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Numero do processo: 11330.000648/2007-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/10/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 06 48 /2 00 7- 45 Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11330.000648/200745 Acórdão n.º 9202005.846 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900707/2008-44
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84.
É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. Recurso Especial,por ser contrário à Súmula, não conhecido.
RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL.
Vislumbrando-se erro material no preenchimento da Per/Dcomp, é autorizada a sua retificação, para análise do direito creditório.
Numero da decisão: 9101-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negar-lhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. Votou pelas conclusões o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. Recurso Especial,por ser contrário à Súmula, não conhecido. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP. POSSIBILIDADE. ERRO MATERIAL. Vislumbrandose erro material no preenchimento da Per/Dcomp, é autorizada a sua retificação, para análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negarlhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. Votou pelas conclusões o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 07 07 /2 00 8- 44 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 9101003.188 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de pedido de compensação, indeferido porque “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O recurso voluntário foi julgado pela Turma a quo, que o acolheu em parte, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Os autos foram encaminhados à Procuradoria, que interpôs recurso especial, por divergência na interpretação da lei tributária a respeito de dois temas: (i) A possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Indica como paradigmas os acórdãos nº 10708.989, no qual se decidiu que “Os pagamentos de estimativa não são, por si só, passíveis de restituição” e 110200.291, do qual se extrai: “Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida”. (ii) A possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório, constando como paradigma o acórdão nº 180200.153, no qual se decidiu: “a rigor, a retificação da PER/DCOMP apresentada pela recorrente em 13/07/2005 (fl. 52) de fato não deveria ser aceita, já que a contribuinte fora notificada do Despacho Decisório em 23/06/2005”. O recurso especial foi admitido pela então Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, conforme despacho do qual se extrai: (...) Examinando os acórdãos paradigmas em seu inteiro teor verificase que os mesmos trazem o entendimento de que após o encerramento do anocalendário não é possível pleitear a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior de Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 9101003.188 CSRFT1 Fl. 4 3 estimativas mensais de IRPJ/CSLL, mas tão somente o de saldo negativo do tributo, se existente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge desta interpretação ao admitir a possibilidade de restituição/compensação pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, uma vez comprovado o indébito. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. O contribuinte foi intimado, apresentando contrarrazões, nas quais requer (i) o não conhecimento do recurso especial, por falta de similitude fática entre o acórdão recorrido e os paradigmas; (ii) no mérito a manutenção do acórdão recorrido pelos seus fundamentos. Diante da omissão no primeiro despacho de admissibilidade do recurso especial quanto à segunda matéria, foi proferido despacho complementar, admitindo o recurso especial também quanto ao tema, com fundamento nas seguintes razões: (...) Em resumo temos que: a) a contribuinte apresentou PER/DCOMP apontando como direito creditório PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA; b) na DIPJ, não informou qualquer valor correspondente a saldo negativo; e c) em sede de defesa, promovendo a retificação da DIPJ anteriormente apresentada, pretendeu alterar a natureza do direito creditório antes indicado, de PAGAMENTO INDEVIDO para SALDO NEGATIVO, alterando com isso as informações registradas na DCOMP. O acórdão recorrido, embora não tenha homologado a compensação pleiteada, acolheu o pedido da contribuinte, determinando que a unidade de origem aprecie a liquidez e certeza do saldo negativo indicado na DIPJ retificadora. O acórdão paradigma, por sua vez, apesar de enfrentar circunstâncias fáticas distintas da apreciada pela decisão recorrida, no contexto estritamente jurídico, cuidou de analisar a possibilidade, ou não, de se retificar uma declaração de compensação após ter sido proferida decisão quanto à que foi retificada, e, neste particular, colide com o entendimento esposado no acórdão nº 1.80100.901, eis que, diferentemente desse, além de apontar óbice normativo à pretensão da contribuinte de retificar declaração após a emissão de despacho decisório, entendeu que não encontravamse reunidos nos autos elementos capazes de comprovar a liquidez e certeza do crédito indicado na peça de defesa. O acórdão recorrido, além de não levar em conta a retificação da declaração promovida após a emissão do despacho decisório, determinou que a unidade de jurisdição promovesse Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 9101003.188 CSRFT1 Fl. 5 4 averiguações necessárias à comprovação da liquidez e certeza do crédito apontado em sede de defesa. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, inciso III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retroexpostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto. O contribuinte foi intimado quanto ao despacho complementar de admissibilidade do recurso especial, apresentando contrarrazões, pleiteando o não conhecimento do recurso, por falta de similitude fática e, no mérito, sejalhe negado provimento. Nesta oportunidade, o contribuinte apresenta laudo pericial contábil para corroborar suas razões. É o relatório. Voto Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.184, de 07.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10166.900733/200872. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.184): O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, conforme decisão do Presidente de Câmara que adoto. Não obstante isso, não conheço do recurso especial quanto ao primeiro tema (possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais), conforme razões a seguir. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005, previa enquanto vigente (período de 28/12/2005 a 30/12/2008): Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Nesse período, entendiase que só era autorizada a compensação de crédito de estimativa mensal ao final do ano calendário, apurandose o saldo de IRPJ ou CSLL a pagar. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 9101003.188 CSRFT1 Fl. 6 5 No caso dos autos, o contribuinte apresentou pedido de compensação (PER/DCOMP), informando recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal no ano de 2002 (código 2362: IRPJ – PJ obrigadas ao lucro real entidades não financeiras – estimativa mensal). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento confirmou o indeferimento da compensação por duas razões: (a) a pessoa jurídica somente poderia utilizar o pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para dedução do IRPJ ao final do ano calendário e (b) seria vedada a retificação da DCOMP após a decisão da DRF. Em sentido contrário, entendeu a Turma Especial deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, admitindo a restituição do recolhimento indevido ou a maior de estimativa, diante da IN RFB 900/2008, afastando a restrição da IN SRF 600/2005. Ademais, admitiu a retificação de declarações, concluindo por determinar à unidade de origem que analise o crédito tributário. Destaquese trechos do voto condutor nesse sentido: Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. (...) A Recorrente apresentou a DIPJ original em que nenhuma dedução foi informada a título de IRPJ mensal paga por estimativa, a despeito do fato de, como alega, ter confessado os referidos débitos indicando que foram integralmente extintos mediante pagamentos com DARF, em conformidade com os valores constantes na Tabela 1. Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DIPJ retificadora apurando saldo negativo de IRPJ, que considera correto. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DIPJ) devem ser considerados para análise da Per/DComp. (...) Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à unidade de jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentado sem datas distintas, se for o caso. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 9101003.188 CSRFT1 Fl. 7 6 Com efeito, o recolhimento de estimativa mensal em valor superior ao devido constitui recolhimento indevido passível de restituição ou compensação. Tanto assim que a disposição da Instrução Normativa 600/2005, que aparentemente vedava a restituição de recolhimento a maior de estimativa, não foi reproduzido na Instrução Normativa subsequente (IN RFB 900/2008), que passou a dispor: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original da IN); A partir de então, só seria vedada a restituição da própria estimativa mensal coerentemente com as demais normas da legislação federal , não sendo mais vedada a restituição do recolhimento a maior da estimativa de IRPJ e CSLL. Exatamente nesse contexto originouse a Súmula CARF nº 84, legitimando a restituição de indébito por pagamento de estimativa indevidamente ou a maior: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. O atual Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015) prescreve que não é cabível recurso especial contra decisão que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que aprovada posteriormente à data da interposição do recurso: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da q que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. A Turma a quo aplicou o entendimento da atual Súmula CARF 84, razão pela qual voto pelo não conhecimento do primeiro tema do recurso especial (possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais). Passo à análise do segundo tema (possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório da DRF). Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 9101003.188 CSRFT1 Fl. 8 7 O contribuinte sustenta a ausência de similitude fática com o acórdão paradigma (nº 180200.153, processo administrativo nº 10280.001604/200541). O acórdão paradigma trata do seguinte quadro fático, descrito em seu relatório: Versam o autos sobre pedido de compensação efetivado pela recorrente por meio da PER/DCOMP encartada às folhas 2 a 6, na qual a recorrente indicou crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ respeitante ao ano calendário 1999 e a imposto de renda retido na fonte — IRRF sobre aplicações financeiras de renda fixa, e débito a ser compensado atinente à COFINS não cumulativa (5856) de janeiro de 2004. (...) Referida PER/DCOMP não foi homologada nos termos do Parecer SEORT/DRF/BEL n°. 240/2005 e consequente Despacho Decisório de folhas 25 e 26 respectivamente, assentandose, que conforme documento de folha 14, a recorrente optara, no ano calendário de 1999 pelo lucro real, com apuração anual do IRPJ, e tal sistemática impunha recolhimentos mensais com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, ocorrendo, que o documento de folha 16 demonstrava que a recorrente não efetuou recolhimentos mensais de IRPJ, de modo que, saldo negativo do mencionado imposto, se houvesse, poderia ser decorrente de imposto de renda retido na fonte não utilizado para dedução na DIPJ. Com maior razão, na DCOMP a recorrente teria informado que o saldo negativo foi originado por retenções da fonte pagadora de CNPJ n°. 35.592.510/000154 (Companhia Vale do Rio Doce) sobre aplicações de renda fixa, e, em pesquisa efetuada na DIRF de folhas 21 a 23, com doze declarações, não se constatou nenhuma entregue pela referida fonte pagadora, não homologandose, por conseguinte a compensação Notificada do Despacho Decisório mencionado, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 30 32), alegando em resumo, que o Despacho Decisório levou em consideração informações prestadas equivocadamente na DCOMP quanto ao período de apuração das retenções do imposto de renda, e, verificado o equívoco teria protocolado via internet, em 13/07/2005, PER/DCOMP retificadora (fls. 52 57 e 75 80), constando como período de apuração o exercício de 2001 (AC 2000) e não mais o exercício de 2000 (AC 1999), o que no entender da recorrente permitiria a constatação das retenções do imposto de renda sobre aplicações de renda fixa, requerendo fosse homologada a compensação. Diante deste quadro fático, decidiu a Turma Julgadora do acórdão paradigma (nº 180200.153) pela impossibilidade de retificação da DCOMP: A discussão ventilada nos autos circunscrevese, inicialmente, à possibilidade de se retificar uma declaração de compensação após proferida decisão administrativa quanto à declaração retificada. (...) Como se pode extrair do teor da Instrução Normativa acima referenciada, conteúdo que ainda vigora no seio da IN SRF Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 9101003.188 CSRFT1 Fl. 9 8 900/08, a rigor a retificação da PER/DCOMP apresentada pela recorrente em 13/07/2005 (fl. 52) de fato não deveria ser aceita, já que a contribuinte fora notificada do Despacho Decisório em 23/06/2005. Tal fato, por si só, ao meu sentir já inviabiliza o provimento do Recurso Voluntário já que mérito das alegações da recorrente é no sentido de demonstrar que indicou equivocadamente o ano calendário 1999 (EX 2000) como sendo aquele em se apurou o Imposto de Renda Retido pela fonte pagadora de CNPJ n°. 33.592.510/000154 passível de restituição/compensação, sendo certo que a DCOMP Retificadora apresentada corrigiu o erro material ao indicar como correto o ano calendário 2000. A despeito de algumas particularidades em cada um dos casos, entendo que há similitude fática, na medida em que ambos os acórdãos apreciaram a possibilidade jurídica de retificação de DCOMP, como também entendeu a Presidente de Câmara. Assim, voto pelo conhecimento do recurso especial quanto ao segundo tema, rejeitando o pedido de não conhecimento formulado pelo contribuinte. Passo à análise do mérito deste segundo tema. O contribuinte sustentou ao longo do processo que cometeu equívoco no preenchimento da Ficha 12A da DIPJ, pela ausência de identificação das estimativas mensais pagas, a despeito de constarem na Ficha 11A. Ademais, houve equívoco na identificação da DCOMP como estimativas mensais, quando deveria pleitear o saldo negativo do mesmo ano. Os erros foram reconhecidos pela Turma a quo, como acima referido. Ao dispor sobre lançamento tributário, o Código Tributário Nacional menciona a possibilidade de retificação de declarações na hipótese de erro, verbis: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. A ressalva do § 1º é de que só poderá ser retificada a declaração, por iniciativa do contribuinte para reduzir ou excluir tributo, com a comprovação do erro e antes da notificação de lançamento. Possivelmente inspirado por tal disposição legal, a IN RFB 900 vigente ao tempo do despacho decisório previa a possibilidade de retificação da PER/DCOMP na hipótese de inexatidões materiais: Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 9101003.188 CSRFT1 Fl. 10 9 Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0 Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. A mesma IN RFB 900/2008, em seu artigo 95, definia limite temporal para a retificação: Art. 95. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto nos arts. 77, 82 e 86, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição ou o pedido de ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pelo titular da DRF, Derat, Deinf, IRFClasse Especial ou ALF competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. A IN 460, portanto, limitava a retificação da DCOMP até o momento da decisão da DRF. Esse foi um dos fundamentos da DRJ para negar a compensação pleiteada nos autos, pois entendeu que não seria possível a retificação da DCOMP depois da decisão da DRF. A atual IN RFB 1717/2017 tem dispositivos em sentido semelhante, verbis: Art. 107. O pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso e a declaração de compensação poderão ser retificados pelo sujeito passivo somente na hipótese de se encontrarem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador. Parágrafo único. A retificação não será admitida quando formalizada depois da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. Art. 108. A retificação da declaração de compensação gerada por meio do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário será admitida somente na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do documento. A IN RFB 1717/2017 reproduz a limitação temporal para retificação da DCOMP: Art. 115. Considerase pendente de decisão administrativa, para fins do disposto neste Capítulo, a declaração de compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento ou o pedido de reembolso, em relação ao qual o sujeito passivo ainda não tenha sido intimado do despacho decisório proferido pelo Auditor Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10166.900707/200844 Acórdão n.º 9101003.188 CSRFT1 Fl. 11 10 Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a compensação, a restituição, o ressarcimento ou o reembolso. De toda forma, alinhome à interpretação menos restritiva a respeito da possibilidade de retificação da DCOMP. Até porque não há lei limitando temporalmente a retificação de DCOMP na qual se verifique erro material evidente, sendo, portanto, admissível a sua correção na forma do artigo 147, do CTN. Diante dos erros materiais evidentes, voto pela manutenção do acórdão recorrido, negando provimento ao recurso especial quanto ao segundo tema. Conclusão Por tais razões, não conheço o recurso especial quanto ao primeiro tema e nego provimento ao recurso quanto ao segundo tema, mantendo o acórdão recorrido. O processo deve retornar à unidade de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, conforme acórdão da Turma a quo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial em relação à matéria possibilidade de restituição de pagamento indevido de estimativas mensais. Ainda conheço do recurso em relação à matéria possibilidade de retificação da DCOMP após despacho decisório e, no mérito, em negolhe provimento com retorno dos autos à unidade de origem. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.000678/2006-55
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 PROCESSO ADMINISTATIVO FISCAL . RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Em consonância com o art.33 do decreto n. 70.235/72, o recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão, implica em seu não conhecimento.
