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Numero do processo: 13116.901608/2012-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.957
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 08 /2 01 2- 40 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901608/201240 Acórdão n.º 3201002.957 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.589, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901608/201240 Acórdão n.º 3201002.957 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901608/201240 Acórdão n.º 3201002.957 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901608/201240 Acórdão n.º 3201002.957 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901608/201240 Acórdão n.º 3201002.957 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901608/201240 Acórdão n.º 3201002.957 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901608/201240 Acórdão n.º 3201002.957 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901608/201240 Acórdão n.º 3201002.957 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13116.901608/201240 Acórdão n.º 3201002.957 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 13029.000031/2007-79
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003 RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO COM JUROS, MAS SEM A MULTA DE MORA - AUTO DE INFRAÇÃO PARA EXIGÊNCIA DA MULTA MORATÓRIA, ISOLADAMENTE A Lei 11.941/2009 admitiu a quitação de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008 com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e redução de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora, para os Contribuinte que quitassem estes débitos à vista, assim considerados os pagamentos realizados até 30 de novembro de 2009, conforme definido na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009. Se antes da Lei 11.941/2009 houve a quitação da rubrica principal, com a totalidade dos juros, não é razoável que se exija da Contribuinte um novo recolhimento da mesma rubrica, sem a multa de mora e com juros reduzidos, para que ela pudesse, aí sim, ver reconhecida a dispensa dos referidos acréscimos. No caso, o efeito produzido pela Lei 11.941/2009 foi simplesmente dispensar a exigência que vinha sendo feita em relação ao acréscimo legal, porque os requisitos para isso já estavam atendidos. A exigência da multa de mora, isoladamente, não pode subsistir após a mencionada lei.
Numero da decisão: 1802-000.987
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Se antes da Lei 11.941/2009 houve a quitação da rubrica principal, com a totalidade dos juros, não é razoável que se exija da Contribuinte um novo recolhimento da mesma rubrica, sem a multa de mora e com juros reduzidos, para que ela pudesse, aí sim, ver reconhecida a dispensa dos referidos acréscimos. No caso, o efeito produzido pela Lei 11.941/2009 foi simplesmente dispensar a exigência que vinha sendo feita em relação ao acréscimo legal, porque os requisitos para isso já estavam atendidos. A exigência da multa de mora, isoladamente, não pode subsistir após a mencionada lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13029.000031/200779 Acórdão n.º 180200.987 S1TE02 Fl. 105 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antônio Nunes Castilho . Fl. 160DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13029.000031/200779 Acórdão n.º 180200.987 S1TE02 Fl. 106 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à multa de mora, exigida isoladamente. Ao quitar em atraso o IRPJ do 1º e 3º trimestres de 2003, a Contribuinte deixou de recolher a multa de mora. O auto de infração de fls. 12 a 19, lavrado em 15/03/2007, exigiu o valor deste acréscimo legal. A infração foi apurada com base nos dados da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do referido AI, e com os demonstrativos a ele anexos, os débitos recolhidos em atraso e sem os devidos acréscimos correspondem ao código 1599, que está assim identificado na página eletrônica da Receita Federal: “IRPJ – PJ Obrigadas ao Lucro Real Entidades Financeiras Balanço Trimestral”. Com a instauração da fase litigiosa, por meio da impugnação de fls. 1 a 9, a Contribuinte insurgiuse contra a exigência fiscal, trazendo os seguintes argumentos, conforme apresentados na decisão de primeira instância, Acórdão nº 188.893, de fls. 51 a 57: (...) sinteticamente, alega denúncia espontânea da infração, com recolhimento a destempo dos tributos declarados na DCTF indigitada antes de qualquer procedimento fiscal, fato que, de acordo com o art. 138 do CTN, elidiria a aplicação de qualquer penalidade. Cita e transcreve excertos de doutrina e de jurisprudência e brada o princípio da legalidade e da hierarquia das normas, pugnando por interpretação mais favorável, em face da dúvida quanto à natureza e às circunstâncias do fato. Pede a improcedência da aplicação das penalidades. Conforme já mencionado, a DRJ Santa Maria/RS considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003, 01/07/2003 a 30/09/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A denúncia espontânea não exclui a incidência da multa compensatória, quando verificado atraso no pagamento do tributo. Lançamento Procedente Fl. 161DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13029.000031/200779 Acórdão n.º 180200.987 S1TE02 Fl. 107 4 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 11/08/2008, a Contribuinte apresentou em 04/09/2008 o recurso voluntário de fls. 62 a 74, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. É importante registrar que nas peças de defesa, a Contribuinte sempre busca enfatizar que o “auto lançamento” (prestação de informações na DCTF) ocorreu após a extinção do crédito tributário (pagamento). Assim, o pagamento teria sido feito espontaneamente, antes do início de qualquer procedimento fiscal, e antes, inclusive, da declaração do débito na DCTF, o que reforçaria, segundo o seu entendimento, a aplicação do art. 138 do Código Tributário Nacional. Este é o Relatório. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13029.000031/200779 Acórdão n.º 180200.987 S1TE02 Fl. 108 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à multa de mora, exigida isoladamente por meio de auto de infração. O motivo da autuação é que ela, ao quitar em atraso o IRPJ do 1º e 3º trimestres de 2003, deixou de recolher a multa de mora, e o auto de infração de fls. 12 a 19, lavrado em 15/03/2007, exigiu o valor deste acréscimo legal. A argumentação da Recorrente diz respeito à exigibilidade ou não da multa moratória no caso de recolhimento em atraso feito de forma espontânea. Não entendo que o instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN, dispense o recolhimento da multa de mora no caso de recolhimento feito com atraso. Isto porque a obrigação pecuniária relativamente à multa de mora surge para o Contribuinte pelo simples fato de não ter sido observado o prazo legal para o pagamento do tributo, não servindo a denúncia espontânea para reverter o prejuízo da Fazenda em relação à mora, eis que sua configuração jurídica é definitiva, decorrendo diretamente da inobservância do prazo para pagamento, e somente disso. Contudo, não há razões para aprofundar o debate em relação a essa questão. O fato é que a Lei 11.941/2009 admitiu a quitação de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008 com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e redução de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora, para os Contribuinte que quitassem estes débitos à vista, assim considerados os pagamentos realizados até 30 de novembro de 2009, conforme definido na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 22 de julho de 2009. No caso, os Demonstrativos do auto de infração indicam claramente que houve integral quitação da rubrica principal, bem como dos juros. Como já foi mencionado, o auto de infração sob exame faz exigência apenas da multa de mora, e de forma isolada. Embora a quitação da rubrica principal tenha ocorrido antes da Lei 11.941/2009, não faria nenhum sentido exigir que a Contribuinte recolhesse novamente esta mesma rubrica, sem a multa de mora e com juros reduzidos, para que pudesse, aí sim, ver reconhecida a dispensa do referido acréscimo. Para a situação aqui analisada, o efeito produzido pela Lei 11.941/2009 foi simplesmente dispensar a exigência que vinha sendo feita em relação ao acréscimo legal da multa de mora, porque os requisitos para isso já estavam atendidos. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13029.000031/200779 Acórdão n.º 180200.987 S1TE02 Fl. 109 6 Com efeito a Contribuinte já havia quitado integralmente a rubrica principal, tendo também recolhido os juros em sua totalidade, ou seja, sem a redução de 45% a que teria direito caso o pagamento fosse realizado após a Lei 11.941/2009 Nestes termos, entendo que a exigência do acréscimo legal não pode subsistir após a referida lei. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 164DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 15/10/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10980.006592/2005-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1999
IRPF. DECADÊNCIA AFASTADA PELA TURMA DA CSRF EM RECURSO ESPECIAL
Não deve ser conhecido o recurso voluntário quando do retorno da C. CSRF que afasta a matéria de decadência, e determina a análise dos demais pontos objeto de defesa. Única matéria arguida pelo contribuinte em recurso e já julgada pela CSRF. Recurso que não se conhece.
Numero da decisão: 2201-003.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 07/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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DECADÊNCIA AFASTADA PELA TURMA DA CSRF EM RECURSO ESPECIAL Não deve ser conhecido o recurso voluntário quando do retorno da C. CSRF que afasta a matéria de decadência, e determina a análise dos demais pontos objeto de defesa. Única matéria arguida pelo contribuinte em recurso e já julgada pela CSRF. Recurso que não se conhece. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 07/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 65 92 /2 00 5- 53 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10980.006592/200553 Acórdão n.º 2201003.839 S2C2T1 Fl. 121 2 Relatório 1 Tratase de Recurso de Voluntário (fls.36/44) interposto pela contribuinte em face da decisão da DRJ/CTA questionando o auto de infração sobre IRPF ano calendário de 1999 Exercício 2000 no valor total e R$ 42.611,10 de acordo com fls. 12/17. 2 – Adoto inicialmente como relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 27/32) por sua precisão: “Por meio do auto de infração de tis. 11/13, exigemse da contribuinte os montantes de R$ 16.142,50 de imposto suplementar, R$ 12.106,87 de multa de ofício de 75% e encargos legais, relativos ao exercício de 2000, ano calendário 1999. A autuação, efetuada com base nos arts. 1° a 3° e 6° da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, arts. I o a 3 o da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, arts. 1", 3°, 5", 6", 11 e 32 da Lei n" 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 21 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, Lei nº 9.887, de 07 de dezembro de 1999, e arts. 43 e 44 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), c na declaração de ajuste anual (fls. 18/19), alterou o valor dos rendimentos tributáveis de RS 16.000,00 para R$ 83.500,00, e ajustou para RS 8.000,00 o desconto simplificado, em face da omissão de honorários advocatícios auferidos em Ação Trabalhista, movida por Sidney da Silva contra o Banco Industrial e Comercial S/A, conforme recibo de fl. 17. Cientificada, a contribuinte apresentou, em 06/07/2005, por intermédio de seu procurador (fl. 09), a impugnação de fls. 01/08, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 21 verso), invocando, em preliminar, a decadência do lançamento, fundamentado no art. 150 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172, de 25 dc outubro de 1966). Entende que os fatos geradores do imposto de renda das pessoas físicas acontecem mensalmente e, portanto, a decadência, para o fato gerador Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10980.006592/200553 Acórdão n.º 2201003.839 S2C2T1 Fl. 122 3 ocorrido em 31/03/1999. operou seus efeitos em 31/03/2004, sendo assim insubsistente o lançamento notificado em 13/06/2005. Assevera que, mesmo adotandose a regra do art. 173, I do CTN, a decadência teria ocorrido em 31/12/2004. Traz à colação entendimentos administrativos sobre a matéria, admitindo, ainda, a contagem do prazo decadencial a partir da data da entrega da declaração, em 28/04/2000. concluindo que, mesmo assim, teria decorrido esse prazo em 28/04/2005 e, em conseqüência, decaído o lançamento cientificado em 13/06/2005. 3 A decisão da DRJ/CTA (fls. 27/32) julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA I R PF Exercício: 2000 PRAZO DE DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No lançamento de ofício o prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10980.006592/200553 Acórdão n.º 2201003.839 S2C2T1 Fl. 123 4 gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Lançamento Procedente 4 Cientificado da decisão de piso (fls. 35), em 23/04/2007 a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 36/44 alegando apenas a matéria da decadência do crédito. 5 Em acórdão de fls. 46/48 a 5ª Turma Especial em 30 de Junho de 2009 AC. 380500.136 deu provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário. 6 – Às fls. 51/75 Recurso Especial da PGFN, com sua admissibilidade às 84/85 e fls. 88/104 contrarrazões da contribuinte. 7 – Em sessão do dia 28/01/2015 a C. 2ª Turma da CSRF através do Acórdão nº 9202003.551 de fls. 106/112 deu provimento ao recurso especial da PGFN e afastou a decadência do crédito tributário determinando o retorno dos autos à Turma para análise das demais matérias suscitadas no recurso voluntário da contribuinte com intimação da contribuinte às fls. 116 do resultado do recurso. 8 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10980.006592/200553 Acórdão n.º 2201003.839 S2C2T1 Fl. 124 5 10 – Analisando a defesa fls. 02/09 e o recurso voluntário fls. 36/44, verifica se que a única matéria suscitada foi a decadência. 11 – Tal matéria foi afastada por completo pelo V. Acórdão da 2ª turma da CSRF e não está em discussão nesse caso, verbis: “Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Especial interposto, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para afastar a decadência suscitada e, ato contínuo, retornarem os autos para julgamento das questões de mérito.” 12 – Diante disso, revelase que de acordo com artigos 16 e 17 do Decreto 70.235/72 toda matéria de fato e provas deverá ser alegada na impugnação, sendo considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante e, portanto, precluindo seu direito. 13 – Portanto, não havendo outras matérias suscitadas em impugnação e recurso voluntário pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário diante das razões acima indicadas. Conclusão 14 Diante de todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário diante da inexistência de outras matérias a serem analisadas objeto do recurso. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10980.006592/200553 Acórdão n.º 2201003.839 S2C2T1 Fl. 125 6 Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.733047/2013-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
NULIDADE.
Não há que se falar de nulidade quando ausentes as hipóteses previstas no artigo 59, do Decreto 70.235/72.
CAPACIDADE CIVIL.
A alegação de suposta incapacidade civil não pode afastar a incidência da norma tributária.
VALORES DEPOSITADOS JUDICIALMENTE. DISPONIBILIDADE JURÍDICA.
Valores depositados judicialmente e que não são contestados caracterizam o fato gerador do Imposto de Renda, na modalidade disponibilidade jurídica, nos termos do artigo 43 do CTN.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA.
A multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão, não se confunde com a multa de ofício lançada sobre o imposto suplementar, pois as penalidades referem-se à infrações distintas. A multa isolada decorre do não recolhimento ou recolhimento insuficiente do carnê-leão, enquanto a multa de ofício é aplicada sobre a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual.
INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC.
É cabível a incidência da taxa SELIC no período de inadimplência. Súmula CARF nº 04.
