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Numero do processo: 13839.901846/2014-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Relatório
A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais.
O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional.
Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.799.
Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior.
Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa:
* Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios.
* Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ.
* Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003.
* Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma:
"O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência).
Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)."
* Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS.
* Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei.
* As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico.
É o relatório.
Voto
Conselheiro Waldir Navarro Bezerra
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402-001.475):
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08-038.799. Devidamente notificada desta decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, pugnando pela procedência da manifestação de inconformidade para que seja reconhecido o direito aos créditos requeridos a título de pagamento indevido ou a maior. Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guarda-móveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PIS-COFINS: artigos 149, 195, I -"b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regra-matriz de incidência: (i) sujeito ativo: União; (ii) sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) critério territorial: território nacional; (vi) critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da não-cumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível dependendo do caso questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido n Resolução 3402-001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/2014-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. 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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto da relatora, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo, que entenderam ser desnecessária a diligência proposta. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório A Contribuinte formalizou perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil PERD/COMP objetivando a restituição dos créditos escriturais de PIS e COFINS que alega ter recolhido a maior, relativos às comissões pagas aos seus representantes comerciais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 01 84 6/ 20 14 -6 1 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13839.901846/201461 Resolução nº 3402001.477 S3C4T2 Fl. 3 2 O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Jundiaí, indeferiu o Pedido de Restituição por considerar inexistente o crédito, fundamentando pela aplicação do Art. 165 do Código Tributário Nacional. Inconformada com esta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ Fortaleza, através do Acórdão nº 08038.799. 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Em síntese, a Recorrente abordou as seguintes matérias em razões de defesa: * Tem por objeto social a atividades no mercado interno e externo, sobretudo, fabricação de artefatos de cimento para uso na construção, depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis, comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente; fabricação de material sanitário de cerâmica; comércio varejista de ferragens e ferramentas; fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios. * Houve pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS/PIS no regime não cumulativo em razão de créditos decorrentes de pagamentos de comissões para pessoas jurídicas representantes comerciais, o qual foi indeferido pela DRJ. * Fundamentou pela improcedência da glosa, demonstrando os aspectos legais e constitucionais do PISCOFINS: artigos 149, 195, I "b" e parágrafo 12º, 239, todos da Constituição Federal, bem como pelas seguintes legislações: Leis Complementares n. 7/70 e 70/91; Leis Ordinárias n. 9.715/95, 9.718/98, 10.637/2002, 10.833/2003. * Apresentou a hipótese de incidência tributária da seguinte forma: "O PIS/PASEP no regime cumulativo está estruturado da seguinte forma: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (0,65%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência). Do mesmo modo, a COFINS no regime cumulativo tem a seguinte regramatriz de incidência: (i) – sujeito ativo: União; (ii) – sujeito passivo: pessoa jurídica; (iii) – critério material: faturamento de mercadorias e/ou serviços; (iv) – critério quantitativo: base de cálculo (valor do faturamento) e alíquota (3%); (v) – critério territorial: território nacional; (vi) – critério temporal: faturamento mensal (critério da competência)." * Argumentou pelo regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS. * Argumentou que, diante de gastos, custo, pagamento realizado pelo contribuinte de PIS e COFINS para uma pessoa jurídica que exerça atividade econômica capaz Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13839.901846/201461 Resolução nº 3402001.477 S3C4T2 Fl. 4 3 de contribuir, de forma direta ou indireta, para a obtenção de receita daquela, há de se considerar um insumo, nos moldes do art. 3º, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, gerando crédito para abatimento das contribuições referidas. A única possibilidade de se vedar crédito no raciocínio descrito seria a existência de uma previsão legal expressa impedindo o exercício desse direito, embora, mesmo nesta hipótese, seja possível – dependendo do caso – questionar a constitucionalidade da lei. * As comissões de representantes comerciais nada mais são do que a remuneração pelo resultado obtido pela venda de produtos ou mercadorias da pessoa jurídica que representa, tendo como base de cálculo o preço do negocio jurídico. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.475 de 25 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.901466/201427, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.475): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da necessidade de diligência para julgamento do recurso Como observado pela 5ª Turma da DRJ/FOR em decisão recorrida, a análise da questão está relacionada à classificação das comissões pagas a representantes comerciais como insumos, que geram direito ao crédito das contribuições, ou como despesas necessárias à atividade da empresa, sem vinculação ao processo produtivo e incapazes de gerar crédito na sistemática nãocumulativa. Assim alega a Contribuinte: i) Que é pessoa jurídica de direito privado e, na consecução de suas atividades comerciais, procede à contratação de representantes comerciais para escoamento de sua produção própria, sendo que tal modalidade de venda representa aproximadamente 87% do faturamento. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13839.901846/201461 Resolução nº 3402001.477 S3C4T2 Fl. 5 4 ii) Que a função desempenhada por tais representantes é notadamente imprescindível para sua cadeia produtiva, na medida em que estes são responsáveis pela intermediação dos negócios, com a prospecção de clientes e desenvolvimento do mercado, assim como participam diretamente no processo negocial, lançando os pedidos aceitos no sistema e formatando as cargas. Além do mais, frequentemente efetua a contratação do transporte das mercadorias vendidas. iii) Em razão do critério da essencialidade, é incontestável que os valores desembolsados quanto à atividade realizada pelos representantes comerciais devem ser entendidos como insumo na cadeia de produção e vendas dos produtos que fabrica, conformando base de cálculo para a assunção de créditos escriturais relativos às contribuições destinadas ao Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), já que está sujeita à sistemática de apuração nãocumulativa das referidas contribuições. Outrossim, a Recorrente apresenta em razões de recurso, o seguinte comparativo entre empresas que não possuem representantes comerciais, em especial no tocante ao direito de crédito: (i) – as pessoas jurídicas sem representante comercial terão 100% da receita para si; (ii) – já aquelas que se utilizam dos representantes não terão 100% das receitas para si, uma vez que uma parte ficará com eles a título de comissão, sendo de total plausibilidade assim o crédito par a bater PIS e COFINS. Constatase que o fundamento pelo qual a DRJ/FOR julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade se atém ao critério estabelecido pelo artigos 2º e 3º, II da Lei nº 10.637/2002, bem como da INSRF nº 247/2002. Vejamos: No presente caso, as comissões pagas aos representantes comerciais não podem ser consideradas como aplicadas ou consumidas diretamente na fabricação de bens destinados à venda. Tampouco podem ser considerados serviços adquiridos de pessoas jurídicas para a consecução das atividades principais da empresa. Assim, as comissões pagas aos representantes comerciais são despesas que não se caracterizam como insumos, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Este também é o entendimento da Solução de Consulta nº 98, da SRRF07/Disit, transcrito abaixo: (...) 17. Dessa forma, os bens e serviços que forem necessários ou essenciais para o desempenho da atividade da empresa mas que não puderem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços não se caracterizam como “insumos”, não sendo admissível, portanto, a apuração de créditos relativamente a esses dispêndios. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13839.901846/201461 Resolução nº 3402001.477 S3C4T2 Fl. 6 5 18. Isso distingue os “insumos” das despesas dedutíveis para efeitos de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, que, de acordo com o art. 299 do Decreto nº. 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), são todas aquelas despesas necessárias, usuais e normais para as operações da empresa. (...) Isso posto, julgo improcedente a manifestação de inconformidade. Inicialmente, consignase que o contribuinte do PIS e da COFINS nãocumulativos, segundo as Leis 10.637/02, 10.833/03 e 10.865/04, tem direito de tomar créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como “insumos” na fabricação de produtos destinados à venda. De fato havia divergências quanto ao conceito de insumos aplicável às contribuições sociais. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça concluiu através do julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170 PR, processado em sede de recurso representativo de controvérsia, que o conceito de insumo, para efeito de tomada de crédito das contribuições na forma dos artigo 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Por este precedente, o STJ declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, invocada para fundamentar a decisão recorrida, bem como declarou a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, as quais restringiam o direito de crédito aos insumos que fossem diretamente agregados ao produto final, ou que se desgastassem com o contato físico com o produto ou serviço final. Outrossim, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em data de 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aceitando o conceito de insumos para crédito de PIS e Cofins fixado pelo Superior Tribunal de Justiça, conforme Ementa abaixo transcrita: Documento público. Ausência de sigilo. Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13839.901846/201461 Resolução nº 3402001.477 S3C4T2 Fl. 7 6 Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014. Em síntese, "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, são "todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes". Os critérios em referência devem ser aplicados casuisticamente, utilizandose do chamado “teste de subtração” do insumo, de modo a verificar a imprescindibilidade e a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Neste sentido, transcrevo os itens 14 a 17 da SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara m a interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele i tem – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste d e subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13839.901846/201461 Resolução nº 3402001.477 S3C4T2 Fl. 8 7 Superada a discussão em referência, cabe a análise quanto à configuração da essencialidade ou relevância do representante comercial às atividades desenvolvidas pela empresa. Através do atos constitutivos, é possível verificar que a Recorrente tem por objeto social as seguintes atividades: Constatase, ainda, como atividade econômica principal a fabricação de artefatos de cimento para uso na construção (CNAE 23 30302) e, por atividade econômica secundária a seguinte descrição: CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS 52.11799 Depósitos de mercadorias para terceiros, exceto armazéns gerais e guardamóveis 46.79604 Comércio atacadista especializado de materiais de construção não especificados anteriormente 23.49401 Fabricação de material sanitário de cerâmica 47.44001 Comércio varejista de ferragens e ferramentas 28.13500 Fabricação de válvulas, registros e dispositivos semelhantes, peças e acessórios Por sua vez, a Contribuinte argumenta desde a Manifestação de Inconformidade que mais de 80% (oitenta por cento) das vendas de produtos que comercializa ocorre por meio de representantes comerciais autônomos, que assumem papel imprescindível na consecução da atividade comercial da empresa, representando esta modalidade de venda em aproximadamente 87% (oitenta e sete por cento) do seu faturamento. Não obstante os fundamentos que embasam as razões recursais, o fato é que neste processo administrativo não há nenhuma prova que ateste a essencialidade da representação comercial na atividade da empresa Recorrente. Todavia, considerando a recente decisão proferida em sede de repercussão geral pelo Superior Tribunal de Justiça, resultando na incidência do artigo 62, § 2º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, em atenção à busca pela verdade material, fazse necessária a realização de diligência para uma melhor compreensão sobre as características da atividade desenvolvida pela empresa, possibilitando identificar se as despesas em análise configuram insumos que permitam o direito ao crédito em análise. Por tais motivos, nos termos previstos pelo artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13839.901846/201461 Resolução nº 3402001.477 S3C4T2 Fl. 9 8 Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal da Unidade de Origem intime a Contribuinte para apresentar nos autos a comprovação de que os serviços prestados por representantes comerciais em sua atividade empresarial são essenciais e relevantes, em especial: Notas Fiscais, Balanço Analítico, Livros Diário e Razão, bem como demais documentos que se fizerem necessários para a elucidação sobre o objeto deste litígio. Com a apresentação dos documentos pela Contribuinte e elaboração de Relatório Fiscal com os esclarecimentos necessários pela Autoridade Fiscal, intimar a Recorrente e a Fazenda Nacional do resultado da diligência para, querendo, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. Após as providências acima, com ou sem manifestação, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 129DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.721032/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL.
A ausência de indicação de benfeitorias na escritura, quando da alienação do imóvel rural, levou a Fiscalização a determinar o valor daquelas, uma vez que o contribuinte não conseguiu demonstrá-las, restando caracterizada a omissão de receitas na atividade rural, em face do importe apurado.
GANHOS DE CAPITAL. VALOR APURADO DE FORMA EQUIVOCADA.
O contribuinte não apurou os ganhos de capital de imóvel rural nos termos explicitados na legislação, o que fora observado pela fiscalização, com a correta aplicação do que prevê a IN SRF n. 84/2001 para o mister.
CONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. EXAME.
Foge da competência do julgado administrativo o exame da constitucionalidade de Lei ou da legalidade de atos administrativos.
IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS.
O sujeito passivo não demonstrou a ocorrência de alguma das ressalvas previstas na legislação para a apresentação de provas em momento posterior ao prazo para impugnação, o que afastaria em termos formais o seu exame.
MULTA DE OFÍCIO. CONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. EXAME.
Foge da competência do julgado administrativo o exame da constitucionalidade de Lei ou da legalidade de atos administrativos, no caso suscitado em face dos reclamos acerca da aplicação de multa de ofício de 75%, sendo que no caso em concreto não se considera a hipótese da multa moratória de 20% requerida pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2402-006.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gregório Rechmann Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR
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Recorrente BRAULINO BASILIO MAIA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011, 2012, 2013 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. A ausência de indicação de benfeitorias na escritura, quando da alienação do imóvel rural, levou a Fiscalização a determinar o valor daquelas, uma vez que o contribuinte não conseguiu demonstrálas, restando caracterizada a omissão de receitas na atividade rural, em face do importe apurado. GANHOS DE CAPITAL. VALOR APURADO DE FORMA EQUIVOCADA. O contribuinte não apurou os ganhos de capital de imóvel rural nos termos explicitados na legislação, o que fora observado pela fiscalização, com a correta aplicação do que prevê a IN SRF n. 84/2001 para o mister. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 10 32 /2 01 6- 11 Fl. 510DF CARF MF 2 CONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. EXAME. Foge da competência do julgado administrativo o exame da constitucionalidade de Lei ou da legalidade de atos administrativos. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. O sujeito passivo não demonstrou a ocorrência de alguma das ressalvas previstas na legislação para a apresentação de provas em momento posterior ao prazo para impugnação, o que afastaria em termos formais o seu exame. MULTA DE OFÍCIO. CONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. EXAME. Foge da competência do julgado administrativo o exame da constitucionalidade de Lei ou da legalidade de atos administrativos, no caso suscitado em face dos reclamos acerca da aplicação de multa de ofício de 75%, sendo que no caso em concreto não se considera a hipótese da multa moratória de 20% requerida pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10880.721032/201611 Acórdão n.º 2402006.661 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 473) interposto em face do Acórdão nº 09 64.889, da 4ª Turma da DRJ/JFA (fls. 454) que julgou improcedente a impugnação apresentada em face do auto de infração de fls. 4/16 que exige do sujeito passivo, já qualificado no presente processo, o recolhimento do crédito tributário equivalente a R$ 5.084.211,63, assim discriminado: R$ 2.392.682,38 de imposto, R$ 1.794.511,75 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 897.017,50 de juros de mora (calculados até 01/2016). Nos termos do relatório da decisão de piso, temse que: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte, apuraramse as seguintes infrações: · Omissão de rendimentos da atividade rural; e · Omissão / apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais. O Termo de Verificação Fiscal TVF, às fls. 17/58, minudencia a ação realizada, com foco nos períodos de apuração de janeiro de 2011 a dezembro de 2013, conforme previsto no Mandado de Procedimento Fiscal n. 06.1.85.002014 001985. As motivações ali detalhadas, as conclusões e os demonstrativos dos valores apurados, apontaram para as infrações expressas no referido lançamento. Por intermédio de procuradores habilitados (instrumento de fls. 385), o autuado apresentou a impugnação de fls. 355/384, na qual aduziu, em síntese, que: 1 adquiriu terras contíguas, sendo o todo denominado fazenda São João, em 18/05/2007 e 28/04/2010, medindo, respectivamente 2.367,50 ha e 4.013,90 ha, restando definido nas escrituras públicas o valor das benfeitorias no total de R$ 2.978.540,00, lançado como despesas/investimentos da atividade rural nas correspondentes datas de aquisição; vendendo a fazenda, em 09/06/2011, por R$ 26.000.000,00, conforme quadro resumo das operações, à fl. 359; 2 a autuação em face da apuração do ganho de capital, por parte da fiscalização, não se deu sob a égide da Lei n. 9.393/1996, cuja aplicação seria obrigatória in casu; 3 à fl. 363, "..., não importa o valor de aquisição e o valor de venda do imóvel, pois o Ganho de Capital terá como base de cálculo a diferença entre o Valor da Fl. 512DF CARF MF 4 Terra Nua constante nas respectivas Declarações de Imposto Territorial Rural nos anos de sua aquisição e alienação."; 4 a IN n. 84/2001, balizadora do lançamento, fere diretamente o princípio da legalidade ao prever critérios não estabelecidos na própria lei que lhe serviu de base; 5 à fl. 367, "Por entender que o Contribuinte comprou e vendeu o imóvel antes da entrega da DITR, o autor do procedimento fiscal aplicou o artigo 10 da Instrução Normativa n. 84, de 2001 (...) e deixou de aplicar o artigo 14 da Lei n. 9.393, de 1996."; 6 o interessado traz à baila entendimento do CARF sobre o tema (fl. 369) e jurisprudência do TRF da 4ª Região (fls. 370/371); 7 a administração pública deve obediência a diversos princípios, dentre eles o da legalidade, e, dessa forma os instrumentos normativos não podem dispor sobre incidência tributária do imposto de renda, em especial o do ganho de capital, conforme o presente caso; portanto, cabe a extinção do crédito tributário constituído sob amparo da citada IN, em razão da ilegalidade e inconstitucionalidade dessa; 8 a autoridade autuante levou à tributação as benfeitorias da fazenda São João, computandoas como receita da atividade rural pelo modo mais gravoso e oneroso ao contribuinte, baseandose no manual "Perguntas e Respostas do IRPF 2012", em sua pergunta "506" e calculou o valor das benfeitorias na alienação em uma fórmula de proporção do valor da venda equivalente à proporção do valor da aquisição; 9 fl. 375, "Quer dizer, na ausência de discriminação dos valores das benfeitorias na alienação, a Impugnada, ao invés de considerar como benfeitorias os valores descritos nas escrituras públicas de aquisição da Fazenda São João, ou, intimar o Contribuinte no curso da fiscalização que resultou no Auto de Infração a especificar os valores das benfeitorias da Fazenda São João, ou determinar perícia técnica para apuração do real valor das benfeitorias da Fazenda São João, ou solicitar laudo técnico comprovando o valor das benfeitorias, o Fisco simplesmente atribuiu, sem qualquer respaldo técnico, valores proporcionais baseados em fórmula por ele mesmo criada, ..."; 10 fl. 377, "Caso a Receita Federal do Brasil não aceite o negócio entabulado entre Comprador e Vendedor, qual seja, desprezar as benfeitorias em razão do estado em que se encontravam, a prudência recomenda a tributação considerando o princípio da equidade e, por consequência, tendo como base o valor de aquisição das mesmas (R$ 2.978.540,00)."; 11 no caso da manutenção do auto de infração, a multa em virtude de simples erro cometido na apuração do ganho de capital não merece prosperar, salientando, ainda, que o impugnante forneceu à autoridade autuante, em Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10880.721032/201611 Acórdão n.º 2402006.661 S2C4T2 Fl. 4 5 resposta às intimações, todos os elementos que deram ensejo ao lançamento, sempre agindo de forma transparente e de boafé; 12 a multa é excessiva, com flagrante violação ao direito de propriedade, aos princípios da legalidade, do não confisco e da proporcionalidade, ao art. 112 do CTN, cabendo ser o importe correspondente a 75% do IRPF afastado, a fim de se aplicar a multa moratória prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, consistente em 20%; 13 nos pedidos, às fls. 383/384, destacamse: o protesto para provar o alegado por todos os meios em direito admitido; e que qualquer intimação seja dirigida aos subscritores (procuradores) no endereço do correspondente escritório. A DRJ, por meio do Acórdão nº 0964.889, julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012, 2013, 2014 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ATIVIDADE RURAL. A ausência de indicação de benfeitorias na escritura, quando da alienação do imóvel rural, levou a Fiscalização a determinar o valor daquelas, uma vez que o contribuinte não conseguiu demonstrálas, restando caracterizada a omissão de receitas na atividade rural, em face do importe apurado. GANHOS DE CAPITAL. VALOR APURADO DE FORMA EQUIVOCADA. O contribuinte não apurou os ganhos de capital de imóvel rural nos termos explicitados na legislação, o que fora observado pela fiscalização, com a correta aplicação do que prevê a IN SRF n. 84/2001 para o mister. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012, 2013, 2014 CONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. EXAME. Foge da competência do julgado administrativo o exame da constitucionalidade de Lei ou da legalidade de atos administrativos. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. O sujeito passivo não demonstrou a ocorrência de alguma das ressalvas previstas na legislação para a apresentação de provas em momento posterior ao prazo para impugnação, o que afastaria em termos formais o seu exame. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2012, 2013, 2014 MULTA DE OFÍCIO. CONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. EXAME. Foge da competência do julgado administrativo o exame da constitucionalidade de Lei ou da legalidade de atos administrativos, no caso suscitado em face dos reclamos acerca da aplicação de multa de ofício de 75%, sendo que no caso em Fl. 514DF CARF MF 6 concreto não se considera a hipótese da multa moratória de 20% requerida pelo contribuinte. Cientificado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 473, reiterando os termos da impugnação apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Gregório Rechmann Junior Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa e/ou novos documentos perante a segunda instância administrativa, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor: Ganhos de Capital Nos termos constantes dos autos e relatados, depreendese, no tocante ao imposto lançado incidente sobre os ganhos de capital, a discordância do contribuinte relativa ao entendimento da fiscalização sobre a legislação a ser observada. Na espécie, aduziu o impugnante que a autoridade autuante não obedeceu aos mandamentos constantes da Lei n. 9.393/1996 de aplicação obrigatória, porquanto trabalhou, equivocadamente a seu ver, sob a ótica do art. 10 da IN SRF n. 84/2001. O citado art. 10 dispõe que: "Art. 10. Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua declarado pelo alienante, no Documento de Informação e Apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (Diat) do ano da aquisição, observado o disposto nos arts. 8º e 14 da Lei n. 9.393, de 1996. § 1º No caso de o contribuinte adquirir: I e vender o imóvel rural antes da entrega do Diat, o ganho de capital é igual à diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; II o imóvel rural antes da entrega do Diat e alienálo, no mesmo ano, após a sua entrega, não ocorre ganho de capital, por se tratar de VTN de aquisição e alienação de mesmo valor. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10880.721032/201611 Acórdão n.º 2402006.661 S2C4T2 Fl. 5 7 § 2º Caso não tenha sido apresentado o Diat relativamente ao ano de aquisição ou de alienação, ou a ambos, considerase como custo e como valor de alienação o valor constante dos respectivos documentos de aquisição e de alienação. § 3º O disposto no § 2º aplicase também no caso de contribuinte sujeito à apresentação apenas do Documento de Informação e Atualização Cadastral (Diac)." De acordo com o raciocínio do impugnante, à luz da mencionada IN, o uso do VTN como base de cálculo para a apuração do ganho de capital restringese a apenas três meses do ano, expondo os contribuintes a posições distintas, ao privilegiar uns em detrimentos dos outros. Compreende este relator que os embates provocados pelo interessado no tocante ao aduzir ilegalidade da IN n. 84/2001, bem como outros princípios constitucionais que estariam violados em face de sua aplicação no caso em concreto, não permeiam o presente julgado administrativo. Quanto à arguição de ilegalidade, forçoso revelar que a indigitada IN (com alterações dadas pela IN SRF n. 599/2005), calcada nas leis que menciona, inclusive na n. 9.393/1996, a elas não se opõe. Dispõe, com os detalhamentos necessários, sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas, permanecendo vigente e dotada de plena validade. E, nesse compasso, consiste em norma complementar cujos regramentos e comandos são obrigatoriamente seguidos pela autoridade administrativa, em face de sua atividade vinculada. Diante disso, não se vislumbra como em sede de julgamento de impugnação tabular análise do confronto entre a Lei e a IN comentadas, nos moldes propugnados pelo contribuinte; máxime, porque não se denotam os vícios que ele aponta em sua defesa e sequer dessa emana algum arrazoado que expresse erro da fiscalização na aplicação das orientações que explicita para a apuração dos ganhos de capital. Há de se aclarar ao interessado que não é afeta ao julgamento administrativo a análise da constitucionalidade de Lei e os seus efeitos nos administrados, porquanto reservado ao Poder Judiciário esse mister. Esse posicionamento encontrase corroborado pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, de acordo com o art. 26A do Decreto n. 70.235/1972: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 516DF CARF MF 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de junho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 1993.” (NR) De bom alvitre, ainda, registrar que a expressão legislação tributária compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e a normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, de acordo com o art. 96 do CTN. Entre as normas complementares destacamse os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, conforme o art. 100, I, do CTN. Em assim sendo, uma Instrução Normativa firmada pelo Secretário da Receita Federal do Brasil afigurase como norma complementar do instrumento legal no qual se sustenta. Na mesma esteira do entendimento acerca do exame da constitucionalidade, não há que se perquirir sobre a ilegalidade de ato administrativo no julgado administrativo. Tanto na atividade de lançamento quanto na de julgamento no âmbito da RFB sobressaise a determinação do art. 142, parágrafo único do CTN, acerca do estreito vínculo à legislação tributária. Por outro lado, salientese que a jurisprudência se constitui na fonte mais geral e extensa de exegese, fornecendo ensinamento fecundo, contudo, exceto nas situações previstas na legislação e nas decisões em que o sujeito passivo for parte, não se pode a ela atribuir eficácia no seio administrativo. Diante disso, a menção à ilegalidade de dispositivos da Instrução Normativa n. 84/2001, conforme expôs o interessado às fls. 366/374, não ganha corpo no presente estudo. Repisese que o próprio impugnante, conforme se extrai da fl. 367, destacou que a fiscalização seguiu o previsto na IN SRF n. 84/2001: Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10880.721032/201611 Acórdão n.º 2402006.661 S2C4T2 Fl. 6 9 Perfeito o entendimento da autoridade lançadora, atenta e obediente à legislação tributária vigente, cabendo, então, a manutenção dos valores apurados a título de ganhos de capital e os IRPF correspondentes. Omissão de Rendimentos da Atividade Rural Em decorrência de benfeitorias realizadas no conjunto denominado Fazenda São João, a fiscalização apurou omissão de rendimentos da atividade rural, e nesse tocante o contribuinte, à fl. 374, colacionou o seguinte texto do TVF: Fl. 518DF CARF MF 10 Entendeu o impugnante que a apuração das benfeitorias adotada pela fiscalização se deu de modo mais gravoso e oneroso, porquanto fora estabelecida uma fórmula de razão entre o valor da venda e o de aquisição. Cabe salientar que o contribuinte não desconhece que deixou de discriminar os valores das benfeitorias na alienação do conjunto denominado Fazenda São João, mas reclama que deveriam ser considerados os valores descritos nas escrituras públicas de aquisição ou, intimar o contribuinte no curso da fiscalização para especificar os respectivos valores ou solicitar laudo técnico para comprovar o valor das benfeitorias. Em vista disso aduziu, à fl. 375: Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10880.721032/201611 Acórdão n.º 2402006.661 S2C4T2 Fl. 7 11 Ora, a proporcionalidade adotada pela autoridade lançadora consiste em meio equilibrado de maneira, inclusive, a não se onerar em demasia ao contribuinte que deixa de expressar em escritura de venda do imóvel rural as benfeitorias. Observase, inclusive, no que fora citado pelo impugnante a busca por essa relação percentual para efeito de assim se determinar. O fato de o contribuinte não haver buscado, previamente à alienação, o laudo de avaliação, calcado nas normas da ABNT, não tem o dom de obstruir a apuração desenvolvida pela fiscalização, tampouco assim a obriga recorrer a alguma diligência ou perícia nesse sentido. Em continuidade, arrazoa o interessado que, na impossibilidade de perícia ou laudo de avaliação, a tributação deveria levar como base o valor anteriormente declarado pelo contribuinte, no caso os constantes das escrituras de aquisição. Não entende este relator como razoável o propugnado, porquanto não haveria o porquê assim proceder. A adução de que na apuração realizada haveria valorização de quase cerca de 50% (R$ 2.978.540,00 para R$ 5.808.128,19), em três anos, ao desamparo de qualquer comprovação em contrário, não elide a ação fiscal. No sentido oposto de seu arrazoado, difícil entender como inexistentes benfeitorias em área rural, até então produtiva, que tenham reduzido seu valor de R$ 2.978.540,00 para R$ 0,00, em três anos. Interessante notar que ao término de sua exposição sobre o tópico, à fl. 377, propõe de forma alternativa a tributação sobre o valor das benfeitorias, considerando os importes na aquisição: Fl. 520DF CARF MF 12 Em face do item em comento, permanece incólume o lançamento. Multa Aplicada Em relação à multa proporcional aplicada, de 75% incidente sobre o IRPF apurado, o impugnante trouxe para o debate alguns pontos a serem analisados. Aduz que, no caso de manutenção do auto de infração, não merece prosperar a sanção em virtude do simples erro cometido na apuração do ganho de capital, em razão de haver o contribuinte prestado todas as informações requeridas, agindo de forma transparente e de boafé. Nessa esteira de raciocínio, entende o contribuinte que a multa aplicada é excessiva, o que contraria o direito de propriedade e caracteriza confisco, o que a torna nula por desvio de finalidade. Quanto a uma suposta natureza de confisco ao patrimônio, ou mesmo outras questões como as da razoabilidade e proporcionalidade, repisase que há impossibilidade de discussão no seio administrativo de inconstitucionalidade de norma legal, o que, de plano, esvazia o tema trabalhado pelo impugnante sobre o questionamento acerca do patamar em que a multa foi aplicada. O entendimento administrativo nesse tocante pode ser representado pelo o do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em sua Súmula n. 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Outra não poderia ser a compreensão, por força do previsto no processo administrativo fiscal, conforme o já citado art. 26A do Decreto n. 70.235/1972. Prevalecem, então, as normas constantes do art. 44, da Lei n. 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n. 11.488/2007. Firmase, então, convencimento de que as ações desenvolvidas pela autoridade lançadora, à luz do art. 142 do CTN, pautaramse vinculada e estritamente obedientes à legalidade, quando da aplicação da multa em análise, como base no inciso I do indigitado art. 44: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ..." A boa fé ou a prestação de informações demandadas pela fiscalização, no curso da ação entabulada, não elimina o fato de que houve diferença de imposto apurada, daí a caracterização da hipótese ensejadora da sanção. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10880.721032/201611 Acórdão n.º 2402006.661 S2C4T2 Fl. 8 13 A proposta de redução da multa para o patamar da de mora, no caso 20%, prevista no art. 61 da Lei n. 9.430/1996, não subsiste em face da legislação de regência da matéria analisada. Outros pedidos Trouxe o interessado, ainda, pedido para oferecimento posterior de provas e documentos, nesse mister há de se esclarecer que o processo administrativo fiscal, regulado pelo Decreto n. 70.235/1972, no tocante à matéria, expõe em seu art. 16, §§ 4º e 5º (incluídos pela Lei n. 9.532/1997): “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.” No tocante ao endereçamento das notificações, frisese que, consoante as disposições do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72, por falta de previsão legal, deve ser indeferida a solicitação. Nesse sentido, citase manifestação do Conselho de Contribuintes: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – INTIMAÇÕES NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR – IMPOSSIBILIDADE – As intimações e notificações, no processo administrativo fiscal, devem obedecer às disposições do Decreto nº 70.235/72, devendo ser endereçadas ao domicílio fiscal do sujeito passivo. (2º CC – Ac. 20180489 – Sessão de 15/08/2007).” CONCLUSÃO Concordando com os termos da decisão de primeira instância administrativa, voto por CONHECER do recurso para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior Fl. 522DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.000146/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008, 2009
IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO NA NCM.
Os guindastes autopropulsados sobre pneus, com capacidade de carga superior ou igual a 60, desde que o chassi seja projetado especialmente para esse fim, formando um veículo único e não montado sobre um chassi de caminhão ou automóvel, projetado para elevação de cargas, movido a motor a diesel, com deslocamento em sentido longitudinal, transversal e diagonal (tipo caranguejo), deve ser classificado na posição 8426 do código NCM.
