Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10120.008626/2010-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
PROGRAMA DE PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI FEDERAL 12.810/2013. ADESÃO NÃO HOMOLOGADA POR DECURSO DE PRAZO. O Recorrente não logrou êxito na adesão ao programa instituído pela Lei Federal 12.810/2013, conforme se aduz do exame dos autos.
AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS NA PEÇA RECURSAL QUE INFORMA A SUPOSTA ADESÃO. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO, DO ARTIGO 42, DO PAF. A interposição de recurso voluntário sem atacar quaisquer dos pontos da decisão de primeiro grau incorre em motivo suficiente para a aplicação do artigo 42, parágrafo único, do PAF; cujo objetivo principal é encerrar o litígio naquilo que o recurso tem ausência de fundamentação.
Numero da decisão: 3401-003.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PROGRAMA DE PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI FEDERAL 12.810/2013. ADESÃO NÃO HOMOLOGADA POR DECURSO DE PRAZO. O Recorrente não logrou êxito na adesão ao programa instituído pela Lei Federal 12.810/2013, conforme se aduz do exame dos autos. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS NA PEÇA RECURSAL QUE INFORMA A SUPOSTA ADESÃO. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO, DO ARTIGO 42, DO PAF. A interposição de recurso voluntário sem atacar quaisquer dos pontos da decisão de primeiro grau incorre em motivo suficiente para a aplicação do artigo 42, parágrafo único, do PAF; cujo objetivo principal é encerrar o litígio naquilo que o recurso tem ausência de fundamentação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.008626/2010-31
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5780005
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.897
nome_arquivo_s : Decisao_10120008626201031.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TIAGO GUERRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10120008626201031_5780005.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado
dt_sessao_tdt : Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
id : 6960780
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:07:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466040221696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.167 1 1.166 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.008626/201031 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.897 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PASEP Recorrente SANTA HELENA DE GOIAS PREFEITURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PROGRAMA DE PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI FEDERAL 12.810/2013. ADESÃO NÃO HOMOLOGADA POR DECURSO DE PRAZO. O Recorrente não logrou êxito na adesão ao programa instituído pela Lei Federal 12.810/2013, conforme se aduz do exame dos autos. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS NA PEÇA RECURSAL QUE INFORMA A SUPOSTA ADESÃO. APLICAÇÃO DO PARÁGRAFO ÚNICO, DO ARTIGO 42, DO PAF. A interposição de recurso voluntário sem atacar quaisquer dos pontos da decisão de primeiro grau incorre em motivo suficiente para a aplicação do artigo 42, parágrafo único, do PAF; cujo objetivo principal é encerrar o litígio naquilo que o recurso tem ausência de fundamentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente. TIAGO GUERRA MACHADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 86 26 /2 01 0- 31 Fl. 1168DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayer, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 1.103 e seguintes), contra decisão da DRJ/SP, que manteve integralmente os valores lançados a título de Contribuição Social para o PASEP supostamente devidos pela Recorrente entre 2006 e 2009, acrescidos de multa de ofício e juros de mora. Do Lançamento de Ofício Naquela ocasião, foi lavrado auto de infração (fls. 489 e seguintes) por insuficiência do recolhimento da contribuição para o Pasep referente aos períodos de janeiro de 2006 a dezembro de 2009. Naquela oportunidade, foram as seguintes razões que levaram ao lançamento de ofício: Os valores lançados e apurados neste Auto de Infração, conforme levantamento feito a partir das receitas constantes do COMPARATIVO DE RECEITA PREVISTA COM ARRECADADA, em cada competência, no período de 01/2006 a 12/2009, fls.06 a 201, Vol. I e fls. 204 a 355, Vol, II, conforme solicitação através do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal TIPF, emitido em 22/04/2010 e com ciência do contribuinte em 28/04/2010, fls. 02 a 04, Vol. I, e como também, do DAF – Distribuição de Arrecadação Federal, constante do Site do Banco do Brasil, janela Governo Federal, fls. 406 a 486, Vol. III e da Lista de Convênios, por Municípios, retirada do Portal da Transparência do Governo Federal, fls. 487, Vol. III. Os valores consolidados encontramse relacionados no Demonstrativo de Débito Apurado, parte integrante dos autos do processo administrativo fiscal, gerado pelo referido AI. Registrase que foram confrontados os valores declarados em DCTF com as receitas correntes, em cada competência, deduzidas as receitas com retenção na fonte, e os pagamentos registrados através de DARF's. Após os cotejamentos foi emitido o Termo de Constatação Fiscal n ° 0001, fls. 361/362, Vol. II, em 30/08/2010, com ciência em 16/09/2010, apresentando ao contribuinte, o Demonstrativo dos Valores Apurados da Contribuição do Pasep, mês a mês, para o período de 01/2006 a 12/2009, conforme fls. 363 a 386, Vol. II, concedendo ao contribuinte um prazo de 10 dias corridos a partir do recebimento do Termo de Constatação Fiscal, via Correios. Considerando que a Prefeitura Municipal de Santa Helena de Goias, no prazo concedido no Termo de Constatação, não se manifestou quanto aos valores apurados, os mesmos foram objeto para lançamento de oficio. Ressaltase que os recolhimentos efetuados pela Prefeitura no Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARE), conforme relatório "DETALHA Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 10120.008626/201031 Acórdão n.º 3401003.897 S3C4T1 Fl. 1.168 3 PAGAMENTOS", em anexo, fls. 387 a 390, Vol. II, constam em sua maioria data de vencimento divergente da data de vencimento oficial, gerando assim, diferenças nos valores das multas e juros, conforme pode ser observados no "DEMONSTRATIVO DE IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTOS", em anexo, fls.396 a 403, Vol. II. Desta forma, para abatimento no valor da contribuição do Pasep, em cada competência, usouse estes valores quando maiores que os valores declarados em DCTF, fls. 391 a 395, Vol. II. Informamos ainda, que ao tempo da emissão do Termo de Constatação Fiscal n ° 001, citamos que o contribuinte não havia entregue DCTF para o exercício 2008, por engano, pois as mesmas foram recepcionadas pela Receita Federal em 30/11/2009. Desta forma, consideradas para abatimento onde estas foram maiores que os Darf's ou seja nas competências 11/2008 e 12/2008. Da Impugnação Inconformado, o Contribuinte interpôs Impugnação (fls 516 e seguintes), alegando, em síntese, a nulidade do lançamento efetuado pelas seguintes motivações: 1. Defende que houve equívoco na via eleita pela Fazenda Nacional para a apuração da base de cálculo, ao usar de outro banco de dados que não a contabilidade do município. Concretamente, concessa venha, a Base de Cálculo, eleita pelo digno autuante, é errônea, pois realiza, também, um levantamento através da DAF Distribuicão de Arrecadação Federal, constante do site do Banco do Brasil, Janela governo Federal, fls. 406 a 486, Vol. III e da Lista de Convënios, por Municípios, retirada do Portal da Transparência do Governo Federal, fls. 487, vol. III. Esta forma procedimental fere, de plano, o disposto no artigo 142 do CTN, não se pautando pela cristalina transparência legal, sem qualquer comprometimento com o "cerne da vexata quaestio", que deveria ser demonstrado cabalmente, através da base documental do contribuinte respeitando as Norma Brasileiras de contabilidade — NBC, que faz prova para seu detentor. (...) De fato e de direito há eiva de nulidade no lançamento consubstanciado no presente Auto de Infração pela errônea eleição da Base de Cálculo. O contribuinte, Pessoa Jurídica de Direito Público, possui escrita contábil, que não poderia ter sido desprezada pelo Órgão autuante. Os valores deveriam ter sido verificados, em sua totalidade, sob pena de haver a imputação arbitramento de forma ilegal em detrimento da escrita contábil. O fisco elegeu BASE DE CALCULO diversa da que deveria ser utilizada, propiciando uma enorme ampliação/alargamento, PENALIZANDO, ASSIM, O CONTRIBUINTE. Fl. 1170DF CARF MF 4 No lançamento consubstanciado no AI, conforme afirmado pelo autuante, constam diversos valores que foram incluídos na Base de Cálculo do PASEP DE FORMA INDEVIDA. 2. Alega que as transferências decorrentes dos fundos de participação dos tributos federais e estaduais, previstos na Constituição Federal, já sofreram retenção do PASEP, não havendo justificativa para sua reinclusão, caso que resultaria em bitributação. Dentre estes valores temos as transferências constitucionais • devidas pelo Estado ao Município que são exemplificadas pelo ICMS e IPVA. Também estão incluídas, indevidamente, as transferências constitucionais devidas pela União ao Município. No caso do FPM os valores já foram retidos quando do repasse. Persistindo esta situação ocorre bitributação que 6, veementemente, repudiada sob todos os aspectos. De mesma sorte estão inclusas na BC de forma indevida todas as transferências intragovernamentais. Pelo visto acima a BASE DE CALCULO escolhida pelo fisco é totalmente improcedente e irreal o que torna nulo de pleno direito respectivo lançamento. Ao fim, apresentou tabela sumarizando o que seriam os valores de PASEP devidos, baseados na premissa da exclusão dos valores recebidos dos fundos acima mencionados e solicitou prova pericial (diligência) para que fosse novamente apurada a base imponível da contribuição social, juntando documentos comprobatórios de sua demanda que julgo necessários para a realização da análise pericial. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acordão 1653.926 (fls. 1.084 e seguintes), exarado pela DRJ/SP, mantendo integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. PASEP. BASE DE CÁLCULO. Segundo dispõe a legislação de regência, a base de cálculo da contribuição devida ao PASEP pelas pessoas jurídicas de direito público é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. TRANSFERÊNCIAS CONSTITUCIONAIS. PASEP. BASE DE CÁLCULO. Os Municípios ao receberem dos Estados e da União valores relativos às transferências constitucionais devem incluílos na sua totalidade em suas respectivas Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10120.008626/201031 Acórdão n.º 3401003.897 S3C4T1 Fl. 1.169 5 bases de cálculos mensais de incidência da Contribuição para o PASEP, porque os referidos valores enquadramse nas disposições contidas na legislação pertinente. PERÍCIA CONTÁBIL. A diligência ou perícia contábil objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. É prescindível a perícia quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à formação da convicção do julgador para a decisão do processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Abaixo seguem as principais razões da decisão de primeiro grau: (a) Sobre a preliminar de nulidade decorrente da via eleita pela fiscalização para calcular o tributo ausência de informação quanto ao fato gerador: 10. Em sede de processo administrativo fiscal as nulidades estão colocadas no art. 59 do Decreto no 70.235, de 06/03/1972, cuidando o art. 60 do mesmo Decreto de outras irregularidades. A seguir transcrevese referidos artigos: (...) 11. No tocante ao lançamento, o art. 59 somente admite, literalmente, nulidade por incompetência do agente, uma vez que a hipótese do inciso II, relativa a cerceamento de direito de defesa, não se aplicaria ao Auto de Infração. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 12. O Auto de Infração foi lavrado por autoridade competente, contém a descrição dos fatos acompanhada da capitulação legal da infração, não se cogitando tampouco, na hipótese, de cerceamento do direito de defesa da contribuinte. A empresa foi cientificada do lançamento decorrente da fiscalização levada a efeito na empresa, tendolhe sido facultado o prazo regulamentar para apresentar impugnação com as razões de defesa que entendeu pertinente, inclusive a produção das provas admitidas em direito, tudo de acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. 13. Portanto, afastase a nulidade pretendida pela impugnante. (b) Sobre a base de dados usada pela fiscalização para o cálculo do PASEP 14. Alega a impugnante que a base de cálculo eleita pela fiscalização é errônea, pois também utiliza levantamento através do DAF (Distribuição de Arrecadação Federal) constante do site do Banco do Brasil, e da Lista de Convênios Fl. 1172DF CARF MF 6 retirada do Portal da Transparência do Governo Federal. Que foram incluídas indevidamente na base de cálculo os valores das transferências constitucionais devidas pelo Estado ao Município (ICMS e IPVA), das transferências constitucionais devidas pela União aos Municípios, e todas as transferências intragovernamentais. Que no caso do FPM os valores já foram retidos quando do repasse, e que portanto, ocorre bitributação. 15. Da análise da Descrição dos Fatos do Auto de Infração (fls. 587/588) e dos Demonstrativos dos Valores Apurados da Contribuição ao PASEP de fls. 366 a 413, verificase que a base de cálculo considerado pelo Fisco foi exatamente a informada pelo contribuinte nos Demonstrativos “Comparativos de Receita Prevista com Arrecada” (fls. 08 a 358). O “Total Receitas” considerados nos Demonstrativos de fls. 366 a 433 correspondem exatamente aos valores de “Receita Correntes” informados nos Demonstrativos “Comparativos de Receita Prevista com Arrecada” (fls. 08 a 358). 16. As deduções consideradas estão discriminadas nos Demonstrativos de fls. 366 a 433, sendo que os valores que já tiveram retenção do PASEP foram obtidos dos site do Banco do Brasil (DAF Distribuição de Arrecadação Federal – fls. 434 a 582). Observese ainda que também foram considerados pela Fiscalização todos os valores de PASEP Retidos pelo Banco do Brasil e os valores pagos e/ou declarados em DCTF. (...) 18. Conquanto a impugnante conteste o auto de infração alegando que a autoridade fiscal baseouse no DAF, constante do site do Banco do Brasil, e da Lista de Convênios retirada do Portal da Transparência do Governo Federal, isto em nada desqualifica a origem dos dados obtidos pela fiscalização porquanto o contribuinte não traz nenhum elemento, nenhum indício sequer de erro ou falha nos números e fatos apresentados pela Fiscalização. 19. A autoridade fiscal bem apontou as bases econômicas em que se fundamentou para autuar o contribuinte. Caberia a impugnante contestálas, apresentando, por exemplo, a documentação contábilfiscal que lhe pudesse ser favorável. Todavia, o mesmo se limita, sem qualquer razão e conexão lógica, a duvidar dos valores utilizados na autuação (que foram ou por ela própria fornecidas ou retirados dos sites do Banco do Brasil e Portal da Transparência) e a solicitar perícia. (c) Sobre a base de cálculo do PASEP, prevista na Lei Federal 9.715/1998 23. Pela leitura desses dispositivos verificase que a base de cálculo da contribuição ao PASEP dos Municípios é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. 24. Os conceitos de receitas correntes e de capital estão definidos no art. 11 da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, que estatuiu as Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal: 25. O Manual Técnico de Contabilidade aplicada ao Setor Público, aprovado pela Portaria Conjunta STN/SOF nº 3, de 2008, de uso obrigatório por parte da Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10120.008626/201031 Acórdão n.º 3401003.897 S3C4T1 Fl. 1.170 7 União, Estados, Distrito Federal e Municípios, assim conceitua transferência corrente e transferência de capital: 5.1.1.7 TRANSFERÊNCIA CORRENTE É o ingresso proveniente de outros entes/entidades, referente a recursos pertencentes ao ente/entidade recebedora ou ao ente/entidade transferidora, efetivado mediante condições preestabelecidas ou mesmo sem qualquer exigência, desde que o objetivo seja a aplicação em despesas correntes 5.2.1.4 TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL É o ingresso proveniente de outros entes/entidades, referente a recursos pertencentes ao ente/entidade recebedora ou ao ente/entidade transferidora, efetivado mediante condições preestabelecidas ou mesmo sem qualquer exigência, desde que o objetivo seja a aplicação em despesas de capital. (...) 27. Constituindo, portanto, as transferências de recursos da União e dos Estados para os Municípios, transferências correntes recebidas, é indiscutível que os valores respectivos devem compor a base da cálculo da aludida contribuição. Nesse contexto, deve ser rejeitada a alegação da impugnante de que as transferências constitucionais da União e dos Estados para os Municípios não compõem a base de cálculo do PASEP. 29. Por fim, quanto a alegação da impugnante que caso do FPM os valores já foram retidos quando do repasse, e que portanto, ocorre bitributação, a defendente não comprova a efetividade das correspondentes retenções, muito menos que não foram descontadas na apuração do saldo lançado. 30. Ao contrário, todas as retenções de fonte conhecidas, obtidas por meio dos relatórios fornecidos pelo Banco do Brasil, nas quais se presumem contidas as retenções decorrentes das transferências do FPM, foram devidamente deduzidas no auto de infração. (d) Sobre o pedido de diligencia/perícia: 33. Constatase que todos os quesitos foram formulados de modo genérico e superficial, sendo que bastaria ao contribuinte apresentar os documentação que atesta os erros na apuração do PASEP devido, isto é, os DARF pagos (e não considerados pela fiscalização), os comprovantes retenções fornecidos pelo Banco do Brasil, a escrituração contábil que é o suporte hábil a comprovar a composição da base de cálculo, de forma a caracterizar um início de prova favorável que revelasse a necessidade de realização de perícia. 34. É princípio consagrado em direito que quem alega tem que provar, incumbindo, pois, ao contribuinte a instrução do processo com documentos hábeis e idôneos que comprovam seus argumentos e descaracterizam outros acostados aos autos. 35. Se a impugnante pretende infirmar valores apurados pela Fiscalização com base em Demonstrativos fornecidos pela própria contribuinte e extratos de retenções do Banco do Brasil, a ela incumbe comprovar o equívoco cometido. No caso, não é razoável requerer a apuração da base de cálculo por perícia contábil, Fl. 1174DF CARF MF 8 visto que os documentos hábeis a esse intento estariam de posse do próprio contribuinte, os quais teriam que ser apresentados na oportunidade da impugnação. 36. Ao requerer perícia contábil sem especificar e demonstrar motivos que justifiquem mais exames da matéria, a impugnante utilizase, em parte, da chamada negativa geral, desatendendo o princípio da impugnação especificada, que rege o Direito processual. Cabe à própria autuada, mediante exame do auto de infração e de seus anexos, comparandoos com os dados e documentos constantes da sua escrita contábil e fiscal, atacar os pontos que julga equivocados. Não é caso para procedimento pericial. Para levantar e atacar tais questões é que existe a impugnação ao lançamento. Por fim, a decisão ressaltou que os recolhimentos aludidos pelo contribuinte já foram incluídos no cálculo do lançamento pela autoridade fiscal, não assistindo razão à sua redução Do Recurso Voluntário Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, apenas para informar que teria inserido os débitos litigados nesse processo administrativo no programa de parcelamento instituído pela Lei Federal 12.810/2013 e solicitando a reforma da decisão de primeira instância. Contudo, conforme se depreende dos documentos incluídos às fls. 1.151, a Receita Federal não reconheceu a adesão da Recorrente ao programa de parcelamento de que trata a Lei Federal 12.810/2013, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 04, de 24 de maio de 2013. Ao que parece, a Recorrente teria solicitado a inclusão de tais débitos meses após o prazo final exigido pelo Programa, de modo que restou inepto o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Diante do ocorrido quando da apresentação do pretenso “recurso voluntário”, especialmente porque a Recorrente abriu mão do litígio – eis que não apresentou seus argumentos relativos à sua irresignação sobre a decisão “recorrida” – em face da expectativa frustrada de incluir os débitos ora em litígio no programa de parcelamento promovido pela União Federal, creio não haver mais contencioso instaurado. Na verdade, poderseia até dizer que a peça apresentada nem teria o condão de ser uma peça recursal, se não fosse o pedido final equivocado e pretensioso de ver o acórdão de primeiro grau reformado justamente pela adesão ao parcelamento; o que, por si só, representa um silogismo de alta monta. De qualquer maneira, a ausência completa de fundamentação contra a decisão da DRJ, a meu ver, representa clara hipótese prevista no artigo 42, parágrafo único, do Decreto Federal 70.235/1972. Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 10120.008626/201031 Acórdão n.º 3401003.897 S3C4T1 Fl. 1.171 9 Adiciono que a não inclusão dos débitos por inércia ou inépcia da Recorrente em tal Programa, permitenos inferir não só que a decisão de primeiro grau passa a ter caráter definitivo, mas também que o crédito tributário lançado permanece exigível, não se aplicando o artigo 151, inciso VI, do Código Tributário Nacional, Isto posto, entendo pela manutenção integral da decisão recorrida. Tiago Guerra Machado Relator Fl. 1176DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11050.720169/2016-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 09/11/2007 a 30/09/2008
RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CTN.