Numero da decisão: 1801-000.883
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Em consonância com o art.33 do decreto n. 70.235/72, o recurso voluntário apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão, implica em seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 06 78 /2 00 6- 55 Fl. 505DF CARF MF Impresso em 14/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Tendo em vista que a Conselheira relatora responsável pelos presentes autos, Magda Azario Kanaan Polanczyk, renunciou ao mandato de conselheira sem entregar este acórdão formalizado, fui designada para este fim, consoante despacho de fls. Tratase de auto de infração.para a exigência de R$241.285,83 a título de IRPJ e de R$31.445,34 a título de CSLL, mais a multa de ofício no percentual de 75% e juros, por omissão de receita, anos calendário de 2001 e 2002. A Recorrente havia entregue a DIPJ 2002, lucro real, com todos os valores zerados, e estava omisso quanto à entrega da DIPJ 2003 e, posteriormente, apresentou DIPJ 2002 retificadora (fls. 38/60) e DIPJ 2003 original, optando em ambas pelo lucro presumido. Houve arbitramento, por falta de apresentação de documentos, livros fiscais e de escrituração, determinandose a base de cálculo do IRPJ pela receita conhecida, à vista dos créditos efetuados nas contas correntes da Recorrente, excluindose os decorrentes de transferências. Em sede de impugnação, alegou a Recorrente que teria apresentado a documentação necessária à comprovação de que teria sido correta a declaração de lucro presumido, indicando o destino de todos os débitos existentes em sua movimentação bancária o que tornaria ilegítimo o arbitramento. A decisão de primeira instância manteve a autuação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. INTERESSADO QUE HAVIA OPTADO PELO LUCRO REAL OU PRESUMIDO. Deixando o interessado de apresentar à autoridade fiscal os livros e documentos de sua escrituração, cabível é o arbitramento do lucro, independentemente de ter havido a opção pelo lucro real ou presumido. OMISSÃO DE RECEITA. POSSIBILIDADE DE AUTUAÇÃO NO REGIME DO LUCRO PRESUMIDO. Há previsão legal de autuação por omissão de receita, mesmo que o interessado tenha optado pelo regime do lucro presumido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001, 2002 PROVA. ALEGAÇÕES SEM PROVAS OU QUE CONTRARIAM AS PROVAS DOS AUTOS. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 14/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10735.000678/200655 Acórdão n.º 1801000.883 S1TE01 Fl. 484 3 A simples menção a prova documental, que teria sido anexada à impugnação, mas que de fato não se encontra nos autos, não faz prosperar as alegações do interessado, mormente quando contrárias às—provas efetivamente produzidas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2001, 2002 LANÇAMENTO REFLEXO DE CSLL. Pela relação de causa e efeito, o lançamento reflexo de CSLL deve receber o mesmo tratamento dispensado ao lançamento de IRPJ. Lançamento Procedente Dessa decisão, a Recorrente tomou ciência da referida decisão em 30.10.2008 (fls.393) e em 03.12.2008, apresentou recurso voluntário, no qual, em síntese, alegou a inconstitucionalidade da regra impositiva de depósito antecipado para o manejo do recurso administrativo, conforme posição assente no STF, a decadência com fulcro no art.150, parágrafo 4º do CTN, de parte do período de apuração, que a escrituração fiscal não constituiria elemento suficiente para respaldar o arbitramento do lucro, confiscatoriedade da multa aplicada, ofensa ao princípio da moralidade e invalidação do ato administrativo. Requereu, assim, a declaração da nulidade dos lançamentos e seja dado provimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, redatora designada O presente recurso voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, por essa razão, dele a relatora não tomou conhecimento. Às fls.393, verificase a comprovação da ciência à Recorrente, em 30 de outubro de 2008, ao passo que às 394, consta o protocolo de interposição do recurso voluntário, em 03 de dezembro de 2008. Não obstante, a o termo a quo para a interposição do recurso iniciouse numa sextafeira, dia 31 de outubro do ano de 2008 e o trigésimo dia, caiu em 29 de novembro, sábado, de sorte que o termo fatal para a Recorrente exercitar seu direito, era o dia 1º de dezembro, uma segundafeira. Intempestivo, pois, o recurso voluntário protocolizado em 03 de dezembro. Diante do exposto, votouse por não se conhecer do recurso. Fl. 507DF CARF MF Impresso em 14/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 508DF CARF MF Impresso em 14/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 35572.001651/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01//2003 a 31/03/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 57 2. 00 16 51 /2 00 6- 11 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 275DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 277DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 278DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 279DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 280DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 281DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 282DF CARF MF Processo nº 35572.001651/200611 Acórdão n.º 9202005.959 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001627/2002-86
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
Ementa:
REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF
Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho.
DECADÊNCIA
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo ou declaração constitutiva de crédito tributário, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA NÃO CONFIGURA PAGAMENTO PARCIAL
A compensação de prejuízo fiscal e base negativa atua na formação do lucro real tributável e não se equipara a pagamento parcial de imposto.
Numero da decisão: 9101-002.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno a câmara a quo para análise do mérito.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Karem Jureidini Dias Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1997 Ementa: REGIMENTO INTERNO CARF - DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ - ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO RICARF Segundo o artigo 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo ou declaração constitutiva de crédito tributário, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA NÃO CONFIGURA PAGAMENTO PARCIAL A compensação de prejuízo fiscal e base negativa atua na formação do lucro real tributável e não se equipara a pagamento parcial de imposto.
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DECADÊNCIA O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo ou declaração constitutiva de crédito tributário, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA NÃO CONFIGURA PAGAMENTO PARCIAL A compensação de prejuízo fiscal e base negativa atua na formação do lucro real tributável e não se equipara a pagamento parcial de imposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 27 /2 00 2- 86 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 19515.001627/200286 Acórdão n.º 9101002.083 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno a câmara a quo para análise do mérito. (ASSINADO DIGITALMENTE) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão de n° 110100.203, proferido pela 1ª Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, deu provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte e acolheu a preliminar de decadência. Originariamente, o processo versa sobre Auto de Infração (fls. 58/62), do qual o contribuinte foi cientificado em 27/11/2002 (conforme AR às fls. 63), para exigência de CSLL, devido a compensação superior a 30% de base de cálculo negativa no primeiro trimestre do anocalendário de 1997. O contribuinte impugnou o lançamento (fls. 66/89), argumentando, em síntese, que o lançamento de ofício não deve prosperar, seja por que: (i) o direito da Fiscalização de constituir o crédito havia decaído, conforme art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional; (ii) seja por que não se aplica o limite de 30% de compensação de base negativa de CSLL na última declaração de prejuízos de empresa incorporada, bem como por não se aplicar tal limite para as empresas titulares de Programas Especiais de Exportação BEFIEX, tal qual no caso da Impugnante. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 19515.001627/200286 Acórdão n.