Numero da decisão: 3302-006.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) votaram pelas conclusões. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado, enviará as razões das conclusões ao relator para inserção no voto.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Anocalendário: 2008, 2009 IMPORTAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO NA NCM. Os guindastes autopropulsados sobre pneus, com capacidade de carga superior ou igual a 60, desde que o chassi seja projetado especialmente para esse fim, formando um veículo único e não montado sobre um chassi de caminhão ou automóvel, projetado para elevação de cargas, movido a motor a diesel, com deslocamento em sentido longitudinal, transversal e diagonal (tipo caranguejo), deve ser classificado na posição 8426 do código NCM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento. Os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) votaram pelas conclusões. O Conselheiro Corintho Oliveira Machado, enviará as razões das conclusões ao relator para inserção no voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 01 46 /2 00 9- 11 Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório da Resolução nº 3101000.253, da 1ª Câmara da 1º Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, proferido na sessão de 25 de setembro de 2012: Adoto como parte de meu relato, o quanto reportado pelo decisum a quo: A IRF – São Paulo realizou auditoria fiscal na empresa GTM Máquinas e Equipamentos Ltda, para verificação da classificação fiscal de caminhões guindastes, importados no período de 2005 a 2008 referente às DI’s relacionadas às fls. 122. De acordo com relatório fiscal de fls. 118/131, as mercadorias importadas no código 8426 pela impugnante deveriam ser reclassificadas para posição 8705. Assim, lavrouse auto de infração para cobrança da diferença de tributos, acréscimos legais e multas. Intimada do Auto de Infração em 16/01/09 (fl. 03), a interessada apresentou impugnação e documentos em 10/02/2009, juntados às folhas 493 e seguintes, alegando em síntese: duplicidade de lançamento, relativamente à DI nº 06/007006707. mudança de critério pela administração pública que, em ato de revisão aduaneira, procedeu a desclassificação fiscal, contrariando decisões de órgão singulares e coletivos de jurisdição administrativa e das práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; avoca os princípios da irretroatividade das leis, da segurança jurídica, da intangibilidade do ato jurídico perfeito e do enriquecimento sem causa; no mérito, ratifica a classificação na posição 8426, apresentando laudos técnicos para fundamentar; ao final requer a improcedência da ação fiscal. A DRJ em SÃO PAULO II/SP considerou a Impugnação Procedente em Parte, ementando assim o acórdão: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 27/01/2005 a 07/05/2008 NULIDADE. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 4 3 Duplicidade de lançamentos em relação à declaração de importação 06/007006707. Lançamento objeto do processo 19675.000486/200681. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. REVISÃO ADUANEIRA. PRELIMINAR. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Não se considera alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, para os efeitos do art. 146 do CTN, o reenquadramento do produto importado em código da NCM diverso daquele informado na declaração de importação desembaraçada. Constatado recolhimento a menor dos tributos aduaneiros, pelo importador no registro da declaração de importação, em função do emprego de classificação incorreta na NCM, cabe o lançamento de ofício, em revisão aduaneira. A administração possui o dever de anular seus atos, quando eivados de vício de legalidade (lei 9.784/1999, art. 53), o que inclui o cabimento da classificação tarifária. Haveria mudança de critério jurídico a que se refere o art. 146 apenas na hipótese de a autoridade fiscal proceder ao lançamento de conformidade com ato normativo baixado pela administração e, em face de segundo ato, posteriormente editado, veiculando nova interpretação jurídica aplicável ao fato jurídico, procedesse a novo lançamento. SENTENÇAS JUDICIAIS E DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão aquela objeto da decisão, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. CLASSIFICAÇÃO FISCAL O caminhão guindaste autopropulsores sobre rodas marca XCMG, classificase na posição NCM 8705. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Segundo a norma vigente à época da importação (Portaria Secex 17/2003), regra geral é a dispensa de licenciamento de importação, contudo, para alguns produtos ou operações, o licenciamento pode ser automático ou não automático e previamente ao embarque da mercadoria no exterior. A posição declarada pela interessada é dispensada de licenciamento. A posição proposta pela autoridade fiscal sujeitase à exigência de licenciamento, sendo procedente a imposição da multa capitulada no artigo 169, I, “b”, do DL 37/1966. MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Cabível multa por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no artigo inciso I do artigo 84 da MP 2.158, de Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 5 4 24/08/2001, pela ocorrência da infração tipificada neste dispositivo legal. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 899 e seguintes, onde reprisa os argumentos esgrimidos em primeiro grau (notadamente o da mudança de critério pela administração pública); ataca a decisão a quo, que diz silenciar sobre pontos importantes, como a cronologia de atos da Administração Tributária divulgando a correta classificação fiscal para as mercadorias que importa; aduz que os laudos técnicos afastados pela auditoriafiscal foram todos referentes aos equipamentos importados pela recorrente; requer a improcedência da autuação; ou, se assim não for entendido, seja anulada a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por falta de motivação e enfrentamento dos argumentos da peça vestibular da defesa. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Na Resolução da qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi determinada diligência para a realização de perícias, nos seguintes termos: Nessa moldura, voto pela conversão deste julgamento em diligência, para que a unidade lançadora, responsável pelo auto de infração em desfavor da recorrente, elabore Quadro Demonstrativo, onde conste no cabeçalho todos os tipos de bens importados nas declarações de importação utilizadas nos autos de infração (cada coluna corresponde a um tipo de bem importado), com o fito de encaixar cada declaração de importação no seu respectivo tipo. Esse Quadro será provido com os resultados das seguintes perícias, que devem ser realizadas de acordo com o rito previsto no Decreto nº 70.235/72 (assistentes para ambas as partes). 1) Para cada tipo de bem importado deverá ser efetuado um laudo técnico que responda os quesitos a seguir a) tratase de caminhãoguindaste, não destinado ao transporte de mercadorias, constituído por um verdadeiro chassi de veículo automóvel ou de caminhão, com cabina sobre a qual está instalado, em caráter permanente, um guindaste rotativo, e que reúne nele próprio, no mínimo, os seguintes órgãos mecânicos: motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem (travagem); ou guindaste autopropulsor, no qual um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação montado em chassi com rodas, cujo chassi e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos um para o outro de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo que não pode ser utilizado para Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 6 5 outros fins e que pode possuir os mecanismos automóveis essenciais que lhe permita circular por seus próprios meios; ou de outra espécie de mercadoria? b) tratandose de outra espécie de mercadoria, descrevêla detalhadamente, afim de permitir a sua completa identificação. Ato seguido, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, intime a recorrente do conteúdo do Quadro Demonstrativo (provido com os resultados das perícias), para manifestarse, querendo, em prazo de trinta dias. Após o transcurso do prazo, devolvamse os autos a esta Turma para julgamento. Baixado em diligência, as perícias foram realizadas nos exatos termos solicitados pela C. Turma, promovidas pelo IPT e os resultados foram acostados aos autos nas efls. 1131 a 1804. Em seguida, devidamente intimada dos resultados da diligência, a recorrente apresentou manifestação, alegando que no seu sentir o resultado da diligência corroboraria as alegações tecidas nas peças de defesa, reafirmando todos os argumentos por ela outrora trazidos ao processo. Passo seguinte o processo retornou ao E. CARF para julgamento sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso é tempestivo e de competência deste Colegiado, razão pela qual dele tomo conhecimento. A presente demanda versa sobre uma autuação que apontou inexata classificação fiscal de produto importado pela recorrente. Os pontos controvertidos trazidos para resolução gravitam em torno da aplicação no tempo de soluções de consultas relacionadas ao tema, a classificação correta dos bens importados, a inaplicabilidade das multas de 75% por declaração inexata e em razão da falta de LI. I Das Preliminares No que tange à preliminares levantadas pela recorrente, entendo que, à exceção daquela que aponta a suposta mudança de critério jurídico utilizado na lavratura do auto de infração, todas as demais confundemse com as alegações de mérito, motivo pelo qual serão analisadas no tópico específico. A mudança de critério jurídico deveuse, conforme alega, ter a fiscalização reclassificado bens importados, quando da revisão aduaneira, em posição do NCM diversa Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 7 6 daquela trazida em soluções de consulta e de divergência, e que por isso deve ser considerado o art. 100 do CTN que dispõe sobre as normas complementares: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. A matéria relacionada à mudança de critério jurídico, já foi amplamente debatida por esse Conselho, sendo certo que a posição predominante é aquela que entende possível a revisão aduaneira, conforme podemos observar das ementas abaixo colacionadas a título de exemplo: ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Período de apuração: 01/06/2011 a 30/04/2014 DUMPING. CALÇADOS ORIGINÁRIOS DA CHINA. IMPORTAÇÃO PARA O PAÍS. COBRANÇA DE DIREITO ANTIDUMPING. POSSSIBILDADE. As importações brasileiras de calçados, classificados nas posições 6402 a 6405 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), originários da República Popular da China, estão sujeitos a cobrança de direito antidumping a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 13,85/par (treze dólares estadunidenses e oitenta e cinco centavos por par). ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/06/2011 a 30/04/2014 CALÇADOS DE PLÁSTICOS PERMEÁVEL. CÓDIGO NCM. Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 8 7 Classificamse no código NCM 6402.99.90 os modelos de calçados de plásticos permeáveis, ou seja, os calçados de plásticos que não asseguraram proteção contra a água ou outros líquidos. CALÇADOS DOMÉSTICOS (PANTUFAS). SOLA EXTERIOR CONSTITUÍDA DE TECIDO (FELTRO). PARTE SUPERIOR CONSTITUÍDA DE QUALQUER MATÉRIA. CÓDIGO NCM. Os calçados domésticos, denominados de pantufas, cuja sola exterior é constituída de tecido (feltro) e a parte superior constituída de qualquer matéria classificamse no código NCM 6405.90.90 e não no código NCM 6402.99.90 adotado pela fiscalização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2011 a 30/04/2014 DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade a decisão de primeiro grau em que apresentado pronunciamento claro e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas na peça defensiva e a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos da decisão. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. NATUREZA JURÍDICA. ATO DE LIBERAÇÃO DE MERCADORIA. No âmbito do procedimento do despacho aduaneiro de importação, o desembaraço aduaneiro é o ato que põe termo a fase de conferência aduaneira mediante a liberação da mercadoria com a sua colocação à disposição do importador. Por ausência de previsão legal, o ato de desembaraço aduaneiro de importação não tem natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco de ato de homologação expressa de lançamento por homologação. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. APURAÇÃO DE DIFERENÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO NO ÂMBITO DO DESPACHO ADUANEIRO DE IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Se na fase de revisão aduaneira for apurada irregularidade no pagamento de tributos ou infrações à legislação tributária ou aduaneira, enquanto não decaído o direito de constituir o crédito tributário, a autoridade fiscal deve proceder o lançamento da diferença de tributo apurada e, se for o caso, aplicar as penalidades cabíveis. (Acórdão 3302005.322 Relator José Fenandes do Nascimento) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/08/2007 a 30/06/2010 Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 9 8 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Data da Sessão 24/10/2017. Relator LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO. Acórdão 3401004.020 De acordo com o art. 146 do CTN três condições devem estar presentes para a configuração da mudança do critério jurídico. Condições essas cumulativas: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 1) a modificação do critério jurídico seja efetuada pela autoridade administrativa ou pelo órgão julgador administrativo ou judicial, no caso será de ofício ou por meio de decisão administrativa ou judicial, respectivamente; 2) a autoridade administrativa efetuou um lançamento anterior onde fixou o critério jurídico; e 3) a modificação é efetuada em relação a um mesmo sujeito passivo. Preliminarmente é necessário que tenha ocorrido o lançamento onde a autoridade administrativa expressou o critério jurídico adotado. Esse lançamento deve ser aquele realizado de ofício, conforme estabelecido no art. 142 c/c art. 149 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 10 9 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou e terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não rovado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Nos casos de importação de mercadorias, onde é registrada a Declaração de Importação, não há lançamento de ofício, mas lançamento por homologação, conforme previsto no art. 150 do CTN, uma vez que o importador ou seu representante apuram o crédito tributário, e declaram o valor devido concomitantemente efetuando o recolhimento por meio de débito automático. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 11 10 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A declaração de importação efetuada pelo importador engloba um procedimento que visa a verificação do cumprimento das normas de controle aduaneiro e tributárias. Após o registro da declaração de importação pelo contribuinte iniciase o despacho aduaneiro onde a fiscalização efetua a conferência aduaneira e a seguir efetua o desembaraço aduaneiro. Efetuado o desembaraço aduaneiro e a entrega da mercadoria não se encerra o trabalho da fiscalização. É possível a realização da revisão aduaneira em até 5 (cinco) anos após o registro da DI. Desta forma é que o desembaraço aduaneiro não põe termo à fase de conferência aduaneira, não tem natureza de ato de lançamento de ofício e tampouco ato de homologação expressa do autolançamento, por não atender os requisitos fixados no art. 150 do CTN. O desembaraço tem o efeito jurídico de autorizar a liberação da mercadoria, conforme expressamente estabelecido no art. 51 do Decretolei 37/1966: Art.51 Concluída a conferência aduaneira, sem exigência fiscal relativamente a valor aduaneiro, classificação ou outros elementos do despacho, a mercadoria será desembaraçada e posta à disposição do importador.(Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Se, no curso da conferência aduaneira, houver exigência fiscal na forma deste artigo, a mercadoria poderá ser desembaraçada, desde que, na forma do regulamento, sejam adotadas as indispensáveis cautelas fiscais.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º O regulamento disporá sobre os casos em que a mercadoria poderá ser posta à disposição do importador antecipadamente ao desembaraço.(Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 12 11 Logo, como todas as informações sobre a operação de importação na DI foram prestadas pelo importador, previamente ao início do despacho aduaneiro, não se pode dizer que a fiscalização tenha definido critério jurídico. A revisão aduaneira esta prevista nas normas legais, com base no art 149 do CTN que prevê a possibilidade de a lei determinar a revisão de ofício do lançamento pela autoridade administrativa. Assim o Regulamento Aduaneiro, veio disciplinar a matéria, a partir da autorização legal expressa no art. 54 do DecretoLei nº 37/66: Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei.( Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) ... Art.638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação.(DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54,com a redação dada pelo DecretoLei no2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). §1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. §2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente(DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54,com a redação dada pelo DecretoLei no2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. §3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Assim, levando em consideração os esclarecimentos e apontamentos acima, entendo que o procedimento de revisão aduaneira foi realizado dentro dos parâmetros estabelecidas pela legislação pertinente, não havendo a alegada mudança de critério jurídico. II Do mérito Conforme observamos do relatório do presente voto, a demanda a ser solucionada referese a correta classificação de produto importado no NCMS, vale dizer, se o correto seria a posição adotada pela recorrente 8426, ou aquela atribuída pela fiscalização, 8705, tendo em vista o suposto erro na classificação fiscal. Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 13 12 II.1 Aplicação de solução de consulta às DI's registradas até setembro de 2008 Segundo as alegações trazidas pela contribuinte recorrente, até setembro de 2008, o entendimento da SRF, expressado em solução de consultas, era no sentido de que o produto importado objeto da autuação classificavase no Capítulo 84, exatamente como lançado nas DI's registradas. Pois bem. Até a publicação da Solução de Divergência nº 8, de 15 de setembro de 2009, o entendimento da administração fiscal com relação a correta classificação dos bens importados pela recorrente, seguiam aquele expresso na Solução de Consulta nº 16, de 17 de abril de 2008, observese: “ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TEC 8426.41.90 Guindastes Pneumáticos Autopropulsados, marca registrada Truck Crane XCMGQY50K e 65K, tipo Truck Crane com 5 seções de lança de perfil, comando hidráulico tipo "joystick", com bomba hidráulica de operação com "load sensing", avançadas válvulas pilotadas e motores hidráulicos de pistões e vazão variável utilizadas para içar e movimentar cargas, denominadas comercialmente "Guindastes Telescópico XCMGQY50K" e "Guindastes Telescópico Hidráulico 50 e 65 toneladas", fabricado por GTM Máquinas & Equipamentos – Xuzhou Construction Machinery. DISPOSITIVOS LEGAIS: RGI 1ª (Texto da Posição 8426), RGI 6ª (Texto da Subposição 8426.41), e RGC1, da TECDecreto nº 2376/1997, com as alterações introduzidas pela INSRF nº 697/2006, em vigor desde 1º de janeiro de 2007, e com as atualizações efetuadas pela Resolução CAMEX nº 07, de 1º de março de 2007”. O guindaste tratado na solução de consulta transcrita acima tem as mesmas características daqueles que foram acobertados pelas DI’s que ensejaram o lançamento o l ora analisado, sendo, inclusive, exatamente o mesmo de algumas DI’s. A Solução de Divergência nº 8, trouxe a mudança de entendimento da administração tributária quanto a classificação fiscal do mesmo bens importado pela recorrente, vejamos: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 8, DE 12 DE SETEMBRO DE 2008 ASSUNTO: Classificação de Mercadorias Reforma da Solução de Consulta nº 026/2008 SRRF/ 7ªRF/Diana, de 17 de abril de 2008 e Reforma da Solução de Divergência nº 6 Coana, de 7 de julho de 2008. Mercadorias: Caminhãoguindaste autopropulsor marca registrada Truck Crane XCMGQY65K, tipo Truck Crane, com haste telescópica de altura extensível até 42m, capacidade Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 14 13 máxima de levantamento de 65 toneladas, contendo dois eixos direcionáveis, consistindo em veículo para usos especiais, com chassi de caminhão, motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de marchas, órgãos de direção e de travagem, comportando duas cabines, sendo uma para acionar o deslocamento do veículo e outra para operação do guindaste, denominado comercialmente "Guindaste telescópico XCMGQY65K" e "Guindaste Telescópico Hidráulico 65 toneladas", fabricado por GTMMáquinas & Equipamentos Xuzhou Construction Machinery classificase no código 8705.10.10 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex no 43, de 22 de dezembro de 2006, republicada em 9 de janeiro de 2007, com alterações posteriores. Caminhãoguindaste autopropulsor marca registrada Truck Crane XCMGQY50K, tipo Truck Crane, com haste telescópica de altura extensível até 40,1m, capacidade máxima de levantamento de 50 toneladas, contendo dois eixos direcionáveis, consistindo em veículo para usos especiais, com chassi de caminhão, motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de marchas, órgãos de direção e de travagem, comportando duas cabines, sendo uma para acionar o deslocamento do veículo e outra para operação do guindaste, denominado comercialmente "Guindaste telescópico XCMGQY50K" e "Guindaste Telescópico Hidráulico 50 toneladas", GTMMáquinas & Equipamentos Xuzhou Construction Machinery classificase no código 8705.10.