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Numero do processo: 10380.001205/2006-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR
SER SÓCIO DE EMPRESA.
Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a Pessoa Física o residente no Brasil, que, no ano-calendário, participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa.
IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO.
A apresentação da Declaração de Ajuste Anual é uma obrigação acessória para os contribuintes que se enquadrem nos parâmetros legalmente estabelecidos de obrigatoriedade. Quando há inadimplemento dessa obrigação, pela não apresentação no prazo estabelecido, está caracterizado o fato gerador da penalidade pecuniária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- auto infração - multa por atraso na entrega da DIRPF
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a Pessoa Física o residente no Brasil, que, no ano-calendário, participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa. IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Ajuste Anual é uma obrigação acessória para os contribuintes que se enquadrem nos parâmetros legalmente estabelecidos de obrigatoriedade. Quando há inadimplemento dessa obrigação, pela não apresentação no prazo estabelecido, está caracterizado o fato gerador da penalidade pecuniária. Recurso Voluntário Negado.
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Matéria IRPF MULTA POR ATRASO NA DECLARAÇÃO Recorrente ISMENIA RIBEIRO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA. Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda a Pessoa Física o residente no Brasil, que, no anocalendário, participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa. IRPF – MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. A apresentação da Declaração de Ajuste Anual é uma obrigação acessória para os contribuintes que se enquadrem nos parâmetros legalmente estabelecidos de obrigatoriedade. Quando há inadimplemento dessa obrigação, pela não apresentação no prazo estabelecido, está caracterizado o fato gerador da penalidade pecuniária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Marconi de Oliveira Relator. (assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 EDITADO EM: 24/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos (presidente), Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Acácia Sayuri Wakasugi, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório A contribuinte acima identificada foi autuada por meio de Notificação de Lançamento (fl. 3), decorrente do atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda, referente ao exercício 2005, com aplicação do valor mínimo da multa, estipulada em R$ 165,74. A requerente apresentou impugnação alegando que “a empresa individual constituída em nome da requerente” teve o intuito de “exercer atividades comerciais com a venda de palmilhas, que seriam compradas em outro Estado da Federação”. Porém, que foram infrutíferas as negociações. Afirma que não teve o “cuidado de dar baixa junto a Receita Federal, ressalvando que se assim não procedeu foi por falta de informações necessárias”. E requer que se torne inexistente o crédito tributário apurado por não ter condições de arcar com o valor que está sendo cobrado. A 1ª Turma da DRJ/FOR decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O voto é fundamentado na IN nº 507/2005, que regulamenta a apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física referente ao exercício 2005, e nos artigos 97 e 142 do Código Tributário Nacional (CTN). A recorrente recebeu ciência do julgamento em 28 de agosto de 2009 (fl. 19) e apresentou recurso no dia 25 de setembro de 2009 (fl. 20) solicitando que seja revisto “seu processo, eximindoa da obrigatoriedade do recolhimento da multa”. Não faz juntada de provas ou documentos novos aos autos. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.001205/200632 Acórdão n.º 2102001.029 S2C1T2 Fl. 28 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que a contribuinte interpôs recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. A matéria em litígio envolve multa por atraso na entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, em decorrência da obrigatoriedade da entrega da referida declaração, por apresentarse a requerente como responsável, perante o Ministério da Fazenda, pela empresa Ismênia Ribeiro da Silva ME. A empresa, conforme pesquisa efetuada em 14 de julho de 2006 (fl. 7), encontravase na situação “ativa regular”. A multa exigida no lançamento em exame está amparada na legislação tributária em vigor. O artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995, determina que a entrega da declaração fora do prazo estipulado no artigo 7º da Lei nº 9.250, de 1995, incorre na aplicação de multa. O valor da multa que trata o presente processo foi convertido em reais pela Lei nº 9.532, de 1997. A Lei nº 9.779, de 1999, artigo 27, estabelece competência a Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. A norma legal disposta pela Receita Federal, que para a declaração do exercício 2005 era a Instrução Normativa 507, de 2005, determina que está obrigado a entrega no prazo legal estabelecido o sujeito passivo que “participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou cooperativo”. De acordo com a legislação corrente, a falta de apresentação da declaração ou sua apresentação fora do prazo sujeita a pessoa física à multa. Os valores correspondem a 1% por mês de atraso ou fração sobre o imposto devido, limitada a 20%, com o valor mínimo previsto no §1o, alínea "a", do artigo 88 da Lei nº 8.981, de 1995, quantia que, convertida para reais, resulta em R$ 165,74. No caso em questão, o valor mínimo. A legislação não permite ao julgador a remissão, já que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção dos créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades, conforme expresso no artigo 97, inciso VI do Código Tributário Nacional (CTN). O entendimento é reforçado pelo expresso no artigo 141 do mesmo código: LEI Nº 5.172, DE 25 DE OUTUBRO DE 1966. Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Quanto à alegação da interessada de que não tem condições de pagar o valor que está sendo cobrado, cabe esclarecer que ocorrido o fato gerador a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente á época do fato, não tendo repercussão a atual situação econômicofinanceira do sujeito passivo. Diante do exposto, conheço do recurso e voto no sentido de negarlhe provimento. Francisco Marconi de Oliveira – Relator (assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 24/10/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 2 5/03/2011 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/2011 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 13629.900740/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1401-003.461
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, ano-calendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13629.900731/2013-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatando-se dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refaz-se a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurando-se crédito disponível, aplica-se ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Constatandose dos documentos acostados ao processo que o contribuinte apresentou equivocadamente PER/DCOMP relativo a pagamento a maior ou indevido quando seu crédito deveria ser manejado como saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, refazse a análise do crédito sob a forma de Saldo Negativo, e, apurandose crédito disponível, aplicase ao mesmo a sistemática de atualização aplicável aos saldos negativos para fins de compensação com os débitos declarados nos PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13629.900731/201344, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 90 07 40 /2 01 3- 35 Fl. 206DF CARF MF 2 Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1665.733 proferido pela Quarta Turma da DRJ/SPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: O presente processo trata da Declaração de Compensação – DCOMP – nº (...), transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM), no valor total de R$ 49.402,42 O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de IRPJ, devida mensalmente,de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, código de receita nº 5993, período de apuração de 28/02/2011 e arrecadado em 31/03/2011. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Foi dada ciência do despacho em 13/08/2013 e apresentouse manifestação de inconformidade em 11/09/2013, nos seguintes termos em síntese: 1Tratase de compensação de débito de IRPJ e CSSL, pagos no período de janeiro de 2011 a maio de 2011, apurados pelo regime estimativa mensal, com base na Receita Bruta e Acréscimos, devidamente pagos, conforme relatório de pagamentos obtido junto ao ECAC (doc. 03) e informado nas DCTFs do período (doc. 04). 2 Em junho de 2012, levantou balancete de suspensão/redução, para verificar os recolhimentos existentes, suspendendo, a partir deste mês, os recolhimentos de IRPJ e CSLL. 3 Em 31 de dezembro de 2011, na apuração final do exercício, a empresa apresentou resultado fiscal negativo (doc. 05), ficando, assim, todos recolhimentos efetuados no período, compondo o saldo de base negativa de IRPJ e CSLL. 4 Em trabalho de revisão interna, foram detectadas divergências na Declaração de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, enviada via internet em 30/06/2012. Esta declaração, ainda não retificada, não constitui óbice ao aproveitamento do crédito por se tratar de declaração meramente informativa. Há de se ressaltar que tais divergências não implicariam em alteração do resultado apresentado no exercício. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13629.900740/201335 Acórdão n.º 1401003.461 S1C4T1 Fl. 3 3 5 Diante do exposto nos itens 01 a 03, a Contribuinte efetuou em 2012, através de PERDCOMP, compensação dos valores recolhidos em 2011, com os mesmos tributos apurados em 2012 , utilizando, para isso, no preenchimento da ficha de tipo do crédito no pedido de restituição erroneamente a opção pagamento indevido ou maior e não a opção base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, nos termos do artigo da Lei nº 9.430/96 e Ato Declaratório SRF 03/00. ESTE É O RELATÓRIO VOTO O crédito oferecido à compensação com o(s) débito(s) compensado(s) foi valor relativo a pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ, código de receita nº 5993. A razão para o indeferimento é a de que o pagamento estava alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição A alegação da Interessada é a de que teria levantado balancete de suspensão a partir de junho, não devendo mais estimativas a partir dessa data. Argúi que, ao enviar o PERDCOMP, solicitou o crédito na forma de pagamento indevido ou a maior que o devido e não saldo negativo, por equívoco. Importante notar, entretanto, que só cabe retificação do PER/DCOMP quando se tratar de corrigir meras inexatidões materiais de preenchimento ou de digitação, desde a IN SRF nº 600/2005 (art. 58), e em conformidade com o art. 78 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, DOU de 31.12.2008: “Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79.” (grifei) No mesmo sentido, vejase o que dispõe o art. 89, da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012: “Art. 89. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 90.” A expressão “inexatidões materiais” está no Decreto n.º 70.235/72: “Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser Fl. 208DF CARF MF 4 corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo.” (grifei) Como se vê, as inexatidões materiais não se referem a alterações na essência do mérito do tema examinado, mas, sim, a erros de preenchimento (ou de digitação) que não a alteram. O erro no tipo de crédito não se enquadra em inexatidão material (erro de preenchimento ou de digitação), mas, sim, em erro de direito, mais especificamente, em erro no critério jurídico, pois se trata de crédito de natureza diversa (saldo negativo do IRPJ ou CSLL e não pagamento a maior). Há que se destacar que se trata de mudança da natureza jurídica do crédito, e não apenas correção de um dado informado erradamente. Neste sentido, é de se ver que as informações prestadas no PER/DCOMP e os batimentos efetuados pelos sistemas da RFB são totalmente diferentes. Exemplificativamente, no PER/DCOMP do PGIM é informado, na descrição do crédito, somente o DARF que deu origem ao valor pleiteado. Diferentemente, no PER/DCOMP do Saldo Negativo são descritos todos os valores que deram origem ao crédito pleiteado, como as estimativas recolhidas, o IRRF (ou CSLL retida) com a informação das respectivas fontes pagadoras, etc., que serão verificados pelos sistemas da Receita Federal do Brasil RFB. Assim, a partir das alegações da Recorrente, ela deveria ter cancelado o PER/DCOMP em tela (PGIM) e transmitido outro PER/DCOMP (saldo negativo), visto que possuem direito creditório e batimentos de naturezas diferentes. Por óbvio, tais procedimentos deveriam ter sido adotados em tempo hábil. Logo, por todo o exposto VOTO pela IMPROCEDÊNCIA da MANIFESTAÇÃO DE CONFORMIDADE. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.452, de 16/05/2019, proferido no julgamento do Processo nº 13629.900731/2013 44, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.452): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Este processo contém a mesma matéria, o mesmo contribuinte e a mesma razão de pedir (crédito pleiteado em DCOMP, pagamento a maior) que já foi objeto de julgamento por esta Turma Ordinária, em outro processo, de forma que reproduzo Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13629.900740/201335 Acórdão n.º 1401003.461 S1C4T1 Fl. 4 5 aqui o inteiro teor do acórdão proferido, da lavra do Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto, que adoto como razão de decidir. Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso. O presente processo trata da Declaração transmitida eletronicamente, por meio da qual se pretende compensar débito(s) da Interessada com crédito originário de pagamento indevido ou maior que o devido (PGIM). O crédito está consubstanciado em um recolhimento a título de estimativa de IRPJ, devida mensalmente, de pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual. O despacho constatou a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por se tratar de pagamento já alocado a débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Foi dada ciência do despacho em 13/08/2013 e apresentouse manifestação de inconformidade em 11/09/2013, nos seguintes termos em síntese: 1Tratase de compensação de débito de IRPJ e CSSL, pagos no período de janeiro de 2011 a maio de 2011, apurados pelo regime estimativa mensal, com base na Receita Bruta e Acréscimos, devidamente pagos, conforme relatório de pagamentos obtido junto ao ECAC (doc. 03) e informado nas DCTFs do período (doc. 04). 2 Em junho de 2012, levantou balancete de suspensão/redução, para verificar os recolhimentos existentes, suspendendo, a partir deste mês, os recolhimentos de IRPJ e CSLL. 3 Em 31 de dezembro de 2011, na apuração final do exercício, a empresa apresentou resultado fiscal negativo (doc. 05), ficando, assim, todos os recolhimentos efetuados no período, compondo o saldo de base negativa de IRPJ e CSLL. 4 Em trabalho de revisão interna, foram detectadas divergências na Declaração de Informações Econômicas Fiscais da Pessoa Jurídica, enviada via internet em 30/06/2012. Esta declaração, ainda não retificada, não constitui óbice ao aproveitamento do crédito por se tratar de declaração meramente informativa. Há de se ressaltar que tais divergências não implicariam em alteração do resultado apresentado no exercício. 5 Diante do exposto nos itens 01 a 03, a Contribuinte efetuou em 2012, através de PERDCOMP, compensação dos valores recolhidos em 2011, com os mesmos tributos apurados em 2012 , utilizando, para isso, no preenchimento da ficha de tipo do crédito no pedido de Fl. 210DF CARF MF 6 restituição erroneamente a opção pagamento indevido ou maior e não a opção base de cálculo negativa de IRPJ e CSLL, nos termos do artigo da Lei nº 9.430/96 e Ato Declaratório SRF 03/00. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as seguintes alegações: Que teria cometido erro na apresentação do PER/DCOMP que trataria de saldo negativo e não de pagamento indevido, como fora originalmente solicitado; Que apresentou documentos que comprovariam a veracidade das suas alegações e a existência de crédito de igual valor ao solicitado, só que tratando de saldo negativo; Que a jurisprudência do CARF é pacífica em aceitar a possibilidade de demonstração da efetividade do crédito posteriormente à decisão que analisou o crédito. Ao fim solicita que sejam revistas as decisões anteriormente proferidas, sendo reconhecido o crédito e homologadas as compensações apresentadas. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação de inconformidade julgou pela sua improcedência em razão de não ser possível a modificação do tipo de crédito após a emissão do despacho decisório. Cientificada de decisão a interessada apresentou recurso voluntário no qual repisa os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade, junta precedentes deste CARF e pleiteia que lhe seja reconhecido o direito de crédito. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O caso em análise no presente processo diz respeito á possibilidade de o contribuinte, que apresentou declaração de compensação pretendendo créditos de pagamento indevido por estimativa de IRPJ/CSLL, possa ter reconhecido o direito de crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ/CSLL no exercício. Verificase, no presente caso que o contribuinte, optante pelo lucro real, recolheu IRPJ e CSLL por estimativa nos meses de janeiro a junho de 2011. Apresentou regularmente as DCTFs destes períodos informando os débitos e a sua quitação por DARF que, posteriormente, entendeu se referirem a pagamentos indevidos. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13629.900740/201335 Acórdão n.º 1401003.461 S1C4T1 Fl. 5 7 Em sua DIPJ apresentou informações de que entre janeiro e junho/2011 apurou o IRPJ e CSLL com base na receita bruta, passando à apuração com base em balancetes de redução e suspensão apenas a partir de julho/2011. No final do exercício apurou prejuízo o que, por consequência, importou em inexistência de IRPJ e CSLL a pagar no exercício. Na mesma DIPJ, entretanto, sequer preencheu as fichas de apuração do IRPJ e CSLL devidos informando a existência de pagamentos por estimativa e os respectivos saldos negativos apurados. Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário pretende que, em razão da apuração de prejuízo no exercício, seja reconhecido o crédito como saldo negativo de IRPJ e CSLL no exercício. Diante dos fatos acima narrados e da confirmação da existência dos pagamentos realizados temos a seguinte decisão a tomar: O contribuinte cometeu os seguintes equívocos: 1 – Optou pela apuração das estimativas entre janeiro e junho/2011, recolheu os valores e os confessou em DCTF tendo, posteriormente, solicitado o crédito destes mesmos pagamentos sem retificar suas DCTF e DIPJ; 2 – Apresentou a DIPJ sem realizar a correta apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL a que faria jus; Por sua vez a decisão que não reconheceu o crédito está juridicamente correta vez que analisou o pedido de pagamento indevido a partir das informações da DCTF e DARF da empresa. Constatamos, no entanto, com base nos documentos acostados ao processo, que efetivamente o contribuinte faz jus aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano calendário 2011 no montante equivalente aos pagamentos realizados por estimativa, visto inexistir saldo de devido de IRPJ ou CSLL. Com base nestas informações a nossa análise prendese ao fato de considerar que, no presente caso, o contribuinte incidiu apenas em erro de fato ao preencher a PER/DCOMP ou se houve um erro de direito ao pleitear crédito diferente do que deveria ter sido solicitado. A este respeito entende este relator que não se trata de simples erro de fato. Ora, errarse o período de apuração, o exercício ou mesmo o tipo de tributo solicitado no PER/DCOMP pode se considerar um erro de fato. Neste caso o problema não é tão simples. Aqui o contribuinte solicitou crédito absolutamente diverso do crédito que Fl. 212DF CARF MF 8 efetivamente lhe assistia direito. Tratase, claramente de erro material que, digase de passagem, sequer é escusável, haja vista o porte da empresa, a apuração pelo lucro real e o período de tempo decorrido entre a instituição dos PER/DCOMP eletrônicos (2003) e os pedidos do contribuinte (2012). Ocorre, entretanto, que por mais que este relator entenda que o erro cometido na empresa não se adequa aos precedentes apresentados em sede recursal, sou firme na corrente que entende no sentido de que a verdade material deve prevalecer como fundamento de decidir em todos os processos, sejam administrativos, sejam judiciais. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. (Acórdão nº 3401003.096, de 23/02/2016) DCOMP. CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. RECONHECIMENTO Na hipótese de mero equívoco no preenchimento da DCTF, contrastando com as informações acertadas da DIPJ e com a comprovação do recolhimento a maior através de DARF juntado aos autos, não há razão para penalizar o contribuinte, sendo medida certa o reconhecimento do crédito pleiteado. (Acórdão nº 1201 002.106, de 16/03/2018) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. (Acórdão nº 1302002.031, de 26/01/2017) Neste sentido é que não pode este relator se furtar a decidir contra a verdade apresentada nos autos. A verdade é que, com base na apuração do lucro do exercício, não existiu lucro tributável e, assim, não era devido, ao final do exercício a apuração do IRPJ e CSLL devidos. Em razão deste fatos os recolhimentos abaixo realizados, relativos aos pagamentos de IRPJ e CSLL por estimativa, tornaramse saldo negativo de IRPJ e CSLL ao final do exercício. À vista do exposto e em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, precedentes abaixo, que rege o processo administrativo fiscal, constatandose que, no mérito, assiste razão ao contribuinte quanto à existência de créditos, mesmo que não da espécie originalmente pleiteada, entendo que deve ser reconhecido o direito de crédito da empresa, não em relação aos Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13629.900740/201335 Acórdão n.º 1401003.461 S1C4T1 Fl. 6 9 pagamentos indevidos da forma por ela solicitada, mas sem em razão da existência de saldos negativos de IRPJ e CSSL que se formaram a partir destes mesmos pagamentos. Registro, para bem deixar delineado meu entendimento, que não entendo que o princípio da informalidade e da fungibilidade sejam aplicáveis de qualquer forma e em qualquer situação. Esta aplicação deve ser casuística e se adequar à realidade de cada processo. Neste processo, em específico, a utilização da informalidade prendese a um fato singelo. Para a aferição da existência do crédito, a partir das informações apresentadas em petição simples de duas páginas, se daria apenas pela análise da ficha de apuração do IRPJ e CSLL a pagar, nas quais resta demonstrada a inexistência de saldos dos tributos a serem pagos. Em razão da facilidade de conhecimento do verdadeiro direito da empresa é que entendo poder ser aplicada a informalidade e a fungibilidade neste processo de modo a garantir um direito que, de fato, sempre assistiu ao contribuinte. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESSARCIMENTO DE IPI. DEFERIMENTO PARCIAL. INCONFORMIDADE POSTERIOR A PARECER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E ANTERIOR A DESPACHO DECISÓRIO QUE O HOMOLOGA. APRECIAÇÃO PELA DRJ. CABIMENTO. Contra indeferimento de ressarcimento do IPI cabe manifestação de inconformidade, a ser apreciada pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento nos termos do Decreto n° 70.235/72. Tendo o contribuinte tomado ciência de parecer da administração tributária que propõe o deferimento parcial do seu pedido, e ingressado com manifestação de inconformidade antes do despacho decisório que homologa tal parecer, considerase instaurado o litígio e, por isso, deve a primeira instância analisar a inconformidade, sob pena de ofensa à ampla defesa e ao contraditório e desprezo pelos princípios da informalidade moderada e da fungibilidade, que norteiam o processo administrativo fiscal. Por não ter sido conhecida pela DRJ a inconformidade, anulase a decisão a quo para que outra seja produzida com apreciação das razões de inconformismo. (Acórdão nº 3102001.572, de 19/07/2012) PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando se trata de erro material no seu preenchimento. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do Fl. 214DF CARF MF 10 crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, como foi o caso.(Acórdão nº 1401001.655, de 09/06/2016) Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.737, de 15/03/2012) NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO E DA DECISÃO RECORRIDA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. A competência das DRJ pode ser alterada por ato interno da RFB, para melhor distribuição de quantidade de processos ou concentração de assuntos, sem que isso fira, de plano, qualquer direito do Contribuinte. As formalidades não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial, verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.053, de 08/12/2015) NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO FORMAL. Padece de nulidade o Auto de Infração com inobservância ao art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, não contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais individualizados por infração, em diferentes fatos geradores do imposto de renda retido na fonte, levando o contribuinte a equivocadas interpretações que confundiram a impugnação. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa. As formalidades não são um fim em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (Acórdão nº 2202003.671, de 07/02/2017) Por isso, entendo que assiste razão ao recorrente quanto à existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos montantes de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, formados a partir do Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13629.900740/201335 Acórdão n.º 1401003.461 S1C4T1 Fl. 7 11 recolhimento das estimativas destes tributos realizados durante o ano. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, em obediência ao Princípio da Verdade Material, a fim de: a) Reconhecer, em atenção ao princípio da informalidade e da fungibilidade, o direito do contribuinte de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72; b) Determinar que estes valores devem ser acrescidos pela taxa SELIC apenas a partir de 01/01/2012, haja vista se tratar se saldo negativo que, desta forma deve ser atualizado e, c) Determinar que os créditos, agora reconhecidos, podem ser utilizados na compensação dos débitos informados nos PER/DCOMP de pagamento indevido de IRPJ e CSLL relativos aos recolhimentos dos meses de janeiro a Fl. 216DF CARF MF 12 junho/2011, cobrandose as diferenças ao final apuradas após a realização dos procedimentos de compensação. Assim, demonstrase que, em verdade o acórdão tratou não apenas do PER/DCOMP relativo a este processo específico, mas sim de todos os PER/DCOMP relativos aos pagamentos por estimativa de IRPJ e CSLL, conforme listados no acórdão que se referem aos seguintes processos. [...](assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Conclusão É o Voto, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ e CSLL do exercício 2012, anocalendário 2011, nos valores originais de R$ 256.463,51 e R$ 160.625,72, respectivamente, homologando as compensações declaradas neste processo até o limite dos valores reconhecidos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13629.900740/201335 Acórdão n.º 1401003.461 S1C4T1 Fl. 8 13 Fl. 218DF CARF MF
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Numero do processo: 10073.720358/2008-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
VALOR DA TERRA NUA - PROVA.
