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Numero do processo: 18088.720392/2011-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
QUALIFICAÇÃO DA MULTA.
Para qualificação da multa aplicada, é necessário que a autoridade fiscal demonstre o evidente intuito do contribuinte em agir de forma fraudulenta, não podendo, para tanto, utilizar-se de presunções, sobretudo porque as características do negócio podem ter resultado em mero equívoco do seu enquadramento como produtor rural.
PRODUTOR RURAL. DEFINIÇÃO
Para a tributação previdenciária define-se como produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos.
Numero da decisão: 2403-001.849
Decisão: Recurso Voluntário provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Carolina Vanderley Landim
Relatora designada
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Para qualificação da multa aplicada, é necessário que a autoridade fiscal demonstre o evidente intuito do contribuinte em agir de forma fraudulenta, não podendo, para tanto, utilizar-se de presunções, sobretudo porque as características do negócio podem ter resultado em mero equívoco do seu enquadramento como produtor rural. PRODUTOR RURAL. DEFINIÇÃO Para a tributação previdenciária define-se como produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos.
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Para qualificação da multa aplicada, é necessário que a autoridade fiscal demonstre o evidente intuito do contribuinte em agir de forma fraudulenta, não podendo, para tanto, utilizarse de presunções, sobretudo porque as características do negócio podem ter resultado em mero equívoco do seu enquadramento como produtor rural. PRODUTOR RURAL. DEFINIÇÃO Para a tributação previdenciária definese como produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos. Recurso Voluntário provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 92 /2 01 1- 31 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a qualificação da multa. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Carolina Wanderley Landim. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Carolina Vanderley Landim Relatora designada Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/201131 Acórdão n.º 2403001.849 S2C4T3 Fl. 259 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto , Acórdão 1437.271 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase o presente de Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, Debcad n.º 37.306.1576, no valor de R$ 446.336,93 (quatrocentos e quarenta e seis mil, trezentos e sessenta e seis reais e noventa e três centavos), relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social (parte patronal) e para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho– SAT/RAT e Debcad n.º 37.354.4707, no valor de R$ 52.308,86 (cinquenta e dois mil, trezentos e oito reais e oitenta e seis centavos), referente a contribuições a outras entidades e fundos (terceiros), quais sejam, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC, Serviço Social do Comércio – SESC e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE. As contribuições sociais exigidas através dos AIOP, ambos lavrados em 29/11/2011 e com ciência ao contribuinte em 30/11/2011, são oriundas das folhas de pagamento dos segurados empregados para o período de 01/2008 a 12/2008, incluindo o 13.º salário (competência 13/2008), declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP. Esclarece o Relatório Fiscal – RF (fls. 27/33) que, nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), constam GFIP nas quais foi informado o código de FPAS 604, com atividade preponderante “cultivo de canade açúcar”, para o qual são devidas as contribuições dos segurados empregados, devidamente retidas, e as contribuições a terceiros à alíquota de 2,7%, sendo 2,5% relativos ao FNDE e 0,2% ao INCRA. As contribuições patronais sobre a remuneração da mãode obra empregada no setor rural seriam substituídas por contribuição incidente sobre a receita total do empreendimento rural, com alíquotas de 2,5% (Previdência Social), 0,1% (SAT/RAT) e 0,25% (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural SENAR), que seriam declaradas no FPAS 744. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 4 Ocorre que a autuada não apresentou produção rural no período de 2008 a 2009, uma vez que arrendou suas terras para pessoas físicas, conforme contratos de arrendamento anexados, sendo essa sua única atividade econômica constatada para o período. Em resposta à intimação para apresentar as notas fiscais de produtor, foi entregue planilha listando notas emitidas até 12/2007, não tendo sido apresentada qualquer nota fiscal emitida a partir de 01/2008. Além disso, em 21/07/2010, promoveu alteração em seu Contrato Social, passando o objeto social, antes “exploração de atividades agrícolas, pastoris, indústria vegetal e animal” para “realização de parcerias agrícolas, arrendamento de terras e locação”. Com informações obtidas na folha de pagamento da autuada, o RF traz planilha listando os trabalhadores, lotações e cargos, demonstrando a inexistência de operários agrícolas em atividade no período em tela e, dado que não houve produção rural, concluiu a fiscalização pela inocorrência de atividade rural no período de 01/2008 a 12/2009. Para a apuração do crédito tributário foram apropriados os valores regularmente recolhidos através de Guias da Previdência Social – GPS, conforme pode ser verificado nos anexos “DD – Discriminativo do Débito”, coluna “Créditos”. Aplicação da multa. Retroatividade benigna. Na determinação do valor da multa, para o AIOP Debcad n.º 37.306.1576 (empresa + RAT/SAT), no período de 01/2008 a 11/2008, foi considerado o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, “c” do CTN, comparandose, mês a mês, as multas previstas na Medida Provisória n.º 449, de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/09, de 27/05/2009 com as multas anteriores, aplicandose a menos onerosa ao sujeito passivo, conforme demonstrativo de fls. 176/177. Para as infrações com fato gerador posterior a 04/12/2008 não há que se falar em comparação de multas para a apuração da penalidade menos severa, pois, neste caso, será aplicada a multa de ofício estabelecida pelo art. 44, I da Lei 9.430/96, instituído pela Lei 11.941/09. Aplicação de multa qualificada. Ainda com relação à multa, para as competências 12/2008 e 13/2008 (13.º salário), foi aplicada a multa qualificada prevista no art. 44, I e § 1.º da Lei 9.430/96 por ter a fiscalização considerado a ocorrência de evidente intuito de fraude pelas seguintes situações fáticas: · foram informados com falsidade, em GFIP, fatos geradores ocorridos, uma vez que o contribuinte tem clareza de que não tem produção rural, por não ter emitido notas fiscais de produtor, não declarado comercialização de produção rural, não ter Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/201131 Acórdão n.º 2403001.849 S2C4T3 Fl. 260 5 trabalhadores rurais em sua folha de pagamento e não deter a posse de terras agricultáveis; · tais fatos somente puderam ser constatados através de procedimento de auditoria fiscal; · a prática da conduta de falsidade na declaração em GFIP no período de 01/2008 a 12/2009, portanto, de forma reiterada; · teria sido possível ao contribuinte declarar em GFIP o real montante dos fatos geradores e a totalidade das contribuições devidas, uma vez que era detentor das referidas informações. Contudo, além de não efetuar os recolhimentos, sua omissão impediu que a administração tributária tomasse conhecimento dos elementos necessários à cobrança das contribuições devidas, assumindo o risco de declarar e recolher apenas parte diminuta da dívida. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · É produtora rural. · Apresenta definição do inciso XV, alínea “b”, artigo 165, da IN RFB 971 · Possui em seu quadro de funcionários trabalhadores rurais que exercem atividade exclusivamente rural, tais como:fiscal geral(balança cana), operadores agrícolas, técnicos agrícolas, etc. · No período ocorreu o preparo do solo, calagem e adubação, que são atividades agrícolas. · Questiona a multa qualificada e afirma que inexiste dolo. É o relatório Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 6 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator, O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. MÉRITO A recorrente afirma ser produtora rural e que se enquadra na definição estabelecida pelo inciso XV, alínea “b”, artigo 165, da IN RFB 971 e assim transcreve o trecho da IN. “Considerase: ... b) produtor rural pessoa jurídica: ... XV arrendamento rural, o contrato pelo qual uma pessoa se obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso e o gozo de imóvel rural, de parte ou de partes de imóvel rural, incluindo ou não outros bens e outras benfeitorias, ou embarcação, com o objetivo de nele exercer atividade de exploração agropecuária ou pesqueira mediante certa retribuição ou aluguel.” Entendo que não cabe razão à recorrente pelo abaixo exposto. A apresentação do texto e sua interpretação por parte da recorrente incide em grosseiro erro. Na leitura do artigo, verificase que a definição dos incisos referemse ao caput e que a citada alínea “b”, está contida no inciso I. Art. 165. Considerase: I produtor rural, a pessoa física ou jurídica, proprietária ou não, que desenvolve, em área urbana ou rural, a atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter Fl. 264DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/201131 Acórdão n.º 2403001.849 S2C4T3 Fl. 261 7 permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos, sendo: a) produtor rural pessoa física: 1. o segurado especial que, na condição de proprietário, parceiro, meeiro, comodatário ou arrendatário, pescador artesanal ou a ele assemelhado, exerce a atividade individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de 16 (dezesseis) anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem comprovadamente com o grupo familiar, conforme definido no art. 10; 2. a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; b) produtor rural pessoa jurídica: 1. o empregador rural que, constituído sob a forma de firma individual ou de empresário individual, assim considerado pelo art. 931 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil), ou sociedade empresária, tem como fim apenas a atividade de produção rural, observado o disposto no inciso III do § 2º do art. 175; 2. a agroindústria que desenvolve as atividades de produção rural e de industrialização da produção rural própria ou da produção rural própria e da adquirida de terceiros, observado o disposto no inciso IV do § 2º do art. 175 e no § 3º deste artigo; II produção rural, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos; III beneficiamento, a primeira modificação ou o preparo dos produtos de origem animal ou vegetal, realizado diretamente pelo próprio produtor rural pessoa física e desde que não esteja sujeito à incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), por processos simples ou sofisticados, para posterior venda ou industrialização, sem lhes retirar a característica original, assim compreendidos, dentre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, debulhação, secagem, socagem e lenhamento; ... XV arrendamento rural, o contrato pelo qual uma pessoa se obriga a ceder a outra, por tempo determinado ou não, o uso e o gozo de imóvel rural, de parte ou de partes de imóvel rural, incluindo ou não outros bens e outras benfeitorias, ou embarcação, com o objetivo de nele exercer atividade de Fl. 265DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 8 exploração agropecuária ou pesqueira mediante certa retribuição ou aluguel; (grifei) Outras alegações apresentadas pela recorrente são que possui em seu quadro de funcionários trabalhadores rurais que exercem atividade exclusivamente rural, tais como:fiscal geral(balança cana), operadores agrícolas, técnicos agrícolas, etc e que no período ocorreu o preparo do solo, calagem e adubação, que são atividades agrícolas. Por concordar e por conter informações não contestadas, abaixo transcrevo trecho do voto condutor da decisão recorrida. Também aduz a impugnação que, além dos arrendamentos rurais, a autuada exerce atividade agrícola, tendo inclusive funcionários registrados com atividades rurais e que o fato de não ter apresentado notas fiscais emitidas não a descaracteriza como produtor rural, já que no período ocorreu o preparo do solo, calagem e adubação, atividades estritamente agrícolas. Analisando as informações prestadas pela autuada através de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP informadas constatase que, no período de 01/2008 a 08/2008, constavam em torno de 13 funcionários em diversas funções, tais como profissional de recursos humanos, contadores e afins, diretores, contabilista, auxiliar de contabilidade, comprador, técnicos agrícolas e de planejamento e controle de produção, etc. Destes, poderíamos considerar como atuantes em atividades rurais apenas os técnicos agrícolas (código CBO 03211), em número de 2 (dois) e uma trabalhadora agrícola na cultura de gramíneas (código CBO 03211), sendo que desses, a trabalhadora agrícola constou, na GFIP, em todas as competências, com código de movimentação “O1 Afastamento temporário por motivo de acidente do trabalho, por período superior a 15 dias”, com data da ocorrência 06/05/2002. Os técnicos agrícolas foram, em 09/2008, transferidos, constando, na GFIP daquele mês com código de movimentação “N2 Transferência de empregado para outra empresa que tenha assumido os encargos trabalhistas, sem que tenha havido rescisão de contrato de trabalho”. Os demais funcionários tiveram o mesmo destino, de tal forma que, em 12/2008, constavam na GFIP apenas os diretores, um contador e a funcionária que se encontrava afastada por motivo de acidente do trabalho. O fato de constarem na folha de pagamento, por determinado período, dois técnicos agrícolas não é indicativo suficiente de que tenham sido por eles realizadas as atividades alegadas pela impugnante, quer sejam, preparo do solo, calagem e adubação. Por outro lado, o impugnante, além da informação incorreta que mantinha em seus quadros mais de doze trabalhadores agrícolas, nada traz aos autos que comprove sua alegada condição de produtor rural, ao passo que a fiscalização afirmou que não houve produção rural no período de 2008 a 2009, uma Fl. 266DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/201131 Acórdão n.º 2403001.849 S2C4T3 Fl. 262 9 vez que as terras foram arrendadas para pessoas físicas, sendo essa sua única atividade econômica constatada para o período. Notese que, por definição, para ser considerada produtora rural, deve desenvolver atividade agropecuária, pesqueira ou silvicultural, bem como a extração de produtos primários, vegetais ou animais, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos. Conforme demonstrado no processo, as terras foram arrendadas no início de 2008, por um prazo de 212 anos. Por não ficar demonstrado que a recorrente desenvolveu atividade rural, se conclui correto o procedimento fiscal de considerar equivocado o auto enquadramento como produtora rural. MULTA QUALIFICADA Afirmando a inexistência de dolo, a recorrente questiona a multa qualificada aplicada nas competências 12 e 13/2008. Discordo da recorrente. A qualificação da multa está prevista no § 1o do artigo 44 da Lei 9.430/96 e depende da ocorrência dos casos previstos nos artigos. 71, 72 e 73 da Lei no4.502/64 e tais casos estão vinculados a atitude dolosa. Lei 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8oda Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 267DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 10 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.(Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O voto condutor da decisão recorrida bem descreve as condições que motivaram o entendimento da condição dolosa do proceder da recorrente: Ainda com relação à multa, para as competências 12/2008 e 13/2008 (13.º salário), foi aplicada a multa qualificada prevista no art. 44, I e § 1.º da Lei 9.430/96 por ter a fiscalização considerado a ocorrência de evidente intuito de fraude pelas seguintes situações fáticas: · foram informados com falsidade, em GFIP, fatos geradores ocorridos, uma vez que o contribuinte tem clareza de que não tem produção rural, por não ter emitido notas fiscais de produtor, não declarado comercialização de produção rural, não ter trabalhadores rurais em sua folha de pagamento e não deter a posse de terras agricultáveis; Fl. 268DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/201131 Acórdão n.º 2403001.849 S2C4T3 Fl. 263 11 · tais fatos somente puderam ser constatados através de procedimento de auditoria fiscal; · a prática da conduta de falsidade na declaração em GFIP no período de 01/2008 a 12/2009, portanto, de forma reiterada; · teria sido possível ao contribuinte declarar em GFIP o real montante dos fatos geradores e a totalidade das contribuições devidas, uma vez que era detentor das referidas informações. Contudo, além de não efetuar os recolhimentos, sua omissão impediu que a administração tributária tomasse conhecimento dos elementos necessários à cobrança das contribuições devidas, assumindo o risco de declarar e recolher apenas parte diminuta da dívida. Considerando que está bem comprovado que as terras estavam arrendadas, que a recorrente não era produtora rural, que tendo se declarado produtora rural criou condições pessoais suscetíveis de afetar a obrigação tributária, entendo correta a qualificação da multa. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 269DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 12 Voto Vencedor Conselheira Carolina Wanderley Landim, designada para redigir o voto vencedor em relação à qualificação da multa aplicada nas competências de 12/2008 e 13/2008. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 27/33, foram constatadas as seguintes circunstâncias fáticas para aplicação da multa qualificada: · O contribuinte informou em GFIP fatos geradores ocorridos, com falsidade, uma vez que ele tem clareza de que não tem produção rural, não emitindo nota fiscal de produtor, não declarando comercialização de produção rural, não tendo trabalhadores rurais em sua folha de pagamento, não detendo posse de terras agricultáveis; · Tais fatos somente puderam ser constatados pela autoridade tributária através do procedimento de autoridade fiscal previdenciária; · A prática da conduta de falsidade na declaração em GFIP ocorreu nas competências 01/2008 a 13/2009 (13º salário), portanto, de forma reiterada; · Teria sido perfeitamente possível ao contribuinte declarar o real montante dos fatos geradores e a totalidade das contribuições devidas em GFIP, uma vez que o mesmo era o detentor das referidas informações, constituindose, assim, em mero inadimplente. Contudo, além de não efetuar os recolhimentos, sua omissão impediu que a autoridade tributária tomasse conhecimento dos elementos necessários para efetuar a cobrança das contribuições devidas. É sabido que a qualificação da penalidade está prevista no §1º do artigo 44 da Lei 9.430/96 e sua imposição tem lugar quando concretizadas as hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/64. Assim, imperioso verificar se as condutas imputadas ao Recorrente na peça acusatória podem se subsumir aos tipos abstratos da qualificação previstos nos artigos acima apontados. Diante do caso concreto, constatase que, ao contrário do quando assinalado pelo colegiado a quo e referendado pelo Il. Relator do presente recurso, a intenção dolosa da Recorrente não foi comprovadamente demonstrada pela autoridade lançadora. Isto porque, a partir da análise dos documentos colacionados aos autos, bem como as alegações recursais, inferese que o contribuinte entende ser produtor rural, aparentemente enquadrado no art. 165, alínea b, inciso XV da Instrução RFB 971/MPS/SRP 04/2005. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM Processo nº 18088.720392/201131 Acórdão n.º 2403001.849 S2C4T3 Fl. 264 13 Complementa ainda que, além dos arrendamentos rurais, possui também trabalhadores rurais registrados em seu quadro de funcionários que exercem atividade rural, tais como fiscal geral (balançacana), operadores agrícolas, técnicos agrícolas, etc. Assim, diante das características do seu empreendimento, a Recorrente acreditou realmente exercer a atividade rural, razão pela qual o reenquadramento promovido pelo Fisco, por si só, não justificaria a aplicação da multa qualificada, ante a complexidade do caso concreto face às disposições normativas. Em outras palavras, para o cabimento da qualificação da multa aplicada, seria necessário que a autoridade fiscal demonstrasse, de forma cabal, o evidente intuito do contribuinte em agir de forma fraudulenta, não podendo, para tanto, utilizarse de presunções, sobretudo porque as características do seu negócio podem ter resultado em mero equívoco do seu enquadramento como produtor rural. A qualificação da multa é uma medida excepcional, que deve ser aplicada apenas nos casos em que se constate sonegação, fraude e conluio, o que, à evidência, não ocorreu no caso em apreço. Merece destaque o fato que, quando a fiscalização não logra comprovar todos os elementos para a aplicação de tal qualificadora, a duplicação da multa de ofício não deve ser aplicada, vez que, em caso de dúvidas sobre a conduta fraudulenta, devese interpretar a norma punitiva da maneira mais favorável ao acusado. Tal entendimento encontra respaldo no Código Tributário Nacional, conforme disposto no art. 112, a seguir transcrito: Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Logo, constatase que, na hipótese dos autos, não restou comprovado que a Recorrente agiu com dolo ao se enquadrar como produtora rural, ocorrendo apenas um equívoco de interpretação de legislação, em virtude das características sui generis de sua atividade. Vale registrar ainda que todos os atos praticados pela Recorrente levam a crer que a mesma não cometeu nenhum ato que pudesse se amoldar nas figuras de sonegação, fraude ou conluio, razão pela qual não merece prosperar a aplicação de tal qualificadora. Nesse sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais também já se manifestou. Vejamos: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM 14 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS ESTRIBADA EM UMA PRESUNÇÃO LEGAL. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430/96, em sua redação original, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado n° 14 da Súmula deste Primeiro Conselho, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. Nessa linha, incabível o exasperamento da multa de oficio quando a omissão de rendimentos está estribada em mera presunção legal, sem qualquer conduta adicional que qualifique a presunção. Recurso provido. (grifos meus) (Processo nº 18471.000150/200806, Acórdão nº 2102002.480 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 12 de março de 2013) (grifos nossos). Desse modo, resta claro que a recorrente entendia estar enquadrada como produtora rural e a fiscalização não alcançou demonstrar nos autos qualquer prova da alegada fraude ou sonegação, razão pela qual não é razoável a aplicação da multa qualificada no presente caso. Em face exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para desqualificar a penalidade em sua forma agravada, lançada nas competências 12 e 13/2008, para reduzila para 75%, nos termos do art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. Carolina Wanderley Landim Fl. 272DF CARF MF Impresso em 13/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 9/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/09/2013 por CAROLINA WANDER LEY LANDIM
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Numero do processo: 15374.000013/98-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1993 a 31/01/1995
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733:
PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE.
1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).
2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).
3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199).
5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001.