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) constante da Tarifa Externa Comum (TEC), aprovada pela Resolução Camex no 43, de 22 de dezembro de 2006, republicada em 9 de janeiro de 2007, com alterações posteriores. Dispositivos Legais: RGI1 (textos da posição 87.05 e da Nota 1), alínea "l" da Seção XVI), RGI6 (texto da subposição 8705.10) e RGC1 (texto dos subitens 8705.10.10 e 8705.10.90) da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução Camex no 43, de 22 de dezembro de 2006, republicada em 9 de janeiro de 2007, com alterações posteriores, com os subsídios fornecidos para a posição 87.05 pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), aprovadas no Brasil pelo Decreto no 435, de 27 de janeiro de 1992, com a versão atual aprovada pela IN RFB no 807, de 11 de janeiro de 2008, por força da delegação de competência outorgada pelo art. 1o da Portaria MF no 91, de 24 de janeiro de 1994”. Em que pese em tese ser a consulta destinada somente ao consulente, no que se refere a consulta quanto a classificação na NCM, entendo que tal premissa não pode ser dada como verdadeira. Não é dúvidas que as soluções de consultas feitas por um contribuinte, quanto a classificação fiscal de determinada mercadoria, serve de parâmetro para outros que importam o mesmo produto. Essa é a interpretação que se chega quando nos debruçamos sobre o que dispõe o § 4º, do art. 50, da Lei nº 9.430/96: Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 15 14 “§ 4º O envio de conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, será efetuado exclusivamente pelo órgão de que trata o inciso I do § 1º do art. 48”. Vale dizer, se as soluções de consulta, relacionadas a classificação de mercadorias importadas, não servissem de direcionamento para terceiros além do consulente, não haveria razão para o envio de suas conclusões aos órgãos do Mercosul, conforme determina o dispositivo acima. Desta forma concluo que até a publicação da Solução de Divergência nº 8, todas a soluções de consulta que classificavam a mercadoria importada pela recorrente na posição 84 da NCM, davam sustentação às importações realizadas pela contribuinte, razão pela qual as DI's registradas até 14 de setembro de 2008, não devem ser autuadas, com o consequente cancelamento dos lançamentos referente a elas. Contudo, o colegiado por maioria de votos, concluindo no mesmo sentido do acima esposado, nos termos das razões abaixo, exposta em declaração de voto, pelo I. Conselheiro Corintho Oliveira Machado, entendeu que para as DI's registradas até setembro de 2008, o § 4º do art. 50 da Lei nº 9.430/96 apenas diz de quem é a competência para enviar as conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, e não denota que tais conclusões são aplicáveis automaticamente para terceiros, sendo necessário, para tanto, constar de ato específico de caráter geral, nos termos do §5º do artigo 16 da revogada IN RFB nº 740/2007, ou a partir de 09/05/2014, data de publicação da IN RFB nº 1.464/2014, que estipulou em seus artigos 151, §1º do 27 e 322, a aplicação do efeito vinculante no âmbito da RFB e respaldo a qualquer sujeito passivo, independentemente de ser o consulente. II.2 Das DI's registradas após 15 de setembro de 2008 A conclusão do tópico anterior poderia levar ao automático entendimento de que as DI's registradas após a publicação da Solução de Divergência nº 8, deveriam ser autuadas e lançados os créditos tributários não recolhidos pela recorrente. Entretanto, considerando o resultado da Diligência solicitada pela Resolução nº 3101000.253, leva esse Conselheiro a considerar que os demais lançamentos devem seguir a mesma sorte daqueles que tiveram por base as DI's registradas em momento anterior a 15/09/2008. Destaco o item 5.2 do relatório feito pelo IPT, em atendimento ao pedido de diligência, vejamos: 5.2 Análise da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 1 Art. 15. A Solução de Consulta, a partir da data de sua publicação, tem efeito vinculante no âmbito da RFB e respalda qualquer sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. 2 Art. 32. O disposto no art. 15 e no § 1º do art. 27 aplicase somente às Soluções de Consulta e às Soluções de Divergência publicadas a partir da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 16 15 De acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), da Tarifa Externa Comum (TEC) e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), temse na posição e subposição. 84.26 Cabreas; guindastes, incluídos os de cabo; pontes rolantes, pórticos de descarga ou de movimentação, pontes guindastes, carrospórticos e carrosguindastes. 84.26.1 Pontes e vigas, rolantes, pórticos, pontesguindastes e carros pórticos; 84.26.11 Pontes e vigas, rolantes, de suportes finos 84.26.12 Pórticos móveis de pneumáticos e carrospórticos. 84.26.19 Outros 84.26.20 Guindastes de torre 84.26.30 Guindastes de pórtico 84.26.4 Outras máquinas e aparelhos, autopropulsados: 84.26.41 de pneumáticos. 84.26.41.10 Com deslocamento em sentido longitudinal, transversal e diagonal (tipo caranguejo) com capacidade de carga superior ou igual a 60 toneladas. 84.26.41.90 Outros Assim, pelas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, Regra 3a, é verificado que para os "Guindastes Rodoviários" também chamados de "Guindastes de Pneumáticos Autopropulsados", a classificação fiscal NCM 84.26.41 90 é a mais específica e prevalece sobre as mais genéricas, sendo assim a mais adequada de acordo com os textos das posições. As notas explicativas do sistema harmonizado, ainda enfatizam na sua Seção XVI, posição 84.26 (Anexo G) que nesta posição são classificados os aparelhos autopropulsores, nos quais a infraestrutura motriz, os dispositivos de comando, os órgãos de trabalho, bem como os dispositivos de manobra são especialmente concebidos uns para os outros, de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo. Assim são classificados nesta posição os aparelhos simplesmente autopropulsores, nos quais um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando, se encontrem reunidos na cabina do aparelho de elevação e de movimentação (mais frequentemente um guindaste) montado em chassi com rodas mesmo que este conjunto possa circular pelos seus próprios meios (Anexo G). Os "Guindastes Rodoviários" em questão possuem chave de ignição e acelerador do motor diesel, que é único, também na "Cabina de Comando da Lança" e estão integrados com seus outros comandos, como mostrado no seu manual de operação (Anexo D). Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 17 16 A NESH informa ainda que os guindastes desta posição, geralmente não se deslocam carregados ou apenas efetuam nesta situação, deslocamentos de pequena amplitude que desempenham um papel auxiliar em relação à função de elevação que os caracteriza. Continuando a análise das posições temos: 84.26.49 Outros (não de pneumáticos). 84.26.9 Outras máquinas e aparelhos 84.26.99 Outros 84.27 Empilhadeiras; outros veículos para movimentação de carga e semelhantes, equipados com dispositivos de elevação. 84.28 Outras máquinas e aparelhos de elevação de carga, de descarga ou de movimentação (por exemplo: elevadores, escadas rolantes transportadores, teleféricos). 84.29 Máquinas para escavação, bulldozers, angledozers. 84.30 Outras máquinas para terraplenagem ou perfuração da terra. 85 Máquinas e aparelhos e materiais elétricos. 86 Veículos e material para vias férreas. 87 Veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios. 87.1 Tratores 87.2 Veículos automóveis para transporte de 10 pessoas ou mais, incluindo c motorista. 87.3 Automóveis de passageiros. 87.4 Caminhões para transporte de cargas. 87.05 Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo: autosocorros, caminhões guindastes, veículos de combate a incêndios, caminhõesbetoneiras, veículos para varrer, etc), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias. 87.05.10 caminhões guindastes Caminhõesguindastes de acordo com a Seção XVM, 87.05, item7, da NESH, são veículos não destinados ao transporte de mercadorias, constituídos por um chassi de veículo automóvel com cabina sobre o qual está instalado, em caráter permanente, um guindaste rotativo (Anexo G). Desta forma para ser um caminhãoguindaste sempre deverá existir um chassi de veiculo automóvel (caminhão) com cabina, Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 18 17 sobre o qual está instalado o guindaste, com sua estrutura, cabina e lança, como mostrado no Anexo E, onde são apresentados alguns caminhõesguindastes e num deles, a separação entre o caminhão e o guindaste pode ser bem percebida pela pintura do chassi do caminhão que aparece na cor vermelha enquanto a base estrutural do guindaste aparece sem pintura. Os caminhões mostrados nas Fotos n° 18, 19, 20 e 21 do Anexo A, são caminhões de transporte, que possuem um guindaste para auxiliar no seu carregamento e descarga, e sua classificação deve ser 87.04. Os "Guindastes de Pneumáticos Autopropulsados" em questão, possuem estruturas das bases telescópicas das sapatas hidráulicas, abaixo da estrutura do guindaste, como mostrado no Anexo A, fotos de números 9, 11 e 13 enquanto que nos caminhõesguindastes, estas estruturas das bases telescópicas das sapatas, estão instaladas sobre os chassis dos caminhões. Os "Guindastes de Pneumáticos Autopropulsados" em questão não são montados sobre caminhões, mas são guindastes que possuem mais uma cabina e rodas com pneumáticos para poderem se deslocar para os diversos locais de operação, sem que dependam de carretas transportadoras, podendo trafegar em rodovias normais, pois o número de eixos foi projetado para atender a lei da balança, e eles podem trafegar com velocidade de até 75 km/h Já o guindaste do tipo "Guindaste Autopropelido RT" mostrado na Foto 17 do Anexo A, não tem licença para trafegar em "Rodovias", (RT significa Rough Terrain, possui rodas para fora de estrada e é demasiado lento) tem de ser transportado em "carretas" para o seu local de operação. Assim o "Guindaste Rodoviário" modelo QY40K da XCMG da Xuzhou Construction Machinery Group deve ser classificado no Sistema Harmonizado em 84.26.41.90. Nesse sentido,após a resposta a todos os quesitos formulados pelas partes envolvidas na presente demanda, o laudo apresentado pelo IPT chegou a seguinte conclusão: 8 CONCLUSÃO É parecer deste Instituto que o "Guindaste de Pneumáticos Autopropulsado", também chamado de "Guindaste Rodoviário" modelo "QY40K", da "XCMG Xuzhou Construction Machinery Group de Xuzhou, Jiangsu, P R China, descrito no item 2 e de acordo com as análises e considerações dos itens 5 e 6 deste Parecer, deve ser classificado como: carro guindaste, autopropulsado, de pneumáticos posição 84.26.41.90 de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), da Tarifa Externa Comum (TEC) e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). Conforme podemos observar, o laudo elaborado em resposta a Resolução, afasta a interpretação dada pela Solução de Divergência nº 8, de 12 de setembro de 2008, de Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 19 18 modo que a classificação correta para o equipamento importado pela recorrente é na posição 84.26. Desta forma, a classificação lançadas nas DI's achase correta e, consequentemente, o lançamentos referentes às diferenças de II, PIS/Cofins e da multa de 1% por erro na classificação fiscal dever ser afastados. Entretanto, o colegiado, por maioria, nos termos das razões abaixo, exposta em declaração de voto, pelo I. Conselheiro Corintho Oliveira Machado, não acatou o entendimento esposado por este relator, em razão de que a parte do Laudo elaborado pelo IPT, em atendimento ao pedido de diligência, que deve ser levada em consideração, e serve para sufragar a classificação fiscal ofertada pela recorrente, é tão somente a que responde aos quesitos propostos pelo colegiado do CARF, relativos à identificação da mercadoria, sem adentrar no mérito da classificação fiscal, tarefa exclusiva dos julgadores. Assim, os fundamentos para a classificação fiscal na posição 8426 (aparelhos autopropulsores); e não na 8705 (veículos automóveis para usos especiais) são os seguintes itens dos laudos juntados: 6 QUESITOS 6.1 Resposta aos Quesitos do Processo n° 10314.000146/200911 Resolução CARF n° 3101000.253 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária de 25 de setembro de 2012 a) Tratase de "caminhão guindaste", não destinado ao transporte de mercadorias constituído por um verdadeiro chassi de veículo automóvel ou de caminhão, com cabina sobre o qual está instalado, em caráter permanente, um guindaste rotativo, e que reúne ele próprio, no mínimo, os seguintes órgãos mecânicos: motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem (travagem); ou Resposta ao Quesito a): Não. Não é um ''caminhão guindaste" como definido na NESH Seção XVII, pos 87.05, item 7, porque não possui um "Chassi de veículo automóvel com cabina sobre o qual estaria instalado um guindaste rotativo" ou melhor, não existe um caminhão sob o guindaste, existe apenas o guindaste com as rodas e cabina de translação, fixadas diretamente em sua estrutura, juntamente com um único motor Diesel, para a execução das duas funções, de elevação de carga e de translação. Tratase de um "Guindaste de Pneumáticos Autopropulsado" também chamado de "Guindaste Rodoviário", e descrito como guindaste telescópico hidráulico autopropulsado, acionado por motor diesel, próprio para elevação e movimentação de cargas, dentro de um raio máximo permitido para cada peso, de acordo com sua lança e estando com os 5 estabilizadores (Outriggers) totalmente estendidos, apoiados em solo firme. É um Guindaste Rodoviário, porque pode trafegar em rodovias, sem carga quando necessita se deslocar para prestar serviços em diferentes localidades. b) Tratase de "guindaste autopropulsor'', no qual um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação montado em chassi com rodas, cujo chassi e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos um para o outro de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo que não pode ser utilizado para outros fins e que pode possuir mecanismos automóveis essenciais que lhe permita circular pelos seus próprios meios; ou Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 20 19 Resposta ao Quesito b): Sim. O "guindaste autopropulsor" <modelo do equipamento>, aqui analisado, é um "Guindaste Rodoviário", também chamado de "Guindaste de Pneumáticos Autopropulsado", porque possui a cabine de comando de translação, com infraestrutura motriz contendo dispositivos essenciais de comando da propulsão, juntamente com a cabine de comando da elevação, contendo os dispositivos de comando do içamento sendo ambas fixadas diretamente na estrutura de suporte do guindaste, que possui rodas de pneumáticos e um só motor comum para as duas cabines especialmente concebidas de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo que não pode ser utilizado para outros fins e que lhe permite circular por seus próprios meios. Assim o motor sendo único no guindaste, ele é o mesmo utilizado para elevação de carga e para a translação do guindaste. Desta forma para as operações do guindaste, tanto a cabine do aparelho de elevação como a cabine do comando da translação, estão equipadas com mecanismos de comando deste motor, como mostrado no item 5.1 do Parecer e de acordo com a NESH Seção XVI posição 84 26.41. c) Tratandose de outra mercadoria, que não as duas opções anteriores, descrevêla detalhadamente, a fim de permitir a sua definição. Resposta ao Quesito c): O <modelo do equipamento> tratase do "Guindaste Rodoviário", ou o também chamado 'Guindaste de Pneumáticos Autopropulsado", definido no Quesito b), cuja a principal função é a elevação e movimentação de carga pela sua lança dentro dos limites especificados em seu catálogo, que especifica um raio máximo para cada peso. O catálogo ainda enfatiza que o guindaste para esta função, deverá estar apoiado sobre os 5 estabilizadores (Outriggers) totalmente estendidos e sobre um solo firme. (nesta situação os pneumáticos ficam praticamente suspensos). A função secundária é a de autodeslocamento dirigido e sem carga, podendo transitar em rodovias, sem ter necessidade de ser transportado por carretas. II.3 Multa de importação de Mercadoria sem LI A autuação fiscal também imputa à recorrente a penalidade por importação desacompanhada de LI, pois ao entender o auditor fiscal que a classificação correta dos bens importados seria a 8705, que exige a licença não automática, a importação teria se dado sem a LI, então obrigatória. Em suas alegações a contribuinte recorrente informou que a Licença de Importação, na classificação 8426, se deu de modo automático e, por tal razão, com a reclassificação que teria sido feito de forma equivocada, não haveria motivo para o lançamento. Como visto no tópico anterior, a classificação utilizada pela recorrente no preenchimento de suas DI's estava correta e, assim, não há que se falar em falta de licença de importação, vez que o código 8426 a dispensa, fato esse que leva também ao afastamento da multa por falta de LI. III Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe integral provimento. É como voto. Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 21 20 (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 22 21 Declaração de Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado No que tange às questões relacionadas Aplicação de solução de consulta às DI's registradas até setembro de 2008 e, II.2 Das DI's registradas após 15 de setembro de 2008, em que pese concordar com o resultado do voto do I. Relator José Renato Pereira de Deus, peço vênia para divergir quanto às razões expostas, por entender que as essas devem ser fundadas em outros subsídios. O que passo a discorrer sobre o meu entendimento. II.1 Aplicação de solução de consulta às DI's registradas até setembro de 2008 Entendo que para as DI's registradas até setembro de 2008, o § 4º do art. 50 da Lei nº 9.430/96 apenas diz de quem é a competência para enviar as conclusões decorrentes de decisões proferidas em processos de consulta sobre classificação de mercadorias, para órgãos do Mercado Comum do Sul MERCOSUL, e não denota que tais conclusões são aplicáveis automaticamente para terceiros, sendo necessário, para tanto, constar de ato específico de caráter geral, nos termos do §5º do artigo 16 da revogada IN RFB nº 740/2007, ou a partir de 09/05/2014, data de publicação da IN RFB nº 1.464/2014, que estipulou em seus artigos 153, §1º do 27 e 324, a aplicação do efeito vinculante no âmbito da RFB e respaldo a qualquer sujeito passivo, independentemente de ser o consulente. II.2 Das DI's registradas após 15 de setembro de 2008 Entendo a parte do Laudo elaborado pelo IPT, em atendimento ao pedido de diligência, que deve ser levada em consideração, e serve para sufragar a classificação fiscal ofertada pela recorrente, é tão somente a que responde aos quesitos propostos pelo colegiado do CARF, relativos à identificação da mercadoria, sem adentrar no mérito da classificação fiscal, tarefa exclusiva dos julgadores. Assim, os fundamentos para a classificação fiscal na posição 8426 (aparelhos autopropulsores); e não na 8705 (veículos automóveis para usos especiais) são os seguintes itens dos laudos juntados: 6 QUESITOS 6.1 Resposta aos Quesitos do Processo n° 10314.000146/200911 Resolução CARF n° 3101000.253 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária de 25 de setembro de 2012 a) Tratase de "caminhão guindaste", não destinado ao transporte de mercadorias constituído por um verdadeiro chassi de veículo automóvel ou de caminhão, com cabina sobre o qual está instalado, em caráter permanente, um guindaste rotativo, e que reúne 3 Art. 15. A Solução de Consulta, a partir da data de sua publicação, tem efeito vinculante no âmbito da RFB e respalda qualquer sujeito passivo que a aplicar, independentemente de ser o consulente, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, em procedimento de fiscalização, verifique seu efetivo enquadramento. 