Para fins de incidência do ITR, cabe ao contribuinte o ônus da prova, mediante apresentação de laudo nos termos da ABNT, do VTN, visando afastar a pretensão da fiscalização em arbitramento do valor, nos termos do artigo l4 da Lei 9.393/96.
Numero da decisão: 2002-001.215
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-24T14:23:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-24T14:23:12Z; Last-Modified: 2019-07-24T14:23:12Z; dcterms:modified: 2019-07-24T14:23:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-24T14:23:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-24T14:23:12Z; meta:save-date: 2019-07-24T14:23:12Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-24T14:23:12Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-24T14:23:12Z; created: 2019-07-24T14:23:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2019-07-24T14:23:12Z; pdf:charsPerPage: 1490; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-24T14:23:12Z | Conteúdo => S2-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10073.720358/2008-18 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002-001.215 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 18 de junho de 2019 Recorrente HENY DE CAMPOS LEITE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA - PROVA. Para fins de incidência do ITR, cabe ao contribuinte o ônus da prova, mediante apresentação de laudo nos termos da ABNT, do VTN, visando afastar a pretensão da fiscalização em arbitramento do valor, nos termos do artigo l4 da Lei 9.393/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 03 a 14), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, pela qual se procedeu autuação sob os seguintes fundamentos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 03 58 /2 00 8- 18 Fl. 202DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.215 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720358/2008-18 Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653-3 da ABNT, o valor da terra nua declarado. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informaçoes do Sistema de Preços de Terra - SIPT da RFB. Os valores do DIAT encontram-se no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. Enquadramento Legal ART 10 PAR l E INC I E ART 14 L 9393/96 IN SRF 579/05; IN SRF 256/O2 ARTS. 32 A 34 E 46; ARTS. 32 E 52 DO DEC.4382/02; Complemento da Descrição dos Fatos: O CONTRIBUINTE APRESENTOU CERTIDÃO DE AVALIAÇÃO DO IMÓVEL A QUAL NÃO ATENDE AS DISPOSIÇÕES DA NBR l4653;VTN APURADO:ÁREA DO IMÓVEL X PREÇO DO SIPT: 601.3 HA X R$ 1.500,00 = RS 901.950,00; Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$5.366,56, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, apresentada pelo contribuinte, que conforme decisão da DRJ: Cientificada do lançamento em 08.10.2008, às fls. 153, ingressou a contribuinte, em 23.10.2008, às fls. 122, com sua impugnação de fls. 122/125, instruída com os documentos de fls. 126/140, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: - informa que o imóvel corresponde a uma área abrangida, em sua maior parte, pela Mata Atlântica, de preservação ambiental, protegida pelo IBAMA, parte esta intocável, não podendo ser utilizada para extração de produtos nativos, tais como palmito (abundante na região) e outros, nem desmatada para plantação ou para criação de gado; - informa, também, que a área de preservação permanente sempre foi respeitada e lançada nas DITR anteriores a 2003, devidamente comprovadas com Laudo de Avaliação Técnica e outros documentos exigidos pela Receita Federal em 1999; - esclarece que o imóvel fez parte do espólio de Rozendo Campos e de Maria Soares Campos, tendo os herdeiros resolvido administrá-lo em condomínio, sendo a requerente sua atual representante, e que de um total de 9 herdeiros, apenas 2 ainda estão vivos, estando as quotas-parte dos falecidos em processo de distribuição a seus herdeiros, à medida da conclusão dos inventários, alguns em aberto; ' - esclarece, ainda, que, em atendimento ao Termo de Intirnação Fiscal n° 07105/00021/2007, referente às DITR 2003, 2004 e 2005, enviou, entre outros doctunentos, o Laudo de Avaliação Técnica, de 13.07.1995, a ART, de .10.08.l999 e outro Laudo de Avaliação Técnica, de 19.07.1999 e uma Certidão de Avaliação; - considera que esses Laudos e a ART foram encaminhados à Receita em outras ocasiões e foram julgados confonnes, uma vez que não foram contestados; Fl. 203DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.215 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720358/2008-18 - salienta que a Certidão de Avaliação foi emitida pela Caravelas Empreendimentos Imobiliários LTDA., então a maior corretora imobiliária de Angra dos Reis, que avaliou a propriedade em torno de U$60.000,00; - informa que o Laudo de Avaliação Técnica, emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado de ART, apresenta um valor de 82.000,00 UFIR para o imóvel e 58.300,00 UFIR como VTN; ' - entende que na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a fiscalização menciona que o VTN não foi comprovado e que o Laudo de Avaliação não foi entregue e informa que o novo valor foi arbitrado; - considera que o VTN arbitrado, que causou muita surpresa, tendo como base as informações do SIPT, conforme consta da “Descrição dos Fatos”, mas não orienta onde se pode encontrar essas informações para a necessária conferência e/ou correção de valores; - salienta que nas Notificações de Lançamento de 2003, 2004 e 2005 são encontrados 3 valores diferentes para o “Preço do SIPT” e que talvez se aplique a terras à beira-mar, próximas a grandes empreendimentos, em áreas altamente valorizadas, como em condomínios, mas com certeza não deve se aplicar a terras cobertas em sua quase totalidade pela Mata Atlântica, e por esse motivo bastante desvalorizadas, distantes muitos quilômetros das parias, incrustadas na Serra do Mar, com topografia extremamente acidentada, apresentando penhascos, terrenos escarpados e de dificil acesso, sem condições de ali se desenvolverem atividades agropecuárias de certo vulto; - esclarece que a área é cortada pela RJ 155, cujas margens se encontram “invadidas” em alguns trechos habitáveis e a parte mais ou menos plana, “não invadida” e com certo grau de acesso à RJ 155 poderia, no máximo, ser dividida em 2 ou 3 sítios de cerca de 40,0 ha a 60,0 ha, estando, no momento, habitada, para proteção e vigilância, por familiares de um dos herdeiros, há pouco falecido, estando seu inventário ainda em curso; - acredita, mesmo não concordando com ele, que o valor arbitrado deva ser atualizado, tendo havido uma grande valorização na área litorânea nos últimos anos, e o ITR em questão é relativo a 4 anos atrás; - ressalta que a avaliação da terra, que foi enviada à RFB, foi feita em dólares americanos, moeda de excelente estabilidade, que não varia muito ao longo dos anos e, por isso mesmo, utilizada na grande maioria das transações comerciais de imóveis; - considera que a RFB, em suas normas para avaliação dos bens no IRPF, determina que se mantenha o mesmo valor dos imóveis de um ano para outros, a não ser que haja alguma obra ou benfeitoria que justifique o seu aumento, o que não aconteceu com imóvel no presente caso, que apenas desvalorizou face à dificuldade de sua conservação devido ao êxodo rural; - informa que os condôminos estão tentando vender a área há mais de 6 anos, por menos da metade do valor arbitrado e não aparecem interessados na compra; - espera ser atendida no que pleiteia; A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 17/07/2013, no acórdão 03-53.117, às e-fls. 175 a 182, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Fl. 204DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.215 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720358/2008-18 Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 22/10/2013, às e-fls. 188 a 191, no qual alega, em síntese que: o imóvel localiza-se em área de Mata Atlântica e não pode ser utilizado, pois protegida pelo IBAMA; área de preservação sempre foi respeitada e foi lançada nas declarações de ITR anteriores a 2003, devidamente comprovadas com Laudo de Avaliação Técnica e outros documentos exigidos pela Receita Federal em 1999; A APA tem sido declarada como correspondendo a 2/3 (66 %) do imóvel, mas uma avaliação extraoficial recente, feita por um engenheiro da Eletronuclear, indica ser ela superior a 90 %; a área pertencia a um espólio e foi remetida à Receita e ao Conselho do Contribuinte um histórico da situação do imóvel FAZENDINHA, bem como cópias de diversos documentos pertinentes ao assunto. Reitera que a propriedade está hoje legalmente dividida por mais de 50 herdeiros; há laudo e ART do profissional que o elaborou que comprovam toda a discriminação da área; há CERTIDÃO DE AVALIAÇÃO foi emitida pela Caravelas Empreendimento Imobiliário Ltda., então a maior corretora imobiliária de Angra dos Reis, segundo nos consta, que avaliou a propriedade em torno de U$ 60.000,00. O LAUDO DE AVALIAÇÃO TÉCNICA, emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal, acompanhado da ART (exigências da SRF), apresenta um valor de 82.000,00 UFIR para o imóvel, e 58.300,00 UFIR como valor da Terra Nua. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 23/09/2013, e-fls. 187, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 22/10/2013, e-fls. 188, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 03 a 14), relativa ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, pela qual se procedeu arbitramento do VTN, vez que não comprovados pela contribuinte. A DRJ manteve a autuação, nos seguintes termos: Fl. 205DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.215 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720358/2008-18 No caso, não obstante as alegações da requerente, a lide cinge-se ao VTN arbitrado, posto que os demais dados informados na correspondente DITR/2004 foram mantidos intactos pela autoridade fiscal. Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua - VTN, entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei n” 9.393/96, razão pela qual foi rejeitado o VTN declarado para o imóvel na DITR/2004, de R$57.000,00 (R$94,79/ha), sendo arbitrado o valor de R$901.950,00 (R$1.500,00/ha), valor este apurado com base no SIPT, do exercício de 2004, referente ao município de Angra dos Reis/RJ, consoante extrato da malha fiscal às fls. 70. Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$94,79 por hectare encontra-se, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN, por hectare, de R$1.500,00/ha, constante do SIPT, para o município de Angra dos Reis/RJ, em 2004. Pois bem, caracterizada a subavaliação do VTN declarado, não tendo sido apresentado o documento exigido para comprovar o Valor da Terra da Nua, conforme descrito Termo de Intimação Fiscal n° 07105/00021/2007, às fls. 11/ 12, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14, da Lei n° 9393/1996, e art. 52 do Decreto n° 4.382/2002 (RITR). Vale ressaltar que, embora a recorrente faça alegações quanto a impossibilidade de utilização de toda a área e também quanto a existência de Área de Preservação Permanente (APA) a lide limita-se a suposta subavaliação do Valor da Terra Nua baseado no Sistema de Preço de Terras (SPIT) instituído pela Receita Federal do Brasil (RFB) Valor da Terra Nua - VTN Conforme art. 11 da Lei nº 9.393/96, o valor do ITR será apurado aplicando-se sobre o VTN a alíquota correspondente ao anexo da Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização, conforme se vê: Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicando-se sobre o Valor da Terra Nua Tributável - VTNt a alíquota correspondente, prevista no Anexo desta Lei, considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização - GU. § 1º Na hipótese de inexistir área aproveitável após efetuadas as exclusões previstas no art. 10, § 1º, inciso IV, serão aplicadas as alíquotas, correspondentes aos imóveis com grau de utilização superior a 80% (oitenta por cento), observada a área total do imóvel. § 2º Em nenhuma hipótese o valor do imposto devido será inferior a R$ 10,00 (dez reais). Comprovada a utilização da área com produção vegetal e atividades pecuárias por meio de prova hábil e idônea, deve ser aplicada a alíquota correspondente ao grau de utilização verificado. O contribuinte traz aos autos laudo técnico atestando o VTN da propriedade, às e-fls. 44 e 45. Contudo, tal laudo é deveras antigo, datado de 1995 considerando o exercício de Fl. 206DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9393.htm#anexo Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.215 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720358/2008-18 2004, alvo da autuação. Ainda, o laudo é breve e sucinto, não respeitando as normas da ABNT, devendo ser levado em conta o SIPT elaborado pela RFB, constante às e-fls. 74. Adoto como fundamento a decisão da DRJ, que enfrentou o mérito da questão de maneira clara e embasada: Quanto ao cálculo do Valor da Terra Nua - VTN, entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei n” 9.393/96, razão pela qual foi rejeitado o VTN declarado para o imóvel na DITR/2004, de R$57.000,00 (R$94,79/ha), sendo arbitrado o valor de R$901.950,00 (R$1.500,00/ha), valor este apurado com base no SIPT, do exercício de 2004, referente ao município de Angra dos Reis/RJ, consoante extrato da malha fiscal às fls. 70. Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$94,79 por hectare encontra- se, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN, por hectare, de R$1.500,00/ha, constante do SIPT, para o município de Angra dos Reis/RJ, em 2004. Pois bem, caracterizada a subavaliação do VTN declarado, não tendo sido apresentado o documento exigido para comprovar o Valor da Terra da Nua, conforme descrito Termo de Intimação Fiscal n° 07105/00021/2007, às fls. 11/ 12, só restava à autoridade fiscal arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14, da Lei n° 9393/1996, e art. 52 do Decreto n° 4.382/2002 (RITR). No caso, o Laudo de_Avaliação Técnica, de 13.07.1995, às fls._28/29, a ART, de 10.08.1999, às fls. 30, e o aditamento do primeiro Laudo' de Avaliação Técnica,`de 19.07.1999, às fls. 33/35, não são documentos hábeis para revisão do VTN arbitrado para o exercício de 2004, isto porque, conforme se constata das datas de sua emissão, se referem ao valor da terra nua no ano de 1999, ou seja, 5 (cinco) anos antes do exercício em questão, demonstrando o valor, ainda, em UFIR (58.300,00), quando deveria se referir ao VTN da data do fato gerador do ITR/2004 (l°.Ol.2004), de acordo com o solicitado no termo de intimação fiscal. Não obstante, esse fato ser, por si só, suficiente para a rejeição do Laudo, como documento hábil para revisão do VTN arbitrado, ele, também, não segue as normas da ABNT, para um Laudo com fundamentação e grau de precisão II, não demonstrando, _de forma clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do ITR/2004 (l°.0l.2004), como já dito, nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no SIPT. De fato, a avaliação constante dos documentos de fls. 28/29 e 33/35 não atende aos requisitos estabelecidos na NBR 14.653-3, principalmente os itens 7.4 - Pesquisa para estimativa do valor de mercado, 7.5 - Diagnóstico do mercado, 7.7 - Tratamento de Dados, 8 - Metodologia Aplicável e 9 - Especificação das Avaliações, com todos os elementos de pesquisa identificados (número de dados efetivamente utilizados maior ou igual a cinco - item 9.2.3.5) e em especial o subitem 9.2.2.2., que estabelece que 0 profissional deve enquadrar o seu trabalho em cada item da Tabela 2 da Norma, para conferir o grau de fundamentação do Laudo de Avaliação. Portanto, o laudo é por demais sucinto, podendo ser enquadrado como um “Parecer Técnico”, mas não como “Laudo Técnico de Avaliação”, classificado, pelo menos, com Grau de fundamentação I, quando o que se exige é Grau II de fundamentação precisão. No que concerne aos requisitos da NBR 14653-3, o item 9.2.3.3 desta Norma estabelece que são obrigatórios, em qualquer grau “a explicitação do critério adotado e dos dados colhidos no mercado" Fl. 207DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-001.215 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720358/2008-18 Segue jurisprudência deste CARF: VALOR DA TERRA NUA. Prevalece o valor da terra nua indicado pela Administração Tributária, quando o contribuinte não apresenta laudo de avaliação que refute o VTN arbitrado, a preço de mercado em 01/01/2002, Acórdão nº 2101 00.558 - Sessão de 17 de junho de 2010 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3. Acórdão nº 2102-002.637 – Sessão de 13 de agosto de 2013 Por fim, como o lançamento fiscal é atividade plenamente vinculada à autoridade administrativa que, naquela situação, entenda pela ocorrência do fato gerador da obrigação, tem o dever de ofício de constituir o crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sob pena de prevaricação. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Desta forma, cabe ao contribuinte apresentar documentos e provas de fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito da Fazenda de proceder o lançamento, o que não ocorreu, vez que, como já mencionado, o laudo técnico anexado aos autos é inepto como meio de prova. Diante do exposto, conheço do Presente Recurso voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 208DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2002-001.215 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10073.720358/2008-18 Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 16636.001407/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos.
PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS/COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO.
Os documentos carreados aos autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisas. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação.
Numero da decisão: 3301-006.245
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS/COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os documentos carreados aos autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisas. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação.