Numero da decisão: 2201-003.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 NULIDADE. Não há que se falar de nulidade quando ausentes as hipóteses previstas no artigo 59, do Decreto 70.235/72. CAPACIDADE CIVIL. A alegação de suposta incapacidade civil não pode afastar a incidência da norma tributária. VALORES DEPOSITADOS JUDICIALMENTE. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. Valores depositados judicialmente e que não são contestados caracterizam o fato gerador do Imposto de Renda, na modalidade disponibilidade jurídica, nos termos do artigo 43 do CTN. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA. A multa isolada pelo não recolhimento do carnê-leão, não se confunde com a multa de ofício lançada sobre o imposto suplementar, pois as penalidades referem-se à infrações distintas. A multa isolada decorre do não recolhimento ou recolhimento insuficiente do carnê-leão, enquanto a multa de ofício é aplicada sobre a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É cabível a incidência da taxa SELIC no período de inadimplência. Súmula CARF nº 04.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Não há que se falar de nulidade quando ausentes as hipóteses previstas no artigo 59, do Decreto 70.235/72. CAPACIDADE CIVIL. A alegação de suposta incapacidade civil não pode afastar a incidência da norma tributária. VALORES DEPOSITADOS JUDICIALMENTE. DISPONIBILIDADE JURÍDICA. Valores depositados judicialmente e que não são contestados caracterizam o fato gerador do Imposto de Renda, na modalidade disponibilidade jurídica, nos termos do artigo 43 do CTN. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA. A multa isolada pelo não recolhimento do carnêleão, não se confunde com a multa de ofício lançada sobre o imposto suplementar, pois as penalidades referemse à infrações distintas. A multa isolada decorre do não recolhimento ou recolhimento insuficiente do carnêleão, enquanto a multa de ofício é aplicada sobre a omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É cabível a incidência da taxa SELIC no período de inadimplência. Súmula CARF nº 04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 30 47 /2 01 3- 50 Fl. 592DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 593 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação ofertada pelo contribuinte. Os principais aspectos da autuação estão contidas nos seguintes excertos do relatório da decisão de primeira instância: Trata o presente processo de auto de infração (fls. 282/310), no qual é exigido imposto de renda pessoa física (2904) no valor de R$ 221.095,70, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, bem como multa isolada, relativos aos anoscalendário 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelo espólio do de cujus, omissão de rendimentos da atividade rural pelo espólio, multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê Leão. Consta ainda do presente processo auto de infração (fls.311/319), no qual é exigido imposto de renda pessoa física (2904) no valor de R$ 32.647,40, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao anocalendário 2013, cuja infração decorre de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física pelo espólio. (...) Analisando as respostas aos Termos de Intimação, as informações obtidas nos sistemas internos da RFB e no site do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, a Fiscalização verificou que: 1. A Sra. Maria Marques da Cunha era casada com Manoel Marques de Souza Alvares da Cunha, que assina os contratos como arrendante, em regime de comunhão de bens. Esse veio a falecer em 22/04/2010, mas em 17/09/2010 transitou em julgado decisão judicial que decretou a dissolução do vinculo matrimonial, em ação de divórcio c/c partilha de bens, proposta pela Sra. Maria Marques da Cunha; 2. o processo de Inventário do Sr. Manoel Marques de Souza Alvares da Cunha está em andamento sob o n°. 11000971245 no TJRS. O inventariante nomeado foi o filho dele: Sr. Manoel Marques Alvares da Cunha; 3. o contrato de arrendamento rural, tendo de um lado o Sr. Manoel Marques de Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 594 3 Souza Alvares da Cunha, designado arrendante, e de outro a Pinvest Pinheirais Gaúchos e Investimentos S/A, designada arrendatária, foi assinado em 28/01/2008 e tinha como objeto a arrendamento da área de 1.300 ha, da área maior de 6.101,83 da "Fazenda Conceição de Piraju". O Inventariante declara, "verbalmente", que os pagamentos descritos no contrato não foram efetivados, por isto não possuía a comprovação. Declarou também que o contrato fora assinado por Maria Marlete Machado, procuradora à época do Sr. Manoel Marques de Souza Alvares da Cunha. Foram efetuados pagamentos referentes aos arrendamentos a Sra. Maria Marques da Cunha nos anos calendário 2009, 2010 e 2011, nos seguintes valores: os contratos foram assinados no anocalendário 2008, e que neste mesmo ano já haviam sido feitos pagamentos ao Sr. Manoel Marques de Souza Alvares da Cunha; 7. existiam comprovantes de recebimentos dos arrendamentos rurais recebidos pelo Sr. Manoel Marques de Souza Alvares da Cunha, do Sr. Luiz Carlos Antolini Nemitz, no valor de R$ 52.940,00, em 03/03/2008, e da Sra. Carla Lirian Antolini Nemitz, no valor de 95.568,00, em 11/02/2008; 8. o Sr. Manoel Marques Alvares da Cunha declarou que não poderia comprovar as Receitas da Atividade Rural do período solicitado, porque à época não era o administrador do imóvel; e que as DIRPFs do Sr. Manoel Marques Alvares da Cunha foram efetuadas por terceiros; 9. houve ação de despejo c/c declaração de nulidade de contratos e arrendamento, parceria e compra e venda, proposta pelo Espólio de Manoel Marques de Souza Alvares da Cunha e pela Sra. Maria. Marques da Cunha contra a Empresa Pinvest Pinheirais Gaúchos e Investimentos S/A, que tramitou perante a Vara Cível da Comarca de São Francisco de Assis RS, sob o n° 125/1.11.00000668; 10. as partes firmaram acordo judicial em 02/03/2012, onde ficaram estabelecidos os pagamentos e as condições para que a Pinvest desocupasse a propriedade rural. Ficou estipulada a quitação do arrendamento e de qualquer dívida ou ação existente entre as partes, até aquele momento, mediante algumas condições: a) da Arrendatária concordância com o levantamento, pela autora Maria Marques da Cunha, do Alvará referente ao valor consignado no processo n°.027/1.08.00185121, que tramita perante a Segunda Vara de Família e Sucessão da Comarca de Santa Maria; concordância Arrendador Valor (R$) data Luiz Carlos Antolini Nemitz 88.696,00 06/01/2009 Luiz Carlos Antolini Nemitz 79.636,00 14/01/2010 Luiz Carlos Antolini Nemitz 107.416,00 05/01/2011 Carla Lirian Antolini Nemitz 57662,32 03/06/2009 Carla Lirian Antolini Nemitz 54.861,97 31/05/2010 Carla Lirian Antolini Nemitz 56.671,84 14/09/2010 Carla Lirian Antolini Nemitz 66939,22 06/06/2011 Fl. 594DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 595 4 com o levantamento imediato, pelos autores, dos grãos já depositados e noticiados nos autos do inventário da falecido Manoel Marques de Souza Alvares da Cunha; Manutenção do pagamento do ITR, inclusive parcelamento, até o mês de outubro de 2012; disponibilização ao inventariante do valor de R$ 250.000,00 em até 05 dias úteis após a homologação da transação pelo juízo de São Francisco de Assis. b) do Arrendante (autores) reconheceram o contrato de compra e venda da metade dos semoventes, objeto da parceria pecuária; cedendo à Pinvest em dação em pagamento pelas benfeitorias realizadas na propriedade rural a outra metade dos semoventes objeto da parceria pecuária; c) que as áreas subarrendadas pela Pinvest a Mauro Souza Bonotto e a Lédío Luiz Trombetta e Raphael Thomazi Trombetta serão pagas diretamente aos autores; 11. não houve levantamento do valor do processo 027/1.08.00185121; 12. foram transferidas, em 04/10/2012, para o Espólio de Manoel Marques de Souza Alvares da Cunha, na pessoa de seu inventariante, e/ou a viúva Sra. Maria Marques da Cunha, 3.140 sacas de soja que a Pinvest havia depositado na COTRIJUC – Cooperativa Agropecuária & Industrial Estrada de Manoel Viana São Borja km 01, em face do acordo processual estabelecido entre as partes nos processos 125/1.11.0000066.8 e apensos, e do processo de inventário n°. 001.1.01000978124.5; 13. ficou comprovado que o valor de R$ 250.000,00 foi depositado nos autos do processo de inventário n° 001/1.10.000971245 em 10/10/2012 e R$ 17.019,00 em 07/11/2012. 14. existiam contratos de parceria pecuária e de compra e venda da metade dos semoventes citados na alínea 1 do item b do acordo; 15. a Sra. Maria Marques da Cunha alegou que não tinha conhecimento da quantidade de semoventes existentes na propriedade, eis que não tinha acesso a mesma, nem aos seus documentos. Portanto, foi considerado como cedido à PINVEST os mesmos animais, pelo mesmo valor, referente ao contrato de compra e venda de semoventes já citado. Qual seja , o contrato com o valor de R$ 350.000,00. Esta dação em pagamento fez parte do acordo em troca de benfeitorias que a PINVEST havia feito na propriedade. 16. Houve a comprovação dos pagamentos, por meio dos documentos de fls. 170/171, efetuados por Mauro Souza Bonotto e Rhafael Trombeta, que foram citados como subarrendatários no acordo com a Pinvest 101.1 os seguintes valores: MAURO SOUZA BONOTTO 06/11/2012 R$ 93.300,00 23/05/2013 R$ 76.935,00 RHAFAEL THOMAZI TROMBETA 28/03/2013 R$ 172.000,00 Assim no lançamento a tributação foi efetuada da seguinte forma:“a) Os valores recebidos de pessoa física Alugueres não foram declarados nos anoscalendário 2010 a 2013 nas DIRPFs dos Sr. Manoel. Portanto foi efetuado o lançamento do valor total para o Sr. Manoel até a data da decretação do Divórcio; e após esta data, 50% dos valores recebidos como Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 596 5 rendimentos recebidos de pessoa física Aluguéis para o espólio do Sr. Manoel. b) O Rendimento de Arrendamentos não consta das declarações do Sr. Manoel, portanto foi efetuado o lançamento do valor total para o Sr. Manoel até a data da decretação do Divórcio; e após esta data, 50% dos valores recebidos como rendimentos recebidos de pessoa física Aluguéis para o espólio do Sr. Manoel. c) O Rendimento da Receita Rural, como ela é posterior a decretação do divórcio, ela será lançada 50% para cada um.” Os valores recebidos pelo Arrendamento da Pinvest – Pinheirais Gaúchos e Investimentos S/A, por meio da ação de despejo c/c declaração de nulidade de contrato de arrendamento, parceria e compra e venda, como foram recebidos no ano de 2012 foram lançados em 50% no espólio do Sr. Manoel Marques de Souza Álvares da Cunha. Observa a Fiscalização ainda que: “Um dos itens do Acordo da Ação de despejo que tramitou perante a Vara Cível da Comarca de São Francisco de Assis RS, sob o n° 125/1.11.00000668 é a dação em pagamento da metade dos semoventes dos mesmos animais, pelo mesmo valor, referente ao contrato de compra e venda de semoventes já citado. Qual seja, o contrato com o valor de R$ 350.000,00. Esta dação em pagamento fez parte do acordo em troca de benfeitorias que a PINVEST havia feito na propriedade. Como uma das atividades declaradas pelo Sr. Manoel, antes do contrato de Parceria Agropecuária com a Pinvest, era a Atividade Rural de Pecuária, e o contrato não se configurou, foi considerado a dação em pagamento como venda de gado, ou seja, Receita da Atividade Rural. (...) Todos os rendimentos acima descritos são tributáveis, com direito as deduções legais ou opção pelo desconto simplificado, conforme os artigos 1o a 3° da Lei 7713/1988 , artigos 1o a 3° da Lei n° b.^34/1990, e os art. 49, 50 e 84 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. Embora incidindo em hipótese de obrigatoriedade de apresentação das Declarações de Ajuste Anual para o ano calendário 2010, o contribuinte não a apresentou espontaneamente. Portanto os rendimentos do anocalendário 2010 acima descritos foram considerados omitidos. O contribuinte não apresentou a declaração de ajuste anual para o ano calendário 2010. Não pleiteou nenhuma das deduções legais a que tem direito e que possa comprovar. Foi então utilizado o desconto de 20% do valor dos rendimentos tributáveis, limitado a R$ 13.916,36 no referido anocalendário. Este desconto substitui todas as deduções legais, sem a necessidade de comprovação.” Com relação à multa de ofício, até a data da morte do Sr. Manoel Marques de Souza Álvares da Cunha, 22/04/2010, foi aplicada a multa constante do art. 23, I, §1º do RIR/1999. As omissões detectadas para períodos de apuração posteriores fora lançadas com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9430/1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Foi aplicada ainda a multa pela falta de recolhimento do carnê leão, nos períodos em que não houve o recolhimento devido. O contribuinte, por meio de procurador habilitado pelo inventariante, inconformado apresentou, tempestivamente (fls. 488), impugnação, onde inicialmente discorda da aplicação da Fl. 596DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 597 6 multa isolada concomitantemente com a multa de ofício no percentual de 75%. Acredita ser ilegítimo o uso da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora. Sua utilização seria absolutamente ilegal e inconstitucional. No que tange às infrações apuradas, primeiramente o procurador relata o ocorrido nas ações judiciais relacionadas com o contribuinte: 1. A ação de divórcio impetrada pela Sra. Maria Marques da Cunha, a qual terminou com a decretação do divórcio em 17/09/2010, tendo, todavia, o Sr. Manoel Marques de Souza Álvares da Cunha falecido em 22/04/2010, fato que levou a transferência da partilha para o processo de inventário; 2. a ação de interdição proposta pelo filho contra o Sr. Manoel Marques de Souza Álvares da Cunha, a qual foi extinta com perda de objeto, tendo em vista o falecimento do Sr. Manoel Marques de Souza Álvares da Cunha; 3. a ação de despejo c/c com declaração de nulidade de contratos de arrendamento, parceria rural e compra e venda, com pedido de antecipação de tutela, proposta pelo inventariante e filho do Sr. Manoel Marques de Souza Álvares da Cunha e pela Sra. Maria Marques da Cunha contra a Pinvest Pinheirais Gaúchos e Investimentos S/A, que terminou em acordo judicial. Pondera que o espólio, por meio do inventariante, e a Sra. Maria Marques da Cunha só teriam tomado posse da propriedade rural em 01/11/2012. Antes dessa data não teriam condições de demonstrar o que aconteceu em relação aos contratos de arrendamento e parceria rural. O acordo judicial só foi firmado para por fim a uma demanda judicial que teria a duração de vários anos. Alega que os valores pagos pela Pinvest – Pinheirais Gaúchos e Investimentos S/A, em cumprimento ao acordo judicial, não foram recebidos pelo espólio, já que depositados em juízo, encontrandose lá até a data da apresentação da impugnação. Nesse caso, não teria ocorrido a efetiva disponibilidade financeira dos recursos, uma vez que o douto Juiz do inventário não permitiria a disponibilidade financeira destes valores até que devidamente recolhido o imposto de transmissão, e, por conseqüência, realizada a partilha dos bens. Da mesma forma, todos os valores constantes do Auto de Infração como omissão de rendimento de aluguéis, também teriam sido depositados judicialmente junto ao Processo de Inventario e até o momento o Espólio não teria a disponibilidade destes recursos financeiros. Entende que não havendo a real disponibilidade dos recursos financeiros por parte do Espólio, eis que depositados em juízo, não ocorreria o fato gerador do imposto de renda, e, por consequência, não poderia existir a obrigação tributária, eis que a disponibilidade dos recursos financeiros depositados judicialmente somente se dará quando da efetiva partilha de bens realizada pela douto Juiz do Inventario, entre o herdeiro do espólio e a meeira. Assim não existiria omissão de rendimentos, em relação aos valores que foram depositados judicialmente, cuja disponibilidade financeira o Espólio não possui. Alega ser totalmente ilegal e ilegítimo a autuação constante do Auto de Infração relativa aos rendimentos recebidos pelo espólio, à título de arrendamento, nas datas de 28/03/2013 e 23/05/2013, e, principalmente a multa imposta de 75% (setenta e cinco por Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 598 7 cento) sobre o valor do tributo, eis que o Contribuinte teria o direito legal de apresentar estes rendimentos, para o pagamento do tributo, quando da sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física relativa ao anobase 2013, exercício 2014. Assim, em relação aos valores recebidos à título de arrendamento em 28/03/2013 e 23/05/2013 não haveria nenhum tipo de omissão, eis que esses valores seriam levados à tributação quando da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2013/2014. Conclui, requerendo a nulidade do auto de infração pela utilização da taxa Selic e pela aplicação da multa, alternativamente solicita a exclusão da multa exigida isoladamente. Caso entendase diferente, requer que seja julgado improcedente o auto de infração. A decisão da 4ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade ou legalidade de leis. CARNÊLEÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A ausência de recolhimento mensal do imposto (carnêleão), incidente sobre os rendimentos recebidos de pessoas físicas, enseja a aplicação de multa isolada no percentual de 50% do imposto não recolhido. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. O lançamento da multa isolada pelo não recolhimento do carnê leão, não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o imposto suplementar, pois constituem infrações distintas a multa de ofício decorre da omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual e a multa isolada decorre da insuficiência de recolhimento mensal do carnêleão. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, e de juros de mora à taxa Selic sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 599 8 FATO GERADOR DO IRPF. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA. ESPÓLIO. VALORES DEPOSITADOS. INVENTÁRIO. Existe disponibilidade econômica e conseqüentemente o fato gerador do imposto de renda pessoa física, quando os valores foram depositados em juízo no processo de inventário, estando à disposição do espólio. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ESPÓLIO. TRIBUTOS DEVIDOS PELO DE CUJUS. O espólio é pessoalmente responsável pelos tributos devidos pelo de cujus, não podendo alegar desconhecimento para se eximir da responsabilidade pelo seu recolhimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado do acórdão no dia 13/05/2016, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente em 09/06/2016, alegando, em síntese, que: É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar Em sede preliminar, alega o contribuinte que o auto de infração é nulo, haja vista a aplicação conjunta dos incisos I e II, do artigo 44, da Lei 9.430/96. Tal afirmativa não merece prosperar, uma vez que é possível a aplicação conjunta das multas previstas nos incisos supramencionados. Esse é o entendimento do CARF em relação a aplicação conjunta: Acórdão 2201002.535, relatado pelo Conselheiro Eduardo Tadeu Farah: MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Em relação aos fatos geradores acorridos até o anocalendário de 2006, a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), é devida a multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão, aplicada concomitante com a multa Fl. 599DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 600 9 de ofício pela falta de recolhimento ou recolhimento a menor de imposto, apurado no ajuste anual. O Acórdão 1302002.087, relatado pelo Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, assim abordou a matéria: IRPJ/CSLL. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Como visto no acórdão acima, a multa de ofício e multa isolada derivam de diferentes situações e no caso em tela não é diferente, a multa de ofício decorre da omissão de rendimentos, já a multa isolada deriva do não recolhimento do carnêleão. Portanto, duas situações distintas autorizadoras da aplicação conjunta das multas, nos termos do artigo 44, I e II, da Lei 9.430/96 e entendimento do CARF acima exposado. Em relação a aplicação da taxa SELIC, não resta dúvida de que a mesma é válida. O artigo 161, § 1°, do CTN, autoriza à lei estipular o índice pelo qual serão calculados os juros moratórios. Determina o artigo 61, § 3°, da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Já o § 3° da Lei supramencionada, preleciona: § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 601 10 Ainda sobre a validade da utilização da taxa SELIC, temse a súmula 04, do CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme exposto, não há qualquer irregularidade na aplicação da taxa SELIC juros de mora dos valores cobrados no caso em tela. Comprovada a validade tanto da aplicação da taxa SELIC, assim como a regularidade aplicação conjunta das multas previstas nos incisos I e II, da Lei 9.430/96, não há o que se falar em nulidade do auto de infração. Além do já exposto, inexiste qualquer dos requisitos previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/72, capaz de enseja a nulidade aduzida pelo contribuinte. Com relação a alegativa de inconstitucionalidade da multa, não cabe a instância administrativa entrar nesse mérito, conforme artigo 26A, do Decreto 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) O referido dispositivo legal é claro quanto às hipóteses em que a administração pode reconhecer a inconstitucionalidade de lei, o caso em tela não se enquadra Fl. 601DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 602 11 em nenhuma delas. Portanto, não cabe maiores discussões sobre a constitucionalidade ou não da multa aplicada. Esse entendimento já foi sumulado pelo CARF, nos termos do teor da Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do Mérito O espólio é a universalidade de bens, direitos e obrigações do de cujus. Ele se dá entre o período da abertura da sucessão (morte) até a homologação do formal de partilha. Nesse interstício, o espólio, representado pelo inventariante, é o responsável pelo cumprimento das obrigações do de cujus, inclusive as tributárias. Preceitua o Decreto 3.000/99 acerca da responsabilidade do espólio e do inventariante: Art. 11. Ao espólio serão aplicadas as normas a que estão sujeitas as pessoas físicas, observado o disposto nesta Seção e, no que se refere à responsabilidade tributária, nos arts. 23 a 25 (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 45, § 3º, e Lei nº 154, de 25 de novembro de 1947, art. 1º). § 1º A partir da abertura da sucessão, as obrigações estabelecidas neste Decreto ficam a cargo do inventariante. Ainda sobre o espólio e seus bens, preceitua o Decreto n. 3.000/99: Art. 12. A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao anocalendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 45, e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). § 1º Serão também apresentadas em nome do espólio as declarações não entregues pelo falecido relativas aos anos anteriores ao do falecimento, às quais estivesse obrigado. § 2º Os rendimentos próprios do falecido e cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns no curso do inventário deverão ser, obrigatoriamente, incluídos na declaração do espólio. § 3º Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome do espólio. § 4º Na hipótese do parágrafo anterior, o espólio poderá: I compensar o total do imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns; II deduzir o valor a título de dependente em relação aos seus próprios dependentes, ao cônjuge sobrevivente e respectivos Fl. 602DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 603 12 dependentes, se os mesmos não tiverem auferido rendimentos ou, se os perceberem, desde que estes sejam incluídos na declaração do espólio. § 5º Os bens incluídos no monte a partilhar deverão ser, obrigatoriamente, declarados pelo espólio. § 6º Ocorrendo morte conjunta dos cônjuges, ou em datas que permitam a unificação do inventário, os rendimentos comuns do casal poderão ser tributados e declarados em nome de um dos falecidos. Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Uma das alegativas do recorrente é de que o de cujus estava na iminência de ser interditado, devido a sua falta de capacidade para gerir os próprios atos. Porém, tal incapacidade não impede a ocorrência do fato gerador e, muito menos, é oponível à Fazenda como matéria de escusa ao cumprimento das obrigações tributárias. Nesses termos, preceitua o artigo 126, I, do CTN: Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: I da capacidade civil das pessoas naturais; Alega ainda o inventariante, que só tomou posse da propriedade rural em 01/11/2012, não tendo como comprovar os termos do contrato anteriormente firmado. O artigo 24, IV, do Decreto 3.000/99, trata acerca da responsabilidade do inventariante: Art. 24. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis (Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, incisos I a IV): (...) IV o inventariante, pelo tributo devido pelo espólio. O citado artigo determina que o inventariante responde solidariamente pelos tributos devidos pelo espólio, não podendo eximirse de tal obrigação, alegando apenas o desconhecimento das causas que geraram a obrigação tributária. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 604 13 Independente de saber os termos do acordo entre o de cujus e a empresa arrendatária, o fato é que a fiscalização constatou que tal contrato gerou rendimentos tributáveis ao de cujus, valores esses omitidos à Fazenda e que ensejaram a lavratura do auto de infração ora contestado. Portanto, o contrato gerou renda e, nos termos da legislação supra mencionada, cabe ao inventariante a administração e o pagamento das dívidas do de cujus, inclusive as obrigações tributárias. Ainda sobre a obrigação do inventariante e da necessidade da quitação das obrigações tributárias para devido encerramento do processo de inventário, temse o artigo 654, parágrafo único, do Código de Processo Civil: Art. 654. Pago o imposto de transmissão a título de morte e juntada aos autos certidão ou informação negativa de dívida para com a Fazenda Pública, o juiz julgará por sentença a partilha. Parágrafo único. A existência de dívida para com a Fazenda Pública não impedirá o julgamento da partilha, desde que o seu pagamento esteja devidamente garantido. O recorrente alega ainda, que parte dos valores utilizados para a base de cálculo do imposto encontrase depositado judicialmente. Portanto, não há que se falar em omissão de rendimentos, já que não houve disponibilidade dos recursos, nem fato gerador de imposto de renda. Contudo, o art. 43 do CTN, assim trata o fato gerador do imposto de renda: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica (destaquei). I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Ao definir o fato gerador do IR, a lei criou duas situações, disponibilidade econômica, que é a possibilidade de usar o dinheiro e a disponibilidade jurídica, que é o crédito que o contribuinte tem disponível para si. Os documentos colacionados às fls. 170/172 demonstram que, ao contrário do alegado pelo recorrente, alguns valores não estão depositados judicialmente. Os depósitos judiciais decorrem, momentaneamente, da inexistência de formal de partilha. Situação diversa Fl. 604DF CARF MF Processo nº 11080.733047/201350 Acórdão n.º 2201003.846 S2C2T1 Fl. 605 14 seria um depósito judicial objeto de discussão sobre a validade ou não de determinada disponibilidade econômica. No caso em tela, o depósito judicial se presta apenas para resguardar o direito dos herdeiros e dos credores, inclusive a Fazenda Pública, inexistindo qualquer discussão acerca da validade ou não desses valores. Embora tais valores estejam temporariamente indisponíveis para a satisfação pessoal dos herdeiros, estão plenamente disponíveis para o cumprimento das obrigações do próprio espólio, sendo a obrigação tributária uma delas. Destarte, não há dúvidas de que ocorreu o fato gerador do Imposto de Renda, cabendo ao inventariante o cumprimento das obrigações tributárias do espólio. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 605DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.720027/2012-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA.
