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Numero do processo: 10880.996933/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.778
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 93 3/ 20 12 -2 3 Fl. 14917DF CARF MF Processo nº 10880.996933/201223 Resolução nº 3401001.778 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.952. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 14918DF CARF MF Processo nº 10880.996933/201223 Resolução nº 3401001.778 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 14919DF CARF MF Processo nº 10880.996933/201223 Resolução nº 3401001.778 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 14920DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720137/2016-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INTERDEPENDENTE. PRÁTICA DE ATO FRAUDULENTO. REDUÇÃO ARTIFICIAL DA BASE DE CÁLCULO.
A introdução de pessoa jurídica, na condição de comercial-atacadista exclusiva, interdependente de uma outra fabricante de produtos sujeitos à incidência concentrada das Contribuições para o PIS e Cofins, para que se interponha entre o fabricante-vendedor e o cliente, que se revela desnecessária, prescindível e sem comprovação de redução de custos e despesas na etapa de fabricação-venda, com redução artificIal da receita bruta da industrial, mediante a prática de simulação e subfaturamento, revela planejamento tributário abusivo e ilícito cuja finalidade é a redução fraudulenta da base de cálculo dos tributos devidos.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE DOLO.
Não é viável a qualificação da multa de ofício quando inexistir dolo por parte do contribuinte, mas mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO E INDIVIDUALIZAÇÃO DO DOLO.
Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio-administrativa na pessoa jurídica autuada. A conduta dolosa deve ser evidenciada e identificado quem a praticou para que tal seja responsabilizado solidariamente.
DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO.
Indefere-se o pedido de diligência quando seu objeto consubstancia-se elemento de prova cujo ônus é do contribuinte, que não o exerceu em momento regularmente previsto (arts. 12 a 17 do Decreto nº 70.235/72), mormente quando intimado pela autoridade fiscal e manteve-se inerte.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012
PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA.
Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
Numero da decisão: 3201-004.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: a) Por maioria de votos, negou-se a realização de diligência suscitada pelo conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, acompanhado pelo conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; b) Por unanimidade de votos, afastou-se a responsabilidade solidária das pessoas físicas; e c) Por maioria de votos, reduziu-se a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, relator, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que mantinham a multa no percentual lançado. Designada para redigir o voto vencedor, quanto a esta matéria, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deram provimento ao Recurso Voluntário. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário..
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INTERDEPENDENTE. PRÁTICA DE ATO FRAUDULENTO. REDUÇÃO ARTIFICIAL DA BASE DE CÁLCULO. A introdução de pessoa jurídica, na condição de comercial-atacadista exclusiva, interdependente de uma outra fabricante de produtos sujeitos à incidência concentrada das Contribuições para o PIS e Cofins, para que se interponha entre o fabricante-vendedor e o cliente, que se revela desnecessária, prescindível e sem comprovação de redução de custos e despesas na etapa de fabricação-venda, com redução artificIal da receita bruta da industrial, mediante a prática de simulação e subfaturamento, revela planejamento tributário abusivo e ilícito cuja finalidade é a redução fraudulenta da base de cálculo dos tributos devidos. RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE DOLO. Não é viável a qualificação da multa de ofício quando inexistir dolo por parte do contribuinte, mas mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO E INDIVIDUALIZAÇÃO DO DOLO. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio-administrativa na pessoa jurídica autuada. A conduta dolosa deve ser evidenciada e identificado quem a praticou para que tal seja responsabilizado solidariamente. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se o pedido de diligência quando seu objeto consubstancia-se elemento de prova cujo ônus é do contribuinte, que não o exerceu em momento regularmente previsto (arts. 12 a 17 do Decreto nº 70.235/72), mormente quando intimado pela autoridade fiscal e manteve-se inerte. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplica-se ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: a) Por maioria de votos, negou-se a realização de diligência suscitada pelo conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, acompanhado pelo conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; b) Por unanimidade de votos, afastou-se a responsabilidade solidária das pessoas físicas; e c) Por maioria de votos, reduziu-se a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, relator, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que mantinham a multa no percentual lançado. Designada para redigir o voto vencedor, quanto a esta matéria, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deram provimento ao Recurso Voluntário. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2012; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 3.197 1 3.196 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720137/201688 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.699 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria PIS_COFINS CUMULATIVO Recorrente LABORATORIOS STIEFEL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA JURÍDICA INTERDEPENDENTE. PRÁTICA DE ATO FRAUDULENTO. REDUÇÃO ARTIFICIAL DA BASE DE CÁLCULO. A introdução de pessoa jurídica, na condição de comercialatacadista exclusiva, interdependente de uma outra fabricante de produtos sujeitos à incidência concentrada das Contribuições para o PIS e Cofins, para que se interponha entre o fabricantevendedor e o cliente, que se revela desnecessária, prescindível e sem comprovação de redução de custos e despesas na etapa de fabricaçãovenda, com redução artificIal da receita bruta da industrial, mediante a prática de simulação e subfaturamento, revela planejamento tributário abusivo e ilícito cuja finalidade é a redução fraudulenta da base de cálculo dos tributos devidos. RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DE DOLO. Não é viável a qualificação da multa de ofício quando inexistir dolo por parte do contribuinte, mas mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO E INDIVIDUALIZAÇÃO DO DOLO. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócioadministrativa na pessoa jurídica autuada. A conduta dolosa deve ser evidenciada e identificado quem a praticou para que tal seja responsabilizado solidariamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 37 /2 01 6- 88 Fl. 3197DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.198 2 DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando seu objeto consubstanciase elemento de prova cujo ônus é do contribuinte, que não o exerceu em momento regularmente previsto (arts. 12 a 17 do Decreto nº 70.235/72), mormente quando intimado pela autoridade fiscal e mantevese inerte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PIS. LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA. Aplicase ao lançamento da Contribuição para o PIS/Pasep o decidido em relação à COFINS lançada a partir da mesma matéria fática. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: a) Por maioria de votos, negouse a realização de diligência suscitada pelo conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, acompanhado pelo conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade; b) Por unanimidade de votos, afastouse a responsabilidade solidária das pessoas físicas; e c) Por maioria de votos, reduziuse a multa de ofício aplicada para o percentual de 75%. Vencidos, no ponto, os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, relator, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que mantinham a multa no percentual lançado. Designada para redigir o voto vencedor, quanto a esta matéria, a conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deram provimento ao Recurso Voluntário. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Fl. 3198DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.199 3 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/ RS. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Tratase de impugnação contra os Autos de Infração (fls. 2.490 a 2.546) 1 relativos às contribuições de PIS (lançamento de R$ 14.985.548,61) e de Cofins (lançamento de R$ 70.208.266,97) totalizando um crédito tributário de R$ 85.193.815,58, com multa e juros 2. Os períodos abrangidos foram de dezembro de 2011 a dezembro de 2012. A fiscalização começou em 25/03/2014, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal das fls. 2 a 3. De acordo com os autos, o impugnante foi intimado pela fiscalização a apresentar vasta documentação contábil e fiscal, a seguir discriminada: contrato social e alterações; memória de cálculo para demonstrar os débitos apurados nos DACONs; receitas auferidas no mercado interno e externo; balancetes mensais e demonstrativos para todas as receitas apuradas nos DACONs; relação de todos os produtos fabricados pelo estabelecimento, contendo código da mercadoria, descrição, classificação fiscal e alíquota; demonstrativo identificando todos os produtos vendidos e os respectivos adquirentes; a utilização de serviços de armazenagem e logística; consultas realizadas junto à RFB; ações judiciais envolvendo IPI, PIS e Cofins; nome do responsável da empresa para o presente procedimento fiscal; justificativas e comprovações pela utilização de preços unitários de venda diferentes e inferiores para a empresa GLAXOSMITHKLNE (GSK) em relação aos demais clientes; apresentar planilha demonstrando para cada produto produzido a composição dos preços unitários de venda, segregando os custos de fabricação e financeiros; relação de medicamentos; lista de preços de medicamentos; informação do critério utilizado para a composição dos preços de venda de produtos a GSK; entre outros. Foram juntados aos autos os seguintes documentos: planilha com os preços praticados para GSK (fls. 31 a 39); planilha com os preços praticados para os demais clientes (fls. 40 a 46); contratos entre a Stiefel e a GSK (fls. 47 a 62); forma como os pedidos de compra da GSK são recebidos pela Stiefel (fls. 63 a 65); pedidos da GSK (fls. 66 a 69); DACONs (fls. 118 a 546); Termo de Declaração da GSK (fls. 550 a 552); contrato sobre aquisição da Stiefel pela GSK (fls. 566 a 589); contrato de comodato de imóvel (fls. 590 a 600); instrumentos particulares com alterações contratuais, fornecimentos e distribuições (fls. 601 a 790); notas fiscais de serviço (fls. 791 a 824); listagem de pagamentos da GSK para a Stiefel (fls. 825 a 836); relação de funcionários da GSK (fl.s 837 a 842); fotos da Stiefel e GSK (fl. 843); notas fiscais de remessa da Stiefel para GSK (fls. 844 a 849); notas fiscais de retorno de mercadoria do depósito fechado Fl. 3199DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.200 4 da GSK (fls. 850 a 902); planilha de vendas da Stiefel (fls. 903 a 986); planilha de vendas GSK – Stiefel (fls. 987 a 999); notas fiscais de vendas de produtos monofásicos (fls. 1.000 a 2.396); comparativo de vendas da Stiefel para com a GSK e para com terceiros (fls. 2.397 a 2.400); valores médios de vendas da Stiefel para outras empresas não ligadas (fls. 2.401 a 2.402); valores médios de vendas feitas pela GSK (fls. 2.403 a 2.424); demonstrativo de apuração de diferenças de PIS e de Cofins (fls. 2.472 a 2.489); entre outros. Com base nessa relação de informações prestadas pelo contribuinte a fiscalização teria detectado irregularidades fiscais as quais foram consignadas no Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais das fls. 2.425 a 2.471. De acordo com esse Relatório Fiscal não teriam restado dúvidas de uma arquitetura de operações implementada pelo Grupo Stiefel/GSK (vendas de produtos industrializados pela Stiefel por valores subfaturados a GSK), configurando ato ilícito por ser abusivo e ilegal. Essa prática de fraude estaria reduzindo indevidamente as bases de cálculo das contribuições. A tributação monofásica concentraria, por seu próprio conceito, a tributação de toda a fase produtiva, sendo que através de práticas de simulação estabelecidas por esse grupo econômico fraudouse esse sistema através dos referidos subfaturamentos. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária entre os Laboratórios Stiefel Ltda. e a Glaxosmithkline do Brasil Ltda. (GSK), conforme fls. 2.549 a 2.554. Foram também considerados sujeitos passivos solidários: a) Artur Pedro Lemos da Fonseca (fls. 2.557 a 2.562), o qual atuava como Diretor Financeiro da GSK; b) César Martin Rengifo Dussan, o qual era DiretorPresidente da GSK (fls. 2.566 a 2.572); c) Gilberto Francisco Ugalde Chacon, o qual era Diretor VicePresidente da Unidade de Consumo da GSK (fls. 2.574 a 2.580); d) João Márcio Alves Ferreira, o qual era Diretor de Recursos Humanos e Administrativo da GSK (fls. 2.582 a 2.588); e) Milton de Oliveira, o qual era Diretor Industrial da GSK (fls. 2.590 a 2.596); f) Waldir Allan Kardec Bonetti, o qual era Diretor Industrial da Laboratórios Stiefel (fls. 2.599 a 2.605). As ciências para todos os sujeitos passivos solidários se encontram juntadas aos autos através dos Avisos de Recebimentos do Correio. Apensouse a esses autos o processo de nº 16095.720142/201691, em 13/01/2017, o qual trata da Representação Fiscal para Fins Penais de todos os envolvidos (fl. 2.608). Cabe esclarecer que diante da gravidade das Fl. 3200DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.201 5 irregularidades constatadas aplicouse a multa qualificada de 150 % para os períodos lançados. O contribuinte e todos os sujeitos passivos solidários arrolados apresentaram a impugnação conjuntamente das fls. 2.611 a 2.660, em 23/01/2017, (conforme Termo de Solicitação de Juntada da fl. 2.610), fazendo, em síntese, as seguintes ponderações: QUE os lançamentos de ofício se basearam na alegação de planejamento tributário abusivo no processo de integração de atividade da Stiefel Brasil e GSK, as quais comporiam um grupo econômico, pela prática de subfaturamento nas vendas de produtos industrializados de uma para outra, produtos esses sob tributação monofásica. QUE seriam necessários alguns esclarecimentos iniciais sobre o procedimento de aquisição global dos Laboratórios Stiefel pelo Grupo GSK, e de sua organização de atividades no Brasil. A GSK adquiriu a totalidade do capital da Stiefel em 22/07/2009. É feito um longo detalhamento do processo de integração dessas atividades. Em que pese a aquisição da totalidade da empresa, é informado que teria ocorrido a opção apenas pela integração das atividades comerciais. QUE sobre a presunção de subfaturamento não tem fundamento nas provas apresentadas, nem existem ilícitos a ensejar a tributação da forma pretendida na autuação, visto que a autoridade fiscal não cumpriu seu ônus de comprova efetivamente a ocorrência de tal subfaturamento. QUE a comparação de vendas feitas pela GSK com vendas feitas pra terceiros seria impraticável, pois essas vendas seriam distintas em suas funções e riscos. Além disso, no período objeto da autuação fiscal, a Stieffel não teria vendido um mesmo produto para a GSK e terceiros ao mesmo tempo. QUE a comparação feita com os preços praticados pela GSK na revenda para terceiros não pode ser considerada, pois as atividades comerciais de promoção, venda e distribuições foram concentradas na GSK. QUE a redução ocorrida na receita bruta da Stieffel decorreu da atividade que a Stiefel passou a desenvolver, o que implicou na sua redução de despesas. Cita decisões do CARF. QUE houve insuficiência de fundamentação legal no tocante à alegação do planejamento tributário abusivo e ilegal, ou seja, não teria ocorrido o devido enquadramento legal. Menciona o princípio da legalidade tributária específica. Diz que para a autoridade administrativa desconsiderar atos ou negócios juridicamente válidos e eficazes, sob alegação de alteração ou dissimulação, teria que observar procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Até o presente Fl. 3201DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.202 6 momento o referido dispositivo legal não teria sido devidamente regulamentado pelo poder legislativo. Diz que não poderia ser utilizado o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Da mesma forma não poderia se fundamentar no art. 187, do Código Civil, pois os mesmos não seriam suficientes para caracterizar o suposto ilícito. O fiscal teria cometido um erro material inescusável ao afirmar que haveria um desequilíbrio na livre concorrência desse setor econômico. Deve ser cancelada a autuação no tocante à alegação de existência de planejamento tributário ilegal por completa insuficiência de fundamentação legal. QUE se observa inexistência de ato contrário a lei, tendo em vista que não existe exigência de um preço mínimo a ser praticado entre empresas interligadas. Cita acórdãos do CARF. Complementa a defesa que as margens de lucro praticadas pela Stiefel são equivalentes ou até mesmo superiores a outras empresas (apresenta um relatório de auditoria da KPMG). QUE não se pode considerar existente planejamento tributário ilegal quando a GSK, após uma aquisição mundial do maior laboratório privado de produtos dermatológicos, decidiu implementar um modelo gradual de união de atividades. Além disso, a autoridade fiscal em nenhum momento aponta que as empresas Stiefel e GSK não existiram de fato. QUE não se pode considerar existente planejamento tributário ilegal quando a GSK, após uma aquisição mundial do maior laboratório privado de produtos dermatológicos, decidiu implementar um modelo gradual de união de atividades. Além disso, a autoridade fiscal em nenhum momento aponta que as empresas Stiefel e GSK não existiram de fato. QUE ocorreu ausência e erro na quantificação das bases de cálculo, visto a inexistência de dispositivo legal que autorize a utilização da base de cálculo adotada pelo fiscal. Isso porque o fiscal autuante tomo como base de cálculo o preço bruto médio de venda dos produtos praticados pela GSK Brasil. Diz que a Stiefel apresentou toda a documentação fiscal e contábil não autorizando a técnica do arbitramento. E, ainda assim, deveria praticar como critério de arbitramento o preço praticado pelas empresas manufatureiras para as distribuidoras, e não destas para o consumidor final. Não teria sido considerada a dedução dos descontos incondicionais, vendas canceladas, IPI e ICMS ST, ao se considerar o preço bruto médio de venda. Também não teriam sido considerados produtos que não teriam a incidência concentrada/monofásica, sob a alegação de que o intuito da operação era apenas reduzir a carga tributária. Cita produtos que não poderiam ser objeto da presente autuação (fl. 2.638). Diz, ainda, que não teriam sido considerado no preço efetivo cobrado as amostras que industrializa e vende para a GSK, visto que essas sequer são vendidas pela empresa ao público. Fl. 3202DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.203 7 QUE houve presença de propósito negocial, regulatório e econômico, sendo que em nenhum momento o fiscal teria questionado a composição dos preços praticados pela Stiefel com a GSK. O fiscal teria simplesmente feito uma relação entre a queda drástica no lucro líquido e na receita líquida. Diz que ele teria ignorado que a Stiefel mudara o seu escopo, deixando de ser uma empresa que atuava da fabricação até a venda final de seus produtos no mercado em geral. As atividades comerciais de promoção, venda e distribuição foram transferidas para a GSK Brasil. A Stiefel teria tido uma sensível redução da sua matriz de riscos, migrada para a GSK. Como parte dessa integração 187 funcionários da Stiefel foram transferidos para a GSK. Mesmo após a alteração de escopo a Stiefel teria mantido uma margem de lucro absolutamente compatível com as demais empresas. Ressalta que a Stiefel atuaria apenas na industrialização por encomenda para diversas empresas com margem de lucro inferior ao com a GSK. QUE as alterações contratuais da Stiefel e GSK não traz elementos probatórios que suportem as acusações feitas pela fiscalização. A filial da GSK não teve nenhuma acusação do fiscal de que seria uma empresa “fantasma” ou que inexistisse de fato. O fato da Stiefel e a GSK funcionarem no mesmo endereço não significa ilegalidade, pois duas ou mais empresas podem compartilhar as mesmas estruturas comuns, ainda mais quando do mesmo grupo econômico. Cita acórdão do CARF. A diligência fiscal realizada também não teria sido suficiente para comprovar as acusações fiscais. QUE se verifica a inexistência de fraude penal, afastandose a multa agravada, devendo ser afastado a agravamento para 150 %. Isso porque não foi comprovada a acusação de planejamento tributário abusivo. Repete os motivos já narrados da inexistência de subfaturamento. Comenta que a mera discordância da autoridade fiscal em relação ao modelo adotado pelo contribuinte não é razão por si só suficiente para justificar a apontada fraude. Cita jurisprudência administrativa. QUE deve ser afastada a responsabilização tributária dos diretores pessoas físicas pelas razões comentadas anteriormente e também pelo afastamento da responsabilização tratada no art. 135, do CTN. Nesse ponto o Auto de Infração é completamente genérico, responsabilizando as pessoas responsáveis pela administração das empresas à época dos fatos geradores. A responsabilização dos diretores exige a vinculação direta e a participação efetiva nos atos, não podendo se responsabilizar pela suposta ausência de recolhimento de tributos. Cita a Súmula nº 430 do STJ. Diz que caberia à fiscalização o ônus de provar que os atos dos representante se enquadrariam nas hipóteses do art. 135. Menciona julgamento do art. 13 da Lei nº 8.620/93. Aponta que o STF teria interpretado que o representante da empresa somente responderia por dívidas tributárias decorrentes de descumprimentos de obrigações próprias suas. Defende que o atingimento do patrimônio de pessoas físicas em decorrência de dívidas empresariais fere a Fl. 3203DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.204 8 legislação ordinária, inibe a atividade empresarial e afronta a Constituição que estabelece o livre exercício da profissão e da atividade econômica. Por fim, entendem que restou amplamente demonstrado que a presente autuação não se sustenta, seja pelos vícios preliminares que evidenciam a nulidade material do lançamento, seja pelo próprio mérito no qual defende que restou demonstrado pelas provas apresentadas que as acusações da fiscalização não correspondem à verdade dos fatos. Complementam dizendo que se comprovou a imperiosa exclusão dos administradores do polo passivo da presente autuação, em face da inexistência de comprovação de forma específica e pormenorizada de que estes atuaram com infração à lei, ao estatuto, contrato social ou excesso de poderes, como exige o art. 135 do CTN, tratandose a acusação fiscal de verdadeira situação de responsabilização objetiva dos diretores por suposta ausência de recolhimento de tributos, o que é rechaçado pelo entendimento do STJ, do STF e também do CARF. Requerem que seja reconhecida a nulidade material dos Autos de Infração, objeto do processo em epígrafe ou, caso assim não se entenda, que seja reconhecida a improcedência integral da autuação, em face da ausência de comprovação, bem como da inexistência do apontado subfaturamento, assim como do alegado planejamento tributário abusivo ou ilegal, cancelandose a exigência em sua totalidade. Caso não acolhido o pedido antecedente, requerem que seja afastada a multa agravada em face da inexistência de fraude à lei e de conduta dolosa por parte do sujeito passivo e que sejam desconstituídos os vínculos de responsabilidade dos diretores pessoas físicas em virtude da ausência de comprovação das situações descritas no artigo 135 do CTN. Ademais, pugnam pela realização de todas as diligências necessárias à comprovação das suas razões de defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS por intermédio da 2ª Turma, no Acórdão nº 10058.954, sessão de 25/05/201, indeferiu as preliminares de nulidades e pedido de perícia, e julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado e a responsabilidade solidária dos arrolados nos Termos de Sujeição Passiva. A decisão foi assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. SUBFATURAMENTO. Para se aferir o limite para as Fl. 3204DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.205 9 operações de planejamento tributário é preciso indagar se existe motivo extratributário para a realização do ato ou negócio jurídico, ou seja, se há propósito negocial. Constata se aqui a ausência de propósito negocial, sendo o objetivo único a redução considerável da tributação de PIS e de Cofins, mediante venda simulada subfaturada pela indústria para empresa comercial ligadas ao mesmo grupo econômico, visando reduzir apenas a base de cálculo sujeita à incidência monofásica daquelas contribuições. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. O planejamento tributário abusivo e ilegal praticado pelo grupo econômico evidencia a conduta dolosa de impedir o conhecimento da real base de cálculo dos tributos, ensejando, pois, a qualificação da multa de ofício aplicada. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio, visto o pedido ser feito de forma genérica. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação do próprio contribuinte. ADMINISTRADORES. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os administradores da empresa – diretores, gerentes ou representantes, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte as condutas tipificadas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, respondem pelo crédito tributário de forma solidária, nos termos do art. 124 combinado com o art. 135 do Código Tributário Nacional. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2012 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E ILEGAL. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. SUBFATURAMENTO. Para se aferir o limite para as operações de planejamento tributário é preciso indagar se existe motivo extratributário para a realização do ato ou negócio jurídico, ou seja, se há propósito negocial. Constatase aqui a ausência de propósito negocial, sendo o objetivo único a redução considerável da tributação de PIS e de Cofins, mediante venda simulada subfaturada pela indústria para empresa comercial ligadas ao mesmo grupo econômico, visando reduzir apenas a base de cálculo sujeita à incidência monofásica daquelas contribuições. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. O planejamento tributário abusivo e ilegal praticado pelo grupo econômico evidencia a conduta dolosa de impedir o Fl. 3205DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.206 10 conhecimento da real base de cálculo dos tributos, ensejando, pois, a qualificação da multa de ofício aplicada. DILIGÊNCIA. PEDIDO INDEFERIDO. Indeferese o pedido de diligência quando as informações necessárias se encontram nos autos e não é demonstrada sua real necessidade para a solução do litígio, visto o pedido ser feito de forma genérica. Ainda mais quando o lançamento do crédito tributário está todo baseado em documentação do próprio contribuinte. ADMINISTRADORES. RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. Os administradores da empresa – diretores, gerentes ou representantes, que praticam, de forma comissiva ou omissiva, conjuntamente com o contribuinte as condutas tipificadas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, respondem pelo crédito tributário de forma solidária, nos termos do art. 124 combinado com o art. 135 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário reiterando as mesmas matérias versadas em impugnação para reforma da decisão recorrida no sentido de, em preliminar, anular o auto de infração e, no mérito, pugna pelo cancelamento do crédito tributário exigido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário, que foi interposto empeça única em nome do contribuinte e demais pessoas que compõem o polo passivo na condição de responsáveis solidários, atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O cerne do litígio é o inconformismo dos autuados em face do lançamento de ofício baseado na acusação de planejamento tributário abusivo no processo de integração de atividade do Laboratório Stiefel STIEFEL, e a Glaxosmithkline do Brasil GSK, as quais comporiam um mesmo grupo econômico, tendo a fiscalização afirmado ter constatado a prática de subfaturamento nas vendas de produtos industrializados de uma para outra, produtos esses sob o sistema de tributação monofásica (Lei nº 10.147/2000). As matérias suscitas na preliminar: "Presunção de Subfaturamento"; "Insuficiência de Fundamentação legal no tocante à alegação de planejamento tributário abusivo e ilegal"; e "Inexistência de ato contrário a Lei", como apontaram as recorrentes seriam nulidades materiais e não descumprimento dos requisitos de que tratam os arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Essas matérias confundemse com o próprio mérito do recurso; assim, serão enfrentadas em tópicos próprios. Fl. 3206DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.207 11 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS: A incidência concentrada de PIS e Cofins de determinados produtos e a reorganização dos negócios das pessoas jurídicas desse ramo de atividade. É recorrente neste Conselho, julgamentos de matéria análoga ao presente litígio e que merece considerações iniciais para a perfeita elucidação e enfrentamento do contencioso no presente processo. A receita bruta das pessoas jurídicas estava sujeita à incidência das contribuições sociais para o PIS/Pasep e para a Cofins, a teor do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, não havendo qualquer limitação da tributação quanto às etapas da cadeia econômica (produção e comercialização). A Lei nº 10.147/2000, de 21/12/2000, com efeitos somente aos fatos geradores a partir de 01/05/20011, instituiu em seu art. 1º2 a incidência monofásica na tributação de PIS e Cofins para a pessoa jurídica que industrializa ou importa determinados produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, com alíquotas substancialmente superiores (2,02% para o PIS, e 10,3% para a Cofins) à tributação normal do regime nãocumulativo. Para essa gama de produtos, determinou o art. 2º dessa mesma Lei 3 que a incidência sobre a receita bruta da pessoa jurídica industrial/importadora é única (concentrada), e expressamente reduziu a zero as alíquotas de PIS e Cofins nas receitas com a revenda efetuadas pelas pessoas jurídicas adquirentes do fabricante/importador: Em síntese, até 30/04/2001 o PIS e a Cofins sobre a receita bruta na venda ou revenda de determinados produtos farmacêuticos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal alcançavam todas as pessoas jurídicas. A partir de 01/05/2001, essas contribuições passaram a incidir apenas sobre a receita bruta da pessoa jurídica fabricante ou importadora de referidos produtos. A etapa de revenda deixou de ser tributada (alíquota zero) pelas Contribuições. Como consequência da novel tributação no setor, grupos econômicos passaram a reestruturar seus negócios de forma que o padrão de operação tradicional, que 1 Art. 7o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2001, ressalvado o disposto no art. 4o. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) 2 Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: [...] 3 Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. Fl. 3207DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.208 12 compreendia a industrialização e venda efetuada pelo fabricante a seus clientes, foi substancialmente modificado. A partir de então, pessoa jurídica, do mesmo grupo econômico, (já existente, recém constituída ou com alteração substancial de seu instrumento social com adequação para o fim proposto, com a peculiaridade de ser desprovida de depósitos de armazenagem próprios e compartilhar as mesmas instalações e serviços do fabricante) passa a exercer, com exclusividade, a atividade de comercialatacadista ou simplesmente revendedora na aquisição e revenda dos produtos monofásicos da indústria aos mesmo clientes desta. Assim, o fabricante não mais efetua venda direta de sua produção a clientes (terceiros não vinculados), mas é impelido (contratualmente) a fazêla à pessoa jurídica do grupo ao qual pertence por valores substancialmente reduzidos, que os revende aos mesmos clientes que outrora adquiriam esses produtos diretamente do fabricante, por preços que se aproxima daqueles praticados quando da venda indústriacliente. O efeito imediato desse modelo de negócio foi a redução expressiva na receita bruta da industrial e a consequente redução dos tributos que incidem na operação PIS/Pasep, Cofins e IPI, além do efeito no IRPJ e CSLL. Por outro lado, na revenda da comercialatacadista para o cliente, em que a receita bruta é expressivamente maior em relação à da industrial, não há incidência de PIS/Pasep e de Cofins, a teor do mencionado art. 2º da Lei nº 10.147/2000. É de se presumir que a introdução de uma etapa de operação de revenda realizada por uma pessoa jurídica, que até então não participava da operação de industrializaçãovenda direta a clientes, não traz ganhos operacionais ou econômicos ou redução de custos, pelo simples fato desse acréscimo implicar novos gastos, antes inexistentes, tais como: financeiros, operacionais, trabalhistas, administrativos, armazenamento e logísticos, e outros tantos mais. As fiscalizações setoriais realizadas pela Receita Federal tem concluído amiúde que a citada reorganização dos negócios de grupos econômicos que se dedicam às atividades empresariais com produtos sujeitos à tributação concentrada consubstanciamse em planejamento tributário por vezes abusivos e/ou ilegais e eivadas de conduta fraudulenta que visam à sonegação fiscal, mediante simulação e o subfaturamento de preços praticados nas operações de "vendas" da indústria para a comercialatacadista, pertencentes ao grupo. A acusação fiscal de simulação e subfaturamento recai normalmente no conjunto probatório de ausência de fundamento econômico e financeiro do acréscimo da etapa realizada pela comercialatacadista, sem ganho econômico, no qual a finalidade, via de regra, é exclusivamente a redução do tributo na cadeia de comercialização de produtos de incidência concentrada, e a redução artificial de preços o subfaturamento na operação intragrupo (venda da industrial para a comercial), ao passo que o preço praticado na operação de revenda, da comercialatacadista para o cliente, mantém na mesma faixa que antes era praticado pela industrial. Apresentado o panorama geral das operações de comercialização de produtos sujeitos à tributação estabelecida pela Lei nº 10.147/2000, realizadas antes e após os efeitos de sua vigência, e as adaptações de cunho organizacional de grupos econômicos sujeitos a essa modalidade de tributação, da qual resultou em diminuição da receita bruta na etapa industrial e Fl. 3208DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.209 13 consequente redução de PIS/Pasep e Cofins, mantendose a lucratividade na venda a terceiros, cumpre analisar os fatos que permeiam a situação dos autos. Entendo ser indiscutível que a matéria central posta em julgamento é fática, e não de direito. Isto porque incontroverso que o recorrente sujeitase à tributação de que trata a Lei nº 10.147/2000. O Fisco acusou o grupo que compõe a STIEFEL e GSK de alterar o modo de negócio da primeira, que passou a se dedicar à industrialização de medicamentos e/ou produtos farmacêuticos e sua venda com exclusividade a GSK, com a redução artificial de preço, caracterizandose o subfaturamento, por meio de um planejamento tributário abusivo, mediante a simulação da operação de revenda da GSK para os clientes da STIEFEL, sendo que a verdadeira operação permaneceu como anteriormente da STIEFEL a seus clientes. Assim, as matérias submetidas a julgamento neste Colegiado cingemse à comprovação da (i) existência de um planejamento tributário abusivo (ii) mediante a simulação de operações de venda entre SIETEL e GKS, (iii) cujos preços são subfaturados, cujo efeito foi a redução ilegal da base de cálculo das contribuições. 2. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO E SIMULAÇÃO Antes de passar aos subtópicos pontuais da matéria, analisamse as considerações gerais da fiscalização para afastar o planejamento tributário no tocante ao objeto do procedimento de auditoria e as contestações dos recorrentes A autoridade fiscal asseverou que o “planejamento tributário” realizado, teve como razão única a diminuição do ônus dos tributos e contribuições incidentes nas operações do grupo econômico, sendo certo que não houve propósito negocial ou razões econômicas que justificassem a venda, para a GSK, de produtos a preços subfaturados. Expõe entendimentos doutrinário e jurisprudencial, no tocante aos limites do poder de autoorganizarse, assentados no princípio de que a essência deve prevalecer sobre a forma e conclui pelo abuso de direito, quanto ao modo do seu exercício cuja finalidade única foi de pagar menos tributo, e afronta aos princípios constitucionais da boafé, dos bons costumes, e do fim econômico e social. Dessa forma, diante das ilicitude constatadas, o Fisco recusou os efeitos da reorganização das atividades do Grupo STIEFEL/GSK, no âmbito tributário, tratando a situação concreta como "planejamento tributário" abusivo e ilegal. Os argumentos e fundamentos do Fisco foram rebatidos pelos recorrentes que sustentaram que o planejamento realizado inserese no modelo de negócio efetivado após a aquisição mundial da STIEFEL pela GSK, não podendo ser considerado abusivo e ilegal. Há evidente propósito negocial, regulatório e econômico na reorganização das pessoas jurídicas e de suas atividades. Passo a enfrentar as situações fáticas em que residem os fundamentos das partes e os pontos de discordâncias em sustentar suas posições. São elas: (i) aquisição global dos Laboratórios Stiefel pelo Grupo GSK e da sua organização de atividades; (ii) alterações Fl. 3209DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.210 14 contratuais da Stiefel e GSK; (iii) ausência de propósito negocial, regulatório e econômico; e (iv) simulação. O subfaturamento, enquanto elemento essencial do planejamento tributário abusivo e ilícito, será enfrentado em tópico próprio. 2.1 Aquisição global dos Laboratórios Stiefel pelo Grupo GSK e da sua organização de atividades A narrativa fiscal dá conta de que embora a aquisição da STIEFEL pelo Grupo GSK, as operações no Brasil limitaramse à integração das atividades comerciais que passaram a ser realizadas exclusivamente pela GSK, a teor do contrato de prestação de serviços compartilhados, datado de 30/04/2010. Esse fato caminha no sentido de ser indício de que a finalidade da reorganização foi o de planejar a interrupção da venda direta da STIEFEL para seus clientes de forma que somente a GSK realizasse tal operação. O efeito, como explanado alhures, foi a redução da receita bruta apenas da Sitefel, que fora transferida para a GSK, para que esta não se submetesse à tributação das Contribuições e os valores apurados e recolhidos pela Sitefel sofressem sensível redução. 2.2 As alterações contratuais da Stiefel e GSK Alegam os recorrentes que as alterações contratuais entre a Stiefel e a GSK não trariam elementos probatórios que dessem suporte às acusações feitas pelo Fisco, visto que as empresas existiam de fato. O mesmo endereço da Stiefel e da GSK não significaria ilegalidade, pois duas ou mais empresas podem compartilhar as mesmas estruturas, ainda mais quando do mesmo grupo econômico. De outro lado, a diligência realizada não teria sido suficiente para comprovar as acusações fiscais. Cita acórdão do CARF. O modelo de negócio praticado após a transferência da atividade comercial da STIEFEL para a GSK está amparado em documentos formalmente regulares. Certamente revela uma estrutura de negócios que fora meticulosamente reorganizada para se alcançar o objetivo de redução da tributação por intermédio de planejamento tributário abusivo que, todavia, não coincide com a realidade fática revelada na autuação fiscal o planejamento abusivo/ilegal e o subfaturamento de preços, que se demonstrará a frente. Dessa forma, o compartilhamento da localização física, e dos demais elementos da estrutura empresarial da STIEFEL com a GSK, ambas interdependentes, é apenas um dos componentes do rearranjo da atividade de produção e venda a clientes de produtos sujeitos à tributação concentrada com a finalidade precípua de redução ilícita de tributos. A existência física e jurídica de ambas não afasta a realidade da incompatibilidade entre o negócio declarado e aquele revelado no procedimento fiscal eis que parte da simulação , que ao final permitiu a autoridade fiscal concluir acertadamente pela ilicitude do planejamento tributário empreendido pela contribuinte. 2.3 Propósito negocial, regulatório e econômico Fl. 3210DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.211 15 Na matéria, insurgemse os recorrente quanto à acusação fiscal de inexistência de propósito negocial no modelo de negócio que passou a ser empreendido pelo Grupo STIELFEL/GSK. Rebatem as acusações com a afirmação de quer a STIEFEL transferiu funcionários à GSK e ainda manteve margem de lucro compatível em relação às demais empresas. A contribuinte justifica a redução da margem de lucro da Stiefel na diminuição de suas despesas que foram "transferidas" para a GSK. Essa redução de despesas não fora demonstrada nem comprovada. A decisão recorrida discorreu acerca das constatações da autoridade fiscal e os fundamentos que sustentam a ausência de propósito negocial no novo modelo de negócio do Grupo. Procedem os argumentos do Fisco e os fundamentos da DRJ para considerarem inexistentes motivos econômicos e financeiros que excederiam a mera redução da carga tributária, de modo a justificar o novo modelo de negócio que trouxe redução da receita bruta e a consequente queda na margem de lucro. Entendo que a justificativa para tal redução não se encontra na diminuição das despesas, pois que, matematicamente, a redução simultânea de receita e despesa tende a manter a mesma margem de lucro líquido, a menos que a redução da receita bruta seja extremamente superior à redução das despesas para resultar em redução da lucratividade na ordem de 71,83% para 32,57%, comparandose os anos de 2011 (vendas Sitefelclientes) e 2012 (vendas StiefelGSK). Ao meu ver, os fatos apontam para sensível redução na receita bruta da STIEFEL decorrente da redução dos preços praticados entre esta e a comercialatacadista, interdependentes, que não foi proporcionalmente afetada pela redução de custos e despesas. Tratase, em verdade, de arranjo que visa não a prolatada eficiência econômicafinanceira, mas, sobretudo, economia tributária, que no presente caso resultou de prática de atos considerados fraudulento, por meio de simulação e subfaturamento. Não é crível que a inserção de uma comercial atacadista entre a industrial e os clientes (grandes redes de drogarias) tenha resultado maior receita e lucratividade nas vendas totais do Grupo Sitefel/GSK. Vislumbrase que o negócio é extremamente lucrativo para o Grupo não pela redução de custos de "intermediação" da GSK, mas sim pela sensível alteração da receita bruta na venda da industria e na revenda pela comercial, com redução expressiva na primeira e aumento vertiginoso na segunda, cuja explicação reside no planejamento abusivo, simulado, fraudulento e no subfaturamento de preços para reduzir ilicitamente a base de cálculo das Contribuições. Desnecessária maior expertise em negócio e finanças para concluir que a venda direta da STIEFEL para seu cliente final reduziria os custos e despesas incorridos na etapa de transferência para GSK e desta para o cliente. São custos e despesas com pessoal, instalações, ativos, logística e outras mais que certamente incorrerem em ambas. Contudo, é exatamente a inclusão dessa etapa, ao meu ver injustificável, que permite a venda majorada em cerca de até 5 vezes em relação aos custos de produção. Fl. 3211DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.212 16 Eis ai o despropósito da venda intermediária da STIEF para GSK. O resultado da operação com produtos de incidência concentrada é que a STIEFEL reduz sua receita e tributação de PIS e Cofins, a GSK nada paga dessas Contribuições e ainda pratica os mesmos preços na venda aos clientes da STIEFEL. 