Correta a decisão de primeira instância que decidiu pela decadência da exigência fiscal em razão do exaurimento do prazo quinquenal cuja contagem deve ser feita em conformidade com o que preconizam o 173, inc. I do CTN c/c os arts. 138 e 139 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, e artigos 668 e 669 do Decreto n° 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro/2002 - vigente à época dos fatos).
Numero da decisão: 3201-003.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 09/11/2007 a 30/09/2008 RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - CTN. Correta a decisão de primeira instância que decidiu pela decadência da exigência fiscal em razão do exaurimento do prazo quinquenal cuja contagem deve ser feita em conformidade com o que preconizam o 173, inc. I do CTN c/c os arts. 138 e 139 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, e artigos 668 e 669 do Decreto n° 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro/2002 - vigente à época dos fatos).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11050.720169/2016-86
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5766689
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.017
nome_arquivo_s : Decisao_11050720169201686.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 11050720169201686_5766689.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira - Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
id : 6923902
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466063290368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1644; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11050.720169/201686 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 3201003.017 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2017 Matéria REGIMES ADUANEIROS DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR CONTAGEM DO PRAZO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RG ESTALEIRO ERG1 S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/11/2007 a 30/09/2008 RECURSO DE OFÍCIO. DESONERAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CTN. Correta a decisão de primeira instância que decidiu pela decadência da exigência fiscal em razão do exaurimento do prazo quinquenal cuja contagem deve ser feita em conformidade com o que preconizam o 173, inc. I do CTN c/c os arts. 138 e 139 do DecretoLei nº 37, de 1966, e artigos 668 e 669 do Decreto n° 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro/2002 vigente à época dos fatos). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 72 01 69 /2 01 6- 86 Fl. 1329DF CARF MF 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Versa o presente processo sobre os Autos de Infração lavrados (fls. 2/24) para a exigência do crédito tributário no valor de R$ 46.176.262,13, relativo ao Imposto de Importação, PIS– Importação e Cofins – Importação, acrescidos da multa de ofício de 150%, qualificada por fraude, e dos juros de mora, bem como à multa do controle administrativo de 50% do valor aduaneiro por desvio de finalidade dos bens importados com o benefício do REPORTO, conforme previsto no art. 14, §§ 11 e 12, da Lei 11.033/2004. Conforme consta do Relatório Fiscal (fls. 25/105), houve desvio de finalidade, porque os bens importados – um guindaste de pórtico e dois transportadores hidráulicos através das DI 07/15547849, 08/05558823 e 08/15407151, foram cedidos à empresa QUIP (de out/ 2009 até out/2013) e ECOVIX–Engevix (a partir de mar/2011), para serem utilizados por estas empresas, detentoras de contratos com a PETROBRAS, para quem os bens foram locados, para industrialização de plataformas de petróleo e seus módulos, bem como de navios sonda ou outros bens destinados à pesquisa e lavra de jazidas de petróleo e gás natural, sem nenhuma participação do sujeito passivo, que, no processo de habilitação, em 10/11/2006, apresentouse na qualidade de operador portuário para adquirir a condição de beneficiário do regime (ainda com a razão social antiga WTORRE ERG EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S.A.), por meio do ADE nº 1, de 14/05/2007, da Alfândega de Rio Grande. A auditoria defende que a incidência do prazo decadencial não pode se dar da mesma forma que ocorre nas operações submetidas ao regime comum de importação, devendo ser levadas em conta as peculiaridades próprias do REPORTO, uma vez que, mesmo não sendo pagos, os tributos referentes às operações vinculadas não podem ser exigidos durante o prazo do regime. Assim, não há como a data do fato gerador ser considerada como inicial da decadência, devendo ser apurada com base na regra geral disposta no inciso I do art. 173 do CTN. Concluiu que não ocorreu a decadência em relação a nenhum dos valores lançados, pois: para a DI 07/15547849 (registro em 09/11/2007), o prazo do REPORTO (cinco anos) terminou em 08/11/2012; a contagem da decadência se iniciou em 01/01/2013 e transcorrerá em 31/12/2017. para a DI 08/05558823 (registro em 16/04/2008), o prazo do REPORTO (cinco anos) terminou em 15/04/2013 e para a DI 08/15407151 (registro em 30/09/2008) o prazo do REPORTO (cinco anos) terminou em 29/09/2013; para ambas, a contagem da decadência se iniciou em 01/01/2014 e transcorrerá em 31/12/2018. Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 11050.720169/201686 Acórdão n.º 3201003.017 S3C2T1 Fl. 3 3 Relata a auditoria que o sujeito passivo nunca exerceu a atividade de operador portuário no cais do Estaleiro Rio Grande, local para o qual foi autorizada a utilização dos bens, tendo o seu Certificado de Operador Portuário cancelado em 28/04/2015 através do Processo Administrativo SUPRG 00082904.43/127, em virtude da não adequação da empresa aos regramentos estipulados na Portaria 111 da Secretaria dos Portos. A auditoria considera que ficou caracterizado o intuito de fraude, nos termos do art. 72 da Lei n. 4.502/64, pela tentativa do estaleiro ERG2 de se fazer passar por operador portuário para que as empresas QUIP e ECOVIXEngevix, sendo esta pertencente ao mesmo grupo societário do sujeito passivo, especializadas no ramo de indústria naval e participante de licitações para construção de plataformas de petróleo e outros bens ligados à prospecção da Petrobrás, pudessem fazer uso de equipamentos de alto valor sem suportar o devido ônus dos encargos tributários, o que justifica a imposição da multa de 150% sobre os montantes não recolhidos dos tributos devidos, prevista no art. 44, inciso I e §1º da Lei nº 9.430/96. Regularmente cientificada (fls. 1163/1165), a interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1217/1254), juntando documentos, na qual, em síntese: Alega, preliminarmente, a extinção do crédito tributário pela decadência, visto que a previsão legal que não permite a incidência dos tributos enquanto atendidos os requisitos afigurase como hipótese de isenção condicionada aos requisitos do REPORTO. E tais requisitos (1 importação direta pelo beneficiário; 2 bens destinados ao ativo imobilizado; e 3 bens empregados em serviços descritos nos incisos I a VI) podem ser verificados a qualquer hora pelo fisco, dentro do prazo previsto no artigo 173, do CTN. Por isso, reclama que “não é verdadeira a alegação fiscal no sentido de que os tributos não poderiam ser exigidos durante o prazo do regime. Tanto é verdade que os tributos podem ser exigidos dentro do prazo de 05 (cinco) anos previsto nos §§ 1º e 2º, do citado artigo 14 da Lei 11.033/04, que, por exemplo, foi exatamente isso o que fez a fiscalização nos Processos Administrativos nº 11050.720.153/201673 (ERG2) e 11050.720.159/201641 (ERG1 filial), ou seja, verificou o cumprimento dos requisitos do REPORTO em relação a fatos geradores ocorridos em 2013 e 2014 e, por considerar que foram desatendidos, exigiu o pagamento dos tributos que Fl. 1331DF CARF MF 4 tiveram sua incidência evitada, à época, pela isenção condicionada.” Aduz, assim, que “é justamente porque a fiscalização poderia verificar, desde a data das operações de importação dos bens sob o regime do REPORTO, se as condições exigidas pelo artigo 14 da Lei 11.033/04 foram devidamente cumpridas pela ora Impugnante é que o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional é contado desde o primeiro dia do exercício seguinte ao registro das operações de importação mencionadas neste auto de infração.” Argumenta, portanto, que sendo mencionadas operações de importação realizadas nos anos de 2007 e 2008, o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado a partir de 2008 e 2009, respectivamente, devendo a constituição do crédito tributário ter sido iniciada no máximo até 2013 e 2014. Alega, ademais, que foi de conhecimento público e notório a utilização dos bens importados, tal como “o pórtico guindaste, que fica logo acima do dique seco do Estaleiro Rio Grande, serviu e serve para a movimentação de mercadorias e produtos, carga, descarga e sistema suplementar de apoio operacional, bem como, nesta perspectiva, foi e é utilizado no fomento da atividade naval e portuária. Logo, desde o dia seguinte às importações realizadas ao amparo do REPORTO poderia a fiscalização tributária, acaso assim entendesse, autuar o sujeito passivo.” Argumenta que não existe dispositivo na legislação que dispõe sobre a suspensão do prazo decadencial, restando clara, dessa forma, a ocorrência da decadência no caso concreto, devendo o crédito tributário exigido ser extinto. Alega ausência de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – TDPF, pois o TDPFDiligência (nº 1017700.2015.000618) foi expedido para procedimentos de diligências no CNPJ nº 06.054.101/000202 (ERG1 filial), localizado em endereço distinto do estabelecimento da Impugnante. Aduz que houve o início das investigações antes da existência de qualquer TDPFDiligência, com evidente vício relacionado aos motivos de instauração do procedimento fiscal, impondo a anulação da fiscalização ora combatida. Reclama que a fiscalização foi baseada, indevidamente, em TDPF Diligência, afrontando a prescrição dos artigos 2º e 3º da Portaria RFB 1687/14. Argumenta que as informações obtidas com terceiros não poderiam ser utilizadas, pois foram colhidas com base em TDPFD que não fora expedido em nome de tais pessoas/entidades. Aduz que o Auto de Infração é nulo, porque foi assinado pelo AuditorFiscal Sr. Rodrigo Rosa Pires, que não consta com competência específica outorgada pelo TPDF para o caso. Alega que as necessárias prorrogações no TDPF não foram realizadas, uma vez que não há assinatura da autoridade nas alterações, e não há fundamentação que demonstre a necessidade destas prorrogações. Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 11050.720169/201686 Acórdão n.º 3201003.017 S3C2T1 Fl. 4 5 No mérito, alega que, na data da ocorrência dos fatos geradores, todos os requisitos autorizadores para o aproveitamento do benefício do REPORTO estavam presentes; que o maquinário importado foi empregado exclusivamente em atividade portuária, não havendo que se falar em desvio de finalidade; que o emprego das máquinas pelas pessoas que as utilizam tem amparo legal; que eventual cancelamento do registro de operador portuário não serve como fundamento para a autuação diante do preenchimento integral dos requisitos à época da concessão do REPORTO e, ainda, diante do desenvolvimento da atividade por pessoas qualificadas para tanto. Aduz que a legislação exige unicamente que o importador seja beneficiário do REPORTO e que os bens se destinem ao seu ativo imobilizado, não havendo a exigência que ele mesmo faça uso dos bens importados na atividade portuária. Assim, não há impedimento legal para a locação, especialmente quando a atividade desenvolvida pelo locatário alcança os objetivos pretendidos pela legislação, conforme os contratos firmados, dentro do período fiscalizado, entre a Impugnante e a empresa SAGRES AGENCIAMENTOS MARÍTIMOS LTDA e entre a ECOVIX – ENGEVIX CONSTRUÇÕES OCEÂNICAS S/A e SAGRES AGENCIAMENTOS MARÍTIMOS LTDA, com o objetivo de atuar, desenvolver e fomentar o setor portuário. Observa que o emprego dos equipamentos na movimentação de mercadorias na industrialização realizada é atividade portuária para fins do benefício do REPORTO, pois a atividade de construção naval se relaciona diretamente aos portos e instalações portuárias, ou seja, “é atividade de operação portuária o movimento de materiais de construção naval efetuado nos estaleiros”. Alega que o REPORTO está relacionado à “Política Industrial” visando ao incentivo do setor portuário e alberga as atividades exercidas pela Impugnante como atividade portuária, atingindo o verdadeiro sentido teleológico da norma. E relembra que, à época das importações, detinha habilitação para realização de operações portuárias. Argumenta que não há que se falar em dolo e fraude que possam ensejar a aplicação da multa qualificada de 150%, uma vez que acredita ter cumprido os requisitos legais para a incidência da isenção condicionada criada pelo REPORTO, pelos motivos já expostos. Alega que as multas aplicadas não poderiam ter sido cumuladas, uma vez que apresentam a mesma motivação, pois a multa de 50% sobre o valor aduaneiro também visa a punir a falta de pagamento ou recolhimento de tributos pelo descumprimento dos requisitos e condições para utilização do REPORTO. Pede que, caso se entenda por manter a exigência, devese aplicar apenas a multa de ofício de 75% sobre o valor dos tributos, a mais benéfica ao contribuinte. Fl. 1333DF CARF MF 6 Alega que, para se evitar a anulação do auto de infração, por ofensa ao artigo 150, inciso IV (utilizar multa com efeito de confisco), e aos princípios da razoabilidade, da proibição do excesso e da proporcionalidade, é inevitável a necessidade de redução das multas aplicadas. Diante do exposto, requer seja cancelado o auto de infração, ou, alternativamente, a redução das penalidades ao patamar máximo de 75%." A DRJ considerou procedente a impugnação com a seguinte ementa: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 09/11/2007 a 30/09/2008 REPORTO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO OU CONDIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Em caso de descumprimento de requisito ou condição para utilização do regime aduaneiro especial do REPORTO, o prazo decadencial para o lançamento de ofício para a exigência dos tributos suspensos e penalidades será de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado ou da data da ocorrência da infração, respectivamente." Por ter exonerado crédito tributário, nos termos do art. 1°, da Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008, o Presidente da 7ª Turma de Julgamento da Delegacia de Julgamento de Florianópolis recorre de ofício para apreciação deste colegiado. O recurso atende ao contido na Súmula 103 do CARF a seguir transcrita: "Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância." É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade A decisão de primeira instância não merece reparos. Decaiu a Fazenda Pública do direito de exigir o crédito tributário consignado no presente processo administrativo fiscal. A exigência fiscal referese a falta de recolhimento do Imposto de Importação; Cofins Importação; PISImportação e Reporto – Multa pelo desvio de finalidade. Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 11050.720169/201686 Acórdão n.º 3201003.017 S3C2T1 Fl. 5 7 Da decisão de primeira instância destaco o excerto em que está descrito com exatidão o lapso temporal para a contagem do prazo decadencial: "Para o período de apuração (09/11/2007 a 30/09/2008), a auditoria informou que o sujeito passivo nunca exerceu a atividade de operador portuário no cais do Estaleiro Rio Grande, local para o qual foi autorizada a utilização dos bens, o que, inclusive foi constatado no Processo Administrativo SUPRG 00082904.43/127, que culminou com o cancelamento de seu Certificado de Operador Portuário, em 28/04/2015, em virtude da não adequação da empresa aos regramentos estipulados na Portaria 111 da Secretaria dos Portos. E, conforme o Relatório Fiscal (fls. 25/105), a constatação de desvio de finalidade na utilização dos bens importados ficou evidente quando estes foram cedidos à empresa QUIP (de out/ 2009 até out/2013) e, posteriormente, à ECOVIX–Engevix (a partir de mar/2011), para serem utilizados na industrialização de plataformas de petróleo e naviossonda. Assim, não havia nenhum impedimento para que o fisco efetuasse o lançamento de imediato à ocorrência dos fatos narrados no relatório fiscal, que, como informa a contribuinte, eram públicos e notórios na região, inclusive com a apresentação de vídeos na internet, nos quais se baseou a fiscalização para apontar a infração constatada. Não obstante, ainda que os fatos não fossem amplamente divulgados, caberia à fiscalização diligenciar frequentemente no estabelecimento da impugnante para verificar o cumprimento das condições e requisitos impostos pelo REPORTO. Desta forma, conforme legislação já especificada, verifico que o lançamento do crédito tributário, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 18/03/2016, foi realizado após expirado o prazo decadencial que é, no caso em concreto, para os tributos suspensos, de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (termos iniciais da contagem em 01/01/2008 e 01/01/2009), e, para as penalidades, de cinco anos a contar da data da infração. Ainda que se considerasse, como a data da ocorrência da infração relativa ao desvio de finalidade na utilização dos bens importados, quando estes foram cedidos à empresa QUIP (out/ 2009), para serem utilizados na industrialização de plataformas de petróleo e naviossonda, o crédito tributário relativo à multa de 50% também estaria decadente a partir de outubro/2014." Entendo que no caso em apreço, tem aplicação a regra encartada no art. 173, inc. I do CTN c/c os arts. 138 e 139 do DecretoLei nº 37, de 1966, e artigos 668 e 669 Decreto n° 4.543, de 2002 (Regulamento Aduaneiro/2002 vigente à época dos fatos), a seguir transcritos: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" "Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 1335DF CARF MF 8 Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contar seá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração." Art.668.O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (Decretolei no 37, de 1966, art. 138, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 4o, e Lei no 5.172, de 1966, art. 173): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139)." Como visto, os fatos tributáveis ocorreram no período compreendido entre 09/11/2007 a 30/09/2008, portanto, a contagem para o prazo decadencial teve início, respectivamente, em 01/01/2008 e 01/01/2009 e marco final para 01/01/2013 e 01/01/2014. Em razão de os autos de infração terem sido lavrados em 08/03/2016 e a ciência do contribuinte ter ocorrido em 18/03/2016, constatase que o prazo quinquenal se exauriu muito antes, o que implica na decadência do lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício em razão da decadência havida. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000482/2010-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-003.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinatura digital)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinatura digital)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s :
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15940.000482/2010-35
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771624
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.042
nome_arquivo_s : Decisao_15940000482201035.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIS FLAVIO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 15940000482201035_5771624.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6937283
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466128302080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1471; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 341 1 340 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15940.000482/201035 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.042 – 1ª Turma Sessão de 10 de agosto de 2017 Matéria Exigência concomitante de multa isolada e de ofício. Recorrente ALTA PAULISTA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Interessado UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF 105. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinatura digital) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 04 82 /2 01 0- 35 Fl. 341DF CARF MF 2 Tratase de recurso especial interposto por ALTA PAULISTA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (doravante “contribuinte” ou “recorrente”), em face do acórdão n. 130200.792 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 2a Turma Ordinária, 3a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O recurso especial interposto pelo contribuinte versou sobre i) nulidade pelo não enfrentamento de todos os argumentos abordados na defesa; ii) nulidade por cerceamento ao direito de defesa; e iii) não aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício, no ano calendário de 2006. No entanto, o referido recurso especial foi admitido apenas parcialmente (efls. 327 e seg.), em relação à terceira matéria (não aplicação concomitante de multa isolada e multa de ofício). Referida decisão foi confirmada em sede de reexame de admissibilidade (efls. 330 e seg.). A PFN apresentou contrarrazões ao recurso especial (efls. 335 e seg.), pugnando pela sua improcedência. Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Em seu recurso especial, a recorrente apresentou analiticamente argumentos para a demonstração de divergência jurisprudencial, cumprindo com o que requer o art. 67 do RICARF. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos de admissibilidade do recurso especial do contribuinte, concluindo corretamente quanto à legitimidade de seu integral conhecimento. O caso tem como objeto a exigência cumulativa de multa de ofício e de multa isolada pelo não pagamento de estimativas mensais, no anocalendário de 2006, compreendendo, portanto, período anterior à vigência da Lei n. 11.488/2007, para o qual é pacífica a incidência da Súmula n. 105 do CARF: “A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Nesse cenário, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 342DF CARF MF Processo nº 15940.000482/201035 Acórdão n.º 9101003.042 CSRFT1 Fl. 342 3 Fl. 343DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.906832/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.915
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10183.906832/2011-55
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5756533
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-000.915
nome_arquivo_s : Decisao_10183906832201155.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10183906832201155_5756533.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6884706
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466132496384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.906832/201155 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.915 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente RODOBENS MÁQUINAS AGRÍCOLAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 83 2/ 20 11 -5 5 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10183.906832/201155 Resolução nº 3201000.915 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10183.906832/201155 Resolução nº 3201000.915 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10183.906832/201155 Resolução nº 3201000.915 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10183.906832/201155 Resolução nº 3201000.915 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.729590/2014-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA
LEGALIDADE.
