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Numero do processo: 11968.000827/2008-77
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/04/2008
MULTA REGULAMENTAR. ATRASO. INFORMAÇÕES. SISCOMEX. INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não-fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-002.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/04/2008 MULTA REGULAMENTAR. ATRASO. INFORMAÇÕES. SISCOMEX. INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo deve-se considerar o conteúdo da obrigação acessória violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não-fazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/04/2008 MULTA REGULAMENTAR. ATRASO. INFORMAÇÕES. SISCOMEX. INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A denúncia espontânea não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de deveres instrumentais caracterizados pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010. A aplicação deste dispositivo devese considerar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Nestas a aplicação da denúncia espontânea implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS Presidente em exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 96 8. 00 08 27 /2 00 8- 77 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco José Barroso Rios (Presidente), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/04/2008 RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. INTENÇÃO DO AGENTE Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/04/2008 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO ACERCA DA CARGA TRANSPORTADA. Aplicase a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei n. 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei n. 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei nº 10.833, inciso IV, alínea, “e”, do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para cada deferimento, automático ou não, de retificação do manifesto eletrônico, conhecimento ou item de carga. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discutemse nos autos os pressupostos de aplicação da multa regulamentar decorrente do descumprimento do dever instrumental previsto no art. 37 da Instrução Normativa SRF n.° 28/1994, cominada nos termos da alínea “e”, IV, art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, na redação do art. 77 da Lei nº 10.833/2003. O Recorrente, nas razões de fls. 47 e ss., pleiteia a reforma do acórdão, assentado nas seguintes alegações: a) aplicabilidade da denúncia espontânea às multas administrativas em matéria aduaneira; b) ausência de elemento essencial de validade estabelecido no art. 113, § 2º do CTN (Código Tributário Nacional), uma vez que não houve qualquer efeito no âmbito arrecadatório ou de fiscalização de tributos. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 3802002.320 S3TE02 Fl. 56 3 É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 04/01/2013 (fls. 45) e o protocolo do recurso, em 29/01/2013 (fls. 47). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. O Recorrente alega que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: “Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias” 1. “A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento” 2. 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10. Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 “Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica” 3. Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013). “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 3802002.320 S3TE02 Fl. 57 5 DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido.” (STJ. 1ª T. AgRg no REsp 884939/MG. Rel. Min. Luiz Fux. DJe 19/02/2009). “TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos.” (STJ. 1ª S. EREsp 246295/RS. Rel. Min. José Delgado. DJ 20/08/2001, p. 344) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”, que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão nº CSRF/0400.574, de 19/06/2007 Acórdão nº 19200.096, de 06/10/2008 Acórdão nº 192 00.010, de 08/09/2008 Acórdão nº 10709.410, de 30/05/2008 Acórdão nº 10249.353, de 10/10/2008 Acórdão nº 10196.625, de 07/03/2008 Acórdão nº 10709.330, de 06/03/2008 Acórdão nº 10709.230, de 08/11/2007 Acórdão nº 10516.674, de 14/09/2007 Acórdão nº 105 16.676, de 14/09/2007 Acórdão nº 10516.489, de 23/05/2007 Acórdão nº 10809.252, de 02/03/2007 Acórdão nº 10195.964, de 25/01/2007 Acórdão nº 10809.029, de 22/09/2006 Acórdão nº 10194.871, de 25/02/2005). Nesse mesma linha, registrese ainda julgado da Terceira Seção de Julgamento, segundo o qual “não se considera espontânea a denúncia apresentada em face de descumprimento de obrigação acessória, consistente na perda de prazo para apresentação de informações” (Acórdão 310200.689. 3a S/1a C/2a TO. S. de 30/07/2010). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, Fl. 59DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). Na Terceira Seção de Julgamento do CARF, acórdão da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, relatado pelo eminente Conselheiro Luiz Roberto Domingo, admitiu a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo: “NULIDADE LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Inexistência de disposição legal acerca de nulidade do lançamento quando não proferida decisão no prazo de 360 dias. MULTA ISOLADA. TRANSPORTADOR. INFORMAÇÕES RELATIVAS À EMBARCAÇÃO/CARGAS DENÚNCIA ESPONTNEA. Com a nova redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/66, é aplicável o instituto da denúncia espontânea também aos casos de multas de natureza administrativa aduaneira. Realizado o registro de informações no SISCOMEX após o prazo legal (atracação da embarcação), mas antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, configurase a denúncia espontânea. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” (CARF. 3ª S. 1ª C. 1ª T.O. Acórdão nº 3101001.194. Rel. Conselheiro Luiz Roberto Domingo, s. de 13/12/2012). De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi “deixar claro” que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: “40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a Fl. 60DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 3802002.320 S3TE02 Fl. 58 7 empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.” (EMI nº 111 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11968.000827/200877 Acórdão n.º 3802002.320 S3TE02 Fl. 59 9 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributária. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: “Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada” 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira relativa à carga transportada.Não procede, por fim, a alegação de incompatibilidade com o art. 113, § 2, do CTN, uma vez que a obrigação acessória debatida nos autos foi estabelecida visando à fiscalização dos tributos incidentes sobre o comércio exterior. 5 ICHIHARA,Yoshiaki. Sanções tributárias – questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 Votase, assim, pelo conhecimento do recurso e seu desprovimento, mantendose o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 64DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 10215.000495/99-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991
REPRISTINAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Declarada a nulidade do segundo despacho decisório, os efeitos do primeiro não são retomados por inexistir menção expressa no acórdão da instância a quo neste sentido. Inteligência do art. 2º, § 3º, do Decreto-Lei nº 4.657, de 1942.
Numero da decisão: 3201-001.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para que os autos retornem à unidade de origem e novo despacho decisório seja expedido.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 16/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para que os autos retornem à unidade de origem e novo despacho decisório seja expedido. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
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IMPOSSIBILIDADE. Declarada a nulidade do segundo despacho decisório, os efeitos do primeiro não são retomados por inexistir menção expressa no acórdão da instância a quo neste sentido. Inteligência do art. 2º, § 3º, do DecretoLei nº 4.657, de 1942. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para que os autos retornem à unidade de origem e novo despacho decisório seja expedido. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 16/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 04 95 /9 9- 91 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa: Tratase de pedido de restituição (fls. 01 e 96), seguidos dos pedidos de compensação de fls. 02, 67, 95, 105, 153/155, do Finsocial da contribuinte e de sua incorporada (Distribuidora Santerém Ltda), referente ao período de 01/1989 a 03/1992, nos montantes de R$ 40.483,88 e R$ 11.211,89 (demonstrativos do requerente às fls. 06/07). Nos requerimentos de fls. ½, 67, 69/77, 95, 96 e 105, o interessado solicita o reconhecimento do direito à restituição e à compensação de créditos resultantes de pagamentos efetuados indevidamente ou a maior que o devido da contribuição para o FINSOCIAL com débitos vincendos da COFINS e do PIS. Os citados requerimentos foram instruídos, entre outros documentos, com as planilhas de cálculo de fls. 06/07 e 93/94, Procurações de fls. 03 e 79, cópias não autenticadas de peças processuais da ação ordinária declaratória nº 94.00072937 de fls. 80/92 e cópias não autenticadas e originais dos DARF’s representativos dos recolhimentos indevidos de fls. 08/38. 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santarém, através do Despacho Decisório de fls. 98/101, declarou improcedente o pedido do requerente, por transcurso do prazo decadencial para o pleito. 3. Inconformado com o indeferimento de seu pleito, do qual foi cientificado em 10/11/1999 (fl. 104), o contribuinte apresentou, em 10/12/1999, manifestação de inconformidade, às fls. 108/121, alegando, em síntese, que: 3.1 Protocolou, 15/09/1999, petição requerendo a compensação de créditos do FINSOCIAL com débitos da COFINS, instruída com peças da ação ordinária declaratória nº 94.00072937 que tem como objeto o reconhecimento do direito à compensação do crédito do FINSOCIAL pago a maior. 3.2 A referida ação ordinária foi protocolada em 06/06/1994 e distribuída para 15ª Vara Federal do Distrito Federal com sentença de 1ª instância favorável ao pleito formalizado. Afirma que o seu direito foi reconhecido definitivamente no julgamento do Recurso Especial nº 149.821DF pelo Superior Tribunal de Justiça, com trânsito em julgado em 18/05/1998. 3.3 A contagem do prazo prescricional iniciouse a partir do trânsito em julgado e não a partir da extinção do crédito tributário como foi considerada na Decisão nº 324/99 da DRF Santarém. 3.4 As peças juntadas ao presente processo dando ciência de que a interessada obteve decisão judicial favorável à compensação de seu crédito não foram consideradas pela DRF Santarém. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10215.000495/9991 Acórdão n.º 3201001.575 S3C2T1 Fl. 440 3 3.5 O prazo para pleitear a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL é de 5 (cinco) anos contados da edição da Medida Provisória nº 1.110/95, de 30/08/1995, segundo Parecer COSIT nº 58/1998 c/c o Parecer COSIT nº 01/1999. 3.6 Desistiu da execução da sentença judicial, optando pela compensação administrativa dos valores, com a devida anuência da Procuradoria da Fazenda Nacional. 4. A DRJ Belém, através do acórdão 1072, de 24/02/2003, fls. 146/150, anulou o Despacho Decisório de fls. 98/101 por entender que a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa. Teria a repartição de origem deixado de analisar elementos apresentados pelo interessado e imprescindíveis para a apreciação do pleito. O interessado apresentou, em 15/09/1999, petição (fls. 69/77) comunicando à fl. 76 a existência de decisão judicial favorável à compensação pleiteada, com a juntada de peças processuais da ação ordinária declaratória nº 94.00072937 às fls. 80/92. Na sua defesa, as provas trazidas aos autos relativas às peças processuais da referida ação judicial, na qual afirma ter obtido decisão judicial transitada em julgada que reconhece o seu direito à compensação de créditos do FINSOCIAL. 5. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santarém, em nova decisão (através do Despacho Decisório de fls. 249/255), reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente as compensações requeridas. Entendeu, nesta decisão, que a ação ordinária (fls. 80. 205/212 e 133/140), apesar de declaratória, e apesar de o contribuinte ter desistido da execução, vincula a Receita Federal. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA) declarou nulo o despacho decisório de fls. 249/255, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 018.917, de 13/08/2007, in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991 VÍCIO DE FORMA. 0 vicio de forma existe sempre que na formação ou na declaração de vontade traduzida no ato administrativo foi preterida alguma formalidade essencial ou que o ato não reveste a forma legal. COMPETÊNCIA. Entre as atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda, relativamente aos tributos e As contribuições por ela administrados, em caráter privativo, está a de elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem corno em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Despacho Decisório Nulo Diante dessa decisão, o contribuinte foi intimado a interpor recurso voluntário, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações posteriores. Contudo, como a decisão anulara o despacho decisório, o contribuinte entendeu que deveria apresentar uma nova manifestação de inconformidade, reiterando os argumentos já suscitados contra o despacho decisório originalmente anulado, qual seja, o de fls. 98/101. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O caminho natural do processo diante da situação relatada seria devolver o processo para a DRF em Belém para que um novo despacho decisório fosse proferido, desta vez sem incorrer nos vícios apontados nos despachos decisórios anteriores, ou seja, com a análise de todos os documentos apresentados pelo contribuinte por autoridade competente. E isso porque, via de regra, não existe repristinação de atos administrativos. Vale dizer, um ato administrativo que revoga outro e é posteriormente revogado não faz com que o primeiro ato revogado retome os seus efeitos. A exceção ocorre quando o ato administrativo que revoga o segundo ato estabelece textualmente esse efeito. É o que se depreende do art. 2º, § 3º, do DecretoLei nº 4.657, de 1942 (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, antiga Lei de Introdução ao Código Civil), in verbis: Art. 2o [...] § 3o Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. No caso concreto, o acórdão recorrido não fez qualquer menção ao restabelecimento dos efeitos do despacho decisório de fls. 98/101, de modo que o recurso voluntário interposto não pode ser conhecido, sob pena de se suprimir instâncias quanto ao mérito do pedido de restituição/compensação. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário e determino que o processo seja expedido para a instância de origem para que um novo despacho decisório seja proferido. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 10215.000495/9991 Acórdão n.º 3201001.575 S3C2T1 Fl. 441 5 Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 16327.917924/2009-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
PER/DCOMP. PIS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA. INEXISTÊNCIA
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado.
É do recorrente o ônus de comprovar documentalmente nos autos o direito creditório informado em declaração de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Haisla Rosa da Cunha Araujo, OAB/SP n° 267.452.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PIS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. PROVA. INEXISTÊNCIA O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. É do recorrente o ônus de comprovar documentalmente nos autos o direito creditório informado em declaração de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 79 24 /2 00 9- 41 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Haisla Rosa da Cunha Araujo, OAB/SP n° 267.452. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP nº 08794.34820.200807.1.3.04 2211 (fls. 36/41), transmitido em 20/08/2007 pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação do PIS relativo ao período de apuração 05/2007, no valor original de R$ 175.239,42. Informa como origem do direito creditório o pagamento referente ao PIS, relativo ao período 05/2007, no valor de R$ 809.433,53, pretendendo utilizar para fins desta compensação apenas R$ 171.853,90. A DRJ, conforme Acórdão nº 1261.362 da 16ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro 1/RJ, não deu provimento à manifestação de inconformidade, mantendo o que foi decidido no Despacho Decisório, pelos mesmos fundamentos. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: (...) À fl. 18 consta despacho decisório, o qual concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte (PIS–PA 05/2007), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão em 06/11/2009 (fl. 44), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva em 08/12/2009 (fls. 02 a 08), alegando, em resumo, que: · O direito do contribuinte ao crédito não pode ser contestado por argumentos de ordem formal, visto que se trata de direito amparado na Constituição e na legislação tributária; · A não homologação parece ter ocorrido pela entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. Tal DCTF, entretanto, foi retificada e já apresenta o crédito controvertido, não existindo motivos para a não homologação da compensação, visto que está devidamente declarada; · A declaração original foi prestada erroneamente pelo manifestante, de modo que, corrigindose tais lapsos, resta evidenciado o direito creditório, não devendo permanecer a glosa, considerando o princípio da verdade material; · Prova disso é que a forma correta da declaração constou no DACON, corroborando a existência direito creditório em questão; · Assim, requer que o órgão de julgamento realize a conjugação entre realidade material e formal, de modo que, na busca da verdade material, constatandose erro de fato, é deverpoder deste órgão reformar o despacho decisório, reconhecendo o direito creditório e homologando a compensação; · Citase jurisprudência do CARF sobre a questão; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.917924/200941 Acórdão n.º 3802003.430 S3TE02 Fl. 108 3 · O direito do contribuinte ao ressarcimento do que recolheu indevidamente encontra amparo na Constituição, no CTN e no devido processo legal, assim como nos princípios da legalidade e da moralidade administrativa; · Citase doutrina sobre a questão. É o relatório. Em 24/01/2014, a Recorrente foi cientificada da decisão da primeira instância (ciência eletrônica – fl. 58). Inconformado com a decisão da DRJ, em 10/02/2014, apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 60/63), no qual argumenta em suas razões, que: a) a recorrente, informou inicialmente, que o valor devido de PIS relativo ao período de apuração de 05/2007 alcançava o montante de R$ 809.433,53 e, consequentemente, recolheu tal valor em maio de 2007. Contudo, na realidade, apurou PIS a recolher, no mesmo mês, no valor de R$ 637.579,63, gerando o crédito pretendido, no montante de R$ 171.853,90. b) a origem da alteração do valor apurado se deu em razão do reprocessamento da base de cálculo, tendo em vista a exclusão das receitas financeiras, conforme provimento jurisdicional concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, transitado em julgado favoravelmente a Recorrente, que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS e pela COFINS. e) que quando da analise do PER/Dcomp pela RFB (Despacho Decisório), a Recorrente não havia efetuado a retificação da DCTF, daí porque, não foi verificado a existência de crédito no cruzamento de informações; d) informa que a DCTF de maio de 2007, foi devidamente retificada trazendo o valor correto do PIS devido (R$ 637.579,63) e que os valores estão informados na respectiva DACON, anexandose cópia dos documentos aos autos. c) que junta aos autos, cópia da referida decisão judicial (fls. 76/90), demonstrativo da Composição Sintética da Base de Cálculo do PIS apurada em 31/05/2007 (fl. 91) e dos balancetes contábeis (fls. 92/96), demonstrando a diferença entre o PIS apurado e o pago, que se refere a exclusão das receitas financeiras, o que resultou no pagamento a maior de R$ 171.853,00, valor este contabilizado na conta nº 1909.001.000.0008; Por fim, alega que deve prevalecer o princípio da verdade material, tendo em vista a legitimidade do crédito pretendido, requer a reforma de decisão proferida, com a consequente homologação da compensação pretendida É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 No caso sob análise, temos que o PER/DCOMP nº 08794.34820.200807.1.3.04 2211 (fls. 36 a 41), no qual a Recorrente solicita a compensação do PIS relativo ao período de apuração 05/2007, no valor original de R$ 175.239,42. Alega que a origem do valor apurado se deu em razão do reprocessamento da Base de Cálculo, tendo em vista a exclusão das Receitas Financeiras, baseado no provimento jurisdicional concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, transitado em julgado favoravelmente a Recorrente, que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS e COFINS. Quanto a isto, a decisão a quo, analisando os fatos constantes da manifestação de inconformidade, concluiu da seguinte forma: (...) O contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, não esclarece qual seria efetivamente a origem do alegado pagamento indevido do PIS relativo ao PA 05/2007, limitandose a trazer alegações genéricas relativas à apuração da verdade material. Como pretensa documentação comprobatório de seu direito, junta aos autos o DACON relativo a 05/2007 (fls. 19 a 24), DCTF original (fls. 25/26) e retificadoras (fls. 27 a 35). Conforme se constata, o valor de PIS devido para o PA 05/2007, originalmente de R$ 809.433,53, foi retificado em 18/11/2009 para R$ 637.579,63. (...) Apesar de efetuar a retificação do valor devido a título de PIS para o período 05/2007, o contribuinte não traz aos autos qualquer documentação contábil ou fiscal que fundamente tal alteração, limitandose a apresentar DCTF retificadora, entendendo que tal retificação já seria suficiente para corroborar a compensação declarada (...). A controvérsia trata de questão de fato, pois quando da conclusão do Despacho Decisório, foi constatado ausência de prova reputada indispensável pela Fazenda Nacional, para fim de análise dos requisitos da certeza e liquidez do crédito informado na DCOMP colacionada aos autos, uma vez que, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Tal decisão, que foi integralmente mantida pelo Acórdão recorrido, fica reforçada quando foi constatado no trecho abaixo destacado: “ (...) o direito alegado pelo contribuinte em declaração por ele apresentada à RFB deve ser comprovado documentalmente, por meio de registros contábeis e/ou documentos fiscais, não sendo suficiente para tal comprovação a mera apresentação de declaração retificadora. Desta forma, entendo que não restou comprovada a base de cálculo do PIS relativo ao período 05/2007, uma vez que não foram apresentados os registros contábeis das contas de receita da empresa para este mês (faturamento), assim como das exclusões pertinentes”. Ciente disso, e visando comprovar os fatos alegados e primando pela verdade material, a Recorrente em seu recursos voluntário, informa que junta aos autos, cópia dos seguintes documentos: provimento jurisdicional concedido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, transitado em julgado em seu favor; demonstrativo da Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.917924/200941 Acórdão n.º 3802003.430 S3TE02 Fl. 109 5 Composição Sintética da Base de Cálculo do PIS apurada em 31/05/2007 e cópia dos balancetes contábeis, demonstrando a diferença entre o PIS apurado e o pago, que se refere a exclusão das receitas financeiras, o que resultou no pagamento a maior de R$ 171.853,00, valor este que alega estar contabilizado na conta nº 1909.001.000.0008. Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça por isso deve sempre ser perseguida. No entanto, a recorrente em seu item “9” do recurso voluntário (fl. 62), informa o principal motivo de seu pleito, “ (...) Ressaltese que a ação judicial mencionada, transitou em julgado favoravelmente à Recorrente, determinando, assim a exclusão definitiva das receitas financeiras da base de cálculo do PIS, conforme andamento processual anexo (doc. 03)”. Ao analisarmos toda a documentação referenciada em seu recurso (documentação contábil, demonstrativos de cálculos, etc), de fato encontramos cópia do andamento processual da referida ação judicial informado no sitio da Justiça Federal de São Paulo (fls. 76/77), bem como cópia do Agravo de Instrumento nº 0023191 35.2012.4.03.0000/TRFSP (fls. 78/90), no entanto, não houve a comprovação junto aos autos, do referido Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, como informado, que foi transitado em julgado e que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS e COFINS, favoravelmente a Recorrente. Conforme previstos no artigo 16III e § 4º do Decreto nº 70.235/72, as provas comprobatórias das alegações do sujeito passivo devem ser apresentadas na impugnação, ou na manifestação de inconformidade. No presente caso, tratandose de demanda iniciada pelo contribuinte, por meio da apresentação do PER/DCOMP que ora se analisa, é dele o ônus de demonstrar documentalmente o direito informado em tal documento, o que efetivamente não fez. Como se vê, nos autos não resta comprovado que a recorrente tem o direito propalado da exclusão das receitas financeiras na tributação do PIS, pois não apresentou a documentação necessária à comprovação do reclamado direito, até porque a interessada discute, com maior ênfase, justamente tal questão. Merece que seja feito o registro de que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi observado nos autos. Em conseqüência, não há como atender à pretensão da Recorrente, em razão da não apresentação de documentos autos do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0427983, transitado em julgado favoravelmente a Recorrente, que determinou a exclusão de tais receitas na tributação pelo PIS, comprobatória do alegado direito de crédito. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 E, na medida que o ônus da liquidez e da certeza do direito de crédito cabe ao sujeito passivo, entendese que deve ser mantida a decisão recorrida, inclusive porque, consoante ensina Alberto Xavier, o dever de investigação que decorre do princípio da verdade material “[…] cessa na medida e a partir do limite em que o seu exercício se tornou impossível, em virtude do não exercício ou do exercício deficiente do dever de colaboração do particular” . Portanto, a não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 01/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15504.729947/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE.
A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária.
PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõe-se a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico.
CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA.
Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado.
É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE.
O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária.
Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE OU SONEGAÇÃO. MAJORAÇÃO.
Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas a, b e c do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, a qual será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.
FRAUDE.
Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.