2.4 A simulação É indiscutível a liberalidade de empresas realizarem reorganizações de negócio com fins ao desmembramento de atividades econômicas, pois respaldada em princípios constitucionais, como o da livre iniciativa. Todavia, a legislação pátria não ampara negócios realizados artificialmente mediante fraude, simulação e sonegação fiscal. Plácido e Silva conceitua simulação como “o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui (...) No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros” (Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Ed. Forense, 1990). Luciano Amaro complementa que “a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam.” (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª Ed. Ed Saraiva, 2007, p. 231) Simulação corresponde, portanto, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. O ato existe apenas aparentemente; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. Em geral, devido a sua própria natureza, a simulação é de difícil comprovação documental. Há a presença de dois atos, o ato simulado, do qual há documento ostensivo, e o ato dissimulado que é o que se intenta esconder. Assim, visto que sua ação é dissimulada sob forma diversa, fica muito difícil que se encontre a chamada prova cabal da sua ocorrência, pois esconder o ato dissimulado é da própria natureza da simulação, sendo assim se faz necessário perquirirse a real intenção dos agentes no momento da prática do ato. Para sua demonstração, devese lançar mão de provas indiciárias e presuntivas. No discorrer de seu relatório, fiscalização trilhou este caminho ao descrever os indícios que apontavam para formas de operação e rearranjo societário que no somatório e conjunção das provas coligidas permitiram afirmar que se tratava de atos e negócios que conferiam certa aparência que, entretanto, não correspondiam à realidade. No Relatório Fiscal a autoridade relata a aparência formal dos atos praticados pela STIEFEL/GSK e a sua realidade material que se consubstanciaram em inúmeras alterações sociais promovidas em estabelecimento da GSK, que estrategicamente fora inserido nas instalações físicas da STIEFEL e dela se utilizou de depósitos, de mãodeobra e de outros Fl. 3212DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.213 17 elementos de infraestrutura próprios de uma pessoa jurídica que se dedica ao comércio atacadista. Com a adequação formal ao modelo de negócio proposto, no dia 29/12/2011, os estoques de mercadorias da STIEFEL foram "transferidos" para os depósitos da GSK4, conforme afirmativa expressa do próprio contribuinte em seu recurso voluntário (fl. 3.010). Portanto, não houve venda, mas sim uma mera "transferência" de produtos acabados cujo preço unitário consignado em notas fiscais foram em cerca de 26,94% do efetivo preço médio de venda praticado no período (fl. 2.449). A partir de então, a STIEFEL deixou formalmente de realizar vendas diretamente a seus clientes, em razão da obrigação contratual de fornecer toda a sua produção à GSK, sendo remunerada pelo custo de fabricação, acrescido dos tributos e markup, que se mostrou inexistente para 54 dos produtos com incidência concentrada de PIS e Cofins, de um total de 78 negociados no período (como se verá no tópico "3. Subfaturamento" desde voto). A economia tributária por intermédio de transações simuladas revelouse a real motivação da cisão de uma única operação de industrialização e venda de produtos (STIEFELcliente) para outro formato de negócio, com a inserção de uma etapa de revenda (GSKcliente) que inevitavelmente haveria de acrescentar custos e despesas relevantes ao Grupo. Todavia, mediante a redução artificiosa dos preços na etapa de (re)venda do produto industrializado, realizada entre empresas interdependentes, proporcionouse a redução dos tributos incidentes sobre produtos destacados pela Lei para sofrer incidência concentrada unicamente na venda pelo estabelecimento industrial e redução a zero nas etapas de comercialização posteriores. Assim demonstrada a simulação nas alterações societárias da GSK com a adequação necessária para interporse entre a indústria e clientes do Grupo, com o propósito de redução da carga tributária na venda de produtos sujeitos à incidência concentrada de PIS e Cofins. A simulação é o elemento fundamental no planejamento tributário abusivo e no subfaturamento dos preços para a evasão tributária aqui comprovada pelo Fisco. Conclusões do planejamento tributário abusivo e ilegal com a prática de atos simulados A comprovação do planejamento abusivo mediante simulação e subfaturamento, pode ser extraída do próprio recurso voluntário quando afirma que a STIEFEL não vendeu, apenas transferiu seus estoques para a GSK, que após todo o rearranjo passou ser "revendedora" exclusiva dos produtos fabricados pela STIEFEL para os clientes desta, sem o pagamento de PIS e Cofins, no tocante à incidência concentrada. Ora, se a remessa da STIEFEL para a GSK caracterizouse transferência de estoques, com a peculiaridade de que a GSK não dispunha de local próprio para armazenagem 4 Operação que não demandou qualquer logística complexa uma vez que o depósito da GSK, conforme revelado em diligência fiscal, resumese apenas a espaço físico dentro do depósito da STIEFEL separado unicamente por grades. Fl. 3213DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.214 18 pois compartilhava de espaço do depósito fechado da STIEFEL, a saída desses estoques, promovida apenas no ano de 2012, em operação de venda a clientes, não pode ser atribuída à GSK, uma vez que não era sua propriedade, mas tãosó da STIEFEL. A análise mais detalhada dos contratos celebrados (fls. 738 e ss) entre as pessoas jurídicas do Grupo, permitir afirmar que a STIEFEL deixou de exercer a liberalidade negocial que detinha para vender seus produtos diretamente aos seus clientes ao preço por si definido. Constam das cláusulas "2.6" e "5.1" do contrato a obrigação da STIEFEL fornecer à ordem da GSK os produtos fabricados e nos volumes requeridos. Ora tal disposição não se coaduna com a liberdade em seus negócios, mormente quando a realidade dos preços praticados entre STIEFEL e GSK no ano de 2012 denotavam vendas abaixo dos custos de transferências de estoque em dezembro/2011 em 69% dos produtos (54 de um total de 78), conforme demonstra no tópico de subfaturamento. Dessarte, confirmase a conclusão fiscal, pois que havendo a deliberação da pessoa jurídica de reduzir a tributação de determinadas mercadorias sujeitas ao PIS e Cofins, fezse necessário um planejamento tributário, abusivo e ilícito, por meio de simulação de uma operação desnecessária e prescindível no seio de um grupo econômico, com a prática simultânea de redução artificial de preços nessa operação intragrupo. 3. SUBFATURAMENTO Defendemse os recorrentes que a autoridade fiscal não comprovou o alegado subfaturamento, dada a impossibilidade de se comparar as vendas realizadas da STIEFEL para a GSK com as efetivadas com terceiros, pois de natureza distintas. Alega a inexistência de vendas simultâneas de mesmo produtos e tempo para a GSK e terceiros. Sustenta que um dos componentes da redução da receita na industria foi a correspondente redução de despesas. A DRJ afirma a existência de um conjunto probatório contundente da existência do subfaturamento. Impende identificar exatamente em que se funda e quais as provas apresentadas pelo Fisco para acusar que as vendas da STIEFELGSK são subfaturadas. Primeiramente, o subfaturamento aqui analisado difere daquele comumente constatado nas operações de comércio exterior no qual uma fatura comercial consigna um valor para a mercadoria importada, cujo contrato de câmbio e sua efetiva liquidação expressam exatamente esse mesmo valor, contudo, outro pagamento, à margem das declarações formais aos órgãos de controle, é efetuado (por meios legais ou não) para complementar o verdadeiro valor acordado entre as partes. O subfaturamento no comércio exterior não exige a interdependência entre exportador e importador e se revela por uma simples omissão do preço efetivamente pago ou a pagar por uma mercadoria. Fl. 3214DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.215 19 No presente autos, tratase de outro tipo de subfaturamento que só tem em comum com o descrito acima a intenção de reduzir tributo; a forma e os meios de se alcançar tal objetivo divergem substancialmente. A acusação fiscal foi de que havendo a deliberação da pessoa jurídica de reduzir a tributação de determinadas mercadorias sujeitas ao PIS e Cofins, fezse necessário um planejamento tributário abusivo e ilícito para que, por meio de simulação de uma operação entre empresas do mesmo grupo econômico e, simultaneamente, uma redução artificial de preços praticados o subfaturamento , a venda do produto fabricado aos seus clientes não mais fosse realizado pela pessoa jurídica industrial, mas doravante pela comercial atacadista, antes inexistente ou com arranjo societário para tal fim. De forma alguma o subfaturamento constatado pela fiscalização implicou pagamento a menor que o consignado nas notas fiscais; e esta não foi a acusação. De outra banda, também, o subfaturamento no novo modelo de negócio a introdução de uma operação de venda entre STIEFEL e GSK, antes da venda ao cliente do Grupo não teve por fundamento a redução da margem de lucro da STIEFEL. Esta diminuição foi consequência da redução artificial de preço na venda da STIFELGSK em comparação com a venda STIEFELcliente. Pois bem; no Termo de Verificação (fls. 2.449/2.451) encontrase o fundamento do subfaturamento constatado pelo Fisco, a saber, as vendas da STIEFEL para a GSK foram feitas muito abaixo dos valores de mercado dos produtos. Entendo que a expressão "mercado" aqui utilizada é com referência às vendas aos clientes da STIEFEL, pois a autoridade fiscal ressalta a desproporção entre as vendas para a GSK e as vendas efetuadas para os demais clientes no mês de dezembro/2011, sintetizado à folha 2.4495. Em seguida, para o ano de 2012, o Relatório Fiscal demonstra a continuidade da mesma sistemática de preços: vendas STIEFELGSK equivalem, em média, cerca de 22% do valor na venda GSKclientes. Importa pontuar que em dezembro de 2011 houve a alteração dos negócios, porquanto até esse mês a STIEFEL realizou vendas diretas a terceiro e, simultaneamente, iniciou as vendas para GSK, que a partir de janeiro/2012 revelaramse exclusivas. É exatamente o comparativo dos preços de vendas deste período que revela o subfaturamento através do artifício de reduzir os preços dos produtos destinados à GSK, em média para 26,94% daquele praticado na venda para clientes não interdependentes. A defesa traz suas alegações também para refutar que a evidente diminuição dos preços de venda da fabricante tem outras explicações que não o subfaturamento. 5 Ou seja, apuramos que o preço dos produtos vendidos à GSK em 12/2011 equivale à cerca de 26 % (VINTE E SEIS POR CENTO) do preço praticado pela STIEFEL nas vendas a terceiros (outros clientes da Stiefel). Portanto, as vendas da Stiefel para a GSK foram feitas por valores subfaturados. Portanto, o valor que a STIEFEL pratica em relação a terceiros é cerca de 370% (TREZENTOS E SETENTA) maior do que o praticado com a GSK Fl. 3215DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.216 20 A indicação do art. 187 do Código Civil não foi fundamento para caracterizar o subfaturamento, mas para circunscrever a prática fraudulenta do planejamento tributário abusivo, a simulação e o subfaturamento como atos ilícitos. Além do mais, as condutas ilícitas narradas nesses autos estão todas descritas na legislação do PIS e Cofins, no Código Tributário Nacional e demais legislação federal mencionadas pela autoridade fiscal e que prevê a observância obrigatório de seus regramentos e as sanções em face de descumprimento. Nos autos não se encontram quaisquer demonstração de que as operações da STIEFEL para com a GSK em comparação com terceiros encontra justificativa de extrema diferença de preços na distinções de "funções e riscos". Na verdade, quando se trata de industrialização por encomenda de terceiros, com inexpressiva participação na receita bruta da STIEFEL, temse uma operação cuja natureza é de prestação de serviço, e não de venda, e estão segregadas daquelas que originou a autuação, segundo o código de operação fiscal (CFOP). Conquanto tratado em tópico anterior , a contestação quanto à inexistência de venda simultânea para clientes e GSK no mês de dezembro/2011, sob a expressa afirmação no recurso voluntário que em verdade "o que houve foi uma transferência de estoque, ao final o mês" (fl. 3.010) não macula nem desnatura as conclusões fiscais, pois a comparação foi plenamente possibilitada com a identificação de produto comum a essas duas operações de venda (STIEFELclientes e STIEFELGSK) e a constatação de drástica redução dos preços (tema desenvolvido no Relatório Fiscal fls. 2.451/2.456 e demonstrada na planilha comparativa fls. 2.397/2.399) . Em outro ponto do recurso há menção à redução de despesas, riscos e funções desempenhadas pela STIEFEL o que resultou em redução da receita bruta. As alegações não vieram acompanhada de prova da redução de despesas que implicou consequente redução na receita bruta. Será verificado em tópico deste voto que o resultado foi a severa redução de margem de lucro da indústria do Grupo o que é incompatível com redução simultânea de receita bruta e despesas. A recorrente colaciona excertos do Acórdão nº 3401003.266, de 29/09/2016, e aponta para trecho em que seu Relator constata que inexistem nos autos prova do subfaturamento pois o Fisco não efetuou qualquer verificação individualizada da prática de preços diferenciados e a demonstração de proximidade entre preço de custo e de produção. Segue o trecho transcrito: [...] Não foi feita qualquer verificação, individualizada por produtos, da prática de preços diferenciados ou por comparação de preços, ao menos, apontando indícios mais robustos, por meio de histórico de transações e cotações nos mercados, ou ainda, demonstrando a proximidade entre o preço de venda e o custo de produção. [...] As afirmativas e conclusões naquele processo não se aplicam aqui: a uma, o Fisco fez análise detalhada e apresentou demonstrativo comparativo dos preço individualizado praticados antes e após a interposição da GSK nas vendas entre STIEFEL e seus cliente, a duas, em mais de uma oportunidade a autoridade fiscal intimou a contribuinte apresentar a Fl. 3216DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.217 21 composição do preço de custo de seus produtos; a três, não constam dos autos o atendimento às intimações ou mesmo em fase recursal a demonstração desses custos e sequer da propalada redução de despesas. A seguir a imagem do item do Termo de Intimação (fls. 27/28) em que é solicitado a demonstração individualizada da composição do preço de venda dos produtos: A contribuinte não apresentou o que lhe fora solicitado, apenas a planilha do preço de venda apontando os valores dos tributos devidos na operação. A análise fiscal quanto ao subfaturamento, embora sucinta, é contundente ao expor as diferenças de preços praticadas pela STIEFEL antes e após a inserção da GSK nas operações com clientes. Os demonstrativos apresentados são objetivos e diretos ao desnudar a prática do subfaturamento. Cumpre também asseverar ser irrelevante a comparação de preços de venda de mesmos produtos sujeitos à incidência concentrada das Contribuições em uma mesma data pela STIEFEL a clientes e à GSK. Basta ter o conhecimento do preço praticado entre STIEFELcliente em dezembro/2011 e STIEFELGSK no ano de 2012 e comparálo, apenas considerando, por força de contrato, um markup sobre o preço de custo na "venda" STIEFEL GSK e que essas vendas somente são reajustadas a cada 12 meses. A seguir apresento o quadro, em maior extensão ao exibido no Relatório Fiscal (fls. 2.449. 2.450 e 2.451) e nos demonstrativos elaborados pela fiscalização (fls. 2.397/2.399) onde se comparam os preços nas operações STIEFELclientes, STIEFELGSK e GSKclientes, em dezembro/2011 e no decorrer de 2012, considerando apenas os produtos de incidência concentrada comercializado em ambos os períodos. dez/2011 2012 Código (1) Descrição (2) Stiefel cliente (3) Stiefel GSK (4) Stiefel GSK (5) GSK Cliente (6) SietelGSK: 2012 / dez11 (7) 6B132328500 AcneAid Wash 60g 19,83 5,16 5,25 24,42 1,7% 59 A113928500 Acnesoap Sabonete I00g 14,24 3,72 3,16 17,24 15,1% A44A132327400 ANSOLAR DAILY USE FPS 30 60G 46,19 12,12 11,90 52,83 1,8% A44A190527400 Ansolar Daily Use FPS30 Cap OR 43,75 15,30 8,49 47,00 44,5% 302844 ANSOLAR FLUID 60ML OR 49,70 13,23 11,96 57,65 9,6% 890A132327400 ANSOLAR LOTION FPS 60 OR 60G 46,24 12,29 10,62 53,54 13,6% 302572 BABIX SAB 100G 12,27 3,30 3,02 14,78 8,5% A38A151828500 BABIX XAMPU INFANTIL OR 25,18 6,54 3,48 30,39 46,8% 970A130628500 Clariderm Clear OR 27,84 7,05 8,06 45,28 14,3% 520C122328500 Claripel Acquagel 30g 37,49 9,74 9,74 36,85 0,0% 3A126328500 CLINAGEL 45G 29,49 7,66 5,51 29,09 28,1% 516C159328500 Clindoxyl 30g 29,48 7,66 6,53 29,24 14,8% Fl. 3217DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.218 22 dez/2011 2012 Código (1) Descrição (2) Stiefel cliente (3) Stiefel GSK (4) Stiefel GSK (5) GSK Cliente (6) SietelGSK: 2012 / dez11 (7) 687A370928500 DermaVite comp cf 30 54,26 14,10 13,77 53,59 2,3% 5A152028500 Duofilm 15ml 19,70 5,13 4,76 19,44 7,2% 36A128032800 DUOFILM PLANTAR 20G 29,98 7,80 6,25 29,66 19,9% 523A1306315DC Fisiogel Al cr 3Cg 36,72 9,47 9,22 52,72 2,6% 304763 Fisiogel Al Ic cremo 240 ml OR 55,28 14,37 16,51 83,71 14,9% 304764 FISIOGEL CLEANSER 250ML OR 32,58 8,41 8,15 44,71 3,1% 477B132331500 FISIOGEL CR60GBIL 29,67 7,74 8,85 44,84 14,3% 522A151731500 Fisiogel ic cremo 120ml 36,39 9,40 10,01 53,26 6,5% 522A155731500 Fisiogel Ic cremo 240ml BIL 44,16 11,58 12,81 66,74 10,6% 304766 FISIOGEL SHAMPOO 250ML OR 36,05 9,22 8,52 46,77 7,6% A41A122327400 Hidrafil AntiAging 30g 27,43 6,91 6,65 43,25 3,8% 304211 HIDRAFIL CR ANTIAGING PI MAOS 50G OR 15,49 5,17 4,10 23,63 20,7% 441F127828500 HIDRAFIL EYECARE 15G 27,38 6,91 9,91 42,62 43,4% 1B151628500 HIDRAFIL GEL 60ML 26,90 7,04 7,04 30,64 0,0% 39D151732800 HIDRAFIL LC CREMO 120 ML 46,98 12,59 11,31 53,72 10,2% 39D151632800 HIDRAFIL LC CREMO 60ML 25,34 6,66 6,66 28,07 0,0% 8C113928500 Hidrafil sab 100g 14,75 3,84 3,57 17,63 7,0% 304218 HIDRAFIL SAB HIDRATANTE FACIAL 60ML OR 12,70 3,28 3,97 16,22 21,0% 304224 HIDRAFIL TÓNICO HIDRATANTE 200ML OR 14,41 3,62 3,81 22,17 5,2% 409D151728500 HIDRAPEL PLUS LC 120ML 23,63 6,13 6,49 23,33 5,9% 304931 KIT REVALESKIN (EYE E NIGHT) 83,80 21,52 30,15 137,34 40,1% 49A151732800 LactiCare lc cremo 120ml 38,33 10,01 13,21 56,88 32,0% 45A126328500 MICOSTYL CR 45G 12,34 3,21 3,21 12,29 0,0% 46A151628500 MICOSTYL LC 60ML 13,65 3,56 3,56 13,97 0,0% 77B151628500 Nedax lc cremosa 60ml 23,70 6,16 5,90 23,60 4,2% 291A1518285D7 OILATUM JR OLEO P/BANHO 200ML 25,10 6,34 6,34 33,21 0,0% 946A1139285X Oilatum Junior Sab 100g 9,51 2,45 3,13 11,07 27,8% 27D151728500 OILATUM LOCAO CREMOSA 120ML 24,80 6,19 6,71 33,14 8,4% 41A113932800 OILATUM SAB 100G 11,40 3,03 2,95 13,79 2,6% 53A145728500 Panoxyl 10 45g 16,34 4,24 4,24 16,33 0,0% 52A145728500 PanOxyl gel 5 45g 15,63 4,06 4,06 15,64 0,0% 10A151728500 POLYTAR SH120ML 19,15 4,93 4,93 21,60 0,0% 10A151828500 POLYTAR SH 200ML 28,06 7,19 7,19 32,42 0,0% 81C151731500 Prurix lc 120ml 8IL 23,79 5,81 5,10 32,99 12,2% 302223 REVALESKIN 15 ML EYE THRPY SPPRT 72,08 24,08 12,81 105,42 46,8% 302224 REVALESKIN 30 ML INTENSE RCVRY SPPRT 80,74 27,40 17,11 120,9 37,6% 301378 Revaleskin Day Cream 77,97 29,42 32,15 111,15 9,3% 301185 Revaleskin Facial Cleanser 39,50 23,71 23,71 48,88 0,0% 35A145732800 SOLUGEL 4% 45G 37,07 9,63 8,07 36,57 16,2% 399A1457323DC SOLUGEL PLUS 45G 40,41 10,50 9,99 39,89 4,9% 305587 SPECTRABAN FPS 30 ULTRA 120ML OR 31,78 8,29 9,09 34,79 9,7% 305501 SPECTRABAN FPS 30 ULTRA 60G OR 24,55 6,62 6,08 27,79 8,2% 304190 SPECTRABAN FPS 50 60G OR 27,76 7,31 6,94 30,52 5,1% 304174 SPECTRABAN T BASE FL BG EXTRACLARO OP 31,64 8,36 8,23 36,55 1,6% 304182 SPECTRABAN T BASE FL TRANSLUCIDA 60G O 31,67 8,36 7,62 36,56 8,9% 966A132328500 SPECTRABAN T COL BASE FL BEGEM 32,05 8,36 7,38 36,53 11,7% 302968 SPECTRABAN T COMPACTA BEGE MEDIO OR 48,33 12,56 11,44 56,81 8,9% Fl. 3218DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.219 23 dez/2011 2012 Código (1) Descrição (2) Stiefel cliente (3) Stiefel GSK (4) Stiefel GSK (5) GSK Cliente (6) SietelGSK: 2012 / dez11 (7) 82A151628500 Stiefcortil capilar 60ml 21,87 5,66 5,66 22,13 0,0% 80A122328500 Stiefcortil cr 1 % 30g 15,38 4,00 3,76 15,17 6,0% 369A122328500 STIEFCORTIL POM 1% 30G 16,94 4,40 4,40 16,68 0,0% 32A145028500 STIEMYCIN GEL 2% 60G 17,53 4,56 4,32 17,28 5,3% 19A134028500 STIEMYCIN SOL TOP 2% 120ML 20,12 5,21 5,21 19,86 0,0% 305364 STIPROXAL SH 120ML 39,28 10,28 9,70 45,64 5,6% 555B151628500 SUNMAX AcquaGel FPS 20 60ml 26,63 7,35 7,14 32,00 2,9% 302973 SUNMAX COLOR SENSE BEGE CLARO OR 40,46 10,83 9,47 48,75 12,6% 302978 SUNMAX COLOR SENSE BEGE MEDIO OR 41,41 10,83 9,36 48,62 13,6% 484A132328500 SUNMAX CR FPS 60 60G 43,19 11,76 10,24 50,81 12,9% 303516 SUNMAX FLUID FPS 60 120ML OR 47,29 12,49 13,28 54,42 6,3% 302569 SUNMAX FLUID FPS 60 60ML OR 29,64 7,66 8,02 33,27 4,7% 302507 SUNMAX INTENSE FPS 60 GEL CREME 60G 43,39 11,76 10,53 50,75 10,5% 818A132328500 SUNMAX Sensitive OR gel/cr 42,18 11,02 8,87 47,66 19,5% 303307 UREMOL CREME OR 16,33 4,03 4,94 23,80 22,6% 303300 UREMOL FLUID OR 19,01 4,77 5,79 27,06 21,4% 390A423228500 WARTEC CREAM 5G 70,00 18,20 21,55 72,27 18,4% 304924 ZN SHAMPOO 120ML OR 27,28 7,10 5,99 32,98 15,6% 304926 ZN SHAMPOO 200ML OR 38,32 10,04 8,36 46,65 16,7% coluna 1: código do produto fabricado, utilizado tanto pela STIEFEL como pela GSK; coluna 2: descrição do produto coluna 3: preço médio, no mês 12/2011, na venda da STIEFEL para clientes coluna 4: preço médio, no mês 12/2011, na venda da STIEFEL para GSK, em que em recurso voluntário afirmou tratarse de transferência de estoques coluna 5: preço médio, no ano de 2012, de "venda" da STIEFEL para a GSK coluna 6: preço médio no de 2012, de venda da GSK para clientes coluna 7: variação percentual nos preços de venda da STIEFEL para GSK, em 2012 (coluna 5), em comparação com os preços de venda/transferência de estoque da STIEFEL para GSK, em 12/2011 (coluna 4). Os valores da "coluna 7" expressam o comportamento do preço de venda STIEFELGSK, comparandoos no ano de 2012 e em dezembro/2011, ou seja, aponta se houve coerência na variação de preços em razão de redução de custos e despesas na STIEFEL, conforme afirmado pelos recorrentes; se esses preços tiveram o mesmo índice percentual de variação e ainda, se a variação foi no mesmo sentido: aumento ou diminuição, ou sem alteração. Antecipase que os valores de "venda" da STIEFEL para a GSK, a partir de 2012, deveria refletir um mesmo padrão de variação para todos os produtos pois que no Fl. 3219DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.220 24 contrato celebrado entre ambas, o valor de "venda" seria composto pelo custo fiscal FOB dos produtos, acrescido dos tributos e remuneração, expresso nas cláusulas 7 do Instrumento Particular de Fornecimento e Distribuição" (fls. 745/751). Não é o que se constatou, conforme se demonstra a seguir da análise sobre a variação dos preços. Em dezembro/2011 na venda/transferência de estoques para a GSK os produtos estavam acabados e, portanto, era conhecido seus custos, dessa forma o preço da 4ª coluna reflete o preço da referida venda/transferência. Comparando o preço do produto vendido/transferido em dezembro/2011 com o preço do mesmo período no ano de 2012 constatase de um total de 78 produtos: a. 21 deles tiveram aumento de preço em até 43,4%, ou seja foi acrescentado margem de lucro à STIEFEL em apenas 27% dos produtos; b. 13 deles não tiveram qualquer alteração de preço, ou seja, não foi acrescentada nenhuma margem de lucro à STIEFEL; e c. 44 deles tiveram redução de preços em até 46,8%, ou seja, a STIEFEL vendeu com prejuízo em 56% dos produtos Esses números revelam total incompatibilidade com a referida cláusula do contrato, pois no período de 12 meses em que os preços não seriam reajustados e os tributos não se alteraram, o markup apresentou uma variação, entre um extremo negativo de 46,8% (prejuízo) e o outro extremo positivo 43,4% (lucro), contrariando todos os argumentos de que o modelo de negócio permitiu a ambas pessoas jurídicas apropriados níveis de lucratividade. Relevante observar que o procedimento adotado pelo Grupo, em uma visão isolada para cada uma das empresas, denota enorme desvantagem financeira à STIEFEL; ao passo que na "etapa" de venda GSK aos clientes, dos 78 produtos analisados, em 61 deles os preços aumentarem em até 63,9% (na venda do produto "KIT REVALESKIN (EYE E NIGHT"), em relação às vendas realizada pela STIEFEL ate dezembro/2011. Outro dado notável é que na categoria de alguns produtos não se observa nenhuma coerência no padrão de comportamento de preços, pois se constata expressivos aumentos e diminuições em itens de uma mesma categoria. São eles: Fisiogel, Hidrafil, Spectraban, Stiefcortil, Stiemycin e Sunmax. A conclusão é que o planejamento fiscal engendrado impôs redução na receita bruta e lucratividade à STIEFEL, permitindolhe reduzir drasticamente o PIS e Cofins nos produtos com incidência concentrada; e concedeu considerável aumento na receita bruta e lucratividade à GSK, na qual (receita bruta) nenhum pagamento de PIS e Cofins é exigido nas vendas dessa mesma categoria de produtos. Assim, o planejamento fiscal objetivado, mediante a prática dolosa e fraudulenta de simulação e subfaturamento, proporcionou ao Grupo STIEFEL/GSK reduzir seus tributos e, simultaneamente, aumentar sua receita e lucratividade na venda a terceiros dos produtos fabricados pela STIEFEL, contudo, vendido pela GSK Fl. 3220DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.221 25 Por fim, destacase que em momento algum no tópico do subfaturamento a fiscalização menciona as alterações na margem de lucro da STIEFEL como fundamento ou sua prova. As considerações acerca da redução da margem de lucro somente são apresentadas no tópico em que o Fisco assevera a ausência de propósito negocial (fls. 2.457/2.458); ali sim, referida redução é a demonstrada como distorção na obtenção de lucro no comparativo dos anos 2011 e 2012. Vejase com clareza o que consignou o Relatório (fls. 2.457 e 2.461): Já relatamos que a margem bruta mede a capacidade de a empresa gerar lucro uma vez descontado o custo do produto vendido. Deveriam ser semelhantes de um ano a outro em razão de estruturas de custos parecidas. Todavia, verificamos que as vendas subfaturadas efetuadas pela STIEFEL distorceu completamente a margem bruta, no ano de 2012. [...] Cumpre esclarecer que a margem bruta mede a capacidade de a empresa gerar lucro uma vez descontado o custo do produto vendido. Deveriam ser semelhantes de um ano para outro, em razão de estruturas de custos parecidas. Todavia, verificamos que as vendas subfaturadas, efetuadas pela STIEFEL para a GSK, no ano de 2012, distorceu completamente a margem bruta, caindo de 71,83% para 32,57%. Ou seja, é notória a redução da margem bruta da STIEFEL, conseqüência da venda de produtos por valores subfaturados. Portanto, não há propósito negocial nas operações entre a STIEFEL e a GSK, pois estas transações não seguem os padrões e critérios de mercado, mormente no tocante à obtenção de lucros. (grifei) A diminuição simultânea de receita bruta e da lucratividade da STIEFEL sob o fundamento de que reduziram seus custos e despesas em razão de menor riscos não poderia alterar significativamente a margem de lucro bruto uma vez que esta é resultado da razão "receita bruta/custos". O contribuinte não coligiu nenhuma demonstração ou comprovação da redução de despesas; assim a expressiva diminuição da lucratividade somente pode ser atribuída, conforme demonstrado pelo Fisco, à também expressiva queda de receita bruta, o que mostra incompatível com o objetivo de qualquer pessoa jurídica empresarial, a menos que a tal redução tenha finalidade outra a evasão fiscal, como revelada no presente caso. Por tudo que se constatou e demonstrou, entendo irrefutável a comprovação do subfaturamento dos preços das "vendas" dos produtos da STIEFEL para a GSK aqui tratados. 