acréscimos recolhidos, requerendo seja reformada a citada DECISÃO, incluindo o afastamento da alegação de decadência, a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, a apresentação de novos documentos, realização de diligências, perícia técnica e as demais que forem necessárias, argumentando em síntese: A propositura do Pedido de Restituição estava a depender da solução de outro processo administrativo e de um processo judicial, que tratava da regularização do veículo, pois apenas com o indeferimento do Pedido de Regularização restou exteriorizado o indébito. Por tal motivo, no período que tramitou o processo judicial, cuja Decisão transitou em julgado em 07/12/1994, não corria o prazo decadencial, o qual se iniciou nessa data. Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, processo 10314.000659/98-18, antes do transcurso de cinco anos do trânsito em julgado da Decisão Judicial, o Pedido não se encontra decaído. O processo administrativo 10880.027175/88-00, cujo protocolo data de 12/08/1988, trata do Pedido de Regularização de automóvel de origem estrangeira, fundamentado pelo Decreto-Lei 2.446, de 30/06/1988. Tal Decreto-Lei possibilitava a regularização fiscal de bens de origem ou procedência estrangeira, que tivessem ingressado no território até a data de sua publicação, ou seja, 1º/07/1988, fls. 37, 38. O Pedido foi instruído com o recolhimento dos impostos realizados em 30/09/1987, acrescidos de encargos financeiros, de acordo com o art. 2º, § 1º, do Decreto-Lei 2.446, fls. 38, dados constantes às fls. 27 do processo administrativo 10880.027175/88-00, verificado que o Requerente procedeu ao recolhimento da complementação dos tributos em 10/05/1990. Não obstante, o Pedido de Regularização foi indeferido pela Autoridade Administrativa, pelo que o Contribuinte ingressou com Ação Judicial. Ao final, o Superior Tribunal de Justiça julgou improcedente as Ações, tendo o Acórdão sido publicado no Diário da Justiça em 31/10/1994 e transitado em julgado em 07/12/1994, o que teve como conseqüência a aplicação da pena de perdimento do veículo. Devido ao indeferimento da regularização fiscal do veículo, em 08/02/1999 o Requerente ingressou com Pedido de Restituição dos impostos pagos com tal finalidade, porque o Pedido de Restituição dependia da conclusão dos processos administrativos e judiciais que visavam a regularização do veículo, a qual restara concluída em 11/12/1998, com a apreensão do mesmo. Sem a definição a respeito do Pedido de Regularização do veículo, não era possível o Pleito da restituição dos tributos com tal finalidade, conclusão ratificada por Acórdãos do Conselho de Contribuintes, fls. 40/47, e à luz dos arts. 156, 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Deste modo, como a contagem do prazo decadencial iniciou em 07/12/1994, data do trânsito em julgado da Ação Judicial, o Contribuinte tinha até 07/12/1999 para realizar o protocolo. Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, tal protocolo foi feito antes do transcurso do prazo de cinco anos, pelo que não se encontra decaído, o que implica a reforma da Decisão proferida pelo Inspetor da Receita Federal. Mister se faz salientar, ainda, que, além dos tributos, de acordo com o parágrafo 1º do artigo 2º do Decreto-Lei em questão, foram recolhidos encargos financeiros de valor equivalente ao veículo, cuja natureza, à evidência, é sancionatória, caracterizando, portanto, uma duplicidade de penalidade, tendo em vista a aplicação da pena de perdimento. O Pedido de Restituição, protocolado em 8 de fevereiro de 1999, não se encontra decaído, pois foi protocolado antes do transcurso do prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão proferida nos autos da Ação Ordinária 92.00.012566, que ocorreu em 7 de dezembro de 1994. O prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial findava em 7 de dezembro de 1999 e o Pedido de Restituição foi protocolado em 8 de fevereiro de 1999. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacifica no sentido de que a contagem do prazo decadencial iniciasse da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial. O Pedido de Restituição não poderia ser protocolado antes do julgamento definitivo do Pedido de Regularização fiscal do veículo, que se deu com o trânsito em julgado da Decisão Judicial, tendo em vista que foi a partir desse momento que houve a exteriorização do indébito. Com o indeferimento do Pedido de Regularização fiscal do veículo, OS tributos recolhidos tornaram-se indevidos, devendo, portanto, serem restituídos. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 08-12449 de 11/12/2007, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1990 PEDIDO RESTITUIÇÃO. INSTITUTO DECADÊNCIA. O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1990 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Indefere-se o pedido de diligência/perícia quando estas se revelam prescindíveis. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicando-se sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não compete à Autoridade Administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida. O julgamento foi no sentido de indeferir pedido de restituição, reconhecendo a decadência do direito creditório do pedido de restituição. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta pelo afastamento da decadência e que seu pedido não está decaído. 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter em diligência os autos, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO D’AMORIMPresidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: O Contribuinte supraqualificado foi cientificado em 01/12/2003, fls. 34, da Decisão da Seção de Orientação e Análise Tributária da Inspetoria da Receita Federal em São Paulo/SP (DECISÃO/SAORT106/2003/IRF/SPO), fls. 32, 33, através do qual o Inspetor da citada Unidade, após apreciar o RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 05 40 0/ 00 -5 0 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Resolução nº 3802000.159 S3TE02 Fl. 165 2 Pedido de Restituição dos valores pagos do Imposto de Importação – II e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI e multa, fls. 10/12 (pagamentos referentes a Pedido de Regularização de Veículo, situação em que tal Pedido de Regularização foi indeferido e o Veículo foi apreendido, fls. 24), concluiu pelo indeferimento do Pedido de Restituição. Tal indeferimento se deveu às razões a seguir descritas: O Interessado apresentou, às fIs. 10, Pedido de Restituição de valores recolhidos em 10/05/1990, a título de II e IPI e multa referentes ao Pedido de Regularização de veículo no processo 10880.027175/8800. Os tributos foram pagos indevidamente, visto que não foram utilizados na regularização do veículo, pois o Pedido não foi deferido na esfera administrativa nem na judicial, tendo sido o veículo apreendido. O Pedido inicial de Restituição fora protocolizado em 08/02/1999, tendo sido o processo arquivado por falta de interesse do Postulante que não apresentou os documentos solicitados. Em 12/12/2000, foi protocolizado o presente processo, sendo desarquivado o de nº 10880.027175/8800. Conforme o artigo 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), o Sujeito Passivo tem direito, independente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: “I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da 1egislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. II .................................................” Todavia, devido ao disposto pelo Ato Declaratório 96, de 26/11/1999, fls. 33, o direito do Contribuinte à repetição do indébito está inequivocadamente decaído, conforme decidido pelo Acórdão DRJ/SPO 8, de 19/10/2001. Inconformado com a DECISÃO/SAORT/IRF/SPO, fls. 32, 33, da qual fora cientificado em 01/12/2003, fls. 34, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 29/12/2003, fls. 35/51, solicitando a restituição dos valores pagos do II e IPI, e demais acréscimos recolhidos, requerendo seja reformada a citada DECISÃO, incluindo o afastamento da alegação de decadência, a produção de todos os meios de prova admitidos em Direito, a apresentação de novos documentos, realização de diligências, perícia técnica e as demais que forem necessárias, argumentando em síntese: A propositura do Pedido de Restituição estava a depender da solução de outro processo administrativo e de um processo judicial, que tratava da regularização do veículo, pois apenas com o indeferimento do Pedido de Regularização restou exteriorizado o indébito. Por tal motivo, no período que tramitou o processo judicial, cuja Decisão transitou em julgado em 07/12/1994, não corria o prazo decadencial, o qual se iniciou nessa data. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Resolução nº 3802000.159 S3TE02 Fl. 166 3 Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, processo 10314.000659/9818, antes do transcurso de cinco anos do trânsito em julgado da Decisão Judicial, o Pedido não se encontra decaído. O processo administrativo 10880.027175/8800, cujo protocolo data de 12/08/1988, trata do Pedido de Regularização de automóvel de origem estrangeira, fundamentado pelo DecretoLei 2.446, de 30/06/1988. Tal DecretoLei possibilitava a regularização fiscal de bens de origem ou procedência estrangeira, que tivessem ingressado no território até a data de sua publicação, ou seja, 1º/07/1988, fls. 37, 38. O Pedido foi instruído com o recolhimento dos impostos realizados em 30/09/1987, acrescidos de encargos financeiros, de acordo com o art. 2º, § 1º, do DecretoLei 2.446, fls. 38, dados constantes às fls. 27 do processo administrativo 10880.027175/8800, verificado que o Requerente procedeu ao recolhimento da complementação dos tributos em 10/05/1990. Não obstante, o Pedido de Regularização foi indeferido pela Autoridade Administrativa, pelo que o Contribuinte ingressou com Ação Judicial. Ao final, o Superior Tribunal de Justiça julgou improcedente as Ações, tendo o Acórdão sido publicado no Diário da Justiça em 31/10/1994 e transitado em julgado em 07/12/1994, o que teve como conseqüência a aplicação da pena de perdimento do veículo. Devido ao indeferimento da regularização fiscal do veículo, em 08/02/1999 o Requerente ingressou com Pedido de Restituição dos impostos pagos com tal finalidade, porque o Pedido de Restituição dependia da conclusão dos processos administrativos e judiciais que visavam a regularização do veículo, a qual restara concluída em 11/12/1998, com a apreensão do mesmo. Sem a definição a respeito do Pedido de Regularização do veículo, não era possível o Pleito da restituição dos tributos com tal finalidade, conclusão ratificada por Acórdãos do Conselho de Contribuintes, fls. 40/47, e à luz dos arts. 156, 165 e 168 do Código Tributário Nacional. Deste modo, como a contagem do prazo decadencial iniciou em 07/12/1994, data do trânsito em julgado da Ação Judicial, o Contribuinte tinha até 07/12/1999 para realizar o protocolo. Como o Pedido de Restituição foi protocolado em 08/02/1999, tal protocolo foi feito antes do transcurso do prazo de cinco anos, pelo que não se encontra decaído, o que implica a reforma da Decisão proferida pelo Inspetor da Receita Federal. Mister se faz salientar, ainda, que, além dos tributos, de acordo com o parágrafo 1º do artigo 2º do DecretoLei em questão, foram recolhidos encargos financeiros de valor equivalente ao veículo, cuja natureza, à evidência, é sancionatória, caracterizando, portanto, uma duplicidade de penalidade, tendo em vista a aplicação da pena de perdimento. O Pedido de Restituição, protocolado em 8 de fevereiro de 1999, não se encontra decaído, pois foi protocolado antes do transcurso do prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão proferida Fl. 166DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Resolução nº 3802000.159 S3TE02 Fl. 167 4 nos autos da Ação Ordinária 92.00.012566, que ocorreu em 7 de dezembro de 1994. O prazo de cinco anos a contar da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial findava em 7 de dezembro de 1999 e o Pedido de Restituição foi protocolado em 8 de fevereiro de 1999. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes é pacifica no sentido de que a contagem do prazo decadencial iniciasse da data do trânsito em julgado da Decisão Judicial. O Pedido de Restituição não poderia ser protocolado antes do julgamento definitivo do Pedido de Regularização fiscal do veículo, que se deu com o trânsito em julgado da Decisão Judicial, tendo em vista que foi a partir desse momento que houve a exteriorização do indébito. Com o indeferimento do Pedido de Regularização fiscal do veículo, OS tributos recolhidos tornaramse indevidos, devendo, portanto, serem restituídos. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão 0812449 de 11/12/2007, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1990 PEDIDO RESTITUIÇÃO. INSTITUTO DECADÊNCIA. O direito de o Contribuinte pleitear a restituição de tributos, inclusive encargos, pagos indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1990 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência/perícia quando estas se revelam prescindíveis. CONSELHOS DE CONTRIBUINTES. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as decisões administrativas, mesmo proferidas pelos órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose sobre a questão em análise e vinculando as partes envolvidas naqueles litígios. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. Não compete à Autoridade Administrativa o exame da legalidade/constitucionalidade das leis, porque prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Solicitação Indeferida. O julgamento foi no sentido de indeferir pedido de restituição, reconhecendo a decadência do direito creditório do pedido de restituição. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Resolução nº 3802000.159 S3TE02 Fl. 168 5 O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Ressalta pelo afastamento da decadência e que seu pedido não está decaído. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D’AMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. O recorrente, em 08 de fevereiro de 1999 apresentou o Pedido de Restituição de fl. 10, solicitando restituição de valores, segundo este, indevidamente recolhidos, a título de II e IPI e multas referentes ao Pedido de Regularização de veículo de procedência estrangeira, o que culminou com a apreensão do mesmo. Inicialmente, em sede de preliminar, analiso a questão do prazo para pleitear o seu pedido de restituição. Ressalto, que esta conselheira votava no sentido que prazo para que o sujeito passivo exerça seu direito de requerer a restituição de valores que comprove terem sido recolhidos a maior ou indevidamente é aquele expresso no inciso I do artigo 168, combinado com o inciso I artigo 165, do CTN, ou seja, o pedido deveria ser formulado no prazo máximo de 5 anos a contar do pagamento indevido ou a maior, inclusive no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como o II e IPI, que se extinguem com o pagamento antecipado por força do disposto no parágrafo 1º do artigo 150. Como sabemos, o legislador, com intuito de interpretar o artigo 168, I do CTN, em 09 de fevereiro de 2005, por meio da Lei Complementar n° 118, explicitou sua vigência no tempo: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional. No entanto, o STF – Supremo Tribunal Federal – ao julgar o RE 566.621, relatada pela Ministra Ellen Gracie, reconheceu a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º da LC no. 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10314.005400/0050 Resolução nº 3802000.159 S3TE02 Fl. 169 6 de junho de 2005. Por conseguinte, para as ações ajuizadas anteriormente a esta data (09/06/2005), o STF decidiu que “quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN” Foi reconhecida a Repercussão Geral, devendo ser aplicado, portanto, o artigo 543B, parágrafo 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Assim sendo, por conta da decisão proferida no RE 566.621, é obrigatória a observância das disposições nele contida sobre prescrição expressas no Código Tributário Nacional, que devem ser aplicadas aos pedidos de restituição de tributos formulados na via administrativa. Assim, para os pedidos efetuados antes de 09/06/2005 deve prevalecer a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que o prazo era de 10 anos contados do seu fato gerador; os pedidos administrativos formulados após 09/06/2005 devem sujeitarse à contagem de prazo trazida pela LC 118/05, ou seja, cinco anos a contar do pagamento antecipado de que trata o parágrafo 1º do artigo 150 do CTN. Diante do exposto, tendo em vista, pedido de restituição em 08/02/1999 (antes de 09/06/2005), então o comando do prazo é de 10 anos, portanto, logo, acobertando os pagamentos do fato gerador em 10/05/1990. Portanto, afastada a preliminar de decadência. No entanto, o pedido inicial de restituição deste processo, em 08/02/1999, fora arquivado por falta de interesse, pela não apresentação da documentação solicitada. Observase, portanto, que não foi analisado o mérito creditório. Em razão dos motivos acima expostos, por conta do afastamento da decadência neste exame, voto para que o julgamento seja convertido em diligência a fim de que a DRF/DRJ apure a certeza e a liquidez do crédito (mérito), para análise do pleito e realização dos citados cálculos do pedido de restituição, se for o caso. Após a realização das análises solicitadas, profira parecer conclusivo sobre o crédito pretendido e abra vista para que a recorrente se pronuncie, se entender necessário; bem como a Procuradoria da Fazenda NacionalPGFN. Concluída a diligência solicitada, retornem os autos para seguimento no julgamento por esta turma do CARF. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/04/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10930.006565/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Comprovado por meio de documentação hábil e idônea a inexistência da infração, o crédito tributário resultante da omissão de rendimentos deve ser exonerado.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-002.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Ricardo Anderle (Suplente Convocado).