6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.
7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
Numero da decisão: 9303-002.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 02/09/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. Ausentes, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 02/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. Ausentes, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1993 a 31/01/1995 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
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OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTOS SUJEITOS À MODALIDADE DE LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C. Decisão do e. STJ no julgamento do Resp 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 00 13 /9 8- 59 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito TributárioBrasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 15374.000013/9859 Acórdão n.º 9303002.348 CSRFT3 Fl. 6 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. EDITADO EM: 02/09/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Possas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki e as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martinez Lopez. Ausentes, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda e a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Insurgese a sociedade empresária contra acórdão que afastou a decadência do direito de o fisco proceder ao lançamento de diferenças de COFINS verificadas nos meses de janeiro de 1993, março de 1993, setembro de 1993, outubro de 1993 e novembro de 1993 mesmo a ciência do lançamento somente tendo ocorrido em 18 de dezembro de 1998. Ao fazê lo, aplicou o art. 45 da Lei 8.212/91, já declarado inconstitucional pelo STF, declaração essa objeto da Súmula Vinculante nº 08. O recorrente junta como paradigmas de divergência acórdãos que aplicaram o disposto no § 4º do art. 150 do CTN à hipótese, embora procure fundamentar seu direito na Lei Complementar nº 118 e requeira o cancelamento integral da autuação. Há nos autos prova do recolhimento de parte do valor que a fiscalização entendeu devido em todos os meses indicados. Tempestivas contrarazões pugnam pela mantença do julgado. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi bem admitido. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 A questão posta a deslinde do Colegiado não comporta maiores delongas face à literalidade do art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Em seu estrito cumprimento, reproduzo a decisão proferida pelo e. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Resp 973.733, relator o Ministro Luiz Fux: “A insurgência especial cingese à decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário atinente às contribuições previdenciárias cujos fatos imponíveis ocorreram no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994. Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis : "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados : I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito” Face ao exposto, forçoso o reconhecimento de que o fisco já não mais poderia efetuar o lançamento com respeito aos fatos geradores ocorridos antes de 18 de Fl. 137DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 15374.000013/9859 Acórdão n.º 9303002.348 CSRFT3 Fl. 7 5 dezembro de 1993. Aí se incluem os meses de janeiro, março, agosto, setembro, outubro e novembro daquele ano, somente ficando de fora o mês de dezembro. Voto, pois, por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte dado que os demais períodos não estão alcançados pela decadência mesmo contada esta na forma prevista no § 4º do art. 150 do CTN. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 05/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/09/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 10825.001544/2006-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE VEDADA
Constatada que a atividade exercida pela contribuinte é vedada no âmbito do Simples, deve ser mantida a negativa de sua inscrição no regime diferenciado de tributação.
Numero da decisão: 1401-000.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE VEDADA Constatada que a atividade exercida pela contribuinte é vedada no âmbito do Simples, deve ser mantida a negativa de sua inscrição no regime diferenciado de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 15 44 /2 00 6- 42 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/200642 Acórdão n.º 1401000.990 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente feito de recurso voluntário contra rejeição do pedido de inclusão retroativa da Recorrente no Simples por exercício de suposta atividade vedada. Segundo se extrai do relatório proferido por ocasião do julgamento da DRJ, que adoto por razões de celeridade processual, in verbis: A DRF/BAURU, mediante o Despacho Decisório de fls. 3435, indeferiu o pleito, tendo em vista que o contribuinte tem por objeto social o "Comércio e Prestação de Serviços de Instalação Elétricas Diversas" e que houve retenções de IRRF sobre remunerações por serviços prestados por ele nos anos de 2001, 2002 e 2003. Assim, concluiu a autoridade que o contribuinte presta serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado, atividade esta que obsta a opção pelo SIMPLES, de acordo com o art. 90, XIII, da Lei n° 9.317/1996. Mais que isso, foi expedido o Ato Declaratório Executivo DRF/BAURU n° 10/2007 (fl. 36), excluindo o contribuinte do SIMPLES, com efeitos a partir de 1° de janeiro de 2002, pelo exercício de atividade prevista no art. 9°, XIII, da Lei n° 9.317/1996. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 40, na qual alega que a execução dos serviços é feita pelo próprio proprietário da empresa e que não exerce atividade própria de engenheiro elétrico, mas medição de serviços, função simplesmente rotineira, que não caracteriza supervisão ou execução de instalações. Afirma que a atividade efetivamente exercida não é contemplada no contrato social, razão pela qual estaria solicitando a respectiva alteração. Assevera que as retenções de IRRF nos anos de 2001, 2002 e 2003 foram efetuadas por empresas estrangeiras que não tinham pleno conhecimento do regulamento. Por meio da Resolução n° 1.100/2009 (fls. 4647), esta l a Turma da DRJ/RPO encaminhou os autos A. DRF/BAURU a fim de que o contribuinte fosse intimado a apresentar todas as notas fiscais de vendas e de prestação de serviços relativas ao período de abril de 2001 a agosto de 2006. Além disso, solicitouse que fosse discriminado o tipo de prestação de serviço ocorrida e que fosse juntada cópia da alteração do contrato social. Devidamente intimado, o contribuinte não apresentou as cópias das notas fiscais solicitadas, com o argumento de que foram extraviadas, e apresentou cópia de Boletim de Ocorrência registrando tal fato junto A Policia Civil do Estado de São Paulo. Quanto à descrição da prestação de serviços ocorrida, Fl. 190DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/200642 Acórdão n.º 1401000.990 S1C4T1 Fl. 4 3 afirmou que houve medição de serviços (quantidades, metragens etc) no período de junho de 2001 a fevereiro de 2005 e que, no período de junho de 2005 a agosto de 2005, houve negociação com proprietários de faixas de áreas a titulo de servidão de passagem para implantação de linha de transmissão, para efeito de liberação de obras. Por fim, apresentou, As fls. 5659, cópia da alteração do contrato social. Em julgamento, entendeu a DRJ pela manutenção do indeferimento de inclusão no Simples, sob os seguintes argumentos: a) o contrato social reza, como objeto social, a atividade de “comércio e prestação de serviços de instalações elétricas diversas”; b) às fls. 31/33 existe cópias de DIRF’s demonstrando a retenção de IRRF por empresas de engenharia; c) a Recorrente não apresentou as notas fiscais de prestação de serviços por ela executadas perante terceiros; d) que o conjunto probatório permite afirmar que a Recorrente exercia atividade de engenharia vedada no âmbito do Simples. Inconformada, a Recorrente apresentou petição a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com o objetivo de revisão da decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. O cerne da questão posta em julgamento é saber se a atividade exercida pela Recorrente é de engenharia elétrica ou não. Se a resposta for positiva, ela deverá ser excluída do Simples, ao passo que, se se tratar de atividade de “eletricista”, que não demande conhecimentos técnicos específicos de engenheiro, será dada a possibilidade de inclusão no regime do Simples. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/200642 Acórdão n.º 1401000.990 S1C4T1 Fl. 5 4 A simples leitura do objeto descrito no contrato social não é suficiente para afirmar que a atividade por ela exercida é de engenharia, mas também não trouxe, a Recorrente, as notas fiscais referentes aos serviços por ela prestados. Assim, entendo devase promover a verificação junto às empresas que promoveram a retenção do IRRF pelo serviços prestados pela Recorrente, como forma de se encontrar a verdade. Diante do exposto, este Conselho decidiu por converter o julgamento em diligência, para que fossem intimadas as empresas Main Engenharia Consultoria S/C Ltda., CNPJ nº 02.102.368/000196, BECHTEL do Brasil Construções Ltda, CNPJ nº 34.149.328/000196 e Ense do Brasil Engenharia e Serviços Ltda, CNPJ nº 04.768.250/0001 27, para que prestem os seguintes esclarecimentos: 1) quais foram os serviços prestados pela Recorrente a estas empresas, que ocasionaram a retenção do IRRF; 2) apresentar nota fiscal emitida pela Recorrente e contrato por escrito, se houver, relativo aos serviços prestados pela Recorrente; 3) informar se houve a participação de profissionais registrados no CREA pára o exercício da atividade objeto da contratação. 4) demandar outras explicações que entender necessário par o esclarecimento do presente feito. Cumprida a diligência, o relatório final consignou as seguintes informações: O interessado pleiteia neste processo sua inclusão retroativa no Simples Federal alegando que houve falha no preenchimento da FCPJ, mas que sua intenção de optar ficou caracterizada pela entrega de declarações e tributos pagos de acordo com aquele regime. 2. Indeferido o pedido através do Despacho Decisório 394/2007 da DRF Bauru, o interessado apresentou impugnação que foi considerada improcedente pela DRJ Ribeirão Preto; inconformado, o interessado recorreu ao CARF, que por sua vez converteu o julgamento em diligência e solicitou parecer conclusivo sobre o assunto. 3. A empresa CTMAIN ENGENHEIROS S/S LTDA, CNPJ 02.102.368/000196, encaminhou cópias de notas fiscais e carta na qual informa que o interessado prestoulhe, no ano de 2001, serviços de consultoria técnica no ramo de engenharia, para as instalações da Usina Termoelétrica Eletrobolt, os quais foram executados por engenheiro. 4. A empresa BECHTEL DO BRASIL CONSTRUÇÕES LTDA, CNPJ 34.149.328/000196, enviou cópia do contrato de Fl. 192DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/200642 Acórdão n.º 1401000.990 S1C4T1 Fl. 6 5 prestação de serviços e carta onde afirma que, no ano de 2002, o interessado prestoulhe serviços de engenharia, que conforme contrato, seriam gerenciamento de área turn over, verificação detalhada de serviços concluídos da área de construção, elaboração de informações e cronogramas, relativos à construção e montagem da Termoelétrica UEG Araucária. 5. A empresa EDF CONSULTORIA EM PROJETOS DE GERAÇÃO DE ENERGIA LTDA (ENSE DO BRASIL ENGENHARIA LTDA), CNPJ 04.768.250/000127, apresentou cópias de notas fiscais e contrato de prestação de serviços, informando em carta que no ano de 2003 os serviços prestados pelo interessado foram de consultoria em serviços de instalações elétricas na UTE Norte Fluminense, e que houve a participação do Sr. Nilson Rodrigues de Amorim, sócio do interessado, registrado no CREA sob nº 0600531462. 6. De acordo com os arts. 1º e 8º da Resolução nº 218, de 29 de junho de 1973, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, são atribuídas as seguintes atividades ao engenheiro eletricista: Art. 1º Para efeito de fiscalização do exercício profissional correspondente às diferentes modalidades da Engenharia, Arquitetura e Agronomia em nível superior e em nível médio, ficam designadas as seguintes atividades: Atividade 01 Supervisão, coordenação e orientação técnica; Atividade 02 Estudo, planejamento, projeto e especificação; Atividade 03 Estudo de viabilidade técnicoeconômica; Atividade 04 Assistência, assessoria e consultoria; Atividade 05 Direção de obra e serviço técnico; Atividade 06 Vistoria, perícia, avaliação, arbitramento, laudo e parecer técnico; Atividade 07 Desempenho de cargo e função técnica; Atividade 08 Ensino, pesquisa, análise, experimentação, ensaio e divulgação técnica; extensão; Atividade 09 Elaboração de orçamento; Atividade 10 Padronização, mensuração e controle de qualidade; Atividade 11 Execução de obra e serviço técnico; Atividade 12 Fiscalização de obra e serviço técnico; Atividade 13 Produção técnica e especializada; Atividade 14 Condução de trabalho técnico; Fl. 193DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/200642 Acórdão n.º 1401000.990 S1C4T1 Fl. 7 6 Atividade 15 Condução de equipe de instalação, montagem, operação, reparo ou manutenção; Atividade 16 Execução de instalação, montagem e reparo; Atividade 17 Operação e manutenção de equipamento e instalação; Atividade 18 Execução de desenho técnico. Art. 8º Compete ao ENGENHEIRO ELETRICISTA ou ao ENGENHEIRO ELETRICISTA, MODALIDADE ELETROTÉCNICA: I o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º desta Resolução, referentes à geração, transmissão, distribuição e utilização da energia elétrica; equipamentos, materiais e máquinas elétricas; sistemas de medição e controle elétricos; seus serviços afins e correlatos. 7. Os serviços prestados pelo interessado nos anos de 2001, 2002 e 2003, foram todos realizados no âmbito de usinas termoelétricas, e o exame dos documentos (notas fiscais, contratos e informações das tomadoras) demonstra, a nosso ver, que os serviços prestados às tomadoras, pelo seu porte e complexidade, podem ser enquadrados como atividades atribuíveis a profissionais da área de engenharia elétrica nos termos da Resolução nº 218 do CONFEA. 8. Portanto, em nosso entendimento, o pedido do interessado não se mostra cabível, visto que as atividades por ele prestadas nos anos de 2001 a 2003 enquadramse na vedação prevista no inc. XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) (destaques meus) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10825.001544/200642 Acórdão n.º 1401000.990 S1C4T1 Fl. 8 7 Diante do relatório de diligência, ficou evidenciado que as atividades exercidas pela Recorrente está expressamente vedada à opção pelo regime do simples, razão pela qual devem ser afastadas as razões de recurso, com a sua negativa de provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 195DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/10/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 35582.001499/2004-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado.
LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL.
A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2301-003.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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MONTREAL INFORMÁTICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/04/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, por estar a documentação fiscal exigida em localidade diversa daquela eleita pelos auditores, caracteriza vício substancial, material, uma nulidade absoluta. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos de declaração nos termos do voto do Relator; b) em declarar a nulidade do lançamento, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício no lançamento como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em conceituar o vício como formal. Sustentação oral: Eduardo de Abreu Coutinho. OAB: 95.319/RJ. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 58 2. 00 14 99 /2 00 4- 95 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 (assinado digitalmente) DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório 1. Tratase de embargos opostos tempestivamente pela MI MONTREAL INFORMÁTICA, contra acórdão assim ementado: LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. DIREITO ASSEGURADO AO CONTRIBUINTE. CTN. Da leitura do caput do artigo 127 do CTN verificase que a eleição de domicílio tributário é prerrogativa do contribuinte e somente pode ser recusado pela autoridade fiscalizadora nas hipóteses comprovadas de impossibilidade ou dificuldade de realização de ação fiscal. O prejuízo para a defesa do contribuinte é patente, uma vez que a documentação fiscal exigida estava na localidade diversa daquela eleita pelos auditores, o que dificultou a sua apresentação. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado. 2. Entende a embargante, em síntese, que houve omissão no referido acórdão, dada a falta de análise acerca da natureza jurídica da nulidade por cerceamento do direito de defesa, uma vez que julga necessário um pronunciamento explícito da Turma sobre o tipo de vício que motivou a anulação do lançamento. 3. Além disso, a embargante tece algumas considerações sobre o acórdão embargado e argumenta que houve contradição entres os termos do voto e o dispositivo da decisão, uma vez que entende que no caso do contribuinte, a nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, conforme jurisprudência do CARF, deuse por vício material e não vício formal: “o vício não é de mero procedimento, formal, mas sim intrínseco ao lançamento do crédito tributário e a determinação da matéria tributável, ou seja, evidentemente material” (f. 758). 4. Para subsidiar sua tese a embargante transcreve alguns parágrafos do voto condutor do julgamento, que sob sua ótica contradizem o dispositivo do decisório e ao final de Fl. 543DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35582.001499/200495 Acórdão n.º 2301003.583 S2C3T1 Fl. 543 3 sua exposição argumentativa, solicita que os embargos sejam conhecidos e providos, para incluir no acórdão embargado, como justificativa da nulidade do lançamento, o vício material. Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes 5. De acordo com o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou omissão quanto a algum ponto sobre o qual deveria se pronunciar a turma possibilita a oposição de embargos de declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. 6. Na análise do acórdão proferido verificamos que, de fato, apesar de haver expressamente no item 15 o reconhecimento da nulidade do lançamento por vício formal, não houve o cotejamento da natureza jurídica do mencionado vício com o caso concreto, sendo assim no que tange a esse ponto, merece razão a embargante. 7. Para adentrar ao mérito da alegação de contradição, suscitando o reconhecimento do vício material como causa da nulidade do lançamento, mister se faz a distinção de vício formal e vício material. 8. Entendese por vício formal aquele relacionado aos requisitos objetivos para a validade do lançamento. Diz respeito a exigências legais préestabelecidas para o ato administrativo. Por outro lado, vício material está diretamente relacionado à própria matéria tributada pela autoridade administrativa. Envolve questões relacionadas à interpretação das normas jurídicas, situação fática apurada pela fiscalização, dados contábeis, etc. 9. O vício material diz respeito à própria obrigação tributária e não aos requisitos burocráticos exigidos ao lançamento. 10. Destarte, ao analisar o voto condutor, observase que as alegações ali trazidas referemse á impossibilidade do contribuinte de apresentar sua defesa, ensejando, por consectário, a nulidade do auto por vício material, consubstanciado nos artigos 142 e 173, II, do Código Tributário Nacional. 11. Como é cediço, é formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: A) Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração); 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 544DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 e B) Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. 12. Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. 13. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. 14. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza absoluta de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35582.001499/200495 Acórdão n.º 2301003.583 S2C3T1 Fl. 544 5 15. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vício material. Daí, conforme recente acórdão, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) 16. Para ratificar esse entendimento destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, 9ª ed., pág. 01112): “Vício Formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento a ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da Lei.” 17. O que não parece razoável é agrupar sob uma mesma denominação, vício formal, situações completamente distintas: dúvida quanto à própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. 18. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa não prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). 19. Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo à defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vício é formal, pois não há dúvida no lançamento de que o fato gerador existiu. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 20. O rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vício na formalização. 21. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação ocorreu e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. 22. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. 23. Ademais, este Conselho já se posicionou sobre esta matéria, ao analisar o Recurso Voluntário n. 12045.000302/200725, cuja relatoria coube ao eminente Conselheiro Igor Araújo Soares, deixando patente que o cerceamento de direito de defesa acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. AUTO DE INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE NO MOMENTO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. COMPROVAÇÃO POSTERIOR. IMPOSSIBILIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. De acordo com o disposto no art. 142 do CTN, deverá o fiscal, ao efetuar o lançamento, verificar e comprovar a ocorrência do fato gerador, da matéria tributável e da penalidade a ser aplicada. Em se tratando de Auto de Infração, um dos elementos que deverá ser comprovado pela fiscalização no momento do lançamento da multa pelo descumprimento da legislação previdenciária é a ocorrência ou não de circunstâncias agravantes, as quais determinam o cálculo do montante do crédito tributário a ser lançado. A posterior verificação pelo acórdão recorrido da ocorrência de circunstância agravante, não apurada quando do lançamento da multa objeto do Auto de Infração, enseja a nulidade do lançamento efetuado, pela inobservância do art. 142 do CTN. LANÇAMENTO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Quando o lançamento não obedece aquilo o que determinado pelo art. 142 do CTN, deverá ser considerado como carecedor de algum de seus fundamentos principais de validade, o que enseja a ocorrência de vício material insanável. Lançamento Anulado 24. Ora, os embargos de declaração possuem o fito de aprimoramento do julgado, como bem observou o Eminente Ministro Marco Aurélio em seu voto no AI 163.047 5/PR: “os embargos declaratórios não consubstanciam crítica ao ofício judicante, mas servemlhe ao aprimoramento. Ao apreciálos, o órgão deve fazêlo com espírito de compreensão, atentando para o fato de consubstanciarem verdadeira contribuição da parte em prol do devido processo legal”. 25. Destarte, não paira dúvida de que há a necessidade de sanar a omissão e contradição apontadas no presente recurso horizontal, devendo constar na ementa do julgado anulação do lançamento por vício material, ensejando, assim, a procedência das alegações da embargante. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35582.001499/200495 Acórdão n.º 2301003.583 S2C3T1 Fl. 545 7 CONCLUSÃO 26. Pelo exposto, voto em acolher os embargos propostos, para analisar o vício existente e conceituálo como material, conforme o voto. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 548DF CARF MF Impresso em 21/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 08/10 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720251/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Não se conhece de Recurso Voluntário apresentado após o decurso do prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2802-002.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Julianna Bandeira Toscano - Relatora.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JULIANNA BANDEIRA TOSCANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 Ementa: INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de Recurso Voluntário apresentado após o decurso do prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso voluntário não conhecido.