As DRJ não são competentes para se pronunciarem sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM
NÃO COMPROVADA.
A lei tributária presume constituírem omissão de receitas os recursos creditados em conta bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem, mediante documentação hábil e idônea.
Os resgates de aplicações financeiras e as transferências de outras contas da mesma pessoa jurídica devem ser excluídos da autuação.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
As ponderações expressas para o IRPJ estendem-se às contribuições de CSLL, PIS e COFINS devido à identidade das causas.
Impugnação Procedente em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 1201-001.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Luis Henrique, que votou pela anulação da decisão de primeira instância.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Paulo Jorge Gomes - Relator
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIZ PAULO JORGE GOMES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. As DRJ não são competentes para se pronunciarem sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei tributária presume constituírem omissão de receitas os recursos creditados em conta bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem, mediante documentação hábil e idônea. Os resgates de aplicações financeiras e as transferências de outras contas da mesma pessoa jurídica devem ser excluídos da autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As ponderações expressas para o IRPJ estendem-se às contribuições de CSLL, PIS e COFINS devido à identidade das causas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10120.729590/2014-57
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5766606
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.595
nome_arquivo_s : Decisao_10120729590201457.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ PAULO JORGE GOMES
nome_arquivo_pdf_s : 10120729590201457_5766606.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Luis Henrique, que votou pela anulação da decisão de primeira instância. (documento assinado digitalmente) Luiz Paulo Jorge Gomes - Relator (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
id : 6922399
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466141933568
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-03-31T14:44:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-03-31T14:44:44Z; Last-Modified: 2017-03-31T14:44:44Z; dcterms:modified: 2017-03-31T14:44:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:8434a681-45d7-4d04-a1b9-d6d3d65292e8; Last-Save-Date: 2017-03-31T14:44:44Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-03-31T14:44:44Z; meta:save-date: 2017-03-31T14:44:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-03-31T14:44:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-03-31T14:44:44Z; created: 2017-03-31T14:44:44Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2017-03-31T14:44:44Z; pdf:charsPerPage: 1382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-03-31T14:44:44Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 4.635 1 4.634 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.729590/201457 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.595 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de março de 2017 Matéria IRPJ Recorrente B C EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. As DRJ não são competentes para se pronunciarem sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei tributária presume constituírem omissão de receitas os recursos creditados em conta bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem, mediante documentação hábil e idônea. Os resgates de aplicações financeiras e as transferências de outras contas da mesma pessoa jurídica devem ser excluídos da autuação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As ponderações expressas para o IRPJ estendemse às contribuições de CSLL, PIS e COFINS devido à identidade das causas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 95 90 /2 01 4- 57 Fl. 14480DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.636 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Luis Henrique, que votou pela anulação da decisão de primeira instância. (documento assinado digitalmente) Luiz Paulo Jorge Gomes Relator (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida –Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães. Fl. 14481DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.637 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão nº 1056.043 1ª Turma da DRJ/POA que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento para excluir da autuação os resgates de aplicações financeiras e as transferências de outras contas da mesma pessoa jurídica reduzindo os tributos lançados para os seguintes valores: Transcrevo abaixo partes do Relatório do Acórdão Recorrido, que bem descreve os fatos ocorridos no feito: A DRF em Goiânia (GO) lavrou autos de infração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS/Pasep (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), cujo montante de tributos e consectários exigidos perfaz R$ 15.787.562,43. Os fatos geradores correspondentes às autuações ocorreram em 2010 e 2011. Para esses períodos, a autuada optou pela tributação baseada no lucro presumido. Os lançamentos realizados decorrem da presunção de omissão de receitas por depósitos bancários, baseada no art. 42 da Lei 9.430/96. Para tanto, diz o relatório fiscal que a contribuinte foi intimada a justificar a origem de créditos realizados em contas de depósitos de cinco contas mantidas no Banco Bradesco, identificadas pelos números 17.1638, 17.1670, 17.1697, 17.170 0 e 17.1719 e, após análise da fiscalização, a mesma concluiu pela não convalidação das razões apresentadas motivada pelos seguintes fatos: 1. Em relação às liquidações de cobrança: a) Foram utilizadas notas fiscais de uma empresa distinta para justificar a origem de depósitos em conta que seria de outra empresa. Fl. 14482DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.638 4 b) Os valores das notas fiscais não convergem com os dos depósitos. c) Os demonstrativos apresentados (“protocolos de recebimento de documentação”) teriam sido elaborados de forma artificial, com amparo em múltiplas notas fiscais, cujos totais se aproximavam do valor dos depósitos, mas carecendo de ajustes, como descontos concedidos, pagamentos parcelados, acréscimos por atrasos, etc. d) Os pagamentos parciais não correspondem aos dados das notas fiscais, considerando datas e valores das parcelas. 2. Em relação a antecipações, empréstimos e outras justificativas: e) Não foram apresentados documentos para comprovar os fatos contábeis. f) Empréstimos formalizados entre outras empresas não foram comprovados pela apresentação de documentos. g) Nenhum documento vinculado à conta corrente 12.1056 foi apresentado para justificar origem de crédito dela oriundo. h) As informações apresentadas sobre origem de depósitos não foram acompanhadas de documentação compatível. Desta forma, a fiscalização considerou que os créditos em conta bancária cuja origem não teria sido justificada constituiriam omissão de receitas. Destacou que os prazos concedidos à fiscalizada para apresentação de documentos foram suficientes e que as contas eram movimentadas por seus sócios, mediante emissão de cheques, transferências, pagamentos, etc. A interessada foi cientificada dos autos de infração em 28/11/14 e apresentou impugnação em 15/12/14. Apreciada a impugnação, após afastadas as questões relacionadas a inconstitucionalidade de lei tributária, o lançamento foi mantido em completa e muito bem detalhada fundamentação, em parte sob fundamento de que a lei tributária presume constituírem omissão de receitas os recursos creditados em conta bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem, mediante documentação hábil e idônea. No que se refere aos resgates de aplicações financeiras e as transferências de outras contas da mesma pessoa jurídica determinou a suas exclusões da autuação e enquanto à tributação reflexa, restou consignado que as ponderações expressas para o IRPJ estendemse às contribuições de CSLL, PIS e COFINS devido à identidade das causas. A Recorrente foi intimada da decisão e interpôs Recurso Voluntário, reiterando em suma os argumentos já apresentados por ocasião de sua impugnação, inovando apenas no que se refere a inclusão de um pedido no qual requereu que mantida a exigência fiscal, fosse determinada a aplicação dos percentuais de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) sobre a omissão de receita apurada para o IRPJ e a CSLL. Adotadas as providências, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 14483DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.639 5 Voto Luiz Paulo Jorge Gomes – Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Da Preliminar. Há se analisar preliminar posta pela recorrente no que se refere a não análise de provas trazidas por essa quando do oferecimento da sua impugnação em vista de alegada preclusão por parte da decisão recorrida. Neste sentido, a questão que se coloca em debate – a qual já foi objeto de discussão por essa Turma , é se a recorrente – titular das contas de depósitos bancárias – pode apresentar no momento da impugnação prova da origem dos créditos, visando a afastar sua imputação como sujeito passivo da obrigação tributária ou, ainda, infirmar parte do lançamento por enquadramento tributário irregular (infração originalmente baseada na presunção de omissão de receitas que passa a ter suporte em omissão de receitas não oferecidas à tributação). Para tanto, insta observar que a defendente juntou novos documentos com a apresentação da sua impugnação, antes não fornecidos à fiscalização. Entre eles, destacamse demonstrativos contábeis das empresas EBPL e Goiás, além de extratos de cobrança, vinculados à conta 17.1670, que de certa forma se contrapõem com as conclusões alicerçadas pela fiscalização, no sentido de que os demonstrativos apresentados por ela para justificar créditos de cobrança teriam sido totalizados artificialmente, com notas fiscais de empresas distintas, valores de notas fiscais divergentes em relação ao valor dos depósitos, sendo necessários ajustes, como descontos, pagamentos parciais, etc. A esse propósito, a decisão recorrida contextualizou a referida situação com aquela relativa ao arbitramento do lucro, cujo entendimento está consagrado no sentido de que a apresentação de livros e documentos posteriormente ao lançamento não invalida a tributação sob a sistemática do lucro arbitrado, cuja solução, inclusive, já está sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Aqui há de vingar entendimento semelhante. Não obstante ter plena convicção e defender reiteradamente a busca da verdade material, através da exaustão do pleno direito de defesa, somente alcançado com os princípios do contraditório e ampla defesa usufruídos em sua natureza material, observo que analisando o presente caso, se constata de forma bastante cristalina que a fiscalização requisitou insistentemente os documentos comprobatórios da origem dos créditos vinculados às diversas contas, inclusive os borderôs de cobrança, sendo que a recorrente, embora instada por diversas vezes a apresentar, se esquivou durante todo o procedimento fiscal, para fazêlo somente depois de autuada. Fl. 14484DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.640 6 Advertese: Sequer a recorrente se manifestou em qualquer momento da fiscalização requerendo prazo adicional para diligenciar a respeito da busca dos referidos documentos. Imperou inexoravelmente o seu silêncio a esse respeito. Desta forma, caso a fiscalizada tivesse oferecido os extratos de cobrança durante o procedimento fiscal, a fiscalização até poderia ter tomado novo rumo, verificando e/ou providenciando a tributação das receitas, consoante o estabelecido nos §§ 2º e 5º do art. 42 da Lei 9.430/96. Entretanto, ainda sim, se depois dos procedimentos previstos no parágrafo, fosse comprovado “caixa dois” de terceiros, a responsabilidade tributária até poderia se estender à própria autuada, por solidariedade, considerando potencial interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN). O certo é que o expediente utilizado pela contribuinte impediu que fosse seguido outro caminho. Por isso, há que se considerar precluso o direito de consideração das novas provas apresentadas, para afastar a responsabilidade tributária da impugnante ou para desconsiderar o suporte da autuação, baseado em presunção. Enfrentadas as preliminares, penso que da mesma forma, a decisão recorrida não merece reparos em relação ao mérito. Já está pacificado nesse Conselho que o lançamento baseado no art. 42, da Lei nº 9.430/96, e que é legítimo o lançamento com base na presunção legal por ele instituída, desde que seguidos os procedimentos impostos no dispositivo: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n. 9.430, de 1996).(CARF. 2ª Seção. 2ª Câmara. 2ª Turma Ordinária. Ac. 2202002.207.Rel. Rafael Pandolfo. Julg. 12/03/13) A esse respeito, a recorrente juntou com a impugnação cinco quadros demonstrativos com justificativas individualizadas para os créditos nas contas de depósito (fls. 14026/14115), procurando demonstrar que muitos valores foram depositados nas contas pela própria empresa para quem prestava serviços ou por terceiros, por sua conta e ordem. Neles estão registradas as indicações das folhas de localização dos documentos (basicamente extratos bancários e livro razão), os quais – diz a recorrente – comprovariam a origem dos créditos. Nesse ínterim, importante se faz observar que somente é possível aceitar extratos bancários como prova exclusiva contrária à presunção do art. 42 da Lei 9.430/96 se os históricos dos lançamentos revelarem, com precisão: (a) a origem dos créditos, (b) se os valores têm outra natureza que não a de receita e/ou (c) se receitas/lucros não forem tributáveis ou já tiverem sido submetidos à tributação. O que se visualiza na decisão ora recorrida é que a mesma analisou exaustivamente a respectiva movimentação de valores, cotejando se a mesma era resultante da transferência entre contas do mesmo titular e/ou de origem comprovada, demonstrando em Fl. 14485DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.641 7 quadros específicos toda essa conferência, não havendo que se considerar, entretanto, lançamentos carecedores de uma precisa identificação. Ao seu turno, a recorrente demonstrando completo esforço dos seus patronos em demonstrar a insubsistência do trabalho fiscal apenas e tão somente aduz que os valores estariam demonstrados em seus extratos, sem contudo cotejar com precisão os respectivos valores. A esse respeito, a recorrente juntou com a impugnação cinco quadros demonstrativos com justificativas individualizadas para os créditos nas contas de depósito (fls. 14026/14115), procurando demonstrar que muitos valores foram depositados nas contas pela própria empresa para quem prestava serviços ou por terceiros, por sua conta e ordem. Neles estão registradas as indicações das folhas de localização dos documentos (basicamente extratos bancários e livro razão), os quais – diz a autuada – comprovariam a origem dos créditos. Para tanto, na bem proferida decisão de primeira instância, no que se refere a conta 17.1670, há um crédito de R$ 28.000,00, realizado em 8/4/10, que seria o único em relação ao qual a recorrente não justifica como sendo resultante de liquidação de cobrança (fl. 162). O quadro demonstrativo nº 1, agregado à defesa (doc. 8 – fls. 14026/14061), informa que o evento resultaria de transferência da conta 17.1719 (fls. 2339, 12078/12079 e 14027). Neste caso, entendeu a decisão recorrida que a conjugação dos dois extratos é inequívoca, inclusive pela indicação do número do documento (1429310), para convalidar a transferência entre contas de mesmo titular (fl. 240), determinando então a exclusão do referido valor das bases tributárias, tendo em vista que o § 3º, I, do art. 42 da Lei 9.430/96 consagra que não sejam consideradas as transferências de outras contas da própria pessoa jurídica. Relativamente as contas 17.1697, 17.1700 e 17.1719, a decisão recorrida também apurou a existência de créditos cujas origens são débitos de outras contas da titular. Neste sentido, realizou detalhados quadros demonstrativos em que apontou as ocorrências identificadas, bem como um caso de resgate de aplicação financeira, cujos valores também foram objeto de exclusão das bases de cálculo dos tributos lançados. Fl. 14486DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.642 8 Fl. 14487DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.643 9 Fl. 14488DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.644 10 Assim, conforme se verifica, a acertada decisão recorrida, sempre que teve oportunidade de confrontar a documentação apresentada com os lançamentos efetuados, fez detido cotejo, excluindo das bases de cálculo dos tributos lançados tudo aquilo que assim demonstrava pertinencialidade. Entretanto, não carecedores de exclusão se encontram os demais valores que, por exemplo, têm como supedâneo apenas e tão somente os extratos bancários, ainda que agregados a informações do livro razão, pois são insuficientes para reverter a prova estabelecida pela presunção legal. Ainda, é de ressaltar que a recorrente tenta transmudar a natureza jurídica de instrumentos jurídicos distintos: Através da formalização de contratos de mútuo, aduz que na verdade se tratam de prestação de serviços de gestão financeira, o que em tese teria o condão de dar respaldo a movimentação entre contas. Para tanto, não é demais ressaltar que referidos contratos de mútuo foram elaboradas entre empresas relacionadas, constatando referido fato através da contabilidade das empresas Goiás e EBPL (fls. 14143 e 14193), onde se verifica que as mesmas são explícitas ao considerar a recorrente como integrante do mesmo grupo empresarial, registrando empréstimos para a BC Empreendimentos no passivo circulante, em um grupo de contas reservado a “controladora, controladas e coligadas”. Não bastasse a natureza jurídica distintas entre o contrato formalizado (mútuo) e aquilo que alega a recorrente (gestão financeira), ainda assim os contratos de prestação de serviços não basta para dar guarida a todos os créditos, pois representam justificativa genérica. Ademais, há impropriedades contidas nesses instrumentos contratuais. Fl. 14489DF CARF MF Processo nº 10120.729590/201457 Acórdão n.º 1201001.595 S1C2T1 Fl. 4.645 11 A operacionalização das contas bancárias opõese ao propósito defendido pela autuada. Eis algumas constatações: na conta 17.1670 (supostamente vinculada a negócios da Goiás), a contribuinte justifica créditos de cobrança com títulos da EBPL, enquanto na conta 17.1697 (vinculada à EBPL), com títulos da Goiás; a conta da 17.1719 (vinculada à Goiás) contém transferências não justificadas para contas atribuídas à EBPL e à R de Arruda; numerosa e expressiva quantidade de débitos na conta 17.1700 (atribuída à R de Arruda) é curiosamente destinada a Pedro Daniel Bittar Júnior, componente da família detentora do grupo Geo; a mesma conta apresenta créditos sequenciais não fundamentados de uma terceira empresa no primeiro semestre de 2010, a Socata Com. e Ind. de Sucatas Ltda. (Socata). Ora, se as contas tinham o propósito de gerenciar os recursos financeiros das empresas tomadoras dos serviços, é razoável que nelas constassem apenas valores pertinentes à empresa específica. Eventual utilização para negócios de terceiros mereceria comprovação especial, com demonstração de motivos e do fluxo financeiro. Por fim, no que se refere à inovação de pedido no tocante a aplicação dos percentuais de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento) sobre a omissão de receita apurada para o IRPJ e a CSLL, sem ambages de também não merecer acolhimento, tendo em vista o próprio raciocínio desenvolvido pela recorrente em toda sua linha de argumentação, no sentido de que efetivamente o objeto desenvolvido pela recorrente era de prestação de serviços, desenvolvida sob a modalidade de lucro presumido, alcançando, desta forma, para fins de IRPJ e CSLL, o percentual de 32% (trinta e dois por cento), deixo de analisála pelo motivo de que a mesma não foi objeto de análise por parte da decisão recorrida, o que, ao analisar, ensejaria supressão de instância de julgamento. Assim, mantenho incólume o entendimento exarado no Acórdão da DRJ. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luiz Paulo Jorge Gomes – Relator Fl. 14490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.720091/2013-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.321
Decisão: Vistos relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11131.720091/2013-57
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5750986
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-000.321
nome_arquivo_s : Decisao_11131720091201357.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
nome_arquivo_pdf_s : 11131720091201357_5750986.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6877682
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:04:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466147176448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1027; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.072 1 2.071 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.720091/201357 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.321 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de abril de 2017 Assunto INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA Recorrente TECNO INDUSTRIA E COMERCIO DE COMPUTADORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram presente julgado. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram do julgamento os conselheiros José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Valcir Gassen. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 31 .7 20 09 1/ 20 13 -5 7 Fl. 2072DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Resolução nº 3301000.321 S3C3T1 Fl. 2.073 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 23/01/2013, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro e multa regulamentar, no valor de R$ 222.286,64, em virtude dos fatos a seguir escritos. As placas de microprocessadores importadas ao amparo das Declarações de Importação arroladas no presente Auto de Infração foram classificadas pelo importador no código NCM 8542.31.20 da Tarifa Externa Comum do MERCOSUL (TEC). Entretanto, a fiscalização apurou que a correta classificação tributária das mercadorias importadas seria no código NCM 8473.30.43 da TEC. A importação de mercadorias classificadas em desconformidade com as regras do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias é infração aduaneira a qual cabe a aplicação das presentes multas. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 28/01/2013 (fls. 1.882), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 26/02/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 1.885 à 1.909, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou resumidamente que: O objeto social da empresa é a industrialização e comercialização de equipamentos de informática; Para a industrialização de equipamentos importa parte dos insumos, dentre eles os microprocessadores; A impugnação atende as determinações do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72; ⊙ DA INDEVIDA ALTERNÂNCIA DE CRITÉRIO JURÍDICO A classificação das placas de microprocessadoras na classificação tributária no código NCM 8542.31.20 ou 8542.31.90, ocorreu até dezembro de 2009, sem problema algum; Ocorre que na Solução de Consulta n° 4 da Receita Federal no Estado de Minas Gerais, definiu que os Processadores utilizados em computadores que possuam sistema de dissipação de calor são classificados no código NCM 8473.30.43 e aqueles que não possuam ou não tenham sido importados em conjunto com tal sistema deveriam se classificar no código NCM 8473.30.49. Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Resolução nº 3301000.321 S3C3T1 Fl. 2.074 3 Somente a partir de 01 de janeiro de 2011, com a publicação da Resolução CAMEX n° 47/2010, foi alterado o texto da NCM 8473.30.43, os processadores com ou sem dissipador de calor passam a ser classificados nesta NCM. No período compreendido entre 01/01/2008 a 30/11/201 não cabe à Receita Federal imputar aos contribuintes nenhuma cobrança de multa em decorrência da utilização do NCM 8542.31.20. No período, compreendido entre 01/01/2011 a 30/11/2011, quando já estava em vigor os ditames da Resolução CAMEX n° 47/2010, onde foi alterado o texto da NCM 8473.30.43 e os processadores com ou sem dissipador de calor passam a ser classificados nesta NCM, a Receita Federal manteve a liberação das Declarações de Importação da impugnante no ato do desembaraço aduaneiro; A mudança de critério jurídico empregada na classificação tributária de um produto após o seu desembaraço aduaneiro não permite a revisão de lançamento; Transcreve a súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos; Junta textos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça; Transcreve os artigos 145 e 149 do Código Tributário Nacional; ⊙ DA APLICAÇÃO INDEVIDA DA PENALIDADE DE PERDIMENTO DE MERCADORIA. Na alegada descrição de erro no preenchimento da invoice no tocante ao peso, quem incorre em erro é a Auditora da Receita Federal, visto que o peso unitário dos produtos indicados nas invoices, de 318 gramas e 385 gramas, estão corretos, bem como a descrição dos ditos produtos. Consumidores finais de processadores tornamse apenas um pequeno segmento da cadeia de clientes destes fabricantes (Intel e AMD). No entanto, empresas de varejo como a IBYTE/Cecomil dentre outras se esforçam para atender a demanda de consumidores que montam ou atualizam seus próprios computadores,. fornecendo versões encaixotadas (daí vem o termo "BOX"), utilizado na descrição das declarações de importação registradas dos processadores que vêm acoplados a um cooler (microventiladot). Já "quando comprados para a produção em massa de os processadores vem em bandejas (daí vem o termo “Tray") que geralmente vem em lotes de 10/ constando somente o processador em cooler. Nestes casos em que os processadores são comprados em bandejas, o peso liquido unitário do i tem è em torno de 24,5gramas e o mesmo na, caixa junto com o cooler (box) tem em média 345,98gramas, ou seja, uma diferença de 14 vezes menor do item em bandeja dò que quando comprado em caixas. Esta diferença devese a inclusão do cooler nas caixas (box)/fazendo com que o peso liquido unitário seja maior. A Auditora da Receita Federal não pode considerar invoices corretas como inidôneas, pelo simples fato de não conhecer os produtos que estão sendo importados, pois a Fl. 2074DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Resolução nº 3301000.321 S3C3T1 Fl. 2.075 4 terminologia e o peso indicados pela Impugnante nas Declarações de Importação constam do site da INTEL. Outro ponto a ser aclaro é o fato de a Impugnante ter identificado na Declaração de Importação n° 11/07141186, como fabricante a empresa HEWLETT PACKARD HP, pois essa identificação devese ao fato de que na PREFATURA emitida pela TECH DATA, consta como empresa HP, então a Impugnante fez o que estava obrigada a fazer, ou seja, emitiu a Declaração de Importação nos mesmos termos da PREFATURA, com as mesmas identificações. Junta textos da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ⊙ DO PEDIDO Diante do exposto, dos documentos aqui acostados, bem como a legislação vigente requer de Vossa Senhoria se digne julgar pela IMPROCEDENCIA do Auto de Infração advindo do MPF n° 0317600/00006/13, sendo anulado o valor nele cobrado, visto que o mesmo não se coaduna com a legislação e jurisprudência vigente no país. A DRJ/São Paulo considerou improcedente a impugnação com a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/01/2009 Placas de microprocessadores classificadas pelo importador no código NCM 8542.31.20. Sendo os processadores importados, placas de microprocessadores, constituídas por um ou mais circuitos impressos montados com componentes eletrônicos, com destinação específica para máquinas automáticas de processamento de dados, nos temos da Regra Geral Interpretativa n° 1 (RGI1) c/c a Nota Explicativa da posição 8534 e a Nota 2 da Seção XVI do Sistema Harmonizado (SH), classificamse na posição tarifária 8473 da Tarifa Externa Comum do MERCOSUL. Em momento alguma a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos. Toda a ação fiscal se baseia em erro de fato atribuído ao importador que elegeu uma classificação fiscal indevida. Instrução de Declaração de Importação com fatura comercial falsa. Irregularidade punível com a pena de perdimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte apresentou recurso voluntário onde repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Resolução nº 3301000.321 S3C3T1 Fl. 2.076 5 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Preliminarmente, cumpre destacar que há uma questão processual a ser analisada. Há dúvida se o recurso voluntário é tempestivo. O Aviso de Recebimento dos Correios em que consta a ciência da contribuinte do Acórdão da DRJ/São Paulo que indeferiu a impugnação está na fl. 2036 do processo digital. Neste documento consta um carimbo com a data de 08/05/2015, um outro carimbo parcialmente ilegível e a assinatura do recebedor, com a data escrita à mão de 14/05/2015. Na fl. 2032 do processo digital, há um Termo de Perempção emitido pela Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Fortaleza, onde consta que o prazo para a apresentação do recurso voluntário se esgotou. Na fl. 2033 do processo digital, há uma Carta Cobrança enviada para a contribuinte com os débitos constantes do processo. Posteriormente, em fls. de 2037 a 2069, há o recurso voluntário, em que a contribuinte alega que tal recurso voluntário é tempestivo. O prazo de 30 dias que dispõe o sujeito passivo para formalizar sua contestação, está previsto no artigo 33, caput, do Decreto n° 70.235/72, abaixo transcrito: Art. 33. Da decisão de primeira instância caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifo nosso) O prazo de que trata o dispositivo acima referenciado, além de peremptório, ou seja, improrrogável, é também preclusivo, tendo, portanto, natureza decadencial, posto que findo o mesmo não mais se torna possível a prática de atos posteriores. Entretanto, entendo que há dúvida razoável quanto a data em que a contribuinte efetivamente recebeu o acórdão de 1ª instância. Se por um lado há o Termo de Perempção indicando que o prazo para a interposição do recurso voluntário se esgotou, por outro lado há um carimbo de recebimento parcialmente ilegível e uma assinatura de recebimento com a data de 14/05/2015, o que tornaria o recurso voluntário apresentado em 11/06/2015 tempestivo. Conclusão: Portanto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem, informe, com base nos documentos e provas constantes do processo, qual a efetiva data de recebimento pela contribuinte, do acórdão de 1ª instância. Fl. 2076DF CARF MF Processo nº 11131.720091/201357 Resolução nº 3301000.321 S3C3T1 Fl. 2.077 6 assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 2077DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000010/2008-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF.
Numero da decisão: 9303-005.570
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS-PRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10283.000010/2008-35
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5770180
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.570
nome_arquivo_s : Decisao_10283000010200835.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10283000010200835_5770180.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6934068
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466153467904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1817; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.000010/200835 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.570 – 3ª Turma Sessão de 16 de agosto de 2017 Matéria IPI. SALDO CREDOR BÁSICO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO Recorrente CEMAZ INDÚSTRIA ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIAS PRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 00 10 /2 00 8- 35 Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10283.000010/200835 Acórdão n.º 9303005.570 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial (fls. e244 a 250) interposto pelo sujeito passivo com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do acórdão nº 330100.665, de 27 de agosto de 2010, fls. e234 a 240, cuja ementa abaixo transcrevo: Assinto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PRINCIPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. No direito constitucional positivo vigente, o principio da não cumulatividade garante aos contribuintes apenas e tãosomente o direito ao crédito do imposto que for pago nas operações anteriores para abatimento com o IPI devido nas posteriores. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS BÁSICOS. LEI N° 9.779/99. O art. 11 da Lei n° 9.779/99 autoriza tão somente utilização de créditos de IPI decorrentes de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero. DIREITO DE CRÉDITO DE INSUMO ISENTO. INEXISTÊNCIA As aquisições de insumos isentos não geram crédito de IPI. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu beneficio. Recurso Voluntário Negado Em rápida síntese, cuidase de pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI acumulado no 3° trimestre de 2003, composto por créditos fictos, escriturados na entrada de insumos adquiridos com a isenção prevista nos arts. 3° e 4° do Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967. O pleito foi fundamentado no princípio constitucional da não cumulatividade e no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O Acórdão recorrido assentou que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem isentos do imposto não geram crédito de IPI. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10283.000010/200835 Acórdão n.º 9303005.570 CSRFT3 Fl. 4 3 O contribuinte suscita divergência jurisprudencial quanto ao direito dos estabelecimentos industriais situados na Zona Franca de Manaus de tomarem crédito do IPI na entrada de insumos isentos. O recurso foi admitido pelo Despacho s/nº 3ª Câmara, de 2 de dezembro de 2015, fls. e323 a 326. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. e328 a 339), insistindo na tese de que os arts. 153, § 3o, inc. II, da Constituição da República Federativa do Brasil – CF/88, e 49 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) – CTN, não amparam a pretensão do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. A matéria não é nova nesta instância. Vejase, por exemplo, o que foi decidido no Acórdão nº 9303003.287, de 24 de março de 2015: Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Com o devido respeito ao relator original, discordo de seu entendimento quanto ao direito de crédito em relação às aquisições de insumos isentos, mesmo na hipótese dos autos, que trata de estabelecimento industrial situado na Zona Franca de Manaus. A questão do direito de crédito básico do IPI nas aquisições de insumos isentos é por demais conhecida, tendo sido tratada nesta instância em julgamento formalizado no Acórdão 930302.007, de 13/06/2012, do qual fui relator. Transcrevo parte daquele julgado, por aplicarse à solução da presente lide: "A solução do litígio resumese em determinar se os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados têm direito a ressarcimento de créditos de IPI referente à aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem acobertados por isenção desse tributo. A controvérsia tem como "pano de fundo" a interpretação do principio da nãocumulatividade do imposto. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de os contribuintes abaterem do imposto devido nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial o Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10283.000010/200835 Acórdão n.º 9303005.570 CSRFT3 Fl. 5 4 valor do IPI que incidira na operação anterior, isto é. o direito de compensar o imposto que lhe foi cobrado na aquisição dos insumos (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) com o devido referente aos fatos geradores decorrentes das saídas de produtos tributados de seu estabelecimento. A Constituição Federal de 1988. reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal principio está insculpido no art. 153. § 3o, inc. II verbis: Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3o O imposto previsto no inc. IV: (...) II será nâocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (grifo não constante do original) Para atender à Constituição, o C.T.N. dá, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse principio e remete à lei a forma dessa implementação. Art. 49. O imposto é nâocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que. regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas observações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que. se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82. posteriormente no art. 146 do Decreto 2.637/1998, é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero. ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O principio da nãocumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei 4.502/64. reproduzida pelo art. 82. inc. I do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 147. inc. I do RIPI/1998 c/c art. 174. inc. I. alínea "a" do Decreto 2.637/1998. a seguir transcrito: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10283.000010/200835 Acórdão n.º 9303005.570 CSRFT3 Fl. 6 5 Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto as de alíquota zero e os isentos, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que. embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, (grifo não constante do original) De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem não foram onerados pela IPI, pois não há o que compensar, vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Vejase que esse dispositivo legal confere o direito do imposto (cobrado) relativo aos insumos utilizados em produtos tributados. A premissa básica da não cumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é laxativo em garantir a compensação da imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima em virtude de isenção, não há falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade. É de notarse que a tribulação do IPI, no que tange a nãocumulatividade, está centrada na sistemática conhecida como "Imposto contra imposto” (imposto pago na entrada contra imposto devido a ser pago na saída e não na denominada "base contra base". (base de cálculo da entrada contra base de cálculo da saída) como pretende a reclamante. Esta sistemática (base contra base) é adotada, geralmente, em países nos quais a tributação dos produtos industrializados e de seus insumos são onerados pela mesma alíquota, o que, absolutamente, não é a caso do Brasil, onde as alíquotas variam de 0 a 330%. Havendo coincidência de alíquotas em toda o processo produtivo, a utilização desse sistema de base contra base caracteriza a tributação sobre o valor agregado, pois em cada etapa do processo produtivo a exação fiscal corresponde exatamente a da parcela agregada. Assim, se a alíquota é de 5% por exemplo, o sujeito passivo terá de recolher o valor correspondente à incidência desse percentual sobre a montante par ele agregado. Isso já não ocorre quando há diferenciação de alíquotas na cadeia produtiva, pois essa diferenciação descaracteriza, por completo, a chamada tributação do valor agregado, vez que a exação efetiva de cada etapa depende da oneração fiscal da antecedente, isto é, quanto maior for a exação do IPI incidente sobre os insumos menor será o ônus efetivo desse tributo sobre o produto deles resultantes. O inverso também é verdadeiro, havendo diferenciação de alíquotas nas várias fases da processo produtivo, quanto menor for a taxação sobre as entradas (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) maior será o ônus fiscal sabre as saídas (produto industrializado). Exemplificando: a fase "a" está sujeita a alíquota de 10% e nela foi agregado $ 1.000.00. Havendo, portanto, uma exação efetiva de $ 100.00. Na etapa seguinte, a alíquota é de 5% e agregouse, também, $ 1.000.00. A tributação efetiva dessa fase é de 0%, pois, embora a alíquota do produto seja de 5%, o crédito da fase anterior vai compensar integralmente o valor da correspondente exação e o sujeito passivo não terá nada a recolher. De outro lado, se os produtos da fase "a" forem taxados em 5% e a da "b" em 10%, mantendose os valores do exemplo anterior, a tributação efetiva nesta fase, na realidade é de 15% como mostrado a seguir. Fase "a": valor agregado $1.000.00, Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10283.000010/200835 Acórdão n.º 9303005.570 CSRFT3 Fl. 7 6 alíquota 5%, imposto calculado $ 50.00, crédito $ 0.00, imposto a recolher $ 50.00. Fase "b": valor agregado $ 1.000, alíquota 10%, imposto calculado $ 200.00, ($ 2.000 x 10%), crédito $ 50.00, imposto a recolher $ 150.00, Tributação efetiva 15% sobre o valor agregado. Como se pode ver do exemplo acima, o gravame fiscal efetivo em uma fase da cadeia produtiva é inverso ao da anterior. Por conseguinte, nessa sistemática de imposto contra imposto adotada no Brasil, se uma fase for completamente desonerada, em virtude de alíquota zero, de isenção ou de não tributação pelo IPI (produtos NT na TIPI), o gravame fiscal será deslocado integralmente para a fase seguinte. Não se alegue que essa sistemática de imposto contra imposto vai de encontro ao principio da nãocumulatividade, pois este não assegura a equalização da carga tributária ao longo da cadeia produtiva, tampouco confere o direito ao crédito relativo às entradas (operações anteriores) quando estas não são oneradas pelo tributo em virtude de alíquota neutra (zero), isenção ou não ser o produto tributado pelo IPI. Na verdade, o texto constitucional garante tãosomente o direito à compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, sem guardar qualquer proporção entre o exigido entre as diversas fases do processo produtivo. Assim, com o devido respeito aos que entendem o contrário, o fato de insumos agraciados com isenção comporem a base de cálculo de um produto tributado à alíquota positiva não confere ao estabelecimento industrial o direito a crédito a eles referente, como se onerados fossem. Repisese que a diferenciação generalizada de alíquotas do IPI adotada no Brasil gera a desproporção da carga tributária entre as várias cadeias do processo produtivo, hora se concentrando nos insumos hora se deslocando para o produto elaborado, e o principio da nãocumulatividade não tem o escopo de anular a desproporção, até porque a variação de alíquotas decorre de mandamento constitucional, a seletividade em função da essencialidade. Desta forma, a impossibilidade de utilização de créditos relativos a esses produtos adquiridos ao abrigo de isenção do imposto não implica, absolutamente, em afronta ou restrição ao principio da nãocumulatividade ou a qualquer outro dispositivo constitucional. Importante ressaltar que a jurisprudência do STF tem se firmado no mesmo sentido aqui defendido. Nesse ponto, transcrevo excertos do voto do ilustre Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz em julgamento consubstanciado no Acórdão 3403002.738, de 30 de janeiro de 2014, que bem historiou as mudanças ocorridas na jurisprudência: "O histórico jurisprudencial sobre o tema no Supremo Tribunal Federal pareceme ter vivido quatro momentos distintos. Por ocasião do julgamento do recurso extraordinário nº 212.484, em 1998, o Plenário da Corte reconheceu a estabelecimento contribuinte do IPI direito de crédito pela aquisição de insumos albergados por regra isentiva, por entender que o principio constitucional da não cumulatividade o garantia. Em 2002, o Tribunal julgou o recurso extraordinário n° 350.446. no qual se debatia sobre o direito de crédito nas hipóteses em que os insumos do processo fabril fossem adquiridos sob regime de alíquota 0% ou sob a notação "NT" na TIPI, vindo a prevalecer o entendimento de que, a exemplo do que se reconhecera para a isenção, também aqui o contribuinte faria jus ao creditamento. Cinco anos mais tarde, o Plenário do Supremo Tribunal Federal revisitou o tema quando chamado a decidir os recursos extraordinários n°s 353.657 e 370.682, Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10283.000010/200835 Acórdão n.º 9303005.570 CSRFT3 Fl. 8 7 no âmbito dos quais novamente Fazenda Nacional e contribuintes controvertiam o direito de crédito ante a aquisição de Insumos "NT" e alíquota 0%. Desta feita, entretanto, a Corte atribuiu sentido e extensão diversos ao principio da não cumulatividade, concluindo que o preceito constitucional não asseguraria o direito de crédito nestas situações. O capítulo mais recente desta seqüência foi escrito por ocasião do julgamento do recurso extraordinário n° 566.819. em setembro de 2010. Sob relatoria do Ministro Marco Aurélio, o Supremo Tribunal Federal reformou a orientação anteriormente adotada também quanto à aquisição de insumos isentos de IPI, no sentido de que o direito de crédito nesta e em qualquer outra hipótese de desoneração não extrai fundamento de validade do princípio da não cumulatividade. Nesse sentido, vejase trecho do voto condutor do acórdão: No mais. o Plenário, ao julgar os Recursos Extraordinários n°s. 353.657/PR e 370.682/SC relativamente à aquisição de insumos não tributados ou sujeitos a alíquota zero, sufragou o entendimento de que o direito ao crédito pressupõe recolhimento anterior do tributo, cobrança implementada pelo Fisco. (...) Pois bem, o raciocínio desenvolvido é próprio tanto no caso de insumo sujeito a alíquota zero ou não tributado, quanto no de insumo isento, tema não apreciado nos mencionados precedentes. Inexiste dado específico a conduzir ao tratamento diferenciado, permitindose o creditamento relativamente à isenção, em que também não se recolhe o tributo, e não se admitindo no tocante à alíquota zero e à não tributação." Ressaltese que o fato de o estabelecimento industrial da contribuinte estar sediado na Zona Franca de Manaus, e ser detentor de projeto aprovado pela SUFRAMA, não lhe garante o direito ao creditamento que efetuou. A Contribuinte, por estar situada na ZFM, importa ou adquire no mercado interno insumos com isenção (beneficio fiscal concedido à ZFM), os quais são aplicados na industrialização de produtos que, ao dar saída da ZFM, também são isentos (a isenção na saída dos produtos decorre, igualmente, de favor fiscal dirigido à ZFM). O aproveitamento de crédito básico relativo a insumos adquiridos com isenção (crédito ficto), os quais foram utilizados na industrialização de produtos também alcançados por isenção (em virtude de incentivos próprios da ZFM), necessitaria de autorização legislativa expressa. Todavia, inexiste tal autorização. Na realidade, a pretensão da contribuinte de aproveitar crédito ficto acumulado em decorrência de saídas não oneradas pelo tributo (saídas isentas) representa cumulação de benefícios, que não encontra amparo na legislação tributária. Notese que, na situação pretendida, o Estado não só estaria incentivando a produção naquela zona de livre comércio, mas também pagando para lá se produzir. Tal cumulação de benefícios violaria, indubitavelmente, as regras da OMC, da qual o Brasil é membro. (...) Em complemento aos relevantes ensinamentos do exconselheiro Henrique, temos que este creditamento só poderá ser admitido quando autorizado por lei específica, pois a Constituição Federal proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da CF, situação que se harmoniza com a Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10283.000010/200835 Acórdão n.º 9303005.570 CSRFT3 Fl. 9 8 opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da não cumulatividade. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...); § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no Art. 155, § 2.º, XII, g. (grifei) Desta forma, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados, a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. Pareceme que o voto recém transcrito esgota a matéria. No entanto, em face da alegação recursal de que o direito ao crédito teria sido reconhecido pelo STF no RE 212.484, permitome por em relevo que, com o julgamento do RE nº 566.819, referido pelo Conselheiro Henrique, o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM encontrase pendente de julgamento, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo este Colegiado de estender aquela interpretação ao caso concreto. Quanto ao pedido alternativo efetuado pelo contribuinte para que o presente processo seja sobrestado até que seja ultimado o julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, pelo STF, é de ser negado ante a falta de previsão legal que permita este procedimento no âmbito dos julgamentos do CARF. Portanto, como sobejamente demonstrado pelo Conselheiro Henrique, por qualquer ângulo que se enfoque o assunto, não se vislumbra viabilidade para a pretensão recursal. Consequentemente, voto por negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10283.000010/200835 Acórdão n.º 9303005.570 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 349DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003312/2004-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ponto Mencionado no Relatório. Omissão no Voto. Embargos de Declaração. Cabimento.
