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Numero do processo: 16682.721792/2015-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.756
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 79 2/ 20 15 -5 2 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16682.721792/201552 Resolução nº 3201001.756 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721792/201552 Resolução nº 3201001.756 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905170/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.733
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/12/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 70 /2 01 2- 45 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10675.905170/201245 Acórdão n.º 3201004.733 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09053.072, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09053.072. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10675.905170/201245 Acórdão n.º 3201004.733 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10675.905170/201245 Acórdão n.º 3201004.733 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10675.905170/201245 Acórdão n.º 3201004.733 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.190) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.018215/96-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 27/08/1996
TRÂNSITO ADUANEIRO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI VINCULADO - MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE
Os elementos que compõem os autos não caracterizam evidente intuito de fraude por parte da contribuinte e, portanto, é incabível a imposição multa de oficio agravada. Entretanto, como ficou constatada a falta de recolhimento do tributo, não há como deixar de ser imputada à autuada a multa de ofício desagravada.
MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. POSSIBILIDADE.
A não comprovação do trânsito aduaneiro caracterizou o descumprimento da condição resolutiva e a presunção de que a mercadoria ingressou irregularmente para consumo em território nacional.
Uma vez que a situação encontra-se perfeitamente tipificada, é cabível o lançamento do débito, apurado de acordo com a previsão legal, decorrente da citada penalidade.
Numero da decisão: 9303-008.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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MULTA DE OFÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SALAZAR C DIAS & FILHOS LIMITADA ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/08/1996 TRÂNSITO ADUANEIRO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E IPI VINCULADO MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE Os elementos que compõem os autos não caracterizam evidente intuito de fraude por parte da contribuinte e, portanto, é incabível a imposição multa de oficio agravada. Entretanto, como ficou constatada a falta de recolhimento do tributo, não há como deixar de ser imputada à autuada a multa de ofício desagravada. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. POSSIBILIDADE. A não comprovação do trânsito aduaneiro caracterizou o descumprimento da condição resolutiva e a presunção de que a mercadoria ingressou irregularmente para consumo em território nacional. Uma vez que a situação encontrase perfeitamente tipificada, é cabível o lançamento do débito, apurado de acordo com a previsão legal, decorrente da citada penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 82 15 /9 6- 72 Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10814.018215/9672 Acórdão n.º 9303008.226 CSRFT3 Fl. 513 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial, sob alegação de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do artigo 5º incisos I e II do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, regimento vigente à época, contra acórdão nº 303 34.060, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar os lançamentos das multas de ofício e administrativa, cuja ementa transcrevo: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 27/08/1996 LEGITIMIDADE PASSIVA. VALIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO DECADÊNCIA. Afastadas as preliminares argüidas, bem como a prejudicial de decadência. Sobre a legitimidade passiva, é fato incontroverso que na data de concessão do regime especial de trânsito aduaneiro, bem como na data do despacho para o trânsito, o preposto, além de empregado, era agente credenciado pela empresa ora recorrente junto à SRF, gozava de mandato da representada para tais atividades, tendo atuado como seu representante em diversas situações nas quais se concedeu o mesmo regime especial. Ademais, a recorrente reconhece que tal mandato só foi cassado depois dos fatos e por conta deles. Sobre as pretensas razões de nulidade, ao contrário do que disse a recorrente, os autos de infração foram cientificados à sua Diretora de Finanças, conforme documentos acostados, e não se constatou nenhuma infração ao art.9º do PAF. Na linha doutrinária e jurisprudencial da instrumentalidade do processo, as defesas apresentadas nas duas instâncias administrativas revelam completo entendimento da acusação fiscal e demonstram o seu enfrentamento de forma integral, desfazendo qualquer suspeita de cerceamento ao direito de defesa no curso do presente processo. Obtida a concessão para o regime especial de trânsito aduaneiro com suspensão de tributos, não houve qualquer antecipação de pagamento, portanto, a regra decadencial se encontra no art.173, I, do CTN e não houve a decadência. TRÂNSITO ADUANEIRO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Nos termos da legislação, civil e tributária, a ora Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10814.018215/9672 Acórdão n.º 9303008.226 CSRFT3 Fl. 514 3 recorrente não tem como se esquivar de sua condição de mandante. No caso o mandatário, Sr. João Gouveia, não apenas era funcionário e preposto da ora recorrente, mas foi também especificamente credenciado como representante da empresa perante a SRF para o fim de providenciar a DTA, o desembaraço das mercadorias e a assunção de responsabilidade pelas obrigações tributárias, cambiais e outras, conforme consta do Termo de Responsabilidade. AFASTAMENTO DAS MULTAS AGRAVADAS DE 150% LANÇADAS. Descabe, no caso, a aplicação das multas agravadas, lançadas com relação ao I I e ao IPIv, por ausência de comprovação de dolo da recorrente. Eliminadas as multas agravadas, desde o julgamento proferido na instância a quo é também descabido qualquer lançamento por parte da DRJ, à qual falece competência de lançar multa de ofício com suporte normativo distinto do verificado no instrumento de constituição das multas. MULTA POR INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. A responsabilidade pela infração ao controle aduaneiro das importações, pelos elementos constantes destes autos pode ser pessoalmente imputado ao Sr. João Gouveia, que quanto a isto extrapolou os poderes emanados da procuração dada pelo representado, mas não pode ser imputado à ora recorrente, que quanto a ela não foi demonstrado nenhum dolo. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. A Fazenda Nacional, requer a reforma do acórdão recorrido alegando, com relação ao afastamento das multas de ofício, que as mesmas devem ser mantidas, ainda que desagravadas, pois não houve o recolhimento dos tributos relativos à não conclusão das operações de trânsito aduaneiro. Em relação a este dissenso, recorre o Procurador sob alegação de interpretação divergente da legislação tributária da que lhe tenha dado a Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do art. 5°, inciso II do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, vigente á época a Portaria nº 55, de 16 de março de 1998. O Ex Presidente da 3º Câmara do 3º CC, deu seguimento ao recurso, nos termos do despacho de admissibilidade, ás efls. 332335. Inconformada com tal decisão, a Contribuinte também interpôs Recurso Especial, contudo, não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial, conforme depreendese do exame de admissibilidade, efls. 456459, e do despacho de agravo que negou seguimento ao Recurso, ás efls.496497. Regularmente processado o apelo, esta é a síntese do essencial, motivo pelo qual encerro meu relato. Devidamente informado passo a decidir. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10814.018215/9672 Acórdão n.º 9303008.226 CSRFT3 Fl. 515 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito pela autoridade aduaneira, que em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte, constatou a ocorrência de infração a dispositivos legais. A transportadora referenciada solicitou a concessão do Regime Especial de Trânsito Aduaneiro do tipo 1, amparado pela DTA nº. 0292478, registrada em 26 de agosto de 1996, fls. 16/17, tendo como local de origem a Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo ALF/AISP/GRU, e de destino a unidade alfandegada da zona secundária multiterminais, jurisdiciona à Inspetoria da Receita Federal em São Paulo IRF/SP. Com o intuito de promover a comprovação da operação do transito aduaneiro em tela, foi entregue à repartição de origem a 7º via da respectiva DTA, denominada "Torna Guia". No entanto, em diligência realizada na unidade de destino, verificouse que as mercadorias acobertadas pela DTA suprareferenciada não deram entrada naquele recinto alfandegado e, segundo informações prestadas pelo Gerente Regional daquele DAP, os carimbos e assinaturas apostos nos campos do referido documento destinados a atestar o recebimento da carga eram falsos. Frente a tal situação, foi o presente processo protocolizado para a apuração do crédito tributário constituído por meio do Termo de Responsabilidade, instrumento garantidor dos tributos suspensos, o qual foi firmado pelo beneficiário por ocasião da solicitação do regime e que, nesta operação, também é transportador. A execução do Termo de Responsabilidade, fIs. 20, foi, inicialmente, por rito sumário, de acordo com a IN 58/80. Com efeito, a decisão recorrida deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar as multas agravadas lançadas sobre o II e sobre o IPIvinculado, sem comprovação do dolo, e também para afastar a multa de ofício e administrativa (Controle das importações, prevista no artigo 526, II, do RA). Da multa por falta de recolhimento do II Analisando a quaestio, não houve o recolhimento dos tributos relativos a não conclusão das operações de trânsito aduaneiro arroladas, mas não há provas nos autos de que o evidente intuito de fraude possa ser atribuído ao contribuinte, razão pela qual, tornase indevida a aplicação das multas agravadas. Adequandose os fatos à penalidade prevista, deve ser aplicada a multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n.° 9.430/96 "in verbis": Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10814.018215/9672 Acórdão n.