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Numero do processo: 19515.004847/2003-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Omissão de Receita. Presunção.
Os valores creditados em contas bancárias geram presunção juris tantum de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações.
IRPJ. Estimativa Mensal. Falta de Recolhimento. Multa Isolada. Cabimento.
É cabível a aplicação de multa isolada quando comprovado que o contribuinte deixou de recolher o imposto devido por estimativa mensal a que se obrigara quando fez a opção por apurar o IRPJ com base no lucro real anual.
CSLL, PIS e Cofins. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão.
Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.569
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999 Depósitos Bancários. Origem não Comprovada. Omissão de Receita. Presunção. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção juris tantum de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. IRPJ. Estimativa Mensal. Falta de Recolhimento. Multa Isolada. Cabimento. É cabível a aplicação de multa isolada quando comprovado que o contribuinte deixou de recolher o imposto devido por estimativa mensal a que se obrigara quando fez a opção por apurar o IRPJ com base no lucro real anual. CSLL, PIS e Cofins. Identidade de Matéria Fática. Mesma Decisão. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITA. PRESUNÇÃO. Os valores creditados em contas bancárias geram presunção “juris tantum” de omissão de receitas, quando a pessoa jurídica, não os tendo contabilizado, deixar de comprovar a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. É cabível a aplicação de multa isolada quando comprovado que o contribuinte deixou de recolher o imposto devido por estimativa mensal a que se obrigara quando fez a opção por apurar o IRPJ com base no lucro real anual. CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 48 47 /2 00 3- 42 Fl. 1906DF CARF MF Processo nº 19515.004847/200342 Acórdão n.º 1301002.569 S1C3T1 Fl. 1.907 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por HOTELARIA ACCOR PDB LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1615.270, da 3ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 1.771 a 1.785), que deu provimento parcial à impugnação apresentada contra os autos de infração de fls. 399 a 418. O Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 385 a 389) descreve as seguintes infrações: a) omissão de receitas apurada com base em depósitos bancários de origem não comprovada, relativa ao 4º trimestre de 1998; e b) multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL apurados por estimativa, referente aos meses de março e abril de 1999. Contra o lançamento foi apresentada impugnação, à qual a DRJ São Paulo I deu parcial provimento, excluindo uma parcela do crédito tributário relativa à omissão de receitas, tendo em vista a comprovação, quanto a alguns depósitos, das operações a que se referiam os valores depositados. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1907DF CARF MF Processo nº 19515.004847/200342 Acórdão n.º 1301002.569 S1C3T1 Fl. 1.908 3 Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Configurase a presunção legal de omissão de receita no tocante aos créditos bancários cuja origem não restar cabalmente demonstrada pelo sujeito passivo. Exonerase a parcela comprovada na fase impugnatória. DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, às exigências de CSLL, PIS e COFINS, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre eles. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. MATÉRIA SUB JUDICE. O lançamento deve ser efetuado inclusive na hipótese em que a matéria esteja sob apreciação do Poder Judiciário. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário acarreta a renúncia ao litígio na esfera administrativa, impedindo a apreciação da matéria objeto de ação judicial. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso (fls. 1.791 a 1.831) alegando, em síntese, que todos os depósitos e transferências bancárias, relacionados no lançamento, são provenientes de integralização de aumento de capital social, subscrito pela sociedade Novos Hotéis da Guanabara S/A. Aduziu que os valores depositados foram devidamente contabilizados e submetidos à tributação na pessoa jurídica que procedeu à integralização do capital. Alegou, quanto à multa, que a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região deu parcial provimento ao recurso de apelação n° 2000.61.00.0251617, interposto pela recorrente, reformando, a sentença de primeira instância, para o fim de conceder a segurança pleiteada. Assim, de acordo com o art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, a denúncia da infração tributária, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, impõe o afastamento da cobrança da multa moratória. Insistiu na afirmação de que a denúncia espontânea, nos termos do já citado art. 138, exclui a responsabilidade por infração à legislação tributária. Com esses fundamentos, pugnou pelo provimento do recurso. A Resolução nº 1301000.220 (fls. 2.190 a 2.206 do processo nº 19515.004848/200397) determinou o retorno dos autos à unidade de origem para a realização de diligência, tendo por objeto os documentos juntados pela contribuinte, quando do recurso voluntário, a fim de comprovar a origem dos depósitos bancários. A Fiscalização, no Termo de Encerramento de Diligência (fls. 2.245 a 2.246 do processo nº 19515.004848/200397), manifestouse da seguinte forma: Fl. 1908DF CARF MF Processo nº 19515.004847/200342 Acórdão n.º 1301002.569 S1C3T1 Fl. 1.909 4 O contribuinte foi cientificado por Termo de Início de Procedimento Fiscal em 20/08/2015, tendo sido reintimado em 16/09/2015 para se manifestar ou apresentar quaisquer documentos. Inicialmente, serão analisadas as alegações e os documentos referentes ao Recurso Voluntário. No DOC. 03 (fls. 1670) o contribuinte apresenta planilha referida no item 1 do Recurso Voluntário (fls. 1611). Essa planilha não será considerada nesta diligência, pois a comprovação das transações bancárias se faz necessariamente com a apresentação dos correspondentes documentos bancários, com os quais seria possível a identificação do depositante do numerário. Os Livros Diário e Razão refletem a escrituração das operações bancárias com base nos documentos bancários que identifiquem a origem dos depósitos auferidos. Os demais documentos apresentados (DOC. 04 a 07) não são suficientes para efetiva comprovação da origem dos depósitos bancários. (...) Os documentos hábeis não são planilhas, nem mesmo os Livros Diário e Razão, mas aqueles que comprovem a operação e as partes envolvidas. Dessa forma, não há que se falar em provas juntadas pelo contribuinte no Recurso Voluntário. Também na resposta apresentada pelo contribuinte em atendimento aos Termos de Intimação e de Reintimação expedidos por esta Fiscalização, o contribuinte também apresentou planilhas sem a juntada de qualquer documento. A recorrente foi intimada do resultado da diligência (AR fl. 2.296 do processo nº 19515.004848/200397), após o que, foram os autos devolvidos a esta Turma para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade A admissibilidade do recurso já foi reconhecida, quando da Resolução nº 1301000.220, no processo nº 19515.004848/200397, alcançando os recursos interpostos nos dois processos. Omissão de receita Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 19515.004847/200342 Acórdão n.º 1301002.569 S1C3T1 Fl. 1.910 5 A omissão de receita foi apurada com base na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, assim redigido: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase de presunção legal, de eficácia relativa, podendo ser afastada por prova em contrário oferecida pelo sujeito passivo. Nasce a presunção quando presentes os seguintes requisitos: a) existência de depósitos bancários cuja origem a Fiscalização, pelo exame das informações de que disponha, não conseguir identificar; b) intimação regular ao contribuinte para esclarecer as operações que deram causa aos depósitos; c) ausência ou insuficiência de esclarecimento pelo contribuinte. Reunidos tais requisitos, nasce a presunção de omissão de receitas, a qual, sem necessidade de prova de qualquer outro fato ou circunstância, pode dar ensejo ao lançamento de Imposto de Renda e demais tributos. No caso concreto, estão reunidos os três requisitos. Em situações como essa, deve ser examinada a origem de cada depósito de forma individual. É o que dispõe o parágrafo 3º do art. 42 da Lei nº 9.430: § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (g.n.) Como se vê, não basta à recorrente, de forma genérica, afirmar, como ela faz no presente recurso, que os depósitos têm todos a mesma origem, ou seja, a integralização de capital, por parte da pessoa jurídica Novos Hotéis da Guanabara S/A, no montante de R$ 1.783.319,87, dividido em diversos depósitos e transferências realizadas ao longo do período. A explicação há de ser individual e respaldada em documentos comercias e fiscais. No caso em tela, a Fiscalização relacionou inúmeros depósitos (fls. 390 a 397) para os quais não restou comprovada a origem. A recorrente afirmou que todos eles têm origem no mesmo fato jurídico, ou seja, a integralização de capital. Não é comum que a integralização de capital social se faça pulverizada em mais de cem depósitos e transferências para diversas contas bancárias, ao longo do ano. A recorrente também não explicou o motivo para esse procedimento. Essa alegação precisava ser provada. Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 19515.004847/200342 Acórdão n.º 1301002.569 S1C3T1 Fl. 1.911 6 Para esse fim, os autos foram remetidos à unidade de origem. A diligência, entretanto, foi frustrada, pois, segundo o relatório fiscal, a recorrente, embora tenha apresentado planilhas e livros contábeis (produzidos unilateralmente), deixou de exibir os documentos que comprovariam as operações das quais derivam os valores depositados nas contas bancárias. Portanto, à mingua de prova da origem dos valores depositados, o lançamento nesse parte deve ser mantido. Multa por falta de recolhimento de estimativas Ao contrário do que afirmou a recorrente, a multa não tem como causa o recolhimento em atraso de tributo, e tampouco houve denúncia espontânea capaz de excluir a responsabilidade pela prática de infração à legislação tributação. O fato que motivou a aplicação de multa isolada foi a falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL apurados por estimativa, referentes aos meses de março e abril 1999, como deixa claro o TVF, no trecho abaixo transcrito: Examinando a DIPJ apresentada e o Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR n° 02, pudemos constatar que a empresa optou pela apuração mensal do IRPJ e da CSLL por estimativa, pela forma de balancetes mensais de suspensão/redução (art. 230 do RIR/99), onde ficou demonstrado a existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL no período, com exceção dos meses de março/99, abril e maio/99, quando os resultados apurados foram positivos. No balanço de ajuste anual, em 31 de dezembro/99, foram apurados prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. Pudemos constatar também que, respaldada da medida judicial acima referida, a empresa deixou de efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL referentes aos meses em que apurou lucro real e base de cálculo positiva da CSLL. (...) Em razão do acima exposto, nesta data, está sendo efetuado o competente lançamento de oficio da multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL apurados nos balancetes mensais de suspensão/redução dos meses de março/99 e abril/99, conforme artigos 2º, 43, 44, § 1º, inciso IV da Lei n° 9.430/96. O imposto de renda e a contribuição social não estão sendo exigidos, visto a empresa apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL no balanço de ajuste anual, em dezembro/99, tendo declarado os respectivos valores na DIPJ. (g.n.) (fls. 388 e 389) Como se percebe, a questão não envolve multa moratória, nem denúncia espontânea. A infração cometida foi a falta de recolhimento dos valores devidos por estimativa. Portanto, não há pertinência na discussão da denúncia espontânea. Ademais, o fato que motivou a aplicação da multa é incontroverso. Sendo assim, é correta a aplicação da multa isolada. CSLL, PIS e Cofins Quanto aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, por terem origem na mesma situação fática do IRPJ, devem receber a mesma decisão adotada para este (IRPJ), o que só não Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 19515.004847/200342 Acórdão n.º 1301002.569 S1C3T1 Fl. 1.912 7 aconteceria se houvesse algum aspecto específico, inerente à legislação de um desses tributos, que impusesse solução diferente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1912DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901614/2012-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.963
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2006 PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 14 /2 01 2- 05 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13116.901614/201205 Acórdão n.º 3201002.963 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.595, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13116.901614/201205 Acórdão n.º 3201002.963 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901614/201205 Acórdão n.º 3201002.963 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901614/201205 Acórdão n.º 3201002.963 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901614/201205 Acórdão n.º 3201002.963 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901614/201205 Acórdão n.º 3201002.963 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901614/201205 Acórdão n.º 3201002.963 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901614/201205 Acórdão n.º 3201002.963 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901614/201205 Acórdão n.º 3201002.963 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13962.000379/2003-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996
EMBARGOS DE INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO COMPROVADA. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. POSSIBILIDADE.