Cabem embargos declaratórios diante da falta de exame de questão abordada no relatório, mas não enfrentada no voto condutor da decisão do colegiado.
Numero da decisão: 1301-002.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios para sanar omissão, sem efeitos infringentes. Conselheiro Flávio Franco Corrêa acompanhou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ponto Mencionado no Relatório. Omissão no Voto. Embargos de Declaração. Cabimento. Cabem embargos declaratórios diante da falta de exame de questão abordada no relatório, mas não enfrentada no voto condutor da decisão do colegiado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.003312/2004-35
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5771081
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.520
nome_arquivo_s : Decisao_19515003312200435.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO SILVA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 19515003312200435_5771081.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios para sanar omissão, sem efeitos infringentes. Conselheiro Flávio Franco Corrêa acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6934238
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466159759360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1445; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.305 1 2.304 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.003312/200435 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301002.520 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PASSIVO FICTÍCIO Embargante SUCDEN DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PONTO MENCIONADO NO RELATÓRIO. OMISSÃO NO VOTO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Cabem embargos declaratórios diante da falta de exame de questão abordada no relatório, mas não enfrentada no voto condutor da decisão do colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos declaratórios para sanar omissão, sem efeitos infringentes. Conselheiro Flávio Franco Corrêa acompanhou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 12 /2 00 4- 35 Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 19515.003312/200435 Acórdão n.º 1301002.520 S1C3T1 Fl. 2.306 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por SUCDEN DO BRASIL LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1301001.230 (fls. 2.181 a 2.203), desta 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, cuja ementa está assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DA DECISÃO. INOCORRÊNCIA Não configurados os vícios de omissão e de cerceamento de defesa arguidos, mantémse incólume a decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Tendo o contribuinte logrado comprovar, com documentos hábeis e idôneos, que parte das obrigações somente foram liquidadas no anocalendário subseqüente ao da autuação, insubsiste a parcela do correspondente lançamento a título de omissão de receita com base em passivo fictício. MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. Não se justifica a aplicação da multa agravada quando o contribuinte apresentou resposta a todas as intimações no prazo originalmente estabelecido pela fiscalização, considerando que o agravamento se justifica pelo não atendimento às intimações no prazo assinalado, e não pelo fato de os esclarecimentos serem insuficientes. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Não tendo sido arguidas razões específicas para os lançamentos reflexos, a eles se aplica o decidido quanto à exigência matriz. Os embargos foram admitidos pelo despacho de fl. 2.303, com os seguintes fundamentos: Trata o presente de embargos de declaração interpostos tempestivamente pela SUCDEN DO BRASIL LTDA., relativamente ao acórdão n° 1301001.230, prolatado por esta Primeira Turma na sessão de julgamento realizada em 12 de junho de 2013. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse, por unanimidade de votos, no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator, reduzir da matéria tributável mantida pela decisão de primeira instância nos seguintes valores: 1) R$ 1.429.129,45, referente à conta Amerop Sugar Co.; 2) R$ 8.740.517,45 (11.483.326,04 2.742,808,59) referente conta Sucden S/A; 3) R$ 1.153.320,75 (1.380.660,75 227.340,00) referente à conta Santa Izabel Ltda. e, 4) R$ 1.198.630,00 referente à conta Itamaraty S/A. Alega a Embargante que o Colegiado foi comisso (sic) em relação a ponto de fundamental importância para o deslinde da controvérsia jurídica dos presentes Fl. 2306DF CARF MF Processo nº 19515.003312/200435 Acórdão n.º 1301002.520 S1C3T1 Fl. 2.307 3 autos, mais precisamente quanto a análise da conta de n° 2.1.1.3.04.001 (Gecomol Ltda.), pois em seu entender a embargante comprova que em março de 2002 os valores tidos como omitidos foram devidamente transferidos para conta de resultado e, por sua vez, tributados. Aduz ainda que os razões contábeis juntados às fls. 1955 dão conta de que não houve a alegada omissão de receitas. Alega ainda que houve omissão quanto à análise de extratos do SISBACEN que comprovariam, no entendimento da embargante, tratarse de mero erro no lançamento contábil de algumas aplicações financeiras, as quais, teriam ocorrido em 12/1999 e não em 01/2000 como lançados na sua contabilidade. Por fim, alega omissões na análise da conta "fornecedores", pois não obstante as divergências identificadas entre os registros contábeis e os documentos veiculados, restou omisso a análise atinente aos documentos e explicações dadas na resposta à diligência realizada. Assim, analisados os termos do recurso apresentado, penso que foram preenchidos os requisitos estampados no art. 65 do Regimento Interno (ANEXO II), motivo pelo qual submeto à apreciação de V.Sª proposta no sentido de que ele seja admitido e submetido à apreciação do Colegiado. (fls. 2.302 a 2.303) Nesses termos os embargados foram recebidos e vieram a julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior Os embargos declaratórios foram admitidos especificamente para o exame de três pontos, acerca dos quais a decisão embargada teria deixado de se manifestar. A decisão teria se omitido quanto à: a) Análise da conta de n° 2.1.1.3.04.001 Gecomol Ltda., pois no entender da embargante estaria comprovado que, em março de 2002, os valores constantes do passivo, e considerados no lançamento como receita omitida, teriam sido transferidos para conta de resultado e, dessa forma, submetidos à tributação. As folhas do livro razão contábil (fl. 1.955) estariam a evidenciar a inexistência de omissão de receita. b) Análise de extratos do SISBACEN que comprovariam tratarse de mero erro no lançamento contábil de algumas aplicações financeiras, as quais, embora realizadas em dezembro de 1999, teriam sido registradas contabilmente em janeiro de 2000. Assim estaria afastada por completo a presunção de passivo fictício relativamente à obrigação com Sucden S.A. c) Análise da conta fornecedores, em especial os débitos com Ferrari Agro Industrial, Unialco S/A Açúcar e Álcool, Usina Maravilha S.A., Destilaria de Álcool Nova Avanhandava Ltda., Araçatuba Álcool S/A Aralco, e Cia Agro Industrial de Goiânia. Não obstante as divergências identificadas entre os registros contábeis e os documentos Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 19515.003312/200435 Acórdão n.º 1301002.520 S1C3T1 Fl. 2.308 4 apresentados, foi omissa a decisão na análise atinente aos documentos e explicações oferecidas na resposta à diligência realizada. Nos termos do art. 65 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração nas hipóteses em que o acórdão contenha obscuridade; contradição entre a decisão e seus fundamentos; ou omissão acerca de ponto sobre o qual o órgão julgador deveria pronunciarse. Os embargos não se prestam ao reexame de provas, nem à correção de eventuais erros de interpretação da lei, ou de erros na aplicação do direito. Não se concebe que, mediante embargos, busque o contribuinte, por vias transversas, rediscutir a matéria objeto do processo, nem modificar o julgado, não obstante esse efeito possa advir da eliminação de um daqueles vícios. No caso concreto, o simples exame das questões suscitas nos embargos (relacionadas acima nos itens "a", "b" e "c") mostra que a real intenção da embargante não é suprir omissões acaso presentes na decisão embargada, mas sim rediscutir o mérito, reexaminar provas e, ao final, modificar o acórdão. Os embargos aqui são utilizados como um recurso, por meio do qual a contribuinte manifesta seu inconformismo com a decisão que lhe foi parcialmente desfavorável. Isso fica evidente quando se lê, na petição de embargos, a seguinte observação: Segundo razões do Sr. Relator, "é absolutamente lógico, considerando as especificidades do contrato, que se faça uma contabilização mensal da provisão a ser ajustada (ou revertida) nos fechamentos mensais. O que não fica esclarecido é como se chega a esse valor exato do passivo em 31/12/1999 [...]". Desta feita, não obstante a vasta documentação já juntada aos autos, a contribuinte tenta demonstrar a consistência dessas provisões através de memória, que aliada às provas veiculadas nesse caderno administrativo , concilia o saldo em discussão com as notas fiscais e os pagamentos efetuados, a fim de justificar os ajustes necessários a serem feitos, conforme a natureza do negócio envolvido (mercado de exportação de açúcar). (fl. 2.280) Notese que o relator efetivamente examinou as provas, mas chegou à conclusão oposta à da embargante. Por essas razões, concluise que os pontos indicados nas letras "b" e "c" não caracterizam omissões aptas a ensejar embargos declaratórios. A questão da letra "a", que envolve uma dívida de curto prazo com a Gecomol Ltda., assim como as anteriores, não deveria ser objeto de embargos. Tratase de uma alegação que não foi suscitada na impugnação; não foi apresentada quando a embargante teve a oportunidade de se manifestar, após a diligência determinada pela DRJ; nem foi trazida no recurso. A matéria veio originalmente à discussão no aditamento ao recurso (fls. 1.923 a 1.943), apresentado oito meses depois da entrega da peça recursal, e oito anos depois do lançamento. Em nome da verdade material e do princípio do formalismo moderado, deve ser admitido o aditamento, sobretudo nos casos em que exista grande quantidade de Fl. 2308DF CARF MF Processo nº 19515.003312/200435 Acórdão n.º 1301002.520 S1C3T1 Fl. 2.309 5 documentos a serem examinados, frente ao exíguo lapso temporal para apresentar a defesa. Essa possibilidade, todavia, deve ficar restrita à impugnação. Em se tratando de recurso, os aditamentos devem ser encarados com reserva, ficando restritos a situações excepcionais. É que, normalmente, o tempo que se interpõe entre o lançamento e o recurso é suficientemente elástico para permitir ao contribuinte reunir os documentos necessários a provar os fatos de seu interesse, e eleger os argumentos a serem debatidos na defesa de sua posição. No caso em tela, repitase, a alegação específica envolvendo a dívida com a Gecomol Ltda. só veio a ser manifestada em agosto de 2012, no aditamento ao recurso. Tal circunstância, aliada ao fato de que a matéria envolveria reexame de provas, já seria suficiente para, em relação a ela, negarse passagem aos embargos declaratórios. E aqui, com razões bem mais fortes do que em relação aos outros dois itens (das letras "b" e "c" acima referidas). Entretanto, no relatório do acórdão embargado, o ilustre Conselheiro Relator fez expressa referência a essa matéria, reproduzindo, aliás, o mesmo texto contido no citado aditamento. O Relator não era obrigado a fazer qualquer alusão a argumento apresentado extemporaneamente; mas, a partir do momento em que a tal argumento se fez referência no relatório, o Relator se viu obrigado a tratar dele no voto, ainda que fosse para dizer que não iria conhecer da matéria, indicando os motivos que o levassem a assim decidir. Mas nem isso foi feito no voto, no qual não há nenhuma referência à obrigação com a Gecomol, caracterizando, assim, omissão que desafia embargos declaratórios. A infração colhida no lançamento foi a omissão de receitas caracterizada por passivo fictício ou inexistente. Foram relacionadas obrigações com fornecedores e dívidas referentes a financiamento de curto prazo, entre as quais se encontrava um crédito de Gecomol Ltda. contra a embargante no valor de R$ 387.312,32. No que concerne a essa obrigação, a embargante apresentara tãosomente cópia de um contrato de mútuo (fls. 813 a 814), firmado em 16/06/1999, pelo qual Gecomol Indústria e Comércio de Melaço Ltda. emprestava à embargante a quantia de R$ 387.312,32 que deveria ser devolvida, sem qualquer acréscimo de juros ou correção monetária, em 15/06/2000. A Fiscalização entendeu que esse documento não comprovava a existência do passivo, sobretudo porque não fora exibida a prova da devolução da quantia objeto do mútuo, que deveria ocorrer, segundo o contrato, em junho de 2000. Como se disse, nem impugnação, nem recurso fazem referência específica a essa dívida, o que só veio a ocorrer no aditamento, apresentado em agosto de 2012, quando a embargante se manifestou da seguinte forma: Em relação ao financiamento junto à Gecomol, necessário informar que efetivamente não houve quitação daquele contrato, no entanto, em março de 2002 referido valor foi transferido para a conta de resultado e devidamente tributado, uma vez que houve decisão de que os valores recebidos permaneceriam internalizados no Brasil. Portanto, não houve omissão de receita. Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 19515.003312/200435 Acórdão n.º 1301002.520 S1C3T1 Fl. 2.310 6 A comprovação deste procedimento está indicada no Laudo Pericial elaborado pelo Dr. Aderbal Muller, que segue anexo conforme mencionado anteriormente. (g.n.) (fl. 1.939) Essa é a alegação sobre a qual a embargante pretende que este Colegiado se manifeste de forma expressa. O referido contrato de mútuo envolve duas pessoas jurídicas de direito privado, sendo que nenhuma delas é instituição financeira: nem o mutuante, nem o mutuário. Emprestar dinheiro não era o objeto social de Gecomol Ltda. Presumese, pois, que eventuais contratos de empréstimo de dinheiro ou de financiamento fossem realizados em vinculação com as atividades econômicas próprias da entidade empresarial. Entretanto, no caso em exame, não há indicação de qualquer operação ou negócio jurídico que estivesse vinculado ao suposto mútuo. Ademais, o empréstimo foi concedido, por prazo de um ano, sem previsão de juros ou de correção monetária do valor entregue. Ou seja, a embargante havia tomado empréstimo a "custo zero", de uma entidade empresarial com quem, aparentemente, não mantinha nenhum vínculo societário. Estas são as cláusulas do contrato: "...têm as partes entre si, por justo e contratado, o presente Contrato de Mútuo, que se regerá segundo as cláusulas e condições a seguir expostas: 1. A MUTUANTE empresta à MUTUÁRIA, a título de mútuo, a quantia de R$ 387.312,32 (trezentos e oitenta e sete mil, trezentos e doze reais e trinta e dois centavos), entregando à mesma, neste ato, o referido montante. 2. A MUTUÁRIA se compromete a restituir à MUTUANTE o montante indicado na cláusula 1, em uma única parcela de igual valor, com vencimento em 15 de junho de 2.000. (g.n.) 3. Ocorrerá o vencimento antecipado da dívida, independentemente de interpelação judicial ou extrajudicial, com a exigibilidade imediata do saldo devedor, nas seguintes hipóteses: (a) se a MUTUARIA tiver títulos de sua responsabilidade protestados por falta de pagamento, aceite ou devolução, que afetem de forma significativa seu patrimônio; ou, (b) se for instaurado em face da MUTUÁRIA regime de concordata ou se for decretada sua falência. 4. O atraso ou falta de pagamento na época devida sujeitará a MUTUÁRIA à correção da dívida pela variação do IGPM da FGV, além dos juros de mora à razão de 1% (um por cento) ao mês e multa de 10% (dez por cento) sobre o total corrigido. 5. A MUTUÁRIA reconhece a natureza de título executivo extrajudicial com o qual se reveste o presente Instrumento, nos termos do artigo 585, II, do Código de Processo Civil. 5. (sic) As partes elegem o foro Central da Comarca de São Paulo, para conhecer e dirimir quaisquer dúvidas ou questões oriundas deste Contrato. Fl. 2310DF CARF MF Processo nº 19515.003312/200435 Acórdão n.º 1301002.520 S1C3T1 Fl. 2.311 7 E, por estarem assim justas e contratadas, assinam o presente em 2 (duas) vias de igual teor e forma, para um só efeito, na presença de 2 (duas) testemunhas abaixo assinadas. (fls. 813 a 814) Se causa estranheza a celebração de um contrato de mútuo nesses condições, envolvendo duas entidades empresariais; estranheza maior provoca o fato de que a mutuante, depois de quase dois anos do vencimento da obrigação, ter simplesmente dispensado o recebimento de seu crédito, sem nenhuma razão aparente, sem indicar eventuais compensações, sem explicar em que circunstâncias tal decisão se deu. No mundo dos negócios, em que as entidades empresarias buscam o lucro, esse tipo de operação não é comum, seja o contrato de mútuo nas condições aqui verificadas, seja a dispensa gratuita do pagamento de um crédito. Por fim, a prova apresentada pela embargante de que o valor foi oferecido à tributação em 2002 é uma cópia de um lançamento feito no livro Razão. Esse é um importante livro auxiliar, mas, por não estar sujeito a registro na Junta Comercial, pode ser feito e refeito no momento em que o empresário pretender. Portanto, o livro Razão desacompanhado de outros elementos probatórios não faz prova em favor do empresário. Esses são, em resumo, os fundamentos com base nos quais o lançamento, nesse ponto, deve ser mantido. Conclusão Pelo exposto, voto por acolher parcialmente os embargos declaratórios para eliminar a omissão, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 2311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000381/2005-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação.
Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11543.000381/2005-29
anomes_publicacao_s : 201708
conteudo_id_s : 5761150
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.023
nome_arquivo_s : Decisao_11543000381200529.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11543000381200529_5761150.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6902437
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:05:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466163953664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.000381/200529 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.023 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria COFINS Recorrente EISA EMPRESA INTERAGRÍCOLA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Devese anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 03 81 /2 00 5- 29 Fl. 2656DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de reconhecimento de direito creditório de PIS decorrentes do regime de nãocumulatividade, no período de 01/01/04 a 31/03/04, no valor de 513.384,60, para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fls. 356/357) homologar parcialmente as compensações efetuadas, por entender que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu o valor de 305.452,93, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2987/09 (fls. 324/356), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no anocalendário 2004, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep; 3. como não houve previsão nos incisos do caput do art. 3º da Lei 10.637/02, e por não se enquadrarem no conceito de insumo, as despesas comerciais com comissões pagas a pessoas jurídicas foram excluídas do cômputo da base de cálculo dos créditos a descontar do PIS; 4. de acordo com as notas fiscais apresentadas (fls. 205/206), foi comprovado apenas R$ 1.350,00 de um valor indicado de R$ 24.401,00, relativo a despesas de aluguel de equipamentos, o que representou uma glosa de R$ 23.051,00 no mês de janeiro de 2004; 5. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 41 maiores fornecedores, 10 são cooperativas, restando 31 fornecedores; 6. aproximadamente 94% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 7. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 8. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 11543.000381/200529 Acórdão n.º 3201003.023 S3C2T1 Fl. 3 3 sofreu a incidência do PIS/Pasep na etapa anterior é de impressionantes 2,95 % (dois inteiros e noventa e cinco centésimos percentuais), sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 9. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 39% (trinta e nove inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 289/300), quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 10. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 11. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 12. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 13. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 14. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boa fé; 15. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas (fls. 303/304); 16. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; Fl. 2658DF CARF MF 4 17. assim, foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 219/220; 18. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas nos meses de fevereiro e março, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 19. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 20. o sujeito passivo aproveitou créditos sobre despesas de manutenção e reparos, conforme informado no DACON, Demonstrativo Analítico de apuração do PIS, mas informou despesas não passíveis de aproveitamento de crédito visto que não se enquadraram na definição de insumos, em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos, o que impossibilitou o seu deferimento; 21. o contribuinte também aproveitou créditos sobre despesas com armazenagem no mês de janeiro de 2004, no entanto, os gastos com armazenagem somente passaram a dar direito ao desconto de crédito do PIS nãocumulativo por força do art. 15 da Lei 10.833/03, com o início da produção dos efeitos (art. 93, I) a partir de 1º de fevereiro de 2004; 22. são receitas financeiras todas as variações cambiais ativas apuradas, vez que não há previsão para que se realize a compensação na contabilidade das variações cambiais passivas, reconhecendo como receita apenas o resultado mensal; 23. desta forma, é considerada receita da variação cambial o somatório das variações ativas, desconsiderandose as variações passivas; 24. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito do PIS apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 1º Trimestre de 2004 no montante de R$ 305.452,93; 25. por outro lado, no mês de janeiro de 2004, o crédito apurado foi insuficiente para cobrir o valor devido para o PIS, restando saldo a pagar, cabendo, pois o lançamento. Cientificada da decisão (fl. 376), em 11/02/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 378 e seguintes), em 12/03/10, onde alegou, em resumo, que: 1. as razões que fundamentaram a homologação parcial do presente pedido de ressarcimento de créditos de PIS, contidas no Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.987/2009, encontramse espelhadas no Parecer DRF/VIT/SEORT n.° 2.978/2009 (Processo Administrativo n° 11543.000385/200515), o qual homologou parcialmente pedido de ressarcimento de COFINS relativo ao mesmo período tratado nesta manifestação de inconformidade (1º Trimestre de 2004); Fl. 2659DF CARF MF Processo nº 11543.000381/200529 Acórdão n.º 3201003.023 S3C2T1 Fl. 4 5 2. assim, mister se faz o apensamento destes autos àqueles, tudo com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitandose decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 3. o crédito tributário constituído pelo Sr. AFRF, mediante a inclusão na base de cálculo do PIS, de receitas de variação cambial não tributadas pela Requerente não é exigível, vez que alcançado pelo instituto da decadência; 4. as mencionadas comissões geram direito ao crédito, tendo em vista que sem a contratação dos representantes, não seria possível a aquisição do café in natura e, consequentemente, seu beneficiamento, ademais, a legislação fiscal de regência não veda em momento algum o aproveitamento dos mencionados créditos; 5. o Parecer aponta que parte do crédito, relativo às despesas com a locação de equipamentos de pessoas jurídicas, foi glosada em razão da Requerente não ter apresentado comprovantes dessas despesas 6. o entendimento acima esposado não merece prosperar, haja vista a comprovação de tais despesas, conforme pode ser constatado pela análise do Razão e das notas fiscais referentes ao período glosado (doc. 05); 7. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos de entrada de mercadorias (Doc. 06), que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 8. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002 não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 9. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 10. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 11. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 12. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 13. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); Fl. 2660DF CARF MF 6 14. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 15. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexa a esta manifestação de inconformidade (doc. 08); 16. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito; 17. o Parecer aponta que o crédito relativo às despesas com a manutenção e reparo de equipamentos da Requerente foi glosado em razão da falta de discriminação dos serviços contratados, bem como pelo não enquadramento de parte dessas despesas no conceito de insumos contido na legislação do PIS, a Requerente esclarece que todas essas despesas são registradas na conta 752.600 (lançadas na linha 03 da ficha 04 do DACON) e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão; 18. assim sendo, por comporem o custo da prestação do serviço de beneficiamento do algodão, e cujas receitas são tributadas pelo PIS, razão não há para a glosa pretendida; 19. a requerente junta aos autos o razão contábil da conta 752.600 (doc. 09), bem como discrimina os serviços cuja descrição estava pendente segundo avaliação do Sr. AFRF; 20. as despesas incorridas a título de armazenagem de bens e mercadorias passaram a dar direito ao crédito de PIS/COFINS apenas com a entrada em vigência da Lei n.° 10.833/03, em fevereiro/2004; 21. o fato não considerado pelo Sr. AFRF na lavratura do Parecer é de que houve um erro na classificação contábil dos referidos dispêndios que, por um lapso, foram escriturados em conta de despesas de armazenagem; 22. não restam mais argumentos para que não se possa excluir, do âmbito de abrangência da imunidade constitucional, as variações cambiais incidentes sobre ACC (adiantamento de contrato de câmbio), haja vista ser inequívoca a circunstância de que tais variações cambiais decorrem de exportações; 23. se a receita de exportações é imune; nada mais natural do que também excluir do campo de incidência tributária a variação cambial sobre elas verificada, ademais, doutrina e, jurisprudência são uníssonas ao asseverarem que "assim como a correção monetária, a variação cambial nada acresce ao objeto, sendo mera expressão formal da mesma entidade substancia"; 24. No que se refere aos lançamentos à crédito na conta 675.000, deverá ser adotado o mesmo raciocínio, pertinente às variações monetárias registradas na conta 869.000 tendo em vista que se tratam, igualmente, de receitas de exportação; 25. a partir de 01/01/2000, especialmente em virtude da expressiva oscilação cambial experimentada no ano anterior, passou a viger o tratamento instituído pela Medida Provisória atualmente sob o nº 2.15835/01, determinando que as variações cambiais, em regra, deveriam ser reconhecidas no momento da liquidação (regime de caixa). Fl. 2661DF CARF MF Processo nº 11543.000381/200529 Acórdão n.º 3201003.023 S3C2T1 Fl. 5 7 A inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 1591) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 1.916 e seguintes, responde positivamente a tal indagação. E, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contibuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; Fl. 2662DF CARF MF 8 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado,onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 2080), a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 2082 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 11543.000381/200529 Acórdão n.º 3201003.023 S3C2T1 Fl. 6 9 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 11. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fúndamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 12. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não Fl. 2664DF CARF MF 10 corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, alegando em sede preliminar que a decisão da primeira instância inovou a matéria discutida nos presentes autos, ao trazer argumentos para manutenção do lançamento resultante de diligência realizada, que trariam afirmações que a Recorrente teria participado de suposto esquema visando gerar, fraudulentamente, créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. No restante do recurso são repisadas as alegações já apresentadas na impugnação. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 11543.000381/200529 Acórdão n.º 3201003.023 S3C2T1 Fl. 7 11 possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência determinada pelo CARF, elaborando relatório fiscal. Informando que a Recorrente apresentou documentos referentes à glosa de despesas de manutenção e reparos e de aquisição de embalagens. A auditoria fiscal concluiu por manter a glosa referente a despesas com manutenção e reparo, por entender, que não estariam ligados a atividade de produção da Recorrente. Quanto as aquisições de embalagem, entendeu por acatar as alegações da Recorrente e afastar a glosa referente a este item. Cientificada da diligência, a Recorrente apresentou manifestação ,concordando com o afastamento da glosa sobre as aquisições de embalagem e afirmando que as despesas de manutenção e reparo estariam vinculados a atividade da empresa e portanto, também estariam aptas a serem utilizadas como créditos na apuração das contribuições. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Nos termos detalhados no relatório, em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega a nulidade da decisão da primeira instância, sob o arrimo que o acórdão teria inovado nos fundamentos inicialmente citados no despacho negatório do pedido de compensação. Consultando a decisão da primeira instância é possível identificar o enfrentamento de matérias referentes a glosa de créditos, por entender que tais operação não estariam incluídas no conceito de insumo e outra discussão quanto a possibilidade de creditamento sobre operações realizadas com empresas que foram identificadas como inaptas ou inexistentes de fato. Para a segundo grupo de créditos glosados, a decisão recorrida trata de dois fundamentos para negar os créditos. O primeiro seria a inexistência de recolhimento das contribuições na etapa anterior e o segundo a existência de fraude na criação e operação de empresas declaradas inexistentes de fato ou declaradas inaptas pela receita federal. O acórdão da primeira instância adotou como fundamento da decisão, a fraude nas operações realizadas Fl. 2666DF CARF MF 12 com empresas, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído no voto condutor do Acórdão da DRJ. Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as ‘compras’ efetuadas pelo contribuinte, ora recorrente, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e o contribuinte, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. A análise exposta acima leva à rejeição peremptória de eventual alegação de planejamento tributário, pois demonstra que o autuado participou da criação ou utilizou de pessoas jurídicas de existência fantasmagórica, a fim de interpor elo fictício na cadeia produtiva e, assim, escapar do pagamento de tributo de sua responsabilidade, por meio de compensação de créditos inexistentes de fato, e ainda com vultosos valores de ressarcimento em dinheiro. O trabalho fiscal, por ocasião da diligência realizada, fundouse em amplo material probatório, permitindo o exercício do direito de defesa e ao contraditório. No Relatório é comprovado detalhadamente o acerto das glosas efetuadas. Neste contexto, perderam relevância as notas fiscais e comprovantes de pagamento. Na decisão recorrida é possível identificar claramente que o enfrentamento da matéria, que nega o direito creditório da recorrente, possui como fundamento a aquisição de produtos de pessoas jurídicas, quando na verdade tratariamse de pessoas físicas. A decisão da primeira instância considerou que os dois fundamentos teriam sido enfrentados no despacho decisório, tanto a questão da ausência de recolhimento das contribuições nas etapas anteriores, bem como, a existência de aquisições de "pseudoatacadistas". Quanto ao primeiro fundamento discutido na decisão da DRJ é inequívoco a sua utilização pelo despacho decisório, que consta de forma explicita na sua conclusão, conforme se depreende do trecho abaixo do despacho decisório, exarado pela Unidade de Origem. Em resumo: . Restou demonstrado que não houve incidência econômica dos tributos na maior parte das aquisições realizadas; . A ocorrência da incidência jurídica é duvidosa, uma vez que as pessoas jurídicas que poderiam realizar o aspecto material da hipótese de incidência (faturamento), aparentam ser meros instrumentos para realização de práticas ilegais; . Sob o ponto de vista econômica, não houve qualquer oneração da cadeia produtiva em relação a tais operações; . Em não havendo tal oneração perde o sentido o dualismo cumulatividade x nãocumulatividade que justificou o escopo da alteração da legislação; Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 11543.000381/200529 Acórdão n.º 3201003.023 S3C2T1 Fl. 8 13 . Em conclusão, não ocorrendo a indesejada cumulutividade que ensejou a mudança da sistemática da apuração das contribuições em apreço não há que se falar em saldo credor possível de ressarcimento. Quanto ao segundo fundamento, a decisão da Delegacia de Julgamento da RFB afirma existir no despacho decisório menção ao fato de existir fraude na criação e operação dos atacadistas revendedores de café, cito trecho abaixo constante da decisão da DRJ, que detalha estes argumentos. 2º argumento: Compras de “pseudoatacadistas” Se a instrução processual se encerrasse neste ponto, dificilmente poderia prosperar a glosa procedida sub examen. Porém, com a diligência veio o relatório, onde se concluiu que parte dos créditos de PIS/Cofins reivindicados nos pedidos de ressarcimento e utilizados nas declarações de compensação foi gerada através de simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente o foi de aquisições de produtores rurais pessoas físicas. Tratase agora da hipótese já contida Parecer DRF/VIT/SEORT (fls. 247 e ss) de considerar as compras, correspondentes aos fornecedores irregulares, transações fictícias: No caso em questão, aparentemente existiria a intermediação comercial por pessoa jurídica. Entretanto, se ditas "pessoas jurídicas" forem apenas instrumentos para práticas fraudulentas, acobertando vendas realizadas por outros sujeitos, muito provavelmente pessoas físicas, não haveria que se falar em hipótese de incidência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos e, muito menos, em créditos da não cumulatividade como ora pretendido. Entendese que a prova colacionada aos autos no âmbito da diligência lançou nova luz sobre os créditos relativos às compras de café pela contribuinte, que foram glosados pela Autoridade Fiscal. O quadro amplo traçado a partir das Operações Broca e Tempo de Colheita milita desfavoravelmente à contribuinte no que concerne a seu alegado direito de crédito. Além disso, há elementos nos autos que não permitem simplesmente entender pela completa “isenção” do contribuinte na frustração da Receita Federal em sua legítima pretensão de caráter constitucional de amealhar recursos ao Erário. Quanto a este segundo fundamento para afastar os créditos referentes a aquisição das empresas atacadistas consideradas inidôneas, divirjo do entendimento da decisão da primeira instância. Apesar de existir a citação da existência de operações realizadas com Fl. 2668DF CARF MF 14 empresas inidôneas, o despacho decisório é claro ao afirmar que matéria não esta sendo objeto de enfrentamento e discussão, conforme consta do trecho abaixo extraído do despacho decisório. 52. No caso examinado há uma presunção que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 210;219), quando foi publicada a Medida Provisória nº 66/2002 que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas. 53. Assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da não cumulatividade para as contribuições em comento. 54. Deixese claro, neste interim, que não se está com isto afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve nenhuma investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho. De forma alguma. Até porque, se isto ocorreu ou vem ocorrendo, estar seia diante de um crime contra a ordem tributária. 55. Nesse contexto, a ausência de provas que una a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor. Todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal. Demais disso, não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual. 56. Frisese: nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em um debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé. Neste pormenor aplicase o princípio da prevalência dos interesses públicos sobre os particulares. 57. Como se pode extrair, a situação é paradoxal porquanto a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um direito creditório que, como contrapartida, não possui o competente recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior. 58. Diante do que descortinado, a plausível conclusão conduz à inadmissibilidade do pleito formulado integralmente, no que toca às ditas compras de PJ, sob pena de gerar um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representaria uma cessão de interesses públicos.(grifo nosso) Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 11543.000381/200529 Acórdão n.º 3201003.023 S3C2T1 Fl. 9 15 A leitura do despacho decisório deixa evidente que não existiu o aprofundamento da matéria referente a aquisição de empresas inidôneas, tampouco tal fato foi utilizado como fundamento para negar o creditamento das operações da Recorrente. O Processo Administrativo Fiscal tem seu desenvolvimento a partir da existência de um lançamento ou decisão fiscal, que é objeto de questionamento por parte do contribuinte, que utilizando dos instrumentos da impugnação ou da manifestação de inconformidade, define as matérias sobre a qual discorda da decisão da autoridade fiscal. A delimitação da lide, submetida a apreciação dos julgamentos administrativos, está restrita aos fundamentos e fatos arrolados no despacho decisório, delimitado pelos argumentos trazidos pelo contribuinte nos seus recursos. No caso em tela, ao meu sentir, restou claramente identificado como fundamento utilizado no despacho decisório para negar os créditos referentes a aquisição de empresas atacadistas consideradas inidôneas, o fato de não existir o recolhimento das contribuições nas etapas anteriores. Assim, entendo que existiu na decisão da primeira instância, a utilização de fundamentos que não constariam do despacho decisório, determinando que tal decisão seja cancelada para realização de um novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes do despacho decisório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de um novo julgamento considerando unicamente os fundamentos constantes do despacho decisório. Winderley Morais Pereira Fl. 2670DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003004/00-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
Os pedidos de compensação protocolados anteriormente à vigência da MP 135/2003, convertida posteriormente na Lei 10.833/2003, que trouxe a redação do § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, são homologados no prazo de 5 anos contados do protocolo do pedido, pois tais pedidos converteram-se em declaração de compensação nos termos do § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela MP 66/2002, transformada posteriormente na Lei 10.637/2002. Entretanto, a compensação com débito de terceiros não está prevista na norma constante do art. 74, da referida Lei nº 9.430/96, devendo ser afastada eventual homologação tácita.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
SALDO NEGATIVO. CRÉDITO ORIGINADO A PARTIR DE IRRF. ERRO DE TRANSCRIÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DO CRÉDITO POR OUTROS MEIOS QUE COMPROVEM SUA EXISTÊNCIA.
