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Numero do processo: 19515.721277/2012-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007
RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA.
A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso, nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 103.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.º 08 do STF.
TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
GLOSA INDEVIDA. CANCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Constatada pela Autoridade Fiscal que foram efetuadas glosas indevidas, ensejando o lançamento tributário para constituir os respectivos créditos, é lícito o seu cancelamento.
Numero da decisão: 3302-006.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso de ofício em sua totalidade, vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator) que não conhecia do recurso de ofício quanto à exoneração do crédito relativo à decadência declarada pela decisão de primeira instância e, no mérito, por unanimidade de votos, em lhe negar provimento. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso, nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 103. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.º 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). GLOSA INDEVIDA. CANCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatada pela Autoridade Fiscal que foram efetuadas glosas indevidas, ensejando o lançamento tributário para constituir os respectivos créditos, é lícito o seu cancelamento.
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ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso, nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 103. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.º 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). GLOSA INDEVIDA. CANCELAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Constatada pela Autoridade Fiscal que foram efetuadas glosas indevidas, ensejando o lançamento tributário para constituir os respectivos créditos, é lícito o seu cancelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso de ofício em sua totalidade, vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho (relator) que não conhecia do recurso de ofício quanto à exoneração do crédito relativo à decadência declarada pela decisão de primeira instância e, no mérito, por unanimidade de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 77 /2 01 2- 40 Fl. 8493DF CARF MF Processo nº 19515.721277/201240 Acórdão n.º 3302006.535 S3C3T2 Fl. 144 2 votos, em lhe negar provimento. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator (assinado digitalmente) Walker Araujo Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: O processo em exame versa sobre um lançamento de Pis e outro de Cofins, ambos realizados em 11/06/2012 pela DEFIS/SP devido à insuficiência de recolhimento dos débitos dessas contribuições relativos ao período de maio a dezembro de 2007. O lançamento do Pis foi formalizado no auto de infração anexo às fls. 5.363/5.367, cujos demonstrativos se acham nas fls. 5.368/5.371; já o da Cofins deu origem ao auto de infração anexo às fls. 5.372/5.377, acompanhado dos demonstrativos juntados nas fls. 5.378/5.381. O crédito tributário exigido — composto de principal, multa de ofício de 75% e juros moratórios — perfaz os montantes de R$ 4.205.248,94 no caso do Pis e de R$ 19.369.631,48 no caso da Cofins. No Termo de Verificação Fiscal anexo às fls. 5.350/5.362, a autoridade autuante esclarece que, em fiscalização relacionada a seis pedidos eletrônicos de ressarcimento referentes ao ano de 2007, encontrou várias inconsistências na documentação fornecida pelo sujeito passivo (memórias de cálculo, notas fiscais, etc.), o que a levou a glosar integralmente os créditos de Pis e Cofins apurados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais (DACON) relativos ao período de maio a dezembro desse ano. Como parte dos créditos havia sido deduzida das contribuições apuradas no período, conforme registram as fichas 15B (Pis) e 25B (Cofins) dos respectivos DACON, lavrou o auditor os autos Fl. 8494DF CARF MF Processo nº 19515.721277/201240 Acórdão n.º 3302006.535 S3C3T2 Fl. 145 3 de infração em exame a fim de lançar de ofício os valores deduzidos, os quais não haviam sido recolhidos nem declarados em DCTF. Tomando conhecimento da autuação por via postal em 14/06/2012 (fl. 5.391), apresentou a interessada em 16/07/2012 — tempestivamente portanto — a impugnação anexa às fls. 5.396/5.462, acompanhada dos documentos reunidos nas fls. 5.463/5.501. Posteriormente apresentou ainda os documentos juntados nas fls. 5.504/5.575 e 5.577/5.613. Alega, em síntese, que, em vez de analisar todos os documentos por ela fornecidos no decurso da fiscalização, o autuante se limitou a glosar integralmente os créditos apurados no período de maio a dezembro de 2007, sem perquirir a natureza das despesas incorridas. Afirma também que auditoria realizada em seus registros fiscais e contábeis pela empresa KPMG, cujo relatório se acha nas fls. 5.494/5.501, confirma a total legitimidade dos créditos apropriados. Discorre sobre os diversos tipos de crédito glosados, procurando demonstrar a improcedência das glosas, e argúi a decadência do crédito tributário relativo a maio de 2007. Finalmente, requer a realização de diligência em seu estabelecimento para que se verifiquem e analisem todos os documentos fiscais relativos ao ano de 2007. Vindo o processo às minhas mãos, após examinálo, em despacho exarado nas fls. 5.618/5.621, propus seu envio à unidade jurisdicionante do sujeito passivo para que se tomassem as seguintes providências: “1. Analisar os documentos apresentados na fase de impugnação, anexos aos autos, bem como intimar a empresa a apresentar a documentação que alega estar em suas dependências à disposição das autoridades fiscais. 2. Apresentar relatório conclusivo, fundamentando, mês a mês, a glosa ou manutenção dos créditos relativos a cada uma das rubricas que compõem o montante rejeitado pela autoridade autuante. Os valores de cada rubrica deverão ser discriminados em separado e de forma pormenorizada, procedendose assim inclusive no tocante aos diferentes tipos de frete e aos créditos extemporâneos apropriados pela empresa. 3. Se verificada a procedência de parte dos créditos glosados, recalcular, a partir das conclusões contidas nesse relatório, o crédito tributário exigido no auto de infração de Pis e no de Cofins.” Os autos foram encaminhados ao próprio autuante, que, em minuciosa Informação Fiscal anexa às fls. 8.106/8.147, descreve como realizou a diligência e os resultados obtidos. Informa em síntese que, reexaminando — com base em novos documentos fornecidos pela empresa — os diversos tipos de crédito glosados, verificou que parte expressiva deles era Fl. 8495DF CARF MF Processo nº 19515.721277/201240 Acórdão n.º 3302006.535 S3C3T2 Fl. 146 4 legítima, o que o levou a recompor os DACON do período nas planilhas reunidas nas fls. 8.076/8.105. A recomposição compreende também o mês de abril de 2007, embora este não tenha sido objeto de lançamento. Conforme os quadros sinóticos incluídos nas fls. 8.146 in fine e 8.147, tais planilhas demonstram que os créditos disponíveis eram suficientes para realizar as deduções feitas nos meses de junho a dezembro de 2007 e parte das deduções relativas ao mês de maio do mesmo ano. Intimada a manifestarse a respeito do resultado da diligência, a contribuinte apresentou o arrazoado anexo às fls. 8.158/8.200, acompanhado de vários documentos (fls. 8.201/8.469), no qual, além de alegar a existência de vícios no processo, volta a discorrer sobre os diversos tipos de crédito glosados e contesta a manutenção de parte das glosas pela autoridade fiscal. A Sexta turma da DRJ São Paulo julgou a impugnação procedente, nos termos do Acórdão nº 1675.607, de 27 de janeiro de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. PA 05/2007. No que respeita às contribuições sociais, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 anos, consoante a Súmula Vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da lei nº 8.212/91. Segundo o Parecer PGFN/CAT Nº 1.617/2008, havendo pagamento antecipado da contribuição — ainda que parcial — e não ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o termo a quo será a data de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do CTN. CRÉDITOS APURADOS DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. GLOSA INDEVIDA. PA 06/2007 a 12/2007. Verificada a legitimidade dos créditos cuja glosa deu origem ao lançamento impugnado, cumpre cancelálo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. PA 05/2007. No que respeita às contribuições sociais, o prazo decadencial para constituir o crédito tributário é de 5 anos, consoante a Súmula Vinculante nº 8, que declarou inconstitucional o art. 45 da lei nº 8.212/91. Segundo o Parecer PGFN/CAT Nº 1.617/2008, havendo pagamento antecipado da contribuição — ainda que parcial — e não ocorrendo as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o termo a quo será a data de ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, parágrafo 4º, do CTN. Fl. 8496DF CARF MF Processo nº 19515.721277/201240 Acórdão n.º 3302006.535 S3C3T2 Fl. 147 5 CRÉDITOS APURADOS DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. GLOSA INDEVIDA. PA 06/2007 a 12/2007. Verificada a legitimidade dos créditos cuja glosa deu origem ao lançamento impugnado, cumpre cancelálo. Impugnação Procedente O acórdão foi submetido ao recurso necessário em vista do valor exonerado, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72, em conformidade com o disposto na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. É o breve relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A decisão de primeira instância possui dois capítulos, um que versa sobre a decadência e outro sobre questões de prova. A questão da decadência do direito de a Fazenda Pública constituir créditos tributários referentes ao período de apuração 05/2007, está fora do limite de alçada previsto da Portaria nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, de forma que não conheço desta parte da revisão de ofício, nos termos do Enunciado de Súmula CARF nº 103. "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". Decadência Uma vez vencido quanto ao não conhecimento da questão da decadência, passo à análise. A questão da decadência do direito de a Fazenda Pública constituir créditos tributários está pacificada no CARF, pois o Supremo Tribunal Federal publicou no Diário Oficial da União, do dia 20/06/2008, o enunciado da Súmula vinculante nº 08, decisão sobre o tema, in verbis: “Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Fl. 8497DF CARF MF Processo nº 19515.721277/201240 Acórdão n.º 3302006.535 S3C3T2 Fl. 148 6 Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Sobre a matéria “súmula vinculante”, aduzo abordagem digna de aplausos do Ministro Gilmar Mendes: Outra situação decorre de adoção de súmula vinculante (art. 103A da CF, introduzido pela EC n. 45/2004), na qual se afirma que determinada conduta, dada prática ou uma interpretação é inconstitucional. Nesse caso, a súmula acabará por dotar a declaração de inconstitucionalidade proferida em sede incidental de efeito vinculante. A súmula vinculante, ao contrário do que ocorre no processo objetivo, decorre de decisões tomadas em casos concretos, no modelo incidental, no qual também existe, não raras vezes, reclamo por solução geral. Ela só pode ser editada depois de decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal ou de decisões repetidas das Turmas. Desde já, afigurase inequívoco que a referida súmula conferirá eficácia geral e vinculante às decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal sem afetar diretamente a vigência de leis declaradas inconstitucionais no processo de controle incidental. E isso em função de não ter sido alterada a cláusula clássica, constante do art. 52, X, da Constituição, que outorga ao Senado a atribuição para suspender a execução de lei ou ato normativo declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Não resta dúvida de que a adoção de súmula vinculante em situação que envolva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo enfraquecerá ainda mais o já debilitado instituto da suspensão de execução pelo Senado. É que essa súmula conferirá interpretação vinculante à decisão que declara a inconstitucionalidade sem que a lei declarada inconstitucional tenha sido eliminada formalmente do ordenamento jurídico (falta de eficácia geral da decisão declaratória de inconstitucionalidade). Temse efeito vinculante da súmula, que obrigará a Administração a não mais aplicar a lei objeto da declaração de inconstitucionalidade (nem a orientação que dela se dessume), sem eficácia erga omnes da declaração de inconstitucionalidade.