4 Art. 32. O disposto no art. 15 e no § 1º do art. 27 aplicase somente às Soluções de Consulta e às Soluções de Divergência publicadas a partir da entrada em vigor desta Instrução Normativa. Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 23 22 ele próprio, no mínimo, os seguintes órgãos mecânicos: motor de propulsão, caixa e dispositivos de mudança de velocidade, órgãos de direção e frenagem (travagem); ou Resposta ao Quesito a): Não. Não é um ''caminhão guindaste" como definido na NESH Seção XVII, pos 87.05, item 7, porque não possui um "Chassi de veículo automóvel com cabina sobre o qual estaria instalado um guindaste rotativo" ou melhor, não existe um caminhão sob o guindaste, existe apenas o guindaste com as rodas e cabina de translação, fixadas diretamente em sua estrutura, juntamente com um único motor Diesel, para a execução das duas funções, de elevação de carga e de translação. Tratase de um "Guindaste de Pneumáticos Autopropulsado" também chamado de "Guindaste Rodoviário", e descrito como guindaste telescópico hidráulico autopropulsado, acionado por motor diesel, próprio para elevação e movimentação de cargas, dentro de um raio máximo permitido para cada peso, de acordo com sua lança e estando com os 5 estabilizadores (Outriggers) totalmente estendidos, apoiados em solo firme. É um Guindaste Rodoviário, porque pode trafegar em rodovias, sem carga quando necessita se deslocar para prestar serviços em diferentes localidades. b) Tratase de "guindaste autopropulsor'', no qual um ou vários dos mecanismos de propulsão ou de comando se encontrem reunidos na cabine do aparelho de elevação ou de movimentação montado em chassi com rodas, cujo chassi e instrumentos de trabalho sejam especialmente concebidos um para o outro de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo que não pode ser utilizado para outros fins e que pode possuir mecanismos automóveis essenciais que lhe permita circular pelos seus próprios meios; ou Resposta ao Quesito b): Sim. O "guindaste autopropulsor" <modelo do equipamento>, aqui analisado, é um "Guindaste Rodoviário", também chamado de "Guindaste de Pneumáticos Autopropulsado", porque possui a cabine de comando de translação, com infraestrutura motriz contendo dispositivos essenciais de comando da propulsão, juntamente com a cabine de comando da elevação, contendo os dispositivos de comando do içamento sendo ambas fixadas diretamente na estrutura de suporte do guindaste, que possui rodas de pneumáticos e um só motor comum para as duas cabines especialmente concebidas de modo a formar um conjunto mecânico homogêneo que não pode ser utilizado para outros fins e que lhe permite circular por seus próprios meios. Assim o motor sendo único no guindaste, ele é o mesmo utilizado para elevação de carga e para a translação do guindaste. Desta forma para as operações do guindaste, tanto a cabine do aparelho de elevação como a cabine do comando da translação, estão equipadas com mecanismos de comando deste motor, como mostrado no item 5.1 do Parecer e de acordo com a NESH Seção XVI posição 84 26.41. c) Tratandose de outra mercadoria, que não as duas opções anteriores, descrevêla detalhadamente, a fim de permitir a sua definição. Resposta ao Quesito c): O <modelo do equipamento> tratase do "Guindaste Rodoviário", ou o também chamado 'Guindaste de Pneumáticos Autopropulsado", definido no Quesito b), cuja a principal função é a elevação e movimentação de carga pela sua lança dentro dos limites especificados em seu catálogo, que especifica um raio máximo para cada peso. O catálogo ainda enfatiza que o guindaste para esta função, deverá estar apoiado sobre os 5 estabilizadores (Outriggers) totalmente estendidos e sobre um solo firme. (nesta situação os pneumáticos ficam praticamente suspensos). A função secundária é a de autodeslocamento dirigido e sem carga, podendo transitar em rodovias, sem ter necessidade de ser transportado por carretas. É como voto. Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10314.000146/200911 Acórdão n.º 3302006.324 S3C3T2 Fl. 24 23 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 1856DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910638/2015-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/04/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 38 /2 01 5- 97 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910638/201597 Acórdão n.º 3301005.297 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.519. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910638/201597 Acórdão n.º 3301005.297 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910638/201597 Acórdão n.º 3301005.297 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910638/201597 Acórdão n.º 3301005.297 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910638/201597 Acórdão n.º 3301005.297 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910638/201597 Acórdão n.º 3301005.297 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.925696/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.693416/2009-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr, que negavam provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Vinícius Guimarães (suplente convocado), Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 25 69 6/ 20 09 -1 1 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.925696/200911 Resolução nº 3302000.865 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório constante nos autos, o alegado crédito já havia sido utilizado para a quitação de outro débito, não restando, portanto, valor disponível para a compensação do débito por ela indicado no Per/Dcomp. Dessa forma, não foi homologada a compensação declarada. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: a manifestante não sabe qual seria, na realidade, o motivo do indeferimento do direito creditório e, consequentemente, da não homologação da compensação declarada. apenas supõe que o direito creditório tenha sido negado em virtude de não ter sido localizada a DCTF retificadora que corrigiu o valor do débito devido. entretanto, não se pode aceitar que a contribuinte seja obrigada a se defender com base em suposições, sem ter segurança quanto ao motivo que determinou a glosa, pois o Decreto n° 70.235/1972 é claro ao determinar que os atos proferidos por autoridades administrativas que prejudicam ou impossibilitam o direito de defesa do contribuinte são eivados de nulidade. há de se observar que o Despacho Decisório ora combatido não contém uma descrição precisa e congruente dos fatos que ensejaram a sua emissão. Tal omissão e imprecisão impedem o pleno conhecimento das circunstâncias que levaram ao indeferimento do seu direito creditório, implicando grandes dificuldades e embaraços ao direito da ampla defesa e do contraditório. a própria fundamentação legal utilizada como embasamento para o indeferimento do direito creditório ora pleiteado foi indicada de modo apenas genérico, não permitindo a identificação de qual o equivoco teria sido pretensamente cometido. Em síntese, não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. o valor do pagamento ora discutido decorre, inequivocamente, da tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. sobre a tributação das receitas que não se enquadram no conceito de faturamento (base de cálculo prevista pela Lei 9.718/1998), é assente que tal exigência não está de acordo com o direito. Isto porque, o Supremo Tribunal Federal já declarou a sua inconstitucionalidade. Ademais, no caso ora analisado, a manifestante obteve decisão judicial definitiva que a possibilita não observar a base de cálculo prevista na Lei 9.718/1998. independentemente da decisão judicial definitiva favorável à manifestante, o direito creditório deve ser reconhecido, pois, como já mencionado, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.925696/200911 Resolução nº 3302000.865 S3C3T2 Fl. 4 3 o não reconhecimento da inconstitucionalidade da lei já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal viola princípios consagrados pelo ordenamento jurídico brasileiro, dentre os quais se destacam o "Principio da Moralidade” e o "Principio da Eficiência". muito embora a manifestante acredite que o seu direito creditório será reconhecido com a conseqüente homologação da compensação efetuada, em função do Principio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na hipótese dos julgadores entenderem que o indeferimento deva prevalecer. no caso em tela, não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a manifestante quitou tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, o débito compensado. não há que se alegar mora ao quitar o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada não é, por si só, fato caracterizador de mora do contribuinte. a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a manifestante não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. Diante dessas alegações, a interessada solicita: o cancelamento total do Despacho Decisório ora combatido, com a declaração de sua nulidade, pois, em preliminar, é comprovado o cerceamento do direito de defesa. na hipótese de se entenderem que não deve ser declarada a nulidade do Despacho Decisório, a manifestante pede e espera que, no mérito, o seu direito creditório seja deferido e, conseqüentemente, homologada a compensação declarada. caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser afastada a exigência de multa e juros de mora pelos motivos já expostos. Por fim, a manifestante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, sobretudo a diligência fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada da decisão recorrida, a Recorrente interpôs recurso voluntário reproduzindo as matérias de mérito já apresentadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.925696/200911 Resolução nº 3302000.865 S3C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.853, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.693416/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3302000.853): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão tratada nestes autos não é nova neste Conselho e, já foi analisado nos autos do Processo Administrativo nº 10880.693376/200996 (acórdão paradigma nº 3401001.361), instaurada contra a mesma empresa, de relatoria do i. Conselheiro Robson José Bayerl que, entendeu por bem converter o julgamento em diligência para verificar a origem do crédito pleiteado pela Recorrente com base nos documentos já carreados aos autos e outros que fizerem necessários. Neste caso, por concordar com os argumentos explicitados por aquela relator e, visando dar o mesmo tratando processual, adoto as razões do citado Conselheiro como causa de decidir o presente processo, a saber: Como questão preliminar, cabe examinar a exigência de retificação da DCTF correspondente, como condição para repetição do indébito, consoante acentuado pela decisão recorrida. A tese defendida pelo colegiado a quo é que o impedimento à alteração do valor declarado a título de Cofins, dezembro/1999, obstaria o direito à restituição do montante pago indevidamente, mesmo que não ocorrida a decadência desse direito, nos termos do art. 165, I do Código Tributário Nacional, por entender que o crédito tributário já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Todavia, ainda que o art. 150, § 4º do CTN disponha que a fluência do prazo de 05 (cinco) anos corporifica homologação tácita e transmuta o lançamento e respectivo pagamento em causa de extinção do crédito tributário, não se pode olvidar que o mencionado art. 165, I do mesmo diploma legal também garante o direito, independente de prévio protesto, à restituição do tributo pago em quantia maior que a devida, desde que observada a temporalidade do requerimento próprio (art. 168), o que se verificou nesse processo. Nestes autos, o decurso do prazo veda a constituição de crédito tributário complementar àquele declarado pelo sujeito passivo (art. 150, § 4º), entretanto, não obstaculiza a devolução do indébito, ao passo que feito o pedido dentro do prazo de 05 (cinco) anos do recolhimento(arts. 165, I e 168), mormente na situação sub examine, Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.925696/200911 Resolução nº 3302000.865 S3C3T2 Fl. 6 5 onde a quantia indevida corresponde justamente ao pagamento feito a destempo, acrescido de multa e juros de mora. Demais disso, esquadrinhando a IN SRF 600/05, vigente por ocasião da transmissão da PERDCOMP, não se localiza qualquer imposição de retificação da DCTF como requisito para processamento do pedido de restituição aviado, salvo na hipótese de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Leis nº 9.363/96 e 10.276/01), segundo o art. 16, § 5º, II do ato normativo. Portanto, mostrase improcedente a questão vestibular erigida pela decisão recorrida como fundamento à denegação do recurso. Tocante ao mérito, observase que o motivo inicial à não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notase, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado, mas sim sua utilização em outra finalidade. Em outra linha argumentativa exposta na decisão de primeira instância, o acolhimento da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria a demonstração documental das razões arroladas pelo recorrente, o que não se verificou. Nesse passo, é certo que na primeira oportunidade processual o recorrente não produziu a prova necessária, limitandose a anexar cópias de declarações, que, por si só, assim como sua ausência não serve de causa ao indeferimento de restituição, também não é suficiente ao seu deferimento. Contudo, em recurso voluntário, o contribuinte trouxe demonstrativo de apuração e balancetes, o que, a meu sentir, consubstancia um início razoável de prova a justificar o retorno dos autos à DRF de jurisdição para exame das alegações do recorrente a respeito do direito invocado (pagamento indevido de Cofins ante à inconstitucionalidade do conceito de faturamento veiculado pela Lei nº 9.718/98, decidida em repercussão geral no RE 585.235QO, de 10/09/2008). Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo,não se nega que o despacho decisório contestado é fruto de verificações automáticas de sistema, realizadas a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, eis que validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, não se pode perder de vista os princípios norteadores do processo administrativo fiscal, valendo registrar que esta Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que em situações como a deste processo, onde há um início razoável de prova, composto por documentos outros que não apenas declarações ou Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10880.925696/200911 Resolução nº 3302000.865 S3C3T2 Fl. 7 6 mesmo debates eminentemente retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Demais disso, ao fato constitutivo do direito ao crédito tributário posto pela Administração tributária – vinculação do direito de crédito a outro débito de titularidade do sujeito passivo –, contrapõe o recorrente um fato modificativo desse mesmo direito – a existência de pagamento a maior e o pedido tempestivo de sua restituição, acompanhado de início de prova –, o que milita em favor da verificação de procedência dessa alegação. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, ∙ Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.925696/200911 Resolução nº 3302000.865 S3C3T2 Fl. 8 7 Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Verificação da legitimidade ativa do requerente para pleitear a restituição de quantia recolhida por outra pessoa jurídica, alegadamente incorporada, com juntada da documentação relativa à alteração societária em comento; Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.007317/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2000
PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
O sujeito passivo logrou comprovar apenas parcialmente o beneficiário dos pagamentos efetuados e as operações que deram causa aos lançamentos contábeis referentes a transferências de numerários.
IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO.
A análise do mérito dos lançamentos pertinentes à falta de comprovação de lançamentos contábeis atinentes a manutenção da Fundação Nestore Scodro e pagamentos de contratos de mútuo, já foi realizada em julgamento anterior, conforme se extrai da parte dispositiva do acórdão nº 1103-00.127.
Numero da decisão: 1301-003.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, na parte devolvida pela CSRF, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter apenas o valor de R$ 50.000,00 na base de cálculo do IRRF.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, na parte devolvida pela CSRF, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter apenas o valor de R$ 50.000,00 na base de cálculo do IRRF. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