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Comprovado por meio de documentação hábil e idônea a inexistência da infração, o crédito tributário resultante da omissão de rendimentos deve ser exonerado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Ricardo Anderle (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 65 65 /2 00 8- 19 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Relatório Em desfavor do contribuinte, FERNANDO JACINTO VIEIRA DA SILVA , foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 04 a 06, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual correspondente ao exercício de 2005, anocalendário de 2004, que exige R$ 3.630,00 de imposto de renda suplementar, R$ 2.722,50 de multa de ofício, além dos acréscimos legais, em virtude de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 13.200,00. Cientificado do lançamento em 20/11/2008 (fl. 22), o interessado ingressou com a impugnação tempestiva de fls. 01/02, em 12/12/2008, alegando, em síntese, que: a) Preliminar. As fontes pagadoras de aluguéis estão relacionadas na planilha anexa, como rendimentos recebidos de pessoas físicas, sendo esse o caso da empresa FINCASH COBRANÇAS S/S LTDA., CNPJ 82.382.672/000173, "isto por que o contrato foi firmado com o Sr. Sérgio Garcia Neves, sócio gerente da sociedade em questão", conforme cópia que anexa, assim como ocorreu com outras pessoas jurídicas; b) Mérito. Não houve sonegação de impostos, nem de informações sobre rendimentos. "A forma errada de entregar a declaração de ajuste, não trouxe prejuízo a União pelo contrário, pois através do Carne Leão antecipou o recolhimento de Imposto de Renda''; A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R PF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFRAÇÃO. A omissão de rendimentos na Declaração Anual de Ajuste caracteriza infração à legislação tributária, sujeitando o infrator à pena administrativa de multa, além do recolhimento do imposto suplementar e acréscimos legais. PROVAS. MOMENTO PARA A PRODUÇÃO. O momento para produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação, ressalvadas as hipóteses previstas na legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, a contribuinte apresenta o recurso voluntário de fls.37/43, onde reitera os argumentos da impugnação. Reitera a questão da empresa FINCASH COBRANÇAS S/S LTDA., CNPJ 82.382.672/000173. Na qual o contrato foi firmado com o Sr. Sérgio Garcia Neves, sócio gerente da sociedade em questão. Os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência, para que fosse intimada a FINCASH COBRANÇA, para esclarecer os valores pagos ao recorrente. O relatório da diligência não identifica qualquer falha no argumento do recorrente. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10930.006565/200819 Acórdão n.º 2202002.839 S2C2T2 Fl. 3 3 É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recursos está dotados dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Da análise dos argumentos do recorrente, bem das provas apresentadas no recurso, os elementos ali presentes criam neste julgador a convicção de os argumentos do recorrente são verídicos. As fls. 61 a 84, o recorrente apresenta a reconstituição dos rendimentos a partir dos quais efetivava a apuração do carnêleão. Registrese que se acatam o argumento de que a receita omitida da pessoa jurídica já estaria declarada entre os rendimentos da pessoa física. O relatório da diligência não apresenta qualquer argumento que afaste a linha de argumentação suscitada pelo recorrente. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902315/2006-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2201-000.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarou-se impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fábio Caon Pereira, OAB 234.643.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Nathália Mesquita Ceia - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD declarouse impedido. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Fábio Caon Pereira, OAB 234.643. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH e NATHALIA MESQUITA CEIA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 02 31 5/ 20 06 -4 4 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902315/200644 Resolução nº 2201000.190 S2C2T1 Fl. 3 2 Trata o processo de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 07964.66266.270803.1.3.040138, de fls. 06, apresentado pelo Contribuinte – BANCO SANTANDER relativo à compensação de débito de CPMF da 3ªsem/agosto/2003, no montante de R$ 384.226,01, com crédito relativo a recolhimento indevido ou a maior de IRRF, efetuado em 09/04/2003, sendo de R$ 12.018.428,79 o valor total do DARF recolhido. Por meio do Despacho Decisório de fls. 04, a Delegacia Especial de Instituições Financeiras na 8ª Região Fiscal – Deinf/SPO não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em face da constatação de que o alegado pagamento indevido ou a maior fora integralmente utilizado para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP em comento. Cientificado da decisão em 02/05/2008, o Contribuinte apresentou, em 30/05/2008 Manifestação de Inconformidade, de fls. 02, aduzindo que: · Em decorrência de recálculo da base do imposto de renda foi feito recolhimento a maior, porem não houve a retificação da DCTF e não foi reconhecido o crédito informado na PERDCOMP. · Assim, considerando o valor apontado na planilha (fls. 05) perceberseá que o Contribuinte tinha crédito para liquidar o débito compensado. · Assim, requer que seja retificada a DCTF de oficio, de modo que conste o valor explicitado, bem como reconhecido o direito do crédito, haja vista a compensação procedia por meio da DCTF com crédito suficiente para suportála. A 10ª Turma da DRJ/SPOI na sessão de 13/04/2009 pelo Acórdão nº 1621.040, de fls. 36 e seguintes, julgou a compensação não homologada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 09/04/2003 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ERRO DE FATO. RETIFICAÇAO DA DCOMP. A retificação da DCOMP somente é possível na hipótese de inexatidões materiais cometidas no seu preenchimento, na forma prescrita na legislação tributária vigente e somente para as declarações ainda pendente de decisão administrativa na data da sua apresentação. O Contribuinte foi notificado do Acórdão pelo AR de fls. 43, em 29/04/2009, vindo apresentar Recurso Voluntário, às fls. 44 e seguintes, em 29/05/2009, aduzindo: · O Contribuinte é administradora de fundos de investimento financeiro Santander XXXVIII (FIF VIP 38). O fundo foi tratado como fundo de investimento para não residentes, assim o IRRF sobre o ganho financeiro era cobrado apenas no momento do resgate das quotas. · Em razão de auditoria interna a Contribuinte detectou que o FIF VIP 38 deveria ser tributado segundo as regras aplicadas aos residentes no Brasil. Neste contexto, a tributação dos ganhos financeiros deveria ser feita mensalmente, com base na diferença Fl. 757DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902315/200644 Resolução nº 2201000.190 S2C2T1 Fl. 4 3 positiva entre o valor patrimonial da quota apurada mensalmente e não apenas quando do resgate. · Esta divergência de critérios resultou em falta de pagamento do IRRF para alguns meses (meses em que não houve resgate) e no pagamento a maior de IRRF em outros meses (meses em que o valor do resgate foi superior à variação acumulada). · Os valores não adimplidos foram quitados, com seus acréscimos legais. E, os pagamentos a maior, ao seu turno, tornaramse créditos do Contribuinte, passíveis de aproveitamento para compensação com outros tributos federais. · Assim, a Contribuinte apresentou Pedido de Restituição e Compensação eletrônico objetivando extinguir crédito tributário de CPMF com crédito relativo a recolhimento a maior de IRRF. · Aponta que o entendimento da DRJ não pode prosperar, uma vez que apenas por equívoco o Contribuinte deixou de retificar a DCTF do 3º trimestre de 2002, o que resultou na suposta exigibilidade dos valores declarados naquela oportunidade. · Requer a reforma do Acórdão recorrido para fins de reconhecer o direito de crédito da recorrente e homologar as compensações. Em 28/03/2011, às fls. 122 e seguintes, o Contribuinte interpôs adendo ao Recurso Voluntário esclarecendo a origem de seu crédito, bem como apresentar parecer de auditoria independente que demonstra a existência do crédito alegado. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A 10ª Turma da DRJ/SPOI não apreciou se o Contribuinte possui o crédito alegado, vindo a rejeitar a Manifestação de Inconformidade com base nas seguintes premissas: (i) ausência de explicação sobre qual seria o erro, sua origem, sua justificativa, bem como ausência de documentação que evidencie existência do erro e (ii) a retificação de ofício da DCTF implicaria em alteração do PERD/COMP o que não seria autorizado após de proferido o despacho decisório da autoridade administrativa, a teor do art. 57 da IN nº 600/2005. Inicialmente cabe pontuar que a argumentação da 10ª Turma da DRJ/SPOI quanto à impossibilidade de retificação da PERDCOMP, com base no art. 57 da IN RFB nº 600/05 (atualmente art. 88 da IN RFB nº. 1.300/12) não se aplica ao presente caso, pois o Contribuinte solicita a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) procedimento regulamentado pelo art. 9º da IN RFB nº 1.110/10. No que diz respeito ao direito do Contribuinte em ver apreciado o seu direito de crédito independente de retificação da DCTF cabe tecer os seguintes comentários. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902315/200644 Resolução nº 2201000.190 S2C2T1 Fl. 5 4 O art. 113, §2º do Código Tributário Nacional (CTN) determina que a obrigação tributária acessória tem por objeto as prestações nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização. Logo, o descumprimento por parte do Contribuinte da retificação da DCTF previamente ao Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação – PER/DCOMP, não deve fulminar o direito de crédito do Contribuinte, desde que reste constatado a existência do crédito. O direito à repetição do indébito/compensação não está condicionado à prévia retificação da DCTF que contenha erro material. A DCTF não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir, na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado é dever da Autoridade Tributária apreciar as provas trazidas pelo contribuinte apurando o crédito que o contribuinte alega ser titular. Logo, a mesma DCTF, que depende de averiguação quando evidente o crédito do contribuinte, não deve ser tratada como prova absoluta da inexistência do direito de crédito do contribuinte. Nesta senda, a despeito da retificação da DCTF o contribuinte tem o direito subjetivo à compensação, desde que apresente provas quanto à existência do mesmo. Ou seja, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligências e apresentações de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal, a existência de informação na DCTF em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se trata a DCTF de instrumento de controle da própria Receita Federal. Sobre o tema, são elucidativas as conclusões exaradas pelo eminente Conselheiro Walber José da Silva que assim se manifestou no processo nº 10283.900064/2009 83: concluindo: à mingua de previsão legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, ou a sua apresentação após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não se constitui em motivo para o indeferimento do pedido de restituições, consequentemente, para a não homologação da compensação declarada pela Recorrente. deve, portanto, a autoridade administrativa da RFB apurar a liquidez e a certeza do crédito pleiteado considerando todas as provas trazidas aos autos e outras que julgar imprescindível para apuração para apurar a verdade material e forma sua convicção. Cumpre destacar que, nos casos de transmissão de PER/DCOMP sem a retificação – ou com retificação após o despacho decisório – da DCTF, há decisão no âmbito da Terceira Seção do CARF no sentido que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, Fl. 759DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902315/200644 Resolução nº 2201000.190 S2C2T1 Fl. 6 5 § 3 o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acordão 380201.078 , 2ª Turma Especial, Rel. Solon Sehn, sessão de 27.06.12) Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/07/2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO DEVIDAMENTE EFETUADA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, sempre que apresentada prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Direito de crédito comprovado. Recurso Voluntário provido Direito Creditório Reconhecido (Acordão 3802003.956, 2ª Turma especial, Rel. Solon Sehn sessão de 10.10.14) Pelo exposto a autoridade administrativa deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes nos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o princípio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimar o contribuinte para apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial da compensação. Isso posto, proponho a conversão do processo em diligência para que a autoridade preparadora: · verifique a liquidez e certeza do crédito alegado em face da documentação acostada aos autos pelo Contribuinte, bem como proceda à solicitação junto ao Contribuinte de outros documentos que julgar necessários para se manifestar se acerca da liquidez e certeza do alegado crédito. · verifique junto a DIORT a existência de despacho certificando a existência do alegado crédito. · verifique se os créditos ora alegados não sejam objeto de processo judicial por fim, promova relatório consubstanciado acerca da existência do crédito de IRRF pago a maior. Ao final deverá ser dada ciência ao Contribuinte do resultado da diligência para eventual manifestação. Ante a todo o exposto, voto por converter o processo em diligência. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 760DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 16327.902315/200644 Resolução nº 2201000.190 S2C2T1 Fl. 7 6 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 04/03/20 15 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 06/03/2015 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720648/2011-99
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES.
É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMEN7'0.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência
Pedido de Realização de Perícia Indeferido
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de realização de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMEN7'0. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência Pedido de Realização de Perícia Indeferido Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de realização de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 164 1 163 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.720648/201199 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.977 – 1ª Turma Especial Sessão de 10 de fevereiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente DELIO JOSE DE SOUZA ALMEIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONFRONTO DE INFORMAÇÕES. É legítimo o lançamento baseado em omissão de rendimentos apurada pelo confronto das informações prestadas pela fonte pagadora com os rendimentos tributáveis declarados pelo contribuinte. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMEN7'0. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência Pedido de Realização de Perícia Indeferido Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de realização de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 06 48 /2 01 1- 99 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.720648/201199 Acórdão n.º 2801003.977 S2TE01 Fl. 165 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento, de fls. 04 a 09, na qual é cobrado o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, relativamente ao anocalendário de 2006, exercício 2007, no valor de R$12.801,45, acrescido da multa de ofício e juros de mora (calculados até 30/01/2011),perfazendo um crédito tributário total de R$ 27.395,09. 2. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal os motivos que deram ensejo ao lançamento acima: 2.1. Dedução indevida de despesa médica no valor de R$ 3.412,98; 2.2. Omissão de rendimentos no valor de R$ 78.000,00, sendo R$ 60.000,00 da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Satuba e R$ 18.000,00 da fonte pagadora Prefeitura Municipal de São José da Laje. Na apuração do imposto devido, foi compensado IRRF no valor de R$ 9.587,12; 3. Devidamente cientificado da autuação em 15/02/2011, fl. 136, o contribuinte apresentou em 16/03/2011 a impugnação de fl. 02, para alegar em síntese que: 3.1. Não houve omissão de rendimentos da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Satuba no valor de R$ 60.000,00, pois afirma não ter recebido rendimento algum dessa fonte pagadora; 3.2. Concorda com infração relativa à omissão de rendimentos no valor de R$ 18.000,00, recebido da fonte pagadora Prefeitura Municipal de São José da Laje; 3.3. Concorda com infração relativa à dedução indevida de despesas médicas. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de fls. 146/147, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO DE OFICIO COM BASE EM DIRF. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.720648/201199 Acórdão n.º 2801003.977 S2TE01 Fl. 166 3 Na ausência de PROVA documental hábil e idônea em contrário, devem ser considerados como corretos os valores relativos aos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas e ao imposto de renda retido na fonte constantes da Declaração de Imposto de Renda na Fonte (DIRF), apresentada à Secretaria da Receita Federal pela fonte pagadora do contribuinte. As Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) possuem força probatória suficiente para efetuar o lançamento da omissão dos rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PAF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS E DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA MÉDICA. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificado daquele acórdão em 25/11/2011 (fl. 152), o Interessado, representado por seu procurador (fl. 158), interpôs recurso voluntário de fls. 155/156, em 23/12/2011. Em sua defesa, alega que · A Notificação Fiscal foi feita com base em "informações" provenientes de uma obrigação acessória (DIRF), não se prestando, portanto, para comprovar percepção de rendimentos, cujos documentos comprobatórios são documentos firmados por quem recebe os rendimentos, e não, pela simples informação através de DIRF; · Ingressou em juízo com uma medida judicial a fim de receber o que lhe era devido; · Em razão da necessidade da comprovação, não do recebimento, pois não há como se provar recebimento, mas sim, da comprovação do pagamento do valor de R$60.000,00 (sessenta mil reais), em respeito ao contraditório e a ampla defesa, necessário se faz que seja determinada a realização de Perícia junto a Prefeitura Municipal de Satuba para dirimir a questão; · Caso assim não entendam Vossas Senhorias, determinando a Perícia ora requerida, que a decisão proferida pela Delegacia da RFB seja reformada, julgandose procedente a impugnação posta nos autos, pelos fatos e fundamentos ali consignados. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.720648/201199 Acórdão n.º 2801003.977 S2TE01 Fl. 167 4 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O litígio cingese à inconformidade do Recorrente em relação à omissão de rendimentos recebidos Prefeitura Municipal de Satuba, no valor de R$ 60.000,00. Salientese que inexistem elementos ou argumentos, nos autos, capazes de afastar a omissão de rendimentos apurada pela autoridade fiscal, em consonância com a DIRF (Declaração de Imposto de Renda retido na Fonte) apresentadas pela referida fonte pagadora. Ao contrário, como se observa dos documentos acostados aos autos , o Contribuinte foi eleito para o cargo de vice prefeito Prefeitura Municipal de Satuba no quadriênio 2005/2008. Ainda se verifica, às fls. 10/20, que o Contribuinte impetrou mandado de segurança contra a prefeita do município de Satuba, face ao não pagamento dos seus subsídios somente a partir de março de 2008, Ocorre que, na espécie, foram considerados omitidos rendimentos recebidos durante o anocalendário de 2006. Ademais, não foi juntado elemento de prova de que não houve pagamento dos rendimentos ao Contribuinte em 2006, como requerimento protocolado na Prefeitura Municipal de Satuba e que tenha sido indeferido administrativamente. Assim, estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia, mormente quando ele não satisfaz os requisitos previstos na legislação de regência. Diante do exposto, voto por indeferir o pedido de realização de perícia e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 167DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10410.720648/201199 Acórdão n.º 2801003.977 S2TE01 Fl. 168 5 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726654/2011-95
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
DESPESAS MÉDICAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Ao contribuinte compete comprovar as despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, mediante a apresentação de documentos formalmente aptos para esse fim, podendo ser exigida, se devidamente fundamentada, a comprovação do efetivo pagamento e prestação de serviços.
DESPESAS MÉDICAS INEXISTENTES. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A constatação de dedução de despesa médica inexistente, assim comprovada face à declaração do profissional negando a prestação do serviço, corroborada pelas contraditórias versões dos fatos apresentadas pelo contribuinte, dá azo à qualificação da multa de ofício relativamente a tais dispêndios.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL.
A dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia está condicionada a sua conformidade com os termos da decisão ou acordo judicial.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. DIFERENÇA APURADA COM BASE EM DOCUMENTAÇÃO DISPONIBILIZADA PELO CONTRIBUINTE.
Verificada por análise da prova documental disponibilizada pelo próprio contribuinte, que este auferiu rendimentos recebidos de pessoa física em montante maior que o declarado, procedente o lançamento da diferença apurada como omissão.
ART. 44 DA LEI 9.430/96. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007.