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NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Não se conhece de Recurso Voluntário apresentado após o decurso do prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão de primeira instância, nos termos do art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (Assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano Relatora. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 02 51 /2 01 2- 11 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 28/10 /2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO 2 Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento lavrada contra o contribuinte às fls. 56 a 59, na qual é alterado o valor do o Imposto de Renda Pessoa Física a restituir, relativamente ao ano calendário de 2006, exercício 2007, de R$58.469,10 para R$1.660,68. A autoridade fiscal descreveu que o motivo que deu ensejo ao lançamento teria sido a omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Instituto de Previdência dos Servidores do Estado, no valor de R$ 259.943,04. Foi apresentada Solicitação de Retificação de Lançamento SRL, a qual foi indeferida sob a alegação de que o laudo médico pericial não poderia retroagir à data do diagnostico da moléstia grave, sendo a isenção é outorgada a partir da data de emissão do laudo. O contribuinte impugnou o lançamento sustentando que os rendimentos são isentos, tendo em vista que é portador de moléstia grave desde 15/07/2005, conforme estaria expressamente determinado no laudo médico de fls. 18. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ Recife, manteve integralmente o lançamento por entender que a condição de portador de moléstia grave não foi reconhecida pela Junta Médica desde a data de ocorrência da fratura sofrida pelo recorrente, mas sim em função da evolução do seu quadro. Desta forma, foi considerada a data da emissão do referido laudo como marco inicial para atribuição da isenção por moléstia grave. A peça recursal apresentada amparase nos mesmos fundamentos apresentados na impugnação, reforçando que a data do início da doença está expressa no laudo médico de fls. 18 e é anterior à data de sua emissão. É o relatório. Voto Conselheira Julianna Bandeira Toscano, Relatora. Em sede preliminar, o recurso não deve ser conhecido, por intempestivo, eis que protocolado em 24/04/2012, um dia após o vencimento do prazo para sua interposição. Conforme se verifica pelo documento de fls. 72, o contribuinte foi intimado da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento em 22/03/2012, sextafeira. Assim, o prazo de 30 dias a que alude o artigo 33 do Decreto n° 70.325, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal no âmbito federal, combinado com o disposto Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 28/10 /2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO Processo nº 10469.720251/201211 Acórdão n.º 2802002.561 S2TE02 Fl. 88 3 em seu artigo 5º, teve início em 25/03/2012, segundafeira, encerrandose em 23/04/2012, terçafeira. Desta forma, o recurso voluntário de fls. 74/81, interposto em 24/04/2012, quartafeira, é intempestivo, razão pela qual não pode ser conhecido. (Assinado digitalmente) Julianna Bandeira Toscano Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/10/2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 28/10 /2013 por JULIANNA BANDEIRA TOSCANO, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CA RDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000068/2006-07
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1103-000.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura (Relator), Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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S/C LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, André Mendes de Moura (Relator), Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Fábio Nieves Barreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 61 51 .0 00 06 8/ 20 06 -0 7 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000068/200607 Resolução nº 1103000.092 S1C1T3 Fl. 456 2 Relatório Em razão da emissão do Ato Declaratório Executivo Derat/SPO nº 485.814, de 07/08/2003, a contribuinte foi excluída do Simples, por incorrer em vedação prevista na Lei nº 9.317, de 1996, o artigo 9º, inciso XIII (atividade econômica vedada), evento 306 do CNPJ, relacionada ao CNAEFiscal 7499307 (Serviços de organização de festas e eventos — exceto culturais e desportivos), com efeitos retroativos a partir de 01/01/2002 e data de ocorrência em 07/11/2000 (momento em que a interessada optou pelo regime simplificado). Cientificada do ADE, em 26/08/2003, a contribuinte apresentou, em 23/09/2003, Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS), argumentando que a prestação de serviços de organização de festas e eventos, atividade desenvolvida pela empresa, não encontraria nenhum óbice à opção do regime simplificado. Em 15/12/2005, o despacho exarado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, considerou improcedente a solicitação da interessada: ADE N° 485.814 (10) — EXCLUSÃO MANTIDA por seus fundamentos legais. Nenhum erro de fato foi detectado. Os documentos que instruíram esta solicitação demonstram que a atividade econômica mencionada nos estatutos sociais é fator de vedação a opção pelo Simples. Por sua vez, nos presentes autos não consta nenhum lançamento de ofício. Ao tomar ciência do indeferimento, em 03/01/2006, a requerente apresentou manifestação de inconformidade em 17/01/2006. Por sua vez, a DRJ/São Paulo I, em sessão realizada em 17/12/2009, no Acórdão DRJ/SPO I nº 1623.884, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do ato de exclusão quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se cogita em cerceamento de defesa quando a empresa exerce plenamente o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, nos termos estabelecidos pela Constituição Federal e pelo Decreto regulador do processo administrativo tributário. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se cogita em cerceamento de defesa quando a empresa exerce plenamente o seu direito ao contraditório e à ampla defesa, nos termos Fl. 128DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000068/200607 Resolução nº 1103000.092 S1C1T3 Fl. 457 3 estabelecidos pela Constituição Federal e pelo Decreto regulador do processo administrativo tributário. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ORGANIZAÇÃO DE EVENTOS. Empresa que presta serviços de organização de eventos somente pode optar pelo Simples se não realizar atividade concomitante de contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. EFEITOS DA EXCLUSÃO. EXCLUSAO RETROATIVA. A pessoa jurídica que optou pelo SIMPLES até 27/07/2001, e foi excluída por atividade econômica vedada a partir de 2002, tem o efeito da exclusão retroagido para 01/01/2002, na hipótese de situação excludente ocorrida até 31/12/2001. Ao analisar o mérito da exclusão, assim tratou o voto da decisão da primeira instância: 30. No caso dos autos a interessada afirma que sua atividade está relacionada organização de festas e eventos, sem qualquer contratação de artistas, não se materializando, assim, a prestação de serviços profissionais de diretor ou produtor de espetáculos. 31. Reitera que o próprio Contrato Social acostados aos autos comprova que a atividade desenvolvida é justamente de organização de festas e eventos, sem a participação de quaisquer artistas, diretores ou produtores de espetáculos. 32. Vejase que a recorrente poderia ter acostado aos autos Notas Fiscais de sua emissão, que abarcassem um período completo e extenso de faturamento, na seqüência correta e com indicação acerca da natureza dos serviços prestados, bem como Contratos de prestação de serviços eventualmente celebrados, de modo a constituir um conjunto probatório suficiente para esclarecer que ela realmente atende os requisitos expressos no ADI SRF n° 30/2004. 33. Entretanto, não é o que emerge da análise dos autos. 34. Assim, não há como lhe conceder o beneficio da sistemática simplificada, com fulcro no art. 9°, inciso XIII, da Lei n°9.317/1996. Uma vez cientificada da decisão proferida pela DRJ, em 23/04/2010, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 93/97, em 10/05/2010, que trata dos pontos relacionados a seguir. transcreve as ementas abaixo, para argumentar que não caberia sua exclusão do Simples, porque sua atividade não envolveria a contratação de cantores, dançarinos ou artistas, dentre outros: Solução de Consulta nº 265/00 PROMOÇÕES E EVENTOS. Ementa: Empresa que preste serviço de promoções e eventos pode optar pelo Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000068/200607 Resolução nº 1103000.092 S1C1T3 Fl. 458 4 SIMPLES. Fica, entretanto, vedado o seu ingresso e permanência no sistema, se esses eventos incluírem a participação de atores, cantores, ou outros artistas. Decisão em Processo de Consulta à SRF nº 19/01 Ementa: OPÇÃO. Pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de organização de festas, desde que não haja participação de artistas em geral e que não exerça atividade de empresário, diretor ou produtor de espetáculos. Processo de Consulta n° 172, publicado em 13/12/2002, pela Superintendência Regional da Receita Federal da 9ª Região Fiscal Ementa: Empresa que presta serviços de organização e planejamento de eventos artísticos, culturais e sociais pode optar pelo SIMPLES. Fica, entretanto, vedado o seu ingresso e permanência no sistema se dentre suas atividades incluir a contratação de atores, cantores, músicos, dançarinos ou assemelhados. alega que apesar de a solução de consulta não ter efeito erga omnes, não caberia à Receita impor tratamento diferenciado a cada contribuinte, como ocorreu com a requerente; reclama que teria sido excluída do regime simplificado por exercer uma atividade que não estaria prevista tanto nas vedações relacionadas na Lei nº 9.317/96 quanto na IN SRF 250/02; assim, estaria a contribuinte diante da necessidade de esclarecer e comprovar que os serviços por ela desenvolvidos não contemplavam a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados, e sim serviços auxiliares de organização de eventos; alega que o ADE teria afrontado diretamente o princípio da legalidade tributária, previsto no inciso I, art. 150 da Lei Maior, ou seja, a União só poderia aumentar tributos caso tal majoração fosse veiculada por meio de lei, e nunca de um ato declaratório executivo. reclama que a cobrança retroativa dos impostos devidos desde a data da exclusão do Simples fere o princípio da anterioridade. requer a contribuinte seja o presente recurso voluntário conhecido e provido, de forma que o Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO n° 485.814, de 07 de agosto de 2003, seja revogado, reconduzindo a Sociedade ao SIMPLES, bem como seja declarada suspensa a exigibilidade do crédito nos termos do art. 16 de Lei n° 9.317/96. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000068/200607 Resolução nº 1103000.092 S1C1T3 Fl. 459 5 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pelo qual dele tomo conhecimento. A princípio, vale transcrever o art. 9º, inciso XIII, ponto no qual se concentra o debate: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) (grifei) (...) Por sua vez, nos termos do ADE, foi excluída a recorrente do Simples por desenvolver atividade econômica principal vedada pelo regime, qual seja, a descrita no CNAE Fiscal 7499307: Serviços de organização de festas e eventos — exceto culturais e desportivos. Portanto, considerou a Fiscalização que a contribuinte, por prestar serviços profissionais assemelhados de diretor ou produtor de espetáculos, teria incorrido em vedação ao Simples. O termo “assemelhados” constante do inciso XIII, art. 9º, da Lei nº 9.317, de 1996, foi tratado pela Receita Federal em orientação do Perguntas e Respostas, no qual esclarece que o alcance da expressão deve ser entendido com qualquer atividade de prestação de serviço que tem similaridade ou semelhança com as atividades enumerada no referido dispositivo legal, vale dizer, a lista das atividades ali relacionadas não é exaustiva. Vale registrar, ainda, que no Contrato Social da contribuinte, consta no objeto social, dentre outras atividades, a divulgação de eventos e assessoria a eventos dirigidos à imprensa (organização de coletivas, encontros, levantamento de mailinglists de jornalistas e veículos). Não por acaso, a abrangência da expressão “assemelhados”, inclusive para o caso em análise – atividade de organização de festas e eventos – provocou questionamentos à Receita Federal, tanto que, em 15/07/2002, a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) apresentou orientação por meio da Solução de Divergência nº 10: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Ementa: SIMPLES. POSSIBILIDADE DE OPÇÃO. EMPRESAS QUE PRESTAM SERVIÇOS DE ORGANIZAÇÃO DE FESTAS E RECEPÇÕES. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000068/200607 Resolução nº 1103000.092 S1C1T3 Fl. 460 6 Empresa que presta serviços de organização de festas e recepções pode optar pelo Simples. Fica, entretanto, vedado o seu ingresso e permanência no sistema se dentre suas atividades incluir a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Dispositivos Legais: Artigo 179 da Constituição Federal, artigo 111 do CTN e inciso XIII, do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Em seguida, o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 30, de 22/12/2004, ratificou o entendimento, desta vez em pronunciamento oficial: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 259, de 24 de agosto de 2001 e considerando o disposto no inciso XIII do art. 9 2 da Lei n2 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e no processo n2 10508.000308/200197, declara: Artigo único. Pode optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) a pessoa jurídica que presta serviços de organização de festas e recepções, salvo se, dentre suas atividades, incluir a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados, e desde que observadas as demais condições estatuídas na legislação. Restou, portanto, delineado o alcance da vedação em debate: pessoa jurídica que presta serviços de organização de festas e recepções no qual esteja incluída a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Ocorre que, nos presentes autos, em nenhum momento foi demonstrado se os serviços prestados pela recorrente envolveram a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. É relevante constatar que o ADE que excluiu a contribuinte do Simples foi emitido em 07 de agosto de 2003, ou seja, em data anterior ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 30, de 22/12/2004. Ora, é razoável que a Fiscalização, à época dos fatos, na ausência de interpretação oficial da Receita Federal sobre o assunto, pudesse considerar que a atividade relativa à serviços de organização de festas e eventos fosse vedada pelo Simples. Por outro lado, verificase que a contribuinte não foi intimada, em nenhum momento, a apresentar material probatório que pudesse comprovar que seus serviços não envolveram a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados. Nesse sentido, considerando a superveniência do Ato Declaratório Interpretativo que pacificou o entendimento do alcance da vedação em relação á ação fiscal que excluiu a recorrente do Simples, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Receita Federal: a) intime a contribuinte a apresentar contratos de prestação de serviços e/ou notas fiscais (talonários referentes a todo o período em análise) que demonstrem o escopo dos serviços de organização de festas e eventos, e que as atividades não envolveram a contratação de atores, cantores, dançarinos ou assemelhados ; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16151.000068/200607 Resolução nº 1103000.092 S1C1T3 Fl. 461 7 b) caso possível, promova a circularização junto aos clientes da recorrente; c) descreva, em relatório pormenorizado, acompanhado das correspondentes provas, as constatações decorrentes dos exames efetuados; d) cientifique o Recorrente do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Assinatura Digital André Mendes de Moura Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/08/2013 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 01/08/201 3 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 11020.915464/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
MATÉRIA AUSENTE NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício.
DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO.
Tratando-se de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, em negar provimento, nos termos do voto do relator.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 MATÉRIA AUSENTE NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se conhecer do recurso em parte e, na parte conhecida, em negar provimento, nos termos do voto do relator. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 54 64 /2 00 9- 47 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da DRJ, que mantendo despacho decisório eletrônico da origem julgou improcedente Manifestação de Inconformidade relativa à Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito alegado é de Cofins. O direito creditório não foi reconhecido na origem em razão de o DARF indicado como pagamento indevido ou a maior constar como integralmente aproveitado para quitação do respectivo débito. Na Manifestação de Inconformidade a empresa alega que o indébito tem origem em recolhimento indevido, por terem sido computados na base de cálculo da Contribuição valores repassados a terceiros. Afirma que deixou de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, da Lei nº 9.718, de 1998, especialmente aquela prevista no inciso III do referido parágrafo, arguindo que a inexistência de norma regulamentadora não pode restringir as deduções. Transcreve decisões judiciais favoráveis às exclusões apontadas, citando o art. 66 da Lei 8.383, de 1991, e defendendo o direito à compensação. A DRJ manteve o indeferimento, levando em conta, primeiro, que a restituição ou compensação tributária está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do indébito, o que não ocorreu neste processo, e segundo, que o inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não possuía força executória, por depender de norma regulamentadora, não editada até a sua revogação pela MP no 1.991, de 2000. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, introduzindo alegação nova ausente da Manifestação de Inconformidade ao afirmar que o indébito decorre de recolhimento indevido a título de PIS, apurado com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no que alega se tratar de indébito com origem em recolhimento indevido a título de PIS, cuja apuração teria se dado com base nos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988. Ao defender, apenas na peça recursal, que o pagamento indevido teria tal origem, a contribuinte introduz matéria que não deve ser conhecida nesta segunda instância. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.915464/200947 Acórdão n.º 3301001.949 S3C3T1 Fl. 54 3 Por ter sido abordada apenas em sede recursal, resta impossibilidade o seu conhecimento em face da preclusão. Na lição de Chiovenda, repetida por Luiz Guilherme Marioni e Sérgio Cruz Arenhart, temse que: ... a preclusão consiste na perda, ou na extinção ou na consumação de uma faculdade processual. Isso pode ocorrer pelo fato: i) de não ter a parte observado a ordem assinalada pela lei ao exercício da faculdade, como os termos peremptórios ou a sucessão legal das atividades e das exceções; ii) de ter a parte realizado atividade incompatível com o exercício da faculdade, como a proposição de uma exceção incompatível com outra, ou a prática de ato incompatível com a intenção de impugnar uma decisão; iii) de ter a parte já exercitado validamente a faculdade. (MARIONI, Luiz Guilherme e ARENHART, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo do Conhecimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004, p. 665, apud CHIOVENDA, Giuseppe. "Cosa giudicata e preclusione", in Saggi di diritto processuale civile. Milano: Giuffrè,1993, vol. 3, p. 233). A cada uma das situações acima corresponde, respectivamente, os três tipos de preclusão: a temporal, a lógica e a consumativa. No caso em tela ocorreu a preclusão temporal, consistente na perda da oportunidade que o contribuinte teve para tratar, já que na Manifestação de Inconformidade alegou origem diversa para o indébito – teria deixado de excluir da base de cálculo as deduções previstas no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718, de 1998. Caso não incorresse em preclusão e tivesse repetido na peça recursal a alegação escorada no citado inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, de todo modo não assistiria razão à Recorrente, como já decidiram o órgão de origem e a DRJ. É que o referido inciso foi revogado pelo art. 47, IV, “b”, da MP no 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, antes de ter sido regulamentado. O poder atribuído ao Executivo para regulamentar o inc. III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 nada tem de ilegal ou inconstitucional. Neste sentido já assentou o STJ, inclusive, como se observa no julgado abaixo: RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. LEI N.o 9.718/98, ARTIGO 3o, § 2o, INCISO III. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MEDIDA PROVISÓRIA N.o 1991 18/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ARTIGO 97, IV, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. DESPROVIMENTO. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 1. Se o comando legal inserto no artigo 3o, § 2o, III, da Lei n.o 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/2000. Não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 2. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 3. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp n° 445.452RS (2002∕00836607) DJ de 10/03/2003, Relator Min. José Delgado). A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente – até ter sido revogado pelo art. 47, IV, “b”, da MP nº 1.99118, de 09/06/2000, atual MP 2.15835, de 24/08/2001, em virtude da ausência de regulamentação. Vem, a interpretação do STJ, ao encontro do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 56, de 20/07/2000, segundo o qual a norma veiculada pelo III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 é ineficaz, para fins de eventual exclusão de valores que, computados como receita bruta, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica. Por fim, ressalto que em pedido de restituição ou ressarcimento o ônus de provar a existência do indébito é do sujeito passivo. Sendo assim, a alegação genérica de pagamento indevido ou a maior precisava ser esclarecida. Cabia à Recorrente evidenciar com precisão e de modo não contraditório a origem do indébito, para que esse pudesse ser reconhecido e a compensação homologada. Tendo acontecido o contrário, a compensação não deve ser homologada. Nesse sentido, já decidiu o CARF, por sua Terceira Seção de Julgamento, em relação ao mesmo contribuinte. Confiramse as seguintes ementas: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO. Inexistindo crédito líquido e certo, inexiste o direito à compensação. (Processo nº 11020.915469/200970, Rel. Antônio Carlos Atulim, Ac. nº 3403 002.241). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. DCOMP. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Tratandose de restituição o ônus de provar a existência do Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11020.915464/200947 Acórdão n.º 3301001.949 S3C3T1 Fl. 55 5 indébito é do contribuinte, pelo que se indefere Declaração de Compensação justificada sob a alegação genérica de erro na apuração do tributo e acompanhada apenas de DCTF retificada após o despacho decisório na origem. (Processo nº 11020.915457/200945, Rel. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ac. nº 3401002.192). Pelo exposto, em face da preclusão, não conheço da alegação de que o indébito teria tido origem em recolhimentos indevidos do PIS, e, na parte conhecida, nego provimento ao Recurso Voluntário, uma vez que inexiste indébito algum em relação ao pagamento efetuado. Bernardo Motta Moreira – Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 24/09/20 13 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 15/10/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10510.903652/2009-48
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .9 03 65 2/ 20 09 -4 8 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.354 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 20/06/2006 o PER/DCOMP eletrônico n° 31329.23926.200606.1.3.044427, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de Simples, código 6106, onde consta: a) débito compensado Simples (código de receita 6106) Período de apuração: maio/2006; vencimento: 20/06/2006 principal: R$ 1.526,74; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 1.526,74. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 31329.23926.200606.1.3.044427 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 1.272,47 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 1.272,47 Crédito Atualizado: R$ 2.169,69 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 1.526,74 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 895,40 Saldo do Crédito Original: R$ 377,07 A DRF/Aracajú emitiu Despacho Decisório (fl. 10), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 1.272,47. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.354 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 02/09/2003. Porém, como apresentara em 03/04/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, cancelada em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 20/06/2006 COMPENSAÇÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/08/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/09/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. Em 07/05/2013, por unanimidade de votos, esta Turma através da Resolução nº 1802000.213, baixou o processo em diligência para que a DRF Aracajú: “a) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; b) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.354 S1TE02 Fl. 5 4 c) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; d) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002; e) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar.” Em 23/07/2013, antes de concluída a diligência pela DRF de Aracajú para cumprimento da diligência a Recorrente veio a requerer a desistência do presente processo, conforme consta do pedido de fls. 67. “A empresa RÁDIO CARMÓPOLIS LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 16.467.358/000103, vem perante V.Sa., por meio de seu representante legal ao final firmado, requerer a desistência de ação administrativa constante nos processos administrativos abaixo relacionados. Processos : 10510.903.804/200911; 10510.903.805/200957; 10510.903.878/200949; 10510.903.879/200993” Em seguida a DRF de Aracajú mediante profere o seguinte Despacho de Encaminhamento: “O contribuinte acima apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário apresentado em processos de compensação abaixo listados. Na petição, o mesmo informa os processos de débitos relativos às compensações não homologadas, no entanto o que se encontra em julgamento de Recurso Voluntário são os respectivos processos de Crédito, conforme tabela abaixo. Estes recursos voluntários foram convertidos em diligência pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme Resolução acima. Proponho, então, que o processo retorne àquele conselho para o mesmo se manifeste sobre o pedido de desistência e demais providências. PROCESSO DE COBRANÇA PROCESSO DE CRÉDITO EM JULGAMENTO 10510.903.804/200911 10510.903.651/200901 10510.903.805/200957 10510.903.652/200948 10510.903.878/200949 10510.903.749/200951 10510.903.879/200993 10510.903.750/200985” É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.354 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado o contribuinte apresentou Pedido de Desistência de Recurso Voluntário em relação ao processo de cobrança eletrônico nº 10510.903.805/200957 e não do processo nº 10510.903.652/200948 em que se analisa o crédito vinculado no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos. Como cediço, o processo administrativo cuja essência é exclusivamente a cobrança do débito decorrente de crédito julgado insuficiente para sua compensação e extinção, inexiste mérito a ser analisado, eis que a matéria (Pedido de Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP) é o objeto do processo em que se analisa o direito creditório e a declaração de compensação nãohomologada ou homologada parcialmente. Com efeito, a persistir a contenda tratada nos presentes autos, os mesmos devem retornar a DRF de Aracaju para, cumprindo a diligência requerida por este colegiado, verificar e informar: a) sobre a exclusão do SIMPLES relativa ao ano calendário de 2002, afirmada pela Recorrente; b) sobre a forma de tributação da recorrente, em relação ao ano calendário de 2002; c) sobre os débitos e pagamentos efetuados pelo contribuinte em relação ao ano calendário de 2002. d) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; e) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido; f) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; g) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a maio de 2002. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à DRF de origem – Aracaju/SE, para diligenciar e informar as questões acima, bem como outras que entender necessárias à luz da escrituração contábil e fiscal a evidenciar o valor do crédito pleiteado, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção do débito de que tratam os presentes autos. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903652/200948 Resolução nº 1802000.354 S1TE02 Fl. 7 6 Concluída a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 20/10/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10283.006040/2001-89
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1997
NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS.