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O sujeito passivo logrou comprovar apenas parcialmente o beneficiário dos pagamentos efetuados e as operações que deram causa aos lançamentos contábeis referentes a transferências de numerários. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. A análise do mérito dos lançamentos pertinentes à falta de comprovação de lançamentos contábeis atinentes a manutenção da Fundação Nestore Scodro e pagamentos de contratos de mútuo, já foi realizada em julgamento anterior, conforme se extrai da parte dispositiva do acórdão nº 110300.127. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, na parte devolvida pela CSRF, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter apenas o valor de R$ 50.000,00 na base de cálculo do IRRF. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 73 17 /2 00 5- 87 Fl. 7724DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Acórdão n.º 1301003.504 S1C3T1 Fl. 7.725 2 José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0317.760 (fls. 3238 3284), proferido pela 2ª Turma da DRJ/BSA, que, por unanimidade de votos, julgou procedentes em parte os lançamentos efetuados de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e COFINS (autos de infração às fls. 340400), e de lançamento de IRRF (auto de infração às fls 619716), referentes ao anocalendário 2000, com crédito tributário total de R$ 63.488.635,84. Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada, foi proferido o Acórdão DRJ, com o seguinte ementário: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO. O sujeito passivo não logrou comprovar a origem dos recursos debitados na conta Caixa e a sua efetiva entrega. MULTA QUALIFICADA. Não foi comprovado pela autoridade fiscal o intuito de fraude. Qualificação indevida. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO ESTIMADO. Mantida parcialmente a omissão de receitas que gerou a diferença de imposto estimado mensalmente, é devida a multa isolada sobre o imposto não recolhido. CSLL/PIS/COFINS. Seguem a sorte do lançamento de 1RPJ, por serem reflexos, ou seja, decorrerem da mesma matéria tributável e mesmos elementos probatórios. GLOSA DE DESPESAS E CUSTOS. 0 sujeito passivo não logrou comprovar a efetividade das despesas realizadas, beneficiando se de notas fiscais emitidas por empresas com atividades encerradas e notas fiscais declaradas inidôneas. MULTA QUALIFICADA. Devida a qualificação , haja vista demonstrado o intuito de fraude pela utilização de notas inidôneas. DECADÊNCIA. Em havendo o descumprimento do disposto no art. 150, cabe o lançamento de oficio, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código. As contribuições, aplicase o art. 45 da Lei no. 8.212/91. Ausência de decadência. MULTA AGRAVADA. Restou comprovado que o sujeito passivo não atendeu intencionalmente às intimações. Agravamento devido. Fl. 7725DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Acórdão n.º 1301003.504 S1C3T1 Fl. 7.726 3 INCONSTITUCIONALIDADES. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Lançamento procedente em parte Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2000 Ementa: PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O sujeito passivo logrou comprovar apenas parcialmente o beneficiário dos pagamentos efetuados e as operações que deram causa aos lançamentos contábeis referentes a transferências de numerários, repasses e pagamentos de mútuo. MULTA QUALIFICADA. Não foi comprovado pela autoridade fiscal o intuito de fraude. Qualificação indevida. PAGAMENTO SEM CAUSA E/OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. O sujeito passivo não logrou comprovar a operação que deu causa aos pagamentos registrados a titulo de despesas e custos em sua contabilidade, beneficiandose de notas fiscais emitidas por empresas com atividades encerradas e notas fiscais declaradas inidôneas. MULTA QUALIFICADA. Devida a qualificação, haja vista demonstrado o intuito de fraude pela utilização de notas inidôneas. DECADÊNCIA. Em havendo o descumprimento do disposto no art. 150, cabe o lançamento de oficio, sendo que a contagem do prazo decadencial é efetuada consoante o inciso I do art. 173 do mesmo código. Ausência de decadência. MULTA AGRAVADA. Restou comprovado que o sujeito passivo não atendeu intencionalmente As intimações. Agravamento devido. INCONSTITUCIONALIDADES. É o administrador um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte Devidamente intimado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 33063355, pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos e documentos, protocolizando, em seguida, petição denominada de "complementação de recurso voluntário" (fls. 60506067), onde apresenta argumentos adicionais e novos documentos. Consta nos autos que, após a interposição do recurso voluntário, o contribuinte, através da petição de fls. 62826283, postulou a juntada de laudo pericial Fl. 7726DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Acórdão n.º 1301003.504 S1C3T1 Fl. 7.727 4 produzido em processo judicial, sendo, na seqüência, intimada a Fazenda Nacional para se manifestar, tendo esta, na petição de fls. 62866290, requerido a desconsideração do referido laudo, por preclusão. Sendo os autos incluídos na pauta de julgamento da sessão de 29 de janeiro de 2010, os membros do colegiado da 1ª Câmara, da 3ª Turma Ordinária, desta Seção de Julgamento, através do Acórdão 110300.127 (fls. 62946318), entenderam negar provimento ao recurso de ofício e dar parcial provimento ao recurso voluntário. Entre outras causas que implicaram o provimento parcial do recurso voluntário, foi reconhecida a decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 08/12/2000 (alcançando os tributos IRRF, PIS e COFINS), desagravada a multa de ofício, reduzindoa de 112,5% para 75% e excluída a multa isolada por falta de pagamento sobre a base de cálculo mensal estimada. Intimada, a Procuradora da Fazenda nacional ingressou com Recurso Especial em relação às três matérias acima referidas, alegando divergência de interpretação abraçada por outros colegiados. O Presidente da Câmara deu seguimento ao recurso relativo à decadência e à multa isolada, e negou seguimento relativo ao desagravamento da multa, o que restou confirmado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Incluído em pauta de julgamento, a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 9101001.912, deu provimento parcial ao recurso da PGFN para afastar unicamente a decadência do IRRF e determinou o retorno do autos à Câmara a quo para apreciação do mérito, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2000 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase na data da ocorrência do fato gerador. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE. Conforme jurisprudência pacífica desta 1ª Turma da CSRF, é incabível a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de tributo com base em estimativa e da multa de ofício exigido pela constatação de omissão de receitas, quando ambas recaem sobre a mesma receita. Em cumprimento ao determinado na decisão da 1ª Turma da CSRF, os presentes autos foram encaminhados para a 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, para prosseguimento do julgamento, porém, no decorrer da sessão realizada em 04 de fevereiro de Fl. 7727DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Acórdão n.º 1301003.504 S1C3T1 Fl. 7.728 5 2015, o colegiado retirou o processo de pauta, para fins de encaminhálo para a Unidade Preparadora (DRF/Goiânia), de forma que o contribuinte fosse intimado do Acórdão nº 9101 001.912, da CSRF. Após intimado, o sujeito passivo opôs embargos de declaração e, mediante despacho de admissibilidade, o Presidente da 1ª Turma da CSRF declarou a improcedência das alegações suscitadas, não admitindo os referidos embargos. Na seqüência, através da petição de fls. 73627371 e fls. 76237624, a recorrente faz juntada de novos documentos, microfilme de cheques, extratos das contas de origem e destino de numerários, entre outros, alegando que grande parte deles já se encontravam nos autos, requerendo sua aceitação, nos termos da hipótese prevista na alínea "a", do §4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/1972, e do princípio da verdade material. Colocado em pauta de julgamento para apreciação de questão pendente, ou seja, discussão relativa ao IRRF decorrente de supostas transferências de numerários, relativamente ao período de janeiro a 8 de dezembro de 2000, este Colegiado, considerando a juntada de novos documentos, resolveu converter o julgamento em diligência, para que, com base nos documentos existentes nos autos, a Unidade de Origem aferisse a procedência de que de fato se tratam de transferências de numerários realizadas de movimentações de recursos entre contas de titularidade da mesma pessoa jurídica; e/ou de existência de pagamentos de empréstimos tomados com empresas que fazem parte do seu mesmo grupo; e/ou de repasses feitos para manutenção da Fundação Nestore Scodro. Realizada a diligência, foi aportado aos autos o documento de fls. 7652/7682, onde autoridade encarregado pela diligência noticia que analisou os documentos existentes nos autos, a fim de identificar quais das movimentações mencionadas pela fiscalização foram suficientemente comprovadas para descaracterizálas como pagamento sem causa e/ou operação não comprovada, e/ou pagamento a beneficiários não identificados, conforme apresentado detalhadamente na “TABELA DE ANÁLISE DOS PAGAMENTOS CIPA 2000”, parte integrante do relatório elaborado. Instada a se manifestar, o sujeito passivo contestou parcialmente o Relatório Fiscal de Diligência, trazendo aos autos razões transcritas na peça de fls. 7691/7704, pugnando: (i) pela exclusão dos lançamentos relativos às operações de mútuo e transferências para manutenção da fundação Nestore Scodro, vez que tais valores foram objeto de julgamento definitivo no âmbito desse CARF; (ii) pela aceitação integral dos documentos que visam comprovar a efetividade das operações de transferências de numerários; reiterando os demais argumentos de defesa contidos nos autos. Na oportunidade, fez juntada dos documentos de fls. 7705/7719, a fim de facilitar os exames das provas, noticiando que tais documentos se encontram nos autos, em folhas específicas. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator A admissibilidade do recurso já foi examinada no julgamento do recurso originalmente interposto, cabendo aqui apenas ratificála. Fl. 7728DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Acórdão n.º 1301003.504 S1C3T1 Fl. 7.729 6 Tratase de lançamento por insuficiência de recolhimento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), tendo a autoridade lançadora, ainda, imputado o dever de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre pagamentos sem causa, operações não comprovadas, ou a beneficiários não identificados, nos termos do que dispõe o art. 61 da Lei n°. 8.981/95. Conforme relatado, os lançamentos que ainda se encontram em discussão diz respeito ao IRRF decorrentes de supostas transferência de numerários, relativamente ao período de janeiro a 8 de dezembro de 2000. Em seu recurso, o contribuinte reforça sua alegação de que não procede a acusação fiscal de pagamentos para beneficiários não identificados, aduzindo que se trata de simples transferência de numerários entre contascorrentes de sua titularidade e que a fiscalização teve oportunidade de analisar seu Livro Razão, que registra de forma adequada banco, agência e conta do qual os recursos foram debitados e creditados. Para comprovar suas alegações, a recorrente elabora tabela e faz anexar ao recurso cópias do Livro Razão, além de cópias de extratos bancários e demais documentos que no seu entendimento comprova o que sustenta, pugnando pelo imediato e cabal cancelamento da exigência fiscal. No que tange aos demais pagamentos efetuados no anocalendário de 2000, classificados pela fiscalização como pagamentos a beneficiários não identificados, aduz que se tratam de pagamentos de empréstimos tomados com empresas que fazem parte do seu mesmo grupo, e repasses feitos para manutenção da Fundação Nestore Scodro. Em petições posteriores, com o escopo de reforçar suas alegações, a recorrente traz novas provas, o que motivou a conversão do julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 1301000.476. Ao analisar os documentos relacionados, relativos aos pagamentos discriminados no ANEXO 1 AO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL IRRF ANO 2000 (às fls. 696 a 703 do processo), a fiscalização elaborou denominada "TABELA DE ANÁLISE DOS PAGAMENTOS CIPA 2000", identificando um a um, quais os lançamentos de ofício cuja documentação probante constante nos autos, era suficiente para descaracterizar os lançamentos de ofício ainda em discussão, destacando, na coluna respectiva como "SIM", para documentação suficiente para a descaracterização, e "NÃO", para o caso da documentação insuficiente. Logo, pelo menos com relação aos valores destacados com o "SIM", devese reconhecer que a documentação aportada aos autos se mostram suficientes para descaracterizar o parte do lançamento que diz respeito aos valores ali consignados. A referida tabela encontra se aportada às fls. 7654/7682 dos autos: Em sua manifestação sobre o resultado da diligência, o contribuinte aduziu que as operações relativas aos pagamentos de mútuos e os repasses para Fundação Nestore Scodro já foram objeto de decisão anterior (acórdão 1103000.127). Assim, de acordo com suas razões, quando julgouse o recurso voluntário originalmente interposto pela recorrente, este colegiado, dentre outras matérias, afastou a incidência do IRRF sobre as transferências para a Fundação Nestore Scodro e sobre os mútuos. Fl. 7729DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Acórdão n.º 1301003.504 S1C3T1 Fl. 7.730 7 Com efeito, há de dar razão aos seus reclamos, pois de fato, consta na parte dispositiva daquela decisão o seguinte: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência do direito de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 08/12/2000. No mérito, dar provimento parcial para: a) Por maioria de votos, excluir a glosa de custos, vencidos os Conselheiros José Sérgio Gomes e Décio Lima Jardim; b) Por unanimidade de votos, excluir a glosa de despesas, os Conselheiros José Sérgio Gomes e Décio Lima Jardim acompanharam o relator pelas conclusões; c) Por unanimidade de votos, excluir o valor de R$ 1.446,000,00 da base de cálculo da receita omitida; d) Por unanimidade de votos, excluir a incidência do IRRF sobre às transferências para a Fundação Nestore Scodro e sobre os mútuos; e) Por unanimidade de votos reduzir a multa de ofício ao seu percentual ordinário (75%); f) Por maioria de votos, excluir a multa isolada por falta de pagamento sobre base de cálculo mensal estimada, vencido o Conselheiro José Sérgio Gomes, nos termos do relatório e voto que integrara o presente julgado. (Destacouse). Conforme já registrado neste voto, ao interpor recurso especial em face do aludido acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional o fez apenas com relação à decadência, à multa qualificada e à multa isolada, como se infere da petição de fls. 6219/7250, sendo admitido, em exame de admissibilidade, apenas a discussão relativa à decadência e à exigência de multa isolada (fl. 6396). Assim, reconheço que o lançamento concernente às operações de mútuos e de transferências para a manutenção da Fundação Nestore Scodro, por ter sido julgado improcedente quanto ao mérito e não ter sido combatido no recurso especial interposto pela PGFN, se tornou definitivo, não podendo ser mais objeto de novo julgamento. Vale consignar, quanto a esta parte da decisão, que a Delegacia da Receita Federal do Brasil, quando do procedimento de liquidação do Acórdão nº 1103000.127, excluiu os valores inerentes a essa parte da autuação, tecendo, no Despacho DRF/GOI/Secat nº 540/2012 (fls. 6476/6499), as seguintes considerações: Segundo o CARF (fls. 6.203v) a análise do mérito dos lançamentos pertinentes à glosa de despesas e falta de comprovação de lançamentos contábeis atinentes à manutenção da Fundação Nestore Scodro, transferência de numerários e pagamentos de contratos de mútuos, ficou prejudicada em face do reconhecimento da decadência do direito de lançar, visto que todos os fatos geradores apontados no lançamento ocorreram antes de 09/12/2000. No entanto, em fls. 6.204, o CARF entra no mérito e decide por unanimidade de votos excluir a incidência do IRRF sobre as transferências para a Fundação Nestore Scodro e sobre os mútuos. (...) Fl. 7730DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Acórdão n.º 1301003.504 S1C3T1 Fl. 7.731 8 Fazendo um fechamento sobre o IRRF, após, a decisão de 2a instância e após a análise de admissibilidade do Recurso Especial da PFN, constatamos que, no mérito foram mantidos apenas o IRRF sobre algumas transferências de numerários, mas que em preliminar foram considerados decaídos, mas que podem ser restabelecidos em julgamento de recurso especial, pois a decadência foi combatida pela PFN, lembrando que o CARF negou provimento ao recurso de oficio da DRJ. (Destaques propositais). Sendo assim, devem ser excluídos da "TABELA DE ANÁLISE DOS PAGAMENTOS CIPA 2000", as operações relativas aos pagamentos de mútuos e aos repasses para Fundação Nestore Scodro. Sobre o resultado da diligência, a recorrente aduz ainda que as operações cujo histórico contábil consta a expressão Transf. de Numerário Outros Fornecedores não estão sujeitas à incidência do IRRF, nos termos do art. 61, da Lei nº 8.981/1995, pois se referem à transferência de numerários entre contas de titularidade da mesma pessoa jurídica, enfatizando que o fiscal responsável pela diligência considerou que restaram comprovadas quase todas as operações lançadas a tal título, exceto aquelas abaixo relacionadas, nas quais consignou que a documentação apresentada "NÃO" foi suficiente para descaracterizar o lançamento de ofício, quais sejam: Com relação ao item 36 listado na planilha acima, no valor de R$ 41.000,00, aponta que equivocouse o fiscal ao dizer que se refere à transferência de numerário, pois Fl. 7731DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Acórdão n.º 1301003.504 S1C3T1 Fl. 7.732 9 diferente do que consta no Relatório Fiscal de Diligência, o mesmo se refere à operação de mútuo, como se depreende da planilha que integra o correspondente auto de infração (fl 698). De fato, equivocouse o fiscal, pois tratase de operação de "empréstimo/mútuo, ocorrida em 08/03/2000, no valor de R$ 41.000,00, e, portanto, também há de se concluir que esse valor já foi afastado em caráter definitivo em decisão proferida por esse Conselho Administrativo Fiscal, consoante acima restou demonstrado. No que tange ao item "72" da planilha supratranscrita, no valor de R$ 1.419.000,00, insiste a recorrente que fez prova cabal de que o valor em questão apenas foi movimentado (transferido) entre contas de mesma titularidade, saindo de uma conta mantida no Bradesco e depositado em conta mantida no BankBoston, ambas da empresa CIPA INDUSTRIAL DE PRODUTOS ALIMENTARES LTDA. Compulsando os autos, encontro microfilme do cheque (fls.7626/7627), extrato da conta de origem (fl 7628) e extrato da conta de destino (fl. 7629), provas essas que considero irrefutáveis e aptas para comprovar que, de fato, tratase de transferência entre contas de mesma titularidade. Assim, não há que se falar em ausência de comprovação da operação em tela, pois os elementos necessários para tal foram devidamente juntados aos autos, devendo, por isso, ser o valor também excluído. Relativamente ao item "115" do Relatório Fiscal de Diligência, na cifra de R$ 50.000,00, aduz a recorrente que não se trata de transferência de numerário e sim de suprimento de caixa, conforme faz prova a documentação juntada aos autos às fls. 3171 e 3172 (informa que é cópia de cheque e extrato da conta bancária). Assim, defende que como os suprimentos de numerários não foram objeto de lançamento do IRRF, mas do IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), devese concluir que essa parte do lançamento é de igual modo improcedente, pois o mérito daquela autuação foi afastada em caráter definitivo em anterior julgamento do CARF. Equivocase a recorrente. Da análise de tais documentos, concluo que de fato ocorreu uma saída de numerários da conta corrente da recorrente, no valor de R$ 50.000,00, sem que se possa identificar o beneficiário. Embora o documento de fls. 3171 noticie que a operação, que se realizou através do cheque nº 14901087, se trate de suprimento de caixa, entendo que tal documento não é suficiente para afastar o lançamento nesta parte, pois consiste em mero documento interno, sem força probante, a meu ver, para afastálo. Assim, considero insuficiente a documentação apresentada pelo contribuinte, e, por isso, mantenho essa parte do lançamento. Por fim, no que pertine ao item "120" da planilha acima, no valor de R$ 106.000,00, pondera a recorrente que consta nos autos cópia do cheque de Transferência Bancária TB e cópia do extrato da conta de origem (fls. 7609/7610) que, em sua ótica, comprova que a operação realizada não se sujeita à incidência do IRRF, nos termos do art. 61, da Lei nº 8.981/1995. Informa que o cheque para Transferência Bancária TB já indica em seu corpo a informação do banco, da agência e da conta de destino e que esse documento foi criado com o advento da CPMF, cuja única finalidade era propiciar a transferência de valores da conta de depósitos de uma para outra agência bancária pertencente ao mesmo correntista. Fl. 7732DF CARF MF Processo nº 10120.007317/200587 Acórdão n.º 1301003.504 S1C3T1 Fl. 7.733 10 De fato, do exame dos documentos acima mencionados, percebese a natureza e a efetividade da operação. Como se sabe, o cheque para Transferência Bancária TB foi instituído justamente para evitar a incidência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF nas transferências realizadas entre contas de titularidade de um mesmo CPF ou CNPJ. Observese que o cheque se encontra carimbado pelo banco ou pela agência de destino, o que atesta a sua regular compensação, ou seja, que ele foi depositado em conta de mesma titularidade da pessoa que o emitiu. Tal fato também é corroborado pelo extrato da conta de origem, reforçando que ele foi devidamente compensado. Desta forma, devese excluir este valor. Conclusão Diante de todo o exposto, na parte devolvida pela CSRF,dou parcial provimento ao recurso voluntário, para manter apenas o valor de R$50.000,00 na base de cálculo do IRRF. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 7733DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13051.000242/2002-10
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO IPI - FRETE
Os valores de fretes não são computados no cálculo do crédito presumido porque não são insumos a serem aplicados no processo produtivo.
AQUISIÇÕES DE COOPERATIVA.
Os valores dos insumos adquiridos de cooperativas devem ser inclusos no cálculo do crédito presumido com arrimo no julgamento do Recurso Especial 993.164, julgado em sede de repetitivo.
Recurso especial da Fazenda parcialmente provido.