É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma mais-valia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA.
É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. GLOSA. SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES.
É válido o lançamento decorrente de glosa de prejuízos compensados quando comprovadamente excederam ao saldo de prejuízo existente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Ao subsistir o lançamento principal igual sorte colherá o lançamento que dele é reflexo.
Numero da decisão: 1302-002.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram por diligência; e, no que se refere à glosas da base de cálculo negativa e do prejuízo fiscal, por unanimidade negaram provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca, acompanharam o voto do relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente-Substituta
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente-Substituta).
Nome do relator: Rogério Aparecido Gil
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DESPESAS INDEDUTÍVEIS. GLOSAS. MULTAS Recorrente CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. GLOSA. SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. É válido o lançamento decorrente de glosa de prejuízos compensados quando comprovadamente excederam ao saldo de prejuízo existente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 27 /2 01 2- 39 Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 3 2 Ao subsistir o lançamento principal igual sorte colherá o lançamento que dele é reflexo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca que votaram por diligência; e, no que se refere à glosas da base de cálculo negativa e do prejuízo fiscal, por unanimidade negaram provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca, acompanharam o voto do relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 1257.332 de 26 de junho de 2013 da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação da Contribuinte, conforme ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo entre as normas reguladoras do processo administrativo fiscal. Pelo princípio da oficialidade, a Administração Pública tem o dever de impulsionar o processo até a sua conclusão. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 4 3 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. GLOSA. SALDO DE PREJUÍZOS INSUFICIENTES. É válido o lançamento decorrente de glosa de prejuízos compensados quando comprovadamente excederam ao saldo de prejuízo existente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Ao subsistir o lançamento principal igual sorte colherá o lançamento que dele é reflexo. Verificase que, na primeira oportunidade em que o Recurso Voluntário foi submetido ao Carf, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1301000.219, de 22/09/2014), determinandose o apensamento ao presente processo dos PAF nº 10830.001530/200901; 10830.010855/2007 12 e 10830.010761/200816, face à conexão sustentada pela Recorrente. Concluiuse, assim, pela necessidade de julgamento em conjunto dos processos. Adoto o relatório apresentado na referida Resolução, nos seguintes termos: Na forma relatada na referida Resolução, os fundamentos da autuação encontramse descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 710/725), assentando a Fiscalização, de início, as circunstâncias e composição do grupo econômico do qual a recorrente fazia parte antes da aquisição da SEMESA e a integralização das participações das empresas FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN pela SERRA DA MESA, junto à CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S/A (CPFL G), frisando que a CPFL G possuía 100% das ações da SEMESA; 66,67% das ações da FOZ DO CHAPECÓ; 100% das ações da BARRA GRANDE; 48,72% das ações da empresa CAMPOS NOVOS e 65% das ações da empresa CERAN e a empresa VBS Participações possuía 100% das ações da SERRA DA MESA (atual VBS ENERGIA), a qual possuía 3,36% das ações da Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 5 4 CPFL GERAÇÃO, sendo que esta era controlada pela empresa DRAFT II, atual CPFL, onde a VBS possuía 45,32% de participação. Feito esse cotejo, assentouse que em 08 de novembro de 2001, a SEMESA foi vendida pela SERRA DA MESA (atual VBS ENERGIA) para a CPFL GERAÇÃO pelo valor contratual de R$ 470.000.000,00 e teve duração de, aproximadamente, 8 meses, o que se considerou surpreendente, pois seria comum que nos estatutos a empresa tenha prazo longo ou indeterminado. Assentouse que a SEMESA partiu então de um capital de R$ 1.000,00 e na época de sua venda apontava um PL de R$ 69.631.529,01, por conta da capitalização das participações nas empresas FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN, posteriormente capitalizadas na CPFLG. Dispôs a Fiscalização que da chamada reorganização, a aquisição da SEMESA deveria ser cuidadosamente examinada, em face de ter redundado em valor significativo de ágio, observando do contrato de compra e venda datado de 08 de novembro de 2001, diante das cláusulas ali estabelecidas, tais como "que é interesse da SERRA DA MESA vender à CPFLG a totalidade da participação acionária que detém em SEMESA, bem como integralizar sua participação em futuros aumentos de capital social da CPFLG através da conversão em investimento de créditos a serem detidos contra esta companhia em função da venda acima"; concluiu que se havia vontade expressa por parte da SERRA DA MESA em participar do capital da CPFL G com integralização de créditos oriundos desta venda da SEMESA, porque não capitalizou como as demais outras participações (FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN). Segundo a Fiscalização, sendo pertencentes ao mesmo grupo não se enxerga razão para venda, ainda mais pelo preço praticado propiciando volumoso ágio, tendo em vista o conhecimento de todas as atividades envolvidas e que ao amortizar o ágio propiciando a redução de tributos, os cofres públicos foram diretamente atingidos por tais operações. Outra situação que caracterizaria ter sido o ágio pago além do que poderia ter sido praticado, foi o fato de que a SEMESA era a detentora dos ativos referentes à USINA HIDROELÉTRICA DE SERRA DA MESA e à USINA HIDROELÉTRICA DE PONTE DO SILVA, contudo, ressaltase que tais usinas não estavam contabilizadas na SEMESA, mas sim na SERRA DA MESA e isto é importante quando da confrontação entre o valor contratual da venda e o PL da SEMESA, evidenciando o suposto ágio maior que o que deveria ser, pois entendeu se que tais usinas faziam parte do negócio da suposta venda do controle da SEMESA. Portanto, se tais valores das usinas estivessem no patrimônio da SEMESA, por certo tal ágio seria muito menor. Frisouse ainda, que em dezembro de 2001, por força do mencionado contrato de compra e venda, a SERRA DA MESA integralizou, em face da aquisição da SEMESA pela CPFLG um aporte de capital na CPFLG de R$ 258.114 mil com acervo líquido entre investimentos da SEMESA (R$ 496.081 mil) e dívida (R$ 237.967 mil) e na mesma data as empresas BONAIRE PARTICIPAÇÕES e a 521 PARTICIPAÇÕES (acionistas da atual CPFL ENERGIA S/A antiga DRAFT II), subscreveram respectivamente R$ 88.471.986,00 e R$201.562.535,82. Em resposta ao Termo de Intimação n° 003, quando questionado sobre a forma de liquidação da compra e venda retro mencionada, a recorrente terá informado que tendo a composição do acervo líquido do investimento o valor total Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 6 5 de R$ 496.081,67 a forma de liquidação da aquisição da SEMESA foi realizada da seguinte forma Aporte de capital na CPFLG: R$ 258.113.293,25; Dívidas da CPFLG com a SERRA DA MESA: R$ 237.967.773,75; Valor total pago: R$ 496.081.067,00, mencionando que a contribuinte, em sua resposta, declarava que a dívida da CPFLG de R$ 237.968 mil pela aquisição da SEMESA em outubro de 2003 totalizava R$ 328.184 mil, sendo que neste mesmo mês a CPFL E assumiu uma parte da dívida no montante de R$ 312.791 mil e o saldo remanescente de R$ 15.393 mil foi quitado pela CPFL G até dezembro de 2003, esclarecem também que a CPFLG adquiriu o controle da SEMESA em 26/12/2001 conforme consta no contrato de compra e venda, contudo, segundo a Fiscalização, a informação não "fecha" com a data do contrato de compra e venda enviado, cuja data indicada era 08 de novembro de 2001. Mencionouse que na Ata da Assembleia Geral da CPFLG de 26/12/2001 consta a aprovação da proposta de ratificação de compra da totalidade da participação detida por SERRA DA MESA ENERGIA S/A no capital da SEMESA S/A, citando que a acionista SERRA DA MESA declarouse impedida e deixou de votar nesta deliberação em razão do conflito de interesses; aprovação da proposta de aumento de capital de R$ 119.652.565,59 para R$ 689.618.046,59, mediante subscrição particular de ações que deverão ser integralizadas à vista, no ato da subscrição, em moeda corrente nacional ou através da capitalização de créditos líquidos detidos por subscritores contra a companhia (já levava em conta a suposta dívida por compra da SEMESA); e que ainda estiveram presentes os responsáveis pelas empresas BONAIRE PARTICIPAÇÕES, SERRA DA MESA ENERGIA S/A, DRAFT II PARTICIPAÇÕES (atual CPFLE) e 521 PARTICIPAÇÕES. Segundo apurou a Fiscalização, em 29/12/2001 foi efetuado o lançamento contábil de registro do aumento de capital e ressalvou o Fisco, que a partir de abril de 2007, a 521 PARTICIPAÇÕES e a BONAIRE não constam mais como sócios, sendo indicada apenas a CPFLE como "representante da totalidade das ações". Feito esse cotejo dos fatos, assentou a Fiscalização que uma vez informado que o valor da venda foi de R$ 470.000.000,00, a recorrente apresentou a composição para apuração do ágio detalhando conforme abaixo: Operação de Aquisição da SEMESA em 26712/2001 Valor do contrato de compra e venda 470.000.000,00 Atualização Monetária 26.081.067.01 Valor pago 496.081.067,01 Valor Patrimonial da SEMESA DEZ 2001 69.631.529.01 Valor do ágio 426.449.538.00 Segundo a Fiscalização, o valor do PL da SEMESA indicado no quadro acima é efetivamente o valor constante da DIPJ na época da empresa vendida, na conta de capital social, apenas, e o valor tido como atualização monetária resulta da aplicação da taxa IGPM do período de 28/09/2001 a 26/12/2001 (juros de 9,5% ao ano ou 0,76% ao mês). Ressaltouse que apurado o ágio, a recorrente passou a amortizálo de acordo com o laudo de avaliação produzido pela empresa HIRASHIMA E ASSOCIADOS, cujo objetivo era o estudo sobre a fundamentação e a curva de amortização de ágio decorrente da aquisição de participação acionária da controlada SEMESA S/A registrado na contabilidade da empresa CPFLG em 31/12/2006 e também para fins de reestruturação societária, sendo que tal ágio está sendo amortizado proporcionalmente às curvas do lucro líquido projetado pelo prazo remanescente do contrato de arrendamento com a detentora da concessão (FURNAS). Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 7 6 Apontou a Fiscalização que o autor do laudo concluiu que o ágio teria sido fundamentado em rentabilidade futura. Assim, no período inicial até a data final do exame programado no MPF, tomando em conta os valores das amortizações, o Fisco chegou ao seguinte raciocínio: o valor de R$160.931.363,56 correspondente às amortizações do período de 2002 ao 1° trimestre de 2007 lançados na contabilidade a débito de resultados e adicionado na parte A do LALUR e controlado na Parte B do mesmo livro, não influenciou no resultado tributável. Já a partir de abril de 2007 o ágio passou a ser amortizado diretamente na Parte A do LALUR via exclusão para apuração do lucro real e simultaneamente estornado na Parte B do mesmo livro, agora influenciando nos resultados, sendo que a partir de abril de 2007 o saldo de R$ 265.518.174,44 foi transferido para o grupo do intangível, sendo amortizado diretamente na contabilidade pelo mesmo método da curva demonstrada no laudo de avaliação, portanto, influenciando diretamente nos resultados tributáveis. Desta forma, para a Fiscalização, foi possível demonstrar o quanto foram influenciados os resultados tributáveis da empresa com as amortizações por conta da suposta aquisição da SEMESA. No entender do fisco trata a espécie de operação destinada exclusivamente à criação de ágio, cuja amortização influenciou nos resultados tributáveis, sendo que tal situação não pode prevalecer, eis que o contrato de compra e venda foi assinado por pessoas com representação no grupo e particularmente nas duas empresas envolvidas. Os senhores Marcelo Maia de Azevedo Corrêa e José Said de Brito assinam pela SERRA DA MESA (atual VBS ENERGIA) e pela DRAFT II (atual CPFLE), além da própria SEMESA, lembrando que o primeiro contrato de compra e venda enviado somente constavam assinaturas do comprador CPFLG (Wilson P. Ferreira Júnior e Otávio Carneiro Resende) e a vendedora SERRA DA MESA atual VBS ENERGIA é controlada em 100% pela pessoa jurídica VBS PARTICIPAÇÕES sua detentora majoritária. A CPFLG é majoritariamente pertencente à CPFL E que por sua vez tem 45,32% de seu patrimônio, pertencente à VBS PARTICIPAÇÕES, portanto, a administradora de todas elas é a mesma pessoa jurídica. Enfatizouse que a SERRA DA MESA especificamente na AGO de 26/12/2001 se declarou impedida e deixou de votar na deliberação de aquisição da SEMESA, segundo a Fiscalização por ser sócia da compradora e da vendedora ao mesmo tempo. Aduziu que o laudo de avaliação se restringiu ao fundamento em torno da expectativa de resultados futuros, mas havia um valioso patrimônio que não foi levado em consideração, ou seja, conclui que o ativo nada valia se é que isso é possível, e que a SEMESA possuía bens de renda (ativos imobilizados) que perfaziam mais de R$ 800.000.000,00. Além disso, o valor das concessões de energia também não foram consideradas e a SERRA DA MESA vende uma parte dos seus ativos (ações da SEMESA) para a CPFLG no mesmo momento em que integraliza com outras empresas (FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN) a ela pertencentes no mesmo capital da CPFLG não havendo razão para supostamente vender o que poderia ser integralizado. Reputou que conforme verificou, não houve pagamentos, mas sim investimento por integração de dívida no capital da CPFLG, verificase que a operação de compra e venda descrita não passou de uma ficção e que era completo o conhecimento dos administradores do Grupo de todas as negociações e movimentação ocorridas nas empresas envolvidas, não havendo, portanto, a menor Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 8 7 possibilidade de se alegar que a aquisição ocorrera independentemente das partes e sem relacionamento. Reputa que as usinas hidroelétricas de SERRA DA MESA e PONTE DO SILVA eram da própria SERRA DA MESA e foram integralizadas na SEMESA no próprio mês da realização da compra e venda, hidroelétricas, aliás, enfaticamente registradas no contrato de compra e venda, possivelmente não integrante do valor do patrimônio líquido da SEMESA quando da apuração do valor do ágio e a SEMESA iniciou suas atividades em março de 2001 e teve seu controle "vendido" pela SERRA DA MESA para a CPFLG em dezembro de 2001 (contrato datado de 08/11/2001), podendo ser dito que a sua criação se prestou a cumprir apenas o papel de ser usada para planejamento tributário, para futura amortização de ágios além da atualização dos valores patrimoniais, supostamente para futura oferta pública de ações, conforme, aliás, previa o contrato de compra e venda na cláusula 2.7. Menciona a Fiscalização que em decorrência, é possível afirmar que o planejamento tributário também pretendia reavaliar o patrimônio, o que traria grande benefício ao captar recursos e promover garantias fiduciárias, concluindo que a pretensa compra e venda teve como objetivo a atualização dos valores da SEMESA e o aproveitamento tributário pela redução dos resultados tributáveis. Assim, foram objeto de tributação os valores que influenciaram nos resultados conforme quadro a seguir pela inexistência do ágio e complementarmente pela sua desnecessidade. Em relação à compensação de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, assentou a Fiscalização que o contribuinte compensou como prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL valores que não constam registrados no banco de dados da Receita Federal do Brasil. Ou seja, a escrituração da parte B do LALUR encontrase dissonante das informações registradas no banco de dados da Receita Federal e como se verificaria, a recorrente apresentou prejuízos apenas no ano de 2000, que foram compensados no anocalendário seguinte, não havendo qualquer razão para realizar compensações, já que inexistem valores para tal fim. No caso da CSLL somente no anoscalendário de 2000, 2005 e 2006 houve valores de bases negativas que foram compensados integralmente nos anos subsequentes, assim, tributouse as compensações indevidas, fazendo prova com a juntada ao processo de cópias das DIPJ dos anos de 2007, especificamente as fichas 9 (IRPJ) e 17 (CSLL). Devidamente cientificada (fl. 602), em 12/11/2012, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 604/649), alegando em síntese que foi constituída no ano de 2000 com o objetivo de deter e controlar todos os ativos de geração de energia pertencentes ao grupo econômico do qual faz parte, sendo que seu capital social seria composto por ações de titularidade integral da CPFL E, e, portanto, controla a CPFL G (recorrente), mencionando que a CPFLE é uma sociedade que tem por objetivo a participação em negócios diversos de energia elétrica, dentre eles o de geração de energia elétrica e, na época da operação de incorporação questionada (março de 2007) tinha no seu quadro de acionistas: i) VBS ENERGIA S/A (28,97%); ii) 521 PARTICIPAÇÕES (31,11%); e iii) BONAIRE PARTICIPAÇÕES (12,6%), sendo o restante da participação acionária negociados no free float. Anotou a recorrente que, muito embora a VBS ENERGIA tenha 25,7% do capital da CPFL E, o fato dessa participação ser menor que 50% do capital votante faz com que a VBS não tenha controle absoluto sobre as decisões dos acionistas e como a sociedade recorrente em participar de negócios de energia, a VBS constituiu a empresa SERRA DA MESA, passando a participar com 100% em seu capital social e que a SERRA DA MESA, por sua vez, detinha dois ativos importantes do Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 9 8 ponto de vista patrimonial que são: i) a concessão dos direitos de exploração da Usina SERRA DA MESA e ii) participação nos ativos relacionados à concessão da Usina Ponte do Silva. Aduziu que no dia 15/03/2001, a empresa VBS constituiu a SEMESA, uma sociedade de propósito específico, com o capital social inicial de R$ 1.000,00 e em 26/12/2001, a SEMESA deliberou um aumento de capital na importância de R$ 69.631.529,00 que foram subscritas e integralizadas pela SERRA DA MESA S/A com as referidas usinas mediante laudo de avaliação elaborado pela Arthur Andersen, nesse ato aprovado pela SEMESA, referindo que nesse momento, os ativos de geração acima já se encontravam no patrimônio da SEMESA, cujo capital social era majoritariamente detido pela VBS, através da sociedade SERRA DA MESA. Registrouse que no ano de 2001, a SEMESA figurava como subsidiária integral da SERRA DA MESA, que, por sua vez, era