SONEGAÇÃO
Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Leo Meirelles do Amaral acompanhou pelas conclusões.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 FATO GERADOR DISSIMULADO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõe-se a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicando-lhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE OU SONEGAÇÃO. MAJORAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas a, b e c do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, a qual será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado
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DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGOCIO JURÍDICO. POSSIBILIDADE. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Estando presentes todos os elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, impõese a incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei nº 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado, sem que tal sujeição implique a desconsideração da personalidade jurídica da empresa terceirizada, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. SUBSUNÇÃO DO FATO À HIPÓTESE NORMATIVA. Impera no Direito Previdenciário o princípio da primazia da realidade sobre a forma, sendo necessária e suficiente a subsunção do fato à hipótese legal prevista no art. 12, inciso I, letra "a" da Lei n° 8.212/91 para que se opere a caracterização de segurado empregado. É prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, a teor do Parágrafo Único do art. 116 do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DOCUMENTAÇÃO DEFICIENTE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 99 47 /2 01 2- 44 Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. FASE PREPARATÓRIA DO LANÇAMENTO. NATUREZA INQUISITIVA. CONTRADITÓRIO INEXISTENTE. O procedimento administrativo do lançamento é inaugurado por uma fase preliminar, oficiosa, de natureza eminentemente inquisitiva, na qual a autoridade fiscal promove a coleta de dados e informações, examina documentos, procede à auditagem de registros contábeis e fiscais e verifica a ocorrência ou não de fato gerador de obrigação tributária aplicandolhe a legislação tributária. Dada à sua natureza inquisitorial, tal fase de investigação não se submete ao crivo do contraditório nem da ampla defesa, direito reservados ao sujeito passivo somente após a ciência do lançamento, com o oferecimento de impugnação, quando então se instaura a fase contenciosa do procedimento fiscal. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE OU SONEGAÇÃO. MAJORAÇÃO. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições sociais de que tratam as alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do Parágrafo Único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007, a qual será duplicada nos casos de sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. FRAUDE. Configurase fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualificase como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.252 3 pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Leo Meirelles do Amaral acompanhou pelas conclusões. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Data de lavratura dos Autos de Infração: 21/12/2012 Data da ciência dos Autos de Infração: 21/12/2012 Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 51.032.6188 e 51.032.6196, consistentes em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre os valores pagos a pessoas físicas que prestaram serviços à empresa com todos os requisitos da figura do segurado empregado, porém, indevidamente tidos pela empresa como contratos civis com pessoas jurídicas, conforme descrito no relatório fiscal de fls. 1832/1914. De acordo com a Resenha Fiscal, restou apurado que a Fundação Dom Cabral, doravante FDC, nos anos calendários de 2008 e 2009, mantinha em seus quadros técnicos e administrativos centenas de trabalhadores laborando na instituição com todas as características e pressupostos fáticos habitualmente existentes nas relações entre empregadores e segurados empregados, embora acobertados sob o manto de contratações celebradas entre pessoas jurídicas. Os segurados caracterizados como empregados foram identificados através da relação dos representantes legais das pessoas jurídicas supostamente contratadas pela FDC e informadas pela própria Autuada, das pessoas físicas prestadoras de serviços designadas nos registros contábeis da FDC (Conta de despesas n° 4102 – Rec. Humanos Externos PJ), dos responsáveis pelas assinaturas dos contratos de prestação de serviço celebrados com a FDC, e informações prestadas pelas próprias pessoas físicas em depoimentos e diligências fiscais realizadas pela fiscalização. Estas identificações foram ainda objeto de confronto e confirmação com dados extraídos dos sistemas do banco de dados da Receita Federal do Brasil. Os saláriosdecontribuição dos segurados empregados, cuja contratação irregular ocorreu como pessoas jurídicas, foram apurados por aferição indireta, e são equivalentes às importâncias mensais constantes nas notas fiscais emitidas para justificar as remunerações auferidas pelo seu trabalho, cujos valores encontramse registrados nos lançamentos contábeis da escrituração da FDC e confirmados nas declarações à RFB através da DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte). O crédito tributário apurado decorre de valores pagos a segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados, cujas contribuições previdenciárias não foram devidamente recolhidas em suas épocas próprias. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Sujeito Passivo ofereceu impugnação administrativa a fls. 1916/1965. Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.253 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0244.774 6ª Turma da DRJ/BHE, a fls. 2105/2121, julgando procedente o lançamento tributário, e mantendo crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/06/2013, conforme Termo de Abertura de Documento a fl. 2130. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário a fls. 2132/2203, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que o Acórdão é nulo, pois não foi apreciado requerimento de produção de provas; · Impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica pela Fiscalização; · Ausência de requisitos da relação de emprego; · Ausência de fraude a atrair a incidência de multa de ofício em duplicidade; Ao fim, requer a declaração de nulidade da Decisão de Primeira Instância Administrativa e autuação fiscal. Contrarrazões a fls. 2207/2248. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 07/06/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09/07/2013, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE Alega o Recorrente ser nulo o Acórdão de 1ª Instância, pois não teria apreciado requerimento de produção de provas. Não ! A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o forum apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.254 7 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532/97) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/97) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Nos termos expressos da lei, a juntada de novos documentos no Processo Administrativo Fiscal depende de requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, por motivo de força maior, ou que os documentos se refiram a fato ou a direito superveniente, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Diante de tal panorama, após o oferecimento da impugnação, a juntada de novos documentos há que ser requerida não ao Órgão Julgador de 1ª Instância, como assim procedeu o Recorrente, mas, sim, ao Órgão que irá apreciar e julgar o recurso eventualmente interposto, in casu, ao CARF, se se tratar de Recurso Voluntário, ou à CSRF, nas hipóteses de Recurso Especial, repousando aos ombros do Peticionante o encargo processual de demonstrar, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo quarto do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Nesse contexto, na hipótese de o Autuado não lograr comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §4º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como oficiosa ou não contenciosa, a autoridade administrativa procede à coleta de informações, dados e elementos de prova, à audita de testemunhas, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária principal e/ou acessória. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 2270DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.255 9 Tal compreensão é corroborada pelos termos consignados no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal que assegura aos litigantes, nos processos judiciais e administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é instaurada a fase contraditória) ou, exercendo o direito de defesa e do exercício do contraditório, poderá impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos) Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, bem como a assinatura da Autoridade Lançadora e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Conforme demonstrado, inexiste qualquer vício na formalização do débito a amparar as alegações de cerceamento de defesa ou de nulidade erguidas pelo Recorrente, motivo pelo qual rejeitamos a preliminar de mérito interposta. 2.2. DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Defende o Recorrente a impossibilidade de se desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços intelectuais pela Fiscalização. Sem razão. Não há no presente lançamento qualquer procedimento de desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. De maneira alguma. A personalidade jurídica de tais empresas permanece hígida, produzindo todos os efeitos que lhe são de estilo, tal como no momento de sua constituição. O que há, de fato, no presente caso, é a caracterização da condição de segurado empregado de pessoas físicas laborando para a empresa autuada sob condições reais de não Fl. 2271DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 eventualidade, pessoalidade, subordinação jurídica e onerosidade, disfarçada e encoberta por um falacioso formalismo de Pessoa Jurídica. Não se deve olvidar que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma Jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente levadas a efeito numa determinada relação jurídica e as forma dos atos jurídicos hipoteticamente concebidos em seus registros e idealizados para a sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalecerá a realidade dos fatos. A pedra de toque não é a qualificação contratual ou a concepção idealizada dos atos, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado, consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana a empresa, em caráter intuitu personae, de natureza não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração pelos serviços prestados. Nessa esteira, uma vez constatada prestação remunerada de serviços à empresa por pessoa física na condição de segurado empregado, a Fiscalização, por força da natureza plenamente vinculada do seu dever de ofício, e com fulcro no art. 37 da Lei de Custeio da Seguridade Social, verificado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições previdenciárias decorrentes de tal prestação laboral, lavrou o competente auto de infração ora em debate. Assim, com fundamento no permissivo encartado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, e mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, procederam os Auditores Fiscais à desconsideração substancial dos atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos, os quais permanecem produzindo os seus efeitos típicos no mundo jurídico. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas desconsiderou, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Fl. 2272DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.256 11 Em outras palavras: Apesar de os contratos de prestação de serviços haverem sido FORMALMENTE celebrados com pessoas jurídicas, a prestação dos serviços contratados se deu MATERIALMENTE sob os mantos caracterizadores da relação de segurado empregado. Diante desse quadro, a norma tributária que aflui do Parágrafo Único do art. 116 do CTN opera como se, juridicamente, tais contratos formais não produzissem os efeitos que lhes são típicos, exclusivamente, para os fins da tributação previdenciária ora em debate, porém, mantendose hígidos, todavia, para todos os demais fins, inclusive para os fins da Lei nº 11.196/05. Registrese, por relevante, que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços intelectuais. A situação jurídica de tais empresas perante o Ordenamento Jurídico permanece inalterada, malgrado o lançamento ora em debate. O fundamento do lançamento em questão, reiterese, assentase na efetiva existência de vínculo de segurado empregado (Instituto de Direito Previdenciário), revelado pela constatação da presença de todos os elementos caracterizadores de tal qualificação jurídica previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, circunstância que sujeita a Autuada e os segurados em apreço às obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Não se deve olvidar que inexiste impedimento legal para que uma mesma pessoa física seja sócia de uma empresa prestadora de serviços intelectuais e, concomitantemente, mantenha múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas outras empresas. Decerto, a condição de segurado empregado não exige exclusividade do trabalhador com a empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, e ser segurado contribuinte individual em relação a uma outra empresa distinta da primeira, e assim por diante ... No caso, com fulcro no princípio da primazia da realidade sobre a forma, a Fiscalização constatou a existência de vínculo material de segurado empregado entre os trabalhadores em tela e a Autuada, bem como a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias decorrentes desse vínculo previdenciário, tudo em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, sem promover qualquer vínculo trabalhista (Instituto de Direito do Trabalho) entre os trabalhadores em tela e a Autuada, ora Recorrente. Fl. 2273DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Por tais razões, rejeitamos a preliminar de suposta desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DA CARACTERIZAÇÃO DA CONDIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO O Recorrente alega ausência dos requisitos da relação de emprego, bem como a ausência de fraude a atrair a incidência de multa de ofício em duplicidade. Sem razão, contudo. Em primeiro lugar, há que se deixar claro que o presente caso não trata da caracterização de vínculo empregatício (instituto de Direito do Trabalho), mas, sim, da caracterização da condição de segurado empregado (instituto de Direito Previdenciário) e do lançamento das contribuições previdenciárias devidas pela empresa autuada em decorrência da prestação remunerada de serviços por tais trabalhadores. Muito embora semelhantes em alguns pequenos aspectos, as legislações trabalhista e previdenciária não se confundem. Tendo como assentada tal premissa, fácil é perceber que o segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social RGPS qualificado com “segurado empregado” não é aquele definido no art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, mas, sim, a pessoa física especificamente conceituada para fins previdenciários no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seguimentos rememorados a seguir para facilitar a compreensão da questão posta em debate. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 2274DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.257 13 Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; b) aquele que, contratado por empresa de trabalho temporário, definida em legislação específica, presta serviço para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente ou a acréscimo extraordinário de serviços de outras empresas; c) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em sucursal ou agência de empresa nacional no exterior; d) aquele que presta serviço no Brasil a missão diplomática ou a repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a ela subordinados, ou a membros dessas missões e repartições, excluídos o não brasileiro sem residência permanente no Brasil e o brasileiro amparado pela legislação previdenciária do país da respectiva missão diplomática ou repartição consular; e) o brasileiro civil que trabalha para a União, no exterior, em organismos oficiais brasileiros ou internacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo se segurado na forma da legislação vigente do país do domicílio; f) o brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado em empresa domiciliada no exterior, cuja maioria do capital votante pertença a empresa brasileira de capital nacional; g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (Alínea acrescentada pela Lei n° 8.647/93) i) o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 9.876/99). j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; (Incluído pela Lei nº 10.887/2004). II como empregado doméstico: aquele que presta serviço de natureza contínua a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividades sem fins lucrativos; Olhando com os olhos de ver, avulta que os conceitos de “empregado” e “segurado empregado” presentes nas legislações trabalhista e previdenciária, respectivamente, são plenamente Fl. 2275DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 distintos. Esta qualifica como “segurado empregado” não somente os trabalhadores tipificados como “empregados” na CLT, mas, também, outras categorias de laboristas. De outro eito, determinadas categorias de trabalhadores tidas como “empregados” pela CLT podem não ser qualificadas como segurados empregados para os fins colimados pela lei de custeio da Seguridade Social. Exemplo emblemático do que acabamos de expor é o caso dos empregados domésticos. Malgrado este trabalhador seja qualificado como empregado pela Consolidação Laboral, para a Seguridade Social, tal segurado não integra a categoria de “segurado empregado”, art. 12, I da Lei nº 8.212/91, mas, sim, a de “segurado empregado doméstico”, art. 12, II da Lei nº 8.212/91, uma classe absolutamente distinta da de “segurado empregado”, com regras de tributação distintas e completamente diversas daquelas aplicáveis aos “segurados empregados”. Dessarte, mostrase irrelevante para fins de custeio da seguridade social o conceito de “empregado” estampado na Consolidação das Leis do Trabalho. Prevalecerá, sempre, para tais fins, a conformação dos segurados obrigatórios abrigada nos incisos do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Portanto, para os fins do custeio da Seguridade Social, serão qualificados como segurados empregados, e nessa qualidade se subordinando empregador e segurados às normas encartadas na Lei nº 8.212/91, as pessoas físicas que prestarem serviços de natureza urbana ou rural à empresa, aqui incluídos os órgãos públicos por força do art. 15 da Lei nº 8.212/91, em caráter não eventual, sob sua subordinação jurídica e mediante remuneração. Conforme já salientado anteriormente, vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade sobre a Forma, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalece a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No caso sub examine, o auditor fiscal acusou a presença ostensiva dos elementos caracterizadores da relação de segurado empregado (reiterese, não a de vínculo empregatício, que é irrelevante ao caso), consubstanciados na prestação de serviço de natureza urbana ao Recorrente, em caráter não eventual, sob subordinação jurídica do contratado pessoa física ao contratante e mediante remuneração. O episódio em pauta é um caso típico de relação jurídica conhecida no mercado pelo neologismo “pejotização”, em que profissionais especializados são levados a constituir pessoas jurídicas para prestar serviços a empresas, não numa relação formal de pessoa jurídica x pessoa jurídica, mas substancialmente mediante uma relação fática em que figuram ostensivamente presentes a pessoalidade, a não eventualidade do serviço, a subordinação jurídica e, obviamente, a onerosidade. Na estrutura de tal mecanismo, formalmente a empresa contrata uma outra pessoa jurídica, porém, na realidade dos fatos, quem efetivamente presta o serviço remunerado é o “pejotizado” (sem qualquer viés pejorativo, por favor), isto é, a pessoa física do sócio da pessoa jurídica artificialmente contratada, de maneira não eventual, sob subordinação jurídica e em caráter intuitu personae. A não eventualidade encontrase patente no prolongado período em que os obreiros prestaram serviços ao Recorrente, combinado com a espécie de serviços prestados, os quais são inerentes ao atuar típico da empresa Autuada. Fl. 2276DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.258 15 Podese perceber a não eventualidade do serviço, ainda, no elevado volume de operações contínuas e de rotina, originárias desta relação entre a FDC e seus contratados PJ, comprovadas às centenas no período de apuração, conforme arrolados no Anexo 04 a fls. 1795/1819. Ademais, a sindicância da não eventualidade se apura mais em razão da atividade realizada pelo tomador do serviço do que pelo prazo de vigência do contrato. Nessas circunstâncias, sendo o serviço contratado uma necessidade contínua da empresa contratante, eis que inerente à sua atividade econômica, ou essencial ao desempenho satisfatório do objeto social da pessoa jurídica, caracterizada estará a não eventualidade do serviço, independentemente do prazo em que cada serviço seja contratado. No caso em litígio, a não eventualidade diz espeito à contratação de serviços relacionados com a atividade fim da Autuada e à natureza do trabalho desenvolvido pelo profissional em relação à natureza do trabalho a que a Contratante se propõe executar em favor de seus clientes, bem como à necessidade permanente dessas categorias de profissionais especializados para a realização de seu objeto social. Tomandose os contratos apresentados pela FDC, após estratificados e classificados em grupos quatro distintos conforme seus objetos, ficaram assim distribuídos: 1. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Gerenciar projetos internos e externos e/ou outras atividades em sua especialidade; 2. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Gerenciamento de projetos, Ministrar aulas, Realizar conferências, palestras e assemelhados; 3. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Ministrar aulas, Realizar conferências, palestras e assemelhados; 4. Contratos/Serviços cujo objeto descrito era Ministrar aulas; É importante destacar que os objetivos sociais consignados nos contratos sociais das diversas pessoas jurídicas que celebraram contratos com a FDC referemse exatamente às atividades previstas no Estatuto Social Consolidado da Autuada, como objetivos desta instituição, dentre as quais se podemos destacar, a título meramente exemplificativo: II Promover a pesquisa e ensino, sob diversas formas, especialmente no campo da administração empresarial, desenvolvendo atividades educativas e programas de aperfeiçoamento técnico e gerencial; III Desenvolver atividades científicas, técnicas e culturais; IV Pesquisar e gerar tecnologia gerencial; V Desenvolver pesquisa e estudos objetivando competência para empreender e gerenciar, prestando serviços a isso relativo; IX Criar, difundir e ministrar cursos ou programas técnicos e de gerenciamento nas áreas de sua atuação; Tal constatação permite afirmar que as pessoas jurídicas eram contratadas para executar serviços e tarefas vinculadas aos objetivos e atividades fins da instituição, tendo por conseguinte caráter nitidamente habitual e nãoeventual. As empresas jurídicas contratadas para a prestação de serviços pelos sócios são classificadas na CNAE em atividade idênticas ou afins com o objeto social da Autuada (CNAE 85.33 Fl. 2277DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 3/00 Educação superior – pósgraduação e extensão), circunstância que demonstra que os contratados PJ, caracterizados como segurados empregados pela Fiscalização, inseremse na dinâmica regular da FDC, que necessita do trabalho por eles desempenhado para atender às múltiplas demandas inerentes ao seu objetivo social e aos contratos de serviços celebrados com os seus clientes, de onde se extrai que os profissionais contratados eram imprescindíveis ao funcionamento regular da Autuada, contingência que denota a natureza não eventual dos serviços contratados. A Fiscalização constatou que os contratos de prestação de serviços são padronizados, no estilo Contrato de Adesão, em geral, firmados por período de 12 meses, podendo ser renovados mediante termo aditivo, alguns com mais de uma dezena de renovações anuais. “Além de serem contratados para executar serviços contidos na própria atividade da FDC, a não eventualidade está configurada pela habitualidade da prestação dos serviços, o que se comprova através da emissão de notas fiscais de serviços sequenciais, em praticamente todos os meses. Comprovase também pela remuneração ajustada, não havendo retificação ou acerto, visto encontrarse incorporada a serviços, programas ou projetos predeterminados. Os resultados, produção ou produtividade não eram conferidos, medidos ou avaliados posteriormente, pois já contratados e dimensionados com ajuste do quantum a ser pago. Os contratos, firmados por períodos de 1 ano, eram constante e regularmente prorrogados, com assinatura de aditivos mantendose os mesmos termos, eventualmente alterandose valores. Alguns eram prorrogados/aditivados por diversas vezes, demonstrando a necessidade permanente da contratação dos serviços efetuados por estes profissionais, evidenciando sua inconteste habitualidade”. Esta necessidade permanente da contratação destes profissionais comprova, com contundência, a não eventualidade do serviço contratado. A pessoalidade tem sua caracterização realçada no fato de as pessoas jurídicas contratadas atuarem, unicamente, por intermédio das pessoas físicas dos seus sócios. A Fiscalização apurou que a FDC, por meio de sua Gerente de RH responsável pela seleção dos profissionais em tela, exigia que estes apresentassem uma pessoa jurídica para a emissão de notas fiscais de serviço. Como muitos já eram sócios de pessoas jurídicas existentes, obviamente, não precisavam constituir uma nova. Outros, no entanto, que ainda não possuíam uma pessoa jurídica constituída ou não eram sócios de nenhuma, precisaram constituir pessoas jurídicas adrede, ou entrar como sócios de outra já existente, para atender à exigência da FDC. A confirmar a exigência por parte da FDC de que os profissionais contratados para os cargos de professores, coordenadores, gerentes, etc., deveriam apresentarse como pessoa jurídica interposta de forma a emitir notas fiscais para justificar o recebimento de seus salários e remunerações, a Fiscalização elaborou discriminativo a fls. 1874/1875 (quadro 04), onde constam as datas em que mais de 40 pessoas jurídicas foram constituídas, conforme cadastros da RFB, sendo os referidos profissionais, logo em seguida, contratados pela FDC, sob as vestes de pessoa jurídica prestadora de serviços, sendo demonstrado, em diversos casos, que o contrato firmado com a pessoa jurídica se deu antes mesmo de a sua constituição formal, isto é, a FDC firmou contratos com pessoa jurídica inexistente, de onde deflui a ilação de que o contrato era firmado com a pessoa física (esta existente) do sócio da futura pessoa jurídica (esta então inexistente). Fl. 2278DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.259 17 A Fiscalização constatou que, “não por coincidência, os 33 (trinta e três) primeiros profissionais relacionados no quadro 04 (do 1° a 33°) constituíram as pessoas jurídicas das quais são sócios, majoritários na maioria dos casos, com a interposição do contador Sr. William Giovanni Barros, com as sedes na pequena sala da Alameda da Serra, 420, sala 405, Vale do Sereno, Nova Lima, Minas Gerais, cuja única e exclusiva destinação foi servir de endereço para constituição das mesmas, nos termos do subitem 4.5.1. anterior (DAS PESSOAS JURÍDICAS COM MESMO ENDEREÇO E CONTADOR)”. Quadro 03, a fl. 1872. Em sede de Diligência Fiscal, o contador acima referido, Sr. William Giovanni Barros, confirmou, em Termo de Constatação Fiscal, que esses clientes que prestavam serviço para a FDC lhe foram encaminhados pela Sra. Rijane de Mont’Alverne Neto, que o contratara anteriormente para constituição de sua própria pessoa jurídica Perez e Mont'Alverne Consultoria Organizacional Ltda, CNPJ 04.231.853/000195 , através da qual emitia notas fiscais de prestação de serviços à FDC, mas na realidade exercia, como pessoa física, o cargo de Gerente de RH. A Fiscalização apurou e demonstrou que diversos profissionais “Pejotizados” exercem funções na estrutura hierárquica da FDC, conforme ilustrado no quadro 06, a fls. 1895/1897, que elenca quase uma centena de “Pejotizados” exercendo cargos típicos de empregados, tais como Gerente de Recursos Humanos, Gerente de Marketing, Gerente Administrativo, Gerente de projetos, Gerente Financeiro, Gerente de Tecnologia, Professor, Líder, Assessor da Presidência, Assessor de Editoração, Coordenador Executivo, Diretor Executivo, Gerente Coordenador, Supervisor de Edição, Assistente de Ensino, etc. Salta aos olhos que essa quase centena de profissionais “Pejotizados”, ocupantes de cargo de chefia, foram cadastrados nas folhas de pagamento da Autuada como Estagiários, “no entanto, seguramente, não fora nenhum erro, tampouco simples coincidência. Explicase: como a remuneração dessa categoria não sofre incidência de contribuições previdenciárias e os aplicativos utilizados na elaboração de Folhas de Pagamentos obviamente não geram o cálculo das mesmas, incluílos como estagiários no cadastro tornouse conveniente para os objetivos desejados. Não deixaria de ser uma forma eficaz de tratálos, ainda que internamente, como empregados — como de fato o eram —, com direito a registro em Folha de Pagamento em seus respectivos cargos, contracheques, rubricas remuneratórias e direitos típicos, possibilitando inclusive que fossem gerenciados e subordinados como os outros empregados, sem que se efetuasse, contudo, o devido pagamento dos tributos (contribuições previdenciárias) devidos”. Tal procedimento demonstra, insofismavelmente, a intenção consciente de fraude e sonegação, mediante ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou modificando as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 2279DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. A pessoalidade se revela incontestável na medida em que tais pessoas jurídicas não mantêm empregados na área técnica empresarial, evidenciando que a prestação de serviços era realizada, exclusivamente, pelas pessoas físicas dos sócios. As provas colhidas pela Fiscalização revelam que a prestação dos serviços pelos “Pejotizados” à Autuada ostenta natureza intuitu personae, inexistindo nos autos qualquer elemento fático ou jurídico de convicção que possa desaguar na ilação de que tais trabalhadores, ao seu alvedrio único, exclusivo e próprio, e sem qualquer ingerência da empresa autuada, pudessem se fazer substituir, na execução do serviço para o qual fora contratado, por outro trabalhador qualquer, mesmo que de idêntica capacitação. No caso em tela, observase que as Pessoas Jurídicas Prestadoras de Serviços foram constituídas, sem empregados na área técnica, com capital social irrisório e sem estrutura operacional, muitas delas estando sediadas no mesmo endereço, e contratadas pela Autuada exclusivamente para atender, por intermédio exclusivo dos próprios sócios e de acordo com as suas especialidades técnicas, às necessidades específicas dos serviços contratados pela FDC perante seus clientes, circunstância que caracteriza a pessoalidade na relação entre os “Pejotizados” e a Recorrente. As provas dos autos não deixam dúvida de que os serviços executados pelos “Pejotizados” não são prestados em favor direto da Autuada, mas, sim, aos clientes da Autuada, no cumprimento dos contratos com terceiros por ela pactuados, contingência que revela a alteralidade na prestação de tais serviços prestados pelos “Pejotizados”, quintessência supralegal dos atributos caracterizadores da relação jurídica de segurado empregado. Os Contratados Pessoa Jurídica, ao prestarem seus serviços aos clientes da Recorrente, não o fazem em nome próprio, mas em obséquio do pavilhão da Autuada. Avulta das circunstâncias do caso que o risco da atividade econômica é integral da FDC que, além do encargo de captar no mercado propostas para a prestação dos seus serviços, contrata e remunera trabalhadores “Pejotizados” para a prestação de tais serviços aos seus clientes, e assume toda a responsabilidade perante estes terceiros pelos serviços prestados, respondendo tais trabalhadores, quando muito, de maneira regressiva, e tão somente nas hipóteses em que atuarem com dolo ou culpa, como sói ocorrer nas típicas relações jurídicas patrãoempregado. E diga o Contrato: “Na eventualidade de ocorrerem danos materiais ou morais à FDC, causados pela contratada, em cuja ação se identifique dolo ou culpa, haverá ressarcimento pela mesma dos prejuízos, em sua totalidade, além de imediata rescisão do contratado”. “Na hipótese de eventual condenação da FDC pela inobservância no cumprimento das obrigações fiscais decorrentes do presente contrato, fica garantido a esta o direito de reembolso dos valores pagos, ou o direito de regresso para se ressarcir dos prejuízos que vier a suportar”. Dessarte, também sob esse prisma, a condição de empregador da FDC se revela emblemática, eis que o art. 2º da CLT qualifica com empregador a empresa individual ou coletiva que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Fl. 2280DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.260 19 De acordo as informações contidas no Manual de Benefícios da APASS (Associação dos Empregados e Prestadores de Serviço da FDC), a instituição disponibilizava aos prestadores de serviço pessoas jurídicas benefícios idênticos aos disponibilizados a seus funcionários empregados. Dentre os benefícios disponibilizados, todos típicos de empregados, incluemse SeguroSaúde, Empréstimos Emergenciais, Complementação do AuxílioDoença, Reembolsos de Medicamentos, Tratamento Psicoterápico, Fonoaudiólogo, Ambulatorial, Lentes de Correção Visual, Tratamento Odontológico, Acupuntura, Escleroterapia, Ligadura de Trompas e Vasectomia, bem como Assistência ao Desenvolvimento e Educação desde a Creche e Jardim da Infância até cursos de pósgraduação. Me pergunto ... Vasectomia para pessoa jurídica ???? Tais benefícios são previstos expressamente nos contratos PJ firmados entre a Recorrente e os “Pejotizados”: “Caso seja do interesse da CONTRATADA, poderá, a seu exclusivo critério e nas mesmas condições, aderir aos benefícios que a FDC disponibiliza para seus empregados”. Os benefícios disponibilizados pela FDC aos seus empregados pelo regime da CLT e aos contratados PJ são suportados, em sua maior parte, pela própria FDC, que destina 3% de seu faturamento à APASS, sendo que cada beneficiário, empregado ou “Pejotizado”, contribui com 1%. o Manual de Benefícios da APASS informa que a inscrição do funcionário e prestador de serviço se faz por adesão a partir do registro da contratação; e os dependentes, a partir da comprovação da dependência e, em todos os casos, com autorização para desconto da contribuição em folha. (pessoa jurídica na folha de pagamento ???) A disponibilização de benefícios típicos de empregados, tais como a Assistência ao Desenvolvimento e Educação desde a Creche e Jardim da Infância até cursos de pósgraduação, para “Pejotizados” também descortina a viés de não eventualidade dos serviços contratados. No que pertine à subordinação, esta tem que ser averiguada em seu aspecto jurídico, não apenas no hierárquico ou técnico. O conceito geral de subordinação foi elaborado levandose em consideração a evolução social do trabalho, com sua consequente democratização, passando da escravidão e da servidão para o trabalho contratado, segundo a vontade livre das partes. Sob tal prisma, revelase inconteste que a subordinação jurídica é intrínseca a toda a prestação remunerada de serviços por pessoa física, seja a empresas, seja a outras pessoas físicas. A subordinação jurídica configurase como o elemento da relação contratual na qual a pessoa física contratada sujeita o exercício de suas atividades laborais à vontade do contratante, em contrapartida à remuneração paga por este àquele. Irradia de maneira nítida da subordinação jurídica a identificação de quem manda e de quem obedece; de quem remunera e de quem é remunerado, de quem determina o que fazer, como, quando e quanto e de quem executa o serviço de acordo com o parametrizado. Podemos identificar no conceito de subordinação jurídica duas vestes de uma mesma nudez: De um lado, figura a faculdade do contratante de utilizarse da força de trabalho do contratado Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 pessoa física como um dos fatores da produção, sempre no interesse do empreendimento cujos riscos assumiu, e do outro, a obrigação do empregado de sujeitar a execução do seu serviço à direção do empregador, no poder de ordenar o que fazer e como fazêlo, dentro dos fins a que este se propõe a alcançar, em contrapartida à remuneração que irá auferir. Para Gomes e Gottschalk (in Curso de direito do trabalho, Rio de Janeiro, Forense, 2005, pag. 134), “todo contrato gera o que denomina de estado de subordinação do empregado, pois este deve sujeitarse aos critérios diretivos do empregador, suas disposições quanto ao tempo, modo e lugar da prestação do trabalho, bem como aos métodos de execução e modalidade próprios da empresa, da indústria e do comércio”. À vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina, vislumbrase que a subordinação jurídica conformase como um estado de sujeição em que se coloca o trabalhador, por sua livre e espontânea vontade, diante do empregador, em virtude de um contrato de trabalho pelo qual ao contratante é dado o poder de dirigir a força de trabalho do empregado, seja manual ou intelectual, em troca de uma contraprestação remuneratória. Dessarte, havendo prestação remunerada de serviços por pessoa física, por mais autonomia que tenha o contratado na condução do serviço a ser prestado, presente sempre estará, em menor ou maior grau, a subordinação jurídica do contratado ao contratante. Como exemplo meramente ilustrativo, se o ProcuradorGeral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Sr. Paulo Schmitt, celebrar contrato de prestação de serviço de pintura artística com o pintor de fama internacional Romero Britto para a confecção de um quadro representativo do time do Fluminense F. C. , mas este renomado pintor, em honra de suposta autonomia funcional e de ausência de subordinação, decidir, ao seu único e exclusivo arbítrio, retratar em pop art o time da Portuguesa de Desportos, com certeza o contrato será imediatamente rescindido, com fundamento em justa causa decorrente de insubordinação consistente no descumprimento, por parte do oblato, das determinações contidas no liame ajustado. No caso ora em apreciação, os profissionais “Pejotizados” são contratados pela Autuada para a prestação de serviços de sua especialidade diretamente aos clientes da FDC e em nome desta, devendo cumprir rigorosamente os termos pactuados no contrato celebrado entre a Autuada e o Cliente da vez, sujeitandose aos comandos e objetivos da instituição empregadora, a quem competia a definição de quais as tarefas e projetos atividades fins da instituição precisavam ser realizadas, quando tais tarefas e projetos deviam executados e como tais atividades deveriam ser executadas e concluídas. Assim se revela o modus operandi do empreendimento. A FDC oferece um produto no mercado e capta clientes na sociedade. Em seguida, sendo o produto bem aceito pelo público consumidor, identifica e seleciona no mercado de trabalho o profissional melhor graduado e qualificado para a execução do serviço oferecido pela Autuada perante seus clientes, mas só o contrata se for por intermédio de pessoa jurídica. Se o profissional selecionado não tiver a cobertura de nenhuma pessoa jurídica, a Gerente de RH o encaminha ao contador Sr. William Giovanni Barros, para que este providencie a constituição da pessoa jurídica requerida. Ultrapassadas as formalidades legais, o profissional, agora sócio da pessoa jurídica contratada, passa a executar perante os clientes da FDC, e em nome desta, os serviços para o qual foi selecionado, obedecendo estritamente as condições de contorno previamente fixadas entre a FDC e seus clientes. Diante de tal quadro, ou o profissional se ajusta ao requerido e cria sua própria pessoa jurídica, atuando sozinho ou em conjunto com algum sócio na mesma condição, ou se sujeita a permanecer no ostracismo no mercado de trabalho. “Guess that’s the name of the game” (Elton John/Bernie Taupin – Sweet painted lady) E diga o Relatório Fiscal: Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.261 21 “De acordo com as circunstâncias amplamente expostas ao longo do Relatório Fiscal, os profissionais (sócios das pessoas jurídicas contratadas) se encontravam inquestionavelmente à disposição da instituição, se não cumprindo ordens, cumprindo suas determinações para a realização de sua atividadefim, de forma contínua e por conta e risco da contratante FDC. Caracterizase, nessa situação, a interferência do poder jurídico do empregador (FDC) no procedimento de seus empregados (sócios das pessoas jurídicas), visando à manutenção e adequação de suas atividades em favor do empreendimento da instituição FDC”. Exsurge da situação exposta nos autos que o profissional contratado deve observância estrita àquilo que a FDC pactuou com os seus clientes, consumidores dos serviços por ela oferecidos no mercado. Nessa vertente, mesmo que eventualmente possa existir alguma flexibilidade na realização do serviço, este já se encontra delimitado pelas condições de contorno pactuadas pela Autuada e seus clientes, circunstância que denota, insofismavelmente, a subordinação do Contratado PJ às determinações e vontade da FDC. Dessarte, ainda que o “Pejotizado” venha a propor modificações no projeto ou no serviço a ser prestado ao cliente da Autuada e que tais modificações sejam efetivamente acatadas, estas dependem da anuência prévia da Recorrente e de seu respectivo cliente, como assim se extrai das cláusulas contratuais: “Parágrafo Único: Todas as informações, elementos, dados necessários ao bom desempenho dos serviços a serem prestados, bem como o seu cronograma de implementação e/ou execução, serão decididos em comum acordo entre as partes, ouvindo, se necessário, as empresas e/ou instituições contratantes da FDC”. O poder de controle sobre os “Pejotizados” se mostra flagrante na medida em que estes tem, por força dos contratos, que apresentar mensalmente, até o último dia de cada mês, relatório técnico com o número de horas trabalhadas, identificando os projetos a que se relacionam, tendo a FDC o prazo até o segundo dia útil do mês subsequente para aprovalo e efetuar o pagamento. O poder de controle é tão pronunciado que os contratos preveem a designação de representante da Autuada para acompanhar o andamento dos trabalhos, competindolhe aprovar os relatórios mencionados no parágrafo anterior, e autorizar as parcelas do pagamento correspondente. Dessai dos contratos firmados com os “Pejotizados” que caso os projetos e/ou trabalhos desenvolvidos pelos contratados venham a significar um ganhop de qualidade para os serviços prestados pela FDC, esta, a seu exclusivo critério, poderá gratificar a contratada mediante a elaboração de Termo Aditivo específico para tal fim. De tal cláusula aflora que quem se beneficia diretamente dos bons resultados produzidos pelos Contratados Pessoas Jurídicas é a FDC, que, a seu exclusivo critério, pode ou não gratificar o “Pejotizado”. Revelase assim, uma vez mais, o atributo da alteralidade, na medida em que, na realidade dos fatos, o Contratado Pessoa Jurídica não atua em nome próprio, mas, sim, como longa manus da Recorrente. Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Na prestação dos serviços, toda a infraestrutura técnica e operacional é disponibilizada pela FDC, que também arca com todas as passagens aéreas ou terrestres, deslocamentos, despesas com hospedagem e alimentação fora do domicilio da contratada, relacionadas ao objeto do contrato, mediante reembolso ou custeio direto, como é de estilo na relação jurídica patrão x empregado. De tais circunstâncias também aflora a noção de que quem suporta o risco da atividade econômica é, de fato, a FDC. Na prestação dos serviços, o “Pejotizado” tem que observar as normas e diretrizes internas da FDC, cumprir o horário estabelecido pela FDC com seus clientes ou de acordo com a conveniência dos serviços a serem prestados, atendendo ao cronograma de implantação e execução fixados, emitir relatórios técnicos mensais, com o número de horas trabalhadas em cada projeto, sujeitandose à Fiscalização por representante da Contratante, circunstâncias que revelam o poder de controle e hierárquico da Contratante sobre os trabalhadores em foco. O “Pejotizado” se obriga a manter sigilo em relação a qualquer informação, criação, especificação técnica e comercial, segredo comercial ou marca recebida em decorrência da consecução do objeto de cada contrato, obrigandose a não revelar, por qualquer meio, os dados a que teve acesso e conhecimento, respondendo, em caso de quebra de sigilo, a arcar com as penalidades que estiver sujeita a FDC por força do descumprimento da cláusula contratual nas relações desta última com terceiros. Tal cláusula contratual deixa bem clara a existência de subordinação técnica, dela se extraindo que quem detém o know how é a contratante. A Fiscalização apurou que, no período fiscalizado, nada menos que 68 (sessenta e oito) profissionais que prestavam serviços como pessoas jurídicas trabalhavam unicamente, de forma exclusiva, para a FDC, conforme arrolamento apresentado no quadro 05, a fls. 1876/1879, circunstância que revela a total subordinação econômica dessas empresas ao Contratante em questão. A existência da relação jurídica de fato típica de patrão vs empregado avulta de maneira insofismável dos termos contidos na cláusula rescisória, que possui os atributos do aviso prévio trabalhista, tais como prazo de trinta dias, verbas rescisórias, etc. Como visto, a subordinação se revela às escancaras com o tomador em foco, que detém todo o poder de chefia, de comando de como, o quê, quando, onde e quanto do serviço será executado, além do poder de controle sobre o serviço realizado. A Fiscalização apurou que os ”Profissionais PJ” possuem em comum características que deixam claro que as respectivas pessoas jurídicas foram criadas, ou adaptadas mediante alterações contratuais, para atender ao modelo de contratação de empregados implementado pela FDC. A noção de que tais pessoas jurídicas atuam simplesmente como intermediadoras de mão de obra é reforçada pelo resultado de diversas diligências fiscais empreendidas pela Fiscalização no endereço das pessoas jurídicas contratadas. Nas tentativas empreendidas para localização dos responsáveis pelas pessoas jurídicas que, como tal, prestavam serviços à FDC, em simplesmente todas os resultados foram frustrados. Embora os requisitos legais que obriguem pessoas jurídicas a manter um endereço para sede da empresa não sejam rigorosas a ponto de exigirem a montagem de escritórios ou coisas do tipo, não houve um caso sequer em que se constatasse a existência de um local físico onde se pudesse afirmar que ali funcionasse uma pessoa jurídica. Na maioria dos casos os endereços dessas pessoas jurídicas levou a fiscalização a apartamentos e casas residenciais na cidade e em condomínios residenciais fechados onde, segundo Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.262 23 informações obtidas junto a empregados ou outros moradores do mesmo imóvel, o responsável pelo prestador de serviço não exercia suas atividades. Houve também, em diversos casos, a constatação in loco de mudanças de endereços dessas pessoas jurídicas sem a devida alteração do respectivo cadastro na RFB. Em pelo menos 7 (sete) casos, pessoas jurídicas foram constituídas ou tiveram seus endereços mantidos no mesmo local da sede da Prefeitura Municipal de Rio Acima (Rua Antônio Carlos, 38, Centro), município localizado nas proximidades de Belo Horizonte, em singelos e minúsculos boxes numerados, cujos moldes de funcionamento, num sistema promovido pela própria prefeitura, que foi posteriormente impedido de continuar em consequência de uma ação judicial movida pelo Ministério Público Federal em rumoroso caso de dimensão nacional. Todo o conjunto probatório leva à indicação da existência de dependência jurídica dos sócios das pessoas jurídicas contratadas com a instituição FDC, uma vez que as pessoas físicas dos sócios encontravamse à disposição desta para a realização de serviços contínuos e necessários à sua atividade, mesmo que aqueles tivessem liberdade na execução dos mesmos, situação tipicamente comum em serviços especialíssimos, como era o caso. Os contratados como ”Profissionais PJ” são, na verdade, profissionais pessoas físicas que, em caráter não eventual, executam pessoalmente os trabalhos contratados, visando a atender as atividades normais da Autuada, relacionadas diretamente com os fins do empreendimento econômico desta. A onerosidade, por derradeiro, foi apurada diretamente dos valores pagos através de notas fiscais de prestação de serviços, emitidas pelas pessoas jurídicas nas quais figuravam como sócios os profissionais pessoas físicas contratados pela Autuada, corroborados pelos respectivos lançamentos contábeis. Em regra, a remuneração das pessoas físicas, contratadas sob o factoide de pessoa jurídica, é mensal e encontrase pactuada em cláusula contratual específica, em valor fixo, a ser paga em prazo certo, mediante depósito em conta corrente. Pelo exame dos blocos de notas fiscais a Fiscalização constatouse que, além das notas fiscais emitidas em obediência aos contratos, pelo menos uma vez ao ano eram emitidas duas notas fiscais dentro de um mesmo mês, sendo uma delas com o valor contratado e a uma outra com valor bastante aproximado. Tal fato indica que a instituição efetuava pagamentos com características de remuneração de 13º salário a estes prestadores de serviço, sendo que, em alguns casos, usando abertamente esse título, conforme evidenciado em 4.6 (DA FOLHA DE PAGAMENTO DAS PESSOAS JURÍDICAS). A Fiscalização comparou a Folha de Pagamento normal dos empregados registrados da FDC de 2008 com a Folha de Pagamento dos profissionais contratados como pessoas jurídicas, e constatou que esta última era quase 3 (três) vezes superior à dos empregados registrados. A Fiscalização verificou que na Folha de Pagamento dos “Pejotizados” o registro de suas remunerações era efetuado mediante exatamente as mesmas rubricas utilizadas normalmente nas Folhas de Pagamento dos empregados contratados no regime da CLT. Como exemplo, citamse as seguintes rubricas de proventos: 13° SALARIO (0048), 1/3 DE FERIAS RESCISAO (0063), ALUGUEL DE NOTEBOOK (0541), FERIAS INDENIZADAS (0024), FERIAS PROPORCIONAIS (0025), HORAS NORMAIS – PJ1 (901); assim como as de descontos: INSS (0003), INSS 13° SALARIO (0011). Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Além disso, constatouse que os reembolsos efetuados aos profissionais “Pejotizados” eram efetuados, igualmente, sob as mesmas rubricas dos celetistas: REEMB. CONSULTA MÉDICA P/ DEPEND (0401), REEMB. FACULDADE P/ DEPEND (0402), REEMB. FONOAUDIOLOGIA P/ DEPEND (0410), REEMB. LENTES P/ DEPEND (0406), REEMB. MATERIAL ESCOLAR P/ DEPEND (0403), REEMB. MEDICAMENTOS P/ DEPEND (0404), REEMB. ODONTOLÓGICO P/ DEPEND (0405), REEMB. TERAPIA/ PSICOTERAPIA P/ DEPEND (0407), REEMBOLSO ACUPUNTURA (0276), REEMB. ENSINO MÉDIO (0280), REEMB. FACULDADE (0281), REEMB. MATERIAL ESCOLAR (0282), REEMB. MEDICAMENTOS (0284), REEMB. ÓTICA/LENTES (0285), REEMB. AMBULATORIAL (0286), REEMB. CONSULTA MÉDICA (0277), REEMB. DE PILATES (0411), REEMB. ENSINO FUNDAMENTAL (0279), REEMB. ENSINO INFANTIL (0278), REEMB. ESPANHOL (0296), REEMB. FONOAUDIOLOGIA (0294), REEMB. INGLÊS (0295), REEMB. ODONTOLÓGICO (0293), REEMB. TERAPIA/PSICOTERAPIA (0288). A apuração da base de cálculo das contribuições patronais previstas no art. 22 da Lei de Custeio da Seguridade Social se deu por aferição indireta, com base nos valores das Notas Fiscais de prestação de serviços, arroladas no Anexo 04, a fls. 1795/1819, com esteio no preceito inscrito nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Nas últimas duas décadas, passouse a observar neste País, uma tendência, capitaneada por grandes empresas, máxime as de comunicação e as de consultoria técnica, de se exigir que seus empregados se transformem em empresa individual ou pessoa jurídica para contratálos como prestadores de serviços, com o fito de esquivarse do recolhimento de encargos trabalhistas e previdenciários, sob o rótulo de “planejamento tributário”. Nessa nova arquitetura, o ex empregado, ao constituir sua própria empresa individual ou pessoa jurídica e, nessa condição, assim ser contratado, deixa de ser empregado da contratante e passa a ser um mero prestador de serviços, mas continua cumprindo horário, recebendo ordens e exercendo as mesmas atividades de antes, nas dependências do contratante ou nas de terceiros. O mesmo ocorre com os demais trabalhadores disponíveis no mercado. Como consequência imediata dessa mudança de status (de pessoa física e empregado para pessoa jurídica e prestador de serviços), o trabalhador assim contratado perde os direitos trabalhistas e previdenciários assentados na CLT e na Lei nº 8.213/91, respectivamente, enquanto que a empresa contratante, por seu turno, além de poder contar com a prestação ininterrupta de serviços pelos 12 meses do ano pessoa jurídica não tem direito a férias , se exclui dos encargos trabalhistas e previdenciários inerentes à relação de emprego e à condição de segurado empregado. A fiscalização Trabalhista, em sua atividade de rotina, ao se deparar com semelhante burla à legislação do trabalho, tem a competência de promover ex officio a desconstituição da aludida irregularidade, com fulcro nos artigos 3º e 9º da CLT, restaurandose o statu quo ante. De forma semelhante, mas vinho de outra pipa, a fiscalização previdenciária, diante de situação concreta nas circunstâncias acima delineadas, com esteio no princípio da Primazia da Realidade, identificando estarem presentes os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado, impõe a incidência dos preceitos estatuídos na Lei nº 8.212/91 associados a tal condição, desconsiderando, para fins meramente tributários, o contrato formal celebrado pelo contratante com a pessoa jurídica prestadora de serviços, fazendo prevalecer, repisese, para fins unicamente previdenciários, os efeitos da condição de segurado empregado verificada no caso concreto. O desvirtuamento dos direitos trabalhistas e previdenciários tratado nos parágrafos precedentes ganhou notoriedade na mídia com a celeuma que cercou a, assim denominada, Emenda 3, a Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.263 25 qual, se aprovada, impediria a fiscalização do Trabalho de coibir situações fraudulentas desse jaez, na medida em que tal atribuição passaria a ser da competência exclusiva da Justiça do Trabalho, a qual, por seu turno, exige como condição sine qua non a provocação do prejudicado, digase, o trabalhador. Nesse contexto, o trabalhador, agora prestador de serviço pessoa jurídica, dificilmente irá questionar semelhante transgressão nos Tribunais Trabalhistas, eis que, ao buscar o acessório, incorre no risco de perder o principal o trabalho. As conclusões pautadas nos parágrafos precedentes não discrepam das vigílias assentadas no Enunciado nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho, o qual impõe, na contratação de trabalhadores por interposta pessoa, o estabelecimento de vínculo do obreiro diretamente com o contratante, tomador dos serviços. Enunciado nº 331 do TST Contrato de Prestação de Serviços Legalidade I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). (grifos nossos) II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). (Revisão do Enunciado nº 256 TST) III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20061983), de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. IV O inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666/93). A atuação fiscal empreendida no presente caso encontra lastro jurídico nas disposições encaixadas no Parágrafo Único do art. 116 do Código Tributário Nacional, que confere à Autoridade Notificante a competência para desconsiderar os efeitos de atos e negócios jurídicos praticados com o fito de ocultar a ocorrência do fato gerador tributário. Código Tributário Nacional CTN Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; (grifos nossos) II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (grifos nossos) Nesse panorama, muito embora os assentamentos contratuais formais apontem para a celebração de contrato de prestação de serviços com pessoas jurídicas, as condições em que os serviços contratados foram prestados ao Recorrente subsumemse à hipótese genérica e abstrata das de segurado empregado estabelecida no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, eis que presentes todos os ingredientes atávicos à receita típica de segurado empregado. Ante tal quadratura, a fiscalização constatou a existência dos elementos qualificadores da citada condição de segurado empregados existente entre o Recorrente e as pessoas físicas dos sócios das pessoas jurídicas contratadas, importando na submissão de contratante e prestador de serviços, estes na qualidade de segurado empregado, às obrigações fixadas na aludida Lei de Custeio da Seguridade Social. Conforme assinalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, é prerrogativa da autoridade administrativa a desconsideração de atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária. Para o mesmo norte aponta a regra trabalhista fixada no art. 9º do DecretoLei nº 5.452, de 1º de maio de 1943 – CLT ao dispor que “Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação”. Tratamse de normas antielisivas, visando ao combate à fraude à lei, com fundamento no primado da substância sobre a forma. A desconsideração do ato ou do negócio jurídico praticado visa apenas a reaproximar a qualificação jurídica do verdadeiro conteúdo material do ato decorrente do desenho da hipótese de incidência. Assim, a norma antielisiva mune a administração tributária com o poder/dever de proceder à requalificação jurídica formal da relação, fazendoa coincidir com a realidade substancial. Investido em tal poder, o Fisco pode prescindir das aparências do ato simulado e determinar a obrigação tributária segundo a realidade oculta, sem necessidade de declarar a nulidade do ato jurídico aparente. Merece ser destacado que a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃO ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.264 27 filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só podem ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE Fl. 2290DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.265 29 PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430/96, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014. No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Reiterese que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Fl. 2291DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. No caso dos autos, da dicção do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 deflui que a relação jurídica real existente entre o Recorrente e os segurados apurados pela fiscalização é a de segurado empregado, circunstância que impinge às partes dessa relação jurídica a obediência às obrigações tributárias estabelecidas no diploma legal acima citado. Dessarte, conforme determinado no art. 37 do mesmo Pergaminho Legal aludido no parágrafo precedente, constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições tratadas na Lei de Custeio da Seguridade Social, a fiscalização tem por dever de ofício, plenamente vinculado, que lavrar o competente Auto de Infração de Obrigação Principal, como assim sucedeuse no caso presente. As constatações empreendidas in loco pela Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil não deixam dúvidas: Efetiva ocorrência de contratação fraudulenta de profissionais especializados pela FDC para a execução, em nome desta, das obrigações pactuadas em contrato perante os clientes da Contratante, no desenvolvimento da atividade fim desta. A fraude se deu pela criação de Pessoas Jurídicas (PJ) pelos trabalhadores, de maneira a mascarar a relação previdenciária de segurado empregado, mediante