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Numero do processo: 10850.904376/2012-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Vooluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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FUNDAMENTAÇÃO. MOTIVAÇÃO. NULIDADE E CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a arguição de nulidade do despacho decisório, cujos procedimentos relacionados à decisão administrativa estejam revestidos de suas formalidades essenciais, em estrita observância aos ditames legais, assim como verificado que o sujeito passivo obteve plena ciência de seus termos e assegurado o exercício da faculdade de interposição da respectiva manifestação de inconformidade. Motivada é a decisão que expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação fundada na vinculação total do pagamento a débito declarado pelo próprio interessado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação e afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 02 DO CARF. ALEGAÇÃO GENÉRICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária., Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 43 76 /2 01 2- 80 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 15 2 Recurso Vooluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 16 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da DRJ/POR, referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/RPO, que assim relata: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Declaração de Compensação e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter compensado crédito. Em seu pedido, a contribuinte expressamente declara no campo próprio que "o crédito não tem como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal". Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto SP, que emitiu Despacho Decisório eletrônico no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, sob o fundamento de que os pagamentos localizados foram integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Cientificada do Despacho Decisório a contribuinte ingressou, com a manifestação de inconformidade e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 17 4 1. Preliminarmente, reclama o recebimento do recurso, não obstante a intimação ter sido recebida eletronicamente e considerar tal via em desacordo com os fatos, emfunção das garantias constitucionais e legais que aponta, dentre elas o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, o art. 74, §§10 e 11, da Lei nº 9.430/1996, e o art. 35, do decreto70.235/1972. 2. Alega a nulidade do Despacho Decisório decorrente da insuficiência de fundamento, dado que não foi esclarecida a indisponibilidade de crédito tampouco houve intimação da empresa para esclarecer o porquê de ter considerado o recolhimento indevido ou a maior, e, em conseqüência, não teria sido efetivamente julgado o motivo da restituição. Cita o art. 37, da Constituição Federal, e os artigos 2º, inciso VIII, e 50, da Lei nº 9.784/1999. Afirma que o despacho eletrônico não teria passado pelo crivo de um auditor fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade de crédito. Entende que o indeferimento se deveu exclusivamente ao encontro de contas entre o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF e que não teria sido investigadas as possíveis causas para restituição, sequer aquelas reconhecidas pela própria Receita Federal no art. 2º da IN nº 900/2008. Reforça a argüição de nulidade com fundamento no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972, pois a falta de explicação sobre os motivos da suposta indisponibilidade de crédito tornaria a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência do crédito. Traz decisão administrativa. 3. Alega também ter havido cerceamento do direito de defesa, citando o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal, e doutrina. Fundamenta a alegação no fato de que a autoridade administrativa não teria analisado o mérito do pedido nem intimado a empresa para prestar esclarecimentos, nos termos do art. 65, da IN nº 900/2008, o que teria violado o direito à ampla defesa e o dever de eficiência dos atos administrativos. Expõe também que a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram seu entendimento e que tal falta de motivação obstaria até mesmo a produção de provas necessárias, já que sequer seria sabido o que não foi reconhecido. 4. No mérito, afirma a legitimidade do crédito postulado. Esclarece que procedeu ao envio eletrônico do pedido de restituição/compensação, em atendimento ao disposto na IN RFB nº 900/2008, tendo utilizado para tanto o programa PER/DCOMP, e, no entanto, a análise da restituição/compensação se deu também por via eletrônica sem considerara causa do pedido, que teria sido a utilização da base de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes. Portanto, o pedido formulado tem como base declaração de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 18 5 inconstitucionalidade já transitada em julgado, em consonância com o disposto na Lei nº 9.430/1996. 5. Clama pela produção posterior de provas, conforme regra autorizadora do art. 16, §4º, alínea a, a ser realizada no momento em que a lide esteja delineada nos seus termos, considerando que nem a autoridade administrativa nem a impugnante sabem ao certo o motivo do indeferimento, em virtude da omissão dos motivos do indeferimento pela autoridade administrativa e da falta de oportunidade para esclarecimentos por parte da empresa, conforme já defendido nos outros pontos da manifestação da contribuinte. Conclui requerendo o recebimento do recurso, em seus efeitos devolutivo e suspensivo, para seu julgamento, a declaração de nulidade do Despacho Decisório, a remessados autos à Delegacia de origem para que sejam promovidas as diligências necessárias à comprovação do crédito, o julgamento pela total procedência do recurso, caso não sejam reconhecidas as nulidades argüidas, com o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação, e a produção de todos os meios de prova admitidos em direito,em especial prova documental, bem como o direito de produzilas em momento posterior. É o relatório. Acordaram os membros da Turma de Julgamento da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, restando assim a ementa do referido julgado com o seguinte teor, in verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. INCONSTITUCIONALIDADE. ALEGAÇÃO GENÉRICA. Não pode prosperar a alegação genérica de que são inconstitucionais as normas aplicáveis ao caso concreto e/ou a menção a teses tributárias e jurisprudência não especificadas, por impossibilitar à instância julgadora identificar suficientemente os argumentos a serem apreciados. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 19 6 alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 31/07/2011 RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada apresenta a contribuinte Recurso Voluntário, onde apresenta resumo dos fatos, e após, nas razões de direito, requer a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação, bem como pela falta das diligências necessárias à comprovação do crédito pela Delegacia de origem. Por fim, caso não sejam acolhidas as nulidades argüidas, requereu que seja reconhecido o direito creditório. É o relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 20 7 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, não se vislumbra razões para reforma do acórdão da DRJ de Ribeirão Preto (SP), conforme se verá a seguir. Em recurso voluntário a contribuinte requereu a nulidade do acórdão, por ausência de motivação e fundamentação do despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido tratou com perfeição o assunto. No tocante às preliminares de nulidade, não se vislumbra a sua ocorrência, conforme pretende a contribuinte, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação do crédito alegado, como também, não se caracteriza cerceamento de defesa o fato de a Contribuinte não ter sido intimada a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, como será demonstrado. Com relação ao instituto da compensação cumpre transcrever o regramento emanado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesses termos, a compensação deve ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega da declaração correspondente, na qual constam informações relativas aos Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 21 8 créditos que seriam utilizados para liquidação de débitos existentes. O efeito da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O PER/DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevêm a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. No caso concreto, a contribuinte declarou débitos de PIS, COFINS e IPI, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior” . Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a integralmente utilizado, não havendo, portanto, o referido “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR” do tributo em exame. Assim, a análise declaração prestada pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito pretendido pela compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pela contribuinte. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que motivou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório. Em suma, os motivos da não homologação da compensação pleiteada residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. Cabe observar ainda que o fato de o Contribuinte não ter sido previamente intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar prova sobre o alegado crédito indicado na Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"), objeto do despacho decisório, não configura cerceamento de defesa. Isso porque o referido e fundamentado Despacho foi exarado por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil e dele foi a contribuinte regularmente cientificada, sendolhe possibilitada a apresentação, no prazo regulamentar de 30 dias a manifestação de inconformidade, tal como fez, contudo desacompanha de documentos comprobatórios do direito alegado. Acrescentase que, distintamente do que ocorria no regime de compensação por requerimento (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua redação original), quando o contribuinte deveria apresentar prova do seu crédito quando da formalização do pedido de restituição ou compensação, já que compete ao requerente provar o seu direito, a partir da vigência da Instrução Normativa SRF n° 210/2002, dentro, portanto, do regime de compensação por via declaratória (art. 74 da Lei n° 9.430/96 em sua nova redação), não é exigido que a prova documental do indébito acompanhe a Declaração de Compensação eletrônica ("DCOMP"). Ao contrário do que alega a impugnante, o art. 65 da IN n°900/08 faculta à autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 22 9 a compensação, que se condicione o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, quando houver necessidade de se comprovar a exatidão das informações prestadas, o que não ocorreu no presente caso. A Autoridade da RFB competente dispunha de todos os dados necessários, informados pelo próprio contribuinte, para decidir sobre o referido pedido de compensação, não caracterizando cerceamento de defesa a sua não intimação. Cabe observar ainda que o artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972 prescreve que "A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento”, sendo tal disciplina, afeta ao Processo Administrativo Fiscal no âmbito da União, aquela que rege o contencioso concernente à nãohomologação da compensação. Assim, temos que Despacho Decisório não homologatório de compensação não se confunde com lançamento ou revisão de lançamento, estando ligado ao instituto da compensação, enquanto a manifestação de inconformidade obedece ao mesmo rito processual que também submete a impugnação do lançamento, conforme comanda o art. 74, § 11, da Lei n° 9.430/96. Portanto, é a partir da não homologação da Declaração de Compensação que o contribuinte poderá opor resistência à pretensão, respaldado pelas garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa, como ocorreu no presente caso. Não se vislumbra, assim, no Despacho Decisório recorrido qualquer ofensa ao princípio da ampla defesa, visto que ele foi plenamente observado pela Autoridade que o proferiu e exercitado pela Interessada, por meio da manifestação apresentada. Ademais, todos os elementos próprios devidos ao processo foram respeitados, em estreita obediência aos ditames da Lei n° 9.784/99 e do Decreto n° 70.235/72, não se observando, ainda, qualquer das situações de nulidade enumeradas no art. 59, do Decreto n° 70.235/1972. Sendo assim, é de se rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas, pois não há qualquer razão para que seja considerado inválido o Despacho Decisório recorrido. Assim, consoante restou apreciado pela DRJ de Ribeirão Preto, verificase que em seus pedidos originais, a contribuinte informou, no campo próprio da PER/DCOMP, que a restituição pleiteada se fundava em “pagamento indevido ou a maior” e não há registro nesse documento que indique se tratar de pedido fundado em alegação de inconstitucionalidade de norma jurídica. Ao contrário do afirmado na manifestação de inconformidade e recursos voluntário, o campo referente à existência de fundamento de inconstitucionalidade, a seguir transcrito, está preenchido com informação negando se tratar dessa situação para os casos ali expressamente identificados: O CRÉDITO, perfeitamente identificado no presente documento eletrônico, TEM como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal? NÃO (grifouse) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 23 10 Deste modo, a contribuinte para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, acena com a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS alegando hipoteticamente e genericamente que haveriam afrontas a Constituição Federal, apesar de ter respondido “NÃO” ao questionamento da PER/DCOMP, consoante se verifica a fl. 02 do presente processo administrativo fiscal. Assim, temos que a contribuinte apresentou em Manifestação de Inconformidade pretensão de revisão do valor do débito confessado por ter utilizado equivocadamente a base de cálculo ampliada para o cálculo da contribuição, com a inclusão tanto da receita decorrente de seu faturamento quanto das demais receitas que não deveriam compor aquela base de cálculo, “de acordo com teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”. Quanto a referida alegação de inconstitucionalidade, não vislumbro motivos para alterar os argumentos trazidos no voto da DRJ de origem, in verbis: “Em primeiro lugar, a alegação de inconstitucionalidade como fundamento para o pedido deve ser analisada considerando os termos em que o próprio pedido foi materializado. O fundamento apontado no momento do registro do pedido original pela requerente foi o “pagamento indevido ou a maior”, complementado pela informação de que não se trata de “alegação de inconstitucionalidade de lei que: 1) não tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; 2) não tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; 3) não tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; 4) não tenha sido objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal”. Portanto, se no momento da impugnação é explicitado pela requerente tratarse de fundamento de inconstitucionalidade, esse só poderá ser considerado dentro do contorno estabelecido no pedido inicial, sob pena de se caracterizar inovação e, conseqüentemente, restar configurado novo pedido. Além do mais, para pedido a partir da vigência da MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que alterou a redação do art. 74, da Lei nº 9.430/1996, considerase não declarada a compensação cujo crédito tenha como fundamento alegação de inconstitucionalidade fora daquelas hipóteses; portanto, a alegação de inconstitucionalidade só pode ser conhecida no regime de apreciação da manifestação de inconformidade dentro das hipóteses que não caracterizariam a compensação como não declarada. Nesses termos, há que se enquadrar o fundamento de inconstitucionalidade em uma das quatro hipóteses descritas nos parágrafos anteriores. No entanto, a precariedade da descrição do fundamento não permite sequer adentrar essa seara. A contribuinte limitase a mencionar genericamente “teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes”, sem sequer indicar uma decisão Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 24 11 específica ou dispositivos legais objeto dessas teses, apenas se referindo a receitas que não deveriam compor a base de cálculo do tributo e a inconstitucionalidade na ampliação da base de cálculo declarada em ação já transitada em julgado. A fundamentação apresentada é tão genérica que a contribuinte sequer esclarece em seu instrumento quais seriam as parcelas indevidamente incluídas na base de cálculo ou se a contribuição seria aquela sujeita ao regime cumulativo ou ao regime nãocumulativo, apenas aponta o tipo de contribuição, o período de apuração e o valor pleiteado. Dentre outras não menos relevantes, também a omissão do regime de tributação é essencial, pois cada regime se encontra sujeito a arcabouço normativo distinto e, portanto, eventuais inconstitucionalidades seriam atribuídas a leis distintas, leis essas também não citadas na singela argumentação apresentada. Ora, a omissão, pela manifestante, da natureza das parcelas questionadas, dos dispositivos legais que estariam eivados de inconstitucionalidade, da explicitação da tese de inconstitucionalidade sustentada e das decisões de tribunais que tenham discutido a matéria impede a consideração dessa linha de argumentação por total impossibilidade de identificação da tese a ser debatida e dos elementos fáticos correspondentes. Logo, é improcedente a alegação genérica da contribuinte.” Salientase ainda que diante da alegação da contribuinte de inconstitucionalidade de lei tributária, necessária a aplicação ao presente caso do disposto na Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disto, deixou de fazer pronunciamento sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, por força do disposto na Súmula acima transcrita. Ainda, cumpre registrar que a contribuinte não traz em momento algum aos autos qualquer documento/prova que dê sustentação a qualquer de suas alegações, tratando sempre de forma genérica. Ou seja, as conjecturas aventadas não são suficientes para comprovar a existência de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, tal como expressamente referido no pedido de compensação (PER/DCOMP). O chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o sujeito passivo assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza nos termos do disposto no art.170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 25 12 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Ao não trazer aos autos documentos que comprovem suas alegações, a contribuinte viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende dos artigos 15, caput, e 16, inciso III, do Decreto n° 70.235, de 1972, abaixo transcrito: "Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com todos os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. " Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do Código de Processo Civil: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Necessário destacar que o presente Recurso Voluntário, tal qual a Manifestação de Inconformidade, vieram desacompanhados de qualquer documento comprobatório do direito alegado. Diante disto, resta devidamente demonstrado que competia à contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e Fl. 114DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10850.904376/201280 Acórdão n.º 3801002.979 S3TE01 Fl. 26 13 liquidez do indébito utilizado em compensação, conforme exigido no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é um requisito indispensável e cabe ao suposto credor fazêla. No entanto, a Manifestante não logrou tal comprovação. Assim, não vislumbrase nenhuma nulidade, não existindo violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório, previsto no art. 5°, LV, da CF/88, devendo ser afastadas por completo a preliminares de nulidade do Acórdão recorrido. Deste modo, em conformidade com o art. 170 do CTN, bem como com ao art. 333, I, do CPC e também com os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235/72, verificase que as razões expostas no Recurso Voluntário da contribuinte não procedem. Quanto a alegação de inconstitucionalidade de lei tributária, aplicável ao caso concreto a Súmula 02 do CARF, não sendo o presente Conselho competente para análise de tal matéria. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 13/03/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004437/2009-40
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL.
A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.029
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO INSTRUMENTAL. A responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 44 37 /2 00 9- 40 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10830.004437/200940 Acórdão n.º 2803003.029 S2TE03 Fl. 3 2 Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10830.004437/200940 Acórdão n.º 2803003.029 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, por ter a empresa deixado de exibir documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, conforme comprova o Relatório Fiscal da Infração de fl. 40. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 05 de maio de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PREVIDENCIÁRIA ACESSÓRIA: DEIXAR DE EXIBIR DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RELEVAÇÃO/REDUÇÃO DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE. Obrigatoriedade de cumprimento da obrigação acessória Ainda que, ao final da análise dos processos lavrados na ação fiscal, se apurasse que não ocorreram os fatos geradores considerados, e que, os que ocorreram foram integralmente autolançados pelo Contribuinte, não se pode afastar a exigibilidade da exibição dos documentos, pois a auditoria fiscal objetiva precisamente a verificação do cumprimento pelo Contribuinte de todas as obrigações tributárias, tanto a principal, quanto acessórias. E tal verificação se dá exatamente pela análise dos documentos e elementos legalmente exigíveis, realizada pelo Auditor Fiscal. Relevação da multa A relevação da multa, prevista no artigo 291 do Decreto 3.048/1999, foi revogada pelo Decreto 6.727, de 12/01/2009, não sendo, pois, ora aplicável, considerando a data da lavratura do Auro de Infração (07/05/2009). Redução da multa Multa foi calculada conforme a legislação indicada no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, sendo o montante apurado correspondente ao valor mínimo imponível, considerados os fatos e as circunstâncias que determinaram a lavratura do Auto de Infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10830.004437/200940 Acórdão n.º 2803003.029 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Em que pese o entendimento da Colenda 7ª Turma da DRJ/CPS, a multa imposta à ora Recorrente por meio do DEBCAD Nº 37.176.6338 não deve subsistir. Cumpre notar que os documentos necessários à fiscalização foram devidamente apresentados, com as alegações pertinentes, em manifestações da Recorrente com relação aos Autos de Infração de nºs 33.136.1230, 33.136.1222, 33.136.61192, 33.136.1206 e 33.136.1214. Assim sendo, os documentos e esclarecimentos necessários foram, sim, apresentados pela Recorrente, porém nos Processos Administrativos correspondentes a cada lançamento em relação ao período fiscalizados. Tais documentos e alegações refutam de forma inequívoca as condutas mencionadas como infrações à legislação previdenciária, uma vez que: (i) os valores constantes da contabilidade da empresa, referente à alimentação (tomada genericamente) não integram o saláriodecontribuição e, como tal, não deveriam ter sido incluídos em GFIP; (ii) os agentes residentes e domiciliados no exterior não são segurados individuais da Previdência Social e, sob tal condição, também não deveriam ter sido incluídos na GFIP, e; (iii) relativamente aos acordos e rescisões contratuais, não houveram lançamentos sem exatidão, pois está equivocada a base de cálculo adotada pela Fiscalização, uma vez que os valores lançados são compostos por verbas alheias ao saláriodecontribuição. Assim sendo, e uma vez tendo sido apresentados os documentos e esclarecimentos pertinentes, observase ser claramente descabida a multa impugnada, o que se mostra ainda mais evidente mediante a verificação da manifesta inocorrência de infrações que justifiquem os DEBCAD`s de Nºs 33.136.1230, 33.136.1222, 33.136.61192, 33.136.1206 e 33.136.1214. Portanto, a multa cobrada por do DEBCAD ora impugnado também merece cancelamento. O Decreto nº 6.727/09 não se mostra aplicável ao caso em apreço, tendo em vista que a legislação a ser observada deve ser a vigente à época que foi objeto de fiscalização, cabendo, portanto, a aplicação do artigo 291 do RPS para fins de relevação da multa indevidamente imposta à Recorrente. Diante do exposto, considerando que a Recorrente apresentou os documentos e esclarecimentos necessários em suas impugnações aos DEBCAD`s 33.136.123 0, 33.136.1222, 33.136.61192, 33.136.1206 e 33.136.1214, e que o artigo 291 do RPS se faz aplicável ao caso em apreço, requerse o regular recebimento, processamento, conhecimento e concessão de provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que a decisão proferida pela Colenda 7ª Turma da DRJ/CPS venha a ser reformada, para o efetivo cancelamento da multa cobrada por meio do DEBCAD Nº 37.176.6338. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10830.004437/200940 Acórdão n.º 2803003.029 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O Auto de Infração em discussão decorre de descumprimento de obrigação acessória por parte do contribuinte. O descumprimento se deu a partir do momento que o contribuinte deixou de apesentar à fiscalização os seguintes esclarecimentos / documentos (fls. 41): (i) esclarecimento quanto à composição de valores pagos em rescisões contratuais; (ii) documentos referentes a pagamentos de abono e prêmio na competência dezembro/2004; (iii) relação discriminando os f8uncionários que receberam auxilio alimentação e cesta básica com respectivos valores; (iv) documentos referentes ao pagamento de comissões e reembolsos; (v) relação de imóveis integrantes do ativo Imobilizado, com respectivos valores e cópias das escrituras. Conforme se pode observar, a empresa efetivamente infringiu os §§ 2º e 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 2º. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo de penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Ao descumprir a determinação da autoridade administrativa, apesar de regularmente intimada, a empresa feriu as disposições contidas no art. 33, §§ 2º e 3º, da lei nº 8.212/91 c/c/ os artigos 232 e 233 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10830.004437/200940 Acórdão n.º 2803003.029 S2TE03 Fl. 7 6 Como é do conhecimento geral, a responsabilidade pela infração é objetiva, independe de culpa ou da intenção do agente para que surja a imposição do auto de infração. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco é irrelevante, pois a obrigação sendo instrumental, qualquer descumprimento por presunção legal, acarreta dificuldade na ação fiscal. Conforme disposto no art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, a não ser que haja disposição em contrário. Assim, não resta qualquer dúvida de que o lançamento, bem como a decisão de primeira instância administrativa foi pautado em conformidade com as determinações contidas na legislação tributária, em especial aquelas previstas no art. 142 do CTN. Ademais, não se pode perder de vista que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos. § 3º. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Na situação vertente, não há dúvida da ocorrência do fato imponível, tendo em vista que o recorrente não apresentou a documentação solicitada pela fiscalização; tampouco há dúvida quanto ao dispositivo legal a ser aplicado, no caso, o art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991. A apresentação de documentos de forma deficiente ou a sua não apresentação é motivo para a fiscalização efetivar o lançamento. Nestes autos, independentemente de as verbas terem ou não natureza tributária, a recorrente é obrigada a apresentar a documentação requisitada pela fiscalização. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10830.004437/200940 Acórdão n.º 2803003.029 S2TE03 Fl. 8 7 A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei nº 8.212/91 está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando, pois, totalmente válida e devendo ser obedecida pelas autoridades administrativas. No que diz respeito à aplicação da multa, a regra utilizada pela autoridade administrativa está prevista no ordenamento jurídico pátrio, conforme se pode observar da capitulação descrita no acórdão recorrido, não havendo, portanto, espaço para discussão de inconstitucionalidade da norma. Por último, a autuação objeto do presente recurso foi executada de acordo com os preceitos legais atinentes à matéria e o Auto de Infração lavrado contém todos os elementos essenciais à sua validade, conforme dispõe o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, devendo ser mantido na sua integralidade, tendo em vista que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10940.000563/2006-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2003
RECOLHIMENTO DO IR-FONTE. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO.
Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancela-se a exigência.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 02/02/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário Da Silva, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Comprovada a devida retenção na fonte do imposto cuja suposta falta deu origem ao lançamento, cancelase a exigência. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 02/02/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Eivanice Canário Da Silva, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 05 63 /2 00 6- 35 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10940.000563/200635 Acórdão n.º 2102002.288 S2C1T2 Fl. 11 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 23/24: A contribuinte acima identificada foi autuada por meio do Auto de Infração de fls. 02/06, por dedução indevida, na sua declaração de ajuste anual do exercício de 2003, ano calendário 2002, de Imposto de Renda Pessoa Física retido na fonte, sendo: Imposto suplementar R$ 1.826,43 Multa de ofício de 75% R$ 1.369,82 Juros de Mora (calculados até 02/2006) R$ 892,02 O auditor fiscal assim relatou o lançamento: Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. PREFEITURA MUNICIPAL DE CARAMBEÍ teve valor considerado R$ 0,00. Valor declarado: R$ 2.353,35. Apesar de regularmente intimada, a contribuinte não apresentou comprovante de rendimentos e retenção de IRRF. Não há DIRF entregue para essa fonte pagadora. MERCADOMÓVEIS LTDA teve valor considerado R$ 82,80. Valor declarado R$ 732,00. O valor considerado é o que consta da DIRF entregue pela fonte pagadora, no código 0561 (rendimento do trabalho assalariado). Assim, os IRRF declarado foi retificado de R$ 3.315,97 para R$ 312,45. No prazo regulamentar, a autuada apresenta impugnação para alegar que teria apresentando todos os comprovntes de rendimentos tributáveis solicitados através do Termo de Intimação. Estaria agora juntado Termo de Intimação, Protocolo de entrega dos documentos referentes ao Termo de Intimação e os Comprovantes de rendimentos tributáveis, em face do que pleiteia o cancelamento do Auto de Infração. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes da retenção na fonte do IR, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 RETENÇÃO NA FONTE. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10940.000563/200635 Acórdão n.º 2102002.288 S2C1T2 Fl. 12 3 comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora dos rendimentos. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 29/30, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: Com todos os louvores que certamente são merecedores os membros da 5' Turma de Julgamento, mas a Decisão em foco não pode prosperar, haja vista que a recorrente ter documentalmente comprovado que lhe foi retido imposto, quando do recebimento de alugueis do Município de Carambeí/Pr. Contudo, a recorrente pede a vênia, para novamente comprovar a retenção do imposto por parte do Município de Carambeí/Pr, conforme "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" emitido pelo citado município. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. O objeto do presente recurso restringese a questão do IRRF relativa ao recolhimento da Prefeitura de do Município de Carambeí. Nada alegou no recurso em relação a glosa de retenção do IRRF referente a fonte MERCADO MÓVEIS LTDA, cuja parcela do lançamento, declaro definitiva na esfera do contencioso administrativo fiscal. Junto com o Recurso, o contribuinte apresentou o Comprovante de Rendimentos da Prefeitura de do Município de Carambé, abaixo copiado, indicando o valor do IRF no valor exato lançado, fl.03, R$2.353,35. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10940.000563/200635 Acórdão n.º 2102002.288 S2C1T2 Fl. 13 4 Com essa prova inequívoca entendo que deve ser considerada a respectiva dedução do IRRF Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO, para que seja aceito o valor declarado IRRF de R$ 2.353,35. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/02/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 13956.000549/2003-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2003
CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-002.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado e presidente em exercício.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma).
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2003 CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado e presidente em exercício. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma). Relatório Em sessão transcorrida em 08 de dezembro de 2010, esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 380200.290, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 05 49 /2 00 3- 16 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/07/2003 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. MESMO CRÉDITO. REUNIÃO. Os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, devem ser reunidos em um único processo administrativo. COMPENSAÇÃO. DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A partir de 31/10/2003, com a edição da MP nº 135 – convertida na Lei nº 10.833/03 –, a manifestação de inconformidade e o recurso suspendem a exigibilidade do débito objeto de compensação nãohomologada. Aplicação do princípio tempus regit actum, tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Cientificada da referida decisão em 22/09/2011 (vide despacho de encaminhamento de fls. 56), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, tempestivamente, interpôs embargos de declaração (fls. 58/59) onde alega o seguinte: A decisão fundamentou a suspensão da exigibilidade com base na MP 135/03, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003, data anterior a intimação do despacho decisório. Dispôs que pelo principio do tempus regit actum, deve ser aplicada a citada lei ao caso concreto tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. Ocorre que há contradição no acórdão, pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (14/03/2003) e não a data da intimação do despacho decisório. A declaração de compensação apresentada antes de 30/10/2003, não constituía confissão de divida, razão pela qual deve ser constituído o crédito tributário, e não tem o condão de suspender a exigibilidade do credito. Neste sentido o acórdão nº 280100431 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF. Anocalendário: 2002 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA ANTES DE 30/10/2003. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não constituía confissão de divida, razão pela qual deve ser constituído, por meio de lançamento de oficio, o credito tributário relativo aos débitos constantes das declarações de compensação não homologadas até então apresentadas. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra decisão que considerou não homologada a Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não tem o condão de suspender a exigibilidade de crédito tributário lançado em processo distinto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Ante o exposto, requer a União sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para suprir a contradição apontada. Diante da tempestividade do recurso – já que foi observado o prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de Fl. 76DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13956.000549/200316 Acórdão n.º 3802002.357 S3TE02 Fl. 63 3 declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) –, os autos foram movimentados para este conselheiro para exame dos argumentos aduzidos pela Fazenda Pública. É o relatório. Voto A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão desta Segunda Turma de Julgamento, alega ter havido contradição no acórdão, “[...] pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (14/03/2003) e não a data da intimação do despacho decisório”. De fato, ao analisar o pleito, esta Turma entendeu que a nova lei processual “[...] não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais” (conforme extraído de doutrina de Ada Pellegrini Grinover, Cândido R. Dinamarco e Antônio Carlos A. Cintra – Teoria Geral do Processo, 21 ed., 2005, Malheiros: São Paulo, p. 100102). Assim, tendo em conta que o novo regime para as compensações iniciou em 31/10/2003 – data da publicação da MP nº 135/03, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03 – entendeu a Turma, em sintonia com o princípio do tempus regit actum, que a nova norma, de natureza processual na parte que interessa para a lide, deveria ser aplicada a partir da data da intimação do despacho decisório (08/06/2005), quando já vigente a nova sistemática de tratamento das compensações. Com a devida vênia, não há que se falar em contradição no referido acórdão, fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide. Se a Fazenda Pública não se conforma com aludido entendimento, tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Mas o julgado contestado, definitivamente, não apresenta nenhuma mácula que justifique acolhimento de embargos de declaração, notadamente a contradição a que alude a Fazenda Nacional. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de contradição que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2014. Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002048/2009-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste em etapa anterior ao início do procedimento fiscal. Assim, não cabe alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção.
DECADÊNCIA. IRPF. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN.
Em havendo pagamento antecipado de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial é do art. 150, § 4º do CTN.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA.
Incabível o deferimento da prova pericial ou a conversão dos autos em diligência se o contribuinte não apresenta elementos para abalar a convicção do julgador e o equívoco da autuação.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NÃO COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO. SÚMULA Nº 67 DO CARF.
Na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto a partir do fluxo de caixa do contribuinte, os saques ou transferências bancárias não devem ser considerados como origens e aplicações de recursos quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação e consumo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que se encontra amparada por isenção.