subsidiária integral da VBS, acrescentando que a aquisição das ações da SEMESA pela recorrente, deuse em um contexto maior, em que os acionistas investidores da empresa deliberaram pela aquisição de um bloco de ativos de geração de energia que eram então pertencentes à SERRA DA MESA (ações da SEMESA) e da VBS, conforme determinado pelo acordo de investimentos celebrado em 05 de novembro de 2001 e a partir desse documento notase que a deliberação pela aquisição dos mencionados ativos foi tomada em razão de um planejamento estratégico da companhia que buscava ampliação dos investimentos no setor de geração de energia elétrica. Tal deliberação foi previamente submetida à anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica que, através da Resolução n° 96/2002 expressamente autorizou a transferência daqueles ativos. Sustentou que todas essas operações, no entanto, foram realizadas sem qualquer formação de ágio, já que estavam sendo realizadas entre as subsidiárias integrais do Grupo VBS e, considerando a participação exclusiva da VBS nesses negócios de geração de energia (Usina Serra da Mesa e Usina Ponte do Silva, através da SEMESA), em 08/11/2001, o Grupo VBS entendeu pela necessidade de transferir esses ativos sob seu controle à CPFL G, sociedade na qual detém participação menor, em evidente caráter de alienação, eis que, anteriormente, a VBS tinha total controle e auferia 100% da lucratividade decorrente da exploração das Usinas de SERRA DA MESA e PONTE DO SILVA, com alienação da SEMESA (que detinha esses ativos de geração de energia) para a CPFLG, sua participação estaria reduzida a 25,7% e, nesse sentido, a VBS se julgou suspeita para deliberar sobre a aquisição da SEMESA pela CPFLG e que por se tratar de alienação de sua subsidiária integral, a VBS deixou que a decisão fosse tomada única e exclusivamente pelos demais acionistas da CPFLE enquanto controladora da CPFLG. Em outras palavras, embora tivesse a maioria relativa das ações da CPFLE, nesse ato a VBS não exerceu poder de controle e figurou apenas como parte recorrente na alienação, mas não na aquisição. Aduziu que caso esses demais acionistas não estivessem interessados na referida aquisição da SEMESA, poderiam não adquirila, já que a VBS não exerceu nessa ocasião seu direito de voto, frisando que a alienação dos ativos relativos à concessão dos direitos de exploração da Usina SERRA DA MESA e participação nos ativos relacionados à concessão da Usina Ponte do Silva ocorreu já em 2001, ou seja, após a criação da CPFLG e que a VBS, através da SERRA DA MESA, alienou o investimento em 09 de novembro de 2001, com claro objetivo de manter Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 10 9 aqueles ativos de geração em um mesmo grupo de investimentos, de acordo com a necessidade de aporte de capital nos investimentos de geração definido pela CPFLG em 05/11/2001, entretanto, a decisão da CPFLG de incorporar a SEMESA (adquirida em 2001) somente se deu em 2007, já que a remodelação do setor elétrico em 2004 determinou que as empresas de energia de modo geral se reorganizassem societariamente de forma a segregar as atividades de geração, distribuição e transmissão de energia para inserirse no mercado livre de energia que se expandia, definido como Processo de Desverticalização e, assim, a SEMESA existiu no período de 2001 a 2007 (sociedade com propósito específico), inicialmente como subsidiária da VBS e após a sua alienação como investimento para a CPFLG, a VBS passou a deter, indiretamente, 25,7% desse investimento (através da CPFLE), sendo que, nesse contexto, ela recorrente fora surpreendida com a lavratura do auto de infração decorrente do entendimento da Autoridade Administrativa de que teria sido indevida a amortização do ágio com base na afirmação de que reestruturação societária acima descrita teria sido simulada e que não haveria motivação para o preço praticado ou mesmo para a venda da SEMESA à CPFLG, por se tratarem de partes vinculadas. Quanto ao mérito, defendeu que CPFLG, em 30/03/2007, deliberou ela incorporação da empresa SEMESA, conforme se percebe da Ata da Assembleia Geral Extraordinária da CPFLG (recorrente), sendo que o ágio questionado pela Autoridade Fiscal tem origem na aquisição, por parte da empresa CPFLG, de participação societária na SEMESA, explicandose que por meio do contrato de compra e venda de ações celebrado em 08/11/2001, a CPFLG comprou da empresa SERRA DA MESA os 99,9% do capital social total da SEMESA que aquela empresa detinha à época, salientando que a aquisição das ações da SEMESA por ela recorrente, deuse em um contexto maior em que os acionistas investidores da empresa deliberaram pela aquisição de um bloco de ativos de geração de energia que eram então pertencentes à SERRA DA MESA e da VBS. Justificou ainda, que a aquisição dos mencionados ativos foi tomada em razão de um planejamento estratégico da companhia que buscava a ampliação dos investimentos no setor de geração de energia elétrica e que a implementação do planejamento estratégico contemplou 3 eventos principais: i) a realização de um aumento de capital na CPFLG prevista para o ano de 2001, que foi integralizado pelos acionistas investidores no valor total de R$ 540.000.000,00; ii) a aquisição por CPFLG da totalidade das ações emitidas por SEMESA, sendo que o valor da parcela inicial foi capitalizado por SERRA DA MESA no aumento de sua parcela no capital; iii) a aquisição pela CPFLG da totalidade das ações detidas por SERRA DA MESA e VBS nos projetos BARRA GRANDE, ENERCAN e FOZ DO CHAPECÓ. Defendeu que de acordo com artigo 20 do DL n° 1598/1977, o custo de aquisição da participação acionária deve ser registrado em contas distintas do balanço patrimonial da sociedade investidora, quais sejam (a) valor de PL da sociedade investida na época da aquisição e (b) ágio ou deságio incorridos na aquisição que consistem na diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do PL da sociedade investida, sendo que o artigo 385 do RIR/1999, reproduzindo o art. 20 do referido DL determina que se registre o ágio para fins fiscais de acordo com os fundamentos econômicos que lhe deram ensejo e, dentre possíveis fundamentos, encontrase o 'valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base na previsão dos resultados nos exercícios futuros' pelo qual o ágio pago é justificado pela expectativa de rentabilidade futura da sociedade investida. Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 11 10 Mencionou que foi neste cenário, que a empresa CPFLG registrou o ágio decorrente da aquisição da participação societária na SEMESA (aquisição realizada em 08/11/2001) e, posteriormente, com incorporação da SEMESA pela CPFLG, em 30/03/2007, esse ágio foi transferido para a incorporadora (CPFLG), nela sendo contabilizado como ativo e a partir da referida incorporação, ela recorrente passou a amortizar esse valor, na forma prevista pelo art. 7° da Lei n° 9.532/1997, o qual expressamente autoriza a pessoa jurídica, em virtude de incorporação, a amortizar o valor correspondente ao ágio para fins de apuração do Lucro Real, à razão de 1/60, no máximo, para cada mês do período de apuração. Destacou ainda, que nos termos do art. 8°, b, do mesmo diploma legal, a regra que autoriza a amortização do ágio também se aplica à hipótese de incorporação da sociedade controladora pela controlada, ou seja, na situação em que a sociedade incorporada possuir ações representativas do capital social da sociedade incorporadora, sendo indiferente, portanto, que a incorporação seja efetuada em sentido ascendente ou descendente. Em qualquer das hipóteses, ocorrendo a incorporação, seja da sociedade controlada pela controladora ou da controladora pela controlada, não há dúvida de que a lei autoriza a amortização do ágio. Tratamse de operações previstas em lei. Defendeu que a Autoridade Administrativa expressamente reconhece a legitimidade da operação societária, mas, por não ter compreendido adequadamente a reestruturação societária promovida, e o fundamento econômico da aquisição pela CPFL G da empresa SEMESA, alega de forma equivocada que a operação de compra e venda de ações da SEMESA que gerou o ágio questionado, bem como a incorporação daquela pela impugnante teria ocorrido única e exclusivamente como forma de planejamento tributário, mencionando que, caso o fisco pretendesse questionar o ágio ou o seu fundamento, certamente caberlheia o ônus de demonstrar a inconsistência da metodologia utilizada, o que não se verificou no presente caso, não bastando a mera alegação de que a origem do ágio não era legítima ou mesmo que aquele não poderia ter sido amortizado pela recorrente em razão da suposta inexistência de propósito negocial para a operação de incorporação da SEMESA pela CPFLG. Reputou assim, que encontrase pelo menos dois equívocos que possuem o poder de macular o lançamento: a) instituição de forma discricionária e sem base legal por parte do fisco de um fundamento de validade para a amortização do ágio, vagamente denominado de propósito negocial; b) a desconsideração de que a operação em análise tem fundamentos regulatórios, societários e fiscais que lhe dão o substrato questionado pelo fisco. Insiste que a alegada inexistência de propósito negocial para que a operação societária de incorporação propicie a posterior amortização válida de um determinado ágio encerra um requisito não previsto em lei e que não merecem ser acolhidas as alegações do fisco. E isso porque, como inclusive foi referido no próprio Termo de Verificação a SEMESA (suposta empresa veículo) era uma empresa já existente há mais de 6 anos antes da operação societária que resultou na sua incorporação pela CPFLG. Ou seja, a SEMESA não foi criada com o único propósito de viabilizar a operação societária de incorporação questionada e, ainda que a SEMESA fosse uma empresa veículo, como sugerido pelo fisco, a operação em questão seria plenamente legítima e válida, conforme vários entendimentos emanados pelo CARF e que fisco, arbitrariamente sugeriu que a SEMESA seria uma "empresa veículo" e se utiliza também desse fato para arguir uma pressuposta inexistência de propósito negocial da operação de incorporação, salientando que em nenhum momento, entretanto, a Fiscalização contesta o valor econômico atribuído Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 12 11 ao ágio em questão, tanto que o fisco se limita a fazer menção à suposta falta de propósito negocial na operação de incorporação realizada, claramente como subterfúgio para tentar impedir o exercício do direito de amortização do ágio. Mencionou a contribuinte que o fisco sugeriu ainda que a operação de compra e venda que gerou o ágio em questão bem como a incorporação da SEMESA pela impugnante que resultou na amortização daquele teriam sido, em verdade, negócios jurídicos simulados pelas partes, defendendo, no entanto, que este é um conceito que jamais poderia ser aplicado às operações descritas no presente caso, tendo em vista que os negócios jurídicos simulados representam negócios falsos ou enganatórios decorrentes de uma declaração falsa de vontade e não haveria falar em negócio jurídico simulado no caso de que se cuida na medida em que todos os passos da operação que resultaram na amortização do ágio em questão são absolutamente legais e foram de prévio conhecimento e aprovação da ANEEL, que publicamente aprovou a incorporação da SEMESA pela CPFLG (recorrente) e que ao fazer menção ao fato de que a incorporação da SEMESA pela CPFLG teria sido feita exclusivamente como forma de planejamento tributário, verificase que o fisco tentou se utilizar de conceitos "antielisivos", que foram introduzidos pelo parágrafo único do artigo 116 do CTN, esquecendo, contudo, que esse dispositivo jamais foi regulamentado pelo Poder Legislativo. Defendeu ainda, que tais conceitos são inteiramente inaplicáveis ao caso concreto, primeiro porque a aquisição de participação societária, com o pagamento de ágio e posterior incorporação da SEMESA pela CPFLG foram efetivamente praticadas, de maneira regular, produzindo seus efeitos, eis que a CPFLG realmente adquiriu, num primeiro momento, o controle societário da SEMESA. Essa aquisição foi realizada, de fato, com o pagamento do ágio, assim como foi a própria SEMESA, verdadeiramente, posteriormente incorporada pela CPFLG, tratandose de operações reais efetivamente praticadas sem qualquer disfarce ou em situação que tenha ocorrido simulação ou abuso de qualquer espécie, tudo conforme se pode comprovar dos documentos anexos, todos apresentados no curso do procedimento fiscal, vislumbrando ainda, o segundo equívoco, já que a operação de incorporação da SEMESA pela CPFLG, ao contrário do que afirmou o fisco teve de fato efetiva finalidade econômica e concreto propósito negocial, conforme constou no Instrumento Particular de Protocolo e Justificação de Incorporação celebrado entre as partes, em que se percebe que a incorporação da SEMESA pela CPFLG teve por finalidade simplificar a atual estrutura das partes e permitir a redução dos custos administrativos, especialmente os relacionados às obrigações legais e regulatórias, resultando em melhoria de sua estrutura patrimonial e que não existiriam dúvidas de que uma maior eficiência na gestão corporativa aliada à economia dos custos administrativos é justificativa mais do que plausível para a realização de uma incorporação de uma determinada empresa por outra, ainda que presente a concentração da atividade geração de energia e separação das demais ativid ades de transmissão e distribuição. Reputou que a incorporação da SEMESA nos termos em que efetuada era não somente necessária, como absolutamente imprescindível na medida em que as empresas detentoras da concessão na prestação de serviços de geração de energia elétrica (caso da CPFLG) não podem ser coligadas ou controladas de sociedades que desenvolvam serviços de distribuição de energia elétrica e, portanto, ao contrário do que pretendeu fazer crer a Autoridade Administrativa, não poderia subsistir a relação de controle da CPFLG sobre a SEMESA, tendo em vista as regras regulatórias do setor energético brasileiro, defendendo que tanto a jurisprudência quanto a doutrina esclarecem que o propósito negocial pode ser Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 13 12 qualquer propósito existente que não exclusivamente fiscal, como expressamente reconhecido em cumprimento a normas regulatórias, por exemplo. Ainda segundo a recorrente, todos os ativos relevantes para a prestação do serviço de geração de energia elétrica eram de titularidade da CPFLG, o que significa que fazia de fato muito mais sentido, também do ponto de vista regulatório, que a incorporação tivesse ocorrido nos exatos termos em que se passou: a SEMESA incorporada pela CPFLG, sendo que nesse contexto, resta mais do que evidente o inequívoco propósito negocial da operação de incorporação da SEMESA pela CPFLG e que não seria lícito ao fisco apenas afirmar, sem quaisquer provas concretas, que uma determinada operação societária não tem fundamento econômico, ficando claro que a operação de incorporação da SEMESA pela CPFL G foi absolutamente legítima, adequada e necessária para fins regulatórios, razão pela qual a desconsideração da referida operação não merece ser mantida. Na sequência, defendeu a legitimidade do ágio gerado na alienação da SEMESA, mencionando que em razão da equivocada compreensão de reestruturação societária por parte do fisco, houve a conclusão errônea de que o negócio jurídico foi realizado sem qualquer outro propósito, além da economia de tributos, o que não procede. Insiste que tanto é verídica a existência do ágio na alienação do investimento que os valores acordados no contrato de compra e venda celebrado entre a SERRA DA MESA e a CPFLG foram definidos sem a participação do Grupo VBS e que inúmeras são as evidências da legitimidade do ágio no caso de alienação da SEMESA, fato que ensejou a autuação. Sustentou que a decisão do Grupo VBS de voltar seus ativos de geração para os investimentos controlados pela CPFLG resultou na alienação real do investimento, devendo a estrutura societária proposta ser submetida à aprovação da ANEEL, o que foi feito, como acima destacado, através da Resolução Autorizativa n° 766 e que, afinal, com a reestruturação societária, os negócios de geração de energia elétrica foram centralizados na CPFLG e o investimento pulverizado com a participação de três investidores independentes entre si em detrimento de um investidor apenas e com a entrada desses novos investidores no negócio, o ágio na aquisição do investimento foi consequência inevitável na operação. Assim, a partir do momento em que a CPFLG adquiriu o negócio, mais natural ainda que o valor pago a título de ágio com base na expectativa de rentabilidade futura fosse amortizado fiscalmente conforme as disposições específicas dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997. Demonstrou a contribuinte que no Ofício encaminhado à ANEEL estão todos os detalhes da operação inclusive relacionados ao preço envolvido na negociação e o ágio gerado com base na expectativa de rentabilidade futura. Em requisito à aprovação da operação, a ANEEL exigiu a apresentação do respectivo laudo de avaliação do investimento em virtude das concessões envolvidas o que foi cumprido e plenamente aceito pela agência reguladora, de sorte que não haveria qualquer indício de que os atos praticados tenham sido realizados com o fito de ludibriar, encobrir ou mesmo impedir o fisco de conhecer qualquer ato promovido pelas sociedades envolvidas. Todos os atos foram públicos, tiveram sua intenção devidamente registrada, fundamento e econômico e passaram pelo crivo da ANEEL. Insistiu ainda, que o ágio gerado em operações como observada nesse caso decorre da diferença entre o valor pago e o valor patrimonial do investimento adquirido, quando se adota a avaliação desse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial, previsto no art. 248 da Lei das S/A e que a dedutibilidade Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 14 13 fiscal do ágio nada mais é do que a realização dessa parte do preço pago que compõe o custo do investimento, reputando que a análise da operação como um todo demonstra os evidentes fundamentos econômicos: a) passar os ativos de geração detidos pela VBS para a estrutura que detinha outras participações em negócios dessa mesma natureza (CPFLG); b) alienar o investimento à CPFLG reduzindo a participação global do Grupo VBS em relação aos ativos constantes do patrimônio da SEMESA, sendo que caso a operação não tivesse propósito negocial algum, como poderiam os minoritários (BONAIRE, PREVI e FREE FLOAT), que antes sequer participavam desses investimentos, terminarem com mais de 50% do capital votante da sociedade que controla a empresa autuada? Segundo a recorrente, para que a VBS pudesse alienar mais de 50% da sua participação nesses empreendimentos era necessário um estabelecimento de um preço razoável, compatível com os valores de mercado e o valor justo atribuível à SEMESA estava condicionado aos direitos de exploração dos ativos em regime de concessão. E mais, condicionado ao desempenho de FURNAS na execução do negócio, destacando que as normas de direito privado não são capazes de atribuir efeitos