4. Da acusação de erro de matéria inescusável e insuficiência de fundamentação legal no tocante à alegação do planejamento tributário abusivo e ilegal Das várias acusações e alegações dos recorrentes, há de se rechaçar que atribui erro de matéria inescusável por parte do fiscal quando o mesmo menciona desequilíbrio Fl. 3221DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.222 26 econômico em relação a concorrência. Não se trata de erro mas de uma consequência decorrente da conduta da pessoa jurídica em reduzir indevidamente os tributos, pois assim procedendo fica em situação privilegiada em relação a outras empresas que recolhem corretamente esses mesmos tributos. Não há insuficiência de fundamentação legal do planejamento abusivo, que inserese na conduta do contribuinte em conhecendo os dispositivos legais de incidência concentrada trilhou o caminho da simulação, da fraude e do subfaturamento para conferir aparência de novo modelo de negócio inserindo artificiosamente operações praticadas pela GSK unicamente com a finalidade de reduzir a base de cálculo das Contribuições. Assim, entendo bastar o correto fundamento e enquadramento legal do planejamento abusivo nos textos da Lei nº 10.147/2000 e nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Todos os demais dispositivos de Lei (art. 187 do CC, arts. 3º, 5º, 145, 146A, 150, 173 da CF/88) apontados na decisão recorrida apenas corroboram a conduta dolosa que visou a evasão de tributos. 5. Da alegação de inexistência de atos contrários a lei Na matéria, o arrazoado do contribuinte quanto a inexistência de prática de atos contrários à lei aborda a ausência de exigência de preço mínimo a ser praticado entre empresas interligadas, e de comprovação pela fiscalização de que as pessoas jurídicas envolvidas são existentes de fato. O contribuinte argumenta que apresentou relatório de auditoria (laudo KMPG) em que se demonstra a venda de produtos assemelhados por outras empresas com preços que se equiparam aos seus. Afastamse os argumentos pois de nenhuma valia a comparação de preços entre produtos que se mostraram diferentes. A comparação entre empresas do setor recai no planejamento tributário adotado por muitas delas e que igualmente submeteramse a procedimentos de fiscalização como mesmo escopo deste. A fiscalização não fundamentou a autuação na exigência de preço mínimo a ser praticado nas operações da STIEFEL para com a GSK, conceito legal adstrito à legislação do IPI e não foi aplicada na apuração da receita bruta. De fato, o Fisco rechaçou os valores declarados na suposta venda da STIEFEL para a GSK e ao fazêlo adotou os preços da verdadeira operação de venda que fora simulada, a saber, o preços de venda da GSK para os clientes da STIEFEL/GSK. Dessa forma, hígido o lançamento e a decisão recorrida nas matérias aqui arguidas pelos recorrentes. 6. Da alegação de ausência de erro na quantificação das bases de cálculo Os recorrentes sustentam a correta apuração da base de cálculo das Contribuições, isto é, defendem a veracidade da receita bruta auferida pela STIEFEL e por consequência o arbitramento de preço foi indevido. A análise da questão não se realiza sob o aspecto formal do conteúdo dos documentos e escrituração do contribuinte. Fl. 3222DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.223 27 Nesse ponto, considerase irrefutável o conjunto probatório de que o planejamento tributário foi abusivo com o fim específico de redução indevida da base de cálculo do PIS e Cofins, mediante simulação de operações factualmente inexistente entre STIEFEL e GSK e correspondente subfaturamento dos preços efetivamente praticados na venda a terceiros de produtos fabricados, o que caracteriza a fraude. Desnecessário delongarse nos motivos que conduziram a fiscalização a rechaçar o preço de "venda" declarado nas notas fiscais de venda da STIEFEL para a GSK e a própria operação. Basta rever linhas acima as constatações e fatos que desnudaram o planejamento tributário abusivo e a reorganização dos negócios do Grupo sem que houvesse justificativa de sua eficiência econômica e financeira, mediante a prática de simulação e subfaturamento. Entendo que fora evidenciado a desconsideração da operação simulada, qual seja, a da venda de produtos sujeitos à sistemática de tributação concentrada do PIS e Cofins da STIEFEL para a GSK. A decisão recorrida aponta para 31 (trinta e um) motivos ou situações fáticas constatadas nos autos que permitiram ao Fisco concluir pelo planejamento abusivo e ilícito com a prática de simulação e subfaturamento. Diante de fatos desnudados, a fiscalização desconsiderou a venda realizada entre a STIEFEL e GSK, tomando por verdadeira apenas como transferência documental da industrial para a comercialatacadista, no qual os produtos permanecia em depósito da STIEFEL (compartilhado com a GSK), e somente davam saídas para entrega ao terceiro adquirente do Grupo. Assim, a efetiva operação de venda mantevese como anteriormente praticada, entre a STIEFEL e clientes, sem a interposição formal da GSK. Frisese que os recorrentes no recurso voluntário afirmaram que as vendas da STIEFEL para a GSK em dezembro de 2011 foi em verdade uma transferência de estoques; fato que impõe a conclusão de que a natureza da operação da saída desses estoques para terceiros foi de venda da STIEFEL, e não da GSK. Além disso, a margem de lucro nas venda aos cliente, seja pela STIEFEL (até 2011) ou pela (GSK (a partir de 2012) sempre mantiveram índices expressivos expressiva, sem que os recorrentes comprovassem as reduções de custos e despesas na empresa industrial. Desse modo, desconsiderouse, também, os preços consignados nas NFs de "venda" da STIEFEL para a GSK, que se revelou simulada, pois exsurgiu como verdadeiro negócio da indústria a venda da GSK para aos clientes, com os preços informados nessas operações. À vista do relatado, temse que não se tratou os autos de desconsideração de personalidade jurídica da STIEFEL ou da GSK, mas, repisase, desconsiderouse a pretensa venda da STIEFEL para a GSK, pois apenas formal, fictícia, simulada e subfaturada. Assim, inexistindo a realidade da venda da STIEFEL para a GSK, prevalece a venda efetuada da GSK para seus cliente, e por conseguinte, o preço dos produtos, do qual se apura a receita bruta a ser considerada base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é o consignado nas NFs de venda GSKclientes. Fl. 3223DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.224 28 Destarte, é de se concluir a inexistência de uma arbitramento de preço como entendimento exarado pela contribuinte e admitido no voto da Relatora. Arbitramento é procedimento extremo quando não é conhecido ou não se tem em exatidão os valores de determinada base de cálculo a ser oferecida à tributação, o que não é o caso dos autos, pois aos valores da verdadeira operação de venda GSKcliente é plenamente conhecido e corresponde exatamente àquele consignado nas NFs que respaldam tais operações. A efetiva receita bruta de venda da STIEFEL com produtos sujeitos à tributação concentrada é, portanto, aquela informada pela GSK nas venda aos clientes, mediante a utilização do preço médio de venda dos produtos praticado no mercado interno. Incabível, pois, a acusação de arbitramento sem respaldo na Lei ou efetuado em inobservância dos disposto nos arts. 142 e 148 do CTN ou na Lei nº 10.147/2001. Afirma ainda no recurso que não se considerou os vários descontos ou parcelas admitidas na dedução da receita bruta, além de incluir produtos não sujeitos à tributação concentrado e desconsiderar as amostras, que apenas são remetidas para a GSK que não as revende. Essas afirmações foram enfrentadas na decisão recorrida e ali restou consignado, cujos fundamentos acolho, que a apuração da receita bruta teve como esteio as notas fiscais baixadas do ambiente SPED (Escrituração Digital), o qual é informado pelo próprio contribuinte. Portanto, os valores que existiam nessa escrituração digital levaram em conta descontos condicionais, vendas canceladas, IPI, ICMSST, produtos sem incidência monofásica e amostras, de acordo com a própria contabilidade do contribuinte (fl. 2.429). Ademais, os produtos sujeitos à tributação monofásica são identificados com o código de operação CFOP 5401 e 6401, conforme constou do Relatório Fiscal (fl. 2.448). Concluo pela regularidade da apuração da base de cálculo do PIS e Cofins uma vez que obtida do valor efetivo da verdadeira operação de venda a ser tributada aquela entre a GSK e seus clientes. 7. MULTA QUALIFICADA A multa de ofício nos caso de lançamento de ofício será aplicada no percentual de 150% quando constatada situações caracterizadoras de sonegação, fraude e conluio, a teor do § 1º, do art. 44 da Lei nº 9.430/966 . A fiscalização demonstrou a ocorrência de fraude nos atos praticados após a reorganização dos negócios do Grupo STIEFEL/GSK, mediante a simulação e subfaturamento 6 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 3224DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.225 29 de preços, evidenciando a ação dolosa de redução artificial a base de cálculo das Contribuições para o PIS e para Cofins, o que configura o ilícito previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Não é demasiado repisar o que restou constatado e comprovado no procedimento fiscal, como bem resumiu a decisão recorrida o que como razão para fundamentar a comprovação a fraude. "A constatação da ocorrência de subfaturamento ficou amplamente provada nos autos por diversos elementos probatórios: mesmo grupo econômico; mesmo endereço dos interessados; serviços utilizados de forma compartilhada; contrato de comodato a título gratuito; mesmo depósito de armazenamento; diligência constando in loco o planejamento engendrado pelo grupo econômico; funcionários de uma empresa prestando serviços para a outra empresa nas mais diversas funções; entrada das empresas e portaria compartilhada, inclusive, com os mesmos funcionários responsáveis; compartilhamento das áreas de portaria, refeitório, segurança patrimonial, segurança do trabalho, limpeza e manutenção; burla do sistema de tributação monofásico passando a maior parte dos valores de venda para a etapa seguinte que se sujeitava a alíquota zero; preços de venda de produtos praticados pela Stiefel para a GSK imensamente inferiores aos praticados para terceiros no ano de 2011; valores de vendas para terceiros 370 % maior do que o valor de venda para a GSK desses mesmos produtos; demonstrativo realizado pela fiscalização apontando o favorecimento para o parceiro do grupo econômico com o objetivo de fraudar a fiscalização; passagem do subfaturamento parcial para o subfaturamento total com celebração de contrato de exclusividade entre a Stiefel e a GSK; cobrança com preços de vendas da Stiefel antes do contrato de exclusividade superiores aos cobrados para GSK para os mesmos clientes a partir dessa data; valores de venda dos produtos pela GSK para terceiros passaram a ser 458,92 % maiores que os cobrados pela Stiefel nas vendas para a GSK; mesmo com toda a produção e industrialização permanecendo a cargo da Stiefel, e a GSK apenas os revendendo para grande parte dos clientes já existentes, sem a necessidade de divulgação e publicidade, seus valores eram quase 5 vezes maiores dos cobrados pela Stiefel; falta de propósito negocial para a Stiefel nas vendas subfaturadas para a GSK, pois teve todos os seus índices econômicos e financeiros decaindo; queda vertiginosa do Lucro Bruto, da Receita Líquida e da Margem Líquida da Stiefel; planejamento abusivo deixando de recolher milhões aos cofres públicos; realização de operações anormais que destoavam das demais padrões do mercado; afronta aos princípios da capacidade contributiva, solidariedade, livre concorrência e da neutralidade da tributação; ocorrência da chamada elusão, ou seja, situação que procurava dar uma aparência de legal, mas que violava as normas jurídicas; e abuso de direito consignado no art. 187 do Código Civil." Destarte, comprovado a prática de atos eivados de fraude com o fim de reduzir dolosamente o PIS/Pasep e Cofins devido, é de se manter a multa qualificada por expressa previsão legal. 8. SOLIDARIEDADE Fl. 3225DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.226 30 A autoridade fiscal incluiu como responsáveis solidários pelo crédito tributário apurado a pessoa jurídica GSK e as físicas ocupantes de cargos de administradores (diretores) na STIEFEL e na GSK, responsabilizandoas pela prática de todos os atos necessários ou convenientes à administração dos negócios da companhia. O fundamento legal para as responsabilizações foram os arts. 124, I do CTN, quanto à pessoa jurídica, e 135, III do CTN, em relação aos administradores, pessoas físicas. Os recorrentes afirmam que o Auto de Infração, na matéria, é completamente genérico e aponta a responsabilidade dos diretores simplesmente por estes serem, à época dos fatos geradores, as pessoas responsáveis pela administração. Sustentam que a responsabilização tributária dos diretores das pessoas jurídicas exige a comprovação não apenas de um ilícito penal, como também a vinculação direta e participação efetiva da pessoa supostamente envolvida, com descrição detalhada e comprovação de sua participação. E, por fim, apontam para a Súmula STJ nº 4307, pois entendem que a responsabilização objetiva dos sócios e administradores decorrente de simples não recolhimento de tributos. Primeiramente, pontuase que a responsabilização solidária das pessoas arroladas não decorre da ausência de pagamento de tributo lançado em auto de infração e formalizado no presente processo, mas, segundo a fiscalização, da efetiva prática de atos de gestão que se revelaram fraudulento, mediante simulação e subfaturamento. Quanto à responsabilidade solidária da GSK entendo restar patente, pois que a acusação de planejamento tributário abusivo e ilícito, a simulação e subfaturamento somente tem sentido a partir da efetiva participação da GSK, na condição de pessoa jurídica interdependente, no novel modelo de negócio que resultou na redução indevida das Contribuições sujeitas à incidência concentrada. É de ressaltar que o período de autuação coincide com a vigência do modus operandi comandado pela adquirente da STIEFEL a GSK; antes de dezembro/2011, não há nos autos relato de operações fraudulenta cometida sem a GSK como sócia nos quadro social da STIEFEL. Portanto, no tocante à GSK, mantémse a responsabilização solidária pois teve participação efetiva nos atos eivados de fraude, mediante simulação e subfaturamento, que resultaram no planejamento tributário abusivo e ilícito que culminou em redução artificial da base de cálculo de PIS e Cofins nas operações da indústria do Grupo STIEFELGSK. Em relação à responsabilidade solidária das pessoas físicas, administradoras da STIEFEL/GSK, pelo crédito tributário há razão aos recorrentes. A fiscalização arrolou tais pessoas no polo passivo da autuação pelo simples fato de exercerem a administração sem que, em relação a cada um desses administradores/diretores, reunisse elementos ou apontasse conduta apta a aferir a participação individual nos atos de infração ou contrato social. 7 Súmula nº 430/STJ O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Fl. 3226DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.227 31 Contudo, entendo que não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. É certo que a qualificação da multa de ofício permite inferir o dolo do sujeito passivo, praticado sempre por um agente, pessoa física, todavia a solidariedade somente é aplicada quando restar demonstrada, individualizada e atribuída a conduta a determinada pessoa física (isto é, quem fez o que?), e salvo melhor juízo, neste caso isto não aconteceu. Do exposto, é de se afastar a responsabilidade das pessoas físicas neste caso concreto. 9. PEDIDO DE DILIGÊNCIA Os recorrentes encerram a peça de defesa com o pedido de diligência para que sejam apurados os custos envolvidos na produção e comercialização dos produtos em questão. Acertadamente a decisão recorrida indeferiu o pedido. Demonstrado nos autos que a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar exatamente o que se pede para apurar em diligência: os custo e despesas de fabricação após a interposição da GSK entre a STIEFEL e seus clientes Causa estranheza o pedido, pois derrui o argumentos da contribuinte de que a reorganização dos negócios do Grupo proporcionou redução de custos e despesas, sem prejudicar a lucratividade das pessoas jurídicas. Ora, os demonstrativos dos custos e despesas, que os recorrentes admitem inexistentes, poderiam ser a prova do contribuinte de que a redução da receita bruta da STIEFEL de fato possui fundamento na reorganização dos negócios. Neste momento, o pedido revelase protelatório e a apresentação de provas preclusa, conforme regramento do PAF, devendo o julgamento realizarse com os elementos coligidos nos autos. Negase o pedido de diligência. Conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar a responsabilidade solidária das pessoas físicas. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 3227DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.228 32 Voto Vencedor Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Redatora Designada Em que pese o bem fundamentado voto do d. Relator, manifesto discordância parcial quanto ao que restou decidido acerca da qualificação de multa de ofício aplicada. prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Com efeito, entendo que assiste razão ao Contribuinte. Entendo não ter ocorrido a necessária tipificação das condutas exigidas, quais sejam aquelas condutas tipificadas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Veja que qualquer uma das condutas tipificadas nos dispositivos legais acima exige o dolo por parte do contribuinte, ou seja, a vontade deliberada de cometer o ilícito. Fl. 3228DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.229 33 Notase, contudo, que todas as operações autuadas foram devidamente registradas, contabilizadas e declaradas à Fiscalização. Em nenhum momento se questionou a legitimidade de qualquer um desses documentos ou declarações. O Recorrente atuou com boa fé durante toda a fiscalização, apresentando ampla documentação e diversos esclarecimentos durante todo o curso da ação fiscal. O que fez a Fiscalização foi refutar a forma aplicação da legislação tributária pelas Contribuintes. Ademais, o Contribuinte declarou e recolheu os tributos na forma que entendiam devidas, consoante a regra legal aplicada. Ainda que a Fiscalização pretenda questionar as operações realizadas e a conclusão obtida venha a prevalecer o próprio fato de existirem diversas decisões deste Conselho com posicionamento diametralmente opostos e nenhuma delas proferida à unanimidade, demonstra se tratar de efetiva divergência quanto à interpretação da legislação tributária. Nesse sentido, cito jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão n° 9101003.365, de 18/01/2018: MULTA QUALIFICADA. A acusação de artificialismo de uma operação baseada na ausência de seu propósito negocial revelada pela geração de ágio interno e com uso de empresa veículo, sem a demonstração cabal de invalidades efetivas e do intuito de fraudar, sonegar ou atuar em conluio do sujeito passivo, com a devida subsunção aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502/64 não autoriza a qualificação da multa de ofício, independentemente do posicionamento que se tenha quanto à dedutibilidade do ágio na questão. E também, o acórdão n° 910101.404 de 17/07/2012: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Pelo exposto, por entender não restar configurada conduta dolosa por parte do Contribuinte, tratandose de típica hipótese de mera divergência quanto à interpretação da legislação tributária, deve ser afastada a multa qualificada. Tatiana Josefovicz Belisário Declaração de Voto Fl. 3229DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.230 34 Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário A presente Declaração de Voto tem por intuito esclarecer o posicionamento por mim adotado relativamente à análise dos fatos ensejadores da desqualificação fiscal, bem como do conjunto probatório apresentado pelo contribuinte no intuito de legitimar a prática adotada. Em se tratando de operações de "planejamento tributário", por vezes é tênue o limite entre a liberdade negocial do contribuinte e o chamado abuso de forma, que deve ser rechaçado. Desse modo, a instrução probatória, tanto a acusatória como a defensiva, deve ser robusta. É certo que a pretensão de redução de despesas fiscais não é, em absoluto, prática reprovável. É imperioso à boa governança que o administrador empresarial otimize seus custos e busque, sim, a ampliação de receitas e lucro. Desse modo, o compartilhamento de atividades administrativas entre empresas do mesmo grupo ou a especialização de atividades, por exemplo, jamais poderão ser reprimidas sob a justificativa de perda de identidade ou de "propósito negocial". Pois bem. Na hipótese dos autos, é incontroverso que após a unificação das empresas fornecedora e adquirente, com o início da exclusividade nas operações de compra e venda, houve expressiva redução do preço de venda por parte da industrial. São fatos expostos nos autos, que independem de qualquer interpretação. É também certo que, em razão da sistemática de apuração do PIS e COFINS monofásicos, tal alteração acarreta significativa redução da base de cálculo dos tributos. A Recorrente, em sua defesa, apresenta de forma consistente o seu desenho operacional e busca justificar a redução de preços pelo industrial. Contudo, não o faz de modo a demonstrar de que forma compõe o seu preço de venda (custos industriais, gerenciais, administrativos, etc), mas alega que tais preços seriam compatíveis com aqueles praticados por seus concorrentes. Pois bem. Ao se examinar os dados apresentados aos autos, constatase que a contribuinte apresenta comparativo com valores extraídos ou praticados no mercado internacional, especialmente europeu e norteamericano (EUA). Com a devida vênia, não vejo como admitir tais dados como comprobatórios de que os valores praticados no Brasil são compatíveis como o efetivo custo de industrialização dos bens (base de cálculo do PIS e COFINS monofásicos). Com efeito, não há como se pretender equiparar "preços de mercado" praticados em países diferentes, com sistemas tributários absolutamente distintos e nos quais os custos empresariais/ comerciais não possuem qualquer paralelo entre si. Assim, em que pese o esforço probatório empreendido pelo contribuinte no sentido de demonstrar uma suposta coerência econômica nos valores de venda praticados pelo estabelecimento industrial, tal prova não é capaz de afastar a demonstração fiscal no sentido de que não há causa fática ou jurídica a justificar a brusca redução de preços que se verificou no estabelecimento industrial no momento em que houve a sua reunião empresarial ao estabelecimento comercial. Ainda no que se refere ao aspecto probatório, é preciso assinalar que foi oportunizado ao contribuinte, durante o processo fiscalizatório, que este apresentasse a forma de composição do preço de venda praticado pelo industrial. Esta demonstração, de forma objetiva, seria suficiente para comprovar que a base de cálculo do PIS e COFINS monofásicos Fl. 3230DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.231 35 (faturamento da pessoa jurídica industrial) estaria sendo corretamente composta pelo contribuinte. Assim, aderindo, nesse ponto, ao bem fundamentado voto proferido pelo Relator, acrescento as presentes razões de me meu convencimento. (assinado digitalmente) Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Possuo muitos entendimentos convergentes com o do nobre colega relator, mas neste caso em concreto, venho por meio desta breve declaração de voto apresentar entendimento divergente com relação à necessidade de busca à verdade material e também com relação ao mérito. A livre iniciativa, a partir do Art. 170 da CF 88 e disposições infra constitucionais decorrentes, permite que as atividades de indústria e comércio sejam segregadas. Na mesma linha, não há qualquer legislação que proíba a segregação de atividades industriais e comerciais. Inclusive, esta linha de entendimento possui diversos precedentes neste conselho, como nos seguintes: 301002.921 e 3302003.138, por exemplo. A conseqüência das segregações de atividades pode ser a redução de alguns fatos geradores de tributos, o que não implica em sonegação. Se o contribuinte pagou menos tributo, isto não significa que reduziu ou suprimiu os tributos que deveria pagar. Pagar menos tributo não é crime tributário quando isto é decorrência de um mero e legal planejamento tributário. Para a desconstituição da legalidade do planejamento tributário, conforme previsto no Art. 116 do CTN, para verificar se o planejamento tributário foi abusivo ou não, o lançamento deveria ter comprovado a disparidade com os preços de mercado, tanto da indústria para o cliente final quanto da indústria para a empresa comerciante e, no presente lançamento, esse procedimento não foi realizado. Conforme disposto no Art. 142 do CTN e no Decreto 70.235/72 (PAF) e inúmeros precedentes neste conselho, o ônus da prova é da fiscalização nos casos de lançamento. Logicamente, durante a fiscalização, a autoridade de origem deveria ter ao menos oportunizado a demonstração dos preços praticados no mercado, de modo mais especifico, para busca da verdade material (de importância pacificamente reconhecida em diversos precedentes neste conselho e prevista no CTN e Decreto 70.235/72). Fl. 3231DF CARF MF Processo nº 16095.720137/201688 Acórdão n.