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 25.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses constantes nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
MULTA QUALIFICADA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
A omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses constantes nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 2201-002.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de realização de diligência/perícia. Por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência, relativamente ao ano-calendário de 2003, vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do APD - Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$ 239.649,31 e desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, nas infrações em que a penalidade foi exasperada. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, que apenas reduziu a base de cálculo do APD.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 19/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (suplente convocado) e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 SELEÇÃO DE CONTRIBUINTE. CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste em etapa anterior ao início do procedimento fiscal. Assim, não cabe alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. DECADÊNCIA. IRPF. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. Em havendo pagamento antecipado de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial é do art. 150, § 4º do CTN. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Incabível o deferimento da prova pericial ou a conversão dos autos em diligência se o contribuinte não apresenta elementos para abalar a convicção do julgador e o equívoco da autuação. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NÃO COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO. SÚMULA Nº 67 DO CARF. Na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto a partir do fluxo de caixa do contribuinte, os saques ou transferências bancárias não devem ser considerados como origens e aplicações de recursos quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação e consumo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que se encontra amparada por isenção. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 25. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses constantes nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA QUALIFICADA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses constantes nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
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CONTESTAÇÃO DOS CRITÉRIOS. A seleção de contribuintes submetidos à auditoria fiscal é um critério da autoridade fiscal e consiste em etapa anterior ao início do procedimento fiscal. Assim, não cabe alegação de nulidade do auto de infração com base em pessoalidade e parcialidade dos critérios adotados na referida seleção. DECADÊNCIA. IRPF. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º DO CTN. Em havendo pagamento antecipado de imposto, a regra de contagem do prazo decadencial é do art. 150, § 4º do CTN. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Incabível o deferimento da prova pericial ou a conversão dos autos em diligência se o contribuinte não apresenta elementos para abalar a convicção do julgador e o equívoco da autuação. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NÃO COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO. SÚMULA Nº 67 DO CARF. Na apuração do acréscimo patrimonial a descoberto a partir do fluxo de caixa do contribuinte, os saques ou transferências bancárias não devem ser considerados como origens e aplicações de recursos quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação e consumo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação a qual o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não ilide a omissão de rendimentos a simples indicação da origem sem a comprovação de que o valor não configura uma disponibilidade econômica para fins de IRPF, ou que a disponibilidade econômica dos depósitos já fora oferecida à tributação, seja na Declaração de Ajuste Anual AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 20 48 /2 00 9- 49 Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 correspondente, seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que se encontra amparada por isenção. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. SÚMULA CARF Nº 25. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses constantes nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA QUALIFICADA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses constantes nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e de realização de diligência/perícia. Por maioria de votos, acolher a preliminar de decadência, relativamente ao anocalendário de 2003, vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$ 239.649,31 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nas infrações em que a penalidade foi exasperada. Vencido o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, que apenas reduziu a base de cálculo do APD. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 19/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (suplente convocado) e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 478 lavrado em 12.11.09, exigese do Contribuinte o montante de R$ 181.011,48 de imposto de renda da pessoa física, R$ 86.629,97 de juros de mora e R$ 233.895,92 de multa de ofício referente aos anoscalendários 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007, exercícios 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, respectivamente. O lançamento decorreu de: (i) acréscimo patrimonial descoberto para exercício de 2005, (ii) dedução indevida de previdência oficial, (iii) dedução indevida de Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 3 3 despesa médicas, (iv) dedução indevida de despesas com instrução para os exercícios 2004, 2005, 2006, 2007 e 2008, bem como de (v) omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada para os exercícios 2004, 2005, 2006 e 2007. Para as infrações (i) e (v) foi aplicada multa qualificada de 150%. O referido procedimento administrativo teve início com a lavratura do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal, às fls 24, lavrado em 06.08.08, com ciência do Contribuinte no mesmo dia (fls. 25). A Autoridade Lançadora elaborou Termo de Verificação Fiscal (fls. 498) de onde se extrai: · Na infração (i) referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, do valor de gastos superiores à renda disponível foi compensado o valor lançado de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Somente o eventual saldo de acréscimo patrimonial a descoberto foi tributado. · Intimado, o Contribuinte não apontou o momento da integralização de R$ 85 mil e R$ 11 mil da empresa Organikos Agropecuária. Logo, foram utilizadas como datas dos dispêndios as datas mais posteriores possíveis, que são as datas de assinatura do Contrato Social e da sua primeira alteração, com vistas a não prejudicar o Contribuinte. · O Contribuinte apresentou comprovantes de pagamento de pensão alimentícia. Pela análise das deduções da DIRF percebese que estes pagamentos de pensão não ocorreram diretamente através da fonte pagadora (no caso a RFB). Assim sendo, constituem dispêndio a ser lançado em linha própria. · O Contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários listados no termo de intimação fiscal. O Contribuinte justifica apresentando contrato de “gaveta” assinado pelo seu irmão, sua irmã e sua atual companheira o qual determina que o Contribuinte e a Royalty Contábeis podem contrair empréstimos mutuamente, criandose uma espécie de conta corrente entre as partes. A Autoridade Lançadora apontou que tal pretensão não pode ser aceita, permanecendo tais depósitos como de origem não comprovada, pelos motivos que seguem: o Um contrato "de gaveta" feito entre o Contribuinte e pessoas próximas a ele tem um valor probatório muito baixo. O Fisco não teria garantias de que este contrato foi celebrado na data indicada com os propósitos ali expostos, ao invés de ser algo criado a posteriori para tentar justificar depósitos que aconteceram por outras razões; e o Em se tratando de comprovação de origem de depósitos bancários, quando é feita a alegação de que se trata de recursos oriundos de empréstimos, imprescindível que se apresente a data e forma de quitação daquele empréstimo, sempre acompanhada da documentação comprobatória, com exceção de empréstimos ainda não quitados, que devem estar declarados corretamente na DIRPF. O contribuinte sequer apresentou o que seria o "extrato" dessa suposta "conta corrente" com a Royalty Contábeis. · Os gastos superiores à renda disponível são expressivos e bem distribuídos ao longo de 2003 a 2006. O lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto foi praticamente todo coberto pelo lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. · No lançamento de variação patrimonial a descoberto a multa foi qualificada pois a Autoridade Lançadora compreendeu ser evidente a sonegação. Já no lançamento de depósitos bancários, Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 entende a Autoridade Lançadora que a consequência lógica é que seja dado o mesmo tratamento. · O Contribuinte apresentou em 17.09.09 DIRPF Retificadora para os exercícios 2005, 2006 e 2007. A Autoridade Lançadora desconsiderou as declarações retificadoras em razão da perda da espontaneidade, tendo em vista a ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 004 em 13.08.09. O Termo de Verificação Fiscal não abordou as deduções indevidas: (ii) previdência oficial, (iii) despesas médicas e (iv) instrução, que foram relatadas diretamente no Auto de infração, nos seguintes termos: · O Contribuinte não apresentou a comprovação de recolhimento para previdência oficial, bem como da despesa com instrução. · O Contribuinte não apresentou comprovação das despesas médicas, limitandose a indicar uma lista de lançamentos presentes nos extratos bancários que corresponderiam a despesas com plano de saúde. A Autoridade Lançadora compreendeu que a mera indicação não supria a falta de apresentação da documentação comprobatória por dois motivos: o Apesar de a principal área de atuação da Fundação Assefaz ser plano de saúde, não é a única. Ela possui diversos outros serviços que presta aos seus filiados. Assim sendo, não é possível afirmar que estes lançamentos nos extratos se refiram exclusivamente a despesas com plano de saúde; e o Não é possível se aferir pelo simples lançamento no extrato se os dependentes do plano de saúde da Assefaz também são do Contribuinte em sua DIRPF. O Contribuinte foi cientificado do lançamento em 12.11.09 às fls. 506, apresentando, às fls. 651, Impugnação em 14.12.09 alegando, resumidamente, o que se segue: · Em relação à variação patrimonial a descoberto, aduz que a fiscalização a presumiu em função de integralização de capital social na empresa Organikos Agropecuária LTDA, no valor de R$ 85.000,00. Argumenta que o demonstrativo utilizado é carente de dados ou elementos materiais suficientes, devendo ser desconsiderado, suscitando, inclusive, não corresponder ao "modelo" recomendado pela RFB". Acrescenta que a fiscalização deixou de considerar o efeito cascata ou bitributação ou tributação em duplicidade no referido demonstrativo, considerando apenas a movimentação financeira supostamente não comprovada e deixando os valores correspondentes às glosas por falta de comprovação, as despesas médicas e despesas de instrução, bem como o valor da pensão alimentícia paga a Sra. Helena Rodrigues Ferreira. Neste contexto refaz o demonstrativo, apontando não constatar variação patrimonial a descoberto no período de 2004. Pondera que o lançamento deste item foi baseado exclusivamente na movimentação financeira, não levando em conta particularidades e a disponibilidade financeira do Contribuinte, matéria que ilustra com jurisprudência administrativa. · Ainda acerca da apuração de variação patrimonial a descoberto, argumenta que apuração não foi baseada em fatos concretos, mas presumidos (cláusula do contrato social de constituição da empresa Organikos Agropecuária LTDA, que previa a integralização em moeda corrente naquele ato). Alega que, para adequar os atos constitutivos com os fatos contábeis, existe a quarta alteração do contrato social, datada de 09/12/2008, arquivada na Junta Comercial do Estado do Paraná em 27/11/2009, demora que atribui aos arquivamentos das alterações anteriores. Esclarece que a integralização ocorreu parcialmente em razão da aquisição de uma propriedade rural, no valor de R$ 79.000,00. Aduz que, com essa operação, não foi necessária a integralização na data prevista no contrato social e nem a realização de empréstimos; que, portanto, a integralização ocorreu de acordo com a necessidade de recursos para satisfazer as finanças da empresa, de acordo com a contabilidade, referente aos anos de 2004 a 2007, da qual Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 4 5 diz apresentar cópias dos livros diário e razão registrados na Junta Comercial. Considerando o exposto, diz não apurar variação patrimonial a descoberto, conforme demonstrativos, nos quais esclarece; que não é justa a apuração de variação patrimonial a partir da movimentação financeira, argumentando que muitos dos dispêndios do extrato bancário são de responsabilidade de terceiros, "tendo em vista o trânsito de numerários objeto de mútuo entre as empresas familiares e do próprio e que não deveriam constar como aplicações os valores mensais pagos a título de pensão alimentícia, pelo fato de "muitos dos valores" terem sido pagos com cheques, doc. ou transferências, o que, todavia, diz não ser necessário no novo demonstrativo. · Defende, ainda, que houve a decadência em relação aos acréscimos patrimoniais do ano calendário de 2003 e até outubro do anocalendário de 2004, uma vez decorridos mais de cinco anos até o lançamento, efetuado em 12/11/2009, considerando ser o imposto de renda da pessoa física devido mensalmente. · Acrescenta que as deduções tidas como indevidas, uma vez glosadas, não poderiam ser consideradas dispêndios. · O Contribuinte aduz que não há depósito bancário acima de R$ 12.000,00, portanto, se ultrapassou o limite anual de R$ 80.000,00, os depósitos bancários inferiores à R$ 12.000,00 não necessitam de comprovação. Em complemento argumenta que se está obrigado a apresentar comprovantes de origem dos recursos da movimentação bancária apenas do que exceder os R$ 80.000,00, não seria justo ser tributado do total se não lograr êxito em justificar o excedente. · De outra parte, aduz que o autuante não respeitou o disposto no art. 42, § 2º da Lei n° 9.430 de 1996, uma vez que admite que muitos dos comprovantes apresentados provam a origem dos recursos dos depósitos bancários, faltandolhes apenas a que título vieram das empresas. · Questiona a consideração sobre o contrato "de gaveta", conceito que refuta ser aplicável ao mútuo existente entre o autuado e a empresa Royalty Contábeis S/C LTDA, que argúi ser legal, não conter vícios e não haver sido submetido ao Registro de Títulos e Documentos e ao reconhecimento de firma por se tratar de faculdade das partes, que não estão obrigadas a fazer algo senão em virtude de lei. Diz que o contrato contém as formalidades legais, seu cumprimento não é obstado por ter sido celebrado por membros da família, citando como comprovação, da contabilidade da empresa, a conta caixa, a conta razão em que houve o registro das operações de mútuo e parte do diário com os lançamentos contábeis. · Descreve que a fiscalização considerou um depósito de R$ 5.887,06 realizado em 28.08.06, em cheque que não foi compensado, depositado novamente em 04.09.06 devendo ser excluído do mês de agosto, inclui novos documentos. Em consequência argumenta que os valores não comprovados são irrisórios, inferiores a R$ 80.000,00 por períodobase. · Quanto às deduções da base de cálculo reputadas indevidas, suscita a decadência dos períodos até o mês de outubro de 2004, além do cômputo em duplicidade, um pela glosa por falta de comprovação, outro pela inclusão dos valores dos cheques ou débitos na apuração da variação patrimonial a descoberto, o que exemplifica com os valores do plano de saúde, debitados na conta do Banco do Brasil. · Faz demonstrativo dos valores de contribuição à previdência social constantes dos informes de rendimentos comprovados, em quase sua totalidade, pelo informe de rendimentos fornecidos pelo Ministério da Fazenda, esclarecendo que pretende juntar aos autos a comprovação da diferença relativa ao anocalendário 2005, tão logo a localize. · Indica os valores pagos a título de plano de saúde, debitados mensalmente conforme extratos bancários, ressaltando que os dependentes Gersino Perin Ribeiro, Carolina Perin Ribeiro e Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Elvira Rosa de Lima não foram contestados pela fiscalização e as demais pessoas beneficiárias do plano de saúde (Rafael de Souza Ribeiro, Gustavo de Souza Ribeiro e Elena Rodrigues Ferreira) recebem "pensão alimentícia por força de decisão judicial acumulado com o plano de saúde". Quanto ao plano de saúde defende também o direito de deduzir a parcela paga a título de contribuição mensal, porquanto seja condição necessária à sua adesão. · Descreve que a declaração do anocalendário 2005 foi retificada em 17.09.09, alterando as despesas médicas de R$ 13.721,21 para R$ 13.481,21. Quanto a pagamentos de honorários médicos, aventa parte dos recibos observando que os demais serão anexados assim que localizados. · Em relação às despesas com instrução, faz demonstrativos dos valores que aventa comprovar; · Discorre acerca da decadência, que alega haver alcançado os fatos geradores ocorridos até outubro de 2004, fundamentandose no art. 150, § 4º do CTN, e citando jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Defende que se trata de matéria de lei complementar e que houve antecipação de tributo com a retenção na fonte, transcrevendo jurisprudência do STJ e doutrina. · Quanto à multa qualificada, refuta estarem presentes os pressupostos dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, porquanto não comprovada a prática de conduta dolosa. · Ilustra a alegação com jurisprudência administrativa, destacando também julgado no sentido de ser inadmissível a qualificação da multa em lançamento por presunção de receita a partir da falta e comprovação de origem de recursos depositados em conta bancária. A 4ª Turma da DRJ/CTA através do acórdão 0625.89902.43.103 julgou procedente em parte a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: · Não haver operado a decadência uma vez não ser aplicável o art. 150, § 4º do CTN, mas sim o art. 173, I do CTN, tendo em vista que a omissão e inexatidão por parte do contribuinte no exercício da atividade prevista no art. 150 do CTN ensejam o lançamento de ofício. A inaplicabilidade do art. 150, § 4º do CTN foi reforçada pela ressalva contida no referido dispositivo legal, caracterização de dolo, fraude ou simulação, apontado no Termo de Verificação Fiscal. · Rejeitou as declarações retificadoras do Contribuinte por terem sido apresentadas no curso da ação fiscal. · No caso concreto discutido, quanto às planilhas utilizadas pela fiscalização, não se constatou, no plano teórico, suposta irregularidade no que concerne ao "modelo" que a Receita Federal recomendaria utilizar. Aduz que na realidade, a fiscalização não está submetida a um padrão formal de planilha de apuração, tendo a prerrogativa de adotar a formatação que se fizer necessária, sobretudo para contemplar as peculiaridades existentes em cada caso. · Não constatou a alegada carência de elementos materiais, ressaltando que todos os valores que compõem os demonstrativos que sintetizam a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, às fls. 507/516, encontramse detalhados às fls. 517/644, além de estarem descritos às fls. 498/501, o que permitiu ao Contribuinte a perfeita identificação dos dados em questão, para a formulação de sua defesa. Logo, caberia ao Contribuinte, nesse contexto, apontar expressa e especificamente os pontos de sua divergência, não lhe assistindo, em contrapartida, o direito de pretender modificar o crédito tributário com base em mera crítica à metodologia empregada. Nesse sentido, simples alegações de incorreções, vazias de conteúdo material, meramente suscitadas em tese, não são suficientes para modificar o lançamento, que se encontra fundamentado nos dados concretos que fiscalização constatou, identificou e detalhou. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 5 7 · Quanto a suscitada a falta de consideração do "efeito cascata', bitributação ou tributação em duplicidade, referente às glosas de deduções e à pensão alimentícia que teria pago mensalmente é equivocada a tese de que as deduções glosadas deveriam ser extraídas do fluxo mensal, como se fossem origens de recursos, permitindo suposta acumulação mês a mês para justificar acréscimo patrimonial. A glosa fiscal, por si só, não corresponde a uma negativa de existência de dispêndio, a ponto de ocasionar, por decorrência, a imediata exclusão do fluxo mensal. · Já quanto ao valor mensal de pensão alimentícia não se reconheceu a duplicidade dos lançamentos uma vez que os referidos pagamentos não se encontram evidenciados nos "Dispêndios Presentes nos Extratos Bancários" ou nos "Dispêndios Consumidos via Cheques, DOCs, TEDs e Transferências", mormente quando se coteja a movimentação financeira com os "recibos" apresentados à fiscalização. · Não há razão para que seja discutida a percepção de rendimentos de aluguel a partir do ano de 2005, a pretensão de exclusão de cheque no mês de janeiro de 2005 e recebimento de empréstimo em fevereiro de 2005, uma vez que o lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto só foi apurado para o mês de outubro de 2004, sendo irrelevante a discussão do tema para os referidos questionamentos. · Não reconheceu a alegação de que a integralização do capital social no valor de R$ 85.000,00 teria ocorrido de forma parcial, tomando por base os seguintes fatos: o contrato social apontava que a integralização seria em moeda corrente; a alteração do contrato social que teria retificado o capital social teria ocorrido após a ciência do auto de infração; os livros diário e razão que contiam o registro da operação na pessoa jurídica também só foram levados a registro após a ciência do auto de infração e foi observado que o saldo em caixa constante da DIPJ da Organikos Agropecuária LTDA em 31.12.04 era de 96.029,00, compatível com a integralização do capital. · Afastou o argumento de que o Contribuinte teria comprovado a origem de determinados depósitos, pois a comprovação da origem aludida pela norma legal, obrigação do contribuinte beneficiário, não é satisfeita, por exemplo pela simples indicação da fonte pagadora do crédito, mas pela identificação da natureza jurídica dessa origem de recursos, acompanhada da documentação indispensável a ela inerente, que a descaracterize como sendo uma aquisição de disponibilidade econômica na acepção que a lei elegeu como fato gerador do imposto de renda. · Não acolheu a alegação de que os depósitos provinham de mútuos realizados com pessoas jurídica, pois: não há contrato de mútuo com a empresa Republik Agropecuária LTDA, o contrato de mútuo com a Royaltiy Contábeis S/C LTDA por ser um “contrato de gaveta” não produz efeitos a terceiros enquanto não levado à registro (art. 221 do CC), sem outros elementos de prova a contabilidade Royaltiy Contábeis S/C LTDA não merece credibilidade em função da relação íntima e pessoal do Contribuinte com a referida pessoa jurídica, bem como os registros contábeis não condizem com as DIPJs dos anos em questão, que foram retificadas após o início do procedimento fiscal, segundo a contabilidade da Royalty os valores dos mútuos são muito superiores aos dividendos e os prólabores, sendo compatíveis com a própria receita da pessoa jurídica. · Reconheceu parte dos valores de previdência oficial que haviam sido glosados, uma vez que o Contribuinte logrou êxito em comproválos. · Reconheceu parte dos valores atribuídos como despesa médica. Quanto aos valores a título de plano de saúde, observou que o fato de o usufruto do plano de saúde estar condicionado à adesão à Fundação Assefaz não transforma as mensalidades associativas em despesas médicas, onde somente a parcela referente ao plano de saúde comporta dedução. Logo, reconheceu somente os valores referentes ao plano de saúde do próprio Contribuinte, dos dependentes e da Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 alimentanda Helena, não logrando êxito em comprovar a condição de alimentos relativos à Rafael e Gustavo. · Reconheceu em parte as despesas com instrução. · Não reconheceu o efeito confiscatório da multa qualificada de 150%, uma vez que tal análise usurparia atribuição exclusiva do Judiciário em apreciar a constitucionalidade da norma que instituiu a multa qualificada de 150%. · Manteve a multa qualificada, pois verificou a existência de sonegação e fraude, uma vez que foi evidenciada a existência sistemática e reiterada de gastos superiores à receita, omissão sistemática e expressiva de rendimentos, os mútuos não comprovados foram utilizados para acobertar a percepção dos rendimentos tributáveis. O Contribuinte foi notificado da decisão em 13.04.10 às fls. 1.463 tendo apresentando às fls. 1.466 Recurso Voluntário recebido em 13.05.10 aduzindo: · Nulidade da autuação por desrespeito aos príncipio da impessoalidade, uma vez que sua escolha pela fiscalização fiscal decorreu da instauração de Processo Administrativo Disciplinar, o qual está eivado de erros insanáveis. · Nulidade do Processo Administrativo Disciplinar visto que o mesmo está baseado unicamente em informações protegidas por sigilo bancário e fiscal – prova ilícita. A Receita Federal do Brasil, em vista da sua atividade fiscalizatória tem acesso a dados protegidos por sigilo fiscal e bancário em função da LC 105/01, o que não se confunde com a sua atuação disciplinar como órgão público, quando analisa situações de seus servidores. Apresenta jurisprudência do TRF 4ª Região sobre o tema. · Defende, ainda, que houve a decadência em relação aos acréscimos patrimoniais do período de 2003 a outubro de 2004, com base nos mesmos fundamentos da Impugnação. Acrescenta não ser aplicável o enquadramento no art. 173, I do CTN, pois as infrações não poderiam ser caracterizadas como dolosas, fraudulentas ou simuladas visto que o auditor fiscal teve acesso a todas as informações necessárias para realizar seu trabalho. · O auto de infração foi omisso na descrição dos fatos e na vinculação dos procedimentos do Contribuinte aos artigos que ensejaram a qualificação da multa, descrição e vinculação realizada apenas por ocasião do julgamento 4ª Turma da DRJ/CTA. Logo, tal vinculação importou em mudança de critério jurídico quanto à qualificação da multa. Apontando que a aplicação da multa qualificada objetivou apenas burlar o prazo decadencial, prática constante na Receita Federal. · Solicita divergência e perícia com o objetivo de esclarecer a respeito de cálculos nas planilhas que apontam variação patrimonial a descoberto e os registros contábeis das empresas com as quais o Contribuinte mantinha contrato de mútuo ou contas correntes devedoras ou credoras, bem como a integralização de capital. · Reproduz todos os demais argumentos apresentados na Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 6 9 O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. I. Das Preliminares I.1. Seleção de Contribuinte Nulidade Em preliminar o Contribuinte aduz vício no seu processo de seleção pela Receita Federal para fins de fiscalização, uma vez que não teria respeitado os princípios da impessoalidade e da imparcialidade, pois o presente procedimento fiscal teria sido instaurado por causa de Processo Administrativo Disciplinar aberto contra ele. O Contribuinte faz a ilação de que seu processo de escolha oocrreu por motivos de interesses pessoais e escusos, vinculados a um interesse de punição pessoal e direcionado, manejado como uma arma voltada a lhe prejudicar. Todavia, o Contribuinte não juntou aos autos provas bastante para comprovar o ora alegado. Ademais, todo o cidadão é passível de ser escolhido para uma auditoria, fiscal, tal processo de escolha não se caracteriza de forma alguma em perseguição, pelo contrário o processo de fiscalização visa o atendimento ao interesse público. Logo, improcedente alegação de nulidade do lançamento sob o argumento de não observância do princípio da impessoalidade e imparcialidade pela simples escolha de um contribuinte a ser auditado. Quanto à nulidade do lançamento decorrente do fato de o Contribuinte ter sido escolhido para auditoria fiscal em face de constar em processo administrativo disciplinar também carece de matéria probatória. Inicialmente o Contribuinte não comprovou que a sua escolha decorreu do processo administrativo disciplinar. De qualquer modo, ainda que o Contribuinte o tivesse comprovado, ressaltase como corolário para aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada a declaração de nulidade do ato inicial, somente então a contaminação atingirá todos os demais atos subsequentes, que dele dependam. O Contribuinte não juntou aos autos do presente procedimento administrativo fiscal a declaração de nulidade do processo administrativo disciplinar. Nesta senda, não se reconhece a preliminar de nulidade referente a seleção do Contribuinte por ausência de comprovação do desvio de finalidade e da nulidade do ato em comento. I.2. Quebra do Sigilo Bancário Nulidade O Contribuinte também aponta nulidade do Processo Administrativo Fiscal sob o argumento que a Receita Federal do Brasil não poderia no âmbito do Processo Administrativo Disciplinar proceder a quebra do sigilo e bancário de seus servidores, pois sua atuação sob o poder disciplinar não lhe concede esta possibilidade que somente possui na sua a atuação administrativa tributária fiscalizatória. Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Assim, pleiteia a nulidade da parcela do lançamento tributário que se baseou nos seus dados bancários. Isso porque alega que como os dados bancários foram obtidos de forma ilícita (no âmbito do Processo Administrativo Disciplinar), o lançamento baseado nesses dados deve ser nulo, pois obtido por prova ilícita. No âmbito do Procedimento Administrativo Fiscal não cabe análise acerca da licitudade da obtenção de dados bancários pela Receita Federal do Brasil em sede de Processo Administrativo Disciplinar. Desta feita, diante da impossibilidade de apreciação dessa matéria em sede de Processo Administrativo Fiscal o pedido não é conhecido. I.3. Decadência Inicialmente não procede a alegação do Contribuinte de que o fato gerador do Imposto de Renda seria mensal em razão das antecipações mensais as quais está jungido. A partir de 1º de janeiro de 1989, em virtude das alterações provocadas pela Lei nº 7.713/88, o imposto de renda das pessoas físicas passou a ser devido mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos: “Art. 2º. O imposto de renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no artigo 11.” Contudo, o art. 2º da Lei nº 8.134/90, introduziu a necessidade do ajuste anual: “Art. 2° O Imposto de Renda das pessoas físicas será devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 11.” O ajuste de que trata o mencionado art. 11 referese à apuração anual do imposto de renda na declaração de ajuste anual: “Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: I será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); II será deduzido o valor original, excluída a correção” A análise conjunta dos dispositivos legais acima mencionados estabelece, portanto, que, não obstante seja o imposto de renda da pessoa física devido mensalmente, fica ele sujeito ao ajuste anual, no qual serão considerados, de forma global, todos os rendimentos tributáveis auferidos durante o anocalendário, com exceção daqueles tributáveis exclusivamente na fonte e dos sujeitos à tributação definitiva. É por essa razão que, com relação aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a doutrina e a jurisprudência dominantes costumam classificar o fato gerador do imposto de renda como sendo do tipo complexivo, isto é, formado de diversos elementos que se formam ao longo de um determinado período de tempo, compondose de diversos acontecimentos distintos que devem ser considerados em sua totalidade. Neste caso, tem prevalecido o entendimento de que o momento em que se completa o fato gerador é o termo final do ano calendário, ou seja, o dia 31 de dezembro. Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 7 11 Neste diapasão para os anoscalendários 2003 e 2004 os fatos geradores do Imposto de Renda se aperfeiçoaram em 31.12.2003 e 31.12.2004, respectivamente. Logo não há divisão temporal para fatos pretérito a outubro de 2004 e fatos posteriores. No presente caso, todos os rendimentos tributáveis auferidos no anocalendário de 2004 terão a mesma sorte. Diante do exposto para o anocalendário de 2004, uma vez que, o fato gerador só se aperfeiçoou em 31.12.04 o prazo para constituição do crédito tributário, com base no art. 150, § 4º do CTN, teria por termo o dia 31.12.09. Logo, não procede a alegação de decadência pretendida pelo Contribuinte para os fatos ocorridos no ano calendário de 2004, haja vista que o Contribuinte foi notificado do lançamento em 12.11.09. Todavia, para o anocalendário de 2003 uma vez que a aplicação do art. 150, § 4º do CTN acarretaria a decadência do crédito tributário, fazse mister a delimitação do termo a quo do prazo decadencial aplicável ao caso em tela. A 4º Turma da DRJ/CTA aplicou o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN com base em dois fundamentos: · Existência de inexatidão na confecção das declarações de ajuste anual o que acarretou um lançamento de ofício na forma do art. 149, V do CTN, o qual está sujeito ao prazo decadência previsto no art. 173, I do CTN; e · Constatação de dolo, fraude ou simulação no lançamento relativo às omissões de rendimentos, conforme Termo de Verificação Fiscal, o afastaria o art. 150, §4º do CTN conforme ressalva contida no próprio dispositivo legal. Quanto ao segundo fundamento a 4º Turma da DRJ/CTA verificou a existência de sonegação e fraude uma vez que foi evidenciada a existência sistemática e reiterada de gastos superiores à receita, omissão sistemática e expressiva de rendimentos, onde os mútuos não comprovados foram utilizados para acobertar a percepção dos rendimentos tributários. Já a Autoridade Lançadora, no Termo de Verificação Fiscal compreendeu haver sonegação relatando a existência de dolo, fraude ou simulação ao aplicar a qualificação da multa na forma do art. 44 da Lei nº 9.430/96, reportandose aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502/64, aduzindo que além dos valores de omissão de rendimentos serem expressivos ele é bem distribuído ao longo do período fiscalizado sendo capaz de cobrir praticamente toda variação patrimonial a descoberto concluindo que “se em um lançamento de variação patrimonial a descoberto é evidente a qualificação da multa, pela sonegação, no lançamento de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada que serviram para cobrir esta variação patrimonial a descoberto a consequência lógica é que o tratamento seja o mesmo.” A Autoridade Lançadora não descreveu como os atos praticados pelo Contribuinte contribuíram para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador. A Autoridade Fiscal com base simplesmente na constatação da variação patrimonial a descoberto compreendeu haver sonegação, seguindo o mesmo raciocínio para a Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, isto é, compreendeu que a existência dos débitos fiscais por si só configuram uma ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador (sonegação fiscal art. 71 da Lei. 4.502/64). A 4º Turma da DRJ/CTA acompanhou o Termo de Verificação Fiscal ao apontar que o lapso temporal e a mera existência da própria omissão de rendimentos decorrente de depósitos não comprovados que foram utilizados para cobrir o a variação patrimonial a descoberto são condutas bastantes e suficiente para subsunção nos artigos 71, 72 e 73 da lei. Nº 4.502/64. No presente ponto discordase das Autoridades Fiscais uma vez que a constatação do acréscimo patrimonial descoberto e da omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada não configuram por si só dolo, fraude ou simulação. O não recolhimento do tributo não configura a sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/64, sem que para tanto haja uma conduta dolosa do contribuinte tendente a impedir o conhecimento para parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador. No mesmo sentido, o simples lapso temporal no qual o Contribuinte se enquadrou nas condutas acimas (janeiro de 2003 à dezembro de 2006) não fundamenta o dolo o fraude ou a simulação, uma vez que tais infrações estão relacionadas a uma determinada conduta ilegal praticada pelo contribuinte, e não ao lapso temporal pelo qual o tributo não é recolhido. Ou seja, não é o lapso temporal pelo qual o contribuinte não recolhe o tributo que irá enquadrar sua conduta como dolosa, simulada ou fraudulenta, mas a própria conduta pela qual o contribuinte tenha se valido de forma dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pela Autoridade Fazendária. A 4º Turma da DRJ/CTA exemplificou ainda outras condutas pelas quais estaria caracterizado o dolo fraude e a simulação, como: (i) tentativa do Contribuinte de não evidenciar o acréscimo patrimonial a descoberto apurado em outubro de 2004 decorrente da integralização do capital da sociedade Organikos Abropecuária LTDA e (ii) comprovação dos supostos recebimentos alegados para justificar os depósitos bancários pretensamente imputados a empréstimos de pessoas jurídicas intimamente relacionadas ao Contribuinte. Fazse mister para análise a seguir observar que o período decadencial em foco é o anocalendário de 2003 exercício 2004, portanto, a tentativa do Contribuinte de não evidenciar o acréscimo patrimonial a descoberto na integralização do capital ocorrida em outubro de 2004, não afeta o crédito tributário do anocalendário de 2003. Na DIRPF/2004 não consta qualquer obtenção de empréstimo de pessoa jurídica, somente nas DIRPFs dos exercícios seguintes foram declarados os referidos empréstimos. Uma vez que os créditos tributários de cada exercício são independentes as possíveis irregularidades ou ilegalidades dos exercícios seguintes não contaminam o crédito tributário declarado para o exercício de 2004. Nesta senda, para o anocalendário de 2003 não se verifica a existência de sonegação tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502/64, e por consequência o não enquadramento na parte final do § 4º do art. 150 do CTN, norma de conexão para o art. 173, I do CTN. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 8 13 Quanto à aplicação do art. 173, I do CTN com fundamento no lançamento de ofício na forma do art. 149, V do CTN em decorrência de inexatidão na confecção das declarações de ajuste anual também compreendemos não ser aplicável pois vai de encontro ao REsp. nº 973.733/SC proferido pelo STJ sob o regime do art. 543C do CPC. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no REsp nº 973.733/SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de 05 (cinco) anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). Hipótese verificada no presente caso, uma vez que houve recolhimento de imposto de renda no anocalendário de 2003. Neste esteio, a constituição do crédito tributário decorrente de inexatidão da DIRPF 2004 deve observar o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN. A apuração do acréscimo patrimonial a descoberto é efetuada com base no fluxo de caixa mensal, porém o fato gerador do IRPF se aperfeiçoa em 31 de dezembro de cada ano. Diante do exposto, tendo vista que o Contribuinte foi notificado da constituição do crédito tributário referente ao anocalendário 2003 exercício 2004 em 12.11.09, o referido crédito encontrase coberto pela decadência, pois o prazo para a autoridade fiscal constituir o crédito tributário na forma do art. 150, § 4º do CTN teve por termo o dia 31.12.08. Em prol da clareza, observase que a decadência também abrange a impossibilidade da glosa das despesas médicas e com educação para o ano calendário 2003 exercício 2004. I.4. Solicitação Diligência e Perícia O Contribuinte aduz a carência de dados ou elementos materiais do demonstrativo apresentado pela Autoridade Lançadora para apurar o acréscimo patrimonial a descoberto, deixando de apreciar o efeito em cascata ou a bitributação ou tributação em duplicidade do demonstrativo considerado, havendo considerado apenas a movimentação financeira supostamente não comprovada. O referido ponto já foi alegado na Impugnação tendo a 4ª Turma da DRJ/CTA decidido pela inexistência de irregularidade no que concerne ao “modelo” que a Receita Federal recomendaria utilizar por meio do alegado sistema "papéis de trabalho”, bem como não verificou a alegada carência de elementos materiais uma vez que o acréscimo patrimonial a descoberto encontravase detalhado nos autos do processo administrativo fiscal. Inconformado o Contribuinte solicita diligência e perícia com o objetivo de esclarecer a esta Corte a respeito do cálculo nas planilhas que apontam o acréscimo patrimonial a descoberto e os registros contábeis das empresas com o qual o Contribuinte mantinha contrato de mútuo ou contas correntes devedoras ou credoras, bem como integralização do capital. Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Em que pese a inconformidade do Contribuinte, não se vislumbra a necessidade da referida diligência, uma vez que a decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/CTA foi de clareza hialina sobre o referido ponto não havendo controvérsia criada a não ser a inconformidade do Contribuinte quanto a decisão desfavorável proferida. Corroborase com o entendimento proferido pela 4ª Turma da DRJ/CTA, em não se constatar, no plano teórico, suposta irregularidade no que concerne ao "modelo" que a Receita Federal recomendaria utilizar por meio do alegado sistema "papéis de trabalho”. Na realidade, a fiscalização não está submetida a um padrão formal de planilha de apuração, tendo a prerrogativa de adotar a formatação que se fizer necessária, sobretudo para contemplar as peculiaridades existentes em cada caso. Também não se constata alegada carência de elementos materiais, devendo se ressaltar que todos os valores que compõem os demonstrativos que sintetizam a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto às fls. 507/516, encontramse detalhados às fls. 517/644, além de estarem descritos às fls. 498/501, o que permitiu ao Contribuinte a perfeita identificação dos dados em questão, para a formulação de sua defesa. II. No Mérito II.1. Acréscimo Patrimonial a Descoberto Verificase que o Contribuinte, por meio das planilhas de fls.1.491/1.493, efetivamente indica discordância, em primeira abordagem, apenas em relação à falta de consideração, na apuração de variação patrimonial, das deduções consideradas indevidas (previdência oficial, despesas médicas e despesas com instrução) e do cômputo, em duplicidade, da pensão alimentícia que aventa já ter composto a apuração no item relativo a cheques, DOCs, TEDs ou transferências bancárias. Em outro item do Recurso Voluntário sintetizado nas planilhas de fls. 1.499/1.501, questiona a consideração de dispêndio de R$ 85.000,00 no mês de outubro de 2004, relacionada à integralização de capital na empresa Organikos Agropecuária LTDA. O Contribuinte ao se insurgir da variação patrimonial a descoberto decorrente da integralização do capital social da sociedade Organikos Agropecuária LTDA, no valor de R$ 85.000,00 no mês de outubro de 2004 argumenta que o referido capital social foi integralizado de acordo com a contabilidade da referida empresa, ou seja, de forma parcelada entre 2004 a 2006 conforme demonstrativo de fls. 1.494/1.496 e não na assinatura do contrato social conforma apurado no TVF. Pelo demonstrativo elaborado pelo Contribuinte às fls. 1.494 a primeira parcela a ser integralizada ocorreu apenas em 09.11.04, no valor de R$ 9.366,00, não havendo despesa no mês de outubro de 2004, fato que não acarretaria a variação patrimonial a descoberto lançada no Auto de Infração. Em que pese a argumentação do Contribuinte, a 4ª Turma da DRJ/CTA foi minuciosa ao concluir pela falta de confiabilidade das informações que o Contribuinte inseria em suas Declarações de Ajuste Anual e principalmente nas informações contidas na contabilidade que pretendeu utilizar para contrapor ao lançamento, nos seguintes termos: Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 9 15 “Aduz o impugnante que a integralização teria sido realizada "durante os anoscalendário de 2004 a 2006", conforme demonstrativos de fl. 616, que, no entanto, indicam valores que teriam sido aplicados apenas em 2004 e 2005. O interessado alega que a aplicação de recursos na empresa totalizou o valor de R$ 94.463,01, além de outros que já teriam sido computados no fluxo de variação patrimonial. De plano, há que se ressaltar que a divergência de valores (R$ 85.000,00 x R$ 94.463,01), diferentemente do que pretende fazer crer o impugnante, não favorece sua tese, uma vez que apenas demonstra haver incongruência entre o fato alegado e os que intenta comprovar. É óbvio que a pessoa física jamais proveria a pessoa jurídica com recursos superiores aos subscritos. Alega o impugnante que promoveu a quarta alteração do contrato social, às fls. 667/668, em 09/12/2008, arquivada na Junta Comercial em 27111/2009, para adequar os atos constitutivos ao "fatos contáveis". Referida alteração, todavia, porquanto de natureza meramente descritiva, não tem força de prova material dos fatos alegados. Sob o aspecto formal, também não é oponível ao lançamento, uma vez que a suposta retificação apenas foi registrada na Junta Comercial em 27/11/2009 (fl. 668), após a ciência do auto de infração, que ocorreu em 12/11/2009 (fl. 436). Inclusive, a pretensa alteração, passados mais de cinco anos após o ato consubstanciado no contrato social e, coincidentemente, apenas por ocasião da lavratura do auto de infração, afigurase mera tentativa de modificar a aparência dos fatos tãosomente para contestar o lançamento, como revela a peculiar redação empregada, que pretende fazer crer que o contrato social, no tocante à integralização de capital, não passara de mera "ficção", tangendo a improvável tese de "desnecessidade", sob a justificativa de adequação aos fatos registrados na contabilidade: "(...) Os sócios levando em conta o fato de que não foi necessária a integralização do capital social como previa a cláusula quinta do contrato social, onde constou que o capital social inicial de R$ 100.000, 00 (cem mil reais) teria sido inte alizado em moeda corrente do país, naquela data 2611012004, conforme registro na Junta Comercial do Estado do Paraná, sob n° 41205344945, retificam a referida cláusula de acordo com os fatos registrados em sua escrita contábil, onde o capital social foi integralizado em parcelas de acordo com o fluxo de caixa necessário para cumprir com as obrigações da sociedade; " (Grifouse) Assim, além de inábil, como descrito, referido documento atenta contra a razoabilidade, não merecendo fé. Já a escritura de fls. 670/672 é relativa à compra de terreno rural por HELIO MICHALSKI e pela pessoa jurídica ORGANIKOS AGROPECUÁRIA LTDA, operação na qual o autuado, ressalvada a condição de procurador da pessoa jurídica, ocasião em que se qualificou como "contador", não consta como parte do negócio. A escritura, nesse contexto, não só não comprova a alegação do autuado, de que teria assumido e adimplido a dívida relativa à aquisição do imóvel em nome da pessoa jurídica, como também não estabelece conexão ou vínculo dessa operação com a sua integralização de capital. É de se ressaltar, nesse aspecto, que o impugnante não apresenta documento algum que demonstre ou dê indícios de que houve, de sua parte, suposta assunção da dívida da empresa ORGANIKOS perante terceiros, muito menos como condição de integralização de capital. É evidente que uma operação dessa natureza, mormente por envolver direito de terceiros (os demais sócios, o comprador em condomínio, os vendedores e os credores hipotecários do imóvel), caso verdadeira, encontrarseia devidamente documentada, sobretudo quando se constata que todas as notas promissórias que se refeririam à compra imobiliária foram emitidas exclusivamente por HELIO FRANCO MICHALSKI, às fls. 773/776 e 782, em nome do qual também foi passado o recibo do pagamento da "entrada" (fl. 777). Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 Quanto à suposta contabilização dos fatos, o impugnante apresenta os documentos de fls. 676/771, que consubstanciariam os livros diário e razão da pessoa jurídica. No entanto, referidos documentos, da mesma forma como ocorre em relação à alteração contratual antes analisada, tem natureza meramente descritiva, não comprovando a materialidade dos fatos alegados, além de os livros diário haverem sido levados a registro apenas após a autuação, em dezembro de 2009, como consta às fls. 702, 718, 736 e 754, que indicam, ainda, que o livro diário de 2004 (n° 1) não havia sido antes registrado e os demais (n°s 5 a 7) substituíram os que antes haviam sido elaborados e registrados (n os 2 a 4). Ou seja, o livro diário de 2004 (n° 1), que não fora antes registrado, pode ter sido elaborado a qualquer tempo, com as informações que fossem convenientes ao interessado; seu registro apenas em 2009,após_ atuação, denota a tentativa de produzir documentos exclusivamente para serem contrapostos ao lançamento; já os livros diário de 2005 a 2007 (n°s 5 a 7), não obstante as datas neles consignadas, indiscutivelmente não são aqueles que antes (n°s 2 a 4) expressariam a contabilidade da pessoa jurídica, tendo sido, supostamente, refeitos por "incorreções contábeis", o que conduz à conclusão, também, de que poderiam ter sido elaborados a qualquer tempo, com as pretensas informações que laborariam a favor das teses de impugnação Como antes relatado, deve ser destacado, também, que o contribuinte, ainda que intimado a respeito dos fatos relacionados à integralização que agora pretende modificar, não forneceu tais documentos à fiscalização, mesmo porque os levou a registro após a constituição do crédito tributário. Quanto ao conteúdo material da contabilidade que o próprio contribuinte traz ao litígio, há que se salientar que, nos sistemas informatizados da Receita Federal, consta que a pessoa jurídica ORGANIKOS AGROPECUÁRIA LTDA, CNPJ 07.055.950/000162, entregou, anualmente, Declarações de Informações EconômicoFiscais — DIPJ indicando saldos em caixa/bancos nos inícios e finais dos anos em valores diversos daqueles que a suposta contabilidade agora pretende demonstrar. Comparativamente, os saldos em caixa/bancos, em 31/12/2004, 31/12/2005 e 31/12/2006, são os seguintes, respectivamente: R$ 96.029,00 (na DIPJ, à fl. 1371superior) x R$ 9.797,38 (na contabilidade, às fls. 677 e 708); R$ 72.506,00 (DIPJ, à fl. 1371centro) x R$ 95,72 (fl. 683); e R$ 63.720,00 (DIPJ, à fl. 1371 inferior) x R$ 3.768,72 (fls. 689 e 745). Ressaltese, inclusive, que o saldo em caixa de R$ • 96.029,00 em 31/12/2004, constante da DIPJ 2005 (anocalendário 2004), é compatível com a integralização de capital, em espécie, de R$ 100.000,00, que consta do contrato social, de outubro de 2004 (fl. 30). Cabe lembrar que a suposta alteração contratual registrada após a ciência do auto de infração foi pretensamente baseada nos 'fatos registrados em sua escrita contábil", que veio a ser registrada apenas após o lançamento, inclusive com a substituição dos documentos que antes haviam sido protocolizados na Junta Comercial, o que demonstra o aparente propósito de concatenar duas fontes de informação que, na realidade, não encontram lastro em prova concreta, porquanto de natureza meramente descritiva. Ou seja, a alteração de contrato social descreve uma retificação baseada em fatos que a contabilidade também se limita a descrever, sem que nenhuma delas comprove efetivamente a materialidade das alegações de impugnação. Outro elemento de prova contrário à tese do impugnante é a sua própria declaração de ajuste anual, que no anocalendário 2004, à fl. 08, já registrava a integralização de R$ 125.000,00 na empresa ORGANIKOS, sem ressalvas, apesar de o contrato social indicar que a participação do contribuinte e seus dependentes seria de R$ 85.000,00. Ainda que haja o registro de R$ 100.000,00 de "Dívida e Ônus Reais" em relação à empresa, à fl. 09, o contribuinte aparentemente se valeu da descrição inespecífica de "C/C ORGANIKOS AGROPECUÁRIA LTDA", para não evidenciar o acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que em momento algum alega ônus dessa natureza perante a pessoa jurídica, que também não é confirmada pela suposta contabilidade apresentada juntamente com a impugnação, que indicaria o valor de R$ 56.268,00 (fls. 677 e 708). Em verdade, as declarações da pessoa física também evidenciam outras inconsistências em relação aos fatos e à contabilidade alegada na impugnação: para o anocalendário 2005, o contribuinte, estranhamente, reduziu o valor declarado de sua participação e dos dependentes para R$ 110.000,00 (R$ 100.000,00 + R$ 10.000,00), tanto no início como no final do ano (fl. 13), o que, de qualquer modo, continuou a não corresponder ao contrato social (R$ 85.000,00), além de provocar uma incompatibilidade com a valoração dos bens listados no Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 10 17 final do ano anterior (R$ 733.141,79 x R$ 718.141,79, às fls. 08 e 13); também para esse ano de 2005, sua posição, em relação à pessoa jurídica ORGANIKOS, de "devedor" de R$ 100.000,00 no início do ano (dívida e ônus, à fl. 13), passou a ser de "credor" de R$ 125.000,00 no final (bens e direitos, item 15, à fl. 13), sendo que a contabilidade alegada não condiz com tal informação, à fl. 728, que indicaria que a pessoa jurídica teria "obrigações financeiras" de R$ 11.294,67 em relação ao autuado; no anocalendário 2006, o contribuinte declarou alteração na participação societária da ORGANIKOS de R$ 100.000,00 para R$ 297.350,00 (R$ 287.350,00 + R$ 10.000,00) (fl. 16), o que não corresponde à alteração contratual havida (fls. 33/36), segundo a qual o contribuinte e seus dependentes deteriam cotas equivalente a R$ 175.000,00; também para esse ano, houve a declaração de que seria credor da pessoa jurídica (alteração de R$ 125.000,00 para R$ 65.000,00, à fl. 16), em valor diverso àquele que a contabilidade alegada indicaria (à fl. 746, consta que a pessoa jurídica teria "obrigações financeiras", em 31/12/2006, de R$ 5.394,67 com o autuado). A partir dessas incongruências, há que se concluir pela falta de confiabilidade das informações que o contribuinte inseria em suas declarações de ajuste anual e, sobretudo, pela falta de confiabilidade das informações contidas na contabilidade que o interessado pretende utilizar para se contrapor ao lançamento.” Neste esteio, uma vez que a documentação apresentada pelo Contribuinte não apresenta credibilidade, pelas razões anteriormente expostas, a utilização da data da assinatura do contrato social para data da integralização do capital mantémse mais adequada diante da cláusula quinta do contrato social que informa que o capital social é de R$ 100.000,00 com quotas subscritas e já integralizadas em moeda corrente do País pelos sócios: "CLÁUSULA QUINTA — CAPITAL SOCIAL: O capital social é de R$ 100.000, 00 (cem mil reais) divididos em 1.000 (hum mil) quotas de capital no valor nominal de R$ 10, 00 (dez reais) cada uma, subscrita e já integralizadas, em moeda corrente do País, pelos sócios e distribuídas da seguinte forma: No que se refere ao questionamento expresso na planilha de fls. 1.505/1.511, há que se ressaltar que, uma vez que houve lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto com referência apenas ao mês de outubro de 2004, não se encontra em questão, eventual discordância quanto a recursos ou dispêndios de anos posteriores, posto que irrelevantes na solução do litígio existente no presente processo. Nesse sentido, em relação ao lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto do ano de 2004, não há razão para que seja discutida, por exemplo, a percepção de rendimentos de aluguel a partir do ano de 2005 (fl. 1.511), a pretensão de exclusão de cheque no mês de janeiro de 2005 e recebimento de empréstimo em fevereiro de 2005 (fls. 1.512/1.513). O Contribuinte aponta que não se pode considerar como dispêndio próprio valores que transitaram pela sua conta através de emissão de cheques, transferências que são de responsabilidades de terceiros. Aponta também que os recursos que transitaram pelas contas correntes não são todos recursos disponíveis, houve muitos saques e assim como recebimentos que necessariamente não passaram pelas contas correntes bancárias, pois o Contribuinte pessoa física não está obrigado a manter escrituração de toda a movimentação financeira. No Recurso Voluntário consta demonstrativo (fls. 1.497/1.498) que contempla os valores tributados duplamente por terem sido considerados como dispêndios e não representam gastos, consumo ou dispêndios do Contribuinte, mas sim gastos de terceiros. Ao mesmo tempo, no cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto não foi adicionado, ou Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 seja, foi deduzido dos recursos origens, valores considerados em duplicidade nos dispêndios no demonstrativo elaborado pela fiscalização. Conforme observou a 4ª Turma da DRJ/CTA: “quanto às deduções reputadas como indevidas, deveria o impugnante comprovar ou demonstrar estar caracterizado que: (1°) os valores utilizados no pagamento foram, necessariamente, excluídos do total de recursos/origens ou incluídos como dispêndios/aplicações; e (2°) caso comprovada uma das condições do item anterior, que inexistiriam de fato”. O Contribuinte, ao invés de produzir a prova acima, elaborou demonstrativo próprio (fls. 1.497/1.498) sem referência ao demonstrativo elaborado pela Autoridade Fiscal de forma a demonstrar efetivamente onde os valores apontados no demonstrativo de fls. 1.497/1.498 estariam gerando duplicidade de dispêndios. Ademais, o Contribuinte, a determinados valores, imputa serem despesas de terceiros, conforme demonstrativo de fls. 1.570 a 1.583. Todavia, o Contribuinte não produz prova neste sentido e nem argumenta porque estaria efetuando despesas de terceiros como sendo sua. Ainda suscita o "efeito cascata” ou bitributação ou tributação em duplicidade, o procedimento adotado pelo Contribuinte, onde pretendeu reverter suposta inclusão das deduções como dispêndidos no fluxo elaborado pala fiscalização, presumindo que as despesas alegadas lá se encontravam adicionadas, supostamente na movimentação bancárias encontrase equivocada. Isto porque a ilação de que as deduções glosadas deveriam ser extraídas do fluxo mensal, como se fossem origens de recursos, permitindo suposta acumulação mês a mês para justificar acréscimo patrimonial está equivocada. A glosa fiscal, por si só, não corresponde a uma negativa de existência de dispêndio, a ponto de ocasionar, por decorrência, a imediata exclusão do fluxo mensal. Conforme observado acima, o Contribuinte não produziu as provas necessárias para a verificação do possível “efeito cascata” conforme exigiu a DRJ/CTA: “quanto às deduções reputadas como indevidas, deveria o impugnante comprovar ou demonstrar estar caracterizado que: (1°) os valores utilizados no pagamento foram, necessariamente, excluídos do total de recursos/origens ou incluídos como dispêndios/aplicações; e (2°) caso comprovada uma das condições do item anterior, que inexistiriam de fato”. A 4ª Turma da DRJ/CTA analisou pontualmente as deduções alegadas demonstrando não haver o "efeito cascata” ou bitributação ou tributação em duplicidade: “a) a contribuição à previdência oficial teria sido descontada do salário, que foi computado pelo valor líquido no fluxo mensal; porém, ao contrário de comprovar a inexistência da contribuição discutida de R$ 12.151,50, o interessado a confirma à fl. 1259, não havendo ajuste a ser efetuado no fluxo patrimonial; b) as despesas médicas e as despesas com instrução não foram excluídas dos recursos/origens e nem adicionadas de forma apartada como dispêndios/aplicações; assim, caso estivessem incluídas nos dispêndios advindos da movimentação bancária, não se trataria de inexistência de dispêndio/aplicação, mas de mera indedutíbilidade; por conseguinte, não há que se falar em ajuste no fluxo patrimonial em relação a tais despesas, independentemente do tratamento fiscal no que se refere à dedutibilidade Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 11 19 Já quanto ao valor mensal de pensão alimentícia (R$ 1.800,00), a discussão é diversa, haja vista que foi, de fato, somado aos dispêndios (fls. 466/467). Nesse contexto, a exclusão pretendida, quanto a esse item, demandaria a comprovação da alegação de que referidos valores estavam contidos em outro item dos dispêndios. O impugnante limitase a alegar que esclareceu à fiscalização que os cheques e transferências considerados como dispêndios conteriam os valores da pensão alimentícia. O simples "esclarecimento" porém, não é suficiente à comprovação do fato. Constatase, em contrapartida, que os pagamentos de pensão alimentícia, de R$ 1.800,00 mensais, não se encontram evidenciados nos "Dispêndios Presentes nos Extratos Bancários", às fls. 508/528 ou nos "Dispêndios Consumidos via Cheques, DOCs, TEDs e Transferências", às fls. 582/584, mormente quando se coteja a movimentação financeira com os "recibos" apresentados à fiscalização, às fls. 381/386, não havendo, portanto, como se reconhecer a "duplicidade" aventada pelo impugnante.” Ainda, resta indevida a inclusão dos dispêndios consumidos, via cheques e DOC/TEDs, não identificados, como aplicações. Isso porque a fiscalização não logrou êxito em comprovar a natureza desses dispêndios (fls. 500). Confirase trecho do Termo de Verificação Fiscal (TVF): “O contribuinte, ao atender tal intimação, apresentou uma planilha desacompanhada de qualquer documentação comprobatória na qual coloca uma explicação sucinta para cada um dos lançamentos. Podese observar na lista das explicações que todas elas têm em comum o fato de que confirmam serem saídas de recursos do contribuinte para terceiros, pelas mais variadas razões. E em sendo saídas de recursos, dispêndios são.” Logo, tendo em vista que não houve a identificação da natureza dos dispêndios, há a aplicação da Súmula CARF nº 67, devendo tais dispêndios não serem considerados como aplicação para fins de apuração do acréscimo patrimonial a descoberto. Súmula CARF nº 67 – Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta as origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Desta feita, devem ser excluídos como dispêndios da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto o montante de R$ 239.649,31, conforme detalhado a seguir: Dispêndios via Cheques, DOCs, TEDs e Transferências Jan/2004 11.948,01 Jan/2005 16.924,22 Jan/2006 9.098,48 Jan/2007 4.504,35 Fev/2004 3.704,60 Fev/2005 6.284,17 Fev/2006 5.161,14 Fev/2007 4.941,18 Mar/2004 7.133,01 Mar/2005 9.666,05 Mar/2006 2.344,81 Mar/2007 1.785,14 Abr/2004 4.464,33 Abr/2005 4.677,47 Abr/2006 953,70 Abr/2007 1.500,00 Mai/2004 5.385,00 Mai/2005 4.876,79 Mai/2006 1.828,00 Mai/2007 100,00 Jun/2004 4.634,26 Jun/2005 8.399,00 Jun/2006 3.331,87 Jun/2007 1.760,00 Jul/2004 3.654,98 Jul/2005 7.110,22 Jul/2006 2.600,01 Jul/2007 6.771,63 Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 20 Ago/2004 9.484,78 Ago/2005 5.310,00 Ago/2006 4.831,98 Ago/2007 50,00 Set/2004 8.155,77 Set/2005 2.811,00 Set/2006 2.547,77 Set/2007 1.746,00 Out/2004 9.307,60 Out/2005 2.480,00 Out/2006 3.228,70 Out/2007 1.876,50 Nov/2004 12.108,65 Nov/2005 1.020,00 Nov/2006 2.343,38 Nov/ 2007 935,88 Dez/2004 14.704,00 Dez/2005 3.474,70 Dez/2006 7.384,68 Dez/2007 305,50 SUBTOTAL 1 94.684,99 SUBTOTAL 2 73.033,62 SUBTOTAL 3 45.654,52 SUBTOTAL 4 26.276,18 TOTAL (SUBTOTAL 1 + 2 + 3 + 4) 239.649,31 Pelo exposto, excluise como aplicação do acréscimo patrimonial a descoberto o montante de R$ R$ 239.649,31. II.2. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovadas O Contribuinte aduz que não há depósito bancário acima de R$ 12.000,00, portanto, se ultrapassou o limite anual de R$ 80.000,00, os depósitos bancários inferiores à R$ 12.000,00 não necessitam de comprovação. Em complemento argumenta que se o Contribuinte está obrigado a apresentar comprovantes de origem dos recursos da movimentação bancária apenas do que exceder os R$ 80.000,00 anuais, não seria justo ser tributado do total se não lograr êxito em justificar o excedente. Inicialmente cabe apontar que o Contribuinte está promovendo uma leitura equivocada do inciso II do parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº. 9.430/96 c/c art. 4º da Lei nº. 9.481/97: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (..._ II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente.” O inciso II susomencionado possui 02 (dois) limites, a saber: o primeiro limite são os valores menores ou iguais à R$ 12.000,00 e o segundo limite é o somatório anual inferior a R$ 80.000,00. Fl. 1608DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 12 21 Depreendese da redação do dispositivo legal que os depósitos com valores individuais inferiores à R$ 12.000,00 não serão utilizados para determinação da receita omitida, salvo se ultrapassarem R$ 80.000,00 ao ano. Fazendo uma leitura a contrario sensu, temse o seguinte: · Valores de depósitos individuais, de origem não comprovada, superiores à R$ 12.000,00 serão levados para determinação da receita omitida, independente do valor anual; e · Os valores de depósitos individuais, de origem não comprovada, inferiores à R$ 12.000,00 que ultrapassarem o limite anual de R$ 80.000,00 00 serão levados para determinação da receita omitida. Neste esteio, o Contribuinte, por ter ultrapassado o valor anual de R$ 80.000,00, deve comprovar a origem de todos os depósitos, inclusive aqueles com valores inferiores à R$ 12.000,00, sob pena de tais valores serem levados para determinação da receita omitida, conforme ocorrido no caso em concreto. O segundo argumento de que somente o valor que superar o limite de R$ 80.000,00 poderia ser levado à determinação da receita omitida não encontra guarida no ordenamento jurídico pátrio. O inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº. 9.430/96 não objetiva trazer um limite de isenção para omissão de receita decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, mas sim criar um parâmetro razoável de movimentação financeira injustificada para as pessoas físicas. Porém, se a movimentação ultrapassar o limite estipulado em Lei, considerase como receita o valor total e não apenas aquele que exceder o limite. Ademais o dispositivo legal preceitua exatamente o contrário, determina que os depósitos individuais inferiores à R$ 12.000,00 deverão ser levados para determinação da receita omitida caso o somatório dos valores destes mesmos depósitos supere o valor de R$ 80.000,00 ao ano. Prosseguindo, o Contribuinte se insurge contra a decisão da 4ª Turma da DRJ/CTA que compreendeu não ser bastante e suficiente para ilidir a presunção de omissão de receita decorrente de depósito bancário não comprovados, a simples indicação da fonte pagadora do crédito. A DRJ/CTA observou que além de indicar a fonte pagadora do crédito, o Contribuinte deve identificar a natureza jurídica da origem dos recursos, acompanhada de documentação indispensável que a descaracterize como sendo uma aquisição de disponibilidade econômica para fins de imposto de renda. Conforme se retira da Lei nº 9.430/96 a omissão de receita é gênero que pode ser caracterizada por várias espécies: (i) falta de escrituração de pagamentos (art. 40), (ii) levantamento quantitativo por espécie (art. 41) e (iii) depósitos bancários (art. 42). Logo, comprovar a origem dos depósitos bancários significa comprovar a natureza do depósito, com vistas a aferir se o mesmo se caracteriza como renda tributável para fins do imposto de renda. Ou melhor, implica em comprovar se os depósitos representam disponibilidade econômica para o contribuinte, para verificar se os depósitos já foram Fl. 1609DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 22 oferecidos à tributação, seja na DIRPF , seja exclusivamente na fonte, ou ainda de que estariam amparados por isenção. Na doutrina Edmar Oliveira Andrade Filho aponta a necessidade de demonstração de que os valores com origem comprovada já foram oferecidos à tributação: “O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas específicas, prevista na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” (ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira, Imposto de Renda da Empresas. 10ª edição. São Paulo: Atlas, 2013. Pág. 191.) No ponto referente aos contratos de mútuo com as sociedades Royalty Contábeis S/C LTDA e Republick Agropecuária LTDA a análise da 4ª Turma da DRJ/CTA que afasta os referidos contratos foi minuciosa demonstrando a falta de credibilidade dos documentos colacionados pelo Contribuinte quando desacompanhados de outros documentos de provas ao observar que: § O “contrato de gaveta” da Royalty Contábeis não produz efeitos para terceiros por não atender o art. 221 do CC. § Estreita relação do Contribuinte com as sociedades. § Diante da ausência de instrumento contratual formal a existência do mútuo com a sociedade Republick Agropecuária LTDA que deveria ser comprovada pelos livros da referida sociedade. § As pretensas escriturações que teriam sido realizadas, contemplando, coincidentemente, os depósitos bancários questionados. § Em relação à quase totalidade dos depósitos bancários creditados em conta do recorrente não há sequer comprovação de que os recursos seriam provenientes das alegadas pessoas jurídicas. § A contabilidade da Royalty Contábeis S/C LTDA não reflete as informações que a pessoa jurídica prestou por meio da DIPJ dos anos correspondentes. § As DIPJ’s foram retificadas logo após início do presente procedimento administrativo fiscal , que mesmo assim não reflete a contabilidade dos livros apresentados. § As anotações do Registro de título e documentos no livro diário datam de 09.12.09, data posterior a ciência do auto de infração. § Se verdadeira a escrituração apresentada, o Contribuinte encontrarseia em débito com a pessoa jurídica ao final dos anos de 2003 a 2006 em valores que não constaram de suas declarações de pessoa física. § Segundo a contabilização arguida, o Contribuinte teria "recebido" recursos provenientes da pessoa jurídica muito superiores aos lucros Fl. 1610DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 13 23 distribuídos aos supostos sócios além de comparáveis ou superiores às próprias receitas da pessoa jurídica. Uma vez que o Contribuinte não produz novas provas para ilidir a análise da 4ª Turma da DRJ/CTA nem se insurge contra as conclusões galgadas pelo referido acórdão, bem como considerando que a análise da DRJ/CTA foi precisa quanto aos aspectos que envolvem as operações de mútuo, resta concluído que a argumentação e provas produzidas pelo Contribuinte não foram suficientes para justificar que parte dos depósitos bancários referemse a operações de mútuo firmadas no âmbito familiar e com empresa na qual possui interesse pessoal. Pelo exposto, mantémse o lançamento quanto a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. II.3. Deduções da Base de Cálculo Quanto às deduções da base de cálculo pleiteada indevidamente, o Contribuinte reproduz a Impugnação aduzindo que continua insistindo na dedução total das despesas de planos de saúde e das despesas médicas, bem como que continua na busca dos demais recibos das despesas deduzidas da base de cálcuo do IRPF. Uma vez que o Contribuinte não impugna os fundamentos do acórdão recorrido e nem colaciona novos documentos que comprovem o efetivo desembolso das despesas glosadas para efeitos de dedução da base de cálculo do imposto, mantémse o auto de infração na forma do acordão recorrido. No que concerne a glosa de parte dos valores pagos à Fundação Assistencial dos Servidores do Ministério da Fazenda – Assefaz, por abranger matéria de direito e não probatória passase a análise. A 4ª Turma da DRJ/CTA afastou parte dos valores pagos à Assefaz, pois parte do valor pago referese as mensalidades relacionadas à “contribuição mensal que compreendem serviços de caráter associativo, como centros de lazer, convênios para seguros de vida e descontos comerciais, programas e eventos culturais”, conforme relatado pela DRJ/CTA com base no sítio da fundação na Rede Mundial de Comunicação. Somente as despesas com o plano de saúde se subsumem no disposto no art. 8º, §2º, I da Lei n. 9.250/95 e no art. 8º, §1º, a da Lei nº 8.134/90: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º O disposto na alínea a do inciso II: Fl. 1611DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 24 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza;” “Art. 8° Na declaração anual (art. 9°), poderão ser deduzidos: I os pagamentos feitos, no anobase, a médicos, dentistas, psicólogos,/ fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; § 1° O disposto no inciso I deste artigo: a) aplicase também aos pagamentos feitos a empresas brasileiras, ou autorizadas a funcionar no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização e cuidados médicos e dentários, e a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas de natureza médica, odontológica e hospitalar” Neste diapasão mantémse a glosa dos valores pagos a Assefaz que não correspondam as despesas de cobertura médica. II.5. Multa Qualificada O Contribuinte aponta que o Auto de Infração foi omisso na descrição dos fatos, bem como na vinculação dos procedimentos praticados pelo Contribuinte aos dispositivos legais que ensejaram a qualificação da multa. Tal descrição e vinculação apenas foi realizada no acórdão da 4ª Turma da DRJ/CTA, o que importaria em mudança de critério jurídico quanto à qualificação da multa. A argumentação apontada pelo Contribuinte é procedente. Conforme apontado acima, a Autoridade Lançadora com base simplesmente na constatação do acréscimo patrimonial a descoberto compreendeu haver sonegação, seguindo o mesmo raciocínio para a omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, conforme se retira do item 4 do TVF às fls. 505: “Em um lançamento de variação patrimonial a descoberto é evidente a qualificação da multa, pela sonegação, no lançamento de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada que serviram para cobrir estar variação patrimonial a descoberto a consequência lógica é o que o tratamento seja o mesmo.” O Termo de Verificação Fiscal (TVF) não elencou quais condutas do Contribuinte configuravam a sonegação, respaldando a argumentação do Contribuinte quanto a omissão do TVF em descrever as condutas que levaram a qualificação da multa por sonegação. A 4ª TURMA DA DRJ/CTA às fls. 1.458 e 1.459 aponta dois procedimentos adotados pelo Contribuinte que ensejaram a qualificação da multa: “(i) Também se percebe em relação à integralização de capital na empresa ORGANIKOS AGROPECUÁRIA LTDA, à qual pode ser atribuído o acréscimo patrimonial a descoberto apurado no mês de outubro de 2004, à fl. 467 (sem esse dispêndio, de R$ 85.000,00, o acréscimo patrimonial a descoberto seria absorvido pela omissão de depósitos bancários), que houve por parte do contribuinte a aparente tentativa de não evidenciála na declaração de ajuste anual do anocalendário 2004, na medida em que, da mesma forma que indicou uma integralização de capital de R$ 125.000,00 na relação de bens e direitos (fl. 08), registrou "dívida e ônus" com a descrição inespecífica de "C/C ORGANIKOS AGROPECUÁRIA LTDA" de R$ 100.000,00 (fl. 09), sendo que o interessado, na Fl. 1612DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10907.002048/200949 Acórdão n.º 2201002.297 S2C2T1 Fl. 14 25 impugnação, sequer mencionou a existência dessa "dívida". Vale dizer, a declaração teria sido confeccionada de forma a não evidenciar a variação a descoberto, baseandose em dívida inexistente de fato. Acrescentese, a respeito, que a pretensa contabilidade da empresa ORGANIKOS AGROPECUÁRIA LTDA, que indicaria um saldo de obrigação da pessoa física de R$ 56.268,00 em 31/12/2004 (fls. 677 e 708), além de não confirmar o valor de dívida inserido na declaração, não foi considerada, consoante tópico deste voto relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto, elemento hábil de prova, posto que não caracterizada efetivamente a assunção daquela obrigação do contribuinte perante a pessoa jurídica. (ii) Acrescentese o fato de não restarem comprovados os supostos recebimentos alegados para justificar os depósitos bancários, muito menos a sua natureza não tributária, pretensamente imputados a empréstimos de pessoas jurídicas intimamente relacionadas ao contribuinte, como antes analisado. Nesse contexto, na medida em que se . considera, por falta de comprovação de sua materialidade, que não houve os recebimentos de mútuos, constatase que tal informação foi utilizada exatamente para acobertar a percepção de rendimentos tributáveis omitidos, que vieram a ser evidenciados pelo lançamento de depósitos bancários. Ou seja, não obstante a constatação de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada decorra de presunção legal, acabou por recair, no caso concreto, sobre valores que o contribuinte pretendeu, sistemática e reiteradamente, encobrir sob a não comprovada tese de mútuos, revelando a omissão de valores expressivos de rendimentos.” A 4ª TURMA DA DRJ/CTA relatou a conduta do Contribuinte atribuindo lhe um juízo de valor, onde as declarações do Contribuinte na DIRPF quanto ao valor do capital a integralizar, dívida com Organikos Agropecuária LTDA e empréstimo obtido junto a pessoas jurídicas, não condiziam com a realidade, objetivando unicamente não evidenciar receitas sujeitas a incidência do imposto. Todavia, a individualização da conduta do Contribuinte que configuraria sonegação ou fraude, foi levantada unicamente pela 4ª turma da DRJ/CTA, importando em nítida inovação, diante da omissão do Termo de Verificação Fiscal. Na Impugnação o Contribuinte levanta os fatos descritos pela DRJ/CTA no intuito de justificar a origem dos depósitos e ilidir a caracterização de acréscimo patrimonial a descoberto e não com o objetivo de se defender da imputação de fraude ou sonegação, fato que compromete a ampla defesa e o contraditório, pois o Contribuinte não foi instado pelo Auto de Infração a se defender dos referidos pontos a título de sonegação. Ressaltese que a 4ª turma da DRJ/CTA identificou, nos procedimentos do Contribuinte, não só a figura da sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64), mas também a existência de fraude (art. 72 da Lei nº 4.502/64). Nesta senda, o acórdão recorrido ao acrescentar a fraude incorreu também em inovação do critério jurídico. Pelo exposto verificase que o acórdão recorrido inovou ao incluir como fundamento da qualificação da multa de ofício, a fraude, bem como ao tomar como base para caracterização da sonegação os valores declarados a título de integralização de capital, a dívida sob a rubrica de C/C Organikos Agropecuária LTDA e os empréstimos de pessoas jurídicas intimamente ligadas ao Contribuinte que não foram aduzidos na Impugnação. O critério jurídico adotado no lançamento não poder modificado em relação ao mesmo Contribuinte para fatos geradores já consumados, do contrário terseá violação do preceito estatuído no art. 146 do CTN, bem como comprometimento da ampla defesa e contraditório. Fl. 1613DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 26 No que concerne ao fundamento para qualificação da multa com base no lapso temporal do comportamento do Contribuinte e na própria caracterização do acréscimo patrimonial descoberto e da omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada levantas pela Autoridade Lançadora e confirmado pela DRJ/CTA, já se observou no tópico referente ao prazo decadencial que o referido fundamento não seria bastante e suficiente para caracterizar a sonegação contida no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Ademais a presente Corte Administrativa através do enunciado nº 14 da Súmula do CARF já pacificou o entendimento de que a simples apuração de omissão de receita por si só não autoriza a qualificação da multa de ofício: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Na mesma linha, porém mais específico para depósitos bancários de origem não comprovada, o enunciado nº 25 da Súmula CARF dispõe: “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.” Pelo exposto acolhe o pedido para afastar a qualificação da multa de ofício reduzindo a multa de 150% para 75%. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e de realização de diligência/perícia e acolher a preliminar de decadência, relativamente ao anocalendário de 2003. No mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor de R$ 239.649,31 e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, nas infrações em que a penalidade foi exasperada. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Relatora Fl. 1614DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 19/02/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.006812/2008-87
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
JUROS MORATÓRIOS. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA.
Para garantir a isenção dos juros de mora recebidos em reclamatória trabalhista é preciso que esta se refira às verbas decorrentes da perda do emprego, o que não ficou demonstrado no caso dos presentes autos.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator), que dava provimento parcial em menor extensão, e o Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negava provimento por entender que o entendimento do Resp 1.118.429/SP somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior, Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. Para garantir a isenção dos juros de mora recebidos em reclamatória trabalhista é preciso que esta se refira às verbas decorrentes da perda do emprego, o que não ficou demonstrado no caso dos presentes autos. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Recurso voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 68 12 /2 00 8- 87 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencidos o Conselheiro Jaci de Assis Júnior (relator), que dava provimento parcial em menor extensão, e o Conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negava provimento por entender que o entendimento do Resp 1.118.429/SP somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior, Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Por descrever bem os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância, fls. 36 a 38, que reproduzo a seguir: “Trata o processo de impugnação à Notificação de Lançamento de fls. 25 a 29, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA correspondente ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, que exige R$ 554,31 de Imposto de Renda suplementar, R$415,73 de multa de ofício e R$ 353,92 de juros de mora, em virtude de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. 2. Segundo o relatório Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 26 e 27, da análise das informações e documentos apresentados pela contribuinte e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, constatouse a omissão de rendimentos tributáveis, no montante de R$24.579,44, recebidos em ação trabalhista promovida contra a empresa Rodobens Administração e Promoções Ltda, CNPJ nº 51.855.716/002740. 3. O presente relatório fiscal também informa que, segundo os "cálculos periciais constantes nas fls 749/752 e 756/759 do processo trabalhista constatouse que 13,12% dos rendimentos são isentos, que 6,31% dos rendimentos são de tributação exclusiva na fonte e que 80,57% são tributáveis no ajuste anual." Além do mais, foram "considerados isentos os seguintes rendimentos originais: FGTS, reflexos nas verbas em aviso prévio e indenização art. 9º Lei 6.708/79. Foram considerados exclusivos na fonte os rendimentos referentes ao décimo terceiro." 4. Cientificado do lançamento em 11/12/08, segundo consulta de postagem de fl. 31, o contribuinte ingressou com a impugnação tempestiva de fls. 01 a 18, em 30/12/08, alegando, em síntese, que: a) nos termos do art. 121, § único, inciso II, do Código Tributário Nacional, e do art. 103 do DecretoLei n° 5.844/43, a fonte pagadora é a única responsável pelo recolhimento do Imposto de Renda ora recorrido; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10930.006812/200887 Acórdão n.º 2802002.865 S2TE02 Fl. 83 3 b) "os juros de mora têm nítido caráter indenizatório [...], razão pela qual não configuram acréscimo patrimonial para fins do art. 43 do CTN, ou seja, estão fora da zona de incidência do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, ficando, pois, inconsistente a hipótese de se manter a incidência de imposto de renda sobre a parcela de juros de mora."; c) nos termos da Súmula 125 do STJ, férias não gozadas não estão sujeita a incidência de Imposto de Renda, dessa forma, "não deve haver tributação sobre férias e 1/3 de férias."; d) a taxa Selic possui natureza remuneratória e sua utilização "desobedece a regra contida nos artigos 161, § 1º do CTN." Dessa forma, deve ser utilizada para cálculo dos juros de mora a taxa de 1% ao mês; e) a multa aplicada de 75% "tem caráter confiscatório, o que é totalmente inconstitucional", além de violar os princípios da legalidade tributária e da capacidade contributiva. Além do mais, o contribuinte não agiu com máfé ou dolo. A DRJ em Curitiba/PR julgou improcedente a impugnação para afastar a alegação de que o Imposto de Renda ora lançado deveria ser atribuído à fonte pagadora, uma vez que o lançamento em questão diz respeito ao descumprimento de uma obrigação tributária exclusiva do Impugnante. Em relação aos rendimentos recebidos a título de juros de mora argumentou a decisão de primeira instância que “os juros (moratórios ou compensatórios) são qualificados, pela legislação, como rendimentos tributáveis e devem integrar a base de cálculo do Imposto de Renda”. Quanto à Sumula 125 citada pela defesa, ficou estabelecido que esta “representa apenas um entendimento consolidado no STJ acerca dessa questão e não tem força de lei”. A DRJ ressaltou, ainda, que “o Impugnante não instruiu sua defesa com qualquer documento da ação trabalhista capaz de demonstrar que os rendimentos recebidos se referem a férias não gozadas, restando, pois, não amparado esse item da defesa”. Ao final, desconsiderou as alegações apresentadas em relação à exigência de multa de ofício e dos juros de mora, ao argumento de que estas decorrem de expressa previsão legal. Cientificado da decisão de primeira instância em 10/06/2011, fls. 46, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 48/74, em 06/07/2011, no qual reitera as alegações e argumentos da impugnação. O processo foi incluído na pauta da sessão realizada em 19 de setembro de 2012, tendo a 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 2ª Seção proferido a Resolução nº 2201 000.104, que, por unanimidade de votos, sobrestou o julgamento nos termos do §1º do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 que aprovou o Regimento Interno do CARF RICARF c/c Portaria CARF nº 01/2012, fls. 79 a 81. Tendo em vista que a Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogou os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do RICARF, o presente processo foi novamente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Vencido Fl. 84DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 4 Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A infração contestada se refere à omissão de rendimentos correspondente às verbas recebidas acumuladamente em ação trabalhista movida pelo contribuinte contra sua fonte pagadora. O contribuinte alega que os juros de mora recebidos em virtude dessa ação constituem verba indenizatória. O artigo 55, XIV, do Decreto nº 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999) dispõe expressamente que os juros moratórios e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento integram os rendimentos tributáveis recebidos com atraso: “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” Uma vez que se trata de juros moratórios, é de se aplicar, com fulcro no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 2010, o decidido por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28/09/2011, pela não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Contudo, é preciso esclarecer que, para que se aplique à hipótese o entendimento ventilado no referido Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, tornase necessário que dos autos fique evidenciado que se trata de verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. Sobre tal aspecto, o próprio o STJ esclareceu que o precedente em questão somente se aplica à hipótese em que a verba principal (trabalhista), sobre a qual incidiram os juros moratórios, tiver natureza indenizatória, a teor da seguinte ementa proferida em julgamento realizado em 14/03/2012, nos autos do RESP 1.163.490/SC: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros Fl. 85DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10930.006812/200887 Acórdão n.º 2802002.865 S2TE02 Fl. 84 5 de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1163490/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/03/2012, DJe 21/03/2012) O julgado demonstra a tese verdadeiramente firmada no Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, qual seja: o imposto de renda não incide sobre os juros quando a verba trabalhista possui natureza indenizatória, nas situações em que o trabalhador perde o emprego ou quando a verba principal é isenta ou está fora do campo de incidência do IR. É bom lembrar que o julgamento, apesar de não ter se dado no rito dos recursos repetitivos previsto pelo artigo 543C do CPC, fixou interpretação para o precedente em recurso representativo da controvérsia (REsp nº 1.227.133), a fim de orientar os tribunais de segunda instância. Em seu voto, o relator, ministro Mauro Campbell Marques, destacou que a regra geral (prevista no artigo 16, caput e parágrafo único, da Lei nº 4.506/64) é a incidência do IR sobre os juros de mora, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória. Entretanto, segundo o ministro, há duas exceções. A primeira: são isentos de IR os juros de mora pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. A segunda: quando incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (segundo a regra de que o acessório segue o principal). Nessas situações, os juros de mora incidentes sobre as verbas pagas ao trabalhador em decorrência da perda do emprego são isentos de tributação, independentemente da natureza jurídica da verba principal (remuneratória ou indenizatória) e mesmo que essa verba principal não seja isenta. Concluise, pois, que para garantir a isenção em reclamatória trabalhista é preciso que esta se refira às verbas decorrentes da perda do emprego e/ou se configurem isentas do imposto de renda, conforme já decidiu o STJ no julgamento do REsp nº 1.227.133. Como no caso dos presentes autos, embora tratarse de ação reclamatória trabalhista, o contribuinte não apresentou nenhum elemento documental que evidenciasse a natureza das respectivas verbas, razão pela qual não ficou configurado que os valores recebidos a título de juros moratórios sejam isentos. Pelo mesmo motivo de falta de comprovação documental, não há como acatar a alegação apresentada acerca da aplicação do enunciado constante da Súmula 125 do STJ, no sentido de que sobre o valor das férias não gozadas não está sujeito à incidência de Imposto de Renda. No que diz respeito ao lançamento referente à omissão de rendimentos, de acordo com a Notificação de Lançamento, ficou constatado que o valor tributável recebido pelo contribuinte em razão da ação trabalhista totalizou R$24.579,44. Por corresponder a verbas Fl. 86DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 6 trabalhistas recebidas de forma acumulada, há que se observar que o Superior Tribunal de Justiça, examinando o recurso repetitivo representativo de controvérsia (Resp 1.118.429/SP), sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, proferiu o Acórdão, cuja ementa se encontra assim redigida: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010 Uma vez que se trata de decisão definitiva de mérito, proferida na sistemática prevista no art. 543C do CPC, no âmbito do CARF, cabe o exame da sua reprodução no julgamento do recurso voluntário, ora interposto pelo contribuinte, consoante estabelece o citado art. 62A do RICARF. Para tanto, devese levar em conta o conteúdo das provas trazidas pelo contribuinte com vistas a evidenciar que lhe seria mais favorável o imposto calculado segundo as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejamos, pois, como foi formado o conteúdo probatório que integram os presentes autos: Consta descrito no voto condutor do acórdão de primeira instância o contribuinte não instruiu os autos com os elementos comprobatórios das verbas trabalhista recebidas em razão de sentença que lhe foi favorável em processo judicial trabalhista. Por outro lado, depreendese que o lançamento incorreu em erro na apuração do montante do tributo devido, haja vista que a alíquota de imposto que deveria ter sido aplicada sobre a base de cálculo apurada pela fiscalização deveria corresponder àquela prevista nas respectivas tabelas progressivas vigentes à época em que os valores das verbas trabalhistas deveriam ter sido adimplidos. Diante dessas circunstâncias, entendo que se aplica ao caso as disposições expressas no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, com redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, abaixo reproduzido, cabendo o retorno destes autos à Repartição de origem para que a autoridade lançadora proceda a revisão do ofício do lançamento para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário: “Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004 ) I....................................................................................................... Fl. 87DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10930.006812/200887 Acórdão n.º 2802002.865 S2TE02 Fl. 85 7 ........................................................................................................ IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) §1º.................................................................................................. ......................................................................................................... § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013) Observese que a determinação de revisão de ofício do lançamento se deve ao fato de o vício contido no lançamento se caracterizar mero erro na aplicação da alíquota do imposto de renda. Nesse caso, não se pode afirmar categoricamente que tal providência configure hipótese de mudança de critério jurídico de lançamento, hipótese essa que vedada a alteração de ofício do lançamento pelo art. 146 do Código Tributário Nacional CTN. Isso porque, segundo ensinamento de Hugo de Brito Machado, em seu livro Curso de Direito Tributário1, uma das hipóteses de mudança de critério jurídico acontece “quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta”. Outra hipótese mencionada pelo renomado autor está relacionada ao fato de “a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante escolha de outras das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado”. Descartada a existência da segunda hipótese de mudança de critério jurídico ao caso examinado nos presentes autos, haja vista que o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não define nenhuma alternativa para a feitura do lançamento, resta a verificação da ocorrência da primeira hipótese prevista pelo mencionado doutrinador, transcrita anteriormente. Nesse caso, entendo que a situação descrita pela doutrina parte do princípio de existência prévia de duas interpretações e que ambas sejam corretas. Ocorre que tal situação diverge da examinada nos presentes autos, pois, havia uma interpretação original que orientou os lançamentos realizados pela Secretaria da Receita Federal – RFB e outra, única que se 1 Machado, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário, 12ª /edução, Malheiros, 1997, p 123 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 8 reputa correta, advinda posteriormente, em face da decisão firmada pelo STJ no acórdão que solucionou o REsp 1.118.429/SP, proferido na sistemática prevista no art. 543C do CPC. Diante disso, forçoso concluir pela inexistência da ocorrência de mudança de critério jurídico no caso concreto dos presentes autos, mesmo porque a revisão de ofício prevista no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, não importa em prejuízo ao contribuinte, haja vista que a existência de determinação expressa no sentido de que a alteração do crédito tributário deverá ser procedida “total ou parcialmente”. Portanto, não se cogita da hipótese de majorar a exigência tributária originalmente lançada, procedimento esse que, de fato, desguarneceria o direito do contribuinte em relação ao lançamento já realizado. Também não se pode dizer que a mencionada revisão de ofício venha caracterizar mudança de critério jurídico por afetar substancialmente o lançamento, prejudicando a quantificação da base de cálculo. Isso porque, entendo que para a aplicação do entendimento firmado pelo STJ basta simplesmente pesquisar quais as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido adimplidos pela fonte pagadora ao contribuinte. Identificada essas tabelas, o próximo passo deve ser dado em direção à verificação da alíquota aplicável em função do resultado obtido a partir do somatório desses rendimentos com aqueles efetivamente auferidos nessa mesma época. Cumprida essa etapa, basta aplicar o percentual correspondente sobre o valor da omissão de rendimentos apurada pelo lançamento de ofício, observada a dedução da parcela de isenção equivalente à respectiva faixa de rendimentos prevista nas tabelas progressivas. Fica evidente que a revisão de ofício realizada nesses termos não importa em alteração da base de cálculo apurada pelo Fisco, haja vista que a operação de apuração do somatório dos rendimentos efetivamente auferidos com os rendimentos omitidos se presta apenas para a identificação da faixa de rendimentos prevista na tabela progressiva e, por via de consequência, da alíquota a ser aplicada tão somente sobre a base de cálculo representada pelo rendimento considerado omitido. Em outras palavras, não se exigirá na revisão de ofício o tributo por ventura apurado em função da alteração da alíquota que deveria ter sido aplicada sobre os rendimentos originalmente declarados. Daí a razão pela qual a revisão de ofício comentada não interfere na base de cálculo apurada pela Notificação de Lançamento. Em suma, à vista do entendimento firmado pelo STJ ao art. 12, da Lei nº 7.713, de 1988, o procedimento de revisão de ofício determinado no § 7º, do art. 19, da Lei nº 10.522, de 2002, requer senão que se recalcule o tributo devido, incidente sobre a omissão de rendimentos constatada pelo Fisco, com base nas tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao interessado. Alegou o contribuinte, ainda, que a multa aplicada seria confiscatória. A esse respeito, observese primeiramente que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. Observese, ainda, que não compete ao CARF deliberar acerca das alegações de violação aos princípios constitucionais, tal como disposto na Súmula CARF nº 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10930.006812/200887 Acórdão n.º 2802002.865 S2TE02 Fl. 86 9 Assim, não há que se falar em confisco com relação à multa aplicada de 75% prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Sobre a contestação da exigência de Juros SELIC, observese que a Súmula nº 4 do CARF reconhece que os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, correta a aplicação da taxa referencial SELIC para títulos federais sobre o débito tributário apurado pelo lançamento fiscal. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para que os presentes autos retornem à unidade de origem da RFB, para que esta, em procedimento de revisão de ofício, aplique sobre a matéria tributada a título de omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista as alíquotas vigentes à época em que os valores dos rendimentos deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Não obstante o muito bem estruturado voto do Conselheiro Relator, divirjo, exclusivamente, em relação à espécie de provimento a ser dada ao caso, como conseqüência da definição da forma de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente. Explico com base no entendimento que tenho exposto nos demais julgados que trataram da mesma questão. O Colegiado entendeu que deve ser aplicada a interpretação do art. 12 da lei 7.713/1988 segundo a qual o cálculo do imposto deve levar em conta as tabelas e alíquotas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao contribuinte. Diversamente, o lançamento adotou a interpretação do dispositivo legal que corresponde ao regime de caixa sobre o montante recebido acumuladamente. Não compartilho do entendimento de que o vício contido no lançamento pode ser resumido em um mero erro na aplicação da alíquota. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, a autoridade fiscal empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 10 A solução proposta pela Relator não somente reduz a questão à correção da alíquota como também utiliza uma fórmula de apuração em que a base de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente é definida independente do ajuste anual. Todavia, o Ajuste Anual é a regra para os rendimentos da pessoa física e não consta da interpretação dada pelo STJ que essa sistemática (ajuste anual) tenha sido afastada. A título de exemplo, cito trecho do Parecer PGFN/CAT Nº 815/2010 que no intuito de solucionar inúmeras dúvidas da expostas pela Secretaria da Receita Federal indicou a forma de cálculo que o Fisco deveria adotar à época em que vigoraram os Pareceres da PGFN que autorizavam as revisões de ofício com base na jurisprudência do STJ: 100. Temse, assim, nos termos acima fixados, conjunto de soluções para implemento concreto das decisões do Superior Tribunal de Justiça em âmbito de rendimentos acumulados. Concluise: a) Deve a Administração proceder aos cálculos de imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumuladamente recebidos segundo o regime de competência, seguindose às decisões do Superior Tribunal de Justiça, bem como se levando em conta a negativa do Supremo Tribunal Federal em conferir repercussão geral à matéria, a par de recente decisão do Tribunal Regional da 4ª Região, que definiu pela inconstitucionalidade de regra que possibilitaria utilização de regime de caixa, no cômputo dos valores de que trata a presente manifestação; b) A recomposição do valor tributável à época deve ser aplicada apenas na hipótese de a RFB possuir os dados necessários devendo por sua vez disponibilizar os referidos dados ao contribuinte para que este espontaneamente possa também verificar o valor do imposto devido. c) Nesses casos, devese somar os valores originalmente reconhecidos com os valores posteriormente recebidos, de uma única vez, de modo que se tenha uma nova base de cálculo. d) Nas situações em que a RFB não disponha dos referidos dados para recomposição da base de cálculo, devese tãosomente aplicar as tabelas da época em face de valores supervenientemente recebidos. e) Assim, simplesmente, desprezandose o que no passado foi recebido pelo interessado, contabilizamse, exclusivamente, valores posteriormente recebidos, à luz de tabelas originais.; f) O valor do imposto deve ser calculado resgatandose o valor original da base de cálculo declarada pelo sujeito passivo em sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao ano a que o rendimento corresponde (A), e adicionandose o valor do rendimento recebido acumuladamente (excluídos as atualizações monetárias e juros, conforme item 83, e as parcelas mencionadas nos itens 84 e 85) (B), e chegandose ao valor da base de cálculo que seria declarada se o rendimento tivesse sido percebido na época própria (C). Sobre esta base de cálculo e, tomando se em conta a tabela progressiva vigente na época a que o rendimento corresponde, calculase o imposto correspondente (D). g) Os juros moratórios devem ser tributados, quando da recomposição dos valores resultar em imposto a pagar, devendose os cálculos serem efetuados com base no período de recebimento e juntamente com outros rendimentos do período. Pelo conjunto de razões acima expostas, entendo que a manutenção da exigência representaria um novo lançamento com outro critério jurídico. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO Processo nº 10930.006812/200887 Acórdão n.º 2802002.865 S2TE02 Fl. 87 11 Ocorre que não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO 12 de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) O Relator amparase em entendimento doutrinário controvertido acerca da interpretação do art. 146 do CTN2 para justificar que não haveria mudança de critério jurídico. Ressaltase que a razão subjacente à norma insculpida no referido dispositivo do CTN é a segurança dos direitos individuais do contribuinte. Se entenderse – à guiza de argumentação – que, em relação ao fatos já ocorridos, não seria possível alterar um critério certo por outro igualmente certo, com muita mais razão, em relação a fatos já ocorridos, seria vedada a mudança de um critério errado por outro certo. O Relator defende a revisão de ofício do lançamento. Todavia, a possibilidade de revisão de ofício do lançamento encontra, no mínimo, óbice no parágrafo único do art. 149, uma vez que o prazo decadencial já teria sido ultrapassado. Nos demais pontos, acompanho integralmente o relator. A única infração autuada foi a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso 2 São exemplos da referida divergência na doutrina: CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário 17 ed. Saraiva, São Paulo, 2005. p. 427; AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13 ed. Saraiva, São Paulo, 2007, p. 351 e ss. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARD OSO
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000478/2004-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO CONTENDO DADOS CONTRADITÓRIOS. DESCONHECIMENTO.