º 9101002.083 CSRFT1 Fl. 4 3 Em análise do recurso interposto pelo contribuinte, a DRJ entendeu, por unanimidade, julgar improcedente a Impugnação, em acórdão que restou ementado da seguinte forma (fls. 279/285): “DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o Fisco lançar a CSLL é de dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído. COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. LIMITE LEGAL. BALANÇO DE INCORPORAÇÃO. A compensação da base de cálculo negativa no balanço de incorporação de empresa é limitada a 30% do resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação; inexiste norma que permita, excepcionalmente, a compensação integral, acima do limite legal. BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. PROGRAMA BEFIEX. Descabe a compensação de base de cálculo negativa acumulada em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado, por empresa titular de programa Befiex, por falta de expressa previsão legal. Lançamento Procedente” O contribuinte, então, interpôs Recurso Voluntário (fls. 292/314) em que alegou, em síntese, que: (i) a decisão recorrida é nula, pois não analisou a questão da decadência relativamente à retificação do prejuízo fiscal decorrente da adição não computada na apuração do lucro real do lucro inflacionário realizado; (ii) não se aplicam à CSLL as disposições da Lei n° 8212/91, mas sim as disposições do Código Tributário Nacional, mais especificamente o artigo 150, § 4º; (iii) o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 disciplina apenas a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento de oficio, estando a CSLL sujeita ao lançamento por homologação; (iv) a compensação da base negativa da CSLL, no caso de declaração final de empresa incorporada, não pode ser limitada ao percentual de 30%, conforme jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e dos Conselhos de Contribuintes; (v) não se aplicam às empresas titulares de programa BEFIEX a limitação de 30% à compensação de prejuízos fiscais; e (vi) já foi reconhecido por este Conselho que a base normativa “interpretada”, seja para a atividade rural, seja para as empresas titulares do programa BEFIEX, é a mesma (arts. 57 e 58 da Lei n° 8.981/95), conforme consignava a Instrução Normativa SRF n° 51/95. Sobreveio, então, o Acórdão nº 110100.203 às fls. 478/484, que deu provimento ao recurso do contribuinte, acolhendo a preliminar de decadência. O acórdão restou assim ementado: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO DECADÊNCIA Por se tratar de tributo cuja modalidade de lançamento é por homologação, expirado cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador sem que a Fazenda Pública tenha se pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito.” Em face dessa decisão, a Procuradoria interpôs Recurso Especial (fls. 488/495) em que argumentou que, no presente caso, se deve aplicar o dies a quo do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, pois não houve pagamento antecipado e a aplicação do art. 150, § Fl. 561DF CARF MF Processo nº 19515.001627/200286 Acórdão n.º 9101002.083 CSRFT1 Fl. 5 4 4º, do Código Tributário Nacional pressupõe pagamento prévio. Em despacho às fls. 501/502, o r. recurso foi admitido. O contribuinte, cientificado do Acórdão acima ementado e do Recurso Especial da Procuradoria no dia 20/09/2010 (fls. 503) apresentou Contrarrazões às fls. 506/528 no dia 04/10/2010, em que alegou que o recurso não pode ser admitido, tendo em vista que a tese objeto de interposição do recurso já foi superada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão nº 910100.460, inclusive com julgamento no Pleno da r. Câmara, que manteve o entendimento que, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial, em qualquer hipótese, obedece à regra do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, conforme Acórdão 0000.048 (julgamento do Recurso Extraordinário nº 203119.619, no Processo Administrativo nº 10384.000447/200164). Além disso, asseverou que, ainda no Pleno, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 105144784 (Processo Administrativo nº 10183.005241/200197), prevaleceu o entendimento de que “basta a existência de atividade do Contribuinte a ser homologada relativamente à apuração do tributo devido, sendo absolutamente dispensável o pagamento antecipado”. O contribuinte colaciona vasta jurisprudência deste Conselho para apoiar sua tese de que não é necessário o pagamento para a aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 19515.001627/200286 Acórdão n.º 9101002.083 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O recurso é tempestivo e foi objeto de despacho de admissibilidade às fls. 501/502, estando clara a divergência jurisprudencial, pelo que dele conheço e passo a dispor. Quanto ao Recurso da Procuradoria, requerse a aplicação do no art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, alegando que se trata de tributo sujeito a homologação e não houve pagamento parcial do tributo. Já o contribuinte, em sede de Contrarrazões, argumenta que para a aplicação da contagem do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, não há a exigência de ter havido pagamento parcial, tendo em vista que o objeto de homologação é a atividade do contribuinte e não o pagamento. A despeito de não ser competência desta Turma analisar questões de fato, antes de entrar no mérito da questão, necessário se faz clarificar questão quanto às datas de ciência e de ocorrência do fato gerador em lide neste processo. O acórdão recorrido e o Recurso Especial da Procuradoria afirmaram que a ciência do Auto de Infração ocorreu no dia 01/06/2001 e que a data do fato gerador mais recente era 31/12/1995, conforme trechos da decisão recorrida e do Recurso Especial, abaixo colacionados: “Tomando por dies a quo a data do fato gerador mais tarde de dezembro de 1995, o termo final do prazo decadencial será 31 de dezembro de 2000. Tendo em vista que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 01/06/2001 — em data posterior, portanto, ao termo final do prazo decadencial — concluise que já extinguira o prazo para a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo a CSLL.” (Acórdão recorrido, p. 7) “Ocorre que, tendo em vista que a contribuinte foi cientificada do lançamento em lo de junho de 2001 e o fato gerador mais tardio ocorreu em 31 de dezembro de 1995, o v. Acórdão proferido pela Colenda la Turma Ordinária da la Câmara da la Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda entendeu de derrubar o auto de infração, sob o fundamento de que ocorrera a decadência, com base no artigo 150, par. 40, do CTN” (Os destaques são do original. Recurso Especial da Fazenda Nacional, fls. 491) Por outro lado, o contribuinte afirmou, em sede de Contrarrazões, que o Auto de Infração foi lavrado em 26/11/2002, relativamente ao crédito tributário cujo fato gerador ocorreu em 31/03/1997, conforme o seguinte trecho de seu recurso: “Tratase, na origem, de auto de infração lavrado em 26/11/2002 contra a Recorrida, por meio do qual foi constituído crédito tributário a título de CSLL relativamente a fato gerador ocorrido em 31/03/1997.” (Os destaques são do original. Contrarrazões do contribuinte, fls. 508) Fl. 563DF CARF MF Processo nº 19515.001627/200286 Acórdão n.º 9101002.083 CSRFT1 Fl. 7 6 Verifico nos autos que, de fato, como mencionado pelo contribuinte, o fato gerador ocorreu em 31/03/1997 (primeiro trimestre do ano calendário de 1997), conforme Auto de Infração às fls 58/62, que foi lavrado em 26/11/2002 e a sua ciência ocorreu em 27/11/2002 conforme AR de fls. 63. Esclarecida essa questão dos fatos, passo a analisar a questão da decadência. Importante mencionar que, tendo em vista a alteração do Regimento Interno desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com o acréscimo do artigo 62A, no Anexo II, necessário se faz que este colegiado adote o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, quando a matéria tenha sido julgada por meio de Recurso Representativo de Controvérsia, nos termos do artigo 543B e 543C, do Código de Processo Civil. Eis a redação do artigo 62A do Anexo II do Ricarf: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No tocante ao prazo decadencial aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733 – SC (2007/01769940), Sessão em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, pacificou entendimento a ser adotado por aquele colegiado, em acórdão assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fl. 564DF CARF MF Processo nº 19515.001627/200286 Acórdão n.º 9101002.083 CSRFT1 Fl. 8 7 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, inaludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Assim sendo, contrariamente ao posicionamento por mim sempre adotado, por força de previsão regimental do CARF, decido por acolher os critérios estipulados pelo Superior Tribunal de Justiça para aplicação de uma ou outra regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional. Quanto ao pagamento parcial de tributo, cumpre ressaltar que ele se torna requisito para a aplicação do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional se não houver declaração prévia do débito pelo sujeito passivo. Isto porque, segundo a própria ementa do Recurso Especial nº 973.733/SC, repetitivo do Superior Tribunal de Justiça, o prazo decadencial é sempre quinquenal, variando seu dies a quo. Aplicase o dies a quo previsto no art. 173, do Código Tributário Nacional, para os seguintes casos: (i) casos dos tributos não sujeitos ao lançamento por homologação; (ii) para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que se constatar dolo, fraude ou simulação; (iii) para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que não se constatar dolo fraude ou simulação e não houver declaração prévia constitutiva do débito, tampouco pagamento. Noutras palavras, de acordo com o teor do julgamento proferido no recurso repetitivo, proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, depreendese que será aplicável a regra do art. 150, § 4, do Código Tributário Nacional para efeito da contagem do dies a quo do prazo Fl. 565DF CARF MF Processo nº 19515.001627/200286 Acórdão n.