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. O inconformismo diante de decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. PRELIMINAR. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS/COFINS. SERVIÇOS PRESTADOS A PESSOA JURÍDICA NO EXTERIOR. NÃO INCIDÊNCIA. REQUISITOS. CUMPRIMENTO. Os documentos carreados aos autos confirmam a efetiva prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente, o ingresso de divisas. O fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro, eis que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 63 6. 00 14 07 /2 00 9- 64 Fl. 1812DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão que manteve o Despacho Decisório que negou a compensação declarada em PER/DCOMP carreada aos autos. Verifica-se inicialmente que a contribuinte supracitada solicitou restituição de Cofins para fins de compensação com débitos. O suposto direito creditório da contribuinte se fundamenta na alegação de que a prestação de serviços portuários não sofre a incidência do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes destes, quando efetuados para pessoa física ou jurídica, residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente o ingresso de divisas, sendo que a intermediação do agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira, tomadora de serviços portuários, não descaracteriza a exportação deste serviços. Tal argumentação é fundamentada no art.6º, inciso II da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, e na Circular BACEN nº 3.280/2005, bem como na Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, na qual a contribuinte é solicitante. Após análise pela DRF de origem, o pleito de restituição foi negado e, por conseguinte, as compensações realizadas pela contribuinte não foram homologadas. Foi consignado que, intimado o contribuinte para comprovação dos fatos, não restou caracterizada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, em relação aos fatos geradores ocorridos no período litigado, nem tampouco que os pagamentos recebidos pela interessada representam ingresso de divisas no país. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, manejando, inicialmente, os argumentos a seguir sintetizados: __ presta serviços portuários às empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações atracam em seu porto para as operações, dentre outras, de embarque e desembarque de mercadorias, sendo que as empresas transportadoras estrangeiras a contratam, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários; __ as transferências dos recursos do exterior e para o exterior, são disciplinadas pelo Banco Central do Brasil - BACEN, através da Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005, sendo obrigatória a intervenção de uma agência marítima como representante da empresa de navegação estrangeira, nos termos do § 2o, art. 4o, da IN RFB N° 800, de 27 de dezembro de 2007; __ há duas hipóteses de transferência de valores entre o transportador estrangeiro e o agente marítimo no País, regulados pela Circular n° 3.280, de 09 de março de 2005: o envio de divisas do exterior para o País, abordando a questão das despesas portuárias, e o envio do País para o exterior, envolvendo o pagamento do transporte internacional e dedução das despesas portuárias. Nas duas hipóteses citadas, ao final das operações cambiais, o saldo no balanço de Fl. 1813DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 pagamentos na conta de transações correntes é o mesmo e existem contratos de câmbio, celebrados entre o transportador estrangeiro e a agência de navegação, que evidenciam as operações de prestação de serviços, considerando que a manifestante não é responsável pelo fechamento do câmbio, já que o contrato de câmbio é celebrado entre o transportador estrangeiro e a agência marítima, seu representante no Brasil; __ descreve o relacionamento do transportador estrangeiro, do agente do transportador estrangeiro, e do prestador do serviço (manifestante/contribuinte), informando que 70% (setenta por cento) de sua receita tem origem na prestação de serviços a transportadores estrangeiros, fato que pode ser confirmado através de perícia técnica a ser realizada em seu estabelecimento. No mérito, salienta que origem do crédito decorre de receitas auferidas na prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior, sendo isenta das contribuições de PIS e Cofins, nos termos do II, do art. 6º, da Lei nº 10.833/2003 e inciso II do art. 5º, da Lei nº 10.637/2002, na redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004 e ainda pela IN SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, devendo o valor pago indevidamente sobre as receitas mencionadas ser objeto de restituição. Para comprovar nexo causal do ingresso de divisas, faz nova juntada de alguns contratos celebrados com os transportadores estrangeiros e de amostragem das notas fiscais emitidas contra estes, aos cuidados de sua agência marítima ou de seu representante no Brasil. Afirma que a existência das agências de navegação, que seria uma terceira pessoa na relação contratual com os transportadores, não desfigura o efetivo ingresso de divisas, pois estas representam os transportadores e fazem os pagamentos e recebimentos por estes. Ainda ressalta que os contratos de câmbio celebrados entre os transportadores estrangeiros e as agências marítimas são de propriedade destas, não podendo ser exigidos da manifestante, sendo que apresenta alguns contratos de empresa do seu grupo empresarial para comprovar as relações entre a instituição financeira, o agente de navegação e o transportador estrangeiro. Sustenta que o ingresso de divisas também ficaria comprovado nos contratos formais firmados entre esta e os transportares estrangeiros, trazendo aos autos alguns exemplos. Nesta relação de atividade, seria frequente o contrato informal (solicitações por e-mail ou por telefone), que não desfiguraria a relação jurídica, sendo que poderia comprovar o relacionamento jurídico por outros instrumentos, como nota fiscal emitida contra o transportador estrangeiro ou contra seu agente/representante no Brasil, registros contábeis, ou, ainda, através de perícia técnica. Traz cópias de contratos traduzidos para o português para alicerçar sua defesa. Também afirma que os serviços administrativos e operacionais do terminal, quando executados para atender navios estrangeiros, compõem toda a atividade portuária, não podendo de forma nenhuma serem segregados uns dos outros, já que todos integram a atividade da empresa, pois sem a prestação destes serviços o atendimento ao transportador estrangeiro não ocorreria. Para reforçar sua alegação apresenta solução de consultas concluindo pela não incidência/isenção de PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes de prestação de serviços a pessoas jurídicas domiciliadas ou com sede no exterior, mesmo mediante a intermediação do agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil, haja vista a efetividade do ingresso de divisas. Por conseguinte, argumenta que estariam provados seus os crédito decorrentes da não incidência/isenção do PIS e da Cofins sobre a receita oriunda da prestação de serviços de Fl. 1814DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 operação portuária ao transportador estrangeiro, pessoa jurídica domiciliada ou com sede no exterior, cujo pagamento configura o ingresso de divisas no País, ainda que realizado mediante intermediação de agente/representante do transportador estrangeiro no Brasil. Como também estaria comprovado o crédito da contribuição relativo às despesas da manifestante com bens e serviços utilizados como insumos, aluguel de prédio locado de PJ, aluguel de máquina e equipamentos, contraprestação de arrendamento mercantil, encargos de amortização de edificações e benfeitorias e quanto ao crédito a descontar pela aquisição de bens do ativo imobilizado. Por fim, requer a conversão do julgamento em diligência a ser realizada por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento a maior da contribuição em face dos serviços prestados aos transportadores estrangeiros, bem como seja confirmado o crédito a descontar relativo a bens do ativo imobilizado adquiridos pela contribuinte/manifestante. Por seu turno, a DRJ, por maioria de votos, rejeitou o pedido de diligência/perícia e desconheceu da Manifestação de Inconformidade no que tange a matérias que não tenham sido indeferidas no Despacho Decisório (que não constituem parte litigiosa), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade quanto às demais alegações. Concluiu a instância a quo que a isenção para a receita de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior é condicionada à comprovação documental das operações e do ingresso de divisas no país. Nesse sentido, é obrigação do contribuinte comprovar o alegado, nos termos do art.333, inciso II do CPC. Irresignada com a decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário em que reafirma os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301- 006.232, de 25 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 16636.001408/2009-17, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.232): O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido e apreciado. Preliminares Cerceamento de Defesa e Pedido de Perícia Segundo a Recorrente, o v. acórdão 10-48.968, proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA aponta, mormente no voto divergente, que a análise dos documentos juntados pela Recorrente à Impugnação passou ao largo da unidade de origem, que sequer questionou Fl. 1815DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 os demonstrativos juntados ao processo, assim como a documentação carreada aos autos, afirmando categoricamente que, se caso persistissem dúvidas quanto à documentação, seria de se cogitar, inclusive, a hipótese de remessa dos autos em perícia para que a unidade de origem verificasse de maneira mais acurada a documentação pertinente às operações embasadoras do direito creditório. Portanto, o CARF, na sua função imparcial de "juízo" dos litígios tributários em segunda instância administrativa, não pode negar à análise da documentação acostada aos autos, bem como toda aquela que se encontra no estabelecimento da Recorrente, que comprova a realidade inerente às operações realizadas pela Recorrente, objetivando o reconhecimento da não incidência do PIS/Cofins na prestação de serviços portuários efetuada a armadores estrangeiros domiciliados no exterior. Consequentemente, a realização de diligência já requerida quando do oferecimento da Manifestação de Inconformidade, deve agora ser deferida para a realização de perícia técnica, e por servidor estranho aos autos, a fim de que fique comprovado o pagamento indevido do PIS e da Cofins, sob pena de cerceamento de defesa. Passo à correspondente análise. De fato, é robusta a documentação acostada aos autos pela Recorrente. Vejo que a Recorrente se esforçou para reunir a gama de documentos aqui juntados, diversos carreados, inclusive, após a apresentação de sua Manifestação de Inconformidade. No entanto, o indeferimento de pedido de conversão do julgamento em diligência/perícia, quando fundamentado, como o foi pelo órgão julgador a quo, não tem o condão de representar cerceamento de defesa, mormente quando resta assegurado à contribuinte o prosseguimento da lide, ocasião em que pode reafirmar seu pleito e, se for o caso, obter decisão que lhe é satisfatória. O inconformismo diante de uma decisão contrária às pretensões firmadas em recurso não permite concluir pelo cerceamento de defesa, e também quando a referida decisão é fundamentada, pauta-se na análise do caso de acordo com a legislação e provas dos autos. Ademais, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto nº 70.235, de 1.972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância. Logo, não há que se falar em cerceamento de defesa quando o julgador a quo proferiu decisão devidamente motivada, explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Neste ponto, ressalto haver limites estipulados no Decreto n° 70.235, de 1972, e que devem ser observados, sobretudo para fins de apresentação a destempo de novos documentos aos autos, cabendo ao contribuinte o ônus de demonstrar as razões que ensejariam a admissibilidade da prova documental apresentada a posteriori. Contudo, a autoridade julgadora de segunda instância pode apreciar a prova acostada aos autos, sob o prisma da verdade material, e por ser destinatária dela (prova), o que, inclusive, será feito por este julgador, lembrando que, na apreciação da prova, este julgador formará livremente sua convicção. Assim, a insatisfação do contribuinte, sobre este ponto, não tem o condão de anular a decisão de primeira instância, sendo matéria atinente à interposição de recurso voluntário, a ser objeto de deliberação pelo colegiado de segunda instância. Quanto à reafirmação do pedido de perícia, entendo por sua desnecessidade, porquanto a realização de perícia se justificaria na hipótese de necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos que não ficaram suficiente mente demonstrados pelas provas aportadas ao processo. Fl. 1816DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 Entretanto, essa não é a hipótese presente nos autos, visto que não se faz necessária a apreciação técnica de especialista para subsidiar o julgamento da lide. Portanto, estas preliminares hão de ser rechaçadas. Mérito Os autos tratam da análise do PER/DCOMP nº 07634.97230.301008.1.3.04-5435, por meio do qual a Recorrente informa crédito de pagamento indevido ou a maior cuja gênese seria o recolhimento, em 15/02/2005, para a Cofins, código de receita 5856 (Cofins não cumulativa), período de apuração 01/2005, no valor de R$ 841.704,65, do qual o valor creditória seria R$ 560.998,25. Por intermédio do Despacho Decisório nº 168, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Pelotas/RS não homologou a Declaração de Compensação, em razão da inexistência de crédito. No bojo do referido despacho, a unidade de origem salientou que a DCOMP 07634.97230.301008.1.3.04-5435 foi lastreada em crédito referente a pagamento a maior de Cofins em decorrência de retificações na DACON feitas com base no entendimento de que a contribuinte faz jus a não incidência da Cofins sobre receitas oriundas de prestação de serviços para pessoas domiciliadas ou residentes no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Em sua análise, porém, a unidade de origem concluiu que "não foi comprovada a prestação de serviços para pessoa situada no exterior, como também não foi comprovado que os pagamentos recebidos pelo interessado representam ingresso de divisas. Em conseqüência da falta de comprovação das condições necessárias para que o interessado faça jus a não incidência da Cofins, previstas no inciso II do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei 10.865/2004, não existe base legal que ampare as retificações na DACON. Sendo assim, não foi apurado pagamento a maior de Cofins para o período". A partir de então, com a abertura de prazo para apresentação de Manifestação de Inconformidade, instaurou-se o litígio administrativo tendo como tema central a possibilidade, ou não, de a Recorrente valer-se da não incidência da Cofins sobre as receitas decorrentes de operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Inicialmente, faz-se necessário transcrever a norma que disciplina o assunto em debate, em sua redação original: Lei 10.833/2003 Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; Posteriormente, essa norma foi alterada pelo art. 21 da Lei 10.865/2004, que passou a produzir seus efeitos a partir de 01/05/2004, consoante art. 53 do mesmo diploma legal, com nova redação a seguir: Lei 10.833/2003 Art. 6 o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)” Da leitura da norma, extraímos a necessidade do preenchimento de dois requisitos cumulativos para a configuração da não incidência da Cofins quanto ao caso, a saber: Fl. 1817DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art6ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2004/Lei/L10.865.htm#art21art6ii Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 a) prestação de serviços para a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior; e b) cujo pagamento represente ingresso de divisas. Na analise do presente caso, entendo que os referidos requisitos foram satisfeitos pela Recorrente. Vejamos. A Recorrente tem como objeto principal a exploração do terminal de contêineres do Porto de Rio Grande/RS, na qualidade de operador portuário. E, nessa condição, presta serviços portuários (carga, descarga etc.) a empresas transportadoras sediadas e domiciliadas no exterior, mediante contratos. Para a consecução de suas atividades e, em razão natureza inerente a essas atividades, as empresas transportadoras estrangeiras - pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de carga relativas a importações e exportações brasileiras - contratam a Recorrente, através de seus agentes, representantes no Brasil, para execução de serviços portuários, sendo estes os responsáveis pelo pagamento dos serviços prestados pela Recorrente mediante prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. Essa relação de intermediação e seus conceitos são expostos pela Recorrente em seu recurso. Vale transcrevê-la: a) Transportador Estrangeiro São as empresas transportadoras estrangeiras, pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, que operam linhas de transporte marítimo internacional de cargas relativas a importações e exportações brasileiras e que contratam a Recorrente, através de seus agentes/representantes no Brasil, para a execução de serviços portuários. b) Agente do Transportador Estrangeiro (agência marítima) É o representante obrigatório no Brasil dos interesses do transportador estrangeiro, administrando os contratos de prestação de serviços em nome do seu principal. Ele recebe do exterior (câmbio tipo 03) ou utiliza receitas auferidas pelo transportador estrangeiro, transferíveis ao exterior, para fazer face aos pagamentos dos serviços contratados pelo transportador estrangeiro. Assim, a agência de navegação efetua a contratação do câmbio, conforme Carta Circular nº 3.280, de 09/05/2005, emitida pelo Banco Central do Brasil e paga aos fornecedores e efetua a prestação de contas junto ao transportador estrangeiro. c) Prestador de Serviços Ele executa as operações de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias destinadas ou oriundas do ou ao exterior, cumprindo o contrato firmado com o transportador estrangeiro. Também fatura tais serviços ao transportador estrangeiro aos cuidados do seu agente no Brasil e recebe os valores em reais do agente no Brasil, através dos recursos provenientes do exterior, conforme as normas emitidas pelo Banco Central do Brasil. A presença de intermediário, agente do transportador estrangeiro, na operação não descaracteriza a situação de não incidência da Cofins. Nesse sentido foi a conclusão da Solução de Consulta SRRF/08 nº 58, de 07/04/2006, exarada no Processo Administrativo nº 11050.003099/2005-45, em resposta à demanda da própria Recorrente, levando em conta sua situação particular: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. A Cofins não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo Fl. 1818DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA. A Contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. A intermediação de agente ou representante, no Brasil, de empresa estrangeira tomadora de serviços portuários, por si só, não é suficiente para descaracterizar a situação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, II com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004; Circular Bacen nº 3.280, de 2005. Nos termos acima, tem-se, ainda, já com a alteração das redações das contribuições não cumulativas do PIS e da Cofins pela Lei nº 10.865/2004, a Solução de Consulta SRRF/07 nº 23, 22/03/2011, no Processo Administrativo nº 10768.007322/2010-41, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO. Para fins de não incidência ou isenção da Cofins sobre a receita decorrente da prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, o pagamento deve necessariamente representar ingresso de divisas no País. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM FAVOR DE ARMADOR ESTRANGEIRO. REPRESENTANTE DO ARMADOR ATUANDO NO PAÍS COMO MERO MANDATÁRIO. Na hipótese de prestação de serviços, efetuada por empresa domiciliada no País, para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que aludem o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, e o art. 14, III, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. [...] Ainda, tem-se a Solução de Consulta Cosit nº 346, de 26 de junho de 2017, com a seguinte ementa (trecho): [...] Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins NÃO-INCIDÊNCIA. ISENÇÃO. RECEITAS DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A PESSOA FÍSICA OU JURÍDICA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. POSSIBILIDADE DE MERA INTERMEDIAÇÃO ENTRE A PRESTADORA DOS SERVIÇOS E A PESSOA RESIDENTE OU DOMICILIADA NO EXTERIOR. EFETIVIDADE DO INGRESSO DE DIVISAS. A existência de terceira pessoa, desde que agindo como mera mandatária, ou seja, cuja atuação não seja em nome próprio, mas em nome e por conta do mandante estrangeiro, entre a pessoa física ou jurídica residente, domiciliada ou com sede no exterior e a prestadora de serviços nacional, não afeta a relação jurídica negocial exigida para enquadramento nos arts. 6°, inciso II, Fl. 1819DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 da Lei n° 10.833, de 2003, e 14, inciso III, da MP 2.158-35, de 2001, para o fim de reconhecimento da não-incidência/isenção da Cofins. [...] Enfim, a Administração Tributária reconhece que a existência de terceira pessoa agindo na condição de mero mandatário da pessoa no exterior não descaracteriza a relação jurídica a que alude o art. 6º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, para fins de reconhecimento da não incidência ou isenção da Cofins. Portanto, neste ponto não há controvérsia. A controvérsia pauta-se na comprovação da efetiva prestação de serviços ao transportador estrangeiro e, consequentemente, no ingresso de divisas. A farta documentação carreada aos autos pela Recorrente, abrangendo notas fiscais de serviço, contratos com armadores estrangeiros, bem como declarações firmadas por estes, e respectivas tabelas de preços praticados, demonstram a efetividade dos serviços prestados e, por decorrência, o ingresso de divisas. Verifica-se nos documentos acostados aos autos que a Recorrente, em virtude de contrato de prestação de serviços com armadores no exterior, às fls. 798-1.277 (Manifestação de Inconformidade) e 1.904-2.157 (Recurso Voluntário), presta serviços portuários a estes e emite nota fiscal de serviços, às fls. 1.300-1.344 (Manifestação de Inconformidade) e 1.829-1.903 (Recurso Voluntário), em nome dos tomadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus representantes/agentes marítimos, os quais atuam como intermediários nessa operação. Considero, portanto, ser incontroversa a comprovação dos serviços prestados diante de arcabouço documental que traz os detalhes da operação de prestação de serviços. No que diz respeito ao ingresso de divisas, embora a fiscalização e a DRJ tenham concluído competir à Recorrente a apresentação dos contratos cambiais para sua comprovação, entendo não ser ônus da dela a apresentação de tais documentos. Conforme mencionado anteriormente, a própria Fazenda Pública entende não descaracterizada a situação de não incidência da Cofins quando, na operação de prestação de serviço para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, haja representante do armador estrangeiro atuando no país como mero mandatário. Nessa situação, havendo o intermediário na operação, este é quem legalmente detém os referidos contratos, em razão da sistemática deste tipo de operação. Logo, não pode a Recorrente ser compelida a apresentar documento da qual não é proprietária e da qual sequer tem posse. Por sua vez, a norma isentiva da Cofins, Lei 10.833, de 2003, não estipulou que competiria ao prestador de serviço a comprovação do ingresso de divisas, em especial nessa situação em que há operação de intermediação. Dessa forma, sendo permitida a intermediação de mandatário do armador estrangeiro na prestação de serviço sem descaracterizar a não incidência da Cofins, a exigência dos contratos cambiais - como único instrumento de comprovação dos ingressos de divisas - a quem não os detenha acaba por impossibilitar, na prática, o uso deste benefício fiscal (não incidência legal), o que, certamente, não é a finalidade da norma isentiva. Dessa forma, compreendo que o ingresso divisas é decorrência lógica da natureza deste tipo de operação, não sendo ônus da Recorrente a apresentação de contrato cambial para a sua comprovação. A corroborar as conclusões acima, valho-me da pertinente análise do mesmo assunto e mesmo contribuinte efetuada pelo Conselheiro Walker Araújo no bojo do Processo Administrativo nº 17437.720221/2015-65, Resolução nº 3302-000.772, de 21/06/2018: O fato da Recorrente não ter apresentado cópia dos contratos de câmbio - diga- se, documentos que não pertencem è ela, logo não poderia haver exigência nesse sentido -, não pode servir único fundamento/justificativa para fiscalização Fl. 1820DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 afastar o direito do contribuinte e, desconsiderar os demais documentos hábeis à comprovar a origem dos registros contábeis. Com efeito, restou comprovado nos autos que a Recorrente firmou contratos com diversos transportadores estrangeiros (fls.1.007-1.615) para prestar serviços de embarque, descarga, movimentação e armazenagem de mercadorias em embarcações utilizadas para navegações de longo curso. Referidos transportadores estrangeiros nomeiam agentes marítimos para intermediar os negócios objeto dos contratos firmados entre as partes e, realizar os pagamentos à Recorrente pela prestação dos serviços anteriormente citados, na condição de mandatários dos transportadores estrangeiros. A Recorrente, por sua vez, emite nota fiscal de serviços (fls.1.616-2.604) em nome dos transportadores estrangeiros, mas aos cuidados de seus agentes marítimos. Tais fatos operacionais estão totalmente de acordo com o artigo 4º, da Instrução Normativa 800/2007 que, obriga aos transportes estrangeiros utilizarem agentes marítimos, senão vejamos: Art. 4o A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1o Entende-se por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2o A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3o Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Nestes termos, o argumento utilizado pela RFB no sentido de que a Recorrente não teria comprovado o ingresso de divisa no país por meio de contratos câmbio, deve ser totalmente rechaçado, posto que os documentos colacionados aos autos comprovam que as receitas registradas em sua contabilidade decorrem de operações de prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. Portanto, entendo que não deve haver a incidência das contribuições ao PIS e COFINS, porque (i) os documentos carreados autos confirmam a efetiva prestação de serviços à pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e, consequentente o ingresso de divisa; e (ii) o fato de haver um terceiro mandatário intermediando o pagamento não desconfigura o ingresso de divisas necessário para que tal pagamento chegue ao prestador brasileiro. Reforça o direito da Recorrente, a Solução de Consulta nº 58, de 07/04/2006, da 10ª SRRF, contida no processo administrativo 11050.003099/200545, de solicitação da própria contribuinte, no sentido de que o pagamento por Agente Marítimo em nome de Transportador Estrangeiro denota ingresso de divisas, conforme se verifica na ementa abaixo: [...] IV. Conclusão Diante do exposto, afasto as preliminares de nulidade e, no mérito, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares nele suscitadas e, no mérito, dar-lhe provimento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 1821DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-006.245 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16636.001407/2009-64 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Relator Fl. 1822DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.002282/2001-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/06/1996 a 31/07/1996, 01/09/1996 a 30/09/1996, 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/04/1997 a 30/04/1997, 01/07/1997 a 31/07/1997, 01/09/1997 a 30/11/1997, 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 30/04/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/05/2000
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, §4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário rege-se pelo artigo 150, §4º, do CTN, quando existem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
RECEITA TRANSFERIDA A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI N. 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. O art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/98 não é norma auto aplicável, necessitando de regulamentação do Poder Executivo, a fim de estabelecer a forma e os critérios de exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas.