º 9303008.226 CSRFT3 Fl. 516 5 "Art. 44 — Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte:" Diz ainda o § 1, I, desse mesmo dispositivo legal que as multas serão exigidas juntamente com os tributos não pagos: "Art. 44 — (...) § 1 As multas de que trata este artigo serão exigidas: I — juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos;" Sendo assim, como não houve o recolhimento do II incidente sobre a mercadoria descrita na DTA, no prazo exigido na lei, procede o lançamento dessa multa. Da multa por falta de recolhimento de IPI Considerando que o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI era devido, concluise que a falta de recolhimento do referido imposto no prazo estabelecido na legislação, sujeitase à multa do art. 80 da Lei 4.502, de 30/11/64, com redação dada pelo artigo 45 da Lei n.° 9.430/96, "in verbis": "Art. 80. A falta do lançamento do valor total ou parcial do imposto na nota fiscal ou de seu recolhimento ao órgão arrecadador competente, no prazo e na forma legais, sujeitará o contribuinte As seguintes multas: II — de 100% (cem por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado, ou que, devidamente lançado, não foi recolhido depois de 90 (noventa) dias do término do prazo" "Art. 45. O art. 80 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratoria, sujeitará o contribuinte As seguintes multas de oficio: I setenta e cinco por cento do val,or do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratoria; Por não ter havido também o recolhimento do IPI, incidente sobre a mercadoria descrita na DTA, no prazo exigido na lei, procede o lançamento da multa do art. 80, inciso 1, da Lei 4502/64, alterado pelo art. 45, 1, da Lei 9.430/96. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10814.018215/9672 Acórdão n.º 9303008.226 CSRFT3 Fl. 517 6 Da multa por infração aos controles administrativos Finalmente quanto a multa prevista no artigo 526, II do RA, vigente á época, visa a importação de mercadorias do exterior ao desamparo de guia de importação. "Art. 526 — constituem in frações administrativa ao controle das importações, sujeitas as seguintes penas (DecretoLei n.° 37/66, art. 169, alterado pela lei n.° 6.562/78, art. 2°): II — importar mercadoria do exterior sem Guia de Importação ou documento equivalente, que não implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais; multa de trinta por cento (30%) do valor da mercadoria." O artigo 74, §3°, do DecretoLei n.° 37/66, que corresponde ao artigo 261, § 3° do Regulamento Aduaneiro, determina que, a critério da autoridade, pode ser exigido que o despacho de trânsito se efetue com os requisitos próprios ao despacho para consumo. "Art. 261. A concessão e aplicação do regime de trânsito aduaneiro serão requeridas por beneficiário indicado no artigo 257, e o despacho será processado com base em declaração própria, a ser apresentada à repartição competente, conforme modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. § 3 facultado à autoridade aduaneira exigir que o despacho de transito seja efetuado com os requisitos previstos para o despacho para consumo (Decretolei No 37/66, art. 74, § 3)." A não comprovação do trânsito aduaneiro caracterizou o descumprimento da condição resolutiva e a presunção de que a mercadoria ingressou irregularmente para consumo em território nacional. Uma vez que a situação encontrase perfeitamente tipificada, é cabível o lançamento do débito, apurado de acordo com a previsão legal, decorrente da citada penalidade. Dispositivo Ex positis, conheço do Recurso interposto pela Fazenda Nacional e doulhe provimento, para restabelecer a multa de ofício sobre o II e IPI vinculado, bem como a multa por infração ao controle das importações nos termos do artigo 526, II do Regulamento Aduaneiro vigente á época do lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10814.018215/9672 Acórdão n.º 9303008.226 CSRFT3 Fl. 518 7 Fl. 518DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.940179/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 28/02/2002
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.279
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 28/02/2002 REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 28/02/2002 REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 94 01 79 /2 01 1- 68 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06047.494, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.940179/201168 Acórdão n.º 3402006.279 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920374/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.972
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 37 4/ 20 12 -5 2 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.920374/201252 Resolução nº 3302000.972 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.920374/201252 Resolução nº 3302000.972 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.920374/201252 Resolução nº 3302000.972 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.920374/201252 Resolução nº 3302000.972 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.920374/201252 Resolução nº 3302000.972 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920374/201252 Resolução nº 3302000.972 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920374/201252 Resolução nº 3302000.972 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722583/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2004
EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins.
RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL.
No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003.
REAJUSTE CONTRATUAL. IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. NÃO PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO DE APURAÇÃO.
O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrando-se, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. Ocorre que o contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGP-M. Em sendo índice geral de preços, medida abrangente do movimento de preços, não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizando-a.
RESOLUÇÕES ANEEL. NORMAS NÃO TRIBUTÁRIAS.
A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendo-lhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e tampouco regem a relação fisco-contribuinte.
Numero da decisão: 3201-004.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dos regimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGP-M, anteriores a 31/10/2003. Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade acompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
(assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. REAJUSTE CONTRATUAL. IGPM. DESCARACTERIZAÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. NÃO PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO DE APURAÇÃO. O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrandose, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. Ocorre que o contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGPM. Em sendo índice geral de preços, medida abrangente do movimento de preços, não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 83 /2 01 2- 36 Fl. 716DF CARF MF 2 totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. RESOLUÇÕES ANEEL. NORMAS NÃO TRIBUTÁRIAS. A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendo lhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e tampouco regem a relação fisco contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dos regimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGPM, anteriores a 31/10/2003. Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade acompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 697/711, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0257.645 1ª Turma da DRJ/BHE, efls. 677/692, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade relativa a PIS/PASEP. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10166.722583/201236 Acórdão n.º 3201004.842 S3C2T1 Fl. 716 3 O relatório da decisão da DRJ de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: A interessada transmitiu Per/Dcomp (fls. 03 a 07) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 31/10/2004. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição da contribuinte emitiu Despacho Decisório em 06/07/2012 (fls. 326 a 336), no qual não homologa a compensação pleiteada, por considerar indevidas as alterações efetuadas na retificação do Dacon, as quais resultaram em redução do valor de PIS a pagar e, conseqüentemente, no alegado pagamento a maior da contribuição. Segundo Despacho Decisório emitido pela DRF, a contribuinte recalculou o valor da sua contribuição no período, alterando o regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de não cumulativo para cumulativo, e, ainda, excluindo da base de cálculo da contribuição os valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). No entendimento da DRF, a tributação das receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003 deve ser feita no regime nãocumulativo, tendo em vista a descaracterização de preço determinado daqueles contratos. Pelos documentos apresentados pela contribuinte, a autoridade fiscal constatou que o índice utilizado nos reajustes dos contratos foi o IGPM, o qual não se constitui em índice específico de nenhuma categoria ou produto, não se adequando, portanto, ao disposto no §3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na produção do serviço prestado pela contribuinte e nem tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Com relação aos valores relativos a CCC, entende a DRF de origem que integram a base de cálculo da contribuição calculada na sistemática da nãocumulatividade, por caracterizarse como “receita” e não como “recuperação de despesas”. Cientificada em 30/07/2012 (fl. 340/341), a contribuinte apresentou, em 28/08/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 342 a 355, com as alegações a seguir resumidas. DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC): Explica que a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) foi instituída pela Lei nº 5.899/1973, com o objetivo principal de permitir a modicidade das tarifas de energia elétrica em usinas termoelétricas, em face dos elevadíssimos custos com combustíveis derivados de petróleo, seu principal insumo. Segundo a contribuinte, essa conta funcionaria como uma conta corrente ou fundo, gerido pela ELETROBRÁS, a qual recebe Fl. 718DF CARF MF 4 cotas anuais de concessionárias de todo o país, utilizando esses recursos para reembolsar as empresas geradoras de energia em usinas termoelétricas (entre elas, a requerente), por parte dos seus custos de combustíveis. Neste sentido, alega que os valores recebidos se caracterizam como reembolso, nos termos do Decreto nº 744/1993, enquanto a incidência do PIS e da Cofins se dá sobre o faturamento mensal da empresa, assim compreendido o total das receitas auferidas. Ressalta que nem todo ingresso de valor constitui receita, a qual implica em algum acréscimo patrimonial, o que não se verifica no presente caso. Acrescenta às suas alegações o art. 110 do CTN, bem como jurisprudência a respeito da inclusão de receitas e Despacho da ANEEL que determina que os valores da CCC sejam contabilizados como “Recuperação de Despesas”, salientando que está sujeito a suas determinações. DA MANUTENÇÃO DO PREÇO PREDETERMINADO – INCIDÊNCIA DO REGIME CUMULATIVO: Sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, a contribuinte transcreve sua resposta ao Termo de Intimação da DRF, em que defende a permanência dessas receitas no regime da cumulatividade. No texto transcrito, enfatiza que a empresa possui vários contratos de venda de energia elétrica que se enquadram nas condições estabelecidas no art. 10, XI, “c”, da Lei nº 10.833/2003, e esclarece que, inicialmente, com base na IN SRF nº 468/2004, refez seus cálculos retroativamente a fevereiro de 2004, recolhendo o tributo sob a modalidade não cumulativa a partir do primeiro reajustamento de preços ocorrido. Com o advento da Lei nº 11.196/2005 (e a conseqüente edição da IN SRF nº 658/2006), explica a contribuinte, procedeu ao recálculo da contribuição, adotando o regime cumulativo, uma vez que, segundo esses novos Atos, a Receita Federal reconheceu que as receitas auferidas de contratos firmados até 31/10/2003 e com cláusula de reajustes de preço também estariam sujeitas ao regime da cumulatividade. A manifestante ressalta, ainda, que, o direito aos créditos decorrentes do recálculo da contribuição já foi reconhecido em diversos outros processos da mesma natureza, citando julgado da CARF. Por fim, afirma que foi entregue toda a documentação que lhe foi solicitada pela autoridade fiscal, anexando cópias dos contratos cuja receita sofreu alteração na forma de tributação. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 0257.645 1ª Turma da DRJ/BHE, efls. 677/692, está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 719DF CARF MF Processo nº 10166.722583/201236 Acórdão n.º 3201004.842 S3C2T1 Fl. 717 5 Data do fato gerador: 31/10/2004 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. RESOLUÇÕES ANEEL. NORMAS NÃO TRIBUTÁRIAS. A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendolhe vedado Fl. 720DF CARF MF 6 adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e tampouco regem a relação fiscocontribuinte. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Das Razões De forma concisa, a Recorrente alega haver comprovado nos autos que o crédito proveniente da PER/DCOMP é decorrente de recolhimento efetuado a maior: (a) em virtude do recálculo na apuração do PIS, em obediência as alterações no regime de tributação relativas as receitas auferidas de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, disciplinadas nas Instruções Normativas 468/2004 e 658/2006; e (b) da exclusão dos valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) da base de cálculo do PIS. Do Mérito Quanto ao mérito, a Recorrente repisa os argumentos apresentados na primeira instância, em especial: (a) que a receita cuja tributação está sendo discutida é decorrente de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; (b) que a CCC funciona como uma conta corrente ou fundo, gerido pela ELETROBRAS, que recebe cotas anuais das concessionárias de todo país, utilizando esse recurso para reembolsar parte das despesas com combustíveis das empresas geradoras de energia elétrica em usinas térmicas, repassando o valor correspondente diretamente a ELETROBRAS; (c) que esses valores não constituem receita da ELETRONORTE, sendo que a própria Lei reconhece tratarse de reembolso (Decreto 744193, art. 25), estando, portanto, excluído da base de cálculo do PIS/PASEP; (d) que a tarifa de energia elétrica é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, órgão regulador ao qual a ELETRONORTE está subordinado, não cabendo as concessionárias de serviço público de energia elétrica a decisão quanta a sua majoração; (e) que a manutenção da tributação sob o regime da cumulatividade foi bastante discutida pelo Órgão regulador, interpretando as normas legais e infralegais vigentes, entendeu e determinou as suas reguladas, a manutenção da tributação pelo regime da cumulatividade, vedando qualquer majoração do preço contratual decorrente da não cumulatividade; (f) que a caracterização do preço prédeterminado ocorre quando o reajuste dos preços não for superior ao valor correspondente aos acréscimos de custos de produção conforme disposto no § 3°, do artigo 3° da IN SRF n° 658/2006 ou mesmo quando há utilização de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do artigo 27 da Lei n° 9.069/1995; (g) que a utilização do IGPM não tem o condão de descaracterizar o preço predeterminado dos contratos. Atualmente o IGPM é o índice utilizado para balizar a correção Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10166.722583/201236 Acórdão n.º 3201004.842 S3C2T1 Fl. 718 7 monetária da energia elétrica, não havendo legislação que determine que não pode constituir índice específico de categoria ou produto; (h) que o preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com preço preestabelecido e clausula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que, definitivamente, não se confunde com o preço predeterminado. (i) que houve manifesta anuência da Receita Federal do Brasil quanto a Manutenção dos respectivos contratos no regime da cumulatividade, ratificando o entendimento da empresa e legitimando a apuração realizada pela ora recorrente, conforme pode ser observado nos Processos Administrativos n.°14033 003352200818 (COFINS) e n.°10166 911300200923 (PIS). (j) que diante disso, a Eletronorte manteve a apuração dessas receitas pelo regime da cumulatividade nos períodos posteriores, em total observância a legislação incidente e também ao posicionamento da própria Receita Federal, no caso concreto. A Recorrente discorre sobre a conta de consumo de combustíveis (CCC) e a geração de energia elétrica em usinas termelétricas, em particular nos estados do Acre, Rondônia e Amapá. Argumenta que os valores da CCC não constituem receita da ELETRONORTE, sendo que a legislação reconhece tratarse de reembolso. Sobre o assunto cita jurisprudência do CARF. Na questão dos preços predeterminados, a Recorrente sustenta que foram mantidos no regime da cumulatividade as receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiarias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data. Argumenta que por meio da IN 658/06 a Receita Federal decidiu por manter o regime da cumulatividade para os contratos em que o reajuste de prego fosse feito em percentual não superior aquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou quando houvesse uma variação de índice mas que correspondesse proporcionalmente a variação dos custos dos insumos utilizados (Lei no 11.196/05, art. 109 e IN 658/06, art. 3°,§3°). Sustenta que os contratos objeto do processo, enquadramse no conceito de preço predeterminado estabelecido pela IN SRF 658/06. Nessa linha de argumentação discorre que o IGPM se adequa perfeitamente ao disposto no artigo 3°, parágrafo 3°, da IN 658/06, tendo em vista que espelha a variação ponderada dos custos de insumos utilizados na produção do serviço prestado. Cita jurisprudência. A Recorrente discorre sobre a determinação da ANEEL para manutenção no sistema cumulativo. Fl. 722DF CARF MF 8 A Recorrente argui que procedeu a apuração das contribuições em obediência ao disposto na IN SRF 658/06 que revogou a IN SRF 468/04. A seu favor cita os Processos Administrativos n°14033 003352200818 (COFINS) e n°10166 911300200923 (PIS). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede a anulação do Acórdão 0257.646 proferido pela 1 a Turma da DRJ/BHE. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. De forma objetiva o Recurso recai sobre duas questões: (a) a alteração do regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de nãocumulativo para cumulativo, e (b) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. (a) Alteração Regime Tributação – Contratos Anteriores a 31/10/2003 A Recorrente alega seu direito de recalcular o valor da sua contribuição no período, alterando o regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de nãocumulativo para cumulativo. O cerne da discussão está na permanência dos contratos dentro da exceção para a cobrança cumulativa, após o reajuste do “preço predeterminado” pelo IGPM. Em suma, a discussão analisa o uso do IGPM para o reajuste do preço da energia elétrica e o conceito de preço predeterminado. No mérito não cabe razão a Recorrente. A Lei n° 11.196/2005, Art. 109 estabeleceu forma de reajuste de preços para os contratos a preço predeterminado, para fins da manutenção no regime cumulativo. Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. (grifo nosso) Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10166.722583/201236 Acórdão n.º 3201004.842 S3C2T1 Fl. 719 9 Portanto, os reajustes para fins da manutenção no regime cumulativo devem ocorrer em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Ocorre que o índice utilizado pela Recorrente foi o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que engloba desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. Ou seja, tratase de índice de reajuste de preços abrangente sem associação com o custo de produção da energia elétrica. O CARF tem entendimento firmado sobre assunto. CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. [...] (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.467, de 24/02/2016, rel. Conselheira Tatiana Midori Migiyama). REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.372, de 11/12/2015, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres). Como fundamento das razões de decidir peço vênia para reproduzir trechos do voto do Conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho no Processo nº 13896.721004/201524. Em 2006, a então Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 658/2006, cujo art. 3º regulamenta o preço predeterminado para fins de apuração da PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 724DF CARF MF 10 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Assim, estatui o art. 3º que preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato. Assim, qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, como argumenta a recorrente, seja de revisão de preços, inclusive a cláusula contratual sob análise, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços se dá em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGPM; regra legal complementada pelo § 3º da IN, reproduzido acima, devendo este, claro, correspondência à lei, como será exposto em seção seguinte do presente voto. Assim, não tem efeito sobre o discutido a argumentação da recorrente de que o IGPM é índice de correção monetária e não de revisão de preços. Aduz também a contribuinte que preço predeterminado é aquele preço previsto contratualmente e não se equipara a preço fixo, Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10166.722583/201236 Acórdão n.