a celebração de contratos civis de prestação de serviços técnicos pelos sócios das citadas pessoas jurídicas, restando presentes, todavia, todos os pressupostos de fato e de Direito caracterizadores do vínculo previdenciário na condição de segurado empregado, com a execução de trabalho de natureza não eventual, por pessoa física, com pessoalidade, subordinação e onerosidade. Encontramse presentes, portanto, todos os elementos essenciais caracterizadores da condição de segurado empregado insculpidos no art. 12, I, da Lei nº 8.212/91, fato que deságua, como consequência inafastável, na observância das normas de custeio inscritas no supracitado diploma legal. Nesse cenário, dúvidas não mais existem de que o Recorrente se utilizou de formas irregulares de contratação de profissionais, quiçá para esquivarse dos rigores dos encargos tributários e trabalhistas. Com efeito, nada impede que um trabalhador mantenha, concomitantemente, múltiplos e legítimos vínculos empregatícios com diversas empresas, sem que isso represente qualquer irregularidade. A condição de segurado empregado não exige exclusividade com o empresa sujeito passivo da obrigação tributária, de molde que um mesmo trabalhador pode estar vinculado previdenciariamente, nessa condição, a duas ou mais empresas, ou ser operar como segurado contribuinte individual em relação a outra distinta da primeira, e assim por diante ... Registrese, por relevante, que o lançamento das contribuições sociais ora em exame não tem o condão de estabelecer qualquer vínculo empregatício entre os trabalhadores em destaque e a empresa recorrente. Tampouco detém o auditor fiscal notificante competência para tanto. A questão é meramente tributária não irradiando qualquer espécie de efeito sobre a esfera trabalhista da empresa notificada. Fl. 2292DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.266 31 A fiscalização tão somente constatou a ocorrência de fatos geradores, em relação aos quais não houve o correto recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, e, em conformidade com os ditames legais, no exercício da atividade plenamente vinculada que lhe é típica, procedeu ao lançamento das exações devidas pelo Sujeito Passivo, sem promover qualquer vínculo trabalhista entre os trabalhadores e o Recorrente. A contratação de empregados de forma irregular nessa empresa houvese também por constatada e levantada pelo Ministério Público do Trabalho – MPT, que através da Procuradoria Regional do Trabalho da 3ª Região celebrou com a Autuada o Termo de Ajustamento de Conduta – TAC nº 884/2010, assinado em 29 de julho de 2009, mediante o qual a FDC se compromete a absterse de efetuar contratações irregulares de trabalhadores tanto na atividadefim quanto na atividademeio, salvo nos casos especificamente ali fixados. Coincidentemente, a contar da data da celebração do TAC acima mencionado (29 de julho de 2009), um contingente expressivo de 65 “Pejotizados”, que prestavam serviços por intermédio das respectivas pessoas jurídicas, foram novamente contratados como empregados da FDC, para exercer as mesmas funções que antes exerciam como pessoas jurídicas, conforme ilustrado no quadro 07. Assentado que os serviços prestados à Autuada pelos profissionais “Pejotizados” ora em debate se deu com a presença ostensiva de todos os elementos caracterizadores da condição de segurado empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, revelase obrigatória, em relação a tais segurados, a observância de todas as obrigações previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social, tanto pela empresa como pelos segurados em questão. Nessa vertente, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Impôs também ao sujeito passivo o dever instrumental de elaborar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela legislação tributária. Além disso, determinou que o contribuinte informasse, mensamente, mediante GFIP, todos os dados relacionados a todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, e outras informações do interesse do INSS. Mas não parou por aqui. A lei impôs à empresa a obrigação de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições devidas pelos segurados obrigatórios do RGPS e a recolher o valor assim arrecado no prazo normativo, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto na Lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) I a empresa é obrigada a: Fl. 2293DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea “a”, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia vinte do mês subseqüente ao da competência; (Redação dada pela Medida Provisória nº 447/2008). Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Lei no 10.666, de 8 de maio de 2003. Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. (...) No que pertine à elaboração das folhas de pagamento, ouvimos em alto e bom som das normas assentadas no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, que a folha de pagamento deve ser elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, devendo, necessariamente, discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; destacar o nome das seguradas em gozo de saláriomaternidade; destacar as Fl. 2294DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.267 33 parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais e indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. No que toca à GFIP, exige a lei que em tal documento sejam declarados mensamente pelo empregador, dentre outras informações, os dados cadastrais do empregador/contribuinte, dos trabalhadores e tomadores/obras; as Bases de incidência do FGTS e das contribuições previdenciárias, compreendendo o total das remunerações dos trabalhadores, a comercialização da produção, a receita de espetáculos desportivos/patrocínio, o pagamento a cooperativa de trabalho, a movimentação de trabalhadores (afastamentos e retornos), saláriofamília e saláriomaternidade, compensação de contribuições previdenciárias, assim como retenção de 11% sobre nota fiscal/fatura, exposição a agentes nocivos/múltiplos vínculos, valor da contribuição do segurado, nas situações em que não for calculado pelo SEFIP (múltiplos vínculos/múltiplas fontes, trabalhador avulso), valor das faturas emitidas para o tomador, dentre tantas outras previstas no Manual da GFIP. De outro canto, mas ária de outra ópera, a lei ordena que sejam lançados mensalmente em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Mostrase auspicioso destacar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. Enganase aquele que acredita serem os livros contábeis exigíveis apenas pela legislação comercial. A legislação Tributária é aquela que mais impõe modulações e padrões aos lançamentos contábeis e à estruturação e formalização dos livros, não sendo por outro motivo também conhecidos como “Livros Fiscais”. No tocante à escrituração contábil, a não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária sujeita o contribuinte ao pagamento de penalidades pecuniárias a lhe serem impostas mediante o competente Auto de Infração. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Fl. 2295DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (...) Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: Fl. 2296DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.268 35 a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não é demasia enaltecer que a elaboração de folha de pagamento nos moldes acima descritos, a declaração em GFIP de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e o registro dessas informações na contabilidade não se configuram faculdades da empresa, mas, sim, obrigações tributárias acessórias a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que as folhas de pagamento, a GFIP e os livros contábeis equiparamse a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) Fl. 2297DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Para tanto, no caso das contribuições previdenciárias, exige o art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social que a empresa, mensalmente, elabore folhas de pagamento, lance em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, informe ao Fisco Federal, mediante GFIP, todos os citados fatos geradores e outras informações de interesse do INSS, etc. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos fatos geradores ocorridos na empresa, pelo exame dos documentos acima referidos, não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego meios indiretos para a apuração da base de cálculo das contribuições sociais devidas. No caso em exame, dentre muitas outras irregularidades apontadas, a Fiscalização constatou que a empresa autuada não incluiu nas suas folhas de pagamento todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço; não lançou, mês a mês, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tampouco declarou nas GFIP correspondentes todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária ocorridos sob sua responsabilidade tributária, porquanto não se houveram por considerados os segurados empregados da Recorrente, por esta irregularmente contratadas sob o manto formal de pessoa jurídica. De outro canto, pelas mesmas razões, as provas e circunstâncias do caso em tela revelam que a contabilidade da Autuada não registrava o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço. A não observância das obrigações tributárias exigidas pela legislação de regência frustrou os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do Fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como Recibos de Pagamento a Autônomos, notas fiscais de prestação de serviços, contratos, etc. Fl. 2298DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.269 37 Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registrou o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, configuramse motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Figuram presentes, portanto, os pressupostos legais para a apuração, por aferição indireta, da base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas. Diante desse quadro, o convencimento do auditor fiscal acerca da existência dissimulada da relação previdenciária em litígio decorreu dos elementos de convicção elucidativamente descritos no Relatório Fiscal, corroborados pelos elementos de prova acostados aos autos, de onde dimana a persuasão de que os sócios das pessoas jurídicas em apreço prestavam serviços na empresa autuada na condição de segurado empregados, nos termos do art. 12, I, ‘a’, in fine a Lei nº 8.212/91. Na sequência, ante a inexistência de documentos específicos de onde pudesse ser extraída, diretamente e com confiabilidade, a matéria tributável, houvese a base de cálculo das contribuições em realce apuradas por arbitramento, com fulcro dos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº Fl. 2299DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 8.212/91, a partir das informações contidas nas Notas Fiscais de serviço, contratos de prestação de serviços, folhas de medição de serviços. No procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos. Alguns dos critérios de aferição indireta a serem empregados pela Fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos Contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, como se deu ocorrer no presente, a Fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição, os mais diversos e imagináveis possíveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muitas vezes, tão somente, o princípio da razoabilidade. No caso em apreciação, considerando que os serviços são prestados à Recorrente unicamente pela pessoa física dos sócios e não pela pessoa jurídica correspondente; considerando que tais serviços foram prestados sob o manto da condição de segurado empregado, e considerando que os valores consignados nas notas fiscais de prestação de serviços em tela são representativos da contraprestação remuneratória pelos serviços prestados à Recorrente pelas pessoas físicas caracterizadas pela Fiscalização como segurados empregados da Autuada, se nos afigura correta a parametrização adotada pelos Agentes Fiscais no dimensionamento da base de cálculo do lançamento em questão, cabendo ao Sujeito Passivo o ônus da prova em contrário, a teor do §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Reiterese que inexiste qualquer óbice a que sócios de pessoas jurídicas prestem serviços a outras empresas na condição de segurados empregados. Nessa relação jurídica específica, a tributação previdenciária irá incidir sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título pela empresa contratante, durante o mês, aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91. Envolta em tal singularidade, observadas as considerações acima expendidas, a Fiscalização dimensionou, por arbitramento, a matéria tributável, lançando de ofício como salário de contribuição dos segurados empregados, os valores extraídos das notas fiscais emitidas em face da FDC pelos sócios das pessoas jurídicas contratadas, caracterizados pela Fiscalização como segurados empregados da Recorrente. Tais notas fiscais encontramse analiticamente arroladas por competência e individualizadas por emitente no Anexo 04, a fls. 1795/1819, de molde que sua correcção e consistência podem ser sindicadas a qualquer tempo e oportunidade pelo sujeito passivo, favorecendo, dessarte, o contraditório e a ampla defesa do Autuado. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tais montantes não são condizentes com a realidade. Fl. 2300DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.270 39 Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP ou na escrituração contábil. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. Diante da pletora probatória acostada aos autos, firmase a convicção de que os fatos trazidos pela fiscalização não deixaram dúvida quanto à real situação dos trabalhadores mencionados, os quais se ajustam taylor made na categoria de segurados empregados, visto que presentes todos os pressupostos elencados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Como resultado, nesse específico particular, subsistem inabaladas as obrigações tributárias destacadas no AIOP em apreço, o qual não demanda reparos. 3.2. DA FRAUDE E SONEGAÇÃO A Recorrente alega ausência de fraude a atrair a incidência de multa de ofício em duplicidade. O contrário extraise dos autos. Reiterese que os fatos geradores ora em trato houveramse por apurados mediante procedimento de caracterização de segurados empregados, contratados irregularmente sob o manto falacioso de pessoa jurídica, com fundamento no princípio da primazia da realidade sobre a forma, uma vez que se mostraram presentes, entre os trabalhadores e a Autuada, todos os elementos da condição de segurado empregado previstos no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91. Exsurge das provas dos autos que a FDC oferecia um produto no mercado e captava clientes na sociedade. Em seguida, sendo o produto bem aceito pelo público consumidor, identificava e selecionava no mercado de trabalho o profissional melhor graduado e qualificado para a execução do serviço oferecido pela Autuada perante seus clientes, mas só o contratava se fosse por intermédio de pessoa jurídica. Se o profissional selecionado não tivesse a cobertura de nenhuma pessoa jurídica, a Gerente de RH o encaminhava ao contador Sr. William Giovanni Barros, para que este providenciasse a constituição da pessoa jurídica requerida. Ultrapassadas as formalidades legais, o profissional, agora sócio da pessoa jurídica contratada, passava a executar perante os clientes da FDC, e em nome desta, os serviços para o qual fora selecionado, obedecendo estritamente às condições de contorno previamente fixadas entre a FDC e seus clientes. Diante de tal quadro, ou o profissional se ajustava ao requerido e criava sua própria pessoa jurídica, atuando sozinho ou em conjunto com algum sócio na mesma condição, ou se sujeitava a permanecer no ostracismo no mercado de trabalho. Mediante tal artificio, a FDC conscientemente se utilizava de profissionais especializados, contratados mediante interposta pessoa jurídica constituída adrede para tal propósito, para Fl. 2301DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 a execução de serviços e projetos técnicos especializados típicos do seu objeto social, perante seus clientes e em seu nome. Dessarte, valeuse a Autuada das interpostas pessoas jurídicas para contratar e ardilosamente acobertar, sob falso manto de legalidade, a mão de obra utilizada na execução de sua atividade fim, com redução de encargos previdenciários e trabalhistas, circunstância que demonstra e comprova o elemento volitivo e consciente do Recorrente de suprimir/reduzir tributo, mediante a omissão de informações à administração fazendária, fraudando assim a fiscalização tributária mediante a omissão dessas operações nas GFIP, nas folhas de pagamento e na contabilidade. Deflui das provas dos autos a presença insofismável e ostensiva de todos os elementos caracterizadores da relação jurídica de segurado empregados assentados no inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, uma vez que os serviços prestados pelos “Pejotizados” eram de natureza não eventual, e eram prestados com pessoalidade, mediante remuneração e sob subordinação jurídica à empresa contratante, e ainda com alteralidade, uma vez que tais serviços eram prestados diretamente aos clientes da FDC, e em nome desta. Integram os presentes autos, potes de provas e evidências que a Autuada utilizouse ardilosamente do mecanismo de contratação de profissionais altamente especializados, mediante interpostas pessoas, com o sinistro intuito de suprimir tributos consubstanciados em contribuições sociais. A fraude se manifesta na volitiva e consciente contratação de trabalhadores especializados, mediante contrato civil com pessoas jurídicas formalmente constituídas para tal propósito, aliás, constituídas sob a orientação e exigência da Autuada, com vistas a impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar o seu pagamento. Estivessem tais trabalhadores formalmente vinculados à Autuada, como assim determina o Ordenamento Jurídico, ela teria que arcar com os encargos previdenciários e trabalhistas incidentes sobre a folha de salários de tais obreiros. De outro canto, sendo o trabalho realizado por tais profissionais, prestados sob o signo da não eventualidade, onerosidade, pessoalidade e subordinação, mas camuflados sob um simulacro de contrato civil celebrado entre duas pessoas jurídicas, conferindo à operação a aparência enganosa de legalidade, ocultase da Administração Tributária não somente a ocorrência do fato gerador do tributo, como também sua natureza e circunstâncias materiais, na medida em que tais Fatos Jurígenos Tributários deixaram de ser registrados como tais nas folhas de pagamento e na contabilidade da empresa, além de terem sido omitidos nas respectivas GFIP, resultando na efetiva redução da carga tributária da Contratante. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 2302DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15504.729947/201244 Acórdão n.º 2302003.201 S2C3T2 Fl. 2.271 41 Reforça a compreensão acerca da existência de fraude e da sonegação o fato de a Gerente de RH da FDC, ao se deparar com um profissional de interesse que não era sócio de nenhuma pessoa jurídica, encaminhálo ao contador William Giovanni Barros, para que este providenciasse a constituição da pessoa jurídica requerida (sem qualquer estrutura administrativa, técnica, patrimonial e operacional), para só então celebrar o contrato civil de prestação de serviços ora em debate. Corrobora o entendimento acima esposado o fato de a Autuada cadastrar em suas folhas de pagamento os profissionais “Pejotizados”, ocupantes de cargo de chefia, como Estagiários, uma vez que a remuneração dessa categoria de trabalhadores não sofre incidência de contribuições previdenciárias e os aplicativos utilizados na elaboração de Folhas de Pagamentos obviamente não geram o cálculo de tais tributos, de modo que a inclusão como estagiários no cadastro tornouse conveniente para os objetivos desejados, evitando, assim, que naufragasse todo o esquema fraudulento. Tal procedimento demonstra, insofismavelmente, a intenção consciente de fraude e sonegação, mediante ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou modificando as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar dos serviços de interpostas pessoas jurídicas para a contratação de profissionais especializados para a execução das tarefas inerentes à sua atividade econômica, a Autuada não efetua a declaração de tais segurados e suas respectivas remunerações em suas GFIP, excluindo dessarte da Administração Fazendária o conhecimento a respeito da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não procede, portanto, a alegação de inexistência de causa para a qualificação da multa de ofício. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude e da sonegação, nos termos dos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, circunstância que implica a majoração da multa de ofício, em atenção à regra disposta no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 2303DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 Em reforço a tal assertiva, atentese que, em razão das irregularidades constatadas durante os procedimentos de Fiscalização nas empresas ora em trato, houvese por formalizada a competente Representação Fiscal para Fins Penais, constituída em apartado nos autos do Processo Administrativo Fiscal COMPROT n° 15504729.948/201299, representando ao órgão competente para a persecução criminal, fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária tipificado no art. 337A, inciso III, do Código Penal (DecretoLei 2848, de 07/12/40, redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/00), por omitir, total ou parcialmente, fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias e crime Contra a Ordem Tributaria, previsto no inciso I do artigo 1° da Lei nº 8.137 de 27/12/1990, por suprimir ou reduzir contribuição social, mediante omissão de informação as autoridades fazendárias. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2304DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10880.962399/2008-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO.
Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco.
Numero da decisão: 3802-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO ALEGADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito do pedido de ressarcimento é fundamental a comprovação da materialidade do crédito pleiteado. Diferentemente do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CONCEITO DE PROVA. PLANILHAS INTERNAS OU RESUMOS DA APURAÇÃO. Na tarefa de comprovar a materialidade do crédito, não se insere no conceito de prova a mera apresentação de planilhas e resumos internos da apuração. As planilhas devem constituir um resumo destinado a visualizar e analisar a prova juntada, sendo esta compreendida por documentos fiscais e/ou contábeis oponíveis ao fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 96 23 99 /2 00 8- 75 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco Jose Barroso Rios (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Waldir Navarro Bezerra e Solon Sehn. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 6ª Turma da DRJ de São Paulo, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até a respectiva fase processual, tomo emprestado a descrição fática lançada no acórdão da instância a quo acima referido (fls. 42 e seguintes): 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 38335.89078.101104.1.3.044235 em 10/11/04 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos de PIS, com créditos de PIS, decorrentes de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 14/06/02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 11/12/08, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 05101/09 (fls. 04/05), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/14) alegando, em síntese, que: 3.1 Como se pode observar no demonstrativo da composição das bases de cálculo, o crédito de PIS utilizado para sua compensação referese A parcela da contribuição Fl. 221DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962399/200875 Acórdão n.º 3802002.281 S3TE02 Fl. 184 3 indevidamente paga sobre valores relativos As saídas gratuitas ("brindes") de seus produtos. 3.2 Se a base de cálculo tanto do PIS quanto da COFINS é constituída pela receita ou pelo faturamento, não há que se falar em ocorrência do fato gerador sobre o valor de notas fiscais de saída de mercadorias, sem que haja de fato ou de direito a correspondente receita ou faturamento. 3.3 Ao compor a base de cálculo das contribuições, cometeu equivoco de incluir valores que não constituíam sua receita ou faturamento, e deveria ter apresentado retificações de suas declarações para excluir destas bases de cálculos do PIS e da COFINS estes valores. 3.4 Em determinados casos, suas declarações não foram retificadas, e assim, cometeu erro de fato no procedimento tendente A apresentação desta PER/DCOMP. 3.5 Tal equivoco não macula seu direito à obtenção dos créditos, de fácil apuração, caso a autoridade administrativa competente tivesse cumprido sua obrigação legal e diligenciado ao estabelecimento da ora requerente, como determina o artigo 24 da IN SRF 600/2005. 3.6 Não procedendo assim, o despacho decisório representa ofensa aos princípios da moralidade administrativa, da razoabilidade, da finalidade e da oficialidade, além de ensejar o enriquecimento sem causa da União, ferindo o capuz do artigo 37 da Carta Magna, e os artigos 2°, 3°, inciso I, e 50, inciso I da Lei 9.784/99. 3.7 Requer a reforma do Despacho Decisório, reconhecendo seu direito creditório na sua totalidade e homologando a compensação do PER/DCOMP. 4. É o relatório. Ao analisar a reclamação, a 6ª Turma da DRJ/SPO entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA COFINS Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgador de 1ª instância entendeu que as provas apresentadas pelo contribuinte (balancete e resumo da apuração) não eram suficientes para demonstrar o direito creditório suscitado. Em seu Recurso Voluntário (fls. 67 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, sob o argumento de que, ao contrário do indicado na decisão recorrida, a DRJ não deveria ter indeferido de plano seu pedido ante a suposta ausência de provas, pois cabe a ela verificar a materialidade do crédito suscitado; e que, ainda que se entendesse pela possibilidade de a DRJ negar o pedido ante a ausência de provas, o Recorrente apresenta, além das provas acostadas à manifestação de inconformidade, cópias dos Livro Registro de Saídas do ICMS, demonstrando a veracidade das suas alegações. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente pede a procedência do Recurso Voluntário para que seja reformada a decisão de 1ª instância e, consequentemente, homologadas as compensações efetuadas. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de processo de revisão de compensação, em que o contribuinte embasa seu pleito na alegação de que teria, equivocadamente, submetido à tributação de PIS e COFINS diversas saídas de brindes. No caso em tela, instado pela DRJ a apresentar provas cabais da materialidade de seu crédito, a Recorrente apresentou uma série de documentos – basicamente, além das informações do balancete que apresentou em sede de manifestação de inconformidade, consta um demonstrativo das notas fiscais do período envolvido no seu pedido e uma cópia do Livro Registro de Saídas do ICMS, que indica que as notas fiscais foram efetivamente escrituradas. Acontece que as provas apresentadas ainda não são suficientes para demonstrar a materialidade dos créditos do Recorrente. Vejase. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.962399/200875 Acórdão n.º 3802002.281 S3TE02 Fl. 185 5 O balancete apresentado pelo sujeito passivo apresenta os saldos das contas contábeis, com ênfase para as contas referentes às saídas a título gratuito. Além do balancete, foi acostado um relatório indicando as notas fiscais de CFOP referente a tais saídas. No entanto, esse relatório não indica totalização para fins de conferência dos saldos das contas indicadas no balancete apresentado. Outrossim, o Livro Registro de Saídas não indica o CFOP apresentado pelo sujeito passivo, o que não permite a aferição das informações apresentadas em seu relatório. Somase a isso o fato de que não há cópia de sequer uma nota fiscal no processo, o que permitiria verificar cabalmente os dados informados naquele documento fiscal. Ora, no rito do processo de análise de pedidos de compensação ou ressarcimento, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. No caso em tela, o Recorrente não me parece ter demonstrado, de modo cabal, a verdade material que lhe assiste. Nesse sentido, importante destacar que o julgador não pode se basear em planilhas internas apresentadas pelo contribuinte. Vale repisar, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de ressarcimento o contribuinte deve demonstrar cabalmente as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Em que pese a juntada de planilhas, temse que estas são nada além de um arrazoado na forma esquemática, ou mesmo matemática. Mas sempre arrazoado, não prova. Prova é a documentação, oponível ao fisco, que redunde em demonstração inequívoca do direito de crédito. Sobre essa prova é que deverão ser elaboradas planilhas resumo; porém é certo que as planilhas, em si, não constituem prova. Friso ainda que, com relação à afirmação do Recorrente, de que há presunção de veracidade nas declarações apresentadas, que mais do que declarações, é necessário que o conjunto fáticoprobatório dos autos é fundamental para se assegurar o direito de crédito suscitado em DCOMP. A presunção de boa fé nas informações, da maior importância para todo o ordenamento jurídico, não pode se sobrepor à necessidade de instrução probatória (ou seja, documental e não meramente informativa) no rito da revisão de compensação. Destarte, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, mantendo a glosa das compensações, pois o Recorrente não demonstrou cabalmente a origem dos créditos de PIS/COFINS a serem compensados. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 20/0 8/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720768/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2009
ESTIMATIVAS MENSAIS. EXIGÊNCIAS APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA.