Rejeita-se os embargos inominados interpostos quando não demonstrado a existência da alegada inexatidão material no julgado embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3302-004.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 593 1 592 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13962.000379/200382 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302004.814 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de setembro de 2017 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Embargante SUPERMERCADO ARCHER S/A. Interessado SUPERMERCADO ARCHER S/A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996 EMBARGOS DE INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL NÃO COMPROVADA. REJEIÇÃO DOS EMBARGOS. POSSIBILIDADE. Rejeitase os embargos inominados interpostos quando não demonstrado a existência da alegada inexatidão material no julgado embargado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 2. 00 03 79 /2 00 3- 82 Fl. 593DF CARF MF 2 Tratase de Embargos Inominados, tempestivamente opostos pela interessada, com o objetivo de suprir suposta inexatidão material no acórdão nº 3801005.366, de 20 de março de 2015. Em relação à suposta inexatidão material, a embargante alegou que os valores dos recolhimentos a maior que o devido relativos à Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de dezembro de 1995 e janeiro e fevereiro de 1996 não foram incluídos no cálculo do saldo do crédito a ser restituído. Por meio do despacho de admissibilidade coligido aos autos, os embargos foram admitidos, com base no argumento de que os fatos relatados pela embargante configurava inexatidão material por lapso manifesto. Na Sessão de 26 de janeiro de 2017, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Relator, que submete a julgamento nesta Sessão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos inominados, para fim de corrigir a alegada inexatidão material, se confirmada a sua existência no julgado embargado. Nos presentes embargos, a recorrente alegou inexatidão material no julgado embargado, baseada nos seguintes argumentos, in verbis: 2.1. O erro material no caso concreto é flagrante, isso porque se em 31/12/1995, tendo por base e admitido como verdadeiro o critério aplicado pela Fazenda Nacional e albergado na decisão embargada, existia um saldo de crédito a favor contribuinte de R$ 190.124,62 (quantidade de UFIR multiplicado 0,8287, atualizando para data base 01.01.1996), entretanto os débitos das competências de 12/1995, 01/1996 e 02/1996, num valor total de R$ 57.849,10 eram vencíveis respectivamente em 15/01/1996, 15/02/1996 e 15/03/1996 e recolhidos foram num total de R$ 60.370,61, assim mesmo numa analise simplista se tem obvio que argumento contido na decisão não é correto. 2.2. Convém salientar, que a imputação de pagamentos no caso concreto somente poderia ser reputada como certa se tivesse sido considerados os seguintes débitos e os decorrentes créditos de pagamento de recolhimento: Comp. 12/1995 R$ 17.891,19 Veto 15/01/1996 Recolhido R$ 24.728,22 Comp. 01/1996 R$ 20.120,07 Veto 15/02/1996 Recolhido R$ 17.597,26 Comp. 02/1996 R$ 19.837,84 Veto 15/03/1996 Recolhido R$ 18.045,13 Fl. 594DF CARF MF Processo nº 13962.000379/200382 Acórdão n.º 3302004.814 S3C3T2 Fl. 594 3 Logo, resta evidenciado que tais valores não foram considerados no cálculo apresentado com a data base 01.01.1996, que ao contrário do alegado existiam sim recolhimentos a maior que o devido ocorridos a partir de 02/01/1996 até 15/03/1996. Em suma, para a embargante houve inexatidão material no julgado porque no cálculo do valor do crédito a restituir não foram computados os valores dos pagamentos indevidos, acima discriminados, da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de dezembro de 1995 e janeiro e fevereiro de 1996. Sem razão a embargante, porque não existe a alegada inexatidão material no julgado embargado. Inicialmente, cabe consignar que, desde a manifestação inconformidade, a discordância da recorrente cingiase a dois pontos. A aplicação do critério da semestralidade, não objeto dos presentes embargos. E a não inclusão dos pagamentos indevidos relativos aos recolhimentos indevidos da contribuição dos meses de dezembro de 1995 e janeiro e fevereiro de 1996, objeto dos presentes embargos. Na decisão de primeira instância, essa questão foi minuciosamente analisada e com clareza e objetividade demonstrada a apuração do saldo de crédito a restituir em favor contribuinte, atualizado até 1/1/1996, no de R$ 190.124,62. Para espancar qualquer dúvida a respeito, extraise do voto condutor do acórdão de primeiro grau os excertos pertinentes que seguem transcritos: Inicialmente, há que se deixar claro que, em se tratando de análise de crédito decorrente de pagamentos à maior o que há que ser analisado, obviamente, é exatamente os tais pagamentos, pelo que o período compreendido no pedido é o período que vai da data do primeiro pagamento ao último. No caso em tela, o pedido de restituição foi instruído com os documentos de folhas 16 a 55, dentre os quais está o ANEXO II: Demonstrativo do Pis recolhido a maior, de onde consta um quadro intitulado de RELAÇÃO DOS PAGAMENTOS EFETUADOS, sendo o primeiro pagamento de 20 de julho de 1993 e o último de 15 de março de 1996. [...] Ante o exposto, ao contrário do que entende a recorrente, é nos exatos termos desse dispositivo que a contribuição de junho de 1993 havia que ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior, no caso, de dezembro de 1992, com vencimento em 20 de julho de 1993. Diante disso, não existe o alegado erro no Demonstrativo de Apuração de Débitos: de lá consta como primeiro Período de Apuração a competência 06/1993, com a Data de Vencimento 20/07/1993 e Base de Cálculo/Base de Cálculo 6º mês anterior. O Demonstrativo de Amortizações, compreende as imputações proporcionais dos pagamentos realizados aos débitos apurados. Neste, ao contrário do que alega a recorrente, não foi incluído Fl. 595DF CARF MF 4 qualquer “pagamento” realizado em 06/1993; o demonstrativo inicia com a Imputação Proporcional em 20/07/1993. No mais, em não existindo os alegados erros no Demonstrativo de Apuração de Débitos e no Demonstrativo de Amortizações, igualmente inexistem erros no Demonstrativo Resumo das Vinculações Auditadas e no Demonstrativo de Saldos de Pagamentos, erros estes que, segundo alega a recorrente, decorreriam daqueles. Por fim, a recorrente reclama que “é apontado um saldo equivalente a R$ 190.124,62 ‘atualizado até 01/01/1996’, entretanto, houve recolhimentos a título de PIS 07/70 até 15/03/1996, o que evidencia outro erro de critério de cálculo no levantamento fiscal”. Como se vê a recorrente não especifica claramente qual o “erro de critério de cálculo” que entende ter havido, apenas remete a atualização do saldo realizada até 01/01/1996 quando houve pagamentos depois desta data. Assim, em relação a tal alegação, digase que, nos termos em que foi colocada, é inócua, pois, conforme consta do Demonstrativo de Saldos de Pagamentos, não houve saldo de qualquer pagamento realizado depois 01/01/1996. Seguem os últimos pagamentos (coluna Data de Arrecadação), para cada CNPJ da empresa, para os quais remanesceram saldo (coluna Saldo Total do Darf) que foram atualizados até 01/01/1996: [...] Não obstante, acrescentese a isso que não se vislumbra ter havido qualquer “erro de critério de cálculo” em razão de os saldos de pagamento terem sido atualizados em 01/01/1996, mesmo tendo sido incluídos nesta apuração (Demonstrativo de Amortizações) pagamentos realizados depois desta data. Nesse sentido, notese, inicialmente, que foram calculados os valores efetivamente devidos da contribuição PIS calculados segundo Lei Complementar nº 07/70 (no Demonstrativo de Apuração de Débitos). A estes débitos foram imputados os recolhimentos realizados a maior, com base nos DecretosLeis nºs. 2.445/88 e 2.449/88, atualizados até a data de vencimento dos referidos débitos (conforme Demonstrativo de Pagamentos e Demonstrativo de Amortizações). Por fim, consta do relatório fiscal que o Demonstrativo de Saldos de Pagamentos compreende os saldos de pagamentos remanescentes após amortizações dos valores efetivamente devidos com base na Lei Complementar nº 07/70 vinculados ao PA 06/93 a 02/96, consolidados até 01/01/1996 – fls. 435 a 441. Ou seja, do relato fiscal e da análise desses demonstrativos tem se que cada valor recolhido foi atualizado até a data de vencimento do débito ao qual foi vinculado, sendo o saldo remanescente (crédito a ser restituído) atualizado até a data a partir da qual passaria incidir a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic). Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13962.000379/200382 Acórdão n.º 3302004.814 S3C3T2 Fl. 595 5 O que se extrai dos autos, portanto, é que a decisão recorrida foi prolatada (em 2013) nos termos da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012 que determina (art. 83, §1º, III) que o crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou reembolso, será restituído, reembolsado ou compensado com o acréscimo de juros equivalentes à taxa Selic, acumulados mensalmente, tendo como termo inicial (art. 83, §1º, III): a) o mês de janeiro de 1996, se o pagamento tiver sido efetuado antes de 1º de janeiro de 1996; b) a data da efetivação do pagamento, se este tiver sido efetuado entre 1º de janeiro de 1996 e 31 de dezembro de 1997; ou c) o mês subsequente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado depois de 31 de dezembro de 1997; [...] (os grifos em negrito e sublinhados não constam dos originais) Veja que alegação de que não houve o cômputo do pagamento indevido das contribuições indevidas dos meses de dezembro de 1995 e janeiro e fevereiro de 1996 no cálculo do saldo a restituir, atualizado até 1/1/1996, no valor R$ 190.124,62, existia desde a fase de manifestação de inconformidade e na decisão de primeira instância tal questão foi adequadamente apreciada e a conclusão foi de que não havia “saldo de qualquer pagamento realizado depois 01/01/1996”. E a consulta aos demonstrativos de fls. 182/441 confirma a informação apresentada no acórdão de primeiro grau de que o motivo da não inclusão dos valores da contribuição dos meses de dezembro de 1995 e janeiro e fevereiro de 1996 foi porque, nesses meses, não houve pagamento indevido e não por causa de erro material ou inexatidão material na apuração do valor a restituir, como alegado pela embargante. E como a citada alegação foi suscitada no recurso voluntário, o nobre Relator do voto condutor do julgado embargo manifestouse, expressamente, sobre a questão, no excerto que segue transcrito: Especificamente em relação aos recolhimento do ano de 1996, uma análise mais criteriosa dos demonstrativos de imputação era suficiente para verificar que nestes períodos de apuração não houve saldos de pagamento, logo não há indébito tributário, como muito bem explicitado pela decisão recorrida. Assim, uma vez demonstrado que não houve a inexatidão material suscitada pela recorrente, os presentes embargos inominados devem ser integralmente rejeitados. Por todo o exposto, votase pela rejeição integral dos presentes embargos inominados, para ratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 597DF CARF MF 6 Fl. 598DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000180/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES.
Verificada no acórdão embargado a existência de contradição por deixar de verificar a existência de pedido de desistência que alberga competência afastada no julgamento, deve o equívoco ser corrigido para o fim de excluir do lançamento a competência objeto de pedido de desistência para inclusão em programa de parcelamento.