(grifo meu) Portanto, dada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, há de se definir o termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O texto abaixo reflete a orientação da doutrina sobre o tema: “Há uma discussão importante acerca do prazo decadencial para que o Fisco constitua o crédito tributário relativamente aos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Nos parece claro e lógico que o prazo deste § 4º tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias da espécie. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte e que supre a necessidade de um lançamento por parte do Fisco, satisfeito que estará o respectivo crédito. É neste prazo para homologação que o Fisco deve Fl. 8498DF CARF MF Processo nº 19515.721277/201240 Acórdão n.º 3302006.535 S3C3T2 Fl. 149 7 promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, entendendo que é insuficiente, fazendo o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, pois, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4º deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, em havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos.” (Leandro Paulsen, Direito Tributário, Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 6ª ed., p. 1011) “Ora, no caso da homologação tácita, pela qual se aperfeiçoa o lançamento, o CTN estabelece expressamente prazo dentro do qual se deve considerar homologado o pagamento, prazo que corre contra os interesses fazendários, conforme § 4º do art. 150 em análise. A conseqüência – homologação tácita, extintiva do crédito – ao transcurso in albis do prazo previsto para a homologação expressa do pagamento está igualmente nele consignada” (Misabel A. Machado Derzi, Comentários ao CTN, Ed. Forense, 3a ed., p. 404). Contudo, para a efetiva solução da presente lide, chamo atenção para o Resp nº 973733, no qual o Superior Tribunal de Justiça decidiu sobre a matéria, sob a sistemática prevista pelo art. 543C. Segue a ementa do julgado, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o Fl. 8499DF CARF MF Processo nº 19515.721277/201240 Acórdão n.º 3302006.535 S3C3T2 Fl. 150 8 "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como sabemos, o art. 62A do Regimento Interno do CARF determina a aplicação das decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, na sistemática prevista nos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869/73. Após breve passeio pela jurisprudência, retornando ao caso em epígrafe, verificase que o sujeito passivo tomou ciência do auto de infração em 14/06/2012 e que houve antecipação de pagamento, conforme exige o art. 150, § 4º do CTN, de sorte que o prazo decadencial deverá começar a fluir a partir da ocorrência do fato gerador. Neste sentido, declaro que decaiu o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao período de apuração, cujo fato gerador se deu em 31/05/2007. Glosas em virtude de diligência fiscal. Quanto ao capítulo referente à exoneração dos débitos do PIS e da Cofins em virtude da existência de créditos das contribuições para compensar, dele conheço pois o crédito tributário exonerado ultrapassa o limite de alçada previsto na legislação. Consta nos autos que a Autoridade Fiscal efetuou o lançamento tributário do PIS e da Cofins referente aos períodos de apuração compreendidos entre 05/2007 e 12/2007, em função de glosas de créditos de créditos das contribuições. Acontece que em sede de impugnação o sujeito passivo apresentou diversos documentos que, em tese, subsidiariam os créditos glosados. Diante desse quadro, a Turma de primeiro converteu o julgamento em diligência para análise dos referidos documentos. Com resultado da diligência, a Autoridade Fiscal apresentou o relatório de e fls. 8.106/8.107, no qual asseverou que o contribuinte tinha ao seu favor créditos suficientes para contemplar os débitos tributários referentes aos períodos de apuração compreendidos entre Fl. 8500DF CARF MF Processo nº 19515.721277/201240 Acórdão n.º 3302006.535 S3C3T2 Fl. 151 9 06/2007 e 12/2007. Não obstante, afirma no mesmo relatório que para o período de 05/2007, tanto para o PIS como para a Cofins, não havia crédito suficiente para cancelar in totum a exigência fiscal, opinando pelo cancelamento parcial da exigência fiscal do mencionado período de apuração. Foi exatamente neste sentido que seguiu o acórdão ora recorrido, cancelando totalmente a exigência fiscal do PIS e da Cofins referente aos fatos geradores ocorridos entre 06/2007 e 12/2007, cancelando parcialmente os referentes a 05/2007. Como a Turma da Delegacia de Julgamento motivou sua decisão no resultado da diligência fiscal, não vejo reparos a fazer neste capítulo. Sendo assim, nego provimento. É como voto. Sala das Sessões, Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo Redator Designado Em que pese as razões arroladas pelo ilustre Relator, peço licença para divergir do não conhecimento em parte do recurso de ofício. Isto porque, a metodologia utilizada na aplicação da Portaria nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, no sentido de que o limite de alçada deve ser auferida pelos fundamentos ou capítulos que ensejaram a exoneração do crédito tributário, ao menos para este redator, não me parece o mais adequado. Com efeito, o limite de alçada previsto na referida norma, deve ser verificado por processo, este entendido como o montante do crédito tributário exonerado no processo e, não por capítulos como explicitado pelo nobre relator. É o que extraio da Portaria 63, a saber: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 8501DF CARF MF Processo nº 19515.721277/201240 Acórdão n.º 3302006.535 S3C3T2 Fl. 152 10 Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Neste cenário, entendo que o recurso de ofício deve ser conhecido integralmente, considerando que o montante total exonerado ultrapassa o limite de alçada prevista na referida Portaria. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 8502DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.000153/2007-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 0110712004 a 3010912004 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE.
Comprovado o erro de fato e a existência de crédito homologa-se a
compensação.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.187
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para homologar a compensação pleiteada. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Daniel Santiago — OAB-BA n° 1.675-9.
Nome do relator: MARIA TEREZA MARTINEZ LÓPEZ
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RETIFICAÇÃO DA DCTF. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. Comprovado o erro de fato e a existência de crédito homologa-se a compensação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara / 1' turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para homologar a compensação pleiteada. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Daniel Santiago — OAB- BA n° 1.675-9. 4•10111, I0 MARCOS CkN DO P iesid nte em" MARIA RESA MARTÍNEZ LOPEZ Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim e Ivan Allegretti (Suplente). o , Processo n° 13502.00015312007-22 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 180 Relatório Trata-se de pedido de compensação de créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior de Cofins com débitos próprios administrados pela Secretaria da Receita Federal. A DCOMP foi transmitida em 26/10/2005. Em prosseguimento, adoto e transcrevo, a seguir, o relatório que compõe a Decisão Recorrida: "Trata-se de pedido de compensação de crédito próprio, oriundo de pagamento indevido ou a maior, no valor de R$ 18.453,45, conforme Declarações de Compensação (DCOMP) de fls. 02/11, com débitos de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Conforme Despacho Decisório DRF/CCI n2 190/2007 (lls. 56/57), embasado no Parecer DRF/CCI n 2 015/2007 (fls. 45/52), o pleito foi deferido em parte, reconhecendo o direito ao crédito no valor de R$ 1.024,97, relativo à diferença entre a multa de mora recolhida (R$ 4.927,93) e a efetivamente devida (R$ 3.902,96), em razão da quitação intempestiva do débito da Cofins, e homologar a compensação dos débitos constantes das DCOMP até o limite do crédito reconhecido. Em 14/06/2007, a contribuinte foi comunicada do despacho decisório e carta cobrança dos débitos remanescentes, cuja compensação não foi homologada em razão de insuficiência de crédito (fls. 58 a 63). Em 16/07/2007, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade (fls. 64/76), alegando, em síntese, que: (i) Em 12/11/2004, a manifestante transmitiu DCTF declarando débito da Cofins do período julho de 2004, vencido em 13/08/2004, no valor de R$ 787.310,75 (fls. 92/94). (ii) Fez recolhimento no valor de R$ 147.839,52 (fl. 96) e a compensação do valor remanescente de R$ 639.471,23. (iii) Posteriormente, em face de auditoria interna, constatou o equívoco da apuração, pelo que transmitiu DCTF retificadora, reduzindo o valor declarado de R$ 787.310,75 para R$ 768.857,30, ensejando uma diferença a restituir de R$ 18.453,45. (iv) Assim, a manifestante efetivou a compensação do aludido crédito com débitos próprios de CSLL e Cofins, por meio dos PER/DCOMPs de fls. 120/131, indicando que o crédito tivera origem no DARF de R$ 147.839,52. (v) Mas, por equívoco, ao retificar a DCTF relativa ao crédito, ao invés de reduzir o valor pago Mn DARF, acabou reduzindo o valor compensado, embora as PERIDCOMP não tenham sofrido (2 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 181 qualquer alteração, subsistindo o valor compensado de R$ 639.471,23. (vi) Assim, a autoridade recorrida entendeu por deferir tão- somente o direito à restituição de R$ 1.024,97 relativa ao excedente de multa de mora ao invés dos R$ 18.453,45. (vii) Todavia, percebendo o erro formal cometido, a manifestante procedeu a retificação da DCTF, quanto à Cofins apurada em julho de 2004, que deu origem ao crédito, mantendo o valor de R$ 768.857,30 para a Cofins; reduziu o valor pago com DARF para R$ 129.386,07; e restabeleceu as compensações no valor de R$ 639.471,23, declaradas nas DComp lá referidas. (viii) Por isso, entende que é cristalino o direito à restituição de R$ 18.453,45, pois tão logo constatou o equivoco providenciou a retificação da DCTF, conforme facultado pela legislação que menciona. Ante o exposto, requer a reforma do Despacho Decisório questionado, para declarar o direito à totalidade do crédito pleiteado e homologar a respectiva compensação." Por meio do Acórdão DRJ/SDR n° 15-15.980, de 18 de junho de 2008, os Membros da 4' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA decidiram, por unanimidade de votos, não homologar a compensação. A Ementa dessa decisão possui a seguinte redação: "Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COMPENSAÇA-0. RETIFICAÇÃO DA DCTF. Incabível a homologação de compensação com base em DCTF retificada após a data de indeferimento do pleito pela autoridade administrativa recorrida. Compensação não homologada." Inconformada com a decisão prolatada pela primeira instância, a contribuinte apresenta recurso voluntário a este Eg.Conselho, no qual, em síntese e fundamentalmente alega que não há vedação legal na legislação normativa para retificação da DCTF tendo em vista que houve erro no preenchimento das declarações apresentadas. Transcreve artigos da IN RFB no 600/2005. Invoca o direito à restituição e possibilidade de retificação da DCTF face o erro formal cometido pela contribuinte. Reitera não ter procedido a nenhuma retificação nas PER/DCOMPs transmitidas e já analisadas pela fiscalização. Invoca a IN n° 786/2007 que dispõe sobre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) para dizer que não está enquadrada em nenhuma das vedações previstas no art. 11, § 2° da aludida instrução normativa. Quanto ao erro formal, traz jurisprudência da CSRF (AC n° CSRF/01-0079, de 13/06/1980) a qual repele a sobreposição do aspecto formal em detrimento do direito material. No mais cita jurisprudência do Judiciário e das Câmaras do então Conselho de Contribuintes, que no seu entender lhe são favoráveis ao pleito. É o relatório. 