Até o advento da MP nº 351/2007, não se aplica a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF devido no ajuste anual, apurada em procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-003.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a exigência de multa isolada para os períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2005 a janeiro de 2007, inclusive, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Ao contribuinte compete comprovar as despesas médicas deduzidas na Declaração de Ajuste Anual, mediante a apresentação de documentos formalmente aptos para esse fim, podendo ser exigida, se devidamente fundamentada, a comprovação do efetivo pagamento e prestação de serviços. DESPESAS MÉDICAS INEXISTENTES. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A constatação de dedução de despesa médica inexistente, assim comprovada face à declaração do profissional negando a prestação do serviço, corroborada pelas contraditórias versões dos fatos apresentadas pelo contribuinte, dá azo à qualificação da multa de ofício relativamente a tais dispêndios. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. A dedução de pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia está condicionada a sua conformidade com os termos da decisão ou acordo judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. DIFERENÇA APURADA COM BASE EM DOCUMENTAÇÃO DISPONIBILIZADA PELO CONTRIBUINTE. Verificada por análise da prova documental disponibilizada pelo próprio contribuinte, que este auferiu rendimentos recebidos de pessoa física em montante maior que o declarado, procedente o lançamento da diferença apurada como omissão. ART. 44 DA LEI 9.430/96. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A PARTIR DO ADVENTO DA MP 351/2007. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 66 54 /2 01 1- 95 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 Até o advento da MP nº 351/2007, não se aplica a multa isolada prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 em concomitância com a multa de ofício sobre diferenças no IRPF devido no ajuste anual, apurada em procedimento fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar a exigência de multa isolada para os períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2005 a janeiro de 2007, inclusive, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Júnior, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA que julgou procedente em parte Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 37.067,19 relativo aos anoscalendário 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009. O lançamento se deu em virtude da constatação da omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, dedução indevida de dependentes, despesas médicas, com instrução, e com pensão judicial, além da imposição de multa isolada sobre os rendimento recebidos. Por bem descrever os fatos sob exame, passo a reproduzir, com a devida vênia, o relatório da decisão recorrida: Cientificado em 16/12/2011 (fl. 123), o interessado apresentou, em 17/01/2012 fl. 140, por meio de representante (procuração à fl. 139), a impugnação de fls. 131/138, onde, em relação à omissão de rendimentos, alega que o valor tributável no anocalendário de 2005, somados os valores às fls. 21 e 22, foi de R$ 58.165,00, pois, em face de erro de digitação, teria inserido indevidamente no lugar do cifrão do real ($) o número (4) no valor recebido do Sr. Andrew Moro, o que gerou recebimento maior que o efetivo. Esse equivoco fica mais evidenciado quando se analisa o documento à fl. 21, em que foram lançados outros dois valores de R$ 780,00, um para Luciane Moro e outro para Gilmar Chiumento. Assim, inexiste o rendimento sonegado de R$ 507,00, e por conseguinte a multa referente ao ano calendário de 2005. O mesmo erro teria cometido no anocalendário de 2006, induzindo a autoridade lançadora a equívoco, a qual apurou rendimentos recebidos de R$ 66.079,00, quando o correto seria R$ 62.078,00, quantia maior que a declarada no IR, conforme documentos de fls. 29 e 34, assim há que ser afastada a Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.726654/201195 Acórdão n.º 2802003.267 S2TE02 Fl. 206 3 omissão de R$ 3.756,00. Relativamente ao anocalendário de 2008, alega não ter recebido a diferença entre o valor declarado e o constante dos documentos de fls. 43/47, devendo ser afastada a omissão de R$ 29.951,00. Quanto às despesas médicas, aduz que o contador teria lançado o valor de R$ 2.000,00 indevidamente como despesa médica, pois, na realidade, tratase de despesa de instrução própria paga a Instituição de Ensino que o Dr. Hassan Isber representa, e não a pessoa dele como dentista. Requer prazo de 15 dias para juntada do recibo para comprovar o erro cometido pelo contador, bem assim, para informar os dados do contador Celso para que seja possível a sua oitiva pela RF. No que tange à pensão alimentícia judicial afirma que as despesas são verdadeiras e que foram pagas efetivamente. Requer prazo de 15 dias para juntada dos recibos de pagamentos efetuados à mãe do menor. Sustenta que as despesas de instrução do filho Renan Regis Barata são verdadeiras e serão comprovadas nos autos. Os recibos às fls. 136/137, comprovam pagamentos de R$ 2.977,78 e R$ 2.152,81, nos anoscalendário de 2005 e 2006, respectivamente. Quanto aos anos de 2007 e 2008, requer prazo de 15 dias para juntada dos recibos. Aduz que a razão para não constar da Sentença obrigatoriedade de pagamento das despesas de instrução, é que à época o menino não estudava. “A lei exige não nova Sentença para incluir os valores gastos como instrução, para ter direito a dedução no Imposto de Renda”. Os pagamentos são verdadeiros e, portanto, dedutíveis em suas DIRPF. Relativamente à multa isolada por falta de recolhimento do carnêleão, alega improcedente por absoluta violação à norma legal, primeiro, porque são permitidas as deduções com previdência social, dependentes e pensão alimentícia. Aduz que pagava ao filho conforme comprovam a Certidão de Nascimento à fl. 06, ofício à fl. 12, e recibos de fls. 14/19, pensão alimentícia em média de no mínimo R$ 800,00 mensais. Como exemplo, cita os exercícios de 2009 e 2010, para argumentar que, se deduzida a pensão judicial, não restaria imposto a pagar e, por conseguinte, multa isolada. Segundo, porque o acordo judicial celebrado às fls. 7 a 10, comprovaria que a pensão alimentícia tinha como alvo a educação do filho Renan. Como a pensão era insuficiente para custear as despesas com educação e outras, passou a pagar as despesas de instrução do filho. Embora não tendo havido novo acordo o valor pago de aproximadamente R$ 300,00 mensais, é perfeitamente dedutível. Terceiro, a pensão teria sido fixada quando era funcionário público e estava limitada a 22% dos rendimentos, porém, com o término do Serviço Militar, o valor da pensão foi reduzida, porque as despesas com educação ficou a seu cargo. Quarto, somado o valor pago em dinheiro e as despesas escolares nos anos de 2009 e 2009 (sic), não restava carnêleão a pagar, bem assim, nos anos de 2006 e 2007. Quinto, a multa é devida apenas quando existe imposto a ser pago, o que existia em apenas alguns meses, porém a autoridade lançadora lançou em todos os meses. Sexto, a autoridade lançadora teria afirmado que, em quase todos os anos, teria ocorrido omissão de receitas e sobre as quantias aplicou a multa devida, com os acréscimos legais. Conclui afirmando que não pode ser aplicada a multa isolada, quando sobre a mesma quantia se aplicou a multa legal em decorrência da omissão de receita. Por fim, requer o acolhimento da impugnação, seja deferido prazo de 15 dias para juntada de documentos complementares e, no mérito, seja provido o recurso, nos termos pleiteados, anulando parcialmente o Auto de Infração, excluindo as quantias reconhecidas como indevidas. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 A instância de primeiro grau considerou o lançamento parcialmente procedente, consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: JUNTADA DE DOCUMENTOS. CONCESSÃO DE PRAZO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, no prazo de trinta dias da ciência do lançamento, descabendo a concessão de período adicional, por falta de previsão legal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEPENDENTES. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PARCIAL. Considerase não impugnada a exigência correspondente à matéria não contestada. DESPESAS MEDICAS. DEDUÇÃO INDEVIDA. Cabe manter a glosa das despesas médicas, quando o contribuinte não apresenta provas da sua alegação. PENSÃO ALIMENTÍCIA. DECISÃO OU ACORDO JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis apenas as importâncias comprovadamente pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, de forma que as pensões pagas por mera liberalidade não são dedutíveis, por falta de previsão legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PARCIAL. NÃO OCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Comprovado nos autos que não ocorreu parte da omissão de rendimentos autuados, impõese excluir a parcela correspondente da base de cálculo do imposto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÔNUS DA PROVA. A alegação da não percepção de rendimentos informados pelo próprio contribuinte à fiscalização, para ser acolhida como razão para modificar o lançamento regularmente efetuado, deve vir acompanhada da comprovação correspondente. INFRAÇÕES SUJEITAS À MULTA ISOLADA. É cabível a exigência da multa isolada, no caso de a pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo, independentemente da exigência da multa de ofício sobre o imposto de renda apurado no lançamento anual (declaração). MULTA ISOLADA. AJUSTE. Cabe ajustar a exigência da multa isolada quando se verifica incorreção nos valores apurados. O autuado interpôs recurso voluntário em 18/6/2012, reiterando os termos da impugnação, sem, todavia, o pedido de prazo adicional de 15 dias para juntada de documentos. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.726654/201195 Acórdão n.º 2802003.267 S2TE02 Fl. 207 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cumpre inicialmente esclarecer que, não obstante terem sido reiteradas na peça recursal examinada, as demandas do contribuinte relativas à omissão de rendimentos apurada nos anoscalendário 2005 e 2006 já foram acatadas no julgamento a quo, sendo que a verificada no anocalendário 2009 não foi objeto de pedido de reforma. O recurso voluntário interposto é parcial, portanto, tendo por escopo a infração de omissão de rendimentos relativa ao anocalendário 2008 e as glosas de despesas médicas do anocalendário 2005, de despesas com instrução dos anoscalendário 2005 e 2006, e de pensão judicial dos anoscalendário 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, bem como a imposição de multa isolada no decorrer desses anos. Das despesas médicas. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como supedâneo legal o inciso II e o § 2º, inciso III do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, limitandose a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. O contribuinte foi intimado a comprovar despesa médica declarada como paga no exercício 2006 a Hassan Isber, odontólogo, no valor de R$ 2.000,00. Conforme a fiscalização (fl. 114), ele alegou verbalmente não dispor do recibo e apresentou cópia de extrato de contacorrente no Bank Boston (fl. 20), onde destacou um saque efetuado por meio de cheque em 22/8/2005, naquele valor. Porém o profissional de saúde, quando intimado a prestar esclarecimentos sobre o referido atendimento, não confirmou a prestação de serviços (fls. 52/61), o que deu azo à qualificação da multa de ofício por inclusão de despesa não efetivamente realizada. Não há reparos a fazer na autuação. Vejase que o contribuinte, em um primeiro momento, consignou que o recibo tinha sido extraviado e informou que pediria a 2ª via do recibo ao dentista ou cópia do cheque (fl. 20), o que não se verificou. Face à negativa de prestação do serviço pelo dentista, mudou sua versão quando da impugnação, dizendo que tal valor estava na verdade associado à despesa com pós graduação em instituição na qual o profissional era o "responsável", e que o erro era do contador. Ora, haviam várias maneiras de o contribuinte corroborar suas sucessivas versões: em um primeiro momento, poderia ter efetivamente providenciado cópia do cheque ou 2ª via do recibo, ou mesmo declaração junto ao mencionado profissional. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 Com relação à segunda versão, poderia ter fornecido detalhes acerca do suposto contador, solicitado a este declaração a respeito dos fatos focados ou comprovar ao menos que o odontólogo era efetivamente responsável por alguma instituição de ensino. Nada disso foi feito. Consequentemente, acertada a conclusão de que a despesa em comento não existiu na realidade, conforme já apontava a diligência realizada pela autoridade lançadora. Nessa linha deve ser mantida a glosa da despesa e a qualificação da multa de ofício, adequadamente fundamentada pela autoridade lançadora. Das despesas com pensão judicial e instrução. Dispõe o art. 78 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Pensão Alimentícia Art.78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n º 9.250, de 1995, art. 4 º , inciso II). §1 º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2 º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3 º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. O contribuinte acostou às fls. 7/10 dos autos decisão judicial em ação de divórcio consensual ratificando acordo segundo o qual consta, à fl. 9, que “Como contribuição para educação do filho menor, a título de pensão alimentícia, o cônjuge varão MARCELO LUIS BARATA, pagará, mensalmente, o percentual de 22% (vinte e dois por cento) de seus rendimentos líquidos (brutos menos descontos obrigatórios) descontados diretamente de seus vencimentos que recebe junto ao Ministério da Aeronáutica, excetuandose o valor referente as férias e ao 13º salário, ..." De acordo com o informado pelo contribuinte nas Declarações de Ajuste Anual dos anos de 2006 a 2009, ele não mais exercia nesses períodos suas atividades profissionais no Ministério da Aeronáutica. Conforme bem observado pela instância recorrida, não consta dos autos novo acordo homologado judicialmente ou sentença judicial ajustando os termos do acordo anterior e, assim, há que se considerar que os pagamentos efetuados decorreram de mera liberalidade do interessado. No entanto, o lançamento acolheu a dedução da pensão alimentícia comprovada por meio dos documentos de fls. 14/19, limitada ao patamar de 22% dos rendimentos declarados, movido, à evidência, sob a perspectiva da razoabilidade. Vale anotar Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.726654/201195 Acórdão n.º 2802003.267 S2TE02 Fl. 208 7 que a alteração da autuação em adstrição às normas de regência implicaria no seu agravamento, em afronta ao princípio do reformatio in pejus. Considerandose que o percentual mencionado destinavase à contribuição para educação do filho Renan Regis Barata (fl. 9), com acerto o acórdão atacado ao afirmar que "não há como acolher qualquer dedução adicional a título de pensão alimentícia ou despesas de instrução, por falta de previsão legal". Como visto, na realidade, o auto de infração acatou em suficiente medida, dadas as provas postas nos autos, as deduções da espécie declaradas pelo contribuinte. Não merece reparos, assim, a decisão recorrida no particular. Da omissão de rendimentos. Intimado a comprovar os rendimentos auferidos no anocalendário 2008, o contribuinte apresentou listagem de pacientes e valores recebidos que totalizavam R$ 62.969,00 (fls. 42/47), valor superior ao declarado na respectiva Declaração de Ajuste, R$ 33.018,00 (fl. 79), acarretando a apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas no montante de R$ 29.951,00. Em sua impugnação, disse simplesmente que "revendo seus rendimentos, o mesmo constata que apresentou relação de rendimentos maiores que o efetivamente recebido", reiterando no recurso voluntário que "efetivamente não recebeu conforme fls. 43/47". Tal alegação genérica não merece guarida, pois contraria os registros detalhadamente postos em documento de lavra do próprio contribuinte. Poderia ter ele ao menos apontado quais dos lançamentos de fls. 42/47 estariam equivocados, não correspondendo a efetiva prestação de serviços, ônus do qual não se desincumbiu. Acrescentese que o total de rendimentos lançado nas listagens desse ano é bastante compatível com os auferidos nos anos anteriores. Mantémse, assim, a infração apurada de ofício. Da multa isolada. Consoante giza o artigo 8º da Lei 7.713,de 22 de dezembro de 1988, c/c os arts. 4º e 6º da Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, o rendimento do trabalho sem vínculo empregatício e o ganho de capital, recebido de pessoa física ou do exterior, quando em valor superior ao limite mensal de isenção, fica sujeito ao carnêleão mensal, a titulo de antecipação do que vier a ser apurado na Declaração de Ajuste Anual. Constatado pela fiscalização tributária que não ocorreu o recolhimento do carnêleão mensal em conformidade as normas de regência, verificase a infração de multa isolada sobre o respectivo imposto apurado mensalmente, nos termos previstos no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Esse artigo, em sua redação original, assim versava sobre essa multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 1 de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II — de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito defraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago; (...) III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8° da lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste. (grifei) Tal enunciado legal padecia de uma melhor redação, por não deixar claro se as hipóteses constantes dos incisos I e III do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 eram prescrições a incidirem de forma alternativa ou concomitante. Em decorrência, reiteradas decisões da segunda instância administrativa vêm reconhecendo que a leitura mais adequada desses preceitos é a de que se tratam de situações alternativas, por não ser concebível a aplicação simultânea de duas multas sobre os mesmos fatos. Entre outros argumentos, tais como ocorrência de bis in idem e falta de proporcionalidade, também foi considerado que tais incisos se referem, na verdade, a duas formas distintas de cobrança da multa. Ainda que não partilhe de uma forma mais ampla dos diversos óbices levantados à concomitância das multas, dos quais apenas se vislumbrou um estreito quadro, é forçoso reconhecer que tais empecilhos justificam a controvérsia instaurada, face à já mencionada precariedade da redação dos dispositivos em tela. Sendo assim, tenho por razoável e pertinente a invocação do art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN), para comungar do entendimento majoritário das Turmas do CARF pela não concomitância da multa isolada e da multa de ofício, até o mês de janeiro do anocalendário 2007, razão pela qual devem ser canceladas, no caso concreto, as exigências de multa isolada até o referido período. A ressalva temporal é realizada porque com o advento do art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 teve sua redação modificada nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 10980.726654/201195 Acórdão n.º 2802003.267 S2TE02 Fl. 209 9 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (grifei) A partir de 2007, então, ficaram claramente apartadas no texto legal as hipóteses de incidência que motivam cada uma das multas. Para o imposto de renda de pessoa física, a multa proporcional é aplicada caso haja diferença a pagar decorrente do ajuste anual; já a multa isolada é cabível no descumprimento da obrigação de fazer o recolhimento das antecipações mensais a título de carnêleão. São hipóteses de fato distintas, cujo descumprimento gera sanções jurídicas também distintas; descabido, portanto, falar em bis in idem, dado que os fatos antecedentes às respectivas exigências tributárias são diversos, sob os aspectos temporal e quantitativo. Também não prospera raciocínio segundo o qual a multa isolada só seria passível de aplicação entre o momento do inadimplemento da obrigação de antecipação e o do ajuste, pois tal entendimento vai de encontro à prescrição da alínea 'a' do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a qual regra expressamente que a multa em apreço deve ser aplicada mesmo que não tenha sido apurado imposto na declaração de ajuste, no caso da pessoa física. Já alertava o exegeta Carlos Maximiliano que se deve compreender as palavras da lei como tendo alguma eficácia, só sendo adequada a interpretação que encontra um significado útil e efetivo para cada expressão do texto normativo. Nesse contexto, oportuno anotar que eventual aplicação do princípio da consunção na espécie encontra severas dificuldades frente ao caráter patrimonial das respectivas obrigações jurídicas, segundo o qual o dever de pagar a antecipação independe da existência de imposto devido, e está vinculado à perspectiva de antecipação no ingresso de recursos com vistas à viabilização da atuação estatal, inexistindo, destarte, relação de meio e fim entre as exigências. À evidência, é perfeitamente possível que ocorra a falta de recolhimento do carnêleão mas que ao final do ajuste não haja imposto a pagar, ou até mesmo se verifique tributo a restituir. Da mesma forma, podem ser recolhidas todas as antecipações devidas e restar saldo de imposto a pagar, sujeito a lançamento de ofício. Exsurge, assim, não uma relação meiofim ou causa e efeito necessária entre o cometimento das infrações em comento, mas sim a independência entre elas. Com efeito, também frente ao disposto no art. 136 do CTN o entendimento pela aplicabilidade do referido princípio resta prejudicado, pois acabaria por condicionar a imposição da multa isolada aos efeitos ulteriores do ato, ou seja, a sanção em tela só incidiria caso se verificasse, posteriormente, excesso relativamente à multa de ofício aplicada no tocante ao imposto apurado no ajuste, este considerando as antecipações realizadas. Tal linha de Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON 10 raciocínio, além de não se harmonizar com a lei complementar e não possuir respaldo legal, inviabilizaria, na prática, o recolhimento dessas antecipações tal como preconizado no regime da Lei nº 7.713/88. Noutro giro, quanto aos demais argumentos trazidos pelo contribuinte em seu recurso voluntário acerca da multa isolada, cabe, por não dissentir de suas bem colocadas razões, reproduzir o trecho do acórdão recorrido que os enfrenta, o qual, com a devida vênia, passa a integrar a fundamentação do presente julgado: Quanto à alegação de que na apuração da base de cálculo do carnê leão são permitidas as deduções com previdência social, dependentes e pensão alimentícia, de fato, são cabíveis essas deduções, além das despesas de livro caixa. Entretanto, tais despesas devem estar devidamente comprovadas. No caso presente, já foram consideradas as despesas de livro caixa pleiteadas nos anoscalendário de 2005 a 2007, sendo que nos anoscalendário de 2008 e 2009 não foi pleiteada qualquer dedução. Quanto à previdência social e dependentes, o interessado não comprovou fazer jus às referidas deduções, a primeira por falta de comprovação de qualquer pagamento, e a segunda por não ter comprovado qualquer relação de dependência. Por outro lado, a título de pensão alimentícia, cabe considerar na apuração da base de cálculo do carnêleão, os montantes acolhidos pelo lançamento de R$ 7.786,00 (fl. 14), no anocalendário de 2005; R$ 9.600,00 em cada um dos anos calendário de 2006 e 2007 (fl. 14/18). Para os anoscalendário de 2008 e 2009, além do valor efetivamente pago, deve ser respeitada a limitação estabelecida no acordo judicial equivalente a 22% dos rendimentos e acolhida pela fiscalização, cabendo, por conseguinte, as deduções de R$ 9.600,00 e R$ 8.135,38, respectivamente. Em suma, no que tange aos fatos geradores posteriores a janeiro de 2007, deve ser mantida a multa isolada tal como resultante dos ajustes efetuados pela instância a quo. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de afastar a exigência de multa isolada para os períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2005 a janeiro de 2007, inclusive. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 10/12/20 14 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 18050.007760/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE DIFERENÇAS URV. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2101-002.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator) e Heitor de Souza Lima Júnior, que davam provimento em parte ao recurso, para afastar a aplicação da multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. Redator designado o Conselheiro Eduardo de Souza Leão.