Numero da decisão: 9303-007.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a glosa dos fretes referente à aquisição de insumos.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO IPI - FRETE Os valores de fretes não são computados no cálculo do crédito presumido porque não são insumos a serem aplicados no processo produtivo. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVA. Os valores dos insumos adquiridos de cooperativas devem ser inclusos no cálculo do crédito presumido com arrimo no julgamento do Recurso Especial 993.164, julgado em sede de repetitivo. Recurso especial da Fazenda parcialmente provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a glosa dos fretes referente à aquisição de insumos. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO IPI FRETE Os valores de fretes não são computados no cálculo do crédito presumido porque não são insumos a serem aplicados no processo produtivo. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVA. Os valores dos insumos adquiridos de cooperativas devem ser inclusos no cálculo do crédito presumido com arrimo no julgamento do Recurso Especial 993.164, julgado em sede de repetitivo. Recurso especial da Fazenda parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial para restabelecer a glosa dos fretes referente à aquisição de insumos. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 1. 00 02 42 /2 00 2- 10 Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13051.000242/200210 Acórdão n.º 9303007.156 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial da Fazenda contra o Acórdão 220100.210 (fls. 374/383), de 08/05/2009, o qual teve o seguinte resultado, nos termos do acórdão em embargos 340100.361 (fl. 391/393), de 19/10/2009: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em admitir os embargos de declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, e rerratificar a decisão proferida no Acórdão n° 2201 00.210, de modo que passe a ser: "ACORDAM os membros da 1" Turma Ordinária da 2" Camara da 2" Seção do CARF, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: I) para permitir o aproveitamento no cálculo do crédito presumido das aquisições junto às cooperativas, bem como os gastos com fretes relacionados a esses insumos. Vencido o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais; II) para negar o aproveitamento no cálculo do crédito presumido das aquisições junto ás pessoas físicas, bem como os gastos com fretes relacionados a esses insumos, e, ainda, os gastos com fretes relacionados ao transporte de produtos acabados. Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Jean Cleuter Simões Mendonça e Fernando Marques leto Duarte; e III) para negar a aplicação da taxa Selic no valor do crédito reconhecido. Vencid onselheiro Jea Cleuter Mendonça." A Fazenda manejou recurso especial de contrariedade à lei (fls. 397/408), admitido na íntegra pelo despacho de fls. 424/425, postulando a reforma do aresto recorrido para que seja restabelecida a glosa "quanto às aquisições de cooperativa e quanto aos fretes relacionados a esses insumos". O contribuinte, em contrarrazões (fls. 432/433), pugnou pelo improvimento do especial interposto pela Fazenda. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso da Fazenda nos termos em que foi admitido. FRETE E INSUMOS ADQUIRIDOS DE COOPERATIVAS Dispõe a lei instituidora do benefício (Lei 9.363) no parágrafo único do art 3°, que: “Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem”.(grifei) Fl. 452DF CARF MF Processo nº 13051.000242/200210 Acórdão n.º 9303007.156 CSRFT3 Fl. 4 3 Sem embargo, entendo que o legislador foi explícito que em relação às hipóteses elencadas deve ser aplicado, quando não suficientemente claro os conceitos abarcados pela própria norma instituidora do benefício, as leis de regência do IR e do IPI. Assim, restrito os contornos do litígio em relação a quais produtos se incluem no conceito de matérias primas ou produtos intermediários, é de aplicarse então, subsidiariamente, a legislação do IPI. E, cediço, o termo legislação é amplo, não se restringindo à lei em seu sentido formal, mas compreendendo também as normas infralegais, como os decretos e atos administrativos pertinentes à matéria. Dessarte, não sendo a lei instituidora do benefício definitivamente clara quanto a tais conceitos, determina o legislador, vez que se utilizou da sistemática do IPI para concessão do ressarcimento daquelas contribuições embutidas nos produtos efetivamente exportados, que seu alcance deve ser buscado na legislação de regência daquele tributo. Esse é o alcance do termo subsidiário. Tenho para mim que só podem dar margem a ressarcimento de PIS e COFINS, a título de crédito presumido de IPI, aquelas mercadorias que, consoante o entendimento previsto na legislação do IPI, possam enquadrarse no conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. E, de acordo com a legislação do IPI, tais insumos são aqueles que dão margem aos créditos básicos, ou seja, aqueles que geram o direito subjetivo do contribuinte de creditarse de forma a moldarse nos preceitos constitucionais da nãocumulatividade do IPI. Nesse passo, concluo que o benefício só existirá em relação às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que geram direito ao crédito, pois é isto que dispõe a norma a ser aplicada subsidiariamente. Estatui o art. 25 da Lei 4.502/64, reproduzido no art. 82, inciso I do RIPI/82 que: Art. 82 – Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I – do imposto relativo a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matérias primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.(grifei). É assente na jurisprudência do Segundo Conselho de Contribuintes que para dar margem ao creditamento é necessário que os insumos sejam consumidos no processo de industrialização ou sofram desgaste em função de ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, o que não é o caso dos insumos acima elencados. Nesse sentido, a ementa1 a seguir transcrita: “CRÉDITO DO IMPOSTO – MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM – Para aproveitamento do crédito, os bens devem ser consumidos no 1 Ac. 20165.182 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 13051.000242/200210 Acórdão n.º 9303007.156 CSRFT3 Fl. 5 4 processo de industrialização ou sofrer desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou vice versa e, ainda, não estarem compreendidos entre os bens do ativo permanente.... Portanto, para que determinado insumo possa servir de base ao cálculo do litigado benefício fiscal, deve ficar provado à exaustão, e este ônus é de quem pede, que efetivamente o insumo foi utilizado no processo produtivo em ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, desde que nesse processo sofra perda ou modificação de suas propriedades físicas e/ou químicas. O Parecer Normativo CST 65/79, aclarando o alcance da norma insculpida no art. 25 da Lei 4.502/64, aduziu que os produtos intermediários e as matériasprima que não integrem o produto final mas que sofram, em função da ação exercida diretamente sobre o produto em fabricação, alterações tais como desgaste, o dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, também dará margem ao creditamento. A contrário senso, de acordo com a legislação de regência do IPI, a qual devemos buscar elementos subsidiários para definir o alcance dos termos matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, consoante a norma de regência do benefício pleiteado nestes autos, qualquer insumo utilizado no processo produtivo que não atenda tais requisitos não darão margem ao creditamento do IPI, e, por conseguinte, não poderão ser utilizados no cômputo do benefício da Lei 9.363/96. Em conclusão, o que deve ser perquirido para sabermos quais produtos que dão margem ao chamado creditamento básico, e, portanto, a inclusão no benefício, é identificarmos se eles entram no processo produtivo, ou integrando o produto final, quando não cabe maiores digressões, ou quando exercem ação direta sobre o produto em fabricação, ficando demonstrado seu desgaste físico e/ou químico. Pelo exposto, deve ser restabelecida a glosa dos valores dos fretes na aquisição de insumos. Contudo, em relação às aquisições de cooperativas, em que pese entender indevida sua inclusão no cálculo do benefício uma vez que nessas operações não houve incidência das contribuições que a Lei 9.363/96 visa ressarcir, a matéria já foi objeto de decisão do STJ em sede de recurso repetitivo (REsp 993.164), a qual, por força regimental (art. 62), devo, necessariamente, aplicála. CONCLUSÃO Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso da Fazenda para restabelecer a glosa dos fretes dos insumos adquiridos. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 454DF CARF MF Processo nº 13051.000242/200210 Acórdão n.º 9303007.156 CSRFT3 Fl. 6 5 Fl. 455DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.903390/2008-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FORMADO SOB A RUBRICA DE MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA.
Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, são acrescidos de multa de mora.
Assim acontecido, a rubrica a esse titulo recolhida não reverte como indébito ao Contribuinte ao discurso de inexistente procedimento de oficio.
Numero da decisão: 1001-000.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FORMADO SOB A RUBRICA DE MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, são acrescidos de multa de mora. Assim acontecido, a rubrica a esse titulo recolhida não reverte como indébito ao Contribuinte ao discurso de inexistente procedimento de oficio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1357; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13884.903390/200881 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.934 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2018 Matéria Compensação Recorrente MAGAP USINAGEM E FERRAMENTARIA LTDA. EPP. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FORMADO SOB A RUBRICA DE MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, são acrescidos de multa de mora. Assim acontecido, a rubrica a esse titulo recolhida não reverte como indébito ao Contribuinte ao discurso de inexistente procedimento de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 33 90 /2 00 8- 81 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13884.903390/200881 Acórdão n.º 1001000.934 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 36 a 45) interposto contra o Acórdão nº 0535.384, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (fls. 30 a 32), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO FORMADO SOB A RUBRICA DE MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO A DESTEMPO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, são acrescidos de multa de mora. Assim acontecido, a rubrica a esse titulo recolhida não reverte como indébito ao Contribuinte ao discurso de inexistente procedimento de oficio. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: "O Contribuinte em epígrafe fez transmitir em 01/12/2004 a DCOMP sob no 29580.36063.011204.1.3.049743, na qual consignou, a titulo de origem de seu direitocredit6rio contra a Fazenda Pública Federal, um recolhimento sob a modalidade do Simples Federal (Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996), assim efetuado em 05/12/2002, da competência de outubro/2002, no importe de R$ 4.902,67. Tencionava o Interessado extinguir por compensação débito de CSLL, referente à competência do 10 trimestre de 2004, vencível em 30/04/2004, no montante de R$ 78,01. Tal pleito foi negado à razão de pregressa vinculação do crédito então apontado à satisfação de débito do âmbito do Simples Federal, competência outubro/2002. Disso teve ciência o Contribuinte em 16/09/2008, vindo a colacionar sua insurgência em 23/09/2008. Alega que do todo recolhido a titulo de Simples Federal em 05/12/2002, competência outubro/2002 (origem do crédito que menciona), assim Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13884.903390/200881 Acórdão n.º 1001000.934 S1C0T1 Fl. 4 3 o fizera com acréscimo de multa de mora. Por outra, recolhera R$ 4.501,17 a titulo de principal, R$ 356,49 conta de multa de mora, e R$ 45,01 por juros de mora, totalizando R$ 4.902,67. Pois bem, já que, à época, não se encontrava sob procedimento de oficio, a porção referente à multa de mora seria indevida, certo que ao amparo da denúncia espontânea, como vem de indicar, inclusive, a jurisprudência do STJ." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise com base nos mesmos elementos que já havia apresentado em primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em atenção ao disposto no §3º do art. 57 do RICARF, e por concordar com seu teor, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) Não convém a argumentação do Contribuinte, considerada mesmo a jurisprudência do STJ. De fato, pois, nos termos do enunciado n° 360 da Súmula daquele Tribunal: "O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". Significa, débito declarado e pago a destempo não está ao alcance da denúncia espontânea, assim regulada pelo art. 135 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN). Na espécie, o débito de Simples Federal, no importe de R$ 4.501,17, competência de outubro/2002, vencível em 11/11/2002, está declarado na DSPJ/2003 assim entregue em 25/05/2003 (vide documentos juntados). D'outra, incontroverso que o respectivo pagamento deuse em atraso, havido que foi em 05/12/2002. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13884.903390/200881 Acórdão n.º 1001000.934 S1C0T1 Fl. 5 4 Logo, como prediz o citado enunciado de Súmula, inaplicável o instituto da denúncia espontânea. De todo exigível a correspectiva multa de mora. Se não por isso, regra expressamente o art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a imediata incidência de multa de mora frente a débitos pagos a destempo, além dos juros também moratórios: Art. 61. Os débitos para com a Unido, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (...)" Assim, com base nos argumentos supra colacionados, provenientes da DRJ de origem, entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13884.903390/200881 Acórdão n.º 1001000.934 S1C0T1 Fl. 6 5 Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002764/2006-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA
JURÍDICA — IRPJ
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO
REALIZADO POR SÓCIO. NECESSIDADE DA
COMPROVAÇÃO CUMULATIVA DA ORIGEM E DA
ENTREGA DOS RECURSOS.
Provada a omissão de receita por qualquer elemento de prova, a
autoridade tributária poderá arbitra-la com base no valor dos
recursos de caixa fornecidos a empresa por administradores,
sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual,
ou pelo acionista controlador da companhia, se não forem
comprovadamente demonstradas, cumulativamente, a efetividade
da entrega e a origem dos recursos.
OMISSÃO DE RECEITAS — PAGAMENTOS NÃO
CONTABILIZADOS
A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa
jurídica na compra de mercadorias autoriza a presunção legal de
omissão de receitas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá
ser considerado na determinação da base de cálculo para o
lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido
(CSLL), contribuição para o Programa de Integração Social (PIS)
e contribuição para o Financiamento da Seguridade Social
(COFINS).
Recurso voluntário improcedente.
Numero da decisão: 1201-000.637
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz (Relator), que dava provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o conselheiro João Bellini Júnior para redação do voto vencedor.
Nome do relator: Regis Magalhães Soares de Queiroz
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 19515.002764/2006-61 Recurso n° 000.000 Voluntário Acórdão n° 1201-000.637 — 2 Camara / la Turma Ordinária Sessão de 17/01/2012 Matéria IRPJ Recorrente HANNA PLASTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Exercício: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO REALIZADO POR SÓCIO. NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO CUMULATIVA DA ORIGEM E DA ENTREGA DOS RECURSOS. Provada a omissão de receita por qualquer elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitra-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos a empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se não forem comprovadamente demonstradas, cumulativamente, a efetividade da entrega e a origem dos recursos. OMISSÃO DE RECEITAS — PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica na compra de mercadorias autoriza a presunção legal de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Recurso voluntário improcedente. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 19515.002764/2006-61 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.637 Fl. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Regis Magalhães Soares de eiroz (Relator), que dava provimento parcial ao recurso voluntário. Designa: 410 Alth' o Joã Bellini Júnior para redação do voto vencedor. ‘11 ClLdemir{9d'ues M Regis Magalhães Soar eiroz - Relator oca. Miku- João Bellini Júnior - Redator Designado Vvk Pk0xt,;mk<z,V,Mt,3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias, Rafael Correia Fuso, Joao Carlos de Lima Junior, Marcelo Cuba Netto, João Bellini Júnior e Regis Magalhães. uias - Presidente 2 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 19515.002764/2006-61 SI-C2TI Acórdao n.° 1201-000.637 Fl. 3 Relatório Adoto o relatório da r. decisão a quo, verbis: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 156/160 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/01/2007, no montante de R$911.019,83, relativamente a fatos geradores compreendidos no exercício de 2003. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 — Omissão de receitas — Suprimento de numerário não comprovada a origem e/ou a efetividade da entrega: omissão de receita caracterizada pela não comprovação da origem do numerário, conforme Termo de Verificação em anexo. 002 — Omissão de receitas — Pagamentos não contabilizados: omissão de receita operacional caracterizada pela não contabilização de pagamentos, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Em decorrência da omissão de receitas constatada no procedimento fiscal, foram lavrados ainda os autos de infração abaixo especificados, cujos valores indicados representam o montante da contribuição lançada, multa de oficio e juros de mora calculados até 31/01/2007, relativamente a fatos geradores compreendidos no exercício de 2003: - Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS (lis. 161/167) – R$28.533,97; -Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins (fls. 168/173) — R$125.283,78; - Contribuição Social s/ Lucro Liquido - CSLL (Ils. 174/178) - R$347.761,45. No Termo de Verificação Fiscal — TVF 153/155), foram relatados os procedimentos fiscais, com destaque para o levantamento da omissão de registro de compras na contabilidade e para a omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da origem dos recursos emprestados a empresa por seu sócio. Registre-se ainda que os demais documentos que fundamentain a exigência foram juntados àsfls. 01/152. O contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 27/02/2007, conforme consignado nos autos de infração e no Termo de Encerramento de fl. 179. A documentação pertinente à compensação de prejuízos ]Iscais e da base negativa da CSLL consta das fls. 180/184. fr- 3 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 19515.002764/2006-61 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-000.637 Fl. 4 Por sua vez, em 28/03/2007, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 187/288, tendo feito referência aos autos de infração e ao instrumento de procuração que constituem os denominados doc. 01 e doc. 02 (fls. 203/238). 