TAXA SELIC. Súmula CARF nº 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 3302-006.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à correção monetária. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a nulidade apontada pela recorrente e acolher a prejudicial de decadência para exonerar o lançamento relativo a setembro de 1995. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1995 a 30/09/1995, 01/06/1996 a 31/07/1996, 01/09/1996 a 30/09/1996, 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/04/1997 a 30/04/1997, 01/07/1997 a 31/07/1997, 01/09/1997 a 30/11/1997, 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/04/1998 a 30/04/1998, 01/06/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, §4º, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário regese pelo artigo 150, §4º, do CTN, quando existem pagamentos antecipados, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do anterior CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. RECEITA TRANSFERIDA A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI N. 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. O art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/98 não é norma auto aplicável, necessitando de regulamentação do Poder Executivo, a fim de estabelecer a forma e os critérios de exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA CONFISCATÓRIA. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 22 82 /2 00 1- 36 Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 635 2 CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à correção monetária. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar a nulidade apontada pela recorrente e acolher a prejudicial de decadência para exonerar o lançamento relativo a setembro de 1995. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Por bem retratar os fatos, adoto o relatório da decisão de piso de fls. 444472: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, foi lavrado o auto de infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 120/129), que exige o recolhimento de R$ 7.778.569,40 a titulo de contribuição e R$ 5.833.926,94 a titulo de multa de lançamento de oficio, prevista no art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, c/c art. 4°, I, da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e art. 106, II, “c”, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1996, e art. 10, parágrafo único, da Lei Complementar n° 70, de 1991, c/c art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, e acréscimos legais. 2. A autuação se refere à diferença a maior entre o valor devido e o declarado em DCTF (fatos geradores ocorridos em setembro/ 1995, junho, julho, setembro e dezembro/ 1996; abril, julho e setembro a novembro/ 1997; janeiro, abril e junho/ 1998 e maio/2000), compensação indevida com créditos de PIS (outubro/1998 a Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 636 3 fevereiro/ 1999) e exclusão do valor da Cofins incidente sobre os produtos comprados (fevereiro/ 1999 a abril/2000), conforme descrito no Termo de Encerramento (fls. 130/134). Tem como fundamento legal os arts. 1° e 2° da Lei Complementar n° 70, de 1991, e arts. 2°, 3° e 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, com as alterações das Medidas Provisórias n°s 1.807, de 28 de janeiro de 1999, e 1.858, de 29 de junho de 1999, e suas reedições. 3. Regularmente intimada em 05/04/2001, a interessada apresentou, em 07/05/2001, por meio de seu representante legal (mandato às fls, 204), a tempestiva impugnação de fls. 136/202, instruída com os documentos de fls. 205/258. 4. Às fls. 261/262, consta oficio encaminhado pela interessada, em 22/05/2001, solicitando a substituição da impugnação apresentada às fls. 136/202 pela de fls. 263/327, haja vista, equivocadamente, ter juntado aos autos folhas com as alegações de defesa relativas ao lançamento de PIS, processo n° 10980002280/200147, e viceversa. 5. Às fls. 263/327, a impugnação corrigida de Cofins, observandose não existirem novas alegações, mas tãosomente as razões de defesa relativas a essa contribuição, que foram equivocadamente apresentadas no processo de PIS e cujo teor é sintetizado a seguir. 5.1. Argúi, preliminarmente, que, tratandose de contribuição sujeita à modalidade de lançamento por homologação, conforme previsto no art. 150, § 4° do CTN, já teria decaído o direito de o fisco efetuar o lançamento correspondente aos fatos geradores ocorridos anteriormente a abril/1996; cita decisões do Conselho de Contribuintes. 5.2. Relata que teve decretada por sentença a sua falência, em 01/06/2000, nos autos do processo n° 31.180, em tramitação perante a 4” Vara da Fazenda Pública, Falências e Concordatas da Comarca de Curitiba/PR (fls. 206); aduz que o art. 23 do Decretolei n° 7.661, de 21 de junho de 1945 (Lei de Falências), determina que não podem ser reclamadas na falência as penas pecuniárias por infração das leis administrativas, sendo que nestas se incluem as multas fiscais; que no mesmo sentido existe Súmula do STF e que o Conselho de Contribuintes vem reiteradamente excluindo a aplicação da multa de oficio nesses casos; que a correção monetária dos débitos fiscais deve ser efetuada até a data da sentença declaratória da falência, ficando suspensa por um ano, a partir dessa data, nos termos do art. 10 do Decretolei n° 858, de 11 de setembro de 1969, que os juros de mora somente seriam exigíveis até a data da decretação da falência, conforme disposto no art. 26 do Decretolei n° 7.661, de 1945. 5.3. Quanto ao mérito, argumenta que compensou créditos de PIS com a exigência de Cofins relativa aos meses de janeiro, abril e junho/ 1998 e de janeiro e fevereiro/1999; que a compensação está prevista no art. 1009 do Código Civil, art. 170 do CTN e art. 66 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e poderia se dar administrativamente, sem qualquer intervenção do Poder Judiciário e sem manifestação prévia de autoridade administrativa; que os créditos de PIS decorrem de recolhimento a maior, no período de janeiro/ 1989 a junho/ 1994, em face da correção monetária indevida da sua base de cálculo; que possuía decisão judicial determinando o recolhimentos do PIS nos moldes da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970, ou seja, com base na faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária alguma. 5.4. Argúi que, muito embora a materialidade da hipótese (faturamento) seja de seis meses passados, não é jurídico pensar que a hipótese já estivesse Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 637 4 aperfeiçoada há seis meses, diante da clara disposição legal de que o mês de julho levaria em consideração, para efeito de base, o mês de janeiro; que as leis que indexaram a contribuição o fizeram a partir da ocorrência do fato gerador e, como o do PIS de julho e o próprio mês de julho e não, erroneamente, como querem as autoridades fiscais, o mês de janeiro; que todas as contribuintes estão obrigadas a indexar a contribuição a partir do fato gerador, e não de um outro momento qualquer tomado pela lei para exteriorizar um outro aspecto do mandamento da norma tributária (faturamento de seis meses passados); que 0 fato jurídico do PIS só se aperfeiçoará seis meses após a apuração do faturamento; que não se trata de prazo de recolhimento, mas de período necessário para o aperfeiçoamento do fato jurídico tributário do PIS; que sob pena de violação ao principio da legalidade (arts. 5°, II, e 150, II, da Constituição Federal), e vedada a correção monetária da base de cálculo do PIS sem lei que a estabeleça; cita decisões do STF e do Conselho de Contribuintes. 5.5. Quanto aos períodos de apuração de fevereiro/1999 a abril/2000, alega que excluiu da base de cálculo o valor da Cofins incidente sobre os produtos por ela adquiridos, para evitar a dupla tributação de uma mesma receita, conforme autorizado pela Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 3°, § 2°, III, que determinou fossem excluídos da base de cálculo da contribuição os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, que discorda do entendimento defendido pelo fisco de que não existia legislação que regulamentasse esse dispositivo; que o ordenamento jurídico brasileiro determina expressamente que cabe à lei traçar os critérios da hipótese de incidência de um tributo ou contribuição (arts. 5°, II, 150, I, da CF. de 1988 e art. 97, 1, II e IV, do CTN), sob pena de flagrante inconstitucionalidade; que o art. 3°, § 2°, III, da Lei n° 9.817, de 1998, in fine, ao exigir norma regulamentadora expedido pelo Poder Executivo, afronta o princípio dá legalidade tributária, vez que não cabe ao legislador delegar poderes ao Poder Executivo para estabelecer e instituir normas que regulamentem um dos critérios da hipótese de incidência tributária; que cabe aos decretos regulamentadores das leis tributárias tãosomente estabelecer regras para que a aplicação dessas mesmas leis seja uniforme em todo o território nacional e que foge da seara regulamentar disposição acerca de matérias reservadas às leis tributárias. 5.6. Argumenta que ou se considera inconstitucional a parte final do inciso III do § 2° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, ou se a tem como mero caráter administrativo, prático e dissociado dos elementos essenciais à redução; que, pelo fato de estar completamente descrita a redução da base de cálculo da Cofins, como todos os seus elementos essenciais, temse que essa norma é autoexecutável; que ao Poder Executivo jamais caberá dispor sobre normas que definam a hipótese de incidência tributária, salvo nos casos previstos no art, 153, § 1° da C.F. de 1988 (alteração das alíquotas do II, IE, IPI e IOF); que o Poder Judiciário vem se posicionando no sentido de que o dispositivo no art. 3°, § 2°, III, da Lei n° 9.718, de 1998, é autoaplicável; que a nãoobservância do inciso Ill do § 2° desse artigo acarreta a ofensa aos princípios constitucionais da capacidade contributiva (art. 145, § 1° da C.F. de 1988), do não confisco (art. 150, IV), da isonomia (art. 150, II) e da nãocumulatividade (arts. 195, § 4°, e 154, 5.7. Questiona a aplicação da taxa Selic como juros de mora; cita decisão do STJ, nos autos do Recurso Especial n° 215.881 PR, que manifestouse pela ilegalidade e inconstitucionalidade da adoção dessa taxa; que 0 STJ considerou que os critérios para aferição da correção monetária e dos juros devem ser definidos com clareza pela lei, o que não teria ocorrido no caso em face de a Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, não têla criado para fins tributários; que ela é de natureza remuneratória de ativos financeiros e que provoca aumento de tributo sem lei especifica a respeito, a par de ofender também os Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 638 5 princípios da anterioridade, da indelegabilidade de competência tributária e da segurança jurídica; que, ainda se admita a existência de leis ordinárias criando a taxa Selic para fins tributários, mesmo assim, a interpretação que melhor se afeiçoa ao art. 161, § 1° do CTN, é a de poder a lei ordinária fixar juros iguais ou inferiores a 1% ao mês, nunca superiores a esse percentual; que para a taxa Selic ser albergada para fins tributários, haveria a imperiosa necessidade de lei estabelecendo os critérios para sua exteriorização. 5.8. Argúi que o art. 192, § 3°, da C.F. de 1988 dita que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano; que mesmo se tratando de norma de eficácia contida ou limitada, sujeita à lei complementar, a doutrina moderna de Direito Constitucional é no sentido de inexistir norma constitucional despida totalmente de efeito ou eficácia, o que inibe o legislador ordinário de legislar em sentido contrário; que a taxa Selic reflete a remuneração dos investidores pela compra e venda dos títulos públicos e não os rendimentos do governo com a negociação e renegociação da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna; que com a fixação dessa taxa ao alvedrio exclusivo do Bacen há também inconstitucional delegação de competência tributária; que a taxa Selic e' fixada depois de ocorrido o fato gerador e por ato unilateral do Executivo. 5.9. Alega que a multa de oficio aplicada deve ser reduzida a patamares que não comprometam o principio constitucional da vedação ao confisco, consagrado implicitamente pela Constituição Federal em seu art. 5°, XXII; que o STF tem entendido que as multas aplicadas em decorrência de infrações tributárias não podem exceder a 30% do valor do tributo devido. A decisão recorrida julgou improcedente a impugnação, mantendo o integralmente o lançamento. Cientificada da decisão em 16.08.2001 (fls.476), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 14.09.2001 (fls. 477542), reproduzindo seus argumentos de impugnação. O recurso teve seu seguimento negado por ausência de depósito prévio de 30% do valor da exigência e foi encaminhado à inscrição em dívida ativa e posterior cobrança judicial. Ato contínuo, houve o cancelamento da exigência do depósito prévio por ordem judicial obtida pela Recorrente, cancelamento da inscrição em dívida e a reabertura do contencioso administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Ressaltase, que entre o período de 06/1996 a junho de 1998 e maio de 2000 não houve contestação por parte da Recorrente, motivo pelo qual foi considerada como matéria não contestada, inexistindo, por parte da Recorrente, qualquer insurgência contra decisão de piso. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 639 6 Sem mais, passase à análise da questões recursais. II Prejudicial de mérito II.2 Decadência para o lançamento de tributos Conforme exposto anteriormente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Neste caso, aplicase o prazo decadencial previsto no § 1º do referido artigo 150. Por outro lado, não havendo pagamento, não há o que se homologar e, nesse caso, aplicase à regra prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal. Esse entendimento, inclusive, já foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), conforme exposto no enunciado da ementa que segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 640 7 imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) – Grifos não originais. Desse modo, em cumprimento ao disposto no art. 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aplicase o entendimento explicitado no âmbito do referido julgado, no sentido de que, sem a realização do pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, e passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Havendo pagamento, aplicase a regra do §4º, do artigo 150. No presente caso, de todo período exigido, verificase que apenas no mês de 05/2000 não houve pagamento da contribuição, sendo que para os demais meses a autuação exige somente a diferença daquilo que foi apurado e recolhido, incidindo, assim, para o período em que houve pagamento parcial . a contagem do prazo decadencial previsto nos termos do artigo 150, §4º, do CTN . Nestes termos, aplicandose a regra do artigo 150, §4º, do CTN , verificase que o débito cobrado pela fiscalização do período de 09/1995 esta totalmente decaído, posto que ultrapassou o limite temporal previsto neste dispositivo, considerando que a Recorrente foi cientificada em 05.04.2001, fora do prazo decadencial de 05 anos que, findouse em 09/2000. Para os demais períodos não há decadência à ser aplicada, haja vista a observância do prazo de 05 dias para constituir o crédito tributário. III Exclusão da multa em virtude da decretação da falência A Recorrente requer a exclusão da multa exigida em virtude da decretação da falência, o que o fez com respaldo no artigo 23, III, do DecretoLei nº 7.661/45, que assim preceituava: Art. 23. Ao juízo da falência devem concorrer todos os credores do devedor comum, comerciais ou civis, alegando e provando os seus direitos. Parágrafo único. Não podem ser reclamados na falência: I as obrigações a título gratuito e as prestações alimentícias; 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 641 8 II as despesas que os credores individualmente fizerem para tomar parte na falência, salvo custas judiciais em litígio com a massa; III as penas pecuniárias por infração das leis penais e administrativas. Não vejo como acolher o pleito da Recorrente. A uma, porque a determinação para excluir a penalidade por infração das leis penais e administrativas seria de competência do judiciário e não do órgão administrativo e, a duas, porque o lançamento é atividade vinculada e obrigatória, devendo ser observada pelas autoridades administrativas, a teor do que prevê o artigo 142, do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nestes termos, deve ser aplicada a multa de ofício, posto sua exigência decorre de lei e é devida aos casos em que não houver o pagamento do tributo, nos termos da legislação aplicável para cada período do lançamento, vide embasamento legal constante no Auto de Infração. IV da Suspensão da Correção Monetária A Recorrente pleiteia a suspensão da correção monetária nos termos do artigo 1º, do DecretoLei nº 858/69, que assim preceitua: Art. 1º A correção monetária dos débitos fiscais do falido será feita até a data da sentença declaratória da falência, ficando suspensa, por um ano, a partir dessa data. A DRJ assim se pronunciou sobre o pedido da Recorrente: 37. É totalmente irrelevante a alegação de estar suspensa por um ano, a contar da data da sentença declaratória da falência, a aplicação da correção monetária sobre os débitos fiscais tratados nos autos, haja vista não constar exigência a esse título no lançamento fiscal em análise. 38. Cabe ressaltar que a dispensa de correção monetária sobre débitos fiscais, conforme previsto no art. 1° do Decretolei n° 858, de 1969, não mais faz sentido desde O1/01/1995, quanto a atualização de tributos e contribuições foi abolida dentro das medidas para a desindexação da economia. 39. Dessa forma, os valores dos débitos fiscais anteriormente convertidos em UFIR. diária passaram a ser expressos em reais, conforme disposto no art. 6° da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e art. 1° da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995. A Recorrente, por sua evz, não se insurgiu quanto ao fundamento utilizado pela DRJ para afastar suas pretensões, tendo apenas repetido seu argumento de defesa, tornando, definitiva a decisão de piso. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 642 9 Assim, não à modificar na decisão de primeira instância. V Equivoco na contagem dos juros moratórios, aplicáveis que são somente até a data da quebra ou decretação da falência Reportome ao item " III Exclusão da multa em virtude da decretação da falência" para afastar as pretensões da Recorrente. VI Da autuação referente ao período de 10/98, 11/98, 12/198, 01/99 e 02/99 Compensação da COFINS com saldo credor de PIS, oriundo da correção monetária da base de cálculo A Recorrente, em linhas gerais, alega que possui o direito a compensação do da COFINS, independentemente de qualquer ato administrativo e, que o PIS deveria ter sido recolhido pela Recorrente sem a correção monetária da base de cálculo, o que lhe gerou um crédito utilizado para compensar débitos da COFINS. Alega, ainda, que estava amparada por medida judicial e que o judiciário reconheceu seu direito de recolher o tributo sem incidência de correção monetária. No que diz respeito ao crédito de PIS alegado pela Recorrente, a matéria esta pacificada por este Conselho com a edição da Súmula CARF nº 15, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 15 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Contudo, entendo que a questão sobre a incidência de correção monetária, levado ao judiciário, não deve ser apreciada por este Conselho, por imposição da Súmula CARF Nº 01, a saber: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Nestes termos, deixo de conhecer da matéria tratada neste tópico. VII Da autuação referente ao período de 02/99 à 04/2000 exclusão da base de cálculo da Cofins das receitas transferidas para outras pessoas jurídicas Quanto aos períodos de apuração de fevereiro/1999 a abril/2000, a Recorrente alegou que excluiu da sua base de cálculo o valor da Cofins incidente sobre os produtos por ela adquiridos, com base no disposto no art. art. 3°, § 2°, III, da Lei n° 9.718, de 1998, que determinou fossem excluídos da base de cálculo da contribuição os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 643 10 Questiona, ainda, se a regra prevista no referido dispositivo é autoaplicável ou se as pessoas jurídicas para poderem operar a exclusão deverão aguardar regulamentação. Em relação à não inclusão, na base de cálculo das Contribuições destinadas ao PIS/COFINS dos valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, tenho como correto o proceder da Fiscalização. Assim dispunha o já revogado inciso III do § 2° do artigo 3° da Lei n°9.718/98: "Art. 3 O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2 0 Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: III — os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Este dispositivo, ainda que elaborado com boa intenção pelo legislador tributário, não chegou a ser regulado pelo Poder Executivo, o que torna inviável sua aplicação. Não existe norma regulamentadora a descrever quais procedimentos serão adotados pelo contribuinte para fins de exercício da faculdade aparentemente conferida, o que aniquila por completo a pretensão da Recorrente quanto ao tópico. O STJ já se pronunciou sobre o assunto: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PIS. COFINS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITA TRANSFERIDA A OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ARTIGO 3º, § 2º, III, DA LEI N. 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO.1. A jurisprudência deste Tribunal Superior é no sentido de que "o art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/98 não é norma auto aplicável, necessitando de regulamentação do Poder Executivo, a fim de estabelecer a forma e os critérios de exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins das receitas transferidas a outras pessoas jurídicas" (EDcl no REsp 654515/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 3/5/2005, DJ 6/6/2005). Precedentes: AgRg no Ag 667170/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18/8/2005, DJ 12/9/2005; AgRg no REsp 759.298/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 5/11/2009, DJe 13/11/2009; e REsp 749.340/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 14/11/2006, DJ 12/9/2007. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 503224 / RS) Portanto, inexiste previsão legal que legitime a exclusão de valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa juridica, pois não chegou a ser regulamentado, antes de ser revogado, o dispositivo legal que permitiria tal exclusão, devendo, assim, ser afastado o pedido da Recorrente. Por fim, as questões envolvendo desrespeito aos princípios constitucionais, capacidade contributiva, não confisco, isonomia, nãocumulatividade, aplicase a Súmula CARF nº 02. VIII Inaplicabilidade da Taxa Selic Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10980.002282/200136 Acórdão n.º 3302006.909 S3C3T2 Fl. 644 11 Neste tópico aplicase a Súmula CARF nº 04: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais". IX O caráter confiscatório da multa aplicada Aplicase a Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". X Conclusão Diante do exposto, voto por acolher a prejudicial de mérito para dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento fiscal o débito do período de 09/1995. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 644DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.926647/2016-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 23/11/2012
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.376
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 66 47 /2 01 6- 81 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.926647/201681 Acórdão n.º 3401006.376 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.926647/201681 Acórdão n.º 3401006.376 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16539.720001/2017-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 2012
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. STOCK OPTIONS. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO.
Incidem contribuições previdenciárias sobre benefícios concedidos a colaboradores, no âmbito de Programas de stock options, quando verificada que a operação tem nítido viés remuneratório, não apresentando natureza mercantil, não evidenciando qualquer risco para o beneficiário e estando claramente relacionada à contraprestação por serviços.
O fato gerador da obrigação tem lugar no momento do exercício das opções de compra e a base de cálculo se verifica pela diferença entre o valor eventualmente pago pelos ativos e os valores praticados pelo mercado.