Encerrado o exercício, havendo estimativas não recolhidas, o procedimento adequado é o da aplicação da multa isolada, quando for o caso, não havendo previsão legal para qualquer outra exigência, pelo fato de tratar-se meras antecipações do valor devido no ajuste anual, conforme preceitua o art. 2º, II, b, §§ 3º e 4º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso de Ofício Improvido.
Numero da decisão: 1101-001.160
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso Relator
(documento assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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EXIGÊNCIAS APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPROCEDÊNCIA. Encerrado o exercício, havendo estimativas não recolhidas, o procedimento adequado é o da aplicação da multa isolada, quando for o caso, não havendo previsão legal para qualquer outra exigência, pelo fato de tratarse meras antecipações do valor devido no ajuste anual, conforme preceitua o art. 2º, II, “b”, §§ 3º e 4º, IV, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso de Ofício Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 68 /2 01 2- 01 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 141 2 (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Cuidase de recurso de ofício em face de acórdão da DRJ/SP1 que julgou procedente a impugnação apresentada contra o auto de infração por falta de recolhimento de CSLL sobre as estimativas declaradas em DCTF do anocalendário 2009, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 CSLL. ESTIMATIVA DECLARADA EM DCTF E NÃO RECOLHIDA. AJUSTE ANUAL. Para os fatos geradores a partir de 01/1997, é descabido o lançamento de ofício para a cobrança da CSLL devida por estimativa e de seu acessório, após o encerramento do período base, cabendo apenas, se for o caso, a imposição de penalidade isolada e a cobrança do saldo de contribuição com base no lucro líquido ajustado anual, com a data de vencimento da quota única, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. A decisão recorrida analisou ainda questão preliminar de concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, preexistindo questão anterior que foi igualmente analisada, que ao final restou superada ao ser analisado o mérito do assunto, posto que mesmo considerando que o valor da declarado da CSLL Mensal Paga por Estimativa (valor declarado menos a parcela da estimativa de 03/2009 declarada com exigibilidade suspensa), apurouse saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2009 (no ajuste anual). É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 142 3 O recurso de ofício atende aos requisitos necessários para sua admissibilidade, inclusive pelo fato do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada aprovado pela Portaria Ministerial nº 3, de 3 de janeiro de 2008, publicada no DOU, 7.1.2008, fixado em R$1.000.000,00 (hum milhão de reais), por isso dele tomo conhecimento. Por ser por demais esclarecedor, adoto como razão de decidir os fundamentos do v. voto condutor do acórdão recorrido, nos seguintes termos: 6. O litígio reportase à falta de pagamento de CSLL de 2009, código 2319 – IRPJ – IRPJ PJ Obrigadas ao Lucro Real Entidades Financeiras Estimativa Mensal, relativo ao mês de março de 2009, informado na DCTF, no valor de R$ 14.154.560,14, com exigibilidade suspensa em virtude de ação judicial (fls. 88/89) e que a autoridade fiscal lançou no ajuste anual (fato gerador: 31/12/2009). 7. Ocorre que as pessoas jurídicas que adotam essa forma de pagamento mensal (estimativa) apuram o IRPJ e a CSLL devidos com base no resultado anual, apurado em 31 de dezembro de cada ano, podendo deduzir do imposto devido o valor pago por estimativa, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, in verbis: “ Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano , exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV – do imposto de renda pago na forma deste artigo.” (Grifei). (Nota: o art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996, estende a aplicação dos dispositivos acima transcritos à CSLL) 8. Como se vê, quando o contribuinte opta pela apuração anual do resultado, efetuada em 31 de dezembro de cada ano, os recolhimentos estimados, mensais e obrigatórios, constituemse meras antecipações do valor da CSLL devida ao final do ano calendário. 11. Por conseguinte, a partir do anocalendário 1997, a falta de pagamento das antecipações mensais de CSLL, apuradas por estimativa, enseja o lançamento de ofício da multa isolada, nos termos do art. 44, Inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430, Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 143 4 de 1996, quando a falta for verificada após o término do ano calendário. Mas in casu a penalidade restou afastada, conforme informado pela própria autoridade lançadora no auto de infração (fls. 4 e 6), em virtude de suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996). 12. Cumpre então verificar se era mesmo o caso de lançamento do saldo de CSLL com base no lucro líquido ajustado anual, com a data de vencimento da quota única, acrescido de multa de ofício e de juros de mora. 12.1. Com base nos documentos de fls. 120/127, foi elaborada a tabela abaixo onde a primeira coluna com dados numéricos referese aos valores declarados pelo contribuinte em sua DIPJ Ex. 2010/AC 2009 e a segunda referese ao recálculo excluindose da Linha 74 da Ficha 17 da DIPJ a Estimativa de CSLL de 03/2009 declarada em DCTF com “exigibilidade suspensa” (134/135). 12.2. Como se vê, mesmo considerando que o valor da Linha 74 da Ficha 17 da DIPJ 2010/AC 2009 (CSLL Mensal Paga por Estimativa) seja de R$ 21.131.840,20 (valor declarado menos a parcela da estimativa de 03/2009 declarada com exigibilidade suspensa), apurase saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2009 (no ajuste anual). 12.3. Portanto o lançamento da CSLL no ajuste anual revelase improcedente. 13. Em assim sendo, restou prejudicada a análise dos argumentos apresentados na peça de defesa, porquanto a autuação não atendeu aos ditames da legislação de regência. Esse entendimento encontrase em sintonia com a reiterada jurisprudência deste colendo CARF, qual seja, a falta de recolhimento das antecipações obrigatórias, por estimativas, implica tão somente em exigência de multa isolada, quando for o caso, carecendo de base legal para exigir os valores correspondentes às estimativas declaradas e não recolhidas, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 ESTIMATIVAS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Considerada a redação vigente à época da ocorrência dos fatos, nos termos do disposto no inciso IV do parágrafo Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 144 5 primeiro do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, a falta de recolhimento de antecipações obrigatórias (ESTIMATIVAS) implica, tãosomente, a exigência de MULTA ISOLADA. Carece, pois, de base legal, a exigência correspondente a estimativa declarada e não recolhida. (Ac. 1301001.287, rel. Wilson Fernandes Guimarães, julgado em 08/10/2013) Igualmente se confirmou o entendimento de ser devida a multa isolada se exigida no curso do próprio anocalendário, ou se após o seu encerramento se constarse que houve recolhimento a menor do tributo apurado no final do exercício por conta da insuficiência das estimativas recolhidas, conforme depreendese o seguinte acórdão da colenda CSRF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001 MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A exigência da multa isolada sobre valor de IRPJ estimativa não recolhida mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, constatarse a falta de recolhimento ou recolhimento a menor do tributo apurado ao final por conta da insuficiência das estimativas recolhidas. (Ac. nº 9101001.756, rel. Conselheiro João Carlos de Lima Junior, julgado na sessão de 19.09.2013). Ademais disto, no caso em apreço, o valor da declarado da CSLL Mensal Paga por Estimativa (valor declarado menos a parcela da estimativa de 03/2009 declarada com exigibilidade suspensa), apurouse saldo negativo da CSLL no anocalendário de 2009 (no ajuste anual). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 30 de julho de 2014 (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O Processo nº 16327.720768/201201 Acórdão n.º 1101001.160 S1‐C1T1 Fl. 145 6 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720592/2012-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. NÃO DEMONSTRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Não demonstrando a autoridade fiscal a existência de falsidade da declaração, incabível a aplicação de multa de 150%.
MULTA POR APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS
Não demonstrando a fiscalização qual é o equívoco incorrido pelo contribuinte no preenchimento da GFIP, nulo é o lançamento, por deficiência na sua fundamentação.
Recursos Voluntário e Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 2402-004.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/10/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. NÃO DEMONSTRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não demonstrando a autoridade fiscal a existência de falsidade da declaração, incabível a aplicação de multa de 150%. MULTA POR APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS Não demonstrando a fiscalização qual é o equívoco incorrido pelo contribuinte no preenchimento da GFIP, nulo é o lançamento, por deficiência na sua fundamentação. Recursos Voluntário e Recurso de Ofício negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA DE 150%. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. NÃO DEMONSTRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não demonstrando a autoridade fiscal a existência de falsidade da declaração, incabível a aplicação de multa de 150%. MULTA POR APRESENTAR GFIP COM INFORMAÇÕES INCORRETAS Não demonstrando a fiscalização qual é o equívoco incorrido pelo contribuinte no preenchimento da GFIP, nulo é o lançamento, por deficiência na sua fundamentação. Recursos Voluntário e Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 92 /2 01 2- 65 Fl. 3908DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Spindola Reis, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3909DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratamse dos Autos de Infração 51.011.5373, 51.011.5381 e 51.011.5390, constituídos em 03/07/2012 (fls. 0305), sendo o primeiro decorrente da apresentação de GFIP sem todos os fatos geradores, o segundo decorrente da glosa de compensações realizadas antes do trânsito em julgado de demandas judiciais propostas pelo autuado, e da não apresentação de documentos probatórios do crédito, no período de 01/2008 a 11/2009, das contribuições dos agentes políticos, e do período de 08/2010 a 12/2010, das contribuições sobre a folha de pagamentos incidentes sobre verbas consideradas indenizatórias, e o terceiro decorrente da imposição de multa de 150% em razão de a fiscalização ter considerado a declaração de compensação falsa. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 429/458) requerendo a total improcedência do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ, ao analisar o presente caso (fls. 38433866), julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que: (i) ainda que haja decisão favorável ao contribuinte, esta decisão somente se aplicará após o trânsito em julgado da sentença, nos termos do artigo 170A do CTN, que o contribuinte deveria ter comprovado a origem dos créditos utilizados nas compensações, e que, por estas razões, foi correta a glosa da compensação; (ii) o fato de ter havido o pedido de compensação anteriormente ao trânsito em julgado da sentença não significa que o crédito é inexistente, menos ainda, que houve intenção de fraudar, e que a fiscalização precisa comprovar que houve o dolo de fraudar, tendo sido, por esta razão, anulado o crédito tributário referente à multa de 150%; e (iii) o Auto de Infração nº 51.011.5373, decorrente da apresentação de GFIP com informações incorretas, é nulo, por deficiência de fundamentação. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 3871/3904) argumentando em suma que: (i) é legal a compensação realizada; (ii) possui decisão judicial favorável à compensação; (iii) o artigo 170A do CTN não se aplica ao caso em tela; (iv) a fiscalização deveria ter verificado, em seus controles, os elementos que comprovariam a existência do crédito utilizado na compensação; (v) que a decisão é nula por ter indeferido o pedido de prova pericial; e (vi) a aplicação de multa isolada deve ser condicionada ao dolo específico de fraudar, o que não acontece no presente caso. É o relatório. Fl. 3910DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o recurso voluntário é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento, bem como do recurso de ofício. A fim de melhor explicar o contexto da presente autuação, tomo por empréstimo os seguintes trechos da bem lançada decisão da DRJ (fls. 3846/3853), que apesar de um pouco extensos deixam clara a matéria ora em análise: “2.2. Em 21/09/2007, o Município da SerraES, através do representante da empresa URBIS, o advogado Sr. Antônio Luiz Castelo Fonseca, ajuizou ação ordinária na 2ª Vara Federal Civil de Vitória – ES (2007.50.01.0118459) em face do Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, objetivando que fosse declarado o direito de compensar os recolhimentos indevidos a título de contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios dos detentores de mandatos eletivos municipais no período compreendido entre 1998 e 2004, com parcelas vincendas da mesma exação, sem os limites preconizados pelas Leis nº 9.032/95 e 9.129/95, ainda afastados os ditames da Lei Complementar nº 118/05. 2.3. O sujeito passivo foi intimado através do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF e do Termo de Intimação Fiscal – TIF03 a apresentar cópia da Petição Inicial e da sentença do processo judicial referente à compensação de contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos exercentes de cargos eletivos. Entretanto, atendendo ao solicitado, informa por escrito, através do ofício SEFI nº 056/2012, de 31/05/2012, que não foi possível extrair as informações do processo judicial, tendo em vista que o mesmo se encontra no Superior Tribunal de Justiça, ou seja, no momento da ação fiscal a prefeitura não apresentou nem a petição inicial e nem a sentença. 2.4. A síntese da sentença publicada em 16/04/2008, verificada através da apelação/reexame necessário, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região foi que o juízo julgou procedentes os pedidos contidos na inicial, reconhecendo o direito do autor à compensação das quantias recolhidas indevidamente, a título de contribuição previdenciária incidente sobre subsídios percebidos por detentores de mandato eletivo, tão somente no período de 01/98 a 08/04, devidamente atualizadas, nos moldes demonstrados no corpo da sentença. 2.5. Na referida sentença, o juízo afastou expressamente a exigência do artigo 170 A da Lei 5.172/66, CTN, sendo viável a compensação antes do trânsito em julgado, mas apenas a partir do momento em que não subsistirem recursos dotados de efeito suspensivo. Afastou as limitações percentuais das Leis nº 9.032/95 e 9.129/95. Salientou, por fim, que esta sentença não representa qualquer homologação de cálculos, sendo certo que a autoridade fiscal competente conserva o poder dever de fiscalizar a regularidade da compensação, inclusive o seu quantum. 2.6. Inconformada, a União Federal apelou, alegando que a referida sentença deveria ser reformada in totum reconhecendose a ausência do interesse processual do autor; para acolher a aplicabilidade do prazo prescricional de 5 anos; que seja determinada a limitação da compensação aos moldes preconizados Fl. 3911DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 4 5 pelas Leis nº 9.032/95 e 9.129/95, somente após o trânsito em julgado, conforme o art. 170A do CTN, tendo sido a referida apelação recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo. 2.7. No entanto, através do acórdão emanado da Colenda Terceira Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi dado parcial provimento à apelação da União Federal/Fazenda Nacional, reformando a sentença no que tange a aplicação do prazo prescricional, já que o juízo na sentença considerou como sendo decenal o prazo da prescrição, quando o certo seria o prazo qüinqüenal, reconhecendo a prescrição das parcelas anteriores a 21 de setembro de 2002, uma vez que a ação foi ajuizada em 21/09/07, na vigência da Lei Complementar nº 118/05, razão pela qual é aplicável a prescrição qüinqüenal, mantidos os demais termos. 2.8. O Município interpôs Recurso Especial sob o nº 1.201.835 – ES (2010/01192742) contra o Acórdão do TRF2. O relator, Ministro César Asfor Rocha, em 24/05/2011, deu provimento ao REsp para restabelecer a sentença, com relação ao prazo para repetição do indébito, que é de 10 anos a contar do fato gerador. 2.9. O Processo encontrase sem decisão definitiva no Supremo Tribunal Federal. ESTÁ ERRADO NA DECISÃO MESMO? 2.10. Outra medida judicial foi apresentada pelo sujeito passivo, referente ao Mandado de Segurança Individual/Tributário nº 2010. 50.01.0059790, com pedido de concessão de medida liminar, impetrado em 07/06/2010 na Seção Judiciária do Espírito Santo – 2ª Vara Federal Civil, em que objetiva a declaração de inexigibilidade do crédito tributário referente à Contribuição Social Previdenciária incidente sobre as situações em que não há remunerações por serviços prestados, por seus servidores, como no caso dos 15 primeiros dias de afastamento por doença ou acidente, do salário maternidade, adicional de férias de 1/3, horas extras, auxílio transporte, licença prêmio convertida em pecúnia, diárias, auxílio alimentação, salário família e remuneração pelo exercício de cargos de provimento em comissão ou função de confiança e, via de conseqüência, que também seja reconhecido o direito de efetuar a compensação correspondente, sob os recolhimentos efetuados nos últimos 10 anos, com quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil – RFB, sem as limitações do art. 170 A do CTN, tendo sido indeferida a liminar pleiteada. 2.11. O juízo da Sexta Vara Federal cível, em 12/11/2010, concedeu parcialmente a segurança, e resolveu o mérito para determinar que a autoridade impetrada se abstenha de recolher (ou realize a cobrança) da contribuição previdenciária a cargo da parte impetrante sobre os pagamentos feitos aos empregados/servidores a título de adicional de 1/3 de férias, auxílio transporte, exercício de função comissionada, diárias que não excedam a 50% da remuneração, licença prêmio convertida em pecúnia e relativos aos primeiros quinze dias de afastamento antes da concessão de auxílio doença ou auxílio acidente. 2.12. Também foi declarado o direito da impetrante de efetuar a compensação da contribuição previdenciária a cargo do empregador incidente sobre as rubricas mencionadas no item anterior, com outras contribuições da mesma espécie, respeitada a prescrição decenal, bem como o art. 170A do CTN. A compensação deverá ser realizada pela impetrante de acordo com as normas estabelecidas pela RFB. 2.13. A referida sentença expressamente prevê a impossibilidade de efetuar a compensação antes do trânsito em julgado da sentença, verbis: Fl. 3912DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 O caso sub examine enquadrase perfeitamente no disposto no art. 170A do CTN. A compensação das contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente depende do trânsito em julgado desta sentença. Não há razão para afastar essa disposição legal. A existência de controvérsia judicial a respeito da legalidade ou não da incidência do tributo atrai imediatamente a aplicação do art. 170A do CTN. COMPENSAÇÕES EFETUADAS COM BASE EM SENTENÇA PROLATADA NO PROCESSO JUDICIAL Nº 2007.50.01.0118459 DA 2ª VARA FEDERAL CIVIL DE VITÓRIA NO PERÍODO DE 01/08 A 11/09 – AGENTES POLÍTICOS 2.14. A sentença de 1º grau favorável somente foi publicada no Diário Oficial em 16/04/2008, quando a compensação já havia sido iniciada desde a competência 01/2008. 2.15. Na sentença, o juízo afastou expressamente a exigência do art. 170A do CTN, sendo viável a compensação antes do trânsito em julgado, mas apenas a partir do momento em que não subsistirem recursos dotados de efeito suspensivo. 2.16. Ocorre que a sentença foi objeto de apelação interposta pela União e foi recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo (duplo efeito), conforme decisão publicada no Diário de Justiça em 10/11/08. 2.17. A União Federal apelou no sentido de ser reformada a sentença, no que foi dado provimento parcial. A sentença foi reformada no que tange à aplicação do prazo prescricional, já que o juízo na sentença considerou como sendo decenal o prazo da prescrição, quando o certo seria o prazo qüinqüenal, reconhecendo a prescrição das parcelas anteriores a 21/09/2002. 2.18. O sujeito passivo apresentou, durante a auditoria fiscal, planilhas quantificadoras do suposto indébito, confeccionadas pela empresa URBIS, do período de 01/98 a 08/04, não respeitando dessa forma a decisão judicial publicada em 10/11/08. 2.19. A decisão do Ministro Relator publicada no DJE em 06/06/2011 deu provimento ao Recurso Especial para restabelecer a sentença, com relação ao prazo para repetição de indébito, que é de 10 anos a contar do fato gerador. 2.20. Há que se observar que o juízo apenas declara a possibilidade de compensação dos valores recolhidos supostamente indevidos, porém incumbe à administração averiguar o acerto de contas procedido pelo contribuinte, ou seja, a regularidade da operação (compensação), inclusive no tocante ao “quantum”. 2.21. A sentença expressamente registra que a compensação deve atender ao que foi estabelecido na motivação, sem prejuízo dos atos normativos aplicáveis. Salienta, também, que a sentença não representa qualquer homologação de cálculos, sendo certo que a autoridade fiscal competente conserva o poder dever de fiscalizar a regularidade da compensação, inclusive o seu “quantum”. 2.22. O sujeito passivo foi intimado através do Termo de Intimação Fiscal – TIF 02 e reiterado através do Termo de Intimação Fiscal – TIF 03 a apresentar os documentos/informações de onde foram extraídos os valores dos créditos constantes das planilhas confeccionadas pela empresa URBIS – Instituto de Gestão Pública, relativos às contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados aos agentes de mandato eletivo no período de 01/1998 a 09/2004 e que foram compensados nas competências 01/08 a 11/09. Atendendo à solicitação, informa através do Ofício SEFI nº 056/2012, de 31/05/2012, que o material solicitado é parte integrante dos autos do processo judicial 2007.50.01.0118549 e que não foi possível extrair as informações do processo judicial, que se encontra no Superior Tribunal de Justiça. Fl. 3913DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 5 7 2.23. Do exame do material apresentado, restou de pronto prejudicada a verificação da regularidade da compensação efetuada, uma vez que o sujeito passivo apresentou planilhas contendo os valores compensados, porém totalmente desacompanhadas da documentação, da qual foram extraídos tais valores, ou seja, a Prefeitura não comprovou a origem do suposto indébito, objeto da compensação, constante das GFIP no período de 01/08 a 11/09, impossibilitando, dessa forma, se aferir com exatidão o montante compensado. 2.24. Para admitirse a existência de compensação, com efeito de extinguir, total ou parcialmente, a obrigação tributária, não é condição suficiente que o contribuinte transmita dados através da GFIP indicando créditos e débitos. COMPENSAÇÕES COM BASE NA SENTENÇA PROLATADA NO PROCESSO JUDICIAL Nº 2010.50.01.0059790 NO PERÍODO DE 08/10 a 12/10 2.25. A sentença parcialmente favorável ao sujeito passivo somente foi publicada em 19/11/2010, quando a compensação já havia sido iniciada desde a competência 08/10. Como se pode constatar, antes mesmo de qualquer manifestação judicial, a Prefeitura iniciou a compensação. 2.26. A sentença determina expressamente que as compensações de contribuições previdenciárias recolhidas indevidamente, incidentes sobre as rubricas acolhidas no Mandado de Segurança, dependem do trânsito em julgado da mesma, devendo ser respeitado o art. 170A do CTN. 2.27. Ao efetuar as compensações no período de 08/10 a 12/10, a Prefeitura não respeitou a decisão, uma vez que a mesma encontrase aguardando recurso no TRF da 2ª Região desde 06/02/2012, verificandose que a mesma ainda não transitou em julgado. (...) 2.37. Foi verificado também neste procedimento fiscal que a Prefeitura compensou valores, no período de 08/10 a 12/10, relativos ao período de 01/99 a 07/10, que, segundo a mesma, referemse a recolhimentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre as rubricas acolhidas pela sentença prolatada nos autos do processo nº 2010.50.01.0059790, relativos a licença médica, adicional de 1/3 de férias, diferença de 1/3 de férias e 40% de cargo comissionado. 2.38. Através do Termo de Intimação Fiscal – TIF 01, a Prefeitura foi intimada a apresentar planilha contendo o cálculo dos valores compensados (originários e corrigidos) no período de 08/10 a 12/10, detalhando as rubricas sobre as quais incidiram as contribuições previdenciárias por competência e que foram compensadas. 2.39. Atendendo à intimação e para justificar o seu crédito, a municipalidade elaborou e apresentou à fiscalização relatórios (planilhas) dos eventos contemplados na sentença, com a individualização das rubricas e competências. 2.40. Observase que o período da planilha é de 01/99 a 08/10, quando o período informado no campo de compensação das GFIP declara competência inicial 01/99 e final 07/10. Verificouse, através deste relatório apresentado, um valor de R$ 1.626.130,44 e o valor corrigido de R$ 2.538.846,09. 2.41. Ainda que estes valores estivessem corretos e a Prefeitura tivesse o direito de se compensar a partir da competência 08/10, como procedeu, a mesma teria conseguido compensar os supostos recolhimentos indevidos até a competência 10/10. A planilha fornecida pela Prefeitura indica que o crédito Fl. 3914DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 atualizado seria de R$ 2.538.846,09, valor inferior aos R$ 4.587.480,67 efetivamente compensados no período de 08/10 a 12/10, verificados através das GFIP, o que resulta numa diferença de R$ 2.048.634,58. 2.42. Portanto, apresenta planilhas de valores supostamente recolhidos indevidamente sem nenhuma documentação comprobatória, não tendo o contribuinte juntado uma prova sequer, que tenha dado origem a tais valores, que como já demonstrado, não coincidem com os compensados pelo sujeito passivo, ou seja, o valor sustentado pelo sujeito passivo é muito inferior à compensação pretendida. Tal situação evidencia que a compensação foi realizada de forma aleatória e a planilha apresentada não é contemporânea às compensações e foi confeccionada posteriormente e somente para ser entregue à fiscalização. 2.43. Portanto, toda a compensação efetuada de supostos recolhimentos indevidos foi objeto de glosa integral, vez que não decorre de expressa disposição legal e tampouco de decisão em processo judicial, uma vez que a sentença prolatada no processo 2010.50.01.0059790 depende de trânsito em julgado e não foi considerada fundamento válido para embasar as compensações efetuadas. 