º 3201004.699 S3C2T1 Fl. 3.232 36 É a partir desta constatação que verificase que, nem mesmo durante o devido processo legal e decorrer do processo, a busca da verdade material foi prestigiada neste caso. No mínimo, uma diligência é necessária para a averiguação dos preços praticados. O setor em que o contribuinte atua possui cálculos específicos e complexos que devem ser considerados. Por isso, se a empresa comercial vendeu para o cliente final por um preço 2 ou 4 vezes maior, isso pode não configurar subfaturamento se, para este setor em específico, tais proporções forem razoáveis. Cada setor tem um markup específico que, no presente processo, não foi considerado. Não é fraude segregar atividade e pagar menos tributo. Se a empresa obteve lucro alto, inclusive, não há como considerar que houve subfaturamento. Diante do exposto, votase para DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários. Declaração de voto proferida. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 3232DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720009/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.825
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 09 /2 01 2- 16 Fl. 576DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.521 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 578DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 579DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 580DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 581DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 582DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 584DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 585DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 588DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.521 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 591DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 593DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 595DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 597DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 598DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 599DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 600DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 601DF CARF MF Processo nº 15586.720009/201216 Acórdão n.º 3201004.825 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 602DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16370.000407/2007-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2000 a 31/05/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
Numero da decisão: 9202-007.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2000 a 31/05/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 37 0. 00 04 07 /2 00 7- 43 Fl. 318DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Auto de Infração por meio do qual exigese complementação de contribuições previdenciárias incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados constantes nas Folhas de Pagamento e regularmente declarados em GFIP. Após o trâmite processual, a 3a Câmara / 2a Turma Ordinária, por maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para declarar, com base no art. 150, §4º do CTN a decadência de parte do lançamento. O acórdão 230200.593 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 31/05/2006 PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. ENTENDIMENTO DO STJ. ART. 150, PARÁGRAFO 4º DO CTN. DECADENCIA PARCIAL. Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n 0 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. No caso, houve pagamento antecipado, ainda que parcial, sobre as rubricas lançadas. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos sócios na Relação de CoResponsávcis CORESP não tem o condão de inserilos no pólo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário/' cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal Fl. 319DF CARF MF Processo nº 16370.000407/200743 Acórdão n.º 9202007.574 CSRFT2 Fl. 3 3 e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de Todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal, o contraditório e a ampla defesa do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. Escapa à competência deste Colegiado a análise de constitucionalidade de lei ou de ato normativo, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE Não fere as normas jurídicas que disciplinam o custeio da Seguridade Social a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS recolhidas a destempo. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada da decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial o qual foi recebido, nos termos do despacho de efls. 299/300, para rediscussão acerca da abrangência da decadência. Segundo a Recorrente para exame da ocorrência de pagamento antecipado para fins de atração da regra do art. 150, §4º do CTN afigurase obvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto do lançamento, e não daqueles afetos a outros fatos. São citados como paradigmas os acórdãos 20501.257 e 230100.158. Sem contrarrazões do Contribuinte. Às efls. 304/305 é juntada informação acerca da inclusão do débito objeto do presente lançamento no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso preenche os requisitos legais, razão pela qual, deve ser conhecido. Em que pese o objeto do recurso envolver a discussão acerca da caracterização de pagamento parcial do tributo para fins de aplicação do art. 150, §4º do CTN, com o reconhecimento da decadência parcial do lançamento, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. Fl. 320DF CARF MF 4 Conforme descrito no relatório e afirmado pela Delegacia de Receita Federal de Londrina/PR, o débito abrangido por este processo foi incluído no programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Às efls. 304/305 são juntados extratos do sistema da Receita Federal do Brasil que comprovam a inclusão, entre outros, do DEBCAD nº 35.890.2142 no referido parcelamento. Diante disto, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado, não há mais qualquer matéria em litígio, devendo ser aplicado ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno que possui a seguinte redação: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Neste cenário, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário haja vista adesão do Contribuinte ao programa especial de parcelamento de débitos federais. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 321DF CARF MF Processo nº 16370.000407/200743 Acórdão n.º 9202007.574 CSRFT2 Fl. 4 5 Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.906858/2011-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/04. IN/SRF Nº 660/2006. ILEGALIDADE.
A Lei nº 10.925/04 previu, no artigo 9º, a possibilidade de suspensão da incidência das contribuições no caso de venda, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação animal ou humana. Esta norma passou a produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004.
IN/SRF No. 660/2006. EFEITOS RETROATIVOS A PUBLICAÇÃO.
A IN/SRF nº 660/2006, ao estipular como início da produção dos efeitos a data de 04 de abril de 2006, em seu art. 11trouxe indevida inovação, contrariando o disposto na lei.
Numero da decisão: 3201-005.102
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão enfrentada no voto, prossiga na análise do direito ao crédito, podendo, inclusive, requerer documentos que entender necessários.
(assinado digiltamente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2006 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/04. IN/SRF Nº 660/2006. ILEGALIDADE. A Lei nº 10.925/04 previu, no artigo 9º, a possibilidade de suspensão da incidência das contribuições no caso de venda, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação animal ou humana. Esta norma passou a produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. IN/SRF No. 660/2006. EFEITOS RETROATIVOS A PUBLICAÇÃO. A IN/SRF nº 660/2006, ao estipular como início da produção dos efeitos a data de 04 de abril de 2006, em seu art. 11trouxe indevida inovação, contrariando o disposto na lei.
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ART. 9º DA LEI Nº 10.925/04. IN/SRF Nº 660/2006. ILEGALIDADE. A Lei nº 10.925/04 previu, no artigo 9º, a possibilidade de suspensão da incidência das contribuições no caso de venda, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, de mercadorias de origem animal ou vegetal destinadas à alimentação animal ou humana. Esta norma passou a produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004. IN/SRF No. 660/2006. EFEITOS RETROATIVOS A PUBLICAÇÃO. A IN/SRF nº 660/2006, ao estipular como início da produção dos efeitos a data de 04 de abril de 2006, em seu art. 11trouxe indevida inovação, contrariando o disposto na lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão enfrentada no voto, prossiga na análise do direito ao crédito, podendo, inclusive, requerer documentos que entender necessários. (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 68 58 /2 01 1- 88 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10983.906858/201188 Acórdão n.º 3201005.102 S3C2T1 Fl. 0 2 Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratam os autos de PER/DCOMP enviada pela contribuinte, pleiteando compensação que restou não homologada face a inexistência de crédito disponível, conforme consta do Despacho Decisório que instrui os autos. Cientificado dessa decisão, o sujeito passivo apresentou, manifestação de inconformidade, onde alega que estaria sujeito à suspensão da incidência de PIS/Cofins sobre as vendas de arroz realizadas no período, conforme dispõe a Lei nº 10.925/2004, em seu artigo 9º. Apresenta cópia de documentos no intuito de demonstrar suas alegações, incluindo DARF, DCTF original e retificadora, Dacon, DCOMP, Demonstrativo da base de cálculo das contribuições, balancetes contábil, notas fiscais, declaração e legislação. Ao final, requer que seja feita a revisão da situação e julgada totalmente procedente a Manifestação de Inconformidade, de forma que seja homologada integralmente a compensação declarada. Protesta, ainda, pela apresentação e/ou juntada de qualquer documentação adicional eventualmente julgada necessária. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 03068.673. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário querendo reforma, alegando que a) DRJ apenas limitase a reproduzir os argumentos da fiscalização; b) aplicabilidade do art. 9º, da Lei 10.925/04 e afastada a aplicação da IN 660/06; c) alegações que também o direito estaria assegurado pela Lei 10925/04 e LC 95/98; Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.093, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10983.902950/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.093): Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10983.906858/201188 Acórdão n.º 3201005.102 S3C2T1 Fl. 0 3 "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. A DRJ negou provimento por ausência de demonstração do direito, vejamos: Da análise documental, verificase, de plano, que não consta das Notas Fiscais apresentadas pela contribuinte, relativas aos produtos adquiridos pela empresa Realengo Alimentos Ltda (CNPJ 07.032.688/000130), menção à expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", consoante a obrigação do disposto no § 2º do art. 2º da IN SRF nº 660, de 2006. Assim, não se reconhece a aplicação da suspensão de que cuida o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 ao presente caso, tendo em vista o não preenchimento de, pelo menos, um dos termos e condições assinalados pela IN SRF 660, de 2006 (art. 9º, § 2º da Lei nº 10925, de 2004). Portanto, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Ainda, apesar da IN SRF 660/06, ter sido publicada apenas em 25/07/06 e as notas fiscais anterior a essa data, a DRJ apontou que o art. 11 determinou retroação do efeito a partir de 04 abril de 2006, vejamos: Primeiramente, deve ser destacado que o direito creditório em discussão se refere ao período de apuração 30/06/2006 e a IN SRF nº 660, de 2006, foi publicada em 17 de julho de 2006, o que poderia levar à conclusão equivocada de que os termos e condições disciplinados nessa Instrução Normativa não se aplicariam ao caso em concreto. No entanto, verificase que, para as disposições relativas à suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art. 2º, os efeitos são produzidos a partir de 4 de abril de 2006, nos termos do inciso I do art. 11 da própria IN SRF nº 660, de 2006. Desse modo, a contribuinte estava obrigada a cumprir todos os termos e condições disciplinados nesta Instrução Normativa para usufruir do benefício da suspensão da incidência de PIS/Cofins sobre as vendas de arroz realizadas no período. Contudo, verificase que a instrução normativa afrontou o poder de legislar, regulamento fato passado, nesse sentido: EMENTA:TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PIS. COFINS. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. LEI Nº 10.925/2004. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 660/2006. 1. O art. 9º da Lei 10.925/2004, que dispõe sobre a Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10983.906858/201188 Acórdão n.º 3201005.102 S3C2T1 Fl. 0 4 suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a venda de produtos agropecuários, é norma de eficácia contida, condicionandose sua aplicabilidade à regulamentação. 2. A Instrução Normativa nº 660, ao determinar como termo "a quo" para produção de seus efeitos a data da publicação da Instrução nº 636, por ela revogada, não só extrapolou o poder delegado na lei de regência da matéria, como alterou a substância desta, incorrendo, por tal razão, em ofensa ao princípio da legalidade. (TRF4, AC 5020843 92.2018.4.04.9999, PRIMEIRA TURMA, Relator ROGER RAUPP RIOS, juntado aos autos em 30/01/2019) Com isso é de reconhecer a ilegalidade da aplicação do art. 11 da IN SRF 660/06, que não poderia retroagir a data anterior da publicação, ferindo assim o devido processo legislativo. Restando prejudicado os demais argumentos. No entanto, devem ser cumpridos os requisitos formais estabelecidos pela IN SRF 636/06 para os fatos geradores a partir da sua vigência. O voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que à unidade preparadora ultrapassada a questão art. 11, IN SRF 660/06 relativamente as vendas realizadas anteriormente a sua publicação, para que faça analise do direito ao crédito do contribuinte, podendo requerer demais documentos caso entenda necessário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora, ultrapassada a questão do art. 11, da IN SRF 660/06 relativamente às vendas realizadas anteriormente a sua publicação, faça análise do direito ao crédito do contribuinte, podendo requerer demais documentos caso entenda necessário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.903615/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.811
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/2012-17; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, comou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/2012-17; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, comou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/201217; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, comou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 61 5/ 20 12 -1 3 Fl. 447DF CARF MF Processo nº 11080.903615/201213 Resolução nº 3401001.811 S3C4T1 Fl. 448 2 Tratase do despacho decisório, que resultou da diligência efetuada para apuração da legitimidade do pedido objeto do presente processo, e também do pedido relativo ao 1º trimestre de 2007: Tratase de Manifestação de Inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Campinas (fl. 241), que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito de IPI e não homologou as compensações pleiteadas. A contribuinte apresentou PER/DCOMP, no valor de R$ 1.601.549,78, referente ao saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2007. A DRF em Campinas, indeferiu o direito creditório e exigiu os débitos não homologados: principal – R$ 1.170.980,32; multa –R$ 234.196,06; e juros – R$ 555.395,95. Segundo consta na informação fiscal de fls. 244/245, foi lavrado auto de infração (cópia às fls. 246/278), que resultou na reconstituição da escrita fiscal e conseqüente extinção do saldo credor ressarcível ao final do trimestre. Conforme relatado, foi constatada falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome da contribuinte, identificando esses produtos. O auto de infração foi formalizado no processo administrativo nº 10830.725456/201217. Regularmente cientificada, a postulante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 02/48, com as seguintes alegações: o auto de infração foi objeto de impugnação, que está pendente de julgamento na esfera administrativa; o presente processo deve ser suspenso até o efetivo julgamento do auto de infração; contesta, no mérito, os motivos alegados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração; após a improcedência do auto de infração, o despacho decisório deve ser reformado. Por fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade de forma a suspenderse a exigibilidade do crédito tributário e impedirse a inscrição em divida ativa dos créditos tributários ora discutidos. Em 12/03/2014, a 12ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1449.171, de relatoria do AuditorFiscal João Francisco Sampaio Garcia, que entendeu, por unanimidade de votos, declarar definitivas as glosas não contestadas, e julgar improcedente a manifestação de inconformidade, declarando Fl. 448DF CARF MF Processo nº 11080.903615/201213 Resolução nº 3401001.811 S3C4T1 Fl. 449 3 definitivo o Despacho Decisório e improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE IPI. SALDO CREDOR DO TRIMESTRE CALENDÁRIO. Extinguindose o saldo credor de IPI do trimestrecalendário, em virtude do lançamento de imposto e reconstituição da escrita fiscal, indeferese o pedido de ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Insurgese a recorrente contra a glosa de crédito objeto de pedidos de ressarcimento/compensação baseados no cálculo do saldo credor de IPI referente à PER/DCOMP, no valor de R$ 1.601.549,78, referente ao saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2007. Ocorre que o presente processo apresenta vinculação com o Processo Administrativo nº 10830.725465/201217, não havendo notícia nos presentes autos de decisão definitiva, conforme se extrai do seguinte trecho: Inicialmente, em relação à requerida suspensão da exigibilidade dos débitos relacionados nas compensações declaradas, isso já se deu pela apresentação da manifestação de inconformidade que instaurou a presente lide, de acordo com o § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e artigo 151III do CTN. Cabe informar que a suspensão da exigibilidade não se estende a possíveis valores excedentes ao total do crédito pleiteado. Além disto, a suspensão da exigibilidade, após o presente julgamento, estará condicionada à apresentação de recurso ao CARF. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 11080.903615/201213 Resolução nº 3401001.811 S3C4T1 Fl. 450 4 Por outro lado, não há previsão legal para a suspensão de exigibilidade dos débitos declarados em função de pendência de julgamento do auto de infração objeto de outro processo. A impugnação apresentada naquele processo tem o condão de suspender somente a exigibilidade do crédito tributário constituído pela lavratura do auto de infração. De qualquer forma, cabe salientar que o referido auto de infração, processo nº 10830.725456/201217, já foi julgado em 05/12/2012, Acórdão nº 1439.465, da 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto, não havendo óbice para o julgamento de 1ª instância do presente processo. (...) A contribuinte transmitiu declarações de compensação com base em saldo credor de IPI do 1º trimestre de 2007. A DRF em Campinas indeferiu o pedido porque constatou falta de lançamento do imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei 8.248/91 e suas alterações. Em virtude da lavratura de auto de infração e reconstituição da escrita fiscal, não teria sobrado saldo credor a ser ressarcido. Assim, o julgamento deste processo depende do julgamento do auto de infração. O auto de infração foi lavrado e formalizado no processo nº 10830.725456/201217, que, como já discorrido foi julgado pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/RPO em 05/12/2012, Acórdão nº 14 39.465. Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Proceder à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/201217; (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, esclarecendo o impacto da resposta aos itens anteriores sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iii) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 11080.903615/201213 Resolução nº 3401001.811 S3C4T1 Fl. 451 5 (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 451DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10821.000205/2008-41
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA. DECADÊNCIA. ANÁLISE DO ART. 173, I DO CTN. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.