tributários aos institutos definidos pela lei tributária. O caso de amortização do ágio é um exemplo clássico do que dita essa norma geral do Direito Tributário, segundo a qual os efeitos tributários são determinados pela lei tributária e não por outros ramos do direito ou da ciência contábil e que o ágio é instituto próprio de Direito Tributário e que sua dedutibilidade fiscal é garantida pela legislação independentemente de entraves sociais ou econômicos que pretenda apresentar a fiscalização. Defendeu a contribuinte que o fisco apenas faz suposições sobre os elementos fáticos para afirmar, sem razão, que os atos foram despropositados. Além disso, afirma que a criação da SEMESA se prestou unicamente para ensejar a operação e a economia tributária. Entretanto, ainda está para existirem operações que tenham utilizado "empresa veículo" de forma simulada cuja existência tenha perdurado por 6 anos entre a alienação e o ato de incorporação e que a SEMESA, sociedade de propósito específico, foi alienada e transferiu os ativos de geração para uma holding que passou a deter investimentos dessa mesma natureza. A referida transferência, por sua vez, ocorreu por alienação real, eis que envolveu dois investidores importantes na aquisição que antes não participavam daqueles empreendimentos. Por fim, insurgiuse contra a imputação de que teria compensado prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL valores que não constam registrados no banco de dados da RFB, defendendo que os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL são objeto de discussão em outros processos administrativos atualmente em curso e que não haveria qualquer decisão administrativa apta a constituir definitivamente os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL nos montantes apurados pelo fisco e que resta claro o vício que macula a autuação ora impugnada nesse ponto, consubstanciada na ausência de fundamento de validade para a tributação das compensações supostamente efetuadas em montantes indevidos. Insistiu que inexiste justificativa apontada pela Fiscalização, razão pela qual carece o ato administrativo de lançamento de fundamento de validade que lhe dê respaldo no ordenamento jurídico, sendo que em nada obstante terem sido lavradas autuações anteriores (Processos Administrativos n°s. 10830.001530/200901; 10830.010855/200712 e 10830.010761/200816), glosando despesas financeiras, que por sua vez compõem os prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL em questão, a impugnante apresentou competente defesa administrativa, ficando patente o equívoco fiscal também em relação à tributação das supostas compensações indevidas realizadas pela impugnante, visto que não existe qualquer decisão Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 15 14 administrativa proferida nos autos dos processos administrativos citados, que tenha efetivamente revertido o saldo de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL utilizado, de maneira a atingir, por consequência, as compensações realizadas. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando seus argumentos e pugnando pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, o Recurso Voluntário é tempestivo e a Recorrente está regularmente representada. Conheço do Recurso. Do Ágio O Acórdão recorrido registrou os seguintes pontos sobre a dedução das despesas de amortização de ágio: A Recorrente deduziu na base de cálculo do IRPJ e da CSLL a amortização do ágio registrado em sua contabilidade, decorrente de sucessivas operações que culminaram na incorporação de sua investidora (SEMESA). Três fases destacamse entre as operações societárias realizadas pelas empresas do Grupo Econômico do qual a recorrente fazia parte: Fase 1 (criação do ágio): em 08/11/2001 foi assinado o contrato de compra e venda da participação acionária que a empresa SERRA DA MESA possuía da SEMESA à CPFLG (recorrente), redundando em valor significativo de ágio, partindo a SEMESA de um capital de R$ 1.000,00, sendo que à época de sua venda apontava um patrimônio líquido de R$ 69.631.529,01, por conta da capitalização das participações nas empresas FOZ DO CHAPECÓ; BARRA GRANDE; CAMPOS NOVOS e CERAN, posteriormente capitalizadas na CPFLG (recorrente); Fase 2 (transferência do ágio): ainda em dezembro de 2001, por força do contrato de compra e venda acima citado, a SERRA DA MESA integralizou, em face da aquisição da SEMESA pela CPFLG (recorrente) um aporte de capital na recorrente de R$ 259.114.000.000,00 com acervo líquido entre investimentos da SEMESA (R$ 496.081.000.000,00) e dívida (R$ 237.967.000.000,00); Fase 3 (aproveitamento do ágio): em 26/12/2001 foi procedida a incorporação da investidora SEMESA pela investida CPFL G (recorrente). Reproduzse, abaixo, quadro demonstrativo da participação societária das empresas: Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 16 15 O ágio questionado, gerado no grupo de empresas, surge em função da aquisição, por parte da recorrente (CPFLG) de participação societária na SEMESA, conforme contrato de compra e venda datado de 08 de novembro de 2001. Na legislação tributária, o ágio decorrente de aquisição de investimentos está disposto no art. 385 do RIR/1999, cuja matriz legal é o art. 20 do DecretoLei n° 1598/1977. Em síntese, o comando legal determina que o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e ágio ou deságio na aquisição. Além disso, o lançamento do ágio ou deságio deve indicar o seu fundamento econômico. A amortização do ágio também depende da identificação do seu fundamento econômico, conforme dispõe o art. 386 do RIR/1999, cuja matriz legal é o art. 7° da Lei n° 9.532/1997. Observase que tanto a doutrina contábil quanto a norma tributária condicionam o reconhecimento e a amortização do ágio à existência de fundamento econômico da parcela do custo de aquisição que supera o valor de patrimônio líquido do investimento adquirido. Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 17 16 Alega a recorrente que nos termos do artigo 8°, b da Lei n° 9.532/1997 a regra que autoriza a amortização do ágio também se aplica à hipótese de incorporação da sociedade controladora pela controlada ou seja, na situação em que a sociedade incorporada possuir ações representativas do capital social da sociedade incorporadora, sendo indiferente que a incorporação seja ascendente ou descendente. Nesse contexto, verificase que, o motivo que justificou a escrituração do ágio na recorrente foi a expectativa de resultados futuros da sociedade investida. Nesse sentido, a empresa CPFLG registrou o ágio decorrente da participação societária na SEMESA e, posteriormente, com a incorporação da SEMESA pela recorrente (CPFLG) esse ágio foi transferido para a incorporadora, ela própria, nela sendo contabilizado como ativo, tal como se verifica pelo laudo de avaliação (fls. 111/130) do Termo de Verificação Fiscal (fls. 583/599) e da Ata da Assembleia Geral Ordinária, realizada em 26/12/2001. O Acórdão recorrido registrou a caracterização de um descompasso entre o fato e a norma tributária que autoriza o registro do ágio. O custo de aquisição a que se refere a norma é o preço pago pela aquisição ou subscrição do investimento e, conforme bem observado no item 20.1.7 do Ofício Circular/CVM/SNC/SEP n° 01, de 14/02/2007, "preço ou custo de aquisição somente surge quando há dispêndio para se obter algo de terceiros." Registrouse que, não houve dispêndio na aquisição de ações de emissão da SEMESA recebidas na integralização do capital na CPFLG. O ágio reconhecido pela CPFLG, na verdade, surgiu da reavaliação da participação acionária na controlada SEMESA, e que fora registrado na CPFLG (recorrente) após a reestruturação societária. Por essa razão o ágio reconhecido e posteriormente transferido para a recorrente não encontra amparo na diretriz contida nos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, bem como no art. 20 do DecretoLei n° 1.598/1977. Verificouse que, em realidade, o ágio foi incorporado ao patrimônio da Recorrente, mediante registro do ativo intangível que se criou internamente com a reavaliação do investimento comentado, cujo fundamento econômico foi a expectativa de rentabilidade futura das atividades da própria recorrente. Ressaltouse que, esse fundamento econômico não pode prevalecer na incorporação. A recorrente não pode manter registrado um ágio para posterior amortização, cujo fundamento econômico foi a expectativa de rentabilidade futura das atividades. Vêse, portanto, que falta fundamento econômico para registro desse ágio. A DRJ entendeu que, o que a recorrente pretende sustentar em sua defesa, em outras palavras, é a dedutibilidade da amortização de um pseudoativo originado internamente, com fins de confrontar uma despesa (que a recorrente não teve) com receitas obtidas em períodos futuros (confrontação da receita com despesa). Data vênia, o referido procedimento não encontra amparo, nem na doutrina contábil, nem na legislação tributária. Salientou que, somente seria dedutível o ágio, nos termos dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, caso houvesse fundamento econômico. O motivo que justificou a contabilização do ágio na recorrente, em síntese, foi a expectativa de rentabilidade futura da investida SEMESA, que, a partir da incorporação, deixou de existir. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 18 17 Resumiu seu entendimento, registrando que a falta de dispêndio na aquisição do investimento e a ausência de fundamento econômico do ágio impedem o seu reconhecimento e, por consequência, a sua amortização pela recorrente. Citou que, uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, inicia se com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizase do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. No entendimento da DRJ, portanto, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Prossegue frisando que, não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro do ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Destaca a recorrente que as normas de direito privado não são capazes de atribuir efeitos tributários aos institutos definidos pela lei tributária. O caso de amortização do ágio é um exemplo clássico do que dita essa norma geral do Direito Tributário, segundo a qual os efeitos tributários são determinados pela lei tributária e não por outros ramos do direito ou da ciência contábil. O ágio é instrumento próprio de direito tributário, continua a recorrente, e sua dedutibilidade fiscal é garantida pela legislação independentemente de entraves sociais ou econômicos que pretenda apresentar a fiscalização. Notase que, quando a autoridade fiscal desconsidera a amortização pela recorrente do ágio constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido, em transações dos sócios com os próprios sócios, não está incorrendo em confusão entre conceitos da Ciência Contábil e do Direito Contábil. Na realidade está corretamente aplicando o Direito Positivo ao verificar, inicialmente, se a apuração do lucro líquido foi efetuada de acordo com as regras do direito que determinam a aplicação dos instrumentos e princípios da Ciência Contábil e, depois, se o procedimento extracontábil de apuração do lucro real foi efetuado de acordo com os preceitos da legislação tributária. Nesse ponto, o Acórdão recorrido registrou que, o reconhecimento como ativo do ágio gerado internamente, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 19 18 também foi proibido na adoção das práticas internacionais de contabilidade, conforme se observa da leitura do Pronunciamento Técnico CPC 01 Redução ao Valor Recuperável de Ativos (item 120) emitido pelo Comitê de Pronuncimentos Contábeis, aprovado pela CVM pela Deliberação n° 527/2007, que assim dispõe: O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente ('goodwil' interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. Tal proibição foi referendada nos mesmos termos pelo Conselho Federal de Contabilidade ao aprovar a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 19.10 Redução ao Valor Recuperável de Ativos (item 120), por intermédio da Resolução CFC n° 1.110/2007. Necessário se torna a análise de alguns fatos ocorridos para a conclusão desta demanda: a) A VBS energia, que detinha 25,7% do capital social da CPFLE, a qual é controladora da CPFLG (interessada), constituiu a empresa SERRA DA MESA, passando a participar com 100% em seu capital social; b) A SERRA DA MESA, por sua vez, detinha aconcessão dos direitos de exploração da Usina SERRA DA MESA e a participação nos ativos relacionados à concessão da Usina Ponte do Silva; c) No dia 15/03/2001, a empresa VBS constituiu a SEMESA com o capital social inicial de R$ 1.000,00; d) Já em 26/12/2001, a SEMESA deliberou um aumento de capital na importância de R$ 69.631.529,00 que foram subscritas e integralizadas pela SERRA DA MESA S/A com as referidas usinas mediante laudo de avaliação elaborado pela Arthur Andersen, nesse ato aprovado pela SEMESA; e) A VBS, através da SERRA DA MESA, alienou a SEMESA em 08 de novembro de 2001 à CPFLG (contrato de compra e venda); f) A SEMESA partiu então de um capital de R$1.000,00 e na época de sua venda apontava um PL de R$ 69.631.529,01 por conta da capitalização das participações nas empresas FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN, posteriormente capitalizadaspela CPFLG; g) A SERRA DA MESA vende uma parte de seus ativos (ações da SEMESA) para a CPFLG (interessada) no mesmo momento em que integraliza com outras empresas (FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN) a ela pertencentes no mesmo capital da CPFLG, não havendo razão, portanto, para supostamente vender para o mesmo grupo o que poderia ser integralizado, assim como as empresas citadas; h) Tais fatos não deixam dúvidas acerca da criação, da transferência e do aproveitamento do ágio gerado internamente no grupo de empresas que Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 20 19 compõem o conglomerado o qual todas essas empresas mencionadas fazem parte, em operações não validadas pelo mercado; Destacouse que, o que se extrai dessas operações é que, efetivamente, não há acréscimo real no patrimônio do grupo econômico. Do ponto de vista contábil, verificase, em última instância, um inchaço patrimonial, decorrente de uma reavaliação de investimentos interna, sem substância econômica, representando do lado do ativo, pelo ágio, e do lado do PL pela reserva especial de ágio. Caso realmente tivesse havido dispêndio monetário na aquisição da SEMESA deveria a interessada ter trazido à colação, sendo seu o ônus da comprovação do dispêndio junto ao fisco. O reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na contabilidade, ou seja, não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas empresas. O Fisco efetivamente não contesta os valores, muito menos o laudo de avaliação, o qual deveria servir como parâmetro para a negociação. Contudo, ante a composição societária das empresas envolvidas nas operações, fica patente a falta de "barganha negocial" entre partes independentes em igualdade de condições, sem preponderância de uma sobre a outra. Também carece de fundamento a alegação do interessado de que o ágio registrado na SEMESA e transferido para o interessado quando da incorporação desta ao seu patrimônio, deve ser tratado como despesa que contribuiria para a formação do resultado de mais de um exercício e, portanto, amortizado nos termos do inciso III do art. 386 do RIR/1999 c/c inciso II do § 6° do mesmo artigo. A apropriação de despesas/custos pressupõe a existência de um gasto, de um sacrifício financeiro que não ocorrem necessariamente em períodos concomitantes. Verificase na espécie que não houve sacrifício financeiro. O ágio reconhecido na verdade surgiu da reavaliação da participação societária da controlada SEMESA, registrado na contabilidade da interessada e que passou a amortizalo após a incorporação da SEMESA ao seu patrimônio. Assim, não se verifica a aplicação de recursos necessária ao reconhecimento do ativo diferido, conforme exigido pelo inciso V do art. 179, da Lei n° 6404/1976, vigente à época dos fatos. Portanto, inaplicável a amortização prevista nos artigos 324 e 325 do RIR/1999. Afirma a interessada que a VBS, ao se julgar suspeita para deliberar sobre a aquisição da SEMESA pela CPFLG, por se tratar de alienação de sua subsidiária integral, deixou que a decisão fosse tomada única e exclusivamente pelos demais acionistas da CPFLE, enquanto controladora da CPLFG, figurando, então, apenas como parte interessada na alienação, mas não na aquisição. Entretanto, verificase que o contrato de compra e venda da SEMESA pela CPFLG foi assinado por pessoas com representação no grupo e particularmente nas duas empresas envolvidas, Sr. Marcelo Maia de Azevedo Corrêa e José Said de Brito, assinando pela SERRA DA MESA (atual VBS ENERGIA) e pela DRAFT II (atual CPFLE), além da própria SEMESA, lembrando que o primeiro contrato de compra e venda enacaminhado ao Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 21 20 fisco somente constavam assinaturas do comprador (CPFLG), Sr. Wilson P Ferreira Júnior e Sr. Otávio Carneiro Resende. Além disso, a vendedora SERRA DA MESA atual VBS ENERGIA é controlada em 100% pela pessoa jurídica VBS PARTICIPAÇÕES, sua detentora majoritária. A CPFLG é majoritariamente pertencente à CPFLE, que, por sua vez, pertence à VBS PARTICIPAÇÕES, portanto, a administradora de todas elas é a mesma pessoa jurídica. Assim, estando a SERRA DA MESA (atual VBS ENERGIA) fora da negociação, em face de as outras empresas também estarem ligadas ao grupo econômico em análise, isso não seria fator de isenção para a lisura da operação realizada. Ora, não se pode deixar de ressaltar que a interessada também se fixou no conceito de que o fisco afirma ter ocorrido a figura da simulação dos negócios jurídicos elaborados pelas partes. Caso realmente o fisco tivesse a intenção de utilizar o conceito de simulação vigente no ordenamento jurídico, obviamente teria qualificado a multa de ofício, fato esse que não se verifica dos autos e razão pela qual entendo que utilizou de um sinônimo para descrever a operação de ágio (ficção), a qual foi constituída sem que houvesse fundamento econômico a ele atribuído pela legislação tributária e contábil, eis que não houve circulação de dinheiro em tais operações e tampouco independência das partes interessadas na tomada de decisões. Assim, esse ágio não poderia ter sido constituído e, portanto, não haveria como amortizálo tal qual realizou a interessada, e objeto da demanda aqui instaurada. O fundamento econômico para o ágio é uma determinação legal, não obstante ter havido planejamento tributário ou não. Pelas razões expostas, portanto, não há como serem acolhidas as alegações da Recorrente, razão pela qual mantenho o Acórdão recorrido pelos fundamentos acima expostos. Da CSLL A Recorrente argui ainda que a legislação tributária relativa ao IRPJ é expressa ao condicionar a amortização das parcelas do custo de aquisição relativas ao ágio à incorporação do investimento, o que não ocorreu com as empresas FOZ DO CHAPECÓ, BARRA GRANDE, CAMPOS NOVOS e CERAN. Entretanto, continua, importa destacar que o IRPJ e a CSLL são tributos distintos com base de cálculo autônoma e independente, embora possam partir de um mesmo marco inicial do lucro líquido com os seus respectivos ajustes posteriores de acordo com a lei específica de cada tributo. Verificase que, a discussão que se tem em mente sobre o assunto diz respeito se há incidência de CSLL na situação descrita no auto de infração, eis que a legislação correlata é taxativa no que pertine às adições e exclusões da base de cálculo da CSLL. Afirma o artigo 57 da Lei n° 8981/1995 que: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n° 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 22 21 em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. (grifos da Relatora) Afirma a recorrente que seria legítima a dedução das despesas com amortização do ágio da base de cálculo da CSLL, eis que se tratava de parte do custo do investimento ativo. Também deve ser trazido à colação as disposições constantes na Lei n° 7689/1988, conforme abaixo: "Art. 2° A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o Imposto de Renda. §1 ° Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimento pelo valor de patrimônio líquido; 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixado durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o imposto de renda; 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso do períodobase. " A apuração da base de cálculo da CSLL tem início com o resultado do exercício, apurado segundo a legislação comercial e normas contábeis, antes da provisão do imposto de renda. Desse valor deve ser adicionado o resultado negativo, ou excluído o resultado positivo, da avaliação de investimento avaliado pelo patrimônio líquido. Contudo, como já verificada a ausência de qualquer propósito negocial e fundamento econômico na criação do respectivo ágio, tais valores não serão dedutíveis nas apurações tanto do IRPJ quanto da CSLL, estando, portanto, correto o Acórdão recorrido, ao Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16643.720027/201239 Acórdão n.