Há que não se conhecer do laudo técnico contendo dados alusivos à Área de Preservação Permanente e à Área Total do Imóvel, divergentes dos constantes em Certidão do Registro de Imóveis, da DITR e, ainda, do ADA.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2101-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, por ausência de omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
EDITADO EM: 24/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy .
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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CABIMENTO. Serão cabíveis Embargos de Declaração sempre que a decisão embargada albergar em seu bojo alguma espécie de omissão, contradição e/ou obscuridade. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO CONTENDO DADOS CONTRADITÓRIOS. DESCONHECIMENTO. Há que não se conhecer do laudo técnico contendo dados alusivos à Área de Preservação Permanente e à Área Total do Imóvel, divergentes dos constantes em Certidão do Registro de Imóveis, da DITR e, ainda, do ADA. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, por ausência de omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. EDITADO EM: 24/01/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 00 04 78 /2 00 4- 18 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy . Relatório Cuida o presente processo de Auto de Infração alusivo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, referente ao exercício de 2000, por meio do qual se exige do contribuinte o crédito tributário de R$ 420.464,83 mais cominações legais. O lançamento é decorrente da falta de recolhimento do ITR, em decorrência da glosa de áreas declaradas exclusas da tributação à título de Área de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, e da subavaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, consoante procedimentos de auditoria interna de Malhas da SRF. A 1ª Turma da DRJ em Recife (PE), ao apreciar a impugnação apresentada pelo contribuinte, considerou procedente o lançamento, conforme Acórdão de fls. 156/166. Apresentado o Recurso Voluntário de fls. 170/175, o processo veio a ser julgado pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara Terceira Seção de Julgamento/CARF, em 21 de maio de 2009, consoante Acórdão nº 320100.130, fls. 210/227, no qual, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao recurso para afastar da exigência a glosa das áreas de preservação permanente equivalentes a 19.998,00 há, com base no ADA protocolado em 22/10/2004. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, arguindo que “pela análise dos autos verificase que a autuada para comprovar a existência de área não tributável, juntou Laudo Técnico onde consta que a área de preservação permanente é de apenas 4.715,29 há (fls. 11 e 38).” De consequência a PGFN requer manifestação quanto à contradição caracterizada pela quantidade de 19.998 ha admitida como APPe a quantidade comprovada em laudo de 4.715,29 ha. Os embargos foram admitidos, pois se constatou a contradição apontada. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Os embargos são tempestivos e atendem às demais condições de admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos. Efetivamente não há omissão no acórdão, uma vez que o laudo em questão apresenta como dados do imóvel, áreas distintas das áreas declaradas na DITR — 2004 e que este imóvel pertence atualmente, à empresa Amazônia Projetos Ecológicos LTDA CNPJ: 04.142.649/000106, conforme reconhecido pela própria autoridade lançadora (fl. 50). Portanto, tal laudo não foi utilizado nem pela autoridade lançadora, nem pela Recorrente. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10215.000478/200418 Acórdão n.º 2101002.380 S2C1T1 Fl. 237 3 Diante do exposto e da ausência de omissão do acórdão embargado, rejeito os embargos. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 238DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13005.722428/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. A lei somente autoriza o crédito decorrente de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, e não permite a interpretação de que gerariam créditos todos os dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica visando à obtenção de receita.
COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. GLOSA DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não subsiste a glosa quando a autoridade fiscal deixa de expor as razões para não admitir o creditamento a partir de operações demonstradas pelo sujeito passivo. SERVIÇO DE COMUNICAÇÃO. Operações classificadas genericamente como despesas, sem vinculação ao processo produtivo, não geram crédito na sistemática da não-cumulatividade. ATIVO IMOBILIZADO. Bens adquiridos para o ativo imobilizado somente geram crédito por ocasião de sua depreciação. MATERIAIS DIVERSOS DE CONSUMO. Gastos diversos somente geram créditos quando demonstrada a vinculação das operações ao processo produtivo. BONIFICAÇÃO. DOAÇÃO. BRINDE. DEMONSTRAÇÃO. Cancela-se a glosa quando a autoridade fiscal não desconstitui a alegação de que teriam sido aplicados no processo produtivo os bens recebidos em bonificação, doação, brinde ou demonstração. ÓLEO DIESEL. Correta a glosa de créditos decorrentes de aquisição de óleo diesel destinada a caminhões para entrega de mercadorias. OUTRAS GLOSAS. Mantém-se a exigência fiscal quando o sujeito passivo não se opõe, especificamente, à acusação fiscal.
COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não mais subsiste a previsão regimental de sobrestamento para os casos em que a matéria está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. ICMS DEVIDO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. INCLUSÃO. O ICMS incidente sobre o valor da venda de mercadorias ou da prestação de serviços é parcela calculada por dentro e integra o faturamento, representando despesa do vendedor.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DUPLICATAS DESCONTADAS OU COBRADAS SEM LASTRO EM NOTAS FISCAIS DE VENDA. ORIGEM INCOMPROVADA. Se o sujeito passivo não logra provar que os recebimentos decorrem de duplicatas descontadas ou cobradas com lastro em notas fiscais de venda, é válida a presunção legal de omissão de receitas, mormente se os títulos apresentam a mesma numeração de notas fiscais canceladas e há evidências, também, de que o sujeito passivo utilizou os recursos assim recebidos.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito passivo deixa de apresentar esclarecimentos e documentos solicitados no curso da ação fiscal.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-001.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de créditos de PIS/Cofins sob o título "CFOP´s diversos"; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao primeiro quadro de glosas, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni, que davam provimento parcial em maior extensão, cancelando também as glosas vinculadas aos CFOP 1301 e 2301 (Aquisição de serviço de comunicação), bem como divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento ao recurso; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao CFOP 2912 (Entrada de mercadoria recebida para demonstração); 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas vinculadas aos CFOP 2551 e 3551 (Compra de bem para o ativo imobilizado); 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas referentes a aquisições de óleo diesel; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas vinculadas ao CFOP 1101 (Compras para industrialização); 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS; 8) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento relativo à omissão de receitas; 9) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior que dava provimento ao recurso; 10) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Marcos Vinícius Barros Ottoni, e votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 11) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. A lei somente autoriza o crédito decorrente de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, e não permite a interpretação de que gerariam créditos todos os dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica visando à obtenção de receita. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. GLOSA DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não subsiste a glosa quando a autoridade fiscal deixa de expor as razões para não admitir o creditamento a partir de operações demonstradas pelo sujeito passivo. SERVIÇO DE COMUNICAÇÃO. Operações classificadas genericamente como despesas, sem vinculação ao processo produtivo, não geram crédito na sistemática da não-cumulatividade. ATIVO IMOBILIZADO. Bens adquiridos para o ativo imobilizado somente geram crédito por ocasião de sua depreciação. MATERIAIS DIVERSOS DE CONSUMO. Gastos diversos somente geram créditos quando demonstrada a vinculação das operações ao processo produtivo. BONIFICAÇÃO. DOAÇÃO. BRINDE. DEMONSTRAÇÃO. Cancela-se a glosa quando a autoridade fiscal não desconstitui a alegação de que teriam sido aplicados no processo produtivo os bens recebidos em bonificação, doação, brinde ou demonstração. ÓLEO DIESEL. Correta a glosa de créditos decorrentes de aquisição de óleo diesel destinada a caminhões para entrega de mercadorias. OUTRAS GLOSAS. Mantém-se a exigência fiscal quando o sujeito passivo não se opõe, especificamente, à acusação fiscal. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não mais subsiste a previsão regimental de sobrestamento para os casos em que a matéria está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. ICMS DEVIDO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. INCLUSÃO. O ICMS incidente sobre o valor da venda de mercadorias ou da prestação de serviços é parcela calculada por dentro e integra o faturamento, representando despesa do vendedor. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DUPLICATAS DESCONTADAS OU COBRADAS SEM LASTRO EM NOTAS FISCAIS DE VENDA. ORIGEM INCOMPROVADA. Se o sujeito passivo não logra provar que os recebimentos decorrem de duplicatas descontadas ou cobradas com lastro em notas fiscais de venda, é válida a presunção legal de omissão de receitas, mormente se os títulos apresentam a mesma numeração de notas fiscais canceladas e há evidências, também, de que o sujeito passivo utilizou os recursos assim recebidos. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito passivo deixa de apresentar esclarecimentos e documentos solicitados no curso da ação fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 50; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2673; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.722428/201251 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101001.035 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2014 Matéria IRPJ e Reflexos Omissão de Receitas e Glosa de Créditos Recorrente METALÚRGICA VENÂNCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS. A lei somente autoriza o crédito decorrente de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, e não permite a interpretação de que gerariam créditos todos os dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica visando à obtenção de receita. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. GLOSA DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. Não subsiste a glosa quando a autoridade fiscal deixa de expor as razões para não admitir o creditamento a partir de operações demonstradas pelo sujeito passivo. SERVIÇO DE COMUNICAÇÃO. Operações classificadas genericamente como despesas, sem vinculação ao processo produtivo, não geram crédito na sistemática da nãocumulatividade. ATIVO IMOBILIZADO. Bens adquiridos para o ativo imobilizado somente geram crédito por ocasião de sua depreciação. MATERIAIS DIVERSOS DE CONSUMO. Gastos diversos somente geram créditos quando demonstrada a vinculação das operações ao processo produtivo. BONIFICAÇÃO. DOAÇÃO. BRINDE. DEMONSTRAÇÃO. Cancelase a glosa quando a autoridade fiscal não desconstitui a alegação de que teriam sido aplicados no processo produtivo os bens recebidos em bonificação, doação, brinde ou demonstração. ÓLEO DIESEL. Correta a glosa de créditos decorrentes de aquisição de óleo diesel destinada a caminhões para entrega de mercadorias. OUTRAS GLOSAS. Mantémse a exigência fiscal quando o sujeito passivo não se opõe, especificamente, à acusação fiscal. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não mais subsiste a previsão regimental de sobrestamento para os casos em que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 72 24 28 /2 01 2- 51 Fl. 6912DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 3 2 matéria está sendo discutida no Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. ICMS DEVIDO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. INCLUSÃO. O ICMS incidente sobre o valor da venda de mercadorias ou da prestação de serviços é parcela calculada por dentro e integra o faturamento, representando despesa do vendedor. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DUPLICATAS DESCONTADAS OU COBRADAS SEM LASTRO EM NOTAS FISCAIS DE VENDA. ORIGEM INCOMPROVADA. Se o sujeito passivo não logra provar que os recebimentos decorrem de duplicatas descontadas ou cobradas com lastro em notas fiscais de venda, é válida a presunção legal de omissão de receitas, mormente se os títulos apresentam a mesma numeração de notas fiscais canceladas e há evidências, também, de que o sujeito passivo utilizou os recursos assim recebidos. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É cabível o agravamento da multa de ofício quando o sujeito passivo deixa de apresentar esclarecimentos e documentos solicitados no curso da ação fiscal. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de créditos de PIS/Cofins sob o título "CFOP´s diversos"; 2) por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao primeiro quadro de glosas, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni, que davam provimento parcial em maior extensão, cancelando também as glosas vinculadas aos CFOP 1301 e 2301 (Aquisição de serviço de comunicação), bem como divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, que negava provimento ao recurso; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao CFOP 2912 (Entrada de mercadoria recebida para demonstração); 4) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas vinculadas aos CFOP 2551 e 3551 (Compra de bem para o ativo imobilizado); 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas referentes a aquisições de óleo diesel; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas vinculadas ao CFOP 1101 (Compras para industrialização); 7) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS; 8) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento relativo à omissão de receitas; 9) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à omissão de receitas, divergindo o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior que dava provimento ao recurso; 10) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes e Marcos Vinícius Barros Ottoni, e votando pelas conclusões o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; e 11) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao Fl. 6913DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 4 3 recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes, Nara Cristina Takeda Taga e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 6914DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório METALÚRGICA VENÂNCIO, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 30/11/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 12.286.908,89. Consta às fls. 3089/3132 a descrição dos fatos e enquadramento legal dos lançamentos pertinentes ao anocalendário 2008. Foram glosados créditos na apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, bem como apuradas receitas omitidas, estas repercutindo nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, além das contribuições antes referidas. Fixando o conceito de insumo como bens e serviços utilizados especificamente na fabricação ou produção de bens, não podendo ser considerados como tais, bens ou serviços prestados por pessoas jurídicas que não foram aplicados diretamente na produção, a autoridade fiscal promoveu a glosa de créditos apontados no item 13 do DACON (Outras Operações com Direito a Crédito) e vinculados a notas fiscais que enunciavam os seguintes CFOP: Expôs, na seqüência, as justificativas para que estes códigos não veiculassem operações que gerassem créditos, indicando ausência de previsão legal ou fazendo acréscimos acerca da natureza das operações, e especificamente em relação ao CFOP 1551 registrando que os créditos deverão ser gerados por ocasião da depreciação do respectivo bem. A autoridade fiscal descreveu os ajustes realizados no recálculo em razão de divergências apuradas entre as informações constantes do DACON e das planilhas elaboradas Fl. 6915DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 6 5 pela contribuinte para detalhar tais valores. Em conseqüência, aos créditos glosados em razão do que descrito no quadro anterior, agregou os créditos correspondentes aos insumos que, embora computados no item 13 do DACON, não tiveram suas notas fiscais e correspondentes CFOP informados à autoridade fiscal. Na seqüência, apontou também as seguintes glosas: · CFOP 3127 – Compra para industrialização sob o regime de drawback, reconhecido como erro de fato pelo sujeito passivo; · CFOP 2912 – Entrada de mercadoria recebida para demonstração, pois embora alegando a contribuinte tratarse de insumos que são utilizados na produção e não retornam ao fornecedor, inexistiria previsão legal para a geração de créditos; · CFOP 2551 e 3551 – Compra de bens para o ativo imobilizado, em razão do disposto no art. 3o, §1o, inciso III da Lei nº 10.637/2002; · NCM 27101921 – óleo diesel, na parte proporcional à utilização em caminhões próprios utilizados na entrega de mercadorias vendidas (61%), admitindo a parcela destinada a empilhadeiras utilizadas no setor produtivo; · CFOP 1101 (planilha às fls. 1838/1853, indicando em sua maioria produtos de refeitório, material de expediente, uniforme, equipamento de segurança); · CFOP´s diversos (planilha às fls. 1862/2191, indicando itens semelhantes aos acima, além de tributos, equipamentos, serviços, etc); O agente fiscal consigna que a contribuinte foi cientificada de planilha eletrônica discriminando os itens que foram considerados irregulares para a obtenção de créditos, sendo solicitados esclarecimentos, e nesta ocasião manifestou sua contrariedade e, por fim, ratificou que todos os itens constantes da planilha contida no CD são custos ou despesas que estão diretamente ligados às atividades operacionais da empresa. Apurando divergências entre o saldo final de um mês e o inicial do mês seguinte, acerca dos quais a contribuinte apenas informou ter havido erro de preenchimento dos DACON, a autoridade reconstituiu a apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, ali considerando, também, as receitas omitidas apuradas durante o procedimento fiscal. Tais omissões foram identificadas a partir da constatação de lançamentos atípicos na conta Adiantamento a Fornecedores. Embora contabilizando descontos de duplicatas a débito de conta representativa de Bancos e a crédito de conta Bancos – Vinculada, e liquidando alguns títulos a crédito de Clientes e a débito da conta Bancos – Vinculada, outros títulos teriam sido liquidados a crédito da conta Adiantamento a Fornecedores com o histórico “Liq. Emprést. Diversos”. Intimada a respeito dos procedimentos adotados, a contribuinte informou que na conta Adiantamento a Fornecedores são registradas as duplicatas mercantis colocadas em Fl. 6916DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 7 6 cobrança nas instituições financeiras nas carteiras simples, caucionadas e descontadas, bem como são registrados os pagamentos. Como demonstrado no exemplo (conta Banco Fibra Vinc.) no plano de contas também é empregada a conta Duplicatas Descontadas onde são registradas operações idênticas às descritas pelo contribuinte. Acerca dos lançamentos a crédito da conta Adiantamento a Fornecedores, a contribuinte silenciou sobre os registros de “venda do imobilizado” e informou que registrara compras de matériaprima e prejuízo acumulado para reduzir o prejuízo contábil e apresentar demonstrações financeiras mais satisfatórias para manutenção de limites de créditos e obtenção de novos empréstimos, confessando se utilizar de artifícios para maquiar a contabilidade para usuários externos. A contribuinte apresentou extratos bancários onde constam os nomes dos sacados, os números dos títulos, data de vencimento e os valores, e a autoridade fiscal apurou que alguns dos títulos enumerados não foram encontrados no diário geral, bem como que havia erro na indicação contábil do Banco no qual foi liquidado o título. Aprofundando as análises por meio de outras intimações dirigidas à contribuinte, a autoridade fiscal constatou que todos os títulos que justificaram os lançamentos com o histórico “Valor Líquido Empres. Diversos” não foram encontrados na contabilidade digital do contribuinte. Também não foram encontrados nos arquivos digitais de NF. A Fiscalização reportase à existência de 2.621 notas fiscais de saída canceladas no anocalendário 2008, e na seqüência diz que na resposta apresentada pelo contribuinte estes títulos foram discriminados e comprovados com os extratos de desconto/carteira de cobrança de títulos dos diversos bancos. Consigna que não foram encontrados registros destes títulos na contabilidade digital da contribuinte, embora constassem nos extratos de desconto/cobrança de títulos apresentados. Descrevendo intimações e correspondentes respostas apresentadas pela interessada, o agente fiscal consignou a falta de apresentação das notas fiscais referentes a lançamentos de valores contidos na planilha referente à conta de Adiantamento a Fornecedores, e observou que os demais documentos apresentados estavam contabilizados como operação de desconto, com correspondentes registros nos arquivos digitais de notas fiscais. A contribuinte foi intimada a prestar os esclarecimentos já exigidos, na medida em as notas fiscais canceladas não podem servir como meio de comprovação de uma operação de desconto ou cobrança, mas alegou que a documentação correspondente já havia sido apresentada, e recusouse a apresentar os documentos bancários invocando seu direito ao sigilo. A autoridade fiscal lavrou nova intimação, dessa vez com o histórico completo do que foi constatado, sendo anexados documentos comprobatórios do exposto e solicitando a apresentação dos documentos comprobatórios dos lançamentos. De sua parte final extraise: O Título 172069, amparado pela NF 172069, tem como sacado a empresa Centermaq Com. Representação Ltda e representa uma venda de R$ 31.814,01 dividida em 5 parcelas de R$ 6.326,80. As informações entre o extrato e a NF conferem. Esse fato foi constatado para todas as NF apresentadas em resposta à intimação nº 08. Todas as informações da NF conferem com os extratos. Fl. 6917DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 8 7 Já o Título 172308, tem como sacado a empresa Panevale Comércio e Rep. Ltda e representa a parcela nº 5 no valor de R$ 6.916,08. Confrontandose com a NF 172308, observase que se trata de uma NF de VENDA CANCELADA, efetuada à empresa Comercial de Móveis Daltel Ltda. Esse fato foi constatado para todas as NF apresentadas em resposta à intimação 07. TODAS AS NF CONSTAM COMO CANCELADAS, EMBORA CONSTEM NOS EXTRATOS DAS CARTEIRAS DE COBRANÇA E/OU CARTEIRA DE DESCONTO. Diante do exposto: a) Apresentar as Notas Fiscais, correspondentes aos títulos listados a seguir e que comprovem as informações prestadas nos documentos apresentados em resposta à Intimação Fiscal 06: A contribuinte foi intimada outras duas vezes a prestar tais esclarecimentos, e nestas ocasiões a autoridade fiscal consignou, ao final, que seria realizado lançamento de ofício, como omissão de receita, dos valores discriminados, caso a contribuinte deixasse de atender aos pedidos de esclarecimentos. A fiscalizada teceu considerações sobre o sigilo bancário e não apresentou os documentos/esclarecimentos solicitados. Para afirmar a existência de omissão de receitas, a autoridade fiscal novamente descreveu a utilização da conta Adiantamento a Fornecedores, classificandoa como uma conta “coringa”, na qual eram contabilizadas operações que seguiam o procedimento normal da conta: lançamentos a débito com contrapartida na conta Banco, e histórico indicando a natureza do pagamento efetuado ou transferência bancária; e lançamentos a crédito com contrapartida em conta de estoque pelo recebimento da mercadoria (conta de ativo), de despesa pela prestação efetiva do serviço (conta de resultado), ou, eventualmente, de estorno pela não concretização da operação. De outro lado, porém, a contribuinte se valeu da referida conta para baixa de títulos em cobrança/desconto, deixando de contabilizálos a crédito da conta “Clientes”, que por sua vez tem como contrapartida a conta Receita de Vendas. Daí a conclusão de que os lançamentos a débito efetuados nas contas de Desconto de Duplicatas sob o histórico “Valor Líq. Emprést. Diversos” não representam a realidade dos fatos, configurandose como omissão de receitas, até porque, os clientes efetuaram a quitação dos títulos junto aos bancos. Ou seja, as transações bancárias ocorreram, a operação de desconto foi efetuada, embora as vendas não tenham sido lançadas na conta Clientes. O fiscal autuante também observa a anormalidade de registros a título de comissões sobre vendas envolvendo a conta Adiantamento a Fornecedores, relatando os registros normais por ocasião da venda e do pagamento das comissões sobre vendas, e indicando os lançamentos contabilizados a débito da conta Adiantamento a Fornecedores e a crédito de contas representativos de bancos, sob o histórico Pgto. Títulos de M. Carvalho Repres Ltda, acerca dos quais foram exigidos esclarecimentos da contribuinte. Contudo, embora tratandose de operações simples que, obrigatoriamente, devem ter um documento que descreva a natureza da operação a que se refere e contenha os dados aptos a comprovar o lançamento, a contribuinte negouse a esclarecer, alegando que se trata de documentos bancários e que não tem a posse nem a guarda dos documentos. Reproduzindo os dispositivos legais que obrigam a contribuinte a manter a guarda destes documentos, a Fiscalização aduz que o mesmo padrão de registros contábeis acima descrito foi constatado em relação a outros representantes comerciais da contribuinte, e Fl. 6918DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 9 8 conclui que a negativa de esclarecimentos e de apresentação dos documentos comprobatórios dos lançamentos objeto da Intimação Fiscal nº 13 evidencia claramente que o contribuinte utiliza a conta ADIANTAMENTO A FORNECEDORES para omitir receitas, conforme amplamente descrito e comprovado anteriormente. Finaliza resumindo os procedimentos da contribuinte e concluindo que, com a adoção destes, os valores das vendas omitidas circulam pela contabilidade sem que tenham sido registrados como receita. Exige, assim, diferença de PIS/PASEP, da COFINS, IRPJ e da CSLL decorrentes da adição dos valores não declarados como receita de vendas e cuja origem dos depósitos bancários ocorridos durante a operação de desconto de títulos não foi comprovada pelo contribuinte. A autoridade fiscal totaliza em R$ 14.990.026,79 os lançamentos efetuados a débito nas Contas de Desconto, discriminados por “Banco XX Vinc”, referentes ao AC de 2008, e discrimina mensalmente os valores a serem autuados. Na seqüência, justifica o agravamento da multa de ofício descrevendo a conduta do sujeito passivo ao longo do procedimento fiscal, afirmando ser nítida a resistência da autuada no atendimento às intimações fiscais com a recusa em esclarecer os fatos objeto de intimação e de apresentar a documentação solicitada com o intuito deliberado de dificultar a ação fiscal. Assim, ante a omissão reiterada de prestar esclarecimento dos registros contábeis, conclui presente a hipótese prevista no art. 44, §2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Impugnando a exigência, a contribuinte argüiu a nulidade do lançamento em razão da indevida utilização do art. 42 da Lei nº 9.430/96, e no mérito afirmou que não foi provada a existência de vendas sem emissão de notas fiscais ou não contabilização daquelas vinculadas a operações de desconto, anexando aos autos a segunda via de 3.246 notas fiscais por ela emitidas, correlacionandoas com as duplicatas respectivas. Questionou aspectos específicos das intimações fiscais, invocou a proteção constitucional dos dados bancários, apontou a falta de juntada aos autos de documentos referentes a diligências junto a seus clientes, defendeu a normalidade do ato de reembolso de duplicatas pelo não pagamento, argüiu erros em sua contabilidade, e reportouse a vícios do procedimento fiscal. Discordou do conceito de insumo adotado pela Receita Federal, alegou duplicidade nas glosas, erro na apuração fiscal, e a necessidade de exclusão do ICMS das bases de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, em razão da discussão da matéria com repercussão geral. Ao final, questionou o agravamento da multa de ofício e a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. A Turma julgadora rejeitou a maior parte destes argumentos aduzindo que: · O lançamento reúne os requisitos exigidos em lei, de modo que não se verifica qualquer nulidade, cabendo apenas discutir se ocorreu ou não a infração. · A discussão trazida pelo impugnante a respeito da extensão do conceito de insumo, inserido pelas Leis nºs 10.637 de 2002, e 10.833, de 2003, traduz bons argumentos para serem levados ao Poder Judiciário, que é o poder que detém a competência para dizer se uma lei ou ato é ilegal ou inconstitucional. Fl. 6919DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 10 9 · Assiste à impugnante razão em parte porque os valores glosados em duplicidade alcançam o montante de R$ 927.598,53, e referemse basicamente aos produtos de refeitório, recapagem de pneus, serviços de telecomunicações, serviços médicos, uniformes, serviços de cartão ponto e serviços de caminhão. · A glosa dos itens da tabela “ CFOP´s diversos” está validamente descrita, permitindo a defesa do interessado. Mas tem ele razão quanto a existência de erro no saldo credor da Cofins no mês de janeiro/2008. A recomposição da apuração em razão deste item e das glosas em duplicidade enseja o cancelamento de exigência de COFINS no valor total de R$ 95.056,72 e de Contribuição ao PIS no valor de R$ 7.405,97. · Tendo em conta a forma irregular de contabilização de operações de desconto de duplicatas e as intimações lavradas durante o procedimento fiscal, se o contribuinte não comprova a contabilização da venda que deu origem ao título descontado, é correto concluir que, ou o título não corresponde a uma venda efetiva, que foi emitido simplesmente para obter recursos junto à rede bancária, ou corresponde a uma receita omitida. O contribuinte não alega que o título não corresponde a uma venda efetiva, logo é correto concluir que se refere a uma receita omitida. Irrelevantes as demais alegações se esta prova não é produzida. · Desnecessária a discussão acerca do respeito ao sigilo bancário porque a Fiscalização se valeu da escrituração contábil da contribuinte. · Não se verificou a exigüidade do tempo para atendimento às intimações porque a documentação de suporte da escrituração deveria estar disponível para atendimento à Fiscalização, e as intimações já vinham exigindo tais elementos de 14/10/2011 a 13/07/2012. · Inexiste máfé na acusação fiscal por representarem menos de 1% da presunção de omissão de receitas os extratos de carteira de cobrança de títulos evidenciando a liquidação dos títulos descontados, na medida em que os elementos teriam sido juntados como amostragem de prova. · Irrelevante a vinculação das notas fiscais emitidas às correspondentes duplicatas, porque esperado que a contribuinte vinculasse as notas fiscais e sua contabilização aos respectivos títulos descontados e também esclarecesse o porquê do lançamento da liquidação dos títulos ter se dado com a utilização da conta Adiantamento a Fornecedores. A referida listagem não demonstra nada disso. · Devido o agravamento da multa porque a contribuinte não apresentou todos os documentos e esclarecimentos solicitados, especialmente os documentos comprobatórios da movimentação bancária contabilizada. Ademais, ao longo do procedimento fiscal atendeu apenas parcialmente as intimações, dificultando sobremaneira a identificação das infrações à legislação tributária. · Os juros sobre a multa de ofício não estão consignados no lançamento, mas sua exigência tem fundamento legal e já foi reconhecida válida pelo Superior Tribunal de Justiça. · A autuação está baseada em presunção simples, plenamente aceita pela doutrina e pela jurisprudência, e a classificação da Fiscalização como Fl. 6920DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 11 10 depósitos bancários de origem não comprovada decorre do fato de não estar provada na escrituração da contribuinte a receita representativa do título que daria origem aos depósitos. O fato de o autuante ter considerado a infração como presunção legal de omissão de receitas não trouxe nenhum prejuízo para o contribuinte, subsistindo válido o lançamento. A exoneração de parte do crédito tributário decorrente da glosa de créditos na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS totalizou montante inferior ao estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, não se submetendo a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 31/05/2013 (fl. 6847), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 28/06/2013 (fls. 6849/6896). Em preliminar, argúi a nulidade do lançamento referente à omissão de receitas, por inexistir disposição legal infringida, na medida em que houve erro de direito e vício material com incorreta aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em suas palavras: No caso há erro de enquadramento legal para fundamentar a autuação, não é caso de ausência ou falta de dados para a correta compreensão da autuação, mas erro na elaboração da autuação pelo Fisco, ou seja, a fiscalização verificou a infração por meio de presunção hominis, baseado naquilo que acontece, mas utilizou fundamento legal errôneo ao aplicar presunção legal para autuar o contribuinte. Tratam de hipóteses diversas entre si, não havendo como equiparar ou correlacionar as situações. É máfé não conceituar equívoco grave. Em verdade, o Fisco fez expressar vinculação ao princípio da estrita legalidade, entretanto, no conteúdo da autuação, intencionalmente, motivou com aplicação pura do princípio da praticidade. (destaques do original) Afirma que há erro de direito, pois tratase de erro na indicação do enquadramento legal, e destaca que, como citado na Solução de Consulta Interna nº 8/2013, apenas o erro na subsução do fato ao critério pessoal da regramatriz de incidência que configura erro de direito é vício material, o qual não pode ser convalidado. Em seu entendimento, fundamento legal é aquele baseado em lei ordinária, complementar ou medida provisória. Contrário a isso, inclusive com presunção hominis, é nulo o auto de infração porque não há indicação do fundamento legal. Descreve o enquadramento legal da exigência, reproduz suas alegações em impugnação, transcreve a abordagem do tema na decisão recorrida, e afirma inexistir subsunção do caso concreto à norma abstrata, restando a omissão de receita não contabilizada lastreada no art. 42 da Lei nº 9.430/96, o qual somente cogita de presunção a partir da não comprovação da origem dos créditos bancários, após intimação, nada mais. Resulta obviado, que o presente artigo da lei delimitou os critérios de omissão de receita com base em créditos bancários, interditando o fisco de arbitrálo a seu alvedrio. Vale dizer, a lei fixou os critérios da omissão de receita, impedindo o fisco de arbitrar a omissão segundo critério que ele repute conveniente ou adequado, inclusive pela presunção hominis (baseada naquilo que acontece) de omissão de receita não contabilizada. Discorre sobre os elementos da presunção legal, reafirma que inexiste subsunção dos fatos às normas e que houve equívoco na capitulação legal do mérito. Se a fiscalização se antecipa na apuração da prova, reconhecendo e identificando a origem (inexiste indício), não cabe a presunção legal e, sim, legislação específica da infração. E o Fl. 6921DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 12 11 próprio Fisco reconhece que a origem dos créditos bancários é de operações de desconto de duplicatas, o que o impossibilita de utilizar a presunção legal. Reportase a julgados da CSRF e dos Conselhos de Contribuintes em favor do seu entendimento, diz que a exigência viola o art. 142 do CTN e o art. 10, inciso IV do Decreto nº 70.235/72, e defende a declaração de nulidade do lançamento por vício material. Acrescenta que a fiscalização não apurou vendas sem emissão de notas fiscais, mas simplesmente alegou vendas não contabilizadas por meio de presunção legal, ao passo que sua movimentação bancária está integralmente contabilizada, restando presente clara ofensa ao princípio da tipicidade cerrada. No mérito, reafirma a impossibilidade de presunção hominis, invocando os princípios da estrita legalidade, da reserva legal e da tipicidade. Argumenta que a autoridade administrativa não detém nenhuma parcela de competência que não encontre