Se o acórdão recorrido considera como relevante para fins de aplicação da regra contida no art. 173, I do CTN apenas a existência de dolo penalizado com multa qualificada ao passo que o acórdão paradigma adota como elemento determinante a ausência de pagamento antecipado, resta presente a similitude fática e a divergência jurisprudencial que justificam o conhecimento do recurso.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Tendo havido declaração e efetivo recolhimento de tributos no período, está correta a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, §4º, do CTN.
A prática delitiva intencional em relação a um fato não contamina os demais. Desse modo, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, em relação às infrações cuja sanção não foi qualificada, ainda que no mesmo período outros fatos tenham sido punidos com multa de 150%.
Numero da decisão: 9101-004.006
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, LIvia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA. DECADÊNCIA. ANÁLISE DO ART. 173, I DO CTN. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Se o acórdão recorrido considera como relevante para fins de aplicação da regra contida no art. 173, I do CTN apenas a existência de dolo penalizado com multa qualificada ao passo que o acórdão paradigma adota como elemento determinante a ausência de pagamento antecipado, resta presente a similitude fática e a divergência jurisprudencial que justificam o conhecimento do recurso. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Tendo havido declaração e efetivo recolhimento de tributos no período, está correta a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. A prática delitiva intencional em relação a um fato não contamina os demais. Desse modo, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, em relação às infrações cuja sanção não foi qualificada, ainda que no mesmo período outros fatos tenham sido punidos com multa de 150%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, LIvia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1626; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2.390 1 2.389 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10821.000205/200841 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101004.006 – 1ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria DECADENCIA 150 x 173 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARESIAS BEACH HOTEL LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. SIMILITUDE FÁTICA. DIVERGÊNCIA. DECADÊNCIA. ANÁLISE DO ART. 173, I DO CTN. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Se o acórdão recorrido considera como relevante para fins de aplicação da regra contida no art. 173, I do CTN apenas a existência de dolo penalizado com multa qualificada ao passo que o acórdão paradigma adota como elemento determinante a ausência de pagamento antecipado, resta presente a similitude fática e a divergência jurisprudencial que justificam o conhecimento do recurso. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Tendo havido declaração e efetivo recolhimento de tributos no período, está correta a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. A prática delitiva intencional em relação a um fato não contamina os demais. Desse modo, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, em relação às infrações cuja sanção não foi qualificada, ainda que no mesmo período outros fatos tenham sido punidos com multa de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 02 05 /2 00 8- 41 Fl. 2390DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.391 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano (relatora), que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Luis Fabiano Alves Penteado, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, LIvia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) (fls. 21982203) contra o acórdão 120100.205 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção, de 11 de dezembro de 2009 (fls. 2.1642.193), o qual reconheceu a decadência em relação aos créditos exigidos com multa de 75% relativos às contribuições ao PIS e Cofins dos meses de janeiro a março de 2003 e ao IRPJ e à CSLL do primeiro trimestre do mesmo ano. A decisão recebeu as seguinte ementa e decisão: Acórdão recorrido: 120100.205, de 11 de dezembro de 2009 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004, 2005, 2006 Ementa. NULIDADE MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL não se comprova nos autos qualquer irregularidade na emissão dos mandados de procedimento fiscal ou desconformidade de seu conteúdo com Fl. 2391DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.392 3 o objeto da autuação. De toda sorte, o MPF é ato de controle administrativo de natureza discricionária. Seus eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam o procedimento de lançar, pois é vinculado. EXCLUSÃO DO SIMPLES LANÇAMENTO a autoridade fiscal tem competência para promover o lançamento de crédito tributário segundo o regime geral de tributação das pessoas jurídicas, ainda que o ato de exclusão do Simples Federal não seja definitivo no âmbito administrativo. NULIDADE ERRO DE ENQUADRAMENTO erro ou omissão no enquadramento legal não dá causa à nulidade do lançamento se dele não decorrer concretamente cerceamento do direito de defesa e do contraditório, em especial, se a descrição fática trouxer todos os aspectos relevantes para fins de incidência da regramatriz tributária. MULTA QUALIFICADA são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. DECADÊNCIA a prática delitiva intencional em relação a um fato não contamina os demais. Desse modo, deve ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4o , do CTN, em relação às infrações, cuja sanção não foi qualificada, ainda que no mesmo período outros fatos foram punidos com patamar sancionador majorado. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS deve ser afastada a autuação atinente à omissão' de receita presumida a partir de depósitos bancários não comprovados relativamente àqueles que, pela verificação dos extratos bancários, podese constatar corresponderem a empréstimos concedidos em razão de descontos comerciais. ARBITRAMENTO o arbitramento é medida extrema. Não é todo vício de escrituração que conduz à sua desqualificação para a apuração do lucro real. SELIC Conforme dicção da Súmula I o CC n° 4: "A partir de I o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, reconhecer a preliminar de decadência em relação aos créditos exigidos com multa de 75% relativos ao PIS e à Cofins dos meses de janeiro a março de 2003 e ao IRPJ e à CSLL do primeiro trimestre do mesmo ano. Vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, que não a acolhia porque entende que, uma vez caracterizado o intuito doloso, o prazo decadencial para constituir o crédito tributo é o mesmo para todas as infrações. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade. Pelo voto de qualidade, manter a exigência relativa ao anocalendário de 2003, pelo lucro real trimestral, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe, Régis Magalhães Soares Fl. 2392DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.393 4 Queiroz e Antonio Carlos Guidoni Filho, que cancelavam a exigência por ausência de arbitramento do lucro. Quanto às demais matérias de defesa, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso com o fito de excluir os depósitos relativos a "Operações Desconto Orpag" da receita omitida por presunção calcada em depósitos bancários não comprovados, vencidos os Conselheiros Alexandre Barbosa Jaguaribe e Régis Magalhães Soares Queiroz que reduziam a multa qualificada ao patamar de 75%, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Procuradora da Fazenda Nacional tomou ciência desse acórdão em 19 de outubro de 2010 (fl. 2.194), tendo apresentado recurso especial em 21 de outubro de 2010 (fls. 2.1982.203), portanto tempestivamente. A PFN alega divergência jurisprudencial em relação ao entendimento manifestado no acórdão recorrido para a decadência do direito de lançar tributo sujeito a homologação nas situações onde não tenha ocorrido o recolhimento antecipado sobre as rubricas lançadas, não importando pagamentos afetos a outros fatos que não são objeto da cobrança. Para demonstrar divergência foi indicada como paradigma a seguinte decisão: Acórdão paradigma 230100.253, de 6 de maio de 2009 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/08/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART, 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei no 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTR1BU1ÇAO. No presente caso, a recorrente não estava inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do benefício fiscal. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que aplicavam o artigo 150, §4° e no mérito, por maioria de votos, manter os demais valores lançados, vencidos os Conselheiros relator, Edgar Silva Vidal e Damião Cordeiro de Moraes que entenderam não Fl. 2393DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.394 5 incidir em contribuições previdenciárias independentemente da inscrição no PAT. Apresentará o voto divergente vencedor o Conselheiro Marco André Ramos Vieira. O despacho de admissibilidade 120000.268, da 2ª Câmara da 1ª Seção, proferido em 28 de dezembro de 2010, deu seguimento ao recurso especial do Procurador. O contribuinte foi intimado do acórdão recorrido e do recurso especial do Procurador em 6 de abril de 2011 (AR fl. 2.245), tendo apresentado contrarrazões em 20 de abril de 2011 (fls. 2.2462.263). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal O recurso especial do Procurador é tempestivo. Não obstante, entendo que este não merece ser conhecido, na medida em que o acórdão paradigma apresentado não se presta a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343/2015, não se verificando a necessária similitude fática entre ele e o recorrido. De fato, o voto condutor do acórdão recorrido concluiu pela aplicação do artigo 150, §4º, do CTN, para a contagem do prazo decadencial no caso dos tributos cobrados com multa de ofício, aplicando a regra do artigo 173, I, para os casos que tiveram multa qualificada. É o que se depreende do trecho a seguir reproduzido (grifamos): Decadência Segundo o entendimento dominante deste Colegiado, o imposto sobre a renda, bem como a CSLL, o PIS e a Cofins são lançados segundo a modalidade "por homologação". Dessarte, a regra relativa ao decurso temporal para o Fisco constituir o crédito tributário está prevista no § 4 O do art. 150 do CTN: (...) Como a ciência do lançamento foi promovida apenas em 05/04/2008, foram alcançados pelo prazo extintivo os meses de janeiro a março de 2003 relativamente ao PIS e à Cofins e o primeiro trimestre do mesmo ano para o IRPJ e a CSLL, mas apenas quanto aos créditos em relação aos quais a multa não foi qualificada. Há, porém, para os mesmos períodos, créditos com sanção pecuniária qualificada pelo elemento doloso da conduta delitiva. Fl. 2394DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.395 6 Em relação a eles, o marco inicial do prazo extintivo não é disciplinado pelo §4 do art. 150, mas sim pela regra estampada no art. 173 da mesma codificação, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Nesse caso, não são alcançados pelo lapso extintivo caso seja mantido o entendimento da decisão recorrida acerca da qualificadora, o que passamos a enfrentar. Multa qualificada A multa só foi qualificada no patamar de 150% quanto aos valores lançados no anocalendário de 2003 e relativos à omissão de recebimentos de cartão de crédito. Quanto à omissão presumida de receita por depósito bancário não comprovado e aos créditos lançados nos anoscalendário de 2004 e 2005 por divergência entre valores escriturados e declarados, foi imposta a sanção pecuniária no patamar de 75%. Pelo relatório fiscal, a maior parte dos valores recebidos por meio de administradoras de cartão de crédito e débito não foram escriturados, nem foram emitidas as respectivas notas fiscais (fato constatado por meio da seqüência das notas escrituradas). Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados (o total omitido foi de R$ 2.137.140,34, ao passo que o declarado somou R$ 1.046.986,56), o número de operações omitidas, na casa de centenas, levame à convicção de que a conduta omissiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. Em razão disso, considero correta a caracterização dolosa da conduta e, portanto, a aplicação de patamar majorado da sanção punitiva. De igual sorte, quanto a tais valores, deve ser aplicada a regra da decadência prevista no art. 173, inciso I, do CTN, e não a do § 4 do art. 150. Isso implica dizer, em complementação ao tema da decadência, que nenhum dos créditos sancionados pela multa de 150% foi alcançado pelo lapso extintivo. Como se percebe, o acórdão recorrido não se pronunciou sobre a existência ou não de recolhimento dos tributos, sendo suficiente, para sua análise, a verificação de dolo para concluir ou pela aplicação seja da regra decadencial do artigo 150, §4º (na sua ausência) ou do artigo 173, I (na sua presença). Por sua vez, o acórdão paradigma indicado conclui que, no caso de lançamento de ofício, quando não há recolhimento antecipado o prazo decadencial é contado pela regra do art. 173, inciso I, do CTN. Notase, assim, que o ponto apontado pela PFN como divergente entre o acórdão recorrido e o paradigma sequer foi tratado no acórdão recorrido, inexistindo qualquer divergência ou mesmo relação entre eles. Dito de outra forma, não é possível afirmar que o acórdão apontado como paradigma diverge do acórdão recorrido porque eles partem de situações fáticas diversas: neste, Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.396 7 a inexistência de prova quanto ao dolo foi suficiente para a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN e, naquele, foi necessário, ademais, prova do pagamento do tributo. Neste sentido, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial do procurador. Mérito Como restei vencida quanto à admissibilidade do recurso especial, passo a apreciar o mérito. Tratase de definir, no caso de tributos sujeitos ao chamado "lançamento por homologação", se é possível deslocar a regra decadencial do art. 150, §4º, do CTN, para o prazo é o previsto no art. 173, I, do CTN na situação em que não há dolo, fraude ou simulação, mas não há nos autos prova de pagamento de tributos (v.g. guias DARF). Ressalto que a expressão "lançamento por homologação" está entre aspas porque, na verdade, lançamento é ato privativo da administração (artigo 142 do CTN), de maneira que o contribuinte, tecnicamente, não "lança" tributos. Acontece que o lançamento não é a única forma de se constituir o crédito tributário, daí porque, no caso dos tributos sujeitos a "lançamento por homologação", eles são assim denominados porque quem constitui o crédito tributário é o próprio contribuinte. No caso de tributos sujeitos a tal sistemática, a decadência de rege, a princípio, pelo artigo 150, §4º, do CTN, que dispõe (grifamos): Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.397 8 Em termos teóricos, a exceção mais pacífica à aplicação do artigo 150, §4º, do CTN até porque literalmente indicada no dispositivo, conforme acima destacado é a hipótese de comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesta situação, não se discute que a decadência passa a ser regida pelo artigo 173, I, do CTN, contandose os 5 anos não mais do fato gerador, mas do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste sentido, o CARF aprovou a Súmula CARF nº 72 (Vinculante), com o seguinte enunciado: Súmula CARF 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Mais controversos, todavia, são os casos em que não há tal alegação de dolo, fraude ou simulação e, mesmo assim, o Fisco pretende a aplicação do artigo 173, I, do CTN em detrimento do artigo 150, §4º. Isso ocorre, basicamente, em duas situações: (i) quando não há sequer declaração do contribuinte (isto é, quando o contribuinte não constitui o crédito tributário nem indica expressamente que não há tributo devido), e (ii) quando, independentemente de ter ou não havido declaração, o contribuinte não efetua o pagamento. A hipótese de não ter havido sequer declaração do contribuinte pode também ser colocada em outro extremo, já que a jurisprudência tem se consolidado no sentido de que, neste caso, é igualmente aplicável o artigo 173, I, do CTN em detrimento do artigo 150, §4º. De fato, após o julgamento de reiterados recursos sobre a questão, inclusive na sistemática do recurso repetitivo (REsp 973.733/SC), o Superior Tribunal de Justiça STJ fez publicar, em dezembro de 2015, a Súmula 555, com o seguinte enunciado (grifamos): Súmula STJ 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. O debate permanece, assim, para a hipótese em que houve declaração porém não ocorreu o efetivo recolhimento do tributo por parte do contribuinte. Dito de outro modo, a discussão fica, essencialmente, em definir qual é o ato sujeito à homologação do Fisco (e que portanto atrai a aplicação do artigo 150, §4º, do CTN): se basta a declaração do contribuinte ou se, para além de tal declaração, é necessário que o contribuinte efetue o efetivo recolhimento do tributo em questão. Os que defendem que é necessário o efetivo recolhimento se apegam à literalidade do artigo 150 do CTN que realmente faz referência à "pagamento antecipado" para dizer que o que se homologa é apenas o pagamento efetuado pelo contribuinte. Assim, na ausência de recolhimentos, o prazo decadencial já passa a ser regido pelo artigo 173, I, do CTN. Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.398 9 Ocorre que a sistemática de apuração de IRPJ e da CSLL e também de outros tributos como o PIS, a COFINS e o ICMS revela que há diversas situações em que, sem que tenha havido a prática de qualquer irregularidade, o contribuinte apura zero de tributo a recolher. O exemplo clássico é a apuração de prejuízo fiscal no exercício. Assim, ao levar tal sistemática em consideração, revelase no mínimo injusto se apegar à literalidade do artigo 150 do CTN para dizer que apenas os contribuintes que efetivamente realizem recolhimentos de tributo é que podem estar sujeitos ao prazo decadencial ali previsto. Em outras palavras, não há qualquer justificativa razoável seja em termos legais, seja em termos de prática de fiscalização para que o Fisco tenha prazos diferentes para fiscalizar o contribuinte que declara lucro (e assim recolhe o IRPJ correspondente) versus o contribuinte que não tem tributo a recolher por ter declarado prejuízo fiscal naquele ano calendário. Daí o entendimento de que o prazo decadencial limita temporalmente o poderdever do Fisco de examinar a declaração que o contribuinte presta sobre sua apuração de tributos, independentemente do resultado de tal cálculo ou seja, sendo indiferente se com tal declaração o contribuinte efetivamente constitui crédito tributário (porque apura tributo a recolher) ou se apenas indica que não há tributo a recolher naquele períodobase. Estou com aqueles que entendem que, uma vez que o contribuinte efetua a apuração de seus tributos e apresenta ao Fisco a respectiva declaração (seja ela com ou sem tributo a recolher), o prazo decadencial se rege pela regra do artigo 150, §4º, do CTN. Por outro lado, não tendo sido apresentada tal declaração assim como no caso em que há dolo, fraude ou simulação o prazo decadencial se conta nos termos do artigo 173, I, do CTN. Passamos ao caso em questão. Tratase de lançamento de tributos no regime do lucro real em virtude de o contribuinte ter sido excluído do SIMPLES. Compulsando os autos, verifico que a própria autoridade fiscal, quando lavrou o auto de infração, reconheceu a necessidade de exclusão dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES, excluindo o quanto pago da cobrança lavrada. Assim se verifica do termo de verificação fiscal, quando afirma "Aduzase que os valores de IRPJ e CSLL pagos pela sistemática do Simples foram descontados dos valores apurados por esta Fiscalização como devidos na forma de apuração pelo Lucro Real." (fl. 1.727). Também é o que se depreende para o PIS e COFINS conforme demonstrativo de fl. 1.774, preparado pela fiscalização: Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.399 10 De se notar, ademais, que a contribuinte apresentou a declaração relativa ao Simples, como afirma a própria fiscalização no TVF (fl. 1.724): "...a Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica PJSI 2004 Simples informa receita bruta anual de,R$ 1.046.986,56 (vide fls. 1.402 a 1.411), em consonância com a escrituração dos Livros Diário, Razão e LALÜR (cópias às fls. 1.264 a 1.363) apresentados em resposta ao Termo Ciência, Constatação e Intimação Fiscal datado de 05/07/2007. Também há coincidência do valor declarado com as notas fiscais emitidas no período (fls. 344 a 913)." Assim, verificado que houve não apenas declaração mas efetivo recolhimento de tributos no período, está correta a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, §4º, do CTN. De se notar que a prática delitiva intencional em relação a um fato não contamina os demais. Desse modo, é de ser aplicada a regra decadencial do art. 150, § 4o, do CTN, em relação às infrações cuja sanção não foi qualificada, ainda que no mesmo período outros fatos tenham sido punidos com multa de 150%. Assim, compreendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto para não conhecer do recurso especial do Procurador e, caso vencida, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.400 11 Voto Vencedor Luis Fabiano Alves Penteado Redator Designado Não obstante o brilhantismo do voto da ilustre Relatora, ouso divergir no tangente ao Conhecimento. Em apertada síntese, entende a Relatora que a divergência entre acórdão o acórdão recorrido e o paradigma não fora devidamente demonstrada pela Recorrente, vez que o acórdão recorrido aplicou entendimento de que somente seria aplicável a regra decadencial do art. 173, I do CTN para os créditos em relação aos quais fora aplicada multa qualificada de 150% em razão de conduta dolosa do contribuinte, ao passo que o acórdão paradigma leva em consideração a ausência de pagamento antecipado. Assim, não há similitude fática, segundo a Relatora. È neste ponto que divirjo. Isso porque, como bem apontado no Recurso Especial da PGFN, o acórdão recorrido entendeu ser irrelevante o fato de ter havido ou não recolhimento antecipado do tributo para fins de aplicação do art. 173, I do CTN, tendo considerado como determinante o fato de ter sido apurada conduta dolosa do contribuinte com a conseqüente aplicação da multa qualificada. Já o acórdão paradigma, em conclusão diametralmente oposta, considerou como elemento condutor da aplicação do art.173, I do CTN a inexistência de pagamento antecipado. Estamos diante da análise de mesmo norma art. 173, I do CTN e situação semelhante configurada pela ausência de recolhimento antecipado do tributo, tendo havido divergência de entendimento entre o recorrido (que manteve a aplicação do art. 150, §4º, do CTN) e o paradigma que manteve a aplicação do art. 173, I do CTN. A presença de elemento adicional no acórdão recorrido (conduta dolosa/multa qualificada) que inexiste no paradigma não anula o elemento comum entre ambos recorrido e paradigma que é a ausência do pagamento antecipado do tributo. Assim, presentes os requisitos necessários para admissão do Recurso Especial que são a similitude fática e divergência jurisprudencial, entendo que o Recurso Especial deve ser conhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 10821.000205/200841 Acórdão n.º 9101004.006 CSRFT1 Fl. 2.401 12 Fl. 2401DF CARF MF
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Numero do processo: 13822.000119/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.046