Numero da decisão: 2401-004.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, excluindo do lançamento a competência 02/05, por não estar mais em litígio, em razão do pedido de desistência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. Verificada no acórdão embargado a existência de contradição por deixar de verificar a existência de pedido de desistência que alberga competência afastada no julgamento, deve o equívoco ser corrigido para o fim de excluir do lançamento a competência objeto de pedido de desistência para inclusão em programa de parcelamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhê-los, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, excluindo do lançamento a competência 02/05, por não estar mais em litígio, em razão do pedido de desistência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1042; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2.268 1 2.267 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15956.000180/200873 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401004.942 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO DAS URSULINAS DE RIBEIRÃO PRETO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 31/07/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. Verificada no acórdão embargado a existência de contradição por deixar de verificar a existência de pedido de desistência que alberga competência afastada no julgamento, deve o equívoco ser corrigido para o fim de excluir do lançamento a competência objeto de pedido de desistência para inclusão em programa de parcelamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 01 80 /2 00 8- 73 Fl. 2268DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer dos embargos declaratórios e, no mérito, acolhêlos, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado, excluindo do lançamento a competência 02/05, por não estar mais em litígio, em razão do pedido de desistência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 2269DF CARF MF Processo nº 15956.000180/200873 Acórdão n.º 2401004.942 S2C4T1 Fl. 2.269 3 Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 2663/2674) opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, nos termos do art. 65, § 1º, III, do RICARF, em face do acórdão nº. 2401004.294 (fls. 2253/2264), cuja ementa restou assim redigida: ATO CANCELATÓRIO DE ISENÇÃO. TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. SUPERVENIENTE PERDA DO FUNDAMENTO DE FATO E DE DIREITO DA DECISÃO DEFINITIVA NO ÂMBITO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DEVER DA ADMINISTRAÇÃO DE REVER OS SEUS PRÓPRIOS ATOS. A coisa julgada é “apenas uma preclusão de efeitos internos, não tem o alcance da coisa julgada judicial, porque o ato jurisdicional da Administração não deixa de ser um simples ato administrativo decisório, sem a força conclusiva do ato jurisdicional do Poder Judiciário” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 32a ed. atual. São Paulo: Malheiros, 2006 Os efeitos do ato administrativo definitivo podem ser revistos integral ou parcialmente quando há perda dos fundamentos de fato e de direito de sua emissão. Art. 53 da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal (inspirado na antiga Súmula 473 do STF) Segundo a embargante, houve omissão no acórdão embargado ao excluir do lançamento as competências até 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007, porém sem analisar o pedido de desistência do recurso, formulado pela então recorrente, ora embargada, às fls. 681/689 do PAF 15956.000178/200802, que abarcaria a competência 02/2005, nos seguintes termos: A apreciação da desistência do recurso interposto pelo contribuinte, questão sobre a qual foi omissa a decisão embargada, importará em concluir pela inexistência de lide em relação à competência 02/2005, sendo imperiosa a retificação do julgado embargado para reconhecer a definitividade da exigência fiscal nesta específica competência. Alega também contradição no acórdão embargado, nos seguintes termos: Consoante os termos acima expostos, diante da desistência do recurso voluntário e da renúncia do direito sobre o qual se funda a pretensão do contribuinte, o que incluiu a competência 02/2005 (fl. 668 dos autos n. 15956.000178/200802), a citada competência estaria fora da lide, subtraída da competência do CARF para se pronunciar a respeito. Nesses termos, configurado o vício da contradição, pois se de um lado o Colegiado a quo não ignorou totalmente o pedido de desistência formulado pelo contribuinte em relação ao período de 02/2005, por outro lado, não aplicou seus efeitos. Ou seja, ao invés de manter a exigência Fl. 2270DF CARF MF 4 fiscal nessa competência diante da subtração do período de 02/2005 do objeto recursal, o acórdão embargado excluiu essa competência do lançamento. Aqui poderseia citar novamente o vício da omissão, pois ao assim agir, o Colegiado a quo procedeu de ofício, uma vez que o contribuinte já havia desistido do recurso quanto a essa competência (fl. 668 dos autos n. 15956.000178/200802) Assim, ante o fato desta turma julgadora não ter observado os efeitos do pedido de desistência de fls. 666/669, estariam presentes a omissão e a contradição apontados, posto que foi afastada do lançamento a competência 02/2005 que, segundo a embargante, estaria abarcada por tal pedido. Em despacho de admissibilidade de fls. 2265/2267, os embargos foram admitidos e posteriormente distribuídos a este relator. É o relatório. Fl. 2271DF CARF MF Processo nº 15956.000180/200873 Acórdão n.º 2401004.942 S2C4T1 Fl. 2.270 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade Os embargos de declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, assim, destes tomo conhecimento. Mérito Da omissão e contradição No acórdão embargado, o i. Relator assim fez constar em seu voto (fl. 2249): A recorrente apresentou pedido de desistência em relação aos fatos geradores de 01 a 13/2004 e 01 e 02/2005, fls. 666/669 (grifamos) E à: fl. 2251: Ato Cancelatório. Trânsito em julgado Administrativo. Superveniente Perda do Fundamento de Fato e de Direito. Conforme Despacho de Diligência de fls. 2.579, a Resolução 35/2008 (publicada em 28/02/2008) CNAS deferiu pedidos de renovação do CEBAS: processo/CNAS n.º 44006.005179/200062, com validada assegurada de 01/01/2001 a 31/12/2003; e processo nº. 71010.000199/200518, com validade assegurada de 17/2/2005 a 16/02/2008. Estes períodos cobrem todas as competências que remanescem em discussão, tendo em vista que a recorrente apresentou pedido de desistência em relação aos fatos geradores de 01 a 13/2004 e 01 e 02/2005, fls. 666/669. Os fundamentos do presente lançamento são a ausência de CEBAS (fático) e, consequentemente, o não cumprimento do artigo 55, II, da Lei n° 8.212/91 (de direito). (grifamos) Todavia, em que pese a referida menção ao pedido de desistência de fls. 666/669, que abrange a competência 02/2005, esta foi a conclusão da turma julgadora no acórdão embargado (fl. 2252): Assim, embora para o período posterior 31/12/2003 e anterior a 17/2/2005 (competências 01/2004 a 01/2005) a entidade Fl. 2272DF CARF MF 6 continue a não fazer jus à isenção, no período de concessão do CEBAS (01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/2/2005 a 16/02/2008), não subsiste o fundamento fático e jurídico do lançamento. Como o lançamento abrangeu as competências 06/2003 a 31/07/2007, devem ser excluídas as competências de 06/2003 a 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007, mantidas, portanto, as competências de 01/2004 a 01/2005 (período sem ulterior concessão do CEBAS). Pelo exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, excluindo do lançamento as competências de 06/2003 a 12/2003 e de 02/2005 a 07/2007. Pois bem. Em que pese a menção no acórdão embargado ao referido pedido de desistência estar localizado às fls. 666/669, na realidade, estes pedidos de desistência encontramse no PAF nº. 15956.000178/200802 e às fls. 686/689. Analisando os referidos pedidos de desistência, temos que estes se referem aos autos de infração de nº. 37.131.9900 e 37.131.9889, vejamos: Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 15956.000180/200873 Acórdão n.º 2401004.942 S2C4T1 Fl. 2.271 7 Como se vê, na primeira tela apresentada (fl. 681), há menção expressa ao período de apuração de 02/2005. Assim, resta inconteste que a recorrente desistiu do seu recurso voluntário quanto ao este período específico, dentre outros. Fl. 2274DF CARF MF 8 Dessa forma, resta configurada a contradição do acórdão embargado ao mencionar o pedido de desistência, como demonstrado, e excluir do lançamento a referida competência 02/2005. Isto posto, entendo verificada a contradição do acórdão embargado e, assim, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para o fim de que a decisão do acórdão embargado passe a ser assim redigida: Assim, embora para o período posterior 31/12/2003 e anterior a 17/2/2005 (competências 01/2004 a 01/2005) a entidade continue a não fazer jus à isenção, no período de concessão do CEBAS (01/01/2001 a 31/12/2003 e 17/2/2005 a 16/02/2008), não subsiste o fundamento fático e jurídico do lançamento. Como o lançamento abrangeu as competências 06/2003 a 31/07/2007, devem ser excluídas as competências de 06/2003 a 12/2003 e de 03/2005 a 07/2007, mantidas, portanto, as competências de 01/2004 a 01/2005 (período sem ulterior concessão do CEBAS). Pelo exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, excluindo do lançamento as competências de 06/2003 a 12/2003 e de 03/2005 a 07/2007. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer dos embargos de declaração, atribuindo lhe efeitos infringentes, para o fim de retificar o acórdão embargado e excluir da decisão embargada a competência 02/2005, posto que não constava mais em litígio em razão do pedido de desistência da ora embargada. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 2275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.724425/2011-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/12/2006, 31/12/2007
CESSÃO DE PRECATÓRIOS. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. RETENÇÃO CRIADA POR ESTADO. VALORES RECOLHIDOS AOS COFRES ESTADUAIS. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO À FAZENDA NACIONAL.
A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representativos por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital pelo cedente.
Valores que eventualmente tenham sido retidos e recolhidos aos cofres estaduais através de documentos de arrecadação do Estado e em função de regra criada por este, não podem ser opostos à Fazenda Pública Federal, ainda que tenha se atribuído aos valores assim apropriados a denominação de imposto de renda, porque este tributo é de competência exclusiva da União, a quem compete criar regras sobre regimes de tributação, o que inclui a sistemática de retenção na fonte.
ENUNCIADO Nº 73 DA SÚMULA CARF. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o valor da multa de ofício aplicada.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 26/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o valor da multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 26/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. RETENÇÃO CRIADA POR ESTADO. VALORES RECOLHIDOS AOS COFRES ESTADUAIS. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO À FAZENDA NACIONAL. A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição na cessão de direitos representativos por créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública (precatórios) está sujeita à apuração do ganho de capital pelo cedente. Valores que eventualmente tenham sido retidos e recolhidos aos cofres estaduais através de documentos de arrecadação do Estado e em função de regra criada por este, não podem ser opostos à Fazenda Pública Federal, ainda que tenha se atribuído aos valores assim apropriados a denominação de imposto de renda, porque este tributo é de competência exclusiva da União, a quem compete criar regras sobre regimes de tributação, o que inclui a sistemática de retenção na fonte. ENUNCIADO Nº 73 DA SÚMULA CARF. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento o valor da multa de ofício aplicada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 44 25 /2 01 1- 09 Fl. 125DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 26/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls.105/114) apresentado em face do Acórdão nº 0736.953 (fls. 91/95), da 6ª Turma da DRJ/FNS, que negou provimento à impugnação (fls. 81) apresentada pelo sujeito passivo a auto de infração (fls. 69/77) pelo qual se exige dele Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF tendo por base de cálculo ganho de capital apurado na cessão de precatório. De acordo com o auto de infração, o contribuinte teria omitido ganho de capital na alienação de precatório de ação judicial com trânsito em julgado. Menciona a existência de Termo de Quitação (fl. 10) datado de 11/12/2006, pelo qual o contribuinte teria recebido o valor total de R$ 1.070.905,29 pela cessão de precatório à Telemar Norte Leste S.A., montante dividido em duas parcelas, a primeira paga em 2006, no valor de R$ 187.371,06, e a segunda, no valor de R$ 883.534,23, recebida em 2007. Para fins de cálculo do valor devido, entretanto, foi considerado apenas o valor líquido recebido pelo cedente, R$ 121.403,97 em 2006 e R$ 570.625,65 em 2007. É importante salientar que, pelo que se depreende dos documentos juntados ao processo, o próprio contribuinte teria pedido restituição (fl. 14) de parte do valor que foi retido pela fazenda pública a título de IR no pagamento de parte do precatório, tendo em vista entender que essa retenção deveria ter sido realizada no percentual de 15%, que é o aplicável a ganho de capital, e não a tabela progressiva adotada. A análise desse pedido gerou representação para a fiscalização, que entendeu que o contribuinte havia prestado informações incorretas e incluiu o valor efetivamente recebido como ganho de capital, ao mesmo tempo em que excluiu da declaração os valores declarados como rendimentos do trabalho (fl. 65). O auto de infração foi impugnado pelo sujeito passivo (fls. 81/85), o que deu origem ao Acórdão nº 0736.953 (fls. 91/95), da 6ª Turma da DRJ/FNS, que recebeu a seguinte ementa: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10410.724425/201109 Acórdão n.º 2201003.902 S2C2T1 Fl. 126 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006, 2007 PRECATÓRIO CESSÃO DE DIREITOS A cessão de direitos representados por créditos líquidos e certos havidos em ações trabalhistas judiciais contra a Fazenda Pública, está sujeita à apuração de Ganho de Capital, com custo zero, sobre a qual incidirá imposto de renda à alíquota de 15%. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Há incidência de Imposto de Renda sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, sendo este considerado a diferença positiva entre o valor de alienação e o respectivo custo de aquisição dos bens ou direitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A ciência dessa decisão ocorreu em 15/04/2015 (fl. 99) e o recurso voluntário (fls.105/114) foi apresentado tempestivamente em 14/05/2015. E suas razões de recorrer, alega o apelante, em síntese, que: 1. Em 11/12/2006 o contribuinte cedeu seu crédito à Telemar Norte Leste S/A e deu quitação ao montante devido pelo Estado de Alagoas. O valor que deu origem ao auto de infração é relativo à cessão de direitos de crédito decorrente de decisão judicial e o contribuinte informou esses pagamentos em suas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2007 e 2008, no campo relativo a rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva; 2. Esses rendimentos se submeteram à retenção de imposto de renda na fonte na quantia de R$ 215.719,81; 3. Com base em entendimento da própria Receita Federal o contribuinte formulou pedidos de restituição de imposto de renda pago em excesso, com relação à cessão de direitos do referido crédito, uma vez que teria havido retenção a maior pela Secretaria de Estado da Fazenda, que teria classificado os rendimentos decorrentes de precatórios como rendimentos tributáveis; 4. Resta claro que não houve omissão de rendimentos pelo contribuinte, o que torna indevida a aplicação da multa de ofício, juros de mora e multa de mora, pela inocorrência do fato gerador destas obrigações tributárias; 5. O auto de infração é nulo de pleno direito porque o contribuinte fez a apuração e lançamento do imposto devido a título de ganho de capital, o que foi reforçado pela petição pedindo restituição do imposto retido a maior; Fl. 127DF CARF MF 4 6. Foi forçado a aceitar a retenção na fonte, pois do contrário não receberia pela cessão do crédito, conforme legislação imposta pelo Estado de Alagoas; 7. Na impugnação ao indeferimento do pedido de restituição controlado no Processo nº 10410.007589/2008.64, solicitou à Delegacia da Receita Federal de Julgamento que este processo e o processo em análise sejam julgados em conjunto; 8. Tanto os pedidos de compensação constituem confissão de dívida, como as declarações de rendimentos retificadoras apresentadas nos exercícios 2007 e 2008, em que constam os rendimentos tributados exclusivamente na fonte; 9. O imposto foi integralmente pago quando o Estado de Alagoas efetuou a retenção de 27,5% e o informou na DIRF apresentada à Receita Federal, de modo que o ônus tributário suportado pelo contribuinte é maior que o imposto efetivamente devido, que é de 15%; 10. A cessão do direito foi toda realizada segundo normas legais e infralegais editadas pelo Estado de Alagoas e a própria retenção de imposto de renda efetuada não foi um ato voluntário do recorrente, pois era uma das condições para o recebimento do direito conquistado judicialmente; 11. A atitude da Receita Federal de cobrar imposto de renda sobre ganho de capital, quando isso já foi pago via retenção efetuada pelo Estado de Alagoas, em valor superior ao devido, equivale a confisco; 12. O acórdão recorrido foi omisso em relação à real questão a ser discutida neste processo, de que pediuse restituição dos 12,5% pagos a maior, bem como a compensação dos 15% restantes, retidos pelo Estado de Alagoas, como o valor devido a título de ganho de capital; 13. O valor do imposto sobre o ganho de capital está integralmente pago, sendo descabido o lançamento para cobrança o imposto de renda, multa de ofício e juros moratórios. 14. Há decisões do Conselho de Contribuintes entendendo pela inexistência de ganho de capital na cessão de precatórios com deságio, o que comprova com acórdãos que são parcialmente transcritos. Diante dessas razões, pede que o auto de infração seja anulado, de modo a cancelar o lançamento de ofício, juros e multa. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10410.724425/201109 Acórdão n.º 2201003.902 S2C2T1 Fl. 127 5 O processo em análise decorre de lançamento que teria por base de cálculo ganho de capital na cessão de direitos representados por precatórios judiciais. A repercussão tributária de operações dessa natureza tem gerado diversas controvérsias e constitui matéria que, certamente, não se encontra pacificada. A despeito disso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, a questão tem sido tratada a luz do que determina o Parecer SRF/Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000, de onde se transcreve o que segue: Parecer SRF/Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000 … 9. A essência da discussão consiste em se definir qual o tratamento tributário a ser dado na cessão de direitos sobre precatórios recebidos da Fazenda pública decorrentes de ações judiciais que discutiam questões laborais. … 12. O imposto de renda tem como fato gerador a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, sendo que, em relação às pessoas físicas, no regime de retenção na fonte, essa disponibilidade ocorre quando do pagamento do rendimento. 13. O Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) estabelece em seu art. 123 que as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública no que se refere à responsabilidade tributária, ou seja, os particulares podem pactuar o que desejarem desde que não deixem de pagar os tributos decorrentes. 14. A diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição do título configurará ganho de capital e estará sujeita ao imposto de renda, como dispõem os arts. 1º a 3º e 16 da Lei nº 7.713, de dezembro de 1988, com as alterações dadas pelos arts. 2º e 18 da Lei nº 8.134, 27 de dezembro de 1990, 52 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro 1991, e 21 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, in verbis : (...) 15. Dirimida a forma de tributação, restanos esclarecer pontos específicos relativos à obrigação de cada um dos envolvidos no negócio jurídico da cessão de direitos sobre o precatório, quais sejam o cedente, o cessionário e a fonte pagadora (Fazenda Pública). 16. Quanto à pessoa do cedente, os ganhos de capital obtidos com a cessão de direitos, representados no caso pelos precatórios decorrentes de ações judiciais, estão sujeitos ao imposto de renda. 16.1. O valor de alienação será o valor recebido do cessionário, e o custo de aquisição será igual a zero, já que não há valor Fl. 129DF CARF MF 6 pago pelo precatório e nem há a possibilidade de aplicação das modalidades de atribuição de custo de aquisição de que tratam os incisos I a V do art. 16 da Lei nº 7.713, de 1988 (Lei nº 7.713, art. 16, § 4º). 16.2. O ganho de capital será apurado no mês em que for auferido, e tributado em separado, à alíquota de 15% (quinze por cento), não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). 16.3. O demonstrativo de apuração do ganho de capital deverá ser juntado à declaração do cedente, e o valor do ganho de capital, menos o imposto pago, será informado na declaração, no campo de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. 17. Quanto à pessoa do cessionário, este subrogase no crédito do cedente, que para aquele transfere todos os direitos, inclusive os acessórios do crédito (Código Civil Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, arts. 986, 987, 1065 e 1066). 17.1. No momento da homologação da compensação do precatório com débitos de natureza tributária do cessionário, este apurará igualmente o ganho de capital decorrente desta operação, considerando como valor de alienação o valor líquido passível de compensação, isto é, após excluídas as deduções previstas em lei e o custo de aquisição será o montante pago ao cedente quando da cessão de direitos. (...) 18. Quanto à fonte pagadora (Fazenda Pública), o crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em que for quitado pela Fazenda Pública. 18.1. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto de renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, considerado como tal a homologação da compensação do precatório com débitos do cessionário para com a Fazenda Pública. De acordo com esse ato, o cessionário (aquele que adquire o crédito) subrogase no crédito do cedente e para ele são transferidos todos os direitos, inclusive os acessórios. A partir do que é imposto pelo art. 123 do Código Tributário Nacional, de que convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública, o cálculo do imposto de renda é efetuado como se o pagamento fosse realizado para o cedente credor originário , contudo, tendo este transferido ao cessionário todos os direitos ligados ao crédito cedido, não poderá mais utilizar esse imposto de renda retido na fonte em sua declaração. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10410.724425/201109 Acórdão n.º 2201003.902 S2C2T1 Fl. 128 7 Temse então que o pagamento efetuado pela Fazenda Pública ao cessionário será feito com tributação de imposto de renda na fonte, e esta fonte não pode ser utilizada pelo cedente, porque acompanha a cessão efetuada. Por outro lado, o valor recebido pelo cedente do cessionário em pagamento pelos créditos cedidos será submetido à tributação como ganho de capital. Em uma análise superficial dos fatos, poderseia pensar que o que está a ser discutido neste processo é se o imposto de renda retido pela fazenda pública ao quitar o precatório poderia ser utilizado pelo cedente para abatimento do valor devido a título de imposto de renda em função do ganho de capital apurado. Esta possibilidade é afastada totalmente pelo Parecer Normativo acima transcrito, com o qual concordo plenamente, já que os direitos que decorreriam do precatório foram totalmente transferidos pelo cedente, cabendo a este considerar este fator ao avaliar a conveniência do negócio realizado. Ocorre, porém, que não é essa a questão discutida nesse processo. Com efeito, esse equívoco em relação aos fatos decorre da documentação que foi apresentada e que se encontra juntada ao processo a fls. 57/58. Esses documentos constituem comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte dos anoscalendário 2006 e 2007 em valor equivalente ao valor bruto cobrado pelo precatório cedido (R$ 187.371,06 + 883.534,23 = R$ 1.070.905,29), e apresentam como fontes pagadoras a Secretaria de Estado da Fazenda em um e Encargos Gerais do Estado em outro, ambos identificados pelo mesmo CNPJ. Ocorre que este documento não corresponde à realidade dos fatos, já que não foi a Secretaria de Estado da Fazenda quem comprou os precatórios e sim a empresa Telemar Norte Leste S/A. Sendo esta a cessionária, presumese ter sido ela quem pagou pelos créditos e seria a fonte pagadora da importância relativa ao preço negociado. Além do equívoco na identificação da fonte pagadora, há um erro mais grave: esta suposta retenção de imposto de renda na fonte não tem amparo na legislação tributária federal. Na verdade, ela decorre da Instrução Normativa SF nº 3, de 16 de agosto de 2004, do Secretário Executivo da Fazenda de Alagoas que determina, em seu artigo primeiro: Art. 1º O imposto de Renda Retido na Fonte incidente nos rendimentos decorrentes de créditos representados por precatórios pendentes, e créditos oriundos de sentenças judiciais transitadas em julgado, em conformidade com a Lei nº 6.410 de 24 de outubro de 2003 e o Decreto nº 1.738, de 19 de dezembro e 2003, deverá ser recolhido diretamente na Conta Única do Estado de Alagoas, através de Documento de Arrecadação DAR , com o Código de Receita 87718. Assim, a retenção efetuada é decorrência de normas da legislação estadual que determinam a incorporação dos valores ao caixa do Estado através de documentos de arrecadação próprio. Fl. 131DF CARF MF 8 Quanto à possibilidade de os Estados legislarem sobre imposto de renda, destaco a ementa do Parecer Normativo SRF nº 2, de 18 de maio de 2012: Ementa: Imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. imposto sobre a renda retido na fonte. Competência legislativa. A competência atribuída à União para instituir o Imposto sobre a Renda, nos termos do inciso III do art. 153 da Constituição Federal, confere a essa pessoa política, em caráter exclusivo, o poder de legislar sobre o referido imposto. Embora a Constituição Federal, no inciso I do art. 157 e no inciso I do art. 158, destine aos estados, Distrito Federal e municípios o produto da arrecadação do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte sobre rendimentos pagos a qualquer título, estes não têm competência para legislar sobre hipóteses de incidência, restringindose sua atividade à aplicação da legislação federal que disciplina o referido imposto. A sistemática criada pelo Estado de Alagoas destoa totalmente do regime de tributação que seria aplicável à espécie e do qual foi dada ampla publicidade através do Parecer SRF/Cosit nº 26, de 2000, que foi parcialmente transcrito no início deste voto. Portanto, a retenção sofrida pelo recorrente, embora tenha sido designada como "retenção de imposto de renda", de imposto de renda não se trata. A uma porque não há previsão na legislação tributária federal estabelecendo essa retenção. A duas porque o valor não foi recolhido aos cofres da União como seria de se esperar, se houvesse uma retenção desse imposto tendo como fonte pagadora a empresa cessionária. A conclusão é que esse ônus imputado ao contribuinte pelo Estado de Alagoas e que somente a este beneficiou, não pode ser oposto à União, quando legitimamente exige o tributo que lhe é devido a partir da aplicação da legislação tributária que institui no exercício de sua competência tributária exclusiva. Estabelecidas essas premissas, passo à análise das razões recursais, na ordem em que foram sumariadas no relatório. Os argumentos do contribuinte estão numerados e foram destacados por negrito. 1. Em 11/12/2006 o contribuinte cedeu seu crédito à Telemar Norte Leste S/A e deu quitação ao montante devido pelo Estado de Alagoas. O valor que deu origem ao auto de infração é relativo à cessão de direitos de crédito decorrente de decisão judicial e o contribuinte informou esses pagamentos em suas Declarações de Ajuste Anual dos exercícios de 2007 e 2008, no campo relativo a rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva. 2. Esses rendimentos se submeteram à retenção de imposto de renda na fonte na quantia de R$ 215.719,81. O contribuinte informou em sua declaração ter recebido rendimentos do Estado de Alagoas, quando na verdade recebeu pagamento pela alienação de bens e direitos da Telemar Norte Leste S/A. Embora o erro seja decorrente da sistemática criada pela Fazenda Estadual, ele não pode ser imputado à Fazenda Nacional. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10410.724425/201109 Acórdão n.º 2201003.902 S2C2T1 Fl. 129 9 Deve ser considerado que a atividade administrativa do lançamento é plenamente vinculada e a legislação que rege essa atuação no âmbito federal é a legislação federal. Portanto, entre o que foi declarado pelo contribuinte e o que foi apurado pela autoridade fiscal há divergência quanto à natureza do rendimento, à fonte pagadora e também à suposta retenção de imposto de renda na fonte, que não pode ser oposta à Fazenda Nacional. Embora o contribuinte possa ter sido induzido à erro pela Fazenda Estadual, fato é que o fato gerador tributário independe da intenção do sujeito passivo. 3. Com base em entendimento da própria Receita Federal o contribuinte formulou pedidos de restituição de imposto de renda pago em excesso, com relação à cessão de direitos do referido crédito, uma vez que teria havido retenção a maior pela Secretaria de Estado da Fazenda, que teria classificado os rendimentos decorrentes de precatórios como rendimentos tributáveis. Conforme já se afirmou anteriormente, a retenção efetuada não tem amparo na legislação tributária federal e não houve recolhimento em favor da União, não tendo sido adotado sequer o documento de arrecadação federal. 4. Resta claro que não houve omissão de rendimentos pelo contribuinte, o que torna indevida a aplicação da multa de ofício, juros de mora e multa de mora, pela inocorrência do fato gerador destas obrigações tributárias. Infelizmente, ainda que o contribuinte tenha sido induzido a erro pelo meio equivocado com que foi formalizado o pagamento do precatório, fato é que a incidência tributária independe de dolo ou culpa e não há identidade entre as informações que foram prestadas pelo contribuinte e o efetivo fato gerador tributário. 5. O auto de infração é nulo de pleno direito porque o contribuinte fez a apuração e lançamento do imposto devido a título de ganho de capital, o que foi reforçado pela petição pedindo restituição do imposto retido a maior. Na DIRPF2007 (fls. 24/28) e DIRPF2008 (fls. 43/49) os valores relativos ao precatório recebido foram declarados como rendimento sujeito à tributação exclusiva, o que não gera qualquer imposto a pagar na declaração, não houve apuração do ganho de capital e não há qualquer informação sobre recolhimento a este título. Portanto, não é correto afirmar que houve apuração do imposto de renda sobre esses rendimentos. 6. Foi forçado a aceitar a retenção na fonte, pois do contrário não receberia pela cessão do crédito, conforme legislação imposta pelo Estado de Alagoas. A imposição criada exclusivamente pela legislação estadual é de responsabilidade do Estado membro. 7. Na impugnação ao indeferimento do pedido de restituição controlado no Processo nº 10410.007589/2008.64, solicitou à Delegacia da Receita Federal de Julgamento que este processo e o processo em análise sejam julgados em conjunto. Fl. 133DF CARF MF 10 Este processo ainda não chegou a este CARF para julgamento, de modo que, segundo o que determina o regimento deste órgão, o processo que aqui está deve ser incluído na pauta não havendo necessidade de se aguardar a subida do conexo. 8. Tanto os pedidos de compensação constituem confissão de dívida, como as declarações de rendimentos retificadoras apresentadas nos exercícios 2007 e 2008, em que constam os rendimentos tributados exclusivamente na fonte. O contribuinte não apresentou declaração de compensação e sim pedido de restituição. Apesar disso, não apurou o ganho de capital no demonstrativo próprio e não foi o ganho declarado a este título na declaração. Conforme já se afirmou, as informações que foram prestadas nas DIRPF não guardavam correlação com a situação concreta. 9. O imposto foi integralmente pago quando o Estado de Alagoas efetuou a retenção de 27,5% e o informou na DIRF apresentada à Receita Federal, de modo que o ônus tributário suportado pelo contribuinte é maior que o imposto efetivamente devido, que é de 15%. A retenção efetuada pelo Estado de Alagoas decorre de legislação estadual e foi recolhida em favor do próprio Estado. Por outro lado, as DIRF foram apresentadas com informações que não correspondem aos fatos ora em discussão, já que o contribuinte não recebeu rendimentos do trabalho, e sim ganho de capital, a fonte pagadora não foi a Fazenda Estadual e sim o cessionário. 10. A cessão do direito foi toda realizada segundo normas legais e infralegais editadas pelo Estado de Alagoas e a própria retenção de imposto de renda efetuada não foi um ato voluntário do recorrente, pois era uma das condições para o recebimento do direito conquistado judicialmente. Com efeito, assiste razão ao contribuinte quanto a esse aspecto, mas esses fatos não podem ser opostos à Fazenda Pública Federal que em nada participou da edição desses atos e também não se beneficiou dos valores que foram indevidamente retidos. 11. A atitude da Receita Federal de cobrar imposto de renda sobre ganho de capital, quando isso já foi pago via retenção efetuada pelo Estado de Alagoas, em valor superior ao devido, equivale a confisco. Nada foi recolhido em favor da União, não havendo previsão para compensação com tributo federal de valores que são retidos pelos Estados a partir da legislação estadual. Por outro lado, sendo a atividade de lançamento plenamente vinculada, por maior simpatia que a situação do contribuinte possa surtir na autoridade lançadora ou na julgadora, esses fatos não são suficientes para afastar a incidência tributária com seus consectários. 12. O acórdão recorrido foi omisso em relação à real questão a ser discutida neste processo, de que pediuse restituição dos 12,5% pagos a maior, bem como a compensação dos 15% restantes, retidos pelo Estado de Alagoas, como o valor devido a título de ganho de capital. Do Acórdão recorrido, transcrevo: Com relação ao processo de restituição 10410.007589/200864, a administração tributária, por meio de Despacho Decisório não acatou o pedido do contribuinte, tendo este, no entanto, Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10410.724425/201109 Acórdão n.º 2201003.902 S2C2T1 Fl. 130 11 impetrado manifestação de inconformidade contra a decisão, a qual se encontra em tramitação. Assim, afasto na presente análise, as questões trazidas pelo impugnante relacionadas com a restituição do imposto pela fonte pagadora, tendo em vista que esta matéria está sendo submetida a apreciação em processo administrativo específico, conforme informado. Com relação a alegação de que teria ocorrido duplicidade de lançamento, este argumento não procede, uma vez que a apuração do imposto devido, como ganho de capital, na correta forma prevista na legislação tributária foi efetuado de ofício pela autoridade fiscal, a qual não se confunde com o critério de apuração considerado pela fonte pagadora, que procedeu a retenção na fonte sobre os valores recebidos, na forma de rendimentos sujeitos a tributação. Neste contexto, ao contrário do que alega o impugnante, compulsando as declarações de imposto de renda apresentadas, ano calendário 2006 e 2007, bem como as retificadoras, se constata que não foi informado pelo mesmo o ganho de capital, bem como não consta que tenha ocorrido qualquer recolhimento em época própria com relação ao fato gerador ocorrido. Cabe esclarecer que o procedimento efetuado por terceiros, no caso a Secretaria da Fazenda Estadual, não pode se apor a Receita Federal do Brasil, a qual tem a competência para administrar o imposto de renda, observando a legislação federal que regulamenta a matéria. Ademais, como já frisado, o imposto de renda retido pela fonte pagadora está sendo objeto de contestação administrativa em processo especifico. Desta forma, não há como acatar o requerimento do impugnante, no sentido de anular o presente auto de infração, tendo em vista que o mesmo foi lavrado de forma escorreita, conforme descrição fática e jurídica presente nos autos. De acordo com a decisão de piso, o pedido de restituição está sendo decidido em processo próprio, não houve duplicidade no lançamento, não há identidade entre o que se exige nesse processo e as informações que foram prestadas pela fonte pagadora e, o mais importante, o procedimento adotado pela Secretaria da Fazenda Estadual não pode ser oposto à Receita Federal, que é quem tem competência para administrar o imposto de renda em observância à legislação federal que regulamenta a matéria. Portanto, não identifico a alegada omissão. 13. O valor do imposto sobre o ganho de capital está integralmente pago, sendo descabido o lançamento para cobrança o imposto de renda, multa de ofício e juros moratórios. O valor que foi apropriado pelo Estado de Alagoas não pode ser considerado como imposto de renda, embora tenha se adotado essa denominação, porque decorre de regras criadas por quem não tem competência para legislar sobre o tema e não houve sequer Fl. 135DF CARF MF 12 recolhimento aos cofres da União, como seria de se esperar se se tratasse efetivamente de retenção desse imposto. 14. Há decisões do Conselho de Contribuintes entendendo pela inexistência de ganho de capital na cessão de precatórios com deságio, o que comprova com acórdãos que são parcialmente transcritos. Considero totalmente insubsistente a tese trazida pelo recorrente de que não há nada a ser tributado já que a cessão ocorre com deságio. Sob esse aspecto, não se pode gastar ou perder o que nunca se teve e, do ponto de vista do imposto de renda, os créditos que foram cedidos não haviam sido ainda incorporados ao patrimônio do contribuinte, razão pela qual não poderiam ser consumidos para gerar a suposta perda. Como a tributação pelo IRPF segue o regime de caixa, os valores representados pelo precatório só seriam incorporados ao seu patrimônio e submetidos à tributação quando realizados. Em consequência, apenas a parcela efetivamente recebida, neste caso a título de ganho de capital, é que será considerada para fins tributação. Notese que, se fosse adotada a tese encampada pelo recorrente, esse suposto prejuízo corresponderia a um consumo sem uma renda correspondente, o que poderia ensejar variação patrimonial a descoberto. Portanto, como o valor do crédito cedido não havia ainda sido declarado como receita tributável, isenta ou não sujeita à incidência, em relação ao imposto de renda ele não se incorporou ao patrimônio do contribuinte, de forma que não pode ser consumido como custo de aquisição. Enunciado nº 73 da Súmula CARF A despeito do que foi acima afirmado, de que não ocorreu efetiva retenção de imposto de renda na fonte a ser aproveitado pelo contribuinte, bem como de que os valores não foram corretamente oferecidos à tributação, entendo que a situação se amolda ao que prescreve o Enunciado nº 73 da Súmula de jurisprudência deste Colegiado, que determina: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. De acordo com o art. 72 do Regimento Interno deste órgão colegiado, as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstancias em súmula de observância obrigatória pelos seus membros. Por outro lado, o art. 45 do mesmo regimento determina que perderá o mandato o conselheiro que deixar de observar enunciado de súmula ou de resolução do Pleno da CSRF. Neste caso, para melhor compreensão do raciocínio jurídico que embasou a edição do enunciado nº 73, transcrevo abaixo trecho do Acórdão CSRF nº 0105.049, citado como um dos seus paradigmas: Como se colhe do relatório, a única questão submetida à apreciação do Colegiado consiste na pretensão do recorrente em ver afastada a multa de ofício da exigência sobre rendimentos declarados como "não tributáveis". Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10410.724425/201109 Acórdão n.º 2201003.902 S2C2T1 Fl. 131 13 Sou pela exclusão da penalidade, vez que o contribuinte, espontaneamente, declarou os rendimentos não os ocultando da Receita Federal, como pode ser comprovado pelas declarações de rendimentos apresentadas. Portanto, os referidos rendimentos, inobstante declarados indevidamente com não tributáveis, constituíam elementos cadastrais da repartição e não foram apurados através de procedimentos fiscais e sim confessados pelo beneficiário. Não bastasse, a fonte pagadora através do formulário "informe de rendimentos" (fls. 52/53), alocava os valores como isentos e não tributáveis e, com isto, induzia o contribuinte a praticar o erro, perfeitamente escusável, no preenchimento de sua declaração, não se vislumbrando nenhum tipo de fraude ou sonegação. Na hipótese em questão, não há dúvida de que o contribuinte foi induzido a erro pelo comprovante fornecido pelo Estado de Alagoas que, embora não seja a verdadeira fonte pagadora do rendimento, comportouse como tal. Sendo o documento fornecido por autoridade pública, é razoável que o contribuinte lhe tenha conferido fé e, embora não seja possível dispensálo do pagamento do tributo devido, não pode ser punido por isso pela aplicação da multa de ofício. Em vista destas razões, dou provimento ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte apenas no que se refere à exclusão da multa de ofício. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer o recurso voluntário apresentado para, no mérito, darlhe parcial provimento para determinar a exclusão da multa de ofício. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904854/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.969
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 85 4/ 20 11 -9 3 Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 10530.904854/201193 Resolução nº 3201000.969 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 10530.904854/201193 Resolução nº 3201000.969 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 10530.904854/201193 Resolução nº 3201000.969 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 10530.904854/201193 Resolução nº 3201000.969 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1175DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.720969/2008-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2007, 2008
CAUTELAS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. UTILIZAÇÃO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários (Súmula CARF n o 24).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO QUE NÃO SE REFERE A TRIBUTO ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE.