MULTA DE OFÍCIO MULTA DE MORA. SUMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-005.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2012 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. STOCK OPTIONS. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. Incidem contribuições previdenciárias sobre benefícios concedidos a colaboradores, no âmbito de Programas de stock options, quando verificada que a operação tem nítido viés remuneratório, não apresentando natureza mercantil, não evidenciando qualquer risco para o beneficiário e estando claramente relacionada à contraprestação por serviços. O fato gerador da obrigação tem lugar no momento do exercício das opções de compra e a base de cálculo se verifica pela diferença entre o valor eventualmente pago pelos ativos e os valores praticados pelo mercado. MULTA DE OFÍCIO MULTA DE MORA. SUMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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STOCK OPTIONS. INCIDÊNCIA. FATO GERADOR. BASE DE CÁLCULO. Incidem contribuições previdenciárias sobre benefícios concedidos a colaboradores, no âmbito de Programas de stock options, quando verificada que a operação tem nítido viés remuneratório, não apresentando natureza mercantil, não evidenciando qualquer risco para o beneficiário e estando claramente relacionada à contraprestação por serviços. O fato gerador da obrigação tem lugar no momento do exercício das opções de compra e a base de cálculo se verifica pela diferença entre o valor eventualmente pago pelos ativos e os valores praticados pelo mercado. MULTA DE OFÍCIO MULTA DE MORA. SUMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, também por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator e Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 53 9. 72 00 01 /2 01 7- 92 Fl. 1278DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão 09-063.594, exarado pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, fl. 1.101 a 1.124, que analisou a impugnação apresentada contra Auto de Infração referente a Contribuições Sociais destinadas à Seguridade Social. Por sua precisão e clareza, valho-me do relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância: Trata-se de autos de infração de contribuições previdenciárias da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), no valor total de R$ 9.308.428,88, e de contribuições sociais devidas a outras entidades e fundos (SENAC, SESC, INCRA, Salário-Educação, SEBRAE), no valor total de R$ 178.982,17, consolidados em 19/01/2017. O Relatório Fiscal de fls. 20/39, informa o que vem abaixo relatado, em síntese. O fatos gerador das contribuições lançadas, de 01/2012 a 12/2012, é a remuneração auferida por segurados empregados e contribuintes individuais, através de stock options, conforme a seguir: DOS FATOS OBSERVADOS 6. No decorrer da ação fiscal, foi constatado que o contribuinte ora autuado remunerou administradores, empregados e prestadores de serviço, em função dos serviços que lhe prestaram, através da outorga de opções de compra de ações (stock options), o que lhes deu direito à aquisição de ações da companhia, desde que atendidas certas condições contratualmente estabelecidas. 7. Foi observado, no artigo 8º, parágrafo 1º de seu ESTATUTO SOCIAL, a seguinte previsão para a Companhia: “A Companhia pode, dentro do limite de capital autorizado, outorgar opção de compra de ações em favor de (i) seus administradores e empregados; (ii) pessoas naturais que a ela prestem serviços; ou (iii) sociedade sob seu controle, conforme vier a ser deliberado pelo conselho de administração, observado o plano aprovado pela Assembleia Geral, as disposições estatutárias e as normas legais aplicáveis; não se aplicarão nesta hipótese o direito de preferência dos acionistas.” 8. Com a autorização estatuária, a empresa implementou o Plano Opção de compra de ações da Companhia, aprovado em ATA de Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 6 de julho de 2007 (Documento I – ATA de Assembleia que aprovou o Plano de Stock Options da Companhia) e incluída no Plano Anual de Negócios da Companhia desde então DO PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES 13. O Plano de opção de compra de ações da Companhia, tem como objetivo, expresso em seu item 1: “ 1.1. ... permitir que administradores e empregados e prestadores de serviços da Companhia ou de outras sociedades sob seu controle, observadas determinadas condições, adquiram ações da companhia, com vistas a: Fl. 1279DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 (a) Estimular a expansão, o êxito e a realização dos objetivos sociais da companhia; (b) Alinhar os interesses dos administradores, empregados e prestadores de serviço da companhia e dos administradores, empregados e prestadores de serviço de outras sociedades sob o controle da Companhia com os interesses de seus acionistas; e (c) Possibilitar à Companhia ou outras sociedades sob seu controle a atrair e reter administradores, empregados e prestadores de serviço”. 14. Também, suas regras delimitam os beneficiários elegíveis, da seguinte forma: “2.1. Poderão ser selecionados como beneficiários das opções outorgadas nos termos do Plano, os administradores, empregados e prestadores de serviços da Companhia ou outras sociedades sob o seu controle (“Beneficiários”) ”. 15. Sobre a administração e a outorga de opções do plano, ressalta-se o conteúdo dos itens 3.1, 3.2 e 4.2, como segue: “3.1. O Plano será administrado pelo Conselho de Administração da Companhia, e o conselho terá poderes isolados para: (a) impor tais limitações, restrições e condições nas Opções conforme apropriado; (b) interpretar este Plano e adotar, alterar e rescindir manuais administrativos e outras regras e regulamentos em relação a este Plano; e (c) realizar todas as outras determinações e tomar todas as medidas necessárias e recomendáveis para a implementação e administração deste Plano. 3.2. Sujeito sempre ao cumprimento do Plano e quaisquer diretrizes fixadas de tempos em tempos pela Assembleia Geral dos Acionistas, competirá exclusivamente ao Conselho de Administração da Companhia todas as medidas necessárias e adequadas para a administração do Plano, incluindo: (a) A criação e a aplicação de normas gerais relativas à outorga da Opção nos termos do Plano e à solução de dúvidas de interpretação do Plano; (b) O estabelecimento das condições gerais das Opções a serem outorgadas, bem como a modificação de tais condições quando necessário para adequar as opções aos termos da lei, norma ou regulamento superveniente; (c) A outorga das Opções em favor do Diretor Presidente da Companhia; (d) A emissão das Ações nos termos do exercício das Opções e a fixação do preço de exercício das respectivas Opções. 4.2. Sujeito a outras previsões do Plano, o Diretor Presidente da Companhia determinará os beneficiários a quem as Opções serão outorgadas. A lista de tais beneficiários e suas opções deverá ser apresentada ao Conselho de Administração para aprovação, por maioria simples, antes de serem outorgadas”. 16. Em síntese, podemos extrair dos itens acima as seguintes informações úteis: 17. O plano autoriza o diretor presidente da Companhia a eleger os beneficiários, a serem aprovados pelo Conselho de Administração, com vistas a estimulá-los a agir para a expansão, o êxito e a realização dos objetivos sociais da Companhia, alinhando seus interesses aos da Companhia, atraindo e retendo talentos. Fl. 1280DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 A outorga de opção de compra de ações da companhia a administradores, empregados e prestadores de serviço foi caracterizada, pela auditoria fiscal, como remuneração de médio e longo prazo, de natureza salarial, sujeita à incidência de contribuições previdenciárias. Segue outro trecho do Relatório Fiscal: OPÇÕES DE AÇÕES COMUNS X OPÇÕES DE AÇÕES PARA TRABALHADORES 20. As opções de ações comuns são operações nas quais é negociado o direito de compra de ações de determinada companhia por um preço preestabelecido, direito este que deve ser exercido em prazo definido. 21. As opções de ações comuns são operações realizadas entre partes iguais, conhecedoras de seus direitos e deveres, e a valor de mercado. Entretanto, com algumas modificações, é possível que tais operações sejam realizadas entre uma companhia e seus trabalhadores. Estas operações são denominadas Opções de Ações para Trabalhadores. A principal modificação é que o trabalhador não paga nada pelo direito de comprar as ações da empresa. 22. Observa-se que esta é uma das principais diferenças entre as Opções de Compra Comuns e as Opções de Ações para Trabalhadores. O trabalhador (titular da opção) só pode ganhar ou não ganhar, mas nunca corre o risco de perder. 23. Os planos de Opções de Ações para Trabalhadores são opções de compra dadas por uma Companhia aos seus trabalhadores. As ações subjacentes das opções são sempre as da Companhia empregadora ou, de uma empresa com ela estritamente relacionada. Em muitos casos, os que recebem essas opções de ações são membros dos escalões superiores de gestão. 24. Embora a lógica financeira de base dos planos de opções de ações para trabalhadores seja a mesma que a dos planos de opções de ações comuns, há vários aspectos que as tornam especiais. Uma diferença central é o fato de as opções de ações transacionadas publicamente serem habitualmente instrumentos financeiros padronizados. Por outro lado, os planos de opções de ações para trabalhadores estão sujeitos a regras que podem ser ajustadas às necessidades específicas da companhia. 25. Em geral, os planos de opções de ações para trabalhadores não são transacionáveis nem podem ser objeto de cessão por qualquer outra forma. Além das restrições à possibilidade de transferência, o detentor das opções também não está geralmente autorizado a realizar operações que reduzam ou minimizem o risco financeiro da opção (por exemplo, vendendo opções de venda correspondentes). A razão para isto é que as empresas pretendem usar as opções como um incentivo para o trabalho e o efeito de incentivo estaria reduzido se os detentores pudessem esquivar-se dos riscos das opções. 26. A maturidade, ou período durante o qual é válido um plano de opções de ações para trabalhadores, é geralmente muito mais longo do que o prazo para planos de opções comuns. Além disso, os planos de opções de ações para trabalhadores não permitem, em regra, adquirir os direitos no momento da concessão, ou seja, o empregado não pode exercer a opção imediatamente, antes tem de esperar, em muitos casos, vários anos. Estas regras visam, sobretudo, reforçar a ligação entre a empresa e o trabalhador. O efeito "algemas de ouro" dos planos de opções de ações para trabalhadores é também reforçado por disposições segundo as quais um trabalhador Fl. 1281DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 que deixe a empresa contra a vontade dos seus empregadores pode deixar de ter a possibilidade de exercer as suas opções ou de as exercer apenas durante um período limitado e/ou apenas até certo limite. ... DA INTEGRAÇÃO DAS OPÇÕES PARA OS TRABALHADORES AO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO 40. Diante de tudo o que foi exposto, e que será relacionado resumidamente a seguir, no caso em analise, referente ao presente sujeito passivo, a outorga de opções de compra de ações para seus administradores, empregados e prestadores de serviço tem caráter salarial, sendo uma espécie de remuneração a médio e longo prazos, devendo integrar o salário de contribuição (base de cálculo) para fins de incidência das contribuições previdenciárias. 41. A natureza salarial, remuneratória, e não mercantil das opções de ações outorgadas aos trabalhadores, ficam claras quando se observa, em conjunto, suas diversas características distintivas em relação às opções de mercado. A outorga de opções de compra de ações é uma forma de remuneração a longo prazo, funcionando como um mecanismo de reconhecimento de desempenho dos beneficiários; Em retribuição aos planos de remuneração com base em ações, o contribuinte recebe serviços dos beneficiários como contraprestação das opções de compra de ações outorgadas; Os Planos/Programas de Opções têm por objetivo permitir que empregados, diretores e prestadores de serviços considerados como estratégicos adquiram ações da Companhia, com vistas a possibilitar a ela atrair e manter essas pessoas; Na administração dos Planos/Programas, o Conselho de Administração da Companhia tem o poder de estabelecer critérios próprios, relacionadas ao desempenho dos administradores e empregados, de forma a eleger os Beneficiários, podendo tratá-los de maneira diferenciada, não estando obrigado, por qualquer regra de isonomia ou analogia, a estender a qualquer um, condições que, a seu exclusivo critério, entenda aplicável; As opções de compra de ações outorgadas possuem prazos de carência mínimos definidos; Se o beneficiário se desligar da Companhia por vontade própria, os direitos ainda não exercíveis na data do seu desligamento, restarão automaticamente extintos, e os direitos já exercíveis na data do seu desligamento poderão ser exercidos em curtos períodos de prazo contados da data de desligamento, após o que tais, restarão automaticamente extintos; Se o beneficiário for desligado da Companhia por vontade desta, mediante demissão ou rescisão do contrato de prestação de serviços por justa causa ou destituição de seu cargo por violar ou deveres e atribuições de administrador, todos os direitos já exercíveis ou ainda não exercíveis na data do seu desligamento restarão automaticamente extintos, de pleno direito; Fl. 1282DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 As opções outorgadas são pessoais e intransferíveis, não podendo o beneficiário, em hipótese alguma, ceder, transferir ou de qualquer modo alienar a quaisquer terceiros as opções, nem os direitos e obrigações a ela inerentes; Não há qualquer pagamento de Prêmio pelo beneficiário na aquisição das opções de compra de ações; 42. Além dos fatos mencionados, a outorga de opções de compra de ações deve integrar o salário de contribuição por ser algo concedido aos empregados, administradores e prestadores de serviço, primeiramente, pelo fato de trabalharem para o contribuinte, e então em função dos serviços que prestaram e como contraprestação a eles, e, ainda, sem custo e, portanto, sem risco de perda. 43. Exclui-se, assim, por suas características peculiares e pelo conjunto de vantagens somente oferecidas aos seus beneficiários, que muito as distanciam das opções de mercado, qualquer natureza mercantil dessa operação. DA AUSÊNCIA DE RISCO DA CONTRAPARTE 44. Nesse momento, em função das remunerações concedidas às contrapartes com a utilização de ativos financeiros, torna-se coerente realçar o conceito de risco tão preconizado em mercado de ativos patrimoniais. 45. O risco, em termos de remuneração, está relacionado à possibilidade de uma transação gerar perda patrimonial. 46. Esta relação passa por dois momentos distintos: o momento laboral e o momento de negociação do termo de opções. 47. Durante o período laboral do contrato (desde o momento da outorga até o início do período de exercício), as relações entre as partes são regidas pelas Leis Trabalhistas, uma vez que há prestação de serviço laboral associado à contraprestação patrimonial (outorga de opções). Nessa fase não existem bens patrimoniais envolvidos, uma vez que o empregado ainda não faz jus à contraprestação. Desta forma, a inexistência da possibilidade de perda daquilo que ainda não se tem, configura a inexistência de riscos. 48. Concluída a fase laboral, inicia-se a fase de negociação, em que a contraparte já pode dispor do bem a qualquer momento. Nesta fase, as relações entre as partes são regidas pelo Código Civil Brasileiro e pelas normas do mercado de ações definidos e aprovados pela CVM - Comissão de Valores Mobiliários. Portanto, existem os riscos de mercado que independem da vontade outorgante. Assim, as variações patrimoniais ocorridas neste período são inerentes às opções tomadas pelo proprietário. 49. Conforme se demonstrará a seguir nos itens "Do momento da Ocorrência do Fato Gerador" e "Da Apuração da Base de Cálculo", a remuneração baseada em ações se verifica durante a período laboral do contrato, período este que é livre de risco. 50. Portanto, a outorga de opções de compra de ações aos empregados e administradores do contribuinte possui, desde o momento dessa outorga até o início do período de exercício, natureza salarial, remuneratória. DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Fl. 1283DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 51. Devem ser analisados, para se definir completamente tributo incidente sobre o pagamento de remunerações através de stock options, três pontos: I - a natureza do plano de opção para compra de ações (stock options); II - quando ocorre o fato gerador (aspecto temporal da hipótese de incidência) e III - qual é a base de cálculo do tributo (aspecto quantitativo da hipótese de incidência). Da natureza do Plano de Opções para Trabalhadores 52. A Procuradoria da Fazenda Nacional bem destacou, em sua manifestação, a diferença entre as stock options mercantis, das chamadas employee stock options. Conforme abaixo. Numa definição bem simplificada, um contrato de opção de compra de ações confere ao titular o direito de comprar ações a um preço determinado (preço de exercício), em uma determinada data (data de vencimento da opção). Chama-se de prêmio o valor que a pessoa interessada em adquirir uma stock option paga por esse direito de comprar as ações no futuro por um preço prédeterminado. Como já mencionado anteriormente, existe um verdadeiro mercado de negociação de stock options. As stock options mercantis podem ser negociadas tanto em bolsa de valores, quanto em mercado de balcão. Após o lançamento da opção, comprador e lançador não interagem, sendo a liquidação realizada por meio de uma câmara ou caixa de liquidação. (...) Com os novos tempos de globalização e concorrência cada vez mais acirrada, as empresas têm continuamente buscado mecanismos para atração e manutenção de bons profissionais em seus quadros, pois deles depende o sucesso da atividade empresarial. Nesse diapasão, inúmeras são as empresas nacionais e multinacionais que oferecem uma variada gama de benefícios aos seus empregados e prestadores como forma de se tornarem mais competitivas, sendo as stock options um desses mecanismos. Por meio desses planos de compra de ações, as empresas concedem ao seu empregado ou executivo beneficiário o direito de, num determinado prazo, subscrever ações da companhia, a um preço determinado ou determinável, segundo critérios estabelecidos por ocasião da outorga, através de um plano previamente aprovado pela assembléia geral. 53. Como o beneficiário não paga qualquer "prêmio" pelo direito à outorga de opções, ele participa do Plano a partir do preenchimento de condições que sem dúvida estão vinculadas ao trabalho, como por exemplo desempenho, metas, qualificação profissional, etc. 54. Se ao final do período de carência o preço da ação no mercado estiver superior ao preço fixado na outorga, ele exerce a opção e obtém uma vantagem. Se ao final do período o preço estiver inferior, ele simplesmente não exerce a opção. 55. Não se vislumbra que haja "compartilhamento dos riscos do negócio". Existe a possibilidade de receber um plus pelo sucesso da companhia ou não. Assim, não há risco de perder, mas apenas o risco de "não ganhar". 56. Para se vislumbrar com mais clareza, é preciso definir qual é o objeto do risco. Se o objeto do risco é o plus nas vantagens oferecidas pela companhia ao Fl. 1284DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 empregado ou se o objeto do risco é o resultado de mercado no preço das ações da companhia. Em relação ao primeiro, existe a possibilidade apenas de ganhar uma vantagem adicional. Em relação ao segundo, o participante do Plano, na forma como se colocou, não corre qualquer "risco", porque receberá seu salário nos termos do contrato e da legislação trabalhista. Assim, não se pode dizer que haja "compartilhamento dos riscos do negócio", mas a possibilidade de ter seus ganhos aumentados em função do sucesso da companhia, do qual participa em função de seu trabalho, seu empenho, sua fidelidade e sua capacidade. 57. Assim, a questão principal é se o Plano analisado e a outorga de opções de ações tem a natureza de retribuição pelo trabalho e pela manutenção do vínculo laboral de interesse da companhia. Se esta tem por objetivo retribuir o "bom trabalho", a fidelidade e a eficiência. 58. Em relação a possível alegação de eventualidade dos pagamentos, é importante citar que o que define a eventualidade não é a periodicidade do pagamento ou ter sido esse realizado uma ou duas vezes, pois se assim fosse a gratificação natalina seria eventual, pois é paga apenas uma única vez ao ano, ainda que dividida, mas esse pagamento é habitual. 59. A habitualidade, no caso, está presente na necessidade do vínculo laboral, no período de tempo que o empregado deve mantê-lo para receber a vantagem. Se ele trabalha ali somente um mês, um uma vez, eventualmente, não seria escolhido para a outorga das ações. De novo, do Acórdão 2401- 003.891 - 4a Câmara / 1a Turma Ordinária, já citado acima: “A interpretação de ausência de habitualidade não deve indicar pagamentos contínuos, mas devem ser diferenciados de pagamentos eventuais, ou seja, aqueles que não tem qualquer relação com a prestação dos serviços ou pelo vínculo de emprego. Estariam excluídos pela ausência de habitualidade aqueles benefícios decorrentes de um infortúnio. A habitualidade será determinante quando buscar a definição do conceito de remuneração para reflexos em outras verbas trabalhistas, tais como férias, 13 salário. Já para incidência de contribuições previdenciárias, o fato determinante é a natureza em si da verba, donde buscamos caracterizar a verba como salarial, ou indenizatória se a mesma vincula-se ao contrato de trabalho.” 60. Além disso, conforme pode ser observado nos Planos de Opção aqui anexados, os mesmos previam subscrições anuais, em três períodos consecutivos, sendo 33,4% a partir de dois anos, 33,3% a partir de 3 anos e mais 33,3% a partir do quarto ano. Além do fato do plano de outorga de opções ter vindo acontecendo regularmente desde 2007 até 2012. 61. A repetição uniforme, por períodos consecutivos, é apta a caracterizar a habitualidade exigida pelo legislador e, portanto, ficam preenchidos os requisitos para que os pagamentos subsumam-se ao conceito de remuneração. Do momento da ocorrência do Fato Gerador (aspecto temporal da base de incidência) 62. A outorga das opções de compra de ações para trabalhadores se traduz em um contrato pendente de condição suspensiva, pois no momento da outorga, apenas há uma expectativa de direito com relação ao exercício das opções, direito este condicionado a uma situação temporal (cumprimento do prazo de carência) e a uma situação laborativa (manutenção da prestação de serviço do trabalhador). Fl. 1285DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 63. Ou seja, como, regra geral, só poderão ser exercidas as opções cujos detentores, ao final do prazo de carência, ainda estejam prestando serviços à companhia. 64. Como resultado do exercício da opção de compra, o trabalhador adquire ações da companhia, que são bens economicamente apreciáveis e que se integram ao seu patrimônio. 65. Trata-se, portanto, de um contrato pendente de condição suspensiva, que é aquele que somente se aperfeiçoa com o implemento dessas condições. ... 71. Diante do que foi exposto, as outorgas de opções de ações para trabalhadores reputam-se perfeitas e acabadas na data em que, após, o implemento das condições suspensivas, ocorre o exercício dessas opções de compra. 72. Ou seja, as obrigações tributárias principal e acessória somente se iniciam no momento em que a contraparte (beneficiário) exercer o seu direito mediante assunção dos custos previstos em contrato (pagamento do preço de exercício). 73. Portanto, a data da ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a outorga das opções é definida como sendo a data do exercício das opções pelo beneficiário. 74. Cumpre esclarecer, neste momento, que em hipótese alguma a compra da ação, efetivada através do exercício da opção de compra, está sendo tributada. Da Base de Cálculo do Tributo (aspecto quantitativo da base de incidência) ... 76. No caso em tela, a "vantagem" de natureza salarial obtida pelo beneficiário do Plano e subsidiada pela companhia, pelo todo que vimos aqui sustentando, se verifica pela diferença entre o valor da ação na data do exercício (valor do bem em mercado sob condições normais) e aquele valor que o beneficiário vai pagar à companhia dona das ações. Essa é, efetivamente, a medida da "vantagem" auferida. 77. Naquele dia, do exercício, ele está ganhando a diferença entre o valor de mercado da ação e o valor pelo qual a está comprando, porque se vendê-la imediatamente (e ele tem essa disponibilidade), será esse o valor do acrescido a seu patrimônio. ... 79. Voltamos somente para reforçar e esclarecer que, corroborando o que foi dito, enfatizamos a desnecessidade de que efetivamente se realize a venda para que se verifique o fato gerador da contribuição em tela. O direito foi conferido ao beneficiário e a vantagem foi incorporada a sua esfera patrimonial. Se vai vender as ações ou não, é decisão sua. Quando, e se, vendê-la, o ganho de capital será objeto do imposto de renda. DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 80. Com base nas explicações anteriores, a base de cálculo foi apurada de acordo com a quantidade de opções exercidas, o preço de exercício de cada opção no Fl. 1286DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 dia do exercício e o preço da ação subjacente no dia do exercício, individualizando-se os respectivos exercícios por beneficiário, conforme exposto nos Anexo 01 - “Stock Options Exercidas por empregados em 2012”, Anexo 02 - “Stock Options Exercidas por diretores em 2012” e Anexo 03 - “Stock Options Exercidas por prestadores de serviço em 2012”. Da ciência e da impugnação A ciência da autuação se deu eletronicamente em 27/01/2017 (fls. 982/983) e o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 986/1092 em 23/02/2017, nos termos abaixo relatados, em síntese. 