º 9101002.083 CSRFT1 Fl. 9 8 decadencial sempre que, cumulativamente: (i) tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação; (ii) não houver acusação de dolo, fraude ou simulação (iii) houver declaração prévia do contribuinte e/ou pagamento parcial. Voltando ao presente caso, temos que não houve pagamento parcial, tampouco declaração em DCTF do tributo efetivamente devido ou quitação por compensação, já que a compensação de base negativa de CSLL não é a compensação, enquanto forma de quitação parcial, mas pertence à própria formação da base de cálculo do tributo devido. De fato, se de compensação de tributo se tratasse, para efeito de extinção do crédito tributário, então se estaria em situação equiparada a de pagamento parcial. Ocorre que a utilização de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa acumulados não se equipara a uma compensação de tributo, porquanto pertence à própria formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, compondo, antes, a formação do lucro real tributável. Com efeito, a compensação a que se refere o art. 156, II, do Código Tributário Nacional, é, por exemplo, a compensação de saldo negativo de imposto, ou de imposto pago a maior, com tributo a pagar, não se assemelhando à utilização de prejuízo fiscal e base de calculo negativa, que simplesmente participam da formação do lucro real tributável. Verifico nos autos deste processo que, conforme DIPJ às fls. 05/22, também não houve pagamento antecipado de estimativa no período em análise, primeiro trimestre de 1997. Dessa forma, como não há nos autos prova de que houve pagamento antecipado, representado pelo recolhimento de estimativas, a contagem de prazo decadencial deve ser realizada pelo art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assim, para a CSLL referente ao primeiro trimestre de 1997, o direito do Fisco de lançar os créditos apenas estaria decaído a partir de 01/01/2003, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrido em 27/11/02 (fls. 63), não há que se falar em decadência. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo em vista que não estava decaído o direito do Fisco de lançar os tributos referentes ao primeiro trimestre do anocalendário de 1997, retornando os autos para a Câmara de origem para a apreciação do mérito. Sala das Sessões, em 20/01/2015. (ASSINADO DIGITALMENTE) Karem Jureidini Dias Fl. 566DF CARF MF Processo nº 19515.001627/200286 Acórdão n.º 9101002.083 CSRFT1 Fl. 10 9 Fl. 567DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.002360/2010-53
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2010 RECURSO INTEMPESTIVO. A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1801-000.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2010 RECURSO INTEMPESTIVO. A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2010 RECURSO INTEMPESTIVO. A tempestividade do recurso é um pressuposto intransponível para sua admissibilidade (artigo 33 do Decreto 70235/72). Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Relatório Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL 2 A Recorrente foi excluída do SIMPLES a partir de 01 de janeiro de 2011, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/SBC nº 445127, de 01 de setembro de 2010,por possuir débitos do SIMPLES com exigibilidade não suspensa, relacionados no mesmo, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar 123, de 14/10/2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinado com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN 15, de 23/07/2007. Em 06 de outubro de 2010 apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que os débitos foram pagos, em decorrência do procedimento de pagamento, com conversão em renda, lastreado com créditos do DecretoLei nº 6.019/1943, objeto da ação de execução do Processo nº 2009.34.00.0341840, em trâmite perante a 11ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, pela modalidade de extinção do crédito tributário do art. 156, I, VI do CTN, c/c art. 6º da Lei nº 10.179/2001, ratificados pela Lei 11.803/2008, conforme guias de depósito judicial que acosta ao processo.. Pede o cancelamento do Ato Declaratório, tornando sem efeito a Exclusão da empresa do SIMPLES. As duas guias de depósitos judiciais apresentadas pela Recorrente têm valor de R$ 15,00 (quinze) reais cada uma. Em sessão de 13 de maio de 2011, a 8ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação Improcedente, conforme Acórdão nº 0533.810. A decisão da DRF teve por fundamentos: I– o crédito mencionado com base no DL 6.019/1943, objeto da ação impetrada pela recorrente, referese a pagamento de juros e da amortização dos títulos dos empréstimos externos realizados em libras e dólares pelos Governos da União, Estados e Municípios, Instituo de Café do Estado de São Paulo e Banco do Estado de São Paulo, não se tratando, portanto, de créditos administrados pela RFB, de acordo com a IN nº900, de 2008, II – a sentença judicial citada ainda não transitou em julgado, o que impediria a sua compensação com base no art. 34, § 3º, inciso I”, alínea “d”, da IN 900/2008; III – tratase de débito do SIMPLES, cuja compensação é veda pelo art. 34, § 3º, inciso XV, também da IN nº 900/2008.; IV – a compensação deve ser formalizada em Declaração de Compensação, conforme art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei 9.430/96. e art. 34, § 1º da IN nº 900/2008. Intimada do Acórdão em 16/06/2011 (fls. 40), interpôs Recurso Voluntário em 03 de agosto de 2011 (41 e 42/76), onde alega que a decisão da DRJ está equivocada, pois a Recorrente promoveu o pagamento, através da conversão em renda de seus débitos, com Declaração Retificadora, em data anterior ao início deste processo, e pede:o cancelamento do Processo Administrativo e dos débitos nele cobrados. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL Processo nº 13819.002360/201053 Acórdão n.º 180100.940 S1TE01 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal, Relator O Recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido em 16 de junho de 2011, quintafeira (fls. 40) e apresentou Recurso Voluntário em 03 de agosto de 2011, quartafeira (fls. 41 e 42/76). O prazo para interposição de Recurso Voluntário é de30 (trinta) dias, previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de maio de 1972. Considerandose que na contagem é excluído o dia do início, o prazo venceria no dia 18 de julho de 2011, segundafeira. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, em decorrência da sua intempestividade. (documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 po r ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL
score : 1.0
Numero do processo: 15374.920430/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1301-000.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório, que não homologou a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 03935.52623.130505.1.3.024848 sob o argumento de que inexistia o crédito informado, decorrente do saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre do anocalendário de 2004, o que também embasou a não homologação das compensações declaradas pelos PER/DCOMP nº 36192.51783.130605.1.3.026100 e nº 28321.62916.220605.1.3.022422. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 20 43 0/ 20 08 -3 4 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 15374.920430/200834 Resolução nº 1301000.451 S1C3T1 Fl. 505 2 Na apreciação do mérito, quando do julgamento da manifestação de conformidade, à fl. 53, a autoridade julgadora da instância a quo expôs os seguintes motivos, na formulação das razões de decidir: “Não havia saldo negativo apurado na DIPJ/2005 original, motivo do não reconhecimento do crédito. Este só veio a ser informado na DIPJ/2005 retificadora apresentada após a emissão do despacho decisório. Na Dcomp inicial, a contribuinte não pleiteou como crédito o valor do saldo negativo, mas de todo o IRRF informado na DIPJ, de R$ 276.092,10. Na DIPJ/2005 retificadora, a contribuinte não indicou na ficha 53 (fl. 48), as retenções sofridas. Contudo, consultandose o sistema Dirf (fls. 41 a 47), verificase que houve efetivamente retenções de IRPJ. Dessa forma, fezse uma comparação entre os valores indicados na Dcomp com aqueles informados pelas fontes pagadoras, conforme Anexo (quadro de fls. 54 e 55), o que resultou num valor de IRRF de R$ 164.030,96. Também, na DIPJ/2005 retificadora houve a compensação do prejuízo fiscal de exercícios anteriores, o que não havia ocorrido na original, conforme extrato SAPLI de fl. 49. Assim, tendose (sic) em vista a apuração de R$ 109.179,45 de IRPJ (imposto mais adicional) devido no período (fl. 50), o saldo negativo é de R$ 54.851,51 e não de R$ 166.912,65 como apurado na DIPJ/2005 e, muito menos, de R$ 276.092,10 como pleiteado na Dcomp.” Ao final, a instância a quo julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo o crédito de R$ 54.851,51, em valor original. A decisão de primeira instância está assim ementada, à fl. 51: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. CRÉDITO. Tendo havido retenção na fonte de IRPJ, o correspondente saldo negativo pode ser utilizado como crédito para fins de compensação com outros tributos.” Ciência da decisão de primeira instância em 24/02/2015, à fl. 76. Recurso a este Colegiado à fl. 79, com entrada na repartição de origem no dia 25/03/2015. Nessa oportunidade, aduz que as notas fiscais que anexou aos autos, às fls. 91/494, comprovam o valor de R$ 276.092,10, o que corresponde ao montante efetivo das retenções, acrescentando que a omissão da entrega das DIRF, pelas fontes pagadoras de suas receitas, não pode induzir à conclusão de que não houve retenção. Por derradeiro, requer o reconhecimento dos valores comprovadamente retidos e a homologação da compensação almejada, com a consequente extinção dos créditos tributários. É o relatório. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15374.920430/200834 Resolução nº 1301000.451 S1C3T1 Fl. 506 3 VOTO Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. Na interposição deste recurso, foram observados os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Constatase, na decisão recorrida, que a instância julgadora a quo considerou as informações constantes da DIPJ/2005 retificadora, desprezando o fato de ser sido apresentada após o Despacho Decisório. Com supedâneo na Súmula CARF nº 92, de acordo com a qual “a DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado”, podese afirmar que a entrega de DIPJ retificadora posteriormente ao despacho decisório não macula o acórdão que leva em conta os dados dela coligidos, para a aferição da existência do saldo negativo gerador do crédito oferecido ao encontro de contas com débito tributário. Nessa ordem de idéias, à semelhança da autoridade julgadora a quo, acolho o IRPJ e o respectivo adicional informados pela recorrente na referida DIPJ/2005 retificadora, à fl. 50, na conjugação do total de R$ 109.179,45. Por outro lado, a DRJ não admitiu, para fins de comprovação do crédito, retenções de imposto de renda que não estivessem relacionadas em DIRF das correspondentes fontes pagadoras de receitas. Segundo a recorrente, tais retenções alcançam a cifra de R$ 276.092,10, como pleiteado no PER/DCOMP nº 03935.52623.130505.1.3.024848, ao passo que a DRJ limitou o crédito ao valor de R$ 54.851,51. Portanto, na presente instância, discute se o direito à diferença de R$ 221.240,59 (R$ 276.092,10 – R$ 54.851,51), objeto da pretensão recursal, cuja satisfação depende da verificação das notas fiscais acostadas às fls. 91/494. Ocorre, porém que tais notas fiscais não estão acompanhadas dos registros contábeis das receitas recebidas e do crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, o que é imprescindível para a demonstração da existência do crédito e da comprovação de que este decorre da retenção sobre receita contabilizada e submetida à tributação do IRPJ na DIPJ. O imposto de renda retido na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendose que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais se inclui a imposto de renda retido na fonte), em relação ao IRPJ devido, apurado na DIPJ. Ora, o cômputo, entre os créditos, do imposto de renda retido na fonte, que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação do IRPJ na DIPJ, aumenta indevidamente o saldo negativo. Por isso, surgidos os indícios do recolhimento do imposto de renda retido na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão da receita tributada na fonte ao IRPJ apurado na DIPJ, pois, não sendo assim, podese incorrer no erro de se deferir a compensação de imposto de renda incidente sobre receita não tributada na DIPJ. Aliás, tal questão é de ordem pública, já que, em nome do interesse público, impõese a necessária cautela, vedandose a restituição de qualquer valor a título de IRPJ excedente, se não restar comprovado que ocorreu a tributação da receita na DIPJ. Consignese que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15374.920430/200834 Resolução nº 1301000.451 S1C3T1 Fl. 507 4 Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) Tal entendimento está em sintonia com a Súmula Carf nº 80: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” Entretanto, tal pressuposto não constituiu fundamento do acórdão recorrido ou do despacho decisório. Nesses termos, para evitar a prolação de decisão com fundamentação supreendente sobre matéria fática, de modo a excluir a impressão de que o Estado Administração, na dicção do direito a reger o caso concreto, atua como um pestidigitador que esconde uma carta nas mangas para iludir o administrado e, com isso, negarlhe direitos, proponho, com os olhos voltados para a construção democrática de uma decisão administrativa apta a repercutir na esfera jurídica da recorrente, a descida dos autos à delegacia de origem para que a autoridade fiscal verifique: a) se as receitas constantes das notas fiscais às fls. 91/494 estão contabilizadas e oferecidas à tributação do IRPJ, na DIPJ do anocalendário de 2004; b) qual é o montante das receitas do item anterior; c) se o imposto de renda retido na fonte que incidiu sobre as receitas constantes das notas fiscais às fls. 91/494 está registrado na contabilidade; d) qual é o montante do imposto de renda retido na fonte da questão anterior; e) se a totalidade do imposto de renda retido na fonte da questão anterior consta no balanço de 30/06/2004; Rogase à autoridade fiscal a elaboração de relatório circunstanciado, acrescentando considerações que julgar necessárias, dandose ciência à recorrente do relatório e dos demais dados que forem coligidos na diligência, abrindolhe o prazo de 30 dias para se manifestar. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.902450/2009-25
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
Numero da decisão: 1801-001.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2001 RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otávio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1027.168/10 exarado pela Quinta Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS, fls. 33 e 34, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 24 50 /2 00 9- 25 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF Pelotas que não reconheceu direito creditório de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), por R$ 4.570,47, e não homologou compensações com base nesse valor. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ de 30/6/01, efetuado por Darf em 31/07/01, no montante de R$ 21.406,00. A contribuinte foi cientificada da decisão da DRF em 3/6/09 e apresentou a manifestação de inconformidade em 2/7/09. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF/2002: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim no último trimestre. Acrescenta que a DIPJ 2002 também não relacionou os pagamentos por estimativa. Haveria que se retificar as DCTF e DIPJ. VOTO [...] A liquidez e certeza dos créditos oferecidos em compensação é pressuposto para ela seja homologada (art. 170 do CTN). A existência de erro não foi confirmada por meio de provas (art. 15 e art. 16, § 4o, do Decreto 70.235/72). O ônus da prova é exclusivo de quem alega o direito (art. 333 do Código de Processo Civil). A contribuinte não tem razão porque o valor do DARF sugerido como crédito já foi utilizado para quitar o débito da estimativa mensal a que estava vinculado. Diante do exposto, voto pelo indeferimento da manifestação de inconformidade.” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 07/10/10, fls 35; Recurso – 08/11/10, fls. 36) o Recurso de fls. 36 a 43, reiterando os termos da defesa exordial. Argumenta que: O pedido de restituição e declaração de compensação foi realizado tendo como base o valor de IRPJ/CSLL recolhido a maior, em razão da sua opção pelo regime de tributação por estimativa mensal (art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996). “O valor do crédito respectivo (utilizado parte do valor total de R$ 21.406,00) encontrase declarado na DCTF (doc. 03). Ocorre que: Equivoco 1: não foi possível retificar a DIPJ respectiva (somente é possível retificar DIPJs a partir de 2005), razão pela qual a decisão recorrida entendeu por não reconhecer/vincular o crédito respectivo. Equivoco 2: o Requerente não informou o n°. do PERDOMP anterior ao realizar o pedido de compensação. Em face disso, tornase evidente o direito ao crédito do contribuinte.” (grifos pertencem ao original) Discorre sobre o princípio da verdade material e outros constitucionais e que ocorreu mero erro e evidente equívoco formal, devendo o valor integral solicitado ser deferido. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11040.902450/200925 Acórdão n.º 1801001.491 S1TE01 Fl. 3 3 Para comprovar o que alega junta ao recurso cópia da DCTF do 2º trimestre de 2001, IRPJ, cód. 23621, no valor de R$ 21.406,00, quitado por DARF. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O Per/Dcomp objeto deste processo é de nº 37716.90944.301105.1.3.043024 e requer a restituição, para posterior compensação, de IRPJ (código 2362), de R$ 4.570,47, parte do crédito original de R$21.406,00, recolhido por DARF. A recorrente apresenta cópia da DCTF do 2º trimestre de 2001, fls. 49, com as seguintes informações: Valores em R$ Débito IRPJ, Lucro Real Trimestral, 23621, 2º Trim/2001 21.406,00 DARF (PA 30/06/01 – vcto 31/07/01) – Principal R$ 21.406,00 (Vlr. Alocado): 21.406,00 Consoante tabela supra, o valor do débito de IRPJ foi efetivamente quitado pelo DARF em questão. A recorrente não traz qualquer outra prova que demonstre que o valor de débito informado na DCTF foi alterado (para menor), não bastando só alegar a existência de erro. Ainda que houvesse retificado as declarações prestadas ao fisco, teria que comprovar o suposto erro e a diminuição de tributo a recolher. Como explicitado no Acórdão guerreado, o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Por absoluta ausência de provas que houve erro no valor do IRPJ informado na DCTF relativa ao 2º trimestre de 2001, as decisões anteriores devem ser mantidas. Voto em negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/06/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 13822.000075/2005-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.807