3 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 182 Voto Conselheira MARIA TERESA MARTINEZ LÓPEZ, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado tratam os autos de pedido de compensação de créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior de Cofins com débitos próprios administrados pela Secretaria da Receita Federal. O centro de discussão está na possibilidade de retificação de DCTF após a data de indeferimento do pleito pela autoridade administrativa recorrida. Veja-se a ementa da decisão recorrida: "COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. Incabível a homologação de compensação com base em DCTF retificado após a data de indeferimento do pleito pela autoridade administrativa recorrida." A legislação que normatiza a compensação permite que a contribuinte, ao apurar crédito, seja por recolhimento indevido ou a maior de tributo ou contribuição administrados pela SRF, efetue a compensação por meio da Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP. Como a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação, a administração, ao verificar a existência de PER/DCOMP em nome da contribuinte, formalizou o presente processo a fim de analisar se a compensação era ou não procedente. A PER/DCOMP apresentada tem como objetivo compensar crédito de Cofins que resultou de pagamento com DARF efetuado a maior, relativamente ao período de apuração de 07/2004, com a própria Cofins e CSLL devidas, respectivamente, em 11/2004 e 09/2005, e devidamente declaradas em DCTF (fls. 25/28 e 33/36). • Ocorre que, em razão de uma série de erros de fato cometidos pela contribuinte ao preencher sua DCTF, o julgador de primeira instância não homologou a compensação. Vejamos o ocorrido com a DCTF que informava o crédito de Cofins: Data Valor do débito DARF Valor C entrega informado vincula do compensa do ád ito DCTF 1 12/11/2004 787.310,75 147.839,52 639.471,23 - DCTF 2 01/02/2006 768.857,30 147.839,52 621.017,78 - ! DCTF 3 12/07/2007 768.857,30 147.839,52 639.471,23 18.453,45 O que se pode constatar pelos autos é que a última DCTF retificadora foi entregue em data posterior à decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Camaçari/BA, que ocorreu em 21/05/2007. 4 1 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-CIT1- Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 183 Em razão disso, a DRJ/Salvador entendeu por bem não acatar a retificação sob fundamento ao meu ver equivocado da figura da denúncia espontânea. A entrega não poderia ser considerada espontânea por ter ocorrido após início do procedimento de oficio, conforme previsto no artigo 138 do CTN. A final, concluiu que o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade e impõe o lançamento de oficio dos tributos. Em primeiro lugar, entendo não ser aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea. Vejamos: Mister observar que o caso presente trata de pedido de compensação, e não de lançamento de oficio, portanto, é a partir dessa premissa que temos que analisar a validade ou não da DCTF retificadora de 12/07/2007. Os débitos que seriam exigíveis, no caso presente, seriam aqueles com os quais a contribuinte efetuou compensação (CSLL e Cofins), e não o débito envolvido na DCTF retificadora, que na verdade é a geradora do crédito. Outro aspecto importante, é que a DCTF retificadora não foi apresentada para confessar débito não confessado anteriormente, ao contrário, prestou-se para diminuir o valor originalmente declarado com erro. O procedimento adotado não se encontra em contradição com as vedações previstas na IN n° 600/2005 para retificação da DCTF. Caso realmente não existisse crédito, ainda assim não haveria como se falar em denúncia espontânea uma vez que os débitos de CSLL e Cofins objeto da compensação já estavam confessados em DCTF (fls. 25/28 e 33/36), tanto que se pretendeu efetuar os pagamentos via compensação. Tanto o artigo 138 do CTN como o artigo 47 da Lei n° 9.430/96 aplicam-se aos pagamentos ou declarações de débitos extemporâneos, ou seja, após iniciado o procedimento fiscal, um contribuinte retifica sua DCTF para declarar débitos não declarados e paga-os já durante a fiscalização. Tanto assim que o objetivo de referida legislação é a aplicabilidade ou não de multa, e não a cobrança do crédito em si. Assim, a apresentação da DCTF retificadora após a decisão da DRF é irrelevante para a análise do presente processo eis que o importante é verificar a existência ou . não de crédito. Em verdade, uma vez que o procedimento eletrônico foi transformado em manual para averiguação da veracidade das informações prestadas pela contribuinte, não deveria ter sido ultrapassada justamente a etapa em que se averiguaria a existência do crédito para se ater a pesquisas de formulários eletrônicos. É que, conforme fl. 50 da decisão da DRF, a análise foi realizada com base apenas nas informações contidas no sistema informatizado da SRF. A qualquer momento, se a contribuinte tem como apresentar prova irrefutável e inequívoca da inexistência de débito - muito embora aqui estejamos tratando da existência do crédito, referida prova tem que ser analisada pela autoridade julgadora, posto que não se pode cobrar débito inexistente. Assim, se a contribuinte apontou em sua manifestação de inconformidade que apenas cometeu erro de preenchimento em sua DCTF, a existência do débito deixa de ser líquida e certa, e sua cobrança não deve se efetivar até que se proceda à averiguação necessária. tf, 5 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 184 Aliás, é justamente para que a autoridade julgadora forme seu convencimento é que temos à disposição o artigo 18 do Decreto 70.235/72 1 . Desta forma, se a contribuinte está demonstrando que errou ao apresentar suas informações, mesmo que a retificação da DCTF tenha ocorrido posteriormente à decisão da DRF, não poderia a autoridade julgadora simplesmente ignorar tal fato e dar continuidade à cobrança de débito que se demonstra inexistente, mesmo porque, é na manifestação de inconformidade que a contribuinte deve juntar as provas de sua razão, ainda que referidas provas demonstrem que o erro foi cometido por ela mesma. Ainda, relativamente à compensação, assim está disposto o artigo 4° da 1N/SRF n° 600/05: "Art. 42 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas." Mas entendo que nem é o caso de se proceder a diligência fiscal, pela documentação acostada aos autos, senão vejamos: A contribuinte apresentou a retificadora da DCTF para, além de regularizar sua situação perante os controles da SRF, poder demonstrar a existência do crédito. À manifestação de inconformidade estão anexadas todas as PER/DCOMPs (fls. 96/131) que compõem o pagamento de Cofins de julho/04 por meio de compensação (R$ 639.471,23) e também do DARF de R$ 147.839,52. Como referidas PER/DCOMPs não sofreram retificações, é certo que no sistema da SRF estão vinculadas ao débito de Cofins de julho/2004 Assim, se o débito desse período de apuração era de R$ 768.857,30, e as compensações representam o pagamento de R$ 639.471,23, restaria efetuar o pagamento via DARF do saldo a pagar de R$ 129.386,07. Portanto, se o saldo a pagar era de R$ 129.386,07 e foi recolhido um DARF de R$147.839,52 (fl. 96), é certo que a diferença entre esses valores (R$ 18.453,45) representa ?ft!- um crédito, com o qual a legislação permite que a contribuinte efetue compensação. No mais, penso aplicável o artigo 2° da Lei ° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, a qual regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, a seguir transcrito: "Art. 2 0 - A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. O princípio da razoabilidade é de fundamental importância na aplicação do Direito e satisfação da Justiça. A razoabilidade I "Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine." 6 Processo n° 13502.000153/2007-22 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.187 Fl. 185 contrapõe-se a racionalidade, diante da insuficiência de seus critérios, permitindo soluções que não seriam possíveis no estrito campo do formalismo, e auxiliando na fundamentando das "decisões jurídicas razoáveis"." Não faz nenhum sentido que se insista na cobrança de um débito apenas e tão somente pela não aceitação de uma retificadora de declaração inexata. Por todo o exposto, uma vez comprovada documentalmente a existência de crédito, e demonstrado que a contribuinte apenas cometeu erro de fato ao preencher sua DCTF, voto por dar provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação efetuada e determinar o cancelamento da cobrança. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2009. 7.; 7 1.-''' "- MARIA TERE 1ARTÍNEZ LÓPEZ f" 7
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902389/2013-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.780
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrente BRAZIL TRADING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência, uma vez que somente foram apresentados os DACON e DCTF retificadores. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada). Relatório Tratase de pedido de compensação relacionado a crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS Não cumulativo. Após a transmissão de despacho decisório não homologando a compensação pleiteada, sob a justificava do crédito pleiteado ter sido utilizado para quitar débito de PIS Não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 02 38 9/ 20 13 -4 6 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10783.902389/201346 Resolução nº 3402001.780 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo do período, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade informando que os débitos de PIS originariamente informados em DCTF foram revisados e reduzidos, ensejando em pagamento indevido ou a maior no período. Como comprovante, apresentou, dentre outros documentos, cópia da DCTF e DACON retificadores. Esta defesa foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento, nos termos do Acórdão nº 06054.094 que concluiu que a retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original.: Intimada desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade do despacho decisório, face a ausência de motivação expressa para a não homologação da compensação pleiteada; (ii) no mérito, a necessidade de reconhecimento do crédito, devidamente respaldado pela retificação dos documentos fiscais (DCTF e DACON). Sustenta a possibilidade de retificação da DCTF para refletir os dados do DACON mesmo após a transmissão do PER/DCOMP (Parecer Normativo COSIT n.º 2/2015), indicando a possibilidade da conversão do processo em diligência para confirmar a validade das informações. Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.773, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10783.902380/201335, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.773): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Entendo, contudo, pela necessidade de conversão do processo em diligência para verificar a validade do crédito pleiteado pelo sujeito passivo. Como se depreende dos presentes autos, a Recorrente entende que seria suficiente a retificação do DACON e, posteriormente, da DCTF, para confirmar a validade do seu crédito. Contudo, necessário ainda que, além deste indício da existência do crédito, sejam Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10783.902389/201346 Resolução nº 3402001.780 S3C4T2 Fl. 4 3 analisados os documentos contábeis e fiscais necessários à confirmar a validade das informações constantes do DACON. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito (DACON e DCTF retificadores), entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em seu DACON retificador (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10783.902389/201346 Resolução nº 3402001.780 S3C4T2 Fl. 5 4 modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre o DACON original e o DACON retificador). (ii) elabore relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte no DACON retificador estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722122/2011-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO.
Comprovado o desvirtuamento da finalidade da entidade isenta, é cabível a suspensão da isenção de associação civil sem fins lucrativos.
REMISSÃO. ARTIGO 30-B DA LEI 11.051/2004.
São remidos os créditos tributários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, bem como anistiados os respectivos encargos legais, multas e juros de mora quando relacionados à falta de pagamento da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores passíveis de exclusão das suas bases de cálculo nos termos do art. 30-A, da Lei Federal 11.051/2004.