1. Da não incidência das contribuições sobre "stock options": A outorga de opções de compra de ações no âmbito do Plano da empresa não configura pagamento nem crédito de remuneração destinada a retribuir o trabalho de empregados ou contribuintes individuais, nem ganho habitual sob a forma de utilidade como retribuição pelo trabalho prestado, pelo que não está sujeita à incidência das contribuições apuradas. Da mesma forma, eventual diferença positiva verificada por ocasião do exercício das opções não decorre do trabalho prestado, mas de oscilações aleatórias do mercado, que não caracteriza fato gerador das referidas contribuições, já que o exercício das opções é oneroso e envolve riscos mercantis. A outorga de opções de compra de ações pela impugnante, sua aceitação e adesão ao plano pelos beneficiários e o exercício das opções são facultativos, ao contrário da remuneração pelo trabalho prestado, a qual é obrigatória. A gratuidade da outorga de opção de compra de ações e a condição suspensiva para o seu exercício ("vesting period") não é suficiente para atrair as contribuições em tela: a concessão das opções não envolve desembolso de valores por parte da impugnante a favor dos trabalhadores nem configura ganho habitual dos colaboradores. A outorga de opções de compra de ações é "concessão de uma oportunidade de investimento de natureza mercantil que a impugnante oferece com o intuito de obter um alinhamento de interesse dos beneficiários com os acionistas." O fato de a escolha dos beneficiários das opções recair sobre os profissionais com melhor desempenho e perfil de acionista (o que acaba por retê-los na empresa) não retira a natureza mercantil do Plano: após a assinatura dos contratos, o exercício da opção de compra da ação não está condicionado a nenhuma meta de desempenho, mas apenas ao "vesting period". Há decisões do CARF no sentido esposado, que destaca. Como no acórdão que cita, a Cláusula 6.1 do Plano determina que o exercício da opção deve se dar mediante o pagamento do Preço de Exercício, cujo valor será baseado na média da cotação das ações da impugnante, da mesma classe e tipo, nos últimos vinte pregões da Bovespa imediatamente anteriores à data da outorga da opção, ponderada pelo volume de negociação e corrigido monetariamente pelo IPCA até a data do efetivo exercício da opção. Fl. 1287DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 Assim, há onerosidade no Plano, já que a compra das ações não é subsidiada pela impugnante. Também não houve desconto sobre o Preço de Exercício, em relação ao valor de mercado da ação, na outorga das opções, pois o referido Preço de Exercício foi firmado com base no valor médio das ações no período que antecedeu a outorga, corrigido monetariamente. Tanto na outorga das opções, quanto no momento do seu exercício, não há desembolso de caixa pela impugnante a favor dos trabalhadores, sendo inverso o fluxo financeiro: são os titulares das opções que pagam à impugnante para adquirir as ações. Não é possível caracterizar, como rendimento do trabalho ou ganho habitual, eventual valorização das ações entre a data de outorga das opções e a data de seu exercício, já que esta não tem relação direta com os serviços prestados pelos colaboradores e não decorre de ingerência por parte da impugnante. Além disso, ao exercer a opção e comprar as ações, o beneficiário do Plano está sujeito, de forma concomitante à compra, ao risco de incorrer em perda do valor investido, dadas as regras de funcionamento do mercado de ações. A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) é pacífica no sentido de que a concessão das "stock options", nos moldes das ofertadas no Plano, não tem natureza remuneratória, ainda que feita durante o contrato de emprego. A justiça federal também tem decidido que, quando verificadas a voluntariedade, onerosidade no exercício e existência de risco mercantil suportado pelo participante com a compra de ações, os planos têm natureza mercantil e não remuneratória, conforme decisões citadas, inclusive do CARF. Conclui-se, portanto, que a outorga de opções de compra de ações não se sujeita à incidência das contribuições, tampouco eventual diferença positiva entre o valor de mercado das ações na data de eventual exercício e o Preço de Exercício, pelo que os autos são improcedentes. Por outro lado, o item 29 do Relatório Fiscal diz que a impugnante não tem por objeto a compra e venda de ações, muito menos com perda financeira, como é o caso das opções de compra de ações para trabalhadores. A premissa é equivocada, visto que o preço de emissão de ações afeta tão somente a situação patrimonial dos acionistas existentes à época do aumento de capital, mas é neutra para a companhia em si. A fiscalização se equivoca, portanto, quanto à natureza das opções de compra de ações outorgadas pela impugnante, ao exigir contribuições sobre a diferença positiva apurada entre o preço da ação na data do exercício das opções e o preço de exercício das opções, e se equivoca ao afirmar que a compra e venda de ações no âmbito das "stock options" causaria perda financeira direta para a impugnante. 2. Da exclusão dos supostos ganhos dos contribuintes individuais pelo exercício das opções Caso prevaleça o entendimento de que as contribuições lançadas são devidas, deve-se excluir aquelas relativas aos contribuintes individuais, visto que a outorga de opções de compra de ações a estes colaboradores não pode ser considerada remuneração, mas apenas ganho habitual concedido sob a forma de utilidades, o qual não integra a base de cálculo das referidas contribuições, por falta de amparo legal. Nesse sentido, segue doutrina e decisão judicial. Fl. 1288DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 3. Da inconsistência dos autos pela contradição entre os fundamentos fáticos e legais do relatório fiscal e a conclusão quanto ao momento da ocorrência do fato gerador De acordo com o Relatório Fiscal, o fundamento central da autuação é o de que a outorga de opções de compra de ações tem natureza remuneratória e, portanto, se sujeita à incidência de contribuições previdenciárias. A fiscalização reconhece que o contrato pelo qual as opções de compra são outorgadas configura negócio jurídico pendente de condição suspensiva, que consiste na continuidade da prestação dos serviços à impugnante, até a data do término do "vesting period" das opções. Assim, a transferência de titularidade das opções e o implemento do direito ao seu exercício só ocorreram no momento em que se verificou a condição suspensiva. A fiscalização se reporta ainda aos artigos 114, 116, II, e 117, I, todos do CTN, para fundamentar o momento da ocorrência do fato gerador, segundo os quais, em se tratando de negócio jurídico sujeito à condição suspensiva, o fato gerador da obrigação tributária ocorre no momento do implemento da referida condição. Considerando as premissas adotadas, forçosa é a conclusão de que o suposto fato gerador das contribuições sobre a outorga das opções ocorre na data em que concluídos os respectivos "vesting periods", pois nesse momento os beneficiários teriam adquirido o direito às opções e poderiam exercê-las, dentro do Termo da Opção, observadas as regras do Plano. Não obstante o exposto, a fiscalização concluiu, de forma oposta e contraditória à fundamentação fática e legal suscitada, que o fato gerador das contribuições ocorre no dia do exercício das opções pelos beneficiários. O exercício das opções, todavia, não é condição suspensiva para a aquisição do direito de compra conferido pela outorga das opções, mas mera consecução desse direito, mediante manifestação de vontade de seus titulares. O exercício da opção pode nem ser concretizado. A conclusão, portanto, quanto ao momento da ocorrência do fato gerador diverge da premissa fática e dos fundamentos legais que fundamentam a autuação: art. 125 do NCC, artigos 116, II, 117, I, do CTN. Nesse sentido, seguem acórdão do CARF e decisões administrativas, cujo entendimento é de que o fato gerador ocorre ao término do período de carência das opções. O Pronunciamento do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) no. 10, de 03/12/2010, que estabelece procedimentos para reconhecimento e divulgação, nas demonstrações contábeis, das transações envolvendo pagamentos baseados em ações, incluindo despesas com outorga de opções de compra de ações, determina que essas despesas devem ser: i) mensuradas na data da outorga das opções; ii) reconhecidas pelo regime de competência, ao longo do "vesting period". Ainda que o referido CPC 10 não regule matéria previdenciária nem interfira na análise da natureza do Plano para fins de incidência das contribuições, sua citação é feita para demonstrar que, para fins contábeis, as despesas devem ser apropriadas ao longo do período de aquisição do direito às opções e não no dia do exercício das opções. Este é também o entendimento do CARF nos acórdãos citados. Fl. 1289DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 Da mesma forma, o Regime Tributário de Transição (RTT), instituído pela Lei no. 11.941, de 2009, em vigor até 01/01/2015, a Lei no. 12.973, de 2014, e a IN RFB no. 1.515, de 2014, embora não regulem matéria previdenciária, também servem de paralelo ao presente caso: antes da edição da Lei no. 12.973, de 2014, período objeto do lançamento, as "stock options" sequer eram consideradas "remuneração" para fins de apuração do IRPJ e da CSLL e, após a referida Lei, esses valores passaram a ser considerados dedutíveis na data da transferência definitiva da propriedade das opções, sendo irrelevante seu exercício. Assim, se de um lado, "a despesa com pagamento baseado em ação" é dedutível para a empresa na data do término do "vesting period", é porque, de outro lado, o beneficiário, nesse mesmo momento, passa a ter o direito à "remuneração", mediante a aquisição da titularidade das opções. Os fatos expostos corroboram o erro e a contradição da autoridade fiscal ao concluir que a ocorrência do fato gerador das contribuições incidentes sobre a "remuneração paga" mediante a outorga de opção de compra de ações se dá no dia do exercício das opções e não ao término dos "vesting periods". A lavratura de autos de infração deve observar a legislação de regência: art. 142 do CTN; art. 10 do Decreto no. 70.235, de 1972; art. 38, §1o. do Decreto no. 7.574, de 2011; art. 50 da Lei no. 9.784, de 1999. Nesse sentido, a jurisprudência administrativa é pacífica quanto a serem insanáveis os erros envolvendo a definição da data da ocorrência do fato gerador, que tornam o lançamento insubsistente, como consta de decisão do CARF citada. Por outro lado, caso se entenda possível sanar a insubsistência dos autos, deve- se observar que diversas opções já tiveram encerrados seus "vesting periods" há mais de cinco anos, tendo decaído, portanto, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4o, do CTN. 4. Da inconsistência dos autos pela contradição entre os fundamentos fáticos e legais do relatório fiscal e os critérios para a quantificação da base de cálculo Caso se considere que a outorga das opções de compra de ações caracterizam remuneração por serviços prestados, a autuação é improcedente em razão da base de cálculo adotada. A fiscalização considerou que a outorga das opções de compra de ações foi feita de forma gratuita, sem o pagamento de prêmio pelos beneficiários, o que fez com que estes não se sujeitassem a riscos mercantis, diversamente do que ocorre no mercado comum. Em sendo assim, as contribuições deveriam incidir sobre o valor do prêmio que deixou de ser pago pelos beneficiários para se tornarem titulares das opções, no caso, o seu valor justo. Assim, eventual diferença apurada posteriormente, pelo confronto entre o valor de mercado da ação na data do exercício das opções e o preço de exercício, decorre da valorização das ações no mercado e não de uma quantia previamente estipulada pela impugnante ou do trabalho do beneficiário. Nesse sentido, não se pode confundir a outorga de opções de compra de ações com os respectivos ativos subjacentes, isto é, as próprias ações sobre as quais recaem Fl. 1290DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 as opções de compra, visto que se trata de ativos distintos, conforme art. 2o. da Lei no. 6.385, de 1976. É inconteste que o valor da opção, obtido diretamente no mercado ou por meio de precificação indireta, não se confunde com o valor da ação, já que são instrumentos patrimoniais distintos, com valores próprios. Assim, a base de cálculo passível de incidência de contribuições seria o valor justo das opções no momento da sua outorga (prêmio que deixou de ser pago para aquisição das opções), apurado conforme metodologia de precificação específica, e não a diferença entre o valor das ações apuradas entre a data do exercício e a data da outorga das opções, conforme doutrina citada. Considerando um segundo cenário hipoteticamente possível, a base de cálculo das contribuições deveria ter como parâmetro o valor da ação no dia do término do "vesting period" e não o valor da ação na data do exercício da opção, sendo então a diferença positiva entre o valor da ação na data final do "vesting period" e o preço de exercício. Por estas razões, é improcedente a autuação. 5. Do descabimento de juros sobre a multa de oficio Não é cabível a incidência de juros sobre a multa de ofício, já que isso implicaria uma indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa. A legislação atual não prevê a possibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício (art. 59 da Lei no. 8.383, de 1991, e art. 61 da Lei no. 9.430, de 1996), pelo que a mesma é ilegal. Cita julgados do CSRF. 6. Do pedido Pelas razões expostas, pede o cancelamento dos autos. No julgamento da impugnação, acordaram os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos sintetizados na ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 30/12/2012 PLANO DE OPÇÃO DE COMPRA DE AÇÕES. STOCK OPTIONS. FATO GERADOR. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. BASE DE CÁLCULO. A remuneração indireta recebida por empregados e contribuintes individuais, como contraprestação pelos serviços realizados à empresa, por meio de plano de "stock option", integra o salário de contribuição e se caracteriza como fato gerador das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. O fato gerador ocorre no momento do exercício das opções de compra de ações e a base de cálculo é a diferença positiva, obtida pelo beneficiário, entre o preço de exercício, pré-fixado nos contratos de outorga das opções, e o valor das ações no mercado financeiro, para o investidor comum. Fl. 1291DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. São devidos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o credito tributário, visto que a referida multa o integra. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do Acórdão da DRJ em 29 de junho mde 2017, conforme Termo de fl. 1.137, ainda inconformado, o contribuinte juntou aos autos o Recurso Voluntário de fl. 1.140/1.226, em 26 de julho de 2017, no qual reiterou as razões expressas em sede de impugnação, que serão novamente sintetizadas no curso do voto a seguir.. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Por ser tempestivo e por atender os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Após breve síntese do litígio administrativo, a recorrente passa a demonstrar os motivos que entende justificar a reforma da decisão recorrida. Da não incidência das contribuições previdenciárias sobre Stock Options Inicialmente, colaciona os termos dos art. 195 e 201 da Constituição Federal de 1988, perpassando pelos artigos 22 e 28 da Lei 8.212/91 para, a seguir, demonstrar que a outorga de Opções de Compra de Ações não configura pagamento nem crédito de remuneração destinada a retribuir o trabalho de empregados ou de contribuintes individuais, tampouco sob a forma de utilidade devida pelo serviço prestado. No mesmo sentido, entende que eventual diferença positiva verificada por ocasião do exercício da Opção não se presta a retribuir trabalho prestado, já que decorrente de oscilações aleatórias, eventuais e especulativas do mercado. O recorrente traz à balha um resumo das regras do plano para afirmar que nem a outorga das Opções pela recorrente, nem a aceitação, adesão ao Plano e exercício das Opões pelos beneficiários são obrigatórios, o que os distanciam da figura da remuneração pelo trabalho prestado, que é obrigatória, e não voluntária. Sustenta que o fato de haver condição suspensiva para exercício das opções não é suficiente para caracterizá-la como remuneração. Isso porque as Opções não envolvem desembolso, não configuram ganho sob a forma de utilidade, não representam vantagem ou instrumento patrimonial que possa ser alienado, cedido ou explorado economicamente. Destaca que, após a assinatura dos contratos, o exercício da opção não está condicionado a nenhuma meta individual de desempenho, mas apenas à manutenção dos serviços dos beneficiários ao término de cada período de maturação, o que vai em linha com a Teoria da Fl. 1292DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 Agência, que visa minimizar a assimetria existente entre os interesses daqueles que atuam no dia a dia da sociedade e dos acionistas. Cita precedentes deste Carf que caminham no mesmo sentido de suas considerações recursais, apontando previsões de seu Plano de Opções que evidenciam a onerosidade da operação e que, no momento do exercício, não houve desembolso por parte da recorrente em favor dos empregados, sendo o fluxo financeiro inverso, já que são os titularas das Opções que pagam à recorrente para adquirir as ações e se tornarem acionistas da Companhia. Relacionando a conclusões doutrinárias, afirma que eventual valorização das ações entre a data da outorga das Opções e a data de se exercício não tem relação direta com os serviços prestados pelos participantes, não decorre de ingerência da recorrente, o que demonstra que a diferença positiva entre o valor das ações e o valor de exercício das Opções jamais poderia ser caracterizada como uma quantia apurada e devida pelo trabalho prestado, além de não configurar ganho habitual. Alega que ao exercer a opção de compra, o beneficiário incorre no risco de perder o valor investido, já que não há garantia de que haverá investidor no mercado interessado em adquirir os ativos, tampouco por preço igual ou maior aquele pago pelo titular das Opções. Assim, eventuais ganhos obtidos somente ocorrerão quando da posterior alienação das ações adquiridas, devendo ser tributadas como ganho de capital, tudo conforme previsão contida no art. 60 da IN RFB nº 1.585/2015, conclusão corroborada por precedente que cita (Acórdão DRJ Belém/PA nº 01-13567, de 14/04/2009). Aduz que o entendimento da Fiscalização, mantido pela Decisão recorrida, de caracterizar como remuneração a diferença positiva apurada no dia do exercício das opções entre o valor de marcado das ações e o preço de exercício pago, levaria à conclusão absurda de que a remuneração dependeria de um ato de vontade de quem a recebe e de um desembolso, ou seja, o trabalhador precisaria desembolsar uma parcela de seu patrimônio para receber sua remuneração. Aponta precedentes judiciais e administrativos para robustecer suas conclusões de que as Stock Options concedidas nos moldes ofertados no Plano ora sob análise não têm natureza remuneratória, já que sua aceitação e eventual exercício são voluntários, não decorrem de obrigação referida em contrato de trabalho, o exercício das opções é oneroso com sujeição dos participantes a riscos. E mais, que, em princípio, as chamadas Stock Options teriam natureza mercantil, salvo se o caso concreto não identificasse na operação os elementos voluntariedade, onerosidade e risco. Pontua que, aparentemente, o Relatório Fiscal parte de uma premissa equivocada de que a colocação da ações por preço inferior ao de mercado ou patrimonial é capaz de gerar perda para a companhia, avaliando que tal afirmativa é tão incorreta quanto seria o de que a colocação de ações por preços superiores ao de mercado geraria lucro. Entende que o preço de emissão afeta positivamente ou negativamente a situação patrimonial dos acionistas existentes à época do aumento de capital, mas é neutra para a Companhia em si. A partir das considerações expostas no parágrafo precedente, a defesa entende que a transferência de ações aos beneficiários do Plano gera acréscimo patrimonial para a empresa, mas não decorre de realização de seus ativos nem de liquidação de passivos, por isso não afeta seus resultados, sejam tais ações surgidas de aumento de capital, sejam as mantidas em Fl. 1293DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 tesouraria, as quais não têm valor em si mesmas, mas apenas direitos patrimoniais ou pessoais que lhes são inerentes, mas suspensos, equiparando-se a ações não emitidas. Pontua, inclusive, que as ações em tesouraria não representam ativo, mas são registradas em contas redutoras de ativo. Tudo para afirmar que quem experimente eventual perda decorrente de emissão de ações por valor inferior ao de mercado são os antigos acionistas, não a empresa, como sustenta a Fiscalização. Sintetizadas as alegações da defesa neste tema, importante rememorar a base legal da incidência tributária em questão, previstas na Constituição Federal e na Lei 8.212/91: CF/88 (...) Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços;(...) Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Quando se discute a incidência de contribuições previdenciárias sobre benefícios recebidos a título de Stock Optins, como bem pontuou a defesa, é fundamental analisar as peculiaridade do Plano em particular para identificar se as vantagens econômicas recebidas estão vinculadas a uma contraprestação pelo serviço prestado. Fl. 1294DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 No caso em tela, o objetivo do Plano de Opção de Compra de Ações instituído pela autuada está claramente delineado em fl. 47: Como se vê, objetiva a Companhia estimular sua expansão, êxito e realização de objetivos sociais, por meio do alinhamento do interesse dos administradores, empregados e prestadores de serviço, seja dela próprio ou de outras sociedades controladas, com o interesse dos acionistas, além de possibilitar a atração e retenção destes mesmos colaboradores, a partir da inclusão destes no quadro de acionistas, naturalmente, observadas condições específicas. No que tange à administração do Plano de Outorga das Opções, vale destacar os seus itens 3.3 e 4.5, fl. 48 e 49, respectivamente: (...) As previsões acima evidenciam que seleção dos beneficiários observará, ainda, o cumprimento de metas de desempenho para cada beneficiário, os quais terão os valores de opções fixados de forma discricionária, sem qualquer regra de isonomia entre eles, mesmo que se encontrem em situações similares ou idênticas. Já o Contrato de Outorga prevê, em fl. 64 Fl. 1295DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 Portanto, considerando que o beneficiário nada paga pela outorga da opção, poderá sequer desembolsar algum numerário mesmo no caso de um suposto exercício, já que poderá alienar os ativos adquiridos antes mesmos de pagar por eles, com a limitação de que, nesta hipótese, o resultado da venda seja destinado primeiramente à quitação do débito para com a Companhia. De tais excertos, resta inequívoca a conclusão de que a instituição do Plano de Opções de Compra de Ações está diretamente relacionada ao estímulo, expansão, êxito e realização de objetivos sociais da Companhia e à atração e retenção destes seus colaboradores, a partir da inclusão destes no quadro de acionistas e alinhamento de interesses com os dos acionistas. Por outro lado, para se beneficiar do Programa, cada beneficiário, mesmo que atuando em situações semelhantes ou idênticas, são avaliados a partir de metas individuais e têm benesses diferenciadas para cada um. Não pagando nada pela Opção e sendo-lhes permitido nada desembolsar mesmo no momento do exercício das Opções. Portanto, não verifico no caso em tela uma das características dos Contratos de Opções de natureza Mercantil, a da onerosidade. Por outro lado, é evidente que as benesses são fixadas como forma de contrapartida pelo esforço de cada colaborador, com vinculação direta aos resultados individuais, apontado que os benefícios apresentam aspectos retributivos, que alcançam não apenas aos seus colaboradores diretos, mas também a outros vinculados às suas controladas. Neste sentido, embora não haja questionamento até o momento pela recorrente, seria irrelevante que não se verificasse para todos os beneficiários um vínculo direto com a autuada, já que este foi o formato por ela escolhido para incentivar a continuidade da prestação de serviços bem assim para alinhar interesse dos colaboradores aos interesses dos acionistas e em benefício do Grupo, atraindo a imposição da regra matriz de incidência tributária. Em relação aos preços de exercício inferiores ao valor de mercado, o problema não é exatamente estar abaixo ou acima, já que, de fato, em tais operações essa diferença pode ser positiva ou negativa. A questão é que, nos ajustes com caráter remuneratório, nunca ocorrerá um exercício de uma opção quando o valor de mercado for inferior ao preço de exercício, já que nem mesmo o valor pago pelo prêmio, que neste caso pode ser inexistente, influenciaria a decisão do opcionista. Por exemplo, em um cenário mercantil, um cidadão que paga R$ 10.00 pelo direito de, em determinada data, comprar uma ação qualquer por R$ 150.00, considerará não adquiri-la mesmo que seu preço de mercado seja R$ 156,00, que, embora seja superior ao preço Fl. 1296DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 de exercício, ainda evidenciaria um prejuízo em relação ao valor efetivamente pago pelo ativo (valor de opção + preço de exercício). Naturalmente, poderia