º 3201004.842 S3C2T1 Fl. 720 11 amparado no que dispõem a Instrução Normativa n° 21, de 13 de março de 1979, que disciplina a aplicação do art. 10 do Decretolei n° 1.598/1977, para fins de IRPJ. Tal norma absolutamente não se aplica ao caso em pauta, pois é anterior e menos específica que a IN 658, ou melhor, se aplica a outra espécie tributária o IRPJ. A característica de índice geral de preços, por si só, já retiraria o IGPM da exceção que não descaracterizaria o preço predeterminado. (...) Assim, de modo conclusivo, para a permanência do contrato de fornecimento de energia elétrica no regime cumulativo a Recorrente deveria ter utilizado um mecanismo de reajuste conforme determinado pela legislação, ou seja, em função do custo de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. A utilização do IGPM na cláusula contratual de reajuste afetou o conceito de “preço predeterminado” obrigando a empresa ao recolhimento da contribuição no regime não cumulativo. (b) Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) A Recorrente alega que os valore recebidos na CCC não são receitas, mas reembolso de parte das despesas com combustíveis das empresas geradoras de energia elétrica em usinas térmicas. No mérito não cabe razão a Recorrente. O entendimento do juízo de primeira instância está em harmonia com o entendimento deste órgão de julgamento, ou seja, de considerar os valores recebidos relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), como compondo a base de cálculo do PIS. CARF Acórdão nº 1201002.128 do Processo 10283.721454/201111 – Data 12/04/2018 AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. RECEITAS DO VALOR DO REEMBOLSO DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTIVEIS CCC. Correta a tributação quando carecem os autos de elementos inequívocos apontando para o pagamento dos tributos correspondentes às receitas concernentes aos numerários das Solicitações de Reembolso da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis CCC. CARF Acórdão nº 3803002.866 do Processo 10983.911778/200920 – Data 26/04/2012 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS Fl. 726DF CARF MF 12 (CCC). CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO E RECEITA. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade. As razões de decidir são as mesmas do juízo de primeira instância de modo que peço vênia para reproduzir e comentar os principais trechos. (...) embora caiba à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) regular as tarifas e estabelecer as condições gerais de contratação do acesso e uso dos sistemas de transmissão e de distribuição de energia elétrica por concessionário, permissionário e autorizado, bem como pelos consumidores, o entendimento por esta exarado, por meio de Notas Técnicas e Resoluções, não vincula a administração tributária, razão pela qual a análise que se segue limitarseá a legislação tributária aplicável ao caso. (efl. 694) A ANEEL não possui competência para legislar em matéria tributária. Segundo as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada. Como os valores não incluídos na base de cálculo das contribuições pela autuada não se encontram entre as exclusões permitidas pelo §3º do art. 1º das citadas Leis, a impugnante busca fundamentar sua contestação afirmando que os valores relativos à CCC não seriam receitas propriamente ditas, mas mero reembolso, estabelecido por lei, para viabilizar economicamente a produção de energia elétrica em usinas térmicas, em face do elevado custo de seus insumos. O que a contribuinte chama de “reembolso”, no entanto, não perde o seu caráter de receita. É o que a seguir se verá. A CCC foi instituída pelo inciso III do artigo 13 da Lei n° 5.899, de 5.07.1973. Art. 13. A coordenação operacional, que se refere o artigo anterior, terá por objetivo principal o uso racional das instalações geradoras e de transmissão existentes e que vierem a existir nos sistemas interligados das Regiões Sudeste e Sul, assegurando ainda: (...) III que os ônus e vantagens decorrentes do consumo dos combustíveis fósseis, para atender às necessidades dos sistemas interligados ou por imposição de interesse nacional, sejam rateados entre todas as empresas Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10166.722583/201236 Acórdão n.º 3201004.842 S3C2T1 Fl. 721 13 concessionárias daqueles sistemas, de acordo com critérios que serão estabelecidos pelo Poder Executivo.” (grifouse) Constatase, assim, que foi criado um mecanismo de equalização de custos destinado a viabilizar as operadoras termoelétricas, possibilitando uniformização de preços aos consumidores finais por intermédio de uma sistemática de rateio entre as concessionárias do sistema, com o subseqüente repasse às concessionárias termoelétricas, destinado à compensação do custo superior incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis. A Lei nº 9.648/1998 dispôs que as usinas termoelétricas situadas nas regiões abrangidas pelos sistemas elétricos interligados, que iniciarem sua operação a partir de 06/02/1998, não mais farão jus aos benefícios da sistemática de rateio de ônus e vantagens decorrentes do consumo de combustíveis fósseis para a geração de energia elétrica. Contudo, tal sistemática foi mantida pelo prazo de vinte anos, a partir da publicação da referida lei, para as usinas termoelétricas integrantes dos sistemas isolados (tal dispositivo somente foi revogado com a edição da Medida Provisória nº 466, de 29 de julho de 2009). (efl. 698) Os valores recebidos através da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) constituem receitas, pois servem para subsidiar a geração de energia elétrica efetuada mediante o uso de combustíveis fósseis. Nesse sentido, as recuperações de despesas constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), a seguir transcrito, e, como tal, inseremse no campo de incidência do PIS e da COFINS: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II o resultado auferido nas operações de conta alheia; III as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões;” (grifouse) Desta forma, no que diz respeito aos valores recebidos relativos à conta CCC, os quais foram considerados pela autoridade fiscal, na apuração da base de cálculo da contribuição, não cabe reparos no Despacho Decisório impugnado. (efl. 699) Assim, de forma conclusiva, considerase como receita os valores recebidos na CCC. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o direito creditório. Fl. 728DF CARF MF 14 É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Voto Vencedor Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior É de reconhecer como válida a correção do IGPM anteriores a 31/10/2003, isso, desde que firmado nas hipóteses do art. 27 da 9718/98. Ainda é correta o memorando SSF/Aneel 836/2005. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a validade de tal correção: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 Ementa: PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, o nde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimentalprobatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do CPC/2015, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007 Ementa: PREÇO PREDETERMINADO. ILEGALIDADE DA IN Nº 468/2004 e 658/2006. O preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, trata se de mera atualização monetária dos valores dos contratos, e, n ão torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em preço indeterminado. A ilegalidade da exclusão promovida pela IN 468/04 dos contratos de fornecimento de bens e serviços, com prazo sup erior a 1(um) ano, celebrados antes de 31 de outubro de 2003, a preço determinado, prevista no art. 10, inc. XI alínea “b” da Lei 10.833/03. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O re ajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 d a Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10166.722583/201236 Acórdão n.º 3201004.842 S3C2T1 Fl. 722 15 Assim, dou provimento no que tange esse tópico. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Fl. 730DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.917655/2016-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, fundado no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, fundado no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 17 65 5/ 20 16 -2 1 Fl. 1983DF CARF MF Processo nº 10983.917655/201621 Resolução nº 3401001.816 S3C4T1 Fl. 1.984 2 Tratase de procedimento fiscal instaurado de ofício em face da Recorrente para verificar a regularidade dos créditos e débitos de PIS/PASEP e COFINS por ela apurados no 3º trimestre de 2012, tendo sido parcela dos respectivos saldos credores objeto de diversos PER/DCOMP’s transmitidos posteriormente. Do procedimento resultou a autuação de 05 (cinco) processos administrativos fiscais, conforme tabela constante de fls. 02 do Relatório Fiscal: Os processos de ressarcimento/compensação foram apensados ao processo em que foi formalizado o Auto de Infração, cujo Relatório Fiscal serve igualmente de fundamento aos Despachos Decisórios. Dos Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação, dos Despachos Decisórios e do Auto de Infração A contribuinte transmitiu Pedidos de Ressarcimento/Declaração de Compensação de créditos de PIS/PASEP e COFINS, relativos ao 3º trimestre de 2012, sendo parte dos créditos pleiteados utilizados para compensação de débitos relativos a outros tributos federais. Em Despacho Decisório, as compensações declaradas não foram homologadas ou o foram parcialmente, tendo em vista as glosas realizadas pela fiscalização nos créditos originalmente apurados pela contribuinte relativos a: a) bens adquiridos à alíquota zero; b) bens e serviços não enquadrados no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF n° 247/2002 e 404/2004; c) operações de transferência entre unidades da empresa; d) aquisição de bens sujeitos a suspensão obrigatória nos termos das Leis n° 12.088/09 e 12.350/10; e) créditos presumidos da agroindústria (Leis n° 10.637/02, 10.833/04, 10.925/04, 12.058/09 e 12.350/10). Ademais, a Recorrente foi autuada por omissão de receitas sujeitas à tributação por PIS/PASEP e COFINS em razão de: haver atribuído classificação fiscal incorreta a diversas mercadorias vendidas no 3º trimestre de 2012; não ter incluído o valor dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo. Da Impugnação e Manifestações de Inconformidade A contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração e Manifestações de Inconformidade contra os Despachos Decisórios a alegar, no que se refere às glosas realizadas pela fiscalização, em síntese, o seguinte: Fl. 1984DF CARF MF Processo nº 10983.917655/201621 Resolução nº 3401001.816 S3C4T1 Fl. 1.985 3 1) a nulidade do Despacho Decisório, por violação ao princípio da verdade material, em razão da fiscalização ter realizado as glosas dos créditos relativos à aquisição de determinados insumos mediante a análise de planilhas, com base em presunções e sem conhecimento da vinculação de cada insumo ao processo produtivo da empresa, dado que não compareceu ao seu estabelecimento; 3) que a atual jurisprudência do CARF reconhece que, em todo processo administrativo que envolver créditos referentes à nãocumulatividade do PIS/Pasep ou da COFINS, deve ser analisado cada item relacionado como ‘insumos’ e o seu envolvimento no processo produtivo; 3) que todos os produtos e serviços glosados pela fiscalização estão diretamente relacionados ao seu objeto social, sendo relevantes e essenciais ao seu processo produtivo, permitindo o aproveitamento de créditos da contribuição nos termos da legislação, não havendo como se manter a glosa dos créditos. 