2.44. Através do Termo de Início do Procedimento Fiscal – TIPF datado e assinado em 26/01/2012, o sujeito passivo foi intimado a apresentar memória de cálculo de todos os recolhimentos previdenciários eventualmente compensados como objeto de compensação, especificando as bases de cálculo, contribuições de segurados e eventuais deduções que resultaram nos valores recolhidos, inclusive que todas as informações deveriam ser acompanhadas de documentos comprobatórios, não tendo sido nada apresentado sobre a memória de cálculo dos recolhimentos previdenciários objeto de compensação nos períodos de 01/08 a 11/09 a 08/10 a 12/10. 2.45. Também através do TIPF foram solicitadas cópias dos documentos de arrecadação que originaram o suposto indébito, objeto de compensação. Solicitações essas reiteradas pelos Termos de Intimação Fiscal – TIF nºs 02 e 04, datados e assinados, respectivamente, em 10/05/12 e 25/05/12. Em resposta aos Termos de Intimação Fiscal – TIF 03 e 04, por meio do Ofício SEFI nº 056/2012, de 31/05/2012, informa que o material solicitado é parte integrante do processo judicial nº 2007.50.01.0118549 e que não foi possível extrair as informações dentro do processo que se encontra no STJ. 2.46. O contribuinte apresentou Guias de Recolhimento genéricas do período de 13/00 a 12/08, no CNPJ da Prefeitura (27.174.093/000127), não sendo fundamento de fato da compensação, uma vez que tais guias não comprovam que as contribuições nelas arrecadadas são referentes a contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos exercentes de mandato eletivo e nem sobre as rubricas consideradas pela Prefeitura como não incidentes e objeto de compensação. 2.47. As Guias da Previdência Social apresentamse sem especificação das bases de cálculo que geraram os recolhimentos. Assim, considerando que somente o sujeito passivo, enquanto responsável pelos recolhimentos espontâneos, conhece os fatos geradores que geram os recolhimentos previdenciários, cumpre apresentar memória de cálculo dos recolhimentos na forma acima especificada. 2.48. Qualquer indébito passível de compensação resulta abstratamente de recolhimentos espontâneos, confissões espontâneas em parcelamentos administrativos ou lançamentos de ofício que versem sobre contribuições previdenciárias indevidas, assim entendidas aquelas incidentes sobre as rubricas de não incidência legal ou declaradas indevidas por força de decisão judicial definitiva. Fl. 3915DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 6 9 2.49. No caso concreto, quaisquer lançamentos de ofício que versem sobre contribuições previdenciárias lançadas com arrimo na Lei 9.506/97 são objeto de indébito ao sujeito passivo. É o próprio setor de cobrança da Receita Federal do Brasil quem procederá à análise. O procedimento se faz através de expurgo do documento de débito. Assim, no caso concreto desta ação fiscal, resta como matéria compensável propriamente dita a existência de recolhimentos previdenciários, ou seja, Guias da Previdência Social – GPS e sua discriminação, que consistem na única documentação hábil e idônea a comprovar efetivo indébito, que devem, evidentemente, ser objeto de compensação pelo sujeito passivo. Não foi apresentado qualquer documento a este título e, na falta de comprovação do efetivo recolhimento dos valores que originaram as compensações, não se pode aceitar a existência dos créditos alegados. 2.50. Instado a demonstrar seu crédito, o sujeito passivo apresentou, na auditoria fiscal, através do documento intitulado de Relatório Auxiliar da GPS, a relação dos vereadores de Serra, bem como os valores recebidos pelos mesmos no período de 01/98 a 12/07 e do Vice Prefeito, o Sr. Valter Rodrigues de Paulo, no período de 01/09/02 a 01/03/07, porém não são documentos comprobatórios do suposto indébito. 2.51. O conteúdo dos documentos e informações apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal não permitiu a correta apuração dos valores efetivamente compensados. Seja por força de compensação judicial arrimada em sentença, seja por força de compensação administrativa, sempre haverá o necessário exame do fisco no exercício de seu poder dever de verificar a regularidade das compensações efetuadas. A auditoria se dá sempre da mesma forma, examinando a existência dos fundamentos de fato e de direito e procedendo ao cotejo com as normas jurídicas de regência. 2.52. Portanto, a compensação efetuada pelo contribuinte não observou as normas e os critérios seguidos para a efetivação das mesmas, ou seja, houve total desrespeito às medidas judiciais, bem como às normas legais e infralegais que estabelecem os termos e condições para se proceder às compensações das contribuições previdenciárias por parte da Prefeitura Municipal da Serra – ES, portanto, as compensações foram consideradas indevidas. 2.53. Assim, alternativa não restou à fiscalização senão de glosar integralmente os valores compensados nas GFIP do período de 01/08 a 11/09 relativos aos Agentes Políticos e do período de 08/10 a 12/10 relativos às rubricas consideradas pela Prefeitura como não incidentes de contribuições previdenciárias e proceder ao lançamento. (...) 2.55. Ressaltese que é inquestionável o direito de a Prefeitura Municipal da Serra se compensar das quantias recolhidas indevidamente, a título de contribuição previdenciária incidente sobre os subsídios percebidos por detentores de mandato eletivo no período de 02/98 a 09/04, uma vez que o STF já decidiu pela inconstitucionalidade da alínea “h” do inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 9.506/97, § 1º do art. 13, e que é entendimento administrativo normatizado a admissibilidade de compensação de contribuições previdenciárias recolhidas a este título no período de 02/98 a 18/09/2004.” Bem esclarecida a questão fática, passo a julgar os recursos. Do Recurso Voluntário Fl. 3916DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 10 Do AIDEBCAD 51.011.538.1 Da compensação com utilização de valores relativos à contribuição dos agentes políticos Como visto, discutese nos presentes autos se a compensação realizada pelo contribuinte, antes do trânsito em julgado, em colisão com o art. 170A do CTN, poderia ser considerada válida. No que diz respeito ao Auto de Infração em epígrafe, na parte referente às compensações feitas com utilização dos valores das contribuições devidas sobre pagamentos realizados a agentes políticos, matéria discutida pelo contribuinte nos autos da Ação Ordinária nº 2007.50.01.0118459, entendo que poderia ser relevada a vedação do art. 170A do CTN, e até mesmo a determinação judicial de que o contribuinte poderia compensar quando não houvesse mais recurso com efeito suspensivo. Isso porque, a matéria já está pacificada no STF há quase uma década em razão do julgamento do Recurso Extraordinário nº 351.7171/PR (e já estava quando o contribuinte ingressou com sua ação), sendo que de tal fato adveio a Resolução nº 26/2005 do Senado Federal, que suspendeu, com efeito erga omnes, a aplicabilidade da alínea h do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, diante da declaração de inconstitucionalidade da contribuição pelo STF. Contudo, ainda que o contribuinte pudesse realizar a compensação antes do trânsito em julgado da decisão proferida na sua ação própria, ou antes do momento autorizado pelo juiz da causa, o mesmo deveria observar alguns requisitos para que a compensação fosse aceita. Explicase. Por meio da Portaria MPS nº 133/2006 e da Instrução Normativa MPS/SRP 15/2006, a Administração internalizou o que fora decidido no RE 351.7171/PR: a primeira norma determinou o cancelamento de todos os débitos de tal natureza, independente do estágio em que se encontravam, ao passo que a segunda veio a autorizar a compensação com a utilização desses créditos, observando os requisitos nela dispostos. Quanto aos requisitos exigidos para que se pudesse realizar a compensação, vejase os seguintes dispositivos constantes da Instrução Normativa MPS/SRP 15/2006: Art. 3 º O direito de efetuar compensação ou de solicitar restituição a que se refere esta Instrução Normativa prescreve em cinco anos, contados a partir do pagamento. (Redação dada pela IN SRP nº 18, de 10/11/2006). [...] Art. 6 º É facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3º, compensar os valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1º, observadas as seguintes condições: I a compensação deverá ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como, a remuneração proporcional ao período de 1º a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; ( Redação dada pela IN RFB nº 909, de 14 de janeiro de 2009 ) Fl. 3917DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 7 11 III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição; ( Redação dada pela IN RFB nº 909, de 14 de janeiro de 2009 ) IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 1997; e § 1º O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercente de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. § 2º Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no § 1º, os valores compensados serão glosados.(Grifos Nossos) § 3º Os documentos referidos no § 1º deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. § 4º É obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. § 5º O descumprimento do disposto no § 4º sujeitará o infrator à multa prevista no § 6º do art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3º do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Fl. 3918DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 12 Muito embora a fiscalização já tivesse constatado que a compensação foi realizada sem amparo judicial, já que a decisão proferida na Ação Ordinária nº 2007.50.01.0118459 não havia autorizado a compensação antes de haver recurso sem efeito suspensivo (o que, segundo o fisco, por si só já impediria a compensação), foi oportunizado ao contribuinte, por diversas vezes, conforme já mencionado no relatório do presente acórdão, a apresentação dos documentos/esclarecimentos que seriam de fundamental importância para que a Administração aferisse a compensação em apreço. Todavia, conforme também já foi narrado no relatório, o contribuinte não atendeu às intimações da Administração, deixando de apresentar a documentação solicitada, que comprovaria o seu crédito, não demonstrando ter preenchido os requisitos estabelecidos pela legislação, o que acabou por inviabilizar a compensação desejada. É importante frisar que, ainda que a decisão proferida pelo STF no RE 351.7171/PR, em conjunto com a Resolução 26/2005 do Senado Federal, possam ser aplicadas à Recorrente, em que pese a sua ação judicial própria, até por força das normas administrativas editadas pelo fisco reconhecendo a possibilidade de compensação do indébito recolhido, não há que se falar em direito automático à compensação, pois, como já exposto, o contribuinte deve observar determinados requisitos para que a compensação possa ser validada. Adicionalmente a tudo o que foi exposto, mas apenas em sede de ad argumentandum, é importante observar que, ainda que fosse possível passar por cima de todos os requisitos legais exigidos para a validação da compensação, mesmo assim não seria possível homologar as compensações efetuadas pelo contribuinte, pelo menos não em relação a uma parte considerável dos seus créditos. Isso porque, em sua ação individual – Ação Ordinária nº 2007.50.01.011845 9/ES – o contribuinte não apenas demandava o seu direito à compensação do indébito, mas igualmente clamava pela compensação dos tributos recolhidos desde os últimos 10 anos que antecederam ao ajuizamento da ação, ao passo que a Instrução Normativa da Receita Federal, que autoriza a compensação, determinou a compensação dos últimos 5 anos apenas. É importante destacar que a questão relativa ao prazo prescricional para a repetição do indébito continua até hoje em discussão na ação judicial movida pelo contribuinte (conforme consulta realizada em 14/07/2014 no site do STJ), sendo que a decisão vigente atualmente é a proferida em 05/03/2013, pelo E. STJ, nos autos do Recurso Especial nº 1.201.835, considerando que o contribuinte tem direito à repetição apenas no prazo quinquenal (aguardase o julgamento de embargos de declaração opostos pelo Município de Serra contra o acórdão do STJ). Desta maneira, ainda que (i) o tributo tenha sido declarado inconstitucional, com efeito erga omnes, permitindo, desta forma, o contribuinte se valer das normas administrativas de compensação, mesmo possuindo ação específica para a tutela do seu direito (conforme entende este relator); (ii) o Poder Judiciário tenha afastado a aplicação do art. 170A nos autos da Ação Ordinária nº 200750.010118549 (o que ocorreu), e que tivesse permitido a compensação mesmo enquanto pendente de julgamento recurso com efeito suspensivo (o que não ocorreu); e (iii) o contribuinte tivesse apresentado todas as informações requeridas pela fiscalização (o que não ocorreu), não se vislumbra a possibilidade de compensação do tributo, pelo menos daqueles créditos que ultrapassam o prazo de 5 anos do recolhimento indevido, pois o contribuinte não possui permissão legal para compensar o indébito utilizandose do prazo de 10 anos. Fl. 3919DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 8 13 Assim, em resumo, impossível o deferimento da compensação, nos termos requeridos pelo contribuinte, pois: · Deixou de apresentar os documentos/informações solicitados pela Administração; · Não cumpriu com os requisitos da Instrução Normativa MPS/SRP 15/2006 para que pudesse ser viabilizada a compensação; · Até hoje não há decisão definindo, de modo definitivo, o prazo prescricional que deverá ser aplicado para a repetição do indébito pelo contribuinte (se 5 ou 10 anos). Dessa maneira, concluo pela procedência do crédito tributário constituído através do AIDEBCAD 51.011.538.1, na parcela relativa à glosa das compensações efetuadas com créditos relativos à contribuição dos agentes políticos. Do AIDEBCAD 51.011.538.1 Da compensação com utilização de valores relativos à contribuição sobre a folha de pagamentos No tocante às compensações realizadas com a utilização dos valores discutidos pela Recorrente através dos autos da Ação Ordinária nº 2010.50.01.0059790/ES, referente às verbas de natureza indenizatória, a Recorrente argumenta que, igualmente, houve falhas na presente autuação, uma vez que possui decisão judicial favorável à compensação. Todavia, não lhe assiste razão, haja vista a necessidade de respeito ao art. 170A do CTN. Isso porque, ao contrário do que ocorreu na outra ação judicial proposta pelo contribuinte, a sentença que julgou a Ação Ordinária nº 2010.50.01.0059790/ES determinou, de modo expresso, que o art. 170A do CTN fosse observado (fls. 1351). O artigo 170A do Código Tributário Nacional veda qualquer compensação de tributo que seja objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Vejase a literalidade do excerto legal: “Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.” A Recorrente obteve em sede judicial decisão que lhe favorece, no sentido de reconhecer o caráter indenizatório e consequentemente a não incidência da contribuição previdenciária sobre diversas verbas, tais como 1/3 de férias, aviso prévio indenizado e folgas não gozadas, o que ensejou o pedido de compensação. Contudo, conforme se afere nos autos, e de consulta realizada em 14/07/2014 no site do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, a referida decisão judicial foi objeto de recurso pela Recorrente e pela União Federal, os quais ainda não foram analisados. Portanto, a decisão que permite a compensação de valores não pode ser considerada definitiva. É importante destacar, ademais, que em que pese o contribuinte tenha alegado que a matéria discutida na sua ação judicial já tenha inúmeros precedentes favoráveis, alguns até com trânsito em julgado, não é possível aplicar o conteúdo dessas decisões ao caso concreto do contribuinte, por absoluta falta de previsão legal. Fl. 3920DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 14 Dessa maneira, concluo pela procedência do crédito tributário constituído através do AIDEBCAD 51.011.538.1, na parcela relativa à glosa das compensações efetuadas com créditos relativos à contribuição sobre a folha de pagamentos. Do pedido de prova pericial Com relação ao inconformismo da Recorrente pelo indeferimento do pedido de produção de prova pericial, entendo que também não lhe assiste razão. Não se vislumbra a ocorrência do alegado cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia solicitada, uma vez que a Recorrente não logrou justificar adequadamente os supostos equívocos cometidos pela fiscalização que, em tese, mereceriam maiores esclarecimentos para o deslinde da questão. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/72 estabelece: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”. Da leitura do dispositivo, verificase que a Recorrente não cumpriu os requisitos necessários para a formulação de perícia. De mais a mais, entendo que no presente caso cabia exclusivamente ao contribuinte apresentar provas para sustentar o seu direito quando do requerimento da compensação, quando da fase de fiscalização, e quando da apresentação de impugnação. Não tendo feito isso de forma satisfatória, o seu dever não pode ser substituído pela prova pericial. Do Recurso de Ofício Do AI DEBCAD 51.011.5390 – Da multa de 150% imposta sobre os valores indevidamente compensados No tocante ao auto de infração exigindo multa de 150% em razão da compensação indevida, objeto do recurso de ofício, decidiu a DRJ pela exclusão da referida penalidade, haja vista não restar comprovado o intuito do contribuinte de fraudar, verbis: “A fiscalização comprovou que se trata de compensação indevida, porque o Impugnante deixou de atender aos termos e condições legais para a compensação, mas não a falsidade da declaração, nem o intuito de fraudar. Sendo assim, urge declarar a improcedência da multa aplicada, exonerando o AI nº 51.011.7390”. A penalidade foi aplicada com base no § 10, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 11.941/09, o qual estabelece o seguinte: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a Fl. 3921DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 9 15 terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Entendo que acertadamente decidiu a d. DRJ. Não demonstrado o intuito doloso, a vontade do contribuinte em praticar a sonegação, fraude ou conluio, não há que se falar em incidência de multa isolada. No presente caso concreto, verificase que não estão presentes os fatores que justificam a aplicação da multa de 150%, sobretudo a comprovação pela fiscalização da falsidade da declaração. Salientese que o motivo do indeferimento da compensação não foi a inexistência do crédito ou a falsidade da declaração, mas sim a compensação antes do término das ações judiciais propostas pelo contribuinte ou do momento em que poderia ser feita a compensação, determinado pela decisão judicial, e a ausência de apresentação de documentos pelo contribuinte comprovando a origem dos créditos utilizados. Neste ponto, adoto como razões de decidir os fundamentos do voto recentemente proferido sobre este mesmo assunto no PAF nº 15215.720059/201131, de Relatoria da E. Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, julgado na sessão de 18/06/2013, que resultou no acórdão nº 2302002.521, por unanimidade, para fins de exclusão da multa qualificada de 150% aplicada na glosa de compensação (destaques do original): “Sob este prisma, nas palavras do Relator Arlindo da Costa e Silva, por ocasião do julgamento do PAF 13433.000631/201061 (Acórdão 2302002.285), para a caracterização da conduta típica de falsidade de documento público e de falsidade ideológica a comprovação da coexistência do elemento subjetivo do tipo (consciência e vontade de concretizar o tipo penal) e o elemento objetivos (fatos em si) são essenciais. Nestes casos, para a caracterização da penalidade mais severa, o agente fiscal deve se certificar de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, de molde a se evitar, ao máximo, a imputação de penalidade indevida. Daí a necessidade de comprovação, tal como exposto no art. 89, §10 da Lei 8.212/91. Esta Egrégia Turma não discrepa. Em recente julgado nos autos do PAF nº 10855.720678/201257 (Acórdão 2302002.402), de relatoria da Dra. Liege Lacroix Thomasi foi assim decidido: Fl. 3922DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 16 ‘Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2009 a 28/02/2010, 01/07/2010 a 31/08/2010 Ementa: CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsumir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.’ Isto posto, não restando comprovado nos autos que o Recorrente tenha agido de forma dolosa ao informar em GFIP valores compensáveis relativos às contribuições incidentes sobre a remuneração dos agentes políticos, ainda que a compensação tenha sido considerada indevida pelo fisco, não há que se aplicar a multa isolada sem a cabal demonstração do dolo e da fraude cometida de modo a permitir a subsunção ao disposto no artigo 89, §10º da Lei n.º 8.212/91.” O mesmo entendimento foi proferido pela CSRF no julgamento do PAF nº 11020.003681/200992, Acórdão nº 9101.01.402, julgado na sessão de 17/10/2012, que, embora tratando de outro tributo (IRPJ), igualmente concluiu pela necessidade de comprovação da ocorrência de fraude para aplicação da multa de 150%: “(...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.” Entendo, portanto, que a multa aplicada no percentual 150% deve ser excluída do lançamento, tendo decidido de forma correta a d. DRJ. Da multa por descumprimento de obrigação acessória (Auto de Infração nº 51.011.5373) A decisão de primeira instância entendeu ser nulo o auto de infração lavrado para exigir multa pela apresentação de GFIP sem todos os fatos geradores, em razão da incompleta descrição dos fatos pela fiscalização. Entendo que agiu com correção a d. DRJ. Isso porque, analisandose o relatório fiscal, não é possível saber qual foi o equívoco cometido pelo contribuinte ao preencher a GFIP. Fl. 3923DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 15586.720592/201265 Acórdão n.º 2402004.225 S2C4T2 Fl. 10 17 No relatório fiscal a autoridade limitase a alegar que “o sujeito passivo apresentou as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP das competências 04, 05, 07, 08, e 09/08 com informações incorretas no campo de compensação”. Conforme decidiu a DRJ, “caso se considere que a incorreção estaria em informar valores no campo compensações que não eram compensáveis, no entender da fiscalização, as GFIP das demais competências glosadas (01 a 03, 06 e 10 a 13/2008) também estariam inexatas. Então, qual foi a inexatidão, ou por que somente a inexatidão das competências 04, 05, 07 a 09/2008 foi objeto do auto de infração? O relatório da infração e aplicação da multa de fls. 36/37 não é claro, de maneira a não permitir ao contribuinte, nem ao julgador, compreender o que exatamente levou a fiscalização a lavrar o auto de infração.” Dessa forma, restou preterido o direito de defesa do contribuinte, motivo pelo qual é nulo o referido auto de infração, por vício material (deficiência na sua fundamentação). Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO dos recursos para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 3924DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907895/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Sergio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 95 /2 01 2- 11 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 101 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo, relativo ao fato gerador de 31/10/2009. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando saldo creditório disponível. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 18/01/2013 (fl. 33), o contribuinte apresentou, em 14/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 2/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Alega que o valor declarado na DCTF original foi recolhido a maior e, por isso, retificou a declaração, gerando um crédito a seu favor, conforme os demonstrativos que elabora. Em função disso, optou por exercer o seu direito à compensação, transmitindo Per/Dcomp. Portanto, possuía crédito para suportar a compensação pretendida. Talvez por algum desencontro de dados o crédito não foi identificado, o que não pode o prejudicar, sob pena de se ofender o Princípio da Verdade Material sobre o qual discorre, citando posições doutrinárias e decisões do CARF, bem como ocorrer o enriquecimento ilícito da União Federal. Por fim, requer seja cancelado o processo de cobrança, reconhecido o crédito utilizado, homologandose o Per/Dcomp, e, caso seja necessário, seja o procedimento administrativo baixado em diligência para apuração dos fatos pertinentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2009 RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRODUÇÃO DE EFEITOS. A retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto reduzir os débitos relativos a contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. DILGÊNCIA. PROVAS. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 102 3 Não há como ser admitido o pedido de realização de diligência quando este vise, tão somente, a transferência da produção de provas para a autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, tecendo ainda considerações sobre o princípio da verdade material e colacionando precedentes. É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 103 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Contribuição para o PIS que teria sido paga a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DCTF. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade considerando que a retificação feita pela recorrente foi em desacordo com as normas que dispõe sobre a DCTF ao reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização e, ainda que pudesse ser aceita a DCTF retificadora, não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Conforme consta nos autos, a retificação do débito declarado na DCTF foi indeferida devido a existência de procedimento fiscal anterior, que seria uma das hipóteses impeditivas previstas no art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 dezembro de 2010. O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. Não há norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. Quanto ao alegado impedimento para retificação da DCTF, o próprio comando inserto no art. 9º da IN RFB nº 1.110/2010 , abaixo reproduzido, ao mesmo tempo que afirma que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver por objeto a redução de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, abre a possibilidade para uma eventual retificação de ofício nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada.. § 1 º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e Fl. 103DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 104 5 servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2 º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. § 3 º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em redução do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou do débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.(grifei) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10875.907895/201211 Acórdão n.º 3801003.802 S3TE01 Fl. 105 6 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 105DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.906522/2009-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
PER/DCOMP ELETRÔNICO. DESPACHO DECISÓRIO. DCTF RETIFICADORA.