considerar, ainda, questões relacionadas a compensação de prejuízos em operações posteriores. As vantagens experimentadas com o Plano em comento, tendo em vista que seus beneficiários continuam recebendo regularmente seus rendimentos, constituem incentivos adicionais que, não cumpridas as metas para ser elegível ou não exercido o direito de opção, não serão recebidos, nada mais que isso. Não há que se falar em obrigatoriedade de pagamento. Neste caso, poderíamos imaginar que essa retribuição se assemelhasse a uma comissão ou um bônus, de caráter absolutamente variável, em que sendo alcançado objetivo previamente estabelecido, receberia-se um valor adicional qualquer, mas não o alcançando, o colaborador recebe sua remuneração sem tal adicional. Ainda que o beneficiário do Plano opte por efetuar o pagamento do preço de exercício das Opções com recursos próprios, exercício este que, frise-se, ocorre apenas em um cenário em que os preços de mercado são superiores ao de exercício, as peculiaridades contábeis próprias do tratamento dado às ações em tesouraria ou mesmo o fato de eventual prejuízo ser suportado pelos demais acionistas não afastam o evidencia de que riqueza foi transferida da Companhia para seus colaboradores. Afinal, a existência efetiva da empresa como pessoa é uma ficção jurídica, sendo certo que, ao fim, em sua essência, qualquer pagamento efetuado é suportado pelos acionistas. Não merecem prosperar as alegações de que eventual valorização das ações entre a data da outorga das Opções e a data de exercício não tem relação direta com os serviços prestados pelos participantes. De fato, a variação ocorrida nos ativos no curso do período de carência pode aumentar ou diminuir o benefício efetivo experimentado por cada colaborador no momento do exercício da Opção, sendo certo que, mesmo com informações privilegiadas disponíveis, embora pudesse estimar, a recorrente não teria como saber exatamente o comportamento do mercado no período. Contudo, tal fato é irrelevante pois, existente a vantagem econômica, esta decorre, como acima dito, dos serviços prestados por cada um, considerando ainda uma relação direta com o desempenho individual (retributividade), ainda que não haja, após a outorga da opção, nenhuma meta individual específica a ser alcançada. Ainda tratando das características dos contratos de Opções de Compra de Ações de natureza de mercantil, é natural que estes evidenciem alguma medida de risco para as partes contratantes, sendo este o elemento que se apresenta, como regra, fundamental à diferenciação da natureza mercantil ou remuneratória do ajuste. No caso dos autos, o contribuinte autuado tenta, por meio de boa argumentação, demonstrar que os beneficiários de seus Programas assumem riscos em tais operações à medida que, ao exercer a Opção de Compra, podem incorrer em perda do valor investido, já que não há garantia de que haverá investidor no mercado interessado em adquirir os ativos, tampouco por preço igual ou maior do que aqueles pago pelo titular das Opções e que eventuais ganhos obtidos somente ocorrerão quando da posterior alienação das ações adquiridas, devendo ser tributadas como ganho de capital. Quando se fala em risco para fins de avaliar a natureza contraprestacional de uma Stock Option, o que se busca é a evidencia deste entre a outorga e o exercício da opção, tal qual se verifica nas operações mercantis, em que o interessado em adquirir as ações no futuro, por Fl. 1297DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 determinado preço previamente estipulado, paga por este direito (prêmio). Assim, no momento do exercício de tal opção, poderá adquirir um ativo por um preço inferior ao praticado naquela data ou poderá perder todo o valor pago de prêmio, se não for vantajoso exercer a opção, em um cenário em que o preço estipulado previamente se mostre superior ao de mercado. Como regra, os instituidores de planos de natureza mercantil apostam no lucro pela desvalorização das ações contratadas, situação em que, naturalmente, a opção não será exercida, constituindo-se o valor do prêmio como o lucro do instituidor. Por outro lado, os optantes entram em tal ajuste buscando ganhar com a valorização do ativo, objetivando lucrar com a aquisição de uma ação por valor inferior ao de mercado. No caso concreto sob análise, é evidente que a operação levada a termo objetivava a valorização da companhia instituidora, o que afasta ainda mais a operação entabulada à sua congênere mercantil, em que a instituidora objetiva ganhar com a queda das ações. Portanto, considerando que é no momento do exercício da opção que podemos quantificar a variação ocorrida no patrimônio do beneficiado, é este o momento que se consideram ocorridos todos os elementos capazes de ensejar o nascimento da obrigação tributária, sendo irrelevante o que ocorre com os preços das ações a partir do exercício das opções, já que eventual ganho ou perda nesse período posterior estará sujeito a outra regra de tributação, a que incide sobre o ganho de capital. A questão de mitigação da assimetria de informações e de interesses verificada entre acionistas e administradores, objeto da Teoria da Agência, mais comum em um ambiente de maior pulverização do capital, não empresta quaisquer efeitos à noção de ocorrência ou não do fato gerador tratado nos autos, em particular se o mecanismo eleito para solução dos problemas evidenciados entre o proprietário (principal) e o administrador (agente) resulta na ocorrência da regra matriz de incidência tributária. Assim, diante do exposto, não há amparo a alegação de que a mera existência de condições suspensivas caracterizam o ajuste como de natureza remuneratória, já que todo o conjunto foi avaliado pelo Agente Fiscal que, até aqui com acerto, lavrou o Auto de Infração guerreado, o qual foi mantido, até o momento, também de forma acertada pela Decisão recorrida. Assim, sem reparos a serem feito, neste tema, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. Da Exclusão, da Autuação Fiscal, dos supostos ganhos auferidos pelos contribuintes individuais em razão do exercício das Opções. Entende a defesa que não há amparo legal para exigência da cota patronal de 20% sobre ganhos habituais concedidos in natura a contribuintes individuais, tudo por avaliar que a Constituição Federal, em seu art. 201, § 11, ao prever que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Por outro lado, agora avaliando os termos dos incisos I e III do art. 22 da Lei 8.212/91, a defesa entende que a incidência da contribuição previdenciária sobre ganhos habituais sob a forma de utilidade só estaria presente no caso de pagamento a segurados Fl. 1298DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 empregados e trabalhadores avulsos, mas não para contribuintes individuais, já que não tratada especificada no inciso III do mesmo art. 22. Com isso, conclui pela ilegalidade dos preceitos contidos no § 1º do art. 201 do Decreto 3.048/99 1 e no § 4º do art. 57 da IN RFB 971/09 2 . Respeitando os posicionamentos doutrinários trazidos na peça recursal, com eles não concordo, não merecendo prosperar as alegações recursais neste tema, já que o detalhamento maior contido no inciso I do art. 22 da lei 8.212/91, já reproduzido alhures, é apenas exemplificativo, não reduzindo, de forma alguma, o conteúdo do preceito contido no inciso III do mesmo artigo. Ou seja, a contribuição previdenciária incide sobre o total das remunerações pagas devidas ou creditadas a qualquer título durante o mês tanto para empregados e trabalhadores avulsos quanto para contribuintes individuais. A Constituição Federal, em seu art. 201, § 11, ao prever que os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei, estabelece que tais valores, nos casos de empregados, são incorporados ao salário para fins previdenciários e, consequentemente, para cálculo de demais benefícios estabelecidos por lei, como, por exemplo, 13º salário e FGTS, direitos que não amparam o contribuinte individual. Por sua vez, o art. 195 da mesma Constituição, também já reproduzido no curso do presente voto, estabelece que a seguridade social será financiada pelas contribuições sociais do empregador e da empresa incidentes sobre folha de salários e demais rendimentos do trabalho, creditados a qualquer título a pessoa que lhe preste serviço, mesmo que sem vínculo empregatício. Assim, nada a prover. Da Inconsistência dos Autos pela Contradição entre os Fundamentos Fáticos e Legais Suscitados no Relatório Fiscal e a Conclusão quanto ao Momento de Ocorrência do Suposto Fato Gerador. Da Inconsistência dos Autos pela Contradição entre os Fundamentos Fáticos e Legais Suscitados no Relatório Fiscal e os Critérios para a Quantificação da Base de Cálculo. Os dois tópicos acima foram aqui analisados de forma conjunta por tratarem de temas que se relacionam entre si, a saber: o momento da ocorrência do Fato Gerador e a Quantificação da Base de Cálculo. 1 § 1º São consideradas remuneração as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 9º do art. 214 e excetuado o lucro distribuído ao segurado empresário, observados os termos do inciso II do § 5º. 2 § 4º Caracterizam o pagamento de remuneração ou retribuição: a moradia, a alimentação, o vestuário e outras prestações in natura fornecidas ao segurado empregado ou ao contribuinte individual, observado o disposto no art. 58. Fl. 1299DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 A defesa cita excertos do Relatório Fiscal em que a Autoridade lançadora afirma, em várias oportunidades, que a atuada remunerou administradores, empregados e prestadores de serviço através da outorga de Opções de Compra de Ações e que estas atendem aos requisitos necessários para caracterizá-la como remuneração, oferecidos aos trabalhadores, sem qualquer risco, como um componente da remuneração. Afirma que a mesma Autoridade reconhece que o contrato de Opções de Compra configura negócio jurídico pendente de condição suspensiva, cujo direito só é efetivamente adquirido quando aperfeiçoada como o término do exercício de carência. Alega que, nos casos envolvendo negócios jurídicos sujeitos a condição suspensiva, o fato gerador da obrigação tributária ocorre no momento do implemento da referida condição. Pelo exposto, entende a recorrente que é forçosa a conclusão de que o suposto fato gerador das contribuições sobre a Outorga de Opções ocorreria na data em que concluídos os períodos de maturação (período de carência ou Vesting Periods). Não obstante, a Fiscalização concluiu de forma nitidamente diversa, revelando inconsistência do lançamento, apontando que o fato gerador em tela ocorreria no dia do exercício das opções, o que veio a ser corroborado pela Decisão recorrida. Cita precedentes administrativos que corroboram sua conclusão de que o suposto fato gerador jamais poderia ser a data do seu exercício, colacionando legislação que indica que, salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador da obrigação previdenciária principal e existentes seus efeitos, em relação à empresa, no mês em que for paga, devida ou creditada a remuneração, o que ocorrer primeiro, considerando-se creditada a remuneração na competência em que a empresa contratante for obrigada a reconhecer contabilmente a despesa ou dispêndio. Apresenta considerações sobre o Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamentos Contábeis nº 10, para demonstrar que as transações e despesas envolvendo a outorga de opões são reconhecidas contabilmente pelo regime de competência, ao longo do período de aquisição do direito às Opções, isto é, ao logo do período de carência e não no dia de exercício das Opções, o que se constitui em mais um elemento de que o exercício das Opções não poderia representar o momento da ocorrência do fato gerador. Apos síntese das alterações contábeis decorrentes da convergência das normas contábeis brasileiras às normas internacionais, indica que a Lei 12.973/14 promoveu extensa reforma na legislação do IRPJ, prevendo que as despesas decorrentes de pagamentos baseados em ações, quando liquidadas com instrumentos patrimoniais, somente podem ser deduzidas após a transferência definitiva da propriedade das apções, ou seja, no término do Vesting Period, sendo igualmente irrelevante o eventual dia de exercício das opções. Aduz que, nos termos do art. 142 do CTN, compete à Autoridade Administrativa constituir o crédito tributário apontando a ocorrência do fato gerador. Além disso, nos termos do art. 10 do Decreto 70.235/72, o auto de infração deve conter a descrição dos fatos. Cita outras normas legais e regulamentares e jurisprudência administrativa para afirmar que erros envolvendo a definição da data da ocorrência do fato gerador do tributo lançamento são insanáveis e tornam o lançamento insubsistente. Fl. 1300DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 Afirma que, ainda que se a outorga de Opções tivesse natureza remuneratória e se sujeitasse à incidência de contribuições previdenciárias, o fato gerador somente poderia ocorrer na data do termino do período de carência das opões, isto é, na data em que implementada a condição suspensiva para a transferência da titularidade das opções e não a data de seu exercício. Sustenta que, ainda que ultrapassado o entendimento citado no parágrafo precedente, tem-se, num segundo cenário possível, que o fato gerador das contribuições sobre a outorga das opções ocorreria no decorrer do período de maturação. Por fim, argumenta que diversas Opções tiveram seus vesting period encerrados há mais de cinco anos e, portando, para estas, já teria decaído o direito da Fazenda constituir os créditos tributários pelo lançamento, nos termos do art. 150, § 4º, da Lei 5.172/66. Nas alegações relacionadas ao tópico seguinte, aqui agrupado, sustenta a defesa que a premissa fática dos autos é de que a outorga das opções de compra representaria remuneração por serviços prestados, hipótese de incidência tributária, a qual se deu de forma graciosa, sem pagamento de prêmio. Assim, a única consequência lógica seria a tributo incidir sobre o valor do prêmio que deixou de ser pago, já que este seria o único benefício assegurado pela recorrente aos participantes do Plano. Afirma que eventual diferença entre o valor pago pelos ativos e o seu valor de mercado na data do exercício da opção decorreria estritamente das valorização das ações no mercado e não de uma quantia previamente assegurada pela recorrente ou fruto do trabalho prestado pelo beneficiário. Alega que ambos os ativos (as Opções e as ações) são legalmente classificados como valores mobiliários distintos, conforme preceitua o art. 2º da Lei nº 6.385/01. Ademais, afirma que há fórmulas financeiras aceitas e utilizadas internacionalmente e no Brasil para mensurar o valor justo das Opções de Compra de Ações, citando exemplos. Aponta que o Pronunciamento Técnico do Comitê de Pronunciamento Contábil nº 10 impõe o registro contábil das opões de compra de ações concedidas a empregados, orientando que quando não é possível quantificar o valor justo dos serviços que estas Stock Options visam remunerar, a companhia deve mensurar de, forma indireta, tomando como base o valor justo dos instrumentos patrimoniais concedidos, no caso, o valor justo das Opções na data da outorga. Alega que mesmo para a minoria da doutrina, que defende que Stock Options teriam natureza remuneratória, entendem que a Opção é que se transfere em contraprestação ao trabalho prestado, sendo o valor justo das Opções, que pode ser quantificável, o rendimento pelo trabalho. Aduz, por mera argumentação, que, ultrapassados tais argumentos, a base de cálculo das contribuições supostamente incidentes na operação deveria ter como parâmetro o valor da ação na dia do término do vesting period, mas nunca o valor da ação na data do exercício da opção. Resumidas as razões da defesa, há de se ressaltar inicialmente que, no mercado de opões de natureza tipicamente mercantil, não se discute que a Opção e a Ação são dois ativos autônomos, com expressões monetárias distintas e conferindo aos seus titulares direitos diversos. Fl. 1301DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 Enquanto aquele confere ao seu possuidor o direito de comprar ou vender um bem por um preço fixo em uma data qualquer posterior, este confere a seus titulares direitos de sócios relacionados à espécie especifica de ações negociadas. Nestes casos, ao se adquirir uma Opção, a negociação já gera os direitos que lhe são próprios, podendo o adquirente, de imediato, dispor desse bem como melhor lhe convier. Contudo, no caso em tela, o contrato de outorga de opções, isoladamente, não é uma transação acabada e não confere ao colaborador nenhuma espécie de benefício efetivo, a não ser a expectativa de, em momento futuro, satisfeitas as condições estabelecidas, como prazo de carência, manutenção do qualidade de prestador de serviço, confirmação quantificada do interesse pelo exercício da opção, pagamento/aceitação do preço de exercício, poder exercer o direito de adquirir ações da instituidora do Programa. Assim, entendo que a outorga da opção, em si, enquanto não implementadas as condições suspensivas, não seria elemento capaz atrair a regra de incidência tributária, seja por não ser quantificável monetariamente, seja por não se constituir, ainda, em direito passível de exercício, tal como ocorre nos negócios jurídicos sob condição resolutória, seja por não corresponder a qualquer tipo de benefício financeiro ou econômico para o opcionista. Tudo conforme se verifica pelo excerto do Pano reproduzido abaixo: Desta forma, caminhou bem a Autoridade lançadora e Decisão recorrida, sobre o aperfeiçoamento do fato gerador, ao manifestar entendimento de que este foi considerado ocorrido no momento do exercício das opções de compra das ações. De fato, apenas este momento seríamos capazes de verificar a efetiva obtenção do benefício representado pela diferença positiva entre o valor de marcado das ações adquiridas e o valor efetivamente pago por elas. Vale relembrar precedente destacado pelo Julgador de 1ª Instância, expresso no Acórdão Carf nº 2401-004467, de 16/08/2016: STOCK OPTIONS. OPÇÕES DE COMPRA DE AÇÕES. EXERCÍCIO DO DIREITO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. BASE DE CÁLCULO Apura-se a base de cálculo na data do exercício do direito de compra das ações, quando aperfeiçoa-se o fato gerador pela vantagem econômica, consistente na remuneração sob a forma de utilidade, oriunda da aquisição das ações. A base de cálculo das contribuições corresponde à diferença entre o valor de mercado das ações adquiridas, na data do exercício, e o valor efetivamente pago pelo beneficiário. Como bem lembrado pela defesa, assim dispões a Lei 12.973/2014: Art. 33. O valor da remuneração dos serviços prestados por empregados ou similares, efetuada por meio de acordo com pagamento baseado em ações, deve ser adicionado ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real no período de apuração em que o custo ou a despesa forem apropriados. Fl. 1302DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 § 1 º A remuneração de que trata ocaputserá dedutível somente depois do pagamento, quando liquidados em caixa ou outro ativo, ou depois da transferência da propriedade definitiva das ações ou opções, quando liquidados com instrumentos patrimoniais. Embora a previsão legal acima seja posterior à ocorrência dos fatos geradores sob análise e esteja relacionada a legislação que se aplica diretamente a outro tributo, não há como, a partir da clareza do ter do § 1º acima, chegarmos a mesma conclusão da defesa, de que a tal transferência da propriedade definitiva estaria relacionada ao fim do período de carência. Vejamos alguns excertos do Plano de Opções de Compra de Ações: (...) Como se vê, as Opções outorgadas somente poderão ser exercidas se observados os termos e as condições estipulados pelo Conselho de Administração, bem assim as previstas no citado Contrato de Opção, o que ocorre, naturalmente, após o período de carência mas dentro do período de exercício, quando o beneficiário que desejar exercer suas Opções deverá comunicar à Companhia a intenção de fazê-lo, indicando a quantidade de ações que deseja adquirir. No prazo de dois dias úteis, contado do recebimento da comunicação, a empresa informará ao beneficiário o preço de exercício e a forma de pagamento, tudo isso se foram cumpridas, ainda, as demais regras para se concretizar o efetivo exercício do direito de compra. Fl. 1303DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 Assim, não há como conceber que o fato gerador pudesse ocorrer ao fim do período de carência, já que, mesmo findo tal lapso temporal, a aquisição das ações e a efetiva transferência de propriedade ainda não teriam ocorrido e poderiam até não ocorrer, já que outras regras deveriam ser atendidas. O recorrente, por eventualidade, embora alegue que o fato gerador deveria ser apurado pelo regime de competência, considerando a remuneração, mês a mês, que deveria ser reconhecida contabilmente desde a outorga da opção até o seu exercício, nada junta aos autos para demonstrar que efetuou tal registro contábil. Ao tratar de Fato Gerador, a Lei 5.172/66 (CTN) estabelece: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputam-se perfeitos e acabados: I - sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II - sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Ora, no caso dos autos, o período de maturação não se constitui propriamente de uma condição suspensiva absoluta. Ao final dele, não se pode entender que os efeitos esperados do ajuste tenham sido alcançados. Afinal, sem a comunicação à companhia de intenção de aquisição e quantidade de ações a serem adquiridas, sem a definição do preço e da forma de pagamento, sem cumprimento de eventuais outras regras estabelecidas pelo Conselho de Administração, ainda não foi concluída a transferência de propriedade do ativo. Assim, avaliando os preceitos dos art. 22 e 28 da Lei 8.212/91 já reproduzidos no curso do presente voto, que estabelecem que a contribuição devida pela empresa e o salário de contribuição estão sempre vinculados ao total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título durante o mês, não há de se falar que, sendo superado o período de carência, já teria ocorrido o fato gerador, já que outras condições suspensivas ainda dependeriam de serem implementadas. Fl. 1304DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 No caso dos autos, os benefícios decorrentes da remuneração, por meio de elementos patrimoniais, pelos serviços prestados, ainda que a defesa argumente que existiam técnicas que permitiriam tal valoração, não foram mensurados pela empresa e creditados em momento anterior ao exercício do direito de Opção. Como já explicitado no presente voto, no momento do exercício da opção é que se perfectibiliza a operação de pagamento de remuneração por meio de ações. É quando ocorre a incorporação ao patrimônio do beneficiário dos reflexos decorrentes da aquisição de ativos patrimoniais sob condições favorecidas, sendo certo que, antes desta data, existia para o potencial beneficiário apenas uma expectativa de um direito, impossível de se mensurar em números a justificar a atração da regra de incidência tributária. Assim, entendo que a ação fiscal demonstrou adequadamente os motivos que levaram ao lançamento, permitindo ao contribuinte o conhecimento das razões motivaram a Autoridade lançadora a constituir o crédito tributário ora sob análise e, assim, possibilitando exercício pleno do seu direito de defesa, não importando qualquer mácula que imponha alteração do lançamento ou da Decisão recorrida. Assim, não merecem prosperar as alegações recursais. Das Contribuições ao Incra e ao Sebrae. Em síntese, a defesa pleiteia que sejam reproduzidas nos presentes autos as conclusões de futura decisão do STF nos Recursos Extraordinários nº 630.898 e 603.624, nos quais se discute a constitucionalidade das contribuições ao Incra e ao Sebrae, respectivamente, com repercussão geral reconhecida. Entretanto, não há amparo legal que justifique o deferimento do pleito em sede de julgamento de 2ª Instância, já que eventual decisão posterior favorável ao contribuinte deverá, se for o caso, ser observada, no tempo oportuno, pela autoridade responsável pela administração do tributo, não podendo este julgador emitir uma decisão condicional no sentido de se aguardar a conclusão do julgamento no Supremo Tribunal Federal. Nem mesmo a suspensão do processo seria possível, pois, na vigência do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que foi aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de julho de 2009, havia expressamente previsão para sobrestamento dos julgamentos dos recursos no âmbito do CARF, em situações semelhantes, como se vê abaixo: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 1305DF CARF MF Fl. 29 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 Contudo, a Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, aprovou novo Regimento Interno que não previu tal possibilidade de sobrestamento, decerto para melhor compatibilizar os preceitos regimentais à Lei 5.172/66 (CTN) e ao Decreto 70.235/1972. O CTN, em seu art. 97, prevê que somente a lei pode estabelecer hipóteses de suspensão de tributo. Já o art. 151 do mesmo diploma estabelece que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, suspendem a exigibilidade do crédito tributário. No âmbito federal, o Decreto 70.235/1972, recepcionado com status de lei ordinária, regulamenta o processo administrativo fiscal e dispõe no seu art. 62: Art. 62. Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança, do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão. Parágrafo único. Se a medida referir-se a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios. Portando, mesmo no caso de medida judicial que determine a suspensão da cobrança de um tributo, o curso administrativo do contencioso fiscal não se interrompe, exceto quanto aos seus atos executórios. Assim, no caso em tela, em que o sobrestamento do processo estaria vinculado a uma mera expectativa da existência futura de um indébito tributário, seja pela nova redação regimental que, a contrario sensu, já indicaria a inaplicabilidade do sobrestamento, seja pela previsão legal de não interrupção do curso da lide administrativa, o Colegiado deve se manifestar sobre o mérito da demanda, sem prejuízo de ajustes posteriores efetuados no exercício da autotutela administrativa pela unidade responsável pela administração do tributo. Assim, nada a prover. Do Descabimento de Juros sobre a Multa de Ofício. Sobre o assunto, deixo de tecer maiores considerações, pois é tema sobre o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Assim, nada a prover. Conclusão: Portanto, tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que integram do presente, voto por rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1306DF CARF MF Fl. 30 do Acórdão n.º 2201-005.152 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16539.720001/2017-92 Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator Fl. 1307DF CARF MF