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificando-os; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1- venda; 2- compra de insumos e 3-intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhando-os. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifeste-se a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis uma vez por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas; e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte (itens i e ii), manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira e Ari Vendramini, que votaram por converter o julgamento em diligência para a juntada aos autos dos documentos recebidos pela Fiscalização e devolvidos ao contribuinte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 22 .0 00 11 9/ 20 05 -7 3 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 612 2 Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: Trata o presente de Pedido de Ressarcimento de créditos apurados pela sistemática da nãocumulatividade, compensado com créditos tributários do próprio interessado através de PER/DCOMP, conforme dados abaixo: Crédito: Cofins não cumulativo Período de apuração: 1º trimestre de 2005 Valor pleiteado: R$ 186.564,64 AUTO DE INFRAÇÃO fls. 364 Efetuada a verificação fiscal junto ao interessado, foi lavrado Auto de Infração para formalização da glosa dos créditos, onde foram apuradas irregularidades na formação do crédito objeto do presente processo, a saber: a) Bens utilizados como insumos. Baseado no conceito de insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda, dado pelo art. 8º, § 4º c/c § 9º, da Instrução Normativa nº 404, de 2004 a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades químicas ou físicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não esteja incluído no ativo imobilizado, o auditor fiscal verificou a existência de registros de despesas não incluídos nesse conceito. Inicialmente, verificou diferenças entre os valores informados na planilha “Livro do PIS e Cofins Consolidado 2007” e no DACON. Intimado, o interessado informou que no DACON informou que, além dos insumos relacionados nas planilhas, incluiu as aquisições de cana de açúcar de pessoas jurídicas. A fiscalização ressaltou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, arts. 8º e 9º, regulamentada pela Instrução Normativa SRF nº 606, de 2006, as aquisições de insumos de origem agropecuária geram direito a crédito presumido à alíquota de 2,66%, e não ao crédito referente aos insumos, da linha 02 dos DACON e, portanto, não serão considerados nesse item e serão analisados em item próprio, do Auto de Infração. A seguir, efetuou a análise referente aos grupos que compuseram a planilha de cálculo dos insumos. a.1) Material Intermediário Serviço de Manutenção. Da análise da planilha correspondente e das notas fiscais nela relacionadas, verificou que parte dos gastos não se refere à aquisição de insumos, matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar, referindose a partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e aquisição de pneus, assim como despesas Fl. 612DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 613 3 diversas tais como: locação de veículos para uso administrativo e obras de recuperação de rodovias. Ressalta que tais gastos não se dão no âmbito do processo produtivo, mas sim em etapas anteriores ou posteriores à produção. Ressalta, também, que considerou somente os gastos referentes a combustíveis e lubrificantes, para os quais há expressa autorização para a inclusão no conceito de insumos. a.2) Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial. Que efetuou a glosa referente a gastos com bens não diretamente consumidos na fabricação de bens destinados à venda, tais como gastos com construção civil, com reparação de caminhões, reboques, com tintas vernizes diluentes (Estoque tintas), cimento, etc. a.3) Fretes Glosou as despesas com fretes referentes a transporte de pessoas, por não se enquadrarem no disposto no art. 3º, § 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. b) Do método da apropriação do crédito presumido. Verificou que o interessado informou que o método de determinação dos créditos foi com base na proporção dos custos diretamente apropriados. Assim, intimou o interessado a comprovar que os valores dos créditos informados nos DACON e nos livros auxiliares do PIS e Cofins são referentes apenas aos custos, despesas e encargos vinculados à receita sujeita ao regime nãocumulativo da exportação. Examinando a documentação apresentada, verificouse que, no preenchimento dos DACON, o interessado não utilizou o método de apropriação direta, uma vez que todo o custo da cana de açúcar (insumo), do preparo e processamento da cana, da extração do caldo e do suporte a produção industrial foram apropriados, na sua totalidade, para o produto açúcar, ou seja, todos os custos comuns, vinculados às receitas sujeitas aos regimes cumulativo e nãocumulativo foram aproveitados integralmente como sendo regime nãocumulativo. Em resumo, nos DACON entendeu o interessado apropriar todo o gasto com a aquisição do insumo cana de açúcar para o produto açúcar, independentemente se dela foi produzido álcool. Verificou, também: a) Que a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON, para o que somou valores de materiais em estoque. conforme resumo de fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); b) Inconsistências nas informações das planilhas apresentadas, demonstrando que os Razões não comprovam o método de apropriação direta e nem condizem com os valores dos DACON, pois: b.1) conforme esclarecimento do interessado, no valor dos insumos informados nos DACON está incluído o valor da cana adquirida de pessoas jurídicas e na planilha de fls 24 a 26 (numeração constante no relatório do Auto de Infração), não consta a conta correspondente a tal insumo; b.2) a soma dos saldos mensais das contas é inferior ao valor mensal dos insumos informados nos DACON (e diferente do valor da cana adquirida de pessoa jurídica) e Fl. 613DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 614 4 para chegar ao valor informado nos DACON, o interessado somou o valor dos materiais em estoque, conforme consta no resumo apresentado às fls. 23 (numeração constante no relatório do Auto de Infração); e b.3) na planilha há contas estranhas ao conceito de insumo, tais como “Consultoria”, “Copa, cozinha e limpeza”, “Gêneros Alimentícios”, “Lanches e Refeições”, “Uniformes” e “Seguros Gerais”. Pelos fatos expostos, constatase que o método de aproveitamento dos créditos, informado nos DACON, não pode ser caracterizado como de apropriação direta, pois os custos comuns à receita sujeita ao regime nãocumulativo e ao cumulativo foram informados integralmente como sendo de receita de exportação e os Razões apresentados não comprovam o declarado nos DACON e nas planilhas com a descrição dos insumos e, considerando que o interessado aufere receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação, com base no disposto nos arts. 3º, §§ 7º e 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, deve ser utilizado o método de rateio proporcional da receita bruta. Assim, calculou os percentuais aplicáveis a cada regime de tributação e aplicou os aos valores dos gastos considerados como insumos, apurando o valor do crédito a aproveitar no período. b.1) Energia Elétrica e Contraprestações de arrendamento mercantil. Considerando a utilização do método de rateio proporcional para a apuração dos créditos, recalculou os valores dos gastos com energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil considerados como créditos apurados no regime não cumulativo. c) Base de cálculo do crédito a descontar referente ao Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição (linha 10 da Ficha 16 A do DACON) Cita a legislação regência e constatou que o interessado incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: a) 1/48 de valores de aquisição de bens adquiridos antes de 01/05/2004, contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; b) 1/24 de valores de aquisição de bens diferentes de máquinas e equipamentos, tais como edificações, veículos, motos, microônibus, caminhões, etc., contrariando o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, o art. 3º, § 14 c/c art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003; c) bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, tais como: rádio motorola, computadores de bordo, tratores, lavador de veículos, replantador de cana, colheitadeira de cana, etc, contrariando o disposto no art. 3º, inciso VI, e § 1º, inciso II, da Lei nº 10.837, de 2002, e art. 15, da Lei nº 10.833, de 2003, e art. 2º da Lei n° 11.051, de 2004, e demais dispositivos legacia acima citados; d) bens vinculados às receitas sujeitas ao regime cumulativo, tais como destilaria, tanque de álcool, fábrica de álcool, etc; e) bens comuns à fabricação de produtos sujeitos aos regimes cumulativo e não cumulativo, tais como balanças, picadores de cana, moendas, mão alimentadora, etc. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 615 5 Com base nas verificações, efetuou a glosa referente aos valores relacionados nos itens “a” a “d” acima. Aos valores referentes ao item “e”, aplicouse o percentual de rateio proporcional apurado para os períodos. d) Outros Créditos a descontar (linha 25 da ficha 12 do DACON) Verificou que o interessado registrou créditos da contribuição, referente a valor do frete pago a pessoas físicas, contrariando as disposições do inciso IX, do art. 3º c/c art 15, ambos da Lei n º 10.833, de 2003. Conclusão do Auto de Infração Com base nas verificações efetuadas, a fiscalização elaborou demonstrativo de cálculo para a apuração correta do crédito da contribuição do período de apuração referenciado, a que o contribuinte tem direito, que montou ao valor de R$ 129.217,13. PARECER SAORT E DESPACHO DECISÓRIO fls. 378 e 389 A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Araçatuba, através do Parecer Saort, reproduziu as informações do Auto de Infração e propôs o deferimento do valor de R$ 129.217,13, como direito creditório do interessado passível de compensação. Através do Despacho Decisório (DD), acataramse as conclusões do Parecer Saort, deferindo em parte o pedido de ressarcimento, reconhecendo ao interessado o direito creditório ao valor proposto no Parecer, e homologando as compensações efetuadas até o limite do direito creditório reconhecido. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE fls. 417 Ciente das conclusões do Despacho Decisório (DD), o interessado apresentou manifestação de inconformidade (MI), onde relata os fatos e faz as suas contrárias alegações onde, preliminarmente, alega que os créditos objeto do presente processo já foram apreciados nos autos do processo 15868.000012/201091 e, assim, constatase a duplicidade das glosas de créditos e da cobrança dos valores atinentes às referidas glosas. Junta cópia do Auto de Infração que seria objeto do referido processo. Em seguida, faz longa exposição a respeito do direito ao crédito da PIS/Cofins, relatando o histórico da edição dos atos legais, faz considerações sobre o conceito de nãocumulatividade, destacando a diferença entre esse conceito, para o PIS e Cofins, e o conceito aplicável ao ICMS e IPI, que não foi observada pela fiscalização. Continua, dizendo que mantidas as restrições impostas pela fiscalização, as contribuições tornamse cumulativas e as tornam inconstitucionais e ilegais, devendo ser observada a lei e os mandamentos constitucionais, em especial, a vontade do legislador, e que as Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, ao impor um rol taxativo de créditos a serem aproveitados (art. 3º) não se mostram adequadas e subsumidas ao comando constitucional contido no § 12, do art. 195, da CF, ficando evidenciada a inconstitucionalidade das limitações ao direito de créditos de PIS/Cofins, tal como colocada nas referidas leis. Assim, na esteira do entendimento constitucional, é necessário o reconhecimento do direito de crédito em relação a todas as despesas necessárias à produção do resultado econômico e, não sendo esse o entendimento a ser esposado, é certo que o procedimento fiscal é absurdo pois glosou mais de 85% dos créditos levantados, sendo que todos os insumos glosados são aplicados no processo produtivo do requerente, a saber: Fl. 615DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 616 6 Material Intermediário – Serviço de Manutenção. Que o conceito de insumos, adotado pelo fisco, em totalmente distorcido, uma vez que é desconsiderado parte do processo industrial do requerente, qual seja, a produção do insumo cana de açúcar, onde temse o preparo do solo, o plantio da cana, os tratos culturais, o corte, e o transporte da cana para a fabricação dos produtos. Que nesse processo são utilizados tratores, caminhões e máquinas para tais procedimentos e, assim, as peças para esses veículos são indispensáveis para o processo de produção. Que as disposições da IN SRF nº 247, de 2002 está eivada de inconstitucionalidade, uma vez que subverte o estabelecido em lei e que, ao incluir os combustíveis e lubrificantes como insumos que dão direito a crédito, o objetivo do legislador foi estabelecer um rol exemplificativo de bens e serviços, e não taxativos, como quer o fisco. Assim, é de se reconsiderar tal glosa, pois o bens expressamente impugnados são materiais intermediários inseridos e que se desgastam no decorrer do processo produtivo. Material Intermediário – Serviço de Manutenção Industrial. Alega o mesmo entendimento do item anterior, contestando especificamente as glosas dos serviços de reparação de equipamentos, manutenção de moenda e outros, pois são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo e que sem esse insumos o processo não decorre sem prejuízo para o requerente e que a falta dos mesmos inviabilizaria a continuidade empresarial. Que deve ser revisada a glosa, haja vista a existência de erro material, bem como equívoco conceitual sobre a interpretação da norma, e que as notas fiscais e fornecedores mencionados estão inseridos no processo produtivo. Do direito ao crédito do frete. Contesta a glosa referente a fretes pagos a pessoa jurídica quando atinentes a transporte de pessoal, de mercadorias para terceiros e aquisição de materiais. Alega que entre as glosas constam despesas de frete nas operações de venda, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3º, da Lei nº 10.833, de 2003., que faz referência aos incisos I e II do próprio art. 3º, que definem o direito a crédito sobre os bens adquiridos para revenda ou bens e serviços utilizados como insumos, daí a razão para a inclusão dos serviços de transporte gasto em seu processo produtivo. Do método de Apuração de Créditos (Créditos Presumidos da Cana de Açúcar) Que a fiscalização, ao arrepio da lei, desconsiderou o método de apropriação de créditos elaborado pelo contribuinte, optando pelo mais oneroso, argumentando que todos os custos de cana, seu processamento, extração de caldo, suporte industrial e outros são apropriados para o produto açúcar, e que os Razões não permitem identificar quais os produtos, insumos ou fornecedores dos custos apropriados, bem como há Razões em que as notas fiscais e fornecedores não constam dos livros auxiliares de PIS/Cofins. Que a legislação é clara quanto ao direito do contribuinte optar entre o método de apropriação direta e o método de rateio proporcional, no caso de existência de receitas sujeitas a ambos os regimes de tributação. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 617 7 Que o sistema de custo integrado separa os custos destinados à fabricação de açúcar e álcool, de modo que os insumos destinados a cada processo sejam diretamente direcionados a seus respectivos centros de requisição contábeis. Que todo o volume de cana, o processo de extração do caldo e o suporte industrial são exatamente custos de fabricação de açúcar, vez que cem por cento do caldo resultante desse processo é destinado à fábrica de açúcar e que para a fábrica de álcool somente é destinado o “mel final” que resulta do processo de fabricação de açúcar, o qual vai juntamente com seu respectivo custo de resíduo industrial, e que não houve fabricação de álcool direto da cana. Quanto a outra alegação, de falta de identificação de fornecedores, produtos, insumos dos custos apropriados, alega que adota há trinta anos tal procedimento, nunca senso questionado pela fiscalização e que tal procedimento é reconhecido a adotado como parte integrante das melhores técnicas de escrituração, que todas as requisições e notas fiscais foram apresentadas, o que deu margem à discussão sobre o conceito de insumos. Quanto a argumentação de que há Razões nos quais notas fiscais e fornecedores relacionados não constam nos Livros Auxiliares, que tais livros não são obrigatórios e não possuem regramento específico para se preenchimento. Que inexistem custos comuns que são apropriados somente para a parte de produção não cumulativa, conforme mostra o trabalho pericial anexo que o processo de fabricação de açúcar e de álcool são independentes e partem de pontos totalmente distintos e que deve ser respeitado o sistema de custo integrado existente e mantido pelo interessado, e que a fiscalização obteve acesso a todos os documentos atinentes aos créditos. Da energia elétrica e das contraprestações de arrendamento mercantil Nesses itens, reitera as alegações acima quanto a apropriação do crédito presumidos. Dos encargos de depreciação dos ativos Nesse caso, alega que a lei faz referência expressa aos bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação ou produção dos bens e produtos destinados à venda, não estabelecendo a necessidade de contato direto e desgaste na composição do produto final, ou seja, os caminhões, tratores, reboques são inseridos no processo produtivo e, na comercialização, são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo. Quanto a limitação de apropriação desse tipo de crédito para os bens adquiridos anteriormente a maio e outubro de 1994, o requerente entende que afronta o princípio da legalidade, pois o direito ao crédito foi previamente constituído com a entrada do bem no ativo, havendo direito adquirido desde tal evento e somente a apropriação do direito préconstituído se dá mês a mês, conforme previsto na lei. E que não há o que se falar em proporcionalidade de receitas, haja visto o sistema de custo integrado, conforme acima explanado. Do pedido Requer o recebimento da manifestação de inconformidade e que a mesma seja julgada procedente, protestando pela produção de todos os meios de prova, em especial pela designação de perícia técnica para definição do processo produtivo da Defendente. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 618 8 A 5ª Turma da DRJ/RPO, no Acórdão n° 1436.180, manteve as glosas dos créditos, com decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV, do art. 57, do Decreto nº 7.574, de 2011. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do COFINS nãocumulativo, entendese como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda apenas as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETES E INSUMOS PAGOS A PESSOA FÍSICA. Somente custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, dão direito ao crédito, por expressa previsão legal art. 3º, §§, 3º, da Lei nº 10.833, de 2003. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 619 9 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Em Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade, para pleitear o reconhecimento dos créditos. Ademais, defende o método direto de apropriação dos créditos, que fora desqualificado pela fiscalização para o método do rateio proporcional. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltouse à verificação dos créditos de COFINS informados pelo contribuinte no DACON, que foram objeto de pedidos de ressarcimento/compensação. A fiscalização utilizou os livros fiscais/contábeis e demais documentos, bem como as informações e esclarecimentos prestados pelo contribuinte. As glosas são analisadas a seguir. Bens utilizados como insumos A fiscalização aplicou o conceito de insumo das Instruções Normativas n° 247 e 404 para demarcar o que poderia ser objeto de tomada de crédito pelo contribuinte. a) Material Intermediário Serviço de Manutenção Informa a fiscalização que, da análise da Planilha 01 (Mat. Intermediário Serv. Manutenção) e das notas fiscais nela relacionadas, constatouse que os gastos não se referiam a aquisição dos insumos matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem utilizados ou aplicados diretamente no processo de fabricação do açúcar. Fl. 619DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 620 10 Dentre eles, a fiscalização apontou diversos gastos destinados a despesas com manutenção de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus etc. e, portanto, relacionados ao transporte de matériaprima, pessoal, e/ou produtos, caracterizando despesa de transporte e não insumo. Foram encontrados gastos com serviços de terraplanagem, aquisições de diversos produtos, tais como pás, portas, chapas de madeira; etc. A Recorrente, por sua vez, aduz que as suas atividades vão do plantio de canadeaçúcar, passando pela fabricação de açúcar e álcool, até a comercialização de tais produtos, e que as glosas levadas a efeito pela fiscalização se mostraram insubsistentes, já que não foram considerados os insumos efetivamente utilizados no processo produtivo como um todo. Descreve seu processo produtivo de forma sucinta: Em apertada síntese o processo produtivo da Recorrente se inicia no preparo de solo para plantio da cana, efetivação do plantio desta, tratos culturais, corte da cana, carregamento, transporte, moagem, fabricação de açúcar e álcool e, por fim, comercialização dos produtos e exportação. Durante todo esse processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, senão vejamos, por amostragem, que pneus, câmaras de ar, peças para trator, peças para caminhões, peças para máquinas agrícolas são utilizados em tratores, caminhões e máquinas que plantam, colhem e transportam a cana até a moenda industrial fazendo parte do processo de produção. É equivocado o entendimento fiscal de que os gatos com a colheita e transporte da cana constituem procedimentos anteriores ao processo industrial, já que o contrato social da Recorrente estabelece como objetivo da sociedade também a produção de cana de açúcar. Ante o exposto, de se notar que a fiscalização desconsidera parte do processo industrial da Recorrente que se inicia na produção da cana a ser manufaturada, a qual demanda grande quantidade de insumos e equipamentos para sua produção, corte, carregamento, transporte e outros. a.2) Material Intermediário Serviço de Manutenção Industrial A fiscalização afirmou que a Planilha 02 (Mat. Interm. Serv. Manutenção Industrial), em geral, referese a produtos e serviços consumidos no processo produtivo industrial, tais como partes e peças de máquinas, serviços de reparo em maquinário etc. No entanto, dentre eles, a fiscalização encontrou alguns gastos com bens que não teriam sido diretamente consumidos na fabricação dos bens destinados à venda e que, portanto, não se enquadrariam no conceito de insumos. Para tanto, cita os gastos com construção civil, com serviços e peças para veículos e tratores, máquinas agrícolas, com chapas de madeirite, esquadrias de madeira, vergalhão e barras de aço. Fl. 620DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 621 11 A Recorrente sustenta que os créditos glosados pela fiscalização no processo industrial são indispensáveis para que ocorra a produção contínua e para evitar o sucateamento do parque industrial. Prossegue: No decorrer do processo produtivo são consumidos inúmeros insumos dentre os quais aqueles glosados indevidamente pela fiscalização, tais como, serviços de reparação de equipamentos, manutenção na moenda e outros, todos são equipamentos e serviços utilizados no processo produtivo, de modo que, sem estes insumos o processo não decorre sem prejuízos para a Recorrente. a.3) Frete O frete para a entrega de insumos compõe a base de cálculo dos créditos a serem descontados, quando correrem por conta do adquirente e desde que pagos a pessoa jurídica, por integrarem os custos, conforme disposto no artigo 3°, §3° da Lei n° 10.833/03. Com base nas informações constantes das planilhas e relatórios com a descrição dos gastos, apresentadas pelo contribuinte em meio magnético, a fiscalização considerou como passíveis de creditamento apenas os fretes que ocorreram para transporte de insumos. Por