A informação incorreta da origem do crédito tributário não pode, por si só, fundamentar o indeferimento do pleito, se, após o período de apuração, o IRRF fez parte do saldo negativo apurado e, principalmente, se o crédito efetivamente existiu.
CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. VIGÊNCIA DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. INEXISTÊNCIA DE SALDO DEVEDOR PERANTE A FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 era possível a cessão de créditos decorrentes de tributos administrados pela RFB para terceiros, desde que, a partir de encontro de contas (crédito e débito) do cedente perante a Fazenda Nacional, remanescesse saldo credor.
CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO DO TERCEIRO BENEFICIÁRIO APÓS A REVOGAÇÃO DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. IMPOSSIBILIDADE.
O § 1º do art. 15 da IN SRF 21/97 determina que ambas as partes desta relação de transferência de créditos (cedente e cessionário) apresentem seus respectivos pedidos de compensação. Desta forma, se uma das partes apresenta o pedido após a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 - que tratava da outorga de créditos a terceiros -, o pedido deve ser rejeitado, mesmo que todas as demais condições estejam preenchidas.
Numero da decisão: 1401-002.000
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação protocolados anteriormente à vigência da MP 135/2003, convertida posteriormente na Lei 10.833/2003, que trouxe a redação do § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, são homologados no prazo de 5 anos contados do protocolo do pedido, pois tais pedidos converteram-se em declaração de compensação nos termos do § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela MP 66/2002, transformada posteriormente na Lei 10.637/2002. Entretanto, a compensação com débito de terceiros não está prevista na norma constante do art. 74, da referida Lei nº 9.430/96, devendo ser afastada eventual homologação tácita. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 SALDO NEGATIVO. CRÉDITO ORIGINADO A PARTIR DE IRRF. ERRO DE TRANSCRIÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DO CRÉDITO POR OUTROS MEIOS QUE COMPROVEM SUA EXISTÊNCIA. A informação incorreta da origem do crédito tributário não pode, por si só, fundamentar o indeferimento do pleito, se, após o período de apuração, o IRRF fez parte do saldo negativo apurado e, principalmente, se o crédito efetivamente existiu. CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. VIGÊNCIA DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. INEXISTÊNCIA DE SALDO DEVEDOR PERANTE A FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE. Durante a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 era possível a cessão de créditos decorrentes de tributos administrados pela RFB para terceiros, desde que, a partir de encontro de contas (crédito e débito) do cedente perante a Fazenda Nacional, remanescesse saldo credor. CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO DO TERCEIRO BENEFICIÁRIO APÓS A REVOGAÇÃO DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. IMPOSSIBILIDADE. O § 1º do art. 15 da IN SRF 21/97 determina que ambas as partes desta relação de transferência de créditos (cedente e cessionário) apresentem seus respectivos pedidos de compensação. Desta forma, se uma das partes apresenta o pedido após a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 - que tratava da outorga de créditos a terceiros -, o pedido deve ser rejeitado, mesmo que todas as demais condições estejam preenchidas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10166.003004/00-93
anomes_publicacao_s : 201709
conteudo_id_s : 5777376
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-002.000
nome_arquivo_s : Decisao_101660030040093.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 101660030040093_5777376.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6947969
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:06:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049466171293696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 398 1 397 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.003004/0093 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.000 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria SALDO NEGATIVO DE IRPJ Recorrente SKY SERVIÇOS DE BANDA LARGA LTDA (CNPJ 00.497.373/000110), SUCESSORA POR INCORPORAÇÃO DE ITSA INTERCONTINENTAL TELECOMUNICAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITO DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. Os pedidos de compensação protocolados anteriormente à vigência da MP 135/2003, convertida posteriormente na Lei 10.833/2003, que trouxe a redação do § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, são homologados no prazo de 5 anos contados do protocolo do pedido, pois tais pedidos converteramse em declaração de compensação nos termos do § 4º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela MP 66/2002, transformada posteriormente na Lei 10.637/2002. Entretanto, a compensação com débito de terceiros não está prevista na norma constante do art. 74, da referida Lei nº 9.430/96, devendo ser afastada eventual homologação tácita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO. CRÉDITO ORIGINADO A PARTIR DE IRRF. ERRO DE TRANSCRIÇÃO. POSSIBILIDADE DE DEFERIMENTO DO CRÉDITO POR OUTROS MEIOS QUE COMPROVEM SUA EXISTÊNCIA. A informação incorreta da origem do crédito tributário não pode, por si só, fundamentar o indeferimento do pleito, se, após o período de apuração, o IRRF fez parte do saldo negativo apurado e, principalmente, se o crédito efetivamente existiu. CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. VIGÊNCIA DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. INEXISTÊNCIA DE SALDO DEVEDOR PERANTE A FAZENDA NACIONAL. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 30 04 /0 0- 93 Fl. 398DF CARF MF 2 Durante a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 era possível a cessão de créditos decorrentes de tributos administrados pela RFB para terceiros, desde que, a partir de encontro de contas (crédito e débito) do cedente perante a Fazenda Nacional, remanescesse saldo credor. CESSÃO DE CRÉDITOS A TERCEIROS. PROTOCOLIZAÇÃO DO PEDIDO DO TERCEIRO BENEFICIÁRIO APÓS A REVOGAÇÃO DO ART. 15 DA IN SRF 21/97. IMPOSSIBILIDADE. O § 1º do art. 15 da IN SRF 21/97 determina que ambas as partes desta relação de transferência de créditos (cedente e cessionário) apresentem seus respectivos pedidos de compensação. Desta forma, se uma das partes apresenta o pedido após a vigência do art. 15 da IN SRF 21/97 que tratava da outorga de créditos a terceiros , o pedido deve ser rejeitado, mesmo que todas as demais condições estejam preenchidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de homologação tácita da compensação. Vencidos os Conselheiros Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DRJ/BSA), que, por meio do Acórdão 0323.062, de 31 de outubro de 2007, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela empresa, mantendo na íntegra a não homologação do crédito tributário pleiteado. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10166.003004/0093 Acórdão n.º 1401002.000 S1C4T1 Fl. 399 3 Sirvome do relatório constante na Resolução nº 1102000.192, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção, que baixou o processo em diligência após constatação de fatos novos à investigação da contenda: (início da transcrição do relatório constante na resolução do CARF) Tratase de recurso voluntário interposto por ITSA INTERCONTINENTAL COMUNICAÇÕES LTDA contra acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/Brasília que concluiu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade contra despacho decisório que havia indeferido pedido de compensação, não reconhecendo o valor creditório alegado. O pedido de compensação (fls. 01 do processo em papel), no valor de R$ 5.808,74, é motivado pela existência de um suposto crédito oriundo de valores retidos no anocalendário de 1999, a título de imposto de renda na fonte, os quais totalizavam o montante de R$ 1.674.336,98 no início de uma sequência de pedidos de compensação iniciada no processo de nº 10166.001337/0013. Cumpre também mencionar que o pedido referese à compensação com débitos de terceiros. Contudo, esse tipo de compensação somente foi vedado, pela IN/SRF nº 41/00, posteriormente à protocolização do seu pedido. Nesta ocasião, tal procedimento era autorizado pelo artigo 15 da IN/SRF nº 21/97. Apenso ao presente processo, consta o de nº 14033.000115/200714 em que a terceira interessada na compensação solicita o cadastramento de seus débitos. Anexos aos pedidos, a requerente juntou demonstrativos das retenções efetuadas, cópias de notas fiscais de prestação de serviços de administração e cópias de DARF (fls. 04 a 162 do processo em papel). O despacho decisório da delegacia de origem indeferiu o pedido fundamentado no fato de que o imposto de renda retido na fonte, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições. A requerente haveria que determinar o saldo negativo e, ainda, no caso dos débitos de terceiros, comprovar a impossibilidade de sua utilização com débitos próprios. Em sua manifestação de inconformidade, essencialmente, a interessada alegou que, apesar de o pedido referirse às antecipações do IRPJ, antes de apresentar o pleito de compensação já verificara saldo negativo do imposto de renda ao final de 1999, como demonstrava a DIPJ anexada, e que a mesma indicava a opção pelo lucro real anual. Por isso, no início de 2000, os créditos inseridos no pedido já eram consolidados, líquidos e certos, e já constavam na base da Receita Federal quando da sua apreciação, devendo ter sido considerados pela autoridade fiscal. Invocou, nesse sentido, o efeito declaratório da DIPJ e o princípio da instrumentalidade das formas. Ademais, quanto aos débitos de terceiros, alegou que a legislação à época permitia esta compensação. A já mencionada 4ª Turma da DRJ/Brasília proferiu o Acórdão nº 0323.062, de 31 de outubro de 2007, por meio do qual decidiu pelo indeferimento da manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido fundamentou sua decisão, quanto ao essencialmente alegado, amparado no fato de que não ficou provado nos autos, mediante registros contábeis e fiscais, acompanhados da documentação hábil, que: (i) as receitas auferidas, que sofreram retenções, foram oferecidas à tributação no cômputo do Fl. 400DF CARF MF 4 lucro real e (ii) que seria impossível a utilização de débitos próprios pela pessoa jurídica detentora do suposto crédito. Inconformada, a requerente apresentou recurso voluntário no qual oferece os seguintes argumentos: a) Apesar de o pedido referirse às antecipações do IRPJ, antes da decisão da 1ª instância, o saldo negativo já havia se consolidado através do decurso do tempo e da apresentação da DIPJ, a qual, por sua vez, já indicava a opção pelo lucro real anual. b) No momento do protocolo do pedido de compensação, os créditos inseridos já eram consolidados, líquidos e certos, e já constavam na base da Receita Federal quando da apreciação do pedido, devendo ter sido considerados pela autoridade fiscal. c) Sobre o efeito declaratório da DIPJ, o 1º Conselho de Contribuintes já o havia reconhecido em várias oportunidades, tal como no Acórdão nº 101945.03, do qual transcreve alguns trechos. d) Considerar a existência do crédito compensável a partir da apresentação da DIPJ, em que pese a equivocada menção à antecipações no pedido, encontra respaldo no princípio da instrumentalidade das formas. O formalismo deve servir apenas e exclusivamente para alcançar seu fim e não para obstálo. Nesse sentido, cita doutrina de Eros Grau e alguns julgados do STJ. e) As teorias da invalidação e convalidação dos atos administrativos devem ser consideradas para suprir a invalidade com efeitos retroativos. Cita, nessa linha, os ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Melo. Posteriormente, a título de razões complementares, em nova peça recursiva, acrescenta: f) A Receita Federal, através de despacho decisório prolatado nos autos do processo administrativo nº 10166.000417/200394, do qual anexa cópia, reconheceu o crédito do saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 1999 no montante de R$ 3.058.784,23. g) Quanto à alegada necessidade de comprovação da impossibilidade de se aproveitar dos próprios créditos, cabe salientar fato já comprovado à Receita Federal, de que a ITSA sofreu prejuízos fiscais no período de 1999 a 2006, conforme valores informados em tabela que anexa, os quais foram regularmente declarados nas DIPJs do período. A recorrente, como holding, quase não auferiu receitas no período e o recolhimento de impostos federais não foi suficiente para consumir todo o crédito. Ademais, a exigência de COFINS e PIS sobre receitas financeiras no período de fevereiro de 1999 a janeiro de 2004 foi contestada perante o Judiciário. As ações transitaram em julgado em seu favor, sendo que, relativamente à COFINS, obteve sua homologação nos autos de pedido de compensação deferido em 17/11/06, conforme anexa, e relativamente ao PIS, ainda não teria solicitado a habilitação do crédito. Ao final, requer o provimento do recurso para que seja deferido o pleito de compensação, reconhecendose como válido o valor creditório apresentado para tanto. Antes de o processo ser remetido para o CARF, a delegacia de origem entendeu que o direito creditório havia sido definido pelo mesmo despacho decisório citado pela recorrente, ou seja, aquele proferido nos autos do processo nº 10166.000417/200394. Com isso, visando uniformidade de procedimento com Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10166.003004/0093 Acórdão n.º 1401002.000 S1C4T1 Fl. 400 5 relação a todas as compensações com origem no mesmo direito creditório, as quais foram pleiteadas em diversos processos, procedeu à elaboração de um relatório denominado Demonstrativo Analítico de Compensação por meio do Sistema Operacional – SAPO, no qual detalha a situação de compensação de todos os pedidos por entender que o direito creditório é suficiente. (término da transcrição do relatório constante na resolução do CARF) Não obstante a Informação Fiscal supra prestada pela DRF/BSA em relação ao processo nº 10166.000417/200394, o Conselheiro relator (à época) deste processo ainda permaneceu em dúvida em relação a algumas questões, as quais reproduzo abaixo (efls. 384 e 385): Diante disso, a Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT – da delegacia de origem elaborou o mencionado relatório do Sistema Operacional – SAPO (fls. 301 a 362 do processo em papel), no qual detalha a situação dos pedidos de compensação de 111 débitos, reunidos em diversos processos, inclusive o presente, e perfazendo um total de R$ 1.990.071,66, por entender que o direito creditório reconhecido seria suficiente. Contudo, não ficou claro se o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/200394 efetivamente reconheceu os R$ 3.058.784,23 como crédito referente ao saldo negativo do IRPJ de 1999 ou se apenas reconheceu os R$ 393.416,18 utilizados na compensação do referido processo. A dúvida exsurge, principalmente, a partir do que está estatuído no item 21 do despacho decisório. Além disso, não ficou também claro se dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório (conforme seu item 19), estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98, inicialmente alegado como crédito passível de compensação na protocolização dos pedidos formulados neste e em outros processos. Ademais, há que se aferir também a efetiva inexistência de débitos da própria recorrente na data da protocolização dos pedidos em que solicita compensação com débitos de terceiros. De fato, o artigo 15 da IN/SRF nº 21/97, autorizado pelas disposições legais então vigentes, assim dispunha: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (grifo nosso) Portanto, tratase de verificar se a contribuinte possuía débitos de sua própria titularidade em aberto quando protocolou o pedido. As alegações e documentos juntados pela recorrente em suas razões complementares, apesar de sugestivas dessa inexistência de débitos, não se prestam à comprovação efetiva da condição estabelecida na norma. Assim, resolveu baixar o processo em diligência, ocasião em que foi acompanhado pela turma, para que a Delegacia de origem adotasse as seguintes providências: 1. Confirmar se dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/2003 Fl. 402DF CARF MF 6 94 (conforme seu item 19) estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98 inicialmente alegado como crédito passível de compensação na protocolização dos pedidos formulados neste e em outros processos. Observar que junto aos pedidos a requerente havia anexado demonstrativos das retenções efetuadas, cópias de notas fiscais de prestação de serviços de administração e cópias de DARF (fls. 4 a 162 do processo em papel). 2. Verificar a efetiva inexistência de débitos da própria recorrente na data da protocolização do pedido em que solicita compensação com débitos de terceiros (fls. 01 do processo em papel). Terminada a diligência, a fiscalização elaborou Informação Fiscal em que reconhece que dentre as retenções do imposto de renda na fonte que fundamentaram o despacho decisório proferido no processo nº 10166.000417/200394 (conforme seu item 19) estão incluídas as retenções que totalizam o montante de R$ 1.674.336,98. Outrossim, confirmou a autoridade fiscal que não há débitos da própria recorrente na data da protocolização do pedido em que solicita compensação com débitos de terceiros, conforme se pode extrair dos trechos abaixo colacionados (efls. 387 e 388): Resposta ao item 1 da Diligência 2. Em relação ao quesito confirmação das retenções, fora realizada uma conferência entre os documentos (notas fiscais e darfs) apresentados pelo contribuinte (processo 10166.001337/0013 fl. 42/181) e os valores retidos em DIRF. Os valores dos documentos apresentados que foram localizados em DIRF foram desconsiderados, haja vista já terem sido reconhecidos quando da apreciação do processo 10166.000417/200394. Destacase que o citado processo já computou as retenções contidas em DIRF, motivo pelo qual desconsiderase aqui as retenções já utilizadas. 4. Desta feita, excluídos os valores já reconhecidos em DIRF, temse o resultado constante na Tabela1, em anexo. Do total de retenções alegadas pelo Contribuinte (R$ 1.674.336,98), não fora localizado em DIRF beneficiário apenas o valor de R$ 153.336,36 (Cento e cinquenta e três mil, trezentos e trinta e seis reais e trinta e seis centavos.), tendo sido o restante já aproveitado no processo 10166.000417/200394. Portanto, fica esclarecido o quesito 1 da presente Diligência. Resposta ao item 2 da Diligência 5. Quanto ao quesito nº 2, que trata da verificação da inexistência de débito na data da protocolização do pedido, informase que, dentre as consultas que puderam ser realizadas para obtenção de tal informação, não se identificou a existência de débitos em aberto no momento da impetração do processo. 6. Portanto, concluise a presente Informação Fiscal em atendimento aos requerimentos dessa Corte Administrativa. Ainda na Informação Fiscal, o auditor fiscal reforçou a necessidade de manutenção da não homologação do crédito aqui pleiteado. Vejase: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10166.003004/0093 Acórdão n.