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente CLEALCO AÇÚCAR E ÁLCOOL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. Os gastos realizados na fase agrícola da agroindústria não geram créditos de PIS/COFINS apurados no regime não cumulativo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento integral e o conselheiro Demes Brito que lhe deu provimento parcial, para excluir o frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. Votou pelas conclusões o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Jorge Olmiro Lock Freire, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 2. 00 00 75 /2 00 5- 81 Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13822.000075/200581 Acórdão n.º 9303005.807 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3401002.975, de 18/03/2015, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que possui a seguinte ementa, transcrita na parte de interesse: (...) ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESPESAS DE DEPRECIAÇÃO. Apenas os bens integrantes do Ativo Imobilizado, adquiridos posteriormente a 01/05/2004 e diretamente ligados ao processo produtivo da empresa podem gerar despesas de depreciação que dão direito ao creditamento na apuração do PIS e da Cofins. DESPESAS, CUSTOS E ENCARGOS COMUNS VINCULADOS A RECEITAS SUJEITAS À INCIDÊNCIA CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. RATEIO PROPORCIONAL. NECESSIDADE. No caso da existência de despesas, custos e encargos comuns vinculadas a receitas sujeitas à incidência cumulativa e não cumulativa, não havendo sistema contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração, necessário se faz a apropriação por meio de rateio proporcional, nos termos do disposto no § 8º, do art. 3º, da Lei nº 10.637, de 2002. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, não foram admitidos. Irresignada, interpôs recurso especial suscitando divergência em relação às seguintes matérias: a) quanto ao que constitui o seu processo produtivo para identificação dos gastos que dão direito a crédito da contribuição não cumulativa; e b) quanto ao conceito de insumo. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3402002.396, 3402 002.605 e 9903003.069 (primeiro tema) e 320200.226 (segundo tema). Por intermédio do despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13822.000075/200581 Acórdão n.º 9303005.807 CSRFT3 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.802, de 17/10/2017, proferido no julgamento do processo 13822.000009/200773, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.802): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte deve ser conhecido. Malgrado o recurso especial pretenda discutir dois temas – o processo produtivo da Recorrente e o conceito de insumo –, no fundo está a debater apenas o último, uma vez que, a depender da definição que se venha a emprestar ao termo "insumo" adotado na legislação do PIS/Cofins não cumulativos os gastos realizados em etapa anterior à produção do produto final – vale dizer, aquela anterior à industrialização propriamente dita – pode vir ou não a ser assim considerados (como insumos!), de modo que ensejaria, no primeiro caso, a apropriação de créditos sobre eles incidentes (p. ex., os gastos realizados na etapa agrícola, portanto, anterior à industrialização). A própria ementa do Acórdão paradigma de nº 3402002.605 comprova esse fato: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições nãocumulativas. (g.n.) Feita essa breve introdução, vemos que, de fato, enquanto o acórdão recorrido consubstanciou o entendimento de que o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesa necessária para a atividade da empresa, mas apenas aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam efetivamente aplicados ou consumidos na produção de açúcar e álcool (os produtos fabricados pela Recorrente), o Acórdão paradigma de nº 320200.226, em divergência, adotou conceito bem mais largo, a conhecida tese do IRPJ. Contudo, a despeito de conhecido o recurso, vemos que o acórdão recorrido não merece reparos. Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13822.000075/200581 Acórdão n.º 9303005.807 CSRFT3 Fl. 5 4 No regime não cumulativo do PIS/Cofins, os créditos a que tem direito a pessoa jurídica estão elencados no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, que, no ponto, apresentam redação bastante semelhante. Na Lei nº 10.833, de 2003, é a seguinte: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (g.n.) Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13822.000075/200581 Acórdão n.º 9303005.807 CSRFT3 Fl. 6 5 Não há, nos diplomas legais referidos, qualquer dispositivo conceituando o termo “insumo”, tampouco atribuindo a sua definição àquela adotada pela legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, o que só o legislador infralegal fez ao editar as Instruções Normativas RFB n.º 247, de 2002, e 404, de 2004. Aqui também reproduziremos apenas uma delas, uma vez que idênticas na parte que nos interessa: IN SRF nº 247, de 2002: Art. 66 A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II – utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Daí a controvérsia que se instaurou no âmbito do Contencioso Administrativo, uma vez que muitos contribuintes passaram a emprestar ao termo “insumo” significado muito mais elástico do que aquele aparentemente conferido pelas normas infralegais que regulamentaram as Leis n.ºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, e cuja origem é, evidentemente, a legislação do IPI, mas apenas quanto a uma parte dos créditos – aqueles bens fisicamente ligados ao produto final (alínea “a” do inciso I do § 5º do art. 66, supra) –, já que os serviços, dada a impossibilidade de ligação física, encontramse autorizados em alínea diversa (alínea “b”). O cerne da questão, portanto, está em definir o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins: se este se apresenta numa perspectiva muito ampla, em ordem a abarcar, como querem alguns, todo ou qualquer custo ou despesa operacional da pessoa jurídica (tese do IRPJ), ou se, como pretendem outros, apresentase de modo mais restritivo, mais próximo ao que ocorre na legislação do IPI. Há, ainda, uma posição intermédia, aceitando o creditamento sobre tudo que for pertinente ou necessário na produção ou na prestação de serviço. De todo modo, entendemos que, no presente caso, não cabe conceituar o termo "insumo" a ponto de alcançar etapas anteriores à efetiva produção do açúcar e do álcool. Um pesticida, por exemplo, não é – nem jamais poderia ser! – insumo na industrialização do açúcar, uma vez que, fosse nele empregado, o inutilizaria completamente para o consumo. O legislador deixou cristalino, na Exposição de Motivos da Medida Provisória – MP n.º 135, de 30/10/2003, posteriormente convertida na Lei n.º 10.833, de 2003, que um dos Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13822.000075/200581 Acórdão n.º 9303005.807 CSRFT3 Fl. 7 6 principais motivos para o estabelecimento do regime não cumulativo na apuração do PIS e da Cofins foi combater a verticalização artificial das empresas, a fim de que as diversas etapas da fabricação de um produto ou da prestação de um serviço pudesse ser realizado por empresas diversas, de sorte a gerar condições para o crescimento da economia. Vejam: 1.1. O principal objetivo das medidas ora propostas é o de estimular a eficiência econômica, gerando condições para um crescimento mais acelerado da economia brasileira nos próximos anos. Neste sentido, a instituição da Cofins nãocumulativa visa corrigir distorções relevantes decorrentes da cobrança cumulativa do tributo, como por exemplo a indução a uma verticalização artificial das empresas, em detrimento da distribuição da produção por um número maior de empresas mais eficientes – em particular empresas de pequeno e médio porte, que usualmente são mais intensivas em mão de obra. Assim, considerar como insumos todos os gastos realizados da etapa agrícola da produção do açúcar e do álcool, como pretende a Recorrente, é admitir que, no referido conceito, estejam todos os “insumos dos insumos". Explicitamente, não foi esta a intenção do legislador. Diverso, contudo, é, a nosso juízo, o caso, por exemplo, de uma mineradora, cuja atividade, a mineração, consiste no processo de extração de minerais da terra. Ainda que posteriormente à retirada do minério algum beneficiamento seja por ela mesma realizado, como, por exemplo, a fragmentação da pedra, dando origem à conhecida "brita", a verdade é que há, neste caso, um todo indissociável, não se podendo cindir a retirada do minério do solo, para o efeito de determinar o que é ou não é insumo, sob pena de descaracterizar a própria atividade realizada pela mineradora, uma vez que, no exemplo, a quebra da pedra não tem existência autônoma em relação à sua retirada do solo. Não é caso da Recorrente, porém. As usinas de açúcar e álcool, como se sabe, são estabelecimentos agroindustriais que produzem, a partir da cana, o açúcar, o melaço, a aguardente e o álcool. Além de sua fabricação própria, costumam adquirir a cana de outros estabelecimentos produtores. Pelos motivos aqui adotados (existência autônoma da atividade industrial propriamente dita), a aquisição de cana gera, sim, o direito à apropriação dos créditos correspondentes, não, contudo, os gastos realizados, pela própria Recorrente, no plantio e colheita da cana de açúcar. Podese até achar inconveniente, mas é assim que a lei é. No caso específico, foram os seguintes os itens glosados (apenas os referidos no recurso especial e na ordem em que elencados), glosa com a qual, pelas razões antes explicitadas, concordamos: a) Material Intermediário – Serviços de Manutenção: partes e peças de veículos, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, recauchutagem e aquisição de pneus, manutenção de veículos, locação de veículos para uso administrativo, obras de recuperação de rodovias, etc.; b) Frete no transporte de pessoal e itens do ativo permanente. À falta de maiores informações, entendemos que os bens do ativo permanente são aqueles empregados na fase agrícola, tal como indica um dos paradigmas trazidos no recurso (Acórdão nº 3402002.605). Nesse contexto, não há o direito ao crédito, conforme, a contrario sensu, indica o inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003 (inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002). Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela contribuinte e, no mérito, negolhe provimento." Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13822.000075/200581 Acórdão n.º 9303005.807 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1114DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.720146/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CFL 38. MULTA POR INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS.
Constitui infração deixar a empresa de exibir documentos e livros relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando devidamente solicitados pela fiscalização.