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Numero do processo: 10875.906148/2012-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2008
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Numero da decisão: 3302-007.188
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2008 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 61 48 /2 01 2- 66 Fl. 96DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP), transmitida com objetivo de declarar a compensação do(s) débito(s) nela apontado(s), com crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins relativo a DARF indicado. Após análise do pedido foi proferido Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada, sob a justificativa de que o pagamento apontado teria sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação.: Regularmente cientificada da não homologação, a contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, arguindo essencialmente que o Despacho Decisório combatido estaria eivado de vícios insanáveis, os quais ensejariam sua nulidade. Discorreu sobre cada um deles. Após análise e julgamento da referida manifestação, a Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora/MG, por unanimidade de votos, julgoua improcedente e decidiu por NÃO HOMOLOGAR a compensação pleiteada. Irresignada, a empresa KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA ingressou com Recurso Voluntário, no qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, alega que o direito à ampla defesa não é algo que possa ser tratado de forma simples ou sintética, como explicitamente afirma o faz, o voto sob análise. A ampla defesa constitui um direito Constitucional (art. 52, LV da Carta Magna) do contribuinte, que deve ser garantido, inclusive no procedimento administrativo fiscal, da forma mais abrangente possível, principalmente pela Administração Pública. Deste modo, não se pode deixar de negar que a forma sintética com o que foi tratado o direito da Recorrente implica a nulidade do despacho decisório em questão, conforme o art. 59, inciso II, do Decreto n2 70.235/1972, uma vez que impede que a contribuinte tenha uma visão clara dos motivos pelos quais seu crédito fora declarado inexistente. Ressalta sua contrariedade quanto ao fato de não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição/compensação, como manda o art. 65 da Instrução Normativa da SRF n° 900/2008. Acrescenta que o art. 65 da referida Instrução Normativa estabelece que "a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito". Argumenta que estarseia diante de um "deverpoder", uma vez que este condicionamento se faz necessário toda vez em que haja uma inconsistência nos créditos declarados pelo contribuinte. Ora, quando não houver inconsistência ou irregularidade nos dados informados pelo contribuinte, não há também porque condicionar o direito ao crédito. Por outro lado, se houver inconsistências no pedido, a Autoridade "deve" condicionar o direito ao crédito à tal verificação. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10875.906148/201266 Acórdão n.º 3302007.188 S3C3T2 Fl. 3 3 Observa que o próprio voto em questão admite a necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, dos créditos declarados, quando se apresentem inconsistências ou irregularidades nas informações prestadas. Nesse trilhar, aduz ser ônus do contribuinte demonstrar a existência do crédito, quando o Fisco detectar inconsistências nos pedidos de compensação/restituição. Sugere, contudo, que momento oportuno para a comprovação do crédito seria o da intimação por inconsistências nas informações do pedido de compensação/restituição, conforme estabelecido pela a própria Receita Federal no art. 65 da IN 900/2008, não havendo razão para negarse tal oportunidade ao contribuinte. Acrescenta que se a própria Secretaria da Receita Federal determinou que a oportunidade para provar o crédito, quando verificadas inconsistências nas informações prestadas no pedido de compensação/restituição, é antes da emissão do despacho decisório, não há porque a Administração Pública forçar o contribuinte à fazêlo em momento posterior. Conclui a contribuinte que, à vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, declarandose a nulidade do procedimento. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302007.178, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10875.905330/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302007.178): Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, v ia Aviso de Recebimento, em 10 de abril de 2014, quintafeira, às e folhas 65. A empresa KENYA S/A TRANSPORTE E LOGISTICA ingressou com Recurso Voluntário, em 09 de maio de 2010, conforme e folhas 68. O Recurso Voluntário é tempestivo. Fl. 98DF CARF MF 4 Da controvérsia. O processamento do PERDCOMP n. 26339.44713.220811.1.3.049802, uma vez que o DARF utilizado como crédito na compensação não foi integralmente utilizado. Passase à análise. Tomase por esteio o artigo 74 da Lei 9.430, de 27.12.1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; VII o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10875.906148/201266 Acórdão n.º 3302007.188 S3C3T2 Fl. 4 5 compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; VIII os valores de quotas de saláriofamília e salário maternidade; e IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobrea Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pela sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; O PER/DCOMP formaliza o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública. A entrega do PER/DCOMP implementa a compensação tributária, tendo por efeito imediato a extinção do débito, ainda que sob ulterior condição resolutória. Cabe ao Sujeito Passivo fornecer informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos, permanecendo com a Autoridade Tributária o poder/dever de validar a operação realizada. No caso que se aprecia, o Contribuinte transmitiu o PER/DCOMP com o fim de extinguir débito com suposto crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior, apontando um DARF como origem desse crédito. O núcleo do presente litígio é verificar se o Contribuinte possuía ou não o direito creditório pleiteado. É alegado no Recurso Voluntário, efolhas 71: Senhores Conselheiros, estamos na frente, aqui, de um verdadeiro "deverpoder", uma vez que este condicionamento se faz necessário toda vez em que haja uma inconsistência nos créditos declarados pelo Fl. 100DF CARF MF 6 contribuinte. Ora, quando não houverem inconsistência ou irregularidade nos dados informados pelo contribuinte, não há também porque condicionar o direito ao crédito, agora, se houverem inconsistências no pedido, então a Autoridade "deve" condicionar o direito ao crédito. Podemos ver, ainda, que o próprio voto em questão admite a necessidade de comprovação, por parte do contribuinte, dos créditos declarados pelo mesmo, quando se apresentem inconsistências ou irregularidades nas informações prestadas. Ele segue neste sentido, à fls. 7: (...) Devemos deixar claro que, sim, é ônus do contribuinte demonstrar a existência do crédito, quando o Fisco detectar inconsistências nos pedidos de compensação/restituição. Agora, se a própria Receita Federal estipula, no art. 65 da IN 900/2008, momento oportuno para a comprovação do crédito, qual seja, o da intimação por inconsistências nas informações do pedido de compensação/restituição, por que negar tal oportunidade ao contribuinte? Isto é, por que não dar oportunidade para o contribuinte provar o crédito antes da emissão do despacho decisório? Em nome da celeridade da Fiscalização? Ora, nobres Conselheiros, todos sabemos da gama de obrigações do contribuinte para com o Fisco, e das facilidades que este ultimo tem em termos de fiscalização e cruzamento de dados, tudo em prol da cobrança tributária. Não pode, portanto, o Fisco também passar por cima de suas próprias estipulações em prol do mesmo fim. Portanto, se a própria Secretaria da Receita Federal determinou que a oportunidade para provar o crédito, quando verificadas inconsistências nas informações prestadas no pedido de compensação/restituição, é antes da emissão do despacho decisório, não há porque a Administração Pública forçar o contribuinte à fazêlo em momento posterior. O Acórdão de Manifestação de Inconformidade assim se manifesta às folhas 07: Consoante o §1° do art. 74 da Lei n.° 9.430, de 1996, a compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração No caso, é inconteste que, segundo as informações constantes da DCTF apresentada pela contribuinte até a data entrega do PER/DCOMP, não havia pagamento a maior ou indevido que respaldasse o crédito utilizado na compensação. Portanto, cabe à interessada a prova de que cometeu erro de preenchimento na DCTF original e que o valor efetivamente devido é menor que o DARF recolhido e apontado como origem do crédito. Nada mais foi trazido aos autos, como por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10875.906148/201266 Acórdão n.º 3302007.188 S3C3T2 Fl. 5 7 outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria à interessada crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pela contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Absolutamente adequada a posição esposada no Acórdão de Manifestação de Inconformidade. O crédito tributário declarado pela recorrente em DCTF é líquido e certo, razão pela qual deve ser homologada a compensação realizada por meio da PER/DCOMP, sob pena de enriquecimento ilícito da União, vez que está cobrando valores já compensados pela empresa. A comprovação do erro de informação é tarefa que cabe exclusivamente ao Interessado, por meio da apresentação de documentos hábeis e idôneos. A conclusão é a mesma se analisarmos a questão sob o aspecto puramente processual. O Decreto 70.235/1972, que também se aplica a esse tipo de Contencioso, dispõe no seu art. 16, § 4°, que as provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não o ter feito naquela oportunidade. Já o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda/1999 RIR/99 (DecretoLei 1.598/1977, art. 9°, § 1°) estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do Contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Portanto, no presente caso, caberia ao Contribuinte a apresentação dos elementos de prova (cópias de Livros e Documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF Original, que embasou o Despacho Decisório em referência. Com efeito, diante da ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório informado na DCOMP, não há como acolher a pretensão da Defesa. Assim, como não foi corroborado o direito creditório do Manifestante, de conformidade com a Legislação aplicável ao assunto apreciado, e portanto não foi comprovado haver crédito líquido e certo que compensasse o débito pleiteado pela Fl. 102DF CARF MF 8 Empresa, pois o valor do crédito solicitado foi alocado para cobrir apenas o débito indicado no DARF citado, conforme demonstrado, descabe o deferimento do PER/DCOMP que fora objeto do Despacho Decisório que se examinou. O ônus do contribuinte é comprovar o direito levado à DCTF, ou pelo menos sua verossimilhança. Na ausência dessa, tomase por esteio voto do Acórdão de Recurso Voluntário n° 3302006.399, da 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, de redação do i. Conselheiro Gilson Macedo Rosemburg Filho: Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem se que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitando se a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10875.906148/201266 Acórdão n.º 3302007.188 S3C3T2 Fl. 6 9 argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Fl. 104DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920338/2012-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Data do fato gerador: 13/01/2006
INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.136
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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IMPOSSIBILIDADE. O ICMS e o ISS não compõem a base de cálculo do PIS/COFINS, conforme pacificado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, aplicável analogamente ao presente caso. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que indeferiu a restituição solicitada por meio de Pedido de Restituição Eletrônico - PER. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 03 38 /2 01 2- 99 Fl. 80DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.136 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920338/2012-99 Dito pedido foi indeferido, após análise eletrônica pelo sistema de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em despacho decisório assinado pelo titular da unidade, apontou-se, como causa do indeferimento do pedido de restituição, o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER como origem do crédito, o valor correspondente teria sido totalmente utilizado em outra declaração de compensação ou na extinção de outro débito. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, em que relata que o pedido de restituição refere-se a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS e/ou Cofins em razão da inclusão do ISS na base de cálculo dessas contribuições. Ao defender a legalidade do crédito pleiteado, argumenta que, de acordo com as Leis instituidoras da contribuição para o PIS e da Cofins, bem como o art. 195 da Constituição Federal vigente, caberia à Receita Federal “reconhecer como base de cálculo para o PIS e a COFINS a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ISS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento. O valor do ISS está embutido no preço dos serviços prestados. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não-faturamento.” Aduz que a base de cálculo não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar. Invoca o art. 110 do Código Tributário Nacional, alegando que “há que se atentar, também, para o princípio da razoabilidade, pressupondo-se que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações. Argumenta que os contribuintes do PIS e da Cofins não faturam ISS, porque tal imposto não é receita da empresa, mas um desembolso que beneficia o Município, o qual detém a competência para cobrá-lo. Por seu turno, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que: (i) o ISS compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, inexistindo previsão legal para sua exclusão; e (ii) inexistiriam nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente. Regularmente cientificada da decisão, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese que o ISS não compõe a base de cálculo do PIS/Cofins, conforme já decidido no RE 574.706 que trata do ICMS, aplicável ao caso sob análise. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.101, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920300/2012-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 81DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.136 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920338/2012-99 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.101): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº 24161.20960.061108.1.2.04-0381 para compensar seu débito com crédito de COFINS. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito tem origem no recolhimento indevido da COFINS incidente sobre o ISS. Não juntou documentos na manifestação de inconformidade para comprovar seu direito. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender (i) que o ISS compõe a base de cálculo da COFINS e (ii) inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela Recorrente. Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões. Pois bem. A controvérsia está em determinar se é devida a inclusão do ISS na base de cálculo do PIS e da COFINS. A matéria já foi pacificada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 574.706, o qual, por maioria e nos termos do voto da Relatora, ao apreciar o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: “O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins”. A questão, portanto, encontra-se pacificada, de modo que não cabe mais discussão a esse respeito. Tal entendimento, baseado no fato de o ICMS não compor o faturamento, base de cálculo das contribuições, também pode ser aplicado ao ISS, eis que este também não a integra, o que garante a segurança jurídica em relação ao tema. A aplicação da decisão proferida do RE nº 574.706 ao presente caso, foi alvo de decisão proferida no RE 592.616, onde restou decidido por sobrestar o feito até julgamento daquele RE. Neste eito, entendo que razão assiste à Recorrente. Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar seu pretenso direito, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 82DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.136 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10980.920338/2012-99 V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe nenhum documento em sua manifestação para comprovar seu direito, sendo, totalmente, inadmissível o fazer nessa faze processual, em razão da preclusão prevista no §4º daquele dispositivo. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 83DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii
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Numero do processo: 12448.941717/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
Numero da decisão: 3301-006.405
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata-se de pedido de formalizado por meio de PER/DCOMP, visando a compensar o valor do seu pretenso crédito de COFINS com outros débitos do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 94 17 17 /2 01 1- 02 Fl. 141DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941717/2011-02 A DCOMP foi analisada eletronicamente pelos sistemas de processamento da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, que emitiu Despacho Decisório, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que não homologou a compensação declarada. O Despacho Decisório atesta que o a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual, de maneira repetitiva e mencionando diversas informações alheias ao presente processo administrativo, discorda do despacho decisório, alegando, em apertada síntese, que: 1. As receitas relativas às atividades próprias das instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, cientifico e as associações, civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos, são isentas da COFINS; 2. Alega que é uma associação civil sem fim lucrativo e portanto, é isenta da COFINS; 3. Atividades próprias das associações seriam aquelas para as quais elas tenham sido criadas, ou seja, aquelas previstas em seu estatuto social, cita o parecer normativo CST nº 162/74; 4. As atividades exercidas são aquelas que constam do Estatuto Social; 5. Tentou retificar sua DCTF e não conseguiu; 6. Caberia a autoridade administrativa ter diligenciado no sentido de analisar os documentos e escritas fiscais do Manifestante a fim de averiguar a proveniência de tais créditos. Encerra a manifestação, requerendo seu provimento, para reformar a decisão a quo e deferir a restituição. Acrescenta que não sendo este o entendimento, requer seja o julgamento convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal apure o montante das receitas próprias indevidamente incluídas na base de cálculo da COFINS. Por seu turno, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, com base no entendimento de que a compensação de indébito fiscal com crédito tributário vencido e/ou vincendo está condicionada à comprovação, pelo contribuinte, da certeza e liquidez do mesmo, sendo insuficiente para reformar decisão não homologatória de compensação a mera alegação do direito creditório, desacompanhada de elementos probantes. Na decisão, foi ainda registrado que qualquer retificação posterior da DCTF deve- se fundar em documentação idônea, em especial a escrituração contábil, que justifique as alterações realizadas no valor dos tributos devidos. Quanto ao pedido de perícia e diligência, o Colegiado entendeu que estes se reservam à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde repisa as alegações manejadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 142DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941717/2011-02 É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-006. 396, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 12448.941709/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006.396): O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente quando da apresentação da sua manifestação de inconformidade afirmou que estaria isenta da COFINS, em razão da suas receitas estarem vinculadas a receitas próprias de sua atividade de associação civil sem fins lucrativos, nos termos do inciso X do art. 14 da MP 2.158-35/2001. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a restituição do indébito. Autorizar a restituição de créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A comprovação dos créditos pleiteados necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte alega que suas receitas estariam isentas por tratar-se de associação civil sem fins lucrativos. Cabe ressaltar que a decisão da primeira instância negou provimento ao recurso da Recorrente, não por questões da existência da isenção para sociedade civis, mas, por questões fáticas, haja vista, que a Recorrente não apresentou documentos que pudessem confirmar que as suas receitas estariam vinculadas a atividades isentas, conforme consta do trecho abaixo, extraído da decisão recorrida. Inicialmente deve-se deixar claro que não há controvérsia em relação à questão da isenção da COFINS sobre as receitas derivadas das atividades próprias de associações civis definidas no art. 15 da Lei 9.532/97. O não reconhecimento do direito creditório se deu em virtude do crédito pleiteado pela impugnante ter sido integralmente utilizado para quitar débitos informados em sua DCTF. Contudo, apenas as receitas derivadas das atividades próprias não estão sujeitas a incidência da COFINS. Para que se possa afirmar que um determinado pagamento tenha sido efetuado a maior, é imprescindível que fique demonstrada e comprovada não só a efetivação do recolhimento, mas a base de cálculo correta e a contribuição efetivamente devida, permitindo a apuração de eventuais diferenças, a maior ou a menor. No presente caso, verifica-se que o interessado não retificou a Dctf do período correspondente. Por outro lado, limitou-se a juntar aos autos seus estatutos sociais, alegando que, devido a sua natureza jurídica, não estaria sujeito à incidência da contribuição. Não há, ademais, qualquer prova da liquidez e da certeza do direito creditório nem mesmo a demonstração de que houve o pagamento gerador do indébito que se pretende repetir por meio da compensação.(grifo nosso) A Recorrente interpôs recurso voluntário sem apresentar documentos que pudessem comprovar o crédito pleiteado, sob o argumento que caberia a autoridade fiscal buscar Fl. 143DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941717/2011-02 os documentos necessários. O trecho abaixo extraído do Recurso voluntário detalha os argumentos apresentados para não trazer os elementos comprobatórios. 3.6. Assim é que caberia à autoridade administrativa ter observado o Princípio da Verdade Real, bem como diligenciado nas dependências (escritório) do Recorrente no sentido de analisar a vultosa documentação contratual, escritas fiscais e contábeis, a fim de averiguar a proveniência de tal crédito, e não simplesmente abster-se de deferir o pedido de compensação, porque aparentemente o Recorrente não teria direito ao aludido crédito, sem qualquer fundamentação plausível para tanto. 3.7. Diz-se vultosa documentação, porque é inviável e também pouco prático e econômico anexar aos presentes autos cópias (que devem ser autenticadas, sob pena de não serem aceitas) de todos os contratos e comprovantes de pagamentos efetuados a favor do Recorrente, a fim de demonstrar que as receitas pertinentes sejam próprias do Instituto, bem como o reflexo disto tudo nos registros contábeis. Por isso, que uma diligência/perícia in loco é o meio mais prático e eficaz de esclarecer eventual dúvida da autoridade administrativa no que concerne a não só a esta DCOMP objeto do presente processo, mas a todas as demais que não foram homologadas em conjunto, em cujos processos também estão sendo apresentados os respectivos recursos voluntários. Entendo não assistir razão à Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 O Recurso traz o pedido para que sejam determinadas diligências para buscar as provas necessárias a alegação da Recorrente de possuir receitas isentas. Entendo não ser aplicável ao caso em tela a realização da diligência. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão, não se prestando a produção de provas, que devem ser apresentadas em sede de manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 144DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-006.405 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.941717/2011-02 Fl. 145DF CARF MF
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