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente Substituta
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE SOUZA LEÃO Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO
Nome do relator: José Raimundo tosta Santos
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 285 1 284 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18050.007760/200964 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101002.469 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente RICARDO MENEZES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE DIFERENÇAS URV. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (Relator) e Heitor de Souza Lima Júnior, que davam provimento em parte ao recurso, para afastar a aplicação da multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. Redator designado o Conselheiro Eduardo de Souza Leão. (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS – Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 77 60 /2 00 9- 64 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA – Relator (assinado digitalmente) EDUARDO DE SOUZA LEÃO – Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 171/262) interposto em 18 de maio de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls. 159/164), do qual o Recorrente teve ciência em 06 de maio de 2011 (fl. 167), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 05/13, lavrado em 25 de novembro de 2009, em decorrência de classificação indevida de rendimentos na declaração de imposto de renda pessoa física, verificada nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 153). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 160/251 pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Fl. 290DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 18050.007760/200964 Acórdão n.º 2101002.469 S2C1T1 Fl. 286 3 Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Tratase de auto de infração lavrado em face do contribuinte, em virtude de ter sido verificada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, tendo estes sido apontados como rendimentos isentos e não tributáveis. Mencionados rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003. Em se tratando de recurso que versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, houve resolução deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no sentido de determinar o sobrestamento de seu julgamento, até o trânsito em julgado de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos art. 62A, §§ 1º e 2º, do RICARF. Cumpre salientar, todavia, que, em 18 de novembro de 2013, foi editada a Portaria MF n.º 545, que alterou o Regimento Interno do CARF, revogando os parágrafos primeiro e segundo do supracitado art. 62A, razão pela qual retornam os autos para julgamento. Preliminarmente, com relação ao argumento de que não haveria legitimidade da União para cobrança do referido imposto, tendo em vista a redação do art. 157, I, da Constituição Federal, verificase que este dispositivo trata da repartição da receita tributária. Não obstante a destinação da arrecadação obtida por meio de tributos ser matéria afeta ao Direito Financeiro, esta não tem o condão de alterar o disposto na legislação tributária, a qual conferiu à União a competência tributária e a legitimidade ativa para instituir e cobrar o imposto em questão, principalmente no presente caso, em que a retenção do imposto de renda não foi realizada pela fonte pagadora. Sustenta o Recorrente, ainda preliminarmente, que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo devido seria da fonte pagadora, ou seja, o Estado da Bahia. Contudo, o Parecer Normativo SRF n.º 01, de 24 de setembro de 2002, dispôs que, verificada a falta de retenção pela fonte pagadora antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, passase a exigir do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, no caso em que este não tenha submetido os rendimentos à tributação. Verificandose que os rendimentos auferidos pelo contribuinte constaram da Declaração de Ajuste Anual, concluise por sua responsabilidade quanto ao Imposto de Renda não recolhido. Quanto ao mérito, aduz o contribuinte, inicialmente, que os valores recebidos teriam natureza indenizatória, razão pela qual não haveria que se falar em sua inclusão na base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Fundamentase, para tanto, na redação do art. 3º da Lei Complementar do Estado da Bahia n.º 20/2003, segundo o qual “São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei”. Não obstante o mencionado dispositivo consignar o caráter indenizatório dos rendimentos, imprescindível que se realize a análise de sua natureza jurídica, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Conforme dispõe o art. 2º da referida Lei, tais Fl. 291DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV”. Da leitura do artigo, denotase que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. A lei estadual acima citada não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material, sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência de oportuna correção no valor nominal do salário, verificada quando da alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo contribuinte, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Estáse diante, pois, de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA). Buscando reforçar o argumento, requer o contribuinte a aplicação da Resolução n.º 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pelo Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução mº 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto Fl. 292DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 18050.007760/200964 Acórdão n.º 2101002.469 S2C1T1 Fl. 287 5 não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Quanto à forma utilizada para apuração da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, entende o Recorrente que tal deveria ter sido realizada com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias da percepção dos rendimentos, mês a mês, de acordo com as tabelas relativas a cada ano de referência. No entanto, o entendimento sobre o tema encontrase balizado pelo art. 56 do Decreto n.º 3.000 (RIR/99), com as alterações promovidas pela Lei n.º 7.713/1998, conforme se verifica pelo dispositivo colacionado abaixo: “Rendimentos Recebidos Acumuladamente Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1998, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12)” Como cediço, não compete a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise da constitucionalidade das normas existentes no ordenamento jurídico brasileiro, conforme determina a própria Súmula n.º 02 do CARF. Neste sentido, aplicável o art. 56 do RIR/99, devendo o Imposto de Renda incidir no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos recebidos. Por fim, em relação à multa de ofício, entendo que esta deve ser excluída do lançamento. Isso com base na boafé do Recorrente, caracterizada pelo fato de ter agido simplesmente de acordo com expressas informações existentes na Lei Complementar da Bahia n.º 20/2003. Justificando referido entendimento, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem entendido que o erro escusável do contribuinte, em situações como a dos autos, autoriza a exclusão da multa de ofício (Súmula CARF 73). Assim, ao recurso deve ser dado provimento em parte, apenas para afastar a aplicação da multa de ofício. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir da base de cálculo os valores recebidos a título de férias indenizadas e a aplicação da multa de ofício, em virtude da aplicação da Súmula CARF 73. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Vencedor Conselheiro EDUARDO DE SOUZA LEÃO, Redator Designado Tratase de Procedimento Fiscal onde se pretende a tributação de valores recebidos pelo Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003. No caso, como bem lançado no Voto do Douto Relator originário, tais valores são relativos a “diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV” (art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003), denotando que o pagamento de tais valores deveuse à necessidade de manutenção do valor real do salário, de forma a corrigir erros anteriores no cálculo da conversão da moeda nacional. Nestes termos, o entendimento jurisprudencial majoritário neste CARF, é no sentido de que tais valores são tributáveis pelo Imposto de Renda, a despeito de manifestações em sentido contrário (Acórdão nº 2102001.337, Processo nº 10580.725741/200913, Relator Cons. GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS; Acórdão nº 2102002.867, Processo nº 10530.003989/200834, Relator Cons. CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA). Ocorre que, conforme se verifica nos autos, tais rendimentos foram recebidos acumuladamente, e o lançamento fiscal findou aplicando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Nesse sentido ouso divergir do entendimento do Relator, tendo em vista que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, quer sejam decorrentes de ações trabalhistas, previdenciárias, revisionais, etc., ou mesmo de iniciativa da própria Administração, o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês): “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em Fl. 294DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 18050.007760/200964 Acórdão n.º 2101002.469 S2C1T1 Fl. 288 7 que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 14/05/2010). Este posicionamento vem sendo mantido de forma pacífica na Colenda Corte Superior de Justiça, conforme ementas transcritas apenas a título de exemplo: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento do REsp 1.118.429/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 14.5.2010, submetido à sistemática do art. 543c do CPC, a Primeira Seção decidiu que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos a destempo e acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Disso resulta que não seria legítima a cobrança do tributo sobre o valor global pago fora do prazo legal. 2. O reconhecimento da repercussão geral pela Suprema Corte não enseja o sobrestamento do julgamento dos recursos especiais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp 1427079/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 07/04/2014) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. PRETENDIDA REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS COM BASE NO CRITÉRIO DE APRECIAÇÃO EQUITATIVA. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. Não procede a alegação de ofensa ao art. 535, II, do CPC, pois, ao julgar os embargos de declaração, embora os tenha rejeitado, o Tribunal de origem pronunciouse sobre a questão neles suscitada como omissa. 2. O art. 295, caput, inciso I e parágrafo único, do CPC, dispõe que a petição inicial será indeferida quando for inepta, dispondo, ainda, quando se Fl. 295DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 considera inepta a petição inicial. Tendo em vista que a alegação de falta de documentos suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional não se insere nas hipóteses de petição inicial inepta, o dispositivo processual tido como contrariado não possui comando normativo suficiente para reformar o acórdão recorrido no ponto em que o Tribunal de origem rejeitou a alegação fazendária de ausência de documentos que comprovem a remuneração recebida pelo autor. Quanto a este aspecto, incide na espécie a Súmula 284/STF, aplicável por analogia ao recurso especial. 3. De acordo com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 4. Ressalvadas as hipóteses de valor irrisório ou excessivo, a reavaliação do critério de apreciação equitativa adotado para o arbitramento da verba honorária, quando vencida a Fazenda Pública, não se coaduna com a natureza dos recursos especial e extraordinário, consoante enunciam as Súmulas 7/STJ e 389/STF. Nos presentes autos, o Tribunal de origem elevou os honorários advocatícios para R$ 3.000,00, quantia esta que, conforme consta do acórdão recorrido, equivale a 5% do valor dado à causa. Dadas as peculiaridades fáticas do presente caso, não se apresenta exorbitante a verba honorária fixada pelo Tribunal de origem. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1410118/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 11/03/2014 grifamos). Nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno, este Conselho está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos exatos moldes em que proferidas, sem modificações ou ressalvas do seu alcance e/ou conteúdo. Tanto que em diversos julgados foi manifesta a posição neste sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O recebimento de rendimentos decorrentes de revisão do valor da aposentadoria/benefício, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que Fl. 296DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 18050.007760/200964 Acórdão n.º 2101002.469 S2C1T1 Fl. 289 9 o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ em Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801003.442, Processo nº 10580.723157/201148, Relator MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF) IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.436, Processo nº 10166.003649/200990, Redator Designado CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF); IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.427, Processo nº 10166.007073/200514, Relator CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF). O Direito Tributário admite, na aplicação da lei, o recurso à equidade, que é a justiça no caso concreto. Ora, não se pode tributar proventos recebidos acumuladamente, em razão de decisão em ação trabalhista, revisional de vencimentos, ou iniciativa da própria Administração Pública, sem observar se seriam tributáveis caso recebidos normalmente em época própria. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS 10 Ocorrendo o equívoco do empregador, o resultado judicial da ação ou procedimento administrativo que corrige a ilegalidade não pode servir de base à incidência, sob pena de sancionarse o contribuinte por antijuridicidade de outros. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente, respeitando ao julgado representativo da controvérsia no STJ. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso, afastando da tributação os valores recebidos acumuladamente. É como voto. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assin ado digitalmente em 20/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 11020.908142/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO de apuração: 01/10. ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA.
Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção.
Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado.
Numero da decisão: 3402-002.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos nos termos do voto do relator. Ausente o conselheiro Fernando Luiz da Gama DEça.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, ALEXANDRE KERN, JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e eu, ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos nos termos do voto do relator. Ausente o conselheiro Fernando Luiz da Gama DEça. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, ALEXANDRE KERN, JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e eu, ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO de apuração: 01/10. ERRO FORMAL NA DIGITAÇÃO DO ACÓRDÃO. PROCEDÊNCIA. Havendo erro formal na digitação do acórdão, é cabível a oposição de Embargos de Declaração visando à sua correção. Embargos acolhidos sem efeitos modificativos do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos nos termos do voto do relator. Ausente o conselheiro Fernando Luiz da Gama D’Eça. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 81 42 /2 00 8- 61 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 ALEXANDRE KERN, JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e eu, ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.908142/200861 Acórdão n.º 3402002.632 S3C4T2 Fl. 184 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls.179/180) opostos pela Fazenda Nacional, por suposta contradição no v. Acórdão nº 3402002.490, exarado por esta 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 170/177, numeração de páginas em meio eletrônico – “ne.”) de minha relatoria que, em sessão de 17/09/2014, fez constar da súmula do julgamento que, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário, sendo que da respectiva Ementa constou o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESULTADO DA DILIGÊNCIA. CRÉDITO INSUFICIENTE. AUSÊNCIA DE ESTORNOS. Sendo a controvérsia discutida a respeito da suficiência de direito creditório utilizado em compensação, e, restando concluso pela Autoridade Preparadora, em Diligência Fiscal, que os valores utilizados eram insuficientes para os pagamentos/compensações realizados, bem como de que não foram estornados na escrita fiscal do contribuinte, havendo saldo zero no trimestrecalendário seguinte, é de se negar o recurso voluntário, por indicação de que o saldo credor foi utilizado para pagamento do imposto devido no período seguinte. Recurso Voluntário Negado. Entende a Embargante que a decisão embargada contém contradição no Acórdão proferido, quando consignou o contrário: “RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator”. Em face destes elementos, a Embargante requer que sejam conhecido e providos os embargos, para o fim de que seja sanada a contradição arguida. É, em apertada síntese, o relatório. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Jr., Relator. O presente Embargos preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, de fato, há uma contradição de erro formal no Acórdão 3402002.490, quando consignou: “RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator”, quando na verdade, por unanimidade de votos, negouse provimento ao Recurso pelas conclusões da diligência, conforme fls. 08 do Acórdão, fls. 177 por numeração eletrônica. Assim, verificase que de fato assiste razão o contribuinte em embargar o citado acórdão visto que o resultado do julgamento nele formalizado contradiz o conteúdo do voto consignado. Em face do exposto, voto em acolher e dar provimento aos embargos de declaração, para retificar a parte dispositiva do acórdão, que ficará redigida nos seguintes termos: RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 186DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/0 2/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10725.000968/2004-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003
Ementa:
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL.