º 1302002.336 S1C3T2 Fl. 23 22 ratificar o entendimento do fisco de exigir da Recorrente, como relação de causa e efeito no que tange ao lançamento principal de IRPJ. Da Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais de IRPJ e Bases Negativas da CSLL Alega a recorrente que os prejuízos fiscais e as bases negativas, as quais o Fisco verificou não constarem registrados nos sistemas da Receita Federal do Brasil, estariam sendo objeto de discussão em outros processos administrativos, atualmente em curso. Referiramse aos processos: 10830.001530/200901; 10830.010855/200712 e 10830.010761/200816, cujas autuações anteriores ao auto de infração em exame, e que dizem respeito a glosas de despesas financeiras, respaldariam as informações acerca dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL escrituradas no LALUR, caso houvesse deslinde favorável ao interessado. Na forma inicialmente relatada, tais processos foram apensados e estão sendo julgados nessa mesma sessão, em relação ao aos quais votouse por negar provimento ao recurso voluntário. Por tais fatos e fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1159DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.908010/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
ARGUIÇÃO DE NULIDADE. FALTA DE NECESSIDADE DE MANIFESTAÇÃO SOBRE TODOS OS ARGUMENTOS.
O julgador não é obrigado a manifestar-se sobre todos os argumentos, apresentados pela parte, quando já encontrou sua razão de decidir e que motiva o feito.
ERRO - PREENCHIMENTO DA DCTF - POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO - PROVA FÁTICA.
Em conformidade com o princípio da verdade material, observa-se que a retificação da DCTF, por parte da Recorrente, é baseada em prova inequívoca do seu direito ao crédito.
Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-004.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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FALTA DE NECESSIDADE DE MANIFESTAÇÃO SOBRE TODOS OS ARGUMENTOS. O julgador não é obrigado a manifestarse sobre todos os argumentos, apresentados pela parte, quando já encontrou sua razão de decidir e que motiva o feito. ERRO PREENCHIMENTO DA DCTF POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO PROVA FÁTICA. Em conformidade com o princípio da verdade material, observase que a retificação da DCTF, por parte da Recorrente, é baseada em prova inequívoca do seu direito ao crédito. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 80 10 /2 00 9- 66 Fl. 651DF CARF MF 2 Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de processo de PER/DCOMP, cuja compensação não foi homologada por suposta ausência do saldo credor, conforme despacho decisório, fls. 61. A contribuinte, então, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 11/17, onde arguiu em síntese que: 1. Que ela solicitou compensação em razão de pagamento indevido e a maior da contribuição para o programa de integração social PIS. Explica que, no dia 15/10/2004, efetuou o pagamento indevido (a maior) no valor de R$ 914.264,91 (novecentos e catorze mil, duzentos e sessenta e quatro reais e noventa e um centavos), referente à apuração de PIS — Programa de Integração Social, relativamente ao terceiro trimestre de 2004, quando o correto é R$ 350.447,14; 2. Esclarece que a sua compensação não foi homologada, por entender o Sr. Auditor Fiscal que o pagamento identificado no valor de R$ 914.264,91 foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP (18911.47576.280307.1.3.040462); 3. Afirma que analisando os documentos fiscais do período de 2004, constatou a empresa que, por um lapso, na sua DCTF do terceiro trimestre de 2004 fora informado indevidamente o débito de R$ 914.264,91 a título de contribuição para o PIS, contudo, o equívoco cometido pela contribuinte fora sanado em 23/04/2009 com a retificação da referida DCTF. Portanto, não se justifica a falta de homologação do crédito tributário no valor original inicial R$ 563.814,48 , pois na DCTF retificadora de 23/04/2009, informouse o tributo devido no montante de R$ 350.447,14 e o pagamento "a maior" por meio de DARF no valor de R$ 914.264,91; 4. Argumenta que para sanar a divergência de dados entre a DIPJ (que apresentou informações corretas) e a DCTF; ela, no dia 23/04/2009, apresentou a DCTF — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais retificadora, referente ao terceiro trimestre de 2004. Sobreveio decisão da DRJ/Belém, que considerou improcedente o pedido da contribuinte, fls. 59/63: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10283.908010/200966 Acórdão n.º 3302004.801 S3C3T2 Fl. 3 3 declarações de compensação referentes a pagamento indevido ou a maior o contribuinte possui o ônus da prova do seu direito. A contribuinte, então, apresentou Recurso Voluntário, fls. 65 e seguintes, no qual alega em síntese: Em preliminar 1. Pleiteia pela nulidade do Acórdão ora recorrido, uma vez que o mesmo deixou de apreciar questão essencial relativa à exatidão das compensações efetuadas — o recolhimento do PIS e COFINS no período de 31/12/2002 a 30/11/2004 pelo 'regime da não cumulatividade' quando o correto seria o da 'cumulatividade' (referente à receita de fabricação e comercialização de motocicletas classificadas na posição 87.11 da TIPI), gerando assim recolhimentos indevidos e a maior das Contribuições para o PIS e COFINS; 2. Pleiteia pela conversão do feito em diligência, caso não seja declarado nulo o acórdão. No mérito: 3. Ela explica sua atividade empresarial e esclarece que no diz respeito à fabricação e comercialização de motocicletas classificadas na posição 87.11 da Tabela — TIPI, até o mês de novembro/2002, ela sempre apurou o PIS e a COFINS devidos, relativo às suas operações (operação própria), pela sistemática cumulativa estabelecida nos artigos 2º ao 8º da Lei 9.718/98; 4. Ocorre que, por força do artigo 43 da Medida Provisória 2.15835, ela também se viu obrigada a efetuar a retenção e o recolhimento, na condição de contribuinte substituto, do PIS e COFINS devida pelos comerciantes varejistas (concessionários), tendo como base de cálculo o preço de venda da Recorrente; 5. No entanto, com a edição da Lei 10.637/02, que instituiu a sistemática de cobrança do PIS nãocumulativo, produzindo efeitos a partir de 01.12.2002 entendeu a Contribuinte estar compelida a apurar o PIS observando a regra da nãocumulatividade (débito versus crédito), a teor da letra "h" do inciso VII do artigo 8º, da referida lei; 6. Entendeu a Contribuinte que, apenas as receitas das operações sujeitas à substituição tributária do PIS (concessionário), é que deveriam seguir as regras anteriores (artigo 43 da MP 2.158/35, regulamentada inicialmente pela IN SRF 54/99 e posteriormente pela IN 247/02), sendo que a sua receita própria derivada da venda de motocicletas estaria abrangida pela sistemática nãocumulativa do PIS; 7. Ad cautelam, em 19/10/2004, a Contribuinte formalizou Consulta Fiscal à Secretaria da Receita Federal em Manaus, expondo suas dúvidas quanto à interpretação da legislação tributária, seus procedimentos até então adotados e, dispondose a refazer/corrigir os documentos fiscais DACON, DIPJ, DCTF, DARF etc , do período compreendido entre dezembro/2002 até a ciência da resposta da referida Consulta; 8. Na Solução de Consulta nº 102, de 17/12/2004, a Autoridade Tributária, ao solucionar dúvida de interpretação da legislação tributária da Contribuinte, conforme acima exposto, se posicionou expressamente: Fl. 653DF CARF MF 4 EMENTA: SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA VEÍCULOS. REGIME DE INCIDÊNCIA "2.3. (...) constatase que a consulente, nas operações de venda de veículos classificados na posição 8711 da Tipi, aprovada pelo Decreto n° 4070, de 28 de dezembro de 2001, a comerciantes varejistas, é, a um só tempo, sujeito passivo da obrigação tributária na condição de contribuinte, haja vista sua relação pessoal e direta com o fato imponível. De outro lado, também se apresenta como sujeito passivo na condição de responsável, haja vista sua obrigação decorrente de expressa disposição de lei. Tais circunstâncias encontramse, com clareza, explicitadas nos artigos 5° a 49 da IN SRF247/2002. (...) 2.6. Caberá a consulente fazer os ajustes necessários em sua contabilidade e em seus recolhimentos indevidamente feitos na sistemática da nãocumulatividade. (...) 3. Diante do exposto, e no uso da competência tributária atribuída na forma do art. 48, §1°, inciso II, da Lei 9430, de 27 de dezembro de 1996, solucionase a presente consulta respondendo ao interessado que as receitas decorrentes das operações de venda por fabricante ou importador dos veículos classificados na posição 8711 da Tipi a comerciantes varejistas, por estarem sujeitas à substituição tributária, encontramse excluídas da sistemática nãocumulativa da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, permanecendo submetidas às normas da legislação vigente anteriormente, quer se trate de obrigação tributária principal em que o sujeito passivo revistase da condição de contribuinte quer este se encontre na condição de responsável (substituto tributário)". 9. Afirma, então, que a apuração e recolhimento indevido sob a sistemática nãocumulativa, quando comparado com a reapuração das contribuições, efetuada pela Recorrente, conforme determinação constante na Resposta a Consulta supra transcrita, resultaram em pagamento indevido e a maior das contribuições para o PIS e COFINS, o que de fato, é a origem do crédito tributário utilizado para compensação e que se pretende homologada; 10. Explica que os livros contábeis e fiscais comprovam os lançamentos das despesas com as contribuições devidas sobre faturamento bem como dos pagamentos efetuados, sendo a documentação suporte ora apresentada suficiente para comprovar a existência do crédito tributário; 11. Elucida que, ao ajustar a apuração e recolhimentos do PIS e COFINS para a sistemática cumulativa anteriormente feita pelo regime nãocumulativo, conforme autorizado pela própria Secretaria da Receita Federal , constatou que, para todo o período envolvido (dez/02 a Nov/04) fora recolhido indevidamente o montante de R$ 14.705.599,58 (catorze milhões, setecentos e cinco mil, quinhentos e noventa e nove reais e cinquenta e oito centavos), conforme cópia autenticada das guias DARF's anexas (Anexo V), sendo R$ 3.661.736,33 a titulo de PIS e R$ 11.043.863,25 a título de COFINS; Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10283.908010/200966 Acórdão n.º 3302004.801 S3C3T2 Fl. 4 5 12. Informa que formalizou diversos pedidos de compensação, totalizando 39 (trinta e nove) PER/DCOMP; 13. Na memória de cálculo da contribuição para o PIS do mês de setembro/2004 (Anexo VI), observase facilmente que a receita "base da tributação", no valor total de R$ 74.380.364,48, permanece inalterada, tanto na apuração original (regime não cumulativo), como na apuração após o recebimento da Solução Consulta 102/04 (regime cumulativo e nãocumulativo). Constatase que a única alteração, após a nova apuração das contribuições, se refere à aplicação das alíquotas sobre a receita de vendas de motocicletas (classificadas na NCM 8711 TIPI) no regime cumulativo e, parte das receitas (motor de popa e parte e peças, entre outros) continuaram no sistemanão cumulativo; 14. Na conta contábil número 32514001 (Anexo IX), verificase, que o valor provisionado valor da despesa de PIS sobre faturamento/conta redutora da receita de vendas, a título da contribuição para o PIS nãocumulativo, conforme apuração original sobre o total das receitas de venda deuse no valor de R$ 956.219,91, resultando no valor a recolher de R$ 914.264,91, após a dedução dos créditos apurados pela Recorrente. Para fins de comprovação do pagamento, devidamente lançado no Livro Diário; 15. Que ela faz prova inequívoca que, após os ajustes contábeis e retificações das apurações fiscais de regime nãocumulativo para cumulativo, somente sobre a receita de venda de motocicletas, resultou crédito, apto a ser compensado; 16. Afirma que a posição externada pelo Julgador tratase de entendimento pessoal, em desrespeito ao princípio da verdade material, eivando de nulidade a decisão ora recorrida; Os autos subiram a este Egrégio Tribunal Administrativo e foram convertidos em diligência, Resolução nº 3101000.344, Redatora ad hoc Mônica Monteiro Garcia de los Rios, cuja formalização não foi concluída pela relatora, Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF, mas a minuta do voto foi entregue à Secretaria da Câmara pela relatora original, fls. 231: No caso sub examen, face as alegações acima expostas pela Recorrente, assim como, em observância ao conjunto probatório apresentado, sobretudo, ao princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento deste processo em DILIGÊNCIA à DRF de origem, no sentido de que se verifique se a DCTF retificadora está conforme a Solução de Consulta (Disit02), de 17 de dezembro de 2004 (fls. 121 à 124). A contribuinte foi intimada para apresentar documentação, fls. 241, sobreveio posteriormente parecer do Serviço de Orientação e Análise Tributária SEORT, fls. 629/641, com o posterior despacho decisório, fls. 643. A contribuinte tomou ciência dos documentos parecer, despacho decisório em 09 de maio de 2016, fls. 647, mas não se manifestou. É o relatório. Voto Fl. 655DF CARF MF 6 Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Nulidade do acórdão A Recorrente pleiteia pela nulidade do acórdão da DRJ/Belém, pois entende que ele deixou de apreciar questão essencial relativa à exatidão das compensações efetuadas — o recolhimento do PIS e COFINS no período de 31/12/2002 a 30/11/2004 pelo "regime da não cumulatividade" quando o correto seria o da "cumulatividade" (referente à receita de fabricação e comercialização de motocicletas classificadas na posição 87.11 da TIPI), gerando assim recolhimentos indevidos e a maior das Contribuições para o PIS e COFINS. Solicita como pedido alternativo a conversão do feito em diligência. Do acórdão da DRJ/Belém retiramse trechos, que demonstram a linha de argumentação do julgador, fls. 62: No caso presente, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 8109, do período de apuração de 09/2004. A unidade de origem, por sua vez, não homologou a compensação pretendida, por entender que inexistia crédito disponível para a extinção do débito assim declarado. (...) O valor confessado faz prova contra a contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou a maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou a menor ao confessado. (...) Vejase que não exibe a força probante pretendida pelo sujeito passivo, por óbvio, a anterior retificação de sua DCTF — notadamente quando tal retificação tenha sido motivada pelo não reconhecimento pretérito de direito creditório relativo ao mesmo pagamento — ou, ainda, a trazida aos autos de ficha de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ por si elaborada. Esclareçase, neste ponto, que a inexistência de qualquer direito creditório correspondente ao pagamento efetuado mediante DARF relativo a receita de código 8109, do período de apuração de 09/2004, nos termos em que consta do despacho decisório de fl. 05, diz respeito ao fato de que tal pagamento (e o pleito de restituição a ele referente) já fora objeto de análise por intermédio de despacho decisório proferido no processo administrativo n° 10283.901888/200971 Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10283.908010/200966 Acórdão n.º 3302004.801 S3C3T2 Fl. 5 7 2, em 25.03.2009, havendo sido cientificado o contribuinte do indeferimento de sua pretensão creditória em 02/04/2009. O julgador não é obrigado a manifestarse sobre todos os argumentos, apresentados pela parte. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça inclusive já se posicionou quanto aos argumentos apresentados pelas partes, tendo como paradigma o Novo Código de Processo Civil, vide precedente: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." (STJ; 1ª Seção; EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 08.06.2016) Por tal motivação, negase a preliminar suscitada de nulidade do acórdão por falta de fundamentação, pois ela inexiste, já que o julgador teve uma linha de raciocínio, que fundamentou a sua decisão. Quanto à conversão em diligência, tal alegação encontrase superada. 3. Do mérito 3.1. Do resultado da diligência O presente processo versa sobre a compensação da DCOMP nº 18911.47576.280307.1.3.04.0462, que pleiteia um crédito de R$ 295.603,43. Apesar de a Recorrente solicitar a reunião do presente processo com alguns outros processos de compensação, o caso em análise não se submete às hipóteses, previstas no artigo 6º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF RICARF. Logo, a partir da orientação da diligência, que expôs, fls. 231: No caso sub examen, face as alegações acima expostas pela Recorrente, assim como, em observância ao conjunto probatório apresentado, sobretudo, ao princípio da verdade material, proponho que se converta o julgamento deste processo em DILIGÊNCIA à DRF de origem, no sentido de que se verifique se a DCTF retificadora está conforme a Solução de Consulta (Disit02), de 17 de dezembro de 2004 (fls. 121 à 124). Como resultado da análise do material probatório, foi emitido o Parecer SEORT/DRF/MNS nº 00093/2016, que chegou a seguinte conclusão, fls. 640/641: 1. Seja RECONHECIDO parcialmente o direito creditório pleiteado pelo Contribuinte no montante de R$557.653,91 através da Declaração de Compensação nº. 23937.43738.280307.1.7.041413, tendo em vista a modificação Fl. 657DF CARF MF 8 da base de cálculo originária, conforme ao norte explanado c/c demonstrativo de cálculo anexado ao presente eprocesso. 2. Sejam HOMOLOGADAS as Declarações de Compensações – PER/DCOMP(s) Nº(s): 23937.43738.280307.1.7.041413 18911.47576.280307.1.3.040462 Como consequência do referido parecer, houve a elaboração de um novo despacho decisório, fls. 643, homologando a DCOMP nº 18911.47576.280307.1.3.04.0462, que é a que está no presente litígio. Em conformidade com o princípio da verdade material, observase que a retificação da DCTF, por parte da Recorrente, é baseada em prova inequívoca do seu direito ao crédito, devendo ser reconhecido o seu direito. 4. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso, rejeitando a preliminar suscitada e, no mérito, concedendo provimento total ao recurso nos termos da diligência. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 658DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001103/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Nos termos do art. 18, caput § 2° da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/04, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração com dolo, fraude, sonegação ou conluio, no percentual qualificado de 150% por cento.