conseguinte, glosou os demais. Neste ponto, a Recorrente aduz que, dentre as glosas levadas a efeito pela fiscalização, constam fretes nas operações de venda das mercadorias, o que está expressamente previsto no inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Base de cálculo dos créditos a descontar relativos a bens do ativo imobilizado Relatou a fiscalização que o contribuinte apresentou, em meio magnético, planilha contendo a discriminação, mês a mês, dos bens de seu ativo imobilizado, respectivos valores e datas de aquisição, que serviram para apuração mensal das bases de cálculo dos créditos. Conforme tal planilha, a base de cálculo dos créditos foi apurada com base nos valores correspondentes a 1/48 ou 1/24 do valor de aquisição do bem. Então, a autoridade fiscal constatou que nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, o contribuinte incluiu na base de cálculo dos créditos referentes a bens do ativo imobilizado: na proporção de 1/24, valores referentes a bens adquiridos antes de 01/10/2004, contrariando o art. 2°, § 2°, da Lei n° 11.051/04; na proporção de 1/48, valores referentes a bens adquiridos antes de 01/05/2004, e valores referentes a bens diferentes de máquinas e equipamentos (tais como prédios, tubos de concreto, aparelhos, veículos), contrariando o art. 31 da Lei n° 10.865/04 e o art.3°, §14, da Lei n° 10.833/03; Fl. 621DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 622 12 bens que não foram utilizados exclusivamente no processo industrial, como por exemplo, aparelhos de ar condicionado, refrigerador 380 lts, rádio motorola, conjunto irrigação, veículos, tratores etc., contrariando a art. 3°, VI e §1°, III, da Lei n° 10.833/03. Diante disso, a fiscalização elaborou planilha, na qual ficou consignado os motivos das glosas, bem como que a maior parte delas se deu em função da exclusão de bens cujas datas de aquisição não estão compreendidas no período permitido pela legislação. Por sua vez, a Recorrente reitera que não se pode limitar o processo produtivo ao parque industrial, pois é pessoa jurídica AGROINDUSTRIAL, ou seja, seu processo produtivo se inicia na lavoura: A lei, nesse caso, adota entendimento de que os equipamentos utilizados na produção, ora, o caminhão, os reboques canavieiros, os tratores, são efetivamente inseridos no processo produtivo da parte rural da pessoa jurídica, levando a cana até a usina, onde começa o processo industrial da mesma. Já no processo industrial e de comercialização são necessários veículos, telefones, computadores e outros equipamentos para que o processo industrial seja completo, portanto, não há sustentabilidade jurídica ou fática ao posicionamento fiscal, vez que diametralmente oposto aos mandamentos aplicáveis ao caso. Há duas situações distintas: a contabilização de encargos referentes a bens não utilizados no processo de fabricação dos produtos e a contabilização de encargos referentes a bens adquiridos anteriormente às datas previstas em lei. Outros créditos a descontar Neste tópico, a fiscalização indica que nos arquivos magnéticos denominados Outros Créditos, apresentados pelo contribuinte, os valores da linha 22 do DACON são referentes a créditos da Cofins apurados sobre o valor do frete pago a pessoas físicas. Dessa forma, tal despesa não geraria direito a crédito das contribuições, pois, conforme Lei n° 10.833/03, art. 3°, c/c art. 15, inciso II; apenas o frete pago a pessoas jurídicas enseja tal direito. Defende a empresa que frete utilizado na operação de venda do produto pode ser objeto de crédito para fins de compensação, mesmo que prestado por pessoa física. Controvérsia em relação ao conceito de insumo e delimitação do processo produtivo da empresa Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração nãocumulativa das contribuições do PIS. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade. O conceito de insumo que norteou a autuação é o restrito, no sentido de que são somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. Fl. 622DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 623 13 Assim, na definição de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda, foram enquadrados como insumos pelas citadas Instruções Normativas da Receita Federal, as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. Ressaltese que a DRJ seguiu a mesma linha da auditoria dos créditos. Esta 1ª Turma de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS, no regime da nãocumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da nãocumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 624 14 a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. A atividade desenvolvida pela Recorrente é o plantio de canadeaçúcar e sua industrialização para produção de açúcar e álcool, de modo que suas atividades se estendem desde a lavoura até a comercialização de seus produtos, o que, em tese, pode envolver que as despesas incorridas e ora pleiteadas sejam de fato insumos. Logo, é imperiosa, portanto, a comprovação da efetiva associação dessas despesas com o processo produtivo da Recorrente. É sabido que em processos de compensação, o ônus da prova da liquidez e certeza dos créditos é do contribuinte. Todavia, consta nos autos que a empresa apresentou todos os documentos referentes a sua tomada de crédito, que foram utilizados para a elaboração da planilha de glosas construída pela fiscalização. Indubitavelmente, o contexto nos anos calendários de 2004 a 2007 difere totalmente do contexto atual, pós julgamento do Recurso Especial e edição do Parecer Normativo da RFB. Isso tudo justifica a conversão do julgamento em diligência, para verificação do processo produtivo da empresa em cotejo com as despesas glosadas, para aferir a essencialidade e relevância das mesmas à atividade da empresa. CONCLUSÃO Pelo exposto acima, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem: (i) intime a Recorrente para trazer aos autos, em 60 dias, prorrogáveis por igual período: a) Laudo técnico descritivo de todo o processo produtivo da empresa, para o produto AÇÚCAR, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos utilizados dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos mesmos e sua descrição funcional dentro do ciclo; b) Indicar as notas fiscais glosadas a que se referem os insumos; Fl. 624DF CARF MF Processo nº 13822.000119/200573 Resolução nº 3301001.046 S3C3T1 Fl. 625 15 c) Apontar e descrever o uso de bens do ativo imobilizado no processo de produção que foram glosados, especificandoos; d) Apresente a segregação entre os fretes: 1 venda; 2 compra de insumos e 3intercompany, indicando as respectivas notas fiscais que foram glosadas. e) Esclarecer se, para o período em análise, a cana de açúcar foi adquirida na integralidade de terceiros/pessoas jurídicas. ii) Indique os insumos e os bens do ativo permanente que são comuns à produção de açúcar e de álcool, detalhandoos. iii) Ato contínuo à juntada da documentação pelo contribuinte, manifestese a autoridade fiscal, considerando o disposto no Parecer Normativo RFB n° 5/2018. Após, deverão os autos serem devolvidos a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 625DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.007156/2003-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. IN SRF 77/1998
Despiciendo o lançamento de ofício para exigência de saldo a pagar de tributo regularmente confessado em DCTF.
A DCTF constitui meio hábil e suficiente para cobrança executiva dos débitos confessados, dispensando o lançamento de ofício realizado em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN.
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ).
Numero da decisão: 3201-005.207
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência apenas da multa de mora sobre o débito pago em atraso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1998 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. IN SRF 77/1998 Despiciendo o lançamento de ofício para exigência de saldo a pagar de tributo regularmente confessado em DCTF. A DCTF constitui meio hábil e suficiente para cobrança executiva dos débitos confessados, dispensando o lançamento de ofício realizado em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ).
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. IN SRF 77/1998 Despiciendo o lançamento de ofício para exigência de saldo a pagar de tributo regularmente confessado em DCTF. A DCTF constitui meio hábil e suficiente para cobrança executiva dos débitos confessados, dispensando o lançamento de ofício realizado em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula360/STJ). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência apenas da multa de mora sobre o débito pago em atraso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 71 56 /2 00 3- 28 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 197 2 (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo no Acórdão nº 12089232: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 29 e ss, através do qual fora consubstanciada exigência relativa à contribuição ao programa de integração social (PIS), ano calendário 1998, no valor de RS 47 820,31, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento, realizado eletronicamente, fundouse na inexistência e/ou insuficiência de pagamentos informados em DCTF. O enquadramento legal é o que consta do auto de infração. Cientificada do lançamento, em 11/08/2003 (fls. 155), a interessada interpôs, em 08/09/2003, a impugnação de fls. 03 e ss, alegando, em síntese, que extinguiu os débitos exigidos por compensação, em parte parcelados, em parte pagos com atraso. Para o segundo caso, defendeuse contra a cobrança da multa moratória, alegando espontaneidade fundada no artigo 138 do CTN. Recebida a impugnação, o lançamento foi revisto de ofício (fls. 154), concluindo a autoridade preparadora pelo não parcelamento de débito autuado no pp. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro, por intermédio da 15ª Turma, no Acórdão nº 12089232, sessão de 05/07/2017, julgou improcedente a impugnação, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998 Ementa: PAGAMENTO. INSUFICIÊNCIA. EXIGÊNCIA DE OFÍCIO. Comprovados o não pagamento ou o pagamento a menor de tributo, revelase cabível a exigência de ofício. DARF. PAGAMENTO EM ATRASO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 198 3 Aplicase a multa de mora aos pagamentos efetuados em atraso, não se prestando para o afastamento dessa pela penalidade a tese da espontaneidade prevista no artigo 138 do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual solicita a reforma da decisão recorrida para que seja cancelado o auto de infração, afastandose a exigência do crédito tributário. Insiste nas matérias arguidas em impugnação: 1. A improcedência da autuação fiscal por impossibilidade de haver lançamento de ofício de débitos regularmente declarados em DCTF; 2. A responsabilidade por infração é ilidida pela denúncia espontânea nos termos do art. 138 do CTN; e 3. A extinção do débito do período 09/1998 por intermédio de parcelamento em nome da sucessora. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo da contribuinte em face do auto de infração lavrado para a exigência de PIS do período 1998, acrescido de multa de ofício e juros de mora, declarado em DCTF cujo pagamento não foi confirmado em procedimento de auditoria eletrônica. Na impugnação, a contribuinte afirma que extinguiu o débito por meio de compensação, com pagamento em atraso, e em parcelamento. Alega a espontaneidade da extinção do crédito tributário o que implica a inexigibilidade da multa de mora incidente sobre a parcela compensada a destempo. Sustenta a decisão da DRJ que não fora identificado parcelamento do débito permanecendo inadimplido. Quanto à multa de mora, o pagamento em atraso exige sua cobrança. Exigência em auto de infração de saldo declarado em DCTF Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 199 4 Depreendese dos autos que o lançamento teve origem na ausência de pagamento de saldo devedor de PIS informado em DCTF. A contribuinte contesta a possibilidade de exigência em auto de infração de valores declarados em DCTF, uma vez que a informação tem a natureza de confissão de dívida, cujo atributo impõe providências para a inscrição em dívida ativa. Com razão a contribuinte. A exigência em auto de infração de débito confessado em DCTF deve ser afastada para que não ocorra a exigência em duplicidade. A confissão do débito por meio de Declaração, foi tratado no art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84. Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretária da Receita Federal. § 1º. O documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para exigência do referido crédito. O Ministro da Fazenda, por meio da Portaria MF nº 118/1984, delegou a competência ao Secretário da Receita Federal para eliminar ou instituir obrigações acessórias, relativas a tributos federais que, com base nessa competência, editou a Instrução Normativa SRF 077/1998, cujo art. 1º definiu que os débitos tributários da declaração do ITR e da DCTF, seriam possíveis de execução por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional. Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidas na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como dívida Ativa da União. Posteriormente, sobreveio a IN SRF nº 14/2000, que alterou as declarações possíveis de inscrição em Dívida Ativa da União, alterando as declarações que constituem em dívida mantendo, porém, a DCTF como instrumento hábil. Art. 1º. O art. 1º, da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 1º. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 200 5 Apenas os débitos apurados nos procedimentos de auditoria decorrentes de verificação dos dados informados em DCTF é que seriam lançados em auto de infração. Em outras palavras, o lançamento seria de rigor na hipótese de apurar diferenças entre o confessado em DCTF em confronto com outros documentos (DIPJ, Dacon) ou Livros, consoante a legislação vigente à época IN SRF nºs. 45/98 e 77/98. Dada essa condição, os saldos a pagar dos tributos federais informados na DCTF, induvidosamente, não são passíveis de lançamento de ofício, pois a declaração/confissão dos saldos dos débitos, inequivocamente, constitui meio hábil e suficiente para cobrança executiva dos débitos confessados, dispensando o lançamento de ofício realizado em conformidade com o disposto no art. 142 do CTN. Extinção do débito do período 09/1998 por intermédio de parcelamento em nome da sucessora O débito de PIS (código 8109) apurado no 3º Trimestre de 1998 e declarado como quitado no processo de parcelamento nº 13807002.239/9821, mas não confirmado pela Fiscalização, é o demonstrado no auto de infração (fl. 31): A recorrente afirma que o processo de parcelamento, que encontrase totalmente quitado, foi formalizado no CNPJ nº 51.468.791/000110, da pessoa jurídica Ripasa S A Celulose e Papel, adquirente. Os extratos de folhas 151 e 152, nada obstante à informação fiscal de folha 154, confirmam as alegações no tocante à quitação do débito de PIS relativo a setembro/1998 no valor de R$ 47.820,31. A Ripasa S A Celulose e Papel, CNPJ nº 51.468.791/000110, de fato é a adquirente por incorporação da ora recorrente e teve o processo de parcelamento encerrado por quitação, no qual consta o débito de PIS (cód. 8109) do PA 09/1998 quitado, consoante as informações prestadas desde sua impugnação. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 201 6 Afastamento da multa de mora (art. 138, CTN) em pagamento em atraso Consta dos autos o pagamento extemporâneo do débito do período de apuração dezembro/1998 para o qual a contribuinte alega beneficiarse do instituto da denúncia espontânea em razão de sua confissão em DCTF e inexistência de procedimento fiscal. O STJ, em sede de recurso repetitivo, confirma que a denúncia espontânea não se opera nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação declarados e não pagos no vencimento, conforme o julgado: RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 201DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 202 7 CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): ‘No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional’. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 19679.007156/200328 Acórdão n.º 3201005.207 S3C2T1 Fl. 203 8 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Destarte, diante de uma confissão de dívida e com o pagamento extemporâneo do débito, entendo aplicável o enunciado da Súmula nº 360 do STJ no sentido de que o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para manter a multa de mora sobre o débito pago em atraso. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 203DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.721479/2012-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
ADESÃO AO PERT. RENÚNCIA EXPRESSA À DISCUSSÃO NO PROCESSO DECORRENTE. REFLEXO NO PROCESSO PRINCIPAL.
Tendo o sujeito passivo informado a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) em relação aos débitos exigidos por meio de auto de infração em processo reflexo, no qual se discutia o montante do tributo devido, no processo vinculado resta ratificar a decisão de primeira instância, uma vez que inexiste outro argumento válido no recurso voluntário.
Numero da decisão: 3002-000.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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COMPENSAÇÃO. Recorrente EMBRASA EMBALAGENS MICRONDULADAS DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 ADESÃO AO PERT. RENÚNCIA EXPRESSA À DISCUSSÃO NO PROCESSO DECORRENTE. REFLEXO NO PROCESSO PRINCIPAL. Tendo o sujeito passivo informado a adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT) em relação aos débitos exigidos por meio de auto de infração em processo reflexo, no qual se discutia o montante do tributo devido, no processo vinculado resta ratificar a decisão de primeira instância, uma vez que inexiste outro argumento válido no recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI no valor de R$ 58.600,08, relativo ao 4º trimestre/2010 (fls. 2 a 52), cumulado com declaração de compensação de débitos de PIS/Pasep no montante de R$ 42.402,04 (fls. 341 a 343). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 14 79 /2 01 2- 61 Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10480.721479/201261 Acórdão n.º 3002000.626 S3C0T2 Fl. 519 2 Para fins de apuração do direito creditório, a Delegacia da Receita Federal em Recife (DRF/Recife) abriu procedimento fiscal relativo ao período de apuração que se inicia no 2º trimestre/2008 e vai até o 1º trimestre/2011 – o contribuinte havia formalizado diversos pedidos de ressarcimento e de compensação, entre eles este que se analisa. Desse procedimento fiscal resultou um auto de infração e a decisão sobre os pedidos de ressarcimento/compensação. O auto de infração foi lavrado em decorrência da constatação de utilização indevida do instituto da suspensão (notas fiscais de saída sem o lançamento do IPI), alcançando o lançamento o valor de R$ 409.927,53 – processo nº 10480.721441/201299 (fls. 405 a 428). Foi também determinada a reconstituição da escrita fiscal. Em relação ao PER de que trata o presente processo, a DRF/Recife concluiu que o contribuinte não fazia jus à totalidade do que requereu como crédito (fls. 331 a 338), reconhecendo o direito creditório de apenas R$ 44.052,32, suficientes para homologar integralmente a compensação, e autorizou o ressarcimento de R$ 1.650,27 (fls. 345 a 350). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que parte do que havia sido compensado eram débitos parcelados ou que estavam com a exigibilidade suspensa, pois foram exigidos no auto de infração que foi impugnado; que não havia débito em aberto, pois a exigência de multa de mora era descabida, uma vez ter ocorrido a denúncia espontânea; e que o montante encontrado pela Fazenda decorria da utilização ilegal da imputação proporcional. Entendia que, se cancelada a multa moratória, os créditos seriam suficientes para quitar todos os débitos (fls. 364 a 368). Em relação à manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) proferiu o Acórdão nº 1046.871 (fls. 452 a 455), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que os créditos de IPI destinamse prioritariamente à dedução dos débitos; que a IN RFB nº 900/2008, veda o ressarcimento a contribuinte que tenha processo administrativo ou judicial em curso cujo resultado possa alterar o valor a ser ressarcido; e que foi solicitada a compensação de débitos já vencidos, sobre os quais incidem acréscimos legais, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS DO IMPOSTO. UTILIZAÇÃO PRIORITÁRIA. Os créditos do IPI escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, são utilizados prioritariamente para dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI, cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10480.721479/201261 Acórdão n.º 3002000.626 S3C0T2 Fl. 520 3 COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Não se toma conhecimento de manifestação de inconformidade contra a compensação de ofício de ressarcimento de crédito de IPI. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Na compensação de créditos com débitos já vencidos, cabível a imputação de multa e juros sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu recurso voluntário a recorrente alega, preliminarmente, que deveria ser considerado o resultado final do julgamento do processo relativo ao auto de infração, para que não haja cobrança em duplicidade ou decisões divergentes e, em relação ao mérito, retoma o argumento de ilegalidade da imputação proporcional, concluindo com o pedido para que se reconheça o direito creditório ou para que este processo seja sobrestado até definitivamente julgado o processo nº 10480.721441/201299 (fls. 465 a 474). Em sessão realizada por este Colegiado, decidiuse pelo sobrestamento até a decisão definitiva em relação ao auto de infração, uma vez que lá estavam sendo discutidas as conclusões da fiscalização que embasaram o Despacho Decisório do presente processo, e agora os autos retornam para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora Do retorno do sobrestamento na unidade de origem, extraímos dois fatos relevantes em relação ao processo nº 10480.721441/2012: no novo julgamento realizado pela DRJ foi confirmada a decisão adotada no primeiro julgamento e o litígio foi extinto porque o contribuinte aderiu ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT), instituído pela Lei nº 13.496/2017. Assim, reproduzo do processo nº 10480.721441/2012 a reconstituição da escrita do IPI resultante dos ajustes realizados pela DRJ, após o cancelamento de parte da exigência fiscal: Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10480.721479/201261 Acórdão n.º 3002000.626 S3C0T2 Fl. 521 4 Na tabela acima, vêse que na linha pertinente ao período do PER deste processo (4º trimestre/2010), o saldo credor de R$ 44.052,32 ficou inalterado, quando comparado com o que consta do Despacho Decisório deste processo, demonstrando que não cabe razão ao contribuinte. Cabe ainda apontar que, excluídas as alegações relativas ao resultado obtido pela fiscalização, uma vez que o contribuinte desistiu dessa discussão, os demais argumentos do Recurso Voluntário são inaplicáveis, pois referemse à multa moratória indevida e à ilegalidade da imputação proporcional. Na Dcomp destes autos, o próprio contribuinte incluiu os acréscimos moratórios para os débitos compensados em atraso, dando a entender que o argumento foi copiado de alguma outra peça recursal, sem relação com os fatos destes autos. O motivo para a redução no valor a ser ressarcido não reside na aplicação dos acréscimos moratórios devidos, mas na redução do direito creditório. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, confirmando a decisão de reconhecer o direito creditório no valor de R$ 44.052,32, homologar integralmente a compensação (R$ 42.402,04) e reconhecer o direito ao ressarcimento do saldo remanescente no valor original de R$ 1.650,27. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10480.721479/201261 Acórdão n.º 3002000.626 S3C0T2 Fl. 522 5 Fl. 522DF CARF MF
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