O recurso dirigido à instância especial, para ser admitido, deve cumprir estritamente os requisitos previstos no ato regimental. Em se tratando daquele previsto no art. 32, I do Regimento dos antigos Conselhos de Contribuintes baixado pela Portaria MF nº 55/2002, é fundamental demonstrar a contrariedade, seja à prova, seja à lei. Ainda que possa ser admitido por contrariedade à lei mesmo que intentado por contrariedade à prova dos autos, é imprescindível que a primeira contrariedade esteja devidamente demonstrada no recurso.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Rodrigo da Costa Possas - Relator
Júlio César Alves Ramos - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. O recurso dirigido à instância especial, para ser admitido, deve cumprir estritamente os requisitos previstos no ato regimental. Em se tratando daquele previsto no art. 32, I do Regimento dos antigos Conselhos de Contribuintes baixado pela Portaria MF nº 55/2002, é fundamental demonstrar a contrariedade, seja à prova, seja à lei. Ainda que possa ser admitido por contrariedade à lei mesmo que intentado por contrariedade à prova dos autos, é imprescindível que a primeira contrariedade esteja devidamente demonstrada no recurso. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo da Costa Possas Relator Júlio César Alves Ramos Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 60 40 /2 00 1- 89 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Antônio Lisboa Cardoso, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela PGFN contra acórdão proferido pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: IPI – INDUSTRIALIZAÇÃO – ZFM. Preliminares afastadas na forma do voto vencido. Mérito comprovado que a operação realizada peia empresa enquadra se no processo produtivo básico mantido ao abrigo da SUFRAMA, mediante Parecer Técnico especifico, apesar do entendimento divergente da SRF não ha corno negarse à Recorrente o direito à isenção prevista no Decretolei n° 288/67. RECURSO PROVIDO. Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 04/07, relativo a períodos de apuração compreendidos nos meses de janeiro a outubro de 1996, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, incluídos multa de ofício e juros de mora calculados até 29/06/2001. Em sua defesa o sujeto passivo alegou algumas preliminares que foram rejeitadas. No mérito alega, em síntese que: I Da incompetência da fiscalização para questionar os atos da SUFRAMA a) Por força do Decreto n° 72.423/73 e normas complementares, compete à SUFRAMA a normatização, gestão e fiscalização dos incentivos fiscais da ZFM e, como tal, tem o poder não apenas de conceder e administrar os benefícios, como também de fiscalizar o cumprimento das condições estabelecidas para as empresas beneficiárias. Em constatando o não cumprimento das condições estabelecidas, também compete à SUFRAMA aplicar as penalidades cabíveis caso a caso, que vão da advertência ao cancelamento dos incentivos; b) É do conhecimento geral que a Secretaria da Receita Federal possui competência para fiscalizar e exigir tributos, quando devidos, em todo o território nacional. Especificamente na ZFM, compete à Receita Federal atuar em conjunto com a SUFRAMA quanto à exigência do cumprimento das condições estabelecidas para cada contribuinte, quer por força dos normativos legais, quer por força do PPB a que se obrigam. Entretanto, o que se presenciou foi uma ampliação, sem amparo legal, da competência do Fl. 847DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.006040/200189 Acórdão n.º 9303002.250 CSRFT3 Fl. 768 3 auditorfiscal. Não se está contestando a sua competência para fiscalizar e exigir tributos, mas não lhe cabe questionar os atos emanados da SUFRAMA, enquanto órgão competente para conceder e gerir os benefícios fiscais na ZFM. Extrapolou a fiscalização quando ignorou e desconsiderou que a contribuinte agiu sob a orientação do Parecer SUFRAMA 05/93, imputandolhe o recolhimento de tributos com multa e juros. Cita manifestações judiciais e administrativas acerca da competência da SUFRAMA. II Do Processo Produtivo Básico c) Seu projeto foi aprovado pela SUFRAMA através da Resolução n° 404/93, tendo efetuado todos os investimentos necessários. Da análise da Portaria Interministerial n° 185/93, que fixou o PPB para a fabricação do DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO, verificase que as etapas estão divididas em dois grupos: as etapas “a” a “f”, que podem ser terceirizadas com empresas em qualquer parte do território nacional, com preferência para as localizadas na ZFM, e as etapas “g” a “i”, que, se não forem realizadas no próprio estabelecimento fabril, somente podem ser terceirizadas com empresas localizadas na ZFM; d) Em momento algum se encontra a proibição de terceirização de etapas constantes do PPB. O que se vê é a distinção entre as etapas que podem ser terceirizadas fora da ZFM e aquelas que podem ser terceirizadas somente com empresas localizadas na ZFM. Essa interpretação vem corroborar com a finalidade precípua da Zona Franca de Manaus, que é a concessão de benefícios com vistas a criar um centro industrial, comercial e agropecuário para fomento da região; e) A terceirização é um instrumento cada vez mais utilizado, no mundo todo, com vistas à otimização na manufatura de produtos. Esse entendimento foi confirmado no Parecer SUFRAMA n° 005/93, em que o órgão interpretou a Portaria Interministerial 185/93, dirimindo dúvidas em relação à possibilidade de terceirização de etapas do PPB; f) No período questionado aumentou consideravelmente a sua produção, necessitando, pois, adquirir parte dos estojos plásticos da empresa VAT – VIDEO TAPE DA AMAZÔNIA, instalada em Manaus e cumpridora do PPB. É inconcebível penalizar o contribuinte por ter produzido uma quantia maior do que aquela que estava prevista, propiciando mais investimentos em insumos, matériasprimas e mãodeobra. Ademais, devese observar que, ao necessitar de mais estojos plásticos, escolheu uma empresa localizada na ZFM, detentora de benefícios fiscais e cumpridora de PPB; g) Na prática, temse observado que o Fisco por vezes autua um contribuinte beneficiário de redução de Imposto de Renda por ter este produzido rendimento superior ao projetado, punindo o contribuinte pelo bom desempenho. O Conselho de Contribuintes vem se pronunciando favoravelmente aos contribuinte no sentido de que o excedente de produção está também amparado pelo benefício de isenção de Imposto de Renda, Fl. 848DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 segundo a tese de que quanto maior o volume de produção alcançado, tanto mais estará satisfeito o objetivo que motivou a instituição do incentivo; h) O DecretoLei n° 288/67 conceitua PPB como o conjunto mínimo de operações no estabelecimento fabril. A fiscalização ampliou o conceito de PPB para o conjunto mínimo de operações no estabelecimento fabril do beneficiário. É importante observar que na redação original do art. 7° do DecretoLei não consta a expressão “do beneficiário”, não podendo o Fisco adicionar esta expressão. Quando a lei dispõe que deverão as operações ser realizadas no estabelecimento fabril o faz por puro pleonasmo, pois em sendo um produto, e este sendo produzido por uma indústria, o estabelecimento jamais poderia ser outro senão o fabril, mas a lei não exigiu que o estabelecimento fosse o do beneficiário dos incentivos; i) Se procedesse o entendimento do Fisco de que só integram o PPB as operações realizadas no estabelecimento fabril do beneficiário, poderseia então concluir que as etapas “a” a “f” não seriam consideradas parte ou etapas do PPB, pois a Portaria Interministerial 185/93 prevê que essas etapas podem ser feitas não apenas fora do estabelecimento fabril, mas também fora dos limites da ZFM; j) É importante observar que mesmo terceirizando etapas, como lhe faculta a Portaria 185/93, ainda assim efetua etapas que caracterizam a industrialização, em seu conceito aplicável à ZFM. Mesmo quando necessitou terceirizar uma pequena parte de sua produção, correspondente à etapa “h”, ainda assim foi por ela praticada a industrialização. Das fases demonstradas (através das fotos que a impugnante traz à peça de defesa), vê se que, ao proceder à montagem do estojo plástico em suas diversas etapas, atende ao conceito de industrialização aplicável à ZFM. Assim, a demonstração contraria o conceito da fiscalização, ao alegar que a contribuinte simplesmente recebia o material completamente pronto de terceiros. Normalmente desenvolve a etapa “h” em seu próprio estabelecimento, entretanto, em determinado período, houve a necessidade de terceirizar parte daquela etapa, tendo, no mesmo período, produzido estojos plásticos; k) Em razão de denúncias acerca de descumprimento de PPB por parte de empresas situadas na ZFM, constituiuse uma Comissão Externa da Câmara dos Deputados, para promover o levantamento do PPB praticado pelas empresas no período de 17/12/96 a 17/01/97, tendo sido estendidos os trabalhos até 30/04/97. A Comissão constatou que a impugnante cumpria o determinado no PPB, com a concentração das etapas “a” a “f” em São Paulo e as demais em Manaus, além de relatar os benefícios sociais gerados pela impugnante. Ao final, pediu a improcedência do lançamento, em face da decadência e das razões de mérito, protestando por todas as provas admitidas em direito. Acostou cópias relativas a procuração, ofícios, relatórios, acórdãos administrativos, legislação (fls. 110/348). O Recurso Voluntário foi provido, conforme exposto acima. A PGFN interpôs Recurso Especial onde expôs os argumentos necessários à reforma do acórdão. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.006040/200189 Acórdão n.º 9303002.250 CSRFT3 Fl. 769 5 Em contrarrazões o sujeito passivo alegou novamente as preliminares e fez a defesa do mérito, inclusive com a arguição de decadência. Esta Terceira Turma da CSRF reformou o acórdão de Recurso Voluntário, restabelecendo a decisão proferida pela DRJ. Porém, o sujeito passivo embargou a decisão e o acódão proferido por essa CSRF foi anulado. Volta na pauta de hoje o presente recurso para que seja novamente apreciado e votado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, Relator Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Em que pese o Procurador ter interposto o presente Recurso Especial com o nome de “RECURSO ESPECIAL POR MAIORIA (contrariedade à evidência das provas)”, na realidade toda a fundamentação do recurso se baseia em recurso cuja decisão contraria a lei. Até porque o dispositivo legal é o mesmo, ou seja, o Recurso Especial tem a mesma fundamentação legal e é dedido quando a decisão for não unânime e for contrária à lei ou a evidência das provas. Não há que se falar nem no princípio da fungibilidade recursal em que se aceita um recurso com outro nome desde contenha os elementos do recurso que seria o correto e que seja interposto no prazo correto. Tratase, nesse caso, do mesmo recurso, tanto que ele foi admitido como recurso contra decisão não unânime contrária à lei, conforme se depreende do despacho de admissibilidade (fls. 606 e 607), que deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela PGFN por ter atendido a todos os pressupostos de admissibilidade. Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: I decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; Foi claramente apontado e explicitado os artigos que teriam sido contrariados, como por exemplo: Portaria interministerial nº 185/93, que definiu o PPB (fls. 577); Decreto nº 61.244/67 e DecretoLei nº 288/67 (fls. 577); Decreto nº 2.637/98 – RIPI (fls. 578) Decreto nº 70.235/72 – PAF (fls. 579) Fl. 850DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Lei nº 5.172/66, art. 142 e 194 do CTN (fls. 580) Decreto nº 3.611/2000 (fls.580); Lei nº 4.502/64 (fls. 581); DecretoLei nº 2.225/85 (fls. 581); Lei 8.387/91 (586). Analisaremos também algumas preliminares suscitadas pela recorrida. DECADÊCIA Apesar de ter sido considerada preliminar pela recorrida, tratase na realidade de prejudicial de mérito e será discutida na ocasião oportuna. AUSÊNCIA DE CONDIÇÕES DO RECURSO DA PFN Já analisado em tópico anterior, juntamente com as demais arguições de não admissibilidade do recurso OFENSA AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA Também se trata de questão meritória. RETROATIVIDADE DA LEI BENIGNA O sujeito passivo pleiteia a aplicação do Regimento Interno de 2009 (Portaria MF nº 256/2009), no que se refere à exclusão do recurso privativo ora interposto pela PGFN. Ora o próprio regimento já define essa questão de forma muito clara, em seu art. 4º: Art. 4º Os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento.{1} Como o atual regimento foi publicado em 26 de junho de 2009 e a sessão que ensejou a interposição do Recurso Especial foi em 10 de junho de 2003, não há que se falar em aplicação do atutal RICARF. Antes de entrar no mérito vamos fazer uma breve explanação que visa à delimitação da lide. Tratase o presente caso de uma discussão meramente jurídica já que os fatos já estão todos elucidados. Somente a parte da produção terceirizada embalagem, ou seja, os estojos que serão usados no acondicionamento dos CD’s é que vai limitar a presente lide. A própria empresa admite que terceirizou a produção dos estojos dentro da ZFM em outra empresa Fl. 851DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.006040/200189 Acórdão n.º 9303002.250 CSRFT3 Fl. 770 7 também cumpridora do PPB. Não há que se falar em provas já que os fatos expostos por uma parte não são refutados pela outra parte. A fiscalização desconsiderou a isenção condicionada por considerar não cumprida uma das etapas do PPB. O Sujeito Passivo, por sua vez, amparandose em um parecer da Suframa, alega que não descumpriu as condições previstas na legislação. Assim o que será debatido por esse plenário é se houve ou não descumprimento das condições impostas pela legislação para a fruição do benefício, como alega a Contribuinte e atesta o Parecer da Suframa ou se houve o descumprimento das condições, acarretando a desconsideração da isenção, com a respectiva lavratura do Auto de Infração correspondente, como atesta a RFB. Teremos que responder a seguinte questão: Pode um parecer da Suframa atestar o cumprimento de um PBB que contrariou ao que prescreve a legislação acerca do assunto? Analisadas as condições de admissibilidade e delimitação da lide, passemos ao mérito. Já no mérito, faremos a análise da decadência ora arguida. Sabemos que por força da aplicação do art. 62A do RICARF, somos obrigados a seguir as decisões proferidas em sede de recursos repetitivos pelos tribunais superiores. Assim para que a contagem do prazo decadencial se inicie na data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN há que se ter a comprovação do pagamento parcial nos autos. Essa tem sido a decisão unânime dessa turma. Não poderia ser de outra forma. No presente caso há apenas o pleito de se aplicar o art. 150, § 4º, sem qualqueur arguição ou comprovação da existência de pagamentos Em que pese a decadência ser matéria de ordem pública a ser arguida de ofício pelo julgador, não compete a ele fazer a prova do pagamento. Esse ´um ônus da parte interessada. O ônus da prova incumbe: A) ao Fisco comprovar o fato constitutivo do seu direito; e B) ao contribuinte o fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Não cabe ao Fisco fazer Prova Negativa da ausência de antecipação de pagamento, mas sim demonstrar a ocorrência do fato gerador e demais requisitos do artigo 142 do CTN. A decadência e o pagamento são fatos extintivos do direito do fisco, e devem ser alegados e provados pelo contribuinte. Se alegar a decadência com base no artigo 150, parágrafo 4° do CTN, deve fazer a prova do pagamento antecipado. Assim, rejeito a arguição de decadência, feita pelo contribuinte. Como a DRJ já fez uma boa e resumida exposição da legislação aplicada ao caso, vamos transcrever esta parte do voto da autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 A isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados produzido na Zona Franca de Manaus foi estatuída através do DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, com a redação dada pela Lei n° 8.387, de 30 de dezembro de 1991: (...) Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei. (...)(g.n.) O art. 7° daquele diploma legal estabelece, como requisitos, a aprovação de projeto pela SUFRAMA e a fabricação dos produtos de acordo com Processo Produtivo Básico: Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo (...), quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem , na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). (...) § 7° A redução do Imposto sobre Importação, de que trata este artigo, somente será deferida a produtos industrializados previstos em projeto aprovado pelo Conselho de Administração da Suframa que: I se atenha aos limites anuais de importação de matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, constantes da respectiva resolução aprobatória do projeto e suas alterações; II objetive: a) o incremento de oferta de emprego na região; b) a concessão de benefícios sociais aos trabalhadores; c) a incorporação de tecnologias de produtos e de processos de produção compatíveis com o estado da arte e da técnica; d) níveis crescentes de produtividade e de competitividade; e) reinvestimento de lucros na região; e Fl. 853DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.006040/200189 Acórdão n.