Numero da decisão: 3301-003.961
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. AUSÊNCIA DE FRAUDE E SONEGAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Nos termos do art. 18, caput § 2° da Lei n° 10.833/03, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.051/04, a multa isolada sobre o valor de débito compensado indevidamente só se aplica na hipótese de infração com dolo, fraude, sonegação ou conluio, no percentual qualificado de 150% por cento. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 11 03 /2 00 8- 05 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 13116.001103/200805 Acórdão n.º 3301003.961 S3C3T1 Fl. 238 2 Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão embargada, Acórdão no 0335.736 4 a Turma da DRJ/BSB (fls 207/210): Contra a empresa acima identificada foi lavrado Auto de Infração Multa Isolada, em virtude da compensação indevida, de débito da Cofins, referente junho/2005, com crédito da mesma natureza, tendo em vista que tanto o crédito quanto o débito foram objeto de compensação não declarada em processo anterior, (fls. 03/05) O valor do crédito tributário apurado perfaz um total de R$ 207.985,69. A capitulação legal da autuação se encontra à folha 04. A contribuinte manifesta impugnação ao auto de infração de multa isolada (fls. 70/77), alegando, em síntese, que: É nulo o auto de infração por não exteriorização clara e precisa dos pressupostos de fato e da lei aplicável, constituindo indevida violação a seus direitos constitucionais de ampla defesa; Resta concluso que o auto não tem razão de existir, a uma porque sem a prova da fraude é inaplicável o art. 18 da lei 10.833/2003 e a duas porque a Dcomp não poderia jamais ser declarada não entregue uma vez que inexistem os requisitos do parágrafo 12, art. 74, da lei 9.430/1996. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente, com a seguinte ementa: Nulidade Cerceamento do Direito de Defesa — Preliminar Rejeitada Preterição do direito de defesa decorre de despachos ou decisões e não da lavratura de ato ou termo como se materializa a feitura do auto de infração, sendo incabível a alegação de cerceamento de defesa se nos autos existem os elementos de prova necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada. Multa Isolada Compensação Indevida Evidente Intuito de Fraude A compensação indevida sujeitarseá ao lançamento de ofício de multa isolada de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n9 9.430, de 27 de dezembro de 1996, por caracterizar evidente intuito de fraude, quando o crédito e o débito já foram objeto de compensação não homologada. Constitucionalidade e/ou legalidade de Normas Legais A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou legalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13116.001103/200805 Acórdão n.º 3301003.961 S3C3T1 Fl. 239 3 repressivo de constitucionalidade e/ou legalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 222/229) , alegandose, em síntese, o seguinte: · há uma série de equívocos no lançamento fiscal em epígrafe; · o primeiro deles é que não existe fraude sem prova; o Direito Tributário não é subjetivo, trabalha com a verdade material, cabendo ao fisco a prova de que eventual declaração foi feita com fraude; · o que se chama de fraude não pode ser levado em conta uma vez que apurado de forma unilateral e absolutamente tendenciosa; · o lançamento tributário é um ato administrativo, razão pela qual a ele se aplica a unânime doutrina pátria no tocante à obrigatoriedade de sua motivação; · há evidente violação ao direito à ampla defesa; · o crédito mencionado deriva de pagamento a maior realizado pela Recorrente; · a prova juntada aos autos demonstra com relativa facilidade que o pagamento a maior ocorreu e que a natureza do crédito é mais que justa e devida; · no próprio sítio da Receita Federal reconhece a dualidade do pagamento (comprovantes doc. 0 1 ) . É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre inicialmente consignar que não resta comprovado nos presentes autos que a Recorrente agira em fraude ou sonegação e, em consequência, afasto a multa, conforme entendimento que segue. Com efeito, no bojo das alterações na legislação tributária, surgiu a Lei nº 11.051/04, a qual, em seu artigo 25, altera as disposições do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, que passou a determinar a aplicação da multa prevista por compensação não declarada somente nas hipóteses de fraude, sonegação ou conluio. O mesmo artigo 25, incluiu o § 2º e o § 4º, em que determinava a aplicação da penalidade do caput às situações em que a compensação não declarada fosse aplicada multa no percentual de 150%, previsto no art. 44, II da Lei nº 9.430/96. Colacionase: "Art. 25. Os arts. 10, 18, 51 e 58 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13116.001103/200805 Acórdão n.º 3301003.961 S3C3T1 Fl. 240 4 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Neste sentido, com a nova redação do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, não restou confirmada que a penalidade somente seria aplicada nas hipóteses do art. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 no percentual de 150%. Dessa forma, em razão das alterações normativas, a penalidade por declaração de compensação não declarada, quando não restasse configurada as hipóteses dos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502//64, passou a ser novamente exigível a partir de 14/10/05, conforme dispõe o artigo 132 da Lei nº 11.196/051. Portanto, a exigência da multa isolada no patamar de 75% (setenta e cinco por cento) não deve prevalecer, se não houve comprovação nos autos das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, ademais, não contém nenhum indício de dolo referente as compensações efetuadas. Dessa forma, afasto a exigência da multa porque não houve comprovação nos autos das hipóteses previstas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, ademais, não contém nenhum indício de dolo referente as compensações efetuadas 1 Art. 132. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: II desde 14 de outubro de 2005, em relação ao disposto: a) no art. 33 desta Lei, relativamente ao art. 15 da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996; b) no art. 43 desta Lei, relativamente ao inciso XXVI do art. 10 e ao art. 15, ambos da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; c) no art. 44 desta Lei, relativamente ao art. 40 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004; d) nos arts. 38 a 40, 41, 111, 116 e 117 desta Lei; Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13116.001103/200805 Acórdão n.º 3301003.961 S3C3T1 Fl. 241 5 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 241DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.003329/2005-31
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita. FIXAÇÃO VALOR PARA NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o CARF fixar valor a documentos fiscais baseado apenas em mera alegações da Recorrente. FIXAÇÃO DE UM PERCENTUAL SOBRE O FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para fixação de um percentual sobre o faturamento da Recorrente. APLICAÇÃO DE PENALIDADES. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário, não podendo ser objeto de pronunciado pelo CARF. LANÇAMENTOS DECORRENTES - PIS/PASEP, CSLL COFINS, INSS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (Lucro Presumido), aplica-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa
Numero da decisão: 1802-000.920
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marco Antonio Nunes Castilho
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PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita. FIXAÇÃO VALOR PARA NOTAS FISCAIS NÃO ESCRITURADAS PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o CARF fixar valor a documentos fiscais baseado apenas em mera alegações da Recorrente. FIXAÇÃO DE UM PERCENTUAL SOBRE O FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para fixação de um percentual sobre o faturamento da Recorrente. APLICAÇÃO DE PENALIDADES. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 2. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário, não podendo ser objeto de pronunciado pelo CARF. LANÇAMENTOS DECORRENTES PIS/PASEP, CSLL COFINS, INSS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (Lucro Presumido), aplicase aos lançamentos decorrentes, no que couber, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10384.003329/200531 Acórdão n.º 180200.920 S1TE02 Fl. 261 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, André Almeida Blanco, Gilberto Baptista e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10384.003329/200531 Acórdão n.º 180200.920 S1TE02 Fl. 262 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de 1ª instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: “Contra o Sujeito Passivo identificado nos autos foram lavrados Autos de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL, fls. 03/31, para formalização e cobrança dos créditos tributários neles estipulados no valor total de R$ 102.728,79, incluindo multa de oficio e juros de mora. Os itens apurados pela Fiscalização, relatados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04/31, foram, em síntese, os seguintes: 1. IRPJ 1.1 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE Omissão de receitas da atividade caracterizada pela não escrituração de pagamentos efetuados no anocalendário de 2003, conforme demonstrativo anexo às fls. 32 a 34. No curso da fiscalização, constatamos que a fiscalizada deixou de escriturar em seu livro caixa (does. As fls. 186 a 195) parte dos pagamentos relativos a compra de cimento junto A empresa Cimento Poty S/A, bem como, alguns encargos da Folha de Pagamentos de pessoal do período. Através do nosso Termo de Solicitação de Esclarecimentos de 27/09/2005 (doc. Às fls.168 a 185), intimamos o contribuinte a justificar a não escrituração dos valores e, ao mesmo tempo, comprovar a origem dos recursos utilizados para as respectivos pagamentos. Decorrido o prazo concedido para os esclarecimentos, constatamos que até a presente data a empresa não apresentou qualquer esclarecimento ou justificativa. Desta forma, estamos procedendo ao lançamento conforme demonstrativo a seguir. Ressaltamos que as notas fiscais de compra de cimento e o relatório contendo as datas dos efetivos pagamentos das mesmas foram obtidas através de circularização a empresa Cimento Poty S/A, conforme documentos As fls. 38 a 167. 1.2 RECEITA DA ATIVIDADE Fl. 278DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10384.003329/200531 Acórdão n.º 180200.920 S1TE02 Fl. 263 4 Receita da Atividade escriturada no livro caixa e não oferecida a tributação, que ora procedemos ao lançamento conforme demonstrativos a seguir. Anexamos As fls. 186 a 195, cópias do Livro Caixa apresentado pelo contribuinte. Enquadramento legal: art. 518 do Regulamento do Imposto de RendaRIR/90. Em decorrência foram lavrados os respectivos autos de infração para exigência das contribuições: PIS, Cofins e CSLL por — falta/insuficiência de recolhimento e omissão de receitas. Inconformado com as autuações acima descritas, da qual tomou ciência em 17/10/2005, fls. 239, o contribuinte, em 14/11/2005, apresentou impugnação, fls. 234/23, alegando o seguinte: MILTON MENDES VIEIRAME, Inscrita no CNPJ 07212.848/000123, com sede na Av. Presidente Kenedy, 1030 A, São Cristóvão nesta Capital, vem muirespeitosamente pedi a V.Sas se digne for apreciar minha defesa e solicitação ,baseada nos fatos a seguir: As notas fiscais de compras durante o período de jan/03 a dez/03, bem como os tributos a recolher divergem com os nossos valores, (demonstrativo anexo). A Margem de Lucro Bruto é baseado em 10%,(dez) por cento, o qual não cobre os custo direto, indireto e despesas. Informo ainda, que se a empresa trabalhasse pelo regime de tributação do lucro real, a mesma ficaria isenta de CCLS, IRPJ, tendo em vista que durante esse período mensalmente apresentou prejuízo. No entanto pedimos a V. Sas se digne for, que sejam refeito novos cálculos, baseado no art. 190, RIR199, Decreto 3000/99 (3% do faturamento bruto), e a dispensa dos juros e multa e atualização monetária, que só assim posso efetuar o pagamento dos tributos. É o relatório.” Ato seguinte, a decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte Ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO ESCRITURADOS. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10384.003329/200531 Acórdão n.º 180200.920 S1TE02 Fl. 264 5 A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receita. IMPUGNAÇÃO REFLEXA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O questionamento da matéria fática que ensejou o lançamento reflexo de diversas espécies tributárias, não havendo aspectos específicos a serem apreciados, impugna todos os lançamentos assim agrupados, independentemente de citação expressa, no texto da impugnação, de todos os autos de infração. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Restando inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 255/256), requerendo que autuação fosse reduzida mediante fixação de um valor por documento fiscal não escriturado ou aplicação de um percentual sobre o faturamento, bem como dispensa da multa de ofício e dos juros de mora exigidos no Auto de Infração. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório, passo a decidir Fl. 280DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10384.003329/200531 Acórdão n.º 180200.920 S1TE02 Fl. 265 6 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Redução do Crédito Tributário Tratase do presente processo de autos de infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, por omissão de receita não escrituradas e receitas escrituradas e não oferecidas à tributação. Apesar de confusos e desarticulados os argumentos trazidos pela Recorrente, busca através do presente recurso que esse Conselho retifique o valor autuado, devendo, para tanto, fixar o valor correspondente a 50URF/PI, por cada documento omitido, limitandose esse valor a 2.500URF/PI. Aduz ainda pedido para que sejam refeitos os cálculos, aplicandose para tanto o percentual de 3% do faturamento. Por fim, requer dispensa dos juros, multa e atualização monetária. A Recorrente não questionou as diferenças apontadas pela fiscalização e sequer trouxe aos autos as notas fiscais omitidas que pudesse ensejar uma diligência com intuito de se buscar o real valor dos documentos fiscais. Com efeito, rejeitase o pedido da Recorrente por não haver previsão legal para fixar um valor para cada documento omitido, para fins de redução do valor atuado, sem uma análise nas respectivas notas fiscais. Ademais, o lucro presumido já é um percentual da receita bruta da Recorrente, de sorte que também não há previsão legal para aplicação de outra redução (3% do faturamento bruto), de sorte que também nesse aspecto não merece prosperar os argumentos da Recorrente. Desta forma, afasto as pretensões de redução do crédito tributário trazidas pela Recorrente. Da Aplicação das Penalidades e dos Juros: A multa de ofício foi corretamente aplicada sobre as divergências identificadas pela autoridade fiscal entre o valor apurado pelo contribuinte e o valor devido, encontrandose amparo legal no artigo 44, inciso I, parágrafo 1º da Lei 9.430/96. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA Processo nº 10384.003329/200531 Acórdão n.º 180200.920 S1TE02 Fl. 266 7 Não há base legal para cancelamento da multa aplicada tendo em vista que está prevista em lei. A alegação de inconstitucionalidade na aplicação das multas de ofício, enquanto a norma não é declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário e, conseqüentemente, não é extirpada do sistema jurídico pátrio, tem presunção de validade que é vinculante para administração pública, que não tem competência para entrar do mérito da constitucionalidade da norma. Este entendimento também já foi pacificado no CARF por meio da súmula no. 02, abaixo transcrito: “Súmula 2 do CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No que tange aos juros de mora, o artigo 161 do Código Tributário Nacional determina sua incidência sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, independentemente do motivo determinante da falta. Tal posicionamento foi corroborado pela Súmula CARF 4: “A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais.” Desta forma, mantenho aplicação da multa de ofício de 75% e dos juros de mora sobre os tributos devidos, não havendo reparos a serem feitos na decisão recorrida. No que concerne às demais infrações (PIS, CSLL e COFINS) aplico o entendimento da decisão recorrida, no sentido de que tratandose de exigência fundamentada na irregularidade apurada em ação fiscal realizada no Imposto de Renda Pessoa Jurídica, o decidido quanto aquele lançamento é aplicável ao lançamento decorrente. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, confirmando, por seus próprios fundamentos, a decisão da DRJFortaleza/CE. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 282DF CARF MF Impresso em 26/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17 /01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ESTER MARQUES LIN S DE SOUSA
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Numero do processo: 11516.004860/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004,2005 MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. NÃO COMPROVADA A CONDUTA DOLOSA. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. Não restando comprovada a conduta dolosa reiterada ou a falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais e comerciais ou a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas ou a ocorrência de reincidência específica, a qualificação da multa de ofício deve ser afastada.