º 1401002.000 S1C4T1 Fl. 401 7 8. Todos os processos a seguir relacionados foram impetrados com base no mesmo fundamento, qual seja. Após a realização da apuração do IRPJ, em 31 de dezembro, o impetrante identifica possíveis novas retenções e impetra processo paralelo com o intuito de reaver/compensar tais valores alegadamente retidos. (processos: 10166.001337/0013, 10166.001336/0042, 10166.001469/0046, 10166.001470/0025, 10166.003003/0021, 10166.003006/0019, 10166.003004/00 93 e 10166.003005/0056) 9. Contudo, acertadamente todos os Despachos Decisórios, fundamentados nos artigos 1º a 6º da Lei 9.430/1996, ou em sua regulamentação, Decreto 3000/1999, artigos 647, 650, 770, §§, 773, restaram por indeferir o pleito do Contribuinte. Pois, como decorrência da clara leitura do art. 2º, §§ da Lei 9430/1996, in verbis, a pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado. A pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. (grifos nossos) 10. Ou seja, a previsão legal existente determina a apuração do Lucro Real a cada 31 de dezembro, possibilitando a dedução dos valores antecipadamente retidos na fonte. Contudo, não há previsão legal para o aproveitamento dos valores retidos na fonte que não seja por meio da sistemática estabelecida pela Lei 9.430/1996. Menos ainda existe a possibilidade de restituição/compensação direta de valores retidos. 11. Desta forma, causa muita estranheza o viés dado ao deslinde do presente processo, com a conversão do julgamento em diligência para apreciar uma atitude do contribuinte que não possui substrato legal. E tratandose o E. CARF um tribunal administrativo, é plenamente sabido que suas decisões não podem se fundamentar praeter legem, decidindose de forma a exorbitar que a lei previu. 12. Admitir que o contribuinte possa descumprir a lei, transmutando ao Fisco a responsabilidade pela verificação, conferência, e chancela da atividade contribuinte, significa jogar por terra o instituto tributos lançados por homologação, e lançamento por homologação, o qual atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento (apuração) sem prévio exame da autoridade administrativa. 13. Portanto, dada a solidez do instituto do lançamento por homologação, dada a previsão expressa contida na Lei nº 9.430/1996, e pelo detalhamento contido no Decreto nº 3.000/1999, reforço nesta Informação Fiscal que fora deveras acertado o Despacho Decisório prolatado no presente processo, exarado pelo AuditorFiscal da Delegacia da Receita Federal em Brasília/DF. A empresa foi notificada sobre o teor da Informação Fiscal, por meio de seu representante legal, Sr. Luiz Eduardo B. Pinto da Rocha, mas não apresentou qualquer manifestação. Passado isto, o processo retornou a este CARF para o prosseguimento de seu julgamento. Como o relator do processo no CARF, Ricardo Marozzi Gregório, renunciou ao mandato de Conselheiro, nos termos da Portaria MF nº 442/2016, publicada no D.O.U. de 22/11/2016, o processo foi redistribuído, cabendo a mim sua relatoria. Fl. 404DF CARF MF 8 É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na discussão do mérito, verifiquei que há uma questão prejudicial a ser avaliada: o prazo entre a protocolização do pedido de compensação e a ciência do Despacho Decisório é maior que o prazo de 5 (cinco) anos. Assim, passo a apreciar tal questão: PREJUDICIAL DE MÉRITO O pedido de compensação foi protocolado na data de 13/03/2000, conforme se observa na tela abaixo, extraída do comprot. A ciência do Despacho Decisório se deu na data de 24/05/2007 (cf. AR de efls. 186). Antes, porém, de analisar se ocorreu a homologação tácita do pedido de compensação, é preciso expor a falta de prequestionamento quanto a este ponto. A empresa não trouxe ao processo o pedido de reconhecimento de homologação tácita nem na impugnação, tampouco no recurso voluntário , não tendo sido, portanto, explorado pela instância a quo. Assim, devese avaliar a possibilidade de reconhecer, ou não, a matéria que versa sobre eventual homologação tácita, tendo em vista o princípio processual da preclusão, conforme dita o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10166.003004/0093 Acórdão n.º 1401002.000 S1C4T1 Fl. 402 9 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Da inteligência do artigo, extraise que questões não trazidas ao processo desde a impugnação não merecem ser analisadas pelo julgador, devendo ser afastadas. Por outro lado, é cediço que a decadência (ou, no caso, a homologação tácita) é matéria de ordem pública, a qual pode ser interpretada como norma que ultrapassa o interesse das partes no litígio, porquanto tem objetivo de alcançar o interesse da sociedade, que decorre do interesse público. É de sabença dos militantes do direito que matérias de ordem pública devem ser reconhecidas de ofício, independentemente de prequestionamento, ao menos no processo administrativo fiscal. Sendo assim, reconheço de ofício a possibilidade de análise da homologação tácita, passando a avaliála. Pois bem. Como dito, a empresa apresentou o pedido de compensação na data de 13/03/2000, sendo que a ciência do Despacho Decisório se deu na data de 24/05/2007. Caso o processo de compensação fosse protocolado após a vigência da MP 135/2003, convertida na Lei 10.833/2003, ou seja, após (inclusive) 30/10/2003, o prazo para homologação tácita seguiria o disposto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, reproduzido abaixo: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Como a ciência do Despacho Decisório se deu após o prazo de 5 (anos) do protocolo do pedido de compensação, a homologação tácita já teria sido atingida, cabendo tão somente o seu reconhecimento por parte deste órgão julgador. Entretanto, o pedido de compensação se deu em data anterior à vigência da referida MP 135/2003. Assim, o que se deve buscar é se a referida regra homologatória pode ser aplicada ao caso em comento. A princípio, poderseia concluir que os processos de compensação protocolados antes da vigência da MP 135/2003 não deveriam seguir prazo algum para homologação tácita. Desta forma, a Receita Federal poderia analisar pedidos de compensação e emitir parecer ao pleito das empresas a qualquer tempo. Mas não é isso. A introdução do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, pela MP 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, teve o objetivo de converter os pedidos de compensação Fl. 406DF CARF MF 10 protocolados anteriormente à data de sua vigência, qual seja, 01/10/2002 em declaração de compensação: § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. Como visto, o legislador atribuiu os mesmos efeitos no artigo 74 aos pedidos de compensação protocolados anteriormente à vigência da MP 66/2002. Posteriormente, com a redação dada ao § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96, constouse previsão de que os pedidos de compensação são homologados no prazo de 5 anos contados de seu protocolo: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, podese concluir que os pedidos de compensação protocolados anteriormente a 01/10/2002 foram convertidos em declaração de compensação, e, em decorrência disso, seguem o prazo de homologação tácita de 5 (cinco) anos, conforme a redação dada ao supracitado § 5º do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Ocorre que a compensação com débito de terceiros, apesar de permitida durante a vigência do art. 15 da IN/SRF nº 21/971, não foi contemplada pela redação constante no caput do artigo 74, da Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) (gn) Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (gn) É de se reparar que o artigo 74 aplicase às compensações efetuadas com débitos próprios, e não com débitos de terceiros, como é o caso aqui analisado. Sendo assim, as compensações efetuadas com débitos de terceiros não se convertem em declaração de compensação, pois, conforme interpretação da parte final da redação do § 4º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, "... serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo" (destaquei), o 1 Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10166.003004/0093 Acórdão n.º 1401002.000 S1C4T1 Fl. 403 11 artigo 74 não se aplica às compensações protocoladas com objetivo de abater débitos de terceiros. Também entendo que deve ser afastado eventual argumento de que a redação não previu a possibilidade de compensação com débitos de terceiros, pois, na época de sua vigência, a legislação que permitira tal compensação já não estava mais vigente. Isto porque entendo que a regra estampada na Lei 9.430/96 é muito clara, não permitindo outra interpretação. Se o legislador intentasse permitir a compensação com débitos de terceiros, teria efetivamente positivado a regra. Como não o fez, deve ser afastado tal argumento. A COSIT se manifestou sobre o prazo para homologação de compensação, conforme SCI (Solução de Consulta Interna) nº 1, de 04/01/2006, concluindo também por sua impossibilidade: EMENTA: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃORECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Diante do exposto, voto por REJEITAR a preliminar de homologação tácita quanto ao pedido de compensação protocolado neste processo. MÉRITO Fl. 408DF CARF MF 12 A questão nuclear a ser discutida gravita na configuração apresentada pela recorrente para pleitear crédito tributário de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. Como visto, o pedido de compensação protocolado pela recorrente tem na sua origem a apuração de crédito decorrente de IRRF do ano de 1999, e não em apuração de saldo negativo gerado no referido anocalendário. Ultrapassado isso, devese avaliar se a recorrente poderia ter cedido seus créditos a terceiros: análise da legislação da época da cessão; verificação de débitos perante a Fazenda Nacional; e confirmação da data de protocolização dos pedidos de compensação, por parte do cedente e do cessionário do crédito envolvido. Pois bem. A fiscalização, com base na dicção do art. 650, do RIR/99, não homologou a compensação pleiteada por entender que o imposto de renda retido na fonte, por ser considerado antecipação do devido no encerramento do período de apuração, não pode ser compensado diretamente com outros tributos e contribuições. Outrossim, como a recorrente solicitou a compensação com débitos de terceiros, a fiscalização indeferiu o pedido adicionando informação de que a empresa não comprovou a impossibilidade de utilização do crédito apurado com débitos próprios, premissa indispensável à cessão de créditos a terceiros. A recorrente, por sua vez, alega que no momento da análise do crédito pleiteado já havia apurado saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999. Em razão disso, não obstante a informação equivocadamente prestada no pedido de compensação, o direito à compensação superava a forma como foi apresentado o pedido. Pois bem. Analisando a DIRF do anocalendário de 1999, que tem como beneficiária a recorrente, percebo que o valor de Imposto de Renda Retido na Fonte corresponde à monta de R$ 3.058.784,23, veja: No processo 10166.000417/200394 (efl. 210), a DRF preparou a tabela abaixo apresentando a descrição de cada código de retenção: Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10166.003004/0093 Acórdão n.º 1401002.000 S1C4T1 Fl. 404 13 No Despacho Decisório (efls. 213 a 219) constante no processo 10166.000417/200394, a fiscalização deferiu o crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1999 no montante de R$ 3.058.784,23, vejase (efl. 218): (início da transcrição do Despacho Decisório) 18. Ao analisar os relatórios do sistema Sief Dirf das filiais verificouse que, no anocalendário de 1999, nenhuma delas sofreu retenção na fonte. 19. Desta forma temse, dividido por código de arrecadação, o total de retenção no ano calendário de 1999 conforme consolidado na Tabela 2 (fl. 214). Fl. 410DF CARF MF 14 Portanto, o montante passível de utilização para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999 a título de IRRF é de R$ 3.058.784,23. 20. Como a contribuinte não apurou imposto devido no anocalendário de 1999 e sofreu retenções no valor de R$ 3.058.784,23, o montante total passível de utilização como crédito de saldo negativo de IRPJ seria de R$ 3.058.784,23. Mas a contribuinte optou neste processo a solicitar como crédito apenas o valor de R$ 393.416,18 (fl. 02). (destaquei) 21. Portanto validase, como optou a contribuinte, o montante de R$ 393.416,18 como crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999. (término da transcrição do Despacho Decisório) Como visto, a empresa possuía saldo negativo apto a convalidar a compensação solicitada neste processo. Entretanto, a única diferença é que, em relação a este processo (nº 10166.003004/0093), a recorrente solicitou o pedido de homologação de crédito e compensação a partir da apuração do IRRF, e não do saldo negativo de IRPJ, o que já foi feito no processo nº 10166.000417/200394. Não obstante a indevida informação constante neste processo que se julga, entendo impertinente a improcedência da manifestação de inconformidade pela DRJ/BSA, uma vez que a empresa comprovadamente demonstrou ter apurado saldo negativo no ano de 1999 no montante de R$ 3.058.784,23, apenas tendo cometido falha na elaboração do pedido. Isto porque, como trazido pela recorrente, na protocolização do pedido em 03/2000, a empresa já havia apurado o seu resultado fiscal do ano de 1999, o qual resultou na apuração de prejuízo fiscal do ano corrente. Veja na ficha 13A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real) da DIPJ 2000, ac 1999 (efl. 215), que a empresa apurou o referido saldo negativo de IRPJ. Observase que, apesar de conter o valor de R$ 3.199.593,37 de saldo negativo na DIPJ, a empresa posteriormente reconheceu que somente teria o montante de R$ 3.058.784,23. Sendo assim, incorreto seria fundamentar a não homologação do crédito tributário e, por consequência, as compensações efetuadas, na incorreção da informação Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10166.003004/0093 Acórdão n.º 1401002.000 S1C4T1 Fl. 405 15 prestada pela empresa, abstendose de conceder um crédito tributário que efetivamente a empresa demonstrou ter apurado. Para formar meu livre convencimento sobre o julgamento deste processo, entendo que devo me servir da verdade material. Conforme lição de Leandro Paulsen2, o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade julgadora deverá buscar a realidade dos fatos, conforme ocorrida, e para tal, ao formar sua livre convicção na apreciação dos fatos, poderá julgar conveniente a realização de diligência que considere necessárias à complementação da prova ou ao esclarecimento de dúvida relativa aos fatos trazidos no processo. Aplicando tal primado ao presente caso, entendo perfeitamente possível analisar o pedido de compensação da recorrente, mesmo que tenha se equivocado na prestação de informação sobre a origem do crédito ao fisco. Partindo da premissa de que é possível reconhecer o crédito da recorrente, devese avaliar a possibilidade de compensação com débito de terceiros. Como já trazido pela fiscalização, o pedido de compensação com débitos de terceiros foi apresentado durante a vigência do art. 15 da IN/SRF nº 21/97, dispositivo legal que permitia tal compensação, desde que os créditos excedessem o total dos débitos da requisitante. A partir da diligência requerida pela turma do CARF, a fiscalização confirmou que a recorrente não tinha débitos perante a Fazenda Nacional que impedissem a outorga de créditos a terceiros. Sendo assim, restou possibilitada a transferência dos créditos apurados a terceiros. Entretanto, resta verificar se o crédito é suficiente para compensar os débitos constantes neste processo, nos demais processos de compensação que também foram indeferidos pelas mesmas razões constantes no Despacho Decisório e na decisão da DRJ (processos 10166.001337/0013, 10166.001336/0042, 10166.001469/0046, 10166.001470/0025, 10166.003003/0021, 10166.003005/0056, 10166.003006/0019), e também, no processo nº 10166.000417/200394. Como visto, no processo nº 10166.000417/200394, a fiscalização acostou tabela em que demonstra o total de débitos compensados a partir daquele processo (efl. 209): 2 PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência, 5. ed., Porto Alegre, Livraria do Advogado. Fl. 412DF CARF MF 16 Os débitos de terceiros compensados a partir desse processo e dos processos 10166.001337/0013, 10166.001336/0042, 10166.001469/0046, 10166.001470/0025, 10166.003003/0021, 10166.003005/0056, 10166.003006/0019, comportam o montante conforme a tabela abaixo (efl. 181): Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10166.003004/0093 Acórdão n.º 1401002.000 S1C4T1 Fl. 406 17 Desta forma, mesmo com a compensação dos débitos constantes no processo 10166.000417/200394, ainda assim sobrariam créditos suficientes para que todas as compensações constantes nos processos 10166.001336/0042, 10166.001337/0013, 10166.001469/0046, 10166.001470/0025, 10166.003003/0021, 10166.003004/0093, 10166.003005/0056, 10166.003006/0019 fossem homologadas. Por fim, quanto à tributação dos rendimentos que geraram a retenção na fonte, exigência somente ventilada pela DRJ, entendo que a informação na DIPJ ac 1999 (efl. 205) é suficiente para comprovar que as receitas que sofreram retenção do imposto de renda na fonte foram tributadas, conforme abaixo: Isto porque seria muito improvável que os rendimentos que sofreram retenção na fonte e foram informados na DIRF pelas fontes pagadoras não fossem informados na DIPJ, mas sim outros rendimentos que não sofreram retenção pelas fontes pagadoras. Fl. 414DF CARF MF 18 Outrossim, na ficha 10A (efl. 206), não consta exclusão referente às receitas acima. Somente consta exclusão relevante de "Ajustes por aumento de valor de investimento avaliado pelo PL" no montante de R$ 147.112.829,86, para anular efeito da linha 25 da ficha 07A (Resultados positivos em participações societárias), no mesmo valor. Desta forma, pode se concluir que os rendimentos foram considerados na apuração do lucro real/prejuízo fiscal. Quanto à receita de prestação de serviços, consta como base para retenção o montante de R$ 1.257.339,67. Na DIPJ consta o valor de R$ 1.195.105,93. Apesar de divergência, os valores não são necessariamente coincidentes, pois a retenção é feita (e declarada na DIRF) com base no regime de caixa, enquanto que a tributação da receita é feita com base no regime de competência. Desta forma, como os valores se aproximam, concluo que a receita de prestação de serviços referente à retenção na fonte foi efetivamente tributada. Por tudo que foi exposto, entendo que seria possível o deferimento da compensação solicitada pela recorrente neste processo administrativo fiscal, a não ser pela ressalva que faço abaixo, em relação ao prazo para protocolização do pedido feito pelo terceiro beneficiado com o crédito. Protocolização dos Pedidos de Compensação prazo Como visto, a compensação com débitos de terceiros era permitida com base no art. 15 da IN SRF 21/97: Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) Entretanto, o § 1º do dispositivo legal aduz que o pedido de compensação deverá ser efetuado por ambos os contribuintes, titulares do crédito e do débito. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 41, de 07 de abril de 2000) Posteriormente, a referida regra de transferência de crédito foi revogada pelo art. 2º da IN SRF 41/2000, que teve vigência a partir de 10 de abril de 2000: Art. 2º Fica revogado o art. 15, caput e parágrafos, da Instrução Normativa SRF No 021, de 10 de março de 1997. Ocorre que, não obstante ambas empresas envolvidas terem apresentado os pedidos de compensação, como exigia o § 1º do art. 15 da IN 21/97, e a empresa cedente do crédito ora recorrente ter protocolado o pedido de compensação na data de 13/03/2000, a empresa beneficiadora do crédito (terceiro beneficiado) apresentou o referido pedido na data de 13/03/2007, ou seja, após o prazo de vigência do art. 15 da IN 21/97 período em que não mais se permitia a transferência dos créditos. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10166.003004/0093 Acórdão n.º 1401002.000 S1C4T1 Fl. 407 19 Assim, o pedido de compensação deve ser negado. Conclusão Diante do exposto, voto por AFASTAR a preliminar de homologação tácita, e, no mérito, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário, pelas razões acima aduzidas. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 416DF CARF MF
score : 1.0