º 9303002.250 CSRFT3 Fl. 771 9 f) investimento na formação e capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento científico e tecnológico. § 8° Para os efeitos deste artigo, consideramse: (...) b) processo produtivo básico é o conjunto mínimo de operações, no estabelecimento fabril, que caracteriza a efetiva industrialização de determinado produto. (...) (g.n.) O Decreto n° 783, de 25 de março de 1993, em seu art. 5°, adiante reproduzido, estabeleceu que os processos produtivos básicos, para os produtos nele não incluídos, seriam fixados por meio de portaria interministerial: Art. 5º Os Ministros de Estado da Integração Regional, da Indústria, do Comércio e do Turismo, e da Ciência e Tecnologia, fixarão, por portaria interministerial, os processos produtivos básicos para os produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, não incluídos nos Anexos de I a XV deste decreto. O Processo Produtivo Básico para o produto DISCO DIGITAL A LASER foi estabelecido pela Portaria Interministerial n° 185, de 28 de julho de 1993, cujo art. 1° se traslada: Art. 1° Estabelecer para o produto DISCO DIGITAL A LASER PARA ÁUDIO, industrializado na Zona Franca de Manaus, o seguinte processo produtivo básico: a. recebimento do moldematriz; b. tratamento da resina de policarbonato; c. moldagem do disco por injeção; d. metalização da fase do disco; e. laqueação do disco; f. impressão do rótulo; g. teste de áudio; h. injeção do estojo plástico; e i. colocação do disco e do material gráfico no estojo e embalagem final. Parágrafo Único. Para o cumprimento do disposto neste artigo, será admitida a realização de qualquer das etapas constantes das letras "a" a "f" em qualquer parte do Território Nacional, por terceiros preferencialmente os instalados na Zona Franca de Manaus. (...) Fl. 854DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 10 Creio que não será necessária uma exposição acerca das teorias sobre isenção, pois vimos que a lide tratase única e exclusivamente na determinação se houve ou não o descumprimento das condições para a fruição do benefício. Cabe ao intérprete dar a melhor solução para a correta aplicação do texto legal ao caso in concreto. Essa é a nobre função dos nossos tribunais administrativos e judiciais. Devemos responder a seguinte pergunta: O parágrafo único da Portaria Interministerial n° 185, de 28 de julho de 1993, transcrito acima permite a terceirização da etapa “h”? Essa pergunta é a mesma feita no início desse voto, porém formulada de um modo diferente. O CTN dispõe textualmente que: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Essa interpretação gramatical ou literal também é avocada por ambas as partes da contenda para comprovar, ou não, a cumprimento do PPB, in concreto.Como se vê, tratandose de uma renúncia fiscal, o controle tem que ser rígido e, ao contribuinte cabe atender expressamente o disposto na legislação de regência. Podese observar claramente que a fiscalização entende que a regra geral é a fabricação pela própria empresa beneficiária da isenção, sendo a terceirização uma exceção a ser literalmente consignada na legislação. Desta forma, se a portaria interministerial não tivesse o preceito de exceção contido no supratranscrito parágrafo único, nenhuma etapa poderia ser terceirizada, nem mesmo com empresas instaladas na ZFM, pois todas as etapas teriam que ser executadas pela empresa beneficiária da isenção. O Sujeito Passivo, diferentemente, traz em seus argumentos a tese de que a regra geral é a fabricação por empresa instalada na Zona Franca de Manaus, não necessariamente o estabelecimento beneficiário da isenção, sendo a exceção a faculdade de terceirizar parte do processo com empresas não instaladas na ZFM. De inferir, por conseguinte, que a interpretação da contribuinte é no sentido de que, se não houvesse a excepcionalidade veiculada naquele parágrafo único, quaisquer etapas poderiam ser terceirizadas, desde que por empresas instaladas na ZFM. A Contribuinte, ora recorrida, também baliza os seus argumentos no Parecer Técnico nº 005/93, produzido em resposta a uma consulta feita pela empresa Objetiva S/C Ltda, que posteriormente foi retificado passando a constar o nome da empresa ora recorrida. Como o documento foi produzido pelo órgão concedente dos incentivos, a empresa o usa em sua defesa. E o Parecer é bastante claro quando infere que “em momento algum em todo o conteúdo da referida Portaria Interministerial é textualmente proibida a terceirização de qualquer da etapa por empresas estabelecidas na ZFM.” Porém se a RFB, em ação fiscal, colher elementos de comprovem o não cumprimento do processo, poderá desconstituir a outorga de isenção. Até porque o parecer apresentado foi feito por uma órgão que não tem a competência de fiscalizar os tributos envolvidos na produção, mas somente atestar o cumprimento de requisitos que podem, ou não sere acitos pela RFB. Pois a RFB é quem tem a competência para dar a palavra final acerca do cunprimento do PPB. A Suframa emite um Fl. 855DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.006040/200189 Acórdão n.º 9303002.250 CSRFT3 Fl. 772 11 simples parecer, que será avaliado e convalidado pela autoridade fazendária competente. O parecer pode balizar o presente caso, em uma integração legislativa por analogia, caso se considere que a norma é omissa, ou seja, lacunosa. Em não havendo como interpretar o texto legal que se enquadre ao caso, poderseia cogitar do uso da analogia. Porém entendemos que não há omissão legislativa e nem tampouco a RFB seria obrigada a seguir pareceres que, estivesse eivado de ilegalidade. Essa tem sido a decisão recorrente dessa terceira turma, mesmo que, na maioria das vezes, pelo voto de qualidade. Assim foi decidido no julgamento passado dessa mesma turma, que foi anulado posteriormente, por outros motivos. A Constituição Federal, no Capítulo VII que trata da Administração Pública, Seção I Disposições Gerais, ressalta a Administração Tributária em dois incisos do artigo 37: incisos XVIII e XXII. Vejamos o que dizem estes dois incisos: Art. 37. “A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XVIII a administração fazendária e seus servidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; (...) XXII as administrações tributárias da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servidores de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusive com o compartilhamento de cadastros e de informações fiscais, na forma da lei ou convênio. Com efeito, a CF traz a previsão da precedência da administração fazendária sobre os demais setores admistrativos, na forma da lei. E a lei materializou essa precedência como demonstra a maioria das nossas leis tributárias. A Suframa e demais órgãos tem uma competência limitada quando se trata de administração tributária. Um mero parecer, como já dito, não pode vincular a administração tributária, que tem a competência de fiscalizar e arrrecadar os recursos necessários a implementação das políticas públicas do Estado. No presente caso, há que se conferir razão às autoridades fiscais, que a norma geral contida no DecretoLei nº 288, de 1967, prevê a produção no estabelecimento beneficiário da isenção. Pois, aqui me socorrendo novamente do voto proferido pela DRJ, norma diz no estabelecimento fabril, e não em estabelecimento fabril, nada havendo de Fl. 856DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 12 pleonasmo no comando, como brande a contribuinte em sua defesa. Redundante seria o legislador se houvesse dito que a fabricação deveria se dar em estabelecimento fabril. Mas, ao especificar que a fabricação deveria ocorrer no estabelecimento fabril, tratou o legislador de individualizar o estabelecimento a quem caberia cumprir o PPB, vale dizer, o estabelecimento pretendente do benefício. Estatui o dispositivo, portanto, que o PPB é o conjunto mínimo de operações realizadas pelo estabelecimento, e não por estabelecimento fabril, para que se caracterize a efetiva industrialização do produto. E, perscrutese uma vez mais, a qual estabelecimento reportase a norma? É óbvio que é ao estabelecimento que pleiteia o incentivo da isenção, pois é especificamente para ele que se dirige o legislador ao estabelecer os requisitos para a concessão do benefício, entre os quais se inclui a aprovação de projeto pela SUFRAMA. De fato, não há expressa proibição normativa para a terceirização na ZFM, porém se fosse a intenção do legislador, tal permissão teria feito expressamente como o fez em diversas outras portarias sobre PBB. Podemos concluir a correta interpretação e a única possível para o presente caso é que para o perfeito cumprimento de um Processo Produtivo Básico induz que todas as etapas devem ser realizadas pelo estabelecimento beneficiário da isenção, em face do que somente se admitem as exceções expressamente permitidas em norma específica. Se, porventura, dúvidas ainda remanescem a tal conclusão, serão elas dissipadas com o exame da questão sistemática, averiguandose a compatibilidade do discutido preceito dentro de um todo estrutural. É o que os juristas chamam de silêncio eloqüente da norma. Assim, a regra geral é que a realização do PPB seja feita por beneficiários da isenção em suas instalações na ZFM. A exeção traz um benefício adicional e deve ser interpretada restritivamente, ou seja, somente será permitido a terceirização das etapas “a” a “f”. Em relação às etapas “g”, “h” e “i” a legislação não permite, de forma alguma, a sua terceirização. Somente nesses termos, podemos dar a correta interpretação ao parágrafo único da Portaria Interministerial 185/93. Assim, voto pelo provimento do recurso interposto pela PGFN. É como voto. Rodrigo da Costa Pôssas Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Designado Tendo o colegiado dissentido da posição do i. relator, que conhecia do recurso da Fazenda Nacional, fui designado para redigir o acórdão. O principal motivo para que a Câmara tenha chegado a tal conclusão foi a ausência, na peça recursal, de sequer indicação à prova que teria sido contrariada pela decisão de que se pretendeu recorrer. Isso, aliás, já se delineia na peça preambular, na qual Fl. 857DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.006040/200189 Acórdão n.º 9303002.250 CSRFT3 Fl. 773 13 normalmente o recorrente procura acentuar o cumprimento dos requisitos para admissibilidade de seu recurso; neste caso dela consta: A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), vem, mui respeitosamente por intermédio do seu procurador infraassinado, com fulcro no artigo 5º inciso I do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aviar tempestivamente o presente RECURSO ESPECIAL POR MAIORIA (contrariedade à evidência das provas) em face de estar irresignada com o teor do v. acórdão NÃO UNÂNIME exarado pela Colenda 3° Câmara do Egrégio 3° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, devendo tal apelo ser encaminhado à Câmara Superior de Recursos Fiscais, a fim ser conhecido e provido, nos termos que se seguem. Nestes termos, pede deferimento Brasília/DF, 29 de setembro de 2006. LEANDRO FELIPE BUENO TIERNO Procurador da Fazenda Nacional Como daí já se depreende, a visão que o norteia é a de que basta à Fazenda não se resignar com dada decisão que não tenha sido tomada por unanimidade para que dela possa recorrer. Assim, inclusive consta no despacho de admissibilidade, segundo o qual a decisão teria contrariado a lei “porque era nãounânime”. Mas não é assim. Com efeito, em 2006, quando apresentado o recurso, vigia o Regimento dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais baixado pela Portaria MF nº 55/2002. Seu art. 32 assim disciplinava o recurso de que cuidamos: Art. 32. Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais: Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes I de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; ... Claro já está que a não unanimidade da decisão é condição necessária, não suficiente.Do mesmo modo, que ela não implica a contrariedade à lei ou à evidência da prova, do contrário não seria necessária a condição aposta após a vírgula. Fl. 858DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 14 E se alguma dúvida quanto a isso ainda pudesse restar, sepultaa o § 1º do mesmo dispositivo regimental: § 1º Na hipótese de que trata o inciso I do art. 32 deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. (Redação dada pelo art. 2º da Portaria MF nº 1.132, de 30/09/2002) Nas análises de admissibilidade de recursos calcados nesse permissivo regimental que faço tenho aceitado a tese de há muito consolidada na instância especial de que a “fundamentada demonstração” possa ser, num juízo preliminar de admissibilidade, restrita à citação da lei ou da prova que se pretende tenha sido contrariada. Pois bem, no presente caso, a única “prova” citada no longo recurso – do qual consta tópico específico intitulado “Da contrariedade à Evidência das Provas” – é o Parecer Técnico nº 005/93. Ocorre que, ao contrário de demonstrar que ele teria sido contrariado pela decisão, o que os argumentos do Sr. Procurador permitem concluir é que ele afirma exatamente o mesmo que a decisão atacada. Em verdade, todo o recurso busca, exatamente, desconstituir essa interpretação da Portaria Interministerial nº 185/93 feita pelo Parecer. É certo que o representante fazendário menciona em seu recurso alguns dispositivos legais (e outros constantes de decretos) que garantiriam a competência legal da fiscalização da SRF, mas não demonstra em que essa capacidade das autoridades fiscais implica a contrariedade à evidência da prova em que deveria estar fundado o seu recurso. O mesmo se deve dizer do tópico “Do Processo Produtivo Básico” constante do recurso: citase aí toda a legislação que o disciplina, mas não há uma só linha que indique qual teria sido a prova contrariada pela decisão. Em suma, embora extenso, o recurso falha no mais elementar de seus deveres: indicar qual teria sido a prova contrariada pela decisão atacada. Se no entender da Fazenda, é o Parecer Suframa nº 005, como parece, cumpriria a ela demonstrar que ele não permite a terceirização realizada. O que a representação fazendária mostrou foi exatamente o oposto. Já no que tange à possibilidade de se conhecer do recurso por contrariedade à lei como defendeu o relator, divergiu o colegiado com base em considerações expendidas pelo nobre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que passo a sintetizar. Em primeiro lugar, é preciso destacar que não se trata do mesmo recurso como defende o dr. Rodrigo, ainda que estejam ambos previstos no mesmo artigo do regimento. E que essa citação em um mesmo dispositivo não iguala institutos jurídicos diversos, dános exemplo a situação do descaminho e do contrabando: ambos encontram previsão no art. 334 do Código Penal, muito embora a ninguém escape sua flagrante diferença. Isso, por si só, já impõe o dever de que os requisitos para admissibilidade de um e de outro possam ser distintos e, em o sendo, devam ser estritamente observados no exame do seu conhecimento. Fl. 859DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.006040/200189 Acórdão n.º 9303002.250 CSRFT3 Fl. 774 15 E nessa linha, a atenta leitura do acórdão combatido leva à conclusão de que o colegiado decidiu que a SRF, ainda que possua competência legal para fiscalizar o cumprimento das condições para usufruto do benefício, deve fazêo nos estritos termos em que tenha sido ele concedido pelo órgão estatal competente, isto é, a SUFRAMA, aí incluído o já antes mencionado Parecer Técnico nº 005/93. Essa estrita observância, ainda consoante a decisão prolatada, deve ser respeitada mesmo que a SRF entenda que o malsinado Parecer fere a Portaria Interministerial nº 185/93, e, por conseqüência, o decreto 782 e o próprio Decretolei 288, que a embasam. Assim sendo, não bastava à recorrente demonstrar que havia (e há) previsão legal para que a SRF fiscalize a isenção concedida e, constatando que não foram cumpridos os seus requisitos, autue a beneficiária. O que à recorrente cabia, mormente levandose em conta que o seu recurso não estava fundado em contrariedade à lei, era demonstrar que essa interpretação restritiva – repitase, de que a fiscalização há de se dar em estrita observância ao Parecer Técnico – contraria alguma norma legal. Desse dever não se desincumbiu a contento a Fazenda Nacional. Portanto, ainda que o colegiado entenda possível conhecer de um recurso por contrariedade à lei mesmo tendo sido ele apresentado por contrariedade à prova, aquela primeira contrariedade – à lei – tem de estar fundamentadamente demonstrada no recurso. Não o estando no presente caso, o colegiado, por maioria, não conheceu do recurso da Fazenda, este sendo o acórdão que me coube redigir. Júlio César Alves Ramos Fl. 860DF CARF MF Impresso em 24/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 10/09/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado d igitalmente em 19/09/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720046/2012-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
Ementa:
DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo); fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA.
Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO.
É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO.
O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF 4.
Desde 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE FUNDAMENTO.
Carece de amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA.
A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430(1996 não possui natureza confiscatória.