Numero da decisão: 1801-000.741
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2004,2005 MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. NÃO COMPROVADA A CONDUTA DOLOSA. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. Não restando comprovada a conduta dolosa reiterada ou a falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais e comerciais ou a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas ou a ocorrência de reincidência específica, a qualificação da multa de ofício deve ser afastada.
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NÃO COMPROVADA A CONDUTA DOLOSA. QUALIFICAÇÃO AFASTADA. Não restando comprovada a conduta dolosa reiterada ou a falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais e comerciais ou a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas ou a ocorrência de reincidência específica, a qualificação da multa de ofício deve ser afastada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edijalmo Antonio da Cruz, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11516.004860/200711 Acórdão n.º 180100.741 S1TE01 Fl. 255 2 Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 147153, com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.060,40, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada agravada por falta de atendimento à intimação, referente ao anocalendário de 2002, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), em conformidade com as informações constantes no Livro Razão, fls. 86122 e nos Termos de Verificação e Encerramento de Fiscalização, fls. 190202. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores creditados na contacorrente nº 125261 da agência nº 31747 do Banco do Brasil S/A, fls. 3962, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nestas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários por ela fornecidos, 6972; Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) do anocalendário de 2002, fls. 135138. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 154161 com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.060,40 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11516.004860/200711 Acórdão n.º 180100.741 S1TE01 Fl. 256 3 III – O Auto de Infração às fls. 162168 com a exigência do crédito tributário no valor de R$6.159,47 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 169175 com a exigência do crédito tributário no valor de R$12.319,01 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 176184 com a exigência do crédito tributário no valor de R$3.079,72 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º, art. 3º, art. 32, art. 33, art. 109 e art. 114 do Regulamento de Imposto sobre Produtos Industrializados constante no Decreto nº 2.637 de 25 de julho de 1998 (RIPI, de 1998), art. 2º, art. 3º, art. 34, art. 35, art. 122 e art. 127 do Regulamento de Imposto sobre Produtos Industrializados constante no Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002), bem como §2º do art. 2º, alínea “e” do § 1º do art. 3º, § 2º do art. 5º e § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. VI O Auto de Infração às fls. 185189 com a exigência do crédito tributário no valor de R$13.460,80 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional qualificada agravada por falta de atendimento à intimação. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada em 06.11.2007, fl. 204, a Recorrente apresenta a impugnação em 29.11.2007, fls. 212217, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que procedeu ao pagamento tributos acrescidos de juros de mora e multa de ofício proporcional. Discorda tãosomente da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada agravada. Suscita que não incorreu em conduta dolosa e nem houver falta de atendimento à intimação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11516.004860/200711 Acórdão n.º 180100.741 S1TE01 Fl. 257 4 Conclui A vista das razões de direito ora expostas e demonstradas, requer e confia o contribuinte que V. Exa . julgue inteiramente improcedente o lançamento ora guerreado, por ter o mesmo se processado sem qualquer fundamentação legal que possa respaldálo. A parcela não litigiosa foi transferida para o processo nº 11516.000914/2008 42, fls. 219234. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FNS/SC nº 0712.667, de 23.05.2008, fls. 236239: “Lançamento Procedente em Parte”, afastando o agravamento da multa de ofício. Restou ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro t de 1964, independentemente de outras penalidades i administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada multa de oficio de 150 %. Notificada em 06.08.2008, fl. 242, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 18.08.2008, fls. 243250, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação, na parte remanescente objeto de litígio. Conclui Com base nessas considerações e diante dos fatos expostos, o Recorrente confiante no bom senso dos eminentes membros deste Egrégio Colegiado, pede e espera o pronto provimento deste seu apelo, com o cancelamento da exigência fiscal, em decisão de mérito, reconhecendo a inteira procedência do recurso, com o que, mais uma vez, esta Excelsa Corte estará prestando a mais lidima e exemplar Justiça! A Representação Fiscal para fins Penais está formalizada no processo nº 10945.001390/200894. É o Relatório. Voto Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11516.004860/200711 Acórdão n.º 180100.741 S1TE01 Fl. 258 5 Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A matéria objeto de litígio devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento restringese à qualificação da multa de ofício proporcional aplicada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações. Tem cabimento ainda na ocorrência de reincidência específica, no caso de as infrações sejam da mesma natureza, assim entendidas as que tenham a mesma capitulação legal e tenham sido objeto de decisão passada em julgado.1. A presunção legal de omissão de receita, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do dolo ou a constatação da movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas2. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir dos valores creditados na contacorrente nº 125261 da agência nº 31747 do Banco do Brasil S/A, fls. 3962, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nestas operações mediante 1 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. 2 Fundamentação legal: Súmulas CARF nºs 25 e 34. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11516.004860/200711 Acórdão n.º 180100.741 S1TE01 Fl. 259 6 documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários por ela fornecidos, 6972, no anocalendário de 2002. Tabela 1 Depósitos bancários de origens não comprovadas consolidados no anocalendário de 2002 Descrições Meses (A) Depósitos Bancários R$ (B) Receitas Brutas DSPJ R$ (C) Depósitos Bancários Origens não Comprovadas Omissão de Receitas R$ D=(BC) Janeiro 22.790,95 8.315,61 14.475,34 Fevereiro 30.073,70 22.070,20 8.003,50 Março 27.067,46 11.511,76 15.555,70 Abril 46.011,92 18.122,58 27.889,34 Maio 16.654,76 8.561,56 8.093,20 Junho 22.202,53 17.687,73 4.514,80 Julho 25.442,71 16.413,62 9.029,09 Agosto 14.317,05 8.514,36 5.802,69 Setembro 26.118,02 18.432,52 7.685,50 Outubro 30.215,52 22.515,52 7.700,00 Novembro 28.274,04 17.422,04 10.852,00 Dezembro 50.852,47 22.003,40 28.849,07 Total Absoluto 340.021,13 191.570,90 148.450,23 Total Relativo 100% 57% 43% No presente caso, não restou comprovada a conduta dolosa reiterada ou a falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais e comerciais ou a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas ou a ocorrência de reincidência específica. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, está justificada. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa de ofício proporcional. Ressaltese que os tributos acrescidos de juros de mora e de multa de ofício proporcional não foram objeto de litígio e por esta razão devem ser mantidos. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11516.004860/200711 Acórdão n.º 180100.741 S1TE01 Fl. 260 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/10/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 26/10/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10950.001682/2001-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART.24 DA LEI Nº 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DEVIDA.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ).
Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-005.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. A incidência da taxa Selic deferida refere-se somente à parte do crédito em que houve indeferimento no Despacho Decisório de origem e foi reconhecida somente nas instâncias de julgamento, ou seja que teria sofrido oposição ilegítima por parte do Fisco. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART.24 DA LEI Nº 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DEVIDA. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. A incidência da taxa Selic deferida refere-se somente à parte do crédito em que houve indeferimento no Despacho Decisório de origem e foi reconhecida somente nas instâncias de julgamento, ou seja que teria sofrido oposição ilegítima por parte do Fisco. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART.24 DA LEI Nº 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DEVIDA. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 16 82 /2 00 1- 81 Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10950.001682/200181 Acórdão n.º 9303005.423 CSRFT3 Fl. 303 2 REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. A incidência da taxa Selic deferida referese somente à parte do crédito em que houve indeferimento no Despacho Decisório de origem e foi reconhecida somente nas instâncias de julgamento, ou seja que teria sofrido oposição ilegítima por parte do Fisco. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº340200.851, proferido pela 2º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para incluir na base de cálculo do crédito presumido de IPI, as aquisições de insumos de pessoas físicas. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "O direito creditório foi reconhecido parcialmente, tendo sido efetuado ajustes relativos ao calculo do credito presumido do IPI para excluir as aquisições de pessoas físicas, exclusão de devoluções de compras para industrialização no período em referencia; exclusão do total de aquisições de insumos glosados nos processos produtivos nos três primeiros trimestres de 2000. Também não foi reconhecida a atualização do credito com base na taxa Selic. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10950.001682/200181 Acórdão n.º 9303005.423 CSRFT3 Fl. 304 3 As compensações foram homologadas até o limite do direito creditório reconhecido". O acórdão recorrido restou assim ementado: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 Ementa: INSUMOS adquiridos de não contribuintes (pessoas físicas) Exclui se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à COFINS no fornecimento ao produtorexportador. CORREÇÃO MONETARIA. A falta de disposição legal de amparo é inadmissível a aplicação de correção monetária no caso de ressarcimento de credito presumido do IPI, bem como de saldo credor de IPI". Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: "não ha possibilidade de correção pela incidência da Taxa Selic aos pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, autorizandose tal correção tãosomente as hipóteses de creditamento do obstacularizadas indevidamente pelo fisco, logo, não ha autorização legal para a incidência da SELIC as hipóteses de ressarcimento de credito presumido de IPI, seja a partir do protocolo do pedido, seja a partir de qualquer outro momento como a data na qual é proferido DespachoDecisório denegando o pleito do contribuinte". Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Fazenda Nacional aponta como paradigmas os acórdãos nºs 930300.720 e CSRF/0203.718. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso, com os seguintes fundamentos: "as decisões confrontadas, analisando circunstâncias similares, decidiram diferentemente. Enquanto a decisão atacada determinou a incidência da taxa SELIC sobre o crédito discutido, a partir do protocolo do pedido, por entender restar caracterizado aí o paradigmas firmaram posicionamento diverso, no sentido de que é incabível a incidência da Taxa SELIC sobre o ressarcimento, pois ressarcimento e restituição/repetição de indébito são institutos diversos e a aplicação da Taxa SELIC deve derivar de previsão expressa de lei e não de aplicação da analogia". A Contribuinte apresentou contrarrazões, defendendo a correção pela SELIC do crédito presumido do IPI, em razão do direito creditório ter sido postergado por oposição de ato estatal, administrativo ou normativo. Considerando que em sede de Recurso Especial Repetitivo Representativo de Controvérsia, art. 543C do CPC, o STJ decidiu no REsp 1150188/SP, a possibilidade de correção do crédito. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10950.001682/200181 Acórdão n.º 9303005.423 CSRFT3 Fl. 305 4 É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC sobre o cálculo de crédito presumido de IPI, pelo produtor exportador nas aquisições de pessoas físicas e cooperativas não contribuintes da contribuição para o PIS e da COFINS. Com efeito, na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96 das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (REsp993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, os Conselheiros devem delimitar de modo objetivo o termo "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha Relatoria, passo adotar o entendimento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Corroborando este mesmo entendimento, no julgamento do Recurso Especial nº 1.467.934RS (2014/01707525) de Relatoria do Ilustre Ministro Sérgio Kukina, restou decidido, que a correção monetária deve ser contada a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ), de forma que não há como acolher o pleito pela correção dos créditos a partir do protocolo do pedido administrativo. Vejamos: "ESPECIAL Nº 1.467.934 RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10950.001682/200181 Acórdão n.º 9303005.423 CSRFT3 Fl. 306 5 OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. In caso, a Contribuinte requereu o ressarcimento do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei n° 9.363, de 16 de dezembro de 1996, referente ao quarto trimestre do ano de 2000, no valor de R$ 111.491,88, conforme Pedido de Ressarcimento da fl. 01, apresentado em 11 de julho de 2001. Foram apresentados, também, diversos pedidos de compensação, e posteriormente houve solicitação de cancelamento/alteração/desistência de Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10950.001682/200181 Acórdão n.º 9303005.423 CSRFT3 Fl. 307 6 alguns desses pedidos, conforme documentos de fls. 70 a 72, 76, 83 e 84. Foi transmitida, em 07 de dezembro de 2004, a Declaração de Compensação das fls. 112 a 115. A DRF/Maringa indeferiu o pedido de ressarcimento, em 16 de agosto de 2005, conforme Despacho Decisório das fls. 107/111, em razão de, após as exclusões que entendeu pertinentes, ter apurado crédito negativo ao final do ano de 2000, no valor de R$ 15.490,28, determinando a compensação desse valor no primeiro trimestre subseqüente. Em 15 de setembro de 2005, pelo Despacho Decisório das fls. 137/140, a autoridade administrativa não homologou as compensações referidas no item 2, determinando o prosseguimento da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Pela Intimação n° 111/2005, fl. 141, foi cientificado o contribuinte, em 07 de outubro de 2005 (Aviso de Recebimento na fl. 142), dessas decisões. Como se observa, de fato o crédito foi obstaculizado pelo fisco, caracterizando a mora administrativa, portanto, legítimo o direito da Contribuinte ter seu crédito corrigido pela Taxa Selic, mas não nos termos da decisão recorrida, que decidiu desde o protocolo do pedido. Sem embargo, estou submetido ao artigo 62A, caput, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010) a qual determina que: "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Ex positis, com fundamento no REsp 1.467.934RS (2014/01707525 e 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ, dou parcial provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10950.001682/200181 Acórdão n.º 9303005.423 CSRFT3 Fl. 308 7 Fl. 308DF CARF MF
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