Numero da decisão: 3401-005.767
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar do lançamento a parcela objeto de remissão pelo artigo 30-B da Lei 11.051/2004, com a redação dada pela Lei 12.649/2012.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Comprovado o desvirtuamento da finalidade da entidade isenta, é cabível a suspensão da isenção de associação civil sem fins lucrativos. REMISSÃO. ARTIGO 30-B DA LEI 11.051/2004. São remidos os créditos tributários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, bem como anistiados os respectivos encargos legais, multas e juros de mora quando relacionados à falta de pagamento da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores passíveis de exclusão das suas bases de cálculo nos termos do art. 30-A, da Lei Federal 11.051/2004.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1568; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2.445 1 2.444 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722122/201140 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.767 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente ASSOCIACAO DOS TAXISTAS GAIVOTA DE SAO PAULO. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Comprovado o desvirtuamento da finalidade da entidade isenta, é cabível a suspensão da isenção de associação civil sem fins lucrativos. REMISSÃO. ARTIGO 30B DA LEI 11.051/2004. São remidos os créditos tributários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, bem como anistiados os respectivos encargos legais, multas e juros de mora quando relacionados à falta de pagamento da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores passíveis de exclusão das suas bases de cálculo nos termos do art. 30A, da Lei Federal 11.051/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para afastar do lançamento a parcela objeto de remissão pelo artigo 30B da Lei 11.051/2004, com a redação dada pela Lei 12.649/2012. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 22 /2 01 1- 40 Fl. 2545DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.446 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente o conselheiro Cássio Schappo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 2821 e seguintes) contra decisão da 4ª Turma da DRJ/BSB, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de Autos de Infração referente à cobrança de PIS e Cofins, no período de 01/01/2007 a 31/12/2007, em razão da declaração administrativa da perda da isenção tributária realizada por intermédio do Ato Declaratório Executivo no 194, de 03.07.2011. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 1496 e seguintes) de R$2.897.385,27 (dois milhões, oitocentos e noventa e sete mil, trezentos e oitenta e cinco reais e vinte e sete centavos), referente ao Cofins, e de R$ 616.568, 29 (seiscentos e dezesseis mil, quinhentos e sessenta e oito reais e vinte e nove centavos), referente ao PIS. Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: · Mediante o Ato Declaratório Executivo nº 194, de 03 de julho de 2011, fls. 940, foi declarada suspensa a isenção tributária da interessada para o anocalendário de 2007, por inobservância ao disposto no artigo 15, caput e § 3º da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. · Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal de fls.1487/1494, intimada para apresentação dos livros e documentos de sua escrituração, a interessada manifestou opção, por meio das demonstrações entregues, pela apuração do Lucro Real, considerando como receita os valores recebidos via contratos de prestação de serviços, contribuições associativas, “jóias” pelo ingresso de novos associados, receitas financeiras e outras receitas. Também, apresentou planilha com a demonstração do PIS e Cofins apurados segundo critério de nãocumulatividade. · Nas planilhas apresentadas para apuração do PIS e da Cofins constam as receitas pela prestação de serviços de rádio táxi contratados pelas empresas tomadoras dos serviços, receitas compostas de despesas recuperadas de ingressos de novos associados (jóias), e as outras Fl. 2546DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.447 3 receitas (contribuição dos associados). Não foram computadas as receitas financeiras. · Constam, ainda, os valores de despesas para a apuração dos créditos utilizados como descontos, sendo considerados os valores de despesas relativos a energia elétrica, aluguel (pago a PJ), insumos utilizados na prestação ode serviços pagos a PJ, depreciação de imóvel e equipamentos. · Foram aplicadas as alíquotas 1,65% (Lei nº 10.637/2002) e 7,6% (Lei nº 10.8333/2003) para o cálculo do PIS e Cofins, respectivamente, e aproveitados os recolhimentos efetuados de PisFolha de Pagamento, código de receita 8301, no lançamento do PIS, bem como valores retidos em DIRF pela empresa VALEO Sistemas Automotivos Ltda, tomadora de serviços da ATAG, no mês de março de 2007, de R$ 181,50 para o PIS, e R$ 330,00 para o Cofins.(fls 2491 e seguintes) Da Impugnação A Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, em 19.12.2011 (fls. 1517 e seguintes), e apresentou Impugnação, em 17.01.2012 (fls 1536 e seguintes alegando, em síntese, o seguinte: não se enquadra em nenhuma das hipóteses prevista na legislação municipal de exploração de transporte de passageiro por meio de táxi não disponibiliza, fornece ou executa serviço de transporte publico municipal; sua atividade resumise ao serviço de rádiocomunicação para táxis a fim de auxiliar usuários e taxistas objetivando proporcionar maior segurança, dinamismo e diminuição da poluição do meio ambiente com a economia de combustível. Não recebe pagamento de corridas em nome próprio mas em nome dos associados e transfere 100% do pagamento dos clientes para os respectivos associados que fizeram a corrida. Os associados são remunerados pelos passageiros por serviços de transporte. Tais remunerações são receitas dos associados, pessoas físicas. Nada tem a ver com a receita da associação. Sua atividade possui natureza meramente assistencial. O objetivo dos associados da ATAG se agruparem não é essencialmente o desenvolvimento de uma atividade econômica, como uma empresa comercial, mas sim a segurança. não há que se falar em concorrência desleal , pois não se trata de um mercado livre e aberto, mas sim atividade regulada pelo Poder Público, inclusive sujeito a política tarifária, não tendo os agentes privados qualquer discricionalidade quanto a fixação de preços dos serviços prestados. Fl. 2547DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.448 4 o fato de representar seus associados em contratos de prestação de serviços, não desqualifica seu objetivo principal, pelo contrario, o serviço de rádiotaxi reforça segurança direcionada aos taxistas integrantes de seu quadro social. a mensalidade é apurada a partir do rateio dos custos para a manutenção da estrutura à disposição dos associados; a “jóia” é um tipo de contribuição de ingresso do associado, o qual se compromete a pagar parceladamente. não obstante haver sido escriturado como “isenção de mensalidade diretoria”, na verdade tais isenções são concedidas pela diretoria aos associados na forma do artigo 8º do Estatuto Social. ademais, houvesse isenção aos diretores apenas e tãosomente da mensalidade da associação , valor ínfimo diante da movimentação financeira anual da entidade, esta não teria o condão de violar a alínea “a” do parágrafo segundo do artigo 12 da Lei 9.532/97 (não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados). Ante todo o exposto, conclui que a ATAG é uma associação civil que presta os serviços para os quais fora instituída e os coloca à disposição do grupo de associados a que esses serviços se destinam, tudo nos exatos moldes do artigo 15 da Lei 9.532/97. Destaca, assim, a inexistência de atividade econômica, bem como que a transferência de 100% do pagamento dos clientes para os respectivos associados nada mais é que um repasse financeiro, não possuindo natureza jurídica de receita e, por conseguinte, reforça pela manutenção do enquadramento como associação. Em não havendo desvirtuamento da finalidade social, nem a destinação diversa de eventual superávit, permanece incólume a condição de entidade sem fins lucrativos e, consequentemente, inalterada a isenção fiscal. Cita nesse sentido jurisprudência administrativa e judicial. A apuração do PIS e da Cofins ocorreu apenas em decorrência do Ato Declaratório Executivo nº 194, de 03 de julho de 2011, visto que a impugnante não considera como receitas tributáveis os valores apontados pela autoridade fiscal. Na remota hipótese de ser mantida subsistente a suspensão da isenção fiscal, cumpre aferir corretamente a composição da receita bruta da impugnante, haja vista ter sido considerada, conforme fl. 03 do Termo de Verificação FsicalTVF, a quantia de R$ 14.059.917,07 como receita da associação, sendo que tais valores decorrem de boletos pagos por empresas, cujos funcionários utilizaram os serviços de táxi dos associados da impugnante. Ou seja, não decorrem de qualquer prestação de serviços da própria impugnante, razão pelo qual tal montante não se amolda ao conceito de receita ou faturamento para fins de incidência de PIS ou Cofins. Alega, também, que foram consideradas indevidamente receitas a título de jóias não auferidas no anocalendário de 2007, uma vez que tal contribuição poderia ser dividida em até sessenta parcelas. Alternativamente, caso mantida a suspensão da isenção fiscal, requer sejam desconsiderados os valores apontados no TVF (“boleto a receber de empresas”) como receita/faturamento da impugnante, pois tais valores pertencem aos associados e caracterizamse como meros ingressos financeiros, como também sejam considerados apenas ao valores efetivamente recebidos no curso do anocalendário de 2007 a título de jóias. Fl. 2548DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.449 5 Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 0376.751 (fls. 2489 e seguintes), exarado pela da 4ª Turma, DRJ/BSB, em 06.09.2017, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE ISENÇÃO. Comprovado o desvirtuamento da finalidade da entidade isenta, é cabível a suspensão da isenção de associação civil sem fins lucrativos. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. OBSERVÂNCIA. Tendo a Autoridade Fiscal realizado o procedimento com estrita observância das normas legais, descrito os fatos com coerência e tipificado corretamente as infrações apuradas, descabe o reclamo da autuada de que teria havido desrespeito aos princípios da legalidade. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA . EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Fl. 2549DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.450 6 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, uma vez que a ciência do Acórdão ocorreu em 20.10.2017 (fl.2540) e o Recurso Voluntário foi protocolado em 17.11.2017 (fl 2540), e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que tomo seu conhecimento. Da preliminar – Da Suposta Remissão A contribuinte alega ter havido remissão dos débitos lançados por força do artigo 30B, da Lei Federal 11.051/2004, por ocasião da edição da Lei Federal 12.649/2012, e que, por isso, houve a extinção do crédito tributário em discussão, conforme se aduz da leitura abaixo: Art. 30A. As cooperativas de radiotáxi, bem como aquelas cujos cooperados se dediquem a serviços relacionados a atividades culturais, de música, de cinema, de letras, de artes cênicas (teatro, dança, circo) e de artes plásticas, poderão excluir da base de cálculo da contribuição para PIS/Pasep e Cofins: I os valores repassados aos associados pessoas físicas decorrentes de serviços por eles prestados em nome da cooperativa;; II as receitas de vendas de bens, mercadorias e serviços a associados, quando adquiridos de pessoas físicas não associadas; e III as receitas financeiras decorrentes de repasses de empréstimos a associados, contraídos de instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. Parágrafo único. Na hipótese de utilização de uma ou mais das exclusões referidas no caput, a cooperativa ficará também sujeita à incidência da contribuição para o PIS/Pasep, determinada em conformidade com o disposto no art. 13 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Art. 30B. São remidos os créditos tributários, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, bem como anistiados os respectivos encargos legais, multas e juros de mora quando relacionados à falta de pagamento da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores passíveis de exclusão das suas bases de cálculo nos termos do art. 30A desta Lei das associações civis e das sociedades cooperativas referidas no art. 30A desta Lei. (Redação dada pela lei nº 12.973, de 2014) Assim, nos termos do artigo 30B acima citado, houve a remissão dos créditos tributários, constituídos ou não, referentes à falta de pagamento de PIS/COFINS sobre: Fl. 2550DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.451 7 i. Valores repassados aos associados pessoas físicas decorrentes de serviços por eles prestados em nome da cooperativa;; ii. Receitas de vendas de bens, mercadorias e serviços a associados, quando adquiridos de pessoas físicas não associadas; e iii. Receitas financeiras decorrentes de repasses de empréstimos a associados, contraídos de instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. No presente caso, verificase que os lançamentos das contribuições sociais restaram embasados em sua incidência sobre os valores cobrados de empresas conveniadas, relacionados à prestação de serviços de transporte individual, “jóias” (contribuições dos motoristas para o seu ingresso na cooperativa) e mensalidades (contribuições mensais dos associados para o custeio das atividades desempenhadas pela cooperativa). Contudo, nos termos do próprio relatório fiscal, constatouse que os “boletos a receber de empresas” eram as cobranças efetuadas pela Cooperativa em nome dos seus associados em razão da prestação de serviços de transporte individual cujo montante era repassado aos respectivos associados que havia efetuado a atividade de transporte. Nesse sentido, não parece haver dúvidas de que, sobre a parcela do lançamento referente às cobranças efetuadas pela cooperativa perante terceiros (empresas conveniadas), houve a remissão do crédito tributário, nos termos do artigo 30B, da referida Lei Federal 11.051/2004. Com relação ao crédito remanescente, deverá ser analisado a seguir. Do Mérito Quanto às alegações de mérito presentes no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase a rediscutir o conteúdo do processo administrativo (10880.725466/201178) que culminou na suspensão da isenção das contribuições sociais através do Ato Declaratório 194, da DEFISSPO, para a afastar a exigência fiscal, o que, evidentemente, não é o objeto do presente contencioso. Com isso em mente, e tendo em vista que a Recorrente, em argumento último, protesta pela inclusão de outros créditos no cálculo das contribuições nãocumulativas sem apresentar quaisquer documentos, entendo, por haver carência probatória, ser o caso de manter o restante da decisão ora recorrida. Pelo exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar do lançamento a parcela objeto de remissão pelo artigo 30B, da Lei Federal 11051/2004, com a redação dada pela Lei Federal 12.649/2012. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 2551DF CARF MF Processo nº 19515.722122/201140 Acórdão n.º 3401005.767 S3C4T1 Fl. 2.452 8 Fl. 2552DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.016960/00-37
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
RESSARCIMENTO. GLOSA PARCIAL NÃO CONTESTADA.
Deverá ser mantida a glosa parcial decretada na apreciação de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, visto que a manifestação de inconformidade limitou-se a invocar a dependência de matéria discutida em relação a outro processo administrativo, no qual a interessada pediu desistência expressa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 RESSARCIMENTO. GLOSA PARCIAL NÃO CONTESTADA. Deverá ser mantida a glosa parcial decretada na apreciação de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, visto que a manifestação de inconformidade limitou-se a invocar a dependência de matéria discutida em relação a outro processo administrativo, no qual a interessada pediu desistência expressa. Recurso Voluntário Negado.