0 conteúdo do contraditório pode ser resumido conforme se segue. I) Da autuação Nesse tópico, o impugnante faz uma síntese do lançamento. II) Das razões de impugnação 11.1) Omissão de receita — Não comprovação da origem dos recursos emprestados à empresa por seu sócio. O irnpugnante, fazendo referência as disposições do art. 282 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 - RIR11999, assevera que, tendo disposto de maior prazo para averiguar os seus arquivos, logrou identificar a documentação que dá respaldo a cada qual dos aportes efetuados, conforme explicitados as fls. 194/195 da impugnação, correspondentes aos doc. 03 a doc. 19 (fls. 239/285). Segundo o defendente, por meio de documentos hábeis, foi provada a origem de todos os recursos registrados a título de empréstimos, tendo sido comprovado ainda: a) que os supridores de recursos dispunham de patrimônio mais do que suficiente para respaldar os aportes efetuados, conforme atestam as competentes DIRPF .1(4 juntadas (does. 4 e 14-A —fls. 269/274); b) que o conjunto das transferências foi suportado ainda por contrato de mútuo (doc. 20 fl. 286), que contemplou a possibilidade de o sócio transferir numerário a titulo de empréstimo na medida das necessidades da empresa. Fazendo citação a acórdãos do Conselho de Contribuintes, conclui o impugnante que, evidenciadas a existência e a origem dos recursos do sócio, bem como, por meio de documentos hábeis, a efetiva entrega desses recursos, em datas e valores coincidentes, não pode prosperar a autuação sobre qualquer pretensa omissão de receita fundada nos empréstimos regularmente levados a cabo. 11.2) Omissão de receita — Falta de escrituração nos livros de Registro de Entradas O contribuinte argumenta que, no levantamento efetuado, foi apurado um valor de R$152.425,13 correspondente ao somatório das notas fiscais de aquisição de mercadorias supostamente não escrituradas. Contudo, conforme comprova a declaração da empresa Plastcooper (doc. 21 —ft. 288), as notas fiscais especificadas não foram faturadas para o impugnante, impondo-se a exclusão dos respectivos valores das cobranças efetuadas. Com relação as demais notas fiscais, a autuação não pode prosperar, uma vez que a empresa tributa o IRPJ pela sistemática do lucro real, base de cálculo essa formada pelo lucro bruto, ou seja, totalidade 267 Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 19515.002764/2006-61 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.637 Fl. 5 das receitas liquidas das vendas diminuída pelo custo dos bens e serviços vendidos. Nesse sentido, se a falta de registro de compras pode, por um lado, revelar a ocorrência da omissão de receita, por outro ela diminui o custo das mercadorias vendidas, ou seja, no momento da apuração do lucro real, essas supostas omissões (de compra e de custo) se anulam. O impugn ante faz referência a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, para concluir que o crédito tributário constituído, no que se refere a tributação do IRPJ e da CSLL por omissão de receitas decorrente da não escrituração de notas fiscais de compra, não pode prosperar, por não refletir a verdadeira base de cálculo desses tributos. No que tange as autuações do PIS e da Cofins, tendo o Supremo Tribunal Federal (STF) definido que, no período ora em debate, tais exações s6 incidem sobre o faturatnento em sentido estrito, o que não se pode "presumir" com base na simples falta de escrituração de entradas, não há como admitir a sua sobrevivência. Ademais, tratando- se de autos reflexos do IRPJ, sua sorte só pode ser a mesma (isto é, o cancelamento integral), tendo sido feita citação de acórdão do Conselho de Contribuintes. • III) Do pedido Ante o exposto, restando comprovada a manifesta insubsistência dos lançamentos, requer o impugnante sejam conhecidas e providas suas razões, cancelando-se a cobrança de qualquer imposto/contribuição, multa proporcional e juros de mora, com o consequente arquivamento dos presentes autos de contencioso administrativo. Os documentos mencionados na impugnação foram anexados por cópia as fls. 203/288. Telas referentes a "Extrato de Processo" foram juntadas as fls. 289/296, enquanto documentação pertinente a arrolamento de bens consta das fls. 298/312. Finalmente, de acordo com o despacho de fl. 313, o processo foi encaminhado a DRJ/BHE/MG para julgamento, tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. E o relatório Quanto ao suprimento de numerário, de acordo com o TVF, a omissão de receitas foi caracterizada pela não comprovação da origem dos recursos emprestados à empresa por seu sócio, conforme discriminado no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal datado de 23/11/2006. 0 v. acórdão da DRJ, de fls. 323, ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2003 / 5 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 19515.002764/2006-61 SI-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.637 Fl. 6 OMISSÃO DE RECEITA - SUPRIMENTO DE NUMERÁRIO A falta de comprovação da origem ou da efetiva entrega dos recursos aplicados em suprimento de numerário realizado por sócio da pessoa jurídica autoriza o lançamento de oficio das parcelas correspondentes por presunção legal de omissão de receitas, devendo ser cancelada a exigência nos casos em que o impugnante apresentar a documentação comprobatória. OMISSÃO DE RECEITAS - PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica na compra de mercadorias autoriza a presunção legal de omissão de receitas, ficando ressalvado ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. Lançamento Procedente em parte. Com relação A. omissão no registro de certas notas fiscais de aquisição de insumos nos livros de Registro de Entradas de 2002, a lei autoriza a presunção de omissão de receita, na forma do art. 281, II do RIR. Sobre a omissão de receita propriamente dita, aduziu a r. decisão recorrida (fls. 330): No tocante ao lançamento em questão, a infração caracterizada como falta de escrituração de pagamentos pertinentes a aquisição de mercadorias constitui presunção legal de omissão de receitas, trazendo a inversão do ônus da prova como conseqüência imediata da aplicação da lei ao caso concreto. No curso do processo a recorrente comprovou que quatro notas fiscais indicadas pela fiscalização, na verdade, seriam referentes A aquisição de mercadorias por terceiros, razão pela qual tais valores foram exonerados. Em seu recurso voluntário a recorrente informa ter quitado este débito (fls. 351). Desta forma, o recurso questiona apenas as exigências relativas à omissão de receita em razão da falta de comprovação da origem dos empréstimos efetuados pelo sócio nos valores de R$ 80.000,00 (19.06.2002), R$ 100.000,00 (02.07.2002), R$ 16.992,33 (23.12.2002) e R$ 26.182,00 (26.12.2002). É o relatório. 6 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 19515.002764/2006-61 S1-C2T1 Acórdão n.° 1201-000.637 Fl. 7 Voto Vencido Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: 1. Do conhecimento. O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. 2. Suprimento de numerário Quanto ao suprimento de numerário, de acordo com o TVF, a omissão de receitas foi caracterizada pela não comprovação da origem dos recursos emprestados à empresa por seu sócio, conforme discriminado no Termo de Constatação e de Intimação Fiscal datado de 23/11/2006. A r. decisão a quo entendeu parcialmente comprovados alguns mútuos realizados pelo sócio para a fiscalizado. Não considerou comprovado, entretanto, os mútuos de R$80.000,00 de 19.06.2002 e de R$100.000,00 de 02.07.2002 por ausência de prova, pela mutuaria-recorrente, da origem dos recursos para os mutuantes. Apesar de entender comprovada a transferência dos recursos coincidentes em datas e valores do mutuante para a mutuária recorrente, desconsiderou a ocorrência de mútuo por não ter a recorrente mutuaria demonstrado a origem do dinheiro para os mutuantes. Vejamos excerto do voto condutor (fls. 328-329): Diferentemente das situações anteriores, nas quais, além da movimentação do numerário (efetiva entrega), foi também comprovada a origem dos recursos (no caso "A", por meio da venda de imóveis de propriedade do sócio, e no caso "B", por doação registrada na declaração do espólio em favor do sócio — inventariante, corroborada pela existência de saldo transferência bancária), em relação aos empréstimos ora examinados, a documentação anexada a impugnação (fis. 256/267), comprova tão-somente a transferência de numerário da conta corrente do sócio para a conta da empresa autuada, além dos registros contábeis das operações. A origem propriamente dita do numerário disponível na conta corrente do sócio não foi comprovada, não sendo possível verificar se os recursos são provenientes dos rendimentos tributáveis, isentos ou de tributação exclusiva auferidos durante o ano de 2002, ou do patrimônio declarado, lembrando que na Declaração de Bens e Direitos do sócio (fl. 245) não há saldo de aplicação financeira em 31/12/2001. 7 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 19515.002764/2006-61 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-000.637 Fl. 8 Nessas condições, conquanto tenha sido comprovada a efetiva entrega, que, por sinal, não foi questionada pela autoridade fiscal, persiste a falta anotada no lançamento no que diz respeito a origem dos recursos supridos, nas datas e valores correspondentes. Ocorre que o mutuante, sócio da recorrente, não foi fiscalizado pela autoridade autuante e, por isso, jamais lhe foi solicitado que fizesse prova da origem dos recursos que emprestou para a fiscalizada. A origem que a fiscalizada precisa demonstrar segundo o art. 282 do RIR é a relativa aos recursos que entraram em seu balanço, ou seja, a origem dos seus recursos. Não pode ser obrigada a comprovar a origem de recursos de terceiro, o mutuante, ainda que ele seja seu sócio. No caso, a origem dos recursos que entraram no balanço da fiscalizada foi demonstrada conforme reconheceu a r. decisão recorrida, que afirmou estar comprovada "a transferência de numerário da conta corrente do sócio para a conta da empresa autuada, além dos registros contábeis das operações", bem como , "comprovada a efetiva entrega, que, por sinal, não foi questionada pela autoridade fiscal". Assim, tendo a fi scalizada comprovado cabalmente a origem do recurso — mútuo recebido de seu sócio — bem como a movimentação financeira coincidente além dos registros contábeis, entendo estar comprovada a inexistência de omissão de receita, uma vez que a fiscalizada estava obrigada a comprovar que a origem de seus recursos era um mútuo, não estando obrigada a fazer prova da origem dos recursos do mutuante, terceiro em relação a ela e estranho em relação A fiscalização e ao presente processo. Continuando neste tópico, a r. decisão a quo também não considerou comprovados os mútuos de R$16.992,33 de 23.12.2002 e de R$26.182,00 de 26.12.2002 em vista de a recorrente não ter trazido prova da movimentação dos recursos, tendo apenas prometido trazer cópia do microfilme dos cheques emitidos pelo mutuante, depositados em sua conta corrente. Como tal prova não veio aos autos, a alegação foi desconsiderada, no que andou bem a r. decisão. 3. Lançamentos reflexos Quando ao argumento de que o PIS e a COFINS tem fatos geradores diferentes do IRPJ, sendo descabido o lançamento reflexo, ele está de acordo com a lei, § 2° do art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, que assim determina, consoante destacado pela r. decisão a quo. 4- Do dispositivo. Isso posto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da acusação de omissão de receita por suprimento de numerários os mútuos de R$80.000,00 de 19.06.2002 e de R$100.000,00 de 02.0 .2002. É o meu voto. Regis Magalhães Soares De onselheiro Relator 8 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 19515.002764/2006-61 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-000.637 Fl. 9 Voto Vencedor Com a devida vênia, ouso discordar do eminente relator no tangente à omissão de receitas em razão da falta de comprovação da origem dos empréstimos efetuados pelo sócio nos valores de R$ 80.000,00 (19.06.2002) e R$ 100.000,00 (02.07.2002). Dispõe o art. 282 do RIR199: Suprimentos de Caixa Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos et empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 12, sS' 32, e Decreto-Lei n 2 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 12, inciso II). De acordo com essa norma, ficando provada a omissão de receitas — como ocorreu no caso em apreço — a autoridade fiscal deve arbitra-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por sócios (de sociedade não anônima), caso esta não demonstre, cumulativamente: (a) a efetividade da entrega e (b) a origem dos recursos. No presente caso, a contribuinte, devidamente intimada a comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos fornecidos a ela por seu sócio Hedywaldo Hanna (fl. 93 do processo em papel e fl. 95 do processo eletrônico), não logrou demonstrar a origem de (1) R$ 80.000,00 (19/06/2002) e de (2) R$ 100.000,00 (02/07/2002). Assim, são aplicáveis, mutatis mutandi, as considerações aprovadas por unanimidade pela Camara Superior de Recursos Fiscais em 13/07/2005, por meio do Acórdão CSRF/01-05.231: Ao contrário das teses contidas nos acórdãos paradigmas anexados ao RE, esta CSRF tem decidido a exaustão que os suprimentos de numerários atribuidos a sócios da pessoa jurídica, cujos requisitos cumulativos e indissociáveis da efetividade da entrega e origem dos recursos, não for devidamente comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, devem ser tributadas como receitas omitidas da própria empresa. A demonstração da capacidade económica ou financeira do sócio em arcar com os suprimentos, mesmo contabilizados na empresa suprida, em absoluto suprem a necessidade da comprovação da origem e efetiva entrega dos valores, não ilidindo a presunção de omissão de receita, conforme prescreve a legislação que fundamentou a exigência. 0 fato do recurso que supriu caixa, ter advindo de conta bancária e do suprimento ter sido realizado através de cheque nominativo a empresa 9 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA Processo n° 19515.002764/2006-61 SI-C2TI Acórdão n.° 1201-000.637 Fl. 10 não dispensa a prova da origem dos recursos. Tal prova é necessária para elidir a presunção legal contida no artigo 181 do RIR/80, pois se o sócio carreia recursos a empresa e não prova que tais recursos tenham origem externa a presunção é que eles tenham sido gerados dentro da própria empresa e que são frutos de receita omitida. Esse entendimento é pacifico na jurisprudência conforme decidido nos acórdãos CSRF 0.220182, 103-4.861/82, 107-06.022/2000. Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. cf.. NALL, Joao Bellini Júnior - Rd ator Designado 1 0 Fl. 501DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2013 por ANDREA FERNANDES GARCIA
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Numero do processo: 10680.014653/2005-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para: 1- Solicitar à Unidade de Origem que anexe aos autos cópia integral da Notificação de Lançamento objeto destes autos, relativa ao ano-calendário 2001; 2 - Solicitar que a fiscalização esclareça se as alterações efetuadas no ano-calendário 2002 guardam relação com a notificação de lançamento do ano-calendário 2001, apontando quais teriam sido essas modificações e anexando a documentação correlata. Em caso de ter ocorrido autuação também para o ano-calendário 2002, informar se foi instaurado processo administrativo fiscal; 3 - Após o pronunciamento da fiscalização, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente, concedendo-lhe prazo para manifestação por escrito sobre o resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para: 1 Solicitar à Unidade de Origem que anexe aos autos cópia integral da Notificação de Lançamento objeto destes autos, relativa ao ano calendário 2001; 2 Solicitar que a fiscalização esclareça se as alterações efetuadas no ano calendário 2002 guardam relação com a notificação de lançamento do anocalendário 2001, apontando quais teriam sido essas modificações e anexando a documentação correlata. Em caso de ter ocorrido autuação também para o anocalendário 2002, informar se foi instaurado processo administrativo fiscal; 3 Após o pronunciamento da fiscalização, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente, concedendolhe prazo para manifestação por escrito sobre o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 14 65 3/ 20 05 -3 1 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.014653/200531 Resolução nº 2002000.049 S2C0T2 Fl. 83 2 Relatório Auto de Infração O presente processo trata de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2002, ano calendário 2001, o qual alterou o resultado da Declaração de saldo de imposto a restituir declarado de R$31.697,43 para saldo de imposto a restituir igual a R$33,72. A autuação procedeu a glosa integral das contribuições à previdência oficial (de R$1.608,25 para zero) e privada (de R$32.837,48 para zero) e parcial do IRRF (de R$93.157,42 para R$33,72) declarados. O lançamento alterou ainda os rendimentos tributáveis, de R$273.645,71 para R$5.026,83 (fl.15). Impugnação Cientificada do lançamento em 28/9/2005, ingressou a contribuinte, em 20/10/2005, com a impugnação de fls. 2/23, assim sintetizada na decisão recorrida: Afirma a contribuinte que observou ao fazer a sua declaração o RIR/99 e o CTN, mas que a fonte pagadora não o teria feito, tampouco considerado o art. 15 da IN 108, de 2001. Em suma, a impugnante discorda de: a) descumprimento do exercício de competência fiscal da fonte pagadora; b) DIRF informada com valores indevidos do contribuinte, pela fonte pagadora; c) processamento sem base completa pelos auditores da SRF. À vista do exposto, requer a improcedência do feito fiscal. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, julgou o lançamento procedente em parte, em decisão assim ementada (fls. 60/63): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 COMPROVAÇÃO DE RESTITUIÇÃO. Comprovado nos autos que ao contribuinte já lhe foi restituído parte do imposto, refazemse os cálculos para ajustar aos novos valores. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.014653/200531 Resolução nº 2002000.049 S2C0T2 Fl. 84 3 O colegiado de primeira instância refez os cálculos, levando em conta o saldo de imposto a restituir resgatado pela contribuinte no anocalendário 2002, apurando saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/5/2009 (fl. 66), a contribuinte, em 25/6/2009 (fl. 67), apresentou recurso voluntário, às fls. 67/80, no qual alega, em apertado resumo, que: a decisão recorrida teria mantido o erro cometido pela fiscalização. sua declaração do anocalendário conteria erro material, uma vez que teria informado rendimentos de R$268.618,88, pagos pelo Banco Real S/A, quando o valor correto seria de R$210.525,54. o valor depositado para ela em decorrência da ação judicial teria sido de R$287.380,43. Deduzidos honorários advocatícios (R$76.237,20), despesas com perícia e custos bancários, o valor a ser informado seria de R$210.525,54. Computando os demais rendimentos, caberia a tributação do montante de R$215.552,37. a base de cálculo passaria a R$181.106,64. faria jus a deduzir a previdência oficial, no valor de R$1.608,25, e a previdência privada, no valor de R$32.837,48. o resultado apurado seria de saldo de imposto a restituir de R$47.673,09. a fonte pagadora e a RFB teriam cometido erro significativo ao deslocar o rendimento auferido para o anocalendário seguinte, fato reconhecido na decisão recorrida. os documentos juntados apontariam o resgate do valor de R$287.380,43 em 30/10/2001, que se trataria do valor incontroverso a fiscalização teria utilizado comprovante de rendimento relativo a parte controversa do feito judicial, emitido em 5/5/2005 pela fonte pagadora e que não retrataria a situação ocorrida em 2001. a decisão recorrida teria ignorado as deduções relativas às contribuições previdenciárias, oficial e privada. os comprovantes das contribuições não teriam sido juntados a sua impugnação, porque a matéria não estaria sob julgamento. A fiscalização não teria glosado tais deduções e tampouco intimado a contribuinte a apresentar os documentos na fase investigatória. faria jus a ter restituído o montante de R$47.673,09, acrescidos de juros Selic desde maio de 2002 até seu efetivo recebimento. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.014653/200531 Resolução nº 2002000.049 S2C0T2 Fl. 85 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar de diligência Em seu recurso, a recorrente alega que não anexou comprovantes das contribuições à previdência oficial e privada porque não estariam em julgamento, que essas deduções não teriam sido glosadas. À fl. 15, no campo relativo às observações da autuação, constam alterações dessas deduções. Entretanto, verifico que não foi anexada aos autos a cópia integral da Notificação de Lançamento relativa ao anocalendário 2001, constando apenas fls. 14/15 (fl. 15 igual à fl.16), que não consignam as infrações notificadas. Em seguida, da leitura da decisão do colegiado de primeira instância, destaco o seguinte trecho: Compulsando os autos e analisando os dados dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), observase que, mesmo com os prejuízos alegados pela própria impugnante ao Fisco, houve um aceito pela Fiscalização da sua declaração do anocalendário de 2002, conforme a seguir (fl. 54): “Rendimentos alterados de acordo com a DIRF/2002 da fonte pagadora de CNPJ nº 33.066.408/000115 no valor de R$367.481,31 descontado o pagto de honorários advocatícios no vlr de R$76.237,20 conforme lançado no exercício anterior e somado o rendimento declarado deste exercício." Essa alteração feita pela Fiscalização mudou a restituição da contribuinte no anocalendário de 2002 de R$0,00 para R$35.663,78, disponível no Banco do Brasil desde 20/10/2005, resgatado em 31/10/2005 (fl. 53). É dizer, de forma direta e simples: a contribuinte declarou no ano calendário de 2001 ter direito à restituição de R$ 31.697,43, tendolhe sido restituído R$54,33 (fl. 11); já para o anocalendário de 2002, declarou ter direito à restituição de R$0,00, tendolhe sido restituído, após o referido acerto, o valor de R$35.663,78 (fl. 53). Dessa forma, em que pese o desencontro de informações prestadas pela fonte pagadora, verdade é que à contribuinte já lhe foi restituída parte do imposto de renda pleiteado. É nesse sentido, crêse, que a impugnante, via seu procurador, em 28 de novembro de 2005, voltou aos autos para falar do prejuízo gerado Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.014653/200531 Resolução nº 2002000.049 S2C0T2 Fl. 86 5 ao Fisco, anexando uma série de documentos. Não volta a requerer novamente a restituição pleiteada na exordial, até mesmo porque, nessa data, como visto, a restituição no valor de R$35.663,78 já tinha sido objeto de resgate pela contribuinte. Pensar de modo diferente, seria enriquecimento ilícito, sem causa, vedado pelo Direito por total falta de fundamento jurídico. Assim, vêse que o lançamento em análise, relativo ao anocalendário 2001, estaria vinculado a alterações efetuadas pela fiscalização no anocalendário 2002. Depreende se que a fiscalização trabalhou os dois anoscalendário em conjunto. Isto posto, voto por converter o julgamento em diligência para: 1 Solicitar à Unidade de origem que anexe aos autos cópia integral da Notificação de Lançamento objeto destes autos, relativa ao anocalendário 2001. 2 Solicitar que a fiscalização esclareça se as alterações efetuadas no ano calendário 2002 guardam relação com a notificação de lançamento do anocalendário 2001, apontando quais teriam sido essas modificações, anexando a documentação correlata. Em caso de ter ocorrido autuação, anexar a autuação correspondente, informando se foi instaurado processo administrativo fiscal. 3 Após o pronunciamento da fiscalização, deverá ser oportunizado o contraditório à recorrente, concedendolhe prazo para manifestação por escrito sobre o resultado da diligência. Conclusão Voto, portanto, por converter o julgamento em diligência, nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 86DF CARF MF
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