Numero da decisão: 3403-002.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastou-se a glosa (e o lançamento correspondente) para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra; (f) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (g) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; e (h) aluguéis de prédios máquinas e equipamentos de períodos anteriores; (i) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (j) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo); (ii) por maioria de votos, reconheceu-se (a) o direito à tomada do crédito sobre serviços de lavagem de uniformes, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (Relator). Designado o Conselheiro Ivan Allegretti; e (b) a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que não conheceu da matéria.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
IVAN ALLEGRETTI - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo); fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA. Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO. É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF 4. Desde 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE FUNDAMENTO. Carece de amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA. A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430(1996 não possui natureza confiscatória.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastou-se a glosa (e o lançamento correspondente) para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra; (f) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (g) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; e (h) aluguéis de prédios máquinas e equipamentos de períodos anteriores; (i) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (j) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo); (ii) por maioria de votos, reconheceu-se (a) o direito à tomada do crédito sobre serviços de lavagem de uniformes, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (Relator). Designado o Conselheiro Ivan Allegretti; e (b) a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que não conheceu da matéria. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. IVAN ALLEGRETTI - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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PERÍCIAS. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. As diligências e perícias não se prestam a suprir deficiência probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Para a empresa agroindustrial, constituem insumos: materiais de limpeza e desinfecção; embalagens utilizadas para transporte; combustíveis; lubrificantes e graxa; fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 00 46 /2 01 2- 12 Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI estabelecimentos do ciclo produtivo); fretes de transporte de combustível; e serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Por outro lado, não constituem insumos: uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; bens do ativo, inclusive ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; fretes de transporte urbano de pessoas; fretes de transportes em geral, sem indicação precisa; fretes referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada; bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que inclui a situação de alíquota zero); e bens adquiridos em que a venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ENERGIA ELÉTRICA. ABRANGÊNCIA. Não são classificáveis como despesas com energia elétrica as aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS. ALUGUEL. ARMAZENAGEM. FRETES. PESSOA FÍSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento da contribuição em relação a despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, ou ainda de armazenagem ou fretes, pagos a pessoa física. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. ENCARGOS. DEPRECIAÇÃO. ATIVO. VEDAÇÃO. É vedado o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30/04/2004. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. ALÍQUOTA. PRODUTO. O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03, em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF 4. Desde 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE FUNDAMENTO. Carece de amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA. A multa de ofício referida no art. 44 da Lei no 9.430/1996 não possui natureza confiscatória. 2 Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, afastouse a glosa (e o lançamento correspondente) para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra; (f) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (g) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; e (h) aluguéis de prédios máquinas e equipamentos de períodos anteriores; (i) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda de períodos anteriores; e (j) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo); (ii) por maioria de votos, reconheceuse (a) o direito à tomada do crédito sobre serviços de lavagem de uniformes, vencido o Conselheiro Rosaldo Trevisan (Relator). Designado o Conselheiro Ivan Allegretti; e (b) a não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que não conheceu da matéria. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. IVAN ALLEGRETTI Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2 a 121) lavrado em 11/01/2012 contra a recorrente, para exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (ambas referentes ao 1o trimestre de 2007), na sistemática da não cumulatividade, em decorrência de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). 3 Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI insuficiência de recolhimento, acrescidas de juros de mora e multa de ofício (75%), nos valores consolidados de R$ 7.133.032,58 (Contribuição para o PIS/PASEP) e de R$ 32.718.707,11 (COFINS). No Relatório Fiscal anexo à autuação (fls. 13 a 18), narrase que a recorrente apresentou PERD/COMP referentes a créditos de ambas as contribuições no primeiro trimestre de 2007. Como consequência da análise dos créditos apontados nas solicitações, foram proferidos os despachos decisórios no 1.595/2011 (fls. 1166 a 1198 referente a pedido tratado no processo administrativo no 10925.905352/201146 COFINS) e no 1.596/2011 (fls. 1199 a 1232 referente a pedido tratado no processo administrativo no 10925.905351/201100 Contribuição para o PIS/PASEP). Sendo insuficientes os créditos apontados para a liquidação dos débitos da recorrente, foi realizada ação fiscal objetivando o lançamento do crédito tributário correspondente. Nas análises citadas foram glosados créditos referentes a aquisições no mercado interno e importações, e crédito presumido referente a atividades agroindustriais. Pelo teor dos citados despachos decisórios, percebese que as glosas trataram especificamente de: (a) bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos após 01/05/2004 (cf. art. 31 da Lei no 10.865/2004); (b) bens não classificáveis como insumos de acordo com os arts. 3o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, e com os arts. 8o e 9o da IN SRF no 404/2004; e (c) bens aos quais não se aplica o crédito presumido de que tratam os arts. 8o e 9o da Lei no 10.925/2004. Os detalhamentos e especificações das glosas ficaram gravados em mídia digital (CD) no dossiê físico, à disposição da empresa, sendo os principais itens glosados: (a) aquisições não enquadradas no conceito de insumo (art. 3o, II da Lei no 10.833/2003): (1) uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal; (2) materiais de limpeza/desinfecção; (3) produtos para movimentação de cargas/embalagens utilizadas para transporte pallets; (4) combustíveis que não exercem ação direta sobre o produto; (5) ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos; (6) bens do ativo imobilizado animais reprodutores e de lactação não consumidos na produção; (7) outros bens para os quais não foi detectada utilização no processo produtivo, como soda cáustica; (8) fretes entre estabelecimentos da própria empresa, de combustível ou de pessoas (em amostragem de Notas Fiscais); (9) aquisições sujeitas à alíquota zero a título das contribuições; (10) aquisições de insumos cuja venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004, assim como os fretes a elas correspondentes, pela sujeição somente ao crédito presumido de atividades agroindustriais; e (11) aquisições de serviços que refletem despesas operacionais (consertos, reparos e aquisições de materiais relacionados), não especificados, ou ainda que tratam em verdade de bens; (b) despesas de energia elétrica não incorridas no mês, e despesas classificadas como de energia elétrica, mas que correspondem a aquisições de serviços de comunicação; (c) despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos de pessoa física ou não comprovadas; 4 Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 (d) despesas de armazenagem e fretes em operação de venda, não comprovadas, ou referentes a outras despesas, indevidamente computadas em tal rubrica; (e) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos em data anterior a 01/05/2004; (f) em relação ao crédito presumido de atividades agroindustriais: (1) aplicação incorreta do percentual de 60% em diversas aquisições; (2) inclusão de aquisições não enquadráveis no conceito de insumo (como animais reprodutores e laudo técnico) e insumos não destinados a alimentação (como lenha); e (3) inclusão de aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero das contribuições (pintos de 1 dia); e (g) bens importados utilizados como insumos (art. 15, II da Lei no 10.865/2004), adquiridos com alíquota zero (sendo ainda questionável o próprio enquadramento como insumos). Na impugnação, apresentada em 14/02/2012, (fls. 1236 a 1347), inicialmente se traz um resumo das glosas: “(i) Insumos (art. 3o, II, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): aplicou noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), glosando em descrição genérica e exemplificativa os seguintes créditos: a. uniformes, artigos de vestuários, equipamento de proteção de empregados, materiais de uso pessoal: luva, avental, respirador, bota, botina, protetor auricular, máscara, meia, óculos, sapato, touca, capacete, japona. b. materiais de limpeza/desinfecção: detergente, desinfetante, sabonete, vassoura; c. produtos de movimentação de cargas / embalagens utilizadas para transporte: pallet; d. combustíveis: hexano, óleo de xisto, GLP, diesel e gás; e. ferramentas e materiais utilizados em máquinas / equipamentos: hidrômetro, correia, lubrificantes, cabos, navalha, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula; f. Bens do ativo imobilizado: animais reprodutores e de lactação (não são consumidos na produção); g. Outras aquisições cuja utilização no processo produtivo não foi detectada: soda cáustica; 5 Fl. 1677DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI h. Embalagens: acondicionamentos sem acabamento, rotulagem de função promocional e que não valorize o produto e, por fim, acondicionamento feito em embalagem de capacidade superior àquela que (sic) o produto é comumente vendido. (ii) Ainda insumos (art. 3o, II, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): dentro ainda da noção estrita e ligada ao IPI de insumo (IN SRF 247/2002 e IN SRF 358/2003), também glosou de modo genérico e exemplificativo os seguintes créditos: a. aquisições de fretes: por amostragem, notou que os fretes eram entre estabelecimentos da impugnante, daí porque glosou sua plenitude. Além disso, não localizou a NF 58802 da Viscofan do Brasil; b. aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero: metionina, ovo fértil (...) brócolis congelado, queijo prato, queijo mussarela e ricota; c. redução do crédito nas aquisições com suspensão; d. serviços (alínea 3 das fichas 06A e 16A da DACON: glosou por não se tratar de serviços enquadrados no conceito de insumo. Não cita quais são, nem mesmo exemplificativamente no relatório. (iii) Energia elétrica (art. 3o, IX, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): desconsiderou como crédito neste item: a. despesas que não eram de energia elétrica, mas em tese de comunicação; b. compras de bens do ativo; c. despesa de energia elétrica de dezembro de 2006; (iv) Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos (art. 3o, IV, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): desconsiderou como crédito neste item: a. aluguéis pagos a pessoas físicas; b. despesa que não se refere a locação de imóveis, mas serviço de industrialização [fls. ...]; c. falta de comprovação da NF 7503 Standard Logística e Distribuição; d. diversos itens glosados na linha 05 por não conter (sic) descrições suficientes para caracterização como insumo; e. em relação aos aluguéis de máquinas e equipamentos (linha 06), houve requerimento de 3 Notas Fiscais, sendo apresentada uma relativa a despesa de dezembro de 2006lançamento em duplicidade de despesas; (v) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda (art. 3o, IX, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): desconsiderou como crédito neste item: 6 Fl. 1678DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 a. diversas notas não se referem a despesas de armazenagem ou frete, pois seria (sic) energia elétrica e frete em operações de compra; b. aquisições de pessoas físicas; c. algumas notas fiscais na amostragem não foram apresentadas (NF 27884 Jundiaí Cargas e NF 531 da Sol Logística e Representações); d. despesas incorridas fora do período de apuração (NF 163 da Ultra Frios Comércio e Transporte fl. [...] e NF 2515 da Safrios Transportes fl. [...]); (vi) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado e edificações e benfeitorias (art. 3o, VI e VII, da Lei n. 10.637/2002 e 10.833/2003): houve glosa dos seguintes bens: a. existiram bens adquiridos antes de 01/05/2004 que foram utilizados para descontar créditos; b. existem bens importados e custos inerentes à importação que foram utilizados como créditos; c. consta (sic) de planilha os itens glosados que foram adquiridos após 01/05/2004. (vii) crédito presumido da atividade agroindustrial (art. 8o da Lei n. 10.925/2004): a. aplicação incorreta do percentual de 60% (art. 8o, § 3o, I, da Lei n. 10.925/2004); b. inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo, tais como animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, laudos técnicos, lenha, retentores; c. inclusão de insumos sujeitos à alíquota zero: pinto de 01 dia, pois este não está sujeito à suspensão, mas alíquota zero. (viii) Bens importados utilizados como insumos: a. aquisição de bens sujeitos à alíquota zero: metionina líquida, ácido fólico e pantotenato de cálcio.” (grifos no original) Em seguida, a impugnação suscita a nulidade do lançamento por carência de motivação e fundamentação (detalhada, com apresentação minuciosa de documentos, em obediência ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, e não exemplificativa), ocasionando cerceamento de defesa. No mérito, aduz, em síntese, que: (a) a nãocumulatividade para as contribuições foi constitucionalmente consagrada e não pode sofrer restrições pela legislação infraconstitucional; 7 Fl. 1679DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI (b) a expressão insumo está vinculada a dispêndios realizados pelo contribuinte que, de forma direta ou indireta, contribuam para o pleno exercício de sua atividade econômica (considerandose suas peculiaridades e requisitos), visando à obtenção de receita, sendo incorreta a interpretação restritiva vinculada ao desgaste físico na produção (estabelecida nas Instruções Normativas SRF no 358/2003 e 404/2004, que violam o princípio da legalidade); (c) em relação às glosas de: (c.1) uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal, entende que são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, e evitam contaminações, seguindo determinação da Anvisa (usando idêntico raciocínio para materiais de limpeza/desinfecção, obrigatórios por norma do órgão público responsável); (c.2) produtos para movimentação de cargas/embalagens utilizadas para transporte pallets, entende que são relevantes e participam do processo produtivo, ainda que não se incorporem ao produto final (alimentos); (c.3) combustíveis que não exercem ação direta sobre o produto, entende que são empregados no processo de fabricação, em máquinas e veículos do parque fabril; (c.4) ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos, como correias, lubrificantes, graxa, fusível, rolamentos, tomadas, entende que a simples descrição dos produtos é suficiente para que se perceba sua relevância no processo produtivo de industrialização, pois todos os itens são componentes de máquinas e equipamentos industriais, e não fazem parte do ativo imobilizado; (c.5) animais reprodutores e de lactação não consumidos na produção, afirma que são insumos, pois servem para conceber e alimentar os animais destinados ao abate (e caso não o sejam, constituem ativo imobilizado); (c.6) soda cáustica, defende que é usada em várias finalidades, como refino de óleo animal e vegetal, remoção de ácidos graxos, descascar alimentos e promover limpeza de equipamentos e máquinas; (c.7) embalagens, argumenta que estão vinculadas ao processo produtivo, embora não se incorporem ao produto final, pois não se pode reconhecer como embalagem apta a gerar crédito somente aquela de apresentação ao consumidor final, pois as embalagens intermediárias buscam garantir a segurança e a descontaminação no processo produtivo; (c.8) fretes, entende que todos geram crédito por serem essenciais à atividade econômica, e por isso não fez segregação (pelo que solicitaria diligência a fim de segregar os fretes entre estabelecimentos da empresa, solicitando ainda diligência em relação ao frete glosado em relação à NF 28802, não localizada pela empresa, mas registrada em sua contabilidade); (c.9) aquisições de produtos tributados com alíquota zero (cf. Lei n. 10.925/2004), ou sem tributação pelas contribuições, entende que a exclusão de créditos na hipótese contraria o princípio da não cumulatividade (em caso de negativa, entende ao menos estarem assegurados os créditos presumidos de que trata o art. 8o da referida Lei); 8 Fl. 1680DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 (c.10) aquisições de insumos de pessoas jurídicas sendo a venda feita com suspensão das contribuições, informa que as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão, sendo legítimo o crédito; (c.11) serviços, argumenta que não houve exato esclarecimento da glosa, reiterando a existência de nulidade por cerceamento de defesa (sendo incorretas as glosas de mãodeobra de rebobinagem de motor, conserto de equipamentos, armazenamento de resíduos, transporte de sangue, higienização e congêneres, por serem tais bens essenciais e inerentes à atividade produtiva); (c.12) energia elétrica, sustenta que as despesas de comunicação, embora não sejam de energia elétrica, deveriam ser consideradas para creditamento, por serem inerentes e necessárias ao exercício da atividade empresarial, e que os créditos de dezembro de 2006 deveriam ser considerados, por serem extemporâneos e não prescritos; (c.13) as aquisições de ativos classificadas como energia elétrica deveriam ser consideradas pelo Fisco, recompondose os valores, o que não foi feito e tornou o ato ilegal; (c.14) despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos, entende que deveria ser mantido o crédito de aluguéis pagos a pessoa físicas, em virtude do princípio da não cumulatividade (sendo que as despesas que de fato não eram de aluguel mas de serviços, deveriam ser computadas a título de insumo, havendo ainda nulidade nas glosas de itens com descrição insuficiente, visto que o Fisco não solicitou esclarecimentos à empresa), e, em relação à NF 7503, pede conversão em diligência para apuração em face da escrituração, ou juntada a posteriori (afirmando que houve glosa por amostragem, presumindo a ilegitimidade de todo o crédito, por não terem sido localizadas duas notas e por ser a terceira de dezembro de 2006, em que pese ser possível o aproveitamento extemporâneo, conforme art. 3o, § 4o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003); (c.15) despesas de armazenagem e fretes na operação de venda, entende ser incorreta a glosa de aquisições de pessoas físicas, por avessa ao princípio da não cumulatividade, e que deve ser desconsiderada a glosa referente a despesas com energia elétrica e fretes de compras erroneamente lançadas em tal conta na DACON pela empresa, pois os créditos são legítimos (em relação às NF não localizadas, a escrituração faz prova em favor da empresa e, no máximo, deveria ter sido efetuada apuração pelo Fisco, o que ainda pode ser objeto de diligência, e, em relação aos créditos extemporâneos não prescritos, não há vedação a seu aproveitamento); (c.16) bens e direitos do ativo imobilizado, entende que o fato de os bens terem sido adquiridos antes de 01/05/2004 não veda o creditamento proporcional dos encargos de depreciação no período subsequente, sendo igualmente improcedente a rejeição do credito de bens importados, cf. art. 15 da Lei n. 10.865/2004, e a de outros constantes em planilha (mas não justificados individualmente); (c.17) crédito presumido da atividade agroindustrial, argumenta que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido (sendo a IN SRF no 660/2006 ilegal); 9 Fl. 1681DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI (c.18) aquisições que não constituem insumos, estabelece que são de fato utilizadas no processo produtivo (animais reprodutores e de lactação, para preparar outros animais para abate; lenha para fornos destinados a produzir copa, salame, etc; retentores como partes e peças de máquinas usadas na produção; e laudos técnicos para manutenção da qualidade e higiene na linha de produção); (c.19) pintos de 1 dia, defende que estes se enquadram no art. 8o da Lei no 10.865/2004, que se sobrepõe ao art. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003; e (c.20) bens importados como insumos, sustenta ainda que a metionina líquida não é tributada à alíquota zero, conforme Decreto no 5.447/2005, vigente à época; (d) em relação aos demais itens glosados, também sustenta a improcedência das glosas diante do princípio da não cumulatividade e da vedação ao confisco, além da nulidade já levantada pela falta de detalhamento das justificativas; (e) requer prova pericial e juntada posterior de documentos; (f) quanto aos juros, devem ser de 1% ao mês (conforme previsão do CTN), e não devem incidir sobre a multa; e (g) quanto à multa de ofício, sustenta que é confiscatória. Em 15/06/2012 (fls. 1512 a 1571), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda unanimemente que: (a) são incabíveis as solicitações de perícia/diligência, sendo ônus do contribuinte a comprovação detalhada da existência do direito creditório, não cabendo ao fisco a comprovação minudente no presente processo, que trata de compensação, nem as alegações de nulidade por carência de motivação/fundamentação; (b) a autoridade administrativa não é competente para apreciar arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos normativos regularmente editados; (inclusive os que se referem a juros de mora e multa de ofício); (c) no regime da não cumulatividade, consideramse insumos passíveis de creditamento os bens que sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, não constituindo insumos os uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção, materiais de uso pessoal, de limpeza/desinfecção, e outros que não exercem ação diretamente sobre os produtos fabricados; (d) no regime da não cumulatividade, a utilização de créditos não aproveitados à época própria (créditos extemporâneos) deve ser precedida da revisão da apuração confronto entre créditos e débitos do período a que pertencem tais créditos (os créditos extemporâneos devem ser utilizados para desconto, compensação ou ressarcimento em procedimentos referentes aos períodos específicos a que pertencem); (e) o creditamento é incabível no caso de “embalagens de transporte”, sendo permitido apenas para “embalagens de apresentação”; 10 Fl. 1682DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 (f) somente geram direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; (g) as despesas efetuadas com a aquisição de ferramentas e peças de reposição em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, geram direito a créditos das contribuições, desde que tais ferramentas e peças não estejam incluídas no ativo imobilizado; (h) por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem se enquadrarem como operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos das contribuições; (i) não é permitido descontar créditos decorrentes de aquisições de insumos não tributados (ou tributados à alíquota zero) na operação anterior, mesmo que utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda; (j) a utilização dos créditos das contribuições, apurados na sistemática da não cumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo à autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON; (k) a aquisição de insumos com suspensão não passou a ser obrigatória somente com a IN RFB no 977/2009, como alega a recorrente, mas ainda com a IN SRF no 636/2006 (sendo irrelevante o destaque ou não da suspensão nas NF); (l) as despesas com telecomunicações não constituem insumos, e as despesas com energia elétrica devem se dar no período de apuração (para permitir confronto entre créditos e débitos); (m) as pessoas jurídicas sujeitas à sistemática de não cumulatividade das contribuições que produzirem mercadorias relacionadas no caput do art. 8o da Lei no 10.925/2004, desde que atendidos todos os requisitos exigidos pela legislação tributária, poderão usufruir crédito presumido, na forma disposta nesse artigo, calculado sobre o valor dos bens adquiridos de pessoa física ou de outros fornecedores descritos no § 1o de tal artigo, sendo a alíquota definida pela natureza do insumo adquirido; e (n) deve ser cancelada a glosa em relação à soda cáustica, cujo emprego no processo produtivo restou comprovado, e em relação aos serviços mecânicos (como rebobinagem de motor, solda, usinagem, calibrações e consertos, desde que prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País), assim como em relação aos pintos de 1 dia e lenha (para os quais é cabível o crédito presumido no percentual de 35%) e à metionina importada (não alcançada pela alíquota zero as contribuições). 