fundamento de validade na lei, sendo certo que deve exercêla nos limites definidos pela lei. Além da Constituição Federal e do art. 97, §1o do CTN, pleiteia a aplicação dos arts. 2o e 53 da Lei nº 9.784/99 e do art. 6o, inciso I, alínea “c” da Lei nº 10.593/2002. Transcreve o resumo da autuação e a abordagem acerca da presunção hominis contida na decisão recorrida, e acrescenta que doutrina e jurisprudência não são disposições legais infringidas nos termos do inciso IV do art. 10 do Decreto 70.235/72 e inciso IV do art. 39 do Decreto 7.574/2011. Cita julgado administrativo em favor de seu entendimento, afirma a inexistência de subsunção, e novamente diz que a Fiscalização utilizou a aplicação pura do princípio da praticidade por meio da presunção hominis de omissão de receita. Contudo, como os julgadores do CARF estão limitados à lei e ato normativo nos termos do art. 62 do anexo I da Portaria MF 256/2009, a presunção utilizada pela Fiscalização não pode ser aceita. A questão vertente não é a presunção legal expressa no enquadramento legal das peças, mas sim a presunção hominis utilizada pelo Fisco na motivação, sendo aplicação pura do princípio da praticidade e não da legalidade. O absurdo salta aos olhos. Utiliza presunção legal de infração para amparar vinculação ao princípio da legalidade, entretanto, utiliza na motivação presunção simples como aplicação pura do princípio da praticidade. Com isso, clara evidência de máfé da autoridade lançadora. (destaques do original) Conclui que há erro de julgamento na decisão recorrida, e acrescenta que a ilegalidade da presunção é comprovada pela falta de arbitramento de receita pelo movimento diário das vendas, nos termos do art. 6o da Lei n. 8.846/1994, reproduzido no art. 284 do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento IR). Requer, assim, a nulidade da presunção, e no âmbito da Contribuição ao PIS e da COFINS assevera que o Fisco usou duplamente as receitas, verificandose “bitributação” em razão da escrituração de notas fiscais nos livros fiscais tendo sido computadas no cálculo de apuração do regime nãocumulativo das contribuições (DACON – Fichas 07A e 17A) e, novamente, utilizadas nos lançamentos de ofício nos cálculos das mesmas contribuições de PIS e da COFINS. Na medida em que a acusação fiscal é no sentido de que houve omissão de receitas não contabilizadas composta por vendas com notas fiscais, a omissão se verificou na contabilidade em relação a notas fiscais já registradas nos livros de saída e apuração do IPI e de ICMS. Fl. 6922DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 13 12 Acrescenta que a presunção também não é oriunda da apuração do levantamento quantitativo por espécie de produto, tratada no art. 41 da Lei nº 9.430/96, a evidenciar que a dita omissão é composta por vendas com notas fiscais que só não foram contabilizadas. Reproduz sua impugnação e a abordagem da decisão recorrida, e diz estar ali reconhecido a falta de escrituração contábil como único motivo do Fisco para presunção simples de omissão de receitas oriundas de títulos descontados, nada mais. Assevera que a Fiscalização não identificou falta de registro de notas fiscais no Livro Registro de Saídas, e provavelmente comparou o livro fiscal com a escrituração contábil e com o DACON, inexistindo qualquer diferença de quantidade e valores nos confrontos dos livros. E destaca que também não foi identificada duplicatas nem notas ficais correspondentes, vinculadas a contabilização das operações de descontos, de modo que nada comprova uma real omissão de receita. Aduz, que o Fisco tem o ônus de provar no processo os fatos constitutivos de seu direito, mas não juntou qualquer cópia do Livro Diário e nem cópia do Livro Razão Auxiliar nos autos para provar a presunção hominis de omissão de receitas não contabilizadas. Na decisão recorrida está reconhecido que a Fiscalização somente se baseou em lançamentos contábeis, mas dos autos consta apenas a planilha de fls. 2795/3084 identificando 4.923 lançamentos contábeis no Livro Razão, evidenciando o erro de julgamento, pois: Primeiro, por não ser emissão gráfica, a planilha não é extrato em papel nem digital oriundo das contas contábeis. Segundo, além de não haver nenhuma semelhança do formato da planilha com o leiaute das contas contábeis, no âmbito da força probatória, a planilha não confirma a autenticidade e a integridade de uma escrituração contábil. Logo, não há como garantir validade jurídica da planilha como extrato do Livro Diário ou do Livro Razão. Em tais condições, os julgadores estiveram impossibilitados de vista e verificação da escrituração contábil, e, como já dito, não foi apurado diferença entre os Livros de Saída e a contabilidade, conforme planilha de fls. 229/499. Novamente em suas palavras: Na “teoria do domínio do fato”, a circunstância de ter o acusado o domínio do fato [ter “feito a escrituração contábil”, como esclarecido adiante] não exime quem o acusa do ônus de provar a acusação. Isto significa que, tendo o contribuinte feito a escrituração contábil, não exime a fiscalização do ônus de transadala ao processo para provar a sua alegação de infração. Cita outras ementas de julgados administrativos para reforçar seus argumentos, e conclui que cumpre ao autor da exigência fiscal a prova da vinculação entre o fato presuntivo e presumido. No mais, aduz que juntou aos autos, por ocasião da impugnação, contraprova negando os fatos constitutivos do direito do autuante, correlacionando as notas fiscais, também consignadas na planilha de fls. 229/499, com as duplicatas, onde se vê os detalhes de identificação de cada duplicata descontada vinculada a sua respectiva nota fiscal de venda. A rejeição desta prova pela autoridade julgadora de 1a instância seria irracional e ilógica porque fundamentada na falta de vinculação com a escrituração contábil, olvidandose que esta deveria ter sido juntada aos autos pela Fiscalização. Fl. 6923DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 14 13 Reportandose à decisão recorrida, diz que doze intimações fiscais solicitaram como prova documentos bancários de títulos descontados junto à rede bancária, ao passo que nos termos da Lei Complementar nº 105/2001, a Administração Pública determinou o poderdever do AuditorFiscal de requerer documentos às instituições financeiras. A Fiscalização, contudo, não fez qualquer requisição para comprovar identificação de cada duplicata descontada que lastreassem a dita omissão de receitas, não podendo agora beneficiarse de sua própria torpeza, pela falta de cognição exauriente, atribuindo ao contribuinte prova documental não apresentada. Assevera que somente o Fisco é que tem que provar a infração. O contribuinte é presumidamente inocente. Discorre sobre a presunção de legitimidade dos atos administrativos e sobre o dever de prova do Fisco acerca da inveracidade dos fatos registrados na escrituração contábil, complementando que o Fisco, arbitrariamente, dificultou a possibilidade de apresentar provas por parte do contribuinte, ao exigir documentos bancários em papel, na forma original ou autenticada, apenas uma vez admitindo arquivos magnéticos, e ainda assim rubricados pelo representante legal do contribuinte. Classifica de diabólica a prova exigida, neste sentido, relativamente a 4.923 documentos bancários para apresentação em 19 (dezenove) dias. Prossegue aduzindo que o AuditorFiscal interpretou que foram feitos certos tipos de lançamentos entre as contas contábeis, tendo como finalidade mostrar que nas operações de descontos de títulos suas notas fiscais de venda não foram registradas como receita contábil. Na estratégia de querer mostrar o que não existe, ocorreu a interpretação confusa no Relatório de Verificação Fiscal, em três parágrafos (fls. 3120/3121). Diz que houve erro de julgamento porque a abordagem da autoridade julgadora por meio de “tradicionais razonetes” não tem qualquer lastro em sua escrituração contábil (que não foi juntada aos autos), e também porque a abordagem fiscal não está fundamentada em qualquer norma contábil. Ademais, o livre convencimento do julgador está limitado ao exame das provas dos autos, e a falta de juntada de sua escrituração evidencia que convicções e convencimentos decisórios contábeis não são verdadeiros. Reitera que também não foram juntados aos autos documentos referentes a diligências fiscais em terceiros, nas quais não foi comprovada venda sem emissão de notas fiscais, por parte da autuada, e, constatado a não concretização de várias operações mercantis pelo cancelamento de notas fiscais. A Fiscalização pretenderia evitar os efeitos das respostas dos clientes diligenciados, por terem informado que as notas fiscais canceladas são oriundas da não concretização de operações mercantis, o que ofende os princípios da legalidade, moralidade e finalidade. No que tange à glosa de créditos na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, discorda da idéia de insumo no sentido físico, defende a aplicação do entendimento expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3302001.781, opõese à adoção de critérios unificados para estas contribuições e os impostos (IPI e ICMS) e à interpretação de que seriam taxativas as hipóteses de crédito enunciadas nos incisos do art. 3o das leis correspondentes. Em seu entendimento, o conceito de insumo para fins de PIS e COFINS é abrangente (amplo), comportando todos os dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica visando à obtenção de receita. Discorre sobre a abordagem constitucional do tema, e defende interpretação mais extensiva para apuração da base de cálculo das contribuições, que incidem sobre o total das receitas Fl. 6924DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 15 14 auferidas pelos contribuintes, e assim deve ter em conta o universo de despesas necessárias para obtêlas. Conclui que é inconstitucional e ilegal o conceito de insumo utilizado e a justificativa de glosa de créditos na expressão: “Ausência de previsão legal”, motivo pelo qual devem ser declaradas nulas todas as glosas realizadas. E aponta erro no recálculo contido na decisão recorrida acerca dos itens glosados em duplicidade, pois deveriam ter sido excluídas parcelas de R$ 59.090,41 e de R$ 12.828,87, nas glosas referentes à COFINS e à Contribuição ao PIS, respectivamente. Reafirma a nulidade da glosa tratada na tabela “CFOP´s diversos” pela total falta de descrição dos fatos. Embora tenha identificado a duplicidade antes mencionada na análise das provas, não há justificativa para a glosa dos itens referidos. Pleiteia, ainda, a exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, reportandose à repercussão geral reconhecida ao tema, afirmando que tais valores não configuram faturamento, e que a incidência se verificaria sobre o imposto devido aos estados, em ofensa à Constituição Federal. Indica os valores mensais a serem excluídos da receita. Contra o agravamento da penalidade, diz que todas as intimações foram respondidas nos prazos legais, sem qualquer intuito deliberado de dificultar a ação fiscal, e expondo recusas justificáveis. Não houve embaraço à fiscalização e foram entregues a escrituração digital e várias planilhas digitais. Enfatiza o relato contido nos itens 2.3 a 2.7 de sua impugnação, e reitera as exigências fiscais acerca da forma de apresentação dos documentos exigidos, e o prazo limitado para atendêlas. Destaca que as recusas justificadas em relação a documentos bancários tiveram por fundamento as manifestações do Supremo Tribunal Federal acerca do acesso da Receita Federal a estas informações, novamente observa que a autuação está calcada em presunção hominis e cita jurisprudência administrativa contrária ao agravamento da penalidade quando há resposta apresentada pelo sujeito passivo, ou a Fiscalização se utiliza da documentação apresentada para efetivar o lançamento. Ademais, a decisão de 1a instância reconhece que a Fiscalização exigia documentos bancários, o que, como já dito, poderia ter sido requerido às instituições financeiras. Por fim, defende a inaplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício, porque a finalidade dos juros é remunerar o Fisco pelo tributo não pago no prazo, e inexiste previsão legal para sua aplicação, nem mesmo no percentual de 1% ao mês. Cita julgados administrativos em reforço à sua tese. Fl. 6925DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 16 15 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Iniciando a apreciação do recurso voluntário a partir da infração correspondente à glosa de créditos na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, temse a divergência da recorrente acerca da ideia de insumo no sentido físico adotada pela Fiscalização. Como relatado, a autoridade fiscal conceituou insumo como bens e serviços utilizados especificamente na fabricação ou produção de bens, não podendo ser considerados como tais, bens ou serviços prestados por pessoas jurídicas que não foram aplicados diretamente na produção. A recorrente, por sua vez, invoca o entendimento expresso no voto vencedor do Acórdão nº 3302001.781, assim ementado: INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumo passível de crédito no sistema não cumulativo não é equiparável a nenhum outro conceito, tratase de definição própria. Para gerar crédito de PIS e COFINS não cumulativo o insumo deve: ser UTILIZADO direta ou indiretamente pelo contribuinte na sua atividade (produção ou prestação de serviços); ser INDISPENSÁVEL para a formação daquele produto/serviço final; e estar RELACIONADO ao objeto social do contribuinte. Discorda da aplicação de critérios advindos da legislação do IPI e do ICMS e da interpretação de que seriam taxativas as hipóteses de crédito enunciadas nos incisos do art. 3o das leis correspondentes. Em seu entendimento, o conceito de insumo para fins de PIS e COFINS é abrangente (amplo), comportando todos os dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica visando à obtenção de receita. Em suma, pretende que a apuração tenha em conta o universo de despesas necessárias para obtenção das receitas que compõem a base de cálculo das contribuições lançadas. A autoridade fiscal invocou os seguintes dispositivos legais e normativos: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negrejouse) [...] Fl. 6926DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 17 16 Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (negrejouse) [...] Instrução Normativa SRF nº 247/2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do art. 19; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: (Redação dada pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b.2) na prestação de serviços; (Incluída pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...] (negrejouse) Instrução Normativa SRF nº 404/2004: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: Fl. 6927DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 18 17 a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; [...](negrejouse) Nestes termos, as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 autorizam, apenas, o crédito decorrente de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, e não autorizam a interpretação pretendida pela recorrente de que gerem créditos todos os dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica visando à obtenção de receita. Isto porque, se assim fosse, contabilmente estariam alcançadas todas as despesas da pessoa jurídica, ao passo que o legislador não fez uso desta expressão, mas sim referiuse a “insumos”, conceito que contabilmente aproximase de custos, ou seja, itens efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação ou produção dos itens a serem vendidos. No caso, a pessoa jurídica autuada promove a industrialização, comercialização, importação e exportação de produtos para panificação, gastronômicos, de fogões à gás industriais, fogões à lenha, esmaltagem, utilidades doméstica e produtos metalúrgicos em geral. Assim, na forma da lei, a nãocumulatividade relativamente à receita produzida por esta atividade é observada quando considerados os créditos decorrentes dos custos incorridos para fabricação destes produtos. Eventualmente o sujeito passivo pode desenvolver outras atividades por meio das quais aufira receitas também sujeitas à tributação na sistemática nãocumulativa. Todavia, a defesa nada diz a este respeito. Apenas pretende, genericamente, que todos os dispêndios por ela realizados para exercício de sua atividade econômica prestemse a gerar créditos dedutíveis. A partir destas premissas, cumpre analisar individualmente os itens glosados pela autoridade fiscal. Inicialmente, porém, recordese que a autoridade julgadora de 1a instância excluiu, de forma definitiva, glosas promovidas em duplicidade. Acolhendo parcialmente alegação da contribuinte, constatou que itens computados na primeira tabela de glosas, no valor total de R$ 1.349.301,60 e demonstrados às fls. 1699/1808, também integravam as glosas sob título “CFOP´s diversos”, detalhados às fls. 1862/2191, em parcelas equivalentes à base de cálculo total de R$ 448.847,18. Em verdade, porém, as glosas promovidas sob título “CFOP´s diversos” devem ser integralmente afastadas. Isto porque, para motiválas, a autoridade fiscal apenas Fl. 6928DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 19 18 indica que, além das glosas efetuadas nos itens específicos objeto de intimação, foram glosados os seguintes itens dos arquivos digitais, conforme planilha em anexo. E, na seqüência, apresenta tabela sob o título CFOP´s diversos (folhas 1862 a 2191), relacionando base de cálculo e créditos glosados, sem acréscimo de razões para fundamentação destas glosas. A autoridade fiscal menciona que: Na Intimação Fiscal nº 04/2011 (folha nº 2192) foi informado ao contribuinte o resultado da análise dos arquivos digitais apresentados. Foi encaminhado um CD contendo uma planilha eletrônica discriminando os itens que foram considerados irregulares para a obtenção de créditos, sendo solicitados esclarecimentos. Contribuinte manifestou sua contrariedade e, por fim, ratificou que todos os itens constantes da planilha contida no CD são custos ou despesas que estão diretamente ligados às atividades operacionais da empresa. Referida intimação apenas consigna que na análise do movimento de notas fiscais em meio magnético e das planilhas complementares apresentadas foram constatadas irregularidades com relação aos créditos informados pela empresa decorrentes da sistemática de apuração de créditos da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social, conforme planilha do CD em anexo e exige que a contribuinte esclareça os lançamentos efetuados. Na seqüência, constam listagens individualizando os registros questionados, mas sem qualquer complemento acerca do motivo da irregularidade, ou mesmo totalizações mensais que permitam correlacionálos com a glosa promovida (fls. 2193/2264). É possível inferir porque a autoridade fiscal teria vislumbrado irregularidades em itens registrados como serviço telecomunicação, produtos refeitório, material expediente, pneu, etc. Já itens como protetor auricular, uniforme, máscara de solda polipropileno, despesas aduaneiras, carrinho, dentre outros, exigiriam uma abordagem fiscal que os dissociassem da aplicação no processo produtivo. De toda sorte, para todas as glosas assim agrupadas, cumpria à Fiscalização expor as razões implícitas ou ocultas, de modo que a contribuinte pudesse confrontálas. Veja se que a própria contribuinte destacou esta omissão na resposta apresentada: 1 – No item “1” da intimação citada o auditorfiscal entendeu haver irregularidades com relação aos créditos informados (2.552 registros anexos – CD) na sistemática de apuração de Pis/Cofins, entretanto, não esclareceu quais os tipos de irregularidades dos registros. 2 – O auditorfiscal não comprovou que todos estes registros (CD) fazem parte dos créditos mensais da nãocumulatividade de Pis/Cofins. Além disso, não concordamos com afirmações e entendimentos fiscais contidos em qualquer intimação já emitida, inclusive anexos. 3 – Conforme análise no âmbito do crédito da essencialidade, os registros (CD) são encargos ou dispêndios necessários para o funcionamento do fator de produção (elementos formadores do custo de produção), ou seja, custos ou despesas que estão diretamente ligados as atividades operacionais da empresa. Assim, tem razão a recorrente quando afirma nula a glosa tratada na tabela “CFOP´s diversas” pela total falta de descrição dos fatos. Nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235/72, o lançamento deve ser integrado por tais elementos, e sua ausência representa vício Fl. 6929DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 20 19 material que não é passível de saneamento no curso do processo administrativo fiscal, impondo o cancelamento das correspondentes exigências. Registrese, apenas, que apesar de a autoridade totalizar em R$ 2.618.413,79 os itens cujos créditos foram glosados na forma antes descrita, estão ali englobadas operações pertinentes ao anocalendário 2007 que não foram objeto de lançamento nestes autos. Assim, com referência às parcelas pertinentes ao anocalendário 2008, na medida em que a autoridade julgadora de 1a instância já havia afastado parte desta glosa, deve ser cancelada a parcela remanescente, a seguir demonstrada: Valor dos Itens Mês Fiscalização DRJ CARF 01/2008 120.423,25 (39.954,16) (80.469,09) 02/2008 71.094,59 (41.597,77) (29.496,82) 03/2008 44.027,84 (29.145,69) (14.882,15) 04/2008 55.653,25 (40.054,21) (15.599,04) 05/2008 97.679,67 (41.726,03) (55.953,64) 06/2008 71.157,56 (35.287,12) (35.870,44) 07/2008 375.651,19 (49.877,93) (325.773,26) 08/2008 163.167,08 (36.999,67) (126.167,41) 09/2008 162.689,65 (46.865,47) (115.824,18) 10/2008 57.658,11 (41.280,20) (16.377,91) 11/2008 38.443,75 (22.102,96) (16.340,79) 12/2008 73.921,11 (23.955,97) (49.965,14) Total 1.331.567,05 (448.847,18) (882.719,87) Valor da Glosa COFINS Mês Fiscalização DRJ CARF 01/2008 9.152,22 (3.056,49) (6.095,73) 02/2008 5.099,63 (3.182,23) (1.917,40) 03/2008 3.348,05 (2.229,65) (1.118,40) 04/2008 4.229,64 (3.064,15) (1.165,49) 05/2008 7.423,74 (3.192,04) (4.231,70) 06/2008 5.407,96 (2.699,46) (2.708,50) 07/2008 28.549,49 (3.815,66) (24.733,83) 08/2008 12.400,75 (2.830,47) (9.570,28) 09/2008 12.364,45 (3.585,21) (8.779,24) 10/2008 4.382,02 (3.157,94) (1.224,08) 11/2008 2.921,76 (1.690,88) (1.230,88) 12/2008 5.618,00 (1.832,63) (3.785,37) Total 100.897,71 (34.336,81) (66.560,90) Fl. 6930DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 21 20 Valor da Glosa PIS Mês Fiscalização DRJ CARF 01/2008 1.986,98 (659,24) (1.327,74) 02/2008 1.173,06 (686,36) (486,70) 03/2008 726,46 (480,90) (245,56) 04/2008 918,28 (660,89) (257,39) 05/2008 1.611,71 (688,48) (923,23) 06/2008 1.174,10 (582,24) (591,86) 07/2008 6.198,24 (822,99) (5.375,25) 08/2008 2.692,26 (610,49) (2.081,77) 09/2008 2.684,38 (773,28) (1.911,10) 10/2008 951,36 (681,12) (270,24) 11/2008 634,32 (364,70) (269,62) 12/2008 1.219,70 (395,27) (824,43) Total 21.970,86 (7.405,98) (14.564,89) Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas de créditos sob o título “CFOP´s diversos”, excluindo as parcelas ainda não canceladas no julgamento de 1a instância. Em conseqüência, perdem o objeto as alegações da recorrente no sentido de que a duplicidade alegada em 1a instância alcançaria parcelas maiores que as antes excluídas. Afastadas integralmente as glosas antes mencionadas, referência para a dita duplicidade, subsiste a acusação inicial referente aos créditos computados na primeira tabela de itens glosados, no valor total de R$ 1.349.301,60 e demonstrados às fls. 1699/1808, cuja análise procedese na seqüência. Como relatado, a autoridade fiscal identificou, a partir do CFOP indicado nas notas fiscais geradoras de crédito, os seguintes valores passíveis de glosa nos cálculos na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS: Fl. 6931DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 22 21 A acusação fiscal, nos termos das justificativas apresentadas na seqüência do referido quadro, é parcialmente procedente, pelas razões a seguir expostas: · CFOP 1301 e 2301 – Aquisição de serviço de comunicação para execução de serviço da mesma natureza: a Fiscalização disse que as despesas de telefonia não geram direito ao crédito por falta de previsão legal e, de fato, ao classificálas como despesa a autoridade fiscal evidencia a impossibilidade de vinculálas à produção dos itens fabricados. Isto porque o próprio sujeito passivo, conforme esclarecimentos de fl. 1641, não mantém controles individualizados para distinguir qual parcela do serviço vinculouse, efetivamente, ao setor produtivo da empresa. Opta, assim, por darlhes tratamento de despesas, o que impede o creditamento pretendido; · CFOP 1551 – Compra de bem para o ativo imobilizado: a Fiscalização consigna que os créditos deverão ser gerados por ocasião da depreciação do respectivo bem, consoante dispõe o art. 3o, §1o, inciso III das leis em referência. De outro lado, a contribuinte não demonstra que esta depreciação teria ocorrido no período fiscalizado. Inferese, daí, que não foi mantido o regular controle destes investimentos para apropriação dos correspondentes créditos quando os ativos fossem consumidos ou empregados no processo produtivo; · CFOP 1556, 1949, 2556 e 2949 – Compra de material para uso ou consumo/Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada: a autoridade fiscal reitera que não é todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços aplicados ou consumidos no processo produtivo ou no serviço prestado, que geram créditos na sistemática nãocumulativa. A contribuinte, por sua vez, classificava nestes grupos gastos diversos como serviço médico, serviço de propaganda, produtos de refeitório, extintores, material de expediente, móveis e serviço de hospedagem, dentre outros, pretendendo deles extrair créditos sem demonstrar sua efetiva aplicação na fabricação dos produtos vendidos. A recorrente alega que a afirmação de ausência de previsão legal é insuficiente para sustentar a glosa, mas ignora a interpretação antes exposta pela autoridade fiscal no sentido de vincular o creditamento aos bens e serviços utilizados especificamente na fabricação ou produção de bens, restando validamente motivada a glosa. De fato, a lei não cogita de créditos em qualquer aquisição, mas apenas naquelas especificamente destinadas à fabricação ou produção de bens que poderão dar o retorno esperado em receitas tributáveis; · CFOP 1910, 1911, 1912, 2911 e 2912 – Entrada de bonificação, doação ou brinde; amostra grátis; e mercadoria ou bem recebido para demonstração: a autoridade fiscal associa à argumentação inicial apenas a afirmação de que inexistiria previsão legal como motivo para a glosa dos créditos. Porém, tais itens podem evidenciar o ingresso de mercadorias efetivamente destinadas ao processo produtivo, de modo Fl. 6932DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 23 22 que sua glosa deve ser justificada por outros elementos de prova ligados à natureza dos produtos recebidos, e não apenas com base na natureza da operação revelada pelo CFOP. Mais à frente, reportando se a outras glosas vinculadas ao CFOP 2912, a autoridade fiscal diz que, questionada, a contribuinte respondeu tratarse de insumos que são utilizados na produção e não retornam ao fornecedor, e este esclarecimento não foi refutado durante o procedimento fiscal. Inadmissíveis, portanto, as glosas procedidas e computadas no quadro inicial antes transcrito. Por oportuno consignese que, embora a autoridade fiscal indique que as operações vinculadas aos CFOP 1915 e 2915 não poderiam gerar crédito por ausência de previsão legal, nenhum valor foi glosado a este título. Assim, relativamente ao primeiro quadro de glosas no valor total de R$ 1.349.301,60, cumpre excluir aquelas referentes aos CFOP 1910 (R$ 1,50), 1911 (R$ 362,95), 1912 (R$ 20,00), 2911 (R$ 367,25) e 2912 (R$ 18.282,95), acerca dos quais a autoridade não logrou desconstituir sua caracterização como insumos. Considerando que tais itens reúnem, também, ocorrências pertinentes ao anocalendário 2007, não lançadas nestes autos, deve ser DADO PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para, relativamente a este conjunto de glosas, excluir aquelas referentes aos créditos a seguir discriminados como referentes ao anocalendário 2008, nos valores totais de R$ 1.431,19 (COFINS) e R$ 310,72 (PIS): CFOP 1910 Período Valor dos itens Cancelado COFINS PIS 08/2008 1,50 1,50 0,11 0,02 Subtotal 1,50 1,50 0,11 0,02 CFOP 1911 Período Valor dos itens Cancelado COFINS PIS 05/2008 1,95 1,95 0,15 0,03 08/2008 200,00 200,00 15,20 3,30 08/2008 1,00 1,00 0,08 0,02 08/2008 160,00 160,00 12,16 2,64 Subtotal 362,95 362,95 27,58 5,99 CFOP 1912 Período Valor dos itens Cancelado COFINS PIS 08/2008 20,00 20,00 1,52 0,33 Subtotal 20,00 20,00 1,52 0,33 CFOP 2911 Período Valor dos itens Cancelado COFINS PIS 10/2007 203,20 02/2008 16,00 16,00 1,22 0,26 02/2008 12,00 12,00 0,91 0,20 08/2008 136,05 136,05 10,34 2,24 Subtotal 367,25 164,05 12,47 2,71 Fl. 6933DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 24 23 CFOP 2912 Período Valor dos itens Cancelado COFINS PIS 08/2008 282,95 282,95 21,50 4,67 09/2008 18.000,00 18.000,00 1.368,00 297,00 Subtotal 18.282,95 18.282,95 1.389,50 301,67 Total 1.431,19 310,72 Prosseguindo, a autoridade fiscal promove glosas de créditos decorrentes de valores que, computados no item 13 do DACON, não foram demonstrados após intimação fiscal (do total de R$ 8.643.597,19 computado nos anoscalendário 2007 e 2008, apenas R$ 8.526.336,07 foi demonstrado à Fiscalização). Todavia, a recorrente não questiona especificamente este item. De forma semelhante, também não se opõe especificamente contra a glosa de itens identificados pelo CFOP 3127 (Compra para industrialização sob o regime de drawback), possivelmente porque já durante o procedimento fiscal reconheceu tratarse de erro de fato. A autoridade fiscal, então, indica glosas referentes a itens identificados pelo CFOP 2912 (Entrada de mercadoria recebida para demonstração), sem atentar que estas operações já haviam sido consideradas no primeiro quadro de glosas no valor total de R$ 1.349.301,60. O demonstrativo acima elaborado para afastar estas glosas evidencia que os créditos de COFINS nos valores de R$ 21,50 em agosto/2008 e de R$ 1.368,00 em setembro/2008, bem como de Contribuição ao PIS nos valores de R$ 4,67 em agosto/2008 e de R$ 297,00 em setembro/2008, estão computados na planilha de fls. 1699/1808 que orienta a primeira glosa, além de indicados no demonstrativo desta segunda glosa, apresentado na Informação Fiscal à fl. 3096. Assim, não só em razão da duplicidade, como também por se tratar de item que a contribuinte afirmou vinculado à sua produção, sem que a autoridade fiscal provasse o contrário, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir as glosas novamente vinculadas ao CFOP 2912 (Entrada de mercadoria recebida em demonstração), nos valores de R$ 21,50 em agosto/2008 e de R$ 1.368,00 em setembro/2008 relativamente à COFINS, e nos valores de R$ 4,67 em agosto/2008 e de R$ 297,00 em setembro/2008, relativamente à Contribuição ao PIS. Na seqüência, a autoridade fiscal relaciona glosas vinculadas aos CFOP 2551 e 3551 (Compra de bem para o ativo imobilizado). A contribuinte teria esclarecido que se tratavam de caminhões, automóveis e máquinas utilizadas na produção, aquisições que somente gerariamm créditos por ocasião de sua depreciação. Como já dito em relação às glosas vinculadas ao CFOP 1551, a interpretação fiscal está conforme as disposições do art. 3o, §1o, inciso III das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, e a contribuinte não demonstra que esta depreciação teria ocorrido no período fiscalizado. Inferese, daí, que não foi mantido o regular controle destes investimentos para apropriação dos correspondentes créditos quando os ativos fossem consumidos ou empregados no processo produtivo, subsistindo procedente a glosa. Por tais razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas vinculadas às operações realizadas sob os CFOP 2551 e 3551. Fl. 6934DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 25 24 A autoridade fiscal também fez o rateio das aquisições de óleo diesel, de modo a distinguir a parcela utilizada em empilhadeiras alocadas no setor produtivo, daquela destinada a caminhões próprios utilizados na entrega de mercadorias vendidas. A recorrente não questiona o critério de rateio, e apenas defende, como inicialmente demonstrado, a geração de créditos a partir de todas as despesas incorridas para a realização de sua atividade operacional. Na medida em que a interpretação aqui extraída da lei impõe limites mais estritos para admissibilidade dos créditos na apuração da COFINS e da Contribuição ao PIS, correta se mostra a glosa procedida pela Fiscalização, pois a entrega de mercadorias é atividade posterior à produção ou fabricação das mercadorias vendidas, e os gastos daí decorrentes não integram o conceito legal de bens e serviços, utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às glosas vinculadas à aquisição de óleo diesel. Por fim, a autoridade fiscal relaciona na planilha de fls. 1838/1853 aquisições sob o CFOP 1101 (Compra para industrialização ou produção rural), simplesmente consignando que além das glosas efetuadas nos itens específicos objeto de intimação, foram glosados os seguintes itens dos arquivos digitais, conforme planilha em anexo. Do confronto entre a planilha de fls. 1838/1853 e os elementos dos autos, especialmente as fls. 2192/2264, constatase que estas operações foram objeto de questionamento juntamente com aquelas agrupadas sob o título “CFOP’s diversos”, tratadas no início deste voto. E, como já visto, a intimação dirigida à contribuinte apenas consignava a constatação de irregularidades, sem esclarecer o motivo da irregularidade, aspecto inclusive questionado na resposta apresentada pela contribuinte durante o procedimento fiscal. Destaque se que, neste grupo de glosas, além de as operações terem sido escriturados sob código referente a compra para industrialização ou produção rural, a descrição dos itens adquiridos a partir de 2008 (fl. 1841) revela, em sua quase totalidade, formulários que podem ter sido utilizados no setor produtivo da empresa. Assim, deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar a glosa de créditos decorrentes de operações sob o CFOP 1101, em razão da nulidade do lançamento por vício material, como antes exposto. Por fim, a autoridade fiscal promoveu ajustes em razão de divergências constatadas entre o saldo final de um mês e o inicial do mês seguinte, mas a recorrente nada questiona a este respeito, possivelmente porque reconheceu, durante o procedimento fiscal, ter cometido erro de preenchimento dos DACON. A recorrente apenas questionou o saldo inicial de créditos adotado pela Fiscalização para apurar a COFINS devida em janeiro/2008, e a autoridade julgadora de 1a instância deulhe razão, retificando a apuração fiscal de forma definitiva, de modo a aumentar o saldo credor final em janeiro/2008 e reduzir a exigência de COFINS em fevereiro/2008. A recorrente apenas acrescenta, em sua defesa, o pedido de exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, reportandose à repercussão Fl. 6935DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 26 25 geral reconhecida ao tema, afirmando que tais valores não configuram faturamento, e que a incidência se verificaria sobre o imposto devido aos Estados, em ofensa à Constituição Federal. De fato, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema, porém o leading case (Recurso Extraordinário nº 574.706) ainda não foi julgado. Por sua vez, o Regimento Interno do CARF, ao mesmo tempo em que somente vincula os Colegiados a decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, também não mais autoriza o sobrestamento do feito administrativo, em razão da revogação dos §§ 1o e 2o do art. 62A por meio da Portaria MF nº 545/2013: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {1} § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Revogado pela Portaria MF nº 545/2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Revogado pela Portaria MF nº 545/2013) Oportuno registrar que também está sob apreciação do Supremo Tribunal Federal a Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 18, que também trata da exclusão de ICMS da base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, mas apenas no que se refere ao ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador de serviços na condição de substituto tributário, prevista no art. 3o, §2o, inciso I da Lei nº 9.718/98. Aqui, além de a pretensão da contribuinte se verificar na vigência das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, a exclusão alegada diz respeito ao ICMS devido pelo próprio contribuinte, vendedor dos bens ou prestador de serviços, em razão da saída de mercadorias de seu estabelecimento. Por sua vez, esta Relatora compartilha do entendimento reafirmado pelo Superior Tribunal de Justiça em favor da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS, conforme já sumulado por aquele Tribunal Superior e pelo extinto Tribunal Federal de Recursos: Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM. (Súmula TRF nº 258) A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. (Súmula STJ nº 68) A parcela do ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial. (Súmula STJ nº 94) Em que pese o Superior Tribunal de Justiça tenha firmado o entendimento de que o conceito de faturamento para fins de incidência de contribuição ao PIS e à COFINS é matéria eminentemente constitucional, que foge da sua competência no âmbito do Recurso Especial (REsp nº 1.017.645/CE e AgRg no REsp nº 1.224.734/RN), os julgamentos mais recentes proferidos naquele Tribunal mantiveramse favoráveis à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS, como se vê na ementa do AgRg no RESP nº 1.215.903/DF (publicado em 14/04/2011): Fl. 6936DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 27 26 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. POSSIBILIDADE. 