Nos termos do artigo 67, §3° do Regimento Interno deste Colegiado, o Recurso Especial somente terá seguimento no tocante à matéria prequestionada. No caso específico dos autos, não se discute a isenção da COFINS para as sociedades cooperativas, mas sim a ausência de comprovação, pela própria Autoridade Fiscal, da ocorrência de vendas a não cooperados e a consequente sujeição passiva no tocante às contribuições mencionadas.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial por falta de prequestionamento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim (Substituta convocada), Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003 Ementa: AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. Nos termos do artigo 67, §3° do Regimento Interno deste Colegiado, o Recurso Especial somente terá seguimento no tocante à matéria prequestionada. No caso específico dos autos, não se discute a isenção da COFINS para as sociedades cooperativas, mas sim a ausência de comprovação, pela própria Autoridade Fiscal, da ocorrência de vendas a não cooperados e a consequente sujeição passiva no tocante às contribuições mencionadas. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial por falta de prequestionamento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D’Amorim. Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 09 68 /2 00 4- 56 Fl. 658DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA 2 Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso (Substituto convocado) e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim (Substituta convocada), Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 599 a 610) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF (fls. 593 a 596) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto para reconhecer a não incidência da COFINS sobre a venda de bens e mercadorias da entidade cooperativa em questão aos seus associados. O v. acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003 NORMAS GERAIS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo o contribuinte realizado todos os procedimentos que lhe exige o artigo 150 do CTN, a fluência do prazo de cinco anos, na forma definida no seu parágrafo 4°, retira da Fazenda Pública a possibilidade de constituir crédito tributário em relação àquele fato gerador. COFINS. COOPERATIVAS. Após a nona edição da Medida Provisória 1.858, as cooperativas em geral, inclusive as de consumo, submetemse à tributação pela COFINS sobre a totalidade de seu faturamento, admitidas as exclusões ali previstas, entre as quais a de vendas de mercadorias a associados. Não provado pela autoridade fiscal que tenham ocorrido vendas a nãoassociados, deve ser aceita a declaração prestada pelo sujeito passivo que indica sua ausência quando comprovadamente destruídos os livros e documentos que lhe serviriam de suporte. Recurso Provido. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA Processo nº 10725.000968/200456 Acórdão n.º 9303002.153 CSRFT3 Fl. 645 3 Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, requerendo a reforma do v. acórdão recorrido, em síntese, com arrimo em divergência jurisprudencial no que se refere: (i) à decadência do crédito referente aos períodos compreendidos entre 01/1999 e 10/1999; e (ii) à exclusão da base de cálculo da COFINS das receitas auferidas pela Recorrida entre 11/1999 e 12/2000. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do r. despacho de fls. 617. Contrarrazões às fls. 626 a 640, onde se propugnou pela manutenção do v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro RODRIGO CARDOZO MIRANDA No tocante à admissibilidade, é de se destacar, inicialmente, que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não merece acolhida. Com efeito, o presente recurso especial interposto pela Fazenda Nacional tem como fundamento a assertiva de que a isenção da COFINS às sociedades cooperativas foi revogada pela Medida Provisória n° 1.8586, passando a ser despicienda a distinção entre atos cooperativos ou não cooperativos para efeito da definição da sua base de cálculo, porquanto a contribuição passou a incidir sobre a totalidade da receita auferida pela cooperativa, nos termos definidos na Lei n° 9.718/98. Logo, para o cálculo da exação interessaria saber tãosomente se a entidade cooperativa auferiu receita. Pela leitura do v. acórdão recorrido, todavia, notase que o ponto de discussão do presente processo vinculase à comprovação, pela Autoridade Fiscal, da ocorrência de vendas a não associados, hipótese que justificaria a legitimidade do lançamento, uma vez que, com o advento da Medida Provisória n° 1.858, as cooperativas em geral estariam submetidas à tributação pela COFINS sobre a totalidade de seu faturamento, admitida a exclusão da receita oriunda de vendas a associados. De fato, nos presentes autos não se discute a revogação da isenção pela Medida Provisória acima mencionada, mas sim a comprovação de venda a não associados, hipótese ensejadora da exclusão da obrigação tributária relacionada à COFINS. Logo, não tendo a Fazenda Nacional, quando da interposição de seu Recurso Especial, atacado o ponto de discussão nos autos, resta patente a ausência do requisito do prequestionamento a ensejar a admissibilidade do recurso especial. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. RODRIGO CARDOZO MIRANDA Fl. 660DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA 4 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 19/02/2 015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por RODRIGO CARDOZO MIR ANDA
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Numero do processo: 10580.721981/2008-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-004.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de "classificação indevida de rendimentos" nos anos-calendário de 2004, 2005 e 2006, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcelo Vasconcelos de Almeida
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BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de "classificação indevida de rendimentos" nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 19 81 /2 00 8- 68 Fl. 271DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.721981/200868 Acórdão n.º 2801004.022 S2TE01 Fl. 272 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 392.605,57, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Informa a Autoridade lançadora que o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada, nas Declarações de Ajuste Anual do contribuinte, as seguintes infrações: classificação indevida de rendimentos (rendimentos tributáveis qualificados como rendimentos isentos e não tributáveis); e classificação indevida de rendimentos (rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais). Por não ter sido impugnada, a parcela do crédito referente aos “rendimentos excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais” foi transferida para o Processo nº 10580.720040/200998 (Termo de Transferência de Crédito Tributário à fl. 126 deste processo digital). Os “rendimentos tributáveis qualificados como isentos e não tributáveis” foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência do disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20/2003. Por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, o crédito tributário foi apurado com base nas tabelas e alíquotas vigentes nos anos de recebimento (regime de caixa), conforme previsto no art. 56 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999. Entretanto, foi publicado o Despacho do Ministro da Fazenda S/N, de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009. De acordo com o referido parecer devese levar em consideração, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, mediante cálculo mensal (regime de competência), e não global. Por esse motivo, a 3ª Turma da DRJ/SDR emitiu o Despacho nº 313, de 3 de agosto de 2009 (fls. 132/133 deste processo digital), determinando o retorno dos autos ao órgão de origem para adoção das medidas necessárias ao ajuste do lançamento fiscal, de forma a atender ao disposto no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009. A unidade de origem, por intermédio do despacho de fl. 144, devolveu os autos à instância julgadora de piso, tendo em vista a suspensão, pelo Parecer PGFN/CRJ nº Fl. 272DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.721981/200868 Acórdão n.º 2801004.022 S2TE01 Fl. 273 3 2.331, de 26 de outubro de 2010, das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, até que a questão fosse apreciada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente (acórdão às fls. 145/150 deste processo digital). Cientificado da decisão em 25/08/2011 (fl. 258), o Interessado apresentou recurso em 02/09/2011 (fls. 168/254). Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção pelo Estadomembro. NO MÉRITO Natureza indenizatória das diferenças de URV. Quebra do princípio constitucional da isonomia em relação aos membros do Ministério Público federal. Utilização incorreta de alíquotas pela Autoridade fiscal. Desconsideração das deduções cabíveis no cálculo do suposto imposto devido. Necessidade de exclusão de parcelas isentas e de tributação exclusiva. Responsabilidade tributária da fonte pagadora e boafé do contribuinte. Necessidade de exclusão da multa de ofício e dos juros de mora. Ao final, requer seja acolhido e provido o presente recurso para cancelar a exigência fiscal. Em julgamento realizado em 14/08/2012 (Resolução 2801000.138) esta Turma Especial entendeu por bem sobrestar o julgamento do recurso voluntário, por força do disposto nos § 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Ocorre que os referidos parágrafos foram revogados pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, publicada no Diário Oficial da União D.O.U em 20 de novembro de 2013. Com a revogação dos dispositivos regimentais, que determinavam o sobrestamento de recursos sempre que o STF tomasse a mesma providência em relação aos recursos extraordinários que versassem a mesma matéria, o presente processo foi distribuído a este Relator. Pedi a inclusão do processo em pauta de julgamento. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Fl. 273DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.721981/200868 Acórdão n.º 2801004.022 S2TE01 Fl. 274 4 Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. O imposto foi calculado sobre o total de rendimentos recebidos nos respectivos anoscalendário, mediante a aplicação da alíquota máxima vigente à época, utilizandose o denominado regime de caixa (Lei nº 7.713/1988, art. 12, Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999 – RIR/1999). No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC (recurso repetitivo), que “O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”. Por entender que a ratio decidendi da tese repetitiva estava fundada em ato ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de ato ilegal não poderia constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria torpeza em detrimento do segurado da previdência social, este julgador vinha aplicando o entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Em outras palavras: a tese fixada como “repetitiva”, no entendimento deste Relator, limitavase ao pagamento acumulado de benefícios previdenciários, não se aplicando a rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de litígios outros que não versasse a concessão/revisão de benefícios previdenciários (interpretação restritiva). Assim, em relação aos processos de rendimentos recebidos acumuladamente que não decorriam de concessão/revisão de benefícios previdenciários o entendimento deste julgador era no sentido da aplicabilidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988. Isto porque enquanto o STF não se manifestasse a respeito do tema (repercussão geral já havia sido reconhecida), necessário seria presumir a constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988, haja vista que jamais se presume a inconstitucionalidade. Pelo contrário, presumida é sempre a constitucionalidade da lei. Ocorre que a situação jurídica relativa ao tema se alterou. Em 23 de outubro de 2014 o STF concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. Naquela assentada veiculouse, no sítio eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.721981/200868 Acórdão n.º 2801004.022 S2TE01 Fl. 275 5 disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse Fl. 275DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.721981/200868 Acórdão n.º 2801004.022 S2TE01 Fl. 276 6 alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida Fl. 276DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10580.721981/200868 Acórdão n.º 2801004.022 S2TE01 Fl. 277 7 interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente não se refiram a benefícios previdenciários, foram apurados com fundamento no famigerado art. 12 da Lei nº 7.713/1998. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a infração de “classificação indevida de rendimentos” nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 277DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 13864.000129/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
No tocante aos impostos e contribuições federais submetidos a lançamento por homologação, nas ocasiões em que fique caracterizada a existência de pagamento antecipado do tributo e sem indicação de multa qualificada, , o prazo decadencial rege-se pela norma contida no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE NÃO CONTABILIZADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA, A TEOR DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96.
O art. 42 da lei n° 9.430/96 confere presunção de receita omitida à verificação de depósitos em conta corrente não contabilizados pela empresa, quando esta, devidamente intimada, não apresenta, por instrumentos idôneos, a origem de referidos depósitos.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA - SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL. Desatendidas as intimações da Fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancária do Contribuinte, podem os mesmos ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar n°. 105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitam-se, igualmente, ao sigilo fiscal.
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. DEVIDA.
A multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96 tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. Trata-se de postura meramente omissiva por parte do contribuinte. Conforme reiterada jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL.
Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente.
Numero da decisão: 1401-001.402
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão.
(assinado digitalmente)
Antônio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relato
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No tocante aos impostos e contribuições federais submetidos a lançamento por homologação, nas ocasiões em que fique caracterizada a existência de pagamento antecipado do tributo e sem indicação de multa qualificada, , o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EM CONTA CORRENTE NÃO CONTABILIZADOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA, A TEOR DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96. O art. 42 da lei n° 9.430/96 confere presunção de receita omitida à verificação de depósitos em conta corrente não contabilizados pela empresa, quando esta, devidamente intimada, não apresenta, por instrumentos idôneos, a origem de referidos depósitos. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA SIGILO BANCÁRIO E SIGILO FISCAL. Desatendidas as intimações da Fiscalização para apresentação dos extratos de movimentação bancária do Contribuinte, podem os mesmos ser diretamente requisitados à Instituição Financeira, sem que isto implique em quebra de sigilo bancário, nos termo da Lei complementar n°. 105/2001. As informações albergadas pelo sigilo bancário objeto de fiscalização sujeitamse, igualmente, ao sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO DE 75%. DEVIDA. A multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96 tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 01 29 /2 00 9- 46 Fl. 1623DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. Tratase de postura meramente omissiva por parte do contribuinte. Conforme reiterada jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Aplicase às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente acórdão. (assinado digitalmente) Antônio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relato Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente Em Exercício), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Carlos Mozart Barreto Vianna (Suplente Convocado), Mauricio Pereira Faro e Sérgio Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 1624DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativo ao ano calendário de 2004, por meio do qual se imputa à Recorrente omissão de receitas identificadas por meio de depósitos bancários. Por bem retratar a questão posta em debate, adoto e transcrevo o relatório da DRJ/CPS (fls. 1.462/1480), lavrado nos seguintes termos, in verbis: Tratase dos autos de infração, lavrados em 02/03/2009, na sistemática do Lucro Presumido e relativos ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ, à Contribuição para o PIS/Pasep, ã Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, e Contribuição Social sobre o Lucro — CSLL, cientificados à contribuinte em 13/03/2009 (AR de fl. 1313), no valor total de R$ 37.824.622,77, com juros de mora calculados até 27/02/2009 e multa de oficio aplicada no percentual de 75%, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ, fls. 1282: "001 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Descrição dos fatos e apuração de irregularidades contidas em TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL MPF 08.1.20.002008 002163 anexo a este auto de infração. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2004 R$ 7.691.205,07 75,00 31/03/2004 R$16.744.037,31 75,00 31/03/2004 R$ 8.376.996,50 75,00 30/06/2004 R$11.827.996,09 75,00 30/06/2004 R$9.618.871,60 75,00 30/06/2004 R$ 9.755.405,20 75,00 30/09/2004 R$ 7.710.980,45 75,00 30/09/2004 R$10.689.691,18 75,00 30/09/2004 R$ 6.993.662,45 75,00 31/12/2004 R$ 5.868.742,23 75,00 31/12/2004 R$ 7.732.723,20 75,00 31/12/2004 R$ 6.717.419,42 75,00 Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Enquadramento Legal: Arts. 25 e 42 da Lei n° 9.430/96; art. 528 do RIR199. A autoridade fiscal elaborou o "TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL MPF 2008002163", fls. 1265/1279, que se transcreve: TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL MPF 2008802163 (...) CONTEXTO No exercício das funções do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal e nos termos dos artigos 147, 148, 950 a 955 e 963 a 967 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado' pelo Decreto 1.04.1, de 11/01/94 e reiterados nos artigos 170 a 173, 904 a 913 e 927 a 932 do RIR199, aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 26/03/99, foram executados os diversos procedimentos conforme abaixo: I. 0 corrente MPF Fiscalização foi aberto objetivando a verificação de movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados para apuração do imposto de renda na DIPJ da empresa, através do Lucro Presumido, referente ao anocalendário, 2004. Da análise dos dados do contribuinte, em confronto com a DIPJ, chegouse aos seguintes valores: Ano Movimentação financeira. Receitas totais do ano na apuração do Lucro Presumido constante na DIPJ. 2004 R$ 118.028.544,60 R$1.006. 747,86 (fis.03/38) 2. Dando inicio aos trabalhos, em 10/03/2008, foi enviado ao contribuinte Termo de Inicio da *do Fiscal MPF 08.1.20.00 2008002163 (fls. 45/46); com ciência em 13/03/2008 (f1.47), solicitando a apresentação dos seguintes elementos: • Cópia do Contrato Social e posteriores alterações; • Apresentação dos livros Diário e Razão, caso existissem, referentes ao anocalendário 2004; • Apresentação do livro Caixa referente ao anocalendário 2404; • Apresentação dos extratos bancários relativos às contas corrente e/ou poupança mantidas nas instituições financeiras relacionadas a seguir, e a efetiva comprovação da origem dos recursos nelas depositados. Fair Corretora de C âmbio S/A; Banco Rural S/A; Banco Rail S/A; Banco Bradesco S/A; Laeta S/A Distribuidora de Títulos; Banco BCN S/A; Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 4 5 Banco do Estado do Rio Grande do Sul 3. Em 24/03/2008, compareceu a Receita Federal a Sr' Ana Rosa Fernandes Carluci, procuradora da referida empresa, conforme Procuração contida na f1.49, e apresentou cópia do Contrato Social e posteriores alterações (fls. 60/92) e Atas de Reunido dos sócios (fl's. 50/59), além disso, solicitou prazo adicional de 60 (sessenta) dias para apresentação dos demais documentos ffl. 48); 4. Em 07/04/2008, foi enviado ao contribuinte o Termo de Prorrogação d e Prazo n° 001 (/1. 