A lei veda, expressamente, a compensação tributária, quando o crédito apresentado para compensação não se referir a tributo administrado pela Receita Federal. Conduta que caracteriza compensação não declarada, sancionada pela aplicação de multa isolada no percentual de 75% sobre o valor total do débito indevidamente compensado.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.717
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 CAUTELAS DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. UTILIZAÇÃO PARA FINS DE COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários (Súmula CARF no 24). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO QUE NÃO SE REFERE A TRIBUTO ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. A lei veda, expressamente, a compensação tributária, quando o crédito apresentado para compensação não se referir a tributo administrado pela Receita Federal. Conduta que caracteriza compensação não declarada, sancionada pela aplicação de multa isolada no percentual de 75% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Solon Sehn. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. EDITADO EM: 12/10/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sergio Celani. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 5a Turma da DRJ Campinas (fls. 214/235), a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento formalizado contra a recorrente, nos termos do Acórdão nº 0526.096, proferido em 01 de julho de 2009. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo a Multa Isolada por compensação indevida, bem como para constituição de débitos compensados e não declarados, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 1.365.631,77, em virtude da apresentação de Declarações de Compensação – DCOMP de 28/02/2007 a 31/07/2008, com o objetivo de extinguir débitos de Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, mediante a utilização de crédito oriundo de uma Cautela de Obrigações das Centrais Elétricas Brasileiras S/A, de número 0000096040 (013935). No Termo de Verificação de fls. 14/22, a autoridade lançadora assevera que, na análise das DCOMP em referência, contidas no processo administrativo nº 10830.000840/200738, constatouse a compensação de títulos representativos de supostos créditos estranhos à administração da Receita Federal do Brasil. Acrescenta, ainda, que mesmo se permitisse a legislação pátria tal procedimento, o direito à operação compensatória restaria prescrito, vez que cuidam de obrigações ao portador de títulos emitidos pela Eletrobrás em 1975. Cita dispositivos do Decreto nº 41.019/57, bem como da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 e da Lei nº 9.430/96 (art. 74), concluindo pelo cabimento da nãodeclaração da compensação, ato praticado no processo administrativo antes referido. Assevera, também, que tendo sido a obrigação emitida em 1975, o prazo prescricional iniciouse em 1995, fulminando o direito à repetição em 2000, evidenciandose o pleito a destempo formulado em 16/02/2007, conforme jurisprudência citada. Intimado, o contribuinte confirmou a quitação dos débitos questionados mediante a utilização de Obrigações da Eletrobrás, como descrito nos autos do processo administrativo nº 10830.000840/200738. Ainda, constatou a autoridade lançadora a falta de declaração dos débitos de IRRF compensados relativos aos períodos de apuração de 12/01/2005, 02/03/2005, 30/03/2005, 01/06/2005, 29/06/2005, 13/07/2005, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.720969/200847 Acórdão n.º 380200.717 S3TE02 Fl. 252 3 17/11/2005 (código 0561) e de 22/06/2005 e 27/07/2005 (código 3280), formalizando o correspondente lançamento de ofício destas parcelas. Por fim, em decorrência da nãodeclaração da compensação, a autoridade lançadora, em conformidade com o disposto no art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003, promoveu o lançamento da multa de ofício isolada, duplicando o percentual de 75% porque caracterizada a situação prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/64, assim apontada: 33. No caso em análise, fácil constatar a presença de fraude no procedimento levado a efeito pela fiscalizada, haja vista inexistir amparo legal para a compensação de créditos não passíveis de restituição (prescrição) e não administrados pela Receita Federal do Brasil. Tal situação tornase agravada por restarem alguns débitos já inscritos em dívida Ativa da União. Ou seja, assim agindo, não poderia ser outro o intento do sujeito passivo senão criar subterfúgios, objetivando absterse de pagar dívidas tributárias líquidas e certas, vez que é sabido que a apresentação de Declaração de Compensação extingue o débito sob condição resolutória de posterior homologação da autoridade fiscal. Desta forma, o efeito prático de tal procedimento seria o de não possuir débitos em cobrança no âmbito da RFB, sendo considerado adimplente no que tange aos débitos arrolados nas Dcomp´s. 34. Contudo, uma simples procura nos julgados advindos dos nossos tribunais demonstram o total descabimento do procedimento pretendido pela autuada. Colaciono a título ilustrativo ementa da decisão STJ – Relator Ministro José Delgado – prolatada nos autos do AgReg no Resp 1035714/DF, de 20/06/2008: [...] 36. Ademais, corroborando o até aqui exposto, trago à baila o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 17, publicado no D.O.U. de 14.10.2002: [...] DEMONSTRATIVO DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA 37. Destarte, depreendese dos dispositivos acima transcritos que, como o contribuinte efetuou compensações ao arrepio da lei, devese aplicar a penalidade de multa isolada, qualificada por restar patente o intuito fraudulento e calculada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, conforme tabela II constante do anexo a este documento, que faz parte integrante indissociável do presente. Registrese, ainda, a formalização de representação fiscal para fins penais, dado que a conduta do contribuinte quanto ao intento compensatório, resta tipificada como crime contra a ordem tributária, previsto no art. 1o, inc. I e II, e art. 2o, incisos I e II, da Lei nº 8.137/90. Ainda, quanto aos débitos de IRRF não recolhidos, a Fiscalização menciona o crime de apropriação indébita, conforme definido no Código Penal. Cientificado da exigência em 12/01/2009 (fl. 177), o contribuinte, por seu representante legal conforme cópia do contrato social à fl. 48/53, apresentou em 11/02/2009 impugnação total, fundamento no artigo 14 e seguintes do Decreto nº 70.235/72, frente às multas regulamentares materializadas no presente Auto de Infração (fls. 180/208), na qual alega, em síntese, o que segue: • Defende a regularidade de seu procedimento ao propor a compensação de seus tributos com créditos oriundos de Empréstimos Compulsórios, invocando o direito de petição constitucionalmente garantido e opondose à aplicação de multa isolada fundada na ocorrência de fraude, na medida em que seu procedimento não inibe que o fisco, após o Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 exaurimento da discussão administrativa, exija os valores que lhe são devidos usando todos os meios legais para tal. • Questiona a abrangência do termo “indevida” utilizada pelo legislador e defende que todas as informações necessárias quanto ao crédito e os tributos inseridos no procedimento foram prestadas ao Fisco. Conclui, daí, que compensação indevida é aquela em que o contribuinte, dolosamente, prestar informações inverídicas ao Fisco de modo a não permitir a identificação do crédito bem como dos valores informados na declaração. • Assevera que não agiu desta forma, inclusive utilizando os formulários postos à disposição pela Receita Federal, mencionando ter agido como mencionado pelo Auditor Fiscal em seu relatório: o conteúdo da declaração é verídico tanto em sua forma quanto em sua materialidade. • Conclui, daí, que a multa imposta é indevida traduzindo em inegável meio coercitivo utilizado pelo Fisco, devendo de plano ser anulada, como medida da mais cristalina JUSTIÇA. • Na seqüência, aborda a impossibilidade da homologação do pedido de compensação formulado pelo ora recorrente em razão do crédito apurado (empréstimo compulsório sobre o consumo de energia elétrica) não sofrer os efeitos da administração da então Secretaria da Receita Federal, atual Receita Federal do Brasil. • Opõese ao disposto no art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, entendendo que a orientação sobredita não atende aos dispositivos legais que regulam a administração econômicofinanceira do estado Brasileiro. • Expõe evolução histórica para demonstrar que a administração tributária foi se transformando até resultar na atual Secretaria da Receita Federal do Brasil, destacando que a fiscalização da renda tributária decorrente do Fundo Federal de Eletrificação previsto no art. 1o da Lei nº 2.308/54 foi atribuída ao Departamento de Rendas Internas, órgão resultante de diversas alterações legislativas desde a criação do Ministério da Fazenda em 1891, e que veio a ser extinto em 1969 com a criação da Secretaria da Receita Federal. • Na seqüência, aborda a criação do empréstimo compulsório sobre energia elétrica em 1962, indica os atos legais correlacionados à sua instituição e, por fim, reportase ao art. 20, §4o da Lei nº 4.156/62, que dispôs que os recursos provenientes deste empréstimo seriam contabilizados como Receita do Fundo Federal de Eletrificação. • Reportase, também, ao Decreto nº 57.617/66, que inclui na composição do Fundo Federal de Eletrificação os juros a que se refere o §4o do artigo 20 da Lei número 4.156, de 28 de novembro de 1962, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 8o da Lei número 4.676, de 16 de junho de 1965. • Conclui, daí, que não há argumento sólido o bastante para afastar a compensação engendrada pela empresacontribuinte, até porque a rejeição oposta fez uso de meras conjecturas, desprovidas, em sua essência, de fundamento hábil o bastante para justificar a recusa do órgão credor quanto a referido procedimento administrativo, realizado dentro dos parâmetros legais. • Aborda, ainda, a certeza e liquidez dos títulos emitidos para viabilizar a restituição do empréstimo compulsório instituído em favor da Eletrobrás, na medida em que a opção por esta restituição somente poderia ocorrer depois de transcorridos os 20 (vinte) anos estipulados em lei para o resgate das Obrigações e/ou Cautelas, e a somente a partir deste segundo momento Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.720969/200847 Acórdão n.º 380200.717 S3TE02 Fl. 253 5 fluiria a prescrição, também vintenária, como já explicitado em diversos julgados que colaciona. • Defende que a prescrição vintenária, ao amparo do Código Civil, não descaracteriza a natureza tributária do empréstimo compulsório, até porque este foi recepcionado como tributo pela Constituição Federal de 1988. • Entende que a relação que se estabelece para restituição do empréstimo compulsório é de natureza privada, consistente na obrigação da Eletrobrás e da União (devedora solidária) em efetivar o pagamento dos títulos ao portador por ela emitidos, incidindo, assim, o prazo prescricional previsto no Código Civil de 1916 (vigente à época), ou seja, de 20 (vinte) anos. Mas destaca que mesmo tratandose de uma relação jurídica civil, ela tem natureza jurídica tributária, em razão de sua origem em um empréstimo compulsório, encerrada na entrega dos títulos ao contribuinte que poderia alienálos ou cedêlos a terceiros. • Opõese à aplicação do Decretolei nº 20.910/32, porque não aplicável às empresas públicas e sociedades de economia mista, consoante já firmado pelo Superior Tribunal de Justiça. Destaca, porém, que incongruente seria, ingressar contra a Eletrobrás (sociedade de economia mista) cujo prazo iniludivelmente é vintenário e, em seguida, caso a União no seu interesse ingressase no pólo passivo, o prazo se transformaria em qüinqüenal. E conclui que, se frente a Eletrobrás não há aplicação do Decreto nº 20.910/32, o fato da União figurar como devedora solidária desta relação deve implicar em extensão deste entendimento, sob pena de visualizarmos uma solidariedade parcial, onde o ente político solidário responderia apenas por parte do lapso temporal estipulado à codevedora Eletrobrás. • Entende que esta é a única interpretação plausível em face do disposto no art. 173, §2o da Constituição Federal, e acrescenta que o Código Tributário Nacional não estabelece prazo para restituição de empréstimo compulsório. Afirma, daí, ser de 20 (vinte) anos o prazo prescricional que somente tem início após os 20 (vinte) anos de resgate estipulados em lei, iniciado com a aquisição das Obrigações e/ou Cautelas da Eletrobrás (portanto, 40 anos desta aquisição compulsória). • Reportase a julgado do TRF/5a Região e defende o reconhecimento dos títulos como válidos e aptos à efetiva garantia do crédito pleiteado. Opõe a certeza do crédito, firmada na própria cártula, bem como a sua liquidez, por depender exclusivamente de simples cálculo, aplicandose atualização monetária, juros e expurgos inflacionários, para firmar a regularidade do procedimento adotado, mediante compensação de crédito oferecido entre credores e devedores recíprocos. • Defende a possibilidade de compensação de créditos tributários inscritos em Dívida Ativa, invocando os arts. 15 e 34 a 38 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, os quais autorizam a Receita Federal a promover a compensação de ofício de créditos daquela natureza com valores reconhecidos em face de Pedido de Restituição. Argúi inobservância do princípio da isonomia, pois desigual seria o tratamento perante a mesma situação (Pedido de Restituição e créditos tributários inscritos). • Opõese à aplicação da multa isolada, afirmando que não há razão para aplicação majorada de seu percentual, na medida em que a interpretação do art. 72 da Lei nº 4.502/64 deixa evidente que as condutas ali previstas são incompatíveis com a compensação, pois quando esta se Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 inicia, o fato gerador já ocorreu, o que se pretende é a extinção do crédito tributário, a obrigação já está constituída, não havendo razão para dizer sobre ação ou omissão tendente a impedir, retardar, excluir ou modificar os elementos essenciais do fato gerador. • E, sendo necessária a comprovação de dolo específico, conclui por inaplicável o dispositivo invocado, uma vez que a contribuinte informou ao fisco suas obrigações tributárias já constituídas, escriturou seu crédito e realizou a compensação entre os tributos na forma prevista pela Lei 9.430/96, não havendo razão para se afirmar que a decisão administrativa contrária ao interesse do contribuinte é fato suficiente a outorgar à compensação a prática de ato doloso, uma vez que a decisão administrativa não tem natureza de prestação jurisdicional. • Invoca as disposições do art. 3o do Decreto nº 63.659/68 e do art. 20 do Decreto nº 68.419/71, que tratam das competências da Secretaria da Receita Federal, incluindo aquelas pertinentes ao imposto único sobre energia elétrica, para destacar que não se pode negar, que fiscalizar, cobrar, arrecadar ou dar destinação são espécies do gênero administra, e sob esta ótica, a Secretaria da Receita Federal administrou o Empréstimo Compulsório sobre Energia Elétrica em conjunto com a Eletrobrás, como não poderia deixar de ser, em razão da solidariedade passiva da União, razão pela qual a compensação não poderia ser considerada não declarada. • Reportase ao princípio da vedação de confisco, assevera que não tem culpa e não deve arcar com a má administração da res pública dos agentes públicos anteriores, e afirma a ilegalidade e abusividade da multa no percentual de 150%, impondo ao contribuinte excessiva carga econômica que pode ser traduzido como a implicância do indesejado efeito confiscatório. • Registra que a possibilidade de redução da multa em razão de seu pagamento ou parcelamento evidencia sua mensuração sem qualquer correlação econômicofinanceira pela falta do pagamento no momento oportuno. Em conseqüência, por ela não se busca a recomposição de eventual prejuízo sofrido e, sim, a lucratividade excessiva ao erário às expensas da propriedade do contribuinte/cidadão, ou seja, o seu locupletamento ilícito ou sem justa causa. • Pleiteia o expurgo da multa, também, enquanto não incidir a eficácia preclusiva da última instância administrativa sobre o pedido de restituição dos valores correspondentes às Obrigações Eletrobrás, pois nesta pendência, a extinção do crédito tributário pela declaração de compensação permanece possível, nos termos do art. 26 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005. • Assevera que é uma aberração jurídica a nãohomologação da extinção do crédito tributário antes da análise em última instância administrativa do pleito de restituição, e, principalmente, a aplicação de uma multa isolada sob suposta compensação indevida. E ainda acrescenta: Outro ponto relevante é que os procedimentos adotados pela impugnante foram observados e estão consentâneos com a legislação tributária vigente e, com espeque no parágrafo único do art. 100 do CTN, exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. • Questiona a representação fiscal para fins penais por falta de materialidade suficiente à indicação criminal, dado que a fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/64 não se confunde com a fraude criminal. • Pede, assim: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.720969/200847 Acórdão n.