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GLOSA PARCIAL NÃO CONTESTADA. Deverá ser mantida a glosa parcial decretada na apreciação de pedido de ressarcimento de créditos de IPI, visto que a manifestação de inconformidade limitouse a invocar a dependência de matéria discutida em relação a outro processo administrativo, no qual a interessada pediu desistência expressa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 69 60 /0 0- 37 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 316,5 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 218/220 dos autos: O contribuinte acima qualificado formalizou pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, no valor de R$ 33.761,96, referente ao 3° trimestre de 2000, com fundamento no art. 11 da Lei n.° 9.779, de 1999 e Instruções Normativas — IN n.'s. 21, de 1997, e 33, de 1999. À fl. 84, encontrase pedido de compensação com débitos que menciona 2. Em Termo de Informação Fiscal (fls. 164/170), a autoridade diligenciadora opinou pelo deferimento parcial do pedido, no valor de R$ 1.882,89, depois de consignar, dentre outras, as seguintes informações: 2.1. Foram constatadas notas fiscais de entrada, relativas a aquisições de insumos com geração de crédito, que não apresentam data de saída, data de entrada, ou as contém em duplicidade, descrição do produto, identificação do destinatário. Tais documentos foram considerados inidôneos e/ou sem valor legal, como determinam os arts. 248, 300 e 330 do RIPI/98; 2.2. "A requerente não comprovou entrada (através de comprovação de pagamento, comprovação de transporte e escrituração no Livro Registro de Controle da Produção e Estoque ou Fichas semelhantes) de Notas Fiscais, sendo, portanto, glosadas"; 2.3. No Livro de Registro de Apuração de IPI — RAIPI, constatouse: a) créditos referentes a devoluções, para os quais a legislação exige o cumprimento de requisitos que não foram cumpridos; b) créditos decorrentes de aquisição de bens do ativo imobilizado, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; c) créditos referentes a aquisições para comercialização, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; d) créditos referentes a devoluções de vendas, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; e) créditos referentes a transferência para escrituração, para os quais a legislação não dá direito a escrituração; f) créditos referentes a pagamento de DARF, para os quais a legislação não dá direito a escrituração. 2.4. Com relação aos débitos, descreve uma série de irregularidades, todas relativas a erros na classificação do produto, na aplicação de alíquota vigente no momento da saída, na determinação do valor tributável, além de saídas de produtos sem o destaque do IPI, 2.5. Devido às irregularidades constatadas, lavrouse auto de infração, protocolado sob o n.° 10380.011374/200419, no qual se encontram lançadas, detalhadas e comprovadas todas as ocorrências; 2.6. Realizouse a reconstituição da escrita fiscal do período compreendido entre o 1° decênio de abril de 2000 ao 3° decênio de dezembro de 2002, que corresponde ao período auditado; Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 317 3 2.7. O contribuinte procedeu ao estorno dos valores relativos aos pedidos de ressarcimento "sem obedecer a data de protocolização do Processo de Pedido do Ressarcimento e/ou Valor Solicitado". Na reconstituição da data da escrituração do RAIPI, tais valores, até mesmo pela modificação dos saldos após a reconstituição, foram anulados, através de lançamento no Demonstrativo de Dados Apurados, "por essa fiscalização, dos valores correspondentes, na coluna Outros Débitos ou Créditos, como créditos, e relançados, por essa fiscalização, na coluna Outros Débitos ou Créditos, como débitos, obedecendo ao Valor do Saldo reconstituído, reconhecido por essa fiscalização, e a data de protocolízação do Processo de Pedido de Ressarcimento, para cada trimestre" (passa a expor os valores anulados, por período de apuração). 3. À fl. 175, encontrase Despacho Decisório, subscrito pelo chefe do SEORT de DRF de Fortaleza (delegação de competência através da Portaria n.° 148, de 2001, DOU de 01/10/2001), através do qual confere o crédito no valor proposto e homologa parcialmente o pedido de compensação no mesmo montante. 4. No prazo legal (vide fl. 206), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual aduz: 4.1. A empresa foi diligenciada em razão dos pedidos de ressarcimento que protocolizou. Nesta diligência, gerouse auto de infração, no valor de R$ 612.281,87, processado sob o n.° 10380.011374/200419, ora em julgamento na DRJ/Recife; 4.2. O processo em tela está atrelado ao do auto de infração, por isto deverá ser aguardado julgamento deste; 4.3. A Empresa fundamenta a sua defesa no fato de que o auto de infração já foi objeto de impugnação, de modo que qualquer medida antecipada ao julgamento deverá ser improcedente. 5. Ao final, requer o contribuinte o acolhimento da manifestação de inconformidade, para restabelecerse o crédito no valor pleiteado. Em anexo à peça de defesa, o contribuinte acostou a impugnação apresentada nos autos do processo n.° 10380.011374/200419. Além do documento referido no relatório acima transcrito, o contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade (fls. 184/194) procuração, documentos de identificação, contrato social (fls. 203/212). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, por dar provimento parcial à manifestação de inconformidade, para DEFERIR EM PARTE o crédito de IPI solicitado, no valor de R$ 2.691,90 (dois mil, seiscentos e noventa e um reais e noventa centavos), e homologar o pedido de compensação no valor do crédito reconhecido, conforme decisão (fls. 217/228) que restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: MANTA LAMINADA. CLASSIFICAÇÃO. O produto "manta laminada", à base de poliuretano, classificase na posição 3921 da TIPI, mesmo que a operação de industrialização lhe dê a característica de artigo pronto para uso. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 317,5 4 ENTRADA DE PRODUTO TRIBUTADO NO ESTABELECIMENTO. NÃOCOMPROVAÇÃO. GLOSA. A nãocomprovação da entrada de produto tributado no estabelecimento do contribuinte, quando intimado pelo fisco a fazêlo, enseja a glosa do crédito registrado. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. GLOSA DO CRÉDITO. Somente quando cumpridos os requisitos previstos na legislação de regência, permitese o creditamento do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, NAS SAÍDAS DE NSUMOS DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL, ADQUIRIDOS DE TERCEIROS, COM DESTINO A OUTROS ESTABELECIMENTOS, PARA INDUSTRIALIZAÇÃO OU REVENDA. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO NAS SAÍDAS DE PRODUTOS TRIBUTADOS DO ESTABELECIMENTO, PELA NÃOINCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO, DO VALOR DOS DESCONTOS CONCEDIDOS NAS NOTAS FISCAIS. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADES. O MPF constituise em elemento de controle interno da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Solicitação Deferida em Parte O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 22/05/2006 (vide AR à fl. 234 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 19/06/2006, Recurso Voluntário (fls. 239/260). Em seu recurso, o contribuinte reiterou a afirmação da vinculação do presente processo com o processo nº 10380.011374/200419, o qual estaria, igualmente, com recurso voluntário na pendência de julgamento. Nas razões recursais, arguiu a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa, visto que não teria apreciado o pedido de diligência do contribuinte, no tocante à apontada existência de prova documental que poderia contrapor a acusação fiscal. Arguiu, também, outro fator de nulidade da decisão, que se consubstanciaria na ausência de prova da acusação fiscal, a qual teria partido da premissa de que o contribuinte teria realizado classificação fiscal de mercadoria incorretamente, sem, contudo, lastrear tal afirmação em prova técnica, a exemplo de perícia. No mérito, expôs seu entendimento acerca da reclassificação de produtos realizada pelo agente do Fisco, reafirmando que o procedimento se baseou em entendimento particular do fiscal, sem lastro em prova técnica. Concluiu, a esse respeito, que as Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 318 5 classificações impostas pela fiscalização não se sustentam pela aplicação das Regras de Harmonização. Acerca da glosa de créditos baseada na inidoneidade de notas fiscais, o contribuinte argumentou que, como a própria decisão recorrida consignou, o Fisco não pode considerar inidôneas notas fiscais se o contribuinte logra demonstrar que nenhum prejuízo decorreu para os cofres públicos. Afirmou, também, que juntou apenas parte das notas fiscais na intenção de que fosse realizada diligência sobre o restante da documentação que detinha, o que foi pedido em sua defesa e não apreciado, conforme arguido em preliminar de seu recurso. Argumentou que, neste aspecto, a acusação fiscal não prospera, o que fora reconhecido em primeira instância, e que confiou na diligência para verificação das demais notas que possui. Afirmou que, em relação à manutenção da glosa dos créditos advindos da compra de mercadorias para comercialização, houve aplicação de dois pesos e duas medidas tanto pela fiscalização como pelo julgamento de primeira instancia. Afirmou sua estranheza em relação ao procedimento fiscal, visto que teria colocado à disposição a documentação fiscal necessária à demonstração do crédito, apta a comprovar o alegado, sem qualquer violação às regras do Fisco. Pediu que sejam diligenciadas as notas fiscais anexas ao recurso. O contribuinte se insurgiu, também, contra a conclusão de serem indevidos os créditos realizados sobre devoluções. Afirmou que tal direito é indiscutível e se alicerça no princípio da não cumulatividade, e mencionou o artigo 167 do RIPI. Arguiu que a prova destas ocorrências é feita pela apresentação da segunda via das notas fiscais, que pertenceriam ao consumidor, mas que, no entanto, foram devolvidas, e que teriam sido apontadas no Livro de Registro de Entradas, sendo esta a forma pela qual o contribuinte considera ter comprovado a devolução de produtos. Informou estar apresentando cópia do livro mencionado. O contribuinte apontou, ainda, a ocorrência de erro material na decisão recorrida, que teria mantido intocada a multa isolada, mesmo tendo reconhecido direito a créditos do contribuinte. Argumentou que a multa deve ser aplicada de acordo com o valor do tributo que eventualmente deixa o contribuinte de lançar em virtude de aproveitamento de créditos indevidos. Pediu, ao fim, a reforma da decisão recorrida, e que a nova decisão seja proferida com vinculação ao julgamento do processo nº 10380.011374/200419, pois neste processo foi requerido: o reconhecimento da nulidade da decisão por cerceamento de defesa ou do lançamento por ausência de motivação, e, no mérito, reconhecimento da improcedência da reclassificação dos produtos, e realização de perícia técnica para confirmar a classificação feita pelo contribuinte, bem como a improcedência do lançamento quanto aos créditos legitimamente aproveitados pelo contribuinte, e a improcedência do lançamento da multa isolada. Juntou contrato social, procuração, cópia do recurso apresentado no processo nº 10380.011374/200419 (fls. 261/287). Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 318,5 6 O processo, então, recebeu a Resolução nº 20400.475 (fl. 289/291) que o converteu em diligência para que fosse aguardado o julgamento do processo nº 10380.011374/200419, dada da vinculação das questões tratadas em ambos. Na sequência dos autos, constam outras Resoluções, pertencentes a outros processos do mesmo contribuinte, convertendoos, igualmente, na diligência de aguardar o julgamento do processo nº 10380.011374/200419 (fls. 299/304). À fl. 305, consta desistência total do contribuinte em relação às peças defensivas apresentadas no processo nº 10380.011374/200419, e a renúncia a quaisquer alegações de direito nelas consignadas, após o que se fizeram os encaminhamentos necessários. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da conexão com o Proc. nº 10380.011374/200419 e seus efeitos De início, é importante mencionar que, por meio da manifestação de inconformidade apresentada nos presentes autos, o Recorrente limitouse a alegar a vinculação da presente contenda ao julgamento realizado no Proc. nº 10380.011374/200419, face à relação intrínseca existente entre eles. É o que se extrai da passagem a seguir, extraída da referida peça de defesa (fls. 184/185): Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 319 7 Ou seja, como se vê acima, o Recorrente não apresentou argumentação própria à manifestação de inconformidade, limitandose a alegar a vinculação entre ditos processos. Em seu Recurso Voluntário, então, adotou estratégia distinta, não tendo se limitado a indicar a vinculação entre ditos processos, mas também reproduzido de forma expressa os argumentos ali dispostos. Acontece que, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, será considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É o que se extrai da transcrição a seguir: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 319,5 8 Sendo assim, diante da constatação de que o contribuinte optou por apresentar manifestação de inconformidade por meio da qual alegou tão somente a vinculação existente entre os referidos processos, para que a decisão proferida no Proc. nº 10380.011374/200419 fosse transportada para o presente, apenas este fundamento encontrase em discussão perante este Colegiado. Os demais fundamentos são completamente estranhos à presente contenda. Vejase, por exemplo, o argumento apresentado pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário de nulidade da decisão da DRJ, visto que não teria apreciado o pedido de diligência supostamente apresentado pelo mesmo. Da leitura da manifestação de inconformidade apresentada nos presentes autos, vêse que o Recorrente não apresentou qualquer pedido de diligência. Este pleito, em verdade, fora apresentado nos autos do Proc. nº 10380.011374/200419, para o qual fora transportada toda a análise meritória da presente contenda. Nesse contexto, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida, a qual analisou corretamente o único fundamento legal constante da manifestação de inconformidade, qual seja, vinculação do presente julgado ao decidido nos autos do Proc. nº 10380.011374/200419. Verificase, ainda, que este Colegiado já havia reconhecido a vinculação entre ditos processos, conforme Resolução nº 20400.475 (fls. 289/291 dos autos), a qual assim dispôs: Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 320 9 Ocorre que, ato contínuo, restou noticiado nos presentes autos a apresentação de petição de desistência total do contribuinte quanto à defesa protocolizada no processo nº Proc. nº 10380.011374/200419, para fins do disposto na Lei nº 11.941/2009 (vide fl. 305 dos autos). Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 320,5 10 Sendo assim, tendo em vista que o único fundamento constante da manifestação de inconformidade apresentada fora de vinculação do presente julgamento à decisão proferida naquelas autos, verificase que o mérito da presente contenda fora transportado para aqueles autos. E, considerando que a decisão proferida pela DRJ, que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado, embasouse justamente no conteúdo do voto proferido no Proc. n.° 10380.011374/200419, não há qualquer razão para se modificar o conteúdo da decisão ali proferida. Ademais, diante da existência de petição por meio da qual o Recorrente desiste dos argumentos de defesa protocolizados naqueles autos, não resta alternativa a este Colegiado senão negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recorrente, mantendose a decisão recorrida em sua integralidade. Nesse mesmo sentido, inclusive, já foram proferidas outras decisões que trataram de situação idêntica à presente, relativa ao mesmo contribuinte, a exemplo da ementa e voto a seguir colacionados: EMENTA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO. GLOSA PARCIAL NÃO CONTESTADA. De se manter a glosa parcial decretada na apreciação de pedido de ressarcimento de créditos de IPI para cuja contestação limitouse a invocar a dependência de matéria discutida em outro processo administrativo no qual a interessada pediu desistência expressa. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido *** VOTO A questão não é nova neste Conselho, adotandose para o presente processo (4º trimestre/2001), o relatório, o voto e as razões de decidir de precedente correlato, da relatoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho (1º trimestre/2001 Acórdão nº 340101.328, de 07/04/2011 PAF nº 10380.013654/200119) que concluiu no mesmo sentido ora proposto. Como dito acima, o desfecho da lide deste processo estava na completa dependência do resultado do julgamento do processo nº 10380.011374/200419, no qual a fiscalização recompusera os saldos credores de IPI da interessada e não encontrara valor positivo algum capaz de justificar o ressarcimento postulado por meio deste processo. Assim, em face da expressa desistência da Recorrente naquele processo e diante da ausência de qualquer argumento para contestar a glosa efetuada neste processo, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose integralmente os termos da decisão da DRJ. (Acórdão nº 3302005.585, 21 de junho de 2018). Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10380.016960/0037 Acórdão n.º 3002000.637 S3C0T2 Fl. 321 11 Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 326DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901387/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.726826/2013-14; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.726826/2013-14; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.726826/201314; (ii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto do referido resultado definitivo sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iii) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o "Relatório Conclusivo" e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 01 38 7/ 20 13 -1 0 Fl. 6905DF CARF MF Processo nº 11080.901387/201310 Resolução nº 3401001.812 S3C4T1 Fl. 6.906 2 Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em 03 de março de 2014 contra o despacho decisório de nº 078133367 (efl. 2946), de 04 de março de 2014, cientificado em 17 de março de 2014 (efl. 2947), que homologou as compensações com créditos de IPI do 2º trimestre de 2010, contidas em declarações de compensação apresentadas a partir de 08 de novembro de 2011, mas reconheceu um saldo de créditos menor do que o pleiteado, relativamente ao valor ressarcido em espécie. O relatório fiscal de efls. 2949 a 2956 contém as informações sobre as alterações efetuadas que implicaram a redução dos valores. Primeiramente, o saldo credor inicial do período foi reduzido de R$ 118.545.945,59 (efl. 3068, página 6 do PER/DCOMP) para zero (efl. 2949, "Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível"). Essa redução do saldo inicial do mês de abril de 2010 deveuse às infrações apuradas no auto de infração dos processos administrativos n. 10830.726826/201314 (que tratou dos períodos de janeiro de 2009 a junho de 2011) e n. 10830.725456/201217 (períodos de março de 2007 a dezembro de 2008). Ademais, a Fiscalização apurou débitos para os períodos do trimestrecalendário em análise nos presentes autos (coluna "I" do Demonstrativo de Créditos e Débitos"), em valores correspondentes aos débitos de IPI apurados no auto de infração do processo administrativo n. 10830.726826/201314. Na manifestação de inconformidade, a Interessada apresentou considerações preliminares, em que esclareceu o seguinte: 4. Antes de adentrarmos nas situações fáticas e de direito da presente Manifestação de Inconformidade/ cumpre atentarmos para o quanto segue. 5. Primeiramente, é dever ressaltar que o presente valor passível de ressarcimento solicitado pela Requerente já foi parcialmente utilizado por essa quando da denúncia espontânea protocolada perante a RFB em 09 de abril de 2012 (doc. 08), ainda não processada, no valor de R$ 1.216.317,65 (um milhão, duzentos e dezesseis mil, trezentos e dezessete reais e sessenta e cinco centavos). 6. No entanto, por conta do contexto fático que ensejou o presente Despacho Decisório, esse não merece prosperar, uma vez que intrinsecamente vinculado ao Processo Administrativo n° 10830.726826/201314, devendo, portanto, ser apensado a esse último ou então, minimamente, restar suspenso até decisão administrativa definitiva desse. A seguir, tratou do "contexto fático que ensejou o despacho decisório", expondo suas atividades e tratando dos incentivos fiscais da Lei de Informática. Expôs, também, as razões da apuração de saldos credores ressarcíveis de IPI e tratou das infrações apuradas no processo administrativo mencionado. Fl. 6906DF CARF MF Processo nº 11080.901387/201310 Resolução nº 3401001.812 S3C4T1 Fl. 6.907 3 Na sequência, apresentou alegações preliminares quanto à necessidade de julgamento conjunto da manifestação de inconformidade com o auto de infração contido no processo n. 10830.726826/201314, que teria fundamento na Portaria RFB n. 666, de 2008, art. 1º, § 3º. Também citou ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –Carf. Ainda preliminarmente, alegou que o auto de infração que lastreou o despacho decisório seria precário, "em razão da violação e não observância, por parte do Auditor Fiscal, do artigo 142 do Código Tributário Nacional ('CTN') [...]". No mérito, abordou as duas infrações que lhe foram imputadas no auto de infração do processo já mencionado, tratando da inexistência de fato gerador do IPI na revenda de produtos adquiridos no mercado interno, do erro na aplicação da alíquota, de haver destacado IPI em nota fiscal complementar, da não incidência do IPI nas saídas de produtos industrializados para a Zona Franca de Manaus e da correta utilização do PPB. Em 28/06/2016, a 08ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1461.712, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 ENDEREÇO DE INTIMAÇÃO E DOMICÍLIO FISCAL. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. As intimações são matéria de atribuição da autoridade preparadora, descabendo manifestação da autoridade julgadora quanto ao pedido do contribuinte de que elas sejam enviadas para endereço diverso do de seu domicílio tributário. IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VALOR REDUZIDO EM FUNÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. DECORRÊNCIA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Ao julgamento da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deixou de reconhecer parte do direito ao ressarcimento de IPI, em decorrência exclusiva de infrações apuradas em autos de infração já julgados em primeira instância administrativa, devem ser aplicados os efeitos das decisões proferidas nos respectivos processos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 RESSARCIMENTO DE IPI. REDUÇÃO EM RAZÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. CANCELAMENTO PARCIAL DOS DÉBITOS. Fl. 6907DF CARF MF Processo nº 11080.901387/201310 Resolução nº 3401001.812 S3C4T1 Fl. 6.908 4 Revertemse em créditos ressarcíveis ao contribuinte aqueles utilizados para dar cobertura ao IPI não lançado em notas fiscais, apurado em auto de infração do imposto, no que diz respeito aos valores cancelados por decisão administrativa de primeira instância não sujeita a recurso de ofício. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte A contribuinte interpôs recurso voluntário, em cujas razões reiterou os argumentos vertidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Em síntese, foi instaurado procedimento fiscal no estabelecimento da contribuinte, que resultou na lavratura de Auto de Infração (que originou o Processo Administrativo n° 10830.726826/201314) que formalizou cobrança de multa de oficio, relativo ao período de janeiro de 2009 a junho de 2011, no montante total de R$ 15.318.094,95 por falta de destaque de IPI em notas fiscais de venda, bem como estorno, mediante lançamento no Livro Registro de Apuração do IPI, de saldo credor de IPI no valor de RS 20.424.126,57. Considerando que eventual cancelamento do auto de infração acabará por repercutir no despacho decisório ora recorrido, na medido em que o cálculo de apresentação do “Demonstrativo de Créditos e Débitos (Ressarcimento de IPI)” acabou por considerar os débitos constituídos no processo administrativos nº 10830.726826/201314, que a contribuinte contesta administrativamente, necessário, antes da formação da convicção do aplicador, certificarse a respeito do desfecho do processo administrativo em apreço. Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Proceder à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.726826/201314; Fl. 6908DF CARF MF Processo nº 11080.901387/201310 Resolução nº 3401001.812 S3C4T1 Fl. 6.909 5 (ii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, esclarecendo o impacto da resposta aos itens anteriores sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iv) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 6909DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.000246/2008-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/10/2015
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. UTILIZAÇÃO DA ANALOGIA. APLICAÇÃO DO ART. 108, I DO CTN.
O protesto judicial possui força interruptiva do prazo prescricional que corre contra o contribuinte para recuperação de tributos recolhidos indevidamente por aplicação de analogia permitida pelo art. 108, I, do CTN face o disposto no art. 174, parágrafo único, II, que admite o protesto judicial como forma de interromper a prescrição para a cobrança do crédito tributário pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 9101-004.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/10/2015 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. UTILIZAÇÃO DA ANALOGIA. APLICAÇÃO DO ART. 108, I DO CTN. O protesto judicial possui força interruptiva do prazo prescricional que corre contra o contribuinte para recuperação de tributos recolhidos indevidamente por aplicação de analogia permitida pelo art. 108, I, do CTN face o disposto no art. 174, parágrafo único, II, que admite o protesto judicial como forma de interromper a prescrição para a cobrança do crédito tributário pela autoridade fiscal.