Numero da decisão: 2202-004.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CFL 38. MULTA POR INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração deixar a empresa de exibir documentos e livros relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando devidamente solicitados pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 01 46 /2 01 0- 53 Fl. 2206DF CARF MF Processo nº 10480.720146/201053 Acórdão n.º 2202004.305 S2C2T2 Fl. 2.207 2 Reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que bem descreveu os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância. Consoante os elementos do processo, a ATLÂNTICA DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LTDA. foi autuada por não prestar esclarecimentos à fiscalização (identificar os contribuintes individuais que receberam remunerações escrituradas nas contas Outros Serviços, e Assessoria Advocatícia e Ajudante), e por não apresentar os documentos que ensejaram os referidos lançamentos. A empresa ainda foi autuada por não prestar esclarecimentos e documentos relativos aos pagamentos a título de Fretes. De acordo com a fiscalização, a conduta de não prestar os esclarecimentos e os documentos solicitados a impossibilitou de identificar todos os segurados (empregados e contribuintes individuais) omitidos das folhas de pagamento e não declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O sujeito passivo, às fls. 794/798, impugnou o procedimento fiscal dizendo ter havido duplicidade de autuações, porque tanto o presente Auto de Infração nº 37.255.5829 como o de nº 37.255.5810 teriam a mesma razão de ser, fundadas no mesmo fato gerador – ausência de prestação de informações quando exigidas durante o curso da fiscalização. Comenta que o Auto de Infração de nº 37.255.5810 abrange integralmente a possível falha da fiscalizada, uma vez que trata, de forma geral, a questão da não prestação de informações : Deixar a empresa de prestar a Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interessa da mesma. (grifos da defesa). Entende que a expressão todas esclarece e amplia o aspecto da autuação, sendo inoportuna, ilegal e impossível nova autuação pelo mesmo fato, já que os documentos ou livros tidos por não entregues e que ensejaram o Auto de nº 37.255.5829 estariam dentro do contexto da integralidade de informações de natureza contábil e financeira da empresa. Conclui que caberia à fiscalização optar pela regra mais genérica ou pela mais específica, e não impor duas sanções idênticas pelo mesmo fato, o que requer, em razão do bis in idem, a anulação do presente Auto de Infração – AI nº 37.255.5829. Em razão da complexidade da operação e o nível de exigência documental (deveras volumosa), a impugnante diz que a ela teria sido imposto um pesado ônus, porque, ainda que tenha sido postergado o prazo, algumas vezes, o não cumprimento integral do pedido teria ensejado multas por não apresentação de Fl. 2207DF CARF MF Processo nº 10480.720146/201053 Acórdão n.º 2202004.305 S2C2T2 Fl. 2.208 3 documentos como também outros autos por falta de prova de recolhimentos do período. Assim, infere que a situação teria cerceado o seu direito de defesa, o que merecem as anulações dos autos, bem como a reabertura do prazo para apresentação de novos documentos. Por último, questiona o acréscimo de juros de mora calculados pela taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, por caracterizar excesso de onerosidade, por não se tratar de percentual fixo e determinado, por se tratar de juros destinados ao financiamento de títulos públicos, e por ser abusiva a prática de atribuir ao arbítrio do credor o poder de estabelecer as respectivas taxas. Fala que a delegação de competência contraria de forma flagrante os princípios constitucionais da isonomia e da separação dos poderes, além de ofender o artigo 161, § 1º, do CTN, segundo o qual, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Reporta à jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de não ser possível a utilização de juros Selic no crédito tributário, uma vez que essa taxa ora tem a conotação de juros moratórios ora de remuneratórios. Requer a nulidade dos autos de infração, ou, se assim não entender, requer a nulidade do presente Auto de Infração – AI nº 37.255.5829. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte – DRJ/BH tendo em vista a sua competência para julgar a matéria, conforme Portaria RFB nº 453, de 11/04/2013 (DOU 17/04/2013), e Portaria RFB nº 1.006, de 24/07/2013 (DOU 25/07/2013). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DEIXAR A EMPRESA DE EXIBIR DOCUMENTOS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir à fiscalização os documentos solicitados, necessários à verificação de sua regular situação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 2208DF CARF MF Processo nº 10480.720146/201053 Acórdão n.º 2202004.305 S2C2T2 Fl. 2.209 4 A Contribuinte foi cientificada da decisão em 19/08/2014 (A.R. de fl. 820) e apresentou em 08/09/2014 o Recurso Voluntário de fls. 824/859, no qual combate a decisão de primeira instância, reiterando os argumentos da impugnação e acrescentando o pedido de aplicação da multa mais benéfica, em função do art. 106, II, "c", do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Tratase do Auto de Infração de nº 37.255.5829, por deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. A Recorrente alega que foram lavrados dois autos de infração (nºs 37.255.5829 e 37.255.5810), sob o mesmo argumento de que a empresa deixou de prestar informações relevantes para a Fiscalização, bem como deixou de apresentar documentos relevantes para a elucidação do caso. Defende a Contribuinte que ocorreu uma duplicidade de autuações pelos mesmos fatos, caracterizando o bis in idem. No entanto, a infração relativa ao outro Auto de Infração (nº 37.255.5810) ocorreu em virtude de deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, ou esclarecimentos necessários à fiscalização. Cabe aqui transcrever trecho do voto vencedor da decisão de primeira instância, o qual adoto como razões de decidir: Descrição sumária da infração – AI nº 37.255.5829: Deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Descrição sumária da infração – AI nº 37.255.5810: Deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, ou esclarecimentos necessários à fiscalização. Das descrições acima, percebese que a primeira trata de dispositivo que autoriza a fiscalização a exigir todos os livros e Fl. 2209DF CARF MF Processo nº 10480.720146/201053 Acórdão n.º 2202004.305 S2C2T2 Fl. 2.210 5 documentos indispensáveis à verificação fiscal da empresa, enquanto a segunda trata de dispositivo que autoriza a exigir todas as informações e esclarecimentos necessários à fiscalização. Então, são obrigações distintas, pois documentos fiscais não se confundem com informações fiscais. Nada impede que, ao mesmo tempo, a fiscalização solicite documentos, e, ainda, solicite informações sobre esses documentos, ou ainda solicite outras informações que servirão ao trabalho fiscal. Como exemplo, citase a seguinte situação: A empresa apresenta o Livro Diário, mas não presta esclarecimentos a respeito do plano de contas, ou, ainda, nada esclarece a respeito dos lançamentos quando solicitado pela fiscalização. São condutas distintas, e não se pode pensar diferente, já que as infrações também estão capituladas em dispositivos distintos. Uma, relativa ao AI 37.255.5829 (processo 10480.720146/201053), está capitulada na Lei nº 8.212, de 1991, artigo 33, §§ 2º e 3º. A outra, relativa ao AI 37.255.5810 (processo 10480.720145/201017), está capitulada na Lei nº 8.212, de 1991, artigo 32, inciso III e § 11. Logo, sendo as infrações distintas, resta verificar se a fiscalização aplicou corretamente, ou não, os dispositivos acima citados. Para o presente Auto de Infração – AI 37.255.5829, a fiscalização autuou a empresa porquanto esta não teria identificado os contribuintes individuais que receberam remunerações escrituradas nas contas “Outros Serviços”, “Assessoria Advocatícia e Ajudante”, bem assim os serviços de “Fretes”. A empresa ainda foi intimada a apresentar os documentos que ensejaram os referidos lançamentos. Em relação à intimação para a identificação dos contribuintes individuais, e os serviços de Fretes, a fiscalização incorreu em erro de subsunção do fato à norma, vez que a tipicidade legal deste Auto de Infração (AI nº 37.255.5829) diz respeito a documentos fiscais, e não a esclarecimentos necessários à fiscalização. Agora, quanto à intimação para que a empresa apresentasse os documentos contábeis que deram origem aos lançamentos, houve o correto enquadramento do fato à norma, pois este auto de infração tem como hipótese a empresa deixar de exibir documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. Fl. 2210DF CARF MF Processo nº 10480.720146/201053 Acórdão n.º 2202004.305 S2C2T2 Fl. 2.211 6 Com isso, e sabendo que as condutas são distintas, já que uma não supre a outra, confirmase a autuação em relação à não apresentação de documentos fiscais que deram origem aos lançamentos contábeis nas contas “Outros Serviços”, “Assessoria Advocatícia e Ajudante”, e “Fretes”. Por fim, não se pode aceitar os argumentos de cerceamento de defesa em razão da volumosa quantidade de documentos que foram exigidos pela fiscalização. De um lado, porque a fiscalização oportunizou à empresa a apresentação de documentos e esclarecimentos em várias ocasiões, conforme se verifica no Relatório Fiscal. De outro, porque não consta dos autos nenhuma impossibilidade material para que a empresa não pudesse atender a fiscalização, até mesmo porque os documentos e os esclarecimentos dizem respeito a fatos que devam estar registrados em sua contabilidade. Dessa forma, deve ser acatada a decisão da DRJ, que manteve o lançamento na forma efetuada. A Recorrente requer, ainda, a aplicação da retroatividade benigna da multa, em função do art. 106, II, "c", do CTN. Não assiste razão à Contribuinte, pois as alterações na sistemática das multas aplicáveis, instituídas pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não contemplam a multa aplicada no presente caso, ou seja, a multa relativa ao descumprimento ao disposto no artigo 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991. A multa aplicada no lançamento por falta de pagamento, anteriormente prevista nos incisos do art. 35 (com gradação em face do momento processual) e as multas por falta/inexatidão em GFIP, que estavam previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91, passaram a ser previstas no art. 35A, da Lei nº 8.212/91, que remete ao art. 44 da Lei nº 9.430/96 (75%). E as multas apenas de descumprimento de obrigações acessórias relacionadas às GFIPs (CFLs 67, 68, 69) passaram a estar contempladas no art. 32A da Lei nº 8.212/91. O art. 44 da Lei 9.430/96 deixa claro que a multa de 75% se refere apenas à falta de pagamento e falta/inexatidão de declaração (que no caso da previdência é a GFIP): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (destaquei) Logo, o art. 44 não abrange a falta ou exibição deficiente de documentos ou livros relacionados com a previdência. Dessa forma, não há que se falar em retroatividade benigna nesse caso. Fl. 2211DF CARF MF Processo nº 10480.720146/201053 Acórdão n.º 2202004.305 S2C2T2 Fl. 2.212 7 CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 2212DF CARF MF
score : 1.0