11 Fl. 1683DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Cientificada da decisão em 13/08/2012 (termo de fl. 1573), a empresa apresenta recurso voluntário em 21/08/2012 (fls. 1580 a 1668), basicamente reiterando a argumentação exposta na impugnação em relação aos itens não acolhidos pelo julgador a quo (a respeito de ausência de motivação e fundamentação na autuação, com consequente cerceamento de defesa; do princípio da não cumulatividade e sua impossibilidade de restrição por norma infraconstitucional ou mesmo infralegal; da definição de insumo para as contribuições, abarcando aquilo que contribui direta ou indiretamente para o exercício da atividade econômica; das especificidades da atividade da recorrente; e das glosas em espécie), e acrescentando argumentação sobre manifestações jurisprudenciais deste CARF (v.g. sobre equipamento de segurança/higiene Acórdão no 3401001.716, sobre pallets acórdãos ainda não publicados referentes a processos que indica, e sobre crédito presumido para a agroindústria Acórdão no 330100.980). Sustenta ainda a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, em virtude da negativa de acolhimento do pedido de perícia/diligência, pedido este que reitera no Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Esclarecese, de início, que são analisadas a seguir as matérias efetivamente controvertidas em sede de recurso voluntário, excluindose aquelas em que houve acolhimento integral da argumentação da impugnação pelo julgador de primeira instância. As matérias não controvertidas são tomadas no sentido do acolhimento das glosas efetuadas. 1. Da (in)existência de nulidades na decisão de primeira instância Sustenta a recorrente preliminarmente a nulidade da decisão de primeira instância, por ter esta indeferido de forma subjetiva a perícia solicitada, tendo sido atendidos na solicitação todos os requisitos essenciais de que trata o Decreto no 70.235/1972 (pedido expresso, demonstração da importância e da relevância, e indicação do perito com qualificações). Na decisão de primeira instância, percebese que o indeferimento se deu basicamente por que: (a) a perícia é um meio de prova que apenas deve ser determinado para esclarecer dúvida sobre questão técnica, cuja solução necessite de conhecimentos especializados, não sendo necessária quando o fato probante puder ser demonstrado com a juntada de documentos ou pela realização de diligência; (b) pelo Decreto no 70.235/1972, é necessária ainda a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, e os quesitos formulados pela recorrente poderiam ser respondidos por ela própria mediante exame de provas documentais, cuja guarda e conservação lhe compete, ou, ainda, pela simples análise das peças que estão juntadas aos autos; e (c) os elementos probatórios contidos no processo são suficientes para formar a livre convicção do julgador acerca da lide em tela, sendo desnecessária a produção de novas provas ou informações adicionais para a solução do litígio. 12 Fl. 1684DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 Inexistente, assim, a carência de motivação alegada. É inclusive de se endossar a argumentação pela desnecessidade de diligência ou perícia no presente processo, rechaçandose a nova solicitação de diligência/perícia, porque tais procedimentos não se prestam a suprir deficiência probatória por parte da recorrente (ou mesmo por parte do fisco, nos casos em que seria deste o ônus probatório). No caso em análise, que deriva de pedidos de compensação, invocando créditos cuja comprovação incumbe ao postulante, é dever dele carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. E a vinculação ou não de bens ao processo produtivo poderia ter sido comprovada sem a necessidade de perícia (como, de fato, ocorreu com a soda cáustica, em sede de impugnação, tendo sido a glosa afastada pelo julgador de piso). Pelo exposto, resta improcedente a alegação de nulidade da decisão da DRJ. 2. Da (in)existência de nulidades no lançamento Alega a recorrente ser nulo o auto de infração por carência de motivação e fundamentação (detalhada, com apresentação minuciosa de documentos, em obediência ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, e não exemplificativa), ocasionando cerceamento de defesa. No que se refere ao art. 9o do Decreto no 70.235/1972, recordase que o presente processo tem origem em PER/DCOMP, invocando créditos cuja comprovação incumbe ao postulante, sendo dele o dever de trazer aos autos os respectivos elementos probatórios. Cientificada a autuada do teor dos despachos decisórios, o que resta nítido pelo próprio conteúdo da impugnação, e estando ali detalhadas as glosas ensejadoras do não acolhimento dos créditos pleiteados, em planilhas específicas, especificandose a matéria de direito item a item por tema da glosa (conceito de insumos, extemporaneidade de aproveitamento, créditos presumidos de atividade agrícola, ...), inclusive trazendose qual a legislação aplicável, não se percebe a alegada ausência de motivação ou fundamentação. Assim, igualmente não há que se falar em cerceamento de defesa ou violação do devido processo legal, tendo em conta que as glosas foram efetivamente motivadas e detalhadas, possibilitando à recorrente o contraditório e a ampla defesa, simplesmente discutindo os temas glosados, pelos quais se exaurem os conteúdos das planilhas individualizadas de glosa. Não se vê, assim, mácula formal que eive de nulidade o lançamento. 3. Da não cumulatividade em relação às contribuições Sustenta a recorrente que a nãocumulatividade para as contribuições foi constitucionalmente consagrada e não pode sofrer restrições pela legislação infraconstitucional. Incumbe, em relação ao tema, inicialmente esclarecer que a não cumulatividade das contribuições passou a figurar na Constituição (art. 195) com a Emenda Constitucional no 42/2003: 13 Fl. 1685DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (redação dada pela EC n. 20/1998) (...) b) a receita ou o faturamento; (...) IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, “b”; e IV do caput, serão nãocumulativas. (redação dada pela EC n. 42/2003) (...)” (grifos nossos) Na leitura do texto, percebese que a Constituição não assegura não cumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de nãocumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal careceria de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, e considerando as disposições legais tributárias vigentes sobre a matéria, não se pode acordar com a assertiva de que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. 4. Do conceito de insumos nas contribuições O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 14 Fl. 1686DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF, cabendo ressaltar que ainda não há posicionamento assentado nesta corte administrativa sobre a matéria). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarse ia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da Cofins nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. A recorrente sustenta que: “[...] a noção de insumo há que ser ampla, ou seja: todos os custos, despesas, gastos e dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica, visando à obtenção de receita.”(...)” (grifos no original) Contudo, em face do comando legal tributário vigente, reiterase que este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A recorrente é empresa agroindustrial, tendo por objeto social a atividade de frigorífico para abate de suínos, aves, fabricação de produtos de carne, preparação de subprodutos para abate, fabricação de alimentos para animais, pintos de um dia, ovos, 15 Fl. 1687DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI extração de madeiras, comércio atacadista de alimentos em geral, entre outras. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada nos alimentos industrializados pela empresa constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (usando a terminologia empregada por GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. E é isso que se faz a seguir, em relação a cada uma das glosas, no que se refere a insumos, e em relação a outros tópicos específicos. 5. Das glosas em espécie 5.1. Uniformes, artigos de vestuário, equipamentos de proteção de empregados e materiais de uso pessoal Os principais itens glosados nessa categoria foram luva, avental, respirador, bota, botina, protetor auricular, máscara, meia, óculos, sapato, touca, capacete e japona. A recorrente entende que tais bens são essenciais e aplicados diretamente na atividade produtiva, e evitam contaminações, seguindo determinação da Anvisa. Os precedentes do CARF em favor de tal argumento estão longe de constituir posicionamento dominante no tribunal. Vejase, a título ilustrativo, acórdão decidido por maioria, em turma especial desta terceira sessão, vencido o relator (e atualmente membro desta Turma, Conselheiro Alexandre Kern) e acórdão, também por maioria, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo): “Tratandose de prestação de serviços de catering e de handling, ensejam o creditamento os gastos com uniformes, serviços de lavanderia, de remoção e incineração de resíduos e análises laboratoriais, por guardarem relação de essencialidade e pertinência a tais processos produtivos.” (Acórdão no 3803 004.025, Rel. Cons. Alexandre Kernvencido, maioria em relação ao tema, sessão de 19.mar.2013) “Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis do PIS não cumulativo, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo.” (Acórdão no 930301.741, Rel. Cons. Nanci Gama, maioria, sessão de 9.nov.2011) Esta terceira turma não tem comungado de tal entendimento, e negou recentemente, por unanimidade, o direito a creditamento das contribuições em relação a uniformes e equipamentos de proteção tanto em relação a industrial calçadista (Acórdãos no 3403.001.893 a 896, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2013), quanto em relação a fabricante de fertilizantes (Acórdãos no 3403.001.937 a 944, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimeem relação ao tema, sessão de 19.mar.2013). 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. 16 Fl. 1688DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 No caso concreto, a nosso ver, todos os bens relacionados podem até ter relação indireta com a produção (seja pela exigência sanitária, ou por poder sua ausência afetar a qualidade do produto final, ou a segurança dos funcionários), mas não são diretamente empregados no processo produtivo/fabril, ou necessários à obtenção do produto final. Correta, assim, a glosa efetuada para tais bens. 5.2. Materiais de limpeza e desinfecção Os principais itens glosados nessa categoria foram detergente, desinfetante, sabonete e vassoura. Em relação a tais bens, a recorrente argumenta que “embora não sejam consumidos ou transformados no produto final (alimento), são de fundamental importância e obrigatoriedade na atividade industrial da recorrente”, também remetendo a normas sanitárias aplicáveis a empresas alimentícias. Nesse caso, embora também ainda não haja posição assentada neste CARF, entendese que merece prosperar a argumentação da recorrente, pois diante da ausência de limpeza e desinfecção, é improvável que se possa chegar ao produto final. Assim, deve ser afastada a glosa efetuada pelo fisco em relação a materiais de limpeza e desinfecção. 5.3. Produtos para movimentação de cargas e embalagens utilizadas para transporte Os produtos para movimentação de cargas e embalagens utilizadas para transporte, destacandose os “pallets”, também foram objeto de glosa pelo fisco por não estarem enquadrados no conceito de insumo. Em sua defesa, a recorrente sustenta que tais bens são relevantes e participam do processo produtivo, ainda que não se incorporem ao produto final (alimentos). Participam na fase de industrialização (para movimentar as matériasprimas) e armazenagem (de matérias primas, de produtos intermediários e de produtos industrializados). A priori, entendese assistir razão à recorrente, visto que as embalagens realmente são necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Contudo, no que se refere especificamente aos “pallets”, há que se destacar nossa acordância com entendimento já externado nesta turma pela Conselheira Raquel Motta Brandão Minatel, de que são bens a serem contabilizados no ativo não circulante: “Relativamente aos “paletes de madeira” “tábuas” e “barrotes de eucalipto” utilizados para movimentação interna dos produtos industrializados, entendo que não se enquadram no conceito de insumo tal como previsto no inciso II do artigo 3o da Lei 10.833/03, até porque pelo valor e tempo de vida útil desses bens eles não podem ser deduzidos com despesa operacional e 17 Fl. 1689DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI devem ser contabilizados no ativo não circulante (art. 301 do RIR/99) sujeitandose à depreciação, cuja despesa dela decorrente pode ser aproveitada para crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, nos termos do inciso III do § 1o do artigo3o da mesma Lei 10.833/03. Nesse sentido há diversas soluções de consulta da Secretaria da Recita Federal do Brasil (...)”(Acórdão no 3403.001.935, Rel. Cons. Raquel Motta Brandão Minatel, maioria, sessão de 20.mar.2013) Assim, deve ser afastada a glosa somente em relação a embalagens utilizadas para transporte. É de se destacar que embora haja outro item do recurso voluntário discutindo embalagens (especificamente os acondicionamentos sem acabamento, rotulagem de função promocional e que não valorizem o produto, e acondicionamentos feitos em embalagem de capacidade superior àquela na qual o produto é comumente vendido), decidiuse por aqui consolidar o tratamento da matéria, tendo em vista a solução comum proposta de afastar as glosas correspondentes. 5.4. Combustíveis Os principais itens glosados nessa categoria foram hexano, óleo de xisto, GLP, diesel e gás, por não exercerem ação direta sobre o produto. A recorrente entende que tais bens são empregados no processo de fabricação, em máquinas e veículos do parque fabril, e recorda que os combustíveis e lubrificantes são expressamente nominados pelo inciso II do art. 3o das leis que tratam dos insumos para as contribuições (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003): “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...)” (grifo nosso) Admissível, assim, o creditamento em relação a combustíveis. Basta que sejam utilizados como insumo no processo produtivo. A motivação da glosa, no despacho decisório, destaca apenas que tais combustíveis “não exercem ação direta sobre o produto”, utilizando o conceito de insumo do IPI, e se revela insuficiente para afastar o direito creditório. É certo que há combustíveis que não podem ser considerados insumos (por exemplo, aqueles utilizados em veículos que transportam funcionários), mas tal detalhamento, por não constar na motivação da autuação, constituiria raciocínio inovador por parte deste tribunal administrativo, pelo que deve ser afastado. Pelo exposto, deve ser cancelada a glosa em relação a combustíveis. 5.5. Ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos Os principais itens glosados nessa categoria foram hidrômetro, correia, lubrificantes, cabos, navalha, mangueira, lixa, graxa, anel, bobina, botão, chave, disco, disjuntor, eixo, fita isolante, fusível, lâmpada, reator, resistência, retentor, rolamento, sensor, tomada, válvula. 18 Fl. 1690DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 A recorrente entende que a simples descrição dos produtos é suficiente para que se perceba sua relevância no processo produtivo de industrialização, pois todos os itens são componentes de máquinas e equipamentos industriais, e não fazem parte do ativo imobilizado. De início, recordese que o item “lubrificantes”, e o item “graxa”, tratados neste tópico 5.5, enquadramse perfeitamente no que já se expôs no tópico anterior (5.4 combustíveis), sendo incabível a glosa. Em relação aos demais itens, acordamos com o posicionamento externado em voto vencedor pelo Conselheiro Alexandre Kern, em processos recentemente julgados nesta turma. Na ocasião, tratavamse de antenas, baterias, carregadores de baterias/pilhas, fontes de alimentação, ferramentas de corte e colheita de canade açúcar, e ferramentas para manutenção e máquina e equipamentos, e o tratamento dado ao processo da empresa (usina) foi o seguinte: “[...] há de se reconhecer que os bens e serviços em questão, ou são bens incluídos no Ativo Permanente, ou neles são aplicados, seja como serviço, seja como partes ou peças de reposição. Portanto, os gastos com tais itens escapam do conceito de insumo e não geram crédito das contribuições sociais não cumulativas”. (Acórdãos no 3403.002.318 e 319, Rel. Cons. Ivan Alegretti, qualidade, sessão de 25.jun.2013) Deve, então, ser cancelada a glosa somente em relação a lubrificantes e graxa. 5.6. Bens do ativo imobilizado Os principais itens glosados nessa categoria foram animais reprodutores e de lactação (que não são consumidos na produção). A recorrente contrapõe a glosa afirmando que tais bens são insumos, pois servem para conceber e alimentar os animais destinados ao abate (e caso não o sejam, constituem ativo imobilizado). A nosso ver, restaria preliminarmente bem explicada a utilização no processo produtivo, cabendo o creditamento, não fosse o fato de constituírem os bens/semoventes (como informa a própria recorrente) ativo imobilizado. E não parece seguir em sentido diferente o julgador de primeira instância, que refuta o enquadramento como insumo tãosomente pelo fato de constar o bem no ativo imobilizado. E, estando no ativo imobilizado, o enquadramento seria no inciso VI, e não no inciso II do art. 3o das leis que tratam do creditamento para as contribuições (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003): “VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” (grifo nosso) 19 Fl. 1691DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI É preciso alertar, contudo, que a forma/quantificação de creditamento do inciso VI é diferente daquela constante do inciso II, como esclarece o § 1o do art. 3o das leis: “§ 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;” Como destaca o julgador a quo, tal posicionamento deveria ter sido informado em DACON pela recorrente, antes do procedimento fiscal. Flexibilizando tal entendimento do julgador de piso, em nome da verdade material, consideramos que uma alteração da DACON, mesmo posteriormente ao procedimento fiscal (o que, destaquese, não obsta as penalidades eventualmente disso decorrentes), desde que acompanhada de documentos comprobatórios do alegado, deveria ser tomada em conta pelo fisco. Contudo, não é o que se vê no presente caso. Vale, assim, a mesma máxima expressa no tópico anterior: ou os bens são enquadrados no inciso II, como insumos (e aí não devem constar do ativo imobilizado), ou constam do ativo imobilizado, aplicandose a regra do inciso VI. Assim, procedente a glosa em relação a tais bens/semoventes. 5.7. Fretes Foram glosados fretes: (a) entre estabelecimentos da própria empresa; (b) de transporte urbano de pessoas; (c) de transporte de combustível (material não ligado diretamente à atividade fim da empresa); (d) de transportes em geral, sem indicação precisa; (e) de transportes que não se referem a fretes de compra; e (f) referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada (NF 58802). A recorrente sustenta que todos os fretes geram crédito por serem essenciais à atividade econômica, e por isso não fez segregação (pelo que solicitaria diligência a fim de segregar os fretes entre estabelecimentos da empresa, solicitando ainda diligência em relação ao frete glosado em relação à NF 28802, não localizada pela empresa, mas registrada em sua contabilidade). A explicação que a recorrente traz no recurso voluntário sobre seu processo produtivo, e sobre as diversas etapas levadas a cabo em diferentes estabelecimentos (existindo um verdadeiro frete entre estabelecimentos do ciclo produtivo), aliada ao posicionamento externado sobre fretes no Acórdão no 3403001.556, de relatoria do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz (unânime, na sessão de 25.abr.2012), apresentamse suficientes a que se considere como legítimos a gerar créditos os fretes tratados ao início deste tópico pelas letras “a”, “c”, e “e”. Em relação aos fretes de transporte urbano de pessoas (“b”), entendese que é indiscutível a glosa, pela pouca relação direta com o processo produtivo. Igualmente incontestável, a nosso ver, a glosa em relação aos itens “d” (transportes em geral, sem indicação precisa) e “f” (referentes a nota fiscal requisitada e não apresentada, ou detalhada, 20 Fl. 1692DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 inclusive em sede de recurso voluntário), visto que a recorrente (sem qualquer auxílio do fisco, ou de perito) poderia, durante o contencioso, ter apresentado o detalhamento dos fretes (que, destaquese, refletem documentos que estão sob sua guarda). Como aqui já exposto, a diligência/perícia não se presta a suprir deficiência probatória. Assim, é de se afastar a glosa para fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra. Por outro lado, mantémse a glosa em relação a fretes de transporte urbano de pessoas; de transportes em geral, sem indicação precisa; e referentes à nota fiscal requisitada e não apresentada (NF 58802). 5.8. Aquisições de produtos à alíquota zero das contribuições Também sofreram glosa as aquisições de produtos efetuadas com alíquota zero, conforme arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, como leite em pó, requeijão, mata mosca, champignon, mandioca congelada, queijo mussarela e ricota. Sobre tais glosas, entende a recorrente que a exclusão contraria o princípio da nãocumulatividade. Manifesta ainda a recorrente posicionamento de que diversos dos produtos objeto de glosa não constam nas classificações fiscais relacionadas no art. 1o da Lei no 10.925/2004 (que reduz a zero as alíquotas). E conclui sustentando que aos produtos agropecuários deveriam ser assegurados ao menos os créditos presumidos de que trata o art. 8o da Lei no 10.925/2004, pois tal lei se sobrepõe aos comandos das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. Sobre o direito ao creditamento quando a aquisição é feita sem o pagamento da contribuição, a legislação estabelece (arts. 3o, § 2o, II das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003): “§ 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição.” (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004) (grifos nossos) Da leitura dos dispositivos transcritos, extraise nitidamente que é vedado o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento das contribuições (o que indubitavelmente inclui a situação de alíquota zero). Para que haja creditamento, deve ter havido efetivo pagamento. Tentar ler algo gritantemente diferente disso no texto é negarlhe vigência, o que é tarefa vedada a este tribunal por força da já citada Súmula CARF no 2. E, como disposto ao início deste voto (tópico 3), não se pode acordar com a assertiva de que a nãocumulatividade para as contribuições de que trata a Constituição Federal é irrestrita ou ilimitada. 21 Fl. 1693DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Em relação à alegação de que há produtos glosados cuja alíquota não seria zero (verificada e refutada pelo julgador a quo), não faz prova a recorrente, para nenhum dos produtos em questão (com crédito glosado por não ter havido pagamento da contribuição na aquisição) que houve efetivo pagamento, em contraposição à alegação do fisco (endossada pela DRJ). No que se refere à alegação de que na aquisição de produtos agropecuários, o crédito deveria ser mantido, ao menos, no sentido de outorgar aquele presumido previsto nas operações do art. 8o da Lei no 10.925/2004, a DRJ destacou que é condição para o aproveitamento dos créditos a informação correta em DACON, o que não ocorreu no presente caso. A DRJ volta, depois, a tratar do tema quando analisa o crédito presumido (e aqui se fará o mesmo). Assim, nesse tópico, mantémse a glosa, na mesma linha da decisão de piso. 5.9. Aquisições de insumos de pessoas jurídicas com suspensão Foram ainda glosados créditos de aquisições de insumos cuja venda é feita com suspensão das contribuições, com fundamento no art. 9o da Lei no 10.925/2004, assim como os fretes a elas correspondentes, pela sujeição somente ao crédito presumido de atividades agroindustriais. Em relação a tal tópico, informa a recorrente que até o advento da Instrução Normativa RFB no 977, de 14/12/2009, não era obrigatória a suspensão, e, diante da faculdade, as aquisições dos produtos ocorreram com tributação, sem a suspensão (não estando nas Notas Fiscais detalhada a suspensão), sendo legítimo o crédito. No julgamento de piso, esclarecese que: “Em relação à situação posta, observa se que a impugnante não questiona o fato de que os produtos adquiridos enquadram se nas situações previstas no art. 9o da Lei n o 10.925/2004, que prevê a suspensão da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Já no que tange à obrigatoriedade da receita da venda destes produtos ser efetuada com suspensão de incidência, esclarecese que, ao contrário do alegado pela contribuinte, desde a edição da Instrução Normativa SRF n o 636, de 24 de março de 2006, com a efetiva implementação de termos e condições, a suspensão da incidência é obrigatória, independente de o contribuinte ter ou não destacado em suas notas fiscais a suspensão.” De fato, a Instrução Normativa de 2006 já estabelecia a suspensão (com a expressão “fica suspensa”, que não parece, nem de longe, estabelecer uma faculdade). Não há que se falar, assim, em aproveitamento de créditos, sendo procedente a glosa. 5.10. Aquisições de serviços utilizados como insumos A autoridade fiscal glosou ainda os serviços que entendeu não estarem enquadrados como insumos, seja porque vários itens descritos como serviços na verdade refletiam aquisições de bens (vários deles inclusive não enquadráveis como insumos), seja porque alguns itens sequer descreviam o insumo, impossibilitando a verificação do enquadramento, seja porque eram serviços não enquadráveis no conceito normativo de insumos. 