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PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. UTILIZAÇÃO DA ANALOGIA. APLICAÇÃO DO ART. 108, I DO CTN. O protesto judicial possui força interruptiva do prazo prescricional que corre contra o contribuinte para recuperação de tributos recolhidos indevidamente por aplicação de analogia permitida pelo art. 108, I, do CTN face o disposto no art. 174, parágrafo único, II, que admite o protesto judicial como forma de interromper a prescrição para a cobrança do crédito tributário pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 46 /2 00 8- 02 Fl. 463DF CARF MF 2 Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 381/395) interposto pela PGFN, cujo objeto referese à possibilidade de interrupção do prazo prescricional para repetição de indébito através de protesto judicial. O acórdão n° 1301002.859 de 15/03/18 (fls. 370/378), ora recorrido, foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2015 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 PROTESTO JUDICIAL. PRESCRIÇÃO. O protesto judicial visando à suspensão da prescrição do direito de se repetir/compensar indébitos tributários produz efeitos válidos em relação a esta. DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta no deferimento do pedido e a não homologação das compensações. A ora Recorrente alega em seu Recurso Especial a existência de divergência de interpretação entre o acórdão Recorrido e o acórdão paradigma n. 20312123 que trouxe entendimento no sentido de que deve ser afastada a eficácia de Protesto Judicial formulado pela contribuinte para interromper prazo prescricional, em face de sua aplicabilidade depender de eventual questionamento junto ao Poder Judiciário, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1992 a 30/01/1997 Fl. 464DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 9101004.035 CSRFT1 Fl. 3 3 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROTESTO JUDICIAL. Afastase a eficácia de Protesto Judicial formulado pela recorrente para interromper prazo prescricional, em face de sua aplicabilidade depender de eventual questionamento junto ao Poder Judiciário. A Recorrente transcreve o seguinte trecho do voto: Assim, não assiste direito à recorrente para pleitear os valores originados no período de janeiro de 1992 a 30/01/1997, vez que, por ter sido o pedido formulado em 31/01/2002, foram irremediavelmente alcançados pela prescrição. Esse meu entendimento, aqui consignado apenas para a eventualidade de mostrarse pertinente perante este Colegiado o direito da recorrente aproveitarse desses créditos fictos, pressupõe, portanto, o afastamento dos efeitos pretendidos pela recorrente com a realização do Protesto Judicial formulado através do citado Processo Judicial n° 2001.34.00.0084866 em 10/04/2001, quais sejam o de interromper a prescrição haja vista que um dos dispositivos que invoca para tal é o artigo 174, inciso II do parágrafo único, do CTN, que não lhe socorre, por tratar de regras voltadas para o sujeito ativo, no caso, a Fazenda Nacional. Senão, vejamos: (...) Por meio do despacho de admissibilidade de Recurso Especial (fls. 412/415), foi dado seguimento ao recurso. A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 423/430) em que não contesta o conhecimento do Recurso Especial mas no mérito alega em síntese que a interpretação trazida pela Recorrente e pelo acórdão paradigma está ultrapassada diante da jurisprudência do STJ que de forma predominante entende que o prazo prescricional para indébito tributário pode ser interrompido pelo Protesto Judicial, com destaque para o julgamento do REsp n. 1.274.601/AM. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Conhecimento Fl. 465DF CARF MF 4 Como mencionado no relatório, a discussão do Recurso Especial ora em análise referese à eficácia do protesto judicial para fins de interromper o prazo prescricional para repetição de indébito pelo contribuinte. O acórdão ora recorrido trata de repetição de CSLL e adotou entendimento de que o STJ já consolidou jurisprudência no sentido de que o CTN elegeu o protesto judicial como instrumento que interrompe o prazo prescricional para cobrança do contribuinte pela Fazenda Pública e que o mesmo racional deve ser aplicado ao contribuinte quando buscar repetição de indébito em obediência ao Princípio da Igualdade entre as partes. Já o acórdão paradigma que trata do tributo IPI afastou a eficácia do protesto judicial por entender que a regra contida no artigo 174, II do CTN se aplica somente à Fazenda Pública. Apesar de tratar de tributos distintos, a discussão é a mesma no acórdão recorrido e no paradigmático, qual seja: efeitos do protesto judicial para fins de interrupção do prazo prescricional para repetição de indébito. Assim entendo estar presente a necessária similitude fática entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigmático, bem como, a divergência jurisprudencial. Portanto, o Recurso Especial merece ser conhecido. Mérito O objeto da presente análise de mérito está concentrado na possibilidade de utilização pelo contribuinte do instrumento do Protesto Judicial para fins de interrupção do prazo prescricional para repetição de indébito. Para tal análise, necessário relembrar alguns dispositivos importante do CTN: " Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: (...) II pelo protesto judicial;" Fl. 466DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 9101004.035 CSRFT1 Fl. 4 5 Da simples leitura do art. 174, parágrafo único do CTN é possível perceber que quis o legislador prever hipóteses de interrupção do prazo prescricional para fins de cobrança do crédito tributário. A intenção aqui foi a de proteger o direito da parte de ser atingido pela prescrição em razão de eventos alheios à sua vontade. Isso porque, a prescrição como instituto limitador de direito no tempo, visa garantir segurança às relações da vida em sociedade, punindo aqueles que permanecem inertes no exercício de seu direito. Contudo, em determinadas situações, não se trata de inércia do detentor do direito mas de simples impossibilidade de exercício de seu direito. Assim, quis o legislador prever hipóteses de interrupção da fluência do prazo prescricional na relação entre o Fisco e Contribuinte e o fez através das disposições do art. 174 do CTN. Todavia, o art. 174 do CTN é dispositivo dirigido à Fazenda Pública para fins de cobrança do crédito tributário e, de fato, não existe disposição expressa no mesmo sentido em relação ao contribuinte, que possui também um limitador temporal ao exercício de seu direito que é o prazo de 05 anos previsto no art. 168 do CTN. Justamente para tratar de situações de ausência de normas expressas e específicas que o mesmo legislador previu no art. 108 do CTN a necessária aplicação da analogia, dos princípios gerais de direito tributário, dos princípios gerais de direito público e por fim, da equidade. O art. 108 do CTN tem o objetivo claro de dar instrumentos ao operador do Direito Tributário para suprir eventuais omissões do legislador. Esta é a exata situação quando se trata das hipóteses de interrupção do prazo prescricional. Isso porque, não obstante seja indubitável que a relação fisco e contribuinte é composta por direitos e obrigações de ambas as partes, o CTN foi omisso quanto às hipóteses e regras que devam ser aplicadas na situação em que o contribuinte, por motivos diversos, esteja impossibilitado de exercer seu direito de repetição de indébito. Assim, na presente hipótese, conforme preceitua o art. 108 e incisos do CTN, podem (devem) ser aplicados os princípios da Isonomia e da Equidade, ou mesmo lançar mão da analogia, como vias que permitam concluir que uma vez que o Protesto Judicial é causa de interrupção do prazo prescricional para a Fazenda, também o é para o contribuinte que visa buscar valores recolhidos indevidamente. Neste sentido, é a corrente dominante no STJ: REsp 1042524 / RS RECURSO ESPECIAL 2008/00631870 ... 5. O Código Tributário Nacional elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional, para que a Fazenda Fl. 467DF CARF MF 6 Pública proponha a ação de cobrança de credito tributário (art. 174, parágrafo único, inciso II). Face ao principio da igualdade das partes, no processo (isonomia processual), idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte nas ações em que postula a repetição do indébito." (REsp 82.553/DF, Rel. Min. Demócrito Reinaldo, Primeira Turma, julgado em 29.4.1996, DJ 3.6.1996, p. 19.214.) 6. Precedente idêntico: REsp 1329901/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2013, Dje 29/04/2013. REsp 1329901 / RS RECURSO ESPECIAL 2012/01272829 1. O Código Tributário Nacional, se não prevê expressamente a ação cautelar de protesto para o contribuinte, parte do pressuposto de sua existência e possibilidade, ao disciplinar no seu art. 165, caput, que tanto o pedido administrativo de repetição de indébito quanto a ação para a repetição de indébito independem de prévio protesto. 2. O fato de o art. 165, do CTN mencionar o protesto significa que ele é uma faculdade posta ao contribuinte, que a fazenda pública não pode exigir o protesto como condição da repetição. Em resgate histórico, observo que a inserção do dispositivo no CTN, inclusive, foi feita em razão de existir anteriormente a sua vigência interpretação fazendária no sentido de que o protesto judicial do contribuinte (na época feito na forma do art. 720, do CPC/39 DecretoLei n. 1.608/39) era obrigatório para ressalvar seus direitos quando do pagamento que entendeu indevido (cf. Aliomar Baleeiro in "Direito Tributário Brasileiro", 11ª ed. Rio de Janeiro, Forense: 2000, p. 877). 3. Quanto à força interruptiva da prescrição pelo protesto feito pelo contribuinte, aplicase, por analogia permitida pelo art. 108, I, do CTN, o disposto no art. 174, parágrafo único, II, que admite o protesto judicial como forma de interromper a prescrição para a cobrança do crédito tributário. 4. Em se tratando o CTN de norma geral, o seu complemento se dá com a identificação precisa do marco interruptivo da prescrição que é feito por norma específica e conformadora dos direitos processuais, qual seja o art. 219, §1º, do CPC e os dispositivos pertinentes que regulam a ação cautelar de protesto (arts. 867 a 873, do CPC), como toda e qualquer ação judicial. Também merece destaque a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, in verbis: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 16327.000246/200802 Acórdão n.º 9101004.035 CSRFT1 Fl. 5 7 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) Desta sorte, considerando todo o acima exposto, são improcedentes os argumentos trazidos pela ora Recorrente. Conclusão Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO ESPECIAL apresentado para no MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 469DF CARF MF 8 Fl. 470DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.900400/2009-66
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1003-000.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
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DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao Recurso Voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 04 00 /2 00 9- 66 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 174 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 35498.63040.140605.1.3.049960, em 15.06.2005, fls. 0102, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), código 2484, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês do dezembro do anocalendário de 2004 no valor de R$8.986,04 contido no DARF de R$4.575.504,01 arrecadado em 31.01.2005 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, efl. 03, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8.986,04 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1438.162, de 29.06.2012, efls. 3744: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. SALDO NEGATIVO. O reconhecimento de direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento ou compensação das antecipações calculadas por estimativa ou das retenções na fonte pagadora, a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções e a comprovação contábil e fiscal do valor do tributo apurado no anocalendário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 175 3 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MULTA DE MORA. PREVISÃO LEGAL. A incidência da multa de mora tem previsão legal, carecendo a autoridade administrativa de competência para afastar sua aplicação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 22.06.2012, efl. 47, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 24.07.2012, efls. 6688, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: II DO DIREITO II.1. DO DIREITO CREDITÓRIO DECORRENTE DA APURAÇÃO DE PAGAMENTO FEITO INDEVIDAMENTE DE CSLL NO ANO CALENDÁRIO 2004 A PROVA DO CRÉDITO DA RECORRENTE 7. O processo administrativo analisa compensação efetuada pela ora Recorrente com crédito decorrente de pagamento indevidamente recolhido de CSLL,cujo período de apuração é 31/12/2004, o qual não foi reconhecido pela D. Autoridade Julgadora da DRJ/RPO. [...] 9. Em que pese o respeito à D. Autoridade Julgadora, os argumentos que a levaram à conclusão diversa da pretendida pela ora Recorrente não se coadunam com a realidade dos fatos, como bem demonstrado em manifestação de inconformidade, e reiterado no presente Recurso. 10. Primeiramente cumpre ressaltar que a Recorrente procedeu o pagamento através de DARF de valor diferente daquele apurado por estimativa relativo à CSLL devida no período do mês de dezembro/2004. Na realidade a apuração feita pela Recorrente era de valor menor do efetivamente recolhido, motivo pelo qual nasceu o direito à compensação em razão do pagamento à maior realizado. 11. Cumpre ressaltar que no mês de dezembro de 2004 os valores de CSLL foram quitados através de pagamento de DARF e através de compensação de outros valores anteriormente pagos à maior, motivo pelo qual, repitase, ao se analisar as indicações financeiras e de lançamentos de débitos e pagamentos de CSLL realizados pela Recorrente verificouse os pagamentos indevidos perseguidos neste procedimento. 12. A referida compensação foi realizada por meio da PER/DCOMP n° 35498.63040.140605.1.3.049960, a qual foi devidamente transmitida em 14/06/2005, conforme demonstra documentação já acostada ao presente processo. 13. Para que não reste dúvida acerca do direito creditório da Recorrente, ressaltese que foi informado, na Ficha 17 da DIPJ 2005 (doe. 03), que o valor da estimativa de CSLL devida no mês de dezembro corresponde a R$ 4.570.445,51, no entanto, consta, na DCTF relativa ao mesmo período, que a Recorrente recolheu um montante de R$ 4.652.228,77. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 176 4 14. E para que a prova no presente momento seja contundente a Recorrente consegue mostrar que, ainda que se analise todas as estimativas do anocalendário de 2004, incluindose os valores efetivamente apurados ao final do período, a outra conclusão não se chega que não o pagamento de valores maiores do que os efetivamente devidos à título de CSLL. 15. Apenas de forma sucinta e explicativa, para que todos os argumentos restem comprovados, incluise a informação de que na apuração do final do período a Recorrente constatou dever um montante de R$9.191.476,02 de CSLL, porém, ao somar seus DARF'S e pedidos de compensação, verificou ter quitado o montante de R$ 9.273.259,29. 