1. O óbice ao julgamento da presente demanda, antes imposto por decisão liminar proferida na MC na ADC 18, em curso no Supremo Tribunal Federal, não mais existe, haja vista que os efeitos da última prorrogação da liminar que suspendia o julgamento de todas as causas desta jaez, por mais 180 (cento e oitenta) dias, expiraram em outubro de 2010. 2. A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, por suas duas Turmas de Direito Público, possui o uníssono entendimento de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos das Súmulas 68 e 94/STJ. 3. Precedentes: AgRg no Ag 1.071.044/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 8.2.2011, DJe 16.2.2011; AgRg no Ag 1.282.409/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 22.2.2011, DJe 25.2.2011. Agravo regimental improvido. E isto porque, mesmo à época em que tais contribuições incidiam apenas sobre o faturamento, entendido como receita bruta de vendas e de prestação de serviços, já se podia afirmar que todas as parcelas recebidas pela empresa a título de preço de venda de mercadoria é receita sua, sendo irrelevante o fato de alguma parte ser destinada ao pagamento de tributos. Neste sentido, o legislador trouxe previsão expressa para excluir, da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS, apenas, o IPI e o ICMS recebido na condição de substituição tributária, na medida em que o primeiro é calculado por fora e, assim como o ICMS decorrente de substituição tributária, é recebido pelo vendedor na condição de depositário de tributos devidos por terceiros que devem ser repassados à Fazenda Pública. Já o ICMS incidente sobre o valor da venda de mercadorias ou da prestação de serviços é parcela calculada por dentro e integra o faturamento, representando despesa do vendedor. Assim, ausente autorização legal para sua exclusão, deve ser rejeitada a pretensão da recorrente. Por estas razões, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS e da Contribuição ao PIS. Assim, relativamente à glosa de créditos na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir, dos totais mensais de glosas indicados na Informação Fiscal à fl. 3101, os seguintes valores: Fl. 6937DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 28 27 Cancelado COFINS Lançamento DRJ CARF Mantido Quadro 1 10.319,20 10.319,20 CFOP 3127 12.521,54 12.521,54 CFOP 2912 CFOP 2551 2.050,94 2.050,94 CFOP 3551 Óleo Diesel 242,69 242,69 CFOP 1101 CFOP Diversos 9.152,22 3.056,49 6.095,73 01/2008 Total 34.286,59 3.056,49 6.095,73 25.134,37 Quadro 1 5.231,49 2,13 5.229,36 CFOP 3127 326,55 326,55 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 970,78 970,78 CFOP 1101 28,88 28,88 CFOP Diversos 5.099,63 3.182,23 1.917,40 02/2008 Total 11.657,33 3.182,23 1.948,41 6.526,69 Quadro 1 2.012,20 2.012,20 CFOP 3127 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 1.375,64 1.375,64 CFOP 1101 358,72 358,72 CFOP Diversos 3.348,05 2.229,65 1.118,40 03/2008 Total 7.094,61 2.229,65 1.477,12 3.387,84 Quadro 1 6.290,09 6.290,09 CFOP 3127 8.074,95 8.074,95 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 1.340,94 1.340,94 CFOP 1101 CFOP Diversos 4.229,64 3.064,15 1.165,49 04/2008 Total 19.935,62 3.064,15 1.165,49 15.705,98 Fl. 6938DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 29 28 Cancelado Mês Lançamento DRJ CARF Mantido Quadro 1 2.061,35 0,15 2.061,20 CFOP 3127 6.996,37 6.996,37 CFOP 2912 CFOP 2551 1.740,40 1.740,40 CFOP 3551 43.714,34 43.714,34 Óleo Diesel 1.457,00 1.457,00 CFOP 1101 CFOP Diversos 7.423,74 3.192,04 4.231,70 05/2008 Total 63.393,20 3.192,04 4.231,85 55.969,31 Quadro 1 5.140,93 5.140,93 CFOP 3127 CFOP 2912 CFOP 2551 2.082,02 2.082,02 CFOP 3551 Óleo Diesel 1.687,87 1.687,87 CFOP 1101 CFOP Diversos 5.407,96 2.699,46 2.708,50 06/2008 Total 14.318,78 2.699,46 2.708,50 8.910,82 Quadro 1 6.130,92 6.130,92 CFOP 3127 13.773,82 13.773,82 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 1.726,47 1.726,47 CFOP 1101 52,44 52,44 CFOP Diversos 28.549,49 3.815,66 24.733,83 07/2008 Total 50.233,14 3.815,66 24.786,27 21.631,21 Quadro 1 1.807,40 60,91 1.746,49 CFOP 3127 4.898,16 4.898,16 CFOP 2912 21,50 21,50 CFOP 2551 13.452,00 13.452,00 CFOP 3551 Óleo Diesel 1.493,16 1.493,16 CFOP 1101 14,83 14,83 CFOP Diversos 12.400,75 2.830,47 9.570,28 08/2008 Total 34.087,80 2.830,47 9.667,52 21.589,81 Fl. 6939DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 30 29 Cancelado Mês Lançamento DRJ CARF Mantido Quadro 1 7.503,14 1.368,00 6.135,14 CFOP 3127 CFOP 2912 1.368,00 1.368,00 CFOP 2551 4.827,17 4.827,17 CFOP 3551 Óleo Diesel 1.213,19 1.213,19 CFOP 1101 CFOP Diversos 12.364,45 3.585,21 8.779,24 09/2008 Total 27.275,95 3.585,21 11.515,24 12.175,50 Quadro 1 5.374,90 5.374,90 CFOP 3127 CFOP 2912 488,68 488,68 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 1.446,50 1.446,50 CFOP 1101 CFOP Diversos 4.382,02 3.157,94 1.224,08 10/2008 Total 11.692,10 3.157,94 1.224,08 7.310,08 Quadro 1 4.005,92 4.005,92 CFOP 3127 8.537,94 8.537,94 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 1.259,86 1.259,86 CFOP 1101 CFOP Diversos 2.921,76 1.690,88 1.230,88 11/2008 Total 16.725,48 1.690,88 1.230,88 13.803,72 Quadro 1 7.285,70 7.285,70 CFOP 3127 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 16.163,76 16.163,76 Óleo Diesel 1.353,18 1.353,18 CFOP 1101 CFOP Diversos 5.618,00 1.832,63 3.785,37 12/2008 Total 30.420,64 1.832,63 3.785,37 24.802,64 Fl. 6940DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 31 30 Cancelado PIS Lançamento DRJ CARF Mantido Quadro 1 2.240,35 2.240,35 CFOP 3127 2.718,49 2.718,49 CFOP 2912 CFOP 2551 445,27 445,27 CFOP 3551 Óleo Diesel 52,69 52,69 CFOP 1101 CFOP Diversos 1.986,98 659,24 1.327,74 01/2008 Total 7.443,78 659,24 1.327,74 5.456,80 Quadro 1 1.135,78 0,46 1.135,32 CFOP 3127 70,89 70,89 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 210,76 210,76 CFOP 1101 6,27 6,27 CFOP Diversos 1.173,06 686,36 486,70 02/2008 Total 2.596,76 686,36 493,43 1.416,97 Quadro 1 436,86 436,86 CFOP 3127 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 298,66 298,66 CFOP 1101 77,62 77,62 CFOP Diversos 726,46 480,90 245,56 03/2008 Total 1.539,60 480,90 323,18 735,52 Quadro 1 1.365,61 1.365,61 CFOP 3127 1.753,12 1.753,12 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 291,13 291,13 CFOP 1101 CFOP Diversos 918,28 660,89 257,39 04/2008 Total 4.328,14 660,89 257,39 3.409,86 Fl. 6941DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 32 31 Cancelado PIS Lançamento DRJ CARF Mantido Quadro 1 447,53 0,03 447,50 CFOP 3127 1.518,95 1.518,95 CFOP 2912 CFOP 2551 377,85 377,85 CFOP 3551 9.490,62 9.490,62 Óleo Diesel 316,32 316,32 CFOP 1101 CFOP Diversos 1.611,71 688,48 923,23 05/2008 Total 13.762,98 688,48 923,26 12.151,24 Quadro 1 1.116,12 1.116,12 CFOP 3127 CFOP 2912 CFOP 2551 452,02 452,02 CFOP 3551 Óleo Diesel 366,45 366,45 CFOP 1101 CFOP Diversos 1.174,10 582,24 591,86 06/2008 Total 3.108,69 582,24 591,86 1.934,59 Quadro 1 1.331,05 1.331,05 CFOP 3127 2.990,37 2.990,37 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 374,83 374,83 CFOP 1101 11,39 11,39 CFOP Diversos 6.198,24 822,99 5.375,25 07/2008 Total 10.905,88 822,99 5.386,64 4.696,25 Quadro 1 392,40 13,22 379,18 CFOP 3127 1.063,42 1.063,42 CFOP 2912 4,67 4,67 CFOP 2551 2.920,50 2.920,50 CFOP 3551 Óleo Diesel 324,17 324,17 CFOP 1101 3,22 3,22 CFOP Diversos 2.692,26 610,49 2.081,77 08/2008 Total 7.400,64 610,49 2.102,88 4.687,27 Fl. 6942DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 33 32 Cancelado PIS Lançamento DRJ CARF Mantido Quadro 1 1.628,97 297,00 1.331,97 CFOP 3127 CFOP 2912 297,00 297,00 CFOP 2551 1.048,00 1.048,00 CFOP 3551 Óleo Diesel 263,39 263,39 CFOP 1101 CFOP Diversos 2.684,38 773,28 1.911,10 09/2008 Total 5.921,74 773,28 2.505,10 2.643,36 Quadro 1 1.166,92 1.166,92 CFOP 3127 CFOP 2912 CFOP 2551 106,10 106,10 CFOP 3551 Óleo Diesel 314,04 314,04 CFOP 1101 CFOP Diversos 951,36 681,12 270,24 10/2008 Total 2.538,42 681,12 270,24 1.587,06 Quadro 1 869,71 869,71 CFOP 3127 1.853,63 1.853,63 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 Óleo Diesel 273,52 273,52 CFOP 1101 CFOP Diversos 634,32 364,70 269,62 11/2008 Total 3.631,18 364,70 269,62 2.996,86 Quadro 1 1.581,76 1.581,76 CFOP 3127 CFOP 2912 CFOP 2551 CFOP 3551 3.509,24 3.509,24 Óleo Diesel 293,78 293,78 CFOP 1101 CFOP Diversos 1.219,70 395,27 824,43 12/2008 Total 6.604,48 395,27 824,43 5.384,78 Fl. 6943DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 34 33 Passando à análise da omissão de receitas imputada à contribuinte, sua defesa, em preliminar, aponta a nulidade do lançamento por inexistir disposição legal infringida, na medida em que houve erro de direito e vício material com incorreta aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Em seu entendimento, a autoridade fiscal se valeu de presunção hominis, mas fundamentou a exigência na presunção legal em referência, cometendo equívoco grave ao equiparar hipóteses diversas entre si. O procedimento fiscal para apuração desta infração teve início com a constatação de que a conta Adiantamento a Fornecedores apresentava lançamentos atípicos, que deveriam ter sido realizados em outras contas específicas. Tomando como exemplo o registro de descontos de duplicatas na conta “Banco Fibra Vinc”, a autoridade fiscal demonstrou que o procedimento regular seria debitar a conta “Banco Fibra”, pelo depósito dos valores, e creditar a conta “Banco Fibra Vinc”. Na seqüência, quando da liquidação dos títulos, bastaria ser promovido o lançamento a crédito em “Clientes” e a débito na conta “Banco Fibra Vinc”. Isto porque o recebimento da duplicata extingue o direito até então contabilizado na conta “Clientes”, e efetiva o ingresso de recursos na conta “Banco Fibra Vinc”. Contudo, a autoridade fiscal observou que nem todos os lançamentos a débito na conta “Banco Fibra Vinc” tinham por contrapartida a conta “Clientes”. Identificou, assim, a prática de a contribuinte, em contrapartida, fazer lançamentos a crédito da conta “Adiantamento a Fornecedores”, normalmente com o histórico “Valor Líquido Emprést. Diversos”. Diante deste contexto, o agente fiscal lavrou a intimação de fls. 1637/1698, acompanhada das planilhas de fls. 2383/2389, na qual exigiu da contribuinte: 5 – Explicar o funcionamento da conta Adiantamento a Fornecedores empregada pelo contribuinte nos arquivos digitais, AC 2008. 6 – Na conta Adiantamento a Fornecedores explicar, com a apresentação dos documentos que deram origem, os lançamentos efetuados a débito, conforme planilha em anexo: a) Banco Vinculado – histórico: valor líquido emprest. diversos; b) Banco Vinculado – histórico: valor liquidação cheques diversos; c) Banco Bradesco 18826 – histórico: valor transf. Conta. 7 – Na conta Adiantamento a Fornecedores explicar, com a apresentação dos documentos que deram origem, os lançamentos efetuados a crédito, conforme planilha em anexo: a) Banco Vinculado – histórico: valor transf cta; b) Cheques a pagar – histórico: RDO. CH Nº XX REF SALÁRIOS FUNCIONÁRIO; c) Cheques a pagar – histórico: RDO. CH Nº XXX REF SAQUE; d) Compras de Matéria Prima – histórico: transf.entre contas; e) () Prejuízos Acumulados – histórico: transf. Entre contas; f) Venda de Bens do Imobilizado – histórico: venda de caminhão; A autoridade fiscal, assim, identificou que a conta “Adiantamento a Fornecedores” além de receber lançamentos a crédito em contrapartida a contas “Banco Vinculado”, também foi creditada em contrapartida a conta “Banco”. De outro lado, observou lançamentos a débito da conta “Adiantamento a Fornecedores” em contrapartida a “Cheques a Fl. 6944DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 35 34 Pagar”, “Compras de Matéria Prima”, “Prejuízos Acumulados” e “Venda do Imobilizado”. Perquiriu, naqueles termos, quais as justificativas para uma amostragem de lançamentos contabilizados na conta “Adiantamento a Fornecedores”. À fl. 1641 consta esclarecimento da contribuinte no sentido de que na conta adiantamento a fornecedores são registradas as duplicatas mercantis colocadas em cobrança nas instituições financeiras nas carteiras simples, caucionadas e descontadas, bem como são registrados os pagamentos. Os lançamentos na conta citada relativo às compras de matérias primas e prejuízo acumulado têm o efeito de reduzir o prejuízo contábil, tornando as demonstrações de resultado e patrimonial satisfatórias no exame pelas instituições financeiras, visando à manutenção dos limites de créditos e obtenção de novos empréstimos e financiamentos. A autoridade fiscal desqualificou a primeira parte da resposta observando que no plano de contas da contribuinte, além de contas como a “Banco Fibra Vinc” existe a conta “Duplicatas Descontadas” onde são registradas operações idênticas às descritas pelo contribuinte. Quanto à segunda parte, observou que a contribuinte confessa que se utiliza de artifícios para maquiar a contabilidade para usuários externos, e silencia acerca dos lançamentos de “venda de imobilizado”. A conta “Adiantamento a Fornecedores” tem por finalidade registrar, a débito, direitos da pessoa jurídica em razão de pagamentos a fornecedores por conta de contratações que ainda não foram por eles adimplidas. Assim, seus registros a débito têm por contrapartida a saída de recursos da pessoa jurídica em favor de terceiros, e seus registros a crédito representam a baixa do direito pelo cumprimento da obrigação por parte do fornecedor, e correspondente ingresso do objeto da contratação. Daí ser totalmente anormal o uso desta conta para o suposto registro de duplicatas em cobrança, caução ou desconto. Ao promover lançamentos a débito de “Adiantamento a Fornecedores” e a crédito de “Compras de Matéria Prima”, a contribuinte aparenta baixar matérias primas adquiridas em contrapartida a um direito, providência que seria possível em face de uma devolução de compras, embora com uso incorreto das contas contábeis. Por sua vez, debitar a conta “Adiantamento a Fornecedores” e creditar a conta de “Prejuízos Acumulados” pode, de fato, reduzir o saldo devedor daquela conta e elevar o patrimônio líquido da pessoa jurídica, mas fazendo surgir, no Ativo, um direito inexistente em face de fornecedores. De toda sorte, para esclarecer os questionamentos veiculados nos itens 6 e 7 da intimação antes transcrita, a contribuinte apresentou documentos e planilha eletrônica referentes a cobrança de duplicatas junto a diversas instituições financeiras (fl. 1642/1698). Examinandoos, a autoridade fiscal constatou que alguns dos títulos enumerados não foram encontrados no diário geral, bem como que apenas pequena parcela correspondia a notas fiscais de saída e a registros no Livro Diário, alguns dos quais com erro na indicação da instituição financeira intermediária da operação. A autoridade fiscal, então, intimou a contribuinte a prestar outros esclarecimentos, obtendo em resposta o que segue (fls. 2279/2382): · Intimada a esclarecer qual o tipo de operação com duplicatas mercantis que é efetuado nas demais contas do grupo “Duplicatas Descontadas”, a contribuinte disse que são registradas duplicatas em cobrança nas operações em carteira simples, caucionadas e descontadas. A autoridade fiscal, tendo em conta que o mesmo Fl. 6945DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 36 35 esclarecimento havia sido prestado acerca da conta “Adiantamento a Fornecedores” considerou a resposta lacônica e não esclarecedora; · Quanto aos lançamentos efetuados a crédito da conta “Adiantamento a fornecedores”: o Intimada acerca de um lançamento não questionado na intimação anterior, não há esclarecimento na resposta da contribuinte, ensejando outras três reintimações; o Intimada a discriminar as duplicatas agrupadas em lançamentos de baixa informados na resposta passada, a contribuinte detalhou as operações, assim associando a baixa de títulos a lançamentos a débito de “Banco Vinculado” e a crédito de “Adiantamento a Fornecedores”, com o histórico “VALOR LÍQUIDO CHEQUES DIVERSOS BRADESCO DESC”. A autoridade fiscal identificou os títulos na contabilidade da contribuinte registrados a débito de “Banco Vinculado” e a crédito de “Clientes”, lançamento que representa a baixa contábil do título descontado, por ocasião de seu recebimento, infirmando a correspondência que a contribuinte tentou estabelecer em sua resposta; o Intimada a esclarecer lançamentos na conta “Adiantamento a Fornecedores” sob o histórico “TED DE TRANSF ELET” mediante a apresentação de extrato das transferências bancárias identificando as contas debitadas e creditadas, data e valor da operação, não há esclarecimento na resposta da contribuinte, ensejando futura reintimação, em razão da qual a contribuinte invocou sigilo bancário. A Fiscalização novamente intimou a contribuinte em duas outras ocasiões, mas não obteve resposta; o Intimada a prestar esclarecimentos sobre uma amostragem de lançamentos a débito de “Banco Vinculado” e a crédito de “Adiantamento a Fornecedores”, incluindo todos os bancos em que o contribuinte efetua operação de desconto e que tem como histórico “Valor Líquido Emprést. Diversos”, observando a Fiscalização que os esclarecimentos anteriores revelaram vários títulos não encontrados na contabilidade, a contribuinte apresentou resposta parcial, deixando de prestar informações vinculadas às instituições Fibra, Capitalize Fomento, Intermedium, Santander e Unibanco, além de se reportar a várias operações não questionadas; · Quanto aos lançamentos efetuados a débito da conta “Adiantamento a fornecedores”: o Novamente intimada a prestar esclarecimentos acerca dos lançamentos em contrapartida à conta “Banco Vinculado”, a contribuinte disse que tais lançamentos têm apenas a Fl. 6946DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 37 36 finalidade de ajustar os saldos contábeis, inexistindo documento específico indicando o valor do lançamento; o Intimada a apresentar cópia dos cheques registrados na conta “Cheques a Pagar” com o histórico “RDO. CH Nº XXX REF SAQUE”, a contribuinte disse que não estava obrigada a manter cópia dos cheques; o Intimada a esclarecer a semelhança dos lançamentos registrados em contrapartida a “Cheques a Pagar” com o histórico “RDO. CH Nº XX REF SALÁRIOS FUNCIONÁRIO”, e aqueles contabilizados na mesma conta “Cheques a Pagar”, mas em contrapartida a “Salários a Pagar”, a contribuinte disse tratarse de cheques entregues aos funcionários pelo pagamento de salários e que os registros na conta “Adiantamento a Fornecedores” são erros de contabilização, influenciando na conta “Salários a Pagar”, pela não contabilização, em saldos credores mensais discriminados na resposta; o Intimada a prestar esclarecimentos antes omitidos acerca dos lançamentos em contrapartida à conta “Venda de bens do Imobilizado”, nada há na resposta da contribuinte, ensejando futura reintimação, em razão da qual foram apresentados os documentos de transferência dos veículos. Constatase que os esclarecimentos da contribuinte foram superficiais e evasivos, ou então dissociados do que a Fiscalização questionara. Além de não justificar o indevido uso da conta “Adiantamento a Fornecedores” como contrapartida da baixa de duplicatas recebidas, limitouse a apontar a existência de erro na contabilização, nesta mesma conta, de cheques entregues aos funcionários pelo pagamento de salários, e esquivouse quanto aos esclarecimentos acerca das transferências eletrônicas de fundos contabilizadas na mesma conta. Ao final dos trabalhos, a autoridade fiscal também constatará, como relatado, que parte dos pagamentos de comissões sobre vendas também eram contabilizados com o uso indevido da conta “Adiantamento a Fornecedores”. A autoridade fiscal, então, embora sucessivamente reintimando a contribuinte acerca de pontos não esclarecidos nas intimações anteriores, concentrou suas investigações nos lançamentos efetuados a crédito da conta “Adiantamento a fornecedores” e a débito de “Banco Vinculado”, os quais, questionados desde a primeira intimação referida, revelaram sua vinculação a títulos não encontrados na contabilidade da contribuinte. No segundo questionamento, como dito, a contribuinte deixou de prestar informações relativamente às instituições Fibra, Capitalize Fomento, Intermedium, Santander e Unibanco. Quanto às informações prestadas nesta ocasião, a autoridade fiscal observou que nenhum dos títulos apresentados foram encontrados na contabilidade da contribuinte, e que os títulos acrescentados à resposta pela contribuinte sem ter sido objeto de questionamento, correspondiam a notas fiscais de venda antes apresentadas e a lançamentos característicos de operação de desconto. A Fiscalização, assim, reúne evidências de que os títulos recebidos e baixados em contrapartida à conta “Adiantamento a fornecedores” não guardam Fl. 6947DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 38 37 correspondência com as operações normais de venda, contabilizadas em contrapartida à conta de “Clientes”. De outro lado, a contribuinte não atendeu satisfatoriamente as intimações fiscais e ainda inseriu em suas respostas documentos relativos a fatos não questionados, mas que acabaram por evidenciar os distintos procedimentos adotados relativamente às duplicatas com esteio em notas fiscais e aquelas que não guardavam tal correspondência. Em conseqüência, é lavrada a terceira intimação exigindo os esclarecimentos omitidos pela contribuinte, associado a pedido de informações acerca dos destinatários de determinadas notas fiscais relacionadas pela Fiscalização em planilha eletrônica, e de apresentação de outras notas fiscais identificadas na intimação (fls. 2462/2478). Em resposta, a contribuinte negou qualquer omissão injustificada, asseverando que remeteu, por via postal, resposta à intimação anterior, apresentando em papel os documentos relativos aos títulos discriminados na resposta. Opôsse à restrição que estaria sendo imposta pelo Fisco aos meios de prova, e invocou sigilo bancário. Quanto às informações acerca do conteúdo das notas fiscais, respondeu que não estava obrigada a emitir planilhas, e que já havia fornecido os arquivos de notas fiscais emitidas no período fiscalizado. Contudo, enviou em papel o original das 2.621 notas fiscais canceladas relacionadas na planilha eletrônica, com algumas ressalvas, indicando que as demais 400 notas fiscais exigidas na intimação integrariam o mesmo conjunto de documentos. A autoridade fiscal destacou, na Informação Fiscal, que a exigência recaía, justamente, sobre os elementos que não foram apresentados na resposta anterior. E, quanto à referência da contribuinte a notas canceladas, observou ter constatado, no início do procedimento fiscal, a falta de 2.621 notas fiscais nos arquivos de operações de entrada/saída, as quais coincidiram com as notas fiscais fisicamente apresentadas nesta ocasião. Ressaltou, porém, que na resposta apresentada pelo contribuinte estes títulos foram discriminados e comprovados com os extratos de desconto/carteira de cobrança dos títulos dos diversos bancos. E acrescentou que foi efetuada pesquisa na contabilidade digital apresentada pelo contribuinte e não foram encontrados registros, confirmando que se tratavam de títulos cancelados, repitase, embora constassem nos extratos de desconto/cobrança de títulos apresentados. Ressaltese: a Fiscalização correlacionou os números de notas fiscais de saídas canceladas com os títulos constantes de extratos de desconto/cobrança apresentados pela contribuinte para justificar os lançamentos na conta “Adiantamento a Fornecedores” sob o histórico “Valor Líquido Emprést. Diversos”, recebidos pela contribuinte. Mais uma intimação é lavrada reiterando a necessidade de esclarecimentos omitidos, bem como informando à contribuinte quais documentos foram recebidos na resposta encaminhada por via postal, e exigindo, complementarmente, a apresentação das Notas Fiscais de venda referentes aos títulos constantes na resposta e nos documentos apresentados. A contribuinte responde afirmando apresentar a segunda via das notas fiscais correspondentes (fls. 2694/2754), mas a Fiscalização diz que a apresentação foi parcial e que tais notas fiscais corresponderiam às operações inseridas na resposta inicial sem qualquer questionamento fiscal, regularmente contabilizadas como operações de desconto. Assim, as duplicatas recebidas e contabilizadas na conta “Adiantamento a Fornecedores” permaneceram dissociadas das correspondentes notas fiscais de venda. A contribuinte esquivouse de apresentar a comprovação das receitas que corresponderiam às Fl. 6948DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 39 38 duplicatas cobradas/descontadas contabilizadas na conta “Adiantamento a Fornecedores”, reportandose a operações regulares que não foram objeto de questionamento pela Fiscalização. Na intimação subseqüente, a autoridade fiscal insiste na prestação dos esclarecimentos omitidos, bem como relaciona as notas fiscais que deixaram de ser apresentadas na resposta à intimação anterior. Exige, ainda, a apresentação, em meio magnético, dos extratos bancários das contas correntes e de movimentação das carteiras de cobrança/desconto de títulos, referentes ao anocalendário 2008. A contribuinte afirmou já ter apresentado as notas fiscais exigidas, exceto uma que não teria vinculação com os valores em questão, e alegou não possuir os documentos bancários exigidos, bem como invocou sigilo bancário (fls. 2755/2760). A autoridade fiscal reconheceu que houve erro na indicação das notas fiscais exigidas, e relacionou novo conjunto de notas fiscais a serem apresentadas. Apresentou à contribuinte a comparação entre títulos regularmente contabilizados e com correspondência em nota fiscal de venda, e título sacado contra pessoa jurídica diversa daquela indicada em nota fiscal cancelada, assim descrevendo esta segunda situação: Por outro lado, o Título 172308, tem como sacado no extrato a empresa Panevale Comércio e Rep. Ltda e representa a parcela nº 5 do valor de R$ 6.916,08. Confrontandose com a NF 172308, nota essa que o contribuinte entregou por ocasião da resposta a intimação 07, observase que se trata de uma NF de VENDA CANCELADA, efetuada à empresa Comercial de Móveis Daltel Ltda. Esse fato foi constatado para todas as NF apresentadas em resposta à intimação 07. TODAS AS NF CONSTAM COMO CANCELADAS, EMBORA ESTEJAM DISCRIMINADAS (NÚMERO DO TÍTULO, NOME DA EMPRESA E VALOR) NOS EXTRATOS DAS CARTEIRAS DE COBRANÇA E/OU CARTEIRA DE DESCONTO. Reiterou, ainda, a exigência de esclarecimentos acerca do recebimento de títulos contabilizados na conta “Adiantamento a Fornecedores”, que não foram integralmente prestados desde a primeira intimação feita a este respeito. Em que pese a clareza da intimação fiscal, a contribuinte apenas informa que apresentou as notas fiscais anteriormente (fls. 2761/2769). Por esta razão, a Fiscalização lavra outras intimações de teor semelhante, refutando a alegação da contribuinte de que já teria apresentado os documentos correspondentes, e observando que a falta de esclarecimentos acerca dos valores contabilizados na conta “Adiantamento a Fornecedores” sob o histórico “Valor Líquido Emprést. Diversos”, demonstrados em planilha anexa (fls. 2795/3084) ensejaria lançamento em razão de omissão de receitas. Contudo, as respostas da contribuinte veicularam apenas questionamentos acerca do prazo concedido e alegações de sigilo bancário (fls. 2770/2782 e 2783/2794). Como se vê, entre a primeira intimação lavrada em 14/10/2011 (fl 1637/1638) e o último termo de intimação de 13/07/2012 (fls. 2783/2784), a autoridade fiscal, por diversas vezes, exigiu da contribuinte a demonstração de que as duplicatas recebidas e contabilizadas a crédito da conta “Adiantamento a Fornecedores” teriam correspondência com notas fiscais de venda regularmente emitidas e contabilizadas. Subsistiu, porém, a constatação de que os títulos recebidos nas instituições financeiras corresponderiam a números de notas fiscais canceladas, indicando como sacado clientes distintos daqueles originalmente apontados nas notas fiscais canceladas. Além disso, a nota fiscal cancelada reportada pela Fiscalização em Fl. 6949DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 40 39 seu exemplo comparativo evidencia que inexistia qualquer correspondência, também, entre o valor faturado, ou suas parcelas (fl. 2791). O lançamento, assim, recai sobre os créditos questionados constantes dos extratos de desconto/cobrança de duplicatas apresentados pelo contribuinte. A autoridade fiscal assevera que os lançamentos sob o histórico “Valor Líquido Emprést. Diversos” não representam a realidade dos fatos, configurandose como omissão de receitas. Insiste que os clientes efetuaram a quitação dos títulos junto aos bancos apesar de as vendas não terem sido lançadas na conta Clientes, e que a contribuinte reiteradamente vinculou as operações bancárias a notas fiscais canceladas. A acusação fiscal, assim, é no sentido de que o contribuinte incluiu na contabilidade os valores obtidos com a operação bancária de desconto de títulos utilizandoos nas saídas de numerário registrados na conta Adiantamento a Fornecedores sem que os valores fossem registrados como receita de vendas. O fiscal autuante promove, então, a adição dos valores não declarados como receita de vendas e cuja origem dos depósitos bancários ocorridos durante a operação de desconto de títulos não foi comprovada pelo contribuinte. Por sua vez, a presunção estabelecida na Lei nº 9.430/96 é no seguinte sentido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido Fl. 6950DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 41 40 apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Nestes termos, não há dúvida que depósitos bancários oriundos de operações de desconto ou cobrança de duplicatas podem se prestar como indício da presunção legal de omissão de receitas quando o sujeito passivo, intimado, não comprovar a operação de venda que daria suporte à duplicata recebida. Em tais condições, não se verifica a comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos utilizados nessas operações, e o depósito bancário tem apenas o título de duplicata cobrada ou descontada, mas não sua substância. De outro lado, se o sujeito passivo demonstra que o depósito tem por origem duplicata correspondente a operação de venda, cumpre à Fiscalização investigar se a receita daí decorrente foi oferecida à tributação e, em caso negativo, promover sua tributação na forma prevista no art. 42, §2o da Lei nº 9.430/96, ou seja, segundo as normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. No presente caso, a autoridade fiscal reuniu evidências de que a contribuinte efetivamente foi beneficiada, em suas contas bancárias, com créditos decorrentes de operações de cobrança/desconto de duplicatas vinculadas a notas fiscais canceladas. Demonstrou que os sacados nos títulos eram distintos daqueles indicados como destinatários nas notas fiscais canceladas e, assim concluiu, que os créditos bancários não corresponderiam a receitas declaradas, restando sem comprovação da origem e sujeitandose à tributação na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A autoridade julgadora de 1a instância deu outros contornos à comprovação de origem prevista na lei, assim se manifestando: No caso dos autos, ficou devidamente demonstrado que o contribuinte efetuou o desconto de títulos mercantis e utilizou os recursos decorrentes dessas operações de desconto, sem que tenha provado a existência de uma venda regularmente reconhecida como receita. Ora, se o contribuinte apresenta um título representativo de uma operação mercantil (compra e venda) e não comprova ter escriturado devidamente a operação de lhe deu origem, é correto presumir que os valores foram omitidos. Tratase de uma presunção simples, plenamente aceita pela doutrina e pela jurisprudência como suficiente para fundamentar a exigência do crédito tributário. O autuante, em razão do fato de os desconto dos títulos originarem um depósito bancário, correspondente ao valor do título, entendeu por classificar esse depósito como de origem não comprovada. Embora, nesse caso, a origem do depósito é comprovada, decorre de um desconto de duplicata mercantil, a presunção de omissão de receita está no fato de o contribuinte não ter provado a escrituração da receita representativa do título. Contudo, ao vincular o depósito a uma operação de desconto ou cobrança de duplicata o sujeito passivo apenas dá o primeiro passo na comprovação da origem do depósito. E, no presente caso, este primeiro passo evidenciou títulos correspondentes a notas fiscais de saída canceladas, emitidas em favor de pessoa jurídica distinta do sacado dos títulos. Ao final, como já dito, o depósito bancário tem apenas o título de duplicata cobrada ou descontada, mas não sua substância. Fl. 6951DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 42 41 Em suma, a autoridade fiscal identificou depósitos bancários decorrentes de cobrança/desconto de duplicatas sem o registro da correspondente receita porque as notas fiscais relativas aos títulos recebidos não foram emitidas. Por sua vez, a falta de emissão da nota fiscal impede o Fisco de tributar o valor correspondente segundo as normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, porque não é possível identificar a qual período de apuração corresponderia a operação omitida, nem mesmo seu valor original. Os fatos constatados apenas permitem afirmar que em algum momento, eventualmente até de forma parcelada, o valor foi recebido pela contribuinte. Daí a imperiosa aplicação da presunção legal para determinação do momento e da base de cálculo do fato gerador. Impróprio, assim, afirmar que a Fiscalização se antecipou na apuração da prova, reconhecendo e identificando a origem (inexiste indício). O Fisco vinculou os créditos bancários a operações de desconto de duplicatas, mas não logrou identificar quais operações mercantis dariam lastro a estas duplicatas creditadas mediante desconto ou cobrança na conta bancária da contribuinte. Válido, portanto, o uso da presunção legal tal como estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Logo, não há erro de enquadramento legal, nem mesmo descrição insuficiente ou imprecisa que dificulte a correta compreensão da autuação. Durante todo o procedimento fiscal a autoridade lançadora deu conhecimento à contribuinte dos fatos constatados, permitindolhe prestar os esclarecimentos que poderiam provar a regular origem dos valores por ela recebidos e irregularmente contabilizados na conta “Adiantamento a Fornecedores”. Ao final, expressou conclusões coerentes com os fatos apurados, e reputou não comprovada a origem dos depósitos bancários vinculados às operações questionadas. Correta, portanto, a fundamentação legal do lançamento no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não se verificando o alegado erro de direito, ou a demonstração dos fatos tributáveis por meio de presunção hominis, muito embora esta, como meio de prova, seja também admissível no processo administrativo fiscal. Em conseqüência, desnecessária se mostra qualquer oposição aos argumentos da contribuinte contrários à possibilidade de o Fisco erigir outras hipóteses de omissão de receita distintas das previstas legalmente. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento relativo à omissão de receitas. No mérito, a recorrente argúi ofensa ao princípio da tipicidade cerrada, na medida em que a Fiscalização simplesmente alegou vendas não contabilizadas por meio de presunção legal, ao passo que sua movimentação bancária está integralmente contabilizada. Contudo, como exaustivamente demonstrado, a contabilização da parcela da movimentação bancária autuada se fez mediante uso anormal da conta “Adiantamento a Fornecedores”, por meio do qual foi possível registrar e utilizar os recursos correspondentes a duplicatas cobradas e descontadas sem que a contribuinte as tivesse previamente contabilizado em conta de “Clientes”, com o correspondente registro das receitas decorrentes das vendas. Irrelevante, portanto, se a movimentação bancária estava integralmente contabilizada. Reafirma, também, a impossibilidade de presunção hominis, invocando os princípios da estrita legalidade, da reserva legal e da tipicidade. Mas, como também já exposto, a acusação fiscal está suportada pela presunção legal de omissão de receitas expressa no art. 42 Fl. 6952DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 43 42 da Lei nº 9.430/96, restando coerentes a motivação e o enquadramento legal da exigência. Inócuos, portanto, os argumentos contrários a outros meios de prova, como doutrina e jurisprudência, não aplicados no presente caso. Desnecessário, também, o pretendido arbitramento de receita pelo movimento diário das vendas, nos termos do art. 6o da Lei n. 8.846/1994, reproduzido no art. 284 do Decreto n. 3.000/99 (Regulamento IR), ou o mencionado levantamento quantitativo por espécie de produto, tratado no art. 41 da Lei nº 9.430/96. Quanto à alegação de “bitributação”, erigida a partir da premissa de que todas as suas notas fiscais foram escrituradas e computadas na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, equivocase a contribuinte ao afirmar que a acusação fiscal é no sentido de que houve omissão de receitas não contabilizadas composta por vendas com notas fiscais. A autoridade fiscal claramente acusou a contribuinte de vincular os títulos recebidos por meio de cobrança/desconto a notas fiscais de saída canceladas. Logo, não houve registro contábil ou fiscal das receitas correspondentes a referidos títulos. A acusação fiscal, como extensamente demonstrado, foi no sentido da omissão de receitas que, embora integradas à movimentação bancária da contribuinte, não foram contabilizadas como tal, subsistindo sem origem os correspondentes depósitos bancários. Deste modo, o fato de a presunção não ser oriunda da apuração do levantamento quantitativo por espécie de produto, tratada no art. 41 da Lei nº 9.430/96, não autoriza a conclusão, como quer a recorrente, de que a omissão é composta por vendas com notas fiscais que só não foram contabilizadas. A recorrente também argumenta, com suporte na decisão recorrida, que a falta de escrituração contábil seria o único motivo do Fisco para presunção simples de omissão de receitas oriundas de títulos descontados, nada mais. Assevera que a Fiscalização não identificou falta de registro de notas fiscais no Livro Registro de Saídas, e que provavelmente comparou o livro fiscal com a escrituração contábil e com o DACON, não apurando qualquer diferença de quantidade e valores nos confrontos dos livros. E destaca que também não foi identificada duplicatas nem notas fiscais correspondentes, vinculadas a contabilização das operações de descontos, de modo que nada comprova uma real omissão de receita. Evidenciase, nestes argumentos, a pretensão da recorrente no sentido de excluir a possibilidade de presunção de omissão de receitas na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A escrituração contábil, como destacado pela autoridade julgadora, revelou a movimentação bancária de origem não comprovada pela contribuinte, vez que não demonstradas as operações mercantis vinculadas às duplicatas descontadas/cobradas. E esta providência é suficiente para a presunção legal de omissão de receitas, dispensando a Fiscalização de apurar a mencionada falta de registro de notas fiscais nos livros fiscais ou a falta de contabilização de notas fiscais ou duplicatas regularmente emitidas. Quanto à falta de prova dos indícios que autorizam a presunção, imprópria a afirmação da contribuinte no sentido de que não foi juntado aos autos qualquer cópia do Livro Diário e nem cópia do Livro Razão Auxiliar. O extrato do Livro Razão correspondente aos registros de baixa de duplicatas em contrapartida à conta de “Adiantamento a Fornecedores”, contabilizados sob o histórico “Valor Líq. Emprest. Diversos”, está juntado às fls. 2795/3085 demonstrando a data dos depósitos cuja origem não restou comprovada. Fl. 6953DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 44 43 A recorrente assevera que, por não ser emissão gráfica, a planilha não é extrato em papel nem digital oriundo das contas contábeis, e alega não haver nenhuma semelhança do formato da planilha com o leiaute das contas contábeis. Todavia, sua contabilidade digital foi apresentada à Fiscalização, e referidos registros contábeis foram por diversas vezes submetidos à sua apreciação no curso do procedimento fiscal, não se verificando qualquer oposição sua nestas ocasiões. Assim, se alguma incompatibilidade existe entre tais relatórios e seus registros contábeis, cumprialhe demonstrálos documentalmente, e não apenas desqualificar formalmente a prova fiscal. A acusação, ao contrário do que insiste a recorrente, está suportada em provas e em vastas evidências reunidas no curso do procedimento fiscal com a regular participação da fiscalizada. Não se trata, aqui, de afirmações fiscais vagas, cuja confirmação estaria prejudicada pela alegada impossibilidade de vista e verificação da escrituração contábil. Em verdade, omissa foi a conduta da contribuinte durante o procedimento fiscal e em suas defesas, quando, por diversas vezes intimada, poderia ter demonstrado que os títulos recebidos por meio de cobrança/desconto bancário teriam correlação com operações mercantis regularmente contabilizadas, ou mesmo negado o recebimento dos valores registrados em sua contabilidade. Diante deste contexto, a partir da própria escrituração elaborada pela interessada, a autoridade fiscal somente conseguiu extrair a conclusão de que os títulos recebidos não se correlacionariam com receitas oferecidas a tributação porque manteriam relação com notas fiscais canceladas originalmente emitidas contra pessoas jurídicas diversas daquelas contra as quais foram sacados os títulos. Resta evidenciado, assim, que o autor da exigência fiscal produziu a prova da vinculação entre o fato presuntivo e presumido, ao contrário do que defende a interessada. Por sua vez, a mencionada contraprova juntada à impugnação, negando os fatos constitutivos do direito do autuante, por meio da qual a contribuinte correlaciona as notas fiscais com as duplicatas, evidenciando os detalhes de identificação de cada duplicata descontada vinculada a sua respectiva nota fiscal de venda, em nada afeta a acusação fiscal. Como demonstrado, nas intimações e no relatório fiscal foi reconhecido o regular procedimento de reconhecimento contábil e fiscal das receitas correspondentes a notas fiscais emitidas, bem como de contabilização das operações de desconto/cobrança. Distintamente, as operações de desconto/cobrança contabilizadas com o uso anormal da conta “Adiantamento a Fornecedores”, vinculadas a duplicatas de numeração diferente daquelas apontadas na referida contraprova, subsistem sem correlação com notas fiscais de venda, de modo a evidenciar a origem dos depósitos bancários questionados pela Fiscalização. Esta a razão, inclusive, para a autoridade julgadora ter exigido a questionada vinculação com a escrituração contábil, nos seguintes termos extraídos da decisão recorrida: O contribuinte apresentou uma “Relação de Notas Fiscais e Duplicatas”, discriminando a nota fiscal, data de emissão, cliente e valor (fls. 3240/3450), logo em seguida (fls. 3453/6806), fraciona essa relação e apresenta a cópia da nota fiscal correspondente. Ocorre que esses documentos isoladamente nada provam. Esperavase que o contribuinte vinculasse as notas fiscais e sua contabilização aos respectivos títulos descontados e também esclarecesse o porquê do lançamento da liquidação dos títulos ter se dado com a utilização da conta Adiantamento a Fornecedores. A referida listagem não demonstra nada disso. Fl. 6954DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 45 44 Em verdade, a conduta da recorrente assemelhase ao que já verificado durante o procedimento fiscal, quando acabou por conturbálo apresentando documentos que não foram solicitados pela Fiscalização, mas que estariam regularmente contabilizados. A recorrente, reportandose à decisão recorrida, também diz que doze intimações fiscais solicitaram como prova documentos bancários de títulos descontados junto à rede bancária, ao passo que nos termos da Lei Complementar nº 105/2001, a Administração Pública determinou o poderdever do AuditorFiscal de requerer documentos às instituições financeiras. Novamente equivocase a recorrente. De posse da escrituração contábil digital da contribuinte, a autoridade fiscal selecionou amostragem de operações de desconto/cobrança de títulos e logrou obter, junto à contribuinte, os documentos bancários correspondentes evidenciando a identidade entre os títulos recebidos e notas fiscais canceladas ao longo do anocalendário 2008. Constatou, a partir daí, que a contribuinte baixou tais títulos em contrapartida a conta de “Adiantamento a Fornecedores” porque não havia promovido o correspondente registro da receita em contrapartida à conta de “Clientes”. Identificados, contabilmente, os lançamentos contábeis irregularmente promovidos para reconhecimento dos valores recebidos em razão destas operações de cobrança/desconto, a autoridade fiscal não tinha a obrigação de requerer documentos às instituições financeiras. A recorrente, por meio destes questionamentos, pretende colocar em dúvida sua própria escrituração, e ainda impor ao Fisco o dever de correlacionar as duplicatas recebidas a receitas omitidas, como se a autoridade lançadora assim não tivesse procedido, ao identificar que os títulos cobrados/descontados correspondiam a notas fiscais canceladas. Em suma, a autoridade fiscal desqualificou, validamente, a origem contábil dos depósitos bancários, evidenciando que os títulos cobrados/descontados não correspondiam a notas fiscais de venda, mas sim a notas fiscais canceladas. Constituído o indício da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96, correto atribuir ao contribuinte prova documental não apresentada, em razão da inversão do ônus da prova que decorre da presunção legal. A defesa prossegue discorrendo sobre a presunção de legitimidade dos atos administrativos e sobre o dever de prova do Fisco acerca da inveracidade dos fatos registrados na escrituração contábil, mas, como dito, a autoridade fiscal fundamentou a exigência, justamente, nos elementos da escrituração contábil e fiscal da contribuinte, e na inexistência do registro da receita correspondente aos títulos cobrados/descontados. Quanto à mencionada arbitrariedade da Fiscalização por exigir documentos bancários em papel, na forma original ou autenticada, bem como requerer a apresentação de 4.923 documentos bancários para apresentação em 19 (dezenove) dias, restou evidente na exposição do procedimento fiscal que a contribuinte não fez qualquer alegação neste sentido, nem requereu prorrogação de prazo para atendimento às intimações, as quais, por sinal, se estenderam de 14/10/2011 a 13/07/2012, e não pelos 19 (dezenove) dias mencionados. Ao contrário, a contribuinte reiteradamente se recusou a apresentar os documentos exigidos invocando seu direito a sigilo bancário, muito embora o art. 264 do Decreto nº 3.000/99 a obrigue a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fl. 6955DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 46 45 A recorrente, questiona, ainda, a abordagem contábil elaborada pela Fiscalização e pela autoridade julgadora de 1a instância, afirmandoas confusas e sem fundamento em norma contábil, e desqualificando as conclusões porque sem lastro em sua escrituração contábil que não foi juntada aos autos. Como abordado na preliminar de nulidade, a abordagem fiscal acerca dos procedimentos contábeis da contribuinte nada apresenta de irregular, e evidencia de forma consistente não só o registro do recebimento de duplicatas sem a contabilização da correspondente receita, bem como a utilização dos valores daí decorrentes, por meio da conta coringa “Adiantamento a Fornecedores”. Assim, cumpriria à contribuinte materializar sua inconformidade, e não apenas desqualificar o procedimento fiscal mediante adjetivações. A recorrente afirma, ainda, que a Fiscalização teria realizado diligências fiscais em terceiros, nas quais não foi comprovada venda sem emissão de notas fiscais, por parte da autuada, e, constatado a não concretização de várias operações mercantis pelo cancelamento de notas fiscais. Vejase, porém, que a contribuinte apenas alega tais fatos, sem juntar qualquer evidência a respeito. De outro lado, se a Fiscalização efetivamente intimou contribuintes que figuravam nas notas fiscais canceladas e estes confirmaram que as operações mercantis não se concretizaram, tais providências apenas reforçariam a acusação fiscal de que os recebimentos de títulos identificados pelos números destas notas fiscais canceladas corresponderiam a receitas omitidas pelo sujeito passivo. Ilógico, portanto, cogitar que a Fiscalização pretenderia evitar os efeitos das respostas dos clientes diligenciados, por terem informado que as notas fiscais canceladas são oriundas da não concretização de operações mercantis. Enfatizese, por oportuno, que o procedimento fiscal em tela não se assemelha a outros nos quais a presunção de omissão de receitas é apurada a partir de depósitos de origem não comprovada individualmente questionados pela Fiscalização. No presente caso, os depósitos bancários foram contabilizados pelo sujeito passivo, circunstância em que a Fiscalização deve, como fez, desconstituir a origem contábil dos ingressos. Assim, uma vez questionada a contribuinte acerca da validade dos registros contábeis correspondentes aos depósitos bancários, está sendo exigida a comprovação da origem destes valores individualizados na contabilidade, de modo que é desnecessária a intimação para comprovação da origem de cada depósito, como acontece nos demais casos de depósitos bancários não contabilizados. Em tais circunstâncias, não se está dispensando a intimação individualizada da comprovação da origem dos depósitos bancários para formação da presunção legal, mas sim afirmando que este requisito legal está atendido pela lavratura de intimações que exigem a comprovação da origem dos lançamentos contábeis que se destinaram a registrar os correspondentes depósitos bancários. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à infração de omissão de receitas. Na seqüência, a recorrente se opõe ao agravamento da penalidade, diz que todas as intimações foram respondidas nos prazos legais, sem qualquer intuito deliberado de dificultar a ação fiscal, e expondo recusas justificáveis. Não houve embaraço à fiscalização e foram entregues a escrituração digital e várias planilhas digitais. Enfatiza o relato contido nos itens 2.3 a 2.7 de sua impugnação, e reitera as exigências fiscais acerca da forma de apresentação dos documentos exigidos, e o prazo limitado para atendêlas. Fl. 6956DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 47 46 O art. 44, § 2º da Lei nº 9.430/96 estabelece que se o sujeito passivo não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas aplicadas nos lançamentos de ofício passam a ser de 112,5% ou 225%, conforme o caso. A autoridade fiscal, por sua vez, no capítulo destinado ao agravamento da penalidade na Informação Fiscal (fls. 3089/3132) fez referências a diversas ocasiões em que a contribuinte deixou de apresentar os documentos exigidos, por vezes apresentando respostas lacônicas ou recusas injustificadas. Concluiu, nestes termos, que no decorrer do procedimento fiscal é nítida a resistência da autuada no atendimento às intimações fiscais com a recusa em esclarecer os fatos objeto de intimação e de apresentar a documentação solicitada com o intuito deliberado de dificultar a ação fiscal. E, como exposto na abordagem da preliminar de nulidade, houve itens das intimações fiscais que, embora reiterados sucessivas vezes, não foram atendidos pela contribuinte. Outros, como também demonstrado, não foram esclarecidos, embora a contribuinte tenha apresentado resposta à intimação discorrendo sobre aspectos não questionados e alegando a apresentação de documentos que não foram entregues, de modo a conferir uma aparente regularidade à sua conduta. Por fim, invocou a proteção do sigilo bancário para não apresentar documentos de sua escrituração contábil, como comprovantes de despesa e de recebimento de títulos em cobrança/desconto. Impróprias, assim, as referências a manifestações do Supremo Tribunal Federal acerca do acesso da Receita Federal a informações bancárias dos sujeitos passivos, bem como a jurisprudência invocada, contrária ao agravamento quando há resposta por parte do fiscalizado, ou a autoridade lançadora se utiliza da documentação entregue para efetivar o lançamento. Ainda que respostas tenham sido apresentadas, esclarecimentos deixaram de ser prestados pelo sujeito passivo, e com base nos elementos parcialmente obtidos foi possível promover o lançamento, mas somente depois de sucessivas reintimações fiscais, providência que autoriza o agravamento da penalidade. Por estas razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao agravamento da penalidade. Por fim, quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de ofício, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão nº 910100.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante à questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Em razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. Fl. 6957DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 48 47 No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1o, do CTN: "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1o). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Fl. 6958DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 49 48 Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 1o). § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 2o). § 3o A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei nº 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: Fl. 6959DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 50 49 REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: Súmula CARFn° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos à taxa Selic. Ademais, recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça manifestouse neste sentido, como exposto na ementa do acórdão proferido em sede de AgRg no REsp 1.335.688PR (Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. Colhese do respectivo voto condutor: [...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve Fl. 6960DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13005.722428/201251 Acórdão n.º 1101001.035 S1C1T1 Fl. 51 50 recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário apenas para afastar parcialmente as glosas de créditos na apuração nãocumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS, como antes demonstrado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 6961DF CARF MF Impresso em 18/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 11516.007838/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 07 83 8/ 20 08 -0 4 Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Resolução nº 2402000.421 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à contribuição previdenciária desses segurados não retidas e não recolhidas, para as competências 01/2005 a 10/2008. O Relatório Fiscal (fls. 15/31) informa que a contribuição previdenciária foi apurada por aferição indireta com base na mão de obra contida no Custo Unitário Básico (CUB), aplicado nas seguintes obras: 1. Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76), período 07/2004 a 01/2007; 2. Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76), período 01/2006 a 05/2008; 3. Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73), período 05/2004 a 05/2007; 4. Residencial Alaíde (CEI 40.580.00648/79), período 08/2003 a 05/2005. Consta ainda do lançamento fiscal o levantamento PA Pagamento autônomo, relativo às competências 01/2005, 02/2005, 07/2007, 08/2007 e 10/2007. Em síntese, as razões e motivações do lançamento das contribuições previdenciárias apuradas por aferição indireta da mão de obra utilizada nas edificações supracitadas foram: 1. Cita a fiscalização que por meio do exame dos livros Diário e Razão e da documentação de Caixa referente aos lançamentos contábeis, que a empresa não observa os princípios contábeis em sua escrituração. Discorre sobre os princípios contábeis geralmente aceitos; 2. Informa que do exame nos livros contábeis e folha de pagamento constatou que a empresa não registrou todas as despesas efetuadas com as obras que realizou. Na obra denominada Residencial Guimarães, consta folha de pagamento relativo as competências 07/2004 a 11/2004, e não consta registro contábeis nos centros de custos 1.1.3.5, relativos a este período. Relata que a citada obra iniciou em 07/2004, conforme consta de folha de pagamento apresentada pela empresa, com admissão de 04 empregados nesta competência. Não consta registros contábeis relativos às despesas iniciais da obra, tais como preparação do terreno, despesas de projeto e plantas, despesas com água e luz, impostos sobre a folha de pagamento. O centro de custo relativo a esta obra contem registros de lançamentos contábeis apenas a partir do ano de 2005. Informa que a empresa deixou de lançar em títulos próprio despesas com Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Resolução nº 2402000.421 S2C4T2 Fl. 4 3 remuneração e que este fato fere os princípios da oportunidade, continuidade e competência. O balanço patrimonial apresentado no ano de 2004, não apresenta registro com a obra Residencial Guimarães, de forma que este não espelha a realidade; 3. Da análise da folha de pagamento da empresa, informa que a empresa não possui em seu quadro de empregados engenheiros, e não consta dos registros contábeis pagamentos a estes profissionais, exceto para a obra Residencial Alaíde. Não existem registros de despesas, na execução das demais obras com relação aos mesmos; 4. Cita que não consta diversos registros de despesas correntes e essenciais nas obras verificadas. Como exemplo, relata que a obra Residencial Bernardo Koerich, centro de custo 1.1.14, não consta despesas relativas a confecção de plantas e projetos, serviços de sondagens, serviços de terraplanagem e estaqueamento. Não consta lançamentos relativos a pagamento de profissionais habilitados. Este fato também foi constatado na obra Residencial Alaíde, centro de custo 1.1.3.2. Cita que constam registro de despesas com terreno, ferragens, concretagem, argamassa, salários e encargos, previdência social, FGTS, materiais, fretes, impostos, água, luz e esgoto. Cita que não consta registro de despesas com alimentação dos empregados; 5. Não consta registro contábil das despesas com a contratação do engenheiro civil João Batista Simon Flausino, cujos serviços constam de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), em anexo. Os serviços foram relativos a projeto arquitetônico e complementares do Residencial Bernardo Vicente Koerich. Relata que a contratação do respectivo profissional foi por meio da empresa Solidez Engenharia e Informática Ltda e não constam registros contábeis referentes a pagamentos para a citada empresa. Que este fato ratifica a constatação de que a empresa não registra despesas com profissionais em diversas obras realizadas. O mesmo fato foi apurado com relação a engenheira civil Rosangela Cechella Philippi, contratada para efetuar projeto e execução do Residencial Pedro Coelho, com honorário de R$ 1.200,00, conforme consta de ART em anexo, sendo que não consta registro contábil relativo a mencionada despesa; 6. Relata que a escrituração contábil utilizase de históricos que não fornecem informações claras e precisas sobre os lançamentos, e cita as contas Caixa e Bancos, nas quais rotineiramente constam termos que não traduzem a natureza das operações realizadas, posto que se apresentam apenas com descrições como “deposito bancário” e “retirada bancária”, sendo que estes lançamentos envolvem em contrapartida débitos ou créditos na conta caixa. A contabilização da forma como é praticada viola resolução do Conselho Federal de Contabilidade no que se refere a qualidade ou atributo da informação contábil; 7. Cita que, considerando os fatos apurados, os salários de contribuição das obras foram apurados por aferição indireta com base na área construída, Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Resolução nº 2402000.421 S2C4T2 Fl. 5 4 tendo como parâmetro para a apuração da mão de obra empregada o Custo Unitário Básico aplicável para a construção. Apresenta quadro descritivo das obras, Residencial Guimarães, Residencial Pedro Coelho, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde , fls. 25/26 dos autos; 8. Foram considerados nos cálculos todos os salários de contribuição declarados em GFIP inequivocamente vinculados às obras, bem como 5% das despesas com fornecimento de concreto usinado, conforme demonstrativo em anexo. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 21/11/2008 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 45/61) – acompanha de anexos de fls. 62/560, alegando, em síntese, que: 1. informa que as obras Residencial Dona Martha, Residencial Bernardo Koerich e Residencial Alaíde foram objeto de ações judiciais movidas pela empresa autuada, antes da ação fiscal desenvolvida na empresa. As ações foram motivadas pela recusa do órgão fiscalizador à época, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em conceder a Certidão Negativa de Débito (CND) relativa. as obras mencionadas, quando da solicitação desta, ao término das obras. As ações ordinárias foram de n° 2004.72.00.0076820 (Residencial Dona Martha), 2007.72.00.0115527, (Residencial Bernardo Koerich) e 2005.72.00.0105124 (Residencial Alaíde). Alega que os processos judiciais foram favoráveis à empresa e estes apresentam perícia contábil e que estas indicam que a empresa tem contabilidade formal e regular, e que em momento algum feriu os princípios contábeis geralmente aceitos, conforme afirma a fiscalização. Apresenta documentação relativa às citadas ações judiciais ordinárias em anexo; 2. com relação ao Residencial Bernardo Koerich, ação judicial relativa ao processo 2007.72.00.0115527, informa que foi efetuado depósito judicial no valor de R$208.400,59, conforme extrato juntado aos autos; 3. com relação ao Residencial Guimarães, alega que os empregados relacionados no anexo II dos autos não pertencem a esta obra e tão somente ao Residencial Bernardo Koerich, conforme documentos anexados, sendo que este se encontra com ação em juízo e com perícia judicial deferida; 4. com relação aos contribuintes individuais (engenheiros) citados pela fiscalização, informa que juntou cópias de documentos contábeis, bem como de recolhimentos e GFIPs; 5. alega que o Residencial Guimarães foi adquirido em 09/11/2004 da empresa H.SELL Empreendimentos Ltda, por contrato de permuta, sendo que o terreno foi adquirido com os projetos aprovados e obras de estaqueamento já realizadas no imóvel. Que a obra somente teve registro Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Resolução nº 2402000.421 S2C4T2 Fl. 6 5 na contabilidade a partir de abril de 2005, conforme Livro Razão e que antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento; 6. cita que as ART's de n° 26274260 e 26277252, referentes a projeto estrutural e responsabilidade técnica de acompanhamento da obra são relativas à obra Residencial São José, que se encontra em andamento. Aduz que as obras, com exceção do Residencial Guimarães não necessitam de despesas com preparação de terreno, e que as obras se iniciam com o estaqueamento, posto que os terrenos são planos; 7. discorre sobre o critério de aferição indireta e alega que esta deve ser aplicada apenas nos casos de exceção, ou seja, quando foi impossível a apuração das contribuições previdenciárias devidas através da contabilidade da empresa ou deixar esta exibir documentos pertinentes. Argumenta que a perícia judicial deferida para as obras demonstrou que a contabilidade da empresa é regular e formalizada; 8. argumenta que se ocorresse alguma deficiência na contabilidade, esta não afetaria os cálculos da previdência social a recolher, posto que este é feito de forma extra contábil; 9. aduz que, no caso de ser considerado a aferição, deve ser aplicado a atual norma vigente, a Instrução Normativa 24, de 30/04/2007, que alterou o Título V Normas e Procedimentos Aplicáveis à atividade de Construção Civil, da IN MPS/SRP n° 3 de 14/07/2005; 10. alega que não houve a intenção de sonegar qualquer tributo e que a simples inadimplência não representa crime de sonegação fiscal. Aduz que somente após o julgamento da defesa administrativa do contribuinte é que se pode falar em sonegação fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0717.603 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 572/580) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. E, com relação aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, GPS acostadas aos autos (fls. 493, 495, 497 e 499), relativo aos contribuinte individuais (levantamento PA), tratados no “item c da decisão”, ficou consignado que: “(...) cabe ao setor competente da unidade de origem, após a confirmação dos mesmo no sistema, providenciar a apropriação ao presente crédito”. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação, ressaltando que a empresa possui contabilidade regular. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Florianópolis/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processa e julgamento. É o relatório. Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Resolução nº 2402000.421 S2C4T2 Fl. 7 6 VOTO Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Analisando o processo, verificase que há questões que devem ser devidamente dirimidas pela autoridade administrativa competente (Fisco). Isso porque, um dos argumentos suscitados nas razões de recurso do contribuinte diz respeito à matéria fática relacionada com o início da obra do Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76) e com o fato gerador das contribuições devidas pelos contribuintes individuais (engenheiros), acompanhada de cópias de documentos juntados aos autos. No que tange à matéria submetida à controvérsia instaurada, o Fisco informa que o início da obra do Residencial Guimarães deuse em meados de 2004, já que foram emitidas as folhas de pagamento para período 07/2004 a 11/2004, bem como foram emitidas as GFIP's da obra para o mesmo período e com os mesmos segurados, referentes à matrícula CEI 36.550.013671/76, correspondente ao Residencial Guimarães. Em sentido contrário, a Recorrente afirma na peça recursal (fl. 605 Volume IV) que só deu início à obra, na realidade em abril 2005, conforme registro no Livro Razão n° 13 (fls. 114), antes desta data não poderia ter registro de folha de pagamento, nos seguintes termos: “[...] Logo ratifica e ficou devidamente confessado pela Autora, que houve um engano por parte dos funcionários da empresa "Arquivo Contabilidade" com referencia às obras Residencial Guimarães matr. 36.550.0136776, que os empregados, cuja as cópias constam do ANEXO II do AI n° 37.194.0486, não pertencem à obra Residencial Guimarães, mas, tão somente, ao Residencial Bernardo Koerich, matr. 36560.005893, conforme se verifica dos doc. ( ver documentos acostados a Impugnação). Foi devidamente declarado o engano a fiscala e solicitado uma retificação e anulação daqueles documentos, uma vez que somente observado o engano, no momento da auditoria fiscal, inclusive como se observa do Relatório Fiscal estes documentos nem mesmo haviam sido registrados na contabilidade da referida obra (custo). E restituir as competências recolhidas, igualmente por o engano, referente a essa mesma obra. Contudo negouse a fazêlo, afirmando que iria levantar no ato fiscal e somente os julgadores do processo é que poderiam modificar esse posicionamento. Assim devido este ato não consegue tirar a CND , ficando a mercê desse julgamento, com relação a retificação e anulação daquele procedimento efetuado por engano. [...]” A Recorrente argumenta ainda, dentre outros, que os engenheiros, apontados pelo Fisco (competências 01/2005, 02/2005 e 07/2007 a 10/2007), são contribuintes individuais, e que os recolhimento dos mesmos fora do prazo, se deu conforme artigo 79, item 3 letra "b" e subitens, de acordo com as cópias juntadas dos documentos contábeis (Impugnação), bem como os respectivos recolhimentos e GFIP's. Lembra que de acordo com o Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Resolução nº 2402000.421 S2C4T2 Fl. 8 7 ANEXO XIV da In 03 de 2005, o engenheiro esta relacionado como profissional não incluído no CUB e qualquer registro sobre o mesmo deve ser efetuado não no custo das obras mais tão somente na contabilidade referente a administração da empresa, como demais administrativo da obra, como por exemplo: o apontador, mestre de obra, vigia, almoxarife e encarregado da mesma (atualmente IN RFB 971/2009 ANEXO VIII). Por fim, a Recorrente concluiu que: “[...] Entende, igualmente a Autora, respeitáveis Julgadores que a Senhora auditora fiscal por este motivo, não poderia ter desconsiderada toda a contabilidade da mesma, e se utilizar do método da aferição indireta, quando poderia ter sido efetuado uma fiscalização pelo método normal. E mais, ratifica, que as ART's de n °s 26274260 e 26277252, referente a Projeto Estrutural e Responsabilidade Técnica pelo Acompanhamento de Construção, reportase a Obra de Construção Civil do Residencial São José, ainda em obra com prazo estimado para encerramento em maio/09. Logicamente que houve engano da senhora Auditora Fiscal em mencionar estas ART's no seu Relatório Fiscal, contudo, todos nós somos passíveis de engano. Mas aqui não vem ao caso. Somandose a isso informa igualmente que nas obras fiscalizadas e autuadas, a exceção do Residencial Guimarães, pelas razões já acima expostas, nas demais, não se verificaram despesas com a preparação do terreno, iniciando as obras com os serviços de estaqueamento, uma vez, que os terrenos, onde se localizam são planos, não necessitando os mesmos de serviços de terraplanagem e ou serviços a fins. [...]” Assim, necessitamos que a AuditoriaFiscal (Fisco) examine e emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal que foram acompanhados de várias cópias de documentos, juntados aos autos na peça recursal. Isso decorre do fato de que o trabalho de auditoria fiscal, em caso de verificação de descumprimento de obrigações tributárias, poderá acarretar o lançamento tributário, ato administrativo impositivo, de império, gravoso para os administrados. Por isso, o trabalho da fiscalização deve sempre demonstrar, com clareza e precisão, como determina a legislação, os motivos fáticos e jurídicos da lavratura da exigência. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Resolução nº 2402000.421 S2C4T2 Fl. 9 8 Decreto 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 9°. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Tal entendimento também está em consonância com o art. 50, § 1o, da Lei 9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação clara, explícita e congruente. Lei 9.784/1999 – processo administrativo federal: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...) §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou garantia dos interessados. Com isso, decido converter o presente julgamento em diligência, a fim de que o Fisco emita Parecer Fiscal sobre os argumentos trazidos na peça recursal, acompanhada de um conjunto probatório (documentos de fls. 62/580 e fls. 625/1001) – inclusive deverá verificar se efetivamente o início da obra do Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76) deuse em meados de 2004, e se tal fato foi registrado na escrituração contábil da Recorrente (Livros Diário e Razão) –, submetidos à controvérsia instaurada no presente processo. Segundo a Recorrente, esses documentos foram devidamente acostados ao processo no prazo estabelecido pela legislação de regência. Além disso, o Fisco deverá manifestase a respeito da contabilidade da Recorrente, especificamente se as obras submetidas à apuração da base de cálculo por aferição indireta possuem centro de custo por obra e se os fatos contábeis foram escriturados, de forma individualizada, em cada construção de forma escorreita, ou não. Caso haja irregularidade na escrituração contábil das obras Residencial Guimarães (CEI 36.550.01367/76), Residencial Pedro Coelho (CEI 36.550.01504/76), Residencial Bernardo Koerich (CEI 36.560.00589/73) e Residencial Alaíde (CEI 40.580.00648/79), isso deverá ser evidenciado de forma pormenorizada e por período para cada obra. Após essa providência, o Fisco deve elaborar Parecer Fiscal conclusivo sobre a necessidade, ou não, de retificação de valores contidos em cada competência, com os motivos que justificam sua posição. Por fim, após a emissão do Parecer, o Fisco deverá dar ciência à Recorrente desta decisão e do Parecer, com os demonstrativos e cópias que se fizerem necessários, e concederá prazo de 30 (trinta) dias, da ciência, para que a Recorrente, caso deseje, apresente recurso complementar. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11516.007838/200804 Resolução nº 2402000.421 S2C4T2 Fl. 10 9 CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para as providências solicitadas. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/03/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.725049/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS - EFEITOS TRIBUTÁRIOS - DECADÊNCIA.
Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido.
ÁGIO INTERNO - SIMULAÇÃO - AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO.
A reorganização societária, para ser legítima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Inobstante haver a possibilidade de existência de ágios reais, efetivos, com causa, formados dentro do mesmo grupo econômico, se os aspectos fáticos do caso concreto demonstram que o único objetivo das operações efetivadas foi tão somente fazer aparecer um ágio inexistente, carente de significado econômico e/ou negocial, tem-se como configurada a simulação, o que autoriza a glosa da amortização do ágio contabilizado.
DECADÊNCIA - DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.
Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, na contagem do prazo decadencial aplica-se o art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
MULTA DE OFÍCIO - QUALIFICAÇÃO.
A simulação tem ínsita no seu conceito a fraude, que se subsume à definição contida no art. 72 da Lei nº 4.502/64. A ação dolosa tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, aplicável a multa qualificada de 150%.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO - TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
DECORRÊNCIA - CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, o decidido em relação ao processo principal (IRPJ) aplica-se, no que couber, à CSLL.