4) o reconhecimento do direito aos créditos apurados pela Impugnante, referentes às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, na modalidade não cumulativa, de todos os insumos relevantes e essenciais à atividade da empresa, conforme as decisões do CARF e do STJ que colaciona. 5) o reconhecimento dos créditos decorrentes dos produtos adquiridos com alíquota zero, por se tratar de verdadeira isenção e em observância à regra geral de apropriação do crédito das contribuições. 6) a incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre os créditos presumidos de ICMS, requerendo o sobrestamento do processo até a manifestação definitiva do STF sobre o tema. 7) a correta classificação, de acordo com as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, dos bens reclassificados pela fiscalização. Das Decisões de 1ª Instância A 4ª Turma da DRJ/FNS, ao julgar conjuntamente os processos aqui analisados, em sessão de 07/03/2018, prolatou Acórdão no processo relativo ao Auto de Infração, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. Fl. 1985DF CARF MF Processo nº 10983.917655/201621 Resolução nº 3401001.816 S3C4T1 Fl. 1.986 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 PIS/PASEP. REGIME NÃO CUMULATIVO. SUBVENÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, via de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições; ressalvada, a partir de vigência Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 PRODUTOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. COMPROVAÇÃO DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Cabe ao contribuinte, quando intimado para tanto, levar ao conhecimento da fiscalização todas as características das mercadorias e insumos utilizados na produção de produtos os quais entenda que sejam sujeitos à alíquota zero devido à sua classificação na NCM. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Processo 11516.722531/201710 Acórdão n.º 0741.405 DRJ/FNS Fls. 2 2 Data do fato gerador: 31/07/2012, 31/08/2012, 30/09/2012 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Codificação e Classificação de Mercadorias NESH estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGISH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. CARNE. CLASSIFICAÇÃO. Em se tratando de carne, a correta classificação fiscal das mercadorias segundo a NCM não depende apenas da mercadoria ser ou não “in natura”, sendo que toda a carne temperada, exceto se apenas com sal, deve ser classificada no Capítulo 16. BOLSA TÉRMICA. CLASSIFICAÇÃO. A “bolsa térmica” reutilizável que, no conjunto, se destina à estocagem temporária dos produtos, não consistindo de uma embalagem do tipo normalmente utilizado com as mercadorias que acondiciona, deve ser classificada na posição 42.02 que compreende, entre outros, as bolsas, sacos, sacolas e artigos semelhantes, confeccionadas de folhas de plástico. Fl. 1986DF CARF MF Processo nº 10983.917655/201621 Resolução nº 3401001.816 S3C4T1 Fl. 1.987 5 MASSA PARA PÃO DE QUEIJO. CLASSIFICAÇÃO. A massa para “pão de queijo”, em se tratando de preparação alimentícia de farinhas, na forma de pasta crua e congelada, para a preparação de produtos de padaria, que já é vendida modelada na forma do produto final, deve ser classificada na posição 1901.2000, como entende a fiscalização, e não na posição 1902.1100. TORTAS. CLASSIFICAÇÃO. A classificação mais adequada para “torta” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 19.05, conforme item 10 da NESH da posição. SANDUÍCHES PRONTOS. CLASSIFICAÇÃO. A classificação mais adequada para “sanduíche pronto” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 16.02, conforme Regra 3, item X, exemplo 1. COXINHA DE FRANGO. CLASSIFICAÇÃO. Processo 11516.722531/201710 Acórdão n.º 0741.405 DRJ/FNS Fls. 3 3 A classificação mais adequada para “coxinha de frango” não é na posição 19.02, notadamente devido à forma de preparação e apresentação dos produtos dessa posição, mas na posição 16.02, conforme Nota “a” do Capítulo 19, Nota 2 do Capítulo 16 e os textos da posição 16.02 e da subposição 1602.32, considerando a RGIHI nº 6. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nos processos de ressarcimento/compensação, foram prolatados Acórdãos, sem ementa nos termos da Portaria RFB n° 2.724/2017, pela improcedência das Manifestações de Inconformidade para manter as glosas realizadas pela fiscalização. Quanto aos bens e serviços glosados por não caracterizar insumos passíveis de geração de créditos, concluiuse por não estarem intrínseca e diretamente associados ao processo produtivo do bem destinado à venda. Regularmente cientificada, a Contribuinte interpôs Recursos Voluntários, que repisam os argumentos apresentados na Impugnação e nas Manifestações de Inconformidade. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator Da Admissibilidade Os Recursos Voluntários são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, deles tomo conhecimento. Da Proposta de Diligência Verificase que parcela relevante das glosas de créditos decorrentes da não cumulatividade das contribuições sociais, que ensejaram na negativa de direito ao ressarcimento ou à compensação destes valores, está correlacionada ao não reconhecimento de Fl. 1987DF CARF MF Processo nº 10983.917655/201621 Resolução nº 3401001.816 S3C4T1 Fl. 1.988 6 determinados produtos ou serviços adquiridos como insumos da atividade empresarial desenvolvida pela Recorrente. Analisandose o Relatório Fiscal, bem como a decisão de piso, notase que o conceito de insumo utilizado como premissa para o exame da base de cálculo das contribuições sociais tem supedâneo em entendimento já superado pela própria Receita Federal do Brasil após o que restou decidido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos. Com o fim de melhor esclarecer as repercussões da decisão, foi exarado o Parecer Normativo COSIT nº 5, de 17 de dezembro de 2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Acerca da aparente adoção de um conceito de insumo em dissonância com o que deve ser atualmente adotado, vejamse trechos do voto condutor dos Acórdãos proferidos em 1ª instância que embasaram a manutenção das referidas glosas: Os créditos possíveis no âmbitos das contribuições em tela são apenas aqueles expressamente previstos na sua legislação de regência, não estando suas apropriações, ao contrário do que defende a contribuinte, vinculadas à caracterização da essencialidade ou obrigatoriedade da despesa ou do custo. Fl. 1988DF CARF MF Processo nº 10983.917655/201621 Resolução nº 3401001.816 S3C4T1 Fl. 1.989 7 Em verdade, a não cumulatividade da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins está, toda ela, regularmente prevista em legislação ordinária, na qual o legislador adotou o critério de enumerar, de forma exaustiva, os custos, encargos e despesas capazes de gerar crédito, assim como fez ao enumerar de forma minudente as exclusões a serem efetuadas nas bases de cálculo das contribuições.(grifo nosso) Destarte, diante do novo contexto normativo, é pertinente que este colegiado, à semelhança do que resolveu nos autos do PAF n° 13605.000177/200481, em sessão realizada no último dia 29/01/2019, converta o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifeste conclusivamente em relação à adequação dos itens objeto de glosa em discussão no presente processo ao tratamento dado a insumos fixado de forma vinculante no Parecer Normativo COSIT nº 5/2018, fundado no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, aplicável ao caso em julgamento. Após, cientifiquese a Recorrente para, querendo, manifestarse em 30 (trinta) dias, contados de sua intimação. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 1989DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.720394/2012-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/10/2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2402-007.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada) e Gregório Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2010 a 31/10/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada) e Gregório Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto.
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO. MULTA ISOLADA. Recorrente POLPA DE MADEIRAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2010 a 31/10/2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 03 94 /2 01 2- 83 Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 13984.720394/201283 Acórdão n.º 2402007.173 S2C4T2 Fl. 1.433 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Luis Henrique Dias Lima, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada) e Gregório Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1.376 interposto em face do Acórdão da DRJ nº 0731.178 (fls. 1.358) que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Nos termos do relatório da recorrida decisão, temse que: DO LANÇAMENTO Tratase de Autos de Infração (AI), nos quais se exigem créditos referentes à contribuição previdenciária, decorrente de compensação indevida em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), cujo valor consolidado em 19/03/2012 corresponde a R$ 2.468.379,44, quais sejam: 1. AI DEBCAD nº 51.021.3766, referente a glosas de contribuições compensadas em desacordo com a legislação, no período de 05/2010 a 10/2011, no importe de R$ 878.642,33, cujo valor consolidado na data de 19/03/2012, acrescido de juros e multa de mora de 20%, corresponde a R$ 1.150.415,50, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 4 a 7; e 2. AI DEBCAD nº 51.021.3774, referente a multa isolada no percentual de 150%, prevista no art. 89, § 10 da Lei nº 8.212/91, no período de 05/2010 a 10/2011, por falsidade nas declarações de compensações informadas em GFIP, cujo valor consolidado na data de 19/03/2012 corresponde a R$ 1.317.963,94, conforme Discriminativo do Débito (DD) de fls. 13 a 16. Consoante Termo de Verificação Fiscal, a empresa fiscalizada foi intimada a comprovar a origem dos créditos compensados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social). Que em resposta a empresa apresentou cópias dos processos judiciais 003722792.2010.4.01.3400 e 004491508.2010.4.01.3400 (Justiça Federal de Brasília) e 001619843.2011.4.03.6100 e 001309443.2011.4.03.6100 (Justiça Federal de São Paulo), sem apresentar maiores explicações, pelo que concluiu que pretendia compensar débitos previdenciários com créditos destas ações judiciais. Analisados os processos judiciais, verificou que tinham por objeto a extinção de débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil com Títulos da Dívida Pública e que tais ações já foram objeto de sentença desfavorável à Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 13984.720394/201283 Acórdão n.