DCTF retificadora, nos casos em que admissível, elaborada com observância das normas estabelecidas para a DCTF retificada tem a mesma natureza desta e a substitui integralmente, devendo ser considerada no encontro de contas com a declaração de compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório e determinar a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e José Luiz Feistauer de Oliveira votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 PER/DCOMP ELETRÔNICO. DESPACHO DECISÓRIO. DCTF RETIFICADORA. DCTF retificadora, nos casos em que admissível, elaborada com observância das normas estabelecidas para a DCTF retificada tem a mesma natureza desta e a substitui integralmente, devendo ser considerada no encontro de contas com a declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido.
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DESPACHO DECISÓRIO. DCTF RETIFICADORA. DCTF retificadora, nos casos em que admissível, elaborada com observância das normas estabelecidas para a DCTF retificada tem a mesma natureza desta e a substitui integralmente, devendo ser considerada no encontro de contas com a declaração de compensação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório e determinar a homologação da compensação declarada até o limite do crédito disponível. Os Conselheiros Marcos Antônio Borges e José Luiz Feistauer de Oliveira votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, José Luiz Feistauer de Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 65 22 /2 00 9- 28 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13971.906522/200928 Acórdão n.º 3801003.155 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido por ser suficiente para o conhecimento da lide. “Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida em 13/08/2004, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito apurado com um crédito decorrente de pagamento indevido ou efetuado a maior a título de Contribuição para Programa de Integração Social – PIS (cód. 8109), apurado em 31/03/2004. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do “DARF discriminado no PER/DCOMP”, no valor de R$ 2.073,44, havia sido “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte”, no caso um débito descrito como “Db: cód 8109 PA 31/03/2004”, não restando, portanto “crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada com a não homologação de sua compensação, encaminhou a contribuinte Manifestação de Inconformidade, onde inicialmente informa que: em 14/08/2004, por meio da Dcomp 00998.01109.130804.1.3.044702 compensou débito apurado com “crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS (código 8109) referente ao mês março/2004”; em 14/09/2004, por meio da Dcomp 00888.76505.140904.1.3.041387, “do saldo remanescente de R$ 648,64”, utilizou se de R$ 151,30; em 15/10/2004, por meio da Dcomp em tela, foi compensado um débito no valor de R$ 542,84, “utilizando o saldo total remanescente da PER/DCOMP (00998.01109.130804.1.3.044702)”. Alega, então, que em 14/05/2004 transmitiu Dctf onde por “um lapso de preenchimento declarou como Débito de PIS referente ao mês de março de 2004 no valor de R$ 2.073,44 quando o correto seria R$ 547,78”. Aduz que ante tal imperfeição, em 20/05/2009, “tempestivamente antes da emissão do despacho decisório,... transmitiu DCTF retificadora tratando de corrigir a falha de preenchimento, a fim de evidenciar o pagamento indevido ou a maior”, conforme cópia em anexo. Em nome do princípio da Verdade Material, pugna pelo cancelamento do Despacho Decisório, reconhecimento do crédito decorrente de pagamento a maior e homologação da compensação.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, fundamentandose, em resumo, no fato de que a contribuinte apenas retificou a DCTF após a apresentação da DCOMP e que, apesar de a retificação terse dado antes da emissão do despacho decisório, isto não poderia validar a compensação, porque esta opera efeitos imediatos. O acórdão da DRJ não teve ementa, tendo em vista faculdade prevista na Portaria SRF nº 1.364, de 10/11/2004. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13971.906522/200928 Acórdão n.º 3801003.155 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que: i) foram juntadas na manifestação de inconformidade cópias de documentos comprobatórios da adequação e pertinência das retificações processadas e da existência do direito de crédito pleiteado, em especial, cópias das retificações promovidas; ii) a legislação prevê que a DCTF retificadora substitui a originalmente apresentada, produzindo efeitos, inclusive para efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, desde a data do protocolo da DCTF primitiva; iii) a aplicação do princípio da verdade material se impõe para reconhecer o seu direito. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13971.906522/200928 Acórdão n.º 3801003.155 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a DCTF retificadora. A contribuinte formalizou e transmitiu DCTF retificadora que foi recebida em 25/05/2009, antes da emissão do despacho decisório em 09/06/2009. A IN RFB nº 903, de 30/12/2008, que dispõe sobre a DCTF, vigente à época da recepção da DCTF retificadora, dispunha: “Art. 11 . A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13971.906522/200928 Acórdão n.º 3801003.155 S3TE01 Fl. 6 5 (...) § 10. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada.” O comando de que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados está presente também nas instruções normativas que sucederam a IN RFB nº 903, de 2008. No presente caso, nada há nos autos que permita enquadrar a DCTF retificadora recepcionada nos sistemas informatizados da RFB numa das situações em que não produziria efeitos. Logo, ao invés da original, a DCTF retificadora deveria ter sido considerada na análise do direito de crédito. À luz desta, impõese o reconhecimento do direito de crédito pleiteado. Por basearse em elementos incorretos, caberia a anulação do despacho decisório, tal como decidido no acórdão nº 3403001.288, de 09/11/2011, da 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, cuja ementa está assim redigida. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECISÃO ELETRÔNICA BASEADA EM DADOS DEFASADOS DE DCTF. INFORMAÇÕES RETIFICADAS POR DCTFRETIFICADORA APRESENTADA EM MOMENTO ANTERIOR À NOTIFICAÇÃO DA DECISÃO. Decisão eletrônica que nega homologação à Declaração de Compensação pelo fundamento de que o DARF, do qual teria originado o crédito indicado pelo contribuinte na compensação, teria sido integralmente absorvido pelo valor confessado em DCTF em relação ao mesmo período de apuração. A decisão deve ser anulada se foi baseada em dados defasados, que já haviam sido alterados por meio de DCTFretificadora transmitida antes da notificação da decisão. Decisão anulada.” Porém, o Decreto nº 70.235, de 1972, autoriza que a anulação não seja determinada nos casos em que se possa decidir a favor da contribuinte, o que se aplica ao presente processo, uma vez que a DCTF retificadora, apresentada antes do despacho decisório, evidencia o direito da recorrente. Conclusão Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 13971.906522/200928 Acórdão n.º 3801003.155 S3TE01 Fl. 7 6 Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito pleiteado e determinar que se homologue a compensação declarada até o limite disponível do crédito. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 11080.721713/2012-26
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
NULIDADE - FUNDAMENTOS FÁTICOS E JURÍDICOS
Do contexto do relatório de ação fiscal que integra os lançamentos resultam com bastante clareza tanto o suporte fático quanto o fundamento jurídico para as glosas efetuadas. Ademais, o mero erro na capitulação legal ou infralegal não é causa de nulidade do lançamento. Essencial é o motivo, que deve ser claro e preciso. É o que se dá no caso vertente. Inexistência de nulidade.
NULIDADE - APLICAÇÃO DO ART. 148 DO CTN
A questão não é de aplicação do art. 148 do CTN. Sendo o caso, a aplicabilidade é da hipótese de arbitramento do lucro do art. 530 do RIR/99. E a quantificação do valor arbitrado se dá segundo critérios definidos pela lei. Daí ser inaplicável o art. 148, in fine, do CTN. Inexistência de nulidade.
NULIDADE - GLOSA DE DESPESAS - ARBITRAMENTO DO LUCRO
Ordinariamente, quando se glosam despesas relativamente expressivas ao total das despesas, impõe-se o arbitramento, sob pena de vício substancial do lançamento, pois tal glosa representaria a imprestabilidade da escrituração contábil, implicando tributar o que não é expressão de renda. No caso em dissídio, a questão comparece em outros termos. Aqui, dada a simulação da Sociedade em Conta de Participação, há quantificação precisa do sobrevalor embutido nos custos deduzidos, contrabalanceado pelas receitas excluídas - por sua exclusão como lucros distribuídos - as quais, corretamente, não foram glosadas. Inexistência de nulidade.
SIMULAÇÃO - SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO - MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO AO SÓCIO OCULTO
O investimento da recorrente, para se tornar sócio oculto, i.e., para fortalecer o empreendimento do sócio ostensivo, é de valor simbólico. O único sócio oculto (recorrente), sobre ser o único cliente da Sociedade em Conta de Participação (SCP), recebia 65% do faturamento bruto da SCP, a título de distribuição de resultados dessa - receita não tributável. Conflito de interesses. Incompatibilidade entre causa típica de uma SCP e o fim prático pretendido pelas partes, a configurar simulação da SCP. Diante da simulação da SCP, fica caracterizada a majoração indevida de 65% dos custos dos kits para produção de refrigerantes, na medida em que foi mantida a exclusão das receitas dos 65%, o que implicaria glosa em duplicidade.
MULTA QUALIFICADA.
No quadro exposto, não há elementos que concorram para uma simulação inocente. Ou ainda, não se está diante de fenômeno simulatório que se ponha numa linha divisória tênue ao olhar natural ou sob as lentes defasadas. No caso vertente, não se afigura factível mesmo um erro de proibição.
ILEGALIDADE DA TAXA SELIC E INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA
A Súmula CARF nº 4 reconhece ser devida a taxa Selic. A constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2.
JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688-PR, julgado em 4/12/12).
Numero da decisão: 1103-001.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Marcos Shigueo Takata (Relator) quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 NULIDADE FUNDAMENTOS FÁTICOS E JURÍDICOS Do contexto do relatório de ação fiscal que integra os lançamentos resultam com bastante clareza tanto o suporte fático quanto o fundamento jurídico para as glosas efetuadas. Ademais, o mero erro na capitulação legal ou infralegal não é causa de nulidade do lançamento. Essencial é o motivo, que deve ser claro e preciso. É o que se dá no caso vertente. Inexistência de nulidade. NULIDADE APLICAÇÃO DO ART. 148 DO CTN A questão não é de aplicação do art. 148 do CTN. Sendo o caso, a aplicabilidade é da hipótese de arbitramento do lucro do art. 530 do RIR/99. E a quantificação do valor arbitrado se dá segundo critérios definidos pela lei. Daí ser inaplicável o art. 148, in fine, do CTN. Inexistência de nulidade. NULIDADE GLOSA DE DESPESAS ARBITRAMENTO DO LUCRO Ordinariamente, quando se glosam despesas relativamente expressivas ao total das despesas, impõese o arbitramento, sob pena de vício substancial do lançamento, pois tal glosa representaria a imprestabilidade da escrituração contábil, implicando tributar o que não é expressão de renda. No caso em dissídio, a questão comparece em outros termos. Aqui, dada a simulação da Sociedade em Conta de Participação, há quantificação precisa do sobrevalor embutido nos custos deduzidos, contrabalanceado pelas receitas excluídas por sua exclusão como lucros distribuídos as quais, corretamente, não foram glosadas. Inexistência de nulidade. SIMULAÇÃO SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO MAJORAÇÃO INDEVIDA DO CUSTO AO SÓCIO OCULTO O investimento da recorrente, para se tornar sócio oculto, i.e., para fortalecer o empreendimento do sócio ostensivo, é de valor simbólico. O único sócio oculto (recorrente), sobre ser o único cliente da Sociedade em Conta de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 17 13 /2 01 2- 26 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 627 2 Participação (SCP), recebia 65% do faturamento bruto da SCP, a título de distribuição de resultados dessa receita não tributável. Conflito de interesses. Incompatibilidade entre causa típica de uma SCP e o fim prático pretendido pelas partes, a configurar simulação da SCP. Diante da simulação da SCP, fica caracterizada a majoração indevida de 65% dos custos dos kits para produção de refrigerantes, na medida em que foi mantida a exclusão das receitas dos 65%, o que implicaria glosa em duplicidade. MULTA QUALIFICADA. No quadro exposto, não há elementos que concorram para uma simulação “inocente”. Ou ainda, não se está diante de fenômeno simulatório que se ponha numa linha divisória tênue ao olhar natural ou sob as lentes defasadas. No caso vertente, não se afigura factível mesmo um erro de proibição. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC E INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA A Súmula CARF nº 4 reconhece ser devida a taxa Selic. A constitucionalidade da multa é matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme a Súmula CARF nº 2. JUROS DE MORA INCIDENTE SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/12). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso, por maioria, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa e Marcos Shigueo Takata (Relator) quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Redator designado. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 628 3 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ e CSL, relativos ao superfaturamento de compras de insumos utilizados na produção, e de dedução como despesas de PIS e Cofins Importação, ocorridos entre março de 2007 e dezembro de 2010. Fundamentalmente, os autos de infração decorreram de suposta simulação na participação da fiscalizada como sócia oculta e na constituição de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP). A simulação seria quanto à validade da própria SCP, em que a fiscalizada atua como cliente e sócia oculta daquela, gerando aumento ficto do custo dos insumos adquiridos da SCP, a fim de reduzir o pagamento de tributos, conforme trecho do relatório de ação fiscal infratranscrito, de fl. 349 (eprocesso): “Com todos os dados e fatos apresentados até o momento fica claro que houve uma simulação com o intuito exclusivo de reduzir ou suprir tributos mediante o aumento ficto dos custos dos insumos, via compras realizadas pela figura societária criada entre a fiscalizada e a POLYAROMAS, SCP, desta forma diminuindo o lucro real e aumentando os créditos de PIS, Cofins, e IPI com a compra superfaturada no montante exato de 65% sobre todos os valores adquiridos pela fiscalizada da Polyaromas, sócia ostensiva dessa SCP.” Toda a receita bruta da SCP deriva das vendas efetuadas para a própria sócia oculta (recorrente), sendolhe creditados 65% dos valores arrecadados pela SCP, a titulo de participação nos resultados de tal sociedade. Essa exigiu da sócia oculta apenas dois mil reais, mas recebeu, na forma de distribuição de resultados, quase vinte milhões de reais no período de março de 2007 a dezembro de 2010. Ainda, por determinação legal, a sócia oculta não pode participar da atividade objeto do negócio de sociedade em conta de participação, devendo apenas contribuir com a entrega de recursos à sociedade. Constata, pois, que a SCP é simulada, sendo artifício empregado pela recorrente para inflar seus custos dos insumos adquiridos da suposta SCP, com o retorno imediato da parcela inflada dos custos por suposta distribuição de lucros à recorrente como sócia oculta da SCP simulada (cujo sócio ostensivo é a Polyaromas, o fornecedor dos insumos). Afirmou que a recorrente apurou o seu lucro tributável no regime do lucro real anual e, com relação aos valores pagos a titulo de PIS/CofinsImportação, alegou que esses não podem ser deduzidos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, de acordo com o trecho do relatório de ação fiscal de fl. 351 (eprocesso): Fl. 628DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 629 4 “Ora os valores recolhidos a titulo de PIS e Cofins Importação quando passível de creditamento na sistemática da não cumulatividade das contribuições não se traduz em custo dedutível da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, uma vez que não foi contabilizado no custo de aquisição conforme declaração do contribuinte (fl. 102). Sendo assim, não há possibilidade dessa dedução; além disso o contribuinte utilizou tais valores para a apuração de créditos, esse sim com previsão legal; logo, é como se o contribuinte se beneficiasse em duplicidade. Assim, os valores informados na Demonstração de Resultados da DIPJ a titulo de PIS e Cofins (fls. 155, 202, 253, 298) como dedutíveis do resultado tributável dos anoscalendários 2007 a 2010 também foram acrescidos ao resultado apurado pelo contribuinte. A forma de apuração do lucro escolhida pelo contribuinte, Águas Minerais Sarandi Ltda, é o Lucro Real Anual. Para a fiscalização apurar os tributos IRPJ e CSLL devidos pelas infrações aqui apontadas foram usadas como valores iniciais os apurados como resultado tributável pelo contribuinte e informado em seu Lalur (fls. 105/150) e DIPJ (fls. 151/343), conforme quando abaixo. As leis acima informadas (11941/2009 e 12249/2010) permitem que em determinadas situações e para determinados débitos junto a Fazenda Nacional os saldos de prejuízo acumulado e o saldo negativo de base de cálculo da CSLL fossem utilizados para liquidação desses débitos. O contribuinte solicitou essa forma especial de pagamento nos processos 13026.000434/2009 18 e 12026.000063/201181 os valores de R$12.058.388,01 e R$12.187.959,19, de prejuízo fiscal acumulado e de base negativa de CSLL acumulada, respectivamente.” Acerca disso, colacionou quadros demonstrativos. Com relação ao PIS e à Cofins, a empresa recorrente, prestando esclarecimentos à fiscalização, afirmou que o controle destes é feito através das informações do Dacon, não tendo escrituração relativa a esses. Afirmou também que os valores de aquisição dos extratos de refrigerante da Polyaromas foram incluídos na base de cálculo desses créditos a alíquotas de 1,65% e 7,60%. Isso, de acordo com a legislação vigente, está incorreto, pois ela estabelece que quando uma empresa fora da Zona Franca de Manaus, o que é o caso da Sarandi, adquire insumos de empresas sediadas na ZFM com projeto aprovado pela Suframa, o que é o caso da Polyaromas, e não possui receitas excluídas da não cumulatividade, a alíquota de crédito apurado para PIS e Cofins devese limitar a 1% e a 4,6%. Desse modo, a recorrente além de retirar 65% das aquisições da base de cálculo dos créditos, incluiu nessa base alíquotas indevidas. A fim de demonstrar esses valores de crédito apurados indevidamente e o cálculo de como deveria ter sido feito o recolhimento, colacionou quadros demonstrativos. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 630 5 Intimou a recorrente a reduzir de ofício o saldo de créditos de PIS e Cofins a zero, conforme o artigo 9°, § 4°, do Decreto 70.235/1972. Acerca do IPI, afirmou que estes créditos são apurados indevidamente pela recorrente, de acordo com o trecho do relatório de fls. 360 (eprocesso): “A empresa fiscalizada é uma industrial do ramo de bebidas frias que produz, entre outros, águas minerais e refrigerantes. Tais produtos estão sujeitos a tributação do IPI – Imposto de Produtos Industrializados. Ao adquirente de insumos utilizados na produção de tais produtos, a legislação admite o uso de crédito do mesmo imposto pago pelo fornecedor destacado em nota fiscal. A Sarandi adquire um produto da Polyaromas (sócia ostensiva da SCP de fachada) denominado “kit p/refrigerantes”, extrato e/ou concentrado, que é usado como insumo na produção de bebidas frias do tipo refrigerantes. Como a empresa Polyaromas é sediada na ZFM e tem projeto aprovado pelo Suframa (fl.169), como já dito anteriormente, essa empresa industrial se beneficia do não pagamento de IPI sobre os produtos por ela produzidos, em conformidade com os artigos 69, I e II e artigo 82, III do Decreto 4.544/2002, logo, em suas notas fiscais não há destaque do IPI. No entanto, em condições especiais, a aquisição de alguns insumos em que não houve destaque do IPI em nota pode vir a ter permissão legal de creditamento como se tributados esse insumo tivesse sido, no caso em tela, a fiscalizada se utiliza do artigo 175 do Decreto 4.544/2002 para a escrituração de um crédito de IPI sobre as aquisições da Polyaromas a uma alíquota de 27% no Livro de Apuração do IPI a título de “outros créditos”.” Acrescentou que, devido ao fato de o custo de aquisição dos insumos retromencionados estarem indevidamente majorados em 65%, os créditos de IPI passaram a ser indevidos. Além disso, afirmou que pela análise do Livro de Apuração de IPI da recorrente, é possível constatar que os valores mensais de créditos apurados também são indevidos. Nesse sentido, colacionou quadros demonstrativos. Concluiu que o que ocorreu foi uma simulação com a intenção de reduzir tributos, com efeito de aumento do custo dos insumos, via compras realizadas da SCP, diminuindo o lucro real e a base de cálculo da CSL, e aumentando créditos de PIS, Cofins e IPI com a compra superfaturada no montante de 65% sobre os valores adquiridos. Por fim, embasada nas Leis 9.430/96 e 4.502/1964, e no fato de a recorrente ter a intenção dolosa de reduzir tributos com a simulação retro mencionada, estabeleceu que a multa de ofício a ser aplicada aos tributos em questão deve ser de 150%. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 630DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 631 6 Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 412 a 448 (e processo). Primeiramente, afirmou que é licita a associação empresarial realizada entre a recorrente e a SCP, pois isto foi feito com o fim de facilitar a fabricação, aquisição, comercialização, distribuição, logística e redução dos custos dos extratos de refrigerante, o que torna possível a competição com as grandes e internacionais fabricantes. Além disso, afirmou que essa associação recebe o nome de parcerias empresariais. Nesse sentido, colacionou doutrina. Alegou que a SCP em questão realizou o recolhimento de todos os tributos devidos à União. Contestou a afirmativa da fiscalização de que as ações da recorrente são vedadas pelo artigo 991 do Código Civil, pois ele interdita a participação dela nas atividades ligadas ao objeto social da SCP. Sobre isso, afirmou que não praticou atos ligados ao objeto social da SCP, pois o que ela realizou foi a aquisição de extrato de refrigerante, o que não é o objeto social da sociedade e, mesmo que fosse, isso apenas faria com que a recorrente passasse a ter responsabilidade perante terceiros. Além disso, atestou que o fornecimento de extratos de refrigerante não é feito exclusivamente para a recorrente, que a lei não proíbe que ela adquira produtos da SCP da qual faz parte, e que isso está autorizado no contrato de constituição da SCP. Esclareceu que a fiscalização não questionou, em nenhum momento, a efetiva existência fática e jurídica da SCP, a ocorrência da fabricação e venda de extratos de refrigerante pela SCP à recorrente. Alegou que o lançamento realizado deve ser considerado nulo, devido ao fato de esse apresentar uma fundamentação legal e fática equivocada, genérica e desconexa, o que prejudica o direito de defesa da recorrente. Além disso, baseou a nulidade no arbitramento realizado pela fiscalização ao desconsiderar quase a totalidade das operações ligadas à SCP, sob a alegação de não ter tido acesso à escrituração desta. Quanto a isso, juntou decisão do antigo Conselho de Contribuintes. Acrescentou que a principal alegação da fiscalização, que se refere ao fato de a constituição da SCP ter sido feita com o intuito de reduzir tributos, mediante o aumento ficto dos extratos de refrigerante, é deficiente devido à falta de provas. Sendo assim, afirmou que essa alegação deve ser comprovada: pela demonstração de que o valor do insumo é incompatível com o valor do mercado; por meio da análise da contabilidade da Polyaromas. Isso porque a fiscalização não pode se basear apenas em presunções e indícios por prevalecer no direito a presunção de boafé do contribuinte e devido ao fato do ônus da prova caber ao poder público. Além disso, afirmou que alegar e não provar é o mesmo que não alegar, e colacionou entendimento do CARF e doutrina nesse sentido. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 632 7 Consignou que não houve nenhuma pesquisa e diligência nos órgãos do Governo Federal, assim como não foi feita a análise da contabilidade da Polyaromas a fim de avaliar qual é o preço de mercado dos insumos em questão. Portanto, a fiscalização não pode afirmar que houve o aumento ficto do preço deles. Além disso, afirmou que esse aumento ficto não ocorreu e, para tanto, apresentou dados oficiais comprovando que o custo de aquisição é compatível com o praticado no mercado. Afirmou que a recorrente não constituiu a SCP com o objetivo de ocultar a vontade efetivamente querida que, segundo a fiscalização, é a de reduzir os tributos. A SCP foi formal e materialmente constituída, tendo sido declarada e escriturada a distribuição dos seus resultados. Nesse sentido, alegou que o único erro realizado pelo contador da recorrente foi a contabilização equivocada dos resultados da SCP como ganho de capital. Ressaltou que a recorrente apenas não apresentou os documentos que estavam na posse da sócia ostensiva, sob os quais tomará as medidas cabíveis. Acentuou que o ônus probatório da fiscalização só daria suporte a alegação de que houve aumento fictício do valor do insumo, se ela provasse o conluio entre a recorrente e a Polyaromas. Não provando, caberia a fiscalização realizar questionamentos e exigências tributárias em face dessa empresa e não da recorrente. Colacionou entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que estabelece que se deve reconhecer a legitimidade de um planejamento tributário no qual foi feita a incorporação às avessas, para se poderem aproveitar prejuízos fiscais da empresa incorporadora, e que não se devem desconsiderar atos jurídicos quando houver motivo extra tributário. Com relação à taxa Selic, afirmou que, de acordo com o artigo 161, § 1°, do CTN, os juros são devidos a razão de 1%, sendo esse o limite máximo para a sua fixação. Por conseguinte, ressaltou que seria um grande equívoco igualar os juros à taxa do mercado financeiro, pois isso significaria retirar do Poder Legislativo a fixação do valor final da obrigação, deixandoa a cargo do ente tributante que controla tal mercado. Alegou que está incorreta a aplicação, por parte da fiscalização, da multa qualificada no percentual de 225%. Isso porque ela não comprovou que a recorrente agiu de forma fraudulenta, pois essa última não pode ser penalizada pela não entrega dos documentos por parte da sócia ostensiva da SCP, e porque essa multa fere os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e da proibição do confisco. Quanto a isso, juntou jurisprudência. Tendo em vista o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos, requereu que a multa fosse reduzida ao percentual de 75%. Afirmou que não é possível incidir juros sobre a multa de ofício exigida conjuntamente com o tributo supostamente devido, em razão da ausência de previsão legal nesse sentido. Acrescentou que as questões referentes ao parcelamento da Lei 11.941/2009, não foram impugnadas, pois há rito próprio para a discussão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 633 8 Por fim, requereu que seja julgada procedente a impugnação, a autorização da juntada de documentos, a realização de diligências para se verificarem os preços dos insumos das demais empresas na ZFM no período de 2007 a 2010, e a declaração da total improcedência do lançamento e dos autos de infração. DA DECISÃO DA DRJ Em 22/5/2012, acordaram os membros da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Porto Alegre, por unanimidade de votos, negar provimento à impugnação, de forma a manter o crédito tributário impugnado, conforme o entendimento que se segue. Inicialmente, entendeu que não houve o cerceamento de defesa alegado pela recorrente, uma vez que a fiscalização centralizou o lançamento no apontamento dos custos e esse fator foi abordado na impugnação, o que faz com que fique claro que a recorrente sabia o teor da acusação que lhe foi imputada. Afirmou que não está correta a alegação da recorrente, no sentido de que o lançamento deve ser nulo devido ao fato de ele ter como fundamento a glosa das despesas e a ausência de escrituração fiscal da SCP, pois o relatório de ação fiscal não faz referência a isso. Consignou que resta incontroversa a glosa dos valores de PIS/Cofins Importação que tinham sido excluídos do lucro líquido, para a apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, não sendo essa matéria litigiosa. Apontou que a fiscalização não baseou a simulação no fato de ela não ter acesso aos livros, mas sim nas operações com insumo, e que o não acesso àqueles não poderia causar arbitramento dos lucros da recorrente, mas sim da SCP. Acrescentou que a glosa parcial não é capaz de tornar a contabilidade do contribuinte imprestável para a apuração do lucro real, pois esta pode ser apurada através da desconsideração de poucos lançamentos contábeis. Com relação ao conceito e à prova de simulação, colacionou entendimentos doutrinários e ressaltou que, devido ao fato de a prova da simulação ser de difícil obtenção, é permitida a sua comprovação por todos os meios admitidos em direito, inclusive por indícios e presunções. Acerca disso abordou o entendimento de Francisco Ferrara sobre os elementos capazes de provar a simulação, como a falta de execução material do contrato, a conduta das partes e a existência de motivo para a simulação. Concluiu que não há provas de que a SCP tenha existência fática. O fato de o sócio ostensivo receber uma remuneração insignificante perto da que é recebida pelo sócio oculto (recorrente) indica que para eles não havia SCP. Que a recorrente não pagou nos insumos mais do que 35% do valor para eles declarados, e que os argumentos presentes na própria impugnação caracterizam a simulação. Com relação à multa de ofício, ressaltou que, diferentemente do que foi alegado pela recorrente, a multa fixada foi de 150%, em razão da simulação retromencionada, e que isso foi fundamentado de forma correta pela fiscalização, que indicou os artigos 72 e 73, da Fl. 633DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 634 9 Lei 4.502/64. Além disso, afirmou que esse percentual está previsto na legislação em vigor e sendo a atividade administrativa vinculada. Afirmou que devem ser desconsideradas as alegações acerca da taxa Selic, pois não deve ser aplicado o artigo 161, § 1°, do CTN, devendo ser observado o que dispõe o artigo 61, § 3°, da Lei 9.430/96. Por fim, consignou que não pode ser apreciado pela Turma julgadora o questionamento da recorrente acerca da futura aplicação de juros sobre a multa de oficio, pois não há neste processo, até o presente momento, essa aplicação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 520 a 554 (eprocesso), reiterando integralmente o alegado em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 634DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 635 10 Voto Vencido Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 516, 519). Dele, pois, conheço. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. Tratase de glosa de custos de insumos, por considerar o autuante que a sociedade em conta de participação (SCP) de que a recorrente é sócia oculta, é simulada. Há preliminares de nulidade articuladas pela recorrente. A arguição é de que a fundamentação jurídica dos lançamentos é vaga, imprecisa e desconexa, com a presença de confusão na fundamentação legal e fática. A bem ver, notase que o cerne se encontra nos possíveis erros de capitulação legal e infralegal (artigos do RIR/99). Do contexto do Relatório de Ação Fiscal que integra os lançamentos resultam com bastante clareza tanto o suporte fático quanto o fundamento jurídico para as glosas efetuadas. Em diversas oportunidades disse que o mero erro na capitulação legal ou infralegal não é causa de nulidade do lançamento. Essencial é o motivo, que deve ser claro e preciso. A conjugação dos fatos valorados pelo autuante com o fundamento jurídico para exação (o qual não se confunde com capitulação legal) informa o motivo. Se houve vício ou equívoco no motivo que o vitime totalmente, o lançamento resultará inquinado de nulidade por vício substancial. Se houver vício ou equívoco no motivo, mas que não o macule totalmente, poderá haver nulidade parcial ou ineficácia total ou parcial do lançamento. Sob a alegação posta, não se divisa nulidade dos lançamentos, com o que rejeito essa preliminar. A outra preliminar de nulidade é a seguinte. Como a glosa de custos da operações vinculadas às compras dos kits ou distribuição de resultados se deu sob argumento da ausência ou imprestabilidade da escrituração fiscal da SCP, caberia o arbitramento, conforme o art. 148 do CTN. A glosa se dera por não recebimento dos livros e contabilidade das receitas e despesas, de modo que seria inescapável a aplicação do art. 148 do CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo Fl. 635DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 636 11 regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. A questão não é de aplicação do art. 148 do CTN. Sendo o caso, a aplicabilidade é da hipótese de arbitramento do lucro do art. 530 do RIR/99 (art. 47 da Lei 8.981/95). E o arbitramento, ou melhor, a quantificação do valor arbitrado se dá segundo critérios definidos pela lei. Ou seja, a lei define os critérios de valoração do arbitramento do lucro. Daí ser inaplicável o art. 148, in fine, do CTN. Assim, quando conhecida a receita bruta o arbitramento do lucro se dá com a aplicação sobre ela dos coeficientes para o lucro presumido acrescidos de 20%, para fins de IRPJ, conforme o art. 532 do RIR/99 (art. 16 da Lei 9.249/95 e art. 27, I, da Lei 9.430/96). O arbitramento do lucro para fins da CSL não se sujeita ao acréscimo dos 20% sobre o coeficiente de presunção do lucro, com suporte no art. 29, I, da Lei 9.430/96. Quando não conhecida a receita bruta, o arbitramento do lucro se dá nos moldes do art. 535 do RIR/99 (art. 51 da Lei 8.981/95), tanto para fins de IRPJ como de CSL (para essa, conforme o art. 55 da Lei 8.981/95) . A glosa de custos da recorrente não se deu por ausência ou imprestabilidade da escrituração da SCP. A glosa foi dos custos da recorrente, à vista dos preços pagos à SCP e dos valores recebidos dessa, resultando na suposta simulação da SCP. A imprestabilidade da escrituração contábil da SCP se dá por consequência da alegação de simulação da SCP. Vale dizer, a fulminação foi do continente (a validade da SCP), que por consectário derruiu o conteúdo – a escrituração contábil da SCP. A glosa de custos da recorrente não foi perpetrada pela falta de apresentação da escrituração contábil da recorrente, nem da SCP. Aliás, não há nos autos intimação para apresentação dos livros contábeis da recorrente. A quantificação da glosa tomou parâmetros objetivados no valor decorrente do percentual sobre o preço de aquisição dos insumos da SCP pela recorrente que lhe foram distribuídoscomo lucros pela SCP. Ainda assim, remanesce a seguinte questão. Diante do montante de custos glosados, seria o caso de arbitramento do lucro? Noutras palavras, em face do montante dos custos glosados, resulta caracterizada a imprestabilidade da escrituração contábil da recorrente, a ensejar o arbitramento do lucro? Essa questão se imbrica com a de mérito, com o que juntamente com ele irei apreciála. Passo ao exame do mérito. Como antedito, cuidase de glosa de custos de insumos, por considerar o autuante que a sociedade em conta de participação (SCP) de que a recorrente é sócia oculta, é simulada. Para tanto, a constatação feita pelo autuante foi a seguinte. Fl. 636DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 637 12 A SCP tem como sócia ostensiva a Polyaromas, sociedade instalada na Zona Franca de Manaus, e como sócia oculta a recorrente. A contribuição da recorrente para aquisição do status de sócia oculta foi de R$ 2.000,00. O objeto da SCP é a organização e fornecimento de kits para produção de refrigerantes. O único cliente da SCP é a sócia oculta, a recorrente. O parágrafo único da cláusula quarta do contrato de constituição da SCP prevê a distribuição de lucros desproporcional com a participação dos sócios. No caso, verificouse que a recorrente, sobre ser o único cliente da SCP, recebia 65% do faturamento bruto da SCP, a título de distribuição de resultados dessa. Recebimento esse que se dava no primeiro dia útil seguinte ao pagamento feito pela recorrente à SCP pela aquisição dos kits para produção de refrigerantes. Ou seja, a cada pagamento do preço pela aquisição dos kits pela recorrente se operava seu recebimento de 65% desse preço. O autuante reputou ser simulada a SCP, glosando 65% do custo dos insumos (kits para produção de refrigerantes) adquiridos da SCP, por constituir majoração indevida de custo. Glosou também o autuante os valores reconhecidos como despesa e deduzidos de PIS e Cofins pagos na importação de insumos. Tais valores não foram agregados ao custo de aquisição de insumos, mas tratados como se fossem incidentes sobre as vendas, além de serem utilizados como crédito, sem sua escrituração contábil, o que implicou o efeito de duplicidade de dedução. Sobre tal glosa a recorrente não se insurgiu, de modo que a questão não se tornou controvertida. A recorrente alega que a fiscalização deveria ter aprofundado sua investigação fiscal, para demonstrar que o custo de produção dos kits em questão na fábrica da Polyaramas não é real. Não verificou a fiscalização os preços praticados pelo mercado pelas empresas situadas na Zona Franca de Manaus, para buscar a comprovação da artificialidade dos preços praticados entre a SCP e a recorrente. Também, não houve desconsideração da escrituração contábil da Polyaramas nem da SCP. Justamente porque não se aprofundou a investigação para demonstração da majoração artificial dos custos. E que, sem tal desconsideração, a contabilidade faz prova a favor do contribuinte. Mais. A evidência da precariedade e da insustentabilidade do entendimento fiscal está na aferição dos preços praticados pelo mercado pelas produtoras localizadas na Zona Franca de Manaus. A recorrente mostra que o preço de mercado praticado ao tempo dos negócios combatidos variava entre R$ 100,00 a R$ 130,00 o quilograma dos kits em apreço, segundo dados oficiais da Suframa, por meio do Sistema de Indicadores Industriais – Coise/Cgpro/SAP do Pólo Industrial de Manaus. E a recorrente adquiriu os kits ao preço médio de R$ 100,00 por quilograma. Pois bem. Como ensina Emílio Betti, se a discrepância entre a causa típica do negócio e a causa intentada ou o fim prático pretendido relevar uma simples incongruência ou discordância, o fenômeno é de negócio indireto ou de negócio fiduciário. Se a discrepância entre a causa típica e a causa intentada ou fim prático pretendido no negócio revelar uma Fl. 637DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 638 13 incompatibilidade entre elas, o que é o fenômeno da simulação1. É a teoria objetiva (ou objetivasubjetiva) da causa. Ou seja, a insinceridade de causa (típica) ou a incompatibilidade entre a causa (típica) e o fim prático pretendido pelas partes configura a simulação do negócio. Essa incompatibilidade decorre de uma avaliação contingente, não sendo algo conceituável, ao menos em termos absolutos. Na causa típica de uma SCP estão presentes o fortalecimento do empreendimento do sócio ostensivo, enquanto tal, com os investimentos feitos pelos sócios ocultos, e a repartição dos resultados entre ambas as categorias de sócios. No caso vertente, foram detectados os seguintes elementos objetivamente verificáveis quanto à posição, atuação e atribuição à recorrente: é a única sócia oculta da SCP, e, para tanto, fez um aporte de R$ 2.000,00; a SCP só vendeu produtos (kits para produção de refrigerantes) para a recorrente, que é a única cliente da SCP; das vendas da SCP à recorrente, 65% do preço dessas vendas são distribuídos à recorrente a título de distribuição de lucros. A causa buscada com a SCP, na presença dos elementos objetivos descritos na situação em jogo, é a não redução de preços pagos pelo sócio oculto à SCP, para atribuição de significativos resultados ao sócio oculto, e para atribuição de lucros ao sócio empreendedor ou ostensivo. A incompatibilidade entre essa causa ou fim concreto buscado pelas partes com a causa típica das partes com uma SCP se desnuda, no caso vertente. O investimento do sócio oculto é de apenas R$ 2.000,00, para fortalecer o empreendimento do sócio ostensivo. Se não for assim, há de se considerar como “investimento” do sócio oculto a aquisição dos kits produzidos pelo sócio ostensivo somente por ele. E o sócio oculto recebe 65% do preço dos produtos que ela mesma adquire. A incompatibilidade de causas se desnuda, com um conflito de interesses “genético” numa sociedade nesses termos: o comprador busca o menor preço e o vendedor o maior, mas o comprador, aqui, sob o “chapéu” da SCP, tem o interesse do vendedor, pois tem direito a 65% do preço como “lucro” seu. Comprador que é o único cliente do vendedor, para que o “chapéu” da SPC dê o lucro que o comprador espera obter. Como se dizer que a reunião da recorrente com a Polyaromas numa SCP foi para redução de custos daquela, se são desses custos que ela recebe a título de distribuição de lucros 65% deles (custos)? A redução de custos é possível sem a “participação nos lucros” sobre a aquisição que a própria recorrente faz do sócio ostensivo, até porque ela é a única cliente dessa SCP. 1 Cf. seu “Teoria geral do negócio jurídico – tomo II”. Tradução de Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003, pp. 278, 279, 285 a 287. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 639 14 Por isso, não têm repercussão os indicativos de preços médios praticados pelos fabricantes instalados na Zona Franca de Manaus. Também, a lição de Pontes de Miranda é precisa ao caso, ao dizer que “o acordo sobre a causa não basta a que a causa se estabeleça, se não há o elemento objetivo da adequação da atribuição à causa.” (Tratado de Direito Privado – tomo III. Rio: Borsoi, 1954, p. 94). Do que ficou deduzido, a conclusão inevitável é a de que a SCP em questão é simulada. Por conseguinte, fica evidenciada a majoração dos custos dos kits para produção de refrigerantes, encoberta sob a capa de lucros distribuídos pela SCP à recorrente, correspondentes a 65% do preço de aquisição dos kits para produção de refrigerantes. Ou seja, a majoração (indevida) dos custos pela recorrente corresponde exatamente a 65% dos “preços” de aquisição dos kits para produção de refrigerantes da Polyaramas – “sócio ostensivo da SCP”. A majoração indevida não pode implicar, todavia, glosa também das receitas excluídas, correspondentes aos 65% dos “preços” de aquisição, o que se verá adiante. Por outro lado, é evidente que, sendo simulada a SCP, por princípio de identidade, a receita auferida pelo sócio ostensivo, não mais nessa qualidade, mas como Polyaromas, é justamente de 35% dos “preços” de venda praticados sob a “capa” da SCP à recorrente (dos kits para produção de refrigerantes). O resto é efeito da simulação da SCP. Aqui volto com a questão do arbitramento do lucro. Ordinariamente, quando se glosam despesas relativamente expressivas ao total das despesas, não há dúvida de que se impõe o arbitramento, sob pena de vício substancial do lançamento, pois tal glosa representaria a imprestabilidade da escrituração contábil, ou, noutras palavras, implicaria tributar o que não é expressão de renda. No caso em dissídio, a questão comparece em outros termos. Aqui, dada a simulação da SCP, há quantificação precisa do sobrevalor embutido nos custos deduzidos, contrabalanceada pelas receitas excluídas – por sua exclusão como lucros distribuídos. Há dimensionamento preciso do que ficou a mais em conta de resultado, como custos, e que se encontra equacionado ou “neutralizado” na própria escrituração contábil, com o que ficou a mais em conta de resultado credora (receitas de distribuição de lucros). Noutras palavras, o problema aqui não é de imprestabilidade da escrituração contábil, pois se tem o valor preciso dos custos efetivos. O sobrevalor dos custos tem sua “localização” na outra ponta, como receitas excluídas do lucro líquido – tratadas como distribuição de lucros. Basta ver a linha 32 da ficha 9A da DIPJ/08, a linha 44 da ficha 9A da DIPJ/09, a linha 42 da ficha 9A da DIPJ/10 e a linha 47 da ficha 9A da DIPJ/11 – fls. 156, 203, 255 e 303: são as linhas de exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real, por serem receitas de lucros em investimentos avaliados pelo custo de aquisição; e são valores Fl. 639DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 640 15 significativos, sempre os maiores entre as exclusões em todos os referidos anoscalendário (2007 a 2010). O que não poderia haver seria a glosa também da exclusão das receitas, sob pena de se efetuar a glosa em duplicidade. E isso não houve. Por tais razões, sobre a questão do arbitramento do lucro, rejeito a nulidade por vício substancial. Nessa ordem de considerações, nego provimento sobre o mérito da exigência dos tributos. Invoca a recorrente, ainda, ilegalidade da taxa Selic para os juros moratórios e inconstitucionalidade da multa por ofensa à razoabilidade e à vedação ao confisco. A questão da taxa Selic para juros moratórios é objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sobre a constitucionalidade da multa, tratase de matéria cujo enfrentamento é defeso a este órgão julgador, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 c/ a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, e a Súmula CARF nº 2. Outrossim, nego provimento sobre ambas as questões. Prossigo, com a apreciação da questão da multa qualificada. Como se vê dos instrumentos específicos dos autos de infração, a multa qualificada foi infligida sobre o IRPJ e a CSL decorrentes da majoração indevida dos custos, aplicandose a multa ordinária em relação à dedução dos valores de PIS e CofinsImportação (fls. 378, 393 e 394). Diante do quadro exposto, não há elementos que acusem ou concorram para a consecução de uma simulação “inocente”. Ou melhor, que concorram a uma simulação “não legível” àquele que não passou por correção das lentes pelo oftalmologista. Ou ainda, não se está diante de fenômeno simulatório que se coloque numa linha divisória tênue ao olhar natural ou sob as lentes defasadas. Não se afigura factível mesmo um erro de proibição. Com os caracteres apresentados, como se dizer que não se ostenta o elemento subjetivo do tipo, o dolo? Não vejo como se possa afastar a qualificação da multa no caso vertente, de modo que sobre a questão nego provimento ao recurso. Por fim, enfrento a questão dos juros sobre a multa de ofício. Fl. 640DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 641 16 Eis a dicção do art. 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º. A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º. O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Incidem juros moratórios na forma do § 3º do art. 61 sobre os débitos de que trata o caput do art. 61, i.e., sobre tributos, jamais sobre multa de ofício, pois, se a multa de ofício estivesse incluída no art. 61, chegarseia ao absurdo de se ter de concluir que esse artigo prevê a incidência de multa de mora sobre multa de ofício (caput do art. 61, parte final). Isso porque é prevista a aplicação da multa de mora (além dos juros de mora à taxa Selic) sobre os débitos de que trata o art. 61. A multa de mora é consequência prescrita no caput para os débitos nele referidos. Se o legislador quisesse que os juros de mora incidissem também sobre multa de mora ele assim teria previsto, tal como quis fazer e fez para o lançamento de multa de mora previsto no art. 43 da mesma lei. Aí ele previu que sobre a multa de mora ou sobre os juros de mora ou sobre dos dois, constituídos (lançados) sem tributo, incidem juros de mora a partir do 1º dia do mês seguinte ao do vencimento do lançamento. Não vejo, portanto, como serem aplicáveis juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício. De outra parte, o Código Tributário Nacional utiliza a expressão “crédito tributário” com conotações diversas: ora para conceituálo como a obrigação tributária e a penalidade pecuniária (arts. 139 e 142 c/c os arts. 113, § 1º e 121, do CTN), ora lhe fazendo referência somente como obrigação tributária – é o caso, por ex., do art. 164 do CTN. Se o art. 164 do CTN diz que cabe consignar judicialmente a importância do “crédito tributário” quando há subordinação de seu recebimento ao pagamento de penalidade, o “crédito tributário” é aí empregado no sentido de obrigação tributária, sem incluir a penalidade. O mesmo se entrevê no art. 161, caput, do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 641DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 642 17 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O caput do art. 161 dispõe sobre a incidência de juros de mora sobre o “crédito tributário”, sem prejuízo da incidência das penalidades cabíveis: logo, o “crédito tributário” é utilizado aqui como sinonímia de tributo ou obrigação tributária pois sobre tal crédito é que incidem as penalidades cabíveis, além dos juros de mora. O § 1º do art. 161 do CTN, evidentemente, subordinase ao caput do dispositivo. Outrossim, também não vejo como ser aplicável à multa de ofício os juros de mora previstos no § 1º do art. 161 do CTN (juros de 1% ao mês), porquanto, como visto, o caput do art. 161 do CTN se refere a crédito tributário como obrigação tributária (e só). Com base em tais ponderações, dou provimento ao recurso sobre a questão dos juros sobre as multas de ofício. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso para afastar a exigência de juros sobre as multas de ofício. É o meu voto. Sala das Sessões, em 11 de março de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 642DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 643 18 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Redator Designado. De início, é de rigor reconhecer o aprofundamento da análise do caso realizada pelo I. Relator, Cons. Marcos Shigueo Takata, a quem rendo minhas homenagens pelo judicioso voto proferido, cujos fundamentos, à exceção dos referentes à incidência de juros de mora sobre as multas de ofício constituídas, aqui são adotados. Com a devida licença aos Conselheiros que restaram vencidos no julgamento, reiterase aqui o entendimento de ter abrigo legal a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício proporcional aplicada, conforme precedentes desta Terceira Turma Ordinária (v.g., acórdãos nºs 1103000.928, de 10/9/13; 1103000.834, de 9/4/13; 110300.760, de 12/9/12). Vejamos. Dispõe o art.161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139, CTN), que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113, CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo Fl. 643DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 644 19 mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a Fl. 644DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 645 20 ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Também a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento daquela Corte no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao percentual, não há mais discussão. O cálculo pela taxa SELIC já se consolidou no âmbito administrativo, sendo, inclusive, objeto de enunciado da súmula de jurisprudência dominante do CARF, de observância obrigatória por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Processo nº 11080.721713/201226 Acórdão n.º 1103001.004 S1C1T3 Fl. 646 21 Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 646DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2014 por MARCOS SHIGUE O TAKATA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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