Numero da decisão: 1301-001.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto ao mérito. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães quanto a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício, que aplicava a taxa de juros de 1% (um por cento) ao mês.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS EFEITOS TRIBUTÁRIOS DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. ÁGIO INTERNO SIMULAÇÃO AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A reorganização societária, para ser legítima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Inobstante haver a possibilidade de existência de ágios reais, efetivos, com causa, formados dentro do mesmo grupo econômico, se os aspectos fáticos do caso concreto demonstram que o único objetivo das operações efetivadas foi tão somente fazer aparecer um ágio inexistente, carente de significado econômico e/ou negocial, temse como configurada a simulação, o que autoriza a glosa da amortização do ágio contabilizado. DECADÊNCIA DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, na contagem do prazo decadencial aplicase o art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO. A simulação tem ínsita no seu conceito a fraude, que se subsume à definição contida no art. 72 da Lei nº 4.502/64. A ação dolosa tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, aplicável a multa qualificada de 150%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 50 49 /2 01 1- 05 Fl. 883DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 3 2 JUROS DE MORA TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. DECORRÊNCIA CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, o decidido em relação ao processo principal (IRPJ) aplicase, no que couber, à CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso quanto ao mérito. Vencido o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães quanto a incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício, que aplicava a taxa de juros de 1% (um por cento) ao mês. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 884DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 4 3 O litígio posto a julgamento instaurouse pela impugnação a autos de infração cientificados ao contribuinte em 03/10/2011, para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) relativos aos anos calendário de 2005 a 2010, sob acusação de: (i) dedução indevida de despesa com amortização de ágio interno nos anoscalendário de 2005 a 2010 e (ii) glosa de compensação de prejuízos/bases negativas nos anoscalendário de 2006 e 2007, tendo em vista a reversão do prejuízo de 2005. Para a 1ª infração foi imposta a multa de 150% e para a 2ª multa de 75%. A impugnação, tempestivamente apresentada, encontrase sintetizada no relatório que integra a decisão recorrida, que tomo de empréstimo. a) no tópico “Síntese fática” relata a recorrente que incorporou a empresa IRZ500 Holding Ltda. em 29/12/2004 e absorveu em sua contabilidade o ágio de R$ 29.944,555,52 por esta constituída, em 23/12/2004, com base em expectativa de rentabilidade futura atestada por laudo proferido pela Deloitte Touche Tohmatsu; que o ágio foi constituído pela IRZ500 sobre as 301.000 quotas do capital social da interessada recebidas na integralização de aumento de capital efetuado pela BRMDF Holding Ltda.; que a autoridade fiscal entendeu, equivocadamente, que os procedimentos realizados pela impugnante não possuem subsistência jurídica e não aceitou as amortizações do ágio realizadas entre 2005 e 2010; b) no tópico “Da decadência/preclusão do direito de o Fisco questionar a legalidade dos atos que deram origem ao ágio” assevera que toda a pretensão contida no lançamento fiscal nasce da intenção de desconsiderar o ágio introjetado nas contas da impugnante por conta da incorporação da IRZ500, sua controladora; que, da conjugação do art. 149, parágrafo único, e 150, § 4º, do CTN, pode se concluir que o Fisco apenas pode rever os termos do lançamento efetuado pela impugnante dentro de um período de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador; c) que, conforme critério temporal da norma contida no art. 20, do Decreto lei nº 1.598, de 1977, o ágio passa a existir para o mundo jurídico no momento da aquisição da participação societária, a partir do qual tem o Fisco o prazo de cinco anos para rever os fundamentos que lhe deram origem; que, no caso concreto, o momento da aquisição da participação e consequente internalização do ágio se deu e 29/12/2004, tendo o prazo de cinco anos se encerrado em 29/12/2009, enquanto o auto de infração foi cientificado em 03/10/2011; que, mesmo que se queira transferir a regência do prazo decadencial, ou de preclusão, para a égide do art. 173, I, do CTN, ainda, assim, restará preclusa/decaída a pretensão fiscal, pois o Fisco teria 5 anos a contar de 01/01/2005 para rever as escritas, tendo o prazo vencido em 01/01/2010; d) no tópico “Da decadência da pretensão de glosar o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa apurados no anocalendário de 2006” argui que consta da DIPJ 2006 que a impugnante estava submetida à apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real levantado mêsamês e ajustado em 31/12/2011; que, o átimo temporal escolhido pelo legislador como o momento no qual estaria concretizado o fato gerador destes tributos é em 31/12 de cada ano, quando o contribuinte deve apurar a base de cálculo de ambas as exações; e) que, em 31/12/2005 apurou os resultados negativos de IRPJ e CSLL compensáveis em exercícios subsequentes e, a teor do art. 150, § 4º, c/c art. 149, ambos do Fl. 885DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 5 4 CTN, o Fisco possuía, a partir dessa data, cinco anos para rever o lançamento efetuado pela impugnante, ou seja, até 31/12/2010; que, também neste caso, a decadência/preclusão se operaria ainda que se queira transferir a contagem do prazo quinquenal para a regência do art. 173, I, do CTN, pois o Fisco tinha cinco anos contados a partir de 01/01/2006 para rever as escritas, com o prazo vencido em 01/01/2011; f) no tópico “Da legalidade das operações de constituição e aproveitamento do ágio” argumenta que o ágio corresponde ao resultado positivo da diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor pelo método da equivalência patrimonial; que este valor pago a maior representa ativos ou expectativas de ganhos da empresa investida que não estão contabilizados em suas escriturações, mas que podem ser mensurados por meio de métodos científicos de análise; g) que os parâmetros para definir as bases legais que condicionam a geração do ágio são: a) aquisição de participação societária por valor acima do avaliado pelo patrimônio líquido; b) fundamentação econômica do ágio baseada na expectativa de rentabilidade futura da sociedade atestada por documento arquivado pela adquirente; c) desdobramento do custo de aquisição em contas representativas do valor do patrimônio líquido adquirido e do ágio pago; h) que o ágio foi constituído nas contas da IRZ500 pela integralização de aumento de seu capital social, por sua sócia majoritária a BRMDF, de 301.000 quotas sociais do capital social da interessada, as quais eram avaliadas pelo patrimônio líquido em R$ 295.398,48; que, por conta da expectativa de rentabilidade futura, a IRZ500 teve que ceder 30.239.954,00 de suas quotas sociais, contabilmente avaliadas em R$ 30.239.954,00; i) que o art. 20, do Decretolei 1598, de 1977, não exige pagamento como condição essencial para a existência do ágio, pois não especifica de que forma esta aquisição se dará; que o custo de aquisição da propriedade do controle acionário corresponde a contraprestação que o adquirente deve dar a outra parte, e esta contraprestação será exatamente aquela que é inerente ao negócio jurídico; que a integralização de capital pressupõe a transferência de um bem do patrimônio do sócio para o patrimônio da pessoa jurídica e a transferência de quotas desta pessoa jurídica para o patrimônio do sócio; j) que o “preço” ou o “pagamento” somente serão bases de existência do ágio, quando este for elemento crucial do negócio jurídico que embasa a aquisição de participação societária, como no caso da compra e venda; entretanto, na integralização de capital não se fala em “preço” ou “pagamento”, mas sim em custo da participação adquirida que pode ser suportado pela entrega de bens ou direitos, os quais também serão avaliados; que a IRZ500, portanto, ao se tornar detentora do controle da impugnante, adquiriu participação societária avaliada pelo método da equivalência patrimonial em R$ 295.398,48; no entanto, por conta da expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida (impugnante), teve que fornecer uma contraprestação avaliada em valor superior a este, correspondente ao montante que a participação adquirida lhe daria de direito nos rendimentos previstos pelo laudo pericial, o que somava a quantia de R$ 30.239.954,00; k) que apresentou à fiscalização toda documentação cabível e exigida, em especial o laudo da empresa Deloitte Touche Tohmatsu (fls. 101/160), devidamente escriturado e arquivado pela IRZ500, que fundamentava a expectativa de que o investimento tivesse alta rentabilidade no médio prazo; que, conforme § 3º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, a escrituração contábil dos fundamentos do ágio, mantida pela IRZ500, possuem presunção de Fl. 886DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 6 5 veracidade e fazem provas em favor da impugnante; para que o ágio tome corpo e exista no mundo jurídico é preciso que a investidora demonstreo em sua contabilidade; l) no tópico “Da legalidade da operação societária e da amortização do ágio incorporado” assevera que o ágio pago na aquisição do investimento não é amortizável fiscalmente, exceto na hipótese prevista nos arts. 7º, III, e 8º, “b”, pela Lei nº 9.532, de 1997; que, no presente caso, a impugnante incorporou sua controladora (IRZ500), a qual possuía em sua contabilidade investimentos na impugnante adquiridos com ágio; que, por meio desta operação pode a impugnante reunir em uma só entidade o sobre custo (ágio) com a percepção do lucro que ele representa, racionalizando a contabilidade e trazendo um ganho maior de eficiência produtiva; m) que, em nenhum momento a autoridade fiscal apontou qualquer tipo de incongruência entre a legislação societária e as operações realizadas pela MDF, pois se limitou a fazer ilações para apontar suposta simulação das operações para obtenção de benefício fiscal, o que “estaria evidenciado” pelo curto espaço de tempo em que as operações ocorreram; que, contudo, os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, e a lei societária não determinam nenhum lapso de tempo a ser observado entre a constituição do ágio e a posterior fusão da investidora pela investida; que é da racionalidade da própria Lei nº 9.532, de 1997, a reunião por meio de incorporação, entre o ágio pago pela investidora e a contabilidade da empresa na qual se espera haver o lucro futuro que ocasionou toda aquela despesa, para que ambos se encontrem; n) que, a levar em consideração o raciocínio da Fiscalização, toda empresa que fosse objeto de um investimento deveria, ela própria, avaliar se o que estão esperando dela é justo ou não; que a contabilidade da IRZ500, na qual se constituiu e contabilizou o ágio, em nada interfere na contabilidade da impugnante, por serem entidades diferentes e autônomas entre si, ainda que sejam do mesmo grupo societário, como determina o princípio contábil da entidade; que a impugnante não “constituiu um ágio de si mesma”, apenas adquiriu uma empresa, na forma prevista em lei, que anteriormente havia apostado nos resultados futuros da impugnante, suportando um custo maior por isso, e que, por determinação das normas insertas no Decretolei nº 1.598, de 1977, constituiu um ágio; que não há que se cogitar de reavaliação de ativos da impugnante, pois o ágio adquirido é um ativo de outra pessoa jurídica; que a forma como foi contabilizado o ágio em nada interfere na sua amortização e aproveitamento pela impugnante, pois o art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, apenas exige que a amortização se dê em 1/60 avos por mês; o) contesta a alegação da autoridade fiscal de que a impugnante teria aumentado seu capital social no exato montante do “benefício fiscal” que o aproveitamento do ágio geraria, ou seja, 34% do valor do ágio; alega que agiu nos estritos mandamentos legais e contábeis e da leitura da Instrução CVM 319/1999, podese perceber que em incorporações como a ocorrida no presente caso, a incorporadora não pode considerar como ativo em seu patrimônio líquido todo o ágio constante do patrimônio da sociedade incorporada, pois estes ganhos estão atrelados a eventos futuros e incertos; p) assim, quando da incorporação, a incorporadora deverá constituir no patrimônio líquido uma conta de reserva de ágio, na qual o ágio será desmembrado em dois valores: a) provisão, na incorporada, que pode vir ou não a acontecer, mantendose, desta feita, a integralidade do patrimônio líquido que será incorporado pela incorporadora; b) aquilo que é tido como certo, ou seja, o “benefício fiscal” correspondente a 34% do valor do ágio, quantia representativa do patrimônio líquido adquirido e reconhecida na conta de reserva especial de Fl. 887DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 7 6 ágio; que somente é dado à incorporadora contabilizar em seu patrimônio líquido, no momento da aquisição, a parcela do ágio incorporado que certamente se realizará (R$ 10.181.148,88), cabendo provisionar o saldo restante (R$ 19.763.406,64) para manter o patrimônio líquido da empresa incorporada; q) que é insubsistente a observação feita na autuação de que a impugnante teria aumentado seu capital sem que nenhum valor tivesse transitado por suas contas de resultado, pois o aumento de capital social pode também ser realizado pela capitalização de lucros ou reservas ou pela conversão de debêntures ou partes beneficiárias em ações; que a legislação determina que parcela do ágio adquirido por meio de incorporação seja contabilizada em conta de reserva de capital (sub conta de reserva especial de ágio na incorporação) e permite a utilização dessa reserva para aumento de capital social; que a transferência total das quotas resultantes do aumento à BRMDF foi aprovada na Quarta Alteração Contratual pela sócia minoritária, nos termos dos arts. 1071, V e VI, 1076, I e 1081, todos do Código Civil; que o art. 7º da Instrução CVM 319/1999, com a redação dada pela Instrução CVM 349/2001, possibilita a capitalização total deste valor contido nesta subconta de reserva de capital em nome do sócio majoritário; r) quanto à alegação de que o aumento de capital realizado na IRZ500 não teria sido levado à tributação, alega que o art. 36, da Lei 10.637, de 2002, em sua redação original, aplicável à época dos fatos, determinava que o imposto de renda e a contribuição social incidentes sobre o ganho de capital, neste tipo de operação, seria diferido e controlado na parte B do LALUR, passando a ser tributado somente quando a holding realizasse o investimento, excepcionando se os casos de incorporação, fusão e cisão; que a impugnante e as empresas parceiras agiram nos estritos mandamentos legais e que o Decretolei nº 1.598, de 1977, a Lei nº 9532, de 1997, e a Lei nº 10.637, de 2002, em nenhum momento operam qualquer tipo de distinção ou discriminação com o ágio em empresas ligadas ou com incorporarão de empresas ligadas; s) que a autuação pretende desconsiderar todos os mandamentos da lei civil para impor a sua vontade, a sua ânsia arrecadatória, operando distinções que a lei não fez e desrespeitando institutos de direito privado sem nenhum respaldo legal, ferindo, não só os arts. 109 e 110, do CTN, como também o princípio da legalidade tributária e a vedação de analogias para cobrança de tributos (art. 108, § 1o, CTN); que o “ágio interno” tem o mesmo tratamento legal dos outros tipos de ágio, assim como a incorporação de empresa coligada não é diferenciada daquela incorporação de empresas não ligadas; t) no tópico “Da decadência do direito de lançar multa” argui que o lançamento das multas de ofício regese pela regra geral do art. 173, I, do CTN, ou seja, a Administração possui cinco anos para lançar a multa contados do primeiro dia do exercício financeiro em que a o lançamento poderia ter sido efetuado; que, no presente caso, como o fato que teria dado origem a aplicação da sanção ocorreu em 29/12/2004, sendo comunicado em 2005, teria o Fisco cinco anos a contar de 01/01/2006 para analisar a documentação do contribuinte e lançar a multa, ou seja, teria até 31/12/2010 para lavrar o auto de infração; u) no tópico “Da inaplicabilidade da multa qualificada de 150%” relata que entendeu a fiscalização que a impugnante operou de forma simulada, “com o intuito de registrar um ágio fictício, deduzindoo da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”, o que enquadraria a conduta nas hipóteses previstas no arts. 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502/64, Fl. 888DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 8 7 ensejando a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, § 1º, da Lei 9430, de 1996, além de ter havido “evidente intuito de fraude” nas atuações da impugnante; v) aduz que, no caso da fraude, da simulação ou do conluio a norma exige pratica de atos ilícitos prévios que possibilitem ao contribuinte ocultar da fiscalização a ocorrência do fato gerador, impedindo que a Administração Tributária perceba a existência de uma obrigação tributária e constitua o crédito; que os arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 1990, ajudam a esclarecer que o dolo do agente é caracterizado como a representação do ilícito, ou seja, a visualização por ele do resultado fraude, e a intenção de praticar os atos que levem àquele resultado; que, contudo, nenhuma destas condutas foram praticadas pela impugnante, pois todos os negócios jurídicos por ela praticados foram escriturados e levados a registro na Junta Comercial do Paraná; que, da mesma forma, tanto a constituição do ágio quanto a sua incorporação e utilização foram comunicadas ao Fisco, não tendo a impugnante, em nenhum momento, ocultado suas práticas ou emitido declarações falsas; quando intimada pela fiscalização, apresentou todos os documentos solicitados em sua íntegra, não os desnaturando, muito menos falsificando; w) que quanto à suposta existência de dolo, esta não subsiste, pois a intenção deve ser voltada à prática do ilícito de fraudar, de sonegar, de falsificar declarações, de omitir, etc., o que não se coaduna com as práticas da impugnante, que foram feitas às claras, de forma verdadeira e em absoluta publicidade, não havendo possibilidade de se aplicar a multa qualificada; x) que também não há de subsistir a alegação de simulação, na qual há duas vontades: a declarada, estampada no negócio jurídico realizado, e aquela por este encobertada, a qual representa a real intenção das partes; que tal conceito não se adapta ao caso em tela, uma vez que a impugnante não só declarou sua vontade de incorporar a IRZ500, como assim o fez no mundo concreto, inclusive extinguindo aquela empresa e assumindo as relações jurídicas das quais a incorporada era partícipe; que não há divergência entre o negócio jurídico praticado e devidamente registrado na JUCEPAR e informado à RFB, e aquele que realmente tomou corpo; que, não bastassem estas incongruências na pretensão fiscalizatória, o Fisco não aponta qualquer prova concreta de que a impugnante tenha fraudado ou simulado negócio, o que daria ensejo a aplicação da sanção majorada; y) no tópico “Da impossibilidade de se fazer incidir taxa Selic sobre multa e sobre juros” alega que tal índice prestase tão somente a corrigir o valor do principal, como resta claro do dispositivo no art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, que instituiu a Selic; que tal dispositivo se encontra em consonância com os arts. 3º e 113 do CTN, que diferenciam a natureza jurídica do tributo e da multa; que, portanto, deve ser expurgada a incidência da Selic sobre a multa de ofício aplicada, bem como sobre os juros moratórios calculados; z) no pedido, requer: seja declarada a decadência do direito de o Fisco rever a contabilidade da empresa e de glosar ágio amortizado constituído em 29/12/2004; alternativamente, seja reconhecida a decadência do direito de o Fisco glosar os prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL do anocalendário de 2005, mantendo a escrita fiscal apresentada, bem como os reflexos por ela gerados para os exercícios seguintes; Fl. 889DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 9 8 no mérito, seja declarado totalmente improcedente o auto de infração lavrado, ante a legalidade das operações praticadas pela empresa, em especial a constituição e escrituração do ágio pela IRZ500 e a sua posterior incorporação e utilização pela impugnante; caso mantida a autuação, seja declarada a decadência do direito do Fisco de lançar a multa de ofício (qualificada ou não), ante o decurso do prazo decadencial contido no art. 173, I, do CTN, aplicável ao presente caso; seja afastada a aplicação da multa qualificada do art. 44, I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, ante a ausência dos pressupostos ensejadores da qualificadora e/ou por falta de comprovação por parte da autuação da existência destes elementos; seja afastada a aplicação da taxa Selic sobre os juros moratórios e sobre a multa de oficio, tanto na constituição do crédito, quanto na sua atualização até o final do presente processo administrativo; Requereu, outrossim, a eventual juntada de documentos em momento posterior. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba julgou improcedente a impugnação, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira se a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ÁGIO INTERNO. QUOTAS DO CAPITAL SOCIAL DA INTERESSADA ENTREGUES NA INTEGRALIZAÇÃO DO AUMENTO DO CAPITAL DE EMPRESA VEÍCULO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. OPERAÇÃO SEM SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. O reconhecimento do ágio interno fundamentado em expectativa de rentabilidade futura não encontra respaldo na contabilidade, pois não é possível reconhecer uma mais valia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, na operação de entrega das quotas do capital social da interessada (controlada) para integralização do aumento do capital de empresa veículo (controladora), também pertencente aos mesmos sócios, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas empresas. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 10 9 INCORPORAÇÃO PATRIMONIAL ÀS AVESSAS. EMPRESA CONTROLADA INCORPORANDO A EMPRESA CONTROLADORA. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO INTERNO ANTERIORMENTE CONSTITUÍDO PELA EMPRESA VEÍCULO. OPERAÇÃO SEM SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. INDEDUTIBILIDADE DO ÁGIO. Na operação de incorporação às avessas, na qual a controlada incorpora a controladora, a despesa com amortização do ágio interno anteriormente constituído pela empresa veículo (controladora) com base em expectativa de rentabilidade futura da interessada (controlada) é indedutível para fins fiscais, na apuração do resultado da incorporadora, em razão da ausência de substância econômica para sua constituição e da indispensável independência entre as partes envolvidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL DE EXERCÍCIO ANTERIOR. SALDO ABSORVIDO POR OUTRA INFRAÇÃO APURADA NA AÇÃO FISCAL. É indevida a compensação do prejuízo fiscal de exercício anterior cujo valor foi integralmente absorvido por outra infração apurada na ação fiscal, qual seja, a glosa da despesa com amortização de ágio interno. POSSIBILIDADE DE FISCALIZAÇÃO DE FATOS OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. DECADÊNCIA. EFEITOS TRIBUTÁRIOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. Os contribuintes estão sujeitos à fiscalização de fatos ocorridos há mais de cinco anos, ainda que não seja mais possível efetuar exigência tributária, em face da decadência, quando houver repercussão de seus efeitos em exercícios futuros ainda não decaídos; assim, não há como se iniciar a contagem do prazo decadencial no momento da constituição do ágio interno, pois não havia ainda crédito tributário algum a ser constituído; apenas com o início da amortização do ágio interno passou a haver redução indevida do resultado tributável, quando, então, foi iniciada a contagem do prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública efetuar o pertinente lançamento de ofício, inclusive com a correspondente multa de ofício. DECADÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, aplica se na contagem do prazo decadencial o art. 173, I do CTN, tendo como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Aplicável a multa qualificada de 150% quando caracterizado que a interessada agiu de maneira dolosa para criar condições artificiais para possibilitar a amortização indevida de ágio gerado internamente, mediante utilização de empresa veículo, Fl. 891DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 11 10 em transações que não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL. Ciente da decisão em 03/03/2012, a interessada ingressou com recurso em 02/04/2012, reeditando as razões da impugnação e reforçandoas com algumas considerações. Especificamente sobre decadência/preculsão, destaca que, ao contrário do que quer fazer parecer a decisão recorrida, não se está a falar do próprio crédito tributário, ou do seu fato gerador, mas sim da constituição/apuração do custo amortizável e da capacidade do Fisco de impugnálo após mais de seis anos de ter ele sido informado às autoridades fiscais. Diz que se discute a preclusão do direito da Administração Tributária de homologar as informações prestadas pelo contribuinte quando do “autolançamento” por ele praticado. Aponta ser equivocada a noção de que a homologação tem por objeto o crédito tributário constituído quando, na verdade, tem por destinatário todas as informações prestadas pelo contribuinte em suas declarações. Afirma não estar provada a ocorrência de fraude, e faz referência a doutrina de Eurico Diniz de Santo, segundo a qual a Fazenda teria o prazo de 5 anos, contados do fato gerador, para apurar a existência de dolo, fraude ou simulação. Alega, que, uma vez constituído e declarado em 29/12/2004 o ágio existente em sua contabilidade, fruto de operações societárias devidamente levadas a público, no prazo de 5 anos dessa data, a fiscalização deveria ter levantado a existência de qualquer vício para desconstituir o custo lançado pela empresa, o que só foi feito em 03/10/2012, quase sete anos depois. Reportase a julgado do CARF (Ac. CSRF/0105.644). Faz referência, também, a julgado do Conselho em recurso de ofício, no processo nº 18471.001919/200552, no qual restou assentado que a contagem do prazo legal de decadência para que o fisco altere o valor do saldo de prejuízo fiscal deve ter início no período em que o prejuízo foi apurado e não no período em que foi aproveitado. Quanto ao mérito propriamente dito, alega que o auto de infração, encampado pela decisão recorrida, pretende desconstituir as operações que deram origem ao ágio. E repete toda a argumentação de defesa desenvolvida na impugnação. É o relatório. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 12 11 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo e em conformidade com as disposições legais e regimentais pertinentes. Dele conheço. Como preliminar, a Recorrente alega, em síntese, que no ano de 2011 o Fisco não mais poderia verificar a regularidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, alcançados pela preclusão, haja vista o transcurso do prazo decadencial de cinco anos entre os fatos que propiciaram o surgimento desse ágio, ocorridos no ano 2004, e a lavratura dos autos de infração. Esse tema já foi por mim apreciado em julgamentos anteriores, a exemplo do Acórdão nº 1301000.999, que também analisava amortização de ágio, e no qual expressei o seguinte entendimento: “Na análise da decadência envolvendo fatos pretéritos com repercussão futura, a primeira distinção a ser feita é quanto ao fato que está repercutindo, a fim de avaliar se o lançamento que está sendo efetuado (por repercussão do fato pretérito) implica alteração de resultado fiscal alcançado pela decadência. Sendo mais claro, não pode a fiscalização glosar compensação de prejuízo fiscal (ou base de cálculo de CSLL negativa) de período anterior, já alcançado pela decadência, porque isso implicaria em revisão de lançamento daquele período pretérito 1. No presente caso, o fato pretérito que está repercutindo no lançamento não é resultado fiscal de período anterior, mas reorganização societária que a fiscalização imputou artificiosa e simulada, para produzir uma despesa dedutível. E o que está sendo objeto de lançamento não são os atos societários, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por seus agentes, não valida ou invalida atos societários, mas analisa sua repercussão frente à legislação tributária e exige os tributos porventura deles decorrentes. (...) Assim, a decadência não tem por referência a data do fato registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse fato produziu o efeito de reduzir o tributo devido. Como a autoridade limitouse a lançar os tributos relativos aos períodos não alcançados pela decadência, rejeito a preliminar suscitada”. De se ressaltar que a administração tributária não interfere nos registros contábeis dos contribuintes, interessandolhe, apenas, os efeitos dos fatos (qualquer que seja a 1 A apuração de prejuízo fiscal (ou de base negativa de CSLL) resulta da determinação da matéria tributável, compreendida no procedimento do lançamento, conforme art. 142 do CTN. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 13 12 forma do seu registro) na apuração do crédito tributário. Enquanto o fato registrado não repercutir na apuração do crédito, nada pode fazer o representante do fisco. Isto posto, rejeito a alegação de “preclusão”. Destaco a existência de questões prejudiciais, que impõem determinada ordem de apreciação das matérias. Assim, a análise da decadência e da imposição da multa qualificada exige a prévia definição da ocorrência de fraude, por estar envolvida acusação de simulação. Por sua vez, a decisão sobre a procedência ou improcedência da glosa das amortizações de ágio define a procedência ou improcedência da glosa de compensação de prejuízos/bases negativas nos anoscalendário de 2006 e 2007, resultante da insuficiência de saldo em razão da reversão daqueles resultados fiscais negativos do anocalendário de 2005. Passo ao mérito. Novamente esta Turma deve enfrentar questão relacionada com a glosa na amortização de ágio, amparada nos artigos 7º, inciso III, e 8º da Lei nº 9.532/97. Quando a questão envolve ágio pago em aquisição de participações societárias no bojo de programa de privatizações, a maciça jurisprudência entende descaber a imputação de planejamento inoponível ao Fisco. Consolidouse, neste CARF, o entendimento de que, em relação às empresas participantes do programa de privatizações, as reorganizações societárias (inclusive mediante utilização de empresa veículo) para permitir a amortização do ágio pago se enquadram na situação de condutas desejadas ou induzidas pelo ordenamento, em que as empresas quantificaram seus lances levando em consideração o ganho fiscal (dedutibilidade do ágio fez parte do pacote de condições ofertadas às empresas que participaram das privatizações). Contudo, a exigência ora em julgamento não se relaciona com ágio pago na aquisição de participações societárias no processo de privatização, situação em que a tarefa do julgador restaria sobremaneira facilitada. O caso se insere na categoria do chamado “ágio interno”, que a fiscalização tem invariavelmente entendido como inexistente, e glosado a respectiva amortização, e quanto a este aspecto, entendo que a matéria tem que ser analisada caso a caso. Inicialmente, ressalto ser meu entendimento que não é todo “ágio gerado dentro do mesmo grupo” que deva ser repudiado. Por oportuno, transcrevo parte da “Declaração de Voto” do insigne Conselheiro Marcos Takata, no julgamento objeto do processo nº 10980.017128/200835 (Acórdão nº 110300.501), quando, com todo o colegiado, votou por negar provimento ao recurso voluntário, mas em declaração de voto deixou expresso que assim votava pelas características do caso, e não por se tratar de ágio gerado dentro do mesmo grupo (ágio interno). Expôs o Conselheiro: “Rendo minhas homenagens ao nobre relator. Minha declaração de voto é pertinente à questão do ágio interno. A meu ver, é indispensável e necessária a distinção entre os ágios internos, assim os formados dentro de um grupo societário: não se podem colocar os ágios internos todos numa “vala comum”. Há ágios internos e “ágios internos”. Quero com isso dizer que há ágios internos reais ou efetivos ou com causa, e ágios internos “criados” ou artificiais ou sem causa. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 14 13 Para fins jurídico tributários, o ágio interno, formado dentro do grupo societário, para ser real ou com causa, deve ter uma efetividade econômica ou um significado econômico. Suponhase que haja aumento de capital de uma sociedade e um dos sócios ou acionistas não a subscreva, sendo integralmente subscrito pelo outro sócio ou acionista (por ex., o controlador). Como a empresa em que se organiza a sociedade vale mais que seu valor contábil, o sócio ou acionista que subscrever o aumento de capital daquela irá apurar ágio no aumento de sua participação societária, para que não haja diluição injustificada do outro sócio ou acionista. É um exemplo de ágio interno real ou com causa. Há efetividade ou significado econômico nesse ágio. Imaginese que uma pessoa jurídica resolva incorporar as ações de uma controlada sua que possui minoritários. Aqui, também, se a investida vale mais que seu valor contábil, a relação de substituição de ações pode se dar com base no valor econômico da investida (e da investidora) e a incorporação de ações pode vir a ser feita por esse valor de econômico (um critério de avaliação) da investida. Haverá um ágio no investimento, pago pela incorporadora de ações, através da emissão de ações entregues aos acionistas da incorporadora de ações. Outro exemplo de ágio interno real ou com causa. Há significado econômico nesse ágio. Há pagamento pela aquisição de ações (entrega de ações da incorporadora de ações): sua contrapartida é aumento do investimento com ágio. Mais um exemplo. Uma investida pode se encontrar com passivo a descoberto (PL negativo). Não obstante, sua controladora acredita na capacidade de recuperação e de rentabilidade da empresa. Para tanto, a controladora injeta dinheiro na empresa, por aumento de capital, revertendo o passivo a descoberto da investida (PL positivo), para a capacitar à sua recuperação e à geração de rentabilidade. O novo valor de investimento da controladora é o custo de aquisição no aumento de capital (valor em dinheiro aportado): a diferença entre o valor patrimonial da investida segundo o percentual de participação da controladora (equivalência patrimonial) e o custo de aquisição é ágio. Há efetividade econômica nesse ágio. Há pagamento em dinheiro pelo aumento de capital feito: sua contrapartida é aumento do investimento com ágio. O ágio interno é real ou efetivo. São alguns exemplos entre tantas outras situações em que o ágio interno é efetivo ou real ou com causa. (...)” Portanto, no enfrentamento de cada caso concreto, é necessário delinear os contornos fáticos, analisar as particularidades que o envolvem, para interpretar e aplicar o direito. Os aspectos fáticos do caso posto a julgamento são os seguintes: Fl. 895DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 15 14 A interessada, MDF Molduras Ltda., foi constituída em 16/07/2004, com capital social de R$ 301.100,00, dividido em 301.100 quotas, sendo 301.000 pertencentes a BRMDF Denmark Holding ApS (pessoa jurídica constituída de acordo com as leis da Dinamarca) e 100 quotas de pessoa física residente no Brasil, tendo como objeto social a industrialização, comércio, importação e exportação de produtos semiacabados e acabados em madeira. Em 30/08/2004 as quotas da pessoa física foram transferidas para a Fazenda Rio Grande MDF Moulding LCC (pessoa jurídica constituída de acordo com as leis dos Estados Unidos da América). Em 20/12/2004 a BRMDF Denmark Holding ApS transfere suas 301.000 quotas à BRMDF Holding Ltda. Em 21/12/2004 é constituída a empresa IRZ 500 Holdings Ltda., com capital social de R$ 1.000,00, dividido em 1.000 quotas, sendo 900 pertencentes a Indaiana Bastiani Zanardini e 100 quotas de propriedade de Reinaldo Nunes Ferreira Júnior, tendo como objeto social a participação em outras sociedades de qualquer natureza, nacionais e estrangeiras; Em 23/12/2004 os dois sócios pessoas físicas de IRZ500 transferem suas quotas BRMDF Holdings Ltda. (999 quotas) e Fazenda Rio Grande MDF Moulding LLC (1 quota). Nessa mesma data a BRMDF Holdings Ltda. integralizou aumento do capital da IRZ500 mediante a transferência das 301.000 quotas do capital social da MDF Molduras Ltda., avaliadas ao “Valor Justo de Mercado” (aplicação da metodologia de avaliação que considera os fluxos de caixa futuros, a serem gerados pelas operações da empresa, descontados a valor presente), conforme laudo de avaliação emitido pela Deloitte Touche Tohmatsu Consultores S/C Ltda. Como as 301.000 quotas do capital social da MDF tinham valor patrimonial de R$ 295.398,48, a IRZ 500 contabilizou ágio de R$ 29.944.555,52; Em 29/12/2004 a MDF Molduras Ltda. incorpora a IRZ 500 Holdings Ltda. e a totalidade das quotas do capital social da interessada pertencentes à incorporada são transferidas à BRMDF Holdings Ltda. Em decorrência, o capital social da interessada (MDF) é aumentado em R$ 10.182.148,00 por incorporação do acervo líquido da incorporada, com emissão de 10.182.148 quotas atribuídas à BRMDF Holdings Ltda.; Em cada um dos anoscalendário de 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, a interessada contabilizou despesas com amortização de ágio e receita correspondente à amortização da provisão para manutenção da integralidade do PL, mas o valor da receita foi excluído do Lalur em 31 de dezembro de cada ano. Esses os contornos fáticos. A Recorrente contesta a glosa das amortizações buscando demonstrar que ela e suas parceiras agiram em conformidade aos estritos mandamentos veiculados pelos diplomas legais pertinentes (Decretolei nº 1.598/77, Lei nº 9.532/97 e Lei nº 10.637/2002), os quais não estabelecem qualquer distinção ou discriminação entre a constituição do ágio em empresas ligadas ou não. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 16 15 Contudo, a questão não deve ser enfrentada sob o prisma da estrita legalidade, mas sim, sob o ângulo da acusação fiscal, que foi de simulação: as reorganizações societárias teriam sido artificialmente conformadas apenas para possibilitar o aparecimento de uma despesa dedutível. Assim, não vem ao caso enfrentar cada um dos argumentos da Recorrente para demonstrar que sua atuação está conforme a lei (irrelevância de pagamento em dinheiro, inexistência de distinção, na lei, entre ágio gerado ente partes independentes e ágio gerado entre partes ligadas, etc.). O que importa, no caso, é averiguar se a contribuinte utilizou artificiosamente institutos de reorganização societária com o fim único de se colocar dentro do alcance de um regime tributário mais benéfico criado pela legislação para atingir outras situações. A reorganização societária praticada, para produzir os efeitos fiscais previsto na lei, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. Há que se perquirir se os atos praticados são reais, e não simulados. De acordo com o art. 7º, inciso III, c.c. art. 8º, b, da Lei nº 9.532/97, a pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, absorver patrimônio de outra, na qual detenha participação societária adquirida com ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto lei n° 1.598/77, poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja expectativa de resultados futuros, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente á incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração, norma essa que se aplica, inclusive, quando a empresa incorporada for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Por seu turno, o ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598/77, é a diferença positiva entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido da coligada ou controlada por ocasião da aquisição da participação. Algumas particularidades fáticas do caso concreto são relevantes para a formação da convicção quanto ao artificialismo do ágio. As reorganizações societárias praticadas para justificar as despesas contabilizadas (e glosadas) transcorreram entre os dias 23 e 29 de dezembro de 2004, e envolvem a empresa BRMDF Holding e duas empresas das quais, praticamente, era a única quotista, a Recorrente MDF Molduras e a IRZ 500 Holding2. De fato, em 23 de dezembro de 2004 BRMDF Holding Ltda. era detentora de 99,97% do capital da Recorrente e de 99,99% do capital de IRZ 500 Holding. Nessa mesma data a BRMDF Holdings Ltda. integralizou aumento do capital da IRZ500 mediante a transferência das quotas do capital social da MDF Molduras Ltda., reavaliadas com base na expectativa de resultados futuros. Em função disso, IRZ 500 Holding registrou o ágio na aquisição de investimento em MDF. Seis dias após (em 29 de dezembro) a IRZ é extinta por incorporação pela MDF, e o ágio nela registrado é transferido para MDF como ativo diferido (amortizável como despesa). 2 O outro quotista de ambas as empresas era Fazenda Rio Grande MDF Moulding LLC que, ao que sugere o nome, é emrpesa do mesmo grupo. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 17 16 Indagase: Que reorganização societária é essa, promovida em seis dias, e em que nada se alterou, pois a situação inicial, em que BRMDF Holding era praticamente a única proprietária da MDF Molduras, empresa cujo patrimônio líquido era de aproximadamente R$ 300.000,00 (em números arredondados), ao final da “reorganização relâmpago” continuou com a mesma configuração: BRMDF Holding, praticamente única proprietária da MDF Molduras, empresa com patrimônio líquido de aproximadamente R$ 300.000,00? A única diferença foi a “criação” da despesa amortizável em MDF, equivalente a 100 vezes seu patrimônio líquido. Ágio é conceituado na lei como a diferença entre o custo de aquisição e o valor do investimento segundo a equivalência patrimonial. Aquisição é meio legal de transmissão de propriedade e a lei não define a que título se faça, nem a qual modalidade de contraprestação. A ausência de pagamento em dinheiro, por si só, não invalida a escrituração do ágio. Porém, não nos olvidemos de que a acusação é de simulação relativa. Conforme Ferrara,3 Negócio simulado é o que tem uma aparência contrária à realidade, ou porque não existe em absoluto ou porque é diferente da sua aparência. Entre a forma extrínseca e a essência íntima há um contraste flagrante: o negócio que, aparentemente, é sério e eficaz, é, em si, mentiroso e fictício, ou constitui uma máscara para ocultar um negócio diferente. Esse negócio, pois, é destinado a provocar uma ilusão no público, que é levado a acreditar na sua existência ou na sua natureza, tal como aparece declarada, quando, na verdade, ou não se realizou um negócio ou se realizou outro diferente do expresso no contrato. (FERRARA, 1939, p. 51) A simulação é, pois, um vício da vontade, a vontade em desconformidade com o ato praticado. O elemento central na definição jurídica de simulação é “aparentar a realidade de uma intenção que não é a verdadeira, e que se disfarça por esse fingimento.” (De Plácido e Silva). A acusação de simulação envolve intenção de enganar. No caso concreto, enganar o fisco quanto à sinceridade na aquisição do investimento (quotas da MDF) por valor 100 vezes superior ao seu valor patrimonial, fundamentado na expectativa de resultados futuros. Qual a justificativa para IRZ 500 “adquirir”, de BRMDF, sua controladora total, a (praticamente) totalidade das quotas da MDF a um custo de aquisição com uma extraordinária mais valia baseada na expectativa de resultados futuros, se esses possíveis “resultados futuros” já eram e continuarão a ser da única controladora total de toda a cadeia, a “alienante” BRMDF Holding? Toda a vontade que comandou a “reorganização societária” foi a vontade da controladora total (BRMDF), e a verdadeira intenção não foi, sequer, possibilitar se valer das 3 FERRARA, Francisco. A Simulaçã nos Negócios Jurídicos. São Paulo: Livraria Acadêmica, 1939 Fl. 898DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 18 17 normas permissivas criadas pelo Estado para reduzir a carga tributária (o que seria legítimo), mas exclusivamente fazer aparecer um ágio inexistente. No caso concreto, o ágio não é verdadeiro, porque foi forjado pela BRMDF Holding mediante a “criação” e subsequente extinção da IRZ 500 Holding, sem qualquer justificativa negocial, impondose, portanto, a exigência fiscal. A definição do ágio contabilizado como criado artificialmente (simulado) tem repercussão na análise da decadência e da multa aplicada. Conforme jurisprudência pacífica, em caso de fraude ou simulação, o termo inicial para a decadência se rege pelo art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), o que coloca fora do alcance do instituto previsto no inciso V do art. 156 do CTN todos os fatos geradores objeto deste processo. De fato, o fato gerador mais antigo ocorreu em 2005, o lançamento poderia ter sido efetuado em 2006, e o prazo fatal seria 31/12/2011, e tendo os autos de infração sidos cientificados ao contribuinte em 03/10/2011, não há o que se falar em decadência para o fisco constituir o crédito tributário. Quanto ao percentual da multa, a simulação tem ínsita no seu conceito a fraude, que se subsume a definição contida no art. 72 da Lei nº 4.502/64: ação dolosa tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido. Assim, o percentual da multa aplicável é de 150%, conforme §1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. A aplicação da taxa Selic na quantificação dos juros de mora é objeto da Súmula CARF nº 4, a seguir transcrita, e de observância obrigatória pelos seus membros, conforme art. 72 do Regimento Interno. “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Quanto à incidência dos juros sobre a multa de ofício, permitome reproduzir parte do voto que proferi no julgamento do processo nº 16327.001043/200914, que conduziu o Acórdão 1301001.132, sessão de 05 de março de 2013: “Sobre esse tema a jurisprudência tem sido muito controvertida. Eu mesmo, por diversas vezes, tive oportunidade de enfrentálo, tendo me posicionado no sentido da incidência dos juros de mora à taxa Selic, sobre a multa de ofício, nos casos de lançamentos referentes a tributos incidentes sobre fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Após tantos debates neste CARF, que trazem a lume aspectos nem sempre considerados, convençome da necessidade de repensar o tema. Vou revisitálo, com uma reflexão sobre o alcance dos dispositivos do Código Tributário Nacional e demais atos legais que tratam dos juros de mora. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 19 18 Tudo gira em torno de uma relação obrigacional, que consiste num vínculo jurídico que une duas pessoas em torno de um objeto. Quando esse objeto se traduz numa prestação em dinheiro, vista pelo lado de um dos polos da relação (o do sujeito ativo), essa prestação representa um crédito, e vista pelo lado do outro polo (o do sujeito passivo), essa prestação representa um débito. Portanto, débito e crédito são dois ângulos da mesma prestação, objeto da obrigação. O art. 161 e seu § 1º do CTN dispõem que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, e que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A 1ª conclusão a que se chega é que sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem sempre juros de mora (exceto na pendência de consulta, conforme § 2º do mesmo artigo 161). A pergunta que se segue a essa conclusão é: o que é crédito tributário? O CTN não o define diretamente, mas diz, no seu art. 139. que ele “decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”. Por seu turno, o § 1º do art. 113 do Código dispõe que “a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Portanto, concretizada a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador do tributo, nasce a obrigação principal (art. 114 c.c. 113, § 1º), mas não nasce o crédito dela decorrente. Ensina Hugo de Brito Machado: “A obrigação é um primeiro momento na relação tributária. Seu conteúdo ainda não é determinado e o seu sujeito passivo ainda não está formalmente identificado. Por isso mesmo a prestação não é exigível. Já o crédito tributário é um segundo momento da relação de tributação. No dizer do CTN, ele decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art. 139). Surge com o lançamento, que confere à relação tributária liquidez e certeza;4 O crédito, que decorre da obrigação principal (ou seja, da concretização do fato gerador), surge com o lançamento, que, conforme define o art. 142 do CTN, implica identificar o sujeito passivo e calcular o montante do tributo devido e, se for o caso, aplicar a multa. Portanto, a multa de ofício proporcional decorrente do descumprimento da obrigação principal compõe o crédito tributário (é parte dele). 4 Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p. 87. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.725049/201105 Acórdão n.º 1301001.350 S1C3T1 Fl. 20 19 Constituído o crédito tributário pelo lançamento, o montante a ele correspondente, sob a ótica do sujeito ocupante do polo passivo da relação obrigacional, constitui um débito para com a Fazenda.. Dispõe o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nos termos deste artigo, a multa de ofício, se não paga no vencimento (que se dá o prazo de 30 dias da ciência do lançamento), sujeitase a juros de mora segundo a taxa Selic (§3° do art. 5° da Lei 9.430/96), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.”. Isto posto, afasto a preliminar de preclusão, bem como da decadência para o fisco constituir o crédito tributário, para no mérito NEGAR provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 04 de dezembro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 901DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VA LMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 07/02/2014 por VALMIR SANDRI
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