º 380200.717 S3TE02 Fl. 254 7 • a improcedência do lançamento de ofício da multa isolada, em face da utilização de crédito administrado pela Secretaria da Receita Federal em conjunto com a Eletrobrás; • alternativamente, a minoração da multa, ante a inaplicabilidade do art. 72 da Lei nº 4.502/64; • subsidiariamente, o afastamento a representação criminal, porque inexistente a fraude criminal em relação à declaração de compensação; • a improcedência do auto de infração com fundamento no art. 100, parágrafo único, do CTN, mediante exclusão das penalidades, uma vez que o procedimento engendrado pela impugnante é consentâneo com as normas complementares da Secretaria da Receita Federal. • Por fim, requer a observância do art. 31 do Decreto nº 70.235/72, devendo a decisão referirse expressamente às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências, sob pena do malsinado cerceamento de defesa. À fl. 209 a autoridade junta cópia de despacho proferido nos autos do processo administrativo nº 10830.000840/200738, destacando o não cabimento de manifestação de inconformidade contra a decisão de não declaração das compensações, bem como o disposto no § 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, que firmou a definitividade de tal análise. Em conseqüência, conclui pela necessidade de se prosseguir na cobrança dos débitos cadastrados no PROFISC naquele processo. Na seqüência, estes autos foram encaminhados para julgamento informando em adido que o recurso apresentado no processo 10830.000840/200738 que originou o presente auto não teve seguimento, nos termos do despacho em anexo (fl. 209). Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, foram acolhidos apenas parcialmente pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, tendo referida instância, como já dito, julgado procedente em parte o lançamento, para reduzir o percentual da multa isolada de 150% para 75%, uma vez que se afastou a qualificadora de intuito fraudulento na compensação realizada. Assim, o montante lançado, correspondente a R$ 1.359.613,05, foi diminuído para R$ 679.806,52. O Acórdão correspondente foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 IRRF. DÉBITOS COMPENSADOS E NÃO DECLARADOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A exigência fundada em matéria não expressamente impugnada consolida se administrativamente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 COMPETÊNCIA. ATO DE NÃODECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESSUPOSTO DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. APRECIAÇÃO EM JULGAMENTO. Embora as Delegacias de Julgamento Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 não tenham competência para apreciar recurso contra atos de não declaração, na medida em que este é pressuposto da aplicação da multa de ofício isolada, e o reconhecimento de sua eventual nulidade independeria de recurso do interessado, é possível a apreciação dos argumentos do impugnante, mas apenas com vistas a definir o cabimento de representação à autoridade competente para revisão de ofício do ato questionado. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO QUE NÃO SE REFERE A TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE. Verificandose que o ato administrativo foi editado por servidor competente, fundouse em motivos evidenciados nos autos e previstos em lei como ensejadores da nãodeclaração da compensação, nada há que o macule, mormente ante sua regular ciência ao interessado. CAUTELA DE OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. CRÉDITO DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃODECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Regular é a exigência de multa isolada em face de DCOMPs consideradas nãodeclaradas, por veicularem crédito que não se refere a tributos ou contribuições administrados pela antiga SRF. PERCENTUAL APLICÁVEL. A utilização de créditos de natureza não tributária em DCOMP justifica a aplicação de multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, no percentual de 75%; a qualificação da multa fica restrita aos casos em que caracterizado o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte Cientificada da referida decisão em 04/08/2009 (fls. 240), a interessada, em 01/09/2009 (fls. 241), apresentou o recurso voluntário de fls. 241/249, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nas seguintes questões aduzidas na primeira instância recursal: a) a alegada impossibilidade de subsunção do fato ao disposto no artigo 18 da Lei no 10.833/2003, notadamente pelo fato de o lançamento não se amoldar a nenhuma das três hipóteses de compensação indevida elencadas pelo referido dispositivo; e, b) a proclamada natureza tributária das cautelas de obrigações da Eletrobrás. Diante do exposto, requer seja reformada a decisão de primeira instância e julgado improcedente o lançamento objeto da lide. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Admissibilidade do recurso Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.720969/200847 Acórdão n.º 380200.717 S3TE02 Fl. 255 9 Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 04/08/2009 (fls. 240). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 01/09/2009 (fls. 241), tempestivamente, portanto. Ademais, nos termos do Contrato Social de fls. 49/53, vêse que o signatário da petição de recurso voluntário detém legitimidade para representar a empresa perante este foro. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Mérito O exame do mérito exige seja verificado se é legítima a compensação pleiteada pelo sujeito passivo, e ainda, na hipótese de sua inadmissibilidade, quais as consequências decorrentes de referida conduta. Relativamente ao primeiro questionamento, encontrase pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a impossibilidade de utilização de títulos emitidos pela Eletrobrás para fins de restituição ou de compensação com débitos tributários federais. Tal afirmação está alicerçada na Súmula CARF nº 24, assim redigida: Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. Referida Súmula tem como paradigmas os acórdãos 30332277 (de 10/08/2005), 30132112 (de 13/09/2005), 30132156 (de 19/10/2005), 30237140 (de 10/11/2005) e 30332636 (de 10/12/2005), os quais estão fundamentados, notadamente, no artigo 170 do CTN, no artigo 66 da Lei n° 8.383/1991, no artigo 74 da Lei no 9.430/96, além de atos normativos infralegais expedidos pela Secretaria da Receita Federal. Ressaltese, ainda, o disposto (ao menos) nos acórdãos paradigmas nos 302 37140 e 30332636, onde está consignado que a norma legal que instituiu o empréstimo compulsório da Eletrobrás – Decreto n° 68.419 de 25/03/1971 – já definira, em seu bojo (artigo 66), a modalidade de restituição, inclusive antecipadamente, por deliberação da Assembléia Geral da própria empresa, e não pela Secretaria da Receita Federal. Referido Decreto, inclusive, bem como a Lei no 4.156/62 (que trata da legislação sobre o Fundo Federal de Eletrificação), foram muito bem estudados pela Relatora do processo na primeira instância (AFRFB Edeli Pereira Bessa), que demonstrou “a competência da Receita Federal como órgão de administração apenas da parcela correspondente ao Imposto Único sobre Energia Elétrica, integrante do Fundo Federal de Eletrificação, e não se verifica a participação de recursos provenientes do empréstimo compulsório sobre energia elétrica nesse Fundo”. Mas, em resumo, a edição da Súmula CARF no 24 delineia, de forma definitiva neste Conselho, o entendimento pela absoluta impossibilidade de utilização de empréstimo compulsório sobre energia elétrica para fins de compensação tributária, posto que, nos termos do artigo 72 do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 – que aprovou o Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – “as decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF”. Patente a impossibilidade de realização da compensação pleiteada pelo sujeito passivo, consequentemente, legítima a exigência da multa isolada de 75%, além dos créditos tributários cuja liquidação por compensação se vislumbrava (essa última parte não é objeto de litígio). Com efeito, estabelece o artigo 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. O alcance do referido dispositivo é delineado pelo artigo 18 da Lei no 10.833/2003, cuja redação, na data da lavratura do auto de infração (12/01/2009 – ciência – v. fls. 177v) – e que ainda assim permanece (diante do que não se cogita de eventual retroatividade benigna) –, era a seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifo nosso) Por seu turno, o percentual da multa previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430/96, referenciado no § 4o do artigo 18 da Lei no 10.833/2003 – acima transcrito –, é o de 75%, aplicável, dentre outras hipóteses, quando o crédito apresentado para compensação não se referir a tributo administrado pela Receita Federal (alínea “e” do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430/96). Os correspondentes preceitos da Lei no 9.430/96, aqui anunciados, encontramse abaixo reproduzidos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10830.720969/200847 Acórdão n.º 380200.717 S3TE02 Fl. 256 11 poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) Finalmente, não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A não comprovação da certeza e da liquidez dos referidos créditos, materializada na apresentação de pedido de compensação pavimentado em hipótese expressamente vedada pela legislação específica que rege o assunto, não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Além disso, representa conduta que requer a reprimenda estatal, na forma da multa objeto do lançamento vergastado, que, conforme demonstrado, é perfeitamente legítima. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Sala de Sessões, em 06 de outubro de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 10/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 11080.001766/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2005
ISENÇÃO DO IPI. AUTOMÓVEL PARA DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO.
Lúpus eritematoso sistêmico completa incapacidade para dirigir veículo comum, por si sós, não dão direito à isenção de IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico.
O Laudo de Avaliação, para ser conhecido, deve ser emitido por serviço público de saúde ou serviço privado de saúde integrante do Sistema Único de Saúde autos Laudo de Avaliação, nos termos do Formulário constante do Anexo IX da IN SRF nº 607/2006.
Numero da decisão: 3302-004.779
Decisão: Recurso Voluntário Negado. Sem Crédito em Litígio
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
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AUTOMÓVEL PARA DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO. Lúpus eritematoso sistêmico completa incapacidade para dirigir veículo comum, por si sós, não dão direito à isenção de IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico. O Laudo de Avaliação, para ser conhecido, deve ser emitido por serviço público de saúde ou serviço privado de saúde integrante do Sistema Único de Saúde autos Laudo de Avaliação, nos termos do Formulário constante do Anexo IX da IN SRF nº 607/2006. Recurso Voluntário Negado. Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Cássio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 17 66 /2 00 7- 60 Fl. 63DF CARF MF 2 Schappo, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de pedido de isenção de IPI, com fundamento na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995, e de isenção de IOF, com fundamento no inciso IV, do artigo 72, da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de1991. Sobreveio despacho decisório, fls. 10/121, indeferindo o pleito da Recorrente sob o seguinte fundamento: Pelo exposto, considerando que o quadro clínico observado não se vê contemplado pela legislação, proponho seja indeferido o pleito da interessada. A interessada, então, apresentou impugnação, fls. 15/17, na qual alegou em síntese: 1. Que possui redução de capacidade física e que esta foi atestada em Laudo Médico — Junta Médica Especial e assinado por 03 (três) médicos do Departamento Estadual de Trânsito — DETRAN/RS; 2. Na sua impugnação, ela anexa laudos, firmados por 03 (três) médicos especialistas na área; 3. Transcreve trechos dos laudos médicos, que descrevem a doença da qual é portadora, no caso, Lupus Eritematoso Sistêmico, CID M32.9, o que faz com que ela necessite de veículo com direção hidráulica. A DRJ/Porto Alegre julgou improcedente o pedido, cuja ementa é transcrita abaixo, fls. 23/35: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2005 ISENÇÃO DO IPI. AUTOMÓVEL PARA DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO. 1. Lúpus eritematoso sistêmico e completa incapacidade para dirigir veículo comum, por si sós, não dão direito à isenção de IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico. 2. O laudo de avaliação, para ser conhecido, deve ser emitido por serviço público de saúde ou serviço privado de saúde integrante do Sistema Único de Saúde. Como um dos fundamentos da decisão foi a falta de laudo, emitido pelo Sistema Único de Saúde, a interessada apresentou novo pedido, fls. 38, anexando laudo emitido pelo SUS. 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 11080.001766/200760 Acórdão n.º 3302004.779 S3C3T2 Fl. 3 3 Os autos vieram a este Egrégio Tribunal Administrativo, no qual foi convertido em diligência, sob a resolução nº 3202000.281, Relator Thiago Moura de Albuquerque Alves: Entendo, todavia, que esse vício é sanável, razão pela qual VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando à unidade preparadora que intime a Recorrente para, em noventa dias, juntar aos autos Laudo de Avaliação, nos termos do Formulário constante do Anexo IX da IN SRF nº 607/2006. A Recorrente foi intimada em 11 de dezembro de 2014 da resolução do CARF, via aviso de recebimento, mas não apresentou o Laudo de Avaliação, nos termos da resolução solicitada pelo CARF. É o relatório. Voto 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Da isenção pleiteada A Recorrente pleiteia a isenção de IPI e de IOF em razão de ser portadora da doença denominada Lupus Eritematoso Sistêmico, CID M32.9, o que faz com que ela necessite de veículo com direção hidráulica. Vale transcrever a legislação, que prevê as referidas isenções: Lei nº 8.989/1995 Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou Fl. 65DF CARF MF 4 mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) Lei nº 8.383/1991 Art. 72. Ficam isentas do IOF as operações de financiamento para a aquisição de automóveis de passageiros de fabricação nacional de até 127 HP de potência bruta (SAE), quando adquiridos por: (...) IV pessoas portadoras de deficiência física, atestada pelo Departamento de Trânsito do Estado onde residirem em caráter permanente, cujo laudo de perícia médica especifique; a) o tipo de defeito físico e a total incapacidade do requerente para dirigir automóveis convencionais; b) a habilitação do requerente para dirigir veículo com adaptações especiais, descritas no referido laudo; Em relação à isenção do IPI, a Instrução Normativa SRF nº 607, de 05 de janeiro de 2006, prevê os seguintes procedimentos: IN SRF nº 607/ 2006 Art. 3º Para habilitarse à fruição da isenção, a pessoa portadora de deficiência física, visual, mental severa ou profunda ou o autista deverá apresentar, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, requerimento conforme modelo constante do Anexo I, acompanhado dos documentos a seguir relacionados, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de sua jurisdição, dirigido ao Delegado da Delegacia da Receita Federal (DRF) ou ao Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat), competente para deferir o pleito: I Laudo de Avaliação, na forma dos Anexos IX, X ou XI, emitido por prestador de: a) serviço público de saúde; ou b) serviço privado de saúde, contratado ou conveniado, que integre o Sistema Único de Saúde (SUS). II Declaração de Disponibilidade Financeira ou Patrimonial da pessoa portadora de deficiência ou do autista, apresentada diretamente ou por intermédio de seu representante legal, na forma do Anexo II desta Instrução Normativa, disponibilidade esta compatível com o valor do veículo a ser adquirido; III declaração na forma dos Anexos XII ou XIII, se for o caso; Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11080.001766/200760 Acórdão n.