16. Esclareçase que esse valor é composto pelo recolhimento efetuado, mediante DARF, assim como por compensação de crédito devidamente mencionada na DCTF. (doc. 05). [...]18. Pelo exposto, a Recorrente prova de modo contundente o direito até o momento perseguido, seja pela análise isolada dos recolhimentos feitos em dezembro/2004, seja pela análise completa de todas as estimativas e pagamentos realizados no ano calendário de 2004. 19. Notese, portanto, que a compensação foi efetuada nos moldes do que determinava a legislação vigente à época, inclusive a Instrução Normativa SRF n° 460/2004, não cabendo qualquer censura quanto ao procedimento adotado pela Recorrente. 20. É de se observar que a Recorrente possuía crédito decorrente do pagamento de estimativa da CSLL, relativa a dezembro de 2004, em valor maior do que o efetivamente devido, tendo direito a compensálo com débitos próprios, por meio de "Declaração de Compensação". 21. E, assim o fez, procedendo corretamente à compensação daquele crédito, com a devida atualização aplicável, com débito do mesmo tributo (CSLL/ estimativa mensal) apurado no ano subsequente. 22. Cumpre mencionar que a apuração dos valores devidos a título de CSLL pela Recorrente é feita por meio do sistema de apuração mensal de estimativas a fim de apurar o lucro real anual, e, ainda que essa informação não fosse relevante, fato é que o crédito perseguido é verificado mesmo após o encerramento do período quando se tem a realidade dos valores apurados e devidos. 23. No presente caso, portanto, tratase especificamente de pagamento indevido de CSLL no mês de dezembro do ano calendário 2004. E que, portanto, a partir do momento em que foi efetuado recolhimento de tributo maior do que o apurado para o período, tornase um valor indevidamente recolhido sendo possível compensálo nos períodos subsequentes, exatamente como foi feito. 24. É de se observar que as estimativas de CSLL apuradas naquele ano calendário foram, por sua vez, quitadas por meio de efetivo desembolso de caixa pela Recorrente, conforme faz prova os DARF's apresentados (doe. 06), bem como por meio de compensação de parte dos débitos do mês de dezembro de 2004 nos termos das DTCF's e PER/DCOMPs entregues à RFB. 25. Desse modo, é imperioso concluir que a RFB tinha acesso a toda a documentação que demonstra o efetivo recolhimento a maior da CSLL, tendo plenas condições de reconhecer o crédito ora analisado, bem como de homologar a compensação a ele atrelada. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 177 5 26. Não obstante a clareza do direito ora demonstrado, e suportado documentalmente, a DRJ de Ribeirão Preto houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecer o direito creditório da Recorrente. 27. Data vénia, os argumentos utilizados no Acórdão ora recorrido não podem prosperar, motivo pelo qual os D. Conselheiros Julgadores deste Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deverão reformálo integralmente a fim de reconhecer o crédito de CSLL decorrente do pagamento indevido efetuado no período de apuração de dezembro de 2004. [...] 29. Pelo exposto, o direito creditório da Recorrente existe, e não poderá ser tolhido sob pena de se infringir a legislação pertinente. [...] 31. Conforme já demonstrado, a compensação efetuada pela Recorrente foi legítima e observou estritamente os termos da legislação em vigor, a Lei 9.430/1996 e, inclusive, a IN SRF n° 460/2004 vigente à época. [...] 33. Assim, é direito da Recorrente compensar o valor pago a maior a título de CSLL apurado no ano calendário de 2004, o qual não pode ser tolhido pela D. Autoridade Julgadora, sob pena de agir em contrariedade à lei. Negarlhe o direito a compensação, ou impedir a restituição de pagamento indevidamente efetuado constituiria apropriação indébita por parte do Fisco Federal. 34. Pelo exposto, é reconhecido o direito à compensação do crédito de tributo indevidamente recolhido seja com base na legislação tributária, seja com fundamento nas recentes manifestações do CARF a respeito do tema. 35. Contudo, caso assim não entendam V.Sas., é imperioso, ao menos, reconhecer que o valor da estimativa da CSLL, relativa a dezembro de 2004, deve ser considerado na determinação do saldo negativo da CSLL, apurada ao final do período, o qual, de igual forma, é passível de compensação. 36. Desse modo, ainda que indeferido a compensação do valor indevidamente recolhido pela Recorrente, a título de estimativa mensal, o que se admite apenas para fins de argumentação, a compensação pleiteada deve ser homologada até o limite do saldo negativo. [...] 38. Diante do exposto, seja sob a designação de "pagamento indevido ou a maior", ou de "saldo negativo", fato é que a Recorrente recolheu CSLL em valor maior do que o devido, tendo direito a restituir/compensar o crédito dele decorrente. 39. Desse modo, toda a documentação acostada aos autos, que iá eram de conhecimento da RFB, ressaltese, demonstra a existência de crédito de CSLL em favor da Recorrente. Esse direito, portanto, é líquido e certo, contrariamente ao que se afirmou no acórdão ora recorrido. 40. Dessa forma, a Recorrente agiu de acordo com o que determina a legislação tributária federal, e com a jurisprudência do CARF, devendo, desse modo, ver sua compensação homologada. 41. É o que se requer desde já! II.2 DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL QUE DEVE REGER O PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL 42. Não fossem os motivos acima suficientes para comprovar o direito creditório da Recorrente, cumpre destacar que à Autoridade Fiscal cabe averiguar a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 178 6 verdade dos fatos, buscando sempre a prevalência do direito realmente existente, independente de eventuais faltas de atendimento às formalidades procedimentais. 43. No processo administrativo federal é o direito material que deverá ser resguardado, ainda que as provas sejam apresentadas após a impugnação ou primeira oportunidade que tenha o contribuinte, sendo dever da Autoridade buscar a verdade material, inclusive por meio de realização de diligências, e fiscalizações. 46. Pelo exposto, uma vez demonstrada a existência do direito creditório, por qualquer meio hábil a comproválo, há que se homologar a compensação efetuada pela Recorrente. 47. Não obstante, caso V.Sas, não se sintam aptos a julgar, de plano, o direito creditório ora analisado, com base na documentação apresentada, a Recorrente pugna pela realização de diligência fiscal a fim de demonstrar cabalmente o direito ora defendido. II.4 DA INAPLICABILIDADE DA MULTA EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO 48. E, para que nenhum dos argumentos lançados no v. acórdão recorrido fique sem contra argumentação cumpre à Recorrente requerer também seja reformada a parte do v. acórdão que declarou subsistente a aplicação da multa de mora. 49. Veja D. Conselheiros, ao restarem analisadas as provas ora carreadas ao presente recurso e no curso do processo, a ora Recorrente logrará êxito em ter seu direito de compensação de pagamento indevido de CSLL reconhecido e, assim, consequentemente, cairá por terra o argumento que manteve a multa de mora. 50. Para o presente caso, se cogitaria aplicação de multa se estivéssemos diante de flagrante falta de recolhimento de tributo. O que não é o caso dos autos! 51. A Recorrente apenas não deixou de efetuar eventual pagamento da estimativa de CSLL em período do ano subsequente, exatamente porque havia recolhido CSLL a maior no exercício fiscal de 2004, ou seja, latente seu direito à compensação. 52. O que pretende o Fisco? O recolhimento de tributo não devido, para sofrer as consequências de eventual demanda judicial de repetição de indébito? 53. A Recorrente em nenhum momento tomou atitudes que prejudicassem o Erário, ou jamais deixou de recolher tributo devido. 54. Assim, em sendo reconhecido seu direito à compensação, reconhecida também a insubsistência da multa aplicada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: III DOS PEDIDOS 55. Diante do exposto, a ora Recorrente requer (i) seja conhecido e provido o presente Recuso Voluntário, (ii) para a reforma do acórdão ora recorrido, (iii) Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 179 7 reconhecendose a existência do direito creditório decorrente do pagamento feito a maior à título de CSLL no ano calendário 2004 (mês de apuração dezembro), (iv) e homologandose a compensação efetuada por meio do PER/DCOMP n° 35498.63040.140605.1.3.049960. 56. Caso os D. Conselheiros entendam que a hipótese dos autos seria de saldo negativo de CSLL, tendo em vista que o recolhimento a maior ocorreu exatamente no mês de dezembro do anocalendário 2004 (mês de encerramento do período de apuração do IR anual), a Recorrente requer o reconhecimento do tributo pago em valor superior ao devido, que venha a ser enquadrado como "saldo negativo". 57. Ainda, protesta pela juntada de quaisquer documentos hábeis a comprovar o direito creditório ora alegado, inclusive por meio da juntada de laudo técnico contábil a ser produzido pela Recorrente. 58. Por fim, caso os D. Conselheiros não se sintam aptos a julgar a matéria ora aventada, requer a realização de diligência fiscal a fim de se demonstrar cabalmente o direito creditório ora analisado. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 180 8 O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. No Despacho Decisório e na decisão de primeira instância de julgamento foi afastada a possibilidade de análise do Per/DComp ao argumento de que o pagamento a título de estimativa mensal da pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 181 9 somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado do valor de IRPJ ou de CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada, pode ser analisado, uma vez que o “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa” (Súmula CARF nº 84). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais.Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal ( art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado (art. 165, art. 168 e art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 15 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento (Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente de pagamento indevido de tributo determinado sobre a base de cálculo Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10855.900400/200966 Acórdão n.º 1003000.518 S1C0T3 Fl. 182 10 estimada. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF que jurisdiciona a Recorrente para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.910604/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 14/11/2000
JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE.
Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória.
Numero da decisão: 3201-005.087
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido
(assinado digiltamente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS OU INDÍCIOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. Possibilidade de juntada posterior de documentos pode ser admitida quando o contribuinte apresenta aos autos mínima documentação com força probatória. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que, superada a questão enfrentada no voto, os autos retornem à unidade preparadora para que prossiga na análise do pedido (assinado digiltamente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 91 06 04 /2 01 1- 19 Fl. 157DF CARF MF 2 Relatório Trata o processo de Pedido de Restituição(PER) que restou indeferido pela DRF de jurisdição, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão, a recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual alega que o direito creditório pleiteado tem origem na inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Anexa demonstrativos e DIPJ. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do acórdão nº 06052.118. Irresignado com r. julgado, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta: a) a inconstitucionalidade do alargamento da base de calculo do §1º, art. 3º da Lei 9.718/98; b) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; c) carreou documentos – demonstração de resultados e livro razão; d) que deve se aplicado princípio da verdade material; É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.079, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10865.910592/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.079): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que a DRJ adotou entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal: No presente caso, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, manifestandose sobre o julgamento proferido pelo STF no RE 585.235, delimitou a matéria ali decidida nos seguintes termos: “O PIS/Cofins deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/Cofins as receitas não operacionais. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10865.910604/201119 Acórdão n.º 3201005.087 S3C2T1 Fl. 3 3 Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira).” Contudo, os documentos colacionados não foram suficiente para reconhecer a existência de pagamento a maior, vejamos: Apesar desse entendimento, o pedido não pode ser acatado. Isso porque não existem provas cabais nos autos de que teria havido pagamento a maior do que o devido, relativamente aos recolhimentos confirmados e que já estariam integralmente alocados. De fato. Embora a interessada argumente que os documentos anexados comprovariam que as outras receitas que não as decorrentes do faturamento têm origem nas receitas financeiras, variação cambial ativa, atualização monetária, descontos obtidos e recuperação de custos e despesas, não é isso que se verifica ao analisar os documentos trazidos à lide. Nessa esteira, conclui: Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Apenas no Acórdão da DRJ o Contribuinte tomou ciência de quais documentos seriam necessário para apuração do seu crédito. Nesse sentido dicção do art. 16, §4º do Dec. 70.235/72, vejamos: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Deste modo o contribuinte apresentou o livro razão no primeiro que exigido, ou seja, apenas no Recurso Voluntário, Fl. 159DF CARF MF 4 assim, sendo prova hábil de seu possível crédito, devendo esse, ser apurado pela unidade de origem. Concluo, o voto é no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que à unidade superada à ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito ao crédito do contribuinte, podendo, intimar para apresentar demais documentos caso entenda necessário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que a unidade de origem, superada a ausência de documentos hábeis para comprovação do crédito, analise o direito creditório do contribuinte, podendo intimálo para apresentar demais documentos que entenda necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000846/99-16
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 202-00.589
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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