º 2402007.173 S2C4T2 Fl. 1.434 3 contribuinte, todavia vem informando em GFIP, sem o trânsito em julgado, o que fere o art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN). Relata que a Lei nº 8.212/91, em seu art. 89 prescreve que a compensação no âmbito das contribuições previdenciárias, somente é possível com débito previdenciário com crédito também previdenciário, cujos procedimentos constam da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008; que houve informação de compensação em GFIP sem existência de crédito pago indevidamente ou a maior, fato que motivou o lançamento fiscal. Cita que restou configurada a hipótese da aplicação da multa isolada em 150%, uma vez que informa compensação de débito previdenciário com créditos de outra natureza, em discussão judicial e sem o trânsito em julgado. Diz que a informação não verdadeira em GFIP está presente porque a empresa não possui qualquer crédito de contribuição previdenciária pago indevidamente ou a maior e, ainda, restar configurada a fraude, uma vez que as ações judiciais lhe foram desfavoráveis, bem como, ainda que desconhecesse as sentenças quando da apresentação das GFIP, somente poderia informar compensação após o trânsito em julgado; que outrossim, o crédito que discute judicialmente é de título de dívida externa e não de contribuição previdenciária, cuja vedação consta expressa na lei. Conclui que a empresa agiu de forma consciente no propósito de não recolher a contribuição previdenciária, informando compensação em GFIP, com crédito que não possui, desconsiderando as vedações legais, configurandose o verdadeiro intuito da fraude, obstando a cobrança de valores devidos por parte da Receita Federal do Brasil. Foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais (Processo nº 13984.720455/201211), por se caracterizar, em tese, crime contra a ordem tributária. DA IMPUGNAÇÃO O sujeito passivo apresentou impugnação de fls. 181 a 190 e documentos anexos de fls. 191 a 1.356. Fala que informou à Secretaria da Receita Federal, por meio de Declaração de Compensação que, os débitos referente às contribuições previdenciárias das competências maio/2010 a agosto/2011, seriam objeto de compensação judicial, ou seja, que estariam sub judice, como de fato estão, e que em momento algum afirmou que se que se tratava de compensação. Discorda da autoridade fiscal quando afirma que as ações judiciais foram julgadas desfavoravelmente, porém, considera que ainda não foram apreciadas em todas as instâncias, podendo resultar no reconhecimento do direito à compensação. Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 13984.720394/201283 Acórdão n.º 2402007.173 S2C4T2 Fl. 1.435 4 Aduz que para o período de 05/2010 a 08/2011 estão sendo discutidas nos autos dos processos judiciais nº 003722792.2010.4.01.3400 e 00491508.2010.4.01.3400; já para o período de 09/2011 a 10/2011 realizou compensação por conta de crédito de precatório do processo judicial 00054199005311006, adquirido mediante contrato particular de cessão. Reforça que ainda está em tramitação o processo judicial nº 004491508.2010.4.01.3400, cujo objeto é o direito de compensar débitos de contribuições sociais nos meses de 05/2010 a 08/2011 e que o Poder Judiciário é quem seria competente para apreciar a exigibilidade dos débitos. Cita que não há decisão denegatória transitada em julgado, não havendo que se falar em falsidade ou fraude nas informações que prestou, que somente seria cabível quando esgotado o processo judicial. Considera que exigir o trânsito em julgado para validar a compensação com título da dívida pública é inconstitucional e afronta o inciso XXXV, artigo 5º da Constituição Federal, na medida em que impede a Impugnante de discutir em juízo, violando o direito fundamental ao livre acesso ao Poder Judiciário. Reafirma que os débitos questionados, relativos ao período de 05/2010 a 08/2011 nunca foram objeto de compensação, cujo procedimento entende que só se realiza na prática com a apresentação de uma DCOMP ou PERDCOMP; que no seu caso apenas informou que os créditos se encontram suspensos por força das ações judiciais em tramitação, a quem compete apreciar o pedido. Cita jurisprudência sobre a suspensão da exigibilidade do crédito, quando está em discussão pedido de compensação, que no seu caso está em discussão judicial. Discorda da multa exigida, com efeito confiscatório, ferindo o art. 150, IV da Constituição Federal, arrolando doutrina e jurisprudência. Por fim requereu a suspensão da exigibilidade nas competências 05/2010 a 08/2011 até que referidos débitos sejam apreciados pelo Poder Judiciário e, no tocante as competências 09/2011 e 10/2011 sejam anuladas; o afastamento da multa face ao seu caráter confiscatório, requereu ainda a anulação do lançamento no que se refira aos serviços de assessoria técnica, matérias primas de reflorestamento, aquisição do veículo Santa Fé e também quanto aos créditos oriundos de notas fiscais inidôneas. A DRJ julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 13984.720394/201283 Acórdão n.º 2402007.173 S2C4T2 Fl. 1.436 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2010 a 31/10/2011 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA EXTERNA. MULTA ISOLADA. FALSIDADE DE INFORMAÇÃO EM GFIP. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há norma legal que autorize a compensação de títulos da dívida mobiliária da União representada por Títulos da Dívida Pública Externa, com obrigações tributárias federais, por se referir a direito creditório não administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Créditos tributários decorrentes de ações judiciais somente poderão ser compensados, mediante prova do trânsito em julgado, consoante previsão legal. Constitui infração, passível de aplicação de multa isolada agravada, a compensação das contribuições sociais feita em desconformidade da legislação previdenciária, nos termos do art. 89, §§ 9º e 10, da Lei nº 8.212/91. COMPENSAÇÃO. CESSÃO DE CRÉDITOS. AÇÃO JUDICIAL. A aquisição de direito de crédito de terceiros em ação judicial, transferido mediante cessão, não autoriza o adquirente utilizálo para fins de compensação com os tributos da Seguridade Social. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2010 a 31/10/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 1.376, reiterando, em síntese, os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O Recurso Voluntário não deve ser conhecido. Conforme se infere dos autos, a Recorrente tomou ciência do acórdão de piso em 10/05/2013, consoante se denota do AR de fl. 1.373 e apresentou, intempestivamente, seu Recurso Voluntário em 17/06/2013 (vide carimbo da Unidade de Origem às fl. 1.376), o que é corroborado pelo despacho de fl. 1.424, a seguir reproduzido: Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 13984.720394/201283 Acórdão n.º 2402007.173 S2C4T2 Fl. 1.437 6 Logo, não prospera a alegação de tempestividade do recurso (Decreto n° 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Ante o exposto, não preenchidos os pressupostos de admissibilidade, VOTO no sentido de NÃO CONHECER do recurso em razão a sua intempestividade, prejudicada, assim, a análise das razões de mérito. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 1438DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720273/2012-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda.
Numero da decisão: 9303-008.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o creditamento sobre os custos/despesas dos seguintes itens: Ferram/Peças/acessórios p/ Máq. e Equip., Comb. Lubrif. p/Tratores, Comb. Lubrif. p/Máquinas, Manut/Reparos em Máq e Equipamentos, Equip de Segurança, Serviços Terceirizados - Descarga de Soja (se pagos a pessoa jurídica) e Serviços Terceirizados, Classificação de Soja (se pagos a pessoa jurídica), vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2.337 1 2.336 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10970.720273/201201 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.213 – 3ª Turma Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria PIS/Cofins Insumos Recorrente ABCINDÚSTRIA E COMÉRCIO S/A ABC INCO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. OBSERVÂNCIA DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU DA RELEVÂNCIA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, interpretado pelo Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 73 /2 01 2- 01 Fl. 2337DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201201 Acórdão n.º 9303008.213 CSRFT3 Fl. 2.338 2 parcial, para reconhecer o creditamento sobre os custos/despesas dos seguintes itens: Ferram/Peças/acessórios p/ Máq. e Equip., Comb. Lubrif. p/Tratores, Comb. Lubrif. p/Máquinas, Manut/Reparos em Máq e Equipamentos, Equip de Segurança, Serviços Terceirizados Descarga de Soja (se pagos a pessoa jurídica) e Serviços Terceirizados, Classificação de Soja (se pagos a pessoa jurídica), vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 2.270 a 2.282), contra o Acórdão 3102002.062, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 2.227 a 2.234), sob a seguinte ementa (o mesmo foi consignado para a Cofins): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. APURAÇÃO. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. LANÇAMENTO CREDOR. INSUMOS. CONCEITO. As regras de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep no Sistema NãoCumulativo admitem que do valor dos débitos contabilizados no período sejam reduzidos os créditos calculados com base nos gastos incorridos na compra de insumos utilizados na fabricação de bens ou execução de serviços. A interpretação do texto normativo impõe o reconhecimento de que o conceito legal de insumo, terminologia empregada nas Leis 10.833/03 e 10.637/02, não alcança a totalidade dos gastos necessários à realização do negócio da empresa. Previamente, o contribuinte apresentou Desistência Parcial (fls. 2.238), “renunciando a quaisquer alegações de direito sobre o aproveitamento de crédito de PIS e COFINS sobre os insumos relacionados no anexo I” (fls. 2.239), “pela inclusão dos respectivos débitos no programa de regularidade fiscal instituído pela Lei nº 11.941/2009 ...”. No seu Recurso Especial, ao qual foi dado seguimento (fls. 2.310 a 2.312), o contribuinte, inicialmente, relaciona todos os itens (Conta Contábil/Descrição) objeto das glosas de créditos, mas ressalvando depois a já relatada desistência parcial, e alega, genericamente, que, “Para a atividade industrial, no caso, industrialização de soja e Fl. 2338DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201201 Acórdão n.º 9303008.213 CSRFT3 Fl. 2.339 3 derivados, o termo insumo alcança os custos de produção dos produtos industrializados, especialmente a mãodeobra empregada, os materiais aplicados (diretos e indiretos) e a manutenção e depreciação pela utilização de todo o parque fabril”. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 2.314 a 2.327), preliminarmente pedindo o não conhecimento do recurso, pois “Não basta comprovar a divergência quanto ao conceito de insumos. Fazse necessário provar que os casos confrontados são idênticos ou semelhantes, ou seja, que os insumos analisados são iguais ou se assemelham”. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Quanto ao conhecimento, o contribuinte citou, por primeiro (fls. 2.271), como paradigma Acórdão (nº 320200.226, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF) da MÓVEIS PONZANI (Processo nº 11020.001952/200622), cuja ementa transcrevo a seguir, na parte que interessa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária a atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. A empresa não é do mesmo ramo, mas a remissão à legislação do IRPJ traz uma amplitude que, por si só, caracteriza a divergência, já que o Acórdão recorrido, como visto, diz em sua ementa que o conceito de insumo “não alcança a totalidade dos gastos necessários à realização do negócio da empresa”, o que fica ainda mais claro adentrandose no que se diz no Voto Condutor (fls. 2.233): “... não vejo razão para que conceito de insumo seja determinado pelos mesmos critérios utilizados na apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, premissa por detrás das normas editadas pela Receita Federal do Brasil; tanto quanto não vejo respaldo legal para inclusão de tudo o quanto admite o sistema de apuração do Imposto de Renda, como frequentemente defendem os contribuintes.” Conheço, assim, do Recurso Especial. No mérito, aí necessariamente temos que remeter ao Voto Condutor (fls. 2.234), para verificar que simplesmente foi negado provimento ao Recurso Voluntário, sem Fl. 2339DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201201 Acórdão n.º 9303008.213 CSRFT3 Fl. 2.340 4 que fosse feita a análise específica dos dispêndios considerados pelo contribuinte como geradores de créditos: “Feito tais necessárias considerações preliminares, passo ao exame do caso concreto. Aqui discutese a possibilidade aproveitamento de créditos decorrentes de gastos com convênios médicos, programa de alimentação ao trabalhador, serviços de vigilância, gastos com passagens, transportes de funcionários etc. A relação de gastos acima não está menos detalhada do que encontrase no Processo. Obviamente, se apresenta insuficiente para análise e decisão caso a caso. Contudo, o contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, sequer faz menção ao vínculo dos gastos glosados ao processo produtivo da empresa, preferindo, em lugar disso, defender conceito amplo de insumo, com base em todo e qualquer tipo de dispêndio, o que, como se viu, não pode ser admitido. Com base nisso, ausente na defesa argumentos capazes de estabelecer o necessário vínculo entre insumo e produto final, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário.” Assim, para dirimir a lide, necessário se faz cotejar a relação completa de todos os dispêndios objetos das glosas (pois trazida no Recurso Especial) com a anexada ao Pedido de Desistência (e também ao Recurso Especial), para estabelecer precisamente de quais estamos a tratar. Como resultado deste trabalho, extraio a seguinte lista “remanescente”: Ferram/Peças/Acessórios p/Máq. E Equip. Peças para Veículos Comb. Lubrif. P/Tratores Comb. Lubrif. P/Máquinas Uniforme Equip. de Segurança Serviços Terceirizados Pessoa Jurídica Manut. Equiptos de Informática/Hardware Serviços de Processamento de Dados Serviços de Consultoria Informática Transporte de Pessoal Dados Eletrônicos MãodeObra Temporária Manut/Reparos em Veículos Manut/Reparos em Máq. e Equipamentos Fl. 2340DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201201 Acórdão n.º 9303008.213 CSRFT3 Fl. 2.341 5 Manut/Reparos Diversos Serviços Terceirizados – Classif. De Soja Serviços Terceirizados – Descarga Soja Comissão s/Soja Outros Serviços de Terceiros Gastos com Alimentação em Treinamento Hospedagem em Treinamento Diárias/Estadas em Treinamento Também, deste cotejo: (i) Vêse que o contribuinte – como, alíás, ele deixa claro em suas argumentações na peça recursal – não defende a aplicação do conceito do IRPJ, pois senão não teria desistido de contestar despesas como “Material de Limpeza e Higiene” e “Água e Esgoto”; (ii) Notamse algumas incoerências, como o fato de ter desistido de “Material/Suprimentos de Informática” e mantido a manutenção dos equipamentos de informática e os serviços a ela relativos. Já, no que remanesce – não simplesmente se espelhando no que diz o Relator do Acórdão recorrido, mas por evidente –, para diversos itens há um grau de indeterminação que não permite se chegar a algo conclusivo, não adotado o conceito do IRPJ. E, como há tempo já o tem feito, de forma majoritária, o CARF, aqui não se adota o conceito do IPI, tampouco o do IRPJ, mas sim, um intermediário, hoje consagrado e melhor delineado – ainda que não seja possível, à vista da legislação posta, se chegar a um grau de determinação “cartesiano” – nas mais recentes decisões do STJ (mais especificamente no REsp nº 1.221.170/PR), que levaram inclusive a que a PGFN e a RFB editassem normas interpretativas, para eles vinculantes, quais sejam, a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF e o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018, sendo que transcrevo a ementa deste: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o "critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço": Fl. 2341DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201201 Acórdão n.º 9303008.213 CSRFT3 Fl. 2.342 6 a.1) "constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço"; a.2) "ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência"; b) já o critério da relevância "é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja": b.1) "pelas singularidades de cada cadeia produtiva"; b.2) "por imposição legal". Dispositivos Legais. Lei n° 10.637, de 2002, art. 3°, inciso II; Lei n° 10.833, de 2003, art. 3°, inciso II. 1) Preliminarmente, afastemos logo aqueles custos/despesas cujo grau de indeterminação, já comentado, absolutamente não permite que sejam submetidas à análise se enquadráveis ou não no conceito que este Parecer Normativo intentou explicitar: Serviços Terceirizados Pessoa Jurídica Outros Serviços de Terceiros MãodeObra Temporária Transporte de Pessoal Manut/Reparos Diversos Manut/Reparos em Veículos Manut. Equiptos de Informática/Hardware Serviços de Consultoria Informática Serviços de Processamento de Dados Dados Eletrônicos Peças para Veículos Uniforme 2) Agora, mesmo que alguém possa considerar como determinados, por não se enquadrarem no conceito: Gastos com Alimentação em Treinamento Hospedagem em Treinamento Diárias/Estadas em Treinamento 3) Com grau de determinação suficiente, mas sem direito a crédito: Comissão s/Soja 4) Por fim, os custos/despesas passíveis de creditamento: Fl. 2342DF CARF MF Processo nº 10970.720273/201201 Acórdão n.º 9303008.213 CSRFT3 Fl. 2.343 7 Ferram/Peças/acessórios p/Máq. e Equip. Comb. Lubrif. P/Tratores Comb. Lubrif. P/Máquinas Manut/Reparos em Máq e Equipamentos Equip de Segurança Serviços Terceirizados – Descarga de Soja (*) Serviços Terceirizados – Classificação de Soja (*) (*) Se pagos a pessoa jurídica. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para reconhecer o creditamento sobre os custos/despesas por último listados no Item 4 acima. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 2343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.905545/2008-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO EM MONTANTE SUPERIOR.
Incorre em infração o contribuinte que declarar compensações em montante superior ao demonstrado no pedido de restituição/ressarcimento.
SALDO NEGATIVO. IRPJ. COMPENSAÇÃO.
Reconhece-se o direito creditório e homologa-se as compensações até o limite do saldo negativo comprovado.
Numero da decisão: 1401-003.168
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito de R$ 184.683,72, em valores originais, homologando as compensações efetuadas até o limite deste valor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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DEMONSTRAÇÃO DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO EM MONTANTE SUPERIOR. Incorre em infração o contribuinte que declarar compensações em montante superior ao demonstrado no pedido de restituição/ressarcimento. SALDO NEGATIVO. IRPJ. COMPENSAÇÃO. Reconhecese o direito creditório e homologase as compensações até o limite do saldo negativo comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito de R$ 184.683,72, em valores originais, homologando as compensações efetuadas até o limite deste valor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 55 45 /2 00 8- 04 Fl. 191DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente feito do Despacho Decisório nº 796752652, emitido em 23/10/2008 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, que não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte nos seguintes PER/DComp: 35080.98560.310504.1.3.024883 06696.68833.300604.1.3.024152 28881.29174.300704.1.3.028754 23044.76904.290904.1.7.029894 35451.98345.191104.1.3.020836 05983.41313.310105.1.3.024098 30403.53954.310305.1.3.025342 15296.78400.031006.1.7.029087 07997.78702.031006.1.7.020514 21303.79690.031006.1.7.023497 40899.44290.031006.1.7.029730 41478.72845.031006.1.7.026098 30639.44365.031006.1.7.027033 16038.49334.271206.1.3.024002 06793.96594.310107.1.3.026506 15238.96168.310107.1.3.028411 22289.09126.310107.1.3.028140 Os créditos pleiteados nos PER/DComp mencionados têm origem no Saldo Negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte no anocalendário 2003 (exercício 2004). No Despacho Decisório, a Autoridade Administrativa fundamentou o indeferimento na divergência entre o saldo negativo demonstrado no PER/DComp nº 35080.98560.310504.1.3.024883 (R$ 42.342,68) e o saldo negativo consignado na DIPJ (R$ 409.324,22). Ainda de acordo com o Despacho Decisório, teriam sido compensados indevidamente débitos que, consolidados para pagamento até 31/10/2008, somavam R$ 449.870,27, mais multa e juros. Diante da decisão de não homologar as compensações declaradas, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Para justificar a divergência entre o saldo negativo da DIPJ e do PER/DComp, alegou, em síntese, que, ao invés de formular um único PER/DComp Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10380.905545/200804 Acórdão n.º 1401003.168 S1C4T1 Fl. 192 3 contemplando todo o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2003, no total de R$ 409.324,22, havia feito um pedido de compensação parcial no PER/DComp nº 35080.98560.310504.1.3.024883, no valor de R$ 42.342,68. Aduziu que fez o pedido parcial para compensar especificamente com débito no período em que o PER/DComp foi apresentado e que tal procedimento não traz prejuízo ao Fisco ou configura ato ilícito. Ademais, alegou que, em respeito ao Princípio da Verdade Material, a Administração somente poderia negar a homologação se detectasse alguma ilegalidade/irregularidade, o que não seria o caso, visto tratarse de um pedido parcial de compensação do saldo negativo. Ao final, pediu a homologação das compensações ou o direito a retificálas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza acolheu parcialmente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte para reconhecer um crédito de R$ 88.098,85, em valor original, e homologar as compensações declaradas até esse montante. A ementa da decisão de piso restou consignada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. Homologase a compensação declarada até o limite do saldo negativo comprovado. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte Considerando que a controvérsia residia na comprovação do efetivo saldo negativo de IRPJ que daria azo ao direito creditório do contribuinte, a DRJ refez a apuração do saldo negativo, com base nos PER/DComp apresentados e nos documentos de fls. 104 a 159. Inicialmente, a DRJ verificou que o saldo negativo de IRPJ era composto de estimativas apuradas pelo contribuinte em 2003 e que foram declaradas na DIPJ e na DCTF. Tais estimativas não tinham sido objeto de pagamento, mas de compensações com créditos de períodos anteriores. Contudo, a quitação da maior parte das estimativas de 2003 com créditos anteriores não se confirmou. As estimativas que não foram efetivamente pagas ou quitadas com créditos anteriores não poderiam compor o saldo negativo. Assim, a partir dos documentos mencionados, a DRJ elaborou a planilha abaixo, na qual demonstra que as estimativas passíveis de compor o saldo negativo de IRPJ somavam apenas R$ 47.363,97: Fl. 193DF CARF MF 4 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10380.905545/200804 Acórdão n.º 1401003.168 S1C4T1 Fl. 193 5 Além disso, a DRJ constatou que parte das receitas financeiras sobre as quais havia incidido IRRF não havia sido declarada pelo contribuinte. Para que o IRRF pudesse compor o saldo negativo de IRPJ, seria preciso que as respectivas receitas fossem declaradas. Assim, efetuou um ajuste de R$ 108.150,18 na Receita Financeira, para fins de apuração do IRPJ devido e, por consequência, para apuração do saldo negativo. A partir das constatações da DRJ, alterouse substancialmente a apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2003. O saldo apurado espontaneamente pelo contribuinte era assim composto: O saldo negativo apurado pela DRJ ficou assim: Fl. 195DF CARF MF 6 Inconformado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário, no qual reprisa exatamente os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. Não lançou nenhuma questão acerca da decisão da DRJ. É o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Conforme relatado acima, a alegação única do contribuinte para justificar a divergência entre o saldo negativo da DIPJ e o saldo negativo do PER/DComp é que ele havia feito pedido parcial do saldo a que teria direito. Por isso, não haveria divergência e o direito creditório deveria ser acolhido e as compensações homologadas. O argumento do contribuinte não merece prosperar. De se ver. Inicialmente, compulsando os autos, constatamos que o contribuinte apresentou diversos PER/DComp com demonstração de créditos decorrentes do Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 2003. Os PER/DComp estão relacionados na tabela abaixo: Demonstração do crédito de Saldo Negativo de IRPJ ano calendário 2003 exercício 2004 PER/Dcomp Data da transmissão Valor original do saldo negativo Origem 35080.98560.310504.1.3.02 4883 31/05/2004 R$ 42.342,68 Estimativas compensadas com saldo de Períodos Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10380.905545/200804 Acórdão n.º 1401003.168 S1C4T1 Fl. 194 7 anteriores 06696.68833.300604.1.3.02 4152 30/06/2004 R$ 31.986,36 Estimativas compensadas com saldo de Períodos anteriores 28881.29174.300704.1.3.02 8754 30/07/2004 R$ 27.286,76 Estimativas compensadas com saldo de Períodos anteriores 23044.76904.290904.1.7.02 9894 29/09/2004 R$ 29.007,12 IRRF 05983.41313.310105.1.3.02 4098 31/01/2005 R$ 39.890,40 Estimativas compensadas com saldo de Períodos anteriores 30403.53954.310305.1.3.02 5342 31/05/2005 R$ 14.170,40 Estimativas compensadas com saldo de Períodos anteriores Total do Saldo negativo demonstrado R$ 184.683,72 Nos PER/DComp acima, vêse que o contribuinte foi demonstrando os créditos na medida em que ele tinha necessidade de utilizálos. Num primeiro momento, parece que o argumento do contribuinte seria procedente. Mas, o seu procedimento se altera substancialmente, especialmente a partir de 2006, quando se olha para as compensações declaradas nos PER/DComp que compõem este processo. As compensações estão detalhadas na tabela abaixo: Demonstração das compensações declaradas PER/Dcomp (Declaração de Compensação) PER/Dcomp com a demonstração do crédito Saldo Negativo Crédito original na data da transmissão Valor original utilizado na Dcomp 35080.98560.310504.1.3.02 4883 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 42.342,68 R$ 42.342,68 R$ 6.521,10 06696.68833.300604.1.3.02 4152 06696.68833.300604.1.3.02 4152 R$ 31.986,36 R$ 31.986,36 R$ 31.986,36 28881.29174.300704.1.3.02 8754 28881.29174.300704.1.3.02 8754 R$ 27.286,76 R$ 27.286,76 R$ 27.286,76 23044.76904.290904.1.7.02 9894 23044.76904.290904.1.7.02 9894 R$ 29.007,12 R$ 29.007,12 R$ 24.247,47 35451.98345.191104.1.3.02 0836 32020.20809.300904.1.3.02 7128 R$ 66.719,26 R$ 66.719,26 R$ 29.443,27 05983.41313.310105.1.3.02 4098 05983.41313.310105.1.3.02 4098 R$ 39.890,40 R$ 39.890,40 R$ 4.359,86 30403.53954.310305.1.3.02 5342 30403.53954.310305.1.3.02 5342 R$ 14.170,40 R$ 14.170,40 R$ 11.933,97 15296.78400.031006.1.7.02 9087 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 409.324,22 R$ 254.541,24 R$ 20.652,57 07997.78702.031006.1.7.0235080.98560.310504.1.3.02 R$ 409.324,22 R$ 233.888,67 R$ 17.561,67 Fl. 197DF CARF MF 8 0514 4883 21303.79690.031006.1.7.02 3497 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 409.324,22 R$ 187.037,10 R$ 23.574,31 40899.44290.031006.1.7.02 9730 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 409.324,22 R$ 147.488,12 R$ 26.208,02 41478.72845.031006.1.7.02 6098 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 409.324,22 R$ 99.974,55 R$ 40.127,11 30639.44365.031006.1.7.02 7033 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 409.324,22 R$ 59.847,44 R$ 20.655,32 16038.49334.271206.1.3.02 4002 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 409.324,22 R$ 39.192,12 R$ 37.351,67 06793.96594.310107.1.3.02 6506 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 409.324,22 R$ 1.840,43 R$ 1.840,43 15238.96168.310107.1.3.02 8411 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 390.310,86 R$ 47.014,95 R$ 34.706,50 22289.09126.310107.1.3.02 8140 35080.98560.310504.1.3.02 4883 R$ 390.310,86 R$ 12.308,45 R$ 12.308,45 Com fundamento nas informações acima, constatase que, a partir de 2006, o contribuinte apresentou diversos PER/DComp com declarações de compensação calcadas no crédito oriundo do PER/DComp nº 35080.98560.310504.1.3.024883. Vêse que, ao invés de R$ 42.342,68, os PER/Dcomp de 2006 e 2007 apresentam saldo negativo original de R$ 409.324,22 e de R$ 390.310,86! Em verdade, somandose todas as declarações de compensação calcadas no PER/DComp nº 35080.98560.310504.1.3.024883, chegase a R$ 241.507,15, em valores originais utilizados para compensação de débitos. E o crédito demonstrado no PER/DComp nº 35080.98560.310504.1.3.024883 era de apenas R$ 42.342,68! Ademais, no PER/DComp nº 35451.98345.191104.1.3.020836, o contribuinte utilizou crédito de saldo negativo de IRPJ demonstrado no PER/DComp nº 32020.20809.300904.1.3.027128, que não consta dos autos. Assim, somandose os créditos demonstrados no diversos PER/DComp e considerando o valor de R$ 409.342,68 para o PER/DComp nº 35080.98560.310504.1.3.02 4883, temse que o contribuinte pretende ter reconhecido um total de R$ 618.402,98, conforme demonstrado abaixo: PER/Dcomp Data da transmissão Valor original do saldo negativo 35080.98560.310504.1.3.024883 31/05/2004 R$ 409.342,68 06696.68833.300604.1.3.024152 30/06/2004 R$ 31.986,36 28881.29174.300704.1.3.028754 30/07/2004 R$ 27.286,76 23044.76904.290904.1.7.029894 29/09/2004 R$ 29.007,12 05983.41313.310105.1.3.024098 31/01/2005 R$ 39.890,40 30403.53954.310305.1.3.025342 31/05/2005 R$ 14.170,40 32020.20809.300904.1.3.027128 30/09/2004 R$ 66.719,26 Total do Saldo negativo demonstrado R$ 618.402,98 Não merece prosperar, portanto, o argumento do contribuinte de que teria efetuado apenas um pedido parcial do crédito a que teria direito e que tal procedimento não configuraria nenhuma irregularidade. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10380.905545/200804 Acórdão n.º 1401003.168 S1C4T1 Fl. 195 9 Visto isso, passase a analisar a decisão de piso. No que tange à decisão da DRJ, que recompôs o saldo negativo passível de repetição, o contribuinte não lançou nenhuma alegação. Todavia, nesta matéria, curvome à jurisprudência desta Turma, que é sintetizada na ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE VALORES COBRADOS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Os valores que compõem o saldo negativo do IRPJ, glosados por força de compensação não homologada podem compor o saldo negativo do período, haja vista a possibilidade de referidos débitos serem cobrados com base em Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Assim, não cabe a glosa desses valores na apuração do imposto a pagar ou o saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). As reiteradas decisões neste sentido estão calcadas na Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006, que conclui da seguinte forma: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Assim, é de se refazer a apuração do saldo negativo, a partir dos ajustes efetuados pela DRJ, mas reincluindose as estimativas cujas compensações não foram homologadas nos processos mencionados na decisão de piso. A tabela abaixo demonstra a apuração do saldo negativo com os ajustes decorrentes da fundamentação exposta: Itens Valor em R$ IRPJ Devido + adicional R$ 294.231,86 Deduções Programa de Alimentação do Trabalhador R$ 6.988,66 Isenção e/ou redução do imposto R$ 185.313,20 Imposto de renda Retido na Fonte R$ 142.664,88 Imposto de Renda mensal pago por estimativa R$ 349.835,87 Imposto de Renda a Pagar R$ 390.570,75 Haveria, destarte, um saldo negativo de R$ R$ 390.570,75 no ano calendário 2003. É de se destacar, contudo, que, conforme demonstrado anteriormente, o contribuinte formalizou nos PER abaixo crédito decorrente do saldo negativo no montante total de R$ 184.683,72: Fl. 199DF CARF MF 10 Demonstração do crédito de Saldo Negativo de IRPJ ano calendário 2003 exercício 2004 PER/Dcomp Data da transmissão Valor original do saldo negativo Origem 35080.98560.310504.1.3.02 4883 31/05/2004 R$ 42.342,68 Estimativas compensadas com saldo de Períodos anteriores 06696.68833.300604.1.3.02 4152 30/06/2004 R$ 31.986,36 Estimativas compensadas com saldo de Períodos anteriores 28881.29174.300704.1.3.02 8754 30/07/2004 R$ 27.286,76 Estimativas compensadas com saldo de Períodos anteriores 23044.76904.290904.1.7.02 9894 29/09/2004 R$ 29.007,12 IRRF 05983.41313.310105.1.3.02 4098 31/01/2005 R$ 39.890,40 Estimativas compensadas com saldo de Períodos anteriores 30403.53954.310305.1.3.02 5342 31/05/2005 R$ 14.170,40 Estimativas compensadas com saldo de Períodos anteriores Total do Saldo negativo demonstrado R$ 184.683,72 Conclusão. Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário e reformar a decisão de piso que para reconhecer o direito ao crédito de R$ 184.683,72, em valores originais, e homologar as compensações até este valor. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 200DF CARF MF
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