º 3302004.779 S3C3T2 Fl. 4 5 IV documento que comprove a representação legal a que se refere o caput, se for o caso; e V documento que prove regularidade da contribuição previdenciária, expedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O pedido foi indeferido na DRJ/Porto Alegre pela seguinte fundamentação, fls. 35: Assim, neste momento, não se questiona o fato da interessada possuir ou não paresia dos membros superiores — patologia passível do deferimento do benefício requerido. Ocorre que é impossível à Secretaria da Receita Federal do Brasil, da qual esta 1a Turma de Julgamento é parte — desobedecer ao disposto na IN SRF 607/2006, para aceitar laudos particulares na comprovação de seu estado físico. Sendo assim, a isenção não pode ser concedida, dado estar a autoridade administrativa vinculada à aplicação da legislação que rege o benefício em apreço. Nada obsta, entretanto, que a requerente encaminhe novo pedido, a qualquer tempo — já que, ao que tudo indica, possui deficiência aparada pela legislação que outorga a isenção pleiteada —, apresentando laudo de avaliação que observe a formalidade negligenciada nesta ocasião. Também está a sua disposição o recurso ao Conselho de Contribuintes, o que costuma ter apreciação mais demorada que a de novo pedido. Todas as instruções normativas, tanto Instrução Normativa SRF nº 607, de 05 de janeiro de 2006, que rege o presente caso, bem como a Instrução Normativa RFB nº 988, de 22 de dezembro de 2009 e a Instrução Normativa RFB nº 1369/2013, que disciplinam atual para a concessão da isenção, exigem um Laudo Médico com condições especiais. No caso, a deficiência deve ser atestada por equipe (dois médicos) responsável pela área correspondente à deficiência. Além da assinatura de dois médicos, o responsável pela unidade emissora também deve assinar o Laudo. No presente caso, o Laudo, anexado pela Recorrente, fls. 32 e 33, não preenchem os requisitos legais, sendo atestado por apenas um médico e sem a conferência do responsável pela unidade emissora. Logo, a Recorrente não preencheu o Laudo em conformidade com o exigido na IN SRF nº 607/ 2006 e, portanto, não há como conceder a isenção, ora pleiteada, sem o devido preenchimento das condições formais, que não foram sanadas. Ademais o feito foi convertido em diligência, para intimar a Recorrente para, em noventa dias, juntar aos autos Laudo de Avaliação, nos termos do Formulário constante do Anexo IX da IN SRF nº 607/2006, mas ela não cumpriu o que foi determinado. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço o recurso voluntário, mas nego provimento. Fl. 67DF CARF MF 6 Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.903456/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.659
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse impedido. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Restituição formulado por meio do PER/DCOMP. O pedido de restituição referese a suposto pagamento a maior de contribuições sociais no período de apuração referido na ementa deste julgado. O despacho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 34 56 /2 01 2- 08 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903456/201208 Acórdão n.º 3402004.659 S3C4T2 Fl. 3 2 decisório considerou improcedente o crédito informado no PER/DCOMP, tendo em vista o pagamento efetuado já fora integralmente alocado a outros débitos. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, requerendo o direito à restituição regularmente pleiteado, alegando que seu direito creditório adviria do alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, decorrente da inclusão indevida do ICMS no conceito de faturamento. Seu pleito foi julgado improcedente pela DRJ, ensejando a interposição de Recurso Voluntário, repisando suas razões originais. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.636, de 27 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.903445/201210, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.636): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. 1. Sobre a necessidade de suspensão do processo administrativo Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, foi reconhecida a repercussão geral da temática pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Recurso Extraordinário 574.706, julgado favoravelmente ao Contribuinte mas pendente de publicação do acórdão, e passível ainda de Embargos de Declaração. Não há, portanto, o seu trânsito em julgado. Como bem ponderado pela Conselheira Thaís de Laurentiis em outro acórdão, haja vista o conteúdo do artigo 15 do Código de Processo Civil (CPC), que determina a sua aplicação supletiva ou subsidiária aos processos administrativo; bem como do artigo 1.035, §5º do mesmo Codex, com a regra sobre a necessidade de sobrestamento dos processos cuja matéria foi objeto de reconhecimento do repercussão geral no âmbito do STF, entendo que o presente processo administrativo deveria ser sobrestado, até que a melhor solução acerca do direito da Recorrente fosse apresentada pelo Pretório Excelso. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903456/201208 Acórdão n.º 3402004.659 S3C4T2 Fl. 4 3 Nesse sentido, destaco as razões apresentadas pelo Conselheiro Diego Diniz Ribeirão no Acórdão n. 3402004.271, com as quais concordo inteiramente. Contudo, sabendo que o entendimento majoritário desse Colegiado é pela impossibilidade de sobrestamento face à ausência de previsão regimental nesse sentido, passo à análise do mérito. 2. Da Inclusão do ICMS na Base de Cálculo do PIS/COFINS Sobre esse tema, este Colegiado se manifestou por unanimidade com a ressalva do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em substituição ao Conselheiro Pedro Bispo ao prolatar o Acórdão CARF nº 3402003.317 de relatoria do Cons. Atulim,e cujas razões reproduzo aqui e adoto como fundamentos da minha decisão: No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10283.903456/201208 Acórdão n.º 3402004.659 S3C4T2 Fl. 5 4 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/ netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10283.903456/201208 Acórdão n.º 3402004.659 S3C4T2 Fl. 6 5 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. 3. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.902783/2008-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO.
Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo Decreto-Lei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação.
Numero da decisão: 9303-005.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO. Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo Decreto-Lei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO. Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo DecretoLei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 27 83 /2 00 8- 95 Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10840.902783/200895 Acórdão n.º 9303005.556 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência tempestivo interposto pela Fazenda Nacional (efls. 586/ss), ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 330201.589, de 25/04/2012, assim ementado, com destaque para a parte objeto do presente recurso: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). VENDA A EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. DIREITO. Atendido aos demais requisitos legais, tem direito ao crédito presumido do IPI, a que se refere a Lei nº 9.363/96, a venda realizada para empresa comercial exportadora, não regulada pelo DecretoLei nº 1.248/72, com o fim específico de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. MATERIAIS DESTINADOS A FUNCIONAMENTO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados no funcionamento de máquinas e equipamentos (combustíveis, lubrificantes e graxa). Recurso Voluntário Provido em Parte. Em apertada síntese, o presente processo trata de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI (Portaria MF nº 38/97). Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10840.902783/200895 Acórdão n.º 9303005.556 CSRFT3 Fl. 4 3 Após a realização das verificações fiscais no estabelecimento da recorrente, a DRF em Ribeirão Preto SP reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, nos termos do Despacho Decisório de fls. 274/275. Não se conformando com a decisão acima, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão nº 1433.776, de 19/05/2011. O relator do acordão embora entendesse que deveriam ser incluídas nos cálculo do crédito presumido as receitas de vendas para empresas comerciais exportadoras, independente de terem sido favorecidas pelo tratamento tributário do Decretolei nº 1.248/72, desde que estas vendas tenham o fim específico de exportação, negou provimento sob o argumento que a interessada não se desincumbiu a contento de seu ônus de provar a pretensão deduzida. O contribuinte apresentou recurso voluntário repisando os argumentos já aduzidos em sua manifestação de inconformidade. No acordão recorrido a Turma ordinária deu provimento parcial ao recurso voluntário, para “afastar o óbice criado pela RFB que excluiu as receita de exportação indireta do cálculo do crédito presumido em razão da empresa comercial exportadora não atender aos requisitos do DecretoLei nº 1.248/72, ressalvado o direito de a Fazenda Nacional conferir liquidez e certeza ao crédito pleiteado”. A Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial onde argumenta que o acórdão recorrido ao determinar a inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, das vendas a empresas comerciais que não foram devidamente constituídas como empresas comerciais exportadoras, estaria violando a legislação tributária, sobretudo o artigo 1º, parágrafo único, da Lei nº 9.363/96, bem como o artigo 2º do DecretoLei nº 1.248/72, razão pela qual pede seja a reforma do julgado. Foi indicado pela PFN, como paradigma, o Acórdão nº 20211927, cuja ementa transcrevese abaixo: IPI – CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO PARA RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PIS E COFINS Na apuração do crédito presumido, somente as exportações diretas e as vendas a empresa comercial exportadora, com o fim Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10840.902783/200895 Acórdão n.º 9303005.556 CSRFT3 Fl. 5 4 específico de exportação para o exterior, ambas devidamente comprovadas, deverá compor o valor da receita de exportação. O crédito presumido tem, como objeto, o ressarcimento das contribuições incidentes unicamente sobre as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo (Lei nº 9.363, art 1º, caput e parágrafo único). EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA – Não se considera como tal aquela constituída sem a observância dos requisitos mínimos previstos no art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72. Recurso voluntário negado. O Recurso Especial foi admitido conforme Despacho nº s/n, de 07/07/2015 (efls. 641/ss). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial repisando os argumentos trazidos no recurso voluntário (fl. 649/ss). É o Relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais devendo ser conhecido. Como relatado, a matéria objeto de análise por este Colegiado restringese somente à discussão sobre a condição para utilização do crédito presumido do IPI, conforme previsto na Lei nº 9.363. No acordão recorrido restou decidido que o gozo do referido crédito presumido de IPI não está condicionado necessariamente ao atendimento dos requisitos dispostos no art. 2º do Decretolei nº 1.248/72. Portanto, entendeuse equivocada a glosa efetuada pela fiscalização das receitas de exportação efetuadas por intermédio de empresas comerciais exportadoras que não constituídas ao amparo do DecretoLei nº 1.248/72. Por sua vez, a PFN afirma que para o contribuinte valerse do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363, deve atender à condição instituída pelo Decreto Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10840.902783/200895 Acórdão n.º 9303005.556 CSRFT3 Fl. 6 5 lei nº 1.248/72, art. 2º e do artigo 1° da Portaria MEFP n° 438/92. Correto então estaria o entendimento da autoridade administrativa singular, ao glosar as receitas de exportação. Aduz ainda que as notas fiscais juntadas aos autos fazem prova contra a interessada, ao mostrar que a empresa Lumbertreade Comercial Exportadora Ltda. é uma sociedade constituída por cotas de responsabilidade limitada, condição esta, segundo alega, não permitida pela legislação. Pois bem. Como apontado no voto do acordão recorrido, a glosa foi efetuada pela autoridade fiscal pelo fato de a venda com fim específico de exportação ter sido realizada para uma empresa que não atendia aos requisitos previstos no art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72, que assim dispõe: Art. 2º O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I – Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S.A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II – Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III – Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. Contudo, o dispositivo legal que estabeleceu o crédito presumido do IPI, para fins de ressarcimento do PIS e Cofins pagos na aquisição de insumos empregados em produtos exportados – art. 1º da Lei n° 9.363/96 –, não estipulou qualquer restrição nesse sentido, verbis: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (destaquei) Vêse pela leitura do dispositivo acima transcrito que a Lei autorizou a obtenção do crédito presumido do IPI “inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior” e nada mais disse. Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10840.902783/200895 Acórdão n.º 9303005.556 CSRFT3 Fl. 7 6 Não há qualquer comando no texto legal restringindo a utilização do incentivo apenas às empresas comercial exportadoras constituídas ao amparo do DecretoLei nº 1.248/72 – as “trading companies”. Destarte, se a lei não restringiu, não cabe ao intérprete ou aplicador da norma fazêlo. Por esse motivo entendo que, para efeito de aplicação do incentivo fiscal em debate, equiparase a receita de exportação as vendas, com fim específico de exportação, realizadas a toda e qualquer empresa comercial exportadora, desde regulamente habilitadas no Siscomex, compreendendo tanto as trading companies quanto as empresas comerciais exportadoras comuns. Ademais, nem mesmo na IN SRF nº 23/97, vigente à época dos fatos, ao regulamentar a utilização do incentivo fez qualquer restrição ou menção ao DecretoLei nº 1.248/72, conforme se depreende de seu texto: Art. 1º O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10840.902783/200895 Acórdão n.º 9303005.556 CSRFT3 Fl. 8 7 Assim, correto o entendimento adotado no acórdão recorrido ao afastar a restrição imposta pela autoridade fiscal que excluiu as receita de exportação indireta do cálculo do crédito presumido em razão da empresa comercial exportadora não atender aos requisitos do DecretoLei nº 1.248/72, por falta de amparo legal. Para reforçar o argumento, transcrevo trecho do voto proferido pelo ex Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira, no Acórdão nº 3401002.984, de 19/03/2015, processo administrativo nº 13866.000310/200266, o qual traz entendimento consonante com o até aqui exposto: Ante ao exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Pública. (assinatura digital) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 540DF CARF MF
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