93) concedendo dilação do prazo por 30 (trinta) dias, contados da data da solicitação, para a presentação dos documentos e esclarecimentos faltantes; do qual tomou ciência em 14/04/2008 (fi. 94); 5. Em 02/05/2008, compareceu a Receita Federal o Sr. Paulo Mathias Baptista, procurador da referida empresa, conforme Procuração contida nafl. 97, e expôs diversos motivos que impossibilitaram a apresentação dos documentos/esclarecimentos solicitados em intimação fiscal, finalizando o expediente com um novo pedido de prorrogação de prazo (fls. 95/100); 6. Diante da situação exposta, tendo em vista o transcurso de mais de 60 dias do inicio da fiscalização e a não apresentação de qualquer documento referente ?is instituições financeiras, em 16/05/2008, foi solicitada, a emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RA/fF), para obtenção dosextratos e demais informações bancárias da pessoa jurídica diretamente com as instituições financeiras envolvidas (lIs. 101 /104); 7. Em 16/05/2008, o contribuinte protocolizou termo no Serviço de Fiscalização (fIs.105/106); através de procurador legalmente constituído, no qual era informada a entrega dos seguintes documentos: • Extratos do Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, correspondentes ao período de janeiro a dezembro de 2004,da conta corrente 06.019228.06, junto a agencia 0413.51 (fls. 107/151); • Extratos de conta corrente mantida junto a empresa Laeta S/A Distribuidora de Titulas S/A, correspondente ao período de janeiro a dezembro de 2004 (fls. 152/186). Além disso, solicitou prorrogação de prazo por 90 (noventa) dias para que a empresa conseguisse reunir, pesquisar e localizar a documentação restante junto ás instituições financeiras e profissionais encarregados da elaboração dos relatórios contábeis para que fossem apresentadas as devidas justificativas, de forma a comprovar a origem dos recursos através de documentação hábil; Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 8. Em 23/05/2008, foram enviadas as requisições para as referidas instituições financeiras, sendo as datas de ciência relacionadas abaixo: Banco BCN S/A RMF 08.1.20.002008000144 (fls.87/188), com ciência em 03/06/200841.199); Banco Bradesco S/A RMF 08.1.20.002008000152 Vs. 189/190), com ciência em 03/06/2008 (f 1 . 200); Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A RMF 08.1.20.00 2008000160 Os. 191/192), com ciência em 02/06/2008 (f1.201); Banco Itaú S/A RMF 08.1.20.002008000179 (fls.193/194), com ciência em 02/06/2008f1. 202); Banco Rural S/A RMF 08.1.20.002008000187 (fls. 195/196), com ciência em 03/06/2008 ([1.203); Laeta S/A Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários RMF 08.i.20.00 2008000195 Os. 197/198); a correspondência retornou com informação dos Correios de "MUDOUSE"; 9. Em correspondência datada de 03/06/2008, o Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A, em resposta a requisição sobre movimentação financeira, apresentou a seguinte documentação (fls. 209/275): • Codificação adotada pela instituição financeira; • Ficha cadastral da empresa Stockolos Avendis EB Empreendimentos Intermediações e Participações Ltda; • Extratos da conta n° 06.019228.06, agencia 0413, no período de 01/01/2004 a 31/12/2004; • Informação da não existência de procurações no ano calendário de 2004. 10. Em correspondência datada de 17/06/2008, o Banco Bradesco S/A, em resposta as requisições sobre movimentação financeira n° 08.1.20.002008 000152 e no 08.1.20.002008 000144, informou a realização de pesquisas visando ao atendimento da solicitação (fls. 276/277), sem, no entanto,apresentar qualquer documento; 11. Em nova correspondência datada de 25/06/2008, o Banco Bradesco S/A informou o atendimento total da Requisição sobre Movimentação Financeira n° 08.1.20.002008000144, referente ao Banco BCN S/A, apresentando os seguintes documentos/esclarecimentos (lis. 278/318): • Extratos bancários da conta n° 938.3474, agência 0001, mantida no Banco BCN S/A, com ocorrência de alteração dos dados, após incorporação da mantida financeira, para conta n° 253839, agência 1628, mantida no Banco Bradesco S/A; • Codificação adotada para especificar a natureza dos lançamentos; Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 5 7 • Ficha cadastral; • Informação da não localização de Instrumento de Procuração nos arquivos das referidas contas. 12. Em 27/06/2008, o contribuinte protocolizou termo no Serviço de Fiscalização (fis. 319/320), através de procurador legalmente constituído, no qual era informada a entrega dos seguintes documentos: • Extratos do Banco Rural S/A, correspondentes ao período de janeiro a dezembro de 2004, da conta corrente 06.0020368, junto a agência 0037 (fls.321/337); • Notas, de corretagem de Fair Corretora de Câmbio S/A, correspondente ao período de janeiro a maio de 2004 (fis. 338/485); • Extratos do Banco Itali S/A; correspondentes, ao período de janeiro a novembro de 2004, da conta corrente n° 223684, junto a agência 3740 (fis. 488/521); Informação do não atendimento por parte do Banco Bradesco S/A e do Banco BCN S/A em relação a documentação solicitada, juntando cópia do pedido (fl. 522). Além disso, informou que, até aquela presente data, não havia obtido sucesso na localização da documentação e livros do período sob fiscalização, por isso, realizou a publicação na imprensa do extravio do livros Diário, Razão e Caixa referente aos anos 2004 e 2005, juntando; como prova, as publicações dos 23 e 24/06/2008 ([is. 486/487). Finalizando, solicitou que caso a fiscalização entendesse necessário a apresentação de mais algum documento, que fosse o contribuinte reintimado para tanto; 13. Em correspondência datada de 04/07/2008, o Banco Rural S/A, em resposta a requisição sobre movimentação financeira, apresentou a seguinte documentação (fls. 523/547): • Codificação adotada pela instituição financeira para especificar a natureza dos lançamentos; • Ficha cadastral da empresa Stockolos Avendis EB Empreendimentos Intermediações e Participações Ltda; • Extratos da conta corrente n° 06.0020362, agência 0037, no período de 01/01/2004 a 31/12/2004; • Informação da não localização de Instrumento de Procuração para movimentação da conta corrente no anocalendário de 2004. 14. Em 28/07/2008, o contribuinte protocolizou termo no Serviço de Fiscalização (lls. 548/549), através de procurador legalmente constituído, no qual era informada a entrega de extratos bancários de conta corrente n° 253839, agência 16284, Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 mantida no Banco Bradesco S/A, referentes ao período de 02/02/2004 a 12/03/2004 (fls. 550/566), ocorrendo a informação por parte da instituição financeira da não localização de extratos bancários nos demais p eríodos. Com base nos valores movimentados contidos em termo de intimação fiscal, a empresa reiterou ao banco a realização de nova pesquisa; 15. Nesta mesma data, foi enviado ao contribuinte Termo de Prosseguimento de Fiscalização 02 (11.567), do qual teve ciência em 01/08/2008 (1l . 568); 16. Em correspondência datada de 23/07/2008, o Banco Bradesco S/A informou o atendimento parcial da Requisição sobre Movimentação Financeira n° 08.1.20.002008000152, apresentando os seguintes documentos /esclarecimentos (fis.569/731): • Extratos bancários das seguintes contas mantidas na instituição: Conta n° 104.6004, agência 0093; Conta n° 25.3839; agência, 1628; Conta n°25.3839, agencia 3380. • Codificação adotada para especificar a natureza dos lançamentos; • Ficha cadastrais; 17. Em correspondência datada de 15/08/2008, o Banco Itazi S/A, em resposta a requisição sobre movimentação financeira, apresentou, a seguinte documentação/esclarecimentos (lis. 732/840): • Codificação adotada pela instituição financeira para especificar a natureza dos lançamentos; • Dados das fichas de consultas a dados pessoais de endereçamento; • Extratos da conta corrente n° 223684, agência 3740, no período de 01/01/2004 a 31/12/2004; • Informação da não localização de Instrumento de Procuração para movimentação da conta corrente, no anocalendário de 2004 e da não existência de contas poupança no período solicitado. 18. Em correspondência datada de 25/08/2008, o Banco Bradesco S/A informou o atendimento total da Requisição sobre Movimentação Financeira n°08.1.20.002008000152, informando a não localização de Instrumento de Procuração nos arquivos das contas, para o período solicitado (11. 843); 19. Após o recebimento, por este SEFIS, de todos os extratos solicitados as instituições financeiras e ao próprio contribuinte, foi confeccionada a planilha de fls. 846/949, na qual constam todos os créditos efetuados nas contas, sendo então emitido o Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 6 9 Termo de Intimação Fiscal MPF 08.1.20.002008002163 (fls. 844/845) para a devida comprovação da origem destes depósitos, através de documentação hábil e, idônea cuja ciência ao contribuinte foi dada por via postal (fl. 950), em 04/09/2008. Além disso, o referido termo solicitava, por mais uma vez, a apresentação dos livros Diário e Razão, caso existissem, e do livro Caixa referentes ao anocalendário 2004; 20. Em 19/09/2008, o contribuinte protocolizou termo no Serviço de Fiscalização (fls. 951/952), através de procurador legalmente constituído, no qual era informada a entrega dos seguintes documentos/esclarecimentos: • Quanto a apresentação dos livros Diário , Razão e Caixa, reforçou a justificativa apresentada em petição protocolizada em 07/06/2008, juntando cópia do protocolo e cópia do jornal autenticada com o comprovante da publicação e do extravio dos referidos livros «is: 953/957); • Planilha contendo estornos de transferências eletrônicas, de depósitos em dinheiro e de cheques depositados devolvidos referentes ao Banco Itati S/A, Banco Rural S/A e Banco do Estado do Rio Grande do Sul, que acarretaram débitos nas referidas contas Os. 958/997); • Planilha contendo Relatório de Operações em Bolsa referente a empresa Laeta S/A Distribuidora de Títulos, no qual eram demonstrados créditos destas operações junto ao Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A e ao Banco Bradesco S/A (fi. 998), apresentando como comprovantes, extratos de conta corrente mantida junto a empresa Laeta S/A Distribuidora de Títulos (fIs. 999/1023); • Informação de que não dispunha dos extratos bancários do Banco Bradesco S/A e do Banco BGN S/A onde constavam as movimentações, solicitando, por isso, cópias dos mesmos a este serviço de fiscalização, para que pudesse complementar o atendimento a solicitação de comprovação da origem dos depósitos e requerendo prazo adicional de 60 dias para este trabalho (fl. 952). 21. Em 03/10/2008, foi dada a ciência pessoal do Termo de Prorrogação de Prazo e Entrega de Documentos (11.1024) a procurador legalmente constituído, realizandose a entrega de cópias dos extratos bancários referentes as instituições financeiras solicitadas e concedendo prazo adicional de 20 dias para comprovação da origem dos depósitos neles efetuados; 22. Em 24/1012008, o contribuinte protocolizou termo no Serviço de Fiscalização (gr. 1025/1028), através de procurador legalmente c onstituído, no qual era informada a entrega dos seguintes documentos/esclarecimentos: • Diante da impossibilidade de verificação de valores nos registros contábeis, face ao extravio dos livros hábeis para isto, o contribuinte decidiu pela necessidade de se demonstrar a Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 receita operacional da empresa através dos tributos apurados no anocalendário, chegandose a base de cálculo que serviu de cálculo para os mesmos. Todo este trabalho resultou na apuração da receita total de R$ 1.006.747,86 (fls. 1025/1027), valor que Ft era de conhecimento prévio desta fiscalização, em decorrência da análise da DIPJ (lIs. 03/38) e da DCTF (fts. 39/44) entregues pelo contribuinte; • Complementando a demonstração do ponto anterior, o contribuinte informou que a participação da empresa pelas intermediações efetuadas era de 0,9% (nove décimos de por cento) a I% (um por cento), chegandose a um percentual médio de 0,938% (novecentos e trinta e oito milésimos de por cento), concluindo pela aplicação deste percentual aos valores constantes nos extratos bancários e, que porventura, estivessem sem comprovação de origem; • Planilha contendo relatório de estornos de cheques depositados devolvidos, transferências de mesma titularidade e entrega de sócio e de empresas do mesmo sócio referentes ao Banco Bradesco S/A e ao Banco BCN S/A, que acarretaram débitos nas referidas contas ou depósitos de rendas não tributáveis (fis. 1029/1101); • Anexação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF): referente ao anocalendário 2004 (fls. 1102/1175). 23. Em 26/11/2008, foi enviado ao contribuinte Termo de Prosseguimento de Fiscalização 03 N. 1176), do qual teve ciência em 03/12/2008 (f1. 1177); 24. Tendo como base as justificativas apresentadas pelo contribuinte na intenção de comprovar a origem dos recursos depositados nas contas bancárias mantidas nas diversas instituições financeiras, em 22/12/2008, foi enviado Termo de Intimação Fiscal 02: (fis. 1178/1179), do qual o contribuinte teve ciência em 30/12/2008 (II. 1180), solicitando o exposto abaixo: • Convocação de representante do con fribuinte, ligado a área contábil, em data e hora marcada para a presentação ,de esclarecimentos adicionais a respeito de ganhos obtidos em operações da Bolsa de Valores; • A não localização dos livros contábeis solicitados por esta fiscalização, fez 23, 24 e 25/06/2008, citando o extravio dos Livros Diário, Razão e Caixa dos anoscalendário 2004 e 2005. Como forma de justificar a movimentação bancária existente, sem o esteio dos livros contábeis, o contribuinte apresentou conta aritmética inversa, partindo dos tributos declarados em DCTF, para se chegar ás receitas tributáveis dos períodos. Além disso, a empresa informou, sem qualquer base documental, que o percentual de participação da mesma pelas supostas intermediações efetuadas era entre 0,9% e 1%. Diante disso, a empresa foi intimada a apresentar a documentação contábil comprobatória das operações de intermediação realizadas, já que o objeto social da empresa constante em Contrato Social não era prova suficiente para se aferir que os depósitos Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 7 11 ocorridos nas contas bancárias eram decorrentes da atividade de intermediação, devendo a origem dos mesmos ser comprovada por documentação hábil e idônea; • Em análise efetuada no Relatório de Estornos Bancários apresentado pelo contribuinte, constatouse a existência de empréstimos efetuados pelo sócio Lúcio Bolonha Funaro e por empresas (Royster, Cingular e Viscaya), para as quais existia a afirmativa de pertencerem ao mesmo sócio. Diante disso, a empresa foi intimada a: Apresentar a comprovação de que as empresas pertenciam ao mesmo sócio; Informar a finalidade do empréstimo e apresentar a documentação formal de sua constituição; Mostrar a disponibilidade financeira, da parte dos remetentes, para efetivação dos empréstimos. 25. Em 19/01/2009, o contribuinte protocolizou termo no Serviço de Fiscalização (fls: 1181/1182), através de procurador legalmente constituído, no qual era informada a entrega dos seguintes documentos/esclarecimentos: • Face a convocação efetuada para prestar esclarecimentos a respeito de operações em Bolsa de Valores, informou que solicitou cópias das operações junto a empresa Laeta S/A DTVM e Fair Corretora (fls. 1183/1184), mas que até aquela presente data não fora atendido; • Instrumentos contratuais /Ata das empresas (fls. 1185/1201), constantes em relatório de estornos apresentado pelo contribuinte, como forma de comprovar que os recursos transferidos, lá relacionados, eram referentes a empresas que possuíam o mesmo sócio da Stockolos Avendis EB Empreendimentos; • Solicitação de prazo adicional de 60 dias para atendimento das demais exigências contidas em intimação fiscal. 26. Em 19/01/2008, foi enviado ao contribuinte o Termo de Prorrogação de Prazo n° 003 (11.1202) concedendo prazo adicional até 16/02/2009, para apresentação dos documentos e esclarecimentos restantes, solicitados através do Termo de Intimação Fiscal 02, tomando ciência em 25/01/2009 (fl. 1203); 27. Em 16/02/2009, o contribuinte protocolizou termo no Serviço de Fiscalização N. 1204), através de procurador legalmente constituído, no qual era reiterada solicitação fella no expediente datado de 19/01/2009, ou seja, obtenção de prazo adicional de 60 dias para atendimento das demais exigências contidas em intimação fiscal e, ainda, não satisfeitas pela empresa; 28. Neste mesmo termo apresentado pelo contribuinte, foi inserido despacho desta fiscalização, o qual transcrevemos a seguir: "Devido ás constantes solicitações de prorrogação de Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 12 prazo, foi indeferido prazo adicional para apresentação de esclarecimentos, no entanto, no decorrer dos trabalhos de elaboração do auto de infração s erão aceitos documentos que modifiquem o entendimento sobre o assunto"; 29. Tendo em vista, que em respostas datadas de 16/09/2008 e 23/10/2008, o contribuinte apresentou relatórios onde eram demonstrados diversos estornosrealizados em contas correntes de todas as instituições financeiras envolvidas, referentes a diversas modalidades de créditos efetuados nas referidas contas, foi elaborada, por esta fiscalização, planilha de estornos «Is. 1205/1257) consolidando ma a Ines estes valores devolvidos, para que fossem deduzidos da base de cálculo para apuração do imposto devido; 30. Estes mesmos relatórios apresentados pelo contribuinte continham informações a respeito de transferências bancárias realizadas entre contas de mesma titularidade e de resultados de operações em bolsa de valores, fato que foi considerado por esta fiscalização, por ocasião da apuração da base de cálculo para o imposto devido, sendo realizadas as pertinentes deduções, conforme as respectivas planilhas de consolidação mensal (f7s.1258/1260 e 1261 /1262); 31. Além disso, o contribuinte trouxe como comprovação de origem, supostos empréstimos realizados por sócio ou por empresas do mesmo sócio, no entanto, ao ser intimado a apresentar documentos (finalidade do empréstimo, documentação formal de sua constituição e disponibilidade financeira dos remetentes), o contribuinte não apresentou qualquer base documental que comprovasse a natureza tributável dos depósitos realizados, somente sendo entregues Instrumentos contratuais e atas das empresas que demonstravam que as mesmas pertenciam a sócio comum da Stockolos Avendis EB Empreendimentos, sendo os valores envolvidos não considerados como dedutiveis na apuração da base de cálculo do imposto devido; 32. Também em resposta ii intimação fiscal, a empresa informou a esta fiscalização, sem qualquer base documental, que o percentual de participação da mesma por supostas intermediações de negócios efetuadas era entre 0,9% e 1%, desejoso que este percentual fosse utilizado sobre a totalidade dos depósitos efetuados para a apuração da base de cálculo do imposto devido. Diante disso, em 22/12/20008, o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação contábil comprobatória hábil e idônea das operações de intermediação de negócios supostamente realizadas, no entanto nada de novo foi apresentado que pudesse elucidar a questão, deste modo, não foi considerado o percentual, solicitado pelo contribuinte, sobre a totalidade dos depósitos efetivados, face El falta de comprovação da natureza dos mesmos; 33. Após então, a emissão do Termo de Intimação Fiscal MPF 08.1.20.002008 002163 relacionado no item 19, e vencido o prazo para manifestação, sendo apresentadas, por parte do contribuinte, somente as justificativas contidas nos itens 29, 30, 31 e 32, ficou constatada a omissão de rendimentos referente aos Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 8 13 valores restantes dos depósitos constantes nas planilhas anexas ao Termo de Intimação fiscal datado de 27/08/2008, (Ils. 844 a 949) cujas origens não foram comprovadas nos termos da intimação efetivada. Conseqüentemente, estes valores serão lançados, através deste auto de infração, como omissão de rendimentos, com base no art. 42 da Lei 9.430/96. Cabe ressaltar que a Receita Bruta declarada pela empresa em DIPJ (fIs. 03/38), que serviu de base de cálculo para apuração dos diversos tributos informados em DCTF (fls. 39/44 e 1102/1175), foi considerada como inclusa na movimentação financeira a comprovar e, portanto, foi deduzida na apuração da omissão de rendimentos a ser lançada em auto de infração; 34. Do exposto anteriormente, e tendo como base a planilha de Extrato da Movimentação Financeira (fls. 846/949), combinado com os relatos constantes nos itens 29, 30, 31, 32 e 33, chegouse aos seguintes valores de omissão de rendimentos decorrentes de depósitos não comprovados, conforme descrito abaixo: • Anocalendário 2004 Janeiro/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 9.978.934,40; Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferências eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 513.863,18), conforme fl. 1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (R$ 1.731.000,00), conforme f1.1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 0,00), conforme f7.1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 42.866,15), conforme fls. 12 e 24. Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de Infra cão: R$ 7.691.205,07. Fevereiro/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 19.664.996,45; Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferências eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 120.914,62), conforme fl. 1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (R$ 1.992.786,47), conformef1.1260; Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 14 Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 760.772,62), conforme fl. 1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 46.485,43), conforme fls.13 e 25. Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de Infração: RS 16.744.037,31. Março/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 12.114.060,17; Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferências eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 22.355,76), conforme f1.1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (R$ 219.900,00); conforme ft. 1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 3.454.985,51), conforme .11.1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 39.822,40), conforme fls.14 e 26. Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de Infração: R$ 8.376.996150. 2° Trimestre Abril/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 12.592.919,67; Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferencias eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 172.304,32), conforme 37. 1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (R$ 378.649,00), conforme 1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizada em Bolsa de Valores: (1?$ 172.732,00), conforme ft. 1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 41.238,26), conforme fls. 15 e 27. Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de Infração: R$ 11.827.996,09. Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 9 15 Maio/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme. análise dos extratos bancários; Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 14.837.101,30; Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferências eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 97.012,47), conforme ft. 1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (R$ 358.000,00), conforme 11.1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (12$ 4.615.881,77), conformefl.1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$147.335,45), conformefls.16 e 28. Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de. Infração: R$ 9.618.871,60. Junho/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação .financeira a comprovar no mês: R$ 11.135.281,42; Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferências eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 498.472,04), conforme fl. 1257; Estorno de valores decorrente de.transferencia entre contas de mesma titularidade: (R$ 261.000,00), conforme /1.1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 515.652,54), conforme ft. 1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 104.751,64), conforme fls.17 e 29. Valor total de depósitos Igo comprovados lançado em Auto de Infração: R$ 9.755.405,20. 3º Trimestre Julho/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 9.035.707,48; Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 16 Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferências eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 207.593,50), conforme f1.1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (R$ 966.784,57), conforme f1. 1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 62.272,71), conforme fl. 1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 88.076,25), conforme fls. 18 e 30. Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de Infração: R$ 7.710.980,45. Agosto/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 13.025.930,54; Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferencias eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 278.221,92), conforme f 1. 1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (1?$ 414.100,00), conforme f1.1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 1.544.554,41), conforme fl. 1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 99.363,03), conforme fLs.19 e 31. Valor total de depósitos' não comprovados lançado em Auto de Infração: R$10.689.691,18. Setembro/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 8.924.966,39; Estorno de valores decorrente de cheques depositados " devolvidos e de transferências eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 300.048,53), conforme fl.1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (R$ 109.143,99), conforme fl.1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido ern' operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 1.450.000,00), conforme fl. 1262;" Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 10 17 Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 72.111,42), conforme fls.20 e 32. Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de Infração: R$ 6.993.662,45. 4° Trimestre Outubro/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 7.109.467,15; Estorno de valores decorrente de cheques depositados, devolvidos e de transferencias, eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 359.460,61), conforme .11. 1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: ad 0,00), conforme fl. 1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 815.000,00), conforme /1.1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 66.264,31), conforme fls. 21 e 33. Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de Infração: R$ 5.868.742,23. Novembro/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 13.141.762,62; Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferências eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 105.308,85), conforme fl. 1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (R$ 0,00), conforme fl. 1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 5.159.170,00), conformef1.1262; Receita Bruta declarada em DIPJ, que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 144.560,57), conforme fls. 22 e 34. Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 18 Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de Infração: R$ 7.732.723,20. Dezembro/2004 Valores depositados em conta corrente com origem não comprovada, conforme análise dos extratos bancários: Totalidade da movimentação financeira a comprovar no mês: R$ 10.311.92261; Estorno de valores decorrente de cheques depositados devolvidos e de transferências eletrônicas e depósitos em dinheiro não efetivados: (R$ 312.530,25), conforme fl. 1257; Estorno de valores decorrente de transferência entre contas de mesma titularidade: (R$ 0,00), conforme fl. 1260; Estorno de valores decorrente de resultado auferido em operações realizadas em Bolsa de Valores: (R$ 3.168.100,00), conforme fl. 1262; Receita Bruta declarada em DIPJ que serviu de base de cálculo para apuração dos tributos informados em DCTF: (R$ 113.872,94), conforme fls. 23 e 35. Valor total de depósitos não comprovados lançado em Auto de Infração: R$ 6.717.419,42. 35. Sendo assim, constituímos o crédito tributário para cobrança de oficio do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e reflexos devidos el Fazenda Nacional, utilizando como forma de tributação o lucro presumido; 36. E, para constar e surtir, os efeitos legais, lavramos o presente Termo em 03(três) vias de igual teor assinados pelo Auditor(es) Fiscal (is) da Receita Federal, o qual semi dado ciência ao contribuinte por via postal; 37. Este termo é parte integrante do auto de infração. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte por meio de seus representantes legais apresentou em 09/04/2009 a impugnação de fls. 1317/1344, acompanhada dos documentos de fls. 1345/1386, com as seguintes razões de defesa. De inicio, resume os fatos e argumenta que: apresentou documentos, bem como comprovou o extravio de outros; a fiscalização verificou que as receitas advindas das aplicações financeiras haviam sido tributadas pelas instituições financeiras responsáveis na fonte, mas, não foram incluídas no cálculo do lucro presumido, com compensação do imposto anteriormente pago; as aplicações financeiras estavam escrituradas conforme já exposto durante a fiscalização; Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 11 19 embora não possua escrituração contábil completa, (por estar desobrigada pela forma de apuração do resultado pelo lucro presumido), limitandose aos seus livros caixas, que foram extraviados, registrou as suas operações de aplicações financeiras; a fiscalização de posse de informações de seus arquivos, sobre o imposto de renda retido na fonte, (informada pelas corretoras), solicitou dados sobre essas aplicações, no que foi prontamente atendida pela contribuinte, com a entrega das notas de corretagem das diversas corretoras, que operaram em seu nome, com anexos e relatórios referentes ás operações, conforme constatado pela própria fiscalização em seu Termo de Verificação Fiscal; A seguir, acrescenta que a fiscalização lavrou o auto de infração baseandose, apenas, na movimentação bancária da impugnante, desconsiderando cerca de 65% da comprovação da origem financeira/contábil, apresentada no decorrer da fiscalização. Reportase ao seu objeto social como sendo de intermediação de negócios e operações em bolsa, corretagem, com a participação nas intermediações dos referidos negócios, pelo que entende ter a fiscalização cometido erros, pois tributou os valores brutos acumulados das aplicações, e, não os rendimentos líquidos. Enumera como erros materiais na autuação: não compensação de PIS e COFINS recolhidos e de parte do IRPJ e da CSLL; não separar as operações, e, calcular tudo como rendimento; não considerar que: no regime de lucro presumido excluise do regime de competência os rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa e, os ganhos líquidos auferidos em aplicações de renda variável. Argúi a ocorrência de decadência, invocando o art. 150, §40 do CTN. Reportase ao procedimento fiscal alegando ter atendido pronta e tempestivamente todas as intimações recebidas pelo FISCO. Assevera ter comprovado e informado a . variação e participação da empresa nos negócios que intermediava, em todas as operações realizadas no anocalendário fiscalizado, correlacionando com a movimentação bancária apurada pelo FISCO. Expõe, também, que: esclareceu, em relatório entregue à fiscalização os estornos dos cheques depositados devolvidos, transferência de mesma titularidade entre outras operações constatadas na planilha em duplicidade de lançamento; informou que o percentual de participação da empresa nas intermediações de negócios efetuadas era de 0,9% e 1% tendo Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 20 em vista os negócios realizados no período fiscalizado, sendo que a média aplicada foi de 0,938%. a fiscalização não acatou a alegação de que na planilha apresentada pela Laeta S/A Distribuidora de Títulos, no qual eram demonstrados créditos destas operações junto ao Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A e do Bradesco, pois, nem toda a movimentação financeira corresponde à valores de propriedade da Impugnante, cabendo solicitar à Corretora a confirmação dos valores efetivamente creditados à STOCKOLOS como rendimentos líquidos, o que nab foi feito pela fiscalização. Defende que, ainda que tenha deixado de recolher o imposto, ou tenha recolhido valores insuficientes, não se pode deixar de considerar que é certo o momento em que os rendimentos devem ser tributados pelo lucro presumido. Menciona a IN/SRF n° 25/2001, artigo 33, alegando que o imposto de renda retido na fonte será deduzido no encerramento de cada período de apuração ou na data da e xtinção, no caso de lucro real. Quando se tratar de lucro presumido, os rendimentos somente serão adicionados por ocasião da alienação, resgate ou cessão do titulo ou aplicação. A fiscalização adicionou os rendimentos como se a autuada fosse tributada pelo lucro real, sem se preocupar com as datas de alienação, resgate ou cessão de titulo. Afirma não ter a fiscalização considerado toda a documentação apresentada pela Impugnante, a qual justifica a origem dos créditos por ela levantados. Na sequência, busca desenvolver os argumentos acima expostos, iniciando com a preliminar de decadência, para a qual defende a aplicação do art. 150, § 4° do CTN, argumentando que: As operações de aplicações financeiras que ocorreram em 2004, portanto, as datas fixam a ocorrência dos fatos geradores dos tributos lançados, não tendo ocorrido as figuras de dolo, fraude e simulação conforme reconhece a fiscalização ao não aplicar a multa qualificada e, sim, a multa de oficio de 75%, aplicandose ao caso concreto a modalidade de lançamento por homologação descrita no art. 150, parágrafo 4°Glo CTN, tendo ocorrido assim, a decadência do direito ao lançamento dos referidos créditos tributários, tendo em vista a forma de apuração trimestral do IRPJ, o que perfaz o valor de R$ 11.542.000,00 a ser excluido do crédito tributário apurado. A CSLL, a COFINS e a contribuição ao PIS tam natureza tributária e a elas também se aplica o art. 150, § 4°, do CTN, e não a lei 8.212/91. De acordo com o art. 150 do CTN, 0 QUE SE HOMOLOGA É A ATIVIDADE EXERCIDA PELO CONTRIBUINTE, TENHA OU NÃO HAVIDO PAGAMENTO ANTECIPADO, não ficando descaracterizada a modalidade de lançamento (por homologação). ..., o pagamento não recolhido antecipado deve ser lançado pelo FISCO em cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador. Se o lançamento foi posterior, como ocorreu no fato concreto, id ocorreu a decadência, caso contrário, o artigo Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 12 21 150 seria letra morta, pois, sempre seria aplicável o art. 173, Ido CTN. Caso não seja acolhida a decadência de todo o período de 2004, deve ser acolhida a decadência no mínimo do primeiro trimestre de 2004 em relação aos valores lançados no Auto de Infração a titulo de IRPJ, CSLL, PIS/PASEP e COFINS, multas de oficio e acréscimos legais, correspondentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2004, até o dia 13. Discorre extensamente acerca do Fato gerador do Imposto de Renda para concluir que se o período de apuração for trimestral, o pagamento antecipado se deu trimestre a trimestre, seja esta antecipação a que titulo for, e ainda que, nos termos § 1°, do art. 42, da Lei n° 9.430/96, o termo inicial para contagem do prazo decadencial é o mês ou o trimestre em que ocorreu a disponibilidade do crédito ao contribuinte. Passa então a abordar o mérito, destacando, de inicio, a necessária individualização dos valores creditados, como segue: para a caracterização da infração de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários com origem não comprovada, existe a condição de que o sujeito passivo seja regularmente intimado e, que os créditos sejam analisados individualizadamente, o que implica no fato de que na intimação para comprovação dos mesmos, estes sejam individualizados. Não sendo essa condição atendida, tornase o auto de infração insubsistente. Sob o titulo lançamento indevido de valores, reprisa que a fiscalização nãolevou em conta valores, que já haviam sido lançados na contabilidade da autuada, e,adicionou novamente todos os rendimentos de aplicações financeiras que apurou através de informações em instituições financeiras, tributando em duplicidade. Menciona novamente a IN/SRF 25/2001, artigo 33, reiterando que o imposto de renda retido na fonte será deduzido no encerramento de cada período de apuração, ou na data da extinção, no caso de lucro real. Quando se tratar de lucro presumido, os rendimentos somente serão adicionados por ocasião da alienação, resgate ou cessão do titulo ou aplica ção.A fiscalização adicionou os rendimentos como se a autuada fosse tributada pelo lucro real, sem se preocupar com as datas de alienação, resgate ou cessão de titulo. Reprisa ainda que: Também não foi aceita a planilha apresentada pela Impugnante referente ás operações efetuadas com a Laeta S/A Distribuidora de Títulos, sendo que nem toda a movimentação financeira corresponde a valores de propriedade da recorrente, cabendo solicitar ás Corretoras a confirmação dos valores efetivamente creditados STOCKLOS como rendimentos líquidos. Deveria ter sido considerado, pela fiscalização, a demonstração da Impugnante de sua participação nas intermediações realizadas de 0,9% a 1%, tendo em vista que, Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 22 esta é a margem de ganho corrente no mercado para as empresas que atuam neste ramo de atividade. No caso, se o FISCO contesta este percentual estará procedendo subjetivamente, incorrendo numa presunção simples, não legal cabendo a ele a prova de que o percentual é outro, que não aquele informado pelo contribuinte. Outras comprovações deixaram de ser apreciadas pelo FISCO causando lançamento indevido de valores, ou seja, resultados de bolsa de valores, onde seriam cabíveis deduções mensais para que nab houvesse duplicidade de lançamentos. Dessa feita, da base de cálculo apurada pelo FISCO, devem ser deduzidos os valores decorrentes da aplicação do percentual médio entre 0,9% e 1% isto é 0,938%. Defende que, remanescendo dúvida em relação aos elementos em que se baseou o lançamento devem beneficiar o contribuinte e não o Fisco. Questiona o fato de o Auto de Infração ter sido elaborado por amostragem, como mencionado no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, o que entende não encontrar suporte nas normas tributárias, pois, vai de encontro ao que prescreve o art. 142 do CTN. Transcreve o art. 521 do RIR/99, que determina a adição, à base de cálculo do lucro presumido, dos ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, alegando que a Impugnante, embora não disponha deescrituração contábil, desobrigada pela forma de apuração do resultado pelo lucro presumido, registrou entre suas operações as aplicações financeiras efetuadas. Sob o titulo DOS VALORES CONSTANTES DAS DCFT CORRESPONDENTES AOS QUATRO TRIMESTRES DE 2004 E DO PERCENTUAL DE PARTICIPAÇÃO DA IMPUGNANTE PELAS INTERMEDIAÇ ejES EFETUADAS, ressalta que tais elementos foram cabalmente demonstrados ao FISCO, na fase investigatória, conforme informa o serviço de fiscalização no item 22 do relatório (fls. 1025/1028), não tendo sido levado na devida conta pela fiscalização. Reitera as informações e as planilhas de cálculo apresentadas a época (24/10/2008), que transcreve novamente. Conclui terem sido demonstrados o fluxo dos recursos, as receitas operacionais e a consentaneidade com os tributos recolhidos. Opõese a multa aplicada, alegando que: improcede a acusação de omissão de rendimentos, que qualifica de infração impossível já que a Impugnante teria sido tributada na fonte, e se sujeitado a que tais valores recolhidos pela fonte pagadora à SRF se tornassem de conhecimento da fiscalização, de modo que não poderia tentar ocultar do FISCO as aplicações e os rendimentos auferidos, pois até parte dos tributos já havia sido paga. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 13 23 Um erro na forma de apuração do cálculo do tributo, já pago parcialmente, jamais poderia ser considerado ato de sonegação intencional, até porque esta seria impossível. Estaríamos frente a uma infração irrealizável, atípico, pois, não se poderia ocultar a ocorrência do fato gerador, quando já foi paga parte dos tributos, que incidiriam sobre os valores levantados pela fiscalização. Quando muito sobre os valores que o FISCO considera omitidos incidiriam apenas os juros e a multa de mora, nunca a multa de oficio, tendo em vista que a incidência na fonte já denunciava a existência dos valores apurados pelo FISCO. Discorda da aplicação de juros de mora e multa de mora, por serem consectdrios do lançamento que considera improcedente. Aborda as exigências reflexas, as quais assevera aplicarse o decidido em relação ao IRPJ. Finaliza requerendo a improcedência dos lançamentos em relação aos tributos, contribuições, penalidades e acréscimos legais. No julgamento realizado pela mencionada Delegacia Regional, acolheuse parcialmente a preliminar de decadência de PIS e COFINS relativa ao período compreendido entre janeiro e fevereiro de 2004, exonerandose, em decorrência, o valor de R$ 891.886,33 referente a mencionadas contribuições, assim como a multa de ofício originalmente aplicada, no montante de R$ 668.914,74. Disso decorre que, pela decisão proferida pela primeira instância, exonerouse crédito tributário total de R$ 1.560.801,07. Em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera os termos da Impugnação, ratificando alegações de decadência e improcedência do lançamento com base, em síntese, a) não individualização, por parte da Fiscalização, dos valores creditados; b) erro pelo Fisco de apuração de valores: desconsideração da contabilidade apresentada; e c) impossibilidade de figuração de depósito bancário como fato gerador do IRPJ. Ocorre que, em razão da disposição da Portaria 03, de 03 de janeiro de 2008, “O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais)”. Diante da não identificação do Recurso de Ofício, em Resolução de nº 1401000.106 (fls. 1.575/1.576) e, consequentemente, da impossibilidade de se dar prosseguimento à apreciação do Recurso Voluntário até o saneamento do apontado vício, os presentes autos foram devolvidos pela 1ª Câmara do CARF à Delegacia Regional de Julgamento de Campinas/São Paulo para o necessário registro do Recurso de Ofício e demais providências necessárias. Desta feita, referida DRJ proferiu Recurso de Ofício (fls. 1.579/1.580) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em conformidade com o art. 34, inciso I, e art. 37 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, c/c art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda MF nº 3 de 03 de janeiro de 2008 (DOU 07/01/2008). Houve por parte do Contribuinte apresentação de razões frente ao interposto Recurso de Ofício, cujos argumentos foram no sentido de ratificar as alegações já tecidas quando da interposição do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 24 Voto Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira – Relator. Os Recursos de Ofício e Voluntário preenchem as condições de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Recurso de Ofício Tratase de recurso de ofício contra o Acórdão de nº 0525.949 da 4º Turma da DRJ/CPS, que acolheu parcialmente a preliminar de decadência de PIS e COFINS relativos ao período compreendido entre janeiro e fevereiro de 2004, exonerandose, por conseguinte, o valor de R$ 891.886,33 relativo a mencionadas contribuições, assim como a multa de ofício originalmente aplicada, no montante de R$ 668.914,74. Por se tratar de análise que será realizada no decorrer do presente voto, deixo para efetuar as considerações concernentes juntamente com o Recurso Voluntário. O Recorrente pretende a configuração da decadência de todo o período do ano de 2004, ou, alternativamente, do primeiro trimestre do ano, o que o faz sob o fundamento do art. 150, § 4º, CTN. De imediato, impende ressaltar que os tributos em debate sujeitamse ao lançamento por homologação, pelo que deve ser respeitado o prazo disposto no art. 150, §4º do CTN, in verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em vista do exposto na própria legislação citada, o mero decurso do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador tem o efeito de homologar o lançamento realizado pelo contribuinte. Tendo sido o contribuinte cientificado do auto de infração em março de 2009 (fls.1.313), os débitos cujos fatos geradores ocorreram até fevereiro de 2004 encontramse Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 14 25 homologados tacitamente, porquanto não houve manifestação do Fisco no prazo de cinco anos contados do fato gerador. Assim, acolho os fundamentos da decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/São Paulo para negar provimento ao Recurso de Ofício. Recurso Voluntário I – Do lançamento Indevido de Valores O Recorrente, com a pretensão de anular o lançamento realizado pelo Fisco, alega que o depósito bancário não constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, já que, segundo sua argumentação, seria necessária prova de que utilizado como renda consumida. Acrescenta argumentação no sentido de que a DRJ em seu voto não teria considerado os valores outrora lançados pela contabilidade do Recorrente, tendo adicionadoos novamente, o que configuraria dupla tributação. Não merece acolhida o pleito recursal, senão, vejase: Ao longo da Fiscalização, o Recorrente foi intimado e reintimado a comprovar a origem de diversas movimentações bancárias, não constantes de sua documentação contábil, o que, no entanto, somente foi atendido parcialmente. Desta feita, de posse dos extratos fornecidos pelo Contribuinte e pelas instituições financeiras, a Fiscalização procedeu à confecção de planilhas cujo conteúdo fez menção de forma individualizada a todos os créditos efetuados nas contas do Recorrente, excluindo da autuação estornos e transferências, ao contrário do que pretende demonstrar o Contribuinte. Apesar de oportunizadas ciência e nova oportunidade de comprovação da origem de determinados créditos, o Recorrente, mais uma vez, não realizou determinada demonstração por meios hábeis e idôneos. No tocante à referida omissão de receitas, encontrase em vigência o art. 42 da Lei nº 9.430/96, que instituiu uma presunção relativa, na qual presume ser rendimento omitido os depósitos bancários cuja origem não for comprovada. Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se está diante de indício de receita tributável, mas de presunção definida em lei de omissão de receita no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 26 No ponto, frisase que a simples justificativa de origem de crédito não se presta a afastar a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, quando feita desacompanhada de documentação idônea. Em assim sendo, afirmações do Contribuinte quanto ao percentual de sua participação nas intermediações de 0,9% a 1%; registro de movimentações financeiras não condizentes com reais valores de sua propriedade; desacompanhadas de documentação hábil, não possuem o condão de elidir a presunção legal constante do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Imprescindível registrar que a presunção do artigo em análise não altera o conceito de renda ou de provento para neles incluir depósitos bancários. O que o legislador instituiu foi a inversão do ônus da prova, restando ao contribuinte, regularmente intimado, afastar a presunção instituída, demonstrando não se tratar o depósito de receita auferida. A obrigação de regular escrita fiscal cabe à pessoa sujeita às normas fiscais e contábeis a ela aplicáveis. Diante da regular escrita contábil, o ônus de prova para sua desconstituição cabe à Fazenda Pública. No entanto, identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa, cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração, e não ao Fisco, como pretendeu, sem nenhuma razão, a Recorrente. Nesse sentido, a jurisprudência deste Conselho, vejase, in verbis: OMISSÃO DE RECEITAS INDICIADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A partir de 1º/01/97, por força do disposto nos artigos 42 e 87, da Lei nº 9.430/96, a falta de escrituração de depósitos bancários configuram caso de omissão de receitas, se o titular da contacorrente, devidamente intimado, não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações, com documentos hábeis e idôneos. Por se tratar de regra que inverte o ônus da prova , cabe ao contribuinte infirmar a presunção legal. Por essa mesma razão, competelhe demonstrar que a receita assim detectada estava contida na soma das figurantes do livro de Saídas e que também compôs a base de cálculo do arbitramento. (Acórdão nº 10708.573 de 2 de maio de 2006) DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. SIGILO BANCÁRIO. INCOSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na súmula n° 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A presunção estabelecida no art. 42 da lei n° 9.430/96 dispensa o fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada, nos termos da súmula n° 26 do carf. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário, nos termos do artigo 42 da lei n° 9.430/96 recurso voluntário negado.vistos, relatados e discutidos os presentes autos.acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer das preliminares suscitadas e, no mérito, mérito em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Acórdão nº 210200738 do Processo 10855000897200325) (sem grifos no original) Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 15 27 OMISSÃO DE RECEITA S FALTA DE COM PROVA ÇÃO DA ORIGEM DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não com prova da pelo sujeito passivo . (Acórdão nº 10808895 de 21 de junho de 2006) Por fim, o Recorrente ainda busca desvencilharse da obrigação tributária, mais uma vez sem razão, sob o argumento de que diante de incerteza, o que, segundo sua argumentação seria o caso dos autos, não deveria o lançamento tributário prosperar, arguindo, para tanto, a dicção do art. 112 do CTN. Ocorre que não há dúvida alguma quanto ao crédito tributário em discussão, já que demonstrados pela Fiscalização, conforme voto da DRJ (fls. 1.487): (i) a existência de créditos em conta corrente; (ii) a disparidade com os valores declarados; (iii) a impossibilidade de constatação de que tais créditos teriam sido contabilizados; (iv) a intimação do contribuinte para comprovar a origem desses créditos e (v) a não apresentação pelo contribuinte de provas documentais hábeis a comprovar a origem. III – Da Quebra de Sigilo Bancário Em sede de razões ao Recurso de Ofício, o Recorrente ratifica os argumentos trazidos pelo Recurso Voluntário com o pleito de improcedência do lançamento tributário em questão, com ênfase na ocorrência de quebra de sigilo bancário desacompanhada de autorização judicial para tanto. O sigilo bancário pode ser conceituado como o dever legalmente imposto a pessoa que possua informação acerca da movimentação bancária de outra de não tornar públicos referidos dados, sob pena de responsabilização pessoal. A questão é regulada, no direito pátrio, pela Lei Complementar n°. 105, de 10 de janeiro de 2001, firmando, logo em seu art. 1°, que "as instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados". A referida lei complementar, por outra vez, relaciona 1) hipóteses em que o intercâmbio de informações bancárias não constitui quebra de sigilo bancário e 2) hipóteses em que será realizada a quebra do sigilo bancário. A quebra do sigilo bancário, nos termos do § 4º do artigo 1°, poderá ser decretada "quando necessária para apuração de ocorrência de qualquer ilícito, em qualquer fase do inquérito ou do processo judicial". Ainda, "a quebra de sigilo, fora das hipóteses autorizadas nesta Lei Complementar, constitui crime e sujeita os responsáveis à pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa, aplicandose, no que couber, o Código Penal, sem prejuízo de outras sanções cabíveis" (art. 10 da LC 105/2001). Resta saber se a requisição administrativa de informações bancárias por Autoridade Fiscal, no curso do processo administrativo, consistira a tal quebra de sigilo bancário. Dispõe, a lei complementar n° 105/2001, o seguinte: Art. 1º (...) Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 28 § 3° Não constitui violação do dever de sigilo: 1 — a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III — o fornecimento das informações de que trata o § 2° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV — a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V — a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° e 9 desta Lei Complementar. (sem grifos no original) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou Procedimento Fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Ainda, segundo o disposto no art. 197 do CTN: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 16 29 A dicção do art. 1°, § 3º, inciso VI e do art. 60 da LC 105/2001, c/c o art. 197 do CTN, toma evidente não ser, a disponibilização de informações bancárias à Autoridade Fiscal no curso de Procedimento Administrativo de Fiscalização, quebra de sigilo bancário a impedir a utilização de referidas informações. Tenho, assim, que a Requisição de Informações Bancárias no curso de Procedimento Fiscal, ao Contribuinte ou diretamente às instituições financeiras, não constitui quebra do sigilo bancário, dispensando, nesta ordem, a interveniência do Poder Judiciário para a aquisição de referidas informações. Importante ressaltar que as informações fiscais também estão albergadas, ao lado das informações bancárias, por dever de sigilo, nos termos do art. 198 do CTN. Desta feita, a aquisição de informações bancárias no curso de Procedimento Fiscal não tomam públicos os dados da pessoa jurídica. De fato, se se pensasse que a disponibilização das informações ao Fisco tomassem públicos os dados bancários da empresa, estaríamos diante da ilegal quebra do sigilo definida na lei complementar n° 105/2001. Mas não é este o caso: o dever de sigilo fiscal protege as informações bancárias apuradas no curso do Procedimento de Fiscalização. Ainda, verifico que o acesso às informações bancárias da empresa é essencial para o exercício da atividade de fiscalização tributária. Não se pode restringir o acesso do Fisco à identificação destas entradas financeiras, de forma a permitir a verificação da veracidade da receita bruta apresentada à tributação pela pessoa fiscalizada. Este é o entendimento sufragado no âmbito deste 1° Conselho de Contribuintes, ressaltandose os seguintes precedentes: PRELIMINAR NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO FUNDAMENTAÇÃO ILEGAL PRELIMINAR SIGILO BANCÁRIO Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, não constitui quebra do sigilo bancário, aqui não se trata, de quebra de sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. (Acórdão 10614199 SEXTA CÂMARA rec. 140.882) No mesmo sentido, o Colendo Superior Tribunal de Justiça pacificou entendimento pela possibilidade de Requisição Administrativa de informações bancárias no curso de Processo Administrativo Tributário. Vejamos a jurisprudência daquela casa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. LEI 8.021/90 E LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 30 INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. VIOLAÇÃO DO ART. 535,1 e II, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O Codex Tributário, ao tratar da constituição do crédito tributário pelo lançamento, determina que as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata (artigo 144, § 1°, do CTN), pelo que a Lei 8.021/90 e a Lei Complementar 105/2001, por envergarem essa natureza, atingem fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a vigência dos aludidos dispositivos legais. Precedentes da Corte: AgRg nos EDcl no REsp 824.771/SC, DJ 30.11.2006; Resp 810.428/RS, DJ 18.09.2006; EREsp 608.053/RS, DJ 04.09.2006; e AgRg no Ag 693.675/PR, DJ 01.08.2006). (...) 4. A LC 105/2002 dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras, determinando que não constitui violação do dever de sigilo, entre outros, o fornecimento à Secretaria da Receita Federal de informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações artigo 11, § 2°, da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF , e a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2', 30, 40 , 5°, 6°, 7°, e 9°, da lei complementar em tela (artigo 1 0, § 30 , III e VI). 5. Em seu artigo 6°, o referido diploma legal, estabelece que: "As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou Procedimento Fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.". 6. Nesse segmento, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1° do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 60 da Lei Complementar 105/2001 e 1° da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal." (REsp 685.708/ES, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 20.06.2005). Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13864.000129/200946 Acórdão n.º 1401001.402 S1C4T1 Fl. 17 31 7. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurála. 8. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 9. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder a princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. A regra do sigilo bancário deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. (Resp n°. 943.304/SP, I a Turma do STJ, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 06/05/2008). Por outro lado, não vejo ofensa ao princípio do contraditório e da ampla defesa quando da requisição administrativa de referidas informações. É certo que as entradas financeiras identificadas na movimentação bancária da empresa podem não constituir, em sua totalidade, em receita bruta integrante da base para incidência do percentual definido para a identificação do lucro presumido. Assim, os dados bancários não autorizam, em um primeiro momento, a imputação direta de que todas as entradas na conta corrente seriam receita tributável da empresa. Ao contrário, a autoridade fiscal, diante das informações bancárias, deve contrapôlas à escrita fiscal da empresa e demandar, no caso de divergências, a comprovação da origem dos recebimentos por meio de documentação hábil e idônea. Mencionado procedimento foi seguido no caso desses autos: o Recorrente foi intimado a demonstrar sua movimentação financeira fiscal, o que, no entanto, não foi atendido de forma satisfatória. Desta feita, resta afastada a pretensão da Recorrente no sentido de considerar nulo o lançamento, já que a Fiscalização agiu rigorosamente dentro da lei quando da obtenção das informações bancárias. IV – Da Multa de Ofício – art. 44, I da Lei nº 9.430/96 Segundo o Recorrente, não procede a aplicação da multa de ofício do art. 44, I da Lei nº 9.430/96 em relação a todos os tributos lançados nos presentes autos de infração, já que sobre valores que o Fisco considera omitidos somente poderiam incidir juros e multa de mora, mas não multa de ofício. Na tentativa de justificar referida argumentação, alega que “essa infração estaria incluída dentro do contexto das infrações impossíveis”, já que verificados a tributação na fonte e o pagamento de parte dos tributos (fls. 1.4571.458). Argumenta, nesse sentido, que haveria simples erro na forma de apuração do cálculo, o que não caracterizaria, por parte do Recorrente, sonegação intencional. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO 32 A multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva – e não proativa. Tenho que a aplicação da multa de ofício de 75% não atenta contra os princípios da proporcionalidade e da nãoconfiscatoriedade, porquanto é apurada de forma relativa ao incidir apenas sobre o tributo não recolhido pelo contribuinte. Além do fundamento citado, a referida penalidade está prescrita na Lei nº 9.430/96 que, em seu art. 44, dispõe o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (...) Em virtude de não ser este Conselho competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) e, havendo previsão legal para a multa de ofício no patamar de 75% do montante do tributo devido, deve ser a exigência mantida. V – Da Tributação Reflexa À semelhança das normas de incidência do IRPJ, aplicase a tributação reflexa pelos mesmos fundamentos acima apostos. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento aos Recursos de Ofício e Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por ANTONIO BEZERRA NETO
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