22 Fl. 1694DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 Em relação a tais glosas, a recorrente sustenta que não houve exato esclarecimento por parte do fisco, reiterando a existência de nulidade por cerceamento de defesa (sendo incorretas as glosas de mãodeobra de rebobinagem de motor, conserto de equipamentos, armazenamento de resíduos, transporte de sangue, higienização e congêneres, por serem essenciais e inerentes à atividade produtiva). No que se refere às glosas de serviços que na verdade refletiam aquisições de bens não enquadráveis como insumos, conforme alegado pelo fisco, ou que sequer descreviam o insumo, impossibilitando a verificação do enquadramento, é de se destacar que incumbiria ao postulante do direito creditório a comprovação de que tais bens/serviços efetivamente constituem insumos, diante da glosa. Em relação aos serviços especificamente impugnados, no julgamento de piso acolhese a argumentação em relação aos serviços mecânicos, de rebobinagem de motor, de torno, solda, usinagem, fabricação de engrenagem, calibração de termômetros e consertos de equipamentos e máquinas, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Segue, então, o recurso voluntário, questionando somente os serviços de lavagem de uniformes, transporte de sangue e armazenamento de resíduos. Na mesma linha já adotada ao início deste item 5 (tópico 5.1), de que uniformes não constituem insumos, entendemos ainda que os serviços de lavagem de tais uniformes não constituem insumos, de modo a ensejar o creditamento das contribuições. Em relação ao transporte de sangue ao armazenamento de resíduos, entendo ser cabível a acolhida do pleito da interessada, de afastamento da glosa, considerando a linha que vem adotando majoritariamente esta turma de julgamento no que se refere à remoção de resíduos e limpeza de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Assim, acolho o posicionamento externado pelo Conselheiro Ivan Alegretti (Acórdãos no 3403.002.318 e 319, unânimesem relação à matéria, sessão de 25.jun.2013): “Não apenas o transporte de produtos aplicados no processo produtivo como também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configuram atos que viabilizam e integram o processo produtivo.” Assim, é de se afastar a glosa em relação a serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos, mantendoa no que se refere a serviços de lavagem de uniformes. 5.11. Despesas de energia elétrica Foram ainda glosadas despesas de energia elétrica não incorridas no mês, e despesas classificadas como de energia elétrica, mas que correspondem a aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. A recorrente, em sua defesa, alega que as despesas de comunicação, embora não sejam de energia elétrica, deveriam ser consideradas para creditamento, por serem inerentes e necessárias ao exercício da atividade empresarial, e que os créditos de dezembro de 23 Fl. 1695DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI 2006 deveriam ser considerados, por serem extemporâneos e não prescritos. Em relação à compra de bem (ativo), sustenta que incumbiria ao fisco recompor os valores a título de abatimento, pois também tais bens geram créditos. As disposições legais que regem a matéria são os multicitados arts. 3o das Leis no 10.637/2002 (inciso IX) e no 10.833/2003 (inciso III), em suas redações originais: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) (...) energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (...) § 1o (...) o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (...) II dos itens mencionados nos incisos (...) do caput, incorridos no mês;” (grifo nosso) Vejase que os créditos de energia elétrica (limitador material) só poderão ser descontados se incorridos os valores no mês (limitador temporal). E, no caso em análise, há duas afrontas ao limitador material, e uma ao temporal. A primeira violação ao limitador material é flagrante, pois é inconcebível que sob o manto da expressão “energia elétrica” se abarquem despesas de telecomunicações. Nesse aspecto, e buscando uma interpretação sistemática, é preciso recordar que a Lei no 10.637/2002 continha, em seu art. 3o, um inciso III, que dispunha “energia elétrica e serviços de telecomunicação consumidos nos estabelecimentos da pessoa jurídica”, alargando o que dispunha a Medida Provisória que a originou (no 66/2002), que tratava no mesmo inciso somente de “energia elétrica”. Esse alargamento motivou um veto presidencial, que atrasou inclusive o retorno da expressão “energia elétrica” à lei, que jamais foi complementada por qualquer nova menção a “telecomunicações”. Cristalino, assim, não estarem incluídas as telecomunicações na rubrica de energia elétrica, nem haver qualquer vestígio de creditamento em relação às despesas correspondentes. A segunda violação material, igualmente flagrante, se refere a inclusão de aquisição de bens na rubrica referente a energia elétrica. E não consta ter a recorrente retificado qualquer de suas declarações, ou comprovado documentalmente a motivação do erro. Recorde se que se está a tratar de solicitação de créditos, matéria que transporta o ônus probatório ao postulante. Como destaca o julgador a quo, a informação correta deveria ter sido registrada em DACON, antes do procedimento fiscal. Já se expressou aqui a flexibilização de tal entendimento do julgador de piso, em nome da verdade material, no sentido de que uma alteração da DACON, mesmo posteriormente ao procedimento fiscal (o que, destaquese, não obsta as penalidades eventualmente disso decorrentes), desde que acompanhada de documentos comprobatórios do alegado, deveria ser tomada em conta pelo fisco. Contudo, não é o que se vê no presente caso. 24 Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 Por fim, a violação temporal se refere ao descumprimento de comando legal (o inciso II do § 1o supra). Em relação a tal violação, a recorrente sustenta que lhe ampara o § 4o do mesmo artigo, que estabelece que “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes”. O fisco não aceita o aproveitamento por não ter sido adotada a forma correta: retificação das DACON correspondentes, antes do início do procedimento fiscal (em que pese não questionar a existência dos créditos). Contudo, entendese aqui que tal argumento não constitui motivação suficiente para a glosa, não devendo o aspecto formal não deve prevalecer sobre o material. Assim, no que se refere a energia elétrica, devem ser afastadas as glosas referentes a despesas de energia elétrica de períodos anteriores, mantendose as glosas de aquisições de serviços de comunicação e compras de bem para o ativo imobilizado. 5.12. Aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos Restaram também glosadas despesas de aluguéis de prédios, maquinas e equipamentos (arts. 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003) de pessoa física, não incorridas no mês, não comprovadas (sem as descrições mínimas necessárias à caracterização como insumo, ou sem que tenham sido entregues documentos comprobatórios solicitados) ou que não se referiam de fato a locação (mas a serviços). Em sua defesa, a recorrente aduz que: (a) deveria ser mantido o crédito de aluguéis pagos a pessoa físicas, em virtude do princípio da não cumulatividade; (b) que as despesas que de fato não eram de aluguel, mas de serviços, deveriam ser computadas a título de insumo, e (c) que são nulas as glosas de itens com descrição insuficiente, visto que o fisco não solicitou esclarecimentos à empresa, sendo que, em relação à NF 7503, pede conversão em diligência para apuração em face da escrituração, ou juntada a posteriori (afirmando que houve glosa por amostragem, presumindo a ilegitimidade de todo o crédito, por não terem sido localizadas duas notas e por ser a terceira de dezembro de 2006, em que pese ser possível o aproveitamento extemporâneo, conforme art. 3o, § 4o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003). Em relação à extemporaneidade, endossase aqui o entendimento expresso no tópico anterior (5.11), acolhendose a argumentação da recorrente. No que se refere às glosas de despesas de aluguel que na verdade refletiam serviços, e as despesas com descrição insuficiente/notas fiscais não apresentadas, conforme alegado pelo fisco, é de se recordar que incumbiria ao postulante do direito creditório a comprovação de que tais serviços efetivamente constituem insumos, diante da glosa, o que não é feito a contento nos autos. Assim, descabe a dilação probatória, ou a conversão em diligência/perícia, buscando suprir ônus probatório da recorrente. Em relação à alegação inicial da recorrente de que deve ser mantido o crédito de aluguéis pagos a pessoa físicas em face do princípio da não cumulatividade, é de se remeter ao tópico 3 deste voto, que trata da possibilidade de restrição/limitação da não cumulatividade por dispositivo legal, como os arts. 3o, IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, que 25 Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI expressamente estabelecem que o creditamento é em relação a “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa” (grifo nosso), e não podem ser afastadas pelo julgador, em face do teor da súmula CARF no 2. Destarte, restam procedentes as glosas referentes a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, à exceção das relativas à Nota Fiscal de dezembro de 2006. 5.13. Armazenagem e fretes na operação de venda A fiscalização glosou ainda despesas de armazenagem e fretes na operação de venda não comprovadas, relativas a aquisições de pessoas físicas, e não incorridas no mês. A recorrente, em contraposição, informou que entende ser incorreta a glosa de aquisições de pessoas físicas, por avessa ao princípio da não cumulatividade, e que deve ser desconsiderada a glosa referente a despesas com energia elétrica e fretes de compras erroneamente lançadas em tal conta na Dacon pela empresa, pois os créditos são legítimos (em relação às NF não localizadas, a escrituração faz prova em favor da empresa e, no máximo, deveria ter sido efetuada apuração pelo Fisco, o que ainda pode ser objeto de diligência, e, em relação aos créditos extemporâneos não prescritos, não há vedação a seu aproveitamento). Percebese que os temas são recorrentes. Em relação à glosa relativa a aquisições de pessoas físicas, remetese ao expresso tópico anterior (5.12). No que se refere às operações não comprovadas, e informadas em contas incorretas, endossase o disposto no tópico anterior (5.12) e no tópico 5.10, recordando que incumbiria ao postulante do direito creditório a comprovação de que tais serviços efetivamente eram geradores de créditos, diante da glosa, o que não é feito a contento nos autos. Assim, descabe a dilação probatória, ou a conversão em diligência/perícia, buscando suprir ônus probatório da recorrente. Por fim, em relação à extemporaneidade, remetese aos tópicos 5.11 e 5.12, nos quais se acolhe a argumentação da recorrente. Corretas, então, as glosas efetuadas em relação a armazenagem e fretes na operação de venda, à exceção das despesas de armazenagem e fretes não incorridas no mês. 5.14. Encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado O fisco considerou, para efeitos de geração de créditos, somente as aquisições efetuadas após 1o de maio de 2004, glosando os bens do ativo imobilizado adquiridos em data anterior. Foram ainda glosados os bens importados, que não foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, e custos inerentes à importação. A recorrente alega que o fato de os bens terem sido adquiridos antes de 01/05/2004 não veda o creditamento proporcional dos encargos de depreciação no período subsequente, sendo igualmente improcedente a rejeição do credito de bens importados, cf. art. 15 da Lei n. 10.865/2004. Em relação ao primeiro tópico (aquisições efetuadas após 1o de maio de 2004), a glosa encontra expresso amparo no art. 31 da Lei no 10.865/2004: 26 Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 “Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subsequente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1o Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1o do art. 3 o das Leis n o 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1 o de maio . § 2o O direito ao desconto de créditos de que trata o § 1o deste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3o É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica.” (grifo nosso) Não há, assim, como se furtar à observância do comando legal vigente. No que se refere ao segundo tópico (bens importados), também decorreu ipsis litteris de disposição legal (arts. 3o, § 3o, I das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003): “(o) direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação (I) aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” (grifo nosso). Contudo, alerta a recorrente que a autoridade fiscal não observou disposição legal posterior expressa em sentido diverso (art. 15 da Lei no 10.865/2004): “Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2 o e3 o das Leis n s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (...) V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.” (grifo nosso) Aqui, há que se acordar com a recorrente no sentido de “reconhecer a viabilidade do crédito em tais operações”. Mas não se confunda viabilidade com obrigatoriedade. Houvesse a comprovação de que (a) tais bens, ao serem importados, recolheram as contribuições devidas na importação; e (b) os dados referentes à importação 27 Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI foram corretamente informados em DACON (mesmo que retificadora), entenderíamos incabível a glosa. Entretanto, como alerta o julgador a quo: “Observase, contudo, que estes créditos devem ser informados na ficha específica do Dacon referente a créditos decorrente de importação. A contribuinte intenta utilizarse destas aquisições no mercado externo para comprovar créditos declarados como sendo referentes a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos no mercado interno, o que não é permitido. Conforme explicitado no item 3 deste voto, cabe ao contribuinte manter controle de todas operações que influenciem a apuração do valor devido das contribuições e dos respectivos créditos a serem descontados, informando seus débitos e créditos no Dacon de forma a permitir que suas informações sejam devidamente verificadas pelas autoridades fiscais. Constatase ainda que o relatório fiscal e as planilhas anexadas são claros ao demonstrar quais os itens cujos créditos foram glosados, bem como os motivos que ensejaram na glosa, não existindo qualquer cerceamento ao direito de defesa da contribuinte.” Em nome da verdade material, entendemos ser cabível a retificação (sem discutir eventuais penalidades aplicáveis) mesmo após o início do procedimento fiscal, desde que devidamente comprovadas as operações pelo postulante ao crédito. Mas isto não acontece no presente processo. Assim, também nesse tópico (encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado) é de se manter integralmente a glosa fiscal. 5.15. Crédito presumido de atividade agroindustrial Em relação ao crédito presumido de atividade agroindustrial, informa o fisco que houve aplicação incorreta da alíquota de 60% (o correto seria 35%) a diversas aquisições de produtos classificados em códigos da NCM não contemplados no comando legal (art. 8o da Lei no 10.925/2004), inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (como animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero (pintos de 1 dia). A recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido, e que os bens são de fato utilizados no processo produtivo (animais reprodutores e de lactação, para preparar outros animais para abate; lenha para fornos destinados a produzir copa, salame, etc; retentores como partes e peças de máquinas usadas na produção; e laudos técnicos para manutenção da qualidade e higiene na linha de produção). O art. 8o da Lei no 10.925/2004 dispõe que as pessoas jurídicas que produzam determinadas mercadorias (que arrola no caput do artigo), destinadas à alimentação humana ou animal, podem deduzir das contribuições (Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins), devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (insumos), adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, residente ou domiciliada no País. 28 Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 No § 3o do referido art. 8o, estabelecese que o montante do crédito presumido será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a: (a) 60% da prevista na legislação das contribuições, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (b) de 35% da prevista na legislação das contribuições, para os demais produtos. Na letra da lei: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.” (a Lei no 11.488/2007 incluiu um inciso, com alíquota de 50%, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI) (grifo e atualização nossos) Vêse, pelas glosas, que o fisco aplicou as alíquotas conforme os insumos adquiridos. Contudo, a recorrente alega que o cômputo da alíquota deve ser feito em relação ao produto fabricado e não em relação ao insumo adquirido. Assim, devese iniciar a análise da questão pela alíquota aplicável. 29 Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI A literalidade da lei realmente abre possibilidade às duas linhas de entendimento, pelo que deve se buscar qual é a interpretação que se coaduna ao sistema, mantendoo lógico, coerente e harmônico. Tal tarefa foi recentemente empreendida nesta turma, que unanimemente chegou à conclusão que: “O crédito presumido de que trata o artigo 8o, da Lei no 10.925/04 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o artigo 2o, da Lei no 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo”. (Acórdão no 3403002.281, Rel Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.jun.2013) (grifo nosso) É conveniente transcrever parte do raciocínio empreendido, para que reste nítida a coerência argumentativa da linha adotada: “Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5o de seus respectivos artigos 3os. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria adquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido – neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até antiisonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1o). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do 30 Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicalo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: ‘4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subsequentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.’ Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgalo em diferentes montantes, 31 Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza.” Assim, entendese aqui também cabível a concessão do crédito presumido mediante a aplicação das alíquotas de 60% ou 35% em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. Restaria ainda analisar as questões referentes à inclusão de aquisições que não se enquadram no conceito de insumo (animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, lenha, retentores e laudos técnicos), e à inclusão de insumos sujeitos a alíquota zero (pintos de 1 dia). Contudo, parte do contencioso foi solucionada com a decisão de piso: “Quanto às aquisições de pintos de 1 dia, como já visto, o art. 8o da Lei no 10.925/04, estabelece que poderão apurar crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as pessoas jurídicas sujeitas à incidência não cumulativa dessas contribuições que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, nele especificadas, destinadas à alimentação humana ou animal, calculado sobre o valor dos bens utilizados como insumo na produção dessas mercadorias, adquiridos de pessoas físicas ou das pessoas jurídicas listadas no seu § 1o. A concessão do crédito presumido, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, é conjugada com a obrigatória suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas vendas de insumos feitas por essas pessoas jurídicas, consoante determinação do art. 9o da Lei no 10.925, de 2004. (...) Por fim, quanto à lenha utilizada em fornos e câmaras para produção de diversos produtos, tendo em vista a utilização destes bens como combustível, constatase que lenha corresponde ao conceito de insumos e concede direito ao crédito presumido quando adquirida de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas incluídas no § 1o do artigo 8o da Lei no 10.925/2004. Desta forma, concedese o crédito presumido em relação às aquisições de lenha e pintos de 1 dia, ao percentual de 35% incidente sobre a alíquota das contribuições, explicitados na planilha anexada a este acórdão, (...)” (grifo nosso) Assim, resta apenas acrescer ao já decidido pela DRJ nossas considerações sobre a alíquota aplicável em relação ao crédito presumido. Na parte que ainda resta contenciosa animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos, há que se destacar que os dois últimos não são produtos agropecuários, aptos a gerar o creditamento. Os três primeiros, por sua vez, passaram a ensejar o creditamento apenas em 2009, como também destacou o julgador a quo: “Quanto à glosa de créditos em relação a animais reprodutores, animais para lactação e animais para recria, esclarecese que apenas após a publicação da Lei no 12.058/09, eficaz a partir de 32 Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 1o de novembro de 2009, foi concedido o direito a crédito presumido em relação a aquisições de animais vivos da espécie bovina. Ressaltase que não é permitido o crédito presumido em relação a animais reprodutores, animais para lactação e animais para recria de outras espécies devido a estes bens encontraremse incluídos no ativo imobilizado e, portanto, não corresponderem ao conceito de insumos. Tendo em vista que o presente lançamento referese ao 1o trimestre de 2007, mostrase correta a glosa.” (grifo nosso) Concluise, então, neste tópico, pela improcedência das glosas no que se refere às alíquotas adotadas, inclusive em relação aos créditos presumidos só assegurados na decisão de piso, e pela manutenção das glosas referentes a animais reprodutores, animais para lactação, animais para recria, retentores e laudos técnicos. 5.16. Bens importados utilizados como insumos No que se refere a bens importados como insumos (art. 15, II da Lei no 10.865/2004), entendeu o fisco que foram indevidamente solicitados créditos de aquisições sujeitas à alíquota zero (metionina líquida, ácido fólico e pantotenato de cálcio). A recorrente sustentava, em sua impugnação, que a metionina líquida não era tributada à alíquota zero, conforme Decreto no 5.447/2005, vigente à época. Na decisão de primeira instância, a DRJ acolheu tal alegação, afastando a glosa relativa à metionina: “Conforme Decreto n. 5.447/2005, vigente à época, somente a LMETIONINA seria alcançada pela alíquota zero do Decreto n. 5.127/2004. Como no caso concreto, não se trata da L METIONINA, o crédito há de ser mantido.” Agora, em sede de recurso voluntário, alega a empresa em relação a esse tópico somente que: “Em remate, houve a glosa de bens importados e utilizados como insumo, pois seriam tributados mediante alíquota zero (ácido fólico e pantotenato de cálcio), sendo de rigor a reforma, pois são improcedentes diante do princípio da não cumulatividade e da vedação ao confisco.” Já externamos aqui (tópico 3 deste voto), o entendimento pela possibilidade de restrição/limitação da não cumulatividade por dispositivo legal, como o § 1o do art. 15 da Lei no 10.865/2004, que expressamente estabelece que o creditamento se aplica “em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços” (grifo nosso), e não pode ser afastado pelo julgador, em face do teor da súmula CARF no 2. 33 Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Assim, procedente a glosa em relação às aquisições sujeitas à alíquota zero (ácido fólico e pantotenato de cálcio). 6. Dos juros de mora e da multa de ofício Sustenta ainda a recorrente que os juros devem ser de 1% ao mês (conforme previsão do CTN), e não mediante a aplicação da Taxa SELIC, que a multa de ofício é confiscatória e que não incidem juros de mora sobre a multa de ofício. É de se recordar que tanto a aplicabilidade da multa legalmente prevista quanto a exigência de juros à Taxa SELIC são matérias já sumuladas no âmbito deste CARF: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Em relação à aplicabilidade de juros de mora sobre a multa de ofício, é entendimento dominante desta turma de julgamento, há mais de ano, e por nós endossado (conforme o último Acórdão abaixo reproduzido, no qual hermeneuticamente se sustenta a conclusão trazida), que: “JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Acórdão no 3403001.541, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unanimidade em relação ao tema, sessão de 24.abr.2012) “JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Não existe amparo legal para a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício” (Acórdão no 3403001.623, Rel. Cons. Robson José Bayerl, unanimidade em relação ao tema, sessão de 23.mai.2012). “Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma” (Acórdão no 3403002.367, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, maioria em relação ao tema, sessão de 24.jul.2013). Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, afastando a glosa (e o lançamento correspondente) para: (a) materiais de limpeza e desinfecção; (b) embalagens utilizadas para transporte; (c) combustíveis; (d) lubrificantes e graxa; (e) fretes entre estabelecimentos da própria empresa (entre estabelecimentos do ciclo produtivo), de transporte de combustível, e de transportes especificados que não se referem a frete de compra; (f) serviços de transporte de sangue e armazenamento de resíduos; (g) despesas de energia elétrica de períodos anteriores; e (h) aluguéis de prédios máquinas e equipamentos de períodos anteriores; (i) despesas de armazenagem e fretes na operação de 34 Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1.673 venda de períodos anteriores; e (j) corrigir as alíquotas adotadas para o crédito presumido, inclusive em relação aos assegurados na decisão de piso (em função da natureza do "produto" a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo). Rosaldo Trevisan 35 Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI Voto Vencedor Divirjo do Conselheiro Relator em relação aos serviços de lavagem de uniformes dos funcionários da empresa produtora de gêneros alimentícios. Entendo que tais serviços também devem ser considerados como elementos integrantes da atividade produtiva, tendo em vista que o ato de produzir também exige a manutenção das condições de higiene necessárias ao manuseio dos alimentos. A atividade produtiva, em seu sentido completo, envolve a manutenção sanitária do ambiente no qual acontece a produção, em condições compatíveis com as necessárias para os bens produzidos (no caso, alimentos). Assim, preservase o ambiente de produção livre de fatores de contaminação, que colocariam em risco a segurança alimentar dos consumidores. Entendo, por isso, que também deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de lavagem de uniformes dos funcionários das empresas de gêneros alimentício. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 01/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 24/10/2013 por IVAN ALLEGRETTI
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